Depressão: corpo, mente e alma           ~1~
Wagner Luiz Garcia Teodoro         ~2~
Depressão: corpo, mente e alma           ~3~
Wagner Luiz Garcia Teodoro                             Revisão                    Ivalda de Fátima Oliveira               ...
Depressão: corpo, mente e almaÉ com grande alegria que dedico este livro:- a todos aqueles que trazem o coração angustiado...
Wagner Luiz Garcia Teodoro         ~6~
Depressão: corpo, mente e almaPREFÁCIO                                           13INTRODUÇÃO                             ...
Wagner Luiz Garcia Teodoro- Velhice                                         50- Desemprego                                ...
Depressão: corpo, mente e alma- Fatores Orgânicos                                 87   . Neurotransmissão                 ...
Wagner Luiz Garcia Teodoro- Intervenções médicas                           134  . Medicamentos antidepressivos            ...
Depressão: corpo, mente e alma   . Dança                                         179   . Escrever sobre o que sente       ...
Wagner Luiz Garcia Teodoro        ~ 12 ~
Depressão: corpo, mente e alma        Hoje em dia, a depressão mostra-se como um dosgrandes males que afetam a humanidade....
Wagner Luiz Garcia Teodorocombater a depressão de forma ampla e eficaz. Sua bagagemaumenta à medida que aprofunda seus est...
Depressão: corpo, mente e alma        Com grande expressividade no cenário mundial, adepressão tem apresentado índices ala...
Wagner Luiz Garcia Teodoroneurofisiologia e neuroanatomia. Atualmente, os avanços emneurociência têm possibilitado compree...
Depressão: corpo, mente e alma        Fazendo um panorama sobre o tema “Depressão”, apresente obra está didaticamente divi...
Wagner Luiz Garcia Teodoro        ~ 18 ~
Depressão: corpo, mente e alma           ~ 19 ~
Wagner Luiz Garcia Teodoro        Depressão é umtranstorno mental, causadopor     uma      complexainteração entre fatores...
Depressão: corpo, mente e almainfluenciam sua percepção em relação ao mundo, à vida e a simesmo.       Assim sendo, é comu...
Wagner Luiz Garcia Teodoro       A depressão é um enorme “buraco” e sua escalada nãoé nada animadora quando vista lá do fu...
Depressão: corpo, mente e almaNessa situação, quase sempre a pessoa tem consciência dosmotivos que causaram seu sofrimento...
Wagner Luiz Garcia Teodoroa) Sintomas relacionados com o humor:       tristeza       emotividade       angústia       ...
Depressão: corpo, mente e almac) Sintomas somáticos:       hipersonia       insônia       perda de apetite       aumen...
Wagner Luiz Garcia Teodoro        Sabe-se que ninguém passa pela vida semexperimentar momentos de tristeza. Entende-se, ta...
Depressão: corpo, mente e almaaparente, a pessoa já procurasse uma orientação médica e/oupsicológica, evitando assim o agr...
Wagner Luiz Garcia TeodoroEsse silêncio pode ser uma forma de agressão aos familiares,deixando-os angustiados e sem saber ...
Depressão: corpo, mente e almaNão demonstrar excessiva compaixão pela dor dapessoa enferma. Essa atitude reforça a idéia ...
Wagner Luiz Garcia Teodoro        ~ 30 ~
Depressão: corpo, mente e alma           ~ 31 ~
Wagner Luiz Garcia Teodoro        A depressão é uma das doenças mais preocupantes daatualidade, porém há registros de pers...
Depressão: corpo, mente e almatrouxeram à atualidade a idéia de uma unidade da doençamaníaco-depressiva, apontando a mania...
Wagner Luiz Garcia Teodoro         No final do século XIX, o psiquiatra alemão EmilKraepelin      ofereceu    importantes ...
Depressão: corpo, mente e almaPosteriormente, na tentativa de se encontrarem fármacos parao tratamento da tuberculose, des...
Wagner Luiz Garcia Teodoro       Em 1992, a CID 10 (Classificação Internacional dasDoenças), em seu capítulo V (Transtorno...
Depressão: corpo, mente e alma           ~ 37 ~
Wagner Luiz Garcia Teodoro        De acordo com dados da OMS (Organização Mundialde Saúde) divulgados em 2001, a depressão...
Depressão: corpo, mente e alma        Estudos revelam que quanto maior o número deepisódios depressivos que a pessoa já te...
Wagner Luiz Garcia Teodoroo fato de que cerca de 80% dos deprimidos têm ideaçãosuicida, sendo que entre 10% e 15% das pess...
Depressão: corpo, mente e alma           ~ 41 ~
Wagner Luiz Garcia Teodoro        É importante chamar a atenção para o fato de quenesse capítulo não estamos ressaltando o...
Depressão: corpo, mente e alma         Esse tipo de depressão pode ter uma longa duração,chegando a ultrapassar o período ...
Wagner Luiz Garcia TeodoroApresentam maior risco de depressão no pós-parto:   aquelas que já possuem histórico de depress...
Depressão: corpo, mente e alma        Observa-se que um bom vínculo afetivo é de extremaimportância para a estruturação ps...
Wagner Luiz Garcia Teodoro        No contexto escolar, a depressão infantil podeacarretar sérios prejuízos para o desenvol...
Depressão: corpo, mente e almasociais     pelo     amadurecimento       e     aquisição     deresponsabilidades, além do r...
Wagner Luiz Garcia TeodoroSintomas de depressão no adolescente: cansaço constante; abandono das atividades preferidas; ...
Depressão: corpo, mente e alma        Percebe-se, no início dessa fase, o conflito entrecrescer, abrindo mão dos prazeres ...
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Depressão: corpo, mente e almaincapacidade, baixa auto-estima,inutilidade e dependência, alémda angústia por se aproximar ...
Wagner Luiz Garcia Teodororevelam que os idosos nessas situações, apresentam maissintomas de depressão do que aqueles que ...
Depressão: corpo, mente e alma        As situações de endividamento normalmentedespertam sentimentos de fracasso, incompet...
Wagner Luiz Garcia Teodoromenopausa, parecem colaborar para o surgimento dadepressão. Estudos mostram que o tratamento com...
Depressão: corpo, mente e alma          afastamento dos amigos e das atividades sociais          alteração no apetite   ...
Wagner Luiz Garcia Teodoro        O estresse se caracteriza por uma série de alteraçõesfisiológicas e psicológicas com ref...
Depressão: corpo, mente e alma        As perdas foram as primeiras situações não orgânicascientificamente associadas à dep...
Wagner Luiz Garcia Teodoro        Outro fato observado é que quando o pai e a mãe jáapresentaram depressão, as chances de ...
Depressão: corpo, mente e almaalguma situação de perigo ou uma doença, quando está com otempo curto para alguma atividade ...
Wagner Luiz Garcia Teodoroindicam que a gravidade do transtorno alimentar estáassociada à gravidade da depressão.        T...
Depressão: corpo, mente e almaálcool e as drogas durante episódios depressivos mas,também, parece ocorrer que tais substân...
Wagner Luiz Garcia Teodoro        Entre as enfermidades que costumam revelar sintomasdepressivos associados ao quadro, est...
Depressão: corpo, mente e alma       Seja em que situação for, a sensação de exclusão podegerar sentimentos de incapacidad...
Wagner Luiz Garcia Teodoro       Os maus-tratos são também observados na terceiraidade, momento em que a debilidade física...
Depressão: corpo, mente e alma           ~ 65 ~
Wagner Luiz Garcia Teodoro        As explicações sobre as causas da depressão ainda nãoencontram consonância no meio cient...
Depressão: corpo, mente e almadotado de inteligência) interferindo no surgimento emanutenção da depressão.        De forma...
Wagner Luiz Garcia Teodoroa estrutura psicológica. Dessa forma, o combate à depressãoatravés de uma intervenção restrita a...
Depressão: corpo, mente e almaESTRUTURA DE PERSONALIDADE        Existem fortes indícios de que a estrutura depersonalidade...
Wagner Luiz Garcia Teodorotranstornos que apresentam relação mais estreita com adepressão são os de: personalidade depende...
Depressão: corpo, mente e almaCaracterísticas de pessoas com transtorno de personalidadeansiosa: Sentimentos persistentes...
Wagner Luiz Garcia Teodoro        Luto é um processo natural de elaboração de perdas eadaptação, vivido num curto espaço d...
Depressão: corpo, mente e almaretraimento (estado de apatia semelhante ao da depressão noadulto).       A depressão anaclí...
Wagner Luiz Garcia Teodoro A pessoa pode experimentar conflitos por reconhecer em   si desejos, sentimentos e caracterís...
Depressão: corpo, mente e almaem que se sente inferiorizada, provocando uma queda intensada auto-estima e a sensação de nã...
Wagner Luiz Garcia Teodorodo comportamento, não fazendo considerações sobre osprocessos subjetivos.       Em relação às ca...
Depressão: corpo, mente e almaTais vivências seriam responsáveis por gerar expectativas deincontrolabilidade em situações ...
Wagner Luiz Garcia Teodoropode levar à depressão. Alguns estudos revelam que ascognições negativas podem, também, ajudar a...
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(Livro) Depressão: corpo, mente e alma

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ESTE LIVRO DE WAGNER LUIZ GARCIA TEODORO ABORDA O TEMA DEPRESSÃO EM SEUS ASPECTOS ORGÂNICOS, PSICOLÓGICOS E ESPIRITUAIS DANDO ÊNFASE NAS POSSÍVEIS CAUSAS E NOS RECURSOS TERAPÊUTICOS DISPONÍVEIS.

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(Livro) Depressão: corpo, mente e alma

  1. 1. Depressão: corpo, mente e alma ~1~
  2. 2. Wagner Luiz Garcia Teodoro ~2~
  3. 3. Depressão: corpo, mente e alma ~3~
  4. 4. Wagner Luiz Garcia Teodoro Revisão Ivalda de Fátima Oliveira Ilustrações Fernando Duarte 3ª Edição 2010Todos os direitos sobre esta obra estão reservados ao autor, não sendo permitida a reprodução total ou parcial sem prévio consentimento. Depressão: corpo, mente e alma / Wagner Luiz Garcia Teodoro; Uberlândia –MG: 2009. 1. Depressão. 2. Reforma interior I. Teodoro, Wagner Luiz Garcia. ISBN: 978-85-61353-01-8 ~4~
  5. 5. Depressão: corpo, mente e almaÉ com grande alegria que dedico este livro:- a todos aqueles que trazem o coração angustiado e buscamalívio e paz;- aos meus pacientes, que me permitiram aprender nouniverso de suas dores e esperanças;- à minha esposa, meus filhos e meus pais;- aos amigos de inestimável valor, que se fizeram exemplos deperseverança, alegria, companheirismo e consciência;- à todos aqueles que contribuíram para a concretização destetrabalho;- àqueles que, com os olhos inundados de amor, fazem-sepresentes no íntimo de cada Ser, respeitando, acolhendo efazendo pulsar a vida;- a Deus, por senti-Lo sempre comigo e por ter me concedidoa oportunidade de ser útil. ~5~
  6. 6. Wagner Luiz Garcia Teodoro ~6~
  7. 7. Depressão: corpo, mente e almaPREFÁCIO 13INTRODUÇÃO 15CAPÍTULO I: O QUE É DEPRESSÃO- Definição 20- A falta de informação 20- Tristeza x Depressão 22- Sintomas 23- Quando buscar ajuda profissional 26- A resistência do deprimido ao tratamento 27CAPÍTULO II: A DEPRESSÃO NA HISTÓRIA- A fase pré-científica 32- A depressão no século XX 34- O início do século XXI 36CAPÍTULO III: DADOS DEMOGRÁFICOS- Índices da população mundial 38- Índices de recorrência 39- Pessoas com maior risco 39- Índices de suicídio 39CAPÍTULO IV: CONTEXTOS FREQÜENTES- Pós-parto 42- Infância 44- Adolescência 46- Adulto jovem 48- Meia idade 49 ~7~
  8. 8. Wagner Luiz Garcia Teodoro- Velhice 50- Desemprego 52- Dívidas 53- Menopausa 53- Período pré-menstrual 54- Solidão 55- Estresse 56- Perda de entes queridos 57- Família com histórico de depressão 57- Existência de outros transtornos 58- Dependência química 60- Enfermidades 61- Exclusão social 62- Maus tratos 63CAPÍTULO V: CAUSAS DA DEPRESSÃO- Causas endógenas e exógenas 66- Fatores psicológicos 69 . Estrutura de personalidade 69 . Abordagem Psicanalítica 71 . Abordagem Comportamental 75 . Abordagem Cognitiva 77 . Abordagem Humanista 78 . Abordagem Junguiana 79 . Abordagem Transpessoal 79 . Abordagem Transacional 81 . Abordagem Bioenergética 82 . Abordagem Existencial 84 ~8~
  9. 9. Depressão: corpo, mente e alma- Fatores Orgânicos 87 . Neurotransmissão 87 . Baixo nível de nutrientes 91 . Alterações hormonais 91 . Influência de aspectos sazonais 93 . Lesões cerebrais 94 . Fatores genéticos 94 . Substâncias Químicas 95- Fatores Espirituais 98 . As bases científicas dos fatores espirituais 98 . Os Chakras 109 . Materialismo 112 . Falta de fé 113 . Vazio existencial 114 . Ressentimento 115 . Orgulho 116 . Egoísmo 117 . Culpa 118 . Revolta contra as Leis Naturais 120 . Influência espiritual 121- A interação corpo/mente/alma na depressão 124CAPÍTULO VI: RECURSOS TERAPÊUTICOS- Psicoterapias 128 . Olhares divergentes ou complementares? 128 . O inconsciente 129 . O pensamento 130 . O corpo 131 . O espírito 132 . Principais aspectos trabalhados na psicoterapia da depressão 133 ~9~
  10. 10. Wagner Luiz Garcia Teodoro- Intervenções médicas 134 . Medicamentos antidepressivos 134 . Controle hormonal 136 . Fototerapia 137 . Terapia eletroconvulsiva (ECT) 138 . Estimulação magnética transcraniana (TMS) 139 . Estimulação do nervo vago (VNS) 140 . Homeopatia 140 . Tratamento ortomolecular 141- Recursos terapêuticos complementares 147 . Alimentação 147 . Fitoterapia 150 . Florais de Bach 151 . Atividade física 153 . Trabalho corporal 155 . Banho de sol 156 . Cuidar da aparência 157 . Estilo de vida 158 . Estabelecer objetivos 159 . Religião 160 . Prece 162 . Desobsessão 164 . Água fluidificada 165 . Passe 166 . Reiki 167 . Acupuntura 167 . Shiatsu 169 . Terapia reflexa 169 . Respiração 170 . Choro 172 . Riso 173 . Abraço 176 . Música 177 ~ 10 ~
  11. 11. Depressão: corpo, mente e alma . Dança 179 . Escrever sobre o que sente 180 . Aromaterapia 181 . Cromoterapia 184 . Feng-shui 188 . Boas leituras 190 . Trabalho social voluntário 191 . Contato com a natureza 192 . Recursos associados 193CAPÍTULO VII: A CURA- A base do problema 196- Autoconhecimento 197- Reforma Íntima 200- Amor 204CAPÍTULO VIII: REFLEXÕES- Verdade ou verdades? 208- A dificuldade em lidar com a raiva 210- Convivendo com o deprimido 213- Suicídio 214- A importância do esforço pessoal 219- O “Ser” e o “Ter” 220- Cuidando da infância 223- Felicidade 226- Dicas de Prevenção 228- Alegria de Viver 230BIBLIOGRAFIA 232WEBGRAFIA 238 ~ 11 ~
  12. 12. Wagner Luiz Garcia Teodoro ~ 12 ~
  13. 13. Depressão: corpo, mente e alma Hoje em dia, a depressão mostra-se como um dosgrandes males que afetam a humanidade. Comumente, todosnós conhecemos alguém que vive ou já viveu dificuldades emrelação a esta oscilação de humor. Tendo isso em vista, apresente obra possui grande importância para os leitores,apresentando vários olhares em torno dessa doença, que éinstigante e causadora de grande polêmica acerca de suascausas e tratamentos. A clareza dos textos que compõem este livro facilita acompreensão e interpretação dos três aspectos propostos peloautor no desenvolvimento de suas idéias. Ora apresenta adepressão sob o olhar psicológico, enfatizando as váriasnuances das psicoterapias, ora discorre sobre a importânciadas questões orgânicas no estabelecimento desse transtorno epor último, chama a atenção dos leitores para os aspectosespirituais que colaboram para o desencadeamento do quadrodepressivo. Dessa maneira, este pequeno manual, como échamado pelo autor, tem a pretensão de ajudar noentendimento dos múltiplos determinantes da depressão,como também dos variados recursos terapêuticos existentes. Quando se escreve ou se utiliza a comunicação oralpara abordar determinada situação que se conhece por tê-lavivenciado, as palavras adquirem um significado muito maisconsistente. Este é o caso de Wagner Luiz. Psicólogo eeducador, é uma pessoa que tem feito uma caminhada bonitae, por vezes, perpassou pelos caminhos sobre os quais agoradiscorre. Tanto na prática clínica como em suas palestras enos grupos de professores que coordena, procura orientar,esclarecer e oferecer recursos para que se possa enxergar e ~ 13 ~
  14. 14. Wagner Luiz Garcia Teodorocombater a depressão de forma ampla e eficaz. Sua bagagemaumenta à medida que aprofunda seus estudos e busca formascomplementares de atuação. Apesar de o tema depressão ser muito comentado, avisão abrangente, aqui apresentada, lança luz sobre esse malque vem se alastrando pelo mundo. Aliás, o objetivo destasingela, porém profunda obra, é justamente proporcionar aosleitores maior compreensão deste estado d’alma que tanto temafetado a sociedade contemporânea, carente de contato com asquestões espirituais, além de oferecer caminhos quefavoreçam a recuperação da saúde emocional e ressaltar asdiversificadas maneiras de se realizar um trabalho deprevenção do transtorno depressivo. Márcia H. F. Moyzés Psicóloga e Psicoterapeuta Corporal ~ 14 ~
  15. 15. Depressão: corpo, mente e alma Com grande expressividade no cenário mundial, adepressão tem apresentado índices alarmantes nos últimostempos. Já chamada de “o mal do século”, deve atingir entre15% e 20% da população mundial, no mínimo uma vez navida. De acordo com a OMS (Organização Mundial deSaúde), até o ano de 2020, tende a ocupar o 2º lugar entre ascausas de ônus gerados por doenças degenerativas e mortesprematuras. Diante de um problema de tamanha seriedade, estaobra foi elaborada com o propósito de servir como umpequeno manual para aqueles que queiram compreendermelhor os mecanismos da depressão. Pessoas que estejambuscando formas de auto-ajuda, familiares de deprimidos,espiritualistas, profissionais e estudantes envolvidos com asaúde física e mental, palestrantes de temas motivacionais,entre outros, encontrarão aqui importantes informaçõescolocadas de maneira simples e objetiva. Trata-se de umestudo sobre os sintomas, as possíveis causas, os tratamentosdisponíveis e as maneiras de se prevenir essa doença. Deforma séria, abrangente e livre de preconceitos, o TranstornoDepressivo é aqui abordado com foco nos aspectos orgânico,psicológico e espiritual, possibilitando ao leitor compreendera participação do corpo, da mente e da alma nos processos deadoecimento e recuperação. Muito tem se pesquisado sobre esse transtorno dehumor que leva milhões de pessoas a perderem o interessepela vida. O século XX trouxe grandes contribuições ligadas aintervenções psicoterápicas e farmacológicas, além de outrastécnicas desenvolvidas com base nos conhecimentos de ~ 15 ~
  16. 16. Wagner Luiz Garcia Teodoroneurofisiologia e neuroanatomia. Atualmente, os avanços emneurociência têm possibilitado compreender melhor a relaçãomente-cérebro e criar técnicas de intervenção mais eficientes.Entretanto, muito ainda se tem por conhecer a respeito dessetema que desafia médicos e psicólogos e traz grandesprejuízos pessoais e sociais. Desde a década de 90, a medicina e a psicologia vêmconsolidando o uso associado de recursos farmacológicos epsicoterápicos no tratamento dos quadros depressivos,apoiando a idéia da interferência mútua entre fatorespsíquicos e fisiológicos no surgimento dessa patologia. Apesar desse reconhecido avanço no campoterapêutico, o elemento espiritual é ainda pouco consideradopelos profissionais da área de saúde. Provavelmente poradentrar o campo religioso, muitos dizem que a realidadeespiritual é uma questão de fé e não de ciência. Entretanto, hámais de 150 anos, as manifestações dos espíritos vêm sendoinvestigadas, comprovadas e relatadas por inúmerospesquisadores de grande respeitabilidade no meio científico.As informações obtidas através desses estudos e de diversasobras psicografadas (ditadas por pessoas desencarnadas)sugerem que o espírito, Ser imortal que habita o corpo egoverna a mente, tem participação fundamental na construçãodos processos depressivos, exercendo influência sobre aconstituição orgânica e a estruturação psicológica, de acordocom o nível de evolução moral e intelectual em que cadapessoa se encontra. Atualmente, alguns grupos ligados à áreaacadêmica têm se organizado em torno das questõesespirituais. Instituições de ensino superior vêm aos poucosconseguindo incluir tal abordagem nos cursos de psicologia emedicina. Colaboram nesse âmbito, os adeptos da PsicologiaTranspessoal e a Associação Médico-Espírita do Brasil. ~ 16 ~
  17. 17. Depressão: corpo, mente e alma Fazendo um panorama sobre o tema “Depressão”, apresente obra está didaticamente dividida em oito capítulos: oprimeiro busca definir o que é depressão, bem como descreveros sintomas mais comuns; o segundo oferece uma visãohistórica sobre o desenvolvimento do conhecimento científicosobre o assunto; o terceiro cita dados estatísticos relacionadoscom a população mundial; o quarto apresenta os contextos nosquais o desencadeamento dessa doença é mais freqüentementeobservado; o quinto aborda as possíveis causas psicológicas,orgânicas e espirituais; o sexto faz referência às intervençõesmédicas e psicoterápicas, assim como a vários recursosterapêuticos complementares ligados às questões energéticas,espirituais e de comportamento; o sétimo traz uma visãosucinta e objetiva do processo de cura; o oitavo e últimocapítulo é composto por reflexões sobre importantes temasligados à depressão, englobando dicas de auto-ajuda. Este trabalho foi produzido a partir de minha práticaclínica, pesquisas bibliográficas e de enriquecedoras vivênciasno campo da depressão. Experiências difíceis, estas últimas,mas que puderam ser sentidas, pensadas, transformadas emexercício de fé, perseverança, esforço pessoal e auto-conhecimento, resultando em expansão de consciência, auto-superação e no desejo sincero de ajudar outras pessoas aperceberem que a vida pode ser vista com cores maisvibrantes quando cuidamos do corpo, da mente e da alma. Espero que cada leitor possa concluir este estudo comalgo a mais dentro de si e com um olhar mais consciente eamoroso sobre o ser humano, suas dores e seus potenciais. Wagner Luiz ~ 17 ~
  18. 18. Wagner Luiz Garcia Teodoro ~ 18 ~
  19. 19. Depressão: corpo, mente e alma ~ 19 ~
  20. 20. Wagner Luiz Garcia Teodoro Depressão é umtranstorno mental, causadopor uma complexainteração entre fatoresorgânicos, psicológicos,ambientais e espirituais,caracterizado por angústia,rebaixamento do humor epela perda de interesse,prazer e energia diante da vida. Genes, hormônios, neurotransmissores, nutrientescelulares, substâncias químicas, auto-estima, pensamentos,personalidade, crenças, reações emocionais, conflitosinconscientes, fatores sócio-culturais e ambientais, situaçõescármicas e vinculações espirituais formam uma imensa redede intercomunicações, dando forma ao quadro depressivo. O ser humano, embora tenha feito importantesconquistas, ao longo dos tempos, no campo científico, aindaencontra dificuldades em compreender os processos psíquicose seus reflexos emocionais. Privilegiando um olhar para forade si e evitando adentrar seu fascinante, porém assustadormundo interno, segue buscando explicações simplistas deorigem externa para suas dores emocionais. Aprendiz nocampo das emoções, muitas vezes não percebe o quanto elas ~ 20 ~
  21. 21. Depressão: corpo, mente e almainfluenciam sua percepção em relação ao mundo, à vida e a simesmo. Assim sendo, é comum observar pessoas fazendojulgamentos sobre a vida alheia, criticando, acusando,avaliando e condenando comportamentos que normalmentenão têm uma base simples. A falta de autoconhecimento e de conhecimentocientífico favorece atitudes preconceituosas que sãopercebidas também em relação aos deprimidos. O desânimo, oisolamento e o desinteresse por questões importantes comofamília, emprego e saúde, sem uma explicação clara eobjetiva, fazem com que a pessoa com depressão seja vistacomo “preguiçosa”, “acomodada”, como alguém cheio de“frescuras” ou que “não tem o que fazer”. Aqueles quepensam dessa forma, desconhecem a força que esse transtornopode exercer sobre o ser humano, trazendo-lhe a sensação dedesamparo e descrença diante da vida. ~ 21 ~
  22. 22. Wagner Luiz Garcia Teodoro A depressão é um enorme “buraco” e sua escalada nãoé nada animadora quando vista lá do fundo. Na maioria dasvezes, o restabelecimento do equilíbrio emocional depende doapoio familiar e de ajuda profissional. Em muitos casos não tratados, existe uma melhoraaparente, revelando euforia, entusiasmo e elevação exageradada auto-estima, sendo que algum tempo depois a crisedepressiva reaparece. Esse estado que se opõe à depressão édenominado mania e oferece uma falsa impressão de que oproblema foi resolvido. A tristeza e a depressão guardam alguma semelhançano que diz respeito aos sintomas. A sensação de desamparo, afalta de entusiasmo e o sentimento de impotência diante davida parecem sugerir o mesmo quadro. No entanto, valeressaltar que existem importantes diferenças entre essas duassituações como é o caso da intensidade, da duração e daconsciência das causas envolvidas. Tristeza é uma reação emocional normal às inúmerassituações frustrantes que a vida nos coloca. Ser demitido doemprego, não passar numa seleção, acompanhar o sofrimentode um parente ou mesmo perdê-lo, são situações que podemfazer uma pessoa se entristecer. Porém, é comum que elaretorne às suas atividades após um período relativamentecurto de elaboração e adaptação diante do fato vivido,restaurando a confiança e o entusiasmo pela vida. Esteperíodo não costuma exceder 6 a 8 semanas e, normalmente,não é tratado por intervenções médicas ou psicoterápicas. ~ 22 ~
  23. 23. Depressão: corpo, mente e almaNessa situação, quase sempre a pessoa tem consciência dosmotivos que causaram seu sofrimento. Já a depressão apresenta maior intensidade, revelandoangústia, auto-desvalorização e desmotivação, que podem seprolongar por meses ou anos, comprometendo a vida pessoal,social, profissional e familiar do deprimido. As verdadeirascausas da depressão nem sempre são percebidas pelo doente epelas pessoas com quem convive, por estarem carregadas deconteúdos inconscientes e processos psicológicos e orgânicoscomplexos. Essa situação, freqüentemente, requer apoioprofissional especializado de médicos e psicólogos. A avaliação clínica do deprimido oferece uma gama depossibilidades sintomáticas e de alterações fisiológicas. Osaspectos abordados neste tópico ressaltam característicaspsicológicas e alterações fisiológicas que são freqüentementeobservadas nos quadros depressivos. Os sintomas que compõem o quadro depressivo afetamdiversas áreas da vida do paciente, comprometendo suasatividades pessoais e sociais. Podemos agrupar esses sintomasem 5 áreas distintas: humor, cognição ou pensamento,aspectos somáticos, expressão corporal e vida social. ~ 23 ~
  24. 24. Wagner Luiz Garcia Teodoroa) Sintomas relacionados com o humor:  tristeza  emotividade  angústia  irritabilidade  ansiedade  anedonia  desmotivaçãob) Sintomas cognitivos:  baixo rendimento intelectual  falta de Fé (em si, em Deus, na vida, nas pessoas e nos tratamentos)  sentimento de abandono e/ou rejeição  assuntos constantes sobre morte  sentimento de inferioridade  falta de sentido na vida  baixa auto-estima  auto-imagem negativa  pessimismo  desvalorização da vida  sentimento de culpa  idéias de suicídio ~ 24 ~
  25. 25. Depressão: corpo, mente e almac) Sintomas somáticos:  hipersonia  insônia  perda de apetite  aumento de apetite  diminuição da libido  redução do interesse sexual  baixa no sistema imunológico d) Expressão corporal:  cabeça baixa  peito embutido  coluna curvada  dificuldade em olhar as pessoas nos olhos  olhar desvitalizado  despreocupação com a higiene pessoal  despreocupação com a aparência  respiração superficial  movimentos lentos e contidose) Vida social:  isolamento  desinteresse pelos estudos  desinteresse pelo trabalho ~ 25 ~
  26. 26. Wagner Luiz Garcia Teodoro Sabe-se que ninguém passa pela vida semexperimentar momentos de tristeza. Entende-se, também, queisso é inerente à natureza humana, visto que as frustrações sãoinevitáveis. O problema surge quando a tristeza se torna intensa eprolongada, prejudicando a vida pessoal, social, profissional efamiliar. Nos casos mais brandos, como na depressão leve, apessoa ainda consegue buscar ajuda ou alguém com quempossa compartilhar seu sofrimento. Normalmente recorre aamigos, líderes religiosos, médicos ligados à família, entreoutros. Muitas vezes, a manifestação branda e prolongada,que caracteriza a distimia, é entendida apenas como tristeza, oque faz com que a pessoa passe meses ou mesmo anos semreceber o devido diagnóstico e o tratamento adequado. Uma outra situação, bem mais preocupante, surgequando a reação depressiva leva a pessoa a isolar-se,apresentando um estado de indiferença, abandonando asatividades sociais e profissionais, além de desenvolver idéiassuicidas. Essa situação compromete a higiene, a aparência, asaúde e a própria vida do deprimido. Acontece que quandoeste chega ao “fundo do poço”, normalmente não encontraenergia e esperança suficientes que o façam buscar ajuda.Cabe então à família e aos amigos, tomarem a iniciativa decuidar da integridade física e mental do deprimido, buscandoapoio médico e psicológico. Com freqüência, é necessárioacompanhar e estimular o cumprimento das prescriçõesmédicas até que recupere a condição de cuidar-se. Melhor é que não se espere chegar a um ponto tãosério para procurar auxílio profissional. O ideal seria que aosentir-se desmotivada e com uma tristeza intensa e sem causa ~ 26 ~
  27. 27. Depressão: corpo, mente e almaaparente, a pessoa já procurasse uma orientação médica e/oupsicológica, evitando assim o agravamento do quadro. Uma das tarefas mais difíceis no campo da saúde físicae mental é ajudar quem não quer ajuda. A resistência dodeprimido em aceitar auxílio familiar ou profissional pode terdiversos motivos. A pessoa pode recusar ajuda por não sereconhecer como doente, ter medo de assumir a própriafragilidade diante de outras pessoas e prejudicar a sua imagemno convívio social (trabalho, escola, família, amigos, ...),experimentar um sentimento de desistência diante da vida oupor falta de informação sobre a doença. Há ainda outra situação, na qual a pessoa deprimida seisola ou não se abre quando questionada sobre sua tristeza. ~ 27 ~
  28. 28. Wagner Luiz Garcia TeodoroEsse silêncio pode ser uma forma de agressão aos familiares,deixando-os angustiados e sem saber o que fazer, ou umamaneira de dizer que não acredita que alguém possacompreender seu sofrimento. Observa-se que o vínculo de confiança entre o enfermoe quem tenta ajudá-lo é de fundamental importância paravencer a resistência, fazendo com que aquele se sintaacolhido, amado, respeitado e compreendido. Há situações emque o deprimido não aceita ajuda e apresenta forte tendênciaao suicídio, percebida pelo olhar vago e desvitalizado,acompanhado de certa indiferença pela vida e pela freqüênciade assuntos relacionados à morte. Em casos assim,principalmente quando já existe um histórico de tentativas deauto-extermínio, deve-se considerar a necessidade deinternação, ainda que contra a vontade do deprimido, para quea medicação ajude a modificar o ambiente psíquico e estimulea pessoa a continuar lutando e se tratando.ALGUMAS ESTRATÉGIAS EM FAVOR DA BUSCA DETRATAMENTO: Dizer ao deprimido que o tem percebido diferente, mais triste. Levar a pessoa a se perceber (aparência, atitudes, ...). Mostrar os prejuízos pessoais causados pela situação. Escutar a queixa da pessoa deprimida, evitando fazer comentários que banalizem seu sofrimento. Oferecer companhia na ida a uma consulta. ~ 28 ~
  29. 29. Depressão: corpo, mente e almaNão demonstrar excessiva compaixão pela dor dapessoa enferma. Essa atitude reforça a idéia de querealmente está muito mal e que tudo na vida é difícil.Respeite seu sofrimento, mas faça com que sinta quevocê tem energia suficiente para ajudá-la e que acreditaem sua capacidade de reação.É comum o deprimido não aceitar conselhos defamiliares. Pode ser que a interferência de um amigotenha mais efeito.É bom lembrar que pressionar demais pode causar oefeito contrário e que a paciência e a tolerância podemproduzir uma indispensável relação de confiança.Nos casos mais graves, ou em situações nas quais nãose consiga a colaboração por parte do deprimido, éaconselhável que algum familiar ou amigo busqueorientação profissional, com o intuito de compreender aproblemática, saber qual a melhor postura a ser adotadae que cuidados devem ser tomados, principalmente emrelação ao risco de suicídio. ~ 29 ~
  30. 30. Wagner Luiz Garcia Teodoro ~ 30 ~
  31. 31. Depressão: corpo, mente e alma ~ 31 ~
  32. 32. Wagner Luiz Garcia Teodoro A depressão é uma das doenças mais preocupantes daatualidade, porém há registros de personagens bíblicos comoJó e o Rei Saul, apresentando sintomas de depressão, tendoeste último cometido suicídio e o primeiro sido exemplo depaciência, fé e perseverança. Apesar de a depressão ter sido foco de muitos estudosnos séculos XIX e XX, historicamente a atenção dada a essaenfermidade remonta a vários séculos antes de Cristo. Na Grécia antiga o estado melancólico era atribuído acastigos impostos pelos deuses em função de comportamentosincorretos. Hipócrates (460-377 a.C.), o pai da medicina, foi oprimeiro a considerar os comportamentos anormais comcausas naturais, ao invés de sobrenaturais como ocorria atéentão. No século II a.C., Galeno acreditava que ocomportamento era influenciado pelo desequilíbrio de quatrolíquidos presentes no corpo: bílis negra, bílis amarela, fleumae sangue. Afirmava que o elevado nível de bílis negra levariaà melancolia, o aumento de bílis amarela seria responsávelpela ansiedade, assim como o excesso de fleuma estariaassociado ao temperamento preguiçoso e o de sangue àsoscilações rápidas de humor. Com esse entendimento, nointuito de eliminar o excesso de bílis negra, o tratamento dopaciente melancólico era feito com sangria, laxativos evomitórios, o que levava muitos pacientes à morte pordesidratação. No século I da era Cristã, o médico grego Areteu daCapadócia teve marcante participação no entendimento dosquadros depressivos. Foi ele o autor dos principais textos que ~ 32 ~
  33. 33. Depressão: corpo, mente e almatrouxeram à atualidade a idéia de uma unidade da doençamaníaco-depressiva, apontando a mania como resultado doagravamento do quadro de melancolia. Na Idade Média (500 – 1500 da era cristã), a forteinfluência religiosa na Europa fez com que as abordagensnaturalistas fossem abandonadas e ressurgissem antigascrenças sobre a possessão demoníaca e o uso de tratamentosexorcistas para os transtornos mentais. Por volta do século XIII, a Igreja católica passa aconsiderar a melancolia como um pecado, revelando umafraqueza moral diante das vicissitudes da vida. Durante o período da escravidão no Brasil, os negros,na condição de isolados de suas pátrias e famílias e privadosde sua liberdade, eram acometidos por uma intensa e mortalnostalgia denominada “banzo”. Certamente, experimentavamdepressão. No século XVII, época em que a palavra “depressão”passa a ser utilizada pela literatura inglesa, o filósofo francêsRené Descartes (1596-1659) reiterou a idéia da cisão entre amente (alma, espírito) e o corpo, já lançada pelo filósofoPlatão (427-347 a.C.). Descartes afirmava que após a mortedo corpo, este se torna apenas uma máquina. Apesar daprimeira dissecação humana ter sido registrada pelo filósofogrego Herófilo e pelo anatomista Erasístratro, considerado paida fisiologia, aproximadamente 250 anos antes da era cristã, aafirmação de Descartes favoreceu a ampliação dos estudossobre anatomia humana, escassos nos séculos anteriores, umavez que a Igreja considerava o corpo como algo sagrado porser a sede da alma. Desta maneira, a tese de Galeno foi sendosubstituída pela compreensão de que o cérebro seria oresponsável pelas perturbações do humor. ~ 33 ~
  34. 34. Wagner Luiz Garcia Teodoro No final do século XIX, o psiquiatra alemão EmilKraepelin ofereceu importantes contribuições aoconhecimento das enfermidades psíquicas. Entre elas está adivisão dos quadros psicóticos em dois grandes grupos:demência precoce e insanidade maníaco-depressiva. Osestudos de Kraepelin formaram a base das modernasclassificações dos transtornos mentais. Já no campo da subjetividade, em 1917, SigmundFreud, pai da psicanálise, publica “Luto e Melancolia”,destacando a existência de aspectos inconscientes, vinculadosao sentimento de perda na gênese da melancolia. Na década de 30 surge a terapia eletroconvulsiva,baseada na crença de que a indução do estado convulsivopoderia tratar doenças mentais, uma vez que pacientesportadores destes transtornos e também epiléticosapresentavam melhora no quadro psiquiátrico durante algumtempo após as crises de convulsão. A indução era feita aprincípio com o uso de agentes farmacológicos e,posteriormente, foi introduzido o uso do eletrochoque. Em 1936, o filósofo inglês Henry Dale recebeu oPrêmio Nobel por seus estudos sobre a transmissão dosimpulsos nervosos. Por volta dos anos 50, surgem os primeiros fármacosanti-depressivos. Na busca de anti-histamínicos que nãoprovocassem sedação, a indústria farmacêutica descobriu aimipramina (Trofanil). Observou-se que os deprimidos quetomavam esse medicamento para o combate de processosalérgicos ou inflamatórios apresentavam melhora no humor.Esse remédio e outros semelhantes foram denominadostricíclicos, em função de sua estrutura química. ~ 34 ~
  35. 35. Depressão: corpo, mente e almaPosteriormente, na tentativa de se encontrarem fármacos parao tratamento da tuberculose, descobriu-se que a iprozianidamelhorava o humor de tuberculosos deprimidos. Surgiam,assim, os inibidores da ação da enzima monoaminoxidase(IMAO). Estas duas classes de medicamentos descobertos nadécada de 50 ficaram conhecidas como a “primeira geração deantidepressivos”. Essas primeiras drogas utilizadas notratamento da depressão tinham a desvantagem de produzirfortes e incômodos efeitos colaterais. Em 1960, o neuroquímico norte-americano JuliusAxelrod também recebe o Prêmio Nobel pela descoberta dassubstâncias que possibilitam a transmissão dos impulsosnervosos (neurotransmissores). Esse fato favoreceu o avançoem relação aos medicamentos anti-depressivos. Ainda na década de 60, aumentaram as contribuiçõesda psicologia com a prática das psicoterapias cognitivo-comportamental e transpessoal. Em 1970, médicos norte-americanos começaram ausar o Lítio como agente estabilizador do humor, sendo maisutilizado nos casos de mania. A década de 80 foi marcada pelo uso da “terapia daluz” no tratamento da depressão, em função do seu aspectosazonal (em países de maior latitude, a depressão apresentamaiores índices no inverno, sendo possivelmente influenciadapela baixa luminosidade). Ainda na década de 80, surge a “segunda geração deantidepressivos”, oferecendo maior segurança ao tratamento eefeitos colaterais mais suportáveis para o paciente. Trata-sedos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Somente na década de 90, consolida-se o entendimentoacerca dos benefícios obtidos na combinação entre recursosfarmacológicos e psicoterápicos no tratamento da depressão. ~ 35 ~
  36. 36. Wagner Luiz Garcia Teodoro Em 1992, a CID 10 (Classificação Internacional dasDoenças), em seu capítulo V (Transtornos Mentais e deComportamento), descreveu a depressão como um Transtornode Humor. De acordo com essa recente classificação, adepressão pode se apresentar numa forma unipolar, comvariações entre leve, moderada e grave, ou revelar umaalternância entre episódios maníacos e depressivos, compondoo “Transtorno Bipolar”. O início do século XXI, em decorrência da década de90, considerada a “década do cérebro”, tem sido marcado porinúmeras pesquisas no campo das neurociências. Recursos deimagem como a Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET)e a Espectroscopia por Ressonância Magnética têmpossibilitado novos entendimentos sobre o funcionamento dasdiversas estruturas que compõem o cérebro e que parecemestar envolvidas nos transtornos de humor. Novos segmentos acadêmicos têm proporcionadomaior integração entre as áreas médica e psicológica. Comoexemplo, podemos citar a psicobiologia, a neurociênciaclínica, e a neuropsicologia. É possível que tais contribuições, aliadas aos diversosrecursos psicoterapêuticos já existentes e aos avanços dapsicofarmacologia, resultem numa melhor compreensão dostranstornos depressivos, no aperfeiçoamento das práticaspsicoterápicas e na produção de fármacos de ação seletiva ecom menos efeitos colaterais. ~ 36 ~
  37. 37. Depressão: corpo, mente e alma ~ 37 ~
  38. 38. Wagner Luiz Garcia Teodoro De acordo com dados da OMS (Organização Mundialde Saúde) divulgados em 2001, a depressão ocupa naatualidade o 4º lugar entre as causas de ônus em doençasdegenerativas e mortes prematuras. As informaçõesdivulgadas revelam que os índices da doença são crescentes,tendo aumentado 60% nos últimos quarenta e cinco anos e atéo ano de 2020 a depressão deverá ocupar o 2º lugar nareferida classificação, perdendo apenas para as doençascardíacas. Apesar de a depressão poder se manifestar emqualquer fase da vida (de bebês a idosos), as estatísticasrevelam que o primeiro episódio depressivo ocorre com maisfreqüência entre os 25 e os 44 anos de idade. Atualmente, segundo a OMS, mais de 120 milhões depessoas sofrem com a depressão em todo o mundo. Emboraexistam algumas variações nos dados veiculados, estima-seque 15% a 20% da população mundial passará por pelo menosum episódio depressivo ao longo da vida. Outro dado importante é que a depressão atinge maisas mulheres do que os homens, numa proporção aproximadade 2:1, oferecendo um risco em torno de 10% para asmulheres e 5% para os homens de desenvolverem adepressão. Suspeita-se que tal diferença tenha fundamento emaspectos fisiológicos, podendo também estar ligada àsconseqüências do papel social desempenhado por cada gêneroe pela maior sensibilidade emocional das mulheres. ~ 38 ~
  39. 39. Depressão: corpo, mente e alma Estudos revelam que quanto maior o número deepisódios depressivos que a pessoa já teve, maior é a chancede recorrência, ou seja, apresentar novamente o quadroclínico. A probabilidade de uma pessoa que já teve depressãoapresentar o segundo episódio é de 35%, o terceiro é de 65% eo quarto episódio tem 90% de chance de acontecer. Entre as pessoas que têm maior probabilidade de vir adesenvolver depressão, estão: aquelas que já tiverem episódios depressivos anteriores; aquelas que possuem familiares com histórico de depressão; aquelas que apresentam dificuldades de relacionamento; vítimas de discriminação social; doentes; mulheres no intervalo de 18 meses após o parto; usuários de álcool; usuários de drogas; portadores de outros transtornos mentais. Um dos problemas mais sérios que permeiam otranstorno depressivo é o suicídio. Pesquisadores alertam para ~ 39 ~
  40. 40. Wagner Luiz Garcia Teodoroo fato de que cerca de 80% dos deprimidos têm ideaçãosuicida, sendo que entre 10% e 15% das pessoas comdepressão põem fim à própria vida. Em relação às diferenças de gênero, as mulheres estãomais propensas a tentar suicídio, mas os homens têm mais“êxito” em suas tentativas. Acredita-se que isso se deveprovavelmente ao fato de os homens usarem, na maior partedas vezes, métodos mais violentos (armas de fogo, pular depontes ou edifícios, etc.) do que as mulheres (overdose demedicamentos, cortar os pulsos, etc.). O suicídio apresenta números mais elevados na faixaetária compreendida entre 15 e 44 anos, com relevância paraos momentos de transição de fases (adolescência/fase adulta;meia idade/velhice). Em relação à velhice, alguns estudos revelam que osíndices de suicídio tendem a aumentar com a idade,principalmente entre os homens. ~ 40 ~
  41. 41. Depressão: corpo, mente e alma ~ 41 ~
  42. 42. Wagner Luiz Garcia Teodoro É importante chamar a atenção para o fato de quenesse capítulo não estamos ressaltando os principais contextosem que se observa a presença de episódios depressivos comose fossem fatores causais, mas sim, considerando que elespossam mobilizar aspectos orgânicos e/ou psicológicos aosquais a pessoa esteja predisposta e que, interagindo entre si,provocam alterações cognitivas e emocionais, desencadeandoa formação de quadros de depressão. Desta forma, algumassituações podem provocar alterações neuroquímicas esentimentos de fracasso, desamparo, humilhação e outroscapazes de diminuir a auto-estima. Nos contextos citados a seguir, apenas uma parcela daspessoas desenvolvem depressão, não sendo correto afirmar,por exemplo, que a infância, a adolescência e o desempregoconstituem causas desse transtorno. Portanto, devem-seconsiderar as situações que se seguem como desencadeadorasde episódios depressivos em pessoas com maiorpredisposição, seja por fatores psicológicos ou pela condiçãoorgânica. É bom lembrar que além dos contextos aqui citados,existem inúmeros outros que envolvem processos individuaisou mesmo coletivos como catástrofes naturais, conflitossociais e questões culturais. O pós-parto é uma das várias situações em que adepressão apresenta números significativos. Embora hajacontrovérsias sobre a freqüência com que ela se manifesta emmulheres após darem à luz, algumas pesquisas apontamíndices em torno de 30% dos casos. ~ 42 ~
  43. 43. Depressão: corpo, mente e alma Esse tipo de depressão pode ter uma longa duração,chegando a ultrapassar o período de 1 ano após o parto.Costuma apresentar, além dos sintomas básicos da doença,sentimentos de incapacidade de cuidar (de ser mãe), falta deinteresse por si e pelo bebê e, em casos mais graves (comsintomas psicóticos), pode vir acompanhada de idéias suicidasou até mesmo do desejo de matar o recém-nascido. Acredita-se que um dos fatores envolvidos nadepressão pós-parto seja a alteração das condições hormonaissofridas pela mulher nesse período, entre elas o baixo nível deestrogênio e os distúrbios da tireóide. Do ponto de vista psicológico, nesse contexto, osurgimento do quadro depressivo pode ser influenciado pelasexperiências emocionais vividas pela mãe em sua própriainfância e pelas contingências em que ocorre a gravidez,envolvendo situações como a reprovação por parte da famíliae a falta de comprometimento e apoio por parte do pai dobebê. É importante ressaltar que alguns sintomas depressivoscom intensidade mais leve e com duração de poucos dias sãoconsiderados normais e atingem mais de 50% das mulheres nopós-parto. Tristeza, irritabilidade, ansiedade e emotividadesão sintomas esperados e parecem estar associados ao estresseno trabalho de parto, às alterações hormonais, ao desconfortofísico, ao ambiente hospitalar e a efeitos colaterais provocadospor alguns medicamentos. Algumas mulheres apresentam características quepodem elevar o risco de desenvolverem um quadro depressivono período pós-parto. ~ 43 ~
  44. 44. Wagner Luiz Garcia TeodoroApresentam maior risco de depressão no pós-parto: aquelas que já possuem histórico de depressão; as que desenvolveram depressão na gravidez; as que estão com problemas conjugais; as que sofrem com a falta de apoio social; as que sofrem de TPM (tensão pré-menstrual) grave. Outro ponto importante nesse contexto é o reflexo quea condição emocional da mãe tem na vida do bebê. Adependência e a vulnerabilidade psíquica do recém-nascidofazem com que ele necessite encontrar na figura materna oacolhimento que o ajudará a se estruturar emocionalmente. A mãe deprimida pode deprimir também o bebê,gerando distúrbios de alimentação, de sono ou apatia. Talsofrimento pode resultar em dificuldades de aprendizagem ede sociabilidade para a criança ao longo de sua vida. A depressão infantil foi descrita com critérios maisprecisos na década de 70. No entanto, na década de 50, opsicanalista austríaco René Spitz denominou “depressãoanaclítica” o quadro observado em bebês que eram separadosde suas mães entre os 6 e os 12 meses de vida, apresentandosintomas como: expressão de tristeza, incapacidade deinteragir e recusa à alimentação. Essa situação revelavainicialmente manifestações de raiva, passando a umagradativa perda do interesse, que culminava na indiferença dobebê, sugerindo que este teria desistido de lutar. ~ 44 ~
  45. 45. Depressão: corpo, mente e alma Observa-se que um bom vínculo afetivo é de extremaimportância para a estruturação psíquica de uma pessoa. Éuma referência para a construção da própria imagem e para odesenvolvimento emocional. As crianças que sofrem privaçãodessa referência tendem a construir vínculos inseguros,pautados na carência e na dependência afetiva, ou vínculosmarcados pela superficialidade, como forma de defesa contrapossíveis novas decepções. Dentre outras situações nas quais pode havercomprometimento do desenvolvimento dessas importantesligações afetivas, estão: o abandono, as mães ou cuidadorasafetivamente distantes (depressivas, psicóticas...) e aorfandade. Apesar de pesquisas comprovarem os danospsicológicos causados por intensos sofrimentos no início davida, alguns estudos mostram que os fatores genéticostambém exercem grande influência no surgimento deepisódios depressivos. Por exemplo, crianças adotadas, filhasde pais biológicos com histórico de depressão, têm maioreschances de manifestar esse transtorno do que aquelas cujospais biológicos não tinham histórico da doença. Outro fator importante no contexto da depressãoinfantil diz respeito à construção da auto-estima da criança.Os adultos funcionam como espelhos para a criança, naestruturação de sua identidade. A forma como o adulto trata acriança, manifestando seus sentimentos por ela, verbalmenteou por gestos, expressões faciais e atitudes, vai fornecendo aela informações sobre quem e como ela é. Assim, uma criançapode, ao longo do seu desenvolvimento, acreditar que éincapaz, chata, indesejada, preguiçosa, entre outrasimpressões negativas que podem comprometer sua auto-estima. ~ 45 ~
  46. 46. Wagner Luiz Garcia Teodoro No contexto escolar, a depressão infantil podeacarretar sérios prejuízos para o desenvolvimento emocional,intelectual e social da criança. Entre as situações maispreocupantes, estão: queda no rendimento, desatenção,desinteresse por brincadeiras, desmotivação, irritabilidade esentimento de incapacidade. Algumas características podem aumentar as chancesde uma criança desenvolver depressão. Possuem maior riscoas aquelas que: vivem situações de grande estresse; sofrem de abusos ou maus tratos; sofrem de negligência; perdem uma pessoa amada; possuem doenças crônicas; apresentam distúrbios de comportamento; apresentam problemas de aprendizagem; são educadas com críticas e intolerância. A adolescência é o período compreendido entre 12 e18 anos para pessoas do sexo feminino, correspondendo aoperíodo de 14 a 20 anos para o sexo masculino, com algumasvariações em diferentes culturas e momentos históricos. Trata-se de uma fase carregada de conflitosprovocados por fatores que envolvem alterações biológicas,psicológicas e sociais. Tais conflitos têm bases prováveis narelação de dependência com os pais, nas transformaçõescorporais, no despertar da sexualidade, nas alteraçõeshormonais, na insegurança diante do mundo, nas cobranças ~ 46 ~
  47. 47. Depressão: corpo, mente e almasociais pelo amadurecimento e aquisição deresponsabilidades, além do reflexo que essas questões têmsobre a auto-estima. O resultado de tantas alterações corporais epsicossociais nessa fase de transição, entre a infância e a vidaadulta, é a chamada “crise de identidade”. A identidade é oconjunto de crenças, conceitos e percepções que uma pessoatem a seu próprio respeito. É construídapouco a pouco, desde o nascimento, pormeio da percepção da criança sobre asopiniões e as manifestações afetivas queoutras pessoas têm em relação a ela. Esseprocesso é movido pela busca de respostaspara inquietantes questionamentos: “Quemsou eu?”, “Qual o meu papel na vida?”,“Que caminho devo seguir?”, “Que sentidotem a minha vida?”. Com o passar do tempo, o serhumano vai adquirindo uma identidadepessoal e uma identidade grupal, sendo queesta última lhe dá a sensação de pertencer aum grupo com características específicas. O surgimento da depressão naadolescência depende, entre outros fatores, da maneira comoo jovem suporta e reage às pressões internas e externas dessafase. Além de apresentar sintomas observados em adultosdeprimidos, o adolescente tende a manifestar a depressão comcaracterísticas próprias do seu momento evolutivo. ~ 47 ~
  48. 48. Wagner Luiz Garcia TeodoroSintomas de depressão no adolescente: cansaço constante; abandono das atividades preferidas; discussões com pais e professores; queda no rendimento escolar;transtornos alimentares (anorexia e bulimia); comportamento de risco, envolvendo sexo, drogas, bebidas,automóveis, ... pensamentos suicidas; irritabilidade; É importante ressaltar que a manifestação de algunsdos sintomas acima, numa intensidade reduzida, pode seresperada como reação normal aos conflitos vividos. Noentanto, é preocupante o crescente índice de suicídio naadolescência, resultante da falta de estrutura emocional demuitos jovens. A fase do desenvolvimento humano denominada“adulto jovem” é o período compreendido entre,aproximadamente, 20 e 40 anos de idade. É um momento de grandes transformações para amaioria das pessoas. A entrada na vida adulta requerajustamentos de ordem emocional, social e econômica.Normalmente, nessa fase observa-se a busca da realizaçãoprofissional, a estruturação de um novo núcleo familiar e achegada dos filhos. As relações de trabalho, a necessidade deindependência financeira e a nova configuração familiar,impõem uma mudança de postura em relação aocomportamento adolescente. ~ 48 ~
  49. 49. Depressão: corpo, mente e alma Percebe-se, no início dessa fase, o conflito entrecrescer, abrindo mão dos prazeres da fase anterior, epermanecer na adolescência, postergando o enfrentamento dasresponsabilidades da vida adulta. Nesse contexto,características como a baixa tolerância à frustração e a relaçãode dependência emocional entre o jovem adulto e seus paispodem tornar mais difícil o processo de transição entre asfases. Sabe-se que a revolta diante da vida e a dependênciaafetiva são freqüentemente observadas nos quadrosdepressivos. Assim, a falta de maturidade emocional pareceser um dos principais elementos determinantes do fato de queo primeiro episódio depressivo ocorre com maior freqüênciaentre 25 e 44 anos de idade. Compreendida, aproximadamente, entre os 40 e 60anos, a “meia idade” tem como fato significativo areavaliação da vida e do sentido existencial. É a fase em que algumas verdades, construídas desde ainfância, se desmoronam, causando grande inquietação.Descobre-se que, durante muito tempo, ilusões sobre si e omundo foram sustentadas pelo orgulho, proveniente depossíveis conflitos em relação à auto-estima, e pelanecessidade de certezas sobre vida. Normalmente, essadescoberta vem através de frustrações, quando a realidadebate à porta mostrando que a vida não é o que se imaginava.Conquistas materiais e relações afetivas são reconsideradas evalores são questionados. Para alguns, há ainda o sentimentode fracasso por não ter conseguido ser e ter o que desejava eque o tempo que resta pode ser insuficiente. Essas situações ~ 49 ~
  50. 50. Wagner Luiz Garcia Teodorosão responsáveis por gerar ou acentuar sentimentos deangústia, insegurança, incapacidade e baixa auto-estima. Outros aspectos que permeiam a “crise da meiaidade”, estão relacionados à saúde e à família. O corpo já nãoresponde às exigências estéticas da sociedade atual, a energiafísica começa a entrar em declínio, alterações hormonaismexem com o corpo e as emoções e os filhos saem de casapara constituir suas próprias famílias. É compreensível que todas essas mudançasprovoquem uma turbulência na vida das pessoas. Turbulênciaessa, que pode favorecer o surgimento do quadro depressivo,principalmente quando já existe comprometimento da auto-estima e um estilo de vida excessivamente materialista, muitasvezes desenvolvido para proteger o ser humano de suasdificuldades afetivas. A velhice é uma fase marcada por alteraçõesbiológicas, psicológicas e sociais significativas. Essasalterações dependem basicamente da interação entre o estilode vida adotado pela pessoa, sua estrutura psicológica efatores hereditários. Apesar de haver pessoas idosas que revelam grandevitalidade, mantendo plenas suas atividades físicas epsíquicas, também observamos muitos casos em que estãopresentes debilidades, naturalmente causadas pelo desgasteorgânico, fazendo com que o idoso necessite dos cuidados deoutras pessoas no que diz respeito à locomoção, alimentação ehábitos de higiene. Tal condição reduz o convívio social epode provocar constrangimento e sentimentos de ~ 50 ~
  51. 51. Depressão: corpo, mente e almaincapacidade, baixa auto-estima,inutilidade e dependência, alémda angústia por se aproximar ofinal da vida. Nas últimas décadas, osavanços da medicina, o acesso àinformação e alguns programassociais de esclarecimento eprevenção na área da saúde,aliados à constante busca do serhumano pelo rejuvenescimento,vêm proporcionando um aumentona expectativa de vida. Essasituação, embora caracterize um avanço para a humanidade,tem agravado os problemas de ordem emocional normalmenteesperados na terceira idade. A idéia culturalmente arraigadade que o idoso não tem mais condições de produzir como umjovem e possui dificuldades para se adaptar a novas situações,faz com que cada vez mais, pessoas absolutamente ativassejam excluídas do mercado de trabalho, ficando expostas aconflitos que podem levar à depressão. Dados da OMSindicam que 10% a 15% das pessoas com depressão estãoacima de 65 anos. Nessa fase da vida, alterações psicológicas tambémsurgem como reflexo da aposentadoria. Tal situação, quandoo idoso não preenche o tempo com algo que faça com que sesinta útil, tende a provocar sentimentos de auto-desvalorização e marginalização na estrutura social. Outra vivência difícil é a natural perda do cônjuge,causando solidão e angústia. No final da vida, por motivos variados, muitos idosossão hospitalizados ou institucionalizados. Alguns estudos ~ 51 ~
  52. 52. Wagner Luiz Garcia Teodororevelam que os idosos nessas situações, apresentam maissintomas de depressão do que aqueles que vivem com seusfamiliares. Todas essas alterações bio-psico-sociais podemdesencadear quadros depressivos, trazendo outra preocupantesituação que é o alto índice de suicídio de idosos, que tende aaumentar com a idade, principalmente com relação aoshomens. Outro contexto bastante favorável à depressão é odesemprego. Principalmente os casos que envolvem longoperíodo na busca de oportunidades de trabalho podem gerarfrustração, desmotivação, baixa auto-estima e sentimento deincapacidade. No campo familiar, as cobranças por atitude e por suprir as necessidades dos filhos e da casa podem aumentar a possibilidade de um episódio depressivo. Vale lembrar que, em parte, o desenvolvimento da depressão depende da estrutura da personalidade. Pessoas com uma tendência auto-depreciativa, muito exigentes consigo mesmas, com pensamentos pessimistas, inseguras e ansiosas têm maior probabilidade de desenvolver depressão em uma situação de desemprego. ~ 52 ~
  53. 53. Depressão: corpo, mente e alma As situações de endividamento normalmentedespertam sentimentos de fracasso, incompetência e baixaauto-estima. Vale ressaltar que as dívidas são freqüentementecontraídas durante a fase de euforia e, posteriormente, a realimpossibilidade de cumprir o compromisso assumido fazreativar o processo depressivo, que em muitos casos, já existiaantes do endividamento. As alterações fisiológicas vividas na menopausa sãoresponsáveis por mudanças corporais e pela perda dafertilidade na mulher. Pouco se sabe sobre a relação existente entre amenopausa e a depressão. Algumas pesquisas sugerem que oíndice de mulheres com depressão na menopausa ésemelhante ao da média da população em geral, algo em tornode 5%. A questão é: que fatores estariam levando parte dasmulheres, provavelmente as que possuem predisposição, adesenvolverem depressão no contexto da menopausa? Psicologicamente, observa-se que algumas mulheresvivenciam uma espécie de luto nessa fase da vida, adaptando-se à nova condição. É comum que nessa época, os filhosestejam se casando e saindo de casa. Ocorre também que, emfunção da crise de meia idade, muitos casais passam por umperíodo de turbulência conjugal ou mesmo de separação. Por outro lado, os baixos níveis de estrogênio e dehormônios da tireóide, observados freqüentemente na ~ 53 ~
  54. 54. Wagner Luiz Garcia Teodoromenopausa, parecem colaborar para o surgimento dadepressão. Estudos mostram que o tratamento com reposiçãohormonal, indicado para aliviar sintomas como ondas de calore sonolência e prevenir osteoporose, melhora o humor demulheres que nessa fase da vida apresentam depressão leve. O período pré-menstrual é marcado por alteraçõesfisiológicas que podem gerar desconforto para muitasmulheres. Sabe-se que algo entre 30% e 40% das mulheresexperimentam um estado de ansiedade, irritabilidade e tristezanesse período. Sintomas físicos como inchaço, dores nosseios, cansaço, dores musculares e dores de cabeça tambémpodem estar presentes. Porém, aproximadamente 5% das mulheresapresentam um quadro agudo dos sintomas pré-menstruais.Trata-se de uma TPM grave chamada de Transtorno DisfóricoPré-Menstrual que possui alguns sintomas semelhantes aos dadepressão. Sintomas de disforia pré-menstrual: humor deprimido ansiedade emotividade irritabilidade dificuldade de concentração falta de energia sensação de descontrole diminuição do interesse pelo trabalho ~ 54 ~
  55. 55. Depressão: corpo, mente e alma afastamento dos amigos e das atividades sociais alteração no apetite alteração no sono Esse transtorno parece ter como base as alteraçõeshormonais próprias do ciclo menstrual. Observa-se, nesseperíodo, o rebaixamento dos níveis de estrogênio. Nessecontexto, o uso de anti-depressivos tem se mostrado eficaz notratamento dos sintomas. A solidão é uma situação bastantefavorável à depressão. Pessoas comdificuldades de relacionamento podemdesenvolver um estilo de vida mais solitário,com poucas amizades e um convívio socialrestrito. Essa situação pode ser acompanhadapor sentimentos de incompreensão, rejeição,baixa auto-estima, raiva e uma ilusão desuperioridade e auto-suficiência. De outra forma, a solidão pode sersentida em função de perdas de pessoasamadas como pai, mãe, filhos, cônjuge ououtras com as quais o deprimido tivesse umarelação de grande ligação e dependênciaafetiva, provocando sentimento de desamparo. ~ 55 ~
  56. 56. Wagner Luiz Garcia Teodoro O estresse se caracteriza por uma série de alteraçõesfisiológicas e psicológicas com reflexos emocionais ecomportamentais. É observado na forma crônica comoconseqüência do desgaste físico e mental (excesso deatividades ou insatisfação) ou na forma aguda em situaçõesindesejáveis que exigem adaptação, como a morte de pessoasna família e a perda do emprego. Entre as alterações decorrentes do estresse está adiminuição dos níveis de neurotransmissores nas sinapses(ligação entre dois neurônios). Pesquisadores observaramredução nos níveis de noradrenalina em cães que foramexpostos a situações estressantes como choque elétrico,barulho, calor e isolamento social, de forma que o aumento da intensidade dos fatores estressantes provocava maior rebaixamento dos níveis desse neurotransmissor. Diante de situações estressantes, as pessoas desenvolvem estratégias para lidar com seus problemas. Os deprimidos parecem fazer maior uso de estratégias passivas (fuga, conformismo, pensamento mágico, comer compulsivamente, tabagismo e alcoolismo, entre outras) ao invés de estratégias ativas e de enfrentamento (coragem, paciência, autoconfiança, determinação, iniciativa e otimismo). ~ 56 ~
  57. 57. Depressão: corpo, mente e alma As perdas foram as primeiras situações não orgânicascientificamente associadas à depressão. Em 1917, na obraLuto e Melancolia, Sigmund Freud sugeria que processosinconscientes envolvidos nas situações de perdas poderiamlevar à melancolia. No contexto da morte de entes queridos ou daseparação em relação a estes (casais, pais e filhos, ...),observa-se a vivência natural do luto, isto é, um momento queenvolve tristeza, elaboração e adaptação. Esse processonormalmente se dá num período relativamente curto,aproximadamente entre 6 e 8 semanas. Porém, muitas pessoastêm dificuldade para lidar com a situação da perda. Algumasapresentam tristeza numa intensidade patológica e por tempoacima do esperado, enquanto outras apresentam uma situaçãoinicial de euforia e negação dos fatos, caindo algum tempodepois em depressão. Percebe-se que as pessoas que seencontravam numa relação de dependência afetiva com o enteque se afastou têm maior propensão a entrar num quadropatológico. Estudos de famílias mostram que pessoas comparentes em primeiro grau (pai, mãe, irmãos ou filhos) comhistórico de depressão têm maior probabilidade de vir a terepisódios depressivos do que aquelas que não têm casos dessetranstorno na família. ~ 57 ~
  58. 58. Wagner Luiz Garcia Teodoro Outro fato observado é que quando o pai e a mãe jáapresentaram depressão, as chances de os filhos manifestaremo transtorno é maior do que quando ocorrido com apenas umdos dois. Acredita-se que a maior chance do surgimento dadepressão em pessoas com histórico na família estejavinculada a fatores genéticos e ambientais. A hipótese de umcomponente genético é confirmada por estudos feitos comgêmeos e crianças adotadas (relatados no capítulo sobrecausas, no item “fatores genéticos”). No entanto, é importante perceber que a depressão, emgrande parte dos casos, revela problemas com a auto-estima ecom a imagem que a pessoa tem dela mesma. Uma vez que aidentidade e a personalidade são desenvolvidas na interaçãofamiliar e social, é provável que o ambiente também exerçagrande influência na determinação de um quadro depressivo. É comum observar a depressão coexistindo com outrostranstornos como os de ansiedade, alimentares, depersonalidade e de déficit de atenção. Não é fácil afirmar quala relação entre a depressão e tais transtornos, em função dasdificuldades de se determinar qual surgiu primeiro e de queforma um influencia o outro. No entanto, a combinação entrea depressão e outros transtornos mentais é um fato e mereceatenção. TRANTORNOS DE ANSIEDADE: A ansiedade podeser uma reação natural à diferentes situações trazidas pelavida. Por exemplo, quando alguém se vê ameaçado por ~ 58 ~
  59. 59. Depressão: corpo, mente e almaalguma situação de perigo ou uma doença, quando está com otempo curto para alguma atividade importante ou quandoespera pelo resultado de um concurso do qual tenhaparticipado, normalmente sente ansiedade. No entanto, esta reação emocional, quandoexperimentada numa condição patológica, revela em seuscomponentes psicológicos traumas ou conflitos inconscientes,envolvendo desejos sexuais reprimidos, impulsos hostis, alémde sentimentos de inferioridade, rejeição e punição. Percebe-se, na ansiedade, uma sensação de insegurança e a expectativade algo ruim que possa acontecer. Os transtornos de ansiedade envolvem basicamente, aansiedade generalizada, as fobias, o transtorno obsessivo-compulsivo, a síndrome do pânico e o estresse pós-traumático. É comum que portadores destes transtornos passempor episódios depressivos e sabe-se que cerca de 50% daspessoas com depressão apresentam sintomas de ansiedade. TRANSTORNOS ALIMENTARES: Mais da metadedas pessoas que sofrem de anorexia e bulimia apresentahistórico de depressão. A anorexia nervosa caracteriza-se pelanecessidade que a pessoa sente de emagrecer por se acharsempre gorda, mesmo que esteja magra. Esta distorção dapercepção resulta em pouca alimentação e excesso deexercícios físicos, levando à inanição e até mesmo à morte. Abulimia nervosa refere-se à ingestão de grande quantidade dealimento num curto período de tempo (hiperfagia), seguida deculpa, indução de vômitos e uso de laxantes. Alguns estudos sugerem que a bulimia nervosa podeestar ligada à atividade do neurotransmissor serotonina e ~ 59 ~
  60. 60. Wagner Luiz Garcia Teodoroindicam que a gravidade do transtorno alimentar estáassociada à gravidade da depressão. TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE: Aestrutura de personalidade parece ser um fator relevante nosquadros depressivos, determinando padrões decomportamento. Os principais transtornos de personalidadeassociados à depressão são os de personalidade borderline,personalidade ansiosa, personalidade anancástica epersonalidade dependente. Esta relação está melhor relatadano capítulo sobre causas da depressão, no item “estrutura depersonalidade”. TDAH (Transtorno do déficit de atenção ehiperatividade): Estudos revelam que crianças comhiperatividade têm chances três vezes maiores dedesenvolverem depressão do que aquelas que não apresentamo transtorno. Além das alterações no funcionamento cerebral,é esperado que as crianças com TDAH sejam educadas deforma mais intolerante, devido à dificuldade que encontramem se concentrar e de ficarem mais calmas, sendoerroneamente rotuladas de indisciplinadas. Pais e educadoresdesavisados tendem a adotar métodos autoritários para lidarcom a criança hiperativa, resultando numa baixa auto-estimaque pode aumentar o risco de depressão. Algumas pesquisas indicam que cerca de 20% doscasos de alcoolismo e drogadicção estão associados a umhistórico de depressão. Sabe-se que muitas pessoas buscam o ~ 60 ~
  61. 61. Depressão: corpo, mente e almaálcool e as drogas durante episódios depressivos mas,também, parece ocorrer que tais substâncias interferem naatividade dos neurotransmissores, provocando ou agravando adepressão. No caso do tabagismo, também este guarda estreitarelação com o transtorno depressivo por poder levar adistúrbios da tireóide e síndrome de abstinência com sintomassemelhantes aos da depressão. Observa-se que pessoas portadoras de diversasenfermidades apresentam sintomas de depressão. Esse fatoparece estar ligado a fatores fisiológicos e psicológicos. Do ponto de vista fisiológico, existe a possibilidade deocorrerem alterações decorrentes da própria enfermidade.Essa hipótese se baseia no fato de que a presença de algumasdoenças parece aumentar o risco de depressão. Outra situação, provavelmente responsável por grandeparte dos casos, está relacionada com efeitos colaterais dosmedicamentos utilizados no combate à doença, provocandosintomas depressivos. No campo psicológico, algumas enfermidades,principalmente aquelas que oferecem algum tipo de risco paraa vida da pessoa, aquelas cujas seqüelas causam limitaçõesdiante da vida e as que requerem longos períodos deinternação podem provocar sentimentos de baixa auto-estima,incapacidade, exclusão, impotência, insegurança edesesperança. ~ 61 ~
  62. 62. Wagner Luiz Garcia Teodoro Entre as enfermidades que costumam revelar sintomasdepressivos associados ao quadro, estão: câncer, mal deParkinson, demência, diabetes, problemas hepáticos,distúrbios da tireóide, hipertensão, problemas cardíacos,AIDS, doenças degenerativas e problemas renais. Um contexto bastante propício ao surgimento deepisódios depressivos é o momento em que a pessoaexperimenta o sentimento de exclusão social, seja porquestões físicas, mentais ou outras que possam despertarpreconceito. Entre as pessoas que normalmente sentem-se àmargem da estrutura social, podemos ressaltar: pessoas com paralisias deficientes visuais deficientes auditivos idosos desempregados pessoas que se consideram fora dos padrões de beleza pessoas que sofrem amputações, resultando em limitações físicas e comprometimento estético analfabetos homossexuais ~ 62 ~
  63. 63. Depressão: corpo, mente e alma Seja em que situação for, a sensação de exclusão podegerar sentimentos de incapacidade, rejeição, baixa auto-estima, frustração, raiva e desamparo, favorecendo aformação do quadro depressivo. Uma boa auto-estima tem estreita ligação com o tipode relação familiar desenvolvida na infância. Por motivos variados, inúmeras famílias têm seusrelacionamentos permeados pela intolerância, irritabilidade,agressões físicas e verbais, críticas excessivas e pela ausênciade uma expressão afetiva mais positiva por parte dos pais oudos cuidadores, em relação à criança. Sabe-se que quanto mais cedo a criança experimentaralgum tipo de sofrimento intenso, piores serão asconseqüências para sua estruturação psíquica. Uma pessoaque começa a vida sentindo-se agredida e pouco amada,desenvolve posturas defensivas que favorecerão o surgimentode episódios de depressão. A hostilidade em relação àspessoas e ao mundo e a baixa auto-estima são exemplos desentimentos que, além de prejudicar diretamente a pessoa emsuas funções fisiológicas, acarretarão dificuldades derelacionamento e uma visão negativamente distorcida de si edo mundo. Entre os maus-tratos, vale ressaltar as situações deabuso sexual, normalmente envolvendo ameaças, agressõesfísicas e psíquicas, tendo como principais agressores, parentespróximos, conhecidos da família e os próprios pais oupadrastos. ~ 63 ~
  64. 64. Wagner Luiz Garcia Teodoro Os maus-tratos são também observados na terceiraidade, momento em que a debilidade física e os esperadoscomprometimentos neurológicos limitam a capacidade de oidoso reagir ou pedir ajuda, chegando às vezes a óbito. Seja na infância, na terceira idade ou mesmo nos casosde adultos submissos, os maus-tratos costumam provocargrandes sofrimentos e efeitos devastadores na estruturaemocional. ~ 64 ~
  65. 65. Depressão: corpo, mente e alma ~ 65 ~
  66. 66. Wagner Luiz Garcia Teodoro As explicações sobre as causas da depressão ainda nãoencontram consonância no meio científico. Durante algumtempo, dentro de um processo natural de construção doconhecimento, diferentes olhares buscaram possíveis causaspara esse transtorno. Teria a depressão uma origem orgânica,provocando alterações psicológicas? Ou começaria na esferapsicológica, levando a disfunções neuroquímicas? Atualmente, de forma mais ponderada, médicos epsicólogos consideram a existência de ambas aspossibilidades, sendo que, nos transtornos depressivos,normalmente coexistem fatores psicológicos e orgânicos. Osprimeiros envolvem a personalidade, conteúdos inconscientese sistemas de crenças. Já os de ordem orgânica envolvemaspectos fisiológicos, com a possibilidade de influênciagenética. Acredita-se numa complexa interação entre essesfatores, sendo que, em alguns casos, a origem possaapresentar prevalência de um dos dois, como nos casos delesões cerebrais e perdas de entes queridos. Esse avanço fez com que desde a década de 90predominasse um consenso acerca da combinação de recursosfarmacológicos e psicoterápicos no tratamento da depressão.Dentro dessa perspectiva, considera-se que as causasendógenas são aquelas vinculadas a fatores orgânicos e ascausas exógenas, aquelas relacionadas com fatorespsicológicos envolvidos no transtorno. Nesta obra, será também classificado como exógeno,um outro fator ainda não considerado relevante pela maioriados médicos e psicólogos: o fator Espiritual. Esse fator dizrespeito à condição do espírito (Ser incorpóreo, imortal e ~ 66 ~
  67. 67. Depressão: corpo, mente e almadotado de inteligência) interferindo no surgimento emanutenção da depressão. De forma ainda tímida, a neurociência vemcolaborando para a compreensão da influência da fé nasquestões neurológicas e fisiológicas. Porém, o fator espiritualaqui referido – e já abordado largamente por autores espíritase espiritualistas – vai além da fé, considerando a imortalidadedo espírito e sua ação voluntária, mesmo após o desenlace docorpo físico, acumulando experiências ao longo de sucessivasreencarnações, dentro do processo de evolução espiritual,como esclarece a Doutrina Espírita, codificada pelo francêsAllan Kardec no século XIX. No ritmo em que os avanços tecnológicos caminham,acredita-se que num tempo relativamente curto (considerandoos milênios de evolução), a própria ciência, principalmente apartir das descobertas da física quântica, se encarregará deincluir a condição espiritual na gênese de todas asenfermidades físicas e mentais. Não existe aqui a pretensão de convencer o leitor sobrea realidade espiritual, já que existe uma quantidade enorme deexperiências e observações publicadas por pesquisadores degrande respeitabilidade nos meios acadêmico e científico, quecomprovam a veracidade dos fenômenos desse campo (vide“as bases científicas dos fatores espirituais”, neste capítulo).Há apenas o desejo de colaborar para a ampliação de um olharmais criterioso sobre algo que para muitos profissionais dasaúde já é fato. É ainda importante ressaltar que os possíveis fatorescausais aqui relacionados não incluem situações sociais,econômicas e outras que provêm do mundo externo, porserem considerados aspectos meramente mobilizadores deconteúdos internos, que envolvem a predisposição orgânica e ~ 67 ~
  68. 68. Wagner Luiz Garcia Teodoroa estrutura psicológica. Dessa forma, o combate à depressãoatravés de uma intervenção restrita ao mundo externo éconsiderado uma medida apenas paliativa. Por exemplo,alguém que se deprime por estar endividado terá uma melhoratemporária se sua situação financeira for regularizada. Noentanto, são enormes as chances de breve retorno ao quadrodepressivo, pois saldar as dívidas não transforma os motivosinternos que levaram a ela, como atitudes consumistas quepodem ter como base a ansiedade e a falta de afeto. ~ 68 ~
  69. 69. Depressão: corpo, mente e almaESTRUTURA DE PERSONALIDADE Existem fortes indícios de que a estrutura depersonalidade seja de grande relevância na maioria dos casosde depressão, determinando padrões de comportamento quecompõem a maneira como cada pessoa irá reagir diante defatores externos como situações estressantes, perdas e outros.Trata-se de um conjunto de características individuais queenvolvem a forma de compreender o mundo, de estabelecerrelações interpessoais, de lidar com as emoções e de secomportar, resultante de uma complexa interação entre asvivências emocionais, o conjunto de crenças desenvolvidas efatores biológicos. A ciência não tem, atualmente, uma categoria depersonalidade vinculada à depressão. Apesar disso, observa-seque muitos deprimidos apresentam traços de característicasdescritas em alguns transtornos de personalidade. Os ~ 69 ~
  70. 70. Wagner Luiz Garcia Teodorotranstornos que apresentam relação mais estreita com adepressão são os de: personalidade dependente,personalidade borderline, personalidade ansiosa epersonalidade anancástica.Características de pessoas com transtorno de personalidadedependente: Necessidade de ser cuidada por alguém. Dificuldade de discordar de outras pessoas. Dificuldade para dizer “não” aos pedidos dos outros. Necessidade constante de estímulo e aprovação. Sentimento freqüente de desamparo. Sente-se incapaz de se cuidar sozinha. Construção de relacionamentos de dependência. Indecisão para fazer escolhas. Dificuldade para tomar atitudes. Auto-desvalorização. Esforço incondicional para agradar outras pessoas. Sentimento de derrota ou fracasso. Ansiedade pelo receio de não ser aceita como é. Auto-crítica destrutiva.Características de pessoas com transtorno de personalidadeborderline: Relacionamentos interpessoais intensos e instáveis. Humor instável (raiva e depressão). Pensamento mágico (mais brandos que na esquizofrenia). Auto-agressão (cortes, queimaduras, etc.). Pensamentos paranóides (freqüentemente sobre traição eabandono). Problemas de identidade. ~ 70 ~
  71. 71. Depressão: corpo, mente e almaCaracterísticas de pessoas com transtorno de personalidadeansiosa: Sentimentos persistentes e invasivos de tensão e apreensão. Crença de que é inferior aos outros. Preocupação excessiva em ser criticado. Medo da rejeição e da desaprovação. Excessiva necessidade de sentir-se seguro. Dificuldade de relacionamento interpessoal.Características de pessoas com transtorno de personalidadeanancástica: Cautela excessiva. Preocupação com detalhes, regras e organização. Perfeccionismo. Preocupação com convenções sociais. Rigidez e teimosia. Intransigência. Desejo de que os outros façam tudo do seu jeito. Comportamento obsessivo-compulsivo.ABORDAGEM PSICANALÍTICA A abordagem feita pela psicanálise sobre ostranstornos mentais tem foco nos processos psíquicos e naestruturação da mente, considerando a presença de conflitosinconscientes na gênese de tais transtornos. No contexto psicanalítico, é importante estabelecer adiferença existente entre “Tristeza”, “Luto” e “Melancolia”. Tristeza é o termo atribuído a um estado de humorcaracterizado por um abatimento, podendo estar presentetambém no luto e na melancolia. ~ 71 ~
  72. 72. Wagner Luiz Garcia Teodoro Luto é um processo natural de elaboração de perdas eadaptação, vivido num curto espaço de tempo (semanas) esem grandes conflitos. Já a expressão Melancolia é a denominação usadapelos primeiros estudiosos desta abordagem para se referir aoatual quadro depressivo. No que diz respeito à depressão, o entendimentopsicanalítico tem como base a percepção de Sigmund Freud,pai da psicanálise, de que esse quadro patológico poderia serprovocado pela presença de conflitos inconscientesvivenciados em situações de perdas. Tais conflitos seriamgerados por sentimentos ambivalentes em relação ao objetoperdido (amor x ódio) e o principal fator desencadeador dadepressão seria a raiva internalizada. Posteriormente, outros teóricos trouxeram importantescontribuições, ampliando a compreensão do aspectopsicodinâmico presente nos transtornos depressivos.Atualmente, com base no modelo proposto pelo Dr. David E.Zimerman, na obra Fundamentos Psicanalíticos, podemosdiferenciar alguns tipos de depressão em função do processopsíquico envolvido:a) Depressão Anaclítica O termo “Depressão Anaclítica” foi usado pelopsicanalista austríaco René Spitiz para definir o quadrodesenvolvido por bebês quando estes eram separados de suasmães entre o sexto e o oitavo mês de vida, apresentandosintomas semelhantes aos da depressão no adulto. Outro estudo, desenvolvido pelo psicanalista inglêsJohn Bowlby, descreve três fases apresentadas por bebês queeram precocemente privados do convívio materno: protesto(choro e agitação), desesperança (cansaço e sofrimento) e ~ 72 ~
  73. 73. Depressão: corpo, mente e almaretraimento (estado de apatia semelhante ao da depressão noadulto). A depressão anaclítica caracteriza-se pelo vaziosentido pela falta da presença materna.b) Depressão por perdas É a depressão que envolve vários tipos de perdas,sejam elas reais ou imaginárias. É possível observar trêsgrupos distintos de perdas:  Perda de pessoas ambivalentemente amadas e odiadas, provocando raiva e a sensação de culpa e desamparo.  Perda de pessoas ou coisas que sustentavam a auto-estima do deprimido. Normalmente ocorre em pessoas que se sentiam intimamente desvalorizadas e pouco amadas, precisando agarrar-se a algo que lhes atribuísse valor (carro, cargo, cônjuge,...).  Perdas por circunstâncias variadas que afetam as funções do ego no que diz respeito à adaptação ao mundo exterior. Situações como envelhecimento, morte de pais, aposentadoria, filhos que se casam e saem de casa, diminuição das capacidades visuais, auditivas e de memória, comprometimento estético e das funções motoras, podem gerar baixa auto-estima e resultar em depressão.c) Depressão por culpa O sentimento de culpa é um elemento freqüentementeobservado nos casos de depressão. Esse sentimento pode terorigens diversas:  Pessoas rígidas consigo mesmas, que exigem perfeição em tudo que fazem e que estão constantemente se julgando de forma cruel e implacável. ~ 73 ~
  74. 74. Wagner Luiz Garcia Teodoro A pessoa pode experimentar conflitos por reconhecer em si desejos, sentimentos e características que contradizem padrões que ela mesma entende como certos e admirados por outras pessoas que lhe são importantes. A culpa pode ser decorrente do rompimento da pessoa em relação aos desejos e expectativas dos pais. Por exemplo, alguém que não conseguiu seguir a profissão que seus pais sonhavam ou que não conseguiu tirar as melhores notas, pode sentir que frustrou os pais e que por isso perdeu o amor e a admiração deles. Trata-se de um sentimento de fracasso. O sentimento de culpa pode ser oriundo da auto-imagem negativa gerada pela postura excessivamente crítica de quem educa, resultando em sentimento de inadequação. É como se pequenas atitudes, próprias da infância, fossem consideradas erros graves. A pessoa torna-se muito exigente consigo mesma. Algumas pessoas experimentam culpa por terem alcançado algum êxito, despertando a sensação de estar agindo de forma incoerente com os papéis que lhe foram designados na vida. Alguém que “aprendeu” que é incompetente, dificilmente consegue se aceitar numa situação de sucesso. A culpa pode ser fruto do sentimento que a pessoa carrega de ser incapaz de reparar os “estragos” causados por seus pensamentos e atos agressivos.d) Depressão Narcisística Esse tipo de depressão é observado quando há umcolapso narcísico, isto é, quando alguém que valorizaexcessivamente o próprio ego, colocando-se em posição dedestaque em relação às outras pessoas, passa por uma situação ~ 74 ~
  75. 75. Depressão: corpo, mente e almaem que se sente inferiorizada, provocando uma queda intensada auto-estima e a sensação de não ser amada, ou melhor, denão ser a mais importante. A alta idealização da própriaimagem termina em uma dura e insuportável queda para apessoa narcisista, provocando depressão.e) Depressão por identificação com pessoas deprimidas Durante o desenvolvimento infantil, a criança vainaturalmente internalizando características dos modelospresentes (por exemplo, os pais). Pode ocorrer que o modelono qual a criança se espelhe apresente característicasdepressivas. Certamente, a relação interpessoal revelaráaspectos mais complexos que uma simples imitação. Porexemplo, uma mãe deprimida apresenta um sentimento deauto-desvalorização e assim, pode não se preocupar em fazerseus filhos se sentirem valorizados. De outra forma, umapessoa que apresenta sentimentos de inferioridade pode, natentativa inconsciente de camuflar seu sofrimento, esconder-se atrás de uma máscara de superioridade e fazer com queseus filhos e as pessoas à sua volta se sintam inferiores,diminuindo-lhes a auto-estima.ABORDAGEM COMPORTAMENTAL A abordagem comportamental trabalha com a idéia deque os comportamentos anormais são “aprendidos” a partir dainteração da pessoa com o ambiente em que está inserida,tendo como base a existência de reforços positivos(gratificações) e negativos (punições). Os teóricos destaabordagem se ocupam dos fatores observáveis e mensuráveis ~ 75 ~
  76. 76. Wagner Luiz Garcia Teodorodo comportamento, não fazendo considerações sobre osprocessos subjetivos. Em relação às causas da depressão, a visãocomportamental contribui basicamente com duas hipóteses:a) Ausência de reforço De acordo com essa teoria, um comportamento tende ase intensificar quando é associado à um estímulo ou reforçopositivo (gratificação, prazer, ...), enquanto a existência dereforços negativos (punições, frustrações, ...) tende a diminuirsua freqüência. Reforços positivos podem ocorrer na forma decarinho, elogios, admiração, reconhecimento, incentivofinanceiro, presentes, entre outras. Já os reforços negativos seexpressam em situações indesejáveis, dores físicas,frustrações, entre outras que causem algum tipo de sofrimentoou desconforto. De acordo com os estudos de Peter Lewinsohn, em1974, a depressão poderia surgir na ausência ou diminuiçãode reforços positivos e na elevação de reforços negativos,podendo provocar, isolamento, falta de interesse e alteraçõesdo humor. Uma outra situação se refere ao aumento degratificações quando a pessoa está deprimida, sendo cercadade cuidados e atenção. Esta situação pode prolongar adepressão em pessoas que só se sentem amadas quando estãosendo cuidadas durante uma enfermidade. Trata-se de umganho secundário.b) Desamparo aprendido Nessa hipótese, apresentada por Martin Seligman em1975, considera-se que a pessoa possa ter sido exposta asituações na vida, sobre as quais não tinha qualquer controle. ~ 76 ~
  77. 77. Depressão: corpo, mente e almaTais vivências seriam responsáveis por gerar expectativas deincontrolabilidade em situações futuras, provocando asensação de desamparo, que resultaria num déficitmotivacional, cognitivo e emocional.ABORDAGEM COGNITIVA Os teóricos dessa abordagem têm foco nos processoscognitivos, isto é, nos processos do pensamento, resultando naformação de crenças sobre si e o mundo. Dentro dessa perspectiva, encontramos essencialmenteduas hipóteses:a) Racional-Emotiva Essa hipótese, proposta por Albert Ellis em 1970,considera que as pessoas são afetadas negativamente por umasituação, devido ao fato de atribuírem um significado negativoa ela. Trata-se de uma crença muitas vezes irracional, fruto depré-concepções. Por exemplo, já houve momentos na históriaem que a obesidade das mulheres era sinônimo de saúde evalorizada pelos homens como padrão de beleza. Atualmente,em função dos padrões do mundo moderno, muitas mulherestêm sua auto-estima rebaixada por não conseguirememagrecer.b) Cognições negativas Os conhecimentos sobre a influência dos pensamentosno comportamento humano já tiveram a contribuição deinúmeros pesquisadores e são, atualmente, a base de muitasteorias sobre auto-ajuda. Um dos precursores dessa teoria éAaron Beck, defendendo que cultivar pensamentos negativos ~ 77 ~
  78. 78. Wagner Luiz Garcia Teodoropode levar à depressão. Alguns estudos revelam que ascognições negativas podem, também, ajudar a prolongar aduração do quadro depressivo. Dentro dessa concepção, a depressão envolvepensamentos negativos a respeito de si, do mundo e do futuro.ABORDAGEM HUMANISTA Enquanto a psicanálise enfatiza aspectos inconscientesda estrutura psíquica e a abordagem comportamental priorizaas contingências do ambiente, os humanistas dão maiorimportância à natureza humana, envolvendo a criatividade, aespontaneidade e as relações interpessoais. Essa perspectivateve como precursores Carl Rogers e Abraham Maslow,quando enfatizaram, na década de 60, a autoconfiança e aauto-realização. Em relação à depressão, alguns humanistas acreditamque esta possa surgir em decorrência da percepção dadistância existente entre o Eu ideal e o Eu real. Comoexemplo, muitas pessoas experimentam a famosa “crise dameia idade”, quando reconhecem que não conseguiram fazerde suas vidas o que idealizaram no passado e que,provavelmente, não o conseguirão no tempo que lhes resta.Tal situação pode gerar um sentimento de fracasso. Erich Fromm (1900-1980) referia-se a conflitosvividos pelos seres humanos em função da existência de duasforças: o impulso biológico e a pressão social. Acreditava queas pessoas podem superar tal conflito, tornando-seespontâneas, criativas e afetuosas. ~ 78 ~

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