Relatorio do workshop elefantes no algarve 2012 vitor silva

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  • 1. Universidade do Algarve Faculdade de Ciências e Tecnologias Mestrado em Arquitectura Paisagista Relatório do Workshop Internacional de Arquitectura, Paisagem, Urbanismo e Turismo Elefantes no Algarve?Onde?Quem?Quando? De 28 de Março a 02 de Abril de 2012Disciplina: Tópicos de Arquitectura Paisagista IIAno Lectivo: 2011/2012—2ºSemestreDiscente: Vitor Alexandre Da Silva, Aluno Nº37473Docente: Phd Arquitecto Paisagista Desidério Baptista
  • 2. Índice Introdução pág.3 Metodologia pág.3 Objectivos pág.3 Programação pág.4 Grupo de trabalho e Área de Intervenção pág.5 Breve enquadramento Geográfico e Histórico pág.5 Apresentação 1 pág.6 Apresentação 2 pág.10 Apresentação Final pág.13 O problema actual no CPRIII Da Babilónia ao Camarinha Estratégia de Intervenção—Babilónia 2012 Conclusão sobre a minha participação no Workshop pág.19 2
  • 3. IntroduçãoO workshop “Elefantes no Algarve?Onde?Quem?Quando?”, surgiu de uma par-ceria entre o Projecto de Investigação e Desenvolvimento com o apoio do Consór-cio NEOCIVIL/MSFO, o Departamento de Arquitectura e Paisagem da Escola Uni-versitária Vasco da Gama de Coimbra, o Instituto Superior Manuel Teixeira Gomesde Portimão (ISMAT) e a Delegação do Algarve da Secção Regional Sul da Ordemdos Arquitectos, na qual convidaram alunos nacionais e internacionais de Universi-dades de Arquitectura, Urbanismo e Paisagem.Este Workshop Internacional de Arquitectura, Paisagem, Urbanismo e Turismodecorreu durante cinco dias, entre dia 28 de Março e 2 de Abril de 2012, nas insta-lações do ISMAT, em Portimão e as instalações da Escola EB1 de Ferragudo, noConcelho de Lagoa, e apresentou um programa de trabalhos de investigação com oobjectivo primordial de uma reflexão práctica acerca do impacto destas disciplinasna reabilitação urbana.MetodologiaDurante o Workshop foram lançados vários desafios que procurava direccionar eorientar cada Grupo de Trabalho para soluções que poderiam servir de respostaaos problemas de reabilitação de espaços e edifícios, visando a sua viabilidadeeconómica e cultural.O desenvolvimento do Workshop decorreu em regime intensivo alternando entre apráctica de Atelier, Sessões de Esclarecimento e Seminários Complementares,sendo no final de cada sessão de trabalho apresentado o estado de desenvolvi-mento da soluções encontradas a um painel de Académicos, Profissionais e Técni-cos locais, ao qual estes comentavam as soluções encontradas.As áreas de intervenção localizavam-se em 4 lugares distintos, Lagos, Alvor, Praiada Rocha e Ferragudo. Para cada área de intervenção foram formados 2 gruposentre 5 e 7 alunos acompanhados por 2 professores responsáveis pelo desenvolvi-mento e coordenação das actividades de trabalho.ObjectivosOs objectivos de cada grupo de trabalho, constituído por estudantes em colabora-ção com Professores Tutores, foram examinar o impacto do turismo, avaliar e pro-por processos de reabilitação urbana, definir oportunidades para os diversos secto-res, identificar métodos de intervenção ao nível conceptual e práctico e compreen-der a viabilidade económica, legal e ambiental das propostas sobre a sua área deestudo.Tendo sido apresentado no dia 2 de Abril os resultados finais no Museu Municipalde Portimão. 3
  • 4. ProgramaçãoDia 1 (28 de Março de 2012)18:00 > 18:30 | ISMAT, Portimão. Sessão de Abertura >18:30 > 19:00 | ISMAT, Portimão.Apresentação do Workshop > Arqº Ricardo Camacho + Arqº Ivan Rupnik19:30 > 20:00 | ISMAT, Portimão. Apresentação da Baía de LagosDia 2 (29 de Março de 2012)9:00 > 12:00 | Portimão/Lagos. Visita à Baía de Lagos > Passeio de Barco12:00 > 15:00 | Lagos, Alvor, Praia da Rocha, Ferragudo. Visita de grupos aos respecti-vos locais de estudo15:00 > 20:00 | ISMAT, Portimão. Sessão de TrabalhoDia 3 (30 de Março de 2012)0:00 > 13:00 | ISMAT, Portimão. Sessão de Trabalho13:00 > 14:00 | ISMAT, Portimão. Pausa para Almoço14:00 > 19:00 | ISMAT, Portimão. Sessão de Trabalho20:00> 22:00 | Ferragudo. Festa Crítica > Jantar volante + Sessão de ApresentaçõesDia 4 (31 de Março de 2012)10:00 > 13:00 | Escola EB1, Ferragudo. Sessão de Trabalho13:00 > 14:00 | Escola EB1, Ferragudo. Pausa para Almoço14:00 > 19:30 | Escola EB1, Ferragudo. Sessão de Trabalho20:00> 22:00 | Ferragudo. Festa Crítica > Jantar volante + Sessão de ApresentaçõesDia 5 (01 de Março)10:00 > 13:00 | Escola EB1, Ferragudo. Sessão de Trabalho13:00 > 14:00 | Escola EB1, Ferragudo. Pausa para Almoço14:00 > 19:30 | Escola EB1, Ferragudo. Sessão de Trabalho20:00> 22:00 | Festa Crítica > Jantar volanteDia 6 (02 de Março)10:00 > 13:00 | Museu Municipal , Portimão. Sessão de Apresentações Finais 4
  • 5. Grupo de Trabalho e Área de IntervençãoPara área de intervenção Clube Praia da Rocha III, foram criados 2 grupos de tra-balho, no qual eu integrei o Grupo de trabalho 2, que era composta por: André Carrasco—Escola Universitária Vasco da Gama (EUVG) Bogdan Tumanovsky—Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT) Hélder Andrade—Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT) Karen Da Silva—Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT) Vitor Da Silva— Faculdade de Ciências e Tecnologias (UALG)Tutores: Miguel Pinheiro—Escola Universitária Vasco da Gama (EUVG) Josué Eliziário—Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT)Breve Enquadramento Geográfico e HistóricoO Clube Praia da Rocha III é um edifício construído no ínicio da década de 90, noqual fazia parte da expansão do Empreendimento Turístico Clube Praia da Rocha,o qual era gerido e administrado pelo grupo Ibersol, SA.Este complexo localiza-se no concelho de Portimão, distrito de Faro, mais nomea-damente no local denominado por Praia da Rocha.O CPR III é composto por 714 apartamentos, mais as fracções destinadas a servi-ços, tais como restaurantes, bares, ginásio, etc…; estes apartamentos apesar deadministrados e arrendados pela Ibersol, SA, possuem proprietários que cediamesses direitos de exploração a essa empresa.Em meados desta última década, o Clube Praia da Rocha III foi alvo de encerra-mento enquanto Unidade Hoteleira devido a um litígio entre os proprietários e aantiga administração que é acusada de fuga de capitais do condomínio, processoeste que ainda decorre. O Edifício encontra-se actualmente em estado degradado eparcialmente encerrado, sobretudo as áreas comuns e fracções destinadas a servi-ços. 5
  • 6. Apresentação 1 — 30 de Março Apresentação em Powerpoint no final do dia da apresentação dos trabalhos desenvolvi- dos até data. Neste diapositivo é apresentado o enqua- dramento geográfico do Clube Praia da Rocha III em relação à sua envolvente. Este empreendimento surge numa apelida- da “segunda linha” em termos de proximi- dade à praia e ao mar. Após a visita ao local, a consulta da infor- mação disponibilidade, urge a necessidade de rabiscar, analisar e explorar ideias na busca por soluções. Nos diapositivos a seguir, será mostrado uma pequena análise de alguns parâme- tros que achamos pertinentes à escala da envolvência do CPRIII. 6
  • 7. Neste diapositivo mostramos a distribuiçãodas principais unidades hoteleiras na envol-vente do CPRIII.Só foram identificados as unidades que pos-suem recepção e serviços, sendo compreen-dido que a maioria dos alojamentos na Praiada Rocha se destina ao aluguer sazonalembora sem estarem classificados como ofer-ta de alojamento turístico.Procurando compreender qual seria as áreasde maior actividade comercial, ou seja ondeexistiria maior concentração, oferta de comér-cio e restauração, foi facilmente identificadoque esta maioritariamente se distribui longitu-dalmente pela Av. Tomas Cabreira, perdendoconcentração pelas artérias secundárias atéquase desaparecer por completo na V3— viaonde se encontra localizado o CPRIII.Analisando a oferta de equipamentos conse-guimos perceber que esta é muito limitadaapenas se limita à Marina de Portimão na fozdo Arade, à Delegação de Turismo, aosapoios de praia, à Estação dos CTT, a umedifício que destina a parqueamento auto-móvel, à Clínica da Rocha, ao Casino, àdelegação da Polícia Turística e a pequenasdelegações de unidades bancárias e que seencontram concentradas na zona “central”Foi também procurado qual seria a distribui-ção de elementos patrimoniais na área eapenas foi encontrado um elemento de inte-resse patrimonial - a Fortaleza de SantaCatarina. Pois devido a pressão urbanísticaque se exerceu nas últimas décadas, todo olegado arquitectónico de outros tempos foisubstituído por edificações de betão cons-truídas em altura, sendo a Praia da Rochaactualmente uma área descaracterizadaarquitectonicamente e sem identidade. 7
  • 8. Tentamos também perceber a dinâmica entreo espaço construído e os espaços expectantese áreas “verdes”, à qual se incluí os largos,praças e jardins para conseguirmos compreen-der a qualidade do espaço público, e concluí-mos que essa qualidade é bastante má, sem apresença de jardins, praças e largos, apenasexistindo pontualmente alguns pequenos espa-ços de estadia ao qual as Câmaras classificamde “arranjos exteriores”. As grandes manchasa verde representam espaços expectantesdestinados a futuras áreas edificadas.Existiu a necessidade de identificar as princi-pais vias de circulação, e percebemos queestas se efectuam na Praia da Rocha de modoparalelo ao mar, sendo que a vermelho é opassadiço pedestre/clicável no areal, a laranjaa Av. Tomas Cabreira, a amarelo a V3 e atransversalmente encontramos dois acessosentre Portimão e a Praia da Rocha, identifica-dos a branco.Neste diapositivo, elaboramos uma pequenacarta na qual identificamos três diferentesáreas de acordo com o seu valor imobiliário. Avermelho, a área de maior valor imobiliário,encontra-se entre a falésia e a Av. TomasCabreira, surgindo entre essa Avenida e a V3uma segunda área de valor (à laranja) e aamarelo surge uma área de menor valor imobi-liário que é onde se insere o CPRIII.Em síntese compreendemos que o declínio doCPRIII pode também estar associado ao factode este se encontrar numa área afastada da“linha de costa”, afastada da Av. TomasCabreira, onde se encontra a concentração decomércio, serviços e atracções. Outro pontoque nos parece relevante é o facto de estetambém se encontrar a montante da V3, umavia rápida de quatro faixas de rodagem que decerto modo se apresenta como uma barreira enão favorece os empreendimentos ao longoda mesma, pois encontram-se muitos nasmesmas condições do CPRIII ao longo desta. 8
  • 9. Começando a analisar o Complexo, este éconstituído por 10 torres entre 10 a 13 pisosque é onde se localizam os apartamentos,estes envolvem uma edifício central de 2pisos em que na parte central sobreleva-seem mais 3 pisos. É neste edifício central quese localizavam os bares, supermercados,ginásio, recepção, restaurantes, etc…; sendoque agora toda esta parte encontra-se desac-tivada e em estado degradado.Nos próximos diapositivos apresentamos umesboço gráfico de uma ideia primordial paradevolver a dinâmica e torna-lo num complexomultifuncional que retribua aos seus investi-dores algum encaixe financeiro.Uma das nossas ideias primordiais foi apos-tar na qualidade do espaço público do edifí-cio, que na sua relação com edificado apre-senta graves deficiências, sendo bastantereduzido em relação à volumetria do edifica-do. Para tal foi pensado em algumas ideiasque irão servir de base para o desenvolver anossa estratégia: Tornar a V3 num túnel rodoviário na secção em frente ao CPRIII. Criar uma praça ou largo na área entre o CPRIII e o CPRII. Criar uma ligação ao exterior na verten- te norte do edifício. Estabelecer uma circulação eficaz entre todas as Torres. Recuperar o Edifício Central e requalifi- ca-lo num centro multifuncional e dife- renciador capaz de se tornar como impulsionador de tudo. Criar um Acordo com as Universidades em Portimão e os proprietários para alo- jamento de alunos e professores. 9
  • 10. Apresentação 2—31 de Março de 2012 No seguimento do dia anterior, continuou-se o desenvolvimento de ideias e propostas para a requalificação daquele que outrora foi o maior empreendimento turístico da Europa, hospedando perto de 5000 turistas no conjunto dos 3 complexos, sendo que o CPRIII só por si tinha capacidade para cer- ca de 3000 hóspedes. A ideia fundamental é tornar o edifício atrati- vo para os turistas, residentes e para estu- dantes, criando acessos entre o CPRIII e o CPRII, CRPI, criando acesso ao espaço expectante a montante, onde deverá ser sugerido a Câmara Municipal de Portimão de requalificar o espaço tornando-o num pequeno parque urbano, o que seria benéfi- co não só para o CPRIII mas como para todos edifícios em redor, pois esta área urbana não possui nenhum espaço público ou jardim. A importância da criação de espaços públi- cos torna-se fundamental não só na sua envolvente, mas também dentro da área de intervenção. É necessário implementar áreas de estadia e recreio que possibilite ao mesmo tempo um conforto edafo-climático para que possa se tornar atractiva. 10
  • 11. O nosso conceito/estratégia baseia-se nos Antigos Jardins Suspensos da Babilonia, onde a vegetação e a água tornam-se ele- mentos estruturantes do todo projecto. Não sabemos qual o conceito/os em que o/os arquitecto/os autores deste edifício se basea- ram mas é notório para nós existir um padrão nas linhas arquitectónicas, mesmo que não tenha sido intencional na altura, o gostaría- mos de aproveitar na nossa estratégia de intervenção.Algumas das ideias mais concretasda nossa estratégia para transfor-mar este conjunto de edifícios numsímbolo ou ícone da cidade é a cria-ção no edifício central de um Aqua-rium e uma piscina panorâmica notopo deste. Esta inspiração baseia-se nas tradições piscatórias e darelação que a cidade de Portimãoteve sempre com o mar. Apesar deo CPR estar localizado na Praia daRocha e geograficamente perto domar, mas na realidade, devido àgrande pressão urbanística na suafrente, essa realidade torna-se lon-gínqua! Assim deste modo tornaría-mos um ponto fraco num ponto fortee distinto na região.As cúpulas em betão no topo dastorres iriam ser substituídas por jar-dins envoltos em cúpulas envidraça-das, criando biosferas e as ligaçõesentre elas seriam feito através de“green roofs” e elevadores panorâ-micos que teriam em pontos inter-médios restaurantes e bares pano-râmicos. A cedência de exploraçãodesses espaços revertia para o pro-prietários. 11
  • 12. Na imagem acima tentamos aplicar visualmente as ideias inerentes ao conceitocom o intuito de conseguirmos demostrar visualmente o que propomos.Na imagem abaixo apresentamos um plano geral conceptual do qual poderia seruma hipótese viável para a requalificação deste complexo de edifícios. 12
  • 13. Apresentação 3 (final)—Dia 02 de Abril Neste último dia, na apresentação final que resume de forma sucinta os dias de trabalho que se antecederam, foi objectivo do grupo para além de apresentar algumas ideias con- ceptuais para à área de intervenção, foi fazer uma chamada de atenção tanto para Arqui- tectos, Paisagistas, Urbanistas, Engenheiros Políticos e Público em Geral que o que foi fei- to nas nossas cidades, nas nossas vilas e aldeias, não valorizaram estes lugares, estes territórios, pelo contrário, descaracterizam- nas, fazendo-as perder a sua identidade, a sua história, fazendo com que as populações se desligassem da sua vivência. Outrora no lugar onde o ilustre Portimonense Manuel Teixeira Gomes descreveu como uma costa cheia de formações recortada e rendi- lhada de cor ocre, onde o azul cristalino das águas do Atlântico banhavam as suas areias douradas, deu-se o inimaginável! Deu-se o milagre da multiplicação! O nascimento de edifícios que apelidamos de mamarrachos que se atropelam uns em cimas de outros e nascem sem parar. A massificação do turismo na costa algarvia veio despoletar a constru- ção desenfreada e sem regras, ocupando toda uma faixa costeira sem piedade. Em suma, a especulação imobiliária veio desencadear durante décadas a destruição de um património natural, arquitectónico e cultural deixando-nos agora um legado difícil de gerir, de milhares de edifícios abandona- dos e sem uso mas com custos elevadíssi- mos para as comunidades locais. 13
  • 14. A Praia da Rocha é um dos excelentesexemplos nacionais de “bullying” urbanísti-co, sendo actualmente um lugar marcadopor edificações em altura, que concorrementre si para conseguir um vista para o mar.Onde outrora pontuavam pequenos“Chalets” românticos e casas construídasatravés de técnicas e métodos tradicionais,rodeado por pomares tradicionais desequeiro e matos mediterrânicos, surgiuuma “mancha” de betão que se eleva comode uma muralha se tratasse.Este fenómeno que começou na década de60 do século passado, tendo o seu expoen-te máximo nas décadas de 80 e 90, foi frutode uma massificação do turismo, de umaprocura por um lugar ao sol pelos turistas epor uma especulação imobiliária desmedi-da, mascarada em prol do desenvolvimen-to, do progresso, que enriqueceu promoto-res, construtores e entre outros, mas empo-breceu uma comunidade, uma cidade, quehoje em dia perdeu a sua cultura, o seupatrimónio natural e paisagístico.Hoje em dia, a bela Praia da Rocha, quedeixou de ser bela, é apelidada de cosmo-polita, para justificar todos os excessos irre-mediáveis que lá se cometeram, mas oresultado é que a qualidade do produto queela representava diminuiu e consequente-mente o número de turistas também, tendoefeitos não só ao nível económico como anível social.Essas marcas são hoje visíveis em comple-xos e edifícios abandonados e degradadosque marcam a actual Praia da Rocha, umapaisagem à beira de um ataque de nervos,resultando naquilo que vulgarmente apeli-damos de Elefantes, porque não sabemoso que fazer com eles. Cabe a todos nósrefletirmos e solucionarmos novos usos. 14
  • 15. O problema actual no Clube Praia da Rocha IIINa figura acima identificamos de forma sucinta os problemas principais encontrados.Para além do problema que o processo judicial que os proprietários interpuseram àantiga empresa que administrava o complexo, surgem no entanto outros problemasque estão associados também ao declínio deste edifício, tais como: 714 apartamentos distribuídos por 600 proprietários, dos quais apenas são 50 residentes permanentes. Existe muitos interesses e muitas divergências, fruto de existir muitos proprietá- rios e seus representantes, os quais não conseguem reunir soluções consen- suais. Abandono parcial do edifício, especialmente nas áreas comuns, que tem como resultado uma imagem negativa e na degradação do espaço. Ocupação sazonal. A falta de conectividade do edifício com a envolvente, fruto da V3, o que acar- reta para além de ruídos provocados pelo trânsito, um perigo atravessa-la. 15
  • 16. Parte II—Da Babilónia ao Camarinha...Referências e Conceitos.Como na apresentação anterior foi referido, a nossa estratégia e conceito paraintervir no edifício baseava-se nos Jardins Suspensos da Babilónia, construídospelo Rei Nabucodonosor , em que consistiam em jardins construídos nos terraçosdos Zigurates.A figura do Zéze Camarinha surge como referência por ter se tornado num figuraincontornável associada ao turismo e a Praia da Rocha. Outra referência que usamos para a nossa interven- ção foi Sana´a, capital do Yemen, onde a sua medi- na é classificada como património da UNESCO, devido as suas características arquitectónicas úni- cas e aos seus padrões geométricos decorativos. A escolha por esta referência porque é notória existir uma relação visual e arquitectónica bastante paten- te, entre este edifício e aquela cidade milenar.Nas duas figuras abaixo, demostramos que existe uma essa relação, nos vãos,nos elementos decorativos, nas torres, nas arcadas, apenas se distingue na épo-ca pelo usos dos materiais e técnicas de construção e pelo revestimento brancoe azul, popularmente associado às contrucções populares do centro Algarve. OCPRIII apresenta-se como um edifício único em todo Algarve. 16
  • 17. Dos Sadhus indianos aos Zézes CamarinhasA nossa referência aos Sadhus, porque na India são idolatrizados, sendo conside-rados Homens Santos, estes deambulam de terra em terra e no Algarve, usamosuma metonímia irónica do Camarinha, autodenominado o último macho latino,sobrevivente de uma geração que fazia de lugares como a Praia da Rocha o seuHabitat como os Sadhus do Algarve. Os seus bigodes e barbas inspiraram o uso devegetação pendente nas varandas do CPRIII.Na figura acima elaboramos graficamente a nossa estratégia de intervenção através de pontos quedeterminamos como fundamentais para a revitalização do edifício: Concepção de um espaço público de uso permanente e diversificado entre o CPRIII e CPRII Criação de um túnel rodoviário que será implantado por debaixo do espaço público. Criação de um Aquarium e multifuncionalidade do Edifício Central Ocupação permanente e sazonal. Dinâmica no edifício com a criação de acessos eficazes entre as torres, através de “greenroofs”. Vegetação por patamares nas varandas e transformação das cúpulas em biosferas ecológicas. 17
  • 18. Nas figuras acima, ilustramos de modo figurativo algumas das nossas visões para olocal. É possível ver que o edifício beneficiava com o desvio da via rodoviária atra-vés de um túnel e que através dessa solução , esta área ganhava um espaço públi-co que poderia servir de dínamo para toda envolvente. Este espaço não só ligavaas duas margens de uma antiga estrada, como tornar-se-ia como um eixo de liga-ção pedestre/clicável com a zona norte, após a criação da entrada pelo edifício noseu tardoz, promovendo um contínuo entre a Praia da Rocha e Portimão.Através da criação de um Aquarium, da implementação de novos usos no edifíciocentral e pela reconversão das cúpulas no topo das torres em biosferas que serãoligados entre si, através de coberturas ajardinadas e elevadores panorâmicos, oedifício tornar-se-ia num ícone, fonte de atracção de visitantes e turistas.O uso das coberturas ajardinadas e vegetação nas varandas e janelas não temapenas um objectivo estéctico mas também a função de reduzir custos energéticosque é conseguido através do conforto bioclimático proporcionado pela vegetação. 18
  • 19. Conclusão sobre a minha participação no WorkshopAnalisando a minha participação enquanto aluno de Arquitectura Paisagista nesteWorkshop, posso garantir que foi uma experiência bastante enriquecedora à dife-rentes níveis. Para além do convívio proporcionado pela presença de alunos deoutras Universidades do País e estrangeiras, este Workshop promoveu e propor-cionou a hipótese de pormos em práctica os conhecimentos adquiridos ao longodestes últimos anos lectivos num modelo e equipas interdisciplinares, o que só porsi representa uma oportunidade de aprendizagem mútua.A área de intervenção que foi atribuída ao grupo de trabalho onde me encontravainserido apresentava-se como um caso de recuperação de Edifícios, uma vertentemais vocacionada para arquitectura do que propriamente para a arquitectura paisa-gista, o que tornou este trabalho num enorme desafio.O grupo de trabalho era constituído maioritariamente por alunos de Arquitectura,sendo eu apenas o único aluno de Paisagismo o que também representou paramim e para o grupo um excelente desafio na discussão de ideias e programas, atépelas nossas diferenças metódicas em relação ao Urbanismo, planeamento e sobreo território.No entanto, essas diferenças metódicas apresentaram-se sempre como uma mais-valia, representando assim uma oportunidade para desenvolvermos um trabalhomais exequível e sustentado, aliando as vantagens dos conhecimentos da Arquitec-tura e da Arquitectura Paisagista, integrando-as, criando assim um resultado con-ceptual de Arquitectura sustentável ou como é denominada noutros países, GreenArchitecture.Aproveito para congratular-me de ter participado de forma efectiva num excelenteevento que contou com a participação de muitas pessoas com grande capacidadetécnica, um grande obrigado para todos eles. 19