OBRAS FUVEST/ UNICAMP 2013falecomyuri1@hotmail.com
TIL – 1872José de Alencar        falecomyuri1@hotmail.com
• Romance: da palavra             Romance/FOLHETIM:  ROMANÇO/ROMÂNICO (obra          • Publicado nos jornais,  em linguage...
José de Alencar• Considerado o fundador do  romance nacional• Obras: Iracema, O Guarani,  Senhora, Lucíola etc.• Realidade...
Romances folhetinescos:• URBANOS – perfis femininos: Lucíola, Diva, Senhora...• REGIONALISTAS: O sertanejo, Til, O gaúcho....
“Eram dois, ele e ela, ambos na flor da belezae da mocidade. O viço da saúde rebentava-lhes no encarnado dasfaces, mais av...
Tempo psicológico                                                  Muitos órfãos    Muitas personagens                    ...
Apresentação dos                        Personagens                   e tramas 31 CapítulosDIVISÃO DA OBRA:               ...
Traços gerais:Publicado em folhetim:  Jornal A República (1871-  1872)Romance regionalistaRetrato dos costumes de  uma ...
• AmbienteNarrador                                  • Sociedade rural, escravocrata• Narrador: 3ª pessoa, onisciente      ...
IVMonjolo        Cerca de uma légua abaixo da confluência do Atibaia com oPiracicaba, e à margem deste último rio, estava ...
Heroísmo fantástico:           De chofre empinou-se o cavalo, arremessando o homem sobre a escarpa dabarranca, donde rolou...
Personagens                                           • Luís Galvão: pai de Berta -                                       ...
• Besita (casada com Ribeiro[Barroso])  origem      • Luís Galvão              • Besita será morta pela maridoBerta surge ...
Besita Luís/                           BertaRibeiro                     Miguel /      Jão                     Afonso
Aspectos formais• Digressões• falas de personagens: regionalismos• figuras: comparações (Berta: flor) ,  personificaçõesTe...
Era Brás filho de uma irmã de Luís Galvão, a qual falecera três anos antes, ralada pelosdesgostos que lhe dera o marido, e...
Veio a tarde: o céu estava sereno, e coava-se no espaço uma aragem tãodoce que Besita encostou-se ao peitoril da janela. C...
ESPAÇOSIVMonjolo          Cerca de uma légua abaixo da confluência do Atibaia com o Piracicaba, e à margemdeste último rio...
“Como as flores que nascem nosdespenhadeiros e algares, onde não penetramos esplendores da natureza, a alma de Bertafora c...
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Memórias de um Sargento de         Milícias             Manuel Antonio de Almeida                         falecomyuri1@hot...
Preliminares• As Memórias de um Sargento de Milícias são  um dos livros mais singulares da literatura  brasileira.• Trata-...
Preliminares• O humor explorado por Manuel Antonio de  Almeida é semelhante ao das peças de  Martins Pena, autor de O Novi...
Preliminares O conjunto  desses episódios  reconstitui a vida  de Leonardo  Pataca e de seu  filho Leonardo,  em meio a u...
Preliminares• O romance dá muita atenção às festas,  encontros, instituições e profissões populares  da cidade, cujas ruas...
Preliminares• As Memórias de um Sargento de Milícias  foram publicadas em folhetins anônimos entre  1852 e 1853, no suplem...
Excentricidade das Memórias• No final do século XIX, o crítico José Veríssimo  interpretou as Memórias de um Sargento de  ...
Excentricidade das Memórias• As Memórias distanciam-se da média da  sensibilidade romântica pelas seguintes razões:  – A e...
Excentricidade das Memórias– Ausência de moralismo e recusa da ideia de que  as ações humanas se dividem necessariamente  ...
Estilo   • Apresenta       o estilo     descontraído do jornal ao     romance.   • Todas        as      suas     personage...
Estilo• As descrições da obra apontam para duas  direções:  – ora para um retrato vivo da indumentária,    costumes, logra...
Técnica do enredo e personagens                As Memórias de um Sargento                 de Milícias têm foco narrativo ...
Técnica do enredo e personagens• O romance picaresco, expressão derivada do  termo pícaro, espécie de personagem  marginal...
Personagens• Leonardo: anti-herói, herói às avessas, herói picaresco - desde a  infância é esperto, vagabundo e mulherengo...
• Comadre: protetora de Leonardo, vive tentando livrá-lo dos  enroscos em que se metia.  Compadre Barbeiro: outro protetor...
• José Manuel: caça-dotes, representa uma crítica à burguesia.• Vidinha: cantora de modinas, segunda paixão de Leonardo.• ...
• Além desses, há outros como: A vizinha, a  cigana, o mestre-de-rezas, Tomás, etc.  Os personagens encaixam-se na categor...
Um curioso traço compositivo• Toda vez que o narrador  das Memórias apresenta  um episódio da vida de  Leonardo ou de outr...
O cotidiano do povo é registrado com             bom humor• Há, no livro, constantes alusões a instrumentos,  danças e mod...
Documento linguístico• Os namorados das Memórias tratam-se por senhor e senhora."– A senhora... sabe... uma coisa?E riu-se...
Documento linguístico• A mãe de Vidinha, no capítulo 8 da segunda  parte, dirige-se informalmente à filha na  segunda pess...
Inclusão do leitor• Um dos importantes traços estilísticos de Memórias  é a constante referência do narrador ao leitor. Is...
Inclusão do leitor• Essa é a razão de suas constantes referências  metalinguísticas, chamando a atenção do  leitor para ac...
Contra o romantismo        • Manuel Antônio faz          questão de manter o          equilíbrio emocional,          prima...
Enredo•   Origens e Infância do Memorando•   Leonardo Pataca, a Cigana e o Vidigal•   O Padrinho e a Vizinha•   O Mestre-d...
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Machado de Assis             falecomyuri1@hotmail.com
Memórias Póstumas de Brás Cubas       Machado de Assis
Memórias póstumas de Brás CubasPublicadas em capítulos na Revista Brasileira, de 15de março a 15 de dezembro de 1880 (Em l...
A “viravolta machadiana”A perspectiva universal e filosófica
A dedicatória em forma de epitáfio (inscrição                 tumular)Ao vermequeprimeiro roeu as frias carnesdo meu cadáv...
A dedicatória• Chocante ou irônica pouco importa... Fugindo ao  senso comum, Brás Cubas dedica suas memórias  aos vermes, ...
A dedicatória• O verbo “roeu” (no passado), significa que Brás  Cubas não é, materialmente, mais nada, não deve  satisfaçõ...
O defunto autor
Um autor defunto ou um defunto autor?• Do túmulo (campa) um “defunto autor” examina de  forma memorialística sua vida. Ape...
Por que um “defunto autor”?• A) Símbolo do fim da concepção romântica.• B) Desafio do escritor frente às propostas do Real...
Por que um “defunto autor”?• C) A idéia machadiana de que só um morto  poderia apresentar os fatos de sua existência  sem ...
Por que um “defunto autor”?• Enfim: Só um morto – por não ter nada a perder –  revelaria seus intuitos mesquinhos, seu ego...
Por que um “defunto autor”?• Só alguém que ultrapassasse o limite fatal  seria capaz de apontar a verdade definitiva de  s...
O prólogo: Ao leitor• Referências:• Stendhal = (pseudônimo de Henri Beyle) escritor  francês romântico que abordou, em seu...
Prólogo: Ao leitor• Recepção da obra:• “... O que não admira, nem provavelmente  consternará, é se este outro livro não ti...
Prólogo: Ao leitor•   Referências:•   Sterne = escritor inglês•   Xavier de Maistre = escritor francês•   Ambos de estilo ...
Prólogo: Ao leitor• Diálogo com o leitor = sugestão = que o leitor  mude sua postura e prefira a reflexão do que a  anedot...
Ironia ao leitor• O leitor também é parte, além dos personagens e  seus atos, da “galhofa” do autor.
• Capítulo LXXI(71) O senão do livro “Começo a arrepender-me deste livro... é enfadonho, cheira a sepulcro... porque o mai...
A estrutura narrativa• O diálogo constante com o leitor e as interrupções  na narrativa para digressões, saltos de um assu...
A estrutura narrativa• ... constituem inúmeros subterfúgios que tornam a  história contada por Brás um mosaico de peças,  ...
A estrutura narrativa• Entretanto, todos esses aspectos não deixam  de estarem ligados a um fio condutor que é a  própria ...
O narrador• Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma  obra em que os acontecimentos ou sua  seqüência são menos importantes d...
O narrador• ... trata-se, portanto, de um “narrador não  confiável e volúvel” que, com sarcasmo, cinismo e  tédio, expõe s...
Capítulo XXIV: Curto, mas alegre• “Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe  exponho e realço a minha mediocridade...
• ... e o melhor da obrigação é quando, à força de  embaçar os outros, embaça-se um homem a si  mesmo, porque em tal caso ...
A narrativa• Assim, evidencia-se uma narrativa irônica e  niilista sobre a precariedade humana que  emerge da vida, das re...
• Ou seja, Brás Cubas pertence ao mundo dos  grandes proprietários e, vivendo de rendas que  herdou de sua família, pratic...
Crítica ao Romantismo• Capítulo XIV , O primeiro beijo• Brás Cubas se descreve aos 17 anos:  “... o corcel das antigas bal...
Crítica ao Romantismo• No trecho citado, o crítico Machado de Assis opõe a  crueza da realidade da nova escola (o Realismo...
Capítulo VII = O delírio
Capítulo VII = O delírio• Em estado de transe causado pela febre, Brás Cubas  é arrebatado por um hipopótamo, que o leva à...
Capítulo VII = O delírio• Ela conduz o defunto-autor ao alto de uma  montanha e lhe permite contemplar a passagem  dos séc...
Capítulo VII = O delírio• “flagelos, misérias, cobiça, cólera, inveja, ambição,  fome, vaidade, melancolia, riqueza, agita...
Capítulo VII = O delírio• Não há, portanto, um sentido de evolução na  humanidade. A natureza humana pouco ou  nada se mod...
Capítulo VII = O delírio• Como assinala Augusto Meyer, Brás Cubas  revela um sentimento ambivalente diante do  infinito ci...
Capítulo VII = O delírio• Ainda segundo Meyer, ao “passar em revista a  monotonia da miséria humana”, Brás Cubas  dá a “im...
O encontro com Quincas Borba
• O primeiro encontro de Brás Cubas com Quincas  Borba, ocorre no capítulo LIX, Um encontro.• Amigo de infância de Brás, a...
Quincas Borba & O Humanitismo
Quincas e o Humanitismo• O humanitismo é o ponto de contato entre  Memórias póstumas de Brás Cubas e o Quincas  Borba. A t...
• Enfim, o “Humanitismo” é, conforme a visão aguda de  Machado de Assis, uma impiedosa sátira complementar  das ideias do ...
Os amores de Brás Cubas
Os amores de Brás Cubas• Marcela = a cortesã = seu primeiro amor, que  lhe amou “durante quinze meses e onze  contos de ré...
Marcela: a prostituta
• A bela dama espanhola, alegre e sem escrúpulos,  luxuosa, impaciente, amiga de dinheiro e rapazes, a  primeira mulher de...
Eugênia: a “flor da moita” e... coxa...
• Eugênia tem um defeito de nascença: é coxa.  Todos esses aspectos fazem com que ele confirme  que não deve envolver-se s...
• E, assim, quando resolve despedir-se de Eugênia,  alegando que precisava descer da Tijuca, depara-se  com a nobreza de c...
Vírgilia, o maior amor de sua vida
• Virgília foi o maior amor de sua vida, com quem  estabelece uma relação adúltera, já que ela torna-  se esposa do deputa...
Eulália, a “flor do pântano”.
• Eulália, com quem pretendia casar, visto que a  moça comportava-se com altivez, e ele pretendia  “arrancar aquela flor d...
Brás Cubas
BRÁS CUBAS• Homem de posses, nunca trabalhara,  dedicando-se, antes, a imaginar estratégias  pessoais que poderiam torná-l...
BRÁS CUBAS• Possui uma natureza complexa, cheia de  contradições, ambicioso e retraído, vaidoso e  displicente, apaixonado...
BRÁS CUBAS• Infância mimada & juventude despreocupada:• Narrando-lhe a primeira infância, Machado, tão  acusado de se have...
BRÁS CUBAS...sinhô-moços facilitava, o Brás Cubas não teria   sido o que foi. Também a vaidade do menino era   cultivada p...
BRÁS CUBAS• Rico, conheceu todas as facilidades, todos os  prazeres. E porque teve tudo, mas não se deixou  empolgar por c...
“Brás Cubas viajou à roda da vida.”• UMA VIAGEM À RODA DA VIDA = A vida do  homem que vive em sociedade, afeito às  formal...
A morte de Brás Cubas
Morte de Brás Cubas• Enquanto medita sobre a forma de criar um  “medicamento sublime” – um emplasto que  aliviasse a human...
Capítulo final = Das negativas• Visão sarcástica com sabor de escárnio?• Ironia a pobre humanidade e sua sede de  permanên...
Capítulo final = Das negativas• No último capítulo, o narrador Brás Cubas faz um  último balanço das perdas e dos ganhos d...
O Rio de Janeiro de Brás Cubas
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A CIDADE         e as   serrasRO M A N C E D E E Ç A D E Q U E I R Ó S                     falecomyuri1@hotmail.com
“o homem só é superiormente feliz quando é                        superiormente civilizado”Jacinto de Tormes, “Príncipe da...
O QUE ACONTECIA NO FINAL DO SÉC. XIX                           A CIDADE e   as serrasEvolucionismo:O HOMEM EVOLUI COMO QUA...
O QUE ACONTECIA NO FINAL DO SÉC. XIX        A CIDADE e   as serras   • Gustave Flaubert: Madame Bovary   • Oposição ao Rom...
João Maria Eça de Queirós     (1845 - 1901)
AS FASES DE EÇA DE QUEIRÓS                                A CIDADE e    as serras                1ª fase – Romântica (Pros...
A CIDADE E AS SERRASPublicado em 1901, depois da morte do autor. Duas concepções de vida: vida no campo           e a vida...
A CIDADE E AS SERRAS:       UM OUTRO EÇA             DE 1875 até 1900:Eça crítico dos excessos, dos vícios e desvios   da ...
visão• Visão mais livre e mais humanitária, pois o autor supera o  esteticismo cientificista.• Reflexão madura do signific...
GÊNERO• Alegórico: felicidade se encontra na vida  simples e laboriosa do meio rural e não na  civilização.• É preciso se ...
tempo• 1820- 1893
linguagem• Primeira e segundas fases: definidora, cheia  de pormenores psicológicos e patólogicos.• Terceira fase: aproxim...
REALISMO/NATURALISMOROMANCE DE TESE:Tese inicial: só a tecnologia (CIDADE)traz felicidadeAntítese: só a simplicidade (SERR...
estrutura• Advertência: a obra é póstuma.- Capítulo 1 ao 8 : cidade de Paris, 202.          urbano, tédio irresistível,   ...
narrador. Primeira pessoa.• Não é onisciente.• Contamina o texto com sua visão de mundo:  subjetividade. Por meio dele, no...
• Avô Jacinto GaleãoDom Miguel   • D, Angelina Fafes             • CintinhoIda para a  frança             • Filha de um de...
Personagem- Jacinto: metáfora de                 Portugal.• Jacinto- mitologia grega- flor: Jovem de notável beleza, morto...
• No campo: reaprende a simplicidade,  aproxima-se de suas raízes, renova-se pelo  contato com a natureza. Lia Virgílio, A...
Personagens- tipo/caricatura• Avô Jacinto: gordíssimo e riquíssimo fidalgo,  casado com dona Angelina de Fafes, morava  em...
• Cintinho – pai de Jacinto, o protagonista da  história. Seco, chupado, encurvado e  tuberculoso. Casa-se com Teresinha V...
• D. Miguel – filho de Dom João VI, herdeiro ao  trono de Portugal.• 1828- Constituição. Dom Miguel é aclamado  rei de Por...
Personagens do campo: simplicidade,                 amizade.• Tio Alfonso.• Tia Vicença.• Silvério, o caseiro.• Joana, esp...
Personagens da cidade: frivolidade,    aparência, hipocrisia, vaidade, lisonja,     falsidade, elegância, traje sedutores....
Sexo, mecanicismo, instinto: naturalismo• Diana, cocote.• Madame Colombe, por quem Zé Fernandes  tem uma “infecção sentime...
outros• Grilo- criado de Jacinto:        Seu Jacinto sofre de fartura.        Seu Jacinto brotou.- Marício de Mayole- amig...
Espaço• França, Campos Elíseos, 202: microcosmo  social: cheio de prodígios da tecnologia,  desejo de acumular: 30 mil liv...
França
Portugal e França
Portugal
características•   Realismo.•   Impressionismo.•   Zoomorfismo.•   Naturalismo.•   Estética do feio.•   Ironia•   Humor.• ...
Por fim• 1- negar o campo, elogio ao progresso e à  civilização.• 2 – afirmação do campo, regeneração das  virtudes humana...
A CIDADE e   as serrasO texto é uma ampliação de um conto intitulado"Civilização" (1892). Conta-se a história de Jacinto,n...
“Com estes olhos que recebemos da Madre Natureza, lestos esãos, nós podemos apenas distinguir além, através da Avenida,naq...
A CIDADE e   as serrasA história é narrada por José Fernandes, melhor amigode Jacinto, que viera de uma propriedade rural ...
A CIDADE e   as serrasAs reuniões sociais estavam ficando maçantes. Em umarecepção ao Grão-Duque, Jacinto já não agüentava...
A CIDADE e   as serras“ Claramente percebia eu que o meu Jacinto atravessava umadensa névoa de tédio, tão densa, e ele tão...
A CIDADE e   as serrasPreocupado, Zé Fernandes consulta o fiel criado Grilosobre o que está ocorrendo com Jacinto. O homem...
“ Era fartura! O meu Príncipe sentia abafadamente afartura de Paris; e na Cidade, na simbólica Cidade, fora decuja vida cu...
A CIDADE e   as serrasDo maquinário instalado no palacete de Jacinto, nadafunciona adequadamente. Os livros são, na verdad...
A CIDADE e   as serrasEm um passeio que fazem os dois amigos pelosarredores de Paris, na colina da Basílica do Sacré-Coeur...
Só uma estreita e reluzente casta goza na Cidade e os gozosespeciais que ele a cria. O resto, a escura, imensa plebe, só n...
Por motivos familiares, Jacinto muda-se para suapropriedade rural em Tormes, vizinha à de José Fernandes;antes, envia para...
A CIDADE e   as serras...e ambos em pé, às janelas, esperamos com alvoroço apequenina estação de Tormes, termo ditodoso da...
Do mesmo modo que idealizara a vida urbana, Jacintopassa a idealizar a vida campesina. Aos poucos,porém, percebe que o ide...
A Cidade e as Serras mostra uma relaçãoentre as elites e as classes subalternas naqual aquelas promovessem estas socialmen...
Foco narrativoEscrito em primeira pessoa, A Cidade e asSerras, como a maioria dos romances deEça de Queirós, há um narrado...
Jacinto de Tormes, ao buscar a felicidade,empreendeu uma viagem que o reencontrouconsigo mesmo e com o seu país. Tal viage...
A Cidade e as Serras é um romance noqual se destaca a categoria espaço, namedida em que os ambientes sãofundamentais para ...
Um registro importante a se fazer é que atese defendida no romance remete oleitor ao Arcadismo (século XVIII), épocaexatam...
Saudade de Minha Terra(Goia e Belmonte)                         Que saudade imensa do campo e do mato                     ...
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Viagens na Minha TerraObra da autoria de Almeida Garrett, publicada em folhetins  entre 1845 e 1846 na Revista Universal L...
Diálogo instaurado com o leitorConduz o leitor a fazer parte de sua viagem; tornando-o um viajante também        e guia-o ...
INTRODUÇÃO A obra fundamenta-se numa viagem realmente efetuada por      Garrett em 1843, a convite do político Passos Manu...
Resuminho do romanceOs jovens enamoram-se, mas Carlos vive dilacerado pelo amor  que ainda julga sentir por Georgina, que ...
FOCO NARRATIVOEm “Viagens na minha terra”, Garrett assume também o papel de narrador. Isto   nos ministra informações impo...
CRÍTICA “neste livro – misto de diário, literatura de viagens, reportagem e ficção, o  escritor português narra a história...
CARACTERÍSTICAS      O romance “Viagens na minha terra” foi composto sob a forma de    folhetim, bem ao gosto romântico da...
Linguagem   A riqueza de sua linguagem nos fazem perceber o    dinâmica é a obra. Identificam-se o uso de formas   moderna...
Estrutura da ObraNa obra, entrelaçam e dois níveis narrativos: o relato de uma      viagem entre Lisboa e Santarém, entrem...
AS TRÊS HISTÓRIAS ENTRELAÇADAS“Viagens na Minha Terra” é um livro difícil de enquadrar em  gênero literário, pelo hibridis...
AS TRÊS HISTÓRIAS ENTRELAÇADAS  Nesse romance, é perceptível a técnica de suspensão da   narrativa, em favor de comentário...
Caricatura representando D. Pedro IV e D. Miguel I disputando a coroa portuguesa,por Honoré Daumier, 1833.
Histórias, interligadas pelas circunstâncias e pelo     tempo (contexto da Guerra Civil) e espaço físico                  ...
PERSONAGENS:Personagens Principais:Joaninha e Carlos: protagonistas da história de amor.Personagens Secundárias: A avó de ...
A VIAGEM DE GARRETT:Garrett afirma que há muito tempo sentia desejo de conhecer “as ricas várzeas desse Ribatejo”, coisa q...
Vê-se, portanto, que as “Viagens na minha terra” poderiam ser   interpretadas como uma costura do que vai “lá fora” com o ...
Espiritual x Materialista“Descobriu ele que há dois princípios no mundo: oespiritualista, que marcha sem atender à partema...
Chegada a Santarém
No vale de Santarém, o autor surpreende uma habitação antiga,  com janela larga e baixa. Lá, imagina “um vulto feminino qu...
A HISTÓRIA DE CARLOS E JOANINHA:“Joaninha não era bela, talvez nem galante sequer no   sentido popular e expressivo que a ...
- Filho, meu filho! – arrancou a velha, com estertor, do peito, - é teu      pai, meu filho. Este homem é teu pai, Carlos....
Clímax do romance_Carlos e frei Dinis_Carlos rumo à nova vidaCarlos representante do novo Portugal: CapitalismoMorte de Jo...
DesfechoCarlos deixara uma carta para sua prima Joaninha. É  uma carta de despedida definitiva, que lançará  também alguma...
CONCLUSÃO  Em geral, as tragédias clássicas terminam com uma solução  violenta do destino e Garrett tinha muita sensibilid...
CONCLUSÃO         O narrador se despede, e procura reencontrar seus                      companheiros de viagem.    A obra...
GUERRA CIVIL-1807- Invasão napoleônica : vinda da Família Real para o Brasil- Retirada das tropas napoleônicas : Retorno d...
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O CORTIÇO                           Aluísio Azevedofalecomyuri1@hotmail.com
O cortiço e        L´Assommoir (Émile Zola) - Lavadeiras e seu trabalho (brigas) - Encontro de amantes - Policial (espécie...
EIXO NARRATIVO: coexistência íntima entretrabalhador e explorador econômicoMeio utilizado: ”exploração direta e predatória...
“Para o asno forragem, chicote e carga; para o        servo pão, correção e trabalho” (Eclesistes,        33:25)“No Brasil...
Mais-valia crioulaParaportuguês negro e burrotrês pês:pão para comerpano para vestirpau para trabalhar.                   ...
EQUIPARAÇÃO DO HOMEM AO ANIMAL                                João Romão = vence o meio1º - PORTUGUÊS :                Mir...
1º - O EXPLORADOR CAPITALISTA2º - O TRABALHADOR SOB À CONDIÇÃODE ESCRAVO3º - O HOMEM SOCIALMENTE ALIENADOE REBAIXADO AO NÍ...
CORTIÇO       Início               DepoisRegido por lei             Regido por Joãobiológica :                Romão :ESPON...
Cortiço Velho (“Carapicus”) =aglomerado espontâneoCortiço novo (“Vila São Romão”) =estabelecimento da ordem / Sobradode J....
CORTIÇOEspaço físico : habitação coletivaEspaço social : mistura de “raças”,choque entre elas.Espaço simbólico : ALEGORIA ...
NATUREZA BRASILEIRA   Sedutora, poderosa e transformadora          (à luz do Naturalismo)      Rita Baiana = força perigos...
do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era acobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçocadoida,...
Ordeiro,               Perda de valorescomedido,              anteriores, alegre,econômico, sério,      sentidos aguçados,...
“E Jerônimo não aparecia.Ela ergueu-se finalmente, foi lá fora ao capinzal,pôs-se a andar agitada, falando sozinha, agesti...
SOL = “manifestação da natureza tropical eprincípio masculino de fertilidade”Pombinha :“...até formar-se em torno dela uma...
Til = “bela flor do campo” = seduz todos oshomens ao seu redor                          XRITA = “luz ardente do meio-dia” ...
Busca pela “RAÇA SUPERIOR”       Bertoleza :       “...porque, como toda cafuza (...) não queria sujeitar-se a       negro...
O REINO ANIMAL (Zoomorfismo)NA HABITAÇÃO COLETIVA: “aglomeração tumultuosa demachos e fêmeas” / “o prazer animal de existi...
CENAS DE SEXOMIRANDA E ESTELA:“Miranda nunca a tivera, nem nunca a vira, assimtão violenta no prazer. Estranhou-a. Afiguro...
POMBINHA E LÉONIE:“Pombinha arfava, relutando; mas o atrito daquelas duasgrossas pomas irrequietas sobre seu mesquinho pei...
CORTIÇO             X   SOBRADOHORIZONTALIDADE            VERTICALIDADE                       M    Ascensão socialEstagnaç...
INSTINTO   M       RAZÃORESOLUÇÃO DE   U    RESOLUÇÃO DECONFLITOS           CONFLITOS    Insultos   R   Troca de favores  ...
PERSONAGENS                                     Ascensão socialJOÃO ROMÃO                                      Degradação ...
Contramestre                 QuebradorJERÔNIMO         de pedras                                         MisériaBERTOLEZA ...
PERSONAGENS: TIPOS / ALEGORIAS               • João Romão: imigrante                 português, avaro e                 am...
• Bertoleza: inicialmente supõe  haver superado sua condição  de escrava e negra,  amasiando-se com um branco  e trabalhan...
• Miranda: comerciante  português, que  representa a alta  burguesia aristocratizada,  status que se confirma  quando ele ...
• Jerônimo / Piedade: típicos imigrantes  portugueses empenhados em formar um  pecúlio, como resultado natural da capacida...
• Pombinha / Léonie: o nome da personagem  (Pombinha) evoca, de início, pureza de sentimento,  alma boa, ela a é a enferme...
• Bruno/Leocádia: Ele ferreiro; ela, lavadeira –  representam o estereótipo dos moradores do  cortiço.• Leandra, a “Machon...
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  1. 1. OBRAS FUVEST/ UNICAMP 2013falecomyuri1@hotmail.com
  2. 2. TIL – 1872José de Alencar falecomyuri1@hotmail.com
  3. 3. • Romance: da palavra Romance/FOLHETIM: ROMANÇO/ROMÂNICO (obra • Publicado nos jornais, em linguagem popular, com diariamente/semanalmente; muita imaginação e aventura); • Diálogo com a leitorFinais felizes,• Século XVIII - ROMANCE aventuras, sentimentalismo, moral passou a designar o texto em burguesa prosa, normalmente longo, • Idealização: heróis/heroínas com vários núcleos narrativos “perfeitos” em torno de um núcleo central – muitos personagens, tempo Primeiros romances brasileiros: longo e espaços diversos ; O filho do pescador (1843), de• O romance está ligado a um Teixeira e Sousa; novo público leitor: a A moreninha, de Joaquim Manuel de burguesia. Macedo (1844)
  4. 4. José de Alencar• Considerado o fundador do romance nacional• Obras: Iracema, O Guarani, Senhora, Lucíola etc.• Realidade brasileira: vasto retrato de nosso país no século XIX• Projeto de LITERATURA NACIONAL (Romantismo)• Romances urbanos e regionalistas• Romances indianistas e históricos
  5. 5. Romances folhetinescos:• URBANOS – perfis femininos: Lucíola, Diva, Senhora...• REGIONALISTAS: O sertanejo, Til, O gaúcho...• INDIANISTAS: O guarani, Iracema, Ubirajara...• HISTÓRICOS: As minas de prata, A confederação dos Tamoios...
  6. 6. “Eram dois, ele e ela, ambos na flor da belezae da mocidade. O viço da saúde rebentava-lhes no encarnado dasfaces, mais aveludadas que a açucena escarlate recémaberta ali com os orvalhos da noite. No fresco sorrisodos lábios, como nos olhos límpidos e brilhantes,brotava-lhes a seiva d’alma. Ela, pequena, esbelta, ligeira, buliçosa,saltitava sobre a relva, gárrula e cintilante do prazer depular e correr; saciando-se na delícia inefável de sedifundir pela criação e sentir-se flor no regaço daquelanatureza luxuriante. Ele, alto, ágil, de talhe robusto e bemconformado, calcando o chão sob o grosseiro soco dabota com a bizarria de um príncipe que pisa as ricasalfombras, seguia de perto a gentil companheira, quefolgava pelo campo, a volutear e fazendo-lhe milnegaças, como a borboleta que zomba dos esforçosinúteis da criança para a colher. “ (Cap.1)
  7. 7. Tempo psicológico Muitos órfãos Muitas personagens Segredos Vários núcleosEnredo dinâmico, muitos fatos Muitas mortes Intertextualidade com as tragédias gregas.
  8. 8. Apresentação dos Personagens e tramas 31 CapítulosDIVISÃO DA OBRA: Revelação e resolução dos conflitos apresentados
  9. 9. Traços gerais:Publicado em folhetim: Jornal A República (1871- 1872)Romance regionalistaRetrato dos costumes de uma elite rural.Maniqueísmo (Bem X Mal)Mistério, suspense, aventura, perigos: técnica folhetinesca.
  10. 10. • AmbienteNarrador • Sociedade rural, escravocrata• Narrador: 3ª pessoa, onisciente • interior de São Paulo (Santa• Linguagem culta, registro Bárbara, Piracicaba, Campinas – elevado. Fazenda das Palmas) • Festas populares:Temática amorosa • São João (festa de origem• Casais de namorados europeia/portuguesa/branca)• Exacerbação sentimental • X Congada , SAMBA• Figura feminina: • idealização/bondade, riqueza: Fazenda das Palmas beleza/sensualidade. • pobreza: casa em ruínas, gruta, senzala
  11. 11. IVMonjolo Cerca de uma légua abaixo da confluência do Atibaia com oPiracicaba, e à margem deste último rio, estava situada a fazenda dasPalmas. Ficava no seio de uma bela floresta virgem, porventura a maisvasta e frondosa, das que então contava a província de São Paulo, eforam convertidas a ferro e fogo em campos de cultura. Daquela queborda as margens do Piracicaba, e vai morrer nos campos de Ipu,ainda restam grandes matas, cortadas de roças e cafezais.
  12. 12. Heroísmo fantástico: De chofre empinou-se o cavalo, arremessando o homem sobre a escarpa dabarranca, donde rolou ao trilho, como um corpo inerte. O capanga abatera um olhar de nojo para o cavaleiro que lhe veio rolar aos pés. A facabrandida com força vibrava ainda no tronco do jequitibá, onde cravara acabeça de um urutu, que estorcia-se de fúria e dor.Fora a negra serpente que espantara o animal, quando enristou-se como umalança, fincando a cauda e chofrando o bote. Advertido pelo faro, antes de ver altear-se o negrocolo, o cavalo rodara sobre os pés; e a cobra ameaçada pelos cascos elou-se ao tronco, onde aalcançara a mão certeira de Jão Fera, que já tinha apunhado a faca.... Devorando a distância na corrida veloz, saltando por cima dos magotes queencontrava em seu caminho, e às vezes fazendo do próprio lombo das feras chão onde pisar, Jãoprecipitou-se enfim no lugar onde Berta e o negro velho aguardavam a morte contritos.Suspendendo a menina com o braço esquerdo, enquanto brandia o direito a longa facaapunhada, o vigoroso capanga, aproveitando-se do espanto das feras ante sua audácia, arrojou-se para a árvore mais próxima, onde poderia colocar a menina a salvo de perigo.
  13. 13. Personagens • Luís Galvão: pai de Berta - fazendeiro empreendedor• Berta, Inhá ou Til: filha bastarda de Luís Galvão • D. Ermelinda: matriarca (com Besita, pobre moça assassinada pelo • Afonso: filho de L. Glavão e marido), criada por Nhá Tudinha - modelo Ermelinda, jovem, bom, gosta de feminino dinâmica, ativa, nobreza de caráter Berta pois não sabe que ela é sua• Besita: verdadeira mãe de Berta – moça bonita meia-irmã. e pobre, casa-se com Ribeiro e é assassinada • Linda: gêmea de Afonso, amiga de por ele Berta.• Ribeiro ou Barroso: marido e assassino de • Brás: sobrinho de L. Galvão, Besita, cruel e vingativo – será morto por Jão deficiente mental – O diota - Fera/Bugre. protegido de Berta (visão• Miguel: irmão de criação de Berta – de início, preconceituosa, inferiorizante) apaixonado por ela - herói romântico convencional – depois, ficará com Linda• Nhá Tudinha: mãe de Miguel e mãe de criação • Inimigos de L. Galvão: Ribeiro e de Berta. Gonçalo• Jão Fera ou Bugre: facínora X bondade, código • Escravos, Pai Quicé, tropeiros, de honra, mata Ribeiro e é preso. vendeiros.• Zana: ex-escrava, vítima de trauma
  14. 14. • Besita (casada com Ribeiro[Barroso]) origem • Luís Galvão • Besita será morta pela maridoBerta surge • Jão salvará Berta • Luís GalvãoCasamento • D. Ermelinda oficial • Afonso e Linda (irmãos gêmeos)relações • Miguel, irmão de criação de Berta, a deseja. • Jão deseja matar Ribeiro, por este ter matado a sua amada Besitavingança • Ribeiro deseja matar Luís Galvão, como não consegue tenta matar Til
  15. 15. Besita Luís/ BertaRibeiro Miguel / Jão Afonso
  16. 16. Aspectos formais• Digressões• falas de personagens: regionalismos• figuras: comparações (Berta: flor) , personificaçõesTempo:• 1826: Besita e Luís Galvão, Ribeiro, João Fera/Bugre• 1846: Fazenda das Palmas.
  17. 17. Era Brás filho de uma irmã de Luís Galvão, a qual falecera três anos antes, ralada pelosdesgostos que lhe dera o marido, e pelo suplício incessante de ver reduzido ao lastimoso estadode um sandeu o único fruto de suas entranhas.Quando morreu, já era de muito viúva a infeliz senhora; e, pois, com a sua perda, ficou Brás semoutro arrimo, a não ser por Luís Galvão, seu tio e mais próximo parente, que o trouxeimediatamente para casa e desvelou-se como pode, pela sorte da mísera criança.Compreende-se quanto devia custar a D. Ermelinda, ciosa em extremo da morigeração de seusfilhos, o receber no íntimo seio da família um menino até certo ponto estranho, e não só baldode toda a educação, como incapaz de recebê-la. Mas compenetrara-se a digna senhora que seumarido, recolhendo o sobrinho órfão e servindo-lhe de pai, cumpria um rigoroso dever; e tantobastou para que não suscitasse a menor objeção. Resignada ao mal inevitável, socalcou suarepugnância.Somente exigiu de Luís Galvão, e isso o fez com autoridade de mãe, que, recebido Brás e tratadocomo filho da casa, se evitasse contudo seu íntimo contato com Afonso e Linda, conservando-os,quanto possível, alheios à existência do primo, e impedindo o menor trato e convivência com ele.Consentia D. Ermelinda em ser-lhe mãe e cercá-lo de toda a solicitude, apesar da naturalrepulsão que deviam causar à sua índole tão delicada os modos brutais e parvos do idiota. Nãolhe sofria porém o coração que seus filhos vissem nesse menino mal amanhado e grosseiro umcamarada e um parente, quanto mais um irmão.
  18. 18. Veio a tarde: o céu estava sereno, e coava-se no espaço uma aragem tãodoce que Besita encostou-se ao peitoril da janela. Com a fronte descansada àombreira, deixando cair para fora as longas tranças de seus lindos cabelosnegros, que a brisa fazia ondular, embebia-se em contemplar a estrelavespertina, que cintilava no horizonte.Súbito, no esquecimento dessa cisma, uma estranha idéia despontou-lhe noespírito.Pareceu-lhe que, através da cintilação da luz, desenhava-se a imagem de suamãe, a sorrir-lhe lá do céu e a chamá-la.Então ouviu Zana um grito de terror, que se extinguiu em um gemido deangústia. Fora de si correu à alcova da senhora, onde a esperava um quadrohorrível.No meio do aposento, o Ribeiro, pálido e medonho como um espectro,agarrando a mulher pelo pescoço, estrangulava-a com as longas tranças decabelos.
  19. 19. ESPAÇOSIVMonjolo Cerca de uma légua abaixo da confluência do Atibaia com o Piracicaba, e à margemdeste último rio, estava situada a fazenda das Palmas. Ficava no seio de uma bela floresta virgem, porventura a mais vasta e frondosa, dasque então contava a província de São Paulo, e foram convertidas a ferro e fogo em campos decultura. Daquela que borda as margens do Piracicaba, e vai morrer nos campos de Ipu, aindarestam grandes matas, cortadas de roças e cafezais. Eram freqüentes os encontros dos dois lindos pares de passeadores no Tanquinho.Vinham semanas em que se repetiam todas as manhãs, a menos que as chuvas nãopermitissem, ou que Berta e Miguel fossem à casa das Palmas, o que sucedia regularmente aosdomingos e dias de festa. O amor, tão bonina dos prados, quanto rosa dos salões, quando o orvalham risos damocidade; o amor puro e suave, como a cecém daquele prado, tinha já florido os corações quelhe respiravam pela manhã os agrestes perfumes.
  20. 20. “Como as flores que nascem nosdespenhadeiros e algares, onde não penetramos esplendores da natureza, a alma de Bertafora criada para perfumar os abismos damiséria, que se cavam nas almas, subvertidaspela desgraça.”
  21. 21. OBRAS FUVEST/ UNICAMP 2013falecomyuri1@hotmail.com
  22. 22. Memórias de um Sargento de Milícias Manuel Antonio de Almeida falecomyuri1@hotmail.com
  23. 23. Preliminares• As Memórias de um Sargento de Milícias são um dos livros mais singulares da literatura brasileira.• Trata-se, basicamente, de um romance de humor popular, fundado nas aventuras de tipos da sociedade carioca do começo do século passado.
  24. 24. Preliminares• O humor explorado por Manuel Antonio de Almeida é semelhante ao das peças de Martins Pena, autor de O Noviço (encenada em 1845, sete anos antes do início das Memórias).• Destinadas às páginas de um jornal, as Memórias apresentam capítulos unitários, quase todos um episódio completo.
  25. 25. Preliminares O conjunto desses episódios reconstitui a vida de Leonardo Pataca e de seu filho Leonardo, em meio a um vivo retrato das camadas baixas do Rio de Janeiro de D. João VI.
  26. 26. Preliminares• O romance dá muita atenção às festas, encontros, instituições e profissões populares da cidade, cujas ruas são descritas com a animação de uma verdadeira narrativa de costumes.• É um romance muito agitado e festivo, não há praticamente nenhuma página sem um incidente ou surpresa espantosa.• A linguagem é coloquial.
  27. 27. Preliminares• As Memórias de um Sargento de Milícias foram publicadas em folhetins anônimos entre 1852 e 1853, no suplemento dominical do Correio Mercantil, a Pacotilha.• Em livro, a obra saiu nos anos de 1854 e 1855, em dois volumes.• Cada volume correspondia a uma das partes da obra.
  28. 28. Excentricidade das Memórias• No final do século XIX, o crítico José Veríssimo interpretou as Memórias de um Sargento de Milícias como um romance pré-realista.• Mário de Andrade aproximou-as do romance picaresco espanhol.• Antonio Candido demonstrou que se trata de um romance propriamente romântico, com particularidade, excentricidade.
  29. 29. Excentricidade das Memórias• As Memórias distanciam-se da média da sensibilidade romântica pelas seguintes razões: – A estória não envolve personagens da classe dominante, mas sim pessoas de baixa renda. – A personagem central não é herói nem vilão, trata-se de um anti-herói malandro, de natureza picaresca, isto é, próximo do pícaro espanhol. – As cenas não são idealizadas, mas reais, e apresentam aspectos pouco poéticos da existência.
  30. 30. Excentricidade das Memórias– Ausência de moralismo e recusa da ideia de que as ações humanas se dividem necessariamente entre boas e más.– Troca do sentimentalismo pelo humorismo, do estilo elevado e poético pelo estilo tosco e direto, sem torneios embelezadores.– O estilo é oral e descontraído, diretamente derivado da conversa ou do estilo jornalístico do tempo.
  31. 31. Estilo • Apresenta o estilo descontraído do jornal ao romance. • Todas as suas personagens pertencem às camadas populares. • É simples, direta, praticamente sem metáforas ou refinamentos retóricos.
  32. 32. Estilo• As descrições da obra apontam para duas direções: – ora para um retrato vivo da indumentária, costumes, logradouros públicos e instituições do velho Rio; – ora para a exageração dos traços físicos das pessoas e das situações.• O exagero configura as caricaturas, que tornam o romance popular.
  33. 33. Técnica do enredo e personagens  As Memórias de um Sargento de Milícias têm foco narrativo em terceira pessoa.  O romance possui algumas propriedades de romance histórico: se detém na captação de cenas e costumes do passado.  Trata-se também de um romance de costumes com propriedades picarescas.  Sua ação é episódica, parcelada.
  34. 34. Técnica do enredo e personagens• O romance picaresco, expressão derivada do termo pícaro, espécie de personagem marginal que vive ao sabor do acaso.• As personagens são tipos sociais: várias não possuem nome no livro, designam-se pela profissão ou condição social que possuem: o barbeiro, a cigana, a parteira, o fidalgo, o mestre-de-cerimônias, etc.
  35. 35. Personagens• Leonardo: anti-herói, herói às avessas, herói picaresco - desde a infância é esperto, vagabundo e mulherengo, assemelha-se ao protagonista, Macunaíma. Leonardo-Pataca: oficial de justiça, sentimental, sempre enroscado em suas paixões. Maria-da-Hortaliça: mãe do herói Major Vidigal: temido e respeitado por todos.Severo punidor, é, ao mesmo tempo, policial e juiz.
  36. 36. • Comadre: protetora de Leonardo, vive tentando livrá-lo dos enroscos em que se metia. Compadre Barbeiro: outro protetor. Cria o menino como se fosse o seu filho, sonhando um próspero futuro para ele; só que isso não acontece.• D. Maria: velha, rica e bondosa. Era apaixonada por causas judiciais. Tia e tutora de Luisinha, amiga da comadre e do compadre. Luisinha: primeiro amor de Leonardo. Suas características fogem da idealização dos modelos românticos: era feia, pálida e desajeitada.
  37. 37. • José Manuel: caça-dotes, representa uma crítica à burguesia.• Vidinha: cantora de modinas, segunda paixão de Leonardo.• Chiquinha: filha de D. Maria e esposa de Leonardo-Pataca.• Maria-Regalada: amante de Vidigal.
  38. 38. • Além desses, há outros como: A vizinha, a cigana, o mestre-de-rezas, Tomás, etc. Os personagens encaixam-se na categoria de tipos alegóricos, pois não possuem profundidade psicológica e são como caricatura de uma classe social: o povo, a classe média carioca da época.
  39. 39. Um curioso traço compositivo• Toda vez que o narrador das Memórias apresenta um episódio da vida de Leonardo ou de outra personagem, ele traça, antes, o painel social do cenário em que se desenvolverá a peripécia.
  40. 40. O cotidiano do povo é registrado com bom humor• Há, no livro, constantes alusões a instrumentos, danças e modinhas da época retratada. Chega mesmo a transcrever três trechos de modinhas populares no tempo: uma cantada por Leonardo, durante a festa do batizado do filho; duas outras cantadas por Vidinha, numa de suas patuscadas com os primos e amigos.• Em mais de uma passagem, fornece detalhes sobre o fado, apresentado como dança típica do Brasil.
  41. 41. Documento linguístico• Os namorados das Memórias tratam-se por senhor e senhora."– A senhora... sabe... uma coisa?E riu-se com uma risada forçada, pálida e tola.Luisinha não respondeu. Ele repetiu no mesmo tom:– Então... a senhora... sabe ou... não sabe?E tornou a rir-se do mesmo modo. Luisinha conservou-se muda.– A senhora bem sabe... é porque não quer dizer... Nada de resposta.– Se a senhora não ficasse zangada... eu dizia... Silêncio.– Está bom... eu digo sempre... mas asenhora fica ou não fica zangada?Luisinha fez um gesto de quem estava impacientada.– Pois então eu digo... a senhora não sabe... eu... eu lhe quero... muito bem."
  42. 42. Documento linguístico• A mãe de Vidinha, no capítulo 8 da segunda parte, dirige-se informalmente à filha na segunda pessoa do plural, dizendo: “Ai, criatura, quereis que vos reze um responso para cantardes uma modinha?”• Leonardo age mais do que fala.
  43. 43. Inclusão do leitor• Um dos importantes traços estilísticos de Memórias é a constante referência do narrador ao leitor. Isso certamente tem a ver com o propósito de estabelecer um suposto diálogo amigável com o público do jornal, isto é, esse traço revela o interesse de facilitar a recepção da obra, como deixa ver o seguinte fragmento:• “Dadas as explicações do capítulo precedente, voltemos ao nosso memorando, de quem por um pouco nos esquecemos. Apressemo-nos a dar ao leitor uma boa notícia: o menino desempacara do F, e já se achava no P, onde por uma infelicidade empacou de novo.”
  44. 44. Inclusão do leitor• Essa é a razão de suas constantes referências metalinguísticas, chamando a atenção do leitor para acontecimentos apresentados anteriormente ou para os que está prestes a apresentar.
  45. 45. Contra o romantismo • Manuel Antônio faz questão de manter o equilíbrio emocional, primando pela clareza e ridicularizando todo e qualquer transbordamento emotivo em suas personagens.
  46. 46. Enredo• Origens e Infância do Memorando• Leonardo Pataca, a Cigana e o Vidigal• O Padrinho e a Vizinha• O Mestre-de-Cerimônias• Luisinha• Graves Infortúnios• Vidinha em Cena• Diaburas do Novo Granadeiro
  47. 47. OBRAS FUVEST/ UNICAMP 2013falecomyuri1@hotmail.com
  48. 48. Machado de Assis falecomyuri1@hotmail.com
  49. 49. Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis
  50. 50. Memórias póstumas de Brás CubasPublicadas em capítulos na Revista Brasileira, de 15de março a 15 de dezembro de 1880 (Em livro =1881), as Memórias póstumas de Brás Cubas revelamuma narrativa inovadora, revolucionária, que, atravésde seu protagonista- narrador “defunto-autor”,promovia a “viravolta machadiana.”
  51. 51. A “viravolta machadiana”A perspectiva universal e filosófica
  52. 52. A dedicatória em forma de epitáfio (inscrição tumular)Ao vermequeprimeiro roeu as frias carnesdo meu cadáverdedicocomo saudosa lembrançaestas Memórias Póstumas
  53. 53. A dedicatória• Chocante ou irônica pouco importa... Fugindo ao senso comum, Brás Cubas dedica suas memórias aos vermes, como se não houvesse alguém digno de lembrança, deixando em evidência as “tintas” de seu pessimismo, através de sua pena carregada de humor.
  54. 54. A dedicatória• O verbo “roeu” (no passado), significa que Brás Cubas não é, materialmente, mais nada, não deve satisfações a ninguém. É livre, soberano e absoluto para pintar a vida, as pessoas, a si próprio: “... estas são as memórias de um finado, que pintou a si e aos outros, conforme lhe pareceu melhor e mais certo.”
  55. 55. O defunto autor
  56. 56. Um autor defunto ou um defunto autor?• Do túmulo (campa) um “defunto autor” examina de forma memorialística sua vida. Apesar de morto, nada comenta sobre sua existência além-túmulo. Está interessado apenas em recordar o passado e submetê-lo à análise e ao julgamento definitivo de seu significado.
  57. 57. Por que um “defunto autor”?• A) Símbolo do fim da concepção romântica.• B) Desafio do escritor frente às propostas do Real- Naturalismo, já que uma fala vinda do túmulo contrariava os princípios de racionalidade e verossimilhança.
  58. 58. Por que um “defunto autor”?• C) A idéia machadiana de que só um morto poderia apresentar os fatos de sua existência sem escrúpulos, sem fantasias e sem temor da opinião pública.
  59. 59. Por que um “defunto autor”?• Enfim: Só um morto – por não ter nada a perder – revelaria seus intuitos mesquinhos, seu egoísmo, sua impotência para a vida prática e sua desesperada sede de glória.
  60. 60. Por que um “defunto autor”?• Só alguém que ultrapassasse o limite fatal seria capaz de apontar a verdade definitiva de sua própria condição.
  61. 61. O prólogo: Ao leitor• Referências:• Stendhal = (pseudônimo de Henri Beyle) escritor francês romântico que abordou, em seus romances, paixões violentas e perfis irônicos e psicológicos de seus personagens (Obra mais famosa = O vermelho e o negro – Sua obra de “cem leitores” = Do Amor)
  62. 62. Prólogo: Ao leitor• Recepção da obra:• “... O que não admira, nem provavelmente consternará, é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco... Fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.”
  63. 63. Prólogo: Ao leitor• Referências:• Sterne = escritor inglês• Xavier de Maistre = escritor francês• Ambos de estilo digressivo e irônico (autores admirados por Machado)• “Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia” = Visão irônica e pessimista.
  64. 64. Prólogo: Ao leitor• Diálogo com o leitor = sugestão = que o leitor mude sua postura e prefira a reflexão do que a anedota, ou...• “... se te agradar , fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.”
  65. 65. Ironia ao leitor• O leitor também é parte, além dos personagens e seus atos, da “galhofa” do autor.
  66. 66. • Capítulo LXXI(71) O senão do livro “Começo a arrepender-me deste livro... é enfadonho, cheira a sepulcro... porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...”
  67. 67. A estrutura narrativa• O diálogo constante com o leitor e as interrupções na narrativa para digressões, saltos de um assunto para o outro, do particular para o geral, do abstrato para o concreto e vice-versa, do real para o imaginário, as pilhérias, as teorias filosóficas, as citações, as teorizações sobre a própria técnica narrativa, a metalinguagem...
  68. 68. A estrutura narrativa• ... constituem inúmeros subterfúgios que tornam a história contada por Brás um mosaico de peças, aparentemente desconexas, que formam uma narrativa de estrutura híbrida (irregular), descontínua, com capítulos que se intercalam a outros produzindo a quebra da linearidade do enredo.
  69. 69. A estrutura narrativa• Entretanto, todos esses aspectos não deixam de estarem ligados a um fio condutor que é a própria vida do defunto autor, marcada pelo tédio e pelo vazio.
  70. 70. O narrador• Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra em que os acontecimentos ou sua seqüência são menos importantes do que a atmosfera de ambigüidade que perpassa toda a narrativa. Se num momento o narrador se mostra humilde, noutro se proclamará superior a tudo e a todos;...
  71. 71. O narrador• ... trata-se, portanto, de um “narrador não confiável e volúvel” que, com sarcasmo, cinismo e tédio, expõe sua mediocridade, como salienta no célebre capítulo “Curto, mais alegre”, com a saborosa liberdade de quem morreu e já não tem platéia para espreitar suas ações e, portanto, pode apreciar o “desdém dos finados”, ou seja, sua “franqueza de defunto” não teme a opinião pública e pode “apresentar os fatos de sua existência sem escrúpulos ou fantasias.”
  72. 72. Capítulo XXIV: Curto, mas alegre• “Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz a consciência;...
  73. 73. • ... e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! Que desabafo! Que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lantejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia...”
  74. 74. A narrativa• Assim, evidencia-se uma narrativa irônica e niilista sobre a precariedade humana que emerge da vida, das relações e dos projetos fracassados e perecíveis de um típico representante de uma elite dominante e parasitária.
  75. 75. • Ou seja, Brás Cubas pertence ao mundo dos grandes proprietários e, vivendo de rendas que herdou de sua família, praticamente durante toda a sua vida, foi um indivíduo cheio de caprichos que levou sua vazia existência sem perspectivas. E todas as suas transgressões e atitudes mesquinhas expressam a falta de ética e escrúpulos de uma elite escravocrata e tacanha do Brasil do século XIX.
  76. 76. Crítica ao Romantismo• Capítulo XIV , O primeiro beijo• Brás Cubas se descreve aos 17 anos: “... o corcel das antigas baladas, que o Romantismo foi buscar ao castelo medieval, para dar com ele nas ruas do nosso século. O pior é que o estafaram a tal ponto, que foi preciso deitá-lo à margem, onde o Realismo o veio achar, comido de lazeira e vermes e, por compaixão, o transportou para os seus livros.”
  77. 77. Crítica ao Romantismo• No trecho citado, o crítico Machado de Assis opõe a crueza da realidade da nova escola (o Realismo) à esgotada idealização do Romantismo; como o cavalo do herói medieval, os temas da literatura realista são colhidos à margem (da sociedade; da superada moda literária) e denunciam um estado de putrefação = “comido de lazeira e vermes”
  78. 78. Capítulo VII = O delírio
  79. 79. Capítulo VII = O delírio• Em estado de transe causado pela febre, Brás Cubas é arrebatado por um hipopótamo, que o leva à origem dos séculos. Surge então uma mulher imensa, de contornos indefinidos, que se diz chamar Natureza ou Pandora. Quando, por fim, Brás vê de perto o rosto da estranha, percebe-lhe a impassibilidade egoísta e sua eterna surdez. Ou seja, é alguém indiferente ao clamor humano.
  80. 80. Capítulo VII = O delírio• Ela conduz o defunto-autor ao alto de uma montanha e lhe permite contemplar a passagem dos séculos e entender o absurdo da existência, sempre igual, centrada apenas no egoísmo e na luta pela sobrevivência. O personagem vê a História como uma eterna repetição:
  81. 81. Capítulo VII = O delírio• “flagelos, misérias, cobiça, cólera, inveja, ambição, fome, vaidade, melancolia, riqueza, agitando o homem como um chocalho até destruí-lo como um farrapo.” “A regra é egoísmo, conservação e satisfação do próprio eu: lei de Brás Cubas e dos homens que aparecem no delírio, fantoches sacudidos pelas paixões, variedades de um mal que devora o homem, a buscar a quimera da felicidade que se some na ilusão.”
  82. 82. Capítulo VII = O delírio• Não há, portanto, um sentido de evolução na humanidade. A natureza humana pouco ou nada se modifica. O homem procura inutilmente a “quimera da felicidade”, e esta, sem deixar apanhar-se, apenas “ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão.”• E Brás Cubas vendo o mundo com “olhar enfarado”, implora mais um pouco de vida.
  83. 83. Capítulo VII = O delírio• Como assinala Augusto Meyer, Brás Cubas revela um sentimento ambivalente diante do infinito ciclo humano: o de vertigem e desamparo diante da inutilidade de todas as buscas e, ao mesmo tempo, o de sarcasmo consciente contra a fatalidade da existência. A ironia é a defesa do personagem contra a natureza cega e insensível.
  84. 84. Capítulo VII = O delírio• Ainda segundo Meyer, ao “passar em revista a monotonia da miséria humana”, Brás Cubas dá a “impressão de quem vai caindo num vazio espantoso e na queda goza a volúpia de cair.” Daí a aparente e enigmática maneira como Pandora o define: “Grande lascivo, espera-te a voluptuosidade do nada”.
  85. 85. O encontro com Quincas Borba
  86. 86. • O primeiro encontro de Brás Cubas com Quincas Borba, ocorre no capítulo LIX, Um encontro.• Amigo de infância de Brás, aparece na condição de mendigo, furta-lhe o relógio e depois reaparece rico (herdeiro de um parente mineiro) e passa a freqüentar a casa do amigo, até sua morte, expondo-lhe, sempre, elementos de sua singular filosofia: “o Humanitismo”.
  87. 87. Quincas Borba & O Humanitismo
  88. 88. Quincas e o Humanitismo• O humanitismo é o ponto de contato entre Memórias póstumas de Brás Cubas e o Quincas Borba. A teoria do Humanitas é uma caricatura feroz do positivismo e do cientificismo dominantes na época. A personificação da impassibilidade egoísta, da eterna surdez, da vontade imóvel é, afinal, Humanitas, “o princípio das coisas que não é outro senão o mesmo homem repartido por todos os homens”.
  89. 89. • Enfim, o “Humanitismo” é, conforme a visão aguda de Machado de Assis, uma impiedosa sátira complementar das ideias do determinismo social, que constituíam a base filosófica do Realismo. O “Humanitismo” é uma caricatural doutrina híbrida de Positivismo e Darwinismo Social. Ou seja, uma hilariante paródia de todos os “ismos”, com a mesma visão fatalista (a supremacia das raças = a lei do mais forte) que constituíram as doutrinas científicas que dominaram a Europa, no século XIX, e chegaram, naturalmente, ao Brasil.
  90. 90. Os amores de Brás Cubas
  91. 91. Os amores de Brás Cubas• Marcela = a cortesã = seu primeiro amor, que lhe amou “durante quinze meses e onze contos de réis”.• Eugênia = a “flor da moita”, coxa e infeliz.• Eulália = com quem pretendia casar mas que morre de febre amarela com apenas 19 anos.
  92. 92. Marcela: a prostituta
  93. 93. • A bela dama espanhola, alegre e sem escrúpulos, luxuosa, impaciente, amiga de dinheiro e rapazes, a primeira mulher de sua vida, a doce prostituta Marcela. Ela o amou “durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos”. Seu pai, logo que teve conhecimento dos onze contos, uma fortuna para a época, ficou furioso e o enviou para estudar na Europa, receoso do envolvimento profundo do filho com uma prostituta.
  94. 94. Eugênia: a “flor da moita” e... coxa...
  95. 95. • Eugênia tem um defeito de nascença: é coxa. Todos esses aspectos fazem com que ele confirme que não deve envolver-se seriamente com ela, já que estava em condição social inferior à sua e não lhe era possível esquecer a origem da moça: “uma flor que foi gerada na moita”. Além do mais, ela era, segundo o seu cinismo e sarcasmo, coxa. E pergunta-se: “Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita?”
  96. 96. • E, assim, quando resolve despedir-se de Eugênia, alegando que precisava descer da Tijuca, depara-se com a nobreza de caráter da menina que não leva em consideração suas hipérboles frias e evasivas e o encoraja a partir, pois, assim, escaparia do ridículo de casar-se com ela. Ou seja, talvez a “Vênus manca” de Brás seja a única personagem dessa história que demonstra dignidade e caráter.
  97. 97. Vírgilia, o maior amor de sua vida
  98. 98. • Virgília foi o maior amor de sua vida, com quem estabelece uma relação adúltera, já que ela torna- se esposa do deputado Lobo Neves.• Virgília, com seus braços tentadores, nascera para ser bela um momento, trair o primeiro noivo com o futuro marido, e este com aquele, quase sem perceber o que fazia, num amoralismo ingênuo, e depois envelhecer e morrer como vivera, sem pensar que há, para catalogar as ações humanas, um código do bem e do mal.
  99. 99. Eulália, a “flor do pântano”.
  100. 100. • Eulália, com quem pretendia casar, visto que a moça comportava-se com altivez, e ele pretendia “arrancar aquela flor do pântano em que vivia”, morre de febre amarela com apenas 19 anos.
  101. 101. Brás Cubas
  102. 102. BRÁS CUBAS• Homem de posses, nunca trabalhara, dedicando-se, antes, a imaginar estratégias pessoais que poderiam torná-lo famoso e admirado. Moveu-o sempre o “amor da glória”. Falecido aos 64 anos, torna-se claro que ele sempre fora um ser destituído de vontade e, portanto, incapaz de qualquer ação significativa (social ou individual). Trata-se, pois, de um homem inútil, entediado, com a “volúpia do aborrecimento”, que parece expressar o parasitismo e a falta de perspectivas da elite escravocrata brasileira.
  103. 103. BRÁS CUBAS• Possui uma natureza complexa, cheia de contradições, ambicioso e retraído, vaidoso e displicente, apaixonado e indiferente. Sua alma “foi um tablado em que se deram peças de todo gênero, o drama sacro, o austero, o piegas (ridículo), a comédia louçã, a desgrenhada farsa, os autos, as bufonerias.”
  104. 104. BRÁS CUBAS• Infância mimada & juventude despreocupada:• Narrando-lhe a primeira infância, Machado, tão acusado de se haver alheado aos grandes problemas do seu tempo, traçou, sem rodeios, a crítica da organização servil e familiar de então. Mostrou o mal que fez a escravidão a brancos e negros. Sem o moleque Prudêncio para lhe servir de cavalo, sem as pretas para alvos passivos das suas judiarias , sem os costumes relaxados que a promiscuidade das escravas com os...
  105. 105. BRÁS CUBAS...sinhô-moços facilitava, o Brás Cubas não teria sido o que foi. Também a vaidade do menino era cultivada pela beata admiração dos pais. Tudo contribuiu para fazer dele um perfeito egoísta. Representou o resultado do meio e da educação viciada agindo sobre um temperamento mórbido.
  106. 106. BRÁS CUBAS• Rico, conheceu todas as facilidades, todos os prazeres. E porque teve tudo, mas não se deixou empolgar por coisa alguma, cedo conheceu o tédio, “esta flor amarela, solitária e mórbida, de um cheiro penetrante e sutil.”• O TÉDIO, irmão do ceticismo, o tédio do herói e do autor, é a personagem central do livro.
  107. 107. “Brás Cubas viajou à roda da vida.”• UMA VIAGEM À RODA DA VIDA = A vida do homem que vive em sociedade, afeito às formalidades, às convenções, governado pelo onipresente olhar da opinião. A vida marcada por egoísmos, atos mesquinhos motivados pela incessante necessidade de o homem superar e embaçar o seu semelhante.
  108. 108. A morte de Brás Cubas
  109. 109. Morte de Brás Cubas• Enquanto medita sobre a forma de criar um “medicamento sublime” – um emplasto que aliviasse a humanidade do tédio e da melancolia – e, assim, tornar-se uma personalidade conhecida e invejada, Brás recebe um golpe de vento, adoece e, obcecado pela idéia fixa de inventar o emplasto que levaria seu nome, não trata da pneumonia e morre.
  110. 110. Capítulo final = Das negativas• Visão sarcástica com sabor de escárnio?• Ironia a pobre humanidade e sua sede de permanência e preservação?• Pessimismo ou uma dor escamoteada?
  111. 111. Capítulo final = Das negativas• No último capítulo, o narrador Brás Cubas faz um último balanço das perdas e dos ganhos de sua existência, convicto de ter saído quite com a vida. É verdade que não se tornara califa nem ministro, não se casara nem criara o emplasto que lhe daria acesso à celebridade. Contudo, essa impressão de sair da vida sem “míngua nem sobra” se desfaz quando Brás dá-se conta de que havia um saldo positivo a seu favor: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.
  112. 112. O Rio de Janeiro de Brás Cubas
  113. 113. OBRAS FUVEST/ UNICAMP 2013falecomyuri1@hotmail.com
  114. 114. A CIDADE e as serrasRO M A N C E D E E Ç A D E Q U E I R Ó S falecomyuri1@hotmail.com
  115. 115. “o homem só é superiormente feliz quando é superiormente civilizado”Jacinto de Tormes, “Príncipe da Grã-Ventura”
  116. 116. O QUE ACONTECIA NO FINAL DO SÉC. XIX A CIDADE e as serrasEvolucionismo:O HOMEM EVOLUI COMO QUALQUER OUTRO SER VIVO E ATRAVÉS DA LEI DA SELEÇÃONATURALPositivismo:SÓ O DADO POSITIVO (científico) É VÁLIDO. O DADO NEGATIVO (intuitivo) DEVE SERDESCARTADO.Determinismo:TODAS AS ESCOLHAS DO HOMEM SÃO DEFINIDAS PELO MEIO, PELA RAÇA E PELACULTURA.Socialismo:TODOS OS MEIOS DE PRODUÇÃO PERTENCEM À COLETIVIDADE.
  117. 117. O QUE ACONTECIA NO FINAL DO SÉC. XIX A CIDADE e as serras • Gustave Flaubert: Madame Bovary • Oposição ao Romantismo: Questão Coimbrã • Antero de Quental X Antonio Castilho • Anti-burguês, Anti-monárquico, Anti-Clerical • Portugal: Geração de 70 • EÇA DE QUEIRÓS
  118. 118. João Maria Eça de Queirós (1845 - 1901)
  119. 119. AS FASES DE EÇA DE QUEIRÓS A CIDADE e as serras 1ª fase – Romântica (Prosas Bárbaras): temas e idealizações Românticas, descrições já Realistas e estilo de feições Simbolistas. 2ª fase – Realista (O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio, Os Maias): romance de costumes, com a análise objetiva e crítica da sociedade. 3ª fase - Realista de Transição (A Ilustre Casa de Ramires, A Cidade e as Serras, Últimas Páginas): moderação no sarcasmo e na ironi, sentimento mais afetivo em relação à Portugal.
  120. 120. A CIDADE E AS SERRASPublicado em 1901, depois da morte do autor. Duas concepções de vida: vida no campo e a vida na cidade.
  121. 121. A CIDADE E AS SERRAS: UM OUTRO EÇA DE 1875 até 1900:Eça crítico dos excessos, dos vícios e desvios da sociedade burguesa. Eça pessimista, irônico, descrente na mudança do homem. EÇA SOCIALISTA EM A CIDADE E AS SERRAS: Eça crente na redenção de Portugal. Eça moderado, otimista. EÇA HUMANO.
  122. 122. visão• Visão mais livre e mais humanitária, pois o autor supera o esteticismo cientificista.• Reflexão madura do significado da existência do homem à face da terra.• Acentuada idealização da natureza, entendida como remédio para os males gerados pela civilização urbana.• Valorização de uma aristocracia rural degradada pela adoção de modelos inautênticos.• O homem só é verdadeiramente feliz, longe da civilização, da máquina, do progresso.• Culto à Natureza e à simplicidade.
  123. 123. GÊNERO• Alegórico: felicidade se encontra na vida simples e laboriosa do meio rural e não na civilização.• É preciso se despir dos valores artificiais da cidade/civilização.
  124. 124. tempo• 1820- 1893
  125. 125. linguagem• Primeira e segundas fases: definidora, cheia de pormenores psicológicos e patólogicos.• Terceira fase: aproxima-se do lirismo ( principalmente no campo)
  126. 126. REALISMO/NATURALISMOROMANCE DE TESE:Tese inicial: só a tecnologia (CIDADE)traz felicidadeAntítese: só a simplicidade (SERRAS)traz felicidadeSíntese: uma vida equilibrada trazfelicidade.(alguma tecnologia + simplicidade)
  127. 127. estrutura• Advertência: a obra é póstuma.- Capítulo 1 ao 8 : cidade de Paris, 202. urbano, tédio irresistível, ironia,pessimismo atroz. Natureza é a bestialidade.Civilização é produto da cidade Suma Potência + Suma Ciência= Suma Felicidade.- Capítulo 8 ao16:Antítese:Campo,Natureza rural, idílio campestre, lirismo, cores da Natureza. Renovação.
  128. 128. narrador. Primeira pessoa.• Não é onisciente.• Contamina o texto com sua visão de mundo: subjetividade. Por meio dele, nota-se a tese. José Fernandes – narrador e personagem secundário, amigo de Jacinto, culto, viajado, afetuoso, compassivo, compreensivo, raízes rurais.• È o duplo de Jacinto, pois acredita na superioridade da natureza e na regeneração por meio do campo.
  129. 129. • Avô Jacinto GaleãoDom Miguel • D, Angelina Fafes • CintinhoIda para a frança • Filha de um desembargador, Teresinha Na frança • Jacinto Tormes nasce
  130. 130. Personagem- Jacinto: metáfora de Portugal.• Jacinto- mitologia grega- flor: Jovem de notável beleza, morto, acidentalmente pelo deus Apolo. Para imortalizar Jacinto, Apolo, deus da cultura e da civilização, transforma-o em uma flor.• . Representa a elite ultraconservadora.• Até os trinta anos: inteligente, sortudo, entusiasta do progresso, acumula conhecimentos. Príncipe da grã-ventura. Acreditava que o homem “só é superiormente feliz quando é superiormente civilizado”.• Depois dos trinta: inteligente, chique, culto, cheio de prestígio, mas não é feliz: triste, decadente fisica/mentalmente.Sofre com a fartura. Lia os pessimistas, principalmente Schopenhauer.
  131. 131. • No campo: reaprende a simplicidade, aproxima-se de suas raízes, renova-se pelo contato com a natureza. Lia Virgílio, As Geórgicas. - Torna-se um benfeitor dos pobres. Afirma não ser migueleista, mas socialista: “ser pelos pobres”.
  132. 132. Personagens- tipo/caricatura• Avô Jacinto: gordíssimo e riquíssimo fidalgo, casado com dona Angelina de Fafes, morava em Portugal e era devoto do infante dom Miguel. Quando dom Miguel é exilado para a França, Jacinto muda-se com a esposa e o filho Jacinto (Cintinho) para a França e compra o 202.
  133. 133. • Cintinho – pai de Jacinto, o protagonista da história. Seco, chupado, encurvado e tuberculoso. Casa-se com Teresinha Velho. Ela engravida, mas Cintinho morre (1851), antes do filho nascer.
  134. 134. • D. Miguel – filho de Dom João VI, herdeiro ao trono de Portugal.• 1828- Constituição. Dom Miguel é aclamado rei de Portugal: estabeleceu o absolutismo no país.• 1832/1834- Dom Miguel entra em guerra contra D. Pedro, que tem o apoio dos liberais.• Dom Miguel é exilado.
  135. 135. Personagens do campo: simplicidade, amizade.• Tio Alfonso.• Tia Vicença.• Silvério, o caseiro.• Joana, esposa de Jacinto: casamento, equilibrio.• Jacintinho e Teresinha: filhos de Jacinto.
  136. 136. Personagens da cidade: frivolidade, aparência, hipocrisia, vaidade, lisonja, falsidade, elegância, traje sedutores.• Madame de Verghane.• Princesa de Carman.• Grã-duque Casemiro• Madame Joana de Oriol: amante de Jacinto. Vivia das aparências.• Condessa de Tréves.• Duque de Marizac• Efraim
  137. 137. Sexo, mecanicismo, instinto: naturalismo• Diana, cocote.• Madame Colombe, por quem Zé Fernandes tem uma “infecção sentimental”.
  138. 138. outros• Grilo- criado de Jacinto: Seu Jacinto sofre de fartura. Seu Jacinto brotou.- Marício de Mayole- amigo de Jacinto. Por meio da conversa, nota-se que Jacinto já conhecia vária teorias: Nietzschianismo, culto ao eu...
  139. 139. Espaço• França, Campos Elíseos, 202: microcosmo social: cheio de prodígios da tecnologia, desejo de acumular: 30 mil livros, elevadores, eletricidade, encanamento... Inutilidade da parafernália mecânica.• Portugal, Solar em Tormes: rústico, calmo, renovador, idílico. Obs: fome no campo, desigualdade social.
  140. 140. França
  141. 141. Portugal e França
  142. 142. Portugal
  143. 143. características• Realismo.• Impressionismo.• Zoomorfismo.• Naturalismo.• Estética do feio.• Ironia• Humor.• Caricatura.• intertextualidade.
  144. 144. Por fim• 1- negar o campo, elogio ao progresso e à civilização.• 2 – afirmação do campo, regeneração das virtudes humanas.• 3 – equilíbrio: campo e cidade se reconciliam, sob o domínio da natureza: fonte de felicidade e paz.
  145. 145. A CIDADE e as serrasO texto é uma ampliação de um conto intitulado"Civilização" (1892). Conta-se a história de Jacinto,neto de D. Galião. Órfão de pai, Jacinto nasceu ecresceu em Paris, ficando desde cedo maravilhadocom a cidade e com todas as invenções e tecnologiada época (é o período conhecido como BelleÉpoque). Formulou então uma teoria, segundo aqual, para um indivíduo tornar-se feliz deveria ser"superiormente civilizado". Assim, reúne em seupalacete tudo o que a civilização industrial produziraaté então: elevadores, telefones, engenhocas asmais diversas, além de uma biblioteca de mais de 30mil volumes.
  146. 146. “Com estes olhos que recebemos da Madre Natureza, lestos esãos, nós podemos apenas distinguir além, através da Avenida,naquela loja, uma vidraça alumiada. Nada mais! Se eu porém aosmeus olhos juntar os dois vidros simples de um binóculo decorridas, percebo, por trás da vidraça, presuntos, queijos, boiõesde geléia e caixas de ameixa seca. Concluo, portanto, que é umamercearia. Obtive uma noção: tenho sobre ti, que com os olhosdesarmados vês só o luzir da vidraça, uma vantagem positiva. Seagora, em vez destes vidros simples, eu usasse os de meutelescópio, de composição mais científica, poderia avistar além, noplaneta Marte, os mares, as neves, os canais, o recorte dos golfos,toda a geografia de um astro que circula a milhares de léguas dosCampos Elísios. É outra noção, e tremenda! Tens aqui, pois, o olhoprimitivo, o da natureza, elevado pela Civilização à sua máximapotência da visão. E desde já, pelo lado do olho, portanto, eu,civilizado, sou mais feliz que o incivilizado, porque descubrorealidades do universo que ele não suspeita e de que está privado.Aplica esta prova a todos os órgãos e compreende o meuprincípio. Enquanto à inteligência, e à felicidade que dela se tirapela incansável acumulação das noções, só te peço que comparesRenan e o Grilo... Claro é, portanto, que nos devemos cercar deCivilização nas máximas proporções para gozar nas máximasproporções a vantagem de viver.”
  147. 147. A CIDADE e as serrasA história é narrada por José Fernandes, melhor amigode Jacinto, que viera de uma propriedade rural localizadaem Guiães, Portugal, e fora a Paris estudar. JoséFernandes, a partir daí, pôde observar com maioratenção o amigo; suas intensas atividades odesgastavam e, com o passar do tempo, constatou queJacinto foi perdendo a credulidade, percebendo afutilidade das pessoas com quem convivia, a inutilidadede muitas coisas da sua tão decantada civilização. Nosraros momentos em que conseguiam passear,confessava ao amigo que o barulho das ruas oincomodava, a multidão o molestava: ele atravessava umperíodo de nítido desencanto. Alguns incidentescontribuíram sobremaneira para afetar o estado de ânimode Jacinto: o rompimento de um dos tubos da sala debanho, fazendo jorrar água quente por todo o quarto,inundando os tapetes, foi o bastante para aparecer umapilha de telegramas, alguns inclusive com um risosarcástico, com o do Grão-duque Casimiro, dizendo quenão mais apareceria pelo 202 sem que tivesse uma bóiade salvação.
  148. 148. A CIDADE e as serrasAs reuniões sociais estavam ficando maçantes. Em umarecepção ao Grão-Duque, Jacinto já não agüentava ofarfalhar das sedas das mulheres quando lhes explicava ouso dos diferentes aparelhos, o tetrafone, o numerador depáginas, o microfone... O criado veio lhe informar que opeixe a ser servido ficara preso no elevador e osconvidados puseram-se a pescá-lo, inutilmente, porque opeixe acabou não indo para a mesa, fato que deixou aindamais aborrecido o anfitrião.
  149. 149. A CIDADE e as serras“ Claramente percebia eu que o meu Jacinto atravessava umadensa névoa de tédio, tão densa, e ele tão afundado na suamole densidade, que as glórias ou os tormentos de umcamarada não o comoviam, como muito remotas, inatingíveis,separadas da sua sensibilidade por imensas camadas dealgodão. Pobre Príncipe Grã-Ventura, tombado para o sofá deinércia, com os pés no regaço do pedicuro! Em que lodosofastio caíra, depois de renovar tão brava mente todo o recheiomecânico e erudito do 202, na sua luta contra a força e amatéria!”
  150. 150. A CIDADE e as serrasPreocupado, Zé Fernandes consulta o fiel criado Grilosobre o que está ocorrendo com Jacinto. O homemrespondeu com tamanho conhecimento de causa queespantou o narrador. Uma simples palavra poderiadefinir todo o tédio de que era acometido: o patrão sofriade “fartura”.
  151. 151. “ Era fartura! O meu Príncipe sentia abafadamente afartura de Paris; e na Cidade, na simbólica Cidade, fora decuja vida culta e forte (como ele outrora gritava,iluminado) o homem do século XIX nunca poderiasaborear plenamente a "delícia de viver", ele nãoencontrava agora forma de vida, espiritual ou social, queo interessasse, lhe valesse o esforço de uma corrida curtanuma tipóia fácil. Pobre Jacinto! (...) Não se ocupara maisdas suas sociedades e companhias, nem dos telefones deConstantinopla, nem das religiões esotéricas, nem dobazar espiritualista, cujas cartas fechadas se amontoavamsobre a mesa de ébano, de onde o Grilo as varriatristemente como o lixo de uma vida finda. Tambémlentamente se despegava de todas as sua convivências.(...) Jazer, jazer em casa, na segurança das portas bemcerradas e bem fendidas contra toda a intrusão do mundo,seria uma doçura para o meu Príncipe se o seu próprio202, com todo aquele tremendo recheio de Civilização,não lhe desse uma sesação dolorosa de abafamento, deatulhamento!”
  152. 152. A CIDADE e as serrasDo maquinário instalado no palacete de Jacinto, nadafunciona adequadamente. Os livros são, na verdade,reduzidos a objetos de ostentação, uma vez que o"Príncipe da Grã Ventura" (alcunha pela qual o narradorse refere a Jacinto) não os lê, sintoma entre outros dodesânimo e descrença na civilização que abraçara comtanto ímpeto. Atira-se então à leitura do livro bíblicoEclesiastes, segundo o qual "tudo é vaidade", e à filosofiapessimista de Schopenhauer, para quem a vida é umpêndulo que oscila entre o tédio e o sofrimento.
  153. 153. A CIDADE e as serrasEm um passeio que fazem os dois amigos pelosarredores de Paris, na colina da Basílica do Sacré-Coeur,José diz ao amigo:"o homem pensa que tem na cidade a base de toda a suagrandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria", e Jacintoconcorda: "sim, é talvez tudo uma ilusão... e a cidade a maiorilusão!“Zé Fernandes, nesse passeio, continuou a filosofar,acrescentando preocupações de caráter pessoal,indagando a posição dos pequenos que, como vermes, searrastavam pelo chão, enquanto os poderosos osmassacravam; eles iam às óperas aquecidos, lançandoaos pobres não mais que algumas migalhas.Religiosamente, acreditava ser necessário um novoMessias que ensinasse às multidões a humildade e amansidão.
  154. 154. Só uma estreita e reluzente casta goza na Cidade e os gozosespeciais que ele a cria. O resto, a escura, imensa plebe, só nelasofre, e com sofrimento especiais, que só nela existem! (...) A tuaCivilização reclama incansavelmente regalos e pompas, que sóobterá, nesta amarga desarmonia social, se o capital der aotrabalho, por cada arquejante esforço, uma migalha ratinhada.Irremediável é, pois, que incessantemente a plebe sirva, a plebepene! A sua esfalfada miséria é a condição do esplendor sereno daCidade. (...)Pensativamente deixou a borda do terraço, como se a presença daCidade, estendida na planície, fosse escandalosa. E caminhamosdevagar, sob a moleza cinzenta da tarde, filosofando -considerando que para esta iniqüidade não havia cura humana,trazida pelo esforço humano. Ah, os Efrains, os Trèves, os vorazese sombrios tubarões do mar humano, só abandonarão ouafrouxarão a exploração das plebes, se uma influência celeste, pormilagre novo, mais alto que os milagres velhos, lhes converter asalmas! O burguês triunfa, muito forte, todo endurecido no pecado- e contra ele são impotentes os prantos dos humanitários, osraciocínios dos lógicos, as bombas dos anarquistas. Para amolecertão duro granito só uma doçura divina. Eis pois a esperança daTerra novamente posta num Messias!...
  155. 155. Por motivos familiares, Jacinto muda-se para suapropriedade rural em Tormes, vizinha à de José Fernandes;antes, envia para lá uma série de aparelhos e livros.Partem os dois amigos de volta a Portugal. José Fernandesestava feliz em rever a pátria; Jacinto, aborrecido eenfadado principalmente porque, em Medina (Espanha), asmalas ficaram em compartimentos errados quando foi feitaa baldeação. O narrador, com o intuito de aclamar o amigo,diz-lhe que a Companhia cuidaria de tudo. E ficaram osdois só com a roupa do corpo. Enfim, chegaram a Tormes.
  156. 156. A CIDADE e as serras...e ambos em pé, às janelas, esperamos com alvoroço apequenina estação de Tormes, termo ditodoso das nossasprovações. Ela apareceu enfim, clara e simples, à beira do rio,entre rochas, com sues vistoso girassóis enchendo umjardinzinho breve, as duas altas figueiras assombreando opátio, e por trás, a serra coberta de velho e denso arvoredo.
  157. 157. Do mesmo modo que idealizara a vida urbana, Jacintopassa a idealizar a vida campesina. Aos poucos,porém, percebe que o ideal é unir o que a sociedadeurbana tem de melhor e útil, como por exemplo otelefone, com a simplicidade dos camponeses. Casa-se com Joaninha, uma prima de Zé Fernandes, e temcom ela dois filhos, Jacinto e Teresa. Sua vida atinge oequilíbrio, sem idealizações exageradas.
  158. 158. A Cidade e as Serras mostra uma relaçãoentre as elites e as classes subalternas naqual aquelas promovessem estas socialmente,como faz Jacinto ao reformar sua propriedadeno campo e melhorar as condições vida dostrabalhadores. Por meio do personagemcentral, Jacinto de Tormes, que representa aelite portuguesa, a obra critica-lhe o estilo devida afrancesado e desprovido deautenticidade, que enaltece o progressourbano e industrial e se desenraiza do solo eda cultura do país. Na obra, a apologia danatureza não pode ser confundida com oelogio da mesmice e da mediocridade da vidacampestre de Portugal. Ao contrário, trata-sede agigantar o espírito lusitano, em seucaráter ativo e trabalhador.
  159. 159. Foco narrativoEscrito em primeira pessoa, A Cidade e asSerras, como a maioria dos romances deEça de Queirós, há um narrador-personagem, José Fernandes, o qual não seconfunde com o protagonista da obra,Jacinto de Tormes. Este narrador coloca-secomo menos importante do que oprotagonista, como podemos perceber, porexemplo, no início da obra. Nos primeirosparágrafos do livro o narrador, em vez deapresentar-se ao leitor, coloca-se emsegundo plano para apresentar toda adescendência dos de Tormes, até aparecer afigura de Jacinto. Além disso, dá-lhetratamento diferenciado, parecendo idealizarJacinto, na medida em que o chama de"Príncipe da Grã-Ventura", conforme apelidoestudantil do protagonista.
  160. 160. Jacinto de Tormes, ao buscar a felicidade,empreendeu uma viagem que o reencontrouconsigo mesmo e com o seu país. Tal viagem,que é exterior e interior, inclui a pátriaportuguesa e se reveste de uma significaçãoparticular, pode ser lida como um processo deauto-conhecimento:um novo Portugal e um novo português sepercebem nas serras que querem utilizam dacidade o necessário para se civilizarem sem secorromperem.
  161. 161. A Cidade e as Serras é um romance noqual se destaca a categoria espaço, namedida em que os ambientes sãofundamentais para a compreensão dahistória, destacando-se os contrastes pormeio dos quais se contrapõem. Assim, aamplidão da quinta de Tormes contrastacom a estreiteza do universo tecnológicodo 202, o que aponta para a oposiçãoentre o espaço civilizado e o espaçonatural, presente em todo o romance.
  162. 162. Um registro importante a se fazer é que atese defendida no romance remete oleitor ao Arcadismo (século XVIII), épocaexatamente do início da IdadeContemporânea, com as RevoluçõesIndustrial e Francesa. Nesse período, ospoetas propunham a fuga da cidade,fugure urbem, e idealizam a vidabucólica, tendo frequentemente a poesiapastoral como tema e transformado ocampo numa espécie de território perdidoevocado em versos como os do nossoCláudio Manuel da Costa:Quem deixa o trato pastoril amadoPela ingrata civil correspondência,Ou desconhece o rosto da violência,Ou do retiro a paz não tem provado!
  163. 163. Saudade de Minha Terra(Goia e Belmonte) Que saudade imensa do campo e do mato Do nosso regato que corta as campinaDe que me adianta viver na cidade Aos domingo eu ia passear de canoaSe a felicidade não me acompanhar Nas lindas lagoas de águas cristalinasAdeus paulistinha do meu coração Que doce lembrança daquela festançaLá pro meu sertão eu quero voltar Onde tinha dança e muitas meninasVer a madrugada quando a passarada Eu vivo hoje em dia sem ter alegriaFazendo a alvorada começa a cantar O mundo judia mas também me ensinaCom satisfação, eu arreio o burrão Eu tô contrariado, mas não derrotadoCortando o estradão, eu saio a galopar Eu sou bem guiado pelas mãos divinasE vou escutando o galo berrandoSabiá cantando no jequitibá Pra minha mãezinha já telegrafei E já me cansei de tanto sofrerPor Nossa Senhora, meu sertão querido Essa madrugada estarei de partidaVivo arrependido por ter te deixado Pra terra querida que me viu nascerEssa nova vida aqui na cidade Já ouço sonhando o galo cantandoDe tanta saudade eu tenho chorado O inhambu piando no escurecerAqui tem alguém, diz que me quer bem A lua prateada clareando as estradasMas não me convém, eu tenho pensado A relva molhada desde o anoitecerEu vivo com pena, pois essa morena Eu preciso ir pra ver tudo aliNão sabe o sistema que eu fui criado Foi lá que eu nasci, lá quero morrerTô aqui cantando, de longe escutandoAlguém está chorando com o rádio ligado
  164. 164. OBRAS FUVEST/ UNICAMP 2013falecomyuri1@hotmail.com
  165. 165. falecomyuri1@hotmail.com
  166. 166. Viagens na Minha TerraObra da autoria de Almeida Garrett, publicada em folhetins entre 1845 e 1846 na Revista Universal Lisbonense (que já dera a conhecer alguns fragmentos em 1843) e editada em volume em 1846. Livro "inclassificável", representa uma obra única do Romantismo português e da literatura portuguesa, constit uindo-se como ponto de arranque da moderna prosa literária portuguesa, quer pela estrutura aparentemente desconexa e inovadoramente c ompósita, quer pela linguagem (ora clássica ora popular, ora jornalística ora dramática, ressaltando a vivacidade de expressões e imagens, pelo tom oral usado pelo autor, que desta forma libertou o discurso da pesada tradição clássica).
  167. 167. Diálogo instaurado com o leitorConduz o leitor a fazer parte de sua viagem; tornando-o um viajante também e guia-o na interpretação do comportamento dos personagens, preocupando-se com o bom entendimento de sua narrativa. Explica sentidos, estabelece relações intratextuais, faz flashback dentro da própria estória, ou seja, transforma – a partir de sua produção ficcional e de seus modernos recursos de interatividade –, o leitor em um co-autor, ou ainda, o leitor em um co-personagem de sua narrativa.São aspectos semânticos e estilísticos da linguagem de, a passagem do discurso narrativo para o discurso narrativo-digressivo; a apresentação de aspectos de natureza temática e de natureza técnico-literária. Uma influência para Mémorias Póstumas de Brás Cubas.
  168. 168. INTRODUÇÃO A obra fundamenta-se numa viagem realmente efetuada por Garrett em 1843, a convite do político Passos Manuel, morador de Santarém. Nos dez primeiros narram as peripécias da viagem desde Lisboa até aquela cidade, de vapor, a cavalo, de carruagem. De permeio, o narrador vai tecendo comentários e divagações acerca de vários assuntos associados com o que vê e pensa durante o trajeto: a riqueza, o progresso, a literatura, a política, a modéstia, a guerra, o clero, o amor etc. Chegado a Santarém, o escritor ouve do companheiro de viagem a narração dos amores de Joaninha, “a menina dos rouxinóis”, e Carlos, entremeada de reflexões do herói da viagem.
  169. 169. Resuminho do romanceOs jovens enamoram-se, mas Carlos vive dilacerado pelo amor que ainda julga sentir por Georgina, que ficara na Inglaterra. Envolve-se na trama Frei Dinis, que assassinara o marido da amante e o pai de Joaninha, tomara hábito e era o verdadeiro pai de Carlos. Com a vinda de Georgina (novo amor Inglês) a Santarém, dá-se o reconhecimento e o perdão, mas não a concretização do amor com Joaninha, que abandonada enlouquece e morre. Como toda boa tragédia, não há final feliz em relação ao amor, Georgina entra para o convento e torna-se abadessa, na Inglaterra; Carlos “é barão, e vai ser deputado qualquer dia”. MOISÉS, Massaud. “Literatura portuguesa”, São Paulo: Cultrix. P. 132.
  170. 170. FOCO NARRATIVOEm “Viagens na minha terra”, Garrett assume também o papel de narrador. Isto nos ministra informações importantes sobre sua biografia, e dá ao livro um caráter de depoimento e observação histórica. Quando Garrett usa a primeira pessoa, “eu”, produz considerações cheias de humor, não longe de uma atmosfera de prosa lírica.Quando usa a terceira pessoa, “ele”, e se esquece um pouco de si, passa ao tom mais grave, mais revelador, mais dramático, que ocorre, sobretudo, quando nos conta a história dos amores de Carlos e Joaninha, ou quando fala do cenário da guerra civil em Portugal.
  171. 171. CRÍTICA “neste livro – misto de diário, literatura de viagens, reportagem e ficção, o escritor português narra a história de um rapaz (Carlos) que se apaixona de um modo sucessivo e intenso por várias mulheres e se sente incapaz de estancar este constante fluir da vida amorosa, de fixar e estabilizar a sua personalidade afetiva. (...) Ninguém, antes de Garrett, na ficção portuguesa, entrara tão sutilmente na análise do que há de convencional, fictício ou autêntico na vida sentimental, na confusão da verdade e da mentira, de vida atual e de sobrevivência que é o todo afetivo de cada indivíduo; e ninguém pôs em termos agudos o problema do desgarrar da personalidade na mudança de tudo, ligando-o, ao mesmo tempo, ao ceticismo superveniente a uma causa generosa que degenera: Carlos descrê de um amor verdadeiro, ao mesmo tempo que descrê da revolução...” Antonio José Saraiva e Oscar Lopes
  172. 172. CARACTERÍSTICAS O romance “Viagens na minha terra” foi composto sob a forma de folhetim, bem ao gosto romântico da época. Sua narrativa, apesar de grande base descritiva, dos adjetivos em excesso, é saborosa, envolvente e apresenta temas essencialmente românticos como: natureza ativa e confessional; heroísmo; nacionalismo; lirismo amoroso e morte. Há em Garrett um observador minucioso de fatos, excluindo-se o tom melodramático tornando-se um antecipador de Eça de Queirós. O autor usa um estilo extremamente vivo, com giros e expressões coloquiais – um estilo que se molda ao pensamento no seu fazer-se, apto a sugerir leves emoções, associações fugidias, estados de devaneio, os meandros duma nova sensibilidade.
  173. 173. Linguagem A riqueza de sua linguagem nos fazem perceber o dinâmica é a obra. Identificam-se o uso de formas modernas e coloquiais, os gêneros textuais mesclam- se em narração, diálogo, resumo, comentário, descrição à moda clássica ou à maneira romântica. Ao mesmo tempo adianta-se à forma característica de sua época e permeia momentos de tradiçãoliterária do passado, sua contemporaneidade e avança na sua escola literária
  174. 174. Estrutura da ObraNa obra, entrelaçam e dois níveis narrativos: o relato de uma viagem entre Lisboa e Santarém, entremeado de reflexões e divagações do narrador acerca da realidade portuguesa, e a novela da "Menina dos rouxinóis", a narração da história de amor entre dois primos, Carlos e Joaninha, situada na época das lutas civis entre absolutistas e liberais. Além do relato da viagem Tejo acima.
  175. 175. AS TRÊS HISTÓRIAS ENTRELAÇADAS“Viagens na Minha Terra” é um livro difícil de enquadrar em gênero literário, pelo hibridismo que apresenta. “O que eu vou contar não é um romance, não tem aventuras enredadas, peripécias, situações e incidentes raros, é uma história simples e singela, sinceramente contada e sem pretensão. Acabemos aqui o capítulo em forma de prólogo e a matéria do meu conto para o seguinte.” (CAP. X)É com ternura que Garrett se lembra de algumas paisagens de sua terra, das velhas histórias ligadas ao folclore ou que ele nos fala de poetas prediletos, como Homero, Virgílio, Dante, Camões, Goethe e outros. Mas é com pessimismo político que ele vê as últimas gerações de portugueses, envolvidos pela mentalidade voltada para a busca do lucro.
  176. 176. AS TRÊS HISTÓRIAS ENTRELAÇADAS Nesse romance, é perceptível a técnica de suspensão da narrativa, em favor de comentários e opiniões variados, sob o ritmo da emoção crítica e da fineza intelectual, denomina-se digressão.Desse modo, relata assuntos sobre economia, geografia, política, literatura, arquitetura, justiça, filosofia, religião, história ou costumes sociais, sem, no entanto, tirar a unidade do livro. Pois eles convergem para dois tipos de emoção alternantes: a da observação terna e enlevada, e a do ceticismo cultural, tratado geralmente com humor crítico.
  177. 177. Caricatura representando D. Pedro IV e D. Miguel I disputando a coroa portuguesa,por Honoré Daumier, 1833.
  178. 178. Histórias, interligadas pelas circunstâncias e pelo tempo (contexto da Guerra Civil) e espaço físico (PORTUGAL).HISTÓRIA 1: é a da própria viagem que o narrador faz de Lisboa a Santarém de comboio, com a intenção de conhecer as ricas várzeas desse Ribatejo, e assim saudar do alto cume a mais histórica e monumental das vilas de Portugal. HISTÓRIA 2: refere-se a dos amores de Carlos e Joaninha.HISTÓRIA 3: Guerra civil: Pano-de-fundo histórico, que é a guerra civil que abalou Portugal, e que dividiu os contendores em realistas e constitucionalistas. Os primeiros, conservadores, queriam a monarquia absoluta. Os segundos, liberais, desejavam uma política nacional pautada pelos ideais da Revolução Francesa, e, com isso, uma monarquia mais branda.
  179. 179. PERSONAGENS:Personagens Principais:Joaninha e Carlos: protagonistas da história de amor.Personagens Secundárias: A avó de Joaninha – D. Francisca, Frei Dinis, Georgina, Laura e Júlia.A. Garret: autor e narrador. Personagem? NÃO.
  180. 180. A VIAGEM DE GARRETT:Garrett afirma que há muito tempo sentia desejo de conhecer “as ricas várzeas desse Ribatejo”, coisa que a mexeriquice de um jornal entendeu como viagem política. Partiu em dezessete de julho de 1843. Como o tempo lhe sobra, vai fazendo também uma viagem por dentro de si mesmo, uma viagem a suas recordações, suscitadas por tudo o que está vendo.
  181. 181. Vê-se, portanto, que as “Viagens na minha terra” poderiam ser interpretadas como uma costura do que vai “lá fora” com o que desperta “cá dentro”. O que vai “lá fora”, e é visto com o olhar do corpo, é o panorama que se descortina Tejo acima, as vilas, as pessoas. O que vai “cá dentro”, e é visto com o olhar da memória, constituiria a viagem imaginária de Garrett. E assim, o fato de fumar a bordo lhe lembra o poeta Lord Byron; as pessoas no navio lhe inspiram um comentário sobre os portugueses, e assim a digressão vai tecendo o livro. Em seguida, passa ao argumento de que a marcha da civilização obedece a dois impulsos, o do espiritualismo, calcado em D. Quixote, e o do materialismo, em Sancho Pança. A viagem, assim, vai simbolizando ironicamente a marcha do progresso social.
  182. 182. Espiritual x Materialista“Descobriu ele que há dois princípios no mundo: oespiritualista, que marcha sem atender à partematerial e terrena desta vida, com os olhos fitos emsuas grandes e abstratas teorias, hirto, seco, duro,inflexível, e que pode bem personalizar-se,simbolizar-se pelo famoso mito do cavaleiro damancha, D. Quixote; - o materialista, que, sem fazercaso nem cabedal dessas teorias, em que não crê, ecujas impossíveis aplicações declara todas utopias,pode bem representar-se pela rotunda e anafadapresença do nosso amigo velho, Sancho Pança”.(cap. II)
  183. 183. Chegada a Santarém
  184. 184. No vale de Santarém, o autor surpreende uma habitação antiga, com janela larga e baixa. Lá, imagina “um vulto feminino que viesse sentar-se àquele balcão – vestido de branco...”, de olhos...pretos? Uma voz – que é a voz de um companheiro de viagem – corrige para “verdes”. Dessa forma que Garrett entrou em contato pela primeira vez com a história da “menina dos rouxinóis”. A história da “menina dos rouxinóis”, a Joaninha e seu amor por Carlos, é datada por volta de 1832, e o narrador começa a relatar efetivamente no Capítulo II. No Capítulo III, Garrett faz insinuante observação sobre os frades, mal vistos pela apressada opinião moderna. No Capítulo XXVII, os viajantes chegam a Santarém, passam pelo convento de S. Francisco, cujo último guardião fora Frei Dinis.
  185. 185. A HISTÓRIA DE CARLOS E JOANINHA:“Joaninha não era bela, talvez nem galante sequer no sentido popular e expressivo que a palavra tem em português, mas era o tipo da gentileza, o ideal da espiritualidade. Naquele rosto, naquele corpo de dezesseis anos, havia por dom natural e por uma admirável simetria de proporções toda a elegância nobre, todo o desembaraço modesto, toda a flexibilidade graciosa que a arte, o uso e a conversação da corte e da mais escolhida companhia vêm a dar a algumas raras e privilegiadas criaturas do mundo.” (CAP. XII)
  186. 186. - Filho, meu filho! – arrancou a velha, com estertor, do peito, - é teu pai, meu filho. Este homem é teu pai, Carlos.” (CAP. XXXV)
  187. 187. Clímax do romance_Carlos e frei Dinis_Carlos rumo à nova vidaCarlos representante do novo Portugal: CapitalismoMorte de Joaninha: morte da PurezaDilema familiar: Dilema de Portugal
  188. 188. DesfechoCarlos deixara uma carta para sua prima Joaninha. É uma carta de despedida definitiva, que lançará também alguma luz sobre a psicologia dessa personagem algo estranha, que devota sincero amor a duas mulheres simultaneamente, e que se afasta do pai tão logo o reconhece. Carlos, enfim, não quis recompor a vida com os seus.
  189. 189. CONCLUSÃO Em geral, as tragédias clássicas terminam com uma solução violenta do destino e Garrett tinha muita sensibilidade para o gênero trágico, É preciso que os protagonistas desapareçam, ou mudem completamente de vida. Garrett acena com uma explicação cabível. É que os acontecimentos haviam rompido algo no coração de Carlos. Haviam feito que ele não apenas quisesse esquecê-lo totalmente, mas também quisesse converter sua vida em outra coisa, bem contrária ao que fora até então, por exemplo, tornar-se barão (novamente Garrett utiliza a oposição entre frades, que representam o Portugal antigo, e barões, que o representam o capitalismo moderno e sem escrúpulos).
  190. 190. CONCLUSÃO O narrador se despede, e procura reencontrar seus companheiros de viagem. A obra “Viagens na minha terra” retrata a conexão entre a vida íntima e a vida pública do herói, entre o seu cansaço sentimental e a sua descrença política. Além de valer-se pela análise da situação política e social do país e pela simbologia que Frei Dinis e Carlos representam: no primeiro é visível o que ainda restava de positivo e negativo do Portugal velho, absolutista; o segundo representa, até certo ponto, o espírito renovador e liberal. No entanto, o fracasso de Carlos é em grande parte o fracasso do país que acabava de sair da guerra civil entre miguelistas e liberais e que dava os primeiros passos duma vivência social e política em moldes modernos.
  191. 191. GUERRA CIVIL-1807- Invasão napoleônica : vinda da Família Real para o Brasil- Retirada das tropas napoleônicas : Retorno de D. João VI-1822 – D. Pedro I (IV em Portugal) : Independência do Brasil- 1823 D. Miguel - golpe : retorno do Absolutismo-1824 – D. Miguel - Golpe contra D. João VI (Expulso)-1826 – Morte de D. João VI- Retorno de D. Pedro I (rei por uma semana) – D. Maria (7 anos) :casamento com D. Miguel- Regresso de D. Miguel e Partida de D. Pedro I- Traição de D. Miguel : reinstala o Absolutismo- 1831- D. Pedro I abdica do trono – D. Pedro II- 8/7/1832 – 7.500 homens comandados por D. Pedro I – Porto (GuerraCivil)- 1834 – forças liberais(CONSTITUCIONALISTAS) derrotam osabsolutistas (Realistas)- 1836 – Passos Manuel - estabilidade- Após 6 anos- floresce o Absolutismo (ascensão dos financeiros, dosbarões (classe média endinheirada), da corrupção...
  192. 192. OBRAS FUVEST/ UNICAMP 2013falecomyuri1@hotmail.com
  193. 193. O CORTIÇO Aluísio Azevedofalecomyuri1@hotmail.com
  194. 194. O cortiço e L´Assommoir (Émile Zola) - Lavadeiras e seu trabalho (brigas) - Encontro de amantes - Policial (espécie de caricatura da lei) - Drama de trabalhadores pobres - Trabalhadores amontoados numa habitação coletiva - Degradação devido à vida promíscua
  195. 195. EIXO NARRATIVO: coexistência íntima entretrabalhador e explorador econômicoMeio utilizado: ”exploração direta e predatória dotrabalho muscular” (Antônio Cândido) Regime de servidão, exploração da renda imobilária, da usura e prática do roubo Primitivismo econômico
  196. 196. “Para o asno forragem, chicote e carga; para o servo pão, correção e trabalho” (Eclesistes, 33:25)“No Brasil, costumam dizer que para o escravo sãonecessários três P.P.P., a saber, Pau, Pão e Pano”(começo do sec XVIII) “Para português, negro e burro, três pês: pão para comer, pano para vestir, pau para trabalhar” (fim do sec XIX)
  197. 197. Mais-valia crioulaParaportuguês negro e burrotrês pês:pão para comerpano para vestirpau para trabalhar. (Oswald de Andrade)
  198. 198. EQUIPARAÇÃO DO HOMEM AO ANIMAL João Romão = vence o meio1º - PORTUGUÊS : Miranda = vence o meio Jerônimo = vencido pelo meio2º - NEGRO + MESTIÇO : Firmo, a mulata Rita Baiana ,população do cortiço (pobres)3º - ANIMAL : brancos e negros = vistos como animal(redução biológica do indivíduo : “o prazer animal de existir”)
  199. 199. 1º - O EXPLORADOR CAPITALISTA2º - O TRABALHADOR SOB À CONDIÇÃODE ESCRAVO3º - O HOMEM SOCIALMENTE ALIENADOE REBAIXADO AO NÍVEL DAANIMALIDADE
  200. 200. CORTIÇO Início DepoisRegido por lei Regido por Joãobiológica : Romão :ESPONTANEIDADE MECÂNICO
  201. 201. Cortiço Velho (“Carapicus”) =aglomerado espontâneoCortiço novo (“Vila São Romão”) =estabelecimento da ordem / Sobradode J. Romão XCortiço rival (“Cabeça-de-gato”) =manutenção da “espontaneidadecaótica”
  202. 202. CORTIÇOEspaço físico : habitação coletivaEspaço social : mistura de “raças”,choque entre elas.Espaço simbólico : ALEGORIA doBrasil (“matéria-prima de lucro para ocapitalismo”)
  203. 203. NATUREZA BRASILEIRA Sedutora, poderosa e transformadora (à luz do Naturalismo) Rita Baiana = força perigosa“Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese dasimpressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luzardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestasda fazenda; era o aroma quente dos trevos e dasbaunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era apalmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhumaoutra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era osapoti mais doce que o mel e era a castanha
  204. 204. do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era acobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçocadoida, que esvoaçava havia muito tempo em torno docorpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe asfibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe asartérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelhadaquele amor setentrional, uma nota daquela música feitade gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem decantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana eespalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca. Mudança de Jerônimo “abrasileirou-se”
  205. 205. Ordeiro, Perda de valorescomedido, anteriores, alegre,econômico, sério, sentidos aguçados,forte, honrado hábitos de asseio“...lá o seu homem não seria anavalhado pelociúme de um capoeira; lá Jerônimo seria ainda omesmo esposo casto, silencioso e meigo; seria omesmo lavrador triste e contemplativo, como ogado que à tarde levanta para o céu de opala oseu olhar humilde, compungido e bíblico.”
  206. 206. “E Jerônimo não aparecia.Ela ergueu-se finalmente, foi lá fora ao capinzal,pôs-se a andar agitada, falando sozinha, agesticular forte. E nos seus movimentos dedesespero, quando levantava para o céu ospunhos fechados, dir-se-ia que não era contra omarido que se revoltava, mas sim contra aquelaamaldiçoada luz alucinadora, contra aquele solcrapuloso, que fazia ferver o sangue aos homense metia-lhes no corpo luxúrias de bode. Pareciarebelar-se contra aquela natureza alcoviteira, quelhe roubara o seu homem para dá-lo a outra,porque a outra era gente do seu peito e ela não.”
  207. 207. SOL = “manifestação da natureza tropical eprincípio masculino de fertilidade”Pombinha :“...até formar-se em torno dela uma floresta vermelha, corde sangue, onde largos tinhorões rubros se agitavamlentamente.E viu-se nua, toda nua, exposta ao céu, sob a tépida luz deum sol embriagador, que lhe batia de chapa sobre osseios.(...)Lá do alto o sol a fitava obstinadamente, enamorado dassuas mimosas formas de menina.(...)A natureza sorriu-se comovida. Um sino, ao longe, batiaalegre as doze badaladas do meio-dia. O sol, vitorioso,estava a pino e,(...), abençoando a nova mulher que seformava para o mundo.”
  208. 208. Til = “bela flor do campo” = seduz todos oshomens ao seu redor XRITA = “luz ardente do meio-dia” + café = seduzJerônimo“E ela só foi ter com ele, levando-lhe a chávenafumegante da perfumosa bebida que tinha sido amensageira dos seus amores; assentou-se ao rebordoda cama e, segurando com uma das mãos o pires, ecom a outra a xícara, ajudava-o a beber, gole por gole,enquanto seus olhos o acarinhavam, cintilantes deimpaciência no antegozo daquele primeiro enlace.”
  209. 209. Busca pela “RAÇA SUPERIOR” Bertoleza : “...porque, como toda cafuza (...) não queria sujeitar-se a negros e procurava instintivamente o homem numa raça superior.” Rita: “o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho de raça superior.”BRANCO=EUROPEU X MESTIÇO/NEGRO=BRASILEIRO“invasor econômico” “natural explorado pelo europeu”
  210. 210. O REINO ANIMAL (Zoomorfismo)NA HABITAÇÃO COLETIVA: “aglomeração tumultuosa demachos e fêmeas” / “o prazer animal de existir” / “asmulheres iam despejando crianças com uma regularidade degado procriador” / “o tremular das redondas tetas à larga” DEPRECIAÇÃO DE PERSONAGENS: “estalavam todos porsaber quem a tinha emprenhado” / “o mugido lúgubredaquela pobre criatura”NA DESCRIÇÃO: “a sua crina preta, desgrenhada, escorrida eabundante como a das éguas selvagens”
  211. 211. CENAS DE SEXOMIRANDA E ESTELA:“Miranda nunca a tivera, nem nunca a vira, assimtão violenta no prazer. Estranhou-a. Afigurou-se-lhe estar nos braços de uma amante apaixonada:descobriu nela o capitoso encanto com que nosembebedam as cortesãs amestradas na ciência dogozo venéreo.(...) E gozou-a, gozou-a loucamente,com delírio, com verdadeira satisfação de animalno cio.”
  212. 212. POMBINHA E LÉONIE:“Pombinha arfava, relutando; mas o atrito daquelas duasgrossas pomas irrequietas sobre seu mesquinho peito dedonzela impúbere e o roçar vertiginoso daqueles cabelosásperos e crespos nas estações mais sensitivas da suafeminilidade, acabaram por foguear-lhe a pólvora dosangue, desertando-lhe a razão ao rebate dos sentidos.Agora, espolinhava-se toda, cerrando os dentes,fremindo-lhe a carne em crispações de espasmo; aopasso que a outra, por cima, doida de luxúria, irracional,feroz, revoluteava, em corcovos de égua, bufando erelinchando.”
  213. 213. CORTIÇO X SOBRADOHORIZONTALIDADE VERTICALIDADE M Ascensão socialEstagnação social SIMPLES U COMPLEXO Regras definidasAusência de regras R CULTURA ANIMAL ONatureza fisiológica Organização social regida por leis
  214. 214. INSTINTO M RAZÃORESOLUÇÃO DE U RESOLUÇÃO DECONFLITOS CONFLITOS Insultos R Troca de favores Brigas Jogo de interesses Morte O
  215. 215. PERSONAGENS Ascensão socialJOÃO ROMÃO Degradação moral Posição aristocrática BaronatoMIRANDA
  216. 216. Contramestre QuebradorJERÔNIMO de pedras MisériaBERTOLEZA E ZULMIRA = Mulher-objeto – objetos detrocaESTELA E RITA = Mulher-sujeito-objeto – aceitaçãodas regras do sistemaLÉONIE, POMBINHA E SENHORINHA = Mulher-sujeito – desprezo pelas regras impostas
  217. 217. PERSONAGENS: TIPOS / ALEGORIAS • João Romão: imigrante português, avaro e ambicioso, explorador, comerciante, especulador imobiliário, agiota. • Constrói seu império por meio de mentiras e explorações, com atitudes torpes e deploráveis, tornando-se um representante do modelo capitalista que a sociedade do Rio de Janeiro tanto prestigiou.
  218. 218. • Bertoleza: inicialmente supõe haver superado sua condição de escrava e negra, amasiando-se com um branco e trabalhando com perseverança.• Maltratada, resigna-se com a condição de mulher duplamente submissa, a quem não é dado o direito de falar e muito menos de questionar.• Ela morre, derrotada pela lei selvagem e impiedosa de uma seleção social que só valoriza os vitoriosos e bem- sucedidos.
  219. 219. • Miranda: comerciante português, que representa a alta burguesia aristocratizada, status que se confirma quando ele recebe a comenda de Barão.• Cínico e mau-caráter, casa-se pelo dote da esposa Estela (fútil). Aceita a o adultério da esposa por conveniência.
  220. 220. • Jerônimo / Piedade: típicos imigrantes portugueses empenhados em formar um pecúlio, como resultado natural da capacidade de trabalho. Tais valores dissipam-se pela influência mesológica. Jerônimo separare-se de Piedade, ambos atolam-se no pântano do vício.• Rita Baiana / Firmo: alegorias do Brasil. Ela é a sensualidade – metaforizada como perigosa serpente – responsável pela degradação de Jerônimo. Ele, capoeira valente, brigador, violeiro e improdutivo
  221. 221. • Pombinha / Léonie: o nome da personagem (Pombinha) evoca, de início, pureza de sentimento, alma boa, ela a é a enfermeira, escrevente/leitora de cartas. No entanto, ao ser seduzida por Léonie (prostituta de elite, transita a vontade no mundo dos poderosos e também no universo carente do cortiço), entra em contato com que há de mais espúrio. Menstrua-se, casa-se. Abandona o marido. Torna-se prostituta , uma espécie de anti-dama da Camélias. Responsabiliza-se pela educação de Senhorinha. Proporciona à menina o mesmo que recebera de Léonie.
  222. 222. • Bruno/Leocádia: Ele ferreiro; ela, lavadeira – representam o estereótipo dos moradores do cortiço.• Leandra, a “Machona”: era o protótipo da portuguesa feroz, berradora, sempre disposta à briga.• Paula, a “Bruxa”: Cabocla velha, mandigueira,sabia receitas caseiras com que preparava remédios e chás. Mística, sabia preparar feitiços para os que solicitavam seus préstimos.

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