Jornalismo de 140 caracteres no Twitter

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Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, da Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito para a obtenção de título de graduação.

Orientadora: Professora Dra. Claudia Quadros.

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Jornalismo de 140 caracteres no Twitter

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ Aline Aparecida VonsoviczJORNALISMO DE 140 CARACTERES NO TWITTER CURITIBA 2010
  2. 2. 2JORNALISMO DE 140 CARACTERES NO TWITTER CURITIBA 2010
  3. 3. 3 Aline Aparecida VonsoviczJORNALISMO DE 140 CARACTERES NO TWITTER Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, da Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito parcial para a obtenção de título de graduação. Orientadora: Professora Dra. Claudia Quadros. CURITIBA 2010
  4. 4. 4A uma carreira de sucesso.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOS Enfim, quatro anos. Quatro anos de luta, dedicação, amigos, alegrias, diversão, estudos,seminários, pesquisas, tristezas, decepções, festas e livros. Se fosse descrever cada aprendizado nesta conquista, faltariam páginas etambém palavras. Cada sentimento tem o sabor único e de vitória estampada nosorriso: eu consegui. E por insistência. Pelo desafio de chegar aqui e de querer fazer a diferença.Bem Aline, agora você conseguiu. E com a ajuda de Deus, ser imaginário e presente que apóia e consolaqualquer ser em todas as horas. Com a ajuda de meus pais, Miguel e Sueli, que mesmo sem demonstrar,sempre estiveram ali, do meu lado na escolha do jornalismo como profissão. Etambém a minha irmã Suelen, publicitária de mão cheia, que puxou minha orelhaquando necessário e elogiou quando era preciso. Com a ajuda de professores espetaculares. Gostaria de descrevê-los um aum, mas como disse anteriormente, faltarão páginas neste TCC. Cada um ensinouum algo novo e o melhor de tudo: faça jornalismo de maneira correta, ética eautêntica. Em especial, três professoras essenciais: Profª. Drª. Claudia Quadros,pela imprescindível orientação neste TCC; Profª. Drª. Adriana Amaral, que me fezabrir os olhos para o jornalismo digital; e Profª Drª Kati Caetano, que me fezdescobrir o sabor da pesquisa.
  6. 6. 6 Não chegaria aqui sem a ajuda dos amigos. Sim, verdadeiros amigos destesquatro anos de graduação. Em especial a duas flores, que quero sempre por perto:Laís Dlugosz e Bárbara Braga. Sem palavras. Com a ajuda dos jornalistas entrevistados também cheguei aqui: Luís CelsoJr., Gabriela Zago e Giovanna Lima. Este TCC só teve a ganhar com a experiênciade cada um. Em especial, as pessoas da Universidade Tuiuti do Paraná. Esta instituiçãotrabalha com pessoas de verdade, com coração. São pessoas para a vida toda. Agora outra etapa começa. E eu estou ansiosa para que chegue logo.
  7. 7. 7A pertinência de qualquer pesquisa está nas perguntas, não nas respostas. Felipe Pena.
  8. 8. 8 RESUMOO presente TCC - Trabalho de Conclusão de Curso tem por objetivo estudar osefeitos do Twitter sobre o fazer jornalístico. O Twitter é uma rede social digitaldenominada de microblog. Foi criada em 2006 nos Estados Unidos. No Brasil, o usodo Twitter teve o seu boom no ano de 2009, logo após a morte de Michael Jackson.Neste estudo, parte-se de princípios básicos do jornalismo e de transformações queocorrem no dia-a-dia de uma redação quando novos sistemas de comunicaçãosurgem. Alguns eixos temáticos, como jornalismo participativo, redes sociais emicroblogs, foram fundamentais para o desenvolvimento deste TCC. Entre osautores que nortearam este estudo, estão Quadros, Recuero e Zago. Por meio deestudo de casos, apontamos algumas influências do Twitter sobre a forma de fazerjornalismo em 140 caracteres e a importância do público no processo jornalístico.Para compreender esse fenômeno, foi realizada uma metodologia híbrida compostade entrevistas, observação sistemática e revisão bibliográfica.Palavras-chave: jornalismo, twitter, redes sociais, participação, público, processojornalístico.
  9. 9. 9 LISTA DE FIGURASFIGURA 1: EXEMPLO DE LAYOUT NO TWITTER .................................................. 28FIGURA 2: PERFIL DO G1 NO TWITTER ................................................................ 29FIGURA 3: PERFIL DE LUÍS CELSO JR. NO TWITTER .......................................... 30FIGURA 4: TWEET INFORMACIONAL DE LUÍS CELSO JR. .................................. 33FIGURA 5: TWEET INFORMACIONAL DE GIOVANNA LIMA ................................. 33FIGURA 6: TWEET CONVERSACIONAL DE GABRIELA ZAGO ............................. 34FIGURA 7: TWEET RESPOSTA DE LUÍS CELSO JR. ............................................ 36FIGURA 8: TWEET RESPOSTA DE GABRIELA ZAGO ........................................... 36FIGURA 9: TWEET RESPOSTA DE GIOVANNA LIMA ............................................ 37FIGURA 10: TWEET PESSOAL DE GABRIELA ZAGO ............................................ 38FIGURA 11: TWEET PESSOAL DE GIOVANNA LIMA ............................................ 38FIGURA 12: TWEET PESSOAL DE LUÍS CELSO JR. ............................................. 39FIGURA 13: TWEET PROMOCIONAL DE GABRIELA ZAGO.................................. 40FIGURA 14: TWEET PROMOCIONAL DE LUÍS CELSO JR. ................................... 40FIGURA 15: TWEET PROMOCIONAL DE GIOVANNA LIMA .................................. 41FIGURA 16: LINKS NO TWITTER DE LUÍS CELSO JR. .......................................... 42FIGURA 17: LINKS NO TWITTER DE GIOVANNA LIMA ......................................... 42FIGURA 18: RETWEET DE GIOVANNA LIMA ......................................................... 43FIGURA 19: RETWEET DE GABRIELA ZAGO ........................................................ 44FIGURA 20: TWEET COM LOCALIZAÇÃO DE LUÍS CELSO JR............................. 45
  10. 10. 10 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 112 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................... 153 JORNALISMO EM TEMPOS DE CONVERGÊNCIA .............................................. 17 3.1 CONVERGÊNCIA DA LINGUAGEM .............................................................. 17 3.2 CONVERGÊNCIA E O PERFIL JORNALÍSTICO ........................................... 18 3.3 CONVERGÊNCIA E AS REDAÇÕES ............................................................ 20 3.4 CONVERGÊNCIA E A PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO ................................. 21 3.5. CONVERGÊNCIA E AS PLATAFORMAS DE PRODUÇÃO E PUBLICAÇÃO ............................................................................................................................. 224 REDES SOCIAIS E O JORNALISMO .................................................................... 25 4.1 TWITTER........................................................................................................ 275 ESTUDO DE CASO ............................................................................................... 31 5.1 OBSERVAÇÃO SISTEMÁTICA ...................................................................... 31 5.2 ENTREVISTAS COM JORNALISTAS ............................................................ 34 5.3 CARACTERÍSTICAS CONSTATADAS .......................................................... 35 5.3.1 Contato com o público ............................................................................ 35 5.3.2 Comentários pessoais/dia a dia .............................................................. 37 5.3.3 Autopromoção......................................................................................... 39 5.3.4 Links ....................................................................................................... 41 5.3.5 RTs ou Retweets .................................................................................... 43 5.3.6 Localização ............................................................................................. 446 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 46REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 49 ENTREVISTA COM GABRIELA ZAGO, JORNALISTA E PESQUISADORA DE CIBERCULTURA, VIA E-MAIL EM 22 DE OUTUBRO DE 2010. ......................... 52 ENTREVISTA COM GIOVANNA LIMA, ESTUDANTE DO QUARTO ANO DE JORNALISMO, VIA E-MAIL EM 22 DE OUTUBRO DE 2010............................... 53 ENTREVISTA COM LUÍS CELSO JÚNIOR, JORNALISTA E COLUNISTA DO JORNAL GAZETA DO POVO, VIA E-MAIL EM 08 DE NOVEMBRO DE 2010. ... 55
  11. 11. 111 INTRODUÇÃO Este Trabalho de Conclusão de Curso – TCC tem a intenção de trazer à tonaalgumas reflexões sobre o jornalismo realizado na rede social/microblog Twitter 1 ,com o objetivo de observar as possíveis transformações no fazer jornalístico com oseu uso. O Twitter, considerado uma ferramenta de micromensagens e rede social,serve tanto para a produção, como também para a difusão de conteúdosjornalísticos (ZAGOb, 2008). Esta rede social permite ao usuário a publicação demensagens em até 140 caracteres, destinadas ou não a outro emissor, através dereplies (@ + nome do usuário). Outra possibilidade é a inserção de hiperlinks ehastags 2 que facilitam a busca de informações desejadas. A presença do usuário nestas redes sociais digitais, como o Twitter, o Orkut 3e o Facebook 4 , fazem parte do fenômeno denominado de Web 2.0. Para O’Reilly(2005), esse termo refere-se ao surgimento de uma nova plataforma que privilegia aparticipação do público. O autor ressalta que as principais diferenças entre os termos estão entre ossites estáticos, sem atualizações constantes e apenas moderado por uma pessoa(Web 1.0) e blogs dinâmicos, com recursos extras, tags e a possibilidade departicipação do público (Web 2.0). O surgimento de novas tecnologias, o acesso facilitado à internet, aprodução móvel de conteúdo e a participação do público são algumas dasinfluências que alteraram a maneira de fazer jornalismo. Muitas dessas novas1 http://twitter.com/2 Hastags ou tags são palavras-chave vinculadas a textos, posts ou tweets que possibilitam a localização domaterial quando digitada esta palavra no buscador. Podem vir acompanhadas de #.3 http://orkut.com/4 http://facebook.com/
  12. 12. 12tecnologias se constituem em novas ferramentas que facilitaram e mudaram oprocesso de apuração, produção, publicação e circulação da informação. Os meios digitais promoveram o acesso à notícia, mas não determinaram ofim dos demais veículos tradicionais. Quando a televisão foi criada, muitosacreditaram ser o fim do rádio, mas a reestruturação da linguagem restabeleceu aforça desse meio que até hoje continua sendo bastante importante. Segundopesquisa do Ibope em 2010, o rádio alcança 77% dos brasileiros, o que representa50 milhões de ouvintes, conforme a cobertura do Target Group Index. Outrapesquisa do Ibope em 2008 mostra que o rádio continua sendo o 2º veículo de maiorcredibilidade na opinião dos brasileiros, mesmo com quedas significativas em 2003.Mas em 2007, o veículo possui tendência de crescimento entre as classes C, D e E. A internet segue caminho semelhante. A sua chegada assustou muitosproprietários de meios de comunicação. Para Henry Jenkins (2009), os meiostradicionais estão em colisão com os novos sistemas de comunicação, pois existe apossibilidade de compartilhar experiências pessoais em diversos formatos, criarnovas conexões e formatar as antigas. Ele relata a cultura de fan fiction, onde os fãspraticam ações de compartilhamento (spoiling), fofocas (drama ético em torno dosreality shows) e até mesmo uma releitura de filmes (cinema de fã). Vale ressaltar as premissas de manuais de redação, televisão ou rádio: alinguagem tem influência direta no veículo e, assim, determina seu público. E paramanter esse público fiel e participativo, as redações mostram que de uma forma ououtra entram na era da convergência. A integração de formas tradicionais comrecursos audiovisuais e interativos são exemplos de que essa migração vem dandocerto em alguns meios.
  13. 13. 13 A participação do público é uma das principais ações que incidem sobre ofazer jornalístico, por esse motivo o foco de atenção do presente estudo é avaliar asua presença no Twitter. Para tanto, diversos autores são pesquisados. Entre eles,Recuero (2009), Primo (2006), Quadros (2005) e Zago (2009). Para parte do público, o Twitter não passa de um ‘produto’ para uso pessoale tem apenas por finalidade responder a pergunta inicial: “What’s happening?” (Oque está acontecendo?). Desde a sua criação, no entanto, o Twitter foi desenvolvidopara facilitar a comunicação instantânea entre os seus inventores. Ele foidesenvolvido, nos Estados Unidos, por três funcionários da Odeo - uma empresa deserviços digitais. Em 2006, a Odeo vivia um momento de crise e os seuscolaboradores precisavam de uma ferramenta para mostrar o que eles estavamfazendo pela instituição (SAGOLLA, 2009). Essa plataforma facilitaria a vida dosproprietários, que teriam controle sobre tudo e todos da Odeo. Por sua interface gráfica amigável, logo este sistema de comunicaçãopassou a ser usado como uma forma de se aproximar do público para informarsobre um produto ou um determinado assunto. Como o público usa o Twitter e de que forma isso tem contribuído para atransformação do jornalismo? Será que os usuários seguem perfis por fama ourealmente estão em busca de informação ofertada de forma ágil? Como os perfis doTwitter, com proposta jornalística, têm facilitado a vida do público? A partir destasquestões, tenta-se compreender o uso do Twitter no jornalismo. Sabe-se que nãoserão respondidas todas as perguntas neste TCC, mas ao menos se esperacompreender o fenômeno e a sua importância para o jornalismo. No primeiro capítulo, princípios básicos do jornalismo foram resgatados edestacados neste TCC. O conceito de convergência foi apresentado e questionado
  14. 14. 14com estes princípios do jornalismo: a linguagem jornalística, o perfil jornalístico, asredações, participação do público e as novas plataformas de produção. Consideram-se as redes sociais como as novas plataformas de produção.Assim, no segundo capítulo, descreve-se a prática do jornalismo em redes sociaisdigitais, suas características próprias e suas contribuições para o jornalismo, entreelas o Twitter. No terceiro e último capítulo, parte-se para o estudo de caso divido em duaspartes: a observação sistemática, que traz a contagem do número de tweetsinformacionais e conversacionais; e as entrevistas com os jornalistas por e-mail. Nasequência algumas características foram apontadas pela autora, encontradasdurante a observação sistemática. São tweets que demonstram o contato com opúblico, comentários do dia a dia, autopromoção, links, retweets e até mesmo alocalização exata de onde o usuário está.
  15. 15. 152 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O trabalho busca compreender o processo de produção jornalístico, comênfase na elaboração da notícia em um sistema de comunicação emergente: oTwitter. Na era de convergência tecnológica, é necessário contrastar teorias dojornalismo tradicional com novas pesquisas que desvelem esses novos sistemas decomunicação e como eles têm modificado o modo de fazer jornalístico. Em virtude de o assunto ser relativamente novo, há poucos livros traduzidospara a língua portuguesa. O que existem são artigos, monografias e teses quetratam o assunto em questão. No Brasil, há pesquisadores que estudam a relaçãodas redes sociais com o jornalismo. Entre eles, Recuero, Primo, Quadros e Zago. Esta pesquisa também procurou descrever a maneira como opúblico/usuário tem apreciado o conteúdo divulgado no Twitter. Para isso, apóscontextualizar o assunto através de investigações e reflexões sobre o tema, umapesquisa de campo com o jornalista e colunista do jornal Gazeta do Povo, LuísCelso Jr., foi realizada para tentar responder as questões levantadas. Seu perfil noTwitter 5 tem mais de 1,6 mil seguidores 6 , com 7 mil tweets, sendo a maioriainformativos. Tweets conversacionais também estão presentes nesta rede social. Ocontato com o jornalista foi feito por e-mail, sendo a abordagem principal a partir davisão que o profissional tem desta ferramenta no processo jornalístico.5 http://twitter.com/celso146 Números em constante crescimento. Informações deste e dos outros dois perfis foram apuradas em 20/10/2010.
  16. 16. 16 Outro profissional entrevistado foi a pesquisadora de cibercultura, GabrielaZago. Fundamental neste TCC, Gabriela hoje conta com mais de 2,2 mil seguidoresem seu Twitter 7 , com 2 mil tweets já publicados. A estudante de jornalismo Giovanna Lima, também contribuiu para esteestudo de caso. Seus 4,5 mil tweets são informativos e comunicacionais, mais de480 perfis a seguem em seu perfil 8 . O estudo de caso deste TCC conta também com uma observaçãosistemática dos perfis no Twitter dos três jornalistas entrevistados. No período deuma semana, de 01 a 07 de novembro de 2010, estes usuários - @celso14,@gabizago e @zizica foram analisados ao final de cada dia para um levantamentode número de postagens e categorização dos tweets de cada perfil. A metodologia de análise utilizada nesta pesquisa de campo foi baseada noestudo de capital social de Raquel Recuero (2009a), com destaque para ascategorias (informação e conversação) e sub-categorias (pessoais, noticiais,opinativos, links, automáticos, diretos e indiretos). Outro estudo da autora foiutilizado, com base no grau de conexão, redes inteiras e redes de ego (2009b). A autora Gabriela Zago (2009) também foi utilizada para explorar esta redesocial. Ela analisa o Twitter como ferramenta de difusão de produção de conteúdosjornalísticos, criação de mashups e demais assuntos relacionados. Suas pesquisasserão utilizadas para aprofundar o conhecimento desta rede social. Outros autores como Ramon Salaverría, José Alberto García Avilés, PereMassip, Claudia Quadros, Alex Primo e Marcelo Träsel são fundamentais paradelinear as características de convergência, jornalismo participativo e tambémdigital.7 http://twitter.com/gabizago8 http://twitter.com/zizica
  17. 17. 173 JORNALISMO EM TEMPOS DE CONVERGÊNCIA Definir o que é jornalismo em uma época de convergência entre os meios eredações torna-se um pouco difícil. Este capítulo associa a arte de fazer jornalismocom o perfil profissional e o seu entorno. A convergência pode ser observada devários aspectos, como definem Salaverría, García Avilés e Masip: “A convergência jornalística é um processo multidimensional que, facilitado pela implantação generalizada das tecnologias digitais de telecomunicação, afeta os âmbitos tecnológico, empresarial, profissional e editorial dos meios de comunicação, propiciando uma integração de ferramentas, espaços, métodos de trabalho e linguagens anteriormente desagregados, de forma que os jornalistas elaboram conteúdos que sejam distribuídos através de múltiplas plataformas, por meio das linguagens próprias a cada uma delas.” 9 (SALAVERRÍA, Ramón; GARCÍA AVILÉS, José Alberto; MASIP, Pere. 2006 apud SÁBADA, Charo et al, 2007). O conceito de convergência provoca mudanças em estratégias empresariais,tecnológicas, na elaboração e distribuição de conteúdos em distintas plataformas, noperfil profissional dos jornalistas e nas formas de acesso aos conteúdos. Destemodo, partimos desta definição para avaliar os processos que constituem o fazerjornalístico.3.1 CONVERGÊNCIA DA LINGUAGEM Em princípios de definição, a premissa básica do jornalismo é apresentar osfatos por meio de textos, estejam eles publicados ou não. Teóricos como NilsonLage, Muniz Sodré e Marques de Melo, defendem a veracidade, clareza e9 Tradução da autora para: “La convergencia periodística es un proceso multidimensional que, facilitado por laimplantácion generalizada de las tecnologías digitales de telecomunicación, afecta al ámbito tecnológico,empresarial, profesional y editorial de los medios de comunicación, propiciando una integración deherramientas, espacios, métodos de trabajo y lenguajes anteriormente disgregados, de forma que los periodistaselaboran contenidos que se distribuyen a través de múltiples plataformas, mediante los lenguajes propios de cadauna.”
  18. 18. 18credibilidade no texto jornalístico. Para José Marques de Melo, ele pode serentendido como: “Um processo social que se articula a partir da relação (periódica/oportuna) entre organizações formais (editoria/emissoras) e coletividades (públicos receptores), através de canais de difusão (jornal/revista/rádio/televisão) que asseguram a transmissão de informações (atuais) em função de interesses e expectativas (universos culturais ou ideológicos).” (MELO, 1994, p.14-15) Cada teórico do jornalismo defende uma maneira de como escrever umtexto, a fim de transformá-lo em reportagem passível de publicação. E ahipertextualidade é um recurso da linguagem disponível na era da internet. É apossibilidade de leitura não-linear, saltando de uma janela para outra, com o acessoinstantâneo a outros conteúdos, sendo assim, complementares a pesquisa dousuário. (MIELNICZUK, 2003). Outros conceitos já utilizados no jornalismo tradicional também sãoadaptados ao jornalismo em tempos de convergência. É o caso da teoria dapirâmide invertida, que se refere em publicar no primeiro parágrafo as informaçõesmais relevantes da notícia. Este primeiro parágrafo é chamado de lead 10 . (LAGE,2001). Caso o usuário continue a ler, terá os demais parágrafos comocomplementares. Estes e outros conceitos reafirmam que a linguagem pode variar de acordocom o perfil de cada profissional.3.2 CONVERGÊNCIA E O PERFIL JORNALÍSTICO Foi embora a época que jornalista andava apenas com bloco de notas ecaneta na mão. “Bloco de notas, caneta, gravador, câmera fotográfica, câmera de10 O lead é caracterizado por um conjunto de cinco perguntas: quem, o quê, como, por quê, onde e quando. Esteé interpretado por meio de informações simples, que facilitam o entendimento e apreciação do texto.
  19. 19. 19vídeo, telefone celular de terceira geração, computador portátil... A lista deinstrumentos cresce continuamente para os jornalistas”. (KISCHINHEVSKY, 2009, p.57). A habilidade com tantos equipamentos e ferramentas faz com que muitos odenominem de jornalista multimídia. Trata-se do profissional que trabalha em plenaintegração de funções: sabe dominar as linguagens de diferentes meios, editar umvídeo, falar outras línguas e compreender outras áreas para que possa agilizar oprocesso jornalístico e concluí-lo de maneira satisfatória. “O perfil exigido no mercado aponta claramente para uma competência técnica que possibilite, tanto o domínio de diferentes linguagens (impressa, audiovisual e digital), como o uso de plataformas on-line para a publicação de matérias em formato multimídia.” (JORGE, Thaïs de Mendonça; PEREIRA, Fábio Henrique; ADGHIRNI, Zélia Leal. 2009, p. 86) O jornalismo exige do profissional intensa atualização de conteúdo, nãoapenas devido à concorrência, mas também pelo processo de reformulação em queas redações têm apresentado. Apesar das reconfigurações jornalísticas, Sábada et al. destacam algunsautores que não acreditam no jornalismo multimídia, como Applegren (2004), Daileyet al. (2003) e Lawson-Borders (2003). Eles afirmam que a “abordagem de cadauma das fases que compõem o processo de convergência deve ser tratadaseparadamente, para evitar confusão, embora cada uma dessas áreas não podemser completamente separadas das demais.” 11 (SÁBADA, Charo et al, 2007, p. 17)11 Tradução da autora para: “La aproximación a cada una de las fases que componen los procesos deconvergencia debe abordarse por separado, para evitar confusiones, a pesar de que cada uno de esos ámbitos nopueden desvincularse totalmente de los demás.”
  20. 20. 203.3 CONVERGÊNCIA E AS REDAÇÕES Ao seguir o exemplo de convergência, as redações também apresentamcaracterísticas multimidiáticas a fim de facilitar a divulgação de uma mesmainformação em meios diferentes, como destaca SÁBADA, Charo et al: “No campo profissional, a convergência se traduz em várias estratégias para explorar os materiais informativos, de modo em que eles apareçam em várias mídias. Essas estratégias vão desde as formas de cooperação entre as redações de diversos meios de comunicação até a criação de redações multimídias integradas, onde todas as mensagens são centralizadas, as alocações são feitas e se canaliza o fluxo de informações para editar as versões impressas, audiovisuais e on-line.” 12 (SÁBADA, Charo et al, 2007, p. 12) No Brasil, seguindo a linha destes autores, Suzana Barbosa realizou umapesquisa para saber as características da convergência jornalística do Brasil 13 .Segundo ela, o grupo Rede Brasil Sul - RBS é o que apresenta os melhoresresultados entre os jornais analisados. A redação integrada do Zero Hora passou afuncionar no último trimestre de 2007 e lançou o portal ZeroHora.com.br que abrigaconteúdos elaborados para a web. Tratando-se de profissionais destinados àredação on-line, os números são altos. “Dos 240 profissionais, entre 70 a 80trabalham, tanto para o impresso, como para a edição on-line, pelo menos uma vezpor semana. Destes, 34 repórteres atuam apenas no on-line.” (BARBOSA, 2009, p.43).12 Tradução da autora para: “En el ámbito profesional, la convergencia se traduce en diversas estrategias paraaprovechar el material informativo, de forma que se aparezca en distintos medios. Dichas estrategias incluyendesde formas de cooperación entre las redacciones de diferentes medios hasta la creación de redaccionesmultimedia integradas, donde se centralizan todos los mensajes, se realizan las asignaciones y se canaliza el flujode información para editar las versiones impresas, audiovisuales y en línea de los contenidos.”13 A pesquisa completa pode ser vista em BARBOSA, 2009.
  21. 21. 213.4 CONVERGÊNCIA E A PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO Tempos de convergência provocam alterações e modificações dentro daprofissão, porém o jornalismo sempre contou com a presença de um aliadofundamental para a propagação da notícia: o público. Seja através de ações simplese práticas, ou até mesmo das mais complexas. Não há uma fórmula que defina o porquê da participação do público nesseprocesso, mas a presença excessiva da tecnologia, tanto em computadores etelefones com funções múltiplas, pode ter sido um dos fatores que despertaram amaior participação de leitores/ouvintes/telespectadores/usuários no fazer jornalístico. A primeira pesquisa sobre o jornalismo público aconteceu no final dos anos80, após uma cobertura frustrada dos jornais sobre eleições presidenciais daAmérica do Norte. Segundo Quadros (2005), o jornal Columbus Ledger Enquire, daGeórgia, realizou este procedimento para identificar os problemas da comunidadelocal. Desde então, os jornalistas passaram a perceber a presença do públicocomo um aliado, abrindo espaço para carta do leitor e a produção de reportagensespeciais sobre os problemas locais. “O jornalismo público nasce com a função deestreitar relações entre a mídia e a comunidade.” (QUADROS, 2005, p.46). E com a internet, o público está cada vez mais instigado para aprimorarassuntos locais. Primo e Träsel retratam sobre a importância dessa participação noprocesso jornalístico com o advento da tecnologia: “É bem verdade que diferentes vozes atravessam qualquer texto jornalístico. Pode-se acrescentar que qualquer noticiário inclui sempre, em alguma medida, a participação do público. Antes do e-mail, essa participação já ocorria através de cartas e ligações, por exemplo, na forma
  22. 22. 22 de sugestões de pauta ou mesmo para alguma seção do tipo ‘cartas do leitor’”. (PRIMO; TRÄSEL, 2006, p.3) Os meios online continuaram proporcionando ao público suporte para quecontinuassem dando sua contribuição ao jornalismo. Mielniczuk e Silveira dãocontinuidade a esta atividade, iniciada muito antes do surgimento da internet. “Com relação à interatividade, nos suportes tradicionais já havia muitas possibilidades de participação do público interagindo como meio, desde o contato com a redação para enviar sugestões de pauta até a participação por telefone em programas de rádio ou a publicação de cartas em seções específicas do jornal. Essas práticas, exercidas nas redes digitais, seriam consideradas apenas continuações.” (MIELNICZUK; SILVEIRA, 2008, p. 175) A comunidade local sente a necessidade de estar perto da mídia e de certamaneira, interagir com as redações para influenciar na publicação de notíciasrelativas ao seu universo. Segundo Claudia Quadros, os “defensores do jornalismopúblico acreditam que a nova corrente, que modifica as rotinas produtivas dosjornalistas, realmente aproxima mais a mídia da comunidade local.” (2005, p. 48)3.5. CONVERGÊNCIA E AS PLATAFORMAS DE PRODUÇÃO E PUBLICAÇÃO As diversas alterações na prática do jornalismo em tempos de convergênciade redações e tecnológica vêm criando novas possibilidades para produção epublicação de informações. Como destacado anteriormente, as redações têm trabalhado no sistemaintegrado e o jornalista adapta seu texto para o impresso e para o on-line, havendopossibilidades de publicação no rádio e na TV. Dessa maneira, o público marca presença na internet e colabora naprodução de notícias. O jornalismo abre espaço para estes produtores,
  23. 23. 23principalmente no mundo digital. “Com o advento da Web 2.0, passaram a surgirnovos espaços de participação que facilitam esse processo de produção epublicação de conteúdos, como blogs, sites de redes sociais e wikis.” (ZAGOb,2008, p.1) Antes de falar das redes sociais, destaca-se a possibilidade da produçãojornalística móvel (SILVA, 2006). A popularização dos aparelhos celular com funçõesmúltiplas e o acesso facilitado à tecnologia colaboraram para que a produção denotícias se tornasse mais ágil. “Pode-se usar aparelhos móveis, como o celular,tanto para a produção de conteúdo jornalístico diretamente a partir do local dosacontecimentos, como também para a leitura e acompanhamento dos fatosjornalísticos que acontecem no mundo.” (ZAGOb, 2008). Há outros espaços com possibilidades de colaboração na produçãojornalística. São as plataformas de fonte aberta, como o Slashdot, OhmyNews etc.,que permitem que público seja responsável pela elaboração, apuração e publicaçãoda notícia. O Slashdot foi criado em 1997 e trata-se de um portal colaborativo denotícias. O usuário faz um cadastro no site, envia seus textos e pode comentaroutros. Aquele usuário que desperta interesse no público ao enviar constantementemensagens ao site, recebe o título de mediador para filtrar textos de outroscolaboradores. (QUADROS, 2005). Princípios semelhantes ao do Slashdot, o OhmyNews International deorigem sul-corenana, foi criado nos anos 2000. Neste espaço, são mais de 4,6 mil
  24. 24. 24usuários cadastrados que enviam informações e cerca de 60 jornalistas fazem otrabalho de gatekeeper 14 . (QUADROS, 2005). Já nas redes sociais também é possível a produção de conteúdosjornalísticos. A linguagem é adaptada segundo as regras de cada rede e nestetrabalho, destaca-se o Twitter como suporte de conteúdos jornalísticos.14 O conceito de gatekeeper surgiu de um estudo sobre as modificações dos hábitos alimentares feito por KurtLewin em 1947. Refere-se a presença de “um indivíduo, ou um grupo, que ‘tem o poder de decidir se deixapassar a informação ou se a bloqueia’” (LEWIN apud WOLF, 1985, p. 180). Wolf conta que em 1950, Whiteaprimorou este conceito através de um estudo de caso, para entender o fluxo de notícias em órgãos deinformação. São milhares de informações que chegam todos os dias às redações, seja através de carta,telefonemas ou e-mails. É preciso apurar este material para saber o que é publicável ou descartável. Para isso,dentro das redações existem pessoas que trabalham como “cancelas ou portões”, na função de selecionadores dainformação.
  25. 25. 254 REDES SOCIAIS E O JORNALISMO Além dos meios tradicionais, o jornalismo vem sendo praticado em outrosambientes digitais, como blogs e microblogs. A prática é possível devido ascaracterísticas de cada rede, sendo que o usuário adapta a informação através dosrecursos disponíveis. Com base nos estudos de Wasserman e Faust (1994), Degenne e Forse(1999), Raquel Recuero (2009) define rede social como “um conjunto de doiselementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suasconexões (interações ou laços sociais)”. Antes de tudo, vale ressaltar que uma rede não existe apenas nos meiosdigitais, mas sim, no mundo off-line quando mais pessoas se relacionam, trocaminformações e têm interesses em comum. A presença dos atores ou pessoas nas redes sociais digitais se dá atravésde perfis no Twitter, weblogs ou fotologs. O público utiliza aquele perfil nociberespaço para deixar claro suas intenções pessoais e se identificar com osdemais perfis com o mesmo interesse. É como se o usuário utilizasse seu perfil emredes sociais sendo o seu espaço da “construção de si” e da “narração do eu”.(LEMOS, 2002 e SIBILA, 2003 e 2004 apud RECUEROa, 2009). Esse relacionamento entre atores, com interesses em comum ou não,chama-se conexões, que são identificados através de laços sociais. Recuero relataque essas análises só são permitidas graças à memória da internet. “Um comentárioem um weblog, por exemplo, permanece ali até que alguém o delete ou o weblogsaia do ar [nestes casos, isso só é permitido pelo proprietário ou moderador daplataforma]” (RECUEROa, 2009, p. 30).
  26. 26. 26 As conexões nas redes sociais se dão através da interação entre os atoresem duas possibilidades: formas síncronas e assíncronas. A forma síncrona é aquelaem que a conversa ou interação acontece de maneira instantânea, como chats,messenger, Google Talk e outras redes que propiciam esse contato. A formaassíncrona acontece na forma de comunicação não imediata, como e-mails, recadosno Orkut ou Facebook e outras redes. Os laços sociais são resultados de interações sociais proporcionados pelosatores sociais, conforme: “Laços consistem em uma ou mais relações específicas, tais como proximidade, contato frequente, fluxos de informação, conflito ou suporte emocional. A interconexão destes laços canaliza recursos para localizações específicas na estrutura dos sistemas sociais. Os padrões destas relações – a estrutura da rede social – organiza os sistemas de troca, controle, dependência, cooperação e conflito.” (WELLMAN, 2001, p. 7 apud RECUEROa, 2009, p.38) Recuero ainda cita outras possibilidades de laços: os relacionais constituídosatravés de relações sociais entre vários atores; e os de associação que ao contrário,o ator necessita pertencer ao local, instituição ou grupo. Os laços sociais podem ser fortes ou fracos, dependendo da suaproximidade ou intimidade com o outro ator. Se a conexão for contínua, favorecendoa troca de recados e links na web, esse laço social é denominado forte. Laço socialfraco é aquele em que a troca de informações entre os atores acontece raramente,sem intimidade. Raquel Recuero (2009a) discute o conceito de capital social, com base emautores como Coleman, Putman e Bourdieu, chegando a conclusão que trata-se de: “... Um conjunto de recursos de um determinado grupo (recursos variados e dependentes de sua função, como afirma Coleman) que pode ser usufruído por todos os membros do grupo, ainda que individualmente, e que está
  27. 27. 27 baseado na reciprocidade (de acordo com Putman). Ele está embutido nas relações sociais (como explica Bourdieu) e é determinado pelo conteúdo delas” (GYARMATI & KYTE, 2004; BERTOLINI & BRAVO, 2001 apud RECUERO, 2009, p. 50) Em virtude dessas e outras possibilidades de comunicação é possível aprática do jornalismo nas redes sociais.4.1 TWITTER O Twitter é uma ferramenta de micromensagens (RECUEROa, 2009) quepermite ao usuário cadastrar-se com um nickname e publicar informações limitadas,em até 140 caracteres, com a finalidade de responder a pergunta “What’shappening?” (O que está acontecendo?). As mensagens podem ser destinadas a outros usuários de maneira aberta,através de replies (@ + nome do usuário). A comunicação privada a outro usuário sedá através de direct message ou DM, como uma caixa de entrada em cada páginada rede. Outra possibilidade é a inserção de hiperlinks e hastags nos tweets quefacilitam a busca de informações desejadas. O Twitter foi fundado em 2006 por Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Willianspara um projeto da Odeo com o objetivo de facilitar a comunicação entre seusfuncionários. A empresa passava por momentos de crise e era necessária algumaplataforma onde seus integrantes postassem informações do que estavam fazendo.(SAGOLLA, 2009). Assim surgiu e somente os funcionários e familiares teriam acesso a estasinformações. A Odeo continuava em crise e precisou dispensar seus funcionários eo Twitter tornou-se uma ferramenta de comunicação entre os mesmos. Logo mais foiaberta ao público.
  28. 28. 28 De lá para cá, essa rede social vêm crescendo continuadamente. Segundopesquisa do Ibope Net Rantings de 2010, o Twitter possui 9,8 milhões de usuários,sendo 27% do total brasileiros. Estes usuários são jovens de 18 a 24 anos,executivos, blogueiros e pessoas da área de comunicação e marketing. O Twitter está disponível em seis idiomas (italiano, espanhol, inglês, francês,alemão e japonês), e sua interface gráfica amigável apresenta características que asquais rotulam a ferramenta como rede social. Seu layout apresentou modificações em outubro de 2010, com umaaparência mais estendida que a anterior. FIGURA 1: EXEMPLO DE LAYOUT NO TWITTER Fonte: http://twitter.com/# (11 de outubro de 2010) Outra modificação notada por meio de análises em trabalhos já publicadossobre o Twitter é de que a pergunta a ser respondida em até 140 caracteres era“What are you doing?” (O que você está fazendo?). Não se sabe o motivo ao certoporque a pergunta mudou, mas desconfia-se que seja pelo fato que o Twitter tornou-
  29. 29. 29se meio de comunicação entre redações jornalísticas versus público, estreitandolaços comunicacionais, tornando o contato mais próximo. As coberturas já realizadas pelo Twitter, como nos EUA o acompanhamentodas eleições norte-americanas e no Brasil a sequência de chuvas, apresentadacomo uma das maiores catástrofes em cidades de Santa Catarina (RECUEROa,2009), confirmam a titulação desta rede social como ferramenta de produção deconteúdo, como também para a difusão de conteúdos jornalísticos (ZAGOb, 2008). Seu formato e sua possibilidade de atualizações e/ou acesso pordispositivos móveis, faz do Twitter uma espécie de alerta das últimas notícias, jáveiculadas no portal daquele usuário. FIGURA 2: PERFIL DO G1 NO TWITTER Fonte: http://twitter.com/g1 (22 de outubro de 2010) Raquel Recuero (2009a) classifica os tweets em duas categorias:informacionais e conversacionais. Os informacionais foram ainda divididos empessoais (comentários do dia a dia), notícias (informações novas), opinativos
  30. 30. 30(opinião explícita sobre algo), links (tweet + hiperlink) e automáticos (publicados poruma ferramenta). Os conversacionais também foram classificados: diretos (contém@ + nome do usuário) e indiretos (como forma de pergunta a toda rede). Essa classificação se aplica na prática, pois o público interage com osjornalistas para dar sua opinião sobre o tweet publicado. No exemplo abaixo, ojornalista e colunista do jornal O Globo, muitas vezes responde estes usuários: FIGURA 3: PERFIL DE LUÍS CELSO JR. NO TWITTER Fonte: http://twitter.com/celso14 (06 de novembro de 2010) Portanto, parte-se para o estudo de caso com base nos itens tratadosneste segundo capítulo.
  31. 31. 315 ESTUDO DE CASO A escolha dos dois jornalistas profissionais e uma estudante de jornalismopara o estudo de caso deste TCC, baseou-se nos itens que compõem o valorpercebido, destacado por Recuero (2009a): visibilidade, reputação, popularidade eautoridade. Estes perfis também foram selecionados por conterem tweetsinformacionais e conversacionais (Recuero, 2009a). As opiniões expressas pelos entrevistados não necessariamente concordamcom as da autora.5.1 OBSERVAÇÃO SISTEMÁTICA A observação sistemática deste TCC ocorreu entre os dias 01 a 07 denovembro de 2010. A análise foi realizada nos perfis dos três entrevistados: ojornalista Luís Celso Jr., colunista do jornal Gazeta do Povo/PR e dono do blog Bardo Celso, a jornalista e também pesquisadora de cibercultura, Gabriela Zago e aestudante do último ano de jornalismo, Giovanna Lima. Segundo a contagem, as tabelas apresentam números relativamente baixos,em comparação com outros profissionais da categoria 15 . Uma observação importante apontada pela autora deste TCC foi a coberturaminuto a minuto feita pela pesquisadora Gabriela Zago do 8º Encontro Nacional dosPesquisadores de Jornalismo - SBPJor, em São Luís/MA. A partir do dia 8 denovembro, Gabriela twittou e replicou diversas mensagens em seu perfil no Twitter15 O perfil do jornalista e colunista do jornal O Globo, Ricardo Noblat, foi avaliado até o momento de suadesistência neste estudo de caso. No dia 01 de novembro, Noblat havia publicado 58 tweets informacionais e 28conversacionais.
  32. 32. 32sobre o congresso. A observação veio à tona, quando Gabriela postou apenas umamensagem no dia 7 – último dia desta observação sistemática. @celso14 Dia Dia Dia Dia Dia Dia Dia 1 2 3 4 5 6 7 Tweets Informacionais 5 2 1 0 0 6 3 Tweets Conversacionais 5 7 0 1 0 11 13 Total de Tweets 10 9 1 1 0 17 16 54 @gabizago Dia Dia Dia Dia Dia Dia Dia 1 2 3 4 5 6 7 Tweets Informacionais 4 0 4 4 5 0 1 Tweets Conversacionais 1 0 0 0 1 0 0 Total de Tweets 5 0 4 4 6 0 1 20 @zizica Dia Dia Dia Dia Dia Dia Dia 1 2 3 4 5 6 7 Tweets Informacionais 10 20 1 10 4 4 4 Tweets Conversacionais 10 8 3 10 5 1 1 Total de Tweets 20 28 4 20 9 5 5 91 Percebe-se ao longo dos dias observados que a maioria dos tweetsinformativos publicados são comentários do dia a dia do próprio usuário ou opiniõesexplícitas sobre um assunto, relacionado ou não a notícias ou não. Os exemplosabaixo relatam as constatações, respectivamente:
  33. 33. 33FIGURA 4: TWEET INFORMACIONAL DE LUÍS CELSO JR. Fonte: http://twitter.com/celso14 (07 de novembro de 2010)FIGURA 5: TWEET INFORMACIONAL DE GIOVANNA LIMA Fonte: http://twitter.com/zizica (06 de novembro de 2010)
  34. 34. 34 Tweets conversacionais também aparecem na análise. Esta possibilidadeconduz a ferramenta de rede social ao comunicador instantâneo: FIGURA 6: TWEET CONVERSACIONAL DE GABRIELA ZAGO Fonte: http://twitter.com/gabizago (01 de novembro de 2010)5.2 ENTREVISTAS COM JORNALISTAS O perfil de Luís Celso Jr. está em constante crescimento em relação aseguidores e tweets. Com mais de 1,6 mil seguidores 16 , com 7 mil tweets, ojornalista e blogueiro utiliza seu Twitter para publicar mensagens em até 140caracteres relativas ao seu blog sobre cervejas e bohemia em geral. Já a jornalista e pesquisadora de cibercultura, Gabriela Zago utiliza seuTwitter para assuntos relacionados à pesquisa, jornalismo e também para promover16 Números em constante crescimento. Informações deste e dos outros dois perfis foram apuradas em20/10/2010.
  35. 35. 35seu trabalho. Seu perfil também está em crescimento, com 2,2 mil seguidores e 2 miltweets já publicados. A estudante do último ano de jornalismo da Universidade Positivo, GiovannaLima, foi a escolhida para completar o ciclo de entrevistas deste TCC. Com um perfilcom mais de 480 seguidores, a jovem utiliza a rede social para fazer críticasrelacionadas a temas um tanto quanto polêmicos: sexo, drogas, alcoolismo etambém ao jornalismo. São mais de 4,5 mil tweets já publicados. As entrevistas foram realizadas por e-mail e encontram-se no apêndicedeste TCC.5.3 CARACTERÍSTICAS CONSTATADAS Algumas características foram levantadas pela autora no decorrer daobservação sistemática - análise dia a dia em cada um dos perfis, bem comocomprovadas nas respostas de cada entrevista.5.3.1 Contato com o público Um dos princípios do jornalismo é o contato com público e os jornalistasentrevistados deste TCC afirmaram que dão importância sim para a conversação narede social digital Twitter. A conversação no Twitter de maneira aberta se dá por meio do símbolo @ +nome do usuário (RECUERO, 2009a). A privativa acontece por meio de DMs oudirects messages, mas isso só é possível se o usuário seguir o perfil em quepretende enviar a mensagem. Vale destacar que na entrevista, Luís Celso Jr.
  36. 36. 36afirmou responder todos os tweets direcionados a ele (@celso14). Portanto, aoreceberem mensagens com elogios ou críticas, os profissionais fazem questão deresponder: FIGURA 7: TWEET RESPOSTA DE LUÍS CELSO JR. Fonte: http://twitter.com/celso14 (07 de novembro de 2010) FIGURA 8: TWEET RESPOSTA DE GABRIELA ZAGO Fonte: http://twitter.com/gabizago (01 de novembro de 2010)
  37. 37. 37 FIGURA 9: TWEET RESPOSTA DE GIOVANNA LIMA Fonte: http://twitter.com/zizica (05 de novembro de 2010)5.3.2 Comentários pessoais/dia a dia Alguns dos tweets publicados pelos entrevistados são de característicapessoal: comentários do dia a dia, que respondem a pergunta inicial proposta pelarede social Twitter: o que está acontecendo. Estes comentários são inevitáveis, pois como Raquel Recuero (2009a)destaca, com base nos estudos de Lemos (2002) e Sibila (2003,2004), que os perfisem redes sociais digitais são uma espécie de narração pessoal, como construção doser.
  38. 38. 38FIGURA 10: TWEET PESSOAL DE GABRIELA ZAGO Fonte: http://twitter.com/gabizago (03 de novembro de 2010)FIGURA 11: TWEET PESSOAL DE GIOVANNA LIMA Fonte: http://twitter.com/zizica (02 de novembro de 2010)
  39. 39. 39 FIGURA 12: TWEET PESSOAL DE LUÍS CELSO JR. Fonte: http://twitter.com/celso14 (06 de novembro de 2010)5.3.3 Autopromoção Como destacado por Gabriela Zago na entrevista por e-mail e tambémmencionado pelos demais entrevistados, alguns dos tweets publicados são umaespécie de autopromoção. O Twitter serve como um disseminador dos trabalhos deautoria desses jornalistas. É possível ver o exemplo captado abaixo: Segundo Raquel Recuero (2009c) com base em uma pesquisa de 2009 daPear Analytics 17 , 5,85% dos tweets são promocionais.17 A pesquisa completa está disponível em: http://www.pearanalytics.com/blog/2009/twitter-study-reveals-interesting-results-40-percent-pointless-babble/
  40. 40. 40FIGURA 13: TWEET PROMOCIONAL DE GABRIELA ZAGO Fonte: http://twitter.com/gabizago (03 de novembro de 2010)FIGURA 14: TWEET PROMOCIONAL DE LUÍS CELSO JR. Fonte: http://twitter.com/celso14 (07 de novembro de 2010)
  41. 41. 41 FIGURA 15: TWEET PROMOCIONAL DE GIOVANNA LIMA Fonte: http://twitter.com/zizica (05 de novembro de 2010)5.3.4 Links Os perfis analisados também apresentaram links externos em seus tweets.São assuntos julgados de interesse pelos entrevistados e publicados em seus perfis. Marcos Palacios (2003) relata a interconexão de textos através de links, comos demais recursos disponíveis – foto, vídeo, animação de uma mesma notícia. Achamada hipertextualidade só tem a contribuir com a ampliação da circulação dojornalismo, em diversas plataformas inclusive as redes sociais.
  42. 42. 42FIGURA 16: LINKS NO TWITTER DE LUÍS CELSO JR. Fonte: http://twitter.com/celso14 (03 de novembro de 2010)FIGURA 17: LINKS NO TWITTER DE GIOVANNA LIMA Fonte: http://twitter.com/zizica (04 de novembro de 2010)
  43. 43. 435.3.5 RTs ou Retweets Retweets ou RTs são mensagens publicadas por outros usuários, quepodem ser replicadas em seu perfil no Twitter. Gabriela Zago e Giovanna Limautilizam o aplicativo do botão retweet, que facilita a replicação destas mensagens emapenas um clique. Luís Celso Jr. não utiliza o botão de retweet, aplicando apenas asigla RT como mostra o exemplo da figura 16. Raquel Recuero (2009b) classifica o retweet como informacional, mesmoque há diversas críticas sobre o mesmo ser conversacional 18 . A autora ressalta queos “retweets são formas de difundir uma informação que alguém considerarelevante”. (RECUEROb, 2009). FIGURA 18: RETWEET DE GIOVANNA LIMA Fonte: http://twitter.com/zizica (06 de novembro de 2010)18 Em seu blog, Raquel Recuero dissertou sobre o botão retweet e apontou pesquisas de autores que acreditamque este recurso no Twitter é conversacional. O post completo pode ser conferido emhttp://www.pontomidia.com.br/raquel/arquivos/sobre_retweets_a_economia_do_twitter.html.
  44. 44. 44 FIGURA 19: RETWEET DE GABRIELA ZAGO Fonte: http://twitter.com/gabizago (03 de novembro de 2010)5.3.6 Localização Dos jornalistas entrevistados, apenas Luís Celso Jr utiliza o recurso delocalização chamado Foursquare. O Foursquare é um geolocalizador de usoexclusivo via celular, que permite o usuário se localizar e publicar suas informaçõesna rede social do serviço (Twitter ou Facebok). O diferencial deste aplicativo, bastante utilizado nos Estados Unidos, é quecada usuário cadastra dicas sobre o local e tem a possibilidade de se tornar oprefeito virtual daquele estabelecimento. Tudo depende da frequência do usuárioque vai ao local.
  45. 45. 45 FIGURA 20: TWEET COM LOCALIZAÇÃO DE LUÍS CELSO JR. Fonte: http://twitter.com/celso14 (03 de novembro de 2010) Com base nestes apontamentos, percebe-se que a prática do jornalismo emredes sociais digitais, como o Twitter, é possível por características próprias eadaptações que o jornalismo vem se modificando em tempos de convergência.
  46. 46. 466 CONSIDERAÇÕES FINAIS O jornalismo pode ser definido como uma prática social marcada por suareinvenção constante. “Ele é (re)construído a partir da participação contínua dediferentes atores sociais (indivíduos, instituições, conceitos e abstrações etc.) queinteragem a partir de um conjunto de normas e convenções, responsáveis pelacoordenação das atividades vinculadas a essa prática”. (ADGHIRNI e PEREIRA,2010). O jornalismo digital não foge a essa regra. Logo, percebemos que ainda quea convergência tecnológica contribua para as mudanças no modo de fazerjornalístico, outros tipos de convergências também influenciam o processo produtivode um jornal, de uma revista ou de qualquer outro tipo de publicação. Aconvergência econômica, por exemplo, tem reduzido o emprego de muitosjornalistas e incentivado a integração de redações on-line e impressas. Aconvergência cultural mostra as criações e a apropriações do público com relaçãoao conteúdo oferecido pelos próprios meios de comunicação. As redes sociaisdigitais, como o Twitter, tem sido foco de atenção dos meios de referência. Afinal, osresultados já são visíveis em relação à possibilidade de se fazer jornalismo emoutras plataformas. Mais do que fazer jornalismo nestas redes, é importante saber como utilizá-las de maneira correta, proporcionando a integração entre o jornalismo e seu maioraliado: o público. Com base nas constatações de convergência de Salaverría, García Avilés eMassip (2008) foi possível perceber que o jornalismo segue um caminho detransformações: o mercado exige um profissional qualificado e multimídia; as
  47. 47. 47redações estão trabalhando para aplicar a web 2.0; são inseridos links e recursospara que a linguagem torne-se mais atraente; o público interage com os profissionaispara opinar e dar sugestões de pauta; e as novas plataformas de produção epublicação surgem como aliadas ao fazer jornalístico. Entre estas redes, foi destacado o Twitter como plataforma de produção deconteúdos jornalísticos. Criado com a finalidade de responder a pergunta inicial “Oque está acontecendo?” (SAGOLLA, 2009), o Twitter é uma ferramenta demicromensagens (RECUERO, 2009), denominada como rede social pelos princípiosde comunicação que proporciona. As características encontradas ao longo deste TCC, e apontadas pela autoracom base em diversas fontes, demonstram que os jornalistas, sejam eles deredação, pesquisadores e até mesmo estudantes de jornalismo, utilizam o Twitterpara diversos fins: contato com o público, comentários do dia a dia, assuntos damídia, links, autopromoção etc. Suas características de layout simples, ágil e limite de publicações em até140 caracteres fazem do Twitter um aliado ao jornalismo digital. Na práticapercebemos e nos atualizamos através dele: portais noticiosos têm perfil no Twitterpara twittar as últimas notícias com links e jornalistas fazem a cobertura minuto aminuto, como exemplo destacado aqui feito pela pesquisadora Gabriela Zago. O Twitter ainda abre espaço para a possibilidade de atualização via celular,não só de notícias, mas também de aplicativos instalados como o Foursquare. Sãorecursos disponíveis que marcam a era de uma internet móvel e colaborativa, feitapor cidadãos. Nas entrevistas com os jornalistas foi possível perceber que a apropriaçãodo Twitter como ferramenta de uso jornalístico cresce a cada dia. Mesmo que os
  48. 48. 48jornalistas utilizem a rede social para comentar ações cotidianas, eles fazemquestão de opinar, trazer notícias com links interessantes e também de manter ocontato com o público. As ações no Twitter ainda são próprias de cada profissional,mas é possível perceber a construção de algumas regras que podem funcionar parao jornalismo feito em 140 caracteres. Essas e outras mudanças no processo jornalístico nos fazem pensar quetodos precisam estar preparados: os profissionais, jornalistas de todas as áreasnecessitam estar no Twitter para se conectar com o mundo e saber os assuntosmais comentados; as redações precisam estar para publicar suas últimas notícias epraticar seu marketing; e o público precisa dar sua opinião, contestar e participar daprodução/apuração da notícia. Há um longo caminho pela frente, mas as constatações nos mostram que ojornalismo começa a aproveitar os recursos da rede social digital denominadaTwitter. Em era de web colaborativa, o jornalismo continua a sua jornada: sereinventa a cada dia.
  49. 49. 49REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADGHIRNI, Zélia Leal; PEREIRA, Fábio Henrique. Mudanças estruturais nojornalismo: alguns apontamentos. Trabalho apresentado no VIII Encontro Nacional dePesquisadores em Jornalismo. Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 8 a 10novembro de 2010. AMARAL, Adriana; RECUERO, Raquel; MONTARDO, Sandra. Blogs.com: estudossobre blogs e comunicação. São Paulo: Momento Editoral, 2009. Disponível em:http://www.sobreblogs.com.br/blogfinal.pdf. Acesso em: 06 mai. 2010. BARBOSA, Suzana. Convergência jornalística em curso: as iniciativas paraintegração de redações no Brasil. In: RODRIGUES, Carla (Org). Jornalismo On-line: modosde fazer. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio: Editora Sulina, 2009. p. 35-55. FOLLETO, Leonardo. O blog jornalístico: definição e características na blogosferabrasileira. Dissertação de mestrado. Florianópolis, 2009. Disponível em:http://www.scribd.com/doc/20861245/O-Blog-Jornalistico-definicoes-e-caracteristicas-na-blogosfera-brasileira. Acesso em: 12 out. 2010. GARCÍA AVILÉS, José Alberto; SALAVERRÍA, Ramón; MASIP, Pere.Convergencia periodística em los médios de comunicación. Propuesta de definiciónconceptual y operativa. In: SÁBADA, Charo et al. Métodos de investigación sobreconvergencia periodística. In: NOCI, Javier Díaz; PALACIOS, Marcos (Org). Metodologiapara o estudo dos cibermeios: estado da arte & perspectivas. Salvador: EDUFBA, 2008. IBOPE. Estudo inédito avalia o comportamento do consumidor brasileiro. SãoPaulo, 29 de abril de 2008. Disponível em:http://www.ibope.com.br/calandraWeb/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj=PortalIBOPE&pub=T&db=caldb&comp=IBOPE+M%EDdia&docid=6C5AA230D1120BB48325743A00462B28. Acesso em: 04 out. 2010. _____. O meio rádio alcança 77% dos brasileiros. São Paulo, 30 de setembro de2010. Disponível em:http://www.ibope.com.br/calandraWeb/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj=PortalIBOPE&pub=T&db=caldb&comp=Notícias&docid=62C7F2CA70C4C86E832577AE00512CD3.Acesso em: 30 out. 2010. JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Editora Aleph, 2008. JORGE, Thaïs de Mendonça; PEREIRA, Fábio Henrique; ADGHIRNI, Zélia Leal.Jornalismo na internet: desafios e perspectivas no trinômio formação/universidade/mercado.In: RODRIGUES, Carla (Org). Jornalismo On-line: modos de fazer. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio: Editora Sulina, 2009. p. 75-96. KARASINSKI, Eduardo. O que é a rede social Foursquare e quais as vantagensdela? Artigo publicado no portal Baixaki. Curitiba, 20 de abril de 2010. Disponível em:http://www.baixaki.com.br/tecnologia/4092-o-que-e-a-rede-social-foursquare-e-quais-as-vantagens-dela-.htm. Acesso em: 20 nov. 2010.
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  52. 52. 52APÊNDICESENTREVISTA COM GABRIELA ZAGO, JORNALISTA E PESQUISADORA DECIBERCULTURA, VIA E-MAIL EM 22 DE OUTUBRO DE 2010.De: Gabriela Zago gabrielaz@gmail.comPara: Aline Vonsovicz alinevonsovicz@gmail.comData: 22 de outubro de 2010 17:15Assunto: Re: Questionário - TCC Aline Vonsovicz-Com que relevância você utiliza o Twitter?Uso o Twitter para postar links para notícias e posts sobre assuntos que me interessam e quetambém possam interessar à minha rede de contatos, também para conversar com outras pessoas,para comentar fatos mais ou menos pessoais (não muito íntimos), às vezes também para umaespécie de "auto jabá" (divulgar meu próprio trabalho). Coisas mais pessoais eu posto no Plurk, paraum grupo de amigos mais restrito.-Vejo que também publica tweets conversacionais (direcionado a um @ + nome dousuário). Há algum tipo de seleção ao publicar seus tweets?Uso os replies para tratar de assuntos que embora sejam em resposta ou direcionados para algumindivíduo em específico, a temática tratada pode interessar outras pessoas, ou ainda não háproblema nenhum em manter o assunto em público. O interessante disso é que algum contatorecíproco pode ver a conversa e resolver tomar parte dela, tornando a conversação no Twitter aindamais dinâmica e peculiar. Se o assunto não puder ser tratado em público, ou disser respeito apenasaos participantes envolvidos na conversa, aí costumo tratar por DM ou então por e-mail mesmo.-A limitação de caracteres pode ser um empecilho na hora de postar o tweet?A limitação é o que confere a graça do Twitter. Ela pode atrapalhar às vezes, mas não é nada quenão se possa desdobrar em dois ou mais tweets. Se quero dizer algo para alguém e não cabe em140 caracteres, é sinal de que o assunto deveria ser tratado por e-mail.-Na sua opinião, como Twitter contribuiu para o fazer jornalístico?Acredito que o Twitter tem contribuído em diversas etapas do processo jornalístico. Não só na formaóbvia de se puder usar a ferramenta para publicar tweets com notícias, ou link para notícias, comotambém podendo servir de fonte para o jornalismo, ou ainda contribuindo para a circulaçãojornalística, uma vez que o link para uma notícia no Twitter atrai mais visitas para o site do jornal, porexemplo.-Qual é a sua opinião sobre os perfis jornalísticos no Twitter?Inicialmente, eles tendiam a ser mais voltados apenas para postagem de manchetes e links. Aospoucos os veículos foram se apropriando da ferramenta e experimentando novas utilizações. Emboraainda tenha muito o que se explorar - as possibilidades são infinitas - acho interessantes os perfis queusam a ferramenta não só para distribuir notícias e links, como também para lançar perguntas aosleitores, responder mensagens enviadas, enfim, para participar na rede.-O processo produtivo do jornalismo, na sua opinião, mudou com o uso do Twitter? Justifiquea sua resposta.Acho que na verdade não mudou por causa do Twitter, mas sim vem se modificando aos poucos emdecorrência das redes sociais na Internet como um todo, e também por conta do Twitter. Perfis emredes sociais são usados como fontes ou ilustração em notícias, os jornalistas passam a recorrer aesses espaços em busca de pautas e de fontes. Atualmente a rede onde isso é mais visível de
  53. 53. 53acontecer é no Twitter, e ele não só aparece no momento da produção, como também se integra aoutras etapas do jornalismo (como circulação e consumo).-Na sua opinião, o Twitter estreitou laços entre redações jornalísticas X público? De quemaneira?Acho que apesar de o Twitter possibilitar a comunicação de duas vias, o que se observa é que elaacaba partindo muito mais de um dos lados (do público) com bem menos respostas do outro lado(jornalismo). Em termos práticos isso significa que o leitor/interagente pode enviar comentários oufazer perguntas pelo Twitter, mas nem sempre ele será lido, e em menos vezes ainda serárespondido. Alguns veículos optam por fazer um uso totalmente unidirecional do Twitter, semresponder ninguém. Outros respondem alguns, até porque seria impossível responder a todos. Decerta forma, há uma ilusão de maior proximidade com os veículos para os leitores, pois eles podementrar em contato com jornalistas e jornais, ainda que nem sempre possam ser respondidos.-Como o público tem se comportado diante desta ferramenta?O que observo é que a brevidade das atualizações tem estimulado retweets, comentários, e outrascontribuições por parte do público dos jornais. Eles também fazem perguntas, buscam saber maisdetalhes sobre as notícias, questionam pela ferramenta.-Com a presença de perfis jornalísticos, o Twitter influenciou a participação do público nofazer jornalístico?Acho que já mais ou menos respondi na questão anterior. :PE reforço o que já disse antes, o público tem participado não só na produção de notícias, comotambém contribui para a circulação jornalística - ao retwittar, comentar ou linkar notícias.ENTREVISTA COM GIOVANNA LIMA, ESTUDANTE DO QUARTO ANO DEJORNALISMO, VIA E-MAIL EM 22 DE OUTUBRO DE 2010.De: Giovanna Lima giovannaglima@gmail.comPara: Aline Vonsovicz alinevonsovicz@gmail.comData: 22 de outubro de 2010 02:20Assunto: Re: Questionário - TCC Aline Vonsovicz-Com que relevância você utiliza o Twitter?Compartilhar notícias, textos, opiniões e dividir algumas ironias e tragédias da minha vida. Exponhotambém alguns aplausos e vaias sobre temas que me interessam, como sexo, drogas,homossexualidade, álcool, literatura, jornalismo.-Vejo que também publica tweets conversacionais (direcionado a um @ + nome dousuário). Há algum tipo de seleção ao publicar seus tweets?Converso com quem considero ter uma opinião ou um ponto de vista relevante. Gosto do twitter paraconversar, debater e dividir informações mais que o MSN. No twitter a conversa é menos forçada, nãotenho a obrigação de responder sempre e posso parar de falar quando eu quiser.Quando quero tuitar algo que já foi publicado, sempre uso o @. Gosto dessa possibilidade de dar odevido crédito ao emissor de certa informação ou opinião.-A limitação de caracteres pode ser um empecilho na hora de postar o tweet?Poucas vezes. Porém confesso que em alguns dias preciso gastar uns quatro tweets pra relataralgum acontecimento ou mostrar uma indignação mais profunda.Mas normalmente, me dou bem com
  54. 54. 54os 140 caracteres, é só fazer uma boa síntese. Além disso, o baixo número de caracteres faz o twitterfluir. O conteúdo é dinâmico e não monótono e estagnado como num jornal, por exemplo.-Na sua opinião, como Twitter contribuiu para o fazer jornalístico?Extremamente. As informações vem muito mais rápido do que nas outras mídias. O jornalista nãoprecisa mais ir até o local do acontecimento ou esperar a divulgação da notícia no rádio. Com otwitter, o jornalista perdeu o mérito do furo. Ele fica com o trabalho de confirmar o ocorrido e divulgarisso de maneira relevante. Certos usuários do twitter podem até publicar uma notícia, por exemplo,mas não sabem selecionar o conteúdo que o público saber. O jornalista entra nessa situação,expondo os dados e usando uma linguagem que possa colaborar para o entendimento econhecimento do público.-Qual é a sua opinião sobre os perfis jornalísticos no Twitter?É muito interessante ver o conteúdo que os jornalistas selecionam para compartilhar no twitter. Emrelação ao perfil do jornalistas - pessoa física - dá pra sentir um pouco dos seus gostos e observaralgumas opiniões. É legal quando você encontra um jornalista com opiniões dignas de reflexão, quevocê o segue mesmo sabendo que normalmente seu ponto de vista e o dele entram em divergência.Os perfis jornalísticos - de portais ou jornais - não me atraem tanto. O conteúdo disponibilizado notwitter é o mesmo que o publicado em tal portal ou site do jornal. Não há grande diferença parapessoas que como eu, ficam atualizando o tempo todo tais endereços. Além disso, ainda faltainteratividade na maioria dos perfis jornalísticos. O veículo parece se importar apenas com adivulgação do conteúdo, ao invés de ouvir o público.-O processo produtivo do jornalismo, na sua opinião, mudou com o uso do Twitter? Justifiquea sua respostaCertamente. Como já disse, não existe mais o mérito do furo pelo jornalista. Cabe a ele aconfirmação, decodificação e a transmissão da informação. Antes das novas mídias, como o twitter, aprodução de mão única. Nesse novo processo, os usários do twitter funcionam também comoemissores. Há muitos pontos positivos nessa troca, o público colabora com o processo de produção eo jornalista tem facilidade na apuração. O conteúdo cada vez mais vai se adequando aos interessesdo público. Antigamente, a seleção de notícias ficava somente à critério do jornalista.-Na sua opinião, o Twitter estreitou laços entre redações jornalísticas X público? De quemaneira?Sim. O público se sente mais próximo das redações jornalísticas. Ele pode comentar cada tweet emtempo real, além de ter a possibilidade de ser ouvido pelos profissionais que trabalham na empresa.Outra coisa é que o conteúdo divulgado pelo público pode ser retuitado pelas empresas, passandoainda mais a sensação de laços estreitados.Antes o contato com o jornal era mínimo, feito apenas por cartas, que quase nunca eram publicadas.Depois, o contato passou a ser um pouco mais próximo, pelo email. Nas redes sociais as redaçõesparecem atingir o patamar mais alto de comunicação com o leitor. Só é preciso saber utilizaradequadamente o twitter e as demais redes sociais.Na minha opinião, as redações ainda pecam no quesito interatividade. Falta dar mais voz, maisvalorização pra esse público. Algumas empresas apenas repetem o tratamento de indiferença com opúblico nas redes sociais. Já mandei reply para o iG e para a Gazeta do Povo fazendo perguntas enão obtive respostas. Quando as redações ignoram o público, continua aquele formato engessado dejornalismo de mão única, sem trocas.-Como o público tem se comportado diante desta ferramenta?O público tem colaborado com um grande volume opiniões. É muito mais fácil e prático dar um replyem certo tweet do que enviar um email, por exemplo. As pessoas se sentem mais próximas, maisíntimas das redações através do twitter. Quando algum jornalista faz uma pergunta via twitter, porexemplo, o número de respostas é imenso. O público colabora em uma proporção muito maior notwitter.-Com a presença de perfis jornalísticos, o Twitter influenciou a participação do público nofazer jornalístico?Certamente. Como já disse, é muito mais fácil e prático opinar depois do surgimento do twitter. Essamídia permite um dinamismo jamais visto nos meios de comunicação. É muito mais fácil também,retuitar alguma notícia ou opinião. Antes do twitter, o público poderia compartilhar o conteúdo no blog,
  55. 55. 55por exemplo, mas esse processo é extremamente mais lento. O conteúdo é repassado com umarapidez inédita no twitter. A resposta do público vem num fluxo bastante grande, colaborando para aprodução do jornalista. Tudo isso faz o público ficar cada vez mais satisfeito.ENTREVISTA COM LUÍS CELSO JÚNIOR, JORNALISTA E COLUNISTA DOJORNAL GAZETA DO POVO, VIA E-MAIL EM 08 DE NOVEMBRO DE 2010.De: Celso14 celso14@gmail.comPara: Aline Vonsovicz alinevonsovicz@gmail.comData: 08 de novembro de 2010 12:05Assunto: Re: Questionário - TCC Aline Vonsovicz-Com que relevância você utiliza o Twitter?Utilizo o Twitter para vários fins diferentes, e com graus diferentes de relevância para cada um deles -a meu ver relevância é algo que se determina em relação a algum referencial. Além disso, achoimportante esclarecer que gerencio alguns perfis diferentes (do meu blog e, de vez em quando,alguns do jornal onde trabalho). Com isso, por ser de conhecimento de muitos que estou por trás dosperfis "coorporativos", há muita mistura de informações - perguntas que são profissionais acabamdirigidas para o perfil pessoal, etc.O uso mais frequente é, com certeza, pessoal, marcando encontros com amigos, trocandoinformações, publicando e lendo "links" do que julgo interessante. Para uso mais profissional,algumas vezes pedi indicação de fontes e personagens, ou fiz primeiros contatos com fontes viaTwitter. Também divulgo links das reportagens produzidas por mim ou que leio e julgo interessantes.Frequentemente, respondo a dúvidas sobre conteúdos publicados e outras informaçõesprincipalmente sobre cerveja, programação cultural e dicas de bares, assuntos mais relacionado aomeu nome. Também recebo sugestões de pauta e, claro, serve como fonte de leitura de assuntosjornalísticos.Como uso profissional, julgo relevante essa interatividade. É muito mais do que muitos perfiscoorporativos fazem. No entanto, em menor proporção.-Vejo que também publica tweets conversacionais (direcionado a um @ + nome dousuário). Há algum tipo de seleção ao publicar seus tweets?Em geral, a seleção temática é o próprio gosto do twitteiro. Publico o que gosto e julgo que quem melê vai gostar também. Além de algumas coisas mais pessoais, aí sem tanta relevância para o público.Se há alguma preocupação é justamente de não ser excessivamente pessoal (confessional?), comoperfis somente pessoais. Como jornalista também somos em algum proporção figuras públicas, ecertos tipos de informações não "fica bem" abrir na internet - isso vale, na minha opinião, tambémpara outras redes, como Facebook, por exemplo.Quanto aos posts conversacionais, seguindo os mesmos princípios acima, procuro responder atodos. No meu perfil pessoal o volume não é tão grande para que eu tenha que aplicarnecessariamente um critério de seleção do que responder ou não.-A limitação de caracteres pode ser um empecilho na hora de postar o tweet?Normalmente, não. As complicações são raras (uma resposta grande demais, um post maiscompleto), mas a solução é fácil (normalmente se divide em mais de um twit).-Na sua opinião, como Twitter contribuiu para o fazer jornalístico?De várias formas. As melhores delas envolvem a interatividade com o outro, ou seja, umacomunicação realmente de duas vias. Sugestões de pautas, comunicação de erros, protestos, fontes,personagens, enquetes, etc. No entanto, apesar de experiências já estarem sendo desenvolvidasnesse sentido - o uso jornalístico do Twitter há um ano era limitando apenas a publicação de links -
  56. 56. 56poucas resultam em interferências mais profundas. Acredito que o ponto é hoje menos formal do quede se ter uma comunicação realmente efetiva, que altere algo na outra ponta, gere comunicaçãoefetivamente.Perfis pessoais de jornalistas acabam seguindo um padrão parecido com o meu, dando maiorabertura para os demais usuários, mas os coorporativos ficam mais "presos", e acabam se limitandoa poucas interações ou, quando acontecem, ficam limitadas a um setor menor da redação ou daempresa. Não afetam ela como um todo.-Qual é a sua opinião sobre os perfis jornalísticos no Twitter?Perfis coorporativos perdem um pouco desse tom pessoal que, em grande parte, torna o Twitter tãointeressante enquanto rede social. Representar uma marca ou empresa é difícil nesse ambiente.Muitos viram apenas publicadores de links. Nada contra, contanto que seja claro esse o propósito.-O processo produtivo do jornalismo, na sua opinião, mudou com o uso do Twitter? Justifiquea sua resposta.Respondi um pouco nas perguntas anteriores. Acho que altera, mas ainda é pouco perto do potencialque há. Como disse, é possível achar fontes e personagens, fazer enquentes, mas acredito quedificilmente o Twitter, de forma interativa, muda o direcionamento de uma pauta ou a manchete de umjornal ainda. Raras ocasiões um político, ou uma personalidade, publica informações em seu perfilque se tornam relevantes a ponto de fazer mudanças mais profundas.-Na sua opinião, o Twitter estreitou laços entre redações jornalísticas X público? De quemaneira?Acho que é um início, mas ainda há pouca interação efetiva. Além da interação direta com os perfiscoorporativos, o público acaba sendo ouvido em tempo real pelos jornalistas presentes na rede. Alémdo que o Trend Topics, por exemplo, acaba servindo como termômetro dos assuntos mais discutidos.No entanto, como disse, falta uma efetividade, uma profundidade maior dessa comunicação.-Como o público tem se comportado diante desta ferramenta?Há uma "regra" de proporção que condiz bastante com a realidade. Ela diz que de 100 usuários quelêem a mensagem, 10 provavelmente vão retransmitir e apenas 1 vai comentar. Apesar de grandeparte do público on-line saber que é possível interagir, poucos o fazem. Normalmente estão mais avontade para fazer isso com amigos e conhecidos, não com jornais. Isso dificulta bastante a criaçãode conteúdos mais interativos, como de colaboração coletiva, se não há uma boa recompensa ouestímulo (promoção, sorteio, etc).No entanto, os que já tem o hábito da interação são bastante ativos, pedindo por esse tipo decomunicação. Há vários fatores que levam a isso, entre eles a experiência do usuário com aferramenta e com a internet como um todo. Não podemos esquecer que no Brasil ainda estamos emtempo de inclusão digital, ao mesmo em que já há usuário muito avançados. O público é bastantevariado, e tende a ser mais ainda nos próximos anos.-Com a presença de perfis jornalísticos, o Twitter influenciou a participação do público nofazer jornalístico?Bem, como sempre, estou me adiantando nas perguntas. Isso está, de certa forma, respondido nasperguntas anteriores. O público ainda fica bastante tímido diante dos perfis coorporativos, pois elesnão tem um rosto, uma personalidade real. Mas há experiências interessantes da participação dopúblico. Algumas radicais, como a participação do Twitter nos protestos do Irã, onde não hájornalistas, e o relato era a única fonte de informação disponível. Outras mais suaves, comonewsgames e outros aplicativos integrados com o Twitter.

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