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2013 - Redin  - estratégias, diversidades e similitures das famílias agricultoras de tabaco
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O objetivo deste trabalho é analisar e compreender a dinâmica dos agricultores familiares de Arroio do Tigre, Rio Grande do Sul, buscando caracterizá-los em três grandes grupos de acordo com os seguintes elementos: quantidade de terra, restrições ambientais, emprego de tecnologia, tipo e quantidade de tabaco cultivado e nível de diversificação. Arroio do Tigre, município potencialmente agrícola, destaca-se pela produção de fumo, milho, trigo, feijão, soja, pecuária de corte e leite, e produtos voltados para o autoconsumo. Com característica diversificada, o tabaco torna-se o principal ingresso de renda, pois envolve uma produção altamente especializada com um valor final superior a culturas voltadas à larga escala. Os procedimentos metodológicos para a construção deste artigo foram a revisão bibliográfica, a pesquisa de dados secundários e o estudo de caso, realizado em Arroio do Tigre, buscando obter uma caracterização geral, por meio de entrevistas abertas com agricultores e agentes de desenvolvimento e reconhecimento do local. Entre os resultados que merecem destaque, identificam-se três tipos de agricultores e suas respectivas unidades de produção: a) agricultores com alta restrição produtiva; b) agricultores com relativa restrição; e c) agricultores com baixa restrição. Por fim, um dos resultados mais interessantes foi perceber que as famílias, grosso modo, não se dedicam exclusivamente à cultura do tabaco, tendo em sua propriedade um leque de produtos de autoconsumo e algumas culturas voltadas ao mercado como estratégia de apoio à reprodução dos agricultores familiares no espaço rural.
Palavras-chave: Famílias agricultoras, estratégias produtivas, tipologia, Tabaco, Arroio do Tigre.

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    2013 - Redin  - estratégias, diversidades e similitures das famílias agricultoras de tabaco 2013 - Redin - estratégias, diversidades e similitures das famílias agricultoras de tabaco Document Transcript

    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista58ESTRATÉGIAS, DIVERSIDADES E SIMILITUDES DAS FAMÍLIASAGRICULTORAS DE TABACOEzequiel Redin1ResumoO objetivo deste trabalho é analisar e compreender a dinâmica dos agricultores familiares de Arroio do Tigre,Rio Grande do Sul, buscando caracterizá-los em três grandes grupos de acordo com os seguintes elementos:quantidade de terra, restrições ambientais, emprego de tecnologia, tipo e quantidade de tabaco cultivado e nívelde diversificação. Arroio do Tigre, município potencialmente agrícola, destaca-se pela produção de fumo, milho,trigo, feijão, soja, pecuária de corte e leite, e produtos voltados para o autoconsumo. Com característicadiversificada, o tabaco torna-se o principal ingresso de renda, pois envolve uma produção altamenteespecializada com um valor final superior a culturas voltadas à larga escala. Os procedimentos metodológicospara a construção deste artigo foram a revisão bibliográfica, a pesquisa de dados secundários e o estudo de caso,realizado em Arroio do Tigre, buscando obter uma caracterização geral, por meio de entrevistas abertas comagricultores e agentes de desenvolvimento e reconhecimento do local.Entre os resultados que merecem destaque,identificam-se três tipos de agricultores e suas respectivas unidades de produção: a) agricultores com altarestrição produtiva; b) agricultores com relativa restrição; e c) agricultores com baixa restrição.Por fim, um dosresultados mais interessantes foi perceber que as famílias, grosso modo, não se dedicam exclusivamente à culturado tabaco, tendo em sua propriedade um leque de produtos de autoconsumo e algumas culturas voltadas aomercado como estratégia de apoio à reprodução dos agricultores familiares no espaço rural.Palavras-chave: Famílias agricultoras, estratégias produtivas, tipologia, Tabaco, Arroio do Tigre.AbstractThe objective of this study is to analyze and understand the dynamics of family farmers in Arroio do Tigre, RioGrande do Sul, seeking to characterize them in three groups according to the following: amount of land,environmental constraints, use of technology, type and quantity of tobacco grown and level of diversification.Stream of the Tiger, county agricultural potential, is distinguished by producing tobacco, corn, wheat, beans,soybeans, beef cattle and milk products for personal consumption. With characteristic diversified tobaccobecomes the main entrance of income, because it involves a highly specialized production with a final valuecrops aimed at large scale. The methodological procedures for the construction of this paper are the literaturereview, secondary data research and case study, conducted in Arroyo del Tigre, seeking to obtain a generalcharacterization, through interviews with farmers and development agents and recognition site. Among theresults that deserve mention, it identifies three types of farmers and their production units: a) farmers with highproduction constraint b) restrictions on farmers, and c) farmers with low restriction. Finally, one of the mostinteresting results was the realization that families, roughly speaking, is not exclusively engaged in tobaccocultivation, taking his property a range of products consumption and some cultures as a market-oriented strategyto support playback of farmers families in rural areas.Keywords: Farming families, production strategies, typology, Tobacco, Arroio do Tigre.1Tecnólogo em Agropecuária: Sistemas de Produção (UERGS), Crea RS 160488, Bacharel em Administração(Ulbra), Especialista em Gestão Pública Municipal (UFSM), Mestre e Doutorando em Extensão Rural(UFSM),Editor do Periódico Extensão Rural (Santa Maria), Membro da Academia Centro Serra de Letras. E-mail: ezequielredin@gmail.com
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista59IntroduçãoO rural brasileiro constitui um universo agrícola bastante heterogêneo, em função dadiversidade territorial, da existência de diferentes características das famílias agricultoras, asquais têm estratégias de reprodução social similares e, às vezes, completamente díspares. Emcerta medida, os agricultores usam de estratégias adaptativas locais, mas também podem optarpor formas de sobrevivência que seguem a matriz produtiva tradicional. Em Arroio do Tigre,região central do estado do Rio Grande do Sul, a principal matriz econômicaé a produção ecomercialização do tabaco, acompanhadas dos tradicionais produtos agrícolas, como soja,feijão, milho etc.Na última década (2000-2010), a produção de fumo em folha no Rio Grande do Sul –considerando as variações climáticas, restrições externas de mercado e outras contingências –aumentou 48.609 toneladas, partindo de um patamar de 294.873 toneladas no ano 2000 eatingindo o pico em 2004, quando alcançou 482.968 toneladas (aumento de 188.095 toneladascomparado ao ano de 2000), fechando, em 2010, com o índice de 343.482 toneladas de tabacoproduzidas, conforme a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (FEEDADOS, 2012).Em 2006, Arroio do Tigre teve como área plantada e colhida 6.500 hectares de tabaco,sendo que, em 2010, atingiu 7.250 hectares. A quantidade produzida, em 2006,foi de 14.300toneladas e, em 2010, chegou apenas a 12.687, conforme dados da FEE. Nesse ano, ocorreuuma precipitação acima do normal durante o desenvolvimento da cultura, afetandodiretamente a produtividade e produção final nesse município. Em 2010, segundo dados daFEE, o município liderou a produção de fumo em folha no Território Centro Serra, com12.687 toneladas. No mesmo ano, o município produziu 15.180 toneladas de soja, 23.400toneladas de milho, 1.661 toneladas de feijão e 1.008 toneladas de trigo. Em 2002, o localatingiu uma das maiores produções de feijão do estado, com 6.204 toneladas. Atualmente,com a desvalorização do preço, a competição de mão de obra para o tabaco e outroscondicionantes que desestimularam os agricultores, Arroio do Tigre ocupa a nona colocaçãona produção de feijão no Rio Grande do Sul. Em 2010, configurou-se como o maior produtorsul-brasileiro de fumo tipo Burley e o sétimo maior produtor de tabaco no Rio Grande do Sul,o que justifica a escolha desse local de estudo.O objetivo deste trabalho é analisar e compreender a dinâmica e as estratégias dosagricultores familiares de Arroio do Tigre, Rio Grande do Sul, buscando caracterizá-los emtrês grandes grupos de acordo com os seguintes elementos: quantidade de terra, restriçõesambientais, emprego de tecnologia, tipo e quantidade de tabaco cultivado e nível dediversificação. Os procedimentos metodológicos para a construção deste artigo foram arevisão bibliográfica, a pesquisa de dados secundários e o estudo de caso, realizado em Arroiodo Tigre, buscando obter uma caracterização geral, por meio de entrevistas abertas comagricultores e agentes de desenvolvimento e reconhecimento do local.Estratégias de reprodução – compreensões sobre o ruralOs estudos sobre as distintas estratégias de reprodução tanto agrícola quantoeconômica ou social continuam marcados por uma situação de muita complexidade eindistinção sobre o constructo teórico que ampara a noção que abordaremos. Verificamos que,cada vez mais, o espaço é dedicado a estudos de estratégias de reprodução dos agricultoresfamiliares, contudo a atenção sobre as estratégias produtivas ainda dá margem para estudar e
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista60compreender como acontecem as escolhas em curto prazo, no que se refere às atividadesagrícolas que promovem o ingresso financeiro na propriedade, consubstanciado pelasatividades de autoconsumo.A estratégia, em relação aos produtores rurais, segundo Marini e Pieroni (1987), écompreendida pelo efeito das preferências momentâneas em relação a seu entorno social.Existe uma estratégia familiar para o uso e a distribuição de recursos, até mesmo para a mãode obra na propriedade (MARINI E PIERONI, 1987). Em outras palavras, a estratégia é frutode decisões tomadas em determinados contextos, influenciadas por diversos elementos notempo e no espaço. Em face dessa consideração, evidentemente que as estratégias sãoinfluenciadas por inúmeros fatores sociais, culturais, político-institucionais, econômicos,religiosos, legais, ambientais etc. (relações externas); fatores estruturais, ambientais, sociais,familiares(relações internas),de localização, saber fazer intergeracional, entre outros.A estratégia é entendida por Bourdieu (1994, p. 13) como “ensembles d‟actionsordonnées en vue d‟objectifs à plus ou moins long terme” (“os conjuntos de ações ordenadascom vista a objetivos de mais ou menos a longo prazo”). O autor considera que as estratégiassãoconscientes, mas podem agir com as limitações estruturais que enfrentam os agentessociais e, ao mesmo tempo, como a possibilidade de respostas ativas para essas restrições. Nodocumento em que faz essa afirmação, Bourdieu conecta os termos “estratégia” e “reproduçãosocial”, usando a expressão “sistema de estratégias de reprodução social”, para elencar asdiferentes formas possíveis de desenvolvimento dos agricultores familiares. O sistema deestratégias de reprodução social, conforme Bourdieu (1994), é determinado por um grupo deestratégias pelas quais a família procura se reproduzir biológica e, principalmente,socialmente.Seguindo com um de nossos focos analíticos, parece-nos evidente compreender que asestratégias de reprodução da agricultura familiar abrangem, ao menos, dois pontos muitoinfluentes nessa análise: a) elementos econômicos e b) elementos nãoeconômicos queconduzem as escolhas, a racionalidade ou mesmo a partitura dos agricultores na sua tomadade decisão. Os trabalhos centrados na questão econômica estão concentrados, na visão deAlmeida (1986), a partir da ideia de um modo de produção camponês, com a natureza dafamília enquanto esqueleto externo deste. Essas pesquisas pressupõem compreender como aunidade familiar se reproduz no ciclo anual, ajustando trabalho, recursos naturais econhecimento tradicional para atender ao consumo familiar e para repor os insumosnecessários ao reinício do processo; assim, trata-se do que se tem apontado de reprodução,mas de uma reprodução de ciclo curto, anual. Essa perspectiva é movida pela lógicaeconômica da família, que mantém as famílias via trabalho e consumo.Em nossa imersão empírica, verificamos, dado o destaque para a produção tabagista,que a estratégia de reprodução econômica de ciclo curto, anunciada por Almeida (1986), ésempre mencionada como uma das principais formas de reprodução da propriedade rural,sendo que, em uma visão unilateral, isso pode ser conduzido pelo sistema de integração comas agroindústrias processadoras, uma vez que os acertos financeiros devem ser computadosanualmente, ao final de cada safra. De certo modo, a lógica do capital pode conduzir aestratégia dos agricultores a pensar no imediato, no ciclo curto. Pela abordagem da influênciado capitalismo na agricultura, John Wilkinson (1986, 2002), usando de um enfoquekautskyano, explica esse processo de subordinação do agricultor ao capital; e Goodman, Sorje Wilkinson (1990) analisam o processo de apropriação, pela indústria, das tarefas agrícolas.O célebre geógrafo brasileiro Milton Santos (1996) frisa que a racionalidade do capital seamplia por todos os espaços, no entanto gera contrarracionalidades, em um processo
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista61complexo e dinâmico, no qual a heterogeneidade dos modos de vida e de ação é muito maismarcante do que a homogeneidade.Outras pesquisas buscam apontar como a unidade familiar (ou conjunto delas) sereproduz no ciclo geracional, isto é, como famílias se perpetuam no tempo/espaço, o quepodemos chamar de um ciclo longo, segundo Almeida (1986). Para o autor, o escopo dessaperspectiva é a lógica de parentesco que perpetua famílias pelo nascimento, casamento, mortee herança. Na contribuição geral dessas pesquisas, Almeida afirma que, no lugar daconcepção opaca de funcionalidade macroeconômica da família rural para o capital, surge aideia de reprodução da família para si, no curto e no longo ciclo, articulada com sua inserçãona sociedade capitalista. Uma forma de expressar tudo isso é afirmar que famílias seguemestratégias micro (de curto e de longo prazo) como resposta a pressões macroeconômicas epolíticas. As pressões do ambiente exógeno denominamos de influências externas.A reprodução social da agricultura familiar, como pontuado, envolve a compreensãode múltiplos fatores, comportamentos e racionalidades determinados pelo seu contexto, sejaele ponderado aos elementos internos que determinam as ações da família,sejapeloscondicionantes externos que implicam alterar o caminho a ser seguido. A decisão de toda afamília de como se reproduzir é vulnerável pela influência tanto dos fatores externos comodaqueles fenômenos que acontecem dentro da porteira. Inferir que uma decisão é voltadaunicamente para uma dimensão é ignorar os elementos subjetivos que explicam acontinuidade da agricultura familiar.Escolhas e racionalidades das famílias agricultorasPor tratar diretamente de estratégias de reprodução dos agricultores familiares, carececompreendermos, de forma breve, por quais vias circundam as noções analíticas sobre oresultado final da família, isto é, a escolha de uma determinada estratégia de reprodução (emtermos produtivos ou não).“Influência” é um termo intangível que designa a possibilidade de modificardeterminada ação de um indivíduo. Ela pode agir de várias formas em trânsito com ascondições sociais, ambientais, econômicas, políticas, culturais ou mesmo pelas relações dafamília, da alocação de fatores (do ambiente interno), e assim por diante. Através dos aspectosinfluenciadores, o representante − ou a família rural − decide sobre quais as ações mais aptaspara o momento. Essa decisão poderia fazer parte da racionalidade dos produtores. O termo“racionalidade”, no Dicionário Aurélio, significa: “caráter do que é racional: a racionalidadede um fato científico/conformidade com a razão”. Isso delimita um campo ambíguo do que,supostamente, seria a razão, quando se trata de compreender as ações dos agricultoresfamiliares, sendo que, para uma família que tem objetivos de autossustento familiar, suaracionalidade pode envolver fatores nãoeconômicos; outrora, seria irracional pensar dessemodo, se considerarmos uma agricultura mercantilizada, em queas ações e os fatores deprodução são voltados, em certa medida, para a comercialização.Nesse último caso, chamamos a atenção para a industrialização da agriculturabrasileira (GRAZIANO DA SILVA, 1982) e a incorporação da agricultura à lógica industrial(MULLER, 1989). Esse foco analítico entende que o agricultor move sua racionalidadepensando na lógica do capital. Hauresko (2007, p. 64) estudou a racionalidade do sistema deprodução agrícola dos camponeses integrados à indústria do tabaco alegando que a produçãoagrícola muda muito nesse momento de transformação do rural: “A esta se impõe uma„racionalidade‟, ou seja, implanta-se o império do tempo cronometrado, a adoção de novastécnicas, a cidade passa a regular toda a produção, o capital financeiro passa a atender as
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista62necessidades (...), ampliam-se as exigências de racionalidade no campo”. A razão está, nessemomento, voltada estritamente para as relações com o mercado, sendo que, mesmo nessaconcepção, a família dispõe, além dos elementos econômicos, de elementos que consideramoscomo nãoeconômicos, que vão conduzir seu comportamento. São as noções da NovaSociologia Econômica (NSE) que elucidamessas questões. Fligstein (2001) afirma que acaracterística mais preponderante nos mercados contemporâneos é a sua estabilidade, então osatores sociais não desejam preços instáveis e muito menos uma competição muito forte,preferindo mercados mais estáveis, sem muitas surpresas.Tomamos por exemplo a realidade dos agricultores familiares de Arroio do Tigre(maior produtor sul-brasileiro de fumo tipo Burley), diantedas possíveis restrições que podemfornecer limitações a esse tipo de tabaco do mercado. Reportagem do dia 24 de setembro de2010 no jornal Gazeta da Serra (p. 22), intitulada “Arroio do Tigre é destaque no cultivo deBurley”, menciona que, segundo informações do Secretário da Agricultura de Arroio doTigre, o anúncio da possibilidade de prejuízos à produção faz com que muitos agricultoresiniciem a migração para o fumo tipo Virgínia. A estimativa indicou que, em dois meses,foram realizadas 98 terraplenagens para a construção de estufas, buscando alternativas parapermanecer na fumicultura. Nesse caso, a questão do fumo tipo Burley (cultivo ou mudançade tipo de fumo ou outra atividade agrícola) impacta nas estratégias (alternar de um tipo defumo para outro, continuando a produção), mas, talvez, espelha uma necessidade (expressiva)dos agricultores por segurança, pois este elemento deve ser contemplado quando se trata deestratégia, principalmente de agricultores familiares. Complementando, Paulilo (1990) afirmaque a segurança também é um elemento fundamental na relação com a empresa integradora,pela comercialização garantida, recebimento e assistência técnica.Com base nessas afirmações, notamos que os agricultores familiares produtores detabaco avessos a riscos procuram condições para que sua reprodução econômica seja menosinstável; portanto, assume relevância a segurança do mercado oferecida pelo comérciotabagista, diferente dos outros sistemas de produção,em que existe uma flutuação de preçosdiscrepantes. Autores como Bourdieu (2005), Fligstein (1990, 2001 e 2007), Swedberg(2004), Vinha (2001), Granovetter (1973, 1985, 2007), Polanyi (1992), entre outros, discutemsobre a perspectiva da nova sociologia econômica, as relações estabelecidas entre os atoressociais e o mercado.Voltamos à discussão que tínhamos iniciado, anteriormente, quando abordamos aquestão da racionalidade. Bazernan (1994) apud Tenbrunsel (2004) adverte que aracionalidade econômica tem sido há muito tempo a estrutura fundamental do estudo formalde tomada de decisões. Entretanto, os pressupostos da ação racional não se mostraramparticularmente úteis na descrição da escolha real ou comportamento decisório de indivíduos.Os tomadores de decisão reais se comportaram de maneira ase desviar das predições demodelos econômicos, tomando decisões que não eram “Pareto eficientes”, e foraminconsistentes em suas escolhas ou fizeram opções baseados em aspectos irrelevantes. Assimsendo, na perspectiva da racionalidade econômica, esses erros eram atribuídos à ignorância, àfalta de incentivos corretos ou a preferências não reveladas (TENBRUNSEL, 2004). Essaconsideração pode, em certa medida, contemplar explicações sobre a decisão de osagricultores familiares em Arroio do Tigre, RS, não optarem, exclusivamente, por culturasagrícolas voltadas somente para a comercialização. A condição nãoeconômica que faz parteda sua tomada de decisão pode explicar a opção pelos produtos cultivados para oautoconsumo das famílias; mesmo que não viáveis financeiramente, são produzidos ou parasua reprodução ou pela necessidade de um compromisso com outro indivíduo, já firmadoanteriormente. Outros autores, como Edwards (1954), Bell et al. (1988), Tversky e Kahneman
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista63(1973), são citados por Tenbrunsel (2004) como pesquisadores que contribuíram para essateoria.Uma das concepções weberianas sobre a racionalidade sugere a adequação dos meiosaos fins. Para Weber, uma organização é racional se os meios mais eficientes são escolhidospara a implementação de metas. Para Marsden e Townley (2004, p. 36), “a racionalizaçãotrabalha eliminando dos negócios aqueles elementos humanos e emocionais que escapam aocálculo”. Essa reflexão é realizada em função do modelo burocrático de organização.Trazendo para o campo da gestão das unidades de produção familiar, o uso de métodospuramente técnicos, na escolha das distintas alternativas, pode contemplar essa análise, isto é,baseada em critérios de custo de produção baixos e uma margem de lucro considerável, nãolevando em conta questões subjetivas, muito implícitas e relevantes na gestão das famíliasagricultoras. De certo modo, a lógica do capital pode conduzir a estratégia dos agricultores apensar no imediato, no ciclo curto. No entanto, ressalva há de ser feita, uma decisão é racionalquanto maior é o número de alternativas examinadas; assim sendo, se o agricultor somente seorientar por critérios de custo-receita, não seria uma racionalidade ampla, mas restrita. ComWeber, podemos explicar a racionalidade dos agricultores levando em consideração tanto asrelações internas (dentro da porteira) quanto as relações externas (fora da porteira) queinfluenciam na tomada de decisão.As ações são guiadas pela conduta alheia, conforme salienta Weber. Em outraspalavras, cada indivíduo age conforme a resposta ou reação de outras pessoas. Desse modo,Weber traz quatro tipos de ação social: a) ação racional com relação a fins: envolve toda açãoracional, em queo indivíduo avalia os “fins e meios” necessários para atingir seus propósitos,racionalmente avaliados e perseguidos; b) ação racional com relação a valores: quando oindivíduo age guiado pela crença em algum valor (ético, estético ou religioso), próprio eabsoluto de certa conduta, atuandode acordo com ou a serviço de suas próprias convicções; c)ação afetiva: guiada pela emoção, por afetos e estados sentimentais; e d) ação tradicional:gerada por um hábito enraizado (costumes). Diante de nosso objeto de estudo, uma açãoracional com relação a fins seria cultivar o tabaco para aumentar o capital, estruturar apropriedade com aquisição de bens e serviços, com fins a uma melhor qualidade de vida,usufruindo das facilidades do mundo contemporâneo. A ação racional com relação a valores éidentificada, em certa medida, no valor ético que o agricultor mantém via contrato deprodução com a indústria, ou seja, ele não desvia sua produção à outra empresa oucomercializa com ela, pois age cumprindo sua conduta de honestidade e fidelidade (existeminúmeras exceções, pois se acredita em uma relação oportunista de ambas as partes). A açãoafetiva configura-se, entre muitas, no conflito entre afamília na tomada de decisão sobre asestratégias produtivas,na indignação com o preço estipulado ou em um receio em relação aoassistente técnico. Essas emoções podem conduzir as escolhas ou decisões diante dascontingências. Já a ação tradicional pode ser configurada no hábito ou costume da família emproduzir tabaco durante gerações; isso conduz o sujeito a pensar e agir em função da históriaprodutiva.O marco teórico construído por Godelier (1976) nos chamou a atenção pela suaposição em demonstrar que a economia na sociedade industrial emerge como um sistemaautônomo (ou quase), com suas próprias leis de funcionamento impedindo o reconhecimentoda lógica das sociedades não estritamente capitalistas em queas variáveis exógenas interferemdo exterior na reprodução das condições econômicas da existência social. Em outras palavras,o autor pretende demonstrar que, no interior das sociedades não capitalistas, a economia nãoocupa o mesmo lugar e, desse modo, não assume as mesmas formas e modos dedesenvolvimento, ou, como Abramovay (1992) salienta, é a tentativa de elucidar o
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista64comportamento do agricultor familiar que, muitas vezes, o afasta da lógica capitalista damaximização de lucro.Certas ações dos agricultores são movidas por interesses não ligados a açõesestritamente econômicas, pois podem, por exemplo, contemplar o processo produtivobaseadas na amenização de conflitos, nas relações sociais internas, sob determinada forma degerir ou executar uma tarefa. As barreiras impostas pelos integrantes da família resultamemcerta dificuldade e reduzem o leque de escolhas, caso eles antevirem possíveisconsequências negativas nessa alternativa. Mesmo o agricultor estando, em parte, voltadopara a lógica econômica, ele leva em consideração aspectos elementares que vão determinar aharmonia do grupo familiar, muito importante para o futuro da unidade de produção.Godelier (1976) afirma que é a partir de um sistema de representações que osindivíduos e grupos, integrantes de uma sociedade, formulam seu processo, pois é a partirdessas representações que eles atuam sobre o meio. O que subtraímos das reflexões do autor éque as representações dão sentido a certos comportamentos e a intenções sobre a naturezaque, para um observador de outra realidade, pode parecer totalmente irracional. A realidadeque pretendemos demonstrar em nossa pesquisa com as famílias agricultoras pode estarvinculada à ideia de Godelier (1976, p. 55) segundo a qual “Todo programa dedesenvolvimento econômico que não leve em conta o conteúdo exato das representaçõestradicionais que uma sociedade formula de seu meio se expõe aos mais graves desastres”. Oautor exemplifica isso pelos numerosos fracassos nos países subdesenvolvidos, que agoradenominamos países em desenvolvimento.Para compreender as condutas dos indivíduos e dos grupos no interior desses sistemase explicar as formas de medir a eficácia real de suas intervenções no sistema, é necessário,segundo Godelier (1976), levar em consideração a transparência e a opacidade daspropriedades dos sistemas sociais. Surge, então, o problema do papel da ação conscientehumana na evolução dos sistemas sociais, isto é, o problema da relação entre racionalidadeinintencional dos indivíduos e racionalidade intencional da evolução dos seus sistemas, daevolução da história.Essas distintas racionalidades são explicadas em Godelier (1968).A primeira –racionalidade intencional – salienta que o comportamento dos atores ou agentes, em umsistema social ou administrativo, deve ser racional, isto é, aquilo que tem por propósito arazão, a sua forma, os procedimentos, objetivando atingir determinados fins para os quaisconcorrem os meios específicos. Nessa visão, entendemos a compreensão dos fenômenos poruma análise da realidade ou interesse de compensação. A racionalidade inintencional entendeque o sistema é racional, pois funciona na lógica da adequação dos meios aos fins, no sentidode uma propriedade imanente, seja por meio da concorrência imperfeita, seja pelafuncionalidade e equilíbrio inerentes. Nessa lógica, a ação é condicionada pelo sistema. Dessemodo, quanto menor o grau de liberdade, menores serão as ações inintencionais.Tomamos como exemplo o setor fumageiro, a avicultura e a fruticultura, setores emque o arranjo da indústria é mais direto e fundamentado em acordos de metas e o processo deindustrialização deixa pouco espaço de liberdade aos agricultores e tende a transformá-los emempresários familiares, que perdem muito de sua condição camponesa (PLOEG, 2008).Entretanto, mesmo em segmentos em que a coordenação da indústria é mais flexível, ospatamares de escala tendem a ser necessários para permitir a competitividade, seja viaprodutividade física/ha, seja via redução de custos de produção, sempre na lógica dediminuição da vulnerabilidade aos efeitos das variáveis naturais. Para Reardon et al. (2009), apermanência da competitividade da produção em pequena escala depende dos laços dos
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista65agricultores com os mercados locais e regionais e da inexistência, no mesmo setor deprodução, de unidades que operem em grande escala.A análise de Ploeg (2008) paira sobre esse complexo e abrangente processo deindustrialização que confere um contexto em que os preços agrícolas descendentescomprimem os agricultores, sendo que, para resistir, muitos procuram trilhar um caminho queos afaste o máximo possível dos impérios alimentares. Assim, a exigência de escala deprodução e um sistema altamente dependente de insumos industriais têm originado gravesproblemas ambientais, causando enorme impacto sobre a qualidade dos recursos naturaisdisponíveis aos agricultores e suas famílias. A poluição dos recursos hídricos, inclusive doslençóis freáticos mais profundos, e a contaminação dos alimentos, associadas à pressão doEstado, que responsabiliza os agricultores pelos problemas ambientais, criam um contexto emque proliferam estratégias de resistência a esse modelo industrial de agricultura. Essasestratégias estão inseridas no que Ploeg (2008, p. 23) denomina de processo derecampesinação: “uma expressão moderna para a luta por autonomia e sobrevivência em umcontexto de privação e dependência. A condição camponesa não é, definitivamente, umacondição estática. Ela representa uma linha através do tempo, com movimentos ascendentes edescendentes”.A análise da cultura na perspectiva sociológica insere ao campo de estudo uma visãomenos pragmática do comportamento humano no que se refere a escolher determinada opçãona sua reprodução social. Talvez, a cultura é um dos aspectos determinantes que explicam asatitudes das famílias agricultoras, mediadas por uma forte influência tanto do ambienteexterno quanto do interno, mas atreladas a paradigmas legitimamente construídos em suasgerações antecedentes. Em nosso local de estudo, a grande proporção de italianos e alemãesque habitaram e desenvolveram a região é um exemplo do que estamos falando. Ofato de ser“italiano” ou “alemão” vem carregado de certos pré-conceitos em relação a determinadoscomportamentos, compreendidos como consagrados, independentemente da construção doindivíduo em questão. Essa “rotulagem” carrega uma visão unilateral e prescritiva de que todafamília dessa origem tem determinado comportamento, o que nem sempre se torna verídico.Ou, talvez, como melhor define DiMaggio (1990, p. 167), “na minha perspectiva, o termo„cultura‟ diz respeito à cognição social, ao conteúdo e às categorias do pensamento conscientee a tudo aquilo que tomamos por certo”.O caráter transversal das teorias nos permite trazer à tona a teoria da contingência,pois acreditamos que não existe nada de absoluto nas decisões;assim sendo, tudo é relativo.Segundo Chiavenato (2000), nessa teoria tudo depende, sendo que existe uma relaçãofuncional entre as condições do ambiente e as técnicas administrativas necessárias para oalcance eficaz dos objetivos da organização. Nesse campo de compreensão, as variáveisambientais são variáveis independentes, enquanto as técnicas administrativas são variáveisdependentes dentro de uma relação funcional. No entanto, não existe causalidade direta entreessas variáveis, pois o ambiente não causa a ocorrência de técnicas administrativas, mas umarelação funcional entre elas, ou seja, precede-se a relação “se-então”: se a variávelindependente for assim, então as técnicas administrativas deverão ser também. Oreconhecimento, o diagnóstico e a adaptação à situação são essenciais para essa abordagem,mas não suficientes, pois precisam ser constantemente identificados e adequados ao contexto.A teoria da contingência oferece elementos para a reflexão da gestão das propriedadespelos agricultores, uma vez que a análise do “se-então” é usada constantemente nas suasdecisões. Percebemos que as condições de preço, de mercado, de clima e de negociação sãoalgumas das condições externas que influenciam, particularmente, na tomada de decisão doagricultor em cultivar ou não determinado produto agrícola. Essas contingências externas,
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista66como denomina Chiavenato (2000), podem oferecer oportunidades e imperativos ou restriçõese ameaças que influenciam a estrutura da unidade de produção e os processos internos. Navisão de Donaldson (1999), existem diversos fatores contingenciais, tais como estratégia,tamanho e incerteza com relação à tecnologia e às tarefas. Essas particularidades refletem ainfluência do ambiente em que a propriedade rural está inserida, sendo que, para ser efetiva,ela precisa adequar sua estrutura e seus fatores contingenciais e de tal modo ajustando-se aoambiente.Nossa linha sistemática nesse marco conceitual, dentro das possibilidades, nãopretende limitar nossa compreensão do espaço rural sob a tangente de uma única abordagem,pois isso, em nossa visão, é cometer um ledo engano ao imaginar que a complexidade e adinâmica das chamadas estratégias de reprodução social permitiriam a construção de simplesmodelos teóricos metódicos ou simplificadores que cabem a qualquer realidade. Portanto,dadas as limitações, delimitamos nossa abordagem, adiante, à perspectiva das estratégias queenvolvem a produção agrícola, estratégias de curto prazo.Diversidade produtiva e reprodução socioeconômicaArroio do Tigre, município sul-brasileiro, potencialmente agrícola, destaca-se pelaprodução de fumo, milho, trigo, feijão, soja, pecuária de corte e leite, e produtos voltados parao autoconsumo. Com característica diversificada, o tabaco torna-se o principal ingresso derenda, pois envolve uma produção altamente especializada com um valor final superior aculturas voltadas à larga escala. Nesse sentido, Redin (2011a) identifica três tipos deestratégias para o local, assim sendo: a) estratégia de reprodução principal: designa a culturado fumo como a base estrutural das unidades de produção, servindo como principal orientaçãofinanceira e determinando a alocação dos fatores de produção e a presença (em maior oumenor grau) de outros sistemas de produção; b) estratégia de reprodução complementar:envolve os produtos agrícolas voltados para a comercialização do excedente, como milho,trigo, feijão e soja (voltado somente para venda) e atividade de pecuária de corte e leite, emalguns casos. A principal função é servir como complementação de renda, consolidando efornecendo segurança em eventuais dificuldades ou frustrações de safra da atividadeprincipal; e c) estratégia de reprodução básica: tem característica voltada, principalmente,para o autoconsumo da família, sendo os produtos, em raros casos, comercializados. Emdeterminadas propriedades, dependendo da contingência, pode existir uma transição entre aestratégia de reprodução básica e a complementar.As atividades agrícolas para autoconsumo e comercialização jápodiamser observadasna regiãoantes mesmo da emancipação político-administrativa do município, tendo o tabacocomo moeda de troca e as outras culturas para a subsistência da família. Ao longo doprocesso, aconteceram transformações no espaço rural e na forma de conduzir as tarefas,inclusive a comercialização dos produtos oriundos da roça.Vale anotar também a produçãohortifrutigranjeira, a olericultura, a suinocultura, a avicultura, a piscicultura, a presença deagroindústrias familiares rurais e o cultivo de produtos voltados para o autoconsumo familiar.As estratégias de incrementação na atividade escolhida perfazem o uso de técnicadiferenciada ou alternativa, proporcionando, às vezes, um produto final de melhor qualidade.As estratégias de consolidação equivalem a um conjunto de ações de fortalecimento daunidade de produção e da família que nela se reproduz.Trata-se, aqui, das estratégias dereprodução de ciclo curto que envolvem a produção agrícola anual. No próprio âmbito,existem famílias pluriativas, com rendas não agrícolas, derivadas da exploração do turismorural, da prestação de serviços a terceiros e outras formas de reprodução social. É claro que
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista67existem diversas estratégias de reprodução ligadas à natureza social, cultural, espacial,política, entre outras. Essas atividades andam em concomitância com a atividade fumageira,que ganha destaque mais acentuado pelo volume econômico expressivo.No bojo dessa discussão, emergem as estratégias amplas, isto é, abarcam de diferentesopções de reprodução social na agricultura, sendo estas não limitantes a um único alvo, comono caso o fumo, mas envolvendo estratégias complementares, estratégias básicas ou outrasnão relativas à produção estritamente falando, como as rendas nãoagrícolas, a pluriatividade,o turismo rural, entre outras, relativas à multifuncionalidade na agricultura. Háaindaestratégias restritas que envolvem as famílias agricultoras que sempre se dedicaram a umúnico cultivo (principal), visualizando-o como única forma capaz de manter sua reproduçãosocial, pela sua retrospectiva histórica e pelo único saber fazer geracional. Ambas sãomediadas por fenômenos positivos (oportunidades) e negativos (ameaças). As estratégiasrestritas são mais carregadas de ameaças, enquanto as estratégias amplas são maisconsubstanciadas por oportunidades e, possivelmente, um menor grau de incerteza, segundointerpretação de Redin (2011b).Considerando alguns fatores que interferem na gestão da unidade de produção pelasfamílias agricultoras locais, identificamos elementos internos e externos. Os primeirosenvolvem entender os fatores mão de obra, estrutura, restrição ambiental e localização dapropriedade como resultantes de decisões na forma, tipo, modo e escala de cultivo. Ascontingências externas equivalem a levar em consideração os fatores econômicos, climáticos,sociais, político-institucionais, culturais, legais, tecnológicos e demográficos, segundo análisede Redin (2011b).As famílias agricultoras brasileiras enfrentam inúmeras dificuldades e limitações noâmbito da produção agrícola. Os principais pontos, elencados pelos próprios agricultores,foram os seguintes: a) inexistência de uma efetiva atuação do preço mínimo; b) instabilidadedo mercado; c) intempéries climáticas; d) alto custo da mão de obra contratada; e) problemasestruturais (tamanho da propriedade, infraestrutura e posse da terra); f) dilapidação dosrecursos naturais; g) legislação ambiental rígida; h) ausência da assistência técnica pública; i)disfunções dos programas estatais; e j) impossibilidade de oferta regular de produtos ou escalade produção. Esses fatores apontados apresentam-se como limitantes na concepção dosprodutores rurais, dificultando o ato de fazer agricultura e seu processo de desenvolvimento.Famílias agricultoras: generalizando a diversidadeAnalisando as restrições ambientais e socioeconômicas no território de Arroio doTigre, percebemos diferenças relevantes em relação à quantidade e qualidade terra, áreasdeclivosas e razoavelmente planas, bem como ao nível de estruturação, acesso à informação,conhecimentos internos (provindos de experiências) e externos (de cursos e agentes deextensão, mídias e internet), disposição da mão de obra, emprego da tecnologia, capacidadeempreendedora, distância do centro urbano, entre outros. Tais peculiaridades trazem àagricultura familiar de Arroio do Tigre uma característica particular quando incorpora aatividade fumageira como principal fonte de ingresso monetário e outras atividades compondoo complemento da renda e subsidiando o autoconsumo das famílias por produtos de menorexpressão local.As propriedades dos agricultores do município se caracterizam, principalmente,pelapredominânciado sistema de produção de fumo, tendo lavouras complementares paracomercialização e as atividades de autoconsumo que viabilizam a reprodução das famíliasagricultoras. A inserção na dinâmica rural da região nos possibilita uma caracterização geral
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista68dos grandes grupos de unidades agrícolas que têm como base a atividade fumageira. Para isso,levamos em consideração a escala de produção, os fatores ambientais, o acesso à tecnologia,ocanal de comercialização e a relação com a agroindústria. Desse modo, dividimos essasunidades emtrês tipologias, apresentadas a seguir.2Agricultores com alta restrição produtivaA categoria é caracterizada pela alta restrição ambiental que limita as atividadesagrícolas. Abrange agricultores que possuem até dez hectares, com pequena área disponívelpara agricultura e com mata nativa presente na propriedade. Predominam áreas declivosas,inclinadas, com dificuldades para o emprego de máquinas agrícolas (o trator, o escarificador,a carreta, o semeador direto etc.). A tração animal apresenta-se na maioria das propriedades(arados, grades, carroças, capinadeiras etc.). Grosso modo, as propriedades apresentamdificuldades para o transporte de produção. São agricultores mais especializados, eo cultivodo fumo tipo Virgínia é a principal atividade. Cultivam milho na resteva do tabaco, tendocomo foco o consumo da propriedade e a venda de excedentes, além dos produtos paraautoconsumo da família.As limitações ambientais (pouca terra e declividade) impedem o cultivo de outrosprodutos agrícolas de escala e maior emprego de tecnologia na colheita. São agricultorescapitalizados, parcialmente dependentes da agroindústria de fumo. Geralmente sãoagricultores que têm expressiva plantação de fumo, priorizando a qualidade do produto. Amão de obra é limitada, podendo ser contratada nos momentos de pico da colheita. Sãoreferência na região pelo grau de especialização e qualidade, obtendo uma excelente receitaproveniente e uma boa classificação do produto na indústria. Sem a cultura do fumo, existeuma alta propensão ao êxodo rural, abandono da atividade no local. Destacam-se,principalmente, as localidades de Linha Taquaral e Linha São Roque, do II Distrito de Arroiodo Tigre. Em outras localidades, também se verificamessas características, mas em menorexpressão.Agricultores com relativa restriçãoA categoria é caracterizada por média restrição ambiental para as atividades agrícolas.Geralmente, o que mais as afeta são as restrições naturais existentes, pela má conservação dosolo ou baixa fertilidade. Abrangem agricultores que possuem acima de 11 hectares,alternando áreas com alguma declividade mais acentuada e outra parte com possibilidade deemprego de máquinas agrícolas. Intercalam nessas unidades de produção a tração animal e oemprego razoável de tratores, colheitadeiras e semeadoras, caso possuírem na suapropriedade. São agricultores diversificados, eo cultivo do fumo tipo Burley é preponderante,mas existem propriedades em que o Virgínia também é cultivado; às vezes, ocorrem os doistipos. Os três tipos de estratégias (principal, complementar e básica) construídas para omunicípio de Arroio do Tigre têm alta representatividade.As restrições mais significativas envolvem a escassez de mão de obra e instalaçõespara aumentar a área de fumo na propriedade. São agricultores relativamente capitalizados,incluindo desde aqueles menos capitalizados até os mais consolidados, bem como dos maisautônomos àqueles mais dependentes das agroindústrias. A área de produção de tabaco vai2Passível de generalização a outros casos, mas alertamos que essa tipologia é baseada no estudo dos agricultoresde Arroio do Tigre, RS.
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista69depender, relativamente, da quantidade de mão de obra na família, variando conforme a safraagrícola. São referência na região por compor onúmero de maior expressão no município,alternando desde agricultores que prezam pela qualidade do produto até aqueles que prezampela quantidade. Sem a cultura do fumo, existe uma alta propensão para a migração àatividade leiteira ou à pecuária, em outros casos até ao abandono das atividades agrícolas emdetrimento do trabalho assalariado. São expressivos em quase todos os distritos, compondomajoritariamente as unidades de produção agrícolas, abrangendo muitas propriedades nomunicípio.Agricultores com baixa restriçãoA categoria é caracterizada pela baixa restrição ambiental para as atividades agrícolas.Enquadramos agricultores que possuem acima de cinquenta hectares,com ótimas terras,altamente férteis ou corrigidas pela calagem, uso de insumos e conservação do solo. Possuemáreas majoritariamente planas, sendo possível o emprego de toda a tecnologia. Quase inexistea tração animal nessas propriedades, predomina o cultivo tipo Burley como uma dasatividades principais, às vezes em conjunto com a produção de leite ou culturas de largaescala como a soja, principalmente. São altamente diversificados, mas em poucos casos usamos produtos oriundos da estratégia de reprodução básica para a comercialização. Estão maispreparados parauma possível restrição ao cultivo de fumo.Diante das dificuldades de mão de obra, podem contratá-la temporariamente. Pela suaespecificidade no ativo fumo, podem existir casos em que trabalham com famílias meeiras.Dificilmente ficam dependentes das agroindústrias fumageiras, podendo, grosso modo,tornarem-se intermediários para a compra do produto. Dependendo da quantidade de tabacocultivada, podem conseguir maior poder de barganha no momento da comercialização. Nãosão especializados na cultura, mas possuem bom acesso àinformação sobre as técnicas e ocanal de comercialização. Devido a uma alta diversificação nas fontes de renda, podemadquirir novas áreas de agricultores menos eficientes ou aqueles com planos de sair daatividade agrícola por outros motivos. Em Arroio do Tigre, constatamos que hápoucosagricultores que habitam nessa tipologia, os quais se distribuemprincipalmente no IV Distrito(localidades de Linha Paleta e Vila Progresso) e outros locais, em menor expressão.Dificilmente acontecerá de os agricultores abandonarem a atividade em detrimento do meiourbano, mas poderão optar por morar na cidade e trabalhar no interior. Existem parcelas dessatipologia que optam por não cultivar o fumo, dedicando-se especialmente àatividade leiteira,pecuária, milho e produção de soja.Considerações finaisA interconexão entre as escolhas das famílias agricultoras envolve compreender adinâmica em que estão inseridos, visualizar as preeminentes dificuldades estruturais eambientais, além dos diversos problemas no ambiente macroeconômico; estes traduzem umcenário particular, emaranhado e de difícil mensuração do impacto no rural. As escolhas dosagricultores, antes de tudo, também são reguladas pelo tempo/espaço, ligadas aocomportamento da natureza, do homem e da cogitação do mercado, além das especificaçõessubjetivas intrinsecamente particularizadas no interior de cada grupo familiar. Vale destacarque as famílias produtoras de tabaco não se limitam apenas a essa atividade. Pensar dessamaneira seria cair no reducionismo que movimenta alguns extratos intervencionistas. Dessaforma, um dos resultados mais interessantes foi registrar que as famílias, grosso modo, não se
    • REDIN, E. Estratégias, diversidade e similitudes das famílias agricultoras de Tabaco.SOCIEDADE E DESENVOLVIMENTO RURALon line – v.7, n. 1 – Jan – 2013. ISSN 1981-1551www. inagrodf.com.br/revista70dedicam exclusivamente à cultura do tabaco, tendo em sua propriedade um leque de produtosde autoconsumo e algumas culturas voltadas ao mercado como estratégia de apoio àreprodução dos agricultores familiares no espaço rural.Apontar tipologias que, grosso modo, representam um extrato geral das famíliasagricultoras de tabaco é uma forma ousada de categorização, no entanto facilita acompreensão geral do comportamento adotado em relação à produção de tabaco e outrosprodutos. Essa tipificação indica que, dentro de sistemas de produção similares, existemdistintas atuações, racionalidades e formas de direcionar a propriedade ao mercado, visando,como produto final, um ingresso econômico para as famílias rurais.Os agricultores, em certa medida, estão ainda carentes de uma intervenção maisefetiva no rural brasileiro. Apenas financiamentos públicos,por meio delinhas de crédito deprogramas direcionados à agricultura familiar, não solucionam os problemas da agricultura,muito menos os fortalecem; apenas estimulam o complexo agroindustrial que abocanhou parteda cadeia produtiva. Mesmo após algumas investidas em atividades alternativas, ainda anda-se a passos lentos, diante de uma agricultura tradicional que privilegia a economia de escala,tratando de inseri-los nesse mesmo sistema que, como se sabe, épouco competitivo. Aatividade do tabaco, indiscutivelmente contraditória, por se tratar deuma atividade queprovoca problemas de saúde aos produtores e aos consumidores do cigarro, ainda permanececomo uma atividade que traz retornos consideráveis, comparadaà produção de produtosagrícolas convencionais (soja, arroz, milho, trigo, feijão, entre outros). Diante dessaambiguidade, vale lembrar que, háalguns anos, o tabaco chegou discursivamente como uma“alternativa” ao agricultor. Parece-nos um dilema contraditório. Avançar é preciso, noentanto, no caso brasileiro, as estratégias que potencializem a diversificação do sistemaprodutivo, a valorização dos produtos da agricultura familiar, a construção de mercadosalternativos, a geração de renda e outros indicadores que tragam retorno ao trabalho dasfamílias rurais necessitam ganhar reforço. Valorar a produção de alimentos com medidasintervencionistas do Estado é um passo importante para modificar o cenário do ruralbrasileiro.BibliografiaABRAMOVAY, R. Paradigmas do capitalismo agrário em questão. São Paulo, Hucitec,1992.ALMEIDA, M. W. B. Redescobrindo a família rural. Revista Brasileira de Ciências Sociais,São Paulo, v.1, n.1, 1986. p. 66-93.BOURDIEU, P. “O campo econômico”. Política & Sociedade, N. 6, abril de 2005., 2005. p.15-57.BOURDIEU, P. Stratégies de reproduction et modes de domination. Actes de la Rechercheen Sciencies Sociales, 105, 1994.CHIAVENATO, I. Introdução a teoria geral da administração. 2ª Ed. Rio de Janeiro,Campus, 2000.DiMAGGIO, P. Aspectos culturais da ação e das organizações. In: PEIXOTO, J.;MARQUES, R. (Eds.). A Nova Sociologia Econômica: uma ontologia. Oeiras: Celta, 2003.
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