Rima das barragens_do_rio_ipojuca_tudo

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Rima das barragens_do_rio_ipojuca_tudo

  1. 1. RIMA - RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL
  2. 2. » Relatório de Impacto Ambiental – Rima
  3. 3. Apresentação Impactos e Medidas Entenda como a Barragem do Qualquer obra gera impacto no Rio Ipojuca foi pensada e como meio ambiente. Uma barragem ela pode interferir na região, não é diferente. Porém, para positiva e negativamente. Seja minimizar essa questão algumas bem-vindo ao Relatório de medidas são propostas. Conheça- Impacto Ambiental. as neste capítulo. 4 47Dados Básicos Programas Ambientais A união faz a força. A Compesa e Com os impactos identificados e a ABF Engenharia são as as medidas propostas, é hora de empresas responsáveis pelos definir os programas de Estudos realizados para o monitoramento ambiental que empreendimento que serão, por garantirão o cumprimento do fim, avaliados pela CPRH. que foi definido no EIA. 5 70O Empreendimento Prognóstico O que é uma barragem? Por que O que esperar no futuro com o construir uma barragem? Como crescimento cada vez maior de está planejado todo nossas cidades? Haverá água para empreendimento? As respostas todos? A barragem do rio Ipojuca para essas perguntas você é uma alternativa para essa encontra neste capítulo. questão. 8 87Áreas Afetadas Conclusão Com 324Km de extensão, o rio E então, o que concluiu o EIA da Ipojuca percorre terras de 24 Barragem do rio Ipojuca? É municípios de Pernambuco. realmente viável a obra em termos Sendo assim, a construção da ambientais? Esta é a alternativa barragem irá influenciar não só as certa para o abastecimento d’água? cidades de Escada e Ipojuca, mas Após todos esses capítulos, tire toda uma região. você mesmo suas conclusões. 18 92Diagnóstico Ambiental Glossário A fim de conhecer a região Ficou em dúvida em algumas influenciada pela barragem, 17 palavras do texto? Confira aqui o especialistas estudaram a área, significado de alguns termos coletando amostras e técnicos utilizados no entrevistando a população. O EIA/RIMA aproveitando para resultado é um verdadeiro aprender mais um pouco. diagnóstico da situação atual. 22 95
  4. 4. A construção de uma barragem é uma decisão muito importante, que precisa ser bem estudada. É necessário ouvir o poder público, o órgão ambiental, os moradores da região, as entidades e representantes da sociedade civil. Nesse sentido, o RIMA traz as informações necessárias para que você forme sua própria opinião sobre o empreendimento.A Barragem Ipojuca – Engenho Maranhão, é um projeto hídrico do Governo do Estado de Pernambuco que desde a década de 70 já previa sua construção para atender a futurademanda do Complexo Industrial e Portuário de Suape. Em 2001, a Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA), considerando oempreendimento também como alternativa para reforçar o abastecimento de água na RegiãoMetropolitana do Recife (RMR), encomendou estudos complementares na área e a elaboração doprojeto engenharia da barragem, que agora será analisado sua viabilidade com o Estudo deImpacto Ambiental – EIA. É a partir do EIA/RIMA que a Agência Estadual de Meio Ambientee Recursos Hídricos (CPRH) vai autorizar ou não a construção da barragem. Sendo uma obra de contenção de água, uma barragem provoca a inundação de terrasprodutivas, afetando localmente a fauna e a flora que vive em íntima dependência com o rio,além de deslocar moradores das áreas ribeirinhas. Para se entender essa interferência no meioambiente e consequentemente propor medidas para diminuir ou anular os impactos, o EIA daBarragem do Rio Ipojuca – Engenho Maranhão analisou o meio físico (clima, qualidade da água,recursos minerais, geologia), o meio biótico (plantas e animais), o meio socioeconômico(atividades econômicas, condições de vida, patrimônio histórico cultural, saúde, educação, entreoutros) e o projeto de engenharia em si. Este Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresenta de forma resumida os estudostécnicos disponíveis no EIA. Elaborado em linguagem acessível e objetiva, nele são apresentadasas principais características do Projeto e da região, assim como as recomendações destinadas aevitar, mitigar ou compensar seus possíveis impactos negativos e fortalecer os benefícios sociais eambientais que o empreendimento trará para a região. Rima Barragem Ipojuca ›› 4
  5. 5. A COMPESA A proponente do projeto da Barragem Rio Ipojuca – Engenho Maranhão, a COMPESA,é uma empresa estatal do tipo sociedade anônima, de economia mista, de utilidade pública, criadaem 1971. Vinculada à Secretaria de Recursos Hídricos do Estado de Pernambuco, a empresa temcomo missão prestar, com efetividade serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário,de forma sustentável, conservando o meio ambiente e contribuindo para a qualidade de vida dapopulação. Tendo como meta a universalização sustentável dos serviços de abastecimento de água eesgotamento sanitário no âmbito de sua atuação, a COMPESA atualmente possui um sistema deabastecimento que contempla 5,6 milhões de habitantes, o que representa 90% da populaçãourbana do estado de Pernambuco. No total, são 171 (de 185) sedes municipais atendidas pelosserviços, e mais 97 distritos ou povoados. COMPANHIA PERNAMBUCANA DE SANEAMENTO – COMPESA Inscrição CNPJ: Nº 09.769.035/0001-64. Inscrição Municipal: Nº 18.1.001.0014398-2 Endereço: Av. Cruz Cabugá, 1387 – Santo Amaro - Recife Telefone: (81) 3421-1048 Endereço Eletrônico: www.compesa.com.br(A) Barragem de Jucazinho – Rio Capibaribe (B) Barragem de Belo Jardim – Rio Ipojuca (C)Barragem Pirapama – Rio Pirapama, são exemplos de empreendimentos da COMPESA. Rima Barragem Ipojuca ›› 5
  6. 6. Números da COMPESA Abastecimento de Água COMPESA 195 Barragens 18 Captações Diretas 250 Poços Profundos 500 Estações Elevatórias 185 Estações de 2.000Km de Adutoras Tratamento 10.700Km de Redes Distribuidoras Capacidade de Produção MensalRegião Metropolitana do Interior de Pernambuco: Recife: 27.000.000m3 13.000.000m3 Total: 40.000.000m3 Rima Barragem Ipojuca ›› 6
  7. 7. A Empresa Consultora A ABF Engenharia, Serviços e Comércio Ltda. é uma empresa brasileira de prestação deserviços especializados de engenharia nas áreas de Projetos e Consultoria, Construção e Operaçãode Sistemas de Infra-estrutura. Com sede em Paulista, a empresa possui filial em Recife (local do Centro Administrativo),Belo Jardim, Caruaru, Garanhuns, Petrolina e mais doze escritórios em igual número de cidadesdo estado de Pernambuco, além de filiais nas cidades de Vitória/ES, Timon/MA e Natal-RN. Desde sua fundação em 1995, a ABF tem o foco para serviços de engenharia, com ênfaseem empreendimentos voltados à água, particularmente abastecimento e esgotamento sanitário decidades, drenagem urbana, projetos de irrigação, obras e operação de Sistemas de Infra-estruturaurbana. Com foco na qualidade dos serviços prestados e no treinamento da sua equipe, a ABF járealizou mais de 70 obras dos mais diversos tipos. Entre suas realizações estão obras de estaçãode tratamento de água e esgotos, estações elevatórias de água e esgoto e adutoras e redes dedistribuição de água. No que se refere aos trabalhos realizados para a COMPESA, a ABF tem no currículo 22participações em projetos e consultorias, 21 obras como responsável técnico e ainda participouem 18 oportunidades na operação e manutenção de sistemas de infra-estrutura como responsáveltécnico. ABF Engenharia, Serviços e Comércio Ltda. Inscrição CNPJ: Nº 00.376.507/0001. Inscrição Estadual: Nº 18.1.170.0210207-8 Inscrição Municipal: Nº 26793 Endereço: Rua José Ferrão, nº 34 – Pau Amarelo – Paulista-PE. CEP 53433-630 Telefone: (81) 3236-8484 FAX: (81) 3228-1300 Endereço Eletrônico: www.abfengenharia.com.br Sócios/Diretores: Abelardo José de Andrade Baltar; Fernando Medicis Pinto; Luiz de Gonzaga Bompastor Rima Barragem Ipojuca ›› 7
  8. 8. Com a construção da Barragem do rio Ipojuca – Engenho Maranhão, a COMPESA busca uma garantia de suprimento hídrico, não só às indústrias que estão surgindo no Complexo de Suape, mas também uma complementação ao sistema produtor Pirapama, que hoje está em fase de implantação.O que é uma Barragem?É uma barreira artificial construída em um trecho do rio. A água então é represada por um grande muro, que échamado de barragem. A construção desse muro fará comque o rio transborde e crie um extenso lago tendo comolimite as áreas mais elevadas do terreno (morros). Com a águarepresada, é hora de se construir uma adutora (sistema comtubulações), que levará a água até uma estação de tratamentode água (ETA). Após o tratamento adequado, essa águaseguirá então para a rede de distribuição das cidadesbeneficiando a população.Por que construir uma Barragem Quando as cidades crescem, a demanda por água encanada também aumenta. Nosúltimos dez anos, a Região Metropolitana do Recife vem passando por um desenvolvimentoeconômico acima da média histórica, principalmente com os grandes investimentos que ocorremno Complexo Industrial e Portuário de Suape (CIPS). Atualmente, são mais de 160 investimentosno CIPS, e com a chegada da Refinaria a expectativa é que esse número cresça ainda mais. Ainda na década de 70 foram elaborados estudos para implantação de uma barragem nobaixo rio Ipojuca, que serviria como manancial para abastecimento de água. Neste período foramrealizados estudos e elaborado um projeto básico para uma barragem para atender a demandafutura do CIPS. Rima Barragem Ipojuca ›› 8
  9. 9. No final da década de 90, devido a uma seca prolongada, a COMPESA voltou aconsiderar o aproveitamento do rio Ipojuca como alternativa para o reforço ao abastecimento deágua na RMR e realizou estudos complementares para viabilizar a idéia. Alternativas Consideradas Para se chegar à certeza de que a construção da Barragem no rio Ipojuca, na localidade do Engenho Maranhão, é a alternativa mais consistente para o fornecimento garantido e adequado de água à região, foram estudadas outras 3 hipóteses:  Alternativa 1 - A montante da cidade de Ipojuca, mas a jusante da confluência do Ipojuca com o Rio Piedade (Alternativa contida no Plano Diretor do Município de Ipojuca).  Alternativa 2 - A montante da Cidade de Escada.  Alternativa 3 - A montante do Engenho Maranhão. Nenhuma das alternativas estudadas apresentou melhores resultados do que a do projetoatual (a montante do Engenho Maranhão – Alternativa 3). O local onde será construída abarragem apresenta condições ideais, se caracterizando como um vale simétrico, com ombreiasíngremes e estáveis e com o leito do rio cortado em rocha. Preservando o Engenho Maranhãobem como a BR-101, as terras alagadas corresponderão primordialmente à cana-de-açúcar,restringindo a perda de solo ao aspecto econômico. Dessa forma, considera-se que a alternativa éa indicada, não tendo sido identificada nenhuma restrição ambiental ou legal relevante quepudesse inviabilizar a área. Por outro lado, deslocar a barragem para jusante (alternativa 1), por exemplo, no intuitode ganhar volume de armazenamento não é possível, haja vista alagaria por completo o EngenhoMaranhão, bem como a PE-042 que comunica a BR-101 com a PE-060, representando umaperda significativa de patrimônio cultural além da necessidade de deslocar a população. Já em relação à alternativa 2, futuramente existe a possibilidade de implantação de umasegunda barragem a montante de Escada para aproveitamento do excedente de vazão do rioIpojuca e complemento do sistema de abastecimento da RMR. Porém, essa opção tem seureservatório ainda mais limitado pela infra-estrutura urbana da cidade de Primavera eproporcionaria uma vazão regularizável bem inferior em termos das outras duas alternativas. Rima Barragem Ipojuca ›› 9
  10. 10. Alternativas consideradas para o local da construção da Barragem do rio Ipojuca » Alternativa Técnica Para a construção do barramento foi CCRescolhida a técnica de Concreto Compactado com É uma mistura de concreto deRolo (CCR) na porção central da barragem que consistência rígida, com baixo consumo de aglomerante, cujoreceberá o vertedouro, com transição para maciços de adensamento deverá ser efetuado emsolo nas laterais e ombreiras. O CCR é uma camadas, devidamente controlado, usando rolos vibratórios oumetodologia construtiva que por seu baixo custo e compactadores manuais.velocidade de construção, tem se desenvolvidorapidamente, tanto em nível nacional quanto internacional. Nas obras hidráulicas com CCR, vem-se constatando uma significativa economia em relação ao uso de concreto convencional e, emalguns casos, até mesmo em relação ao uso de terra e enrocamento. A experiência brasileira na aplicação do CCR em barragens teve início em 1976, com ausina hidrelétrica de Itaipu e atualmente está amplamente difundida no país. No nordeste e noEstado de Pernambuco a utilização desta técnica não é novidade, a COMPESA e oDepartamento Nacional Contra a Seca (DNOCS) já contam com estruturas construídas comCCR. Rima Barragem Ipojuca ›› 10
  11. 11. Falando da Barragem do Rio Ipojuca O projeto consiste na construção de uma barragem na calha do rio Ipojuca, num trechoque fica a 25Km da sua foz no Oceano Atlântico. O ponto do barramento localiza-seespecificamente em terras do engenho Maranhão, com acesso através da PE-042, chegando tantopela BR-101 quanto pela PE-060. No eixo do rio será construído um muro de concreto compactado com aproximadamente370m de comprimento e 24m de altura. O barramento criará um reservatório que inundará umaárea aproximada de 607,8 hectares, dos quais 80% localizam-se no município de Ipojuca e 20%no município de Escada, e acumulará cerca de 50,5 milhões de metros cúbicos de água. Aprofundidade média do lago será de 6,5m e a máxima de 19m. O reservatório criado pelo barramento estará limitado ao Norte em toda a sua extensãopela BR-101, servindo inclusive de limite Oeste, próximo à cidade de Escada; ao Sul, aslimitações estão relacionadas com a existência da PE-042 e o Engenho Maranhão. O projeto de engenharia da barragem foi elaborado pela COTEC Consultoria TécnicaLtda, em 2001, mas devido ao avanço tecnológico verificado no tema de barragens nas últimas décadas ganhou algumas mudanças importantes. O tipo de barragem previsto inicialmente, de gravidade em concreto convencional, foi substituído por uma barragem construída com a técnica de Concreto Compactado com Rolo. A construção da Barragem do Rio Ipojuca está entre as obras requeridas para a ampliação do fornecimento de água para as populações, assim como para a realização de atividades Rima Barragem Ipojuca ›› 11
  12. 12. produtivas localizadas na porção sul da Região Metropolitana do Recife. Os custos de implantação da Barragem do rio Ipojuca foram estimados pela COTEC em2001. Realizando a correção monetária para os dias atuais, a obra está orçada emR$ 24.170.446,81 (vinte e quatro milhões, cento e setenta mil, quatrocentos e quarenta e seis reaise oitenta e um centavos). O empreendimento vai além de desenvolvimento econômico, representadesenvolvimento social e melhoria na qualidade de vida, através do fornecimento de água para oabastecimento humano e atividades industriais. Com o projeto, a água acumulada no reservatóriopoderá ser usada de forma mais eficiente para atender às necessidades do uso humano,estimulando o crescimento e o desenvolvimento social e econômico, com melhorias consistentesna indústria e na infra-estrutura local. O Projeto se insere como uma obra estruturante que, associada à Barragem Pirapama eaos sistemas de distribuição existentes e em implementação, poderá melhorar substancialmente opanorama da RMR. A região passará a ter a segurança hídrica necessária ao desenvolvimentosustentável de sua população. O Projeto também está vinculado a outros empreendimentos. Ele foi planejado demaneira a complementar uma série de iniciativas já realizadas e outras ainda em análise. Concebereste Projeto como parte de uma série de ações para garantir os investimentos aportados CIPSsignifica unir forças para resolver o problema do desenvolvimento harmônico da região. Com a perspectiva da necessidade de se assegurar o acesso da população à água potável ea serviços de saneamento, que constitui um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio,definidos pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, essa obra também pode serpontuada como um meio de buscar esse fim. Para que o verdadeiro desenvolvimento sustentávelaconteça, mostra-se imprescindível a superação das desigualdades no fornecimento e nadistribuição da água. Compatível com a legislação brasileira, o empreendimento apresenta, por exemplo,interface com objetivos expressos na Constituição Federal de 1988, como o de garantir odesenvolvimento nacional e reduzir as desigualdades sociais e regionais. No que se refere ao meioambiente, o projeto da Barragem do Rio Ipojuca, como um todo, foi planejado considerando oexposto no Art. 225, caput, que garante a todos o direito ao meio ambiente ecologicamenteequilibrado impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo,tornando obrigatório, no inciso IV do seu §1º a elaboração do estudo prévio de impactoambiental e sua publicidade para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora designificativa degradação do meio ambiente. Rima Barragem Ipojuca ›› 12
  13. 13. À vista da legislação federal, o empreendimento tem como guia a Política Nacional doMeio Ambiente (Lei 6.938/81), a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9433/97), oEstatuto das Cidades (Lei 10.257/01), o Código Florestal (Lei 4.771/65), Política Nacional daBiodiversidade (Decreto Presidencial 4.339/02), resoluções do Conselho Nacional do MeioAmbiente – CONAMA, entre outras. Em nível estadual, destaca-se a Política Estadual de Recursos Hídricos e o Plano Estadualde Recursos Hídricos (Lei 11.426/97) que estabelece como fundamentos, dentre outros, o de quea água é um bem de domínio público, é recurso natural limitado, dotado de valor econômico.Elege como princípios dentre outros, o acesso aos recursos hídricos como um direito de todos; aadoção da bacia hidrográfica como unidade físico-territorial de planejamento e gerenciamento derecursos hídricos; a compatibilização do gerenciamento dos recursos hídricos com odesenvolvimento regional e local, bem como com a proteção ambiental; a prevenção e combateàs causas e efeitos adversos das estiagens, das inundações, da poluição, da erosão do solo e doassoreamento dos corpos dágua. Por fim, no plano municipal, é clara a compatibilidade do empreendimento com as LeisOrgânicas dos Municípios de Ipojuca e Escada, além ter apoio legal nos Planos Diretores,respectivos, que garantem a Barragem do Rio Ipojuca – Engenho Maranhão, dentro doplanejamento estratégico estadual. » Vertedouro Está previsto a construção de um sangradouro (estrutura destinada a regular a saída da água excedente na barragem) em dois níveis: o primeiro com limite na cota de 77m e 90m de extensão, funcionará como vertedouro de serviço e será capaz de escoar a cheia máxima secular, com máximo de 945m3/s; osegundo, com soleira na cota 79,50m estará dividido em dois trechos de 60m de extensãosituados em cada lado do sangradouro de serviço. O conjunto de vertedoros foi dimensionado seguindo as normas nacionais einternacionais de segurança de barragens, que exigem a capacidade de evacuar a cheiadenominada “decamilenar”, que para o caso de estudo ficou definida com um pico de 2.150m3/s, Rima Barragem Ipojuca ›› 13
  14. 14. com o nível de água do reservatório atingindo a cota 81m. A parte não vertedoura da barragemterá seu coroamento na cota 82m, o que garante uma folga de 1m. A definição das cotas dos vertedouros, tanto o de serviço como o auxiliar, forampensadas considerando os níveis do rio na cidade de Escada, bem como os níveis mínimos daBR-101, para garantir que não fossem afetados.Mãos à Obra Dando início às obras da barragem,será realizada a mobilização de pessoal, defornecedores de materiais eequipamentos necessários à construção,e em seguida será instalado o canteirode obras com ambulatório,galpões, entre outrosequipamentos. A previsão éque cerca de duzentas pessoas,entre operários, técnicos eengenheiros estejam envolvidas nas obras. Os trabalhos preparatórios constam ainda da melhoria das condições de acessibilidade.Inclui-se aí a implantação de caminhos de serviço, corte e destocamento de árvores e arbustosque sejam necessários para facilitar a execução das obras. Na primeira etapa de construção da barragem, ocorrerão as escavações da área atéalcançar à superfície da rocha que servirá de fundação para as estruturas. Logo em seguida serámontado um sistema de desvio do rio constando de um canal com 35m de largura, situado namargem direita, e ensecadeiras de montante e jusante. Com o desvio pronto, inicia-se o processo de fundação bem como a concretagem dabarragem e construção da tomada d’água e descarga de fundo. Para a extração dos materiaisnecessários às obras serão utilizadas quatro áreas de empréstimo, localizadas num raio de 5Kmdo ponto do barramento, sendo: duas pedreiras, uma jazida de terra e um areal. Na terceira fase da construção, considerando que estará no verão, será fechado o canal dedesvio á montante e destruída a ensecadeira de jusante, uma vez que o rio neste período deveráestar com vazões inferiores 10 m3/s, o que será possível serem descarregadas pelas tubulações. A Rima Barragem Ipojuca ›› 14
  15. 15. partir desta fase a barragem poderá ser construída normalmente, devendo-se sempre deixar umtrecho de cerca de 150m com mais ou menos 1,5m rebaixado, para o caso de uma cheia eventual. Outros serviços complementares também serão executados com o desmatamento elimpeza da bacia hidráulica, a construção da cerca de proteção envolvendo toda a área da baciahidráulica e da área de preservação permanente, além de desvio do rio no início da construção.O prazo estimado para a conclusão da obra é de 12 meses, com a previsão de 200 trabalhadoresem atividade no pico da obra.. Cronograma de Implantação do Empreendimento CRONOGRAMA FÍSICO COMPESA - Companhia Pernambucana de Saneamento OBRA: BARRAGE IPOJUCA MESES ITEM SERVIÇOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1.0 TRABALHOS PRELIMINARES 2.0 ENSECADEIRA E DESVIO DO RIO(*) ESCAVAÇÃO DO LEITO DO RIO E 3.0 OMBREIRAS 4.0 BARRAGEM EM CCR BARRAGEM EM TERRA E ATERROS 5.0 COMPLEMENTARES INJEÇÃO DE CIMENTO E DRENAGEM 6.0 DA FUNDAÇÃO E PARAMENTO TOMADA DÁGUA E DESCARGA DE 7.0 FUNDO 8.0 EQUIPAMENTOS HIDROMECÂNICOS 9.0 SERVIÇOS DE ACABAMENTOS(*) O sistema de desvio projetado, previu o início das obras para o começo do período seco do ano. Caso a obra for iniciada em época do anonão adequada, os custos poderão quadruplicar Rima Barragem Ipojuca ›› 15
  16. 16. Localização Esquemática das Áreas de Empréstimo Rima Barragem Ipojuca ›› 16
  17. 17. Enchimento do Reservatório Considerando que as obras terminarão no final do verão e que o enchimento começaráno mês de maio, ou seja, início do período chuvoso, a expectativa é que o reservatório possaatingir o seu nível máximo em cerca de 2 meses. Por outro lado, caso o processo se inicie emoutubro, o tempo médio calculado para o enchimento é de 7 meses. Vale lembrar que estesnúmeros refletem uma média histórica do rio, considerando sua vazão média, e não há certeza seos próximos anos serão mais úmidos ou mais secos.Uma importante informação na análise de reservatórios é a taxa de sedimentação na áreainundada. O que acontece é que com a criação do reservatório, o material sólido transportadonaturalmente pelo curso dágua irá se acumular pouco a pouco devido à diminuição da velocidadedas águas. Este acúmulo de sedimentos provoca redução da capacidade de acumulação doreservatório ao longo dos anos. Dessa forma, com a avaliação da taxa de sedimentação na áreaserá possível prever a vida útil do reservatório. O final da sua vida útil, do ponto de vistasedimentológico, é considerado quando os depósitos passam a perturbar a operação habitual doreservatório, ou seja, é o tempo para que o sedimento alcance a soleira da tomada d’água. Os dados levantados no Estudo Ambiental indicam que em 50 anos o reservatório daBarragem do Rio Ipojuca – Engenho Maranhão perderá 3% do seu volume máximo acumulado.Considerando o volume morto do reservatório (ou seja, a parcela de volume do reservatório quenão está disponível para uso e corresponde ao volume de água no reservatório quando o nível éigual ao mínimo operacional) de 3.8 milhões de metros cúbicos (cota 64m), durante a vida útil dabarragem 75% desse volume serão perdidos, sendo exigido, eventualmente, dragagens pontuaisnas proximidades do muro do barramento. No documento anexo ao EIA relativo à revisão dos estudos hidrológicos, item 12,Estimativa do Assoreamento do Reservatório da Barragem do Rio Ipojuca – Engenho Maranhãochegou-se, com um volume máximo normal de acumulação de 50,5 milhões de m³ (cota 77) eum volume morto de 2.3 milhões de m³ (cota 63), a um volume assoreado da ordem de 2.5milhões de m³ em 50 anos, ou seja, de 4.6% do volume máximo normal de acumulação, ou de102% do volume morto. Considerando o diferente valor admitido para o volume morto e amargem de erro associada à metodologia de cálculo de sedimentos capturados por reservatórios,esses números corroboram a ordem de grandeza esperada dos valores anteriormente verificadosquando do projeto do reservatório. Rima Barragem Ipojuca ›› 17
  18. 18. Tudo Pronto para a Operação Com o reservatório cheio, para ter inicio a operação da adutora deverão ser abertas as comportas do nível 1 até o enchimento da torre. Só então se abrirá a adutora, a qual retirará 8m³/s ou o volume que for desejado, sendo este volume reposto pelas três comportas do nível 1. Caso a saída de água seja maior que a quantidade de reposição do rio, o reservatório irá baixando e as comportas do nível 1 atenderão com uma vazão menor até o nível onde oreservatório atingir a cota 74,45m. Se o reservatório continuar baixando de nível os registrosserão fechados pouco a pouco até se atingir o limite de cota de 63m. Abaixo disso, fica apenas ovolume de porão e a adutora paralisa a captação da água até que o nível do reservatório serestabeleça. Neste caso para manter o rio perene até a sua foz, se abrirá controladamente aválvula difusora. Para se conhecer a operação real do reservatório no futuro, foram efetuadas simulaçõesmensais, considerando a retirada de água constante de 3,4m³/s (99% de confiança deatendimento pleno); de 4,8m³/s (95% de confiança de atendimento pleno), e de 5.9m³/s (90% deconfiança de atendimento pleno), considerou-se ainda uma vazão ecológica permanente parajusante de 2m³/s; um volume morto de 2,3 milhões de m³; um volume máximo normal deacumulação de 50,5 milhões de m³ (cota 77m).Características Técnicas Gerais da Barragem Cota de armazenamento d’água: 77m Acumulação: 50.536.100,00m³ Extensão total do barramento: 370m Área inundada (cota 77,00) 607,8 ha. Sangradouros De serviço: soleira cota 77m Extensão 90m Auxiliar: soleira cota 79,5m – Extensão 120m Tomada d’água: tubo 2m de diâmetro Descarga de fundo: tubo 1,1m de diâmetro Vazão Regularizada – 8,0m³/s para 95% de nível de garantia. Trecho não vertedor: Em CCR: Cota da crista: 82m – Extensão 100m Em aterro compactado: Cota do coroamento 82m – Extensão 60m Rima Barragem Ipojuca ›› 18
  19. 19. A área de influência de um empreendimento para um estudo ambiental pode ser descrita como o espaço passível de alterações em seus meios físico, biótico e socioeconômico, decorrentes da sua implantação e/ou operação. A Barragem Influenciando a Área Os estudos realizados para a construção da Barragem do Rio Ipojuca consideraram quatro áreas diferentes para avaliação dos impactos: as áreas das obras e do reservatório, as áreas vizinhas, as áreas que estão mais distantes da barragem e, por fim, a área de abrangência total da bacia hidrográfica do rio Ipojuca. • As áreas das obras são aquelas que vão ser ocupadas pelas estruturas principais de engenharia e por toda a parte de infra- estrutura necessária para a construção da barragem, como o muro propriamente dito, os canteiros de obra, as estradas de acesso e áreas de botafora, considerando também as áreas de inundação. Essas áreas são chamadas de ADA – Área Diretamente Afetada.• As áreas vizinhas são aquelas que ficam em volta da barragem e do reservatório, chamadas deAID – Área de Influência Direta. Elas incluem não só as terras que vão ser transformadas pelasobras e o futuro reservatório, mas também aquelas que vão sofrer interferências diretas, negativasou positivas, do empreendimento.• As áreas mais distantes são aquelas que podem sofrer modificações indiretas, a partir dasalterações que acontecerão nos ecossistemas e/ou sistemas socioeconômicos adjacentes aoempreendimento. Nos estudos, essas áreas são chamadas de AII – Área de Influência Indireta. Rima Barragem Ipojuca ›› 19
  20. 20. Área Diretamente Afetada – ADA Corresponde a toda área do reservatório, ou seja, alcança a cota 77m (cota máxima deoperação do reservatório), compreendendo área de alagamento de 7,2 km2,acrescida da faixa de preservação permanente de 6,5 km2, considerando-seuma faixa de 100m envolta do reservatório. Portanto, considerando aárea alagada pelo reservatório mais o leito natural dorio, a ADA terá uma extensão de 13,7 km2.Área de Influência Direta –AID A AID foi delimitada para os meios físico, biótico, baseando-se na abrangência dosfatores ambientais diretamente afetados pela barragem considerando uma faixa de 2Km noentorno do reservatório medidos a partir em sua cota máxima (77m). Para o meio antrópico foi considerada AID as cidades, sede dos municípios do Ipojuca eEscada, onde podem ser esperados efeitos conjuntos para as atividades socioeconômicas, tantona fase de instalação quanto na fase de operação.Área de Influência Indireta – AII A AII foi demarcada para os meios físico, biótico e antrópico (socioeconômico/cultural),baseando-se na abrangência dos fatores ambientais indiretamente afetados pelo empreendimento.Ela corresponde a à largura da bacia hidrográfica desde a foz até 10km, a montante da localizaçãoda barragem. Para a AII do Meio Antrópico serão considerados os municípios do Ipojuca eEscada.Área de Influência Regional – AIR A AIR corresponde à área de abrangência total da bacia hidrográfica do Rio Ipojuca,integrada pelos municípios diretamente relacionados. O ponto de partida para definir essa áreavem da própria inserção regional do empreendimento, por isso envolve toda extensão da baciahidrográfica do rio Ipojuca. Rima Barragem Ipojuca ›› 20
  21. 21. Figura da Área Diretamente AfetadaFigura da Área de Influência Direta Rima Barragem Ipojuca ›› 21
  22. 22. Figura da Área de Influência Indireta Figura Área de Influência Regional Rima Barragem Ipojuca ›› 22
  23. 23. O Diagnóstico Ambiental é uma das etapas mais importantes do EIA, onde é feito um estudo detalhado sobre as características da área do empreendimento. O conhecimento adquirido nesta fase é fundamental para definição de uma política de inserção do projeto no plano local, beneficiando socialmente a região e interferindo o mínimo possível no ecossistema.Conhecendo a RegiãoC onhecer a região, através de uma análise específica, é fundamental para embasar a identificação dos impactos que poderão acontecer em função da construção doempreendimento. Nesse sentido, o EIA/RIMA da Barragem do Rio Ipojuca – EngenhoMaranhão contou com uma equipe multidisciplinar formada por 23 especialistas em diferentes áreas, que examinaram a situação atual, analisando documentos, visitando o local, coletando amostras, entrevistando a população, e produziu ao final o Diagnóstico Ambiental. A análise completa das condições físicas, biológicas e socioeconômicas de toda a Área de Influência do Projeto da Barragem do Rio Ipojucaencontra-se no Estudo de Impacto Ambiental. Para uma melhor abordagem deste capítulo, astemáticas foram divididas em Meio Físico, Biológico e Antrópico, sendo cada um doscomponentes desses meios analisado de modo a permitir uma visão geral da área de implantaçãoda Barragem. A seguir, você ficará por dentro dos principais aspectos dessa análise. Rima Barragem Ipojuca ›› 23
  24. 24. O rio Ipojuca Com uma extensão de 324Km, o rio Ipojucanasce nas encostas da serra do Pau d’Arco, nomunicípio de Arcoverde, a uma altitude de 876m. Danascente a foz o Ipojuca banha váriascidades, dentre asquais se destacam:Pesqueira, BeloJardim, São Caetano,Caruaru, Bezerros eGravatá (no Agreste),Primavera, Escada eIpojuca (na Zona daMata). As características físicas da bacia estãocondicionadas às regiões fisiográficas interceptadas no percurso. Os trechos superior,médio e sub-médio da bacia estão localizados nas regiões do Sertão (pequena porção) e Agrestedo Estado, enquanto que o trecho inferior (menor parcela) tem a maior parte de sua área situadana Zona da Mata, incluindo a faixa litorânea do Estado. Na maior parte de seu trajeto, o Ipojuca é um rio de regime temporário, tornando-seperene apenas na Zona da Mata. Já na área próxima à Usina Ipojuca, há uma ampla planíciefluvial, na quase totalidade ocupada com cana-de-açúcar até a altura da Usina Salgado onde, aospoucos, o canavial vai cedendo lugar ao manguezal que se extende para o norte e para o sul,interligando-se ao rio Merepe, com o qual forma um amplo estuário. Exatamente no trechoprevisto para a construção da barragem, o rio apresenta o leito cortado em rocha e ausência deterraço aluvial. O principal afluente do Ipojuca é o riacho Liberal, com nascentes na Serra do Buco e quedeságua no Ipojuca a cerca de 6Km do município de Sanharó. Na bacia hidrográfica do rio jáexistem as barragens de Pão de Açúcar, Bituri e Belo Jardim. As duas primeiras são utilizadasexaustivamente pela COMPESA para abastecimento de algumas cidades do agreste semi-árido e a Rima Barragem Ipojuca ›› 24
  25. 25. ultima, apesar da baixa qualidade da água, vem sendo utilizada para complementar outrossistemas do Agreste, inclusive o da própria cidade de Belo Jardim. Um dos grandes problemas do rio é o volume de poluentes que recebe por onde passa. Aatividade agroindustrial (usinas, destilarias e canaviais) localizada em sua bacia também contribuinegativamente para a qualidade de suas águas. Tal carga de detritos industriais e domésticos fazcom que o Ipojuca seja considerado um rio em alguns trechos um rio poluído.Clima A bacia do Ipojuca está localizada numa área de clima tropical, com chuvas de monção e verão seco. A precipitação anual varia de 500mm a 2140mm ao longo da bacia. O Agreste Pernambucano, onde se insere 70% da bacia do Ipojuca, é uma região que possui o clima quente e seco, e o período mais chuvoso vai de fevereiro a junho (chuvas de verão/outono). Já no trecho sub-médio (mais próximo da Zona da Mata), a estação chuvosase estende de março a julho (chuvas de outono/inverno). Como características marcantes destaregião do Agreste estão as altas taxas de evaporação que são umas das mais altas do mundo,superando quase em dobro a média registrada de precipitação. O trecho inferior da bacia (cuja maior parte se localiza na Zona da Mata, nela incluída afaixa litorânea) apresenta características de clima quente e úmido, com médias pluviométricassuperiores a 1.000mm anuais, alcançando mais de 2.000mm nas áreas litorâneas. O períodochuvoso dura seis meses, indo de março a agosto (outono/inverno). As informações da estação meteorológica de Escada, situada no baixo Ipojuca, naZona da Mata, mostram que chove em média cerca de 200 dias no ano e somente em 55dias ocorrem chuvas maiores que 10mm. A precipitação média anual fica da ordem de1700mm. Em relação às temperaturas observadas naquela estação, há uma variaçãoentre 35.8 e 14.0ºC, ao longo do ano. Os meses mais frios são agosto e setembro,quando termina a estação de chuvas. Já a umidade relativa é muito elevada aolongo de todo ano ficando entre 76 a 86%. Rima Barragem Ipojuca ›› 25
  26. 26. Relevo O relevo na AID está subdividido em duas unidades morfológicas: os tabuleiros (terraçosaluviais), que ocorrem na ADA e os morros, que se encontram individualizados no cristalino. Os morros representam as colinas individualizadas de topos mais arredondados e declivessuaves em forma de meia-laranja, feições típicas de relevo cristalino, correspondemgeologicamente ao embasamento, que apresentam processos de intemperismo químicopredominantes. São formas que foram individualizadas por ação intensa da drenagem,provocando o recuo das vertentes e pelo escoamento superficial, devido à ação do clima úmidoatuante na região. Na área de estudo as encostas retratam uma evolução influenciada principalmente pela ação climática. A litologia constitutiva é do espesso manto de intemperismo, que recobrem a maior parte da área e embasamento. Essa unidade vai da quebra de relevo dos tabuleiros até os limites com as planícies fluviais e a unidade morros. Os declives suavizados predominam nas áreas que estão voltadas para as planícies aluviais dos principais cursos d’água da área, onde os vales são abertos e de fundo chato. Nas áreas mais a montante dos vales fluviais, e nos pequenos vales escavados por águaspluviais, ocorrem as encostas com maior declividade, formando vales em forma de “V” combaixa acumulação de sedimentos, devido a grande energia utilizada no transporte, provocada peloalto gradiente.Geologia e Hidrogeologia Tendo como referência a origem das rochas, as unidades presentes na área de influênciada Barragem do Rio Ipojuca são: Complexo Belém de São Francisco e Sedimentos Quaternários. O grupo de rochas pertencente ao Complexo Belém de São Francisco possui umarepresentação muito ampla, estando presente em praticamente toda área de influência direta daBarragem, formado por ortognaisses e migmatitos. Rima Barragem Ipojuca ›› 26
  27. 27. Os sedimentos quaternários sãoencontrados nas margens do rio Ipojuca eafluentes como depósitos de origemfluvial, constituídos de areias, limos, siltese argilas das planícies de inundação. Omaterial que existe ao longo do eixobarrável é constituído por areias degranulação fina a grossa. Ocorrem ainda pedregulhos de quartzo e fragmentos de rocha decoloração cinza. Esta camada apresenta ao longo do eixo barrável uma espessura média da ordemde 3 metros e uma largura de aproximadamente 75 metros. Analisando diretamente a ADA, percebe-se que as rochas que lá se encontram são decerta forma homogêneas, com espesso capeamento de solo residual do migmatito. Já ao longo doleito do rio, verifica-se um depósito aluvial que se alterna com afloramentos de migmatitos poucoalterados. Devido às características das rochas da AID e ADA, em termos hidrogeológicos tem-seum aqüífero do tipo fissural na área da barragem. Nesse aqüífero, a água subterrânea encontra-selimitada aos espaços fendilhados e/ou fraturados, daí ser toda a circulação da água subterrâneaefetuada através das fraturas e/ou fissuras, resultando na denominação de aqüífero fissural oufraturado, para as litologias que armazenam e possibilitam a extração da água por tal meio. A produtividade desse aqüífero fissural é fraca, com poços de vazões na ordem de a 2,58 3m /h. A qualidade química da água em geral é boa, com predominância de cloretos, e resíduoseco médio abaixo de 200 mg/L. Na área há ocorrências de cacimbas e poços escaváveis por processos manuais (pá epicareta) que captam água do manto de alteração. Também existem perfurações mecanizadas(poços tubulares) com profundidades em torno de 50 metros captando água em meios fissuradosde rocha sã. Embora o aqüífero fissural nesta área não desempenhe papel importante em potencialidade, quando comparado a aqüíferos porosos da Região Metropolitana do Recife (aqüífero Beberibe e Cabo), ele representa um recurso valioso para o abastecimento de água da população local através de poços rasos. Rima Barragem Ipojuca ›› 27
  28. 28. Solos Com relação aos sedimentos que ocorrem na bacia hidrográfica do rio Ipojuca, percebe-seque dominam os depósitos aluviais recentes, seguidos de afloramentos da Formação Cabo, que seapresentam através de conglomerados, arenitos com matriz argilosa, siltitos e argilas, além devulcanitos sob a forma de diques. Refletindo a ação do clima sobre os demais componentes do meio físico, os solos daAID e da ADA variam desde os arenosos até os de textura argilosa que recobrem os morros ecolinas e constituem a associação Latossolo Amarelo, Podzólico Vermelho Amarelo e Gleissolos,típicos dos Tabuleiros Costeiros. Nestas duas áreas também predominam os solos aluviais. Como características, esses sãopouco desenvolvidos, formados por deposições fluviais recentes, profundos a moderadamenteprofundos, de textura média e argilosa e drenagem comumente imperfeita ou moderada. No trecho inferior da bacia do rio Ipojuca, que se localiza inteiramente na Zona da Matae na faixa litorânea, o padrão de ocorrência dos solos é bastante diferenciado, registrando-se,além dos Podzólicos Amarelo e Vermelho-Amarelo, a significativa presença de Latossolos eGleissolos. Rima Barragem Ipojuca ›› 28
  29. 29. Geomorfologia A paisagem da área de influênciada barragem é formada por rochas quesofrem efeitos do intemperismo o quefica evidente quando visto o espessomanto de decomposição em relevocolinoso. As características maismarcantes são morros de toposarredondados, vertentes ligeiramenteconvexas e côncavo-convexa, declividades e vales em V. As altitudes alongadas, constituindocristas, esculpidas em rochas de composição predominantemente quartzíticas, ainda sãopreservadas, bem como inselbergs construídos sobre rochas graníticas. Os morros representam as colinas individualizadas de topos mais arredondados e declivessuaves em forma de meia-laranja. Eles são feições típicas de relevo cristalino e correspondemgeologicamente ao embasamento que apresentam processos de intemperismo químicopredominantes. São formas que foram individualizadas por ação intensa da drenagem,provocando o recuo das vertentes e pelo escoamento superficial, devido à ação do clima úmidoatuante na região. Já os Tabuleiros são formados com base nas superfícies planas ou quase planas dosinterflúvios que ocorrem na maior parte da área. Apresentando-se com uma forma alongada, elesse encontram limitados pela unidade denominada de Vertentes, que está localizada entre ostabuleiros e as planícies aluviais. A forma de relevo predominante na AID é o modelado cristalino, enquanto que a maiorparte da AII estará associada à unidade de relevo morro baixo, sendo encontrado na porção maisoeste dessa área um relevo de maior altura. Rima Barragem Ipojuca ›› 29
  30. 30. Recursos Hídricos Dentre os diversos usos da água da bacia do Ipojuca, o aproveitamento do curso principaldo rio não vai para o abastecimento humano. O que ocorre com freqüência é a utilização deaçudes alimentados por tributários menores do Ipojuca, localizados em sua maioria na região doAgreste. Dados da CPRH mostram que a bacia do rio Ipojuca contém 66 açudes em toda a suaárea. Desse total, 33 possuem capacidade de acumulação abaixo de 100 mil metros cúbicos; 22deles entre 100 mil e 500 mil m³, 5 na faixa de 500 mil e 1 milhão de metros cúbicos, e 6 têmcapacidade máxima acima de 1 milhão de metros cúbicos. Os principais açudes, por ordemdecrescente de capacidade são: Pão de Açúcar (Pesqueira), Pedro Moura Júnior (Belo Jardim),Engº Severino Guerra/Bitury (Belo Jardim), Manuíno (Bezerros), Brejão (Sairé) e Taquara(Caruaru). A rede hidrográfica do Rio Ipojuca dentro da AID é altamente simplificada, o rio recebepela margem esquerda o seu único tributário neste trecho, notadamente o Riacho Cabromena quenasce nos divisores de água da bacia, ao noroeste da cidade de Escada, e se encaminha emsentido noroeste-sudoeste em direção ao rio Ipojuca, desaguando em um ponto a 2,4 km amontante do ponto de barramento. O Riacho Cabromena perfaz um percurso entorno de 8 km, drenando uma áreaexpressiva de aproximadamente 12,6 km². Como ponto notável destaca-se o cruzamento sob aBR-101, uma vez que será através deste curso de água que o reservatório terá sua máximaaproximação à referida infra-estrutura. O riacho, igual ao que toda a bacia, vem sendo impactadopela supressão da vegetação nativa, restando uma única mancha de mata atlântica na sub-bacia,que atualmente protege suas nascentes, localizadas em torno da cota 200 m. O restante da rede hídrica do Rio Ipojuca no segmento definido como AID, éconformado por linhas de drenagem e tributários difusos alimentados pelas surgências de águasubterrânea. Rima Barragem Ipojuca ›› 30
  31. 31. » Qualidade da Água O Ipojuca recebe forte carga poluidora, pois nenhuma das cidades da sua bacia possuisistema adequado de esgoto sanitário havendo, em algumas, pequenas extensões de redescoletoras com inadequada disposição final. O impacto predominante sobre a qualidade da água do rio Ipojuca está representado pela contaminação através de esgotos domésticos e o cultivo de cana-de-açúcar na área de captação da bacia. Estudos sobre o uso do vinhoto para fertilização das plantações de cana e seu efeito sobre o rio, demonstraram um forte impacto com o aumento da turbidez, diminuição do pH e do oxigênio dissolvido e uma elevação no número de coliformes fecais. De acordo com os monitoramentos realizados pela CPRH,o Ipojuca enquadra-se na categoria de poluído e muito poluído, ou seja orio está entre os corpos de água que apresentam condições de qualidade de água compatíveis comos limites estabelecidos para a classe 4 das águas doces (Resolução CONAMA n° 357/05. Estescorpos d’água apresentam qualidade da água ruim,. A poluição apresentada pelas águas do rioIpojuca tem como maior fonte os dejetos domésticos, correspondentes à mais de 67% da cargapoluidora. A presença de valores elevados de cianobactérias no rio Ipojuca, sugere a possibilidade degrandes florações desses organismos após a construção do barramento, ou seja, quando oambiente de água lótico se transformar em ambiente lêntico na área da represa. Como forma decombater tal problema será preciso investir em tratamento e diminuição de descargas de esgotosdomésticos na área.Recursos Minerais Na área do empreendimento, de acordo com o mapa de títulos minerários, as ocorrênciasminerais presentes são os depósitos de origem fluvial constituídos de: areias, limos, siltes e argilasdas planícies de inundação, de idade quaternária e granitos das suítes mesoproterozóicas(embasamento cristalino), todos voltados para construção civil. Rima Barragem Ipojuca ›› 31
  32. 32. Em termos de ocorrências minerais na bacia do Ipojuca, a Agência CONDEPE/FIDEMdestaca as seguintes possibilidades:  Argila – é explorada nos municípios de Caruaru, Escada e Ipojuca, sendo utilizada na produção de cerâmica, telha, tijolo e artesanato;  Calcário – o calcário metamórfico é explorado basicamente em Gravatá e São Caetano; o sedimentar no município de Ipojuca;  Feldspato – é explorado no município de Caruaru;  Água mineral – ocorrências localizadas em Gravatá, Escada, Primavera e Caruaru;  Rochas Cristalinas (ornamentais e britais) – são exploradas em Caruaru, podendo ser encontradas ao longo da bacia o granito e o granodiorito. Areia – explorada nos aluviões do rio Ipojuca, nas proximidades da Usina Ipojuca. Rima Barragem Ipojuca ›› 32
  33. 33. Vegetação Seguindo o rio Ipojuca desde sua nascente, encontraremos diferentes tipos de vegetação.De Arcoverde até Gravatá, a vegetação nessa área se enquadra no bioma das Caatingas, no seufácies de Sertão, do município de Arcoverde até Sanharó, gradativamente passando para o fáciesAgreste até Vitória de Santo Antão. Após a descida da serra das Russas chegamos no domínio daFloresta. De início vem a Floresta sub-perenifólia cedendo lugar a Floreta Perenifólia OmbrófilaCosteira até chegar finalmente ao bioma Manguezal já próximo à foz do rio. A Área de Influência Direta da Barragem do Rio Ipojuca está inserida justamente no bioma das Florestas, que em Pernambuco encontra-se representado pelos ecossistemas das Florestas Tropicais ou Florestas Costeiras, também conhecido por Mata Atlântica e seus associados, Complexo das Restingas e Floresta Paludosa Costeira ou Manguezal. Em função do desmatamento, desde o tempo do Brasil Colônia, a Mata Atlântica encontra-se hoje extremamente reduzida, sendo uma das florestas tropicais mais ameaçadas do globo. Na AID os poucos remanescentes deste ecossistema ocupam as partes altas da paisagem mamelonar da “formação Barreiras”. A paisagem é mesmo dominada pelos canaviais, os remanescentes florestais ainda existentes na AID, se apresentam quando muito em seu segundo estágio de regeneração. Em locais onde a cana-de-açucar não se encontra presente predominam as ervas invasoras. Três fragmentos de mata foram identificados e estudados na área de influência do empreendimento. Ao todo, 74 espécies de vegetação foram identificadas nesses fragmentos, destacando-se: Sucupira (Bowdichia virgilioides), Aticum-apé (Annona salzmannii DC.), Ingá (Ingá edulis Mart.), Visgueiro (Parkia pendula), Cipó-imbé (Philodendron imbe), Barriguda (Ceiba glaziovii) e Embaúba (Cecropia pachystachya Trec.). Rima Barragem Ipojuca ›› 33
  34. 34. O maior fragmento de mata está localizado a cerca de 6Km de Escada, na direção Leste, aaproximadamente 60m da BR 101, medindo 900m de extensão e cerca de 300m de largura. Adiversidade florística nessa área é pequena, tendo sido encontradas 37 espécies. Este número,além de ser baixo para os melhores fragmentos ainda encontrados na mata atlântica do sul dePernambuco, se caracteriza por um elevado número de espécies típicas de fragmentosintensamente explorados, contudo em regeneração. Um outro desses fragmentos está inserido dentro da ADA. Em virtude de sua localização,uma parte de sua vegetação será atingida pelo lago e em conseqüência disso deverá ser retiradapara amenizar os efeitos da eutrofização no lago. Embora esse seja o maior dos três fragmentosde mata, ele é o que se apresenta mais impactado, tendo sido quase que totalmente explorado emsua parte interior, ficando apenas as margens preservadas o que dá a impressão que estáconservado. Uma das espécies indicadoras de qualidade ambiental encontrada na Área de InfluênciaDireta da barragem foi o “Pau-cardoso” (Cyathea microdonta), que embora não esteja na lista deplantas ameaçadas de extinção organizada pelo Ministério do Meio Ambiente, dos RecursosHídricos e da Amazônia Legal (MMA) pode ser considerada uma espécie rara na mata atlânticado estado de Pernambuco. Fauna Terrestre De uma maneira geral, a fauna vertebrada e ribeirinha na Área de Influência da barragemIpojuca está representada por espécies comuns e generalistas, ou seja, adaptadas a viver emformações vegetais abertas (canaviais e capoeiras) e fechadas (pequenos fragmentos de mata);apresentando ampla distribuições geográfica, ocorrendo também em outros biomas brasileiros eem outras áreas urbanas. A partir dos estudos de campo realizados pelo EIA foi possível perceber que a fauna daAII é menos diversificada do que à presente na ADA e na AID,onde estão localizados os fragmentos maiores de mata, Foram encontradasaparentemente mais homogêneos e com maior diversidade 13 espécies deflorística. No geral, na AID predominam espécies residentes mamíferos, 110 de(não migratórias), de médio e pequeno porte. O levantamentosobre as espécies que habitam essa área registrou a ocorrência aves, 22 de répteis ede 13 espécies de mamíferos, 110 de aves, 22 de répteis e 12 12 espécies deespécies de anfíbios, sem contar com aquelas que a população anfíbios na AID. Rima Barragem Ipojuca ›› 34
  35. 35. local afirma existir na região. Nenhuma das espécies anotadas está incluída nas categorias de rara,ameaçada e endêmica. » Mamífefos O grupo dos mamíferos é particularmente importante, pois abrigaespécies cujos indivíduos utilizam enormes áreas para viver. Assim, a ocorrênciade felinos e de primatas indica vastas regiões com potencial de existência dediversas outras espécies, pelo simples fato da extensão territorial conter diversoshabitats. A maioria das espécies identificadas são semi-dependentes das florestasresiduais da área. A raposa (Cerdocyon thous), por exemplo, é um desses animaisbastante dependente dos ambientes florestados, e aparentemente vem tendosucesso na sua sobrevivência e dispersão na área. O morcego–de-focinho(Rhynchonycteris naso), que foi encontrado sob pontes da BR-101, utilizaregularmente troncos de árvores altas para abrigo diurno. Já o Tatu-peba(Euphractus sexcinctus) é outro representante da fauna local que também pode serencontrado nas Caatingas. A lontra (Lontra longicaudis) é um animal aquáticotem sido vista recentemente nos rios Sirinhaém e Ipojuca pela população local. Os outros mamíferos registrados na área de influência doempreendimento foram: Guaxinim (Procyon cancrivorus), Morcego-de-telhado (Molossusmolossus), Saguim (Callithrix jacchus), Timbu (Didelphis albiventris) e Ratos-de-cana(Rattus norvegicus e Oryzomys subflavus). » Aves As aves, devido ao seu caráter bioindicador, normalmente são utilizadas com destaque em diagnósticos faunísticos. As 86 espécies registradas na área são características de formação vegetal aberta, podendo utilizar os fragmentos de mata, capoeirões e capoeiras. Dentre aquelas ribeirinhas, estão a Viuvinha (Arundinicola leucocephala), o João-de-barro (Furnarius figulus), Rima Barragem Ipojuca ›› 35
  36. 36. Lavandeira (Fluvicola nengeta), Martim-pescador-grande (Megaceryle torquata) e o Pinto-d’água (Laterallus exilis). Outras espécies de aves que se destacam na área de influência do empreendimento são:Anu-preto (Crotophaga ani), Bacurau (Nyctidromus albicollis), Bentevi (Pitangussulphuratus), Bico-de-lacre (Estrilda astrild), Gavião-pega-pinto (Rupornismagnirostris), Lambu (Crypturellus tataupa), Maria-rabo-mole (Emberizoidesherbicola), Rolinha (Columbina talpacoti), Rouxinol (Troglodytes musculus), Sanhaçu(Thraupis sayaca), Sebito (Coereba flaveola), Urubu-de-cabeça-encarnada (Cathartesaura) e Urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus). » Répteis e Anfíbios Em geral, o grupo dos répteis está associado aosambientes de vegetação aberta, como capoeiras, culturas, e áreasurbanas, com árvores frutíferas etc. Algumas espécies ocorrem tambémnos pequenos fragmentos de mata, a exemplo da Jibóia (Boa constrictor),cobra Coral (Micrurus ibiboboca), Teju (Tupinambis merianae) ecamaleão (Iguana iguana). Entre os 22 integrantes da lista derépteis identificados para a área estão: a cobra Cascavel (Crotalus durissus), acobra Salamanta (Epicrates cenchria), o Calanguinho (Cnemidophorus ocellifer), aespécie aquática de Cágado ou Jabuti (Phrynops sp), o Jacaré-preto ou Jacaré-coroa (Paleosuchus palpebrosus) e o Jacaré-papo-amarel (Caiman latirostris). Já os anfíbios estão associadas de alguma forma aos ambientes úmidos, seja na vegetaçãomarginal de córregos, lagoas e poças temporárias, ou em bainhas de bromélias, especialmente nointerior das matas, sendo o Sapo-cururu (Rhinella jimi) a espécie menos dependente da umidade. Dentre as espécies mais comuns destacam-se: Perereca (Hypsiboas albomarginata), Jia (Leptodactylus vastus), Perereca-de-banheiro (Scinax x-signatus), Caçote (Leptodactylus ocellatus), Jia-pimenta (Leptodactylus vastus), Rã (Phyllomedusa nordestina) e Rã-cachorro (Physalaemus cuvieri). Rima Barragem Ipojuca ›› 36
  37. 37. Ecossistemas Aquáticos Os ecossistemas aquáticos abrigam uma grande biodiversidade, tanto em termos de faunaquanto de flora. Infelizmente essa biodiversidade sofre constantemente com a exposição a umgrande número de substâncias tóxicas lançadas no ambiente, oriundas de diversas fontes deemissão. Os processos de drenagem agrícola e os esgotos domésticos lançados nos rioscontribuem para a contaminação dos ecossistemas aquáticos com uma ampla gama de agentestóxicos como metais pesados, agrotóxicos, compostos orgânicos, entre outros. Para identificar os organismos que habitam o rio Ipojuca, foram realizadas coletas na áreade influência direta da barragem e ainda entrevistas com pescadores e moradores ribeirinhos naAID e AII. No que se refere aos peixes do rio Ipojuca, destaca-se a presença de espécies exóticas, ouseja, aquelas que foram introduzidas pelo homem no ambiente e antes não habitavam aquelelocal. Entre as espécies exóticas que hoje são comuns de encontrar nos rios do Estado temos oTucunaré (Cichla spp.), introduzido nos reservatórios de Três Marias e Itaparica em 1982 e 1989,respectivamente. A pescada (Plagioscion sp.) e o Piau (Plagioocion squamassissimus) foramintroduzidas em Sobradinho pelo DNOCS no final da década de 70 e, posteriormente, tambémem Itaparica. Outras espécies introduzidas nesses sistemas a partir de experimentos de cultivoforam as carpas (Cyprinus spp), tilápias (diversas espécies distribuídas em três gêneros Oreochromis,Sarotherodon e Tilapia), Tambaqui (Colossomamacropomum), Pacu-caranha (Piaractusmesopotamicus), apaiari (Astronotus ocellatus) e obagre-africano (Clarias lazera). Dentre as espécies coletadas nolevantamento de campo e informadas duranteas entrevistas com os moradores ribeirinhos epescadores da AID da barragem, a Tilápia é a espéciecom maior valor comercial e a mais pescada. Já a Traíra e o Jundiá são asespécies mais difíceis de se capturar na área. Quanto aos moluscos aquáticos, o de maior evidência nos rios da região é o Aruá (Pomaceacaniculata). Este molusco tem um rápido crescimento populacional, tolera locais com alto teor depoluição e em muitos locais é tido como praga. Nos últimos oito anos tornou-se praga em cultivos de arroz no sul do país, podendo causar danos de até 90% em sementes de arroz pré-geminado, segundo a EMBRAPA. O Aruá é utilizado pela população Rima Barragem Ipojuca ›› 37
  38. 38. ribeirinha de várias localidades como fonte de alimentação e não oferece risco direto ao serhumano. Outras duas espécies de crustáceos que são comumente encontradas na área em que seráconstruída a barragem é o Macrobrachium carcinus e o Macrobrachium acanthurus, popularmenteconhecidos por Pitu. Esse crustáceo é um típico camarão de água doce, com ampla distribuiçãogeográfica no Brasil, do Amapá ao Rio Grande do Sul, em rios que desembocam no OceanoAtlântico. Na AID da barragem esses camarões são bastante capturados servindo de fonte dealimento e de renda para pescadores locais. Quanto à vegetação aquática da área da barragem, a Eichornia crassipes, conhecida popularmente por Baronesa ou Aguapé, é a espécie mais freqüente em toda região, principalmente em margens de rios e em lugares com águas mais paradas. Por ter uma rápida proliferação, ela pode ser motivo de preocupação em reservatórios –habitat perfeito para a espécie. Entretanto, quando bem aproveitada esta espécie de planta podetrazer benefícios. Uma das principais vantagens da Baronesa é que ela é um filtro natural,apresentando a capacidade de incorporar em seus tecidos uma grande quantidade de nutrientes.Assim, em lagos ou reservatórios eutrofizados, é comum se colocar Baronesa, deixando que aplanta assimile os nutrientes dissolvidos na água e faça o “trabalho de limpeza”. Porém, é precisofiscalizar seu crescimento para não transformar um impacto em dois. Outro elemento da flora aquática é fitoplâncton ou microalgas. O conhecimento sobreesse grupo de organismos é fundamental na medida em que elas representam o primeiro elo dateia alimentar num ecossistema aquático, servindo de alimento para outros animais e,consequentemente dando suporte aos demais grupos de organismos aquáticos. Foram identificadss 25 especies de microalgas em coletasrealizadas na AID da Barragem do Rio Ipojuca, distribuídasentre as seguintes divisões: Cyanophyta: 28% (7 espécies),Chlorophyta: 36% (9 espécies), Ochrophyta: 24% (6 espécies),Cryptophyta 8% (2 espécies) e Euglenophyta 4% (1 espécie). Entre ascianobactérias identificadas, os gêneros: Anabaenopsis, Oscillatoria,Planktothrix e Synechocystis são considerados como produtores de microcistinas, que é umacianotoxina hepatotóxica com atuação principalmente no fígado podendo levar a intoxicação. Rima Barragem Ipojuca ›› 38
  39. 39. O rio Ipojuca percorre terras de 24 municípios pernambucanos, dos quais 12 têm suassedes situadas em áreas ribeirinhas. As principais cidades banhadas pelo Ipojuca são: Sanharó,Belo Jardim, Tacaimbó, São Caetano, Caruaru, Bezerros, Gravatá, Primavera, Escada e Ipojuca. Por esses números também é possível perceber a pressão antrópica que o Ipojuca e seusafluentes sofrem, sobretudo quando se sabe que a maioria desses municípios não possui serviçosde saneamento básico e alguns cultivam cana-de-açúcar nas proximidades do rio. Entre asutilidades da água do Ipojuca estão: consumo humano, animal e industrial, irrigação, geração deenergia (pequena central hidrelétrica), navegação interior, turismo e recreação. A atividade econômica desenvolvida na AID e ADA da barragem é determinante do tipode ocupação humana. A lavoura de cana-de-açúcar praticada em grandes extensões de terradessas áreas contribuiu para a baixa densidade populacional, registrando-se a presença depequenos aglomerados de casas habitadas, em sua grande maioria, por assalariados e aposentadosvinculados à usina Ipojuca. A maior parte da AID é ocupada por plantios de cana e, em escalabastante reduzida, por pequenas lavouras de mandioca e outros produtos destinados aoautoconsumo ou à comercialização do excedente.População A AID e, por conseqüência, a ADA, correspondem aespaços predominantemente rurais, correspondendo a terras deengenhos pertencentes à Usina Ipojuca. A maior parte da área éocupada por plantios de cana-de-açúcar e, em escala bastantereduzida, por pequenas lavouras de mandioca e outros produtosdestinados ao autoconsumo ou à comercialização do excedente. Inserido na AII da barragem, o município de Ipojuca é umdos mais desenvolvidos entre os que fazem parte da baciahidrográfica do rio. Em termos populacionais, entre 2000 e 2007, ataxa de crescimento da população de Ipojuca foi de 2,5% ao ano, Rima Barragem Ipojuca ›› 39
  40. 40. enquanto que em Escada, (o outro município dentro da AII) a mesmo ficou abaixo de 1%. O crescimento da população em Ipojuca está intimamente ligado à dinamização daeconomia local em função da retomada dos investimentos na área do Complexo IndustrialPortuário de Suape e do incremento das atividades turísticas nas praias de Porto de Galinhas,Serrambi e Maracaípe. Ipojuca abriga ainda um número significativo de habitantes na área rural, apresentandouma taxa de urbanização inferior à encontrada em Escada, que possui 83% da população vivendono núcleo urbano. A densidade demográfica, ou seja, o total de habitantes por km2, também émenor em Ipojuca, refletindo a distribuição da população no território e concentração ainda de menor expressão nos espaços urbanos. Em relação à distribuição da população por faixa etária, nos dois municípios há uma grande concentração de habitantes nas faixas de idade de 20 a 49 anos. De modo geral, os dados indicam a presença de númerosignificativo de habitantes nas faixas de idade correspondentes à População EconomicamenteAtiva (PEA – pessoas acima de 10 anos de idade). Focalizando a qualidade de vida da população de Ipojuca e Escada, o Índice deDesenvolvimento Humano Municipal (IDH), em 1991, foi classificado como baixo, passando em2000 para de nível médio (0,645 em Escada e 0,658 em Ipojuca), mesmo assim, ambos aindaestavam abaixo do limite superior de 0,800. O IDH é um dado que resume em um único númeroa medida de três dimensões básicas da existência humana: uma vida longa e saudável, o acesso aoconhecimento/educação formal e um padrão de vida digno. No tocante ao nível de escolaridade, a proporção de pessoas alfabetizadas em 1991 era de47% em Ipojuca e 53% em Escada. Em 2001 o índice de alfabetização entre a populaçãoresidente desses municípios subiu para 66% em Ipojuca e 67% em Escada. O indicador esperança de vida ao nascer foi outro dado que mostrou melhora nos doismunicípios. Em 1991, um habitante de Ipojuca tinha 59,35 anos de expectativa de vida. Já em2000 esse expectativa subiu para 66,21 anos. Em Escada, a elevação foi de 60,82 para 68,66 anos. Com relação à renda, três indicadores são destacados: renda per capita e proporção depobres. Nos dois municípios analisados, a renda per capita é predominantemente baixa, segundodados do IBGE fato este que contribui para o elevado percentual de habitantes inseridos nacategoria de pobres e de indigentes. Rima Barragem Ipojuca ›› 40
  41. 41. Saúde e Saneamento Embora a população tenha crescido nas últimas décadas em Ipojuca, o município nãoconseguiu ainda ampliar a cobertura dos serviços de saúde. O número de leitos por mil habitantesé inferior ao recomendado pelo Ministério daSaúde. O índice estabelecido pelo Ministériofixa entre 2,5 e 3 o número ideal de vagas paracada grupo de mil habitantes. Porém emIpojuca essa relação é de 0,4 leitos/milhabitantes. Escada, com 2,8 leitos/milhabitantes, está dentro do númerorecomendado pelo órgão federal. Cada um dosmunicípios possui dois hospitais, sendo que asunidades hospitalares de Escada têm um maior número de leitos disponíveis. Em Ipojuca, há 10 equipes do Programa de Saúda da Família (PSF) e 104 agentes desaúde e, em Escada, são 5 equipes e 131 agentes. Na AID do empreendimento há uma unidadede saúde, localizada no Engenho Maranhão que atende uma população de característicaspredominantemente rurais, moradora dos engenhos, em sua maior parte, pertencentes à UsinaIpojuca. Com relação à taxa de mortalidade de menores de 5 anos de idade em cada grupo de milnascidos vivos, na AII, as informações do Ministério da Saúde/Datasus indicam um declíniosignificativo no período entre 1995 e 2006. Em Ipojuca, a taxa saiu de 64,8/mil nascidos vivosem 1995 para 13,5 em 2006. Situação semelhante ocorreu em Escada, onde a mesma taxa passoude 78,7 em 1995 para 23,6 em 2006. Repercutindo negativamente nas condições gerais de saúde e qualidade de vida dapopulação, os serviços de saneamento básico nos dois municípios da AII da barragemapresentam situações precárias. Dados mais recentes incluídos no Plano Diretor de Escada indicam que 40% da áreaurbana é atendida pelo serviço de esgoto sanitário, apesar de os efluentes serem lançados semnenhum tratamento nos rios Ipojuca e Sapucagy, bem como no riacho Jaguará. Rima Barragem Ipojuca ›› 41
  42. 42. Embora seja identificada uma ampliação da coleta domiciliar de lixo, quando se comparam os dados referentes a 1991 e 2000, percebe-se que ainda persistem deficiências no atendimento à população, considerando que muitas pessoas nesse período ainda jogavam o lixo em locais impróprios. Mesmo nos dias atuais, é possível notar que a coleta é realizada de maneira insuficiente e que o aterro sanitário instalado não vem sendo utilizado adequadamente, permanecendo o uso como “lixão”.Economia Dados do Ministério do Trabalho e Emprego sinalizam para uma crescente importânciados setores de comércio e serviços nos municípios da AII. Em Ipojuca, a presença do Complexode Suape representa um importante pólo dinamizador de atividades econômicas de diversosperfis, com repercussões igualmente relevantes nos espaços regional e estadual. Atividadestradicionais, como a lavoura de cana-de-açúcar, embora de indiscutível participação na economiaregional, não possuem o papel desempenhado no passado como principal fonte geradora detrabalho e renda. A dinâmica de ocupação do solo, propiciada, sobretudo, pela instalação de váriosempreendimentos no âmbito do CIPS, no município de Ipojuca, sinaliza a ampliação dosespaços, incorporando áreas de municípios vizinhos, dentre os quais se destaca Escada, que,atualmente integra, sob a ótica do planejamentoestadual, o Território de Suape. Toda essasituação tem contribuído para a instalação denovas empresas e do desenvolvimento da infra-estrutura econômica dessa região. Ao se analisar a participação dosmunicípios na composição do Produto InternoBruto (PIB) de Pernambuco, vê-se que entre osanos de 2002 e 2006, Ipojuca esteve em terceirolugar no ranking estadual, com exceção apenas de Rima Barragem Ipojuca ›› 42
  43. 43. 2003, quando o Cabo de Santo Agostinho ocupou a posição.Escada, em 2006, ocupou o 27º lugar na relação dos municípios,participando com 0,40% do PIB de Pernambuco. Nesse mesmoano, Ipojuca contribuiu com 7,76% do PIB pernambucano. O comércio é a atividade mais forte nos dois municípios,concentrando 33% dos estabelecimentos formalmenteconstituídos em Ipojuca e 36% em Escada. O segmento deserviços aparece com 24,3% dos estabelecimentos de Ipojuca e12,9 % de Escada. No entanto, quando se analisa a distribuição deempregados por setor econômico, percebe-se a importância daindústria e da administração pública na geração de empregos nomercado formal de trabalho, concentrando 26,4% dosassalariados de Escada e 19,6% de Ipojuca. As atividades ligadasà agropecuária, extrativismo e pesca têm maior relevância emEscada, onde 11% dos trabalhadores estão engajados neste setor, enquanto em Ipojuca esse percentual é 2%. Sob o ponto de vista das relações econômicas, a atividade produtiva dominante é realmente a lavoura de cana-de-açúcar. As lavouras de subsistência são praticadas em escala bastante reduzida, em face da dificuldade de acesso a terras disponíveis para esse tipo de cultura. Os moradores da ADA são, predominantemente, trabalhadores com vínculos de emprego com a Usina Ipojuca. Além das ocupações como trabalhador na lavoura de cana-de-açúcar, há um número expressivo de pescadores dedicados à pesca tanto para a venda no mercado da região e como para autoconsumo. O camarão conhecido como pitu é um dos mais valorizados em Escada. Vendido por cerca de 30 reais o quilo, esse crustáceo representa uma importante fonte de renda para a população local, embora alguns pescadores já sintam dificuldade de capturá-lo devido à crescente degradação do rio Ipojuca. Alguns moradores da AII também cultivam lavouras de subsistência, comercializando o excedente da produção. Por se tratar de terras predominantemente pertencentes a propriedades particulares (engenhos), são reduzidas as áreas onde sepermite a realização desses roçados de mandioca, feijão etc. Rima Barragem Ipojuca ›› 43
  44. 44. Patrimônio Histórico e Cultural » Ipojuca A história de Ipojuca sempre esteve relacionada com a produção de açúcar. O processode povoamento do local ocorreu inicialmente a partir de um porto fluvial, que servia para aembarcação do pau-brasil e, posteriormente para o escoamento do açúcar – era o conhecidoPorto de Galinhas. Entre 1550 e 1650 já havia registro de mais de 30 engenhos, entre os quaisTabatinga, Salgado, Trapiche, Boacica, Guerra, Mercês, Maranhão, Genipapo, Pindoba,Pindorama, São Francisco e Caetés. Assim, o município de Ipojuca desenvolveu-se como umimportante centro açucareiro. A vila de Ipojuca foi criada, sob a denominação de Nossa Senhora do Ó, através de lei em 1843. Em maio de 1849, a vila foi transferida para o povoado de São Miguel de Ipojuca. A disputa pela sede entre Nossa Senhora do Ó e São Miguel resultou em tentativas de emancipação de Nossa Senhora do Ó. Com a instalação da Usina Salgado, em 1891, Nossa Senhora do Ó torna-se um local de dormitório para os trabalhadores da usina. Até a divisão administrativa do Estado, em 1911, o município de Ipojuca tinha suasede em Nossa Senhora do Ó. É na década de 70 que começa o processo de urbanização da orla com os loteamentos deveraneio. Nesse processo, diversos problemas aconteceram: aterro de mangue, destruição dedunas e privatização de praias como Enseada de Serrambi, ponta de Serrambi e Merepe. Esteprocesso continuou nos anos 80 e 90 em ritmo acelerado o que fez com que o municípioinvestisse no turismo como alternativa econômica. O município de Ipojuca tem atualmente aseguinte divisão administrativa: Distrito sede, Camela e Nossa Senhora do Ó. Rima Barragem Ipojuca ›› 44
  45. 45. » Escada A origem do município de Escada está relacionada com o aldeamento de Nossa Senhorado Ipojuca. O aldeamento estava localizado na margem esquerda do rio Ipojuca e reunia osindígenas Meriquitos, Potiguares e Tabaiares. Em 1757 já existia um povoado em crescimentoformado de índios e colonos. A fertilidade do solo e a implantação de engenhos motivaram ocrescimento populacional. Em 1861, a aldeia de Escada era considerada a mais rica da província de Pernambuco e asterras dos indígenas eram cobiçadas por proprietários de engenhos. Neste período os índiostinham uma vida economicamente estável, existindo até engenhos pertencentes a indígenas. Essesengenhos eram resultado da doação de sesmaria pela participação de indígenas na luta contra oQuilombo de Palmares. Na segunda metade do século XIX, a produção açucareira tomou impulso ocorrendo atomada das terras indígenas e a ocupação do aldeamento. Um dos fatos que ajudou o desenvolvimento da vila foi a inauguração da Estação Ferroviária de Escada em 1960. Em 1813 a freguesia de Escada aumentou com a incorporação de alguns engenhos do Cabo, de Vitória de Santo Antão e de Sirinhaém. Foi elevada a categoria de vila, em 1854, tornando-se cidade e sede de município autônomo em 1893. O município tematualmente a seguinte divisão administrativa: distrito de Escada e Frexeiras.» Bens do Patrimônio de Valor Histórico, Cultural e Paisagístico Os bens do patrimônio histórico e cultural identificado nos municípios de Ipojuca eEscada estão relacionados com a produção açucareira no litoral sul do Estado de Pernambuco. Olevantamento de dados sobre o patrimônio histórico e cultural demonstrou a presença de sítioshistóricos localizados na AII e AID do empreendimento. Estes sítios históricos, a maioriadescaracterizados, estão representados por remanescentes deengenhos, vilas e povoados. Em ipojuca, os bens patrimoniais identificados estãorepresentados pelos núcleos urbanos originais; pelas vilas,povoados, igrejas, capelas e praças; pelos remanescentes dos Rima Barragem Ipojuca ›› 45
  46. 46. engenhos de açúcar e demais construções do entorno imediato. Alguns exemplos são: Igreja deSão Miguel, Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Outeiro, Igreja de Nossa Senhora daPenha, Casario original de Camela, Engenho Maranhão, Usina Ipojuca e Usina Salgado. Comobens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) estão oConvento e Igreja de Santo Antônio e o Engenho Gaipió. Já em Escada, o Plano Diretor do município identificou vários bens patrimoniais que formam a Área Especial de Patrimônio Histórico (AEPH) e os imóveis Especiais de Preservação (IEP) localizados no núcleo urbano. Como exemplos podem ser citados os seguintes: Engenho Campestre, Engenho Frexeiras, Engeho Suassuna, Área das ruínas da Usina Massauassu, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Biblioteca Pública, Casa do Salão Paroquial, Igreja de Nossa Senhora de Escada, Antiga Prefeitura Municipal, Escola Paroquial e Casa-grande do engenho Sapucagi. Devido sua importância histórica, o Conjunto Ferroviário de Escada é atualmente tombado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE). » Arqueologia Pesquisas arqueológicas aliadas a informações históricasmostram que os municípios de Ipojuca e Escada possuem um ricopatrimônio histórico-cultual e arqueológico. Vários projetos desalvamento arqueológico já foram desenvolvidos fornecendo dadossobre o período colonial e sobre os grupos pré-históricos queviveram nessa área. As evidencias arqueológicas mostram quatroocorrências pré-históricas e uma ocorrência arqueológica históricaem Ipojuca, localizadas nos morros, dentro de plantações de cana-de-açúcar. Estudos realizados na área da Refinaria do Nordesteevidenciaram, ainda no município de Ipojuca, mais vinte sítiosarqueológicos e a ocorrência de ocupações pré-históricas ou decontato com o colonizador português. Tais ocupações foram tambémevidenciadas nos topos e vertentes dos morros e nos vales abertos. Rima Barragem Ipojuca ›› 46
  47. 47. Em 2007, mais oito ocorrências foram localizadas, quando da realização do Diagnósticodo Patrimônio Histórico, Cultural e Arqueológico, na área do empreendimento Moinho deProcessamento de Trigo Bunge Alimentos S.A. As evidências de ocupações indígenas tambémestavam situadas nos morros com altimetria variando entre 23 a 103m. Nestas áreas foramencontrados fragmentos de cerâmica indígena (composto de fragmentos de borda, bojo ebase com tamanhos e espessuras variadas, e pedaços de ocre), cerâmica histórica, louça colonial,louça recente, telhas e tijolos, caracterizando ocupações históricas e pré-históricas. O patrimônio histórico e arqueológico encontrado na área demonstra que, nos municípios do litoral sul de Pernambuco, existe um grande potencial arqueológico, especialmente relacionado com vestígios de grupos pré-históricos ceramistas, assim como os remanescentes de ocupações históricas relacionadas ao passado colonial do território. Incluído neste contexto, os municípios de Ipojuca apresentam zonas de significativo potencial arqueológico, principalmente histórico, a partir dos remanescentes materiais de vários engenhos, de diferentes períodos e de importância para a história colonial brasileira. Foram realizadas várias vistorias arqueológicas na AID e ADA em torno da futurabarragem por um grupo de arqueólogos aproveitando os morros em que a cana-de-açúcar haviasido retirada para a moagem nas usinas. As ocorrências de achados arqueológicos se deu em maior intensidade no topo e na áreade declive do morro, no meio das ares de plantações de cana-de-açúcar. O material arqueológicoidentificado corresponde em sua maioria de fragmentos de cerâmica pré-histórica e material líticode quartzo e sílex. Entre os vestígios arqueológicos estão fragmentos de amoladores e afiadoresem rochas, possivelmente, graníticas e gravuras no leito do rio. Rima Barragem Ipojuca ›› 47
  48. 48. Conhecidas as características da região onde será construída a Barragem do rio Ipojuca, agora é analisado os impactos que ocorreram na fase de implantação e de operação do empreendimento. A barragem vai provocar muitas mudanças ambientais na região e na vida das pessoas também. Vai ter mudanças na paisagem, no comportamento das águas do rio, na fauna e na vegetação.A identificação dos impactos ambientais causados pela Barragem do Rio Ipojuca compreende um conjunto de análises sobre as características sócioambientais da área de influência do empreendimento, apresentadas no Diagnóstico Ambiental. Dessa forma,os fatores ambientais analisados englobam os meios físico, biológico e antrópico. O processo chave para a identificação dos impactos é a construção da Matriz dos Impactos,referente às fases de planejamento, implantação e operação do empreendimento, de modo acoligar os impactos envolvidos com os fatores sócioambientais e classificá-los. A Matriz tambémpossui fundamental importância na medida em que auxilia na tomada de decisão quanto aMedida Mitigadora a ser implementada. Identificados os impactos, estes foram avaliados quantoa: IMPACTO CARACTERÍSTICA Efeito Positivo, Negativo ou Indeterminado Natureza Direto ou Indireto Abrangência Local, Restrita, Regional, Global Remota, Pouco Provável, Provável, Muito Probabilidade Provável e Certa Baixa (1), Média (2), Intermediária (3) e Magnitude Alta (4) Duração Temporário, Permanente ou Cíclico Reversibilidade Reversível ou Irreversível Muito Baixa, Baixa, Moderada, Alta e Muito Importância Alta Rima Barragem Ipojuca ›› 48

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