Equipe Técnica                       Meio Físico                                     Ana Mônica Correia, MSc.             ...
Mauro Melo Júnior                         Aramis Leite de Lima, MsC.Biólogo                                   Engº. Cartóg...
6    ESTADO DE    PERNAMBUCO    Governador                               Instituto de Tecnologia de Pernambuco    Eduardo ...
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Apresentação“Uma das experiências mais recifenses que o adventício pode ter noRecife: um mar de água morna, um sol que em ...
municípios litorâneos. Representa a criação de novas oportunidadesem um espaço democrático e público.O presente Relatório ...
159     INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE PERNAMBUCORelatório de impacto ambiental-RIMA:Recuperação da Orla Marítima – Municípios...
SumárioPOR QUE ESSA OBRA?						                           14	A ÁREA DO EMPREENDIMENTO                       	   18QUAL A Á...
EMPREENDEDOR                                      O RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS AMBIENTAISSecretaria de Meio Ambiente       ...
114         Por que essa obra?         Pernambuco vive um momento de grande crescimento econômico. O         desenvolvimen...
15em algumas áreas da orla. Essa decisão levou o governo de Pernambuco a realizar medidas parareduzir esses impactos, com ...
16     Características dos municípios – situação atual das praias     EXTENSÃO DE ORLA	     PRAIAS	 		                 FOR...
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218         A área do         empreendimento         A urbanização da zona costeira pernambucana com diferentes objetivos ...
19Compartimentação geomorfológica do ambiente praial                                                                      ...
residências ou obras de contenção, ocorre        maior impacto é facilmente verificado nessasporque o setor possui as maio...
21Histórico da ocupação da costa de Olinda:primeiras décadas do século XX e depois de 1960 e 2010                         ...
22     Histórico da ocupação da costa do Paulista e variação da linha de costa     da praia do Janga.                Fonte...
23Fotografia da praia dos Milagres, em 1950, onde ocorreu um avanço de80 metros da linha de costa                         ...
24     Fotografias de ruína de antigas residências em Olinda: praia do Carmo e     praia dos Milagres (1960)              ...
25Nos últimos vinte anos, diversas foram as obras     lógicas provocadas por essas intervenções nade contenção construídas...
26     Trecho das praias de Candeias e Piedade em 1963 (a) e em 2004 (b)     No Recife, foram colocados pedras-rachão     ...
27A seguir, percebe-se a alteração que essa região sofreu com o processo de urbanização nos últi-mos 36 anos. As fotografi...
28     A ampliação do Porto do Recife e, em seguida,    de ser ampliados. Na figura abaixo, de 1974,     a construção das ...
29Em resposta à erosão, as prefeituras dos mu-         Essas intervenções representaram altos custosnicípios decidiram por...
30     Podemos citar como exemplos de alterações da      A implantação de obras de proteção costeiras     linha de costa p...
31Principais métodos usados naproteção costeiraOs principais métodos utilizados na prote-        •	 Grupos de espigões – r...
32     •	 Muros longitudinais – podem ser verticais     •	 Enrocamento aderente – tem finalidade e        ou com perfil ad...
33Resultados das obras costeirasna contenção dos processoserosivosDois fatores são condicionantes na análise da        Com...
34     Essa intervenção é efetiva na proteção do          ção da linha de costa. Se essas estruturas fo-     terreno contr...
35No Recife, a principal estrutura costeira é um     Nas praias do Paulista, os enrocamentos,enrocamento com 2.100m de com...
36     Histórico da evolução da linha     de praia: processo natural x     interferência antrópica     Os registros compro...
37No estudo do MAI (2009), foram utilizados dois        se, principalmente, de trechos com obrasreceptores GPS, sempre uti...
38     costa por meio da posição da berma da praia,       e entre 2007 e 2010, calculadas pelo método     que se mostrou a...
39Ocupação do solo e erosãocosteiraO litoral pernambucano tem 187 quilômetros       Atualmente não existem estudos que pos...
40     Os primeiros relatos à erosão costeira nos             problemas de erosão em vários trechos do     municípios lito...
41•	 Baixa densidade – menor que 30% de                      Para ilustrar a metodologia utilizada, selecio-    ocupação; ...
342         Qual a área de influência         do empreendimento?         A área de influência do empreendimento correspond...
43Níveis Hierárquicos das Áreas de Influência do Empreendimento                                                           ...
44     importante ter como foco a área de jazida de           MEIO BIÓTICO     areia (no litoral do Cabo de Santo Agostinh...
45MEIO SOCIOECONÔMICO                                  A Área Diretamente Afetada (ADA) obedece à fai-                    ...
446         Como é o meio         físico na área do         empreendimento?         Geologia e Geomorfologia         Geolo...
47Essas bacias possuem características estrutu-      do Gelo, ocorreram diversas glaciações, querais, geocronológicas e es...
48     e ocupa a maior parte da área de estudo. O         de extrema importância em análises meteo-     relevo ondulado oc...
49Climatologia da precipitação média mensal em Olinda, Recife eJaboatão dos Guararapes.Com relação a vento, na faixa litor...
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51   res PR1 (7,4m3/m); PR2 (13,7m3/m);           A análise sedimentar fornece subsídios para   PR3 (9,6m3/m); PR4 (12,1m3...
52     Variação volumétrica dos perfis topográficos do município de Olinda                                                ...
53Plataforma                                           arenosos, marcas de ondas e os tipos de se-                        ...
54     A característica marcante desse fundo marinho     No município de Jaboatão dos Guararapes,     é a primeira linha d...
55de pedras-rachão e sacos de areia. No entanto,   A ampliação do Porto do Recife e a constru-o problema da erosão continu...
56     e muros (74%); 530m de espigões e molhes          costeira municipal. As estruturas têm a se-     (12%) e 600m de q...
57Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira 004,005, 006, 007 e 008 na praia de Candeias, Jaboatão dos...
58     Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira e     detalhe das estruturas presentes na praia de Br...
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  1. 1. Equipe Técnica Meio Físico Ana Mônica Correia, MSc. Geógrafa Adauto Gomes BarbosaCoordenação Geral GeógrafoIvan Dornelas, MSc. Antônio Vicente Ferreira JúniorEngº. Cartógrafo Geógrafo Bruno FerreiraCoordenação Técnica GeógrafoMaria do Carmo Martins Sobral, Drª Doris Regina Alves VeledaEngª Civil Meteorologista Fabíola de Souza GomesApoio a Coordenação Técnica Engª CivilRita de Cássia Barreto Figueiredo Glauber Matias de SouzaEngª Química GeólogoGustavo Lira de Melo Márcia Cristina de Souza Matos CarneiroBiólogo Engª CartógrafaAlessandra Maciel de Lima Barros Maria das Neves GregórioEngª Civil Geógrafa Maria das Vitórias do Nascimento, Msc Engª CivilAnálise do Projeto Romilson Ferreira da SilvaAna Paula Batista Lemos Ferreira MeteorologistaEngª. Civil Simone Karine Silva da Paixão, Especª. Engª CivilSupervisão Geral E. Ambientais Wanderson Dos Santos SousaWbaneide Martins de Andrade, MSc. MeteorologistaBióloga/Botânica Weronica Meira de Souza MeteorologistaSupervisão Meio FísicoSimone Karine Silva da Paixão Meio BióticoEngª Civil Alfredo Matos Moura Júnior, Dr. Biólogo/BotânicoSupervisão Meio Biótico Cristiane Maria V. A. de Castro, Drª.Maristela Casé Costa Cunha, Drª Bióloga/OceanógrafaBióloga Geraldo Jorge Barbosa de Moura, Dr. Biólogo/ZoólogoSupervisão do Meio Socioeconômico Hélida Karla Philippini da SilvaLúcia de Fátima Soares Escorel QuímicaArquiteta e Urbanista Karine Matos Magalhães, Drª. Bióloga/ BotânicaAnálise Jurídica Marcondes Albuquerque de Oliveira, DrºTalden Queiroz Farias, MSc. BiólogoAdvogado Maristela Casé Costa Cunha, Drª Bióloga/Oceanógrafa
  2. 2. Mauro Melo Júnior Aramis Leite de Lima, MsC.Biólogo Engº. CartógrafoPaula Braga Gomes Daniel Quintino SilvaBióloga Tecnólogo em GeoprocessamentoPaulo Guilherme Vasconcelos de Oliveira Diego Quintino SilvaEngº de Pesca Tecnólogo em GeoprocessamentoPetrônio Alves Coelho Filho Felipe José Alves de AlbuquerqueBiólogo Geógrafo Flávio Porfírio Alves, MsC.Meio Sócioeconômico Engº. CartógrafoBeatriz Mesquita Jardim PedrosaEngª de Pesca Apoio TécnicoCarlos Celestino Rios e Souza Anthony Epifânio AlvesArqueólogo Biólogo/Macroinvertebrados bentônicosGeorge F. C. de Souza Cacilda Michele Cardoso RochaHistoriador Biólogo/AvifaunaJosé Geraldo Pimentel Neto Elizardo Batista F. LisboaGeógrafo Biólogo/HerpetologiaLúcia de Fátima Soares Escorel Ericarlos Neiva LimaArquiteta e Urbanista Engº. de Pesca/IctiologiaLúcia Maria Goés Moutinho Jana Ribeiro de SantanaEconomista Engª. de Pesca/IctiologiaLuís Henrique Romani Campos Josinaldo Alves da SilvaEconomista Biólogo/BotânicaMarcos Antônio G. Matos de Albuquerque Milena Duarte de Oliveira SouzaArqueólogo ArqueólogaMaria Eleônora da Gama Guerra Curado Tatiana de Oliveira CaladoArqueóloga BiólogaOsmil Torres Galindo FilhoEconomista Apoio AdministrativoPaulo Alves Silva Filho, Msc. Eva Luzia NessoGeógrafo Analista de SistemasVeleda Christina Lucena de Albuquerque Marlúcia Alves RodriguesArqueóloga Pedagoga Solange C. da Costa e SilvaGeoinformação AdvogadaDaniel Quintino Silva Viviane Cabral GomesTecnólogo em Geoprocessamento AdministradoraDiego Quintino Silva Simone Rosa de Oliveira, MSc.Tecnólogo em Geoprocessamento BibliotecáriaCartografia Mobilização e Articulação SocialAna Carolina Schuler, MSc. Cândida Maria Jucá GonçalvesEngª. Cartógrafa Assistente SocialAna Mônica Correia, MScGeógrafa
  3. 3. 6 ESTADO DE PERNAMBUCO Governador Instituto de Tecnologia de Pernambuco Eduardo Henrique Accioly Campos (ITEP-OS) Vice-Governador Diretor Presidente João Soares Lyra Neto Frederico Cavalcanti Montenegro Secretaria de Meio Ambiente e Diretor Técnico Ivan Dornelas Falcone de Melo Sustentabilidade – SEMAS Sérgio Xavier Diretora Administrativa Financeira Fabiana Albuquerque de Freitas Secretário Executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMAS Hélvio Polito Lopes Filho Superintendente de Inovação Tecnológica Márcia Maria Pereira Lira Superintendência Técnica de Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMAS Leslie Tavares Coordenador da UGP Barragens Ivan Dornelas Falcone de Melo Gerente Geral de Planejamento e Gestão de Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMAS Benedito Parente
  4. 4. 7
  5. 5. Apresentação“Uma das experiências mais recifenses que o adventício pode ter noRecife: um mar de água morna, um sol que em pouco tempo amorenao corpo do europeu ou do brasileiro do Sul”Gilberto Freyre,Guia prático, histórico e sentimental da Cidade do RecifeO Recife e a sua Região Metropolitana nasceram a partir do mar.A cidade costeira e mercantil é também portuária e turística. A suaurbanização é forte na região costeira, a ocupação é disputada, densa,vertical. O metro quadrado próximo à praia tem valorização constan-te. A infraestrutura pública da orla é boa. As praias do Grande Reciferepresentam a mais democrática opção de lazer do pernambucano etambém o mais atraente cartão postal do Estado.Essa história, semelhante à de outras capitais no litoral brasileiro, pos-sui problemas específicos. A erosão costeira está entre os problemasmais persistentes. Contra seus efeitos, algumas alternativas foram co-locadas em prática, como os muros de proteção, diques, quebra-mares,espigões, molhes e outras construções com a finalidade de manter orecorte do litoral. A erosão continua e ignora a ação do homem.Os estudos ambientais presentes neste relatório representam umaresposta do Governo de Pernambuco, manifestada pela Secretaria deMeio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), ao contratar a AssociaçãoInstituto de Tecnologia de Pernambuco – ITEP/OS. A missão dada foi ade acompanhar e coordenar os estudos ambientais do Projeto de Recu-peração da Orla Marítima dos Municípios de Jaboatão dos Guararapes,do Recife, de Olinda e do Paulista.É um projeto estruturador, uma iniciativa do Governo do Estado. Fazparte da política pública de controle dos efeitos causados pelas mu-danças climáticas. Recuperar a praia e sua areia tem repercussãodireta no desenvolvimento socioeconômico e ambiental de importantes
  6. 6. municípios litorâneos. Representa a criação de novas oportunidadesem um espaço democrático e público.O presente Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresenta umasíntese dos estudos desenvolvidos para obtenção de licenciamentojunto à Agência Ambiental de Pernambuco (CPRH). O RIMA relacionaos principais resultados dos estudos realizados para os meios físico,para os seres vivos e o ambiente socioeconômico, no que se refereao diagnóstico ambiental atual, os prováveis impactos e as formas demitigação e controle que poderão ser implantadas. O relatório contémdados sobre o empreendimento e sobre os responsáveis envolvidos noprojeto de recuperação da orla e nos estudos ambientais.
  7. 7. 159 INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE PERNAMBUCORelatório de impacto ambiental-RIMA:Recuperação da Orla Marítima – Municípiosde Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda ePaulista (Pernambuco)/ Instituto de Tecnologiade Pernambuco. –Recife, 2012.98p.: il.ISBN:
  8. 8. SumárioPOR QUE ESSA OBRA? 14 A ÁREA DO EMPREENDIMENTO 18QUAL A ÁREA DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO? 42COMO É O MEIO FÍSICO NA ÁREA DO EMPREENDIMENTO? 46COMO SE APRESENTA O MEIO BIÓTICO NA ÁREADOEMPREENDIMENTO? 76QUAIS OS ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS DA ÁREA DOEMPREENDIMENTO? 100QUAIS SÃO OS IMPACTOS DO EMPREENDIMENTO? 110
  9. 9. EMPREENDEDOR O RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS AMBIENTAISSecretaria de Meio Ambiente Associação Instituto de Tecnologiae Sustentabilidade – SEMAS de Pernambuco – ITEP OSResponsável: Sérgio Luís de Carvalho Xavier Responsável: Frederico Cavalcanti MontenegroCNPJ: 13.471.612/000-04 CNPJ : 05.774.391/0001-15Avenida Marquês de Olinda, 222 Av. Professor Luiz Freire, 700Bairro do Recife, Recife - PE, CEP - 50030– 000 Cidade Universitária – Recife/PETelefone: (081) 31835506 / 31835513 Telefone: (81) 3183-4399http://www2.semas.pe.gov.br/web/sectma http://www.itep.br
  10. 10. 114 Por que essa obra? Pernambuco vive um momento de grande crescimento econômico. O desenvolvimento é maior na região costeira, com a valorização urbana e atração de novos empreendimentos residenciais turísticos, concentração de empresariais, projetos comerciais e industriais. O litoral possui a maior densidade demográfica do Estado, uma das maiores do Nordeste. A pre- sença humana gera problemas ambientais e desequilíbrio. A erosão costeira é uma reação da natureza à urbanização. Os processos erosivos são evidentes ao longo da costa e variam apenas na intensidade. Pedras com função de quebra-mar, diques, espigões, muros de proteção e outras tentativas para conter a erosão foram construídas em busca da solução de um problema local. Essas ações passaram a induzir a erosão em áreas próximas e o problema atingiu regiões vizinhas. O litoral de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista foi atingida pela erosão marinha ou mesmo em consequência das estrutu- ras de contenção instaladas. A erosão destruiu parte do potencial da orla para o turismo e o lazer. Os dois setores representam a base de empre- gos, geração de renda e riqueza de parte da população do Estado: afeta o vendedor de picolé e a indústria alimentícia, o movimento do quiosque na beira-mar e a ocupação do hotel de luxo, atinge o orçamento do motorista de táxi e da agência de turismo. A irregular faixa de areia das praias desses quatro municípios evidencia a necessidade da implantação de projetos de engenharia, integrados de forma regional. A partir de uma solução técnica que permita corrigir os impactos ambientais, que atenda à legislação e às exigências dos órgãos ambientais e que leve em consideração as fragilidades ambientais de cada um dos setores, além das características de cada um dos municípios. Com esse panorama, as prefeituras decretaram situação de emergência
  11. 11. 15em algumas áreas da orla. Essa decisão levou o governo de Pernambuco a realizar medidas parareduzir esses impactos, com uma visão mais ampla do litoral e dos municípios envolvidos.Esse projeto está limitado ao sul pela foz do rio Jaboatão e ao norte pela foz do rio Timbó, compre-endendo os municípios de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista. São ostrechos definidos como Pontos Críticos de Erosão (MAI, 2009). A recuperação da orla marítima erecomposição da areia das praias vão criar melhores condições para o desenvolvimento socioeco-nômico e ambiental. Representam novas oportunidades, melhores condições e praias com quali-dade.Localização da área de estudo. Municípios de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda ePaulista. Região Metropolitana de Recife (RMR). Fonte: Coastal Planning & Engineering do Brasil
  12. 12. 16 Características dos municípios – situação atual das praias EXTENSÃO DE ORLA PRAIAS FORMAÇÃO DE PRAIAS TIPOS DE OBRAS JABOATÃO DOS GUARARAPES 7.961 m Piedade, Candeias, 58,9% Sedimentos Enrocamentos, Espigões, Barra de Jangada 41,1% Obras Rígidas Muros RECIFE 13.444 m Boa Viagem, Pina 44,6% Sedimentos Arrecifes Brasília Teimosa 55,4% Obras Rígidas Enrocamentos OLINDA 12.261 m Praia dos Milagres 34,4% Sedimentos Enrocamentos Praia do Carmo 65,6% Obras Rígidas Espigões São Francisco, Farol Muros Bairro Novo Casa Caiada , Rio Doce PAULISTA 14.468 m Praia de Enseadinha 66,5% Sedimentos Enrocamentos Janga, Pau Amarelo 33,5% Obras Rígidas Espigões Nossa Senhora do Ó Muros Conceição, Maria Farinha
  13. 13. 17
  14. 14. 218 A área do empreendimento A urbanização da zona costeira pernambucana com diferentes objetivos e componentes culturais começa com a criação das primeiras vilas e cidades. As primeiras ocupações eram de grupos com interesse na pesca – praias e bordas das lagunas (AB’SABER, 1990). É esse o contexto do espaço urbano no litoral em Jaboatão dos Guarara- pes, no Recife, em Olinda e no Paulista resultante de relações sociais que se manifestam desde o período colonial, reflexo na urbanização presente nas cidades brasileiras. A pesquisa de Carneiro (2003) constatou que, em um período de trinta anos, considerando a série dos censos demográficos de 1970 até 2000, o aumento da população é multiplicado por seis. Esse dado, até mesmo de forma isolada, comprova o impacto ambiental. A pesquisa de Carneiro (2003) comprova os momentos de transformação estrutural na orla olindense. Foram mudanças sociais, políticas e econômi- cas, que refletiram no adensamento urbano desse espaço do litoral. Em outro estudo realizado em maio de 2003, Araújo et al. (2004) registra uma caminhada nas praias do litoral pernambucano, nas duas horas antes e nas duas horas depois da maré baixa. O estudo fez a identificação do ponto, com demarcação georreferenciada (GPS GARMIM) relacionada à ocupação urbana. A pesquisa também observa a presença, ou não, de edificações próximas à praia. A metodologia foi objetiva. Adotou trechos de praia e classificou em três graus de ocupação: ausência de ocupação da pós-praia; ocupação da pós-praia; e ocupação concomitante da pós-praia e da praia (estirâncio).
  15. 15. 19Compartimentação geomorfológica do ambiente praial Fonte: Adaptada de Araújo et al. (2004)O resultado do estudo de Araújo et al. (2004) demonstrou que o setor metropolitano é o mais for-temente ocupado, seguido pelos setores Norte e Sul pernambucanos respectivamente, conforme atabela abaixo.Setores do litoral pernambucano X extensão (km) e percentual do litoralX percentual de ocupação por edificações e/ou obras de contençãoSetores Extensão (km) % do litoral Ausência de ocupação Ocupação na pós-praia (%) Ocupação associada da na pós-praia (%) pós-praia e da praia (%)Norte 58 31 79.1 5.6 5.3Metropolitano 42 22.5 49.0 4.0 47Sul 87 46.5 78.7 9.7 11.6Total 187 100 72.1 7.13 20.63 Fonte: Adaptada de Araújo et al. (2004)O setor metropolitano, de acordo com a pesquisa de Araújo et al. (2004), representa 22,5% do li-toral pernambucano. Associado a esse indicador, metade do ambiente praial encontra-se ocupado.Essa ocupação ganhou nova dinâmica na década de 1970. As casas de veraneio se transformaramem residências. Em seguida, começa a substituição das casas por edifícios residenciais e hotéis.Cinquenta por cento das praias da região metropolitana apresentam áreas construídas que se es-tendem até o estirâncio. O elevado percentual de ocupação da praia, principalmente por
  16. 16. residências ou obras de contenção, ocorre maior impacto é facilmente verificado nessasporque o setor possui as maiores aglomerações praias. São as obras de engenharia que alteramurbanas do estado, em especial o Recife, Jabo- ou retêm a deriva de sedimentos arenosos,atão dos Guararapes e Olinda. Os trechos mais fundamentais para a alimentação da areia dascríticos corresponderam às praias em Jaboatão praias.e em Olinda. Elas possuem diversas obras decontenção, como exemplo, os 38 diques com A urbanização no litoral dos quatro municípiosintervalos de 50m de Olinda e, em Jaboatão ocorreu sobre as dunas frontais, de forma de-dos Guararapes, enrocamentos e outras cate- sordenada. A inadequação provoca e intensifi-gorias de intervenção. ca a erosão costeira. Em seguida, a construção de estruturas para mitigar os efeitos da erosãoOlinda apresentou a pior situação em termos agrava o problema. As obras de contençãode ocupação do ambiente na praia. O litoral têm sido construídas com o intuito de protegeré praticamente todo ocupado por grandes propriedades ameaçadas. Essas estruturas (emobras públicas de contenção. As poucas praias especial os enrocamentos e muros de conten-existentes ocorreram com a engorda de praia ção) são levantadas em frente da escarpa dasartificial (PEREIRA et al., 2003). dunas e se têm mostrado economicamente inviáveis. Proprietários ou mesmo o poderA ocupação observada próxima ao litoral em público gastaram recursos a tentar solucionarJaboatão dos Guararapes, no Recife, em Olinda os problemas da erosão costeira que afetam ase no Paulista é semelhante a de outras cidades obras construídas em locais indevidos. A cons-no mundo. A urbanização não deixou espaço trução dessas obras na pós-praia e na praiapara a praia, gerando prejuízos de toda ordem. altera a dinâmica sedimentar, compromete aO principal são as construções que impedem o estética do local, interfere na visão cênica e nosuprimento de areia. seu valor econômico.A infraestrutura urbana representada por ruas, Essa zona costeira precisa de ações corretivascalçadas, residências em área sob a ação do e preventivas (como o estabelecimento demar são as intervenções mais comuns. Confor- limites para construção) para promover umame estudos como o de Carneiro (2003), Araújo ocupação mais adequada da orla. A ordenaçãoet al. (2004), Manso (2004) e MAI (2009), o desse espaço é uma prioridade e um desafio.
  17. 17. 21Histórico da ocupação da costa de Olinda:primeiras décadas do século XX e depois de 1960 e 2010 Fonte: SEMAS, 2011.Histórico da ocupação da costa em Jaboatão dos Guararapes Fonte: SEMAS, 2011.
  18. 18. 22 Histórico da ocupação da costa do Paulista e variação da linha de costa da praia do Janga. Fonte: Patrícia de Oliveira, Hewerton da Silva, Neiva de Santana, Elisabeth Silva, Valdir Manso. Histórico das obras e intervenção de contenção do avanço do mar Os primeiros registros de erosão costeira no o avanço do mar na praia dos Milagres. A praia estado de Pernambuco são de 1914 (COUTI- perdeu 80 metros no período 1914 a 1950. NHO, 1997). Eles tratam dos danos causados Desde esta época, os problemas de erosão vêm pelo molhe localizado no istmo de Olinda. O sendo registrados em vários trechos do litoral, molhe em construção, na primeira década do em especial em áreas urbanas onde foram século XX, fazia parte das obras de ampliação implantadas obras costeiras de proteção (COU- do Porto de Recife. As figuras abaixo mostram TINHO, 1997).
  19. 19. 23Fotografia da praia dos Milagres, em 1950, onde ocorreu um avanço de80 metros da linha de costa Fonte: Cedida pelo Sr. José Maria, 1950 Fonte: Cedida pelo Sr. José Maria, 1950
  20. 20. 24 Fotografias de ruína de antigas residências em Olinda: praia do Carmo e praia dos Milagres (1960) Fonte: Coutinho (1997) Fonte: Coutinho (1997)
  21. 21. 25Nos últimos vinte anos, diversas foram as obras lógicas provocadas por essas intervenções nade contenção construídas nas praias dos qua- foz do rio Jaboatão, inclusive com significativatro municípios. Em Jaboatão dos Guararapes, redução de área na extremidade do pontalinstalaram-se estruturas do tipo guia corrente, do Paiva (Ilha do Amor, ao longo da margemespigões, enrocamentos aderentes e muros, direita do rio). Os efeitos da erosão tambémdesde a margem esquerda do rio Jaboatão até são visíveis com as perdas de área de praia emas praias de Piedade e Candeias. Nas figuras Candeias e Piedade (MAI, 2009).a seguir, é mostrada as modificações morfo-Foz do rio Jaboatão em 1989 (a) e (b) detalhe da área com obrascosteiras do tipo molhes e espigões ao longo da margem esquerda dorio em 2004 Fonte: a - Laborel (1963); b - Google Earth e fotografias CPRH (2006)
  22. 22. 26 Trecho das praias de Candeias e Piedade em 1963 (a) e em 2004 (b) No Recife, foram colocados pedras-rachão naturais, presentes até hoje. Na figura a seguir, e sacos de areia em resposta a erosão que vê-se a fotografia aérea de 1974, que retrata o destruiu parte do calçadão a praia de Boa Via- litoral da Praia de Boa Viagem, com a presen- gem, em 1994. No ano seguinte, novo estudo ça de dunas frontais preservadas e vegetação concluiu que a obra mais adequada à proteção (MAI, 2009). do calçadão seria o revestimento de blocos Fotografia aérea de 1974 da praia de Boa viagem, com o ambiente praial preservado e a presença de dunas frontais e vegetação Fonte: MAI (2009)
  23. 23. 27A seguir, percebe-se a alteração que essa região sofreu com o processo de urbanização nos últi-mos 36 anos. As fotografias em detalhe (a e b) mostram a descaracterização da praia em umFotografias de ruína de antigas residências em Olinda: praia do Carmo epraia dos Milagres (1960) Fonte: a - Fidem; b - Google Earth; fotografias de Tereza Araújo, 2004As primeiras obras de contenção do mar em Ela provocou diversos danos às construções si-Olinda ocorreram em 1950. As modificações tuadas entre as praias dos Milagres e do Farol.para a ampliação do Porto do Recife (1909- Uma mudança notável foi a realocação do farol1917) e da Base Naval do Recife são aponta- de Olinda, que funcionava à beira-mar.das como uma das causas da erosão.Fotografia de sobrevoo mostra a praia do Farol, Olinda Nota: No detalhe, antiga posição do farol de Olinda, 1940. A seta em amarelo mostra a posição atual do farol, construído no alto do morro do Serapião. Fonte: CPRH; fotografia de Alexandre Berzin, acervo da Fundação Joaquim Nabuco
  24. 24. 28 A ampliação do Porto do Recife e, em seguida, de ser ampliados. Na figura abaixo, de 1974, a construção das obras de contenção em Olin- podem-se perceber recifes naturais submer- da interferiram no balanço sedimentar costeiro sos, que serviram de suporte para o sistema nessa orla, provocando a erosão costeira em de quebra-mares. As modificações podem ser Paulista. Como forma de contenção da erosão, visualizadas na figura a seguir. Há formação de criou-se um sistema de quebra-mares asso- saliências e reentrâncias na zona de sombra ciados a espigões, que posteriormente tiveram dos quebra-mares (MAI, 2009). Fotografia da zona costeira do município de Paulista em 1974 (a) e em 2004 (b) depois da implantação do sistema de quebra-mares
  25. 25. 29Em resposta à erosão, as prefeituras dos mu- Essas intervenções representaram altos custosnicípios decidiram por fixar a linha de costa. sem resultados satisfatórios. A erosão era trans-Obras de contenção foram executadas ao longo ferida para praias ao lado.do litoral, em geral de forma pontual e semmaior conhecimento da dinâmica costeira. Apraia foi profundamente modificada e a belezacênica desvalorizada.Recuperação da orla marítima eseus resultados na contenção dosprocessos erosivosEm todo mundo, as zonas costeiras convivem • Alteração do transporte litorâneo – inter-com problemas. Os mais comuns estão ligados rupção ou modificação da movimentaçãoao recuo (erosão) ou avanço da linha de costa. de sedimentos ao longo da costa, sobNormalmente, relacionados com a retirada ou a ação das ondas e correntes. Como adeposição de sedimentos. Os problemas estão construção de um espigão perpendicular àmais associados à erosão, pelo risco de danos praia e molhes de proteção portuária, entremateriais. A erosão é de difícil controle. outras. • Alterações nos padrões das correntesDe acordo com o estudo do MAI (2009), litorâneas. Por exemplo, a construção depodem ser citadas entre as causas de erosão obras na pós-praia, na zona de arrebenta-costeira: (a) ação dos agentes naturais que ção, causando alteração das correntes.atuam ao longo da costa e (b) ações do homem • Remoção de sedimentos por dragagem.ligadas à implantação de estruturas artificiais, • Lançamento do produto de dragagem deseja para criar áreas (equipamentos de lazer e canais e de portos.turismo, portos entre outras), seja para a tenta- • Modificação das características das on-tiva de correção de problemas. das por efeito de refração e/ou difração em estruturas. Interrupção do aporte deComo exemplos dos problemas causados pela sedimentos por obras nos rios (barragens,interferência de estruturas artificiais, podem ser fixação de margens e leito). (MAI, 2009, v.citados: 2, p. 127).
  26. 26. 30 Podemos citar como exemplos de alterações da A implantação de obras de proteção costeiras linha de costa por meio de causas naturais: depende do tipo, do tamanho e da localização das necessidades; da eficiência do método • Alterações climáticas (efeito estufa, natu- utilizado; dos efeitos sobre as praias adjacentes rais), gerando modificações no regime de e do impacto econômico resultante da obra ventos, como agente diretamente transpor- costeira. tador de sedimentos (transporte eólico) ou Busca-se eleger o tipo de proteção a ser indiretamente, como gerador de ondas e definido, como muro de proteção, espigão e responsável, juntamente com as correntes alimentação artificial, procurando suprir as e ondas, pela dinâmica dos sedimentos. necessidades de acordo com a disponibilidade econômica local. Aliado a essa premissa, é • Ondas e correntes, como principais agen- necessária a realização de estudos ambientais, tes de transporte na zona imersa. como o monitoramento dos diferentes parâme- • Variação do nível de água, marés astronô- tros envolvidos no fenômeno, como a dinâmica micas, ressacas (marés de tempestades), das ondas, dos ventos, dos níveis de água, as alterações do nível médio do mar. alterações na movimentação e no abasteci- • Alterações naturais no aporte sedimentar mento dos sedimentos, e as variações do perfil dos rios. topobatimétrico de praia, como condicionan- • Chuvas intensas. (MAI, 2009, v. 2, p. tes para um adequado manejo costeiro (MAI, 127). 2009). As ondas geradas por ventos são as principais agentes de alteração da linha de costa, aliadas às variações do nível de água (maré, ressacas), combinados com a falta ou o excesso de aporte de sedimentos.
  27. 27. 31Principais métodos usados naproteção costeiraOs principais métodos utilizados na prote- • Grupos de espigões – reduzem o transpor-ção costeira buscam, no primeiro momento, te longitudinal e, consequentemente, oprevenir ou eliminar os efeitos. É denominado recuo da linha de costa. Algumas vezes,método direto. O outro método procura a cor- podem forçar a deposição de sedimentos ereção do problema por meio de eliminação das a reconstituição da área erodida. Podem,causas (MAI, 2009). entretanto, estar na origem (devido à redu- ção do transporte sedimentar) da erosão deDe acordo com MAI (2009), são exemplos de praias a sotamar. Exigem monitoramento emedidas indiretas: manutenção periódicos.• Retomada dos aportes sólidos retidos em • Quebra-mar destacado – construído em pa- barragens, ao sistema costeiro. ralelo à certa distância da linha de costa. Protege a praia, alterando a capacidade• Correção do transporte litorâneo por meio de transporte litorâneo, pela interceptação de modificações definidas, adequadamen- das ondas, total ou parcialmente (quebra- te, através de um estudo de monitora- mares com interrupções ou submersos). mento – no projeto de espigões, molhes, Podem originar a formação de tômbolos quebra-mares, muros novos ou existentes, (acréscimos na faixa de areia). Algumas entre outros (MAI, 2009, v. 2, p 128) dessas estruturas têm efeitos a sotamar, comparáveis aos dos espigões. Podem serVale acrescentar os exemplos de medidas isolados ou em grupos. Exigem monitora-diretas: mento e manutenção periódicos.Alimentação artificial – utilizada na reposição • Quebra-mar em T – quebra-mar ligadode material de áreas erodidas. Este método pa- à praia através de espigão. Tem efeitorece, à primeira vista, economicamente dispen- comparável ao anterior, com maior impactodioso, além da necessidade de monitoramento sobre o transporte longitudinal de sedi-e manutenção. Seu uso, no entanto, pode ser mentos, devido à existência do espigão.vantajoso, por manter o aspecto de praia natu- Podem ser isolados ou em grupos. Exigemral, agradável ao lazer e à contemplação. monitoramento e manutenção periódicos.
  28. 28. 32 • Muros longitudinais – podem ser verticais • Enrocamento aderente – tem finalidade e ou com perfil adaptado (construídos em efeito semelhante ao muro, com a vanta- concreto, gabiões, entre outros), cons- gem de apresentar menor coeficiente de truídos próximos à linha de costa, com reflexão, reduzindo o efeito da erosão do a finalidade de fixá-la. Neste método, a fundo. Exigem monitoramento e manuten- erosão no perfil de praia se restringe à ção periódicos. (MAI, 2009, v. 2, p. 129). erosão do fundo imediatamente à frente do muro, podendo ainda causar problemas de No entanto, toda intervenção de proteção cos- instabilidade da estrutura, redução da pós- teira, seja estrutural ou não, demanda cons- praia e, finalmente, acarretar seu completo tante monitoramento e manutenção, de acordo desaparecimento. São mais agressivos ao com o tipo. O monitoramento permite detectar perfil praial, devido a um maior poder de as alterações ocorridas durante a vida útil reflexão. Exigem monitoramento e manu- das intervenções e orienta com relação à boa tenção periódicos. manutenção. A descrição e avaliação das obras costeiras no Jaboatão dos Guararapes, no Reci- fe, em Olinda e em Paulista estão relatadas no diagnóstico do meio físico, Seção 8.8.
  29. 29. 33Resultados das obras costeirasna contenção dos processoserosivosDois fatores são condicionantes na análise da Com o plano de reduzir os problemas, forameficiência das intervenções em um dado trecho implantadas diferentes tipos de obras nasde praia. São eles: (i) o tipo de obra adotado e praias dos quatro municípios para proteção de(ii) a qualidade dos dados hidrossedimentológi- propriedades privadas e infraestrutura públi-cos existentes. ca. Muitas dessas estruturas se apresentam ineficientes quanto à proteção pretendida.As praias em Jaboatão dos Guararapes, do (MAI,2009,v2).Recife, de Olinda e do Paulista possuem umadinâmica diferenciada, que depende dos As obras do tipo enrocamento aderente, pre-fatores físicos costeiros locais. Até então, esses sente no litoral dos quatro municípios, foramagentes ambientais e a localização das obras construídas como soluções emergenciais.favoreceram a erosão costeira, que se agrava Elas têm por objetivo a proteção do terreno (ecom a ocupação inadequada da orla, como não da praia) aos danos produzidos pela açãoilustra a Figura 3.2-9 (MAI, 2009, v. 2). das ondas, particularmente sob condições das ondas de tempestade.Estrutura 004 na praia de Candeias, Jaboatão dos Guararapes,ocupando totalmente a faixa de praia Fonte: MAI (2009, v. 2, p. 134)
  30. 30. 34 Essa intervenção é efetiva na proteção do ção da linha de costa. Se essas estruturas fo- terreno contra a erosão, na proteção da parte rem construídas próximas da praia ou se forem mais elevada da praia. No entanto, as estru- muito extensas em relação ao comprimento das turas que não protegem a orla dos efeitos das ondas incidentes, ou ainda muito impermeá- inundações, nem da erosão dos sedimentos da veis, podem desenvolver uma saliência, que porção mais baixa do perfil praial, nem contra a passa a funcionar como um espigão, a barrar a redução da intensidade das tempestades. Essa deriva litorânea e causando efeitos erosivos nas intervenção pode contribuir para o rebaixamen- praias à jusante. Nessas condições, a deriva to dos depósitos de areia do perfil praial, com litorânea é forçada a se desenvolver no lado alteração significativa da paisagem. externo do quebra-mar, desviando a deriva litorânea do sistema praial (MAI, 2009, v. 2). Outra técnica presente no litoral em análise são os espigões. Esse tipo de obra é construída Segundo estudos desenvolvidos pelo MAI para ampliar na zona a barlamar a largura da (2009), as obras costeiras, ao longo da orla dos pós-praia ou para reduzir as taxas de deriva municípios de Jaboatão dos Guararapes, do litorânea. “A implantação dessas estruturas, Recife, de Olinda e do Paulista, somam uma dependendo do seu número e tamanho, pode extensão de 20.090m de estruturas cons- causar significativa retenção de sedimentos truídas, das quais 4.390m encontram-se em e, consequentemente, um déficit no balanço Jaboatão dos Guararapes; 3.440m no Recife; de areia, com redução no suprimento para as 7.610m em Olinda e 4.650m no Paulista. praias a jusante.” (MAI, 2009, v. 2, p. 144). Em Jaboatão dos Guararapes, de acordo com MAI (2009), as estruturas são as seguintes: Os quebra-mares são usados principalmen- te para reduzir a intensidade de energia das • 3.260m de enrocamentos e muros (74%); ondas durante os ventos de tempestade. Esse • 30m de espigões e molhes (12%); tipo de estrutura possibilita o desenvolvimento • 600m de quebra-mar (14%). de uma ampla e estável praia na sua área de sombra. Os efeitos adversos estão relaciona- Com esta distribuição de estruturas, pode-se dos com a redução da deriva litorânea para as concluir que nas praias de Jaboatão predomi- praias que se encontram à jusante do quebra- nam obras de proteção do terreno, do tipo en- mar. rocamentos aderentes e muros. O objetivo é a proteção do terreno, com a fixação da “linha de Outro efeito hidrodinâmico do quebra-mar é o costa”, em detrimento da faixa de praia, com o desenvolvimento de tômbolos de areia, peque- consequente impacto à paisagem e à vocação nas barras de areia que resultam na deforma- turística local.
  31. 31. 35No Recife, a principal estrutura costeira é um Nas praias do Paulista, os enrocamentos,enrocamento com 2.100m de comprimento espigões e quebra-mares protegem os terrenos.na praia de Boa Viagem e outro de 1.340m na Contudo, os quebra-mares, embora construídospraia de Brasília Teimosa conforme estudo do com altura elevada, causam proteção parcial daMAI (2009). A obra protege o terreno e não a linha de costa. Esse tipo de intervenção, aliadopraia. ao engordamento da praia, com sedimentos de composição e tamanhos inadequados, pode es-Na praias de Olinda, predominam obras de tar relacionado com os focos de erosão instala-proteção do terreno na forma de enrocamen- dos em alguns trechos. As estruturas presentestos, espigões e quebra-mares que causam boa na orla de Paulista têm a seguinte distribuição:proteção da linha de costa. Entretanto, essasestruturas causam significativa modificação nas • 1.850m de enrocamentos e muros (40%);taxas de deriva litorânea, com efeitos negativos • 80m de espigões e molhes (6%);à jusante, aliados ao impacto na vocação turís- • 2.520m de quebra-mares (54%).tica. As estruturas têm a seguinte distribuição:• 1.700m de enrocamentos e muros (22%);• 250m de espigões e molhes (3%);• 5.660m de quebra-mares (75%).
  32. 32. 36 Histórico da evolução da linha de praia: processo natural x interferência antrópica Os registros comprovam que a alteração da po- O estudo histórico evolutivo da linha de praia sição da linha de praia no litoral pernambucano dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, é antigo, em especial na costa de Olinda, que, do Recife, de Olinda e do Paulista foi feito pelo entre 1915 e 1950, experimentou um signifi- MAI (2009). Esse estudo mediu por meio de cativo recuo de aproximadamente 80 metros, o coordenadas, de precisão geodésica, de pontos que resultou em um intenso processo erosivo, a linha de praia dos municípios. A linha de cos- que se instalou, principalmente nas praias dos ta é uma feição extremamente dinâmica (BIRD, Milagres, do Carmo e de São Francisco. 1996) e, para sua medição, é necessário iden- tificar no ambiente praial as feições que melhor A zona costeira pernambucana apresenta altu- a representem. A linha de costa, neste estudo, ras médias de maré de sizígia de 2,07 metros, foi definida como a feição no plano horizontal, de acordo com a Diretoria de Hidrografia e Na- limite entre a área seca do continente, ou de vegação (DHN). A zona de espraiamento (zona uma ilha, e a parte onde há efetiva ação das situada entre o limite superior da preamar e o águas. Considera-se que o local está fora do limite inferior da baixa-mar) pode atingir até 60 alcance das águas, incluindo as maiores marés metros de largura na praia. de sizígia (MENDONÇA, 2005). Mapa ilustrando a posição da Linha de Costa em 1915 e 1950 (praia dos Milagres – Olinda/PE) Fonte: BRASIL (1985)
  33. 33. 37No estudo do MAI (2009), foram utilizados dois se, principalmente, de trechos com obrasreceptores GPS, sempre utilizados no modo do tipo enrocamentos, espigões e muros.relativo, com um permanecendo fixo em um • (2) Paulista tem 14.468,36m de litoral,ponto enquanto o outro era conduzido no modo sendo que em 9.626,93m (66,5%) écinemático sobre a feição que identificava a formado por praias com sedimento, e emlinha de costa. Os dados coletados pelos recep- 4.841,43m (33,5%) sem praias com sedi-tores durante os deslocamentos e os obtidos na mentos, constituindo-se, principalmente,estação base foram pós-processados no softwa- em trechos com obras do tipo enrocamen-re GPSurvey 2.35 Dual Frequency Kinematic tos, espigões e muros.Processor, desenvolvido pela Trimble. As coor- • (3) Olinda possui 12.261,14m de litoral,denadas são referenciadas ao Sistema Geodé- sendo que em 4.222,33m (34,4%) ésico Brasileiro (SGB), por meio de uma estação formado por praias com sedimento e emda rede nacional (estação da RBMC – Rede de 8.038,81m (65,6%) sem praias com sedi-Monitoramento Contínuo do IBGE) no campus mentos, constituindo-se, principalmente,da Universidade Federal de Pernambuco. O de trechos com obras do tipo enrocamen-estudo concluiu que o litoral dos municípios do tos, espigões e muros.Paulista, de Olinda, do Recife e de Jaboatão • (4) Recife tem 13.444,38m de litoral,dos Guararapes totaliza 48.135,07m de linha sendo que em 5.999.25m (44,6%) éde costa; desses, são formados por praias com formado de praias com sedimento, e emsedimentos 24.539,45m (51%) e 23.595,63m 7.445,13m (55,4%) sem praias com se-(49%) não têm praias com sedimentos. Nesse dimentos, constituindo-se de dois trechos:segundo segmento, o litoral é marcado pela um com recifes e outro com enrocamentos.presença de recifes e obras costeiras, tais comoenrocamentos, espigões e muros (MAI, 2009). O estudo CPEB (2011, v. 2) permitiu o cálculo evolutivo da linha de praia dos municípios deOs resultados do estudo do MAI (2009, v. 1, p. Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda58-59) apresentam uma distribuição da linha e do Paulista; para tal, utilizando fotografiasde costa ao longo dos litorais dos municípios aéreas e dois conjuntos de imagens extraídosde: do Google Earth®. O voo aerofotogramétrico realizou-se em 1974 e as imagens do Google• (1) Jaboatão dos Guararapes possui Earth® são de 2007 e 2010. A escolha do local 7.961,20m de litoral, sendo que em de linha de costa baseou-se num indicador que 4.690,94m (58,9%) é formado por praias não sofresse muita influência da variação de com sedimento, e em 3.270,26m (41,1%) um ciclo de maré. De acordo com o estudo do sem praias com sedimentos, constituindo- CPEB (2011, v. 2), decidiu-se extrair a linha de
  34. 34. 38 costa por meio da posição da berma da praia, e entre 2007 e 2010, calculadas pelo método que se mostrou aparente em todas as fotogra- EPR (End Point Rate), e a incerteza associada fias aéreas e imagens. O objetivo dessa análise a cada variação; (iv) a taxa de deslocamento da foi identificar áreas historicamente vulneráveis linha de costa em metros por ano entre 1974 à erosão e, de posse dessa informação, ter e 2007, e entre 1974 e 2010, calculadas pelo embasamento para a escolha de alternativas de método EPR e a incerteza associada. Esses intervenção que serão sugeridas pela CPE. resultados encontram-se detalhados no diag- nóstico do meio físico (CPEB, 2011, v. 2). Conforme o diagnóstico do CPEB (2011, v. 2), a costa dos quatro municípios tem aproxima- A análise do diagnóstico (CPEB, 2011) foi feito damente 50km de extensão; analisada com o a partir de uma série temporal de trinta e seis enfoque de determinar taxas de variação de anos e composta de três linhas de costa em linha de costa (LC) para cada município, feita diferentes momentos. Nesse contexto, percebe- por meio de transectos perpendiculares à linha se que a evolução recente da linha de costa de costa, com espaçamento de 50 metros. Um dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, total de 923 transectos na análise, 185 para o do Recife, de Olinda e do Paulista está firme- município de Jaboatão dos Guararapes, 241 mente atrelada à instalação das estruturas cos- para o município do Recife, 206 no município teiras. Nota-se que as variações mais acentua- de Olinda e 291 para o município do Paulista. das coincidem, na maior parte, com a presença Cada taxa de variação gerada por um transecto de estruturas rígidas naturais, como os arre- é a média entre o próprio transecto analisado e cifes, ou introduzidas pelo homem, como os os dois adjacentes. Isso suaviza as discrepân- quebra-mares e espigões e guias correntes. cias entre os resultados. A partir do resultado obtido pelo estudo CPEB Para apresentação dos resultados da análise, (2011) pode-se afirmar que a linha de praia no foram feitas imagens em que os segmentos de litoral dos municípios de Jaboatão dos Guarara- costa se dividiram para cada município. Além pes, do Recife, de Olinda e do Paulista, apre- da localização da área de estudo, em cada senta uma acentuada interferência antrópica, figura, apresentam-se gráficos contendo: (i) resultando numa linha de praia atual experi- o deslocamento linear total da linha de costa mentando erosão em diversos trechos e perdas para 2007 e 2010, tendo por base a linha de patrimoniais elevadas (CPEB, 2011, v. 2). 1974; (ii) o deslocamento linear total da linha de costa de 2010, tendo por base a linha de 2007; (iii) a taxa de deslocamento da linha de costa em metros por ano entre 1974 e 2007,
  35. 35. 39Ocupação do solo e erosãocosteiraO litoral pernambucano tem 187 quilômetros Atualmente não existem estudos que possamde extensão, 21 municípios e é o mais impor- comprovar a contribuição relativa de cadatante aglomerado populacional do Estado, com um desses fatores, no entanto, sabe-se que a44% de sua população (ARAÚJO et al., 2004). ocupação do ambiente da praia por edificaçõesEssa zona costeira apresenta uma densidade ou outras estruturas modifica a manutençãopopulacional maior do que 900 hab/km2, sig- do equilíbrio sedimentar natural (MAI,2009).nificando uma das maiores concentrações do Nessas franjas costeiras, observa-se, com fre-Brasil, que tende a aumentar considerando os quência, a presença de muitas obras (prédios,novos empreendimentos que estão instalando- muros de contenção, estradas e estruturas dese na região nos últimos anos (MAPLAC, 2010). engenharia costeira) que foram construídas sobre o pós-praia, setor da praia essencial paraDiferentes pesquisas (CARNEIRO,2003; GRE- o suprimento de sedimentos, comprometendoGÓRIO, 2009; MAI, 2009) feitas ao longo da assim vários trechos de praia que estão sob umzona costeira pernambucana e, em especial, forte processo de erosão (SOUZA, 2006).na região metropolitana do Recife, comprovamque estão ocorrendo intensos processos erosi- Nos trechos críticos da zona costeira da regiãovos, com muitos trechos da costa em desequilí- metropolitana do Recife, que experimentam obrio, apresentando erosão marinha progressiva processo de erosão, o manejo desse problema(CPRH, 1998 apud SOUZA, 2006). A combina- tem sido realizado por meio da colocação deção de diversos fatores tem resultado nos pro- muros aderentes, enrocamentos, espigões ecessos erosivos constados atualmente: o aporte quebra-mares sem o devido suporte de in-sedimentar para as praias é deficiente pela formações (MAI, 2010). Ao longo do tempo,ausência de grandes rios; a plataforma conti- observa-se que essas intervenções frequente-nental é estreita e dificulta o armazenamento mente resultam em insucessos ou mesmo nade sedimentos para remobilização; as linhas de intensificação do processo erosivo, localmentearrecifes submersos na plataforma dificultam ou em áreas adjacentes, implicando investi-a remobilização de sedimentos; a ocupação mento de somas elevadas para a manutençãodesordenada do ambiente praial imobiliza as e, também, em prejuízo estético (SOUZA,dunas e dificulta a reconstrução das praias no 2006; MAPLAC, 2010).período de verão.
  36. 36. 40 Os primeiros relatos à erosão costeira nos problemas de erosão em vários trechos do municípios litorâneos pernambucanos são de litoral e mais notadamente nas áreas urba- 1914 e mencionam os danos causados pela nas (MAI, 2009). A próxima figura apresenta intervenção no molhe localizado no istmo de fotografias de diversas épocas das praias dos Olinda, parte das obras de ampliação do Porto municípios de Jaboatão dos Guararapes, do do Recife. A partir de então, constataram-se Recife, de Olinda e do Paulista. Ocupação do solo e erosão costeira Nota: As fotografias A, B e C mostram a ocupação atual do solo e processos erosivos da orla de Jaboatão dos Guararapes, assim como as obras de contenção do avanço do mar, tipo enrocamento; as fotografias D, E e F mostram a ocupação atual do solo e processos erosivos do litoral do Recife, assim como as obras de contenção do avanço do mar, tipo enrocamento na praia de Boa Viagem; a fotografia da ocupação do litoral de Olinda (no alto, à direita) retrata uma praia ocupada por obras de contenção costeira do tipo espigão, enrocamento e quebra-mares. A fotografia aérea da ocupação do litoral do Paulista retrata uma praia ocupada por obras de contenção costeira do tipo quebra-mares. Projeto MAI (2009) estudou a variação da ocu- de 2008 (Agência Condepe/Fidem). A área cos- pação do solo por trinta e quatro anos no litoral teira selecionada, considerada para monitorar dos quatro municípios da Região Metropolitana a ocupação do solo, foi uma faixa demarcada do Recife com o objetivo de comprovar que por quadras e vias, afastada da linha de costa o aumento da ocupação do solo tem relação entre 200 e 300 metros. Conforme o estudo direta com a erosão. Essa pesquisa foi realizada do Projeto MAI (2009), foram consideradas na com a análise de fotografias aéreas de 1974 análise as seguintes faixas de densidade para a (Agência Condepe/Fidem) e imagens Quickbird área ocupada:
  37. 37. 41• Baixa densidade – menor que 30% de Para ilustrar a metodologia utilizada, selecio- ocupação; nou-se um recorte costeiro no município de• Média densidade – entre 30% e 70% de Jaboatão dos Guararapes, com praia arenosa ocupação; em 1974, e atualmente, com problemas de• Alta densidade – maior que 70% de ocu- erosão. Para tanto, a classificação realizada pação. para ocupação do solo foi disposta sob uma mesma base cartográfica, para 1974 e 2008 e os resultados encontrados são apresentados na tabela abaixo.Distâncias e percentuais da ocupação do litoral dos municípios deJaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do PaulistaMUNICÍPIO 1974 2008 CLASSIFICAÇÃOJaboatão dos Guararapes 414.411,92 m² 25,2% 1.086.408,01 m² 66,1% Alta densidade 464.950,26 m² 28,3% 439.471,14 m² 26,7% Média densidade 764.863,87 m² 46,5% 118.346,9 m² 7,2% Baixa densidadeRecife 1.525.669,83 m2 72,6% 1.896.909,94 m2 90,3% Alta densidade 358.328,85 m2 17,1% 95.549,73 m2 4,5% Média densidade 216.650,35 m2 10,3% 108.189,68 m2 5,2% Baixa densidadeOlinda 887.321,60 m2 50,9% 1.135.018,63 m2 65,1% Alta densidade 451.465,43 m2 25,9% 467.874,07 m2 26,8% Média densidade 405.829,62 m2 23,2% 141.723,95 m2 8,1% Baixa densidadePaulista 273.203,12 m2 6,7% 1.637.269,64 m2 40,4% Alta densidade 555.163,67 m2 13,7% 1.202.753,91 m2 29,7% Média densidade 3.220.752,67 m2 79,6% 1.209.095,92 m2 29,9% Baixa densidade Fonte: MAI (2009)
  38. 38. 342 Qual a área de influência do empreendimento? A área de influência do empreendimento corresponde aos espaços geográ- ficos passíveis de alterações em termos de dinâmica ambiental a partir da projeção de cenários relacionados à implantação e operação do mesmo, tratando-se aqui da Recuperação da Orla Marítima – Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista – Pernambuco. Conforme legislação ambiental vigente e exigências do Termo de Referência 14/2011 emitido pela CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco) em 14 de setembro de 2011, serão aborda- dos e justificados de forma distinta, os meios físico, biótico e socioeconômico. As áreas de influência do empreendimento serão estabelecidas segundo os seguintes níveis hierárquicos (CPRH, 2011, p. 9): • Área de Influência Indireta (AII): aquela onde os impactos provenien- tes da implantação e operação do empreendimento se fazem sentir de maneira indireta e com menor intensidade em relação à área de influência direta. • Área de Influência Direta (AID): aquela sujeita aos impactos diretos provenientes da implantação e operação do empreendimento, incluí- do faixa marítima a ser utilizada para transporte de matéria prima. • Área Diretamente Afetada (ADA): aquela onde ocorrem as interven- ções relacionadas ao empreendimento, incluindo áreas de apoio como canteiros de obra, acessos, áreas de jazida, etc. O diagrama na próxima página mostra uma representação hierárquica das áreas de influência do empreendimento:
  39. 39. 43Níveis Hierárquicos das Áreas de Influência do Empreendimento Fonte: ITEP – UGP Barragens 2011É importante lembrar que os meios físico, biótico entre outros aspectos. Vale frisar o estreitamen-e socieconômico compõem o universo de estudos to da faixa de areia, o fim do ambiente praial eintegrados do meio ambiente, previstos na elabo- pós-praial em muitos pontos ao longo da costaração do EIA/RIMA. Para efeitos de elaboração metropolitana ocorre por fatores relacionados àdo diagnóstico e prognóstico ambiental, impactos evolução histórica das formas de uso dessa faixae planos de controle ambiental, os três meios de orla, associada a outros fatores, como a dimi-citados devem ser entendidos de forma interrela- nuição da quantidade de sedimentos carreadoscionada e interdisciplinar. pelos rios, como a dinâmica de correntes maríti-É necessário ressaltar o caráter de localização do mas e padrões de ventos e ondas. Nesse sentidoempreendimento. O projeto de Recuperação da estabeleceu-se a seguinte delimitação para efeitosOrla Marítima dos municípios de Jaboatão dos de estudo:Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulistaconcentra-se na faixa de orla destes municí- MEIO FÍSICOpios, a qual se insere no contexto de uma regiãometropolitana brasileira com elevados níveis de A Área de Influência Indireta (AII) correspondeimpermeabilização do solo, grande concentração aos municípios do Cabo de Santo Agostinho, depopulacional, valorização do metro quadrado, Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda,forte especulação imobiliária, limitações de áreas do Paulista, de Abreu e Lima, Igarassu e Itama-verdes, áreas estuarinas ocupadas e poluídas, racá. Ao se considerar esse nível hierárquico é
  40. 40. 44 importante ter como foco a área de jazida de MEIO BIÓTICO areia (no litoral do Cabo de Santo Agostinho), as áreas que irão sofrer intervenção por meio da A delimitação da Área de Influência Indireta obra (municípios de Jaboatão dos Guararapes, (AII) segue os mesmos procedimentos utilizados do Recife, de Olinda e do Paulista) e uma impor- para o meio físico. Supõe-se que a delimitação tante zona estuarina nos municípios de Igarassu dos municípios do Cabo de Santo Agostinho, de e Itamaracá. A AII engloba os seguintes relevos: i) Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda, semi-plano: predominam as áreas baixas e englo- do Paulista, de Abreu e Lima, de Igarassu e de ba a área de planície flúvio-costeira, os tabuleiros Itamaracá abrange uma área significativa em ter- e os terraços; ii) ondulado: formado por morros e mos de diversidade de espécies da flora e fauna, colinas, com declividades acentuadas. A inserção além de contemplar possíveis rotas de migração de Itamaracá nessa regionalização reflete uma de espécies com a implementação do empreen- preocupação relacionada à Ilhota da Coroa do dimento. Assim, tem-se a importância do Cabo Avião, uma vez que representa uma formação de Santo Agostinho quanto à posição da jazida e emersa de origem recente (menos de 50 anos). prováveis impactos nas espécies subaquáticas, Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda, Paulista A Área de Influência Direta (AID) se estende da com relação à zona de intervenção física e impac- linha de costa até a isóbata (linhas de profundi- tos em espécies terrestres e subaquáticas e, em dade) de 20m. Essa área foi projetada para todo Itamaracá, no que diz respeito à Coroa do Avião o litoral dos quatro municípios, já que apresenta e sua necessidade por recomendações, a fim de os processos erosivos que serão focos de análise viabilizar a manutenção de espécies vivas desse dos estudos e concentra as principais dinâmicas ambiente recentemente formado. marinhas relacionadas ao transporte de sedimen- tos e incidência de ondas na costa. A Área de Influência Direta (AID) corresponde à área inserida entre a linha de costa e limite médio A Área Diretamente Afetada (ADA) segue os mes- de 3km no sentido leste em relação à costa mos critérios de delimitação adotados na AID (se (plataforma marinha). Considera em sua delimi- estende da linha de costa até a isóbata de 20m), tação à diversidade verificada nos beach rocks e porém restringe-se apenas aos quatro municípios áreas de prováveis concentração e deslocamento que irão receber o empreendimento: Jaboatão de tubarões (aproximadamente a 2km da linha dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista. de costa). A Área Diretamente Afetada (ADA) respeita como limite a área inserida entre a linha de costa e os beach rocks e enroncamentos.
  41. 41. 45MEIO SOCIOECONÔMICO A Área Diretamente Afetada (ADA) obedece à fai- xa de orla marítima enquanto unidade geográficaA Área de Inlfuência Indireta (AII) é representada inclusa na zona costeira. Sua delimitação seguepela totalidade dos espaços territoriais represen- as recomendações do Ministério do Meio Am-tados pelos municípios de Jaboatão dos Guarara- biente (2006, p.28), o qual estabelece um limitepes, do Recife, de Olinda e do Paulista, uma vez para a área terrestre de 50m em áreas urbaniza-que o empreendimento proposto contempla uma das e de 200m em áreas não urbanizadas. Dadoárea pública urbanizada. os elevados níveis de densidade de ocupação do solo deste empreendimento, resolveu-se fazerA Área de Influência Direta (AID) corresponde uma ampliação na faixa de área terrestre emaos setores censitários que contém os trechos de áreas urbanizadas, passando de 50m para 100morla destes municípios. Essa escolha se deve ao e mantendo os mesmos 200m para áreas não ur-fato dessa ser a menor unidade de medida onde banizadas. A área é correspondente às praias queé possível obter informações com dados secun- sofrerão a intervenção e aos prédios em frente adários. essas. Para os estudos de patrimônio cultural, a ADA também considerou regiões subaquáticas, a exemplo dos pontos de naufrágio na costa destes municípios.
  42. 42. 446 Como é o meio físico na área do empreendimento? Geologia e Geomorfologia Geologicamente, a área de estudo do projeto de Proteção Costeira, que engloba os Municípios de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista, está inserida nos domínios das bacias de Pernambuco e Paraíba. Mapa de localização das bacias de Pernambuco e Paraíba com ênfase nos seus limites estruturais Fonte: Barbosa & Lima Filho (2006).
  43. 43. 47Essas bacias possuem características estrutu- do Gelo, ocorreram diversas glaciações, querais, geocronológicas e estratigráficas diferen- representaram eventos de variações climáticastes, as quais refletem o processo de formação extremas e que repercutiram sobre todos osdiferenciado. As bacias de Pernambuco e Pa- ambientes terrestres.raíba se relacionam geneticamente ao processode rifteamento que afetou o paleocontinente A sedimentação de ambientes costeiros está di-de Gondwana durante o Cretáceo Inferior. A retamente relacionada às variações do nível dobacia de Pernambuco seria controlada por mar, ao espaço de acomodação e ao suprimen-um sistema de falhas normais, com direção to sedimentar. O nível do mar sofre variações aoprincipalmente NE, e falhas de transferência, longo do tempo geológico, de ordem global, de-predominantemente, de direção NW, sendo vido à eustasia que é consequência da variaçãoque ambas definem um eixo principal de dis- de volume de água dos oceanos, decorrente detensão (s3) de orientação NW. A bacia Paraíba glaciações e deglaciações, e variações na capa-sofreu eventos tectônicos diferenciados dos cidade reservatória dos oceanos, causadas pelafenômenos ocorridos nas bacias adjacentes ao dinâmica das placas tectônicas. Localmente ounorte e ao sul (Barbosa, 2004 apud Asmus & regionalmente, o nível do mar se modifica devi-Carvalho, 1978). A preservação de uma ligação do à isostasia. A costa brasileira foi submetida,(landbridge) entre a África e a América do Sul, durante o Quaternário, a diversas oscilações dodurante o Cretáceo Superior (Barbosa, 2004 nível do mar que ficaram registradas em teste-apud Rand, 1985; Rand & Mabesoone, 1982) munhos fósseis. Grande parte desses registrospossivelmente é responsável pela diferenciação fósseis foi submetida a estudos, utilizandoentre a bacia Paraíba e as bacias de Alagoas, métodos de datação isotópicos, paleontológi-Pernambuco e Potiguar. Conforme Barbosa & cos, arqueológicos para definição da idade deLima Filho (2006), a bacia Paraíba comparti- formação do registro.menta-se em sub-bacias que se baseiam nasprincipais feições tectônicas da área. Geomorfologicamente, a área de estudo apresenta-se inserida em um único domínioA sub-bacia Olinda é limitada pelo Lineamento morfoestrutural denominado de Domínio Rifte.Pernambuco e pela falha de Goiana; a sub- Ela se apresenta, de modo geral, em doisbacia Alhandra/Miriri é limitada pela falha de conjuntos distintos de relevo: o relevo semi-Goiana e o Lineamento Paraíba. O período plano e o relevo ondulado. O relevo semi-planogeológico conhecido como Quaternário com- encontra-se na porção Leste, com maiorpreende as Séries do Pleistoceno e Holoceno, presença no município do Recife, englobando aesses inseridos na Era Cenozóica. Nesse espa- área de planície flúvio-costeira, os tabuleiros eço temporal, também conhecido como a Era os terraços. É onde predomina as áreas baixas
  44. 44. 48 e ocupa a maior parte da área de estudo. O de extrema importância em análises meteo- relevo ondulado ocupa uma pequena porção rológicas e climatológicas em zonas costeiras. da área e é formado por morros e colinas, com Verifica-se que o semestre mais chuvoso declividades acentuadas. corresponde aos meses de março a agosto, e o mais seco ao período de setembro a janeiro. Os Condições meses mais chuvosos correspondem a maio, junho e julho com precipitação de 295mm, meteorológicas 362mm e 301mm, respectivamente. Outubro e hidrodinâmicas novembro são os meses mais secos com preci- pitação inferior a 40mm. As condições meteorológicas e o clima são influenciados por características geográficas como oceano, latitude, relevo, solo e por siste- mas de circulação atmosféricos dinâmicos. A orla marítima dos quatro municípios analisados está situada em posição geográfica favorável à atuação simultânea dessas influências, prin- cipalmente das variáveis atmosféricas como vento e pressão atmosférica, que provocam alterações no nível do mar costeiro, afetando de forma considerável as cidades localizadas na linha de costa. A precipitação se apresenta como uma variável
  45. 45. 49Climatologia da precipitação média mensal em Olinda, Recife eJaboatão dos Guararapes.Com relação a vento, na faixa litorânea de Per-nambuco verificou-se que os maiores valores Praiasem intensidade foram observados no setor As praias são depósitos de sedimentos, co-leste, fator esse que está associado à atuação mumente arenosos, acumulados pela açãodos ventos alísios de sudeste, devido o deslo- das ondas, ventos e marés (MUEHE, 2009).camento da Alta Subtropical do Atlântico Sul. Representam um elemento natural de prote-Os meses de novembro, dezembro e janeiro ção ao litoral. O perfil transversal de uma praiaapresentam direção predominante de leste varia com o ganho ou perda de sedimentos, decom intensidade de 3 a 5m/s em novembro e acordo com o nível de energia das ondas e comdezembro, e 2 a 3m/s em janeiro. Em fevereiro a alternância de tempo bom (acumulação) noe março, há um aumento na magnitude do prisma subaéreo ou de tempestade (erosão),vento com valores em torno de 3 a 4m/s e uma com a retirada de sedimentos do perfil subaé-pequena mudança na direção do vento que reo para o perfil submerso, ocorrendo à erosão.passa de Leste para Sudeste. Nos meses deabril, maio, junho, julho, agosto, setembro e ou- O ambiente praial, segundo Reading e Collin-tubro, a direção é de sudeste com intensidade son (1996), consiste em dunas frontais,de 5 a 6m/s, com exceção dos meses de abril e pós-praia, praia e antepraia. As dunas frontaisoutubro com velocidade entre 4 a 6m/s.
  46. 46. 50 limitam-se com a pós-praia na parte inferior da ta. Foi utilizada a nomenclatura morfológica e escarpa. A pós-praia situa-se acima da linha da hidrodinâmica sugerida por Hoefel (1998) para preamar, sendo atingida pela ação das ondas a definição da divisão do perfil praial. em ocasião de tempestades. Praia ou estirâncio está situada entre o limite superior da preamar O monitoramento realizou 460 nivelamentos e o limite inferior da baixamar. A antepraia topográficos, distribuídos em 28 perfis localiza- compreende a parte submersa do perfil e se dos em Jaboatão dos Guararapes, nas praias delimita com a praia no nível da maré baixa, de Barra de Jangadas (01), Candeias (02) e estendendo-se em direção offshore, até onde Piedade (02); no Recife, nas praias da Boa Via- não há remobilização dos sedimentos. Os gem (04) e do Pina (01); em Olinda, nas praias fatores que influenciam na construção e na dos Milagres (01), do Carmo (03), do Bairro variação de um perfil praial são condições de Novo (03), de Casa Caiada (02) e do Rio Doce energia das ondas, o tipo de arrebentação, o (02); no Paulista, nas praias do Janga (03), sedimento e o seu transporte, que interagem de Pau Amarelo (01), de Nossa Senhora do com as condições hidrodinâmica locais. Ó (01), de Conceição (01) e de Maria Farinha (01). Mudanças no ambiente praial podem ser medidas por vários métodos, um deles é o De acordo com o projeto MAI, os resultados ob- método topográfico convencional, tal como o tidos durante o monitoramento correspondem: teodolito (BIRD, 1996). Esses métodos podem avaliar e monitorar o avanço ou a recessão da • Jaboatão dos Guararapes apresentou um linha de costa ao longo do tempo (LARSON e balanço sedimentar positivo para os perfil KRAUS, 1994; CLARK e ELIOT, 1988; LACEY e 1 (42,4m3/m), perfil 4 (28,5m3/m) e um PECK, 1998; SWALES, 2002; ANFUSO e DEL balanço negativo para o perfil 2 no valor RIO, 2003). O nivelamento topográfico tem por de 16,5m3/m, para o perfil 4 na ordem finalidade verificar a variabilidade vertical do de 22m3/m. O município do Jaboatão dos perfil praial, se há uma tendência erosiva ou Guararapes apresentou em sua região cen- deposicional no ambiente. tral um déficit de sedimentos, porém os perfis 2 e 3 apresentaram o menor volume O projeto Monitoramento Ambiental Integra- de sedimentos; do (MAI) foi realizado no ambiente praial da • No Recife, os perfis apresentaram um Região Metropolitana do Recife (RMR), nos balanço sedimentar positivo, considerando anos de 2006 e 2007. O nivelamento dos perfis a diferença no volume sedimentar entre foi determinado a partir de uma Referência de o primeiro mês monitorado e o ultimo Nível (RN) perpendicularmente à linha de cos- mês. São observados os seguintes valo-
  47. 47. 51 res PR1 (7,4m3/m); PR2 (13,7m3/m); A análise sedimentar fornece subsídios para PR3 (9,6m3/m); PR4 (12,1m3/m); PR5 a correlação entre as características texturais (+17,8m3/m). Entretanto, Gregório e Arau- dos sedimentos e dos vários ambientes, que jo (2008) realizaram um monitoramento compõe a dinâmica deposicional, e estabele- por um período mais longo nas praias de cer parâmetros utilizáveis na identificação e Boa Viagem e do Pina, entre os anos de característica do ambiente (SUGUIO, 1973). 2001 a 2005, e constataram uma maior Segundo a classificação de WENTWORTH variação no volume de sedimentos nos (1922 apud MUEHE, 1996) são classificados extremos das praias, inclusive na praia do em: cascalho (-1 Φ), areia muito grossa (-1 a 0 Pina, e no perfil ao norte da obra de con- Φ), areia grossa (0 a 1 Φ), areia média (1 a 2 Φ), tenção (enrocamento); areia fina (2 a 3 Φ), areia muito fina (3 a 4 Φ).• Em Olinda, apresentaram um balanço sedi- O tamanho do grão depende da natureza do mentar positivo os perfis PO1 (7,46m3/m), material envolvido, do tempo e da distância do PO2b (13,10m3/m), PO2c (6,85m3/m transporte. ), PO5 (17,59m3/m), PO6 (3,10m3/m ), PO7 (3,00m3/m), PO8 (4,10m3/m ); e A metodologia utilizada pelo MAI foi a classi- um balanço sedimentar negativo (Figura ficação proposta por FOLK e WARD (1957). 8.6-2) para os perfis PO2a (0,69m3/m), Os dados foram processados no software PO3 (19,98m3/m), PO4 (9,49m3/m ) e SYSGRAM, sendo utilizado o tamanho médio PO9 (2,00m3/m). Os perfis localizados do grão. Para os perfis de Jaboatão dos Gua- na praia do Carmo se encontram em uma rarapes predominou areia fina nos perfis PJ1 saliência, que corresponde aos vestígios e PJ2 e PJ5, na parte extremas do segmento da ponte utilizada para a construção do Jaboatão; e em sua parte central PJ3 e PJ4 quebra-mar, aumentando o volume sedi- foi observado areia média. No Recife, há uma mentar da parte superior do perfil; predominância de areia fina em todo o arco• No Paulista, os resultados apresentaram praial. Em Olinda, verificou-se a presença de um balanço sedimentar positivo nos perfis areia grossa em todos os perfis; porém o perfil PA1 (28,46m3/m), PA2 (0,28m3/m), PA3 PJ3 apresentou uma maior variação de areia (13,26m3/m), PA4 (27,06m3/m), PA5 média a grossa. Em relação ao município do (12,57m3/m), PA7 (11,07m3/m); e um Paulista, há predominância de areia média, balanço sedimentar negativo para o perfil sendo observado também uma variação de PA6 (48,33m3/m). areia fina a média, principalmente nos perfis nos perfis PA4 e PA5, correspondendo à parte central segmento.
  48. 48. 52 Variação volumétrica dos perfis topográficos do município de Olinda Fonte: MAI (2009).
  49. 49. 53Plataforma arenosos, marcas de ondas e os tipos de se- dimentos (areia, cascalho ou lama). Os dadosInterna batimétricos descritos possibilitaram uma análi- se de reconhecimento preliminar da morfologiaA plataforma continental de Pernambuco é da plataforma interna da região estudada. Oscaracterizada por uma largura média de 34km, dados compilados de outros projetos foramvariando aproximadamente de 30km no trecho interpolados e com isso foi gerado um modelosul a 40km no extremo norte. Possui um relevo digital de terreno para a referida área (ver figurasuave, com a quebra da plataforma na faixa de a seguir).60metros de profundidade (Araújo et al. 2004). A morfologia de fundo na área estudadaO levantamento batimétrico detalhado permitiu influencia de forma significativa os processosa visualização das variações da profundidade, hidrodinâmicos que ocorrem na região, taisbem como a morfologia da plataforma con- como a dinâmica das correntes, a incidênciatinental interna na área pesquisada. Sendo das ondas e o transporte sedimentar. Portanto,assim, foi possível identificar as principais fei- são informações imprescindíveis para a com-ções, tais como os arenitos de praia, os bancos preensão dos problemas de erosão costeira quearenosos, os paleocanais e os leitos planos e atinge a Região Metropolitana do Recife.com declives pouco acentuados. Ao analisar o comportamento dos sedimentosDe forma geral, foi possível observar que a do ambiente praial e da plataforma continentalplataforma interna dos municípios de Olinda interna do Recife, Gregório (2009) observoue, particularmente, do Paulista apresentam uma forte influência da presença da linha degradientes suaves em direção offshore, com arenito de praia, na distribuição e transporteprofundidade máxima em torno de 19m. Na dos sedimentos. Os sedimentos encontrados noplataforma interna dos municípios do Recife ambiente praial são constituídos, em sua maio-e de Jaboatão dos Guararapes, os valores de ria, por areia fina a muito fina. Entre o ambienteprofundidade variam abruptamente e a mor- praial e a primeira linha de arenitos de praiafologia é mais acidentada, com presença de submersos, que corresponde à área do canal, apaleocanais e diversas linhas de arenitos de predominância é de areia muito fina. Depois dapraia. A área da plataforma interna mostra linha de arenito de praia, há uma variação devárias estruturas e feições na superfície do areia grossa a cascalho, com presença predo-fundo marinho, representada por três linhas de minante de areia grossa, e com maior teor dearenitos de praia, além de paleocanais, bancos carbonato de cálcio.
  50. 50. 54 A característica marcante desse fundo marinho No município de Jaboatão dos Guararapes, é a primeira linha de arenito de praia submerso implantaram-se estruturas do tipo guia corren- que serve como um divisor entre os sedimen- te, espigões, enrocamentos aderentes e muros, tos. desde a margem esquerda do rio Jaboatão até as praias de Piedade e Candeias (MAI, 2009). Presença de O resultado é um litoral que contempla em cerca de 20% de sua faixa com algum tipo de obras costeiras obra costeira de proteção, em que se destacam estruturas rígidas perpendiculares à praia – de- Nas últimas décadas, diversas obras de con- nominada de espigões; assim como na praia de tenção da linha de costa vêm sendo implan- Candeias encontra-se o enrocamento aderente tadas, no sentido de reduzir o problema de formado por blocos de pedras (ARAÚJO, 2001 erosão costeira. No entanto, os resultados apud MOURA et al., 2010). dessas intervenções nem sempre tiveram êxito, acarretando um ambiente praial bastante Em 1994, na Praia de Boa Viagem, no Reci- modificado, e, em alguns trechos, transferência fe, foram construídas obras de contenção em do processo erosivo para praias vizinhas (MAI, razão do processo erosivo que destruiu parte 2009). do calçadão. Essa obra consistiu na colocação
  51. 51. 55de pedras-rachão e sacos de areia. No entanto, A ampliação do Porto do Recife e a constru-o problema da erosão continuava e realizou-se ção das obras de defesa do litoral de Olindaoutro estudo que indicou que a obra mais ade- modificaram o balanço sedimentar costeiroquada à proteção da praia seria o revestimento original nessa zona, aparentemente provocandocom blocos naturais, atualmente encontrada, uma aceleração da erosão no litoral de Pau-em contraposição à restauração com reposi- lista. Para contenção da erosão no município,ção de areia e utilização mista de espigões e implantou-se um sistema de quebra-maresquebra-mares (MAI, 2009). associados a espigões, que posteriormente am- pliados. Recifes naturais submersos serviramA ocupação do espaço litorâneo olindense com de suporte para o sistema de quebra-mares.obras de proteção costeira contra o avanço do As modificações ocorridas na praia do Paulistamar data de 1950. A posição da linha de costa ocasionaram a formação de saliências e umde Olinda, entre 1915 e 1950, experimentou tômbolo na zona de sombra dos quebra-maresum recuo de aproximadamente 80 metros, o (MAI, 2009). As obras costeiras ao longo dosque resultou em um intenso processo erosivo, municípios da RMR, identificadas no relatórioprincipalmente nas praias dos Milagres, do do projeto (MAI, 2009).Carmo e de São Francisco (CARNEIRO, 2003).As mudanças decorrentes da ampliação do Na zona costeira dos quatro municípios, cons-Porto do Recife, entre os anos de 1909 e 1917, tatam-se 19 áreas com intervenções, algumasassim como da Base Naval do Recife, concluí- ilustradas e descritas, com as estruturas cos-das em 1948. teiras e respectiva descrição ao longo da orla dos municípios de Jaboatão dos Guararapes,Atualmente, a zona costeira do município de Recife, Olinda e Paulista-PE, o tipo de obraOlinda apresenta dez quebra-mares paralelos à costeira, sua localização, o tamanho, a função,linha de costa, 34 espigões perpendiculares e o resultado e a similaridade (CPEB, 2011, v1).diversos trechos com enrocamentos aderentes.Diversas obras vêm sendo eficientes na prote- Na orla do município de Jaboatão dos Guarara-ção do patrimônio urbanístico, assim como na pes, prevalecem obras de proteção do terreno,fixação da linha de costa. Contudo, na época ou seja, as intervenções adotadas são, princi-de sua instalação, não havia a valorização palmente, as do tipo enrocamentos aderenteseconômica sustentável do uso da praia direcio- e muros. São obras que têm por objetivo anado tanto para o turismo quanto para o lazer proteção do terreno, por meio da fixação da(CPEB, 2011, v1). “linha de costa”, em detrimento da faixa de praia (MAI, 2009). As estruturas se distribuem da seguinte maneira: 3.260m de enrocamentos
  52. 52. 56 e muros (74%); 530m de espigões e molhes costeira municipal. As estruturas têm a se- (12%) e 600m de quebra-mar (14%) (CPEB, guinte configuração: 1.700m de enrocamentos 2011, v1). e muros (22%); 250m de espigões e molhes (3%); e 5.660m de quebra-mares, 75% (MAI, No Recife, a principal estrutura costeira é um 2009). enrocamento com 2.100m de comprimento na praia de Boa Viagem e outro de 1.340m na O litoral do município de Paulista tem o mes- praia de Brasília Teimosa (MAI, 2009). Entre mo modo de proteção do terreno, na forma 1900 e 1912, realizaram-se obras de ampliação de enrocamentos, espigões e quebra-mares. do Porto do Recife a fim de protegê-lo de ações Contudo, os quebra-mares vêm protegendo causadas pelas ondas. Entre elas, destacam- parcialmente a linha de costa apesar de sua se o prolongado do quebra-mar natural e a altura bastante elevada. Encontra-se nesse construção dos recifes paralelos à costa, que trecho obra de engordamento da praia, aliada à atingiram 4 km de comprimento; além de construção dos quebra-mares; contudo utiliza- construído o molhe de Olinda com 800m e o ram sedimentos de composição e granulome- quebra-mar do Branco Inglês com 1.150m de tria inadequados, causando, assim, os focos extensão (CPEB, 2011, v1). de erosão, instalados em alguns trechos desse litoral (MAI, 2009). As estruturas têm a seguin- A zona costeira de Olinda apresenta-se com te distribuição: 1.850 metros de enrocamentos obras de proteção do terreno, constituída de e muros (40%); 280m de espigões e molhes enrocamento, espigões e quebra-mares que (6%); e 2.520m de quebra-mares, 54 % (MAI, estabilizaram e protegeram eficientemente essa 2009). Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira 001, 002 e 003 no estuário do rio Jaboatão, Jaboatão dos Guararapes - PE Fonte: MAI (2009, v. 1)
  53. 53. 57Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira 004,005, 006, 007 e 008 na praia de Candeias, Jaboatão dos Guararapes –PE Fonte: MAI (2009, v. 3)Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira 008e 009 na praia de Candeias, e estrutura 010 na praia de Piedade,Jaboatão dos Guararapes - PE Fonte: MAI (2009, v. 1)Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira edetalhe do enrocamento presente na praia de Boa Viagem, Recife - PE Fonte: MAI (2009, v. 1)
  54. 54. 58 Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira e detalhe das estruturas presentes na praia de Brasília Teimosa, Recife - PE Fonte: MAI (2009, v. 1) Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira presentes na praia dos Milagres e do Carmo (013), e na praia do Bairro Novo (014), Olinda - PE Fonte: MAI (2009, v. 1)

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