1 – APRESENTAÇÃO
O presente documento, que constitui parte do Estudo Socioambiental sobre a região das 17 ilhas do
Complexo Estuarino do Rio Sirinhaém, tem como objetivo embasar o processo de criação de uma
Unidade de Conservação Federal de Uso Sustentável na referida área, obedecendo ao conteúdo da
Instrução Normativa Nº.3, de 18 de setembro de 2007, que disciplina as diretrizes, normas e
procedimentos para a criação de Unidade de Conservação Federal das categorias Reserva
Extrativista e Reserva de Desenvolvimento Sustentável.
O trabalho, apresentado a seguir, foi elaborado por uma equipe interdisciplinar que contou, em sua
composição, com técnicos de formação diversa e habilitados a abordar, de forma integrada, os
múltiplos aspectos da realidade objeto do estudo.
Na elaboração do citado estudo, foram utilizados dados obtidos por meio de observações livres,
vistorias técnicas, reuniões com atores locais e aplicação de questionários junto à população
tradicional usuária do estuário do rio Sirinhaém, com base nos quais foram construídos os textos,
tabelas, gráficos e mapas que compõem o diagnóstico sócio-econômico dos usuários e ex-
moradores desse complexo estuarino, bem como a proposta de criação de uma Reserva Extrativista,
que garanta aos pescadores artesanais da região o uso sustentável dos recursos naturais.
Ao apresentar este documento, o INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS
RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS – IBAMA - agradece a colaboração e a participação de
toda a comunidade pesqueira do município de Sirinhaém, bem como as contribuições técnicas para
o aprimoramento do presente documento.
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2 – INTRODUÇÃO
As 17 ilhas do complexo estuarino do rio Sirinhaém estão localizadas na área limítrofe entre os
municípios de Ipojuca e Sirinhaém, no litoral sul do Estado de Pernambuco, a cerca de 80 km do
Recife, sendo delimitadas pelos percursos dos rios Arrumador, Trapiche, Aquirá e Sirinhaém, e de
seus canais afluentes. (Figura 01)
Fonte: Google earth / 2007
Figura 01 – Imagem de Satélite do Complexo Estuarino do Rio Sirinhaém
Em largas faixas marginais a esses rios e seus pequenos afluentes, espraiam-se extensas áreas de
manguezal que, de norte a sul, têm uma extensão de aproximadamente 10 km, enquanto que, de
leste a oeste, possuem aproximadamente 5 km. (Diagnóstico Sócio-ambiental da Área de Proteção
Ambiental de Guadalupe)
A região das ilhas limita-se ao norte, noroeste, oeste e sudeste com extensas áreas destinadas ao
cultivo da cana-de-açúcar. Em seu extremo nordeste, ocorre a junção do manguezal dos estuários
dos rios Sirinhaém e Maracaípe. Ao leste, localiza-se a foz do rio com o Oceano Atlântico e a praia
de Toquinho, em Ipojuca, enquanto que no limite sudeste das ilhas, está situado o distrito de Barra
de Sirinhaém.
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A pesca artesanal é a principal atividade econômica realizada na região das ilhas, essencial para o
sustento de diversas famílias que residem em localidades da Barra de Sirinhaém e para moradores
de engenhos vizinhos, que exploram os recursos naturais das ilhas no período de entressafra do
setor canavieiro (Figuras 02 e 03). A produção da cana-de-açúcar, por sua vez, constitui, até os dias
de hoje, a atividade econômica mais importante da zona de entorno às ilhas, podendo ser medida
por sua extensa área de cultivo e pelo volume de mão-de-obra utilizada, ainda que sazonalmente.
(Figuras 04 e 05)
Figuras 02 e 03: A pesca artesanal é a principal atividade realizada no estuário do rio Sirinhaém (LOC)
Figuras 04 e 05: Cultivo de cana-de-açúcar no entorno do manguezal das ilhas (LOC)
Merece destaque também a atividade turística representada por residências de veraneio, construídas
nas localidades litorâneas de Toquinho e Barra de Sirinhaém, situadas em ambas as margens da foz
do estuário, o qual ainda é explorado de maneira incipiente, devido às carências na infra-estrutura
básica. O turismo desponta como potencialidade, sobretudo pelo patrimônio natural encontrado
nessa região.
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3 - HISTÓRICO DE OCUPAÇÃO DA ÁREA
O processo de ocupação das 17 ilhas estuarinas do rio Sirinhaém, segundo o relato de antigos
moradores, data-se do início do século XX, e intensificou-se por volta da década de 1920, com a
construção de um cais para auxiliar o escoamento da produção de cana, açúcar e álcool, através de
barcaças, por parte da Companhia Agrícola Mercantil de Pernambuco, que é hoje, após sucessivas
alterações, denominada Usina Trapiche S.A., foreira da referida área desde o final do século XIX
(Figura 06).
Figura 06 – Ruínas do antigo cais construído na área das ilhas
para favorecer o transporte de lenha e açúcar. (LOC)
Por volta de 1959, quatro famílias residiam nas ilhas Grande, Clemente, Macaco e Porto Tijolo. Em
períodos de entressafra da cana-de-açúcar, outros grupos familiares instalavam-se nas ilhas,
subsistindo da exploração do mangue.
A partir de meados da década de 1960, um número maior de famílias passou a residir nas ilhas e o
processo de ocupação tornou-se mais intenso, devido ao fato dos filhos dos moradores casarem-se e
construírem suas novas residências nos sítios dos pais. Tais moradores sentiam-se verdadeiros
proprietários das ilhas em que viviam e, dessa forma, permitiam que algumas pessoas construíssem
casas em “suas terras”, utilizando-as para subsistência através da criação de animais, plantio de
lavouras, cultivo de árvores frutíferas e, mais intensamente, dedicando-se à pesca artesanal.
Até a década de 1980, os antigos moradores das ilhas relatam que a Usina Trapiche nunca exerceu
efetivamente a posse das terras e nem colocou qualquer empecilho à permanência dessas famílias
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no local. Ao contrário, alguns eram pagos pela empresa para produzir carvão com a madeira do
mangue, a fim de abastecer as caldeiras, e cuidar da produção de coco-da-baía, em algumas ilhas.
Por volta de 1988, a usina demonstrou, pela primeira vez, interesse pela saída das famílias. Devido
à pressão, ocorrida na forma de ameaças verbais por parte de funcionários da empresa, alguns
moradores abandonaram as ilhas, enquanto que outros contactaram os proprietários da usina na
época, de quem obtiveram permissão para continuar em suas casas. Contudo, inundações
provocadas por cheias do rio Sirinhaém, ocorridas nos anos seguintes, também contribuíram para
que outras famílias deixassem as ilhas nesse período e se instalassem em localidades vizinhas.
Em 1998, com a venda da Usina Trapiche ao grupo alagoano que atualmente administra a empresa,
a região das 17 ilhas despertou grande interesse em seus novos proprietários, que vislumbraram a
possibilidade de implantar na área ações de conservação ambiental. Sob a alegação de que a
presença das 52 famílias, que habitavam as ilhas na época, estava degradando o manguezal, os
usineiros tomaram medidas para que a região fosse desocupada.
A partir de então, segundo depoimentos de ex-moradores das ilhas, uma série de conflitos foram
patrocinados pela empresa, havendo denúncias de queima e demolição de casas, destruição de
lavouras, substituição de espécies frutíferas (Figura 07), fechamento da escola local, emprego de
várias formas de ameaça e abertura de processos judiciais, além de condutas lesivas ao meio
ambiente, como derramamento de vinhoto em riacho que deságua no rio Sirinhaém, inclusive tendo
sido a empresa multada pela CPRH (conforme notícia publicado na página da Agência estadual na
internet, reproduzida no Anexo 01), e introdução de espécies exóticas nas ilhas (Tramita no
Ministério Público Federal procedimento administrativo contra tais denúncias).
A empresa, por sua vez, garantiu que a desocupação das ilhas foi negociada com cada família, sem
qualquer tipo forma de ameaça ou violência. E explicou que, quando circulou a notícia de que
estaria disposta a indenizar os moradores, houve um aumento populacional nas ilhas e outras casas
foram construídas, apesar de haver decisão judicial que proibia a construção de qualquer benfeitoria
no local. Com o apoio da CIPOMA, a empresa apenas coibiu o descumprimento da ordem judicial.
Ainda em 1998, em face de uma representação da usina, acusando os moradores por crimes
ambientais, o Ministério Público instaurou um inquérito civil público para investigar a denúncia.
Técnicos do IBAMA e da CPRH compareceram ao local para apurar os fatos e não constataram
depredação do meio ambiente. Pelo contrário, o laudo da CPRH afirmava que as retiradas de
mangue pelos moradores “são incipientes, não representando grandes mudanças ao meio ambiente
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e dando condições de recuperação natural das áreas, pois a retirada é esporádica e não
comercial”. Além disso, considerou que “é de extrema importância para as áreas de Proteção
Ambiental, a manutenção de seus moradores, que com orientação passariam a exercer o papel de
monitoramento e fiscalização dos impactos no ambiente”. (Relatório DHMA – Populações
Litorâneas Ameaçadas, Abril de 2004)
Amparados pelo Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) os moradores das ilhas conseguiram junto
ao Governo do Estado a criação, através do Decreto N.º 21 229 de 28 de dezembro de 1998, da
Área de Proteção Ambiental de Sirinhaém, que tinha como objetivo geral “a promoção do
desenvolvimento sustentável, baseado na implementação de programas de desenvolvimento
econômico-social, voltados às atividades que protejam e conservem os ecossistemas naturais
essenciais à biodiversidade, visando à melhoria da qualidade de vida da população”. (Anexo 02).
Os objetivos específicos da criação dessa APA baseavam-se, entre outros itens, na garantia do
ecossistema estuarino bem conservado e monitorado; da atividade pesqueira desenvolvida de forma
sustentável; da comunidade ambientalmente conscientizada; e diversificação das atividades
econômicas, voltadas para o turismo, a produção e o desenvolvimento sustentável. Contudo, essa
unidade de conservação estadual, que abrange uma área de 6.589 ha do estuário do rio Sirinhaém,
jamais foi implantada.
O processo de desocupação das ilhas gerou reações distintas por parte dos moradores. Alguns
abandonaram as ilhas de imediato, sem receber nada em troca, enquanto que a maioria decidiu
tentar permanecer no local. Com o passar dos anos, as famílias fizeram acordos individuais com a
empresa e receberam moradias na malha urbana, pequenas indenizações, material de construção ou
até mesmo empregos. Importantes lideranças no processo de resistência da comunidade local, como
o presidente da Associação dos Pescadores e Pescadeiras da Ilha de Sirinhaém e a representante do
CPP junto às famílias, foram contratados pela usina. Outra reclamação feita por antigos moradores
das ilhas é que apenas os proprietários dos sítios foram indenizados, não cabendo esse benefício a
familiares ou outras pessoas que tinham casas nas propriedades.
Tudo isso culminou com a saída de quase todas as famílias das ilhas. Enquanto que alguns foram
viver em moradias recebidas da usina, como forma de compensação pelo abandono de seus sítios,
outros foram ocupando desordenadamente as periferias dos povoados vizinhos, gerando profundas
alterações no cotidiano de tais comunidades. Isso, sem dúvida, teve e continua a ter repercussões
significativas sobre a renda e a qualidade de vida dessa população. No final de 2007, apenas duas
irmãs permaneciam nas ilhas (Figura 08).
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Figura 07 – Substituição de árvores frutíferas Figura 08 – Irmãs que resistem à saída da Ilha do
cultivadas pelos ex-moradores das ilhas por Ingá, Constantino. (LOC)
patrocinada pela Usina Trapiche. (LOC)
Devido à forma “injusta e abusiva” como os habitantes das ilhas foram removidos, a Comissão
Pastoral da Terra (CPT) teve a iniciativa, em abril de 2006, de, juntamente com outras entidades e
apoiada por um abaixo-assinado de ex-moradores das ilhas, solicitar formalmente ao IBAMA a
criação de uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável no complexo de 17 ilhas, localizadas
no estuário do rio Sirinhaém (Processo 02019.000307/2006-31), como forma de dirimir o conflito
de uso da área e fazer justiça com os reais usuários das ilhas, que viviam na região há vários anos,
sobrevivendo do uso tradicional da terra, do rio e do mangue.
Em maio de 2007, a GRPU-PE cancelou o aforamento da Usina Trapiche sobre a região localizada
nas ilhas de Sirinhaém e delimitou a área pertencente à União (Figura 09), visando dar
continuidade ao Processo Administrativo de nº. 04962.000710/2007-05, que trata da cessão da área
pertencente à União com vistas à criação da Unidade de Uso Sustentável solicitada pela CPT.
Fonte: Google Earth / cedida pelo INCRA/GRPU/2007
Figura 09 – Delimitação da área pertencente à União, feita pelo GRPU (cor lilás)
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4 – METODOLOGIA DO ESTUDO
Segundo as diretrizes da Instrução Normativa Nº.3, de 18 de setembro de 2007, o estudo
socioambiental deve conter levantamento e compilação dos dados disponíveis sobre a área e a
região, analise das informações, feita em conjunto com a população tradicional da Unidade e,
quando for o caso, indicação dos levantamentos complementares necessários.
Para fins desta Instrução Normativa entende-se por população tradicional o definido no Decreto Nº.
6.040 de 2007 como Povos e Comunidades Tradicionais, ou seja, grupos culturalmente
diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social,
que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural,
social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e
transmitidos pela tradição.
No estudo socioambiental devem ser utilizadas metodologias apropriadas, que garantam a
participação efetiva da população tradicional da Unidade, integrando conhecimentos técnico-
científicos e saberes, práticas e conhecimentos tradicionais.
O estudo socioambiental deve contemplar:
I - aspectos sobre a área, compreendendo o contexto regional, a caracterização ambiental, sócio-
econômica, cultural e institucional da Unidade;
II - a identificação e caracterização da população tradicional envolvida e de outros usuários, sua
forma de organização e de representações social;
III - o histórico e as formas de uso e ocupação do território, localizando as comunidades e
caracterizando sua infra-estrutura básica, os modos de vida, práticas produtivas;
IV - o uso e manejo dos recursos naturais pela população tradicional;
V - a diversidade de paisagens e ecossistemas e o estado de conservação da área;
VI - as principais ameaças, conflitos e impactos ambientais e sociais da região.
O conflito de uso na região das ilhas estuarinas do rio Sirinhaém tem contribuído para reduzir a
atividade pesqueira local por parte dos ex-moradores e usuários residentes em Barra de Sirinhaém.
A relação homem-natureza (pescador-estuário) foi e continua sendo ignorada pelos administradores
da usina Trapiche, pois o cotidiano do pescador e sua relação com as ilhas e o estuário do rio
Sirinhaém não são consideradas em suas intervenções na área. Isso gera problemas socioambientais
e redução na condição de vida do pescador, resultando em modificações na sua vida.
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Esta problemática justifica a realização de estudos que busquem o aprofundamento da compreensão
do "modo de vida" (cotidiano) dos sujeitos envolvidos. Os resultados subsidiarão estudos relativos à
gestão dos recursos pesqueiros no complexo estuarino do rio Sirinhaém, para que tal gestão passe a
ocorrer de forma ecologicamente sustentável e socialmente justa.
No bojo desse levantamento, a metodologia utilizada foi um estudo de caso de comunidade
qualitativo. Segundo TRIVIÑOS (1995) ...estudo de caso é uma unidade que se analisa
profundamente, citando como exemplo uma comunidade pesqueira, entre outros. Optamos pelo
estudo de caso de comunidade porque ...estudo de caso de uma comunidade, (...) pode transformar
numa pesquisa complexa, ainda que só privilegiem com ênfase os aspectos de relevo que nela
interessam (BOGDAN & BIRDEN, 1982 apud TRIVIÑOS, 1995). Nosso interesse recaiu sobre o
estudo das relações sociais de uma comunidade pesqueira e as relações do pescador com o lugar,
baseado em seu cotidiano.
Essa perspectiva permitiu a aplicação de procedimentos/técnicas diversas para a coleta e análise de
informações. No primeiro caso, utilizamos técnicas de observação livre, vistoria técnica com o
Grupo de Trabalho formado por técnicos do IBAMA/PE, participação em reunião com Associação
de Pescadores local, além da realização de entrevistas semi-estruturadas (modelos dos questionários
no Anexo 03), para o melhor entendimento da problemática local. Outra técnica empregada neste
estudo refere-se à documentação fotográfica realizada durante a pesquisa, no intuito de apreender
também o cotidiano visível e o não-visível dos pescadores de Sirinhaém, sua rotina de vida.
Segundo LIMA & PEREIRA (1997), com essa prática se constrói a etnografia do grupo.
Na fase de aproximação com pessoas da área da pesquisa, ao tempo em que subsidiou a realização
da vistoria técnica do GTIBAMA para reconhecimento da área, permitiu a identificação de
pescadores para a fase seguinte (de coleta sistemática dos dados) e o estabelecimento de um pacto
de confiança, necessário ao trabalho de pesquisa.
A fase de delimitação do estudo referiu-se à coleta sistemática dos dados. Inicialmente, os
instrumentos de pesquisas foram testados e as falhas detectadas. Após as devidas correções, foram
realizadas as entrevistas semi-estruturadas, em que os entrevistados discorreram livremente sobre as
perguntas norteadoras. Informamos o objetivo da pesquisa e ressaltamos a importância das
informações solicitadas. Os atores sociais da pesquisa foram formados por dois grupos:
a) Famílias que foram removidas das ilhas (ex-moradores);
b) Famílias usuárias das ilhas e estuário, que residem fora das ilhas.
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Esta escolha (amostra) foi intencional, o que significa que foram escolhidos pescadores do ambiente
delimitado para a pesquisa, a partir dos pescadores locais, que recomendavam os novos
informantes.
As entrevistas foram iniciadas em outubro, para adequação dos instrumentos de pesquisa, e
concluídas em dezembro/2007. No total, foram aplicados 180 questionários com famílias de
usuários das ilhas, sendo 40 famílias de ex-moradores, proprietárias de residências no local, e 140
famílias usuárias das ilhas, mas residentes em localidades do distrito de Barra de Sirinhaém.
À medida que as entrevistas e observações foram concluídas, as informações foram lançadas em
computador, juntamente com uma codificação própria por local; isso facilitou a etapa de análise dos
dados estatísticos.
Na fase de análise e elaboração do levantamento, partiu-se do princípio que os resultados obtidos
constituem uma aproximação da realidade. O resultado dessa análise possibilitou a construção deste
trabalho cuja estrutura é formada por nove itens, quais sejam:
1 – Apresentação
2 – Introdução
3 – Histórico de Ocupação da Área
4 – Metodologia do Estudo
5 – Desterritorialidade e Reterritorialização dos ex-moradores das ilhas
6 – O lugar: Ilhas e o estuário do rio Sirinhaém
7 – Perfil Sócio-econômico dos ex-moradores e da comunidade pesqueira que extrai os recursos
naturais das ilhas e do estuário do rio Sirinhaém
8 – A Participação das Instituições Locais
9 – Conclusão
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5 – DESTERRITORIALIDADE E RETERRITORIALIZAÇÃO DOS EX-MORADORES
DAS ILHAS
O ônus das transformações advindas da saída das ilhas é sentido até hoje, principalmente pelos que
exerciam a pesca artesanal e realizavam atividades complementares, como o cultivo de lavoura de
subsistência, a extração de frutos e a criação de animais. O espaço de trabalho dessa categoria foi
desestruturado, o que implicou alteração de seus hábitos, costumes e modos de vida, vinculados
tradicionalmente ao estuário do rio.
Desse modo, o processo de reorganização do espaço regional advindo da saída das ilhas contribuiu
de maneira decisiva para alterar o espaço apropriado pela pesca local. O espaço construído pelos
pescadores para sua prática profissional foi desestruturado, criando-se um novo espaço, resultando
em novas relações homem-meio (pescador-estuário) e homem-homem (pescador-pescador).
Segundo CORREA (1995), esse processo de alteração da relação homem-território é denominado
de "desterritorialidade". No caso, significa que o território da pesca foi alterado, com perdas de
áreas propícias à pesca. A “desterritorialidade” implica alterações no mercado de trabalho. A
substituição desses territórios perdidos por um novo espaço leva a "reterritorialização", ou seja,
nova territorialidade.
Na concepção de HAESBAERT (1995), a produção do espaço envolve, ao mesmo tempo, a
desterritorialização e a reterritorialização:
Portanto, a territorialização e desterritorialização não se opõem , pois mesmo no atual
período técnico-científico, onde o "espaço desterritorializado", esvaziado de "seus
conteúdos particulares" perde seu conteúdo relacional e identitário, transformando-se
numa rede funcional ou "espaço abstrato, racional, deslocalizado", também há lugares
para importantes processos de reterritorialização
Tal cultura se rege pela produção e transmissão de um conhecimento que permite a reprodução da
atividade da pesca em determinado lugar. Para aproximação desse conhecimento, temos que
considerar, não só o contexto em que está inserida a atividade pesqueira, mas também as relações
dos pescadores entre si e com a natureza no processo de transformação.
Entender o modo de vida de uma comunidade eminentemente pesqueira, a exemplo dos antigos
moradores das ilhas do estuário do rio Sirinhaém, é importante para saber como determinados
grupos ou povos vêem o mundo onde vivem, quais os valores que afetam sua ação e como
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influenciam as instituições. Para qualquer lugar ou povo, no entender de TUAN (1983), as respostas
a essas questões dependem parcialmente da história, das características de seus habitantes, e, em
parte, de como eles interagem em seus arredores. Um olhar descobridor permite apreender o
essencial, o não–aparente, o invisível, desvendando os significados mais profundos das ações
cotidianas e rotineiras do pescador:
Esse conhecimento preenche a lacuna científica entre quem utiliza os recursos do meio natural, os
planificadores e demais atores que decidem, modificam e regulamentam o uso desse meio ambiente.
Em suas políticas, muitas vezes não consideram a percepção, as atitudes, os valores de tais grupos,
mesmo quando estes são os reais implementadores de mudanças ambientais. Determinados atores
não valorizam a percepção que as pessoas têm do seu meio ambiente por considerar banal ou óbvio
o cotidiano enquanto objeto de análise. No caso das ilhas estuarinas do rio Sirinhaém, onde existem
poucas pesquisas, o conhecimento do pescador é bastante importante para agregar, aprimorar o
conhecimento científico e orientar intervenções.
Recurso é toda possibilidade, material ou não, de ação oferecida aos homens
(indivíduos, empresas, instituições). Recursos são coisas, naturais ou artificiais,
relações compulsórias ou espontâneas, idéias, sentimentos, valores. É a partir da
distribuição desses dados que os homens vão mudando a si mesmos e ao seu entorno.
(...). Mas, de fato, nenhum recurso tem, por si mesmo, um valor absoluto, seja ele um
estoque de produtos, de população, de empregos ou de inovações, ou uma soma de
dinheiro. O valor real de cada um não depende de sua existência separada, mas de sua
qualificação geográfica, isto é, da significação conjunta que todos e cada qual obtêm
pelo fato de participar de um lugar.
O município de Sirinhaém está localizado na região litorânea de Pernambuco, sendo formado pelo
“mar de morros” que antecedem a Chapada da Borborema, com solos pobres e vegetação de floresta
hipoxerófila, apresentando grande incidência de manguezais no estuário do Rio Sirinhaém. Talvez
esse fato justifique o desinteresse pela exploração econômica das ilhas no passado, por parte dos
latifundiários locais. Provavelmente, a falta de interesse mencionada influenciou na formação
desses povoados pesqueiros nas ilhas, na medida em que facilitou a ocupação residencial por parte
desse segmento, reproduzindo assim as diferenças sociais. Esta forma de segregação residencial é
citada por CORREA (1988) como a segregação de grupos sociais cujas opções de como e onde
morar são pequenas ou nulas.
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6- O LUGAR: ILHAS ESTUARINAS DO RIO SIRINHAÉM
As ilhas localizadas no estuário do rio Sirinhaém estão envoltas em um mundo de alterações, nas
quais o sujeito do lugar estava submetido a uma convivência longa e repetida com os mesmos
objetos, os mesmos trajetos, as mesmas imagens de cuja constituição participava. A história da
comunidade e do lugar proporcionava uma intimidade e identidade com o espaço determinado. A
cooperação e conflito são a base da vida comum. A vida social se individualiza, a política se
territorializa, com o confronto entre organização e espontaneidade (SANTOS, 1996).
No ponto de vista de FEATHERSTONE (1995), o senso de pertença, as experiências comuns
sedimentadas e as formas de cultura que são associadas a um lugar, são fundamentais para o
conceito de cultura local. Para o entendimento dessa cultura local, do cotidiano vivido pelos ex-
moradores das ilhas estuarinas e suas relações com o estuário do rio Sirinhaém, necessário se faz o
conhecimento da história do lugar. A apreensão dos dados do município de Sirinhaém torna-se
importante para contextualizar o locus do presente levantamento.
O município de Sirinhaém foi criado em 03 de agosto de 1892 (Lei Federal nº. 258), composto por
sua Sede, pelos distritos de Barra de Sirinhaém e Ibiritinga, e pelos povoados de Santo Amaro,
Usina Trapiche, Agrovila Trapiche e Gamela. Apresentando uma área total de 352,2 km² e distante
a 80 km de Recife, Sirinhaém está inserido na Mesorregião Mata e Microrregião Meridional do
Estado de Pernambuco, limitando-se ao norte com os municípios de Ipojuca e Escada; ao sul, com
Rio Formoso e Tamandaré; a leste, com o Oceano Atlântico; e a oeste, com Ribeirão.
Conforme censo 2000 do IBGE, a população total de Sirinhaém é formada por 33.046 habitantes.
Deste contingente, 13.646 (41,3%) estão localizados na zona urbana e 19.400 (58,7%) na rural. A
estrutura da população por gênero - 16.693 (50,5%) homens e 16.353 (49,5%) mulheres - indica
uma proporção equilibrada entre os sexos, que resulta numa densidade demográfica de 93,0 hab/km.
Em relação à economia formal no município, a indústria de transformação gera 3.975 empregos em
06 estabelecimentos, seguida: do setor de Administração Pública, com 645 empregos em 03
estabelecimentos; dos setores de Agropecuária, Extrativismo Vegetal, Caça e Pesca, com 243
empregos em 10 estabelecimentos; do setor de comércio, com 185 empregos em 38
estabelecimentos; do setor de serviços, com 93 empregos em 17 estabelecimentos; e do setor
extrativo mineral, com 04 empregos em 01 estabelecimento.
Sirinhaém conta com 56 estabelecimentos de ensino fundamental com 9.156 alunos matriculados e
02 de ensino médio com 1.007 alunos matriculados (23 salas de aula da rede estadual, 107 da
municipal e 45 particulares). A rede de saúde se compõe de 02 hospitais, 78 leitos, 07 ambulatórios
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e 50 Agentes de Saúde Comunitária. A taxa de mortalidade infantil, segundo dados da DATSUS é
de 76,5 para cada mil crianças. Dos 6.749 domicílios, 3.206 (47,5%) são abastecidos pela rede geral
de água, 2.453 (36,3%) são atendidos por poços ou fontes naturais e 1.090 (16,2%) por outras
formas de abastecimentos. A coleta de lixo urbano atende a 3.404 domicílios (50,4%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é de 0,633, situando Sirinhaém em 73°
no ranking estadual e em 4.403° no nacional. O Índice de Exclusão Social (pobreza, emprego
formal, desigualdade, alfabetização, anos de estudo, concentração de jovens e violência) é de 0,337,
ocupando a 88° colocação no ranking estadual e a 4.403° no nacional.
Nesse contexto, a área objeto do presente estudo é composta por 17 ilhas e está localizada no
estuário do rio Sirinhaém, apresentando área terrestre de influência de maré, recoberta por
remanescente de vegetação de mangue, em bom estado de conservação, conforme vistoria realizada
por grupo de trabalho do IBAMA, em abril de 2007.
Segundo dados da Universidade Federal de Pernambuco, a área possui aproximadamente 3.110 ha,
incluindo-se o leito do estuário (246 ha), o manguezal (2.778 ha) a superfície da lagoa chamada
Feiteira (37 ha) e as ilhas de terra firme e internas à zona estuarina (49 ha). Tal local foi declarado
Área de Proteção Ambiental (APA-Sirinhaém), através do decreto nº. 21229 de 28/12/98 e está
inserido na Subzona de Conservação da Vida Silvestre da APA, destacando os manguezais,
extensos e conservados, (Figuras 10 e 11) que funcionam como berçários de espécies da fauna
marinha e estuarina (Decreto nº. 21.972 de 29/12/99).
Figura 10 – Manguezal das Ilhas. (LOC) Figura 11 – Manguezal do estuário do rio (LOC)
O manguezal, ecossistema bem representado ao longo do litoral brasileiro, é considerado, no Brasil,
como de PRESERVAÇÃO PERMANENTE, incluído em diversos dispositivos constitucionais
(Constituição Federal e Constituições Estaduais) e infraconstitucionais (leis, decretos, resoluções,
convenções). A observação desses instrumentos legais impõe uma série de ordenações do uso e/ou
de ações em áreas de manguezal (SCHAEFFER-NOVELLI, 1994).
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A proposta de Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro (ZEEC) do litoral sul do Estado de
Pernambuco, elaborada em maio de 1999, incentiva a criação de uma reserva extrativista na
Subzona Estuarina do Rio Sirinhaém. O mesmo documento proíbe nesse estuário o desmatamento e
aterro de manguezal, a pesca predatória, a mineração, o parcelamento do solo e ocupação com
edificações e o lançamento de efluentes urbanos e industriais, sem tratamento adequado.
6.1 - O Quadro da Pesca Local
Tradicional e importante fonte de alimento para as populações da área objeto de estudo, a pesca
estuarina é praticada na região das ilhas até a foz do rio Sirinhaém, por moradores das áreas rurais e
urbanas, envolvendo agricultores, trabalhadores rurais, pequenos comerciantes, aposentados e,
principalmente, desempregados e subempregados.
São três os tipos de pescadores que atuam nesse estuário: o pescador permanente, que pesca o ano
inteiro para o consumo próprio de sua família e venda do excedente para atravessadores
(pombeiros), restaurantes, veranistas, vizinhos ou nas feiras de Sirinhaém, Ipojuca e Prazeres; o
pescador temporário, que não tem a atividade pesqueira como sua principal fonte de sobrevivência,
mas que a pratica eventualmente; e os pescadores ocasionais que são, em geral, pequenos
agricultores e/ou trabalhadores rurais de engenhos próximos à região das ilhas que, na entressafra
da cana-de-açúcar, recorrem à pesca para complementar a alimentação de seus familiares.
Realizada de forma artesanal, a pesca estuarina é feita em embarcações simples (jangadas) e a pé,
na maré baixa. Dentre os petrechos utilizados, figuram: redes de vários tipos (tarrafa, de espera ou
caceia, de camboa ou tapagem, tainheira) e anzol (para captura de peixes); covo (para captura de
peixes e crustáceos); puçá (para captura de peixes e camarão); jereré (para captura de siri); ratoeira
(para captura de guaiamum); linha e vara (para captura de aratu e siri); laço ou redinha (para captura
de caranguejo); foice e a mão (para captura de crustáceos e moluscos). (Figuras 12 e 13)
Figura 12 - Covos, utilizados pelos pescadores para Figura 13 – Rede de emalhar e Tarrafa, para captura
captura de peixes e camarão. (LOC) de peixes. (LOC)
15
As principais espécies capturadas no estuário são: camurim, carapeba, bagre, tainha, saúna, e amoré
(Figura 14) e agulha (entre os peixes); caranguejo-uçá, siri, aratu, guaiamum e camarão
(crustáceos); marisquinho, ostra, taioba e unha-de-velho (moluscos).
Figura 14 – Pescado tradicional dos ex-moradores das ilhas (amoré). (LOC)
A atividade é praticada tanto durante o dia como à noite, dependendo do horário de variação das
marés. Em geral, os pescadores exercem uma única modalidade de pesca, porém, em alguns casos,
há uma alternância de acordo com o período do ano mais propício a cada recurso. No caso das
famílias de ex-moradores das ilhas, essa alternância de tipos de pesca era algo bastante comum
durante os 12 meses do ano.
A diminuição na oferta de recursos pesqueiros é a principal dificuldade encontrada pelos pescadores
que retiram o sustento de suas famílias do estuário do rio Sirinhaém. Na opinião das famílias
entrevistadas durante a pesquisa, a redução do estoque pesqueiro é causada pela contaminação do
estuário por efluentes decorrentes da produção da cana-de-açúcar (“calda”, “vinhoto”,
“agrotóxicos”, “veneno”), pelo uso de práticas predatórias de captura (“laço”, “malha fina”, bombas
caseiras, produtos tóxicos, “barragem”) e pelo crescimento excessivo da atividade em relação ao
estoque pesqueiro (sobrepesca), causada principalmente pelas altas taxas de desemprego na região.
O produto da venda do pescado, que é, em geral, reduzido e cai bastante no inverno, cumpre um
papel importante no atendimento das necessidades imediatas (comida, roupa, medicamentos) das
famílias que praticam a atividade. Um traço comum aos pescadores e marisqueiras entrevistados é o
baixo grau de escolaridade dos mesmos, visto que, quando alfabetizados, não chegam a concluir o
ensino fundamental.
16
7 – PERFIL SÓCIO-ECONÔMICO DOS USUÁRIOS DAS ILHAS E DO ESTUÁRIO DO
RIO SIRINHAÉM
7.1 – Ex-moradores
Não se sabe ao certo quantas famílias residiram nas ilhas estuarinas do rio Sirinhaém desde o início
de sua ocupação, porém, por meio de informações coletadas com antigas lideranças comunitárias,
estima-se que cerca de 53 famílias moravam na área em 1998, ano em que se iniciou o processo de
desocupação das ilhas.
Durante a pesquisa de campo que subsidiou a elaboração deste Estudo Sócio-econômico, realizada
nos meses de outubro a dezembro de 2007, foram localizadas e entrevistadas 40 famílias de ex-
proprietários de moradias nas ilhas, que residem atualmente em localidades na sede do município de
Sirinhaém (Oiteiro de Carmo, Vila Nova Cohab, Oiteiro do Livramento e Porto da Pedra); no
Engenho Velho Trapiche (área da antiga pedreira); no povoado de Santo Amaro (Centro e Vila de
Santo Amaro de Baixo); e no distrito de Barra de Sirinhaém (Casado, Loteamento das Acácias e
Sítio Boa Esperança). (Figuras 15, 16, 17, 18, 19 e 20).
Figura 15 – Vila Nova da Cohab. (LOC) Figura 16 – Oiteiro do Livramento. (LOC)
Figura 17 – Oiteiro do Carmo. (LOC) Figura 18 – Barra de Sirinhaém. (LOC)
17
Figura 19 – Casado. (LOC) Figura 20 – Vila Santo Amaro de Baixo. (LOC)
A distribuição dos questionários aplicados a famílias de ex-moradores das ilhas, pelas localidades
em que atualmente residem, é apresentada a seguir, na Tabela 01:
TABELA 01
Distribuição por Localidade dos Questionários aplicados a Ex-moradores das Ilhas
CÓDIGO LOCALIDADES QUESTIONÁRIOS
1A Cidade de Sirinhaém – Sede Oiteiro do Carmo 08
Oiteiro do Livramento 03
Vila Nova Cohab 02
Porto da Pedra 01
Engenho Velho Trapiche 01
1B Povoado de Santo Amaro Centro 02
Vila de Santo Amaro de Baixo 04
1C Distrito de Barra de Sirinhaém Casado 16
Loteamento das Acácias 02
Sítio Boa Esperança 01
TOTAL GERAL 40
Na concepção de SANTOS (1996), o valor real de cada recurso está relacionado à sua localização.
Seu efetivo valor é dado pelo lugar em que se manifesta:
As ilhas e o estuário do rio Sirinhaém foram indicados, tanto pelos ex-moradores como pelos
pescadores da Barra de Sirinhaém entrevistados, como os lugares mais representativos da atividade
18
pesqueira no município que, apesar das dificuldades enfrentadas em sua prática diária, ainda
persiste como fonte principal de subsistência para a maior parte da população costeira de Sirinhaém.
Pelo menos uma dezena de antigos chefes-de-família das ilhas faleceu após a saída do local e outras
famílias mudaram-se para municípios da região, como Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca,
Tamandaré e São José da Coroa Grande, e até para o Estado de Alagoas.
Antes de ter que abandonar a região de conflito, as 40 famílias entrevistadas habitavam as ilhas,
popularmente denominadas como: “Constantino” (20%), “Porto Tijolo” (15%), “Cais” (12,5%),
“Macaco” (10,0%), “Raposinha” (10,0%), “Grande” (7,5%), “Val” (7,5%) e “Cuscuz” (5,0%),
restando outros 12,5% que possuíam residências nas ilhas da “Cajazeira”, “Canoé”, “Clemente”,
“Dendê” e “Jenipapo”. Durante a execução da etapa de levantamento de dados, como pode ser
observado no Gráfico 01, não foram localizadas no município de Sirinhaém famílias que viveram
nas ilhas do “Cajueiro”, “Imbiribeira”, “Palmeira” e “Abacate”, apesar dos depoimentos
confirmarem que elas eram habitadas.
GRÁFICO 01
Ilhas em que as Famílias Entrevistadas Residiram
Constantino – 20,0%
Porto Tijolo – 15,0%
Cais – 12,5%
Macaco – 10,0%
Raposinha – 10,0%
Grande – 7,5%
Val – 7,5%
Cuscuz – 5,0%
Cajazeira – 2,5%
Canoé – 2,5%
Clemente – 2,5%
Dendê – 2,5%
Jenipapo – 2,5%
19
A forma como os antigos habitantes nomearam cada uma das 17 ilhas, utilizando com freqüência
espécies nativas da fauna e da flora locais, são um indicativo de sua interação com o ambiente
natural.
O período de permanência das famílias entrevistadas, na região das ilhas, variou bastante, conforme
os dados apresentados no Gráfico 02: 37,5% do universo pesquisado moraram no local de 16 a 30
anos; 30,0%, por menos de 16 anos; 25,0%, no intervalo de 31 a 45 anos; e 7,5%, tinham mais de
46 anos de residência nas ilhas, quando abandonaram a área.
Um dos entrevistados disse ter habitado a ilha por mais de 60 anos, enquanto que uma ex-moradora
afirmou que seus antepassados se instalaram na região das ilhas nos primeiros anos do século XX.
GRÁFICO 02
Tempo de Permanência das Famílias nas Ilhas
50
40 37,5
Frequência (%)
30
30
25
20
10
5
2,5
0
1 a 15 16 a 30 31 a 45 46 a 60 > 61
Anos
7.1.1 – Dados Sócio-econômicos
A partir de informações coletadas, referentes às 203 pessoas que moram atualmente nas residências
das 40 famílias entrevistadas, que tinham casa nas ilhas, foi possível identificar o perfil sócio-
econômico desses grupos familiares, tomando-se como parâmetros os seguintes dados: Local Atual
de Moradia, Gênero, Idade, Escolaridade, Ocupação Atual, Fontes de Renda, Renda Familiar
Mensal, Participação em Programas Sociais do Governo, Filiação a Entidades de Classe, Condições
de Moradia, Tipos de Construção das Residências, Número de Cômodos, Número de Habitantes por
Moradia e Infra-estrutura da Residência.
20
A) Local Atual de Moradia
Para análise dos dados sócio-econômicos, referentes às famílias de ex-moradores das ilhas, o
universo pesquisado foi dividido de acordo com a localidade em que atualmente reside. Por questão
de representatividade, a única família entrevistada que mora em terras do Engenho Velho Trapiche
foi incluída com as da Sede do município, devido à sua maior proximidade à cidade em comparação
aos distritos. Sendo assim, os grupos ficaram separados da seguinte forma:
1A – Cidade de Sirinhaém (Oiteiro do Carmo, Vila Nova Cohab, Oiteiro do Livramento,
Porto da Pedra e Engenho Velho Trapiche);
1B – Povoado de Santo Amaro (Centro e Vila de Santo Amaro de Baixo);
1C – Distrito de Barra de Sirinhaém (Casado, Loteamento das Acácias e Sítio Boa
Esperança).
Ao observar a Tabela 02, percebe-se que praticamente a metade das famílias que tiveram de deixar
as ilhas e continuam morando no município instalaram-se no distrito de Barra de Sirinhaém,
sobretudo na localidade do Casado, para continuar próximos à região das ilhas. Da outra metade das
famílias, 37,5% foram morar em bairros da cidade de Sirinhaém, enquanto que outras 15%,
chefiadas principalmente por trabalhadores rurais, residiam no povoado de Santo Amaro, ao final de
2007.
Ao analisar os Gráficos 03 e 04, percebe-se que a distribuição das famílias pelas localidades é
bastante semelhante à de indivíduos.
TABELA 02
Famílias e População de Ex-moradores das Ilhas no Município de Sirinhaém
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Famílias 15 37,50 6 15,00 19 47,50 40 100
População 66 32,51 35 17,25 102 50,24 203 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
21
GRÁFICO 03
Distribuição Atual das Famílias de Ex-moradores das Ilhas no Município de Sirinhaém, por
Localidade
37,5
1A
47,5
1B
1C
15
LEGENDA
Localidades 1A – Sede 1B – Santo Amaro 1C – Barra de Sirinhaém
GRÁFICO 04
Distribuição Atual dos Integrantes das Famílias no Município de Sirinhaém, por Localidade
32,5
1A
50,3
1B
1C
17,2
LEGENDA
Localidades 1A – Sede 1B – Santo Amaro 1C – Barra de Sirinhaém
22
B) Gênero
Em relação ao gênero dos integrantes das famílias de ex-moradores das ilhas, observou-se o
predomínio de indivíduos do sexo masculino, devido principalmente à maior diferença encontrada
entre as populações de homens e mulheres dos antigos moradores da área estuarina, que residem em
localidades da sede do município, como demonstram a Tabela 03 e o Gráfico 05.
TABELA 03
Gênero dos Ex-moradores das Ilhas
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Masculino 41 62,1 17 48,6 54 52,9 112 55,2
Feminino 25 37,9 18 51,4 48 47,1 91 44,8
66 100 35 100 102 100 203 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 05
Distribuição quanto ao Gênero dos Ex-moradores das Ilhas, por Localidade
1A 1B 1C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Masculino
1A Sede Feminino
1B Santo Amaro
1C Barra de Sirinhaém
23
C) Idade
Ao observar a faixa etária dos integrantes das famílias de ex-moradores das ilhas, percebe-se que
mais de 55 % dos indivíduos tinham menos de 20 anos de idade, no final de 2007. Já os habitantes
mais antigos das ilhas, com mais de 60 anos, são menos de 9% do universo pesquisado. (ver Tabela
04)
Quanto à distribuição por localidade, exposta no Gráfico 06, constata-se que a maior concentração
de ex-moradores das ilhas com mais de 50 anos de idade está na Sede do município (24,3%). No
povoado de Santo Amaro, encontra-se o maior percentual de adultos entre 20 e 50 anos (37,2%).
Enquanto que em Barra de Sirinhaém vivem a maior parcela dos integrantes das famílias que
habitaram as ilhas, com menos de 20 anos de idade (58,8%).
Conduto, percebe-se que há muitos jovens desempregados, sobrevivendo da renda obtida pelos
familiares mais idosos, os quais não apresentam condições de concorrência no mercado de trabalho
por falta de instrução e assim necessitam sobreviver da pesca e das atividades agrícolas já
praticadas há bastante tempo.
TABELA 04
Faixa Etária dos Ex-moradores das Ilhas
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
0 a 10 16 24,2 10 28,6 36 35,3 62 30,5
11 a 20 19 28,8 8 22,8 24 23,5 51 25,1
21 a 30 4 6,1 10 28,6 16 15,7 30 14,8
31 a 40 8 12,1 2 5,7 5 4,9 15 7,4
41 a 50 3 4,5 1 2,9 3 2,9 7 3,5
51 a 60 6 9,1 4 11,4 8 7,9 18 8,9
61 a 70 5 7,6 0 0 4 3,9 9 4,4
71 a 80 5 7,6 0 0 4 3,9 9 4,4
> 80 0 0 0 0 2 2,0 2 1,0
66 100 35 100 102 100 203 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
24
GRÁFICO 06
Distribuição quanto à Faixa Etária dos Ex-moradores das Ilhas, por Localidade
1A 1B
40 40
28,8 28,6 28,6
30 30
Frequência
Frequência
24,2 22,8
20 20
12,1 11,4
9,1 7,6 7,6
1
0 6,1 4,5 1
0 5,7
2,9
0 0 0 0
0 0
0a1
0 1 a 20 21a 30 31a 40 41a 50 51a 60 61a 70 71a 80
1 > 80 0a1
0 1 a 20 21a 30 31a 40 41a 50 51a 60 61a 70 71a 80
1 > 80
Anos Anos
1C TOTAL
40 35,3 40
30,5
30 30 25,1
Frequência
Frequência
23,5
20 15,7 20 14,8
7,9 7,4 8,9
1
0 4,9 1
0 4,4 4,4
2,9 3,9 3,9 3,5
2 1
0 0
0a1
0 1 a 20 21a 30 31a 40 41a 50 51a 60 61a 70 71a 80
1 > 80 0a1
0 1 a 20 21a 30 31a 40 41a 50 51a 60 61a 70 71a 80
1 > 80
Anos Anos
LEGENDA
Localidades 1A – Sede 1B – Santo Amaro 1C – Barra de Sirinhaém
D) Escolaridade
Quanto à educação formal dos integrantes das famílias entrevistadas, percebe-se, ao analisar a
Tabela 05 e o Gráfico 07, que há uma intensa concentração de pessoas que estudaram até os
primeiros anos do ensino fundamental (38,92%) – sobretudo os mais jovens – mas a grande maioria
não passou da 6ª. série e confessa ter grande dificuldade para ler e escrever.
Apesar de residirem mais próximos dos estabelecimentos de ensino, em comparação com a época
em que moravam nas ilhas, os estudantes não demonstram grande interesse em concluir os estudos e
se queixam da falta de perspectivas para o futuro. Muitos já largaram a escola e ajudam os pais na
pesca, enquanto que outros estão desempregados e passam o dia ociosos pela cidade.
Também há um contingente representativo de pessoas analfabetas (31,0%) ou que ainda estão fora
de idade escolar (15,27%) e apenas 11,82% disseram saber assinar o nome e ler um pouco.
25
Seis integrantes de uma família, que vivem no centro de Santo Amaro, na qual apenas o chefe da
família passava a semana trabalhando nas ilhas, são os únicos que alcançaram o ensino médio.
Entre todos os 203 integrantes das 40 famílias de ex-moradores das ilhas entrevistadas, nenhum
conseguiu até o momento freqüentar uma instituição de ensino superior.
TABELA 05
Nível de Escolaridade dos Ex-moradores das Ilhas
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Fora da idade escolar 7 10,63 4 11,43 20 19,61 31 15,27
Analfabeto 22 33,33 11 31,43 30 29,41 63 31,03
Alfabetizado 9 13,63 1 2,86 14 13,73 24 11,82
Ensino fundamental 28 42,41 13 37,14 38 37,25 79 38,92
Ensino médio 0 0 6 17,14 0 0 6 2,96
Ensino superior 0 0 0 0 0 0 0 0
66 100 35 100 102 100 203 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 07
Distribuição quanto ao Nível de Escolaridade dos Ex-moradores das Ilhas, por Localidade
1A 1B 1C TOTAL
LEGENDA Fora da Idade Escolar
Cod. Localidades Analfabeto
1A Sede Alfabetizado
1B Santo Amaro Ensino Fundamental
1C Barra de Sirinhaém Ensino Médio
26
E) Ocupação Atual
Como pode ser visto na Tabela 06 e no Gráfico 08, a atividade pesqueira continua sendo a
principal ocupação dos antigos moradores das ilhas, atualmente com mais de 18 anos, que vivem na
sede do município (43,75%) e, principalmente, em Barra de Sirinhaém (53,85%). A maior parte dos
integrantes das famílias que se instalaram no povoado de Santo Amaro são trabalhadores rurais
(21,05%) ou atuam na produção de cana-de-açúcar, mas retiram seu alimento do estuário do rio
Sirinhaém, nos meses de inverno (21,05%).
Donas-de-casa, domésticas e estudantes foram outras ocupações citadas pelos familiares dos
entrevistados, enquanto que 7,8% afirmaram não ter nenhum tipo de ocupação. Outras ocupações
citadas durante a aplicação dos questionários, mas que não ultrapassaram a marca de 2% dos
familiares dos ex-moradores das ilhas com mais de 18 anos foram: funcionário público, caseiro,
pequeno comerciante, operador de máquinas, vendedor de picolé, funcionário de padaria e fiscal de
meio ambiente da usina Trapiche que, somados, alcançaram o índice de 10,7%. (Figuras 21 e 22)
Figura 21 – Ex-morador das ilhas que Figura 22 – Família que abandonou a atividade pesqueira, após a
continua pescando na região. (LOC) saída das ilhas. (LOC)
27
TABELA 06
Ocupações Atuais dos Ex-moradores das Ilhas, Maiores de 18 Anos
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Pescador 14 43,75 2 10,53 28 53,85 44 42,7
Dona-de-casa 4 12,50 3 15,79 5 9,615 12 11,6
Trabalhador Rural 2 6,25 4 21,05 4 7,69 10 9,7
Pescador / Trabalhador Rural 4 12,50 4 21,05 1 1,92 9 8,7
Desempregado 0 0 2 10,53 6 11,54 8 7,8
Doméstica 2 6,25 1 5,26 2 3,85 5 4,9
Estudantes 1 3,125 2 10,53 1 1,92 4 3,9
Outras 5 15,625 1 5,26 5 9,615 11 10,7
32 100 19 100 52 100 103 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 08
Distribuição por Localidade, quanto às Ocupações Atuais dos Ex-moradores das Ilhas
1A 1B 1C TOTAL
LEGENDA Pescador
Cod. Localidades Dona-de-casa
1A Sede Trabalhador Rural
1B Santo Amaro Pescador / Trabalhador Rural
1C Barra de Sirinhaém Desempregado
Doméstica
Estudantes
Outras
28
F) Fontes de Renda
No período em que ocuparam as ilhas, os trabalhadores de 34 famílias (85%) eram exclusivamente
autônomos e retiravam sua renda da comercialização do excedente da produção obtida através da
atividade pesqueira, da criação de animais, da coleta de frutas e/ou de suas lavouras de subsistência.
Já as outras 6 famílias restantes, como é representado no Gráfico 09, além de realizar as mesmas
atividades, tinham integrantes assalariados que trabalhavam na produção de cana-de-açúcar, em
plantações da região.
GRÁFICO 09
Fontes de Renda das Famílias, quando residiam nas Ilhas
15%
85%
Autônomo Autônomo / Assalariado
A saída das ilhas e a aposentadoria dos pescadores mais antigos promoveram significativas
alterações nas fontes de renda dessas famílias, nos últimos anos. Com exceção daquelas que
residem atualmente em Barra de Sirinhaém, que ainda dependem bastante dos peixes e dos
crustáceos extraídos do estuário, para garantir seu sustento, as famílias instaladas em outras
localidades têm o salário e as aposentadorias como importantes fontes de renda. No povoado de
Santo Amaro, por exemplo, nenhuma família entrevistada sobrevive mais exclusivamente da pesca,
como antigamente, não somente porque seus integrantes tornaram-se trabalhadores rurais, mas
também devido à grande distância a ser percorrida até as ilhas. (ver Tabela 07 e Gráfico 10)
29
TABELA 07
Fontes de Renda Atuais das Famílias de Ex-moradores das Ilhas
1ª 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Autônomo 5 33,3 0 0 11 57,9 16 40,0
Autônomo / Aposentado 4 26,7 0 0 3 15,7 7 17,5
Assalariado 3 20,0 2 33,3 1 5,3 6 15,0
Autônomo / Assalariado 1 6,7 3 50,0 2 10,5 6 15,0
Aposentado 2 13,3 0 0 1 5,3 3 7,5
Assalariado / Aposentado 0 0 0 0 1 5,3 1 2,5
Autônomo / Assalariado / Aposentado 0 0 1 16,7 0 0 1 2,5
15 100 6 100 19 100 40 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 10
Distribuição por Localidade, quanto às Fontes de Renda Atuais das Famílias
1A 1B 1C TOTAL
LEGENDA Autônomo
Cod. Localidades Autônomo / Aposentado
1A Sede Assalariado
1B Santo Amaro Autônomo / Assalariado
1C Barra de Sirinhaém Aposentado
Assalariado / Aposentado
Autônomo / Assalariado / Aposentado
30
G) Renda Familiar Mensal
Conforme os dados expostos no Gráfico 11, no período em que habitaram a região das ilhas, 22
famílias entrevistadas (55%) afirmaram que sua renda mensal variava de 1 a 2 salários-mínimos; 15
(37,5%), de 2 a 3; e 3 (7,5%), conseguiam juntar menos de 1 salário por mês.
Não se pode esquecer que naquela época, as famílias tiravam seu sustento quase que
exclusivamente da pesca e das produções pecuárias, agrícolas e frutíferas de seus sítios.
Chamou atenção durante a aplicação dos questionários, a dificuldade demonstrada principalmente
pelas pessoas que viveram por mais tempo nas ilhas em informar a renda obtida com sua produção,
visto que para muitos não havia uma preocupação em obter lucro com as atividades que praticavam.
A preocupação que tinham nas ilhas era apenas garantir a sobrevivência de seus filhos e conseguir
comprar o essencial para a família.
GRÁFICO 11
Renda Mensal das Famílias, quando ocupavam as Ilhas
60 55
50
37,5
40
Frequência
30
20
7,5
10
0
0
<1 1a2 2a3 >3
Salários -m ínim os
Atualmente a maioria das famílias entrevistadas permanece com uma renda média de 01 a 02
salários-mínimos. Contudo, o índice daquelas que sobrevivem com menos de 01 salário aumentou
para 27,5%, efeito causado principalmente pela redução na renda das famílias que se instalaram em
Barra de Sirinhaém, continuam vivendo exclusivamente da pesca, mas perderam um importante
complemento de renda que era proporcionado pela área disponível nas ilhas para plantar suas roças
e criar seus animais. Aquelas que se encontram em Santo Amaro, por outro lado, tiveram uma
significativa melhoria em suas condições de renda, pois 50% dos entrevistados conseguem juntar
mais de 02 salários mínimos, em média, ao final de cada mês. (ver Tabela 08 e Gráfico 12)
31
TABELA 08
Renda Mensal Atual das Famílias de Ex-moradores das Ilhas
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
<1 3 20,0 0 0 8 42,1 11 27,5
1a2 9 60,0 3 50,0 9 47,4 21 52,5
2a3 3 20,0 2 33,3 2 10,5 7 17,5
>3 0 0 1 16,7 0 0 1 2,5
15 100 6 100 19 100 40 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 12:
Distribuição da Renda Mensal das Famílias de Ex-moradores das Ilhas, por Localidade
1A 1B
70 60 70
60 60 50
50 50
Frequência
Frequência
40 40 33,3
30 20 20 30
16,7
20 20
10 0 10 0
0 0
<1 1a2 2a3 >3 <1 1a2 2a3 >3
Anos Anos
1C TOTAL
70 70
60 60 52,5
47,4
50 42,1 50
Frequência
Frequência
40 40
27,5
30 30
17,5
20 10,5 20
10 0 10 2,5
0 0
<1 1a2 2a3 >3 <1 1a2 2a3 >3
Anos Anos
LEGENDA
Localidades 1A – Sede 1B – Santo Amaro 1C – Barra de Sirinhaém
H) Participação em Programas Sociais do Governo
Em relação à participação do universo pesquisado em Programas Sociais do Governo, percebe-se
por meio dos dados disponibilizados na Tabela 09, que pouco menos da metade das famílias de ex-
32
moradores das ilhas (47,5%) são beneficiários, sobretudo do Bolsa-família, enquanto que as outras
52,5% estão excluídas de tais benefícios.
Das 19 famílias beneficiadas por programas sociais, no final de 2007, 14 (73,7%) recebem o Bolsa-
família. O Vale-gás, o Chapéu-de-palha e as cestas básicas doadas pela Prefeitura Municipal de
Sirinhaém, para famílias que vivem em condições mais precárias de vida, foram outros programas
governamentais citados durante a pesquisa.
Ao analisar a distribuição dos benefícios por localidade – demonstrada no Gráfico 13 – constata-se
que as famílias residentes em Barra de Sirinhaém são as menos beneficiadas (31,6%), enquanto que
83,3% daquelas que deixaram as ilhas e foram morar em Santo Amaro, são contempladas.
TABELA 09
Famílias de Ex-moradores das Ilhas beneficiadas por Programas Sociais do Governo
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Sim 8 53,3 5 83,3 6 31,6 19 47,5
Não 7 46,7 1 16,7 13 68,4 21 52,5
15 100 6 100 19 100 40 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 13
Distribuição por Localidade das Famílias beneficiadas por Programas Sociais do Governo
1A 1B 1C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Sim
1A Sede Não
1B Santo Amaro
1C Barra de Sirinhaém
33
I) Filiação a Entidades de Classe
A participação do indivíduo em associações, sindicatos, ou outras entidades representativas de
classe, é fundamental no processo de fortalecimento da coletividade para reivindicar o cumprimento
de direitos de cada cidadão, lutar pela melhoria de condições de vida e trabalho, e propor
alternativas para a resolução dos problemas de sua comunidade.
Em meados da década de 1990, moradores das ilhas, apoiados pelo Conselho Pastoral dos
Pescadores (CPP), criaram a Associação dos Pescadores e Pescadeiras das Ilhas do Sirinhaém, a fim
de conseguir a aprovação de projetos de incentivo à atividade pesqueira e melhoria de suas
condições de vida, junto às instituições financeiras. Dentro desta linha, a Associação conseguiu
recursos para a compra de petrechos de pesca e criação de ostras, junto ao Banco do Nordeste, e a
aprovação de um projeto de R$ 123 mil, com uma organização internacional, para a construção de
52 casas de madeira para as famílias nas ilhas. Contudo, a criação de ostras tornou-se inviável
devido ao alto índice de poluição do estuário e apenas 13 casas foram construídas. A Associação
também mantinha uma escola na Ilha Grande para os filhos dos moradores das ilhas.
Com o início da pressão para a desocupação das ilhas, a Associação desempenhou, em um primeiro
instante, importante papel na articulação das famílias para garantir sua permanência no local. Nessa
época, a entidade era formada por 44 associados, residentes em 11 ilhas. Aos poucos, foi colocado
em prática um processo para desarticulação da Entidade: a escola foi derrubada e os alunos ficaram
sem um local nas ilhas para estudar, a represente da CPP junto à entidade foi contratada pela usina
Trapiche, que também ofereceu ao presidente da Associação um terreno de 7 hectares na cidade de
Sirinhaém com duas casas construídas e um emprego, em troca da saída de sua família da ilha.
Das 40 famílias entrevistadas durante a pesquisa de campo, 50% tinham integrantes filiados à
Associação dos Pescadores e Pescadeiras das Ilhas do Sirinhaém
Atualmente, conforme a Tabela 10, 60% das famílias de ex-moradores das ilhas possuem algum
membro filiado a entidades de classe, principalmente à Colônia de Pescadores Z-6 e aos Sindicatos
dos Trabalhadores Rurais de Sirinhaém e Ipojuca. Destaque para as famílias que residem em Santo
Amaro, todas com pelo menos um morador filiado a uma entidade. (ver Gráfico 14)
34
TABELA 10
Famílias de Ex-moradores das ilhas com Indivíduos filiados a Entidades de Classe
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Sim 9 60,0 6 100,0 9 47,4 24 60,0
Não 6 40,0 0 0 10 52,6 16 40,0
15 100 6 100 19 100 40 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 14
Distribuição por Localidade das Famílias com Integrantes Filiados a Entidades de Classe
1A 1B 1C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Sim
1A Sede Não
1B Santo Amaro
1C Barra de Sirinhaém
J) Condições de Moradia
No período em que habitaram as ilhas, todas as 40 famílias entrevistadas consideravam-se
proprietárias de suas residências, mesmo aquelas construídas nos sítios ou ilhas “pertencentes” a
moradores mais antigos.
Com relação à propriedade ou posse dos locais atuais de moradia, a maioria absoluta (92,5%) ainda
reside em casa própria, como pode ser visualizado na Tabela 11, embora essa situação mereça
posteriormente uma verificação mais detalhada. O caso de a maioria das famílias ser proprietária de
sua residência parece ser fruto do processo de ocupação facilitada pelos acordos feitos com a usina
Trapiche, instalação em pequenos lotes e pela baixa valorização das áreas onde fixaram moradias.
35
Levando-se em conta que as moradias são realmente próprias, a maioria não tem despesa com
aluguel, o que pode amenizar uma situação de maior dificuldade econômica, além da garantia de
ex-moradores das ilhas de dispor de pelo menos um teto para abrigar a família, apesar das
dificuldades da vida profissional. Por meio do Gráfico 15, verifica-se que todas as famílias
instaladas no povoado de Santo Amaro informaram ser proprietárias de suas atuais moradias.
TABELA 11
Propriedade das Residências Atuais das Famílias de Ex-moradores das Ilhas
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Própria 13 86,7 6 100,0 18 94,7 37 92,5
Não Própria 2 13,3 0 0 1 5,3 3 7,5
15 100 6 100 19 100 40 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 15
Distribuição quanto à Propriedade das Residências Atuais, por Localidade
1A 1B 1C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Própria
1A Sede Não Própria
1B Santo Amaro
1C Barra de Sirinhaém
36
K) Tipos de Construção das Residências
Como não era permitida a construção de residências de alvenaria nas ilhas, por se tratar de terreno
de propriedade da União, na época em que os ex-moradores desocuparam o local todas as moradias
eram feitas de barro, com cobertura de telhas ou palha.
Mesmo após terem saído da área de conflito, 6 famílias entrevistadas (15%) ainda vivem em casas
de taipa na comunidade do Casado, em Barra de Sirinhaém, praticamente dentro do manguezal que
é destino de todo lixo e esgoto produzidos na vizinhança (Figuras 23 e 24). As moradias das
famílias que residem na sede do município e no povoado de Santo Amaro são todas de alvenaria,
em melhor ou pior estado de conservação. (ver Tabela 12 e Gráfico 16)
Figuras 23 e 24 – Residências de ex-moradores das ilhas, próximas ao manguezal do estuário do rio Sirinhaém. (LOC)
TABELA 12
Tipos de Construção das Residências Atuais das Famílias de Ex-moradores das Ilhas
1ª 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Alvenaria 15 100,0 6 100,0 13 68,4 34 85,0
Barro 0 0 0 0 6 31,6 6 15,0
15 100 6 100 19 100 40 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
37
GRÁFICO 16
Distribuição quanto ao Tipo de Construção das Residências Atuais, por Localidade
1A 1B 1C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Alvenaria
1A Sede Barro
1B Santo Amaro
1C Barra de Sirinhaém
L) Número de Cômodos por Moradia
Sobre as condições de moradia, no que tange ao número de cômodos por residência, 70% das
habitações nas ilhas eram compostas basicamente pelo conjunto de sala, cozinha e um ou dois
quartos; 17,5% das casas tinham mais de 5 cômodos; e os 12,5% restantes, possuíam menos de 3
ambientes, conforme pode ser visualizado no Gráfico 17.
GRÁFICO 17
Número de Cômodos das Moradias das Famílias, quando residiam nas Ilhas
80
70
Frequência (%)
60
40
17,5
20 12,5
0
0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Número de Cômodos
38
Após a saída das ilhas, percebe-se, ao observar os dados contidos na Tabela 13 e no Gráfico 18
que a maior parte das famílias (57,5%) está morando em casas maiores, de 5 ou 6 cômodos.
Contudo, as mesmas 12,5% continuam em residências com menos de 3 ambientes. Mais uma vez,
as famílias instaladas em localidades na cidade de Sirinhaém e no povoado de Santo Amaro levam
vantagem em relação àquelas que residem no distrito de Barra de Sirinhaém.
TABELA 13
Número de Cômodos das Residências Atuais das Famílias de Ex-moradores das Ilhas
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
<3 1 6,7 0 0 4 21,0 5 12,5
3 ou 4 5 33,3 0 0 6 31,6 11 27,5
5 ou 6 9 60,0 6 100,0 8 42,1 23 57,5
>6 0 0 0 0 1 5,3 1 2,5
15 100 6 100 19 100 40 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 18
Distribuição quanto ao Número de Cômodos das Residências Atuais, por Localidade
1A 1B
100
100 100
80 80
Frequência (%)
Frequência (%)
60
60 60
33,3
40 40
20 6,7 20
0 0 0 0
0 0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6 <3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Núm e ro de Côm odos Núm e ro de Côm odos
1C TOTAL
100 100
80 80
Frequência (%)
Frequência (%)
57,5
60 60
42,1
40 31,6 40 27,5
21
20 20 12,5
5,3 2,5
0 0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6 <3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Núm e ro de Côm odos Núm e ro de Côm odos
LEGENDA
Localidades 1A – Sede 1B – Santo Amaro 1C – Barra de Sirinhaém
39
M) Número de Habitantes por Moradia
Quando as famílias entrevistadas ainda ocupavam a região das ilhas, o número de moradores por
residência oscilava bastante. Se por um lado 40% das casas abrigavam mais de 6 moradores,
algumas chegando a ter até 19 pessoas sob o mesmo teto, por outro, 27,5% eram ocupadas por
menos de 3 pessoas, como pode ser visto no Gráfico 19, apresentado a seguir.
GRÁFICO 19
Número de Moradores nas Residências das Famílias, quando ocupavam a Região das Ilhas
50
40
40
Frequência
30 27,5
20 17,5
15
10
0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Núm e ro de Habitante s por M oradia
Ao comparar a população que habitava as 40 casas de propriedade das famílias nas ilhas, com o
número de moradores das residências atuais (fora do estuário), constata-se a redução de 254 para
203 indivíduos. A separação de casais, a saída dos filhos mais velhos e a morte de idosos foram os
principais fatores que contribuíram para a diminuição no número de integrantes dessas 40 famílias
pesquisadas, desde que tiveram de abandonar as ilhas. Consequentemente, ocorreu também uma
redução no número de moradores por residência, que pode ser observado através da Tabela 14,
justamente com as famílias compostas por mais de 6 indivíduos (de 40% para 30%).
Um fato que chamou a atenção da equipe técnica, durante a pesquisa de campo, foi a constatação da
grande freqüência de casais separados após a saída das ilhas, o que pode representar mais uma
conseqüência social ocorrida com a mudança das famílias de seu “habitat tradicional” para zonas
urbanas. Nas ilhas, as crianças de diferentes famílias eram criadas juntas e os casamentos
costumavam ser realizados entre vizinhos, comportamentos característicos de comunidades
tradicionais. As residências atuais com menor concentração de moradores estão na sede do
município, como pode ser visto no Gráfico 20, principalmente na localidade do Oiteiro do Carmo.
40
TABELA 14
Número de Moradores nas Residências Atuais das Famílias de Ex-moradores das Ilhas
1ª 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
<3 7 46,7 0 0 4 21,0 11 27,5
3 ou 4 1 6,7 2 33,3 3 15,8 6 15,0
5 ou 6 3 20,0 2 33,3 6 31,6 11 27,5
>6 4 26,7 2 33,3 6 31,6 12 30,0
15 100 6 100 19 100 40 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 20
Distribuição quanto ao Número de Moradores nas Residências Atuais, por Localidade
1A 1B
50 46,7 50
40 40 33,3 33,3 33,3
Frequência
Frequência
26,7
30 30
20
20 20
10 6,7 10
0
0 0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6 <3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Núm e ro de Habitante s por M oradia Núm e ro de Habitante s por M oradia
1C TOTAL
35 31,6 31,6 50
30
40
25 21 30
Frequência
Frequência
27,5 27,5
20 15,8 30
15 20 15
10
10
5
0 0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6 <3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Núm e ro de Habitante s por M oradia Núm e ro de Habitante s por M oradia
LEGENDA
Localidades 1A – Sede 1B – Santo Amaro 1C – Barra de Sirinhaém
41
N) Infra-Estrutura das Residências
Á primeira vista, as condições de infra-estrutura das moradias nas ilhas eram extremamente
precárias: não havia energia elétrica, água encanada, banheiros nas casas, coleta de lixo ou redes de
esgoto. Todavia, como a grande maioria das famílias não tinha acesso a nenhum desses benefícios,
antes de morar nas ilhas, essa situação de vida, aparentemente impensável para quem vive em uma
cidade dominada pelos avanços tecnológicos, não preocupava tanto os moradores, que se viravam
com a luz de candeeiros, com a água das cacimbas e queimando ou enterrando o lixo produzido.
Alguns dos entrevistados confessaram que só começaram a perceber as vantagens de ter energia
elétrica, água encanada e banheiros em suas residências depois que foram morar na cidade.
Seis famílias (15%) tinham casas de farinha em seus sítios, que também eram utilizadas por
vizinhos para a produção de farinha com a mandioca plantada em suas roças. O subsolo das ilhas
mais distantes da desembocadura do rio, segundo os moradores, abriga um reservatório de água
mineral de excelente qualidade que abastecia as cacimbas das famílias (Figura 25). Outras
utilizavam mesmo a água do rio, que ainda não era tão poluída.
Figura 25: Cacimba ainda em funcionamento na Ilha do Constantino (LOC)
As condições de infra-estrutura das moradias atuais das famílias são melhores, principalmente para
quem está instalado na periferia da sede do município no povoado de Santo Amaro, conforme dados
demonstrados na Tabela 15 e no Gráfico 21. Em Barra de Sirinhaém, quase todas as residências
têm acesso à rede de energia elétrica (Figura 26), boa parte por meio de ligações clandestinas,
porém a maioria das casas atuais das famílias que moram no Casado ainda não foi ligada ao sistema
de saneamento básico, recentemente implantado na localidade. Dessa forma, é comum observar
crianças brincando em meio ao esgoto, que é lançado das casas e escorre pelas ruas. (Figura 27) e o
manguezal recebendo o esgoto e o lixo produzidos pela comunidade (Figura 28).
42
Figura 26: Até as residências mais humildes estão ligadas a rede de energia,
embora que muitos recorram aos conhecidos “macacos”. (LOC)
Figura 27: Esgoto a céu aberto na localidade do Casado. (LOC)
Figura 28: Manguezal vizinho à localidade do Casado é destino de boa parte do lixo e do esgoto produzido pela
comunidade, além de ser utilizado pelas famílias que não têm banheiros em suas residências. (LOC)
43
TABELA 15
Infra-estrutura das Residências Atuais das Famílias de Ex-moradores das Ilhas
1A 1B 1C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Energia elétrica 14 93,3 6 100,0 18 94,7 38 95,0
Coleta de lixo 14 93,3 6 100,0 18 94,7 38 95,0
Abastecimento de água 14 93,3 3 50,0 14 73,7 31 77,5
Banheiro 12 80,0 6 100,0 13 68,4 29 72,5
Rede de esgoto 12 80,0 6 100,0 6 31,6 24 60,0
15 100 6 100 19 100 40 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 21
Distribuição quanto à Infra-estrutura das Residências das Famílias de Ex-moradores das
Ilhas, por Localidade
1A 1B
Rede de esgoto 80 Rede de esgoto 100
Infra-estrutura das
Infra-estrutura das
Banheiro 80 Banheiro 100
Residências
Residências
Abastecimento de água 93,3 Abastecimento de água 50
Coleta de lixo 93,3 Coleta de lixo 100
Energia elétrica 93,3 Energia elétrica 100
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120
Fre quê ncia Fre quê ncia
1C TOTAL
Rede de esgoto 31,6 Rede de esgoto 60
Infra-estrutura das
Infra-estrutura das
Banheiro 68,4 Banheiro 72,5
Residências
Residências
Abastecimento de água 73,7 Abastecimento de água 77,5
Coleta de lixo 94,7 Coleta de lixo 95
Energia elétrica 94,7 Energia elétrica 95
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Fre quê ncia Fre quê ncia
LEGENDA
Localidades 1A – Sede 1B – Santo Amaro 1C – Barra de Sirinhaém
44
7.1.2 – Atividade pesqueira
Do universo pesquisado, composto por 40 famílias de ex-moradores das ilhas que ainda residem no
município de Sirinhaém, constatou-se através dos questionários aplicados que 39 exerciam a
atividade pesqueira, o que representa um índice de 97,5% do total. E da população formada por 254
moradores, que integravam essas famílias na época, incluindo crianças, jovens, adultos e idosos, de
ambos os sexos, um percentual de 37,4% praticava pelo menos uma modalidade de pesca.
Apesar das dificuldades atuais enfrentadas pelos ex-moradores das ilhas para continuar a extrair os
recursos naturais do estuário do rio Sirinhaém, como a redução no estoque de algumas espécies, as
longas distâncias a percorrer até o estuário e as restrições impostas pela fiscalização da usina, a
atividade pesqueira tem exercido um papel determinante na memória social dessas famílias.
Após a realização das entrevistas, concluiu-se que 23 famílias (57,5%) possuem pelo menos um
integrante que ainda pesca na região das ilhas. E das 203 pessoas que moram hoje na residência das
famílias entrevistadas, 29 (14,3%), continuam extraindo os recursos pesqueiros da área. As
dificuldades de acesso à zona estuarina contribuem para que não haja atualmente mais que 3
pescadores por residência. Quadro bem diferente da época em que as famílias moravam nas ilhas,
quando havia casas com até 9 pescadores. Os Gráficos 22 e 23 facilitam a visualização das
transformações ocorridas em relação ao envolvimento das famílias com a atividade pesqueira, após
a saída das ilhas.
GRÁFICO 22
Famílias de Ex-moradores das Ilhas, envolvidas com a Atividade Pesqueira no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
2,50%
42,50%
57,50%
97,50%
LEGENDA
Sim
Não
45
GRÁFICO 23
Integrantes das Famílias de Ex-moradores das Ilhas, envolvidas com a Pesca no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
14,30%
37,40%
62,60%
85,70%
LEGENDA
Sim
Não
A partir de informações coletadas com as 40 famílias de ex-moradores da ilhas, foi possível
identificar as transformações ocorridas no perfil da atividade pesqueira realizada por esses grupos
familiares e as conseqüências sócio-econômicas resultantes de sua saída das ilhas, tomando-se
como parâmetros os seguintes dados: Relações de trabalho; Sistemas de Pesca; Embarcações
Utilizadas; Modalidades de Pesca; Tipos de Peixes e Crustáceos Capturados; Petrechos utilizados;
Dias Trabalhados na Semana; Tempo de Permanência no Local de Pesca; Produção Semanal de
Pescado (peixes e caranguejos); Destinação da Produção; e Renda Auferida Através da Atividade.
A) Relações de Trabalho
Ao analisar os resultados dos questionários aplicados com as famílias envolvidas com a pesca,
observou-se que significativas mudanças ocorreram nas relações de trabalho praticadas pelos ex-
moradores, após sua saída das ilhas, conforme exposto no Gráfico 24. O regime de economia
familiar, que correspondia a 46,2% do total, foi reduzido para apenas 13,0%, enquanto que a relação
individual de trabalho aumentou de 41,0% para 69,6%. Quanto aos pescadores que exerciam a
atividade em parceria com amigos e vizinhos, houve um pequeno aumento de 12,8% para 17,0%.
Se no período em que as ilhas eram ocupadas, era um hábito comum ver o pai, a mãe e os filhos
mais velhos irem ao manguezal e ao rio para capturar o alimento da família, hoje apenas uma
pessoa é responsável por essa tarefa.
46
GRÁFICO 24
Relações de Trabalho das Famílias de Ex-moradores das Ilhas, envolvidas com Atividade
Pesqueira no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
13%
41% 17,40%
46,20%
69,60%
12,80%
LEGENDA
Individual
Parceria
Economia Familiar
B) Sistemas de Pesca
Em relação aos sistemas de pesca utilizados pelas famílias envolvidas com a atividade pesqueira,
constataram-se outras alterações com a saída das ilhas. A instalação das famílias no próprio local de
pesca permitia que 64,1% praticassem tanto o sistema embarcado quanto o desembarcado,
dependendo do tipo de pesca e das condições de maré; 28,2% das famílias pescavam somente com
o auxílio de embarcações; enquanto que 7,7% não utilizavam nenhum tipo de barco para o exercício
da atividade.
Como os antigos moradores que ainda pescam na região das ilhas agora precisam atravessar o rio
para chegar ao local de pesca, esses valores foram modificados: 60,9%, contam sempre com o
auxílio de embarcações; 30,4%, procuram as ilhas de acesso mais fácil, pescam apenas nas marés
mais baixas ou atravessam o rio a nado e, dessa forma, não utilizam nenhuma embarcação; e os
8,7% restantes, costumam utilizar ambos os sistemas. (ver Gráfico 25)
47
GRÁFICO 25
Sistemas de Pesca praticados pelas Famílias envolvidas com a Atividade no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
8,70%
28,20%
30,40%
60,90%
64,10% 7,70%
LEGENDA
Embarcado Desembarcado Ambos
C) Embarcações Utilizadas
De acordo com os dados contidos no Gráfico 26, apresentado a seguir, quase todas as famílias
envolvidas com a extração de recursos pesqueiros, no estuário do rio Sirinhaém, possuíam
embarcações próprias quando viviam nas ilhas. No final de 2007, 78,3% das 23 famílias de ex-
moradores que ainda pescam na região das ilhas guardavam suas embarcações no quintal de casa,
na residência de um amigo que mora próximo ao estuário ou em algum porto da região.
GRÁFICO 26
Famílias envolvidas com a Pesca no Estuário, proprietárias de Embarcações
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
5,10%
21,70%
78,30%
94,90%
LEGENDA
Sim Não
48
A pesca no estuário era praticada com o auxílio de pequenas embarcações, em sua maioria jangadas
(Figura 29). Atualmente, os antigos moradores que ainda pescam na região das ilhas utilizam as
mesmas embarcações, contudo, principalmente por não terem mais um local seguro para guardá-las,
percebeu-se um aumento de 5,1% para 21,7% no percentual das famílias que não utilizam mais
nenhum tipo de barco, como pode ser visualizado no Gráfico 27.
Figura 29 – Embarcação (Jangada) utilizada pela maioria dos pescadores de Sirinhaém. (LOC)
GRÁFICO 27
Tipos de Embarcação utilizadas pelas Famílias de Ex-moradores das Ilhas, envolvidas com a
Atividade Pesqueira no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
5,13%
2,56%
2,56% 21,74%
12,82%
4,35%
76,90% 73,91%
LEGENDA
Jangada
Jangada / Canoa
Canoa
Baiteira
Nenhuma
49
D) Modalidades de Pesca
Quanto às modalidades de pesca praticadas pelos ex-moradores das ilhas, observou-se que a captura
conjunta de peixes e crustáceos ainda predomina entre as famílias entrevistadas. Contudo, devido à
diminuição do período de tempo – dias e horas – em que os pescadores permanecem na região das
ilhas (como será visto adiante) e do número de indivíduos envolvidos com a atividade, constatou-se
um aumento no número de famílias que se concentram em uma única modalidade (peixes: de 0%
para 21,74%; e crustáceos: de 15,4% para 21,74%), enquanto que nenhuma exerce simultaneamente
três modalidades, como era feito anteriormente por mais de 25% dos grupos familiares. Os
comentários acima podem ser visualizados através do Gráfico 28, apresentado a seguir:
GRÁFICO 28
Modalidades de Pesca praticadas pelas Famílias de Ex-moradores das Ilhas, no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
4,35%
15,40%
21,74%
52,17%
25,60%
59%
21,74%
LEGENDA
Peixes / Crustáceos
Peixes / Crustáceos / Mariscos
Crustáceos
Peixes
Crustáceos / Mariscos
E) Tipos de Peixes Capturados
As espécies de peixes capturadas pelas famílias costumam variar durante os meses do ano, mas
continuam sendo praticamente as mesmas de quando residiam nas ilhas. Os peixes mais citados
pelos pescadores, em ordem alfabética foram: amoré, bagre, baúna, camurim, carapeba, saúna e
tainha. O amoré, até hoje, é capturado no local principalmente pelos ex-moradores das ilhas.
Algumas famílias tinham o costume de mantê-los em viveiros artesanais até o dia em que seriam
levados para serem vendidos nas feiras da região. (Figura 30)
50
Figura 30: Espécie extraída pelos ex-moradores das ilhas, principalmente quando residiam no local . (LOC)
F) Tipos de Crustáceos Capturados
A coleta de crustáceos foi e continua sendo, na opinião dos entrevistados, a principal modalidade de
pesca praticada pelos antigos moradores das ilhas de Sirinhaém, destacando-se o caranguejo-uçá
(ver Figura 31) e o guaiamum, como os mais explorados, seguindo-se de aratu, camarão e siri.
Entretanto, com a mudança para outras localidades, verificou-se um sensível aumento no número de
famílias envolvidas com a atividade pesqueira que deixaram de coletar crustáceos (de 0% para
21,74%), e uma diminuição na captura de cada espécie, conforme exposto no Gráfico 29. No caso
do siri e do camarão, essa queda foi causada principalmente pela drástica redução da população
desses crustáceos no estuário do rio Sirinhaém.
Figura 31: Filho de antigo morador da ilha vendendo caranguejo pelas ruas de Barra de Sirinhaém. (LOC)
51
GRÁFICO 29
Tipos de Crustáceos capturados pelas Famílias de Ex-Moradores das Ilhas, envolvidas com a
Pesca no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
94,9
100 100
80 66,7 80 65,2
59
Frequência
Frequência
60 46,1 46,1 60 47,8
40 40
21,74
20 20 13 8,7
4,35
0 0
Caranguejo Guaiamum Siri Aratu Camarão Caranguejo Guaiamum Siri Aratu Camarão Nenhum
Crus táce os Crus táce os
G) Petrechos de Pesca Utilizados
Como pode ser observado no Gráfico 30, os petrechos de pesca mais utilizados pelos antigos
moradores das ilhas eram: a coleta manual utilizada na captura de crustáceos e mariscos, com o
auxílio de ferramentas como foices, facas e fisgas (94,9%); o covo, para a captura de peixes e
camarão (76,9%); a linha, para fisgar os peixes (56,4%); a ratoeira, para prender o guaiamum
(56,4%); a vara, a linha e o jereré, empregados na coleta do siri (51,3%); a vara e a linha, para o
aratu (46,1%); a rede caceia ou a tainheira (41,0%); a rede de camboa, para peixe (33,3%); o puçá,
para camarão (30,8); e a tarrafa, também para capturar peixes (20,5%).
Agora, que residem fora das ilhas, os aparelhos mais usados pelas famílias que ainda permanecem
envolvidas com a atividade pesqueira são: foice/faca (69,6%); redinha/caranguejo (65,2%);
linha/peixe (47,8%); covo (47,8%); ratoeira (30,4%); vara e linha/aratu (13,0%); rede/peixe
(13,0%); tarrafa (13%); puça (8,7%); rede de camboa (4,3%); e vara, linha e jereré/ siri (4,3%).
As mudanças ocorridas na freqüência de uso de alguns petrechos, por parte dos ex-moradores das
ilhas, merecem uma observação mais detalhada. Em primeiro lugar, está o emprego da redinha para
a captura de caranguejos. Os antigos moradores da área, assim como os “caranguejeros” de Barra de
Sirinhaém afirmaram que, durante vários anos, quando as ilhas ainda eram habitadas, não era
preciso utilizar esse petrecho (ilegal e predatório), conhecido na região como “laço”, já que o
crustáceo ficava bem próximo à superfície do mangue, sendo facilmente capturado com as mãos. A
partir de meados de 2002 e 2003, segundo o relato de muitos entrevistados, ocorreu uma grande
mortandade de caranguejo em todo o manguezal do estuário do rio Sirinhaém e, após esse
fenômeno, o crustáceo passou a se abrigar em profundidades maiores, muitas vezes em locais tão
52
fundos que era impossível alcançá-lo com os braços. A partir de então, o uso da redinha se
multiplicou pela região e o instrumento passou a ser utilizado por todos os catadores de caranguejo.
Outras alterações significativas foram as reduções na utilização da rede de camboa (de 33,3% para
4,3%), do puça, para a captura de camarão (de 30,8% para 8,7%) e dos petrechos empregados na
captura de siri (51,3% para 4,3%). No primeiro caso, a justificativa dada pelos entrevistados é o
grande período de tempo empregado na pesca de camboa ou tapagem, que inviabiliza sua prática
para as famílias que residem agora longe da região das ilhas e tem receio em permanecer por muito
tempo no local. A queda na utilização dos outros dois petrechos é facilmente explicada pela grande
diminuição na oferta de camarão e, principalmente, de siri - crustáceo que deu o nome ao rio e ao
próprio município, devido à sua farta presença nesse estuário.
GRÁFICO 30
Petrechos de Pesca utilizados pelas Famílias de Ex-moradores das Ilhas, envolvidas com a
Atividade no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
Coleta Manual 94,9 Coleta Manual 69,6
Covo 76,9 Redinha 65,2
Linha / Peixe Covo 47,8
56,4
Linha / Peixe 47,8
Ratoeira 56,4
Ratoeira 30,4
Petrechos
Petrechos
Vara, Linha e Jereré / Siri 51,3
Vara, Linha e Jereré / Siri 4,3
Vara e Linha / Aratu 46,1
Vara e Linha / Aratu 13
Rede 41
Rede 13
Cam boa 33,3
Cam boa 4,3
Puçá 30,8 Puçá 8,7
Tarrafa 20,5 Tarrafa 13
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Frequência Frequência
H) Dias Trabalhados na Semana
Quando moravam nas ilhas, todas as famílias dedicavam pelo menos três dias à atividade pesqueira,
durante a semana, como pode ser visto através dos dados explicitados no Gráfico 31, sendo que
30,8% a exerciam até mesmo nos finais de semana. Com a mudança para outras localidades, fora
das ilhas, houve um aumento significativo no número daquelas que começaram a pescar no estuário
por apenas 1 ou 2 dias semanais. As principais queixas dos entrevistados referem-se às grandes
distâncias que precisam percorrer até o local. Somente quem reside mais próximo ao estuário
continua pescando por mais dias.
53
GRÁFICO 31
Número de Dias trabalhados na Semana pelas Famílias envolvidas com a Pesca no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
80 69,23 80
56,52
Frequência (%)
Frequência (%)
60 60
40 30,77 40 30,44
20 20 13,04
0
0 0
1a2 3a5 6a7 1a2 3a5 6a7
Dias na Se m ana Dias na Se m ana
I) Tempo de Permanência no Local de Pesca
Se por um lado, as famílias de ex-moradores das ilhas reservam agora um número menor de dias à
pesca durante a semana, por outro, a quantidade de horas dedicadas à atividade foi ampliada pela
maior parte dos entrevistados desde que deixaram suas antigas residências, conforme seqüência
proporcionada pelo Gráfico 32.
Durante a aplicação dos questionários, os ex-moradores utilizaram duas explicações para justificar o
crescimento no período de tempo em que permanecem no local de pesca. Uns alegaram que
antigamente, quando moravam nas ilhas, era possível capturar o alimento da família em poucas
horas, devido à maior oferta de peixes e crustáceos no estuário e por ter uma quantidade menor de
pessoas de Barra de Sirinhaém pescando no manguezal. Outros explicaram que, por morar no
próprio local de pesca, eles podiam colocar as armadilhas no rio ou no mangue e voltar para cuidar
dos filhos ou de sua lavoura, e agora, que vivem mais distantes do estuário, precisam permanecer no
local até o momento de recolher o petrecho de pesca.
GRÁFICO 32
Tempo de Permanência no Local de Pesca das Famílias de Ex-moradores das Ilhas,
envolvidas com a Atividade no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
58,97
60 60
47,83
43,48
Frequência (%)
Frequência (%)
40 40
28,21
20 12,82 20
8,69
0 0
0 0
<6 6a8 9 a 12 > 12 <6 6a8 9 a 12 > 12
Horas por Dia Horas por Dia
54
J) Produção Semanal de Pescado
Com a desocupação das ilhas, também houve uma diminuição na produção familiar semanal de
pescado, principalmente devido às dificuldades atualmente enfrentadas pelos ex-moradores no
acesso à zona estuarina do rio Sirinhaém, o que resultou, consequentemente, em uma redução no
esforço de pesca local por parte dessas famílias. Se 33 grupos familiares entrevistados atuavam na
captura de peixes quando viviam no interior do estuário, após a saída para localidades mais
distantes esse universo foi reduzido para 17 famílias.
A substituição da pesca com o uso da rede de camboa – petrecho responsável pelos maiores
volumes de produção das famílias quando habitavam as ilhas – pela linha e a tarrafa foi um dos
fatores apontados para a queda nas capturas. Alguns entrevistados reclamaram também da
contaminação do estuário por efluentes resultantes do setor sucroalcooleiro que matam os peixes
que não conseguem escapar para o oceano. Dessa forma mais de 70% dos pescadores que
informaram suas produções atuais capturam menos que 10 kg por semana, como é demonstrado no
Gráfico 33.
GRÁFICO 33
Produção Semanal de Peixes, das Famílias de Ex-moradores das Ilhas, no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
Produção Semanal (kg)
12,1
Produção Semanal (kg)
<5 <5 52,9
6 a 10 21,2 6 a 10 17,6
11 a 20 15,2 11 a 20 5,9
21 a 50 12,1 21 a 50 11,8
> 51 12,1 > 51 0
Não informou 27,3 Não informou 11,8
0 10 20 30 40 50 60 0 10 20 30 40 50 60
Frequência (%) Frequência (%)
Das 15 famílias entrevistadas que ainda praticam a cata do caranguejo no manguezal das ilhas,
percebe-se que praticamente a metade atinge uma produção inferior a 100 unidades por semana,
provavelmente devido à diminuição da população desse crustáceo, causado pela sua sobrepesca
com o uso massivo da redinha, e à menor quantidade de dias passados pelo pescador no manguezal.
Vale ressaltar que quando moravam nas ilhas, 62,2% das famílias que informaram o valor de sua
produção média nos meses de verão, afirmaram conseguir catar mais de 200 caranguejos por
semana, conforme os dados disponibilizados no Gráfico 34.
55
GRÁFICO 34
Produção Semanal de Caranguejo, nos Meses de Verão, das Famílias de Ex-moradores das
Ilhas, envolvidas com a Atividade Pesqueira no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
< 51 0 < 51 26,7
Produção Semanal
Produção Semanal
51 a 100 10,8 51 a 100 20
(unidades)
(unidades)
101 a 200 8,1 101 a 200 33,3
201 a 500 46 201 a 500 20
> 501 16,2 > 501 0
Não informou 18,9 Não informou 0
0 10 20 30 40 50 0 10 20 30 40 50
Fre quê ncia (%) Frequência (%)
Durante a realização das entrevistas, algumas famílias demonstraram dificuldade em informar a
produção semanal de pescado que obtinham quando moravam nas ilhas, já que muitas não tinham o
hábito de pesar ou contar suas capturas. Outras alegaram que pescavam de acordo com a
necessidade de suas famílias e por isso a produção variava bastante, ficando difícil apontar uma
média.
A partir dos depoimentos, percebe-se claramente o conhecimento tradicional que os antigos
moradores das ilhas detêm em relação á influência dos fenômenos naturais (marés, estações do ano,
ventos, chuvas, períodos de reprodução das espécies) sobre as comunidades pesqueiras.
K) Destinação da Produção
A produção pesqueira local destinava-se em sua grande maioria à subsistência das famílias (97,4%),
seguindo-se do excedente comercializado: em feiras-livres (71,8%); para atravessadores (38,5%);
pelas ruas das localidades vizinhas (30,5%); para veranistas (5,1%); para vizinhos (5,1%); e para
restaurantes do município (2,55%).
No final de 2007, como se pode conferir ao analisar o Gráfico 35, a destinação do pescado
permanecia praticamente a mesma, exceto pelo crescimento da figura do atravessador que se tornou
o principal intermediário da produção, e a redução da venda direta em feiras-livres e pela rua.
Destacou-se também na pesquisa a pouca importância dada pelos ex-moradores das ilhas à Colônia
de Pescadores Z-6 de Barra de Sirinhaém, como ponto de escoamento de suas produções.
56
GRÁFICO 35
Destinação da Produção obtida pelas Famílias de Ex-moradores das Ilhas, envolvidas com a
Atividade Pesqueira no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
Consumo próprio 97,43 Consumo próprio 95,65
Destino da Produção
Destino da Produção
Feiras 71,79 Feiras 21,74
Atravessador 38,46 Atravessador 43,48
Venda pela rua 30,77 Venda pela rua 13,04
Veranistas 5,13 Veranistas 8,7
Vizinhos 5,13 Vizinhos 13,04
Restaurantes 2,55 Restaurantes 0
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Frequência (%) Frequência (%)
L) Renda Auferida Através da Pesca
Como reflexo de todas as alterações ocorridas no cenário da pesca local, após a desocupação das
ilhas, a renda familiar dos ex-moradores, proveniente dessa atividade, também foi
consideravelmente reduzida, conforme demonstra o Gráfico 36.
Ressalta-se que a diminuição na produção de recursos pesqueiros dessas famílias foi agravada pela
queda no valor de mercado de várias espécies capturadas e pela participação dos atravessadores
como intermediários no processo de comercialização do produto. Se quase 75% das famílias
envolvidas com a pesca ganhavam mais que 1 salário-mínimo com a atividade, quando residiam nas
ilhas, no final de 2007 menos de 20% conseguiam alcançar esse índice.
GRÁFICO 36
Renda Auferida através da Pesca (em Salários-mínimos) pelas Famílias de Ex-moradores das
Ilhas, envolvidas com a Atividade no Estuário
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
70 64,1 70 65,2
60 60
Frequência (%)
Frequência (%)
50 50
40 40
30 23,1 30
17,4 17,4
20 20
10,3
10 2,5 10
0
0 0
Nenhuma <1 1a2 >2 Nenhuma <1 1a2 >2
Renda - Pesca (Salários-mínimos) Renda - Pesca (Salários-mínimos)
57
7.2.3 Atividades Complementares
Além da pesca, principal atividade econômica exercida pelos ex-moradores das ilhas para garantir o
sustento de suas famílias, quando residiam no local, a maioria dos grupos familiares entrevistados
realizavam atividades complementares, que contribuíam para o incremento de renda e para a
garantia de uma alimentação mais diversificada e rica em nutrientes. A criação de animais, o plantio
de lavouras de subsistência e a coleta de frutas proporcionavam soberania alimentar para as famílias
que tinham a certeza de estar consumindo alimentos saudáveis, produzidos ou colhidos em seu
próprio quintal.
A) Criação de Animais
A maioria das famílias entrevistadas (75%) dedicavam-se à criação de animais nos anos em que
moraram nas ilhas, conforme exposto no Gráfico 37, porém tal índice decresceu para apenas 20%
após a desocupação da área, uma vez que uma pequena parcela das residências atuais possuem
quintal ou terreno suficiente para a atividade pecuária. Por isso, quando deixaram as ilhas, quase
todos tiveram que se desfazer de seus animais. (Figura 32 e 33)
Figura 32: Criação de cabras das irmãs que ainda residem nas ilhas. (LOC)
Figura 33: Galinheiro como complemento de renda. (LOC)
58
GRÁFICO 37
Famílias de Ex-moradores das Ilhas envolvidas com a Criação de Animais
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
25% 20%
75%
80%
LEGENDA
Sim
Não
Além da perda de uma fonte segura de proteína animal, a redução no número de famílias envolvidas
com a pecuária também prejudicou os ex-moradores das ilhas, economicamente. Quando moravam
na região, a produção obtida com a criação de animais, por 53,3% das famílias entrevistadas, era
suficiente para o consumo próprio e a comercialização do excedente. Instalados em outras áreas,
apenas 37,5% conseguem ainda “alguns trocados” com a venda da criação. (ver Gráfico 38)
GRÁFICO 38
Destino da Produção obtida com a Criação de Animais
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
37,50%
47,70%
53,30%
62,50%
LEGENDA
Consumo / Venda
Consumo Familiar
59
Quanto aos tipos de animais criados, ainda é observado o predomínio de galinhas. Já a criação de
outras aves, como patos, perus e gansos, que acontecia em quase todas as ilhas, teve que ser
abandonada pela falta de espaço, como pode ser visualizado no Gráfico 39, assim como rebanhos
bovinos, caprinos e eqüinos, que se tornaram inviáveis dentro da zona urbana.
GRÁFICO 39
Tipos de Animais criados pelas Famílias de Ex-moradores das Ilhas
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
Galinha 96,7
Porco 30 Galinha 100
Pato 26,7
Peru 23,3
Animais
Animais
Boi 10 Porco 12,5
Cabra 10
Ganso 6,7
Cavalo 6,7 Guiné 12,5
Jumento 3,3
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Frequência (%) Frequência (%)
B) Lavouras de Subsistência
Quando ocupavam a região das ilhas, 75% das famílias entrevistadas também praticavam a
agricultura de subsistência nas áreas com solo propício ao desenvolvimento da atividade. Como
praticamente nenhuma família adquiriu terreno suficiente para o plantio de uma lavoura, após a
saída das ilhas, apenas 15% ainda possuem uma área de roçado, conforme exposto no Gráfico 40.
GRÁFICO 40
Famílias de Ex-moradores das Ilhas envolvidas com a Agricultura de Subsistência
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
25% 15%
75%
85%
LEGENDA
Sim
Não
60
Se nos anos em que habitaram as ilhas, a lavoura de subsistência representava fonte complementar
de renda e alimento para 63,3% das famílias que exerciam a atividade agrícola, como representado
no Gráfico 41, no final de 2007 apenas 3 famílias (50,0% daquelas que ainda plantam) conseguiam
algum lucro com sua produção.
GRÁFICO 41
Destino da Produção obtida com o Plantio de Lavouras de Subsistência
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
37,70%
50% 50%
63,30%
LEGENDA
Consumo / Venda
Consumo Familiar
Quanto às principais culturas plantadas pelas famílias nas ilhas, destacavam-se, conforme a ordem
exposta no Gráfico 42, as seguintes plantações: macaxeira (96,7%); batata (70%); feijão (63,3%);
mandioca (30,0%); milho (23,3%); maxixe (16,7%); cana-caiana, jerimum e batata (10%); e tomate
(6,7%), entre outros cultivos.
No final de 2007, as 6 famílias que ainda exerciam a agricultura de subsistência fora das ilhas
cultivam principalmente a macaxeira (83,3%) e a banana (66,7%).
61
GRÁFICO 42
Tipos de Lavouras de Subsistência plantadas pelas Famílias de Ex-moradores das Ilhas
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
Macaxeira 96,7 Macaxeira 83,3
Batata 70
Banana 66,7
Feijão 63,3
Mandioca 30 Batata 16,7
Milho 23,3
Cebola 16,7
Maxixe 16,7
Culturas
Culturas
Cana-caiana 10 Cana-caiana 16,7
Jerimum 10
Coentro 16,7
Banana 10
Tomate 6,7 Cará 16,7
Quiabo 3,3
Pimenta 16,7
Cará 3,3
Quiabo 16,7
Inhame 3,3
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Frequência (%) Frequência (%)
C) Coleta de Frutas
Quando ocupavam a região das ilhas, 90% das famílias entrevistadas extraiam os frutos de espécies
cultivadas ou já existentes na área em que residiam, para consumo próprio e geração de renda
complementar. Com a saída das ilhas, apenas 17,5% das famílias continuam realizando a atividade
em seu novo endereço, conforme dados disponibilizados no Gráfico 43.
GRÁFICO 43
Famílias de Ex-moradores das Ilhas envolvidas com o Cultivo de Árvores Frutíferas
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
10% 17,50%
82,50%
90%
LEGENDA
Sim
Não
62
Além de representar uma importante fonte de nutrientes para os moradores das ilhas, a produção de
frutas garantia renda complementar para 72,2% das famílias entrevistadas. Residindo em outras
localidades, apenas 17,5% ainda conseguem comercializar sua pequena produção, por um valor
insignificante se comparado aos anos passados nas ilhas, quando vários caminhões saiam
carregados de coco, no período da safra. (ver Gráfico 44)
GRÁFICO 44
Destino da Produção obtida através do Cultivo de Árvores Frutíferas
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
27,80% 28,60%
72,20% 71,40%
LEGENDA
Consumo / Venda
Consumo Familiar
Nas ilhas, as famílias coletavam aproximadamente 20 variedades de frutas, como pode ser
constatado através do Gráfico 45, com destaque para mangas, cocos, cajus e jacas, que eram as
espécies mais procuradas pela maioria das famílias. Além dos cajueiros, outras espécies nativas da
vegetação de restinga, que cobria uma parcela significativa das ilhas, como araçás, pitangueiras e
mangabeiras também eram encontradas nas ilhas. Em alguns sítios, os entrevistados relataram a
existência de mais de 300 coqueiros. Hoje, as 7 famílias que ainda estão envolvidas com essa
atividade colhem, principalmente, manga, coco e maracujá, atingido uma produção pouco
significativa.
63
GRÁFICO 45
Variedade de Frutas Cultivadas / Extraídas pelas Famílias de Ex-moradores das Ilhas
Quando Residiam nas Ilhas
Manga 91,7
Coco 77,8
Caju 75
Jaca 66,7
Laranja 27,8
Goiaba 25
Acerola 19,4
Azeitona 16,7
Araçá 13,9
Limão 8,3
Frutas
Pitomba 8,3
Maracujá 5,55
Abacate 5,55
Mangaba 5,55
Cajá 5,55
Abacaxi 5,55
Pitanga 2,8
Graviola 2,8
Oiti 2,8
Carambola 2,8
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Frequência (%)
No Final de 2007
Manga 42,9
Coco 42,9
Maracujá 28,6
Frutas
Jaca 14,3
Caju 14,3
Goiaba 14,3
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Fre quê ncia (%)
64
D) Renda Auferida Através de Atividades Complementares
A desocupação das ilhas estuarinas do rio Sirinhaém proporcionou à grande maioria das famílias
entrevistadas a perda de uma fonte de alimentação segura, nutritiva e diversificada, e, ao mesmo
tempo, uma alternativa para complemento da renda mensal, obtidas por intermédio da criação de
animais, da agricultura de subsistência e da extração de frutas, além de interferir na própria cultura
da comunidade que tinha na realização dessas atividades uma tradição de vida rural, transmitida por
gerações, que foi desestruturada com a transferência “forçada” das famílias para a zona urbana.
Quando as ilhas ainda eram habitadas, a renda familiar mensal proveniente apenas de atividades
complementares variava conforme dados expostos no Gráfico 46, apresentado a seguir: 45,0% das
famílias entrevistadas disseram juntar menos de 1 salário-mínimo durante o mês, através da
comercialização da produção gerada pela criação de animais, pelo plantio de lavoura de subsistência
e/ou pela coleta de frutas; outros 27,5%, afirmaram ter um lucro médio com essas atividades entre
1 e 2 salários-mínimos; enquanto que as 27,5% restantes, não realizavam atividades
complementares ou a utilizavam apenas para a alimentação de seus integrantes.
Com a retirada das ilhas, somente 5 famílias de ex-moradores (12,5%) conseguem complementar
sua renda mensal, por meio da realização de pelo menos uma dessas atividades. Mesmo assim,
devido à falta de espaço disponível em suas atuais moradias, o desenvolvimento da agricultura e da
pecuária é limitado e sua produção não permite uma geração de renda superior à 1 salário-mínimo.
GRÁFICO 46
Renda Mensal (em Salários-Mínimos) obtida pelas Famílias de Ex-moradores das Ilhas, por
meio de Atividades Complementares
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
100 100 87,5
80 80
Frequência (%)
Frequência (%)
60 45 60
40 27,5 27,5 40
20 20 12,5
0
0 0
Nenhuma <1 1a2 Nenhuma <1 1a2
Re nda (Salários -m ínim os ) Re nda (Salários -m ínim os )
65
Durante a aplicação dos questionários, também foi perguntado aos ex-moradores das ilhas sobre
qual seria a atividade complementar de renda mais importante para o sustento de suas famílias, na
época em que ocupavam a área estuarina e nos dias atuais. Dentre as famílias que exerciam pelo
menos uma das atividades mencionadas, 65,5% apontaram a coleta de frutas como a mais rentável;
27,6%, indicaram a agricultura de subsistência; e os 6,9% restantes, a criação de animais.
Agora que estão vivendo fora das ilhas, observou-se uma inversão nesse quadro: a pecuária e a
agricultura foram citadas, cada uma, por 40% dos entrevistados, como as atividades
complementares mais importantes para as famílias no final de 2007, conforme pode ser visualizado
no Gráfico 47.
GRÁFICO 47
Atividades Complementares mais Importantes para as Famílias de Ex-moradores das Ilhas
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
6,90%
20%
27,60% 40%
65,50%
40%
LEGENDA
Extração de Frutas
Lavoura de Subsistência
Criação de Animais
66
7.1.4 Percepção Ambiental
A percepção dos ex-moradores das ilhas sobre a zona estuarina do rio Sirinhaém e suas formas de
relação com o ambiente local foi outro tópico abordado durante a aplicação dos questionários.
Nesse sentido, a pesquisa de campo buscou levantar junto a essas famílias a importância das ilhas
para seus habitantes, os impactos socioambientais existentes no local e as principais dificuldades
que a comunidade sentia, fazendo sempre uma ligação entre a época em que ocupavam a região e as
alterações ocorridas após a mudança para outras localidades.
Antes da desocupação das ilhas, as famílias entrevistadas indicaram como as principais funções do
complexo formado pelas 17 ilhas estuarinas do rio Sirinhaém: fonte de alimento (82,5%); geração
de renda (37,5%); local de moradia (22,5%); garantia de segurança aos moradores (17,5%) e área de
lazer para as famílias (5,0%), como pode ser visualizado no Gráfico 48.
No final de 2007, os benefícios oferecidos pelas ilhas a seus antigos habitantes, conforme a
percepção dos entrevistados, eram apenas fonte de alimento (42,5%) e a geração de renda (22,5%).
Outras 17 famílias (42,5%) disseram que as ilhas não tinham mais nenhuma função para seus
integrantes.
GRÁFICO 48
Principais Benefícios das Ilhas para as Famílias de Ex-moradores
Quando Residiam nas Ilhas No Final de 2007
100 100
82,5
80 80
Frequência (%)
Frequência (%)
60 60
42,5 42,5
37,5
40 40
22,5 17,5 22,5
20 5 20
0 0
Alimento Renda Moradia Segurança Lazer Nenhuma Alimento Renda
Be ne fícios Be ne fícios
Na visão dos entrevistados, os problemas socioambientais existentes no estuário foram alterados
após a desocupação das ilhas, como pode ser observado através dos dados apresentados no Gráfico
49. No período em que a área era habitada, 45% dos ex-moradores afirmaram que não havia
nenhum tipo de conflito no local; outros 30,0%, indicaram que os efluentes provenientes do setor
sucroalcooleiro já começavam a causar impactos sobre a fauna local; 17,5%, denunciaram os
métodos predatórios de captura empregados na atividade pesqueira; e 15,0%, destacaram o
desmatamento da vegetação nativa das ilhas, entre outros problemas citados.
67
Sobre a situação atual do estuário, 50% das famílias entrevistadas destacaram o aumento dos
impactos socioambientais causados pelo despejo no rio de vinhoto e outros efluentes do setor
sucroalcooleiro; seguindo-se da pesca predatória (15,0%) e da poluição do rio (10,0%). 17,5% dos
entrevistados acreditam que não há qualquer tipo de problema ambiental na região das ilhas,
enquanto que outros 12,5%, por não freqüentarem mais a região das ilhas, alegaram não saber o que
acontece no local.
GRÁFICO 49
Principais Problemas Socioambientais observados pelas Famílias de Ex-moradores das Ilhas
Quando Residiam nas Ilhas
Nenhum 45
Efluentes do setor sucroalcooleiro 30
Impactos Socioambientais
Pesca predatória 17,5
Desmatamento 15
Poluição do rio 5
Infestação de Insetos 5
Acúmulo de lixo 2,5
Queimadas 2,5
0 10 20 30 40 50 60
Frequência (%)
No Final de 2007
Efluentes do setor sucroalcooleiro 50
Nenhum 17,5
Impactos Socioambientais
Pesca predatória 15
Não sabe 12,5
Poluição do rio 10
Sobrepesca 2,5
Ameaças aos pescadores 2,5
Espécies plantadas nas ilhas 2,5
0 10 20 30 40 50 60
Frequência (%)
68
Em relação às principais dificuldades enfrentadas pelas famílias nos anos em que habitaram as
ilhas, as respostas mais freqüentes dadas pelos entrevistados dizem respeito às carências locais de
infra-estrutura, como a falta de energia, lembrada por 27,5% das famílias, e de água apropriada para
o consumo, apontada por outros 25,0%. Em seguida, foram indicadas, pela ordem: a falta de
atendimento médico aos moradores nas ilhas (20,0%); a longa distância que precisavam percorrer
até a cidade (20,0%); a dificuldade de acesso a algumas ilhas (17,5%); e as enchentes ocorridas nos
meses de inverno (7,5%), entre outras. Outros 10,0% afirmaram não passar por nenhum tipo de
dificuldade quando residiam nas ilhas.
As dificuldades atuais são de outro tipo e estão relacionados à falta que as famílias sentem dos
recursos naturais oferecidos pelas ilhas (40,0%), ao quadro de violência a que seus familiares estão
expostos na cidade (15,0%), ao alto índice de desemprego no município (10,0%), à falta de espaço
para plantar (7,5%), à proibição de acesso às ilhas (5,0%), às longas distâncias a percorrer até o
estuário (5,0%) e à falta de dinheiro (5,0%), entre outros fatores. 15,0% das famílias entrevistadas
disseram que não sentem nenhuma dificuldade, vivendo fora das ilhas (ver Gráfico 50). A falta de
espaço disponível para manter as atividades complementares realizadas nas ilhas também foi citada
por 10% dos entrevistados.
Como se percebe, a maior dificuldade atual relatada pelas famílias diz respeito à falta que sentem da
maior oferta de terra e alimento que encontravam em seus sítios e ilhas. Época em que o
desemprego não era visto como um dos principais problemas da comunidade, pois os moradores
tinham condições de sustentar suas famílias por meio da extração dos recursos naturais do estuário,
mesmo sem serem assalariados. A violência encontrada nas localidades em que atualmente residem
é um tema que preocupa bastante os ex-moradores das ilhas. Algumas famílias já tiveram
integrantes assassinados após a mudança para a cidade, inclusive, no período em que estava sendo
realizada a pesquisa de campo que subsidiou a elaboração deste Estudo. Na época em que
habitavam as ilhas, a convivência entre a comunidade local, segundo o depoimento dos
entrevistados, era pacífica.
69
GRÁFICO 50
Fatores prejudiciais à Condição de Vida das Famílias de Ex-moradores das Ilhas
Quando Residiam nas Ilhas
Falta de energia 27,5
Falta d`água 25
Fatores Prejudiciais
Falta de atendimento médico 20
Distância da cidade 20
Acesso difícil 17,5
Nenhuma 10
Enchentes no inverno 7,5
*Outros 15
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
Frequência (%)
*Outros: Condições precárias de moradia; falta de transporte para a cidade; falta de escola; e
necessidade de destruir o meio ambiente para sustentar a família.
No Final de 2007
Falta dos recursos existentes nas ilhas 40
Violência da cidade 15
Fatores Prejudiciais
Nenhuma 15
Falta de espaço para plantar e criar animais 10
Desemprego 10
Distância do mangue 5
Proibição do acesso às ilhas 5
Falta de dinheiro 5
**Outros 12,5
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
Frequência (%)
**Outros: Condições precárias de moradias, dificuldade de acesso às ilhas; falta de atividade; perda
de documentos; e lamaçal no período de chuvas, na localidade em que atualmente reside.
70
Sobre a possibilidade de poder retornar com sua família para a região das ilhas, a grande maioria
dos entrevistados (72,5%) posicionaram-se a favor, restando uma minoria representada por 17,5%
que se mostrou contrária a proposta, e 10,0% de indecisos, como pode ser visualizado pelo Gráfico
51, apresentado a seguir.
GRÁFICO 51
Famílias que Gostariam de Retornar para a Região das Ilhas
10%
17,50%
Sim
Não
Indecisa
72,50%
O grau de conhecimento dos ex-moradores das ilhas, acerca da solicitação de algumas famílias a
respeito do processo de criação de uma unidade de conservação federal de uso sustentável nas ilhas,
é significativo, totalizando 65,0% dos entrevistados, conforme representado pelo Gráfico 52.
GRÁFICO 52
Famílias que têm Conhecimento da Solicitação de Antigos Moradores das Ilhas ao IBAMA
para Criação de uma Unidade de Conservação Federal
35%
Sim
Não
65%
71
7.2 – Comunidade Pesqueira Usuária do Estuário
Da população total de Sirinhaém, não se tem um número oficial de habitantes que se dedicam à
atividade pesqueira no estuário do rio, que empresta seu nome ao município. Contudo, pode-se
garantir que os pescadores artesanais que moram no distrito de Barra de Sirinhaém são, sem dúvida,
os usuários que mais dependem da extração dos recursos naturais existentes na área estuarina para
sobreviver.
Segundo estimativas da diretoria da Colônia Z-6, cerca de 80% das famílias que residem na Barra
estão envolvidas com a atividade pesqueira. Mesmo aqueles que atuam apenas na zona marinha
capturam espécies que passaram pelo menos uma fase de sua vida no estuário. Portanto, para
alcançar os objetivos propostos para esse Estudo, tornou-se imprescindível a identificação do perfil
sócio-econômico da comunidade pesqueira de Barra de Sirinhaém, que retira o sustento de suas
famílias dessa região.
Considerando-se a extensão territorial e o total da população residente no distrito – 10.145
habitantes, segundo o Censo Demográfico do IBGE realizado no ano 2000 – estabeleceu-se a
necessidade de aplicação de 140 questionários com o público desejado: famílias que tenham a
atividade pesqueira realizada no estuário do rio Sirinhaém como principal fonte de sustento.
A distribuição dos questionários, aplicados com pescadores artesanais que residem em três regiões
do distrito de Barra de Sirinhaém, é apresentada na Tabela 16.
TABELA 16
Distribuição por Localidade dos Questionários Aplicados com Pescadores Artesanais do
Distrito de Barra de Sirinhaém
CÓDIGO LOCALIDADES QUESTIONÁRIOS
2A Casado 53
2B Centro 49
2C Colônia de Pescadores Z-6 38
TOTAL GERAL 140
72
7.2.1 Dados Sócio-econômicos
A partir de informações referentes ao universo de 140 pescadores artesanais entrevistados, que
nunca moraram nas ilhas, mas sempre sustentaram suas famílias com os recursos extraídos do
estuário do rio Sirinhaém, foi possível identificar o perfil sócio-econômico da comunidade
pesqueira usuária da área, tomando-se como parâmetros os mesmos dados levantados com os ex-
moradores da área: Local de Moradia, Gênero, Idade, Escolaridade, Outras Ocupações, Fontes de
Renda, Renda Familiar, Participação em Programas Sociais do Governo, Filiação a Entidades de
Classe, Condições de Moradia, Tipo de Construção, Número de Cômodos, Número de Habitantes
por Moradia e Infra-estrutura da Residência.
A) Local de Moradia
Para identificar de maneira efetiva a realidade sócio-econômica da comunidade pesqueira de Barra
de Sirinhaém que utiliza o estuário, o universo pesquisado foi dividido em três regiões do distrito,
que apresentam diferenças em relação às condições de vida de seus habitantes: a localidade do
Casado, o Centro do distrito e a área de entorno à Colônia de Pescadores Z-6 (Figuras 34, 35 e 36).
Figura 34: Localidade do Casado. (LOC) Figura 35: Centro de Barra de Sirinhaém. (LOC)
Figura 36: Rua da Colônia de Pescadores Z-6. (LOC)
73
Para facilitar a visualização dos dados referentes às três regiões, cada uma foi identificada da
seguinte forma:
2A – Localidade do Casado;
2B – Centro de Barra de Sirinhaém;
2C – Área de entorno à Colônia de Pescadores Z-06.
Durante a pesquisa de campo, as entrevistas foram realizadas com apenas um pescador por
residência, buscando levantar tanto informações pessoais quanto familiares. O trabalho foi feito em
visitas às três localidades definidas, com acompanhamento de representantes da comunidade
pesqueira local e durante um cadastramento de pescadores, realizado na Colônia.
A quantidade de famílias entrevistadas por localidade foi baseada em uma estimativa de
representantes da comunidade sobre as regiões do distrito que apresentam maior concentração de
residências com pescadores. Sendo assim, 37,9% do universo pesquisado residem no Casado
(localidade mais próxima ao manguezal da Barra de Sirinhaém e da região das ilhas); 35,0% moram
nas ruas do Centro (onde se concentram principalmente as pescadoras de aratu); e os 27,1%
restantes, vivem na vizinhança da Colônia de Pescadores (perto à foz do rio). (ver Tabela 17 e
Gráfico 53)
Mesmo assim, quando se observa o número de indivíduos que moram nas residências dos
pescadores entrevistados, percebe-se uma distribuição muito semelhante por localidade, como pode
ser conferido ao analisar os dados representados no Gráfico 54.
TABELA 17
Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém entrevistados e a População residente em suas
Moradias
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Pescadores 53 37,9 49 35,0 38 27,1 140 100
População 261 33,6 266 34,2 250 32,2 777 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
74
GRÁFICO 53
Distribuição das Famílias dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém, por Localidade
27,10%
37,90%
2A
2B
2C
35%
GRÁFICO 54
Distribuição dos Indivíduos que residem com os Pescadores Artesanais, por Localidade
32,20% 33,60%
2A
2B
2C
34,20%
Levando-se em consideração os dados obtidos com o Censo do IBGE em 2000, de que a população
do distrito de Barra de Sirinhaém é composta por aproximadamente 10.145 habitantes, as 777
pessoas que moravam nas residências dos pescadores entrevistados, no final de 2007, correspondem
a um percentual superior a 7,65 % da população local.
75
B) Gênero
Ao observar o gênero dos pescadores que utilizam o estuário do rio Sirinhaém, constatou-se por
meio das entrevistas que no Casado e na área próxima à Colônia apresentou uma maior
uniformidade entre homens e mulheres. No caso dos pescadores que residem no Centro do distrito,
verificou-se que o manguezal é muito mais utilizado pelas mulheres, que atuam principalmente na
captura do aratu, enquanto que seus maridos, pais e filhos pescam no mar ou têm outras ocupações.
E a participação dessas mulheres na atividade pesqueira contribui para que 58,6% do universo
pesquisado em Barra de Sirinhaém seja do sexo feminino, conforme demonstrado na Tabela 18 e
no Gráfico 55.
TABELA 18
Gênero dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2ª 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Masculino 30 56,6 8 16,3 20 52,6 58 41,4
Feminino 23 43,4 41 83,7 18 47,4 82 58,6
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 55
Distribuição, por Localidade, quanto ao Gênero dos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Masculino
2A Casado Feminino
2B Centro
2C Colônia de Pescadores Z-6
76
C) Idade
Quanto às diferentes faixas-etárias levantadas por meio das entrevistas, constatou-se que 68,5% dos
pescadores que utilizam a área estuarina têm entre 21 e 50 anos, e que quase 45% já passaram dos
40 anos de idade, como pode ser visualizado através da Tabela 19.
Ao analisar a representação dos dados referentes à idade dos pescadores residentes em cada
localidade, demonstrada no Gráfico 56, percebe-se que 77,5% dos que vivem no Centro têm mais
de 40 anos, enquanto que a comunidade pesqueira das outras duas regiões é formada por indivíduos
mais jovens. No Casado e na vizinhança da Colônia, 75,4% e 71,0% dos pescadores entrevistados,
respectivamente, têm menos de 41 anos.
TABELA 19
Faixa Etária dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
0 a 10 0 0 0 0 0 0 0 0
11 a 20 12 22,6 0 0 7 18,4 19 13,6
21 a 30 15 28,3 4 8,2 13 34,2 32 22,8
31 a 40 13 24,5 7 14,3 7 18,4 27 19,3
41 a 50 10 18,9 21 42,8 6 15,8 37 26,4
51 a 60 2 3,8 12 24,5 5 13,2 19 13,6
61 a 70 1 1,9 4 8,2 0 0 5 3,6
71 a 80 0 0 1 2,0 0 0 1 0,7
> 80 0 0 0 0 0 0 0 0
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
77
GRÁFICO 56
Distribuição, por Localidade, quanto à Faixa Etária dos Pescadores
2A 2B
50 50
42,8
Frequência (%)
Frequência (%)
40 40
28,3
30
22,6 24,5 30 24,5
18,9
20 20 14,3
8,2 8,2
1
0 3,8 1
0
0 1,9 0 0 0 0 2 0
0 0
0a1
0 1 a 20 21a 30 31a 40 41a 50 51a 60 61a 70 71a 80
1 > 80 0a1
0 1 a 20 21a 30 31a 40 41a 50 51a 60 61a 70 71a 80
1 > 80
Anos Anos
2C TOTAL
50 Frequência (%) 50
Frequência (%)
40 34,2 40
30 30 26,4
22,8
18,4 18,4 19,3
20 15,8 20 13,6 13,6
13,2
1
0 1
0 3,6
0 0 0 0 0 0,7 0
0 0
0a1
0 1 a 20 21a 30 31a 40 41a 50 51a 60 61a 70 71a 80
1 > 80 0a1
0 1 a 20 21a 30 31a 40 41a 50 51a 60 61a 70 71a 80
1 > 80
Anos Anos
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
D) Escolaridade
Em relação ao grau de instrução dos pescadores, constatou-se que um pouco mais da metade dos
entrevistados cursou, pelo menos, os primeiros anos do ensino fundamental, enquanto 31,4% são
analfabetos, conforme exposto na Tabela 20.
Ao comparar os dados levantados em cada localidade, apresentados no Gráfico 57, verificou-se que
o índice de analfabetos é maior no Casado (43,4%) e inferior na zona próxima à Colônia de
Pescadores (21,0%). Situação inversa ocorre com os pescadores que alcançaram o ensino
fundamental: apenas 37,7%, no Casado, e 68,4%, na área da Colônia. No Centro da Barra de
Sirinhaém, foi entrevistado um pescador que freqüentou os primeiros anos do curso de História, na
Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul – FAMASUL.
78
TABELA 20
Nível de Escolaridade dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Analfabeto 23 43,4 13 26,53 8 21,0 44 31,4
Alfabetizado 10 18,9 6 12,25 2 5,3 18 12,9
Ensino fundamental 20 37,7 27 55,10 26 68,4 73 52,1
Ensino médio 0 0 2 4,08 2 5,3 4 2,9
Ensino superior 0 0 1 2,04 0 0 1 0,7
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 57
Distribuição, por Localidade, quanto ao Nível de Escolaridade dos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA Analfabeto
Cod. Localidades Alfabetizado
2A Casado Ensino Fundamental
2B Centro Ensino Médio
2C Colônia de Pescadores Z-6 Ensino Superior
E) Outras Ocupações
Um resultado relevante desta pesquisa foi a constatação de que a atividade pesqueira é a única
ocupação de 89,3% dos entrevistados, que sustentam suas famílias exclusivamente com os recursos
naturais disponíveis no estuário. O índice levantado por meio dos questionários foi semelhante nas
três localidades, apresentando percentual superior entre os entrevistados que residem no Centro.
(ver Tabela 21)
79
A maior parte das outras formas de ocupação citadas está associada à prestação de serviços a
turistas e veranistas, atividades também relacionadas à zona estuarina, como pode ser visualizado
no Gráfico 58.
TABELA 21
Outros Tipos de Ocupação dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Nenhuma 47 88,7 45 91,84 33 86,9 125 89,3
Doméstica 2 3,8 0 0 2 5,3 4 2,9
Atravessador 1 1,9 1 2,04 0 0 2 1,4
Estudante 1 1,9 0 0 1 2,6 2 1,4
Comerciante 0 0 1 2,04 1 2,6 2 1,4
Outras 2 3,8 2 4,08 1 2,6 5 3,6
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 58
Distribuição, por Localidade, quanto às Outras Formas de Ocupação dos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA Nenhuma
Cod. Localidades Doméstica
2A Casado Atravessador
2B Centro Estudante
2C Colônia dos Pescadores Z-6 Comerciante
*Outras
*Outras: Trabalhador rural, vigia, costureira, marinheiro e pedreiro.
80
F) Fontes de Renda
Das 140 famílias sustentadas pelos pescadores entrevistados, por meio da extração de recursos
pesqueiros no estuário do rio Sirinhaém, 85,0% são autônomos e têm na pesca sua única fonte de
renda, conforme explicitado na Tabela 22. As 15,0% de moradias restantes possuem entre seus
habitantes, indivíduos assalariados, aposentados e/ou pequenos comerciantes que recebem um
complemento de renda à atividade pesqueira.
De acordo com os números apresentados no Gráfico 59, o maior percentual de famílias que
sobrevivem exclusivamente da pesca reside na localidade do Casado (90,5%). Nas 49 moradias dos
pescadores entrevistados que vivem no Centro de Barra de Sirinhaém, quase 15,0% também são
sustentadas por indivíduos que recebem algum tipo de aposentadoria.
TABELA 22
Fontes de Renda Familiar dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Autônomo 48 90,5 38 77,56 33 86,9 119 85,0
Autônomo / Assalariado 3 5,7 3 6,12 3 7,9 9 6,4
Autônomo / Aposentado 2 3,8 6 12,24 1 2,6 9 6,4
Autônomo / Comerciante 0 0 1 2,04 0 0 1 0,7
Autônomo / Aposentado / Comerciante 0 0 0 0 1 2,6 1 0,7
Autônomo / Assalariado / Aposentado 0 0 1 2,04 0 0 1 0,7
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
81
GRÁFICO 59
Distribuição, por Localidade, quanto às Fontes de Renda Familiar dos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA Autônomo
Cod. Localidades Autônomo / Assalariado
2A Casado Autônomo / Aposentado
2B Centro Autônomo / Comerciante
2C Colônia de Pescadores Z-6 Autônomo / Aposentado / Comerciante
Autônomo / Assalariado / Aposentado
G) Renda Familiar Mensal
As precárias condições de vida e de trabalho dos pescadores artesanais de Barra de Sirinhaém
ficaram evidentes, mais uma vez, quando os entrevistados foram questionados sobre sua renda
familiar bruta. Por meio dos dados disponibilizados na Tabela 23, constatou-se que a maioria do
universo pesquisado (55,0%) ganha menos de 1 salário-mínimo por mês com as fontes de renda de
seus integrantes, enquanto que outros 37,1% recebem de 1 a 2 salários-mínimos.
A renda mensal informada pelas famílias que residem na localidade do Casado e nas ruas próximas
à Colônia de Pescadores foi bastante similar, como identificado nas seqüências proporcionadas pelo
Gráfico 60. No caso dos pescadores que moram no Centro de Barra de Sirinhaém, a maior
concentração de famílias que recebem mais de 1 salário-mínimo por mês (55,1%) favorece uma
condição de vida um pouco superior a seus integrantes, em relação aos das demais localidades.
82
TABELA 23
Renda Familiar Mensal dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
<1 32 60,4 22 44,9 23 60,5 77 55,0
1a2 18 33,9 21 42,9 13 34,2 52 37,1
2a3 2 3,8 6 12,2 2 5,3 10 7,1
>3 1 1,9 0 0 0 0 1 0,7
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 60
Distribuição, por Localidade, quanto à Renda Familiar Mensal dos Pescadores
2A 2B
80 70
60,4 60
Frequência (%)
Frequência (%)
60 44,9 42,9
50
33,9 40
40
30
20 12,2
20
3,8 1,9 10 0
0 0
<1 1a2 2a3 >3 <1 1a2 2a3 >3
Re nda M e ns al (Salários -m ínim os ) Re nda M e ns al (Salários -m ínim os )
2C TOTAL
60 55
80
60,5 50
Frequência (%)
Frequência (%)
60 37,1
40
34,2
40 30
20
20 5,3 7,1
0 10 0,7
0 0
<1 1a2 2a3 >3 <1 1a2 2a3 >3
Re nda M e ns al (Salários -m ínim os ) Re nda M e ns al (Salários -m ínim os )
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
H) Participação em Programas Sociais do Governo
Em relação à participação do universo pesquisado em programas sociais do Governo, verificou-se
que pouco mais da metade das famílias dos pescadores entrevistados são beneficiadas – 51,4%. (ver
Tabela 24)
83
Contudo, ao observar a distribuição das famílias que participam dos programas governamentais, por
localidade, percebe-se um total desequilíbrio no grupo beneficiado. Os pescadores entrevistados que
residem no Casado, cujas famílias detêm a renda mensal mais baixa, são os menos beneficiados
(37,3%). Por outro lado, 73,7% das famílias dos pescadores artesanais, que moram próximos à
Colônia Z-6, recebem os recursos oriundos desses programas, conforme apresentado no Gráfico 61.
Das 72 famílias beneficiadas, 94,4% recebem o Bolsa-Família. O restante recebe pensão por doença
ou morte de um familiar ou o Vale-Gás.
TABELA 24
Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém com Famílias beneficiadas por Programas
Sociais do Governo
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Sim 20 37,7 24 49,0 28 73,7 72 51,4
Não 33 62,3 25 51,0 10 26,3 68 48,6
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 61
Distribuição, por Localidade, dos Pescadores cujas Famílias são Beneficiadas por Programas
Sociais do Governo
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Sim
2A Casado Não
2B Centro
2C Colônia de Pescadores Z-6
84
I) Filiação a Entidades de Classe
No final de 2007, 42,1% dos pescadores artesanais entrevistados tinham, entre seus familiares,
indivíduos filiados a entidades representativas de classe. (ver Tabela 25)
Mais uma vez, ao analisar a distribuição pelas localidades amostradas, percebe-se uma significativa
desigualdade nos dados coletados. Enquanto que 67,3% das residências dos pescadores que moram
no Centro têm pelo menos um de seus integrantes associado a entidades de classe. Na localidade do
Casado, como se pode observar no Gráfico 62, esse número reduz-se para apenas 15,1%.
Das 59 famílias com integrantes filiados a entidades de classe, 94,9% são associados à Colônia de
Pescadores Z-6; 3,4%, à Associação de Moradores da Vila Alcina Ribeiro (AMAR); e 1,7%, ao
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sirinhaém.
TABELA 25
Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém, filiados a Entidades de Classe
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Sim 8 15,1 33 67,3 18 47,36 59 42,1
Não 45 84,9 16 32,7 20 52,63 81 57,9
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 62
Distribuição, por Localidade, dos Pescadores Filiados a Entidades de Classe
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Sim
2A Casado Não
2B Centro
2C Colônia de Pescadores Z-6
85
J) Condições de Moradia
De acordo com os dados disponibilizados na Tabela 26, 89,3% do universo pesquisado, referente
aos pescadores artesanais do distrito de Barra de Sirinhaém, são proprietários de suas residências.
Esse percentual é superior entre as famílias que residem no Centro (95,9%), e um pouco menor nos
entrevistados instalados no Casado (84,9%), conforme demonstrado no Gráfico 63.
TABELA 26
Propriedade das Residências dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Própria 45 84,9 47 95,9 33 86,8 125 89,3
Não própria 8 15,1 2 4,1 5 13,2 15 10,7
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 63
Distribuição, por Localidade, quanto à Propriedade das Residências dos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Própria
2A Casado Não-Própria
2B Centro
2C Colônia de Pescadores Z-6
86
K) Tipos de Construção das Moradias
Em relação aos tipos de materiais utilizados na construção das residências dos pescadores
entrevistados, é possível visualizar através da Tabela 27 que 80,0% das casas são de alvenaria;
15,0% de barro (taipa); e 5,0% de palha ou madeira.
Mais uma vez, as melhores condições de vida foram encontradas no Centro de Barra de Sirinhaém,
onde as 49 residências amostradas são de alvenaria. A maior proporção de construções de barro
encontra-se no Casado (Figura 37), com 37,7% do total, como explicita o Gráfico 64, enquanto
que as casas de madeira ou palha correspondem a 18,4% das moradias dos pescadores entrevistados
que habitam na área de entorno à Colônia. (Figura 38)
Figura 37: Casa de barro, no Casado. (LOC) Figura 38: Casas de palha e madeira próximas à
Colônia de Pescadores Z-6. (LOC)
TABELA 27
Tipos de Construção das Residências dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Alvenaria 33 62,3 49 100,0 30 79,0 112 80,0
Barro 20 37,7 0 0 1 2,6 21 15,0
Madeira 0 0 0 0 4 10,5 4 2,9
Palha 0 0 0 0 3 7,9 3 2,1
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
87
GRÁFICO 64
Distribuição, por Localidade, quanto aos Tipos de Construção das Residências dos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Alvenaria
2A Casado Barro
2B Centro Madeira
2C Colônia de Pescadores Z-6 Palha
L) Número de Cômodos por Moradia
De acordo com informações fornecidas durante a aplicação dos questionários, expostas na Tabela
28, 54,3% das residências dos pescadores artesanais entrevistados possuem de 5 a 6 cômodos.
Moradias com menos de 5 ambientes são a realidade de 29,3% dos pescadores que utilizam o
estuário, enquanto que o restante (16,4%) afirmou morar em casas com mais de 6 cômodos.
A análise por localidade indicou que os pescadores que ocupam as residências com maior número
de ambientes estão no Centro de Barra de Sirinhaém (95,92% - com 5 cômodos ou mais), e que as
moradias menores estão no Casado (47,2% - com menos de 5 ambientes). (ver Gráficos 65)
TABELA 28
Número de Cômodos das Residências dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
<3 5 9,4 1 2,04 5 13,1 11 7,9
3 ou 4 20 37,8 1 2,04 9 23,7 30 21,4
5 ou 6 23 43,4 35 71,42 18 47,4 76 54,3
>6 5 9,4 12 24,50 6 15,8 23 16,4
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
88
GRÁFICO 65
Distribuição, por Localidade, quanto ao Número de Cômodos das Residências dos Pescadores
2A 2B
80 80 71,42
Frequência (%)
Frequência (%)
60 60
43,4
37,8
40 40 24,5
20 9,4 9,4 20
2,04 2,04
0 0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6 <3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Núm e ro de Côm odos por Re s idê ncia Núm e ro de Côm odos por Re s idê ncia
2C TOTAL
80 60 54,3
Frequência (%)
50
60 47,4 Frequência (%)
40
40 30 21,4
23,7 16,4
13,1 15,8 20
20 7,9
10
0 0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6 <3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Núm e ro de Côm odos por Re s idê ncia Núm e ro de Côm odos por Re s idê ncia
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
M) Número de Habitantes por Moradia
Como foi visto anteriormente, no final de 2007, as residências dos 140 pescadores entrevistados
serviam como moradia para 777 pessoas A maioria dessas casas abrigava de 3 a 4 (35,0%) ou de 5 a
6 (32,14%) habitantes, conforme apresentado na Tabela 29.
A maior concentração de moradores por residência foi encontrada nas famílias dos pescadores que
residem no entorno da Colônia Z-6. Nas outras localidades, como está representado no Gráfico 66,
não foram observadas divergências significativas entre a quantidade de habitantes por moradia.
89
TABELA 29
Número de Habitantes das Residências dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
<3 5 9,4 2 4,1 3 7,9 10 7,14
3 ou 4 20 37,7 21 42,8 8 21,1 49 35,00
5 ou 6 18 34,0 14 28,6 13 34,2 45 32,14
>6 10 18,9 12 24,5 14 36,8 36 25,72
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 66
Distribuição, por Localidade, quanto ao Número de Habitantes nas Casas dos Pescadores
2A 2B
80 50 42,8
Frequência (%)
Frequência (%)
60 40
28,6
37,7 30 24,5
34
40
18,9 20
20 9,4 10 4,1
0 0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6 <3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Núm e ro de Habitante s por Re s idê ncia Núm e ro de Habitante s por Re s idê ncia
2C TOTAL
80 40 35
32,14
Frequência (%)
Frequência (%)
60 30 25,72
34,2 36,8
40 20
21,1
20 7,14
7,9 10
0 0
<3 3 ou 4 5 ou 6 >6 <3 3 ou 4 5 ou 6 >6
Núm e ro de Habitante s por Re s idê ncia Núm e ro de Habitante s por Re s idê ncia
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
N) Infra-Estrutura das Residências
Em relação à infra-estrutura das residências dos pescadores entrevistados, constatou-se que 95,7%
estão ligadas à rede de energia elétrica – boa parte através de ligações clandestinas – e 89,3% têm
seu lixo recolhido pela coleta municipal, conforme os dados disponibilizados na Tabela 30.
90
O percentual dos demais itens relacionados à infra-estrutura foi inferior devido a particularidades
percebidas em cada localidade. No Casado, 28 residências (52,8%) do universo pesquisado não são
ligadas à rede de esgotos e 18 (34,0%) não possuem banheiros. No Centro e nas ruas próximas à
Colônia de Pescadores, 38 pescadores disseram que suas famílias utilizam somente a água de bicas
ou poços artesianos. (ver seqüência apresentada no Gráfico 67)
TABELA 30
Infra-Estrutura das Residências dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Energia elétrica 49 92,4 49 100,0 36 94,7 134 95,7
Coleta de Lixo 44 83,0 49 100,0 32 84,2 125 89,3
Banheiro 35 66,0 48 98,0 30 78,9 113 80,7
Rede de Esgoto 25 47,2 46 93,9 29 76,3 100 71,4
Abastecimento de água 36 67,9 29 59,2 20 52,6 85 60,7
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 67
Distribuição, por Localidade, quanto à Infra-Estrutura das Residências dos Pescadores
2A 2B
Energia elétrica 92,4 Energia elétrica 100
Infra-estrutura das
Infra-estrutura das
Coleta de Lixo 83 Coleta de Lixo 100
Residências
Residências
Banheiro 66 Banheiro 98
Rede de Esgoto 47,2 Rede de Esgoto 93,9
Abastecimento de água 67,9 Abastecimento de água 59,2
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120
Fre quê ncia (%) Fre quê ncia (%)
2C TOTAL
Energia elétrica 94,7 Energia elétrica 95,7
Infra-estrutura das
Infra-estrutura das
Coleta de Lixo 84,2 Coleta de Lixo 89,3
Residências
Residências
Banheiro 78,9 Banheiro 80,7
Rede de Esgoto 76,3 Rede de Esgoto 71,4
Abastecimento de água 52,6 Abastecimento de água 60,7
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120
Fre quê ncia (%) Fre quê ncia (%)
91
7.2.2 O Cotidiano do Pescador
Os rios e a água fazem parte da memória do mundo constituído pelos homens, estão inseridos em
sua história de tantos acontecimentos e de pequenos fatos do cotidiano. Para MESQUITA apud
ALMEIDA & VARGAS, 1997b, p.5), o cotidiano é o ‘locus’ da prática e observá-lo, onde e como
as práticas ocorrem, implica em desvendar o modo de vida, a organização do trabalho, do lazer,
das aspirações.
Permanecer na residência e no lugar de trabalho, ainda que por tempo breve tem peso na produção
do homem. A análise da vida cotidiana, segundo SANTOS (1996), envolve concepções e
apreciações na escala da experiência social, em geral, o que inclui, paralelamente, uma apropriação
profunda de uma compreensão imediata. Em sua análise do cotidiano, CERTEAU et al (1994)
apresentam a seguinte definição:
O cotidiano é aquilo que nos é dado cada dia (ou que nos cabe em partilha), nos
pressiona dia após dia, nos oprime, pois existe uma opressão do presente. O cotidiano
é aquilo que nos prende intimamente, a partir do interior. É uma história a meio-
caminho de nós mesmos, quase em retirada, às vezes velada. (...). É um mundo que
amamos profundamente, memória olfativa, memória dos lugares da infância, memória
do corpo, dos gestos da infância, dos prazeres.(...).O que interessa ao historiador do
cotidiano é o invisível.
O estuário do rio Sirinhaém exerce funções múltiplas aos habitantes das comunidades pesqueiras
instaladas em seu entorno, como fonte de sobrevivência, via de comunicação, transporte, limite,
lazer e fonte de perpetuação das espécies. O complexo estuarino do rio Sirinhaém, objeto deste
estudo, constituiu-se muito mais que um elemento da natureza.
Tomando-se o rio como elemento que provoca mudanças no cotidiano dos pescadores, faz-se
necessário um conhecimento mais detalhado da rotina desses profissionais, tendo em vista captar as
especificidades da atividade pesqueira local.
O cotidiano da atividade pesqueira é muito desgastante. Geralmente, o pescador não faz diferença
entre os finais de semana ou mesmo feriados e os dias normais uma vez que a pescaria simboliza a
comida da família. Chegando ao local de pesca escolhido, inicia a cansativa tarefa de jogar ou armar
a rede, seguindo-se da vigília e do recolhimento dos petrechos, após horas de expectativas de uma
boa produção. Ao final da pescaria, o produto diário nem sempre é suficiente para suprir as reais
necessidades.
92
Quando a produção é suficiente para a subsistência e o comércio, o próprio pescador desloca-se do
local da pescaria e vai vendê-la em pontos diversos ou aguardar pelos atravessadores. Ao chegar a
casa, ocupa-se em preparar os petrechos para o dia seguinte. Há pouco tempo para descanso, pois
quando não se pesca nada, é preciso fazer algum “biscate” a fim de comprar alimentação para casa.
A mulher, no cotidiano da pesca, tem um papel significativo, além de ser responsável pela condução
de tarefas domésticas e cuidados dos filhos, também pesca ou envolve os filhos no beneficiamento
do pescado (Figura 39).
Figura 39: Mãe e filha cuidando do beneficiamento do caranguejo capturado pelo pai, para ser vendido a veranistas.
(LOC)
A motivação dos pescadores não é mais a mesma, devido às dificuldades na pesca e ao tempo gasto
no rio. Ao chegar do estuário, geralmente o pescador retorna para casa cansado e frustrado com a
baixa produção obtida. Apesar de tantas dificuldades enfrentadas, a principal atração que a pescaria
parece exercer sobre esse contingente é a relativa liberdade, ausência de horários e de patrão. A
pesca, ao contrário do trabalho assalariado, é uma atividade que permite a quem a pratica um grau
relativamente amplo de liberdade e de tomada de decisões. Ser pescador, por vezes, é um processo
que se inicia por uma tradição familiar, mas que prossegue depois como opção pessoal, que
concentra toda satisfação no ideário de uma boa pescaria.
Também os eventuais ganhos obtidos com uma temporada boa e a pouca ou nenhuma despesa com
as roupas de trabalho são vantagens de ser pescador. E apesar de tudo, a pesca ainda é um prazer e
até um momento de reafirmação de um estilo de vida.
93
7.2.3 Atividade Pesqueira
O estuário do rio Sirinhaém é responsável pelo sustento de toda a comunidade pesqueira local.
Mesmo aquelas pessoas que atuam apenas na zona marinha – na pesca de peixes, camarões e
lagostas – capturam espécies que passaram alguma fase de suas vidas na região estuarina.
Nas residências dos 140 pescadores artesanais de Barra de Sirinhaém, que formam o universo
amostral deste capítulo, moravam no final de 2007 um total de 271 pessoas, que estão envolvidas na
extração de recursos pesqueiros no estuário do rio Sirinhaém, como pode ser observado na Tabela
31, apresentada a seguir. Desse total, 37,3% residem no Centro de Barra de Sirinhaém; 34,3%, na
localidade do Casado; e os outros 28,4% moram com os pescadores entrevistados nas ruas próximas
à Colônia Z-6. (ver Gráficos 68 e 69)
TABELA 31
Número de Pescadores que residem com as Famílias dos Indivíduos entrevistados
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Famílias 53 37,9 49 35,0 38 27,1 140 100
Pescadores 93 34,3 101 37,3 77 28,4 271 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 68:
Distribuição, por Localidade, das Famílias dos Pescadores entrevistados
27,10%
37,90%
2A
2B
2C
35%
94
GRÁFICO 69
Distribuição, por Localidade, do Número de Pescadores que Residem nas Moradias dos
Entrevistados
28,40%
34,30%
2A
2B
2C
37,30%
A partir dos dados coletados através dos questionários aplicados com os 140 pescadores artesanais,
foi possível identificar o perfil da atividade pesqueira realizada no estuário do rio Sirinhaém,
utilizando como parâmetros os mesmos tópicos empregados na análise feita com os ex-moradores
das ilhas, a saber: Relações de Trabalho; Sistemas de Pesca; Embarcações Utilizadas; Modalidades
de Pesca; Petrechos de Pesca Utilizados; Dias Trabalhados no Estuário por Semana; Tempo de
Permanência no Local de Pesca; Produção Semanal de Pescado (peixes e caranguejos); Destinação
da Produção; e Renda Auferida Através da Pesca.
A) Relações de Trabalho
Quanto às relações de trabalho utilizadas no exercício da atividade pesqueira na zona estuarina,
constatou-se através dos dados coletados durante a pesquisa de campo e apresentados na Tabela 32,
que a grande maioria dos entrevistados (77,86%) recorre ao sistema de parceria com a companhia
de amigos e vizinhos. Segundo os relatos, essa forma de trabalho é bastante empregada pelas
catadoras de aratu e pelas marisqueiras, que praticam a atividade em grupos, além dos pescadores
que utilizam redes na captura do pescado.
A segunda forma de relação de trabalho mais usada pela comunidade pesqueira de Barra de
Sirinhaém, é a individual (14,28%), empregada principalmente pelos “caranguejeros”, enquanto que
menos de 8% dos entrevistados realizam a atividade na companhia de familiares.
95
Ao comparar as relações de trabalho utilizadas em cada localidade, percebeu-se que o sistema de
parceria predomina em todas as regiões pesquisadas, com maior concentração de seguidores no
Centro do distrito (83,7%) e nos endereços próximos à Colônia (81,6%), sendo também essa última
área o principal foco dos pescadores que utilizam a economia familiar (18,4%). A localidade do
Casado, por concentrar a maior representatividade de “caranguejeros” de Barra de Sirinhaém,
apresentou o maior percentual dos que praticam a relação individual de trabalho (26,4%), como está
representado, no Gráfico 70.
TABELA 32
Relações de Trabalho dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Parceria 37 69,8 41 83,7 31 81,6 109 77,86
Individual 14 26,4 6 12,2 0 0 20 14,28
Economia familiar 2 3,8 2 4,1 7 18,4 11 7,86
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 70
Distribuição, por Localidade, quanto às Relações de Trabalho utilizadas pelos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Individual
Parceria
Economia Familiar
96
B) Sistemas de Pesca
A necessidade de ter que atravessar o rio para chegar ao local de pesca é a principal responsável
pelo predomínio do sistema embarcado, utilizado por 72,9% dos pescadores entrevistados,
conforme os dados obtidos pela aplicação dos questionários, disponibilizados na Tabela 33. Outros
12,1% aproveitam as marés mais baixas e as ilhas de acesso mais fácil, e assim não precisam do
auxílio de nenhuma embarcação, enquanto que os 15% restantes, utilizam ambos os sistemas,
alternadamente.
Os pescadores artesanais que residem no Casado (84,9%) e nas ruas próximas à Colônia (79%) são
os que mais usam embarcações no exercício da atividade, como está representado no Gráfico 71. A
maior concentração de indivíduos que praticam a atividade sem o auxílio de qualquer tipo de
embarcação (18,4%) ou por intermédio de ambos os sistemas (26,5%) encontra-se no Centro de
Barra de Sirinhaém.
TABELA 33
Sistemas de Pesca praticados pelos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Embarcado 45 84,90 27 55,1 30 79,0 102 72,9
Ambos 4 7,55 13 26,5 4 10,5 21 15,0
Desembarcado 4 7,55 9 18,4 4 10,5 17 12,1
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 71
Distribuição, por Localidade, quanto aos Sistemas de Pesca praticados pelos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Embarcado
Ambos
Desembarcado
97
C) Embarcações Utilizadas na Pesca
De acordo com os dados apresentados na Tabela 34 e no Gráfico 72, verificou-se que a jangada
também é o tipo de embarcação mais utilizada pelos pescadores artesanais de Barra de Sirinhaém
no interior do estuário, independentemente da localidade em que residem.
TABELA 34
Embarcações utilizadas pelos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém, na Atividade
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Jangada 48 90,6 39 79,6 34 89,5 121 86,4
Canoa 1 1,9 5 10,2 0 0 6 4,3
Lancha 0 0 1 2,0 0 0 1 0,7
Nenhuma 4 7,5 9 18,4 4 10,5 17 12,1
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 72
Distribuição, por Localidade, quanto às Embarcações utilizadas pelos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Jangada
Canoa
Lancha
Nenhuma
D) Modalidades de Pesca
Quanto às modalidades de pesca praticadas na área estuarina, pôde-se observar claramente uma
predominância dos pescadores envolvidos com a captura de crustáceos, exercida por 55% do
universo entrevistado, como pode ser visualizado na Tabela 35. A pesca alternada de crustáceos e
98
mariscos (18,6%) e de peixes (15,0%) também apresentaram percentuais significativos na
comunidade pesqueira de Barra de Sirinhaém.
Ao analisar os dados representados no Gráfico 73, constata-se que a captura de crustáceos é maior
nas localidades do Casado (60,4%) e do Centro do distrito (59,2%), enquanto que a pesca de peixes
estuarinos apresenta maior percentual entre os entrevistados que residem nas ruas próximas à
Colônia Z-6 (26,3%).
TABELA 35
Modalidades de Pesca praticadas pelos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Crustáceos 32 60,4 29 59,2 16 42,1 77 55,0
Crustáceos / Mariscos 8 15,1 11 22,5 7 18,4 26 18,6
Peixes 7 13,2 4 8,2 10 26,3 21 15,0
Mariscos 2 3,8 2 4,1 3 7,9 7 5,0
Peixes / Crustáceos 4 7,5 1 2,0 1 2,6 6 4,3
Peixes / Crustáceos / Mariscos 0 0 1 2,0 1 2,6 2 1,4
Peixes / Mariscos 0 0 1 2,0 0 0 1 0,7
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 73
Distribuição, por Localidade, quanto às Modalidades de Pesca praticadas pelos Pescadores
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Crustáceos Peixes / Crustáceos
Crustáceos / Mariscos Peixes / Crustáceos / Mariscos
Peixes Peixes / Mariscos
Mariscos
99
Dos 140 pescadores entrevistados, 30 (21,4%) atuam na captura de peixes encontrados no estuário
do rio Sirinhaém, principalmente tainhas, bagres, saúnas, camurins e carapebas, de acordo com os
petrechos utilizados. Muitos reclamaram que a poluição do rio é o fator determinante para a
diminuição da diversidade de peixes no local.
Quanto à extração de crustáceos, 111 pescadores (79,3%) afirmaram durante as entrevistas que
atuam na captura de pelo menos uma espécie estuarina. Ao analisar os dados explicitados na Tabela
36, constata-se que o aratu é coletado por 69,4% dos pescadores envolvidos com a pesca de
crustáceos, sobretudo pelos 42 entrevistados (100%), residentes no Centro do distrito, que praticam
essa modalidade de pesca (Figura 40).
Já o caranguejo, como se pode observar no Gráfico 74, é o recurso mais extraído pelos pescadores
artesanais que moram no Casado, mas é rejeitado por quem mora no Centro.
TABELA 36
Tipos de Crustáceos capturados pelos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Aratu 20 45,4 42 100,0 15 60,0 77 69,4
Caranguejo 25 56,8 1 2,4 10 40,0 36 32,4
Siri 4 9,1 8 19,0 5 20,0 17 15,3
Guaiamum 4 9,1 2 4,8 1 4,0 7 6,3
Camarão 0 0 1 2,4 0 0 1 0,9
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
Figura 40: Aratus capturados no manguezal do estuário pelos pescadores artesanais de Barra de Sirinhaém. (LOC)
100
GRÁFICO 74
Distribuição, por Localidade, quanto aos Tipos de Crustáceos capturados pelos Pescadores
2A 2B
100
100 100
80 80
Frequência (%)
Frequência (%)
56,8
60 45,4 60
40 40
19
20 9,1 9,1 20 4,8
0 2,4 2,4
0 0
Aratu Caranguejo Siri Guaiamum Camarão Aratu Caranguejo Siri Guaiamum Camarão
Crus táce os Crus táce os
2C TOTAL
100 100
80 Frequência (%) 80 69,4
Frequência (%)
60
60 60
40
40 40 32,4
20 15,3
20 20 6,3
4 0 0,9
0 0
Aratu Caranguejo Siri Guaiamum Camarão Aratu Caranguejo Siri Guaiamum Camarão
Crus táce os Crus táce os
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
E) Petrechos de Pesca Utilizados
Como pode ser observado na Tabela 37, os aparelhos mais utilizados pelos pescadores
entrevistados estão diretamente relacionados aos tipos de recursos extraídos no estuário. Nesse
sentido, destacam-se: o conjunto formado pela vara e linha, utilizadas na captura de aratu (53,6%);
ferramentas como foices, facas e fisgas, usadas na coleta manual de crustáceos e mariscos (36,4%);
e a redinha ou laço, utensílio predatório largamente empregado na captura de caranguejos (24,3%).
Da mesma forma, os petrechos utilizados variam entre as localidades, conforme as modalidades de
pesca mais praticadas em cada região. Os pescadores artesanais que residem no Casado recorrem
mais à coleta manual e à redinha. Já entre os moradores do Centro, predominam a vara e a linha
para aratu, enquanto que no entorno da Colônia há uma maior distribuição entre os aparelhos
empregados na atividade pesqueira, com um percentual maior dos instrumentos utilizados na
captura de peixes. (ver dados expostos no Gráfico 75)
101
TABELA 37
Petrechos de Pesca utilizados pelos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2ª 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Vara-Linha / Aratu 19 35,8 42 85,7 14 36,8 75 53,6
Coleta Manual 27 50,9 6 12,2 18 47,4 51 36,4
Redinha 23 43,4 1 2,0 10 26,3 34 24,3
Rede 7 13,2 2 4,1 9 23,7 18 12,9
Tarrafa 8 15,1 5 10,2 1 2,6 14 10,0
Vara-Linha-Jereré / Siri 4 7,5 5 10,2 4 10,5 13 9,3
Linha / Peixe 5 9,4 2 4,1 5 13,2 12 8,6
Ratoeira 4 7,5 2 4,1 1 2,6 7 5,0
Camboa 3 5,7 2 4,1 1 2,6 6 4,3
Outros 0 0 2 4,1 1 2,6 3 2,1
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 75
Distribuição, por Localidade, quanto aos Petrechos utilizados pelos Pescadores
2A 2B
Vara-Linha / Aratu 35,8 Vara-Linha / Aratu 85,7
Coleta Manual 50,9 Coleta Manual 12,2
Redinha 43,4 Redinha 2
Petrechos de Pesca
Petrechos de Pesca
Rede 13,2 Rede 4,1
Tarrafa 15,1 Tarrafa 10,2
Vara-Linha-Jereré / Siri 7,5 Vara-Linha-Jereré / Siri 10,2
Linha / Peixe 9,4 Linha / Peixe 4,1
Ratoeira 7,5 Ratoeira 4,1
Camboa 5,7 Camboa 4,1
Outros 0 Outros 4,1
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Frequência (%) Frequência (%)
2C TOTAL
Vara-Linha / Aratu 36,8 Vara-Linha / Aratu 53,6
Coleta Manual 47,4 Coleta Manual 36,4
Redinha 26,3 Redinha 24,3
Petrechos de Pesca
Petrechos de Pesca
Rede 23,7 Rede 12,9
Tarrafa 2,6 Tarrafa 10
Vara-Linha-Jereré / Siri 10,5 Vara-Linha-Jereré / Siri 9,3
Linha / Peixe 13,2 Linha / Peixe 8,6
Ratoeira 2,6 Ratoeira 5
Camboa 2,6 Camboa 4,3
Outros 2,6 Outros 2,1
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Frequência (%) Frequência (%)
*Outros: puçá, covo e bicheiro.
102
F) Dias Trabalhados no Estuário por Semana
Em relação à freqüência com que os pescadores artesanais de Barra de Sirinhaém extraem os
recursos naturais do estuário, a grande maioria dos entrevistados (73,8%) afirmou que trabalha no
local de 3 a 5 dias por semana, conforme dados disponibilizados na Tabela 38. Uma parcela
significativa do universo pesquisado (17,8%) garantiu que pesca na região estuarina até mesmo nos
finais-de-semana. Os 8,6% restantes correspondem a pescadores que recorrem eventualmente ao
estuário, por no máximo 2 dias, em cada semana.
Ao comparar as informações referentes a cada localidade, representadas no Gráfico 76, percebe-se
que a maior concentração de pescadores que utilizam o estuário, por no mínimo 6 dias por semana,
está instalada na área vizinha à Colônia Z-6.
TABELA 38
Número de Dias trabalhados semanalmente no Estuário pelos Pescadores Artesanais de Barra
de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
1a2 3 5,6 5 10,2 4 10,5 12 8,6
3a5 40 75,5 40 81,6 23 60,5 103 73,6
6a7 10 18,9 4 8,2 11 29,0 25 17,8
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 76
Distribuição, por Localidade, quanto aos Dias trabalhados semanalmente pelos Pescadores no
Estuário
2A 2B
100 100
81,6
75,5
80 80
Frequência (%)
Frequência (%)
60 60
40 40
18,9
20 20 10,2 8,2
5,6
0 0
1a2 3a5 6a7 1a2 3a5 6a7
Dias na Se m ana Dias na Se m ana
103
2C TOTAL
100 100
80 73,6
80
Frequência (%)
Frequência (%)
60,5
60 60
40 29 40
17,8
20 10,5 20 8,6
0 0
1a2 3a5 6a7 1a2 3a5 6a7
Dias na Se m ana Dias na Sem ana
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
G) Tempo de Permanência no Local de Pesca
Quanto ao tempo de permanência no local de pesca, as informações levantadas pelos questionários
– expostas na Tabela 39 – demonstram que a maior parte dos entrevistados (44,3%) costuma
consumir de 6 a 8 horas diárias com a extração de recursos pesqueiros do estuário. Também se
verificou um número significativo de pescadores que permanecem no local de 9 a 12 horas (25,0%)
ou por menos de 6 horas (24,3%), de acordo com a modalidade de pesca praticada e as variações de
maré.
A maioria dos pescadores entrevistados, que residem nas três localidades pesquisadas, cumpre uma
jornada de trabalho de 6 a 8 horas no exercício da atividade. A maior parcela de pescadores
artesanais que permanecem por mais de 9 horas no estuário mora no Casado (35,9%) e no Centro de
Barra de Sirinhaém (36,7%), enquanto que 29% dos que residem na área de entorno à Colônia
gastam menos de 6 horas diárias na pesca, como apontam as seqüências do Gráfico 77.
TABELA 39
Tempo de Permanência dos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém, no Local de Pesca
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
<6 13 24,5 10 20,4 11 29,0 34 24,3
6a8 21 39,6 21 42,9 20 52,6 62 44,3
9 a 12 17 32,1 11 22,4 7 18,4 35 25,0
> 12 2 3,8 7 14,3 0 0 9 6,4
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
104
GRÁFICO 77
Distribuição, por Localidade, quanto ao Tempo de Permanência dos Pescadores no Estuário
2A 2B
60 60
50 50 42,9
Frequência (%)
Frequência (%)
39,6
40 32,1 40
30 24,5 30 22,4
20,4
20 20 14,3
10 3,8 10
0 0
<6 6a8 9 a 12 > 12 <6 6a8 9 a 12 > 12
Horas por Dia Horas por Dia
2C TOTAL
60 52,6 60
50 50 44,3
Frequência (%)
Frequência (%)
40 40
29
30 30 24,3 25
18,4
20 20
6,4
10 10
0
0 0
<6 6a8 9 a 12 > 12 <6 6a8 9 a 12 > 12
Horas por Dia Horas por Dia
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
H) Produção Semanal de Pescado
Como mencionado anteriormente, dos 140 questionários aplicados com pescadores artesanais
usuários do estuário do rio Sirinhaém, pouco mais de 21% informaram atuar na captura de peixes,
no final de 2007. Vale ressaltar que a maior concentração de pessoas envolvidas com essa
modalidade de pesca residia em moradias próximas à Colônia Z-6 (31,6%), enquanto que o menor
percentual foi encontrado entre os habitantes do Centro do distrito, com 14,3%.
A visualização dos dados expostos na Tabela 40 e no Gráfico 78 favorece a compreensão das
diferenças existentes na produção semanal de peixes, obtida pelos pescadores residentes nas três
localidades de Barra de Sirinhaém. O Casado abriga a maior concentração de pescadores artesanais
com produção superior a 20 kg de peixes por semana – 45,45%. Em contrapartida, mais de 70% dos
pescadores que moram no Centro têm produção semanal inferior a 11 kg. E 75% dos pescadores
que moram na região da Colônia capturam de 6 a 20 kg de pescado por semana, em média.
105
TABELA 40
Produção Semanal de Peixes obtidas pelos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém, no
Estuário do rio Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Kg Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
<5 4 36,36 2 28,57 1 8,33 7 23,33
6 a 10 1 9,09 3 42,86 5 41,67 9 30,0
11 a 20 1 9,09 1 14,28 4 33,33 6 20,0
21 a 50 4 36,36 1 14,28 2 16,67 7 23,33
> 51 1 9,09 0 0 0 0 1 0,33
11 100 7 100 12 100 30 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 78
Distribuição, por Localidade, quanto à Produção Semanal de Peixes obtida pelos Pescadores
2A 2B
Produção Semanal (kg)
Produção Semanal (kg)
<5 36,36 <5 28,57
6 a 10 9,09 6 a 10 42,86
11 a 20 9,09 11 a 20 14,28
21 a 50 36,36 21 a 50 14,28
> 51 9,09 > 51 0
0 10 20 30 40 50 0 10 20 30 40 50
Fre quê ncia (%) Fre quê ncia (%)
2C TOTAL
<5 23,33
Produção Semanal (kg)
Produção Semanal (kg)
<5 8,33
6 a 10 41,67 6 a 10 30
11 a 20 33,33 11 a 20 20
21 a 50 16,67 21 a 50 23,33
> 51 0 > 51 0,33
0 10 20 30 40 50 0 10 20 30 40 50
Frequê ncia (%) Fre quê ncia (%)
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
106
Dos 36 pescadores entrevistados, que praticam a cata do caranguejo no manguezal das ilhas, quase
a metade (47,2%) reside na localidade do Casado. Durante a aplicação dos questionários, apenas um
morador do Centro admitiu trabalhar na captura desse crustáceo.
A produção semanal obtida pelos “caranguejeros” do Casado também se mostrou superior em
relação às demais, como se pode observar na Tabela 41 e no Gráfico 79, onde 52% dos
entrevistados garantiram catar de 2001 a 500 caranguejos por semana, nos meses de verão, quando
a produção é maior. Metade dos catadores que moram na vizinhança da Colônia de Pescadores disse
capturar de 101 a 200 unidades do crustáceo, nesse mesmo período.
Dessa forma, percebe-se que apenas os 36 catadores, identificados durante a pesquisa, extraem pelo
menos 6 mil caranguejos do manguezal do estuário do rio Sirinhaém, a cada semana, entre os meses
de novembro e fevereiro. A constatação dos próprios “caranguejeros” entrevistados é de que o
manguezal das ilhas ainda abriga uma grande população de caranguejos, apesar de ter diminuído
bastante. As principais causas para essa redução, segundo eles próprios, são a grande quantidade de
pessoas envolvidos na atividade, a poluição do estuário e a utilização de métodos predatórios de
captura como a redinha, que não seleciona o tamanho nem o sexo dos indivíduos capturados.
Também chamou atenção o número de pessoas que afirmaram pegar caranguejo apenas durante a
época da “andada”, justamente no período em que o crustáceo está se reproduzindo e sua captura é
proibida por lei.
Toda essa realidade, citada acima, justifica a importância de se promover ações efetivas para
ordenamento da captura de caranguejo no estuário do rio Sirinhaém, com o intuito de garantir a
utilização sustentável desse importante recurso natural para a comunidade pesqueira de Barra de
Sirinhaém.
107
TABELA 41
Produção Semanal de Caranguejos obtida pelos Pescadores Artesanais de Barra de
Sirinhaém, no Manguezal das Ilhas, durante os Meses de Verão
2A 2B 2C TOTAL
Unidades Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
< 51 1 4,0 0 0 2 20,0 3 8,3
51 a 100 1 4,0 0 0 0 0 1 2,8
101 a 200 7 28,0 1 100,0 5 50,0 13 36,1
201 a 500 13 52,0 0 0 3 30,0 16 44,5
> 501 3 12,0 0 0 0 0 3 8,3
25 100 1 100 10 100 36 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 79
Distribuição, por Localidade, quanto à Produção Semanal de Caranguejos obtida pelos
Pescadores
2A 2B
Produção Semanal (kg)
Produção Semanal (kg)
< 51 4 < 51 0
51 a 100 4 51 a 100 0
101 a 200 28 101 a 200 100
201 a 500 52 201 a 500 0
> 501 12 > 501 0
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Frequê ncia (%) Frequê ncia (%)
2C TOTAL
< 51 8,3
Produção Semanal (kg)
Produção Semanal (kg)
< 51 20
51 a 100 0 51 a 100 2,8
101 a 200 50 101 a 200 36,1
201 a 500 30 201 a 500 44,5
> 501 0 > 501 8,3
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Fre quência (%) Frequência (%)
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
108
I) Destinação da Produção
Os questionários aplicados com pescadores artesanais de Barra de Sirinhaém apontam a figura do
atravessador ou “pombeiro” como principal destino da produção de pescado obtida pelos
entrevistados, através da extração de recursos estuarinos. Pouco mais de 40% dos pescadores
consultados também utilizam uma parcela dos peixes, mariscos e crustáceos capturados para o
consumo familiar. Os demais dados, visualizados na Tabela 42, indicam que a comercialização
direta da produção realizada em feiras-livres, para restaurantes, pela rua, e a vizinhos e veranistas,
apresentaram percentuais inferiores. Mais uma vez, a Colônia de Pescadores Z-6 não foi citada
como canal de escoamento da produção local.
Em relação às localidades onde a pesquisa de campo foi feita, é possível perceber, através da análise
das seqüências apresentadas no Gráfico 80, que o atravessador tem maior participação na
comercialização da produção dos pescadores que vivem no Centro (81,6%) e no Casado (75,5%). Já
os que moram na área da Colônia e, portanto, próximos à praia são os que mais vendem o produto
da pesca a veranistas (21,0%) e aos vizinhos com maior poder aquisitivo (13,2%).
TABELA 42
Destino da Produção obtida pelos Pescadores de Barra de Sirinhaém, no Estuário
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Atravessador 40 75,5 40 81,6 26 68,4 106 75,7
Consumo familiar 20 37,7 23 46,9 14 36,8 57 40,7
Feira 7 13,2 7 14,3 6 15,8 20 14,3
Veranistas 5 9,4 4 8,7 8 21,0 17 12,1
Restaurantes 4 7,5 5 10,2 4 10,5 13 9,3
Venda pela rua 3 5,6 2 4,1 3 7,9 8 5,7
Vizinhos 0 0 3 6,1 5 13,2 8 5,7
Comércio próprio 0 0 0 0 1 2,6 1 0,7
Colônia de Pescadores Z-06 0 0 0 0 0 0 0 0
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
109
GRÁFICO 80
Distribuição, por Localidade, quanto à Destinação da Produção obtida no Estuário
2A 2B
Atravessador 75,5 Atravessador 81,6
Consumo familiar 37,7 Consumo familiar 46,9
Destino da Produção
Destino da Produção
Feira 13,2 Feira 14,3
Veranistas 9,4 Veranistas 8,7
Restaurantes 7,5 Restaurantes 10,2
Venda pela rua 5,6 Venda pela rua 4,1
Vizinhos 0 Vizinhos 6,1
Comércio próprio 0 Comércio próprio 0
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Fre quê ncia (%) Fre quê ncia (%)
2C TOTAL
Atravessador 68,4 Atravessador 75,7
Consumo familiar 36,8 Consumo familiar 40,7
Destino da Produção
Destino da Produção
Feira 15,8 Feira 14,3
Veranistas 21 Veranistas 12,1
Restaurantes 10,5 Restaurantes 9,3
Venda pela rua 7,9 Venda pela rua 5,7
Vizinhos 13,2 Vizinhos 5,7
Comércio próprio 2,6 Comércio próprio 0,7
0 20 40 60 80 100 0 10 20 30 40 50 60 70 80
Fre quê ncia (%) Fre quê ncia (%)
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
J) Renda Auferida Através da Pesca
Como se observa na Tabela 43, a grande maioria dos entrevistados (83,6%) assegurou que a renda
mensal alcançada por suas famílias, por meio da atividade pesqueira, não chega a 1 salário-mínimo.
Apenas dois pescadores entre todo o universo pesquisado disseram ganhar mais de 2 salários com a
pesca, a cada mês.
Os dados representados no Gráfico 81 demonstram que não há diferenças consideráveis entre as
rendas auferidas através da atividade pesqueira, informadas pelos moradores das três localidades do
distrito de Barra de Sirinhaém, selecionadas para a execução deste levantamento.
110
TABELA 43
Renda obtida pelos Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém através da Atividade
realizada no Estuário do rio Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
<1 43 81,1 43 87,8 31 81,6 117 83,6
1a2 9 17,0 6 12,2 6 15,8 21 15,0
>2 1 1,9 0 0 1 2,6 2 1,4
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 81
Distribuição, por Localidade, quanto à Renda obtida através da Atividade Pesqueira
2A 2B
100 100 87,8
81,1
80 80
Frequência (%)
Frequência (%)
60 60
40 40
17 12,2
20 20
1,9 0
0 0
<1 1a2 >2 <1 1a2 >2
Re nda-Pe s ca (Salários -m ínim os ) Re nda-Pe s ca (Salários -m ínim os )
2C TOTAL
100 100
81,6 83,6
80 80
Frequência (%)
Frequência (%)
60 60
40 40
15,8 15
20 20
2,6 1,4
0 0
<1 1a2 >2 <1 1a2 >2
Re nda-Pe s ca (Salários -m ínim os ) Re nda-Pe s ca (Salários -m ínim os )
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
111
7.2.3 Percepção da Comunidade Pesqueira
Do mesmo modo como feito com os ex-moradores das ilhas, a pesquisa de campo se propôs, por
meio dos questionários aplicados, a levantar junto aos pescadores artesanais de Barra de Sirinhaém
sua percepção em relação à importância do estuário para suas famílias, os impactos socioambientais
existentes na área e as principais dificuldades notadas pela comunidade local para realizar a
atividade pesqueira.
Quando questionados sobre os principais benefícios que a região das ilhas oferece para suas
famílias, os pescadores entrevistados citaram duas funções primordiais: fonte de alimento e geração
de renda para a população. De um modo em geral, os pescadores artesanais encaram o estuário do
rio Sirinhaém como seu local de trabalho, responsável pela geração da renda necessária para o
sustento familiar. Como pode ser visualizado na Tabela 44, essa é a principal função do estuário
para 59,3% dos entrevistados. O restante (40,7%), além de comercializar sua produção, também
reserva uma parcela para o consumo familiar.
A localidade do Casado e a região próxima à Colônia Z-6 abrigam a maior concentração de
pescadores que extraem os recursos do estuário, visando apenas à comercialização de sua produção,
conforme exposto no Gráfico 82.
TABELA 44
Principal Importância do Estuário para os Pescadores Artesanais de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Renda 33 62,3 26 53,1 24 63,2 83 59,3
Renda / Alimento 20 37,7 23 46,9 14 36,8 57 40,7
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
112
GRÁFICO 82
Distribuição, por Localidade, quanto à Principal Importância da Região das Ilhas Estuarinas
para a Comunidade Pesqueira de Barra de Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Renda
Renda / Alimento
Na visão da grande maioria dos pescadores entrevistados (88,6%), a contaminação do estuário por
efluentes decorrentes da produção do setor sucroalcooleiro é o principal problema ambiental da
região, responsável por seguidas mortandades de peixes e crustáceos e pelo conseqüente
empobrecimento do estuário. Nas três localidades pesquisadas, verificou-se um alto índice de
pescadores que reclamam dos conflitos causados pelo “despejo da calda”, e “do veneno que desce
das plantações de cana-de-açúcar quando chove”, segundo suas próprias palavras.
A grande quantidade de pessoas que lotam o manguezal das ilhas para explorar de modo excessivo
seus recursos pesqueiros, a chamada sobrepesca, é um dos principais fatores impactantes ao meio
ambiente local, na opinião de 23,6% dos entrevistados, que culpam a falta de emprego em Barra de
Sirinhaém por esse problema. “Se a pessoa não tem trabalho e está faltando comida em casa, ela vai
para o mangue”, foi a explicação repetida por diversos pescadores.
A pesca predatória, destacada principalmente pelos entrevistados que residem no Casado, foi o
terceiro problema socioambiental mais citado, ocorrendo pelo uso de petrechos proibidos (redinha,
bombas caseiras, produtos químicos, redes com malha fina) e pela captura de indivíduos jovens ou
durante o período de reprodução.
Outros problemas ambientais existentes na zona estuarina, citados por uma quantidade menor de
pessoas, referem-se à poluição do rio Sirinhaém, ao abandono de lixo no manguezal e ao
desmatamento da vegetação nativa. Apenas um pescador entrevistado disse que não existe nenhum
impacto ambiental no estuário. (Ver dados disponibilizados na Tabela 45 e no Gráfico 83)
113
TABELA 45
Principais Problemas Socioambientais observados pelos Pescadores no Estuário
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Efluentes do setor sucroalcooleiro 47 88,7 45 91,8 32 84,2 124 88,6
Sobrepesca 12 22,6 13 26,5 8 21,0 33 23,6
Pesca predatória 14 26,4 4 8,2 4 10,5 22 15,7
Poluição do rio 3 5,6 5 10,2 4 10,5 12 8,6
Lixo no mangue 1 1,9 1 2,0 1 2,6 3 2,1
Desmatamento 2 3,8 0 0 1 2,6 3 2,1
Nenhum 0 0 0 0 1 2,6 1 0,7
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 83
Distribuição, por Localidade, quanto aos principais Impactos Socioambientais pelos
Pescadores na Área Estuarina
2A 2B
Efluentes setor sucroalcooleiro 88,7 Efluentes setor sucroalcooleiro 91,8
Impacto Socioambiental
Impacto Socioambiental
Sobrepesca 22,6 Sobrepesca 26,5
Pesca predatória 26,4 Pesca predatória 8,2
Poluição do rio 5,6 Poluição do rio 10,2
Lixo no mangue 1,9 Lixo no mangue 2
Desmatamento 3,8 Desmatamento 0
Nenhum 0 Nenhum 0
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Fre quê ncia (%) Fre quê ncia (%)
2C TOTAL
Efluentes setor sucroalcooleiro 84,2 Efluentes setor sucroalcooleiro 88,6
Impacto Socioambiental
Impacto Socioambiental
Sobrepesca 21 Sobrepesca 23,6
Pesca predatória 10,5 Pesca predatória 15,7
Poluição do rio 10,5 Poluição do rio 8,6
Lixo no mangue 2,6 Lixo no mangue 2,1
Desmatamento 2,6 Desmatamento 2,1
Nenhum 2,6 Nenhum 0,7
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100
Fre quê ncia (%) Fre quê ncia (%)
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
114
Durante o levantamento de dados sócio-econômicos, referentes aos pescadores artesanais que
extraem o sustento de suas famílias do estuário do rio Sirinhaém, também foi perguntado aos
entrevistados quais seriam as principais dificuldades encontradas para pescar na região das ilhas.
Um percentual de quase 40% dos pescadores apontou a diminuição na oferta de peixes,
caranguejos, aratus e siris, entre outros recursos que são capturados na região. A fiscalização feita
por funcionários da Usina Trapiche na região das ilhas foi criticada por 23,6% dos pescadores, que
reclamaram das formas de intimidação empregadas pelos fiscais, através de ameaças e apreensões
de petrechos de pesca e da produção, apesar de afirmarem que a situação tem melhorado nos
últimos meses. A falta de embarcação própria, a presença de mosquitos e animais peçonhentos, e a
dificuldade de acesso a algumas ilhas foram outras dificuldades seguidamente lembradas pelos
entrevistados, conforme demonstrado na Tabela 46 e no Gráfico 84.
TABELA 46
Principais Dificuldades encontradas pelos Pescadores para atuar no Estuário do Rio
Sirinhaém
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Diminuição / recursos pesqueiros 20 37,7 22 44,9 12 31,6 54 38,6
Fiscalização / Usina 16 30,2 9 18,4 8 21,0 33 23,6
Falta de embarcação própria 7 13,2 17 34,7 5 13,2 29 20,7
Mosquitos / animais peçonhentos 9 17,0 7 14,3 9 23,7 25 17,9
Dificuldade de acesso às ilhas 11 20,7 4 8,2 3 7,9 18 12,9
Marés Impróprias 1 1,9 3 6,1 2 5,3 6 4,3
Lanchas dos veranistas 0 0 0 0 5 13,2 5 3,6
Período de inverno 1 1,9 1 2,0 3 7,9 4 2,9
Outras 1 1,9 3 6,1 3 7,9 7 5,0
Nenhuma 6 11,3 1 2,0 0 0 7 5,0
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
115
GRÁFICO 84
Distribuição, por Localidade, quanto às Principais Dificuldades Enfrentadas pelo Pescadores
para atuar no Estuário do Rio Sirinhaém
2A 2B
Dim inuição / recurs os pes queiros 37,7 Diminuição / recursos pesqueiros 44,9
Fis calização / Us ina 30,2 Fiscalização / Usina 18,4
Falta de em barcação própria 13,2 Falta de embarcação própria 34,7
Mos quitos e anim ais peçonhentos 17 Mosquitos e animais peçonhentos 14,3
Dificuldades
Dificuldades
Dificuldade de aces s o às ilhas 20,7 Dificuldade de acesso às ilhas 8,2
Marés Im próprias 1,9 Marés Impróprias 6,1
Lanchas dos veranis tas 0 Lanchas dos veranistas 0
Período de inverno 1,9 Período de inverno 2
Outras 1,9 Outras 6,1
Nenhum a 11,3 Nenhuma 2
0 10 20 30 40 50 0 10 20 30 40 50
Frequência (%) Fre quência (%)
2C TOTAL
Diminuição / recursos pesqueiros 31,6 Diminuição / recursos pesqueiros 38,6
Fiscalização / Usina 21 Fiscalização / Usina 23,6
Falta de embarcação própria 13,2 Falta de embarcação própria 20,7
Mosquitos e animais peçonhentos 23,7 Mosquitos e animais peçonhentos 17,9
Dificuldades
Dificuldades
Dificuldade de acesso às ilhas 7,9 Dificuldade de acesso às ilhas 12,9
Marés Impróprias 5,3 Marés Impróprias 4,3
Lanchas dos veranistas 13,2 Lanchas dos veranistas 3,6
Período de inverno 7,9 Período de inverno 2,9
Outras 7,9 Outras 5
Nenhuma 0 Nenhuma 5
0 10 20 30 40 50 0 10 20 30 40 50
Fre quê ncia (%) Fre quência (%)
LEGENDA
Localidades 2A – Casado 2B – Centro 2C – Colônia de Pescadores Z-6
A pesquisa de campo também indicou que apenas um terço dos pescadores entrevistados tem
conhecimento da solicitação feita por antigos moradores das ilhas ao IBAMA, para criação de uma
unidade de conservação (UC) federal, que garanta a conservação e o uso sustentável dos recursos
naturais existentes no estuário do rio Sirinhaém. (ver Tabela 47)
O maior percentual de pescadores artesanais de Barra de Sirinhaém, que se mostraram cientes do
processo, são aqueles que residem na localidade do Casado, são vizinhos de ex-moradores das ilhas
e acompanham toda sua luta para poder retornar a região. Já no Centro, onde mora o maior número
de pescadores que disseram não conhecer as famílias que habitaram as ilhas, verifica-se por meio
dos dados exibidos no Gráfico 85 o maior índice de desconhecimento dos entrevistados sobre o
pedido para criação de uma UC na região.
116
Todos os pescadores entrevistados, residentes nas três localidades do distrito, posicionaram-se
favoravelmente à idéia de criação de uma reserva ambiental na zona estuarina como estratégia para
combater os impactos ambientais, já mencionados, que estão contribuindo para a redução do
estoque pesqueiro de diversas espécies, no local.
TABELA 47
Pescadores Entrevistados que têm Conhecimento sobre a Solicitação de Antigos Moradores
das Ilhas ao IBAMA para Criação de uma Unidade de Conservação no Estuário
2A 2B 2C TOTAL
Nº. % Nº. % Nº. % Nº. %
Sim 23 43,4 11 22,4 12 31,6 46 32,9
Não 30 56,6 38 77,6 26 68,4 94 67,1
53 100 49 100 38 100 140 100
Fonte: Levantamento de Campo - outubro/novembro 2007
GRÁFICO 85
Distribuição, por Localidade, quanto ao Conhecimento dos Pescadores Artesanais de Barra
de Sirinhaém sobre a Solicitação de Ex-moradores das Ilhas para Criação de uma UC no
Estuário
2A 2B 2C TOTAL
LEGENDA
Cod. Localidades Sim
2A Casado Não
2B Centro
2C Colônia de Pescadores Z-6
117
8. PARTICIPAÇÃO DE INSTITUIÇÕES LOCAIS NA RESOLUÇÃO DO CONFLITO
PELO USO DAS ILHAS E DO ESTUÁRIO DO RIO SIRINHAÉM
Discorrer sobre as percepções e o papel desempenhado pelas instituições locais envolvidas com o
conflito instalado nas ilhas, como o poder público municipal, a empresa foreira da área e as
entidades representativas dos pescadores que extraem os recursos naturais do estuário do rio
Sirinhaém, tornou-se essencial para compreender melhor o cenário local e o histórico do processo.
Prefeitura Municipal de Sirinhaém
Entrevistado: Amaro Ricardo – Secretário de Agricultura, Indústria, Comércio e Controle
Ambiental
Data: 31/03/2008
“Quando assumimos a prefeitura, em 2005, tivemos a oportunidade de constatar as condições sub-
humanas em que viviam as famílias que ainda permaneciam nas ilhas, sem energia elétrica, água
encanada e saneamento básico. Não havia a menor condição de eles permanecerem no local, por
isso, concordamos com o processo de negociação entre a usina e os moradores, para a
desocupação das ilhas. Além disso, nunca recebemos qualquer denúncia dos ex-moradores
daquela região em relação à forma de atuação da empresa durante o processo. A meu ver o
conflito pela posse das ilhas não se deu entre a usina e os ex-moradores, mas entre a Comissão
Pastoral da Terra e a usina”.
Durante toda a conversa, o representante do poder público municipal fez questão de enfatizar, por
diversas vezes, que a relação da prefeitura com a Usina Trapiche é meramente institucional. “A
usina é nossa parceira em algumas ações. Apoiamos as iniciativas desenvolvidas pela empresa que
sejam boas para o município e denunciamos quando ela atua de forma errada”, explicou. A
preocupação da prefeitura em se desvincular da usina vai de encontro à visão transmitida pela
comunidade pesqueira do município, de que Usina Trapiche tem grande influência sobre a
Prefeitura de Sirinhaém, devido às relações políticas estabelecidas e à grande representatividade da
Empresa para a arrecadação do município.
O representante da prefeitura disse que na região há um histórico de degradação ambiental por
parte das usinas, contudo, quando o grupo que administra atualmente a usina assumiu o controle da
empresa, demonstrou preocupação em recuperar e preservar as matas ciliares e o manguezal do rio
118
Sirinhaém. “Hoje, a usina ainda promove a degradação ambiental, mas também existe a
preocupação em se preservar a natureza”, resumiu.
Na visão do poder público municipal, o grande problema ambiental do estuário é a extração
irregular de madeira que era realizada por ex-moradores das ilhas ou facilitada por eles para que
outras pessoas desmatassem a vegetação de suas ilhas. “Nem a prefeitura e nem o IBAMA tinham
ou têm condições de fiscalizar de forma efetiva a região, apenas a usina”, opinou o secretário
municipal. Outro problema do estuário refere-se à estação de tratamento de esgoto, construída
próxima ao manguezal, que recebe dejetos de até outros municípios, mas não trata os resíduos.
“Não entendo como os órgãos ambientais licenciaram essa obra”, queixou-se.
O representante da prefeitura declarou que a questão da pesca foi deixada pela administração
municipal atual a cargo da Colônia de Pescadores Z-6, e lamentou-se de que até o final de 2007
houve um sério problema, pois a entidade não funcionava. Na opinião do entrevistado, o estuário é
utilizado para a subsistência de algumas famílias, por meio da pesca artesanal, praticada em
pequenas embarcações. “Durante nossas visitas ao local, não percebemos a utilização de métodos
predatórios”, informou.
O secretario municipal afirmou que o poder público tem dificuldade para fazer um mapeamento das
comunidades que sobrevivem do estuário, principalmente da localidade do Casado, onde muitas
famílias recorrem ao mangue para se alimentar. “É uma área extremamente difícil de trabalhar,
habitada por famílias oriundas de diversos municípios, onde a violência é muito alta. Nem a
polícia entra no Casado”, resumiu.
“O poder público municipal nunca foi convidado a participar das discussões, a opinar sobre
aquela área. Ouvimos falar que o IBAMA tem interesse em criar uma reserva extrativista no local.
Queríamos entender o modelo a ser implantado e seus objetivos, para podermos dar um parecer.
Para voltar ao sistema como era antes, com as famílias morando nas ilhas sem condições de
sobrevivência, somos contra, mas se for para dar infra-estrutura e meios de vida, podemos discutir
a questão. Somos favoráveis a tudo que beneficiar o município”, concluiu.
119
Usina Trapiche S.A.
Entrevistados: Mario Jorge P. Seixas Aguiar e Cauby Figueiredo Filho
Data: 27/03/2008
Os representantes da Usina Trapiche iniciaram a conversa enfatizando o interesse do grupo em
atuar na preservação do manguezal do rio Sirinhaém: “Quando adquirimos o controle da Usina
Trapiche, em 1998, tivemos a preocupação em manter a filosofia do grupo em atuar na
conservação de ecossistemas e na implantação de corredores ecológicos, fazendo a articulação
institucional com universidades e órgãos ambientais. Logo que tivemos conhecimento de que
possuíamos o aforamento da área, identificamos o manguezal como uma área essencial a ser
preservada. Ao sobrevoarmos a região, percebemos que seu estado de degradação era alarmante,
com a existência de várias clareiras, causada pela ocupação humana. Por ter o aforamento da
área, a usina seria responsabilizada pela favelização e degradação do mangue”.
Conforme o relato dos entrevistados, as ilhas eram habitadas nesse período por 52 famílias que
criavam animais, cultivavam lavoura branca, plantavam árvores frutíferas e desmatavam a
vegetação nativa. A qualidade de vida era muita baixa. Moravam todos em casas de taipa, sem
saneamento, eletrificação, água ou educação.
Os representantes da usina confirmaram, veementemente, que a negociação com os moradores para
desocupação das ilhas ocorreu de forma pacífica. “Fizemos um trabalho inicial de conscientização
com as famílias. Depois conversamos com cada uma e oferecemos indenizações, doações de casas,
empregos. Aquelas que resistiram por mais tempo acreditaram nas promessas de ONGs em
garantir novas moradias e quantias em dinheiro. As ONGs sempre demonstraram rejeição ao
trabalho da usina. Por duas vezes Nazaré (uma das irmãs que ainda permanece nas ilhas) foi até a
usina para fazer acordo de ir morar em Barra de Sirinhaém, mas em seguida era convencida pela
Comissão Pastoral da Terra a permanecer na ilha”.
Os funcionários da empresa garantiram que a usina sempre teve um bom relacionamento com os
habitantes das ilhas. “Na cheia de 2002, alugamos lanchas e até um helicóptero para socorrer as
famílias que tiveram suas ilhas inundadas. Algumas pessoas estavam abrigadas em árvores”,
lembraram. Os únicos conflitos decorrentes do processo de desocupação das ilhas, segundo os
entrevistados, foram a derrubada de novas moradias nas ilhas, desrespeitando a ordem judicial que
proibia a construção de benfeitorias na área, e o combate ao desmatamento. “Quando a usina
demonstrou interesse em conservar a área e indenizar as 52 famílias, houve um aumento
120
populacional na região, com a instalação de novas famílias e a construção de mais casas nas
ilhas. Entramos com ações na justiça para evitar a construção de novas moradias”.
Atualmente, o modelo de gestão ambiental empregado pela usina na região das ilhas é realizado por
meio de ações de reflorestamento, baseadas em orientações de plantio de mangue junto aos órgãos
ambientais; de fiscalização, que se propõe a constatar os danos ambientais e denunciá-los aos
órgãos ambientais; e de conscientização dos funcionários. “Com a retirada do aforamento da área
houve uma preocupação de que as ilhas fossem invadidas”.
Os principais problemas ambientais existentes na área, segundo os representantes da empresa são
os incêndios causados pelos pescadores que acampam nas ilhas, a poluição urbana causada por
esgotos lançados na agrovila, o desmatamento pontual e a pesca criminosa, praticada com a
utilização de redes ilegais, carrapaticidas e bombas.
Ao serem questionados sobre a queixa da comunidade pesqueira de Barra de Sirinhaém, em relação
ao lançamento de efluentes do setor sucroalcooleiro no estuário do rio Sirinhaém, os entrevistados
alegaram que a Usina Trapiche encontra-se no final do percurso do rio e, portanto, recebe uma água
que já passou por várias cidades, usinas e indústrias. “A vinhaça é totalmente utilizada em nosso
sistema produtivo e a tecnologia empregada pela usina impede que ela escape para o manguezal.
Mas sabemos que outras unidades instaladas nas margens do rio despejam seus efluentes
diretamente no rio. Quando percebemos que a vinhaça lançada por outra usina chega em uma
barragem localizada há 18 quilômetros da Trapiche, avisamos imediatamente à Colônia de
Pescadores e à APA de Guadalupe, para que tomem as providências necessárias. Porém, fica
difícil para nós acusarmos uma determinada usina pelo derramamento”.
A Usina Trapiche acha incompatível a criação de uma reserva extrativista na região das ilhas, que
permita a construção de moradias nas ilhas e a destinação de áreas de lavoura, já que se trata de
área de preservação permanente. Os representantes da empresa também se mostraram receosos de
que seus funcionários não tenham o direito de pescar no estuário com a criação da unidade.
Por outro lado, acreditam que o IBAMA pode ser um importante parceiro institucional, sobretudo
no ordenamento da atividade pesqueira realizada no estuário, uma vez que concordaram não
possuir o conhecimento técnico necessário para realizar qualquer intervenção na pesca, mas
solicitaram o apoio do Instituto nesse sentido, ampliando a fiscalização, desenvolvendo trabalhos
de educação ambiental com a comunidade local e fornecendo orientações para o reflorestamento do
manguezal.
121
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Entrevistado: Sinésio Araujo
Data: 14/04/2008
O representante da Comissão Pastoral da Terra no município de Sirinhaém explicou que a
população tradicional, objeto deste estudo, é formada por famílias de pescadores e agricultores,
descendentes há várias gerações de um povo que habitava as 17 ilhas integrantes do estuário do rio
Sirinhaém, onde praticavam agricultura de subsistência e criação de animais de pequeno porte,
associados à coleta de peixes e crustáceos. Nas ilhas, segundo o entrevistado, “viveram uma época
de fartura, até serem removidos para a periferia da cidade por acordos forçados, eivados de
ameaça física e moral”. Segue, abaixo, o depoimento do representante da CPT sobre o conflito
existente na região.
“Nos anos 80, Frei Francisco Hilton da Cruz Botelho desenvolvia um trabalho social e ambiental
com as 53 famílias que habitavam a área estuarina, mediado através de uma escola municipal que
existia na ilha Grande, onde quase todas as crianças da comunidade em idade escolar estudavam,
recebiam merenda e reforço escolar. Neste local, também funcionava a associação dos pescadores
das ilhas, que se reunia periodicamente para debater a proteção do estuário e assuntos congêneres
a sua categoria. Nesse período, um dos graves problemas que afetava o estuário era o
derramamento do vinhoto, que ocorria no período de março a setembro, prejudicando
significativamente a coleta de peixes e crustáceos. Desse modo, a alternativa alimentar encontrada
era a prática da agricultura familiar, desenvolvida nas ilhas. Nessa década, quando a família
Brennand era proprietária da empresa, já existia conflito pela posse das ilhas.
Nos anos 90, a Usina Trapiche foi vendida para um grupo econômico de Alagoas que também não
concordava com a permanência da população tradicional. Em 1998, o órgão ambiental do Estado
(CPRH) realizou oficinas na região para efetivar uma proposta de Gerenciamento Econômico,
Ecológico e Costeiro para o Litoral Sul. Nesse período, os pescadores foram recebidos pelo então
Governador Miguel Arraes, em audiência no Palácio dos Campos das Princesas, e solicitaram a
criação de uma Área de Proteção Ambiental no local. No decreto de criação dessa Unidade,
existiam artigos que tipificavam a realização do zoneamento das ilhas e garantiam que os
pescadores poderiam habitar a área, levando em consideração a capacidade de suporte, e
deveriam receber assistência social, ambiental, profissional pesqueira e até de equipamentos.
122
Contudo, com a mudança de governo, a política pública ambiental, social e territorial para essa
população tradicional foi relegada ao descaso e a Usina Trapiche, por meio de seus funcionários,
intensificou a pressão para que a comunidade deixasse seu habitat de longas gerações. Tais formas
de coerção e ameaças resultaram em diversos acordos forçados, bastante prejudiciais aos ilhéus,
que receberam uma suposta indenização, quase irrisória, e foram forçados a se deslocar para
lugares distantes de seu habitat natural e profissional, ou seja, para as favelas de Sirinhaém.
Esses deslocamentos forçados resultaram em vários problemas de ordem econômica, pois as
famílias perderam sua subsistência complementar, oriunda da agricultura familiar, e passaram a
viver de maneira bastante precária, em relação à sua qualidade de vida anterior, já que antes não
havia queixas de fome, despesas com energia elétrica e falta d’água. Problemas de ordem
psicológica também são evidentes, pois muitos entraram em estado depressivo, fruto do
comprometimento de sua identidade que lhe fora negada a partir do momento em que foram
forçados a sair de seu habitat natural e mudaram totalmente a sua maneira de ser e agir. Seu
Dudé, por exemplo, teve um filho morto pelo envolvimento com drogas na periferia da Barra de
Sirinhaém e disse: “se meu filho estivesse nas ilhas, não se envolveria nesta situação”.
Diante desse cenário de injustiça e comprometimento da identidade territorial, social, econômica e
psicológica da população tradicional, a Comissão Pastoral da Terra foi convidada pelos ilhéus e
os franciscanos de Sirinhaém, em 2003, para assessora-los na retomada de sua identidade, com a
proposta de criação de uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável, da categoria Reserva
Extrativista, prevista na lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Lei 9.985/2000).
Para atingir tal objetivo, foram necessárias várias reuniões com a população tradicional, que tem
plena concordância da importância em retornar para seu lugar de origem e, assim, recuperar sua
identidade, seu território e sua maneira de ser como população tradicional do estuário. É
importante destacar que a área em questão teve seu aforamento cancelado pela Gerência Regional
do Patrimônio da União, em Recife, por encontrar irregularidades na documentação da usina.
Um dos grandes problemas enfrentados, não apenas pela população tradicional mas por todas as
comunidades residentes em áreas próximas ao estuário do rio Sirinhaém, refere-se ao
derramamento de vinhoto, feito pela referida usina. O aumento da produção de etanol resultará
também no crescimento da geração de vinhoto, pois, para cada litro de etanol produzido, geram-se
15 litros de vinhoto. Portanto, para se perfazer um total de 15 milhões de litros de etanol, tem-se
uma produção de aproximadamente 225 milhões de litros de vinhaça. Somente uma pequena
parcela dessa produção é utilizada no sistema de ferti-irrigação da empresa, em áreas próximas ao
123
estuário, onde ocorre a contaminação dos lençóis freáticos. O restante é lançado diretamente em
canais que deságuam no estuário, conforme a constatação dos usuários dessa área.
Outro problema ambiental da área refere-se ao plantio de cana-de-açúcar no entorno do estuário.
A Usina Trapiche não observa os limites das áreas de preservação permanente. É fácil constatar o
plantio de cana quase entrando no mangue e nas margens do rio Sirinhaém, comprometendo assim
a área de restinga que praticamente inexiste devido ao plantio da referida cultura, e que deveria
ser área de proteção estuarina e habitat da fauna e flora característica desse ecossistema.
Os herbicidas aplicados em grande quantidade, para combater as pragas que afetam a cana-de-
açúcar, e os agrotóxicos empregados na adubação das áreas de cultivo escorrem para o estuário
no período chuvoso, afetando a biodiversidade local. A cana-de-açúcar, quando chega na
indústria, passa por um processo de lavagem e os rejeitos são lançados no rio Sirinhaém, bem
como os produtos químicos utilizados para lavar o maquinário e os tanques da usina.
Tais problemas ambientais deveriam ser resolvidos com a simples aplicação da legislação
ambiental sobre a empresa infratora, para que a mesma obedeça à legislação pertinente para com
os recursos hídricos, áreas de preservação permanente e matas ciliares, bem como as normas
vigentes para a Área de Proteção Ambiental do rio Sirinhaém.
Para resolver o conflito pela posse das ilhas, o IBAMA deveria criar no local uma reserva
extrativista. Desse modo, a população tradicional teria seu território demarcado e reconhecido.
Com a adoção dessa iniciativa, teríamos condições de atrair políticas publicas para a capacitação
dos ilhéus, melhorar sua qualidade de vida, oferecer uma capacitação para a comunidade
administrar a área da RESEX e resgatar a sua identidade.
O Modelo de gestão a ser seguido na área deve ser aquele indicado na lei do Sistema Nacional de
Unidades de Conservação, e de modo especial os artigos e incisos que tipificam as Unidades de
Conservação de uso sustentável, como as reservas extrativistas. Com a criação da Unidade, será
possível criar o seu Conselho gestor e deliberativo, bem como a realização do plano de manejo no
qual deverá indicar aquelas atividades, formas de ocupação, convivência em relação à coleta de
peixes, crustáceos, agricultura familiar e delimitando a zona de amortecimento e do seu entorno.
As irmãs que resistem em sair das ilhas, com seus filhos e companheiros, ao longo do tempo vêm
sofrendo ameaças, violências, prisões ilegais, derrubamento de suas precárias moradias,
representação na justiça Estadual, por parte da Usina Trapiche, e estão à espera do IBAMA para
criar urgentemente a Resex para serem de fato e de direito reconhecidas como população
tradicional e ter seu território demarcado”.
124
Colônia de Pescadores Z-6
Entrevistado: Ronaldo José de Santana
Data: 04/03/2008
O atual Presidente da Colônia de Pescadores Z-6, Ronaldo José de Santana, que assumiu o controle
da entidade no final de 2007, afirmou que no primeiro instante em que o conflito foi deflagrado a
Colônia assumiu uma postura de defesa aos moradores das ilhas, porém, com o andamento do
processo a entidade se ausentou das discussões.
Segundo a atual diretoria da Colônia, a entidade praticamente não funcionou nos últimos 10 anos, o
que contribuiu para a desarticulação dos pescadores justamente quando precisavam lutar pelos seus
direitos de utilização do manguezal e do rio.
Na visão de seu Presidente, o lançamento do vinhoto nos cursos d’água que deságuam no estuário
do rio Sirinhaém continua sendo a principal forma de impacto ambiental na região das ilhas.
“Antes, as usinas soltavam a calda diretamente no rio, agora que ela é usada na irrigação da
cana, costuma escorrer para a água quando chove, matando peixes e crustáceos. Não adianta
denunciar que não acontece nada”, desabafou.
A pesca predatória é outro problema apontado por Ronaldo na região das ilhas. “Se cada catador
coloca uma média de 200 laços por dia no mangue, ele consegue recolher no máximo uns 150. O
restante fica abandonado nas ilhas e mata os caranguejos que não são capturados. A Colônia
conscientiza esses pescadores mais é difícil, porque eles precisam daquilo para sobreviver”.
A solução indicada pelo Presidente da Colônia Z-6 para diminuir os conflitos com as usinas e
ordenar a atividade pesqueira no estuário pode ser alcançada por meio do investimento na educação
da comunidade pesqueira, na ampliação do seguro-desemprego aos pescadores e na criação de uma
reserva ambiental no estuário do rio Sirinhaém. “A Colônia apóia a criação da reserva, tem a
maior boa vontade em contribuir, oferecendo o seu espaço físico que será reformado e o trabalho
de sua diretoria”.
125
Associação de Pescadores e Armadores de Barra de Sirinhaém (APESCA)
Entrevistado: Flávio Vanderlei da Silva
Data: 05/03/2008
Criada em 1996, a antiga Associação de Moradores da Vila Alcina Ribeiro (AMAR), que conta
atualmente com cerca de 90 associados, desempenhou importante papel na defesa dos direitos dos
pescadores de Barra de Sirinhaém e como denunciante das irregularidades que aconteciam nas
ilhas, no período em que a Colônia se afastou do processo.
Na visão de seu Presidente, Flávio Vanderlei da Silva, que participa há quatro anos do Conselho de
Desenvolvimento Municipal, a zona estuarina do rio Sirinhaém está sujeita a uma série de impactos
socioambientais que comprometem a sustentabilidade.
“O principal problema do estuário é a poluição do rio causada principalmente pelo lançamento de
efluentes provenientes do setor sucroalcooleiro, como o vinhoto, que é responsável pela morte de
peixes”. Outros impactos destacados pela entidade tratam-se da existência de uma draga, que retira
areia do fundo do rio, causando a erosão das margens e aumentando a dispersão de sedimentos pelo
estuário; o uso do laço (redinha) pelos catadores de caranguejo, que compromete a conservação da
espécie; e o loteamento de áreas de manguezal em Barra de Sirinhaém.
As soluções apontadas pelo entrevistado estão na identificação e fiscalização das fontes emissoras
de vinhoto nos rios e canais que abastecem o estuário, na proibição de dragas próximas ao estuário,
no ordenamento da ocupação humana em áreas próximas ao manguezal e na solicitação feita pela
Comissão Pastoral da Pesca a órgãos federais para desapropriação de engenhos próximos às ilhas
para assentamento dos ex-moradores e retirada do aforamento da área para criação de uma reserva
ambiental para uso dos pescadores.
O presidente da APESCA também explicou que devido a problemas administrativos da Colônia
Z-6, que se estenderam por vários anos, muitos pescadores da Barra deixaram de receber o seguro-
desemprego nos períodos de defeso da atividade, causando impactos sociais, econômicos e
ambientais à comunidade pesqueira e ao estuário. “Com o processo atual de reestruturação da
Colônia, existe a possibilidade de nos juntarmos numa única entidade para fortalecer a luta do
pescador”, concluiu
126
Associação de Moradores do Oiteiro do Livramento (AMOL)
Entrevistado: Antônio José da Costa
Data: 04/03/2008
O Presidente da Associação de Moradores do Oiteiro do Livramento, Antônio José da Costa, atua
no conflito desde que os moradores das ilhas começaram a ser perseguidos. Quando era Presidente
do Conselho de Desenvolvimento do Município, foi chamado para ser uma ponte entre o Conselho
Pastoral dos Pescadores (CPP) e a Associação dos Pescadores e Pescadeiras das Ilhas de Sirinhaém.
“O Conselho recebia as denúncias e dava suporte às famílias para que eles resistissem nas ilhas”.
Nos quatro meses em que se afastou para concorrer a uma vaga na Câmara Municipal, as ilhas
foram “negociadas” e os moradores começaram a sair. “Muitos negociaram sobre pressão: tinham
que abandonar as ilhas senão sua casa podia ser derrubada. O Conselho denunciava essa realidade e
a Justiça não fazia nada”.
Atualmente a AMOL assessora as famílias que deixaram as ilhas em conjunto com a Comissão
Pastoral da Pesca (CPT).
Na visão de Antônio, existem três formas de impactos ao meio ambiente na região das ilhas: o
vinhoto que é despejado pelas usinas sem que haja ninguém morando nas ilhas para denunciar, a
grande quantidade de pessoas pescando no manguezal que capturam uma produção maior que a
capacidade de renovação do ambiente, e o esgoto lançado no estuário pelo Matadouro Público e
pelas residências da Agrovila.
A solução para resolver esses conflitos, na opinião do representante da AMOL, seria a criação de
uma Reserva Extrativista no estuário, onde poderiam ser instaladas duas famílias em cada ilha para
diminuir os impactos sobre o meio ambiente, e os próprios moradores poderiam atuar como fiscais
da área. “E a CPRH ficaria responsável pela fiscalização desse matadouro”.
127
9. CONCLUSÃO
Nos anos em que habitaram as ilhas, as famílias entrevistadas tinham uma vida simples, que pode
ser considerada até certo ponto precária, haja vista que moravam em casebres de taipa e não
dispunham de água encanada, esgotamento sanitário, coleta de lixo e energia elétrica. No entanto,
criaram uma forma de organização de espaço bastante singular, fundada em uma relação íntima e
direta com o ambiente – transmitida por gerações – que lhes permitia extrair do estuário os recursos
naturais que necessitavam para sua sobrevivência. Acreditar que a qualidade de vida das famílias
que moravam nas ilhas era sub-humana depende de uma questão de valores. O que pode ser
considerado por alguns como uma vida de miséria, para outros, pode ser visto como um paraíso.
Na memória dos entrevistados, o estilo de vida da comunidade que residia nas ilhas era marcado
pela maior disponibilidade de alimento, mesmo estando sujeita a certas dificuldades como as longas
distâncias que precisavam percorrer para alcançar os centros urbanos mais próximos e as
inundações ocorridas nos períodos de chuvas mais intensas. Antigamente, além de o pescador
capturar uma maior oferta de peixes e crustáceos, ele podia comercializar o excedente da produção
e garantir assim o recurso necessário para a compra de vestuário, medicamentos e outras variedades
de alimento.
A proximidade ao manguezal e a disponibilidade de terrenos favoráveis à exploração da agricultura
de subsistência e à criação de animais de pequeno porte, se por um lado implicavam em uma vida
de árduo trabalho, por outro, propiciavam condições de alimentação mais consistentes e alternativas
complementares de renda que praticamente desapareceram após a mudança para áreas urbanas.
O saudosismo latente nos depoimentos dos ex-moradores das ilhas reflete a sua relação de
dependência com o estuário do rio Sirinhaém; suas falas não mostram apenas conflitos pela posse
da área e uso dos recursos naturais, também explicitam autênticas declarações de amor e fidelidade
ao local em que viram seus descendentes nascer.
Com a transferência dos moradores das ilhas para áreas urbanas, o estuário do rio Sirinhaém deixou
de representar uma fonte segura de obtenção de alimento para essas famílias, haja vista a distância a
ser percorrida até o manguezal e a desorganização no cotidiano da categoria. Por meio dos
questionários aplicados, constatou-se uma sensível redução no contingente de famílias de ex-
moradores das ilhas que praticam a atividade pesqueira na região – de 97,5% para 57,5%. A pesca
não é tida, atualmente, como uma fonte satisfatória de subsistência/renda, ao contrário do que
128
aconteceu no passado, quando a zona estuarina representava um ambiente natural que garantia a
subsistência dos grupos familiares e a geração de alguma renda.
À primeira vista, o retorno das famílias para a região das ilhas, com a oferta de condições básicas de
infra-estrutura, seria a medida mais apropriada para proporcionar o resgate do estilo de vida ao qual
estavam acostumados, além de propiciar os benefícios sociais e econômicos aos quais tinham
acesso. Contudo, deve-se ter o cuidado em analisar se a presença humana nas ilhas é compatível
com a conservação da biodiversidade local e de sua sustentabilidade ambiental, bem como com a
legislação vigente, que classifica uma significativa parcela da região como Área de Preservação
Permanente, portanto, imprópria à ocupação humana.
Mesmo que os estudos técnicos concluam que, para a sustentabilidade da atividade pesqueira no
estuário do rio Sirinhaém, as ilhas não devem ser novamente ocupadas, recomenda-se discutir com
os demais atores sociais envolvidos com a questão, o assentamento dessas famílias em áreas mais
próximas ao estuário, com acesso mais fácil ao manguezal das ilhas e espaço disponível para a
realização de atividades complementares, praticadas tradicionalmente pelos ex-moradores na
referida área, e oferta de condições básicas de infra-estrutura.
Devido à diversidade de atores sociais que atuam no estuário do rio Sirinhaém, com diferentes
interesses, necessidades, aspirações, níveis de informação e formas de interação com o meio
ambiente, torna-se importante a promoção de um modelo de gestão ambiental participativo que
garanta sustentabilidade da atividade pesqueira no local, por meio do zoneamento ecológico-
econômico, da adoção de medidas para o ordenamento da pesca, da realização de um trabalho de
educação ambiental com a comunidade pesqueira e melhoria das condições de infra-estrutura das
famílias, dentro dos valores dos pescadores.
Durante a realização deste estudo, a comunidade pesqueira de Barra de Sirinhaém expôs como
principais problemas ambientais, prejudiciais à sustentabilidade da atividade no estuário do rio
Sirinhaém, o lançamento de efluentes pelo setor sucroalcooleiro, a pesca predatória e a sobrepesca.
A empresa até então detentora do aforamento da área e responsável por sua gestão ambiental alegou
ter dificuldade em denunciar as usinas que poluem o estuário, além de não possuir o conhecimento
técnico necessário para atuar no ordenamento da pesca, solicitando inclusive o apoio do IBAMA
nessas ações.
129
A realidade pesqueira de Sirinhaém se constitui em apenas um pequeno espaço que está contido no
universo maior da pesca do litoral de Pernambucano. Porém, a realidade apresentada neste estudo
expõe a gravidade da crise atual vivida pelos ex-moradores das ilhas e demais usuários do estuário
do rio Sirinhaém, produto de intervenções equivocadas implantadas na região e de um modelo de
conservação ambiental que excluiu a comunidade usuária dos recursos naturais do estuário da
tomada de decisões e que não atua para o ordenamento da atividade pesqueira, justificando dessa
forma, a criação de uma Unidade de Uso Sustentável da categoria Reserva Extrativista para a área
objeto deste estudo, como forma do poder público contribuir para a gestão compartilhada com os
reais usuários desses espaços protegidos.
O Governo do Estado de Pernambuco, através do Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro do
Litoral Sul de Pernambuco, consolidado em maio de 1999, inclusive, considera para a região a
criação de uma reserva extrativista, como estratégia eficaz de conservação ambiental e inclusão
social da comunidade pesqueira artesanal.
130
10. BIBLIOGRAFIA
ANDRADE, Manuel Correia de. Área do Sistema Canavieiro. Recife: SUDENE-PSU-SER,1988.
(Estudos Regionais, 18)
BRAGA, R.A.P. et al., Alternativas de uso e proteção dos manguezais do
Nordeste. Recife: UFPE, CPRH, CIRM, IBAMA, 1991.
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CORREA, Roberto Lobato. Territorialidade e corporação: um exemplo. CASTRO, Iná E. de,
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Janeiro: Editora Bertrand. 1995. p. 251 - 249.
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CPRH. Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro - Litoral Sul de Pernambuco. Recife, 1999.
FEATHERSTONE, Mike. Culturas globais e culturas locais. O desmancha da cultura:
globalização, pós-modernismo e identidade. São Paulo: Studio Nobel, 1995. p. 123 - 142.
HAESBAERT, Rogério. Desterritorialização: entre as redes e os aglomerados de exclusão.
CASTRO, Iná E. de, CORREA, Roberto L. GOMES, Paulo C. C. Geografia: conceitos e
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LGGM-UFPE/CPRH. Diagnóstico Preliminar Sócio Ambiental do Litoral Sul de Pernambuco.
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LIMA, Roberto Kant de, PEREIRA, Luciana Freitas. Pescadores de Itaipu. Meio ambiente,
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PRATES, A. P. L.; CORDEIRO, A. Z.; FERREIRA, B. P.; MAIDA, M. 2001b Unidades de
Conservação Costeiras e Marinhas de Uso Sustentável Como Instrumento para a Gestão
Pesqueira. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO, 2.,
Campo Grande, 2000. Anais... p.544-553.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. Técnica e tempo, razão e emoção. HUCITEC. São
Paulo, 1996.
TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução è pesquisa em Ciências Sociais. São Paulo:
Atlas, 1995.
TUAN, Yi-fu. Espaço e lugar. São Paulo: DIFEL. 1983.
131
11. ANEXOS
ANEXO 01
Notícias
maio / 2001
17/5/2001
Usina Trapiche degrada o meio ambiente
CPRH
A Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH), multou em R$ 30 mil
a usina Trapiche, localizada no município de Sirinhaém, responsável pelo
derramamento de vinhoto em um riacho que desagua no rio Sirinhaém. De
acordo com o engenheiro da CPRH, José Carlos Lucena, apesar de não ter
provocando a morte de peixe no riacho, o vinhoto diminuiu consideravelmente
a quantidade de oxigênio dissolvido no corpo hídrico, o que torna a
sobrevivência dos peixes ainda mais difícil. No ano de l998, a CPRH autuou
em R$ 5 mil a usina, por causar poluição no mesmo riacho. “Como é uma
reincidência, a multa aumenta de valor”, explica o engenheiro.
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Rua Santana, 367, Casa Forte, Recife/PE - Brasil, CEP 52060-460 - Telefone: (81) 3182.8800
E-mail: cprhacs@cprh.pe.gov.br - URL: http://www.cprh.pe.gov.br/
132
ANEXO 02
DECRETO N.º 21 229 DE 28 DE DEZEMBRO DE 1998
Declara como Área de Proteção Ambiental (APA) a região situada nos municípios de Sirinhaém
e Rio Formoso, e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO ESTADO, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 37, inciso IV, da
Constituição do Estado, e tendo em vista o disposto no art. 8º, da Lei Federal n.º 6.902, de 27 de
abril de 1981 e na Resolução CONAMA n.º 010/88,
DECRETA:
Art. 1º - Sob a denominação de APA de Sirinhaém, fica declarada Área de Proteção Ambiental a
região situada nos municípios de Sirinhaém e Rio Formoso, abrangendo uma área de 6.589 ha.
( Seis mil quinhentos e oitenta e nove hectares), conforme memorial descritivo e delimitação
geográfica constante do anexo único, deste Decreto.
Art. 2º - O objetivo geral da APA de Sirinhaém constitui-se na promoção do desenvolvimento
sustentável, baseado na implementação de programas de desenvolvimento econômico-social,
voltados às atividades que protejam e conservem os ecossistemas naturais essenciais à
biodiversidade, visando à melhoria da qualidade de vida da população.
Parágrafo único - Os objetivos específicos da criação dessa APA baseiam-se na garantia:
I - do ecossistema estuarino bem conservado e monitorado;
II - da atividade pesqueira desenvolvida de forma sustentável;
III - da comunidade ambientalmente conscientizada;
IV - da proteção e recuperação da Mata Atlântica;
V - da disponibilidade dos recursos hídricos subterrâneos e superficiais sem contaminação;
VI - da diversificação das atividades econômicas, voltadas para o turismo, a produção e o
desenvolvimento sustentável.
Art. 3º - Para implantação da APA de Sirinhaém serão adotadas as seguintes providências:
I - elaboração do zoneamento ecológico-econômico e plano de gestão, os quais deverão ser
concluídos dentro do prazo de 360 dias, contados a partir da data de publicação deste Decreto;
II - definição, criação e implantação do sistema de gestão da área;
III - divulgação das medidas previstas neste Decreto, objetivando o esclarecimento aos diversos
segmentos envolvidos com a APA de Sirinhaém.
Art. 4º - O zoneamento ecológico-econômico, o plano de gestão e a criação do sistema de gestão da
APA de Sirinhaém ficarão a cargo da Companhia Pernambucana do Meio Ambiente - CPRH,
compatibilizando-o com o zoneamento da APA de Guadalupe.
§ 1º - O zoneamento ecológico-econômico e o plano de gestão indicarão as diretrizes e normas de
uso e ocupação, as atividades a serem encorajadas, limitadas, restringidas ou proibidas em cada
zona, de acordo com a legislação aplicável.
133
§ 2º - O sistema de gestão da APA, sob a coordenação da CPRH, deverá incluir a formação de um
Conselho Gestor, composto de forma colegiada e paritária.
§ 3º - Além das proibições, restrições de uso e demais limitações previstas na Lei Federal n.º 6.902,
de 27 de abril de 1981 e na Resolução CONAMA n.º 010/88, o Decreto que aprovar o zoneamento
ecológico-econômico, para a APA de Sirinhaém, deverá estabelecer outras medidas
que assegurem o manejo adequado da área.
Art. 5º - Fica instituída nos limites da APA de Sirinhaém, como Zona de Conservação da Vida
Silvestre, a área estuarina do Rio Sirinhaém, protegida pela Lei Estadual n.º 9.931 de 11 de
dezembro de 1986.
Parágrafo único - Na Zona de Conservação da Vida Silvestre é vedada a construção de novas
edificações.
Art. 6º - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 7º - Revogam-se as disposições em contrário.
Palácio do Campo das Princesas, em 28 de dezembro de 1998
MIGUEL ARRAES DE ALENCAR
Governador do Estado
SÉRGIO MACHADO REZENDE
IZAEL NÓBREGA DA CUNHA
ANEXO ÚNICO
Memorial Descritivo da APA de Sirinhaém
A Área de Proteção Ambiental de Sirinhaém localizada no litoral sul do Estado de Pernambuco,
com uma área aproximada de 6.589 ha., inicia-se no limite norte da APA de Guadalupe, no estuário
do Rio Sirinhaém, no ponto de coordenadas geográficas de 35º03'02"W e 8º36'22,55"S seguindo
pela margem direita do Rio Sirinhaém na direção preferencial noroeste, contornando e incluindo a
ilha grande, fazendo limite com a APA de Guadalupe, seguindo a direção oeste até a interseção com
o riacho, no ponto de coordenadas geográficas 35º15'16,60"W e 8º39'40,32"S, seguindo este riacho
na direção sudeste até o ponto de coordenadas geográficas 35º15'41',82"W e 8º40'12,81"S onde se
encontra com a estrada que liga o Engenho Primavera ao Engenho Cachoeirinha, seguindo em
direção sul até o limite com a APA de Guadalupe, no ponto de coordenadas geográficas
35º15'44,14"W e 8º 41'06,29"
134
ANEXO 03
CADASTRO SÓCIO-ECONÔMICO DOS EX-MORADORES
DAS ILHAS ESTUARINAS DO RIO SIRINHAÉM
QUESTIONARIO 01: INFORMACOES GERAIS
1) Caracterização Familiar
Nome do chefe de família:
Nome do entrevistado: Relação Familiar:
Endereço Atual:
Contato:
Fontes Atuais de Renda: Assalariado ( ) Comerciante ( ) Autônomo ( ) Aposentado ( )
Renda familiar: < 1 Salário Mínimo ( ) 1 Salário Mínimo ( ) de 1 a 2 Salários Mínimos ( )
de 2 a 3 Salários Mínimos ( ) > 3 Salários Mínimos ( )
Algum membro de sua família é filiado a alguma entidade de classe:
Sim ( ) Colônia de Pescadores Z-06 ( ) Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sirinhaém ( )
Associação dos Pescadores e Moradores das Ilhas de Sirinhaém ( ) ________________ ( )
Não ( ) Já foi filiado ? Sim ( ) Não ( )
Participa de algum Programa Social do Governo: Sim ( ) Não ( )
Qual ?
2) Dados Pessoais dos Familiares Residentes na Casa:
Nome: Chefe de Família Idade:
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) Profissão:
Grau de Instrução: Analfabeto ( ) Alfabetizado ( ) Ensino Fund. ( ) Ensino Méd. ( ) Ensino Sup. ( )
Nome: Relação Familiar: Idade:
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) Profissão:
Grau de Instrução: Analfabeto ( ) Alfabetizado ( ) Ensino Fund. ( ) Ensino Méd. ( ) Ensino Sup. ( )
Nome: Relação Familiar: Idade:
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( ) Profissão:
Grau de Instrução: Analfabeto ( ) Alfabetizado ( ) Ensino Fund. ( ) Ensino Méd. ( ) Ensino Sup. ( )
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CADASTRO SÓCIO-ECONÔMICO DOS EX-MORADORES
DAS ILHAS ESTUARINAS DO RIO SIRINHAÉM
QUESTIONÁRIO 02: ÉPOCA NAS ILHAS
1) Caracterização Familiar
Ilha em Vivia: Período
Fontes de Renda: Assalariado ( ) Comerciante ( ) Autônomo ( ) Aposentado ( )
Renda familiar: < 1 Salário Mínimo ( ) 1 Salário Mínimo ( ) de 1 a 2 Salários Mínimos ( )
de 2 a 3 Salários Mínimos ( ) > 3 Salários Mínimos ( )
2) Condições de Moradia
Casa Própria ( ) Não Própria ( ) Nº de Cômodos: Nº de Moradores:
De qual material foi construída sua residência? Barro ( ) Alvenaria ( ) Palha ( ) _____________ ( )
Água encanada ? Sim ( ) Não ( ) Sistema de Esgoto ? Fossa ( ) A Céu aberto ( )
Energia elétrica ? Sim ( ) Não ( ) Coleta de Lixo ? Sim ( ) Não ( )
Banheiro ? Sim ( ) Não ( ) Casa de Farinha ? Sim ( ) Não ( )
3) Caracterização Atividade Pesqueira
Você ou algum morador de sua casa pescava na região das ilhas ? Sim ( ) Não ( ) Quantos ?
Relação de trabalho: Individual ( ) Parceria (Amigos / Vizinhos) ( ) Economia familiar ( )
Sistema de pesca: Desembarcado ( )
Embarcado ( ) Barco ( ) Canoa ( )Jangada ( ) Baiteira ( )
Paquete ( ) ________________ ( )
Petrecho de pesca: Rede ( ) Linha ( ) Covo ( ) Espinhel ( ) Arpão ( ) Puça ( )
Tarrafa ( ) Camboa ( ) Coleta Manual ( ) Foice ( ) Jereré ( ) ____________ ( )
Modalidade principal de pesca: Peixe ( ) Caranguejo ( ) Guaiamum ( ) Aratu ( ) Siri ( )
Camarão ( ) Marisco ( ) Ostra ( ) Sururu ( ) ________________ ( )
Espécies capturadas:
Produção semanal de pescado (kg): Renda mensal obtida através da pesca:
Dias de trabalho na pesca por semana: Permanência no local de pesca (hrs):
Destino de sua produção? Consumo Próprio ( ) Atravessador ( ) Colônia de Pescadores ( ) Feira ( )
Vizinhos ( ) Restaurante ( ) Veranista ( ) Vendida pela rua ( ) ___________________ ( )
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4) Atividades Complementares
Criação de animais: Sim ( ) Não ( ) Destinação: Consumo Próprio ( ) Venda ( ) Ambos ( )
Que tipos de animais criava:
Plantações: Sim ( ) Não ( ) Destinação: Consumo Próprio ( ) Venda ( ) Ambos ( )
Que tipos de plantação cultivava:
Frutas: Sim ( ) Não ( ) Destinação: Consumo Próprio ( ) Venda ( ) Ambos ( )
Que tipos de árvores frutíferas possuía:
Qual dessas atividades gerava mais lucro? 1. 2. 3.
Renda Mensal obtida com atividades complementares:
5) Percepção Ambiental
O que as ilhas forneciam de mais importante para sua família?
Alimento ( ) Renda ( ) Moradia ( ) Segurança ( ) Lazer ( ) ____________ ( )
Qual era o conflito ambiental mais grave que ocorria nas ilhas?
Efluentes da Usina ( ) Carcinocultura ( ) Poluição do Rio ( ) Acúmulo de Lixo ( ) Desmatamento ( )
Esgoto Doméstico ( ) Queimadas ( ) Pesca Predatória ( ) Nenhum ( ) ________________ ( )
Qual a maior dificuldade que sua família sentia?
Distância da cidade ( ) Desemprego ( ) Condição precária de moradia ( ) Falta de escola ( )
Falta de atendimento médico ( ) Falta de Energia ( ) Falta de Água ( ) Nenhuma ( )
__________________ ( )
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CADASTRO SÓCIO-ECONÔMICO DOS EX-MORADORES
DAS ILHAS ESTUARINAS DO RIO SIRINHAÉM
QUESTIONARIO 03: SITUACAO ATUAL
1) Condições de Moradia
Casa Própria ( ) Não Própria ( ) Nº de Cômodos: Nº de Moradores:
De qual material foi construída sua residência ? Barro ( ) Alvenaria ( ) Palha ( ) __________ ( )
Água encanada ? Sim ( ) Não ( ) Sistema de Esgoto ? Fossa ( ) A Céu aberto ( )
Energia elétrica ? Sim ( ) Não ( ) Coleta de Lixo ? Sim ( ) Não ( )
Banheiro ? Sim ( ) Não ( ) Casa de Farinha ? Sim ( ) Não ( )
Qual a maior dificuldade que você sente vivendo aqui?
Falta dos recursos oferecidos pela ilha ( ) Violência da cidade ( ) Desemprego ( )
Proibição do acesso às ilhas ( ) Condição precária de moradia ( ) Nenhuma ( ) ______________ ( )
2) Caracterização da Atividade Pesqueira
Você ou algum morador de sua casa ainda pesca na região das ilhas ? Sim ( ) Não ( ) Quantos ?
Relação de trabalho: Individual ( ) Parceria (Amigos / Vizinhos) ( ) Economia familiar ( )
Sistema de pesca: Desembarcado ( )
Embarcado ( ) Barco ( ) Canoa ( ) Jangada ( ) Baiteira ( )
Paquete ( ) ________________ ( )
Petrecho de pesca: Rede ( ) Linha ( ) Covo ( ) Espinhel ( ) Arpão ( ) Puça ( )
Tarrafa ( ) Camboa ( ) Coleta Manual ( ) Foice ( ) Jereré ( ) Outro ( )
Modalidade principal de pesca: Peixe ( ) Caranguejo ( ) Guaiamum ( ) Aratu ( ) Siri ( )
Camarão ( ) Marisco ( ) Ostra ( ) Sururu ( ) __________________ ( )
Espécies capturadas:
Produção semanal de pescado (kg): Renda mensal obtida através da pesca:
Dias de trabalho na pesca por semana: Permanência no local de pesca (hrs):
Destino de sua produção ? Consumo Próprio ( ) Atravessador ( ) Colônia de Pescadores ( )
Feira ( ) Vizinhos ( ) Restaurante ( ) Veranista ( ) Venda pela Rua ( ) _______________ ( )
139
3) Atividades Complementares
Criação de animais: Sim ( ) Não ( ) Destinação: Consumo Próprio ( ) Venda ( ) Ambos ( )
Que tipos de animais cria:
Plantações: Sim ( ) Não ( ) Destinação: Consumo Próprio ( ) Venda ( ) Ambos ( )
Que tipos de plantação cultiva:
Frutas: Sim ( ) Não ( ) Destinação: Consumo Próprio ( ) Venda ( ) Ambos ( )
Que tipos de árvores frutíferas possui:
Qual dessas atividades gera mais lucro? 1. 2. 3.
Renda Mensal obtida com atividades complementares:
4) Percepção Ambiental
O que as ilhas oferecem hoje de mais importante para sua família?
Alimento ( ) Renda ( ) Lazer ( ) Nada ( ) _______________________ ( )
Qual é o conflito ambiental mais grave que ocorre nas ilhas?
Efluentes da Usina ( ) Carcinocultura ( ) Poluição do Rio ( ) Acúmulo de Lixo ( ) Queimadas ( )
Esgoto Doméstico ( ) Desmatamento ( ) Pesca Predatória ( ) Nenhum ( ) _____________ ( )
Você gostaria que sua família tivesse acesso-livre à região das ilhas? Sim ( ) Não ( )
Você gostaria que sua família voltasse a viver na região das ilhas? Sim ( ) Não ( )
Você tem conhecimento de uma solicitação dos antigos moradores das ilhas ao IBAMA para a criação de
uma área protegida na região das ilhas ? Sim ( ) Não ( )
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CADASTRO SÓCIO-ECONÔMICO DOS PESCADORES
DAS ILHAS ESTUARINAS DO RIO SIRINHAÉM
1) Dados Pessoais
Nome do entrevistado:
Localidade:
Profissão: Idade:
Fonte de Renda: Assalariado ( ) Comerciante ( ) Autônomo ( ) Aposentado ( )
Renda familiar: < 1 Salário Mínimo ( ) de 1 a 2 Salários Mínimos ( )
de 2 a 3 Salários Mínimos ( ) > 3 Salários Mínimos ( )
Grau de Instrução: Analfabeto ( ) Alfabetizado ( ) Ensino Fundamental ( ) Ensino Médio ( )
É filiado a alguma entidade de classe: Sim ( ) Não ( )
Colônia de Pescadores Z-06 ( ) Associação de Moradores Vila Alcina Ribeiro – AMAR ( )
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sirinhaém ( ) __________________________________ ( )
Famílias é beneficiada por algum Programa Social do Governo: Sim ( ) Não ( )
Qual ? Bolsa Família ( ) Vale Gás ( ) Cesta Básica ( ) _______________ ( )
2) Condições de Moradia
Casa Própria ( ) Não Própria ( ) Nº de Cômodos: Nº de Moradores:
De qual material foi construída sua residência ? Barro ( ) Alvenaria ( ) Palha ( ) __________ ( )
Água encanada ? Sim ( ) Não ( ) Sistema de Esgoto ? Fossa ( ) A Céu aberto ( )
Energia elétrica ? Sim ( ) Não ( ) Coleta de Lixo ? Sim ( ) Não ( )
Banheiro ? Sim ( ) Não ( ) Casa de Farinha ? Sim ( ) Não ( )
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CADASTRO SÓCIO-ECONÔMICO DOS PESCADORES
DAS ILHAS ESTUARINAS DO RIO SIRINHAÉM
3) Caracterização Atividade Pesqueira nas ilhas
Relação de trabalho: Individual ( ) Parceria (Amigos / Vizinhos) ( ) Economia familiar ( )
Sistema de pesca: Desembarcado ( )
Embarcado ( ) Barco ( ) Canoa ( )Jangada ( ) Baiteira ( )
Petrecho de pesca: Rede ( ) Linha ( ) Covo ( ) Puça ( ) Tarrafa ( ) Camboa ( )
Coleta Manual ( ) Foice ( ) Jereré ( ) __________________ ( )
Modalidade principal de pesca: Peixe ( ) Caranguejo ( ) Guaiamum ( ) Aratu ( ) Siri ( )
Camarão ( ) Marisco ( ) Ostra ( ) Sururu ( ) ________________ ( )
Espécies capturadas:
Produção semanal de pescado:
Peixes (kg): Não pesca ( ) < 5 ( ) 6 a 10 ( ) 11 a 20 ( ) 21 a 50 ( ) > 51 ( ) Não informou ( )
_____________________________________________________________________________________
Caranguejos (unidades): Não cata ( ) < 51 ( ) 51 a 100 ( ) 101 a 200 ( ) 201 a 500 ( )
> 501 ( ) Não informou ( )
Renda mensal obtida através da pesca: < 1 Salário Mínimo ( ) de 1 a 2 Salários Mínimos ( )
de 2 a 3 Salários Mínimos ( ) > 3 Salários Mínimos ( )
Dias de trabalho na pesca por semana: 1 a 2 ( ) 3a5( ) 6a7( )
Permanência no local de pesca (hrs): <6( ) 6a8( ) 9 a 12 ( ) > 12 ( )
Destino de sua produção? Consumo Próprio ( ) Atravessador ( ) Colônia de Pescadores ( ) Feira ( )
Vizinhos ( ) Restaurante ( ) Veranista ( ) Vendida pela rua ( ) _______________________ ( )
4) Percepção Ambiental
O que a região das ilhas oferece de mais importante para sua família?
Alimento ( ) Renda ( ) Lazer ( ) Nada ( ) _______________________ ( )
Qual a maior dificuldade encontrada para pescar nas ilhas?
Proibição da Usina ( ) Falta de Peixe ( ) Falta de Caranguejo ( ) Muita gente pescando ( )
_______________________________ ( )
Qual é o conflito ambiental mais grave que ocorre nas ilhas?
Efluentes da Usina ( ) Poluição do Rio ( ) Acúmulo de Lixo ( ) Desmatamento ( )
Queimadas ( )
Esgoto Doméstico ( ) Pesca Predatória ( ) Nenhum ( ) Não Sabe ( )
____________________ ( )
Você tem conhecimento de uma solicitação dos antigos moradores das ilhas ao IBAMA para a criação de
uma área protegida na região das ilhas ? Sim ( ) Não ( )
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