SUINOCULTURAProf. Marcelo José Milagres de Almeida            Setor de Ensino a Distância                 Barbacena – MG  ...
Prezado aluno,            O Campus Barbacena – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia doSudeste de Minas Gera...
SUMÁRIO                                                                                                                   ...
SEMANA 1META:Apresentar os pontos mais importantes relacionados a cadeia suinícola e os mitos e verdades sobre acarne suín...
AULA 2COLESTEROL   As doenças cardiovasculares são consideradas a causa mais freqüente de mortes na população humana.Estas...
Absorção dietética: é responsável por 1/3 do colesterol do corpo. Proveniente dos alimentos, ele éabsorvido no intestino, ...
Pelo que comentamos até o momento, o colesterol da dieta não tem relação com a taxa de colesterol nosangue de pessoas cons...
embriões. Estes se fixam nas vilosidades intestinais, onde permanecem por 4 dias. A seguir, perfuram aparede intestinal e ...
Figura: Esquema do ciclo de transmissão da Taenia solium, destacando os pontos onde ocorre teníase ecisticercose. o ser hu...
insulina por vários anos. Atualmente, a insulina é também produzida por engenharia genética através damultiplicação bacter...
SEMANA 2META:Apresentar aspectos relacionados a classificação, origem, evolução e exterior dos suínosOBJETIVOS: Ao final d...
AULA 2EXTERIOR DO SUÍNO   A importância do conhecimento do exterior de um suíno (Figura está relacionado, principalmente, ...
SEMANA 3META:Apresentar as principais características dos sistemas de produção e das construções para suínosOBJETIVOS: Ao ...
dólares) por matriz instalada a US$ 2.000,00 (dois mil dólares) por matriz instalada, desconsiderando – seo valor da terra...
3. Estrutura de integração horizontal: também chamada de associativa, é semelhante a integração      vertical, porém, é ex...
O local deve ser escolhido de tal modo que se aproveitem as vantagens da circulação natural do ar e seevite a obstrução do...
 Comprimento  O comprimento da instalação deve ser estabelecido com base no Planejamento da Produção, assimcomo também pa...
Tabela. Largura, pé-direito e beiral em função do clima para telhas de barro.                       Clima        Largura (...
Tabela. Recomendações para orientação de projetos para as fases de gestação, pré-cobrição e de macho.Baias                ...
Tabela. Coeficientes técnicos indicados para as áreas de parição.Cela Parideira:Área da cela parideira                   S...
►CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO   Essa edificação destina-se ao crescimento e terminação dos animais desde a fase que vai da saí...
SEMANA 4META:Apresentar aspectos relacionados a reprodução em suinoculturaOBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser ...
entre outras. Estas raças são as mais indicadas para criação de suínos de sistema intensivo (confinamento),pelo retorno ec...
d) Nilo   Animais de porte médio, pelados, de cor preta. São rústicos, apresentam má conformação, poucaossatura e pouca ma...
Para a produção de fêmeas da próxima geração, acasalam-se fêmeas 62,5% Landrace + 37,5% Large Whitecom machos Large White....
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positivos do meio, em especial a nutrição e a condição sanitária, em aumento da produtividade dascaracterísticas economica...
Nesse sentido, a Embrapa Suínos e Aves desenvolveu e colocou no mercado nacional, em parceria coma Cooperativa Central Oes...
genética molecular também será uma ferramenta cada vez mais usada, porém, na Pen Ar Lan,        mesmo investindo em biotec...
Figura – Órgãos reprodutivos do macho►ORGÃOS REPRODUTIVOS DA FÊMEAa) Ovários: São em número de dois, em forma de um cacho ...
normalmente encontrado na vagina, procedente sobretudo da cérvix, aumenta consideravelmente nasfêmeas em cio.5) Genitália ...
É sabido que o tamanho da leitegada é muito mais conseqüência do manejo do que de fatoreshereditários. Nessas condições é ...
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  1. 1. SUINOCULTURAProf. Marcelo José Milagres de Almeida Setor de Ensino a Distância Barbacena – MG 2011
  2. 2. Prezado aluno, O Campus Barbacena – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia doSudeste de Minas Gerais lhe deseja boas vindas. É o início de uma fase de sua vida que será marcada por muito trabalho. Vocêencontrará pela frente, muitas experiências novas, interessantes e carregadas de emoções paravivenciar cada fase do Curso Técnico em Agropecuária. O Campus Barbacena lhe disponibiliza um ambiente virtual de aprendizagem quepermitirá uma convivência agradável com seus colegas de curso. É um espaço cibernético ondevocês poderão interagir para alcançar seus objetivos de sucesso profissional. Nós da equipe da Educação a Distância – professores, coordenadores, tutores ealunos – estamos orgulhosos por você estar conosco. A presente apostila tem como objetivo mais amplo o desenvolvimento das competênciasnecessárias ao planejamento, à orientação, à avaliação e ao monitoramento da exploraçãotécnica e econômica da Suinocultura, visando a desenvolver no aluno habilidades específicasdiversas, tais como identificar as principais raças, linhagens e suas características; manejaranimais nas fases de reprodução, cria e engorda; orientar e monitorar o manejo alimentar dossuínos; identificar e relacionar as instalações e equipamentos necessários à exploração dasuinocultura; orientar e monitorar a profilaxia e o tratamento das doenças mais comuns;identificar e reconhecer a importância da suinocultura para o Brasil. Estou a disposição para contribuir, no que for possível, no desenvolvimento profissionalde vocês. Conte comigo. Um abraços e vamos estudar. Prof. Marcelo José Milagres de Almeida Zootecnista – CRMV 0758/Z Professor de Zootecnia – Suinocultura Campus Barbacena Doutor em Nutrição de Monogástricos – UFLA - MG 2
  3. 3. SUMÁRIO páginaSemana 1 – Aula 1: Aspectos relacionados ao futuro da cadeia suinícola …...... 4 Aula 2: Colesterol …............................................................................. 5 Aula 3:Cisticercose e Teníase.............................................................. 7 Aula 4: Importância dos suínos para a medicina humana ............... 9Semana 2 – Aula 1:Classificação zoológica, origem e evolução do suíno............. 11 Aula 2:Exterior do suíno...................................................................... 12Semana 3 – Aula 1:Sistemas de produção de suínos.............................................. 13 Aula 2:Noções de Construções ............................................................ 15Semana 4 – Aula 1:Material genético...................................................................... 22 Aula 2:Principais linhagens de suínos................................................. 26 Aula 3:Órgãos reprodutivos do macho e da fêmea............................ 29 Aula 4: Reprodução.............................................................................. 31Semana 5 – Aula 1: Manejo da produção - Machos, Procedimentos paradetecção de cio, Pré-cobrição, cobrição, Gestação e Descarte de Fêmeas ........... 37 Aula 2: Manejo da produção - Maternidade ….............................. 41 Aula 3: Manejo da produção - Creche............................................... 44 Aula 4: Manejo da produção – Crescimento e Terminação............ 45Semana 6 – Aula 1:Noções de nutrição .................................................................. 46 Aula 2:Preparo de ração...................................................................... 48Semana 7 – Aula 1:Biossegurança........................................................................... 56 Aula 2:Limpeza e desinfecção ............................................................ 59 Aula 3:Vacinação ................................................................................. 67Semana 8 – Aula 1:Manejo pré – abate ….............................................................. 69 Aula 2:Gerenciamento …..................................................................... 69Semana 9 – Aula 1:Proteção ambiental .................................................................. 75 Aula 2:Manejo de dejetos ................................................................... 78Referências bibliográficas ........................................................................................ 80 3
  4. 4. SEMANA 1META:Apresentar os pontos mais importantes relacionados a cadeia suinícola e os mitos e verdades sobre acarne suínaOBJETIVOS:Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar os principais aspectos relacionados ao futura da cadeia produtiva de suínos;  Reconhecer a qualidade da carne suína, relacionando aos fatores colesterol e cisticercose;  Reconhecer a importância dos suínos para a medicina Humana.AULA 1ASPECTOS RELACIONADOS AO FUTURO DA CADEIA SUINÍCOLA A produção de carne suína permanece como uma produção agrícola ainda diretamente pressionadapela concorrência internacional. Sob essa constante pressão, para manter o nível de competitividade deseus rebanhos, os produtores devem se adaptar continuamente à evolução das técnicas de produção.Adicionalmente, devem ter em conta os embaraços regulamentares, induzidos pelas exigências cada vezmais fortes da sociedade, em particular aquelas concernentes a proteção do ambiente, ao bem-estar dosanimais, ou da segurança dos alimentos aos consumidores. Nos anos setenta, no contexto da cadeia suinícola do Brasil, a visão de futuro apontava maisdiretamente para questões relacionadas aos sistemas de produção. Atualmente, como fruto da globalizaçãodo comércio, a visão de futuro aponta para questões de mercado, com exigências de rastreabilidade totaldentro das cadeias produtivas. Além das barreiras tarifárias, ganham força as barreiras técnicas de proteçãodos mercados, colocadas sobre as exportações nacionais da carne suína. As diretivas sobre segurança alimentar, bem estar animal e ambiente vêm alterar profundamente omodo de criar, transportar e abater os animais para consumo humano. Assim, o cumprimento de todas asnormas deve, necessariamente, aumentar os custos do produto final por razões que se prendem ao aumentodo espaço necessário para sua criação, qualidade e tipo dos alimentos a usar, tempo para o transporte,instalações, espaços e materiais de construção, tipos de equipamentos, preparação do pessoal para manejopré-abate e abate dos animais, entre outras. Como as normas serão exigidas não só dos criadores da União Europeia (EU), mas também dospaíses exportadores, as grandes barreiras à entrada de produtos nesses países, deixarão de ser tarifáriaspara tornarem-se técnicas ou sanitárias. Nesse caso as exigências nos limites permitidos serão revisadasexigindo novos equipamentos e conhecimentos. Também muito importante é que o país gere inovações na cadeia produtiva de suínos como formade competir com produtos de maior valorr agregado, aumentando a participação das empresas brasileirascom marcas próprias nas prateleiras dos supermercados dos países importadores. É necessário estar atentoa esse passo importante, pois cada vez mais será exigido padrão internacional de certificação. A expressividade do Brasil na produção e exportação de carne suína está a exigir também umaconstante atualização dos profissionais do setorr para aprimorar e dar seqüência ao crescimento e qualidadeda atividade suinícola nacional. A tendência de concentração da produção de suinos deve continuar aocorrer de maneira acelerada no Brasil, com a redução do número de produtores dedicados à criação, mascom crescimento do volume produzido, das divisas e da renda do setor. Nesse cenário, apresenta-se como desafio para os diferentes elos desta cadeia, notada mente para aindústria, a pesquisa e a assistência técnica, as questões relacionadas com a sanidade, diagnóstico econtrole das doenças, as questões de conservação do meio ambiente, bem-estar animal, qualidade da carnee a segurança dos alimentos. Fonte: Silveira, P.R.S. (2007) 4
  5. 5. AULA 2COLESTEROL As doenças cardiovasculares são consideradas a causa mais freqüente de mortes na população humana.Estas enfermidades começam geralmente sob a forma de uma arteriosclerose, que é uma condição na qualdepósitos de gordura, contendo colesterol desenvolvem-se “placas” no interior das artérias. Estes depósitosvão se avolumando, prejudicando o fluxo de sangue, e chegam até o bloqueio total. O bloqueio da artériaque fornece sangue ao coração é a causa do chamado “ataque cardíaco”. Para evitar esses depósitos de gordura tem-se recomendado a redução no consumo de gordurassaturadas e de colesterol. Como os produtos de origem animal contem estas duas substâncias, eles têm sidoalvo de inúmeras campanhas negativas, que visam denegrir sua verdadeira imagem e valor nutricional. Emalguns casos, tem ocorrido uma verdadeira “colesterofobia epidêmica”, levando o público ao pânico, semuma base científica que comprove o fato adequadamente. Um exemplo disso foram as campanhas da fortíssima indústria da soja para a introdução das margarinasno mercado consumidor, em substituição às gorduras animais. Nessa ocasião foram feitos fones ataques sgorduras animais por serem saturadas. Porém, não mencionaram que as margarinas, apesar de serem deorigem vegetal, com grande concentração de gorduras insaturadas, no seu processo industrial de produçãopassam por reações químicas que as transformam em saturadas, sendo tão indesejáveis ao organismoquanto às gorduras animais se ingeridas em excesso. Mas como as doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo, toda atenção deve ser dadaao assunto, evitando-se excessos de qualquer um dos lados que tente provar a veracidade de seus conceitos. Por enquanto, a verdade é que existe muita discussão sobre o assunto e que não existe umacompreensão total do que causa ou do que evita essas doenças. O que se conhece atualmente é queindivíduos que possuam taxas de colesterol acima de 200-240 mg/ 100ml de sangue são classificados comode alto risco, especialmente se apresentarem mais de dois dos fatores que estão associados à ocorrência deenfermidades cardíacas: Fatores hereditários: muitas evidências mostram que as enfermidades cardíacas podem sertransmitidas hereditariamente; Estresse, diabete mellitus, obesidade e hipertensão cardíaca; Sexo: os homens são mais suscetíveis do que as mulheres; Idade: o risco aumenta com a idade; Hábito de fumar: são mais freqüentes nos fumantes. O organismo do homem sintetiza cerca de 1000mg colesterol por dia. A média de consumo diárioatravés da alimentação está entre 400 a 500mg, o que mostra que a absorção dietética representa cerca de1/3 do total do colesterol no Organismo. Pessoas pertencentes ao grupo de risco em relação àsenfermidades cardiovasculares devem restringir seu consumo diário de colesterol a menos de 300 mg. Umbom filé de 100g de lombo de pernil cozido fornece apenas 69 a 82mg de colesterol. ou seja, apenas 25%do total das 300 mg permitidas. Importância do Colesterol - O colesterol um componente vital de todas as células do organismo.Parece uma gordura e é encontrado exclusivamente nos animais. Ele é essencial à vida, pois através delesão produzidos hormônios sexuais, ácidos biliares, vitaminas, (Vit. D) e as membranas das células. A quantidade de colesterol no organismo tem duas origens: a síntese orgânica e a absorção dietética. Síntese orgânica: é responsável por 2/3 do colesterol do corpo. Ele é produzido em quase todos ostecidos, mas a sede principal é o fígado. O organismo controla a síntese, aumentando-a se o consumo peladieta é baixo, ou diminuindo-a em caso contrario. Se for necessário é capaz de produzir todo o colesterolque necessita. Algumas pessoas não conseguem regular a síntese, produzem colesterol em excesso e devemseguir o regime e as recomendações do seu médico. Uma em cada 500 pessoas apresenta este distúrbioorgânico. As pessoas sadias mantêm um baixo nível de colesterol, mesmo quando consomem dietascontendo altos níveis do mesmo. 5
  6. 6. Absorção dietética: é responsável por 1/3 do colesterol do corpo. Proveniente dos alimentos, ele éabsorvido no intestino, após sofrer a ação da bile. Para se locomover no organismo, usa a correntesanguínea onde se encontra ligado às chamadas lipoproteínas. Existem duas lipoproteínas importantes: asde alta densidade (HDL), que possuem mais proteína do que gordura; e as de baixa densidade (LDL), quepossuem mais gordura do que proteína. As HDL são chamadas de “Bom colesterol”, pois elas o retiram dacirculação sanguínea e o levam para ser metabolizado no fígado. Pessoas que possuem mais HDL têmmenor incidência de doenças cardíacas. As LDL são chamadas de “Mau colesterol” porque retiram ocolesterol produzido no fígado e o despejam no sangue. A maior porção do colesterol é encontrada junto às lipoproteínas de baixa densidade (LDL). Sabe-seque até 200 miligramas de colesterol por 100 miligramas de sangue é um resultado aceitável para ohomem. Porém, dosagens muito abaixo de 200mg podem ressecar as veias e as artérias, pois o colesterol éessencial para a lubrificação das mesmas. Efeito da dieta: É importante não confundir colesterol dos alimentos com colesterol sangüíneo. Osníveis sanguíneos são pouco alterados no homem com o uso de dietas ricas em colesterol, em virtude doSistema de controle que aumenta ou diminui a síntese no organismo, de acordo com a menor ou maiorabsorção intestinal. Estudos com grandes populações não mostram correlação entre o colesterol da dieta eo sanguíneo. O consumo excessivo de colesterol não aumenta a incidência de enfermidades cardíacas em pessoasnormais, pois estas o metabolizam de forma eficiente para exercer suas funções essenciais e eliminamnaturalmente os excessos do mesmo, Algumas pessoas, porém, estão expostas a uma série de fatores de risco, que as predispõem ao acúmulode colesterol nos vasos sangüíneos, podendo contribuir para as doenças cardiovasculares. Os principaisfatores de risco são:  Pessoas incapazes de controlar a síntese ou excreção do colesterol. Dessa forma, ocorre o acúmulo do mesmo nos vasos sangüíneos, devido a um desequilibro no sistema que regula o nível de produção e eliminação. As causas para este distúrbio são hereditárias;  Pessoas que possuem maiores níveis de lipoproteínas de baixa densidade (LDL), que levam o colesterol produzido no fígado para o sangue. As causas podem ser genéticas ou não. Os níveis de HDL, o bom colesterol, podem ser aumentados com o exercício físico constante e moderado. A presença de fibras na dieta mantém o HDL e diminui o LDL;  Pessoas com vida sedentária. sem exercícios físicos, obesos, fumantes, consumidores de álcool sob forma excessiva, diabéticos, com baixa atividade sexual ou com a predisposição hereditária possuem maiores probabilidades de aumentar as doenças cardiovasculares;  Pessoas que ingerem grandes quantidades de gorduras saturadas. As gorduras são classificas de acordo com o seu índice de saturação. De uma forma geral, as gorduras saturadas que são encontradas nos animais são mais duras na temperatura ambiente e aumentam o nível de LDL (o mau colesterol) no organismo do homem. Quando não são consumidas, o nível de colesterol sangüíneo tende a ser menor. Nem todas as animais são totalmente saturadas. No suíno, por exemplo menos de 50% de sua gordura é saturada. As gorduras insaturadas são mais liquidas na temperatura ambiente são encontradas nos óleos vegetais, com exceção do coco e palmas. A qualidade das gorduras ingeridas é definida pela relação entre gorduras saturadas e insaturadas. Quanto maior esta relação (maior quantidade de insaturadas), mais aconselhável é o seu consumo. Pelo exposto conclui-se que há uma ligação entre o consumo de gorduras saturadas e insaturadas e o teor de colesterol sanguíneo. Quanto maior o teor de gorduras saturadas na dieta, maior o nível de colesterol no sangue. Este efeito pode ser contornado com o maior consumo de gorduras insaturadas, que diminuem o colesterol sanguíneo devido a maior excreção de ácidos biliares e esteróis neutros do corpo. Uma das formas mais praticas de se diminuir o consumo de gorduras saturadas, sem prejudicar o valor nutricional da dieta, é eliminar o consumo de alimentos “extras”, tais como biscoitos, batatas fritas, maioneses, etc. Esses alimentos são ricos em gorduras e relativamente pobres em outros nutrientes. 6
  7. 7. Pelo que comentamos até o momento, o colesterol da dieta não tem relação com a taxa de colesterol nosangue de pessoas consideradas normais. Porém, em virtude das pessoas situadas na faixa de risco, éimportante que se divulgue os teores de colesterol dos vários alimentos para que cada um possa elaboraruma dieta condizente com sua situação. Em relação às carnes dos animais, os teores de colesterol são semelhantes nos suínos, bovinos e aves.São maiores nas carnes cozidas do que nas cruas, pois o cozimento retira a água e concentra os demaiscomponentes.Fonte: ROPPA, L. Suínos: mitos e verdades. Revista Suinocultura Industrial, n.127, p.10-27, 1997.AULA 3CISTICERCOSE E TENÍASE Os primeiros escritos dos judeus 300 anos antes de Cristo, proibiam, sob pena de prisão, a ingestão decarne de porco. Isto porque Aristóteles havia descrito a cisticercose nos suínos. É dessa época, portanto,que remontam os conceitos errados de que o porco transmita esta doença ao homem. Moisés e Maomécontribuíram para a formação desse conceito ao proibir o consumo de carne de porco na dieta humana paraevitar as parasitoses tão comuns já naquela época. Um dos nomes mais famosos da história a sofrer oproblema da cisticercose foi Joana D’Arc. Após ser queimada em praça pública, seu cérebro foinecropsiado e nele foram encontrados cisticercos calcificados, principalmente no lobo temporal, queseriam as causas de suas alucinações visuais. O conceito errôneo de que a cisticercose é transmitida pelo consumo de carnes contaminadas (de suínoou bovino) deve-se à falta de conhecimento e de esclarecimento sobre o ciclo de vida deste parasita. Paraentender corretamente esta enfermidade, vamos expor a seguir o seu ciclo de vida, diferenciando o que éTeníase do que Cisticercose. A Teníase é a doença causa por um parasita chamado de Taenia Solium no caso dos suínos e TaeniaSaginata no caso dos bovinos. As taenias precisam de dois hospedeiros para completar o seu cicloevolutivo. Um é o homem, que é o único hospedeiro definitivo, da taenia (único a possuir a fase adulta doverme). O outro hospedeiro, chamado de intermediário, pois nele só ocorre a fase larvar (cisticerco),podem ser os suíno, bovinos, carneiros, etc. Ao comer carne crua ou mal passada dos suínos e bovinos que contenha as larvas das taenia(cisticercos), o homem passa a desenvolver a doença chamada Teníase, também conhecida por “solitária”,porque geralmente é causada por uma taenia só. São conhecidos, porem, casos comprovados de até 9taenias localizadas no intestino do mesmo se humano. A Teníase é uma doença que muitas vezes passa despercebida. Alguns casos pode haver vômitos, mal-atar gástrico e gases, que são sintomas comuns a outras enfermidades. Três meses após a ingestão docisticerco, a Taenia já localizada no intestino delgado do homem, começa a soltar anéis de seu corpo, comovos. Geralmente, elimina de 5 a 6 anéis por semana, sendo que cada anel contem de 40 a 80 mil ovos. Osanéis podem sair com as fezes ou se romper ainda dentro do intestino liberando os ovos, que são da mesmaforma eliminados durante a defecação. No meio ambiente, estes ovos, dependendo da temperatura eumidade, podem continuar vivos por até 300 dias. A taenia pode viver até 8 anos ou mais no intestino dohomem, contaminando seguidamente o meio ambiente onde caírem as suas fezes. Se houver esgotosapropriados, o problema praticamente desaparece. Acentua-se, porém, se a defecação for em localinadequado (campo, etc.). As fezes se ressecam com o sol, os ovos ficam mais leves que o pó e são levadospelo vento a grandes distâncias. Dessa forma, contamina as pastagens, hortas ou rios e lagoas, cujas águaspodem ser utilizadas para beber ou irrigar plantações. Somente a fervura ou cocção acima de 90ºCcentígrados é capaz de inativar o ovo, que é resistente à maioria dos produtos químicos. O homem comTeníase pode se auto-contaminar com os ovos, ao não fazer corretamente a higiene após evacuar e levar asmãos à boca, ou praticando o sexo oral, já que os ovos podem permanecer na região perianal. Já a Cisticercose é uma doença causada no hospedeiro intermediário pelas larvas da taenia. Os suínos,bovinos e o próprio homem adquirem esta doença ao comer as verduras, frutas (morango), pastagens ouingerir água contaminados com ovos da taenia. Depois de ingeridos, os ovos vão para o estômago e ointestino delgado, onde os sucos gástricos e pancreáticos dissolvem a sua camada superficial, liberando os 7
  8. 8. embriões. Estes se fixam nas vilosidades intestinais, onde permanecem por 4 dias. A seguir, perfuram aparede intestinal e caem nos vasos sangüíneos, sendo distribuídos pelo corpo todo. A grande maioria fixa-se no cérebro, causando a chamada Neurocisticercose. É a forma mais grave, pois causa crises convulsivas,hipertensão craniana (dores de cabeça, vômitos, etc.) e hidrocefalia. Outras localizações além do sistemanervoso são o coração, olhos e músculo. No homem, as larvas calcificam-se rapidamente e os doentes podem, portanto, restabelecer-se dossintomas sem qualquer prejuízo. No suíno, a formação dos cisticercos no músculo é popularmenteconhecida como “canjiquinha”, que algumas pessoas acreditam de forma errônea ser uma “virtude” dacarne, por ser mais macia. Ao comer estas carnes, se elas não forem devidamente cozidas, o homem iráingerir os cisticercos (larvas), que irão evoluir em seu intestino até a fase adulta, causando a teníase,completando assim o ciclo desse verme. Pela descrição do ciclo de vida deste parasita, podemos concluir: O suíno não causa a cisticercose no homem. O homem causa a cisticercose no suíno; O suíno não é fonte de transmissão. Apenas participa do ciclo da doença que lhe é transmitida pelohomem, abrigando a fase larvar da taenia (cisticerco); O homem adquire a Cisticercose ao ingerir frutas, verduras ou água contaminadas com fezes de pessoasportadoras de taenias; O homem adquire a taenia ao ingerir carne mal cozida de bovinos ou suínos com Cisticercose. Emnenhuma hipótese ele terá cisticercose ao ingerir esta carne; O homem é o hospedeiro definitivo, pois possui a fase adulta da taenia; O suíno e o bovino são hospedeiros intermediários, pois possuem a fase larvar da taenia (cisticerco) enão o verme adulto (taenia); O homem contamina o meio ambiente (pastagens, verduras, águas. etc.) através de suas fezes, liberandoos ovos do parasita; Se não houver pessoas com solitária (teníase), não haverá Cisticercose nos suínos e bovinos. Como os suínos se contaminam através da ingestão de fezes humanas ou de verduras contaminadas,com o advento da suinocultura moderna, onde os suínos são criados confinados e recebem apenas raçõescomo alimento, a possibilidade de transmissão ficou mais difícil. A contaminação, porém, permanece alta nos bovinos, que necessitam das pastagens, e nos porcoscriados soltos em suinoculturas de baixo padrão zootécnico e que geralmente são apenas para subsistênciados seus proprietários. A falta de fossas no meio rural contribui para a poluição do meio ambiente, sendo comuns os casos emque os animais acabam consumindo as fezes humanas. O uso de irrigação de hortas e de morangos comáguas contaminadas tem sido, talvez, uma das principais fontes de infecção para o homem. O controle desta enfermidade passa pelas seguintes medidas: Tratamento do homem, que é o hospedeiro das Taenias que produzem ovos; Tratamento dos esgotos urbanos, para evitar que os ovos liberados com as fezes humanascontaminem os rios e as águas de bebida; Inspeção e seqüestro das carcaças contaminadas com Cisticercose nos abatedouros; Tratamento da carne por cocção adequada. Para a área rural, também são importantes os programas educativos nas escolas, sindicatos rurais ecooperativas, para o ensino de medidas higiênicas básicas.Quadro. Resumo do ciclo evolutivo de parasitas da família Taenidae Espécies de Parasitas Hospedeiro Hospedeiro Forma larvar definitivo intermediário Taenia solium Homem Suíno,homem Cysticercus cellulosae Taenia saginata Homem boi Cysticercus bovisFonte: Carvalho & Oliveira (2006) 8
  9. 9. Figura: Esquema do ciclo de transmissão da Taenia solium, destacando os pontos onde ocorre teníase ecisticercose. o ser humano pode contrair teníase ao consumir carne suína contendo cisticercos vivos, o queocorre geralmente em decorrência do consumo de carne crua ou mal passada. O ser humano pode, ainda,contrair cisticercose ao ingerir ovos de Taenia solium através de alimentos (principalmente verduras efrutas) ou água contaminadas ou mesmo se auto infectar pela introdução de ovos de Taenia solium na bocapelas mãos contaminadas, o que ocorre geralmente pela falta de hábitos higiênicos.Fonte: Carvalho & Oliveira (2006)AULA 4IMPORTÂNCIA DOS SUÍNOS PARA A MEDICINA HUMANA Por sua semelhança com o homem, várias partes do organismo dos suínos podem ser utilizadas emmedicina humana. Desde o fornecimento de substâncias vitais à vida do homem até a doação de órgãos, ossuínos são a grande opção da medicina para aumentar a sobrevivência das pessoas. A seguir relacionamosuma série de utilidades do organismo dos suínos para o homem:► O pâncreas dos suínos é um órgão do qual se obtém Insulina. Esse hormônio é essencial para osdiabéticos. Ele é encarregado de permitir a entrada de açúcar nas células e de diminuir a sua taxa nosangue, evitando dessa forma que atinja níveis mortais para o homem. Outra utilidade do pâncreas dossuínos para o homem é a de fornecer ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langerhans) para implantes empessoas diabéticas que não as possuem. Estes implantes poderão deixar os diabéticos livres de injeções de 9
  10. 10. insulina por vários anos. Atualmente, a insulina é também produzida por engenharia genética através damultiplicação bacteriana. Porém a um custo mais caro. ► A glândula pituitária do suíno é utilizada para obtenção do ACTH. Esse hormônio é usado emmedicina humana para o tratamento das artrites e doenças inflamatórias, que causam dores insuportáveispara o homem. ► A Tireóide do suíno é utilizada para obter medicamentos que serão usados por pessoas quepossuem glândulas tireóides pouco ativas. ► A pele dos suínos pode ser usada temporariamente pelo homem nos casos de queimaduras quecausam grandes descontinuidades de sua pele. ► A mucosa intestinal dos suínos é usada para a obtenção de uma substância chamada heparina. Estatem a função de coagular o sangue e é aplicada em medicina humana nos casos de hemorragia. ► Do coração dos suínos são retiradas válvulas cardíacas que serão transplantadas para o homem e ascrianças. Os suínos usados para fornecer essas válvulas pesam de 16 a 25kg. Estas válvulas são retiradasdo coração e conservadas num preparado químico, podendo ser preservadas por 5 anos, As válvulascardíacas do homem podem ser substituídas por válvulas mecânicas feitas com materiais artificiais. Asválvulas dos suínos, porém, têm vantagens sobre essas mecânicas, pois são menos rejeitadas peloorganismo, têm a mesma estrutura e resistem mais às infecções. ► Aplicações práticas de suínos transgênicos: Suínos modificados geneticamente podem produzirhemoglobina humana (pigmento do sangue que leva oxigênio às células do corpo). Pesquisas da empresaDNX (EUA) injetaram em três embriões de suínos, cópias dos dois genes responsáveis pela produção dehemoglobina humana. A técnica fez com que 15% da hemoglobina encontrada nos suínos fossem do tipohumano. As duas hemoglobinas são depois separadas devido a suas cargas elétricas diferentes. Esteproduto pode ser estocado por meses, ao contrário do sangue normal, que se conserva apenas por semanas. Fonte: Informativo técnico nº 222 - http://www.sossuinos.com.br/inicial.htm 10
  11. 11. SEMANA 2META:Apresentar aspectos relacionados a classificação, origem, evolução e exterior dos suínosOBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Situar os suínos no amplo grupo do seres vivos do Reino Animal;  Identificar a importância de conhecer o exterior do suíno.AULA 1CLASSIFICAÇÃO ZOOLÓGICA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS SUÍNOS Os suínos pertencem ao gênero “suis” e apareceram no velho mundo na era quaternária. Sãozoologicamente classificados como:  Classe: Mamíferos  Sobre-ordem: Ungulados (dedos providos de cascos)  Ordem: Artiodáctilos (número par de dedos)  Família: Suideos (Suidae)  Sub-família: Suínos (Suinae)  Gênero: Suis  Espécies selvagens:  Sus scrofa ferus (suínos originários do javali europeu)  Sus scrofa vittatus (suínos originados do javali asiático)  Espécie doméstica: Sus scrofa domesticus Segundo Nathusius e Rutirmayer, citados por Machado (1967), as raças suínas encontradas no mundo,são originadas do Javali Europeu ou do Asiático, ou ainda, do cruzamento de ambos que deu origem aojavali do Mediterrâneo (Sus mediterraneus). Estes historiadores basearam–se nas diferenças de posição deorelha (asiática, ibérica e céltica), nos diferentes tipos de perfil craniano (retilíneo, sub–côncavo e ultra–côncavo) e na variação do número de vértebras torácicas e lombares ( 14 a 16 e 4 a 6 , respectivamente),encontrados nas diversas raças, para justificar as suas hipóteses. O porco selvagem da antiguidade possuía 70% da massa anterior e 30% da massa posterior. Vivia nafloresta e alimentava – se de pastos nativos, frutas e pequenos animais. Era muito veloz e possuía comoprincipal arma os seus dentes longos e afiados. Para resistir aos impactos das lutas, seus membrosdianteiros eram fortes e musculosos, enquanto o seu posterior era formado por fracas massas musculares. O porco tipo banha surgiu na época da domesticação, há 10 mil anos, o que perdurou até o século XX.Com a domesticação, o porco não precisava amais procurar alimento na floresta nem mais fugir de seusinimigos. Vivendo em chiqueiros fechados, recebia toda a alimentação que precisava. Comendo mais efazendo menos exercícios, começou a alterar a sua composição corporal,passando a apresentar 50% dedianteiro e 50% de traseiro. O acúmulo de gordura fez com que passasse a ser considerado o animal idealpara o homem, já que lhe fornecia grande quantidade de banha (energia) e carne (proteína). É dessa épocaque advêm os conceitos de animais criados na lama e com altos teores de gordura na carcaça. O suíno moderno começou a ser desenvolvido no início do século, através do melhoramento genéticocom o cruzamento de raças puras. Pressionados por uma melhor produtividade para tornar a espécie maisviável e pelas exigências da população por um animal com menos gordura, devido à substituição dasmesmas pelo óleo vegetal, os técnicos e criadores passaram a desenvolver um suíno (e não mais porco)com 30% de massa muscular no anterior e 70% de posterior. Os suínos começaram a apresentar menoresteores de gordura nas carcaças e a desenvolver massas musculares mais proeminentes, especialmente nassuas carnes nobres, como o lombo e o pernil. No início desta fantástica seleção, o suíno apresentava de 45a 50% de carne magra e espessura de toicinho de 5 a 6 centímetros. Atualmente, graças aos programas de genética e nutrição, o suíno moderno apresenta de 55% a60% de carne magra na carcaça e apenas 1 a 1,5 centímetros de espessura de toicinho. Esta evolução foimuito forte e eficiente também nas áreas de manejo, sanidade e instalações. 11
  12. 12. AULA 2EXTERIOR DO SUÍNO A importância do conhecimento do exterior de um suíno (Figura está relacionado, principalmente, aosseguintes itens:  Seleção de matrizes e reprodutores;  identificação das diferentes raças de suínos;  julgamento dos animais (muito usada na região sul do país para a escolha dos melhores animais em exposições).Figura. Exterior de um suíno 12
  13. 13. SEMANA 3META:Apresentar as principais características dos sistemas de produção e das construções para suínosOBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Conceituar os sistemas de produção de suínos;  Identificar os princípios básicos de construção para suínos;  Relacionar os aspectos de construção com as fases de vida dos suínos. AULA 1SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS Um sistema de produção de suínos (SPS), normalmente chamado de “granja de suínos” , é constituídode um conjunto inter-relacionado de componentes ou variáveis organizadas que tem como objetivo básicoa produção de suínos. Fazem parte do SPS os seguintes componentes: o homem (mão-de-obra), asedificações, os equipamentos, os animais (genética), a alimentação e a água (nutrição), o manejo ,o estadode saúde do rebanho (sanidade) e o ambiente (condições e influências externas que afetam o desempenhodo animal – clima). A variabilidade entre os sistemas de produção é de tal ordem que pode se afirmar que um SPS serásempre diferente do outro.Sistemas intensivos de criação de suínosI) Sistema de criação ao ar livre O sistema intensivo de criação de suínos ao ar livre – SISCAL – tem conquistado grande número decriadores, face ao bom desempenho técnico, baixo custo de implantação e manutenção, número reduzidode edificações, facilidade na implantação e ampliação da produção, mobilidade das instalações e reduçãodo uso de medicamentos. Tipos de SISCAL mais utilizados:  Produção de leitões de 25 kg: é caracterizado por manter os animais em piquetes, com abrigos, nas fases de reprodução, maternidade e creche, cercados com fios, e ou telas de arame eletrificadas com corrente alternada. As fases de crescimento e terminação (25 a 100 kg de peso vivo) ocorrem em confinamento, Muitos suinocultores utilizam o Siscal para produção de leitões, que, ao atingirem 25 a 30 kg de peso vivo, são vendidos para os terminadores.  Ciclo completo: todas as fases são mantidas em piquetes (cobertura, gestação, maternidade, creche e terminação).II) Sistema de criação misto ou semiconfinado É o que usa piquetes para a manutenção permanente ou intermitente para algumas categorias econfinamento para outras. O Sistema tradicional é o mais utilizado dos sistemas de criação misto, sendomais freqüente nas criações do sul do Brasil; prevê o uso de piquetes pelas fêmeas em cobertura egestação, e pelos cachaços. Na fase de lactação, a porca fica confinada na maternidade e os leitões, donascimento ao abate, são mantidos em confinamento.III) Sistema de criação confinado Nesse sistema, todas as categorias estão sobre piso e cobertura. As fases de criação podem serdesenvolvidas em um ou em vários prédios. A necessidade de área para criação é mínima, a não ser a área destinada para a produção de alimentos.O investimento em custeio e equipamentos é muito alto, podendo variar de US$ 1.300,00 (mil e trezentos 13
  14. 14. dólares) por matriz instalada a US$ 2.000,00 (dois mil dólares) por matriz instalada, desconsiderando – seo valor da terra. Nesse sistema, a produção, armazenagem, tratamento e aproveitamento dos dejetos devem merecertanta atenção quanto às demais questões relativas à criação.► Tipos de produção Os tipos de produção podem ser definidos pelo produto a ser comercializado ou pelas fases de criaçãoexistentes na propriedade.  Produção de ciclo completo: criação que abrange todas as fases da produção (gestação, maternidade, creche, crescimento e terminação) e que tem como produto o suíno terminado.  Produção de leitões desmamados: tem como produto o leitão desmamado, que pode ter em média 6 kg (21 dias) ou 10 kg (42 dias). O valor de comercialização deste leitão usualmente oscila entre 1,5 a 2 vezes o valor do quilo do suíno terminado.  Produção de leitões para terminação: tem como produto o leitão de 18 a 25 kg de peso vivo e 50 a 70 dias de idade. Essa criação, além dos reprodutores, tem a fase de creche onde os leitões permanecem do desmame até a comercialização. O valor de comercialização do quilo deste leitão varia de 1,3 a 1,6 vezes o valor do quilo do suíno terminado.  Produção de terminados: envolve somente a fase de terminação, portanto tem como produto final o suíno terminado. Usualmente, o criador adquire o leitão com 20 a 30 kg e, portanto, só tem prédio (s) de terminação. Quando adquire leitões de 6 a 10 kg, precisa ter creche para abrigar os leitões antes de levá – los para os galpões de terminação.  Produção de reprodutores tradicional: é uma criação nos moldes de um produtor em ciclo completo, tendo como produto principal futuros reprodutores machos e fêmeas. A comercialização pode ser feita após a inspeção zootécnica com três meses, ou após o final do teste de Granja, com aproximadamente cinco meses, ou ainda em exposições.  Produção de reprodutores em granja núcleo: é uma criação com plantel fechado, de animais de raça pura ou linhagens de alto padrão genético e sanitário, fazendo–se a avaliação de todos os animais produzidos e passíveis de comercialização do ponto de vista reprodutivo. Tendem a substituir os machos a cada seis meses e as fêmeas após, no máximo, a produção da segunda leitegada. Comercializam para as granjas multiplicadoras machos e fêmeas puros, geneticamente melhorados e, para os produtores de animais para a indústria, os machos.  Produção de reprodutores em granja multiplicadora: é uma criação vinculada a uma granja núcleo que recebe machos e fêmeas selecionados e predestinados a acasalamentos que gerarão animais cruzados, incorporando “vigor híbrido” nos reprodutores que serão comercializados para os produtores de animais para a indústria.►Estrutura da produção 1. Estrutura especializada: os suinocultores são livres compradores de alimentos, medicamentos, equipamentos, contratadores de assistência técnica permanente ou eventual, e comercializam seus animais com intermediários ou diretamente com os abatedouros. 2. Estrutura de integração vertical: é composta por duas partes distintas, uma chamada de integrador e a outra formada por integrados. Ao integrador cabe, geralmente, produção e fornecimento de reprodutores, fornecimento da alimentação (total ou parcial), fornecimento de produtos veterinários, orientação técnica e compra de suínos. Aos integrados cabe, geralmente, participar com a sua terra, mão-de-obra, edificações e equipamentos, alimentação (só grão ou também os demais componentes, total ou parcialmente) e produzir os suínos. Nessa estrutura de produção existe um compromisso de caráter formal dos integrados em vender seus animais ao integrador e, deste em comprar os animais com um preço determinado de acordo com índices zootécnicos de produção. 14
  15. 15. 3. Estrutura de integração horizontal: também chamada de associativa, é semelhante a integração vertical, porém, é exercida por cooperativas, associações de produtores, condomínios ou outras formas de organização de suinocultores, podendo apenas comercializar suínos após industrializá – los ou comercializar os produtos cárneos.Fonte: SOBESTIANSKY, J.; WENTZ, I; SILVEIRA, P. R. S. DA; SESTI,. A. C. (Ed.) Suinoculturaintensiva: produção, manejo e saúde do rebanho. Brasília: Embrapa Serviço de Produção deInformação, 1998.AULA 2NOÇÕES DE CONSTRUÇÕES O tipo ideal de edificação deve ser definido fazendo-se um estudo detalhado do clima da região e(ou) dolocal onde será implantada a exploração, determinando as mais altas e baixas temperaturas ocorridas, aumidade do ar, a direção e a intensidade do vento. Assim, é possível projetar instalações comcaracterísticas construtivas capazes de minimizar os efeitos adversos do clima sobre os suínos. ►Homeotermia Os suínos são animais homeotérmicos, capazes de regular a temperatura corporal. No entanto, omecanismo de homeostase, é eficiente somente quando a temperatura ambiente está dentro de certoslimites. Portanto é importante que as instalações tenham temperaturas ambientais próximas às dascondições de conforto dos suínos (tabela 4). Nesse sentido, o aperfeiçoamento das instalações com adoçãode técnicas e equipamentos de condicionamento térmico ambiental tem superado os efeitos prejudiciais dealguns elementos climáticos, possibilitando alcançar bom desempenho produtivo dos animais.Tabela . Temperatura de conforto para diferentes categorias de suínos.Categoria Temperatura de Temperatura crítica Temperatura crítica conforto (°C) inferior (°C) superior (°C)Recém-nascidos 32-34 - -Leitões até a desmama 29-31 21 36Leitões desmamados 22-26 17 27Leitões em crescimento 18-20 15 26Suínos em terminação 12-21 12 26Fêmeas gestantes 16-19 10 24Fêmeas em lactação 12-16 7 23Fêmeas vazias e machos 17-21 10 25Fonte: Perdomo et.al. (1985) citado por Fávero et al. (2009)►Princípios básicos Para manter a temperatura interna da instalação dentro da zona de conforto térmico dos animais,aproveitando as condições naturais do clima, alguns aspectos básicos devem ser observados, como:localização, orientação e dimensões das instalações, cobertura, área circundante e sombreamento.  Localização A área selecionada deve permitir a locação da instalação e de sua possível expansão, de acordo com asexigências do projeto, de biossegurança e daquelas descritas na proteção ambiental. 15
  16. 16. O local deve ser escolhido de tal modo que se aproveitem as vantagens da circulação natural do ar e seevite a obstrução do ar por outras construções, barreiras naturais ou artificiais. A instalação deve sersituada em relação à principal direção do vento. Caso isto não ocorra, a localização da instalação, paradiminuir os efeitos da radiação solar em seu interior, prevalece sobre a direção do vento dominante. Escolher o local com declividade suave, voltada para o norte, é desejável para boa ventilação. Noentanto, os ventos dominantes locais, devem ser levados em conta, principalmente no período de inverno,devendo-se prever barreiras naturais. É recomendável dentro do possível, que sejam situadas em locais de topografia plana ou levementeondulada, contudo é interessante observar o comportamento da corrente de ar, por entre vales e planícies,nestes locais é comum o vento ganhar grandes velocidades e causar danos nas construções. O afastamento entre instalações deve ser suficiente para que uma não atue como barreira à ventilaçãonatural da outra. Assim, recomenda-se afastamento de 10 vezes a altura da instalação, entre as duasprimeiras a barlavento, sendo que da segunda instalação em diante o afastamento deverá ser de 20 à 25vezes esta altura, como representado na Figura localizada na página 13. Figura . Afastamento entre as instalações.Fonte: Fávero et al. (2009)  Largura A grande influência da largura da instalação é no acondicionamento térmico interior, bem como em seucusto. A largura da instalação está relacionada com o clima da região onde a mesma será construída, com onúmero de animais alojados e com as dimensões e disposições das baias. Normalmente recomenda-selargura de até 10 m para clima quente e úmido e largura de 10 até 14 m para clima quente e seco.  Pé direito O pé direito da instalação é elemento importante para favorecer a ventilação e reduzir a quantidade deenergia radiante vinda da cobertura sobre os animais. Estando os suínos mais distantes da superfícieinferior do material de cobertura, receberão menor quantidade de energia radiante, por unidade desuperfície do corpo, sob condições normais de radiação. Desta forma, quanto maior o pé direito dainstalação, menor é a carga térmica recebida pelos animais. Recomenda-se como regra geral pé-direito de 3a 3,5 m. 16
  17. 17.  Comprimento O comprimento da instalação deve ser estabelecido com base no Planejamento da Produção, assimcomo também para evitar problemas com terraplanagem e sistema de distribuição de água.  Orientação O sol não é imprescindível à suinocultura. Se possível, o melhor é evitá-lo dentro das instalações.Assim, devem ser construídas com o seu eixo longitudinal orientado no sentido leste-oeste. Nesta posiçãonas horas mais quentes do dia a sombra vai incidir embaixo da cobertura e a carga calorífica recebida pelainstalação será a menor possível. A temperatura do topo da cobertura se eleva, por isso é de grandeimportância a escolha do material para evitar que esta se torne um coletor solar. Na época da construção dainstalação deve ser levada em consideração a trajetória do sol, para que a orientação leste-oeste seja corretapara as condições mais críticas de verão. Por mais que se oriente adequadamente a instalação em relaçãoao sol, haverá incidência direta de radiação solar em seu interior em algumas horas do dia na face norte, noperíodo de inverno. Providenciar nesta face dispositivos para evitar esta radiação (Figura na página 14).Figura. Orientação da instalação em relação à trajetória do sol.Fonte: Fávero et al. (2009)  Cobertura O telhado recebe a radiação do sol emitindo-a, tanto para cima, como para o interior da instalação. Omais recomendável é escolher para o telhado, material com grande resistência térmica, como a telhacerâmica. Pode-se utilizar estrutura de madeira, metálica ou pré-fabricada de concreto. Sugere-se a pintura da parte superior da cobertura na cor branca e na face inferior na cor preta. Antes dapintura deve ser feita lavagem do telhado para retirar o limo ou crostas que estiverem aderidos à telha efacilitar assim, a fixação da tinta. A proteção contra a radiação recebida e emitida pela cobertura para o interior da instalação, pode serfeita com uso de forro. Este atua como segunda barreira física, permitindo a formação de camada de arjunto à cobertura e contribuindo na redução da transferência de calor para o interior da construção. Outras técnicas para melhorar o desempenho das coberturas e condicionar ótima proteção contra aradiação solar, tem sido o uso de isolantes sobre as telhas (poliuretano), sob as telhas (poliuretano,poliestireno extrusado, lã de vidro ou similares), ou mesmo forro à altura do pé-direito. 17
  18. 18. Tabela. Largura, pé-direito e beiral em função do clima para telhas de barro. Clima Largura (m) Pé-direito (m) Beiral (m) Quente seco 10,0 -14,0 2,8 - 3,0 1,2 - 1,5 Quente úmido 6,0 - 8,0 2,5 - 2,8 1,2 - 1,5Obs: O uso da telha fibro-cimento está sendo limitado em alguns Estados.Fonte: Fávero et al. (2009)  Áreas circundantes A qualidade das áreas circundantes afetam a radiosidade. É comum o plantio de grama em toda a áreadelimitada das instalações pois reduz a quantidade de luz refletida e o calor que penetra nos mesmos, alémde evitar erosão em taludes aterros e cortes. Esta grama deve ser de crescimento rápido que feche bem osolo não permitindo a propagação de plantas invasoras. Deverá ser constantemente aparada para evitar aproliferação de insetos. Para receber as águas provenientes do telhado, construir uma canaleta ao longo da instalação de 0,40 mde largura com declividade de 1%, revestida de alvenaria de tijolos ou de concreto pré-fabricado. A rede de esgoto deve ser em manilhas ou tubos de PVC, sendo recomendado diâmetro mínimo de 0,30para as linhas principais e de 0,20 m para as secundárias.  Instalações por fase O sistema de produção de suínos compreende as fases de pré-cobrição e gestação, maternidade, creche,crescimento e terminação. Os aspectos construtivos das instalações diferem em cada fase de criação edevem se adequar às características físicas, fisiológicas e térmicas do animal.►PRÉ-COBRIÇÃO E GESTAÇÃO Nessas instalações ficarão alojadas em baias coletivas, as fêmeas de reposição até o primeiro parto e asporcas a partir de 28 dias de gestação. Em boxes individuais, ficarão as fêmeas desmamadas até 28 dias degestação. Os machos ficarão em baias individuais. As instalações para essa fase são abertas, com controle da ventilação por meio de cortinas, contendobaias para as fêmeas reprodutoras em frente ou ao lado das baias para os machos (cachaços). As baias dasporcas em gestação podem ter acesso a piquetes para o exercício. Aconselha-se o uso de paredes laterais externas e internas, ripadas com placas pré-fabricadas emcimento ou outro material para obter-se boa ventilação natural no interior dos prédios. Fundação direta descontínua sob os pilares e direta contínua sob as alvenarias, ambas em concreto 1:4:8(cimento, areia e brita). Nos boxes individuais de gestação, o piso deve ser parcialmente ripado e nos boxes dos machos e dereposição, pode-se adotar o piso compacto ou parcialmente ripado. Piso compacto de 6 a 8 cm de espessuraem concreto 1:4:8 com revestimento de argamassa 1:3 ou 1:4 (areia média) com declividade de 2% nosentido das canaletas de drenagem. Piso áspero danifica o casco do animal e piso excessivamente lisodificulta o ato de levantar e deitar. Os comedouros e bebedouros são instalados na parte frontal. Na partetraseira das baias é construído um canal coletor de dejetos. A canaleta de drenagem pode ser externa à baiacom largura de 30 a 40 cm, ou na parte interna da baia com largura de aproximadamente 30% docomprimento da baia e com declividade suficiente para não permanecer dejetos dentro da mesma. Ofechamento da canaleta poderá ser de ferro ou de concreto. Nas baias coletivas pode-se usar o piso compacto ou 2/3 compacto e 1/3 ripado, bebedouro tipo concha ecomedouro com divisórias para cada animal. 18
  19. 19. Tabela. Recomendações para orientação de projetos para as fases de gestação, pré-cobrição e de macho.Baias Área recomendada (m2/animal)Gestação individual (Box/Gaiola) 1,32Leitoas em baias coletivas 3Macho 6 Número de animais por baiaGestação coletiva/rePosição/Pré-cobrição 6 a 10Área de Piquete Por fêmea 200 m2Fonte: Fávero et al. (2009)►MATERNIDADE É a instalação utilizada para o parto e fase de lactação das porcas que, por ser a fase mais sensível daprodução de suínos, deve ser construída atentando com muito cuidado para os detalhes. Qualquer erro naconstrução poderá trazer graves problemas, como de umidade (empoçamento de fezes e urina),esmagamento de leitões e calor ou frio em excesso que provocam, como conseqüência, alta mortalidade deleitões. Na maternidade deve-se prever dois ambientes distintos, um para as porcas e outro para os leitões.Como a faixa de temperatura de conforto das porcas é diferente daquela dos leitões, torna-se obrigatório ouso do escamoteador para os leitões.  Maternidade em salas de parto múltiplas com parições escalonadas As salas não podem ter comunicação direta entre si, recomendando-se o acesso a cada uma delas pormeio de portas localizadas na lateral da instalação. É indispensável o uso de forro como isolante térmico ecortinas laterais para proporcionar melhores condições de conforto. As celas parideiras devem ser instaladas ao nível do piso. O piso da gaiola de parição é dividido em 3partes distintas, que são:1) Local onde fica alojada a porca - parte dianteira com 1,30 m em piso compacto de concreto no traço1:3:5 ou 1:4:8 de cimento areia grossa e brita 1, com 6 cm de espessura e, sobre esse é feita umacimentação no traço 1:3 de cimento e areia média na espessura de 1,5 a 2,5 cm, e parte de traseira com 90cm, em ripado de concreto ou metal. Altura de 1,10 m e largura de 0,60 m.2) Local onde ficam alojados os leitões, denominado escamoteador - construído em concreto como oanterior, localizado entre duas baias na parte frontal, com largura de 0,60 m e comprimento de 1,20 m.3) Laterais da baia onde os leitões ficam para se amamentar - um lado construído em concreto e o outro emripado de concreto ou metal com 0,60 m de largura.  Área de parição A área de parição pode ser em baias convencionais ou em celas parideiras. Nas baias convencionais há necessidade de dispor de maior espaço que, por outro lado, contribui paraum maior conforto (bem estar animal) para as porcas. Essas baias devem ter, nas laterais, um protetorcontra o esmagamento dos leitões e numa das laterais o escamoteador. Nas gaiolas metálicas as divisórias podem ser de ferro redondo de construção de 6,3 mm de diâmetro echapas de 2,5 x 6,3 mm ou em uma estrutura de chapa de 2,5 x 6,3 mm e tela de 5 cm de malha. O escamoteador deve, em ambos os casos, ser dotado de uma fonte de aquecimento baseada em energiaelétrica, biogás ou lenha. As dimensões recomendadas para a área de parição em baias convencionais ecelas parideiras são apresentadas na Tabela . 19
  20. 20. Tabela. Coeficientes técnicos indicados para as áreas de parição.Cela Parideira:Área da cela parideira Superior a 3,96 m2Espaço para a porca 0,60 m x 2,20 mEspaço para os leitões 0,60 m de cada lado x 2,20 m de comprimentoAltura da cela parideira 1,10 m2Altura das divisórias 0,40 m a 0,50 mBaia convencionalÁrea mínima do piso 6 m2 (2,0 m x 3,0 m)Altura do protetor contra esmagamento 0,20 mDistância do protetor da parede 0,12 mEscamoteadorÁrea mínima do piso 0,70 m2Largura mínima do corredor de serviço 1,0 mFonte: Fávero et al. (2009)►CRECHE Creche é a edificação destinada aos leitões desmamados. Deve-se prever a instalação de cortinas naslaterais para permitir o manejo adequado da ventilação. As baias devem ser de piso ripado ou parcialmente ripado. Pisos parcialmente ripados devem teraproximadamente 2/3 da baia com piso compacto e o restante (1/3) com piso ripado, onde os leitões irãodefecar, urinar e beber água. É necessário dispor de um sistema de aquecimento, que pode ser elétrico, a gás ou a lenha, para manter atemperatura ambiente ideal para os leitões, principalmente nas primeiras semanas após o desmame. Emregiões frias é recomendado o uso de abafadores sobre as baias, com o objetivo de criar um microclimaconfortável. Além do agrupamento correto dos leitões e da adequação de espaço para os animais, é importante quenesta fase inicial de crescimento, o leitão tenha condições de temperatura e renovação de ar compatíveiscom as suas exigências. Sabe-se que um leitão desmamado precocemente necessita de um ambienteprotegido e que um número excessivo de animais em pequenas salas causam problemas de concentração degases nocivos e odores desagradáveis. Recomenda-se a construção de baias para 4 a 5 leitegadas,respeitando-se a uniformidade dos leitões nas baias, em salas com um sistema de renovação de ar,preferentemente com ventilação natural. As instalações podem ser abertas, com cortinas para permitir uma boa ventilação amenizando o estressecalórico. É indispensável o uso de forro como isolante térmico e cortinas laterais para proporcionarmelhores condições de conforto.Tabela. Coeficientes técnicos indicados para a creche.Área recomendada por leitão:- Piso totalmente ripado 0,30 m2- Piso parcialmente ripado 0,35 m2Altura das paredes das baias 0,50 m a 0,70 mDeclividade do piso 5%Fonte: Fávero et al. (2009) 20
  21. 21. ►CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO Essa edificação destina-se ao crescimento e terminação dos animais desde a fase que vai da saída dacreche até a comercialização. O piso das baias pode ser totalmente ripado ou 2/3 compacto e 1/3 ripado. O piso totalmente ripado é omais indicado para regiões quentes, porém, é o de custo mais elevado. O piso parcialmente ripado, isto é,constituído de 30% da área do piso da baia em ripado sobre fosso, é construído em vigotas de concreto e orestante da área do piso (70%) compacto em concreto. O manejo dos dejetos deve ser do lado de fora da edificação e por sala para possibilitar maior higiene elimpeza. A declividade do piso da baia deve situar-se entre 3% e 5%. As paredes laterais podem ser ripadas, em placas pré-fabricadas em cimento ou outro material, parafacilitar a ventilação natural. As instalações nesta fase necessitam de pouca proteção contra o frio (exceto correntes prejudiciais quepodem ser controladas por meio de cortinas), e de grande proteção contra o excessivo calor, razão pelaqual devem ser bem ventiladas, levando em consideração a densidade e o tamanho dos animais. Nesta fasehá uma formação de grande quantidade de calor, gases e dejeções que poderão prejudicar o ambiente. Parase ter uma ventilação natural apropriada, as instalações devem possuir área por animal de 0,70, 0,80 e 1,00m² para piso totalmente ripado, parcialmente ripado e compacto, respectivamente. Para o sistema de ventilação mecânica pode ser adotada a exaustão ou pressurização (ventilaçãonegativa ou positiva). O correto dimensionamento do equipamento de ventilação deve atender à demandamáxima de renovação de ar nos períodos mais quentes. Pode-se também adotar o sistema de resfriamentoevaporativo por nebulização em alta pressão (> 200 psi) para evitar estresse térmico em dias quentes. 21
  22. 22. SEMANA 4META:Apresentar aspectos relacionados a reprodução em suinoculturaOBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar as principais raças e linhagens de suínos utilizadas na produção de suínos;  Reconhecer a aplicabilidade dos esquemas de cruzamento;  Reconhecer os órgãos reprodutivos do macho e da fêmea da espécie suína;  Identificar as principais características reprodutivas dos suínos.AULA 1►MATERIAL GENÉTICO A qualidade genética dos reprodutores de um sistema de produção é considerada a base tecnológica desustentação de sua produção. O desempenho de uma raça ou linhagem é fruto de sua constituição genéticasomada ao meio ambiente em que é criada. Por meio ambiente entende-se não só o local onde o animal écriado, mas também a nutrição, a sanidade e o manejo geral que lhe é imposto. Portanto, de nada adiantariafornecer o melhor ambiente possível para um animal se este não tivesse capacidade genética, ou potencialgenético como é normalmente chamado, de beneficiar-se dos aspectos positivos do meio, em especial anutrição e a condição sanitária, para promover o aumento da produtividade. Antes de decidir a compra dos reprodutores, o produtor deve observar as especificações dos suínos aserem produzidos, com base no mercado a ser atendido, pois isso poderá ser decisivo na escolha domaterial genético. Toda a escolha deve basear-se em dados técnicos que permitam ao produtor projetar osníveis de produtividade a serem obtidos. A experiência de outros produtores em relação a determinadagenética é ainda mais importante que os dados disponibilizados pelo fornecedor. O produtor não deveesquecer, nesses casos, de verificar as condições de criação que estão sendo observadas e aquelas que serãooferecidas aos animais em seu sistema de produção, de forma a minimizar possíveis interaçõesgenótipo/ambiente que serão decisivas na obtenção dos índices de produtividade. O acompanhamento pósvenda do material genético também é um fator importante a ser considerado na decisão de compra, poisgarantirá orientação adequada para atingir as metas de produtividade, preconizadas pelo fornecedor, bemcomo a necessária substituição de animais não produtivos.  Principais raças de suínos Por definição, raça é o conjunto de animais com características semelhantes que tenham a capacidade detransmiti-las aos descendentes. Dentro de uma mesma raça encontramos animais bons e ruins e, na prática,pode-se observar que a diferença de produtividade entre estes indivíduos pode ser até mais expressiva doque a diferença entre algumas raças. Existem certas raças que se sobressaem em produtividade, produção de carne e precocidade reprodutiva,e existem outras que, ainda que precoces, têm a conformação e peso menos adequados, com produção demenores leitegadas. Com o estudo das raças podemos conhecer seus defeitos e qualidades para produção ecruzamentos na suinocultura. Assim sendo, será realizada uma descrição das raças estrangeiras que sejam numericamente expressivasno Brasil e as demais serão brevemente comentadas pelo processo de extinção que sofrem.►Raças estrangeiras É notável a contribuição das raças estrangeiras na suinocultura nacional, pela seleção de muitos anosfeitas em países de adiantada tecnologia, resultando em índices de produtividade expressivos. As raçasestrangeiras mais conhecidas e criadas no Brasil são: Landrace, Large White ou Yorkshire, Duroc, Pietrain, 22
  23. 23. entre outras. Estas raças são as mais indicadas para criação de suínos de sistema intensivo (confinamento),pelo retorno econômico proporcionado pelas mesmas.a) Landrace De origem dinamarquesa, é a principal raça estrangeira criada no Brasil, a primeira no livro de registrosda Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). São animais totalmente brancos, com as orelhascaídas (do tipo céltica). As fêmeas são excelentes mães, muito prolíferas, produzem leite suficiente paracriar leitegadas numerosas. São animais compridos com bons pernis e área de olho de lombo; entretanto,apresentam sérios defeitos de aprumos, problemas de casco e fotossensibilização.b) Large White Raça de origem inglesa, em segundo lugar nos registros da ABCS. São animais de cor branca, cabeçamoderadamente longa, orelhas grandes e em pé (do tipo asiática). Possuem lombo comprido,porém commenor área de olho lombar do que a landrace. As características produtivas e reprodutivas são semelhantesàs da raça landrace, porém apresentam menos problemas de aprumos e de cascos, sendo também sensível àfotossensibilização.c) Duroc Raça de origem norte americana, também bastante criada no Brasil devido à sua rusticidade,precocidade e excelente adaptação em nosso meio. São animais de cor vermelho- cereja, com mucosasmarrons. Os machos são indicados para reprodução por transmitir excelentes descendentes para abate, porisso é conhecida como raça pai. As fêmeas produzem pouco leite, apresentam freqüentes problemas noparto, tetas cegas ou invertidas, não sendo consideradas boas mães.d) Pietrain Raça originária da Bélgica, conhecida como raça dos quatro pernis por possuir grande quantidade decarne nos quartos dianteiros. Também por este motivo, é bastante usada em melhoramento genético, noscruzamentos com raças nacionais. As fêmeas são boas produtoras de leite e criadeiras. Apresentaproblemas circulatórios, sendo comum morte súbita por deficiência cardíaca, principal causa da poucaadaptação de animais desta raça nos trópicos. A carne do Pietrain não é considerada de boa qualidadedevido a problemas de perda excessiva de água (tipo PSE).►Outras raças Existem ainda inúmeras raças estrangeiras criadas no Brasil como: Wessex (inglesa), Hampshire(Estados Unidos), Berkshire (inglesa), Poland China (Estados Unidos). Podemos citar ainda, as raçaschinesas que atualmente vem sendo muito utilizadas em melhoramento genético pela sua alta prolificidade.  Raças nacionais Nenhuma raça nacional possui associação ou livro de registros; são animais de baixa produtividade,porém rústicos,, associados à produção de banha e indicados para criações que não tenham muito controlezootécnico e baixo controle sanitário, de forma extensiva, sem objetivos comerciais. Dentre as raçasnacionais, podemos relacionar: Piau, Caruncho, Canastra, Nilo e outras.a) Piau Originada provavelmente na região do sul de Goiás e Triângulo Mineiro, considerada a melhor e maisimportante raça nacional. Foi estudada e melhorada pelo Dr. Antonio Teixeira Viana, em São Carlos (SP).Possuem pelagem com manchas pretas e creme misturadas no corpo. São animais rústicos e de razoávelprolificidade, relativamente 12 precoces, podendo ser abatidos entre os 7 e os 9 meses com boa produçãode carne e gordura.b) Caruncho De origem desconhecida, são animais com pelagem semelhante a do Piau, porém com manchasmenores. Animais de pequeno porte, roliços, rústicos, pouco exigentes em alimentação e grande produtoresde gordura.c) Canastra Apresentam pelagem preta, podendo ser malhados ou ruivos. Animais rústicos e muito prolíficos (8 a 10leitões). 23
  24. 24. d) Nilo Animais de porte médio, pelados, de cor preta. São rústicos, apresentam má conformação, poucaossatura e pouca massa muscular.Outras raças Podemos ainda citar raças nacionais espalhadas pelo país como: Pereira, Mouro, Tatu, Pirapetinga,Sorocaba, Junqueira, etc.►Esquemas de cruzamentosAs raças mais utilizadas nos cruzamentos para produção comercial de suínos são: DUROC: de pelagem vermelha, que se caracteriza por boa rusticidade e taxa de crescimento, carne deexcelente qualidade, porém com baixo rendimento de carcaça, utilizada geralmente como linha paterna; LANDRACE: de pelagem branca, com excelente aptidão materna, taxa de crescimento,conversãoalimentar e bom rendimento de carne, utilizada coma linha materna; LARGE WHITE: também de pelagem branca, com carcaterísticas muito semelhantes às observadas naraça Landrace, sendo utilizada como linha materna e paterna, dependendo da linha de seleção; PIETRAIN: apresenta o maior rendimento de carne de todas as raças, porém com pouca rusticidade ecarne de baixa qualidade, e é utilizada como linha paterna. As características de cada raça, variáveis de acordo com o programa de melhoramento do qual sãooriundas, sugere que raramente se terá uma raça ou genótipo homozigoto que permita maximizar odesempenho em diversas características de importância econômica. Portanto, os ganhos econômicosdevem ser maiores utilizando–se genótipos cruzados na produção de suínos para ao abate, sendo que paraisso pode ser utilizado vários esquemas de cruzamento, como por exemplo os fixos de duas, três ou quatroraças, ou mesmo os cruzamentos rotativos de duas ou mais raças (Figuras 7 e 8). Estes tipos decruzamentos são recomendados para sistemas de produção de suínos de pequeno porte e com baixo níveltecnológico. Os principais cruzamentos são: Cruzamento de duas raças ou cruzamento simples: permite explorar as vantagens de heterose nosembriões e nos leitões, aumentando a taxa de sobrevivência, e melhorando a taxa de crescimento dosanimais do nascimento ao abate. Não explora, porém, as heteroses materna e paterna. Entre os principaiscruzamentos de duas raças encontra-se os de machos Large White com fêmeas Landrace, ou vice – versa,utilizado para a produção de fêmeas F-1, e de machos Pietrain com fêmeas Duroc para a produção demachos híbridos. Cruzamento de três raças ou “Three cross”: utilizam-se fêmeas F-1, como as Large White –Landrace, cruzadas com machos Duroc. Desse cruzamento espera-se maior número de leitões e maior pesodas leitegadas ao nascer e ao desmame do que o cruzamento simples, devido a heterose materna. A terceiraraça deve acrescentar vantagens de taxa de crescimento, conversão alimentar, rendimento ou qualidade decarne ao produto final. Cruzamento de quatro raças: permite explorar as heteroses materna (maior prolificidade e peso dasleitegadas ao nascer e ao desmame), paterna (maior libido e melhores taxas de concepção) e individual(animais de abate com maior taxa de crescimento e maior rendimento de carne na carcaça. Permite aoscriadores comerciais utilizarem, por exemplo, fêmeas F-1 Large White – Landrace, adquiridas ouproduzidas no próprio plantel, e machos Pietrain – Duroc , geralmente adquiridos de empresasespecializadas em melhoramento genético de suínos. Cruzamento rotacional de 2 raças: utiliza-se por exemplo, Large White e Landrace, produz –se fêmeasF-1 que são acasaladas com machos de uma das duas raças que compõem a fêmea, por exemplo LargeWhite, Da progênie produzida, composta de 75% Large White + 25% Landrace, escolhe – se as melhoresfêmeas para a reposição do plantel, as quais , por sua vez, são acasaladas com machos Landrace, obtendo –se animais 62,5% Landrace e 37,5% Large White. As demais progênies são comercializadas para o abate. 24
  25. 25. Para a produção de fêmeas da próxima geração, acasalam-se fêmeas 62,5% Landrace + 37,5% Large Whitecom machos Large White. obtendo-se animais com 68,75% Large White + 31,25% de Landrace. O procedimento utilizado com 3, 4 ou mais raças é o mesmo. As principais vantagens do sistema são asde se produzir as fêmeas de reposição na própria granja. barateando sensivelmente seu custo de produção,e de se evitar a entrada de problemas sanitários na granja,, utilizando –se animais já adaptados àscondições existentes. O único material genético a ser introduzido na granja é o do macho, o que pode serfeito via inseminação artificial. Essa auto reposição do plantel só é possível quando se dispõem de umplantel de matrizes com mais de 100 fêmeas, e de excelentes condições de controle de acasalamentos edestino dos animais mestiços.Figura – Esquema dos cruzamentos simples , three cross e 4 raças.►Aquisição dos reprodutores Os reprodutores devem ser adquiridos de rebanhos ligados a um programa de melhoria genética e queapresentem Certificado de Granja de Reprodutores Suídeos (GRSC). É importante certificar-se de que omaterial genético é livre do gene halotano, responsável pela predisposição dos animais ao estresse e pelocomprometimento da qualidade da carne. Todos os machos e fêmeas devem ser de uma mesma origem,com o objetivo de evitar problemas sanitários.  Fêmeas Como referência, as fêmeas devem apresentar um potencial para produzir acima de 11 (onze) leitõesvivos por parto e serem, de preferência, oriundas do cruzamento entre as raças brancas Landrace e Large 25
  26. 26. White, por serem mais prolíficas. Em relação aos dados produtivos, as leitoas devem apresentar um ganhode peso médio diário mínimo de 650 g (100 kg aos 154 dias de idade) e uma espessura de toucinho entre os90 e 100 kg próximo de 15 mm. A aquisição de leitoas deve ser feita com idade próxima de 5 meses, em lotes equivalentes aos gruposde gestação, acrescidos de 15% para compensar retornos e outros problemas reprodutivos. Em complementação aos dados de produtividade, atenção especial deve ser dada a qualidade dosaprumos, a integridade dos órgãos reprodutivos, ao número e distribuição das tetas (mínimo 12) e ascondições sanitárias apresentadas no momento da aquisição. A reposição das fêmeas do plantel deve ficar entre 30% e 40% ao ano, variação esta que permite aoprodutor manter um equilíbrio entre a imunidade e o ganho genético do rebanho. Animais de excelentedesempenho reprodutivo podem e devem ser mantidos em produção por mais tempo, de forma acompensar a eliminação de fêmeas que se mostrarem improdutivas na fase inicial de reprodução.  Machos Os machos devem apresentar um alto percentual de carne na carcaça e boa conversão alimentar,podendo ser de raça pura, sintética ou cruzado, de raça, raças ou linhas diferentes daquelas que deramorigem às leitoas. O mercado brasileiro de reprodutores oferece uma variedade de genótipos, que vai desdepuros da raça Duroc e Large White até cruzados Duroc x Pietrain, Duroc x Large White, Large White xPietrain, etc e sintéticos envolvendo essas raças e outras como o Hampshire. A escolha deve semprecontemplar o mercado do produto final. Como referência o ganho de peso médio diário deve ser superior a 690 g (100 kg aos 145 dias de idade)e o percentual de carne na carcaça superior a 60%. Os machos devem ser adquiridos em torno de 2 meses mais velhos que a idade do(s) lote(s) de leitoasque irá (ão) servir. Os primeiros animais a serem adquiridos devem, portanto, apresentar idade entre 7 e 8meses e os demais, necessários para a reposição, com idade superior a 5 meses. Essas referências de idadesão particularmente importantes para que o produtor possa fazer a avaliação dos dados produtivos dosanimais, bem como verificar as condições físicas mais próximas da idade de reprodução. A reposição anual de machos deve ficar em torno de 80%, o que eqüivale a substituir os animais comidade aproximada de 2 anos.  Proporção entre machos e fêmeas no plantel A proporção de machos e fêmeas (leitoas e porcas) no plantel é de 1/20, sendo indispensável dispor deno mínimo 2 machos na granja. Sempre que possível o produtor deve optar pela inseminação artificial,utilizando na cobrição das fêmeas sêmen oriundo de CIAs oficiais. Os machos das CIAs são selecionadoscom maior intensidade em relação aos que são destinados à monta natural, apresentando, portanto,melhores índices de produtividade nas características economicamente importantes. Quando o produtor usainseminação artificial o número de machos poderá ser reduzido, pois os mesmos serão utilizados apenaspara o manejo reprodutivo (detecção de cio) e para a realização de algumas montas naturais em dias quepossam dificultar o uso da inseminação artificial.AULA 2►PRINCIPAIS LINHAGENS DE SUÍNOS O melhoramento genético é a base tecnológica de sustentação de qualquer estrutura de produção,seja ela “animal ou vegetal”, resume o pesquisador da área de Genética Suína da Embrapa Suínos e Aves,Jerônimo Fávero. Segundo ele, o desempenho de uma raça ou linhagem é fruto de sua constituiçãogenética somada ao meio ambiente em que é criada. “Por meio ambiente entende-se não só o local onde oanimal é criado, mas também a nutrição, a sanidade e o manejo geral que lhe é imposto”, explica.“Portanto, de nada adiantaria fornecer o melhor ambiente possível para um animal se este não tivessecapacidade genética, ou potencial genético como é normalmente chamado, de transformar os aspectos 26
  27. 27. positivos do meio, em especial a nutrição e a condição sanitária, em aumento da produtividade dascaracterísticas economicamente importantes”.Figura – Esquema para obtenção de uma linhagem de suínos ABCD Por essa razão, o pesquisador afirma que o trabalho de seleção desenvolvido nos rebanhos núcleotem contribuído de forma expressiva para as melhorias genéticas dos suínos, que, somada aos avanços danutrição e incremento das condições sanitárias, além de outras melhorias de ambiente, tornou asuinocultura uma atividade altamente competitiva na produção de proteína animal. “Essas melhorias,obtidas no topo da pirâmide de produção, são transferidas diretamente ou através dos rebanhosmultiplicadores aos sistemas de produção de animais para abate”. Com essa introdução, fica mais fácil entender o mecanismo do melhoramento genético suínoempregado no Brasil. Um processo que começou no final da década de 70 e vem se aprimorando ao longodos anos. Conforme ressalta Fávero, por ser a base de sustentação da produção, a evolução genéticapermitiu que a suinocultura saísse de uma produtividade insustentável para os padrões atuais de produção.“Exemplos disso são a evolução experimentada em características como o número de leitões terminadospor porca por ano, que hoje encontra- se entre 24 a 26, a conversão alimentar que se situa entre 2,4 e 2,6para animais de terminação e o percentual de carne na carcaça, que saiu de 50% no início dos anos 90 parauma média atual próxima de 58% em animais de abate com peso vivo entre 100 e 110kg”. O mercado atual da suinocultura, segundo o pesquisador, está exigindo animais que proporcionem umasproduções sustentáveis, que implica em preservar o ambiente, com boas condições de desenvolvimento(sem estresse) e que reduzam ao máximo o uso de drogas como promotores de crescimento. “Dentre aslinhas de trabalho na área do melhoramento genético, devem merecer atenção especial a seleção pararesistência às doenças, visando reduzir o uso de aditivos e drogas para melhorar a absorção dos alimentos ereduzir o poder poluente dos dejetos e a constante melhoria da qualidade da carne”, destaca. O pesquisadortambém lembra que os programas de seleção continuarão buscando a melhoria da prolificidade e oaumento da produção de carne de qualidade, características essas que têm uma grande influência sobre odesempenho econômico da produção. 27
  28. 28. Nesse sentido, a Embrapa Suínos e Aves desenvolveu e colocou no mercado nacional, em parceria coma Cooperativa Central Oeste Catarinense (Aurora), em 1996, o macho linha Embrapa MS58, um suíno commaterial genético com o propósito de tornar competitivos os pequenos e médios produtores, em função doincremento da tipificação de carcaças, principalmente nos frigoríficos do Sul do Brasil. A linha EmbrapaMS58 ainda está sendo produzida e distribuída por oito multiplicadores. sendo um no Rio Grande do Sul,quatro em Santa Catarina e três no Paraná. Com o estreitamento dessa parceria, foi lançada no ano 2000 uma segunda linha de macho terminador,denominada Embrapa MS60. Esta linha é livre do gene halotano, produz animais terminados resistentes aoestresse e sem predisposição genética negativa sobre a qualidade da carne. De acordo com Fávero, a partirde 2003 os multiplicadores da linha MS58 já estarão produzindo machos MS60.  AGROCERES PIC- Fêmeas avós: AG1050 e AG1062; Machos avôs: AG1075 e AG1020; Matrizes comerciais: Camborough 22 e Camborough 25 ; Machos comerciais: AGPIC 427, AGPIC 409, AGPIC 337 e AGPIC 412.0427 é disponibilizadoapenas na categoria TG Elite (I. Artificial) e os demais nas categorias Monta Natural, TG Superior (I.Artificial) e TG Elite (também IA); Produtos AGPIC : AG1075 LS1 e AGPIC 337 PT1; Genética Líquida: Comercialização de sêmen dos machos comerciais.  TOPIGS - A TOPIGS conta com três linhas machos no mercado brasileiro. Uma, de alta produção de carne magra,com boa conformação, boa qualidade de carne e líder em taxa de crescimento, que é o macho terminadorDALBOAR. Outra, que é uma linha macho de alto rendimento em carne magra, extremamente muscular ecom boa conversão alimentar, que é a mais nova linha da empresa: o macho comercial TOPPI. E aterceira, que é uma linha intermediaria: o TYBOR, desenvolvido para atender todas as exigências dosdiferentes nichos do mercado nacional. “Uma modificação implantada no programa de melhoramentogenético TOPIGS é que desde o ano passado, todas as linhagens machos da empresa estão sendoselecionadas a um peso mais elevado, melhorando a acurácia dos cálculos dos valores genéticos paraprodução de carne magra e selecionando animais na mesma condição exigida pelo mercado”, explica odiretor. Na linha fêmea, no Brasil, a TOPIGS possui a comercial C40 que, além de ser altamente prolífera emcondições de clima quente, de acordo com a empresa (produz acima de 27 desmamados por porca porano), tem bom consumo na maternidade e alta produção de leite. “A fêmea C40 não possui componente desangue Landrace e isto faz com que a mesma atenda as tendências do mercado, pois é uma fêmea que temurna baixa exigência de manutenção, gastando em torno de 100 kg a menos de ração do que as linhagenscomerciais que possuem componente Landrace”, ressalta Wigman. A TOPIGS também possui duas linhasmaternas de avôs. A TOPIGS do Brasil conta com três granjas núcleos de melhoramento genético distribuídas nos Estadosde Goiás, Paraná e Rio Grande doSul, onde os bisavós importados da Holanda e da França são submetidosa teste de granja. Os dados destes animais são enviados para o IPG (Intitute for Pig Genetics), na Holanda,e são incorporados ao banco de dados do Grupo TOPIGS, junto com os dados de todas as outras granjasnúcleos ao redor do mundo, usando a ferramenta interna TSNS (TOPIGS Satellite Núcleo System).  PEN AR LAN - “Num contexto cada vez mais competitivo, mais que nunca, o produtor de suínos deve procurar baixar o seu custo de produção”, diz o diretor da Pen Ar Lan do Brasil, Yves Naveau. “E a genética, como também o manejo, a nutrição, as instalações e a sanidade, são componentes estruturais fundamentais na geração do custo de produção e na rentabilidade da atividade”. Ele afirma que no Brasil e no mundo, além de continuar a trabalhar cornos atuais critérios de seleção Como a carcaça o crescimento, a prolificidade a rusticidade e as qualidades maternais, outros critérios, como a resistência às doenças, podem ser fundamentais no futuro. “A 28
  29. 29. genética molecular também será uma ferramenta cada vez mais usada, porém, na Pen Ar Lan, mesmo investindo em biotecnologia acreditamos que a genética quantitativa clássica e a simplicidade, associadas a uma certa paciência e perseverança, ainda serão as bases do nosso trabalho para os próximos anos”, revela. Naveau lembra ainda que a Pen Ar Lan foi quem iniciou a descoberta do gene de acidez da carne suína (RN-) no mundo. A Pen Ar Lan propõe aos produtores O CACHAÇO P76 E A FÊMEA NAÏMA, cuja particularidade éo uso do sangue chinês. Totalmente livre do gene de sensibilidade ao estresse, o macho cruzado P76 aliacrescimento rusticidade, homogeneidade dos descendentes e uma excelente qualidade de carcaça, resultadode uma seleção intensiva de mais de 25 anos das duas linhagens sintéticas que o compõem. Já a fêmeaNaïma combina as qualidades de carcaça e de crescimento das raças européias e a prolificidade das raçaschinesas. “O nosso objetivo no Brasil é que os produtores, usando a Naïma, cheguem aos mesmosresultados alcança dos na França, ou seja, em média 11 leitões desmamados por parto”.  DB DANBRED – De acordo com Mateus Borges, do Departamento de Marketing da DB-Danbred do Brasil, o melhoramento genético suíno proporcionou uma maior produção de carne por metro quadrado, maior competitividade na área de proteína animal, melhor qualidade de carne e maior rentabilidade para toda cadeia de carne suína. “As exigências do mercado Consumidor são carne de qualidade (cor, suculência, sabor) e característicasde carcaça (espessura de toucinho, porcentagem de carne magra, comprimento da carcaça)”, diz. “Doponto de vista produtivo, as características exigidas são: prolificidade, ganho de peso, conversão alimentar,taxa de mortalidade”. A empresa trabalha no Brasil com AVÓS DB 25, FÊMEAS COMERCIAIS DB 90 E OSREPRODUTORES: TÍVOLI, VIBORG E FREDERIK. O processo de melhoramento genético da DBDanBred vem da Dinamarca, onde 90% da população suína daquele país está sob um mesmo programagenético (DanBred). “AULA 3►ÓRGÃOS REPRODUTIVOS DO MACHOa) Testículos: Localiza-se fora da cavidade abdominal protegidos por uma extensão de pele em forma debolsa denominada de escroto. Cada testículo está recoberto por uma forte cápsula que é a TúnicaAlbugínea.b) Aparelho excretor do sêmen: No interior de cada testículo existem milhares de condutos enroladoschamados tubos seminíferos Os espermatozóides são produzidos dentro destes tubos, sendo encaminhadosdaí ao canal deferente que é uma estrutura despregada dos testículos. Do canal deferente dirigem-se àuretra. Os testículos constituem a fonte do hormônio sexual masculino TESTOSTERONA - que éresponsável pelo comportamento sexual do macho e pelos caracteres sexuais secundários, O testículoesquerdo é ligeiramente maior que o direito, provavelmente devido à irrigação sangüínea. A retençãoparcial (monorquidismo) ou total (criptorquidismo) dos testículos na cavidade abdominal se constituem emfatores altamente indesejáveis em animais destinados à reprodução, dada a sua condição hereditária.c) Glândulas acessórias: Vesícula seminal, próstata e glândulas bulbo uretrais ou de Cowper, constituemo plasma seminal ou sêmen, cuja finalidade é servir de meio de suspensão dos espermatozóides,proporcionando-lhes material alimentício.d) Pênis: Constituído de uretra, corpos cavernosos, glande e prepúcio. A uretra dos varrões possui umaforma espiralada. Durante a excitação os espaços cavernosos do pênis se tomam cheios de sangue cujasaída fica impedida, quando o pênis se toma túrgido e ereto. A parte externa do pênis, de forma espiralada,se dá o nome de glande. Os suínos possuem uma bolsa prepucial próxima à extremidade do pênis, defunção desconhecida e não encontrada em outras espécies animais. O tamanho desta bolsa diminuisensivelmente após a castração. Nesta bolsa se acumula a urina que é responsável pelo forte odor sexualmasculino dos varrões que se infiltra até em sua carne, dando-lhe um cheiro e sabor desagradáveis. 29
  30. 30. Figura – Órgãos reprodutivos do macho►ORGÃOS REPRODUTIVOS DA FÊMEAa) Ovários: São em número de dois, em forma de um cacho de uva, sendo o ovário esquerdo 70% maisfuncional do que o direito. O tamanho do ovário depende em grande parte da idade e da fase reprodutiva dafêmea. Possuem três funções básicas que são: produção dos gamelas femininos (óvulos), secreção deestrógeno e secreção de progesterona.b) Sistema condutor feminino Consta das seguintes partes: ovidutos (ou trompa de falópio), útero, cérvix, vagina e genitália externa.1) Ovidutos: São um par de tubos longos e enrolados que conectam os ovários com o útero. Depois que osóvulos abandonam os folículos ováricos, dirigem-se ao oviduto. Nesta região há o encontro do óvulo como espermatozóide seguindo-se a fecundação. Os óvulos depois de fecundados descem até o útero para aimplantação. 2) Útero: Consta de uma porção curta chamada corpo uterino e de dois corpos uterinos bemdesenvolvidos. Cada corpo na maioria das vezes contém aproximadamente metade do número deembriões, em decorrência da migração intra-uterina dos óvulos fertilizados, ou seja, o deslocamento dosovos de uma parte para a outra do útero. Esta migração ocorre cerca de onze dias após a fertilização.3) Cérvix ou colo uterino: Esfincter muscular situado entre o útero e a vagina, isolando o útero do meioexterior. A ocorrência de algum distúrbio na cérvix pode acarretar o aborto.4) Vagina: Divide-se em duas partes: vestíbulo ou vulva que é a parte mais externa e a vagina posterior,que se estende deste orifício central até o cérvix. Possui massas de tecidos conjuntivo denso e frouxo, comabundante provisão de plexos venosos, fibras nervosas e pequenos grupos de células nervosas. O muco 30
  31. 31. normalmente encontrado na vagina, procedente sobretudo da cérvix, aumenta consideravelmente nasfêmeas em cio.5) Genitália externa: Constituída pelo clitóris, lábios maiores e menores e certas glândulas que se abremno vestíbulo vaginal. O clitóris é homólogo embriológico do pênis e está formado por dois pequenoscavernosos eréteis que terminam em uma glande rudimentar.Figura – Órgãos reprodutivos da fêmeaFonte: Lima et al. ( 1995)AULA 4►REPRODUÇÃO  IMPORTÂNCIA Reprodução é um processo complexo, dependendo de uma série de atividades, maturação edesprendimento dos óvulos dos ovários, desejo sexual no momento da ovulação, cópula, transporte dosêmen ao encontro dos óvulos fertilizados ao útero, sua implantação adequada e subseqüente nutrição dosrecém-nascidos pelas glândulas mamárias. Todos esses eventos são regulados por um complexo sistema neuro-hormonal que permite umfuncionamento normal e bem balanceado dos órgãos terminais afetados por hormônios, daí resultandoperfeita sincronização da função do mecanismo sexual. A espécie suína é multípara, do tipo poliestral não estacional com cios ocorrendo com intervalos de 21dias, possuindo ovulação espontânea nos dois ovários. São animais altamente prolíferos, podendo produzirmais de 20 leitões em dois partos por ano. Iniciam a vida reprodutiva bastante jovens. Aos 8 meses osanimais já estão aptos a procriar. 31
  32. 32. É sabido que o tamanho da leitegada é muito mais conseqüência do manejo do que de fatoreshereditários. Nessas condições é com o manejo adequado, através do conhecimento do mecanismofisiológico da reprodução, que se pode influir no aumento do número de leitões nascidos por parto.  IDADE DA REPRODUÇÃO Devido ao desenvolvimento anatômico insuficiente, os reprodutores não deverão ser utilizados nareprodução tão logo alcancem a puberdade. O processo de crescimento mobiliza grandes quantidades deproteínas, pois os músculos, ossos, sangue e outros ferimentos essenciais ao crescimento possuem elevadasproporções de proteínas em sua composição. Como a fração gelatinosa do esperma é rica de proteína nometabolismo animal. De um modo geral são necessárias três condições para que a cobrição de leitoas seja bem sucedida:maturidade sexual (3º cio), idade (6 a 7 meses); desenvolvimento corporal (110 kg) mais ou menos.Quanto ao macho deve ser utilizado gradativamente e possivelmente a uma idade e peso ligeiramentesuperiores aos das marrãs.  CICLO ESTRAL O processo reprodutivo das fêmeas é sempre cíclico, iniciando com o estro ou cio e terminandoimediatamente antes da manifestação do novo cio. A duração total média do ciclo estral é de 21 dias,podendo haver pequenas oscilações.  FASES DO CICLO ESTRALa) Proestro ou fase de proliferação - Nesta fase os folículos ovários estão bastante desenvolvidos ou damaturação. O útero fica tenso, a vagina corada e edematosa e a cérvix aberta. Às vezes há presença demuco na vagina, com evidência da aproximação do novo cio, com início das manifestações psíquicas. Aduração desta fase é de aproximadamente dois dias.b) Estro ou cio - Fase ovulatória, de cobrição com duração de aproximadamente 2 a 3 dias. Será tratadaem item especial, devido a sua importância.c) MetaestroNesta fase o útero perde a sua tenacidade e a vagina apresenta menos entumecida.Fase pós-ovulatória, com duração de 2 dias. Os ovários se caracterizam por apresentarem inicialmentedepressões correspondentes aos locais de ovulação que posteriormente dão origem aos corposhemorrágicos.d) DiestroEsta fase com duração de 14 dias após a ovulação, se caracteriza por: corpo lúteo maduro, útero quieto esem tenacidade e presença da pri onda de crescimento folicular. A mucosa da vagina e a cérvix estão secase pálidas.e) AnaestroE o período de diestro prolongado. Pode-se constituir num dos tipos de esterilidade funcional, pelapossibilidade de persistência do corpo lúteo.  ESTRO OU CIO É fase em que a fêmea aceita o macho, permitindo a cópula. Terminado o cio, o macho perde, de ummodo geral, o interesse pela fêmea, sendo também por ele repelido. De acordo com as características do cio, os animais, dividem-se: 1. Monoestrais - aqueles que apresentam um cio por ano. 2. POLIESTRAIS - apresentam mais de um cio por ano. 3. Contínuos - aqueles que apresentam manifestações de cio durante todo o ano. Ex.: porca, vaca, coelha. 4. Estacionais - aqueles que apresentam cio em determinada época do ano (estação). Ex.: ovelha, cabra, égua. 32

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