Semana de 22 modernistas

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  • 1. O MODERNISMO BRASILEIRO Desenvolvimento A Semana de Arte Moderna , realizada em fevereiro de 1922, inaugura a primeira fase do modernismo brasileiro. Sob as vaias e desconfianças de um público conservador, os modernistas ridicularizam o parnasianismo e apresentam novas concepções estéticas marcando uma ruptura definitiva com a arte tradicional, o que já vinha sendo preparado desde a década anterior. Embora não tenha participado diretamente, Manoel Bandeira teve um dos seus poemas lido numa das noites da Semana. Trata-se de “Os Sapos”, escrito em 1918 e publicado em 1919, no qual afinava-se com o espírito demolidor e renovador dos modernistas. Contexto histórico As manifestações do período conhecido como Pré-modernismo, foram marcadas por revoltas, intervenções militares e inúmeras greves operárias. Nesse clima, Minas e São Paulo iam repartindo o poder, desfavorecendo as camadas empobrecidas da classe média e as classes trabalhadoras urbanas e rurais. À época da Semana de Arte Moderna, o quadro geral brasileiro era de crises sucessivas, que acabaram por gerar a Revolução de 1930. O governo de Epitácio Pessoa (1919-1922) fora combatido pela própria classe dominante, contrariada por sua negação em continuar subsidiando o café, preferindo favorecer a indústria. Em 1922, por ser “a vez” de Minas, Arthur Bernardes é indicado e eleito para presidir a República, vivendo o país, a partir de então, em estado de sítio sob regime policial. No mesmo ano, oficiais e militares rebelaram-se contra o governo, dando origem ao episódio dos 18 “do Forte”, quando quatro tenentes e catorze soldados do Forte de Copacabana enfrentaram as tropas governistas na praia de Copacabana, com a morte do civil, de dois tenentes e dos catorze soldados. Em 1924, ocorre outro levante militar, continuidade do tenentismo. Cria-se a Coluna Prestes, que, entre abril de 1925 e fevereiro de 1927, percorreu 24 mil quilômetros, travando combates com forças governistas e jagunços contratados pelos “coronéis”. Em 1929, seus principais líderes exilaram-se na Bolívia, e Luís Carlos Prestes declarou que a luta não tinha mais sentido, pois Arthur Bernardes já não governava. Em 1930, uma revolução conduz Getúlio Vargas ao poder, substituindo Washington Luís e dando início a uma nova fase da história do Brasil.. Entre 1922 e 1930, temos a primeira fase do Modernismo brasileiro. É claro que essa divisão obedece a critérios apenas didáticos. Os escritores desse período continuariam a produzir depois de 1930, e nos ano da primeira fase convivem em tendências opostas, algumas já manifestadas anteriormente e que se prolonga depois de 30. Com relação a essa divisão, observe o comentário de Mário de Andrade: “ Mil novecentos e trinta... Tudo estourava, políticas, famílias, casais de artistas, amizades profundas. O sentido destrutivo e festeiro do movimento modernista já não tinha mais razão de ser, cumprido o seu destino legítimo. Na rua, o povo amotinado gritava: - Getúlio! Getúlio!...” Contexto Filosófico Por razões didáticas , costuma-se dividir o Modernismo brasileiro em três fases:
  • 2. Primeira fase( de 1922 a 1930) ou fase heróica: de combate e destruição, quando ocorre a libertação lingüística e são afirmados os valores estéticos do movimento; Segunda fase(de 1930 a 1945) ou fase construtiva: de estabilização das conquistas, de preocupação social e de tendência introspectiva; Terceira fase(de 1945 em diante) fase de reflexão: de ponderação sobre a linguagem, com o retorno a alguns modelos estilísticos tradicionais, ao que se soma uma temática universalista. A partir de 1950, surgem novas tendências em poesia, como o Concretismo, o Neo-concretismo, a Poesia-práxis e o Poema-processo. A explosão de fevereiro Nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, com a participação de Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Mário de Andrade, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Ronald de Carvalho, Vítor Brecheret, Anita Malfatti, Villa-Lobos, Di Cavalcanti e muitos outros, o Teatro Municipal de São Paulo torna-se o centro de uma verdadeira “atmosfera” das idéias modernistas: são lidos manifestos e poemas, expõem-se quadros e esculturas, e músicas são executadas, tudo diante de um público que reagiu com vaias e apupos. Estava “oficialmente” inaugurado o período de destruição e combate dos primeiros modernistas, que investiam, sobretudo, contra os sólidos valores parnasianos. Manuel Bandeira, que não havia comparecido, teve o seu poema “Os sapos” lido por Ronald de Carvalho, o que exemplifica a intenção dos modernistas em ridicularizar o conservadorismo parnasiano. As correntes modernistas Depois da união inicial em torno da Semana, os modernistas dividiram-se em grupos e movimentos que refletiam orientações estéticas e ideológicas diversas: 1. Movimento Pau-brasil: Lançado em 1924, com a publicação do Manifesto da Poesia Pau-brasil, faziam parte do movimento Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Raul Bopp, Alcântara Machado e Tarsila do Amaral. Tinha como objetivo a revalorização dos elementos primitivos da nossa cultura, através da crítica ao falso nacionalismo e da valorização de obras que redescobrissem o Brasil, seus costumes, seus habitantes e suas paisagens. 2. Movimento Verde-amarelo: Liderado por Plínio Salgado, Cassiano Ricardo e Menotti del Picchia, e tendo uma postura nacionalista, repudiava tudo que fosse importado e tentava mostrar um Brasil grandioso. Entretanto, por revelar uma visão reacionária, sobretudo através de Plínio Salgado, que viria a ser um dos principais líderes do Integralismo, movimento político brasileiro de extrema-direita baseado nos moldes fascistas. 3. Movimento Antropofágico: Radicalização das idéias do Pau-brasil, foi lançado em 1928, com a publicação do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. Participaram do movimento, além de Oswald, Tarsila do Amaral, Raul Bopp, Alcântara Machado e outros. Esse movimento opunha-se ao conservadorismo do Movimento Verdeamarelo (ou escola da Anta).
  • 3. Várias foram as revistas de divulgação das idéias desses movimentos: Revista Klaxon (nome dado à buzina externa dos carros): publicada em 1922, teve nove números, sendo a primeira revista de divulgação de trabalhos e idéias dos modernistas. Revista Terra Roxa e Outras terras: publicada em 1926, com a participação de Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Revista de Antropofagia: publicada em 1928, foi o órgão de divulgação do Movimento Antropofágico. Além dessas, surge em 1925, em Belo Horizonte, A Revista, com editorial redigido por Carlos Drummond de Andrade. No Rio de Janeiro, não ocorreram na época rupturas acentuadas, e a revista Festa, publicada em 1927, antes de refletir uma visão modernista, expressava a sobrevivência do espiritualismo simbolista. Dela participaram, entre outros, Tasso da Silveira, Cecília Meireles e Jackson Figueiredo, este último chefe da censura do governo de Artur Bernardes, que governou o país sob estado de sítio. No período compreendido entre 1930 e 1945, as obras dos poetas da primeira fase atingem a sua maturidade. Nessa fase também se consolida a corrente regionalista da literatura brasileira. Ao contrário do Modernismo paulista, voltado para o futuro e aberto a toda forma de renovação, o regionalismo de 30 mostrou-se conservador, voltado para as tradições nordestinas, seus valores culturais e morais. Mais preocupado com uma razão sociológica da realidade do que com a renovação da linguagem narrativa, o regionalismo de 30 foi um veículo de denúncia dos problemas sociais do Nordeste. Primeira fase 1 - Mário de Andrade Mário Raul Morais Andrade, nasceu em São Paulo em 1843 e faleceu também na cidade de origem, em 1945. Além de poeta, romancista e excelente contista, foi crítico literário, professor de piano e de história da música e um estudioso apaixonado pelo folclore brasileiro. Fundou o Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo e o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, tendo sido ainda professor da Universidade do Distrito Federal ( hoje UFRG), onde regeu a caldeira de Filosofia e História da Arte. Participante ativo do movimento modernista brasileiro, e a mais importante figura da geração de 22, deixou-nos uma obra vasta e importante. OBRAS Poesia: Há uma gota de sangue em cada poema(1917); Paulicéia desvairada(1922); Losango cáqui(1926); Clã do Jabuti(1927); Remate de males(1930); Lira paulistana(1946); - publicação póstuma. Ficção: Amar, verbo intransitivo(1927); Macunaíma(1928); Os contos de Belazarte(1934); Contos novos(1946); - publicação póstuma. Ensaio: A escrava que não é Isaura(1925); Aspectos da literatura brasileira(1943); O empalhador de passarinhos(1944). CARACTERÍSTICAS DA OBRA POESIA
  • 4. O livro de estréia de Mário de Andrade, Há uma gota de sangue em cada poema (1917), apesar de revelar um poeta sensível, motivado pela Primeira Guerra Mundial, é um livro adolescente, de pouco valor estético, apresentando um artista ainda sob influência parnasiano-simbolista. Em Paulicéia desvairada (1922), vamos encontrar o poeta adulto e renovador, no livro que viria a ser, cronológicamente, o primeiro do Modernismo brasileiro. Nele, o poeta focaliza aspectos humanos, sociais e políticos de São Paulo, em versos livres, de métrica informal, subvertendo os valores estéticos até então vigentes. Palavras, sintagmas, flashes e fragmentos articulam-se numa tentativa de aprender a alma urbana de São Paulo, ora celebrando-lhe a paisagem, ora criticando a burguesia paulistana, ora tentando expressar uma visão totalizante da cidade. FICÇÃO A obra ficcionista de Mário de Andrade pode ser dividida em duas vertentes: a primeira trata do universo familiar da burguesia paulista e da gente do povo - é o caso do romance Amar, verbo intransitivo (1927) e da série de contos enfeixados em dois livros: Os Contos de Belazarte (1934) e Contos novos (1946) -; a segunda origina-se do aproveitamento de lendas indígenas, mitos, anedotas populares e elementos do folclore nacional, com os quais compôs sua obra-prima, Macunaíma, livro a que chamou de rapsódia, considerando o fato de ter feito uma composição com fragmentos de assuntos variados e heterogêneos. 2 - Oswald de Andrade José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São Paulo, em 1890 e faleceu também na cidade de origem, em 1954. De família tradicional e abastada, Oswald de Andrade pôde, ainda jovem, em 1912, ir à Europa, onde tomou conhecimento dos manifestos futuristas de Marinetti. Em 1917 conhece Mário de Andrade e Di Cavalcanti, com os quais articula o movimento artístico e literário deflagrado oficialmente na Semana de Arte Moderna. Formado em Direito, seus primeiros trabalhos foram publicados no seminário O pirralho (crítica e humor), fundado por ele em 1911. Esquerdista militante, aderiu ao Partido Comunista em 1931, afastando-se da política em 1945, ano em que obtém o título de Livre-docente em Literatura brasileira na Universidade de São Paulo. OBRAS Poesia: Pau-brasil (1925); Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927). Romance: Trilogia do exílio: I. Os condenados (1922), II. A estrela do absinto (1927), III. A escada vermelha (1934); Memórias sentimentais de João Miramar (1924); Serafim Ponte Grande (1933); Marco zero I: A revolução melancólica (1943); Marco zero II: Chão (1946). Teatro: O homem e o cavalo (1943); O rei da vela (1937); A morta (1937); O rei floquinhos (infantil) (1953). CARACTERÍSTICAS DA OBRA POESIA Oswald de Andrade buscou uma poesia que expressasse o genuinamente brasileiro e percorresse, desde os tempos coloniais, a vida rural e urbana do país, que procurou ver com olhar ingênuo da criança e o da pureza
  • 5. primitiva do índio. Reaproveitando textos dos primeiros viajantes (Caminha, Gândavo e outros), escreveu poemas breves, em versos livres e brancos, com linguagem coloquial, humor e paródia, recusando a estrutura discursiva do verso tradicional. PROSA Os romances que compõem a Trilogia do exílio e Marco zero não têm merecido observações muito favoráveis da crítica. O não se pode dizer de “Memórias sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande. Memórias sentimentais de João Miramar é considerado a primeira grande realização da prosa modernista. Rompendo com esquemas tradicionais da narrativa, a obra é construída a partir de fragmentos justapostos, de blocos que rompem com a seqüência discursiva e de capítulos-relâmpagos, assemelhando-se à justaposição das imagens cinematográficas, o que impossibilita uma leitura linear da história e deixa a cargo do leitor a recomposição da narrativa. A paródia, técnica cubista (aproximação de elementos distanciados, como a pintura de um olho sobre uma perna, por exemplo), a frase sincopada, as elipses que devem ser preenchidas pelo leitor, a linguagem infantil é poética, e outras inovações fazem das Memórias uma obra revolucionária para sua época. O recurso metonímico, dentro da técnica cubista, é levado ao extremo, como nesta passagem em que empresta a uma porta as mangas de camisa e as barbas de que foi abri-la: Um cão ladrou à porta barbuda em mangas de camisa e uma lanterna bicor mostrou os iluminados na entrada da parede. Ainda que, por razões didáticas, estejam incluídos na primeira fase do Modernismo brasileiro, Manoel Bandeira e Cassiano Ricardo chegaram as experiências poéticas mais recentes, como o Concretismo, por exemplo. Ambos estrearam sob influências parnasiano-simbolistas, mas logo aderiram definitivamente ao Modernismo, criando uma obra original que lhes deu o destaque merecido entre os poetas mais importantes da nossa literatura. 3 - Manoel Bandeira Manoel Carneiro de Souza Bandeira Filho, nasceu em Recife (Pe), em 1886 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1968. Estudou no colégio Pedro II, no Rio de Janeiro e iniciou o curso de engenharia, em São Paulo, abandonando-o por motivo de saúde. Em busca da cura para a tuberculose, viajou para a Suíça, onde aproximouse de poetas pró-simbolistas, entre eles Paul Éluard. Em 1917, retornou ao Brasil. Foi professor de literatura no colégio Pedro II e da faculdade Nacional de Filosofia (hoje, UFRJ cinquentanos). Em 1940, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. OBRAS Poesia: A cinza das horas(1917); Carnaval(1919); Ritmo dissoluto(1924); Libertinagem(1930); Estrela da manhã(1936); Lira dos cinquent’anos(1940); Belo belo(1948); Estrela da vida inteira (1966). Prosa: Crônicas da província do Brasil(1937); Guia de Ouro Preto(1938); Itinerário de Pasárgada (1954); Andorinha, andorinha(1966). CARACTERÍSTICAS DA OBRA
  • 6. Manoel Bandeira estreou em 1917, com A cinza das horas, publicando a seguir Carnaval(1919), ambos ainda com resíduos parnasianos e simbolistas, mas já revelando um poeta de espírito renovador. Com Ritmo dissoluto(1924), aproxima-se mais da estética modernista, graças ao predomínio do verso livre e à procura da “dissolução” da cadência rítmica tradicional, além da incorporação do corriqueiro e cotidiano. O livro Libertinagem(1930) é definitivamente modernista, caracterizam-no a renovação da linguagem, a fuga do “belo” tradicional em poesia, a incorporação da linguagem coloquial e popular e a temática do dia-a-dia, com poemas tirados de notícias de jornal, de frases corriqueiras, orientados como os demais, por um tom irônico e, ás vezes, trágico. Esses elementos prosseguirão em Estrela da manhã(1936) e estarão presentes nas obras seguintes. O caráter geral de sua poesia é marcado ainda pelo tom confidencial, pelo desejo insatisfeito, pela amargura e por referências autobiográficas relacionadas com a sua doença, com os lugares onde morou (sobretudo no bairro da Lapa no Rio de Janeiro) e com a família. Profundo conhecedor da técnica de composição poética por vezes aproveita-se das formas clássicas ou faz incursões às formas mais radicais das vanguardas, sem contudo perder a marca de absoluta simplicidade, predominante em sua obra. Ainda que se note em várias passagens de sua obra a herança do Romantismo, Bandeira soube evitar o sentimentalismo piegas, edificando uma obra depurada e de grande valor estético. 4 - Cassiano Ricardo Cassiano Ricardo Leite, nasceu em São João dos Campos (SP), em 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1974. Estudou Direito em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde diplomou-se em 1917. Retorna a São Paulo, dedicando-sse ao jornalismo, à administração pública e à política. Com Menotti del Picchia e Plínio Salgado, funda o Movimento Verde-amarelo, participando da corrente nacionalista do Modernismo brasileiro. Em 1937, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. OBRAS Poesia: Dentro da noite (1915); A Frauta de Pã (1917); Vamos caçar papagaios (1926); Martim-Cererê ou O Brasil dos meninos, dos poetas e dos heróis (1928); O sangue das horas (1943); Um dia depois do outro (1947); Jeremias sem-chorar (1963); Os sobreviventes (1971). CARACTERÍSTICAS DA OBRA Como outros modernistas da primeira fase, Cassiano Ricardo estreou sob influências parnasianosimbolistas, de que são exemplos os livros Dentro da noite (1915) e A frauta de Pã (1917). Contudo, sua inquietação estética fez com que chegasse a experiências das vanguardas poéticas mais recentes. Com Vamos caçar papagaios (1926) e Martim-Cererê (1928), o poeta entra em sua fase nacionalista “verde-amarelista”, em que predomina a brasilidade dos temas. Martim-Cererê, o livro mais importante dessa fase, é uma recriação poética da descoberta e colonização do Brasil. Nele, o poeta incorpora ao seu canto a fauna e a flora brasileiras, o índio, o bandeirante, o imigrante, a temática penetração territorial, a fundação das cidades, nossos heróis e o crescimento de São Paulo. Em O sangue das horas (1943) e Um dia depois do outro (1947), encontramos o poeta voltado para a reflexão sobre o destino humano e para os sentimentos de solidão, melancolia, frustração, angústia e perplexidade diante da vida.
  • 7. 5 - Alcântara Machado Antônio Castilho de Alcântara Machado nasceu em São Paulo no ano de 1901 e faleceu no Rio de Janeiro em 1935. Formou-se em Direito, em São Paulo. Ainda estudante, inicia-se no jornalismo. Terra roxa e Outras Terras e, com Oswald de Andrade, fundou a Revista de Antropofagia. Político militante, foi eleito, em 1935, deputado federal por São Paulo, mas não chegou a ser empossado. Importante contista da primeira fase do Modernismo, Alcântara Machado retratou a vida e as gentes de São Paulo, deixando-nos numa galeria de tipos singulares. O comerciante, o barbeiro, o torcedor de futebol, a criança levada, são algumas das personagens que compõem essa galeria, em que predomina a figura do imigrante italiano. Nos bairros populares da antiga São Paulo, suas personagens vivem as cenas do cotidiano, a partida de futebol, as brigas de rua, as festas etc. Diminuindo a distância entre a língua falada e a escrita, incorporou a linguagem popular, os italianismos e a sintaxe sem artificialismos, o que resultou numa prova leve e num estilo moderno, por vezes elíptico e telegráfico, feito de orações assindéticas e frases curtas. OBRAS: Pathé Baby (1926); Brás, Bexiga e Barra Funda (1927); Laranja da China (1928); Mana Maria (1936); Novelas paulistanas (1961) - reunião das três obras anteriores. 6 - Raul Bopp Raul Bopp, nasceu em Tupanciretã (RS), em 1898. Formado em direito, ingressou na diplomacia, depois da revolução de 30. Participou do movimento Verde-amarelo, aderindo depois ao movimento Antropofágico, cujas idéias estão presentes em Cobra Norato, de 1931. Escrito em linguagem popular, Cobra Norato descreve a natureza amazônica, sua gente, seus costumes e lendas, seus animais e fenômenos naturais. O poeta, valendo-se de um recurso mágico (enfia-se na pele de Cobra Norato), sai pelo mundo em busca da filha da rainha Luzia. OBRA PRINCIPAL: Cobra Norato(1931). 7 - Menotti Del Picchia Paulo Menotti Del Picchia nasceu em São Paulo, em 1892 e faleceu também , em sua cidade de origem, em 1988. Bacharel em direito, exerceu inúmeras atividades: foi agricultor, advogado, jornalista, editor, industrial, banqueiro e deputado federal e estadual. Um dos líderes da Semana de Arte Moderna, participou com Plínio Salgado e Cassiano Ricardo do movimento nacionalista. Foi membro da Academia de Letras. Menotti Del Picchia antecipou-se a corrente nacionalista de 22, ao publicar Juca Mulato, romance que canta a terra e o homem brasileiro. Em oposição ao Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, Juca Mulato, camponês simples e humilde, cujo o universo restringe-se a sua fazenda, torna-se o herói de um drama universal, o do amor que arrebata o indivíduo, enfraquecendo-lhe o raciocínio e exasperando-o a força do sofrimento. O amor, tornado em antagonista, leva Juca Mulato a travar uma luta consigo mesmo, da qual sai vencedor, graças a perfeita harmonia com os elementos do seu cotidiano: as plantas, os bichos, enfim o cenário em que vive. OBRA PRINCIPAL: Juca Mulato(1917). 8- Candido Portinari Cândido Portinari foi um dos pintores brasileiros mais famosos. Este grande artista nasceu na cidade de Brodowski (interior do estado de São Paulo), em 29 de dezembro de 1903. Destacou-se também nas áreas
  • 8. de poesia e política. Durante sua trajetória, ele estudou na Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro; visitou muitos países, entre eles, a Espanha, a França e a Itália, onde finalizou seus estudos. No ano de 1935 ele recebeu uma premiação em Nova Iorque por sua obra "Café". Deste momento em diante, sua obra passou a ser mundialmente conhecida. OBRAS : Destacam-se: "A Primeira Missa no Brasil", "São Francisco de Assis" e Tiradentes". Seus retratos mais famosos são: seu auto-retrato, o retrato de sua mãe e o do famoso escritor brasileiro Mário de Andrade. No dia seis de fevereiro de 1962, o Brasil perdeu um de seus maiores artistas plásticos e aquele que, com sua obra de arte, muito contribuiu para que o Brasil fosse reconhecido entre outros países. A morte de Cândido Portinari teve como causa aparente uma intoxicação causada por elementos químicos presentes em certas tintas. Características principais de suas obras: - Retratou questões sociais do Brasil; - Utilizou alguns elementos artísticos da arte moderna europeia; - Suas obras de arte refletem influências do surrealismo, cubismo e da arte dos muralistas mexicanos; - Arte figurativa, valorizando as tradições da pintura. Relação das principais obras de Portinari: - Meio ambiente - Colhedores de café - Mestiço - Favelas - O Lavrador de Café - O sapateiro de Brodósqui - Meninos e piões - Lavadeiras - Grupos de meninas brincando - Menino com carneiro - Cena rural - A primeira missa no Brasil - São Francisco de Assis - Os Retirantes 9- Di Cavalcanti Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo nasceu 6 de setembro de 1897, na cidade do Rio de Janeiro. Foi um artista, ilustrador e pintor brasileiro e teve participação na idealização da semana de Arte Moderna de 1922. Em se tratando de temáticas, foi um dos primeiros artistas a pintar utilizando os elementos da realidade brasileira como: favelas, festas populares, operários. Com 17 anos, fazia ilustrações na revista Fon Fon. Tem importantes trabalhos como caricaturista. Em 1917, fez o curso de Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. No ano de 1921 Di Cavalcanti casou-se com Maria, sua prima.Tornou-se amigo de Oswald de Andrade e Mário de Andrade, dois dos principais escritores brasileiros da época, os quais foram os pilares da Semana de Arte Moderna de São Paulo. Teve seus trabalhos expostos em galerias de Bruxelas, Amsterdã, Paris, Londres. Na Europa, conheceu artistas como Picasso, Satie, Léger e Matisse. No ano de 1932, Di Cavalcanti fundou o Clube dos Artistas Modernos, juntamente com Flávio de Carvalho, Antonio Gomide e Carlos Prado. O
  • 9. artista simpatizava muito com as idéias comunistas, por este motivo, foi perseguido pelo governo de Getúlio Vargas sendo inclusive preso. Foi libertado no início da segunda guerra quando retornou para Paris. Emiliano Di Cavalcanti trabalhou também com ilustração de livros para poetas e escritores brasileiros famosos tais como Vinícius de Moraes e Jorge Amado. Foi um artista de muitos talentos, desenhou jóias, ilustrações para bilhetes de loterias e até mesmo cenário e figurinos para ballet. 1951- Bienal de São Paulo. 1954- Retrospectiva no MAM do Rio de Janeiro. 1956- Prêmio da mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste, na Itália. 1961- Cria a tapeçaria para o palácio da Alvorada e pinta a Via-Sacra da catedral. Di Cavalcanti faleceu no dia 26 de Outubro de 1976, no Rio de Janeiro. OBRAS: Sísifo - Jóia desenhada por Di Cavalcanti Samba (1925) Paisagem de Subúrbio - 1930 Subúrbio Carioca Óleo sobe tela - 72 x 90 cm. - 1961 10- Victor Brecheret Victor Brecheret nasceu em 1894, em Viterbo, na Itália. Estudou desenho no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, interessando-se logo depois pela escultura de Rodin através de reproduções. Em 1913 transferiu residência para Roma, onde permaneceu por seis anos. Lá estudou com Dazzi e tomou contato com as obras de Bourdelle e Mestrovic. Voltou a São Paulo em 1919 após curta temporada em Paris. Pouco depois fixou-se em Paris, onde integrou o grupo dos fundadores do Salão das Tulherias. Embora residindo em Paris, em 1922 tomou parte, em São Paulo, da Semana de Arte Moderna ao lado de Mário e Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Menotti del Picchia e outros. Brecheret foi o responsável por uma direção inovadora para a atualização da escultura brasileira em relação aos níveis internacionais contemporâneos, especialmente pela recusa de um academismo, com esculturas estilizadas e de tensão dramática considerável. Sua obra envereda, a partir de 1921, por um caminho cada vez mais moderno, dialogando com informações do cubismo e das vanguardas européias, sendo inquestionável a sua qualidade estética e formal.
  • 10. Nos anos 30, também em São Paulo participou das exposições da Sociedade Pró-Arte Moderna e dos salões de Maio (1937 a 1939). Em 1951 foi homenageado na I Bienal de São Paulo com o prêmio de melhor escultor nacional. Na bienal foi ainda homenageado em 1957 com sala especial. Sua obra integra os acervos do Museu de Arte de São Paulo, da Pinacoteca do Estado e do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Realizou ainda, na capital paulista, a medalha comemorativa do Centenário da Independência do Brasil (1920), a escultura Eva (1921) e o Monumento às Bandeiras, este projetado nos anos 20 e realizado posteriormente. PRINCIPAL OBRA Monumento as bandeiras 11- Plinio Salgado Plínio Salgado nasceu no dia 22 de janeiro de 1895, na cidade de São Bento do Sapucaí, interior de São Paulo. Durante a sua infância, foi uma criança participativa na escola e gostava principalmente de matérias como matemática e geometria. Depois da morte de seu pai, quando tinha somente 16 anos passou a se interessar mais profundamente por filosofia e psicologia. Após um período morando em Minas Gerais e em São Paulo, voltou a sua cidade natal quatro anos mais tarde para fundar um jornal semanal com o nome de “Correio de São Bento”. Também publicava crônicas na “Revista do Brasil”. Devido ao seu grande trabalho como jornalista, ficou conhecido por seus colegas de profissão em São Paulo e foi convidado para trabalhar no “Correio Paulistano”. Em 1918 deu seus primeiros passos na vida política, fundando o Partido Municipalista, cujo grupo eram os líderes da região do Vale do Paraíba. Foi um ano de mudanças para Plínio que casou-se com Maria Amélia Pereira e no ano seguinte tornou-se pai da pequena Maria Amélia Salgado. Tudo ia bem, até que a sua mulher morreu quinze dias depois de dar a luz. Encontrou consolo para a sua tristeza na religião, mais precisamente no catolicismo. Mudou-se para São Paulo onde trabalhava como jornalista e escritor, publicando os livros “ O estrangeiro” e “Literatura e Política”. Foi um dos ideólogos do Movimento Verde-Amarelo (tendência nacionalista do modernismo) junto com Cassiano Ricardo, Menotti del Picchia e Cândido Mota Filho. O movimento era caracterizado por ser de cunho nacionalista, anticomunista, antiliberal e anti-semita, cujo lema era “Deus, pátria e família”. Foi o primeiro movimento no Brasil a aceitar negros e mulheres. Ingressou também no Partido Republicano Paulista (PRP), por onde foi eleito deputado estadual. Em 1930, impressionou-se durante uma viagem a Itália, com Mussolini e ficou com a ideia de criar um movimento nos moldes fascista. Ao voltar para o Brasil, apoiou a candidatura de Júlio Prestes contra Getúlio Vargas para as eleições de Presidente da República.
  • 11. Dois anos depois, formou a Sociedade de Estudos Políticos (SEP), que contava com intelectuais simpatizantes do fascismo. A SEP possuía uma comissão técnica, a chamada Ação Integralista Brasileira (AIB), que tinha como objetivo comunicar para a população em linguagem mais simples as suas bases doutrinárias. Em cinco anos, a AIB já conhecida como partido político, reunia 25 mil simpatizantes. Neste mesmo ano, Plínio candidatou-se a presidente, porém ao perceber que Vargas tinha a intenção de continuar no poder, ele apoiou o golpe a presidência que acabou dando-lhe prejuízos como o fechamento da AIB. Foram mais duas tentativas frustradas de revolução contra o governo de Vargas, o conhecido Levante Integralista. O prejuízo desta vez foi que grande parte dos integrantes ou foi presa ou morta. Plínio não escapou, foi preso e enviado para o exílio que durou seis anos em Portugal. Voltou para o Brasil em agosto de 1945, depois de solidarizar-se com o Estado Novo. Fundou então o Partido de Representação Popular (PRP), por onde veio a concorrer as eleições de 1955 para a presidência. Foi derrotado por Juscelino Kubitschek, obtendo somente 8% dos votos. Apoiou o regime militar brasileiro, chegando a escrever “Educação Moral e Cívica” para o regime. Foi eleito deputado em 1958 do estado do Paraná e em 1962 por São Paulo. Depois do Golpe de 1964 e o fechamento do PRP, filiou-se ao partido Aliança Renovadora Nacional (Arena) e foi eleito ainda duas vezes mais como deputado federal. Membro da Academia Paulista de Letras, ainda escreveu outros livros, como “Vida de Jesus”, “O esperado”, “O Cavaleiro de Itararé” e “ A voz do Oeste”. Se aposentou da vida política em 1974. Um ano depois, no dia 7 de dezembro, Plínio morreu em São Paulo. 12- Anita Malfatti Anita Malfatti é considerada a primeira representante do modernismo no Brasil. Ela nasceu em São Paulo em 2 de dezembro de 1889 e faleceu aos 74 anos, em 6 de novembro de 1964. Aos 19 anos Anita formou-se professora pela Escola Normal e em 1910 mudou-se para Berlim onde, no ano seguinte, matriculou-se na Academia Real de Belas Artes. Em visita a uma exposição ela conheceria uma arte “rebelde” cujas regras não eram ditadas pelo academicismo da época. Foi com esta arte que ela se identificou. Em 1914, após regressar ao Brasil Anita Malfatti viajaria para os Estados Unidos onde teve oportunidade de matricular-se na Art Students League, uma associação desvinculada do academicismo escolar. Ali, pôde dar “asas” à liberdade e sua criação eclodiu com força o que é representado em suas produções. Neste período a arte de Anita Malfatti assume um brilho singular. Consagrada, Anita retorna ao Brasil e, segura de sua arte, realiza, em 1917, uma exposição individual. As concepções de arte de Anita Malfatti representavam algo novo para os padrões da época e o “novo”, de modo geral, assusta, portanto, assim se explica as críticas por ela enfrentadas. O que Anita entendia por arte em nada se assemelhava ao que a Academia denominava, então, como arte. Ao contrário, se contrapunha às regras e voltavase para o expressionismo e não era isso que se esperava. A maneira como ela percebia a arte veio “desarrumar” o que era aceito. Para ela, porém, não era somente o que era belo que existia. O feio fazia parte da realidade e era por ela retratado em sua arte. Era a expressão que se fazia presente porque era assim que Anita percebia a arte. Suas pinturas – modernas – tinham, portanto, motivos para causar desaprovação.
  • 12. A exposição - considerada um escândalo por representantes da sociedade de então - traria conseqüências desastrosas para o futuro artístico de Anita Malfatti. Bombardeada pelas críticas vindas não dos inimigos, mas, justamente dos que acreditava serem aliados, Anita, tímida, caiu em depressão e recuou em sua produção artística. Sua obra foi duramente criticada principalmente pelo escritor Monteiro Lobato, então, crítico de arte. Por mais que ele enfatizasse o modernismo em suas críticas e fizesse elogios a Anita, foi a ela própria e não ao modernismo que ele atingiu uma vez que ela não poderia desvincular de sua arte. Posteriormente Anita conheceu Tarsila do Amaral e tornaram-se grandes amigas. Anita Malfatti participou da Semana de Arte Moderna de 1922 e, apesar de não ter abandonado a arte, os “estragos” causados pela exposição de 1917 se refletiriam ao longo de toda sua vida. Principais obras de Anita Malfatti - A boba - As margaridas de Mário - Natureza Morta - objetos de Mário - A Estudante Russa - O homem das sete cores - Nu Cubista - O homem amarelo - A Chinesa - Arvoredo - Interior de Mônaco 13- Heitor Villa Lobos Heitor Villa-Lobos nasceu em 5 de março de 1887, na rua Ipiranga, no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro. Filho de um funcionário público da Biblioteca Nacional, que era severo e sonhava em ver o filho brilhar musicalmente nos palcos, e de uma mãe que almejava ver o filho formado em medicina. Villa-Lobos viajou com a família, aos 6 anos, para o interior de Minas Gerais, lá conheceu a música sertaneja e folclórica, além da musicalidade de Bach através de tia Fifinha. Aos 12 anos, perdeu o pai e tornou-se autodidata não completando nenhum curso de música que ingressara. Em 1900, compõe sua primeira obra, “Panqueca”, em homenagem à mãe Noêmia. Durante quase cinco anos, viaja pelo interior do país conhecendo as tradições e raízes da cultura brasileira, de volta, em 1913, casa-se com a pianista Lucília Guimarães, e começa a trabalhar em salas de cinema, circos e cabarets como violoncelista. Através de Arthur Rubinstein e Otavio Guinle, ganhou uma viagem de estudos musicais para a França, já tinha estreado como compositor profissional no Rio de Janeiro, em 1915, apesar das críticas dos jornais, foi bem aceito pelo público. Também foi criticado quando participou da Semana de Arte moderna, em 1922, São Paulo. Ficou na França durante um ano, conquistou respeito à música brasileira e foi elogiado pelo jornal francês “Liberte”. Após 1930, Getúlio Vargas o coloca a viajar pelo Brasil, para concretizar o programa educacional musical idealizado pelo músico. Em 1932, tornou-se diretor da Secretaria de Educação Musical e Artística; fez turnês nos EUA e Europa, no fim da década de 30, separa-se de sua esposa e assume sua ex-aluna Arminda Neves como sua mulher. Faleceu em 17 de novembro de 1959, após sofrer de câncer de estômago. Principal obra: Bachianas brasileiras
  • 13. 14- Tarsila do Amaral Nascida em 1º de setembro de 1886, na Fazenda São Bernardo, em Capivari, interior de São Paulo1 , era filha de José Estanislau do Amaral Filho e de Lídia Dias de Aguiar, e neta de José Estanislau do Amaral, cognominado “o milionário” em virtude da imensa fortuna acumulada em fazendas do interior paulista. Seu pai herdou a fortuna e diversas fazendas, onde Tarsila e seus sete irmãos passaram a infância. Desde criança, fazia uso de produtos importados franceses e foi educada conforme o gosto do tempo. Sua primeira mestra, a belga Mlle. Marie van Varemberg d’Egmont, ensinou-lhe a ler, escrever, bordar e falar francês. Sua mãe passava horas ao piano e contando histórias dos romances que lia às crianças. Seu pai recitava versos em francês, retirados dos numerosos volumes de sua biblioteca. Tarsila do Amaral estudou em São Paulo, em colégio de freiras do bairro de Santana e no Colégio Sion. E completou os estudos em Barcelona, na Espanha, no Colégio Sacré-Coeur.1 Ao chegar da Europa, em 1906, casou-se com o médico André Teixeira Pinto, seu noivo. Rapidamente o primeiro casamento da artista chegou ao fim. A diferença cultural do casal era grande. O marido se opunha ao desenvolvimento artístico de Tarsila, já que ele era conservador e, para os homens da época, a mulher só deveria cuidar do lar. Revoltada com essa imposição, ela se separa, mas só conseguiu a anulação do casamento anos depois. Com ele teve sua única filha, a menina Dulce, nascida no mesmo ano do casamento. Tarsila se separou logo após o nascimento da filha e voltou a morar com os pais na fazenda, levando Dulce. Início da carreira Da esquerda para a direita: Pagu, Elsie Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti eEugênia Álvaro Moreyra em época posterior à Semana de Arte Moderna de 1922 Abaporu, uma de suas obras mais conhecidas e um ícone do Modernismo brasileiro. Óleo sobre tela, 1928 Começou a aprender pintura em 1917, com Pedro Alexandrino Borges.1 Mais tarde, estudou com o alemão George Fischer Elpons. Em 1920, viaja aParis e frequenta a Academia Julian, onde desenhava nus e modelos vivos intensamente. Também estudou na Academia de Émile Renard.Apesar de ter tido contato com as novas tendências e vanguardas, Tarsila somente aderiu às ideias modernistas ao voltar ao Brasil, em 1922. Numa confeitaria paulistana, foi apresentada por Anita Malfatti aos modernistas Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Esses novos amigos passaram a frequentar seu atelier, formando o Grupo dos Cinco.
  • 14. Em janeiro de 1923, na Europa , Tarsila se uniu a Oswald de Andrade e o casal viajou por Portugal e Espanha. De volta a Paris, estudou com os artistas cubistas: frequentou a Academia de Lhote, conheceu Pablo Picasso e tornou-se amiga do pintor Fernand Léger, visitando a academia desse mestre do cubismo, de quem Tarsila conservou, principalmente, a técnica lisa de pintura e certa influência do modelado legeriano. Fases Pau-Brasil e Antropofagia Em 1924, em meio à uma viagem de "redescoberta do Brasil" com os modernistas brasileiros e com o poeta franco-suíço Blaise Cendrars, Tarsila iniciou sua fase artística “Pau-Brasil”, dotada de cores e temas acentuadamente tropicais e brasileiros, onde surgem os "bichos nacionais"(mencionados em poema por Carlos Drummond de Andrade), a exuberância da fauna e da flora brasileira, as máquinas, trilhos, símbolos da modernidade urbana. Casou-se com Oswald de Andrade em 1926 e, no mesmo ano, realizou sua primeira exposição individual, na Galeria Percier, em Paris. Em 1928, Tarsila pinta o Abaporu, cujo nome de origem indígena significa "homem que come carne humana", obra que originou o Movimento Antropofágico, idealizado pelo seu marido. A Antropofagia propunha a digestão de influências estrangeiras, como no ritual canibal (em que se devora o inimigo com a crença de poder-se absorver suas qualidades), para que a arte nacional ganhasse uma feição mais brasileira. Em julho de 1929, Tarsila expõe suas telas pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, em virtude da quebra da Bolsa de Nova York, conhecida como a Crise de 19291 , Tarsila e sua família de fazendeiros sentem no bolso os efeitos da crise do café e Tarsila perde sua fazenda. Ainda nesse mesmo ano, Oswald de Andrade separa-se de Tarsila porque ele se apaixonou e decidiu se casar com a revolucionária Patrícia Galvão, conhecida como Pagu. Tarsila sofre demais com a separação e com a perda da fazenda, o que a leva a entregar-se ainda mais a seu trabalho no mundo artístico. Em 1930, Tarsila conseguiu o cargo de conservadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Deu início à organização do catálogo da coleção do primeiro museu de arte paulista. Porém, com o advento da ditadura de Getúlio Vargas e com a queda de Júlio Prestes, perdeu o cargo. Viagem à URSS e fase social Em 1931, Tarsila vendeu alguns quadros de sua coleção particular para poder viajar à União Soviética com seu novo marido, o psiquiatra paraibano Osório César, que a ajudaria a se adaptar às diferentes formas de pensamento político e social. O casal viajou a Moscou, Leningrado, Odessa, Constantinopla, Belgrado e Berlim. Logo estaria novamente em Paris, onde Tarsila sensibilizou-se com os problemas da classe operária. Sem dinheiro, trabalhou como operária de construção, pintora de paredes e portas. Logo conseguiu o dinheiro necessário para voltar ao Brasil. Com a crise de 1929, ela perdera praticamente todos os seus bens e sua fortuna.1 No Brasil, por participar de reuniões políticas de esquerda e pela sua chegada após viagem à URSS, Tarsila é considerada suspeita e é presa, acusada de subversão. Em 1933, a partir do quadro “Operários”, a artista inicia uma fase de temática mais social, da qual são exemplos as telas Operários e Segunda Classe. Em meados dos anos 30, o escritor Luiz Martins, vinte anos mais jovem que Tarsila, torna-se seu companheiro constante, primeiro de pinturas depois da vida sentimental. Ela se separa de Osório e se casa com Luiz, com quem viveu até os anos 50. A partir da década de 40, Tarsila passa a pintar retomando estilos de fases anteriores. Expõe nas 1ª e 2ª Bienais de São Paulo e ganha uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em 1960. É tema de sala especial na Bienal de São Paulo de 1963 e, no ano seguinte, apresenta-se na 32ª Bienal de Veneza. Últimas décadas: 1960 e 1970 Em 1965, separada de Luís e vivendo sozinha, foi submetida a uma cirurgia de coluna, já que sentia muitas dores, e um erro médico a deixou paralítica, permanecendo em cadeira de rodas até seus últimos dias. Em 1966, Tarsila perdeu sua única filha, Dulce, que faleceu de um ataque de diabetes, para seu desespero. Nesses tempos difíceis, Tarsila declara, em entrevista, sua aproximação aoespiritismo.
  • 15. A partir daí, passa a vender seus quadros, doando parte do dinheiro obtido a uma instituição administrada por Chico Xavier, de quem se torna amiga. Ele a visitava, quando de passagem por São Paulo e ambos mantiveram correspondência. Tarsila do Amaral, a artista-símbolo do modernismo brasileiro, faleceu no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, em 17 de janeiro de 1973 devido a depressão[carece de fontes]. Foi enterrada no Cemitério da Consolação de vestido branco, conforme seu desejo.