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  • 1. ESCRAVIDÃO E RELIGIÃO EM ECONOMIA CRISTÃ DOS SENHORES DO GOVERNO DOS ESCRAVOSSérgio Augusto Martins Mascarenhas1Resumo: O artigo aborda o conceito de escravidão na obra do jesuíta Jorge Benci,Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos, publicada no início do séculoXVIII. Direcionada, sobretudo, para as elites coloniais, a obra legitima a escravidão e tentainstruir os senhores para uma determinada forma de tratamento dos escravos. As mençõesà escravidão greco-romana serão objeto particular de análise, pois são resgatadas comoargumento de autoridade indicando uma determinada ótica da escravidão colonial.Resume: Cet article aborde le concept desclavage dans loeuvre du jésuite Jorge Benci,Economie Chrétienne des Maîtres dans la Direction des Esclaves, publiée au début duXVIII siècle. Adressée principalement aux élites coloniales, cet ouvrage légitimelesclavage et tente dinstruire les maîtres, à la manière dun mode demploi, dans laconduite dune forme déterminée de traitement des esclaves. Les références faites àlesclavage gréco-romain seront un objet particulier danalyse, car elles sont employéescomme argument dautorité indiquant une optique spécifique de lesclavage colonial.Palavras-chave: Antigüidade Clássica, religião, escravidão.Introdução O presente trabalho trata do conceito de escravidão na obra do jesuíta Jorge Benci,Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos, publicada no início no séculoXVIII. Benci entrou para a Companhia de Jesus em Bolonha com quinze anos, em 1665.Veio para o Brasil em 1681, com 31 anos. Foi pregador e procurador do colégio da Bahia;professor de humanidades e teologia. O autor está imerso nos preceitos bíblicos da Igrejacatólica, os quais permeiam a legitimação da escravidão e sua aceitação na sociedade daépoca. Direcionado, sobretudo, para as elites coloniais, a obra legitima a escravidão e tentainstruir os senhores para uma determinada forma de tratamento dos escravos. As mençõesà escravidão greco-romana serão objeto particular de análise, pois indicam umadeterminada visão da escravidão colonial. Este estudo torna-se pertinente na medida emque o Brasil, da Colônia ao Império, foi uma sociedade escravista e as idéias paralegitimação da instituição servil2 são resgatadas, como fontes de autoridade, nos textosgregos, latinos e bíblicos. 1
  • 2. A metodologia a ser empregada consistiu basicamente na leitura e fichamento da obrade Benci, em paralelo com a leitura da bibliografia secundária. Jorge Benci e a Antiguidade Clássica Para compreender melhor a apropriação de algumas ideias é necessário expor o queentendemos por Antiguidade Clássica, que geralmente se estende do século IX a.C. até oséculo V d.C., ou seja, um período extremamente longo, não havendo um consenso entreos historiadores de quando ele começa ou quando termina. Alguns3 estendem o períodoclássico até o século VIII ou IX. O termo remete a um espaço ou região específicaretratada geralmente por Roma, uma cidade-estado, e Grécia, um conjunto de cidades-estado. Quando ouvimos o termo Antiguidade Clássica temos a impressão de que a culturagrega e romana era uma cultura unitária e não apenas com vários denominadores emcomum; mas o próprio mundo antigo era muito diverso encontrando-se, por exemplo,dentro do Império Romano sociedades tribais, império e cidades, ou seja, várias formas deorganização política. Vários4 historiadores colocam a questão da identidade de forma aevitar generalizações que estão presentes em termos como romanização. Nos séculos XIXe XX foi muito colocado que a expansão imperial romana na Europa teria proporcionadouma homogeneização cultural, hoje uma ideia bastante refutada5. Então, um dos primeirospontos que podemos frisar é que não existiu uma única cultura greco-romana e sim culturasdiferenciadas com alguns pontos em comum. É interessante notar que as principais fontes para o acesso à Antiguidade são,principalmente, textos escritos em grego e latim, sendo o latim, principalmente, um campofértil para a pesquisa do então jesuíta Jorge Benci. São textos que remetem a váriassociedades, produzidos do século XI a.C. até o século V, com um conteúdo muito variadoque vai da filosofia, história, poesia, romances e muitos escritos em pedra. Vários destestextos foram escolhidos para serem copiados e recopiados de maneira a chegar aos nossosdias. Na preservação e compilação destes documentos os mosteiros da Idade Médiativeram um papel significativo. A citação de autores greco-romanos para legitimar ideias em outros períodos tem suagênese no renascimento cultural, quando da redescoberta de manuscritos medievais 2
  • 3. contendo obras de autores gregos e latinos. Estas obras saem dos mosteiros e sãopublicadas, sendo algumas traduzidas em letras vernáculas. Benci e a escravidão colonial O Brasil colonial tinha suas atividades comerciais sustentadas pela mão-de-obraescrava. Desta forma, os tumbeiros foram constantes no trajeto África/Brasil colonial. Oque alimentava este constante comércio eram as plantations: grandes latifúndios queconcentravam seus esforços nos canaviais, cujo destino era a exportação de açúcar para aEuropa. Entretanto, não é nos escravos dos canaviais que Benci foca suas atenções, masnos cativos domésticos que estão em contato com o senhor e a senhora. Parto da hipóteseque a proximidade entre os servos e senhores no âmbito doméstico possibilita, noraciocínio de Benci, uma maior atenção dos senhoreado para o assunto econsequentemente a absorção das instruções contidas nos sermões. Os escravos domésticospodem, pelo contato com a família senhorial, auferir vinganças e retaliações, de forma queestas possibilidades são exploradas pelo autor numa indução de medo. Sua ênfase na escravidão doméstica revela-se, por exemplo, quando menciona asvestimentas, que não podiam estar com forte odor e sujas dentro da casa-grande. Para ojesuíta, não é plausível a justificativa dos senhores e senhoras do Brasil de “que suasposses não possibilitam”, pois “não trata-se de trajes de gala de grandes preços”, e sim deapenas encobrir os escravos, principalmente as escravas, para que não andemindecentemente vestidos. Os que insistem em argumentar que não podem arcar com umavestimenta tão simples não merecem ter a propriedade de um escravo6. A preocupaçãofocada nas escravas, que muitas das vezes está próxima da senhora no âmbito doméstico,tem suas raízes no fato de serem consideradas extremamente libidinosas. A propensão dosescravos à impudicícia vem em primeiro lugar devido ao pouco temor a Deus, depois doclima quente em que vivem e por último do pejo aos homens. Querer o senhor que oescravo, “o boçal”, ao entrar em sua casa tenha um domínio equivalente a um doutor naarte de servir é exigir demais, “(...)Que direis do mestre, se nos primeiros dias que lhe entrao vosso filho na classe, sem lhe dar lição alguma, quisesse depois que desse conta daquiloque lhe não tinha ensinado; e por lha não dar, o mandasse ao castigo?”( Ibidem p. 144). 3
  • 4. São vários os casos em que o sofrimento dos cativos são o estopim para vinganças esuicídios. Vários se tornam algozes de si mesmos, ceifando sua própria vida, mas não semantes saborear sua vingança. Benci esboça um caso que aconteceu na Espanha em que oescravo esperou que seu senhor saísse de casa, trancou cuidadosamente as portas e janelas,e se dirigiu com os dois filhos do senhor ao eirado da casa. Ao regressar, chamava eninguém atendia, então começou, como de costume, a ameaçar o escravo. Logo o cativoapareceu com um dos filhos à janela e disse: “se queres teu filho que ai lho dava”, jogandoa criança aos pedaços para o pai. Logo pegando o segundo, perguntou o que lhe daria poraquele que agora era o único? O senhor prostra-se ao chão e em prantos oferece além daliberdade o que quisesse mais. O escravo repete a mesma atitude com a segunda criança eantes de ceifar sua própria vida diz que aquele ocorrido lhe sirva de lição para aprender atratar seus servos. Nisso, autor insiste durante toda obra na relação de causa e efeitoinduzindo o medo nos senhores e senhoras para que haja uma assimilação e posteriorprática de seus sermões. Ao analisar as relações entre escravidão e religião no pensamento de Benci, épreciso interpretar tal relação à luz do pressuposto estabelecido pelo autor ao propor“regra, norma e modelo”(BENCI, 1977. p. 49) aos senhores; que se houve a necessidade detentar normatizar as relações senhor/escravo é porque havia no contexto da épocainsurgências, traduzidas principalmente na indisciplina escrava, fruto dos excessospraticados pelos senhoreado que respaldavam tal atividade. Estas insurgências, com todasas querelas na relação senhor/escravo, tornam-se um campo fértil para atuação de homens,por exemplo, como Benci que vão projetar a escravidão na atmosfera religiosa, para comisso reafirmar o poder concedido pela Igreja romana e educar os senhores no trato com osescravos. O autor argumenta que os senhores são obrigados a ensinar seus servos. Para tanto,cita o exemplo de Marco Crasso, “um dos principais senadores de Roma Gentílica que nopoder e riqueza podia competir com um grande rei”(BENCI, 1977. Ibidem, p. 88), queprimava pela instrução de seus servos. Na sociedade romana a escravidão era tida comoparâmetro para medir as relações de poder no âmbito político e doméstico, de forma que arelação senhor/escravo permitia pensar diversas relações sociais, tais como, por exemplo,entre indivíduos livres, pais e filhos, homens e mulheres, aristocratas e Imperador. Aescravidão na Antiguidade romana atinge também uma conotação social e política namedida em que traz consequências que refletem na organização sociopolítica da cidade. Osdiversos grupos sociais romanos eram atingidos pela escravidão, pois estes grupos 4
  • 5. interagiam com escravos e libertos. Na abordagem benciana encontramos esta interaçãonas entrelinhas de seus sermões, quer seja na ambiguidade que coloca em suas normas,quer seja no comportamento, dos senhores e senhoras, que denota a labuta com os escravosno âmbito doméstico. Na visão benciana, os párocos não ficavam isentos de responsabilidades; cabia aeles o ensino da doutrina cristã aos seus fregueses e mais ainda aos escravos, “por causa dasua natural rudeza e ignorância”, como uma obrigação. Porém, o escravo ora é colocadocomo indivíduo capaz de aprender, pois se havia a obrigação de ensinar é porque tambémhavia a capacidade de aprender, ora era visto por um olhar etnocêntrico europeu, o qual oconsiderava como inferior7: “Há alarves em Guiné tão rudes e boçais, que só o vosso poderlhes poderá meter o Padre Nosso na cabeça”(BENCI, 1977., p. 86) Segundo Benci, na introdução da obra, a rebelião do homem contra Deus, seucriador, no pecado original, teria gerado desavenças e conflitos; seriam as paixõeshumanas, o amor, o ódio e as vinganças a origem de guerras e dissensões intermináveis,logo para não ceifar a vida dos vencidos, teria surgido o cativeiro que os submetia ao“domínio e senhorio perpétuo dos vencedores”( BENCI, 1977, p. 48). Esta seria a origemda instituição do cativeiro humano8. Atento aos conflitos sociais no universo escravista da colônia, Jorge Benci escreveEconomia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos, sob a forma de sermões, em1700 na cidade da Bahia e que é publicada, em Roma, após revisão e autorização daCompanhia de Jesus, em 1705. A obra é composta de quatro partes, ou discursos: oprovimento do pão material, o doutrinamento religioso: a administração dos castigos, e otrabalho dos escravos. As principais obrigações dos senhores para com os escravos estão contidas noEclesiástico9 fornecidas então pelo Espírito Santo: Mas que obrigações pode dever o senhor ao servo? O mesmo espírito santo no- las dirá; o qual distinguindo no eclesiástico o trato que se há-de dar ao jumento e ao servo, diz que ao jumento se lhe deve dar o comer, a vara, e a carga: Cibaria, et vigra, et onus asino10; e que ao servo se lhe deve dar o pão, o ensino e o trabalho: panis, et disciplina, et opus servo. Deve-se, (diz o Eminentíssimo Hugo) o pão ao servo, para que não desfaleça, panis ne succumbat; o ensino, para que não erre, disciplina, ne erret; e o trabalho, para que não se faça insolente, opus, ne insolescat. (BENCI, 1977, p. 51-52) E também por Aristóteles, pela razão natural: 5
  • 6. Estas mesmas obrigações, que achou nos senhores o Eclesiástico por instinto do Espírito Santo, alcançou Aristóteles com a luz da razão natural. Porque dando instruções necessárias aos pais de família para a boa administração de suas casas, chegando ao ponto de como se há-de haver o senhor com os servos, diz que lhe deve três coisas que são o trabalho, o sustento e o castigo: (...) Porque sustentar ao servo sem lhe dar ocupação e castigo, quando merece, é querê-lo contumaz e rebelde; e mandá-lo trabalhar e castigar, faltando-lhe com o sustento; é coisa violenta e tirana: tria vero cum sint opus, cibus et castigatio; cibus quidem sine castigatione et opera petulantem reddit; opus vero et castigatio sine cibo violenta res est. (Aristot., Lib. I. Aeconom. Cap. 6.; apud BENCI, op. cit., p. 51) Depois de legitimar a escravidão, principalmente através dos preceitos bíblicos, oautor parte para a normatização da relação senhor/escravo 11. Como uma espécie de manualde instruções, Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos aborda asobrigações senhoriais, que uma vez cumpridas, resultariam em contrapartida dos servos.Benci utiliza diversas estratégias para alcançar seu objetivo, destas três chamaram-me aatenção: 1- a indução do medo, de forma muito similar à ficção de Joaquim Manoel deMacedo, em as Vítimas Algozes12, romance escrito na segunda metade do século XIX; 2-preceitos bíblicos carregados da onipotência inerente à religião que giram, principalmente,em torno do ponto de vista moral e, por último, o recurso a imagens da Antiguidade greco-romana para alcançar seu objetivo. Mas a teoria cristã do governo dos escravos, gestada fora do âmbito senhorial, como objetivo de ordenar a prática do governo dos escravos não encontrou circulação entre asclasses proprietárias da América Portuguesa13. Os livros, de uma forma geral, só passam acircular na colônia em fins do século XVIII, embora sua grande maioria seja de origemclandestina, e a imprensa será admitida no início do século XIX com a transmigração dafamília real juntamente com a instalação da tipografia régia na colônia 14. Benci, embebidopor preceitos bíblicos, não conseguiu transgredir15 a consciência de sua época “pelosimples motivo de que não se concebia uma sociedade sem escravos, e tampouco aescravidão era vista como um problema moral que levantasse a questão do fim do trabalhoescravo”16. Assim, ele não se coloca contra a escravidão; pelo contrário, recorre aexemplos, do ponto de vista jurídico, do Império Romano, o qual legitimava. Por outro lado, a escravidão está respaldada nas leis de Deus e consequentemente aadministração dos cativos deve seguir os preceitos bíblicos. Quando Deus manda trabalhar 6
  • 7. “um servo tão rebelde como Adão” e não nega sua alimentação, argumenta Benci, epergunta: “Sois por ventura mais senhores ou tendes mais domínio nos escravos, que omesmo Deus?”, o autor mostra-se enfático no que tange ao seu objetivo: normatizar arelação senhor/escravo através dos preceitos cristãos. O fato de os senhores negarem osustento aos escravos seria causa dos furtos: “Sendo pois os senhores, que faltam aosservos com o sustento, a causa dos furtos que eles cometem; quem duvida que ficamobrigados à restituição destes furtos, e a refazer todas as perdas e danos, que deles seseguem (...) e obrigá-los a trabalhar nos dias santos estariam pecando gravemente contra oterceiro mandamento da Lei de Deus” (BENCI, Economia Cristã. 1977). O autor sugere aos senhores do Brasil que acabem com a relação inversamenteproporcional de muito trabalho e escassa comida e sigam o exemplo dos antigos romanosque tratavam seus servos com abundância no sustento. Benci chama a atenção para o queno olhar contemporâneo parece óbvio, mas que, devido a sua insistência, certamenteacontecia com frequência, pois ele repete em vários trechos da obra: panis, ne succumbat(alimente para que não morra). Os senhores devem em primeiro lugar alimentar as almas de seus servos com aDoutrina Cristã para que tenham conhecimento dos mistérios da fé e dos preceitos da Leide Deus que “hão de guardar”, pois sabem os senhores que a maior parte dos servos doBrasil vem da gentilidade da Guiné e outras partes da África; que são rudes nos mistériosda fé e de cristãos não possuem mais que o batismo, o qual falta a muitos. A instruçãodestes enfermos da alma compete aos Párocos também. Os senhores têm a obrigação dedar tanto o pão para o corpo quanto o pão para a alma (BENCI, 1977, p. 85-91). Ambos,tanto os Senhores quanto as Senhoras envolvem-se em escândalos próprios dos gentios.Não adianta ensinar com palavras, se em suas atitudes dão um mau exemplo com costumesviciosos, como o de “sustentar das portas adentro sua concubina”, que desta forma atrai aira de suas esposas esfolando as escravas. As contradições, principalmente no âmbitodoméstico, prendem a atenção do jesuíta: ora o senhoreado tenta mostrar com palavras quenão é lícito matar e ferir utilizando os preceitos bíblicos, ora os senhores mostram que por“pouca ou nenhuma entidade promete feridas e balas”( BENCI, 1977 p. 111). Para o autor,a melhor forma de ensinar é por obras, ou seja, com a demonstração de atos que são vistose melhor assimilados(BENCI, 1977 p.105-106). O escravo precisa aceitar, através dadoutrinação cristã, a sua condição servil, e assim batizado e crendo, alcançar a absolviçãode sua alma após a morte. 7
  • 8. Uma vez submetido a uma jornada de trabalho que excedesse suas forças, oescravo além de não conseguir cumprir com sua tarefa, por já estar exausto, era submetidoa uma sessão de chicotadas. Isto, associado a uma alimentação precária e faltosa, resultariaem uma equação cujo valor seria por demais negativo para os senhores: a morte do cativo.A partir de uma análise inversa das instruções pedagógicas17 sugeridas pelo autor, verifica-se que além da normatização, existe uma racionalização no sentido de que se conserva amercadoria por um período maior e, principalmente, sendo esta mesma mercadoriaprodutora de outras. Este resultado final não é mencionado pelo autor em termoscomerciais, mas advogado apenas em termos bíblicos. Tanto no Brasil colonial quanto noImpério Romano a população servil interagia com outros grupos sociais explorando, dentrode seus limites, as estruturas sociais e econômicas para atingir seus interesses quepoderiam ser desde auferir sua liberdade a ter melhores condições de vida, manter relaçõesafetivas com um ente querido, estar próximo de seus familiares. A transgressão ou o não cumprimento das leis divinas, expressos pelo jesuíta, emespecial a não instrução cristã aos servos que compõe a maior parte dos habitantes doBrasil, implica diretamente na ira de Deus traduzida em guerras e pestes. Estas guerras jáexperimentadas pelo Brasil no tempo dos holandeses podem se repetir, assim como fomes eesterilidades, sendo que mesmo os nobres podem perecer ante a falta do necessário paravida (BENCI, 1977, p. 97-98). O Deus exposto por Benci pode fazer renascer sofrimentoscomo outrora já o fez, caso os senhores insistam em desobedecer a seus mandamentos. O autor defende vigorosamente o matrimônio nos moldes católicos, salientando oquanto é abominável a união senhor/escravo e colocando-se contra a separação dosescravos, ressaltando o quanto é comum por leve causa os enviar para outras terras. Oquestionamento vem num tom imperativo desejando saber quem forneceu competênciapara fazer tais divórcios e uniões, pois a Igreja é a única incumbida deste poder(BENCI,1977, p. 103-104). Os Senhores precisam ter paciência devido aos servos serem como tronco ou pedra. Otempo possibilitara desbastar seus erros e superstições possibilitando abrir seus ouvidospara a palavra divina. O tempo torneará o pescoço para que se sujeite às leis de Cristo; paraque lhe divida os dez dedos, os dez mandamentos. Benci tenta compatibilizar o horror da escravidão com o cristianismo pregado pelosportugueses; entretanto, a apropriação das ideias greco-romanas para este fim sãodescontextualizadas de suas referidas épocas. Os gregos acreditavam que apenas seusdescendentes eram capazes de filosofar, conservavam a escravidão como uma forma de 8
  • 9. dedicarem-se inteiramente às atividades filosóficas. Aristóteles ao mencionar os etíopesressalta ao mesmo tempo o quão são exímios corredores e disformes em suas faces,produzindo sons irreconhecíveis, mas esta observação é fruto do pensamento de sua épocaque reconhecia apenas o povo grego como capaz do uso da razão. No Império Romano aescravidão tornava-se viável devido às constantes guerras proporcionadas pela políticaexpansionista, a qual viabilizava uma farta quantidade de prisioneiros que tornava maisbarato manter mão-de-obra escrava do que livre. No entanto, no que tange aos escravos noImpério Romano, havia a manumissão de duas espécies: a absoluta e a condicional. Naprimeira, o escravo conseguia a sua total liberdade, alguns até desempenhando funçõesadministrativas importantes e enriquecendo. O reconhecimento do direito a bens e herançastornara-se frequente na Roma imperial. O liberto podia casar-se, ter filhos, transferir benspor testamento, ter escravos e conseguir a cidadania romana. Na segunda, estavasubordinado à tutela do senhor, usufruindo desta forma de uma liberdade parcial, poiscontinuava a dever obrigações e em não raros casos pagar taxas, mas ainda assimdesempenhando funções de conselheiros, administradores locais e educadores. Benci filtraestas informações mencionando apenas o que lhe convém e afirma o seu propósito (...) Senhores, eu não pretendo que deis liberdade aos vossos servos; que quando o fizésseis, faríes o que fizeram os verdadeiros Cristãos. O que só pretendo de vós, é que os trateis como a próximos e como a miseráveis; que lhes deis o sustento para o corpo e para alma; que lhes deis somente aquele castigo, que pede a razão; e que lhes deis o trabalho tal, que possam com ele e os não oprima. Isto só vos peço, isto só espero, e isto só quero de vós: Panis, et disciplina, et opus servo. (BENCI, 1977. op. cit., p. 223) Outros jesuítas, como Antônio Vieira, ressaltaram sua preocupação com aescravidão africana no século XVII. Vieira publicou sermões referentes ao trato das almasfamigeradamente miseráveis entre 1679 e 1689, os quais são impressos na oficina deMiguel Deslandes, do sermonário de Jorge Benci, reunidos na Economia Cristã. Estasfontes mostram-se extremamente densas no que tange a investigação dos reais motivos dadoutrinação dos cativos, pois Benci, por exemplo, não canaliza em nenhum momento omedo dos senhores a algum levante que envolva a fuga para o quilombo de Palmares. Este quilombo, localizado na região das Alagoas em Pernambuco fez as autoridadesda época proporem vários acordos para conter suas ações tamanha era a dificuldade dedestruí-lo. As expedições repressivas investiram por cerca de cem anos e neste períodotiveram que aturar assaltos aos engenhos e povoações coloniais, sendo que foi também um 9
  • 10. forte estimulante para a fuga em massa de escravos na capitania. Com isso, parece claroque as insurgências escravas acrescentaram forte temor aos colonos que antes enfrentavamapenas a resistência indígena. As fugas e sublevações escravas foram uma preocupação dos senhores elegisladores que montaram um aparato repressivo sistemático e preventivo que atuou deforma bastante lenta. Até 1603 se alguém “achasse” um escravo fugido deveria entregar aseu senhor ou ao juiz local em um prazo máximo de quinze dias. Em troca havia apossibilidade de receber vinte réis por cada dia que o escravo estivesse em seu poder emais trezentos réis pelo “achado”. As Câmaras municipais, seguindo as OrdenaçõesFilipinas, nomeavam quadrilheiros por três anos, sendo um para cada vinte vizinhos, quetinham como objetivo “controlar uma determinada área e seus moradores evitandodesordens, vadiagem, jogos, prostituição e acoitamento de criminosos” 18. Com o passar demais ou menos cem anos, as atenções que eram centradas no controle dos moradorespassam para o controle dos escravos fugidos, ou seja, o problema exige uma maior atençãometropolitana e principalmente colonial. Neste ponto, entra a personagem do capitão-do-mato, indivíduos que eram recrutados, sendo preferencialmente negros libertos e mulatospara angariar a empresa de capturar de escravos fugidos. Vale salientar, que os capitães,não raro os casos, eram ameaçados de prisão caso negligenciassem a entrar no mato para aempreitada. Nesta dinâmica, que era as relações entre os atores sociais da época, a personagemdo senhor sofre uma conturbação no que tange a sua situação social. Essa conturbação nósdá pistas para melhor esclarecermos a contrapartida dos escravos ao tratamento senhorial ea conjuntura da época. Tratamos comumente por “senhor” o indivíduo que era descendentede português ou português proprietário de escravos, mas verificamos que alguns escravos emuitos forros tornaram-se proprietários de escravos. Já a personagem do escravo não sofreeste mesmo tipo de conturbação. Dessa forma, observamos que no âmbito da resistênciaalguns cativos agregavam-se às normas vigentes do mundo senhorial e outros somavamforças nos diversos quilombos que existiram. Deve-se ter em mente que a obra de Benci fora composta numa época em que aCoroa lusitana enfrentava vários problemas desde a concorrência do complexo açucareironas Antilhas a partir da década de 1650, e que trazem grande impacto negativo naeconomia açucareira portuguesa, ao crescimento da produção açucareira francesa e inglesano Caribe, que derruba o preço no mercado europeu. Some-se a isto o fato de a demandapor trabalhadores negros nas plantations antilhanas ter aumentado o preço dos escravos no 1
  • 11. litoral africano. No Brasil, os senhores de engenho enfrentam o fato de seu principalproduto ser excluído dos mercados francês e inglês devido às políticas mercantilistasadotas por estes países com a finalidade de estimular a produção antilhana através deproteções monopolistas. Entretanto estas atribulações não impediram o desenvolvimentodos engenhos no Brasil de forma que na segunda metade do século XVII são introduzidosmais de 360 mil africanos escravizados neste território19. Sem dúvida, estas informações,acessíveis a Benci em sua época, foram de grande valia tendo em vista o casamento entre aIgreja e a Coroa lusitana para atingir seus objetivos. Conclusão Desde o momento de indisciplina à elucidação da fé, para os cativos toscos e brutosequivalentes a um tronco ou pedra, surgem infinitas contradições. É nestas contradiçõesque podemos observar o comportamento da época que às vezes é omitido das fontes numentrelaçamento entre cultura, política e economia. Ante a necessidade das normas podemosconcluir que havia insurgências de uma forma intensa, pois a relação custo/benefíciomantinha-se compensatória, mesmo que ceifasse a vida do cativo em um curto espaço detempo. Por outro viés, vale ressaltar que a queda do Quilombo de Palmares, símbolo deextrema insolência na sociedade da época, se deu em 169420, portanto seis anos antes deBenci escrever Economia Cristã e onze anos antes de sua publicação. Assim, certamentepor diagnosticar o que antes de tudo é um anseio da época, ou seja, acabar com asinsurgências, Economia Cristã tenta solucionar um problema sem ir de encontro ao sistemaescravista, respaldado juridicamente, que além de estar enraizado na mentalidade doperíodo em seus aspectos culturais e sociais, também é o sustentáculo de toda a cadeiaprodutiva. A escravidão é inquestionável e está ligada a vontade divina; um trabalhoforçado necessário a purificação da alma dos cativos para não terem suas vidas ceifadas. Afórmula benciana Panis, et disciplina, et opus servo (pão, disciplina, e trabalho ao servo)sobressai como uma solução tangencial que não confronta com o principal interesse daépoca, manter status e poder, enriquecendo cada vez mais com o trabalho escravo. Arealidade romana, que é cuidadosamente selecionada pelo jesuíta, possibilitava além damanumissão a cidadania ao liberto. Já na colônia, o escravo não possuía um estatutojurídico, era desprovido de direitos, sendo uma mera mercadoria. Vale ressaltar que ossenhores, geralmente, não abriam mão do princípio da soberania doméstica, ou seja, do 1
  • 12. poder ilimitado para gerir seus escravos, o que sem dúvida foi decisivo na pouca circulaçãode Economia Cristã1.Referências bibliográficasBENCI, Jorge. Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos. Rio de Janeiro:Editorial Grijalbo, 1977.BIBLIA SAGRADA. Ed Paulus. São Paulo, 1990.CASIMIRO, Ana Palmira Bittencourt Santos. Delineamento metodológico de umapesquisa científica: Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos: umaProposta Pedagógica Jesuítica no Brasil Colonial. Dissertação de doutorado, UFBA,2002.CASIMIRO, Ana Palmira Bittencourt Santos. Quatro visões do escravismo colonial: JorgeBenci, Antônio Vieira, Manuel Bernardes e João Antônio Andreoni. Politeia, Vitória daConquista, vol. 1, n. 1, 2001, p. 141-159.DAVIS, David Brion, O problema da escravidão na cultura ocidental. Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 2000.JOLY, Fábio Duarte. A escravidão na Roma Antiga – Política, economia e cultura. SãoPaulo, 2005.MARQUESE, Rafael de Bivar. Feitores do Corpo, missionários da mente: senhores,letrados e o controle dos escravos na América, 1660-1860. São Paulo: Companhia dasLetras, 2004.1 MARQUESE, Rafael de Bivar. Feitores do corpo, missionários da mente: senhores, letrados e o controledos escravos na América, 1660-1860. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. 1
  • 13. __________. Administração e escravidão: idéias sobre a gestão da agricultura escravistabrasileira. São Paulo: Hucitec, 1999.__________. A dinâmica da escravidão no Brasil. Resistência, tráfico negreiro e alforrias,séculos XVII a XIX. Novos Estudos CEBRAP, São Paulo, v. 74, 2006, p. 107-123.MATTOSO, Kátia M. de Queiroz. Ser escravo no Brasil. São Paulo. Brasiliense, 2003.REIS, João Jose e GOMES, Flávio dos Santos(orgs.). Liberdade por um fio. História dosQuilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.SCHWARTZ, Stuart B. . Segredos Internos:engenhos e escravos na sociedade colonial.Tradução Laura Teixeira Motta. São Paulo. Editora Companhia das Letras.VAIFAS, Ronaldo. Ideologia e escravidão: Os letrados e a sociedade escravista no Brasilcolonial. Editora Vozes Ltda, Rio de Janeiro, 1986.VEYNE, Paul (org.). História da vida privada 1: do Império Romano ao ano mil.Tradução Hildegard Feist; consultoria editorial Jônatas Batista Neto. São Paulo:Companhia das Letras, 2009.Notas explicativas1 Graduando em História – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.2 2 Há uma confusão entre ser servo e ser escravo, tão quanto escravidão moderna e escravidão clássica, nafonte, o que pode ser considerado como normal para um autor da época como Banci . O Novo DicionárioAurélio versão 5.0 traz uma similaridade entre as duas definições, mas salientando o ponto propriedade quenão se aplica ao servo, sendo servo- aquele que não tem direitos ou não dispõe de sua pessoa e bens, jáescravo- que está sujeito a um senhor como propriedade dele. Desta forma, adoto o conceito de escravidão doBrion Davis.3 PATLAGEAN, Évelyne em História da Vida Privada: do Império Romano ao ano mil. São Paulo. EditoraCompanhia das Letras. 2009. Ver ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. São Paulo:Brasiliense, 1995.4 ANDREAU, Jean. O liberto. In: GIARDINA, Andrea (org.). O homem romano. Lisboa: Editorial Presença,1991, p. 149-165.5 Autores como Paul Veyne. 1
  • 14. 6 BENCI, J., Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos, Rio de Janeiro: Editora Grijalbo,1977, p. 68-73.7 Apud CASIMIRO, Ana Palmira Bittencourt Santos. Quatro visões do escravismo colonial: Jorge Benci,Antônio Vieira, Manuel Bernardes e João Antônio Andreoni. Politeia, Vitória da Conquista, vol. 1, n. 1,2001, p. 141-159.8 MARQUESE, Rafael de Bivar. Administração e escravidão – Idéias sobre a gestão da agriculturaescravista brasileira. São Paulo: Hucitec, 1999, p. 79.9 “Para o asno forragem, chicote e carga; para o servo pão, correção e trabalho. Faze teu escravo trabalhar eencontrarás descanso; deixa livre as suas mãos e ele procurará a liberdade. Jugo e rédea dobram o pescoço eao escravo mau torturas e interrogatório. Manda-o para o trabalho, para que não fique ocioso, porque aociosidade ensina muitos males. Emprega-o em trabalhos, como lhe convém, e, se não obedecer, prende-o aogrilhão. Mas não seja muito exigente com as pessoas e não faças nada de injusto. Tens um só escravo? Queele seja como tu mesmo, pois o adquiriste com sangue. Tens um só escravo? Trata-o como a um irmão, poisnecessitas dele como de ti mesmo. Se o maltratas e ele foge, por que caminho procurarás?” Eclesiástico,33,25-33; apud MARQUESE, Rafael de Bivar, op. cit., p. 80.10 Eclesiástico, 33, 26, apud BENCI, op. cit., p. 51-52.11 MARQUESE, Rafael de Bivar, op. cit., p. 80.12 MACEDO, Joaquim Manoel. As Vítimas Algozes. Macedo mostra experiências drásticas, principalmentecom escravos domésticos, as quais só é possível, segundo ele, devido à condição de escravo. Macedo mostra-se imerso na consciência de sua época na descrição das novelas, porém coloca-se como abolicionista.13 MARQUESE, Rafael de Bivar. Feitores do Corpo, missionários da mente – Senhores, letrados e ocontrole dos escravos nas Américas,1660-1860. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 172.14 VAIFAS, Ronaldo. Ideologia e escravidão: Os letrados e a sociedade escravista no Brasil colonial.Editora Vozes Ltda, Rio de Janeiro, 1986.15 Coloquei a palavra em itálico e a utilizei porque a aceitação do cativeiro na sociedade da época estavaenraizada nos costumes, mas sobretudo amparado pelas leis vigentes.16 Fábio Joly, na introdução de sua obra (A escravidão na Roma Antiga – Política, economia e cultura. SãoPaulo, 2005), recorre a Joaquim Nabuco para evidenciar a mentalidade da época, 1870, a qual se aplicaperfeitamente, 170 anos antes, no que tange à aceitação da escravidão, à época de Benci.17 CASIMIRO, Ana Palmira Bittencourt Santos. Delineamento metodológico de uma pesquisa científica:Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos: uma Proposta Pedagógica Jesuítica no BrasilColonial. Dissertação de mestrado, UFBA.18 Cf “Dos quadrilheiros”, Código philippino, livro 1, titulo LXXIII pp. 166-8.Apud REIS, João Jose eGomes, Flavio dos Santos(orgs). Liberdade por um fio; história dos quilombos no Brasil.Companhia dasLetras: São Paulo, 1996. Do singular ao plural: Palmares, capitães-do-mato e o governo dos escravos, op.cit,. p. 83-85.19 MARQUESE, Rafael de Bivar. A dinâmica da escravidão no Brasil. Resistência, tráfico negreiro ealforrias, séculos XVII a XIX. Novos Estudos CEBRAP, São Paulo, v. 74, 2006, p. 107-123.20 20 REIS, João Jose e GOMES, Flavio dos Santos(orgs.). Liberdade por um fio: história dos quilombos noBrasil.Companhia das Letras: São Paulo, 1996. Ver o capítulo A arqueologia de Palmares. Sua contribuiçãopara o conhecimento da história da cultura afro-americana, p. 32. 1

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