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Relação entre bem e mal no pensamento de tomás de aquino pdf
 

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    Relação entre bem e mal no pensamento de tomás de aquino pdf Relação entre bem e mal no pensamento de tomás de aquino pdf Document Transcript

    • Relação entre bem e mal no pensamento de Tomás de Aquino José Fernando Vieira1Resumen: Hacer una relación entre bien y mal en Tomás de Aquino es traeruna teodiceia que busca refugiarse en la elaboración sistemática y genuínahecha acerca del concepto del ser en la originalidad tomista. Acá podremospercibir la noción del ser y sus accidentes; la esencia del mal como ausenciadel ser; y su función en la contingencia accidental encontrada en el sujeto. Asíla defensa tomista discurre del punto de vista que el mal no hace parte del Ser,y que está de manera única en los entes, pero solo existe porque existen losentes.Resumo: Fazer uma relação entre bem e mal em Tomás de Aquino é trazeruma teodicéia que busca refugiar-se na elaboração sistemática e genuína feitaacerca do conceito de ser na originalidade tomista. Aqui poderemos perceber anoção de ser e seus acidentes; a essência do mal como a ausência de ser; esua função na contingência acidental encontrada no sujeito. Assim a defesatomista discorre do ponto de vista donde o mal não faz parte do Ser, e que eleestá de maneira única nos entes, mas só existe por que existem os entes.Palavra chave: Mal; esseidade; essência; acidente; contingente; Ser; ente;Introdução: Tomás de Aquino parte do pressuposto de que a razão é limitadae não alcança a totalidade das verdades que estão subentendidas nesteassunto. O bem que aqui é comparado analogicamente com o Ser e os entes,e deles depende, é o próprio Ser, ou seja, é Deus. Assim o mal não temessência e muito menos a essência do Ser. Ele é a ausência de ser quedepende intrinsecamente dos entes, pois se não existissem o ser das coisas,não existiria o mal em si, pois esse tem por finalidade corromper o bem,1 José Fernando Vieira – Graduando em filosofia. 3° período. (Faculdade Arquidiocesana de Curitiba)FAF-Uniandrade. 06/2010. 1
    • fazendo-o limitado e destinado a desaparecer, contudo o mal a certa alturacorromperia a si mesmo; pois é próprio da sua natureza a corrupção. Aqui estáo centro da teodicéia tomista. Outro aspecto é a limitação dos entes comoparte de sua essência, e distinção entre si, sendo natural e necessário. Assim omal como a ausência de ser permite que os entes todos participem do Ser, eessencialmente se fazem entes que por serem participadores não possuem eesseidade,2 pois se assim fosse perderiam sua essência. Teodicéia: “Uma linguagem sem significado” Quando adentramos no aspecto que envolve a razão como crivo demedida para a concepção de verdade podemos nos deparar com algumasdificuldades do ponto de vista reflexivo para compreender a relação entre aafirmação da concepção cristã de Deus; com todos os seus atributospertencentes, em cuja afirmação nós encontramos sua impregnação tanto noâmbito ontológico do Todo, como na finalidade última das coisas. Mas, uma pergunta que perpassa toda a questão proposta é; se Deus éDeus em todos os seus aspectos e assim entendemos como o Ser supremo;Eterno; Onipotente; Uno; Criador; Benevolente... Por que então temos quejustificá-lo? Seria ele tão mesquinho assim ao ponto de necessitar dejustificação de uma razão limitada? E ainda, defendê-lo do quê? Algo podeameaçá-lo? Do que estamos falando, de Deus ou de um ente qualquer que sesubmete ao crivo dos nossos questionamentos? Justificar a Deus racionalmente foi, e é um desafio constante dentro dopróprio cristianismo; isso se pode perceber em toda a história dos intelectuaiscristãos; dentre eles iremos apontar para um dos maiores pensadores; Tomásde Aquino.2 Este conceito foi retirado da obra Quem é Deus? Escrito por Mondin. A Esseidade, ou melhor, aplenitude do ser. “Com este termo, indica-se não só que Deus existe e possui o ser, mas que ele é o sermesmo e que, por conseqüência, é plena e totalmente ser. Por esseidade entende-se precisamente isso:a plenitude do ser”. (Batista Mondin. Quem é Deus? p. 294) e ainda: “Só a esseidade, qualificando aDeus em relação a essa perfeição que é mais rica e mais fundamental de todas as perfeições, manifestatotalmente a realidade de Deus de maneira limitada e pressupõem sempre a perfeição do ser” (BatistaMondin. Quem é Deus? p. 295). 2
    • Toda a questão que aqui será apresentada; deve caminhar a partir dopressuposto percebido por Etienne Gilson em seu comentário a respeito dopensamento de Tomás de Aquino, neste ponto apresentado abaixo poderemosperceber a questão limitada da razão, e o dogma de que nem tudo o que Deusfaz tem uma causa, e ainda se a causa é existente; não temos conhecimentodela, assim: [este] problema é o mais agudo da doutrina de Tomás de Aquino, pois, nele, a transcendência de Deus sobre o mundo está solidamente assegurada, contra toda a dificuldade que possa surgir da existência do universo criado? – se quisermos dizer, - por que causa? – não há resposta. Sob esta forma, precisamente, não há mesmo questão. Deus criou o mundo, mas não há uma causa pelo qual tenha feito. (...) não poderia haver causa daquilo que é a causa de tudo o mais. (A Existência na filosofia de S. Tomás de Aquino; 3 p.71-72). Se o mundo não tem uma causa, e este universo criado é resultado daparticipação dos entes no Ser, podemos afirmar que em relação ao mundo,Deus simplesmente o fez, e a causa ou motivo pelo qual o tenha feito não podeser compreendido pela razão. A única coisa que compreendemos é atemporalização do mundo estabelecido e respeitado por Tomás de Aquino, deacordo com o relato da criação, encontrado nos primeiros capítulos do livro doGênesis.4 Por não ser possível adentrar neste campo que segundo Tomás é decunho teológico e foge até mesmo da compreensão desta ciência; a teodicéiatorna-se: “Uma linguagem sem significado”.5 Temos então o ponto de partidade Santo Tomás; a razão é importante e contém um caráter próprio de ser,sendo capaz de buscar algumas verdades, mas diante de Deus torna-selimitada e a certo ponto banal. É tendo em vista esta compreensão que prosseguimos este trabalho.Ainda podemos destacar que: Em tudo o que a razão tender para “defender”,3 GILSON, Etienne. A Existência na filosofia de S. Tomás de Aquino. Livraria Duas Cidades, SP.1962.4 A Questão não consistia em indagar se o mundo foi criado no tempo. Sob esta forma precisa, oproblema já fora resolvido pela Revelação. Está escrito: No princípio Deus criou o céu e a terra. Portantohouve um princípio. O que parece estranho não é terem os filósofos ignorado essa verdade, e sim o fatoque, por não terem conhecido pela Palavra de Deus, houvessem deduzido, naturalmente, que o mundonão teve princípio. (GILSON. A Existência na filosofia de S. Tomás de Aquino; p. 100).5 Idem; p. 72. 3
    • ou melhor, todo e qualquer esforço, para apreender a lógica da existênciadivina e sua coerência com o que aqui no mundo, onde os entes se manifestampelo ato de existir, acontece de acordo com a vontade de Deus, mesmo que senos pareça ser de inalcançável compreensão. 4
    • O mal na visão tomista Um dos maiores problemas que se contrapõem a uma compreensãosimples a respeito de Deus é a questão do mal no mundo. Aqui entendemos eanalisamos o mal como algo6 concreto e experienciável, donde todos osindivíduos estão expostos universalmente (por exemplo, a morte; que em si é ofim inevitável e indesejável de todo homem, tendo em vista que morrerbiologicamente é o fim do ato de existir de todo ser - homem) como também nasingularidade subjetiva (onde a compreensão do mal consiste nacircuntacialidade de cada um e em seu ponto de vista, que pode ser variada). Para abarcar a visão tomista a respeito de sua teodicéia temos queperceber que ele busca aprofundar e definir o mal a partir de Santo Agostino7. É por isso que podemos ver o próprio Tomás afirmar “o mal não se opõea essência divina”. (Suma Teológica Art. X. p. 148). Contudo a novidade do pensamento deste autor está na maneira em quese conhece o mal. Segundo sua teodicéia “A ciência de Deus não é causa domal, mas é a do bem, pelo qual é conhecido o mal” (Suma Teológica Art. X. p.148). Assim o bem funciona como um arquétipo, cujo qual pelo processo deanalogia torna-se perceptível o seu efeito contrário. Aqui o homem como enteque participa do Ser de Deus é, na medida em que se assemelha ou se separa6 Aqui compreendemos o mal não em sua totalidade de conceitos elaborados ao longo dosfilósofos como Santo Agostinho em sua divisão a respeito do tema que o distingue em mal metafísico,físico, e moral. Nem tampouco na compreensão complexa e atual a respeito do mal a partir doiluminismo e as mais diversas questões levantadas entre os dois principais focos deste tema, que sereduz ao mal moral e o mal natural; como também a relação entre ambos. O mal por aqui cruamentedefinido vem de encontro com a noção do senso comum, onde se encaixa tudo aquilo que nos ameaçade uma maneira ou de outra, tudo o que nos faz perceber a contingência humana: Seja a morte, adoença, a falta de sentido e esclarecimento de nossas origens, ou ainda de nossa finalidade. Tambémpodemos Alencar as questões que não se explicam como: Um terremoto, uma concentração numcampo nazista, ou a morte de um inocente dependurado numa cruz. O fato é que o mal se não definidoteoricamente, está de maneira abstrata impregnado na consciência humana e nos permite distinguirentre o bem e o mal e seus diversos níveis.7 Em síntese podemos perceber que para Agostinho o mal não é uma substância criada por Deus,mas “o mal é apenas privação do bem, privação esta que chega ao nada absoluto”, (Confissões; livro III.ed. Paulus, coleção Patrística; 1997. p. 75), e ainda “E aquele mal, cuja origem eu procurava, não é umasubstância” (Confissões; livro III. ed. Paulus, coleção Patrística; 1997. p. 192). Assim Agostinho redime oato criador de Deus e o defende como sendo benevolente e incapaz por natureza de criar qualquer coisamá. É a partir desta compreensão que Tomás de Aquino desenvolve a problemática exposta. 5
    • do ser, a medida com que se percebe o nível de ausência do ser; em outraspalavras, o mal. Uma problemática que podemos levantar a partir do raciocínio dopensador entre a oposição analógica, onde: “o bem e o mal se chamamgêneros, não pura e simplesmente, mas dos contrários; pois, como toda formatem a natureza de bem, assim toda privação, como tal, tem a natureza de mal”.(Suma Teológica Art. I. p. 442). Se invertermos a dialética utilizando do mesmométodo analógico, podemos facilmente definir o mal que é imanente no sentidoexperimental; concreto e existente, pois ninguém em sã consciência é capaz dedizer que o mal não existe; fazendo dele o arquétipo numa projeção abstratacontrária ao próprio bem. Assim podemos afirmar que conhecemos o bemsomente como idéia e necessidade de se livrar do mal, cujo qual é muito maispróximo de nossa natureza. Se colocarmos o mal como a essência arquetípica, para definir edelimitar as coisas existentes, nós caímos numa ilação metafísica contraditória,tendo em vista que o mal tem por natureza a corrupção do bem, e que quandoassim ocorrido numa certa altura teria corrompido todo o bem econseqüentemente o próprio mal, que a partir de então passaria a não maisexistir. E isso o filósofo percebeu de maneira única: porém não pode haver um mal sumo, pois, segundo já se demonstrou embora o mal sempre diminua o bem, nada pode haver íntegra e perfeitamente mau. Pelo que o Filósofo [Aristóteles] diz – o mal integral se destruirá a si mesmo pois, destruído todo bem, o que é exigido para a integridade do mal, elimina-se também o próprio mal, cujo sujeito é o bem. (Suma Teológica Art. I. p. 454) Para o pensamento tomista temos que perceber a importância do Ser,donde deriva todos os outros seres existentes, contudo estes entes participamde maneira limitada, sendo um bem menor e cujo nível se encontra submetidoa males, ou melhor, os entes sofrem privação da totalidade do Ser evitandoassim se assemelharem a ele, e ao mesmo tempo se distinguindo do mesmo. Assim nos entes temos o bem derivado do Ser e o mal que não faz partenem da esseidade do próprio Ser; nem de seu ato criador; nem da essênciamesma daqueles que estão sujeitos a privação. Aqui percebemos o mal como 6
    • impregnado nos entes de maneira acidental e não em sua essência. Assim “omal tem causa ao modo do agente, não certo por si, mas por acidente”. (SumaTeológica Art. I. p. 451). A distinção entre essência e acidente traz toda a problemática elaboradapor Aristóteles.8 A partir do conceito assim definido como acidente, podemoscompreender o porquê de para Tomás o mal estar sempre num planosecundário e não fazer parte da ordem criadora de Deus. Assim o mal épercebido pelo sujeito (no sentido daquele que prática a ação) que é o bem porparticipação (homem) capaz de perceber, de colocar em escalas, e também deser responsável pelo mal, tanto pela limitação que é própria de sua natureza,como pela causa moral e conseqüencial de sua liberdade e vontade.8 O conceito de acidente se reflete no sentido não causal aristotélico onde existe o “acidente porsi, isto é, aquele caráter que, embora não pertença à substância – estando, pois, fora da definição -,pertence ao objeto em virtude daquilo que o próprio objeto é”, e ainda: “o acidente por si estávinculado casualmente (e não casualmente) às determinações necessárias da substância, embora nãofaça parte delas. (ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Martins Fontes, SP, Ed. 2007. Ediçãorevisada, p. 14). Podemos ainda segundo Abbagnano relacionar essa categoria com as qualidades,designando as características de uma realidade (substância) que não pode ser retirada para não perderaquilo que a faz ser. (Dicionário de Filosofia; p. 14). 7
    • A “saída” tomista Agora podemos perceber a estrutura elaborada diante da teorização domal, e a maneira como que Tomás de Aquino se esquiva, ou melhor, defende aconcepção de benevolência pertencente a Deus. Mas nos resta levantar umaquestão essencial, se Deus não é o criador do mal, mas também não deixa deser o Onipotente; então por que ele não interfere na ordem do mundo e eliminao mal. Se discutirmos a partir da visão de que o mal não pode afetar a Deus,podemos junto com o “titulo” de intocável, o denominar cruel; pois, se ele nãosofre a ausência de si mesmo; ele é indiferente as criaturas que criou, pois elasestão expostas ao mal, ao ponto de poderem ser gradativamente corrompidase exterminadas do próprio bem. Segundo o doutor angélico temos que compreender a ação de Deus queage de maneira perfeita e máxima, não em cada uma das partes, mas na 9perfeição que se encontra na “totalidade relacionada”. Tomás se distância deLeibniz, pois a ordem natural para ele não é possibilidade única e a melhorpossível como defendeu posteriormente Leibniz, mas uma ordem conscientedo ser de Deus, que faz com que o homem se perceba como um serparticipativo e contingente. 10 Assim para o tomismo tanto a criação como o próprio ato de ser dohomem não pode subsistir em si mesmo e sua natureza que envolve a“ausência de ser” própria do homem:9 Para Leibniz a ideologia racional é otimista com fundo platônico, ou seja, “a ideologia prevalecesobre a experiência, com base na qual se poderia até questionar a realidade do bem e afirmar a maciçapresença do mal (o bem poderia também ser definido como ausência do mal). Não há experiência semvaloração, e, no caso de Leibniz, a ideologia filosófica funciona como filtro para definir a realidade, semse deixar questionar por ela. (ESTRADA, Juan Antônio. A impossível Teodicéia. A crise da fé em Deus e oproblema do mal. Paulinas. 2004, p. 211).10 Entendemos o conceito de contingente no “sentido escolástico onde o termo passou a tersignificado específico, diferente do que se entende por ‘possível’, passou a significar aquilo que, emborasendo possível ‘em si’, isto é, em seu conceito, pode ser necessário em relação à outra coisa, ou seja,àquilo que o faz ser. Por exemplo, um acontecimento qualquer do mundo é contingente no sentido deque é considerado per si, poderia verificar-se ou não; e em segundo sentido, o contingente verefica-senecessariamente pela causa. Desse ponto de vista enquanto o possível não só não é necessário em si,mas tampouco é necessariamente determinado a ser” (ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia.Martins Fontes, SP, Ed. 2007. Edição revisada, p. 233-234). 8
    • Segundo entende Tomás de Aquino. Seu criador é AQUÊLE QUE É; o primeiro efeito causado pelo Criador, na sua obra, é o ato de ser. Por que e como deveriam aquêles, cuja primeira propriedade é ser, abrigar uma aptidão inata para perder sua própria existência? Em primeiro lugar, o ser criado não tem o poder de deixar de existir enquanto tem existência, do mesmo modo que não tem o poder de vir a ser antes do momento de sua criação. Além disso, muito embora não possa subsistir um momento sequer senão pela permanente presença nêle de seu criador, ainda assim não podemos imaginar o mundo senão como subsistindo, por si próprio. Por que, do contrário, deveríamos dizer que, mesmo depois de criado, o mundo não tem existência própria. Deveríamos até dizer que o mundo criado não pode esperar que ele subsista por si próprio, êsse mundo criado subsiste apenas através do ato de ser de Deus. (GILSON, A Existência na filosofia de S. Tomás de Aquino. p. 101). Parece-nos interessante visar que o fato do ato de ser dos entes semovimentarem de maneira finita e própria; é o que “gera” o mal, ou, aquilo quepercebemos como sendo mal, não é necessariamente um mal, mas é aquiloque o ser distinto dos entes, que não é finitude, mas sim, característica própriade cada ser, em seu modo e individualidade. Assim: O todo em si que é a universalidade das criaturas, é melhor e mais perfeito se nele existirem certas realidades que possam ter e de fato, às vezes tenham deficiência de bem; e Deus tal não impede. Quer por não ser próprio da providência destruir, se não salvar a natureza, como diz Dionísio; e da natureza mesma das coisas resulta, que as susceptíveis de deficiências ás vezes são deficientes. Quer por que como diz Agostinho, Deus é tão poderoso de modo a poder tirar bem do mal. Por onde muitos bens seriam tolhidos se Deus não permitisse nenhum gênero de mal. Assim não se geraria o fogo se o ar se não corrompesse; nem se conservaria a vida do leão se não fosse morto o asno. Nem tão pouco seria louvada a justiça do vingador e a paciência do padecente, se não fosse a iniqüidade do perseguidor. (Suma Teológica Art. I. p. 444). Diante desta colocação, Deus além de ser “remido” da acusação deindiferença e fraqueza, ele age de maneira coerente definindo ainda mais suanatureza boa, que recebe uma conotação de paciência para com a visãofragmentada dos seres. Agora além de benevolente e onipotente; Deus setorna paciente e capaz de agir na corrupção dos entes, de modo que até daausência de si mesmo ele transforma em ser, no sentido de possibilidade pararetornar com mais força a essência ontológica. 9
    • Tomás de Aquino define o mal como a ausência do Ser, pois todo entecarece em níveis diferentes da plenitude do Ser; o mal em contraposição nãopoderia ter uma essência objetiva, pois assim seria uma criação e teriaparticipação no Ente Supremo. O mal existe porque os entes existem, e o bemé sujeito ativo e perceptivo do mal; onde se torna o campo de atuação do mal,em outras palavras, o mal não tem sua fonte em si, mas na medida em queestá ligado acidentalmente aos entes todos, e se serve do bem para serdefinido, conceituado, e classificado. Portanto, não poderíamos pensar o malse não fosse à existência do Ser que ocupa o núcleo da questão, seja na suaimportância manifestada pela sua presença e assimilação, ou pela suaausência que comporta uma fatalidade para todo o filosofar do homem. Assim, o mal como a ausência de ser, permite que os entes todosparticipem do Ser, o que essencialmente os faz serem entes, que por seremparticipadores não possuem e esseidade, pois se assim fosse perderiam suaessência. Em outras palavras o que conhecemos por mal no tomismo é: Nãoter em si a plenitude do ser que pertence somente a Deus. 10
    • Conclusão: Diante do clássico problema filosófico constituído na problemática de“relacionamento” e “compreensão” racional que envolve Deus na concepção doteísmo cristão e as aporias causadas pela existência do mal, refletimosdelimitando o assunto diante da incompatibilidade natural e racional que nosleva a questionarmos a respeito da existência de um Deus, e de suas açõespara conosco. Este espanto que nos leva a pensar metafisicamente até nosdepararmos com a questão: Deus?! É o fenômeno chamado contingência, quena conotação tomista recebe um caráter desenvolvido a partir da filosofiasistemática do Ser; e em última instância se compara a natureza própria dosentes que recebem o ser; por isso são essencialmente limitados, ou seja,sofrem a ausência da plenitude do Ser; o mal. Ainda podemos destacar que a novidade tomista não está numa cópiade esquemas filosóficos da engenhosa resposta de Agostinho, que definiu omal como a ausência do bem, mas é na com percepção do mal enquantocomparação analógica com o bem; na maneira com que ele, o mal, faz partedos acidentes inseridos na essência dos entes, sem fazer parte da mesma, epor último, na elaboração de dependência que o mal tem no sujeito que contémo ser. Afinal o mal em si não existe, pois se assim o fosse corromperia o bem, ea si mesmo; ele “existe” nos entes que o sofrem, o percebem, e o classificam,por isso Deus enquanto Ser, donde deriva todos os outros seres não é ocriador do mal, e não o contém em si, mas o permite, pois percebe acontingência natural dos entes criados. 11
    • Referências:ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Martins Fontes, SP, Ed. 2007.AGOSTINHO, Santo. Confissões. livro III. ed. Paulus, coleção Patrística; 1997.p. 192AQUINO, Tomás. Suma teológica. Primeira parte. Questões 1- 49. 2° ed. RS.Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, Universidade de Caxiasdo Sul. Grafosul – Indústria Gráfica Editora Ltda. Co – Edição, 1980.ESTRADA, Juan Antônio. A impossível Teodicéia. A crise da fé em Deus e oproblema do mal. Paulinas. 2004.GILSON, Etienne. A Existência na filosofia de S. Tomás de Aquino. LivrariaDuas Cidades, SP. 1962.MONDIN, Batista. Quem é Deus? Elementos de teologia filosófica. SP. Paulus,1997. 12