1    Aula 6: A moeda e o sistema bancário                      Nessa nossa sexta aula, nós vamos entrar no                ...
2deles e tentando passar a outro o seu excedente em troca deoutros bens de que necessitava. Estabeleceu-se, então, umsiste...
3  c)       Moeda-papel: com o crescimento do volume e valor    das transações, o manejo de grandes quantidades de metais ...
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5   Tendo aceitação generalizada como meio de pagamento nastransações, a moeda desempenha sua função mais cristalina efund...
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13meios de pagamento é dado pela relação entre o total de M1 e abase monetária, ou                  k = M1/B              ...
14           r = R/DVbc ou R = rDVbc ou, ainda, R = rd1M1 (11)  onde, r = taxa de reserva ou encaixe total.  Substituindo ...
15       r = fração dos depósitos à vista que os bancos comerciais       mantêm como encaixes totais.  Vejamos um exemplo ...
16   Como foi visto, o volume da oferta monetária (= meios depagamento) depende de mudanças na base monetária e/ou dealter...
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21moeda, sem que o nível do PIB tenha aumentado, só concorrepara gerar inflação.  Daí, vem a conclusão dos teóricos da esc...
22entidade deste subsistema é o Banco Nacional de DesenvolvimentoEconômico e Social (BNDES) havendo diversos outros bancos...
23  a) banco emissor de papel-moeda;  b) banqueiro dos bancos comerciais;  c) banqueiro do Tesouro Nacional;  d) depositár...
24   Como banco de fomento, função que o Banco Central do Brasilvem, paulatinamente, abandonando para se tornar um verdade...
253. São formas de moeda existentes modernamente, exceto:    a) papel-moeda;    b) moeda metálica;    c) moeda-papel;    d...
269. A expressão quase-moeda aplica-se:   a) a todos os ativos financeiros;   b) aos ativos financeiros não-monetários, de...
27  Considerando estes dados, o papel-moeda em circulação e o papel-moeda  em poder do público são, respectivamente:  a) 6...
28  a) redução dos meios de pagamento e da taxa de juros;  b) redução dos meios de pagamento e aumento das taxas de juros;...
29   b)       redução da relação encaixe/depósitos à vista dos bancos      comerciais;   c)       aumento da proporção dos...
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Economia aula 6 - a moeda e o sistema bancário

  1. 1. 1 Aula 6: A moeda e o sistema bancário Nessa nossa sexta aula, nós vamos entrar no maravilhoso mundo do dinheiro e dos sistema bancário-comercial. Primeiro, nós vamos apresentar uns conceitos básicos sobre moeda, suas origens, sua evolução e seu papel na economia. Depois, veremos como o Banco Central controla a quantidade de dinheiro na economia e como ele controla o sistema bancário para que este não provoque uma expansão descontrolada na quantidade do dinheiro em circulação. Os conceitos monetários que desenvolve-remos aqui serão bastante úteis mais à frente, quando estudarmos o papel da política monetária no desempenho da economia como um todo. Assim, vamos ao que nos interessa aqui.6.1. Introduzindo o conceito de moeda: Evolução, Formas, Tipos e Funções da Moeda Conceitualmente, o termo “moeda” é usado para denominartudo aquilo que é geralmente aceito como meio de trocas de bense serviços. Não se pode afirmar com exatidão quando surgiu e qual foi aprimeira moeda. Remontando aos primórdios da civilização,imagina-se facilmente que o homem primitivo produzia tudoquanto bastava ao seu sustento. Suas necessidades limitavam-seà garantia de sua sobrevivência. As associações e odesenvolvimento natural da vida em grupo criaram, porém, outrasnecessidades para cuja satisfação o indivíduo, isoladamente, se viuimpotente. Sua auto-suficiência se reduzia na medida docrescimento de suas necessidades. Nesta cadeia de raciocínio, o próximo passo foi a introduçãopaulatina da divisão e especialização do trabalho: cada indivíduopassou a produzir um ou poucos produtos, consumindo uma parte
  2. 2. 2deles e tentando passar a outro o seu excedente em troca deoutros bens de que necessitava. Estabeleceu-se, então, umsistema de trocas diretas, isto é, mercadorias por mercadorias. É fácil imaginar as dificuldades para um razoável funcionamentodesta economia de escambo: primeiro, esse sistema exigia umapermanente coincidência de interesses (o indivíduo A dispõe dearroz e quer trocar por carne; para se realizar esta troca, éimprescindível que ele encontre um indivíduo B que não só tenhacarne mas que, também, queira arroz!); segundo, há ainda adificuldade de se estabelecerem as relações ou preços de troca(valores entre dois bens bastante diferentes). Por tudo isso, este sistema, que vigorou na mais remotaantiguidade, era claramente ineficiente. As mudanças requeridas se realizaram lentamente. O próximopasso foi o surgimento de um sistema de trocas indiretas: por essenovo esquema, uma mercadoria qualquer, que tivesse aceitaçãogeral, passava a ser usada, por convenção e aceitação do grupo,como meio de pagamento. Tem-se aqui a introdução da moeda nosistema econômico e que, passando por um processo evolutivonatural, dá origem a todo o sistema monetário moderno. No desenvolvimento deste novo sistema de trocas indiretas, amoeda assumiu as mais diferentes formas, nos mais diferentespaíses e épocas. Numa ordem quase cronológica de seuaparecimento, podemos registrar, sinteticamente, as seguintesformas e tipos de moeda: a) Moeda-mercadoria: geralmente escolhia-se uma mercadoria que fosse relativamente escassa e não facilmente perecível (nem sempre possível). A história registra que, em diferentes locais e épocas, foram usados como moeda: sal, gado, fumo, peles, trigo, rum, ostra, carne-seca, ferro, cobre, etc. b) Metais preciosos: sem dúvida, de todas as mercadorias, a preferência maior recaía, geralmente, sobre os metais, não só pela sua relativa escassez mas, também, pela sua durabilidade e fácil divisibilidade. Muito embora o ferro, o cobre e o bronze tenham sido bastante utilizados, houve uma predominância do uso dos metais preciosos, notadamente a prata e o ouro.
  3. 3. 3 c) Moeda-papel: com o crescimento do volume e valor das transações, o manejo de grandes quantidades de metais preciosos tornou-se problemático pelas dificuldades de transporte e os riscos envolvidos. Pouco a pouco, nota-se o aparecimento de casas de custódia desses metais em diversos pontos, em diversos países. Estas casas passaram a receber em depósito os metais preciosos dos comerciantes, emitindo em troca um recibo ou certificado de valor correspondente. Este certificado recebeu a denominação de moeda-papel e era generalizadamente aceito nas transações. Sua característica principal era possuir lastro integral em ouro, isto é, a qualquer momento o possuidor do certificado poderia ir à casa de custódia emissora e reconvertê-lo em ouro ou prata. Daí sua crescente aceitabilidade como meio de pagamento em substituição aos próprios metais preciosos. d) Papel-moeda: com o tempo, e diante da crescente demanda por tais certificados – para atender os negócios em franca expansão - as casas de custódia passaram a emitir certificados cujo valor global em circulação excedia o valor total dos metais preciosos ali depositados. A experiência acumulada pelos custodiadores mostrava que nem todos os depositantes resgatavam, ao mesmo tempo, seus depósitos, Além do mais, enquanto alguns vinham para reconverter seus certificados em ouro, outros vinham para depositar mais ouro. Assim, com um encaixe metálico menor, era possível garantir a liquidez dos certificados, isto é, garantir as reconversões que, em média, na semana ou no mês, correspondia a apenas uma fração do total dos certificados em circulação. Temos, assim, um novo marco histórico na evolução das formasde moeda: a passagem da moeda-papel para os certificadosemitidos sem o correspondente lastro em ouro ou prata e quevieram a ser chamados de papel-moeda. Pouco a pouco, o papel-moeda passou a ter uso generalizado como meio de pagamentonas transações pelo simples fato de que sua aceitação era geral,não se questionando sobre a possibilidade de convertê-lo ou nãoem ouro. Num processo evolutivo normal, e com o intuito de evitar riscosde emissões exageradas, o passo seguinte foi dado pelo governos,com a proibição de emissão de papel-moeda pelos bancos privados
  4. 4. 4(antigas casas de custódia), limitando-se o direito de sua emissãoa uma instituição oficial que, pouco a pouco, se transformou nosatuais bancos centrais de cada país. E não guardando maisqualquer idéia de representatividade, nem valor intrínseco, opapel-moeda passou a ser aceito porque simplesmente se sabeque será aceito em outra operação amanhã (posteriormente, suaaceitação passou a ser imposta por lei). e) Moeda escritural bancária: é representada pelos depósitos à vista, do público, nos bancos comerciais – ou seja, as contas correntes das empresas e dos indivíduos – materializados, na prática, pelo cheque. Tipos de moeda Numa classificação didática, temos hoje, as seguintes espéciesou formas de moeda: I - moeda manual – representada pelas moedas metálicas epelo papel-moeda; II - moeda escritural ou bancária – representada pelosdepósitos à vista nos bancos comerciais. Note-se que é o depósitoà vista é que é moeda, e não o cheque. Este último é apenas aforma mais comum para se utilizar a moeda “depósito à vista” –que é, este sim, o meio de pagamento. O cheque sem um depósitoà vista por trás dele não tem qualquer valor econômico. Vale observar que o papel-moeda e a moeda escritural oubancária são chamados moedas fiduciárias (isto é, em que se temfé ou em que se acredita), já que não possuem valor intrínseco,constituindo-se em moeda simplesmente porque têm aceitaçãogeneralizada nas transações econômicas. Funções da moeda De uma forma geral, os economistas reconhecem as seguintesfunções desempenhadas pela moeda: i) meio de pagamento ou intermediário de trocas; ii) padrão de referência de valor ou unidade de conta; e, iii) reserva de valor.
  5. 5. 5 Tendo aceitação generalizada como meio de pagamento nastransações, a moeda desempenha sua função mais cristalina efundamental – que é de servir como instrumento ou intermediáriade trocas entre os indivíduos para satisfação de ambas as partes. Como padrão de referência de valor, a moeda possibilita quetodos os valores dos bens, serviços e fatores de produção sejamexpressos em unidades monetárias, propiciando a fácil avaliação ecomparação de todos os recursos disponíveis na Economia. A moeda desempenha, também, a função de reserva de valorno sentido de que o indivíduo pode manter sua riqueza (ou partedela) sob a forma de moeda, por um período de tempo, sabendoque, amanhã ou depois, este ativo será aceito em qualquertransação por ter liquidez absoluta. Trata-se, no entanto, de umafunção que merece duas ressalvas: primeiro, se o indivíduo preferemanter sua riqueza sob a forma de moeda, ele deixa de ganhar,pois a moeda em si não gera rendimentos; segundo, e aocontrário, em períodos inflacionários o indivíduo perde com adesvalorização da moeda.6.2 Indicadores Monetários Existem três conceitos monetários – indicadores do volume dedinheiro na economia que, a despeito de medirem coisasdiferentes, são muitas vezes usados, até mesmo pela imprensa,como se fossem a mesma coisa. Mas, na realidade, são conceitosbastante distintos. Trata-se, no caso, do “papel-moeda emitido”,do “papel-moeda em circulação” e do “papel-moeda em poder dopúblico”. Diariamente, o Banco Central do Brasil divulga uma estatísticada evolução do saldo desses diversos conceitos de moeda – quepodem assim ser definidos: i) papel-moeda emitido (PME) – trata-se do total de dinheiro “autorizado” (isto é, produzido ou fabricado) pelas Autoridades Monetárias;
  6. 6. 6 ii) papel-moeda em circulação (PMC) – equivale ao total do papel-moeda emitido menos o dinheiro que se encontra no caixa do Banco Central; iii) papel-moeda em poder do público (PMP) – deduzindo- se do PMC o dinheiro em caixa dos bancos comerciais, tem- se o total de dinheiro em poder do público, isto é, todos os indivíduos e empresas (exclusive, claro, os bancos comerciais).6.3. Meios de Pagamento O público – aí incluídos os indivíduos e as empresas – possui,de uma forma geral, diversos ativos ou haveres – isto é, coisasque têm valor econômico e que constituem seu patrimônio,podendo ser citados entre estes os imóveis, fazendas, carros,depósitos de poupança, aplicações financeiras em bancos, títulosdo governo, depósitos à vista nos bancos comerciais, papel-moedaem espécie em seu poder, ações e outros tantos. Cada ativo deste possui um grau diferente de liquidez –medido este pela capacidade de o ativo se transformar em moedaou em dinheiro propriamente dito. Assim, quanto mais fácil fortransformar um ativo em dinheiro, maior se diria que é o seu graude liquidez. Do ponto de vista da economia, se o indivíduo A tem umafazenda no valor de R$ 100 mil e o indivíduo B tem um depósitode poupança também no valor de R$ 100 mil, podemos afirmarque ambos têm o mesmo nível de riqueza, porém a riqueza doindivíduo B tem muito mais liquidez. Isso porque é muito maisfácil sacar sua riqueza no banco, transformando-o quase queinstantaneamente em dinheiro do que vender a fazenda e recebero dinheiro. Para vender a fazenda, pode-se levar algum tempo;para sacar o depósito do banco não se gasta mais que 30minutos1. É esta diferença entre os diversos graus de liquidez de umativo que o torna mais ou menos instrumento ou meio de1 Jocosamente, diríamos que o depositante gastaria não mais que 30 minutos, sendo 15 minutos paraconseguir uma vaga no estacionamento e outros 15 minutos na fila do banco!
  7. 7. 7pagamento. Poucos, pouquíssimos mesmo, são os haveres que sãoconsiderados, pelo Banco Central, meios de pagamento, valendopara estes a seguinte definição: Tecnicamente, consideram-se meios de pagamento (M1) todos os haveres possuídos pelo público não-bancário e que podem ser utilizados a qualquer momento para a liquidação de qualquer dívida em moeda nacional. Ou seja, são haveres que possuem liquidez absoluta e imediata. Muito embora haja controvérsia em relação ao maior ou menorgrau de liquidez de um ativo, é praticamente consensual queapenas dois haveres preencham estas condições de possuíremliquidez absoluta e de serem aceitos, de imediato, comopagamento nas transações: o papel-moeda em poder do público –PMP - (aí incluídas não só as notas mas, também, as moedasmetálicas) e a moeda escritural ou bancária – representada pelosdepósitos à vista, do público, nos bancos comerciais públicos eprivados (DVbc). Assim, no caso brasileiro, o total de meios de pagamento –geralmente denominado M1 – é definido pela expressão: M1 = PMP + DVbc Este universo M1 corresponde, de outra parte, ao total dachamada oferta monetária. No caso brasileiro, as estatísticas mostram que o público vemmantendo, na média dos últimos anos, cerca de 14% de seusmeios de pagamento sob a forma de dinheiro no bolso (=PMP) eos restantes 86% como depósitos em conta corrente nos bancoscomerciais, sendo interessante observar que estas relações sãorelativamente estáveis, só se alterando em função de umaanomalia no mercado (como foi o caso do “confisco” dos depósitos,na época da ex-ministra Zélia, em 1991, e que acabou por alteraraquela composição. Temeroso de novos confiscos, o públicoreduziu a proporção de seus depósitos nos bancos!). Uma ressalva importante que se deve fazer em relação àsestatísticas de meios de pagamento, neste conceito de M1, é que
  8. 8. 8nelas não estão incluídos nem os depósitos voluntários ecompulsórios dos bancos comerciais nas Autoridades Monetárias(Banco Central) – dos quais falaremos mais adiante-, nem osdepósitos da União, também, no Banco Central. É fácil entender o porquê disso: como a preocupação, no caso,é medir a liquidez do público, não há por que incluir os depósitosdos bancos comerciais (que não são parte do público); quanto àUnião, é importante entender que, ao contrário do público, ela nãolimita ou condiciona o montante de seus gastos ao volume dedepósitos que, eventualmente, tenha no Banco Central, mas, sim,ao que dispõe o orçamento federal. Mas, note-se que os depósitosda União nos demais bancos que não o Banco Central, bem comoos depósitos dos Estados e Municípios em qualquer banco estãocomputados no total do M1. Outros conceitos de moeda: os “quase-moeda” Além desse conceito tradicional de meios de pagamento, existeuma gama de outros ativos financeiros que são aceitos comopagamento em diversas transações ou que podem sertransformados em moeda sem grandes dificuldades e num espaçode tempo relativamente curto. A estes ativos se dá geralmente onome de quase-moeda – que são haveres financeiros de altograu de liquidez, porém de grau inferior ao da moeda manual e aodos depósitos à vista. Como exemplos de quase-moeda citam-se os depósitos depoupança, depósitos a prazo, títulos públicos, etc. A partir dessas considerações, foram desenvolvidos outrosconceitos e classificações de meios de pagamento maisabrangentes, de acordo com o grau de liquidez do ativo financeiro.Estas classificações divergem de autor para autor, terminando,muitas vezes, por serem convencionais e arbitrárias. No casobrasileiro, segue-se o critério adotado pelo Banco Central – critérioeste que tem se alterado muito nestes últimos anos,principalmente em função do surgimento de inúmeros tipos deaplicações financeiras. Assim, por exemplo, nos anos noventa, oBanco Central adotava os seguintes conjuntos de meios depagamento:
  9. 9. 9 M1 = PMP + DVbc M2 = M1 + FAF + títulos públicos (federais, estaduais e municipais) em poder do público M3 = M2 + depósitos de poupança M4 = M3 + títulos privados (depósito a prazo, letras hipotecárias e letras de câmbio) A importância desses conceitos é ressaltada no momento emque o Banco Central, por competência legal, procura controlar aquantidade de moeda na economia, como parte, digamos, de umaestratégia de combate à inflação. A questão que, então, se colocaé: no controle da inflação, deve o Banco Central controlar aquantidade de meios pagamento (= à oferta monetária). Paratanto, deve aquela autoridade monetária assestar suas bateriassobre qual deles? M1? M3? M4? Na verdade, não há consenso sobre isso entre os economistas.O Banco Central, por falta, talvez de condições técnicas, limita-sea controlar apenas a evolução do M1.6.4. Criação e Destruição de Moeda Este é um assunto que, recorrentemente, tem sido objeto dequestões de provas de concursos onde entra a disciplina Economia.E o que vem a ser “criação” e “destruição” de moeda (ou,alternativamente, “criação” e “destruição” de meios depagamento)? É fácil entender isso. Senão, vejamos: Diariamente, o público - isto é, os indivíduos e as empresas -,realiza operações com o setor bancário comercial2, operaçõesestas traduzidas em depósitos, saques, pagamentos diversos (luz,telefone), tomada ou quitação de empréstimos, etc. Dependendo da natureza dessas operações, o total de ativosmonetários da economia – isto é, os meios de pagamento (M1) –poderá se reduzir ou aumentar. Se o resultado for um aumento2 De uma forma simples e sintética, banco comercial é aquele que abre conta corrente e emite talões decheque para seus clientes.
  10. 10. 10dos meios de pagamento, tem-se aí uma criação de moeda; seocorrer uma redução dos meios de pagamento, tem-se umadestruição de moeda. Então, o que se tem de verificar, após aoperação bancária, é se o total de meios de pagamento se alteroupara mais ou para menos. Para um melhor entendimento da explicação a seguir, éinteressante que você conheça dois conceitos novos: primeiro, oconceito de haver monetário; segundo, o de haver não-monetário. Haver ou ativo monetário corresponde a um dos componentesdos meios de pagamento (M1), ou seja, ou é o papel-moeda empoder do público ou é o depósito à vista. Já haver não-monetário étodo ativo possuído pelo público que não seja meio de pagamento(M1), como, por exemplo, ações, promissórias, títulos do governo,carro, lote, imóveis, etc. Entendida, assim, a diferença entre haver não-monetário ehaver monetário, fica mais fácil entende a criação e a destruiçãode moeda. Senão, vejamos: No processo de criação de moeda, o público entrega ao setorbancário um “haver não-monetário” (por exemplo, umapromissória) e recebe deste um “haver monetário” (por exemplo,um empréstimo traduzido num depósito à vista). No caso dedestruição de moeda, o público entrega ao banco um ativomonetário (digamos, dinheiro em espécie) e recebe um ativo não-monetário (a promissória vencida). Vale repetir que a criação ou destruição de moeda só ocorre se,da operação entre o público e o banco, resultar uma alteração dototal de meios de pagamento do público. Isto significa dizer que,se um indivíduo paga sua conta de luz com um cheque de suaconta corrente não haverá nem criação nem destruição de moeda,pois a queda de seus depósitos à vista é compensada peloaumento dos depósitos da companhia de eletricidade – quetambém é público. Da mesma forma, se um correntista vai aobanco e saca de sua conta corrente, com um cheque seu, nadaocorre, de vez que ele trocou um ativo monetário (depósito àvista) por outro (dinheiro em espécie). Mas, claro, se ele saca desua conta de poupança, há criação de meios de pagamento, poisos depósitos de poupança são considerados haveres não-monetários.
  11. 11. 116.5. Base Monetária e o Multiplicador Bancário Conceitualmente, a política monetária consiste no controle daoferta monetária e das taxas de juros, pelas autoridadesmonetárias (Banco Cetral), através do uso de instrumentos diretose indiretos (que serão vistos mais adiante), com vistas a controlaro nível de liquidez do sistema econômico. A política monetária deve, por outro lado, se inserir no contextoda política econômica global do governo, procurando, sempre quepossível, a compatibilização e o atingimento de seus objetivosmacroeconômicos. Quando se fala em controle da oferta monetária, pensa-se,imediatamente, que basta o Banco Central parar de emitir moeda,e tudo se arranja. Mas, as coisas não são assim tão simples. Nãose pode esquecer que os bancos comerciais têm uma grandecapacidade para “criar” moeda através de empréstimos que setransformam em novos depósitos, que dão origem a novosempréstimos, e assim por diante. É através dos empréstimos que os bancos “multiplicam” odinheiro circulante na economia. Quanto mais empréstimosfizerem, maior será a multiplicação dos meios de pagamentos. Aorigem desses empréstimos, como se disse, está nos depósitoscaptados pelo banco. Assim, um grande condicionante do volumedos empréstimos é o volume de depósitos à vista no banco. Umoutro condicionante é o montante ou proporção dos depósitos àvista que o banco pode emprestar. Obviamente, os bancosgostariam de emprestar todo o volume de depósitos, mas estedesejo esbarra na necessidade imperiosa de se manter em caixa,sob a forma de moeda, uma parcela dos depósitos para opagamento de cheques dos clientes. Mas, as limitações ao volumede empréstimos que os bancos podem efetuar vão mais além, poisainda existem restrições impostas por lei e outras medidasrestritivas, de iniciativa do próprio Banco Central. Com estas considerações, podemos, então, partir para aderivação do chamado multiplicador bancário (k) dos meios depagamentos, relativamente ao volume de dinheiro que o BancoCentral coloca em circulação – dinheiro, este dito, “de alto poder
  12. 12. 12de expansão” e que, tecnicamente, é denominado de BaseMonetária (B). Contabilmente, a Base Monetária é dada pela soma dos valoresconstantes do chamado passivo monetário do Banco Central quese compõe de: i) - o papel-moeda em poder do público (PMP); ii) - o caixa em moeda corrente dos bancos comerciais (R1); iii) - os depósitos voluntários dos bancos comerciais junto ao Banco Central (R2); e, iv) - os recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais, também junto ao Banco Central (R3) Assim temos: B = PMP + R1 + R2 + R3 (1) Mas, como PMP + R1 = PMC (veja o item atrás “IndicadoresMonetários”), temos que a base monetária pode ser definida aindacomo: B = PMC + R2 + R3 (2)E, já que R = R1 + R2 + R3, então a base monetária pode tambémser definida como: B = PMP + R (3) sendo R = total das reservas ou encaixes dos bancos comerciais(R= R1 + R2 + R3). Já os meios de pagamento (M1), como sabemos, são assimconstituídos: M1 = PMP + DVbc (4)E sendo o total de meios de pagamento um múltiplo da basemonetária (B), resultado do processo multiplicativo dosempréstimos bancários, deduz-se que o multiplicador (k) dos
  13. 13. 13meios de pagamento é dado pela relação entre o total de M1 e abase monetária, ou k = M1/B (5) ou ainda, M1 = B . k (6) Para se achar a expressão ou fórmula do valor do multiplicador,consideremos as seguintes expressões: Considere as seguintes relações comportamentais do público: i) d1 = PMP/M1 ou, d1M1 = PMP (7) ii) d2 = DVbc/M1 ou, d2M1 = DVbc (8) A equação (7) mostra qual a proporção do papel-moeda empoder do público em relação ao total de meios de pagamento (M1);já a equação (8) indica qual a proporção dos depósitos à vista nosmeios de pagamento.Logo, M1 = d1M1 + d2M1 (9) E, dividindo-se todos os termos da equação (9) por M1, tem-se: 1 = d1 + d2 e, d1 = (1 - d2) (10) Recorde-se, agora, que a base monetária é definida por: B = PMP + R (3)Para se saber qual é a fração ou percentual das reservas ouencaixes totais (r) em relação aos meios de pagamento, dividimosas reservas totais (R) pelos depósitos à vista (DVbc), ou:
  14. 14. 14 r = R/DVbc ou R = rDVbc ou, ainda, R = rd1M1 (11) onde, r = taxa de reserva ou encaixe total. Substituindo (7) e (11) em (3), tem-se: B = d1M + rd2M1 (12) Substituindo (10) em (12), tem-se: B = (1 - d2)M1 + rd2M1 (13) Operando a expressão (13), obtém-se: B = (1− d2 ) + rd2 M1 B =1− d2 (1− r) M1 B M1 = 1 − d 2 (1− r) 1 M1 = .B 1− d2 (1− r) (14) Ou seja, M1 é igual ao valor da base monetária (B) vezes omultiplicador (k), sendo 1 k= 1 − d 2 (1 − r ) (15) onde, d2 = fração dos meios de pagamentos que o público mantém sob a forma de depósitos à vista nos bancos comerciais; e,
  15. 15. 15 r = fração dos depósitos à vista que os bancos comerciais mantêm como encaixes totais. Vejamos um exemplo numérico: Suponha que os depósitos à vista correspondam a 80% dos MPe que a taxa de reservas bancárias (r) seja 30% dos depósitos àvista. Com esses dados, vamos calcular o valor de k: Fazendo as devidas substituições na equação (15), acima,temos: 1 1 1 1 k= = = = = 2,7 1 − 0,9(1 − 0,3) 1 − 0,9(0,7) 1 − 0,63 0,37 Pela expressão (15), pode-se deduzir que a expansão dos meiosde pagamento, isto é, da oferta monetária, pode ocorrer em trêssituações: i) - por aumento das operações ativas do Banco Central via aumento da emissão (o que aumenta B); ii) - por aumento de d2, isto é, da proporção dos depósitos à vista do público nos bancos comerciais em relação ao total dos meios de pagamentos; e, iii) por redução da relação encaixes/depósitos à vista nos bancos comerciais. Deve-se observar que, na execução da política monetária e paracontrole da oferta monetária, as autoridades monetárias têmrelativo controle sobre os itens (i) e (iii), mas nenhum controlesobre (ii) – que depende exclusivamente do comportamento dopúblico. No entanto, como se admite uma relação mais ou menosestável ou pelo menos previsível entre os DVbc e M1, pode-se, emprincípio, afirmar que as autoridades monetárias podem controlarrelativamente a expansão da oferta monetária. Este controle éexercido diretamente sobre a base monetária e indiretamentesobre o multiplicador (k) através do uso de diversos instrumentos.6.6 Instrumentos Clássicos de Controle Monetário
  16. 16. 16 Como foi visto, o volume da oferta monetária (= meios depagamento) depende de mudanças na base monetária e/ou dealterações no valor do multiplicador (k). A tarefa fundamental do Banco Central é o de adequar o volumede meios de pagamento às reais necessidades da economia tendoem vista o atingimento dos objetivos macroeconômicos. Ocorre,no entanto, que, mesmo que haja uma programação monetária –pela qual se prevê a evolução dos agregados monetários, mês amês, em decorrência do esperado comportamento das contasexternas do País, das operações do Banco Central com o TesouroNacional e de empréstimos dos bancos oficiais aos bancos privadose ao setor produtivo – nem sempre o programado se comportacomo esperado. Vez por outra, observa-se uma expansãoexagerada dos meios de pagamento; outras, uma contração desseagregado, com evidente escassez de dinheiro na economia, comgraves prejuízos para os negócios. Para controlar a liquidez da economia, mantendo-a em níveiscompatíveis com as necessidades conjunturais da economia, oBanco Central dispõe de diversos instrumentos que ora atuamsobre a base monetária, ora sobre o multiplicador bancário (k). Os instrumentos mais tradicionais geralmente usados peloBanco Central são: a) controle da emissão; b) fixação da taxa de recolhimento compulsório; c) operações de redesconto de liquidez; e, d) operações de mercado aberto (open market). a) Controle da emissão – sobre este instrumento não há o que falar. Basta que se desligue a tomada da máquina impressora de dinheiro e a emissão monetária estará controlada. b) Fixação da taxa de recolhimento compulsório – trata-se de um percentual dos depósitos à vista que os bancos comerciais devem recolher periódica e obrigatoriamente ao Banco Central.
  17. 17. 17 Claramente, quanto maior esta taxa, maior será o valor de r(taxa de encaixes totais) e vice-versa, já que os recolhimentoscompulsórios são uma parte das reservas totais dos bancos. Assim, na medida em que o Conselho Monetário Nacional decideelevar o percentual dos recolhimentos compulsórios (r3), omultiplicador (k) se reduz, uma vez que a medida levará a umadisponibilidade menor de recursos para os bancos efetuaremempréstimos. A recíproca é, também, verdadeira. c) Operações de redesconto – consistem num empréstimo de última instância e de curtíssimo prazo que o Banco Central faz aos bancos comerciais sempre que estes estiverem com falta de liquidez, isto é, com falta de recursos em caixa para atender às demandas de seus clientes. Por isso mesmo são também chamados de “empréstimos de liquidez”. Ao realizar tais operações, o Banco Central funciona comobanco dos bancos, descontando títulos dos bancos a taxas de jurosprefixadas. Como instrumento de controle monetário, o redesconto inibe ouestimula os bancos a tomar o empréstimo através de: a) alterações das taxas de juros cobradas pelo Banco Central; b) mudança dos prazos concedidos para que os bancos quitemsua dívida; c) fixação de tetos ou limites para a tomada do empréstimo; d) exigência de garantias (títulos públicos ou o própriocompulsório); e) controle da freqüência de utilização do empréstimo. d) operações de mercado aberto (open market) – o mercado aberto, num sentido amplo, pode ser entendido como o mercado onde são transacionados os mais diversos títulos públicos federais e estaduais e bancários privados, de rentabilidade pré ou pós-fixada. No entanto, entendido como instrumento de política monetária,as operações de mercado aberto consistem na compra e/ou vendade títulos públicos federais (NTN, LBC, LFT, BTN, etc.) pelo Banco
  18. 18. 18Central, com o objetivo de influenciar o nível das reservasbancárias e, daí, o fluxo de crédito. As operações de mercado aberto, pela sua flexibilidade, seconstituem no mais poderoso instrumento de que dispõe o BancoCentral para regular o nível de liquidez da economia no curtíssimoprazo. Assim, por exemplo, quando as autoridades monetáriasdesejam enxugar o mercado monetário, emitem e vendem lotesvolumosos de títulos federais, retirando dos bancos e do público aquantidade desejada de moeda. Contrariamente, se a intenção fora oposta, isto é, expandir o nível de oferta monetária, o BancoCentral realiza operações maciças de resgate (isto é, de compra)desses títulos, injetando moeda no sistema. Estes são, em síntese, os instrumentos clássicos de controlemonetário usados pelo Banco Central. Obviamente, sempreexistirão outros que, eventual e conjunturalmente, podem serutilizados, como, por exemplo, a limitação ou fixação de tetos paraempréstimos, medida que, não raras vezes, foi usada no Brasil aolongo dos anos 80.6.7. Teoria Quantitativa da Moeda A teoria quantitativa, na versão clássica, enfatiza a função damoeda como meio de trocas. Assim, em qualquer período, o valorglobal das transações é igual ao número de transações (T),multiplicado pelo seu preço médio (P). Esse valor, por seu turno,será idêntico ao fluxo monetário que é igual à quantidade demoeda ou meios de pagamento (M) multiplicado pelo número devezes que a moeda trocou de mão (V) naquele período. Resulta,daí, a conhecida “equação das trocas” que é geralmenteapresentada como: MV = PT (16) Posteriormente, por razões essencialmente práticas, o númerode transações (T) foi substituído pelo nível de renda (Y) uma vezque se dispõe de estatísticas sobre a renda e não sobre aquantidade de transações. Neste caso, é feita a hipótese de que o
  19. 19. 19nível das transações totais seja proporcional ao nível da renda,passando a equação (16) a ser, então, reescrita como: MV = PY (17)onde, M = estoque de moeda (meios de pagamento) V = a velocidade de circulação deste estoque, isto é, o númerode vezes que cada unidade monetária é empregada durante operíodo escolhido; P = o nível médio de preços (índice); e, Y = o nível da renda ou produto real. Tal como se apresenta, dada a definição de V, a equação (16) énecessariamente verdadeira em relação a quaisquer valores de M,P e Y. Trata-se, no caso, de uma equação definicional outautológica, isto é, verdadeira em si mesma e, como tal, nadaacrescenta de novo à teoria econômica. No entanto, introduzindo-se certas hipóteses sobre algumas desuas variáveis, tal como fizeram os clássicos, a equação das trocaspode se tornar de alguma utilidade. Deste modo, são colocadas asseguintes hipóteses: I- a oferta monetária é exógena, no sentido de que as autoridades monetárias (no caso, o Banco Central) controlam a quantidade de moeda na Economia; II - supõe-se que não há desemprego no país, e que, portanto, o nível da renda ou produto é constante no curto prazo, ao nível do pleno emprego dos fatores; III - também a velocidade de circulação da moeda (V) é constante no curto prazo dado que é determinada por fatores institucionais, padrões comerciais, e hábitos de compras e pagamentos, além do estado da tecnologia utilizada no processo de transações, citando-se, entre estes, os seguintes: a) institucionalização, por determinações legais, da periodicidade de pagamentos salariais (semanal, mensal);
  20. 20. 20 b) o grau de sofisticação do sistema financeiro, especialmente na compensação de cheques; e, c) os hábitos de compras da população. Todos estes fatores são, a rigor, constantes num curto período,digamos, 6 meses. Assim, com as hipóteses de que V e Y sãoinvariáveis a curto prazo, uma alteração na quantidade de M (paramais ou para menos), determina uma variação, na mesmaproporção, no nível médio de preços. E a igualdade expressa naequação (16) se transforma numa teoria de determinação depreços, ou seja: P = MV (17) Y Um exemplo numérico: Suponha que, hoje, os valores das variáveis da equação (16)sejam: M = 200; V = 5 (constante, no curto prazo); P = 10; e Y = 100. Substituindo estes valores na equação (16), temos: 200 x 5 = 10 x 100 ou, 1000 = 1000, Suponha, agora, que o Banco Central aumente a quantidade demeios de pagamento (através, por exemplo, de uma emissãomonetária) no montante de 30%, ou, em valores absolutos, em 60unidades monetárias. Como V e Y, por hipótese, são valoresconstantes no curto prazo, o ajuste da equação (16) – para queseus dois lados tenham o mesmo valor, ocorrerá no nível depreços (P), assim: 260 x 5 = P x 100 260 x5 1.300 P= = = 13 100 100 ou seja, o nível geral dos preços (P) se elevou de 10 para 13,um aumento de 30% - exatamente igual ao aumento ocorrido naquantidade de dinheiro em circulação. Ou seja, aumentos de
  21. 21. 21moeda, sem que o nível do PIB tenha aumentado, só concorrepara gerar inflação. Daí, vem a conclusão dos teóricos da escola clássica: a moeda éum fator tipicamente neutro, servindo, por assim dizer, apenascomo um lubrificante para a melhor operação das forças reais daeconomia. Para os clássicos, variações na quantidade real demoeda somente afetam o nível agregado de preços.6.8. Sistema Financeiro Nacional: Constituição e Funções O Sistema Financeiro Nacional (brasileiro) é constituído de doisgrupos distintos de entidades financeiras: I- Sistema Monetário – composto pelas entidades que criam moeda, isto é, meios de pagamento (= papel – moeda em poder do público e depósitos à vista, do público, nos bancos comerciais). Fazem parte deste sistema o Banco Central do Brasil – chamado de “Autoridades Monetárias” – que tem o poder de emitir moeda –, e os bancos comerciais, públicos e privados – que recebem depósitos à vista do público e efetuam empréstimos de curto prazo. II - Sistema Não-Monetário – abrange todas as entidades de intermediação financeira não-bancária (isto é, exclusive bancos comerciais). Fazem parte desse sistema diversas entidades financeiras que se distinguem uma da outra pela sua principal operação passiva (captação de recursos) e sua principal operação ativa (aplicação dos recursos captados). Como principais entidades do sistema não-monetário, citam-se: a) Bancos de Desenvolvimento – são entidades oficiais(governamentais) de crédito, cujas principais operações passivassão os recursos do PIS/PASEP, FINSOCIAL, transferências doorçamento do governo e empréstimos externos; suas operaçõesativas se limitam a empréstimos para capital de giro e de capitalfixo para empresas (para implantação ou expansão). A principal
  22. 22. 22entidade deste subsistema é o Banco Nacional de DesenvolvimentoEconômico e Social (BNDES) havendo diversos outros bancos re-gionais e estaduais de desenvolvimento (BDMG, BRB, BANDESUL,BANDERJ). b) Bancos de Investimentos – são entidades privadas, comfinalidades semelhantes às dos bancos de desenvolvimento,atuando, de certa forma, como complementares a estes nofornecimento de crédito às empresas, mas seguindo as leis e taxasde juros praticadas no mercado. Suas principais fontes de recursossão os depósitos a prazo (CDB) e empréstimos externos. c) Sistema Financeiro da Habitação – tendo como órgãocentral a Caixa Econômica Federal. Fazem parte deste subsistemaas entidades que têm como objetivo captar recursos através decadernetas de poupança e, eventualmente, através de venda deletras hipotecárias ou imobiliárias, e destinando tais recursos aofinanciamento de construção e/ou aquisição de moradias. Sãoexemplos as Caixas Econômicas Estaduais, as Sociedades deCrédito e Investimentos (SCI) e as entidades dos bancos privadosque compõem o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo(SBPE). d) Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento –mais conhecidas como “financeiras”, são aquelas entidades quetêm na venda de letras de câmbio sua principal operação passivae, como principal operação ativa, o financiamento ao consumidorpara aquisição de bens de consumo duráveis (eletrodomésticos,automóveis, etc.). Importante observar que essas entidades não existemisoladamente. Em geral, fazem parte de uma empresa maior – aholding. Assim, por exemplo, o BRADESCO é uma grande holdingdo sistema financeiro, composto de um Banco Comercial Bradesco,um Banco de Investimento Bradesco, uma Financeira Bradesco,uma Seguradora Bradesco, uma Corretora e uma DistribuidoraBradesco, e assim por diante.6.9. Funções Clássicas de um Banco Central As funções típicas ou clássicas de um banco central são:
  23. 23. 23 a) banco emissor de papel-moeda; b) banqueiro dos bancos comerciais; c) banqueiro do Tesouro Nacional; d) depositário das reservas internacionais do País. Se se organizarem as contas de captação e de aplicação derecursos do Banco Central sob a forma de um balancete – compassivo (fontes de recursos) e ativo (aplicação de recursos) –veremos que aquelas funções estão espelhadas nas diversasrubricas ou contas do balancete. Para melhor análise, costuma-se dividir as contas do passivoem dois grupos: passivo monetário e passivo não-monetário,conforme a natureza da conta. Os recursos não-monetários sãoaqueles que não se encontram à disposição do público, não sendo,portanto, exigíveis a curto prazo. Já os recursos monetários seconstituem de todos aqueles valores exigíveis a curto prazo (oPMC, os depósitos voluntários e compulsórios dos bancoscomerciais). Registre-se desde já que, por definição, o passivomonetário do Banco Central é igual à Base Monetária, como severá mais adiante. Voltando, agora, ao balancete do Banco Central, nota-se que,como órgão emissor de papel-moeda, o total emitido aparece nopassivo monetário, como uma das fontes de financiamento doBanco Central, lembrando que, na prática, aparece, apenas, oPMC, de vez que na consolidação do balancete, elimina-se do ativoe do passivo o “encaixe em moeda” do Banco Central (recordandoque PME – encaixe do Banco Central = PMC). Continuando, como banqueiro dos bancos, aparecem no passivoos depósitos voluntários e o recolhimento compulsório dos bancoscomerciais, enquanto no ativo aparecem os redescontos e outrosempréstimos àqueles bancos. Como banqueiro do Tesouro Nacional, aparecem no passivo osdepósitos do Tesouro Nacional (geralmente, frutos da arrecadaçãode impostos) e, no ativo, o saldo dos títulos públicos federias eempréstimos à União. Como depositário das reservas internacionais do País, apareceno ativo o contra-valor dessas reservas em cruzeiros.
  24. 24. 24 Como banco de fomento, função que o Banco Central do Brasilvem, paulatinamente, abandonando para se tornar um verdadeirobanco central nos moldes clássicos, aparecem no passivo recursosde diferentes fontes legais e, no ativo, o repasse desses recursos aentidades oficiais (ou mesmo privadas) de crédito parafinanciamento dos setores produtivos. * * * Com essas colocações, encerramos esta nossa 6ª Aula. Aseguir, são apresentados alguns exercícios de revisão e fixaçãosobre balanço de pagamentos e taxa de câmbio. Até nossapróxima aula.___________________EXERCÍCIOS DE REVISÃO E FIXAÇÃO: (gabarito ao final)1. Com relação às diversas formas assumidas pela moeda, ao longo da história, estão corretas as afirmativas abaixo, exceto: a) economia de escambo é aquela em que se trocam mercadorias por mercadoria, não existindo moeda como meio de troca; b) moeda-papel era um certificado com lastro integral (e, depois, parcial) em ouro; c) o papel-moeda não dispõe de lastro em ouro, ou seja, não pode ser resgatado; d) a moeda bancária ou escritural é representada pelo dinheiro em caixa nos bancos comerciais e pela emissão monetária; e) a moeda-mercadoria assumiu diversas formas, como, por exemplo, sal, peles, ostras, etc.2. Com relação à evolução e formas de moeda, estão corretas as alternativas abaixo, exceto: a) pelo sistema de trocas indiretas, uma mercadoria qualquer é escolhida como meio de troca, por convenção social. b) para que uma mercadoria se mantivesse por longo tempo como “moeda” era indispensável que fosse escassa, não-perecível e passível de divisão; c) os sistemas de trocas diretas são aqueles em que se utilizam mercadorias como moeda; d) entende-se como moeda-papel os certificados de depósitos emitidos pelas casas de custódia e que tinham lastro em metais preciosos, particularmente em ouro; e) entende-se por reconversão de um certificado de depósito a sua troca pelo lastro metálico que lhe deu origem.
  25. 25. 253. São formas de moeda existentes modernamente, exceto: a) papel-moeda; b) moeda metálica; c) moeda-papel; d) moeda bancária ou escritural.4. São funções da moeda, exceto: a) reserva de valor; b) intermediária ou meio de trocas; c) servir de lastro para o papel-moeda em circulação; d) unidade de conta ou padrão de valor.5. A moeda escritural ou bancária é representada: a) pelos depósitos à vista do público nos bancos comerciais; b) pelo talão de cheques; c) pelos depósitos de poupança nos bancos; d) pelos depósitos a prazo e à vista nos bancos; e) por todos os ativos financeiros aceitos como meio de trocas.6. Com relação aos conceitos monetários, estão corretas as afirmativas abaixo, exceto: a) o papel-moeda em circulação é igual ao papel-moeda em poder do público mais o dinheiro em caixa nos bancos comerciais; b) o papel-moeda em poder do público é igual ao papel-moeda emitido menos dinheiro em caixa do Banco Central; c) o papel-moeda emitido é igual ao papel-moeda em circulação mais o dinheiro em caixa do Banco Central; d) o papel-moeda emitido é igual ao papel-moeda em poder do público mais o dinheiro em caixa do Banco Central e em caixa dos bancos comerciais.7. São expressões sinônimas: a) papel-moeda e moeda-papel; b) moeda bancária e moeda escritural; c) moeda inconversível e moeda bancária; d) moeda fiduciária e moeda escritural; e) nenhuma das alternativas anteriores.8. A expressão é a liquidez por excelência aplica-se: a) apenas ao papel-moeda conversível em metais preciosos; b) apenas à moeda escritural, por representar depósitos à vista no sistema bancário comercial, que podem ser retirados a qualquer instante e sem prévio aviso; c) ao ouro, único ativo líquido por excelência; d) ao papel-moeda, simplesmente; e) por definição, a quaisquer formas de moeda.
  26. 26. 269. A expressão quase-moeda aplica-se: a) a todos os ativos financeiros; b) aos ativos financeiros não-monetários, de elevado índice de liquidez; c) às formas primitivas de moedas não-metálicas; d) às formas fiduciárias de moedas destituídas de valor legal; e) nenhuma das alternativas anteriores.10. O conceito convencional de meios de pagamento é dado pela soma: a) do papel-moeda e das moedas metálicas em poder do público com os títulos de emissão do Tesouro Nacional; b) dos depósitos à vista do público nos bancos comerciais, com o papel- moeda em circulação e com títulos da Dívida Pública; c) do papel-moeda e das moedas metálicas em poder do público com os depósitos à vista do público nos bancos comerciais; d) do papel-moeda com as moedas metálicas em circulação; e) nenhuma das alternativas anteriores.11. Identifique abaixo as operações de criação (C) e de destruição (D) de meios de pagamento, ou nenhuma destas alternativas (N): a) ( ) O Zé Pereira leva ao Banco Popular R$ 5.000,00 e efetua um depósito à vista. b) ( ) O Zé Patriota prefere efetuar depósito à vista no Banco do Brasil. c) ( ) Já a Maria Clarineta leva ao Banco Clarim R$ 10.000,00 e efetua um depósito a prazo. d) ( ) O Banco of London, com sede no Rio, compra do Zé Export todas as suas cambiais no valor de US$ 100. e) ( ) O Banco of New York, com sede em São Paulo, vendeu cambiais no valor de R$ 10.000,00 ao Joaquim Import. f) ( ) A empresa Zé Galo leva ao Banco Galinheiro uma duplicata para desconto, depositando à vista no mesmo banco o dinheiro recebido. g) ( ) O Banco Confiante compra títulos da dívida pública possuídos pelos Irmãos Desconfiados. h) ( ) O Banco Morada Velha vende uma casa a Pedro Semorada, recebendo o pagamento à vista em dinheiro. i) ( ) O Banco Semfronteira aumenta seu capital vendendo ações ao público. j) ( ) O Banco Central redesconta uma duplicada em poder do Banco Promissório, entregando papel-moeda a este último. k) ( ) A União paga aos construtores da Ferrovia da Madeira, sacando sobre seus depósitos nas Autoridades Monetárias.12. Suponha que o sistema monetário tenha apresentado, em dezembro/2004, os seguintes dados (em R$ milhões): - papel-moeda emitido: 400 - moeda escritural: 600 - encaixe em moeda dos Bancos Comerciais (R1): 60 - demais encaixes ou reservas dos Bancos Comerciais: 240 - moeda em caixa das Autoridades Monetárias: 40
  27. 27. 27 Considerando estes dados, o papel-moeda em circulação e o papel-moeda em poder do público são, respectivamente: a) 600 e 240; b) 360 e 300; c) 400 e 350; d) 340 e 280; e) 400 e 300.13. Com base nos dados da questão 12, pode-se afirmar que o total de meios de pagamento (M1) e a Base Monetária são, respectivamente: a) 900 e 600; b) 900 e 300; c) 590 e 890; d) 300 e 290; e) 600 e 600.14. Ainda com base nos dados da questão 12, o multiplicador dos meios de pagamento será: a) 2,0; b) 1,0; c) 1,5; d) 3,0; e) 2,5.15. Supondo que o papel-moeda em poder do público (PMPP) seja 20% do total dos meios de pagamentos e que o total de encaixes (ou reservas) bancários seja 25% dos depósitos à vista, então o multiplicador bancário dos meios de pagamento será: a) 2,0; b) 2,5; c) 3,0; d) 3,5; e) 4,0.16. No Brasil, a base monetária se compõe de: a) total do papel-moeda emitido; b) papel-moeda em circulação mais depósitos à vista nos bancos comerciais; c) papel-moeda em poder do público mais depósitos; d) papel-moeda em poder do público, mais encaixe em moeda dos bancos comerciais, mais depósitos voluntários dos bancos no Banco Central e mais recolhimento compulsório; e) papel-moeda em poder do público.17. A oferta monetária (= meios de pagamento) deverá se expandir caso ocorra uma das situações abaixo, exceto: a) aumento das operações ativas do Banco Central, via resgate de títulos públicos federais; b) redução da proporção do papel-moeda em poder do público em relação ao total dos meios de pagamento; c) aumento da proporção dos depósitos à vista do público nos bancos comerciais em relação ao total de meios de pagamento; d) redução da relação encaixe/depósitos à vista dos bancos comerciais; e) aumento da taxa de recolhimento compulsório dos bancos comerciais.18. Supondo que o total de reservas ou encaixes bancários seja 40% dos depósitos à vista, o multiplicador bancário simples dos meios de pagamento então é: a) 4,0; b) 3,5; c) 3,0; d) 2,5; e) 2,0.19. Quando o Banco Central realiza uma venda maciça de títulos públicos federais, o efeito esperado é:
  28. 28. 28 a) redução dos meios de pagamento e da taxa de juros; b) redução dos meios de pagamento e aumento das taxas de juros; c) aumento dos meios de pagamento e das taxas de juros; d) aumento dos meios de pagamento e queda das taxas de juros.20. São funções típicas do Banco Central, exceto: a) banco dos bancos, recebendo recolhimentos compulsórios e efetuando empréstimos de liquidez (redesconto); b) banco emissor de moeda; c) agente do Tesouro Nacional; d) captador de depósito de poupança; e) fiscalizador do Sistema Financeiro Nacional.21. O passivo monetário do balancete consolidado do sistema monetário é igual a: a) meios de pagamento (M1); b) base monetária; c) papel-moeda em circulação; d) reservas bancárias.22. No Brasil, a base monetária compõe-se do: a) total do dinheiro emitido pelo Banco Central; b) papel-moeda em poder do público mais os depósitos à vista do público nos bancos comerciais; c) papel-moeda em circulação, mais os depósitos voluntários dos bancos comerciais junto às autoridades monetárias, mais os recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais; d) passivo não-monetário das autoridades monetárias.23. O passivo monetário do Banco Central é igual a:a) Reservas bancárias;b) Papel-moeda emitido;c) Meios de pagamento;d) Papel-moeda em circulação;e) Base monetária.24. O total de oferta monetária é igual a: a) total de moeda emitida pelo Banco Central; b) base monetária; c) base monetária dividida pelo multiplicador; d) papel-moeda em poder do público mais os depósitos à vista do público nos bancos comerciais.25. A oferta monetária deverá se expandir caso ocorra uma das situações abaixo, exceto: a) aumento das operações ativas do Banco Central via aumento da emissão ;
  29. 29. 29 b) redução da relação encaixe/depósitos à vista dos bancos comerciais; c) aumento da proporção dos depósitos à vista do público nos bancos comerciais em relação ao total de meios de pagamento; d) aumento da proporção do papel-moeda em poder do público em relação ao total de meios de pagamento.26. São instrumentos clássicos de controle monetário, exceto: a) operações de redesconto de liquidez; b) operações de mercado aberto; c) a limitação do volume de papel-moeda em poder do público; d) a fixação da taxa de recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista nos bancos comerciais.27. No sentido restrito de instrumento de política monetária, as operações de mercado aberto consistem: a) num mercado onde são transacionados os mais diversos títulos públicos e bancários privados; b) num mercado onde são transacionados títulos de rentabilidade não fixada; c) na compra e/ou venda de títulos públicos federais pelo Banco Central; d) na compra e/ou venda de títulos públicos federais e títulos privados pelos bancos comerciais e público em geral.__________________G A B A R I T O:1. d; 2. c; 3. c; 4. c; 5. a;6. b; 7. b; 8. d; 9. b; 10. c;11. aN; bN; cD; dC; eD; fC; gC; hD; iD; jN; kN.12. b; 13. a; 14. c; 15. b; 16. d;17. e; 18. d; 19. b; 20. d; 21. a;22. c; 23. e; 24. d; 25. d; 26. c; 27. c.______________

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