Contextualização Sobre     Espécies Exóticas             Invasoras     Dossiê Pernambuco     Recife – março – 2009
2CONSULTORA PARA ESPÉCIES VEGETAISWalkiria Rejane de AlmeidaUniversidade Federal de PernambucoCONSULTOR PARA ESPÉCIES ANIM...
3                                    SUMÁRIO                                                                          Pági...
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164. Plantas exóticas invasoras em Pernambuco       Conforme disposto na base de dados sobre espécies exóticas invasoras n...
174.1. Lista de espéciesTabela 1. Lista das espécies vegetais exóticas invasoras em ambientes terrestresregistradas para o...
184.2. Caracterização das espéciesTabela 2. Listas das plantas exóticas invasoras em Pernambuco e informações sobre origem...
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254.3. Exemplos de espécies vegetais exóticas invasoras de alto risco para o estado dePernambuco4.3.1. Algaroba - Prosopis...
26indivíduos regenerantes destes dois grupos (Andrade et al., 2008) do que áreas onde aespécie não estava estabelecida.   ...
274.3.3. Leucena - Leucaena leucocephala       A leucena é uma espécie arbórea, nativa do México e da América Central, que...
284.3.4. Mamona - Ricinus communis       A mamona é uma espécie arbustiva bastante comum em todo o Brasilprincipalmente no...
29toxina, porém em menor concentração. Os sintomas da intoxicação em animaisgeralmente aparecem após algumas horas ou pouc...
305. Animais exóticos invasores em Pernambuco       Segundo a base de dados brasileira de espécies exóticas invasoras, con...
315.1. Lista de espéciesTabela 3. Lista das espécies de animais exóticas invasoras ou potencialmente invasorasregistradas ...
32Nome científico           Nome comum                  Forma biológica   OcorrênciasHemidactylus mabouia      Briba-de-ca...
5.2. Caracterização das espéciesTabela 4. Caracterização dos animais exóticos invasores ou potencialmente invasores em Per...
34Nome científico        Nome comum      Distribuição        Impactos                                     Observações     ...
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  1. 1. Contextualização Sobre Espécies Exóticas Invasoras Dossiê Pernambuco Recife – março – 2009
  2. 2. 2CONSULTORA PARA ESPÉCIES VEGETAISWalkiria Rejane de AlmeidaUniversidade Federal de PernambucoCONSULTOR PARA ESPÉCIES ANIMAISTarciso Cotrim Carneiro LeãoUniversidade Federal de PernambucoAPOIO E REVISÃO DO TEXTOSônia Aline RodaCentro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN)Michele de Sá DechoumThe Nature Conservancy (TNC) - Programa de Espécies Exóticas Invasoras para aAmérica do SulEXECUÇÃOCentro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN)COORDENAÇÃOThe Nature Conservancy (TNC)Conservação Internacional do BrasilAPOIO INSTITUCIONALInstituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação AmbientalConservação Internacional do BrasilAssociação para a Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (AMANE)
  3. 3. 3 SUMÁRIO Página1. Introdução geral 42. A construção de uma estratégia estadual 10 2.1. Os primeiros passos 10 2.2. Os componentes de uma estratégia estadual 113. Banco de dados sobre espécies exóticas invasoras no Brasil 154. Plantas exóticas invasoras em Pernambuco 16 4.1. Lista de espécies 17 4.2. Caracterização das espécies 18 4.3. Exemplos de espécies vegetais exóticas invasoras de alto risco 25 para o estado de Pernambuco5. Animais exóticos invasores em Pernambuco 30 5.1. Lista de espécies 31 5.2. Caracterização das espécies 336. Unidades de Conservação e espécies exóticas invasoras 487. Fernando de Noronha e o problema acentuado em ilhas 518. Referencias bibliográficas 52Anexo 1:Legislação federal brasileira acerca de espécies exóticas invasoras 59
  4. 4. 41. Introdução O planeta Terra vive hoje uma das maiores crises de perda de biodiversidade jádocumentadas. As previsões dessa perda para a próxima década são alarmantes,especialmente nos países com alta diversidade (Wilson, 1997). Duas causas figuramcomo as principais variáveis de ameaça à diversidade biológica. A primeira é aconversão de habitats naturais causada principalmente por atividades antrópicascomo, por exemplo, o avanço da fronteira agrícola, construções de rodovias eincêndios (Wright, 2005). A segunda maior causa de perda de biodiversidade noplaneta é a invasão por espécies exóticas (GISP, 2005). Essas espécies são introduzidasem regiões onde não ocorrem naturalmente por uma variedade de meios e causamdanos econômicos, sociais, culturais, ambientais e à saúde humana. De acordo com as definições adotadas pela Convenção Internacional sobreDiversidade Biológica (CDB, 1992) na sexta Conferência das Partes (COP-6, DecisãoVI/23, 2002), uma espécie é considerada exótica (ou introduzida) quando situada emum local diferente ao de sua distribuição natural por causa de introdução mediada,voluntária ou involuntariamente, por ações humanas. Se a espécie exótica consegue sereproduzir e gerar descendentes férteis, com alta probabilidade de sobreviver no novohábitat, ela é considerada estabelecida. Caso a espécie estabelecida expanda suadistribuição no novo hábitat, ameaçando a diversidade biológica nativa, ela passa a serconsiderada uma espécie exótica invasora. Essas definições fornecidas pela CDB servem de referência legal para os paísessignatários da Convenção, como o Brasil, e são adotadas como base pelo ProgramaGlobal de Espécies Invasoras (GISP). Por meio do Decreto n. 2, de 3 de fevereiro de1994, o Brasil estabeleceu um compromisso legal com o texto da CDB,comprometendo-se a adotar e aplicar no seu território as ações e princípios da CDB.No âmbito das espécies exóticas invasoras, isso quer dizer que o país deve “impedirque sejam introduzidas, controlar ou erradicar espécies exóticas que ameacem osecossistemas, hábitats ou espécies” (Artigo 8 da CDB). Esse artigo foi transposto para aLei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) e é expressa no Artigo 61, que considera crime
  5. 5. 5ambiental a disseminação de doença ou praga ou espécies que possam causar dano àagricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas. As introduções de espécies podem ser voluntárias, quando há a intenção notransporte e/ou soltura da espécie num local diferente da sua distribuição natural; ouinvoluntária, quando a introdução ocorrer acidentalmente, como no caso de pragasagrícolas e vetores e agentes causadores de doenças, como vírus e bactérias (CDB, COPDecisão VI/23, 2002). Frequentemente a introdução voluntária de uma espécie exóticapode levar à introdução acidental de outras espécies a ela associada, como é o caso deparasitas que chegam junto com peixes introduzidos para atividades de piscicultura(tilápias, bagres, carpas, etc.). Nesse sentido, um importante problema ambientalrelacionado à introdução de espécies na piscicultura é o comprometimento dasanidade dos organismos e a introdução de novas doenças a ecossistemas naturais. Introduções intencionais de espécies são motivadas por diversas razões quetangem fins sociais, econômicos e até ambientais. Espécies foram e são introduzidaspara embelezar praças e jardins, para uso na agropecuária, para amenizar a pressãosobre recursos naturais, como alternativa de renda e subsistência para populações debaixa renda, para controle biológico de outras pragas e por muitas outras razões. O caramujo-gigante-africano (Achatina fulica), por exemplo, foi introduzido noBrasil como alternativa à criação de escargot na década de 1980 sem que houvessequalquer estudo de mercado ou autorização do órgão competente. A comercializaçãofoi um fracasso, levando ao abandono de criadouros e à soltura de caramujos noambiente. A espécie atualmente ocorre em pelo menos 15 dos 26 Estados brasileiros(GISP, 2005). Em ambientes de água doce, deve-se ter atenção com a introdução de peixespara a criação ou incremento da pesca. A introdução voluntária da perca-do-nilo (Latesniloticus) no lago Vitória, na África, para desenvolver a indústria pesqueira, teveconseqüências desastrosas para a fauna endêmica do lago e para as populações doentorno, tornando cerca de dois terços das espécies de peixes nativas extintas ouameaçadas de extinção e eliminando a principal fonte de proteína das comunidadeslocais (Ogutu-Ohwayo, 1990; Kaufman, 1992). Fato semelhante ocorreu em váriaslagoas no estado de Minas Gerais, onde foi documentada uma redução de 50% na
  6. 6. 6riqueza de peixes nativos após dez anos da introdução do tucunaré (Cichla ocellaris),do apaiari (Astronotus ocellatus) e da piranha-vermelha (Pygocentrus nattereri)(Reaser et al., 2005). Atualmente, há 386 espécies exóticas invasoras e cerca de 11.263 registros deocorrências de invasão no Brasil, catalogadas no banco de dados integrado ao grupotemático sobre espécies exóticas invasoras (I3N) da Rede Inter-americana deinformação sobre Biodiversidade (IABIN), gerenciado no Brasil pelo Instituto Hórus deDesenvolvimento e Conservação Ambiental e pela The Nature Conservancy (TNC).Considerando apenas as espécies terrestres registradas no banco de dados (InstitutoHórus, 2008), sabe-se que em torno de 75% delas foram introduzidasintencionalmente. A principal motivação para essas introduções é o uso ornamental ea criação de animais de estimação, que juntas representam cerca de 40% dasintroduções intencionais e são a principal causa de introduções de espécies ao país. Muitos dos casos mais graves de invasão biológica no Nordeste do Brasil sãoconseqüências de introduções voluntárias, como é o caso da introdução do tucunaré(Cichla ocellaris) e da tilápia (Oreochromis niloticus) em rios, lagos e açudes, o quecertamente resultou em extinção local de espécies nativas, reduzindo a biodiversidadelocal e regional (Rosa e Groth, 2004). Estas introduções foram ainda intensificadas porprograma de governo que, por meio do Departamento de Obras Contra a Seca doMinistério da Integração Nacional (DNOCS), levou à introdução de 42 espécies depeixes e crustáceos em aproximadamente 100 reservatórios de água doce no Nordeste(Gurgel e Fernando, 1994; Reaser et al., 2005). No ambiente marinho-costeiro, vale destacar a grande rota de dispersão paraintrodução involuntária de espécies por meio de água de lastro e de incrustação emcascos de embarcações que atracam nos portos (GISP, 2005; Farrapeira et al., 2007),sobretudo daqueles navios em rotas internacionais. Pelo menos 12 espécies exóticasde animais marinhos já foram encontradas nos cascos de navios que atracaram noporto do Recife (Farrapeira et al., 2007). Esta é a via responsável pela introdução, porexemplo, da espécie exótica invasora Mytilopsis leucophaeta (sururu-branco), queforma colônias com alta densidade de indivíduos, inclusive sobre colônias do sururu-
  7. 7. 7nativo, na zona estuarina de Recife (Souza et al., 2005; Falcão, 2006; JRB de Souza,com. pess.). Em um dos casos mais emblemáticos de invasão biológica no país – a domexilhão-dourado (Limnoperma fortunei) – a introdução involuntária ocorreu,provavelmente, via água de lastro dos navios (GISP, 2005). O mexilhão-dourado énativo do sudeste asiático e foi detectado pela primeira vez na América do Sul em1991, no rio da Prata, na Argentina. A partir daí, estima-se que em 10 anos a espécietenha se deslocado cerca de 2.400 km, aderida a cascos de embarcações e a outrasestruturas e equipamentos de navegação, pesca e mergulho. No trecho brasileiro dorio Paraná, foi detectada pela primeira vez na Usina Hidrelétrica de Itaipu, em abril de2001, e hoje já se encontra no Pantanal Mato-Grossense. O mexilhão-dourado atingedensidades populacionais de até 150 mil indivíduos por m², causando graves perdaseconômicas pelas incrustações massivas e obstrução de tubulações e filtros de água deestações de tratamento, indústrias e usinas de energia elétrica (GISP, 2005). Impactos similares também ocorreram em ecossistemas terrestres com aintrodução de espécies de plantas. Na caatinga da Paraíba, por exemplo, há estudosque mostram que a invasão de algaroba (Prosopis juliflora) provoca perda debiodiversidade (Andrade et al., 2008) e tem potencial de reduzir a disponibilidade deágua. Segundo Andrade et al. (2008), a invasão por esta espécie diminui drasticamentea riqueza de árvores e arbustos nativos e compromete a regeneração natural davegetação nativa. Danos econômicos são outras conseqüências da disseminação das espéciesexóticas invasoras (GISP, 2005). Uma estimativa feita em 2005 mostrou que asespécies exóticas invasoras custam aos Estados Unidos mais de 120 bilhões de dólarespor ano (Pimentel et al., 2005). Em todo o mundo, as perdas na agricultura sãoestimadas em até 248 bilhões de dólares por ano (Bright, 1999). No Brasil, apesar deainda haver relativamente pouca informação disponível sobre o assunto, as perdasagrícolas anuais relacionadas a algas, ácaros e plantas exóticas invasoras em lavourasestão em torno de 42,6 bilhões de dólares (Pimentel et al., 2001). Esse númerosubestima o custo do problema, pois não estão computados impactos ambientais,
  8. 8. 8extinção de espécies, perda de serviços ambientais e custos derivados de problemasde saúde humana. Custos originados por espécies exóticas invasoras podem ser claramenteobservados quando produtos específicos são afetados. A produção do algodão(Gossypium sp.), por exemplo, cultivado em vários Estados do Brasil, vem decrescendocontinuamente nos últimos 15 anos em várias partes do país, em grande parte, devidoà invasão do bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis; Reaser et al., 2005). Estebesouro foi detectado pela primeira vez em 1983 nos estados de São Paulo e daParaíba e sua dispersão pela maioria das áreas produtoras foi incrivelmente rápida. Emmenos de 10 anos, todos os estados brasileiros produtores de algodão já estavaminfestados (Lukefahr et al., 1994). As espécies exóticas invasoras também podem causar impactos aosecossistemas, uma vez que modificam os ciclos ecológicos naturais, afetando osserviços por eles prestados. A algaroba (Prosopis juliflora), introduzida na Caatinga,atinge o lençol freático profundo e pode exaurir reservas vitais de água em ambientesonde este recurso é escasso (Andrade et al., 2008), interferindo no crescimento dasculturas vizinhas, além de prejudicar o funcionamento do ecossistema como um todo. A disseminação de espécies exóticas invasoras também representa problemas ecustos à saúde humana, por meio da entrada de patógenos e parasitas exóticos.Recentemente, a febre aftosa (Aphtohovirus) tornou-se uma grande preocupação emmuitas regiões do mundo (Enserink, 2001). O platelminto Schistosoma mansoni,trazido da África, causador da esquistossomose, pode já ter infectado entre 150 e 200milhões de pessoas em todo o mundo, e, só no Brasil, são contabilizados cerca de trêsmilhões de infectados (WHO, 1998) - três caramujos de água doce (Biomphalariaglabrata, B. tenagophila e B. straminea) são os principais responsáveis por suatransmissão. Na tentativa de controle biológico das populações destes caramujos, foiintroduzido o caramujo da Malásia (Melanoides tuberculata), que compete poralimento com os caramujos hospedeiros e devora seus ovos. Entretanto, o caramujoda Malásia é um hospedeiro intermediário de outros parasitas, especialmente umtrematóide causador da paragonimíase (Paragonimus sp.), que também afeta ohomem (Reaser et al. 2005).
  9. 9. 9Outro problema decorrente da introdução de espécies exóticas pode ser facilmenteobservado nos centros urbanos do Brasil, onde árvores e arbustos exóticos têm sidoamplamente utilizados no paisagismo (Santos et al., 2008). A frequente presença deespécies exóticas ornamentais em centros urbanos funciona como um importantecentro irradiador de invasões biológicas (Dehnen-Schmutz et al., 2007). Esta fortetradição de usar espécies exóticas na arborização de ruas, praças e parques temgerado uma descaracterização e simplificação ambiental dos municípios, levando auma perda cultural e desvalorização das espécies nativas locais. Isto de fato éfacilmente constatado em vários municípios de Pernambuco, que mesmo localizadosem diferentes ecossistemas desde o litoral até o sertão do Estado, apresentam demodo geral o mesmo conjunto de espécies exóticas em suas arborizações públicas. Os problemas causados por espécies exóticas invasoras vêm sendo cada vezmais reconhecidos em escala global. A experiência mostra que a estratégia maiseficiente e econômica para enfrentar o problema é evitar novas introduções (Ziller etal., 2007), uma vez que, trabalhando-se com a estratégia de prevenção, os custos sãomenores e as chances de resolver os problemas são maiores, quando comparada àsestratégias de controle pós-invasão. Os custos subseqüentes de um processo deinvasão são crescentes e por vezes são necessários grandes esforços para diminuir osseus impactos negativos ou mesmo eliminá-los. Dessa forma, um dos primeiros passosque os governos dos Estados brasileiros devem dar é reconhecer formalmente asespécies exóticas invasoras presentes no Estado e adotar medidas preventivas a novasintroduções. Isso ajudaria a reduzir problemas no futuro e facilitaria a concentração derecursos para solucionar problemas de invasões biológicas já estabelecidas.
  10. 10. 102. A construção de uma estratégia estadual Existem ao menos três publicações disponíveis gratuitamente que cobrem deforma ampla e precisa como devem ser estruturadas estratégias governamentais epolíticas públicas para frear o avanço de espécies exóticas invasoras e mitigar impactosde invasões biológicas. São elas o Modelo para o desenvolvimento de uma estratégianacional para espécies exóticas invasoras (Ziller et al., 2007), o Manual de melhorespráticas para prevenção e manejo de espécies exóticas invasoras (Wittenberg & Cock,2001) e o Guia para o desenvolvimento de estruturas institucionais e legais sobreespécies exóticas invasoras (Shine et al., 2000), todas elaboradas pelo Programa Globalde Espécies invasoras (www.gisp.org). Os objetivos maiores de uma estratégia estadual para espécies exóticasinvasoras devem ser: (1) prevenir a entrada de novos organismos potencialmente perigosos (tantopor meio de introduções intencionais legais ou ilegais, quanto de introduçõesacidentais como, por exemplo, via água de lastro de navios); (2) criar um programa permanente de controle e manejo de espécies exóticasinvasoras já estabelecidas e também das recém-detectadas, com destaque para asunidades de conservação; (3) desenvolver programas e atividades de educação formal, informação econscientização públicas; (4) criar um arcabouço legal que normatize as ações propostas nos maisdiversos níveis, incluindo a regulamentação para atividades econômicas baseadas nocultivo, na produção e/ou na comercialização de espécies exóticas invasoras; e (5) desenvolver capacidade técnica e estrutura institucional necessárias aoplanejamento e à implementação das ações.2.1. Os primeiros passos O desenvolvimento das ações acima propostas requer uma abordagem ampla esistêmica, de modo que é essencial a composição de um Comitê Estadual de gestão
  11. 11. 11representado pelas das áreas de meio ambiente, agricultura, saúde e educação daesfera governamental, bem como por representantes da sociedade civil que possamaportar conhecimento especializado. Esse comitê deve ter autonomia para definirprioridades e gerir a implementação de ações e tem por responsabilidade abordar,coordenar e unir esforços de maneira integrada e condizente com a realidadeinstitucional de cada integrante, operando com foco na proteção da diversidadebiológica. Paralelamente, recomenda-se um diagnóstico mais detalhado do Estado parafacilitar o estabelecimento de prioridades para prevenção e controle. É importanteidentificar também as espécies presentes no Brasil que têm potencial para entrar noEstado e causar prejuízos. No banco de dados de espécies exóticas invasoras no Brasilestão disponíveis informações sobre as espécies exóticas invasoras registradas no paíse suas ocorrências conhecidas, devendo ser a referência fundamental, porém comcomplementação de dados levantados no Estado (http://www.institutohorus.org.br). A composição de uma lista de referência para o Estado pode ser feita atravésda validação, por especialistas, das informações já registradas no banco de dados doBrasil. A complementação dessas informações, seja por meio de consultas a gestorespúblicos nas áreas de meio ambiente, agricultura e saúde, tais como por aportes degestores de unidades de conservação e de técnicos de extensão rural, é igualmenteimportante. A existência de uma lista oficial estadual de espécies exóticas invasoras e oconhecimento das possíveis ameaças presentes em Estados e países vizinhos éfundamental para o estabelecimento de prioridades e para permitir a tomada dedecisões para ações de prevenção, controle e monitoramento de espécies exóticasinvasoras.2.2. Os componentes de uma estratégia estadual Conforme já disposto, entende-se que os principais componentes de umaestratégia estadual sejam: (1) prevenção, detecção precoce e resposta rápida; (2)
  12. 12. 12controle, manejo e monitoramento; (3) informação e conscientização pública; (4) baselegal e estrutura institucional; e (5) capacitação técnica.Prevenção, detecção precoce e resposta rápida As ações para prevenção devem ser planejadas de maneira a contemplar afiscalização e o controle em áreas de fronteiras (aviões, navios, carregamentos,trânsito através de fronteiras secas, entre outros), com sistemas efetivos de inspeçãocontra introduções acidentais e ilegais; análise de risco e estratégias de controle emonitoramento para introduções e cultivos legais; e medidas preventivas traduzidasem práticas de manejo de espécies exóticas invasoras utilizadas em sistemas decultivo. A operacionalização destes componentes visa impedir introduções ilegais deespécies, escape de cultivos e processos de invasão a partir de introduções legais. Casoocorra a introdução de espécies indesejadas, é importante utilizar sistemas dedetecção precoce para viabilizar sua eliminação imediata no momento em que aindaexiste maior viabilidade e menor custo.Controle, manejo e monitoramento Refere-se aos métodos e às ações de controle de espécies exóticas que devemser eliminadas ou restritas a áreas de produção. Um programa oficial de controle deveaplicar-se às áreas públicas, como unidades de conservação, e, por meio de parceriascom o setor privado e de marcos legais específicos, cobrir também áreas particularespara assegurar a conservação da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos. Deveainda estimular a implementação de ações de controle e manejo por meio decampanhas públicas, provendo informações, subsídios e extensão rural para o controlede espécies exóticas invasoras.
  13. 13. 13Informação e conscientização pública Uma parte importante da prevenção à introdução de espécies exóticasinvasoras está na conscientização pública. A maioria das pessoas não temconhecimento sobre os impactos causados em processos de invasões biológicas, epode contribuir involuntariamente para a dispersão dessas espécies por meio depráticas cotidianas, como a jardinagem e a soltura de animais domésticos em áreasnaturais. O próprio poder público tem suas dificuldades com os animais recolhidos emcentros de triagem ou com iniciativas de restauração ou reposição de peixes em rioscom espécies totalmente inadequadas, de forma que o tema precisa ser mais bemposto publicamente. O entendimento do público sobre a diferenciação entre espécies exóticasinvasoras e espécies nativas, assim como do potencial de utilização das nativas, éfundamental para que as atividades de prevenção e controle possam prosperar emtodos os níveis.Base legal e estrutura institucional Já existem na legislação federal brasileira instrumentos referentes a espéciesexóticas, tais como a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (9.985/00)e a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), que devem ser usadas como referência para otrabalho na esfera estadual (Anexo 1). A elaboração de marcos legais estaduais se faz necessária para regulamentarquestões específicas, como, por exemplo, questões técnicas e sanções administrativaspara o cultivo e a criação de espécies exóticas invasoras, para projetos de restauraçãoe recuperação de áreas degradadas e reservas legais, para controle em unidades deconservação e para o uso de espécies em zonas de amortecimento em unidades deconservação de uso sustentável, entre outros fins. Exemplos de instrumentos legais jácriados por estados como o Paraná e o Espírito Santo estão disponíveis comoreferência no Anexo 1. Muito relevante é a delegação de autoridade a agências ambientais que vãotratar das questões relacionadas a espécies exóticas invasoras e a criação de base legal
  14. 14. 14para respaldar o trabalho, assim como o compromisso institucional formal com otema. Essa estrutura institucional precisa ser reforçada com capacitação técnica paraque as ações possam ser implementadas.Capacitação técnica Os esforços de capacitação devem estar direcionados aos distintos públicos quenecessitam melhorar sua capacidade técnica para com invasões biológicas, comogerentes de unidades de conservação, agentes de fiscalização, agentes de inspeção emfronteiras, portos e aeroportos, representantes do Ministério Público, comitês técnicosatuando em temas de biodiversidade, professores em todos os níveis, organizaçõesnão-governamentais, profissionais de instituições de ensino e outros.
  15. 15. 153. Banco de dados sobre espécies exóticas invasoras no Brasil O início da coleta de informações sobre espécies exóticas invasoras no Brasilocorreu em 2003, por iniciativa do Instituto Hórus de Desenvolvimento e ConservaçãoAmbiental. Durante dois anos, foi realizado com base em observações de campo e naliteratura disponível no Brasil e em outras partes do mundo. Em 2005, com o apoio doMinistério do Meio Ambiente/PROBIO, a prospecção de dados ganhou abrangêncianacional com a realização do Informe Nacional Sobre Espécies Exóticas Invasoras, e umbanco de dados foi estruturado através da rede temática de espécies exóticasinvasoras (I3N) da IABIN – Rede Inter Americana de Informação sobre Biodiversidade. Durante a vigência do Informe Nacional Sobre Espécies Exóticas Invasoras, aprospecção de informações sobre espécies exóticas invasoras no Brasil e seus locais deocorrência foi realizada por consultores em cada bioma brasileiro. A primeira validação de resultados foi feita numa reunião com especialistaspromovida pelo Ministério do Meio Ambiente em outubro de 2005. O Instituto Hórus ea The Nature Conservancy continuam coletando informações sobre espécies exóticasinvasoras no Brasil e disponibilizando-as para consulta. A validação ocorre porconsultas e aporte de especialistas que têm acesso à base de dados via site do InstitutoHórus. Como resultado destes anos de trabalho tem-se um registro interessante deespécies exóticas invasoras no Brasil. A mesma estrutura de base de dados está emuso em outros 15 países nas Américas, com vistas a facilitar a troca de informações emnível continental. As informações levantadas no Estado deverão ser aportadas à basede dados nacional, que serve como sistema de informação para o mesmo e ajuda aformar um cenário nacional que apóie o trabalho em desenvolvimento pelo Ministériodo Meio Ambiente.
  16. 16. 164. Plantas exóticas invasoras em Pernambuco Conforme disposto na base de dados sobre espécies exóticas invasoras noBrasil (disponível em www.institutohorus.org.br), consultada em 21 de dezembro de2008, há registros de 23 espécies de plantas no estado de Pernambuco, o querepresenta cerca de 20% das plantas exóticas invasoras registradas para o Brasil(tabela 1). Na tabela 1, é apresentado para cada planta exótica invasora o número deocorrências no Estado, conforme o banco de dados nacional, que utiliza a malhamunicipal como menor unidade de mapeamento, sendo qualquer localidade maisespecífica usada apenas de referência. Em seguida, são apresentadas para cada uma das plantas exóticas invasoraslistadas para o Estado de Pernambuco informações sobre sua origem e impactosconhecidos em áreas invadidas no Estado ou em outras localidades do Brasil e nomundo, além de aspectos relevantes da invasão por estas espécies em váriaslocalidades (Tabela 2). Por fim, foram selecionadas cinco espécies de alto risco para o estado dePernambuco, com base nos seguintes critérios: (1) número de ocorrência no Estado,(2) número de registros de invasão já conhecidos para o Estado, (3) registros deinvasão em outros Estados do Brasil e em outros países e (4) características edimensões dos impactos conhecidos da invasão no Estado ou em outras localidades doBrasil e do mundo. Assim, serão apresentados o histórico de invasão e os principaisimpactos ecológicos e econômicos destas espécies.
  17. 17. 174.1. Lista de espéciesTabela 1. Lista das espécies vegetais exóticas invasoras em ambientes terrestresregistradas para o estado de Pernambuco, com suas respectivas formas biológicas e onúmero de ocorrências no Estado.Forma biológica Nome científico Nome comum OcorrênciasEspécies arbóreas Acacia mangium Acácia-australiana 5 Artocarpus heterophyllus Jaqueira 1 Azadirachta indica Nim 12 Casuarina equisetifolia Casuarina 5 Citrus limon Limoeiro 2 Leucaena leucocephala Leucena 5 Mangifera indica Mangueira 2 Mimosa caesalpiniifolia Sabiá 1 Prosopis juliflora Algaroba 23 Psidium guajava Goiabeira 2 Tecoma stans Ipê-de-jardim 1 Terminalia catappa Castanhola 1Espécies arbustivas Calotropis procera Algodão-de-seda 1 Opuntia ficus-indica Palma 14 Ricinus communis Mamona 15Espécies herbáceas Agave sisalana Sisal 3 Arundo donax Cana-brava 1 Bambusa vulgaris Bambu 5 Cenchrus ciliaris Capim-búfalo 4 Digitaria decumbens Capim-pangola 2 Furcraea foetida Sisal 1 Urochloa humidicola Capim-agulha 3Palmeiras Elaeis guineensis Dendê 1
  18. 18. 184.2. Caracterização das espéciesTabela 2. Listas das plantas exóticas invasoras em Pernambuco e informações sobre origem, impactos conhecidos para as áreas invadidas noEstado ou em outras localidades do Brasil e aspectos relevantes da invasão das espécies.Forma Nome científico Nome comum Origem/Distribuição Impactos Observações Referênciasbiológica naturalEspécies arbóreas Acacia mangium Acácia- Malásia, Austrália, Compete por espaço, e por Invasora em Bangladesh, Instituto australiana Ilhas Molucas, Papua alelopatia impede a germinação de Camarões, Costa Rica, Havaí, Hórus (2008), Nova-Guiné, sementes das espécies nativas. Filipinas, Ilhas Cook, Estados GISP (2005) Indonésia Pode causar desequilíbrio hídrico, Federados da Micronésia, Palau e especialmente em caso de invasão Ilhas Comoro. No Brasil, é invasora em ambientes ciliares. no Amapá e em Roraima, na região Amazônica, bem como na Floresta Atlântica e em áreas de restinga, nos estados da Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Artorcapus Jaqueira Índia e Península da Ocupa áreas florestais e substitui Adapta-se facilmente a uma grande Instituto heterophyllus Malásia vegetação natural, inibindo a diversidade de ambientes, Hórus (2008) germinação de sementes de principalmente em sub-bosque de espécies nativas por alelopatia. florestas. Serve de alimentos para a fauna, o que dificulta ou inviabiliza o controle.
  19. 19. 19Forma Nome científico Nome comum Origem/Distribuição Impactos Observações Referênciasbiológica natural Azadirachta indica Nim Ocorre naturalmente Competição com outras espécies Invasora na Austrália, República Instituto nas florestas secas do arbóreas em ambientes florestais e Dominicana, Índia, Gana, Gâmbia e Hórus (2008), Deccan e Karnataka, dominância pela ação de na região do Sahel, além de outros Randall na Índia, e em substâncias alelopáticas. Altera países da África Ocidental. (2002) Myanmar e Sri também o regime hídrico, Lanka.. principalmente em ecossistemas abertos, onde substitui vegetação de pequeno porte. Altera a estrutura da comunidade, provocando perda de biodiversidade por sombreamento, provocando exposição do solo e, conseqüente, erosão e assoreamento de cursos dágua. Atualmente representa um fator de prejuízo a fazendeiros, que despendem recursos para manejar áreas invadidas. Casuarina equisetifolia Casuarina Austrália, Indonésia, Sombreamento da vegetação Freqüentemente encontrada em Instituto Índia, Bangladesh, nativa e deslocamento destas restingas e praias do litoral Hórus (2008), Ceilão, Malásia e Sri espécies. brasileiro, uma vez que é muito Reaser et al. Lanka utilizada para a contenção de (2005) dunas. Invasora nos Estados Unidos (Havaí e Flórida), Porto Rico, Bahamas, ilhas do Caribe, Argentina.
  20. 20. 20Forma Nome científico Nome comum Origem/Distribuição Impactos Observações Referênciasbiológica natural Citrus limon Limoeiro Sudeste asiático Invasora nos Estados Unidos, Instituto México, Chile, Argentina, Itália, Hórus (2008), Espanha, Grécia, Turquia, Líbano, Biondi & África do Sul, Austrália, Filipinas, Pedrosa- Fiji, Nova Caledônia e Equador Macedo (ilhas Galápagos). No Brasil, invade (2008) áreas de Floresta Ombrófila Densa, Floresta Estacional, Floresta Estacional Semidecidual e Formações Pioneiras de Influência Marinha (Restingas). Leucaena leucocephala Leucena América Central e Impede a regeneração natural, o Invade margens de florestas, beiras Instituto México estabelecimento de espécies de estradas, áreas degradadas e Hórus (2008), nativas e a circulação da fauna. beiras de rios. Randall (2002), GISP (2005) Mangifera indica Mangueira Ásia A invasão da espécie no ambiente Invade áreas ciliares do semi-árido Instituto ciliar está gerando alteração do pH do nordeste brasileiro. Hórus (2008), da água por apodrecimento das GISP (2005), folhas e frutos. Xavier & Moreno 2008 Mimosa caesalpiniifolia Sabiá Espécie endêmica do Domina formações florestais em Ocorre exclusivamente em Instituto bioma Caatinga, na regeneração, eliminando por ambientes abertos e com alta taxa Hórus (2008), formação de Savana completo a sucessão natural com de insolação. Lopes & Piña- Estépica. espécies nativas (observado em Rodrigues remanescente de Floresta (1997) Ombrófila Mista, em Alagoas, em área na qual a espécie foi utilizada como cerca-viva e invadiu a área adjacente). Possível potencial alelopático promovido pelas folhas verdes recém-caídas.
  21. 21. 21Forma Nome científico Nome comum Origem/Distribuição Impactos Observações Referênciasbiológica natural Prosopis juliflora Algaroba Estados Unidos e É grande consumidora de água, A ocupação e a expansão de sua Instituto México podendo provocar alteração no invasão são bastante favorecidas Hórus (2008), regime hídrico. Aumenta o risco de pelas perturbações antrópicas e Pegado et al. incêndios por acúmulo de pela proximidade a cursos de água. (2006), Lins e biomassa. Ao invadir áreas abertas, Silva (1997) forma aglomerados densos, excluindo outras espécies por sombreamento. Invade áreas de agricultura e pastagens, gerando custos para controle. Psidium guajava Goiabeira América Tropical (sul Invade áreas em vários graus de Invasora em Ilhas do Pacífico, Nova Instituto do México e norte da perturbação e forma densas Zelândia, Austrália, Nova Hórus (2008), América do Sul) touceiras, eliminando a vegetação Caledônia, Fiji, Estados Unidos Biondi & nativa e exercendo dominância. (Havaí, Flórida), Porto Rico, Pedrosa- Zimbábue, sudeste da África, Macedo Malásia, Equador (Ilhas Galápagos), (2008) Cuba e Japão. No Brasil, invasora em áreas de Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Ombrófila Densa, Restingas, Savana (Cerrado), Floresta Ombrófila Densa Submontana, Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas e Áreas de Tensão Ecológica (Floresta Ombrófila Densa–Floresta Ombrófila Mista).
  22. 22. 22Forma Nome científico Nome comum Origem/Distribuição Impactos Observações Referênciasbiológica natural Tecoma stans Ipê-de-jardim México e sul dos Compete com espécies nativas no É freqüentemente utilizada na Instituto Estados Unidos processo de sucessão ecológica e arborização das vias públicas em Hórus (2008), na regeneração natural em áreas várias cidades do estado de Lorenzi et al degradadas. Forma densos Pernambuco. Invasora na África do (2003) aglomerados, o que leva ao Sul, Austrália, Argentina, sufocamento da vegetação nativa Madagascar, Índia, Paquistão, regenerante e à perda de Panamá, França (Polinésia Francesa biodiversidade nos ecossistemas. - Ilhas Marquesas), Estados Unidos Perda de área pastoril devido à (Havaí). invasão da espécie, que dificilmente é controlada, uma vez que a espécie rebrota vigorosamente após o controle mecânico. Terminalia catappa Castanhola Áreas litorâneas do Compete com a vegetação nativa Invasão principalmente em regiões Instituto leste da Índia, no processo de sucessão natural. costeiras, em restingas. É invasora Hórus (2008), Indochina, Malásia, Pode prejudicar o desenvolvimento em diversas ilhas do Pacífico, entre Siqueira Austrália, Filipinas e da regeneração natural em função elas Havaí, Ilhas Mariana, Ilhas (2006), Taiwan de sombreamento causado pela sua Manu, Ilhas Cook e Arquipélago de Sanches et al. copa. Galápagos. (2007)Espécies arbustivas Calotropis procera Algodão-de- Sri Lanka, Índia, China É uma grande ameaça à Invade com muita freqüência áreas Instituto seda e Malásia biodiversidade nativa, pois de Caatinga no Nordeste do Brasil, Hórus (2008) compete de maneira eficaz pela e também áreas de Cerrado, como ocupação de nicho e recursos no estado de São Paulo. É também disponíveis, principalmente devido invasora na Austrália, no Caribe e a características reprodutivas que nos Estados Unidos (Havaí). lhe conferem grande vantagem competitiva.
  23. 23. 23Forma Nome científico Nome comum Origem/Distribuição Impactos Observações Referênciasbiológica natural Opuntia ficus-indica Palma Regiões áridas da Forma agrupamentos densos Invasora na África do Sul, Equador Instituto América Central, que impedem o crescimento da (ilhas Galápagos), Estados Unidos Hórus (2008), principalmente no vegetação nativa. (Havaí e Califórnia) e na França Silva & México (ilhas Reunião). Santos (2006) Ricinus communis Mamona África tropical e Causa significativa perda de Espécie pioneira com tendência a Instituto região nordeste da biodiversidade em ecossistemas invadir ambientes degradados, Hórus (2008), África abertos e em áreas degradadas, como beira de rodovias, margens Oliveira devido ao sombreamento excessivo de rios e terras agricultáveis. (2004) e à competição com espécies nativas. Pode formar densos aglomerados, que dificultam a circulação da fauna. Sua invasão provoca também perda de áreas agrícolas e pastagens.Espécies herbáceas Agave sisalana Sisal México (Península de Expulsão de espécies nativas por Invade preferencialmente em Instituto Yucatán) ocupação do espaço e região costeira. Invasora em ilhas e Hórus (2008) adensamento. Arquipélagos do Pacífico (Havaí, Polinésia, Micronésia), África do Sul e Austrália. Arundo donax Cana-brava Ásia e Europa Podem formar densos aglomerados Fragmentos dos rizomas são Instituto devido à reprodução vegetativa e, facilmente transportados pelos Hórus (2008), por isso, ocupa áreas extensas, cursos de água, originando novos Siqueira excluindo a vegetação nativa e a pontos de invasão a longa (2006) fauna e ela associada, e distância. interferindo também na disponibilidade hídrica em ambientes áridos. Bambusa vulgaris Bambu África e Ásia Forma aglomerados mono- Invade margens de rios, beiras de GISD (2008) especificos que excluem as espécies estradas e em áreas abertas. nativas. Invasora no Caribe, Estados Unidos
  24. 24. 24Forma Nome científico Nome comum Origem/Distribuição Impactos Observações Referênciasbiológica natural (Havaí), Ilhas Cook, Fiji, Niue, Palau, Tonga, Nova Zelândia, França (ilhas Reunião) e em ilhas do Pacífico. Cenchrus ciliaris Capim-búfalo África, Índia, Ilhas Forma densas touceiras que Invasora na Austrália, Fiji, Nova Instituto Canárias e deslocam espécies nativas, Caledônia, Estados Unidos Hórus (2008) Madagascar deixando-as mais suscetíveis ao (sudoeste e Havaí), México, fogo. Macronésia e Tonga. Digitaria decumbens Capim- África do Sul Invade áreas degradadas, áreas Instituto pangola agrícolas e vegetação campestre. É Hórus (2008) invasora no México. Furcraea foetida Sisal América do Sul e Avança sobre áreas rupestres, Invasora nos Estados Unidos Instituto América Central deslocando bromélias e vegetação (Havaí), ilhas Fiji, ilhas de Santa Hórus (2008) rupestre. Quando em alta Helena e ilhas Maurício. densidade impede o deslocamento da fauna. Urochloa humidicola Capim-agulha África Tropical Substitui a vegetação nativa, invade Acumula teores de oxalatos Instituto (regiões leste e e domina áreas desmatadas; solúveis, que se combina com o Hórus (2008) sudeste) obstruindo pequenos cursos cálcio no organismo do animal, d´água, prejudicando a qualidade formando oxalato de cálcio da água e a fauna aquática. insolúvel, o que provoca carências de cálcio. Essa carência afeta o crescimento dos animais - vacas leiteiras e, eqüinos são particularmente sensíveis.Palmeira Elaeis guineensis Dendê Costa ocidental da Invade fragmentos florestais, Invasora nos Estados Unidos Instituto África (golfo de inclusive áreas de floresta ripária, (Havaí), Polinésia Francesa, ilhas Hórus (2008) Guiné), nas causando adensamentos e Cook, Micronesia, Guam, Palau. florestas tropicais dominância sobre espécies nativas. da costa da Libéria até Angola.
  25. 25. 254.3. Exemplos de espécies vegetais exóticas invasoras de alto risco para o estado dePernambuco4.3.1. Algaroba - Prosopis juliflora A espécie arbórea comumente conhecida como algaroba ou algarobeira éoriginária dos Estados Unidos e México (Lorenzi et al, 2003), e foi introduzida no Brasilem 1942, em Serra Talhada - Pernambuco, por meio de sementes trazidas do Peru(Azevedo, 1961), com finalidade de suplementação alimentar para o gado (Nobre,1982). Posteriormente, esta espécie foi difundida na região como alternativaeconômica para forragem e produção de madeira e lenha (Pegado et al., 2006), o quefavoreceu a sua disseminação intencional em vários municípios dentro do Estado. Em Pernambuco, a algaroba ocorre preferencialmente em locais de clima semi-árido, sendo encontrada formando densos povoamentos em áreas degradadas,agrícolas e de pasto, como também ao longo de canais de irrigação e nas proximidadesde açudes (Lima et al., 2002). Esta espécie também é freqüentemente encontradainvadindo áreas de matas ciliares e de baixadas sedimentares (Pegado et al., 2006).Assim, a ocupação e expansão da algaroba são bastante favorecidas pelasperturbações antrópicas e pela proximidade de cursos de água (Lins e Silva, 1997). Há 23 ocorrências de algaroba registradas na base de dados nacional sobreespécies exóticas invasoras, incluindo o Arquipélago de Fernando de Noronha. Além dasua área de ocorrência como espécie exótica em Pernambuco, segundo Nascimento(2008), esta espécie pode ser observada dominando extensas áreas nos estados daParaíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Bahia. Ainda segundo este autor, estima-se que500 mil hectares da Caatinga estejam invadidos por esta espécie. Devido às suas características de ocupação e à formação de aglomeradospopulacionais, a algaroba pode esgotar reservas vitais de água em ambientes ondeeste recurso é escasso, dessa forma, tornando-o indisponível para as espécies nativas(GISP, 2005). Além disso, esta espécie ameaça negativamente a biodiversidade localpela exclusão da vegetação nativa (GISP, 2005). Recentemente, foi demonstrado queáreas de Caatinga, na Paraíba, invadidas pela algaroba eram mais pobres em espéciesarbóreas e arbustivas nativas (Pegado et al., 2006) e com menor abundância de
  26. 26. 26indivíduos regenerantes destes dois grupos (Andrade et al., 2008) do que áreas onde aespécie não estava estabelecida. Em outro estudo, Nascimento (2008) verificou que a presença de algarobaaumenta a mortalidade de Mimosa tenuiflora, Erythrina velutina, Caesalpiniamicrophylla e Caesalpinia ferrea, espécies nativas da caatinga, em experimentos decompetição simulados. Assim, a presença dessa espécie pode possivelmentecomprometer a sobrevivência e a regeneração das espécies nativas no ecossistema.4.3.2. Jaqueira – Artocarpus heterophyllus A jaqueira, espécie arbórea originária da Índia e da Malásia, é encontradaocupando áreas de florestas, onde substitui a vegetação nativa, reduzindo hábitatspara a flora e a fauna nativas. Além disso, impede a germinação de sementes dasespécies nativas por ação alelopática. Esta espécie adapta-se facilmente a uma grandediversidade de ambientes e seus frutos servem como alimento para muitas espécies deanimais nativos. A jaqueira tem papel de destaque no contexto do Parque Nacional da Tijuca. Aespécie foi introduzida no Brasil exatamente no Rio de Janeiro, no início do século XIX,e ao longo do último século, expandiu-se e colonizou o ambiente, dominando avegetação da Floresta da Tijuca. A previsão era que se nenhuma medida de contençãofosse tomada, em poucas décadas a floresta do parque se tornaria uma grandeplantação de jaqueiras, perdendo-se espécies nativas da flora e, consequentemente,da fauna. Em 2000, por meio de um projeto de erradicação das espécies exóticas doParque, foi iniciado o controle das populações de jaqueiras, além de outras plantasexóticas, e a progressiva substituição por espécies nativas, entre elas o palmiteiro(Euterpe edulis) (Santos et al., 2008). O projeto,entretanto, teve que ser interrompidopor conta de uma denúncia feita que resultou numa ação civil pública contra o parque.Provavelmente, a divulgação do trabalho visando esclarecer a população teria evitadoeste constrangimento para a direção do Parque.
  27. 27. 274.3.3. Leucena - Leucaena leucocephala A leucena é uma espécie arbórea, nativa do México e da América Central, queteve seu cultivo fortemente promovido por organizações internacionais devido a suautilidade como fonte de forragem e lenha (GISP, 2005). Nominada de “árvoremilagrosa” nos primeiros anos do seu cultivo global, esta espécie de crescimentorápido, fixadora de nitrogênio e bastante tolerante à seca, constituiu-se como umafonte alternativa de alimentação para animais de criação, principalmente em locaisonde esses recursos são escassos (GISP, 2005). Como conseqüência, a espécie apresenta-se distribuída na maior parte dasregiões tropicais e subtropicais do planeta, estando atualmente amplamentedisseminada na América do Sul, onde foi introduzida na maioria dos países. No Brasil éencontrada em quase todos os Estados, principalmente nos da região Nordeste, e asua presença no arquipélago de Fernando de Noronha é considerada particularmenteproblemática (GISP, 2005). Essa espécie invasora pode formar aglomerados mono específicos, substituindoa vegetação natural e expondo o solo à erosão, e compõe a lista das 100 espéciesinvasoras mais agressivas no mundo (Instituo Hórus, 2008). A leucena é comumenteencontrada ao longo das margens de rodovias, áreas degradadas, agrícolas e depastagens, além de ser freqüentemente observada invadindo as bordas de florestas emargens de rios (Instituto Hórus, 2008). A dominância exercida também impede aregeneração natural da vegetação nativa, como mostrado no caso da Floresta Nacionalde Pacotuba, situada no município de Cachoeira de Itapemirim – ES, onde a presençada espécie está prejudicando o avanço do plantio realizado para a recuperação da área(Xavier & Moreno, 2008). A espécie pode também ter impactos negativos sobre os animais nãoruminantes que consomem suas folhas e sementes, uma vez que os altos teores doaminoácido mimosina presente nessas estruturas, quando consumidas em grandesquantidades, podem provocar problemas à saúde dos animais (Instituto Hórus, 2008).
  28. 28. 284.3.4. Mamona - Ricinus communis A mamona é uma espécie arbustiva bastante comum em todo o Brasilprincipalmente no Nordeste brasileiro. As informações a respeito de sua origem aindapermanecem controversas, uma vez que muitos pesquisadores acreditam que estaespécie seja originária do continente africano; com a Etiópia e a região do leste daÁfrica apontado como os centros de diversidade (Moshkin, 1986), enquanto outrosafirmam ser a Ásia o centro de origem desta espécie (Hemerly, 1981). Devido à sua extraordinária capacidade de adaptação aos diferentesecossistemas, a espécie é encontrada espalhada por vários continentes. No Brasil,acredita-se que a chegada das sementes tenha ocorrido no século XVI, trazida pelosexploradores europeus para o cultivo e utilização do óleo das sementes para ailuminação das ruas. Hoje em dia, em resposta a uma excelente aclimatação, grandespopulações de mamona podem ser observadas em terrenos baldios, áreas agrícolas,proximidades de habitações rurais ou terrenos recentemente revolvidos. Com o lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel(PNPB) em 2004, a mamona foi designada pelo governo federal como um dos pilaresde sua política de inclusão social da agricultura familiar na cadeia produtiva daagroenergia, transformando-a em uma importante alternativa de cultivo para a regiãodo semi-árido nordestino, principalmente por ser de fácil adaptação, boa resistência aperíodos de seca, além de proporcionar ocupação e renda para as populações locais.No entanto, o aumento populacional e a expansão da espécie para fora das áreas decultivo têm ocasionado alguns problemas ambientais, como a perda de biodiversidadeem ecossistemas abertos devido ao sombreamento excessivo, a restrição à circulaçãoda fauna, além de ocasionar danos sociais e econômicos, como a perda de áreasutilizadas por produtores para lavouras e pastagens. Para melhor aproveitamento dos benefícios oferecidos pela espécie semacarretar dados aos ecossistemas naturais, a produção do biocombustível no Brasildeve ser estabelecida a partir de estratégias para o desenvolvimento sustentável paraque o plantio da mamona não acarrete danos ecológicos aos ecossistemas naturais. Além disso, as sementes da mamona contêm rícino, um alcalóideextremamente tóxico para animais e seres humanos. As folhas também possuem a
  29. 29. 29toxina, porém em menor concentração. Os sintomas da intoxicação em animaisgeralmente aparecem após algumas horas ou poucos dias. Quando ingeridas, assementes podem causar problemas gastrointestinais e as folhas, problemasneuromusculares (Instituto Hórus, 2008).4.3.5. Nim – Azadirachta indica A espécie popularmente conhecida como Nim é uma árvore nativa da Índia edo sudoeste asiático que, foi introduzida no Brasil na década de 80, pelo InstitutoAgronômico do Paraná (IAPAR), por meio de sementes originárias das Filipinas e,posteriormente, teve seu cultivo implantado nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste eCentro-Oeste (Bittencourt, 2006). O Nim é amplamente promovido como uma espécie para agro floresta, uma vezque suas sementes contêm substâncias que podem ser utilizadas na produção depesticidas naturais, não-agressivos ao meio ambiente (GISP, 2005). Entretanto, estaespécie mostrou-se altamente invasora em outras partes do mundo onde foiintroduzida. Em Gana, na África Ocidental, as perdas na agricultura e os impactosambientais provocados por esta espécie aparentemente excedem qualquer beneficioeconômico (GISP, 2005). Atualmente, a espécie é invasora em ecossistemas diversos, desde campos ecerrados até ecossistemas florestais bem como de áreas degradadas, pastagens eáreas agrícolas, sendo muito agressiva em áreas de Savana e de Floresta EstacionalSemidecidual (Instituto Hórus, 2008). De difícil controle, dada a dispersão por aves e morcegos, o nim invade áreasabertas e em ecossistemas florestais onde, por alelopatia, eliminou gradativamente acobertura florestal nativa para dominar completamente o ambiente. Na África,atualmente representa um fator de prejuízo a fazendeiros, que despendem recursospara destocar áreas invadidas. A Reserva Shai Hills Game, em Gana, tem atualmente60% de sua área completamente dominada por Nim (Instituto Hórus, 2008).
  30. 30. 305. Animais exóticos invasores em Pernambuco Segundo a base de dados brasileira de espécies exóticas invasoras, consultadaem 21 de dezembro de 2008, há registros de 28 espécies de animais exóticas invasorasno estado de Pernambuco. Nesse trabalho, além destas, foram consideradas mais 19espécies de animais apontados na literatura científica como estabelecidas em algumalocalidade de Pernambuco e que são potencialmente invasoras. Em síntese, éapresentada na tabela 3 uma lista com 48 espécies de animais exóticas invasoras noEstado (sendo 16 espécies em ambientes marinho-costeiros, 9 em água-doce e 23 emambientes terrestres), para as quais o Estado deve trabalhar ações e construir políticaspúblicas adequadas às diferentes situações encontradas. Uma caracterização das espécies listadas na tabela 3 é feita na tabela 4, quecontém informações como origem, impactos da invasão e observações relevantessobre as espécies, sempre associadas às referências bibliográficas. A inclusão de uma espécie nas tabelas abaixo foi feita com base: (1) nainformação disponível em trabalhos científicos que mostram a situação da espécie emalguma(s) localidade(s) no Estado; (2) em casos de invasão da espécie em outros locaisdo Brasil e do mundo, incluindo seus impactos; e (3) no reconhecimento do altopotencial invasor da espécie na literatura científica. O número de ocorrências da espécie registradas em Pernambuco pode serutilizado como um indicador objetivo do grau de ameaça da mesma no Estado. Emboraeste índice possa subestimar o grau de ameaça de espécies pouco registradas – comoconseqüência de poucos estudos ou outro motivo – ou superestimar a ameaça deespécies com muitos registros, ele deve estar relacionado com a freqüência deocorrência real e a percepção da invasão pelos pesquisadores. É esperado que asespécies com maiores quantidades de registros estejam em um grau mais avançado deinvasão e constituam as maiores ameaças.
  31. 31. 315.1. Lista de espéciesTabela 3. Lista das espécies de animais exóticas invasoras ou potencialmente invasorasregistradas para o estado de Pernambuco, com suas respectivas formas biológicas e onúmero de ocorrências no Estado. Nome científico Nome comum Forma biológica OcorrênciasAmbiente Marinho-costeiro Aiptasia pallida Anêmona-do-mar Anêmona 1 Amphibalanus reticulatus Craca Crustáceo 3 Amphibalanus subalbidus Craca Crustáceo 1 Blackfordia virginica Medusa Medusa 7 Charybdis hellerii Siri, siri-bidu Crustáceo, siri 1 Conchoderma auritum Craca Crustáceo 1 Conchoderma virgatum Craca Crustáceo 1 Haliplanella lineata Anêmona Anêmona 1 Litopenaeus vannamei Camarão-branco-do- Crustáceo 5 pacífico, camarão-cinza Megabalanus coccopoma Craca Crustáceo 1 Mytilopsis leucophaeta Sururu-branco Molusco 2 Penaeus monodon Camarão-tigre-gigante Crustáceo 3 Polydora nuchalis Poliqueta Poliqueta 1 Striatobalanus amaryllis Craca Crustáceo 3 Styela plicata Ascídia solitária Ascídia 1 Temora turbinata Copépode Microcrustáceo 5Ambiente de Água doce Astronotus ocellatus Apaiari Peixe 4 Betta splendens Beta Peixe 1 Cichla ocellaris Tucunaré Peixe 1 Colossoma macropomum Tambaqui Peixe 1 Cyprinus carpio carpio Carpa-comum Peixe 1 Melanoides tuberculatus Melanóide Molusco 3 Oreochromis niloticus Tilápia, tilápia-do-nilo Peixe 6 Plagioscion Corvina, pescada-do- Peixe 4 squamosissimus piauí Poecilia reticulata Guarú Peixe 1Ambiente Terrestre Achatina fulica Caracol-gigante-africano Molusco 5 Aedes albopictus Mosquito-da-dengue Inseto 2 Agabiformius lentus Tatuzinho-de-jardim Crustáceo 1 Apis mellifera Abelha-africanizada Inseto 1 Brotogeris chiriri Periquito-de-encontro- Ave 1 amarelo Callithrix penicillata Mico-estrela, sagui-de- Mamífero 1 tufo-preto Canis familiaris Cachorro Mamífero 3 Columba Lívia Pombo-doméstico Ave 12 Estrilda astrild Bico-de-lacre Ave 19 Felis catus Gato Mamífero 1
  32. 32. 32Nome científico Nome comum Forma biológica OcorrênciasHemidactylus mabouia Briba-de-casa, lagartixa Réptil, lagarto 1Kerodon rupestris Mocó Mamífero 1Lithobates catesbeianus Rã-touro Anfíbio 2Mus musculus Camundongo Mamífero 4Niambia squamata Tatuzinho-de-jardim Crustáceo 1Passer domesticus Pardal Ave 41Pheidole megacephala Formiga-cabeçuda- Inseto 1 urbanaPyrrhura lepida Tiriba-pérola Ave 1Rattus norvegicus Rato, ratazana Mamífero 5Rattus rattus Rato-de-casa, rato-preto, Mamífero 8 guabiruSaimiri sciureus Mico-de-cheiro Mamífero 1Tupinambis merianae Teju, teiú Réptil, lagarto 1Zaprionus indianus Mosca, mosca-do-figo Inseto 4
  33. 33. 5.2. Caracterização das espéciesTabela 4. Caracterização dos animais exóticos invasores ou potencialmente invasores em Pernambuco, com informações sobre origem,impactos no Estado e em outras localidades do Brasil e do mundo e aspectos relevantes da invasão das espécies. Nome científico Nome comum Distribuição Impactos Observações Referências naturalAmbiente Marinho-costeiro Aiptasia pallida Anêmona-do- Oceano Atlântico Foi encontrada em cascos de navios Farrapeira et al mar (sul dos EUA e atracados no porto do Recife, em 2005. (2007) Caribe). Amphibalanus Craca EUA Foi encontrada em cascos de navios Celis et al. subalbidus atracados no porto do Recife, em 2005. (2007), Farrapeira et al. (2007) Blackfordia virginica Medusa Europa, no mar Medusa invasora muito comum em Freire et al. Negro e no mar estuários de várias partes do mundo. (2008), Freire e Cáspio Está estabelecida no Brasil há pelo Pérez (2007), menos 40 anos. Encontrada em diversas Genzano et al. localidades de Pernambuco, como no (2006), estuário da Ilha de Itamaracá, nas bacias Paranaguá do Capibaribe e do Pina. (1963) Charybdis hellerii Siri, siri-bidu Oceano Indo- Provoca diminuição da biodiversidade. Estabelecida em Pernambuco. Instituto Hórus Pacífico Estima-se que na Baía de Todos os Introduzida, provavelmente, através da (2008), Coelho e Santos, Bahia, C. hellerii já seja mais água de lastro dos navios. Invasora nos Santos (2003) abundante do que o portunídeo nativo Estados Unidos, Cuba, Colômbia, Callinectes larvatus. Pode competir com Venezuela, Golfo do México e Brasil. as espécies nativas por hábitat e alimento.
  34. 34. 34Nome científico Nome comum Distribuição Impactos Observações Referências naturalConchoderma Craca Desconhecida Foi encontrada em cascos de navios Instituto Hórusauritum atracados no porto do Recife, no ano de (2008), Falcão 2005. (2006), Santos e Coelho (2002)Conchoderma Craca Cosmopolita O primeiro registro da espécie no Brasil Farrapeira et al.virgatum ocorreu em 2005, no litoral de (2007), Foster e Pernambuco, quando foi encontrada em Willan (1979) cascos de navios atracados no porto do Recife. É uma das espécies dominantes nos cascos dos navios.Haliplanella lineata Anêmona Pacífico Foi encontrada em cascos de navios Farrapeira et al. atracados no porto do Recife no ano de 2007 2005.Litopenaeus Camarão- Costa oriental do O sistema de cultivo em viveiros também Estabelecida em Pernambuco. Bastante Instituto Hórusvannamei branco-do- Oceano Pacífico, pode deteriorar regiões estuarinas e utilizada em viveiros comerciais. (2008), Falcão pacífico, abrangendo manguezais. Possível transmissor da Atualmente, L. vannamei constitui o (2006) Santos e camarão-cinza desde a costa da Síndrome da Necrose Idiopática Muscular essencial da produção brasileira de Coelho (2002) Califórnia, nos (NIM), que pode trazer sérios riscos a camarões marinhos cultivados. Também Estados Unidos, crustáceos nativos, e portador do vírus da é comercializada para servir de isca viva. até a costa de Mancha Branca. No cultivo de camarão, a Tumbes, no construção dos viveiros revolve os Peru. sedimentos onde estão precipitados metais pesados, disponibilizando-os na cadeia alimentar. Conseqüentemente, os caranguejos do manguezal que recebem as águas dos tanques são contaminados com os metais pesados, contaminando também os pescadores que se alimentam desses caranguejos.
  35. 35. 35Nome científico Nome comum Distribuição Impactos Observações Referências naturalMegabalanus Craca Costa Pacífica Ocupa, nos costões rochosos, a mesma Primeiro registro no litoral brasileiro na Instituto Hóruscoccopoma das Américas (da faixa de M. tintinnabulum, mas não foi Baía de Guanabara (RJ), na década de (2008), Califórnia até o observada exclusão competitiva. Apesar 70, embora seja sugerido que a Farrapeira et al. Peru) de ainda não ter sido estudado o impacto colonização de M. coccopoma no litoral (2007) ecológico da espécie, provavelmente há do Brasil tenha se dado na década de competição com outros organismos por 40. A rota de dispersão pode ter sido a espaço. Incrustam em cascos de navios, água de lastro contendo larvas da plataformas de petróleo, tubulações de espécie. usina entre outros substratos Apresenta risco de invasão em consolidados disponíveis no ambiente Pernambuco. Já foi encontrada morta marinho. Estes substratos podem ficar no casco de dois navios ancorados no totalmente cobertos por cracas, causando porto do Recife. a corrosão acelerada dos metais e aumento nos custos de manutenção, aumento do arrasto de embarcações e, conseqüentemente, mais gastos com combustíveis.Mytilopsis Sururu-branco América do Pode causar alterações na estrutura das Foi introduzida no Brasil provavelmente Instituto Hórusleucophaeta Norte comunidades nativas de costões rochosos via água de lastro, sendo encontrado (2008), do litoral brasileiro. pela primeira vez em julho de 2004, na Farrapeira et al. região estuarina adjacente ao Porto do (2007), Souza et Recife (PE), incluindo desde a área al. (2005) portuária até os rios Tejipió e Capibaribe. Estabelecida em Pernambuco.
  36. 36. 36Nome científico Nome comum Distribuição Impactos Observações Referências naturalPenaeus monodon Camarão-tigre- Oceano Indo- Foi utilizada em cultivos na década de Instituto Hórus gigante Pacífico 70, porém substituída por Litopenaeus (2008), Coelho vannamei no início dos anos 80. et al. (2001), Estabelecida em Pernambuco. Está Santos e Coelho reproduzindo-se e completando todo o (2002) seu ciclo biológico em ambiente natural. Invasora no Mediterrâneo, Atlântico ocidental, Vietnã, Austrália, Tailândia, Sri Lanka, Filipinas, Moçambique, Bangladesh, Taiwan, Malásia e Brasil.Polydora nuchalis Poliqueta Atlântico Introdução acidental, por prática na Instituto Hórus Ocidental e aquicultura, em Salvador-BA, no ano de (2008) Caribe 1995. Sua introdução esteve, provavelmente, associada ao cultivo de ostras. Não há estudos que descrevam sobre a situação da espécie no Brasil. Invasora nos Estados Unidos.Striatobalanus Craca Oceano Indo- Compete com outros organismos por Estabelecida em Pernambuco. Espécie Instituto Hórusamaryllis Pacífico espaço. Incrusta em cascos de navios, introduzida no Brasil, provavelmente, (2008), Ocidental plataformas de petróleo, entre outros via incrustação e/ou água de lastro. Está Farrapeira et al. substratos consolidados disponíveis no no litoral pernambucano desde a (2007), ambiente marinho, podendo deixá-los década de 90. Farrapeira totalmente cobertos por cracas, causando (2008), Neves et a corrosão dos metais e aumento nos al. (2005) custos de manutenção.Styela plicata Ascídia Costa leste EUA Impactos ainda não estudados, mas Foi encontrada em cascos de navios Instituto Hórus solitária certamente compete com outros atracados no porto do Recife no ano de (2008), organismos por espaço e alimento. 2005. Farrapeira et al. (2007)

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