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Briefing - Preciso, Claro e Objetivo
 

Briefing - Preciso, Claro e Objetivo

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Leia o artigo na página 30 da Revista CENP (de João Luiz Faria Netto) que fala da importância do briefing para a boa comunicação publicitária. Aqui o foco é o briefing dos anunciantes, ...

Leia o artigo na página 30 da Revista CENP (de João Luiz Faria Netto) que fala da importância do briefing para a boa comunicação publicitária. Aqui o foco é o briefing dos anunciantes, espcialmente os do setor público.

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Briefing - Preciso, Claro e Objetivo Briefing - Preciso, Claro e Objetivo Document Transcript

  • ANUNCIANTES FALAM SOBRE A IMPORTÂNCIA DO CENP A LIBERDADE DE EXPRESSÃO COMERCIAL É AAno 6 – Nº 24 – Setembro – 2010 MAIOR LUTA DO SETOR, DIZ www.cenp.com.br PRESIDENTE DA FENAPRO PRECISO, CLARO E OBJETIVO É do briefing que nasce a boa comunicação publicitária e a aprovação da Lei nº 12.232/10 reforça a sua importância na licitação de serviços de publicidade por entes públicos
  • Palavra do Presidente O REVIGORANTE EFEITO DAS ELEIÇÕES Tenho orgulho em habitar uma das maiores democracias do mundo e também por participar da nossa autorregulação comercial. Caio Barsotti ob revigorante efeito das eleições, manifesto nal da ABAP da qual participamos e que traz um firme S aqui o que já postei no twitter (@caiobarsotti) posicionamento em defesa da criança. Saudamos em 03/10: “Me desculpem os pessimistas de plantão, ainda, por meio de moção aprovada pelo Conselho mas tenho orgulho em habitar numa das maiores de- Executivo do CENP, os 30 anos do Conar e a criação do mocracias do mundo. Parabéns pra nós!” Instituto Palavra Aberta, que seguramente muito con- Aqui, neste espaço, com mais de 140 caracteres, tribuirá para os debates travados hoje na sociedade a complemento que tenho orgulho também por partici- respeito de consumo e propaganda. Já a entidade retra- par da nossa autorregulação comercial, a qual, pelo que tada em profundidade neste número é a Fenapro, cujo sabemos, não tem similar em outro país. Claro, exige Presidente, Ricardo Nabhan, acaba de ser reeleito. E muito, mas, também vale muito! Como disse Gilberto mais: fomos ouvir anunciantes para saber o que pen- Leifert, Presidente do Conar e também conselheiro do sam sobre o CENP. Encontramos respostas bastante CENP, durante seu discurso no evento de 30 anos da interessantes e inteligentes. entidade que iniciou no Brasil este inteligente modelo Por fim, dedicamos nossa capa a um assunto funda- de autorregulamentação, o CENP é o irmão caçula mental para a propaganda de boa qualidade: o briefing! desta bem-sucedida realização. Tratamos o assunto tanto sob a ótica privada como Ao preparar esta edição, procuramos repercutir também sobre sua importância para a comunicação, alguns importantes fatos recentes, como os 60 anos da notadamente após a Lei 12.232/10. TV brasileira, num artigo do novo Presidente da ABERT, Esperamos que este conteúdo seja uma contribuição Emanuel Soares Carneiro, os Congressos da ABTA e para as melhores práticas comerciais. ANJ e a Carta de Fortaleza, aprovada em reunião nacio- Aproveite! Sumário 14 MEMÓRIA: SEÇÕES OS 60 ANOS DA TV BRASILEIRA 06 EM 1O LUGAR Moção homanageia Conar e Instituto Palavra Aberta 16 DEPOIMENTOS: “A PUBLICIDADE BRASILEIRA 08 ACONTECE NÃO É UM MERCADO 44 REGIONAIS 30 CAPA PARA AVENTUREIROS” 46 ACONTECE NO CENP BRIEFINGCENP EM REVISTA 22 ENTREVISTA: 48 CRÔNICA PRECISO, CLARO RICARDO NABHAN, PRESIDENTE DA FENAPRO 50 CARTAS E OBJETIVO4
  • A MISSÃO DO CENP Criado em dezembro de 1998, o Conselho Executivo das Normas-Padrão (CENP) tem como missão o estabelecimento de princípios éticos no relacionamento comercial entre anunciantes, agências de publi- cidade e veículos de comunicação, por meio da autorregulação. O CENP foi fundado pela ABA, ABAP, ABERT, ABTA, ANER, ANJ, Central de Outdoor e FENAPRO e tem como principal instrumento de trabalho o documento Normas-Padrão da Atividade Publicitária, que estabelece as bases do relacionamento comercial e ético da atividade. O CENP concede Certificado de Qualificação Técnica às agências que cumprem as regras estabeleci- das pelas Normas-Padrão, certificação essa que lhes garante o recebimento do “desconto-padrão” de agência, concedido pela legislação que trata da publicidade. A contrapartida à certificação é o cumprimento, pelas agências, das Normas-Padrão, o que é verifi- cado rotineiramente pela equipe do CENP por meio de vistoria. Conflitos observados ou denunciados são dirimidos pelo Conselho de Ética do CENP, formado por 36 membros, representando anunciantes, agências e veículos.Agências certificadas 3.753 3.909 3.800 3.623 3.532 3.110 2.895 2.728 2.358 1.904 934 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 27/9/2010 Fonte: CENP10.431 AGÊNCIAS CADASTRADAS 334 PROCESSOS AVALIADOS NO TRIMESTRE 1.257 VISITAS TÉCNICAS E VISTORIAS EM AGÊNCIAS EM 27/9/2010 JULHO A SETEMBRO/2010 EM 27/9/2010 O CENP na internet: @ • Escreva para nós (inclusive para questões técnicas): carta@cenp.com.br • Para questões sobre ética comercial: alerta@cenp.com.br • Para questões de cadastro e certificação: cadastro@cenp.com.br www.cenp.com.br CENP EM REVISTA Faça download desta revista e das Fale com o CENP: edições anteriores em nosso site. (11) 2172-2367 – cenp@cenp.com.br 5
  • Em 1º lugar MOÇÃO HOMENAGEIA CONAR E INSTITUTO PALAVRA ABERTA O Conselho Executivo do CENP, reunido em art. 5o dos Estatutos Sociais O CENP incluiu no Item III o “de- meados de setembro, aprovou, “por sua fender a liberdade de expressão publici- bela história de respeito à ética”, moção tária” como um dos objetivos sociais em homenagem aos trinta anos do Conar. da entidade, demonstrando claramente No mesmo documento, o Conselho saudou que, sem aquela estaria ameaçada a a criação do Instituto Palavra Aberta, liberdade de expressão, pensamento e cultural, tudo o que assegura a existên- entidade fundada para a defesa da cia dos estados democráticos de direi- liberdade de expressão comercial, to. A história brasileira recomenda que asseguradora das liberdades de imprensa e a liberdade de manifestação do pensa- de difusão cultural em nosso país. mento, que engloba e sintetiza todas as Confira a íntegra da moção: outras, deve ser permanentemente sus- tentada, evitando-se que, por equívo- cos, boa ou má-fé, prosperem os movi- mentos de restrição, notadamente con- tra a comunicação publicitária, assegu- radora das manifestações democráticas porque possibilita o acesso aos bens de informação e cultura a qualquer do povo, sem nenhum tipo de restrição ou preconceito.CENP EM REVISTA O Brasil viveu nas duas últimas décadas sob o estado de direito, ine-6
  • cráticos, tais iniciativas. É a constru- ção do futuro pela inteligência atuan- do contra a intransigência. São dois instrumentos e dois momentos de suma importância, razão pela qual a diretoria do CENP resolveu indicar ao conselho a conces- são de dois votos de louvor: 1. Ao Conar, pelo que é e já fez, nos trinta anos de fundação que está co- memorando. 2. Ao Instituto Palavra Aberta, pela pertinácia e oportunidade do que sexistindo tentativa de estado contra as um exemplo de resistência pela cons- propõe a fazer em defesa da liberdadeliberdades fundamentais. Convive, no trução de um modelo de autocontrole comercial.entanto, com equívocos de interpreta- em campo de atividade intelectual,ção de leis que levam, de fato, a episó- oferecendo, pela liberdade de questio- Aos dois, o reconhecimento dedios lamentáveis de censura e com as namento e discussão com absoluto veículos, agências e anunciantes reu-tentativas legislativas de romper a respeito ao contraditório, uma opção nidos no CENP.grandeza do texto constitucional que democrática de análise de mensagenscondena qualquer tipo de censura. publicitárias. Acerta até mesmo quan- São Paulo, 14 de setembro de 2010Não raro, a comunicação publicitária do nem todos aprovam a leitura feitaé o caminho que buscam os incorrigí- pelos seus conselheiros éticos.veis defensores das restrições de pen- Agora, por iniciativa de entidades “O Conar é umsamento e consumo para assegurar representativas de veículos e agên- exemplo de resistênciaêxito a seus propósitos. Em nome da cias, foi criado o Instituto Palavrasaúde, das crianças, das diferenças Aberta, que é uma entidade que se pela construçãosociais e tudo o mais que é respeitável dedicará exclusivamente a desenvol- de um modelo dedefender, ameaçam, pelas restrições ver estudos sobre o impacto do cer-que propõem, a liberdade de saber ceamento da liberdade de expressão autocontrole,para escolher, conhecer para decidir comercial nos direitos dos consumi- oferecendo uma opçãosobre o que se deseja. dores à informação, atuando, com democrática de análise Há 30 anos, comemorados agora, base no que estudar, para mostrar ao de mensagem CENP EM REVISTAo Conar – Conselho Nacional de poder constituído e à sociedade o queAutorregulamentação Publicitária é pode representar, em termos demo- publicitária” 7
  • Acontece JORNALISMO E DEMOCRACIA NA ERA DIGITAL tema do 80 Congresso Brasileiro polêmico foi o dedicado à discussão dade. “Queremos um código de ética O de Jornais, organizado pela ANJ, sobre a autorregulamentação dos jor- que avalie também os nossos associa- em agosto, no Rio de Janeiro, foi resu- nais e a criação de um conselho de ética dos”, afirmou. mido em seu título: Jornalismo e demo- da ANJ. Os palestrantes Aluízio Ma- No encerramento do encontro, reali- cracia na era digital. ranhão, editor de opinião de O Globo, e zado a cada dois anos, foi eleita em O encontro reuniu cerca de oito- Sidnei Basile, vice-presidente de rela- Assembleia Geral a nova diretoria da centos profissionais e teve como um ções institucionais do Grupo Abril, entidade. Judith Brito, da Folha de dos destaques as presenças e as assina- admitiram a existência de dificuldades S.Paulo, foi reeleita presidente e deve turas dos presidenciáveis à Declaração na implantação de um Conselho de permanecer à frente da ANJ até 2012. de Chapultepec. O documento, lançado Ética dos jornais brasileiros. “Nossa missão continua absolutamen- em 1994, no México, defende as liber- O vice-presidente da ANJ, Nelson te a mesma: defender a liberdade de dades de expressão e de imprensa. José Sirotsky, esclareceu na ocasião que o expressão”, afirmou a executiva em seu Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e objetivo do projeto elaborado por uma discurso, acrescentando que outra Marina Silva (PV) foram, em momentos comissão composta por membros da meta fundamental é discutir as novas diferentes, ao evento para assinar a diretoria da ANJ é estender para todos mídias digitais e como encontrar um declaração. os jornais associados os princípios de modelo saudável para preservação do Entre os painéis realizados, o mais liberdade expressos no estatuto da enti- jornalismo de qualidade. SITE DA ANJ PASSA A DISPONIBILIZAR LISTA DE AGÊNCIAS CERTIFICADAS esde setembro, quem acessa o os veículos associados é importante ANJ (que é uma das signatárias das D site da ANJ – Associação Nacio- em muitos sentidos, inclusive para esti- Normas-Padrão), e tem como consul- nal de Jornais (www.anj.org.br) encon- mular que os jornais de todo o país tar as agências certificadas. Para isso, tra a lista completa das agências certifi- atentem para a necessidade de respei- basta escolher a região de interesse ou cadas pelo CENP. tarem as Normas-Padrão da Atividade digitar o CNPJ da agência. Como explica Oscar Mattos, diretor Publicitária. A inclusão desta opção no site da do Comitê Mercado Anunciante, res- No endereço, ao clicar no banner ANJ faz parte de uma série de iniciati- ponsável pela implantação da nova fer- com o logotipo do CENP, o internauta vas adotadas para acrescentar maisCENP EM REVISTA ramenta, a iniciativa de disponibilizar a tem acesso a um texto explicativo sobre prestação de serviços ao endereço ele- informação de forma rápida e fácil para a entidade, com ênfase no papel da trônico da associação. Por exemplo: foi8
  • ABTA 2010 ABORDOU OS DESAFIOSDA TV PAGA NO BRASIL edição de 2010 da Feira e Con- Semeghini, vice-presidente da Comissão A gresso ABTA, realizada em agos- de Ciência, Tecnologia, Comunicação eto, em São Paulo, registrou números re- Informática da Câmara; senador Antôniocordes em termos de público. Foram Carlos Jr., membro da Comissão demais de 9 mil visitantes durante os três Ciência, Tecnologia, Inovação e Comu-dias de evento, entre profissionais do nicação do Senado Federal; e senadorsetor e autoridades. O encontro também Flexa Ribeiro, presidente da Comissãosuperou as expectativas no volume de Congresso da ABTA aconteceu em de Ciência, Tecnologia, Inovação e São Pauloexpositores: duzentas empresas partici- Comunicação do Senado Federal.param com 97 estandes, um crescimen- Marinho, presidente das Organizações O evento ainda discutiu questõesto superior a 30% em relação a 2009. Globo, fez uma análise positiva da situa- bastante atuais para a evolução da A abertura do evento, que foi nortea- ção do setor, estimando que o meio atin- indústria da TV por assinatura no Brasil,do pelo tema “Revolução na Convergên- ja, em 2015, cerca de 15 milhões de lares. como o papel dos diferentes players nocia”, colocou em destaque a evolução do A abertura do mercado de TV por desenvolvimento do setor e os desafiosmercado e os desafios que programado- assinatura foi o tema central no primeiro na produção de conteúdo, considerandores e distribuidores devem enfrentar. A dia do Congresso, em um debate que as novas tecnologias. Nas sessões temá-TV por assinatura alcança hoje 8,5 mi- contou também com as presenças de ticas, os profissionais acompanharamlhões de lares brasileiros, o que significa Alexandre Annerberg, presidente da os debates relacionados à regulamenta-quase 30 milhões de espectadores. ABTA; embaixador Ronaldo Sardenberg, ção, à programação e as novas platafor-Presente ao evento, Roberto Irineu presidente da Anatel; deputado Julio mas de distribuição de conteúdo.incluído também um link semelhante preciso”, diz, observando que como do CENP, a ANJ entende que é sua mis-para abordar a importância do Projeto uma das fundadoras e mantenedoras são ajudar a promover as Normas-Inter-Meios, explicando passo a passo -Padrão.como os veículos associados devem “A iniciativa é Aprimorar a atuação da entidade noproceder para fazer parte do estudo campo das melhores práticas comer-organizado pela publicação Meio & importante em muitos ciais é justamente o objetivo do ComitêMensagem. sentidos, inclusive Mercado Anunciante, que tem reuniões No caso do CENP, Oscar conta que a cada dois meses e coordena diversas para estimular que osa ideia surgiu durante a realização do iniciativas que auxiliam na dissemina-último congresso da entidade e, para jornais atentem para a ção de boas práticas. Ficam sob a res-viabilizá-la, a associação contou com o necessidade de ponsabilidade deste grupo, também,apoio do próprio CENP. “Caio Barsotti outras atividades, como as campanhas respeitarem as Normas- CENP EM REVISTAfez uma apresentação para os integran- da ANJ para datas promocionais e ates do Comitê e nos ajudou no que foi -Padrão” realização do Prêmio ANJ. 9
  • ABAP HOMENAGEIA PERSONAGENS DA APROVAÇÃO DA LEI Nº 12.232/10 lmoço para mais de cem convi- Danise Andrade A dados, promovido pela Abap em agosto, em São Paulo, homenageou os principais personagens da luta do mer- cado publicitário pela aprovação da Lei n0 12.232/10, que disciplinou os proces- sos de licitação e a gestão dos contratos de publicidade por órgãos da adminis- tração pública. A lei é considerada uma A partir da esquerda Lara, Caio, Monti A partir da esquerda Monti, Pastore, e Petrônio Cardozo e Ottoni grande vitória também por reconhecer o modelo de agência brasileira. Durante o almoço foram entregues ficador e avança por legitimar a escolha vários dos meus companheiros. Muitos placas comemorativas ao deputado José de uma agência pela melhor técnica, pagaram os custos das ações inescru- Eduardo Cardozo, autor do projeto de onde a criatividade tem que nortear, não pulosas de poucos”, disse ele. “A nova lei, ao deputado Milton Monti, presiden- o preço”, disse Luiz Lara, presidente lei torna mais difícil os possíveis vícios te da Frente Parlamentar da Comuni- nacional da Abap. Para ele, o CENP e o das licitações. Ela traz transparência e cação Social, a Ottoni Fernandes Júnior, Conar são “âncoras” da atividade publi- tranquilidade a todo o processo de lici- secretário executivo da Secretaria de citária no Brasil. tação de publicidade”, emendou o Comunicação Social do governo, e a Pastore lembrou o escândalo do deputado Milton Monti. Ottoni, princi- Dalton Pastore, presidente do Conselho mensalão (ele respondia pela presidên- pal interlocutor do mercado publicitário da Abap e do Fórum Permanente da cia da Abap na época) e o envolvimento no governo federal, disse que a Se- Indústria da Comunicação (ForCom). de agências. “Surgiu uma aura de culpa, cretaria de Comunicação do governo já Ele foi importante interlocutor do Poder e a Abap tomou as dores do setor, adotava os princípios da lei antes Legislativo para a elaboração da lei. demonstrando que era uma questão mesmo da sua promulgação. Ele consi- O trabalho realizado pelo CENP, ins- isolada, de uma minoria”, disse ele. dera que a medida profissionaliza o titucionalizado como órgão certificador Para Cardozo, a nova lei não elimina a mercado, principalmente para estados de qualidade do setor da publicidade corrupção, mas a dificulta. “Ela torna as e municípios. “As pequenas e médias brasileira pela lei, também foi reconheci- relações mais transparentes. Terminar o agências serão beneficiadas, e a comu- do por meio de placa, entregue a meu mandato com uma lei como esta é nicação pública, mais correta e precisa.” Petrônio Corrêa e Caio Barsotti. “A Lei no gratificante, pois ela surgiu em um Para Petrônio, a legislação “dá um ru- 12.232 consagra o modelo brasileiro de momento difícil, quando fui sub-relator mo vital à propaganda, que é livre e con-CENP EM REVISTA agências, reconhece o CENP como certi- da CPMI dos Correios, que envolveu tinuará assim”.10
  • A PUBLICIDADE E A PROTEÇÃO DA CRIANÇA CARTA DE FORTALEZA A ABAP Associação Brasileira das Agências de Publicidade, diante da disseminação de conceitos, oriundos de seto- , res pontuais, porém movidos por uma determinação afeita às organizações de vocação absolutista, e que buscam rela- cionar a imagem da atividade publicitária à ameças à proteção da criança, declara: • Que a proteção da criança é um dever de todos, igual- • Que a proteção da criança, no que diz respeito à mente, e julga presunçosa, inconveniente e desalinha- publicidade, deve incluir a resistência às propostas da dos propósitos de liberdade e democracia, toda e alienantes, que sugerem proibições incondicionais, qualquer tentativa de fazê-la bandeira de propriedade censura pura e simples e outras iniciativas que exclusiva de determinados segmentos, entidades ou tenham, como princípio, a negação da informação. indivíduos. • Que a proteção da criança deve ser objeto de campa- • Que a proteção da criança é tarefa de grande respon- nhas publicitárias específicas dirigidas a pais ou res- sabilidade e de alta complexidade e, portanto, deplora ponsáveis, educadores e à sociedade em geral, esti- as opiniões simplistas que pregam a contextualização mulando práticas saudáveis e alertando sobre riscos da publicidade, por definição, como vilã. de qualquer origem. • Que a proteção da criança, no que se refere ao uso • Que a proteção da criança deve prever, no curriculum da mídia publicitária, está contemplada na Cons- escolar, que a criança, o quanto antes, passe a convi- tituição Federal, no Código de Defesa do Consu- ver com conteúdos que a familiarizem com os códigos midor e no Código Brasileiro de Aurorregulamen- publicitários, estimulando seu senso crítico sobre as tação Publicitária. diversas manifestações da publicidade. • Que a proteção da criança deve ser, necessariamente, • Que a proteção da criança é garantida, primordial- objeto de um debate global permanente e inspirador mente, pela família e pelos sistemas educacionais, de propostas equilibradas, realistas e embasadas por que devem ser permanentemente encorajados a for- uma percepção sociocultural alinhada com a contem- mar jovens intelectualmente livres, aptos a escolhas e poraneidade. plenamente conscientes a respeito do mundo em que vivem. • Que a proteção da criança deve estar no foco de todos os profissionais de comunicação incumbidos de a ela se dirigirem, recomendando vigorosamente o uso res-CENP EM REVISTA ponsável e criterioso dos recursos da publicidade e de Fortaleza, 27 de agosto de 2010. seu inegável poder de sedução e influência. ABAP – Associação Brasileira de Agências de Publicidade12
  • Memória OS 60 ANOS DA TV BRASILEIRA Emanuel Soares Carneiro Presidente da Abert A televisão aberta completou sessenta anos no país em 18 de setembro. Desde a primeira transmissão da TV Tupi, em São Paulo, na iniciativa ousada de Assis Chateaubriand, a evolução tecnológica, o arrojo empresarial e o talento dos nossos profissionais fizeram da TV brasileira um case de padrão internacional. om penetração de 95,7% dos que é um dos mais respeitados especia- C domicílios (2009, Pnad/IBGE), listas em comunicação no mundo, a este meio popular por vocação tem sido televisão “produz uma cultura mediana capaz de integrar milhões de pessoas, acessível, sensibiliza o telespectador valorizar as realidades regionais, e dar- para outras culturas e reflete o mundo -lhes acesso gratuito a informação, cul- contemporâneo”, instigando o cidadão tura e entretenimento. Seu papel para o a buscar informação e conhecimento fortalecimento da identidade nacional é antes ignorados. incontestável. Nas palavras de Wolton, a “cultura Nos mais longínquos rincões, é pos- televisiva popular” é, em síntese, o que sível encontrar cidadãos que se conec- as pessoas têm em comum, mas que ao tam com o restante do Brasil e com o ser repartida entre os pares, fortalece a da opinião da população brasileira, mos- mundo por intermédio de seu televisor noção de democracia. Dessa forma, a TV tram que as percepções de Wolton em e, independente de classe social ou promove um indiscutível processo de relação ao papel deste meio de comuni- nível de instrução, têm acesso às mes- evolução social, como observamos no cação estão corretas. mas informações. Brasil nessas últimas décadas. A pesquisa revela, por exemplo, que Em entrevista à revista Época, em Dados de uma recente pesquisa para 66,3% das pessoas a televisão aber- 2006, o sociólogo francês Dominique encomendada à empresa Meta pela ta é o meio de comunicação mais rele- Wolton afirma que a televisão provocou, Secretaria de Comunicação Social da vante para buscar informação, e paraCENP EM REVISTA nos últimos anos, uma revolução na Presidência da República (Secom), so- 69,4% é a mídia mais confiável. Quanto vida de milhões de pessoas. Para ele, bre o acesso à informação e a formação à programação, 64,6% dos entrevista-14
  • a discussão de temas de interesse nacio- com base no conceito econométrico, nal, é com a produção regular de séries verificou que a inserção de meios de e campanhas de utilidade pública que comunicação, entre eles a TV, tem efeito este meio estabelece compromisso com positivo sobre o Índice de Desenvol- as demandas sociais, seja de dimensão vimento Humano (IDH). nacional ou comunitária, de qualquer A televisão leva informação sobre pequena cidade interiorana. tendências de mercado, oportunidades Isso só é possível graças ao modelo de trabalho, novos produtos e tecnolo- federativo de radiodifusão, semelhante gias, contribuindo para o desenvolvi- ao que acontece em outros países de mento dos mercados regionais e locais. dimensões continentais. Baseado no Esse modelo oportuniza às pequenas e conceito de redes de programação bási- médias empresas anunciarem seus pro- ca, ele combina grandes centros de pro- dutos e serviços localmente a um custo dução, dotados de tecnologia avançada e adequado a sua realidade financeira, profissionais altamente qualificados, alcançando o público-alvo, melhorando capazes de fornecer conteúdo a milhares suas vendas e gerando empregos. de emissoras e municípios. O mesmo Até 2012, teremos disseminado no acontece no sentido inverso – as emisso- Brasil o padrão digital de televisão que, ras afiliadas às redes nacionais contri- mais do que qualidade superior de ima- buem com a sua visão regional e local. gem e som, permitirá o avanço da mobi- Marcado pela diversidade e plurali- lidade e da portabilidade, ou seja, a dade, este modelo compreende 496 capacidade de o telespectador receber o emissoras de televisão, sendo 295 sinal em aparelhos portáteis ou celula- comerciais e 201 educativas, e mais de 5 res. O sistema nipo-brasileiro também mil estações retransmissoras. A indús- se internacionaliza, sendo adotado até o tria televisiva brasileira gera mais de momento por onze países. 200 mil postos de trabalho, diretos e É um passo decisivo para a inserçãodos consideram os telejornais os progra- indiretos, produz 70 mil horas/ano e, da TV no ambiente de acelerada conver-mas mais importantes, seguidos das apenas em programas jornalísticos, 180 gência tecnológica, que permitirá cadanovelas, com 16,4%. O levantamento mil horas/ano. Cerca de 70% desse con- vez mais o acesso a voz, vídeo, dados eouviu 12 mil pessoas, em 639 cidades de teúdo é nacional – 90% se considerado texto nas mais variadas plataformas.cinco regiões do país. apenas o horário nobre. Portanto, ao completar sessenta Com noticiários, reportagens, entre- Uma das grandes contribuições do anos de existência, percebemos que avistas e debates entre candidatos, a tele- setor é, por certo, de estímulo ao desen- televisão brasileira continua forte e reju-visão tem sido fundamental também volvimento econômico e social do país. venescida, cumprindo o seu papel para CENP EM REVISTApara a consolidação da democracia. Estudo da empresa Tendências Con- o crescimento econômico e a consolida-Além de prover informação e promover sultoria Integrada, realizado em 2007, ção da democracia. 15
  • Depoimentos “A PUBLICIDADE BRASILEIRA NÃO É UM MERCADO PARA AVENTUREIROS” Anunciantes falam sobre a importância do CENP A aprovação da Lei no 12.232 sublinhou Anunciante: Itaú BBA a relevância do CENP para a atividade Setor: Financeiro publicitária. Nesta e nas páginas seguintes, Depoimento de: Marcos Caetano Sede: São Paulo seis anunciantes de diferentes setores, portes e origens dão a sua opinião sobre Marcos Caetano, diretor de comu- nicação corporativa do Itaú BBA, não a importância da publicidade e de se têm dúvidas: a criação do CENP é uma trabalhar com agências profissionais grande conquista para os três princi- e certificadas segundo as Normas-Padrão pais atores do setor publicitário brasi- da Atividade Publicitária. leiro: anunciantes, agências de publici- dade e veículos de comunicação. “Temos no Brasil um mercado muito maduro. As agências brasileiras são de nível internacional, mais de uma delas já tendo sido eleita como agência doCENP EM REVISTA ano no importante Festival de Cannes. Da mesma forma, os veículos de comunicação do Brasil já conquista-16
  • Para Caetano, o mercado publicitá- rio brasileiro é fruto da qualidade do relacionamento entre os anunciantes, as agências e os veículos. “Sempre con- vivemos de forma harmônica, e o CENP é um grande marco dessa maturidade. É em função de tudo isso que conside- ro a chegada do CENP um grande avan- ço para o mercado publicitário”. Segundo ele, é natural que as regras de governança e concorrência sejam preservadas, com liberdade e espaço para negociação e aperfeiçoamentos, mas que exista um parâmetro que evite o que chama de barbárie. “A publicida- de brasileira não é um mercado para aventureiros. É por estar apoiado em leis e autorregulamentação que é o que é. O CENP contribui fundamentalmen- te para que este ambiente torne os ram importantes prêmios internacio- negócios tão fluentes. Qualquer coisa nais, como o Emmy e o New York Film no sentido inverso seria um atraso, um Festival, apenas para citar alguns. retrocesso. Precisamos preservar este Toda hora, vemos a qualidade dos tra- modelo, que não implica mais burocra- balhos dos veículos sendo reconheci- cia e controles indevidos, e que efetiva- da, aqui e no mundo. E os anuncian- mente protege o mercado.” tes também têm um comportamento Ele não tem dúvidas de que o CENP muito ético num mercado bem orga- precisa ser preservado. “É um órgão nizado”, diz ele, que considera a pu- necessário porque procura estabelecer“O CENP contribui blicidade um setor de vanguarda. “O regras mínimas de convivência merca-fundamentalmente mercado brasileiro já é forte o bastan- dológica, adequadas a um setor muito te a ponto de permitir um trânsito competitivo”, disse, lembrando quepara um ambiente intenso, do exterior para o Brasil e do existem milhares de agências de publi-de negócios fluentes. Brasil para o exterior, idêntico ao que cidade no Brasil – são perto de 3 mil se vê nos mercados de Primeiro Mun- apenas as certificadas pelo CENP. “AO sentido inverso do. As empresas de uma forma geral publicidade é um dos setores maisseria um atraso, um CENP EM REVISTA estão passando por essa fase, mas a competitivos da economia brasileira.retrocesso” publicidade já está nela desde o final dos anos 90.” Continua na página 20 17
  • A IMPORTÂNCIA DO CENP QUALIDADE, ÉTICA, CREDIBILIDADE, TÉCNICA, SEGURANÇA E Anunciantes Anunciante: Grupo Dias Neto Anunciante: Beach Park Setor: Concessionárias de motos e Setor: turismo e lazer destacam a automóveis e postos de combustíveis Depoimento de: Clarisse de importância de Depoimento de: Antônio Dias Neto Carvalho Linhares trabalhar com Sedes: Paraíba, Pernambuco, Sede: Fortaleza agências certificadas Alagoas e Rio Grande do Norte pelo CENP Para uma agência de Particularmente, nunca publicidade, ter a certificação trabalhamos com uma agência do CENP é ter um verdadeiro que não fosse certificada pelo atestado de credibilidade. CENP, então não podemos O fato de trabalharmos com abordar as desvantagens. Um uma agência certificada nos dos quesitos importantes para dá maior confiança e o processo de certificação é o tranquilidade ao anunciar, emprego de pesquisas de mídia, porque sabemos que estamos e considero fundamental que a protegidos por um órgão agência tenha e faça uso fiscalizador, sério e eficaz.” constante de pesquisas de mídia. Não existe boa campanha publicitária sem o embasamento técnico das pesquisas. A fundamentação do plano de mídia é elemento- -chave para o sucesso de qualquer propaganda.” Antônio Dias Neto, Clarisse de Carvalho Linhares, Presidente do Grupo Dias Neto, diretora de marketing do Beach Park, grupo empreendedor com complexo de turismo e lazer de negócios em quatro estados Fortaleza que recebe anualmente mais do Nordeste e com planos de de 1 milhão de pessoas. expansão para toda a região.CENP EM REVISTA18
  • COMPETÊNCIA Anunciante: Celpa Anunciante: Dental Gold Anunciante: MRN Setor: Concessionária de energia Setor: Serviços odontológicos Setor: Mineração elétrica Depoimento de: Josuel Gomes Depoimento de: Ana Cunha Depoimento de: Jackson C. Santos Sede: Paraíba Sede: Pará Sede: Pará No dia a dia de nossas Saber que a agência Ter como parceira de atividades e na execução responsável pela nossa trabalho uma agência profissional de nossas ações de comunicação é certificada certificada nos garante maior comunicação, temos como pré- pelo CENP nos dá mais confiabilidade e transparência -requisito o trabalho com segurança, pois temos a nas relações estabelecidas e agências certificadas pelo certeza de que a empresa é principalmente maior CENP. O acesso às ferramentas séria e trabalha dentro das qualidade nos serviços e recursos que a certificação normas e padrões prestados. Um processo de permite e seu uso eficiente, necessários, assegurando que certificação eficaz resulta numa com ética e competência, nos as campanhas que gestão mais profissional dão tranquilidade e confiança veiculamos estejam sempre e eficiente. Além disso, como no retorno dos investimentos. dentro dos acordos propostos anunciantes, temos acesso Como profissional que já atuou pelo conselho.” a ferramentas mais precisas nos três agentes da para avaliação de mercado e propaganda, me sinto muito à público, o que nos possibilita vontade para trabalhar e fazer sempre a melhor escolha recomendar o trabalho com de como aplicar a verba de agências certificadas.” mídia disponível, aferindo melhores resultados.” Jackson C. Santos, Josuel Gomes, Ana Cunha, Comunicação, Celpa, concessionária de Diretor-presidente da Dental Gold, Gerente de Comunicação da MRN – energia elétrica que atende a mais de 1,6 maior rede de serviços Mineração Rio do Norte, que chega milhão de clientes no Pará, beneficiando odontológicos da Paraíba. aos seus trinta anos consolidada como mais de 7 milhões de habitantes. um dos maiores empreendimentos mundiais na produção de bauxita, o CENP EM REVISTA minério de alumínio. 19
  • A IMPORTÂNCIA DO CENP Continuação da página 17 que se contam aos milhares e vários ou- tendo, talvez, até trabalhado na área. tros meios de comunicação sólidos e de Na agência sempre será o oposto. A Temos canais de TV às centenas, alta qualidade, sem falar nos milhares formação, o ponto de vista, a visão de emissoras de rádio, revistas e jornais de anunciantes em todo o país. Sob to- mundo do publicitário será diferente e dos os ângulos, vemos um mercado é bom que seja assim, pois a diversida- bastante competitivo e que, até por de é desejável. Quanto mais as empre- isso, precisa ter regras mínimas”, disse sa puderem refletir diferentes maneiras Caetano. de ver a sociedade, mais probabilidade Para ele, outra grande contribuição de sucesso elas terão. As agências são da publicidade, principalmente num ambientes propícios para isso, inclusi- mercado como o financeiro, é trazer o ve pela multiplicidade de clientes com que chama de provocações para dentro que lidam. Agências sempre estão na do anunciante. “É da natureza da publi- linha de ataque, apoiando o anuncian- cidade promover um debate fora do dia te em vendas, em geração de receitas e a dia da operação, que é muito saudá- lucros, falando direto com o consumi- “É da natureza vel. Uma das funções da agência é dis- dor final. Elas têm o pulso de mercado. cutir ética, sustentabilidade, branding, A agência que atende um banco tam- da publicidade design e tantas outras coisas funda- promover um debate mentais para o futuro das empresas. fora do dia a dia da As agências foram pioneiras em mui- tos destes temas. Branding, por exem- operação, que é plo, até os anos 80, não era um valor muito saudável. mensurado pelas empresas e hoje as marcas estão entre os seus ativos mais Uma das funções valiosos. Agências de publicidade tiram da agência é discutir as anunciantes das suas zonas de con- ética, sustentabilidade, forto. Elas provocam discussões sobre legado, visão de futuro, padrões éticos, branding, design propósito da empresa e sustentabilida- “Agências sempre e tantas outras de, que são muito importantes, que estão na linha de nos ajudam a renovar, a melhorar e que coisas fundamentais ataque, apoiando o estão entre as principais preocupações para o futuro da cúpula das empresas. anunciante em das empresas. Para Caetano, provocações dessa vendas, em geração natureza podem até vir de outras ori- As agências foram gens, como uma empresa de consulto- de receitas e lucros,CENP EM REVISTA pioneiras em muitos ria, por exemplo. “Mas dificilmente falando direto com o você terá um consultor que não tenha destes temas” consumidor final” uma identidade maior com a empresa20
  • bém ajuda a vender cerveja. ma mínima, a concorrência entre em- que o CENP, para nós, tem esse caráter Caetano se disse um defensor per- presas do setor publicitário”, disse ele. normativo, esse caráter de dar umamanente de “mais flexibilidade nas Ele reafirma a importância para os base, de dar um piso, de dar um chãoregras do mercado publicitário, para anunciantes da existência do CENP, da a partir do qual construímos o relacio-que os modelos de remuneração das sua permanência, e defende que a enti- namento com nossas agências deagências possam ser inovadores, mas dade tenha cada vez mais apoio do publicidade. Tirar esse chão para ossempre dentro de regras mínimas”. Ele governo e de todos os setores da socie- anunciantes, assim como para osconsidera, porém, que essa discussão dade, em todas as instâncias. “É muito demais elos do mercado publicitário,tem que ser conduzida sempre dentro importante para os anunciantes que seria bastante ruim. Considero muitoCENP. “Na minha opinião, qualquer existam regras claras de concorrência e importante preservar o CENP para quemodelo que não passe pelo CENP vai de convivência, que se mantenha uma possamos manter a publicidade brasi-prestar um desserviço ao mercado previsibilidade, que se saiba que traba- leira no mesmo patamar observadopublicitário, permitindo que empresas lhamos dentro de um terreno regulado nos últimos anos, uma publicidadecom péssima qualidade possam, na e não onde impere a barbárie, com um que é invejada no mundo inteiro, que ébase de preços menores, na base de ambiente de competição desenfreada e respeitadíssima, que é muito premia-concorrência predatória, ganhar espa- sem sentido para um anunciante. da, que informa cada vez mais eço num mercado hoje muito bem ocu- Como anunciante, eu gostaria de dizer melhor ao consumidor”, dissepado por brilhantes agências que Caetano. “Se a lei de defesa do consu-temos no Brasil. Sem o CENP seria ver midor pegou, foi porque o próprioagências que têm grande capacidade setor publicitário brasileiro vestiu acriativa e remuneram bem profissio- camisa, comprou esta causa: anun-nais excepcionais serem destruídas, ciantes, veículos e agências decidiramserem devastadas por outras agências informar com mais qualidade aos con-que não têm essa qualidade mas que sumidores. É por isso que a propagan-fariam abordagens aos anunciantes da no Brasil é cada vez mais evoluída,por puro e simples preço.” é por isso que a propaganda enganosa Caetano considera que nesse cená- está sendo banida do nosso dia a dia erio os prejuízos seriam de todos, atin- é por isso que acredito que o CENPgindo inclusive o consumidor, “que te- “Se a lei de defesa precisa continuar conquistando espa-ria publicidade da pior qualidade, com do consumidor ço e sendo apoiado e prestigiado, paramenos informação”. Seria ruim, consi- que o mercado publicitário, seja do pegou, foi porquedera ele, para os anunciantes, para as ponto de vista dos anunciantes, sejapessoas que trabalham nas agências, o próprio setor das agências, seja dos veículos, possaque sofreriam com o inevitável impac- publicitário ser realmente um terreno seguro, bomto negativo na sua remuneração, da de se investir e que, acima de tudo,mesma forma que para as pessoas que brasileiro comprou preste e continue prestando um excep- CENP EM REVISTAtrabalham em veículos. “Seria realmen- esta causa” cional serviço para o consumidor, quete um caso de grande retrocesso se fos- no final das contas é o grande benefi-semos desregular, mesmo que de for- ciado em todas essas iniciativas.” 21
  • Entrevista RICARDO NABHAN, PRESIDENTE DA FENAPRO “Cuidar da preservação de valores de nossa atividade exige um esforço supremo” Reeleito presidente da Fenapro em junho de 2010, para mais um mandato de três anos, Nabhan é formado em Administração de Empresas, com pós-graduação em Propaganda e Marketing pela ESPM. Ele dirige a ZN Marketing, agência do Mato Grosso do Sul e, na vida associativa, já foi presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Mato Grosso do Sul, ex-vp da Fenapro e atuou também como membro do Comitê de Ética do CENP. Nesta entrevista, ele aborda o trabalho realizado na Fenapro desde 2007, revela as prioridades para a próxima gestão e analisa os desafios que devem ser enfrentados pela indústria da publicidade. Como você avalia a atuação da Fenapro nos últimos anos? A atuação da Fenapro foi bastante positiva, com avanços importantes, principalmente para o fortalecimento dos Sinapros e dos mercados regionais. Entre as principais con- quistas da entidade, podemos destacar a atuação no IV Con- gresso Brasileiro de Publicidade, realizado em 2008, no qual comandamos o painel “As Realidades dos Mercados Re- gionais”, do qual saíram as 21 recomendações para promover o desenvolvimento, o crescimento e a valorização regional da indústria da comunicação em todo o Brasil, além da formação de grupos de trabalho para acompanhar a sua implementação e consolidação. O apoio ao Projeto de Lei do deputado José Eduardo Cardoso, que culminou com a Lei no 12.232, foi uma das reco-CENP EM REVISTA mendações importantes feitas no painel. Outras foram a ampliação das relações com as entidades e o mercado, as ações permanentes junto às instituições de ensino com o22
  • objetivo de colaborar para a melhoria da formação educacio- como atendimento, gestão, mídias alternativas, novas mídias,nal dos jovens. planejamento, legislação, licitações etc. Outra iniciativa importante foi o fortalecimento dos laços Além das oficinas, a entidade organiza palestras para estu-com demais entidades de defesa do setor, tais como a Abap, dantes de propaganda e marketing de todo o Brasil, com oAbert, CENP, Conar e ABA, entre outras, com o objetivo de rea- objetivo de colaborar para a formação dos futuros profissio-lizar um trabalho conjunto na defesa de questões importantes nais. Centenas de estudantes já participaram dessas palestras.que afetam o mercado de comunicação. Entendemos que é fundamental trabalhar na formação dos jovens que vão estar à frente do negócio da propaganda no Entre os inúmeros projetos realizados, futuro. A grande mudança que esperamos é que todo esse quais você destacaria como fundamentais esforço, no futuro, se transforme em mais qualidade, profis- para ajudar na profissionalização da indústria sionalismo, ética e respeito. da publicidade no Brasil? Além de levantar a bandeira da regionalização, que deve ser Do ponto de vista das agências, quais asentendida como um esforço permanente pela valorização dos mudanças que devemos ter neste cenáriomercados regionais, a Fenapro promoveu ações em parceria nos próximos anos?com os Sinapros, como os encontros regionais realizados nas O mundo da comunicação está se transformando rapida-diversas regiões do Brasil, com a presença dos presidentes mente em função da internet, das redes sociais, das novas tec-dos sindicatos de todo o país e diretores regionais de cada um nologias como o mobile. Isto impacta diretamente os veículos,deles. Isto tem permitido promover uma aproximação com os a distribuição de verbas e as estratégias de comunicação. Asmercados locais e, principalmente, ampliar o conhecimento agências também são fortemente influenciadas e têm quesobre as características de cada mercado. ampliar sua área de atuação em áreas como digital, compor Considero estes encontros fundamentais, por reunir equipes preparadas para os novos desafios e, sobretudo,agências, veículos, anunciantes e profissionais, e permitir acompanhar e buscar se antecipar às novas tendências. Háouvir in loco os seus problemas e buscar as melhores solu-ções e alternativas para resolvê-los. Já realizamos encontrosna Bahia, Pernambuco, Rio Grande Norte, Minas Gerais, SãoPaulo, Paraná, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Espírito Santo eSanta Catarina. O nosso objetivo é percorrer todo o Brasil. Entendemos que é Entre as atividades desenvolvidas hoje pela Fenapro, quais têm sido mais fundamental trabalhar importantes para ajudar a preparar o futuro na formação dos jovens da atividade no Brasil? que vão estar à frente Cito as oficinas de capacitação para os mercados locais queacontecem durante os encontros regionais, com o objetivo de do negócio da propaganda CENP EM REVISTAlevar o know how dos mercados mais desenvolvidos a outras no futuro”regiões. As atividades, ministradas por profissionais experien-tes, abordam as diversas áreas de operação de uma agência, 23
  • FENAPRO luta que estamos enfrentando. Temos muitos problemas a enfrentar, como as medidas de restrições à propaganda por parte da Anvisa, além de outras centenas de projetos de lei antipropaganda que tramitam no Congresso e que imputam a A liberdade de expressão culpa de tudo à propaganda. comercial é sem dúvida a Este tipo de problema só pode ser enfrentado se conseguir- mos unir o setor para conscientizar os demais órgãos sobre a maior luta que estamos importância da propaganda, pois é através dela que as marcas enfrentando” lançam os seus produtos e os consumidores recebem as informações, permitindo assim a liberdade de escolha do con- sumidor final. também movimentos macro que devem ser observados, Especificamente em sua gestão, quais as como o próprio crescimento regional e a expansão das classes iniciativas que exigiram mais esforço da Fenapro? C e D. É preciso que as agências conheçam melhor esse públi- Acredito que todas as iniciativas realizadas têm exigido co e suas demandas. esforços da entidade, ainda mais quando sabemos que elas representam os interesses de um universo de empresas que Qual é hoje, em sua opinião, a principal luta conta, hoje, com mais de 10 mil agências, entre pequenas, conjunta que o setor publicitário deve enfrentar? médias e grandes. A liberdade de expressão comercial é sem dúvida a maior Um dos esforços, realizado em parceria com as demais enti-CENP EM REVISTA24
  • dades do setor, foi o fato de termos conseguido levar ao TCU,por exemplo, o pleno conhecimento do que somos e o que faze-mos. A ideia que se fazia dos serviços prestados pelas agênciasde propaganda era muito diferente da nossa realidade. Também estamos levando informações, tirando dúvidas e Estamos vivendo um bomajudando o mercado na aplicação da Lei no 12.232, por meio momento para o negócio dade encontros com os responsáveis por este setor nos estadose municípios e, em alguns casos, realizando encontros com propaganda, o que certamenteos próprios prefeitos, ajudando-os no melhor entendimento irá ampliar as oportunidades”dessa nova lei. Cuidar da preservação de valores de nossa atividade exigeum esforço supremo, não apenas das entidades, mas de cadaum de seus profissionais. as agências, para o mercado e para o desenvolvimento do país como um todo. Um bom exemplo disso é o Guia da melhor Fenapro e Abap assinaram recentemente uma prática assinado pela ABA e Fenapro, um trabalho que tem declaração conjunta de princípios e objetivos; norteado muitos anunciantes no momento de selecionar a a Fenapro também tem desenvolvido iniciativas em agência ou agências para atenderem suas contas. parceria com a ABA. Como você avalia a Outro exemplo é a Declaração Conjunta de Princípios e importância de as entidades atuarem Objetivos assinado com a Abap. Este acordo visa a criação de com propostas comuns? Este movimento é uma agenda comum que contribua para o crescimento e o de- importante para fortalecer as diversas iniciativas? senvolvimento das agências. Sem dúvida, esses movimentos Quanto mais as entidades trabalharem juntas, melhor para são importantes para fortalecer as diversas iniciativas em defe- sa do setor e, principalmente, para o seu desenvolvimento. Qual a análise que podemos fazer hoje sobre o mercado publicitário? Como a Fenapro tem apoiado as atividades das suas associadas, Quanto mais as entidades para que as agências possam aproveitar o trabalharem juntas, melhor bom momento econômico do país? Nosso mercado cresce em proporções significativas. Basta para as agências, para ver que um mercado como o de Pernambuco, por exemplo, o mercado e para o cresceu, apenas em maio deste ano, mais de 10%. Temos duas classes sociais, a C e a D, que até outro dia não tinham desenvolvimento do a importância que têm hoje e que estão consumindo muito país como um todo” acima do que se poderia imaginar. Isso mostra que estamos vivendo um bom momento para CENP EM REVISTA o negócio da propaganda, de mais consumo e produção, o que certamente irá ampliar as oportunidades para o desenvol- vimento da atividade em todo o país. 25
  • FENAPRO 28 ANOS EM PROL DA QUALIFICAÇÃO DAS AGÊNCIAS DE PROPAGANDA ficialmente, a Fenapro – Federa- e também no que diz respeito às ques- O ção Nacional das Agências de tões relacionadas à legislação da ativi- Publicidade foi criada em 1982, com a dade publicitária e de direito autoral. assinatura da Carta Sindical pelo minis- Para otimizar os esforços nessa fren- O intuito da tro do Trabalho, Murillo Macedo. Mas as te, um dos projetos mais importantes entidade é negociações para a instituição da entida- da Fenapro é a realização dos Encon- de haviam começado em 1977, quando tros das Lideranças Regionais, organi- atuar de forma os seis sindicatos existentes até então zados em diversos estados para discutir ainda mais lançaram publicamente a ideia. o negócio da comunicação em âmbito estreita com Refletindo mudanças que ocorreram regional. Nessas ocasiões, os profissio- no Brasil nas últimas décadas, a nais participam de palestras, seminá- os sindicatos Fenapro congrega hoje em seus qua- rios e oficinas em torno de temas como e o CENP dros dezoito sindicatos patronais gestão de agência, licitações, legislação (Sinapros) e mais de 10 mil agências de da propaganda, planejamento de mídia, para ajudar a propaganda em todo o país, conside- criação, atendimento etc. Na última edi- esclarecer dúvidas, rando as empresas que fazem constar ção, que aconteceu em meados de a fim de que do seu contrato social a atividade. agosto, em Florianópolis, um dos des- Destas, cerca de 3 mil encontram-se taques foram os debates relacionados à as Normas-Padrão certificadas pelo CENP. Além de admi- implementação da Lei no 12.232, que sejam respeitadas nistrar o recolhimento da contribuição definiu as regras para as licitações pú- sindical patronal e prestar assessoria blicas na área de comunicação. e cumpridas jurídica para todos os Sinapros, faz Também ficou acertado no encontro parte do escopo de atividades da entida- que a Fenapro deve reforçar a ação dosCENP EM REVISTA de orientar os sindicatos das agências Sinapros para a fiscalização da aplica- nas áreas tributária e de administração ção das Normas-Padrão da Atividade26
  • Estima-se que no período de 2007 a 2010 tenham passado pela análise da Fenapro mais de trezentos processos de licitação”Publicitária. Para isso, foi constituído 2013, uma vez que foi reeleito), comen- ção no 21 da CENP em Revista publicouum comitê coordenador para visitar os ta que uma das prioridades de sua ges- reportagem sobre o Fórum.estados, acompanhando as demandas tão tem sido justamente o fortalecimen- A Fenapro também teve participaçãodas agências e ajudando a identificar to dos laços com outras entidades do ativa na realização do IV Congressosituações sensíveis envolvendo as setor, como ABA, Abap, ABP, CENP e Brasileiro de Publicidade, quando foiNormas-Padrão e a legislação relacio- APP, com o objetivo de realizar um tra- responsável pelo painel sobre a realida-nada à atividade publicitária. Como foi balho conjunto na defesa das questões de dos mercados regionais, que contoudefendido na ocasião pela Fenapro, o que afetam o setor. com mais de duzentos delegados deintuito da entidade é atuar de forma Nos últimos anos este esforço de a- todo o país. Neste sentido, outra esferaainda mais estreita com os sindicatos e proximação tem rendido bons frutos. importante de atuação da entidade é ao CENP no sentido de ajudar a esclare- Em 2009, por exemplo, em parceria com que envolve a aproximação com ocer dúvidas para que as normas sejam a ABA foi organizado um grande evento poder público, visando defender osrespeitadas e cumpridas por meio da para debater o fortalecimento da ativida- interesses do setor publicitário emadesão dos veículos regionais. de econômica publicitária brasileira. O I questões legais, projetos de leis e regu- Fórum Mercados Brasileiros reuniu cer- lamentações relacionadas à propagan-Unindo esforços ca de duzentos dirigentes e executivos de da. Para isso, além dos contatos com CENP EM REVISTA Ricardo Nabhan, à frente da entida- empresas anunciantes, agências de pro- diversos órgãos do governo, entre elesde desde 2007 (e deve permanecer até paganda e veículos de todo o país. A edi- a Secom e o TCU, destacam-se a reali- 27
  • FENAPRO Ex-presidentes da Fenapro A Fenapro hoje • Luiz Marcelo Dias Salles (1982-1985) Ricardo Nabhan de Barros presidente • Álvaro Costa Resende (1985-1988) Saint’Clair de Vasconcelos vice-presidente • José Daltro Franchini (1989-1992 e 1992-1995) Antonio Lino Pinto diretor-secretário • Valdir Batista Siqueira (1995-1998) César Paim diretor de assuntos éticos • Antonio Luiz de Freitas (1998-2001) Fernando Brettas diretor de relações governamentais • José Antonio Calazans (2001-2004 e 2004-2007) Alexandre Oliveira diretor de relações interassociativas • Ricardo Nabhan (2007-2010 e 2010-2013) Aías Lopes diretor-tesoureiro Bruno Gonzalez diretor de planejamento zação de inúmeras reuniões com minis- lhado em prol da melhor qualificação e A questão das licitações públicas tros, parlamentares e senadores, além conhecimento das agências no âmbito tem exigido bastante atenção da entida- da participação em audiências públicas. da legislação, das licitações públicas e de, que tem atuado, com o apoio dos Nabhan cita como exemplo o acompa- da gestão de agência. Pensando no futu- Sinapros, junto aos Tribunais de Contas nhamento direto e a participação na ela- ro da questão, a atual gestão intensifi- dos estados, realizando consultas e boração de emendas do projeto de lei cou a aproximação com o setor educa- orientando os responsáveis para que as do deputado José Eduardo Martins cional, visando ampliar o conhecimento licitações regionais adotem os padrões Cardozo, que se transformou na Lei no da atividade publicitária pelos alunos legais, face ao grande número de erros 12.232, e o envolvimento de represen- dos cursos de comunicação. Para tanto, usualmente constatados nesses editais. tantes da entidade na condução do a entidade realiza palestras em universi- Em prol da busca de melhores práti- debate para a elaboração do texto do dades em todo o país, já tendo coberto cas nesta área, foram desenvolvidos Anexo C, do CENP. mais de 10 mil estudantes de propagan- inclusive materiais específicos sobre o Em outra frente, a Fenapro tem traba- da, marketing e comunicação. assunto, disponível no site www.fena- pro.org.br. “A iniciativa faz parte do esforço de levar ao conhecimento dos mercados regionais todos os procedi- mentos de uma licitação pública, ter- mos e regras que devem ser seguidas para a realização de uma concorrência”, explica Nabhan. Para se ter uma ideia da dimensão deste trabalho, estima-se que no perío- do de 2007 a 2010 tenham passadoCENP EM REVISTA pela análise da Fenapro mais de trezen- tos processos de licitação.28
  • Capa PRECISO, CLARO E OBJETIVO É do briefing que nasce a boa riefing vem da palavra inglesa comunicação publicitária, B brief, que quer dizer sumário, síntese, fazer resumo. No tomo sobre e a aprovação da Lei no 12.232/10 “Mídia – Uma tentativa de padroniza- reforça a sua importância na ção do vocabulário técnico de mídia na língua portuguesa corrente no país”, do licitação de serviços de Dicionário Brasileiro de Comunicação, de publicidade por entes públicos 1977, no verbete sobre briefing, antes de defini-lo – “diretriz, sumário de orienta- ção, resumo informativo” – os autores, João Luiz Faria Netto Neyza Bravo Mendes Furgler e Izacyl Consultor jurídico do CENP, Diretor de Guimarães Ferreira, publicitários com Assuntos Legais do CONAR e Diretor belas formações universitárias, confes- Jurídico do SINAPRO-RJCENP EM REVISTA saram no prefácio que, sem xenofobia, tentavam com a obra defender a língua por ser o “elemento mais aglutinante de30
  • um grupo, tribo ou país”; no verbete do Precisão, clareza ocorria até o advento da Lei, quando,briefing, no entanto, depois das expres- não raro, o que os planejadores, cria-sões em português, concordaram que e objetividade são dores e homens de mídia das agênciasse podia “continuar usando briefing...”. inerentes aos estudavam à exaustão era material queE assim se fez e faz. resultaria numa proposta especulativa Faz-se tanto que a expressão, a par- projetos básicos, que possivelmente jamais seria execu-tir de 29 de abril deste ano, foi incorpo- o que o briefing tada pelo contratante.rada ao vasto e sempre crescente passou a ser O briefing no setor privado e nasrepertório legal do país, passando ele, empresas do setor público que dispu-o briefing, já incorporado à nossa lin- para as licitações tam o mercado, ao contrário, sempreguagem técnica, a ser palavra de texto e contratações foi um instrumento de identificação delegal e peça indispensável e obrigatória determinado problema de comunica-nos editais de licitação e contratação pelos entes ção. Já mereceu estudos acurados epela administração pública de serviços públicos de tem modelagem clássica e pode serde publicidade prestados por intermé- agências de dividido em:dio de agências de propaganda. • definições de produto; Segundo o artigo 6o da Lei no propaganda. • histórico de compra e consumo;12.232/10, os editais obedecerão ao Deixou de ser • mercado/concorrência;disposto no artigo 40 da Lei no • público-alvo;8.666/93, que trata de uma maneira mero instrumento de • verba/período egeral das licitações, com exceções que especulação criativa • objetivos de marketing e comunicação.lista e novas obrigações, dentre elas a Tudo escrito de forma precisa, claraobrigação de incluir o briefing: “As in- e objetiva.formações suficientes para que os No setor público, o modelo estáinteressados elaborem propostas sendo construído e deve ser pensandoserão estabelecidas em um briefing, de a partir da constatação de que se trataforma precisa, clara e objetiva”. Quer de atender com a publicidade ao inte-dizer, a “diretriz, sumário de orienta- resse público, notadamente no que dizção, resumo informativo” deve ser pre- respeito ao direito de cada um a serciso, claro e objetivo. informado sobre os atos e fatos de governo, o que é indispensável aoLICITAÇÕES aglutinamento de grupo, tribo, país de Precisão, clareza e objetividade são que falam os autores do dicionárioinerentes aos projetos básicos, o que o pioneiro sobre a comunicação.briefing passou a ser para as licitações Na prática, de forma precisa, clara ee contratações pelos entes públicos de objetiva, o briefing de licitação pública CENP EM REVISTAagências de propaganda. Como proje- de publicidade deve ser e ter um con-to básico, deixou de ser mero instru- junto de informações resumidas nomento de especulação criativa, o que quadro da página seguinte. 31
  • BRIEFING SERVIÇOS ESPECIAIS RECEITA DE BRIEFING Os serviços prestados pelas agên- PARA O SETOR PÚBLICO cias de propaganda são de natureza especial, executados de forma contí- Uma proposta de questionário para construção de um nua, o que implica dizer que no tempo briefing de um ente público que organiza uma licitação de vigência do contrato, outros brie- para contratação de serviços publicitários. fings específicos podem ser exigidos 1. Histórico de quem licita, o que é, onde atua, para quem atua, com que na relação anunciante-agência. Terão o características e circunstâncias. mesmo comando, embora de conteú- 2. Dados geográficos e estatísticos pertinentes ao objetivo do projeto do mais simples, porque relacionados a problemas novos enfrentados pela de comunicação. administração pública, que precisam 3. Problemas fáticos constatados e que tipos de ações estão sendo do instrumento de comunicação para desenvolvidas para saná-los ou amenizar os seus efeitos. se tornar de conhecimento público, o 4. Recursos materiais e humanos aplicados, de que forma e com que constitui direito do cidadão que abrangência. comum. 5. Resultados fáticos de ações desenvolvidas, mostrando de forma clara O briefing é o projeto básico e como o que foi feito e será ainda implementado. tal deve obedecer aos princípios do 6. O que era, passou a ser e caminha para se transformar, no ambiente artigo 37 da Constituição Federal, que institucional de quem licita, o objeto da licitação diante das ações trata da administração pública, com desenvolvidas e a ser realizadas. especial atenção para a impessoalida- 7. Chamados e apelos públicos indispensáveis à participação geral nas de, respeitada com rigor, o que prevê o ações de governo. parágrafo 1o daquele artigo: “A publici- 8. Desafios de comunicação constatados – características socioculturais dade dos atos, programas, obras, ser- específicas, grupos socioeconômicos a serem atingidos, quadro viços e campanhas dos órgãos públi- social e etário. cos, deverá ter caráter educativo, infor- mativo ou de orientação social, dela 9. O que espera o ente contratador da estrutura de atendimento não podendo constar nomes, símbo- a ser contratada em termos de criatividade, estratégia e instrumentos los ou imagens que caracterizam pro- de comunicação com o público-alvo a que se destina a moção pessoal de autoridades ou ser- comunicação publicitária. vidores públicos”. [ O briefing é o projeto básico e como tal deve obedecer ao princípios do artigo 37 da ]CENP EM REVISTA Constituição, que trata da administração pública32
  • PROFÉTICO problemas encontram soluções me- comunicação; quem vai estudar e Na apresentação do dicionário que lhores quando estas surgem natural- entender as pesquisas para indicar osnão quis abrasileirar a palavra briefing, mente e nos momentos mais adequa- meios e veículos da divulgação precisaembora fosse tentativa de colocar em dos; ...é certo que as necessidades que conhecer os problemas e encontrar asportuguês os termos em uso no que ‘estão no ar’ são atendidas quando saídas naturais porque deve ser con-era considerado época de “extraordi- maior é o reconhecimento de que algo vencido pelo conhecimento dos pro-nária evolução técnica da mídia brasi- precisa ser feito...”. blemas que se decidiu resolver.leira”, parece profético para quem vai Quem vai estudar um briefing e É do briefing que nasce a boaestudar e elaborar um briefing o que indicar caminhos e estratégias; quem comunicação publicitária. É o projetodisse, falando das razões do livro, vai criar as peças publicitárias que que o talento e a técnica deverãoWalter Clark, um pioneiro do talento melhor comuniquem as mensagens seguir para a boa prestação dos servi-da mídia brasileira: “... é certo que os que atendam ao interesse público da ços publicitários. [ É do briefing que nasce a boa comunicação publicitária. É o projeto que o talento e a técnica deverão seguir ] CENP EM REVISTA para a boa prestação dos serviços 33
  • BRIEFING GRANDES E PEQUENOS SEGREDOS DE UM BOM BRIEFING Para anunciantes e também para publicitários, extraídos de dois trabalhos antológicos sobre o tema briefing história começa com um antigo Um importante – importantíssimo – segredo A comercial de TV da vodca de um bom briefing nem sempre fácil de ser Smirnoff, criado pela DPZ no começo dos apreendido por profissionais de marketing anos 80, mais ou menos assim: um avião jovens ou nem tanto: ele, o briefing, não deve se é mostrado em diferentes ângulos, com um diálogo em off de um casal. Fala a preocupar minimamente em fazer o trabalho do mulher: “Estamos descendo em Casa- publicitário, de planejamento, criação ou mídia. blanca e você está triste?”. Responde o Em seu livro Raciocínio criativo na publicidade, o homem: “Já pensou? Tem Smirnoff em publicitário Stalimir Vieira resume a coisa toda 143 países e vamos descer justamente em com uma história mais cristalina impossível. um que não tem...”. Resposta da mulher: “Ah, a gente compra amanhã em De quebra, fornece importantes lições sobre Katmandu...”. a arte do briefing, tanto para anunciantes Em seguida, Stalimir destrincha os quanto para colegas de profissão. caminhos que levaram do briefing à cria- ção (obviamente eficiente, sem falar na extrema elegância), a partir de um exer- cício próprio para publicitários mas que, bem entendido, é revelador de importantes segredos: ao ver um anún- cio, tente deduzir qual foi o briefingCENP EM REVISTA apresentado. No entanto, como recomenda Stalimir, é preciso ponderar antes outra34
  • coisa: o criativo é um apaixonado no tar o contrário (e se?), por isso pensa matriz, ou uma combinação disso tudo,atacado e no varejo, tanto pela sua rela- ‘ao contrário’. Quando um criativo tem podia ser resumido em uma única pala-ção densa com a vida quanto por força de criar um comercial, por exemplo, vra: “internacionalidade”. Nela estão re-da sua necessária identificação com a esta é a primeira coisa que ele se per- sumidos atributos, diferenciais e benefí-publicidade, que o leva a ocupar-se de gunta: como é que todo mundo faz?”, cios capazes de fazer com que consu-determinado assunto sintetizado em escreve Stalimir, frisando mais adiante: midores e consumidores em potencialum briefing e emprestar ao tema o seu “pensar ao contrário não significa do produto não só memorizem o co-talento criativo. A paixão própria do esquecer a adequação e a pertinência mercial como gerem neles uma atitudepublicitário o levará a não se conformar das propostas. O objetivo é exatamente de compra que feche o circuito deseja-com informações burocráticas. Ele vai exacerbar o aspecto dramático da do pelo marketing a partir do conceitoquerer mais: a resposta para a pergunta forma”. de que “beber internacionalidade” dáainda não feita, novos caminhos, possi- Voltando ao comercial de Smirnoff, prestígio ao consumidor, como explicabilidades até então impensadas. “O resta óbvio que o conceito de marketing Stalimir. Além disso, o marketing docriativo é um desestruturador de fórmu- proposto no briefing pelo anunciante, anunciante informou os publicitárioslas, de modelos conhecidos, de forma- apurado por pesquisa, feeling, experiên- que a vodca Smirnoff estava presentetos convencionais. Ele quer experimen- cias anteriores, inclusive oriundas da em 143 países. Fim do briefing. [ “Pensar ao contrário não significa esquecer a adequação e a pertinência das propostas. O objetivo é exatamente ] CENP EM REVISTA exacerbar o aspecto dramático da forma” 35
  • BRIEFING Poderia haver briefing mais simples e por trabalhar a informação de um jeito direto? É claro que resumir a coisa toda que ele não espera.” na palavra internacionalidade levou cer- Em seu livro, Stalimir trata o briefing tamente muito tempo, demandou pes- de outra maneira bem interessante. quisas, testes etc., mas esta é outra his- Para ele, briefings trazem alguns dados tória, assim como também está em racionais que são como pontinhas de outro campo da atividade publicitária o icebergs de conhecimento que suposta- fato de os profissionais de atendimen- mente o publicitário já possui. “Pela to, planejamento, criação e mídia da pontinha visível do iceberg, você deve agência virem eventualmente a se ser capaz de identificar o iceberg inteiro. envolver com o cliente, dividindo com Ou seja, devem fazer sentido para você ele os seus conhecimentos acumulados o tipo de informação que o briefing car- em marketing e publicidade para desen- rega e a qualidade da intenção do mar- volver o briefing a quatro, seis, oito ou keting. Esse “fazer sentido” é produto mais mãos. de cultura e maturidade, que são refle- Resta outra parte da história de xos diretos do que você trouxer em sua Stalimir, esta útil para quem faz o brie- de forma a torná-la memorável e, assim, “bagagem de vida”. fing entender um pouco mais do traba- otimizar o investimento feito pelo clien- Para Stalimir, nada ajuda mais do lho do publicitário. Ele repete que, ao te naquele espaço. Por isso, no exemplo que um bom briefing – e nada atrapalha criativo cabe, sempre, pensar “ao con- apresentado, os criativos da DPZ pensa- mais do que um mau briefing. “Ele é o trário”, fugindo de tratamentos óbvios ram ‘ao contrário’ e nasceu o conceito pavimento por onde a criação vai trafe- que, no caso de Smirnoff poderia ser de comunicação ‘país que não tem gar. É uma estrada. Quanto mais bem mostrar a vodca sendo consumida em Smirnoff’. Dizer que há Smirnoff em 143 sinalizada, mais rápido e em segurança diversos países. “A questão é que se países é uma informação relevante; citar chegaremos a nosso destino. Quanto espera da criação algo mais do que o um país que não tem Smirnoff é uma menos sinalizada e mais esburacada, correto; espera-se o surpreendente”, afirmação surpreendente. O conteúdo menores serão as chances de chegar a explica Stalimir. “A formulação criativa é da informação continua o mesmo: há algum lugar, além de corrermos o risco uma necessidade vital na valorização do Smirnoff em muitos países. O que de cair num abismo. Todo criativo deve uso do espaço comercial. É sua função, muda é a forma, que, em publicidade, ter o bom-senso de avaliar bem um brie- mais do que demonstrar uma intenção tem a obrigação de quebrar a monoto- fing antes de começar a trabalhar nele. de marketing, dramatizar essa intenção, nia e emocionar o público, exatamente Claro que a pouca experiência, muitas [ Para Stalimir, nada ajuda mais do que um bom briefing – e nada atrapalha mais do que um mau briefing. Ele é o ]CENP EM REVISTA pavimento por onde a criação vai trafegar36
  • BRIEFING DEFININDO RESPONSABILIDADES Sobre o que cada área de anunciante e agência devem se responsabilizar Áreas de marketing mercado e o consumidor, além de uma definição clara dos objetivos de propaganda. a) Tornar acessíveis para a área de propaganda todas as informações relevantes sobre seus produtos e mercados. e) Tornar acessíveis para a agência informações adicionais necessárias para possibilitar a preparação e a execução do b) Ajudar a área de propaganda a formular objetivos ade- planejamento feito para alcançar os objetivos aprovados. quados aos de marketing e de rentabilidade do produ- to/empresa. f) Aprovar em primeira instância o planejamento geral estratégico e os planos de trabalho feitos pela agência, sub- c) Aprovar os objetivos, planos e custos preparados pela metendo-os – nos casos necessários – à aprovação final área de propaganda, bem como tomar a decisão final sobre pela área de marketing. planejamento estratégico. Agência de propaganda Área de propaganda a) Aconselhar e assistir a área de propaganda na formula- a) Assegurar que as ações de propaganda sejam uma con- ção dos objetivos de propaganda. tribuição favorável ao plano de marketing. b) Obter da área de propaganda (ou através dela) e de suas b) Obter das áreas de marketing as necessárias informa- próprias fontes todas as informações necessárias para a ções relevantes para a formulação dos objetivos de propa- execução do planejamento estratégico, dos planos de traba- ganda. Conseguir informações adicionais de fontes externas lho e levantamento dos custos para alcançar os objetivos. (agência, institutos de pesquisa, dados publicados). c) Executar o planejamento estratégico, os planos de traba- c) Formular objetivos de propaganda compatíveis com as lho e o orçamento, para submetê-los ao anunciante. verbas, custos e retornos previsíveis, ajustando-os com as áreas de marketing e a agência. d) Executar as tarefas aprovadas, sob a direção da área de propaganda de seu cliente. d) Preparar um briefing básico (e por escrito) para a agên- cia, contendo as informações essenciais sobre o produto, o Extraído de Propaganda de A a Z de Rafael Sampaio [ Tudo o que está no briefing deve conduzir a um foco principal, a um ]CENP EM REVISTA objetivo claríssimo38
  • vezes, nos deixa inseguros para ques-tionar um briefing teoricamente elabora-do por profissionais: temos medo deparecer burros. Porém, há muito maisbriefings burros por aí do que possaimaginar nossa vã filosofia. Se há dúvi-das, é preciso perguntar. Perguntar nãoofende. É muito mais econômico doque pegar um caminho errado na tenta-tiva de preencher as falhas do briefingcom suposições. Um briefing deve res-ponder claramente à pergunta: ‘O quevocê quer?’ Se não responder, não estácompleto. Não tem foco. Foco. Esta é todas as vezes que uma informação de fatos. Tende a confundir, e não a es-uma palavrinha tão usada que, muitas passa de um ponto para outro e o pro- clarecer. Ele não é errado somente por-vezes, nem nos damos conta da impor- pósito de organizá-lo corretamente é o que é longo, mas porque não é seletivo.tância de seu significado. Tudo o que de assegurar a passagem da informa-está no briefing deve conduzir a um foco ção certa – da pessoa certa para a pes- • Briefing demasiadamenteprincipal, a um objetivo claríssimo. Se soa certa – na hora certa, da maneira sistematizadoesse objetivo não for absolutamente certa com o custo certo. O sucesso ou Aqui o perigo é que o sistema seperceptível, pare: há um problema com fracasso dessa operação depende, é torna mais importante que a informa-ele ou com você. Tentar sair criando claro, de saber o que é certo no contex- ção que deveria ser resumida e transmi-uma campanha sem questionar seria- to, pois o que é certo para uma situação tida. Um exemplo típico é um questio-mente o briefing a respeito do que ele pode não ser certo para outra”, escre- nário excessivamente elaborado quequer é como levantar voo sem ter che- veu Rafael. tenta dar a todos os aspectos umacado os instrumentos do avião.” Segundo ele, os erros mais comuns importância igual. O outro trabalho antológico sobre o nos briefings são:tema está contido no livro Propaganda • Briefing curto demaisde A a Z, de Rafael Sampaio, vice-presi- • Briefing muito extenso Isso significa um briefing com defi-dente da ABA e membro do Conselho É caracterizado pela extensão, por ser ciências de informação, deixando muitoExecutivo do CENP. “O briefing ocorre excessivamente elaborado, abarrotado espaço para o pensamento ilimitado do [ Um bom briefing deve responder claramente à pergunta: “O que você quer?”. Se não ] CENP EM REVISTA responder, não está completo 39
  • BRIEFING CHECK-LIST DAS INFORMAÇÕES e de cada concorrente) NECESSÁRIAS PARA FAZER O BRIEFING • Concorrência: • Participação e tendências de evolu- ção do share-of-market De acordo com Rafael Sampaio, estes são os pontos mais prováveis de ser • Grau de organização (de cada um) questionados e discutidos durante o processo de reunião de informações e • Participação e tendências de evolu- briefing. Segundo explica, nem todos serão relevantes ou igualmente ção do share-of-voice relevantes numa situação particular. Os pontos de maior relevância vão se • Objetivos e estratégias de marketing tornar claros à medida que o trabalho for sendo feito. e comunicação percebidas • Táticas de marketing e comunicação empregadas • Imagem de cada concorrente O Produto (ou Serviço) • Como o produto é vendido (unidade, • Pesquisa – Disponíveis, regulares (que • Nome pacotes, grandes quantidades, varejo podem ser compradas) e ad hoc (que po- • Descrição tradicional, autosserviço, distribuidores dem ser contratadas) • Propriedades exclusivos, revendas etc.)? • Histórico • Como o serviço é prestado (direta ou Os Consumidores • Aparência física indiretamente, de forma centralizada ou Atuais, da concorrência e potenciais • Embalagem descentralizada, pessoalmente, via tele- (Os itens a seguir se aplicam a cada um • Preço e tendência – aumento, estabili- fone/internet etc.)? dos três grupos acima, quando essa zação, redução • Tamanho do mercado – em volume separação tiver sentido no caso especí- • Custo x benefício e valor fico) • Vantagens – única, principal, secun- • Sobreposições de mercado • Ocupação, profissão dária • Influência e atitudes do atacado e • Posição social e cultural • Desvantagens (e efeitos colaterais) • Como é usado? – local e forma varejo • Quantidade • Frequência de compra e uso • Tendência das vendas – do produto/ • Nível de escolaridade média • Local de fabricação serviço; da categoria; do mercado total • Localização (onde moram, trabalham, • Capacidade de produção • Influências: regionais (geográficas); passeiam etc.) • Disponibilidade – no presente e futuro sazonais; demográficas (raça, sexo, ida- • Grupos de idade • Concorrentes de, profissões, padrão sociocultural etc.) • Sexo • Vantagens e desvantagens relativas • Distribuição • Nível de renda aos concorrentes • Organização do mercado • Segmentação psicodemográfica • Diferencial • Decisores de compra (formais e infor- • Influência da força de vendas (para a • Imagem e marca mais) rede de distribuição e para os consumi- dores) • Influenciadores da compra (dentro da O Mercado • Efeitos da propaganda (promoção, casa/empresa e fora delas)CENP EM REVISTA • Canal(is) de venda da categoria merchandising etc.) no mercado • Necessidade do produto/serviço (para • Importância relativa (se vendido em • Investimentos em comunicação (total o consumidor) mais de um canal)40
  • pessoal criativo. Como resultado, suas Rafael lembra que o briefing e o pla- ideias podem não ser direcionadas para nejamento de propaganda são insepa-• Atitudes racionais e emocionais com relação a o foco correto. ráveis. No momento em que o planeja-preço, qualidade, utilidade, conveniência mento começa com a análise do proble-• Hábitos de compra e uso • Briefing muito dogmático ma, também começa o processo de• Frequência da compra e uso Ocorre, por exemplo, quando alguém briefing. Para ele, o processo de planeja-Os Objetivos na organização do cliente tem ideias mento total em publicidade tem como• Objetivos estratégicos da empresa fortes, preconcebidas sobre qual deve meta chegar a conclusões sobre:• Objetivos de marketing (da empresa, linha, ser o approach da propaganda. Pode • Quem estamos tentando influenciar?marca, produto ou serviço) em termos de volu- também ocorrer quando as conclusões • Como queremos influenciá-los?me, valor, participações, ampliação de mercado e da pesquisa são interpretadas muito • Quando?rentabilidade literalmente. • A que custo?• Objetivos de comunicação (quem e quantosatingir, o que comunicar, que atitudes e respostas • Briefing na hora e da maneira erradas “Para se chegar a conclusões basea-se deseja motivar a curto e longo prazos) A falta de coordenação leva a ideias das em fatos, são envolvidas a passagem• Problemas (que dificultam atingir os objetivos) confusas e até conflitantes. Muito e a troca de informações entre as áreas• Oportunidades (que facilitam atingir os objeti- tempo gasto com coisas secundárias. de marketing e propaganda do anuncian-vos) Pouquíssimo tempo para o desenvolvi- te e sua agência (incluindo as respectivas mento criativo – ou talvez até muito, áreas de pesquisa)”, escreve Rafael. “OA Estratégia Básica tornando o interesse e o entusiasmo processo é uma investigação sistemática• Ferramentas de comunicação sugeridas menores. e uma troca meticulosa de informações,• Peças sugeridas e conteúdo básico análise e exame, mantendo o que for• Posicionamento (como a empresa, linha, pro- relevante e descartando o que não for,duto, serviço ou marca quer ser percebida no até que o objetivo ótimo de propagandamercado) apareça, tão claro e preciso quanto pos-• Approach criativo (sugestões) sível. Portanto, o briefing é um processo• Pontos obrigatórios a serem destacados ou evi- contínuo e cumulativo através de todostados os estágios do planejamento de propa-• Target primário ou secundário ganda. Se cada estágio for corretamente• Mercados (regiões e segmentos) a serem realizado, o passo seguinte torna-secobertos muito mais claro, fácil, certo e preciso.”• Meios de comunicação e veículos sugeridos [ ]• Período de veiculação desejado• Estilo (da empresa, linha, marca) a ser seguido Para Rafael, o briefing é um processo• Verba disponível contínuo e cumulativo através de todos CENP EM REVISTA os estágios do planejamento de propaganda 41
  • BRIEFING No processo de determinação de sentado por ele (e aqui resumido no quais influências se quer exercer sobre quadro da pág. 38) é uma proposta de quais pessoas, quando e a que custo, as definição de responsabilidades que, informações mais relevantes devem ser apesar de não ser aplicável para todas as centradas no produto, mercado e as situações, é suscetível de ser adapta- nas pessoas que devem comprar ou do à grande maioria dos casos. influenciar a compra do produto. Segundo Rafael, uma confiança A primeira pergunta, portanto, é: demasiada no briefing de “papel” sem como saber qual é a informação certa? uma mescla certa de contatos indivi- O melhor e mais rápido método conhe- duais é um exemplo típico e muito fre- cido, segundo Rafael, é pelo questiona- quente de passar um briefing da manei- mento seletivo através de pessoas com ra errada. “Quando se está brifando o experiência em propaganda. Ou seja, pessoal criativo, é particularmente im- fazer perguntas com um objetivo defini- portante cultivar relacionamentos e do em vista. “Isso é importante porque guntas-padrão podem ser úteis, mas atmosferas adequadas, pois o objetivo se o gerente de marketing ou de produ- seu valor está muito mais na capacidade não é somente passar informações, to escrevessem o briefing pensando de estimular a investigação e assegurar mas criar interesse e estimular ideias, apenas em suas tarefas dentro da que nada importante seja negligenciado. além de encorajar a área criativa da empresa, ele seria elaborado com infor- Após o briefing inicial, feito pelo agência a descobrir mais por eles mes- mações que só seriam parcialmente anunciante para a agência, briefings mos, pois cabe a eles sondar profunda- relevantes e do ponto de vista da propa- específicos e complementares são reco- mente assuntos que sejam de seu inte- ganda poderiam, até, confundir e des- mendados para áreas especializadas da resse para, talvez, descobrirem um perdiçar tempo. Então, o gerente de agência – mídia, criação, pesquisa, pro- approach especialmente interessante ou propaganda deve extrair as informações moção etc. originalmente criativo”, escreveu o autor. pertinentes fazendo perguntas direcio- Para ele, é responsabilidade do nadas, orientando propositalmente a Áreas de responsabilidade gerente de propaganda organizar e con- discussão para o rumo certo e estreitan- O processo de briefing, afirma Rafael, trolar esse processo, mas é importante do o campo de investigação a todo é inseparável do processo de planeja- que o pessoal criativo sinta-se livre para momento de forma que o que for rele- mento. Entretanto, as responsabilida- procurar suas próprias fontes de infor- vante para a questão da propaganda des sobre o briefing devem seguir clara- mação. Às vezes, isso pode até signifi- apareça claramente no final.” mente uma divisão de responsabilida- car visitas à fábrica, a um distribuidor Para Rafael, os check-lists com per- des de planejamento. O sistema apre- ou ao ponto de venda. [ Após o briefing inicial, materiais específicos e complementares são ]CENP EM REVISTA recomendados para áreas especializadas42
  • Regionais MERCADO DO ES TEM SIDO ESTIMULADO PELA CONSTRUÇÃO CIVIL ário Guerra, sócio-diretor da Set Comunica- investimentos privados, na região da Grande Vitória M ção, confirma que o mercado do Espírito e norte do estado. Santo tem crescido muito nos últimos anos. O boom inicial Ao comentar as dificuldades enfrentadas, Mário indica a ocorreu com o setor imobiliário. Além dos benefícios financei- falta de mão de obra especializada e a informalidade de algu- ros que esses investimentos geraram para as agências, forne- mas empresas. “Mas o mercado está no caminho certo e a cedores e veículos, um fato seleção natural vai ocorrer”, acredita, ponderando que o pri- “O mercado está no que ele considera tão impor- mordial é a formação de profissionais mais preparados não só caminho certo e a seleção tante quanto foi a mudança de para as agências, mas para o marketing dos clientes. natural vai ocorrer” visão quanto à qualidade dos No que se refere à participação do CENP na região, Mário materiais e aos investimentos diz que veículos e agências reconhecem a importância da cer- em comunicação, que passaram a ser mais planejados e valo- tificação e, de forma geral, acatam suas normas. “A dificulda- rizados. “Dos filmes para TV, passando pelos folders e os tapu- de muitas vezes está nos médios e pequenos”, reclama, acres- mes dos empreendimentos, o nível técnico melhorou bastan- centando que o problema maior é a falta de reconhecimento te”, salienta o publicitário. por parte dos anunciantes. “Só com a regulamentação e a O aquecimento da economia é resultado também do movi- ética nos relacionamentos é que o mercado irá crescer e se mento na área do varejo, com a chegada de grandes redes profissionalizar de forma sustentável”, diz ele. nacionais. São igualmente boas as expectativas em relação ao Fundada em 1999, a Set responde atualmente por contas setor público, com investimentos do governo do Estado e, dos setores de construção civil, saúde, indústria e ensino, principalmente, da Petrobras, que está desencadeando outros entre outros. AUMENTO DA CONCORRÊNCIA MOVIMENTA MERCADO DO MS mercado publicitário de Mato Grosso do que os investimentos em publicidade, se bem O Sul ainda é alicerçado em clientes do empregados, poder público – governo do Estado e prefeituras. serão fonte de “O CENP tem contribuído Porém, como chama a atenção Luciane Mamoré, diretora- novos negócios e vendas. para a manutenção de um -geral de atendimento e marketing da Contexto Mídia, nos últi- Luciane mostra-se satis- mínimo de organização e mos cinco anos registram-se mudanças importantes, com o feita com a participação do estrutura das agências” crescimento do investimento em publicidade do setor priva- CENP na região. “Os princi- do, motivado pelo aumento da concorrência. “Esta realidade pais veículos de comunicação exigem a certificação para alcança segmentos específicos, como construtoras, conces- cadastramento e remuneração dos planos de incentivo. O sionárias e empresas de abrangência nacional que passaram CENP tem contribuído para a manutenção de um mínimo de a ter operações na região. Este tem sido o grande filão das organização e estrutura das agências”, comenta. agências de publicidade”, diz a publicitária. A Contexto Mídia nasceu em 2000 como assessoria de Segundo ela, a maior dificuldade encontrada no mercado imprensa e logo passou a disponibilizar também outras ferra-CENP EM REVISTA local – onde a maioria dos anunciantes é de micro e pequenas mentas da comunicação. Hoje tem uma equipe multiprofis- empresas que, em muitos casos, recorrem direto ao veículo sional, com publicitários, jornalistas, administradores de quando querem anunciar – é disseminar o entendimento de empresa, artistas gráficos etc.44
  • ANUNCIANTE DO PARANÁ IMÓVEIS, ELETRODOMÉSTICOS ETEM BUSCADO SOLUÇÕES AUTOMÓVEIS AQUECEM MERCADOMAIS CRIATIVAS PUBLICITÁRIO DE GOIÂNIA m linha com o que tem ocorrido em várias regiões, o m Goiânia, Romero Fonseca, diretor de atendimento E varejo é o setor que mais tem crescido nos últimos E da Identidade Comunicação, revela que o setor queanos no Paraná, com destaque para os super e hipermermer- “pegou fogo” no mercado nos últimos anos foi o imobiliá-cados, setor automotivo e mercado imobiliário que, a reboque, rio. Segundo ele, o programa Minha Casa, Minha Vida des-tem movimentado as áreas de materiais de construção, acaba- pertou o sonho de moradia própria nas classes C e D, quementos, móveis e decorações, shoppings etc. “Este movimen- se viram em condições de adquirir seu imóvel e o efeito aca-to de crescimento, marcado também pela forte competição bou sendo em cascata: a classe média também fez upgradepela preferência do consumidor, força o anunciante a buscar e com isso o mercado ficou extremamente agressivo.soluções criativas e diferenciadas, fugindo da repetição”, Outros que também têm movimentado acomenta Ciro Cesar economia local são os de automóveis e ele-Zadra, diretor-geral da “Acredito no CENP, mas trodomésticos.CCZ Comunicação. é necessário uma atuação Para o publicitário, a grande dificuldade Ele cita como exem- mais forte e efetiva do no mercado local é a entrada das agênciasplo grandes eventos órgão na região” nacionais na região, o que tem ocorrido com frequência, emrealizados em Curitiba, virtude da compra de empresas locais por grandes grupos.como o Luppa Lunna, da RPC, e o Fórum de Marketing, orga- “O pior é que várias dessas agências não respeitam asnizado pela Faculdade Positivo, além das diversas ações de Normas-Padrão”, reclama Romero, observando que istobuzz, feiras e bazares cruzados com iniciativas em redes acontece porque o volume de verba é maior; então, nego-sociais e mobile. ciam-se descontos acima dos sugeridos pelo CENP. “Isto A aposta em novas ferramentas por parte dos clientes é para o mercado regional é a morte”, enfatiza, ponderando vista com bons olhos, porém a região que o órgão tem um papel fundamental nos mercados ainda enfrenta algumas dificuldades. “São regionais. fatores que se perpetuam e são nocivos, No caso de Goiânia, Romero comenta que o CENP temporque atrapalham o desenvolvimento do mercado”, diz Ciro, contribuído na fiscalização dasindicando como parte deste rol a dificuldade em se reter os empresas, mas pode ter uma “A atuação do CENPtalentos, que acabam migrando para São Paulo, e o problema atuação mais efetiva e próxima não pode ficar restritadas concorrências privadas, realizadas com critérios abusivos. das necessidades locais. “Os à certificação” Segundo o publicitário, há iniciativas isoladas para tentar descontos estão indo para o ‘-melhorar, mas ainda “falta queijo no macarrão”. Ele acredita brejo’ e temos perdido várias concorrências por este moti-no CENP e chama a atenção para a necessidade de uma atua- vo”, diz, observando que a atuação do órgão não pode ficarção mais forte e efetiva do órgão na região, orientando, ajus- restrita à certificação.tando, qualificando e até restabelecendo relações. Criada em 1994, a Identidade Comunicação é dirigida por A CCZ completou dezenove anos em 2010 e tem como Romero e por David Izacc, e mantém em sua carteira, daprincipais clientes: rede de supermercados Condor, área privada, clientes como Tropical Imóveis, Tropical BrasilPrefeitura Municipal de Curitiba, General Motors (varejo de Brokers, Ademi-Goiás, Rede Imobiliária de Goiânia, CENP EM REVISTAfábrica, atendido em parceria com Salles Chemistri), Big Ben Construtora Dinâmica, Engel Engenharia, CMO Construtora,(rede de joalherias), Avannti Incorporações e Construções e Rossi Incorporadora, Masb, Remo Incorporadora e CiaasaVolvo Caminhões. Ford, entre outros. 45
  • Acontece no CENP SINAPRO-SC PROMOVE CENP EVENTO EM CRICIÚMA PARTICIPA DE ais de quatrocentos profissionais do CENP, Caio Barsotti; pela presidente ENCONTRO M de comunicação e publicidade de da Acaert, Associação Catarinense de DA ABAP, EM Santa Catarina reuniram-se em Criciú- Emissoras de Rádio e Televisão, Marise ma, em setembro, para debater o setor. Westphal Hartke; pela presidente do FORTALEZA O objetivo principal do encontro foi Sindejor – Sindicato das Empresas Pro- aproximar e estimular a convergência prietárias de Jornais e Revistas, Isabel entre os meios, buscando qualificar ain- Baggio; pelo diretor da Seccional da da mais a comunicação do estado. Par- Central de Outdoors, Flávio Nunes de presidente do CENP, ticiparam representantes de agências, Siqueira, e pelo vice-presidente da O Caio Barsotti, participou empresas de web, emissoras de rádio e Abigraf, Vitor Mário Zanetti. da reunião da diretoria nacional TV, jornais, revistas, empre- da Abap, realizada em Fortale- sas de mídia exterior, gráfi- za, no final de agosto. Na pauta cas e fornecedores. do encontro, a Lei n0 12.232/10, Coordenado pelo dire- a análise da conjuntura, proje- tor regional sul do Sinapro tos de lei sobre publicidade em de Santa Catarina, Ama- tramitação no Congresso Na- rildo Passos, da Criativa- cional, a avaliação da pesquisa com, os painéis do evento “Como o brasileiro percebe e foram apresentados pelo avalia a propaganda” para o presidente do Sinapro, Da- mercado regional e o patrocínio niel Araújo; pelo presidente de publicidade para projetos culturais. Caio proferiu palestra aos presentes. PALESTRAS INTERNAS Nas últimas semanas, entre outras atividades, ele participou CENP está promovendo uma Diretoria Executiva do CENP, ele falou também da convenção da Rede O série de palestras para a sua sobre trabalho em equipe, fruto de sua Paranaense de Comunicação, equipe. A primeira delas foi proferida experiência na Nestlé, quando patroci- RPC, em Foz Iguaçu, e de reu- pelo vice-presidente do Conar, Edney nou o Carnaval do Rio de Janeiro. nião com agências e veículos da Narchi, sobre a autorregulamentação No final de setembro, quem falou à região de Ribeirão Preto, onde publicitária e o Conar, que está comple- equipe do CENP foi Décio Vômero, dire- discutiu as Normas-Padrão eCENP EM REVISTA tando trinta anos. tor da Abap. O tema foi o mercado pu- seu aprimoramento para imple- Depois, foi a vez de Mario Castelar. blicitário. Até o final do ano, estão pre- mentação local. Membro do Conselho Executivo e da vistas palestras da ABA e Fenapro.46
  • Crônica PESQUISANDO Mario Castelar omecei a trabalhar na Norton Publicidade numa sempre aparado, ternos jaquetão e voz forte, com um sota- C segunda-feira, 3 de janeiro de 1972. Vinha da Souza que extremamente diferenciado. E uma coisa que poucos Cruz e assumi a chefia do Departamento de Pesquisa de sabiam: dr. Geraldo tinha um alter ego, o Geraldão. Mercado. Toda a estrutura anterior fora desmontada. Era o Geraldão que punha apelido nos donos das outras A Norton era então a quinta maior agência do mercado agências e no pessoal da Norton, mais chegado a ele e que brasileiro e seu fundador, dr. Geraldo Alonso, adorava e vivia uma porção de peripécias que hoje são assunto nas sabia receber visitantes e mostrar sua agência, explicando rodas de conversa dos profissionais “da antiga”. em detalhes a materialização do conceito de “atendimento São muitas as histórias. Tem uma assim: integrado” que reivindicava como uma inovação sua. Dr. Geraldo pediu ao Carlito Maia – então diretor de aten- Para os mais novos, é preciso dizer que o dr. Geraldo era dimento/planejamento da Norton – “um contato para aten- uma pessoa impressionante. Alto, cabelos brancos, bigode der uma conta pequena”. E o Carlito, achando o pedido meio absurdo, teria mandado um anão para a entrevista. Reza a lenda que o Geraldão tinha rompantes e que, num desses, demitiu todos os funcionários do Departamento de Pesquisa, que era um dos maiores do mercado e ocupava praticamente um andar inteiro da sede da agência, na Rua General Jardim, em São Paulo. Diz que um dia, logo após o desmonte da área de pes- quisa, o dr. Geraldo estava mostrando a agência para um prospect e, chegando à área da pesquisa, teria dito antes de abrir a porta, com sua voz característica: “Aqui é a pesquisa, doutor! O maior Departamento de Pesquisa de uma agên- cia na América Latina”. Quando abriu a porta, deparou com as mesas vazias e só então, lembrando-se do que havia feito (ele se orgulhava de Mario Castelar é diretor de planejamento da Winners não mentir jamais), disse: “Todo mundo na rua, doutor. Comunicação, consultor em comunicação e marketing, autor do livro Marketing da nova geração e do blog Pesquisando!”. www.pontoparagrapho.com.br. Foi diretor da Nestlé Brasil, tendo passado pela Marplan, “Aqui é a pesquisa, doutor! Souza Cruz, Rhodia, TV Bandeirantes e Norton Propaganda, entre outras. É vice-presidente do CENP e professor da O maior Departamento ESPM. Recebeu o prêmio Caboré em 2003 na categoria de Pesquisa de uma agênciaCENP EM REVISTA “Profissional de Marketing” e foi eleito para o Prêmio Contribuição Profissional da APP, em 2007, na categoria Profissional de Cliente. na América Latina”48
  • Cartas I O mercado publicitário brasileiro pode comemorar direito. Enfim, vivemos num país com permanente “furor umas das suas maiores vitórias, com a aprovação da Lei legisferante”. n0 12.232/10. Ela equivale, em muitos sentidos, aos marcos regulató- Artur Rodrigues rios sempre tão lembrados pelos investidores internacio- Belo Horizonte nais, antes de aportarem por aqui com os seus bilhões de dólares. Agora, sabemos todos que nossas fontes de recur- I Muito boa e completa a edição 23 do CENP em Revista. É sos estão asseguradas e a salvo de contestações, inclusive um verdadeiro manual para agências que trabalham para de natureza judicial. É, de fato, uma grande vitória para órgãos públicos. todos nós. Ela é também uma bela homenagem à atividade publicitá- No entanto, não deixa de ser irônico que a lei tenha sido ria, principalmente o texto “O passado garantiu o futuro”, aprovada só muitos e muitos anos depois de a publicidade escrito por Caio Barsotti. Devemos todos ficar orgulhosos de ter se consolidado de fato como um dos mais importantes ver a linha de coerência que nasceu ainda nos anos 50 com o e reconhecidos, inclusive no exterior, segmentos da econo- Código de Ética da categoria e foi evoluindo tijolo a tijolo até mia nacional. chegar à criação do CENP e aprovação da Lei no 12.232/10. Os bons serviços que os publicitários prestaram e pres- tam à sociedade deveriam ter bastado – mas precisamos de Luiz Sergio Mendes uma lei para assegurar coisas que já eram nossas de pleno Maceió Escreva para a CENP em Revista: carta@cenp.com.br CONSELHO EXECUTIVO Marcelo Benez, Marcelo Romão, Maurício Toni, Oscar Mattos, ABA – Mário Castelar, Pedro Silva, Rafael Sampaio; ABAP – Ênio Paulo Fraga, Paulo Tonet Camargo, Ricardo Visconde, Roni Vergeiro, Geraldo Alonso Filho, José Francisco Eustáchio, Orlando Miranda Pires, Ruy Mendonça; CENTRAL DE OUTDOOR – Cláudio Marques, Paulo Zoega, Roberto Mesquita; ABERT – Carlos Rubens Pereira, Ivo Rodrigues, Luiz Fernando Rodovalho, Luiz Roberto dos Santos Doné, Cícero J. de Azevedo Neto, Gilberto C. Leifert, Júlio Ferreira Valente Filho; FENAPRO – Antônio Carlos Vieira, Antônio Cesar Casares, Paulo Machado de Carvalho Neto, Paulo Saad Jafet, Lino Pinto, César Augusto F. Paim, Domingos Logullo, Eduardo CENP EM REVISTA é uma publicação Rubens Jorge de Campos Filho; ABTA – Fred Müller, Gustavo Leme, Crivellente Neto, Fernando Manhães, Glaucio Binder, Juarez trimestral, editada pelo CENP – Conselho Herbert Zeizer, Rafael Davini Neto; ANER – Gilberto Corazza, Manoel Beltrão, Luiz Gonzaga Rodrigues Jr., Renato Tourinho. Executivo das Normas-Padrão. Artigos assi- Mauger, Renê Cassetari, Thais Chede Soares; ANJ – Antonio Carlos de nados não refletem necessariamente a Moura, Cláudio Santos, Mário Pinto Neves Filho, Oscar Mattos; DIRETORIA EXECUTIVA opinião desta revista, assim como declara- CENTRAL DE OUTDOOR – Cláudio Pereira, Luiz Fernando Presidente: Caio Barsotti; 1o Vice-Presidente: Ênio Vergeiro; 2o Vice- ções emitidas por entrevistados. Rodovalho, Luiz Roberto F. Valente Filho, Raul Nogueira Filho; Presidente: Oscar Mattos; 3o Vice-Presidente: Mário Castelar; É autorizada a reprodução total ou parcial FENAPRO – Aías dos Santos Lopes, Antonio Lino Pinto, Ricardo Diretores: Fred Müller, Luiz Roberto Valente Filho e Roberto das matérias, desde que citada a fonte. Nabhan de Barros, Rino Ferrari Filho, Saint´Clair de Vasconcelos. Mesquita; Diretora Executiva: Célia Maria Fiasco; Diretora-Adjunta: Ana Lúcia Magalhães; Av Paulista, 2073 – 6o andar CONSELHO DE ÉTICA - COLÉGIO DE PRESIDENTES Diretor Administrativo/Financeiro: Ricardo Alonso. Conjunto Nacional – Edifício Horsa II Anunciantes: Ricardo Bastos CEP 01311-940 – São Paulo – SP Agências: Geraldo Alonso Filho CONSELHO EDITORIAL tel. (11) 2172.2367 Veículos: Oscar Mattos Antonio Athayde, Antonio Carlos de Moura, Alex Periscinoto site: www.cenp.com.br Armando Strozenberg, Eduardo Sirotsky Melzer, Gilberto C. Leifert, e-mail: cenp@cenp.com.br CONSELHO DE ÉTICA - CONSELHEIROS Mário Castelar, Marcos Nogueira de Sá, Orlando Marques, Oscar ABA – Afonso Champi Jr., Carlos Eduardo Toro, Newman de Faria Mattos, Paulo Cabral Junior, Ricardo Nabhan e Thaís Chede Soares. Tiragem 10.200 exemplares Debs, Pedro Martins da Silva, Rodrigo Lacerda, Rogério Levorin Neto; ABAP – Antônio Luiz de Freitas, Celso Luis Loducca, Geraldo Alonso CENP EM REVISTA Filho, Hiram de Souza, Hiran Castello Branco, Ivan Marques, João Produzida para o CENP pela Porto Palavra Editores Associados Augusto M. Valente, José Henrique Borghi, Júlio Cosi Jr., Luiz Celso de Editor: Eduardo Correa Piratininga Jr., Luiz Sales, Otto de Barros Vidal Jr., Renato Arantes Direção de arte e ilustrações: Sérgio Brito Loes; ABTA – Alberto Niccoli Jr., Ana Maria Gemignani, Fátima Zagari, Redação: Tânia Trajano Gustavo Leme, Herbert Greco, Herbert Zeizer, Rafael Davini Neto, Preparação de texto: Ana Maria Barbosa Renata Policicio, Roberta Ciasca; ABERT – Acácio Costa, Carlos Editoração: Conexão Brasil – Peter Schölzel – tel. (11) 2994.4754 Rubens do Santos Doné, Cícero J. de Azevedo Neto, Flávio Cavalcanti Impressão: Garilli Gráfica Editora Ltda. – tel. (11) 2696.3288CENP EM REVISTA Jr., Henrique Cassiato, Hilton Madeira, José Ernesto Freitas de Logística: Tecnocourier Camargo, Luiz Fernando Constantino, Luiz Nicolaewsky, Luiz Roberto Antonik, Rodolfo Machado Moura, Sérgio Sitchin; ANER – Ana Serra, Assessoria Comercial: Paulo Chueiri, Negócios de Comunicação José Bello; ANJ – Eduardo da Silva Porto Filho, José Eduardo Santini, e Mídia – pc@pchueirinegocios.com.br50