Meio ambiente,esporte, lazer e turismo            estudos e pesquisas no Brasil,                              1967-2007   ...
Meio Ambiente, Esporte, Lazer e Turismo: Estudos e Pesquisas no Brasil 1967– 2007/    Editores : Cristina Pimentel Carneir...
DIREITOS AUTORAIS E CÓPIASA presente obra está sendo publicada sob forma de coletânea detextos fornecidos voluntariamente ...
Sumário     Volume II11 Tendências centrais dos estudos e pesquisas em Meio Ambiente, esporte,   lazer e turismo no Brasil...
141 Ecoturismo: do natural ao cultural (e vice-versa)    Rogério Santos Pereira, Silvio Ricardo da Silva, Samuel Gonçalves...
285 Possibilidades de leitura sobre os esportes da natureza: o caso dos Jogos    Mundiais da Natureza (1997)    Kátia Bort...
Capítulos por ano de publicação,autores e títulos dos trabalhos1967   Lamartine P. DaCosta A ATIVIDADE DESPORTIVA NOS CLIM...
2000    Ana Cristina P. C. de Almeida, Maria de Fátima S. Duarte &        Juarez V. Nascimento O FUTURO DAS ATIVIDADES FÍS...
Introdução                Tendências centrais dos estudos e                pesquisas em Meio Ambiente,                espo...
exame adicional de características e respectivos relacionamentos, quer no tem-po, no espaço e segundo interesses de seus a...
Tom Robison & Sean Gammon (“Revisiting and Applying the Sport TourismFramework”, Journal of Sport Tourism, Volume 9, Numbe...
dência cultural de colonos alemães no estado do Espírito Santo diante das difi-culdades de adaptação ao ambiente tropical....
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tudo das áreas de lazer e esporte recreativo. Entre as diversas revisões feitaspelo EPT brasileiro, destacou-se a valoriza...
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e Kristine Toohey, da Universidade de New South Wales, Austrália, as questõescentrais sobre o meio ambiente envolvendo os ...
como base para a revitalização dos esportes tendo em vista as exigências deproteção ambiental. A Agenda 21 teve também ori...
verificação prática de propostas de lazer, atividades físicas e Educação Ambientalfoi feita também por Teresa Magro em “Im...
espaços alternativos para a prática de atividades físicas para a terceira idade.Não houve consenso quanto aos impactos con...
de comprovações empíricas e revisões teóricas das propostas de sustentabilidadetípicas da década de 1990 no Brasil e no ex...
estudos e pesquisas em meio ambiente, esporte, lazer e turismo no Brasil: a degestão bio-tecnológica de bases éticas e a s...
English forewords and review                 Research mainstreams of studies                 on environment, sport,       ...
which began in the early 1990s, focused on revisions of concepts and of educationalprocedures due to the need of environme...
philosophical arguments. On the other hand, the social-pedagogical group ofresearch, which developed initiatives between 1...
DaCosta, Lamartine. A Atividade desportiva nos climas tropicais e uma soluçãoexperimental: o Altitude Training. Rio de Jan...
Ano: 2003          Publicação original: livroFormato da contribuição: texto da introdução do livroFonte: MARINHO, Alcyane;...
nhou um destacado fator identificador, dentre outros, em um momento no quala discussão acadêmica é reforçada por meio da f...
pelos autores. Porém, a intenção foi mais no sentido de despertar a curiosidadedos leitores, instigando-os ao prazer da le...
Javier Oliveira Betrán aborda questões sobre a emergência de um recenteconceito de ócio ativo, o qual, particularmente, na...
Ano: 2003          Publicação original: revistaFormato da contribuição: artigo (texto completo)Fonte: MARINHO, Alcyane; DE...
Assim, para que o aprendiz progrida, ou seja, dê saltos qualitativos, faz-senecessária a ruptura com pedagogias frontais (...
monitores especializados nesse tipo de vivência junto aos ambientes naturais; aassinatura de termo de ciência quanto à nat...
RESULTADOS E DISCUSSÃO   Questionados sobre suas experiências anteriores com atividades de aventuraem ambientes naturais, ...
por outra, pode detonar o medo da solidão. Nesse sentido, nas vivências indivi-duais ou coletivas, as inteligências interp...
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  1. 1. Meio ambiente,esporte, lazer e turismo estudos e pesquisas no Brasil, 1967-2007 VOLUME 2 Ana Cristina P.C. de Almeida & Lamartine P. DaCosta (Editores) Editora Gama Filho, Rio de Janeiro, 2007
  2. 2. Meio Ambiente, Esporte, Lazer e Turismo: Estudos e Pesquisas no Brasil 1967– 2007/ Editores : Cristina Pimentel Carneiro de Almeida e Lamartine P. DaCosta Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2007 400 p. ISBN 85-7444-062-0 1 . Meio ambiente. 2. Esporte. 3. Lazer. 4. Turismo. 5. Desenvolvimento sustentável CDD – 809 CDU – 82.09 “Livro organizado em associação da Editora Gama Filho com a Universidade Federal do Pará, 2006 - 2007" Universidade Gama Filho REITORIA Reitor Prof. Luiz Eduardo Braune da Gama Pró-Reitor de Humanidades e Ciências Sociais Prof. Arno Wehling Pró-Reitor de Saúde Prof. Gilberto Chaves Pró-Reitor de Exatas e Tecnologia Prof. José Leonardo Demétrio de Souza Editora Gama Filho Editor Dante Gastaldoni Programação Visual Evlen Joice Lauer Supervisão de textos Lamartine P. DaCosta
  3. 3. DIREITOS AUTORAIS E CÓPIASA presente obra está sendo publicada sob forma de coletânea detextos fornecidos voluntariamente por seus autores, sem compensaçãofinanceira mas mantendo seus direitos autorais, segundo a legislaçãoem vigor. Neste termos, este livro tem distribuição gratuita em CDROM e outras mídias, como também está disponível em site paradownload de livre acesso, sem custos para usuários. Cópias em papeldo livro e dos textos estão autorizadas desde que não tenhampropósito comercial e que sejam citados os autores e fontes originaisem eventuais reproduções.ENGLISH FOREWORDS AND TEXTSThe “Introduction” of this book in English is available following the“Contents” section in the next pages. There are several chapters inEnglish as far as original texts were included using this language.These texts are also listed in the above mentioned “Introduction”.Any part of this book may be reproduced in any form under thecondition of being referred to authors and sources. All rights reserved.Commercial use of parts of this book only with permissionof the authors.
  4. 4. Sumário Volume II11 Tendências centrais dos estudos e pesquisas em Meio Ambiente, esporte, lazer e turismo no Brasil no período 1967 - 2007 Ana Cristina P.C. de Almeida & Lamartine P. DaCosta (Editores)27 Research mainstreams of studies on environment, sport, leisure and tourism in Brazil within the period 1967-2007 Ana Maria Miragaya31 Turismo, lazer e natureza Alcyane Marinho e Heloisa Turini Bruhns35 Turismo de aventura e educação: desafios e conquista de espaços Alcyane Marinho e Jossett Campagna De Gáspari43 O Movimento na Natureza Interfaces entre Educação Física e educação Ambiental no Ensino Infantil Cae Rodrigues e Mey van Munster59 Brinquedos, brincadeiras, recreação, arte e cultura popular: alternativas para um museu interativo Gustavo de Lira Santos e Sérgio Henrique Verçosa Xavier67 Equilibrando desenvolvimento com meio ambiente: Garantindo lazer, ecologia e turismo no centro urbano. Estudo de caso do projeto parque do recife Gustavo de Lira Santos e Sérgio Henrique Verçosa Xavier77 Clube de máscara Galo da Madrugada: o maior bloco de carnaval do mundo, vivendo a cultura pernambucana Gustavo de Lira Santos e Sérgio Henrique Verçosa Xavier87 Lazer e meio ambiente: multiplicidade de atuações Heloisa Turini Bruhns e Alcyane Marinho97 A formação técnica e o seu papel no mercado turístico Leopoldo Gil Dulcio Vaz121 Política de turismo e desenvolvimento local: um binômio necessário Lillian Maria de Mesquita Alexandre1131 Hotéis de selva no amazonas: Ecodesign, meio ambiente e sustentabilidade? Luiza Elayne Luíndia Azevedo
  5. 5. 141 Ecoturismo: do natural ao cultural (e vice-versa) Rogério Santos Pereira, Silvio Ricardo da Silva, Samuel Gonçalves Pinto e Eliane de Souza Resende147 Refletindo sobre lazer/turismo na natureza, ética e relações de amizade Sandoval Villaverde Monteiro165 Percepções do uso público em UCs de Proteção Integral Teresa Magro173 Impacto ambiental nas competições de trekking de regularidade segundo os seus praticantes Valdo Vieira, Bernardo de Miranda Villano e Manoel J. G. Tubino181 Sítios geológicos e geomorfológicos dos municípios de Acari, Carnaúba dos Dantas e Currais Novos, região Seridó do Rio Grande do Norte Wendson Dantas de Araújo Medeiros183 Ecogeoturismo e geoconservação de sítios geológicos e geomorfológicos no Seridó Oriental do Rio Grande do Norte Wendson Dantas de Araújo Medeiros195 A Formação Técnica e o seu Papel no Mercado Turístico Leopoldo Gil Dulcio Vaz219 Atividades na Natureza, Lazer e Educação Ambiental: Refletindo Sobre Algumas Possibilidades Alcyane Marinho237 Meio Ambiente Heloísa Turini Bruhns245 Atividade de Geoturismo no Litoral de Icapuí/CE (Ne Do Brasil) e a Necessidade de Promover a Preservação do Patrimônio Geológico Débora do Carmo Souza e Marco Antonio L. do Nascimento253 Repensando o lúdico na vida cotidiana: atividades na natureza Alcyane Marinho255 O museu como espaço de lazer: atrativo turístico e local de preservação da cultura de uma sociedade Gustavo de Lira Santos269 Ecoturismo & Amazônia – biodiversidade, etnodiversidade e diversidade cultural João Meireles Filhos
  6. 6. 285 Possibilidades de leitura sobre os esportes da natureza: o caso dos Jogos Mundiais da Natureza (1997) Kátia Bortolotti Marchi305 Meio ambiente e ecoturismo na região de Iporanga / SP: impactos ambientais por esgotos domésticos e resíduos sólidos Leandro Luiz Giatti321 Lazer e esportes na natureza: impactos sócio-ambientais Mirleide Chaar Bahia e Tânia Mara Vieira Sampaio329 Subjetividade, amizade e montanhismo: potencialidades das experiências de lazer e aventura na natureza Sandoval Villaverde Monteiro345 Desenvolvimento de um instrumento de identificação de impactos ambientais em práticas esportivas na natureza (IMPAC-AMBES) Valdo Vieira363 A implantação do geoturismo no Pólo Seridó (sertão potiguar): necessi- dade para a conservação do patrimônio natural no rio grande do norte (NE do brasil) Marcos Antonio Leite do Nascimento, Yves Guerra de Carvalho, Wendson Dantas de Araújo Medeiros e Daniela Bezerra Tinoco371 Geoturismo como novo segmento do turismo de natureza e sua impor- tância para a conservação do patrimônio natural Marcos Antonio L. do Nascimento, Úrsula A. Ruchkys e Virgínio Mantesso Neto381 A prática do geoturismo como meio de promover a educação ambiental em unidades de conservação (uc) no Rio Grande do Norte (ne do Brasil) Marcos Antonio L. do Nascimento, Debora do Carmo Sousa e Werner Farkatt Tabosa Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 7
  7. 7. Capítulos por ano de publicação,autores e títulos dos trabalhos1967 Lamartine P. DaCosta A ATIVIDADE DESPORTIVA NOS CLIMAS TROPICAIS E UMA SOLUÇÃO EXPERIMENTAL: O ALTITUDE TRAINING1967 Lamartine P. DaCosta PLANEJAMENTO MÉXICO1981 Lamartine P. DaCosta PRINCÍPIOS DO ESPORTE PARA TODOS1983 Jürgen Diekert Floriano Dutra Monteiro PARQUE DE LAZER E DE ESPORTE PARA TODOS1987 Lamartine P. DaCosta A REINVENÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DO DESPORTO SEGUNDO PARADIGMAS DO LAZER E DA RECREAÇÃO1992 Lamartine P. DaCosta O OLHAR E O PENSAR AMBIENTALISTA1993 Rita MendonçaTURISMO OU MEIO AMBIENTE: UMA FALSA OPOSIÇAO1996 Ana Cristina P. C. de Almeida A INTER-RELAÇÃO DO ENSINO EM RECREAÇÃO E LAZER E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL1996 Rita MendonçaVISITAR E COMPARTILHAR A NATUREZA1996 Flávio Leonel A. da Silva ECOTURISMO: VIAGEM, LAZER & AVENTURA1997 Lamartine P. DaCosta INTRODUCTION - ENVIRONMENT AND SPORT: AN INTERNATIONAL OVERVIEW1997 Lamartine P. DaCosta TOWARD A THEORY OF ENVIRONMENT AND SPORT1999 Alcyane Marinho DO BAMBI AO RAMBO OU DO RAMBO AO BAMBI? AS RELAÇÕES COM A (E NA) NATUREZA1999 Cristiane Ker de MeloAna Cristina P. C. de Almeida NAS TRILHAS DA RELAÇÃO EDUCAÇÃO FÍSICA – MEIO AMBIENTE1999 Teresa Magro IMPACTOS DO USO PÚBLICO EM UMA TRILHA NO PLANALTO DO PARQUE NACIONAL DO ITATIAIA1999 Alba Vieira ECOTURISMO URBANO: RUA DE LAZER EM TOMBOS – MG APRENDENDO, BRINCANDO E INOVANDO O MEIO AMBIENTE1999 Alba Vieira TURISMO ECOLÓGICO: ESSA POSSIBILIDADE DE LAZER É “QUENTE”1999 Rita Mendonça SENTIDO DA VIAGEM2000 Vera Lúcia Menezes Costa AVENTURA E RISCO NA NATUREZA: SÍMBOLOS E MITOS PRESENTES NOS DISCURSOS DO ECOTURISMO ESPORTIVO Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 9
  8. 8. 2000 Ana Cristina P. C. de Almeida, Maria de Fátima S. Duarte & Juarez V. Nascimento O FUTURO DAS ATIVIDADES FÍSICAS DE LAZER E RECREAÇÃO LIGADAS À NATUREZA E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL2000 Rita Mendonça A EXPERIÊNCIA NA NATUREZA SEGUNDO JOSEPH CORNELL2000 Ana Cristina P. C. de Almeida, Maria de Fátima S. Duarte, Juarez V. Nascimento & Markus Vinícius Nahas CONSIDERAÇÕES SOBRE O FUTURO DAS ATIVIDADES FÍSICAS DE LAZER NA NATUREZA: UM ESTUDO DELPHI2000 Ana Cristina P. C. de Almeida LAZER E RECREAÇÃO E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UMA QUESTÃO INTERDISCIPLINAR2000 Elizara Carolina MarinValquíria Padilha LAZER E CONSUMO NO ESPAÇO URBANO2000 Renato Miranda MOTIVAÇÃO NO TREKKING: UM CAMINHAR NAS MONTANHAS2001 Alcyane Marinho LAZER, NATUREZA E AVENTURA: COMPARTILHANDO EMOÇÕES E COMPROMISSOS2001 Alcyane Marinho DA BUSCA PELA NATUREZA AOS AMBIENTES ARTIFICIAIS: REFLEXÕES SOBRE A ESCALADA ESPORTIVA2001 Daniele B. F Silva, Gustavo Santos, Maria Cecília de A. B. Mendes, Sérgio Henrique Verçosa Xavier BRINQUEDOS, BRINCADEIRAS, RECREAÇÃO, ARTE E CULTURA POPULAR: ALTERNATIVAS PARA UM MUSEU INTERATIVO.2001 Lamartine P. DaCosta INTERNATIONAL TRENDS OF SPORT AND ENVIRONMENT - A 2001 OVERVIEW2001 Alba P. Vieira ARTE, LAZER E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: O CASO DA LUDOTECA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA2002 Leopoldo Vaz GESTÃO DO LAZER, TURISMO E EVENTOS: UMA NOVA HABILITAÇÃO A SER OFERECIDA PELO CEFET-MA2002 Valdo Vieira TREKKING DE REGULARIDADE – O ESPORTE CONSTRUINDO VALORES PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA2002 Rita Mendonça ECOTURISMO: DISCURSO, DESEJO E REALIDADE2002 Otávio Tavares, Renato Miranda, Lamartine DaCosta ESPORTE, OLIMPISMO E MEIO AMBIENTE: VISÕES INTERNACIONAIS2002 Tânia Sampaio “AVANÇAR SOBRE POSSIBILIDADES”: HORIZONTES DE UMA REFLEXÃO ECO-EPISTÊMICA PARA REDIMENSIONAR O DEBATE SOBRE ESPORTES10 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  9. 9. Introdução Tendências centrais dos estudos e pesquisas em Meio Ambiente, esporte, lazer e turismo no Brasil no período 1967 - 2007 Ana Cristina P. C. de Almeida & Lamartine P. DaCosta Relacionando meio ambiente com esporte, lazer e turismo, este livro se pro-põe a ser uma coletânea de textos apresentados a público no Brasil desde 1967- ano da provável primeira obra no assunto segundo interpretações atuais – quesugere representar diferentes caracterizações e tendências assumidas por estetipo de conhecimento ao longo do tempo. Em resumo, este novo livro estábasicamente proposto como um documento de memória e uma referência paratrabalhos acadêmicos futuros numa área de conhecimento que tem exibido grandeimpulso nos últimos anos, no país e no exterior. Os textos inventariados foram fornecidos voluntariamente por seus autores apartir de solicitação pública de livros individuais e coletivos, artigos em periódi-cos, teses, dissertações, contribuições em congressos e seminários, e publica-ções técnicas diversas. Pesquisas e estudos aceitos para publicação (no preloem 2006 - 2007) foram incluídos tendo em vista o objetivo de discernir tendên-cias à semelhança das obras antecedentes. Como tal, a presente publicaçãodestina-se à distribuição gratuita e fácil acesso por várias mídias e formatos. As tendências centrais (research mainstreams) dos trabalhos foram assumidasna tradição científica de identificar convergências por tipos de abordagenstemáticas e por quantidade de estudos. Entretanto, as interpretações e síntesesadiante apresentadas devem ser consideradas apenas como indicações de usogenérico uma vez que não se baseiam em levantamentos exaustivos nemamostragens estatísticas de trabalhos publicados. Em que pese uma validadereduzida - mas todavia pertinente - priorizou-se a reprodução de trabalhospublicados em livros, um meio ainda aceitável e útil nas condições acadêmicasbrasileiras para caracterizar enfoques principais. Isto posto, encontra-se em seguida nesta “Introdução”, em ordem cronológi-ca, a identidade inicial de textos na temática objetivada por este livro com Almeida, Ana Cristina P.C. de & DaCosta, Lamartine P. Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2007
  10. 10. exame adicional de características e respectivos relacionamentos, quer no tem-po, no espaço e segundo interesses de seus autores. Esta análise descritiva foifeita por contextualização histórica a partir de obra publicada no Brasil em 1850(ver adiante) no tema do meio ambiente e suas influências em entes humanos. Aobservação das relações do meio ambiente com o esporte, lazer e turismo foifeita nos anos subseqüentes até 2007. Para esta tarefa textos e autores nãocontemplados nesta Coletânea foram citados à vista de esclarecimentos sempreque convenientes para melhor compreensão e registro. Em resumo, tais disposi-ções nesta abordagem inicial incorporam tendências centrais e secundárias porsínteses e re-interpretação dos textos arrolados. As contribuições para o livro ora em apresentação foram resumidas peloscedentes das obras originais, procurando-se relevar aspectos essenciais dosestudos. Também foram mantidos os padrões estabelecidos originalmente pelosautores, incluindo forma de redação e modos de referenciação bibliográfica.Nos casos de obra publicada no exterior foi mantida a versão em inglês. Emsuma, cada texto constituiu um capítulo do livro também integrado numa ordemcronológica geral que ao final permitiu uma primeira periodização de tendênciascentrais dos estudos e pesquisas: 1967 – 2000 (fase pioneira) e 2001 - 2007 (fasede maturidade). Esta mesma disposição permitiu antever dois períodos deinternacionalização independentes entre si dos estudos brasileiros em meioambiente, esporte, lazer e turismo: 1967 – 1987 (enfoque maior no esporte) e1997 – 2007 (enfoque prioritário na sustentabilidade com visões integradas doesporte, lazer e turismo). Em termos epistemológicos, para que fosse possível identificar researchmaintreams dos estudos e pesquisas, os editores deste livro adotaram interpreta-ções e conceitos amplos (soft definitions) quer do meio ambiente – por vezesidentificado como “natureza” – como do esporte, lazer e turismo, evitando defini-ções estreitas e especializadas. Estas últimas hard definitions inviabilizariam aobservação das relações típicas do meio ambiente à luz da sustentabilidade, dis-tante portanto do objetivo da presente obra. Neste particular, assumiu-se comodiretriz principal a concepção geral de meio ambiente estipulada pelo ComitêOlímpico Internacional – COI, isto é : “todos os fatores externos, condições einfluências que afetam um organismo ou uma comunidade” (IOC, “Manual on Sportand the Environment”, Lausanne, 2001, p. 80). Adicionalmente, definiu-se tambéma sustentabilidade como “o desenvolvimento que atende as necessidades das ge-rações presentes sem prejudicar as gerações futuras” (Ibidem, p. 81). Por sua vez, a mesma fonte do COI (2001, pp. 13 - 14) ajusta a concepção deesporte aos problemas da proteção ambiental declarando que “a prática doesporte inclui atividades físicas em diferentes níveis, com participação informale ocasional ou de alto rendimento com normatização, implicando em gestãoespecializada ou de livre iniciativa de praticantes”. Já as relações do esportecom o turismo, sob o enfoque do meio ambiente, seguiram as proposições de12 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  11. 11. Tom Robison & Sean Gammon (“Revisiting and Applying the Sport TourismFramework”, Journal of Sport Tourism, Volume 9, Number 3, 2004) “as quaiscompreendem pessoas viajando, ou com estadas em locais fora de seu ambienteusual, com participação ativa ou passiva em atividades esportivas de competi-ção ou recreativas”. Outra recomendação adotada concerne às inter-relaçõesentre o turismo e o lazer, segundo Guy Swinnerton (“Recreation and Conservation”,in Jackson, E.L. & Burton, T.L., “Understanding Leisure and Recreation”, VenturePublishing, State College, PA, 1989, pp. 517 - 565), que geralmente ocorrem sobforma de coexistência, simbiose ou conflito, sendo a última alternativa a maiscomum dada à expansão do turismo em escala mundial. À vista do exposto, apresenta-se em seguida análises históricas e contextuaisque fundamentam os textos reunidos para a produção deste livro, com base emrevisões equivalentes de DaCosta (1997) elaboradas para a Universidade do Por-to – Portugal (ver “Introduction and Chronology”, pp. 15 - 37) ; de Ana Cristina P.C. Almeida (2000) para sua dissertação de Mestrado em que fez verificações detendências usando a técnica Delphi (texto incluído nesta Coletânea); e, finalmen-te, mas não menos importante, de Andrade da Costa para o capítulo “MeioAmbiente e Esporte – Produção do Conhecimento”, publicado no ‘Atlas do Espor-te no Brasil’, 2006 (pp.720 – 721), organizado por Lamartine DaCosta, Ana Miragayae Evlen Lauer Bispo.1850 Eduardo Ferreira França (1809 – 1857) de Recife-PE, médico formado naFrança, publica o livro “Influência dos Pântanos sobre o Homem” (TipografiaLiberal do Século, Salvador, 1850), no qual se analisam os efeitos da insalubrida-de do meio ambiente sobre a moral humana. Esta obra confirma a idéia dominan-te no Brasil de que o clima tropical produzia indolência, vícios e doenças.1888 A Editora Garnier do Rio de Janeiro-RJ, lança a obra do escritor e políticoSílvio Romero (1851 – 1914) intitulada “História da Literatura Brasileira” em cujocapítulo “O Meio Fisiologia do Brasileiro” são descritas as teorias correntes naEuropa quanto à inferioridade dos povos habitantes de regiões de clima quente.Sílvio Romero interpretando o fato argumenta que era necessário não generali-zar a questão climática brasileira, pois o ambiente nocivo limitava-se a determi-nadas áreas da nação. Porém reconhecia a deterioração física de grande parte deseus cidadãos: “Temos uma população mórbida, de vida curta, achacada e pesa-rosa em sua mor parte (...) O trabalho intelectual é no Brasil um martírio; por issopouco produzimos; cedo nos cansamos, envelhecemos e morremos depressa”(p. 93, vol. 1 da 7ª. Edição, 1980). Além destas dificuldades, Romero já comodeputado federal e membro fundador da Academia Brasileira de Letras (Rio deJaneiro), denunciou em 1902, o tamanho das colônias alemãs no sul do país, quejá comprometiam em sua opinião a identidade cultural lusófona do Brasil.1902 O escritor Graça Aranha, membro da Academia Brasileira de Letras, publicao romance “Canaã”, um livro em que explora em estilo pré-modernista, a deca- Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 13
  12. 12. dência cultural de colonos alemães no estado do Espírito Santo diante das difi-culdades de adaptação ao ambiente tropical.1907 Na França, o Barão Pierre de Coubertin – onze anos depois de resgatar osJogos Olímpicos – adotava pela primeira vez no mundo do esporte uma posiçãode defesa da natureza, ao mobilizar os esportistas para que limpassem seuscampos de prática. Estava inaugurada então a definição do esporte como poluidorcomo também um envolvimento permanente do Movimento Olímpico internaci-onal – sobretudo manifestado pelos Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão –com a proteção do meio ambiente. Uma revisão histórico-analítica deste com-promisso foi produzida no início dos anos 2000, pelo brasileiro Lamartine DaCostaem capítulo de livro internacional denominado de “Towards an OlympicEpistemology: Sport Sciences or Theory of Sustainable Sport?”, como se verificaem “Olympic Studies”, Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2002, pp. 131 – 152(não incluído nesta Coletânea).1922 O Exército Brasileiro adota oficialmente o Método Francês de EducaçãoFísica, o qual incorpora nesta versão inicial brasileira – entre várias outrastendências de origem francesa - as concepções de George Hébert (1875 –1957), líder da “L’ École Naturaliste” criada em 1905. Esta doutrina elegia osmovimentos naturais (saltar, correr, trepar etc.) como base do método depráticas físicas se aplicados em meio aos elementos naturais (água, sol, flores-ta, ar etc.). Hoje, a Escola de Hebért ainda apresenta manifestações na Françae na Bélgica (Gleyse, J. et al., 2002).1932 A Escola de Educação Física do Exército – EsEFEx, situada no Rio deJaneiro (Urca), inaugura uma “Torre de Hébert” junto à sua pista de atletismo,marcando a incorporação do Método Natural aos currículos daquela institui-ção militar. A Torre de Hébert foi mantida até meados da década de 1960quando o Método Francês foi substituído pelo Método Calistênico na instru-ção física do Exército Brasileiro (ver site www.esefex.ensino.eb.br/). No Brasilda atualidade dos anos 2000, o Método de Hébert ainda sobrevive em suaspropostas essenciais em Curitiba-PR, em São Paulo-SP e outras cidades, pormeio de pistas de treinamento de exercícios naturais, com a denominaçãooriginal francesa “Le Parkour”. Há também ainda uma Associação Brasileira deParkour – ABPK, cujo site é www.abpk.br/.1967 Lamartine DaCosta, professor de Educação Física do Centro de Esporte daMarinha-RJ, publica um livro com relatórios de pesquisas sobre atividades físicasem clima tropicais, realizadas na cidade do Rio de Janeiro, durante três anos (1964,1965 e 1966). O livro foi denominado de “A Atividade Desportiva nos Climas Tropi-cais e uma Solução Experimental: o Altitude Training” (DaCosta, 1967), em razão deterem as investigações o objetivo de medir o gradiente redutor da performancefísica de longa duração sob impacto direto dos raios solares, como também osefeitos do mesmo esforço ao se realizar à sombra, em meio ao ambiente florestal.14 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  13. 13. O experimento foi feito com 10 atletas masculinos de nível nacional e internacio-nal do atletismo, em provas de corridas de média e longa distâncias. Como asanálises estatísticas das observações comprovaram uma melhoria no gradienteredutor à sombra, especificamente nas subidas da Floresta da Tijuca da mesmacidade, surgiu um método de treinamento como resultado adicional ao estudo. Porconseguinte, a inibição do esforço físico devido ao calor foi relativizado pelomodo de se conduzir e dosar o exercício. Em suma, o determinismo que definia otrabalho físico em ambiente tropical no Brasil desde 1850, tornou-se improcedentediante dos resultados desta pesquisa. Destaque-se ainda que estas investigaçõesbiometeorológicas foram pioneiras na área esportiva nacional quanto ao uso decomputadores e de protocolos de rigor científico. O livro de DaCosta (1967) en-contra-se resumido em suas partes principais na presente Coletânea, representan-do a inauguração no Brasil de estudos e pesquisas sobre o meio ambiente e esportee posteriores desdobramentos nas áreas de lazer e turismo. Há uma versão eminglês deste livro datada de 1966, compondo um manual técnico da Academia doConseil International du Sport Militaire-CISM, Brussels, sob a denominação “SportActivities in Tropical Climates and an Experimental Solution: the AltitudeTraining”(DaCosta, L.P., 1966). Esta obra marca o início da internacionalização daprodução científica brasileira na área do esporte e possivelmente na do meioambiente como disciplina autônoma de conhecimento.1967 Lamartine DaCosta publica “Planejamento México” (obra incluída nesta Coletâ-nea) pela então Divisão de Educação Física do MEC, em que estuda os efeitos domeio ambiente encontrado na altitude em geral e na Cidade do México em particular,a 2.240 metros, local dos Jogos Olímpicos de 1968 e da Copa do Mundo de 1970. Estepesquisador participara de um grupo de observadores de diversas nacionalidadesque visitaram a Cidade do México em 1967, a fim de levantar as dificuldades decompetições de alto rendimento no local. DaCosta em razão de seus estudos ante-riores – desde 1963 - já participava na época da Sociedade Internacional deBiometereologia e da Academia do Conselho Internacional do Esporte Militar-CISM,esta última uma entidade de ponta nas questões de treinamento esportivo. Nestesestudos, tal como ocorrera antes com o clima quente, demonstrou-se que o meioambiente adverso à atividade física representado por regiões elevadas, era realporém eivado de preconceitos. Neste mesmo ano, uma versão reduzida deste livrofoi publicada em artigo em língua inglesa na revista “Sport International”, Da Costa,L.P., vol 3, no. 36, pp. 16 – 23, sob o título “Altitude Training”. Esta publicação (nãodisponível nesta Coletânea) é possivelmente o primeiro texto em inglês na área doesporte produzida por autor brasileiro para periódico científico de circulação inter-nacional, e talvez um dos mais citados até hoje.1968 Os Jogos Olímpicos do México têm lugar neste ano, superando a ameaça desuspensão do evento pelo COI por existirem ameaças ambientais aos atletas pelaelevada altitude da sede dos Jogos. DaCosta acompanhou o evento e fez umlevantamento minucioso das condições de aclimatação para a Seleção Brasileirade Futebol no local e em outras regiões do México, para uso quando da Copa doMundo de Futebol de 1970 a ser realizada no México. Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 15
  14. 14. 1968 João Lyra Filho publica neste ano o livro “Desporto e Trópico”, em quedefende a teoria determinista do esporte praticado no clima prevalente na maiorparte do Brasil, a qual subentende efeitos prejudiciais. Este então famoso cultordo direito e da sociologia do esporte, propôs nesta obra a elaboração de um“Cadastro Nacional dos Desportos” com a finalidade de “explicar, à luz dostrópicos, em relação a um povo ou outro, as preferências por desportos maisatuados pelo instinto, pela alma ou pelo espírito” (Lyra Filho, 1968, p. 6).1970 Realização da Copa do Mundo de Futebol no México. Lamartine DaCostaproduziu um plano científico de adaptação usando os efeitos benéficos da alti-tude (super aclimatação) e minimizando suas causas nocivas. Em conjunto comoutras contribuições positivas, o plano biometereológico garantiu a vitória daSeleção ao final da competição. O relatório oficial da Federação Internacionalde Futebol Amador-FIFA sobre a Copa de 1970, publicado em 1972, enfatizou otrabalho científico de aclimatação à altitude mexicana de 2.240 metros, consi-derando como o mais eficaz entre os países concorrentes (FIFA, World CupMéxico 70 - Official FIFA Report, Zurich, 1972). A partir deste ano, vários estudose registros foram publicados sobre os feitos científicos para Copa de 1970 combase em conhecimento gerado no Brasil. Este tema repercutiu mais uma vezdurante a Copa de 2006 (Alemanha) como se verifica em estudo incluído nestaColetânea (Santoro, Soares e Bartholo, 2006), o que confirma ser uma das ten-dências dominantes da produção de conhecimento na área de meio ambiente noBrasil, com quatro décadas de sobrevivência.1977 Publicação do livro “Treinamento Desportivo e Ritmos Biológicos” (JoséOlympio Editora, Rio de Janeiro, 1977) de Lamartine DaCosta, reunindo pesquisasfeitas com atletas brasileiros no Rio de Janeiro e em Atvidaberg, na Suécia,quando as reações dos sujeitos da investigação à mudança de ambientes forammensuradas e comparadas à luz da aplicação de treinamento físico. Neste está-gio da produção do conhecimento já se considerava importante o cruzamentode efeitos diversos advindos do meio ambiente (calor, altitude, mudança de fusohorário etc) buscando-se fatores de maior influência. Neste particular, o relaci-onamento social destacou-se como variável fundamental da aclimatação “cru-zada”, fenômeno de natureza ecológica incluindo influências de vários sistemasrelacionados à vida humana. O livro de DaCosta (1977) não esta incluído nestaColetânea, em que pese seu valor para o estímulo do esporte-turismo, hoje emampla expansão. Esta obra, também pioneira, recebeu como pesquisa o PrêmioMEC de Literatura Esportiva de 1976. Estes resultados sugerem também que aopção biológica e ambientalista de DaCosta e associados situava-se à época emnível similar às pesquisas internacionais.1981 Neste ano, publica-se no Rio de Janeiro, o livro “Teoria e Prática do EsporteComunitário e de Massa”, Lamartine P. DaCosta (Ed.), Palestra Edições. Esta obraconsolidou experiências e conhecimentos do chamado “Esporte para Todos”(EPT) no Brasil – gerados nas décadas de 1920 a 1970 -, incluindo autores sobre-16 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  15. 15. tudo das áreas de lazer e esporte recreativo. Entre as diversas revisões feitaspelo EPT brasileiro, destacou-se a valorização da natureza como ambiente depráticas físicas, como se verifica nos Princípios do Esporte para Todos (ver textode DaCosta de 1981, incluso nesta Coletânea).1981 – 1982 No Brasil, neste estágio, as atenções para o meio ambiente por partedos esportistas permaneceram limitadas a interesses incidentais, tais como aosrelacionados a competições em altitude na Colômbia, Equador, Bolívia e México.Entretanto, a agenda de pesquisas de DaCosta em termos de influência do meioambiente no desenvolvimento atlético neste período incorporou experiênciascom atletas brasileiros preparando-se para os Jogos Olímpicos de Moscou (1981);planejamento in loco da adaptação à altitude de 3.600 metros para a representa-ção brasileira ao Campeonato Sul-Americano de Natação em La Paz, Bolívia(1982); reconhecimento dos locais de jogos da Copa do Mundo de Futebol-1982,na Espanha, para adaptação da Seleção Brasileira de Futebol ao calor, alimenta-ção e mudança de fusos horários. Em adição a estes desenvolvimentos, DaCostafez estágio em Font Romeu, França, no laboratório de pesquisas em altitude dosPirineus (1.850m), também em 1981.1983 Diekert & Monteiro da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, publi-cam o possível primeiro livro nacional – incluso nesta Coletânea - sobre equipa-mentos e parques de lazer em que privilegiaram atividades físico-recreativas emambientes naturais, promovidas por trabalhos comunitários e locais (mutirão).Jürgen Diekert era à época professor visitante na UFSM e trouxe experiências daAlemanha quanto ao uso de materiais de origem florestal.1987 DaCosta publica em Portugal, pelo Ministério da Educação e Cultura, oestudo “A Reinvenção da Educação Física e do Desporto segundo Paradigmas doLazer e da Recreação”, em que explora especulativamente a oposição funda-mental entre a idéia da natureza e a de cultura. Este nexo tradicional da filosofia,revelou-se para o autor brasileiro como um fio condutor para se re-conceituar olazer à luz das atividades físicas organizadas de modo pedagógico ou de livrearbítrio. Possivelmente este texto inaugura o pensar ecológico no lazer no âm-bito acadêmico de língua portuguesa.Década de 1990 Neste período, o eixo de compreensão das questões ambientaisno esporte se deslocou da proteção do praticante para a proteção do meioambiente em que se pratica ou se competem esportes. Este fato foi produto doespírito da época desde que em 1992, realizava-se no Rio de Janeiro, a Conferên-cia das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento de grandeimpacto internacional e marcante quanto ao início da responsabilidade dos esta-dos nacionais, formalmente assumida, a respeito da proteção da natureza emescala global. Do lado do esporte, o COI assumiu a liderança no plano internaci-onal e, já em 1995, esta instituição organizava a 1a. Conferência Mundial sobreEsporte e Meio Ambiente em Lausanne, Suíça. Neste evento se estabeleceram as Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 17
  16. 16. bases para emendar a Carta Olímpica, documento maior de princípios do COI edas Federações Internacionais a ele filiadas, o que ocorreu efetivamente em1996. A partir desta data, o COI passou a assumir publicamente os seus “trêspilares de sustentação: esporte, cultura e meio ambiente” (Tavares, 2002). Amodificação da Carta Olímpica incluiu a definição de desenvolvimento sustentá-vel, já consagrada na histórica Conferência do Rio de Janeiro de 1992. Por estemarco definitório, “as atividades físicas, os jogos e competições são sustentá-veis quando sua instrumentalização respeita os valores intrínsecos da naturezae do esporte” (DaCosta, 2002). Em síntese, a definição então estabelecida e hojecorrente, propunha uma adaptação mútua entre praticantes e o meio ambiente,uma posição bem distinta em perspectivas do passado no Brasil com relação aodeterminismo ambiental de Lyra Filho dos anos de 1960 ou do higienismo radicalde Eduardo Ferreira França do século XIX, que entendia o meio ambiente comouma ameaça à saúde humana.1992 DaCosta publica em capítulo de livro seu segundo estudo filosófico sobreo meio ambiente “O Olhar e o Pensar Ambientalista”, no qual explora sua expe-riência científica de três décadas no tema. Neste texto – ora incorporado nestaColetânea – há um resumo de sua crítica, ao declarar que “estamos incorporan-do, enfim, uma cultura ecológica, mas não conseguimos compreendê-la alémdos dados científicos reducionistas ou da informação efêmera da mídia”.1993 Realização do Simpósio Internacional Cidadania, Esporte e Natureza, orga-nizado pela Universidade do Porto, em Portugal, por proposta de LamartineDaCosta, então professor visitante daquela universidade. Também neste ano, noBrasil, Rita Mendonça, especialista em Planejamento Ambiental pela UNESCO emestre em Sociologia do Desenvolvimento pela École des Hautes em SciencesSociales, da França, publica o artigo “Turismo ou meio ambiente: uma falsaoposição” (incluído nesta Coletânea) denunciando que no Brasil “o turismo, talcomo vem sendo implantado, não apresenta característica de sustentabilidade amédio e longo prazos”. Este estudo pioneiro, todavia de índole conceitual, cons-trói preliminares ao pensamento sobre o meio ambiente, que aparentementeinfluenciaram autores brasileiros de temas relacionados com o lazer de ativida-des físicas e turismo. Nas conclusões há perspectivas futuras da parte da autoraque revelam tendências hoje razoavelmente confirmadas: “Há vários indícios deque essa sustentabilidade não ficará apenas em nosso exercício de raciocínio: osnovos planos de desenvolvimento turístico vêm incorporando pouco a pouco osaspectos ambientais; a legislação ambiental brasileira é bastante clara e interes-sante em muitos aspectos; os conceitos e técnicas em educação ambiental têmevoluído muito. É claro que tudo isso precisa ser posto efetiva e completamenteem prática. Mas não podemos perder de vista que se trata de um processo,formado por etapas e pequenas conquistas individuais”1994 Realização dos Jogos Olímpicos de Inverno de Lillehammer, Noruega, querepresentaram os primeiros “Jogos Verdes” (Green Games) da história do Movi-18 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  17. 17. mento Olímpico Internacional, pelos critérios de sustentabilidade adotados nasinstalações e organização das competições e hospedagem de atletas e visitantes.Neste ano, Sydney – Austrália foi escolhida por eleição como sede dos JogosOlímpicos de Verão do ano 2000, tendo privilegiado a proteção do meio ambienteem seu projeto de candidatura. Em condições similares de dar prioridade aoambientalismo, Atenas – Grécia foi eleita em 1998, a sede dos Jogos Olímpicos de2004. Entretanto, a partir de Lillehammer tornou-se comum o uso dos JogosOlímpicos como showcases (projetos - demonstração) de boas práticasambientalistas. No âmbito brasileiro, autores como DaCosta, Carvalhedo e Veerman– seguidores da tradição científica, tecnológica e ética – adotaram então os even-tos olímpicos como suporte empírico de seus estudos, incluindo no caso o turismoe o lazer. Tal opção foi reforçada em 1999 quando da adesão oficial do ProgramaAmbiental das Nações Unidas – UNEP ao trabalho em conjunto com o ComitêOlímpico Internacional (ver adicionalmente Tavares et al., 2002, nesta Coletânea).1996 Neste ano, outros autores brasileiros incluem-se na senda aberta antes porRita Mendonça, como no exemplo de Ana Cristina P.C. Almeida ao preconizar“ênfase na Educação Ambiental que direciona a uma atualização voltada, princi-palmente, ao uso adequado dos recursos naturais, porém, geralmente, discriminaas relações globais de causa e efeito por falta de tempo, dedicação e até expe-rimentação científica que tornaria o assunto mais pró-ativo além da simples‘conscientização’ e, portanto, de maior importância ao aprendizado” (ver nestaColetânea o texto “A Inter-Relação do Ensino em Recreação e Lazer e a Educa-ção Ambiental” de 1996). Por sua vez, Flávio Leonel A. Silveira em seu “Ecoturismo:Viagem, Lazer & Aventura” (incluído nesta Coletânea), adotando uma linhaconceitualista e experimental, levanta perspectivas futuras indicando que “oturismo ecológico ou o ecoturismo é um fenômeno recente e em evidência, oumelhor, é um evento típico do final do século XX, dentro do que se poderiaapontar como uma perspectiva pós-moderna de interação com os naturais. Tra-ta-se de uma atividade turística que se caracteriza por certo hibridismo, no qualas questões ecológicas mesclam-se com a experiência turística gerando umoutro tipo de evasão do espaço urbano, a qual prefiro denominar ‘experiênciaecoturística’.” A própria Rita Mendonça retorna este ano, publicando “Visitar ecompartilhar a natureza” (incluído nesta Coletânea), uma reflexão em que sebaseia em destacado pensador ambientalista que tenta combinar posições filo-sóficas com imperativos pedagógicos: “Para Joseph Cornell, a verdadeira defini-ção de educação, que abrange a educação ambiental, é sugerida por J. DonaldWalters: ‘É a habilidade de se relacionar com outras realidades, e não apenas coma sua própria’. No fundo, nós estamos ligados a todas as formas de vida, só quenão percebemos mais,.. No nosso dia-a-dia quase não nos damos conta desteafastamento e de quão longo é o caminho para nos reencontrarmos verdadeira-mente com elas”.1997 Neste ano, foi organizado um Seminário na Universidade de Cingapurasobre os problemas ambientais dos Jogos Olímpicos de Sydney - 2000, no qualLamartine DaCosta (Universidade Gama Filho-RJ) debateu com Richard Cashman Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 19
  18. 18. e Kristine Toohey, da Universidade de New South Wales, Austrália, as questõescentrais sobre o meio ambiente envolvendo os Jogos Olímpicos. Nesta ocasião,foi divulgado um position paper (não incluído nesta Coletânea) então referenciadocomo: DaCosta, L.P., The Green Dream: the Olympic Movement and theEnvironment, National Olympic Academy of Singapore Seminar, Singapore, 1997.Posteriormente, ainda em 1997, este autor brasileiro publicou pela AcademiaOlímpica Internacional, Grécia, um estudo de revisão conceitual e tecnológicapara dar suporte à candidatura de Atenas para os Jogos Olímpicos – 2004; taldocumento (também não incluído nesta Coletânea) está referenciado como:DaCosta, L. P., The Olympic Movement Today and the Environment Protection,I.O.A. Report of the 37th Session, Ancient Olympia, 1997, 3-6. Em resumo, noBrasil, a linha de pesquisa liderada por DaCosta neste estágio já estava consoli-dada como marcada por bases científicas, filosóficas e tecnológicas ao passoque o caminho em construção exemplificado por Mendonça, Pimentel e Silveiramostrava-se como de revisão conceitualista, pedagógica e auto-reflexiva dian-te uma realidade típica nacional. Significativamente estas duas tendências cen-trais dos anos de 1990 focalizavam igualmente o meio ambiente, o lazer e oturismo, gerando um certo hibridismo conceitual e operacional.1997 Publica-se em Portugal, o livro “Meio Ambiente e Desporto – Uma Perspec-tiva Internacional”, tendo como editor Lamartine DaCosta e como organizadorAntônio Marques, professor da Universidade do Porto. O livro – escrito em inglêse português - teve o apoio financeiro do Comitê Olímpico Internacional - COI ea colaboração de 15 especialistas de vários países no tema proposto. A tesecentral do livro dispôs-se na condição ambivalente do esporte que tem atuado“como vilão e vítima” do meio ambiente. A presente coletânea inclui a “Introdu-ção” deste livro como também um capítulo de DaCosta em que se apresenta umateoria geral sobre o meio ambiente e a prática esportiva, ambos na versão eminglês da publicação. Esta última construção conceitual, filosófica, empírica deíndole científica e internacionalista demarcou a produção do autor em foco até2006 quando publica um estudo sobre a proteção do meio ambiente – comeducação ambiental e turismo correlatos – nos Jogos Olímpicos de Inverno deTurim – Itália (em associação com Cris Veerman e incluído nesta coletânea). Noseu significado de obra coletiva internacional, o livro da Universidade do Portoconstituiu um marco para os especialistas brasileiros em meio ambiente na me-dida em que se expandiu o intercâmbio com outros países como se verifica nosanos seguintes desta cronologia. Este viés explica, por exemplo, o destaquedado pelo European College of Sport Sciences aos trabalhos da linha de pesquisade DaCosta e associados em 1991 (ver adiante).1998 Acontece o Seminário Internacional de Esporte e Meio Ambiente, emCuritiba-PR, promovido pelo Comitê Olímpico Brasileiro-COB, com a presença derepresentantes de países latino-americanos e do COI. Otavio Tavares, RenatoMiranda e Lamartine DaCosta organizaram um livro com os textos apresentadose as notas das discussões, que foi publicado em 2002 com o título “Esporte,Olimpismo e Meio Ambiente”. Neste Seminário teve destaque a “Agenda 21”20 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  19. 19. como base para a revitalização dos esportes tendo em vista as exigências deproteção ambiental. A Agenda 21 teve também origem na Conferência de 1992 doRio de Janeiro, consistindo num compromisso de esforços conjugados de gover-nos e instituições em projetos de conservação ou de proteção da natureza (“21”refere-se ao século visado pela Agenda).1999 Tem lugar no Rio de Janeiro-RJ a Terceira Conferência Mundial sobre Espor-te e Meio Ambiente, promovida pelo COI e organizada pelo COB. Este evento foio maior até então ocorrido no tema proposto, com a presença de 93 represen-tantes de Comitês Olímpicos Nacionais e de 19 Federações Internacionais deesportes. O significado desta participação inédita prendeu-se ao crescenteenvolvimento das modalidades esportivas per se nas questões ambientais, emcomplementação aos interesses voltados para os Jogos Olímpicos e mega even-tos esportivos em geral. Segundo avaliação de DaCosta produzida em 2001 porsolicitação da Universidade de Colônia, Alemanha, em 29,7% das contribuições ediscussões da Conferência de 1999, o foco se pôs na ética, sobretudo em termosde comportamento pessoal e de intervenções de governo. Já 27,0% dos trabalhosvoltou-se para perspectivas e projeções futuras do tema de proteção ambiental,enquanto 24,3% abordou técnicas e instrumentos de manejo ecológico. Os as-suntos de promoção de eventos e os relacionados com a educação e culturaforam residuais com 18,9%. Estes resultados indicaram a existência de ambigüi-dade no trato das questões ambientais por parte dos gestores esportivos dasentidades internacionais, o que foi posto em foco por DaCosta posteriormenteno trabalho “International Trends of Sport and Environment - a 2001 Overview”,já aqui citado e resumido pela presente Coletânea.1999 No Brasil, Rita Mendonça amplia sua linha de reflexão e re-conceituaçãodo turismo vinculado ao meio ambiente, publicando “Sentido da Viagem”, capí-tulo de livro em que a busca de novos sentidos constitui a abordagem principal(ver texto com este título na presente Coletânea) diante da crescente valoriza-ção da natureza. Na mesma linha de conta, situam-se Cristiane Ker de Melo & AnaCristina P. C. Almeida no estudo “Nas Trilhas da Relação Educação Física – MeioAmbiente” – incluído nesta Coletânea – inserindo os nexos das atividades físicasorganizadas ou de lazer na re-semantização unificada da natureza. Tais re-significações neste estágio implicaram em verificações empíricas, como o fize-ram Alba Pedreira Vieira & Priscyla Assis em “Turismo Ecológico: essa possibili-dade de lazer é ‘quente’” (ver nesta Coletânea), produzindo levantamento decampo. Para estas autoras, o desenvolvimento da Educação Ambiental passapelo turismo ecológico (EMBRATUR, 1994: “Um segmento da atividade turísticaque utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva suaconservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através dainterpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvi-das”). Este, por sua vez, “oferece enquanto espaço para vivência tanto do ho-mem com seus pares, quanto do homem com a natureza; essa vertente do turis-mo vem a cada dia se consolidando como potencializadora forma de se conhe-cer a natureza, dela fruindo e usufruindo, de maneira orientada e sustentável”. A Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 21
  20. 20. verificação prática de propostas de lazer, atividades físicas e Educação Ambientalfoi feita também por Teresa Magro em “Impactos do uso público em uma trilhano Planalto do Parque Nacional do Itatiaia” (ver Coletânea), em que um estudo decaso demonstrou que “fatores institucionais, ligados à administração do parque,contribuíram fortemente para a degradação de parte do ecossistema estudado”.Outra verificação foi feita por Alba Pedreira Vieira, Priscyla Assis & FernandaFernandes por meio de vivências no município de Tombos-MG (ver “Ecoturismourbano” nesta Coletânea) quando se comprovou que a “cultura lúdica” dos pra-ticantes pode alavancar um experiência de Educação Ambiental. Uma discussãodestas possibilidades de integração de fatores culturais, educacionais e gerenciaisenvolvendo o meio ambiente é feita ainda em 1999 por Alcyane Marinho (vernesta Coletânea “Do Bambi ao Rambo ou do Rambo ao Bambi? As relações coma (e na) natureza”. Para esta última autora, as novas formas de se relacionar como meio natural e com outras pessoas, manifestam-se preferencialmente pormeio da prática de atividades de aventura na natureza. No seu todo, os estudose pesquisas inventariados em relação ao final dos anos de 1990, sugerem que afase de re-conceituações diminuiu progressivamente enquanto ampliavam-se asinvestigações e observações de campo. A explicação, no caso, é a de que oimpacto do ambientalismo em face aos fatos sociais no Brasil exigiu reflexão eajustes conceituais no início da década de 1990, dando lugar posteriormente àsconstatações práticas para legitimação de intervenções por parte de indivíduos,grupos sociais e instituições.2000 A fase identificada para o final da década de 1990 inclui sobretudo asinvestigações de Ana Cristina P. C. de Almeida fazendo verificações de tendênci-as, usando a técnica Delphi reunindo especialistas diversos exercendo projeçõesfuturas. Nesta Coletânea foram arrolados dois textos da autora em foco, sendoo primeiro “Considerações sobre o Futuro das Atividades Físicas de Lazer eRecreação Ligadas à Natureza - Um estudo Delphi”; e o segundo “O Futuro dasAtividades Físicas de Lazer e Recreação ligadas à Natureza e à EducaçãoAmbiental”, ambos extraídos da dissertação de Mestrado desta pesquisadora. Deacordo com a metodologia usada nas pesquisas foram consultados 35 especia-listas em painéis sucessivos em horizontes de tempo imediato e de três anosadiante. Ao final, concluiu-se que na opinião dos especialistas entre as práticasde ocorrência imediata encontram-se caminhadas ecológicas, corridas rústicas,surfe, canoagem, rodeio, as diversas modalidades esportivas nas areias das prai-as do litoral brasileiro e fotografia da natureza. Entre 2000 e 2001, os especialis-tas apontam que o crescimento do ecoturismo, em fazendas, sítios, e no Panta-nal; as atividades desenvolvidas pelas empresas de ecoturismo, os crescentescampeonatos em diferentes ambientes naturais, colônia de férias, acampamen-tos, surgimento e continuidade de eventos científicos, publicações acadêmicasnas áreas do Lazer e do Turismo e o surgimento de programas relativos àsatividades ligadas ao ambiente natural. No período de 2000 a 2002, destacam-seo Congresso Virtual do Meio Ambiente, a construção de parques temáticos, aspressões do poder econômico para a transformação de ambientes naturais parao lazer de massas, a educação para o lazer e o Meio Ambiente e a construção de22 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  21. 21. espaços alternativos para a prática de atividades físicas para a terceira idade.Não houve consenso quanto aos impactos considerados negativos ao ambientenatural; porém pressupõe-se que estes eventos possam causar diferentes impac-tos ao ambiente e no estilo de vida das pessoas. Dos conteúdos analisadosreferentes aos programas de Educação Ambiental, observou-se que a disciplinanão consta nos currículos e apenas 10% dos professores responderam no questi-onário que trabalham a Educação Ambiental. Entre as sugestões metodológicasapresentadas, destacaram-se em linhas gerais o trabalho interdisciplinar, o in-centivo a linhas de pesquisas, a efetivação da atividade e a preparação de mate-riais educativos para a comunidade, entre outros. Ao final, foi possível discernirque a disciplina Lazer e Recreação deva contemplar a Educação Ambiental devi-do ao crescimento dos eventos ligados à natureza e seus possíveis comprome-timentos ao ambiente natural. Estas verificações ainda estão hoje (2006) emaberto para confirmações. Porém já se pode admitir que os elementos destaca-dos na consulta Delphi estão presentes nas relações sócio-culturais atuais, mascontinuam desconhecidas as proporções em que se influenciam umas às outras.2001 Uma avaliação dos principais direcionamentos da produção do conheci-mento do esporte em seus relacionamentos com o meio ambiente foi feito porLamartine DaCosta durante o Congresso do European College of Sport Sciences-ECSS, na Universidade de Colônia, Alemanha (28 – 24 de julho de 2001), a convitedos organizadores. A síntese cobriu as três últimas décadas de exploração dotema e na essência incidiu sobre o caráter de resolução de conflitos que revesteos problemas da proteção do meio ambiente, e que inclui o esporte entre váriasoutras manifestações humanas. Contudo, o esporte tem apresentado um diferen-cial nesta relação por expressar fatos ao passo que o meio ambiente expressavalores (ver nesta Coletânea DaCosta, 2001), explicando assim sua condiçãoambivalente já enfatizada no livro de 1997 antes citado. Em conclusão, o pesqui-sador brasileiro pôs em evidência a ética como caminho apto para a solução dodilema de ser o esporte simultaneamente vilão e vítima do entorno físico, sociale cultural. Já em relação às outras tendências identificadas no Brasil na temáticaora em exame, percebe-se a partir deste ano que a linha seguida por DaCosta emquatro décadas de estudos do meio ambiente voltara-se progressivamente parauma visão micro de relações privilegiando intervenções operacionais técnico-científicas, fundadas em argumentação histórico-filosóficas. Entretanto, a linhasócio-pedagógica aqui descrita com maiores empenhos por iniciativas dos anos1999-2000, situam-se numa visão de predominância macro que visa ao desen-volvimento social e à proteção da natureza. Enquanto neste estágio a opção deDaCosta e seus seguidores enfatiza a gestão do esporte, lazer e turismo dandoênfase a resultados práticos, a linha sócio-pedagógica revela-secomportamentalista e produtora de valores, tanto por meio de agentes como deinterventores.2000 – 2002 Uma outra avaliação dos dois últimos anos desta ordem cronológi-ca em conjugação com 2002 confirma o surgimento de convergência dos estu-dos e pesquisas nacionais – abrangendo as duas linhas dominantes - no sentido Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 23
  22. 22. de comprovações empíricas e revisões teóricas das propostas de sustentabilidadetípicas da década de 1990 no Brasil e no exterior. De fato, dos 16 trabalhosinventariados deste estágio, 18,7% são estudos de caso e relatos de experiência;25,0% compõem pesquisas de campo e levantamentos (surveys); 37,5% represen-tam artigos de revisão e position papers, e 18,7% se referem a novas abordagensmetodológicas e de re-conceituação. Neste último item, classificam-se o uso dométodo Delphi de Almeida (2000) e a abordagem do imaginário social em espor-tes de aventura na natureza de Costa (2000). Entre os surveys, inclui-se o levan-tamento internacional de DaCosta (2001) para o ECSS que se desenvolve a partirdos conflitos entre elementos de intervenção relacionados ao meio ambiente.Desta investigação, aliás, derivou-se um outro estudo de DaCosta (“ConflitosAmbientalistas do Desporto e da Educação Física e a Nova Cidadania Ecológica”,in Vargas, A. (Ed.), Desporto e Tramas Sociais, Sprint, Rio de Janeiro, 2001, pp. 91– 104) não disponível nesta Coletânea, que incide na ética como âncora dasustentabilidade e veículo da solução dos inevitáveis conflitos ambientais en-volvendo esporte, lazer e turismo.2003 – 2007 Este período revela mais claramente a maturidade dos trabalhosinventariados em conjunto, uma tendência já identificada desde 2001. Nestestermos, sustentabilidade e impacto ambiental são elementos de importânciaconsensual e como tal constituem fundamentos básicos em estudos e pesquisas.Já o perfil de caracterização define-se com 17,9% de um total de 67 trabalhosvoltados para estudos de caso e relatos de experiência (cifra próxima àquelaregistrada em 2000-2002); 20,8% são pesquisas de campo e levantamentos(surveys), com queda de 4% em relação ao triênio anterior; 34,3% constituemartigos de revisão e position papers (redução de 3% em relação a 2000 – 2002); e23,8% se referem a novas abordagens metodológicas e de re-conceituação, cifraaumentada em 5% comparando-se com o período anterior. No geral, esses quan-titativos revelam uma tendência dominante para a inovação ao se somarem ostrabalhos de revisão – incluindo position papers - com os de novas abordagensmetodológicas, totalizando 58,3% da produção técnica e científica arrolada nes-ta amostra indicativa. Este resultado ao se cotejar com a teoria de Sinclair-Desgagné (1999) sugere a existência de uma orientação adequada para o desen-volvimento da produção e gestão do conhecimento científico-ambientalista emesporte, lazer e turismo no Brasil. Segundo esta teoria, a pesquisa de inovação naárea de meio ambiente permite a identificação de intervenções seletivas quecriam um melhor e mais abrangente potencial de desenvolvimento. Entretanto,para se consolidar esta interpretação há que se avaliar futuramente a qualidadedas investigações produzidas no país na área de saber em foco, o que demandaum desdobramento da presente apreciação com amostragem e monitoraçãomais precisas.2006 – 2007 Este último estágio classificado pela presente Coletânea comoinserido no período 2003 - 2007, inclui trabalhos os quais por comparação suge-rem haver uma convergência entre as duas principais abordagens históricas dos24 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  23. 23. estudos e pesquisas em meio ambiente, esporte, lazer e turismo no Brasil: a degestão bio-tecnológica de bases éticas e a sócio-pedagógica, de índolecomportamentalista e axiológica. De fato, a coletânea “Viagens, lazer e esporte:o espaço da natureza” de Alcyane Marinho e Heloisa Turini Bruhns (Eds.), SãoPaulo: Manole, 2006, amplia o foco sócio-pedagógico optando por autores etemas que trabalham nos vieses da interdisciplinaridade, de mapeamento, deimpactos ambientais e de monitoramento participativo. Outro exemplo de auto-res clássicos, reside no texto de Lamartine P. DaCosta & Cris C. Veerman (2006),publicado em livro na Alemanha sobre os Jogos Olímpicos de Inverno de Turim,que embora se mantenha na tradição tecnológica-científica privilegia a educa-ção ambiental e posturas valorizativas. Em geral, os textos inventariados daprodução 2003 – 2007 convergem para pontos comuns de análise sobretudoquando abordam a temática do eco-turismo e a dos problemas de impactosambientais.REFERÊNCIASDaCosta, L.P., Environment and sport – An international overview. Universidadedo Porto-Portugal, 1997, p. 44; DaCosta, L.P.,Conflitos ambientalistas do desporto e da educação física e a nova cidadaniaecológica. In Vargas, A., Desporto e Tramas Sociais. Sprint, Rio de Janeiro, 2001,pp. 91 – 104;DaCosta, Lamartine. A Atividade desportiva nos climas tropicais e uma soluçãoexperimental: o Altitude Training. Rio de Janeiro: Imprensa do Exército, 1967;DaCosta, Lamartine. Planejamento México. Rio de Janeiro: Ministério da Educa-ção e Cultura, 1967;FIFA. World Cup México 70 - Official FIFA Report, 1972;Tavares, O., DaCosta, L. P. e Miranda, R., Esporte, Olimpismo e Meio Ambiente.Editora Gama Filho, Rio de Janeiro, 2002;DaCosta, L. P. Olympic Studies. Editora Gama Filho, Rio de Janeiro, 2002 (em CDROM): disponível em 2004 no site: www.aafla.org/search/search.htm;DaCosta, L.P. International Trends of Sport and Environment - a 2001 Overview.ECSS Congress, Cologne 24 - 28, July 2001;Gleyse, J., Pigeassou, C., Marcellini, A., Léséleuc, E, Bui-Xuân, G. Physical Educationas a Subject in France (School Curriculum, Policies and Discourse): the Body andthe Metaphors of the Engine—Elements. Sport, Education and Society, Volume 7,Number 1, 2002, pp. 5 – 23;Sinclair-Desgagné, B. Remarks on Environmental Regulation, Firm behavior andInnovation. Centre Interuniversitaire de Recherche et Analyse de Organizations,Montréal, 1999 (position paper) Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 25
  24. 24. English forewords and review Research mainstreams of studies on environment, sport, leisure and tourism in Brazil within the period 1967-2007 Ana Maria Miragaya, PhD Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro Sports and environment have been historically related through the followingperspectives: (i) the environment as agent - acting on the participant’s bodycausing physical performance loss (example: excessive heat); (ii) sports as sourceof pollution – or even destruction – (example: winter sports in naturalenvironment), and (iii) sports as agent - participants as environment guardians(example: surfers protecting local beaches). Although research tradition on humanphysical impairment due to hostile climate conditions started in Brazil in 1850, itwas only in the 1960s that sports became part of scientific investigations thatbrought successful results such as Brazil’s conquest of the 1970 Soccer WorldCup, as the main games were held in Mexico City, elevation 2,240m. The issue that dealt with the protection of the environment where sportsevents are held was approached in Brazil in the 1990s as a result of internationalaction, which produced more theoretical academic research in addition to fieldresearch. After evaluating international research on sports and environment duringthis period, the Brazilian researcher Lamartine DaCosta concluded that whilesports express facts, environment expresses values, which generates an ambivalentcondition. The solution in this case would be the development of some type ofethics that could solve the dilemma permitting sports to be both a villain and avictim of the physical, social and cultural context at the same time. Among several lines of investigation in this theme, it is possible to state thatBrazil has had two main groups of research over the years. The first one started upwith DaCosta in 1964 and focused initially on sports, leisure, later on tourism, andtheir influences on the environment. This research group was already establishedand had scientific, philosophical and technological bases in the early 1990s. As aresult, researchers sharing these same objectives have been publishing their scientificproduction in international periodicals since 1967. The second main research group, Almeida, Ana Cristina P.C. de & DaCosta, Lamartine P. Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2007
  25. 25. which began in the early 1990s, focused on revisions of concepts and of educationalprocedures due to the need of environmental conservation. As a result of thestudies developed, this book presents contributions from 86 authors with the purposeto explore general tendencies within the proposed theme. At the turn of the millennium, Brazilian research was taken to Europe in 2001,when DaCosta made a first evaluation of the main directions of the production ofknowledge in sport and its links with the environment during the 2001 Conferenceof the European College of Sport Sciences - ECSS, at the University of Cologne,Germany (28 – 24 July), as a guest of the organizers. The synthesis coveredresearch in this area over the last three decades, focusing on conflict resolutionrelated both to problems of environmental conservation and to sports amongvarious other human manifestations. The Brazilian researcher indicated ethics asa way out to solve the dilemma of sport viewed at the same time as both villainand victim of physical, social and cultural delimitations. The works published in 2001 and 2002 show a convergence of studies and researchin Brazil – including both main research groups – in terms of empirical evidence andtheoretical revisions of the proposals related to sustainability that are typical ofthe 1990s not only in Brazil but also abroad. As a matter of fact, out of the 16studies examined within this period, 18.7% are case studies and reports ofexperiences; 25.0% are field research studies and surveys; 37.5% represent reviewarticles and position papers, and 18.7% refer to new approaches of methods and ofre-conceptualization, which includes not only the use of the Delphi method byAlmeida (2000) but also the social imaginary approach to sports and adventures inthe great outdoors by Costa (2000). Among the surveys, it is important to includethe international survey done by DaCosta (2001) for the ECSS, which was developedfrom the conflicts between elements of intervention related to the environment. The period 2003 – 2007 reveals more clearly the maturity of the studies as awhole, a tendency which was identified in 2001. In these terms, sustainability andenvironmental impact are elements of consensual importance and as suchconstitute basic principles in studies and research. In terms of profiles, it ispossible to define that 17.9% out of 67 works which include case studies andreports of experiences (similar to the one registered for the period 2000-2002);20.8% refer to field research and surveys, with a decrease of 4% related to theprevious three-year period; 34.3% constitute review articles and position papers(reduction of 3% in relation to the 2000-2003 period) and 23.8% refer to newapproaches of methods and of re-conceptualization, number increased in 5% ifcompared to the previous period. In terms of Brazil, as of 2006, it is possible to observe on the one hand thatresearch conducted by DaCosta during the last four decades of studies onenvironment has been going back towards a micro vision of relations which privilegetechnological and scientific operational interventions based on historical and28 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  26. 26. philosophical arguments. On the other hand, the social-pedagogical group ofresearch, which developed initiatives between 1999 and 2000, has shared a macrovision which aims at social development and nature conservation. In other words,while DaCosta and his followers have been working on sport, leisure and tourismmanagement emphasizing practical results, the social pedagogical group of researchhas been focusing on the behavior of producers of values by means of agents. In general, these numbers reveal a major tendency related to innovations ifreview works, including position papers, are added to works that deal with newmethodological approaches, reaching 58.3% of the technical and scientificproduction registered in this indicative sample. If compared with the theory ofSinclair-Desgagné (1999), this result suggests the existence of an orientationthat is adequate for the development of the production and management of thescientific-environmental knowledge in sport, leisure and tourism in Brazil.According to this theory, the research of innovation in the area of environmentpermits the identification of selective interventions which create a better andmore comprehensive potential for development. Nevertheless, in order toconsolidate this interpretation in the future, it is necessary to evaluate the qualityof the investigations produced in Brazil in this area of knowledge This will requiremore detailed samples and more precise monitoring. The research works identified for 2006 and 2007 in terms of comparison suggestthat there is a convergence between the two main historical approaches of studiesand research on environment, sport, leisure and tourism in Brazil. Such coincidenceprimarily refers to bio-technological management with ethical bases, and in thesecond place to a social-pedagogical tendency, of behaviorist and axiologicalcharacter. As a matter of fact, the classic anthology “Viagens, lazer e esporte: oespaço da natureza” (“Trips, leisure and sport: the space of nature”) by AlcyaneMarinho and Heloisa Turini Bruhns (Eds.), São Paulo: Manole, 2006 enlarges thesocial-pedagogical focus choosing authors and themes that work with differentviewpoints and biases in the areas of interdisciplinarity, mapping, environmentalimpact and participative monitoring. Another example of classic authors resides inthe text of Lamartine P. DaCosta & Cris C. Veerman (2006), published in a book inGermany about the Winter Olympic Games of Turin, which in spite of keeping itselfwithin the techno-scientific tradition privileges environmental education and values-led attitudes. In general, the texts surveyed for the production 2003 – 2007 seem toconverge to common points of analysis particularly when they approach themesrelated to eco-tourism and environmental impacts.SOURCES AND REFERENCESDaCosta, L.P., Environment and sport – An international overview. Universidadedo Porto-Portugal, 1997, p. 44; Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo 29
  27. 27. DaCosta, Lamartine. A Atividade desportiva nos climas tropicais e uma soluçãoexperimental: o Altitude Training. Rio de Janeiro: Imprensa do Exército, 1967;DaCosta, Lamartine. Planejamento México. Rio de Janeiro: Ministério da Educa-ção e Cultura, 1967;FIFA. World Cup México 70 - Official FIFA Report, 1972;DaCosta, L. P. Olympic Studies. Editora Gama Filho, Rio de Janeiro, 2002 (em CDROM): disponível em 2004 no site: www.aafla.org/search/search.htm;DaCosta, L.P. International Trends of Sport and Environment - a 2001 Overview.ECSS Congress, Cologne 24 - 28, July 2001;Gleyse, J., Pigeassou, C., Marcellini, A., Léséleuc, E, Bui-Xuân, G. Physical Educationas a Subject in France (School Curriculum, Policies and Discourse): the Body andthe Metaphors of the Engine—Elements. Sport, Education and Society, Volume 7,Number 1, 2002, pp. 5 – 23;Sinclair-Desgagné, B. Remarks on Environmental Regulation, Firm behavior andInnovation. Centre Interuniversitaire de Recherche et Analyse de Organizations,Montréal, 1999 (position paper).30 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  28. 28. Ano: 2003 Publicação original: livroFormato da contribuição: texto da introdução do livroFonte: MARINHO, Alcyane; BRUHNS, Heloisa T. (Orgs.). Turismo, Lazer e Natureza.São Paulo: Manole, 2003E-mail do(s) autor(es): alcyane.marinho@hotmail.comTítulos acadêmicos principais atuais: Alcyane Marinho: Graduação peloDepartamento de Educação Física da UNESP de Rio Claro (SP); Mestrado eDoutorado pela Faculdade de Educação Física da UNICAMP (Campinas, SP), naÁrea de Estudos do Lazer, pesquisadora do Laboratório de Estudos do Lazer/LEL da UNESP/Rio Claro. Heloisa T. Brunhs: graduada em Economia pela UNICAMPe em Educação Física pela PUC de Campinas; mestre e doutora em Filosofia daEducação pela UNICAMP. Professora Titular do Departamento de Estudos doLazer da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. Turismo, lazer e natureza Alcyane Marinho e Heloisa Turini BruhnsINTRODUÇÃO DO LIVRO A idéia de organizar esta coletânea partiu dos trabalhos desenvolvidos noGrupo de Estudos Lazer e Cultura (GLEC), da área de concentração Estudos doLazer, pertencente ao programa de Pós-graduação da Faculdade de EducaçãoFísica da UNICAMP. Tal grupo tem sua existência desde 1995, sob coordenaçãoda Profa. Dra. Heloisa T. Bruhns e já desenvolveu vários projetos, bem comopossui uma participação consistente em congressos e publicações em periódi-cos da área. Atualmente, o GLEC tem concentrado suas investigações e publicações narelação lazer e meio ambiente, sendo que vários projetos de mestrado e dou-torado estão sendo desenvolvidos nessa temática. Dessa forma, o Grupo ga- Almeida, Ana Cristina P.C. de & DaCosta, Lamartine P. Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2007
  29. 29. nhou um destacado fator identificador, dentre outros, em um momento no quala discussão acadêmica é reforçada por meio da forte demanda populacionalrelacionada ao ecoturismo e às atividades esportivas praticadas junto à natu-reza. Dentre tantas controvérsias, presentes nessas práticas, tais como preser-vação ou destruição, conhecimento ou consumo, exclusão ou inclusão, faz-senecessária uma reflexão mais elaborada, trazendo elementos para essa discus-são, bem como criando um espaço fértil para o diálogo com os leitores inte-ressados na temática. Esta, por sua vez, envolve uma abordagem interdisciplinar,requisitando vários olhares sobre o assunto (Educação Física, Geografia, Bio-logia, Sociologia, dentre outros), constituindo parcerias importantes, as quaisjuntam esforços na busca do entendimento, da mesma forma comoproblematizam aquilo que, às vezes, não é refletido ou, ainda, não é refletidoadequadamente. O tema é bastante atual, espelhando uma época, na qual a nature- za, enquanto construção sociocultural, expõe os danos sofridos ao longo de séculos, ao mesmo tempo, constituindo-se como es- paço no qual grupos diferenciados buscam uma relação mais ínti- ma com a mesma. Nesse sentido, o homem urbano desloca-se em busca daquilo que, talvez, seja a necessidade de um reencontro consigo próprio, bem como a necessidade de revisar valores ou de construir uma identidade, dentre tantas outras possibilidades. O importante é não negligenciarmos esse movimento que traduz os anseios, bem como as frustrações do homem ocidental contempo- râneo, o qual, por meio dessas práticas, relaciona-se com experi- ências as quais nunca antes tinha imaginado concretizar, como viajar para descer a corredeira de um rio num bote inflável, descer uma cachoeira dependurado em cordas, explorar cavernas ou en- frentar obstáculos e dificuldades em trilhas no meio de florestas e matas. Essas atividades estão envolvidas por emoções e sentimen- tos que extrapolam suas formas e seus conteúdos, pois se relacio- nam a rituais, mitos, temores, bem como a imagens de aventura, de risco, de ousadia, de distinção, estilo de vida e outros. Assim, reunimos esse grupo de autores, os quais têm se dedicado a tal tema.Dentre eles, tivemos a satisfação de contar com a colaboração do Prof. Dr. JavierOliveira Betrán, do INEF (Instituto Nacional de Educação Física de Catalunha), daUniversidade de Barcelona, Espanha, quem, prontamente, respondeu ao nossoconvite, possibilitando a extensão do diálogo, aqui pretendido, com aspectos deuma outra cultura, enriquecendo sobremaneira o nosso objetivo. Sem a pretensão de nos alongarmos demasiadamente nesta apresentação,pois não desejamos criar muitas ansiedades no leitor em relação ao conteúdodos textos desenvolvidos, buscamos um breve resumo dos mesmos, emboracientes dos riscos envolvidos em não conseguir captar a essência pretendida32 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  30. 30. pelos autores. Porém, a intenção foi mais no sentido de despertar a curiosidadedos leitores, instigando-os ao prazer da leitura aqui proposta. Alcyane Marinho levanta algumas discussões sobre a estreita ligação entre oturismo, o lazer e a natureza, procurando apontar o corpo como foco de resistên-cia, diante de suas inúmeras faces e interfaces, frente às complexidades vividas emnossa contemporaneidade. A partir da compreensão da necessidade do estabele-cimento de noções éticas, permeadas por conceitos de respeitabilidade e compro-misso para com a natureza, o artigo “Da aceleração ao pânico de não fazer nada:corpos aventureiros como possibilidades de resistência” pretende dar pistas capa-zes de conduzir a um melhor entendimento das inovadas atividades esportivasmanifestadas junto ao meio ambiente, a partir da perspectiva do lazer, refletindosobre as dinâmicas da sociedade, bem como sobre valores mais gerais. No texto “A leviana territorialidade dos esportes de aventura: um desafio àgestão do ecoturismo”, Gilmar Mascarenhas de Jesus procura identificar os agen-tes do ecoturismo, bem como sua fugaz inscrição espacial, associado às ativida-des de aventura, debatendo as relações (por vezes, contraditórias) entre o con-teúdo discursivo que fundamenta tal atividade e algumas de suas manifestaçõesconcretas no Brasil. O autor alerta para o desafio que tais práticas representamàs políticas de gestão do meio ambiente, destacando a necessidade de elabora-ção de uma metodologia de mapeamento e avaliação dos impactossocioambientais produzidos por tais atividades, caso a caso, exigindo, por suavez, um amplo esforço multidisciplinar. Além disso, segundo o autor, faz-se,igualmente necessária a definição de estratégias de participação responsável nademarcação de novas localidades, envolvendo praticantes, agências, técnicos eo poder público. “Lazer e natureza no turismo rural” apresenta uma discussão sobre as possibi-lidades de experimentação do turismo no espaço rural em áreas naturais, privile-giando, particularmente, duas atividades: a pesca esportiva e o mountain bike,práticas, segundo o autor Giuliano Gomes de Assis Pimentel, que se traduzem deforma mais complementar que antagônica, refletindo diferentes usos do rural.Objetivando reforçar os debates e as reflexões sobre as atividades, tradicionaisou de aventura, desenvolvidas pelo turismo no espaço rural, o autor instiga-nosa, primeiramente, compreendermos tais práticas para, posteriormente, almejar-mos transformá-las. Em seu artigo “No ritmo da aventura: explorando sensações e emoções”,Heloisa Turini Bruhns inicia com a questão da emoção relacionada aos esportesna natureza, envolvida em rituais e ficções, destacando diversos fatores. A auto-ra reflete sobre esses “novos esportes”, os quais, mais que a busca por umaperformance, envolvem uma busca por emoções e sensações. Neles manifes-tam-se novas sensibilidades presentes no corpo e a presença do feminismoenquanto valor, envolvendo a figura do novo herói e da flexibilidade. Almeida, Ana Cristina P.C. de & DaCosta, Lamartine P. Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2007
  31. 31. Javier Oliveira Betrán aborda questões sobre a emergência de um recenteconceito de ócio ativo, o qual, particularmente, na Espanha, tem promovidoofertas turísticas, fundamentadas, principalmente, na comercialização da diver-são e da experimentação junto à natureza. Ao longo das discussões no texto“Rumo a um novo conceito de ócio ativo e turismo na Espanha: as atividadesfísicas de aventura na natureza”, o autor propõe uma classificação para taispráticas, uma vez que as mesmas se identificam com valores, atitudes e menta-lidades do mundo contemporâneo; contribuindo, por conseqüência, no processode compreensão desse movimento turístico e esportivo. Em “Monitoramento participativo do turismo desejável: uma propostametodológica preliminar” Lilia dos Santos Seabra apresenta uma propostametodológica de monitoramento de impacto de visitação e de capacidade decarga turística, visando a uma sustentabilidade no que tange as dimensõesambiental, socioeconômica e cultural. Para tal discussão, a autora se propõe ainvestigar o Distrito de Sana, no município de Macaé, Estado do Rio de Janeiro. Apartir de uma perspectiva voltada ao planejamento turístico, a autora destaca ascomunidades receptoras enquanto importantes protagonistas do turismo sus-tentável, capazes de identificar o turismo desejável para suas localidades ecapazes de trabalhar em prol de sua concretização. Sandoval Villaverde, desenvolvendo reflexões sobre lazer, turismo e experi-ências vivenciadas em ambientes naturais, apresenta uma aproximação ao deba-te sobre ética, subjetividade e formas contemporâneas de sociabilidade, emparticular as relações de amizade. Partindo da perspectiva de que o lazer, univer-so no qual se insere a atividade turística, é um campo fértil de práticas sociaisque mobilizam processos renovados de constituição de subjetividades, o autordiscute algumas vivências corporais praticadas na natureza, apontando aspec-tos de sua expansão, bem como a incorporação pelo mercado turístico e espor-tivo. Esta problematização, colocada pelo autor no texto “Refletindo sobrelazer/turismo na natureza, ética e relações de amizade”, sugere a criação e a re-criação de formas alternativas de relacionamentos. Convidamos, então, nossos leitores a compartilhar conosco da “aventura” proposta neste livro, ou seja, o desafio e o risco con- tidos na tentativa de abordar a atual busca pela natureza como palco de novas experiências, um tema ainda tão pouco explora- do, porém instigante e atrativo.34 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  32. 32. Ano: 2003 Publicação original: revistaFormato da contribuição: artigo (texto completo)Fonte: MARINHO, Alcyane; DE GÁSPARI, Jossett C. Turismo de aventura e educação:desafios e conquistas de espaços. Turismo: visão e ação. Santa Catarina:Universidade do Vale do Itajaí, v. 5, n. 1, 2003.E-mail do(s) autor(es): alcyane.marinho@hotmail.comTítulos acadêmicos principais atuais: Graduação pelo Departamento de EducaçãoFísica da UNESP de Rio Claro (SP); Mestrado e Doutorado (em andamento)pela Faculdade de Educação Física da UNICAMP (Campinas, SP), na Área deEstudos do Lazer.Turismo de aventura e educação:desafios e conquista de espaçosAlcyane MarinhoJossett Campagna De Gáspari Sabidamente o desafio que se impõe à educação brasileira, neste século,passa pela gestão da qualidade, a partir de ações compromissadas, competen-tes e criativas, das quais podem emanar mudanças significativas quanto aoprocesso formativo dos futuros profissionais do lazer, do turismo, do ecoturismoe outros. Passar do desafio à ação efetiva implica em mobilizar competências na pers-pectiva de articular todos os recursos disponíveis e, também, de organizar asinterações e as práticas de forma que cada aprendiz seja capaz de vivenciar,freqüentemente, situações fecundas de aprendizagem (PERRENOUD, 1996). Implica, ainda, em construir estratégias pedagógicas que funcionem, simulta-neamente, como possibilidades de viver a teoria na prática e de estimulação daspercepções/sensações dos sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendiza-gem, oportunizadas pelos cursos de formação de futuros profissionais. O termosujeito, evidenciado neste artigo, tem, no bojo, a concepção de aprendizagemde natureza construtivista, na qual é ativamente envolvido no processo que deveser significativo. Almeida, Ana Cristina P.C. de & DaCosta, Lamartine P. Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2007
  33. 33. Assim, para que o aprendiz progrida, ou seja, dê saltos qualitativos, faz-senecessária a ruptura com pedagogias frontais (PERRENOUD, 2000) e a organiza-ção das experiências, capazes de criar uma situação ótima de aprendizagem,dotada de significância e, ainda, capazes de mobilizar o sujeito em sua zona dedesenvolvimento proximal - conceito desenvolvido por Vygotsky (1991), noâmbito de uma teoria mais geral, a qual salienta a interação e a relação sociaiscomo origem da aprendizagem e do desenvolvimento humano. Tanto a relação como a interação, presentes em vivências coletivas, podemfacilitar a zona de desenvolvimento proximal, podendo ser compreendida comoa distância entre o nível de resolução de uma situação-problema de forma inde-pendente e o nível que o sujeito num processo de aprendizagem pode atingir,com a ajuda de um orientador ou mediador. A idéia construtivista pressupõe umprofissional com a habilidade de utilizar como ponto de partida as experiênciasanteriores presentes nos esquemas de conhecimento já assimilados no aprendize, ao mesmo tempo, provocar desafios que o façam questionar seus significadose sentidos, instalados em seu repertório de respostas e comportamentos. Essanoção instrumentaliza educadores na compreensão dos processos internos dodesenvolvimento do ser humano. Nessa perspectiva, tendo como eixo norteador um relato de experiência do-cente, no âmbito do ensino superior, temos como proposta socializar os resul-tados de uma atividade lúdica de aprendizagem, planejada com esses pressupos-tos, na disciplina “Técnicas de Animação Cultural e Turística”, do Curso de Turis-mo do Instituto de Artes, Comunicações e Turismo, da PUC-Campinas (SP). A proposta de aula informal, concebida a partir dos conteúdos curriculares esua tradução em objetivos de aprendizagem visou, também, a romper com amonotonia pedagógica dos espaços fechados e formais da instituição, simboli-zados pelos blocos didáticos “concretos”. Os sujeitos envolvidos foram os alu-nos regularmente matriculados no 3o ano, sob a coordenação da professoraregente da referida disciplina do citado curso. O espaço informal contemplado foi o de Brotas, região do interior do Estadode São Paulo, porque, além da proximidade, reunia as condições ideais para aprática do turismo de aventura, um dos conteúdos focalizados na propostacurricular da disciplina em questão. Naquela ocasião, essa vivência, planejada eorganizada para ir além da mera reposição de aulas que se fazia premente,pretendeu propiciar a todos os envolvidos momentos privilegiados de experiên-cia com as atividades de aventura, as quais muitos só haviam tido prévio acessopor meio da literatura existente. O deslocamento até a Cachoeira do Astor, na região de Brotas (SP) foi efetiva-do, principalmente, por um ônibus fretado, além de alguns carros. Foram adotadasalgumas medidas básicas de segurança, tais como a contratação de quatro36 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  34. 34. monitores especializados nesse tipo de vivência junto aos ambientes naturais; aassinatura de termo de ciência quanto à natureza da atividade proposta e aosriscos inerentes a essa prática; seguro de vida extensivo a todos os participantesdas atividades previstas. Ao oportunizar esse acesso às vivências junto à natureza, por muitos denomi-nadas de turismo de aventura 2, abriram-se as perspectivas de esses profissio-nais, em processo de formação, incorporarem às suas experiências emoçõesdecorrentes das práticas do cascading 3, de trilhas, caminhadas e piqueniquestendo como elementos aliados as matas e o leito dos rios. Conforme Perrenoud (2000), profissionais competentes, com pedagogias dife-renciadas, podem criar situações ótimas de aprendizagem, nas quais o sujeitoativo mobiliza suas inúmeras habilidades para lidar com o novo, o inusitado, odesconhecido, tão peculiares nas atividades de aventura. Além disso, os graduandos parecem ter tido a oportunidade de redimensionarsuas atitudes e valores de respeito, integração e educação para com o meioambiente e, analogicamente, o próprio conceito de natureza. Este trabalho pretende, portanto, apresentar parte dos dados coletados e arespectiva discussão dos seus resultados, na perspectiva de um lazer crítico,prazeroso e criativamente vivido.METODOLOGIA Com a finalidade de avaliar os objetivos propostos e efetivamente alcança-dos nessa atividade extra-classe; os comportamentos de entrada e de saídados educandos no processo ensino-aprendizagem e o perfil de um grupo espe-cífico, visando futuras experiências no gênero, foi utilizado um questionárioaberto, contendo oito questões, aplicado aos 58 alunos regularmente matricu-lados no Curso de Turismo, do Instituto de Artes, Comunicações e Turismo daPUC-Campinas (SP). O questionário, instrumento de pesquisa, construído conforme normas e téc-nicas de planejamento das pesquisas de campo, apresenta inúmeras vantagensapontadas por Marconi & Lakatos (1982). Dentre elas, destacam-se: a possibili-dade de encontrar maior liberdade nas respostas e uniformização na avaliação,em razão do anonimato ou da impessoalidade do instrumento, entre outras. Os dados obtidos foram analisados, descritivamente, visando identificaraspectos relevantes, capazes de incrementar as discussões sobre a temáticaem questão. Almeida, Ana Cristina P.C. de & DaCosta, Lamartine P. Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2007
  35. 35. RESULTADOS E DISCUSSÃO Questionados sobre suas experiências anteriores com atividades de aventuraem ambientes naturais, 43 dos 58 envolvidos responderam não ser inédita aquelasituação, pois já haviam tido a oportunidade de experiênciá-las em outros mo-mentos, tais como: caminhadas, rafting 4, bóia-cross 5, mergulho livre, rappel,mountain bike, motocross, escalada, trilha a cavalo, espeleologia, canoagem,dentre outras. Estes dados se revelam bastante positivos, denotando a diversida-de de interesses presente nos elementos do grupo, constituindo seu perfil, igual-mente, diversificado. Das experiências anteriores apontadas, a prática de caminhadas e trilhas foipredominante, sendo possível inferir sobre os motivos dessa preferência, comopor exemplo: a facilidade de deslocamento, gestos motores menos sofistica-dos e um investimento menor em equipamentos esportivos. Com relação àcaminhada, é pertinente apontar que, nos centros urbanos, onde o “verde” émenos presente, essa manifestação corporal conta com expressiva adesão dediferentes faixas etárias e categorias sociais fazendo dela um momento quali-tativo de lazer5. Particularmente quanto à prática da caminhada em parques urbanos, Bruhns(1997) salienta que talvez os parques possam ser pensados como amostras danatureza, uma vez que agregam árvores, bosques e animais em seus espaços.Esta idéia ratifica a importância que tem a escolha do local para a prática,evidenciando o fato de que as pessoas parecem preferir os ambientes naturais. No que concerne à preferência por companhia durante as atividades de aven-tura, os alunos elegeram os amigos e a família, respectivamente, em primeiro esegundo lugares. Faz-se pertinente destacar que a opção pelos amigos é justi-ficável, tendo em vista que no curso de Turismo algumas disciplinas solicitam,como parte do conteúdo acadêmico, a organização e participação em algu-mas viagens e, por conseguinte, os amigos da faculdade acabam sendo, nelas,seus parceiros. Este fato, por sua vez, parece comprovar a possibilidade dearticular momentos de obrigações e estudos, vividos na faculdade, aos mo-mentos de lazer. Também é importante ressaltar que apenas uma pessoa expressou sua opçãopor vivenciar só essas atividades, remetendo-nos a duas principais reflexões. Aprimeira, diz respeito à necessidade da coletividade nas referidas atividades,advinda da importância de um parceiro, seja para checar o equipamento, fazersegurança, dar conselhos e servir de companhia, haja vista que essas atividadesdemandam certos riscos, sendo, portanto, aconselhável que nunca sejam prati-cadas isoladamente. A segunda salienta a dificuldade do ser humano em ficar só,pois tem subjacente a confrontação consigo mesmo. Se, de uma forma, o ficarsó pode significar um momento bastante particular e propício às introspecções,38 Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo
  36. 36. por outra, pode detonar o medo da solidão. Nesse sentido, nas vivências indivi-duais ou coletivas, as inteligências interpessoal e intrapessoal têm oportunida-des de serem estimuladas, melhorando a qualidade de vida de seus praticantes(GARDNER,1995). Falar de grupo nos remete às diferentes necessidades, expectativas, interes-ses e motivos de seus membros. Em grupo, o prazer, a espontaneidade, aliberdade, a individualidade, os interesses pessoais não podem serdesconsiderados, já que também funcionam como fatores de identidade deseus elementos. Além disso, em grupo, alguns indivíduos assumem condutas,positivas ou negativas, as quais, isoladamente, talvez não assumissem. O pra-zer compartilhado, proveniente das atividades de aventura, provavelmenteadquire magnitude, funciona como elemento de coesão do grupo e de satisfa-ção das necessidades individuais no coletivo. Todos os sujeitos envolvidos alegaram ter se identificado com as vivênciaspropostas, demonstrando, assim, uma predisposição natural quanto às ativida-des de aventura, manifestadas por fatores que vão desde a escolha do local(natural, atrativo), até a flexibilidade prevista na gama de atividades sugeridas. Nessa perspectiva, o rappel, em uma torre de cinco metros, aproximadamente,antecedeu o cascading propriamente dito, vivido em uma cachoeira de 34 metros.Enquanto alguns participavam dessas atividades, outros faziam trilhas, tocavamviolão ou apenas observavam, demonstrando, com isso, que a participação nãoocorreu apenas na atividade física em si, mas, também, na fruição e na contem-plação. O não fazer nada, contrariando inúmeras correntes vinculadas ao ócio,também demonstrou a possibilidade de estimulação do desenvolvimento huma-no, a partir da comunicação estabelecida entre os sons e ecos provenientes domeio ambiente e da integração homem-natureza. A adrenalina e o medo foram as sensações mais destacadas. A primeira pareceter forte relação com a popularização do termo, desencadeada pela mídia, pois,para alguns dos sujeitos, seu significado parece estar ligado a um certo sensaci-onalismo e, ainda, para outros, ser simplesmente desconhecido. O medo, por sua vez, parece ser o principal componente dosador do estímuloou do desestímulo em relação à prática. A percepção de maior contato e maior integração com a e na natureza tam-bém foi bastante comentada, ratificando a interferência do espaço e do localescolhido para a prática, como facilitadores ou inibidores das diferentes sensibi-lidades e intensidades das percepções humanas. Nesse mesma perspectiva, aliberdade também foi destacada, como tendo relação estreita com a experiênciainédita para uma significativa parte dos alunos. Almeida, Ana Cristina P.C. de & DaCosta, Lamartine P. Meio ambiente, esporte, Lazer e turismo. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, 2007

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