O Culto da Ilusão das Formas                                                                         R. Numeriano       “Q...
Prestes (se é que não me expulsem em função de minhas críticas. Sempre háquem queira ser mais radical do que o ultra-radic...
de, sozinho, ser igualmente alcançado pelos dois que se aproximam. Então, eledecide seguir. A rigor, está, como desde o in...
purificado, participam antes festivamente do que como um coletivo orgânico eproativo. Muitos dos seus militantes começam a...
amam a causa socialista pela emancipação do homem do jugo do capital.Amam o grande Guevara, mas a maioria pouco faz além d...
fábrica, nas escolas e universidades, nos escritórios, nos puteiros, nosestaleiros, nas filas de ônibus. Essa verborragia,...
parte da classe média, das mídias em geral e dos políticos em particular,voltamo-nos sistematicamente para disputas difusa...
processo, que mobiliza, para o bem e para o mal, o debate sobre a cidade, opaís, o trabalho, as condições de vida do povo ...
O Culto da Ilusão das Formas      Alguma mente farisaica talvez esteja imaginando, aqui, que defendemosalianças com a dire...
E um dos fatos que as campanhas políticas afirmam, para além dadisputa em si pelo voto, é a alienação dos movimentos socia...
Não temos visto essa mesma resistência em nós, em relação à política eseus processos, eleitorais ou não? Não temos visto u...
pecado! Não é confortável enxergar ao nosso lado um camarada genuínosomente porque, em essência, ele concorda conosco?    ...
podemos chamar de poder social, que nada mais é do que uma formaparticular de poder político não instituído.       No enta...
É muito estranho esse movimento atual no Partido, que cultua com todarazão grandes heróis da classe trabalhadora na histór...
conhecido do Partido porque não houve resistência em Pernambuco), onde orelatório, redigido por quadros dirigentes, foi tr...
email, se o Partido em Pernambuco tinha conhecimento.7 Sobre a onda de ódioque a resolução fez explodir em Paulista, até e...
Essa espécie de "caça às bruxas" e bruxedos provocou em Pernambucoum episódio que jamais presenciara no Partido, e que é o...
disso, afora o ato de desobediência (ninguém aqui iria negá-lo), a companhiaseguia defendendo as bandeiras de luta program...
divulgar a campanha (e na ocasião pedi a compreensão daqueles meusamigos que não gostam de política e/ou não achem correto...
mobiliza e afagos em parasitas políticos.11 Se querem um aggiornamento noPartido, então comecemos pelos quadros dirigentes...
Duas Derrotas      O que fundamenta a resolução jacobina é a alegação de que asResoluções do IV Congresso Nacional e a Con...
não se faz revolucionária, o socialismo será sempre uma eterna miragemestratégica.       Iniciado o processo eleitoral, a ...
ultra-radical, a decisão de um coletivo que, de modo acertado, ponderado oquadro geral e a dinâmica da luta e dos atores e...
como árbitro, faz aqui e acolá arranjos políticos.13 Seriam as dores do parto deum partido que se projeta grande, destinad...
dezenas de candidaturas para nos encaixarmos no dogma da forma e escapardo auto de fé. Perguntem à cúpula dirigente nacion...
Acima do Bem e do Mal      O fato de aludir ao CN e resoluções x ou y para justificar decisõesparece-nos uma saída fácil, ...
personalismo e arrogância de quadros, vanguardismo e messianismo dospartidos, além propriamente da irracionalidade polític...
eleitoral. A tática sob a mordaça integrista é um jogo de soma zero entre oPartido e o mundo real da política, no qual, il...
como se estivéssemos sempre a olhar a nossa história e os seus grandesnomes, e daí, para além da necessária emulação dos s...
capazes de entrar no templo para derrubar a ordem política burguesa, podre ecorrupta.      Esses pudores políticos (basead...
crucificado politicamente alguns desses grandes camaradas. Concretamente, aordem significa que, em nome de uma pretensa "m...
Ainda no período eleitoral, li, por parte de um candidato nosso avereador, um desabafo público resvalando em preconceito c...
Revolução Francesa, com as cabeças a rolarem aqui e ali, internamente aoPartido, até que restem apenas os que "entenderam"...
a revolução redentora para expurgar da face da terra todo o mal político quenos assola. Mas aqui ficamos nós nos considera...
35
A Tática Como um Mecanismo      A nossa crítica à tática não se restringe à interpretação integrista peloCC sobre os casos...
político liberal. Não vamos fazer avançar a luta e fortalecer o Partido porqueestamos travestidos em duros e inflexíveis s...
comunista" não se ilude com eleições e "parlamento burguês", que o"verdadeiro revolucionário" não abandona a luta etc.    ...
Também cabe comentar, aqui, comparativamente, o caso recente dadecisão do comando das FARC-EP, que, no dia 30/08/2012, sur...
Subjetivação e Unidade da Esquerda Socialista       Existiria uma "lei" ou impossibilidade teórica, fundada nas diferentes...
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012

11,561

Published on

Camaradas, as reflexões a seguir são o produto de uma análise amadurecida na observação da teoria e da prática do Partido, antes e depois do XIV Congresso Nacional. Não há nenhum emocionalismo nessas linhas, embora algumas das minhas considerações possam soar realmente duras para ouvidos políticos mais sensíveis ou olhos acostumados a leituras aguadas e complacentes sobre as políticas do Partido. Não as escrevi para provocar nenhum movimento (seria uma pretensão tola e descabida, pois sei que fui mais um no coletivo partidário e nunca pretendi nada além de contribuir para fazer crescer o Partido). Hoje, dia 8 de outubro, também anuncio oficialmente minha renúncia à militância institucional, saindo dos três cargos de dirigente (já havia comunicado internamente ao Partido essa decisão, no começo de agosto).

Published in: News & Politics
1 Comment
0 Likes
Statistics
Notes
  • Jogando.net/MU *21*

    Boa tarde amigos,

    Venham conhecer nossos Servidores de Mu
    Online Season 6 http://www.jogando.net/mu/
    >>muitos kits novos;
    >> Nossos GMs online em todos os servers
    Fazem eventos todos os dias:
    Fazemos sua Diversão com qualidade,há mais de 5 anos
    Servers ON 24 horas por dia
    Vários Server esperando por você.Venha se divertir de verdade.
    >>>CURTA nossa Fan page no Facebook e concorra a prêmios.
    SORTEIO de 2 pacotes de 100 JCASHs mais 15 dias VIP Premium
    >>>Conheçam também Animes Cloud -> http://www.animescloud.com, mais de 20.000 videos online,feito exclusivo para sua diversão.
    Site http://www.jogando.net/mu/ Benvindos ao nosso servidor.
    Wartemix Divulgadora Oficial !
       Reply 
    Are you sure you want to  Yes  No
    Your message goes here
  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
11,561
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
3
Actions
Shares
0
Downloads
14
Comments
1
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Roberto_Numeriano_O_Culto_Das_Formas_Artigo_PCB_2012

  1. 1. O Culto da Ilusão das Formas R. Numeriano “Quereis criar uma sociedade nova e temeis a dificuldade de criar uma boafração parlamentar de comunistas convictos, abnegados e heróicos num parlamentoreacionário! Não é isso, por acaso, uma infantilidade?” (Lênin, in Os Comunistas e asEleições) INTRODUÇÃO Camaradas, as reflexões a seguir são o produto de uma análiseamadurecida na observação da teoria e da prática do Partido, antes e depoisdo XIV Congresso Nacional. Não há nenhum emocionalismo nessas linhas,embora algumas das minhas considerações possam soar realmente duras paraouvidos políticos mais sensíveis ou olhos acostumados a leituras aguadas ecomplacentes sobre as políticas do Partido. Não as escrevi para provocarnenhum movimento (seria uma pretensão tola e descabida, pois sei que fuimais um no coletivo partidário e nunca pretendi nada além de contribuir parafazer crescer o Partido). Hoje, dia 8 de outubro, também anuncio oficialmenteminha renúncia à militância institucional, saindo dos três cargos de dirigente (jáhavia comunicado internamente ao Partido essa decisão, no começo deagosto). Escrevemos essa crítica para provocar uma reflexão dos militantesdesses dois coletivos, caso julguem necessário fazê-la. Vale, no mínimo, comomemória militante de um ex-quadro dirigente do Partido. Na verdade, foi aúltima tarefa à qual me senti obrigado a cumprir na condição de militanteinstitucional.1 O fato é que decidi combater pelo socialismo em outros espaços.Continuarei, com muito orgulho e honra, filiado ao Partido de Gregório e1 É possível amar uma pessoa, e deixá-la, assim como amar uma instituição, e dela sair. Emambos os casos, não significará que o amor pela pessoa ou pela causa deixou de existir ou seperderam no nosso ser as razões e emoções que constituem a perenidade de nossas crenças. 1
  2. 2. Prestes (se é que não me expulsem em função de minhas críticas. Sempre háquem queira ser mais radical do que o ultra-radicalismo)2. Se me permitem, vou começar minhas reflexões contando uma história. Em uma noite escura, numa estrada, seguia um homem sozinho. Tinhamedo, mas era preciso seguir, avançar. Havia obrigações a cumprir na jornada.A certa altura, esse homem vê ao longe dois outros homens. A má-fama daestrada é antiga: é ambiente de salteadores, bandidos de toda espécie. É, noentanto, o único caminho disponível, naquelas condições. Os dois homens vêmem sua direção, acelerando o passo. O que fazer, se não há meio nempossibilidade de recuar? No meio do desespero, nosso homem vê agorasurgirem ao seu lado dois homens que ele já vira antes, também notóriossalteadores. Estranhamente, embora não possa se sentir seguro, ele sente quea companhia daqueles dois pode significar uma possibilidade de sobrevivêncianaquela jornada. Sabe que os dois homens que agora estão próximos,seguindo no mesmo sentido, em nenhuma condição podem ser consideradosaliados, companheiros de jornada. Sabe até que, mais adiante, podem se voltarcontra ele, assaltá-lo ou até matá-lo. No entanto, esse cálculo não é paraagora, porque agora o que resta é seguir a jornada e tentar passar a salvopelos dois que se aproximam em sentido contrário, com passos ainda maisacelerados. São agora três contra dois. Ainda que nosso homem se considereapenas um entre os outros, ele sabe que os dois ao seu lado lhe conhecem,mas desconhecem quem são e o que querem os outros dois. Talvez suponhamque sejam, igualmente, bandidos de estrada. Seu instinto de sobrevivência,diante do medo, obriga-o a lutar a luta naqueles termos, sob aquelascondições. Nosso homem tem medo, mas não tem medo de ter medo. Acasotivesse, correria adiante, em direção aos dois que significam ameaça, ouretrocederia, sem enfrentar a jornada e suas obrigações, com a possibilidade2 Como já sabem, a expulsão veio bem antes, no dia 7 de outubro de 2012. A Nota Pública doPartido e a minha resposta estão no Posfácio. À exceção deste Posfácio, redigido no dia 09/10,esta crítica e análise do PCB (e também, em menor medida, do PSOL e do PSTU), foi escritanos meses de agosto e setembro, e, em outubro, até o dia 02. Esclareço estas datas porquealguém poderia estranhar declarações como a de que vou me manter no Partido etc. Issoocorre porque, é claro, o texto original se mantém. E não poderia ser diferente. 2
  3. 3. de, sozinho, ser igualmente alcançado pelos dois que se aproximam. Então, eledecide seguir. A rigor, está, como desde o início da jornada, sozinho. Poderáigualmente ser assaltado e morto adiante pelos ocasionais companheiros dejornada. Jamais saberá. Sente e sabe, apenas, que é necessário arriscardiante das condições, aqui e agora. O seu instinto, comum a todo homem,impõe que viva o máximo possível. O seu cálculo, racional, decidiu o melhormeio de fazê-lo. O Partido não é esse homem. O Partido, hoje, tem medo de ter medo. Recusa o teste prático da dialética: se o critério da verdade é mesmo aprática, por que recusamos, fundados numa interpretação refém de umperigoso puritanismo político pequeno-burguês (interpretação integrista quecheira a um jacobinismo tardio, arrogante e auto-referente), testar nossasresoluções no embate das idéias no movimento político e social do processoeleitoral? O teste só deve ser feito nas arenas de luta em que o nossooponente não vai nos "sujar" em termos político-ideológicos, com a suaproximidade? Soube que meus comentários ao relatório do Partido em Paulista,apoiando os encaminhamentos dos camaradas, foi objeto de "cara feia" naCPN. Seria estranho se fosse o contrário, pois a proposta de resolução, dalavra do secretário-geral, que possui uma detestável arrogância de terrorjacobino, tratou de espaços ideais onde estamos nos "agigantando": mundosindical e juventude. Seremos eternos gigantes para nós mesmos? Nãoestamos vendo a nós mesmos distorcidamente? Ou nos achamos "gigantes"medindo-nos em face dessa realidade burguesa mesquinha, material eespiritualmente? Estamos realmente nos "agigantando", palavra tão superlativaquanto suspeita quando vemos que uma parte significativa de jovens militantesda UJC não cria unidade de ação orgânica com as políticas do Partido, agindoquase sempre sob um ativismo pontual. Muitos dos núcleos da UJC são apenas comunistas para si mesmos. Amaioria desses jovens pouco se integra nas lutas político-eleitorais, se oespaço do debate e do embate não estiver previamente purificado. E, mesmo 3
  4. 4. purificado, participam antes festivamente do que como um coletivo orgânico eproativo. Muitos dos seus militantes começam a caminhada negando acondição real (empírica e ontológica) do espaço político-eleitoral burguês.3Resistem às eleições burguesas, mesmo em "chapas vermelhas", como foi ocaso da Frente de Esquerda PCB-PSOL, no Recife, a qual contou com aparticipação de apenas um camarada, que por iniciativa própria se incorporouem algumas das tarefas. No máximo, nelas participam furtivamente quando noentorno não há perigo de “contaminação”. Muitos acondicionam-se nosfacebooks e outras redes, espaço confortável onde todos são revolucionários e3 O Relatório de nove páginas do Encontro Nacional da direção da UJC, realizado emsetembro de 2012 (em plena campanha eleitoral), não faz qualquer referência à luta eleitoralempreendida pelo Partido (tarefa obrigatória e definida no Congresso e nas Resoluções). Essedado, em si mesmo, é sintomático do que somos concretamente, para além da retórica do"Ousar lutar, ousar vencer", uma bela palavra de ordem que cai no vazio se não há relação decausa e efeito no seu pronunciamento. E para ilustrar esse comportamento evasivo damilitância, no dia 24 de setembro, a 13 dias da eleição, recebi um email de dirigente da UJCpropondo duas datas para realização de panfletagem nos portões de duas universidades.Omitindo, é claro, a autoria, divulgo os trechos sob aspas, os quais falam por si mesmos:"Camaradas, a campanha eleitoral está chegando a (sic) reta final e só agora a camarada (...)conseguiu material para divulgar sua candidatura. Aproveitamos a reunião da UJC no sábado eplanejamos rapidamente algumas ações". "A ideia não é ser algo isolado da candidata (...),mas sim de todos os candidatos do partido. Por isso, é importante a presença de Délio eNumeriano em ambas as atividades. Afinal, a campanha é do partido, não deindivíduos". Vejam que o autor está afirmando que a iniciativa foi tomada a partir de um fatocondicionante: a impressão de material da candidata, o qual "só agora" conseguiu. Mas haviahá quase três meses uma campanha do Partido nas ruas, com os candidatos Numeriano eDélio, sempre sozinhos, pedindo a presença da militância para acompanhá-los e ajudarem nasações. Apenas o camarada Henrique, sob iniciativa individual, organizou um evento ao qualcompareceram três militantes da UJC (houve até fotos para provar que se "engajaram"). Afrase seguinte é a mais emblemática para demonstrar que a UJC parece incorporar (acreditoque "inconscientemente"), um espírito de tendência: "A idéia não é ser algo isolado dacamarada (...) (...)" Ora, foi preciso "propor" uma "idéia" de que o evento seria dos demaiscandidatos talvez para convencer os demais militantes que eventualmente resistissem adivulgar material junto com outros candidatos, ao que parece, "não homologados". A frase final,pelo que posso deduzir, indica justamente uma resistência não declarada (e nem precisaria,pois fiz várias instâncias junto a um dirigente da UJC, (...), pedindo que a entidade organizasseeventos para discutir o socialismo, a agenda do PCB etc, e o mesmo sempre sorriacinicamente aos meus pedidos). A frase: "Afinal, a campanha é do partido, não de indivíduos",é a prova mais forte de que se fossem outros candidatos, talvez a UJC estivesse nas ruascumprindo com o seu dever para com o Partido. Provavelmente, se fossem nomes de pessoasque são omissas nas tarefas do Partido, mas adoram ir às reuniões para opinar do alfinete aofoguete (e depois se recolherem), alguns se engajassem, mesmo que afirmem que “acampanha é do Partido, e não de indivíduos”. Mas devo dizer que a entidade apenas continuoua praticar o mesmo comportamento das eleições anteriores: desprezo na essência eencenação militante. 4
  5. 5. amam a causa socialista pela emancipação do homem do jugo do capital.Amam o grande Guevara, mas a maioria pouco faz além de estampá-lo nopeito. Parecem possuir, antes mesmo de iniciar a militância, um perfilconformável ao "padrão" político-institucional hoje dominante no Partido:agregam-se às lutas em geral como se fossem jovens burocratas num rito deiniciação política. Poucos possuem uma identidade de classe comunista erevolucionária; daí não surpreender que muitos, uma vez vencida a fase jovemda militância, aburguesam-se na teoria e na prática por dentro do Partido. Umavez burocratizados / institucionalizados, reatualizam velhos vícios e desviospolítico-ideológicos. Ao fim do processo, essa parte está envelhecidapoliticamente de modo precoce, e é a mesma mentalidade política pequeno-burguesa que tempos depois vai fazê-la cultivar, nostalgicamente, os temposde "jovem rebelde" que "foi à luta". O Comitê Central (CC) do Partido crê ser possível, com essejacobinismo presunçoso, trazer a sociedade para dentro do Partido por meio desindicatos e dos jovens? Sim, se em essência esses jovens forem jacobinos eesses sindicatos encarnarem o mal do vanguardismo. Num caso e noutro, emsi já não seriam "da sociedade", mas produtos particulares dentre outros daesquizofrenia social e política dos nossos tempos de crise ideológica. Ossenhores estão superestimando a cabeça dos trabalhadores e dessajuventude. Num dos comentários de membro do CC a favor dessa lamentável,ultra-radical e irrealista proposta de resolução (comentário quase tonitruanteem sua verborragia diletante), li trechos como “um verdadeiro comunista não seencanta com o parlamento burguês”. Essas palavras pomposas, semprelevadas pela vida viva das ruas, já encheram toneladas de papel com rios detinta. Para onde nos levaram? Para onde nos levarão? Sempre para o mesmoponto de partida de sua pregação pretensamente revolucionária. É quasepossível ouvir o seu autor falar para si mesmo, diante do espelho, e depois daraquele sorrizinho satisfeito antes de sair para a rua. De qual proletário estamos falando? Não é, decerto, do trabalhador queestá nas ruas e nos guetos, nos estádios de futebol, nos botecos, no chão da 5
  6. 6. fábrica, nas escolas e universidades, nos escritórios, nos puteiros, nosestaleiros, nas filas de ônibus. Essa verborragia, em essência, fala para umtrabalhador abstrato; é um fetiche discursivo esvaziado de significação porqueo seu objeto, o trabalhador / homem concreto, ama ou chora, sorri ou adoece,morre ou vive, para além desse universo que o entende ou sentemistificadamente. O que temos visto historicamente é um movimento político auto-centrado, que pode lembrar um círculo fechado em si mesmo, em que saímosde um ponto, giramos e chegamos ao mesmo ponto, depois de anos deembates menos dialéticos do que supõe nossa vã filosofia política. Nuncagiramos nessa luta num movimento que deveria ser de espiral, crescente, umacurva sempre tangenciando a curva anterior, num movimento dialéticoabarcando sempre mais idéias e grupos, pessoas e conceitos, universal euniversalizante a partir da classe trabalhadora, sim, mas nunca engessandoessa mesma universalidade / diversidade (bloqueando seu ascenso intelectuale político como classe em si e para si), a pretexto de nos mostramos comopaladinos e vanguarda da mesma. (Sim, é isso que o nosso inconscientepolítico mascara com esse jacobinismo tardio enfeixado numa interpretaçãoestreita da tática). A classe trabalhadora quase sempre é mais avançadapolítica e ideologicamente do que podemos supor na nossa visãopreconceituosa e paternalista. Esse movimento, porque circular, é fechado à dialética. É entrópico; éessencialmente autofágico: não por acaso, temos visto contínuos "estouros" decrises políticas cíclicas nos Estados (São Paulo, Rio Grande do Sul e, agora,Pernambuco, são exemplos fortes desse grave problema de visão engessadade processos políticos. Não por acaso, estouram em locais onde há maismilitantes que teorizam e fazem continuamente a crítica da prática).4 Sem forçapolítica para terçar armas contra a burguesia, sem lastro para, a partir dosmovimentos sociais e populares, guerrear o reacionarismo político de grande4 Faço o registro de que o fato de aludir às crises de São Paulo e do Rio Grande do Sul nãosignifica que concordo, necessariamente, com as razões formuladas por dados militantes e / oucoletivos em divergência. Apenas cito-os para demonstrar algo para mim sintomático. 6
  7. 7. parte da classe média, das mídias em geral e dos políticos em particular,voltamo-nos sistematicamente para disputas difusas ou explícitas entre nósmesmos. Temos, muitas vezes, avançado dois passos e retrocedido três. É um movimento que em essência não inscreve no seu giro a questãodo poder (político, social e econômico) no processo da luta entre as classes (einscreve, sim, mas como algo idealizado nos termos de um embate entreburguesia e proletariado numa arena onde veremos todos cada inimigoapontando para nós sua arma). Parece-nos que esse movimento sonha umaluta aberta, uma guerra de movimento do tipo da Grande Revolução Russa, noperíodo de fevereiro a outubro. Sonha o assalto aos céus. Um Armagedom.Resta apenas que os operários de salários míseros, o camponês espezinhadoe sem terra, o desempregado sem rumo, venham conosco terçar armas contraessa burguesia, espécie de Babilônia cheia de pecados. E não giramos nummovimento de espiral porque formulamos uma tática que estáoperacionalmente fechada ao teste dialético das ruas e das lutas. O juízo que fazemos aqui, ao lembrar os dois casos, é necessariamentepolítico. Queremos demonstrar, ao citá-los, porque o PCB (e, a rigor, aesquerda socialista brasileira em geral) vive nesse eterno círculo, espécie deútero seguro a partir do qual, alimentando-se apenas da teoria, recusa o testeda prática. Por que recusamos vir à luz? Por que nos assombram as eleiçõesburguesas? Por que nos tensionam ideologicamente e abalam tanto? E daí queé um processo degenerado, podre? Queremos conquistar o poder de Estadoapenas no espaço seguro e exclusivo de grandes frentes políticas para fazer oassalto aos céus e fundar a nova ordem? Essas são as condições dadas,objetivas e subjetivas? Quem tem medo de quem, aqui? Nós temos medo dequê? Só vamos dar a devida importância ao processo político-eleitoral quandoa nova ordem for instituída, pretensamente asséptica e imunizada? De fato,temos sido revolucionários em teoria, pois somos antiquados no enfrentamentoe reacionários à compreensão desse processo, seja em sua formalidadejurídica, seja como ele concretamente se institui social e politicamente. De fato,embora revolucionários, negamos na prática o valor político e ideológico desse 7
  8. 8. processo, que mobiliza, para o bem e para o mal, o debate sobre a cidade, opaís, o trabalho, as condições de vida do povo e da classe trabalhadora, aindaque, neste caso, em aspectos pontuais. Participamos em Pernambuco de três campanhas majoritárias (as duasúltimas, a rigor, sozinho). Não registramos isso para dar exemplo, mas paradizer que em nenhum desses momentos o Partido se mobilizou organicamentecom os demais camaradas, a não ser para dizer que estava vivo e "na luta". Écomo se fizéssemos campanhas para mero "efeito demonstrativo",repercutindo algumas agendas e discursos. Isso é gravíssimo. E isso é assimem todo o Brasil, conforme os relatórios que li sobre o desempenho do Partidoem 2008 e 2010.5 As eleições, burguesas ou não, bem como as campanhasem termos práticos, são espaços privilegiados para o diálogo político-ideológicocom as pessoas de carne e osso, reacionárias ou não, socialistas ou alienadas.O nosso rótulo e (falso) desprezo não vai mudar sua natureza e essa realidade.Na ordem burguesa, jamais serão espaços ideais para nossa intervenção. Domesmo modo, não podem ser objeto de intervenção apenas formal para nós,que é o que vemos em quase todo o país, mesmo saindo com candidatos emchapas puras ou em coligação com o PSOL e o PSTU. Nunca entramos (salvoraras exceções) para valer nessa luta. E, no entanto, vejo sempre a caracoletiva da decepção quando os dados saem das urnas e nosso eternodesempenho pífio e ridículo ganha a luz do Sol. Por acaso esses resultadosnão são efeito também da nossa absoluta falta de seriedade política paraenfrentar essa debilidade monstruosa?5 No país, nesse período, o desempenho político-eleitoral do PSTU e do PCB é emblemático efala por si mesmo: votações em geral pífias, que revelam menos as condicionantes dasdisputas do que a cristalização de nossa fraqueza, ingenuidade e irracionalismo noenfrentamento realista a esses bloqueios. 8
  9. 9. O Culto da Ilusão das Formas Alguma mente farisaica talvez esteja imaginando, aqui, que defendemosalianças com a direita em processos eleitorais (como a resolução jacobina deua entender sub-repticiamente), "porque é preciso ganhar eleições". Não,camaradas, não imaginem, aqui, a defesa de qualquer taticismo de PCdoB,que topa tudo pelo poder no seu comunismo de consumo. Tampouco nos"encantamos" com todo esse lixo que, produzido e sob controle do capitalprivado, degenera até o equilíbrio da representação parlamentar nos termos dopróprio jogo de poder burguês. Não há nem houve nenhum perigo de ter sidoseduzido por essa ficção democrática, que a mídia, os tribunais eleitorais, osprofissionais da política etc., emulam com propaganda institucional, discursos eeditoriais tão eloquentes quanto mentirosos sobre o que realmente estáocorrendo. O que denunciamos aqui é o que chamamos de culto da ilusãodas formas no Partido, mas fenômeno já antigo e comum na esquerdasocialista em geral. Estamos praticando, com esse desvio, o que pode serobservado nos movimentos sociais refratários aos partidos políticos. Os trechos seguintes, aspeados e em itálico, foram divulgados emrecente artigo sobre os movimentos sociais (publicado em agosto), bem antesde imaginarmos que poderiam servir para reforçar os nossos argumentos sobreos partidos em geral, e os de esquerda socialista, em particular. Assim, comalgumas adaptações, eu os repito neste breve ensaio. Leiam e comparem se acarapuça serve ou não para nós mesmos. "Todos sabemos que a luta política é essencialmente ideológica. Nãoquero dizer com essa premissa que tudo é ideologia, naqueles termos do quechamamos de "falsa consciência" sobre o real e suas expressões materiaistraduzidas nos conflitos entre ideias e nas ideias em si. Quero dizer que essesconflitos, na sua expressão política, traduzem sempre uma visão de mundoideologicamente conformada. Por isso é sempre tão atual e sábio aquele alertade Brecht sobre o analfabeto político. O grande autor de teatro e comunistaalemão trata sobretudo da alienação política em termos ideológicos. 9
  10. 10. E um dos fatos que as campanhas políticas afirmam, para além dadisputa em si pelo voto, é a alienação dos movimentos sociais diante dospartidos, os atores fundamentais nos quais deságuam, num formato maisinstitucionalizado, os conflitos e contradições entre e nas diversas classes eseus interesses. Essa alienação é em essência ideológica. O seu pressupostoé que os movimentos devem guardar distância dos partidos em função doperigo que este representariam como instituições que buscam o poder, àesquerda e direita do espectro ideológico. Tal crítica vê os partidos numadimensão puramente instrumental, como operadores de demandas sociaisnuma perspectiva reducionista (o famoso fim em si mesmo), sem incorporaruma razão centrada numa concepção por assim dizer holística comomediadores de interesses". Ora, o mesmo também pode ocorrer com os Partidos, pois não estamosimunes a olhar o outro sem os preconceitos desse próprio outro em nós. Porisso, temos visto um "diálogo de surdos" entre Partidos e movimentos sociais.E não nos surpreende que a crítica seguinte, feita por nós sobre osmovimentos sociais, sirva, em certo sentido político (com sinais trocados) paraos partidos da esquerda comunista ou socialista, como o PCB. "De fato, há, por parte dos movimentos sociais, uma crítica conservadoraque tem uma "razão de ser" política, mas não ideológica. De fato, algunspartidos instrumentalizaram, em época política já remota, sindicatos, a exemplodo PCB, que ainda na clandestinidade dos anos 70 fez sua autocrítica. De fato,temos hoje alguns partidos de esquerda, direita e centro que agem de modooportunista e instrumental junto às entidades, sobretudo sindicais, com odiscurso socialista e/ou assistencialista na ponta da língua. Esse arrivismopolítico provocou, já a partir dos anos 90, quando a redemocratização permitiua abertura e a ascensão de milhares de entidades sociais, a resistência dosmilitantes sociais aos partidos e suas táticas políticas. Ao mesmo tempo, eaqui temos o nó da questão, essa resistência concebeu ideologicamente (semperceber) a crítica aos partidos, tratando-os, a priori, como potenciais (oumesmo intencionais) manipuladores das entidades por meio de sua militância". 10
  11. 11. Não temos visto essa mesma resistência em nós, em relação à política eseus processos, eleitorais ou não? Não temos visto um preconceito que nos faztorcer o nariz para as disputas eleitorais e revelar enfado quando, nas ruas enas praças, no portão da fábrica e de universidades, nossos panfletos sãoamassados nas nossas caras ou simplesmente recusam pegá-los e fazempiadas grosseiras? "Trata-se de uma prevenção que revela, em seu absolutismo puritano,um preconceito ideológico perigosamente inspirado numa visão de mundo quenão deixa de ser classista, ainda que revestido ou travestido de uma pretensauniversalidade isenta e neutra de ideologias, políticas ou não. Qual é oresultado ideológico e prático dessa crítica conservadora e genérica aospartidos, em certo sentido já deslocada no tempo? Em primeiro lugar, a auto-suficiência que muitos movimentos incorporamno seu ativismo. Agem como se bastassem a si próprios, como seencarnassem, na sua diversidade de visões e interesses de ativistas, umacompreensão superior e mais universal dos eventos sociais, políticos,econômicos, culturais etc. Ou seja, muitos praticam aquilo que acusam nooportunismo dos partidos, quando estes se supõem vanguarda e estuário deverdades. Esse comportamento isolacionista é o primeiro passo para instituiruma visão alienada do real, dado que os ativistas discursam a partir de cima,autocraticamente. Muitas dessas entidades gostam da palavra diálogo, masdesde que o interlocutor concorde, prima facie, com o que está sendo discutidointernamente ao grupo. Dialogam entre si, mas para fora de suas entidadesdiscursam". Não é curioso constatar que essa mesma crítica cabe a nós? Temosdialogado entre nós, mas para a massa trabalhadora lançamos discursosperfeitos e ainda nos damos ao luxo de excluir da luta trabalhadores /militantes com grande chance de serem eleitos e estamparem numa Câmara agloriosa foice e martelo do PCB (como o carteiro Edvalmir, de Timbaúba). Ah,não! Afastai de mim esse cálice, porque esse mandato seria concebido em 11
  12. 12. pecado! Não é confortável enxergar ao nosso lado um camarada genuínosomente porque, em essência, ele concorda conosco? "Onde estaria a classe inspirando esse autoritarismo, se,aparentemente, tais entidades de movimentos são constituídas por gente dediversas classes sociais, ainda que predominem os de origem pequeno-burguesa? Essa classe ou grupo social seria de um novo tipo, afeito aoativismo que pretende ajustar o mundo de misérias e contradições a umapretensa racionalidade legal e moral nos marcos do capitalismo. Vamos dar asmãos e curar as feridas da cidade num só canto (desde que esse canto nãoderrube as muralhas da Jericó capitalista). São quase os antigos socialistasfabianos. Não por acaso lemos nos seus projetos um viés judicialista emoralista que se supõe universal no seu holismo. Instituem uma ideologia quese pretende asséptica de eventuais contaminações político-partidárias. Essaideologia conservadora quer distância dos partidos e de seus militantes, masao mesmo gosta do apoio partidário às suas demandas. Em segundo lugar, temos como elemento central dessa críticaconservadora aos partidos o que chamo de culto da ilusão das formas,encarnado pelos movimentos no instante exato em que formulam seusdiscursos e delineiam suas diretrizes de ação. O culto da ilusão das formassignifica instituir uma prática política auto-referente, que desenha os cenáriosde intervenção sem problematizá-lo ideologicamente. São grandes cenários daforma do agir público, mas concretamente ocos, emasculados em termosideológicos. Daí o discurso do movimento ser avesso àquilo que é a questãofundamental numa sociedade de classes: quem tem a hegemonia e exerce opoder real? Não é por acaso que muitas entidades repudiam os partidos de ummodo geral, pois nenhum deles é alienado dessa condição ontológica de suaexistência. Em outras palavras, o fato de um partido pretender o poder pareceser um pecado original, um anátema político. Ocorre que nenhuma dessasentidades existe sem esse mesmo fim, que não precisa estar inscrito em umestatuto para ser reconhecido como tal. As entidades querem conquistar o que 12
  13. 13. podemos chamar de poder social, que nada mais é do que uma formaparticular de poder político não instituído. No entanto, o culto da ilusão das formas inscreve esse objetivo dasentidades de modo muito mais ideológico do que podemos supor. De fato,ainda que se suponham acima das classes, considerem-se holísticas,universais ou qualquer outra palavra charmosa que o valha, tais entidadespretendem, essencialmente, instituir uma identidade supra-classista que, ao fime ao cabo, é a mais perniciosa forma classista e conservadora de ativismo, poisse isolam e ao mesmo tempo pretendem mediar os problemas sociais,políticos, econômicos etc a partir dos seus focos absolutos e auto-referentes,segmentando uma visão de mundo restrita, em termos político-ideológicos.(Assemelham-se, a rigor, com o pensamento conservador e até reacionário nomundo acadêmico de mestres e doutores que habitam torres de marfim).Muitas dessas entidades olham as desgraças do mundo a partir de suas ilhasfabianas, e em suas ilhas recusam estrangeiros (ideias ou programas departido) que possam contaminar a boa ordem. Esse narcisismo político quer atodos nós espelhos para refletir sua auto-suficiência. Porém, ideologicamente,essa visão está alienada do real, pois a vida viva das ruas não reflete Narcisos,mas sim uma brutal e vil degradação de seres humanos e de suas cidades. Eessa condição inscreve o desafio da conquista do poder pelos partidos eentidades do movimento como algo concreto e perene. Ninguém pode seemancipar dessa condição de degradado do e no coletivo se cultiva a ilusão dese emancipar em grupos abertos apenas na forma de agir, mas fechados aodiálogo político e ideológico junto aos partidos. O espelho, faz tempo, cansoude Narcisos". Percebem, enfim, como o Partido se encaixa, em essência, nessa críticaque fizemos aos movimentos sociais em relação aos partidos, em geral?Percebem como ambos, partidos e instituições do movimento, anulam-se nateoria e prática militantes? Mas voltemos à crítica. 13
  14. 14. É muito estranho esse movimento atual no Partido, que cultua com todarazão grandes heróis da classe trabalhadora na história partidária, mas aomesmo tempo, sob uma interpretação integrista da tática na ReconstruçãoRevolucionária, devora seus filhos, condena-os sumariamente em autosinquisitoriais ou isola-os em ritos de purificação para que, caso não façam meaculpa, fiquem em silêncio obsequioso até o próximo congresso. O que aReconstrução quer significar, para além do rótulo? Está à procura de umaidentidade tentando forçar a realidade das ruas a entrar na tática? Foiexatamente isso o que vimos com o caso Paulista, que até ontem era a"menina dos olhos revolucionários" do Comitê Central e, como num passe demágica mistificador, seus militantes ficaram sob suspeição até moral, além depolítica, conforme podemos ler nas entrelinhas da resolução integrista. (Segueem nota uma apreciação do então assistente Numeriano, a respeito dessaresolução).6 E também foi o que vimos com o caso Timbaúba (pouco6 "Considero que, em essência, algumas condicionantes da CPN são a expressão de umzelo antes de caráter político pequeno-burguês (inspirado talvez num certo puritanismoideológico) do que de um cuidado objetivo e racional em face do que a realidade nos impõe,praticamente. Tal expressão radicalizada não está muito distante daquilo que combatemos emcerta esquerda que condena a corrupção nos termos do próprio sistema, como se não fosseimanente ao sistema capitalista ser corrupto - e, por esse viés, começamos a combater / negar(até ontologicamente, talvez sem sentir ou perceber) a necessidade de lutar a luta (que não éjogar o jogo nos termos da sujeira do politicismo burguês), e nos refugiamos sob algumasmáscaras que podem até servir para aplacar nossos medos e desconfianças políticos eideológicos, mas que, em termos práticos e racionais, nos isolam da compreensão domovimento real e das lutas concretas. Em outras palavras, percebe-se, embutidas em algumascondicionantes, como exclusiva categoria determinante (e num sentido único), a dimensão daforma como elemento funcional ao conteúdo. No entanto, a contradição, em qualquer processopolítico, implica a necessidade de reconhecer que o conteúdo também é, necessariamente,funcional à forma. Se assim não entender e sentir esse processo político-ideológico, em brevevamos nos sentir puros, intocáveis, acima do bem e do mal, radicais da boa nova socialista;quase um PSTU atual ou PT das origens. E daí será um pequeno passo para imaginar,mistificadamente, que ganharemos a guerra num assalto aos céus que não exigirá de nósnenhum combate na arena suja. Em geral, essa leitura enviesada do real, inspirada pelo puritanismo, idealiza osprocessos concretos e condiciona as formas / meios de luta numa camisa de força.Começamos e então a inventar / sonhar a realidade circundante para caber nas nossas teorias– e numa única mão. O pragmatismo político não é necessariamente ideológico (ele é um dadoda realidade do jogo político, instituído pelos lances táticos dos candidatos e partidos), emborasaibamos que ele pode resultar no oportunismo político mais descarado, se um partido /militante não agir mediante princípios. É preciso compreender que "lutar a luta" sob alguns dostermos e dados limites (não ideais) que esse real nos impõe, não significa que estaremoscontemplando o abismo da perdição político-ideológica. Não me admira que, embora todossejamos marxistas sinceros e com um grau maior ou menor de leitura e reflexão, muitos de nós 14
  15. 15. conhecido do Partido porque não houve resistência em Pernambuco), onde orelatório, redigido por quadros dirigentes, foi tratado como um "contorcionismoverbal" (palavras do próprio secretário-geral), como se seus autores fossemenrrolões ou embusteiros. E o que nos estarreceu foi um integrante do ComitêCentral agindo como espião ou informante desse coletivo, como se osdirigentes estaduais não merecessem confiança. Que prática é essa numpartido que deve ser de camaradas? Como o secretário-geral permitiu eestimulou essa coisa deletéria e asquerosa de um dirigente sair à cata denotícias para, de modo descontextualizado, expor camaradas quesupostamente necessitassem ser vigiados? Em qual coletivo esse senhor foiautorizado a espionar os assuntos do PCB nas regionais e informar aosecretário-geral sem que ao menos houvessem esclarecimentos prévios juntoaos dirigentes regionais? Somos já um gigante político à deriva que precisa deespiões para cuidar, supostamente, de nossa integridade política e ideológica?No máximo, esse senhor poderia informar ao secretário-geral, queimediatamente trataria do assunto caso a caso, em comunicação direta erestrita com os dirigentes das instâncias inferiores do Partido, sem necessidadede expor os camaradas na rede do CC. Assim, evitaria a rede de fofocas edubiedades criada, com muitos julgando levianamente sem conhecer asquestões em profundidade. É espantoso que tenhamos permitido isso entrecamaradas. Já estamos assim tão obcecados como pregadores de ônibus coma Bíblia em riste para achar natural esse comportamento imoral? Essecomportamento até ganhou um adepto em Pernambuco, com um militante daUJC (que jamais se integrou em qualquer campanha político-eleitoral doPartido, coisa típica desde que o Partido decidiu disputar, até isoladamente, apartir de 2008), pesquisando o caso de Gameleira e nos questionando, viaguardam uma resistência antidialética em face dos processos e campanhas eleitorais: talvezimaginemos uma Sierra Maestra e a instituição de um conteúdo e forma novos para fazer apolítica. Mas, na prática, toda vez que somos derrotados nas eleições (o nosso secreto objetode desejo?), ficamos publicamente decepcionados, e voltamos a renegar, sem auto-crítica, aimportância tática desse espaço de intervenção político-ideológica. Nos preparamos semprepara mudar o mundo no cotidiano de nossas lutas particulares e gerais, mas sempre temosuma atitude de desprezo diante dessa arena de luta política". 15
  16. 16. email, se o Partido em Pernambuco tinha conhecimento.7 Sobre a onda de ódioque a resolução fez explodir em Paulista, até em nome do CentralismoDemocrático, fiz um último apelo que julgo importante os camaradas tomaremconhecimento.87 Será que, no caso de Gameleira, o "espião" deixou escapar uma aliança pecaminosa? Acoligação contou, nesse município pernambucano da Zona da Mata Sul, com o PSB, o PCdoBe o PSD (de Kassab). O PSB de Pernambuco é a quintessência do reacionarismo ilustradocom verniz de social-democrata. Faz um governo elitista, centrado no enriquecimentoescandaloso de algumas dezenas de comensais do poder. Reprime com violência osestudantes, concentra a renda no pólo industrial de Suape, enquanto o Sertão afunda namiséria. Apoiamos o PSB, que nem estava no index das resoluções. Gameleira foi uma"exceção"? Vê como erigimos tótens e depois não conseguimos decifrar os tabus que nelesvemos encarnados? Ora, deixemos de hipocrisia! Se o caso Timbaúba ou Paulista for maisproblemático do que o caso Gameleira, desafio alguém da CPN a provar. E, fiquem certos,nem estamos citando aqui este caso para exigir “punição” retroativa.8 Camaradas, Envio um breve comentário sobre a situação do Partido em Paulista, em face darecente decisão da CPN sobre a candidatura a vereador do camarada Luciano. Pedi aoEmerson que leia esse comentário. Não irei pelo fato de estar participando de debate noRecife. Este texto é a minha última intervenção como assistente em Paulista, pois decidi, apartir do dia 8 de outubro, renunciar a todas as funções dirigentes no Estado, fato jácomunicado ao José Mário (Recife), Aníbal (Pernambuco) e Comitê Central. Estou até dia 07de outubro cumprindo a tarefa que me pediram (fui contra participar da campanha comocandidato majoritário, como todos sabem). Estou me desligando da militância institucional portrês motivos. Um deles tem relação direta com o "caso Paulista", mas ocorreu até antes, emTimbaúba, quando o Partido decidiu vetar a candidatura de Edvalmir Carteiro, hojeconcorrendo em chapa única. Não há nenhum emocionalismo e irracionalismo político naminha decisão: apenas decidi lutar pelo socialismo em outras esferas, sobretudo a cultural.Continuo filiado ao PCB, é claro, e só retornaria à militância institucional se eu percebessequalquer movimento ideológico com desvios de direita no Partido. Felizmente, não é caso.Preparei um texto que chamei de "O Culto da Ilusão das Formas", que é minha últimacontribuição, por assim dizer, teórica como militante do Partido. Esse texto será disponibilizadoao coletivo estadual no dia 8 de outubro.CARTA A PAULISTACamaradas, Em Paulista vivemos hoje um grave conflito. E apenas na aparência é um conflito entreo militante Luciano e a direção municipal. Ele reflete em essência o conflito entre umainterpretação integrista e ultra-radical da tática e uma interpretação que chamo de dialética erealista, calcado sem idealizações na vida viva das ruas, na situação de miséria dostrabalhadores desempregados, na alienação de dezenas de milhões de brasileiros de suacondição de explorado, no quadro de dominação de uma política cada vez mais hegemonizadapela direita e sua ideologia. Sou, desde o início, favorável ao encaminhamento que essecoletivo deu ao processo de alianças com o PT. Defendi-o perante a CPN, em relatório dodiretório ao qual agreguei meu parecer político. Também sou radicalmente contra a decisãoaprovada pelo CC, a partir de proposta de Resolução do secretário-geral, em determinar aocamarada Luciano que renuncie à candidatura, já que o prazo legal do dia 05 de agostoesgotara-se e não seria possível intervir. Restou a determinação de: 1. Redigir um documentopolítico com a declaração de rompimento com a aliança na proporcional e majoritária. A outraseria, concomitantemente, a renúncia jurídica do Luciano. Como o ato está fora de cogitação, 16
  17. 17. Essa espécie de "caça às bruxas" e bruxedos provocou em Pernambucoum episódio que jamais presenciara no Partido, e que é o retrato fiel de como oultra-radicalismo é um perigo para sua vida política. O camarada Lucianocontinuou candidato, pois havia passado o prazo legal (05/08) para qualquerintervenção da Estadual ou do Comitê Central (CPN), no sentido de requerer aretirada do seu nome da coligação. Ao mesmo tempo, Luciano recusou-se (ecom razão prática e política, em minha opinião) a renunciar à mesma. Apesarresta discutir o encaminhamento prático do processo de rompimento. E é neste ponto,camaradas, que venho pedir ao coletivo serenidade em dois sentidos: preservar o Partido e ocamarada Luciano. Sei que os ânimos estão acirrados. Sei dos ataques pessoais e até moralmenteofensivos e públicos que o camarada Luciano já sofreu. Sei também que o mesmo camarada járeagiu de modo errado a alguns desses ataques. Mas nada disso está em causa, agora (tratemdo assunto depois da eleição, é o meu conselho, se ainda houver condição política para tal). Ofato é que o Partido está nas ruas com uma candidatura que mobiliza e envolve as pessoas,militantes ou não da causa socialista. Sim, é o Partido, queiram ou não, com a gloriosa foice emartelo no campo vermelho, com a cara do Luciano. Não é somente uma candidatura doDiretório Municipal de Paulista. E isso se deve a uma conquista de todos vocês, com grandessacrifícios em muitos anos de vida. Não é possível um coletivo de tanta gente de coraçãofraterno e solidário ter gestado e parido um Partido comunista que agora se debate entre ódios,rancores e desconfianças. O que há para que uma decisão política (para mim jacobina eestreita em termos político-ideológicos), ter provocado isso? Um Partido comunista, para sercomunista, não pode estar acima do coração e da mente dos homens. Se vamos nosendurecer no coração e na razão a ponto de cultivar uma radicalização que aposta nadesconstrução de nossas subjetividades, em nossa desnaturalização como ser humano enuma guerra aberta até as últimas consequências, então há algo de errado com todos nós. Por isso, venho pedir que encaminhem um documento de rompimento político interno àcoligação na proporcional e majoritária (evitando a "queimação" do Partido e, como efeito, oaproveitamento pela direita local e até por fanáticos de extrema-esquerda, como o PSTUestadual, que aposta na nossa divisão e desestruturação a partir de Paulista). Peço que seabstenham de combater e desconstruir a candidatura que é do Partido "na prática eformalmente", além de extrapolar o mesmo. Peço ainda que, a esta altura, não queiram exigirque o camarada Luciano recuse o apoio material da campanha, já impresso e entregue. Seriauma grande hipocrisia política da nossa parte essa espécie de "pogrom", interna eexternamente ao Partido. Assim peço porque, a despeito de falhas e erros, o camaradaLuciano, como a identidade militante do PCB mais evidente na cidade, merece ser preservado.Mesmo se não fosse por isso, ele merece ser preservado como pessoa. O grande e imortalGregório Bezerra não tinha ódio sequer dos seus algozes torturadores, por que parte dosdirigentes do Partido está cheia de ira para com o camarada? O que está havendo? Busquemanalisar as questões com frieza, pesando o lado do Partido e o lado do homem. Somentepartidos fascistas pretendem que o homem está abaixo da instituição. Um Partido comunistacomo o PCB pretende que o homem seja o Partido, e vice-versa. Sejam serenos. É o quepeço.Roberto NumerianoAssistente PCB-PaulistaRecife, 04 de setembro de 2012 17
  18. 18. disso, afora o ato de desobediência (ninguém aqui iria negá-lo), a companhiaseguia defendendo as bandeiras de luta programáticas do Partido. Em finais deagosto, durante reunião de militantes da campanha (em local público, tambémcom a presença de militantes institucionais), três dirigentes municipais seaproximaram da roda que discutia as tarefas e ficaram policiando a discussão,em atitude intimidatória, como se fossem esbirros da antiga ditadura militar.Não falaram nada, apenas vigiavam para depois, quem sabe, punir. O que éisso? Essa foi a primeira vez que o Partido me provocou medo (e eu nemestava lá, pois se estivesse enxotava-os). Também jamais vi no Partido esseafã de punir, com rigor inclemente, um dirigente até ontem exemplar. Depoisdisso, impossibilitados de "detonar" a candidatura legalmente, alguns dessesse passaram para pedir, por mensagens, contatos telefônicos e pessoais, quenão votassem em Luciano, pois o mesmo iria ser expulso do Partido. Não épossível considerar isso normal, pois no fundo é expressão de ódio. Emessência, o nome dessa doença é patrulhamento fascistóide, o mais letalvírus que o ultra-radicalismo inocula num organismo político. Qual é opróximo passo? Uma polícia fardada vermelha para os períodos eleitorais? O rigor penal periférico era, é claro, efeito de uma sanha punitiva quejamais observara no Partido, em muitos anos de militância.9 Por isso, foi semsurpresa que, já no fim da campanha eleitoral, exatamente no dia 01/10/12, ozeloso "espião" do Partido copiou um post no meu facebook e informou à CPN.O post era o compartilhamento de um evento de candidato do PT à prefeiturado Paulista, Sérgio Leite, e veio como anexo a um email da Secretaria Nacionaldo Partido, com cópia para o camarada Aníbal, criticando-me e cobrando-meexplicações, pois, a despeito de eu ter informado que, a partir do dia 08/10,renunciaria oficialmente às minhas funções dirigentes no Partido (e solicitadoque não mais enviassem para o meu email correspondências oficiais), eu aindaestava sob o princípio do centralismo democrático como "filiado" etc. Emconversa telefônica com o Aníbal, no dia 02/10, informei-o que, ainda no inícioda campanha, postei a informação que usaria o meu facebook pessoal para9 Este e o parágrafo seguinte foram redigidos no dia 02/10. 18
  19. 19. divulgar a campanha (e na ocasião pedi a compreensão daqueles meusamigos que não gostam de política e/ou não achem correto usar o espaço paraesses fins). Assim fiz. E somente após me desligar previamente das trêsinstâncias do Partido é que postei o referido evento. Na verdade, eu já era, defato, um ex-militante do PCB (embora, de direito, ainda fosse, pois apenas nodia 08/10 a minha carta seria enviada às três instâncias). Estava sob duascondições: de ex-dirigente e ex-militante ainda não oficializado, e de candidatoda Frente de Esquerda. E foi sob essa dupla condição que divulguei o evento evinha apoiando a luta do candidato Luciano Morais em Paulista, sob o mesmofundamento político que me fez escrever este ensaio: defender o que consideromelhor para o Partido e a luta dos trabalhadores. Sem dúvida, feri formalmenteo centralismo democrático (definam o "delito" e decidam qual "pena" deve amim ser imputada), mas esse mesmo rigor, eu, como filiado, exijo sobretodos os que, no Partido, em Pernambuco ou além, são omissos,diletantes e desidiosos em relação às tarefas partidárias cotidianas(eleitorais ou não), pois o centralismo não existe para ser brandido comoaçoite nas costas de "filhos desobedientes". Parem com isso! Quem vocêspensam que são e o que querem fazer com o Partido de Gregório, Prestes eMarighella? Um ajuntamento de pobres diabos amestrados? Esse deslavadofarisaísmo, longe de "enquadrar" quem quer que seja, na verdade põe oPartido numa puída camisa de força! Se querem a “lei” e a “ordem” para criar o sentimento de disciplina ehierarquia sobre pessoas e/ou coletivos, é obrigatório que os dirigentescentralizem democraticamente tudo e todos. Na prática, tenho visto emPernambuco (por parte de dirigentes), a ação cínica e deletéria de quem émilitante para si mesmo. Não creio ser difícil encontrar, Brasil afora, esse tipode (falso) militante pecebista: se esses tipos não “perturbam” a boa ordemilusória, ainda que na prática vivam a descumprir suas obrigações partidárias,não há nada a temer.10 Aliás, temos visto cobrança apenas sobre quem se10 De um desses casos, praticado por membro do CC, fui testemunha: na ocasião em que oComitê discutia se apoiava a candidata Dilma Roussef no segundo turno das eleições de 2010,o mesmo defendeu publicamente pelo voto na candidata do PT (posição por fim vitoriosa na 19
  20. 20. mobiliza e afagos em parasitas políticos.11 Se querem um aggiornamento noPartido, então comecemos pelos quadros dirigentes diletantes, livrescos,preguiçosos, pernósticos, ególatras e omissos. Se querem fazer do PCB umpartido datado, habitando um limbo político-ideológico, então permitam queesses tipos e seus perfis intratáveis sejam a expressão da alma do Partido.Serão perfeitos soldados da tática suicida.votação final, sob um canhestro argumento "político" de "apoiar Dilma nas urnas e ser contra ogoverno nas ruas" ), mas já no hotel esse dirigente declarou, diante de mim e de outro membrodo CC, que ia votar nulo. Aliás, o PT da então candidata Dilma não é o mesmo PT do entãocandidato Sérgio Leite, em 2012? Mudaram os costumes ou mudei eu? Certo, alguém aqui vailembrar das resoluções de 2011 que definiram coligações prioritárias com o PSOL e o PSTU.Certo... e passados dois anos nós, sem transigir sobre cada realidade e sem levar em contamediações de variadas espécies no mundo concreto da luta de classes; nós, agora, vemos oPT como um todo homogêneo e essencialmente "reacionário" em qualquer rincão do país? Ésimples, assim? É assustador como, nos últimos anos, a nossa política prática, longe de sefortalecer coerentemente, tem sido em essência a expressão de ziguezagues táticos menospragmáticos do que oportunistas.11 Esse é um dos “efeitos gerenciais” típicos nas instituições engessadas e burocratizadas,partidárias ou não. 20
  21. 21. Duas Derrotas O que fundamenta a resolução jacobina é a alegação de que asResoluções do IV Congresso Nacional e a Conferência Política Nacional (denovembro de 2011) restringem o campo de alianças com o PSOL e o PSTU,cabendo o exame das exceções por parte de um coletivo especialmentedesignado (nestes casos, sempre a CPN). Logicamente, vetou qualquercoligação com partidos como o PSDB, DEM etc. Perfeito (não estamos aqui,em nenhum momento, questionando o acerto dessa decisão em si, embora, nocaso do PSOL e PSTU e de qualquer partido que exista ou vá ser criado nocampo da esquerda socialista, acredito que seja precipitado decidir, como sefossem "contratos de namoro", alianças político-eleitorais em resoluções deconferências e / ou congressos). Em muitos casos, Brasil afora, o PSTU, porexemplo, é o exemplo de uma "companhia" pública que nos lembra aquelasábia sentença popular: "Antes só do que mal acompanhado", tal o perfil e aimagem que esse partido disseminou na esquerda socialista e sociedade emgeral. Já o PSOL, por outros motivos, também merece uma análise pelo fato depossuir grupos com a mesma arrogância político-ideológica do PT das origens -que nos anos 80 e 90 cresceu no vácuo deixado pelo PCB fazendo uma críticade direita ao "socialismo real". No caso específico de alguns dos grupospsolistas, podemos identificar elementos desse defeito genético petista quereeditam práticas e discursos hegemonistas e vanguardistas. É até naturalesse comportamento de afirmação adolescente, pois o PSOL, acredito, aindaestá processando a morte ritual do seu "pai" político-ideológico, o PT. De todomodo, os militantes do PSOL são fundamentais aliados na luta pela construçãode blocos sociais e populares, em termos gerais e específicos. Aliás, se a lutade classes, nos próximos anos, reagendar as disputas político-eleitoraistambém num eixo ideológico mais aberto (ainda que não necessariamentenuma perspectiva revolucionária), dependerá muito das opções táticas do PCBe do PSOL, bem como do encaminhamento prático dessas opções, ocrescimento e fortalecimento dos dois partidos como atores fundamentais naliderança dos trabalhadores e do povo brasileiro nesse processo. Se a tática 21
  22. 22. não se faz revolucionária, o socialismo será sempre uma eterna miragemestratégica. Iniciado o processo eleitoral, a CPN arrogou a si as análises e decisõessobre cada caso, determinando quais alianças proporcionais e majoritáriasdeveriam ser homologadas ou indeferidas. No caso de Paulista, num primeiromomento, foram elencadas, numa resolução da CPN, determinações diversaspara o CR/PE atender. Estes e outros encaminhamentos são do conhecimentode todos (a nota pública do PSTU estadual, provocadora e desonesta, a notapública do CR/PE, em resposta, a resolução jacobina da CPN, proposta pelosecretário-geral, e, a seguir, a circular da CPN, redigida pelo mesmo e dandoinstruções finais para que o CR processasse o que fora aprovado pela maioriado CC quanto à proposta de resolução, com dois votos contrários doscamaradas Aníbal e Numeriano, e cerca de meia dúzia de abstenções).Estaríamos no melhor dos mundos e em paz com nossa consciência política sea política ficasse restrita ao mundo dos papéis com decisões que imaginam serpossível formatar a luta real e formalizar as relações políticas das entidades emilitantes em si e das entidades e militantes entre si, todas as vezes quealgumas contradições e conflitos ocorressem. Bastaria, sempre, uma canetadae, pronto, a ordem ameaçada estaria restabelecida. Essa presunção autoritária presidiu, desde o início, o processo sobrePaulista e Timbaúba (talvez, aqui, alguém esteja imaginando que nesses doiscasos tínhamos, em essência, o mesmo problema de outras alianças"detonadas" em alguns Estados12, e por isso mesmo nem haveria o que discutir- conforme ficou patente no apoio quase unânime dos membros do CC que sepronunciaram). Mas o fato é que não estamos aqui fazendo a crítica quanto àaplicabilidade ou não da "pena", por analogia, nos termos de uma supostahermenêutica legiferante da vida partidária. Isso foi o que fez o CC aoembarcar na radical proposta de resolução ultra-radical do secretário-geral. Oque estamos a discutir e criticar é o vezo de interpretar, por um viés integrista e12 E com que orgulho essa palavra pretensiosa, "detonadas", foi escrita em alguns emails,traduzindo nossa ilusória "potência" e "controle" da situação, bem ao estilo judicializante eformalista de tratar a política pelo viés radical. 22
  23. 23. ultra-radical, a decisão de um coletivo que, de modo acertado, ponderado oquadro geral e a dinâmica da luta e dos atores envolvidos na disputa político-ideológica e eleitoral local, buscou o melhor para a luta do Partido e suamilitância no que concerne aos desafios políticos e sociais nesses municípios,sempre em consonância com a política geral do Partido para a classetrabalhadora. Esse todo foi percebido ou somente foram vistas algumasárvores dessa floresta? Até soubemos, em comentário aparentemente jocoso do secretário-geral, feito ao camarada Aníbal, que alguns camaradas de Pernambucoestavam pretendendo, com a resistência, imprimir ao todo nacional uma "visãopernambucana". O camarada exagerou o nosso objetivo (apelando, para variar,para o formalismo da resolução numa perspectiva menos política do quejurídica), e tangenciou o que realmente estava e está em debate: a nossacrítica a uma interpretação integrista da tática (implicitamente entendida aquicomo um objeto, estático no tempo e espaço) e a sua transformação emdogma de fé. Na verdade, tudo somado, vimos o inverso daquilo do quefomos "acusados": a redução de todas as partes (e suas contradiçõesimanentes à dialética) ao todo absoluto da forma. Nessa presunção, quetrai uma perigosa concepção política reificadora sobre a realidade políticaem si contraditória, não cabem mediações político-ideológicas denenhuma espécie. Sob essa concepção integrista, o contraditório político,diante do formalismo encarnado pela maioria de um CC judicializador dapolítica partidária, sequer tem espaço para gerar um debate antitético,democrático e plural em sua natureza, para além da consulta que (a rigor, nostermos desse processo e prática judicializante, nem precisava ser feita, poistodos já sabiam / sabem o que votar, segundo esse cânone de um coletivo quequer fazer política para além do mundo concreto; um mundo hegeliano dogrande espírito demiurgo sobrepairando o Estado, quem sabe). Não é por acaso que parte significativa da atividade política dosecretário-geral tem sido dedicada, nos últimos anos, a apagar incêndiospolíticos que costumeiramente sacodem os coletivos mais orgânicos e críticos: 23
  24. 24. como árbitro, faz aqui e acolá arranjos políticos.13 Seriam as dores do parto deum partido que se projeta grande, destinado à conquista do poder político? Nãoé o caso, pois o que temos sofrido é a gestão política de crises internascontínuas e sistêmicas, e que já são funcionais e orgânicas à política partidáriapor dentro e para fora de suas estruturas. Por isso mesmo, aos poucos e demodo irrecorrível vemos como que uma prática política "amestrada" econformada segundo a leitura integrista (sem dúvida, uma relação causalobjetiva, cuja provável síntese dialética será a configuração de um partidoengessado e reacionário à esquerda). Maldita realidade que não se encaixanas nossas formulações! Nessa presunção, ultra-radical e farisaica,demarcamos um mundo ideal à esquerda, e nesse espaço estabelecemos aarena única e possível para travar o combate político-ideológico por nossasteses congressuais. Na prática, essa presunção, porque estreita e autoritária,amordaça-nos e nos isola, e tendencialmente vai nos transformar numa seitapolítica fundamentalista, como é em essência o PSTU. É a derrota da dialética. Vamos supor que tivéssemos, em mil municípios brasileiros, milEdvalmir Carteiro com chances muito fortes de serem eleitos. E ainda quetivéssemos, em outros dois mil municípios, dois mil militantes como ocamarada Luciano, também com fortes chances de serem eleitos para aCâmara. Mas vamos extrapolar: vamos imaginar o mesmo para cinco, trinta oucinquenta deputados federais, e que em todos esses casos tivesse ocorrido omesmo que ocorreu em Paulista e Timbaúba (o "espião" oficial teria umtrabalho gigantesco para informar a CPN). O que faríamos, então? Em nomedo culto da ilusão das formas, dessa estreiteza da dimensão formal (quepretende formalizar / judicializar a dinâmica dos embates políticos no seio doPartido, manietando as instâncias com altissonantes resoluções, circulares etc,as quais parecem querer traduzir um sentimento de potência para instituir umaordem perfeita), em nome "disso tudo" deveríamos, obrigatoriamente, indeferir13 Uma atividade que deve orgulhá-lo, sem dúvida, mas que em essência mostra como oPartido (apesar de estrutural e ideologicamente negar o politicismo e a forma burguesas daprática política), reproduz em sua dinâmica política o apelo à voz da autoridade e aoformalismo judicializante das relações. 24
  25. 25. dezenas de candidaturas para nos encaixarmos no dogma da forma e escapardo auto de fé. Perguntem à cúpula dirigente nacional do PSOL se ela faria omesmo. E também ao PSTU (pois nem esse partido, de caráter ideológicomistificador), é um inexpugnável monólito político-ideológico, como tentaparecer).14 Se a resposta à pergunta for, majoritariamente, positiva, então o Partidocorre um sério perigo, pois, para além de eleger, em "chapas puras" deesquerda ou com legendas mequetrefes e de aluguel, alguns poucoscandidatos, estará sempre restrito ao espaço dos votos acabrestados àesquerda (no caso em que tivéssemos nomes com clara e forte liderança namassa para obter voto ideológico), disputando sempre até 2% do eleitorado emcada Estado e município (que é a média consolidada da esquerda socialista). A vida viva da luta político-ideológica não pode ser formatada por ideais(ainda que coloquemos nele o carimbo de "revolucionário") políticos de umailusória "vontade de potência". A formalização das relações políticas sobeixos interpretativos ultra-radicais é, ontologicamente, um desvio doorganismo político comunista, que tende a operar um fechamentoprogressivo do diálogo político por dentro e para fora do Partido. Emtermos práticos, esse desvio tende a isolá-lo até o limite esquizofrênico de falarapenas consigo mesmo (e, de dentro de uma camisa de força), sair às portasde fábricas e nos guias eleitorais com mantras politicamente estúpidos eideologicamente reacionários no campo da esquerda, como temos visto. É aderrota do Partido.14 Aliás, hoje raramente ouvimos o bordão "revolucionário" com o qual queriam fazer tremer aburguesia brasileira. Será que o PSTU está se "aburguesando"? 25
  26. 26. Acima do Bem e do Mal O fato de aludir ao CN e resoluções x ou y para justificar decisõesparece-nos uma saída fácil, no caso em tela. Nos dispensa do exame danatureza do fato político ou, como parece querer a justificativa burocrático-formal constante da resolução jacobina, quer nos convencer de que a decisãoradical é legítima em si mesma. Na verdade, tal decisão é o modelo formal deuma percepção estreita da política real, em termos teóricos e práticos (e daínos parecer um "porto seguro" no qual nos refugiamos contra o mau tempo daluta e na luta). O mundo burguês é mal, neguemos o mundo! O nosso mundo éperfeito, façamos com que a realidade das ruas, fábricas e campo nele seencaixe! Entre o CN, a Conferência Nacional e o período eleitoral o mundo dosconflitos político-ideológicos parou? Não há nada a transigir? A revolução nosespera logo ali, pura e cristalina, sem vieses e contradições? Seremos dela avanguarda que vai chegar ao poder sem pecado na concepção? Por maisavançadas politicamente que tenham sido (e continuam sendo) as resoluçõesda Conferência, tais decisões não podem pretender bloquear / cercar asdinâmicas da luta de classes (em arenas político-eleitorais ou puramenteideológicas, como objeto de debate teórico), que é o que temos visto por essaótica mecanicista predominante no Comitê Central. O Partido não pode se pretender profeta acima do bem e do mal dostempos, erguendo-se, como se fosse possível, acima do real da luta de classese algumas de suas condicionantes objetivas. Isso é para instituição religiosafundamentalista. O Partido não pode recusar eleger lutadores sociais aosparlamentos porque, em dados momentos e ambientes, somou-se a umacoligação, sem que disso pudéssemos ter o controle, uma legenda que naquelelocal é só um Partido cartorial, "de papel", ainda que de direita. Desde quandouma coligação desse tipo e formada sob essas condições significa negar aagenda político-ideológica do Partido? E desde quando uma coligação com oPSTU e o PSOL será / seria recomendável "em si mesma"? Quem não sabeque, em um número considerável de casos, coligações com esses partidos sãoquase sempre travadas por disputas de ninharias de poder motivadas pelo 26
  27. 27. personalismo e arrogância de quadros, vanguardismo e messianismo dospartidos, além propriamente da irracionalidade política?15 Quantas coligaçõespolítico-eleitorais foram feitas, em nível municipal e estadual (sem falar napéssima experiência da disputa presidencial de 2006), e que, na prática, nãopassaram de "ajuntamentos" de partidos, com seus militantes, em boa parte dotempo, cuidando de apagar ou propagar conflitos na fogueira das vaidades emtorno do nada? A arrogância e presunção desse gesto são espantosos. É como sequiséssemos zerar a luta de classes a priori, sob a sua forma político-eleitoral.Talvez haja quem imagine que esse será o "preço a pagar" pelo Partido,inicialmente, até que a boa nova do evangelho sem mácula seja ouvida pelasmassas. Talvez imaginem ser possível repetir a história, qual PT das origensredivivo, mas seguros de que não nos desviaremos do caminho na marchabatida até ascender ao poder máximo revolucionário. É como se existisse emum, por assim dizer, inconsciente coletivo partidário o desejo não confesso deseguir o modelo petista dos primeiros anos, e, em essência, reeditar, sob aforma "comunista", a estratégia da revolução democrático-popular esgotadapelo PT no poder, em forma e teoria. Idealizam, pois, os processos políticosconcretos, e daí conceberem a operacionalização da tática conforme a própriaconcepção não dialética da mesma. Sob essa leitura do já conhecido "esquerdismo" (esse mal perene quesempre trai nossos complexos ideológicos burgueses ainda não debelados emnosso ser político e social), forma e conteúdo se encaixam perfeitamente para"traduzir o real", como se este fosse uma caixa de lego de um mundo políticoinfantilizado. Essa política do gueto recusa o teste dialético que exige todaformulação tática praticada verdadeiramente, sob as pressões, armadilhas,contradições e imposições da luta concreta no campo político, ideológico e15 Há uma certa pretensão ingênua do PCB, a respeito dessas alianças táticas, quanto a seconsiderar como "estuário" de mentalidades, teorias, práticas etc., em função dos 90 anos deluta do Partido. No entanto, na luta prática, isso é apenas simbólico, pois nos arranjos pré-eleitorais e noutras lutas o que fundamenta a ação de cada partido com o qual dialogamos éobter a maior vantagem possível para a sua agenda política, ideológica e eleitoral.Pragmatismo político é irmão gêmeo do protagonismo social. 27
  28. 28. eleitoral. A tática sob a mordaça integrista é um jogo de soma zero entre oPartido e o mundo real da política, no qual, ilusoriamente, não perdemos nada.Não é por acaso que sob essa interpretação da tática, vista / concebidacomo um ente inerte ou estático, o efeito concreto do integrismo éparalisar / bloquear, num primeiro momento, a atividade prática dapolítica (sendo a paralisia eleitoral apenas um efeito secundário), e, numsegundo momento, conformar / amestrar a formulação teórica (sendo oamestramento do dissenso um efeito secundário do esvaziamento dacrítica). A tática só pode ser experimentada de verdade no mundo dascontradições concretas, em nós (já na nossa subjetividade de ser político e serhumano, unidimensionalizado), no organismo partidário em si, e do mesmoorganismo em sua relação dialética conosco. O espaço de tempo entrecongressos é de transigir, essência da política per se, sob a mesma liberdadedemocrática de períodos de consulta coletiva. Fala-se muito que o materialismo dialético e histórico é um métodocientífico. Sem dúvida, para mim é o mais robusto método científico até hojeconcebido para apreender a realidade. Por isso mesmo, as teses concebidaspelo coletivo comunista devem ser objetivamente (e não idealmente)experimentadas nas ruas, pois não foram / são formuladas para aguardar opróximo congresso e o coletivo dar outro passo, se negadas algumaspremissas das teses congressuais. Se assim imaginarmos a esfera do político,em breve vamos ter um Partido transformado em academia de Ciência Política(bem ao gosto de alguns "militantes" de cultura política livresca, que na práticatransformam o PCB em grêmio lítero-recreativo).16 Um aspecto que pode ser deduzido desse afã de afirmação jacobino é oretrato que fazemos de nós mesmos. Parece-me que a grandeza do passadorevolucionário do Partido contamina esse auto-retrato, em termos político-ideológicos. Nos erigimos como símbolos para consumo de nós mesmos. É16 Conhecemos um "exemplar" que é a quintessência dessa militância de gabinete, pois adoraouvir a própria voz e concebe reunião como um momento de "despacho" de ofícios, circulares,comunicados, propostas de Ativo disso e daquilo etc. Terminada a reunião, é o primeiro a nãose mexer no mundo real da luta. 28
  29. 29. como se estivéssemos sempre a olhar a nossa história e os seus grandesnomes, e daí, para além da necessária emulação dos seus feitos,precisássemos evocá-los sistematicamente, num culto quase nostálgico.17 Aomesmo tempo "personalizamos" os feitos dos nossos grandes nomes (comoum Prestes ou Gregório), que tinham a exata dimensão de que compunhamuma batalha coletiva pelo socialismo, e não se enxergavam na lutaparticularizados. Mas o fato é que os nossos heróis revolucionários precisamde uma "morte" política. É preciso encarar a necessidade de "matarritualmente" nossos pais políticos. Eles próprios, bons revolucionários queeram, não gostariam de um Partido no eterno retorno que significam osmesmos paradoxos e os velhos impasses entre o que teorizamos e praticamos.Não podemos falar em reconstrução e repetir visões / comportamentos quemais à frente exigirão novas reconstruções. Precisamos fazer o luto político dosnossos mortos, assim como dos elementos teóricos pequeno-burgueses aindaaferrados no nosso ser político. Eles não devem nos pesar para além do tempode suas lutas. Não é natural e normal o PCB viver a gestão de eternos conflitos que aofim e ao cabo transformam-nos num clube fechado em si, com bons camaradasenvelhecendo entre bons camaradas.18 Essa é a cultura política de fanáticos efariseus do esquerdismo de mesa de bar: projetar a grande revoluçãoredentora, formular a tese decisiva, definir a tática mais abrangente e depois,sem saber pensar e agir no mundo político, econômico e social concreto, da"insustentável leveza do ser", dar de ombros e apostrofar contra tudo e todos.Somos "profetas" e desejamos, no íntimo, pregar sempre no deserto? É isso?Queremos o "homem novo", quase o "homem santo" social, e sequer somos17 Isso talvez explique porque há no Partido uma espécie de "cultura militante livresca": temostanta riqueza teórica e acervo de lutas que essa cultura (hipervaidosa e ególatra, comumsobretudo em alguns intelectuais orgânicos) nos paralisa num "encantamento" que nos fazparecer maior do que somos.18 De fato, estamos ficando, cada vez mais, vetustos e ensimesmados militantes: os anospassam e não temos visto um aumento qualitativo e quantitativo da militância e de suaprodução / intervenção nas entidades (associações de trabalhadores, de moradores,sindicatos, movimentos sociais etc), nos órgãos públicos (em nível municipal, estadual efederal), e empresas privadas. 29
  30. 30. capazes de entrar no templo para derrubar a ordem política burguesa, podre ecorrupta. Esses pudores políticos (baseados, na verdade, em falsos princípios,dado que seus "fundamentos" são apenas a forma e a aparência dosprocessos políticos e sociais), não seriam a expressão politicamente maishipócrita e refinada de fazer o jogo do ostracismo, do isolamento? Somos umpartido comunista em abstrato, no sentido de incapaz, entre a formulaçãotática e estratégica, ver o homem todo e todo homem? Seríamos cultoresinconscientes, na verdade, de uma “clandestinidade oficial”? O fato é que nospretendemos científicos e objetivos na análise do real, mas em geral nãoconseguimos apreender as subjetividades dos próprios processos políticos esuas condicionantes ideológicas e sociais. Por que, finalmente, nãoconseguimos "materializar" a pragmática dessa política e ideologia como elasde fato são para, a partir daí, inverter sua lógica e reverter a hegemoniaburguesa nessas duas dimensões? Com muita honra e orgulho cultuamos nossos heróis comunistas, osquais são, sem dúvida, heróis da classe trabalhadora brasileira. Mas, em vida,costumamos crucificá-los. O fato é que um partido comunista revolucionárionão deve prescindir de heróis, e, sim, de homens comuns com aspiraçõescomuns de um mundo justo, solidário, fraterno - um mundo socialista paratodos. O camarada Aníbal, naquele dia fatídico (pelo menos para mim) emTimbaúba, chorou quando o camarada Edvalmir Carteiro aceitou a tarefa quelhe restara cumprir depois de ser atingido mortalmente pela onipotência eonisciência da resolução: seguir candidato com chance quase nula de sereleito. Fomos, a rigor, levar a corda para o camarada se enforcar eleitoralmente(tarefa que, prometi a mim mesmo, jamais voltar a cumprir). Não por acaso,Aníbal chamou o gesto de heróico. Contudo, se esse heroísmo emula a lutapelo socialismo "em geral", ele é sempre um símbolo em si e para si. Servepara evocar a perenidade de nossa luta em eventos que em dadas situaçõesassumem um ar de "missa comunista", que presta um justo e belo culto àmemória dos que se foram - ainda que tenhamos, em algum momento, 30
  31. 31. crucificado politicamente alguns desses grandes camaradas. Concretamente, aordem significa que, em nome de uma pretensa "moralidade dos princípios" (naverdade, um moralismo político ou uma política moralista na essência) nãodevemos eleger vereadores, deputados, senadores etc. em circunstâncias quenão sejam as "ideais". Deixemos, pois, que a máquina-mundo do sistema esuas contradições "naturalmente" criem as condições objetivas e subjetivaspara elegermos centenas de parlamentares comunistas revolucionários. Daíserá uma questão de tempo a viragem revolucionária. No PCB, há muitos anos, as lutas eleitorais têm significado ritosfúnebres, com boa parte da militância passando em casa a morbidez de nossalenta morte eleitoral. Se isso também não for sinal de definhamento social epolítico do Partido, formulem uma explicação que nos convença do contrário.Esse quadro é, de fato, nacional, até onde pude acompanhar os dados sobrecomo o Partido desempenhou-se nas eleições de 2008 e 2010.19 Não há, a rigor, efetivo empenho político-eleitoral do Partido, em termosorgânicos. Entramos nas eleições para perder duas vezes: a eleição“burguesa” e a eleição para nós mesmos, quando nos negamos, na prática, adisputá-la seriamente. Quase sempre, onde há engajamento, este é efeito depouquíssimos abnegados. Em muitos casos, sequer organizamos, em termosmínimos (logísticos, operacionais etc) uma campanha que mereça o nome decomunista, no sentido que a palavra possuía nos velhos tempos, provocandoum bordão até hoje lembrado no país: “(...) é mais organizado do que o PartidoComunista”. A cultura política hoje dominante no Partido só por exceção leva asério uma disputa eleitoral (mesmo quando emplacamos chapas puras), e essaatitude já é, por assim dizer, naturalizada nos militantes.19 Recuando mais no tempo, não foi diferente nas eleições de 2006, 2004, 2002, 2000... E issonão pode ser creditado ao já longínquo efeito do liquidacionismo da quadrilha de Freire, em1992. Como é possível um partido político não discutir as suas graves debilidades eleitorais empelo menos uma década e meia? Até quando sua direção ficará imputando essa fraqueza àscondições objetivas e subjetivas, e, ao mesmo tempo, vai encenar um desprezo às "eleiçõesburguesas" como se isso fosse exercer sobre a militância algum de tipo de pedagogia políticarevolucionária? Não somos "invisíveis", na essência, por conta das distorções do processoeleitoral, mas porque, antes de tudo, somos invisíveis para o trabalhador, a massa deestudantes, os desempregados etc. a partir de nossas próprias deficiências de organização eresistência a essa mesma "eleição burguesa". 31
  32. 32. Ainda no período eleitoral, li, por parte de um candidato nosso avereador, um desabafo público resvalando em preconceito contra astendências eleitorais conservadoras do povo, segundo o mesmo. O desabafo écompreensível, sem dúvida, tal o estado de alienação, embrutecimento ereacionarismo social e político-ideológico que envolve grande parte dostrabalhadores formais e informais, e o povo como um todo. Mas é essa gente,justamente, que devemos buscar/conquistar para a causa, fora e dentro dosprocessos políticos concretos, eleitorais ou não. Pretendemos construir umafrente de massas gigantesca, anti-imperialista e anticapitalista, mas o nossopuritanismo político pequeno-burguês vê, no encaminhamento tático dealgumas disputas, um pecado mortal e logo sacrifica, num auto de fé, seuscordeiros caídos em pecado. Concebem a frente como uma onda diluvianapurificadora que vai engolfar os movimentos sociais e populares, os sindicadose federações de trabalhadores, os parlamentos, a política e os homens comoum todo, e por isso qualquer mediação é anátema, é uma ameaça ao sonhoonde só falta a realidade se encaixar. Parece que, no fundo, além de quererheróis, sonhamos criar santos comunistas para uma política santa.20 O povo éo nosso objeto do desejo só nos termos e forma como ele cabe na nossafantasia de poder? A tática é um credo? Se assim fosse, a Grande Revoluçãode Outubro jamais teria saído dos projetos, pois para a maior parte dosbolcheviques a luta se esgotara na revolução de fevereiro. Foi a críticaimplacável da tática vista como um dogma que impulsionou uma parte doPartido de Lênin a apontar a luta aberta pela instauração do regime socialista.Mas o fato é que, por essa via integrista, não estará no nosso horizontenenhuma Grande Revolução de Outubro, senão a fase do terror jacobino da20 E não posso deixar de comentar, aqui, algumas fotos do facebook sobre nossas campanhas,Brasil afora. Valorosos e dignos camaradas, sinceros e empenhados comunistas, aqui e ali,numa rua ou praça, com uma barraquinha, bandeiras e panfletos. Fiz o mesmo durante minhamilitância por 14 anos, sobretudo nos últimos quatro anos. Mas o que sinto é que nunca fomostão solitários diante dos trabalhadores e da população em geral. Da mesma espécie de solidãodesses evangélicos rouquenhos e seus megafones nas praças. E não é porque somos dois outrês panfletando nos espaços públicos, é porque o nosso contato real com o povo nem se dánas eleições, nem se concretiza no local de trabalho, na escola ou universidade, no local demoradia. Somos anônimos nas ruas porque somos anônimos nos nossos próprios ambientes.E ser anônimo política e ideologicamente é tudo o que um comunista não pode ser. 32
  33. 33. Revolução Francesa, com as cabeças a rolarem aqui e ali, internamente aoPartido, até que restem apenas os que "entenderam" a "boa nova" desseevangelho do esquerdismo infantil. * * * Desde 2008, tenho lido muitos artigos e ensaios sobre a crise docapitalismo. A maioria desses textos deixa aflorar um “sentimento de profecia”nas entrelinhas, quanto a uma possível crise propriamente revolucionária pordentro da crise estrutural capitalista. E o que percebo é que lemos essa crisesob uma perspectiva política, por assim dizer, inercial. Em outras palavras, acompreensão desse processo econômico, social, político e ideológico seria nostermos da dinâmica de movimento de um objeto ao qual nos acoplamos para“cavalgá-lo” (sob a ilusão de que vamos ter as rédeas do processo só porqueentendemos sua natureza). Doce ilusão revolucionária! Na história dospovos, nenhuma viragem revolucionária se deu sem uma práticaefetivamente destrutiva / desconstrutiva (na forma e no conteúdo) depráticas e mentalidades de direita por parte de forças de esquerda, apartir, sobretudo e fundamentalmente, da ação política e social no ambiente detrabalho, escola, universidade, associações, órgãos governamentais, enaqueles clássicos locais de conflito (parlamentos, poderes Executivo eJudiciário). E é isso o que o PCB recusa fazer, na prática, com sua pregaçãoapostólica que demoniza, em tudo e por tudo, as "eleições burguesas". Não podemos imaginar a revolução como o retorno de Dom Sebastião,tampouco idealizar o processo da crise e nos propor / impor gigantescastarefas (frentes anticapitalistas e anti-imperialistas), como se estas fossem doiscavaleiros do Apocalipse para domá-lo – se não sabemos sequer nos situar,em termos táticos, no enfrentamento objetivo de tarefas básicas na guerra deposições que é o formato essencial da luta de classes no país. Uma dessastarefas é, simplesmente, saber ganhar eleições lutando, sendo necessário eincontornável, sob os termos e regras do jogo impostos dentro dessa gargantade dragão que é o politicismo liberal. Ao que parece, essa tarefa seria, além de“reles” ou “menor”, política e moralmente inconcebível, até porque está logo ali 33
  34. 34. a revolução redentora para expurgar da face da terra todo o mal político quenos assola. Mas aqui ficamos nós nos considerando “estuário” da luta etradição socialista revolucionária. No entanto, estuários também secam. E éjustamente isso que temos visto em geral no Partido: pouca vibração militante,inexistência de um projeto de poder político e social (falo de algo factível,calcado nas condições concretas do atual estágio da luta de classes, e nãopropostas de “assalto aos céus”) e inapetência de muitos quadros dirigentespara organizar e liderar as lutas gerais e específicas do Partido. 34
  35. 35. 35
  36. 36. A Tática Como um Mecanismo A nossa crítica à tática não se restringe à interpretação integrista peloCC sobre os casos referidos. Há, também, uma interpretação mecanicista datática no nível operacional, no modo como prioriza coligação com o PSOL e oPSTU (atenção: não estou nem nunca estive contra essa priorização em si,devo avisar antes que comece a lapidação pública). Aqui, a interpretaçãomecanicista é, por assim dizer, funcional à idéia menos política do quepragmática e instrumental de uma "naturalização" político-ideológica do papeldesses partidos na revolução brasileira. Essa apreensão naturalizante do papeldo PSOL e PSTU é em si uma reificação e tem por efeito condicionar sobamarras (pois tudo é um absoluto ideológico de fundamento mecânico) a nossaprópria operacionalização da tática. E porque nossa pragmática darevolução, sob esse molde formalista / integrista, nos leva a radicalizar avisão do processo, a tática, sob esse esquerdismo com nuancesmessiânicas, transforma-se num taticismo de esquerda (curiosamente, ea dialética do processo explica isso, em essência semelhante ao taticismode direita do PCdoB). As pontas político-ideológicas ultra-radicais,finalmente, tocam-se. * * * Um comunista deve ter particular cuidado sobre todas as formas devigiar e punir, sobretudo se tais formas e meios se travestem naturalmente emprática de "gestão" partidária. A democracia e a transparência radical quepostulamos para a sociedade deve ser princípio na vida do Partido. Não somosum coletivo no qual se diluem os limites de cada subjetividade e do respeitomútuo para alguém, equivocadamente, erigindo-se em censor vigilante, aqui eali colocar sob suspeição a autonomia e desqualificar a iniciativa política dasinstâncias. Seria ótimo se tivéssemos dezenas dessas sentinelas indormidas acatar, Brasil afora, notícias das lutas dos trabalhadores, desempregados,homens e mulheres do campo, e informassem a quantas anda a participaçãodos comunistas do PCB como ativistas dessas lutas. Na luta de classes, aúnica vigilância legítima é sobre o adversário de classe, travestido ou não em 36
  37. 37. político liberal. Não vamos fazer avançar a luta e fortalecer o Partido porqueestamos travestidos em duros e inflexíveis soldados da causa. Além dainterpretação integrista e mecânica da tática, seremos agora"institucionalizados" organicamente, coisificados, emasculados; nostransformaremos numa engrenagem que, bem lubrificada, vai ajudar no partode uma revolução de máquinas? A visão estreita provocada por essa interpretação jacobina da tática fazaflorar no Partido alguns preconceitos políticos de caráter burguês, os quaissão quase uma "reação alérgica" do organismo partidário a uma invasão ouameaça à sua sanidade institucional. Um desses preconceitos é clássico: trata-se, relativamente à forma, da nossa visão quanto ao papel do parlamento nademocracia burguesa; na essência, trata-se de como concebemos ademocracia como valor em si, mesmo na sua dimensão formal. É como se ademocracia formal, uma vez dela participando, inoculasse em nós umaincurável doença auto-imune. É sintomático que o esquerdismo interpretativosobre a tática determine, na prática, que nos isolemos. Essa é a questão quenão ousamos dizer o nome. (Peço perdão, mas aqui cabe, digressivamente,uma análise do problema a partir de um caso pessoal). Ao comunicar, ememail, que renunciaria, no dia 08/10, aos cargos diretivos do Partido (no CC enos diretórios de Pernambuco e do Recife), pedi que não mais me enviassemassuntos internos do Partido (pois não seria honesto politicamente continuarconhecendo questões sobre as quais não mais queria nem deveria opinar),nem considerações sobre minha decisão - tomadas, fiquem certos, comserenidade e racionalmente. Ainda assim, um dirigente do CC fez a respeitoum comentário que chegou a mim (creio que pelo fato de que, àquela altura, oresponsável pela gestão do grupo do CC não ter ainda retirado o meu nome dalista de emails). Pois bem: o comentário era exatamente a expressão dopreconceito que está embutido, sub-repticiamente ou não, na leitura integristada tática. E, como já ouvi e li, parece evocar algo que talvez constitua uma"cultura política" de muitos militantes do Partido, dirigentes ou não, para alémde processos político-eleitorais. Nele, o autor afirma que o "verdadeiro 37
  38. 38. comunista" não se ilude com eleições e "parlamento burguês", que o"verdadeiro revolucionário" não abandona a luta etc. Não seria preciso ler essa arenga tão antiga e seus chavõesdesgastados para saber que semelhante percepção rebaixada sobre a políticaé, além de retórica, imanente à interpretação ultra-radical da tática. Não foi poracaso que, à exceção de dois votos contrários à proposta de resoluçãojacobina (e por motivos diferentes), e dos poucos membros que não votaram(muito provavelmente votariam todos pela aprovação), o CC em pesosancionou-a. Dura lex, sede lex, alguém deve ter se regozijado pela aparentecoesão e unidade em torno dessa "solidez de princípios" na aplicação da tática.Muitas vezes, o radicalismo de um coletivo é a expressão inconsciente dabusca de afirmar uma força e poder que julga possuir, mas que, no fundo,é um mascaramento de suas debilidades e inconstâncias político-institucionais. E daí o velho ataque reiterativo contra o "parlamento burguês"(como se precisássemos de alertas e lições sobre o que ele representa) e às"eleições burguesas" (como se não soubéssemos o que são, em essência).Tomara que tais ataques não sejam o alfa e o ômega dessa pregaçãoapostólica do dirigente. O que temos mascarado é o fato de que nosso preconceito sobre ouniverso do politicismo burguês nos faz refratário, ingênuo e reacionário àcompreensão de suas formas e meios de criar consensos político-ideológicospara legitimar um dado regime e ordem políticas. Temos sido, a respeito disso,essencialmente anarquistas. Não basta apenas recusar "jogar o jogo", tambémé preciso recusar "lutar a luta". É curioso perceber que esse vezo de interpretara tática numa radicalidade de um tempo político que entre nós não érevolucionário parece querer emular os eventos da luta de classes na Grécia.Talvez sonhemos que o KKE esteja diante de um "tudo ou nada" da luta declasses grega, e também queiramos ver no Brasil o Partido numa disputaeleitoral com aquela natureza político-ideológica. Não será exagero dizer quemuitos do atual CC, caso vivêssemos aqueles embates no país, estariampensando já num "todos às armas". 38
  39. 39. Também cabe comentar, aqui, comparativamente, o caso recente dadecisão do comando das FARC-EP, que, no dia 30/08/2012, surpreendeu omundo político com o anúncio da abertura de uma agenda de negociações dasFrentes com o governo colombiano - como todos sabem, a quintessência dapolítica de direita no que ela tem de mais assassina, fascista, corrupta etraidora. Acredito que essa iniciativa nem sequer seria cogitada pelojacobinismo que contaminou a tática do Partido, se o CC fosse desafiado pelapolítica real a discutir o assunto. Quase ouço, neste instante, gente a vociferarque "não é a mesma coisa", que estou "forçando" com este exemplo etc. Éexatamente a mesma coisa na substância ou essência, como queiram, pois setrata de debater a política real e encaminhar racionalmente os interessestáticos e estratégicos dos revolucionários para além da retórica, da propagandapolítica e do campo de batalha (dimensões constituintes da luta de classes quenão esgotam o que é a essência da luta político-ideológica). Imagino até que oprocesso em curso deve ter "decepcionado" alguns dirigentes (não, é claro,porque desejem a guerra e a continuação da mortandade, mas porque oevento como que "não se encaixa" no roteiro de uma visão radical para umaluta radical). E é justamente desse ambiente de luta revolucionária eguerrilheira que vem um grande exemplo das FARC-EP sobre o que é fazerpolítica na teoria e na prática; vem de um grupo que tem todos os tipos deargumento para ser contrário a qualquer negociação com esses criminososfascistas. Apesar de tantos exemplos aqui e nas lutas revolucionárias na Europa,no Brasil, historicamente, a esquerda revolucionária não sabe o que fazerracionalmente com as eleições e os parlamentos, sendo este o mais importanteambiente tático da luta de classes em toda sua dimensão contraditória,degenerada, pervertida e sequestrada pelo capital privado. 39
  40. 40. Subjetivação e Unidade da Esquerda Socialista Existiria uma "lei" ou impossibilidade teórica, fundada nas diferentescorrentes / grupos político-ideológicos dos partidos, que explicasse o fortebloqueio para unir a esquerda socialista em torno de uma agenda tática eestratégica coesa e operacional? Estas dificuldades que, faz tempo, entraram para o anedotário políticonacional (“A esquerda só se une na cadeia”), seriam fáceis de explicar se acausa fosse, em essência, político-ideológica. Não é; nunca foi. As orientações/ filiações político-ideológicas dos diversos partidos / grupos de esquerda desdeo pós-64 como explicação causal da histórica falta de unidade política paraconstruir um robusto bloco tático, em períodos eleitorais ou não, é um dosmaiores mitos políticos já criados no país. Na verdade, a esquerda socialistae revolucionária (desde o fim do PCB orgânico, em 64) não se organizaunitariamente para a conquista do poder porque inexiste uma pragmáticada ação política que estruture uma agenda não redutível às visõessubjetivas sobre processos e lutas sociais, políticas, ideológicas etc –visões as quais são “infiltrações” emocionais de quadros dirigentes emilitantes com suas idiossincrasias (vedetismo político e arrogânciaintelectual, por exemplo).21 No fundo, é como se fôssemos,predominantemente, poços de egos inflados que parecem se inclinar para ouniverso da luta radical / socialista para sublimar menos ideais políticos do quecomplexos / traumas existenciais. Sob essa hipótese, é como se quiséssemosa revolução como um grande divã para fazer a catarse de nossas existênciassofridas / submetidas individual e coletivamente em meio a esse mundo demisérias materiais e desumanização do ser. É sintomático que essa subjetivação na formulação teórica e essasubjetividade na interpretação da tática (pelo PCB, por exemplo) infiltrem asagendas de luta e a ação prática, bem como as estruturem mediante a21 A rigor, se for o caso, a histórica ausência de unidade não seria essa condição quasesistêmica se houvesse uma efetiva racionalidade política na composição da agenda de luta, naformulação e interpretação da tática como práxis dialética e uma sólida teoria marxianainfiltrando / capilarizando as cartas de princípios, resoluções e programas políticos. 40

×