Revista Ecologica 001 Reduzida

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Primeira edição da Revista ecoLÓGICA

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Revista Ecologica 001 Reduzida

  1. 1. Ano 1 - Edição nº 1 - Dezembro 2008
  2. 2. Suicídio coletivo Vilmar Demaman ou mudança? “Estamos diante não é a mesma para todo mundo. Enquanto O de uma verda- nde alguns vêem problemas para uns mudar vai significar consumir deira emergência outros vêem solução. Enquanto menos, rever hábitos desperdiçadores, mo- planetária. A crise uns compram lenço para chorar dificar sistemas concentradores de renda e os prejuízos anunciados com as mudanças produtores de miséria, para outros, milhões climática não é um climáticas, outros se preparam para vender de excluídos, que vivem na pobreza e nem assunto político. É lenços e também tecnologias e conhecimentos sempre têm o que comer no dia seguinte, um desafio moral e para uma sociedade de baixo ou nenhum mudar vai significar consumir mais. Para espiritual para toda carbono. essas pessoas é até crueldade falar sobre a a humanidade.” A mudança entre um estilo de vida que importância e necessidade de preservação da Al Gore, ex-vice- não se importa com o meio ambiente ou biodiversidade, da mata atlântica, das baleias, presidente dos com a miséria e outro que se importa tem se do mico-leão-dourado, sem também oferecer Estados Unidos, tornado cada vez mais visível por qualquer possibilidades e alternativas econômicas um dos vencedores indicador que se adote. Para se ter uma idéia sustentáveis para que saiam da situação de do Prêmio Nobel da mudança, por volta da década de 70 a miséria em que se encontram. da Paz de 2007 poluição era percebida como positiva, um Então, se no século passado a ênfase da sinônimo de progresso. Na década seguinte, mudança estava mais em seus aspectos am- o negócio passou a ser reduzir a poluição e bientais, hoje, a ênfase é na sustentabilidade, mais ou menos uma década depois a busca uma idéia que associa o ambiental ao social pela poluição zero. Poluição passou a ser e ao econômico e que vai além do presente, sinônimo de desperdício, prejuízo financeiro projetando nossas preocupações para o com multas e embargos, etc. Na entrada do campo da ética e futuro, por que cada vez * Vilmar é escritor e jornalista am- século 21, a mudança evoluiu para a busca fica mais claro que não recebermos o planeta biental, é fundador da REBIA – Rede de tecnologias limpas e conhecimentos de herança de nossos pais, mas o estamos Brasileira de Informação Ambiental e capazes de reparar os danos e ainda ganhar tomando de empréstimo de nossos filhos e editor da Revista do Meio Ambiente dinheiro com isso. netos, como bem disse Henry Brown. e do www.portaldomeioambiente. O desafio agora é aumentar a velocidade Um aspecto da mudança que nos dá es- org.br Em 1999, ganhou o Prêmio dessa mudança por que, segundo os cientis- perança é que ela não se dá por acaso muito Global 500 da ONU para o Meio tas, corremos o risco de, a partir de 2050, menos é obra ou depende de algum ‘salvador Ambiente e em 2003 o Prêmio passarmos do ponto de retorno, quando da pátria’, mas resulta do esforço coletivo Verde das Américas começará o colapso do Planeta. Exagero ou e continuado de uma verdadeira ‘confraria não, a prudência requer pre- de amigos do planeta’ que cresce a cada dia caução de nossa parte, por e que, de forma incansável e muitas vezes que não dá para adotar a ao preço de perder a própria vida, como suicida atitude de esperar o Chico Mendes, não se deixou – e não para ver. se deixa - abater diante da enormidade ou Entretanto, mudar não urgência da tarefa, por que em vez de tentar é fácil! E uma das carac- encontrar desculpas para não fazer nada, terísticas da mudança encontrou um jeito de continuar lutando que a tornam mais por este mundo melhor, que é possível, mas desafiadoras é que ela que começa aqui, agora, em nós. 2 REVISTA ECOLÓGICA – Dezembro 2008
  3. 3. SUMÁRI 8 11 15 18 6 [ARTIGO] Construção Verde Edição 1 - Ano I Dezembro de 2008 Publicação Mensal da [ENERGIA LIMPA] QI - Empresarial Consultoria e Serviços Ltda Fontes renováveis podem gerar 50% CNPJ: 02.375.616/0001-72 8 Fone: (62) 3622-8074 da eletricidade mundial Rua M3A, Q. 27, L. 22 – P. Laranjeiras Berlim (Alemanha) e São Paulo (SP) — Segundo estudo lançado pelo Greenpeace, 74855-560 Goiânia-GO investimentos em fontes limpas podem resultar em indústria com faturamento www.revistaecologica.net contato@revistaecologica.net de US$ 360 bi/ano. 10 [ P R Ê M I O A M B I E N TA L ] CREA-GO: Iniciativas ambientais são premiadas EXPEDIENTE DIRETOR COMERCIAL Bosco Carvalho [MEIO AMBIENTE] EDITORA 11 Reduções no efeito estufa Izabela Carvalho Documento entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, considera o MTBDRT-GO 1058 Plano Nacional de Mudanças Climáticas do governo insuficiente para atender a DIRETOR DE ARTE urgência de redução de emissões de gases que causam o aquecimento global. Carlos Nascimento DIRETORA INTERNACIONAL 15 [CONSTRUÇÃO] Casas que mantêm o calor do lado de fora! Elke Seiwert Carvalho COLABORADORA Antonia de Castro 18 [MERCADO DE TRABALHO] Empregos verdes. Será?
  4. 4. [ C A R T A P A R A O L E I T O R ] Palavra do diretor Bosco Carvalho Nunca fui um ativista ambiental, o processo de coleta seletiva. E como minha irmã Izabela, primeira jornalista nem mesmo um eco-chato. Mas as empresas se tornaram milionárias goiana, que é também perita ambiental quando tinha uns 14 (hoje tenho 56), reciclando. e do apoio no lado internacional, por dizia para meus tios fazendeiros, que Hoje, depois de quase 4 anos de parte de minha companheira, a Elke. se secar os brejos e derrubar as matas volta ao Brasil, edito desta revista. Irei Ela que aos 13 anos já questionava, na ciliares, não era bom. Eles riam de apresentar exemplos de atos ecológicos Alemanha, a energia atômica, dão-me mim. O fio d’água que corria numa de sucesso. E até de como geri-los a força e a coragem de iniciar novos parte da fazenda, hoje só existe como com vantagens para todos. Não só as projetos, com uma idade na qual, lembrança... Felizmente já entende- ligadas ao capital…Escolhi o caminho muitos e muitas já se aposentaram ram que é preciso fazer mais que só do exemplo, pois vejo que é possível ou estão a caminho...Sim, nós po- destruir menos. motivar mais que só com críticas. A deremos salvar o planeta do colapso Em 84, decepcionado com o crítica dura e inconseqüente, só divide total, se agirmos todos nesta direção e Brasil, resolvi sair daqui. Passei pela mais o que já está separado. principalmente se superarmos nossos Suíça, Alemanha, Inglaterra, Índia e O sucesso de minhas inciativas, limites pessoais. USA. Em março de 1985, fixei-me na divido com o time. Com o Carlos, Alemanha. Lá, vi como introduziram que cuida do visual da revista. Com Bosco Carvalho 4 REVISTA ECOLÓGICA – Dezembro 2008
  5. 5. [ A R T I G O ] Construção verde U m grupo formado por quatro pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, desenvolveu um tijolo para a construção civil que utiliza resíduos de espécies frutíferas da maior floresta tropical do mundo como matéria-prima, algo bem diferente dos produtos convencio- nais feitos de argila. A novidade, que levou oito meses para ser concluída e está em processo de patenteamento, é confeccionada com o ouriço e com a casca da castanha-do-pará (Ber- tholletia excelsa) e com fragmentos vegetais do tucumã (Astrocaryum aculeatum), palmeira que chega a medir 20 metros de altura. O projeto de desenvolvimen- to do tijolo ficou com a segunda colocação na categoria “Econômica – Tecnológica” do prêmio Professor Samuel Benchimol 2008, concedido pelo Ministério do Desenvolvimen- to, Indústria e Comércio Exterior a iniciativas que visam ao desenvolvi- mento sustentável da Amazônia. De acordo com o idealizador do produto, Jadir Rocha, pesquisador titular da Coordenação de Pesquisa em Produtos Florestais do INPA, os componentes vegetais são tri- turados e aglutinados com resinas prensagem em altas temperaturas. fenólicas, obtidas pela reação de “Além das matérias-primas serem vegetais e, por condensação e polimerização entre isso, poderem ser recicladas após o uso em constru- um fenol e um aldeído (compos- ções, outra novidade é que o tijolo se mostrou excelen- tos químicos orgânicos), para em te isolante térmico. Ele tem um sistema de encaixe tipo seguida passar por um processo de macho-fêmea, sem precisar de massa ou cimento, o que 6 REVISTA ECOLÓGICA – Dezembro 2008
  6. 6. [ A R T I G O ] cionais”, afirmou. Participaram do tou. trabalho as pesquisadoras Cynthia Uma das justificativas para o Pontes, Tereza Bessa e Vânia Lima, desenvolvimento do projeto foi a do Laboratório de Engenharia grande disponibilidade de maté- da Madeira do Inpa. ria-prima na região amazônica. De Rocha conta que o acordo com o Instituto Brasileiro tijolo, que ainda passará de Geografia e Estatística (IBGE), por novos estudos antes são produzidas anualmente mais de de chegar ao mercado, 30 toneladas de castanha-do-brasil poderá ser utilizado em no Norte do país. Estima-se que se- qualquer tipo de edi- jam gerados pelo menos duas vezes ficação até quatro andares. mais resíduos, que normalmente Segundo ele, é possível construir são jogados no lixo após a colheita uma casa popular de cerca de 40 do fruto. metros quadrados, por exem- “Ser agraciado com o prêmio plo, com aproximadamente 5 Professor Samuel Benchimol é mil tijolos. extremamente gratificante, pois se “O desenvolvimento do tijolo traduz no reconhecimento dessa foi motivado pela necessidade de proposta para o desenvolvimento pesquisas voltadas para o aproveita- sustentável da floresta amazônica”, mento e a valorização da potencia- disse Rocha, ressaltando que a lidade da biodiversidade vegetal da tecnologia do tijolo vai ao encontro Amazônia. É importante diminuir dos planos de governo e prioridades a pressão sobre os estoques de de políticas públicas da região por espécies arbóreas economicamente se enquadrar nos objetivos do Plano desejáveis, que vêm sendo reduzidas Amazônia Sustentável (PAS), do drasticamente na natureza”, ressal- Ministério do Meio Ambiente. facilita e reduz o tempo de construção das paredes e divisórias”, disse Rocha à Agência FAPESP. “Os resultados dos testes em laboratório foram bastante satisfatórios. As matérias-primas utilizadas na sua confecção são de alta durabilidade, conferindo resistência mecânica semelhante à dos tijolos conven- Dezembro 2008 – REVISTA ECOLÓGICA 7
  7. 7. [ E N E R G I A L I M P A ] Fontes renováveis M etade da eletricidade con- sumida no mundo poderia ser gerada por fontes reno- podem gerar 50% da váveis, diz a segunda edição do estudo [R]evolução Energética: Perspectivas para uma Energia Global Sustentável, eletricidade mundial lançado na Alemanha. Veja no http:// www.greenpeace.org/raw/content/ brasil/documentos/energia/sumario- executivo-r-evolu-o.pdf. Berlim (Alemanha) e São Paulo (SP) — Segundo estudo Atualmente, apenas 13% da demanda lançado pelo Greenpeace, investimentos em fontes mundial de energia primária é suprida limpas podem resultar em indústria com faturamento pelas renováveis. De acordo com a pesquisa elaborada pelo Centro Aero- de US$ 360 bi/ano. espacial da Alemanha, por encomenda do Greenpeace e da Comissão Européia de Energia Renovável (EREC, na sigla em inglês), investimentos agressivos em renováveis poderiam resultar em uma indústria com faturamento de US$ 360 bilhões anuais. Para ler o relatório na íntegra, em inglês, um arquivo pdf com 212 páginas acesse o http://www.greenpeace.org/ raw/content/international/press/re- ports/energyrevolutionreport.pdf Dentro do cenário traçado, as termelétricas fósseis desapareceriam, o que geraria uma economia de US$ 18 trilhões na compra de combustíveis fósseis - valor mais que suficiente para financiar o aumento das renováveis na matriz energética mundial. A adoção de fontes alternativas de energia é fundamental para combater as mudanças climáticas, que já estão alterando ecossistemas e provocando cerca de 150 mil mortes por ano. Um aquecimento global médio de 2°C ameaçará milhões de pessoas com o aumento de fome, malária, inunda- ções e escassez de água. O principal gás responsável pelo efeito estufa é o dióxido de carbono (CO²), produ- zido pela queima de combustíveis Energia de graça e em fartura para a humanidade, gerada pelos ventos 8 REVISTA ECOLÓGICA – Dezembro 2008
  8. 8. [ E N E R G I A L I M P A ] fósseis para a geração de eletricidade dois dígitos até 2050, e ultrapassar o tamanho da atual Usinas e transporte. indústria de combustíveis fósseis. Hoje, o mercado de nucleares ainda O cenário [R]evolução Energética energia renovável movimenta US$ 70 bilhões e dobra de muito usadas tem como meta para 2050 a redução de tamanho a cada três anos”, avalia Oliver Schäfer, diretor na europa, 50% das emissões mundiais de CO², de Política da EREC. como fonte de em relação aos níveis de 1990, a fim “A indústria de renováveis está pronta para respon- energia, mas de manter o aumento da temperatura der à necessidade de fazer da revolução energética uma um perigo real, global abaixo de 2°C. A eficiência realidade. O que impede uma reestruturação do setor a longo prazo, energética tem o papel principal na energético mundial é a falta de vontade política”, com- para o meio redução destas emissões. O estudo pleta Schafer. ambiente considera a adoção de padrões rígidos “A proposta do cenário [R]evolução energética pode de eficiência, essenciais para a redução ser perfeitamente aplicada nacionalmente. O potencial de da demanda energética e também energias renováveis como eólica, solar e cogeração a bio- para a redução dos custos energéticos massa é extremamente alto e a implantação destas energias globais. Esta redução pode ser obtida vai reduzir a construção de mais termelétricas fósseis no em indústrias, residências e nos setores futuro”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha comercial e público. de energias renováveis do Greenpeace no Brasil. Empregos – No contexto da atual “A intensificação de programas de eficiência energética instabilidade econômica, outro benefício e a redução dos gastos com combustíveis fósseis serão do uso de renováveis é a geração de tão positivos para o meio ambiente quanto para a nossa postos de trabalho, muito maior que economia, haja visto o aumento das tarifas de eletricidade nos mecanismos de geração a partir por conta da operação excessiva das termelétricas neste de fontes fósseis. ano”, diz Baitelo. “O mercado global de energia renovável pode crescer a taxas de Dezembro 2008 – REVISTA ECOLÓGICA 9
  9. 9. [ P R Ê M I O A M B I E N T A L ] CREA-GO: Iniciativas ambientais são reconhecidas do CREA-GO, engenheiro Agrônomo Francisco de P rojetos de soluções ambientais de aplicabilidade Almeida. recebem o reconhecimento do Conselho Regio- Em 2008, as modalidades abrangidas pelo prêmio nal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia foram: Urbanismo (1 prêmio); Educação Ambiental do Estado de Goiás (CREA-GO) por meio do Prêmio (1 prêmio); Geologia e Minas (1 prêmio); Saneamento CREA Goiás de Meio Ambiente 2008. Ao todo, são (1 prêmio); Produção Limpa (1 prêmio); Produção 10 premiações e uma menção honrosa. Os vencedores Agronômica (1 prêmio); Meio Ambiente Rural (1 recebem um certificado e uma estatueta em forma de prêmio); e Imprensa (1 prêmio para meios impressos, seriema. 1 prêmio para rádio, e 1 prêmio para televisão). Além O CREA-GO recebeu número recorde de projeto disso, também foi concedida uma “Menção Honrosa” a inscritos, 93 inscrições e finalizou o julgamento dos in- um projeto de destaque inscrito no prêmio. O prêmio dicados à sétima edição do prêmio dia 4 de novembro. será outorgado apenas ao primeiro colocado de cada Desde a primeira edição do prêmio, em 2001, foram categoria. inscritos 453 projetos/programas, dos quais 64 foram A estatueta em forma de seriema de autoria do premiados e 14 receberam menção honrosa. artesão goiano Hélio Rodrigues de Miranda, elaborada O Prêmio CREA Goiás homenageia, de forma com a utilização de resina acrílica, na cor bronze dou- diferenciada, profissionais, personalidades, entidades rado, com base em granito. Ave típica da região central de classe, instituições de ensino, municípios, pessoas do Brasil, conhecida popularmente como “siriema”, é o jurídicas, propriedades rurais e programas que venham símbolo do Prêmio CREA Goiás de Meio Ambiente. ou tenham contribuído por suas posições, ações e pro- Foi escolhida por representar a resistência e a força jetos, na luta pela preservação, defesa ou conservação da natureza. A seriema consegue sobreviver tanto no do meio ambiente no Estado de Goiás. cerrado virgem, quanto nas regiões mais desenvolvidas, “Acredito que o principal legado deste prêmio é o como a região sudoeste do Estado. O nome científi- aval do CREA-GO a estes trabalhos desenvolvidos co da seriema é Cariama cristata. Ela se alimenta de por pessoas abnegadas, em compartilhar as soluções gafanhotos, artrópodes, cobras e animais de dos problemas oriundos do descuido da sociedade na pequeno porte. Também pode se alimentar preservação do meio ambiente. É importante ressaltar de sementes e frutas. A seriema possui uma ainda que os projetos premiados têm uma aplicabili- espécie de crista em cima do bico e é uma dade expressiva dentro do nosso Estado e servem de das raras aves que tem pestana. modelo para que se consiga consolidar políticas de sustentabilidade ambiental”, acrescenta o presidente 10 REVISTA ECOLÓGICA – Dezembro 2008
  10. 10. [ M E I O A M B I E N T E ] Reduções no efeito Estufa Documento entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, considera o Plano Nacional de Mudanças Climáticas do governo insuficiente para atender a urgência de redução de emissões de gases que causam o aquecimento global. Dezembro 2008 – REVISTA ECOLÓGICA 11
  11. 11. [ M E I O A M B I E N T E ] D ocumento entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, considera o Plano Nacional de Mudanças Climáticas do governo insuficiente para atender a urgência de redução de emissões de gases que causam o aquecimento global. Pede ainda que seja elaborado um novo plano. As principais organizações da sociedade civil ligadas ao tema das mudanças climáticas entregam, ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, um “manifesto” exigindo que o país assuma posição firme e imediata em prol da fixação de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), que devem ser quantificáveis, reportáveis e verificáveis. A iniciativa deve constar do Plano Nacional de Mudanças Climáticas a ser alinhavado pelo Executivo, da Política Nacional de Mudanças Climáticas (em elaboração no Congresso Nacional) e da posição definitivo do Plano. A expectativa da sociedade é que a lei brasileira nas tratativas para fixação represente um avanço significativo do compromisso da de compromissos internacionais nas sociedade brasileira no combate ao aquecimento global, próximas Conferências das Partes. reafirmando a liderança brasileira no tema nas negociações A definição de metas segundo os internacionais e no plano interno do país. signatários do manifesto proporciona Demandam ainda que o governo federal dê mais prazo oportunidade para a criação de soluções para que a sociedade possa apresentar suas propostas e tecnológicas inovadoras, garantindo a participar de modo efetivo da consulta pública ao Plano médio e longo prazo a competitividade Nacional de Mudanças Climáticas. Com apenas 30 dias da economia brasileira. O manifesto para a manifestação da sociedade, a consulta pública se também considera que a formulação encerra esta semana. A falta de tempo para uma discussão de um Plano sem um marco legal mais profunda por parte da sociedade desagradou os inovador e criador de instrumentos ambientalistas, que consideram o prazo exíguo dado pelo jurídicos é insuficiente. As ONGs governo “incompatível com um trabalho sério e conseqüente Poluição em reafirmam a necessidade da aprovação para a construção de uma matéria de tal magnitude, de SP, já mata urgente da Lei de Política Nacional de alto impacto socioeconômico e ambiental”. mais que Mudanças Climáticas no Congresso No documento, eles repudiam a hipótese de que o outras doenças Nacional, antes de se fixar o conteúdo Plano governamental, da maneira como foi elaborado, ‘modernas’. 12 REVISTA ECOLÓGICA – Dezembro 2008
  12. 12. [ M E I O A M B I E N T E ] seja levado à próxima Conferência das Partes da Convenção do Clima no mês em Dezembro na Polônia devido à sua “incompletude, falta de consulta pública adequada e ausência de metas de redução das emissões de gases de efeito estufa”. Essas são algumas das críticas das ONGs que assinam o manifesto, entre elas: Instituto Socioambiental (ISA), Conservation International (CI), Fundação O Boticário, Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), Greenpeace, Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), SOS Mata Atlântica, Instituto Internacional de Educação do Brasil - IEB, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem - SPVS, The Nature Conservancy (TNC), Instituto Bioatlântica (IBIO). O manifesto foi articulado pelo Observatório do Clima (http://www.oc.org.br). Manifesto por outro Plano Nacional de Mudanças Climáticas as entidades signatárias do presente documento vêm a público afirmar que o país deve assumir posição firme e imediata em prol da fixação de metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, que devem ser quantificáveis, reportáveis e verificáveis. Tais iniciativas devem constar da Política e do Plano Na- cional de Mudanças Climáticas e dos compromissos internacionais a serem fixados nas próximas Conferências das Partes. A definição de metas proporciona oportunidade de soluções tecnológicas inovadoras, garantindo a médio e longo prazo a competitividade da economia brasileira. O Plano não apresenta “adicionalidade” e representa apenas um bom levantamento das iniciativas em curso. Revela graves deficiências, tais como: ausência de avanços sobre as principais fontes de emissões brasileiras, a mudança do uso do solo e desmatamento; omissão quanto ao papel dos estados e municípios; não estabelecimento de medidas espe- cíficas para biomas não-amazônicos; Dezembro 2008 – REVISTA ECOLÓGICA 13
  13. 13. [ M E I O A M B I E N T E ] absoluta falta de prazos e alocação represente um avanço significativo do do Clima, dada sua incompletude, de recursos para medidas prioritárias compromisso da sociedade brasileira falta de consulta pública adequada, no bioma amazônico, tais como re- no combate ao aquecimento global, e ausência de metas de redução das gularização fundiária, implantação reafirmando a liderança brasileira no emissões de gases de efeito estufa. das Unidades de Conservação e tema nas negociações internacionais Assinam: Instituto Socioambiental iniciativas que inibam a impunidade e no plano interno do país. (ISA), Conservation International dos desmatadores; Considera-se o prazo exíguo (CI), Fundação O Boticário, ICLEI inclusão indevida da expansão dado pelo governo para comentários Governos Locais pela Sustentabilidade, da energia nuclear; e contribuições ao Plano Nacional de Greenpeace, Instituto de Pesquisas ausência de propostas de melhoria Mudanças Climáticas incompatível da Amazônia (IPAM), SOS Mata dos programas existentes para energias com um trabalho sério econseqüente Atlântica, Instituto Internacional de renováveis e de mecanismos efetivos para a construção de uma matéria de Educação do Brasil (IEB), Sociedade de para ampliação da base tecnológica de tal magnitude, de alto impacto socioe- Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), geração desse tipo de energia; conômico e ambiental. Espera-se que o The Nature Conservancy (TNC), Ins- indefinição de um plano para governo não apresente o referido Plano tituto Bioatlântica - IBIO. O manifesto geração descentralizada de energia como definitivo, antes de ampliar a foi articulado pelo Observatório do elétrica; consulta à sociedade brasileira. Clima (http://www.oc.org.br). negligência da importância dos Repudia-se também a hipótese de oceanos como maiores sumidouros apresentação do documento na próxima do planeta; Conferência das Partes da Convenção inexistência de previsões sobre transporte sustentável, de modo a melhorar o transporte público nas cidades brasileiras, desestimular o transporte individual e reduzir emissões provenientes do setor; falta de instrumentos econômicos e financeiros suficientes e significativos para viabilização da implementação do Plano; abordagem insuficiente de questões relativas a resíduos sólidos e saneamento; negligência quanto aos impac- tos na saúde e ausência de medidas preventivas e ações práticas; não inclusão do mapeamento de vulnerabilidades como instrumento para medidas de adaptação; falta de salvaguardas socioambientais para produção de biocombustíveis. Esses fatores, entre outras deficiên- cias, revelam que a formulação de um Plano sem um marco legal inovador e criador de instrumentos jurídicos é insuficiente. Registra-se, portanto, a necessidade da aprovação urgente da Lei de Política Nacional de Mudanças Climáticas no Congresso Nacional, que 14 REVISTA ECOLÓGICA – Dezembro 2008
  14. 14. [ C O N S T R U Ç Ã O ] Casas que mantêm o calor do lado de fora! A tecnologia simplifica na hora de assim não traz os vícios do sistema A o longo da trajetória humana construir, explica Maurício. As placas tradicional. A mão de obra é reduzida: sobre a Terra, os homens de EPS são revestidas por estruturas um mestre de obras para garantir prumo, sempre buscam inovações de micro concreto armado (em treliças alinhamento e esquadro e pedreiros e alternativas que lhes ofereça mais de aço). Isto dispensa o uso de vigas e para desempenar paredes. segurança e conforto nas construções. pilares na obra. Na obra que utiliza a Maurício salienta que as paredes Neste quesito, a preocupação com a tecnologia, desperdício de materiais do sistema são aliadas na economia de qualidade e rapidez, além de evitar é coisa do passado. energia. “Elas mantêm a temperatura o desperdício, tem sido cada vez Segundo o engenheiro, os painéis do ambiente. Isto dispensa o uso de maior. A HI-TECH, do segmento possuem 1,20 m de largura básica, refrigeração. “Isto é possível graças à da construção civil, fundada há doze sendo múltiplo de 5 cm, tanto na alta performance térmica do EPS, anos em São Paulo, agora no mercado largura quanto na altura, o que dá total reforçado com aço e argamassa, o de Goiânia, oferece uma tecnologia, liberdade de aplicação ao arquiteto. que dá ao projeto uma possibilidade há décadas utilizado nos Estados Após serem ‘costurados’, os painéis de manutenção do clima interno, Unidos e Europa, capaz de atender recebem a aplicação de argamassa de economizando energia elétrica. às necessidades mais exigentes. cimento/areia. Antes disto é feita a O engenheiro garante ainda que O engenheiro e diretor da HI- colocação dos dutos rígidos ou flexíveis não existe nenhuma restrição na TECH, Maurício Valério Silveira, de hidráulica e elétrica. O momento de construção da casa com o uso de EPS, explica que é um processo simples, a passar a fiação e tubulação é quando conhecido comercialmente com Isopor. partir da utilização de painéis, feitos a casa já está levantada. As paredes e o chão podem receber sob medida, que atendem a qualquer As placas chegam ao canteiro de todo o tipo de acabamento. Já as vigas tipo de projeto arquitetônico. obras seguindo o projeto previamente e pilares de concreto são dispensáveis elaborado. O sistema é vantajoso do nesse tipo de construção, a não ser início ao fim, já que durante a montagem em locais onde os vãos de janelas, das placas, não é necessário principalmente salas com vista para contratar pedreiro espe- o exterior, com vãos grandes e cargas cializado. O engenheiro elevadas. “Os painéis da HI-TECH afirma que quanto são totalmente integráveis com as menos souber de mais diversas estruturas ou formas construção civil, estruturais, sejam elas metálicas, em melhor, pois concreto ou de madeira.” Outro ponto a favor é que a parede Dezembro 2008 – REVISTA ECOLÓGICA 15
  15. 15. [ C O N S T R U Ç Ã O ] detém rigidez suficiente para sustentar-se. É A casa auto-portante até 7 m de ilustrada altura, para uma carga de até abaixo foi 30 T/ml. montada em Este sistema norte-americano de 24hs argamassa armada cria uma continuidade entre as paredes estruturais, internas ou externas. A tecnologia também pode ser empregada como piso de ambientes ou laje de cobertura, o que cria um bloco monolítico de painéis estruturais. A tecnologia foi desenvolvida a partir de uma tecno- logia norte-americana, que teve como principal preocu- pação, evitar mortes em caso de terremotos, furacões ou tornados nos EUA. Economia – Um ponto interessante desta tecnologia é o fato de ser uma construção limpa, rápida, de mão-de-obra reduzida e ser econômica, se for levada em consideração a ausência da parte estrutural, que em média custa de 20 a 30% do valor da obra. Maurício explica que, o custo final da obra é variável, uma vez que cada construção tem o seu acabamento previamente definido. Também, em cada região há va- lores e condições específicas de logística e mão-de- obra variado. Além de que o preço por m² de área construída é indefinido. A título de comparação o engenheiro diz que um construtor cobra em média, R$ 1.300 pelo m² de uma construção tradicional. Já, se a mesma for pelo sistema de argamassa armada, o valor cobrado pelo empreiteiro é em média R$ 1.000 o m². O preço da parede de alvenaria convencional pronta, incluindo o material e a mão-de-obra, sai entre R$ 45 e R$ 60 o m². Já a feita com isopor custa em torno de R$ 100 o m². De acordo com o engenheiro a utilização dos painéis HI-TECH podem gerar uma economia de 40% na etapa estrutural. Maurício salienta que quanto menor a casa, e se for térrea, menor será a economia unitária. Outro fator de redução de custo é a quantidade, ou seja, quem fizer 300 casas populares, por exemplo, utilizando a mesma logística pode conseguir um ganho maior. O engenheiro afirma que em construções individuais, acima de 100 m² AC, a economia é evidente, pela eliminação da fundação, madeiramento, mão de obra especializada de carpinteiro e armador. Segundo ele, a redução do tempo de execução da obra, do número de pessoal e a alta produtividade são os grandes aliados dos painéis. Resistência – O engenheiro garante que as casas com painéis HI-TECH são seguras e têm estrutura igual ou 16 REVISTA ECOLÓGICA – Dezembro 2008
  16. 16. [ C O N S T R U Ç Ã O ] até superior as tradicionais. “Imagine diferenciada e mais barata do que a uma mesa com 4 pernas e a tampa convencional, a maioria das pessoas da mesa. Se uma perna quebra, você perde a mesa e o estrago do que está que optou por este tipo de construção pertence às classes A e B. A empresa Acordo internacional em cima dela é enorme. Agora, numa assina construções nos estados de São O Brazilian-European Center for Sus- caixa de papelão, você pode recortar, Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. tainability (BECS) e a Revista ECOLÓGICA, colocar de cabeça pra baixo, portas, Em geral, quem opta pelo sistema através da QI-Empresarial Consultoria e janelas e até um dos cantos. Ela não está de olho na limpeza da obra que, Serviços Ltda., firmaram um acordo de cooperação e apoio mútuos. cai. Pode até amassar e deformar, em média, tem redução de 15%. Outro A Dra. Heike Bradl, co-fundadora do mas não cai.” item fundamental é a rapidez. Este BECS firmou no início desta semana, um Segundo Maurício, os painéis HI- pode fazer a duração da obra cair pela acordo com nossa revista, representada TECH resistem a mais de 40 T/ml metade, já que o material é leve e de pelo Diretor Operacional, publicitário José Bosco dalla Pietà Carvalho Seiwert, que (toneladas por metro linear). “É uma fácil manuseio. possibilita a troca de informações cien- resistência que permite uma edifica- O sistema HI-TECH é financiável tíficas e de transferência de tecnologia, ção de mais de 5 andares, podendo pela CAIXA Econômica Federal. Possui pesquisa e apoio logístico para assuntos chegar a mais andares aumentando patente no INPI e todos os testes de voltados à sustentabilidade, redução, a resistência da argamassa a ser uti- compressão, resistência ao fogo e ao reutilização e reciclagem de resíduos e temas correlatos. lizada”, afirma. choque de corpo mole e duro, acústica, Heike já esteve várias vezes no Brasil, Há ainda resistência a novidades estanqueidade, segurança estrutural, principalmente em Goiânia. Aprendeu com quando o assunto é a casa própria. avaliação de durabilidade, avaliação extrema facilidade e rapidez nosso idioma E, embora seja uma construção de pós-ocupação, foram realizados no e estará entre nós por uns meses, a partir de fevereiro próximo. Ela é doutora em Instituto de Pesquisas Tecnológicas mecânica de solos, geóloga especializada em da Universidade de São Paulo (IPT meio ambiente. Dirigiu inúmeros projetos de Onde encontrar: Telefone: da USP) e pelo Laboratório de Ma- saneamento ambiental na Bilfinger Berger (62) 3282-8172 teriais de Construção Civil (LMCC) Bau AG Mannheim. Leciona atualmente QI Empresarial (62) 8143-9358 da Universidade de Santa Maria no no Campus Birkenfeld de Meio Ambiente (Universidade de Trier). www.qiempresarial.com Rio Grande do Sul. Dezembro 2008 – REVISTA ECOLÓGICA 17
  17. 17. [ M E R C A D O D E T R A B A L H O ] Empregos verdes. Será? empregos, distribui melhor a renda e sustentável e com baixas emissões de Peter Poschen, principal conselheiro gera demanda. carbono”, gerido pela OIT foi elaborado para o desenvolvimento sustentável da “Dinheiro injetado na mão do por Poschen e sua equipe. Organização Internacional do Trabalho consumidor só cobre créditos ante- A situação no Brasil é mista: lidera (OIT) disse há alguns dias atrás, que riores. Não garante a geração de novas em áreas como biocombustíveis e reci- apesar da Alemanha ter dito que os demandas. E o risco de concentração clagem, apesar da falta de políticas claras países da União Européia deveriam cresce”, explica Poschen. que gerem empregos nas construções diminuir as ações de redução de CO² Afirma que os USA já possuem que reduzem o consumo de energia, diante da crise mundial. Poschen no projetos para gerar empregos verdes. ou na preservação da Amazônia. Estas entanto diz que a crise é, de fato, uma US$ 100 bilhões de investimentos irão áreas trazem, com segurança, lucro”, oportunidade para que as políticas gerar 2 mihões de novas ocupações. diz Poschen. ambientais se desenvolvam, com a “O Brasil já tem cerca de 1 milhão Ele vai além: “o Brasil poderia criação de “empregos verdes” (aqueles de “empregos verdes”, divididos entre economizar energia suficiente para exercidos em atividades ambientalmente a reciclagem e a produção de biocom- alimentar uma cidade quase do tamanho sustentáveis). bustíveis”, acrescenta Poschen. Mas diz de Goiânia se a reciclagem do alumí- A crise de 1929 exigiu ações do também, que o país precisa investir nio aumentasse. Hidrelétricas geram governo para resolver os problemas na criação de “empregos verdes”, para empregos só durante a construção e econômicos que resultaram em obras economizar energia. lavouras de cana-de-açúcar mecanizam para alavancar o desenvolvimento O relatório “Empregos Verdes: cada vez mais o corte”, finaliza. dos USA e outros países logo em Trabalho decente em um mundo seguida a ela. Poschen diz que o que governo fizer em função da crise resultará em uma chance de “repensar a infra-estrutura no século 21”. “É mais uma questão de cálcu- los que de consciência ambiental. Inconsciência energética só dá prejuízo”, disse ele. Quando um país investe em economia na cons- trução civil, por exemplo, aposta numa tecnologia que irá dar lucro em poucos meses, pois um prédio que consome menos energia é mais barato de se manter. Poschen estimula os países a investir em áreas que gerem “empregos verdes” – ocupações voltadas a frear o aquecimento da Terra: como reciclar e produzir biomassa. Uma atitude assim gera 18 REVISTA ECOLÓGICA – Dezembro 2008

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