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  • ANTONIO CONSELHEIRO O TAUMATURGO DOS SERTÕES Um filme de José Walter LimaDuração: 86’Classificação Indicativa: 12 anosLocação: Canudos, Monte Santo, Crisópolis, Chorrochó e SalvadorProdução: 2010 www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • Contato para informações:VPC Cinemavídeo Produções ArtísticasRua Marechal Floriano, nº 28, sala 203CEP: 40 1110 – 010Tel: 55 71 3018-0042/0043 / 8768-2734E-mail: vpc@vpccinemavideo.com.brSalvador – Bahia – Brasil www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • sFicha Técnica ............................. 4Elenco Principal ............................. 7Sinopse ............................. 8Histórico do filme ......................... 9Reflexões sobre o filme, por José Walter Lima ........ 10Antônio Conselheiro: o Jesus Cristo brasileiro, por Gilberto Vasconcelos ....... 13Antonio Conselheiro: o taumaturgo dos sertões, por André Setaro ................ 14A linguagem em Chamas, por José Umberto ............................. 17Sobre o diretor ............................. 20  Realizações em cinema e vídeo ............................. 21  Principais atividades em artes plásticas ............................. 23 www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • FICHA-TÉCNICA Direção José Walter Lima Co-direção Carlos Vasconcelos Domingues Argumento e Roteiro José Walter Lima e Carlos Vasconcelos Domingues Produção Executvia Chico Drumond e Alberto Luiz Viana Carlos Petrovich, Harildo Deda, Leonel Nunes, Wilson Melo Álvaro Guimarães, Chico Drumond, Haidil Linhares, Passos Neto, Iami Elenco Rebouças, Ari Barata, Bertrand Duarte, Júlio Goés, Alberto Luiz Viana, Jorge Gaspari, Nilson Mendes e Antônia Adorno Povo de Crisópolis, povo de Canudos, povo de Chorrochó e povo de Monte Participação Especial Santo Produção Neusa Barbosa Cássio Sader e Ediane do Monte Assistentes de Produção Produção (2009) Associação Virgo Cultural Produção (Filmagem Sheila Gomes Complementar) Assistentes de Produção Daniela Floquet, Dicinho, Luciana Vasconcelos e(Filmagem Complementar) Milena Raynal Fotografia e Câmera Vito Diniz Fotografia e Câmera Pedro Semanovchi Complementar Assistentes de Fotografia Rômulo Drumond, Vicenti Sampaio e Celso Campinho Assistente de Câmera Dão Steadycam Paulo Hermida Montagem Roberto Pires, Fiorella Amico e Marcos PovoasAssistente de Montagem Roque Araújo e Paula Damasceno Som Timo Andrade Som Complementar Nicolas Hallet, Simone Dourado e Ana Luiza Penna Direção de Arte José Walter Lima e Wilson D’Argollo Maquiagem Wilson D’Argollo e Marie Trauront Pinturas e Desenhos Trípoli Gudenzzi Animação Caó Cruz Alves Preparação de Elenco Deusi de Magalhães e Júlio Goés www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • Geraldo “Beatinho”, Ajurimar, Marinaldo Nunes, Roque Carvalho, Célia Valadares, Celice Valadares, Adriana, Neusa, Clara Vasconcelos, Marília Participação Valadares, Rosa Leiro, Paulo Antônio, Vera Leonelli, Marília Miranda, Peti, Iackson, Hayalla, Aleluia Simões, Rose Fotos e digitalização Claudiomar Gonçalves Produção de pós-produção Sheila GomesFinalização de pós-produção Cinema Produções Digitais Supervisão de color grading Telecine On Line HDSR e Márcio Pasqualino Coloristas Márcio Pasqualino e Fernando Lui Latorre Gerente de pós-produção Zeca Daniel Atendimento Andrea Nero Telecine Fernando Lui Latorre e Adonias Dantas Smoke Marcelo Cois e Mario Cassiano Film recorder Uilian Mendes Suporte técnico Thiago Cabral Final Cut Clayton Viana Laboratório Mega Color Supervisão geral David Trejo Gerente de atendimento Sylvia LevyAssistentes de atendimento Regiane Cruz e Claúdia Anaya Reis Supervisão de revelação Jony H. H. Sugo Supervisão de transfer Joaquim R. SantanaAssistente superv. de transfer Reginaldo Veloso Coordenação de produção Jony H. H. Sugo Montagem Paulo Ferreira e Wanderley Gomes da Cruz Operador de color analyser Nório Oshikawa Pós-produção de som Estúdio Base Supervisão de som Eduardo Joffily Ayrosa Mixagem Beto Neves Edição de Som Alex Reis Ruídos de Sala Lucas Uscal Tradução Mollie Cerqueira Legendagem Zilah Azevedo e Fábio Rocha “Zabumba” (Banda de Pífanos de Bendengó), “Modas: O Velho Kaimbé” Músicas (Massacará – Euclides da Cunha), “Lamentação e Disciplina” (Penitentes de Xique – Xique), Presto – Concerto nº 2 (Vivaldi), “Allegro – Concerto nº3“ www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • (Vivaldi), “Reis do Deus Menino” (Reis de Egídio – Andaraí), “Requiem Sequentia – Rex Tremendae” (Wolfgang Amadeus Mozart), “Sanctus” (Wolfgang Amadeus Mozart), “Prelúdio” (Liszt), “Fuga Sobre o Nome de Bach” (Liszt), “Esmola do Divino Espírito Santo” (Folia de Marcolino – Barreiras), “Sagração da Primavera” (Igor Strawinsky), “Don Giovanni” (Wolfgang Amadeus Mozart), “Dansa Brasileira” (Camargo Guarnieri), “Dansa Negra” (Camargo Guarnieri), “Lenda do Caboclo” (Heitor Villa-Lobos), “Baião do Espaço” (Zé do Pife), “Bachianas nº 4” (Heitor Vila-Lobos), “Choros nº 10” (Heitor Vila-Lobos), “Canudos Não Se Rendeu” (Carlos Pita), “Sinos” (Mosteiro De São Bento – Salvador / Bahia) DIMAS, IRDEB, DOCDOMA Filmes, BA do Brasil, Estúdio Base, povo de Crisópolis, povo de Chorrochó, povo de Monte Santo, povo de Canudos, Megacolor, Estúdio Mega, Helena Martinho da Rocha, Fábio Paes, Bernard Attal, Diana Gurgel, Padre Enoch, Oleone Coelho Fontes, Prof. JoséAgradecimentos Cesalasans (in memorian), Roque Araújo, Miguel Littin, Silvia Levy, José Augusto Barreto (in memorian), Chico Liberato, Raul Moreira, Vovô (Ilê Ayê), Ivan Mariotti, Lula Queiroz (in memorian), Selma Nunes, José Umberto Dias, David Trijo, Strawalde, Michael Müller, Pola Ribeiro, D. Emanuel D’able do Amaral, Profº Manoel Barros, Dom Gregório da Paixão www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • ELENCO PRINCIPALCarlos Petrovich ............................................................. Antônio ConselheiroHarildo Deda ................................................................... Barão de CanabravaLeonel Nunes ..................................................................... Eculides da CunhaChico Drumond .................................................................. PageúAlvaro Guimarães ....................................................... Coronel Moreira CesárWilson Melo ..................................................................... Governador www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • SINOPSEANTÔNIO CONSELHEIRO - O TAUMATURGO DOS SERTÕES é o encontro de AntônioConselheiro, ressurgindo nos sertões da Bahia, com seu próprio mito no imagináriopopular. O filme é uma metáfora sobre os sertões, uma epopeia sobre a guerra deCanudos.O filme se desenvolve seguindo duas linhas: a do sagrado ou apostolado, e a dacampanha militar. A confluência dessa narrativa se dá no reencontro dos mitos do Cel.Moreira Cezar e do Antônio Conselheiro, o primeiro como Anticristo e o segundocomo Iluminado.Em comum ambos têm a morte, que os transformou em mito no imaginário popular,tal como o Demônio e o Santo. Um vive pelo outro. Ambos morrem, mas o mito,atemporal, sobrevive. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • HISTÓRICO DO FILMEAs primeiras imagens deste filme foram realizadas com o ator Carlos Petrovich (Idadeda Terra, Glauber Rocha) no final de 1987. Após três anos de espera o projeto foiaprovado e, quando a primeira parcela dos recursos foi liberada, o governo Collor deMelo a confiscou.Em seguida, uma tragédia se abateu sobre o cinema brasileiro com a extinção daEmbrafilme. Os recursos confiscados foram liberados em 18 parcelas, o que resultouem um grande prejuízo para produção do filme. Além disso, um incêndio ocorrido noinicío da década de 90 consumiu 40% dos negativos e 100% do som original.O processo de finalização do filme foi retomado em 2009 através de uma imensagarimpagem e restauração do material de áudio e vídeo. Foram necessários oemprego de soluções criativas e a realização de filmagens complementares para enfimdeixar pronto esse longa-metragem que documenta um importante momento dahistória do Brasil. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • Reflexões sobre o filme Antonio Conselheiro – O Taumaturgo dos SertõesPor José Walter Lima (diretor e roteirista)Após a conclusão do filme “Antonio Conselheiro – O Taumaturgo dos Sertões” comecei a fazer umaanálise crítica, e cheguei à conclusão que é muito difícil fazer um filme-ensaio. Porque o filmeexperimental já nasce estigmatizado, rejeitado. Normalmente existe um preconceito e uma mávontade para com esse tipo de produção. Atualmente é quase um suicídio realizar um filme de arte.Antes nós tínhamos a censura da ditadura, hoje nós temos a censura de mercado e dos festivais, queexigem um padrão dentro dos parâmetros estabelecidos pela cultura mainstream, que não aceita adesconstrução da narrativa convencional. Nesse momento do cinema de mercado o “Conselheiro”está indo na contra-mão do sistema, está na contra-corrente. Isso porque ele foi concebido para serpoético, filosófico, pictórico, imagético e reflexivo, dando ênfase na cor (cinema - pintura) e na trilhasonora, como elementos fundamentais para a funcionalidade dramática.A construção de uma estrutura não convencional exige uma desconstrução narrativaexperimentalista, através de uma proposta vanguardista que incorpora vários elementos de outraslinguagens, agregando sentimento e emoção para tentar uma sinestesia entre o autor e oespectador. A pulsação obsessiva é expressada através do imaginário popular e do erudito, dorealismo e do delírio. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • Delírio conceitual relativo à criatividade, construído com diferenças significativas de ismos e comuma atmosfera onírica entre os limites da ficção e a realidade. Dessa forma repudiando cenárioscaros e artificiais, com um elenco de atores profissionais e amadores, e uma equipe mínima, comuma montagem circular e recorrente, recorrendo ainda a narração em off.Solucionamos uma complexidade estrutural, onde através de uma pós-produção criativa resultou umproduto diferente da mesmice atualmente imposta pelo mercado.Foi dentro dessa concepção que foi realizado o filme “Antonio Conselheiro – O Taumaturgo dosSertões”. Ele foi construído através de uma plasticidade alquímica. Diversas dificuldades foramsuperadas na produção do filme, como o confisco dos recursos pelo Plano Collor, a extinção daEmbrafilme, e a perda de grande parte dos materiais de imagem e som. Passaram-se 23 anos, o quequase levou a perda do sentimento inicial. Mas a força do pensamento voltou sintonizada com todaa criação, e então foi retomado nessa película o mesmo ímpeto.Tudo isso culminou num outro projeto, num outro direcionamento para suprir as deficiências domaterial reduzido. Foi necessário colocar a imaginação, a inventividade, associando o que eudenomino de “soluções criativas” para se conseguir chegar a uma combinação, a uma costura, umensaio. Uma expressão com diversas derivações e influências, mas com uma grafia e estilo próprio.Partindo desse princípio foram utilizadas várias linguagens para dar concretude a essa dramaturgia,para isso foi necessário usar elementos de vários “ismos” e segmentos artísticos, tais como ateatralização, o cromatismo pictórico, o uso da música de uma maneira polifônica, um desenho desons e ruídos compatível ao drama. A junção de tudo isso gerou uma dramatização singular, forados padrões convencionais. Dando uma roupagem barroca e delirante. Uma estrutura audiovisualque fugisse da sintaxe griffithiana, mais próxima da estética da fome. Na premissa de que comrecursos escassos pode-se fazer um filme rigoroso e decente. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • O “Antonio Conselheiro” foi também pensado como uma ópera visual, uma ópera sertaneja, umafantasia leiga de um discurso messiânico popular. Agregado ainda a uma plasticidade e a um discursointerior expressado através de uma composição que sintetiza uma orquestração, um pensamentológico entrelaçado a um contexto emocional. Uma peça imagética composta de várias partituras:música, teatro, pintura, poesia, literatura, fotografia. Uma síntese audiovisival com os três gênerosdo cinema: ficção, documentário e animação.Isso se transformou num mosaico delirante dessa epopeia mitológica. A dramaturgia dos sertõescom um distanciamento brechtiniano. Para compor o personagem do ator Carlos Petrovich,recorremos à gestualidade eisensteiniana, ao expressionismo alemão e a teatralidadeshakespeariana, incorporado a tudo isso a retórica barroca baiana.Este filme retrata a tragédia republicana que exterminou o Cristo do terceiro mundo. O Cristorevolucionário e apocalíptico que lutou até o fim ao lado dos seus seguidores. Pregava num tomincisivo e sem complacência para com seus opressores. O Cristo da ressurreição e não o crucificadona cruz da Igreja Católica. O mito que ficou no imaginário popular, retratado por Euclides da Cunha,o nosso Homero. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • Antônio Conselheiro, o Jesus Cristo brasileiroPor Gilberto Felisberto Vasconcelos (Sociólogo, jornalista e escritor)José Walter Lima fez um filme corajoso e inventivo sobre a medula da civilização brasileira: AntônioConselheiro.Canudos está no ser e não ser da nossa gente. Ou todo mundo sobe socialmente e se dá bem, ouvamos todos para o tombo. A metáfora mar/sertão transcende a localização geográfica, por isso estána literatura de Euclides, de Rosa e no cinema de Glauber Rocha, de onde procede a inteligênciaimagética de Carlos Petrovich.O ator que faz Conselheiro é extraordinário, sua atuação já seria um esplendor somente andando,mas é também fala, verbo, discurso, pois quem tirou Cristo da cruz para convertê-lo em Cristo vivoirado foi Antonio Conselheiro. O filme de Waltinho faz jus a esta verdade histórica tecida na belezada arte. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • Antonio Conselheiro, o taumaturgo dos sertõesPor André Setaro (Crítico de cinema)“Antonio Conselheiro, o taumaturgo dos sertões”, primeiro longa metragem de José Walter Lima,não é uma obra cinematográfica para ser apreciada por quem procura os modelos tradicionais danarrativa fílmica. É um filme que se situa em outros parâmetros de construção, rasgando o evoluirdramático griffithiano (de David Wark Griffith, pai da narrativa clássica com O nascimento de umanação/The birth of a nation, 1914), para se situar como filme-poema, discurso apoteótico, e barroco,em torno de Antonio Conselheiro. Há influências diversas na concepção da mise-en-scène de JoséWalter Lima e, entre elas, a do cinema-poesia, de Pier Paolo Pasolini, e, principalmente, os bradosretumbantes do discurso glauberiano.O filme começou a ser rodado há mais de vinte anos, mas circunstâncias de ordem econômicadeterminaram-lhe a paralisação. Somente no ano passado, o autor resolveu tentar solucionar osobstáculos, para, aproveitando o material já filmado, dar a seu trabalho um acabamento final.Inconcluso há décadas atrás, Walter Lima precisou filmar novas cenas com a finalidade de concluir olonga. Várias dificuldades, porém, se interpuseram, como o fato de vários atores já terem morridodurante o período, inclusive Carlos Petrovich, que faz o papel principal, o de Antonio Conselheiro. EÁlvaro Guimarães, o Moreira César, entre outros.Na apreciação de “Antonio Conselheiro, o taumaturgo dos sertões”, nota-se diferenças na qualidadeda fotografia, pois o desgaste pelo tempo tirou as características originais da iluminação de VitoDiniz (que também já faleceu). Há, portanto, um contraste entre o que foi filmado no pretérito e o www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • que foi filmado no presente. À primeira vista, o fato poderia prejudicar a uniformidade da obra,constituindo-se num defeito de estrutura, todavia o default se transforma em estética. Mas odiscurso apoteótico, no entanto, não enfatiza verossimilhanças no corpus estrutural, mas solicita,inclusive, a fragmentação de sua narrativa que pode ser lida em três níveis: a história em si deAntonio Conselheiro massacrado pelas tropas do exército; a collage de fragmentos diversos numaperspectiva mais de retórica do que de lógica; e, também, num subtexto, a exaltação da memóriacomo elo não perdido e, por extensão, a memória de um tempo que excede o da ação para seencontrar um tempo da história do próprio processo de criação cinematográfico do cinema baiano.A utilização do cinema de animação na descrição das batalhas, por exemplo, dá uma ideia daestrutura de “Antonio Conselheiro, o taumaturgo dos sertões”, como uma estrutura fragmentária, e,com isso, desloca o centro nevrálgico do discurso da opacidade em função da transparência. O autornão se intimida com a urgência do brado, e, no seu filme, a estrutura da fragmentação dá o tom dairrealidade para que a retórica prevaleça sobre os conflitos básicos e se estabeleça uma poética: apoética que é específica do cinema. O tênue limite que separa o documentário da ficção se parte,estilhaça-se, e, por assim dizer, explode na narrativa do filme, mais acentuada de um propósitopoético-retórico do que propriamente descritivo.O espectador que não está acostumado a um cinema de poesia pode até recusar, a princípio, asdiretrizes da mise-en-scène de “Antonio Conselheiro, o taumaturgo dos sertões”. E não seria, poracaso, um filme dentro do filme? Há, neste particular, uma metalinguagem que se faz sentir nahistória de Canudos e no processo de criação do filme. Na evocação do mitológico Conselheiro, JoséWalter Lima procede a uma espécie de delírio de imagens e sons. E confirma, neste tour de force, aassertiva de que o cinema é uma estrutura audiovisual. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • Há muitas décadas no batente cinematográfico, José Walter Lima é um homem de mil instrumentos,pois, além de realizador, é produtor cultural e cinematográfico (é o principal organizador doSeminário Internacional de Cinema e Audiovisual), produziu, em parceria, um filme internacional,Ilha Dawson, do chileno Miguel Littin, exerceu, durante muito tempo, a coordenação do DIMAS daFundação Cultural do Estado da Bahia e, justiça se lhe faça, na sua melhor fase. No campoestritamente cinematográfico, o de fazer filmes, escreveu vários roteiros com seu amigo e parceiroCarlos Vasconcelos Domingues (de saudosa memória) e realizou, solo, “O alquimista do som”(documento raro sobre o músico de vanguarda Walter Smetak), “Nós, por exemplo”, entre outros. Ofilme sobre Canudos começou como uma proposta de média metragem, “O império do Belo Monte”,que se estendeu como um longa.Há, também, em “Antonio Conselheiro, o taumaturgo dos sertões”, uma plástica da imagem quedesenvolve a temática por meio de uma profusão de cores, de grafites, de desenhos, de materiaisdiversos, em suma, aos termos da ação propriamente dita. A montagem, como já foi referida, segueo princípio da collage. E o espírito do Conselheiro permanece vivo nas imagens compostas pelocineasta José Walter Lima. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • A Linguagem em ChamasPor José Umberto (Cineasta)O sertão vira cinema quando bate na tela Antônio Conselheiro, o taumaturgo dos sertões de JoséWalter Lima. Um filme que invade a veia de sangue e faz sua âncora na praia do coração. O cineastaopta pelo ensaio. A ficcionalização da circunstância histórica é o emblema cuja linguagem se inclinaao plano mítico. E aí a perspectiva do real ganha contornos elípticos de montagem de atração e seusespecíficos sob a força telúrica da magia que nasce da cultura popular sertaneja. É o barroquismobaiano na expressão de bárbaro em sintonia pictórica com a retórica pastoril. E em sendo, também,o paroxismo da guerra patética com a couraça do misticismo: política e fé.O cinema de José Walter Lima rompe com o glamour da sociedade de espetáculo. Para mergulhar àfundo numa anti-narrativa que desmistifica a epopéia. Nada de grandiloqüência. Importa tecer o fiodas contradições históricas sem recorrer à retórica vazia. Mas sim percorrer o épico-didático similarà espontaneidade da poética de cordel. O mito popular originando-se de um imaginário com ocorolário direto da geografia da fome. Num ritmo cinematográfico de abundância metafórica geradano grito da terra. Uma sinfonia de imagens dodecafônicas brotada na autenticidade do conflitocoletivo: a origem do regime republicano sob a sombra em negativo de genocídio.Um cinema de sensibilidade, à flor da pele. Uma linguagem que não racionaliza o caos social. Nemsilencia diante da injustiça. Antônio Conselheiro, o taumaturgo dos sertões decide-se pela denúnciasem a deselegância do panfleto. Por que acredita no cinema de poesia. José Walter Lima se inquietacom a câmera em espasmo, com uma arquitetura de palavras, com os cortes melódicos, com asonoridade plástica dum sertão que rompe a moldura da tela cinematográfica. Há qualquer explosãoinconformista/instintivo-criadora que aponta para além do horizonte em brasa. Uma forma artísticagestada no desejo de expandir o real. E alcançar a fantasmagoria hiperbólica de uma civilizaçãoincompleta. De uma comunidade sertaneja incompreendida. De uma vergonha nacional que não seapaga nem com fogo e ferro tampouco com água.A carpintaria do movimentoUm cinema que só se apreende pela insuperável roda da paixão. Numa sede de comunicar/dialogarsob o signo da iluminação. Onde cada fotograma obedece à alquimia da imaginação comopropulsora construtivista. A elaboração da matriz vai à fonte histórico-literária, sobretudo alicerçada www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • no verbo numinoso de Euclides da Cunha e na arqueológica verve ibérica/armorial dos versoscordelescos, para em seguida estruturar-se na carpintaria rítmica da montagem vibratória. E é apartir desse princípio estético de associações, superposições, sinestesias e embates de signos que ofilme baiano de José Walter Lima se afirma na muralística dos 24 quadros por segundo. Enquanto oespectador vai sendo tomado pela personalidade mítica do Conselheiro de Canudos(admiravelmente encarnado pelo saudoso ator Carlos Petrovich, numa interpretação que eu diriacientífico-sentimental insuperável do taumaturgo cearense que sintetiza as perplexidades dooprimido). Esse itinerário cinematográfico exprime a dimensão do sofrimento pautada no êxtase dacatarse. Quando então a dor humana recebe a clarividência da purificação: aquela sendaincomensurável do “forte” de espírito. O risco fosforescente da História como memória física e comopresença da fé. São camadas heróicas, traumáticas e sublimes transubstanciadas na velocidadetempo-espacial do cinema. O lirismo das individualidades e o trágico do coletivo elaborados naalquimia artística primada na fidelidade ao passado com vistas à consciência do presente. Embora sedestaque a energia telúrica de um povo que vibra na nervura da caatinga.O filme apalpa a ferida. Estabelece-se o grau do trauma. O escritor amadurece no front. A política sealimenta da demência ideológica. O militar burocrático-técnico admite a derrota diante da guerrilhaecológica. O sertanejo revela a sua face oculta por trás de uma pirâmide de cactos. O regionalismodesvela o sincretismo pancontinental. E o Brasil se defronta com o abismo. Pois a morte não salva. Eentão os fantasmas desfilam na tela com a granulação pictórica da fotografia de Vito Diniz que ésubliminar da contextualização do conflito civilizatório. Nada de espetacularização. José Walter Limaassume o despojamento da deslinearidade crítica como suporte do autêntico. Rasga-se desse modoo véu do pastiche grotesco em favor da expressão da paisagem autóctone que se elastecebrandamente entre a foto de grão e a foto dourada de Pedro Semanovschi. Com o reforço de umapostura de humildade. Num gestual de solidariedade que transcende ao patamar ético.Um cinema, portanto, comprometido com a alteridade. Já que o Cinema é o Outro.Vê-se na diferença o respeito ao princípio de igualdade. Sendo Canudos a cidadela de um aceno àintegridade: o símbolo da resistência até a última gota de sangue no solo seco e lascado pelaausência da chuva. Antônio Conselheiro, o taumaturgo dos sertões de José Walter Lima resgata ocódigo de honra de uma comunidade camponesa que soube defender sua fronteira com o pathos dodestemor. E o seu discurso evangélico de couro cru, incrustado em hierática autodeterminação evertical autodisciplina moral, ainda se constitui num desafio à nossa compreensão plena. Persiste umquê de vácuo no significante de sua gestalt analfabeta. Pois o seu estilo de “luta” deixa várias lacunas www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • de dúvida e interrogação. E o filme enfatiza esse mistério, embora sinalize para a nossa cumplicidadediante dos erros acumulados. Canudos insiste com a mácula ou nódoa de caju na alma. Com odesencanto. E a vergonha pelo massacre com degola: o cinema é testemunha.A fábula do vulcãoA práxis da profecia justaposta à montagem de fotogramas exacerbados. O milenarismo oníricoequilibrado na câmera de raiz. Fato dialético paralelo à fenomenologia social. Daí que a linguagemdo filme de José Walter Lima embala-se pelo prisma da expansão, na amplidão do universo.Flagrando o ritmo cósmico na latitude do nacional-popular. Numa reflexão, numa respiração, numatranspiração e numa intuição fílmicas aonde se possibilite atingir o núcleo da conflagração doarcaísmo redentor de um cristianismo catecúmeno áspero. Jogo de pontos de vista: o taumaturgo eo cineasta se defrontam em ações simultâneas. Superando-se a subjetividade para o ingresso nomacrocosmo do arquétipo. Um vôo rasante na intemporalidade que pinta as rebarbas do alvorecertranscendental da fábula tosca. Com uma energia entrópica que brota do vulcão da coletividadedesejante. Esse fogo fátuo incondicional na iminência do êxtase místico. Ou a crescente ânsia daindependência em correspondência ao ímpeto sagrado da salvação. São circunstâncias em ebuliçãocontínua: o samsara em transe.E o cinema, que também é movimento permanente, registra com acuidade o lance meteórico desseperegrino solitário que arrebata a multidão assombrada. Num magnetismo de massa que oscila daexaltação irracional à depressão neurastênica. Num crescendo de confronto entre o sertão e a praia.Ao passo que a visão afasta-se do litoral de coqueiros e se embrenha no interior inóspito devegetação rala. Desloca-se o eixo em panorâmica cinematográfica que busca frisar o campoinusitado. Enquadra-se então a antiga luminosidade abrupta deixada no céu pelo impacto tenebrosodo meteorito de Bendengó na caatinga. Somos envolvidos nessa dinâmica que exige a construção deuma nova linguagem inspirada nos eventos inesperados e insuspeitos.Uma câmera no sertão e todo o sentimento do mundo. Para uma tela que se vislumbra. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • SOBRE O DIRETORCineasta, produtor e artista plástico, foi um dos fundadores do Grupo Experimental de Cinema daBahia em 1965, uma iniciativa coletiva de cineastas com o objetivo de dinamizar a produçãocinematográfica baiana.Foi assistente de direção de diversos filmes como "O Ferroviário" (1966), de Ronaldo Senna;"Cachoeira" (1967), de Ney Negrão; "Meteorango Kid" (1969), de André Luis de Oliveira; e tambémda novela "Gabriela" (1974).Entre 1972 e 1974, em parceria com Guilherme Araújo, produziu apresentações de Caetano Veloso,Gal Costa, Gilberto Gil, Luís Melodia, Jorge Mautner e Jards Macalé pelo Brasil.Como diretor assinou documentários e ficções, entre eles os filmes "Os Índios Cariris" (1971); "OAlquimista do Som" (1976); "Nós Por Exemplo", (1978); "Brasilienses" (1984); "Pelourinho" (1986);"Dom Timóteo Amoroso Anastácio" (1992); "Sante Scaldaferri a Dramarturgia dos Sertões" (1999);“Um Vento Sagrado” (2001); “Oropa, França e Bahia” (2007); e "Antônio Conselheiro - O Taumaturgodos Sertões" (2010).Foi assistente de direção em produções estrangeiras como o italiano "O Cangaceiro" (1970), deGiovanni Fago; e o norte-americano "The Sandpit Generals" "Capitães da Areia" (1972), de HalBartlett. Em 2009 co-produziu o longa chileno "Dawson Isla 10", de Miguel Littin, selecionado para oFestival de Roma.Desde 1989 trabalha na sua produtora e distribuidora VPC Cinemavídeo, produzindo filmes e vídeosinstitucionais. Com uma visão dinamizadora, em 2005 idealizou o Seminário Internacional de Cinemae Audiovisual, um evento que já teve sete edições realizadas em Salvador, voltado para quem faz epensa o cinema e o audiovisual. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • Realizações em cinema e vídeo Técnico de som do filme “O Carvoeiro” de Ney Negrão, produção do Grupo Experimental de Cinema da Bahia – GECIBA, 1965. Assistente de direção do filme “O Ferroviário” de Ronaldo Senna, produção do GECIBA, 1966. Assistente de direção do filme “Cachoeira” de Ney Negrão, produção GECIBA, 1967. Assistente de direção do filme "Meteorango Kid", longa metragem de André Luís Oliveira, 1969. Assistente de direção do filme "O Cangaceiro", longa metragem de produção italiana, direção de Giovanni Fago, 1970. Assistente de direção do filme "Capitães de Areia" longa metragem de produção americana, 1972. Direção de "Os Índios Cariris", filme documentário sócio-antropológico sobre a tribo dos índios cariris de Mirandela/Bahia, 1971. Assistente de direção da novela "Gabriela" - TV Globo/ Rio de Janeiro, 1974. Direção de "O Alquimista do Som", filme ensaio -documentário sobre o musicólogo Walter Smetak, direção de fotografia de Mario Cravo neto, 1976. Direção de "Nós Por Exemplo", filme curta metragem de ficção, direção de fotografia de Mario Cravo Neto, 1978. Direção de "Brasilienses", vídeo-ensaio sobre a cultura brasileira, direção conjunta com Carlos Vasconcelos Domingues, direção de fotografia de Marco Maciel, 1984. Direção de "Pelourinho" vídeo documentário, direção conjunta com Carlos Vasconcelos Domingues, direção de fotografia de Vito Diniz, 1986. Direção de "Dom Timóteo Amoroso Anastácio", vídeo documentário, direção de fotografia de Vito Diniz, 1992. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  •  Produção e direção de diversos vídeos institucionais realizados pela VPC Cinemavídeo - de 1990 a 1996, dentre eles destaca-se "Amar, amar", vídeo musical ficção sobre a AIDS. Direção de "Sante Scaldaferri, a Dramarturgia dos Sertões" vídeoarte sobre a obra do artista plástico Sante Scaldaferri, produzido pelo MAM - Museu de Arte Moderna da Bahia, direção de fotografia de Mario Cravo Neto, 1999. Direção de “Um Vento Sagrado”, documentário sobre o olwô de candomblé Agenor Miranda Rocha, direção de fotografia de Mario Cravo Neto, 2001. Direção de “Oropa, França e Bahia” (filme digital). 2º lugar no Festival do Filme Celular – Bahia, 2007. Co-produtor do filme “Dawson Isla 10” de Miguel Littin, co-produção Chile/Brasil, 2009. Direção de "Antonio Conselheiro - o Taumaturgo dos Sertões”, Brasil, 2010. www.antonioconselheiroofilme.com.br
  • Principais atividades em artes plásticasMostras Individuais:  1996 - Casa do Brasil - Madri, Espanha  1999 - Associazione Culturale "Marcello Rumma – Roma, Itália  2001 - Galeria Prova do Artista - Salvador, Bahia  2001 - Ana Cláudia Roso - Escritório de Arte, São Paulo  2002 - Espaço Cultural Eliane - Salvador, Bahia  2004 - GOETHE–INSTITUT (participação especial do poeta e músico Jorge Mautner) - Salvador, Bahia  2004 - Museu de Arte de Brasília (participação especial do poeta e músico Jorge Mautner)– Brasília, Distrito Federal.  2005 - Galerie Forum Berlin am Meer - Berlim, Alemanha  2005 - Embaixada do Brasil na Alemanha – Berlim, AlemanhaExposições Coletivas:  1993 - Fundação Mokiti Okada - Salvador, Bahia  1995 - I Salão Nacional de Artes Plásticas, Museu de Arte Moderna da Bahia  1995 - Artistas baianos no SEBRAE (organizada pelo Museu de Arte Moderna da Bahia) - Salvador, Bahia  1996 – Bienal do Recôncavo  1997 - Sete Artistas Contemporâneos Baianos (organizada pelo Museu de Arte Moderna da Bahia) - Central Hispano 20, Barcelona, Espanha www.antonioconselheiroofilme.com.br
  •  1998 - Terza Edizione Festival Sguardi il Terzo Millennio Torri DAvvistamento - Comune di Tuscania, Itália  2001 - Moseo Aldo Brandini - Frascatti, Itália  2007 - Museu Afro Brasil (Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro), São Paulo  2008 – 100 artistas. Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana, Bahia  2008 – Galerie Beyer – Três artistas brasileiros: Mario Cravo Neto, Manfredo Souza Neto e Walter Lima - Dresden, AlemanhaObras em acervo:  Casa do Brasil, Madrid, Espanha  Museu da Cidade do Salvador, Bahia, Brasil  Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia, Brasil  Fundação Dannemman, Bahia, Brasil  Galeria Prova do Artista, Bahia, Brasil  Galeria Paulo Darzé, Bahia, Brasil  Coleções Particulares: Sonia Draibe, Gilberto Salvador, Marcos Truyjo, Emanoel Araujo (São Paulo, Brasil), Paola Zugaro, Luigi Maccella, Elio Rumma (Itália) George Gund (USA), Strawalde (Alemanha), Partido Verde (Alemanha), Michael Muller, Gunter Baby Sommer. www.antonioconselheiroofilme.com.br