SUMÁRIO                                                                                   SUMMARYAlimentos preservados com...
Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus                                 Coordenadores de CursoPresidente        ...
Revista da       FAEApresentação          Prezados leitores          Com os votos de Paz e Bem temos a alegria de disponib...
Experiências e preocupações com a educação, especificamente do ensino superior, tambémse fazem presentes nos artigos que a...
Revista da          FAEAlimentos preservados com radiação: a vantagem competitivaque falta ao Brasil1Food preservation wit...
Introdução                                                 Este artigo procura examinar diversos aspec-                   ...
Revista da    FAEde insetos em função do clima tropical. A logística      realizado uma viagem internacional nos dias an-d...
final, é exposto à radiação. Como não há             gênicos e aumenta a vida útil em armazenamentocontacto com a fonte ra...
Revista da        FAEQUADRO 01 - FAIXAS DE DOSE ABSORVIDA PARA O TRATAMENTO DE ALIMENTOS COM RADIAÇÃO                     ...
com a blindagem da radiação e sistemas auxiliares             A estratégia de entrada no mercado do serviçopodem ser insta...
Revista da      FAE     Dentre as instalações não nucleares, os irra-       1.5 Regulação e fiscalização de instalaçõesdia...
(CNEN). O licenciamento de instalações radiativas          A Organização Mundial de Comércio apontasegue um conjunto de et...
Revista da     FAEsadas uma política de atraso e obstrução no uso de       o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleare...
acumulado sobre o que é necessário para o uso                e etiquetagem, além de consultoria emem escala da preservação...
Revista da             FAE           gócio não deveria ser comprometida pela                                       realiza...
Conclusões                                                   Destaca-se a importância do apoio gover-                     ...
Revista da     FAEReferênciasCAC. Codex General Standard for Irradiated Foods. Codex Alimentarius Commission. CODEXSTAN 10...
GREEN, A. USDA’s operational experience in the growing use of irradiation as a plant quarentinetreatment for safe trade. I...
Revista da       FAEORNELLAS, C. B. D. et al. Atitude do consumidor frente à irradiação de alimentos. Ciência eTecnologia ...
Revista da         FAEO treinamento experiencial e sua aplicação no contextocorporativo: estudo comparativo entre programa...
Introdução                                            nas modalidades low ropes (cordas baixas) e high                    ...
Revista da     FAEsituações nas quais a superação de obstáculos             própria. Já outras optam por alugar esse espaç...
atividades de ecoturismo poderão potencializar        do por obstáculos naturais. De fato, o ambientesuas atividades por m...
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  1. 1. SUMÁRIO SUMMARYAlimentos preservados com radiação: a vantagem competitiva Food preservation with radiation: the competitive advantageque falta ao Brasil 1 that Brazil lacks 1 Patricia Wieland, Leonardo Junqueira Lustosa, Teresia Diana Lewe van Aduard de Patricia Wieland, Leonardo Junqueira Lustosa, Teresia Diana Lewe van Aduard de Macedo-Soares Macedo-SoaresO treinamento experiencial e sua aplicação no contexto corporativo: The experiential training and its corporate context application:estudo comparativo entre programas de treinamento realizados nos comparative study between training programs in the United StatesEstados Unidos e no Brasil 17 and Brazil 17 Zélia Miranda Kilimnik, Eder Menezes Reis Zélia Miranda Kilimnik, Eder Menezes ReisA importância dos sistemas de gestão da qualidade: Fmea e Seis Quality management sistems regard: Fmae and Six Sigma - anSigma - uma abordagem teórica 31 theoric approach 31 Elizabeth Giron Cima, Miguel Angel Uribe Opazo Elizabeth Giron Cima, Miguel Angel Uribe OpazoCustos da qualidade: como medir o impacto dos esforços pela The quality cost: how to measure the impact of the efforts forqualidade 37 the quality 37 Fabiano Goldacker, Rubens Ricardo Franz Fabiano Goldacker, Rubens Ricardo FranzPlanejamento estratégico e gestão familiar em empresas Strategic planning and family management of enterprises inpaulistanas 47 São Paulo 47 Marilia Branquinho, Maximiliano da Silva Ribeiro, Pedro Rehem Santana, Tito Marilia Branquinho, Maximiliano da Silva Ribeiro, Pedro Rehem Santana, Tito Olavo Pereira Dancuart, Victor Souza, Adriana Beatriz Madeira, Luciano Augusto Olavo Pereira Dancuart, Victor Souza, Adriana Beatriz Madeira, Luciano Augusto Toledo ToledoAnálise comparativa dos modelos de precificação de ativos Capital Comparative analysis of both Capital Asset Pricing Model andAsset Pricing Model e Downside Capital Asset Pricing Model 65 Downside Capital Asset Pricing Model 65 Adriana Moreira Bastos de Faria, Lucas Maia dos Santos Adriana Moreira Bastos de Faria, Lucas Maia dos SantosO uso do cheque especial e do cartão de crédito pelos acadêmicos The use of overdraft and credit card by studentsda FAE Centro Universitário 81 at FAE Centro Univeritário 81 Aline Fernanda da Silva Ferreira, Amilton Dalledone Filho Aline Fernanda da Silva Ferreira, Amilton Dalledone FilhoA sustentabilidade e sua relação com as The sustainability and its relation withestratégias organizacionais 93 corporate strategies 93 Valéria da Veiga Dias, Uiara Gonçalves De Menezes, Eliete Pozzobon Palma, Marcia Valéria da Veiga Dias, Uiara Gonçalves De Menezes, Eliete Pozzobon Zampieri Grohmann Palma, Marcia Zampieri GrohmannEmpreendedorismo social e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Social entrepreneurship and sustainability: a study of in case on theprojeto “mulheres em ação jogando limpo com a natureza” project “women in action playing clean with the nature”do IFNMG 111 of IFNMG 111 Edson Oliveira Neves, Cezar Augusto Miranda Guedes, Kléber Carvalho dos Santos Edson Oliveira Neves, Cezar Augusto Miranda Guedes, Kléber Carvalho dos SantosAbertura de capital como fonte de financiamento aos IPO as source of financing of investments in Brazil: analysis ofinvestimentos no Brasil: análise do período de 2004 a 2007 125 the 2004-2007 period 125 Leide Albergoni, Guilherme Blanski Küster Leide Albergoni, Guilherme Blanski KüsterFatores determinantes na escolha de alunos pela FAE Blumenau Factors in the choice of students by FAE Blumenau as an Institutioncomo Instituição de Ensino Superior 147 of Higher Education 147 Simone Cristina Aléssio, Maria José Carvalho de Souza Domingues Simone Cristina Aléssio, Maria José Carvalho de Souza DominguesDiferenciais competitivos dos cursos superiores de tecnologia Competitive advantages of technology undergraduate coursespela percepção dos acadêmicos 165 through the perception of students 165 Adriana Galli Velho Adriana Galli VelhoOportunidades nos mercados globalizados: estudo nas empresas Opportunities in global markets: study in the brazilian companies ofbrasileiras de consultoria em tecnologia da informação 179 consulting in information technology 179 Bruna Zambel Russo, Carolina Batista de Deus, Simone Cardoso de Almeida Bruna Zambel Russo, Carolina Batista de Deus, Simone Cardoso de Almeida Marques, Ingrid Araujo Silva, Francisco Américo Cassano Marques, Ingrid Araujo Silva, Francisco Américo Cassano FAE Centro Universitário Curitiba, v.13, n.2, jul./dez. 2010 - ISSN 1516-1234
  2. 2. Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus Coordenadores de CursoPresidente Aline Fernanda Pessoa Dias da Silva (Direito) Frei Guido Moacir Scheidt, ofm Tiago Luís Haus (Engenharia Ambiental)Diretor Geral Carlos Roberto Oliveira de Almeida Santos (Informática – Sistema de Informação e Jorge Apóstolos Siarcos Tecnologia em Sistema para Internet) Cleuza Cecato (Letras)Centro Universitário Franciscano do Paraná Daniele Cristine Nickel (Psicologia)Reitor da FAE Centro Universitário Eliane Cristine Francisco Maffezzolli (Comunicação Social: Publicidade e Propagan-Diretor Geral da FAE São José dos Pinhais da e Desenho Industrial) Frei Nelson José Hillesheim, ofm Enon Laércio Nunes (Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção)Pró-Reitor Acadêmico Érico Eleutério da Luz (Ciências Contábeis)Diretor Acadêmico Gilmar Mendes Lourenço (Ciências Econômicas) André Luis Gontijo Resende Jacir Adolfo Erthal (Tecnologia em Logística, Tecnologia em Gestão Financeira, Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos e Tecnologia em Marketing)Pró-Reitor Administrativo Joaquim Almeida Brasileiro (Negócios Internacionais) Régis Ferreira Negrão Marcus Vinicius Guaragni (Administração)Diretor de Campus – FAE Centro Universitário, Campus Centro Ney de Lucca Mecking (Educação Física) Julio Kiyokatsu Inafuco Silvia Iuan Lozza (Pedagogia)Diretor de Campus – FAE Centro Universitário, Campus Cristo Rei Frei Jairo Ferrandin, ofm (Filosofia) Carlos Roberto de Oliveira Almeida SantosDiretor Acadêmico FAE São José dos Pinhais Wagner Rodrigo WeberCoordenador dos Programas de Pós-Graduação Lato Sensu Coordenadores dos Núcleos Adriana Pelizzari (Coordenadora do Núcleo de Extensão Universitária) Gilberto Oliveira Souza Areta Galat (Coordenadora do Núcleo de Relações Internacionais)Coordenador dos Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu Cleonice Bastos Pompermayer (Coordenadora do Núcleo de Pesquisa Acadêmica) José Henrique de Faria Marcelo de Araújo Cansini (Coordenador do Núcleo de Empregabilidade)Diretor de Relações Corporativas Rita de Cássia Marques Kleinke (Coordenadora da Pastoral Universitária) Paulo Roberto de Araújo Cruz Simone Wiens (Coordenadora do Núcleo de Carreira Docente)Secretário-Geral Eros Pacheco NetoDiretor do Instituto de Ciências Jurídicas Bibliotecas Soraia Helena F. Almondes (Biblioteca – Campus Centro) Sérgio Luiz da Rocha Pombo Edith Dias (Biblioteca – Campus Centro)Ouvidoria Fernanda Périco Jorge (Biblioteca – São José dos Pinhais) Samar Merheb JordãoEditor Frei Nelson José Hillesheim, ofm Comitê EditorialCoordenação Editorial Bruno Harmut Kopittke, Dr. (UFSC); Francisco Antonio Pereira Fialho, Dr. (UFSC); Glauco Cleonice Bastos Pompermayer (coordenadora editorial) Ortolano, Ph.D (Lauder Institute/Wharton School/University of Phennsylvania); Harry Danielle Francesca Lopes Lago (revisão de linguagem) J.; Burry, Ph.D (Baldwin Wallace); Heloísa Lück, Ph.D (UFPR); Heloiza Matos, Dra. (USP); Mariana Fressato (normalização) Jair Mendes Marques, Dr. (FAE Centro Universitário, UTP); João Benjamim da Cruz Edith Dias (normalização) Junior, Ph.D (UFSC); Cleverson Vitório Andreoli, Dr. (USP); Mirian Beatriz Schneider Braun, Dra. (Unioeste); Christin Luiz da Silva, Dr. (UFSC). Ewerton Diego Oliveira da Silva (diagramação) Braulio Maia Junior (diagramação) Pareceristas Eliane Cristine Francisco Maffezzolli, Dra. (FAE), Denise Maria Candioto Caselani, Dra. (UNINOVE), Walter Tadahiro Shima, Dr. (UFPR), Nicolau Barth, Ms. (UTFPR), Edson Pacheco Paladini, Dr. (UFSC), Najila Rejanne Alencar Juliao Cabral, Phd (IFCE), João Júlio Vitral Amaro, Dr. (UFMG), Anapatrícia Morales Vilha, Dra. (UFABC), Júlio Francisco Blumetti Facó, Dr. (ESAGS e FECAP), Eduardo Raupp de Vargas, Dr. (UNB), Antônio André Cunha Callado, Dr. (UFRPE), Pery Francisco Assis Shikida, Phd (UEL e UNIOESTE), Lafaiete Santos Neves, Dr. (FAE), Valéria Maria Martins Judice, Dra. (UFSJ), Mario Sérgio Cunha Alencastro, Dr. (UTP), Leonardo Freire de Mello, Dr. (UNIVAP), Antonio Carlos Silva Costa, Dr. (UFAL), Carlos Alberto Diehl, Dr. (UNISINOS), Ana Maria Coelho Pereira Mendes, Dra. (FAE), Francisco Antonio Pereira Fialho, Dr. (UFSC), Amilton Dalledone Filho, Ms. (FAE), Carla Cristina Dutra Búrigo, Dra. (UFSC), Rosalinda Chedian Pimentel, Phd (UNIFRAN e UNESP), Helder Gomes Costa, Dr. (UFF), Joel Souza Dutra, Dr. (USP), João Bosco Ladislau de Andrade, Dr. (UFAM), Sidnei Vieira Marinho, Dr. (UNIVALI), Antônio Lázaro Conte, Ms. (FAE), Luiz Carlos Pereira, Ms. (FAE) Indexação CAPES/Qualis Latindex Portal Livre/CNEN GeoDados Distribuição Comunidade Científica: 700 exemplares Permuta: 100 exemplares Revista da FAE. n.1/2, jan./dez. 1998 - Curitiba, 1998 - v. 28cm. regular Semestral Substitui ADECON: revista da Faculdade Católica de Administração e Economia. ISSN 1516-1234 1. Abordagem interdisciplinar do conhecimento. I. FAE Centro Universitário . Núcleo de Pesquisa Acadêmica. CDD - 001 Os artigos publicados na Revista da FAE são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não representam, necessariamente, pontos de vista da FAE Centro Universitário. A Revista da FAE tem periodicidade semestral e está disponível em www.fae.edu Endereço para correspondência: FAE Centro Universitário - Núcleo de Pesquisa Acadêmica Rua 24 de Maio, 135 - 80230-080 - Curitiba-PR Tel.: (41) 2105-4093 - e-mail: pesquisa@fae.edu
  3. 3. Revista da FAEApresentação Prezados leitores Com os votos de Paz e Bem temos a alegria de disponibilizar à comunidade acadêmica e a toda a sociedade mais uma edição da Revista da FAE. Para a elaboração deste número da Revista contamos com a colaboração de autores representantes de várias áreas e subáreas do conhecimento, assim como, de nacionalidade brasileira e internacional, para os quais desejamos expressar nossos agradecimentos. As valiosas e importantes reflexões desses autores compõem as temáticas abordadas, oscilando desde a preocupação com as inovações, relatos de casos, educação, sustentabilidade, competitividade, a métodos específicos para a solução de questões sobre gestão empresarial. A partir destes temas apresentados, torna-se possível sintetizar os conteúdos aqui apresentados por meio de uma breve descrição sobre os artigos. Iniciando pelo artigo que relata os vários aspectos de gestão industrial, avanços estratégicos, segurança ambiental e regulação da irradiação de alimentos: a vantagem competitiva que falta no Brasil. O artigo a seguir analisa por meio de uma investigação, de forma comparativa, os resultados obtidos em treinamento comportamental tradicional face à opção de treinamento experiencial no contexto corporativo. Na sequência, três artigos nos oferecem a possibilidade de compreender a importância e a relevância dos procedimentos, métodos e programas de gestão na busca da eficiência dos ambientes organizacionais, expondo questões como qualidade e planejamento. Os dois artigos subsequentes apresentam características e formas de precificação dos ativos voltados ao mercado de capitais, e uma pesquisa com jovens acadêmicos sobre o conhecimento para o uso adequado do cheque especial e do cartão de crédito. A preocupação de como alcançar e manter-se no conceito de sustentabilidade é enfatizado, a seguir, nos dois temas citados na revista. Um relatando a percepção de gestores de uma indústria do setor de alimentos e bebidas sobre a relação intrínseca entre a sustentabilidade e as estratégias organizacionais e o outro apresentando uma análise sobre a importância do empreendedorismo social e da sustentabilidade. Uma abordagem histórica e econômica nos permite compreender o comportamento da abertura de capital como fonte de financiamento dos investimentos no Brasil: uma análise do período de 2004 a 2007.
  4. 4. Experiências e preocupações com a educação, especificamente do ensino superior, tambémse fazem presentes nos artigos que apresentam os fatores determinantes nas escolhas dealunos pela FAE na cidade de Blumenau e a percepção dos acadêmicos sobre os diferenciascompetitivos dos cursos superiores de tecnologia.Finalmente, um estudo nas empresas brasileiras de consultoria em tecnologia da informaçãonos apresenta a importância e o papel dos mercados globalizados no sucesso dessasempresas.Gratos pelo prazer de compartilhar com todos a leitura da obra de cada autor, esperamoster contribuído mais uma vez com o pensamento, reflexões e atitudes acadêmicas. PAZ E BEM! Frei Nelson José Hillesheim, ofm Editor
  5. 5. Revista da FAEAlimentos preservados com radiação: a vantagem competitivaque falta ao Brasil1Food preservation with radiation: the competitive advantagethat Brazil lacks Patricia Wieland* Leonardo Junqueira Lustosa** Teresia Diana Lewe van Aduard de Macedo-Soares***ResumoA técnica de preservação de alimentos por radiação vem sendo aplicadamundialmente para aumentar o tempo de armazenamento e reduzir adependência de pesticidas químicos. Apesar dos incentivos governamentaise do mercado produtor agrícola crescente, o Brasil ainda não entrou noseleto clube dos exportadores de produtos agrícolas tropicais tratadoscom radiação. As dificuldades para oferta regular de um serviço deirradiação de alimentos independem da tecnologia utilizada. Instalaçõessemelhantes que esterilizam artigos médicos ou melhoram as propriedadestermo-mecânicas de materiais têm operado no Brasil sem interrupçõese de modo crescente. Este artigo analisa os vários aspectos da gestãoindustrial, alianças estratégicas, segurança ambiental e regulação dairradiação de alimentos e apresenta perspectivas para desenvolvimentosfuturos no Brasil.Palavras-chave: irradiação; alianças estratégicas; industrialização;exportação; frutas.AbstractFood preservation with radiation is a worldwide technique to increasestorage time and reduce chemical pesticides dependence. In spite of * Doutoranda do Departamento degovernmental support and a growing market, Brazil does not export Engenharia Industrial da PUC-Rio/ DEI. Pesquisadora Titular U-III dairradiated food. The difficulties of the irradiation services supply are not Comissão Nacional de Energiarelated to the technology, given that similar facilities are in full operation, Nuclear (CNEN). Rio de Janeiro-RJ.offering medical aid product sterilization services or improving materials E-mail: pwieland@cnen.gov.br.thermo-mechanical properties. This paper analyses several aspects of the ** PhD em Engenharia Industrial pelaindustrial management, strategic alliances, environmental safety and Stanford University, EUA. Professor do Departamento de Engenhariaregulation of food irradiation and presents some perspectives for future Industrial da PUC-Rio/DEI. Rio dedevelopments in Brazil. Janeiro-RJ. E-mail: ljl@puc-rio.br *** PhD em Filosofia Econômica eKeywords: irradiation; strategic alliances; industrialization; export, fruits. Social pela Montréal University, Canadá. Professora da Escola de Negócios da PUC-Rio/IAG. Rio de Janeiro-RJ. E-mail: tdiana.1 Os autores agradecem os comentários da Dra. Nélida del Mastro, bolsista de produtividade vanaduardmacedosoares@gmail. em pesquisa do CNPq e professora/orientadora em Tecnologia Nuclear do IPEN e USP comRev. FAE, Curitiba, v.13, n.2, p. 1-16, jul./dez. 2010 |1
  6. 6. Introdução Este artigo procura examinar diversos aspec- tos relevantes para o desenvolvimento industrial O tratamento com radiação visa conservar os da preservação de alimentos no Brasil, com oalimentos por mais tempo, reduzindo as perdas uso de radiação ionizante. O propósito não écausadas por brotamento ou maturação, além de fazer uma análise detalhada, mas tão somentereduzir a presença de micro-organismos, parasitas dar uma visão abrangente e multidisciplinar dae pragas, sem afetar a qualidade do produto. A questão que, frequentemente, é investigada comtecnologia de irradiação já é empregada em mais base em problemas isolados. Assim, discutem-sede 50 países e é aplicada, por exemplo, para a pre- brevemente os aspectos relevantes referentes àservação de carnes, frutas frescas, condimentos, qualidade de alimentos, à tecnologia, à gestão, àervas medicinais e temperos. segurança, à regulação da indústria da irradiação Desde a década de 1980, vários estudos de e ao comércio internacional. Por fim, analisa-se oviabilidade têm sido realizados para a implantação conjunto de elementos apresentados com vistasde unidades industriais de tratamento de alimentos a sugerir algumas linhas de ação gerais.no Brasil (GLÓRIA, 1987a, 1987b), (FARIA et al., A informação foi coletada por meio de revisão1999) e (GHOBRIL; DEL MASTRO, 2009). Um da literatura científica e de relatórios de organi-estudo recente realizado em cooperação com o zações internacionais, investigação documental,Canadá avaliou a qualidade de mangas irradiadas discussão com peritos de institutos de pesquisa,após o transporte e também fez uma avaliação de empresários do setor e especialistas de órgãos decustos (SABATO et al., 2009). regulação. A experiência operacional com sucesso No Brasil existem 1376 instalações industriais de exportação de frutas irradiadas de países taisque utilizam fontes de radiação para os mais diver- como Índia e México foram de grande ajuda.sos fins, e, entre estas, 34 possuem equipamentosde grande porte para irradiação (MARECHAL,2009). Apesar do otimismo sobre a exportação 1 Aspectos relacionados à tecnologiade produtos agrícolas no Brasil, faltam plantas de irradiação e à agro-indústriaindustriais dedicadas à irradiação de alimentospara atender às necessidades dos produtoresagrícolas de forma compatível com as ambiçõesde expansão desse mercado. 1.1 Necessidade de melhorias na Tendo em vista os investimentos que vêm qualidade de alimentossendo feitos nas últimas décadas para o desenvol-vimento da agricultura no Nordeste, um programa O agronegócio no Brasil é caracterizado pelade irradiação de alimentos parece ter um elevado fartura, regularidade no fornecimento, grandebeneficio-custo. Os fracassos incorridos na tenta- variedade de produtos, baixo custo de produçãotiva de explorar tal potencial não parecem estar e boa aceitação dos produtos. Entretanto, no querelacionados a questões fundamentais de ordem toca aos perecíveis, várias são as dificuldades paraeconômica, tecnológica, social ou ambiental. Ao a produção de alimentos com qualidade: frequen-contrário, todos esses aspectos parecem ser alta- temente, as águas de irrigação e de lavagem pos-mente favoráveis. suem contaminação microbiana e existe incidência 2|
  7. 7. Revista da FAEde insetos em função do clima tropical. A logística realizado uma viagem internacional nos dias an-de acondicionamento é, por vezes, inadequada e, teriores (CDC, 2005). Baseado nestas ocorrências,devido à falta de rede de transporte satisfatória e conclui-se que o risco de adquirir uma infecçãoaos longos trajetos, pode haver interrupções de devido à ingestão de alimentos preparados emresfriamento ideal. Observa-se ainda, em locais viagens aéreas de longa duração não pode sersem educação agrícola adequada, que o foco é menosprezado.no aumento de volume e na redução do custo de Considerando este quadro, acredita-se queprodução, em detrimento da qualidade. as seguintes metas deveriam ser observadas para Mesmo com a disseminação de boas práticas melhorar a qualidade dos alimentos:agrícolas e com a aplicação de métodos de a) Aspectos sociais:tratamento como a fumigação, a hidrotermia e - reduzir a probabilidade de ocorrênciao congelamento, as estimativas mostram que de doenças transmitidas por alimentosa perda da produção nacional é ainda cerca de deteriorados ou contaminados;30% para frutas e hortaliças, o que corresponde - promover a educação agrícola e alimentarao desperdício de mais de 200 mil hectares para a produção e ingestão de alimentoscultivados por ano (PEROZZI, 2007). De acordo mais saudáveis.com a Food and Agriculture Organization of theUnited Nations (FAO, 2009), a perda pós-colheita b) Aspectos econômicos:varia de 15 a 50%, não só devido à colheita fora - evitar grandes perdas por deterioraçãoda época correta, excesso de chuva, seca ou de alimentos devido à infestação, con-extremos de temperatura, contaminação por taminação e decomposição;micro-organismos e danos físicos degradação - promover o comércio internacional,do alimento, mas também por não atender a atendendo aos requisitos de controlerígidos controles de qualidade de supermercados, fitossanitário.com relação a tamanho, existência de manchas, c) Aspectos ambientais:formato desigual etc. - reduzir o uso de pesticidas químicos, que Com o crescimento da população, o alimento deixam resíduos nos alimentos (ICGFI,terá que ser transportado para distâncias cada vez 1999);maiores, necessitando de esforços especialmente - otimizar as áreas de plantio, consideran-em infraestrutura de armazenamento e processa- do perdas menores no escoamento damento para reduzir a perda de alimentos ao longo produção agrícola.da cadeia produtiva. Alimentos preparados e servidos para a po-pulação em restaurantes, bares e em transportes 1.2 Tecnologia: o tratamento de alimentosde longa distância também são motivos de preo- com radiaçãocupação para a saúde. De acordo com um estudosobre contaminação alimentar nos Estados Unidos O tratamento de alimentos com radiaçãoda América, dos casos de hospitalização reporta- é feito em irradiadores com fonte radioativados, 63% das pessoas infectadas por Salmonella intensa de cobalto-60 ou em aceleradores dee 86% com Escherichia coli (STEC O157) tinham partículas. O alimento, já na sua embalagemRev. FAE, Curitiba, v.13, n.2, p. 1-16, jul./dez. 2010 |3
  8. 8. final, é exposto à radiação. Como não há gênicos e aumenta a vida útil em armazenamentocontacto com a fonte radioativa, não há risco de sem comprometer a qualidade da alimentação.contaminação radioativa e, após o tratamento, A técnica também beneficia os pacientes imuno-não há necessidade de manipulação do alimento, deprimidos que não podem se expor ao risco deo que evita uma possível re-infestação bacteriana contaminação alimentar (IAEA, 2009). Por outro(ICGFI, 1999). Os aceleradores de elétrons atuam lado, a radiação não é recomendada para todosmais superficialmente e são ideais para alimentos os alimentos. Em alguns pode provocar alteraçõescom pouca espessura. Os aceleradores possuem na cor, no odor ou no sabor, como por exemplo,a vantagem de não necessitarem de recarga de no leite e em seus derivados e no abacate.fontes. Em ambos os casos, as caixas com os Além da vantagem de preservação de ali-alimentos entram, sobre esteiras transportadoras, mentos por mais tempo, a radiação tambémnum recinto blindado onde são irradiados durante pode contribuir para a melhoria da qualidade eum tempo pré-determinado e saem por outra de características intrínsecas do produto. O usoabertura, prontas para serem despachadas. de hidrocolóides está se tornando cada vez mais A irradiação pretende reduzir ou eliminar as importante e as propriedades reológicas de adi- tivos irradiados é uma das linhas de pesquisa embactérias patógenas para o homem tais como andamento (DEL MASTRO, 1999). O quadro 01Escherichia coli, Salmonella, Listeria e Campylo- mostra as aplicações e a faixa de dose de radiaçãobacter, os fungos formadores de micotoxinas para o tratamento de alimentos. No caso de frutase insetos (por exemplo, moscas-das-frutas dos frescas, como a manga e papaya, o maior interessegêneros Ceratitis e Anastrepha) que deterioram fitossanitário é a desinfestação de insetos e a doseos alimentos armazenados. Se aplicada na dose média aplicada é 0,4 kGy. No caso de redução decorreta para cada alimento, a radiação não afeta micro-organismos até a esterilização de alimentos,a sua estrutura molecular e, portanto, não modi- aplica-se uma dose mais alta, de até 50 kGy.fica as suas propriedades nutricionais e nem assensoriais (ICGFI, 1999). Wieland-Fajardo e Rego(1993) apresentam um resumo em linguagemsimples sobre a técnica de irradiação de produtos,a curva dose-sobrevivência de micro-organismos,os equipamentos, a segurança, a validação e ocontrole do processo por determinação de doseabsorvida no produto e outros métodos. Não só alimentos in-natura, como as frutase os desidratados, como os condimentos, podemser irradiados para sua preservação. Há umacrescente demanda por alimentos preparados,que necessitam ser estocados temporariamente,tais como as refeições para membros das forçasarmadas em serviço, passageiros em transportede longa distância ou alimentos especiais étnicosou religiosos. A irradiação elimina agentes pato- 4|
  9. 9. Revista da FAEQUADRO 01 - FAIXAS DE DOSE ABSORVIDA PARA O TRATAMENTO DE ALIMENTOS COM RADIAÇÃO Faixa de dose absorvida no Função Objetivo produto (kGy) Inibição de brotamento em batatas, cebolas, alho, 0,05 – 0,15 gengibre etc. Prolongamento do tempo de 0,25 – 1,0 frutas frescas e armazenamento vegetais Retardo do amadurecimento 1,0 – 3,0 peixe fresco, morangos, cogumelos etc. Desinfestação de insetos e parasitas em cereais, grãos leguminosos, carnes e peixes desidratados, frutas frescas e 0,15 – 0,5 desidratadas etc. Melhoria da qualidade Redução ou eliminação da carga microbiana em frutos do 1,0 – 7,0 mar ou frangos congelados ou frescos, carnes etc. Inativação de agentes patogênicos em aditivos e ingredien- 10 – 50 tes tais como condimentos, enzimas, gomas etc. Redução do número de micro-organismos até a Esterilização em combinação esterilização: carnes, frangos, frutos do mar, alimentos 30 – 50 com outros métodos preparados, alimentos para pacientes imunodeprimidos . Desenvolvimento de novas Alteração das características intrínsecas (uvas mais 2,0 – 7,0 características e produtos suculentas, redução do tempo de cozimento de vegetais) .FONTE: ICGFI (1999) Alternativamente à radiação, alguns fume- livres, originalmente presentes nas amostras. Osgantes são usados para preservação de alimentos. autores desta pesquisa lembram que alguns mitosEntretanto, alguns são prejudiciais à saúde huma- ainda necessitam ser superados antes que a irra-na e agridem o meio ambiente. O Brasil tem uma diação se torne um método amplamente aceitolegislação bastante rígida a esse respeito, confor- pelo público. Para tal, enfatizam que (a) irradiaçãome o Decreto 4.074/2002. O brometo de metila, não torna o alimento radioativo; e (b) irradiaçãomuito usado no passado, é depletor da camada de não destrói nutrientes em maior extensão queozônio e está sendo mundialmente banido. Exceto qualquer outro processo de preservação.para produtos de uso médico, a descontaminação Em pesquisa de opinião pública (ORNELLAScom óxido de etileno (ETO) está proibida no Brasil et al., 2006), ficou evidente que a falta de conhe-desde 1999 (artigo 7º da Portaria Interministerial cimento sobre o processo e seus benefícios é umn. 482/99 dos Ministérios da Saúde e do Trabalho). fator limitante: 89% dos entrevistados consumi- Uma pesquisa realizada na Empresa Brasileira riam alimentos irradiados se soubessem que a irradiação aumenta a segurança alimentar.de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) (MARTINNETO; RODRIGUES; TRAGUETTA, 1996) mostroua total adequação do uso de radiação ionizante 1.3 A gestão industrial de instalações decomo um método eficiente e seguro de desconta- irradiação de alimentosminação de pimenta do reino. Houve uma redu-ção, quando não eliminação completa, de micro- As unidades industriais de irradiação são ins--organismos e ainda a redução do nível de radicais talações compactas onde a máquina, sua estruturaRev. FAE, Curitiba, v.13, n.2, p. 1-16, jul./dez. 2010 |5
  10. 10. com a blindagem da radiação e sistemas auxiliares A estratégia de entrada no mercado do serviçopodem ser instalados em menos de 100 m2. O de irradiação de alimentos deve dar atençãoempreendimento é capital intensivo e representa especial à possibilidade de formação de aliançasum investimento da ordem de US$ 3 milhões. cooperativas. Seguindo a tipologia de Garcia-CanalA operação é simples, com pouca manutenção, et al. (2002), acredita-se que as alianças favoráveisflexibilidade de produção e reduzido número de seriam locais e de capacitação. A aliança “local”operadores, que, entretanto, devem ser qualifica- com associações de produtores agrícolas, pordos. A capacidade de produção típica é de 40.000 exemplo, expandiria os mercados de fornecedorest/ano. No investimento inicial, deve-se prever e distribuidores. A aliança “de capacitação” comnão só as despesas decorrentes da instalação do institutos de pesquisa que já atuam nesta áreaequipamento, mas, também, as decorrentes de poderia garantir o cumprimento mais aceleradomarketing e legalização para funcionamento. As dos vários requisitos de regulação e serviria paradespesas anuais devem prever o recarregamento obter vantagem competitiva sobre eventuaisparcial da fonte de Co-60 (dispensável para o concorrentes nacionais ou internacionais. Aacelerador de elétrons), e um fundo de reserva Food Irradiation Processing Alliance - FIPA (FIPA,para o descomissionamento da instalação ao fim 2009) é um fórum internacional de representantesde sua vida útil. industriais com finalidade de discutir e influenciar O cálculo do tempo de retorno do investimento assuntos relacionados à irradiação de alimentos.depende da estimativa dos custos de investimento Uma vez que a escala de produção industriale operacionais, do esquema de tarifas para o seja adequada, também uma aliança global comserviço e da taxa de utilização do equipamento. outro serviço de irradiação já inserido no mercadoNo caso de irradiador, o alto custo da fonte exterior, poderia ser benéfica para atingir estesradioativa, que tem meia-vida de cerca de cinco mercados de modo sustentável.anos (i.e. devido ao decaimento radioativo, emcinco anos a atividade cai à cerca da metade do 1.4 Análise de segurançavalor inicial), faz com que o custo fixo seja aindamaior, tornando crítica a taxa de utilização. O valor Segundo recomendações da Agência Interna-agregado é de especial interesse para o produtor cional de Energia Nuclear (IAEA), vários requisitosou distribuidor do alimento e é calculado com de segurança intrínsecos de projeto da instalação ebase no aumento da vida útil do alimento, ou de operação devem ser observados, especialmenteseja, quanto estoque deixou de ser perdido e no para blindar a radiação da fonte nas áreas comunsaumento do preço que novos mercados podem e para evitar a entrada de pessoas no recinto deproporcionar. Esse cálculo deve considerar a taxa irradiação durante operação e a consequentede venda do produto, sua variação sazonal e a exposição a altos níveis de radiação (IAEA, 1992).distribuição de probabilidade do tempo que o Os irradiadores e aceleradores operam no interiorproduto permanece sem degradação. No caso de labirintos com blindagens densas e espessasde tratamento de mangas com uma dose de 400 suficientes para não expor trabalhadores ou mem-Gy, o custo de produção é em torno de US$18,00 bros do público a níveis de radiação superiores aospor tonelada (SABATO et al., 2009). limites recomendados. 6|
  11. 11. Revista da FAE Dentre as instalações não nucleares, os irra- 1.5 Regulação e fiscalização de instalaçõesdiadores e os aceleradores de partículas com capa- que irradiam alimentoscidades para preservar alimentos ou esterilizar arti-gos médicos são classificados como as instalações As instalações estão sujeitas à legislaçãode maior risco (IAEA, 2005). Já ocorreram aciden- pertinente para obtenção de licenças. A fiscalizaçãotes graves em instalações deste tipo, ocasionados é necessária para verificar se os itens de segurançapor falhas humanas decorrentes da pressão para estão sendo obedecidos. Os requisitos atuaisse resolver problemas mecânicos no irradiador que evoluíram conforme previsto por Oliveira (2000)causavam a descontinuidade de produção. A fonte com a publicação da Resolução nº 21/2001de radiação é poderosa o suficiente para causar a da Agência Nacional de Vigilância Sanitáriasíndrome aguda da radiação (SAR). Em 1991, ocor- (Anvisa), que regula as atividades de irradiação dereu um acidente em Nesvizh, Belarrúsia, quando alimentos. Esta resolução permite que qualquero operador propositadamente corrompeu vários alimento poderá ser tratado por radiação desdedispositivos de segurança e intertravamentos de que a dose máxima absorvida seja inferior àquelaum antigo irradiador usado para esterilização de que comprometeria as propriedades funcionais ouartigos médicos e entrou na câmara de irradiação os atributos sensoriais do alimento. Exige tambémpara desemperrar a correia transportadora (IAEA, que a embalagem contenha a informação:1996). O operador permaneceu a 0,2 m da fonte “Alimento tratado por processo de irradiação”.Co-60 com 28,1 PBq de atividade por menos dedois minutos e cerca de cinco minutos depois, No caso de alimentos vendidos a granel, deve-já sentia os efeitos da SAR, tais como vômitos e se colocar uma faixa com a indicação citada.dores no estômago, seguidos, após 50 minutos, Pode-se também utilizar o símbolo internacionalde diarreia. Pela geometria de exposição e sinto- correspondente (figura 01).mas físicos, estimou-se que ele tivesse recebido FIGURA 01 - SÍMBOLO INTERNACIONAL DA IRRADIAÇÃO DE ALIMENTOSuma dose letal superior a 10 Gy, necessitando decuidados médicos especializados emergenciais. Aanálise deste e de outros acidentes que ocorreramno passado serviram como base para modificaçõesno projeto de instalações deste tipo, de modo agarantir que os princípios de redundância, defesaem profundidade e independência de dispositivosde segurança sejam obedecidos em qualquer caso. Sob o ponto de vista de proteção ambien-tal, como a operação de irradiadores não geraefluentes radioativos, não há impacto ambiental.Também não gera rejeitos radioativos, pois as fon-tes de Co-60 exauridas devem ser devolvidas ao FONTE:CAC (1991)fabricante. O benefício ambiental está na reduçãodo uso de fumegantes nocivos. Mantendo-se os O licenciamento para garantir a proteçãocontroles exigidos, a etapa de maior risco radioló- radiológica de trabalhadores e do público e agico durante a vida do irradiador é o carregamento segurança das fontes de radiação é conduzidodas fontes de Co-60. pela Comissão Nacional de Energia NuclearRev. FAE, Curitiba, v.13, n.2, p. 1-16, jul./dez. 2010 |7
  12. 12. (CNEN). O licenciamento de instalações radiativas A Organização Mundial de Comércio apontasegue um conjunto de etapas consecutivas que o Brasil como o quarto país em volume deinicia com a aprovação do local da instalação exportação de produtos agrícolas (WTO, 2008).e segue até a retirada de operação, ao fim da O Brasil é o terceiro país produtor de frutas, atrásvida útil da instalação. O Ibama é o órgão que da China e da Índia. Segundo o Instituto Brasileirorealiza o licenciamento ambiental das instalações de Frutas (IBRAF, 2009), em 2008 o Brasil exportouque também segue etapas de autorizações 888 mil toneladas de frutas frescas, das 43 milhõesdesde a aprovação do local. O funcionamento de toneladas produzidas, com um decréscimode uma instalação para irradiação de alimentos de 3,3% em relação a 2007. Neste período, adepende ainda da obtenção do Alvará Sanitário exportação de mangas aumentou ligeiramente,e o cadastramento nos órgãos competentes do mas a de papaias caiu.Ministério da Saúde e Ministério da Agricultura. Uma das restrições à exportação é, semCom todas as exigências dos vários órgãos do dúvida, o custo do frete, que está relacionado aogoverno, o licenciamento pode durar pelo menos tempo gasto em transporte. O frete aéreo é mais2 anos. Durante o período de licenciamento, caro que o marítimo e a tendência é que o custo dovárias atividades de desenvolvimento do mercado frete aéreo aumente. A União Européia reconhecepoderiam ser realizadas, por exemplo, campanhas que o transporte aéreo é um dos principaisde esclarecimento da população e abertura do emissores de gases que causam o aquecimentomercado exterior. global e resolveu impor limitações e controles baseados no princípio de que “o poluidor paga” (EU, 2006). A preservação de manga e papaia com1.6 Comércio internacional de alimentos radiação triplica o tempo de vida útil da fruta, irradiados chegando a 21 dias (CENA, 2007), o que viabiliza o frete marítimo dessas frutas para alguns mercados A tecnologia de irradiação de alimentos parasua preservação surgiu oportunamente como uma mais distantes.alternativa viável de tratamento para atender aos Apesar do curto prazo para transporte e dis-requisitos do Acordo na Aplicação de Medidas tribuição para os consumidores, a União EuropéiaSanitárias e Fitosanitárias da Organização Mundial foi responsável por 72% das exportações brasilei-do Comércio (WTO, 1995). Esse acordo considera ras de mangas de janeiro a novembro de 2009,as recomendações de organizações internacionais, segundo dados disponíveis no sistema de análiseincluindo a Codex Alimentarius Commission que das informações de comércio exterior via Internettrata de irradiação de alimentos (CAC, 2003). A (ALICEWeb) mantido pela Secretaria de ComércioConvenção Internacional de Proteção a Plantas Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimen-(IPPC), cujo texto está disponível em www.fao.org/ to, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).Legal/TREATIES/004s-e.htm, tem como objetivoassegurar a ação efetiva para prevenir a dissemina- Entretanto, quando se considera o trata-ção de pestes e doenças em plantas e produtos e mento fitossanitário com radiação, nem todospromover medidas apropriadas para seu controle. os mercados aceitam os produtos irradiados tãoDentre as recomendações desta Convenção estão bem quanto os quase 50 países que já possuemas diretrizes para o uso de irradiação como medida regulamentação sobre o tema. Por exemplo, nofitossanitária (ISPM, 2003). Parlamento Europeu, prevaleceu nas décadas pas- 8|
  13. 13. Revista da FAEsadas uma política de atraso e obstrução no uso de o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nuclearesqualquer tecnologia nuclear, o que contrastou com (Ipen) e Centro de Desenvolvimento de Tecnologiao crescente desenvolvimento americano, onde a Nuclear (CDTN), assim como em algumaspreocupação com a saúde pública impulsionou universidades. Algumas unidades de esterilizaçãoa aceitação de produtos tratados com radiação de artigos médicos por radiação existentes no Brasil(DIEHL, 2002). Os requisitos americanos para im- também irradiam, eventualmente, condimentos,portação de produtos tratados com radiação são atendendo parcialmente a esse mercado.bastante rígidos e o processo de avaliação pode As duas iniciativas recentes para irradiar ali-levar anos. Mudanças estão sendo planejadas pelo mentos em escala industrial no Brasil fracassaramDepartamento de Agricultura americano (GREEN, em poucos anos. Na unidade instalada no Rio de2008), o que irá reduzir o custo de controle sobre a Janeiro, a causa provável foi a falência da empresairradiação para importação pelos Estados Unidos. matriz americana SureBeam Corp.. Atualmente, Farkas (2006) apresenta um resumo do sta- a unidade é operada por uma empresa nacional,tus da irradiação de alimentos no mundo e prevê Acelétrica Com. e Rep. Ltda.. Na unidade de Ma-avanços na área com a formação de fóruns inter- naus instalada pela TechIon Industrial Brasil Ltda.,nacionais para reunir e disseminar informação, uma ação na justiça decorrente de denúncia decom base científica, sobre segurança e benefícios má gestão do financiamento público suspendeuda irradiação de alimentos. De acordo com o a operação do irradiador. Em ambos os casos, aestudo detalhado da situação da irradiação de localização do serviço não é a ideal, por estaremalimentos (KUMEA et al., 2009), a quantidade de distantes dos mercados produtores de alimentos,alimentos irradiados no mundo em 2005 foi de e, portanto, os alimentos podem chegar para irra-405 mil toneladas, com uma estimativa de cres- diação já em deteriorização avançada. Atualmente,cimento na Ásia. uma empresa americana que controla totalmente Na América Latina, existem unidades indus- uma subsidiária brasileira, Gamma - Serviços detriais de irradiação na Argentina, Brasil, Chile, Irradiação Ltda., está planejando implantar qua-Cuba, México e Peru. A China tem 101 irradiadores tro irradiadores no Nordeste, com possibilidadee está construindo outros dez (WANG; ZHANG; de expansão para oito unidades (SECUREFOODS,PENG, 2008). Dos 25 irradiadores da Índia alguns 2009). Embora o nível de competitividade entresão dedicados à exportação de alimentos. Após empresas que irradiam alimentos ainda não sejao governo dos EUA ter aprovado a importação claro, a empresa americana informa ter obtidode mangas indianas irradiadas, a tendência é de os direitos sobre o uso exclusivo no Brasil de umcrescimento nessa área industrial (KOHLI, 2008). tipo de tecnologia particularmente adequada para irradiação de alimentos.1.7 Irradiação de alimentos no Brasil 2 Resultados e discussão As pesquisas brasileiras na área de preservaçãode alimentos vêm sendo conduzidas pela Empresa Com base na investigação documental re-Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), alizada e nas entrevistas semi-estruturadas comCentro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/ especialistas dos vários setores envolvidos, existemUSP) e por outros institutos de pesquisa como evidências de que o Brasil possui conhecimentoRev. FAE, Curitiba, v.13, n.2, p. 1-16, jul./dez. 2010 |9
  14. 14. acumulado sobre o que é necessário para o uso e etiquetagem, além de consultoria emem escala da preservação de alimentos por irra- certificação para exportação. A gestãodiação (CENA, 2007). Além disso, possui excelente dos riscos operacionais é fundamental parainfraestrutura em equipamentos e competência prevenir contingências e interrupções detécnica para pesquisa e desenvolvimento da fornecimento e para correta definição detécnica. Os empresários interessados podem se preço do serviço (WIELAND; DEL MASTRO, 2008).beneficiar dessa vantagem e focar os esforços naprodução, aproveitando ao máximo a capacidade b) Mercado interno – A desmistificação sobredo equipamento e, assim, aumentando o retorno alimentos irradiados deve ser feita em ca- nais de comunicação que atinjam a popula-do investimento. Está prevista a construção de ção consumidora, a cadeia de fornecedoresvários irradiadores de alimentos no Nordeste. e de distribuidores.Entretanto, sem uma política de desenvolvimen- c) Exportação – Para a exportação dos pro-to de infraestrutura de transportes, exportação dutos tratados com radiação sugere-see programa e aceitação de produtos irradiados, divulgar no exterior uma marca que sim-além da simplificação da regulação e do apoio bolize a qualidade dos produtos tratadosdo Ministério da Agricultura, a produção não irá brasileiros, além de esclarecer os produ-escoar para os mercados consumidores a preços tores agrícolas a respeito das exigênciasacessíveis. dos diversos mercados. A certificação pelo A investigação das possíveis causas do atraso Instituto Nacional de Metrologia, Normali-no desenvolvimento industrial do tratamento de zação e Qualidade Industrial (Inmetro) daalimentos com radiação no país revela a necessi- conformação com critérios de qualidade edade de agir de modo integrado especialmente fitossanitários é de suma importância paranas seguintes áreas (quadro 01): a plena aceitação dos produtos. Souza e Amato Neto (2009) analisaram a inserção a) Gestão Industrial - A ação de melhorias de mangas e uvas nos mercados inglês e deve-se dar, preferencialmente, por meio alemão e ressaltam a importância da aná- de alianças estratégicas entre os diversos lise e distinção da estrutura da cadeia de atores envolvidos, incluindo associação de valor para cada mercado alvo para garantir produtores e cooperativas, processadores, maior vantagem competitiva. exportadores, distribuidores, bancos fi- nanciadores, Instituto Brasileiro de Frutas d) Educação agrícola – As informações sobre (Ibraf), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro a irradiação de alimentos são publicadas e Pequenas Empresas (Sebrae), empresas em revistas científicas ou limitadas aos de logística e institutos de pesquisa. Em centros de pesquisa. Sugere-se que o tema se tratando de uma indústria em fase de seja divulgado adequadamente nos meios crescimento no Brasil, é desejável que esta educacionais de nível médio e superior e forneça assistência aos clientes, a exemplo tratado como uma realidade economica- do que faz a empresa mexicana Benebión mente competitiva. (www.phytosan.com). Esse apoio poderia e) Financiamento – o empreendimento é ca- ser em controle de qualidade da produção pital intensivo e já houve casos de fracasso do alimento, preenchimento dos requisi- para implantação desta indústria no país, tos regulatórios, serviços de transporte, mesmo com a disponibilidade de financia- embalagem, armazenagem intermediária mento público. A sustentabilidade do ne- 10 |
  15. 15. Revista da FAE gócio não deveria ser comprometida pela realizar mais rapidamente as avaliações de má gestão deste tipo de empreendimento, risco necessárias ao processo de tomada o que pode impactar negativamente na de decisão em regulação na área de agri- reputação do setor nuclear como um todo. cultura, as instituições especializadas, por f) Licenciamento - os órgãos governamentais exemplo, a Embrapa ou o Cena, poderiam envolvidos, Ministério da Agricultura, se- ser contatadas. cretaria estadual e municipal relacionados g) Apoio governamental – vários órgãos do ao agronegócio, Ibama e órgãos seccionais, governo estão envolvidos no agronegócio. Anvisa e VISAs e CNEN, deveriam tentar O sucesso do empreendimento depende simplificar a regulação através de acordo de essencialmente da política governamental mútua cooperação, evitando duplicidade favorável à exportação de alimentos. de esforços, atrasos e a criação de monopó- lios, por dificultar a livre competição. ParaQUADRO 02 - OPORTUNIDADES DE MELHORIAS EM IRRADIAÇÃO DE ALIMENTOS, VISANDO A EXPORTAÇÃO Área Oportunidades de melhorias - Análise e integração dos vários aspectos de gestão industrial para tomada de decisão sobre o investimento. - Definição da localização e dimensionamento da capacidade de produção. - Padronização de parâmetros de irradiação com a elaboração de um manual com as faixas de dose e condições de irradiação para os diversos alimentos e flexibilidade para a) Gestão industrial do serviço de aprimoramentos. tratamento com radiação - Otimização do tempo de preparação para irradiar diferentes alimentos e programação sazonal. - Avaliação de riscos. - Gestão de alianças estratégicas. - Assistência a clientes. - Programa de esclarecimento sobre as vantagens dos alimentos tratados com radiação nos b) Mercado interno grandes canais de comunicação. - Atendimentos aos requisitos técnicos, comerciais e da vigilância sanitária dos mercados recebedores. - Obtenção da certificação da qualidade para a aceitação dos produtos no mercado c) Exportação de produtos irradiados internacional. - Marketing internacional. - Divulgação dos benefícios da técnica entre os empresários do agronegócio e exportadores. - Maior ênfase do tema nos currículos educacionais de nível médio e superior das escolas de tecnologia agrícola e de alimentos, não como uma tecnologia nova, mas como um d) Educação agrícola procedimento viável. - Divulgação das vantagens do tratamento de produtos com radiação pela imprensa especializada no agronegócio e demonstrada em feiras e exposições da agroindústria. Abertura de crédito para financiamento do empreendimento a cooperativas com dispositivos e) Financiamento que garantam a longevidade e segurança da instalação. - Acordo entre os vários órgãos do governo para agilizar e evitar a duplicação de esforços f) Licenciamento e exigências desnecessárias uma vez atendidas as condições de segurança radiológica, ambiental e alimentar. - Concentração dos esforços das áreas de indústria e comércio e de relações exteriores para divulgar e facilitar as exportações. g) Apoio governamental - Apoio às iniciativas dos estados e municípios para melhoria das vias vicinais de escoamento da produção.FONTE: Os autores (2010)Rev. FAE, Curitiba, v.13, n.2, p. 1-16, jul./dez. 2010 |11
  16. 16. Conclusões Destaca-se a importância do apoio gover- namental para divulgar as vantagens da técnica, Este trabalho contribui para o desenvolvimen- facilitar o comércio de alimentos tratados com radiação e atualizar os currículos educacionais deto da indústria de preservação de alimentos com escolas agrícolas.radiação ionizante, fornecendo uma visão abran-gente e multidisciplinar da questão, e indicando A preservação de alimentos com radiação élinhas de ação, calcadas na proposta de alianças uma técnica bem conhecida pelos pesquisadoresestratégicas e acordos de cooperação, tanto para da área nuclear, entretanto, não tão divulgada noacessar e conquistar o mercado interno quanto agro-negócio. Sugere-se como futuro desenvol-para o desenvolvimento do comércio exterior. vimento da área que as atividades de irradiação de alimentos seja levada intensivamente a feiras Para uma efetiva promoção da conservação de e exposições agroindustriais. Futuras pesquisasalimentos por radiação, a análise das informações poderiam ser realizadas para a redução de custolevantadas sugere que a indústria deve tratar os de produção, relacionadas ao desenvolvimento devários aspectos técnicos, empresariais, econômicos irradiadores e aceleradores nacionais e a simplifi-e ambientais de forma integrada e coordenada, cação de critérios regulatórios, visando à reduçãoconsiderando estrategicamente a formação de do tempo de obtenção de licenças. O mercadoalianças tanto com entidades relacionadas à sua alvo para a exportação de alimentos tratados comcadeia de suprimentos, quanto com instituições de radiação deve ser avaliado em termos de gover-ensino e pesquisa. As associações de produtores e nança do comércio, beneficiando-se da comple-distribuidores, cooperativas agrícolas e industriais mentariedade sazonal da produção agroindustrialinteressados devem focar os esforços na gestão de frutas tropicais com outros exportadores, taisindustrial e otimizar a utilização das instalações como Índia e México.e a logística de suprimentos, escoamento edistribuição da produção. O quadro 02 sintetiza as principais açõespropostas em gestão industrial do serviço de tra-tamento com radiação, desenvolvimento do mer-cado interno, exportação de produtos irradiados, • Recebido em: 23/07/2010 • Aprovado em: 13/10/2010educação agrícola, financiamento, licenciamentoe apoio governamental. 12 |
  17. 17. Revista da FAEReferênciasCAC. Codex General Standard for Irradiated Foods. Codex Alimentarius Commission. CODEXSTAN 106-1983. rev.1, 2003._____ Codex General Standard For The Labelling Of Prepackaged Foods. CODEX ALIMENTARIUSCOMMISSION. CODEX STAN 1-1985. rev. 1, 1991.CDC. FoodNet Surveillance Report 2005. EUA: Center for Disease Control and Prevention. 2005.Disponível em: <http://www.cdc.gov/foodnet/annual/2005/2005_AR_Report.pdf>. Acesso em: 30dez. 2009.CENA. Divulgação da tecnologia de irradiação de alimentos e outros materiais. Piracicaba: Centrode Energia Nuclear na Agricultura, 2007. Disponível em: <http://www.cena.usp.br/irradiacao/index.asp>. Acesso em: 30 dez. 2009.DEL MASTRO, N. Development of food irradiation in Brazil. Progress in Nuclear Energy, New York,v.35, n.3-4, p.229-248, 1999.DIEHL, J. F. Food irradiation: past, present and future. Radiation Physics and Chemistry, Oxford NY, v.63, p.211-215, 2002.EU. European Parliament Resolution on Reducing the Climate Change Impact of Aviation.P6_TA(2006)0290. 4 jul. 2006. Disponível em: <http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:C:2006:303E:0119:0123:EN:PD. Acesso em: 03 jan. 2010.FAO. Post-harvest losses aggravate hunger: Improved technology and training show success inreducing losses. Food and Agriculture Organization of the United Nations. Disponível em: <http://www.fao.org/news/story/en/item/36844/icode/>. Acesso em: 30 dez. 2009.FARIA, E. F. et al. Viabilidade técnica, econômica e ambiental da implantação de um irradiador demateriais. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 19., 1999, Rio de Janeiro.Anais...Rio de Janeiro, 1999.FARKAS, J. Irradiation for better foods. Trends in Food Science and Technology, Guildford, GB,v.17. p.148-152, Apr. 2006.FOOD IRRADIATION PROCESSING ALLIANCE – FIPA. Disponível em: <http://www.fipa.us/>. Acessoem: 15 set. 2009.GARCIA-CANAL, E. et al. Accelerating international expansion through global alliances: A typologyof cooperative strategies. Journal of World Business, Greenwich, Conn., v.37, n.2, p. 91-107,Summer 2002.GLORIA, M. B. Estudo de viabilidade técnico-econômica para implantação de uma instalaçãoindustrial de grande porte na Amazônia Legal. Rio de Janeiro: IRD, 1987a (Separata, n.152)._____. Estudo de viabilidade técnico-econômica para implantação de uma instalação industrial deirradiação de grade porte no Vale do São Francisco. Rio de Janeiro: IRD, 1987b (Separata, n.153).Rev. FAE, Curitiba, v.13, n.2, p. 1-16, jul./dez. 2010 |13
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  20. 20. Revista da FAEO treinamento experiencial e sua aplicação no contextocorporativo: estudo comparativo entre programas detreinamento realizados nos Estados Unidos e no BrasilThe experiential training and its corporate context application:comparative study between training programs in the UnitedStates and BrazilResumo Zélia Miranda Kilimnik* Eder Menezes Reis**As corporações têm passado por períodos contemporâneos de mudanças edesafios que as têm levado a adotar ações gerenciais diversas para incrementono resultado financeiro, na manutenção do resultado financeiro alcançado ouà sua sobrevivência no mercado. Em escalas diferenciadas e de acordo como porte e a cultura, as empresas têm se preocupado com o capital intelectualdos empregados, apostando no valor intangível das suas organizações. Esteartigo investiga uma opção ao treinamento comportamental tradicional,avaliando a eficácia, de forma comparativa, da utilização do treinamentoexperiencial no contexto corporativo. Foi realizada uma pesquisa qualitativa equantitativa, envolvendo diversas técnicas, tais como observação, entrevistase questionário de avaliação de efetividade do treinamento (Ropeloc), quefoi aplicado aos funcionários de uma empresa contratante do treinamentoexperiencial situada em Huston, Estados Unidos, e em outra situada emBelo Horizonte, Brasil. Os resultados indicam melhor aproveitamento dotreinamento aplicado no Brasil, sendo que os itens que apresentam melhordesempenho com a aplicação da metodologia de treinamento experiencial sãobusca pela qualidade, pensamento aberto, liderança e lidar com mudanças.Esses resultados surpreendem, dada a melhor infraestrutura da organizaçãoestudada nos Estados Unidos e seus maiores cuidados com a segurança noque se refere aos equipamentos utilizados.Palavras-chave: treinamento comportamental; treinamento experiencial;metodologia de treinamento experiencial.AbstractCorporations have gone through periods of contemporary changes andchallenges that have led then to adopt management actions to increase infinancial results, maintenance of the achieved financial results and their ownsurvival in the market. In different scales and according to their size and culture,business has been concerned with the intellectual capital of its employees byfocusing on intangible value of their organizations. This study investigatesan option to traditional behavioral training, evaluating the effectiveness ofa comparative analysis of the use of experiential training in the corporatecontext. We performed a qualitative and quantitative research, involvingseveral techniques such as observation, interviews and a questionnaire on the * Doutora em Administração pelaeffectiveness of training (ROPELOC), which was applied on the employees of a Universidade Federal de Minascontractor of experiential training based in Huston, United States of America Gerais. Professora na Fundaçãoand another, located in Belo Horizonte, Brazil. The results show a better use of Mineira de Educação e Cultura.applied training in Brazil, and the items that perform better in the application ** Mestre em Administração pelaof experiential training methodology is the search for quality, open thinking, Fundação Mineira de Educação eleadership and dealing with the changes. These results are surprising, given cultura. Gerente de Fábrica da DSIthe best infrastructure of the organization studied in the United States and Fosminas (Multinacional ligada aits better care of safety concerning to equipments used. mineração). E-mail: ederynca@Keywords: behavioral training; experiential training; experiential training yahoo.com.brmethodology.Rev. FAE, Curitiba, v.13, n.2, p. 17-30, jul./dez. 2010 |17
  21. 21. Introdução nas modalidades low ropes (cordas baixas) e high ropes (cordas altas). Esses termos são utilizados Em 1920, a primeira escola que enfocou nos Estados Unidos para definir os níveis de difi-responsabilidade, igualdade, justiça social, res- culdade aos quais as pessoas são expostas.peito e serviço comunitário surgiu na Alemanha, Low ropes são atividades aplicadas no solo oucom o primeiro trabalho realizado por Kurt Hahn bem próximas a ele, com a função de integração(educador e filósofo alemão) atuando com edu- das pessoas que estão em treinamento e tambémcação inovativa praticada ao ar livre. Na época, para que o facilitador avalie o nível de coesão,as atividades físicas ao ar livre já tinham caráter comprometimento, envolvimento e auto-suportecolaborativo. entre os participantes, visando à proposição de De acordo com Hammerman (1980), os pri- forma progressiva de atividades mais desafiadorasmeiros programas de treinamento experiencial ao para os grupos, nos equipamentos de high ropes,ar livre em áreas de camping nos Estados Unidos que geralmente são acessíveis por paredões de es-começam em 1930. Em 1976, surge a Associa- calada, escadas e postes inclinados. As atividadesção para a Educação Experiencial, referindo-se chamadas high ropes elevam o nível de estresseao aprendizado ao ar livre como uma forma de por estarem posicionadas geralmente a oito, noveeducação experiencial. A indústria de construção ou mais metros do solo, tornando a percepçãode challenge courses (percursos de desafio), que de risco maior. São utilizados equipamentos desão áreas de treinamento ao ar livre compostas segurança, cordas, cabos de aço, cinturões etc.de diversos equipamentos, onde acontecem ativi- As atividades fora do solo podem ser pratica-dades relacionadas à educação experiencial, teve das por uma, duas ou mais pessoas, dependendocrescimento acentuado na década de 1990 e o do equipamento e de sua configuração. Quandonúmero de consultores que proviam essa moda- os equipamentos estão isolados, são chamadoslidade de treinamento também acompanhou esse por nomes próprios, mas se são utilizados em áreacrescimento. próxima ou estão em configuração sequenciada, Attarian (2001) afirma que se, em 1992, são chamados de challenge courses (percursoshavia 300 áreas de treinamento ao ar livre nos de desafio).Estados Unidos, em 2001, eram mais de 15 000 A partir do início dos anos 1990, técnicas eem operação. O governo norte-americano, até os equipamentos de esportes e atividades não-con-dias atuais, não regulamentou essas atividades, vencionais praticados ao ar livre, como escaladapropiciando que a iniciativa privada crie padrões em rocha, rapel, arvorismo e atividades no solo,para construção, operação, manutenção e geren- têm sido utilizados em treinamentos comporta-ciamento relacionados a essas atividades. mentais corporativos experienciais, com a fina- No Brasil, o Treinamento Experiencial ao Ar lidade de desenvolver determinadas habilidadesLivre – TEAL – ocorreu pela primeira vez em maio (liderança, superação de obstáculos, trabalho emde 1992, em uma área em Teresópolis, Rio de Ja- time, entre outros), em grupos de trabalho, visan-neiro, sendo organizado pela Dinsmore Associats do ao melhor desempenho nas atividades corpo-e pela empresa americana Pro Action, usando rativas. Unir as pessoas em torno de uma tarefa,técnicas desenvolvidas por eles, de acordo com na qual é esperado que elas atinjam um objetivoo modelo americano de treinamento ao ar livre com esforço mútuo, ou expor cada indivíduo a 18 |
  22. 22. Revista da FAEsituações nas quais a superação de obstáculos própria. Já outras optam por alugar esse espaçoserá incentivada pelo grupo são exemplos de ob- e utilizar equipamentos próprios. Foi tambémjetivos de uma gama de propostas de treinamento percebido que empresas menores e consultoresque buscam conciliar objetivos e atividades para adquiriram o hábito de alugar áreas naturais paragerar um ciclo de aprendizado vivencial dirigido treinamentos e contratar serviços, tais como oà proposta do treinamento. equipamento de empresa terceira. No contexto norte-americano, a padroniza- Também foi verificado que é comum queção foi fruto da possibilidade de embargo gover- empresas de ecoturismo expandam suas ativida-namental às atividades, caso a falta do padrão des, oferecendo treinamentos experienciais por jácausasse acidentes aos praticantes. Dessa padro- possuírem área natural e equipamento, mesmonização surgiu a Association of chalenge courses que não possuam capacidade técnica tanto detecnology – (ACCT) – Associação para tecnologia aplicação do treinamento quanto de manuten-dos percursos de desafio. Atualmente, essa enti- ção e lida com os treinandos. Essas empresas dedade é responsável pela criação, pela divulgação ecoturismo abordam o foco mais recreativo, seue pela revisão dos padrões que são utilizados negócio original, na utilização da vivência obtidapelas empresas que operam, constroem e que nas atividades ao ar livre refletidas no treinamentodão manutenção e suporte. A associação, por sua organizacional, ao contrário do que ocorre nos Es-vez, é ligada ao Instituto Nacional Americano de tados Unidos, de acordo a percepção deste autor,Padrões – ANSI –, que é responsável por atualizar e que teve a oportunidade de fazer treinamentos edivulgar as normas referentes às atividades de pa- estágios naquele país.dronização em diversos segmentos das atividades As maiores empresas mineiras não são muitoindustriais, comerciais e de engenharia, visando à receptivas quando são abordadas sobre a possibili-segurança para os produtos e para os usuários. O dade de abertura para um trabalho acadêmico, te-ANSI desenvolve trabalhos similares aos realizados mendo o plágio de suas atividades. Seus dirigentespelo Instituto Nacional de Metrologia – INMETRO não são claros quando são inquiridos sobre seus–, que é o órgão brasileiro responsável pela pa- métodos e suas principais atividades específicas dedronização e pela normalização. treinamento, descartando a possibilidade de um Com o intuito de obter informações relevan- estudo, sob a alegação de que pessoas externastes sobre o treinamento experiencial, obtivemos, à organização podem criar uma empresa similar,por meio de entrevista com empresas e com con- tornando-se concorrentes.sultores que realizam treinamentos experienciais, Justifica-se, assim, um estudo exploratóriono período de abril a junho de 2009, informações em outro país, mais especificamente nos Estadosrelevantes de como é esse mercado na realidade Unidos, visando a obter conhecimento teórico elocal. Observa-se, assim, que, na grande Belo Hori- prático sobre o tema, e trazê-lo para a realidadezonte e regiões próximas, existem várias empresas local, colaborando para a melhoria do conteúdoque oferecem essa modalidade de treinamento, dessas atividades com foco corporativo. Os pro-com grande diversidade de propostas, em ter- cedimentos de segurança e de organização deve-mos de duração e de custos. Algumas empresas rão somar valor para as prestadoras de serviço,dispõem de toda a estrutura necessária, como: gerando boas práticas no manuseio e na estoca-recursos humanos, equipamentos e área natural gem dos seus equipamentos. Adicionalmente, asRev. FAE, Curitiba, v.13, n.2, p. 17-30, jul./dez. 2010 |19
  23. 23. atividades de ecoturismo poderão potencializar do por obstáculos naturais. De fato, o ambientesuas atividades por meio da melhoria qualitativa ao ar livre tem longa história por prover espaçosdos processos internos. especiais para que o indivíduo aprenda, de modo As corporações contratantes do treinamento profundo, sobre si mesmo e sobre sua interaçãoexperiencial ao ar livre poderão também avaliar as social com os outros.etapas das atividades, baseando-se nas teorias e FIGURA 01 - A ÁRVORE DA EDUCAÇÃO AO AR LIVREconhecendo a fundamentação dos processos dotreinamento. Devido ao fato de o treinamentoexperiencial ser utilizado geralmente para reforçara missão da empresa ou para modificar compor-tamentos inadequados à realidade corporativa,este estudo dará subsídios para que a corporaçãoobtenha o resultado esperado nessa modalidadede treinamento. Ou seja, para que o treinamentotorne-se efetivo e não resulte apenas em horasde lazer. Este trabalho teve como objetivo gerarconhecimentos, colaborando com empresas,consultores, prestadores de serviço e corporaçãocontratante, disponibilizando, de forma maisaprofundada, os fundamentos da atividade detreinamento ao ar livre e da educação experiencial. FONTE: Adaptado de Priest e Gass (1983) De acordo com Priest e Gass (1983), ilustradoTeoria da educação ao ar livre em seu modelo chamado “árvore da educação ao ar livre”, na qual, em sua base (as raízes), estão Segundo Barros (2000), Outdoor Education cognição, afetividade e movimentos como gran-ou Educação ao Ar Livre é uma vivência edu- des grupos, e sons, intuição, tato, gosto, visãocacional que faz uso de desafios presentes em e olfato são alusivamente relacionados com aáreas naturais como metodologia educativa. A essência humana, que deve ser aprimorada peloEducação ao Ar Livre é um método de aprendi- treinamento ao ar livre. Logo acima das raízes,zagem experiencial que utiliza todos os sentidos o tronco simboliza a educação ao ar livre comode uma pessoa, ocorrendo principalmente pela grande suporte ao ser humano em seu processoexposição do aluno ou do visitante a ambientes de treinamento. Mais acima, o frondoso tronco senaturais. De acordo com Neill (2003), a utilização desdobra em duas partes, duas vertentes: uma é a educação por meio da aventura em áreas abertasdas atividades ao ar livre para fins educativos e a outra é a vertente para a educação ambiental.envolve aventura para propiciar crescimento pes- Já os galhos simbolizam as relações intrapessoaissoal, sob a orientação de um instrutor ou líder. Os e interpessoais, as relações com os ecossistemasambientes de aprendizagem ao ar livre são mais e as relações do homem com as ciências da terra.que uma “sala de aula ao ar livre”, uma vasta área Nos galhos, também está o processo de aprendi-de diversão ou um campo de batalha entremea- zado experiencial. 20 |

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