Tn71 produtores independentes___parte_2
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Tn71 produtores independentes___parte_2 Document Transcript

  • 1. fotos: Banco de Imagens TN Petróleo28TN Petróleo 71 independentes – parte 2 foto: Banco de Imagens TN Petróleo foto: Banco de Imagens TN Petróleo foto: Agência Petrobras
  • 2. Produtores Independentes – Parte 2 O outroBrasildo petróleo por Cassiano Viana Em terras de Alagoas iniciamos a segunda parte da reportagem sobre as produtoras independentes, fatia que ajuda a construir uma parcela importante da indústria brasileira de petróleo e gás.M aior produtor de as primeiras descobertas de rios de gás. mesmo com campos cana-de-açúcar petróleo no estado datam de 1957: terrestres em atividade há quase do nordeste e um os campos de tabuleiro dos mar- cinco décadas, a produção conti- dos maiores pro- tins, na periferia de maceió, e nua crescendo. dutores de açúcar Jequiá, no município de mesmo atualmente, a unidade de pro- do mundo – 75% nome. Hoje, há em atividade seis cessamento de Gás natural de ala-do açúcar consumido na rússia é campos – cinco em terra e um no goas (upGn) abastece maceió ealagoano –, o estado vem conso- mar (campo de paru), com produ- cidades vizinhas produzindo 150lidando seu caminho no cenário ção de cerca de 10,1 mil barris de toneladas diárias de gás de cozi-econômico da região. petróleo e 2,5 milhões de m³ diá- nha, o equivalente a 11,5 mil boti- maceió, a capital alagoana, é ogrande centro industrial, reunin-do empresas dos setores quími-co, alimentício, metalúrgico e deplásticos. o município conta comum polo cloroquímico, que abri-ga a maior empresa instalada noestado, a Braskem (exploradora ebeneficiadora de sal-gema), e pelodistrito Industrial Luiz Cavalcan- Calcula-se que pelo menos 50te, localizados, respectivamente, sondas estejam em operação ounos bairros do pontal da Barra e aguardando o momento de entrar em atividade em mossoró.tabuleiro do martins. TN Petróleo 71 29
  • 3. independentes – parte 2 Evolução da produção de petróleo / Em barris de petróleo (b) Estado 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 RN 28.847.849 28.575.487 29.092.630 27.183.927 24.166.098 22.817.373 22.331.184 21.307.143 SE 12.931.963 13.490.357 13.962.378 14.215.988 14.343.972 15.621.430 17.193.774 16.098.426 ES* 10.121.387 15.799.789 11.685.094 12.283.243 22.861.670 42.159.296 42.240.151 35.957.828 CE 5.035.166 5.415.826 4.981.942 4.388.881 3.808.279 3.765.515 3.486.618 3.299.516 AL 2.723.937 2.775.764 2.673.236 2.758.519 3.097.659 3.023.192 2.247.469 2.341.835 royalties distribuídos em 2009 ração os ativos na Bahia e no rio e acumulado 2010 (jan/mar) Grande do norte). a companhia conta hoje com Estado 2009 Acumulado 2010 20 poços em produção, uma planta RN 140.128.954,63 39.885.536,63 com capacidade de processamento SE 89.558.815,72 28.660.340,50 de 600 m³/d e uma significativa ES* 144.465.190,47 56.698.691,45 autonomia nas operações, já que CE 11.102.117,38 3.120.753,71 é capaz de garantir desde o escoa- AL 28.591.267,83 8.584.517,91 mento da produção com carretas de *levar em consideração a produção offshore 30 m³, o tratamento para especifi- (dados da produção onshore e offshore). Fonte: ANP cação de óleo produzido, até testes individuais de poços com tanque e 9,3 boe/d de gás, tabuleiro dos fiscal móvel, análise laboratorial martins representa a maior pro- para garantia da qualidade e in- jões de 13 quilos, 1,8 milhão de m³ dução em terra dos independentes tervenção com sonda e monitora- de gás industrial e 100 mil litros em campos maduros. mento dos reservatórios, dentre de gasolina natural. a empresa tem, em seu ativo outros serviços próprios. em a lagoas, uma produção de “Se não há interesse, obviamen- Novos horizontes 450 bbl/dia. adquirido em 2001, te a produção entra em declínio”, É justamente em tabuleiro e atualmente com cinco poços em diz Sérgio páez, diretor de opera- dos martins, pertencente à Bacia atividade, tabuleiro dos martins ções da petrosynergy, argentino, Sergipe-alagoas, que está loca- corresponde a 70% da produção ex-petrobras energía, contratado lizado o campo da petrosynergy. da petrosynergy no estado (que, há pouco tempo pela companhia. Com uma produção total de 288,9 por sua vez, corresponde a 56% “Começamos a operar com 250 boe/d – 279,6 barris diários de óleo da produção, levando em conside- bbl/d e hoje temos 450 bbl/d. temos Viabilizando a comercialização do gás sem tubulações e sem acesso fácil ao produto”, explica Antonio Carlos Dória, UMA iMPOrTANTe parceria está diretor Técnico Comercial da Algás. se desenhando entre a Algás – con- Dados sísmicos comprovam a cessionária alagoana de gás natural, existência do potencial de gás no tendo como acionistas o estado de estado. Além dos poços já explorados, Alagoas, a Gaspetro (subsidiária da de gás associado e não associado e Petrobras), e a Mitsui Gás e energia campos como o de Jequiá, ainda não do Brasil – e as produtoras indepen- explotado, há a possibilidade de novos dentes em Alagoas. projetos e aumento da produção. A ideia é recolher o gás produzido “Na medida que fomentarmos o gás pelas produtoras independentes – hoje ser aproveitada. Além disso, temos a a regiões que não têm acesso ao uma quantidade pequena, em geral BrasilGNC, uma empresa de sergipe gás, novos clientes irão naturalmente queimada ou ventilada – e viabilizar a com a experiência e o know how de surgindo, demandando gás e gerando sua comercialização. “Já temos uma comprimir o gás no campo de produção desenvolvimento”, avalia. “Assim, instalação dentro do site da Petrosyner- e transportá-lo, em uma espécie de ganhamos todos, produtoras, distri- gy, no Tabuleiro dos Martins, que pode gasoduto virtual, para regiões remotas, buidoras, empresas e municípios.” 30 TN Petróleo 71
  • 4. SH Acessos Estruturas tubulares de acesso Tecnologia e segurança em equipamentos que ajudam você a chegar lá.um horizonte mínimo de mais noveanos, com uma produção que podeainda ser melhorada”, destaca. dentre os projetos estaduaispara 2010 estão a reativação depoços, a abertura de novas zonasprodutivas e a produção de gás emcampos marginais. “tratamos aqui o trabalhocom a mesma seriedade, com amesma competência gerencialque uma grande operadora – e,obviamente, com o apoio impor-tantíssimo do grupo Synergy –, LOCAÇÃO, MONTAGEM E VENDAmas com um modelo de negócio sérgio Páez, diretor de operações da • Estruturas tubulares convencionais Petrosynergymais flexível, leve e adequado • Torres modulares de encaixeao volume de produção”, avalia oficiais e pelas certificações ISo • Plataformas de trabalhopáez. “estamos prontos para, fu- 14001 e oHSaS 18001.turamente, quem sabe dentro em a produção da petrosynergy, Acessos para Montagembreve, termos a possibilidade de que em 2009 representou 55% da e Manutenção Industrial emadquirirmos novos ativos e au- produção nacional independente, é conformidade com a NR-18.mentar nossos números.” vendida totalmente para a petrobras, Segundo o diretor de operações entregue pela petrosynergy na es-da petrosynergy, outro grande di- tação de recebimento da estatal emferencial da companhia é contar pilar, a 30 km da base de operações,com um sistema de gestão integra- e de lá transportado via dutos até ado de SmS&Q (Segurança, meio refinaria Landulfo alves, na Bahia. fôrmas • andaimes • escoramentosambiente, Saúde e Qualidade). estrategicamente, a empresa mu-o da petroleira vai desde o ge- dou, em maio, a sede que antes era Rio de Janeiro • São Paulo • Minas Geraisrenciamento de resíduos aos pro- no rio de Janeiro, para maceió. Espírito Santo • Paraná • Rio Grande do Sul Bahia • Ceará • Pernambuco • Goiásgramas de treinamento, passando Distrito Federal • Mato Grossopela identificação e avaliação de Da cidade para o campo Mato Grosso do Sul • Paráaspectos e impactos, pelo relacio- o ativo de tabuleiro dos mar-namento com comunidade e órgãos tins, descoberto em 1957, posto em www.sh.com.br 0800 282-2125
  • 5. independentes – parte 2 Produção onshore Petrobras no Brasil Óleo (b/d) Gás (boe/d) Total (boe/d) 179.255,0 43.084,0 222.339,0 Produção onshore independente no Brasil Concessionário Óleo (b/d) Gás (boe/d) Total (boe/d) Petrosynergy 741,0 59,0 800,0 Starfish 228,0 8,0 236,0 W. Petróleo 138,0 5,0 143,0 Recôncavo 129,0 3,0 132,0 Brazalta 125,0 5,0 130,0 Alvorada 64,0 3,0 67,0 Severo & Villares 62,0 - 62,0 Aurizonia 43,0 8,0 51,0 Cheim 46,0 3,0 49,0 Partex 45,0 - 45,0 Koch 14,0 - 14,0 Nord 10,0 - 10,0 Egesa 8,0 - 8,0 Mercury 7,0 - 7,0 Erg - 7,0 7,0 Odebrecht 6,0 - 6,0 Potióleo 6,0 - 6,0 Silver Marlin 4,0 1,0 5,0 foto: Banco de Imagens TN Petróleo Phoenix 4,0 - 4,0 Panergy - 3,0 3,0 Orteng 0,5 - 0,5 Delp 0,4 - 0,4 Logos 0,4 - 0,4 Total 1.681,3 105 1.786,3 Fonte: ANP e Banco de Dados da Abpip, janeiro/2010 produção durante mais de 30 anos, “estamos em contato direto com em consideração os royalties que foi pouco a pouco desativado até os órgãos competentes, como a recebem... ser devolvido pela petrobras, que Secretaria de desenvolvimento em seguida, percorremos até utilizava o que hoje é a base da urbano, Ibama etc.”, diz. Jequiá e Lagoa pacas 70 km de petrosynergy como uma planta de além disso, a operadora inau- estrada e mais 10 km de cana- armazenagem. em 2001, foi adqui- gurou um canal de comunica- viais em um terreno acidentado, rido pela petrosynergy. ção com a sociedade, no mínimo, digno de um rally. um operador da base da companhia, a pou- inusitado: um serviço de 0800, contratado pela petrosynergy co mais de 8 km do Centro de pelo qual os moradores podem, percorre de moto, duas vezes por maceió, é possível visitar alguns gratuitamente, informar qualquer dia, todos os dias, esse mesmo poços nas principais vias da ci- irregularidade ou acontecimen- terreno, cobrindo mais de 130 km dade. um deles, dentro de um to. um dos maiores usuários do para monitorar a atividade dos condomínio residencial classe serviço são os proprietários dos poços da região. média alta, fechado, com mais de terrenos em que estão localizados o gás que será produzido em 130 casas. para operar no lugar, os poços – estes ligam alertan- Lagoa pacas será vendido para a a petrosynergy paga, inclusive, do a operadora quando os mes- BrasilGnC, distribuidora de gás o condomínio, como qualquer mos param, por algum motivo, do mesmo grupo do qual faz parte morador. “É uma forma de ope- a produção. afinal, eles são os a engepet, que fará o transporte rar diferente”, comenta páez. principais interessados, levando por caminhão para Sergipe. 32 TN Petróleo 71
  • 6. independentes – parte 2 Parceria é fundamental H á 38 anos no Brasil, a netzs- atendendo clientes locais para en- ch pertence ao grupo familiar saios de laboratório industrial, esten- alemão erich netzsch Holding dendo suas atividades em operações e é a maior filial fora da alemanha. de áreas industriais e meio ambiente. a empresa é responsável pela produ- Hoje, a empresa tem contratos nas ção e comercialização de bombas de regiões norte e nordeste, prestan- cavidades progressivas (BCp) para do serviços laboratoriais, operações as américas (norte, Central e Sul) industriais e transporte de produtos e toda a produção está concentrada e resíduos industriais. na unidade Fabril de pomerode (SC), “Hoje o atendimento do setor de “trabalhamos com a petrosy- onde está localizado também o Cen- produção independente representa nergy desde sua criação aqui em tro de Competência em petróleo do 15% de nosso negócio no país, com alagoas, em uma parceria bastante grupo. “Isso quer dizer que o Brasil uma perspectiva muito grande de sólida. temos um vínculo entre em- está produzindo tecnologia para o crescimento. torcemos pelo desen- presas, um relacionamento íntimo e mundo todo”, diz marcondes Silva volvimento do setor. É importante maduro, objetivo e responsável. Com (foto), gerente geral da netzsch para para as empresas, sobretudo para isso fica fácil atingir os objetivos da alagoas e rio Grande do norte. as unidades regionais, que dessa companhia”, comenta, acrescentando Com sede na Baviera, além de forma precisam ser ampliadas para que o trabalho para a petrosynergy uma filial na China e da unidade atender a demanda, e, obviamen- já rendeu o contato para um bom fabril em pomerode, a netzsch pos- te, para o país, pelo aquecimento número de outros trabalhos. sui oito filiais próprias de vendas e natural da economia. e o sucesso “em alagoas, a petrosynergy serviços, incluindo São paulo, minas desses pioneiros está trazendo in- é uma empresa âncora. a empresa Gerais, rio de Janeiro, rio Grande vestidores não só do Brasil, mas veio resgatar, de forma moderna, do norte, rio Grande do Sul, Santa estrangeiros.” uma parte da história do estado. Catarina, Centro-oeste e uma filial “Contribuir para o sucesso da muitos clientes chegam a nós pelos de exportações para as américas. petrosynergy é uma forma de contri- resultados de nosso trabalho com a a empresa fornece para quase buir para o desenvolvimento do setor companhia. Qualquer fornecedor es- todas as produtoras independentes no estado”, avalia Jorge Lucena, di- perto na área de marketing busca se do país: petrosynergy, petrorecôn- retor Comercial da Qualitex. relacionar com empresas que fazem cavo, Koch, partex, Starfish, petro- Genuinamente nordestina, a Qua- parte de cadeias produtivas. estamos gal, nord oil, Severo Vilares, ral litex iniciou suas atividades em 1992 de olho e apostando no crescimento petróleo, dentre outras. no polo Cloroquímico de alagoas, da petrosynergy”, ensina. Novas descobertas no recôncavo de óleo, 66,2 boe/d de gás). Ainda em Catu, a Petrosynergy possui o campo A PeTrOsYNerGY NOTifiCOU, em citação de Blocos da ANP. seis deles de Canário, cuja produção total é de março, à Agência Nacional do Petróleo, no recôncavo, seis na Bacia Potiguar. 189,4 boe/d (177,0 b/d de óleo, 12,4 Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a Com uma produção diária em torno de boe/d de gás). descoberta de óleo no poço 1PsY18BA 800 barris/dia e um faturamento anual hoje, a produção desses dois do bloco reC-T-153, na região de Catu, de cerca de r$ 25 milhões, a Petrosy- campos corresponde a pouco mais bacia do recôncavo. O bloco foi adqui- nergy já perfurou 25 poços com o índi- de 35% do que é produzido pela em- rido na Nona rodada de licitações da ce de sucesso maior que 60%. presa, sendo Canário com 40 m³/dia e ANP, realizada em 2008. Na Bahia, a companhia possui o Uirapuru, quando os dois poços estão A Petrosynergy possui 12 blocos campo de Uirapuru, adquirido em 2005 operando, com 6 m³/dia. A produção adquiridos na segunda, terceira, quin- e localizado no município de Catu, com acumulada nesses dois campos é de ta, sexta, sétima e nona rodada de li- produção total de 108,3 boe/d (42,1 b/d 85 mil m³. 34 TN Petróleo 71
  • 7. Tesouro potiguarD e maceió até Fortaleza, no do sido responsável, em 2003, pela Grande do norte. esses municí- Ceará, e de lá para mosso- extração de 81,7% do petróleo e de pios são: alto do rodrigues, apo- ró, no rio Grande do norte, 42,2% do gás natural do país. di, areia Branca, assu, Caraúbas,são 250 km de carro. o mesmo tra- a Bacia potiguar compreende, Carnaubais, Felipe Guerra, Gover-jeto pode ser feito a partir de na- em suas porções emersas, 22.500 nador dix Sept rosado, Guama-tal. no caminho, ainda no Ceará, é km² e submersas 26.500 km², ré, macau, mossoró, pendências,possível ver em atividade os vários abrangendo partes dos estados porto do mangue, Serra do mel ecavalos de pau do campo de Fazen- do rio Grande do norte e Ceará. upanema.da Belém, localizado na divisa dos a importância econômica para a estão em produção independen-municípios de aracati e Icapuí, a região da bacia pode ser medida te, na Bacia potiguar, os campos deleste de Fortaleza, um dos maiores por uma produção diária em torno Cardeal, João de Barro, araçari, Co-na área terrestre, e a fazenda may- de 80 mil barris de petróleo e 3 libri, periquito, Carcará, Irerê, ria-sa, grande exportadora de frutas milhões de m³ de gás natural. cho Velho, rolinha e o pot-t-748,nos anos 1990, uma área de 19,7 mil em solo potiguar está o maior 30% da Starfish, 70% da petrobras, ohectares, entregue em 2003 pelo campo terrestre do Brasil, o de Can- maior em produção na região (196,2governo federal a mil famílias de to do amaro – a petrobras prevê in- boe/d – 194,3 barris diários de óleosem-terra no rio Grande do norte. vestimentos de uS$ 1,46 bilhão no e 1,9 boe/d de gás).após algumas horas de viagem, rio Grande do norte até 2010, nos outras empresas com projetossurge mossoró, a segunda maior segmentos de exploração e produ- na região são partex (nos camposcidade do estado – mas a primeira ção, gás natural, energia térmica e de Cardeal e Colibri, em parceriaem sal e hidrocarbonetos. alternativa, distribuição, segurança com a petrobras), utC/aurizô- o rio Grande do norte é o pri- e meio ambiente. também serão nia (João de Barro e periquito),meiro produtor terrestre e segun- aplicados uS$ 1,1 bilhão no desen- petrosynergy (araçari e Irerê),do nacional, atrás apenas do rio volvimento de diversos campos. odebrecht e Koch (Carcará), Ge-de Janeiro, a concentrar a grande São 15 municípios produtores nesis (riacho Velho) e potióleomaioria da produção nacional, ten- de petróleo e gás natural no rio (rolinha). TN Petróleo 71 35
  • 8. independentes – parte 2 sal da terra da utC. “Foi quando se ofereceu, Localizado em mossoró, segundo em 2009, a compra dos ativos da município mais populoso do estado, aurizônia, Quantra e potióleo na distante 275 km da capital, o campo Bacia potiguar. a utC adquiriu de João de Barro tem produção de a maioria dos blocos, se tornando 38,8 boe/d (30 barris diários de óleo operadora de sete deles, seis na e 8,8 boe/d de gás). o município potiguar e um na rio do peixe.” entrou para a história por ter um a s atividades em mossoró dia enfrentado e derrotado o can- foram iniciadas oficialmente em gaceiro Lampião e pelo primeiro se que, no momento, pelo menos novembro de 2009, quando foram voto feminino no Brasil. 50 delas estejam em operação ou executadas intervenções em blocos Localizada numa região de aguardando o momento de entrar que estavam parados e melhorias transição entre litoral e sertão a em atividade. a própria petrobras nas locações. “temos uma cam- 42 km da costa, entre natal e For- já sinalizou novos investimentos panha de sete perfurações e cinco taleza, mossoró é uma das princi- na bacia. completações para 2010 visando pais cidades do interior nordestino, Com mais de 40 anos de servi- aumentar a produtividade. até de- e hoje vive intenso crescimento ços prestados para o setor (sobre- zembro de 2010, queremos atingir econômico e de infraestrutura, tudo na montagem e construção de 300 a 500 barris/dia. esta é uma considerada uma das cidades de industrial e de plataformas como a previsão conservadora”, afirma. médio porte mais atraente para pra-1 e a p-53), a utC engenha- Hoje, a produção da utC está investimentos no país. o municí- ria entrou no segmento de explo- em torno de 80 a 100 barris/dia. pio é o maior produtor em terra de ração e produção na nona rodada a produção de todos os campos é petróleo no país, como também de de Licitações da anp realizada escoada para a unidade de trata- sal marinho. em 2008, quando adquiriu um mento e processamento de Fluidos mossoró é o polo petroleiro da bloco na bacia do rio do peixe de Guamaré (utpF), a 282 km de região, servindo como sede e base de (rIop-t-20). mossoró. “estamos enviando de operações não apenas para as inde- “Identificamos a necessidade dez a 12 carretas de 30 m³ de pe- pendentes, mas para empresas como de ter volume e uma diversidade tróleo por mês”, informa. Halliburton, expro, BJ, Weatherford, para tornar o negócio mais atrati- Schlumberger, San antonio, Baker vo; a partir de então a utC passou TlD Hughes, mI drilling, Carboflex, a avaliar outras áreas, buscando “estamos também fazendo in- dentre outras, devidamente ins- a viabilidade do empreendimen- tervenções em blocos já em ativi- taladas no município. to através da diversidade”, conta dade para a melhoria de produção. a região hoje vivencia um gran- Julio Cezar alves duarte (foto), em meados de novembro, após de movimento de sondas. Calcula- Líder operacional de Óleo e Gás uma intervenção de fraturamen- to hidráulico, tivemos uma nova Busca de alternativas descoberta no Bloco 565, onde já existia um poço perfurado”, des- A AssOCiAçãO BrAsileirA de O sucesso das reuniões é taca Julio Cezar. Produtores independentes de Petróleo tanto que já há até fila de espera ele explica que a empresa (Abpip) tem promovido, em Mossoró, de empresas para participar das está na etapa de consolidação da desde dezembro de 2009, reuniões reuniões para apresentação de pro- infraestrutura e energização da operacionais semanais com associa- dutos novos e negociar condições área. “Iniciamos, em abril, o tLd dos e empresas fornecedoras de pro- diferenciadas de fornecimento, por (teste de Longa duração). o poço dutos e serviços que atuam na região. exemplo. de óleo (leve) e gás vai permane- “Com isso estamos conseguindo Também é fruto dessas reuniões cer uns quatro a cinco meses sob prazos, qualidade e trabalhos dentro um treinamento em perfilagem, teste observação, para estudarmos o da expectativa de cada empresa e, por e cimentação de poços, realizado pela comportamento do reservatório exemplo, valores de diárias de sonda e Abpip em parceria com a halliburton, para em seguida declarar comer- preço de óleo diesel com preços dife- em março, em Mossoró. “Temos tido renciados. esse trabalho de redução de ótimos resultados. estamos agora cialidade.” custos está sendo fundamental na Bacia montando um calendário de treina- Com uma tradição no segmento Potiguar”, avalia Julio Duarte, da UTC. mentos para o ano.” de montagem industrial, o forte 36 TN Petróleo 71
  • 9. o outro brasil do petróleoda companhia, a utC enxergou aoportunidade (a partir da aquisi- Descoberta do petróleo foto: Banco de Imagens TN Petróleoção dos ativos e absorção da mãode obra das três empresas), paraalém da produção de petróleo, de A hisTóriA DA ATiViDADe petrolífera noprestar serviços para outras opera- estado começa em 1943, quando morado-doras. “enquanto amadurecemos res do município de Grossos registraramo negócio de óleo e gás, prestamos o afloramento de uma substância escuraserviços de build up, obras civis, que “queimava como querosene”, numalocação de equipamentos, monta- “Já foram encontrados indícios constatação óbvia que se tratava de petró-gem eletromecânica, laboratório de óleo na região. essa é uma ba- leo. em 1956, tiveram início as primeiras(análise de BSW, apI e água) para cia de formação muito parecida sondagens por parte da Petrobras. emboradiversas empresas independentes com a potiguar. análises geoquí- ficasse constatada a existência de petróleoda região”, explica duarte. micas indicam que o óleo é de boa e gás natural, os estudos concluíram pela “a expectativa é estarmos, em qualidade, com cerca de 30° apI sua inviabilidade econômica.breve, prestando serviço para to- e semelhante aos produzidos nas O primeiro poço perfurado da Baciadas as empresas independentes, e bacias do recôncavo e Sergipe- Potiguar Terrestre (o G-1-rN) foi em Gan- gorra, no município de Grossos, em 1956.outras que trabalham no segmento alagoas”, explica. “as perspectivas Na Bacia Potiguar Marítima, o primeironas bacias potiguar e rio do peixe, são boas.” poço foi o rNs-1, em Ubarana, costa devisando diminuir e diluir custos e Macau (rN), em 1973. Os dois deram si-viabilizar o empreendimento de óleo Interesse na região nais da existência de óleo e gás, poréme gás”, diz. “Com isso, o custo barril Há outras empresas, nacionais em quantidade não comercial.se torna melhor, mais atrativo.” e estrangeiras, que também apos- em 1966, a prefeitura de Mossoró con- “não tivemos nenhuma dificul- tam nessas fronteiras exploratórias tratou uma firma para abrir um poço de águadade em agregar o conhecimento fora do eixo das três maiores bacias que acabou jorrando petróleo. Vinte anosda utC de prestação de serviços produtoras. na Bacia potiguar, a depois, quando alguns estados já produ-para terceiros utilizando a mão de partex possui 50% de participação ziam petróleo com sucesso, foi descobertoobra e expertise existentes. pelo nos blocos pot-9, pot-513, pot- o campo marítimo de Ubarana, em Macau.contrário, está sendo mais fácil”, 514, pot-557, pot-558 e pot-559. foi durante a ‘crise do petróleo’ que,avalia. e a empresa não para de Sua parceira nesses blocos é a em 1974, chegou a primeira plataforma continental na costa de Macau. em 1975crescer. “antes eram 18 funcioná- petrobras. no entanto, a partex o poço marítimo rNs-3 já estava produ-rios, hoje somos 42.” é operadora em todos os blocos, zindo, com direito a visita do presidente Sobre o projeto em rio do pei- menos o pot-9. da república, Geisel, e o seu ministro dasxe, duarte conta que já foram con- Já a Starfish possui três blo- Minas e energias.cluídos os trabalhos de sísmica e cos (pot-t-748, pot-t-749 e pot- em 1979, quando a Companhia deiniciado o processo de licencia- t-794), arrematados na Sétima Pesquisas de recursos Minerais perfu-mento ambiental. “a sísmica foi rodada. rava poços de água para o abastecimentoconcluída no último mês de feve- em abril de 2009, o consórcio das piscinas térmicas do hotel Thermas,reiro com tecnologia em 2d (duas Bt-pot-55, formado pela Starfish em Mossoró, apareceu petróleo novamen-dimensões), cobrindo mais de 125 oil & Gas S/a operadora, em par- te, desta vez em maior quantidade. O poçomil km de área. acreditamos que ceria com a petrobras, anunciou MO-13 originou o campo de Mossoró, ema perfuração se dará entre setem- a descoberta de petróleo no bloco 1979. No início de 1980 foi perfurado combro e outubro de 2010”, destaca. pot-t-748, na parte sudeste da sucesso o poço Mossoró-14, o primeiro poço terrestre comercialmente viável doessa será a primeira perfuração Bacia potiguar, no bloco baixo da rio Grande do Norte.da Bacia do rio do peixe. Falha de Carnaubais. As perfurações de poços terrestres fo- o bloco rIop-t-20 fica locali- em março do mesmo ano, a pe- ram intensificadas no início da década dezado entre os municípios de Santa trogal declarou a comercialidade 1980, nos municípios de Macau, Areia Bran-Helena e triunfo, no sertão pa- do bloco pot-t-440, na Bacia po- ca, Alto do rodrigues e Mossoró.raibano, distante quase 500 km tiguar, posteriormente batizado de em 1994, o rio Grande do Norte atin-de João pessoa. a base da utC urutau. a petrogal tem como sócia giu a marca de segundo maior produtor deno projeto será no município de na área a petrobras, que possui petróleo do Brasil; o primeiro em produ-Cajazeiras, na paraíba. participação de 50% no bloco. ção terrestre. TN Petróleo 71 37
  • 10. independentes – parte 2 Independentes estimulam o crescimento regional As petroleiras independentes surgiram no cenário brasileiro a partir da abertura do mercado, em 1998, com o advento do regime de concessão. P or estímulo do governo, empresas nacionais e estrangeiras – cujo foco de atuação é exclusivamente a atividade de exploração e produção de petróleo e gás natural – foram atraídas para atuar no Brasil e são hoje concessionárias de blocos terrestres e marítimos. ao longo da última década, os independentes vêm funcionando como indutores do crescimento, muitas vezes em municípios com poucas opor- tunidades de geração de renda. em vez de importar de outros estados ou das capitais suas demandas, como fazem as grandes companhias, o produtor independente compra localmente, movimentando economias regionais. além disso, as petroleiras de pequeno e médio porte liberam as maiores para atuar em reservas mais estratégicas, como a do pré-sal. trata-se de um processo de diversificação e de dinamização da indústria brasileira de petróleo. a ausência de estímulo à atividade, no entanto, tem retraído as chances desse grupo de empresas. Com reservas limitadas e poucas perspectivas de ampliá-las, as independentes estão impossibilitadas de implementar logística própria ou consorciada de tratamento, escoamen- to e comercialização de hidrocarboneto, o que compromete o sucesso financeiro do negócio. nos leilões de concessão promovidos pela agência nacional de petróleo, Gás natural e Biocombustíveis (anp), as possibi- lidades de ofertas são de bacias maduras, já excessivamente exploradas, além de áreas de nova fronteira, que extrapolam a atual capacidade de atuação das independentes. a solução do problema passa pela adoção de uma política efetiva de incentivo a essa indústria, incluindo: novo modelo de contrato de conces- são para áreas terrestres, adequado às peculiaridades deste segmento; regulamentação da infraestrutura de dutos terrestres para o escoamento da produção; criação de incentivos fiscais; acesso ao crédito facilitado; melhoria das condições de comercialização do petróleo e do gás pro- duzidos; harmonização do licenciamento ambiental entre os estados; e adequação das exigências de conteúdo local. apenas a iniciativa política permitirá que áreas cujas reservas condi- zem com o perfil do segmento independente sejam repassadas da petrobras para as petroleiras de menor porte, seja via contratação das independentes como operadoras pela estatal, seja pela liberação direta dessas áreas para que sejam leiloadas pela agência reguladora. a discussão de um novo marco regulatório para a indústria de petró- leo e gás no Congresso tem favorecido o debate sobre o futuro do seg- mento independente. a expectativa é de que a sociedade, por meio dos Oswaldo Pedrosa é parlamentares e do executivo, atentem para a capacidade de geração de presidente da Associação riqueza inerente à atividade. o sucesso desses empreendedores depen- Brasileira de Produtores independentes de Petró- de da existência de um ambiente regulatório favorável e de políticas de leo (Abpip). governo que garantam os investimentos. 38 TN Petróleo 71
  • 11. independentes – parte 2 Novos desafios à regulação a sobrevivência dos independentes O surgimento dos produtores independentes no Brasil tem sido festejado pelos que sabem da importância desse segmento para o desenvolvimento do país, a exemplo do que acontece na pujante indústria petrolífera dos Estados Unidos e Canadá, alicerçada na dinâmica gerada por esses independentes. N os estados unidos, ao lado de megaempresas, existem em torno de 23 mil outras de capital médio ou pequeno. essas empresas, isoladamente, tiram pouco óleo, mas, em conjunto, contribuem com 40% da produção americana e empregam 300 mil trabalhadores, tendo elevado significado econômico e social.* essa nova perspectiva foi inaugurada oficialmente a partir da Sétima rodada de Licitações da anp quando foram incluídas áreas , contendo antigos campos de petróleo e gás natural que haviam sido abandonados e devolvidos pela petrobras por razões econômicas. no entanto, o dilema das empresas independentes ainda persis- te. as dificuldades evidenciam-se de diversas formas, exigindo novo posicionamento por parte da autoridade reguladora e de entidades governamentais de todos os níveis, para evitar a falência de um modelo que apresenta sinais preocupantes. um problema que tem sido enfrentado é a venda da produção – com a presença de um único comprador, bem como problemas logísticos de escoamento da mes- ma. a complexidade e o custo do sistema de certificação do conteúdo local também representam obstáculos de difícil transposição pelas empresas desse porte. a ausência de um cronograma de rodadas de licitação e a falta de áreas atrativas em oferta têm um efeito ainda mais perverso para tais investidores, que acreditaram na proposta da anp quando foram atraídas para o setor. o direito do petróleo se mostra dinâmico e complexo, e o com- promisso regulatório precisa afinar-se às mutações necessárias à marilda rosado é profes- sora adjunta de Direito solução dos impasses que ora se apresentam e podem ameaçar a so- internacional e Direito do brevivência do segmento. note-se que já vínhamos defendendo que, Petróleo na faculdade de Direito da Uerj; coorde- mesmo no âmbito da legislação em vigor, há espaço para se buscar nadora e professora de soluções flexíveis e compatíveis com o interesse público primário. cursos jurídicos do iBP; sócia do escritório Doria, na hipótese, este significa oportunidade de desenvolvimento regio- Jacobina, rosado e Gondinho Advogados nal, geração de empregos, difusão de conhecimento, arrecadação Associados. Colaboraram neste artigo a advogada mestranda Juliana lima, e a esta- *liMA, haroldo. Caminhos do petróleo no Brasil: a Vii rodada. Revista teórica, Política e de Informação. giária Bruna, ambas do referido escritório. Disponível em: www.vermelho.org.br. Acesso em 25 de abril de 2007. 40 TN Petróleo 71
  • 12. de tributos, implantação de infraestrutura para foto: Banco de Imagens TN Petróleo serviços, fomento à fabricação de equipamentos brasileiros e outros. a atividade interpretativa poderia se lastrear na edição de novas resoluções específicas da anp, fundamentadas em notas técnicas e na re- alização de audiências públicas, quando a par- ticipação da sociedade e dos setores regulados resguardariam a legitimidade desse processo de flexibilização. Comentem-se ainda as dificuldades de obten- ção de acesso às linhas de financiamento para os pequenos investidores. na maior parte dos casos não tem sido atingido um retorno que remune- re a atividade, em vista dos vultosos dispêndios com a viabilização da produção do petróleo em pequena escala. outro ponto crucial do marco regulatório da menos um dos aspectos acima apontados, que é produção em áreas inativas com acumulações o da disponibilidade de novas áreas. espera-se marginais que ainda requer aprimoramentos é o que o Congresso nacional se sensibilize com os modelo do contrato de concessão. o atual modelo importantes dados e informações que foram apre- precisa de ajustes em função das especificidades sentados como subsídio aos pleitos, e se permita desse novo nicho de atividades. a continuidade e crescente consistência do que algumas das emendas apresentadas aos pode representar um sucesso diferenciado e sus- projetos de lei no Congresso procuram sanar pelo tentável de nossa indústria. Use apenas uma mão e um único toque para calibrar pressão Torne simples um trabalho complicado com apenas um botão. O novo Fluke 719 possui bomba elétrica embutida e por isso transforma a calibração de pressão em uma operação simples e rápida com uma só mão. Fluke. Mantendo o seu mundo funcionando®. www.fluke.com.br email: info@fluke.com.br tel: (11) 3759-7600 Visite também www.fluke.com.br para mais informações técnicas doEsqueça como usar novo Fluke 719uma bomba manual
  • 13. independentes – parte 2 Campos marginais De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a eco- nomia brasileira é hoje a nona maior do mundo. Nosso Produto Interno Bruto (PIB), medido pela Paridade do Poder de Compra, foi de US$ 2,01 trilhões, em 2009, o equivalente a 2,88% do PIB mundial neste ano, colocando o país em posição de destaque no cenário mundial. A autossuficiência obtida no setor de petróleo, juntamente com a descoberta e o pretendido desenvolvimento do pré-sal, possi- velmente colocarão o país no ranking dos dez mais em termos de reservas mundiais. no entanto, a renda per capita do país demonstra o grande des- nível social existente e aponta para a necessidade de importante e continuado trabalho de fomento da economia nacional, em prol do interesse público e da melhoria da qualidade de vida no país, prin- cipalmente em regiões carentes, como várias regiões do nordeste brasileiro e o interior do estado do espírito Santo. neste cenário, a indústria do petróleo tem importante papel a cumprir, tanto na geração de riqueza como na de empregos. Com essa geração de empregos o país será capaz de incorporar ao mercado de trabalho milhares de profissionais, de várias formações. Quando se menciona petróleo e gás no Brasil, associa-se de ime- diato à exploração de petróleo em águas profundas no Sudeste, ao pré-sal e à atuação das grandes companhias de petróleo – petrobras à frente, a companhia estatal brasileira, que até 1998 desempenhou pa- pel de detentora do monopólio da exploração e produção de petróleo. a produção de petróleo no Brasil, porém, foi iniciada em 1939 no estado da Bahia, em bacia terrestre. Sobre o primeiro campo de petró- leo do Brasil (o campo de Lobato, descoberto no recôncavo Baiano e atualmente exaurido), encontra-se a comunidade de Lobato, extrema- mente carente, para a qual a riqueza gerada nas imediações durante décadas não resultou em progresso. em situações similares encontram-se populações de áreas do Bra- sil nas proximidades das quatro bacias terrestres que, até o início da década de 1990, contribuíram com a maior parte do petróleo produzi- do no país (recôncavo, Sergipe-alagoas, espírito Santo e potiguar). ao mesmo tempo, hoje, dos mais de 350 campos de petróleo e magda Chambriard é gás existentes no Brasil, dez respondem por 75% da produção e diretora da Agência Na- cional do Petróleo, Gás e estão localizados na Bacia de Campos, no litoral do estado do rio Biocombustíveis (ANP). de Janeiro. dos cerca de 13 bilhões de barris de reservas provadas 42 TN Petróleo 71
  • 14. de petróleo do Brasil, mais da metade desses 350 70 da Constituição Federal, que menciona um tra-campos contribuem com menos de 0,6%. Se con- tamento diferenciado para as empresas de pequenosiderarmos o pré-sal, essa contribuição poderá se porte constituídas sob as leis brasileiras.tornar da ordem de 0,1%. a oportunidade de aprovar os projetos de Lei em atenta à necessidade de atuação mais focali- discussão no Congresso permite avançar em trêszada, sobretudo nas bacias terrestres, a agência frentes: 1) no pré-sal, nas reservas gigantes e ondenacional do petróleo, Gás natural e Biocombustí- o risco geológico é muito reduzido; 2) nas demaisveis (anp), no cumprimento das suas atribuições áreas, com potencial de descobertas convencio-de regulamentação e fomento da indústria, e em nais e, portanto, com maior risco geológico; 3) nasprol do interesse público, deflagrou um processo menores reservas, em áreas específicas de baixode incentivo à implantação da pequena e média risco, destinadas às pequenas e médias empresas.empresa independente de petróleo e gás no Brasil, desta maneira, o estado terá respaldo legal para,visando à sua atuação nessas bacias, que já não são na exploração e produção de óleo e gás, regular doo objetivo principal das grandes companhias inte- macro ao micro, em conformidade com as particu-gradas de petróleo, mas que ainda podem signifi- laridades de três segmentos distintos de atividade.car geração de riqueza e incorporação ao mercado São três metas interdependentes: primeiro, asse-de trabalho de boa parte das populações locais. gurar a continuidade do crescimento econômico do a atuação da anp em prol da pequena empre- setor; segundo, aumentar o conhecimento geológi-sa petrolífera abrangeu a licitação de pequenos co e as descobertas em todas as bacias sedimenta-campos de petróleo, com vistas à sua reabilitação, e res do território nacional; e, terceiro, incentivar oà licitação de áreas em bacias maduras. ingresso de novos atores, com a maior participação Foram cinco as licitações da anp de áreas em do empresariado nacional.bacias maduras e duas as de pequenos campos di- a anp entende que é possível gerar condiçõestos “marginais”. todas essas licitações foram apro- para que existam mais de 500 pequenas e médiasvadas pelo Conselho nacional de política energéti- empresas no Brasil, da aquisição de dados geofísi-ca (Cnpe), com o objetivo de gerar oportunidades cos à operação e manutenção de poços. existe pelopara a pequena e média empresa petrolífera no menos uma centena de pequenos campos no BrasilBrasil. e parte deles poderia servir de amparo para as no- essa ação resultou no surgimento de 37 novas vas empresas nacionais de petróleo.empresas brasileiras, de pequeno e médio porte, a nova província petrolífera será conside-localizadas principalmente no nordeste e no es- rável para a modernização do país e para apírito Santo, em terra. essas empresas chegaram a diminuição do risco Brasil. no entanto, todoproduzir, em 2008, cerca de 1.800 barris de petróleo esse movimento acontecerá com mais ênfase napor dia. e chegaram a gerar mais de 1.500 empre- região Sudeste, a mais rica do país. São neces-gos diretos e indiretos. atualmente elas produzem sários investimentos nas demais áreas, visto quecerca de 1.500 barris por dia. cerca de 93% das bacias sedimentares podem assim, a grande questão que se apresenta é: ser tecnicamente caracterizadas como de novaqual o papel da pequena empresa petrolífera no fronteira exploratória. a anp vem atuandoBrasil e como poderemos destacar sua complemen- nesse sentido, ao colocar em prática um planeja-taridade à atuação das grandes empresas petro- mento estratégico denominado plano plurianuallíferas, em especial à da petrobras, no momento (ppa) de Geologia e Geofísica, que pretendeem que nossa estatal deverá despender enormes organizar e otimizar esforços para pesquisa deesforços no pré-sal? novas áreas produtoras de hidrocarbonetos. É nesse contexto que, dentre as emendas destinar os pequenos campos à operação deaprovadas na Câmara dos deputados, foi propos- empresas menores em nada comprometeria ata, como emenda ao projeto de Lei do Contrato de continuidade do crescimento da produção nacionalpartilha, o artigo 53, que prevê políticas e medidas de petróleo. a revitalização de campos desativadosespecíficas para o aumento da participação da pe- não é apenas uma questão ec onômica. promoverquena e média empresa. ela representa a primeira projetos dessa natureza é dar prioridade às políticasoportunidade de dar suporte legal a uma política sociais. em um Brasil que cresce e que explora suasindustrial em favor dos produtores independentes imensas bacias, existe espaço para todos. o maiorde óleo e gás. tal argumento é previsto no artigo desafio é realizá-lo, em prol da sociedade. TN Petróleo 71 43