Imagem de um grupo compacto de galáxias (Hickson no. 87) obtida com o Telescópio Gemini Sul




             Brasil
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Thaísa Storchi
Bergmann
/ UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL




TEXTO MARCO ANTINOSSI



Em Novembro de 19...
THAÍSA STORCHI BERGMANN, ASTROFÍSICA, p43




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Thaisa Storchi-Bergmann (excerto do livro "Vidas a Descobrir")
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Thaisa Storchi-Bergmann (excerto do livro "Vidas a Descobrir")

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Thaisa Storchi-Bergmann (excerto do livro "Vidas a Descobrir")

  1. 1. Imagem de um grupo compacto de galáxias (Hickson no. 87) obtida com o Telescópio Gemini Sul Brasil TEXTO MARCO ANTINOSSI Astrofísica DATA DA REPORTAGEM 08/2007 Thaísa Storchi Bergmann p41
  2. 2. Thaísa Storchi Bergmann / UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL TEXTO MARCO ANTINOSSI Em Novembro de 1991, a astrofísica bra- mas, afastada a hipótese, um entusiasmo sileira Thaísa Storchi Bergmann participava nervoso tomou conta deles. em mais uma noite de trabalho, no Obser- Thaísa Bergmann estava a registar, pela vatório Inter-Americano de Cerro Tololo, primeira vez numa galáxia próxima da 2 a 2700 metros de altitude nos Andes chi- Terra, o chamado ‘disco de acreção’, que lenos. Seria a primeira de uma série de três veio confirmar a existência de um buraco noites de observação para o seu trabalho de negro de grande massa, equivalente a pelo pós-doutoramento. O alvo do telescópio menos um milhão de vezes a massa do 3 naquela noite era uma galáxia a 60 milhões Sol, no centro daquela galáxia . Um gigan- 1 de anos-luz da Terra. Ao analisar o espec- tesco aspirador de matéria. «Passei várias tro de luz da galáxia, a astrofísica detectou noites depois sem dormir, tal foi a minha uma forte luz vermelha. O resultado era excitação.» A observação daquela noite surpreendente. A cientista e o seu cola- transformou a vida de Thaísa e teve grandes borador, Andrew Wilson, pensaram que repercussões no entendimento que a astro- se tratasse de um defeito do equipamento nomia moderna tem dos buracos negros. O desejo de fazer ciência começou ainda cas, aos 10 anos. Logo depois deram-lhe cedo, na sua cidade natal de Caxias do Sul, de presente um pequeno microscópio e, a 130 quilómetros de Porto Alegre, capital a partir de então, começou a deixar as do estado do Rio Grande do Sul. Despertou bonecas de lado para se dedicar a recolher nela de forma espontânea. É filha de pai sujidade no ralo da banheira e moscas no contabilista, de origem humilde que nunca quintal, para observar ao microscópio. frequentou a universidade. A mãe, profes- Depois de concluir o ensino médio, sora primária, cursou a faculdade depois de rumou a Porto Alegre e foi morar numa criar a família. Thaísa nasceu em 1955, foi a república de mulheres para fazer o curso primeira filha do casal, que tem mais duas superior. Passou com muito boas notas no filhas e um filho. A sua família é de origem vestibular (exame de entrada no ensino italiana, de imigrantes que chegaram à superior), o que lhe deu o direito de esco- região em 1870. lher o curso de sua preferência. Optou por Thaísa Bergmann não teve propriamente Arquitectura na UFRGS, influenciada por alguém que influenciasse a sua escolha uma prima que tinha morado com a sua profissional. Foi na própria escola que família durante três anos. escolheu aquilo de que mais gostava. «Tive No primeiro semestre do curso, ma- bons professores que despertaram em mim triculou-se em nove disciplinas, quando o interesse pela ciência. Sabia desde crian- o recomendado era apenas seis, como ça que queria ser uma cientista», conta. forma de aproveitar o tempo e concluir a Lia muito. Montou um laboratório numa licenciatura mais rapidamente. Naquele estante de sua casa, com soluções quími- mesmo semestre, ainda encontrou tempo 1. Cada ano-luz equivale a 9,5 biliões de quilómetros. 2. Uma espécie de nuvem de gás quente achatada, semelhante 60 milhões de anos-luz não deixa de ser uma distância a um disco, composta por plasma (o quarto estado da matéria, relativamente próxima segundo os padrões astronómicos. uma mistura de protões e electrões) e por hidrogénio que gira em torno de um buraco negro de grande massa.
  3. 3. THAÍSA STORCHI BERGMANN, ASTROFÍSICA, p43 Foto: arquivo pessoal de Thaísa Storchi Bergmann Thaísa Storchi Bergmann com 3 anos de idade, na praia de Tramandaí, Rio Grande do Sul, 1959 para um emprego em part-time, mas não da universidade chegou a prestar provas lhe sobrava tempo para literalmente mais para ingressar no curso de Música, acredi- nada. Depressa percebeu que não era nada tando ser possível estudar piano e Física, já aquilo que gostava de estudar. «Durante os que tinha praticado o instrumento durante primeiros meses do curso de Arquitectura, muitos anos na juventude. «Bastou um fiz uma disciplina no Departamento de semestre para me dar conta de que não ia Física. Comecei a perceber que aquele era ser possível. A professora de piano queria o meu meio e pedi logo transferência. A que eu estudasse quatro horas por dia, e minha família e o meu namorado (actual assim não me sobrava tempo para estudar marido) achavam que eu deveria fazer um mais nada. Acabei optando pela Física e curso que permitisse um trabalho a meio abandonando o piano», conta. tempo para possibilitar uma futura dedica- Logo no início do curso, Thaísa percebeu ção à família. Acho que aquela pressão teve que gostaria de dedicar a sua vida à inves- o efeito contrário. Acabei por escolher uma tigação científica, mas ainda não era claro profissão terrivelmente competitiva que aquilo que queria estudar. Foi um profes- me afastou muitas vezes das actividades sor que influenciou a sua decisão, o as- familiares.» trofísico Edmundo da Rocha Vieira, então Transferiu-se para o curso de Física em responsável pela disciplina de Mecânica 1974, aos 18 anos. No início, achou tudo Clássica. Thaísa chamou-lhe a atenção e muito difícil. Costumava tirar boas notas este ofereceu-lhe uma bolsa de iniciação na escola, onde dominava com relativa científica durante o último ano do curso de facilidade os conteúdos. Na universidade, Física. Foi assim que a cientista começou a porém, os professores dividiam com os sua carreira. alunos a responsabilidade pelos conteú- «Gostava muito de ler livros de ficção dos. «Fiquei um pouco atrapalhada no científica. Um dos meus autores preferidos 4 início por não conseguir vencer todas as era Isaac Asimov mas não cheguei a ter um actividades e leituras propostas. Estudava ídolo, ou um modelo. Ficava mais impres- muito», afirma. Ainda nos primeiros anos sionada com as pessoas que conhecia de 3. A existência de um «disco de acreção» em torno de buracos 4. Isaac Asimov (1920-1992), escritor russo famoso por negros supermassivos havia sido proposta apenas em teoria, popularizar a ciência e como autor de séries famosas, como nunca tinha sido confirmada na prática. Fundação e Robôs, onde criou as três leis da robótica.

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