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Economia – a equação da curva de phillips e a tese aceleracionista

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  1. 1. 14. A equação da Curva de Phillips e a tese aceleracionista Vejamos o que, de fato, está por trás do argumento dessescríticos: Já sabemos que os preços se alteram em decorrência dedeslocamentos das curvas de demanda e de oferta agregadas. Nocaso da curva de demanda agregada, seus deslocamentos sãofruto de medidas de política econômica – expansão dos gastos dogoverno, redução de impostos e expansões da oferta monetária. Quanto à curva de oferta agregada, seus deslocamentosgeralmente decorrem dos chamados “choques de oferta”,traduzindo estes em aumentos de custos de produção, tais comoos choques do petróleo dos anos 70, as quebras agrícolas,aumentos de “margens de lucro” (mark-up), aumentos dos preçosdas matérias-primas e, notadamente, aumentos de salários acimada taxa de aumento da produtividade. Vamos tomar os aumentosde salários como a principal causa do deslocamento da curva deoferta agregada (OA) - no caso para a esquerda1. Esse deslocamento da curva (OA) para a esquerda significaque, com um aumento de salários, os mesmos níveis de produçãosó serão oferecidos a um preço mais alto, ou seja, a um preçoque compense o aumento do custo em que se incorre para cadanível de produção. Este deslocamento da curva de oferta agregadapara cima e para a esquerda está ilustrado na Figura 3, a seguir:1 Atente-se que pode ocorrer, também, choques de oferta positivos, de redução de custos – o quedeslocaria a curva de oferta para a direita.
  2. 2. 2 P OA1 P1 OA0 P0 DA Y1 Y0 Y Figura 3 Vamos, agora, estabelecer um padrão de comportamentopara a evolução dos salários ao longo do tempo. Por hipótese,podemos imaginar uma situação em que os salários do período tsão negociados no período t-1 e esta negociação estácondicionada a duas variáveis: o nível do desemprego e a taxaesperada de inflação para o tempo t, já que os assalariados têmduas preocupações básicas: a manutenção do emprego e a defesado poder de compra dos seus salários. Neste contexto, quanto maior for a taxa de desemprego noperíodo t-1, menor será o reajuste dos salários no período t; equanto maior a expectativa de aumento de preço entre t-1 e t,maior deve ser o reajuste de salários em t. Matematicamente, estaconclusão pode ser facilmente representada pela seguinteequação: Л = Лe -ß(µ - µn) (2) e onde, Л é a taxa de inflação esperada. Pela equação (2), a taxa de inflação em dado período dependede quanto os agentes econômicos esperam de inflação e do nívelda atividade econômica. Em outras palavras, pode ocorrer inflaçãosimplesmente porque os agentes acreditam que haverá inflação.
  3. 3. 3 Mas, como os indivíduos formam suas expectativas? Existemduas correntes explicativas: as chamadas expectativas adaptadase as expectativas racionais. De acordo com a versão das expectativas adaptadas ouadaptativas, a inflação esperada para o período t é o resultadode uma média ponderada da inflação observada nos últimos anos. Já a corrente das expectativas racionais considera que osagentes econômicos não olham o passado, mas as informaçõesdisponíveis no presente. Para formar suas expectativas sobre ainflação futura, o indivíduo não incorre em erros sistemáticos, eaprende com os erros passados, incorporando essa informação àssuas expectativas. Feitas estas considerações, voltemos às críticas eargumentos do Professor Friedman:5. A Curva de Phillips de longo prazo Friedman argumenta que a curva de Phillips que nósobservamos é uma curva traçada historicamente quando osindivíduos nunca sabiam que taxa de inflação esperar. Apossibilidade de escolha entre inflação e desemprego só existiriano curto prazo e na medida em que exista um ajustamentodefasado dos salários em relação aos preços. Porém, quando ostrabalhadores começam a perceber e a esperar uma elevação depreços, eles passam a lutar por reajustes salariais em montanteequivalente à taxa esperada de inflação. A visão de Friedman, como se pode deduzir facilmente, éinteiramente dentro da análise da escola clássica que afirma que omercado de trabalho funciona em termos de salários reais – tantodo lado da demanda por trabalho (da parte das empresas), comoda parte da oferta de trabalho (da parte dos trabalhadores). Seguindo esse raciocínio, qualquer tentativa governamental dereduzir o nível de desemprego através de ativação da demandaagregada que conduza a mais inflação resultará fatalmente numainflação em permanente aceleração, pois uma vez que se criamexpectativas inflacionárias no sistema econômico, os trabalhadoresexigirão novos reajustes salariais, retornando o salário real aos
  4. 4. 4níveis anteriores e, portanto, não propiciando o aumento do nívelde emprego. O desenvolvimento deste processo de ajustamento desloca aCurva de Phillips para a direita anulando o trade-off supostamenteexistente no curto prazo. A repetição deste processo por algumperíodo de tempo vai mostrar que a Curva de Phillips de longoprazo é vertical. Negando a possibilidade (no longo prazo) do trade-off implícitona Curva de Phillips tradicional, este modelo de expectativasinflacionárias afirma que é impossível conduzir a atividadeeconômica a níveis mais altos de emprego do que a assimchamada taxa natural de desemprego sem gerar uma inflaçãoem aceleração. Esta taxa é determinada no ponto em que a curvade Phillips é vertical. Analiticamente, a taxa natural de desemprego é aquela taxade desemprego que poderia ser chamada de nível de desempregode equilíbrio a longo prazo quando a economia se desenvolvenormalmente ao longo de seu curso de expansão de longo prazo.Esta taxa – como já foi visto - é composta pelo desempregofriccional - existente em qualquer momento na economia, - e pelodesemprego estrutural, concorrendo para estes tipos dedesemprego as condições estruturais do mercado de trabalho e deprodutos. O desenvolvimento do processo que conduz, no longo prazo, auma curva de Phillips vertical pode ser assim descrito: Dada a “taxa natural” de desemprego, aparentemente só épossível reduzir o desemprego de fato temporariamente, compolíticas expansionistas que elevam a demanda agregada – o queprovoca uma elevação dos preços e conseqüentemente reduçãodos salários reais. Este aumento na demanda por produtos e aqueda do salário real levam as firmas a demandarem mais mão-de-obra, reduzindo-se temporariamente o desemprego para umnível menor que a “taxa natural”. Do lado dos trabalhadores, no entanto, sua oferta de trabalhoserá afetada não só pela maior demanda das firmas, mas,principalmente, pela elevação dos preços, levando-os a exigiremaumentos salariais compensatórios.
  5. 5. 5 % Curva de Phillips P de longo prazo P2 P1 µ1 µn µ% Figura 4 O aumento obtido dos salários nominais faz com que ossalários reais retornem a seus níveis anteriores, provocandoconseqüentemente um retorno do desemprego ao nível da “taxanatural”, porém, agora, com uma inflação mais alta. Novastentativas de redução do desemprego através do mesmomecanismo já descrito provocará contínuas elevações de preços,deslocando a curva de Phillips de curto prazo para a direita,sucessivamente, conforme ilustrado na Figura 4.6. Conclusões De tudo o que foi dito, tira-se uma única conclusão: o preçode se reduzir o nível de desemprego abaixo da “taxa natural” éuma inflação em permanente aceleração, dado que, a cada“rodada”, os trabalhadores, na expectativa de mais e maisinflação, revisarão para cima suas exigências salariais,prosseguindo-se o processo indefinidamente. A rigor, concluiriam os defensores da tese aceleracionista, aescolha não é entre inflação e desemprego, mas entre desemprego
  6. 6. 6abaixo da “taxa natural” e uma inflação em permanenteaceleração. A conclusão que se tira da análise da Figura 4 é que acurva de Phillips de longo prazo é vertical, não existindo osuposto “trade-off” entre taxas de inflação e desemprego. A título de conclusão, no entanto, vale registrar que ainda háos que defendem a tese espelhada na curva de Phillips. Para esseseconomistas, políticas de demanda expansionistas, que elevam ospreços e reduzem o desemprego no curto prazo, acabam por terefeito positivo no longo prazo na medida em que os indivíduos queobtêm emprego se tornam mais qualificados, provocando umaredução do nível de desemprego estrutural e, portanto, deslocandoa curva de Phillips para a esquerda. * * * Com isso, encerramos nossa Aula 2 de Economia II. Nesta Aula nósabordamos a questão da inflação e do desemprego, cujo modelo maisexpressivo é a Curva de Phillips. Nossa próxima Aula – a de n° 3 – versará sobre a EconomiaIntertemporal.Até lá, então! _____________________

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