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  • 1. SUINOCULTURAProf. Marcelo José Milagres de Almeida Setor de Ensino a Distância Barbacena – MG 2011
  • 2. Prezado aluno, O Campus Barbacena – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia doSudeste de Minas Gerais lhe deseja boas vindas. É o início de uma fase de sua vida que será marcada por muito trabalho. Vocêencontrará pela frente, muitas experiências novas, interessantes e carregadas de emoções paravivenciar cada fase do Curso Técnico em Agropecuária. O Campus Barbacena lhe disponibiliza um ambiente virtual de aprendizagem quepermitirá uma convivência agradável com seus colegas de curso. É um espaço cibernético ondevocês poderão interagir para alcançar seus objetivos de sucesso profissional. Nós da equipe da Educação a Distância – professores, coordenadores, tutores ealunos – estamos orgulhosos por você estar conosco. A presente apostila tem como objetivo mais amplo o desenvolvimento das competênciasnecessárias ao planejamento, à orientação, à avaliação e ao monitoramento da exploraçãotécnica e econômica da Suinocultura, visando a desenvolver no aluno habilidades específicasdiversas, tais como identificar as principais raças, linhagens e suas características; manejaranimais nas fases de reprodução, cria e engorda; orientar e monitorar o manejo alimentar dossuínos; identificar e relacionar as instalações e equipamentos necessários à exploração dasuinocultura; orientar e monitorar a profilaxia e o tratamento das doenças mais comuns;identificar e reconhecer a importância da suinocultura para o Brasil. Estou a disposição para contribuir, no que for possível, no desenvolvimento profissionalde vocês. Conte comigo. Um abraços e vamos estudar. Prof. Marcelo José Milagres de Almeida Zootecnista – CRMV 0758/Z Professor de Zootecnia – Suinocultura Campus Barbacena Doutor em Nutrição de Monogástricos – UFLA - MG 2
  • 3. SUMÁRIO páginaSemana 1 – Aula 1: Aspectos relacionados ao futuro da cadeia suinícola …...... 4 Aula 2: Colesterol …............................................................................. 5 Aula 3:Cisticercose e Teníase.............................................................. 7 Aula 4: Importância dos suínos para a medicina humana ............... 9Semana 2 – Aula 1:Classificação zoológica, origem e evolução do suíno............. 11 Aula 2:Exterior do suíno...................................................................... 12Semana 3 – Aula 1:Sistemas de produção de suínos.............................................. 13 Aula 2:Noções de Construções ............................................................ 15Semana 4 – Aula 1:Material genético...................................................................... 22 Aula 2:Principais linhagens de suínos................................................. 26 Aula 3:Órgãos reprodutivos do macho e da fêmea............................ 29 Aula 4: Reprodução.............................................................................. 31Semana 5 – Aula 1: Manejo da produção - Machos, Procedimentos paradetecção de cio, Pré-cobrição, cobrição, Gestação e Descarte de Fêmeas ........... 37 Aula 2: Manejo da produção - Maternidade ….............................. 41 Aula 3: Manejo da produção - Creche............................................... 44 Aula 4: Manejo da produção – Crescimento e Terminação............ 45Semana 6 – Aula 1:Noções de nutrição .................................................................. 46 Aula 2:Preparo de ração...................................................................... 48Semana 7 – Aula 1:Biossegurança........................................................................... 56 Aula 2:Limpeza e desinfecção ............................................................ 59 Aula 3:Vacinação ................................................................................. 67Semana 8 – Aula 1:Manejo pré – abate ….............................................................. 69 Aula 2:Gerenciamento …..................................................................... 69Semana 9 – Aula 1:Proteção ambiental .................................................................. 75 Aula 2:Manejo de dejetos ................................................................... 78Referências bibliográficas ........................................................................................ 80 3
  • 4. SEMANA 1META:Apresentar os pontos mais importantes relacionados a cadeia suinícola e os mitos e verdades sobre acarne suínaOBJETIVOS:Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar os principais aspectos relacionados ao futura da cadeia produtiva de suínos;  Reconhecer a qualidade da carne suína, relacionando aos fatores colesterol e cisticercose;  Reconhecer a importância dos suínos para a medicina Humana.AULA 1ASPECTOS RELACIONADOS AO FUTURO DA CADEIA SUINÍCOLA A produção de carne suína permanece como uma produção agrícola ainda diretamente pressionadapela concorrência internacional. Sob essa constante pressão, para manter o nível de competitividade deseus rebanhos, os produtores devem se adaptar continuamente à evolução das técnicas de produção.Adicionalmente, devem ter em conta os embaraços regulamentares, induzidos pelas exigências cada vezmais fortes da sociedade, em particular aquelas concernentes a proteção do ambiente, ao bem-estar dosanimais, ou da segurança dos alimentos aos consumidores. Nos anos setenta, no contexto da cadeia suinícola do Brasil, a visão de futuro apontava maisdiretamente para questões relacionadas aos sistemas de produção. Atualmente, como fruto da globalizaçãodo comércio, a visão de futuro aponta para questões de mercado, com exigências de rastreabilidade totaldentro das cadeias produtivas. Além das barreiras tarifárias, ganham força as barreiras técnicas de proteçãodos mercados, colocadas sobre as exportações nacionais da carne suína. As diretivas sobre segurança alimentar, bem estar animal e ambiente vêm alterar profundamente omodo de criar, transportar e abater os animais para consumo humano. Assim, o cumprimento de todas asnormas deve, necessariamente, aumentar os custos do produto final por razões que se prendem ao aumentodo espaço necessário para sua criação, qualidade e tipo dos alimentos a usar, tempo para o transporte,instalações, espaços e materiais de construção, tipos de equipamentos, preparação do pessoal para manejopré-abate e abate dos animais, entre outras. Como as normas serão exigidas não só dos criadores da União Europeia (EU), mas também dospaíses exportadores, as grandes barreiras à entrada de produtos nesses países, deixarão de ser tarifáriaspara tornarem-se técnicas ou sanitárias. Nesse caso as exigências nos limites permitidos serão revisadasexigindo novos equipamentos e conhecimentos. Também muito importante é que o país gere inovações na cadeia produtiva de suínos como formade competir com produtos de maior valorr agregado, aumentando a participação das empresas brasileirascom marcas próprias nas prateleiras dos supermercados dos países importadores. É necessário estar atentoa esse passo importante, pois cada vez mais será exigido padrão internacional de certificação. A expressividade do Brasil na produção e exportação de carne suína está a exigir também umaconstante atualização dos profissionais do setorr para aprimorar e dar seqüência ao crescimento e qualidadeda atividade suinícola nacional. A tendência de concentração da produção de suinos deve continuar aocorrer de maneira acelerada no Brasil, com a redução do número de produtores dedicados à criação, mascom crescimento do volume produzido, das divisas e da renda do setor. Nesse cenário, apresenta-se como desafio para os diferentes elos desta cadeia, notada mente para aindústria, a pesquisa e a assistência técnica, as questões relacionadas com a sanidade, diagnóstico econtrole das doenças, as questões de conservação do meio ambiente, bem-estar animal, qualidade da carnee a segurança dos alimentos. Fonte: Silveira, P.R.S. (2007) 4
  • 5. AULA 2COLESTEROL As doenças cardiovasculares são consideradas a causa mais freqüente de mortes na população humana.Estas enfermidades começam geralmente sob a forma de uma arteriosclerose, que é uma condição na qualdepósitos de gordura, contendo colesterol desenvolvem-se “placas” no interior das artérias. Estes depósitosvão se avolumando, prejudicando o fluxo de sangue, e chegam até o bloqueio total. O bloqueio da artériaque fornece sangue ao coração é a causa do chamado “ataque cardíaco”. Para evitar esses depósitos de gordura tem-se recomendado a redução no consumo de gordurassaturadas e de colesterol. Como os produtos de origem animal contem estas duas substâncias, eles têm sidoalvo de inúmeras campanhas negativas, que visam denegrir sua verdadeira imagem e valor nutricional. Emalguns casos, tem ocorrido uma verdadeira “colesterofobia epidêmica”, levando o público ao pânico, semuma base científica que comprove o fato adequadamente. Um exemplo disso foram as campanhas da fortíssima indústria da soja para a introdução das margarinasno mercado consumidor, em substituição às gorduras animais. Nessa ocasião foram feitos fones ataques sgorduras animais por serem saturadas. Porém, não mencionaram que as margarinas, apesar de serem deorigem vegetal, com grande concentração de gorduras insaturadas, no seu processo industrial de produçãopassam por reações químicas que as transformam em saturadas, sendo tão indesejáveis ao organismoquanto às gorduras animais se ingeridas em excesso. Mas como as doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo, toda atenção deve ser dadaao assunto, evitando-se excessos de qualquer um dos lados que tente provar a veracidade de seus conceitos. Por enquanto, a verdade é que existe muita discussão sobre o assunto e que não existe umacompreensão total do que causa ou do que evita essas doenças. O que se conhece atualmente é queindivíduos que possuam taxas de colesterol acima de 200-240 mg/ 100ml de sangue são classificados comode alto risco, especialmente se apresentarem mais de dois dos fatores que estão associados à ocorrência deenfermidades cardíacas: Fatores hereditários: muitas evidências mostram que as enfermidades cardíacas podem sertransmitidas hereditariamente; Estresse, diabete mellitus, obesidade e hipertensão cardíaca; Sexo: os homens são mais suscetíveis do que as mulheres; Idade: o risco aumenta com a idade; Hábito de fumar: são mais freqüentes nos fumantes. O organismo do homem sintetiza cerca de 1000mg colesterol por dia. A média de consumo diárioatravés da alimentação está entre 400 a 500mg, o que mostra que a absorção dietética representa cerca de1/3 do total do colesterol no Organismo. Pessoas pertencentes ao grupo de risco em relação àsenfermidades cardiovasculares devem restringir seu consumo diário de colesterol a menos de 300 mg. Umbom filé de 100g de lombo de pernil cozido fornece apenas 69 a 82mg de colesterol. ou seja, apenas 25%do total das 300 mg permitidas. Importância do Colesterol - O colesterol um componente vital de todas as células do organismo.Parece uma gordura e é encontrado exclusivamente nos animais. Ele é essencial à vida, pois através delesão produzidos hormônios sexuais, ácidos biliares, vitaminas, (Vit. D) e as membranas das células. A quantidade de colesterol no organismo tem duas origens: a síntese orgânica e a absorção dietética. Síntese orgânica: é responsável por 2/3 do colesterol do corpo. Ele é produzido em quase todos ostecidos, mas a sede principal é o fígado. O organismo controla a síntese, aumentando-a se o consumo peladieta é baixo, ou diminuindo-a em caso contrario. Se for necessário é capaz de produzir todo o colesterolque necessita. Algumas pessoas não conseguem regular a síntese, produzem colesterol em excesso e devemseguir o regime e as recomendações do seu médico. Uma em cada 500 pessoas apresenta este distúrbioorgânico. As pessoas sadias mantêm um baixo nível de colesterol, mesmo quando consomem dietascontendo altos níveis do mesmo. 5
  • 6. Absorção dietética: é responsável por 1/3 do colesterol do corpo. Proveniente dos alimentos, ele éabsorvido no intestino, após sofrer a ação da bile. Para se locomover no organismo, usa a correntesanguínea onde se encontra ligado às chamadas lipoproteínas. Existem duas lipoproteínas importantes: asde alta densidade (HDL), que possuem mais proteína do que gordura; e as de baixa densidade (LDL), quepossuem mais gordura do que proteína. As HDL são chamadas de “Bom colesterol”, pois elas o retiram dacirculação sanguínea e o levam para ser metabolizado no fígado. Pessoas que possuem mais HDL têmmenor incidência de doenças cardíacas. As LDL são chamadas de “Mau colesterol” porque retiram ocolesterol produzido no fígado e o despejam no sangue. A maior porção do colesterol é encontrada junto às lipoproteínas de baixa densidade (LDL). Sabe-seque até 200 miligramas de colesterol por 100 miligramas de sangue é um resultado aceitável para ohomem. Porém, dosagens muito abaixo de 200mg podem ressecar as veias e as artérias, pois o colesterol éessencial para a lubrificação das mesmas. Efeito da dieta: É importante não confundir colesterol dos alimentos com colesterol sangüíneo. Osníveis sanguíneos são pouco alterados no homem com o uso de dietas ricas em colesterol, em virtude doSistema de controle que aumenta ou diminui a síntese no organismo, de acordo com a menor ou maiorabsorção intestinal. Estudos com grandes populações não mostram correlação entre o colesterol da dieta eo sanguíneo. O consumo excessivo de colesterol não aumenta a incidência de enfermidades cardíacas em pessoasnormais, pois estas o metabolizam de forma eficiente para exercer suas funções essenciais e eliminamnaturalmente os excessos do mesmo, Algumas pessoas, porém, estão expostas a uma série de fatores de risco, que as predispõem ao acúmulode colesterol nos vasos sangüíneos, podendo contribuir para as doenças cardiovasculares. Os principaisfatores de risco são:  Pessoas incapazes de controlar a síntese ou excreção do colesterol. Dessa forma, ocorre o acúmulo do mesmo nos vasos sangüíneos, devido a um desequilibro no sistema que regula o nível de produção e eliminação. As causas para este distúrbio são hereditárias;  Pessoas que possuem maiores níveis de lipoproteínas de baixa densidade (LDL), que levam o colesterol produzido no fígado para o sangue. As causas podem ser genéticas ou não. Os níveis de HDL, o bom colesterol, podem ser aumentados com o exercício físico constante e moderado. A presença de fibras na dieta mantém o HDL e diminui o LDL;  Pessoas com vida sedentária. sem exercícios físicos, obesos, fumantes, consumidores de álcool sob forma excessiva, diabéticos, com baixa atividade sexual ou com a predisposição hereditária possuem maiores probabilidades de aumentar as doenças cardiovasculares;  Pessoas que ingerem grandes quantidades de gorduras saturadas. As gorduras são classificas de acordo com o seu índice de saturação. De uma forma geral, as gorduras saturadas que são encontradas nos animais são mais duras na temperatura ambiente e aumentam o nível de LDL (o mau colesterol) no organismo do homem. Quando não são consumidas, o nível de colesterol sangüíneo tende a ser menor. Nem todas as animais são totalmente saturadas. No suíno, por exemplo menos de 50% de sua gordura é saturada. As gorduras insaturadas são mais liquidas na temperatura ambiente são encontradas nos óleos vegetais, com exceção do coco e palmas. A qualidade das gorduras ingeridas é definida pela relação entre gorduras saturadas e insaturadas. Quanto maior esta relação (maior quantidade de insaturadas), mais aconselhável é o seu consumo. Pelo exposto conclui-se que há uma ligação entre o consumo de gorduras saturadas e insaturadas e o teor de colesterol sanguíneo. Quanto maior o teor de gorduras saturadas na dieta, maior o nível de colesterol no sangue. Este efeito pode ser contornado com o maior consumo de gorduras insaturadas, que diminuem o colesterol sanguíneo devido a maior excreção de ácidos biliares e esteróis neutros do corpo. Uma das formas mais praticas de se diminuir o consumo de gorduras saturadas, sem prejudicar o valor nutricional da dieta, é eliminar o consumo de alimentos “extras”, tais como biscoitos, batatas fritas, maioneses, etc. Esses alimentos são ricos em gorduras e relativamente pobres em outros nutrientes. 6
  • 7. Pelo que comentamos até o momento, o colesterol da dieta não tem relação com a taxa de colesterol nosangue de pessoas consideradas normais. Porém, em virtude das pessoas situadas na faixa de risco, éimportante que se divulgue os teores de colesterol dos vários alimentos para que cada um possa elaboraruma dieta condizente com sua situação. Em relação às carnes dos animais, os teores de colesterol são semelhantes nos suínos, bovinos e aves.São maiores nas carnes cozidas do que nas cruas, pois o cozimento retira a água e concentra os demaiscomponentes.Fonte: ROPPA, L. Suínos: mitos e verdades. Revista Suinocultura Industrial, n.127, p.10-27, 1997.AULA 3CISTICERCOSE E TENÍASE Os primeiros escritos dos judeus 300 anos antes de Cristo, proibiam, sob pena de prisão, a ingestão decarne de porco. Isto porque Aristóteles havia descrito a cisticercose nos suínos. É dessa época, portanto,que remontam os conceitos errados de que o porco transmita esta doença ao homem. Moisés e Maomécontribuíram para a formação desse conceito ao proibir o consumo de carne de porco na dieta humana paraevitar as parasitoses tão comuns já naquela época. Um dos nomes mais famosos da história a sofrer oproblema da cisticercose foi Joana D’Arc. Após ser queimada em praça pública, seu cérebro foinecropsiado e nele foram encontrados cisticercos calcificados, principalmente no lobo temporal, queseriam as causas de suas alucinações visuais. O conceito errôneo de que a cisticercose é transmitida pelo consumo de carnes contaminadas (de suínoou bovino) deve-se à falta de conhecimento e de esclarecimento sobre o ciclo de vida deste parasita. Paraentender corretamente esta enfermidade, vamos expor a seguir o seu ciclo de vida, diferenciando o que éTeníase do que Cisticercose. A Teníase é a doença causa por um parasita chamado de Taenia Solium no caso dos suínos e TaeniaSaginata no caso dos bovinos. As taenias precisam de dois hospedeiros para completar o seu cicloevolutivo. Um é o homem, que é o único hospedeiro definitivo, da taenia (único a possuir a fase adulta doverme). O outro hospedeiro, chamado de intermediário, pois nele só ocorre a fase larvar (cisticerco),podem ser os suíno, bovinos, carneiros, etc. Ao comer carne crua ou mal passada dos suínos e bovinos que contenha as larvas das taenia(cisticercos), o homem passa a desenvolver a doença chamada Teníase, também conhecida por “solitária”,porque geralmente é causada por uma taenia só. São conhecidos, porem, casos comprovados de até 9taenias localizadas no intestino do mesmo se humano. A Teníase é uma doença que muitas vezes passa despercebida. Alguns casos pode haver vômitos, mal-atar gástrico e gases, que são sintomas comuns a outras enfermidades. Três meses após a ingestão docisticerco, a Taenia já localizada no intestino delgado do homem, começa a soltar anéis de seu corpo, comovos. Geralmente, elimina de 5 a 6 anéis por semana, sendo que cada anel contem de 40 a 80 mil ovos. Osanéis podem sair com as fezes ou se romper ainda dentro do intestino liberando os ovos, que são da mesmaforma eliminados durante a defecação. No meio ambiente, estes ovos, dependendo da temperatura eumidade, podem continuar vivos por até 300 dias. A taenia pode viver até 8 anos ou mais no intestino dohomem, contaminando seguidamente o meio ambiente onde caírem as suas fezes. Se houver esgotosapropriados, o problema praticamente desaparece. Acentua-se, porém, se a defecação for em localinadequado (campo, etc.). As fezes se ressecam com o sol, os ovos ficam mais leves que o pó e são levadospelo vento a grandes distâncias. Dessa forma, contamina as pastagens, hortas ou rios e lagoas, cujas águaspodem ser utilizadas para beber ou irrigar plantações. Somente a fervura ou cocção acima de 90ºCcentígrados é capaz de inativar o ovo, que é resistente à maioria dos produtos químicos. O homem comTeníase pode se auto-contaminar com os ovos, ao não fazer corretamente a higiene após evacuar e levar asmãos à boca, ou praticando o sexo oral, já que os ovos podem permanecer na região perianal. Já a Cisticercose é uma doença causada no hospedeiro intermediário pelas larvas da taenia. Os suínos,bovinos e o próprio homem adquirem esta doença ao comer as verduras, frutas (morango), pastagens ouingerir água contaminados com ovos da taenia. Depois de ingeridos, os ovos vão para o estômago e ointestino delgado, onde os sucos gástricos e pancreáticos dissolvem a sua camada superficial, liberando os 7
  • 8. embriões. Estes se fixam nas vilosidades intestinais, onde permanecem por 4 dias. A seguir, perfuram aparede intestinal e caem nos vasos sangüíneos, sendo distribuídos pelo corpo todo. A grande maioria fixa-se no cérebro, causando a chamada Neurocisticercose. É a forma mais grave, pois causa crises convulsivas,hipertensão craniana (dores de cabeça, vômitos, etc.) e hidrocefalia. Outras localizações além do sistemanervoso são o coração, olhos e músculo. No homem, as larvas calcificam-se rapidamente e os doentes podem, portanto, restabelecer-se dossintomas sem qualquer prejuízo. No suíno, a formação dos cisticercos no músculo é popularmenteconhecida como “canjiquinha”, que algumas pessoas acreditam de forma errônea ser uma “virtude” dacarne, por ser mais macia. Ao comer estas carnes, se elas não forem devidamente cozidas, o homem iráingerir os cisticercos (larvas), que irão evoluir em seu intestino até a fase adulta, causando a teníase,completando assim o ciclo desse verme. Pela descrição do ciclo de vida deste parasita, podemos concluir: O suíno não causa a cisticercose no homem. O homem causa a cisticercose no suíno; O suíno não é fonte de transmissão. Apenas participa do ciclo da doença que lhe é transmitida pelohomem, abrigando a fase larvar da taenia (cisticerco); O homem adquire a Cisticercose ao ingerir frutas, verduras ou água contaminadas com fezes de pessoasportadoras de taenias; O homem adquire a taenia ao ingerir carne mal cozida de bovinos ou suínos com Cisticercose. Emnenhuma hipótese ele terá cisticercose ao ingerir esta carne; O homem é o hospedeiro definitivo, pois possui a fase adulta da taenia; O suíno e o bovino são hospedeiros intermediários, pois possuem a fase larvar da taenia (cisticerco) enão o verme adulto (taenia); O homem contamina o meio ambiente (pastagens, verduras, águas. etc.) através de suas fezes, liberandoos ovos do parasita; Se não houver pessoas com solitária (teníase), não haverá Cisticercose nos suínos e bovinos. Como os suínos se contaminam através da ingestão de fezes humanas ou de verduras contaminadas,com o advento da suinocultura moderna, onde os suínos são criados confinados e recebem apenas raçõescomo alimento, a possibilidade de transmissão ficou mais difícil. A contaminação, porém, permanece alta nos bovinos, que necessitam das pastagens, e nos porcoscriados soltos em suinoculturas de baixo padrão zootécnico e que geralmente são apenas para subsistênciados seus proprietários. A falta de fossas no meio rural contribui para a poluição do meio ambiente, sendo comuns os casos emque os animais acabam consumindo as fezes humanas. O uso de irrigação de hortas e de morangos comáguas contaminadas tem sido, talvez, uma das principais fontes de infecção para o homem. O controle desta enfermidade passa pelas seguintes medidas: Tratamento do homem, que é o hospedeiro das Taenias que produzem ovos; Tratamento dos esgotos urbanos, para evitar que os ovos liberados com as fezes humanascontaminem os rios e as águas de bebida; Inspeção e seqüestro das carcaças contaminadas com Cisticercose nos abatedouros; Tratamento da carne por cocção adequada. Para a área rural, também são importantes os programas educativos nas escolas, sindicatos rurais ecooperativas, para o ensino de medidas higiênicas básicas.Quadro. Resumo do ciclo evolutivo de parasitas da família Taenidae Espécies de Parasitas Hospedeiro Hospedeiro Forma larvar definitivo intermediário Taenia solium Homem Suíno,homem Cysticercus cellulosae Taenia saginata Homem boi Cysticercus bovisFonte: Carvalho & Oliveira (2006) 8
  • 9. Figura: Esquema do ciclo de transmissão da Taenia solium, destacando os pontos onde ocorre teníase ecisticercose. o ser humano pode contrair teníase ao consumir carne suína contendo cisticercos vivos, o queocorre geralmente em decorrência do consumo de carne crua ou mal passada. O ser humano pode, ainda,contrair cisticercose ao ingerir ovos de Taenia solium através de alimentos (principalmente verduras efrutas) ou água contaminadas ou mesmo se auto infectar pela introdução de ovos de Taenia solium na bocapelas mãos contaminadas, o que ocorre geralmente pela falta de hábitos higiênicos.Fonte: Carvalho & Oliveira (2006)AULA 4IMPORTÂNCIA DOS SUÍNOS PARA A MEDICINA HUMANA Por sua semelhança com o homem, várias partes do organismo dos suínos podem ser utilizadas emmedicina humana. Desde o fornecimento de substâncias vitais à vida do homem até a doação de órgãos, ossuínos são a grande opção da medicina para aumentar a sobrevivência das pessoas. A seguir relacionamosuma série de utilidades do organismo dos suínos para o homem:► O pâncreas dos suínos é um órgão do qual se obtém Insulina. Esse hormônio é essencial para osdiabéticos. Ele é encarregado de permitir a entrada de açúcar nas células e de diminuir a sua taxa nosangue, evitando dessa forma que atinja níveis mortais para o homem. Outra utilidade do pâncreas dossuínos para o homem é a de fornecer ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langerhans) para implantes empessoas diabéticas que não as possuem. Estes implantes poderão deixar os diabéticos livres de injeções de 9
  • 10. insulina por vários anos. Atualmente, a insulina é também produzida por engenharia genética através damultiplicação bacteriana. Porém a um custo mais caro. ► A glândula pituitária do suíno é utilizada para obtenção do ACTH. Esse hormônio é usado emmedicina humana para o tratamento das artrites e doenças inflamatórias, que causam dores insuportáveispara o homem. ► A Tireóide do suíno é utilizada para obter medicamentos que serão usados por pessoas quepossuem glândulas tireóides pouco ativas. ► A pele dos suínos pode ser usada temporariamente pelo homem nos casos de queimaduras quecausam grandes descontinuidades de sua pele. ► A mucosa intestinal dos suínos é usada para a obtenção de uma substância chamada heparina. Estatem a função de coagular o sangue e é aplicada em medicina humana nos casos de hemorragia. ► Do coração dos suínos são retiradas válvulas cardíacas que serão transplantadas para o homem e ascrianças. Os suínos usados para fornecer essas válvulas pesam de 16 a 25kg. Estas válvulas são retiradasdo coração e conservadas num preparado químico, podendo ser preservadas por 5 anos, As válvulascardíacas do homem podem ser substituídas por válvulas mecânicas feitas com materiais artificiais. Asválvulas dos suínos, porém, têm vantagens sobre essas mecânicas, pois são menos rejeitadas peloorganismo, têm a mesma estrutura e resistem mais às infecções. ► Aplicações práticas de suínos transgênicos: Suínos modificados geneticamente podem produzirhemoglobina humana (pigmento do sangue que leva oxigênio às células do corpo). Pesquisas da empresaDNX (EUA) injetaram em três embriões de suínos, cópias dos dois genes responsáveis pela produção dehemoglobina humana. A técnica fez com que 15% da hemoglobina encontrada nos suínos fossem do tipohumano. As duas hemoglobinas são depois separadas devido a suas cargas elétricas diferentes. Esteproduto pode ser estocado por meses, ao contrário do sangue normal, que se conserva apenas por semanas. Fonte: Informativo técnico nº 222 - http://www.sossuinos.com.br/inicial.htm 10
  • 11. SEMANA 2META:Apresentar aspectos relacionados a classificação, origem, evolução e exterior dos suínosOBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Situar os suínos no amplo grupo do seres vivos do Reino Animal;  Identificar a importância de conhecer o exterior do suíno.AULA 1CLASSIFICAÇÃO ZOOLÓGICA, ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS SUÍNOS Os suínos pertencem ao gênero “suis” e apareceram no velho mundo na era quaternária. Sãozoologicamente classificados como:  Classe: Mamíferos  Sobre-ordem: Ungulados (dedos providos de cascos)  Ordem: Artiodáctilos (número par de dedos)  Família: Suideos (Suidae)  Sub-família: Suínos (Suinae)  Gênero: Suis  Espécies selvagens:  Sus scrofa ferus (suínos originários do javali europeu)  Sus scrofa vittatus (suínos originados do javali asiático)  Espécie doméstica: Sus scrofa domesticus Segundo Nathusius e Rutirmayer, citados por Machado (1967), as raças suínas encontradas no mundo,são originadas do Javali Europeu ou do Asiático, ou ainda, do cruzamento de ambos que deu origem aojavali do Mediterrâneo (Sus mediterraneus). Estes historiadores basearam–se nas diferenças de posição deorelha (asiática, ibérica e céltica), nos diferentes tipos de perfil craniano (retilíneo, sub–côncavo e ultra–côncavo) e na variação do número de vértebras torácicas e lombares ( 14 a 16 e 4 a 6 , respectivamente),encontrados nas diversas raças, para justificar as suas hipóteses. O porco selvagem da antiguidade possuía 70% da massa anterior e 30% da massa posterior. Vivia nafloresta e alimentava – se de pastos nativos, frutas e pequenos animais. Era muito veloz e possuía comoprincipal arma os seus dentes longos e afiados. Para resistir aos impactos das lutas, seus membrosdianteiros eram fortes e musculosos, enquanto o seu posterior era formado por fracas massas musculares. O porco tipo banha surgiu na época da domesticação, há 10 mil anos, o que perdurou até o século XX.Com a domesticação, o porco não precisava amais procurar alimento na floresta nem mais fugir de seusinimigos. Vivendo em chiqueiros fechados, recebia toda a alimentação que precisava. Comendo mais efazendo menos exercícios, começou a alterar a sua composição corporal,passando a apresentar 50% dedianteiro e 50% de traseiro. O acúmulo de gordura fez com que passasse a ser considerado o animal idealpara o homem, já que lhe fornecia grande quantidade de banha (energia) e carne (proteína). É dessa épocaque advêm os conceitos de animais criados na lama e com altos teores de gordura na carcaça. O suíno moderno começou a ser desenvolvido no início do século, através do melhoramento genéticocom o cruzamento de raças puras. Pressionados por uma melhor produtividade para tornar a espécie maisviável e pelas exigências da população por um animal com menos gordura, devido à substituição dasmesmas pelo óleo vegetal, os técnicos e criadores passaram a desenvolver um suíno (e não mais porco)com 30% de massa muscular no anterior e 70% de posterior. Os suínos começaram a apresentar menoresteores de gordura nas carcaças e a desenvolver massas musculares mais proeminentes, especialmente nassuas carnes nobres, como o lombo e o pernil. No início desta fantástica seleção, o suíno apresentava de 45a 50% de carne magra e espessura de toicinho de 5 a 6 centímetros. Atualmente, graças aos programas de genética e nutrição, o suíno moderno apresenta de 55% a60% de carne magra na carcaça e apenas 1 a 1,5 centímetros de espessura de toicinho. Esta evolução foimuito forte e eficiente também nas áreas de manejo, sanidade e instalações. 11
  • 12. AULA 2EXTERIOR DO SUÍNO A importância do conhecimento do exterior de um suíno (Figura está relacionado, principalmente, aosseguintes itens:  Seleção de matrizes e reprodutores;  identificação das diferentes raças de suínos;  julgamento dos animais (muito usada na região sul do país para a escolha dos melhores animais em exposições).Figura. Exterior de um suíno 12
  • 13. SEMANA 3META:Apresentar as principais características dos sistemas de produção e das construções para suínosOBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Conceituar os sistemas de produção de suínos;  Identificar os princípios básicos de construção para suínos;  Relacionar os aspectos de construção com as fases de vida dos suínos. AULA 1SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE SUÍNOS Um sistema de produção de suínos (SPS), normalmente chamado de “granja de suínos” , é constituídode um conjunto inter-relacionado de componentes ou variáveis organizadas que tem como objetivo básicoa produção de suínos. Fazem parte do SPS os seguintes componentes: o homem (mão-de-obra), asedificações, os equipamentos, os animais (genética), a alimentação e a água (nutrição), o manejo ,o estadode saúde do rebanho (sanidade) e o ambiente (condições e influências externas que afetam o desempenhodo animal – clima). A variabilidade entre os sistemas de produção é de tal ordem que pode se afirmar que um SPS serásempre diferente do outro.Sistemas intensivos de criação de suínosI) Sistema de criação ao ar livre O sistema intensivo de criação de suínos ao ar livre – SISCAL – tem conquistado grande número decriadores, face ao bom desempenho técnico, baixo custo de implantação e manutenção, número reduzidode edificações, facilidade na implantação e ampliação da produção, mobilidade das instalações e reduçãodo uso de medicamentos. Tipos de SISCAL mais utilizados:  Produção de leitões de 25 kg: é caracterizado por manter os animais em piquetes, com abrigos, nas fases de reprodução, maternidade e creche, cercados com fios, e ou telas de arame eletrificadas com corrente alternada. As fases de crescimento e terminação (25 a 100 kg de peso vivo) ocorrem em confinamento, Muitos suinocultores utilizam o Siscal para produção de leitões, que, ao atingirem 25 a 30 kg de peso vivo, são vendidos para os terminadores.  Ciclo completo: todas as fases são mantidas em piquetes (cobertura, gestação, maternidade, creche e terminação).II) Sistema de criação misto ou semiconfinado É o que usa piquetes para a manutenção permanente ou intermitente para algumas categorias econfinamento para outras. O Sistema tradicional é o mais utilizado dos sistemas de criação misto, sendomais freqüente nas criações do sul do Brasil; prevê o uso de piquetes pelas fêmeas em cobertura egestação, e pelos cachaços. Na fase de lactação, a porca fica confinada na maternidade e os leitões, donascimento ao abate, são mantidos em confinamento.III) Sistema de criação confinado Nesse sistema, todas as categorias estão sobre piso e cobertura. As fases de criação podem serdesenvolvidas em um ou em vários prédios. A necessidade de área para criação é mínima, a não ser a área destinada para a produção de alimentos.O investimento em custeio e equipamentos é muito alto, podendo variar de US$ 1.300,00 (mil e trezentos 13
  • 14. dólares) por matriz instalada a US$ 2.000,00 (dois mil dólares) por matriz instalada, desconsiderando – seo valor da terra. Nesse sistema, a produção, armazenagem, tratamento e aproveitamento dos dejetos devem merecertanta atenção quanto às demais questões relativas à criação.► Tipos de produção Os tipos de produção podem ser definidos pelo produto a ser comercializado ou pelas fases de criaçãoexistentes na propriedade.  Produção de ciclo completo: criação que abrange todas as fases da produção (gestação, maternidade, creche, crescimento e terminação) e que tem como produto o suíno terminado.  Produção de leitões desmamados: tem como produto o leitão desmamado, que pode ter em média 6 kg (21 dias) ou 10 kg (42 dias). O valor de comercialização deste leitão usualmente oscila entre 1,5 a 2 vezes o valor do quilo do suíno terminado.  Produção de leitões para terminação: tem como produto o leitão de 18 a 25 kg de peso vivo e 50 a 70 dias de idade. Essa criação, além dos reprodutores, tem a fase de creche onde os leitões permanecem do desmame até a comercialização. O valor de comercialização do quilo deste leitão varia de 1,3 a 1,6 vezes o valor do quilo do suíno terminado.  Produção de terminados: envolve somente a fase de terminação, portanto tem como produto final o suíno terminado. Usualmente, o criador adquire o leitão com 20 a 30 kg e, portanto, só tem prédio (s) de terminação. Quando adquire leitões de 6 a 10 kg, precisa ter creche para abrigar os leitões antes de levá – los para os galpões de terminação.  Produção de reprodutores tradicional: é uma criação nos moldes de um produtor em ciclo completo, tendo como produto principal futuros reprodutores machos e fêmeas. A comercialização pode ser feita após a inspeção zootécnica com três meses, ou após o final do teste de Granja, com aproximadamente cinco meses, ou ainda em exposições.  Produção de reprodutores em granja núcleo: é uma criação com plantel fechado, de animais de raça pura ou linhagens de alto padrão genético e sanitário, fazendo–se a avaliação de todos os animais produzidos e passíveis de comercialização do ponto de vista reprodutivo. Tendem a substituir os machos a cada seis meses e as fêmeas após, no máximo, a produção da segunda leitegada. Comercializam para as granjas multiplicadoras machos e fêmeas puros, geneticamente melhorados e, para os produtores de animais para a indústria, os machos.  Produção de reprodutores em granja multiplicadora: é uma criação vinculada a uma granja núcleo que recebe machos e fêmeas selecionados e predestinados a acasalamentos que gerarão animais cruzados, incorporando “vigor híbrido” nos reprodutores que serão comercializados para os produtores de animais para a indústria.►Estrutura da produção 1. Estrutura especializada: os suinocultores são livres compradores de alimentos, medicamentos, equipamentos, contratadores de assistência técnica permanente ou eventual, e comercializam seus animais com intermediários ou diretamente com os abatedouros. 2. Estrutura de integração vertical: é composta por duas partes distintas, uma chamada de integrador e a outra formada por integrados. Ao integrador cabe, geralmente, produção e fornecimento de reprodutores, fornecimento da alimentação (total ou parcial), fornecimento de produtos veterinários, orientação técnica e compra de suínos. Aos integrados cabe, geralmente, participar com a sua terra, mão-de-obra, edificações e equipamentos, alimentação (só grão ou também os demais componentes, total ou parcialmente) e produzir os suínos. Nessa estrutura de produção existe um compromisso de caráter formal dos integrados em vender seus animais ao integrador e, deste em comprar os animais com um preço determinado de acordo com índices zootécnicos de produção. 14
  • 15. 3. Estrutura de integração horizontal: também chamada de associativa, é semelhante a integração vertical, porém, é exercida por cooperativas, associações de produtores, condomínios ou outras formas de organização de suinocultores, podendo apenas comercializar suínos após industrializá – los ou comercializar os produtos cárneos.Fonte: SOBESTIANSKY, J.; WENTZ, I; SILVEIRA, P. R. S. DA; SESTI,. A. C. (Ed.) Suinoculturaintensiva: produção, manejo e saúde do rebanho. Brasília: Embrapa Serviço de Produção deInformação, 1998.AULA 2NOÇÕES DE CONSTRUÇÕES O tipo ideal de edificação deve ser definido fazendo-se um estudo detalhado do clima da região e(ou) dolocal onde será implantada a exploração, determinando as mais altas e baixas temperaturas ocorridas, aumidade do ar, a direção e a intensidade do vento. Assim, é possível projetar instalações comcaracterísticas construtivas capazes de minimizar os efeitos adversos do clima sobre os suínos. ►Homeotermia Os suínos são animais homeotérmicos, capazes de regular a temperatura corporal. No entanto, omecanismo de homeostase, é eficiente somente quando a temperatura ambiente está dentro de certoslimites. Portanto é importante que as instalações tenham temperaturas ambientais próximas às dascondições de conforto dos suínos (tabela 4). Nesse sentido, o aperfeiçoamento das instalações com adoçãode técnicas e equipamentos de condicionamento térmico ambiental tem superado os efeitos prejudiciais dealguns elementos climáticos, possibilitando alcançar bom desempenho produtivo dos animais.Tabela . Temperatura de conforto para diferentes categorias de suínos.Categoria Temperatura de Temperatura crítica Temperatura crítica conforto (°C) inferior (°C) superior (°C)Recém-nascidos 32-34 - -Leitões até a desmama 29-31 21 36Leitões desmamados 22-26 17 27Leitões em crescimento 18-20 15 26Suínos em terminação 12-21 12 26Fêmeas gestantes 16-19 10 24Fêmeas em lactação 12-16 7 23Fêmeas vazias e machos 17-21 10 25Fonte: Perdomo et.al. (1985) citado por Fávero et al. (2009)►Princípios básicos Para manter a temperatura interna da instalação dentro da zona de conforto térmico dos animais,aproveitando as condições naturais do clima, alguns aspectos básicos devem ser observados, como:localização, orientação e dimensões das instalações, cobertura, área circundante e sombreamento.  Localização A área selecionada deve permitir a locação da instalação e de sua possível expansão, de acordo com asexigências do projeto, de biossegurança e daquelas descritas na proteção ambiental. 15
  • 16. O local deve ser escolhido de tal modo que se aproveitem as vantagens da circulação natural do ar e seevite a obstrução do ar por outras construções, barreiras naturais ou artificiais. A instalação deve sersituada em relação à principal direção do vento. Caso isto não ocorra, a localização da instalação, paradiminuir os efeitos da radiação solar em seu interior, prevalece sobre a direção do vento dominante. Escolher o local com declividade suave, voltada para o norte, é desejável para boa ventilação. Noentanto, os ventos dominantes locais, devem ser levados em conta, principalmente no período de inverno,devendo-se prever barreiras naturais. É recomendável dentro do possível, que sejam situadas em locais de topografia plana ou levementeondulada, contudo é interessante observar o comportamento da corrente de ar, por entre vales e planícies,nestes locais é comum o vento ganhar grandes velocidades e causar danos nas construções. O afastamento entre instalações deve ser suficiente para que uma não atue como barreira à ventilaçãonatural da outra. Assim, recomenda-se afastamento de 10 vezes a altura da instalação, entre as duasprimeiras a barlavento, sendo que da segunda instalação em diante o afastamento deverá ser de 20 à 25vezes esta altura, como representado na Figura localizada na página 13. Figura . Afastamento entre as instalações.Fonte: Fávero et al. (2009)  Largura A grande influência da largura da instalação é no acondicionamento térmico interior, bem como em seucusto. A largura da instalação está relacionada com o clima da região onde a mesma será construída, com onúmero de animais alojados e com as dimensões e disposições das baias. Normalmente recomenda-selargura de até 10 m para clima quente e úmido e largura de 10 até 14 m para clima quente e seco.  Pé direito O pé direito da instalação é elemento importante para favorecer a ventilação e reduzir a quantidade deenergia radiante vinda da cobertura sobre os animais. Estando os suínos mais distantes da superfícieinferior do material de cobertura, receberão menor quantidade de energia radiante, por unidade desuperfície do corpo, sob condições normais de radiação. Desta forma, quanto maior o pé direito dainstalação, menor é a carga térmica recebida pelos animais. Recomenda-se como regra geral pé-direito de 3a 3,5 m. 16
  • 17.  Comprimento O comprimento da instalação deve ser estabelecido com base no Planejamento da Produção, assimcomo também para evitar problemas com terraplanagem e sistema de distribuição de água.  Orientação O sol não é imprescindível à suinocultura. Se possível, o melhor é evitá-lo dentro das instalações.Assim, devem ser construídas com o seu eixo longitudinal orientado no sentido leste-oeste. Nesta posiçãonas horas mais quentes do dia a sombra vai incidir embaixo da cobertura e a carga calorífica recebida pelainstalação será a menor possível. A temperatura do topo da cobertura se eleva, por isso é de grandeimportância a escolha do material para evitar que esta se torne um coletor solar. Na época da construção dainstalação deve ser levada em consideração a trajetória do sol, para que a orientação leste-oeste seja corretapara as condições mais críticas de verão. Por mais que se oriente adequadamente a instalação em relaçãoao sol, haverá incidência direta de radiação solar em seu interior em algumas horas do dia na face norte, noperíodo de inverno. Providenciar nesta face dispositivos para evitar esta radiação (Figura na página 14).Figura. Orientação da instalação em relação à trajetória do sol.Fonte: Fávero et al. (2009)  Cobertura O telhado recebe a radiação do sol emitindo-a, tanto para cima, como para o interior da instalação. Omais recomendável é escolher para o telhado, material com grande resistência térmica, como a telhacerâmica. Pode-se utilizar estrutura de madeira, metálica ou pré-fabricada de concreto. Sugere-se a pintura da parte superior da cobertura na cor branca e na face inferior na cor preta. Antes dapintura deve ser feita lavagem do telhado para retirar o limo ou crostas que estiverem aderidos à telha efacilitar assim, a fixação da tinta. A proteção contra a radiação recebida e emitida pela cobertura para o interior da instalação, pode serfeita com uso de forro. Este atua como segunda barreira física, permitindo a formação de camada de arjunto à cobertura e contribuindo na redução da transferência de calor para o interior da construção. Outras técnicas para melhorar o desempenho das coberturas e condicionar ótima proteção contra aradiação solar, tem sido o uso de isolantes sobre as telhas (poliuretano), sob as telhas (poliuretano,poliestireno extrusado, lã de vidro ou similares), ou mesmo forro à altura do pé-direito. 17
  • 18. Tabela. Largura, pé-direito e beiral em função do clima para telhas de barro. Clima Largura (m) Pé-direito (m) Beiral (m) Quente seco 10,0 -14,0 2,8 - 3,0 1,2 - 1,5 Quente úmido 6,0 - 8,0 2,5 - 2,8 1,2 - 1,5Obs: O uso da telha fibro-cimento está sendo limitado em alguns Estados.Fonte: Fávero et al. (2009)  Áreas circundantes A qualidade das áreas circundantes afetam a radiosidade. É comum o plantio de grama em toda a áreadelimitada das instalações pois reduz a quantidade de luz refletida e o calor que penetra nos mesmos, alémde evitar erosão em taludes aterros e cortes. Esta grama deve ser de crescimento rápido que feche bem osolo não permitindo a propagação de plantas invasoras. Deverá ser constantemente aparada para evitar aproliferação de insetos. Para receber as águas provenientes do telhado, construir uma canaleta ao longo da instalação de 0,40 mde largura com declividade de 1%, revestida de alvenaria de tijolos ou de concreto pré-fabricado. A rede de esgoto deve ser em manilhas ou tubos de PVC, sendo recomendado diâmetro mínimo de 0,30para as linhas principais e de 0,20 m para as secundárias.  Instalações por fase O sistema de produção de suínos compreende as fases de pré-cobrição e gestação, maternidade, creche,crescimento e terminação. Os aspectos construtivos das instalações diferem em cada fase de criação edevem se adequar às características físicas, fisiológicas e térmicas do animal.►PRÉ-COBRIÇÃO E GESTAÇÃO Nessas instalações ficarão alojadas em baias coletivas, as fêmeas de reposição até o primeiro parto e asporcas a partir de 28 dias de gestação. Em boxes individuais, ficarão as fêmeas desmamadas até 28 dias degestação. Os machos ficarão em baias individuais. As instalações para essa fase são abertas, com controle da ventilação por meio de cortinas, contendobaias para as fêmeas reprodutoras em frente ou ao lado das baias para os machos (cachaços). As baias dasporcas em gestação podem ter acesso a piquetes para o exercício. Aconselha-se o uso de paredes laterais externas e internas, ripadas com placas pré-fabricadas emcimento ou outro material para obter-se boa ventilação natural no interior dos prédios. Fundação direta descontínua sob os pilares e direta contínua sob as alvenarias, ambas em concreto 1:4:8(cimento, areia e brita). Nos boxes individuais de gestação, o piso deve ser parcialmente ripado e nos boxes dos machos e dereposição, pode-se adotar o piso compacto ou parcialmente ripado. Piso compacto de 6 a 8 cm de espessuraem concreto 1:4:8 com revestimento de argamassa 1:3 ou 1:4 (areia média) com declividade de 2% nosentido das canaletas de drenagem. Piso áspero danifica o casco do animal e piso excessivamente lisodificulta o ato de levantar e deitar. Os comedouros e bebedouros são instalados na parte frontal. Na partetraseira das baias é construído um canal coletor de dejetos. A canaleta de drenagem pode ser externa à baiacom largura de 30 a 40 cm, ou na parte interna da baia com largura de aproximadamente 30% docomprimento da baia e com declividade suficiente para não permanecer dejetos dentro da mesma. Ofechamento da canaleta poderá ser de ferro ou de concreto. Nas baias coletivas pode-se usar o piso compacto ou 2/3 compacto e 1/3 ripado, bebedouro tipo concha ecomedouro com divisórias para cada animal. 18
  • 19. Tabela. Recomendações para orientação de projetos para as fases de gestação, pré-cobrição e de macho.Baias Área recomendada (m2/animal)Gestação individual (Box/Gaiola) 1,32Leitoas em baias coletivas 3Macho 6 Número de animais por baiaGestação coletiva/rePosição/Pré-cobrição 6 a 10Área de Piquete Por fêmea 200 m2Fonte: Fávero et al. (2009)►MATERNIDADE É a instalação utilizada para o parto e fase de lactação das porcas que, por ser a fase mais sensível daprodução de suínos, deve ser construída atentando com muito cuidado para os detalhes. Qualquer erro naconstrução poderá trazer graves problemas, como de umidade (empoçamento de fezes e urina),esmagamento de leitões e calor ou frio em excesso que provocam, como conseqüência, alta mortalidade deleitões. Na maternidade deve-se prever dois ambientes distintos, um para as porcas e outro para os leitões.Como a faixa de temperatura de conforto das porcas é diferente daquela dos leitões, torna-se obrigatório ouso do escamoteador para os leitões.  Maternidade em salas de parto múltiplas com parições escalonadas As salas não podem ter comunicação direta entre si, recomendando-se o acesso a cada uma delas pormeio de portas localizadas na lateral da instalação. É indispensável o uso de forro como isolante térmico ecortinas laterais para proporcionar melhores condições de conforto. As celas parideiras devem ser instaladas ao nível do piso. O piso da gaiola de parição é dividido em 3partes distintas, que são:1) Local onde fica alojada a porca - parte dianteira com 1,30 m em piso compacto de concreto no traço1:3:5 ou 1:4:8 de cimento areia grossa e brita 1, com 6 cm de espessura e, sobre esse é feita umacimentação no traço 1:3 de cimento e areia média na espessura de 1,5 a 2,5 cm, e parte de traseira com 90cm, em ripado de concreto ou metal. Altura de 1,10 m e largura de 0,60 m.2) Local onde ficam alojados os leitões, denominado escamoteador - construído em concreto como oanterior, localizado entre duas baias na parte frontal, com largura de 0,60 m e comprimento de 1,20 m.3) Laterais da baia onde os leitões ficam para se amamentar - um lado construído em concreto e o outro emripado de concreto ou metal com 0,60 m de largura.  Área de parição A área de parição pode ser em baias convencionais ou em celas parideiras. Nas baias convencionais há necessidade de dispor de maior espaço que, por outro lado, contribui paraum maior conforto (bem estar animal) para as porcas. Essas baias devem ter, nas laterais, um protetorcontra o esmagamento dos leitões e numa das laterais o escamoteador. Nas gaiolas metálicas as divisórias podem ser de ferro redondo de construção de 6,3 mm de diâmetro echapas de 2,5 x 6,3 mm ou em uma estrutura de chapa de 2,5 x 6,3 mm e tela de 5 cm de malha. O escamoteador deve, em ambos os casos, ser dotado de uma fonte de aquecimento baseada em energiaelétrica, biogás ou lenha. As dimensões recomendadas para a área de parição em baias convencionais ecelas parideiras são apresentadas na Tabela . 19
  • 20. Tabela. Coeficientes técnicos indicados para as áreas de parição.Cela Parideira:Área da cela parideira Superior a 3,96 m2Espaço para a porca 0,60 m x 2,20 mEspaço para os leitões 0,60 m de cada lado x 2,20 m de comprimentoAltura da cela parideira 1,10 m2Altura das divisórias 0,40 m a 0,50 mBaia convencionalÁrea mínima do piso 6 m2 (2,0 m x 3,0 m)Altura do protetor contra esmagamento 0,20 mDistância do protetor da parede 0,12 mEscamoteadorÁrea mínima do piso 0,70 m2Largura mínima do corredor de serviço 1,0 mFonte: Fávero et al. (2009)►CRECHE Creche é a edificação destinada aos leitões desmamados. Deve-se prever a instalação de cortinas naslaterais para permitir o manejo adequado da ventilação. As baias devem ser de piso ripado ou parcialmente ripado. Pisos parcialmente ripados devem teraproximadamente 2/3 da baia com piso compacto e o restante (1/3) com piso ripado, onde os leitões irãodefecar, urinar e beber água. É necessário dispor de um sistema de aquecimento, que pode ser elétrico, a gás ou a lenha, para manter atemperatura ambiente ideal para os leitões, principalmente nas primeiras semanas após o desmame. Emregiões frias é recomendado o uso de abafadores sobre as baias, com o objetivo de criar um microclimaconfortável. Além do agrupamento correto dos leitões e da adequação de espaço para os animais, é importante quenesta fase inicial de crescimento, o leitão tenha condições de temperatura e renovação de ar compatíveiscom as suas exigências. Sabe-se que um leitão desmamado precocemente necessita de um ambienteprotegido e que um número excessivo de animais em pequenas salas causam problemas de concentração degases nocivos e odores desagradáveis. Recomenda-se a construção de baias para 4 a 5 leitegadas,respeitando-se a uniformidade dos leitões nas baias, em salas com um sistema de renovação de ar,preferentemente com ventilação natural. As instalações podem ser abertas, com cortinas para permitir uma boa ventilação amenizando o estressecalórico. É indispensável o uso de forro como isolante térmico e cortinas laterais para proporcionarmelhores condições de conforto.Tabela. Coeficientes técnicos indicados para a creche.Área recomendada por leitão:- Piso totalmente ripado 0,30 m2- Piso parcialmente ripado 0,35 m2Altura das paredes das baias 0,50 m a 0,70 mDeclividade do piso 5%Fonte: Fávero et al. (2009) 20
  • 21. ►CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO Essa edificação destina-se ao crescimento e terminação dos animais desde a fase que vai da saída dacreche até a comercialização. O piso das baias pode ser totalmente ripado ou 2/3 compacto e 1/3 ripado. O piso totalmente ripado é omais indicado para regiões quentes, porém, é o de custo mais elevado. O piso parcialmente ripado, isto é,constituído de 30% da área do piso da baia em ripado sobre fosso, é construído em vigotas de concreto e orestante da área do piso (70%) compacto em concreto. O manejo dos dejetos deve ser do lado de fora da edificação e por sala para possibilitar maior higiene elimpeza. A declividade do piso da baia deve situar-se entre 3% e 5%. As paredes laterais podem ser ripadas, em placas pré-fabricadas em cimento ou outro material, parafacilitar a ventilação natural. As instalações nesta fase necessitam de pouca proteção contra o frio (exceto correntes prejudiciais quepodem ser controladas por meio de cortinas), e de grande proteção contra o excessivo calor, razão pelaqual devem ser bem ventiladas, levando em consideração a densidade e o tamanho dos animais. Nesta fasehá uma formação de grande quantidade de calor, gases e dejeções que poderão prejudicar o ambiente. Parase ter uma ventilação natural apropriada, as instalações devem possuir área por animal de 0,70, 0,80 e 1,00m² para piso totalmente ripado, parcialmente ripado e compacto, respectivamente. Para o sistema de ventilação mecânica pode ser adotada a exaustão ou pressurização (ventilaçãonegativa ou positiva). O correto dimensionamento do equipamento de ventilação deve atender à demandamáxima de renovação de ar nos períodos mais quentes. Pode-se também adotar o sistema de resfriamentoevaporativo por nebulização em alta pressão (> 200 psi) para evitar estresse térmico em dias quentes. 21
  • 22. SEMANA 4META:Apresentar aspectos relacionados a reprodução em suinoculturaOBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar as principais raças e linhagens de suínos utilizadas na produção de suínos;  Reconhecer a aplicabilidade dos esquemas de cruzamento;  Reconhecer os órgãos reprodutivos do macho e da fêmea da espécie suína;  Identificar as principais características reprodutivas dos suínos.AULA 1►MATERIAL GENÉTICO A qualidade genética dos reprodutores de um sistema de produção é considerada a base tecnológica desustentação de sua produção. O desempenho de uma raça ou linhagem é fruto de sua constituição genéticasomada ao meio ambiente em que é criada. Por meio ambiente entende-se não só o local onde o animal écriado, mas também a nutrição, a sanidade e o manejo geral que lhe é imposto. Portanto, de nada adiantariafornecer o melhor ambiente possível para um animal se este não tivesse capacidade genética, ou potencialgenético como é normalmente chamado, de beneficiar-se dos aspectos positivos do meio, em especial anutrição e a condição sanitária, para promover o aumento da produtividade. Antes de decidir a compra dos reprodutores, o produtor deve observar as especificações dos suínos aserem produzidos, com base no mercado a ser atendido, pois isso poderá ser decisivo na escolha domaterial genético. Toda a escolha deve basear-se em dados técnicos que permitam ao produtor projetar osníveis de produtividade a serem obtidos. A experiência de outros produtores em relação a determinadagenética é ainda mais importante que os dados disponibilizados pelo fornecedor. O produtor não deveesquecer, nesses casos, de verificar as condições de criação que estão sendo observadas e aquelas que serãooferecidas aos animais em seu sistema de produção, de forma a minimizar possíveis interaçõesgenótipo/ambiente que serão decisivas na obtenção dos índices de produtividade. O acompanhamento pósvenda do material genético também é um fator importante a ser considerado na decisão de compra, poisgarantirá orientação adequada para atingir as metas de produtividade, preconizadas pelo fornecedor, bemcomo a necessária substituição de animais não produtivos.  Principais raças de suínos Por definição, raça é o conjunto de animais com características semelhantes que tenham a capacidade detransmiti-las aos descendentes. Dentro de uma mesma raça encontramos animais bons e ruins e, na prática,pode-se observar que a diferença de produtividade entre estes indivíduos pode ser até mais expressiva doque a diferença entre algumas raças. Existem certas raças que se sobressaem em produtividade, produção de carne e precocidade reprodutiva,e existem outras que, ainda que precoces, têm a conformação e peso menos adequados, com produção demenores leitegadas. Com o estudo das raças podemos conhecer seus defeitos e qualidades para produção ecruzamentos na suinocultura. Assim sendo, será realizada uma descrição das raças estrangeiras que sejam numericamente expressivasno Brasil e as demais serão brevemente comentadas pelo processo de extinção que sofrem.►Raças estrangeiras É notável a contribuição das raças estrangeiras na suinocultura nacional, pela seleção de muitos anosfeitas em países de adiantada tecnologia, resultando em índices de produtividade expressivos. As raçasestrangeiras mais conhecidas e criadas no Brasil são: Landrace, Large White ou Yorkshire, Duroc, Pietrain, 22
  • 23. entre outras. Estas raças são as mais indicadas para criação de suínos de sistema intensivo (confinamento),pelo retorno econômico proporcionado pelas mesmas.a) Landrace De origem dinamarquesa, é a principal raça estrangeira criada no Brasil, a primeira no livro de registrosda Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). São animais totalmente brancos, com as orelhascaídas (do tipo céltica). As fêmeas são excelentes mães, muito prolíferas, produzem leite suficiente paracriar leitegadas numerosas. São animais compridos com bons pernis e área de olho de lombo; entretanto,apresentam sérios defeitos de aprumos, problemas de casco e fotossensibilização.b) Large White Raça de origem inglesa, em segundo lugar nos registros da ABCS. São animais de cor branca, cabeçamoderadamente longa, orelhas grandes e em pé (do tipo asiática). Possuem lombo comprido,porém commenor área de olho lombar do que a landrace. As características produtivas e reprodutivas são semelhantesàs da raça landrace, porém apresentam menos problemas de aprumos e de cascos, sendo também sensível àfotossensibilização.c) Duroc Raça de origem norte americana, também bastante criada no Brasil devido à sua rusticidade,precocidade e excelente adaptação em nosso meio. São animais de cor vermelho- cereja, com mucosasmarrons. Os machos são indicados para reprodução por transmitir excelentes descendentes para abate, porisso é conhecida como raça pai. As fêmeas produzem pouco leite, apresentam freqüentes problemas noparto, tetas cegas ou invertidas, não sendo consideradas boas mães.d) Pietrain Raça originária da Bélgica, conhecida como raça dos quatro pernis por possuir grande quantidade decarne nos quartos dianteiros. Também por este motivo, é bastante usada em melhoramento genético, noscruzamentos com raças nacionais. As fêmeas são boas produtoras de leite e criadeiras. Apresentaproblemas circulatórios, sendo comum morte súbita por deficiência cardíaca, principal causa da poucaadaptação de animais desta raça nos trópicos. A carne do Pietrain não é considerada de boa qualidadedevido a problemas de perda excessiva de água (tipo PSE).►Outras raças Existem ainda inúmeras raças estrangeiras criadas no Brasil como: Wessex (inglesa), Hampshire(Estados Unidos), Berkshire (inglesa), Poland China (Estados Unidos). Podemos citar ainda, as raçaschinesas que atualmente vem sendo muito utilizadas em melhoramento genético pela sua alta prolificidade.  Raças nacionais Nenhuma raça nacional possui associação ou livro de registros; são animais de baixa produtividade,porém rústicos,, associados à produção de banha e indicados para criações que não tenham muito controlezootécnico e baixo controle sanitário, de forma extensiva, sem objetivos comerciais. Dentre as raçasnacionais, podemos relacionar: Piau, Caruncho, Canastra, Nilo e outras.a) Piau Originada provavelmente na região do sul de Goiás e Triângulo Mineiro, considerada a melhor e maisimportante raça nacional. Foi estudada e melhorada pelo Dr. Antonio Teixeira Viana, em São Carlos (SP).Possuem pelagem com manchas pretas e creme misturadas no corpo. São animais rústicos e de razoávelprolificidade, relativamente 12 precoces, podendo ser abatidos entre os 7 e os 9 meses com boa produçãode carne e gordura.b) Caruncho De origem desconhecida, são animais com pelagem semelhante a do Piau, porém com manchasmenores. Animais de pequeno porte, roliços, rústicos, pouco exigentes em alimentação e grande produtoresde gordura.c) Canastra Apresentam pelagem preta, podendo ser malhados ou ruivos. Animais rústicos e muito prolíficos (8 a 10leitões). 23
  • 24. d) Nilo Animais de porte médio, pelados, de cor preta. São rústicos, apresentam má conformação, poucaossatura e pouca massa muscular.Outras raças Podemos ainda citar raças nacionais espalhadas pelo país como: Pereira, Mouro, Tatu, Pirapetinga,Sorocaba, Junqueira, etc.►Esquemas de cruzamentosAs raças mais utilizadas nos cruzamentos para produção comercial de suínos são: DUROC: de pelagem vermelha, que se caracteriza por boa rusticidade e taxa de crescimento, carne deexcelente qualidade, porém com baixo rendimento de carcaça, utilizada geralmente como linha paterna; LANDRACE: de pelagem branca, com excelente aptidão materna, taxa de crescimento,conversãoalimentar e bom rendimento de carne, utilizada coma linha materna; LARGE WHITE: também de pelagem branca, com carcaterísticas muito semelhantes às observadas naraça Landrace, sendo utilizada como linha materna e paterna, dependendo da linha de seleção; PIETRAIN: apresenta o maior rendimento de carne de todas as raças, porém com pouca rusticidade ecarne de baixa qualidade, e é utilizada como linha paterna. As características de cada raça, variáveis de acordo com o programa de melhoramento do qual sãooriundas, sugere que raramente se terá uma raça ou genótipo homozigoto que permita maximizar odesempenho em diversas características de importância econômica. Portanto, os ganhos econômicosdevem ser maiores utilizando–se genótipos cruzados na produção de suínos para ao abate, sendo que paraisso pode ser utilizado vários esquemas de cruzamento, como por exemplo os fixos de duas, três ou quatroraças, ou mesmo os cruzamentos rotativos de duas ou mais raças (Figuras 7 e 8). Estes tipos decruzamentos são recomendados para sistemas de produção de suínos de pequeno porte e com baixo níveltecnológico. Os principais cruzamentos são: Cruzamento de duas raças ou cruzamento simples: permite explorar as vantagens de heterose nosembriões e nos leitões, aumentando a taxa de sobrevivência, e melhorando a taxa de crescimento dosanimais do nascimento ao abate. Não explora, porém, as heteroses materna e paterna. Entre os principaiscruzamentos de duas raças encontra-se os de machos Large White com fêmeas Landrace, ou vice – versa,utilizado para a produção de fêmeas F-1, e de machos Pietrain com fêmeas Duroc para a produção demachos híbridos. Cruzamento de três raças ou “Three cross”: utilizam-se fêmeas F-1, como as Large White –Landrace, cruzadas com machos Duroc. Desse cruzamento espera-se maior número de leitões e maior pesodas leitegadas ao nascer e ao desmame do que o cruzamento simples, devido a heterose materna. A terceiraraça deve acrescentar vantagens de taxa de crescimento, conversão alimentar, rendimento ou qualidade decarne ao produto final. Cruzamento de quatro raças: permite explorar as heteroses materna (maior prolificidade e peso dasleitegadas ao nascer e ao desmame), paterna (maior libido e melhores taxas de concepção) e individual(animais de abate com maior taxa de crescimento e maior rendimento de carne na carcaça. Permite aoscriadores comerciais utilizarem, por exemplo, fêmeas F-1 Large White – Landrace, adquiridas ouproduzidas no próprio plantel, e machos Pietrain – Duroc , geralmente adquiridos de empresasespecializadas em melhoramento genético de suínos. Cruzamento rotacional de 2 raças: utiliza-se por exemplo, Large White e Landrace, produz –se fêmeasF-1 que são acasaladas com machos de uma das duas raças que compõem a fêmea, por exemplo LargeWhite, Da progênie produzida, composta de 75% Large White + 25% Landrace, escolhe – se as melhoresfêmeas para a reposição do plantel, as quais , por sua vez, são acasaladas com machos Landrace, obtendo –se animais 62,5% Landrace e 37,5% Large White. As demais progênies são comercializadas para o abate. 24
  • 25. Para a produção de fêmeas da próxima geração, acasalam-se fêmeas 62,5% Landrace + 37,5% Large Whitecom machos Large White. obtendo-se animais com 68,75% Large White + 31,25% de Landrace. O procedimento utilizado com 3, 4 ou mais raças é o mesmo. As principais vantagens do sistema são asde se produzir as fêmeas de reposição na própria granja. barateando sensivelmente seu custo de produção,e de se evitar a entrada de problemas sanitários na granja,, utilizando –se animais já adaptados àscondições existentes. O único material genético a ser introduzido na granja é o do macho, o que pode serfeito via inseminação artificial. Essa auto reposição do plantel só é possível quando se dispõem de umplantel de matrizes com mais de 100 fêmeas, e de excelentes condições de controle de acasalamentos edestino dos animais mestiços.Figura – Esquema dos cruzamentos simples , three cross e 4 raças.►Aquisição dos reprodutores Os reprodutores devem ser adquiridos de rebanhos ligados a um programa de melhoria genética e queapresentem Certificado de Granja de Reprodutores Suídeos (GRSC). É importante certificar-se de que omaterial genético é livre do gene halotano, responsável pela predisposição dos animais ao estresse e pelocomprometimento da qualidade da carne. Todos os machos e fêmeas devem ser de uma mesma origem,com o objetivo de evitar problemas sanitários.  Fêmeas Como referência, as fêmeas devem apresentar um potencial para produzir acima de 11 (onze) leitõesvivos por parto e serem, de preferência, oriundas do cruzamento entre as raças brancas Landrace e Large 25
  • 26. White, por serem mais prolíficas. Em relação aos dados produtivos, as leitoas devem apresentar um ganhode peso médio diário mínimo de 650 g (100 kg aos 154 dias de idade) e uma espessura de toucinho entre os90 e 100 kg próximo de 15 mm. A aquisição de leitoas deve ser feita com idade próxima de 5 meses, em lotes equivalentes aos gruposde gestação, acrescidos de 15% para compensar retornos e outros problemas reprodutivos. Em complementação aos dados de produtividade, atenção especial deve ser dada a qualidade dosaprumos, a integridade dos órgãos reprodutivos, ao número e distribuição das tetas (mínimo 12) e ascondições sanitárias apresentadas no momento da aquisição. A reposição das fêmeas do plantel deve ficar entre 30% e 40% ao ano, variação esta que permite aoprodutor manter um equilíbrio entre a imunidade e o ganho genético do rebanho. Animais de excelentedesempenho reprodutivo podem e devem ser mantidos em produção por mais tempo, de forma acompensar a eliminação de fêmeas que se mostrarem improdutivas na fase inicial de reprodução.  Machos Os machos devem apresentar um alto percentual de carne na carcaça e boa conversão alimentar,podendo ser de raça pura, sintética ou cruzado, de raça, raças ou linhas diferentes daquelas que deramorigem às leitoas. O mercado brasileiro de reprodutores oferece uma variedade de genótipos, que vai desdepuros da raça Duroc e Large White até cruzados Duroc x Pietrain, Duroc x Large White, Large White xPietrain, etc e sintéticos envolvendo essas raças e outras como o Hampshire. A escolha deve semprecontemplar o mercado do produto final. Como referência o ganho de peso médio diário deve ser superior a 690 g (100 kg aos 145 dias de idade)e o percentual de carne na carcaça superior a 60%. Os machos devem ser adquiridos em torno de 2 meses mais velhos que a idade do(s) lote(s) de leitoasque irá (ão) servir. Os primeiros animais a serem adquiridos devem, portanto, apresentar idade entre 7 e 8meses e os demais, necessários para a reposição, com idade superior a 5 meses. Essas referências de idadesão particularmente importantes para que o produtor possa fazer a avaliação dos dados produtivos dosanimais, bem como verificar as condições físicas mais próximas da idade de reprodução. A reposição anual de machos deve ficar em torno de 80%, o que eqüivale a substituir os animais comidade aproximada de 2 anos.  Proporção entre machos e fêmeas no plantel A proporção de machos e fêmeas (leitoas e porcas) no plantel é de 1/20, sendo indispensável dispor deno mínimo 2 machos na granja. Sempre que possível o produtor deve optar pela inseminação artificial,utilizando na cobrição das fêmeas sêmen oriundo de CIAs oficiais. Os machos das CIAs são selecionadoscom maior intensidade em relação aos que são destinados à monta natural, apresentando, portanto,melhores índices de produtividade nas características economicamente importantes. Quando o produtor usainseminação artificial o número de machos poderá ser reduzido, pois os mesmos serão utilizados apenaspara o manejo reprodutivo (detecção de cio) e para a realização de algumas montas naturais em dias quepossam dificultar o uso da inseminação artificial.AULA 2►PRINCIPAIS LINHAGENS DE SUÍNOS O melhoramento genético é a base tecnológica de sustentação de qualquer estrutura de produção,seja ela “animal ou vegetal”, resume o pesquisador da área de Genética Suína da Embrapa Suínos e Aves,Jerônimo Fávero. Segundo ele, o desempenho de uma raça ou linhagem é fruto de sua constituiçãogenética somada ao meio ambiente em que é criada. “Por meio ambiente entende-se não só o local onde oanimal é criado, mas também a nutrição, a sanidade e o manejo geral que lhe é imposto”, explica.“Portanto, de nada adiantaria fornecer o melhor ambiente possível para um animal se este não tivessecapacidade genética, ou potencial genético como é normalmente chamado, de transformar os aspectos 26
  • 27. positivos do meio, em especial a nutrição e a condição sanitária, em aumento da produtividade dascaracterísticas economicamente importantes”.Figura – Esquema para obtenção de uma linhagem de suínos ABCD Por essa razão, o pesquisador afirma que o trabalho de seleção desenvolvido nos rebanhos núcleotem contribuído de forma expressiva para as melhorias genéticas dos suínos, que, somada aos avanços danutrição e incremento das condições sanitárias, além de outras melhorias de ambiente, tornou asuinocultura uma atividade altamente competitiva na produção de proteína animal. “Essas melhorias,obtidas no topo da pirâmide de produção, são transferidas diretamente ou através dos rebanhosmultiplicadores aos sistemas de produção de animais para abate”. Com essa introdução, fica mais fácil entender o mecanismo do melhoramento genético suínoempregado no Brasil. Um processo que começou no final da década de 70 e vem se aprimorando ao longodos anos. Conforme ressalta Fávero, por ser a base de sustentação da produção, a evolução genéticapermitiu que a suinocultura saísse de uma produtividade insustentável para os padrões atuais de produção.“Exemplos disso são a evolução experimentada em características como o número de leitões terminadospor porca por ano, que hoje encontra- se entre 24 a 26, a conversão alimentar que se situa entre 2,4 e 2,6para animais de terminação e o percentual de carne na carcaça, que saiu de 50% no início dos anos 90 parauma média atual próxima de 58% em animais de abate com peso vivo entre 100 e 110kg”. O mercado atual da suinocultura, segundo o pesquisador, está exigindo animais que proporcionem umasproduções sustentáveis, que implica em preservar o ambiente, com boas condições de desenvolvimento(sem estresse) e que reduzam ao máximo o uso de drogas como promotores de crescimento. “Dentre aslinhas de trabalho na área do melhoramento genético, devem merecer atenção especial a seleção pararesistência às doenças, visando reduzir o uso de aditivos e drogas para melhorar a absorção dos alimentos ereduzir o poder poluente dos dejetos e a constante melhoria da qualidade da carne”, destaca. O pesquisadortambém lembra que os programas de seleção continuarão buscando a melhoria da prolificidade e oaumento da produção de carne de qualidade, características essas que têm uma grande influência sobre odesempenho econômico da produção. 27
  • 28. Nesse sentido, a Embrapa Suínos e Aves desenvolveu e colocou no mercado nacional, em parceria coma Cooperativa Central Oeste Catarinense (Aurora), em 1996, o macho linha Embrapa MS58, um suíno commaterial genético com o propósito de tornar competitivos os pequenos e médios produtores, em função doincremento da tipificação de carcaças, principalmente nos frigoríficos do Sul do Brasil. A linha EmbrapaMS58 ainda está sendo produzida e distribuída por oito multiplicadores. sendo um no Rio Grande do Sul,quatro em Santa Catarina e três no Paraná. Com o estreitamento dessa parceria, foi lançada no ano 2000 uma segunda linha de macho terminador,denominada Embrapa MS60. Esta linha é livre do gene halotano, produz animais terminados resistentes aoestresse e sem predisposição genética negativa sobre a qualidade da carne. De acordo com Fávero, a partirde 2003 os multiplicadores da linha MS58 já estarão produzindo machos MS60.  AGROCERES PIC- Fêmeas avós: AG1050 e AG1062; Machos avôs: AG1075 e AG1020; Matrizes comerciais: Camborough 22 e Camborough 25 ; Machos comerciais: AGPIC 427, AGPIC 409, AGPIC 337 e AGPIC 412.0427 é disponibilizadoapenas na categoria TG Elite (I. Artificial) e os demais nas categorias Monta Natural, TG Superior (I.Artificial) e TG Elite (também IA); Produtos AGPIC : AG1075 LS1 e AGPIC 337 PT1; Genética Líquida: Comercialização de sêmen dos machos comerciais.  TOPIGS - A TOPIGS conta com três linhas machos no mercado brasileiro. Uma, de alta produção de carne magra,com boa conformação, boa qualidade de carne e líder em taxa de crescimento, que é o macho terminadorDALBOAR. Outra, que é uma linha macho de alto rendimento em carne magra, extremamente muscular ecom boa conversão alimentar, que é a mais nova linha da empresa: o macho comercial TOPPI. E aterceira, que é uma linha intermediaria: o TYBOR, desenvolvido para atender todas as exigências dosdiferentes nichos do mercado nacional. “Uma modificação implantada no programa de melhoramentogenético TOPIGS é que desde o ano passado, todas as linhagens machos da empresa estão sendoselecionadas a um peso mais elevado, melhorando a acurácia dos cálculos dos valores genéticos paraprodução de carne magra e selecionando animais na mesma condição exigida pelo mercado”, explica odiretor. Na linha fêmea, no Brasil, a TOPIGS possui a comercial C40 que, além de ser altamente prolífera emcondições de clima quente, de acordo com a empresa (produz acima de 27 desmamados por porca porano), tem bom consumo na maternidade e alta produção de leite. “A fêmea C40 não possui componente desangue Landrace e isto faz com que a mesma atenda as tendências do mercado, pois é uma fêmea que temurna baixa exigência de manutenção, gastando em torno de 100 kg a menos de ração do que as linhagenscomerciais que possuem componente Landrace”, ressalta Wigman. A TOPIGS também possui duas linhasmaternas de avôs. A TOPIGS do Brasil conta com três granjas núcleos de melhoramento genético distribuídas nos Estadosde Goiás, Paraná e Rio Grande doSul, onde os bisavós importados da Holanda e da França são submetidosa teste de granja. Os dados destes animais são enviados para o IPG (Intitute for Pig Genetics), na Holanda,e são incorporados ao banco de dados do Grupo TOPIGS, junto com os dados de todas as outras granjasnúcleos ao redor do mundo, usando a ferramenta interna TSNS (TOPIGS Satellite Núcleo System).  PEN AR LAN - “Num contexto cada vez mais competitivo, mais que nunca, o produtor de suínos deve procurar baixar o seu custo de produção”, diz o diretor da Pen Ar Lan do Brasil, Yves Naveau. “E a genética, como também o manejo, a nutrição, as instalações e a sanidade, são componentes estruturais fundamentais na geração do custo de produção e na rentabilidade da atividade”. Ele afirma que no Brasil e no mundo, além de continuar a trabalhar cornos atuais critérios de seleção Como a carcaça o crescimento, a prolificidade a rusticidade e as qualidades maternais, outros critérios, como a resistência às doenças, podem ser fundamentais no futuro. “A 28
  • 29. genética molecular também será uma ferramenta cada vez mais usada, porém, na Pen Ar Lan, mesmo investindo em biotecnologia acreditamos que a genética quantitativa clássica e a simplicidade, associadas a uma certa paciência e perseverança, ainda serão as bases do nosso trabalho para os próximos anos”, revela. Naveau lembra ainda que a Pen Ar Lan foi quem iniciou a descoberta do gene de acidez da carne suína (RN-) no mundo. A Pen Ar Lan propõe aos produtores O CACHAÇO P76 E A FÊMEA NAÏMA, cuja particularidade éo uso do sangue chinês. Totalmente livre do gene de sensibilidade ao estresse, o macho cruzado P76 aliacrescimento rusticidade, homogeneidade dos descendentes e uma excelente qualidade de carcaça, resultadode uma seleção intensiva de mais de 25 anos das duas linhagens sintéticas que o compõem. Já a fêmeaNaïma combina as qualidades de carcaça e de crescimento das raças européias e a prolificidade das raçaschinesas. “O nosso objetivo no Brasil é que os produtores, usando a Naïma, cheguem aos mesmosresultados alcança dos na França, ou seja, em média 11 leitões desmamados por parto”.  DB DANBRED – De acordo com Mateus Borges, do Departamento de Marketing da DB-Danbred do Brasil, o melhoramento genético suíno proporcionou uma maior produção de carne por metro quadrado, maior competitividade na área de proteína animal, melhor qualidade de carne e maior rentabilidade para toda cadeia de carne suína. “As exigências do mercado Consumidor são carne de qualidade (cor, suculência, sabor) e característicasde carcaça (espessura de toucinho, porcentagem de carne magra, comprimento da carcaça)”, diz. “Doponto de vista produtivo, as características exigidas são: prolificidade, ganho de peso, conversão alimentar,taxa de mortalidade”. A empresa trabalha no Brasil com AVÓS DB 25, FÊMEAS COMERCIAIS DB 90 E OSREPRODUTORES: TÍVOLI, VIBORG E FREDERIK. O processo de melhoramento genético da DBDanBred vem da Dinamarca, onde 90% da população suína daquele país está sob um mesmo programagenético (DanBred). “AULA 3►ÓRGÃOS REPRODUTIVOS DO MACHOa) Testículos: Localiza-se fora da cavidade abdominal protegidos por uma extensão de pele em forma debolsa denominada de escroto. Cada testículo está recoberto por uma forte cápsula que é a TúnicaAlbugínea.b) Aparelho excretor do sêmen: No interior de cada testículo existem milhares de condutos enroladoschamados tubos seminíferos Os espermatozóides são produzidos dentro destes tubos, sendo encaminhadosdaí ao canal deferente que é uma estrutura despregada dos testículos. Do canal deferente dirigem-se àuretra. Os testículos constituem a fonte do hormônio sexual masculino TESTOSTERONA - que éresponsável pelo comportamento sexual do macho e pelos caracteres sexuais secundários, O testículoesquerdo é ligeiramente maior que o direito, provavelmente devido à irrigação sangüínea. A retençãoparcial (monorquidismo) ou total (criptorquidismo) dos testículos na cavidade abdominal se constituem emfatores altamente indesejáveis em animais destinados à reprodução, dada a sua condição hereditária.c) Glândulas acessórias: Vesícula seminal, próstata e glândulas bulbo uretrais ou de Cowper, constituemo plasma seminal ou sêmen, cuja finalidade é servir de meio de suspensão dos espermatozóides,proporcionando-lhes material alimentício.d) Pênis: Constituído de uretra, corpos cavernosos, glande e prepúcio. A uretra dos varrões possui umaforma espiralada. Durante a excitação os espaços cavernosos do pênis se tomam cheios de sangue cujasaída fica impedida, quando o pênis se toma túrgido e ereto. A parte externa do pênis, de forma espiralada,se dá o nome de glande. Os suínos possuem uma bolsa prepucial próxima à extremidade do pênis, defunção desconhecida e não encontrada em outras espécies animais. O tamanho desta bolsa diminuisensivelmente após a castração. Nesta bolsa se acumula a urina que é responsável pelo forte odor sexualmasculino dos varrões que se infiltra até em sua carne, dando-lhe um cheiro e sabor desagradáveis. 29
  • 30. Figura – Órgãos reprodutivos do macho►ORGÃOS REPRODUTIVOS DA FÊMEAa) Ovários: São em número de dois, em forma de um cacho de uva, sendo o ovário esquerdo 70% maisfuncional do que o direito. O tamanho do ovário depende em grande parte da idade e da fase reprodutiva dafêmea. Possuem três funções básicas que são: produção dos gamelas femininos (óvulos), secreção deestrógeno e secreção de progesterona.b) Sistema condutor feminino Consta das seguintes partes: ovidutos (ou trompa de falópio), útero, cérvix, vagina e genitália externa.1) Ovidutos: São um par de tubos longos e enrolados que conectam os ovários com o útero. Depois que osóvulos abandonam os folículos ováricos, dirigem-se ao oviduto. Nesta região há o encontro do óvulo como espermatozóide seguindo-se a fecundação. Os óvulos depois de fecundados descem até o útero para aimplantação. 2) Útero: Consta de uma porção curta chamada corpo uterino e de dois corpos uterinos bemdesenvolvidos. Cada corpo na maioria das vezes contém aproximadamente metade do número deembriões, em decorrência da migração intra-uterina dos óvulos fertilizados, ou seja, o deslocamento dosovos de uma parte para a outra do útero. Esta migração ocorre cerca de onze dias após a fertilização.3) Cérvix ou colo uterino: Esfincter muscular situado entre o útero e a vagina, isolando o útero do meioexterior. A ocorrência de algum distúrbio na cérvix pode acarretar o aborto.4) Vagina: Divide-se em duas partes: vestíbulo ou vulva que é a parte mais externa e a vagina posterior,que se estende deste orifício central até o cérvix. Possui massas de tecidos conjuntivo denso e frouxo, comabundante provisão de plexos venosos, fibras nervosas e pequenos grupos de células nervosas. O muco 30
  • 31. normalmente encontrado na vagina, procedente sobretudo da cérvix, aumenta consideravelmente nasfêmeas em cio.5) Genitália externa: Constituída pelo clitóris, lábios maiores e menores e certas glândulas que se abremno vestíbulo vaginal. O clitóris é homólogo embriológico do pênis e está formado por dois pequenoscavernosos eréteis que terminam em uma glande rudimentar.Figura – Órgãos reprodutivos da fêmeaFonte: Lima et al. ( 1995)AULA 4►REPRODUÇÃO  IMPORTÂNCIA Reprodução é um processo complexo, dependendo de uma série de atividades, maturação edesprendimento dos óvulos dos ovários, desejo sexual no momento da ovulação, cópula, transporte dosêmen ao encontro dos óvulos fertilizados ao útero, sua implantação adequada e subseqüente nutrição dosrecém-nascidos pelas glândulas mamárias. Todos esses eventos são regulados por um complexo sistema neuro-hormonal que permite umfuncionamento normal e bem balanceado dos órgãos terminais afetados por hormônios, daí resultandoperfeita sincronização da função do mecanismo sexual. A espécie suína é multípara, do tipo poliestral não estacional com cios ocorrendo com intervalos de 21dias, possuindo ovulação espontânea nos dois ovários. São animais altamente prolíferos, podendo produzirmais de 20 leitões em dois partos por ano. Iniciam a vida reprodutiva bastante jovens. Aos 8 meses osanimais já estão aptos a procriar. 31
  • 32. É sabido que o tamanho da leitegada é muito mais conseqüência do manejo do que de fatoreshereditários. Nessas condições é com o manejo adequado, através do conhecimento do mecanismofisiológico da reprodução, que se pode influir no aumento do número de leitões nascidos por parto.  IDADE DA REPRODUÇÃO Devido ao desenvolvimento anatômico insuficiente, os reprodutores não deverão ser utilizados nareprodução tão logo alcancem a puberdade. O processo de crescimento mobiliza grandes quantidades deproteínas, pois os músculos, ossos, sangue e outros ferimentos essenciais ao crescimento possuem elevadasproporções de proteínas em sua composição. Como a fração gelatinosa do esperma é rica de proteína nometabolismo animal. De um modo geral são necessárias três condições para que a cobrição de leitoas seja bem sucedida:maturidade sexual (3º cio), idade (6 a 7 meses); desenvolvimento corporal (110 kg) mais ou menos.Quanto ao macho deve ser utilizado gradativamente e possivelmente a uma idade e peso ligeiramentesuperiores aos das marrãs.  CICLO ESTRAL O processo reprodutivo das fêmeas é sempre cíclico, iniciando com o estro ou cio e terminandoimediatamente antes da manifestação do novo cio. A duração total média do ciclo estral é de 21 dias,podendo haver pequenas oscilações.  FASES DO CICLO ESTRALa) Proestro ou fase de proliferação - Nesta fase os folículos ovários estão bastante desenvolvidos ou damaturação. O útero fica tenso, a vagina corada e edematosa e a cérvix aberta. Às vezes há presença demuco na vagina, com evidência da aproximação do novo cio, com início das manifestações psíquicas. Aduração desta fase é de aproximadamente dois dias.b) Estro ou cio - Fase ovulatória, de cobrição com duração de aproximadamente 2 a 3 dias. Será tratadaem item especial, devido a sua importância.c) MetaestroNesta fase o útero perde a sua tenacidade e a vagina apresenta menos entumecida.Fase pós-ovulatória, com duração de 2 dias. Os ovários se caracterizam por apresentarem inicialmentedepressões correspondentes aos locais de ovulação que posteriormente dão origem aos corposhemorrágicos.d) DiestroEsta fase com duração de 14 dias após a ovulação, se caracteriza por: corpo lúteo maduro, útero quieto esem tenacidade e presença da pri onda de crescimento folicular. A mucosa da vagina e a cérvix estão secase pálidas.e) AnaestroE o período de diestro prolongado. Pode-se constituir num dos tipos de esterilidade funcional, pelapossibilidade de persistência do corpo lúteo.  ESTRO OU CIO É fase em que a fêmea aceita o macho, permitindo a cópula. Terminado o cio, o macho perde, de ummodo geral, o interesse pela fêmea, sendo também por ele repelido. De acordo com as características do cio, os animais, dividem-se: 1. Monoestrais - aqueles que apresentam um cio por ano. 2. POLIESTRAIS - apresentam mais de um cio por ano. 3. Contínuos - aqueles que apresentam manifestações de cio durante todo o ano. Ex.: porca, vaca, coelha. 4. Estacionais - aqueles que apresentam cio em determinada época do ano (estação). Ex.: ovelha, cabra, égua. 32
  • 33. CARACTERÍSTICAS DOS CIOS NAS PORCASa) procuram o machob) montam umas nas outras, imitando o ato sexualc) respondem positivamente ao reflexo de imobilizaçãod) intumescimento da vulvae) nervosismo e excitaçãof) redução do apetiteg) grunhidos característicosh) micção freqüente1) orelhas caídas de forma característicaj) às vezes há corrimento vaginal.  DURAÇÃO DO CIO Em média de 2 a 3 dias (48 a 72 horas). O cio em porcas é de 12 a 18 horas mais longo do que emmarrãs.  OVULAÇÃO Nas porcas a ovulação é espontânea, ou seja, é independente do estímulo do acasalamento. Ocorre emambos os ovários, sendo que os óvulos, em sua maioria liberados 24 a 36 horas após as primeirasmanifestações do cio. O intervalo de liberação do 1°. ao último óvulo é de 1 a 17 horas. A taxa de ovulaçãoé muito variável, sendo em média de 15 a 18 óvulos. a) Alguns fatores que afetam a taxa de ovulação: 1. IDADE: embora o número de ovulação aumente com o desenvolvimento sexual da marrã, uma vez atingido o peso máximo, decresce com a idade da porca. 2. NÍVEL NUTRICIONAL: uma dieta rica em energia, constituída de glicose, gordura e outros nutrientes similares antes da cobrição (FLUSHING), favorece o aumento da taxa de ovulação. 3. RAÇAS: algumas raças possuem taxas de ovulação maiores do que as outras. b) Outros fatores de meio (clima, manejo, etc.) podem também influenciar o número deovulações. c) Tipos de cio1) NORMAL: é o cio de freqüência e duração normais médias, ou seja, aproximadamente de 21/21 dias,com duração de 2 a 3 dias.2) SILENCIOSO: é o cio não exteriorizado, apesar da ovulação estar se processando normalmente. Não émuito comum, pois de acordo com Burger (1952), em 950 ciclos estudados, apenas 1,5% das porcasapresentaram este tipo de cio.3) CIO PÓS-PARTO: de um modo geral mostra sinais de cio nos primeiros dias após o parto. Este cio,provavelmente, seja devido aos estrógenoS provenientes da placenta e que se encontram acumulados nosangue circulante. Todavia, não há ovulação, e mesmo em caso positivo, o útero não estaria em condiçõesde dar início a uma gestação normal.4) CIO APÓS A DESMAMA: na primeira semana após a desmama, a porca normalmente entra no cio.Carneiro (1958) encontrou uma média de 9,5 dias para o aparecimento do cio após a desmama.5) CIO DE ENCABELAMENTO OU PSEUDO: é um cio bastante raro, que pode ocorrer durante agestação, de causa desconhecida, mas provavelmente devido a transtornos neuro-hormonais.  SINCRONIZAÇÃO DE CIO: na exploração de suínos, é de grande importância ter um planejamento da produção, objetivando o aproveitamento racional das instalações e 33
  • 34. comercialização dos animais. A sincronização de cio consiste em fazer com que o grupo de porcas entre em cio mais ou menos juntas.►PRÉ GESTAÇÃO É o período que antecede a cobrição, de duração média de 2 a 3 semanas, durante o qual a fêmeadeve ser colocada em condições orgânicas adequadas para que a cobrição seja realizada com êxito.►COBRIÇÃO  INSTINTO GENÉSICO: é a atração que o macho sente pela fêmea e esta, em aceitá-lo e vice- versa. Nesta ocasião ocorrem dois eventos, sendo um referente á fêmea (cio), e outro referente ao macho e a fêmea (cópula).  TIPOS DE COBRIÇÃOLivre: as fêmeas permanecem juntas com o macho durante todo o tempo. Este método é mais usado nascriações extensivas. Apresenta a vantagem de um grande índice de fertilidade, e como desvantagens:dificuldade de controle sanitário do rebanho, não há controle de cobrições, não identifica as fêmeas emachos estéreis, há um esgotamento grande do macho.Mista: o reprodutor recebe a fêmea num piquete individual, onde permanecem até findar o período do cio.Apresenta a vantagem do controle sanitário dos nascimentos, identificação das fêmeas e dos machosestéreis. Pode porém provocar esgotamento do macho devido a cobrições desnecessárias.Dirigida: a fêmea é conduzida à baia do varrão, sendo a monta realizada sob rigoroso controle do criador.É o método mais indicado.  MOMENTO DA COBRIÇÃO EM RELAÇÃO A OVULACÃO O momento ideal para a cobrição apresenta alguns problemas, devidos principalmente a:a) Duração do cio 2-3 dias, sendo que o cio das porcas duram de 12-18 horas a mais do que os de leitoas.b) A maioria dos óvulos são liberados 24-36 horas após os 1°s. sinais de cio.c) O intervalo deliberação do 1°. ao último óvulo é de aproximadamente 7 horas.d) O período de viabilidade dos ovos ou melhor dos óvulos ou seja, o período em que podem serfecundados é de 6 horas.e) Os espermatozóides conservam o seu poder fecundante por 25-42 horas.f) Os espermatozóides levam aproximadamente 2 h para atingir a região dos óvulos. Pelos motivos acima expostos, aconselha-se fazer no mínimo duas coberturas no mesmo período de cio.As leitoas devem ser cobertas no 1°. e 2°. dia do cio. Já as porcas devem ser cobertas no 2°. e 3°. dias docio. Em ambos os casos os intervalos das duas montas deve ser mais ou menos 12 horas, pois o uso destaprática aumenta a fertilidade.  CÓPULA: ato sexual por dois indivíduos de sexos diferentes, divididos em 4 fases.- Excitação ou desejo sexual- Ereção- Ejaculação- Orgasmo. Na fêmea não ocorre o fenômeno de ejaculação. A ejaculação se processa no útero, demorando emmédia 5 minutos, mas, podendo chegar até 25 minutos, o volume ejaculado, devido a secreção dasglândulas acessórias, pode chegar em média de 150 a 250 cc. O líquido seminal é de composição diferentedurante a ejaculação, sendo mais rica em espermatozóide a porção intermediária. O ejaculado final é queforma o tampão vaginal, e é constituído por material gelatinoso que para fins de inseminação artificial serfiltrado com gaze ou algodão. 34
  • 35.  GESTAÇÃOImportância: A importância fundamental de qualquer animal está na sua capacidade de reproduzir. Amaior responsabilidade na reprodução cabe à fêmea, pois a ela cabe a tarefa de produzir gametas viáveis eparticipar do coito, como também fornecer provisão e um ambiente ideal para o transporte dosespermatozóides para a fertilização. Além disso a fêmea tem que nutrir o novo organismo emdesenvolvimento até o parto, dar-lhe nascimento vivo e fornecer-lhes cuidados até que ele seja capaz dealimentar por si mesmo. Durante todo esse processo uma série de fatores genéticos e ambientais seintegram e nunca devemos esquecer que dentre os fatores ambientais a nutrição da gestante é de sumaimportância.Duração: é o período que vai desde a fecundação até o esvaziamento do conteúdo uterino. Embora aliteratura registre período de gestação desde 102 até 128 dias. a duração média é de 114 dias, caindogrande número de gestações entre 113 e 115 dias.  DIAGNÓSTICO DA GESTAÇÃO Existem várias técnicas para diagnosticar a gestação de porcas, como: radiografia, testes hormonais,testes hematológicos, indução do cio, biópsia vaginal, detecção ultra-sônica da vida fetal e palpação retal. Os métodos visuais incluem a ausência de cio, desenvolvimento da glândula mamária e aumento dovolume abdominal, não sendo métodos específicos, tendo apenas uso prático no terço final da prenhez.  MORTALIDADE EMBRIONÁRIA 25 a 40% dos óvulos fertilizados são perdidos durante a gestação. A maior parte das perdas ocorreno terço inicial da gestação. A porca produz em média 15 a 18 óvulos, mas, desse número nascem apenas10 a 12 leitões. ALGUNS FATORES QUE INFLUENCIAM A MORTALIDADE PRE-NATALA) Alimentação: Como já foi dito, a alimentação de altos níveis energéticos à porcas antes da cobriçãoprovoca uma enorme ovulação, porém, persistindo este tipo de trato após a cobertura, a mortalidadeembrionária será maior.B) Idade da porca: Há um aumento da mortalidade pré-natal com o aumento da idade da porca.C) Fatores ambientais: altas temperaturas provocam maior taxa de mortalidade embrionária.D) Consangüinidade: provoca diminuição do tamanho da leitegada. Os cruzamentos tendem a aumentar on°. de leitões nascidos.E) Fatores infecto-contagiosos: doenças como leptospirose, brucelose e outros tipos de bactérias, bemcomo algumas infecções viróticas aumentam a percentagem de mortalidade pré-natal.  PARTO É a expulsão do produto resultante da gestação, através de um conjunto de fenômenos fisiológicos emecânicos.CLASSIFICAÇÃO DO PARTOa) Quanto ao tipo1. Normal, fisiológico2. Anormal, distócico, laborioso ou patológico.Parto distócico é aquele em que a fêmea não consegue expulsar o feto, devido à desproporção entre o feto ea bacia. anomalia das contrações abdominais monstruosidades fetais, ossificação da cabeça etc.b) Quanto à duração da gestação1. A termo: processa-se no período normal da gestação. 35
  • 36. 2. Prematuro: temporão ou precoce, ocorrendo antes de completar o período normal de gestação.Não confundir com aborto que é a expulsão do produto resultante da concepção antes que o mesmo sejaconsiderado viável.  FASES DO PARTOa) Dilatação adelgaçamento e dilatação do colo, inseminações do feto e ruptura das bolsas d’água.b) Expulsão saída do feto para o meio exterior.c) Delivramento ou parto anexal é a expulsão da placenta e anexos fetais com duração média de 15 a 30minutos.d) Puerpério é o período que vai do delivramento até a fêmea entrar no estado normal em que ela seencontrava antes da gestação. Nele ocorre a involução de todo o aparelho genital, dos músculosabdominais. Na espécie suína, esse período é de aproximadamente 21 dias.  DURAÇÃO DO PARTO É de quatro a seis horas, apesar da literatura citar como padrão normal desde 30 mim à dezesseis horas.  LEITÕES NATIMORTOS São considerados leitões natimortos os fetos levados à termo em tempo normal de gestação, porémmortos. Numerosas pesquisas mostram que 5 a 8% dos leitões nascem mortos. A literatura, no entanto citaurna variação de 3,4 até 19,9%.  EFICIÊNCIA REPRODUTIVA Consideraremos como fazendo parte deste capítulo, os seguintes tópicos: fertilidade, produtividade,vida útil, idade ao primeiro parto, intervalo entre partos e intervalo entre gerações.a) Fertilidade popularmente fertilidade é a capacidade de um animal produzir número grande de criarvivas, e esterilidade a incapacidade total de produzir qualquer cria. Qualquer sexo pode ser estéril mas oscriadores chamam “maminhas” as fêmeas estéreis.Fecundidade é a capacidade potencial da fêmea produzir óvulos funcionais.b) Produtividade a raça é produtiva quando, além de apresentar boa aclimatação, oferece altos padrões deprodutividade, precocidade, rusticidade e rendimento.c) Vida útil intervalo entre o 1°. parto e aclimação da porca. Em média vai de 2,5 a 3,5 anos, nas nossascondições.  IDADE MÉDIA AO PRIMEIRO PARTO As matrizes devem ser cobertas pela primeira vez em tomo de O meses de idade, para dar a 1 cria porvolta de 1 ano.  INTERVALO ENTRE PARTOS Existem três variáveis que regulam o intervalo entre partos em dias.- Cobrição fértil - 08 dias- Período de gestação - 114 dias- Período de lactação - 30 dias Portanto perfazendo um total de 152 dias, e com um bom manejo o produtor poderá atingir dois ou maispartos/porca/por ano. 36
  • 37. SEMANA 5META:Apresentar recomendações a serem adotadas no manejo da produção nas diversas fases de vida doanimal.OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar as práticas recomendadas a serem aplicadas para machos;  Identificar as práticas recomendadas a serem aplicadas para detecção de cio e nas fases de pré-cobrição, cobrição, gestação e descarte de fêmeas;  Identificar as práticas recomendadas a serem aplicadas nas fases de maternidade, creche, crescimento e terminação.AULA 1►MANEJO DA PRODUÇÃO O manejo da produção compreende todo o processo reprodutivo e produtivo do sistema, devendo serconduzido com toda a atenção, pois dele depende o atingimento de melhores índices produtivos e o retornoeconômico da atividade.  MACHOS  Não permitir contato direto ou indireto do macho com as leitoas antes de completar 5 meses de idade;  Fornecer aos machos de 2 a 2,5 kg de ração de crescimento por dia, dependendo do seu estado corporal, até iniciarem a vida reprodutiva.  Passar por um período de adaptação de no mínimo 4 semanas antes de realizar a primeira cobrição;  Iniciar o treinamento do macho em coberturas aos 7 meses, levando-o várias vezes à baia de cobrição antes de fazer a primeira cobertura;  Utilizar uma fêmea que esteja com perfeito reflexo de imobilidade para fazer a primeira cobertura, observando uma igualdade no tamanho do macho e a fêmea;  Realizar a cobertura na baia de cobrição, com piso não escorregadio. Recomenda-se o uso de maravalha sobre o piso;  Antes da cobertura, realize a limpeza e esgotamento do prepúcio (após secar com papel limpo), bem como, observe se não existe nenhuma alteração no cachaço (orquite, sinal de infecção, etc.);  Supervisionar a monta. Retire a fêmea se a mesma for agressiva. Se o macho montar incorretamente, gentilmente coloque-o na posição correta;  Realizar no máximo 2 montas por semana (1 fêmea coberta) entre 7 e 9 meses de idade, no máximo 4 montas por semana (2 fêmeas cobertas) entre 10 e 12 meses de idade e até 6 montas por semana com idade acima de 1 ano;  Conduzir com calma os machos e as fêmeas para a baia de cobrição, usando tábua de manejo e nenhum tipo de mau trato;  Fazer as cobrições sempre após o arraçoamento dos animais e nas horas mais frescas do dia, início e fim da jornada de trabalho;  Fornecer diariamente aos machos, após iniciarem a vida reprodutiva, ração de gestação de acordo com seu peso (Tabela); 37
  • 38. Tabela . Arraçoamento de cachaços adultos. Arraçoamento Peso vivo dos cachaços (kg) diário 120 a 150 150 a 200 200 a 250 250 a 300Quantidade 2,1 2,4 2,8 3,0fornecida (kg)Fonte: Fávero et al. (2009)  PROCEDIMENTOS PARA A DETECÇÃO DO CIO  É importante o estabelecer um procedimento padrão para a atividade de diagnóstico de cio, obedecendo uma rotina diária. O contato físico direto pela introdução do macho na baia das fêmeas, pelo menos durante 10 minutos a cada dia garante a melhor estimulação para detectar o estro e é útil para checar porcas que não exibem o reflexo de tolerância. Para fêmeas alojadas em gaiolas, a utilização de um cachaço em combinação com o teste da pressão lombar é o método mais acurado de identificação de fêmeas em estro. Idealmente o diagnóstico de cio deve ser realizado duas vezes ao dia com intervalo ótimo de 12 horas.  Levar a fêmea na presença do macho (baia) ou colocá-la frente a frente com o cachaço (em gaiolas);  Utilizar um cachaço com idade acima de 10 meses. Também é aconselhável a prática do rodízio de cachaços para e detecção de cio;  Iniciar a tarefa de detecção de cio cerca de uma hora após a alimentação. Se ao invés de baias, a granja alojar as fêmeas em gaiolas individuais, um intenso contato "cabeça com cabeça" passando o macho pelo corredor obterá bons resultados.  Realizar o teste de pressão lombar imediatamente após mostrar o cachaço para a porca.  Gentilmente massagear o flanco e pressionar (com as mãos ou cavalgando) as costas da fêmea. A fêmea em cio para rigidamente, treme as orelhas e mostra interesse pelo macho;  Evitar movimentos rudes ou bruscos. O teste é menos efetivo se a fêmea tiver medo do tratador;  Procurar alongar a exposição do cachaço quando estiver checando cio em leitoas, uma vez que as mesmas tendem a ser mais nervosas e inquietas. Caso o cio estiver sendo checado em uma baia, não utilizar um cachaço muito agressivo;  Após detectar o cio deve-se respeitar um período mínimo para realizar a monta natural ou inseminar. O reflexo de imobilidade normalmente é apresentado em períodos de 8-12 minutos, seguido por períodos refratários de uma hora ou mais, devido a fadiga provocada pelas contrações musculares.  PRÉ-COBRIÇÃO EM LEITOAS  A maturidade sexual das leitoas ocorre entre 5,5 a 6,5 meses de idade, com algumas variações em função da genética, da nutrição, do manejo e do ambiente onde estão alojadas. Considerando que as leitoas, geralmente, chegam na propriedade, em média, com 160 dias de idade e manifestam o primeiro cio dentro de 10 dias, recomenda-se iniciar o diagnóstico do cio, uma vez ao dia, a partir do segundo dia da chegada das leitoas;  Evitar que as fêmeas se acostumem com a exposição ao macho por excesso de contato, isto dificulta a estimulação da puberdade e a detecção do cio. Alojar os cachaços de forma que as fêmeas desmamadas e leitoas em idade de cobrição possam vê-los e sentirem seu cheiro. Períodos de exposição direta de 10 a 20 minutos pelo menos uma vez são ao dia, são suficientes;  Para iniciar o estímulo da puberdade deve-se utilizar um cachaço com bom apetite sexual, acima de 10 meses de idade, dócil e não muito pesado. Fazer o rodízio de cachaços para o estimulo e detecção de cio;  Abrir uma ficha de anotações e controle de cio para cada lote de fêmeas;  Se a leitoa entrar em cio e não apresentar idade ou peso para cobrir, mantenha o registro para utilização desta leitoa dentro de 21 dias;  Fornecer diariamente às leitoas 2,5 kg de ração de crescimento até duas semanas antes da cobrição. A ração diária deve ser em duas refeições, pela manhã e à tarde; 38
  • 39.  Duas semanas antes da data provável de cobrição fornecer às leitoas ração de lactação à vontade; Realizar a 1ª cobrição no 2° ou 3º cio, com idade mínima de 7 meses e 130 kg de peso; As leitoas que não demonstrarem o 1º cio até 45 dias após o início do manejo para indução da puberdade devem ser descartadas. PRÉ-COBRIÇÃO EM PORCAS Período ótimo de duração da lactação é de 21-23 dias permitindo uma perfeita involução uterina e um desgaste não excessivo no aleitamento. Em regra geral as porcas retornam ao cio 4 ou 5 dias após o desmame e se não ficarem cobertas voltarão a repetir o cio aos 21 dias. Agrupar as porcas desmamadas em lotes de 5 a 10 animais, em baias de pré cobrição, localizadas próximas às dos machos; Agrupar as porcas por tamanho, seguido de banho com água e creolina para reduzir o estresse e as agressões. Manter um espaço ideal de 3 m2 por porca; Fornecer ração de lactação às porcas, à vontade ou pelo menos 3 kg/dia, do desmame até a cobrição; Estimular e observar o cio das porcas no mínimo duas vezes ao dia, com intervalo mínimo de 8 horas, colocando-as em contato direto com o macho a partir do segundo dia após o desmame. COBRIÇÃO A duração controlada de uma monta varia de 5 à 10 minutos. Qualquer cobertura que demorar menos de 3 minutos deve ser considerada uma cobertura duvidosa. É conveniente a adequação do tamanho da porca ao cachaço (tronco de monta se necessário). A fêmea deve estar perfeitamente em cio (imóvel), com a vulva higienizada. O cachaço não deve apresentar problemas de aprumos, sendo recomendado a realização de desinfecção do prepúcio 4 à 5 vezes por ano. A baia de cobertura não deve ter cantos e nem pontos que possam causar lesões nos animais. O piso não pode ser escorregadio, sendo recomendado o uso de maravalha. O lado mais estreito da baia não pode ser inferior a 2,5 m. A limpeza da baia deve ser diária e a desinfecção realizada semanalmente. Realizar a inseminação artificial na presença do macho, tendo-se o cuidado para que o sêmen seja depositado naturalmente na fêmea e não forçado. O tempo de uma inseminação deve ser de no mínimo 4 minutos; Adotar duas montas ou inseminações por porca e uma terceira monta ou inseminação somente para porcas com cio novamente testado e confirmado na terceira cobertura. Manter intervalo de 24 horas entre montas naturais e de 12 à 24h entre inseminações artificiais, de acordo com o protocolo recomendado para cada categoria de animal ou de Intervalo desmame-cio. Protocolo de cobrição para monta natural Observando-se a detecção de cio com o auxílio do cachaço, duas vezes ao dia, a prática de monta natural com duas cobrições é recomendada dentro das seguintes condições: Porcas com intervalo desmama-cio com 5 ou mais dias e Leitoas: Realizar a primeira cobrição no momento em que a porca ou leitoa inicia a aceitação do cachaço. A segunda cobrição deverá ser no máximo 24 horas após. Porcas com intervalo desmama-cio até 4 dias: Realizar a primeira cobrição 12 horas após ter demonstrado imobilidade ao cachaço. A segunda cobrição deverá ser feita 24 horas após a primeira. 39
  • 40.  Protocolo para Inseminação ArtificialQuando as fêmeas são inseminadas deve-se observar o momento da inseminação segundo o estabelecidono Quadro Protocolo de inseminação artificial.IDC* Detecção Cio 1º DIA 2º DIA 3º DIAPorcas com IDC até 4 Manhã Cio 3ª IAdias Tarde 1ª IA 2ª IAPorcas com IDC de 5 a Manhã Cio6 dias Tarde 1ª IA 2ª IALeitoas Manhã Cio 2ª IA Tarde 1ª IA*Intervalo desmama-cioObs: Realizar a 3a IA se a porca aceitar.Fonte: Fávero et al. (2009)  GESTAÇÃO  Preferencialmente alojar as porcas e leitoas em boxes nos primeiros 30 dias de gestação. Os deslocamentos são claramente desaconselhados entre o dia 7 e o dia 18 de gestação. O ambiente deve ser calmo. Evitar o estresse;  Manter as instalações em boas condições de higiene e limpeza. Quando alojadas em baias coletivas a área para leitoas deve ser de 2,0 m2 e porcas de 3,0 m2;  Tanto as porcas do início da gestação (até 4 ou 5 semanas pós cobertura) como aquelas do final da gestação (1-2 semanas pré-parto) necessitam especial atenção quanto a temperatura ambiental. Temperaturas elevadas causam efeitos negativos com perdas embrionárias mais evidentes, especialmente entre os dias 8-16 pós-cobrição;  Após a cobrição até cinco dias de gestação fornecer às fêmeas de 1,8 à 2,0 Kg de ração/dia;  Entre o dia seis e o dia 56 alimentar as porcas em função do seu estado ao desmame;  Entre os dias 56 e 85 de gestação, fazer ajuste na quantidade de ração (2,0 a 2,5 kg/dia/porca) de forma que a porca esteja em uma boa condição corporal;  Dos 86 dias de gestação até transferência para a maternidade deve ser fornecido até 3,0 Kg diários de ração;  A ração deve ser fornecida em duas refeições, pela manhã e à tarde. A oferta de água deve ser à vontade, de boa qualidade e com temperatura inferior a 20°C (consumo diário de 18 à 20 litros).  Do dia 18 à 24 passar o cachaço em frente às porcas pela manhã e pela tarde, após os horários de arraçoamento para verificar retornos de cio;  Fazer diagnóstico de gestação entre 30 - 50 dias com a utilização de ultra-som;  Fazer diagnóstico de gestação visual após 90 dias;  Aplicar as vacinas previstas para a fase de gestação e para a segunda semana pós-parto;  Movimentar as fêmeas no mínimo quatro vezes por dia (duas por ocasião da alimentação) para estimular o consumo de água e a micção. Supervisionar e anotar os corrimentos vulvares durante este período;  Identificar os animais com problema, anotar os sinais de inquietação. Observar e registrar os abortos e retornos tardios;  Fornecer alimentação mais fibrosa na última semana de gestação. Lavar as fêmeas antes de irem para a maternidade. 40
  • 41. Tabela. Valores críticos e metas na fase de cobrição e gestação.Indicador ValorCrítico(1) MetaTaxa de partos (%) <80 >86Taxa de retorno ao cio (%) >20 <14Intervalo médio desmame cio (dias) >10 <7Taxa de reposição anual de matrizes - 1° ano (%) <12 15Taxa de reposição anual de matrizes - 2° ano (%) <20 25Taxa de reposição anual de matrizes - 3° ano (%) <30 40Taxa de reposição anual de machos (%) <50 >80Relação fêmeas por macho 18:1 20:1(1) Indica necessidade de identificar as causas e adotar medidas corretivas.Fonte: Fávero et al. (2009)  DESCARTE DE FÊMEAS Evitar o acúmulo de porcas muito velhas na granja, mantendo sempre a recomendação de reposiçãoanual de 30 a 40%; As porcas que apresentarem qualquer um dos problemas abaixo relacionados devem ser descartadas: Não retornarem ao cio até 15 dias após o desmame;- Com danos severos nos aprumos;- Com falha de fecundação;- Com duas repetições seguidas de cio;- Que apresentaram dificuldades no parto;- Qualquer ocorrência de doença;- Com baixa produtividade;- Com problemas de Metrite, Mastite e Agalaxia (MMA);- Que apresentaram aborto ou falsa gestação.AULA 2►MATERNIDADE  Fazer a transferência das porcas para a maternidade sete dias antes do parto previsto. Conduzir os animais com calma e sem estresse, sempre com o auxilio de corredores e da tábua de manejo. Transferir as fêmeas nas horas quentes do dia durante o inverno e nas horas frescas do dia no verão;  Manter a temperatura interna da sala de maternidade próxima de 18º- 20ºC. Instalar um termômetro na parte central da sala a uma altura aproximada de 1,50m para facilitar a leitura;  Privar as porcas de ração no dia do parto, mantendo somente água a sua disposição (15-20 litros/dia). Acompanhar o parto dando toda a atenção possível à porca e aos recém nascidos. O objetivo no manejo alimentar é evitar a constipação e conservar os aportes de energia; Evitar interferência no parto a não ser nos seguintes casos: a)- Porcas sem contração: aplicar ocitocina e massagear o aparelho mamário; b)- Porcas com contração, sem iniciar o nascimento após 20 minutos, usar mão enluvada para tentar a retirada dos leitões.  Manter, para cada porca, uma ficha individual de anotações relativas ao parto e aos leitões, e em especial as medicações individuais ou coletivas.  As porcas em lactação devem receber ração à vontade. Nos períodos quentes deve-se fornecer ração molhada, distribuída várias vezes ao dia, para estimular o consumo. Nestes períodos também é muito importante o fornecimento de ração à noite (esta pode ser seca), pois nas horas mais frescas o consumo é maior.  Fornecer aos leitões ração pré-inicial 1 a partir dos 7 dias de vida até o desmame. 41
  • 42.  Características ideais da Maternidade Acesso fácil pelo traseiro da porca para facilitar o manejo (porca e leitões); Cela parideira com barra de proteção, para evitar esmagamentos; Fonte de aquecimento com regulagem; Piso com capacidade isolante para evitar perda de calor por contato pelo leitão; Piso confortável para a porca e leitões evitando lesões de casco e articulações; Manter até um máximo de 24°C para a porca e um mínimo de 32°C para o leitão recém nascido; Limpeza diária com retirada dos excrementos no mínimo uma vez pela manhã e outra pela tarde. Cuidados com os leitões ao nascer Antes de iniciar o trabalho de parto é necessário ter a disposição os seguintes equipamentos, materiais e medicamentos: Papel toalha ou panos limpos e desinfetados; Barbante em solução desinfetante a base de iodo (iodo 5 a 7% ou iodo glicerinado); Frasco de iodo glicerinado para desinfeção do umbigo; Seringa e agulha; Aparelho de desgaste ou alicate para corte de dentes; Tesoura para corte do umbigo; Rolo de esparadrapo largo; Luvas descartáveis; Dispositivo para contenção dos leitões; Medicamentos (ocitocina, antitérmico, tranqüilizante e antibiótico); Balde plástico para lixo (papel toalha e outros); Balde plástico para receber a placenta os leitões mortos e os mumificados. Na medida em que os leitões forem nascendo, adotar os seguintes procedimentos: Limpar e secar as narinas e a boca dos leitões; massagear os leitões na região lombar, amarrar o umbigo no comprimento de 4-5 cm, cortar 1 cm abaixo da amarração e desinfetar com iodo glicerinado; Orientar os leitões nas mamadas dando atenção especial para os menores que devem ser colocados nas tetas dianteiras; Práticas dolorosas como o corte dos dentes e cauda dos leitões não devem ser realizadas durante a parição, mas após sua finalização . Medidas para evitar perdas na maternidade Assegurar um local quente (26º a 32ºC) e seco para os leitões, evitando o choque térmico do leitão e a conseqüente hipotermia dos recém nascidos; Habilidade para fazer o remanejo de leitões logo ao nascer, inclusive estimulando os leitões menores a consumir o colostro; Estimular o consumo de ração para as porcas com grandes leitegadas; Obter parições eficientes diminuindo o número de natimortos e melhorando a viabilidade dos recém nascidos (uma parição normal dura em geral 2h 30m); Cuidado especial deverá ser dado para as porcas velhas, pois tendem a ter maiores problemas com parições muito longas (acima de 4h). Prever uma supervisão intensiva do parto; Estimular mamadas regulares e suficientes; Cuidado com esmagamentos. Prevenção da agalaxia Observar a falta de apetite e empedramento do úbere; Observar o comportamento de leitões (inquietos e com perda de peso); Observar atentamente os corrimentos vaginais da porca, pela manhã e pela tarde durante 48h, através da abertura dos lábios vulvares; 42
  • 43.  Para todas as porcas é possível injetar uma dose de prostaglandina F2 α, 36 h após o parto para melhorar o esvaziamento uterino.  Castração e marcação dos leitões Os leitões devem ser castrados e marcados antes de completar os 12 dias de idade, seguindo os passosabaixo:  Preparar o bisturi, fio, desinfetante a base de iodo em um balde, alicate próprio ou brincador ou tatuador para marcação dos leitões;  Fechar os leitões no escamoteador para facilitar a captura dos mesmos.  Castração e marcação de leitões normais:a) Um auxiliar segura o leitão na tábua de castração ou o leitão é imobilizado usando equipamentoapropriado;b) Desinfetar a região do escroto com pano embebido no desinfetante:c) Realizar a castração fazendo um ou dois cortes sobre os testículos e retirá-los por tração;d) Desinfetar novamente o local da incisão e liberar o leitão;e) Realizar a marcação conforme tipo de marcador e desinfetar as orelhas dos leitões;Tabela. Valores críticos e metas na fase de maternidade.Indicador Valor Crítico(1) MetaNº leitões nascidos vivos/parto <10,0 >10,8Peso médio dos leitões ao nascer (kg) <1,4 >1,5Taxa de leitões nascidos mortos (%) >5,0 <3,0Taxa de mortalidade de leitões (%) >8,0 <7,0Leitões desmamados/parto <9,2 >10,0Média leitões desmamados/porca/ano <19,3 >23,0Ganho médio de peso diário dos leitões (g) <200 >250Peso dos leitões aos 21 dias (kg) <5,6 >6,7(1) Indica necessidade de identificar as causas e adotar medidas corretivas. Fonte: Fávero et al. (2009)Figura – Sistema de marcação australiana com o uso de alicate próprio.Fonte: Lima et al. (1995). 43
  • 44. AULA 3►CRECHE A saída da maternidade para a creche representa um choque para os leitões, pois deixam a companhiada porca e, em substituição ao leite materno, passam a se alimentar exclusivamente de ração. Por essarazão, os cuidados dedicados aos leitões, principalmente nos primeiros dias de creche, são importantes paraevitar perdas e queda no desempenho, em função de problemas alimentares e ambientais que, via de regra,resultam na ocorrência de diarréias.  Alojar os leitões na creche no dia do desmame, formando grupos de acordo com a idade e o sexo.  Fornecer suficiente espaço para os leitões, considerando o tipo de baia.  Manter a temperatura interna próxima de 26°C durante os primeiros 14 dias e próxima de 24°C até a saída dos leitões da creche, controlando através de termômetro.  Fornecer à vontade aos leitões, ração pré-inicial 2 do desmame até os 42 dias e ração inicial até a saída da creche, com peso médio mínimo dos leitões de 20 kg.  Fornecer ração diariamente, não deixando nos comedouros ração úmida, velha ou estragada.  O consumo diário de ração por leitão entre 5 e 10 kg de peso vivo é, em média, de 460 gramas Entre 10 e 20 kg de peso vivo deve ser estimulado o consumo de ração que em média é de 950 gramas por animal ao dia.  No caso de eventuais surtos de diarréia ou doença do edema, retirar imediatamente a ração do comedouro e iniciar um programa de fornecimento gradual de ração até controlar o problema. Buscar auxílio técnico se persistirem os sintomas.  Dispor de bebedouros de fácil acesso para os leitões, com altura, vazão e pressão corretamente regulados.  Vacinar os leitões na saída da creche de acordo com a recomendação do programa.  Monitorar cada sala de creche pelo menos 3 vezes pela manhã e 3 vezes pela tarde para observar as condições dos leitões, bebedouros, comedouros, ração e temperatura ambiente.  Limpar as salas de creche, diariamente, com pá e vassoura.  Lavar as salas de creche com baias suspensas, esguichando água, com lava jato de alta pressão e baixa vazão, no mínimo a cada 3 dias no inverno e a cada 2 dias nas demais estações do ano.  Implementar ações corretivas com a maior brevidade possível quando for constatada qualquer irregularidade, especialmente problemas sanitários.  Pesar e transferir para as baias de crescimento os leitões com idade entre 63 e 70 dias.Tabela . Valores críticos e metas na fase de creche. Indicador Valor Crítico(1) Meta Taxa de mortalidade de leitões (%) >2,5 <1,5 Conversão alimentar (kg ração/kg de ganho) >2,2 <2,0 Peso médio de referência dos leitões na creche (kg) Aos 56 dias <18,5 >20,0 Aos 58 dias <19,5 >21,0 Aos 60 dias <20,5 >22,0 Aos 63 dias <22,0 >23,5 Aos 70 dias <23,5 >26,0(1) Indica necessidade de identificar as causas e adotar medidas corretivas.Fonte: Fávero et al. (2009) 44
  • 45. AULA 4 CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO São as fases menos preocupantes dos suínos, desde que ao iniciarem as mesmas apresentem um peso compatível com a idade e boas condições sanitárias. Assim sendo, pode-se dizer que o sucesso nessas fases depende de um bom desempenho na maternidade e na creche.  Manejar as salas de crescimento e terminação segundo o sistema "todos dentro todos fora", ou seja, entrada e saída de lotes fechados de leitões.  Alojar os leitões nas baias de crescimento e terminação no dia da saída da creche, mantendo os mesmos grupos formados na creche ou refazer os lotes por tamanho e sexo.  Manter a temperatura das salas entre 16°C e 18°C, de acordo com a fase de desenvolvimento dos animais, controlando com o uso de termômetro.  Fornecer aos animais à vontade, ração de crescimento até os 50 kg de peso vivo e ração de terminação até o abate.  Dispor de bebedouros de fácil acesso para os animais, com altura, vazão e pressão corretamente regulados.  Monitorar cada sala de crescimento e terminação pelo menos 2 vezes pela manhã e 2 vezes pela tarde para observar as condições dos animais, bebedouros, comedouros, ração e temperatura ambiente.  Limpar as baias de crescimento e terminação diariamente com pá e vassoura.  Esvaziar e lavar semanalmente as calhas coletoras de dejetos, mantendo no fundo das mesmas, após a lavagem, uma lâmina de 5 cm de água, de preferência reciclada.  Implementar ações corretivas com a maior brevidade possível quando for constatada qualquer irregularidade, especialmente problemas sanitários.  Fazer a venda dos animais para o abate por lote, de acordo com o peso exigido pelo mercado.  Não deixar eventuais animais refugo nas instalações. Tabela . Valores críticos e metas nas fases de crescimento e terminação.Indicador Valor Crítico(1) MetaTaxa de mortalidade de animais (%) >1,0 <0,6Conversão alimentar >2,8 <2,6Peso médio de referência dos animais (kg)Aos 105 dias <50,0 >61,0Aos 133 dias <78,0 >83,0Aos 140 dias <85,0 >90,0Aos 147 dias <92,0 >97,0Aos 154 dias <98,0 >103,0 (1) Indica necessidade de identificar as causas e adotar medidas corretivas. Fonte: Fávero et al. (2009) 45
  • 46. SEMANA 6META:Apresentar noções de nutrição de suínos para serem aplicadas nos processos de formulação epreparo das rações.OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar classes de alimentos e tabelas que auxiliam na formulação de ração para suínos;  Aplicar os conceitos de nutrição de suínos nos cálculos empregados para formular uma ração balanceada para as diversas fases de vida do suíno.AULA 1►NOÇÕES DE NUTRIÇÃO DE SUÍNOS Avaliando a série histórica dos custos de produção de suínos no Brasil, em média, a alimentação nasgranjas estabilizadas e de ciclo completo corresponde a 65% do custo. Em épocas de crise na atividade ovalor atinge a cifra de 70 a 75%. Isto significa, por exemplo, que se a conversão alimentar de rebanho forde 3,1 e a alimentação representar 70% dos custos de produção, a equivalência mínima entre preços deveráser de 4,4 ( o preço do suíno deverá ser no mínimo 4,4 vezes superior ao preço da ração) para que oprodutor equilibre os custos de produção com o preço de venda dos animais. Neste aspecto a possibilidadede auferir lucros com a suinocultura depende fundamentalmente de um adequado planejamento daalimentação dos animais. Isso envolve a disponibilidade de ingredientes em quantidade e qualidadeadequada a preços que viabilizem a produção de suínos. A aplicação dos conhecimentos de nutrição deve contribuir para a preservação do ambiente e istosignifica que o balanceamento das rações deve atender estritamente as exigências nutricionais nasdiferentes fases de produção. O excesso de nutrientes nas rações é um dos maiores causadores de poluiçãodo ambiente, portanto, atenção especial deve ser dada aos ingredientes, buscando-se aqueles queapresentam alta digestibilidade e disponibilidade dos nutrientes e que sejam processados adequadamente,em especial quanto a granulometria. Em complementação a mistura dos componentes da ração deve seruniforme e o arraçoamento dos suínos deve seguir boas práticas que evitem ao máximo o desperdício. Através da nutrição e do manejo da alimentação e da água devem ser atendidas as necessidades básicasdos animais em termos de saciedade da fome e da sede, sem causar deficiências nutricionais clínicas ousubclínicas e sem provocar intoxicações crônicas ou agudas, aumentando a resistência às doenças. Osanimais não devem ser expostos, via alimentação e água, a produtos químicos ou agentes biológicos quesejam prejudiciais para a produção e reprodução. No contexto do bem estar animal, a nutrição deveassegurar o aporte adequado de nutrientes para a manutenção normal da gestação, para a ocorrência departos normais e para uma produção adequada de leite que garanta um desenvolvimento normal dos leitõesdurante o período de lactação.  Água O suíno deve receber água potável. Alguns parâmetros são importantes para assegurar a potabilidade e apalatabilidade da água: ausência de materiais flutuantes, óleos e graxas, gosto, odor, coliformes e metaispesados; pH entre 6,4 a 8,0; níveis máximos de 0,5 ppm de cloro livre, 110 ppm de dureza, 20 ppm denitrato, 0,1 ppm de fósforo, 600 ppm de cálcio, 25 ppm de ferro, 0,05 ppm de alumínio e 50 ppm de sódio;temperatura inferior a 20° C.  Ingredientes para rações Para compor uma ração balanceada é necessário a disponibilidade e combinação adequada deingredientes incluindo um núcleo ou premix mineral-vitamínico específico para a fase produtiva do suíno. Existem várias classes de alimentos quanto a concentração de nutrientes. De uma forma geral é possívelclassificar os ingredientes pelo teor de energia, proteína, fibra ou minerais presentes. São estes osprincipais fatores nutricionais que determinam o seu uso para as várias fases de vida do suíno. 46
  • 47. Alimentos essencialmente energéticos São os que apresentam em sua composição, baseada na matéria seca, mais de 90% de elementos básicosfornecedores de energia. São utilizados em pequenas proporções como o açúcar, gordura de aves, gordurabovina, melaço em pó, óleo de soja degomado ou bruto ou, em proporções maiores, como no caso da raizde mandioca integral seca.Alimentos energéticos também fornecedores de proteína São aqueles que possuem, geralmente, valor de energia metabolizável acima de 3.000 kcal/kg doalimento e, pela quantidade com que podem ser incluídos nas dietas, são também importantes fornecedoresde proteína. São exemplos: a quirera de arroz, a cevada em grão, o soro de leite seco, o grão de milhomoído, o sorgo baixo tanino, o trigo integral, o trigo mourisco, o triguilho e o triticale, entre outros.Alimentos energéticos com médio a alto teor de fibra Estes alimentos tem energia metabolizável acima de 2.600 kcal/kg e teor de fibra bruta acima de 6%.São exemplos: o farelo de arroz integral, o farelo de amendoim, a aveia integral moída, o farelo decastanha de caju, a cevada em grão com casca, a polpa de citrus, o farelo de coco, a torta de dendê, o grãode guandu cozido, a raspa de mandioca (de onde foi extraído o amido) e o milho em espiga com palha.Alimentos fibrosos com baixa concentração de energia e médio teor de proteína Possuem teor de proteína bruta maior que 17%, de fibra acima de 10% e concentração de energiametabolizável menor que 2.400 kcal/kg. São exemplos: o feno moído de alfafa, o farelo de algodão, ofarelo de babaçu, o farelo de canola e o farelo de girassol.Alimentos fibrosos com baixa concentração em proteína São os ingredientes que possuem teor de proteína abaixo de 17%, mais de 6% de fibra bruta e valormáximo de energia de 2400 kcal/kg de alimento. São exemplos: o farelo de algaroba, o farelo de arrozdesengordurado, o farelo de polpa de caju, a casca de soja e o farelo de trigo.Alimentos protéicos com alto teor de energia Os representantes dessa classe possuem mais de 36% de proteína bruta e valor de energia metabolizávelacima de 3.200 kcal por kg de alimento. São exemplos: o leite desnatado em pó, a levedura seca, o glútende milho, a farinha de penas e vísceras, a farinha de sangue, a soja cozida seca, a soja extrusada, o farelo desoja 42% PB, o farelo de soja 45% PB, o farelo de soja 48% PB e a soja integral tostada.Alimentos protéicos com alto teor de minerais A inclusão destes ingredientes em rações para suínos é limitada pela alta concentração de minerais queapresentam. São exemplos: as farinhas de carne e ossos com diferentes níveis de PB e a farinha de peixe.Alimentos exclusivamente fornecedores de minerais São fontes de cálcio, de fósforo, de cálcio e fósforo ao mesmo tempo e de sódio. Como exemplos maiscomuns temos o calcário calcítico, o fosfato bicálcico, o fosfato monoamônio, a farinha de ossos calcinada,a farinha de ostras e o sal comum.  Avaliação dos alimentos Os grãos de cereais e outras sementes variam sua composição em nutrientes principalmente em funçãoda variedade, tipo de solo onde foram produzidos, adubação utilizada, clima, período e condições dearmazenamento. As forrageiras apresentam variação principalmente com a variedade, a idade da planta,tipo de solo e adubação, clima, processamento (fenação, ensilagem), além de período e condições dearmazenamento. A principal causa de variação na composição dos subprodutos de indústria é o tipo deprocessamento utilizado, além de variações diárias dentro do mesmo tipo de processamento, bem como aconservação do produto. Desta forma, para viabilizar a formulação de rações com base em valores de nutrientes o mais próximopossível da realidade, deve-se lançar mão de análises de laboratório, que indicarão a real composição emnutrientes das matérias-primas disponíveis. 47
  • 48. Fonte: FÁVERO et al. Produção de suínos. Disponível em: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Suinos/SPSuinos/index.html. Acesso em 30 dez 2009.AULA 2►PREPARO DE RAÇÃO Para a maioria das fases, uma formulação adequada é obtida com a combinação dos alimentosenergéticos também fornecedores de proteína com alimentos protéicos com alto teor de energia. Acomplementação dos demais nutrientes deve ser feita com os alimentos exclusivamente energéticos,alimentos protéicos com alto teor de minerais e alimentos exclusivamente fornecedores de minerais. O usode aminoácidos sintéticos pode ser vantajoso na redução de custos da ração, necessitando, no entanto,orientaçãotécnicaespecífica. Sempre deverá ser feita a inclusão de premix vitamínico e de micro-minerais. O Núcleo é um tipoespecial de premix que já contém o cálcio, o fósforo e o sódio, além das vitaminas e micro-mineraisnecessários, por isso, na maioria das vezes, dispensa o uso dos alimentos exclusivamente fornecedores deminerais. Esses produtos devem ser utilizados dentro de 30 dias após a data de sua fabricação e sermantidos em lugares secos e frescos, de preferência em barricas que minimizem a ação da luz. O uso de promotores de crescimento nas rações deve atender a legislação do MAPA,bem como atender os seguintes critérios simultaneamente: eficiência do ponto de vistaeconômico; rastreabilidade na ração; segurança para a saúde humana e animal; ausência de efeitosnegativos sobre a qualidade da carne e compatibilidade com a preservação ambiental. Os leitões novos não admitem ingredientes de baixa digestibilidade ou alimentos fibrosos na dieta,enquanto um alto teor de fibra na dieta é adequado para as matrizes até os 80 dias de gestação. Os cuidados com o preparo das rações somam-se aos esforços de formular uma dieta contendoingredientes com composição e valor nutricional conhecidos e atendendo as exigências nutricionais dossuínos. Qualquer erro em uma ou mais etapas do processo de produção de rações pode acarretar emprejuízos econômicos expressivos, já que os gastos com a alimentação correspondem à maior parte docusto de produção dos suínos.►Formulação das rações Usar fórmulas específicas para cada fase da criação (pré-inicial, inicial, crescimento, terminação,gestação e lactação) elaboradas por técnicos especializados ou que sejam indicadas nos rótulos dos sacosde concentrados e núcleos. Ler com atenção as indicações dos produtos e seguir rigorosamente suasrecomendações.Para atender as necessidades diárias de nutrientes de cachaços adultos, a dieta deve conter no mínimo osmesmos níveis nutricionais de uma dieta de gestação (Tabela 14). As matrizes em gestação recebem arraçoamento de forma controlada, razão pela qual é possívelpreparar uma ampla variedade de rações com níveis nutricionais diferenciados. Também podem serusados ingredientes fibrosos (alternativos) para alimentar as matrizes em gestação, devendo nesse caso serrevista a quantidade de ração diária a ser fornecida. A ração de lactação deve ter alta concentração em nutrientes porque a demanda em nutrientes para aprodução de leite é muito alta. A alimentação dos leitões durante o período que ficam na maternidade e na creche é um dos fatoresmais críticos na produção de suínos. Os animais recebem em curto período de vida dois a três tipos deração, dependendo da idade de desmame. No desmame realizado aos 21 dias de idade podem serfornecidos dois tipos de ração pré inicial que são fundamentais para um bom desempenho e que sediferenciam em termos de qualidade, pela maior digestibilidade dos ingredientes. Para a formulação daração pré-inicial 1 recomenda-se o uso de 15 a 20% de soro de leite em pó, 10% de leite desnatado em pó e3 a 5% de gordura ou óleo. Caso tenha disponível farinha de carne ou farinha de peixe de boa qualidade,pode-se utilizar 5% na dieta em substituição ao leite desnatado em pó. 48
  • 49. A ração pré-inicial 2 pode ser preparada com a inclusão de 10% de soro de leite em pó e 1 a 3% degordura ou óleo para junto com o milho, farelo de soja (em limite de inclusão de 12%) e núcleo de boaqualidade para compor uma ração nutricionalmente adequada para esta fase. A ração pré inicial 2 deve serpreparada com cuidado especial para evitar os problemas digestivos e as diarréias do pós desmame. Isto épossível com o uso de ingredientes e núcleos dentro das normas de qualidade. O cuidado na escolha de umnúcleo de comprovada qualidade é de fundamental importância para obter sucesso na produção de leitõesnesta fase. Na fase inicial deve-se formular as dietas tendo como ingredientes base preferencialmente o milho e ofarelo de soja, porém, já é possível a utilização de ingredientes alternativos como por exemplo cereais deinverno (trigo, triticale, aveia, entre outros), subprodutos do arroz, mandioca e seus subprodutos, porém emníveis de inclusão baixos. Se houver dificuldade de formular as rações pré-inicial e inicial, contendo os ingredientes especificadosem cada uma delas, a solução é a aquisição de ração comercial pronta específica para cada fase, sempre defornecedores idôneos e que tenham registro no MAPA para a produção e comercialização de rações. Aexperiência de outros produtores da região que alcançaram sucesso com a produção de leitões pode serimportante para identificar os fornecedores e fabricantes de rações idôneos. As opções de dietas para suínos na fase de crescimento (22 a 55 kg de peso vivo) e terminação (55 a115 kg de peso vivo) são muito variadas. Nestas fases, pode-se lançar mão de inúmeros alimentosalternativos, os quais poderão proporcionar uma redução no custo da alimentação, em relação à uma dietade milho e farelo de soja. Recomenda-se que o número de rações na fase de terminação seja aumentado de 1 para 2 sempre que opeso de abate for próximo a 120 kg. Neste caso a ração terminação 1 será fornecida dos 50 até os 80 kgcontendo os níveis nutricionais apresentados na tabela 13 e a ração terminação 2 será fornecida dos 80 kgaté o peso de abate contendo uma redução de 8% nos níveis nutricionais da ração terminação 1 exceto parao nível de energia metabolizável que deverá apresentar um valor de 3.200 Kcal/kg. FÁVERO et al. Produção de suínos. Disponível em: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Suinos/SPSuinos/index.html Acesso em 14 setembro 2011. 49
  • 50. Tabela. Níveis nutricionais recomendados para as diferentes fases de produção .Fonte: Rostagno et al. (2005)Obs: Os microminerais e as vitaminas necessárias são obtidas pela inclusão de núcleo ou premix mineralvitamínico na proporção recomendada pelo fabricante.Tabela . Composição química e valores energéticos dos principais alimentos usados nas rações de aves esuínos (na matéria natural)Fonte: Rostagno et al. (2005) 50
  • 51. Fonte: Rostagno et al. (2005)Tabela : Nível Prático (Pr) e Máximo (Máx) de inclusão dos alimentos nas rações de suínos emcrescimento e reprodutores ( porcentagem da ração)Fonte: Rostagno et al. (2005) 51
  • 52. CONTINUAÇÃO TABELA: Nível Prático (Pr) e Máximo (Máx) de inclusão dos alimentos nas rações desuínos em crescimento e reprodutores ( porcentagem da ração)Fonte: Rostagno et al. (2005) 52
  • 53. EXEMPLO HIPÓTÉTICO DE CÁLCULOS PARA FORMULAÇÃO DE RAÇÕES PELO MÉTODO ALGÉBRICO1) Ração para LEITÕES – FASE INICIAL – 15 a 30 kg de peso vivo2) Exigência em proteína bruta (PB) = 18,13 %3) Fórmula da ração Ingredientes % PB do ingrediente Quantidade (kg) % PB fornecida Milho moído 8,26 46,71 3,86 Farelo de soja 45,3 28,80 13,05 Óleo de soja X 1,000 X Leite em pó modificado 12,05 10,000 1,21 Amido de mandioca X 10,000 Calcário calcítico X 0,470 X Fosfato bicálcio X 2,200 X Premix mineral vitamínico X 0,500 X aminoácidico Sal iodado X 0,330 X TOTAL 100,00 18,124) Calcular quantidade de fosfato bicálcio100 kg de fosfato bicálcio ------------- 18,5 % fósforo disponível X kg de fosfato bicálcio ------------ 0,400% fósforo disponívelX = 0,341 x 100 = 2,2 kg de fosfato bicálcio 18,55) Calcular quantidade de cálcio fornecida pelo fosfato bicálcio100 kg de fosfato bicálcio ------------- 24,5 % fósforo disponível2,2 kg de fosfato bicálcio ------------- X % de cálcioX = 1,8 x 24,5 = 0,54 % de cálcio 1006) Calcular quantidade de calcáreo calcítico0,72% de Ca (exigência) - 0,54 % de Ca (fornecido pelo fosfato bicálcio)= 0,18 % Ca100 kg de calcáreo calcítico ------------- 38,4 % cálcioX kg de calcáreo calcítico ------------- 0,18 % de cálcioX = 0,18 x 100 = 0,47 kg de calcáreo calcítico 38,47) Parte fixa (kg) = 1,00 + 10,0 + 10,0 + 0,47 + 2,2 + 0,5 + 0,33 = 24,50 kg8) QUANTIDADE DE PROTEÍNA BRUTA FORNECIDA PELO LEITE EM PÓ100 kg de leite em pó modificado ------------- 12,05% PB10 kg de leite em pó modificado ------------- XX = 10 ,00 X 12,05 = 1, 21 % PB 1009) Parte de milho moído + farelo de soja = 100,00 kg – 24,50 kg = 75,50 kg 53
  • 54. 10) X = milho moído; Y = farelo de soja.X + Y = 75,50 kg (equação da quantidade)0,0826 X + 0,453 Y = 16,92 % (equação da proteína bruta)16,92% = 18,13% (exig. PB) – 1,21%( % PB fornecido pelo leite em pó)11) Isolar variável Y ; Y = 75,50 – X12) Substituir Y na equação da proteína para encontrar valor de X (quantidade de milho moído)0,0826X + 0,453 (75,50 - X) =0,0826X + 34,20 – 0,453X =0,0826X – 0,453X = 16,92 – 34,20- 0,370X = - 17,28 (multiplicar por – 1)0,370X= 17,28X = 17,28 = 46,71kg de milho moído 0,370 Se Y = 88,07 – X , portanto Y = 75,50 – 46,71 = 28,80 kg de farelo de soja13) CÁLCULOS PARA DETERMINAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CALCULADA:PROTEÍNA BRUTA (%) = 18,10 % Milho = (46,19 kg x 8, 26%) / 100 = 3,82 % Farelo de soja = (28,80 x 45,3%) / 100 = 13,05% Leite m pó modificado = (10,00 x 12,05%) / 100 = 1,21%CÁLCIO (%) = 0,88 % ************ Milho = (46,19 kg x 0,03%) / 100 = 0,01 % Farelo de soja = (28,80 kg x 0,24%) / 100 = 0,07 % Leite em pó modificado = (10,00 x 0,75%) = 0,08% Calcáreo calcítico = (0,47 kg x 38,4%) / 100 = 0,18% Fosfato bicálcio = (2,20 kg x 24,5%) / 100 = 0,54 %ENERGIA METABOLIZÁVEL (kcal/kg) = 2984 kcal/kg Milho = (46,19 kg x 3381 kcal / kg) / 100 = 1.562 kcal/kg Farelo de soja = (28,80 kg x 2256 kcal/kg) / 100 = 650 kcal/kg Leite em pó modificado = (10,00 x 3322 kcal/kg )/ 100 = 332 kcal/kg Óleo de soja = (1,00 kg x 8790 kcal / kg) / 100 = 88 kcal/kg Amido de mandioca = (10,00 x 3520 kcal/kg) / 100 = 352 kcal / kgFÓSFORO DISPONÍVEL (%) = 0,56% ********************** Milho = (46,19 kg x 0,06%) / 100 = 0,03 % Farelo de soja = (28,80 kg x 0,18%) / 100 = 0,05 % Leite em pó modificado = (10,00 x 0,68%) / 100 = 0,07% Fosfato bicálcio = (2,20 kgx 18,5%) / 100 = 0,41 %Composição calculada:Proteína bruta (%) = 18,10 % (exigência = 18,13%)Cálcio (%) = 0,880 % (exigência = 0,720 %) CORRIGIREnergia metabolizável (kcal/kg) = 2984 kcal / kg (exigência = 3230 kcal / kg) CORRIGIRFósforo disponível (%) = 0,560 % (exigência = 0,400 %) CORRIGIRPesagem dos ingredientes 54
  • 55. Pesar cada ingrediente que entra na composição da dieta conforme a quantidade que entra na fórmula. Ouso de balanças é indispensável. Além disso, as balanças devem apresentar boa precisão e sensibilidade,evitando-se o uso de balanças de vara. A utilização de baldes ou outro sistema para medir o volume, emvez do peso, não deve acontecer pois há erros decorrentes da variação nas densidades de diferentesingredientes ou de diferentes partidas de um mesmo ingrediente.  Mistura dos ingredientes Misturar previamente o premix ou o núcleo contendo minerais e vitaminas, antibióticos e outrosaditivos com cerca de 15 kg de milho moído, ou outro grão moído, antes de adicioná-lo aos outrosingredientes que farão parte da mistura. Essa pré-mistura pode ser realizada em misturador em "Y", tamborou ainda com o uso de um saco plástico resistente, agitando-se o conteúdo vigorosamente durante algumtempo até notar-se que as partes apresentam-se distribuídas com certa homogeneidade. Para misturar os ingredientes usar misturadores. A mistura de ração com o uso das mãos ou com pásnão proporciona uma distribuição uniforme de todos os nutrientes da ração, ocasionando prejuízos aoprodutor devido ao pior desempenho dos animais. Para facilitar a distribuição dos ingredientes, coloca-seno misturador em funcionamento, primeiro o milho moído, ou o ingrediente de maior quantidade indicadona fórmula, depois o segundo ingrediente em quantidade e assim sucessivamente. Após aproximadamente3 minutos de funcionamento do misturador, retirar cerca de 40 kg da mistura e reservar. A seguir colocarno misturador o premix ou núcleo previamente misturado com o milho e misturar por mais 3 minutos.Finalmente, recolocar os 40 kg da mistura retirados anteriormente e observar o tempo de mistura. Omisturador deve ser sempre limpo após o uso, tomando-se toda a cautela para evitar acidentes.  Tempo de mistura O tempo de mistura, após colocar todos os ingredientes, deve ser o indicado pelo fabricante domisturador. Entretanto, é recomendável que se determine, pelo menos uma vez, o tempo de mistura nagranja para se ter uma idéia de qual é o tempo ideal. Em geral, o tempo ideal de mistura, em misturadoresverticais, é de 12 a 15 minutos, após carregá-lo com todos os ingredientes. Porém, há misturadoresverticais que apresentam tempo ótimo de mistura de 3 minutos e outros de 19 minutos. Daí a necessidadede se determinar o tempo ideal de mistura. Misturas realizadas abaixo ou acima da faixa ideal de temponão são de boa qualidade, uma mesma partida terá diferentes quantidades de nutrientes, o que acarretarádesuniformidade dos lotes e perdas econômicas para o produtor. As misturas realizadas acima do tempoideal acarretam gastos desnecessários com energia e mão de obra. Aconselha-se que a cada 3 minutos seja retirada e recolocada imediatamente no misturador umaquantidade de ração, de cerca de 30 kg. Isso fará com que o material que estava parado nas bocas dedescarga seja também misturado.  Forma física da ração As rações secas destinadas a alimentação de suínos podem ser apresentadas sob duas formas: fareladaou peletizada. A forma farelada é a mais usual e é usada nas granjas que misturam as rações napropriedade, enquanto que a forma peletizada deve ser a preferencial a ser adotada quando a ração éadquirida pronta. Com a peletização é observada uma melhoria média em 6,2% no ganho de peso, 1,2% noconsumo de ração e 4,9% na conversão alimentar. O efeito da peletização sobre a melhora na conversãoalimentar que ocorre sob 3 diferentes modos: redução das perdas; melhora na digestibilidade dos nutrientese menor gasto de energia para ingestão da ração. 55
  • 56. SEMANA 7META:Apresentar aspectos relacionados a biossegurança, limpeza e desinfecção das instalações e vacinaçãopara suínos ;OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar normas e procedimentos de biossegurança para evitar a entrada de agentes estranhos na criação de suínos;  Relacionar as principais etapas de um programa de limpeza a serem utilizadas de acordo com as instalações e equipamentos utilizadas na produção de suínos;  Reconhecer os cuidados a serem aplicados na adoção de um programa de vacinação.AULA 1►BIOSSEGURANÇA Refere-se ao conjunto de normas e procedimentos destinados a evitar a entrada de agentes infecciosos(vírus, bactérias, fungos e parasitas) no rebanho, bem como controlar sua disseminação entre os diferentessetores ou grupos de animais dentro do sistema de produção.  Isolamento Do ponto de vista sanitário é indispensável que o sistema de produção esteja o mais isolado possível,principalmente de outros criatórios ou aglomerados de suínos, de maneira a evitar ao máximo a propagaçãode doenças.  Localização da granja Escolher um local que esteja distante em pelo menos 500m de qualquer outra criação ou abatedouro desuínos e pelo menos 100m de estradas por onde transitam caminhões com suínos. Isto é importante,principalmente, para prevenir a transmissão de agentes infecciosos por via aérea e através de vetores como:roedores, moscas, cães, gatos, aves e animais selvagens.  Acesso Não permitir o trânsito de pessoas e/ou veículos no local sem prévia autorização. Colocar placaindicativa da existência da granja no caminho de acesso e no portão a indicação "Entrada Proibida". Agranja deve ser cercada e a entrada de veículos deve ser proibida, exceto para reformas da granja, e nestescasos os veículos devem ser desinfetados com produto não corrosivo.  Portaria Utilizar a portaria como único local de acesso de pessoas à granja. Construir a portaria, com escritório ebanheiro junto à cerca que contorna a granja, numa posição que permita controlar a circulação de pessoas eveículos. O banheiro deve possuir uma área suja, chuveiro e uma área limpa, onde devem ficar as roupas ebotas da granja, para que o fluxo entre as áreas seja possível apenas pelo chuveiro. Dependendo dotamanho da granja torna-se necessário a construção de uma cantina, anexo a portaria, para refeições dosfuncionários.  Cercas Cercar a área que abriga a granja, com tela de pelo menos 1,5 metros de altura para evitar o livre acessode pessoas, veículos e outros animais. Essa cerca deve estar afastada a pelo menos 20 ou 30 metros dasinstalações. 56
  • 57.  Barreira vegetal Fazer um cinturão verde (reflorestamento ou mata nativa), a partir da cerca de isolamento, com umalargura de aproximadamente 50 m. Podem ser utilizadas espécies de crescimento rápido (pinus oueucaliptos) plantadas em linhas desencontradas formando um quebra-vento.  Introdução de equipamentos Avaliar previamente qualquer produto ou equipamento que necessite ser introduzido na granja, emrelação a possível presença de agentes contaminantes. Em caso de suspeita de riscos de contaminação,proceder uma desinfecção antes de ser introduzido na granja. Para isso deve-se construír um sistema defumigação junto à portaria.  Entrada de pessoas Os funcionários devem tomar banho e trocar a roupa todos os dias na entrada da granja, e seremesclarecidos sobre os princípios de controle de doenças para não visitarem outras criações de suínos. Restringir ao máximo as visitas ao sistema de produção. Não permitir que pessoas entrem na granjaantes de transcorrer um período mínimo de 24 horas após visitarem outros rebanhos suínos, abatedouros oulaboratórios. Exigir banho e troca de roupas e manter um livro de registro de visita, informando nome,endereço, objetivo da visita e data em que visitou a última criação, abatedouro ou laboratórios.  Veículos Os veículos utilizados dentro da granja (ex.: tratores) devem ser exclusivos. Os caminhões de transportede ração, insumos e animais não podem ter acesso ao complexo interno da granja, sendo proibida a entradade motoristas. Para evitar a entrada de veículos para transporte de dejetos, o sistema de tratamento earmazenamento dos dejetos deve ser construído externamente à cerca de isolamento.  Embarcadouro/desembarcadouro de suínos Deve ser construído junto a cerca de isolamento a pelo menos 20 m das pocilgas. O deslocamento dossuínos entre as instalações, e das instalações até o embarcadouro (e vice-versa) deve ser feito porcorredores de manejo.  Transporte de animais O transporte de animais deve ser feito em veículos apropriados, preferencialmente de uso exclusivo. Oscaminhões devem ser lavados e desinfetados após cada desembarque de animais.  Transporte de rações e insumos O transporte de insumos e rações deve ser feito com caminhões específicos, preferencialmente do tipograneleiro. Não usar caminhões que transportam suínos. O descarregamento de rações ou insumos deve serfeito sem entrar no perímetro interno da granja. Caso exista fábrica de rações, esta deve estar localizadajunto a cerca de isolamento. Sempre que os silos forem esvaziados devem ser limpos e desinfetados.  Introdução de animais na granja Os cuidados na introdução de animais no sistema de produção representam, juntamente com oisolamento, as barreiras mais importantes para a prevenção do surgimento de problemas de ordem sanitáriano rebanho. A introdução de uma doença no rebanho geralmente ocorre por meio da introdução de animaisportadores sadios, no processo normal de reposição do plantel. Portanto, deve-se ter cuidados especiais naaquisição desses animais.  Origem dos animais Adquirir animais e sêmen, para formação do plantel e para reposição somente de granjas comCertificado GRSC (Granja de Reprodutores Suídeos Certificada), conforme legislação (InstruçãoNormativa 19 de 15 de fevereiro de 2002) da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério daAgricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que define que toda granja de suídeos certificada deveráser livre de peste suína clássica, doença de Aujeszky, brucelose, tuberculose, sarna e livre ou controladapara leptospirose. Define, também as doenças de certificação opcional que são: rinite atrófica progressiva, 57
  • 58. pneumonia micoplásmica, e disenteria suína. Na compra de animais para povoamento ou reposição doplantel, exigir do fornecedor cópia do Certificado de granja GRSC e verificar a data de validade domesmo. Preferencialmente, adquirir animais procedentes de uma única origem sempre no sentido granja núcleo→ multiplicadora → granja comercial. A aquisição de animais de mais de uma origem aumenta as chancesde introdução de novos problemas sanitários.  Quarentena O objetivo da quarentena é evitar a introdução de agentes patogênicos na granja. É realizada através dapermanência dos animais em instalação segregada por um período de pelo menos 28 dias antes deintroduzi-los no rebanho. O ideal é que a instalação seja longe (mínimo de 500 m) do sistema de produçãoe separada por barreira física (vegetal). Como a forma mais comum de entrada de doenças nas granjas éatravés de animais portadores assintomáticos, este período serve para realização de exames laboratoriais etambém para o acompanhamento clínico no caso de incubação de alguma doença. Durante a quarentena osanimais e as instalações devem ser submetidos a tratamento contra ecto e endo parasitas, independente doresultado dos exames. Este período pode ser distendido no caso de necessidade de vacinação ou por outromotivo específico. As instalações do quarentenário devem permitir limpeza, desinfecção e vazio sanitário entre os lotes,mantendo equipamentos e, quando possível, funcionários exclusivos.►Adaptação Este período serve para adaptar os animais ao novo sistema de manejo e a microbiota da granja. A faltade imunidade contra os agentes presentes na granja pode levar os animais a adoecerem. A primeiraprovidência é abrir uma ficha de controle dos procedimentos de adaptação, vacinação e anotação de ciopara cada lote de fêmeas. Após, introduzir os animais no galpão de reposição e adotar os procedimentospara adaptação aos microorganismos do rebanho geralmente a partir de 5,5 a 6,0 meses de idade.  Adaptação dos animais aos microorganismos Colocar uma ou duas pás de fezes de porcas pluríparas por dia, em cada baia, durante 20 diasconsecutivos. Colocar fetos mumificados (pretos) nas baias das leitoas até 15 dias antes de iniciaram a fasede cobrição. Iniciar a imunização dos animais logo após sua acomodação na granja.  Espaço de alojamento Propiciar espaço mínimo de 2 m2 por animal, alojando as leitoas em baias com 6 a 10 animais. Alojaros machos recém chegados na granja em baias individuais com espaço mínimo de 6 m2.  Controle de Vetores A transmissão de doenças por vetores como roedores, moscas, pássaros e mamíferos silvestres edomésticos deve ser evitada ao máximo. Entre as medidas gerais de controle estão: a cerca de isolamento;destino adequado do lixo, dos animais mortos, de restos de parição e de dejetos; a limpeza e organizaçãoda fábrica e depósito de rações e insumos e dos galpões e arredores.  Roedores O primeiro passo para evitar roedores é criar um ambiente impróprio para a proliferação dos mesmos,ou seja, limpeza e organização, eliminando os resíduos e acondicionando bem a ração e os ingredientes. Ocombate direto pode ser realizado através de meios mecânicos como a utilização de armadilhas e ratoeirasou através de produtos químicos (raticidas), os quais devem ser empregados com cuidado (dispositivosapropriados) para evitar intoxicação dos animais e operadores. Esta desratização deve ser repetida a cadaseis meses para evitar a superpopulação de roedores.  Insetos Para o controle de moscas, recomenda-se o "controle integrado" que envolve medidas mecânicasdirecionadas ao destino e tratamento de dejetos, o qual deve ser realizado permanentemente, somado aocontrole químico ou biológico que eliminam o inseto em alguma fase do seu ciclo de vida. Sempre que 58
  • 59. houver aumento da população de insetos na granja, em especial de moscas, deve-se procurar e eliminar osfocos de procriação.  Destino de animais mortos Todo sistema de produção acumula carcaças de animais mortos e restos de placentas, abortos, umbigose testículos que precisam ter um destino adequado, para evitar a transmissão de agentes patogênicos, aatração de outros animais, a proliferação de moscas, a contaminação ambiental e o mau cheiro, além depreservar a saúde pública. A quantidade destes resíduos depende do tamanho da criação e da sua taxa demortalidade, portanto, deve ser estimada individualmente, para cada rebanho. Existem várias formas de destino para este material como:a) a compostagem que é um método eficiente, resultado da ação de bactérias termofílicas aeróbias sobrecomponentes orgânicos (carcaças e restos) misturados a componentes ricos em carbono(maravalha,serragem ou palha), portanto, a mais recomendada;b) a fossa anaeróbia que apresenta problemas de operacionalização e odor forte ec) a incineração, que é sanitariamente adequado, mas com alto custo ambiental e custo financeiroincompatível com a suinocultura.AULA 2►LIMPEZA E DESINFECÇÃO EM SUINOCULTURA Uma limpeza diária e completa é necessária para reduzir a probabilidade da ocorrência e infecçõesgastrointestinais, da pele e de verminoses, entre outras. A falha nesse tipo de manejo na maternidade poderesultar num aumento da probabilidade da ocorrência de infecções em leitões recém-nascidos e constantereinfecção em animais mais velhos, resultando em perda de leitões e num maior gasto com medicamentoscurativos e com mão-de-obra. Efeito semelhante é observado em outras faixas etárias, nessas a falta de uma limpeza diária conduz aum aumento na incidência de doenças clínicas e subclínicas. Essas têm como resultado uma pior conversãoalimentar, queda no ganho de peso e aumento no número de refugos e, por conseqüência prejuízoseconômicos. As principais etapas de um programa de limpeza em instalações que estejam ocupadas com animais sãoas seguintes:  Maternidade Iniciar a limpeza das celas parideiras retirando as fezes e a parte úmida da cama dos leitões. A lavagem da cela com água e a sua posterior desinfecção (neste caso, a desinfecção é feita mesmo comos animais presentes na instalação) pode ser feita quando houver necessidade como por exemplo napresença da diarréia dos leitões. Quando for realizado essa forma de lavagem, para evitar que os leitõessejam molhados, deve-se colocá-los numa caixa com uma fonte de calor, ou mantê-los presos noescamoteador. A solução do desinfetante a ser usada deve ser de baixa toxicidade e não irritante e aplicadapor meio de um pulverizador. Uma vez aplicada a solução, deixa-se secar o ambiente e coloca-se a cama,para posteriormente soltar os leitões.  Outras instalações As demais instalações devem sofrer diariamente uma limpeza completa com vassoura e pá, retirando-seo esterco. Naquelas que tiverem cama, trocar apenas a parte úmida.  Limpeza e desinfecção após a saída dos animais da instalação As principais etapas de um programa de limpeza e desinfecção para construções de ondeforam retirados todos os animais são as seguintes: 59
  • 60.  Limpeza seca e desmontagem do equipamento A limpeza deve ser feita no mesmo dia da retirada dos animais na seguinte seqüência:  após a saída dos animais das instalações, retirar os equipamentos desmontáveis (como comedouros e lâmpadas de aquecimento) para um lugar onde possam ser lavados e guardados, de tal forma que não sofram contaminação;  retirar e queimar materiais remanescentes nas salas (como sacos de ração, restos de cordão utilizados para amarrar umbigo, algodão , toalhas de papel, etc.);  retirar todo o esterco e qualquer outra matéria orgânica das instalações, incluindo o que estiver incrustado no piso. Utilizar, para tal, ferramentas como escovas e pás.  Lavagem da instalação Esta operação deve ser executada até, no máximo, um dia após a retirada dos animais naseguinte seqüência:  molhar todas as superfícies internas, adicionando um detergente à água.  Adicionando um detergente à água assegura-se um máximo de impregnação e limpeza sendo que o volume de água a ser usado e o tempo necessário para a limpeza pode ser reduzido em até 60%. Por outro lado adicionando ao mesmo tempo um detergente e um desinfetante, pode-se inativar durante essa pré-lavagem até 80% dos microorganismos causadores de doenças. Em instalações com baias metálicas, utilizar produtos com baixa corrosividade.  o tempo necessário para amolecer a sujeira mais dura presa sobre o piso ou partes baixas das paredes varia com a freqüência da limpeza diária da instalação. Em geral, na maternidade e creche, onde na maioria das granjas é realizada uma limpeza diária não se observa muita sujeira sobre o piso e equipamentos após a retirada dos animais. Neste caso, o tempo necessário para amolecer a sujeira é de aproximadamente três horas. Já nas baias das fases de recria e terminação, onde a freqüência das limpezas geralmente não é diária, a quantidade de sujeira presente após a retirada dos animais é bastante grande e, por isto, o tempo necessário para amolecer a sujeira acumulada varia de doze a dezesseis horas;  após esse período, passar a vassoura e lavar com água;  trabalhar de uma extremidade da instalação até a outra. Prestar atenção principalmente aos cantos, rachaduras e outros lugares onde a sujeira possa estar aderida.  Limpeza do equipamento móvel Os equipamentos móveis, em geral, se apresentam altamente contaminados. No caso de não seremlavados com detergente e posteriormente desinfetados, poderão tornar-se veiculadores de agentespatogênicos. A lavagem do equipamento pode ser efetuada durante o período de impregnação, e devendo-se procederda seguinte forma:  molhar ou colocar o equipamento num tanque com água, detergente e desinfetante;  deixar impregnar, para amolecer a sujeira incrustada;  escovar e lavar com água sob pressão, para retirar o restante da sujeira residual;  guardar o equipamento num lugar limpo, protegido da poeira normal da granja, para evitar o risco de nova contaminação;  permitir aos equipamentos que sequem por um dia. Essa limpeza deve ser feita num local limpo e onde haja um fácil escoamento da água.  Desinfecção das partes inferiores das paredes, pisos e equipamentos Grande número de microorganismos patogênicos passam através das fezes para o piso e para as partesinferiores das paredes. A desinfecção nessas áreas deve seguir a seguinte seqüência:  preparar a solução do desinfetante a ser usado;  montar os equipamentos que estejam desmontados;  impregnar completamente com a solução desinfetante as regiões inferiores das paredes, o piso e o equipamento em geral. Prestar especial atenção aos cantos, aberturas e demais locais onde a sujeira tende a se acumular;  as superfícies de madeira e outras áreas porosas devem ser impregnadas totalmente,  pois essas abrigam agentes infecciosos com maior facilidade; 60
  • 61.  desinfetar a área de acesso à instalação.  Manter a sala tratada fechada, mantendo-a assim por 24 horas;  limpar e trocar o desinfetante dos pedilúvios colocados na entrada das instalações.  Desinfecção do teto e das paredes A presença de organismos patogênicos no teto e nas partes superiores das paredes representa umaimportante fonte de infecção para os animais que serão introduzidos nas instalações. A poeira que cobreessas superfícies representa um risco especial, pois na mesma são encontrados altas concentrações demicroorganismos. Para diminuir a carga infecciosa nessas áreas, deve-se proceder da seguinte forma:  utilizar um desinfetante de largo espectro, que mantenha sua atividade em presença de matéria orgânica;  pulverizar, com uso de pressão, as superfícies internas do teto e das paredes laterais;  prestar atenção especial aos cantos, rachaduras nas superfícies que estão sendo tratadas e canos onde possa estar acumulada poeira.  Limpeza da creche Durante o seu período de ocupação, os corredores e a área abaixo das gaiolas de crechesdevem ser limpos com água sob pressão duas ou três vezes por semana. No caso de crechesem baias com piso compacto, estas devem ser varridas diariamente com auxílio de rodo metálico evassoura e os resíduos devem ser empurrados para dentro da canaleta de dejetos ou para a vala existenteabaixo do piso ripado. Quando os leitões são retirados da sala, as paredes, gaiolas ou baias, piso, parteinterna dos telhados e equipamentos são lavados com água sob pressão e todo o ambiente é desinfetado.Pode-se ainda lançar-se mão da caiação com complemento deste processo. A seguir as instalações devempermanecer vazias e fechadas por um período mínimo de 72 horas, para uma perfeita secagem e atuação dodesinfetante.  Setor de reprodução O setor de reprodução é praticamente o único local que jamais passa por um vazio sanitário. Devido aisto pode haver uma proliferação significativa de microorganismos, portanto do ponto de vista da higienedevem ser tomadas o máximo de precauções para evitar uma contaminação externa e/ou interna do tratogenital tanto da fêmea como do macho.  Baia dos cachaços Os cachaços devem ser mantidos em um meio ambiente limpo e confortável. As baias devem serlimpadas uma a duas vezes diariamente com pá e vassoura. Quando se utiliza maravalha a parte úmidadeve ser retirada. Uma vez por semana, logo após a limpeza, a baia deve ser pulverizada com solução dedesinfetante. Uma vez por mês ou no máximo a cada 45 dias as baias devem ser lavadas e desinfetadas. Nestaocasião deve-se dar um banho nos cachaços com água morna e sabão e, pode-se realizar a lavagemprepucial com o produto indicado pelo técnico.  Setor de coberturas (montas) Em muitos sistemas de produção de suínos iremos encontrar, na área de gestação e cobertura, uma baiachamada baia de cobertura/monta. Esta é assim chamada por ser o local onde todas as coberturas de rotinasão realizadas. As fêmeas identificadas em estro são levadas para esta baia e são cobertas por um cachaçoque também é transportado para esta baia. Após a cobertura, ambos animais retornam para suas respectivasbaias ou gaiolas. De um modo geral recomenda-se a utilização de algum tipo de material que servirá para cobrir o pisoda baia e propiciar ao cachaço e à fêmea ótimas condições de apoio, as quais são muito importantes paraque a monta ocorra da maneira mais apropriada. Os materiais normalmente utilizados são areia, palha oufeno e maravalha. Durante a realização das montas, é comum ocorrer a eliminação de urina e fezes pelos animais e,portanto, é muito importante que o material utilizado como cobertura do piso seja trocado rotineiramentepara que o ambiente da baia seja sempre o mais limpo possível. Este material não deve estar úmido de mais 61
  • 62. e nem conter excesso de matéria orgânica, a qual propicia uma alta pressão de infecção no ambiente dabaia. O momento mais apropriado para a troca da cobertura do piso da baia irá variar de um sistema deprodução para outro e vai depender basicamente do tipo de material em uso e do número de montasrealizado diariamente. O funcionário responsável pela área de cobertura e gestação, deverão estabelecer amelhor rotina de troca do material do piso da baia de cobertura. Uma recomendação de ordem geral, seria trocar o material do piso de duas a quatro vezes ao mês. Atroca deste material, deve seguir a seguinte ordem:1. retirada de todo o material do piso;2. lavagem da baia com água sob pressão mais detergente para uma retirada completa de toda matériaorgânica;3. desinfecção da baia após esta ter secado;4. colocação do novo material para cobertura do piso somente após o desinfetante ter secado e a baia terficado vazia pelo tempo mínimo necessário recomendado pelo fabricante para uma ação efetiva dodesinfetante.  Fêmeas recém cobertas e setor de gestação Uma limpeza e desinfecção completa deve ser realizada após a transferência de cada lote de fêmeas oupara o setor de gestação para a maternidade. As demais etapas de um PLD a serem praticas neste setordependem muito do modelo da edificação. Em granjas com piso compacto deve-se, duas vezes ao dia, retirar os excrementos da região posteriordas fêmeas enquanto que em granjas com piso ripado uma vez é por dia é suficiente. Quando as fêmeas emgestação são mantidas presas em celas individuais é deve-se, pelo menos uma vez por semana, pulverizarcom desinfetante a parte do piso na região posterior das porcas.  Setor de terminação Uma ou duas vezes por semana, os corredores são lavados. As baias devem ser varridas diariamentecom auxílio de rodo metálico e de vassoura, e os resíduos são empurrados para dentro da canaleta dedejetos ou para o interior da vala existente abaixo do piso ripado. Toda a vez que um lote de suínos sair das instalações, procede-se a remoção da matéria sólidaremanescente no interior das baias. A seguir, baias, paredes laterais e partes internas dos telhados sãolavados com água sob pressão e desinfetados, permanecendo em vazias e em descanso (vazio sanitário) porum período mínimo de 72 horas para uma perfeita secagem e atuação do desinfetante. A tabela 18apresenta as principais etapas de um programa de limpeza e desinfecção para granjas que utilizam osistema todos dentro – todos fora.  Vazio sanitário Atualmente considera-se como vazio sanitário o período em que a instalação permanece vazia e fechadaapós ser realizada uma limpeza seguida de desinfecção. Essa rotina é um complemento à desinfecção epermite a destruição de microorganismos não atingidos pela desinfecção, mas que se tornam sensíveis aação dos agentes físicos naturais. Além disso, o vazio sanitário permite a secagem das instalações e efetivaatuação da solução desinfetante. A prática do vazio sanitário somente será eficiente se for possível que olocal seja fechado, impedindo-se a passagem depessoas ou animais. O período de vazio sanitário para as diversas fases da produção (gestação, maternidade,creche, recria e terminação) deve, idealmente, ser de aproximadamente 5 dias. Nos casos dedepopulação total de uma granja, o vazio sanitário recomendado varia de 30 a 120 dias dependendo dostipos de agentes patogênicos presentes no ambiente e que se pretendam eliminar .  Limpeza dos silos de ração Uma limpeza periódica dos silos onde é armazenada a ração é indispensável, uma vez que podem seformar placas ou depósitos de raçãorançosa ou mofada nas suas paredes. Em geral é suficiente umalimpeza a seco. A ração colada na parede pode ser retirada com auxílio de uma vassoura de cabo longo, aqual deve ser passada em todas as paredes do silo a partir da parte mais alta. Se a ração estiver muitoaderida , pode-se utilizar um cabo de madeira suficientemente longo munido de uma lâmina de metal numadas pontas, tipo rodo metálico. 62
  • 63.  Limpeza e desinfecção dos arredores das construções O criador deve eliminar o lixo recolhido durante o processo de limpeza de forma adequada, para evitara formação de depósitos de detritos em locais adjacentes aos prédios da granja. Quando houver negligêncianesse manejo, poderá ser criado um foco permanente de infecção. A limpeza e a desinfecção dos arredores das construções deve ser feita da seguinte forma:  retirar a sujeira e o lixo existentes ou depositados junto aos prédios , eliminando-os  adequadamente (por exemplo, enterrando);  preparar uma solução de desinfetante e pulverizar essas áreas;  limpar e encher todos os pedilúvios existentes junto às construções.  Limpeza e desinfecção do sistema de fornecimento de água Os depósitos e os sistemas de fornecimento de água podem estar contaminados com poeira e pelaformação de limo. Esses, por sua vez, podem obstruir os encanamentos, favorecendo o crescimentobacteriano. O sistema de fornecimento de água pode ser limpo após a retirada dos animais das instalações, para taldeve-se proceder da seguinte forma com o depósito:  fechar a entrada de água e esvaziar;  limpar e lavar a caixa;  encher o depósito, fechar a entrada de água e adicionar um desinfetante;  após 12 horas deixar escoar a solução através de todo sistema de fornecimento de  água até esvaziar o depósito, desprezando a água com o desinfetante;  encher com água limpa e fresca. A limpeza e desinfecção do sistema de fornecimento de água deve ser realizada, no mínimo, uma vez acada seis meses.►Tratamento da água Constantemente, a água de beber dos animais atua como agente de transmissão e disseminação dedoenças em sistemas de produção de suínos. Para tratar a água existem vários métodos, entre eles se destaca a desinfecção. O desinfetante para usona água de bebida deve ser específico, atóxico, ter amplo espectro de ação, ter alguma atividade napresença de matéria orgânica. Em geral, o desinfetante mais empregado é o cloro porque:  age sobre os microorganismos;  tem uma ação residual ativa na água e uma ação continua depois de aplicado;  não é nocivo ao homem;  é de aplicação relativamente fácil;  é bem tolerado pela maior parte da população;  é econômico e facilmente encontrado Uma maneira prática de aplicar o cloro na caixa é através do uso de cloradores. Um clorador é simplesde ser construído e é basicamente uma mistura de cloro em pó (Hipoclorito de cálcio ou cal clorada [340g]e areia lavada [850g]). Essa mistura é colocada em uma embalagem plástica vazia (embalagem de águasanitária) de um litro. São feitas duas perfurações de 0,6 cm de diâmetro 10 cm abaixo do gargalo, para queo cloro possa sair. A função da areia é facilitar a liberação lenta do cloro para a água. É colocado na caixa d’água ou no poço com o auxílio de um fio de nylon que deve ficar amarrado emqualquer ponto de apoio. O clorador deve ficar dentro da água, mas próximo a superfície. Geralmente estamistura é suficiente para tratar 2000 litros de água. O clorador deve permanecer durante 30 dias. E depoisdeve ser trocado por uma nova mistura.►Utilização de banho para visitantes e funcionários É reconhecido o risco potencial da introdução de doenças pela compra de reprodutores contaminados,pelo contato com dejetos dos animais, através de veículos estranhos a criação e pelo contato com calçadoscontaminados com fezes. Com respeito à transmissão por roupas, pele e cabelo contaminados, asinformações são menos precisas. 63
  • 64. Em um estudo realizado na Inglaterra verificou – se que após um período de exposição de 20 minutosnuma criação de suínos, a concentração bacteriana no cabelos triplicou em comparação com aquelapresente em cabelos limpos e lavados. Esses resultados confirmam o risco da transferência microbiológicapor meio de seres humanos, certamente tais perigos estão presentes com o movimento de pessoas entreunidades com diferentes padrões sanitários. Por este motivo, a construção de instalações específicas comchuveiros e vestiários que permitam a rotina do banho e da troca de roupa por uma indumentária higiênicade trabalho reveste-se de importância. Tanto os empregados da criação como outras pessoas que eventualmente tenham de entrar na mesma,devem ser conscientizados da necessidade do banho diário no começo e no final do turno de trabalho. Cabeaos gerentes e técnicos responsáveis pela granja dar esse exemplo. O banho deve funcionarobrigatoriamente quando houver ameaças de epizootias na região. Em alguns países europeus, certascriações não fazem do banho uma prática obrigatória como pré- requisito para ingresso em suasdependências. Entretanto, o visitante é obrigado a trocar toda a roupa, utilizando botas, macacão e bonés dagranja, além de lavar as mãos e o antebraço numa solução desinfetante. Isso só é possível em função dograu de conscientização e pelo nível de informação do pessoal de campo nesses países, bem como pelorigoroso controle sobre doenças infecciosas de declaração obrigatória existentes nos mesmos. Para que a rotina do banho seja seguida permanentemente, as seguintes condições devem estarpresentes:1. a sala deve ter temperatura adequada;2. devem existir armários para os funcionários e visitantes colocarem a roupa de rua e umvaso sanitário (área suja);3. deve-se dispor de chuveiro com água quente à vontade e sabonete (área intermediária);4. deve-se dispor de indumentária específica da granja (macacões, calças, aventais, camisetas, meias ebotas) com vários tamanhos (área limpa). Roupas comuns devem ser evitadas.5. na saída da área limpa, deve existir um pedilúvio com esponja saturada com solução de desinfetante.Por ocasião do banho o funcionário ou visitante deve seguir os seguintes passos:  ir ao banho, ensaboar bem os cabelos e, em seguida, todo o corpo;  retirar a espuma e repetir o processo;  ter o cuidado de lavar, com escovinha, sob as unhas;  o banho deve ter duração mínima de três minutos. 64
  • 65. Fonte: Sesti et al. (1998) 65
  • 66. ►Fumigação Entende-se por fumigação a exposição de determinada área a um desinfetante em forma de gás. Ela érealizada como um processo complementar a um programa de limpeza e desinfecção. Através do mesmo,procuramos atingir as superfícies da construção que, por alguma razão, não foram atingidas pelo processode desinfecção. Em nosso meio, a combinação de formol com permanganato de potássio têm sido osprodutos mais utilizados nas fumigações. Através da fumigação com formol e permanganato produz-se umgás extremamente tóxico e que atinge principalmente os olhos, mucosas e o trato respiratório. Devido aisto, a fumigação de instalações e de materiais a serem introduzidos em uma granja deve obrigatoriamenteser realizado sob a orientação de um médico-veterinário.►Nebulização de instalações ocupadas com uma solução de desinfetante Em instalações com superlotação ou no caso de má ventilação geram-se condições favoráveis detransmissão de agentes patogênicos entre animais doentes e sadios. É geralmente aceito que esses agentes"viajam" através do ar na forma de aerosóis ou agregados á partículas de poeira. Esse tipo de transmissão é considerada especialmente relevante no caso de algumas doençasrespiratórias. As perdas determinadas por esses tipos de infecção podem ser minimizadas se for mantidabaixa a exposição dos animais aos patógenos presentes no ar. Entre as medidas que podem ser usadas paraisso destaca-se o uso da aspersão com água com a adição de produtos com ação desinfetante, podendo-seobservar uma redução nas concentrações bacterianas de até 70%. Este tipo de procedimento só deve serrealizado sob a orientação de um médico-veterinário.►Rodolúvios e pulverização de veículos e pedilúvios Tanto o homem como veículos participam com freqüência na introdução e difusão de doenças numagranja. O isolamento completo de uma propriedade é bastante difícil, deve-se por isso utilizar todos osrecursos disponíveis para diminuir ao máximo a possibilidade da introdução de agentes infecciosos.Através da utilização de rodolúvio, da pulverizaçãode veículos e de pedilúvios o risco de transmissão de agentes patogênicos pode ser reduzidoconsideravelmente. O objetivo da utilização destes tipos de desinfecção é o destruir microrganismos que posam estarpresentes nos veículos e calçados das pessoas os quais cheguem próximos aos animais do rebanho. Paratal, porém, é indispensável que os mesmos estejam localizados estrategicamente, para que os empregados eos visitantes venham a utilizá-los antes de entrar na granja ou em uma instalação da granja. Os pedilúvios devem sempre estar localizados na entrada da granja e na saída de cada instalação. Emnosso meio, os tipos mais comuns são caixas de metal, de madeira ou em forma de caixas de concretointegradas na próprio piso, contando com um sistema de drenagem próprio. O pedilúvio deve serconstruído de tal forma a evitar que os funcionários ou visitantes sejam obrigados a pisar no soluçãodesinfetante quando passarem pelo pedilúvio. A desvantagem do pedilúvio contendo cal sistema é que a aderência de cal em forma depó à sola dos calçados é geralmente insuficiente para que ocorra uma boa desinfecção. Além disso,dependendo do tipo de calçado usado pelo visitante, a cal não cobre adequadamente toda a superfície doscalçados. Isso ocorre, por exemplo, com sapatos ou botas com saltos altos. Devido a essas desvantagens,esse tipo de pedilúvio em geral só é recomendado para uso dentro da granja, na entrada e/ou saída deprédios. A cal deve ser trocada, no mínimo, a cada três dias. O pedilúvio com solução desinfetante consiste de uma fossa com até seis centímetros de profundidadecom um nível aproximado de dois a quatro centímetros de uma solução de desinfetante. Nesse caso ocorreum contato rápido com o calçado, cobrindo a maior parte do mesmo. A desvantagem está na rápidaagregação de matéria orgânica e de sujeira à solução desinfetante, reduzindo gradativamente a suaeficiência. O pedilúvio com esponja embebida em uma solução desinfetante deve ter até oito centímetros deprofundidade e uma esponja de até 5 cm de altura, embebida com solução desinfetante. O sistema éeficiente, pois ao se pisar sobre a esponja a solução entra em contato com toda a sola do calçado e aomesmo tempo forma-se uma espuma que praticamente cobre as partes laterais da sola e do alto do mesmo.Dessa forma, o sapato ou a bota ficará ligeiramente umedecida pela solução de desinfetante econseqüentemente considera-se a área atingida como desinfetada. 66
  • 67. Uma vantagem adicional é que, ao se retirar os sapatos de cima da esponja, ela praticamente absorveráo excesso da solução desinfetantes, não havendo maiores perdas da mesma. A principal desvantagem douso desse sistema está na dificuldade de limpar a esponja. Para proceder a limpeza, inicialmente deve-sedeixar escorrer a solução absorvida e lavar cuidadosamente a esponja. A seguir, a fossa deve ser esgotada elimpa, incluindo a retirada de todos os resíduos de matéria orgânica e após lavada . Após devidamenteseca, a esponja é recolocada e acrescida de uma nova solução de desinfetante. Rodolúvios servem para desinfecção de veículos que entram na granja. O uso de rodolúvios tem sidoabandonado em criações modernas, uma vez que a entrada de veículos na granja deve ser proibida. Apulverização de veículos que entram na granja tem sido utilizada em combinação comrodolúvios ou como substituto para o uso dos mesmos. Devem ser escolhidos princípios ativos de baixaação corrosiva, visando a afetar minimamente a carroceria dos veículos. Não existe mais nenhuma dúvida hoje em dia que os veículos que transportam animais ao frigoríficodevem são uma das principais, se não a principal, fonte de contaminação de um sistena de produção.Principalmente, quando este transporte é feito por terceiros (caminhões contratados) e por caminhões quetambém transportam os equipamentos e a ração utilizada na granja. A sequência a ser seguida para alimpeza e desinfecção de veículos é a seguinte: remoção do esterco, palha ou maravalha, raspagem do piso e das laterais do veículo cominstrumento apropriado (limpeza seca); lavagem com solução de detergente quente ou água quente a pressão; deixar secar durante 1-2 horas; aplicar a solução de desinfetante;e deixar secar por 12 horasAULA 3►VACINAÇÃO Adotar um programa mínimo de aplicação de vacinas, para prevenção das doenças mais importantes dasuinocultura, respeitando as instruções oficiais (MAPA) para doenças especificas, como é o caso da vacinacontra a Peste Suína Clássica e Doença de Aujeszky, que somente poderão ser utilizadas com autorizaçãodo órgão oficial de defesa sanitária.  Conservação das vacinas Manter todas as vacinas em geladeira em temperatura entre 4 a 8°C. Jamais deixar congelar as vacinas.Cuidados na aplicação  Ao vacinar um grupo de porcas ou leitões usar uma caixa de isopor com gelo para manter os frascos de vacina refrigerados.  Para evitar a contaminação da vacina que fica no frasco, usar uma agulha para retirar a vacina do frasco e outras para aplicação nos animais.  Desinfetar o local antes da aplicação.  Usar agulhas adequadas para cada tipo de animal e para cada via de aplicação conforme recomendação do quadro abaixo:Quadro . Tipo de agulha e via de aplicação nas diferentes categorias de animais. Tipo de agulha 50/15 30/15 25/08 15/15 15/09 45/15 25/15 25/07 15/10 Via de aplicação Intra Intra Intra Sub Intra muscular muscular venosa cutânea muscular Categorias de Adultos Crescimento Crescimento Crescimento Leitões animais Terminação Terminação Terminação Adultos AdultosFonte: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Suinos/SPSuinos/index.html 67
  • 68.  Aplicar a vacina corretamente, atentando para a via de aplicação (intramuscular ou subcutânea), de acordo com recomendação do fabricante.  Não aplicar a vacina com a agulha acoplada diretamente na seringa e sem imobilizar a porca, pois a vacina poderá ser depositada fora do local desejado.  Caso não deseje imobilizar a porca usar prolongamento flexível com a agulha numa das extremidades e a seringa na outra.  Desinfetar a tampa de frascos contendo sobras de vacina e retorná-los imediatamente para a geladeira.  Aplicar as vacinas com calma, seguindo as orientações técnicas, para evitar falhas na vacinação e formação de abcessos no local da aplicação.  Programa de vacinação Existem muitas vacinas disponíveis no mercado para atender a suinocultura. A decisão de quais vacinasutilizar depende de uma avaliação individual da granja e dos riscos e perdas econômicas que representamas doenças que se deseja prevenir. Um programa básico de vacinação inclui as vacinas contra parvovirose,colibacilose, rinite atrófica e pneumonia enzoótica conforme Quadro 8.Quadro . Programa básico de vacinação para um rebanho suíno. DoençasCategoria Período Parvovirose Colibacilose Rinite Pneumonia atrófica enzoóticaLeitoas Quarentena ou 1a dose - - - chegada na granja 20 a 30 dias após 2a dose - - - 70 dias de gestação - 1a dose 1adose 1a dose 90 dias de gestação - 2a dose 2a dose 2a dosePorcas 90 dias de gestação - Uma dose Uma dose Uma dose 10-15 dias após o Uma dose - - - partoCachaços Quarentena ou Uma dose - Uma dose - chegada na granja Semestralmente - - Uma dose - Anualmente Uma dose - - -Leitões Depende do - - - Uma ou duas fabricante ou doses recomendação veterináriaFonte: Fávero et al. (2009) 68
  • 69. SEMANA 8META:Apresentar recomendações para o manejo antes de se abater o animal e para o gerenciamento deuma granjaOBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Reconhecer os cuidados a serem adotados no manejo pré-abate para obtenção de carne suína de boa qualidade;  Reconhecer as práticas de gerenciamento de uma granja suinícola para garantir o sucesso da atividade suinícola.AULA 1►MANEJO PRÉ-ABATE O manejo pré abate dos animais tem influência direta sobre a qualidade da carcaça e da carne, devendomerecer toda a atenção do produtor.  Preparo dos animais A alimentação dos animais a serem enviados para o abate deve ser suspensa 12 horas antes da horaprevista para o embarque.Garantir o fornecimento constante de água aos animais até o momento de embarque.  Embarque Os animais devem ser conduzidos para o local de embarque com tranqüilidade, sem estresse e usandotábuas de manejo.A rampa de embarque deve ter no máximo 20º de inclinação e piso antiderrapante, para facilitar acondução dos animais e evitar escoriações.  Transporte para o abate O caminhão a ser utilizado para o transporte dos animais deve ter no máximo dois pisos. Ao chegar na propriedade para carregar os animais o caminhão deve ter sido previamente higienizado edesinfetado, evitando assim a exposição dos mesmos a eventuais agentes contaminantes. Os animais devem ser alojados no caminhão na razão de 2,5 suínos de 100 kg por m2, ou seja, propiciaruma área de 0,40 m2 para cada 100 kg de peso animal. O transporte deve ser efetuado com calma, de preferência durante a noite, sempre aproveitando as horasmais frescas ou de menor temperatura. O cuidado no transporte deve ser redobrado quando este for feitoem estradas não pavimentadas ou irregulares. Quando o transporte exceder a duração de três horas, devem ser adotados cuidados especiais.AULA 2►GERENCIAMENTO A propriedade suinícola é uma unidade de produção operando com umcapital (próprio e empréstimos financeiros), e trabalho (familiar e assalariado) devendogerar um resultado econômico que remunere os investimentos e aporte lucro. De nada adianta um bom planejamento se não forem utilizados mecanismos de controle do desempenhoda atividade e de seus funcionários. Para garantir o sucesso da atividade deverão ser adotados métodoseficientes de gerenciamento. Para ter sucesso na atividade o produtor necessita saber como e quanto produzir e, principalmente paraquem vender a produção. Nas decisões de médio e longo prazos o gerenciamento desempenha papel 69
  • 70. preponderante em função das constantes mudanças que ocorrem nas tecnologias, nos preços dos insumos eprodutos e nas políticas agrícolas, que levam ao produtor riscos e incertezas.  Organização Administrativa A organização administrativa das propriedades suinícolas está diretamente relacionada com as suasdimensões. A necessidade de racionalização dos procedimentos administrativos cresce à medida queaumenta a dimensão da empresa suinícola. Nas pequenas granjas a subdivisão de tarefas é mínima. O pequeno produtor de suínos geralmenteauxiliado por membros da família, cultiva a terra, trata dos animais e ainda exerce todas as tarefasadministrativas, tais como: decidir como e quando plantar, uso de insumos, compras, vendas, aplicação euso de medicamentos, descarte de reprodutores etc. À medida que a dimensão da empresa suinícola aumenta, o número de pessoas envolvidas na atividade,embora não na mesma proporção, também aumenta. Isto porque, além de ganhos de escala, a"automatização" é um fator que contribui para reduzir a necessidade de mão-de-obra. Na medida que otamanho da propriedade aumenta, o produtor deve buscar maior nível de especialização, para reduzircustos e minimizar riscos. Objetivando aumentar o poder de barganha tanto na compra de insumos como na venda do produtofinal, os produtores devem buscar formas associativas como:Associação em condomínios ou cooperativas, que pode levar os produtores a obterem melhores preços nacompra de insumos e na venda de suínos. Criação de estruturas associativas de mercado para incrementar a comercialização de carne suína "innatura", como forma de ampliar o mercado consumidor.  Contratação de Pessoal Normalmente a necessidade de pessoal pode ser definida com base no número de matrizes do sistemade produção. A relação de um homem para cada 50 matrizes é aceita quando o sistema não utiliza aautomação das atividades. De todos os componentes relacionados com os níveis de produtividade, o funcionário é, sem dúvida, omais importante, pois através de suas ações e interesse, são gerados grande parte do resultado econômicodo sistema de produção de suínos. Os custos com mão-de-obra em um SPS representam de 6 a 18% docusto de produção. Considerando o grau de responsabilidade, pode-se classificar os funcionários em gerente de produção,responsáveis por setores específicos e/ou tratadores.  Gerente de produção O gerente de produção pode ser definido como sendo o responsável pelo sistema de produção de suínos,isto é, a pessoa que coordena a equipe de trabalho. O gerente deve transformar oportunidades e desafiosem resultados. Um bom gerente de produção é aquele que aposta em si mesmo, na sua capacidade derealizar da melhor forma possível todo e qualquer trabalho por mais difícil que ele seja. As características essenciais do gerente são: liderança; assiduidade; conhecimento e controle daatividade; organização; iniciativa; capacidade de trabalho e asseio.  Tratadores O tratador deve ser um indivíduo que possui conhecimento básico sobre suinocultura, capacidade deorganizar seu tempo, avaliar as prioridades, manter em dia os serviços de rotina, saber reconhecer asalterações do estado de saúde dos animais e propor soluções para os problemas.  Treinamento Os funcionários devem ser capacitados para exercer as atividades/tarefas a eles confiadas. Portanto, naescolha de pessoal deve-se optar por aqueles que já detêm conhecimento na atividade. Não havendo estapossibilidade, cursos de capacitação deverão ser implementados. Estrategicamente, todos os funcionários deverão saber fazer todas as atividades inerentes ao sistema.Isto assegurará continuidade em caso de falta momentânea de um determinado funcionário. Logo, os 70
  • 71. funcionários deverão ser capacitados para as atividades a serem desenvolvidas nas diferentes fases deprodução, tais como, reprodução, gestação, maternidade, creche e crescimento e terminação.  Controle da atividade e indicadores de produtividade Atualmente existem no mercado softwares específicos para a avaliação técnica e econômica daatividade suinícola. Estes softwares constituem-se em ferramentas muito úteis ao criador, permitindo umacompanhamento mais detalhado dos resultados da atividade e auxiliando na tomada de decisão. Na falta de um software para o controle dos índices técnicos e econômicos do sistema de produção,deve-se estabelecer uma forma alternativa manual que atenda as necessidades mínimas de controle daprodução e da produtividade. Em ambos os casos, via software ou manual, é necessário manter aidentificação dos animais e utilizar fichas de controle em cada fase de produção.  Identificação dos animais A identificação dos reprodutores permite acompanhar o desempenho reprodutivo e a dos outros animaiso desempenho produtivo. A identificação dos animais pode ser feita através de tatuagem, brinco ou mossa.  Fichas de controle O preenchimento de fichas é importante para o controle do rebanho suíno. Dentre elas destacam-sefichas de controle de porcas, de machos, de coberturas, de leitegadas, de compras de animais e alimentos,de vendas de animais, de despesas gerais, de movimento de animais dentro da granja, de vacinações e deconsumo de ração. Além da observação dos valores críticos e metas estabelecidas para cada fase, oprodutor deve manter um controle rigoroso de todas as compras e vendas para garantir umacompanhamento econômico/financeiro da atividade. EXEMPLOS DE FICHAS DE CONTROLEFICHA MATRIZ – GESTAÇÃO MATRIZ Nº = REPRODUTOR Nº = DATA DE COBERTURA = DATA PROVAVÈL DE PARTO =ORDEM DE PARIÇÃO = 71
  • 72. FICHA MATRIZ - PARTO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO MÉDIA E TECNOLÓGICA - SEMTEC ESCOLA AGROTÉCNICA FEDERAL DE BARBACENA – MG UNIDADE EDUCATIVA DE PRODUÇÃO – ZOOTECNIA II Parto Nº: Mortalidade DataMatriz: Reprodutor: ____/____/________________________ _____________Parto provável: Parto: ____/____/____ ____/____/________/____/____Machos: Fêmea: ____/____/_______________________ _________________Nascidos vivos: Nascidos mortos: ____/____/_________________ _________ Total: ____/____/____ _______________ Peso médio: ____/____/____ __________Desmama: ____/____/____ Peso médio: ____/____/____ _____________Obs.: ____/____/____ ____/____/____FICHA MATRIZ - CONTROLE REPRODUTIVO UEP Ministério da Educação e do Desporto – MEC – SEMTEC Zootecnia II Campus Barbacena – IF Sudeste MG Ficha nº: ________ Controle de MatrizesRaça: __________________________________Nº: _______________Data de nascimento: ______/______/______ Procedência:______________________________________________________________________________Filiação: Reprodutor – Raça: _______________________ Nº: ______________ Matriz – Raça: _______________________ Nº: ______________ Coberturas Parições Peso médio dos leitões (kg) Da Reprodutor Nº Da Filhos nascidos Ao No Desmame ta de ta N R ordem vivos mortos T N Nº de Média º aça otal ascer leitões verificada 72
  • 73. Dentre os indicadores de gerenciamento técnico do sistema, destacam-se a conversão alimentar dorebanho e o número de leitões produzidos por porca por ano.Quando – Indicadores de gerenciamento técnico de um sistema de produção de suínosParâmetros de produção Metas Nível de interferênciaintervalo desmame – cio ( dias ) < 7,0 > 7,0repetição de cio ( % ) < 8,0 > 8,0taxa de parição ( % ) > 88,0 < 85,0total de nascidos por parto > 12,0 < 11,5nascidos vivos por parto > 11,5 < 11,0peso ao nascer ( kg ) > 1,4 < 1,3natimortos por parto ( % ) < 5,0 > 6,0mumificados por parto ( % ) < 2,5 > 3,0leitões desmamados por leitegada > 10,0 < 9,5idade ao desmame ( dias ) < 21,0 > 24,0peso ao desmame ( kg ) > 6,0 < 5,7mortalidade pré-desmame ( % ) < 5,0 > 7,0leitegadas / fêmeas / ano > 2,5 < 2,4GMDP maternidade ( g ) > 220 < 200peso à saída da creche / 63 dias ( kg ) > 24,0 < 23,0GMDP creche ( g ) > 400 < 380peso ao abate / 150 dias > 100 < 90GMDP nascimento ao abate ( g ) > 640 < 600conversão alimentar do rebanho < 2,8 > 3,0Número de leitões produzidos / porca / ano > 25 < 24Fonte: Fávero et al. (2006)  Aspectos sociais É na qualidade da mão-de-obra, na relação empregado-empregador e na capacidade de motivação dosfuncionários que o criador tem hoje grande possibilidade de melhorar o desempenho técnico e financeirode sua empresa. Cada funcionário deve ser remunerado, no mínimo, de acordo com a legislação trabalhista. Umaestratégia interessante para a melhoria do índices de produtividade é a adoção de um sistema de premiaçãopara os funcionários, o qual pode ser um percentual de ganho a mais para cada meta superada num dadoperíodo de tempo, como exemplo número de suínos terminados por matriz por ano. Este procedimento visaestimular os funcionários para a busca constante de melhores resultados na atividade. Deve-se buscar a motivação constante dos funcionários através de reuniões e treinamentos. Esforçosdevem ser implementados no sentido de manter na escola todos os filhos dos funcionários. 73
  • 74.  Higiene e segurança do trabalhador Há necessidade de estabelecer procedimentos básicos de higiene e obediência de normas vigentesde segurança no trabalho. O gerente ou o responsável pela equipe de trabalho deverá exigir dos empregados que lavem asmãos antes de manejar os animais e utilizem vestimentas e equipamentos adequados ao manejo deresíduos. Deve-se monitorar periodicamente a saúde dos trabalhadores nas áreas de produção. As ocorrênciasreferentes à saúde e segurança no trabalho deverão ser registradas em fichas de acompanhamento earquivadas em um setor específico. Especial atenção deve ser dada quanto ao armazenamento e manuseio de produtos químicos. Essesdevem ser armazenados em locais específicos, ventilados e bem sinalizados. Os trabalhadores capacitadosa manusear produtos químicos devem ser treinados para utilização dos Equipamentos de ProteçãoIndividuais (EPIs) e para a obediência dos preceitos de higiene pessoal. Deve-se garantir instalações adequadas para alimentação e higiene pessoal de trabalhadores rurais,bem como, manter um programa de higienização e renovação de suprimentos nos sanitários. Todos os empregados deverão ser capacitados para a adoção de boas práticas de higiene pessoal emanejo dos animais. Dispor, em local de fácil acesso, de uma lista de telefones úteis como bombeiros, pronto socorro,laboratórios de análises, órgãos de pesquisa, ambientais, de extensão e fiscalização. 74
  • 75. SEMANA 9META:Apresentar fatores relacionados a proteção ambiental e manejo de dejetos de suínos queproporcionem maior qualidade de vida da população rural e urbana.OBJETIVOS: Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:  Identificar os principais aspectos de proteção ambiental a serem observados na produção de suínos;  Identificar as principais alternativas para o manejo de dejetos suinícolas para a promoção da preservação ambiental.AULA 1► PROTEÇÃO AMBIENTAL Além da produtividade e competitividade econômica, qualquer sistema de produção deve primar pelaproteção ambiental, não somente pela exigência legal, mas também por proporcionar maior qualidade devida a população rural e urbana. Com relação a proteção ambiental o produtor deve implantar um sistema de gestão ambiental integradocontemplando as seguintes etapas:1. Avaliação dos riscos de impacto ambiental Proceder o diagnóstico da situação ambiental local antes de iniciar a construir. Delinear um plano com dimensionamento do projeto em função do volume de resíduos gerados naprodução de suínos. Planejar as obras a partir das exigências da legislação ambiental federal, estadual e municipal, quedeterminam, por exemplo, as distâncias mínimas de corpos d´água (fontes, rios, córregos, açudes, lagosetc.), estradas, residências, divisas do terreno, a proteção das áreas de preservação permanente, 20% daárea de reserva legal e outras. Quadro . Legislação pertinente ao licenciamento ambiental.  Constituição Federal Brasileira - 1998 - Art. 225.  Decreto Federal nº 0750/93 - Mata Atlântica.  Lei Federal nº 9.605/98 - Lei dos Crimes Ambientais - Art. 60.  Código das Águas - Decreto Federal nº 24.645 de 10/07/34 e alterações.  Código Florestal Federal - Lei 4.771/65 e alterações.  Lei Federal nº 6.766/79 - Disciplinamento do solo urbano.  Legislações e Códigos Sanitários Estaduais e Municipais.Fonte: Fávero et al. (2006) 75
  • 76. Tabela . Características químicas e físicas dos dejetos (mg/l) produzidos em uma unidade de crescimento e terminação manejada em fossa de retenção, obtidos no Sistema de Produção de Suínos da Embrapa Suínos e Aves. Parâmetro Mínimo Máximo Média Demanda Química de 11530 38448 25543 Oxigênio (DQO) Sólidos Totais 12697 49432 22399 Sólidos Voláteis 8429 39024 16389 Sólidos Fixos 4268 10408 6010 Sólidos Sedimentares 220 850 429 Nitrogênio Total 1660 3710 2374 Fósforo Total 320 1180 578 Potássio Total 260 1140 536Fonte: Silva F.C.M. (1996) citado por Fávero et al. (2006)*Considerando esterco com cerca de 40% de matéria seca. Fonte: Oliveira et al. (1993). citado por Fávero et al. (2006)2. Manejo Nutricional Para promover a melhora do desempenho e das carcaças, reduzindo o poder poluente dosdejetos e o custo de produção dos suínos, o produtor deve:  Buscar o aumento da eficiência alimentar e da produtividade por matriz.  Usar rações formuladas com base nos valores de disponibilidade de nutrientes dos alimentos, utilizando informações específicas dos suínos que estão sendo produzidos, especialmente quanto ao genótipo, sexo e consumo de ração.  Utilizar dietas formuladas com maior precisão, evitando o acréscimo de mais nutrientes ("margens de segurança") do que os animais necessitam.  Empregar o conceito de alimentação em múltiplas fases e sexos separados.  Evitar o uso de cobre como promotor de crescimento e reduzir ao máximo o uso de zinco no controle da diarréia.  Aumentar o uso de fontes de nutrientes com maior disponibilidade.  Utilizar enzimas e aminoácidos nas dietas.  Utilizar a restrição alimentar em suínos na fase de terminação.3. Manejo de água na propriedade O manejo da água na propriedade deve contemplar:  Evitar a utilização de lâmina dágua.  Remoção do dejeto via raspagem.  Realizar manutenção periódica do sistema hidráulico.  Reduzir a demanda de água no sistema através do reaproveitamento da água, servida aos suínos, para limpeza das instalações, evitando o contato com os animais. 76
  • 77. 77
  • 78. AULA 2► MANEJO DOS DEJETOS A preservação ambiental, preocupação básica de qualquer sistema de produção, deve estar presente emqualquer atividade, em especial no manejo dos dejetos e rejeitos de animais. Prioritariamente os dejetosdevem ser usados como adubo orgânico, respeitando sempre as limitações impostas pelo solo, água eplanta. Quando isso não for possível há necessidade de tratar os dejetos adequadamente, de maneira quenão ofereçam riscos de poluição quando retornarem à natureza.  Manejo dos dejetos  Estabelecer um projeto de coleta, armazenagem, tratamento, transporte e disposição dos dejetos de acordo com as características da propriedade.  Quando houver área suficiente para o uso dos dejetos como fertilizante orgânico, construir esterqueiras para armazenamento do dejeto, com tempo de retenção mínima de 120 dias, recomendado pelos Órgãos de Fiscalização Ambiental.  Não havendo área suficiente para recebimento de dejetos, maximizar e valorizar a produção de lodo ou composto para atender a capacidade de absorção da propriedade e tratar o excesso de acordo com a Legislação.  Adotar sistema de separação de fases (decantador) combinado com sistemas de tratamento como lagoas anaeróbias, facultativas e de aguapé.  Dimensionar o decantador de acordo com a característica dos dejetos e da vazão diária e as lagoas, através da carga orgânica gerada diariamente.  Utilizar tecnologias de tratamento dos resíduos, tanto da fase líquida, através de sistema de lagoas para remoção dos nutrientes e do odor, quanto da fase sólida, através do processo de compostagem ou geração de biogás.  Manter as calhas de coleta de esterco dos suínos (Figura 12 ) com líquido suficiente para cobrir o esterco (água de desperdício de bebedouros e urina). A água não deixa as larvas das moscas viverem no esterco.Figura . Sistema de manejo de dejetos líquidos e resíduos de desinfecçãoFonte: Fávero et al. (2009) 78
  • 79.  A água de limpeza com desinfetante deve ser desviada para um sumidouro para não atrapalhar a fermentação do esterco.  Se a canaleta externa de coleta de esterco for muito rasa ou for em desnível, que não permita a manutenção da água, raspar o esterco para a esterqueira duas vezes por semana, antes das larvas das moscas formarem o casulo.  O esterco misturado à maravalha, usada na maternidade ou em outras baias de animais, deve ser destinado à compostagem em leiras cobertas com lona plástica ou em composteiras construídas em alvenaria.  Uso dos dejetos como fertilizante A segurança sanitária é um item que também deve ser levado em conta na reciclagem dos dejetos. Paradiminuir os riscos envolvidos na reciclagem dos dejetos e a disseminação de organismos potencialmenteprejudiciais a humanos, animais e/ou ao ambiente, além de todos os cuidados sanitários aplicados aosrebanhos, mostra-se prudente assegurar um tempo mínimo de retenção de 30 dias para a decomposição dosdejetos em sistemas anaeróbios ativos, antes de utilizá-los como fertilizante. O reaproveitamento dos dejetos como fertilizante na propriedade requer área disponível, edistanciamento dos corpos dágua (rio, córrego, açude, nascentes, lagoa, etc...). A disposição do resíduo nosolo deve obedecer aos seguintes critérios:  Proceder a análise do solo;  Seguir as recomendações de segurança sanitária;  Não ultrapassar a capacidade de absorção do sistema solo planta;  Utilizar técnicas adequadas de conservação do solo;  Procurar utilizar o plantio de espécies exigentes em N e P. Os dejetos de suínos são um composto multinutriente, cujos elementos encontram-se em quantidadesdesproporcionais em relação aos assimilados pelas plantas. Quando os dejetos são aplicados ao solo combase na demanda total das plantas, de qualquer um dos elementos N-P-K, os demais geralmente estarão emexcesso. Com o acúmulo de nutrientes no solo, surge o risco de fitotoxicidade às plantas e de perdas denutrientes por erosão e lixiviação, que poderão causar a poluição das águas e do solo, cuja gravidade serátanto maior, quanto menos se observar o princípio do balanço de nutrientes e as boas práticas agronômicas.  Geração de energia pela biodigestão anaeróbia dos dejetos O gás resultante da digestão anaeróbia dos dejetos (biogás) pode ser utilizado na produção de energia.Utilizando o processo de produção de gás com lona de PVC colocada sobre o depósito de dejetos, há umaredução do custo de implantação, redução dos níveis de patógenos e do poder poluente, redução de odorese substituição de combustíveis como lenha, GLP e energia elétrica. O biogás pode ser utilizado paraaquecimento de aviários, banheiros e instalações para suínos.  Outros materiais poluentes Os materiais poluentes como lixo e embalagens também devem ser objeto de preocupação, seguindoprocedimentos adequados de armazenamento e disposição, a saber: Armazenar em recipientes com tampa, frascos e embalagens usadas de medicamentos edesinfetantes, ou outro produto veterinário, encaminhando-os à postos de coleta locais ou regionais. Dar destino adequado a todo o lixo produzido no sistema de produção, de forma a não causarnenhum dano ao ambiente. 79
  • 80. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FÁVERO et al. Produção de suínos. Disponível em: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Suinos/SPSuinos/index.html. Acesso em 30 dez 2009. LIMA et al. Suinocultura.Universidade Federal de Lavras. Lavras,1995. ROPPA, L. Suínos: mitos e verdades. Revista Suinocultura Industrial, n.127, p.10-27, 1997. ROSTAGNO, H. S.; ALBINO, L. F. T.; DONZELE, J. L.; GOMES, P. C.; FERREIRA, A. S.;OLIVEIRA, R. F.; LOPES, D. C. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos eexigências nutricionais. 2. ed. Viçosa: UFV, 2005. 186 p. SESTI, L.; SOBESTIANSKY, J.; BARCELLOS, D. E. S. N. de. Limpeza e desinfecção emsuinocultura. Suinocultura Dinâmica, Concórdia, SC, n.20, 1998. SILVEIRA,P.R.S. A cadeia produtiva de suínos no Brasil. Revista CFMV – Conselho Federal deMedicina Veterinária. Nº 42, p. 11-20, 2007. SOBESTIANSKY, J.; WENTZ, I; SILVEIRA, P. R. S. DA; SESTI,. A. C. (Ed.) Suinoculturaintensiva: produção, manejo e saúde do rebanho.Brasília: Embrapa Serviço de Produção de Informação,1998. 80