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STUB - SERVIÇO DE TRANSPORTES URBANOS DE BRAGANÇA                                                        SERVIÇO DE       ...
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CONTEXTO TERRITORIALLocalizado no extremo nordeste do País, o concelho de Bragança,tem uma área de 1174 Km2, distribuídos ...
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(fig.1) Distribuição populacional na área do Concelho de                                               Bragança           ...
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EVOLUÇÃO DOS PERCURSOSNo dia 21 de Dezembro de 1984 o executivo camarário de Bra-gança, então liderado pelo presidente Jos...
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Apresentação pública dos primeiros quatro autocarros21 de Dezembro de 1984                             21
Ainda no ano de 1985 a própria experiência dos serviços mostrou a neces-sidade de alargamento e adaptação dos percursos, q...
Cada uma destas linhas ficou devidamente dividida por zonas.Em 1989 foi criada a Linha 7 até Meixedo.Já em 1996 houve prol...
No mesmo ano o serviço chegou às localidades de Sanceriz e Sendas.Em 2005 surge mais uma linha na cidade, a Linha Azul, se...
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(fig.2) Mapa de cobertura do STUB na cidade de BragançaExiste alguma especialização funcional ao nível das diferentes lin-...
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Esta especialização funcional não levanta qualquer problema, dadoque é fácil e cómodo o transbordo, quer do ponto de vista...
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(fig.3) Mapa de cobertura do STUB do concelho de Bragançaordem dos 42 minutos e o tempo médio de cerca de 36 minutos,sendo...
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CUSTOS/BENEFÍCIOSQuando foi criado o Serviço de Transportes Urbanos de Bragança foi fixadoo tarifário, em reunião de Câmar...
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Tarifários 1990‐2000          12000,00          10000,00           8000,00Escudos           6000,00                       ...
(fig.6) Evolução das tabelas de preços praticados até 2004                                     Tarifários 2001‐2004 30,00 ...
dos serviços prestados é muito diferente da receita virtual (se osserviços fossem pagos na totalidade sem qualquer tipo de...
No entanto, tendo como missão a prestação de um serviço público,para garantir a mobilidade dos munícipes, e atendendo aos ...
Custos e Receitas do Serviço                                                               Custos e Receitas do Serviço900...
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EVOLUÇÃO DOS PASSAGEIROSEm 1985, apenas com quatro linhas urbanas que garantiam o trans-porte na cidade, 59462 passageiros...
(fig.9) Evolução do número de quilómetros percorridos e de                          passageiros transportados por anoo exi...
Quilómetros e Passageiros1.200.0001.000.0001 000 000 800.000 600.000                                                      ...
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O TESTEMUNHO DA POPULAÇÃONo meio rural ou urbano a opinião da população sobre o Serviçode Transportes Urbanos de Bragança ...
emigrou para o Brasil à procura de uma vida melhor. As recordações,essas, ficaram para sempre na memória. “Antes de ir par...
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calma e além disso a viagem também não é muito cara, tambémtenho passe que dá para andar um mês sem me preocupar”,lembra. ...
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ANTÓNIO MOREIRA“Vou a todas as feiras, dá muito jeito, já há muitos anos que utilizoeste transporte para ir para Bragança ...
LEANDRO SANTOS“Estudo na Escola Paulo Quintela e sou de Rebordãos. Como a minhaaldeia é perto de Bragança não me custa nad...
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Vânia Sofia Gonçalves“Sou estudante na Escola Emídio Garcia, tenho 16 anos, e desdeque estudo em Bragança que o meu transp...
Diana Pereira“Estou no 7º ano e é o STUB que me traz para a escola e que meleva para casa todos os dias da semana. A viage...
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ANA MARIA AVELEDA“Durante a viagem também aproveitamos para pôr a conversa emdia e saber novidades destas aldeias próximas...
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GULLIVER, O ELÉCTRICOHá cinco anos que um novo conceito de transporte ecológico che-gou à cidade de Bragança. Desde essa a...
preciso e é bastante prático porque é baixinho e não é precisosubir escadas”, acrescenta. Maria Ermelinda de 73 anos comun...
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ANA FERREIRA“Moro na zona do Bairro do Pinhal e às vezes meia hora chega per-feitamente para fazer as compras. Antes tinha...
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SÃO MORAIS“Vivo no bairro São Sebastião e utilizo este transporte (Gulliver)para ir ao centro da cidade para ir às compras...
SANDRA LOPES“Trabalho na zona das Cantarias mas moro no Bairro São Sebastiãoe não tenho carro, por isso, utilizo diariamen...
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ISAURA DA CONCEIÇÃO“Utilizo quase todos os dias para ir para o centro da cidade. Quemutiliza mais são as pessoas idosas. V...
Carla Centeno“Moro em Caravela e estudo na Escola Secundária Miguel Torga emBragança. Há dois anos que utilizo o eléctrico...
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UMA HISTÓRIA DE VIDACarlos Pinto, 68 anos, é actualmente revisor dos STUB mas já foimotorista, alias um dos primeiros. A i...
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Quando foi integrado no serviço chegou numa fase de estru-turação ou de consolidação da rede STUB?Estavam a evoluir mas só...
primeiros.Nessa altura ainda tinham que fazer a contagem dospassageiros em cada paragem?Não, apenas fazíamos a contagem de...
Essa empatia entre motoristas e passageiros mantém-seactualmente?Sim, de uma certa maneira sim, mas hoje há inclusive auto...
Sim, sem dúvida. Além das escalas estarem melhor organizadas, oserviço evoluiu muito, houve necessidade de mais motoristas...
de Onor eram muito complicadas, era preciso ter muito cuidado. Aspessoas nessa altura também percebiam que a culpa era da ...
para dotar a frota de bons autocarros. Desde que o Eng. Nunesentrou para o executivo houve uma melhoria significativa no s...
Isso é especialmente visível no mundo rural?Sim, apesar do despovoamento contínuo, o nosso trabalho é espe-cialmente visív...
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UMA APOSTA DE FUTUROOlhar para o futuro acreditando no incremento da economia e nasustentabilidade ambiental implica pensa...
de origem fossil (gasóleo, gasolina, etc.). Da queima desses com-bustíveis resulta a emissão de gases para atmosfera respo...
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No ano em que o Serviço de Transportes Urbanos de Bragança (STUB) assinala 25 anos de existência (1985-2010), editamos este livro que pretende demonstrar como um serviço, actualmente con- siderado imprescindível, nasceu e se foi adaptando às necessidades dos utentes, evoluindo ao longo dos tempos. O serviço arrancou com apenas quatro autocarros, outros tantos percursos, assegura- dos pelo mesmo número de motoristas. Actualmente existem qua- tro linhas urbanas e 12 rurais, percursos feitos por 18 viaturas e 24 motoristas, que garantem, em conjunto com operadores privados, uma cobertura muito satisfatória de todo o concelho.

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  1. 1. STUB - SERVIÇO DE TRANSPORTES URBANOS DE BRAGANÇA SERVIÇO DE TRANSPORTES URBANOS DE BRAGANÇA 1 1985 - 2010
  2. 2. 2
  3. 3. 3
  4. 4. Ficha Técnica:Título: STUB - Serviço de Transportes Urbanos de BragançaEdição: Câmara Municipal de BragançaCoordenação: Rui CaseiroProdução e Composição Gráfica: Conteúdo Chave, Lda.Fotografia: Manuel Teles e Conteúdo Chave, LdaImpressão: Casa de Trabalho Dr. Oliveira SalazarTiragem: 1000Depósito Legal: 4
  5. 5. STUB Serviço deTransportes Urbanos de Bragança 5
  6. 6. MENSAGEM DO PRESIDENTE Lembro a importante decisão política tomada pela Câmara municipal de Bragança, presidida pelo Eng.º José Luís Gomes Pinheiro e que a 21 de Dezembro de 1984 permitiu, brindar a cidade com um Serviço de Transportes Urba- nos de passageiros, e que iniciou com quatro linhas urbanas para transportar trabalhadores e estudantes dos muitos e distantes bairros dacidade. O inicio do serviço foi festejado com desfile da frota pelasruas da cidade, em dia de feira, sendo compreensível a alegria queesta medida proporcionou aos cidadãos. Hoje a cidade está muitomais compacta em termos de edificação, de infra-estruturas, deequipamento e de espaços verdes.Nos primeiros anos, o serviço evoluiu para uma vertente de 6
  7. 7. transporte mais rural, servindo progressivamente aldeias maispróximas da cidade e uma ou outra mais isolada, como Rio de Onor.Lembro que há 25 anos atrás, num concelho tão grande em área enúmero de aldeias, poucas pessoas na área rural tinham transportepróprio, também na cidade a situação era muito diferente da actual,os táxis eram em número mais reduzido, as linhas de transportepúblico privado serviam um número restrito de percursos, por issoa população não dispunha das facilidades actuais de transporte. Nas duas últimas décadas, um conjunto de factores de que sali-ento, a extinção do transporte ferroviário, o abandono das activi-dades agrícolas, a forte diminuição e envelhecimento da populaçãoresidente nas aldeias, o abandono por parte das empresas privadasde algumas linhas de transporte público, por falta de rentabilidade,o encerramento generalizado de escolas por falta de alunos, colo-caram no município uma elevada responsabilidade financeira aopretender assegurar as necessárias condições de mobilidade aoscidadãos de todas as idades.A Administração Central ignorou esta evolução negativa e deixouque as coisas se resolvessem por si, o mesmo é dizer pelos municí-pios que o pudessem fazer, sem que viesse a colaborar financeira-mente na promoção do serviço público, tal como ocorre nas ÁreasMetropolitanas de Lisboa e Porto, ou mesmo sem que tenha tido ainiciativa política de regulamentar as condições de serviço públicoem áreas de baixa densidade, arrastando-se este problema em 7
  8. 8. debates de seminários e declarações de boas intenções políticas,deixando parte do interior do país entregue a si próprio e algumapopulação mais isolada, contribuindo também com essa omissãopara o aumento das desigualdades e a perda de coesão territorial.No ano de 1989, a frota STUB era constituída por sete autocarros,e em 1998 tinha igual número, ano a partir do qual ocorreu umaimportante evolução em termos de serviço, estando no activo 18autocarros de transporte urbano e dois de turismo e de apoio aotransporte escolar. Actualmente 78% da população do município éservida pelos STUB que percorrem anualmente cerca de 500 milKm. Os utentes do serviço consideram-no imprescindível, tanto osda área rural, quer dispõem de serviço diário ou irregular, comoos da cidade, em particular as mais idosas que vivem no CentroHistórico e também os cidadãos de mais baixos recursos económi-cos, que beneficiam com o uso do cartão de munícipe.Na cidade o serviço evoluiu, com linhas autónomas, no sentido deos horários se adequarem a exigências de vida mais intensa, a umanova realidade associada à presença de milhares de estudantesque tendiam a concentrar a sua residência nas proximidades doInstituto Politécnico, provocando distorções urbanas em termoscomerciais e residências, a exigências de mais e melhor mobili-dade no Centro Histórico e na cidade em geral, incentivando modosde transporte ambientalmente mais sustentáveis. A introdução deautocarros eléctricos num programa experimental desenvolvido 8
  9. 9. no país, foi uma medida de adesão a um novo conceito de mobi-lidade, a uma política de cidade mais amiga do ambiente, maispróxima dos conceitos de cidades inteligentes e sustentáveis queno futuro tornarão as cidades mais competitivas para fixar activi-dades económicas e população e garantindo melhores condições devida e de bem-estar aos cidadãos.O serviço de transporte público no município de Bragança, temresultados económicos de exploração muito deficitários, no entan-to, considerado o beneficio social, associado ao serviço de trans-porte escolar, á mobilidade proporcionada aos cidadãos em particu-lar aos que vivem mais isolados, nas aldeias ou mesmo na cidade,o por a conversa em dia, a sociabilidade que proporciona, os ben-efícios económicos em resultado da partilha de transporte com-parando com o transporte individual, se contabilizada a reduçãodas emissões de dióxido de carbono, um dos principais respon-sáveis pelo efeito de estufa e por essa via das alterações climáti-cas que tantos danos provocam ao planeta e aos seus habitantes,tudo isto ponderado é inevitável continuar a apostar no transportepúblico, que será cada dia mais confortável, mais seguro e menospoluente.O município e os seus trabalhadores devem encarar os STUB,nos próximos vinte e cinco anos, com elevado sentido de serviçopúblico e de serviço aos cidadãos, assegurar conforto, segurançae ajuda aos utentes, o bom aproveitamento dos escassos recur- 9
  10. 10. sos disponíveis, a eliminação permanente de qualquer desperdício,tendo presente a procura de equilíbrio nas contas da receita e dadespesa, mantendo-se plenamente abertos a uma visão de sus-tentabilidade ambiental e de parceria com as outras cidades comas quais temos partilhado um percurso de resistência, cientes deque esse percurso não sendo fácil de percorrer, tem mesmo assimque ser feito.Aos fundadores dos STUB deixo a homenagem pela boa decisãotomada, aos trabalhadores o reconhecimento pelo empenho, aosque comigo têm partilhado decisões políticas de desenvolvimentodos transportes urbanos, a satisfação do dever cumprido e aosutentes, o incentivo no sentido de continuarem de modo inteligentea utilizar o transporte público, que dá mais garantias às próximasgerações.António Jorge NunesPresidente da Câmara Municipal 10
  11. 11. INTRODUÇÃONo ano em que o Serviço de Transportes Urbanos de Bragança(STUB) assinala 25 anos de existência (1985-2010), editamos estelivro que pretende demonstrar como um serviço, actualmente con-siderado imprescindível, nasceu e se foi adaptando às necessidadesdos utentes, evoluindo ao longo dos tempos. O serviço arrancoucom apenas quatro autocarros, outros tantos percursos, assegura-dos pelo mesmo número de motoristas. Actualmente existem qua-tro linhas urbanas e 12 rurais, percursos feitos por 18 viaturas e 24motoristas, que garantem, em conjunto com operadores privados,uma cobertura muito satisfatória de todo o concelho.Em 1985 a criação do STUB surge como uma necessidade e, essen-cialmente, um estímulo para o desenvolvimento social e económicodo município: aumentou a dinâmica e a competitividade da cidade,facilitou a mobilidade urbana e representou um enorme salto para 11
  12. 12. a tão ansiada sustentabilidade ambiental.É inegável o contributo para a melhoria da qualidade de vida doscidadãos mas é também inquestionável a sua importância emmatéria ambiental. Os transportes públicos são apontados comoum dos meios de combate à pressão do trânsito, de combate àsexcessivas emissões de CO2 para a atmosfera, como um dos prin-cipais caminhos para lutar pela sustentabilidade ambiental. Osautomóveis são, em boa parte, responsáveis por essas emissõespoluentes, os transportes públicos, em alguns percursos feitos comveículos amigos do ambiente (eléctricos), são a resposta para umproblema que é de todos.O STUB nasceu com a missão de responder às necessidades dosutentes, mantém-se essa função, alias crescente face ao gradual econtinuado abandono de carreiras por parte dos operadores priva-dos. Usar os transportes públicos é economicamente mais vanta-joso e ecologicamente a solução mais acertada.Não sendo um serviço economicamente rentável para o município,a relação custo/benefício social justifica plenamente a sua continui-dade e constante melhoria. 12
  13. 13. 13
  14. 14. CONTEXTO TERRITORIALLocalizado no extremo nordeste do País, o concelho de Bragança,tem uma área de 1174 Km2, distribuídos por 49 freguesias, e umapopulação de cerca de 35 000 habitantes.A população do concelho concentra-se fundamentalmente na cidadede Bragança e no seu entorno, com a freguesia da Sé a apresentaruma densidade populacional na ordem dos 1 500 habitantes porkm2 e as freguesias de Santa Maria e Samil a registarem densidadessuperiores a 100 hab/km2. As restantes freguesias do concelhoapresentam densidades inferiores a 50 hab/km2, destacando-secom densidades entre os 20 e os 50 hab/km2 as freguesias deDonai, Castro de Avelãs, Gostei, Nogueira, Rebordãos e Gimonde,que confinam com as freguesias da cidade, e as freguesias deSanta Comba de Rossas e Izeda, ambas localizadas na zona sul doconcelho, a primeira sobre o IP4/EN15 e a segunda no cruzamento 14
  15. 15. da EN317 com a EN217. As zonas norte e nordeste do concelhoapresentam densidades muito reduzidas (abaixo dos 10 hab/km2).Do ponto de vista da evolução populacional, o município, que tem acapital de distrito, mantém uma tendência de crescimento eviden-ciando-se um processo de concentração da população do concelhona cidade e o despovoamento das freguesias rurais.O contraste entre a população rural e urbana é também notóriona análise de outros indicadores demográficos, como é o caso dosíndices de envelhecimento que se revelam menores nas freguesiasurbanas da Sé, Santa Maria e Samil do que no resto do concelho.A existência de potenciais populacionais diminutos (fig. 1) fora dazona central dificulta substancialmente a viabilidade económica dostransportes colectivos. 15
  16. 16. (fig.1) Distribuição populacional na área do Concelho de Bragança Fonte: INE, Censos de 2001 16
  17. 17. 17
  18. 18. EVOLUÇÃO DOS PERCURSOSNo dia 21 de Dezembro de 1984 o executivo camarário de Bra-gança, então liderado pelo presidente José Luís Pinheiro, apresen-tou à cidade a primeira frota, constituída por quatro autocarros,que iria marcar o arranque do Serviço de Transportes Urbanos deBragança. “A cidade teve prenda de Natal”, reportava a imprensalocal da altura, explicando que o STUB iria servir, principalmente,trabalhadores e estudantes “dos muitos e distantes bairros”. No diada apresentação do Serviço era Feira em Bragança: “Entraram nacidade mais de 10 mil pessoas, vindas dos meios rurais e da emi-gração”, referia o presidente da edilidade, no dia em que “passeou”,com o respectivo executivo, de autocarro pelas ruas da cidade,transportando também, gratuitamente, todas as pessoas encon-tradas ao longo dos percursos e que se quiseram juntar à “festa”.Os primeiros percursos foram desenhados por Fernando Saldanha, 18
  19. 19. actualmente aposentado, que era o responsável pelo Serviço deTransportes. De forma perfeitamente empírica Fernando Saldanhaidentificou as zonas de maior densidade populacional, analisou osmelhores pontos de partida e de chegada e ficou estipulado quetodas as linhas tinham início e fim na zona da Câmara Municipal.O serviço arrancou com quatro autocarros e outros tantos motoris-tas, que tinham também a incumbência de anotar o tempo de cadapercurso, número de passageiros que entravam em cada parageme assim, pouco a pouco, se foram adaptando os serviços às neces-sidades dos utentes.Os quatro autocarros Toyota, com 34 lugares cada, asseguraramquatro carreiras, de Segunda a Sábado:Linha 1: Câmara Municipal – Alto das CantariasLinha 2: Câmara Municipal – Cruzamento de Castro de AvelãsLinha 3: Câmara Municipal – Cruzamento de São SebastiãoLinha 4: Câmara Municipal – Cruzamento de Donai 19
  20. 20. 20
  21. 21. Apresentação pública dos primeiros quatro autocarros21 de Dezembro de 1984 21
  22. 22. Ainda no ano de 1985 a própria experiência dos serviços mostrou a neces-sidade de alargamento e adaptação dos percursos, que começaram a entrarno meio rural:Linha 1: Câmara Municipal – Cruzamento da MoscaLinha 2: Câmara Municipal – FormilLinha 3: Câmara Municipal – Quinta da SearaLinha 4: Câmara Municipal – GrandaisEm 1986 a Linha 3 passou a servir também a população de Alfaião e, um anomais tarde (1987), a Linha 4 chegou a Lagomar.As quatro linhas existentes passaram a servir, essencialmente, as aldeiaslimítrofes da cidade de Bragança, com um cariz fortemente rural. Daí anecessidade de criar um quinto percurso, a Linha 5, designada por linhainterna.Os serviços foram crescendo gradualmente, as adaptações ocorreram deforma natural, sempre com o objectivo de servir cada vez mais populações.Em 1988 as linhas ficaram definidas da seguinte forma:Linha 1 – RebordãosLinha 2 – FormilLinha 3 – AlfaiãoLinha 4 – Grandais – Oleiros (duas vezes por semana)Linha 5 - Rio de Onor 22
  23. 23. Cada uma destas linhas ficou devidamente dividida por zonas.Em 1989 foi criada a Linha 7 até Meixedo.Já em 1996 houve prolongamento de algumas linhas dos transportes públi-cos, a Linha 4 passou a ir a Gondesende, a Linha 5 passou a ir a Avelêda e alinha 6 chegou a Terroso.Em 1999, duas vezes por semana, a Linha 7 passou a ir ao Portelo, apenas noperíodo de Verão (período de férias escolares), devido à recusa do operadorprivado que garantia o serviço, em operar nesses meses sem estudantes, porquestões de rentabilidade económica.Em 2003 houve novamente alterações, foram criadas duas linhas urbanas emais uma linha rural até Serapicos.Em 2004 a empresa privada que operava na linha de Rabal, França e Porteloabandonou definitivamente a carreira passando a mesma a ser asseguradaem permanência pelo STUB. 23
  24. 24. No mesmo ano o serviço chegou às localidades de Sanceriz e Sendas.Em 2005 surge mais uma linha na cidade, a Linha Azul, servida por auto-carros eléctricos, que param à ordem dos passageiros. A apresentação dasnovas viaturas (três miniautocarros Gulliver) significou a concretização de umprimeiro passo na implementação da estratégia, da criação de eco-cidade,delineada pela autarquia.A criação da Linha Azul obrigou a uma reestruturação completa de todas aslinhas urbanas, evitando assim sobreposição de percursos e chegando a zonasque até então não eram servidas pelo STUB. A rede de transportes internaficou mais completa e mais adaptada às necessidades da cidade actual.Em 2008 as aldeias de Pombares e Refoios recebem, pela primeira vez, oserviço de transportes. Foi neste ano que aconteceu a última grande reestru-turação ficando a funcionar quatro linhas urbanas e 12 linhas rurais.O crescimento e as alterações introduzidas nas carreiras nos últimos anosresultaram também, em muitos casos, do abandono das operadoras detransportes privadas que, alegando falta de rentabilidade financeira, foramabandonando as carreiras e deixando sem serviços as populações de muitasaldeias. Na medida do possível, a autarquia tem assumido essas falhas che-gando a todas as localidades onde não existem outras alternativas de trans-porte, por entender que deve dar igual oportunidade a todos os munícipes.Os resultados do serviço revelam claramente que em termos económicoso STUB representa um peso considerável para o município, no entanto, seatendermos aos benefícios sociais do serviço facilmente percebemos a suaimprescindibilidade e a mais-valia que representa para o concelho. 24
  25. 25. 25
  26. 26. Mini-autocarro electrico, Gulliver 26
  27. 27. 27
  28. 28. OFERTA ACTUALO Serviço, que em 1985 arrancou com apenas quatro linhasurbanas, conta actualmente com uma estrutura de meios e recursoshumanos capaz de dar resposta regular e contínua a praticamentetodo o concelho. Os serviços foram sendo alargados, gradualmente,garantindo a cobertura de um cada vez maior número de núcleospopulacionais, incluindo os mais pequenos. De um serviço delineadoem bases empíricas caminhou-se para um serviço profissionalizado,estudado e programado de forma a ganhar eficiência.Foram implementadas quatro linhas urbanas (fig.2) e doze linhasrurais (fig.3).As Linhas Urbanas (a Urb_01 Verde, Urb_02 Amarela e Urb_03Vermelha), operadas com autocarros convencionais que apresentamfrequências de 30 minutos entre circulações e por uma linha (Urb_04Azul) que utiliza autocarros eléctricos e que tem uma frequência 28
  29. 29. de 15 minutos entre passagens. A linha Azul também se distinguedas demais linhas urbanas por não apresentar paragens pré-estabelecidas, podendo os passageiros entrar ou sair do autocarroem qualquer ponto do seu percurso. Todas as linhas urbanasapresentam circuitos circulares que servem distintas zonas dacidade: a linha Verde serve a zona Sul da cidade; a Amarela a zonaPoente; a Vermelha a zona Norte e Nascente; e a linha Azul o centroda cidade e a zona Nascente. Todas as linhas entrecruzam-se naEstação Rodoviária de Bragança, sendo neste terminal rodoviário,a paragem onde as linhas acertam os horários e possibilitam arealização de transbordos com maior facilidade. Percursos Urbanos: Linha Azul: 5,7 Kms Linha Amarela: 12,2 Kms Linha Verde: 12,1 Kms Linha Vermelha: 10,2 Kms Num total de 40,2 Kms 29
  30. 30. (fig.2) Mapa de cobertura do STUB na cidade de BragançaExiste alguma especialização funcional ao nível das diferentes lin-has urbanas, com:◊ a linha Verde a servir de equipamentos e serviços, nomeadamente as unidades de ensino superior localizadas no Instituto Politécnico de Bragança e a Zona Industrial;◊ a linha Vermelha a cobrir essencialmente áreas residenciais que se localizam na zona Norte da cidade;◊ a linha Amarela a servir as áreas residenciais localizadas a Poente e os equipamen- tos desportivos e o Hospital, localizados na zona central da cidade; e◊ a linha Azul a realizar um percurso mais curto que liga fundamentalmente a zona histórica e de comércio tradicional à zona administrativa da Câmara Municipal, pas- sando pelo Hospital e Centro de Saúde, Segurança Social, PSP e GNR. 30
  31. 31. 31
  32. 32. Esta especialização funcional não levanta qualquer problema, dadoque é fácil e cómodo o transbordo, quer do ponto de vista físico,quer de articulação de horários, quer ainda ao nível tarifário.A rede rural é constituída por 12 linhas que irradiam da cidade paraos aglomerados rurais do concelho, sendo que oito destas linhasoperam todos os dias úteis e as restantes quatro (as linhas Rur_9a 12) funcionam normalmente num determinado dia da semana. Linhas Rurais: Linha 1 – Rebordãos Linha 2 – Castrelos Linha 3 – Alfaião Linha 4 – Gondesende Linha 5 – Rio de Onor Linha 6 – Terroso Linha 7 - Portelo Linha 8 – Quintas da Seara Linha 9 – Serapicos Linha 10 – Sanceriz Linha 11 – Sendas Linha 12 – Laviados 32
  33. 33. O término na cidade das linhas rurais é a Câmara Municipal, comexcepção das linhas que só funcionam uma vez por semana asquais iniciam e terminam na Estação Rodoviária, sendo que estaslinhas fazem também serviço urbano no atravessamento da cidade.As linhas rurais cobrem, essencialmente, o território concelhio situ-ado a Norte e Poente de cidade de Bragança, sendo que a Sul aoferta é assegurada por carreiras de frequência semanal e a Nas-cente a oferta de Transportes Colectivos (TC) é assegurada poroperadores privados.A análise em termos de localidades situadas num raio de 1 km daslinhas exploradas pelos STUB revela que 50 das 111 localidadesdo concelho são integralmente abrangidas, o que aponta para umacobertura de 78% da população e 77% das famílias residentes naárea do município. Se excluirmos a cidade de Bragança o total depopulação residente em localidades a 1 Km das linhas operadaspelo STUB é de cerca 5 800 habitantes o que corresponde a cercade 45% da população rural do concelho e 18% da sua populaçãototal.A extensão média das linhas rurais é de cerca de 26 Km, desta-cando-se as linhas 9 a 11 que servem o extremo Sul do concelho ea linha 5 que serve o extremo Norte do concelho, com os maiorespercursos, e as linhas 8 e 1 que servem aglomerados na periferiada cidade de Bragança, com os menores percursos.O tempo máximo de percurso das linhas rurais é, em média, na 33
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  37. 37. (fig.3) Mapa de cobertura do STUB do concelho de Bragançaordem dos 42 minutos e o tempo médio de cerca de 36 minutos,sendo genericamente as carreiras mais extensas aquelas que apre-sentam tempos maiores.Nas linhas urbanas o tempo de percurso calculado com base noshorários em vigor é, em média, de 27 minutos.A distância média entre paragens nas linhas rurais ronda os 2,6 kmsendo que este elevado valor deve-se ao comportamento das linhasque servem os aglomerados do extremo sul do concelho, as quaisunem esses aglomerados à cidade de Bragança, praticamente, semparagens intermédias. Nas restantes linhas rurais, a distância entreparagens é muito inferior (na ordem dos 650 metros) sendo que ofacto de estas carreiras efectuarem serviço urbano na cidade reduzmuito essa distância média.Nas linhas urbanas a distância entre paragens é de cerca 300 metros, 37
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  39. 39. valor abaixo do que habitualmente se considera como a distânciacómoda de percurso a pé que é de cerca de 400 metros. Apesar dadistância média entre paragens poder ser aumentada com vista aelevar as velocidades praticadas, antes de o fazer, é necessário terem conta as características da população que recorre ao TC e que émaioritariamente constituída por reformados/idosos e estudantes.Num dia útil médio o STUB proporciona 65 circulações rurais e cercade 117 circulações urbanas, sendo a média de circulações diárias naslinhas rurais de cinco, salientando-se a linha 1 com 11 circulaçõesdiárias (seis no sentido de Bragança e cinco no sentido oposto) e aslinhas 9 a 12 com duas circulações dia, sendo que estas carreiras sófuncionam num dia específico da semana e, em alguns casos, tam-bém em dias de feira. As restantes linhas, tal com as linhas urbanas,funcionam nos dias úteis;Nas linhas rurais regista-se uma diminuição da oferta no períodode férias escolares. As linhas urbanas operadas com veículosconvencionais, linhas 1 a 3, apresentam de horário uma frequênciade passagem de 30 em 30 minutos.A linha Azul que é operada com três veículos eléctricos, apresentauma frequência de 15 em 15 minutos entre as 8:00 e as 19:00horas, o que perfaz 45 circulações dia.A evolução dos percursos resultou, obviamente, no aumento donúmero de quilómetros percorridos, em 1985 os STUB realizaram 162mil quilómetros, em 2009, foram feitos mais de 465 mil quilómetros. 39
  40. 40. CUSTOS/BENEFÍCIOSQuando foi criado o Serviço de Transportes Urbanos de Bragança foi fixadoo tarifário, em reunião de Câmara, que estipulava que os utilizadores comidade igual ou inferior a dez anos estavam isentos de tarifa, igualmenteisentos ficaram os indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos, ten-do, no entanto, de adquirir um cartão de identificação nos serviços daautarquia, que custava 500$00 (2,50€).Um bilhete normal custava 40$00 (0,20€), enquanto uma caderneta dedez senhas baixava o custo unitário do bilhete para 25$00 (0,125€).O passe geral tinha o custo mensal de 1000$00 (5,00€), o passe estudan-til custava 500$00 (2,50€).Estes preços iniciais tiveram, rapidamente, de ser revistos, até porque ospercursos foram alargados e agrupados por zonas. As crianças, dos seisaos dez anos, inicialmente isentas, passaram a pagar um bilhete “juvenil”.A actualização dos tarifários aconteceu naturalmente, tendo sempre por 40
  41. 41. base o aumento da inflação. (fig. 5,6,7).Boa parte da população (estudantes e idosos) beneficiou sempre dereduções devidamente regulamentadas. A lógica foi sempre servir bem abaixo custo, atendendo à importância social do serviço em detrimento dosencargos financeiros que este representa para o município.Em 2005, com a criação do Cartão do Munícipe, também as famílias maiscarenciadas passaram a usufruir desses descontos, alargados a outrosserviços, mas, particularmente, utilizados no STUB. Dos mais de 1200passes activos existentes em Dezembro de 2009, somente uma centenanão beneficiavam de reduções (fig.4) Cartão do Munícipe – Reduções na Utilização do STUB Igual ou inferior à Pensão  Tipo  Rendimentos per capita  Descontos (%)  (fig.4) Mínima do Regime Geral  100  da Segurança Social  Tabela de Igual ou Inferior ao  benefícios e Ordenado Mínimo  50  Geral  Nacional  descontos Igual ou inferior à Pensão  do cartão Mínima do Regime Geral  100  da Segurança Social  de Munícipe Igual ou Inferior ao  Ordenado Mínimo  75  Nacional  Maiores de 65  Superior ao Ordenado  50  Mínimo Nacional  Igual ou inferior à Pensão  Mínima do Regime Geral  100  da Segurança Social  Estudantes que  frequentem o Ensino  100  Obrigatório  Estudantes Não  Jovens e Estudantes  Carenciados que não  50  frequentem o Ensino  Obrigatório    41
  42. 42. (fig.5) Evolução das tabelas de preços praticados até 2000De acordo com a legislação em vigor é da competência dos municí-pios a organização, financiamento e controlo de funcionamentodos transportes escolares, sendo que a utilização dos transportesescolares é gratuita para os estudantes que frequentem até ao 3ºCiclo do Ensino Básico, uma vez que estão sujeitos à escolaridadeobrigatória, e comparticipada para os alunos do Secundário.Nestes termos é elaborado para cada ano lectivo um Plano de Trans-portes Escolares, com base nas estimativas de alunos a transportarpara as unidades de ensino do concelho, segundo o seu local deresidência, utilizando-se para suprir as necessidades de transporte3 tipos de circuitos que diferem consoante são assegurados por:carreiras públicas exploradas por operadores privados, veículos dealuguer (táxi) ou pelos STUB.Actualmente existem no concelho de Bragança três escolas secundári- 42
  43. 43. Tarifários 1990‐2000 12000,00 10000,00 8000,00Escudos 6000,00 1990 1991 1992 4000,00 1994 1996 2000,00 1998 0,00 Zonasas (a Abade Baçal que também possui o 3º ciclo de Ensino Básico,a Miguel Torga e a Emídio Garcia), todas elas situadas na sede deconcelho, e três escolas EB2,3, duas na sede de concelho (a PauloQuintela e a Augusto Moreno) e outra na vila de Izeda (a EB2,3 deIzeda) que abrange o Sul do concelho.Tal como tem vindo a acontecer no resto do País, as escolas do 1ºCiclo do Ensino Básico (antigas escolas primárias) têm vindo a serdesactivadas e, consequentemente, aumenta o número de alunostransportados para os novos Centros Escolares.As comparticipações da Câmara Municipal para o transporte esco-lar resultam da subtracção das comparticipações dos alunos dosecundário que pagam passe estudante aos custos totais do serviço.Ora, sendo os estudantes e os idosos, os principais utilizadoresdo STUB facilmente se compreende que a receita real resultante 43
  44. 44. (fig.6) Evolução das tabelas de preços praticados até 2004 Tarifários 2001‐2004 30,00 € 25,00 € 20,00 € 15,00 € 10,00 € 5,00 € 0,00 € Urbano Rural Estudante Urbano + Rural Estudante  Emissão de Passe Urbano + Rural Urbano + Rural 2001 2004 (fig.7) Evolução das tabelas de preços praticados até 2009 Tarifários 2005‐200935,00 €30,00 €25,00 €20,00 €15,00 €10,00 € 5,00 € 0,00 € Linha Azul Urbano Rural Urbano + Rural Emissão de Passe 2005 2006 2007 2008 2009 44
  45. 45. dos serviços prestados é muito diferente da receita virtual (se osserviços fossem pagos na totalidade sem qualquer tipo de redução),um cálculo que apenas começou a ser feito em 2001 e que revelaque se todos os utilizadores pagassem o custo real do serviço osSTUB não andariam longe da auto-sustentabilidade. Em termosglobais os STUB revelam resultados económicos negativos desde asua génese. No primeiro ano de serviço (1985), as quatro linhasoperacionais transportaram 59462 passageiros. Nos primeiros trêsanos de actividade (1985/86/87) o STUB somou um prejuízo superiora 50 mil euros. O serviço representou para as contas do municípioum custo de € 29154,68, tendo sido conseguida uma receita apenas€ 15708,89. O resultado final foi de – € 13445,54, suportados peloscofres do município. Curiosamente, nos anos de 1988/89/90 oserviço foi rentável, consequência directa do significativo aumentodo número de passageiros que começou ainda em 1987 e se manteveaté 1990.Eram passageiros oriundos do meio rural e foi nesta altura que omunicípio sentiu necessidade de reforçar a frota adquirindo trêsnovos autocarros com capacidade de 100 lugares cada. O númerode passageiros desceu significativamente na década seguinte e sóa partir de 2005, com a reestruturação e alargamento das linhas foipossível conseguir mais utilizadores dos transportes públicos, aindaassim em número insuficiente para garantir a auto-sustentabilidadedo serviço (fig.8). 45
  46. 46. No entanto, tendo como missão a prestação de um serviço público,para garantir a mobilidade dos munícipes, e atendendo aos benefí-cios sociais que o mesmo representa, o município aposta na sua con-tinuidade e reforço, consoante as necessidades da população, tendocomo objectivo a sua permanente melhoria e crescente satisfaçãodos utilizadores. (fig.8) Receitas, Despesas e Receita Virtual* *se cada utilizador pagasse o valor real da viagem/estimativas realizadas a partir de 2001 Fonte: CMB/Divisão de Transportes Urbanos 46
  47. 47. Custos e Receitas do Serviço Custos e Receitas do Serviço900.000,00 €800.000,00 €700.000,00 €600.000,00 €500.000,00 € Receitas Receita Virtual400.000,00 € Despesas300.000,00 €200.000,00 €100.000,00 € 0,00 € 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 47
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  49. 49. EVOLUÇÃO DOS PASSAGEIROSEm 1985, apenas com quatro linhas urbanas que garantiam o trans-porte na cidade, 59462 passageiros utilizaram os STUB. Um anodepois, com o simples alargamento das mesmas quatro linhas, quecomeçaram a entrar em algumas aldeias mais próximas da cidadeo número de transportados quase duplicou: 114127 pessoas utili-zaram os STUB. A contagem era feita pelos motoristas, de acordocom os bilhetes vendidos no final de cada dia. A evolução manteve-se, aumentando o número de passageiros à medida que os serviçosalargavam os percursos e criavam mais Linhas (fig.9). Os cálculosforam sempre feitos de uma forma algo empírica, contavam-se osbilhetes vendidos mas não havia como apurar com rigor o númerode vezes que os portadores de passe utilizavam o serviço. Até 2006os passageiros apresentavam o bilhete ao motorista ou revisor, queo rasgava numa das extremidades, e os portadores de passe apenas 49
  50. 50. (fig.9) Evolução do número de quilómetros percorridos e de passageiros transportados por anoo exibiam visualmente. A partir de 2007 a autarquia introduziu umnovo sistema de bilhética que passou a permitir um controlo exac-to dos utilizadores, quer os bilhetes quer os passes são controladosautomaticamente e o registo é exacto. Em 2007 o STUB transportou347729 passageiros. Números que se têm mantido, com uma ligeiratendência para descer, fruto do decréscimo continuado do número dehabitantes no meio rural. 50
  51. 51. Quilómetros e Passageiros1.200.0001.000.0001 000 000 800.000 600.000 Quilómetros Percorridos Passageiros 400.000 200.000 0 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 51
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  53. 53. O TESTEMUNHO DA POPULAÇÃONo meio rural ou urbano a opinião da população sobre o Serviçode Transportes Urbanos de Bragança (STUB), é unânime: É umserviço imprescindível para garantir a mobilidade local.Desde a sua criação o STUB fidelizou passageiros que ainda hojeutilizam o serviço com regularidade. É o caso de Josefa RodriguesPreto, de Rio de Onor, que utiliza o serviço desta linha há 25anos. Com 76 anos ainda se lembra do dia em que o primeiroautocarro chegou àquela pequena aldeia transfronteiriça: “Foi umafesta muito grande no povo porque era novidade e porque era umserviço que nos fazia muita falta”, conta. “Naquele tempo haviamuita gente mas poucos habitantes tinham carro e os transporteseram feitos com animais, o que era uma canseira”, lembra. Coma chegada dos autocarros tudo mudou. A mesma recordação temMaria Rosa Rodrigues, também de Rio de Onor, que aos 19 anos 53
  54. 54. emigrou para o Brasil à procura de uma vida melhor. As recordações,essas, ficaram para sempre na memória. “Antes de ir para o Brasillembro-me que para ganhar algum dinheiro tinha que ir a cavalode uma burra para Bragança vender carvão, era um dia de viagemao frio e ao calor, era muito extenuante”, lembra. “Também nãotínhamos sapatos, usávamos umas socas de madeira pesadas ecomo na altura também não havia alcatrão andávamos sempresujos da lama, era uma tristeza”, conta, apesar de tudo, saudosa.“Agora”, diz, “está tudo muito diferente e para melhor”, afirmaconvicta que é graças ao STUB que muitas pessoas continuam aviver nas aldeias. “Se não fosse o autocarro para Bragança comoé que as pessoas idosas faziam para se deslocar à Farmácia, aomédico e às compras?”, questiona. A resposta surge de imediatoda boca de Bernardino Preto: “Tínhamos que nos sujeitar às boleiasou pagar o táxi”. O septuagenário só tem elogios para o STUB queutiliza, pelo menos, duas vezes por semana. “Cada vez que vou aomédico, às compras ou a resolver outros problemas apanho sempreo autocarro e é depressa que me ponho na cidade”, comenta. Oslugares de paragem já os conhece de cor: “Costumo esperar peloSTUB ao lado do Tribunal ou na Avenida do Sabor, passam sempreà hora certinha”. Menos assíduo é António Moreira de 84 anos,de Sacoias, mas que aos dias de feira não falha. “Vou a todas asfeiras a Bragança e vou sempre de STUB, vou logo de manhãzinhae regresso às duas, é um descanso porque dá para fazer tudo com 54
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  56. 56. calma e além disso a viagem também não é muito cara, tambémtenho passe que dá para andar um mês sem me preocupar”,lembra. Além da comodidade e dos preços acessíveis, para AnaMaria, habitante de Aveleda, outra das vantagens do “autocarro”é poder falar com pessoas amigas de outras aldeias que só vêdurante as viagens de STUB. A passageira de 67 anos também temnos STUB o único meio de transporte para Bragança e nem querimaginar um dia que falhem os autocarros amarelos na aldeia. “Jásomos todos velhos e se nos faltam não sei o que será de nós”,comenta. Ana Maria conhece os habitantes das aldeias próximas ecom o passar dos anos também já criou amizade com os motoristasque trata pelo nome. “São todos muito simpáticos, conhecemo-nostodos e é um ambiente familiar”, descreve. A linha de Rio de Onorinclui as paragens de Baçal, Sacóias, Aveleda, Varge e Rio de Onor.Rio de Onor é uma das cinco linhas rurais do concelho de Bragançaque mantêm actividade desde 1988. 56
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  61. 61. ANTÓNIO MOREIRA“Vou a todas as feiras, dá muito jeito, já há muitos anos que utilizoeste transporte para ir para Bragança e faz muita falta. Tinha umpasse que pagava todos os meses agora pago bilhete. Também nãoé ele tão caro. Apanho o autocarro às 7h45 e regresso às 14h00.Ainda me lembro dos primeiros autocarros mas estes agora sãomais modernos e confortáveis. 61
  62. 62. LEANDRO SANTOS“Estudo na Escola Paulo Quintela e sou de Rebordãos. Como a minhaaldeia é perto de Bragança não me custa nada andar de autocarro.É bastante confortável, principalmente no Inverno em que temsempre o aquecimento ligado e não passamos frio. No Verão ligamo ar condicionado e isso é bom. Os motoristas são simpáticos, jános conhecem e por isso sinto-me seguro. 62
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  65. 65. Vânia Sofia Gonçalves“Sou estudante na Escola Emídio Garcia, tenho 16 anos, e desdeque estudo em Bragança que o meu transporte escolar é o STUB,tanto de manhã como à noite. Gosto deste transporte porque éconfortável e muito prático, não preciso fazer transbordos e deixa-me em frente à escola. No Verão e sempre que está bom tempoeu e as minha amigas vamos para a paragem na João da Cruz queé para não estar à espera na escola. Lá há sempre mais gente ecolegas de outras paragens com que aproveitamos para conversar. 65
  66. 66. Diana Pereira“Estou no 7º ano e é o STUB que me traz para a escola e que meleva para casa todos os dias da semana. A viagem é relativamenterápida e faz-se muito bem, mesmo no Inverno, quando faz muitofrio. Os autocarros são quentinhos e confortáveis. Já conheço osmotoristas, já que são sempre os mesmos que fazem aquela linhada serra. Têm muita paciência com os estudantes e sinto-me àvontade nas viagens. Nunca ouvi falar de nenhum acidente com osSTUBS por isso sinto-me segura e os meus pais também confiam. 66
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  69. 69. ANA MARIA AVELEDA“Durante a viagem também aproveitamos para pôr a conversa emdia e saber novidades destas aldeias próximas. Já conhecemos osmotoristas e eles também já nos conhecem a nós. Os autocarrossão um descanso para quem não tem transporte próprio. 69
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  71. 71. GULLIVER, O ELÉCTRICOHá cinco anos que um novo conceito de transporte ecológico che-gou à cidade de Bragança. Desde essa altura a mobilidade das pes-soas ganhou um novo ânimo e o Gulliver, o autocarro eléctrico, jáfaz parte da rotina das pessoas que habitam no centro histórico.Acostumados a ter este transporte sempre à porta, os passageirosjá não dispensam do seu serviço para realizar tarefas do quotidianocomo ir às compras ou aceder aos vários serviços públicos, locali-zados no centro da cidade de Bragança. De 15 em 15 minutos oGulliver faz o mesmo trajecto, diariamente, por várias ruas do cen-tro histórico. São Morais, habitante no Bairro São Sebastião, utilizaeste transporte desde o primeiro dia e garante que está satisfeitacom o serviço prestado. “Tenho carro mas não utilizo porque omeu marido está doente e então socorro-me do eléctrico porqueé bastante prático e barato”, explica a moradora. “Pára onde for 71
  72. 72. preciso e é bastante prático porque é baixinho e não é precisosubir escadas”, acrescenta. Maria Ermelinda de 73 anos comungada mesma opinião. “Dá muito jeito para ir ao centro da cidade fazeras nossas coisinhas porque ir e voltar a pé era impossível”, sublinhaenquanto ajeita os sacos das compras junto aos pés. Já Isaurada Conceição, também do Bairro São Sebastião, já não dispensa,igualmente, o serviço deste transporte. “Utilizo muitas vezes e con-stato que praticamente todo o bairro também utiliza especialmenteos estudantes e os idosos”, comenta. Na sua opinião, o Gulliverfoi a melhor medida que o executivo tomou nos últimos anos afavor das pessoas idosas daquele bairro e explica porquê: “Há mui-ta gente que vive sozinha e com dificuldade de locomoção, antestinham que ir a pé para ir ao médico ou à farmácia, agora numinstante fazem isso sem grandes problemas porque o autocarropára onde for preciso”, garante Isaura da Conceição. Com 56 anos,a passageira explica que apesar de viver na cidade, de sua casaao centro “ainda são uns minutos largos a pé”. Por isso opta porutilizar o eléctrico por ser “prático e muito cómodo”. Do outro ladoda cidade, Ana Ferreira também não passa nenhuma semana semutilizar o Gulliver. “Tenho carro mas só para evitar a trabalheira deencontrar estacionamento ou pagar parquímetro prefiro o eléctricoporque é muito mais prático”, assegura. 72
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  74. 74. ANA FERREIRA“Moro na zona do Bairro do Pinhal e às vezes meia hora chega per-feitamente para fazer as compras. Antes tinha que vir a pé mas erauma canseira porque as compras pesam e assim é um descanso.Além disso não ando preocupada em andar a correr para ir paraa paragem porque pára onde for preciso. Tenho carro mas para irao centro prefiro utilizar o eléctrico porque é mais rápido e maiscómodo, não preciso de procurar estacionamento. 74
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  77. 77. SÃO MORAIS“Vivo no bairro São Sebastião e utilizo este transporte (Gulliver)para ir ao centro da cidade para ir às compras ou para ir ao Centrode Saúde e Segurança Social. Tenho carro mas não utilizo porqueo meu marido está doente e então socorro-me do eléctrico porqueé bastante prático e barato. É um meio de transporte que utilizodesde o início e que agora já faz parte da minha rotina diária. Senão fosse assim, tinha que ir a pé para a cidade e voltar carregadade compras. Dá muito jeito. Além disso tem uma grande vanta-gem, pára nos sítios onde o mandamos parar. 77
  78. 78. SANDRA LOPES“Trabalho na zona das Cantarias mas moro no Bairro São Sebastiãoe não tenho carro, por isso, utilizo diariamente o eléctrico. Comosou utilizadora habitual tenho o passe mensal e devido à regulari-dade das viagens já conheço muitas pessoas que também viajamneste transporte. É muito prático e os horários também são muitoregulares o que nos permite saber que de trinta em trinta minutoshá sempre um eléctrico a passar. Outra das vantagens é que nosdias que me atraso com as compras sei que posso ficar descansadaporque posso fazer sinal de paragem em qualquer sítio que meencontre. Não ando a correr sempre para as paragens. Recomendoa todos. 78
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  81. 81. ISAURA DA CONCEIÇÃO“Utilizo quase todos os dias para ir para o centro da cidade. Quemutiliza mais são as pessoas idosas. Vivem sozinhas e com dificul-dade de locomoção por isso o eléctrico é o transporte que utilizam.Posso dizer que praticamente todo o bairro utiliza o eléctrico desdeos mais novos aos mais idosos. Dá muito jeito. 81
  82. 82. Carla Centeno“Moro em Caravela e estudo na Escola Secundária Miguel Torga emBragança. Há dois anos que utilizo o eléctrico porque foi uma amigaque me incentivou. Antes ia a pé para o centro da cidade mas agorasempre que posso utilizo o Gulliver. Gosto de tudo neste meio detransporte especialmente porque não é caro e por ser “pequenino”é muito acolhedor e as pessoas são simpáticas. Vejo que há sempremuita gente idosa no eléctrico e acredito que veio mudar a mobi-lidade das pessoas que moram no centro da cidade. É muito útil. 82
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  86. 86. UMA HISTÓRIA DE VIDACarlos Pinto, 68 anos, é actualmente revisor dos STUB mas já foimotorista, alias um dos primeiros. A idade retirou-lhe o volantemas guarda na memória saudades dos tempos em que autocarros“andavam cheios”, porque ainda havia muita gente nas aldeias. 86
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  88. 88. Quando foi integrado no serviço chegou numa fase de estru-turação ou de consolidação da rede STUB?Estavam a evoluir mas só ainda existiam cinco linhas e eu comeceia trabalhar na linha 1, a que fazia a ligação de Bragança/ Rebor-dãos.Nessa altura o STUB já era muito procurado pelas pessoas?Sim, já muita gente utilizava os transportes porque realmentehavia poucos carros particulares. Estudantes, jovens, idosos, todosutilizavam os nossos transportes porque na altura poucas pessoastinham outro meio de transporte.Os autocarros andavam cheios?Sim, houve realmente uma fase em que os autocarros andavamcheios e chegou muitas vezes a haver pessoas de pé no corredorporque também as aldeias tinham muitos habitantes. A linha 1, 2e 3 andavam sempre cheias porque eram as linhas rurais. Tanto éque nessa altura a autarquia teve que adquirir três novos autocar-ros de 100 lugares para satisfazer a procura. Os primeiros carros afuncionar em Bragança eram Toyota de 33 lugares. Tenho saudadesdesses autocarros.Porquê?Eram muito fáceis de conduzir e nas aldeias entravam em qualquerrua e até nos locais mais difíceis. Eram muito práticos e tinhamuma suspensão à frente muito boa. Apesar dos autocarros actuaisserem mais modernos, continuo a sentir algumas saudades dos 88
  89. 89. primeiros.Nessa altura ainda tinham que fazer a contagem dospassageiros em cada paragem?Não, apenas fazíamos a contagem de passageiros no final de cadaviagem através dos bilhetes que vendia-mos.Tinha preferência por alguma linha do STUB?Não, sinceramente não tinha preferência nenhuma, gostava detodas. Claro que havia alguma diferença de horários mas, normal-mente, cada trajecto demorava cerca de hora a meia a concluir.Nessa altura os passageiros davam muitos palpites e sugestõessobre os transportes? As pessoas eram interventivas?As pessoas não têm por norma uma cultura de reclamação e aco-modam-se ao que existe e como neste caso, o STUB era o únicotransporte que tinham, não reclamavam muito do serviço. O quenotava na altura é que as pessoas da cidade eram realmente maisinterventivas mas apenas na questão dos horários.Mas havia diálogo entre motoristas e passageiros? Aspessoas sentiam esse à vontade?Sim, ao longo destes anos de trabalho fui conhecendo o concelhocomo a palma das minhas mãos e posso dizer que tenho pessoasamigas em toda a parte e em qualquer aldeia de Bragança. Devidoao contacto diário fiz muitas amizades e se precisar tenho sempreuma porta aberta em qualquer ponto do concelho. Tenho muitoorgulho nisso. 89
  90. 90. Essa empatia entre motoristas e passageiros mantém-seactualmente?Sim, de uma certa maneira sim, mas hoje há inclusive autocarros,nomeadamente os eléctricos, em que têm um aviso para nãodialogar com o motorista para evitar distracções. Um profissionaltem que estar atento ao que faz. A nossa profissão lida com a vidade outros.Mas entende que actualmente a profissão de motorista doSTUB está mais facilitada do que na altura em que o senhorentrou para o serviço? 90
  91. 91. Sim, sem dúvida. Além das escalas estarem melhor organizadas, oserviço evoluiu muito, houve necessidade de mais motoristas parapoder alargar a rede e além disso, a grande diferença é que ago-ra temos autocarros de substituições para casos de avaria. Antes,quando um carro avariava tinha que lá ir o mecânico, agora, vai deimediato outro autocarro buscar os passageiros. Outra diferençasubstancial é que estes autocarros são melhores e climatizados.Em caso de avaria como reagiam os passageiros?Nunca houve grande confusão. A nossa função enquanto motoris-tas é atender sempre o passageiro, ele é que está sempre em pri-meiro lugar.Teve alguma situação caricata ao longo destes anos de tra-balho?Orgulho-me de nunca ter tido nenhum acidente ao longo destesanos de trabalho. Mas situações caricatas tive muito poucas. Houvealturas em que tive que intervir quando os passageiros estavammais exaltados entre eles ou quando havia rixas pessoais queentravam em choque nas viagens. As zaragatas aconteciam maiscom os estudantes, rapazes que andavam armados em “galarós”,mas nada de especial.E o rigor dos invernos nunca lhes trouxe dissabores?Cheguei a ficar preso na neve várias vezes em Alimonde e Rio deOnor. Mas nós já sabíamos que quando nevava era preciso ter mui-to cuidado nestas duas linhas. As subidas na Aveleda, Varge e Rio 91
  92. 92. de Onor eram muito complicadas, era preciso ter muito cuidado. Aspessoas nessa altura também percebiam que a culpa era da nevee não do condutor.Quase no final da carreira sente algum saudosismo? Gos-tava do que fazia?Eu agora exerço a função de revisor mas confesso que gostavamuito do que fazia. Gostava do contacto com as pessoas. Sentiaque cumpria a minha missão sempre que fazia os percursos sempercalços e que entregava no destino os passageiros. O bem-estardos utilizadores foi sempre a minha preocupação. Sempre os trateicom educação, humildade e muito respeitoFicaram muitas histórias e experiências para trás?Fiz muitos quilómetros por este concelho fora mas, com a idade,tive que deixar a condução com alguma pena minha mas pronto.Os novos motoristas pedem-lhe conselhos sobre estaprofissão?Sim, já aconteceu várias vezes. Nessas ocasiões dou o meu pontode vista e aconselho-os acima de tudo a serem humildes e quetodos os problemas têm solução através do diálogo.Entende que o STUB teve uma evolução positiva desde queintegrou o serviço?Sim, acho que evoluíu muito bem. Ao longo dos anos as coisasforam melhorando e nestes últimos dez anos o salto qualitativo foimuito grande. Este executivo tem feito um esforço considerável 92
  93. 93. para dotar a frota de bons autocarros. Desde que o Eng. Nunesentrou para o executivo houve uma melhoria significativa no serviço.A mais significativa é a nível de alargamento de linhas, todas aslocalidades são servidas por um autocarro. Embora não haja tantospassageiros como há uns anos atrás, o objectivo de transportarmelhor e mais rápido as pessoas está a ser cumprido.O STUB tem cada vez menos passageiros?Claro que o número de passageiros que utilizavam as nossas linhashá uns anos atrás com o número actual é muito diferente mastemos ao longo do tempo conseguimos fidelizar pessoas que já nãoprescindem do nosso serviço. 93
  94. 94. Isso é especialmente visível no mundo rural?Sim, apesar do despovoamento contínuo, o nosso trabalho é espe-cialmente visível nas aldeias onde somos o principal meio de trans-porte das pessoas idosas e dos estudantes.Entende que algumas linhas rurais correm o risco de fecharem época escolar?Nos meses de Verão é visível uma diminuição de passageiros porquechegam muitos emigrantes que trazem os idosos mas não acreditoque alguma linha possa terminar ou ser suspensa.Actualmente asseguram todo o transporte no concelho mas asempresas privadas já há muito que deixaram Bragança.Sim, reflexo desse despovoamento. Mas nós nunca quisemos fazerconcorrência com essas empresas, pelo contrário, tivemos queassegurar o serviço que deixaram de fazer junto das populações.Como vê a evolução do STUB nos próximos 10 anos?Ao contrário do que pensa muita gente eu acredito que o mundorural não vai morrer e, pelo contrário, vai haver agora uma fasede fuga da cidade para as aldeias. Consequentemente se há maispessoas haverá maior movimento. Creio que dentro de dez anos ostransportes públicos em Bragança estarão tão bem ou até melhorque actualmente. 94
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  96. 96. UMA APOSTA DE FUTUROOlhar para o futuro acreditando no incremento da economia e nasustentabilidade ambiental implica pensar nos transportes públicoscomo parte da solução de um problema que é de todos. Os trans-portes públicos devem ser encarados como uma ferramenta aoserviço da economia, estimuladora da produtividade; como instru-mento social, ao serviço dos mais carenciados; como potencia-dor de ganhos ambientais e como agente ao serviço da poupançaenergética.Nesse sentido deve ser estimulada e promovida uma política deuso dos transportes públicos, em detrimento dos transportes indi-viduais.É preciso despertar a consciência ecológica de cada um. O trânsito éum dos maiores responsáveis pela emissão de gases na atmosfera,especialmente o carbono, resultantes do consumo de combustiveis 96
  97. 97. de origem fossil (gasóleo, gasolina, etc.). Da queima desses com-bustíveis resulta a emissão de gases para atmosfera responsáveispelo efeito estufa e, consequentemente, pelo tão falado aqueci-mento global do planeta. Daí a necessidade de criar em cada umum sentimento de responsabilidade oferecendo soluções colectivasde transportes que dimuam a pressão da referida poluição.Do ponto de vista económico é fácil fazer contas e confirmar queo uso dos transportes públicos tem menores custos financeiros doque o uso do transporte individual.A autarquia projecta as Linhas e os horários de acordo com asnecessidades dos utentes, o conforto dos autocarros é cada vezmaior, os percursos são feitos com rapidez e é muito cómodo che-gar ao centro da cidade de Bragança sem ter preocupações com oestacionamento. Olhe por si, olhe por todos nós, faça a escolha acertada, utilize os transportes públicos. 97
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