A CRÔNICA DE MAXIXE:O GUERREIRO, O HERÓI!        *1921/+2011
AGRADECIMENTOSÀ minha avó Luzia, ao meu pai Francisco e ao meu tio José Luciano pelas               relevantes informações...
SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO 2. A MARCHA3. CONCLUSÃO
ADEUS, VALENTE GUERREIRO.
1. INTRODUÇÃO       A vida é uma linha reta entre dois pontos. O começo ocorre com o nosso nas-cimento, quando surgimos pa...
2. A MARCHA       A hora do adeus sempre mareja os olhos e entrecorta as palavras daqueles queperderam um ente querido. Co...
Francisco e Ana nem imaginassem à proporção que tomaria aquele seu filhinho tão frá-gil nos primeiros anos de vida, mas re...
sileiras. Durante 15 dias, aguardou ansiosamente a sua confirmação como recruta volun-tário da Força Expedicionária Brasil...
O Exército brasileiro foi uma escola de cidadania para o meu avô. Lá, ele apren-deu os sólidos valores morais e as noções ...
Neste ínterim, conheceu Luzia Marinho que seria como um anjo da guarda até osseus últimos dias de existência. Mulher de es...
do Sabugi de Santa Luzia, o Cica e o Botafogo de Patos, etc. Daí partiram excussões àsimportantes praças futebolísticas do...
E o começo do jogo foi eletrizante com a abertura do placar pelo atacante Araú-jo, fazendo a torcida de Patos explodir num...
deste minério no Distrito de Várzea, vilarejo pertencente àquela época à cidade de SantaLuzia, durante o período que marco...
pensar duas vezes, Maxixe conduziu o seu filhinho a um casebre desabitado, acendeuuma fogueira e abraçou-o bem forte, até ...
nesta cidade e trazer a sua família que se encontrava em Santa Luzia desde 1961,realizando a realocação da sua esposa e do...
vizar a sua dor interior com a presença mais próxima ao seu filhinho que repousavainerte num jazigo da nossa família.     ...
Ainda lúcido nos anos 90, chegou a me confidenciar da estima que tinha pelo ex-governador Wilson Braga10, último grande go...
3. CONCLUSÃO          A presente crônica teve a intenção de trazer a lúmen a vida de um briososertanejo que muito honrou a...
ações, além de nos legar um precioso DNA que ultrapassará os séculos nos diversosdescendentes por virem.       Aos meus ti...
ANEXOVIVA MAXIXE! VMV
SÍMBOLOS                      Hitler disse que era mais provável que uma cobra fumassecachimbo, do que o Brasil mandar uma...
Apetrechos utilizados pelos integrantes das For-ças Armadas Brasileiras.                           Vargas engaja-se na II ...
Apontamento extraído dos documentos de Severino Fernandes Gomes. Para o bomentendedor, meia palavra basta: o 4° Escalão er...
CANÇÃO DOS EXPEDICIONÁRIOS      Você sabe de onde eu venho?        Você sabe de onde eu venho?      Venho do morro, do Eng...
GALERIA DE FOTOS                                   Augusto Azevedo de Souza, tio de Maxixe e quelhe inspirou a ser Militar...
Severino Fernandes Gomes na época em queserviu ao Exército brasileiro por ocasião da II Guerra Mundial. Foi promovido como...
Maxixe acidentado por conta de um exercício mais acentuado no campo de trei-namento, onde pisou num toco de pau proposital...
Maxixe nos anos 40: um humilde lavrador.
Maxixe acompanhado dos familiares que tanto estimou nesta vida. Ao seu lado,Dona Cândida Nóbrega, a sogra a quem muito pre...
A Seleção de Inocêncio de Oliveira (composta pelos times do Brasil de Araújo, o Cicae o Botafogo de Patos) que jogou no ca...
Maxixe ao lado do maior centroavante patoense de todos os tempos, o consagradoAraújo que jogou no Treze de Campina e no Ba...
Maxixe perfilado na primeira fileira, com um escudo do Botafogo. Este time era oSabugi de Santa Luzia, notável equipe do V...
OS GRANDES TIMES QUE AS EQUIPES DE MAXIXE VENCEU:                Filipéia Esporte Clube.                Fundação: 19-11-19...
Ferroviário Atlético Clube                    Fundação: 09-05-1933                   Localização: Fortaleza/CE            ...
Maxixe comandando com honra a equipe do Esporte Clube, na condição de          Presidente desta importante agremiação sert...
Severino Fernandes Gomes em encontro com o agente fiscal Dódó (à sua direita) e ochefe de polícia local (à sua esquerda), ...
Maxixe ganhou a eleição para vereador de Patos em 1982, contando com o                   expressivo sufrágio de 837 votos.
Maxixe foi o sétimo vereador mais votado nesta eleição.
Severino Fernandes Gomes com o notável Mário Primo de Araújo, o maior políticoque o Vale do Sabugi teve, inclusive em term...
Foto de Maxixe ao lado do ex-prefeito Nabor Wanderley da Nóbrega e sua esposa.Maxixe abraçando o seu colega ex-combatente ...
Maxixe observando o seu filho José Luciano discursar em Várzea, quando da inau-guração da Praça Joaquim Marinho da Silva, ...
Em uma festa dos anos 70, Maxixe fez-se presente com a sua esposa Ziinha, a sua sobrinhaMaria e a sua filha Cida.         ...
Severino Fernandes Gomes ao lado do seu amigo Michel e do seu filho Chico. À sua frente,encontrava-se o ex-vereador Ramiro...
Severino Fernandes Gomes conduzindo a sua futura nora, numa cerimônia que foi trans-mitida para Patos e regiões circunvizi...
Natan, Evanildo e Junior, os primeiros netinhos de Maxixe.
As primeiras netinhas de Maxixe: Lygia e ElisângelaA família de Maxixe foi se ampliando. Na sequencia, podemos observar os...
Maxixe num carnaval no Patos Tênis Clube na década de 60, acompanhado por suaesposa e sua graciosa filha Luzia, minha esti...
Maxixe escutando as sábias palavras de Frei Damião, em sua casa no Belo Horizonte.Maxixe numa cerimônia religiosa.
Maxixe participa da colação de grau do filho de José Jacinto.Maxixe sendo acompanhado por Chico Bocão, Zé Galego e Olivald...
Maxixe com o amigo Múcio Sátyro nos anos 70.Severino Fernandes Gomes ao lado do Prefeito Rivaldo Nóbrega Medeiros em uma s...
O desfile de 7 de Setembro.
O desfile de 7 de Setembro.
Maxixe com o ex-deputado Federal Edvaldo Motta, grande amigo e que sempre estava emsua casa, batendo um papo saudável e de...
A sua companheira nestes 66 anos de casados.Os filhos de Maxixe: Maurício, Francisco, José Luciano e Fernando, respectivam...
Maxixe com a sua amada família. Na sequencia da esquerda para a direita, podemosperceber a presença de tia Cida, tio Maurí...
Família feliz.
Casal sempre unido!
Maxixe foi transportado num carro do Corpo de Bombeiros até a Câmara Municipal de Patos, onde recebeu homenagens emocionad...
Maxixe sendo carregado pelos militares do Exército brasileiro.
OBRIGADO MAXIXE!
FIM
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A Crônica de Maxixe: o Guerreiro, o Herói!

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Uma pequena homenagem prestada a um grande homem

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  1. 1. A CRÔNICA DE MAXIXE:O GUERREIRO, O HERÓI! *1921/+2011
  2. 2. AGRADECIMENTOSÀ minha avó Luzia, ao meu pai Francisco e ao meu tio José Luciano pelas relevantes informações prestadas!
  3. 3. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO 2. A MARCHA3. CONCLUSÃO
  4. 4. ADEUS, VALENTE GUERREIRO.
  5. 5. 1. INTRODUÇÃO A vida é uma linha reta entre dois pontos. O começo ocorre com o nosso nas-cimento, quando surgimos para o mundo a fim de realizarmos um propósito predefinidopelo Criador do Universo. Esse é o limiar de toda criatura viva, configurando-se no pon-to de partida para o conjunto de eventos a serem protagonizados por nós, simples mor-tais, ao longo de nossa existência, com o fito de confirmarmos os desígnios divinosinsculpidos antes mesmo de nascermos. Ainda pequeninos, damos os primeiros passos cambaleantes, sem muita firmezafísica. De sorte que necessitamos do apoio dos nossos pais para sermos direcionadosnos primeiros anos de vida. É sem sombra de dúvida, o fluxo natural da existência quese inicia como uma pequena nascente que se encorpa num ribeiro d’água e se congreganum riacho até virar um rio caudaloso, cheio de curvas e peripécias, singrando o relevocom as suas águas revoltas e informes. Assim ocorreu com o saudoso Severino Fernandes Gomes. O percurso da suavida foi traçado em uma linha retilínea pelo Rei dos Reis, embora as curvas tenham sidopropositalmente fixadas para testá-lo e o aperfeiçoar. Conforme podemos aferir, a vidatrouxe-lhe altos e baixos, momentos bons e ruins, mas cada um destes eventos tiveramum motivo de ser, propulsionando a sua existência às metas delineadas por Deus, o ver-dadeiro guia de todas as criaturas subsistentes. Destarte, sugiro aos leitores que leiam atentamente cada um dos acontecimentosque historiarei neste pequeno opúsculo, a fim de compreenderem o impacto que as cir-cunstâncias boas e ruins tiveram no decorrer da sua longa existência neste mundo. Háuma intrincada correlação de acontecimentos que só podem ser entendidos diante da rel-ação lógica de causa-efeito, consoante as múltiplas perspectivas que marcaram a suapersonalidade nestes 90 anos bem vividos.
  6. 6. 2. A MARCHA A hora do adeus sempre mareja os olhos e entrecorta as palavras daqueles queperderam um ente querido. Comigo e contigo não é tão diferente. Somos seres humanosdotados de sentimentos e compaixão para com os nossos semelhantes. Se fôssemossubstâncias inorgânicas, talvez tivéssemos o atributo da indiferença. Mas temos a essên-cia humana da piedade incrustada em nosso DNA, e isso nos faz refletir e ponderarsobre o destino comum que acerca toda a humanidade: a morte. Esta insensível senhora vive nos rondando, perscrutando um momento certo paradesfechar o golpe fatal. A todo dia somos postos em xeque e daqueles que saem ilesos,podemos considerar como sendo vitoriosos. Fato certo é que podermos até ganhar inú-meras batalhas contra esta mórbida criatura, mas um dia sairemos derrotados inflexível-mente por ela. Talvez isso seja manifestamente torpe de se dizer, quando a maioria daspessoas almejam uma esperança nesta vida e na outra. Todavia, creio que o fim existencial de cada ser é somente a extinção da cascabiológica que temos. Todo ser humano é depositário de algo por demais precioso e quese mantém intacto nas sucessivas gerações: a semente da vida. Os nossos pais com amore carinho inoculam paripasso a essência da vida que cresce em cada um de nós comouma arvore frondosa. Uma folha pode até cair, mas logo outra vem atrás de si e faz sin-tetizar o amálgama da vida, constituído na continuidade das gerações. Os filhos, os netos, os bisnetos, enfim, as gerações futuras sempre darão pros-seguimento à vida humana, mantendo acesa a chama da esperança que não é apagadanem mesmo pelos vieses da amarga morte. Em breves linhas, sintetizarei aquela que foia vida de Severino Fernandes Gomes, um homem de bem e um belo exemplo de cida-dão honesto e íntegro, dotado de virtudes manifestas em suas ações sempre lídimas emprol dos seus familiares, dos amigos e dos desafortunados. Severino Fernandes Gomes, vulgo Maxixe, foi um grande homem, nascido nosidos de 1921, na Fazenda Queimadas, pertencente ao Distrito de Sabugirana, atualMunicípio de Várzea. De família modesta, teve a chance de singrar a vida como umcometa incandescente, espalhando a admiração por onde passou. Talvez, os seus pais
  7. 7. Francisco e Ana nem imaginassem à proporção que tomaria aquele seu filhinho tão frá-gil nos primeiros anos de vida, mas revolto e valente na idade adulta. De família pobre e modesta, Maxixe labutou os seus primeiros anos no campo,ajudando o seu pai nos afazeres rurais. Foram anos a fio, mantendo-se firme no trabalhoestafante, em meio à rigidez do clima seco do semi-árido. Ainda em Várzea, auxiliou oseu pai na dura e escaldante tarefa de fazer tijolos, inclusive na fabricação daquelespequenos blocos de argila que serviriam para a ascensão do primeiro templo cristão nes-ta acolhedora comunidade religiosa. Chegando à vida adulta, vislumbrou poucas perspectivas de subsistência em suavilazinha, tendo que partir para a capital do Estado nos difíceis anos 40. Neste período,o mundo encontrava-se convulsionado por uma mortífera guerra mundial, da qual o Bra-sil ingressou a destempo por conta dos vis ataques do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) àmarinha mercante brasileira em águas nacionais e internacionais que redundaram noafundamento de 35 navios e na morte de 1.081 inocentes. Depois desta carnificina nazi-fascista, o Brasil entrou prontamente na II GuerraMundial, convocando os cidadãos nacionais a fim de responderem à insânia dos abjetosalemães. E inúmeros jovens brasileiros apresentaram-se voluntariamente às Forças Ar-madas Nacionais com o intuito de darem a paga aos soberbos imperialistas; e dentre osidealistas estava o insigne Maxixe que acorreu à Capital paraibana, objetivando se alis-tar espontaneamente ao Exército brasileiro. De partida para João Pessoa, ele contou com a ajuda financeira de sua irmãMaria Gomes que lhe conferiu os meios necessários à sua estadia naquele grande centrourbano. Foram dias difíceis aqueles, quando Severino teve que se desvencilhar dos seusentes queridos, emigrando para paragens estranhas e desconhecidas, assim como fizerao seu tio Augusto que, algumas décadas antes, partira pra o Maranhão a fim de com-bater a Coluna Prestes, lá morrendo como um grande herói. Depois de uma exaustiva viagem, através dos rústicos meios de transporte daépoca, Maxixe chegou finalmente à Capital da Paraíba. De imediato, dirigiu-se ao 15°RI (Regimento de Infantaria), onde se colocou à disposição das Forças Armadas Bra-
  8. 8. sileiras. Durante 15 dias, aguardou ansiosamente a sua confirmação como recruta volun-tário da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Ainda sóbrio, chegou a me confidenciarque passou por privações alimentares, nestes dias, trazendo-lhe a penumbra do deses-pero e a vontade de regressar ao seio familiar. Todavia, foi justamente nesta ocasião que a providência divina trabalhou ao seufavor, colocando em seu caminho uma generosa alma humana que viabilizou o seu sus-tento, quando as suas posses e recursos já haviam se consumado. Tratava-se de um ven-dedor ambulante que lhe forneceu frutas e verduras, corroborando à sua mantença na-queles angustiantes dias de espera, quando as esperanças de Maxixe começavam a ficarcada vez mais diminutas no decorrer dos dias. Porém, o nosso valoroso sertanejo foi finalmente incorporado ao Exército em 1°de Agosto de 1941. Daí em diante, nunca mais a fome bateu a sua porta. A abertura dosportões daquela Unidade Militar foi como a ascensão ao Paraíso, onde as privações erestrições ficaram para trás. Interessante que ao ser inquirido sobre o local onde per-noitava, Maxixe apontou para uma casa desabitada. Perplexo, o amigo respondeu a Se-verino que alí havia morrido uma família com tuberculose! Deveras, a sorte sempre acompanhou esse notável homem que sobreviveu à fo-me e às doenças, vitimadoras de tantos Severinos desafortunados deste vasto país. Nesteaspecto, já era um herói mesmo sem ter guerreado os inimigos externos. As agruras damiséria ensejam os maiores combates que um indivíduo pode travar ao nascer num paíssubdesenvolvido e sem grandes perspectivas, como era o Brasil, na longínqua década de40, com grandes contrastes sócio-econômicos. Paradoxalmente, foi justamente nestes anos de chumbo que nasceu o amor deMaxixe à Pátria e ao Exército Nacional, servindo com desvelo aos ideais republicanos eà defesa da integridade de nossa Nação contra a insídia pérfida dos nazi-fascistas, repu-tados, até então, como o flagelo da humanidade e a desgraça para milhões de ciganos eoutras etnias chacinadas impiedosamente pela máquina de guerra criada por Adolf Hi-tler e os seus sequazes desumanos.
  9. 9. O Exército brasileiro foi uma escola de cidadania para o meu avô. Lá, ele apren-deu os sólidos valores morais e as noções básicas de cidadania, coisas tão rarefeitas emnossos dias e no nosso meio social, onde os homens públicos dão maus-exemplos se en-tregando a pilhagem do Erário Público, desviando-se dos propósitos republicanos e dafinalidade maior que é servir à Pátria, ao invés de serem servidos pecuniariamente poresta, como ocorre tão rotineiramente nos nossos dias. Ainda no Exército, aprendeu o ofício de enfermeiro num profícuo curso efetuadoem Pernambuco e a arte futebolística que mais tarde poria em prática, quando da suavolta ao Sertão paraibano. Conforme se afere, a vida foi um excelente laboratório paraMaxixe, propícia para talhar o caráter deste valoroso sertanejo que nunca choramingoucom os infortúnios sofridos, mas sempre procurou suplantá-los de forma rija, sem bai-xar a guarda para as aflições experimentadas. Com o embarque iminente, foi destacado de última hora pelo Exército para au-xiliar o corpo de enfermeiros do 15° RI1, o que lhe elidiu o sonho tão acalentado delutar contra os nazistas no campo inimigo. Contudo, posteriormente, foi designado parapatrulhar a zona costeira e até chegou a participar do afundamento de submarinos do Ei-xo, além de ter atuado na invasão à Companhia de Tecidos de Rio Tinto, onde se sus-peitava que os nazistas tivessem um apoio logístico. Àquela altura, o Atlântico vicejava de submarinos nazistas e italianos que amea-çavam a integridade soberana do Brasil no Atlântico Sul. Os nazi-fascistas andavam pordemais irritados com os brasileiros por conta do rompimento das relações em 28 de Ja-neiro de 1942. Com isso, tornou-se cogente a criação de bases nas cercanias limítrofesao oceano para defender a costa litorânea brasileira. Em Rio Tinto, Maxixe permaneceupelo período de 21/12/1942 até 07/08/1943. 1 Quando todos os soldados estavam perfilados e ouvindo as últimas instruções para se prepa-rarem à missão no estrangeiro, veio a determinação superior para que quatro deles saíssem de forma ese apresentassem no 15° RI, pois a presença deles era necessária nesta unidade que andava precisandodos seus serviços: Maxixe foi um destes soldados, visto que tinha conhecimentos em enfermagemimprescindíveis àquela unidade militar.
  10. 10. Neste ínterim, conheceu Luzia Marinho que seria como um anjo da guarda até osseus últimos dias de existência. Mulher de espírito manso e bondoso, Luziinha encantouimediatamente Maxixe que viu nela uma boa mulher, excelente para ser a sua futura es-posa e a mãe dos seus filhos. E esta foi uma ótima escolha, principalmente para um ho-mem com gênio forte e enérgico que precisava ser adocicado com a ternura de uma pes-soa meiga e dócil, assim como é minha avó Ziinha! Entretanto, após noivarem firmemente sob a estrita vigilância de Dona CândidaNóbrega, a futura sogra de Maxixe condicionou o casamento deles ao retorno de Se-verino, após finalizar o seu serviço militar. Era mais uma precaução adotada pela mãede Ziinha com o fito de evitar o dissabor da viuvez precoce desta, por conta do temorque o seu noivo embarcasse com a FEB (Força Expedicionária Brasileira) para a Europae nunca mais voltasse à sua Pátria natal. Desta feita, a guerra já ia se aproximando do seu desfecho final, principiando odesmantelamento da máquina de guerra nazista. Até que em 2 de Setembro de 1944,meu avô foi finalmente promovido a reservista de 1ª categoria, podendo assim terminaros seus serviços naquela unidade militar e retornar ao interior paraibano, a fim de seocupar em algum labor e casar com a meiga Ziinha que tantas alegrias o traria nestes 66anos de união, com uma prole honrada sob todos os aspectos. De volta a Sabugirana2, trabalhou como oleiro e agricultor, moldando com assuas mãos, o barro da vida. E foram dias de intensa labuta, tanto no cultivo da terra,quanto na preparação do solo para transformá-lo em tijolos. Diuturnamente ajudava oseu velho pai nestas tarefas, de forma a ganhar uma renda que lhe assegurasse os prepa-rativos do seu casamento, finalmente ocorrido no princípio de 1946, mais precisamenteem 1° de janeiro deste ano supracitado. Ainda na década de 40, passou a ter o seu nome sempre lembrado nas escalaçõesde importantes equipes sertanejas. Neste interregno, jogou em vários clubes, a exemplo 2 Era assim chamado o distrito pertencente ao Município de Santa Luzia, criado por força dodecreto-lei estadual n°. 29, de 22-11-39. Com este nome permaneceu até 1949, quando passou a serdesignado como Várzea pela lei estadual n°. 318, de 07-01-1949. Desde então, permanece com estenome, inclusive com a sua ascensão a Município em 1961, por força da Lei n°. 2.683, de 22-12-1961.
  11. 11. do Sabugi de Santa Luzia, o Cica e o Botafogo de Patos, etc. Daí partiram excussões àsimportantes praças futebolísticas do Nordeste, como João Pessoa, Recife e Fortaleza,onde ele venceu respectivamente os times do Filipéia, Santa Cruz e o Ferroviário. E asua reputação de grande goleiro aumentava cada vez mais. A minha avó contou-me que numa destas jornadas esportivas, vôvô viajou com otime de Patos para enfrentar o Filipéia de João Pessoa. Neste tempo, este clube era mui-to conceituado na Paraíba. Após ser agendado o confronto, a equipe patoense partiunum caminhão, e durante o trajeto, o veículo tombou na estrada. A despeito deste in-crível acidente, a equipe refez-se do susto, partiu para a Capital e venceu o adversário,realizando uma memorável passeata em nossa cidade. Maxixe ainda participou da famosa Seleção de Inocêncio Oliveira formada porequipes patoenses (Cica, Brasil de Araújo e Botafogo de Patos), que venceu o imbatívelTreze de Campina Grande no campo do Estrela em 1946, pelo placar de 6x5, mostrandoque a arrogância campinense não era páreo às falanges patoenses, quando estas marcha-ram unidas e imbuídas do sério propósito de obter o êxito, através do duro e exaustivotreino que culminou com esta vitória fabulosa. O Jogo com o Treze foi um acontecimento que parou a nossa cidade. Não sefalava noutra coisa, a não ser no confronto com o Galo da Borborema. As bandeiras e asflâmulas da partida tremulavam incessantemente neste dia. O sol apertava a vista dostorcedores que aguardavam freneticamente a entrada dos dois times, numa angústia queocasionava calafrios nos espectadores. Até que surgiram os atletas da Seleção de Ino-cêncio e do Treze, inflamando os ânimos dos circunstantes3: “O Botafogo foi com sua força máxima. No gol Maxixe, nosso ex- delegado de trânsito. A zaga com Urái e Biu Porto, este substituído depois por Felix Pacaia. A intermediária formou com Aderson, Totinha, verdadeiro Danilo na posição, e Zé Bom de Lateral esquerdo. O ataque era irresistível: Mané de Ferro na ponta direita, Josias como meia armador, o grande Araújo, centroavante, Ruivo que tinha um canhão no pé, era meia ponta de lança e Zucaca ponteiro esquerdo. O técnico, importado do Ceará era França, primeiro orientador de futebol que andou por terras das Espinharas”. 3 José Romildo de Sousa. 90 Minutos: O Álbum do Futebol, p. 21.
  12. 12. E o começo do jogo foi eletrizante com a abertura do placar pelo atacante Araú-jo, fazendo a torcida de Patos explodir num rasgo de euforia sem precedentes. Contudo,em poucos minutos, o time campinense empatou a partida, virando em seguida o placarpara 2x1. A primeira etapa do jogo terminou 3x3. E se o primeiro tempo foi eletrizante,a segundo etapa guardava emoções inimagináveis. A partida foi equilibrada até o últimoinstante, quando o time patoense virou o placar para 6x5. A cidade de Patos ficou eufórica com esta vitória, conforme podemos aferir nosescritos dos cronistas da época. Era a primeira vitória de uma equipe das Espinharascontra o tão temível Treze de Campina Grande, até hoje reconhecido pelos paraibanoscomo um time difícil de ser batido. Na década de 40, foi destroçado pelo escrete deMaxixe, num jogo que foi bem descrito pelo saudoso Dr. Romero Nóbrega, um grandeadmirador das defesas de Maxixe, conforme lhe confidenciou anos depois. No decorrer destes anos, vôvô teve a oportunidade de jogar com os maioresatletas de Patos e da região, como os famosos Araújo e Luís Laurindo, ambos atuantesem grandes equipes do Brasil, a exemplo do Bahia e do Treze de Campina Grande.Vôvô Maxixe até chegou a ser cobiçado por uma equipe carioca, mas o fato de sercasado e de ter uma prole pesaram mais alto, suprimindo o tão desejado sonho de vir adefender uma grande agremiação brasileira. De volta à Sabugirana, passou a trabalhar como garimpeiro na mina da Quixaba,de propriedade do seu inestimável amigo Mário Primo de Araújo. Maxixe trabalhounesta tarefa de 1947 até o princípio dos anos 50, quando esta importante jazida descheelita4 foi negociada para um grupo alemão5 que passou a controlar a exploração 4 O mineral de tungstato de cálcio que é explorado a fim de se obter o metal tungstênio. Estasubstância é utilizada na fabricação dos filamentos das lâmpadas incandescentes, dos tubos de raios X eem superligas. 5 A Mineração Sertaneja S.A pertencia ao grupo empresarial alemão Maurício (Moritz) Rothshild.Aquela empresa resultou do desmembramento de outra companhia do mesmo truste no ano de 1953.Porém, passou a atuar em Santa Luzia por força do Decreto Nº 35267, de 25 de Março de 1954. As suasatividades foram finalizadas em razão da errática geologia do terreno e dos preços deste minério queinviabilizaram este empreendimento (Moritz Hochschild Collection 1881-2002, pp. 154 e 155)
  13. 13. deste minério no Distrito de Várzea, vilarejo pertencente àquela época à cidade de SantaLuzia, durante o período que marcou o apogeu deste Município. A partir de 1951, meu avô passou a oficiar como enfermeiro desta mina, pos-suindo uma farmácia e um barracão de comércio, onde negociava mercadorias e medi-camentos em conta para os seus clientes. E foram incontáveis bons serviços prestadosaos mineiros e à população de Várzea como um todo, numa época em que a carência demédicos era ressentida nos diversos grotões da nossa pobre Paraíba, com a falta sis-temática de tratamento médico e hospitalar. Durante estes anos, também se dedicou intensamente à caça e à pesca, realizandoestas duas atividades como um hobby e um meio de subsistência, complementando as-sim, a renda da sua modesta família. Maxixe sempre foi um esforçado trabalhador, su-ando ao máximo para buscar a mantença dos seus familiares, mesmo quando as condi-ções mostravam-se plenamente desfavoráveis num ambiente de poucas possibilidadeseconômicas, como é o caso do semi-árido nordestino. Detentor de uma pontaria invejável, Maxixe era temível na arte de atirar. Há re-latos de caçadas espetaculares, em que vôvô, com um só tiro, matou 36 ribaçãs6,segundo me contou o meu pai Chiquinho e minha avó Ziinha7. Também ouvi de amigosdele, que vôvô apreciava o tiro ao alvo, mormente com figurantes segurando um cigarronas pontas dos dedos, a fim de Maxixe retirá-lo com os seus tiros sempre precisos,através de uma perícia adquirida nos seus tempos de Exército. As pescarias também eram apreciadas por vôvô. Às vezes, levava os seus filhosChico e Deca para ajudá-lo. E numa destas célebres pescarias, o seu filho primogênitocomeçou a se resfriar por conta de um temporal que lhe pegara desprevenido. Pequeninoe frágil, logo nele principiou um estado de hipotermia que poderia levá-lo a óbito. Sem 6 Forma popular para designar as aves de arribação que são uma espécie de pomba migratória,maior que a rolinha e que anualmente nidificam no interior do Nordeste brasileiro, chegando a produzirmilhares de ninhos pelo chão da caatinga. 7 O meu pai Francisco relatou-me que apanhou 36 (trinta e seis) ribaçãs mortas com um únicotiro dado por Maxixe na propriedade Enxuí. A minha avó Luzia disse-me que vôvô também havia abatido20 (vinte) ribaçãs com um único tiro na casa de Cândida Nóbrega, a sogra de meu avô.
  14. 14. pensar duas vezes, Maxixe conduziu o seu filhinho a um casebre desabitado, acendeuuma fogueira e abraçou-o bem forte, até que ele voltasse ao normal. E esse evento serve para mostrar que mesmo sendo possuidor de um caráter fortee rústico, Maxixe também detinha um senso de complacência e amabilidade para comos seus filhos, defendendo-os contra os vieses da vida. Ele sempre foi um bom chefe defamília, não se esquivando da sua função de provedor do lar. Era sem sombra de dúvida,um dedicado pai, não medindo esforços para satisfazer as necessidades da sua grandeprole, com o empenho que lhe era peculiar. Em 1957, vôvô assumiu o posto de subdelegado em Várzea, exercendo este car-go público com muita acuidade, como lhe era característico nas funções públicas quedesempenhou. Contou-me minha avó que neste período, um fato surreal aconteceu ino-pinadamente: - ‘’O ex-subdelegado deste Distrito, o saudoso Miguel, havia apre- endido um bandido e conduzido à casa de Maxixe. Ocorre que ao chegar à residência deste, só encontrou Ziinha e os filhinhos desta. Então determinou que o bandido aguardasse ali, enquanto ele ia procurar Maxixe...”. Eu imagino o susto que minha avó tomou. Ter que ficar vigiando um bandido,enquanto o ex-subdelegado ia à busca de Maxixe para formalizar a apreensão do fací-nora. Deveras, esse evento só foi possível em meados do sec. 20, quando a bandidagemainda não era tão atrevida. Esta era uma história sempre repetida por meu avô, com aintenção de citar o meu bisavô Miguel Freire, a quem tanto respeitava e que teve a satis-fação de ver o casamento do seu filho Francisco com a neta daquele. Em 1958, Maxixe assumiu o posto de fiscal do trânsito, tendo cumprido estafunção em Patos e região circunvizinha. De volta à Capital do Sertão, contou com oapoio logístico de Né e Caetano Marinho8, mormente nos preparativos para se fixar 8 Manoel Henrique da Silva (Né) e Caetano Marinho eram, respectivamente, o tio e o primo daesposa de Maxixe. Né Marinho foi vereador em Patos, enquanto Caetano Marinho foi um proeminenteempresário da Capital do Sertão nos idos de 50. Ambos ajudaram na fixação de Maxixe em Patos.Caetano cedeu provisoriamente um casa a vôvô, a fim deste trazer a sua família de Santa Luzia para anossa cidade. Esta gentileza é até hoje lembrada por minha família.
  15. 15. nesta cidade e trazer a sua família que se encontrava em Santa Luzia desde 1961,realizando a realocação da sua esposa e dos filhos no ano de 1962, de forma a reagruparos seus amados parentes no aconchego do novo lar. De certo que o meu avô suplantou vários obstáculos para ver a sua família nova-mente unida. Contudo, a ajuda providencial dos parentes da sua esposa serviu para via-bilizar o seu intento, instrumentalizando os meios necessários para concretizar a vindade Luzia Marinho e dos seus filhos à Morada do Sol no começo dos anos 60, quando anossa Nação estava prestes a vivenciar dias difíceis, com a quebra da ordem institu-cional pela Revolução de 1964. Após as dificuldades inicialmente experimentadas, a vida começou a ser benfa-zeja ao nosso patriarca. A estabilidade econômica foi finalmente alcançada e os seus so-nhos começaram a frutificar em excelentes realizações. O primogênito Chico galgou umposto na afamada SANBRA9 e os seus outros filhos progrediram nos estudos, cata-lisando as suas esperanças num futuro promissor à sua prole. Vóvó Ziinha contemploutudo isso com muita alegria, jubilosa com os bons ventos da sorte. E no ano de 1965, Maxixe passou a ser o Chefe da 4ª CIRETRAN de Patos,ocupando este posto até o ano 1979, quando se aposentou. Por 14 anos ininterruptos,dirigiu aquele órgão público responsável pela fiscalização do trânsito na Morada do Sole região circunscrita à sua jurisdição, prestando relevantes serviços à população de nos-sa cidade, inclusive ajudando a salvar vidas, algo para o qual era bem versado, já queera formado num curso técnico de enfermagem. Ainda em 79, ocorreu uma tragédia incomensurável em sua vida. A perda dePaulo Marinho, seu filho caçula, representou um ponto de inflexão na sua existência. Oabalo que esse perecimento representou para ele foi bem descrito por minha avó que merelatou das reiteradas visitas feitas por vôvô ao cemitério São Miguel, na ânsia de sua- 9 A Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro, também conhecida como SANBRA, foi umaempresa exportadora de algodão do Nordeste, conhecida também por seus óleos alimentícios. Hoje, aSANBRA se tornou Bungue, e mantém a maioria das suas marcas.
  16. 16. vizar a sua dor interior com a presença mais próxima ao seu filhinho que repousavainerte num jazigo da nossa família. Deveras, este foi um período obscuro para Maxixe. Todavia, a vida prosseguiu oseu curso normal. E após este evento nefasto, o meu avô voltou à 4ª CIRETRAN; agorana condição de vistoriador nomeado pelo ex-governador Burity. Este breve retorno deMaxixe ao trânsito patoense pôde reordenar as sua idéias, servindo para direcionar a suavida a novos empreendimentos, conforme o que lhe sucedeu posteriormente ao con-correr a uma vaga na Câmara de Vereadores Juvenal Lúcio de Sousa. E ao adentrarmos no ano de 1982, Maxixe galgou a função política de Vereador,ocupando a edilidade patoense por seis anos consecutivos, através de um mandato exer-cito em prol do interesse comum. Foi nesta época que vôvô obteve excelentes amizadesno meio político, podendo desfrutar do convívio mais estreito com proeminentes perso-nalidades das famílias Martins, Sátyro e Motta, das quais sempre nutriu um grande res-peito e consideração ao longo dos anos. Entretanto, ele foi um atuante parlamentar, dotado de uma postura altiva e inde-pendente, sempre seguindo o que mandava a sua consciência e a justiça, mesmo se issodesagradasse a cúpula partidária. Nunca ninguém viu Maxixe balançar a sua cabeça co-mo uma vil lagartixa, fosse a quem fosse. Hodiernamente é comum vermos os parla-mentares submeterem-se resignadamente ao autoritarismo dos caciques partidários, con-sentindo com os desmandos e as injustiças dos maiorais. Com Maxixe nunca foi assim, pois pautou a sua trajetória pública pelos salutaresprincípios do interesse social e do bem comum. Ele fez do cargo político um instrumen-to a serviço do povo e não das elites governantes, fossem da cúpula partidária ou dequaisquer esferas deliberativas, posto que ele sempre agiu em consonância com os ide-ais republicanos e cívicos, não transigindo de nenhuma forma com a subversão, nemcom a corrupção dos valores morais ou sociais.
  17. 17. Ainda lúcido nos anos 90, chegou a me confidenciar da estima que tinha pelo ex-governador Wilson Braga10, último grande governante da Paraíba nas suas palavras.Durante esta década, continuou a se dedicar com afinco aos desfiles militares, realizan-do-os com precisão e maestria. E foram anos nos quais os nossos valorosos pracinhasabriram a cerimônia do dia 7 de Setembro, manifestando o mesmo vigor cívico de an-tanho, de forma a garantir o entusiasmo da multidão. Por fim, chegamos aos idos de 2000 que marcaram o declínio progressivo deMaxixe. Fatigado da vida e com um corpo que não mais suportava os desgastes auferi-dos ao longo da sua existência, sucumbiu às 9h00min da manhã do dia 24/10/ 2011,justamente quando Patos completava 108 anos e ele recebia uma homenagem do atualGovernador Ricardo Coutinho pelos bons préstimos ao trânsito da Morada do Sol, du-rante os 16 anos à frente da 4ª CIRETRAN11. Até neste aspecto, Maxixe foi um predestinado. Quis Deus que ele partisse destemundo no dia em que aniversariava a cidade que ele escolheu para viver. A cidade ondeele desfrutou das glórias de atleta, presidente de clube, fiscal de trânsito, chefe de trân-sito e vereador. Há também facetas que não pude dissertar antes, mas agora me sinto avontade para falar: meu avô foi uma pessoa extremamente bondosa para com os desa-fortunados e os desvalidos sociais. De fato, nunca faltou em seu bolso uma nota de cinco ou dez reais. Quem oprocurava por um auxílio, encontrava imediatamente uma ajuda. E esta nunca foi umacontribuição demagógica ou politiqueira, mas sim, a colaboração de um homem quesofreu na pele os percalços da fome e do sofrimento. Há de ser recompensado por issono dia do Juízo Final, quando a sua alma for ressuscitada a fim de prestar contas dassuas ações no transcurso da sua existência. 10 Governador da Paraíba de 1983 a 1986. 11 Severino Fernandes Gomes ocupou por duas vezes a Chefia da 4ª CIRETRAN. A primeira de1965 até 1979. A segunda vez ocorreu de 1987 a 1988, quando este cargo foi transferido para o seu filhoJosé Luciano Gomes.
  18. 18. 3. CONCLUSÃO A presente crônica teve a intenção de trazer a lúmen a vida de um briososertanejo que muito honrou a pátria e a sua comunidade com o seu modo de pensar eagir, sendo digno de recordação na lembrança dos amigos, familiares e simpatizantes notranscurso dos anos e dos séculos, posto que a boa reputação funciona como um cande-eiro, brilhando intensamente com o combustível das boas obras e ações, consoante pu-demos aferir nas entrelinhas deste trabalho. Apesar da saudade cortante, ficou a sensação do dever cumprido, tendo rea-lizado com desvelo a sua missão neste mundo. Homem de poucas posses, Maxixe sólevou consigo o quepe do Exército que amava e a bandeira da Nação que tanto exaltava,principalmente através dos belos serviços prestados à sua Pátria em tempos de guerra oupaz, visto que o nosso patriarca foi um militar, um servidor público e um agente polí-tico, além de ter sido um patriota indiscutível. Na hora do adeus, fizeram-se presentes a sua esposa Luzia, os seus 9 filhos, osseus 29 netos, 32 bisnetos e 1 trineto, todos acompanhando muito comovidos o périploque se assimilava à sua última marcha, agora para paragens desconhecidas. Após umabreve parada na Câmara de Vereadores Juvenal Lúcio de Sousa, onde recebeu home-nagens efusivas do Presidente e dos Vereadores, houve um momento de grande cons-ternação aos que se fizeram presentes neste cerimonial. A posteriori, o seu corpo foi transladado até o Cemitério São Miguel, para o lo-cal do seu repouso eterno. Daí se principiou uma rajada de tiros dos soldados do Exér-cito brasileiro que o haviam conduzido ao longo deste percurso. Neste instante, os fami-liares e amigos estavam todos congregados num só lamento, em meio às lágrimas e aoschoros incontidos, evocando os grandes feitos do nosso valoroso patriarca ao longo desua saudável existência neste mundo. Então, estava encerrado o último capítulo da vida deste proeminente cidadãosantaluziense, varzense, patoense, enfim, de um brasileiro dos melhores, como já não sefazem mais. Acima de tudo, estava finalizado o livro da sua existência, deixando para aposteridade os bons exemplos da honestidade e da hombridade, manifestos em nobres
  19. 19. ações, além de nos legar um precioso DNA que ultrapassará os séculos nos diversosdescendentes por virem. Aos meus tios, primos e aos parentes em geral, exorto-lhes a manterem intacta amemória de nosso honrado patriarca, nunca se esquecendo do seu caráter e das suasrealizações em prol do interesse comum. Nunca se esqueçam da humildade e da hones-tidade que marcaram a sua vida neste mundo. Amem a pátria, respeitem o próximo enão cometam injustiças. E sejam homens de bem, mesmo se não tiverem bens. Enfim,sejamos caridosos, assim como ele era. Por último, não percamos a unidade familiar, tão cultivada e ressaltada pelo nos-so querido avô. Com o seu perecimento, o comando da nossa família foi transferido ànossa insigne matriarca. Sigamos as suas determinações e orientações com estrita obser-vância e amor. Ela ainda tem belas lições para deixar aos seus descendentes e fami-liares. A vida continua: prossigamos adiante na busca da subsistência e na consecuçãoda justiça e do bem comum, realizando-lhes indistintamente. Prof. Alexsandro Wagner de Araújo Fernandes
  20. 20. ANEXOVIVA MAXIXE! VMV
  21. 21. SÍMBOLOS Hitler disse que era mais provável que uma cobra fumassecachimbo, do que o Brasil mandar uma força expedicionária à Europa...O Brasilenviou um corpo de pracinhas com um emblema bem sugestivo! O símbolo adotado pela FAB (Força Aérea Brasileira): oavestruz representava a velocidade do avião de guerra adotado pelo Brasil; o revól-ver era uma alusão ao poder de fogo do avião P-47 Thunderbolt; o escudo estreladoconsistia na robustez deste avião; as nuvens configuravam-se no espaço aéreo; oquepe correspondia aos pilotos destas máquinas de guerra. O grito de guerra "Sentaa Púa" podia ser entendido também como "Senta o pau" ou "Desça o porrete”. Distintivo das Forças Expedicionárias Brasileiras.
  22. 22. Apetrechos utilizados pelos integrantes das For-ças Armadas Brasileiras. Vargas engaja-se na II Guerra Mundial ao lado deRoosevelt. Vargas otimista com a vitória brasileira.
  23. 23. Apontamento extraído dos documentos de Severino Fernandes Gomes. Para o bomentendedor, meia palavra basta: o 4° Escalão era o mesmo que Maxixe integraria, senão houvesse sido designado de última hora para auxiliar o corpo de enfermagem do15° RI em João Pessoa. O seu cunhado Valdemar Marinho embarcou neste mesmoescalão para a Itália, juntamente com outras figuras proeminentes do Vale do Sa-bugi. E pela misericórdia divina, não deram um só tiro em solo italiano, pois a guerrajá havia cessado.
  24. 24. CANÇÃO DOS EXPEDICIONÁRIOS Você sabe de onde eu venho? Você sabe de onde eu venho? Venho do morro, do Engenho, E de uma Pátria que eu tenho Das selvas, dos cafezais, No bojo do meu violão; Da boa terra do coco, Que de viver em meu peito Da choupana onde um é pouco, Foi até tomando jeito Dois é bom, três é demais, De um enorme coração. Venho das praias sedosas, Deixei lá atrás meu terreiro, Das montanhas alterosas, Meu limão, meu limoeiro, Dos pampas, do seringal, Meu pé de jacarandá, Das margens crespas dos rios, Minha casa pequenina Dos verdes mares bravios Lá no alto da colina, Da minha terra natal. Onde canta o sabiá. Por mais terras que eu percorra, Por mais terras que eu percorra, Não permita Deus que eu morra Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá; Sem que volte para lá; Sem que leve por divisa Sem que leve por divisa Esse "V" que simboliza Esse "V" que simboliza A vitória que virá: A vitória que virá: Nossa vitória final, Nossa vitória final, Que é a mira do meu fuzil, Que é a mira do meu fuzil, A ração do meu bornal, A ração do meu bornal, A água do meu cantil, A água do meu cantil, As asas do meu ideal, As asas do meu ideal, A glória do meu Brasil. A glória do meu Brasil. Eu venho da minha terra, Venho do além desse monte Da casa branca da serra Que ainda azula o horizonte, E do luar do meu sertão; Onde o nosso amor nasceu; Venho da minha Maria Do rancho que tinha ao lado Cujo nome principia Um coqueiro que, coitado, Na palma da minha mão, De saudade já morreu. Braços mornos de Moema, Venho do verde mais belo, Lábios de mel de Iracema Do mais dourado amarelo, Estendidos para mim. Do azul mais cheio de luz, Ó minha terra querida Cheio de estrelas prateadas Da Senhora Aparecida Que se ajoelham deslumbradas, E do Senhor do Bonfim! Fazendo o sinal da Cruz! Por mais terras que eu percorra, Por mais terras que eu percorra, Não permita Deus que eu morra Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá; Sem que volte para lá; Sem que leve por divisa Sem que leve por divisa Esse "V" que simboliza Esse "V" que simboliza A vitória que virá: A vitória que virá: Nossa vitória final, Nossa vitória final, Que é a mira do meu fuzil, Que é a mira do meu fuzil, A ração do meu bornal, A ração do meu bornal, A água do meu cantil, A água do meu cantil, As asas do meu ideal, As asas do meu ideal, A glória do meu Brasil.. A glória do meu Brasil.
  25. 25. GALERIA DE FOTOS Augusto Azevedo de Souza, tio de Maxixe e quelhe inspirou a ser Militar: morreu no dia 1º de janeiro de 1926, no município de SãoJosé das Flores no Maranhão, quando combatia a Coluna Prestes, tendo sidopromovido post-mortem a 2° Tenente da PM-RN, mormente por ter se destacadopela coragem, firmeza e abnegação com que lutava pela defesa da integridade daPátria.Histórico dos Fatos12: “O então 2º Sargento e TENENTE PM AUGUSTO AZEVEDO DE SOUZA ingressouna gloriosa Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte, em 1915, na condição desoldado. No dia 20 de dezembro de 1925 fez parte da tropa da PM/RN que viajou parao Estado do Maranhão, comandada pelo Capitão PM APOLÔNIO AUGUSTO SEABRA DEMELO, com a finalidade de defender o seu país, contra a COLUNA PRESTES. Essa tropachegou ao Estado do Maranhão no dia 25 de dezembro, ficando alojada no municípiode São José das Flores. Na madrugada do dia 1º de janeiro de 1926, em um confrontocom os membros da referida coluna, o nosso bravo Sargento PM Augusto foiassassinado. O sepultado às três horas do dia 1º de janeiro de 1926, foi realizado nocemitério Público de São José das Flores. O cortejo foi acompanhado por diversasoficiais e praças ali sediados, e ao baixar ao túmulo falou em nome da Polícia Militar, otenente JOSÉ VITORIANO DE MEDEIROS, que em breves e emocionantes palavras,disse do sentimento da corporação, pelo desaparecimento do nosso bravocompanheiro.” TENENTE AUGUSTO AZEVEDO DE SOUZA - PATRONO DA BIBLIOTECADA PM-RN 12 Extraído do link: <http://jotamaria-bibliotecadapmrn.blogspot.com/2011/05/tenente-augus-to-azevedo-de-souza.html>
  26. 26. Severino Fernandes Gomes na época em queserviu ao Exército brasileiro por ocasião da II Guerra Mundial. Foi promovido como2° Tenente do Exército Brasileiro numa justa recompensa pelos serviços prestados àPátria. Severino Fernandes Gomes quando exerceu a fun-ção de Fiscal do Trânsito de 58 a 65, período em que pôde prestar importantesserviços de segurança pública aos concidadãos paraibanos. Severino Fernandes patrulhando o trânsito dePatos na década de 60.
  27. 27. Maxixe acidentado por conta de um exercício mais acentuado no campo de trei-namento, onde pisou num toco de pau propositalmente fixado ali para dificultar asmanobras dos soldados.
  28. 28. Maxixe nos anos 40: um humilde lavrador.
  29. 29. Maxixe acompanhado dos familiares que tanto estimou nesta vida. Ao seu lado,Dona Cândida Nóbrega, a sogra a quem muito prezava. Na sequencia, Valdemar,Dona Mocinha, Dédé, Maria Silva, Bibi, Severino Medeiros e Luzia Marinho Gomes.Na parte inferior se encontram os filhos e sobrinhos de Luzia e Maxixe.
  30. 30. A Seleção de Inocêncio de Oliveira (composta pelos times do Brasil de Araújo, o Cicae o Botafogo de Patos) que jogou no campo do Estrela e bateu o famoso Treze deCampina Grande pelo placar de 6x5. Dizem que este foi o jogo mais eletrizante queuma equipe de Patos fez contra um clube vindo de fora. Maxixe encontrava-seagachado e de preto13. 13 Esta foto foi extraída do link: <http://www.patosemrevista.com/futebol.html>
  31. 31. Maxixe ao lado do maior centroavante patoense de todos os tempos, o consagradoAraújo que jogou no Treze de Campina e no Bahia de Salvador.Foto de Maxixe segurando a bandeira do time do Brasil de Araújo. Este sempre foium grande amigo de Severino, dotado de um gênio fenomenal na arte de jogar. Estafoto foi tirada aproximadamente em 194614. 14 Esta foto foi extraída do link: <http://www.patosemrevista.com/futebol.html>
  32. 32. Maxixe perfilado na primeira fileira, com um escudo do Botafogo. Este time era oSabugi de Santa Luzia, notável equipe do Vale do Sabugi e um celeiro de bonsjogadores, a exemplo dos célebres Maxixe e Laurindo Marinho (o segundo jogadoragachado da direita).Maxixe defendendo o Ouro Branco Futebol Clube, time dos mais combativos nointerior do Rio Grande do Norte àquela época.
  33. 33. OS GRANDES TIMES QUE AS EQUIPES DE MAXIXE VENCEU: Filipéia Esporte Clube. Fundação: 19-11-1933 Localização: João Pessoa/PB Título estadual até 1946: 1946. Treze Futebol Clube Fundação: 07-09-1925 Localização: Campina Grande/PB Títulos estaduais até 1946: 1940 e 1941
  34. 34. Ferroviário Atlético Clube Fundação: 09-05-1933 Localização: Fortaleza/CE Títulos estaduais até 1946: 1945. Santa Cruz Futebol Clube Fundação: 03-02-1914 Localização: Recife/PETítulos estaduais até 1946: 1931, 1932, 1933, 1935, 1940 e 1946.
  35. 35. Maxixe comandando com honra a equipe do Esporte Clube, na condição de Presidente desta importante agremiação sertaneja.Homenagem prestada pelo Esporte Clube de Patos ao seu ex-presidente Maxixe.
  36. 36. Severino Fernandes Gomes em encontro com o agente fiscal Dódó (à sua direita) e ochefe de polícia local (à sua esquerda), José Olímpio que transferiu o cargo de chefe da 4ª CIRETRAN para Maxixe. Maxixe na solenidade de instalação do Batalhão Militar em Patos.
  37. 37. Maxixe ganhou a eleição para vereador de Patos em 1982, contando com o expressivo sufrágio de 837 votos.
  38. 38. Maxixe foi o sétimo vereador mais votado nesta eleição.
  39. 39. Severino Fernandes Gomes com o notável Mário Primo de Araújo, o maior políticoque o Vale do Sabugi teve, inclusive em termos de probidade. Atrás de Mário, estáChico, contemplando orgulhoso o seu pai Maxixe!Em momento de descontração, Maxixe recebe em sua casa o ex-prefeito AderbalMartins, grande amigo e um copartidário dos seus ideais!
  40. 40. Foto de Maxixe ao lado do ex-prefeito Nabor Wanderley da Nóbrega e sua esposa.Maxixe abraçando o seu colega ex-combatente e grande amigo dos tempos de ser-viço militar, o ex-deputado José Afonso Gayoso.
  41. 41. Maxixe observando o seu filho José Luciano discursar em Várzea, quando da inau-guração da Praça Joaquim Marinho da Silva, logradouro público assim designado emhomenagem ao seu sogro já falecido. À sua esquerda, podemos perceber a presençado político Inácio Bento.Maxixe num momento de descontração.
  42. 42. Em uma festa dos anos 70, Maxixe fez-se presente com a sua esposa Ziinha, a sua sobrinhaMaria e a sua filha Cida. A casa de Maxixe sempre foi animada.
  43. 43. Severino Fernandes Gomes ao lado do seu amigo Michel e do seu filho Chico. À sua frente,encontrava-se o ex-vereador Ramiro Gondim. E próximo a Michel (o seu fotógrafo prefe-rido), estava o seu amigo Geraldo Marinho, gerente da algodoeira SANBRA.
  44. 44. Severino Fernandes Gomes conduzindo a sua futura nora, numa cerimônia que foi trans-mitida para Patos e regiões circunvizinhas pelo insigne Nestor Gondim. A baixo, podemosperceber como damas de honra, sua filhinha Aninha e a pequenina Nedja, irmã da noiva.Maxixe muito orgulhoso com o casamento do seu filho Chico com a encantadora Nadja, filhado seu grande amigo Nefhtale Freire de Araújo.
  45. 45. Natan, Evanildo e Junior, os primeiros netinhos de Maxixe.
  46. 46. As primeiras netinhas de Maxixe: Lygia e ElisângelaA família de Maxixe foi se ampliando. Na sequencia, podemos observar os seusnetinhos: Elisângela, Evanildo, Hanoy, Lygia, Fabinho e Elvandro Jr.
  47. 47. Maxixe num carnaval no Patos Tênis Clube na década de 60, acompanhado por suaesposa e sua graciosa filha Luzia, minha estimada madrinha.Maxixe olhando atravessado.
  48. 48. Maxixe escutando as sábias palavras de Frei Damião, em sua casa no Belo Horizonte.Maxixe numa cerimônia religiosa.
  49. 49. Maxixe participa da colação de grau do filho de José Jacinto.Maxixe sendo acompanhado por Chico Bocão, Zé Galego e Olivaldo no seu retorno à 4ªCIRETRAN, após um breve período afastado das suas funções.
  50. 50. Maxixe com o amigo Múcio Sátyro nos anos 70.Severino Fernandes Gomes ao lado do Prefeito Rivaldo Nóbrega Medeiros em uma so-lenidade realizada em Patos.
  51. 51. O desfile de 7 de Setembro.
  52. 52. O desfile de 7 de Setembro.
  53. 53. Maxixe com o ex-deputado Federal Edvaldo Motta, grande amigo e que sempre estava emsua casa, batendo um papo saudável e descontraído.Maxixe recebendo uma homenagem conferida aos ex-vereadores de Patos no aniversário de100 anos da Capital do Sertão.
  54. 54. A sua companheira nestes 66 anos de casados.Os filhos de Maxixe: Maurício, Francisco, José Luciano e Fernando, respectivamente.
  55. 55. Maxixe com a sua amada família. Na sequencia da esquerda para a direita, podemosperceber a presença de tia Cida, tio Maurício, tio Fernando, a minha tia e madrinhaLuzia, vôvô e vóvó, tia Maria, tia Aninha e meu pai Francisco.
  56. 56. Família feliz.
  57. 57. Casal sempre unido!
  58. 58. Maxixe foi transportado num carro do Corpo de Bombeiros até a Câmara Municipal de Patos, onde recebeu homenagens emocionadas das autoridades presentes.
  59. 59. Maxixe sendo carregado pelos militares do Exército brasileiro.
  60. 60. OBRIGADO MAXIXE!
  61. 61. FIM

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