Economia aula 4 - introdução à macroeconomia

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Economia aula 4 - introdução à macroeconomia

  1. 1. AULA 4: INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Nas nossas três primeiras aulas, nós fizemos uma introdução-revisão de alguns conceitos da Microeconomia que certamente vão nos ajudar muito no entendimento da Macroeconomia – que é, a partir desta Aula 4, o objeto central de nosso curso. Nós, agora, vamos dar um salto, e passar a estudar a economia do país como um todo, analisando as variáveis que determinam o volume da produção total de bens e serviços, o nível do emprego e o nível geral de preços do sistema econômico. Nesta nossa Aula de n° 4, nós vamos abordar os grandes agregados da economia, como são chamados o produto interno bruto, o investimento bruto, a renda nacional, e outros conceitos relevantes. Bem-vindo, então, ao maravilhoso mundo da Macroeconomia!4.1. O sistema econômico: agentes e fluxos A teoria macroeconomia é a parte da teoria econômica queestuda o funcionamento da economia como um todo. Cabe àmacroeconomia identificar e medir as variáveis que determinam ovolume da produção total de bens e serviços, o nível do emprego eo nível geral de preços do sistema econômico, bem como osagentes econômicos que atuam nesse sistema, realizandotransações de todos os tipos e naturezas. Como foi dito em nossa Aula 1, uma descrição do sistemaeconômico como um todo deve considerar, de um lado, os tipos deagentes econômicos que nele atuam e, de outro, os fluxos por elegerados. Se considerarmos, por simplificação, uma economiafechada, isto é, sem relações econômicas com outros países (semexportações e importações, por exemplo), podemos identificar osseguintes agentes que atuam no sistema econômico:
  2. 2. 2 . As unidades familiares . As empresas . O governo No sistema econômico, às unidades familiares cabe o papelde fornecer os recursos produtivos às empresas (recursosnaturais, mão-de-obra, capital, capacidade empresarial, etc.),recebendo, em troca, uma remuneração ou renda – (que pode ser:salários, aluguéis, juros e lucros) - que, num momento seguinte,será voltada para adquirir das empresas bens e serviços de quenecessitam. As empresas, por seu turno, demandam das unidadesfamiliares os recursos produtivos de que precisam, remunerando-as com uma renda (salários, aluguéis, juros e lucros), enquantoofertam para as mesmas os bens e serviços que produzem. Ao governo cabe o papel principal de regulador da atividadeeconômica e de provedor dos chamados “bens públicos”- dos quaissão exemplos, como já vimos, a segurança nacional, o serviço depolícia, a administração da justiça - além de garantir ofornecimento dos denominados “bens meritórios”, como educaçãoe saúde. Para o desempenho dessas atividades, o governoarrecada impostos dos agentes econômicos como, por exemplo, oimposto de renda (IR) e o imposto sobre produtos industrializados(IPI). Na contabilidade nacional, o governo é constituído pelosórgãos da chamada Administração Direta – basicamente, osMinistérios e as Secretarias - considerados os três níveis degoverno: federal, estadual e municipal. Como o governo, emregra, não tem o objetivo de auferir lucro, as empresas públicas esociedades de economia mista, das quais o governo seja acionista,são incluídas no item empresas (no setor privado). Num modelo mais completo, teríamos de incluir um quartoagente econômico, denominado comumente de resto do mundoe que responde pelas importações e exportações de bens eserviços do país.4.2. Conceitos Básicos: a Mensuração do Produto e da Renda e da Despesa
  3. 3. 3 A contabilidade nacional proporciona medidas agregadas dovalor de mercado dos bens e serviços finais produzidos naEconomia durante um certo período, geralmente um ano.Dependendo dos itens computados nesta medição, obtêm-sediferentes medidas deste produto. Assim, por exemplo, temos o conceito Produto Interno Brutoque pode ser definido assim: Produto interno bruto (PIB) corresponde à soma dos valores de todos os bens e serviços finais produzidos em uma economia, durante um certo período.3 Há três aspectos que devemos observar nessa definição:primeiro, que estamos falando de bens e serviços finais – o quequer dizer que, para evitar a dupla contagem, não podemos somaro valor da produção do aço e/ou o valor da produção da borracha,etc. – que são matérias-primas – com o valor do carro, pois novalor deste – que é um bem final – já estão incluídos os valoresdas matérias-primas utilizadas em sua produção. Um outro aspecto a observar é que, na contabilidade nacional, aprodução é entendida como qualquer atividade que aumente aquantidade e/ou valor do bem ou serviço. Assim, considera-seprodução não somente a transformação de uma matéria-primanum produto novo, mas também as atividades de transporte, deintermediação financeira, de comercialização, e de prestação deserviços em geral. Um terceiro ponto a ser observado é que não entram no cálculodo valor do Produto as transações que envolvam troca de ativosque não foram produzidos no ano ou período considerado, como,por exemplo, a compra e venda de imóveis e de carros usados. E de onde vem o valor do produto de um país? O valor do PIB é o resultado do produto dos três setoresprodutivos, a saber: I - Setor Primário – constituído pela produção agropecuária, tendo como principais componentes a produção agrícola propriamente dita (arroz, milho, soja, etc.), a produção da
  4. 4. 4 pecuária (abate de gado, suínos, etc.) e a produção extrativa vegetal (borracha, carvão vegetal, etc.); II - Setor Secundário – constituído pela produção do setor industrial e tendo como principais subsetores: indústria extrativa mineral (petróleo, ouro, minério de ferro, etc.), indústria da construção civil (prédios, estradas, barragens, etc.), indústria de transformação (mecânica, eletrônica, têxtil, etc.) e serviços industriais de utilidade pública (energia elétrica, saneamento, etc.); III - Setor Terciário – constituído pelo setor de serviços, tendo como principais subsetores: transportes e comunicações, intermediação financeira, setor governo (exceto empresas estatais), comércio, saúde e educação (privadas), turismo e lazer, etc.4.3. Os diversos conceitos de produto – uma análise mais detalhada O produto interno bruto (PIB) de um país é dado pelo valor detodos os bens e serviços que foram produzidos durante um certoperíodo de tempo, geralmente um ano. Seu valor é medido pelolado dos custos de produção, traduzidos estes nas despesasrealizadas pelas empresas com a remuneração dos fatoresutilizados na produção (salários, aluguéis, juros e lucros). Acontrapartida do valor do produto global ou do valor agregadodessas despesas é dada pela renda interna que corresponde àsoma daquelas rendas recebidas pelos proprietários dos fatores deprodução. Se o produto for avaliado aos preços de mercado, deve-se acrescentar a essas rendas a receita auferida pelo governo, ouseja, os impostos indiretos, deduzidos os subsídios. Constata-se,então, que o valor do produto e da renda são duas medidasdistintas do mesmo fluxo de bens e serviços gerados na atividadeeconômica. Muitas vezes o estudante se vê confuso diante de conceitoscomo “produto interno”, “produto líquido”, “renda nacional”,“renda pessoal”, e tantos outros. Mas, afinal, todos esses termosse referem à mesma coisa ou são conceitos e medidas diferentes?
  5. 5. 5 Na realidade, todos estes conceitos referem-se a coisassemelhantes, mas não iguais. O que distingue um conceito dooutro são alguns itens que entram no cálculo de um mas nãoentram no outro. Por exemplo, a diferença entre qualquer produto“líquido” e seu correspondente “bruto” consiste na “depreciação”que entra no cálculo somente deste último. O Quadro I, a seguir, mostra de que forma são calculados osdiversos conceitos de produto e de renda, possibilitando umacomparação entre ambos. QUADRO I Ótica do produto Ótica da renda (+)Salários pagos: 1.300 (+)Salários pagos: 1.300 (+)Aluguéis: 900 (+)Aluguéis: 900 (+)Juros: 700 (+)Juros: 700 (+)Lucros 1.100 (+)Lucros: 1.100= Produto Interno Líquido a custo de fatores(cf): 4.000 = Renda Interna Líquida: 4.000 (+) Depreciação: 300 (+) Depreciação: 300=Prod. Interno Bruto(cf):4.300 =Renda Interna Bruta: 4.300(-) Renda líquida enviada (-) Renda líquida enviada ao exterior: -200 ao exterior: -200=Prod. Nacional Bruto (cf):4.100 =Renda Nacional Bruta: 4.100(+) Impostos indiretos(*): 600 (-) Depreciação: -300(-) Subsídios: -100 =Renda Nacional líquida: 3.800=Prod.Nacional Bruto(pm):4.600 (-) Lucros retidos: -500 (-) Contr.Previdendenciárias:-700 (+) Transferências Govern.: 600 (+) Transf. Empresariais: 100 = Renda Pessoal: 3.300 (-) Impostos diretos(**): 400 = Renda Pessoa Disponível: 2.900(*) IPI/ICMS/ISS (**) IR/IPVA/IPTU Pelo Quadro I, acima, pode-se concluir que:
  6. 6. 6 a) A diferença entre o produto a custo de fatores e o produto a preços de mercado reside na inclusão, neste último, dos impostos indiretos e na retirada dos subsídios. b) A diferença entre o produto interno e o produto nacional e entre a renda interna e a renda nacional reside na renda líquida enviada ao exterior. c) A diferença entre o produto líquido e o produto bruto reside na depreciação; De uma forma geral, nos Estados Unidos e outros paísesdesenvolvidos, utiliza-se mais comumente, para efeito de análiseda atividade econômica, o conceito de Produto Nacional Bruto(PNB). Isso se explica porque o PNB desses países costuma sermaior que o seu PIB – porque eles recebem mais renda do exteriordo que enviam para o exterior. Já nos países subdesenvolvidos, o Brasil entre eles, usa-segeralmente o conceito de Produto Interno Bruto (PIB) - que, nocaso desses países, costuma ser maior que o PNB, uma vez que arenda que esses países recebem do exterior tende a ser menorque a renda por eles enviada ao exterior.A Ótica das Despesas Como foi dito anteriormente, o valor do produto é igual ao valorda renda gerada e, por sua vez, é igual à despesa agregada, istoé, ao valor do fluxo de bens e serviços transacionados naeconomia. As despesas agregadas se compõem das seguintes categoriasde gastos: a) Despesas pessoais de consumo (C) – incluindo aí os gastos das famílias com bens de consumo (alimentos, automóveis, etc.) e serviços (saúde, lazer, etc.). b) Investimento privado bruto (I) – incluindo edificações, fábricas, equipamentos, máquinas e variações de estoques. Vale lembrar que só são computados os bens e serviços “novos”, isto é, produzidos e vendidos (ou comprados) no ano considerado. Assim, a compra de um edifício com 5 anos de construção, ou de um carro usado não é computada no valor
  7. 7. 7 do PIB deste ano. Isto porque o valor deste edifício e deste carro já foi apurado no PIB do ano em que foram produzidos. c) Gastos do governo (G) – incluem os dispêndios do governo com os seguintes itens: i) despesas correntes - aí incluídas as compras de bens e serviços para o funcionamento normal das agências governamentais e o pagamento de funcionários civis e militares. ii) despesas de capital - compra de bens e serviços voltados para investimentos (construção de escolas, hospitais, estradas, etc.). Não entram nestes gastos do governo: as transferências governamentais, nem os dispêndios das empresas públicas (tipo Petrobrás, Vale do Rio Doce, Eletrobrás, etc.). Estes últimos são contabilizados no setor secundário, como setor privado. d) Exportações líquidas (X - M) – aqui entendidas como o valor total das exportações de bens e serviços menos o valor das importações de bens e serviços. Ou seja, pela ótica ou abordagem da despesa, o valor doproduto interno bruto, a preços de mercado, é dado pela equaçãoabaixo: PIBpm= C + I + G + X - M4.4. O Valor Adicionado Para calcular o valor do PIB, todos os bens e serviços devemser contados só uma e única vez. Para tanto, deve-se computarsomente os valores dos bens finais já que estes incluem todos oscustos intermediários (matérias-primas) das diversas etapas doprocesso produtivo. Assim, por exemplo, as estatísticas oficiais contam o valor dopão vendido ao consumidor, mas não somam a este valor o preçoda farinha de trigo, já que este está incluído no preço final do pão.Da mesma forma, se se computa o preço do automóvel vendido aoconsumidor, não se deve adicionar a este o preço do aço e outros
  8. 8. 8componentes do carro. Do contrário, haveria o problema da “duplacontagem”. Aparentemente, a maneira mais fácil de se medir o valor do PIBé considerar os valores dos bens finais. Mas, alternativamente,pode-se chegar ao mesmo resultado somando o “valor adicionado”pela empresa em cada estágio do processo produtivo. Valor adicionado é igual ao valor do produto vendido pelaempresa menos o custo dos produtos intermediários compradospela empresa e seus fornecedores. Um exemplo de cálculo do valor adicionado: Tabela 1 (PRODUÇÃO HIPOTÉTICA DE CIGARROS) Pela Tabela 1, verifica-se que o valor do PIB é igual ao valor dobem final (=100), vendido pela loja ou bar ao consumidor.Alternativamente, se somarmos os valores adicionados ouacrescidos por cada empresa em cada etapa ou estágio,encontraremos o mesmo valor para o produto (24 + 27 + 18 + 12+ 19 = 100).
  9. 9. 94.5. Produto nominal X produto real O valor do produto varia de um ano para outro. Geralmente,o valor do produto no ano t é nominalmente maior do que o valordo produto registrado no ano t–1, isto é, no ano anterior. Estadiferença de valor pode ser explicada por duas variáveis: porvariação dos preços (P) e/ou por variações nas quantidadesproduzidas (Q). A partir desta constatação, é possível distinguir doisconceitos muito importantes da contabilidade nacional: o produtonominal e o produto real. O produto nominal – também chamado de produto a preçoscorrentes - corresponde ao valor do produto medido aos preçosvigentes no ano de referência. Matematicamente, é obtido pelosomatório do valor da produção de todos os bens e serviços finaisde uma economia. Ou formalmente: Produto nominal = ∑ Pi x Qionde i varia de 1 a n produtos. Pela fórmula acima, verifica-se que o produto nominal podeaumentar ou diminuir em função tanto dos preços quanto dasquantidades produzidas dos bens e serviços finais. Já o produto real – também chamado de produto a preçosconstantes - corresponde à quantidade física de bens e serviçosproduzidos pela economia. Ou seja, o produto real somente variase houver uma variação na quantidade física efetivamenteproduzida. E parece óbvio que quanto maiores as quantidadesproduzidas de todos os bens ou serviços, maiores e melhores sãoas condições médias de vida dos cidadãos, já que aumentos naprodução implicam aumentos no nível de renda e, porconseqüência, do nível de consumo da população. Assim, o que interessa saber não é se o produto nominal estácrescendo de um ano para o outro – já que este aumento pode sercausado simplesmente por um aumento dos preços – e sim saberse o produto real está também crescendo ou não.
  10. 10. 10 Como o valor do produto nominal de um determinado anoembute variações no nível médio de preços e também eventuaisvariações no quantum físico produzido, para que possamos saber ovalor do produto real daquele ano e podermos verificar se estevalor é ou não maior do que o do ano anterior, é necessário quesejam anuladas ou isoladas as variações no produto provocadaspor variações nos preços. Se fizermos isso, qualquer variação paramais ou para menos no valor do produto será explicada porvariações nas quantidade produzidas. Este processo não é muitocomplicado. Ao contrário, é até muito simples, conformemostraremos a seguir. Considere, primeiramente, os dados constantes da Tabela 2,abaixo: Tabela 2 (1) (2) (3) (4) (5) Anos Produto Deflator Produto real Taxa de nominal implícito do crescimento (R$ mil) Produto (base: 2001) real (%) 1999 275.000 132,0 369.583 -- 2000 343.750 158,4 384.982 4,2 2001 395.312 177,4 395.312 ? 2002 420.080 191,6 388.946 ? 2003 454.430 202,5 398.103 ? A título de exercício, suponha que, para os anoscompreendidos entre 1999 e 2003, o produto nominal registrou osvalores que aparecem na Coluna 2. Como se pode ver, os valoresnominais do produto cresceram muito de um ano para o outro – oque certamente pode ser explicado por aumentos de preços etambém por aumentos na quantidade física de bens e serviçosproduzidos. Temos, então, de isolar ou eliminar as variações doproduto nominal causadas por aumentos de preços – o chamado“efeito-preço”. Depois que fizermos isso, as eventuais diferençasentre os valores do produto de um ano para o outro serão
  11. 11. 11creditadas exclusivamente a variações no quantum físicoproduzido – isto é, no produto real. Para eliminarmos o efeito-preço, é preciso que adotemos umíndice de preços qualquer. No caso do produto interno ou nacional,geralmente é utilizado o chamado deflator implícito do produto(DIP) – que é calculado tomando por base as variações de preçosdos produtos agrícolas, dos produtos industriais e dos serviços(setores que formam o PIB), ponderados pelo tamanho de cadasetor. Por hipótese, imaginamos que o índice médio anual do DIPque, num determinado ano-base, digamos 1995, era 100,0, com oaumento dos preços registrou, de 1999 a 2003, os valoresconstantes da Coluna 3, da Tabela 2. A diferença percentual doíndice de um ano para o outro seria, grosso modo, a taxa deinflação do ano, medida por este DIP. Vamos, então, calcular agora o valor do produto real paracada ano daquela série. Para tanto, já temos duas variáveisimportantes: os valores do produto nominal e o índice de preços.Para encontrarmos o valor do produto real usamos a seguintetécnica: 1° - escolhemos um determinado ano da série para servircomo referência ou, como se diz em economia, como ano-base.Esta escolha é aleatória, podendo ser qualquer ano. No exemploacima, tomamos como ano-base o ano de 2001; 2° - uma vez escolhido o ano-base, o próximo passo émultiplicar o valor do produto nominal de cada ano pelo índice depreço do ano-base (no caso presente, por 117,4) e dividir oresultado encontrado pelo índice de preço do respectivo ano. Paraum melhor entendimento, vamos achar o valor do produto real doano 2000: 1° passo: multiplicamos o valor do produto nominal desteano – 343.750 – por 177,4, encontrando 60.981.250; 2º passo: dividimos o valor encontrado acima pelo índice depreço do ano 2000, ou:
  12. 12. 12 60.981.250 : 158,4 = 384.982 >> que é o valor do produtoreal do ano 2000, quando medido aos preços vigentes no ano2001. Procedendo assim para todos os demais anos da série,encontramos os valores constantes da Coluna 4. Pelo que se podeverificar, agora os valores dos produtos são mais próximos um dooutro, já não havendo as discrepâncias observadas nos valores doproduto nominal da Coluna 2 – discrepâncias estas decorrentesdas variações de preço de um ano para outro. Como, agora, todos os produtos estão medidos aos preçosvigentes em 2001 (ano escolhido para ser o ano-base), qualquerdiferença entre eles é real. Para calcularmos a taxa de crescimentoreal de um ano para o outro, basta dividir o valor do produto realdo ano t+1 pelo valor produto real do ano t; em seguida,subtraímos uma unidade do quociente encontrado e multiplicamoso resultado por 100. Vamos calcular, por exemplo, a taxa de crescimento real em2000: 384.982 : 369.583 = 1,0417 1,0417 – 1,0 = 0,0417 0,0417 x 100 = 4,17% ou 4,2%. Deixamos para você o cálculo da taxa de crescimento realpara os demais anos1.4.6. As Contas Nacionais do Brasil As Contas Nacionais do Brasil sempre foram calculadas pelaFundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), mas a partirde 1986, esta tarefa passou a ser da responsabilidade do InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Sistema de Contas Nacionais no Brasil adotado pelo IBGE,segue grosso modo o sistema criado por Richard Stone que é,também, o sistema adotado e recomendado pelas Nações Unidas1 Você acertou se encontrou os seguintes resultados: 2,7% para 2001; -1,6% para 2002 e 2,4% para 2003.
  13. 13. 13para seus países-membros – sistema este que se baseia emquatro contas, a saber: i. Conta 1 – Produto Interno Bruto (ou Conta da Produção); ii. Conta 2 – Renda Nacional Disponível Bruta (ou Conta da Apropriação); iii. Conta 3 – Conta de Capital; iv. Conta 4 – Conta Transações Correntes com o Resto do Mundo. Existe, ainda, uma Conta 5 – que corresponde à Conta doGoverno – mas que é apresentada à parte, denominada ContaCorrente das Administrações Públicas – e cujos lançamentosnão têm contrapartida com as demais contas do Sistema deContas Nacionais. Os lançamentos dos valores dessas contas seguem ospreceitos contábeis das partidas dobradas que obedecem a doisprincípios: i) em cada conta, o total de débitos deve ser igual ao total de créditos; ii) a todo crédito lançado em um conta corresponde um débito lançado em outra conta e vice-versa. Com essas considerações, apresentamos, a seguir, ummodelo das Contas Nacionais utilizado no Brasil, tendo comoreferência as quatro Contas mencionadas acima, além da Conta doGoverno, seguido de um comentário sucinto sobre cada Conta. (Observação: Estas contas são mostradas aqui mais para você ter uma visão decomo são apresentadas as Contas Nacionais do Brasil, do que por qualquer outra razão.Você não deve se preocupar muito em entender essas contas, exceto, talvez, no tocante àConta de Capital (formação bruta de capital fixo X poupança) que, recorrentemente temsido objeto de questões nas provas de concursos públicos de Macroceconomia).
  14. 14. 14 Conta 1 – Conta Produto Interno Bruto Débito Crédito1.1.Produto Interno Bruto, a custo de 1.4. Consumo Final das Famílias (2.1) fatores (2.4) 1.5. Consumo Final das Administrações 1.1.1.Remuneração dos empregados Públicas (2.2) (2.4.1) 1.6.Formação Bruta de Capital Fixo (3.1) 1.1.1. Excedente operacional bruto 1.7. Variação de estoques (3.2) (2.4.2) 1.8. Exportações de Bens e Serviços 1.2. Tributos Indiretos (2.7) não-fatores (4.1) 1.3. (-) Subsídios (2.8) 1.9. (-) Importações de Bens e Serviços não-fatores (4.5)Produto Interno Bruto (PIB) Dispêndio Correspondente ao PIB Comentários: Como se pode ver, a Conta do Produto InternoBruto apresenta, do lado do débito, o pagamento das empresas aosfatores de produção, valendo observar que o excedente operacionalbruto corresponde a todas as rendas pagas na economia, excluídos ossalários e ordenados pagos aos empregados. Ainda do lado do débitosão somados os impostos indiretos (IPI/ICMS/ISS) e retirados ossubsídios. O resultado final corresponde, assim, ao produto internobruto a preços de mercado. Do lado do crédito, o que as empresas receberam dos agentes queadquiriram os bens e serviços finais que elas produziram, perfazendo ochamado “dispêndio correspondente ao PIB” – que, em termoseconômicos, equivale à despesa interna bruta, a preços de mercado. Conta 2 – Renda Nacional Disponível Bruta Débito Crédito2.1. Consumo final das famílias (1.4) 2.4. Produto Interno Bruto a custo de fa-2.2. Consumo final das adm.públicas (1.5) tores (1.1)2.3. Poupança bruta (3.3) 2.4.1.Remuneração dos empregados (1.1.1) 2.4.2. Excedente operacional bruto (1.1.2) 2.5. Remuneração de empregados, líquida, recebida do Resto do Mundo(4.2-4.6) 2.6.Outros rendimentos, líquidos, recebi- dos Resto do Mundo (4.3-4.7) 2.7. Tributos indiretos (1.2) 2.8. (-) Subsídios (1.3) 2.9. Transferências unilaterais, líquidas, recebidas do Resto do Mundo(4.4-4.8) Utilização da Renda Nacional Apropriação da Renda Nacional Disponível Bruta Disponível Bruta
  15. 15. 15Comentários: A conta acima descreve, do lado do débito, como asfamílias e o governo utilizam a renda recebida – destinando parte aoconsumo e parte à poupança; já do lado do crédito, aparecem as rendasrecebidas pelas famílias e pelo governo (impostos líquidos dos subsídios)mais o resultado líquido dos recebimentos e transferências do e para oexterior. Conta 3 – Conta de Capital Débito Crédito3.1. Formação bruta de capital fixo (1.6) 3.3. Poupança bruta (2.3) 3.1.1 Construção 3.4. Menos: Saldo em transações corren- 3.1.1.1 Administrações públicas tes com o Resto do Mundo (4.9) 3.1.1.2 Empresas e famílias 3.1.2 Máquinas e equipamentos 3.1.2.1 Administrações Públicas 3.1.2.2 Empresas e famílias 3.1.3 Outros3.2. Variação dos estoques (1.7) Acumulação Bruta Interna Financiamento da Acumulação Bruta InternaComentários: Na Conta de Capital, são lançados do lado do débito asaplicações da economia na formação bruta de capital fixo (investimentosbrutos) e nas variações de estoques (contabilmente considerados comoinvestimentos para as empresas); já do lado do crédito, são lançadas asfontes de financiamento daquelas aplicações, constituídas da poupançabruta da economia (valendo notar que esta é composta pela poupançabruta do setor privado - que é igual à poupança líquida do setor privadomais a depreciação - mais a poupança do Governo em conta corrente),mais a poupança externa – representada esta última pelo saldo emconta corrente do balanço de pagamentos.
  16. 16. 16Conta 4 – Transações Correntes com o Resto do Mundo Débito Crédito4.1. Exportações de bens e serviços (1.8) 4.5. Importações de bens e serviços (1.9)4.2. Remuneração dos Empregados rece- 4.6. Remuneração dos empregados paga bida do Resto do Mundo (2.5 + 4.6) ao Resto do Mundo (4.2 – 2.5)4.3. Outros rendimentos recebidos do 4.7. Outros rendimentos pagos ao Resto Resto do Mundo (2.6 + 4.7) do Mundo (4.3 – 2.6)4.4. Transferências unilaterais recebidas 4.8. Transferências Unilaterais pagas ao do Resto do Mundo (2.9 + 4.8) Resto do Mundo (4.4 – 2.9) 4.9. Saldo das transações correntes com o Resto do Mundo (3.4) Recebimentos Correntes Utilização dos recebimentos correntesComentários: Nessa conta, são registrados, do lado do débito, osgastos dos não-residentes (estrangeiros) com a aquisição dos bens eserviços produzidos internamente (exportações de bens e serviços),além dos rendimentos e transferências (rendas e donativos) recebidosdo Resto do Mundo. Do lado do crédito, são lançados os pagamentospelos bens e serviços importados pelo país, mais as rendas etransferências (doações) enviadas para o Resto do Mundo, aparecendo,ainda, deste lado, o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente.A conta corrente das Administrações PúblicasComentário: A Conta Corrente das Administrações Públicas éapresentada em separado, complementando as quatro contasanteriores, e nela são mostradas as transações correntes do governo. Do lado do débito, são lançados os itens de despesa do governo –traduzidas no consumo final (que é composto dos gastos correntes compessoal e na compra de bens e serviços), além do subsídios concedidospelo governo ao setor produtivo e aos consumidores, mais astransferências (sendo essas constituídas das pensões e aposentadoriaspagas pelo INSS) e o pagamento de juros da dívida interna pública que,tecnicamente são também considerados como transferências do governoao setor privado. Note-se que nesta conta não aparecem as despesas decapital do governo que, na realidade são incluídas no item “formaçãobruta de capital fixo”, na Conta Produto Interno Bruto. Do lado do crédito, aparecem as receitas correntes do governo, aíincluídos os impostos indiretos e diretos e outras receitas correntes –valendo lembrar que as contribuições previdenciárias estão incluídasnessas últimas.
  17. 17. 17 Conta Corrente das Administrações Públicas Débito CréditoConsumo final das Administrações Públicas Tributos indiretos .Salários e encargos Tributos diretos .outras compras de bens e serviços Outras receitas correntes líquidasSubsídiosTransferência de Assistência e PrevidênciaJuros da Dívida Pública InternaPoupança em Conta CorrenteTotal da utilização da receita corrente Total da receita corrente4.7. O investimento bruto total e a poupança da economia Um tópico que, recorrentemente, tem aparecido nas provasde Macroeconomia é a questão do investimento bruto2 versus aformação da poupança necessária para ao seu financiamento. O investimento total bruto da economia – quecorresponde aos gastos totais da economia com bens de capital(máquinas, equipamentos, edificações, construções deinfraestrutura) assim se decompõe: i) Investimento bruto – que é constituído pelos investimentos do governo e do setor privado; e, ii) Variação de estoques.Investimento bruto X investimento líquido O termo investimento bruto corresponde, em Economia, àscompras de bens de capital novos pelas empresas e pelo governo,com o objetivo de ampliar ou melhorar a sua capacidadeprodutiva.2 Na Contabilidade nacional, o investimento bruto é chamado de “formação bruta de capital fixo”. Paraefeitos didáticos, continuaremos usando neste texto o termo “investimento bruto” – que é o mais comumenteusado nos textos de macroeconomia.
  18. 18. 18 Ocorre, no entanto, que uma parte dos bens de capital emuso na economia sofre desgaste físico no processo produtivo – oque representa uma perda ou decréscimo no valor do estoque decapital. A esse fenômeno se dá o nome de depreciação. Se retirarmos do investimento bruto o valor da depreciação,encontraremos o chamado investimento líquido – que representa oacréscimo líquido ocorrido no estoque de capital da economia noperíodo considerado.Ou seja, Investimento bruto menos depreciação = investimento líquido Um exemplo: Suponha que a economia disponha de 20máquinas no início do ano, sendo este, portanto, o seu estoque decapital naquele momento. Se, ao longo do ano, são produzidas ecompradas cinco máquinas novas, mas duas das máquinasexistentes no início do ano, de tanto serem usadas, se tornamimprestáveis para a produção e têm de ser substituídas por duasdas máquinas novas, teremos a seguinte situação: O investimento bruto da economia foi de 5 máquinas novas,mas o investimento líquido foi de apenas 3 novas máquinas – quecorresponde ao acréscimo de fato ocorrido no estoque de capital.A variação de estoques X o investimento Quando a produção não é totalmente vendida no ano,ocorrem as chamadas variações positivas de estoques naeconomia. Esses bens que não foram vendidos, estarãocertamente disponíveis para vendas no futuro mais ou menosbreve. Mas, até que isso aconteça, essas variações de estoquesconstituem um aumento no patrimônio das empresas e, como tal,são consideradas como investimento da economia. Somando-se esta variação de estoques aos investimentosbrutos, tem-se o chamado investimento total.
  19. 19. 19A poupança da economia E de onde vêem os recursos para financiar o investimento daeconomia? A resposta é muito simples: da poupança. Numa economia aberta e com governo, a poupança daeconomia vem de quatro fontes principais: i) poupança líquida do setor privado – que se compõe da poupança das famílias – que corresponde à parte da sua renda que elas não gastam e que geralmente é aplicada no mercado financeiro – e da poupança das empresas – que resulta dos lucros não-distribuídos; ii) depreciação3; iii) poupança do governo em conta corrente (Sg); iv) poupança externa (Se) – que corresponde à diferença entre os recebimentos e os pagamentos efetuados pelo Resto do Mundo relativos às transações correntes4 A soma da poupança líquida do setor privado com adepreciação é denominada de poupança bruta do setor privado(Sp). Por outro lado, a soma da poupança bruta do setor privadocom a poupança do governo em conta corrente é denominada depoupança interna bruta ou simplesmente poupança interna.A identidade entre a poupança e o investimento As definições contidas no item anterior podem,contabilmente, ser resumidas no seguinte quadro – quepoderíamos chamar de Conta Consolidada de Capital:3 Lembre-se que as empresas registram a depreciação, em sua contabilidade, como uma despesa, mas naverdade isso não representa nenhum desembolso monetário para a empresa – resultando, assim, em últimaanálise, como mais um recurso à disposição da empresa para o financiamento de seus investimentos.4 Observe-se que uma “poupança externa positiva” equivale, na verdade, a um déficit no Balanço dePagamentos em Conta Corrente do país. Ou seja, o país estará, nesta hipótese, recebendo poupança exaternapara financiar seus gastos a maiores.
  20. 20. 20 Gastos de investimento PoupançaInvestimento bruto / setor privado(Ip) Poupança bruta do setor privado (Sp)1Investimento do governo (Ig) Poupança do governo em c.corr. (Sg)Variação de estoques (∆est) Poupança externa (Se) Investimento total bruto Poupança total1 Lembre-se que a poupança bruta do setor privado é igual à soma da poupançalíquida + a depreciação.Logo, Ip + Ig + ∆est. = Sp + Sg + Se (1)Para simplificar, podemos incluir a variação de estoques no item“investimento privado” (Ip), assim: Ip + Ig = Sp + Sg + Se (2) Déficit público Uma observação importante que deve ser feita é que apoupança do governo em conta corrente, registrada nas contasnacionais, é o resultado apenas da receita corrente do governomenos os seus gastos correntes (gastos de custeio, subsídios,transferências e pagamento de juros), não se computando osgastos com bens de capital, isto é, os gastos de investimento dogoverno. Para se apurar o déficit do governo – ou melhor, o déficitpúblico (DP) - é necessário acrescentar as despesas deinvestimento do governo àqueles gastos correntes, deduzindo ototal encontrado da receita corrente do governo. Ou, dito de outraforma: DP = Ig – Sg (3) E substituindo a equação (3) na equação (2) e mudando asvariáveis de lado, pode-se ter: Ig – Sg = Sp + Se – IpOu, DP = (Sp – Ip) + Se (4).
  21. 21. 21 Pela equação (4), pode-se perceber que, pela ótica daContabilidade Nacional, o déficit público é financiado pelo excessoda poupança bruta sobre o investimento privado e pela poupançaexterna, isto é, pela poupança do Resto do Mundo – que, como jáfoi dito, corresponde ao déficit do país no balanço de transaçõescorrentes.4.8. Carga Tributária Um tema que tem sido objeto de discussões permanentes nasociedade é a questão do alto nível de impostos cobrados pelogoverno, isto é, a carga tributária. Alguns afirmam que a cargatributária no Brasil é por demais elevada; outros afirmamexatamente o contrário. Obviamente, quando se diz que a carga tributária é elevada oué baixa, deve-se ter em mente algum padrão de comparação. Nocaso, a comparação é com outros países. Mas, para que estacomparação seja feita, é necessário que todos os países usem omesmo critério de cálculo, do contrário estaremos comparandolaranjas com abacaxis. Assim, o que se tem feito é seguir osmodelos aceitos pelas Nações Unidas no tocante aos critérios demedição das contas nacionais.Com relação à carga tributária, há dois conceitos: o de cargatributária bruta (CTB) e o de carga tributária líquida (CTL). Para ocálculo desses dois conceitos, usam-se as seguintes fórmulas: CTB = Total de impostos PIBpm CTL = Total de impostos – transferências – subsídios PIBpm Vale lembrar que no total dos impostos devem ser incluídos osimpostos diretos e indiretos bem como as contribuiçõesprevidenciárias. No Brasil, de acordo com as estatísticas oficiais, a cargatributária (bruta e líquida) cresceu sistematicamente nas últimas
  22. 22. 22três décadas, acentuando-se este crescimento mais ainda a partirdo governo Fernando Henrique. As estatísticas indicam que, aofinal de 2004, a carga tributária bruta atingiu algo como 38% doPIB – a mais alta entre todos os países em desenvolvimento e umadas maiores do mundo, equiparando-se à de países altamentedesenvolvidos, como a Suécia e Noruega – países onde o retornoque a sociedade recebe do setor público – sob a forma deeducação, saúde, lazer, transporte coletivo – é reconhecidamenteelevado, nada comparado com o que ocorre em países como oBrasil onde serviço prestado pelo Governo à população está longede ser satisfatório.______________________ EXERCÍCIOS DE REVISÃO: I) Exercícios resolvidos:- Com base nos seguintes dados hipotéticos das contas nacionais, responda às questões de 1a 10:salários pagos pelas empresas privadas: 300salários pagos pelo governo: 110depreciação dos equipamentos 40juros: 100lucros totais: 400aluguéis: 150renda líquida enviada ao exterior: 50impostos diretos: 90impostos indiretos: 200subsídios: 50contribuições previdenciárias: 70lucros retidos: 150compras de bens e serviços pelo governo: 90formação bruta de capital fixo (FBKF): 120exportações: 180importações: 130gastos de consumo privado: 800transferências governamentais: 110transferências empresariais: 30
  23. 23. 231. Os gastos de consumo do governo e sua poupança são, respectivamente: a) 90 e 10; b) 110 e 90; c) 200 e 10; d) 200 e 0; e) 10 e 5. Solução: (A solução dos exercícios de 1 a 5 pode ser encontrada no Quadro I, do texto): -Os gastos de consumo do governo são constituídos das despesas com pessoal mais as compras de bens ou serviços, ou seja: 110 + 90 = 200 -Já a poupança do governo é obtida, deduzindo-se da arrecadação total (que é igual à soma dos impostos diretos + indiretos + contribuições previdenciárias + outras receitas correntes, se houver) menos as despesas correntes ( = gastos de consumo + transferências + subsídios), ou seja: Total de impostos: 90 + 200 + 70 = 360 Despesas correntes: 200 + 110 + 50 = 360 Logo, 360 – 360 = 0 >> ou seja, a poupança é zero. A resposta, portanto, é a letra d.2. O produto nacional bruto a preços de mercado é igual a: a) 1.200; b) 1.300; c) 1.100; d) 1.400; e) 1.500. Solução: No cálculo do PNBpm entram os impostos indiretos menos os subsídios (porque é a preços de mercado), + depreciação (porque é produto bruto) e menos a renda líquida enviada ao exterior (porque é nacional). Logo: PNBpm = PILcf + depreciação + impostos indiretos – subsídios + renda recebida do exterior – renda enviada ao exterior. O PILcf = S + A + J + L = 410 + 150 + 400 + 100 = 1.060 PNBpm = 1060 + 40 + 200 – 50 – 50 = 1.200. A resposta, portanto, é a letra a.3. A renda nacional líquida: a) 1.000; b) 1.010; c) 1.020; d) 1.030; e) 1.040. Solução: A resposta correta é a letra b. Deixamos para você a solução desta questão. Para tanto, consulte o Quadro I, do texto.4. A renda pessoal disponível (RPD) é: a) 810; b) 850; c) 910; d) 950; e) 840. Solução: Pelo Quadro I, a RPD é assim encontrada: Partindo da renda nacional líquida (encontrada na questão 3, anterior), devem ser deduzidos: - os lucros retidos (LR); - contribuições previdenciárias (CP); - os impostos indiretos(imp.ind.); e somadas: as transferências governamentais (TG) e as transferências empresariais(TE), se houver. Assim: RPD = RNL – LR – CP – Imp. Dir. + TG + TE
  24. 24. 24 RPD = 1.010 – 150 - 70 – 90 + 110 + 30 RPD = 840 e, portanto, a resposta correta é a letra e.5. A despesa nacional, exclusive variação de estoques, é: a) 940; b) 860; c) 1.100; d) 1.040; e) 1.250.Solução: A resposta correta é a letra c. Deixamos para você a solução desta questão,lembrando que se trata de despesa nacional, e, portanto, você deve incluir no cálculo arenda líquida enviada ao exterior.Observação: as respostas das questões de 6 a 11 encontram-se ao final desta série. Antesde resolver estas questões, releia a parte do texto sobre Produto Nominal e Produto Real.6. O conceito de PIB real per capita consiste: a) no volume total de mercadorias e serviços finais por habitante, avaliado a partir do produto a preços constantes; b) na medida do desenvolvimento econômico e social de uma sociedade; c) no indicador da evolução de preços da economia; d) os itens b e c estão corretos; e) nenhuma das alternativas anteriores.7. Assinale a única afirmativa incorreta. a) Os preços se alteram e, por isso, as alterações no valor do PIB não indicam de modo preciso as modificações da produção física ou do produto real. b) Produto real é o produto medido com os preços mantidos constantes, como se estes não tivessem se alterado de um ano para outro. c) As alterações do produto real dão uma boa indicação da variação da produção física entre dois períodos. d) As variações do produto real são o resultado da variação física e dos preços do produto. e) O produto nominal incorpora as variações físicas e de preços do produto.8. No ano-base que tipo de relacionamento existe entre o PIB a preços correntes e o PIB a preços constantes: a) o PIB a preços constantes > o PIB a preços correntes; b) o PIB a preços constantes = o PIB a preços correntes; c) o PIB a preços constantes < o PIB a preços correntes; d) os dois PIBs não são relacionados; e) os dois PIBs sempre terão valores distintos.9. A diferença entre o PIB e o PNB é expressa: a) pela diferença entre as exportações e importações de mercadorias; b) pela renda líquida enviada (ou recebida) do exterior; c) pela diferença entre as exportações e importações de mercadorias e serviços; d) pelo valor da depreciação;
  25. 25. 25 e) pela diferença entre impostos indiretos e subsídios.10. Assinale a opção correta. a) As transferências líquidas de renda ao exterior equivalem à diferença entre rendas de fatores produtivos pagos ao exterior e rendas de fatores recebidas do exterior. b) Em uma economia aberta, as exportações representam uma proporção constante do PIB. c) Em geral, nas economias desenvolvidas, o PNB é menor que o PIB. d) A renda líquida enviada ou recebida do exterior corresponde, em valor, à diferença entre o total das exportações e o total das importações. e) Todas as afirmativas estão erradas.11. Se uma empresa compra uma mercadoria por CR$ 2.000,00 e apenas a revende, semqualquer transformação física, por CR$ 2.500,00, então o valor agregado ou adicionadopela empresa é igual a: a) zero; b) 2.500; c) 500; d) 4.500; e) 2.000.Gabarito das questões de 6 a 11:6. a; 7. d; 8. b; 9. b; 10. b; 11. a Até a semana que vem, com a nossa 5ª aula – queversará sobre o Balanço de Pagamentos e Taxa deCâmbio. Um abraço para você, e até lá!
  26. 26. 26

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