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Tn72 produtores independentes___parte_3 Tn72 produtores independentes___parte_3 Document Transcript

  • independentes – parte 3 Fotos: Banco de Imagens TN Petróleo 30 TN Petróleo 72
  • Produtores Independentes – Parte 3 (final) o outroBrasildo petróleo por Cassiano Viana O pré-sal ronda a atividade petrolífera em Sergipe desde a descoberta, em 1963, do campo de Carmópolis, a 60 km ao norte da capital.E ste campo, situado 30 mil para quase 76 mil barris e desenvolvimento, sendo respon- no pré-sal, embora de petróleo por dia. sável por cerca de 16% do Produto terrestre, é o mar- Apesar da tradição no culti- Interno Bruto (PIB) de Sergipe. co da indústria pe- vo da cana-de-açúcar, laranja e Lá, também, a Petrobras – se- troleira no estado, coco, a exploração do petróleo é gunda maior geradora de ICSM ainda que as pr i- hoje uma das mais importantes (Imposto sobre Operações rela-meiras descobertas de indícios atividades geradoras de recursos tivas à Circulação de Mercado-de hidrocarbonetos tenham sidofeitas dois anos antes, no campoterrestre de Riachuelo, a 40 kmde Aracaju. Mas foi apenas com a des-coberta, em 1968, do campo deGuaricema, localizado na foz dorio Vasa Barris, que Sergipe seconsagraria como um estado pio- Foto: Banco de Imagens TN Petróleoneiro na exploração offshore depetróleo no Brasil. Trinta e nove anos depois, em2007, com a instalação do poço de Para chegar à ilha fluvial onde estão os poçosPiranema, no litoral sul, os ser- de Carapitanga, é preciso descer o canal dogipanos viram a produção local Pomonga, braço do São Francisco.mais do que dobrar, passando de TN Petróleo 72 31
  • independentes – parte 3 Carapitanga, Cidade de Aracaju, Campos marginais reativados Produção (m³) Foz do Vaza Barris, Harpia e Ti- Campo UF Contrato Operadora Total Média/Mês gre. E tem ainda a maior mina de potássio da América Latina, loca- Tigre SE 2005 Severo Villares 8917 297 lizada no município de Rosário do Vaza Barris SE 2005 Ral Engenharia 1375 115 Catete, explorada pela Vale. Carapitanga SE 2005 Silver Marlin/Engepet 238 26 Cidade de Aracaju BA 2005 Pioneira/Alvorada 1843 66 Grandes expectativas Bom Lugar BA 2005 Pioneira/Alvorada 4723 169 Descoberto pela Petrobras em Araçás Leste BA 2005 Egesa Engenharia 756 34 1983, o campo de Carapitanga Jiribatuba BA 2005 Pioneira/Alvorada 935 67 fica no município de Brejo Gran- Sempre Viva BA 2005 Orteng Equip/Delp/Logos 753 42 de, distante 145 km de Aracaju. Morro do Barro BA 2005 ERG/Panergy 874 42 Os poços ficam na Ilha da Cruz, Riacho Velho RN 2006 Genesis 2000 485 40 uma ilha fluvial próxima (10 a Chauá RN 2006 Sóllita Eng. e Construção 97 24 12 km) da Reserva Biológica de Santa Izabel. Para chegar à ilha é Rio Ipiranga ES 2006 Cheim Transportes 4297 269 preciso descer o canal do Pomon- Crejoá ES 2006 Koch Petróleo do Brasil 1127 63 ga, braço do São Francisco. rias e Prestação de Serviços de hoje como o terceiro maior pro- O campo – que ent rou em Transporte Interestadual e Inter- dutor independente de petróleo operação no mesmo ano de sua municipal e de Comunicação) – no país (excluindo a Petrobras), descoberta e teve, até 1989, uma explora campos de petróleo e gás com dez campos em atividade produção acumulada de 48 mil natural em terra como no mar. nas mãos de companhias priva- m³ (301,9 mil barris) de óleo de A menor das unidades fede- das: BT-Seal-13, BT-Seal-16, BT- 36° API e 8,2 milhões m³ de gás. rativas brasileiras posiciona-se Seal-18, BT-Seal-20, BT-Seal-22, Os reservatórios, a 1.500 m de 32 TN Petróleo 72
  • SH Acessos Univen ou Daxoil) e da solução Estruturas tubulares técnica e economicamente do des- de acesso carte de água. Toda produção da Engepet é hoje transportada para Tecnologia e segurança em a Univen, em São Paulo. “Gasta- equipamentos que ajudam mos cerca de R$ 40 mil por ano você a chegar lá. só em frete para comercializar nossa produção. Se entregás- semos em Recife, por exemplo, esse custo cairia para mil reais.profundidade, tem volumes origi- A rentabilidade do campo serianais in situ de 197 mil m³ (1,239 outra”, avalia.milhão de barris) de petróleo e Outra alternativa para solucio-21,1 milhões m³ de gás natural, nar o problema da comercializa-estimados pela Petrobras quando ção da produção seria através daela detinha essas áreas. criação de uma EPE que viabili- Os blocos foram arrematados zasse uma estação de tratamentoem 2007 pela Silver Marlin. No cujo investimento entre R$ 500entanto, quem opera a área é a mil a R$ 1 milhão. “Isso criariasergipana Engepet, que participa a possibilidade de vender parado prospecto desde o início, ainda Petrobras, pois estaríamos com ona fase de construção e estrutu- óleo adequado às exigências daração do empreendimento. A em- mesma e reduziria custo de frete.presa ficou conhecida inicialmen- Para a venda a outras empresas,te pelo seu Sistema Pneumático possibilita termos um preço me-de Elevação tipo BPZ, sistema de lhor por bbl”, afirma.bombeamento desenvolvido em O ca mp o de C a r apit a ngaparceria com a Petrobras, com será operado pela EPG Brasilcaracterísticas semelhantes ao Ltda, quando da autorização daprocesso de gaslift e com capa- Agência Nacional de Petróleo,cidade de realizar operações em Gás Natural e Biocombustíveisgrandes profundidades. (ANP) para transferência do cam- LOCAÇÃO, MONTAGEM E VENDA A produção atual, feita por po. E no Maranhão, o consórcio • Estruturas tubulares convencionaissurgência intermitente (aflora- que será responsável pelo cam- • Torres modulares de encaixemento natural), é de cerca de 12 po é a Oeste de Canoas Petróleo • Plataformas de trabalhoa 15 bbl/dia e 200 Nm³/dia de gás e Gás Ltda. Os dois consórciosque é ventilado em um dispersor têm como sócios a Engepet e a Acessos para Montagemna estação de produção. “Estamos Perícia Engenharia. e Manutenção Industrial emem fase final da manutenção do conformidade com a NR-18.compressor que fornecerá gás Tartarugacomprimido para o sistema de Outro campo em produção emelevação artificial BPZ. Após a Sergipe é Tartaruga. Descober-entrada do sistema a expectativa to pela Petrobras em outubro deé produzir em torno de 60 bbl/dia 1994, Tartaruga está localizadode óleo e 2.000 Nm³/dia de gás, no povoado Lagoa Redonda, mu- fôrmas • andaimes • escoramentosque será aproveitado pela Brasil nicípio de Pirambu, cerca de 70GNC”, revela Francisco Bezerra, km ao norte de Aracaju. Rio de Janeiro • São Paulo • Minas Geraiscoordenador de Engenharia da O primeiro poço do campo foi Espírito Santo • Paraná • Rio Grande do Sul Bahia • Ceará • Pernambuco • GoiásEngepet. perfurado nos anos 1970. Exis- Distrito Federal • Mato Grosso Segundo ele, o aumento da tem sete poços perfurados dentro Mato Grosso do Sul • Paráprodução irá depender da facili- do campo, sendo um no mar edade da venda do óleo (Petrobras, seis em terra, destes, cinco estão www.sh.com.br 0800 282-2125
  • independentes – parte 3 Em Tartaruga os poços são direcionais. em zona de transição, avançando A cabeça do poço está em terra, mas o objetivo por um trecho de mar. (fundo do poço) está no mar. Estar tão próximo de uma área de proteção ambiental como uma Rebio (Reserva Biológica) faz com que se passe por muita burocracia para se conseguir licenças, bem como suas condicionantes. “A úl- tima licença para perfuração de dois poços levou cinco anos para ser emitida. Isso atrasa bastante nosso projeto de explorar o cam- po”, diz. “Mas estamos atuando a mais de dez anos na localidade e nunca tivemos nenhum acidente ambiental. A UP Petróleo é uma empresa que sempre prezou pelo meio ambiente e segurança, mas mesmo assim a burocracia é bas- tante grande.” Reservatório quase intacto Arrematado na Sétima Rodada de Licitações da ANP, pela pau- lista Severo Villares, o Bloco Ti- Foto: Banco de Imagens TN Petróleo gre está situado na porção emersa da Bacia de Sergipe-Alagoas, no município de Pacatuba, litoral norte de Sergipe, a 70 km da ca- pital Aracaju. O polígono do Blo- co Tigre totaliza 20,03 km². Dois campos petrolíferos con- abandonados e um com tampão O óleo produzido é de 41º API. “A tíguos, denominados Tigre (TG) temporário. Um deles é produtor reserva é grande e como só existe e Ponta dos Mangues (PDM), e outro está aguardando licença um poço produzindo não temos integram o bloco de concessão, ambiental para começar a produ- certeza o seu tamanho, mas o onde foram perfurados 20 poços: zir. Ambos são poços direcionais. poço hoje produtor (1-SES-107D) dez deles na área do antigo cam- A cabeça do poço está em terra, produz desde 1994 e continua po de Ponta dos Mangues (cinco mas o objetivo (fundo do poço) surgente”, conta Oscar Auma- poços produtores) e dez no antigo está no mar. ri, diretor de Operações da UP campo de Tigre (seis poços pro- O bloco foi ar rematado na Petróleo. dutores). Rodada Zero. Tartaruga foi um A UP Petróleo tem interesse Em 1969 foi descoberto o cam- campo antes pertencente à Pe- em desenvolver o campo perfu- po de Ponta dos Mangues, e, em trobras que passou o direito de rando mais poços, mas conseguir 1971, o Tigre. A área produziu exploração à UP Petróleo, opera- licenças em uma área tão pró- de 1969 até 1989, e registra uma dora desde 1999. A companhia foi xima a uma Reserva Biológica produção acumulada, em ambos a primeira petroleira estrangeira não é fácil. os campos, de 66,7 mil m³ (420 a produzir petróleo no Brasil. O campo está localizado em mil barris) de óleo de 21º API a O campo possui apenas um uma região de alta sensibilidade, 41º API e 9,7 milhões m³ de gás. poço produtor no momento e está próximo à reserva ambiental de Os volumes originais in situ de produzindo em média 360m³/mês Santa Isabel, área de desova de óleo e gás estimados são da or- de petróleo com um BSW de 2%. tartarugas marinhas, e também dem de 648 mil m³ (cerca de 4,0 34 TN Petróleo 72
  • milhões barris) e 28,3 milhões m³, a aquisição, reprocessamento erespectivamente. reinterpretação de dados geofí- A Severo Villares iniciou suas sicos (sísmica 3D e gravimetria),atividades como concessionária análise e controle estratigráfico/e operadora em janeiro de 2006. estrutural e modelagem geológi-Durante a fase de avaliação, que ca dos reservatórios.teve duração de dois anos, foram Os resultados da interpretaçãoreabilitados e equipados dez po- sísmica 3D indicam alto poten-ços para produção e um prepara- cial geológico para perfuraçãodo para injeção/descarte da água de novos poços e expansão dasproduzida. outubro de 2007 e já foram pro- reser vas. “Trabalhamos com a Resultados preliminares dos duzidos cerca de 9.500 m³ (cerca possibilidade de perfuração deTestes de Longa Duração apon- de 60 mil barris) de óleo leve com no mínimo seis novos poços”, a-taram para a viabilidade técnico- API médio de 35º. A produção firma Claudio Goraieb, da Severoeconômica do Bloco Tigre. Para média diária é de 60 a 70 barris. Villares.desenvolver o projeto de reativa- A empresa possui contrato de co- Segundo Goraieb, a existên-ção do campo foram construídas mercialização com a Petrobras cia de 20 poços já perfurados noduas estações (Tigre e Ponta dos desde janeiro de 2008. bloco (11 produtores) com res-Mangues) e implantados os res- Com a certeza de que os re- pectivos dados geológicos e geo-pectivos sistemas de coleta, sepa- servatórios da região estão vivos químicos, além da boa resoluçãoração, armazenamento, medição e e passando muito bem, obrigado, sísmica 3D, são fatores que con-transferência do óleo, tratamento e a petroleira vem desenvolven- tribuem para a melhor avaliaçãodescarte da água produzida. do novos estudos objetivando do prospecto, reduzindo assim o A retomada da produção pela aumentar as possibilidades do risco exploratório e aumentandoSevero Villares teve início em campo, dentre os quais se inclui a chance de sucesso.
  • independentes – parte 3 Foto: Banco de Imagens TN Petróleo paraíso vivendo no É impossível, visitando abriga uma das bases do Projeto Ta- minhados em invólucro próprio os campos em Sergipe mar – um dos principais centros de para a coleta de lixo do município – todos eles emoldura- estudos das tartarugas marinhas e e os resíduos sólidos contaminados dos em um magnífico de recuperação e manutenção das com óleo serão armazenados em cartão-postal natural –, espécies – e a Reserva Ecológica de embalagens próprias e encami- escapar ao questionamento: qual o Santa Isabel. nhados para o mesmo destino da nível de comprometimento e preo- Com uma área de 2.776 hecta- água produzida. cupação das petroleiras com o meio res, a reserva foi criada em 1988 “Temos um contrato com em- ambiente? Afinal, além da ocorrên- com o objetivo de proteger ecos- presa especializada que faz o mo- cia de tartarugas marinhas, esta é sistemas costeiros compostos de nitoramento ambiental da área em uma região de proteção de outras dunas fixas e/ou móveis, mangue- volta do campo, fazendo análises importantes classes de animais e zais e lagoas temporárias e per- da água dos rios e canais, bem vegetais. manentes. como inspeção para identificar No litoral norte de Sergipe, Segundo Francisco Bezerra, da qualquer resíduo de óleo e iden- a Costa dos Manguezais abriga Engepet, durante a operação do tificar se tem origem em nossa ati- uma região de praias inexploradas, campo de Carapitanga não existi- vidade ou não”, explica. como a de Ponta dos Mangues, no rá descarte na área do campo. Os Segundo Bezerra, toda a insta- município de Pacatuba. O pantanal fluidos (óleo e água) serão enviados lação (estação de produção e esta- de Pacatuba, o pantanal Nordes- para nossa estação de carregamento ção de carregamento) é monitorada tino, tem 40 km², sendo a maior e colocados em caminhões próprios por um sistema supervisório, que área alagada do Nordeste. A re- para envio do petróleo a uma refi- recebe dados dos diversos instru- gião abriga mais de cem espécies naria, e a água produzida ou con- mentos e sensores instalados, per- de aves e animais ameaçados de taminada com óleo, para empresa mitindo identificar com rapidez extinção, como o jacaré-de-papo- autorizada em descarte de efluentes qualquer anomalia nas instalações, amarelo. líquidos. possibilitando ação dos operadores Outra praia, a de Pirambu, dis- Os resíduos sólidos comuns para que não ocorra qualquer inci- tante 76 km da capital, com 45 km (comida, papel, etc.) serão enca- dente. “Operamos desde 2008 sem 36 TN Petróleo 72
  • qualquer incidente. Todas as nossas Foto: Cortesia Severo Villaresatividades são acompanhadas peloórgão ambiental estadual. Assim,é plenamente possível termos aatividade de exploração de petró-leo e gás convivendo com áreas deproteção ambiental”, frisa.Benefício para todos Outrora operados pela Petro-bras, Tigre e Ponta dos Manguessão campos contíguos e consi- A Associação de Artesanato e Apicultura doderados como um único campo, povoado de Tigre contou com o apoio da Severo villares para a construção da sede própria.para efeito de bloco de concessãoe licenciamento ambiental. A área pedagogos qualificados e treinadostem uma densidade populacional realizam palestras periódicas derelativamente alta, sobretudo ao conscientização e apoio às comu-longo dos acessos, incluindo os nidades locais.povoados de Tigre e Junça. “É possível compatibilizar a Os dois campos abrangem áreas atividade produtiva com o meiode coqueirais, pastagens nativas, ambiente. O fato de a área estarcampos de dunas e áreas alagadi- Os comerciantes também am- localizada no entorno de uma re-ças, em parte situadas no entor- pliaram seus negócios para atender serva biológica, obrigatoriamente,no da Reserva Biológica de Santa as demandas da empresa e seus implica maior responsabilidade eIsabel, administrada pelo Instituto prestadores de serviços. A Asso- cuidados redobrados por parte daChico Mendes. ciação de Artesanato e Apicultura empresa, mas não é um fator im- Por tratar-se de uma região de do povoado contou com o apoio peditivo”, avalia. “Por outro lado,grande suscetibilidade ambiental, da empresa para a construção da a atividade em si passa a ser umaos aspectos ligados ao meio ambien- sede própria. A empresa também forma de aliviar a pressão sobre ate e à segurança operacional são mantém uma artesã profissional área da reserva, uma vez que sãoconsiderados prioritários no desen- para dar aulas para pessoas da criadas novas possibilidades devolvimento das atividades de explo- comunidade, agregando valor ao trabalho e emprego para as comu-ração e produção de petróleo. produto e facilitando a divulgação nidades locais que, muitas vezes, “A retomada das atividades de e a comercialização das peças. En- se veem obrigados a buscar seuprodução foram realizadas com a genheiros ambientais, psicólogos e sustento dentro da reserva.”adoção de todas as medidas neces-sárias para prevenir a ocorrência Carmópolis – 47 anos em produçãode acidentes e minimizar os im- Foto: Agência Petrobraspactos decorrentes das operações”, RESULTADo DE SUCESSIvAS pes-comenta Claudio Goraieb. quisas iniciadas em 1955 pelo corpo Como forma de controle, pre- técnico da recém-criada Petrobras,venção e mitigação dos impactos em 1963, foi descoberto, na Fazendaaos recursos naturais, e também mercês, em Carmópolis, o maior campoproporcionando melhorias do terrestre do país em volume recuperávelponto de vista socioeconômico, de óleo do Brasil.a petroleira vem desenvolvendo Estão em operação, hoje, 47 anosprogramas ambientais de educa- depois, em Carmópolis, mais de mil po-ção e comunicação social, controle ços, responsáveis por 80% da produçãode poluição e monitoramento da da Unidade de Produção em Sergipe. planeja alocar US$ 700 milhões naqualidade da água e do solo, com Sua produção atual é de 42 mil barris modernização das estações e revitaliza-impactos muito positivos sobre a por dia e com os investimentos previs- ção do campo –, a produção alcançará acomunidade local. tos para os próximos anos – a Petrobras marca de 54 mil barris por dia. TN Petróleo 72 37
  • independentes – parte 3 Produção independente de óleo e gás beneficia economias regionais Estudo elaborado pelo Instituto de Geociências (Igeo) da Universidade Federal da Bahia (Ufba) demonstra que a atividade independente de petróleo e gás natural, destinada exclusivamente ao segmento de exploração e produção, vem gerando impacto positivo na região Nordeste do país. Nos próximos meses, a pesquisa será estendida até onde atuam as independentes, no Nordeste e Espírito Santo. por Maria Fernanda Romero O trabalho utiliza o muni- Os indicadores sociais ainda es- ampliação das instalações e da cípio baiano de Mata de tão sendo trabalhados e apontam capacidade da rede de energia São João, como estudo de para correlações interessantes. elétrica e saneamento básico. caso, já que naquela área o pe- No momento, estamos estabele- Em alguns casos, a perspectiva tróleo é produzido por um único cendo correlações com emprego de firmar contratos de longo pequeno operador. E revela que e renda municipal”, diz o espe- prazo promoveu a formalização a produção em pequenos campos cialista. de algumas atividades. com acumulações marginais no A atuação da PetroRecôncavo A pesquisa da Ufba iden- município responde por cerca de em Mata de São João sozinha tificou, particularmente, em 40% do Produto Interno Bruto respondeu por 14,4% do total Mata de São João, a presença (PIB) da cidade. de Imposto sobre Serviço (ISS) de 20 segmentos fornecedores: Segundo o responsável pelo arrecadado pelo município em diretamente para a exploração e estudo, o professor Doneivan 2009, enquanto as empresas produção de óleo e gás (20 em- Ferreira, doutor fornecedoras contratadas por presas); materiais de construção em economia do ela movimentaram 3,4% do ISS. (cinco); materiais e acessórios petróleo, os da- Dessa forma, ao todo, a atua- industriais (45); outros metalúr- dos são prelimi- ção da petroleira foi capaz de gicos (oito); informática (18); ma- nares e ainda não responder por 18% da tributação, terial elétrico (12); consultorias é possível quanti- cerca de R$ 3 milhões. e assessorias (seis); construção ficar o benefício Entre as contratações diretas civil (oito); equipamento eletroe- da atuação desse e indiretas de um independente, letrônico (seis); veículos e peças grupo de petroleiras além do é possível destacar os serviços (22); produtos químicos (nove); registrado em Mata de São João. de transporte, básicos (como artigos plásticos (três); trei- Mas, um modelo conceitual já energia), comércio varejista, namentos empresariais (sete); permite ensaios que apontam construção civil, hospedagem, comércio e serviços básicos (29); para resultados ainda mais ex- alimentação, além da compra transporte (17); instituições pressivos em outros municípios, de produtos industrializados. financeiras (cinco); serviços de como em Catu e São Sebastião do A chegada das petroleiras de saúde (quatro); outros serviços Passé, no Recôncavo Baiano. pequeno e médio portes ainda técnicos (oito); máquinas e equi- “A participação de produtores geram investimento em infra- pamentos (15); e outros (32). independentes nesse nascente estrutura e serviços públicos, a Ainda segundo a Ufba, as pe- nicho de mercado faz algumas exemplo da construção e reforma quenas petroleiras apresentam pequenas economias girarem. de estradas, acesso à telefonia, vantagem socioeconômica sobre 38 TN Petróleo 72
  • o outro brasil do petróleoas empresas de maior portepor vários aspectos, como Abpip em números • 18 associadasa contratação de bens e servi-ços localmente, próximo do • Produção média de 1,5 mil bpdlocal de atuação, e o incenti- • Atuação em bacias terrestres dos vo à cadeia produtiva. Devido estados de Alagoas, Bahia, Espíritoà escala de seus negócios, as Santo, Sergipe e Rio Grande do Nortegrandes operadoras promo- • De 2005 a 2009, já investiram vem concorrências globais R$ 2 bilhões, além do comprometidoou contratam nos grandes com a ANP na assinatura do contratocentros urbanos, onde estão de concessãosuas sedes, enquanto asindependentes são obrigadas começam a perceber que poçosa desenvolver uma rede de parados e campos subutiliza-fornecimento regional. dos representam oportunidades A presença de petroleiras latentes ou desperdiçadas parade pequeno e médio porte em suas economias locais.bacias terrestres brasileiras “Apenas a iniciativa polí- Foto: Banco de Imagens TN Petróleofoi idealizada pelo governo tica permitirá que áreas cujasexatamente como um fator de reservas condizem com o perfildesenvolvimento regional, a do segmento independente sejampartir da abertura de merca- repassadas para as petroleirasdo, em 1997, tomando como de menor porte,exemplo o sucesso de outros seja via con-países. tratação das No entanto, a manuten- (Abpip) no Congresso. Apro- independentesção do segmento esbarra na veitando a discussão sobre um como operado-escassez de oferta de áreas para novo marco regulatório para o ras, seja pelaexploração e produção. Este tem setor, esse grupo de petroleiras liberação diretasido tema de intenso debate, espera garantir o desenvolvi- dessas áreasestimulado pela Associação mento de políticas públicas que para que sejam leiloadas”, afirmaBrasileira dos Produtores In- permitam ampliar seus investi- o presidente da Abpip, Oswaldodependentes de Petróleo e Gás mentos. Os gestores municipais Pedrosa.Banho de água fria leiloados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustí- veis (ANP).ESTA REPoRTAGEm já ESTAvA dia- “Essa atitude contraria a trajetória No documento divulgado pela Ab-gramada, quando, no dia 30 de junho, de estímulo ao investimento e diver- pip, os produtores independentes fri-era sancionado o projeto de lei para a sificação do setor, que vinha sendo sam que a manutenção do segmentocapitalização da Petrobras. ocorria, ali, perseguida desde 1997, a partir da aber- tem esbarrado na escassez de ofertao veto ao artigo que permitiria à estatal tura do mercado. o veto não se alinha, de áreas para exploração e produção,entregar à União campos marginais também, com a Resolução n. 10/2008 o que, na visão das pequenas com-como compensação de parte da cessão do CNPE, que prevê o desenvolvimento panhias, limita a implementação deonerosa de reservas no pré-sal. da pequena indústria petrolífera em áre- logística própria ou consorciada para o veto foi solicitado pelo mi- as fora do pré-sal”, diz a nota divulgada tratamento, escoamento e comerciali-nistério de minas e Energia, sob pela Associação Brasileira dos Produto- zação do petróleo produzido.o argumento de que o uso desses res de Petróleo e Gás (Abpip), institui- “Dessa forma, o sucesso finan-campos deveria fazer parte de uma ção que reúne os pequenos produtores ceiro do negócio fica comprometido.política energética a ser estabe- de petróleo no Brasil. Esvai-se também a oportunidade delecida pelo Conselho Nacional de Se o artigo fosse sancionado, desenvolvimento regional por meio daPolítica Energética (CNPE), e não de os campos marginais liberados pela atuação de petroleiras de pequeno eum projeto de lei. Petrobras poderiam ser novamente médio porte”, diz a nota. TN Petróleo 72 39
  • independentes – parte 3 A hora do pré-sal e dos pequenos produtores de petróleo e gás Com a maior parte do marco regulatório do pré-sal já aprovado pelo Congresso, o Brasil está prestes a entrar de vez em uma nova era de sua história econômica. N ão tenho dúvidas de que o nosso país será muito beneficiado com a exploração dessas novas reservas, acelerando seu cres- cimento, investindo em setores estratégicos como educação, ciência e tecnologia, desenvolvimento sustentável e combate à pobreza. Nos próximos anos, tenho certeza, veremos o Brasil se transformar em grande produtor de petróleo e gás e grande exportador de produtos derivados dessa produção, fortalecendo ainda mais sua indústria. Sem dúvida, estamos na hora do pré-sal, mas também no momen- to decisivo para a consolidação do segmento de pequenos e médios produtores de petróleo e gás. Como a TN Petróleo mostrou em suas últimas edições, um punhado de empresas vem lutando nos últimos anos para manter e ampliar sua produção de petróleo e gás. Seja na Bahia, em Sergipe, Alagoas ou no Rio Grande do Norte, essas companhias representam a oportunidade de emprego e melhorias para algumas das regiões mais pobres do país e, ao mesmo tempo, são muito im- portantes para a indústria nacional, em especial a focada em fornecer equipamentos para o setor de petróleo e gás, que encontram nessas pequenas e médias empresas uma chance de diversificar sua atuação. As vendas da indústria para essas empresas, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (Abpip) já somam R$ 2 bilhões desde 2003. Desde essa época venho alertando para a importância de termos no Brasil um segmento de pequenas e médias empresas no setor de petróleo e gás. Em 2005 e 2006, a ANP realizou as duas rodadas de Áreas com Acumulações Marginais. Novas rodadinhas não foram realizadas porque a ANP não dispõe de novas áreas, contudo elas existem. Na Bahia, segundo pesquisa feita pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), elas somam entre 1,6 mil e 1,8 mil poços subutilizados ou praticamente parados. Não podemos desperdiçar o petróleo e o gás que ainda se encontram nesses campos onde a exploração já não é economicamente atrativa Haroldo Lima é diretor para as grandes empresas. Estados Unidos e Canadá têm, respectiva- geral da Agência mente, 7 mil e 1.500 empresas de pequeno porte, que são responsáveis Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocom- pela criação de mais de 300 mil postos de trabalho e uma produção de bustíveis – ANP. 2 milhões de barris de petróleo por dia. 40 TN Petróleo 72
  • No Brasil ainda estamos longe disso. Em janeiro de horizonte vai sufocar a maioria delas, fazendode 2010, 23 pequenas e médias empresas produzi- aumentar o número de poços e campos marginaisram juntas cerca de 1,7 mil barris por dia. É menos ociosos. Outra empresa tem planos para perfurarde 1% da produção nacional, hoje. No entanto, está novos poços em seu campo, mas tem adiado o inves-comprovado que cada emprego criado em uma dessas timento diante da falta de definição sobre o futuroempresas de petróleo e gás corresponde a criação para o segmento.de dez novos postos de trabalho de prestadores de Não podemos desperdiçar essa oportunidade.serviço na área. Repito, os campos marginais estão Caso as pequenas e médias empresas não consigamlocalizados, em sua maioria, em áreas pobres do se firmar, quem vai perder serão os moradores deNordeste brasileiro. Mata do São João, na Bahia, ou da cidade de Brejo, Atualmente, todo o esforço feito para criar o seg- em Sergipe. Nessas cidades já foram abertos res-mento de pequenas e médias empresas está amea- taurantes, pousadas e outros prestadores de serviçoçado. As empresas enfrentam dificuldades imensas, que ali se instalaram para atender a necessidadecomo por exemplo, a Engepet, em Sergipe, que é da empresa que explora o campo marginal. Muitasobrigada a mandar o seu petróleo para a Univen, outras cidades ainda não tiveram essa chance porqueem São Paulo, a mais de 3.000 km de distância, já os poços lá existentes continuam fechados.que a unidade da Petrobras que fica a pouco mais Como disse no início deste artigo, estamos na horade 200 km não o compra, argumentando falta de do pré-sal, que vai modificar a realidade brasileira.capacidade, embora opere com ociosidade. Em vez Mas também estamos no momento decisivo para osde gastar cerca de R$ 4 mil por ano com frete, a menores produtores de petróleo e gás, que já estãoEngepet gasta R$ 40 mil. melhorando a vida de muitos brasileiros no interior A falta de novas áreas impede que essas empre- do Nordeste. O Brasil precisa dos dois: do macrosas ampliem sua produção e façam novos investi- em petróleo – o pré-sal; e do micro – os pequenos ementos. A continuar assim, no médio prazo, a falta médios produtores de óleo.