Era uma vez um fio azul.
Era uma vez um fio encarnado.
Que viviam num mesmo espaço. Cada um pro seu lado. Não se olhavam. Não se percebiam. Não se conheciam!
Viviam de forma muito suficiente. Existiam de forma muito independente.
O azul sabia fazer muitas coisas que aprendeu nas suas viagens e passagens pelos céus e pelos mares.
Sabia torcer e destorcer. Fazer tranças e trançados.
O encarnado, também, sabia fazer muitas coisas. Diz que até nasceu sabendo.
Sabia subir e descer. Fazer formas e formatos.
Viviam suas experiências, cada um na sua: torcendo – destorcendo subindo – descendo fazendo – desfazendo
Mas de tanto: torcer – destorcer  trançar – destrançar  subir – descer,  cansaram! Tudo estava ficando chato e sem graça. ...
Foram ficando cansados, tristes. Foram sentindo frio, sono...
E foram dormir, certos de que, tão cedo, não acordariam. Resolveram dar uma esticadinha para despedirem-se do sol e dar um...
–  Êpa! Tem alguém do meu lado. Notou o azul! –  Êpa! Tem alguém do meu lado. Notou o encarnado.
E esticaram-se até encontrarem-se, perceberem-se, descobrirem-se: –  Quem é você? –  Quem é você? –  Sou o fio azul. –  So...
–  Azul! –  Encarnado! –  Você é tão estranho! –  Você é tão diferente de mim!
–  Eu sou um fio! –  Eu também sou um fio! –  Acho que gosto da sua cor. –  A sua cor é muito forte.
–  Eu moro aqui. –  Eu também moro aqui. –  Você sabe torcer? –  Você sabe trançar?
–  Estou meio triste. –  Acho que estou ficando alegre! –  O que você faz? –  Eu gosto de brincar... –  Eu gosto de viajar...
E foi uma festa! Uma algazarra! Um alvoroço! Uma alegria! E contaram muitas histórias...
O azul contou tudo, tudinho. Todas as coisas que fez. Julgava ter feito coisas lindas. Mas confessou que, às vezes, fracas...
O encarnado, também, não deixou por menos e esclareceu uma coisa: estava muito cansado de tudo o que fazia. Seus sonhos es...
Falaram Falaram Falaram Dividiram tudo o que puderam. Compartilharam sentimentos. Ficaram muito emocionados: choraram junt...
O azul contou pro encarnado que tinha um grande sonho. O encarnado contou pro azul  que também tinha um grande sonho.
E descobriram que tinham um mesmo sonho: sonharam em tecer  uma grande trama!
Então tiveram uma grande idéia: resolveram fazer uma trama bem grandona. Uma trama com muitos pontos, muitos nós, muitas h...
Uma trama que ajudasse as pessoas a desvelarem a imaginação, os sonhos, os sentimentos, a alma, a consciência, os saberes....
E foram se envolvendo... Torceram – destorceram Trançaram – destrançaram Subiram – desceram Fizeram – desfizeram...
E criaram... Uma grande trama azul e encarnada!
 
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O fio azul e o fio encarnado na trama da vida

  1. 3. Era uma vez um fio azul.
  2. 4. Era uma vez um fio encarnado.
  3. 5. Que viviam num mesmo espaço. Cada um pro seu lado. Não se olhavam. Não se percebiam. Não se conheciam!
  4. 6. Viviam de forma muito suficiente. Existiam de forma muito independente.
  5. 7. O azul sabia fazer muitas coisas que aprendeu nas suas viagens e passagens pelos céus e pelos mares.
  6. 8. Sabia torcer e destorcer. Fazer tranças e trançados.
  7. 9. O encarnado, também, sabia fazer muitas coisas. Diz que até nasceu sabendo.
  8. 10. Sabia subir e descer. Fazer formas e formatos.
  9. 11. Viviam suas experiências, cada um na sua: torcendo – destorcendo subindo – descendo fazendo – desfazendo
  10. 12. Mas de tanto: torcer – destorcer trançar – destrançar subir – descer, cansaram! Tudo estava ficando chato e sem graça. Não sabiam mais o que fazer.
  11. 13. Foram ficando cansados, tristes. Foram sentindo frio, sono...
  12. 14. E foram dormir, certos de que, tão cedo, não acordariam. Resolveram dar uma esticadinha para despedirem-se do sol e dar uma boa espreguiçada. Ahhhhhhh!!!
  13. 15. – Êpa! Tem alguém do meu lado. Notou o azul! – Êpa! Tem alguém do meu lado. Notou o encarnado.
  14. 16. E esticaram-se até encontrarem-se, perceberem-se, descobrirem-se: – Quem é você? – Quem é você? – Sou o fio azul. – Sou o fio encarnado.
  15. 17. – Azul! – Encarnado! – Você é tão estranho! – Você é tão diferente de mim!
  16. 18. – Eu sou um fio! – Eu também sou um fio! – Acho que gosto da sua cor. – A sua cor é muito forte.
  17. 19. – Eu moro aqui. – Eu também moro aqui. – Você sabe torcer? – Você sabe trançar?
  18. 20. – Estou meio triste. – Acho que estou ficando alegre! – O que você faz? – Eu gosto de brincar... – Eu gosto de viajar...
  19. 21. E foi uma festa! Uma algazarra! Um alvoroço! Uma alegria! E contaram muitas histórias...
  20. 22. O azul contou tudo, tudinho. Todas as coisas que fez. Julgava ter feito coisas lindas. Mas confessou que, às vezes, fracassou. Era uma história longa, cheia de detalhes. Deu até um pouquinho de sono no encarnado.
  21. 23. O encarnado, também, não deixou por menos e esclareceu uma coisa: estava muito cansado de tudo o que fazia. Seus sonhos estavam ficando sem graça. Sua vida muito chatinha.
  22. 24. Falaram Falaram Falaram Dividiram tudo o que puderam. Compartilharam sentimentos. Ficaram muito emocionados: choraram juntos, sorriram juntos. E o mais importante: sonharam juntos.
  23. 25. O azul contou pro encarnado que tinha um grande sonho. O encarnado contou pro azul que também tinha um grande sonho.
  24. 26. E descobriram que tinham um mesmo sonho: sonharam em tecer uma grande trama!
  25. 27. Então tiveram uma grande idéia: resolveram fazer uma trama bem grandona. Uma trama com muitos pontos, muitos nós, muitas histórias, muitos conhecimentos...
  26. 28. Uma trama que ajudasse as pessoas a desvelarem a imaginação, os sonhos, os sentimentos, a alma, a consciência, os saberes... Uma trama cheia de mistérios e segredos a serem descobertos.
  27. 29. E foram se envolvendo... Torceram – destorceram Trançaram – destrançaram Subiram – desceram Fizeram – desfizeram...
  28. 30. E criaram... Uma grande trama azul e encarnada!

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