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Huberto rohden educação do homem integral

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  • 1. HUBERTO ROHDENEDUCAÇÃO DO HOMEM INTEGRAL UNIVERSALISMO
  • 2. ADVERTÊNCIAA substituição da tradicional palavra latina crear pelo neologismo moderno criaré aceitável em nível de cultura primária, porque favorece a alfabetização edispensa esforço mental – mas não é aceitável em nível de cultura superior,porque deturpa o pensamento.Crear é a manifestação da Essência em forma de existência – criar é atransição de uma existência para outra existência.O Poder Infinito é o creador do Universo – um fazendeiro é criador de gado.Há entre os homens gênios creadores, embora não sejam talvez criadores.A conhecida lei de Lavoisier diz que “na natureza nada se crea e nada seaniquila, tudo se transforma”, se grafarmos “nada se crea”, esta lei está certamas se escrevermos “nada se cria”, ela resulta totalmente falsa.Por isto, preferimos a verdade e clareza do pensamento a quaisquerconvenções acadêmicas.
  • 3. INTRODUÇÃOOs leitores antigos deste livro, no Brasil e em Portugal, estranharão talvez amodificação total do seu conteúdo, embora o assunto continue a ser o mesmo.Visamos, de preferência, a tarefa do educador, e não tanto a do educando.Nos últimos decênios, a elite mais avançada do mundo ocidental estáfocalizando intensamente o problema central de autoconhecimento e auto-realização – e esta mentalidade não pode deixar de ter o seu reflexo sobre oproblema da educação.Devido a estas modificações, o livro se tornou quase um manual de auto-realização para o educador. O leitor não encontrará, nas seguintes páginas,esquemas cristalizados nem métodos fixos para serem usados em classe.Tanto mais encontrará orientação para uma compreensão profunda da arte deeducar.Os tempos modernos exigem cada vez mais uma nítida auto-determinação,porque o ambiente social está avassalando tudo com o seu escravizante alo-determinismo.A fim de salvaguardar a dignidade e o destino humano, é necessário que ohomem tenha consciência nítida do seu verdadeiro ser, que deverá orientartodo o seu dizer e fazer.De propósito, repetimos em diversos capítulos esta idéia fundamental da auto-educação e da auto-realização, para que a verticalidade da razão-de-ser daexistência prevaleça cada vez mais sobre a horizontalidade dos objetivos davida.Esperamos que o educador saiba dar ao educando, em troco miúdo, o que oautor apresenta apenas em notas grandes.
  • 4. EXPLICAÇÃO NECESSÁRIAEste livro, quando em sua primeira edição, foi escrito após a promulgação doDecreto-lei n- 869, de 1969, que estabelecia “base filosófica” para a educação.Como Professor de Filosofia, julgava eu de meu dever falar e escrever sobreessa base filosófica para a educação. Neste sentido, realizei conferências,elucidando o assunto, no Sul e Centro-Oeste do Brasil, inclusive no EMFA(Estado Maior das Forças Armadas) e na Universidade de Brasília, comotambém, mais tarde, em Portugal.Depois de diversos anos de experiências, porém, acabei por convencer-me deque não é possível dar à educação uma base filosófica, se por filosofia eeducação se entende o que eu entendo. Semenhante base seria possívelunicamente para uma auto-educação, mas não para a alo-educação doprograma oficial. Mas a auto-educação é idêntica à auto-realização, que, comotal, não é da alçada dos poderes públicos, mas de iniciativa particular.Por isto, na presente edição, deixei de parte o programa oficial da alo-educação, legal e social, e me limitei à auto-educação individual. A alo-educação gira em torno do problema social da moralidade do agir, ao passoque a auto-educação focaliza o assunto individual da verdade do ser.Indiretamente, é verdade, a filosofia da verdade do ser afeta também asociologia da moralidade do agir, mas as escolas não tratam diretamentedaquela.De maneira que este livro, na forma atual, é sobretudo um estudo sobre averdade do ser individual, que é idêntica à auto-realização baseada emautoconhecimento.Esta filosofia individual não é organizável como base da educação oficial. Afilosofia da auto-educação ou auto-realização seria a única base sólida parauma pedagogia eficiente.Os físicos conhecem o fenômeno da “indução magnética”, produzida por umacorrente elétrica de alta voltagem, que cria um campo magnético por indução,sem nenhum contato direto entre eletricidade e magnetismo.E por que não teria a física a sua contraparte na metafísica? Por que nãopoderia uma alta voltagem de auto-educação individual criar, por induçãoespiritual, um poderoso campo magnético na zona da alo-educação social? Seé verdade que agere sequitur esse, que o agir é um transbordamento do ser,
  • 5. por que não poderia um educador plenamente realizado em si mesmoinfluenciar beneficamente os educandos realizáveis, mesmo sem nenhumprograma de técnica externa?Este livro deixou de ser, assim, um livro escolar, e se tornou, por assim dizer,um manual de auto-realização. Indiretamente, porém, como dizíamos, podebeneficiar a todos, por meio de indução espiritual. Basta que haja, na alma deum indivíduo, uma fonte de alta voltagem parta que outros homens receptivossejam por ela beneficiados.
  • 6. O PROBLEMA PARADOXAL DA EDUCAÇÃOSe possível fosse uma alo-educação, como os nossos programas parecemsupor, não haveria problema. Mas, como dizíamos, a única educaçãoverdadeira é uma auto-educação, que é totalmente individual.Ninguém pode educar alguém.Alguém só pode educar-se a si mesmo.A verdadeira educação é essencialmente intransitiva, ou reflexiva, subjetiva.Nem o próprio Cristo conseguiu alo-educar seus discípulos; do contrário nãoteria Judas traído o Mestre. E mesmo os restantes discípulos não estavamconvertidos no dia da ascensão, depois de três anos de convivência com omelhor dos educadores. Eles, e outros, se auto-educaram na gloriosa manhãdo Pentecostes, quando o espírito da verdade, que neles despertou, ostransformou total e definitivamente. O que o Mestre fez, e que todo mestrepode e deve fazer, foi mostrar o caminho no qual o discípulo se pode auto-educar. Mas nenhum mestre tem a certeza de que o seu discípulo siga essecaminho. O livre-arbítrio do homem é uma fortaleza inexpugnável, cujas portasnão abrem para fora, mas só para dentro.Não é verdade que o meio bom faça o homem necessariamente bom, emboralhe facilite ser bom.E, praticamente, é apenas isto que o educador pode fazer para seu educando.De maneira que o educador se limita a mostrar o caminho certo ao educando.Aqui, porém, entra em função um fator misterioso e dificilmente explicável: oser central do educador vitaliza o seu dizer periférico. E esse ser centralcoincide com a auto-educação e a auto-realização do educador.De maneira que, em última análise, o efeito decisivo da alo-educação radica naauto-educação.O exímio iniciado norte-americano Emerson ouviu o esplêndido discurso de umelegante orador. Todos aplaudiram entusiasticamente, menos Emerson; àpergunta sobre se não havia gostado, respondeu: “Não pude ouvir o que eledisse, porque aquilo que ele é troveja mais alto”.
  • 7. O nosso dizer e fazer só exerce impacto decisivo quando radica na plenitudedo nosso verdadeiro ser – que requer auto-educação. O nosso dizer e fazersão canais, que têm de receber conteúdo do nosso ser.De maneira que o impacto que o educador exerce sobre o educando é apenasindireto, dependente do próprio educador.Os programas educacionais não podem contar com esse ser individual doeducador, mas somente com o seu dizer e fazer social.A educação moral, cívica e religiosa é, por conseguinte, uma alo-educação,cujo efeito é sempre problemático, em face do livre-arbítrio do educando. Se noeducando não existe receptividade e ressonância propícia, o melhor doseducadores não pode educar ou converter o educando.Pergunta-se se o educador pode produzir no educando essa receptividade eressonância propícia. Diretamente, não.Indiretamente, pode o educador despertar no educando potencialidadesdormentes, que melhorarão a receptividade dele. Praticamente, toda a arte deeducar consiste em descobrir e despertar no educando essas potencialidadesdormentes.Se isto é base filosófica, então consiste ela no conhecimento exato da naturezahumana, que é fundamentalmente a mesma em todos os seres humanos.Mas ninguém pode conhecer a natureza humana alheia sem conhecer a suanatureza própria; só um autoconhecimento profundo abre o caminho para oalo-conhecimento.A educação é, portanto, antes uma arte do que uma ciência. A ciência jogacom análises intectuais, ao passo que a arte ultrapassa estas e atinge tambéma intuição cósmica. O educador-artista sabe auscultar e vislumbrar osimponderáveis existentes nas profundezas extraconscientes do educando.O talento analisa.O gênio intui.A análise do talento é meridianamente consciente, ao passo que a intuição émisteriosamente ultraconsciente.Essa intuição do educador pode ser cultivada e aperfeiçoada através deexperiência e vivência, interna e externa.Programas meramente analíticos e técnicos não atingem a verdadeira alma daeducação.
  • 8. De maneira que, em qualquer hipótese, a alo-educação externa recai semprena auto-educação interna.É este o problema paradoxal da educação. Não existe nenhum caminhopsicotécnico que resolva satisfatoriamente esse problema, que é antes umproblema do educador, e não do educando.O problema educacional é uma síntese orgânica de ciência e arte, que exige doeducador plenitude de autoconhecimento e auto-realização.Como já lembramos, existe na física o processo chamado indução magnética,base de toda a nossa indústria atual: uma corrente elétrica de alta voltagemproduz um campo magnético sem nenhum contato direto, somente porindução. O campo magnético assim induzido é uma espécie de aura ou almagerada pela vizinhança de uma alta voltagem. Também na metafísica e na artede educar existe uma espécie de indução, não magnética, mas espiritual. Essaindução espiritual, porém, supõe a presença de um indutor ou educador.Somente a plenitude do educador pode transbordar em benefício do educando.E somente essa plenitude é que pode solucionar o problema paradoxal daeducação. Quem julga ser bom por medo de castigo ou esperança de prêmio é um egoísta disfarçado.
  • 9. A CRISE EXISTENCIAL DO HOMEM MODERNOTem-se dito que o grande problema moderno é a educação da juventude. Nãoé bem exato – há um problema ainda maior. O grande problema, ou melhor, acrise mais dolorosa do homem moderno é uma crise existencial – o homem dehoje sofre de uma caótica frustração existencial. Outrora, escreveu Chesterton,havia o homem perdido o seu caminho – hoje, porém, ele perdeu o seu próprioendereço. Não sabe mais qual o seu destino, qual a finalidade da suaexistência, e nega até a existência de uma finalidade. O homem modernoperdeu a noção da sua existencialidade. Escritores e filósofos proclamamabertamente que a vida humana não tem finalidade alguma; o homem é umsimples joguete do acaso. Nascer, viver e morrer acontecem-nos à toa, assimcomo a existência acontece a um cogumelo que nasce e morre num monturo;dar uma finalidade à vida humana, dizem eles, é procurar num quarto escuroum gato preto que não existe; é perder-se num matagal de misticismos emistificações.Ora, se a vida humana não tem destino algum nem finalidade, o melhor é gozaro que se pode gozar, evitar as coisas desagradáveis – e desaparecer no vácuode onde surgimos.Esta desoladora mentalidade niilista de frustração existencial é o fruto maduro,ou fruto podre, de uma visão visceralmente anticósmica da existência; é oresultado de uma instrução unilateral do ego periférico, sem uma educaçãounilateral do homem integral.Toda a perspectiva parcial e unilateral do homem acaba fatalmente emfrustração, em pessimismo, em niilismo.Há diversos séculos que a educação degenerou em simples instrução. Todasas nações mantêm os seus Ministérios de Educação, mas todas tratam apenasde instrução do ego periférico, intelectual, a que eles dão o nome fictício deeducação humana.Uma vez que o homem moderno “perdeu o seu endereço”, não adianta que elecorra cada vez mais, e mais aceleradamente, intensificando a instrução do egounilateral pela ciência e pela técnica. O que falta ao homem moderno é umaorientação no meio da sua desorientação geral. O principal não é andar, ecorrer muito: o principal é saber se é certa a direção em que ele vai.
  • 10. E esta direção não pode ser indicada pelo ego periférico, porque esse ego éessencialmente um círculo vicioso em torno de um vácuo. Se o homem nãotem uma direção certa, se nada sabe da sua verdadeira natureza, do seudestino humano, da sua finalidade real, não adianta correr muito, voar comvelocidade supersônica, que são coisas do seu ego intelectual; o homem deveantes de tudo saber se todo esse progresso científico e técnico tem uma razãode ser.No seu livro Mein Weltbild, bem como na coletânea Aus meine spaeten Jabren,escreve Einstein coisas geniais sobre esse assunto. O progresso da ciência étécnica, diz ele, é certamente uma coisa maravilhosa, e eu não cairei nasuspeita de ser inimigo desse progresso. Mas a ciência não nos pode indicarnenhuma meta certa, nem pode sequer justificar todo esse esforço, não podefornecer ao homem nenhuma finalidade certa da sua existência terrestre. Essacerteza não vem do descobrimento de fatos, que são o escopo da ciência; aúnica certeza da finalidade da nossa existência vem da creação de valoresdentro de nós mesmos; mas do mundo dos fatos não conduz nenhum caminhopara o mundo dos valores – estes vêm de outra região.O mundo dos fatos é o mundo do ego, de que se ocupa a instrução; o mundodos valores é o mundo do Eu, que é o escopo da educação.Em quase todos os países do mundo, sem excetuar o nosso Brasil, o mundodos valores é quase totalmente negligenciado; sofre de uma atrofia calamitosa,enquanto o mundo dos fatos está unilateralmente hipertrofiado.Esse pavoroso desequilíbrio entre o atrofiamento da educação e a hipertrofiada instrução provocou a crise da frustração existencial, de que agoniza a nossahumanidade.Os profetas e clarividentes de todos os tempos prevêem uma catástrofeuniversal para o ocaso do segundo milênio. Essa tragédia não é outra coisasenão o resultado natural do desenvolvimento desequilibrado da nossahumanidade, cujo início remonta a séculos passados, quando os interesses donosso ego periférico começaram a ser afirmados unilateralmente, e a causa denosso Eu central foi grandemente negligenciada.Não é possível reestruturar a nossa pedagogia sem dar à educação pelomenos o mesmo valor que a instrução reclama para si.Por mais que certos poderes insistam na necessidade da “educação moral ecívica”, o certo é que nenhuma educação eficiente pode existir, como nãoexiste uma laranja real sem laranjeira, como o telhado de uma casa não podeexistir sem as paredes e o alicerce.
  • 11. O gráfico, no final deste capítulo, ilustra a relação que pode haver entre arealização ou a frustração do Eu, bem como a relação entre sucesso einsucesso social do ego.No diagrama a linha vertical simboliza o Eu. A linha horizontal representa oego.As quatro linhas coordenadas pontilhadas indicam as quatro combinaçõespossíveis entre a realização ou frustração do Eu e o sucesso ou insucesso doego.Na coordenada 1 temos a realização existencial do Eu combinada com osucesso social do ego.Na coordenada 2 temos a realização existencial combinada com o insucessosocial.Na coordenada 3 temos a frustração existencial do Eu combinada com osucesso social do ego.Na coordenada 4 temos a frustração existencial do Eu e ao mesmo tempo oinsucesso social do ego.Estas mesmas relações podem existir entre educação e instrução: pode havereducação com instrução (1); educação sem instrução (2); instrução semeducação (3); nem educação nem instrução (4).O homem da realização existencial é sempre feliz, mesmo sem o gozo dosucesso social.O homem da frustração existencial é sempre infeliz, mesmo no gozo dosucesso social.É suprema sabedoria do Eu realizar a sua existência, porque o destinosupremo do homem é a sua felicidade. A felicidade é a única coisa que estásempre ao alcance dele, porque depende da substância do seu Eu central, queas circunstâncias do ego periférico não podem destruir.É este o fim da verdadeira educação: a realização existencial do homem, que éa sua felicidade.
  • 12. O que faz o homem realmente bom é a consciência do seu ser e a vivência do seu agir.
  • 13. VISÃO PANORÂMICA DA EXISTÊNCIA TOTALToda e qualquer felicidade verdadeira do homem depende da visãopanorâmica que ele tenha da sua existência total.Por outro lado, toda a infelicidade do homem depende da falta dessa visãopanorâmica.A visão panorâmica ou total da existência humana não identifica os poucosdecênios da vida terrestre com essa existência; é uma visão da existência dohomem em qualquer zona do Universo, mesmo após a morte corporal.É absolutamente certo de que o homem, quando deixa o corpo material,continua a existir conscientemente, em outras regiões do cosmos, tãoverdadeiramente como está vivendo agora no pequeno planeta Terra. Avivência terrestre é uma parcela insignificante da sua existência total.É importante que o homem adquira, aqui na Terra, a certeza da sua vivênciacósmica.A felicidade não consiste em que o homem goze aqui todos os prazeres – afelicidade consiste em que o homem viva em perfeita harmonia com as leiscósmicas, que regem o Universo inteiro e também a vida do homem.Estas leis exigem imperiosamente que o homem, mesmo aqui na Terra, vivaem harmonia com a verdade, a justiça, a honestidade, o amor, a bondade, afraternidade universal.Muitas vezes, essa harmonia com as leis cósmicas exige sofrimento esacrifícios, renúncia a prazeres imediatos.E é precisamente aqui que se dividem os caminhos da humanidade feliz e dahumanidade infeliz.O homem de visão panorâmica aceite tranqüilamente o sofrimento edissabores transitórios que lhe exijam a obediência das leis cósmicas – e entãoo homem é feliz, seja no gozo, seja no sofrimento.A imensa maioria da humanidade, porém, não tem essa visão da suaexistência total; desobedece às leis cósmicas por causa de alguma satisfação
  • 14. pessoal momentânea – e estes homens são infelizes, mesmo em todos osseus gozos e prazeres.Ter e viver de acordo com a visão total da sua existência é sabedoria, éfelicidade.Não ter essa visão panorâmica e não viver de acordo com as leis cósmicas éignorância, é infelicidade.Esta visão panorâmica da existência integral do homem nada tem que ver comesta ou aquela teologia, com esta ou aquela filosofia.Esta visão panorâmica é uma experiência interna que o homem adquirequando remove de si todos os obstáculos que possam impedir essasexperiências.Essa experiência cósmica da fonte ou alma do próprio Universo flui para dentrodo homem somente quando este abre os seus canais humanos, quandoassume uma atitude da completa abertura ou recipiência em face da Fontecósmica, representada nele pela consciência.É difícil explicar aos inexperientes em que consiste propriamente estaexperiência; o homem deve antes adivinhar e sentir, como que por empatia, oque é essa experiência da Alma do Universo, que é a sua própria alma.Quando o homem adquire certa facilidade em se esvaziar de todos osconteúdos da sua personalidade, faz ele de si carta branca e silêncio total ecomeça a auscultar a mensagem cósmica – e então está ele no caminho daexperiência da sua existência panorâmica, que o pode transformar e fazerprofundamente feliz.Na vivência diária, o candidato a esta felicidade não deve jamais desobedecerà voz da sua consciêcia, em troca de alguma satisfação pessoal. Deve antessofrer qualquer injustiça do que cometer uma só. Deve dizer a verdade, emboralhe dê prejuízo e cause sofrimento. Deve incluir no seu amor todas ascreaturas. Não deve jamais odiar creatura alguma. Não deve enganar oudefraudar alguém, a fim de ter alguma vantagem transitória.Em todas as dificuldades deve o homem panorâmico dizer a si mesmo: aminha felicidade permanente vale mais que todas as satisfações transitórias.Nunca deve fazer o bem para receber alguma recompensa, mas unicamentepelo próprio bem, porque ser bom é ser feliz, mesmo no meio de sofrimentos.A visão nítida da sua existência total dará ao homem forças para tomar sobre siqualquer desgosto ou sofrimento temporário.
  • 15. A maior desgraça do homem está em não ter esta visão panorâmica da suaexistência total e permanente. E é este o fundamento de toda a educaçãoverdadeira. Auto-educação é auto-realização.
  • 16. INSTRUÇÃO E EDUCAÇÃOA instrução tem por fim fornecer ao homem o conhecimento e uso dos objetosnecessários para sua vida profissional.A educação tem por fim despertar e desenvolver no homem os valores danatureza humana; porquanto a natureza humana existe em cada indivíduoapenas em forma potencial, embrionária.Diz a sabedoria milenar da Bhagavad Gita que o ego é o pior inimigo do Eu,mas que o Eu é o melhor amigo do ego. Diz ainda que o ego é um péssimosenhor da nossa vida, mas um ótimo servidor.O homem que vive apenas na consciência do seu ego externo não pode deixarde ser um egoísta que hostiliza o Eu interno. Mas quando o Eu despertadevidamente e se põe na vanguarda da vida, aparece o homem harmonioso,que faz o grande tratado de paz com seu ego servidor, sob os auspícios do Eudominador.O fim da educação é crear o homem integral, o ego instruído integrado no Eueducado.Tem-se dito que abrir uma escola é fechar uma cadeia. Infelizmente, isto não éverdade. Os grandes criminosos e malfeitores da humanidade não foram,geralmente, analfabetos; muitos deles eram homens de elevada erudição. Seas nossas escolas fossem centros de educação, poderíamos abrir escolas parafechar cadeias. Mas, no mundo inteiro, as escolas dão apenas instrução, que édo ego. E onde há um ego instruído sem um Eu educado, aí há um malfeitorpotencial. Os egos pouco instruídos pouco mal podem fazer, os egos muitoinstruídos podem fazer muito mal, se lhes faltar a devida educação do Eu, se aconsciência não contrabalançar a ciência.O homem da ciência, diz Einstein, descobre os fatos da natureza, mas ohomem de consciência realiza valores dentro de si mesmo.Mas, continua ele, do mundo dos fatos não conduz nenhum caminho para omundo dos valores. Com outras palavras: do simples fato de o homem serinstruído, não se segue que tenha valor, que seja bom. O ser-bom não é umefeito do ser-instruído. Os valores diz Einstein, vêm de outra região.
  • 17. Os valores existem porque são a própria alma ou essência do Universo – e ohomem deve captar em si esses valores, porque somente a captação devalores pela consciência torna o homem valioso e bom.Pela ciência o homem descobre os fatos da natureza material.Pela consciência o homem capta os valores do mundo imaterial.Ser amigo da verdade, da justiça, do amor, da honestidade, da fraternidade etc,é crear valores pela consciência, e isto torna o homem bom.Ser bom quer dizer estabelecer e manter harmonia entre a consciênciaindividual e a Consciência Universal, que alguns chamam a alma do Universo,outros denominam Deus.Uma teoria moderna diz que os valores não existem objetivamente, mas sãouma construção mental subjetiva do homem; dizem eles que o homem nãocapta, mas fabrica valores.Se o homem pudesse fazer os valores, também os poderia desfazer a bel-prazer, e neste caso, não existiria nenhuma norma objetivamente real para osvalores, e cada homem poderia fabricar outra espécie de valores.Por vezes, a obediência aos valores é difícil e dolorosa; mas a consciência, queé o eco dos valores, exige imperiosamente que o homem obedeça a essanorma imutável.Einstein diz que a ciência é maravilhosa, mas ela não pode valorizar a vida dohomem; o homem 100% científico pode ser 0% bom; 100% de instrução não énecessariamente 100% de educação, precisamente porque os valores vêm deoutra região.Se compararmos os fatos da ciência com uma linha horizontal, e os valores daconsciência com uma linha vertical, podemos acumular milhares e milhões delinhas horizontais, mas nunca teremos uma linha vertical, porque os valoresestão numa outra outra dimensão.O homem de ciência é um descobridor de fatos – o homem de consciência éum creador de valores.A humanidade não viverá em paz, e o homem nunca será feliz enquanto nãofor um creador de valores dentro de si mesmo.Em resumo descobrir fatos é instrução – crear valores é educação.Instrução e educação são como duas linhas paralelas que não convergem (sefavorecem), nem divergem (se desfavorecem).
  • 18. A instrução está numa dimensão, e a educação está em outra dimensão. Assua finalidades são totalmente diversas.O ideal seria que um homem tivesse 100% de instrução e 100% de educação;que fosse mestre em ciência e mestre na consciência.Até hoje, os poderes públicos de todos os países insistem muito em instrução epouco em educação. Talvez tenham razão, porque a educação não é tarefa doEstado ou de alguma organização social, mas sim do homem individual. O quegeralmente se chama educação moral e cívica não tem por finalidade tornar ohomem bom e consciencioso, mas sim torná-lo adaptável ao convívio socialcom seus semelhantes. O motivo dessa educação não é de consciência, masapenas de conveniência.Por esta razão, a educação moral e cívica não poderá jamais estabelecer umafraternidade geral e duradoura entre os homens e garantir a paz mundial.Somente um homem educado pela consciência dos valores é que pode servirde pedra fundamental da harmonia social e da paz mundial. Quando a ciênciase integrar totalmente na consciência, então o mundo terá paz e ordemuniversal. Ser educado é realizar explicitamente o que já é implicitamente.
  • 19. O QUE O EDUCADOR DEVE EDUZIR DO EDUCANDOSe educar, como dissemos, quer dizer eduzir, que é que o educador deveeduzir, ou conduzir para fora do seu educando?Há quem considere a natureza humana como um repositório de coisas boas ecoisas más; e que o educador deva enduzir do educando as coisas boas ereprimir as coisas más.Na realidade, porém, não existe nada de bom nem de mau na natureza. O bome o mau só aparecem com o advento do livre-arbítrio, que faz o homem bom efaz o homem mau. Bom é tudo que está em harmonia com as leis cósmicas;mau é tudo que está em desarmonia. Bom e mau não são fatos objetivos, massão valores subjetivos. Não são facticidades físicas, são creações metafísicas.O homem faz existir o que é bom, e o homem faz existir o que é mau.O livre-arbítrio existe, potencialmente, em todo ser humano, porque faz parteessencial da natureza do homem. Mas, no princípio, este livre-arbítrio potencialnão funciona; acha-se em estado dormente, latente. Nesse primeiro estágio, ohomem, embora potencialmente livre, não é atualmente livre.Mas, depois de algum tempo, o livre-arbítrio potencial passa a ser um livre-arbítrio atual – e a partir daí pode o homem ser bom ou mau. Se o homem derpreferência a valores positivos, ele é bom; se der preferência a valoresnegativos, ele é mau.Valores positivos são, por exemplo, a afirmação da verdade, da justiça, doamor, da benevolência, da bondade, da fraternidade, etc. Valores negativossão o seu contrário.Quando o educando compreende que o despertar de valores positivos o fazbom e feliz, então procura ele rrealizar em si esses valores – mesmo que essarealização o faça sofrer e dê desvantagens a seu ego.O educador não deve convidar o seu educando a agir para receber algumprêmio por ser bom, nem a recear castigo por ser mau. Prêmio e castigo,recebidos de fora, seja antes ou depois da morte, não são motivos honestospara ser bom ou deixar de ser mau, porque essa mentalidade se baseia noego, que se guia por fatores egoístas, externos.
  • 20. O único prêmio e o único castigo a que o educador deve apelar são arealização ou frustração do próprio Eu central do homem. A realizaçãoexistencial é o único prêmio que o educador e o educando devem ter em vista;e a frustração existencial é o único castigo que deve ser evitado.Qualquer alo-prêmio ou alo-castigo é antipedagógico; somente o autoprêmio eo autocastigo são fatores pedagógicos e eticamente aceitáveis.A única finalidade da encarnação terrestre do homem é a sua auto-realização,e o único desastre é a sua autofrustração.Mas, para que o educador e o educando possam agir por esses motivos, énecessário que tenham noção clara sobre a sua própria natureza integral. Oeducador que não seja um auto-realizado não pode mostrar ao educando ocaminho a seguir. Palavras não são eficientes, se elas não forem otransbordamento espontâneo da vivência do educador. O ser é a alma, o dizeré apenas o corpo da verdadeira pedagogia. Assim como a alma gera o corpodo homem e lhe dá vida, asssim o ser do educador dá vida e poder a todo oseu dizer ou ensinar.Antes de eduzir do seu educando esse valor, deve o educador eduzir de simesmo esse valor. A auto-educação é o segredo de toda a alo-educação.Auto-realização é a raiz da alo-realização.
  • 21. VALORES VALORIZANDO OS FATOSAs citadas palavras de Einstein “do mundo dos fatos não conduz nenhumcaminho para o mundo dos valores” são bem uma bandeira para uma novaeducação. A educação atual limita-se, quase exclusivamente, a fatos efacticidades. E, por isto, é apenas instrução, e não educação. Nenhumainstrução, por melhor que seja, torna o homem melhor, porque se limita aoconhecimento de fatos já existentes. Como já dissemos, o velho slogan “abriruma escola é fechar uma cadeia” peca por uma ridícula ingenuidade. Osmaiores criminosos da humanidade não foram analfabetos; muitos deles eramhomens eruditos, conheciam os fatos da natureza pela ciência, mas nãocrearam valores pela consciência.Abrir uma escola é incentivar a ciência, mas não é intensificar a consciência.Se houvesse consciência suficiente, não haveria necessidade de cadeias. Todaa ciência das escolas não pode fechar uma cadeia; mas onde há consciêncianão precisa haver cadeias.As nossas escolas quase nunca tratam seriamente da educação, mas limitam-se à instrução. A educação tem que ver com a consciência, a instrução é daciência. O nosso Ministério da Educação é, quase exclusivamente, umministério de instrução – e isto não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Nem ogoverno nem as igrejas tratam seriamente da educação, no sentido verdadeiroda palavra. O governo está interessado em instrução científica, e as igrejaslimitam-se à simples moralização. Mas nem isto nem aquilo é educação. Nem ainstrução nem a moralização tornam o homem realmente melhor. A instruçãotorna o homem erudito, a moralização torna o homem altruísta. Mas nemerudição nem altruísmo são educação verdadeira. Altruísmo é um egoísmosublimado, egoísmo que espera recompensa após-morte. O homem realmenteeducado é bom, não simplesmente altruísta, não espera recompensa por serbom, nem antes nem depois da morte – ele é incondicionalmente bom.É um equívoco generalizado que as teologias eclesiásticas eduquem o homempara ser bom; elas apenas transferem o egoísmo terrrestre para um egoísmoceleste, como diz o filósofo francês Bergson.A metafísica de Einstein vale mais para a verdadeira educação do que todas asinstruções científicas dos governos e todas as teologias moralizantes dasigrejas.
  • 22. Estamos denunciando os governos e as igrejas como responsáveis pelasituação calamitosa da educação. Estamos num vácuo educacional. Governose igrejas pecaram por omissão. Limitaram-se aos fatos – não se interessarampelos valores. E sem valores não há educação. Verdade, justiça, amor,honestidade, veracidade, etc., são valores, creações da consciência, e nãosimples descobertas da ciência, nem simples altruísmo moral.O valor transforma radicalmente a natureza humana, assim como a realidadedo “1” realiza todas as irrealidades dos zeros: 1000000. Nenhuma nulidade sepode desnulificar por si mesma; somente uma realidade pode realizar asirrealidades; somente o valor da consciência pode valorizar os fatos da ciência.A educação pode valorizar a instrução, mas nenhuma instrução pode valorizara si mesma.Será que, algum dia, os governos e as igrejas vão tratar seriamente daeducação? Ou vão continuar a pecar por omissão, como fizeram e estãofazendo até agora? O homem instruído é erudito – o homem educado é bom.
  • 23. DEVE O EDUCADOR CASTIGAR?Andam por aí livros pedagógicos que proíbem todo e qualquer castigo; queexigem do educador que deixe o educando fazer tudo o que ele quiser, realizartodos os seus caprichos e veleidades. O castigo, dizem esses autores, cria noeducando complexos e traumas funestos para a vida futura; somente umanatureza totalmente livre de quaisquer inibições externas é que se realizaharmoniosamente.Tão fascinante é essa teoria que seduz a muitos incautos.Entretanto, as experiêcias da vida real provam que é uma teoria meramenteidealista, e não realista, e portanto deletéria e contraproducente. E isto pormotivos profundamente lógicos: o homem não pode adulterar impunemente asleis da natureza. Toda a criança, adolescente, e mesmo o homem maduro,enquanto está no plano do ego, sofre de insegurança. Essa insegurança, édiretamente proporcional à liberdade: 100% de liberdade é 100% deinsegurança.O homem integral, porém, necessita de segurança com liberdade, ou liberdadecom segurança.Para que, na vida posterior, o homem tenha esse equilíbrio de segurança eliberdade, é necessário que alguém, na infância, acrecente à segurança, que acriança não tem, a liberdade, que ela deve ter. Centrifuguismo semcentripetismo acaba fatalmente em desequilíbrio e catástrofe.Durante a infância, e em parte na adolescência, a segurança do educador devecomplementar a liberdade do educando. Mais tarde, esse equilíbrio heterônimose transformará num equilíbrio autônomo.A humanidade levou milhares e milhares de anos para estabelecer certoequilíbrio entre liberdade e segurança; por isso, seria insensato querer iniciar aeducação unilateralmente com 100% de liberdade e 0% de segurança.Quanto aos supostos complexos e traumas, mostra a experiência que umapessoa que na infância não teve educadores de mão firme continua inseguratambém na fase adulta. Para que haja equilíbrio autônomo na fase adulta, devehaver equilíbrio heterônimo na infância.A natureza humana é essencialmente bipolar, mas apenas um pólo funcionainicialmente: o da liberdade. Complexos e traumas não se originam quando o
  • 24. educador sabe fazer ver ao educando a razão e racionalidade de umaproibição.Castigo não é punição. Punir para fazer sofrer é procedimento imoral; mascastigar para melhorar é recomendável. Naturalmente, se o educando percebeque o educador o faz sofrer para se vingar de alguma ofensa pessoal, cria ódiodele e sente-se injustiçado; mas, quando o educador procede racionalmente, oeducando compreende que ele o castiga por amor, não por vingança, e, maistarde, lhe será grato pelo fato de o ter educado desse modo.Por outro lado, porém, é experiência comum que um educando que teve todosos seus caprichos e veleidades, mais tarde considera seu educador fraco, eantes o despreza do que o estima.É essencial que o educador faça ver ao educando que lhe proíbe isto ou aquilopor amor, pelo bem dele. Neste caso, nenhuma proibição, nenhum castigo geracomplexos ou traumatismos, que são produtos de revolta e incompreensãocontra um educador insensato. Amor compeendido não gera complexos etraumas.De maneira que o principal problema da educação é o educador, e não oeducando.O castigo, além de ser razoável e dado por amor, nunca deve degenerar emviolência ou brutalidade. Quem conhece os fatos da natureza é instruído – quem realiza valores dentro de si mesmo é educado.
  • 25. É POSSÍVEL A EDUCAÇÃO DO HOMEM INTEGRAL?O homem integral pode ser representado graficamente por três círculosparcialmente sobrepostos e parcialmente independentes, deixando no centrouma área comum a todos os círculos.O círculo chanfrado, à direita, simboliza o corpo; o da esquerda representa asemoções; e o de cima indica a mente. O centro incolor representa a alma.Todos os três círculos se sobrepõem parcialmente, todos os três são atingidospelo triângulo central.É sabido que tudo que acontece num dos três componentes da naturezahumana se reflete nos outros componentes, afetando-os, positiva ounegativamente. As sensações do corpo modificam a mente e as emoções, eestas afetam o corpo, porque a natureza humana não é uma justaposiçãomecânica de partes, mas uma interpenetração orgânica.No centro está a zona incolor do espírito, que, depois de ser revestido pelocorpo, se chama alma.Segundo a física, a luz incolor é a síntese de todas as cores. Quando a luzincolor passa por um prisma triangular, ela se desdobra nas sete cores do arco-íris. Na realidade, as cores produzidas pelo prisma são milhares, mas a nossaretina visual percebe normalmente apenas sete.Tomando por símbolo da alma a luz incolor do centro, compreendemos quetodos os círculos periféricos podem ser afetados pela luz incolor do centro.
  • 26. A verdadeira educação do homem integral só pode partir do centro do Eu,porque só esta luz incolor atinge o corpo, a mente, e as emocões.Geralmente, num desenho completo, o corpo é simbolizado pelo vermelho, amente pelo verde, e as emoções pela cor amarela.Por aí se compreende que a verdadeira educação do homem integral só podeser uma auto-educação, partindo do centro da natureza humana, e não umaalo-educação, partindo de algum dos círculos periféricos.Se o educador não parte da perspectiva da luz integral, não exerce impactodecisivo sobre as partes periféricas do corpo, da mente e das emoções.O problema dessa educação central consiste na pergunta: como tomarperspectiva na zona central do homem?Einstein nos adverte: “Do mundo dos fatos não conduz nenhum caminho para omundo dos valores, porque estes vêm de outra região”.Os fatos são comparáveis aos três círculos periféricos, ao passo que os valoressão simbolizados pela zona incolor do centro.Como chegar a esse centro senão através das periferias? Como ter noção dosvalores a não ser pelos fatos?E, no entanto, os fatos, e mesmo a soma total dos fatos, não conduzem aosvalores. Os valores, diz acertadamente Einstein, vêm de outra região, isto é, daRealidade Infinita, da Alma do Universo.Mas se o homem não pode chegar aos valores, estes podem chegar aohomem, suposto que o homem tenha canais abertos para essa entrada dosvalores.Como explicamos em outra parte, todo o problema está na abertura oureceptividade dos canais humanos. Um total esvaziamento é condiçãopreliminar para uma plenificação. E ao mesmo tempo, devem os canais estarligados com a fonte, deve o homem manter a consciência firmemente ligada aocentro.Nenhum homem pode achar Deus, mas Deus pode achar o homem, quandoeste se torna achável, isto é, quando se esvazia dos conteúdos do seu ego efica na expectativa da alma do Universo.Os fatos não conduzem aos valores, mas os valores conduzem aos fatos. E,quando as facticidades estão repletas da Realidade, então está resolvidotambém o problema das facticidades, do ego físico-mental-emocional.
  • 27. Vai em tudo isso uma rigorosa lógica e perfeita matematicidade. Neste sentido,diz o maior dos Mestres: “De mim mesmo, eu nada posso fazer; é o Pai emmim que faz as obras”.A educação do homem integral tem de principiar necessariamente no centro, edaí invadir as periferias.O homem profano só se interessa pelas periferias.O homem místico isola-se no centro.O homem cósmico, que é o homem integral, firma-se no centro, e desta baseparte rumo às periferias, plenificando-as com a luz e força do centro.No plano espiritual, o centro é a consciência da presença de Deus, e dessecentro místico o homem permeia de vivência ética todas as periferias da suavida.O centro é a fonte, as periferias são os canais. Ninguém pode tirar água decanais sem fonte, mas podemos haurir água de uma fonte sem canal. Ohomem integral, porém, descobriu a arte de canalizar a fonte do Eu peloscanais do ego. Pode o homem fazer bem sem ser bom – mas não pode ser bom sem fazer bem.
  • 28. DEVE O EDUCADOR FALAR EM DEUS?Há quem negue categoricamente que a idéia de Deus deva fazer parte daeducação.E eles têm razão, quando pela palavra “Deus” se entende o que quase todosos teólogos ocidentais entendem.Mas quando por “Deus” se entende o que os grandes iniciados de todos ospovos entendem, então essa idéia é o próprio alicerce da verdadeira educação.No século 17, o filósofo Spinoza disse que Deus é a alma do Universo, e noséculo 20, Einstein, o pai da Era Atômica, encampou essa idéia de Spinoza.Aliás, já no primeiro século, disse Paulo de Tarso aos filósofos atenienses queDeus é aquele “no qual vivemos, nos movemos e temos a nossa existência”.Nenhum homem de experiência profunda entende por Deus uma pessoa ouindividualidade, mesmo que eleve esse conceito à milionésima potência.Pessoa significa invariavelmente uma limitação – e um Deus limitado não éDeus, mas apenas um ídolo sublimado.Deus é A REALIDADE UNIVERSAL, O SER, A INTELIGÊNCIA CREADORA, ACONSCIÊNCIA CÓSMICA, A ALMA E O UNO DO UNIVERSO, cujo Verso é ocorpo visível do cosmos.Para dar ao educando uma idéia mais ou menos adequada de Deus,poderíamos simplesmente chamá-lo VIDA. E sobre esta base poderíamosdesenvolver o diálogo seguinte:– Esta planta é viva?– Sim, ela é viva, porque cresce, floresce e frutifica.– Esta planta é a Vida?– Não, ela é viva, mas não é a Vida.– Que é que tu entendes por Vida?– Vida é aquilo que faz os vivos serem vivos.– Já viste a Vida?
  • 29. – Não, a Vida não se pode ver; só poderemos ver os vivos.– Quer dizer que a Vida é invisível, que fez os vivos visíveis?– É isto mesmo. Ou talvez melhor seria dizer: a Vida é a Essência, que semanifesta em existências vivas.– Quer dizer que a Vida e os vivos são idênticos?– Idênticos na Essência, mas não na existência.– Suponhamos que esta planta morra; então a Vida morreu?– Não, morreu somente o vivo, mas não a Vida.– Para onde foi a Vida?– Não foi para lugar algum. A Vida está em toda a parte; ela é, por assimdizer, a Alma do Universo.– E os vivos?– Os vivos são formas visíveis da vida invisível. Quando as formasdesaparecem, nós dizemos que o vivo morreu.– Quer dizer, “morrer” é o desaparecimento de uma forma da Vida, de um vivo?– É isso mesmo. Assim, quando uma forma da Vida aparece, nós chamamosisto “nascer”.– A Vida nasce e morre?– Não, a Vida vive, mas não começa a viver, nem acaba de viver.– Quer dizer, a Vida é eterna e imortal?– É isto mesmo: a Vida é eterna e imortal. Nunca nasceu, e nunca morrerá,mas sempre viveu, sempre vive e sempre viverá.– Essa Vida até parece ser Deus.– A Vida é Deus, ou melhor, ela é a própria Divindade.– Quer dizer que os que dizem que Deus é pessoa, confundem a Vida com osvivos?– Exatamente. Como não se pode perceber, nem mesmo pensar a Vida, oshomens se agarram a um vivo, que se pode ver, pensar e analisar.– Se não se pode perceber nem pensar Deus, a Vida, como o podemosdescobrir?
  • 30. – Nenhum homem pode descobrir Deus, mas Deus pode descobrir o homem.– Deus pode descobrir o homem?– Sim, quando o homem permite ser descoberto.– Que quer dizer “permite”?– Quando o homem vive de certo modo, Deus o descobre, e então o homemtem certeza de Deus. Mas se o homem não vive de modo que Deus o possadescobrir, o homem discute sobre Deus, mas não tem a certeza dele. Certezanão é descobrir Deus; certeza é ser descoberto por Deus.– A filosofia oriental diz: “Quando o discípulo está pronto, então o Mestreaparece” – é isto ser descoberto por Deus?– Exatamente.– E quando é que o discípulo está pronto para ser descoberto pelo Mestre?– O homem está pronto para essa descoberta divina quando ele diviniza toda asua consciência com a vida divina e harmoniza toda a sua vida ou vivência deacordo com essa vida.– Quer dizer que tudo depende do fato de o homem estar pronto, estar emcondições de ser descoberto pela Vida.– E que tem isto que ver com educação?– O educador, quando já foi descoberto por Deus, pode mostrar ao educando ocaminho certo onde Deus o possa descobrir.– O caminho, quer dizer, a vivência do homem?– Sim, o modo de viver dele.– Isto é religião?– Sim, isto é a única Religião, mas não é uma religião, uma teologia; é antesuma sabedoria de ser e de agir. Se o homem está em harmonia com Deus,pela consciência e pela vivência, então ele sabe o que é Deus, e vive deacordo com esse saber. É religioso.– Isto é felicidade?– Sim, isto é a única felicidade. Homem, conhece-te a ti mesmo.
  • 31. A MEDITAÇÃO FAVORECE A EDUCAÇÃO?Nos últimos decênios, generalizou-se, no mundo inteiro, a prática dameditação.Se a verdadeira meditação fosse praticada diariamente, durante certo tempo,exerceria impacto favorável sobre a vida da pessoa, e portanto sobre aeducação. A dificuldade está apenas na prática de uma verdadeira cosmo-meditação, que alguns chamam meditação transcendental, e que não deve serapenas uma suspensão de outras atividades, nem degenerar em simplesacrobacia mental ou cochilo devocional.Durante a verdadeira meditação, a pessoa suspende quaisquer atividades doseu ego periférico, físico, mental e emocional, conservando-se, porém,plenamente consciente no seu Eu espiritual.Segundo as leis cósmicas, onde há uma vacuidade acontece uma plenitude;quem se esvazia totalmente de todos os conteúdos da sua ego-consciênciaserá plenificado pela cosmo-consciência – e esta invasão da cosmo-plenitudena ego-vacuidade resolve todos os problemas da vida.Mas esse ego-esvaziamento é praticamente impossível a uma pessoa que vivahabitualmente na dispersividade material, mental e emocional, favorecidasobretudo por leituras fúteis, por trabalhos puramente materiais e, em nossosdias, sobretudo pelo cinema, pelo rádio e pela televisão. Para estas pessoas ésumamente difícil interiorizar-se no seu Eu central.Por isto, quem se interessa realmente pela meditação verdadeira deve reduzirao mínimo possível a sua dispersividade social e praticar freqüêntemente aconcentração, por mais difícil que lhe seja de início.O melhor período para a meditação é de manhã cedo, logo depois de acordar.O meditante começa com poucos minutos de interioridade, passando aospoucos a períodos maiores, até poder isolar-se no mundo do seu interior pormeia hora ou mais.Entretanto, a meditação não é um fim em si mesma, senão apenas um meiopara outro fim. A finalidade da meditação é retificar e orientar a vida diária.Tanto vale a meditação quanto vale a melhoria da vida do meditante.
  • 32. O principiante confunde facilmente a meditação com certos cochilosdevocionais sobre Deus, ou quando não pensa, desce ao transe ou à auto-hipnose, frustrando assim o verdadeiro fim da meditação. Meditar, repetimos,não é pensar nem descer ao subconsciente. Meditar é esvaziar-se de todas asatividades do ego humano, para que o homem possa ser invadido pelo Eucósmico.Outros dão demasiada importância a certas técnicas, a certas posturascorporais, certo método de respiração, certa convergência do olhar, etc.O chamado Eu cósmico ou divino é idêntico à própria alma do Universoexistente nas profundezas da natureza humana. O macrocosmo sideral e omicrocosmo hominal são concêntricos; o centro do Universo é o centro dohomem, como mostra o gráfico seguinte, onde o círculo maior e o círculomenor são ambos centralizados na cruz, símbolo do Infinito ou alma doUniverso, que as filosofias e religiões chamam Deus, Brahmam, Tao, Yahveh,o Absoluto, etc.Na meditação pode o meditante dizer: “As obras que eu faço não sou eu queas faz, é o Infinito em mim que faz as obras”.O educador e o educando que praticarem assiduamente a verdadeirameditação verificarão que esse encontro consigo mesmos melhora todos ossetores da sua vida.Abrir os canais rumo à Fonte do Infinito é ser beneficiado pelas águas vivas donosso centro cósmico, de onde emanam todas as coisas finitas da vida. Educar é eduzir de dentro do homem os valores humanos.
  • 33. ORIGEM E NATUREZA DO HOMEMNão se pode tratar seriamente da educação sem ter noção exata sobre aorigem e a natureza do homem.Até meados do século 19, era doutrina quase geral que o homem tinha vindodiretamente de Deus, como um ser perfeito; mas que o diabo provocou aqueda do homem. Depois da queda, resolveu Deus mandar um Salvador àhumanidade para restabelecer o que o diabo havia destruído.Desde a segunda metade do século 19, prevaleceu entre os cientistas a teriade Darwin sobre a descendência animal do homem.Nem uma nem outra teoria são aceitáveis em face da lógica e da história. Oeducador tem de guiar-se por uma tese não-teológica, como a primeira, nempseudocientífica, como a segunda. O educador deve compreender a filosofiacorreta sobre a origem e a natureza do homem.O homem primitivo não foi creado em estado perfeito e definitivo, como ateologia admite; nem como simples animal, como declara a ciência darwinista.A verdade é que o homem de início aparece sobre a face da Terra como umacreatura potencialmente humana, mas ainda não atualizada em suahominalidade. O corpo desse homem era o do animal, como é até hoje; masnesse corpo animal existia o germe ou a potencialidade para se tornar umhomem integral. O homem não era simplesmente animal; do contrário, não seteria tornado homem, porque ninguém se torna o que não é, ninguém se tornaexplicitamente o que não é implicitamente. Se um coquinho não fosseimplicitamente um coqueiro, nunca se tornaria explicitamente um coqueiro.O homem era, desde o início, um ser humano em corpo animal.Nesse homem primitivo existiam, desde o início, os dois pólos da naturezahominal: o espírito e a matéria, mas o espírito ainda em estado primitivo. AsPotências Creadoras do Universo entregaram ao homem o seu destino futuro,a sua evolução posterior. Disse um pensador moderno: “Deus creou o homemo menos possível, para que o homem se pudesse crear o mais possível”.É esta a verdade filosófica sobre a origem e a natureza do homem. O homemera, de início, um verdadeiro ser humano, mas no estágio ínfimo da suaevolução. Não ocorreu nenhuma “queda”, no sentido tradicional da teologia. O
  • 34. que houve, e continua a haver, é uma luta entre os dois princípios básicos danatureza humana: espírito e matéria; e essa matéria se manifesta, no princípio,como mente, que, no Gênese, aparece na forma simbólica da serpente,enquanto o espírito é chamado o sopro de Deus.Esta luta entre o fator espiritual e o fator mental do homem não é uma queda,mas uma luta necessária para que o homem se possa crear maior do que Deuscreou. Sem resistência não há evolução.Quando prevalece o elemento mental, a serpente, o homem se torna “pecador”– quando prevalece o elemento espiritual, o homem se torna “justo”.A tarefa do homem não consiste em extinguir elemento mental e desenvolverunilateralmente o fator espiritual. A tarefa da vida e da evolução humanaconsiste em estabelecer perfeita harmonia e equilíbrio entre os dois fatorescomponentes da natureza humana, entre o sopro de Deus e o sibilo daserpente.Sendo, porém, que, segundo as leis da evolução, o fator mental se desenvolveantes do fator espiritual, insistem os mestres da humanidade em frisar depreferência o fator espiritual, a fim de conseguir o equilíbrio dessedesequilíbrio.A verdadeira educação não tem outra finalidade senão essa: ela deveestabelecer perfeita harmonia e equilíbrio entre o ego mental e o Eu espiritual,porque a educação, de acordo com a filosofia, tem por fim realizar o homemintegral. O homem integral não é unilateralmente espiritualista, nemunilateralmente mentalista – menos ainda materialista. O homem integral éuma perfeita harmonia de ser e agir, de todos os componentes da suanatureza.Esse homem integral pode ser denominado homem cósmico, homem universal,homem univésico.Assim como o macrocosmo sideral é uma perfeita harmonia automática entre opólo centrípeto e o pólo centrífugo, assim deve o microcosmo hominal fazer desi uma perfeita harmonia espontânea entre o seu Eu central e o seu egoperiférico.Nem a teoria teológica, nem a hipótese darwinista representam o homemintegral.Somente a tese filosófica do homem em permanente evolução creadora é quesatisfaz plenamente a todos os requisitos.
  • 35. Por isto, deve o educador ter noção exata sobre a origem e a natureza dohomem, a fim de poder promover a relização do homem integral, que é afinalidade suprema da verdadeira educação.
  • 36. POR QUE O HOMEM ESTÁ NA TERRA?Esta pergunta me foi feita, há tempo, por uma emissora de rádio-televisão emSão Paulo. Respondi para meus telespectadores e hoje respondo, maisexplicitamente, a todos os leitores no Brasil e em Portugal.Quando eu era criança, tive de decorar na escola de catecismo que o homemestá na Terra para conhecer, amar e servir a Deus, e assim entrar no céu.Esta resposta é oficial nas igrejas cristãs, embora nada diga da finalidade davida terrestre do homem; refere-se a uma teoria abstrata de conhecer, amar eservir a Deus, com a finalidade póstuma de entrar no céu. Esta salvaçãoindividual não visa à finalidade integral do homem, a sua auto-realização e seuespontâneo transbordamento ético-social na vivência terrestre, a fraternidade eo serviço à humanidade. A verdadeira fraternidade humana é impossível sem oconhecimento e a realização do homem individual, sem uma educação dohomem integral.Há quase 20 séculos que os governos e as igrejas cristãs falam em educação –mas até hoje só tratam de instrução, ou então de uma educação para finspóstumos, e não da educação do homem integral, aqui e além. A instrução visaao treinamento do ego intelectual, ao passo que a educação visa à realizaçãodo homem integral, do homem como entidade hominal em todos os setores daexistência humana.Os governos ameaçam com multa e cadeia o cidadão que cometer crimes –mas nenhum governo do mundo fala da educação do homem integral. Evitarcastigos é um apelo para o egoísmo pessoal, mas nenhum homem é realmentebom pelo fato de não cometer o mal para se preservar de sofrimentos.As igrejas cristãs afirmam que vão além desses motivos de multa e cadeia navida presente, e convidam o homem a ser bom para evitar o castigo do inferno,no mundo futuro, e, mais ainda, para ganhar o prêmio eterno do céu – como seesses motivos não fossem igualmente motivos de egoísmo celeste, em vez deegoísmo terrestre, como diz o filósofo francês Henry Bergson.Quer dizer que os governos e as igrejas cristãs do mundo inteiro só conhecemegoísmo, terrestre ou celeste, nesta vida ou na outra, como motivo deeducação – quando todo egoísmo é visceralmente antipedagógico,
  • 37. antieducacional. Pretendem educar o homem com argumentos flagrantementeantieducativos.Que poderia resultar de uma pseudo-educação tão desastrosa senão aquiloque estamos vendo: crimes, terrorismos, desordens de toda a espécie?A árvore venenosa plantada e adubada há quase 20 séculos está produzindoos frutos venenosos que não podia deixar de produzir. Os governos e asigrejas cristãs se mostram horrorizados em face dessa pavorosa frutificação daárvore que eles plantaram e adubam cuidadosamente. E, para mostrar a suadesaprovação, arrancam, de vez em quando, um ou outro dos frutosvenenosos que a árvore da pseudo-educação produziu, mas evitamcuidadosamente arrancar a árvore pela raiz.Que outros frutos poderia produzir o ego senão egoísmo? E que outra coisa sepoderia esperar do egoísmo dominante senão crimes, terrorismos e o caosuniversal? Será que os nossos educadores ignoram que o ego é o pior inimigodo Eu, como já disse, milênios atrás, a sabedoria do Bhagavad Gita? E comoescreveu Paulo de Tarso, há quase 20 séculos: “O homem intelectual (o ego)não compreende as coisas do espírito, que lhe parecem estultícia, nem aspode compreender, porque as coisas do espírito devem ser compreendidasespiritualmente”...Mas, perguntam os nossos educadores, civis e eclesiásticos, que outro motivopoderia haver senão esse egoísmo, terrestre ou celeste, da educação cívica oureligiosa? Porque outro motivo devia o homem ser bom e honesto senão paraevitar multa e cadeia ou inferno e ganhar o céu?Nas páginas deste livro tentamos mostrar um motivo muito mais profundo everdadeiro.Alguns anos atrás, após a primeira edição deste livro, fui chamado a Portugalpara dar conferências ou aulas sobre este assunto, que um grupo de leitoreslusitanos considerava de capital importância. O meu livro Educação do HomemIntegral achava-se esgotado.Não julguei conveniente fazer nova edição do texto antigo, que não focalizavasuficientemente o desastre de uma educação baseada fundamentalmente emegoísmo, terrestre ou celeste. Refundi totalmente o livro, frisando intensamentea suprema necessidade de basearmos toda a educação em outros motivos. Fizver que o homem não está aqui na Terra para conseguir certos objetivos davida, embora honestos, mas sim para realizar a razão de ser da existênciapropriamente humana. Se o homem conseguir todos os objetivos da vida (quesão do ego), mas não realizar a razão de ser da sua existência (que é do Eu),sucumbirá a uma frustração existencial, mas se realizar a razão de ser da sua
  • 38. existência, cumprirá a sua realização existencial, o porquê da sua existênciaterrestre, e mesmo extraterrestre.Enquanto os governos e as igrejas não derem à verdadeira educação a mesmaimportância que até agora estão dando à instrução, a humanidade não temesperança alguma de melhores dias; a árvore venenosa continuará a produziros mesmos frutos que produziu até hoje, e frutos cada vez piores.Não se trata absolutamente de uma tal ou qual alopatia superficial, que procureevitar os sintomas imediatos do mal – trata-se antes de uma cosmoterapiaradical que atinja a raiz do mal e dê à educação pelo menos a mesmaimportância que até agora se está dando à instrução.Essa erradicação do mal é impossível enquanto a nossa filosofia educacionalnão mudar totalmente; enquanto os governos e as igrejas não tomarem a sérioo ensinamento da natureza integral do homem, desde a escola primária até ocurso superior.Esse conhecimento do homem como espírito, mente e corpo – e não apenascomo corpo e mente – nada tem que ver com crença, teologia ou dogma, masé simplesmente o retrato fiel da realidade do homem que, finalmente, pode edeve deixar de ser “esse desconhecido”, esse “misto de miséria e grandeza”,esse “fenômeno paradoxal”, como dizem os nossos escritores; mas pode edeve realizar o imperativo milenar de todos os grandes pensadores:Homem, conhece-te a ti mesmo!Homem, realiza-te!Homem, sê explicitamente o que és implicitamente!
  • 39. FALÊNCIA DA EDUCAÇÃO BASEADA EM PRÊMIO E CASTIGOA educação cívica e moral apela para fatores externos: o homem deve ser bome deve deixar de ser mau a fim de evitar castigo e receber prêmio.A educação religiosa apela para o prêmio e castigo de Deus, após a morte.Embora esses motivos externos devam ser tolerados temporariamente, elessão ineficientes para tornarem o homem realmente bom. Toda idéia de prêmioe castigo baseia-se em egoísmo, e com motivos egoísticos não se pode educare realizar o homem. Bergson, o filósofo francês contemporâneo, diz que asreligiões detestam o egoísmo terrestre, mas recomendam o egoísmo celeste,porque argumentam com prêmio e castigo, com céu ou inferno, para educar ohomem.Egoísmo não cura egoísmo, ainda que seja egoísmo póstumo.Além desse caráter antipedagógico interno, o apelo para o céu e inferno, Deusou diabo, perde cada vez mais o seu impacto, porque muitos dos educandosnão crêem mais no Deus das teologias. Acresce a isto o aspecto antiético decertas teologias, que prometem ao pecador que 5 minutos de arrependimentopossam cancelar 50 anos de maldades, invalidando assim o esforço ético dopecador para se tornar melhor durante a vida, e só confiar na hora da morte.O que poderíamos substituir por esses motivos inéticos de prêmio e castigo?O único motivo ético e honesto para ser bom é o esforço para a realização dasua verdadeira natureza humana em sua totalidade, do seu Eu central.Mas, como já dissemos, essa auto-realização supõe autoconhecimento. Quemse identifica com o seu ego ilusório vive num perpétuo círculo vicioso.Por isto nenhum país do mundo pode estabelecer um sistema educacionaleficiente sem primeiro crear centros de autoconhecimento.Mas esses centros supõe diretores que possuam em alto grau esseautoconhecimento e o tenham demonstrado em forma de auto-realização. Afalta desses diretores torna praticamente impossível a educação em base deautoconhecimento.
  • 40. Assim como a falta de laranjas vem da falta de laranjeiras, a ausência de umaeducação eficiente vem da ausência de educadores. É certo que podemoscomprar laranjas artificiais, de plástico ou cera, por fora iguais a laranjasverdadeiras, mas não são laranjas vivas. Toda a ciência e técnica humanasnão podem produzir uma única laranja verdadeira, nem outra fruta vivaqualquer.Todas as nossas ciências e técnicas pedagógicas não podem substituir umapedagogia baseada em autoconhecimento e auto-realização.O problema crucial da educação é, acima de tudo, um problema metafísico,filosófico, cósmico – ou melhor, um problema profundamente humano. Ospoderes públicos deviam, em primeiro lugar, tratar de plantar laranjeiras, isto é,de realizar educadores, em vez de se ocupar com métodos educacionais etécnicas de ensino. Mas isto não é da sua alçada.Quando, em 1969, o presidente Médici publicou o Decreto-lei n- 869 sobre anecessidade de uma base filosófica para a educação, parece que ele seinspirava na visão desta necessidade. A filosofia da educação seria oconhecimento da natureza integral do homem.
  • 41. TEOLOGIAS ANTIEDUCACIONAISVoltamos a um assunto já focalizado em outra parte. Certas teologiaseclesiásticas dominantes no Brasil, em vez de favorecer, desfavorecem averdadeira educação. Algumas ensinam que o homem pode pecar a vidainteira mas, se se arrepender nos últimos momentos da vida, é absolvido detodos os seus pecados, seja pela absolvição sacramental, seja por um ato decrença no sangue de Jesus. Semelhantes sistemas teológicos são umverdadeiro convite para ser mau, contanto que o homem seja bom nos últimosmomentos. Uma boa morte parece cancelar uma vida má; 5 minutos dearrependimento parecem neutralizar 50 anos de maldades.Essas teologias apelam para certas palavras de Jesus, sobretudo para as queele dirigiu ao ladrão penitente: “Ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Équestionável que estas palavras tenham o sentido que eles lhes dão. Éprovável que o tal paraíso seja o primeiro passo, o início da verdade, apósmeio século de erros, o início de uma linha reta após longo período deziguezagues em que o criminoso vivera – mas não é a entrada num céudefinitivo e imutável.Aliás, todas as nossas teologias, de quase 2000 anos, professam ainda a idéiaobsoleta de que a morte física do homem decida sobre o seu eterno destino, nocéu ou no inferno. A ciência mais avançada dos últimos tempos já provou que avida após a morte continua mais ou menos no mesmo teor em que sedesenrolou antes da morte. Ninguém está no céu, ninguém está no inferno,definitiva e imutavelmente; todos continuam a viver em corpo imaterial, noambiente que crearam durante a vida terrestre. A vida continua em outro corpo,com as mesmas luzes e as mesmas sombras, com as mesmas virtudes e osmesmos vícios da vida terrestre. Se há tal coisa como “destino definitivo” (oque é muito improvável), será no ciclo final da evolução, que pode ser demilhões de anos. A “vida eterna” não é uma chegada, uma parada inerte, éuma incessante evolução, um processo dinâmico, afetado por todos os atos epor toda a atitude da vida presente. O que o homem semeou no ciclo presente,isto colherá ele no ciclo futuro. A vida eterna não é um estático ser, mas umincessante devir.Podemos conceber a vida eterna ao modo de uma teoria de relatividade: nomundo dos finitos nada é absoluto, tudo é relativo; o relativo de ontemdetermina o relativo de hoje, e o relativo de hoje molda o relativo de amanhã.
  • 42. O vocábulo teológico “salvação” já foi substituído pela palavra filosófica “auto-realização”. O homem não é salvo após a morte, num tal céu, nem é perdidoapós a morte, num tal inferno – o homem realiza-se incessantemente em plenavida, através de todas as existências, telúrica e cósmicas.As teologias salvacionistas fariam bem em passar para a filosofia da auto-realização, que favorece a verdadeira ética educacional. O principal não émorrer bem, mas viver corretamente.O Brasil, que é um país sem lastro filosófico nem teológico, que não é oneradode taras ideológicas, como certos povos europeus, o nosso Brasil poderia edeveria ser o berço de uma nova humanidade. O Brasil, no qual “em nele seplantando tudo se dá”, poderia e deveria iniciar uma pedagogia educacionalisenta das taras tradicionais. Mas se nem o governo nem as igrejas estão emcondições de iniciar esses novos rumos para a educação, devem pessoasindividuais ou grupos sem preconceitos realizar essa educação verdadeira. Alo-educação é impossível sem auto-educação.
  • 43. COBAÍSMO EDUCACIONALO maior problema da educação, como dizíamos, não são os educandos, masos educadores – e estes, por sua vez, dependem grandemente dos psicólogose dos respectivos governos, que dão ordens para realizar este ou aquele tipode educação.No Brasil, tivemos ultimamente amostras desse cobaísmo educacional. E,como a nossa cultura brasileira vem sempre meio século após a culturaeuropéia, a psicologia e psicanálise de Freud invadiram o Brasil, nos últimos 50anos, quando, na Europa, o freudismo já estava em declínio, graças às idéiasmais sadias de Adler, Jung e outros.Freud reduziu toda a vida humana a um produto da libido: tudo para ele, émanifestação do sexo, desde do mamar da criança até o comer e o evacuar.Nossas escolas, tempos atrás, tiveram ordem de ensinar sexualismo àscrianças da escola primária. Para que a criança, mais tarde, não tivessecomplexos e traumatismos sexuais, devia ela saber, desde o princípio, como acriança era concebida na cama de casal e como nascia na maternidade.Sobretudo a concepção era ponto central nesse cobaísmo. As fábricas decelulóide e plásticos tiveram de fabricar os órgãos genitais do homem e damulher, e as professoras tiveram ordem de exibir nas escolas a função dessesórgãos. A tal ponto chegou esse pan-sexualismo freudiano que as crianças de6 a 8 anos resolveram “brincar de casados”; uma menina de 8 anos pegou ummenino para brincarem de macho e fêmea no banheiro. Meninos e meninasforam obrigados a se desnudarem em plena classe, para que a professorapudesse descrever melhor a função dos órgãos genitais.Felizmente, depois de muito descalabro, prevaleceu o bom senso dos paisdessas cobaias; foi quase geral o protesto contra essa aberração da educaçãoinfantil. Muitos pais se revoltaram contra essa profanação da infância – e ospoderes públicos tiveram o bom senso de bater em retirada.A natureza é bem mais sábia que toda sapiência dos homens; ela sabe por quecircundou o paraíso da infância com a muralha protetora da ignorância e dodesinteresse pelas coisas sexuais. A própria natureza se encarrega dedespertar a libido no tempo da puberdade. E compete aos pais, sobretudo àmãe, dar a seus filhos as necessárias explicações sobre o sexo. Aulas dedemonstrações sobre o uso do sexo são um verdadeiro atentado à naturezahumana.
  • 44. Outro atentado à natureza é o cobaísmo educacional de Skinner e de outrospsicólogos desorientados, cuja influência deletéria se projetou sobre osmétodos da nossa educação.Esses cientistas fizeram experiências psicotécnicas e, em face de seus testes,proclamaram aos quatro ventos que o livre-arbítrio do homem é um mito, umafábula, uma ilusão tradicional; que o homem não passa de um joguete dascircunstâncias. O meio bom produz um homem bom, o meio mau produz ohomem mau. O homem é, portanto, uma máquina viva, que funcionaautomaticamente como qualquer computador, cujos atos não podem servirtuosos nem viciosos, porque são todos necessários.Se o homem não tem liberdade de agir, é evidente que não é responsávelpelos seus atos, bons ou maus. E, neste caso, é flagrantemente ilógico einjusto infligir punição aos malfeitores; se eles agiram mal, agiram porobrigação mecânica das circunstâncias, e não devem ser punidos, como nãose pune um computador que funcionou mal.Esses psicólogos e psicanalistas erraram no ponto fundamental da lógica:fizeram experiências com certo número de cobaias, provavelmente derrotadaspelas circunstâncias, e daí tiraram a conclusão ilógica de que não há liberdadeem homem nenhum. Esse ilogismo inclui dois erros: 1) que de um certonúmero de experiências se possa concluir para a totalidade do gênero humano;2) que as cobaias que não fizeram funcionar a sua liberdade não possuíam apossibilidade para isso. Se pelos gabinetes desses psicanalistas tivessepassado um Buda, um Jesus ou um Gandhi, em vez de um Skinner, Marcuseou Reich, e suas cobaias, bem diferentes teriam sido os resultados.Outro cobaísmo educacional em voga é a permissão de uma total indisciplinapara o educando. Os educadores, dizem eles, devem respeitar os direitoshumanos do educando; se este quiser espernear, quebrar móveis e janelas emaltratar seus colegas, é dever do educador respeitar os sacrossantos direitosdo educando, porque através dele fala a própria natureza humana, que ésempre boa e não deve ser cerceada em seus impulsos; a repressão dosimpulsos do educando malcriado, dizem, poderia traumatizá-lo e criar futuroscomplexos negativos.Esses psicólogos se esquecem de que a natureza humana funcionabilateralmente, na base de instinto e de razão. Na infância e na adolescênciaprevalece o instinto cego, que deve ser orientado e disciplinado pela razão dosadultos. O contrário, o centrifuguismo do instinto sem o centripetismo da razão,acaba em caos e catástrofe. Toda a arte de educar consiste em saberequilibrar harmoniosamente essas duas forças da natureza humana,aparentemente antagônicas, realmente complementares.
  • 45. Todos esses cobaísmos educacionais modernos têm por base comum omesmo mal: o desconhecimento da natureza integral do homem. A civilizaçãohumana reduziu a cultura a favor da tecnologia; a cultura respeita a naturezaintegral, ao passo que a tecnologia considera o homem como uma máquina,um robô, um computador vivo, cujo imperativo categórico é apenas o seu egofísico-mental-emocional. E, como os governos aceitam o que lhes é oferecidopelos técnicos, pelos cientistas e pelos psicólogos, tivemos os descalabros datecnologia aplicada a problemas de educação.Outrora, recebia o Brasil o influxo da sua cultura de países europeus,sobretudo da França. Mas as duas guerras mundiais, do Kaiser e de Hitler,dificultaram e quase impossibilitaram as relações do Brasil com o velho mundo,e a nossa cultura é sobretudo influenciada pelos Estados Unidos, cujatecnologia é máxima e cuja cultura é mínima. Entre nós, nesse último meioséculo, tudo se americanizou; o Brasil importa as coisas piores da granderepública do norte, sobretudo no setor educacional, que passou a ser umasimples tecnologia.A natureza humana, porém, que é multimilenar, não sofre impunemente essasadulterações; ela reage violentamente a essa desumanização.Os setores mais tragicamente afetados por essa adulteração são a infância e ajuventude, que não têm meios de defesa.É de imperiosa necessidade que a educação conheça a natureza humana enão se deixe desviar dos trilhos que ela traçou para o homem.Ora, a natureza humana não é uma justaposição mecânica de corpo e alma, dematéria e espírito; a natureza humana é um intercâmbio orgânico entre corpo ealma. E quem controla e harmoniza esse intercâmbio é uma faculdade cósmicaque aparece com nomes vários, como razão, intuição, consciência, Eu divino,etc.O homem unilateralmente empírico-mental não faz jus à natureza integral dohomem, que é o reflexo do próprio macrocosmo mundial. O homem integralnão é materialista, nem mentalista, nem espiritualista – ele tem tudo isto, masele é cósmico, univérsico, integrando em si tudo que é material, mental eespiritual, mas ultrapassando todos esses componentes e culminando nagrande síntese do composto.Ser cosmicamente humano é a suprema aspiração da verdadeira educação,cuja base é auto-realização, transbordamento espontâneo doautoconhecimento.
  • 46. DISPERSIVIDADE E CENTRALIDADEDesde Freud, e muito antes, toda a nossa literatura de ficção está eivada desexualismo profano.É fácil tirar edições de centenas de milhares de exemplares de um livro,quando o escritor se faz fiel aliado das paixões animalescas que regem oanimal intelectualizado; 90% do seu sucesso literário já está de antemãogarantido pelos poderosos instintos da esfera animalesca do homem. E, comesse poderoso contingente de sexualidade, é fácil ser um “gênio” – bastaacrescentar 10% do talento do escritor, e o sucesso é garantido. O escritorpornográfico parece ter pouca confiança na sua capacidade, quando apelapara fatores alheios, já pré-existentes nos seus leitores. É fácil nadar à mercêdas paixões, é difícil orientar os instintos inferiores do homem.Essa hipertrofia da libido sexual, disfarçada geralmente sob o eufemismo“amor”, é um dos grandes percalços da verdadeira educação. Na educaçãoprevalece a razão superior, que impõe um freio ao instinto inferior.Nos tempos modernos acresce a facilidade de difusão pela rádio-televisão, quedispensa o telespectador de pensar – basta ver, ouvir e sentir.É experiência geral que crianças e adolescentes habituados aos programas detelevisão são incapazes de disciplina e concentração mental; o seucentrifuguismo derrota qualquer centripetismo. Muitas dessas cobaias sãoincapazes de prestar 2 minutos de atenção a um determinado assunto. O seuhabitual derramamento exterior impossibilita qualquer concentração interior.E não somente a educação, mas até a instrução sofre o impacto dispersivodesses programas de televisão. Praticamente, não temos programas paravalorizar condignamente essas grandiosas conquistas da ciência e técnica doséculo XX. A ciência e técnica progridem a passos de gigante, ao passo que amoral e a ética continuam estagnando, ou até retrogradando.Felizmente, nos últimos anos, se observa, ao menos numa elite dahumanidade, um interesse crescente por uma literatura mais sadia e maiscondizente com os valores humanitários do que com os instintos inferiores dohomem. Uma casa editora aqui em São Paulo – “Fundação Alvorada para oLivro Educacional” – lança dezenas de livros de alto valor educativo, e até
  • 47. filosófico, em grandes tiragens, que se esgotam rapidamente em ediçõessucessivas.Mesmo no cinema, se faz sentir, embora vagarosamente, essa evoluçãoascensional. Como todos estão fartos de saber, o cinema foi avassalado poruma avalanche de filmes repugnantes de sexo e selvageria. Filme semsexualismo desbragado e selvageria sangrenta não poderia contar comsucesso de bilheteria – que interessa às casas de cinema. Parece que,ultimamente, uma crescente elite se enfastiou desse bagaço primitivo e sentefome de um alimente mais humano e sadio. Alguns filmes de alto valorestiveram nos cinemas da Paulicéia semanas e semanas a fio, e sempre comos salões repletos de assistências silenciosas e atentas. Quando o homem ésupersaturado de um alimento grosseiro, começa ele a sentir fastio – e, após ofastio, vem uma fome de manjares mais delicados.O grosso da humanidade, como expus no meu livro A Nova Humanidade, seacha ainda no estágio primitivo do animal ligeiramente intelectualizado dopescoço para cima; mas o resto da sua natureza não foi ainda atingido pelaverdadeira hominalidade. Estamos nas baixadas do homem animal; algunssubiram até o homem hominal – mas quem alcançou as alturas do do homemintegral, do home cósmico? Quando um homem superior aparece, qual solitárioobelisco no vasto deserto do homem animal, é ele crucificado, morto esepultado e desce aos infernos... O maior dos homens que surgiu no planetaTerra foi difamado como louco, blasfemo, aliado de satanás, subversivo,comilão, amigo de publicanos e pecadores – mas, apesar disto, está empermanente ressurreição e ascensão. Dificilmente os pigmeus toleram sereclipsados pela sombra de um gigante. Instintivamente, o homem animal, oumesmo o homem intelectualizado, tenta degradar para suas baixadas umhomem que está nas alturas do homem cósmico. É mais cômodo fazer descerum Cristo ao nível do infra-homem do que fazer subir ao nível do super-homemum homem comum. A lei da inércia e do menor esforço governa em todos ossetores da nossa humanidade.Nunca foi tão difícil como hoje a terefa da educação. Todo o ambiente é hostil àsubida, tudo é favorável à descida. O educador e o educando de hoje têm denadar contra a corrente. Mas o pouco que alguém consegue contra a correntevale mais do que o muito dos outros que vão à mercê da corrente. As coisasfáceis são dos covardes – as coisas difíceis são para os heróis. O talento analisa – o gênio intui.
  • 48. POR QUE DEVE O HOMEM SER BOMA educação tradicional, como vimos, proíbe ser mau e manda ser bom, paranão sofrer castigo e para ser recompensado, seja antes, seja depois da morte.A verdadeira educação, porém, não apela para estes motivos,fundamentalmente egoísticos, e, portanto, antiéticos e antipedagógicos.Mas se o educando não se deve guiar por esses motivos de prêmio e castigo,qual o motivo real para ele ser bom?A resposta é que o homem deve ser bom e evitar ser mau por causa da suaprópria realização e aperfeiçoamento.Entretanto, para muitos, é incompreensível esse motivo de auto-realização.Por isto, passaremos a concretizar esse motivo. É absolutamente certo que aconsciência individual do homem, ou sua alma, não perece com o corpo físico,mas continua a sobreviver conscientemente. Embora a ciência não possaprovar a imortalidade, contudo ela tem demonstrado com provas convincentesa sobrevivência temporária da consciência individual, ou da alma humana.E, nesse estado póstumo, o homem leva consigo os seus créditos e os seusdébitos adquiridos na vivência terrestre. Os créditos são o resultado dos seusatos bons, honestos, da sua harmonia com as leis da verdade, da justiça, doamor, da bondade, etc. Os seus débitos são os seus atos contrários, emdesarmonia com essas leis.Nenhum homem entra, após a morte, num céu definitivo nem num infernodefinitivo, num lugar de gozo ou de sofrimento eterno. O céu é a suaconsciência de crédito, o inferno é sua consciência de débito. A morte nãoassinala nenhum fim definitivo, nem um princípio novo; a morte é uma transiçãopara outro ambiente de existência; é uma continuação da vivência terrestre,com todos os seus positivos e com todos os seus negativos. O homem, após-morte, leva consigo todos os seus créditos e todos os seus débitos, que são oseu céu e o seu inferno. Os créditos são felicidade, os débitos são infelicidade.O escopo supremo da educação é tornar o homem feliz, realmente feliz.
  • 49. Nem sempre a felicidade está isenta de dores, e nem sempre o gozo existesem a infelicidade. Pode um homem ser profundamente feliz no meio desofrimentos, e pode um homem ser infeliz no meio de gozos.A verdadeira educação mostra ao homem o caminho para ser feliz, seja nogozo, seja no sofrimento. Esta felicidade não é um “prêmio” dado ao homembom; a felicidade é ele mesmo, quando a sua consciência está em harmoniacom a alma do Universo. O homem bom é sempre um homem feliz, seja nogozo, seja no sofrimento – e esta felicidade é o fim supremo da educação.Gozo e sofrimento nos vêm das circunstâncias, que nem sempre estão sujeitasao nosso livre-arbítrio. Mas a felicidade ou a infelicidade vêm da nossa própriasubstância, do nosso verdadeiro Eu. Não somos livres em gozar ou sofrer, massomos livres em sermos felizes ou infelizes.A verdadeira educação visa portanto a felicidade do educando, que não é umprêmio, mas que é o próprio homem plenamente realizado. Céu e inferno nãosão lugares, mas são estados de consciência, creados pelo próprio homem.Ninguém o manda para o céu nem para o inferno, senão ele mesmo.É possível fazer compreender a qualquer educando que o fim da verdadeiraeducação é a sua própria felicidade.
  • 50. EDUCAÇÃO REAL E EFICIENTEEmbora já tenhamos tratado deste item em outro capítulo deste livro, julgamosnecessário voltar ao mesmo assunto, por ser de uma importância fundamentale decisiva.Em todos os setores da educação os educadores continuam a apelar para umfator diametralmente oposto à verdadeira educação, fator flagrantementeantipedagógico, antiético, antieducacional – o fator prêmio e castigo, fatorvisceralmente egoísta.Esse fator antipedagógico prevalece sobretudo na chamada educaçãoreligiosa, que promete um céu póstumo aos bons e ameaça com um infernopóstumo os maus, ambos de duração eterna.Nenhum educando medianamente sensato se tornará melhor por essapromessa de prêmio, ou ameaça de castigo póstumo. E isto por dois motivos:1) por que os mais sensatos não acreditam no céu ou no inferno da teologia; 2)por que os crentes nesses lugares póstumos sabem, de acordo com aspróprias teologias, que bastam 5 minutos de arrependimento ou confissão paracancelar 50 anos de crimes e maldades. E quem se sujeitaria a meio século devida honesta, em vez de alcançar um céu eterno em 5 minutos?De maneira que esses apelos para céu e inferno, Deus ou diabo, prêmio oucastigo, são educacionalmente nulos e totalmente ineficientes – talvez não paraos bobocas, mas para qualquer educando medianamente normal.Se o educador moderno não descobrir outro motivo para levar o seu educandoa ser bom, perde o seu tempo e trabalho.Que outro motivo haveria?A nossa educação corriqueira e superficial não sabe a que outro motivo apelar.O único motivo eficiente é o apelo à felicidade do próprio educando. Mas afelicidade não é algo que alguém possa receber de presente, por obra e mercêde terceiros, mas que ele mesmo tem de fazer.Ser realmente feliz só é possível a quem esteja em harmonia com as leis danatureza humana; quem não é amigo intransigente da verdade, da justiça, doamor, da honestidade, da fraternidade, não pode ser feliz; mas que é amigo
  • 51. intransigente da verdade, da justiça, do amor, da honestidade, da fraternidade,esse é profundamente feliz, embora talvez sofra por circunstâncias externas.Ninguém pode evitar todos os sofrimentos, que nos vêm das adversidades danatureza ou da perversidade dos homens; mas cada um pode ser feliz, porquea felicidade (ou a infelicidade) vem da própria substância ou consciência dohomem. O homem feliz pode sofrer, o homem infeliz pode gozar; mas oprincipal não é sofrer ou gozar, o principal é ser feliz, seja no sofrimento, sejano gozo.Enquanto o educador não convencer disto o seu educando, perde o seu tempoe trabalho.Felizmente, é possível educar o educando neste sentido; depende sobretudoda experiência pessoal do educador; se o seu íntimo ser não for felicidade, oseu dizer não convencerá o educando. Só um educador realmente bom é que éfeliz. Bom não quer dizer bonachão, nem bonzinho ou bom-bonzinho; bom éviver em perfeita harmonia com as eternas leis da verdade, da justiça, do amor,da honestidade, da fraternidade.Quando o íntimo ser do educador for ser-bom e ser-feliz, o educando, cedo outarde, sentirá, como que por osmose ou indução vital, o ambiente interno doeducador e terá vontade de ser bom e feliz também ele. Mas, se o educadorapela a belas teorias pedagógicas, de que estão repletos os nossos livros,perderá o seu tempo e trabalho. Nenhum educando tem vontade de ser bom efeliz porque seu educador leu e decorou tais e tais teorias modernas emorderníssimas.O segredo da educação, como se vê, é essencialmente uma questão de ser enão de dizer, nem mesmo de saber. É uma questão de auto-educação, deauto-realização.Toda a teoria, toda a técnica, toda a tecnologia, que formam o cavalo debatalha dos educadores modernos e moderníssimos, são pura camuflagem epalhaçada.É vital que o educador desista de qualquer apelo para prêmio e castigopóstumo e faça ver ao educando que ele deve a si mesmo ser bom e feliz. Céue inferno não são lugares longínquos e póstumos, mas são o estado deconsciência do próprio educando. O seu céu portátil é a felicidade, o seuinferno portátil é a infelicidade.Um céu externo ou um inferno externo nada têm que ver com a educação.Nunca nenhum defunto viu Deus nem o diabo, não está no céu nem numinferno local, mas está dentro de si. O educando deve a si mesmo estar no céuda sua felicidade, e não no inferno da sua infelicidade. Enquanto o homem não
  • 52. fizer esta experiência própria, não tem base para uma educação real eeficiente. ***Se, por um lado, as nossas teologias humanas são antipedagógicas eantieducacionais, por outro lado o espírito do Evangelho do Cristo oferece aoeducador a mais poderosa alavanca para uma educação real e eficiente.Consideremos apenas as palavras do Cristo sobre o “reino de Deus que estáno homem”, isto é, o germe divino que faz parte da natureza humana e quedeve ser despertado e desenvolvido pelo homem. Diz o mestre que estegerme, o reino de Deus no homem, é um “tesouro oculto” que deve serdescoberto; que é uma “luz debaixo do velador” que deve ser posta no alto docandelabro; que é como uma “pérola preciosa no fundo do mar” que deve sertrazida à tona.Que é tudo isto senão puro autoconhecimento e auto-realização?O educador tem de mostrar ao seu educando que ele é essencialmente bom edivino, e que deve fazer a sua existência humana tão boa como é a suaessência divina. Esta tarefa nada tem que ver com prêmio ou castigo depois damorte, mas com realização em plena vida. O tesouro oculto deve ser revelado,aqui e agora a luz sob o velador opaco tem de ser posta no alto do candelabroda vida diária, individual e social; e a pérola preciosa do espírito divino nohomem deve ser trazida à tona e brilhar ao sol de cada dia.O educando deve compreender que ele deve a si mesmo ser bom e feliz, aquie agora, porque é isto a razão de ser da sua existência, o sentido real da suavida terrestre.O educando não deve nada a Deus ou ao diabo, após a morte; deve tudo a si,à sua auto-realização humana, aqui e agora. O seu céu ou seu inferno não sãofenômenos póstumos em zonas longínquas, o seu céu é ser bom e feliz, aqui eagora e para sempre, isto é obra sua, eminentemente sua.“Eu sou o senhor do meu destino – eu sou o comandante da minha vida”.
  • 53. LIBERDADE COM RESPONSABILIDADETodo o ser livre é responsável pelos seus atos livremente cometidos – toda aliberdade cria responsabilidade.Nos seres da natureza infra-humana não há liberdade, e por isto não háresponsabilidade. Uma fera que mata um homem não se sente responsável poresse homicídio, porque não agiu com liberdade.Mas o homem que comete algo contra a sua consciência sente se culpado, temremorsos do seu ato. Esse senso de culpabilidade não é produto de uma falsaeducação, como querem certos autores, mas é a reação da própria naturezahumana, que se sabe livre para o bem e para o mal; mas a liberdade para omal gera o senso da culpa e cria remorsos.A consciência do homem não é outra coisa senão a voz das leis cósmicas, quedão liberdade ao homem para ser mau, mas exigem dele que seja livrementebom.Todo o homem não-adulterado em sua íntima natureza se sente responsávelpor seus atos livremente cometidos.E esse senso de responsabilidade cresce na razão direta da consciência daliberdade. Quanto mais livre o homem for, tanto mais responsável se sente elepor sua liberdade.A consciência da responsabilidade é uma espécie de contrapeso à consciênciada liberdade.Por mais que tentemos, não conseguiremos jamais matar totalmente a voz daconsciência, que é o eco das eternas leis cósmicas que regem o Universo.O homem que tenta ser livre sem ser responsável tenta adulterar as leiscósmicas, o que jamais conseguirá; pode suicidar-se, como Judas Iscariotes,sob o peso dos remorsos, mas não consegue modificar a constituição infalíveldo Universo, que no homem individual se chama consciência.O homem sensato e sábio age livremente, sentindo-se constantementeresponsável por sua liberdade.
  • 54. Compete ao educador consciencioso desenvolver no educando essa relaçãoentre liberdade e responsabilidade, que é o rim principal da verdadeiraeducação. Pode o homem instruído ser mau e infeliz – o homem educado é sempre bom e feliz.
  • 55. GUERRA E PAZ ENTRE O EGO E O EUDiz a sabedoria milenar da Bhagavad Gita: “O ego é o pior inimigo do Eu, maso Eu é o melhor amigo do ego”.Tentaremos concretizar graficamente estas relações entre os dois pólos danatureza humana. Representamos o ego por uma linha horizontal e o Eu poruma linha vertical. Da combinação desses dois símbolos podem resultardiagramas vários, como sejam:Na primeira figura o ego oprime o Eu, e o Eu suporta o ego, isto é, o egohostiliza o Eu, mas o Eu tolera ou mesmo ama o ego. Quer dizer que o ego(inferior) odeia o Eu (superior), mas o Eu ama o ego, assim como o tolo nãocompreende o sábio, mas o sábio compreende o tolo.No segundo caso, a linha horizontal do ego desceu pela linha vertical do Eu eforma com este uma cruz, por enquanto uma cruz telúrica, com o pé maiscomprido, símbolo do sofrimento. Houve pois uma crucificação do ego pelo Eu,ou melhor, o ego se espetou no Eu, sofrendo uma dilaceração, enquanto alinha vertical do Eu continua intacta.No terceiro desenho, o ego desceu pela metade do Eu, formando as duaslinhas uma cruz cósmica, com os quatro braços iguais, que é o símbolo daglória e da vida eterna. Neste caso, o Eu fez um tratado de paz com o ego; nãoo expulsou de si, mas integrou em si, como faz todo o homem plenamenterealizado.No primeiro caso, teríamos o símbolo da instrução triunfante e da educaçãooprimida, estado esse em que se encontra a quase totalidade do gênerohumano: 90% de instrução e 10%, de educação, se tanto. Nenhum governo domundo se interessa realmente pela educação do Eu, mas tão-somente pela
  • 56. instrução do ego. Praticamente, nem é possível que um governo favoreça o Eu,porque a tarefa da autoridade pública é meramente legal-social, e nãoindividual. Não interessa ao governo que o cidadão seja bom ou mau;interessa-lhe que não faça o mal; nem o mesmo exige do cidadão que faça obem, mas simplesmente que evite o mal. Para o governo, é suficiente que ocidadão não faça o mal, entendendo-se por bem ou mal o respeito oudesrespeito à ordem legal e social vigentes no país. Enquanto o cidadão nãodestrói ou prejudica o regime legal e a ordem social, é ele considerado um“bom cidadão”. Esse “bom” se refere ao não fazer mal, não compreendendosequer o fazer bem, e menos ainda o “ser bom”, de que não cogita aautoridade pública, consoante o texto do Direito Romano: “De intimis nen curatpraetor” (das coisas internas não se ocupa o magistrado).Uma boa educação é para o governo aquela que respeita a ordem legal esocial, não a destruindo nem a prejudicando. Isto é educação cívica. Algunsexigem também educação moral, incluindo na educação também o fazer obem. É isto que se chama educação em base filosófica.As religiões organizadas parecem exigir do homem que, além de fazer o bem eevitar o mal, também seja bom. Mas esse ser bom é simples camuflagem,porque o ser bom exigido pelas religiões, como já dissemos, é um egoísmodisfarçado, porquanto a chamada moral religiosa tem como motivos apromessa de prêmio e a ameaça de castigo – prêmio e castigo, ainda quepóstumos, são motivos do ego, e nenhum ego pode deixar de ser egoísta. Demaneira que nem no plano religioso existe verdadeira idéia de educação, queseria auto-educação, ou realização do Eu, auto-realização.Aliás, nenhum governo pode interessar-se pela auto-realização individual, queé da alçada do Eu individual, e não do ego social. O máximo que se requer doego é que evite o mal. Toda e qualquer sociedade é um produto do ego, e oseu campo de ação é meramente produtivo, no plano horizontal do fazer, e nãocreativo no plano vertical do ser.A vertical creativa do ser é tarefa exclusiva do Eu individual e não do ego sociale seus derivados.Para a sociedade não existe o Eu individual, porque a sociedade é um produtodo ego social.Quando, anos atrás, foi publicado no Brasil o decreto-lei sobre uma basefilosófica da educação, aconteceu algo tão paradoxal como um círculoquadrado – e a lei foi praticamente silenciada. A verdadeira educação nosentido de auto-educação ou auto-realização não comporta essa base filosóficasocial. Possivelmente a lei se referia a outra espécie de filosofia. A alo-educação que interessa ao governo está invariavelmente na faixa do ego e dalei, e não na do Eu e da justiça.
  • 57. O lema “summum ius summa inioria”, gravado no frontispício do fórum deSanta Maris (RS), é o perfeito paralelo às citadas palavras da Bhagavad Gita,“o ego é o pior inimigo do Eu”; o ego só quer o “ius”, o direito, que, segundo olema citado, é a maior “iniaria” ou injustiça. O direito é do ego – a justiça é doEu.Alo-educação corresponde ao direito do ego; auto-educação representa ajustiça do Eu. A justiça do ser bom é essencialmente creativa, ao passo que odireito de fazer o bem é meramente produtivo. A creatividade se refere aosujeito do Eu, a produtividade refere-se aos objetos do ego; mesmo ao objetopessoal, que é o próprio ego, e que, por sua vez, produz os objetosimpessoais, que lhe dão segurança e garantia.A educação, como ela é entendida pelos governos, tem por fim manter egarantir a segurança nacional e a ordem social, que interessa ao ego. Averdadeira auto-educação é creadora. Indiretamente, sim, essa creatividadepode também favorecer a produtividade, mas não há um nexo causal e diretoentre a creatividade e produtividade. Às vezes, a creatividade do Eu éflagrantemente improdutiva, e até antiprodutiva.Quando o homem realiza plenamente o seu ser bom, então a sua plenitudetransborda na forma de fazer bem, queira ou não queira ele.Voltando ao diagrama inicial, podemos dizer que o Eu e o ego, quando chegama formar a cruz cósmica da educação, beneficiam grandemente a cruz telúricada instrução. O ser bom próprio beneficia o fazer bem alheio.Quando o grande iniciado hindu Ramana Maharishi foi interrogado sobre qual omelhor modo de fazer bem à humanidade, respondeu ele: “O maior bem quepodeis fazer à humanidade é a vossa própria auto-realização. O fim da educação é crear o homem integral.
  • 58. DE ONDE VÊM A PERDIÇÃO E A SALVAÇÃO DO HOMEM?Quase todos nós fomos educados na idéia de que, no princípio, houve uma“queda” trágica do homem, provocada pelo diabo. Quer dizer, que o homemprimitivo foi vítima de uma perdição vinda de fora.Foi-nos dito também que, depois desta queda, teria Deus prometido mandar àhumanidade um salvador, o Cristo, que livraria o homem dessa suposta queda.Seria pois uma alo-salvação, neutralizando uma alo-perdição.Deste modo, seria o homem um joguete manipulado por duas forças adversas:o diabo da perdição e o Cristo da salvação.Se assim fosse, não existiria tal coisa como o livre-arbítrio próprio, responsáveltanto pela perdição como pela salvação do homem. O homem seria apenas umobjeto passivo, e não o sujeito ativo do seu destino bom ou mau.Nós sabemos, porém, que o homem é o senhor do seu destino e o comandanteda sua vida como diz um filósofo-poeta; que Deus creou o homem o menospossível para que o homem se possa crear o mais possível, no dizer de umpensador moderno.Perdição e salvação não acontecem ao homem pelo favor ou desfavor dascircunstâncias más (diabo) ou das circunstâncias boas (Cristo); perdição esalvação provêm da íntima substância do próprio homem, isto é, só existe auto-perdição e auto-salvação.Se o homem fosse um joguete passivo, ou uma bola chutada pelascircunstâncias externas, inútil seria toda a tentativa de educação, e teriamrazão certos psicólogos modernos que afirmam que o homem é produto domeio; que o meio bom faz o homem bom, e o meio mau faz o homem mau.Neste caso, não deveríamos tentar educar o homem, mas modificar ascircunstâncias externas; nada teríamos que eduzir do homem, como aeducação pretende, mas simplesmente modificar o ambiente.Na realidade, não houve, no princípio da humanidade, uma alo-perdição, nemhouve depois uma alo-salvação. A perdição e a salvação vêm da própriasubstância do homem, que é a sua consciência, o seu livre-arbítrio, que o tornamau ou bom.
  • 59. Esta atuação dúplice do homem é possível, porque a natureza humana ébipolar, negativa-positiva, como são, aliás, todas as coisas da natureza.Esses dois pólos da natureza humana – que a filosofia antiga chama Aham eAtmam, e a psicologia moderna denomina ego e Eu – não são contrários ouantagônicos, mas complementares e mutuamente compatíveis.O antagonismo do negativo e do positivo é aparente, a compatibilidade é real.Toda a educação consiste, em última análise, em levar o educando aestabelecer em si a complementação ou síntese do seu ego e do seu Eu, queparecem antíteses, mas podem e devem constituir a grande síntese da vidahumana.A realização do homem integral consiste no descobrimento e realização daharmonia entre os dois pólos da natureza humana.Por isto, o homem integral não é espiritualista, nem materialista, nem tampoucomentalista; o homem integral é o homem que tem a nítida consciência, esubseqüente vivência, de que ele é uma creatura creadora, que se pode fazeratualmente bom pela síntese das suas potencialidade sintetizáveis, que, aoignorante, parecem antíteses inconciliáveis.Autoconhecimento e auto-realização são a chave da verdadeira educação.As circunstâncias externas podem dificultar, como também facilitar, arealização do homem integral, mas não a podem jamais impossibilitar. Deresto, o próprio Cristo nunco afirmou que ele veio para nos fazer bons oujustos; toda a sua doutrina gira em torno da possibilidade de o homem se tornarbom ou mau. Ele, com o exemplo da sua própria vida, provou que o homem sepode tornar integralmente bom, apesar das circunstâncias adversas.A idéia de uma alo-perdição ou alo-salvação, que domina as teologias, évisceralmente antipedagógica e antieducativa. Somente a verdade sobre anatureza humana e sua realização pode tornar possível uma educaçãoeficiente. Ninguém pode educar alguém, alguém só pode educar-se a si mesmo
  • 60. AMOR À NATUREZAÉ inexplicável o instinto de destruição que domina certos meninos.Se encontram uma árvore recém-plantada à beira da rua, têm de quebrá-la ouarrancá-la.Se passam diante de uma janela de vidro, têm de jogar pedras na vidraça.Se encontram um muro recém-pintado, têm de sujá-lo com seu nome e/ou onome de sua namorada – nome de louco em cada toco...O respeito ou desrespeito à natureza e ao ambiente são indícios do caráter dapessoa.Em face dessa mania de destruição que observo em tantos meninos, perguntoa mim mesmo: por que esse ódio a quem nunca lhe fez mal?Disse-me alguém que é uma vingança instintiva, uma reação de ódiorecalcado. Mas ódio a quem?Sentimentos inconsciêntes não tem explicação. Parece que a educaçãoreligiosa que muitos recebem na infância gera um senso de revolta, de protestotácito, de mania de vingança.Nunca tive essa mania de destruição, mas fui rememorando o que meaconteceu mais de meio século atrás, e que bem poderia ter criado em mimessa revolta inconsciente. O Deus que eu conheci em criança era um Deus detemor, e não de amor. Foi-me dito que eu devia temer a Deus, que os homenstementes a Deus eram os santos. Imaginava que Deus devia ser um papãoperigoso para ser tão temido.Hoje me lembro do que aconteceu a Voltaire, chamado o pai do ateísmo;perguntado porque não aceitava Deus, respondeu: não posso aceitar um Deusa quem não posso amar; o Deus que me ensinaram deve ser temido, e, porquenão o quero temer, prefiro ignorá-lo – é o que eles chamam meu ateísmo.Lembro-me dos meus oito anos, quando uma professora piedosa e piegas mepreparava para a primeira comunhão. Disse-me que eu não devia calarnenhum pecado mortal na confissão, porque isto era sacrilégio. Eu não sabiabem o que queria dizer sacrilégio, mas palavra tão feia só podia ser coisa ruim.E, para não cometer o tal sacrilégio, fui copiar do meu catecismo todos ospecados que lá estavam enumerados contra os dez mandamentos – muitas
  • 61. dúzias, e muitos deles mortais. Levei comigo para o confessionário, inclusiveos meus homicídios contra o 5- mandamento e os meus adultérios contra o 6-mandamento. Felizmente, o confessor, vendo um garotinho através da gradedo confessionário, não tomou a sério os meus homicídios e adultérios, e meabsolveu de tudo. Retirei-me, aliviado, e sem nenhum sacrilégio naconsciência, porque dizer pecados demais não podia ser sacrilégio; aprofessora só dissera que eu não devia calar um pecado mortal. E, certamente,Deus teria pena de mim por eu me ter feito mais pecador do que era.Veio depois o tormento da minha primeira comunhão. A professora piedosa meprevinira severamente que eu não devia mastigar a hóstia sagrada, que era ocorpo de Jesus, e, para evitar tamanho sacrilégio, cortei em casa, uma série dehóstis de papel e as fui engolindo cuidadosamente, sem as morder nemencostar nos dentes. E, com tão cuidadoso ensaio, julgo não ter cometidosacrilégios no dia da minha primeira comunhão.Por muitos anos, durante a minha adolescência, só conheci, como Voltaire, umDeus e um Cristo que deviam ser temidos. Não sei se não cheguei a odiarsecretamente esse papão do além...Será que a revolta que muitos meninos têm contra as coisas inocentes danatureza de Deus não revela uma revolta inconsciente contra o Deus danatureza? Um complexo, um traumatismo, um recalque, como dizem oseruditos?Quem aprendeu a amar o Deus da natureza, ama também a natureza de Deus.Naturalmente, não um Deus ausente e distante em algum céu longínquo, masum Deus presente em todas as suas creaturas, pequenas e grandes,conscientes ou inconscientes. Por mais que os além-nistas afirmem que Deussó está no céu, a alma cristã por sua própria natureza é aquém-nista e advinhaDeus em todas as coisas da terra, da água e do ar. Naturalmente, não umDeus pessoal, tipo Papai Noel, mas um Deus em espírito e verdade, como diziao Divino Mestre, um Deus onipresente, sempre presente e nunca ausente.Uma educação baseada na consciência da natureza de Deus e do Deus danatureza já é uma educação religiosa, mesmo fora de qualquer “religião”.Einstein, o maior matemático do século, e talvez de todos os tempos, diz de simesmo que ele era um homem “profundamente religioso”, porque via Deus emtodas as coisas do Universo.Não adianta acoimar essa cosmo-vidência de “panteismo”; o certo é que todosos homens realmente bons e felizes tinham e têm essa vidência, consciente ouinconscientemente.
  • 62. A nossa educação religiosa devia insistir menos num suposto Deus pessoal, emais em levar o educando a ver Deus em tudo e tudo em Deus. E a plenitudedo amor a Deus levaria espontaneamente ao amor da natureza.Santo Antão, do Egito, fugiu para o deserto da Tebaida – com medo do inferno.Santa Teresa de Ávila fugiu para um convento – com medo de Deus.Quando compreenderão os cristãos as palavras do Cristo: “Amarás o senhorteu Deus com toda a tua alma, com toda a tua mente, com todo o teu coração ecom todas as tuas forças? Antes de educar os outros, deve o homem educar a si mesmo.
  • 63. ÍNDICEINTRODUÇÃOEXPLICAÇÃO NECESSÁRIAO PROBLEMA PARADOXAL DA EDUCAÇÃOA CRISE EXISTENCIAL DO HOMEM MODERNOVISÃO PANORÂMICA DA EXISTÊNCIA TOTALINSTRUÇÃO E EDUCAÇÃOO QUE O EDUCADOR DEVE EDUZIR DO EDUCANDOVALORES VALORIZANDO OS FATOSDEVE O EDUCADOR CASTIGAR?É POSSÍVEL A EDUCAÇÃO DO HOMEM INTEGRAL?DEVE O EDUCADOR FALAR EM DEUS?A MEDITAÇÃO FAVORECE A EDUCAÇÃO?ORIGEM E NATUREZA DO HOMEMPOR QUE O HOMEM ESTÁ NA TERRA?FALÊNCIA DA EDUCAÇÃO BASEADA EM PRÊMIO E CASTIGOTEOLOGIAS ANTIEDUCACIONAISCOBAÍSMO EDUCACIONALDISPERSIVIDADE E CENTRALIDADEPOR QUE DEVE O HOMEM SER BOMEDUCAÇÃO REAL E EFICIENTELIBERDADE COM RESPONSABILIDADEGUERRA E PAZ ENTRE O EGO E O EUDE ONDE VÊM A PERDIÇÃO E A SALVAÇÃO DO HOMEM?
  • 64. AMOR À NATUREZA
  • 65. HUBERTO ROHDEN VIDA E OBRANasceu na antiga região de Tubarão, hoje São Ludgero, Santa Catarina, Brasilem 1893. Fez estudos no Rio Grande do Sul. Formou-se em Ciências, Filosofiae Teologia em universidades da Europa – Innsbruck (Áustria), Valkenburg(Holanda) e Nápoles (Itália).De regresso ao Brasil, trabalhou como professor, conferencista e escritor.Publicou mais de 65 obras sobre ciência, filosofia e religião, entre as quaisvárias foram traduzidas para outras línguas, inclusive para o esperanto;algumas existem em braile, para institutos de cegos.Rohden não está filiado a nenhuma igreja, seita ou partido político. Fundou edirigiu o movimento filosófico e espiritual Alvorada.De 1945 a 1946 teve uma bolsa de estudos para pesquisas científicas, naUniversidade de Princeton, New Jersey (Estados Unidos), onde conviveu comAlbert Einstein e lançou os alicerces para o movimento de âmbito mundial daFilosofia Univérsica, tomando por base do pensamento e da vida humana aconstituição do próprio Universo, evidenciando a afinidade entre Matemática,Metafísica e Mística.Em 1946, Huberto Rohden foi convidado pela American University, deWashington, D.C., para reger as cátedras de Filosofia Universal e de ReligiõesComparadas, cargo esse que exerceu durante cinco anos.
  • 66. Durante a última Guerra Mundial foi convidado pelo Bureau of lnter-AmericanAffairs, de Washington, para fazer parte do corpo de tradutores das notícias deguerra, do inglês para o português. Ainda na American University, deWashington, fundou o Brazilian Center, centro cultural brasileiro, com o fim demanter intercâmbio cultural entre o Brasil e os Estados Unidos.Na capital dos Estados Unidos, Rohden frequentou, durante três anos, oGolden Lotus Temple, onde foi iniciado em Kriya Yôga por SwamiPremananda, diretor hindu desse ashram.Ao fim de sua permanência nos Estados Unidos, Huberto Rohden foi convidadopara fazer parte do corpo docente da nova International Christian University(ICU), de Metaka, Japão, a fim de reger as cátedras de Filosofia Universal eReligiões Comparadas; mas, por causa da guerra na Coréia, a universidadejaponesa não foi inaugurada, e Rohden regressou ao Brasil. Em São Paulo foinomeado professor de Filosofia na Universidade Mackenzie, cargo do qual nãotomou posse.Em 1952, fundou em São Paulo a Instituição Cultural e Beneficente Alvorada,onde mantinha cursos permanentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiânia,sobre Filosofia Univérsica e Filosofia do Evangelho, e dirigia Casas de RetiroEspiritual (ashrams) em diversos Estados do Brasil.Em 1969, Huberto Rohden empreendeu viagens de estudo e experiênciaespiritual pela Palestina, Egito, Índia e Nepal, realizando diversas conferênciascom grupos de yoguis na Índia.Em 1976, Rohden foi chamado a Portugal para fazer conferências sobreautoconhecimento e auto-realização. Em Lisboa fundou um setor do Centro deAuto-Realização Alvorada.Nos últimos anos, Rohden residia na capital de São Paulo, onde permaneciaalguns dias da semana escrevendo e reescrevendo seus livros, nos textosdefinitivos. Costumava passar três dias da semana no ashram, em contato coma natureza, plantando árvores, flores ou trabalhando no seu apiário-modelo.Quando estava na capital, Rohden frequentava periodicamente a editoraresponsável pela publicação de seus livros, dando-lhe orientação cultural einspiração.À zero hora do dia 8 de outubro de 1981, após longa internação em uma clínicanaturista de São Paulo, aos 87 anos, o professor Huberto Rohden partiu destemundo e do convívio de seus amigos e discípulos. Suas últimas palavras emestado consciente foram: “Eu vim para servir à Humanidade”.Rohden deixa, para as gerações futuras, um legado cultural e um exemplo defé e trabalho, somente comparados aos dos grandes homens do século XX.
  • 67. RELAÇÃO DE OBRAS DO PROF. HUBERTO ROHDENCOLEÇÃO FILOSOFIA UNIVERSAL:O PENSAMENTO FILOSÓFICO DA ANTIGUIDADEA FILOSOFIA CONTEMPORÂNEAO ESPÍRITO DA FILOSOFIA ORIENTALCOLEÇÃO FILOSOFIA DO EVANGELHO:FILOSOFIA CÓSMICA DO EVANGELHOO SERMÃO DA MONTANHAASSIM DIZIA O MESTREO TRIUNFO DA VIDA SOBRE A MORTEO NOSSO MESTRECOLEÇÃO FILOSOFIA DA VIDA:DE ALMA PARA ALMAÍDOLOS OU IDEAL?ESCALANDO O HIMALAIAO CAMINHO DA FELICIDADEDEUSEM ESPÍRITO E VERDADEEM COMUNHÃO COM DEUS
  • 68. COSMORAMAPORQUE SOFREMOSLÚCIFER E LÓGOSA GRANDE LIBERTAÇÃOBHAGAVAD GITA (TRADUÇÃO)SETAS PARA O INFINITOENTRE DOIS MUNDOSMINHAS VIVÊNCIAS NA PALESTINA, EGITO E ÍNDIAFILOSOFIA DA ARTEA ARTE DE CURAR PELO ESPÍRITO. AUTOR: JOEL GOLDSMITH(TRADUÇÃO)ORIENTANDO“QUE VOS PARECE DO CRISTO?”EDUCAÇÃO DO HOMEM INTEGRALDIAS DE GRANDE PAZ (TRADUÇÃO)O DRAMA MILENAR DO CRISTO E DO ANTICRISTOLUZES E SOMBRAS DA ALVORADAROTEIRO CÓSMICOA METAFÍSICA DO CRISTIANISMOA VOZ DO SILÊNCIOTAO TE CHING DE LAO-TSÉ (TRADUÇÃO)SABEDORIA DAS PARÁBOLASO QUINTO EVANGELHO SEGUNDO TOMÉ (TRADUÇÃO)A NOVA HUMANIDADEA MENSAGEM VIVA DO CRISTO (OS QUATRO EVANGELHOS TRADUÇÃO)RUMO À CONSCIÊNCIA CÓSMICAO HOMEM
  • 69. ESTRATÉGIAS DE LÚCIFERO HOMEM E O UNIVERSOIMPERATIVOS DA VIDAPROFANOS E INICIADOSNOVO TESTAMENTOLAMPEJOS EVANGÉLICOSO CRISTO CÓSMICO E OS ESSÊNIOSA EXPERIÊNCIA CÓSMICACOLEÇÃO MISTÉRIOS DA NATUREZA:MARAVILHAS DO UNIVERSOALEGORIASÍSISPOR MUNDOS IGNOTOSCOLEÇÃO BIOGRAFIAS:PAULO DE TARSOAGOSTINHOPOR UM IDEAL – 2 VOLS. AUTOBIOGRAFIAMAHATMA GANDHIJESUS NAZARENOEINSTEIN – O ENIGMA DO UNIVERSOPASCALMYRIAMCOLEÇÃO OPÚSCULOS:SAÚDE E FELICIDADE PELA COSMO-MEDITAÇÃO
  • 70. CATECISMO DA FILOSOFIAASSIM DIZIA MAHATMA GANDHI (100 PENSAMENTOS)ACONTECEU ENTRE 2000 E 3000CIÊNCIA, MILAGRE E ORAÇÃO SÃO COMPATÍVEIS?CENTROS DE AUTO-REALIZAÇÃO

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