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Leitura e produção de texto gêneros textuais

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    Leitura e produção de texto   gêneros textuais Leitura e produção de texto gêneros textuais Document Transcript

    • PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU“LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS – GÊNEROS TEXTUAIS” GUIA DE ESTUDO – 03 MÓDULO - I Autora: Pâmela Alves Pereira Coordenação Pedagógica Instituto Prominas Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx31) 3865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira) Impressão e Editoração
    • 2SUMÁRIOUNIDADE 1: INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 3UNIDADE 2: LEITURA ....................................................................................................................................... 5UNIDADE 3: PRODUÇÃO DE TEXTO ........................................................................................................... 13UNIDADE 4: GÊNEROS TEXTUAIS .............................................................................................................. 26UNIDADE 5: CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................................... 48REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 50 Impressão e Editoração Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 3 UNIDADE 1: INTRODUÇÃO A linguagem humana pode ser concebida como a representação do mundo edo pensamento, concretizada em um código através do qual os homens recebem einterpretam mensagens que refletem seus pensamentos e seus conhecimentos demundo. Trata-se, ainda, de uma atividade que pressupõe interação, diálogo, umavez que, através da linguagem, os indivíduos produzem textos (orais ou escritos),cujo sentido se faz a partir da interação falante/ouvinte, escritor/leitor. Na prática da leitura e produção de texto, é importante considerar alinguagem como ação social. “O nosso pensamento se origina e se forma noprocesso de interação e luta com pensamentos alheios, o qual não pode deixar derefletir-se na forma de expressão verbal do nosso.” (Bakhtin, 1992). Assim sendo,ler e elaborar textos são atividades interativas, através das quais se produz sentido apartir de conhecimentos de naturezas diversas compartilhados entre aqueles queparticipam do processo de interação. Quando se interage através da linguagem, sempre se tem um objetivo, umfim a ser atingido: há relações para se estabelecer, efeitos que se pretende causar,comportamentos para desencadear, ou seja, com o uso da linguagem existe semprea pretensão do enunciador de atuar, de alguma maneira, sobre aquele que recebe amensagem e, assim, obter dele determinadas reações (verbais ou não-verbais).Diante disso, os gêneros textuais tornam-se variados. Nas palavras de Bakhtin(1992): “Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão relacionadas com a utilização da língua. Não é de surpreender que o caráter e os modos dessa utilização sejam tão variados como as próprias esferas da atividade humana. (...) O enunciado reflete as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, não só por seu conteúdo temático e por seu estilo verbal, ou seja, pela seleção operada nos recursos da língua – recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais – mas também, e sobretudo, por sua construção composicional.” Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 4 Nesse sentido, o objetivo deste material centra-se, nas práticas de leitura eprodução de textos, a uma breve exposição a respeito de gêneros textuais. Paraisso foi feito um resumo de teorias de leitura e de aspectos da produção textual como intuito de fornecer um melhor embasamento para a discussão sobre gêneros.Assim, organizou-se como se segue: O próximo capítulo apresenta uma breve descrição dos modelos teóricos deleitura, tendo em vista a classificação em relação à direção do fluxo da informaçãodurante o ato de ler. Considerando a leitura um processo cognitivo e social, busca-se apresentar, também, alguns fatores importantes que influenciam o uso dediferentes estratégias de leitura, entre eles o gênero textual. O capítulo 3 borda alguns aspectos da produção textual, tais como ascaracterísticas deste processo, em especial do texto escrito, tendo em vista seucaráter dialógico, isto é, a interação entre autor e leitor na produção de sentidodurante a atividade da escritura. Uma vez que se pretende, neste capítulo, ressaltara produção verbal escrita, busca-se, também, estabelecer brevemente as diferençasentre esta modalidade da língua e a modalidade falada. Objetiva-se, ainda,apresentar uma pequena orientação sobre como se alcançar um texto bem-formado,lançando mão da questão de coesão/coerência e das quatro metarregras propostaspor Charolles (2002). O quarto capítulo dedica-se a apresentar a concepção de gênerosdiscursivos, segundo Bakhtin (1992), tendo em vista a idéia de que a elaboração detexto é uma atividade sociocomunicativa, em que falante/escritor e ouvinte/leitorinteragem na produção de sentido. Considera-se, também, a idéia de que osgêneros diferenciam-se conforme a função que exercem em cada situaçãoespecífica. Devido às similaridades entre expressões, a saber: gêneros textuais,gêneros discursivos, ambientes discursivos, sentiu-se a necessidade de delimitar oconceito destes termos, bem como diferenciar tipologia e gênero textual. Por fim,pretende-se descrever, brevemente, cinco tipos de texto, ou modalidadesdiscursivas: narração, descrição, argumentação, exposição e injunção, uma vez quese trata dos mais comuns tipos textuais utilizados nas situações comunicativas. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 5 E o último capítulo é destinado às considerações finais a respeito de tudoque foi discutido. UNIDADE 2: LEITURA 2.1 - Modelos de leitura Os modelos de leitura, em termos gerais, podem ser classificados de acordocom a direção do fluxo da informação no ato da leitura: modelo de fluxo ascendente,descendente e ascendente/descendente simultaneamente. 2.1.1 - O modelo ascendente Neste modelo, o fluxo da informação parte do texto impresso para o leitor: oautor utiliza os dados apresentados no texto com o intuito de compreender o textoescrito. Trata-se, portanto, de um processo perceptivo e de decodificação. Comoexemplo, Kleiman (2004b) aponta o modelo de processamento serial de Gough e omodelo de processamento automático de LeBerge e Samuels. O leitor, segundo omodelo ascendente, analisa o input visual, gráfico, partindo das partes menores paraobter o significado todo. Kato (2003) apresenta as etapas do processo de leituraproposto por Gough:“a) Transformação do estímulo percebido em uma imagem visual (composta debarras, curvas e ângulos). É a identificação, a meu ver, da configuração geral dapalavra.b) Identificação letra por letra, da esquerda para a direita, e colocação dos tiposdentro de um ‘registro de caracteres’.c) Interpretação das letras com fonemas; para Gough, a interpretação chega apenasao nível abstrato do fonema, ficando a representação fonêmica ‘gravada em umafita’, à espera de que a ‘bibliotecária’ faça a busca textual. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 6d) Depósito dos itens lexicais na memória operacional, onde se dá a compreensão anível sentencial, através de um misterioso operador sintático-semântico chamado‘Merlin’.e) “Aplicação, por um ‘editor’, de regras fonológicas a essa sentença interpretada,resultando daí um enunciado fonético.” 2.1.2 - O modelo descendente Neste modelo, o foco é colocado na contribuição do leitor para o ato de ler: ainformação flui do leitor para o texto, e este serve como base para suscitar oconhecimento prévio. Trata-se de um processo em que o significado é criado nodecorrer da leitura quando o leitor aciona os conhecimentos lingüísticos eesquemáticos: o significado do texto parte do leitor. Os modelos teóricos decaracterística descendente são chamados modelos psicolingüísticos de leitura, emque esta é apresentada como um processo cognitivo. O modelo de testagem de hipóteses de Goodman é um modelopsicolingüístico em que a leitura é vista como um jogo de adivinhações e consisteem desvincular a recodificação obrigatória da língua escrita para a fala, salientando,portanto, a importância dos processos cognitivos na compreensão do texto.Segundo este modelo, o leitor precisa de certas habilidades para o processamentoda leitura:• “Scanning;• fixação ocular.• seleção de ‘pistas’ cruciais;• predição das ‘pistas’ (que opera junto com a seleção numa relação dedependência mútua);• formação de perceptos; Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 7• busca lexical e conceitual (‘a habilidade para buscar na memória pistasfonológicas bem como informações sintáticas e semânticas associadas às imagensperceptuais’);• conhecimento lingüístico e conhecimento prévio conceituais e empíricos;• testagem semântica das escolhas (‘a habilidade para confirmar oudesconfirmar as escolhas’);• retestagem grafo-fônica (‘a habilidade para retestar as escolhas, quando háuma desconfirmação anterior, reutilizando as imagens perceptuais não utilizandomais informações’);• regressão ocular (no caso de anomalia ou inconsistência no processamento)• e decodificação (após uma escolha bem sucedida, o leitor integra ainformação ao significado que está sendo construído)”. (Kleiman, 2004b) 2.1.3 - O modelo ascendente/descendente Este terceiro modelo diz respeito às propostas interacionistas para ofenômeno de compreensão escrita. Nesta visão, o ato de ler envolve tanto ainformação impressa (o texto) quanto a informação que o leitor traz consigo (oconhecimento prévio), portanto, o significado surge a partir da interação entre o leitore o autor, através do texto: ambos os tipos de processamento (ascendente edescendente) interrelacionam no processo de acesso ao sentido. Segundo as teorias interacionistas, a leitura realiza-se “quando um leitor, ao deparar com um enunciado escrito – em processamento ascendente -, ativa o seu pré-conhecimento, armazenado em esquemas (...). Estes esquemas, por sua vez, através de um processamento descendente, criam expectativas no leitor quanto ao possível significado a ser negociado com o escritor.” (Moita Lopes, 2002) Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 8 Nesse sentido, o significado do texto caracteriza-se por ser um resultado dosprocessos de interação entre o leitor e o autor através dos quais seus esquemas sãonegociados. (Kleiman, 2004a; 2004b). 2.2 - Leitura: processo cognitivo e social A leitura e compreensão de textos constituem um processo cognitivo, já queenvolvem atenção, percepção, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento,linguagem, e podem ser caracterizados, ainda, como um ato social, uma vez queexistem dois sujeitos, leitor e autor, que interagem entre si durante os atos de ler ecompreender. Existem divergências quanto à caracterização da leitura: segundo Kato(2003), não se pode falar em um único processo de leitura, mas sim de umamultiplicidade de estratégias empregadas pelo leitor conforme as condições que aele são dadas. Por outro lado, Kleiman (2004a) afirma que a atividade da leitura éum só processo com diferentes maneiras de realiza-se que variam conforme oscaminhos usados pelo leitor para alcançar o objetivo pretendido. No entanto, seja aleitura um processo único ou não, é certo que existem diferentes modos de ler umtexto que dependem de vários fatores, tais como a maturidade do leitor; acomplexidade textual; o conhecimento prévio; o gênero do texto e o objetivo daleitura entre outros. 2.2.1 - A maturidade do leitor Segundo González Fernández (1992), existem estratégias metacognitivas deleitura que auxiliam na resolução de problemas de compreensão, permitindo ao leitorcompreender um texto com maior eficácia através do planejamento, monitoração eregulação dos próprios processos cognitivos envolvidos no ato de ler. Com essasestratégias, o leitor é capaz de identificar os objetivos da leitura, aspectosimportantes do texto e, também, de verificar sua própria compreensão. O leitormaduro, conforme apresenta Kato (2003), é aquele que controla, planeja as Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 9estratégias de leitura para monitorar a compreensão do texto, tendo em vista seusobjetivos. Assim, considerando que o leitor maduro adquire as estratégias de leituracumulativamente, pode-se dizer que existem níveis de maturidade: “Uma criança que está objetivando apenas a leitura de palavras poderá monitorar seu comportamento para o reconhecimento nesse nível, assim como o adulto proficiente o faz no nível de compreensão do texto. Mas entre uma criança que lê errado e não se corrige e outra que o faz, a segunda seria mais madura, pois conseguiu detectar uma falha em seu comportamento. Em nível de texto, se o leitor passa de uma leitura automática e fluente (obedecendo a princípios e máximas de forma inconsciente) para uma leitura pausada e vagarosa, isso pode ser um sinal de que ele detectou alguma falha em sua leitura e passou a usar uma estratégia mais ascendente, mais vinculada ao texto. Essa desaceleração assinala também um comportamento metacognitivo”. (Kato, 2003) 2.2.2 - A complexidade textual Um texto é considerado complexo quando se leva em consideração oconteúdo não-familiar e/ou fatores lingüísticos. A leitura de um texto de conteúdofamiliar permite que o leitor processe deduções e análises com base em seusesquemas já estabelecidos. Por outro lado, se o assunto não é familiar, o leitornecessita construir novos esquemas para estabelecer a compreensão do texto, oque o torna mais complexo. No que se refere aos fatores lingüísticos, acomplexidade encontra-se no nível do vocábulo, da sentença e do texto: as palavrasdifíceis, as estruturas subordinadas, passivas e sentenças invertidas, quandoapresentadas descontextualizadas, são, de fato, complexas. No entanto, se o textooferece condições para o leitor inferir os significados das palavras e quando assentenças estão bem colocadas no texto, o processo da leitura ocorrerá a partir daunidade maior (o texto) para as unidades menores (sentenças e palavras), o quefacilita a compreensão. Quando esse processo de cima para baixo não for suficientepara o entendimento do texto, então este passa a ser considerado lingüisticamentecomplexo. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 10 2.2.3 - O conhecimento prévio O leitor utiliza diferentes conhecimentos adquiridos ao longo da vida paracompreender o texto: conhecimento lingüístico, textual e o conhecimento de mundo.A ativação do conhecimento prévio é importante para o leitor “fazer as inferênciasnecessárias para relacionar diferentes partes discretas do texto num todo coerente.”(Kleiman, 2004a). No momento da leitura, o leitor lança mão de suas experiências,crenças, opiniões, interesses, ou seja, de um conhecimento prévio que éfundamental para determinar o tipo de leitura que será realizada. Nesse sentido, adificuldade na compreensão de um texto não ocorre facilmente, por exemplo,quando a linguagem do autor é voltada a textos dos quais o leitor não temconhecimento, mesmo que ele tente fazer as inferências, provavelmente acompreensão não será totalmente eficaz. “Um texto será, então, legível por outrolado, porque funciona segundo leis, esquemas, de que já dispõe o leitor (...), porquese dá como reescritura de outros textos, levando assim em conta a experiênciaanterior do leitor.” (Vigner, 2002a) 2.2.4 - O gênero e o objetivo da leitura Uma evidência das multiplicidades das estratégias empregadas pelo leitor éa existência de diversas formas de interação do leitor com textos de diferentesgêneros: conforme o tipo do texto, seja uma poesia, um texto concreto, uma ficção,seja um texto acadêmico, jornalístico, entre outros, o processo da leitura é diferente,ora é preciso ler em voz alta, ora o leitor precisa de liberdade para criar sobre otexto, às vezes o texto deve ser visto, mais do que lido, outras vezes é necessário Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 11uma reconstrução das intenções do autor. São muitas as estratégias que variam,também, conforme o objetivo da leitura: o tipo do texto determina, até certo ponto, osobjetivos da leitura: o objetivo geral ao se ler um artigo científico é diferente daquelequando se lê uma poesia concreta. Kleiman cita uma experiência realizada por psicólogos americanos quemostra como o objetivo determina a estratégia de leitura: “(...) os sujeitos da experiência deviam ler trecho abaixo, imaginando queestavam querendo comprar uma casa, e que a casa descrita no texto lhesinteressava para essa possível compra: Os dois garotos correram até a entrada da casa. “Veja, eu disse a você que hoje era um bom dia para brincar aqui”, disse Eduardo. “Mamãe nunca está em casa na quinta-feira”, ele acrescentou. Altos arbustos escondiam a entrada da casa; os meninos podiam correr no jardim extremamente bem cuidado. “Eu não sabia que a sua casa era tão grande”, disse Marcos. “É, mais ela está bonita agora, desde que meu pai mandou revestir com pedras essas parede lateral e colocou lareira”. Havia portas na frente e atrás e uma porta lateral que levava à garagem, que estava vazia exceto pelas três bicicletas com marcha guardadas aí. Eles entraram pela porta lateral; Eduardo explicou que ela estava sempre aberta para suas irmãs entrarem e saírem sem dificuldade. Marcos queria ver a casa, então Eduardo começou a mostrá-la pela sala de estar. Estava recém pintada, como o resto do primeiro andar. Eduardo ligou o som: o barulho preocupou Marcos. “Não se preocupe, a casa mais próxima está a meio quilômetro daqui”, gritou Eduardo. Marcos se sentiu mais confortável ao observar que nenhuma casa podia ser vista em qualquer direção além do enorme jardim. A sala de jantar, com toda a porcelana, prata e cristais, não era lugar para brincar: os garotos forma para cozinha onde fizeram um lanche. Eduardo disse que não era para usar o lavabo porque ele ficara úmido e mofado uma vez que o encanamento arrebentara. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 12 “Aqui é onde meu pai guarda suas coleções de seles e moedas raras”, disse Eduardo enquanto eles davam uma olhada no escritório. Além do escritório, havia três quartos no andar superior da casa. Eduardo mostrou a Marcos o closet de sua mãe cheio de roupas e o cofre trancado ponde havia jóias. O quarto de suas irmãs não era tão interessante exceto pela televisão com o Atari. Eduardo comentou que o melhor de tudo era que o banheiro do corredor era seu desde que um outro foi construído no quarto de suas irmãs. Não era tão bonito como o de seus pais, que estava revestido de mármore, mas para ela era a melhor coisa do mundo” (Traduzido e adaptado por Pitchert, J & Anderson, R. Taking different perspectives on a story, Journal of Educational Psychology, 1977, 69) Se fizermos uma lista das informações que são relevantes para o compradorda casa, ela provavelmente corresponderia às informações que os sujeitos daexperiência conseguiram lembrar depois de ler o texto: tamanho da casa, número decômodos, tamanho do jardim, revestimento de pedra, lareira, pintura, número debanheiros, mármore no banheiro, closet no quarto de casal. Nessa mesmaexperiência, o texto acima foi também apresentado a um segundo grupo de leitorescom a instrução de que tentassem se lembrar de tudo aquilo que seria interessantepara um ladrão que estivesse planejando arrombar a casa. Nesse caso, os sujeitosconseguiram lembrar informações como o fato de mãe não estar em casa nasquintas-feiras, os arbustos que isolam a casa, a distância dos vizinhos, as bicicletas,som, televisão com Atari, coleção de selos e moedas, roupas, jóias, e assimsucessivamente. Portanto, dois objetivos diferentes, procurar no texto a descrição deuma casa que interessava ou para comprar ou para arrombar, resultaram narecuperação de informações diferentes.” (Kleiman, 2004a) Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 13 UNIDADE 3: PRODUÇÃO DE TEXTO 3.1 - Fala e escrita A princípio, poder-se-ia dizer que a diferença entre fala e escrita encontra-seno fato de uma estar relacionada à manifestação fônica, ao estímulo auditivo e aoutra à manifestação gráfica, ao estímulo visual. Trata-se de meios distintos derealização textual, que apresentam, ainda, diferenças formais e funcionais, emboratambém seja possível afirmar que se trata de duas realidades similares. Segundo Kato (2003), as diferenças formais entre fala e escrita sãoacarretadas pelas condições de produção e de uso da linguagem. A língua escritapode ser caracterizada como aquela que apresenta um planejamento verbal melhorem relação à fala, a organização estrutural e a seleção das palavras são maiscuidadosas, enquanto que na fala informal esse planejamento é menos elaborado.Kato apresenta as características apontadas por Ochs para os dois tipos de discurso– planejado (DP) e o relativamente não-planejado (DRNP):Quadro 1 DRNP DP▪ Dependência contextual ▪ Menor dependência contextual ▪ Menos uso de estruturas adquiridas▪ Uso de estruturas morfossintáticas cedo, mais estruturas adquiridasadquiridas cedo tardiamente Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 14▪ Uso de repetição lexical ▪ Menor uso de repetição lexical▪ Menor uso de variação de forma e ▪ Maior uso de variação de forma econteúdo conteúdo “É importante ressaltar, aqui, dois fatos: a) Ochs não restringe ascaracterísticas de DP à linguagem escrita; b) ela admite a presença de traços deDRNP na linguagem escrita não-dissertativa.” (Kato, 2003) Ainda sobre as diferenças formais entre as linguagens oral e escrita, Kato(2003) apresenta uma síntese dos estudos de Tannen:“a) a linguagem oral é bastante dependente de contextos, enquanto que a escrita édescontextualizada;b) a coesão, na linguagem oral é estabelecida através de recursos paralingüísticos esupra-segmentais, enquanto que na linguagem escrita, ela é estabelecida através demeios lexicais e de estruturas sintáticas complexas que usam conectivos explícitos.” Essas diferenças, segundo Tannen (apud Kato, 2003), podem serobservadas se consideram uma prosa dissertativa e uma conversação casual,informal. No entanto, é possível encontrar estratégias da língua oral na prosamoderna, bem como estratégias da língua escrita em uma fala mais densa, ou seja,as diferenças formais existem mais em função do gênero e do registro do texto doque em função da modalidade (oral ou escrita). Pode-se dizer, então, que, dependendo da situação de uso da língua, haveráuma maior ou menor diferença entre as modalidades oral e escrita. Ao se pensar nalíngua coloquial espontânea (o vernáculo, segundo Labov, 1972) e a gramáticaliterária tem-se dois extremos em que a linguagem coloquial oral obedece àsexigências da comunicação e de sua função, enquanto que a linguagem escrita éregida por convenções normativas impostas. Nesse sentido, Kato (2003) resume as diferenças formais entre fala eescrita, considerando as condições de uso da linguagem: Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 15 “a) a escrita é menos dependente do contexto situacional; b) a escrita permite um planejamento verbal mais cuidadoso; c) a escrita e mais sujeita a convenções prescritivas; d) a escrita é um produto permanente.” Já as diferenças funcionais entre fala e escrita estabelecem quais são asfunções da escrita dentro da cultura de uma comunidade de fala. Em umacomunidade letrada, as atividades lingüísticas são distribuídas entre as modalidadesfalada e escrita, mas nem sempre a escrita preenche todas as funções da fala, umavez que nem sempre se escreve como se fala considerando a gramática, o léxico ea situação contextual. Nesse sentido, fala e escrita apresentam funções distintas: aescrita é mais rígida quanto às regras prescritivas gramaticais, enquanto a falapermite fugir ao controle dessas regras, o que determina o uso mais restrito daescrita em um contexto social. Fala e escrita são, portanto, duas realidades diferentes quanto à natureza doestímulo (auditivo X visual), quanto à forma e à função, no entanto há semelhançasque as aproximam como meios condutores de mensagem lingüística e realizaçõesde uma gramática. 3.2 - A Escrita O ato de comunicação verbal (a fala e a escrita) pode ser caracterizado “a) por envolver uma relação cooperativa entre emissor e receptor; b) por transmitir intenções e conteúdo; c) por ter uma forma adequada à sua função.” (Kato, 2003) O ato de falar evolve planejamento e execução, ou seja, trata-se de umaação-processo que envolve decisões em várias etapas e em vários níveis, desde a Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 16natureza pragmático-discursiva (que ato desempenhar, o que pressupor ao meuouvinte), até de níveis gramaticais e fonético-articulatórios. É possível dizer,também, que a escritura apresenta as mesmas características, ou seja, trata-se deuma atividade em que se planeja o que se quer escrever para depois colocar esseplano em ação, com exceção do planejamento e execução no nível articulatório, quese restringe à fala. (Kato, 2003) Segundo os modelos processuais da escrita, esta é caracterizada como umato que envolve uma meta (objetivo) e um plano, e também um ato de resolução deproblemas. As metas são de três tipos:• Ideacional (ou de conteúdo proposicional): o autor planeja por onde começar,em que direção prosseguir, que pontos ressaltar e como terminar o texto.• Textual (ou da conexão das idéias em um todo coerente): o autor planeja eexecuta o caminho necessário para atingir a coesão e a coerência do texto. Esseplanejamento também ocorre no nível sentencial.• Interpessoal (ou relação emissor – receptor e problemas atitudinais): o autorplaneja o tipo de leitor para quem ele vai escrever e que efeito ele quer causar nesseleitor. Existe, aqui, a preocupação não somente com o que se escrever, mas comose escreve. Cada um desses três tipos de metas (ideacional, textual e interpessoal)apresenta problemas e resoluções:Quadro 2 O problema encontra-se no fato do autor não poder extrair da memória apenas as informações relevantes e direcionadas para Ideacional um fim, às vezes aquilo que se descartou poderia ser aproveitado. As idéias surgem, e a melhor organização das mesmas é uma decisão que o autor deve tomar tendo em vista as Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 17 metas que ele pretende atingir. O problema principal reside no fato de a comunicação não ocorrer frente a frente e, por isso, o autor irá decidir quem será o seuInterpessoal leitor virtual. É a partir dessa decisão que a forma e o conteúdo do texto serão definidos. O problema situa-se nas escolhas que o autor deverá tomar a respeito do formato do texto, considerando o efeito que se pretende alcançar com o texto em relação ao leitor. As alternativas são muitas: formato piramidal (idéia geral seguida das Textual idéias particulares), argumentativo (introdução, problema, solução, argumentação e conclusão), de delimitação (exposição de vários argumentos até chegar ao próprio defendido pelo autor) e de uma narrativa (seqüência temporal). O problema continua no nível sentencial e do constituinte. A escrita é, portanto, um ato comunicativo em que se tem, de um lado, oautor e, de outro, um receptor imaginado. A meta principal e inconsciente do autor éfazer com que o texto seja coerente, e, para se considerar um texto bem-escrito, asintenções de quem escreve devem ser bem traduzidas no texto e recuperadas comfacilidade pelo leitor. 3.3 - Produção textual Considerando o ato de escrever uma atividade interativa entre o emissor e oreceptor, um conceito de texto apropriado, nesse sentido, é aquele proposto porBernádez (apud Sautchuk, 2003): “Texto é a unidade lingüística comunicativa fundamental, produto da atividade humana, que possui sempre caráter social; está caracterizado por seu estrato semântico e comunicativo, assim como por sua coerência Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 18 profunda e superficial, devida à intenção do falante de criar um texto íntegro, e à sua estruturação mediante dois conjuntos de regras: as próprias de nível textual e as do sistema da língua.” O texto escrito, especificamente, segundo a definição apresentada acima,caracteriza-se, pois, por possuir uma função comunicativa e social exercida entredois enunciadores que participam do processo da escrita: trata-se de uma atividadeverbal resultante de um processo dialógico entre autor e leitor. Ambos assumem amissão de produzir o sentido do texto e, nessa missão, tem-se “os papeis de um ser que escreve e o de um ser que monitora esse ser, não em uma sucessão, num intervalo temporal e num distanciamento especial, mas no momento mesmo da produção. Nesse momento, aquele que escreve se bifurca em enunciador eco-enunciador, surgindo a figura do escritor-leitor-do-próprio-texto, o que faz com que o texto escrito seja resultado de uma co-ação, seja um produto da atuação ininterrupta de um ser que escreve e lê, lê e escreve.” (Sautchuk, 2003). Nesse sentido, a elaboração do texto escrito é, na verdade, um processo emque o autor usa tanto as estratégias de produção textual, quanto as estratégias deleitura. Assim, o escritor maduro seria aquele com a capacidade de ativar asdiversas estratégias cognitivas e metacognitivas de processamento da escritura e daleitura. Segundo Koch (1998), “a produção textual é uma atividade verbal, a serviço de fins sociais e, portanto, inserida em contextos mais complexos de atividades; trata-se de uma atividade consciente, criativa, que compreende o desenvolvimento de estratégias concretas de ação e a escolha de meios adequados à realização dos objetivos; isto é, trata-se de uma atividade intencional que o falante, de conformidade com as condições sob as quais o texto é produzido, empreende, tentando dar a entender seus propósitos ao destinatário através da manifestação verbal; é uma atividade interacional, visto que os interactantes, de maneiras diversas, se acham envolvidos na atividade de produção textual.” Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 19 Na definição de Bernárdez , aqui repetida por conveniência, “Texto é a unidade lingüística comunicativa fundamental, produto da atividade humana, que possui sempre caráter social; está caracterizado por seu estrato semântico e comunicativo, assim como por sua coerência profunda e superficial,(...)”a caracterização do texto por meio de uma coerência profunda e superficial estárelacionada a uma macro e uma microestrutura: • Macroestrutura: “diz respeito a todos os componentes(predominantemente extralingüísticos) que possibilitam a organização global desentido do texto e que são responsáveis por sua significação. São essescomponentes que tornam possíveis o planejamento, a compreensão, a memorizaçãoe a reprodução das idéias do texto. À macroestrutura associam-se, portanto, todosos elementos e mecanismos que visam a manter a coerência do texto.” (Sautchuk,2003) • Microestrutura: “é responsável pela estruturação lingüística do texto,isto é, representa todo um sistema de instruções textualizadoras de superfície queauxiliam na construção linear do texto por intermédio de palavras e de frases,organizadas como elementos e mecanismos de coesão.” (Sautchuk, 2003) A escrita, segundo esses argumentos, demanda, portanto, não somente umdomínio da estrutura lingüística (da gramática da língua), mas também umconhecimento de mundo (cultura, escolaridade, conhecimentos específicos etc) e deaspectos cognitivos relacionados ao próprio processo de escrever (raciocínio,explicitação ou implicação, capacidade de síntese, de análise etc). 3.4 – Coesão e coerência Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 20 A distinção de dois níveis de organização textual (micro e macroestrutura) ea boa formação do texto relacionam-se com os conceitos de coesão e coerência: Maria foi para a escola. Arrumou seus materiais e pegou a condução quepassou às 6 horas e 40 minutos. Na escola, Maria deve assistir à aula de Português, na qual apresentaráum trabalho. Vai encontrar suas amigas para organizar a apresentação. O texto acima se constitui de dois parágrafos em que ocorre uma mudançaespaço temporal e temática. São duas seqüências incluídas na unidade superior eúltima formada pelo texto inteiro. Se se pensa no nível seqüencial ou no níveltextual, os problemas de coerência colocam-se em termos mais ou menosdiferentes: • “num nível local ou microestrutural, a questão incide exclusivamente nas relações de coerência que se estabelecem, ou não, entre as frases (sucessivamente ordenadas) da seqüência; • num nível global ou macroestrutural, a questão incide, ao contrário, nas relações que se estabelecem entre as seqüências consecutivas.” (Charolles, 2002) Nesse sentido, tem-se a coerência global de um texto quando se constróiuma seqüência de macroestruturas e microestruturas coerentes. A boa formaçãotextual, segundo Charolles (2002), deve obedecer a algumas regras (oumetarregras) de coerência. Quatro delas são chamadas: • Metarregra de repetição; • Metarregra de progressão; • Metarregra de não-contradição; Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 21 • Metarregra de relação; Antes de continuar a exposição das metarregras, é importante apresentar oconceito de coesão. As marcas lingüísticas, os índices formais na estrutura daseqüência lingüística e superficial do texto são caracterizados como elementos decoesão. Trata-se de elementos de natureza sintática, gramatical, e também denatureza semântica, pois, como apontam Halliday e Hasan (apud Koch e Travaglia,2003), a “coesão é a relação semântica entre um elemento do texto e um outroelemento crucial para sua interpretação.” Em outras palavras, a coesão textual é a união entre as partes. Entende-secomo partes de um texto: orações, períodos, frases, parágrafos, capítulos. Trata-sede um mecanismo concreto, pois é possível identificar no texto os elementos decoesão, tais como os articuladores, os anafóricos, as elipses, as substituições etc. Podem-se distinguir dois tipos de coesão: referencial e seqüencial. “Acoesão referencial é aquela em que um componente da superfície do texto fazremissão a outro(s) elemento(s) nela presentes ou inferíveis a partir do universotextual” (Koch, 1991). Este tipo de coesão refere-se à união/relação das palavras notexto: são as referências, a coesão lexical, as substituições, as elipses.• Referência: os elementos de referência são os itens da língua que nãopodem ser interpretados sematicamente por si mesmos, mas remetem a outros itensdo discurso necessários à sua interpretação.Exemplo: Maria gosta de João. Ela começou a namorá-lo na escola. Ele é muitocarinhoso, e a menina tem bons momentos ao lado deste garoto. Os nomes Maria ePedro foram sendo substituídos por outros elementos ao longo do texto para queeste não ficasse repetitivo. A referência pode ser feita para trás (anáfora) ou para frente (catáfora).Exemplos: Maria gosta de João. Ela começou a namorá-lo na escola. O pronomeoblíquo lo refere-se ao substantivo João, que aparece antes do pronome. A Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 22referência é feita para trás (anáfora). Maria gosta de João, cuja mãe vende roupasem uma loja. O pronome relativo cuja também se refere ao substantivo mãe, queaparece depois do pronome. Neste caso a referência é feita para frente (catáfora).• Coesão lexical: a coesão lexical é obtida por meio de dois mecanismos: areiteração e a colocação. A primeira se faz por repetição do mesmo item lexical ouatravés de sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos. A segunda, por sua vez,consiste no uso de termos pertencentes a um mesmo campo significativo. Exemplo: Maria gosta de João. Maria começou a namorar o menino naescola. Essa estudante tem bons momentos ao lado do garoto. A coesão destetexto é feita a partir da repetição do nome Maria, da substituição deste nome porestudante, e da substituição do nome João ora por menino, ora por garoto.• Substituição: substituição consiste na colocação de um item no lugar deoutro(s) elemento(s) do texto, podendo ser também a substituição de uma oraçãointeira. Não se confunde substituição e referência, já que nesta o termo continuaexistindo com um outro nome, e na substituição o termo deixa de existir para sersubstituído por um termo que, na verdade, não precisa retomar o elementosubstituído.Exemplo: Maria gosta de João e Paula também. A primeira convidou-o para ir aoparque a segunda fez o mesmo. A palavra também substitui todo o raciocínioanterior Maria gosta de João. A expressão fez o mesmo retoma toda a idéiaexpressa na oração anterior a primeira convidou-o para ir ao parque.• Elipse: elipse seria uma substituição por zero: omite-se um item lexical, umsintagma, uma oração ou todo um enunciado facilmente recuperado pelo contexto.Exemplo: Maria pergunta para João:- Você vai ao parque comigo?” Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 23- Vou. – ele diz. Apenas o verbo vou, dito por João, consegue expressar toda a idéia contidana pergunta feita por Maria. Idéia essa que foi substituída por um zero na respostade João. É possível entender essa substituição devido ao contexto. Já a coesão seqüencial “diz respeito aos procedimentos lingüísticos pormeio dos quais se estabelecem, entre segmentos do texto (enunciados, partes deenunciados, parágrafos e mesmo seqüências textuais), diversos tipos de relaçõessemânticas e/ou pragmáticas, à medida que se faz o texto progredir” (Koch, 1991).Trata-se das relações (oposição, tempo, concessão, finalidade etc) das frases e daspalavras do texto através dos articuladores.• Articuladores: são palavras que estabelecem relações entre as partes dotexto. Trata-se das conjunções.Exemplo: Maria convidou João para ir ao parque e ele aceitou. Mas, na horamarcada, ele não pode ir, embora tivesse feito um esforço. As conjunçõesempregadas nesse texto estabelecem as relações de adição (conjunção e),adversidade (conjunção mas) e de concessão (conjunção embora). Os conceitos de coesão e coerência constituem um par, em que a coerênciaestaria relacionada à boa formação do texto, nas não no sentido da gramaticalidadeusada no nível da frase (coesão), mas sim em termos da interlocução comunicativa. A coerência é o que faz com que uma seqüência lingüística seja vista comoum texto, porque permite o estabelecimento de relações – sintático-gramaticais,semânticas e pragmáticas – entre os elementos da seqüência (morfema, palavras,expressões, frases, parágrafos, capítulos etc), possibilitando construí-las e percebê-las como constituindo uma unidade significativa global. Nesse sentido, voltando às metarregras de Charolles (2002), em resumo setem as seguintes descrições das quatro metarregras apresentadas pelo autor: Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 24• Metarregra de repetição: ”para que um texto seja (microestruturalmente emacroestruturalmente) coerente é preciso que contenha, no seu desenvolvimentolinear, elementos de recorrência escrita.” Trata-se da coesão referencialapresentada anteriormente.• Metarregra de progressão: “para que um texto seja (microestruturalmente emacroestruturalmente) coerente é preciso que haja no seu desenvolvimento umacontribuição semântica constantemente renovada.” Trata-se da progressão temáticado texto, ou seja, da continuidade do tema e da introdução de idéias novas. Esseprocesso supõe ser realizado de forma que o a introdução de elementos denovidade semântica seja feita em equilíbrio com a temática do texto: as ocorrênciasinéditas devem ser ligadas a algum elemento já conhecido ou à temática central dotexto.• Metarregra de não-contradição: “para que um texto seja(microestruturalmente e macroestruturalmente) coerente é preciso que no seudesenvolvimento não se introduza nenhum elemento semântico que contradiga umconteúdo posto ou pressuposto por uma ocorrência anterior, ou dedutível desta porinferência.”• Metarregra de relação: “para que um texto seja (microestruturalmente emacroestruturalmente) coerente é preciso que os fatos que se denotam no mundorepresentado estejam relacionados.” Assim como a regra anterior, essa quarta regraé de natureza fundamentalmente pragmática e enuncia que, para que umaseqüência seja admitida como coerente, é necessário que as ações, estados oueventos que ela denota sejam percebidos como congruentes no tipo de mundoreconhecido por quem a avalia, ou seja, os fatos devem estar diretamenterelacionados uns aos outros. Essas quatro metarregras mostram condições lingüísticas e pragmáticasque um texto deve satisfazer para ser considerado coerente. O conceito decoerência textual pode ser, portanto, estabelecido como a relação entre as idéias do Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 25texto, em uma seqüência contínua e lógica. Para se conseguir essa coerência épreciso considerar os elementos lingüísticos, o conhecimento de mundo, oconhecimento compartilhado e as inferências. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 26 UNIDADE 4: GÊNEROS TEXTUAIS 4.1 – Definições A palavra texto está articulada, de maneira mais abrangente, a outros termostais como: enunciação, sentido, significação, contexto entre outros que, de algumamaneira, estão ligados aos mecanismos de organização textual responsáveis pelaconstrução de sentido. Voltando ao conceito de texto, pode-se apresentar, alémdaquele de Bernárdez, citado anteriormente, outros vários conceitos: “(...) em um sistema semiótico bem organizado, um signo já é um textovirtual, e, num processo de comunicação, um texto nada mais é que a expansão davirtualidade de um sistema de signo” (Eco, 1984) “Em sentido amplo, a palavra texto designa um enunciado qualquer, oral ouescrito, longo ou breve, antigo ou moderno. Concretiza-se, pois, numa cadeiasintagmática de extensão muito variável, podendo circunscrever-se tanto a umenunciado único ou a uma lexia, quanto a um segmento de grandes proporções. São textos, portanto, uma frase, um fragmento de um diálogo, umprovérbio, um verso, uma estrofe, um poema, um romance e, até mesmo, umapalavra-frase, ou seja, a chamada frase de situação ou frase inarticulada, como aque se apresenta em expressões como ‘fogo’, ‘silêncio’, situadas em contextosespecíficos.” (Guimarães, 1992) “Chama-se texto o conjunto de enunciados lingüísticos submetidos àanálise: o texto é, então, uma amostra de comportamento lingüístico que pode serescrito ou falado. L. Hjelmslev torna a palavra texto no sentido mais amplo e com ela designa Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 27um enunciado qualquer, falado ou escrito, longo ou curto, velho ou novo. ‘Stop’ éum texto tanto quanto O Romance da Rosa. Todo material lingüístico estudadoforma também um texto, retirado de uma ou mais línguas. Constitui uma classeanalisável em gêneros divisíveis, por sua vez, em classes, e assim por diante, atéesgotar as possibilidades de divisão.” (Dubois, 1973) “(...) chamamos de texto toda a unidade de produção de linguagem situada,acabada e auto-suficiente (do ponto de vista da ação ou da comunicação). (...) todoo texto empírico é o produto de uma ação de linguagem, é sua contraparte, seucorrespondente verbal ou semiótico; todo o texto empírico é realizado por meio deempréstimo de um gênero e, portanto, sempre pertence a um gênero; entretantotodo texto empírico também procede de uma adaptação do gênero-modelo aosvalores atribuídos pelo agente à sua situação de ação e, daí, além de apresentar ascaracterísticas comuns ao gênero, também apresenta propriedades singulares, quedefinem seu estilo particular. Por isso, a produção de cada novo texto empíricocontribui para a transformação histórica permanente das representações sociaisreferentes não só aos gêneros de textos (intertextualidade), mas também à língua eàs relações de pertinência entre textos e situações de ação.” (Bronckart, 1999) Assim, é possível dizer que o texto organiza-se dentro de certas restriçõesde natureza temática, composicional e estilística, o que o caracterizam comopertencente a um determinado gênero. Os gêneros textuais são, portanto, adiversidade de textos que ocorrem nos ambientes discursivos de nossa sociedade eque apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos,propriedades funcionais, estilo e composição. (Marcuschi, 2001). Os ambientes discursivos são os lugares ou as instituições sociais onde seorganizam formas de produção de texto: o ambiente discursivo escolar, acadêmico,mídia, jurídico, religioso, político etc. Essa organização lingüístico-discursiva,percebida em diferentes gêneros textuais, ocorre por meio de modalidadesdiscursivas (narração, descrição, argumentação, exposição, instrução, diálogo etc) eestas variam conforme o efeito específico que se pretende produzir nas relações Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 28entre os usuários de uma língua. Enquanto o número de gêneros é, em princípio,ilimitado, aplicando-se conforme os avanços culturais e tecnológicos, o número demodalidades discursivas é menos e mais ou menos limitado:Quadro 3 Modalidade Gênero Textual Ambiente Discursivo Discursiva Novela Mídia televisiva Romance Narrar Indústria literária Narração de jogo de Mídia esportiva futebol Biografia Indústria literária Relatar Noticiário Mídia Crônica Mídia impressa/ jornal/revista Carta ofício Expor/argumentar Acadêmico escolar/oficial Editorial Mídia jornal impresso Manual de instrução Instruir Indústria-comércio (mercantil) Cheque Expor/instruir Bancária Entrevista Interativo/diálogo Mídia escrita Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 29 Vale ressaltar, aqui, a relação entre texto e discurso: ora se fala emgêneros textuais, ora em gêneros discursivos. Embora alguns lingüistas consideremambos, texto e discurso, equivalentes, tomando-os como sinônimos e empregando,indistintamente, um e outro, é possível apontar algumas sutis diferenças: o discursoé a idéia do enunciador emanada do e pelo texto, lançada em direção aoenunciatário, permitindo a ele relacioná-la a um determinado momento ouacontecimento e construir um sentido: o discurso concretiza o texto, mas sediferencia dele na medida em que se ultrapassa seus limites. Segundo Marcuschi(2002), o texto é “uma entidade concreta, realizada materialmente e corporificadaem algum gênero textual”, já o discurso “é aquilo que um texto produz ao semanifestar em alguma instância discursiva.” Nas palavras de Travaglia (2002), odiscurso é a “própria atividade comunicativa, a própria atividade produtora desentidos para a interação comunicativa, regulada por uma exterioridade sócio-histórica-ideológica”, o texto seria o resultado dessa atividade. 4.2 – Gêneros discursivos A língua é usada por um grande número de pessoas e em diferentessituações, portanto é possível imaginar os diversos modos de se utilizar essa línguaque se adéquam, cada um, ao propósito específico de cada atividade humana. Oenunciado, oral ou escrito, reflete as condições específicas e os objetivos de cadasituação de uso da língua, através do conteúdo temático, dos próprios recursos dalíngua (recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais), e também pela construçãocomposicional. Esses três elementos juntos constituem, conforme as situaçõesespecíficas, tipos relativamente estáveis de enunciados, também denominadosgêneros do discurso. (Bakhtin, 1992) Nesse sentido, os gêneros seriam “tipos relativamente estáveis”, marcadossócio-historicamente, já que estão diretamente relacionados às diferentes situaçõessociais. É cada uma dessas situações que determinam, então, um gênero, comcaracterísticas temáticas, composicionais e estilísticas próprias. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 30 “A riqueza e a variedade dos gêneros do discurso são infinitas, pois a variedade virtual da atividade humana é inesgotável, e cada esfera dessa atividade comporta um repertório de gêneros do discurso que vai diferenciando-se e ampliando-se à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa. Cumpre salientar de um modo especial a heterogeneidade dos gêneros do discurso (orais ou escritos), que incluem indiferentemente: a curta réplica do diálogo cotidiano (com a diversidade que este pode apresentar conforme os temas, as situações e a composição de seus protagonistas), o relato familiar, a carta (com suas variadas formas), a ordem militar padronizada, em sua forma lacônica e em sua forma de ordem circunstanciada, o repertório bastante diversificado dos documentos oficiais (em sua maioria padronizados), o universo das declarações públicas (num sentido amplo, as sociais, as políticas). E é também gêneros do discurso que relacionaremos as variadas formas de exposição científica e todos os modos literários (desde o ditado até o romance volumoso).” (Bakhtin, 1992) Essa heterogeneidade, apontada por Bakhtin, leva este autor a distinguir osgêneros primários dos gêneros secundários. Os primeiros compreendem odiálogo, carta, situações de interação face a face e são constituídos naquelesmomentos de comunicação ligados a esferas sociais cotidianas de relaçõeshumanas, os gêneros secundários, por outro lado, compreendem o romance, oteatro, o discurso científico, o discurso ideológico etc e são relacionados a outrasesferas, públicas e mais complexas, de interação social, muitas vezes mediada pelaescrita e apresentando uma forma composicional monologizada, absorvendo, pois, etransmutando os gêneros primários: os gêneros primários, ao se tornaremcomponentes dos gêneros secundários, transformam-se dentro deles e adquiremuma característica particular – perdem sua relação imediata com a realidadeexistente e com a realidade dos enunciados alheios. Como exemplo, Bakhtinapresenta o caso em que a réplica do diálogo cotidiano ou a carta, inseridas noromance, conservam sua forma e seu significado cotidiano apenas no plano doconteúdo do romance, só se integram à realidade existente através do romanceconsiderando como um todo, ou seja, do romance concebido como fenômeno davida literário-artística e não da vida cotidiana. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 31 A concepção de gênero de Bakhtin não é, portanto, estática, como poderiaser entendida a princípio, mas sim dinâmica, uma vez que se trata de um produtosocial que está em função das transformações da sociedade, da própria organizaçãoverbal e, ainda, em função dos falantes/ouvintes que produzem a estruturacomunicativa e atribuem sentindo à mesma. Segundo Schneuwly, “o gênero pode ser considerado como ferramenta, na medida em que o sujeito – o enunciador – age discursivamente numa situação definida – a ação – por uma série de parâmetros, com a ajuda de um instrumento semiótico – o gênero. A escolha do gênero se dá em função dos parâmetros da situação que guiam a ação e estabelecem a relação meio-fim, que é a estrutura básica de uma atividade mediada.” (Koch, 2002) Assim, saber utilizar diferentes gêneros do texto significa dominar diversassituações comunicativas. O uso da linguagem pelo enunciador exige deste decisõesimportantes, entre elas, a primeira seria a escolha do gênero mais adequado para asituação, além de outras relativas à constituição dos mundos discursivos, àorganização seqüencial ou linear do conteúdo temático, à seleção de mecanismosde textualização e de mecanismos enunciativos. Todas essas decisões exigem doenunciador competência para executá-las. Quando se opta por um determinado gênero, o enunciador está escolhendo,de fato, um intertexto, constituído pelo conjunto de gêneros do texto elaborados porgerações anteriores e que podem ser utilizados naquela situação específica, comeventuais transformações. Trata-se de gêneros formados por conjuntos bemdefinidos de textos que constituem o que se chama “reservatório de modelostextuais”. O gênero é escolhido através de uma decisão estratégica que envolveuma confrontação entre os valores atribuídos pelo enunciador aos parâmetros dasituação e os usos atribuídos aos gêneros do intertexto. ”A escolha do gênero deverá (...) levar em conta os objetivos visados, o lugar social e os papeis dos participantes. Além disso, o enunciador deverá adaptar o modelo do gênero a seus valores particulares, adotando um estilo Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 32 próprio, ou mesmo contribuindo para a constante transformação dos modelos.” (Koch, 2002) Conforme apresenta Bakhtin (1992), o enunciado – oral ou escrito, primárioou secundário, em qualquer esfera da comunicação verbal – é individual e, por isso,reflete a individualidade de quem fala ou escreve. Embora nem todos os gênerospermitam que se expresse essa individualidade, (como aqueles que requerem umaforma padronizada: formulação de documento oficial, da ordem militar, da nota deserviço etc), nos gêneros literários, por exemplo, o estilo individual faz parte doempreendimento enunciativo enquanto tal e constitui uma das suas diretrizes. Amaioria dos gêneros do discurso, na verdade, não tem como finalidade exclusiva aexpressão do estilo individual do enunciador, mas essa individualidade é um produtocomplementar: a variedade dos gêneros do discurso pode revelar a variedade dosestratos e dos aspectos da personalidade individual, e o estilo individual poderelacionar-se de diferentes maneiras com a língua comum. Mesmo naquelesgêneros de forma padronizada a individualidade é refletida, ainda quesuperficialmente, principalmente se se pensa na realização oral desses tipos deenunciados. 4.3 – Gênero textual X tipologia textual O termo tipologia textual, segundo Marcuschi (2002), deve ser empregadopara designar uma construção teórica definida pela natureza lingüística de suacomposição: aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas. Emgeral, os tipos textuais abrangem as categorias: narração, argumentação, exposição,descrição, injunção. Seria o que se chamou acima de modalidades discursivas. Gênero textual, por seu turno, é definido como o conjunto de textos queapresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos,propriedades funcionais, estilo, composição e canal. Exemplo: Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 33 Quadro 4 JACULATÓRIA Conteúdo expressão de fervor religioso Função obtenção de graça ou perdão Estilo laudatório e invocatório Composição curta, poucos enunciados Canal oração Travaglia (2002) caracteriza o gênero textual pela função social específicaque o mesmo exerce. Segundo o autor, estas funções sociais são vivenciadas pelosenunciadores que, intuitivamente, sabem que gênero usar em momentosespecíficos, por exemplo, quando se vai escrever uma carta, já se sabe ascaracterísticas que irão fazer com que essa carta seja adequada à situação: umacarta para a família não é a mesma direcionada para o reitor de uma universidade.Como outros exemplos, Travaglia cita os gêneros textuais: aviso, comunicado,edital, informação, informe, citação, todos com a função social de dar conhecimentode algo a alguém. Petição, memorial, requerimento, abaixo-assinado: gênerostextuais com a função social de pedir, solicitar. Trata-se de exemplos queapresentam uma função social formal, rígida. Como pode ser observado no quadro 3, um mesmo gênero pode realizar-seem dois ou mais tipos, assim como diversos gêneros compreendem um mesmo tipotextual. Uma carta pessoal, por exemplo, pode apresentar as tipologias: descrição,injunção, exposição, narração e argumentação – esse fato é denominadoheterogeneidade tipológica (Marcuschi, 2002) ou conjugação tipológica (Travaglia,2002). Dificilmente será possível encontrar um tipo textual puro, a classificação dedeterminado texto em relação ao seu tipo será por uma questão de dominância emfunção do tipo de interlocução que se pretende estabelecer e que se estabelece, enão em função do espaço ocupado por um tipo na constituição do texto. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 34 4.4 – Tipos textuais 4.4.1 - Narrativa Uma narrativa não é apenas a descrição de uma seqüência de ações ou deeventos: “Naquele dia, após ter feito uma grande farra na véspera e ter dormido mal, X se levantou às cinco horas e meia, saiu de sua casa às seis horas e cinco e encontrou pessoas às quais ele disse que o dia estava lindo” A passagem acima é uma descrição de ações, mas não necessariamenteuma narrativa. Para que haja uma narrativa é preciso um narrador (aquele que contaa história, uma testemunha etc), que seja provido de uma intencionalidade, umavontade de transmitir alguma coisa - uma certa representação da experiência domundo - a alguém, um destinatário que, de uma certa maneira, dará um sentidoparticular a sua narrativa. Para que uma seqüência de eventos contados setransforme em narrativa, é preciso, ainda, inventar-lhe um contexto. O texto narrativo, segundo Platão & Fiorin (1996), é composto pormudança(s) de situação operada(s) pelas ações da(s) personagem(ns). Existem doistipos de mudança: 1º) alguém passa a ter alguma coisa que não tinha (narrativa de aquisição) 2º) alguém deixa de ter alguma coisa que tinha (narrativa de perda) Uma narrativa típica apresenta, implícita ou explicitamente, quatro mudançasde situação, sejam elas mudanças de aquisição ou de perda:“a) uma em que uma personagem passa a ter um querer ou um dever, um desejoou uma necessidade de fazer algo. (...) Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 35b) uma em que ela adquire um saber e um poder, isto é, a competência necessáriapara fazer algo. (...)c) uma que é a mudança principal da narrativa, a realização daquilo que se quer ouse deve fazer. (...)d) uma em que se constata que a transformação principal ocorreu e em que sepodem atribuir prêmios ou castigos às personagens.” (Platão & Fiorin, 1996) Sendo assim, é possível apontar quatro características básicas do textonarrativo:• “é um conjunto de transformações de situações referentes à personagensdeterminadas, mesmo que sejam coletivas (por exemplo, o povo brasileiro), ou acoisas particulares, num tempo preciso e num espaço bem configurado (...);• Como a narração opera com personagens, situações, tempos e espaços bemdeterminados, trabalha predominantemente com termos concretos, sendo, portanto,um texto figurativo;• No interior do texto narrativo, há sempre uma progressão temporal entre osacontecimentos relatados, isto é, conta ele eventos concomitantes, anteriores ouposteriores uns aos outros (observe, no entanto, que o narrador pode dispor osacontecimentos no texto na ordem em que quiser, desde que deixe claro qual é oanterior, o concomitante e o posterior (...));• Já que o ato de narrar ocorre, por definição, no presente, dado que (...) opresente indica uma concomitância em relação ao momento da fala (no caso, fala donarrador), ele é posterior à história contada, que, por conseguinte, é anterior a ele;por isso, o subsistema do pretérito (pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretéritomais-que-perfeito e futuro do pretérito) é o conjunto de tempos por excelência danarração.” (Platão & Fiorin, 1996) Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 36 Como exemplo de uma narrativa, o texto que segue é um conto do autorStanislaw Ponte Preta: A velha contrabandista Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia elapassava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta.O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar davelhinha. Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal daAlfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim praela: - Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com essesaco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco? A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros,que ela adquirira no odontólogo, e respondeu: - É areia! Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou avelhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscalesvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha quefosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás. Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um diacom areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte,quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez.Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! Ofiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou avelhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia. Diz que foi aí que o fiscal se chateou: - Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço.Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que asenhora é contrabandista. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 37 - Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta,quando o fiscal propôs: - Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, nãoapreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é ocontrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias? - O senhor promete que não “espáia”? – quis saber a velhinha. - Juro. – respondeu o fiscal. - É lambreta. (PRETA, Stanislaw Ponte. A velha contrabandista. In: Para gostar de ler: contos. Volume 8. Editora didática. São Paulo: Ática, 1983) O texto acima mostra mudanças de situação referentes a personagensdeterminadas, num tempo e num espaço demarcados, estabelece uma relação deanterioridade e de posterioridade entre os episódios, usa o subsistema de tempos dopassado, trata-se, portanto, de um texto narrativo. 4.4.2 - Descrição Um texto descritivo é aquele em se expõe as características de um ser - sejapessoa, objeto, situação etc - considerando-o fora da relação de anterioridade eposterioridade. Ao contrário do texto narrativo, a descrição não relata propriamentemudanças de situação, mas propriedades e aspectos simultâneos dos elementosdescritos, considerados, pois, numa única situação. (Platão & Fiorin, 1996) O texto de base descritiva está presente tanto na ficção (romances, novelas,contos, poemas) como em outros gêneros textuais (textos científicos, enciclopédias,propagandas, jornais, revistas etc) e objetiva a visualização do cenário onde umaação se desenvolve e das personagens que dela participam: trata-se do plano defundo que explica e situa a ação, em uma narrativa, ou que comenta e justifica aargumentação. Existem características lingüísticas específica do texto descritivo:freqüência de figuras (metáforas, metonímias, comparações, sinestesia), adjetivos, Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 38formas adjetivas, uso de verbos de estado, situação ou indicadores de propriedades,atitudes, qualidade, usados principalmente no presente e no imperfeito do indicativo(ser, estar, haver, situar-se, existir, ficar etc), uso de advérbios de localizaçãoespacial. Pode-se estabelecer a divisão desse tipo de texto em: descrição literária edescrição não-literária (ou técnica). Na primeira predomina o aspecto subjetivo, comênfase no conjunto de associações conotativas que podem ser exploradas a partirde descrições de pessoas, cenários, paisagem, espaço, ambientes, situações ecoisas. Vale lembrar que textos descritivos também podem ocorrer tanto em prosacomo em verso. Na descrição não-literária, ou descrição técnica, o objetivo centra-sena descrição de aparelhos, o seu funcionamento, as peças que os compõem, nadescrição de experiências, processos etc. Trata-se de uma descrição objetiva, emque se cria o objeto usando uma linguagem científica, precisa. Como exemplo de uma descrição literária, o texto que segue é um trecho daobra de Eça de Queiroz – A Relíquia Estávamos sobre a pedra do Calvário. Em torno, a capela que a abriga,resplandecia com um luxo sensual e pagão. No texto azul-ferrete brilhavam sóis deprata, signos do Zodíaco, estrelas, asas de anjos, flores de púrpura; e, dentre estefausto sideral, pendiam de correntes de pérolas os velhos símbolos da fecundidade,os ovos de avestruz, ovos sacros de Astarté e Baco de ouro. [...] Globosespelhados, pousando sobre peanhas de ébano, refletiam as jóias dos retábulos, arefulgência das paredes revestidas de jaspe, de nácar e de ágata. E no chão, nomeio deste clarão, precioso de pedraria e luz, emergindo dentre as lajes demármore branco, destacava um bocado de rocha bruta e brava, com uma fendaalargada e polida por longos séculos de beijos e afagos beatos. (QUEIRÓZ, Eça.1997. A relíquia. São Paulo: Publifolha) Observa-se no texto acima que as ações e qualificações são vistas comosimultâneas, não havendo entre elas relação de anterioridade e de posterioridade. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 39Há, portanto, uma organização espacial, e não temporal, como na narrativa. Trata-sede uma descrição, um tipo textual que apresenta uma função, pois fixa caracteres,dá qualificação de personagens, espaços, tempos. Uma descrição não é neutra,pois, a partir dos elementos selecionados e da forma como são apresentados, revelauma visão de mundo. Como exemplo de descrição não-literária (técnica), o texto abaixocorresponde a um folheto de propaganda de carro: Conforto interno – È possível falar de conforto sem incluir o espaço interno.Os seus interiores são amplos, acomodando tranquilamente passageiros ebagagens. O Passat e o Passat Variant possuem direção hidráulica e arcondicionado de elevada capacidade, proporcionando a climatização perfeita doambiente. Porta Malas – O compartimento de bagagens possui capacidade de 465livros, que pode ser ampliada para te 1500 litros, com o encosto do banco traseirorebaixado. Tanque – O tanque de combustível é confeccionado em plástico reciclávele posicionado entre as rodas traseiras, para evitar a deformação em caso decolisão. 4.4.3 – Argumentação O texto argumentativo é aquele em que se defende uma idéia, opinião ouponto de vista, uma tese. Em um texto argumentativo, distinguem-se trêscomponentes: a tese, os argumentos e as estratégias argumentativas.• A tese, ou proposição: é a idéia que se defende• Os argumentos: são as respostas à pergunta “por que”, feita ao tema Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 40• As estratégias argumentativas: são os recursos (verbais e não-verbais)utilizados para envolver o leitor/ouvinte de forma a convencê-lo, ou persuadi-lo egerar mais credibilidade ao texto. A atividade comunicativa não pressupõe apenas que, simplesmente, oreceptor entenda a mensagem transmitida pelo emissor, mas, considerando quecomunicar é agir sobre o outro, então a função daquele que envia uma mensagem é,também, fazer com o que o receptor aceite-a: tem-se a argumentação comoinstrumento lingüístico que visa a persuadir, a fazer com que o leitor/ouvinte aceite oque lhe foi comunicado. São diversos os gêneros textuais que utilizam esse recusoargumentativo: o texto acadêmico, científico, uma propaganda etc. Os argumentos usados para convencer aquele que ler/ouve o texto podemser de diferentes tipos: argumento de autoridade, argumento baseado no consenso,argumento baseado em provas concretas, argumento com base no raciocínio lógicoe argumento da competência lingüística. (Platão & Fiorin, 1996)• Argumento de autoridade: é a citação de autores renomados, autoridadesnaquele campo de conhecimento. Usa-se esse tipo de argumento para mostrar quese tem conhecimento a respeito do assunto.• Argumento baseado no consenso: é o uso de máximas, proposiçõesaceitas como verdadeiras sem que sejam necessárias provas, demonstrações dessaveracidade.• Argumento baseado em provas concretas: é o argumento embasado emdados, estatísticas válidas, exemplos, fatos comprobatórios. Esses fatos devem serpertinentes, suficientes, adequados e fidedignos para que sejam consideradosprovas de uma determinada afirmação.• Argumento com base no raciocínio lógico: é o uso de proposições que serelacionam umas com as outras. Por exemplo, proposições com relação de causa e Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 41conseqüência. É importante lembrar que esse tipo de argumentação favoreceproblemas como fuga do tema e incoerências.• Argumento da competência lingüística: é o uso da variante culta da línguae de vocabulário adequado à situação. Trata-se de um mecanismo lingüístico quefavorece a credibilidade e, portanto, auxilia na persuasão do leitor/ouvinte. Embora não se possa reduzir a argumentação a um inventário de estruturasléxico-sintáticas que marcam explicitamente as tomadas de posição do emissordiante de certas proposições, vale apresentar, aqui, um quadro com amostras dasformas mais usadas na argumentação, tendo em vista a necessidade de seestruturar organizada e coerentemente um texto deste tipo para que se possa atingiro objetivo proposto. (Vigner, 2002b)Quadro 5 Fórmulas introdutórias As transições - comecemos por - passemos então a - a primeira observação recai sobre - voltemos então a - inicialmente, é preciso lembrar que - mais tarde voltaremos a - a primeira observação importante a - antes de passar a... é preciso ser feita é que observar que... - sublinhado isto As fórmulas conclusivas A enumeração - logo - em primeiro (segundo etc) lugar - conseqüentemente - e por último - é por isso que - e em último lugar Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 42 - afinal - inicialmente - em suma - e em seguida, além do mais, além - pode-se concluir afirmando que disso, além de que, aliás - a // se acrescenta, por outro lado - enfim - se acrescentarmos por fim As fórmulas concessivas A expressão da reserva - é certo que - todavia - é verdade que - no entanto, entretanto - evidente, seguramente, - mas, porém naturalmente - contudo - incontestavelmente, sem dúvida alguma - pode ser que As fórmulas de insistência A inserção de um exemplo - não apenas... mas - consideremos o caso de - mesmo - tal é o caso de - com muito mais razão - este caso apenas ilustra - tanto mais que - o exemplo de... confirma - etc É importante ressaltar que nem sempre o texto argumentativo obedece àsexigências prescritas pela norma culta da língua. Muitas vezes para se alcançar apersuasão pretendida é preciso que o texto seja adequado à situação em que ele éproduzido. Por exemplo, o discurso feito para uma criança de rua sem família Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 43estruturada, que não freqüenta a escola, que não se alimenta normalmente, com ointuito de convencê-la a não cometer determinado ato, não usará as mesmasestratégias argumentativas de um discurso feito em um tribunal do júri. Nessesentido, foi selecionado o texto abaixo, extraído do livro de Platão e Fiorin (1996),para ilustrar uma argumentação. Trata-se de um vídeo exibido na Casa de Detençãode São Paulo, para ensinar aos detentos formas de prevenção contra a Aids: Aqui é bandido: Plínio Marcos. Atenção, malandrage! Eu num vô pedirnada, vô te dá um alô! Te liga aí: Aids é uma praga que rói até os mais fortes, erói devagarinho. Deixa o corpo sem defesa contra a doença. Quem pegá essapraga esta relado de verde e amarelo, de primeiro ao quinto, e sem vaselinha.Num tem doto que dê jeito, nem reza brava, nem choro, sente o aroma daperpétua: Aids pega pelo esperma e pelo sangue, entendeu?, pelo esperma epelo sangue! (Pausa) Eu num tô te dando esse alô pra te assombrá, então se toca! Não éporque tu ta na tranca que virou anjo. Muito pelo contrário, cana dura deixa o cararuim! Mas é preciso que cada um se cuide, ninguém pode valê pra ninguém nessenegócio de Aids. Então, já viu: transá, só de acordo com o parceiro, e decamisinha! (Pausa) Agora, tu aí que é metido a esculachá os outros, metido a ganhá ocompanheiro na força bruta, na congesta! Pára com isso, tu vai acabá empestado!Aids num toma connhecimento de macheza, pega pra lá, pega pra cá, pega emhome, pega em bicha, pega em mulhé, pega em roçadeira! Pra essa peste numtem bom! Quem bobeia fica premiado. E fica um tempão sem sabê. Daí, o maismalandro, no dia da visita, recebe mamão com açúcar da família e manda pracasa o Aids! E num é isto que tu qué, né, vago mestre? Então te cuida. Sexo, sócom camisinha. (Pausa) Quem descobre que pego a doença se sente no prejuízo e quer ir à forra,passando pros outros. (Pausa) Sexo, só com camisinha! Num tem escolha,transá, só com camisinha. Quanto a tu, mais chegado ao pico, eu tô sabendo que ninguém corta o Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 44vício só por ordem da chefia. Mas escuta bem, vago mestre, a seringa é o canalpra Aids. No desespero, tu não se toca, num vê, num qué nem sabê que, àsvezes, a seringa vem até com um pingo de sangue, e tu mete ela direto em ti. Àsvezes, ela parece que vem limpona, e vem com a praga. E tu, na afobação, meteela direto na veia. Aí tu dança. Tu, que se diz mais tu, mas que diz que num podeagüentá a tranca sem pico, se cuida. Quem gosta de tu é tu mesmo. (Pausa) E afarinha que tu cheira, e a erva que tu bafurra enfraquece o corpo e deixa tu chuéda cabeça e dos peitos. E aí tu fica moleza pro Aids! Mas o pico é o canal diretopra essa praga que está aí. Então, malandro, se cobre. Quem gosta de tu é tumesmo. A saúde é como a liberdade. A gente dá valor pra ela quando já era! (Vídeo exibido na Casa de Detenção de São Paulo: Adag; Realização: TV Cultura, 1988) 4.4.4 – Exposição Um texto expositivo apresenta, de maneira geral, a explicação de umdeterminado tema. São textos expositivos: reportagens, textos didáticos, instruçõesde uso, artigos científicos, monografias e todos os gêneros textuais que apresentama finalidade de transmitir informações. A partir desse propósito comunicativo, exigem-se, nesse tipo de texto,clareza na construção dos parágrafos e das orações, objetividade, vocabulárioapropriado e ordenação das idéias. Abaixo segue um exemplo de exposição: Novas maravilhas do mundo Séculos depois da elaboração da primeira lista sobre o tema, o mundofinalmente conheceu suas sete novas maravilhas. Numa eleição que contou com aparticipação de quase 100 mil pessoas de vários países, foram escolhidosmonumentos, construções arquitetônicas e até cidades inteiras, para simbolizar oque há de mais bonito e significativo no patrimônio histórico e cultural daatualidade. O mais importante é que, embora polêmica, a votação serviu de alerta Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 45para a preservação desses e de outros bens precisos da Terra, que nem semprerecebem a devida atenção. Para se ter uma idéia, das sete maravilhas do mundo antigo, listadas entre150 a.C. e 120 a.C. e imortalizadas pelo poeta grego Antípatro de Sídon, apenasas pirâmides de Gizé, no Egito, ainda podem ser visitadas. Conhecida como TaHepta thaemata, que em grego quer dizer “as sete coisas dignas de serem vistas”,a lista original incluía os jardins suspensos da Babilônia, onde hoje fica o Iraque; aestátua de Zeus, na Grécia; o templo da deusa Ártemis, em Éfeso, e o mausoléude Helicarnasso, ambos na Turquia; o colosso de Rodes, estátua gigantesca debronze, e o farol de Alexandria, no Egito. Dessas seis maravilhas existem apenasruínas ou registros em documentos históricos. Pensando nisso, o empresário suíço Bernard Weber criou em 2001 afundação New 7 Wonders (Novas 7 Maravilhas), como forma de divulgar epreservar o patrimônio existente nos dias atuais. Para conseguir a atençãonecessária, a fundação lançou, em 2005, um concurso para escolher as setemaravilhas do mundo moderno. Depois de centenas de candidaturas, 21monumentos foram selecionados para votação pela internet ou mensagens decelular. Campanhas. O concurso foi tratado com mais entusiasmo em algunspaíses do que em outros. No Brasil e na Índia, por exemplo, foram feitas grandescampanhas para que a população votasse em seus representantes. Por outro lado,os Estados Unidos, que concorriam com a estátua da Liberdade, em Nova York,não fizeram praticamente nenhum esforço para eleger o documento. De qualquer forma, a participação foi dentro do esperado e as novasmaravilhas foram anunciadas numa grande cerimônia realizada em 7 de julho, emLisboa, Portugal. Embora a fundação tenha divulgado a ordem de classificação dosmonumentos, não foram informados quantos votos cada um recebeu, com ajustificativa de que são todos de igual importância. Sabe-se, no entanto, quepoucos chineses sabiam da votação. (...) (trecho da reportagem de Carolina Lenoir, no jornal Estado de Minas: 11 de agosto de 2007) Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 46 4.4.5 – Injunção Uma injunção indica como realizar uma ação, estabelece um conselho arespeito de determinado assunto ou fato. É também utilizado para predizeracontecimentos e comportamentos. Um texto desse tipo utiliza uma linguagemobjetiva e simples, desprovida de ironias, e os verbos empregados são, em suamaioria, do modo imperativo, embora também possa ser encontrado verbo no futurodo presente. Gêneros textuais como instruções, receitas, regulamentos, regras dejogo são do tipo injuntivo. A injunção pressupõe um emissor e um receptor parceiros no processo detransmissão/compreensão da mensagem: o ato comunicativo é composto porenunciador e enunciatário em um universo discursivo no qual o primeiro éconhecedor da competência do segundo e, por isso, reconhecedor do saber epoder-fazer deste. Assim, a comunicação não se torna conflituosa, já que étransmitida e interpretada de forma consensual. Como exemplo, segue abaixo o modo de preparado de uma receita do docebem-casado: Modo de preparo Bata as gemas, junte e bata até que fique bem claro. Peneire juntos afarinha de trigo e o fermento e misture delicadamente ao creme e juntando emseguida as claras batidas em neve. Coloque em assadeira untada e polvilhada.Leve ao forno médio (180° Ligue o forno na hora d e colocar a massa. Asse por ).cerca de 10 minutos. Retire do Forné e deixe esfriar. Corte com cortador e recheieunindo dois a dois. Recheio Junte o leite condensado, as gemas e a manteiga. Misture bem e leve aofogo baixo, mexendo sempre até obter consistência cremosa (mais ou menos 10minutos). Retire do fogo e junte o licor de cacau, o suco de limão e as nozes.Deixe esfriar. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 47 Finalização Depois de recheados, passe açúcar fino e embrulhe. Faça uma lindaembalagem. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 48 UNIDADE 5: CONSIDERAÇÕES FINAIS Existem diferentes modelos teóricos de leitura que vão desde a linearidadedos modelos de percepção visual e processamento de letras, que mostrammecanismos de leitura, mas não tratam da compreensão, passando pelo modelo deadivinhação, que aborda a compreensão, mas não explica como se chega à mesma,até chegar aos modelos interacionistas que focalizam o processo cognitivo dacompreensão do texto. Conforme foi apresentado, viu-se que a leitura, segundo algunspesquisadores do assunto, é um processo complexo, em que o leitor precisa deconhecimentos de natureza diversa para construir significados e, assim,compreender o texto. Ler não parece, portanto, um processo “linear e serial, passo apasso, desde o olho até a memória que estaria aguardando a chegada do materialpara começar a processá-lo.” (Kleiman, 2004b). A leitura é um processo interativo,uma vez que diversos conhecimentos do leitor interagem em todo momento com otexto para se chegar à compreensão deste. Na mesma maneira, elaborar um texto pressupõe uma atividade dialógica, emque o enunciador, em interação com o receptor da mensagem, produz o sentido dotexto. A competência textual relaciona-se, portanto, à capacidade de expressaridéias de forma coerente e adequada aos receptores eventuais e ao objetivopretendido. No texto escrito, em especial, essa busca pela coerência requer odomínio de aspectos lingüísticos, pragmáticos e da organização textual em termosde micro e macroestruturas. As características de um texto acompanham a função do mesmo. Assim, ograu de formalidade varia, seja no texto oral ou no texto escrito, conforme a situaçãode uso da língua; o gênero também é determinado pelo objetivo que se pretendecom a construção do texto. São diversos os gêneros porque são muitas asatividades humanas. Em cada prática social um determinado gênero é mais adequado, e oindivíduo competente sociocomunicativamente percebe essa adequação e sabediferenciar um gênero do outro. Sabe, por exemplo, quando está diante de uma Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 49anedota, de um poema, de uma explicação, de uma conversa telefônica etc. “Acompetência textual permite que o indivíduo identifique, ainda, seqüências decaráter narrativo, descritivo, expositivo e/ou argumentativo.” (Koch, 2002). O contato com diferentes gêneros textuais é, portanto, fundamental para odesenvolvimento da competência comunicativa, pois eles mostram diversos modosde interação. Em outras palavras, lidar com a língua em seus vários usos autênticosno dia-a-dia, cada um com uma função apropriada para o tipo de interaçãoespecífica, é importante para a produção e para a compreensão de textos. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 50 REFERÊNCIASBAKHTIN, Michael. 1992. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal.São Paulo: Martins fontes.BRONCKART, Jean-Paul. 1999. Atividade de linguagem, textos e discursos: por uminteracionismo sócio-discursivo. São Paulo: EDUC.CHARROLES, Michel. 2002. Introdução aos problemas de coerência dos textos(abordagem teórica e estudo das práticas pedagógicas). In: In: GALVES, Charlotte;ORLANDI, Eni Puccinelli & OTONI, Paulo (orgs.) Texto, leitura e escrita. 3ª ed.Campinhas/SP: Pontes.DUBOIS, Jean e al. 1973. Dicionário de lingüística. Trad. De Frederico Pessoa deBarros e outros. São Paulo: CultrixECO, Humberto. 1984. Conceito de texto. São Paulo: T.A Queiroz.GUIMARÃES, Elisa. 1992. A articulação do texto. São Paulo: Ática.GONZÁLEZ FERNÁNDEZ, A. 1992. Estrategias metacognitivas en la lectura.Madrid: Universidad Complutense.KATO, Mary. 2003. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. 7ª ed.São Paulo: Ática.KLEIMAN, Ângela. 2004a. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. 9ª ed.Campinas/SP: Pontes___________. 2004b. Leitura: ensino e pesquisa. 2ª ed./2ª reimpressão.Campinas/SP: Pontes.KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. 1991. A coesão textual. São Paulo: Contexto._____________ 1998. O texto e a construção de sentidos. 2ª ed. São Paulo:Contexto___________ 2002. Desvendando os segredos do texto. 5ª ed. São Paulo: Cortez.___________. & TRAVAGLIA, Luiz Carlos.2003. Texto e Coerência. 9ª ed. SãoPaulo: Cortez.LABOV, William. 1972. The transformation of Experience in Narrative Syntax. In:_________. Language in the inner city. Pennsylvania: University of PennsylvaniaPress. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 51LENOIR, Carolina. 2007. Novas maravilhas do mundo. In: Jornal Estado de Minas.edição do dia 11 de agosto.MARCUSCHI, Luz A. 2001. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.São Paulo: Cortez_____________ 2002. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍCIO, Aet al. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: LucernaMOITA LOPES, Luiz Paulo. 2002. Oficina de lingüística aplicada. 4ªreimpressão.Campinas/SP: Mercado de Letras.PLATÃO, Francisco & FIORIN, José Luiz. 1996. Lições de texto: leitura e redação.São Paulo: Ática.PRETA, Stanislau Ponte. 1983. A velha contrabandista. In: Para gostar de ler:contos. Volume 8. São Paulo: ÁticaQUEIRÓZ, Eça.1997. A relíquia. São Paulo: PublifolhaSAUTCHUK, Inez. 2003. A produção dialógica do texto escrito: um diálogo entreescritor leitor e leitor interno. São Paulo: Martins FontesTRAVAGLIA, Luiz Carlos. 2002. Tipelementos e a construção de uma teoriatipológica geral de textos. mimeografado.VIGNER, Gerard. 2002a. Intertextualidade, norma e legibilidade. In: GALVES,Charlotte; ORLANDI, Eni Puccinelli & OTONI, Paulo (orgs.) Texto, leitura e escrita.3ª ed. Campinhas/SP: Pontes.___________ 2002b.Técnicas de aprendizagem da argumentação escrita . In:GALVES, Charlotte; ORLANDI, Eni Puccinelli & OTONI, Paulo (orgs.) Texto, leitura eescrita. 3ª ed. Campinhas/SP: Pontes. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 52 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃOQuestão 1Os modelos de leitura são classificados conforme o fluxo da informação durante o ato de ler. Arespeito desses modelos, assinale a afirmativa correta:a) Quando fluxo da informação parte do texto impresso para o leitor, diz-se que o processo da leituraocorre de maneira descendente, ou seja, de cima para baixo.b) O modelo de testagem de hipóteses de Goodman compõe a gama de modelos ascendentes deleitura.c) A leitura, de acordo com os modelos descendentes, é um processo perceptivo e de decodificação,em que se identifica letra por letra, a partir de um estímulo visual, para obter o significado do todo.d) Nos modelos interacionistas, o foco da leitura é colocado no leitor, isto é, o fluxo da informaçãoparte do leitor para o texto.e) Os modelos ascendentes/descendentes vêm o ato de ler como um processo que envolve tanto ainformação impressa (o texto), quanto a informação que o leitor traz consigo (o conhecimento prévio).Trata-se de modelos interacionistas, em que leitor e autor interagem durante o processo da leitura.Questão 2Por que a leitura pode ser considerada um processo cognitivo e social? Assina a alternativaque melhor responde essa questão:a) A leitura é um processo que envolve atenção, percepção, raciocínio, juízo, imaginação,pensamento, linguagem e, além disso, pressupõe a existência de dois sujeitos, leitor e autor, queinteragem durante os atos de ler e compreender.b) A leitura é um processo cognitivo porque apresenta uma multiplicidade de estratégias empregadaspelo leitor, conforme as condições que a ele são dadas. Trata-se, também, de um ato social porqueenvolve a linguagem humana.c) A leitura é um processo cognitivo porque que envolve atenção, percepção, raciocínio, juízo,imaginação, pensamento, linguagem. É ainda um processo social porque apresenta objetivosespecíficos e múltiplas estratégias de realização.d) A leitura é um processo que envolve interação entre leitor e autor na produção de sentido, por issopode ser considerada um ato social e cognitivo.e) A leitura é um processo cognitivo e social porque o leitor traz consigo um conhecimento prévio queauxilia na produção de significados durante o ato de ler. Esse conhecimento prévio é tudo aquilo queo leitor aprende durante a vida e permite que ele faça as inferências necessárias para construir ossentidos do texto. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 53Questão 3Existem diferentes modos de se ler um texto que dependem de vários fatores, tais como amaturidade do leitor; a complexidade textual; o conhecimento prévio; o gênero do texto e oobjetivo da leitura entre outros. Sobre esses fatores, assinale a afirmativa incorreta:a) A complexidade do texto interfere na estratégia de leitura porque, quando o texto é consideradocomplexo, o leitor precisa construir esquemas novos para estabelecer a compreensão do texto.b) No momento da leitura, o leitor lança mão de suas experiências, crenças, opiniões, interesses, ouseja, de um conhecimento prévio que é fundamental para determinar o tipo de leitura que serárealizada.c) O leitor maduro é aquele que usa apenas uma estratégia de leitura e, por isso, sua compreensãodo texto é mais objetiva, rápida e eficaz.d) Para cada gênero textual, a estratégia de leitura é diferente.e) As estratégias de leitura variam conforme o objetivo da leitura: o tipo do texto determina, até certoponto, os objetivos da leitura, se para cada tipo textual usa-se uma estratégia de leitura diferente,então, para cada objetivo, uma estratégia distinta será também será usada.Questão 4Sobre a maturidade do leitor, assinale a alternativa falsa:a) O leitor maduro é aquele que sabe monitorar as estratégias metacognitivas de leitura.b) Quando o leitor adquire maturidade, ele planeja, monitora e regula os próprios processoscognitivos envolvidos no ato de ler.c) Em relação à maturidade do leitor, pode-se dizer que, ou ele é um leitor maduro ou não, isto é, nãoexistem níveis de maturidade.d) Dizer que um leitor é maduro é dizer que ele é capaz de identificar os objetivos da leitura, aspectosimportantes do texto e, também, de verificar sua própria compreensão.e) O leitor maduro adquire as estratégias de leitura cumulativamente.Questão 5Fala e escrita são meios distintos de realização textual, que apresentam diferenças formais efuncionais, embora também seja possível afirmar que se trata de duas realidades similares. Arespeito disso, assinale a afirmativa correta:a) Um discurso planejado apresenta dependência contextual e menor uso de variação de forma econteúdo.b) A língua escrita pode ser caracterizada como aquela que apresenta um planejamento verbalmelhor em relação à fala, a organização estrutural e a seleção das palavras são mais cuidadosas,enquanto que na fala informal esse planejamento é menos elaborado.c) a coesão, na linguagem escrita, é estabelecida através de recursos paralingüísticos e supra-segmentais, enquanto que, na linguagem oral, ela é estabelecida através de meios lexicais e deestruturas sintáticas complexas que usam conectivos explícitos. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 54d) Fala e escrita são duas realidades diferentes quanto à natureza do estímulo (auditivo X visual),quanto à forma, à função e como meios condutores de mensagem lingüística e realizações de umagramática.e) A semelhança entre as modalidades fala e escrita encontra-se no fato de ambas serem um produtopermanente.Questão 6Segundo os modelos processuais da escrita, esta é caracterizada como um ato que envolveuma meta (objetivo) e um plano, e também um ato de resolução de problemas. Assinale aalternativa que melhor se relaciona a essas metas e/ou problemas e resoluções referentes aessas metas.a) A meta do tipo ideacional, ou de conteúdo proposicional, relaciona-se ao planejamento e execuçãodo autor do caminho necessário para atingir a coesão e a coerência do texto.b) A meta do tipo textual diz respeito ao falto do leitor planejar o tipo de leitor para quem ele vaiescrever e que efeito ele quer causar nesse leitor.c) A meta do tipo interpessoal refere-se ao planejamento dos caminhos que serão tomados: por ondecomeçar, em que direção prosseguir, que pontos ressaltar e como terminar o texto.d) Em relação à meta do tipo textual, o problema encontra-se no fato do autor não poder extrair damemória apenas as informações relevantes e direcionadas para um determinado fim.e) Em relação à meta do tipo interpessoal, o problema reside no fato de a comunicação não ocorrerfrente a frente e, por isso, o autor precisa decidir quem será o seu leitor virtual para definir forma econteúdo do texto.Questão 7Assinale a alternativa que não se relaciona a uma correta definição de texto:a) Em sentido amplo, a palavra texto designa um enunciado qualquer, oral ou escrito, longo ou breve,antigo ou moderno.b) O texto caracteriza-se por seu estrato semântico e comunicativo, assim como por sua coerênciaprofunda e superficial.c) São textos: uma frase, um fragmento de um diálogo, um poema, um romance e, até mesmo, umapalavra-frase, como a que se apresenta em expressões como ‘fogo’, ‘silêncio’, situadas em contextosespecíficos.d) O texto pode ser concebido como uma amostra de comportamento lingüístico apenas escrito. Aunidade lingüística falada é denominada discurso.e) Todo texto é realizado por meio de empréstimo de um gênero e, portanto, sempre pertence a umgênero. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
    • 55Questão 8O que significa dizer que a produção textual escrita tem caráter dialógico? Escolha uma dasalternativas abaixo que melhor responde essa questão:a) A elaboração do texto escrito é um processo em que o autor usa tanto as estratégias de produçãotextual, quanto as estratégias de leitura.b) A escrita é produto de uma atividade humana, é, pois, interativa, dialógica.c) O ato de escrever é uma atividade interativa entre o emissor e o receptor, ou seja, possui umafunção comunicativa e social exercida entre dois enunciadores que participam do processo daconstrução de sentido.d) A produção textual pressupõe a criação de um texto íntegro e estruturado mediante regras textuaise do próprio sistema da língua.e) A escrita é uma atividade de comunicação verbal que tem como objetivo a transmissão deintenções e conteúdo. Trata-se de um processo que envolve planejamento e execução.Questão 9Qual das afirmativas abaixo não se relaciona à microestrutura do texto?a) Diz respeito a todos os componentes (predominantemente extralingüísticos) que possibilitam aorganização global de sentido do texto e que são responsáveis por sua significação.b) Associam-se à microestrutura todos os elementos e mecanismos de coesão.c) Representa todo um sistema de instruções textualizadoras de superfície que auxiliam naconstrução linear do texto por intermédio de palavras e de frases.d) No nível microestrutural, as relações de coerência estabelecem-se entre as frases(sucessivamente ordenadas) da seqüência.e) É responsável pela estruturação lingüística do texto.Questão 10Assinale a alternativa abaixo que contradiz a idéia de boa formação textual.a) A boa formação textual relaciona-se com os conceitos de coesão e coerência.b) Um texto bem formado é aquele que apresenta coerência nas macro e microestruturas.c) A boa formação textual pressupõe a obediência a certas regras tais como metarregra de repetição,de progressão, não-contradição e de relação.d) A coesão é o que faz com que uma seqüência lingüística seja vista como um texto, porque permiteo estabelecimento de relações – sintático-gramaticais, semânticas e pragmáticas – entre oselementos da seqüência (morfema, palavras, expressões, frases, parágrafos, capítulos etc),possibilitando construí-las e percebê-las como constituindo uma unidade significativa global.e) A coerência está relacionada à boa formação do texto, mas não no sentido da gramaticalidadeusada no nível da frase (coesão), mas sim em termos da interlocução comunicativa. Site: www.institutoprominas.com.br Email: prominas@institutoprominas.com.br Telefone: (0xx313865-1400 Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)