Revolta da Madeira (Abril de 1931)

3,990 views
3,849 views

Published on

Published in: News & Politics
0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
3,990
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
0
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Revolta da Madeira (Abril de 1931)

  1. 1. REVOLTA DA MADEIRA Abril de 1931 LFM, Funchal, Maio de 2010
  2. 2. Revolta militar na Madeira contra a ditadura Revolta da Madeira: no Funchal é desencadeada uma importante revolta militar contra a Ditadura. No entanto, não se deve esquecer a existência de causas regionais. Nos dias seguintes verificam-se pronunciamentos e tentativas em Angra do Heroísmo, Ponta Delgada, Praia da Vitória, Graciosa, São Tomé e Guiné. Em poucas horas os revoltosos conseguem controlar a ilha. A Junta Governativa da Madeira, presidida pelo general Sousa Dias (composta por Carlos Vilhena, Camões, Hasse Ferreira, Mendes dos Reis, Fernando Freiria, Bragança Parreira, Filipe de Sousa, Augusto Casimiro e Sebastião Costa), declara que só deporá armas quando o Governo de Lisboa assegurar a restauração das liberdades públicas e da normalidade constitucional. Os revoltosos fazem vários apelos, tentando obter o apoio do continente. Dia 7, sob o comando do coronel Fernando Borges, partem forças de Lisboa para dominar a revolta. No dia 24 parte nova expedição para a Madeira, sob o comando do Contra-Almirante Magalhães Correia, Ministro da Marinha. Mais tarde, a 25, outro contingente de forças militares larga para a Madeira, sob o comando do Coronel Carneira. Rendição da Junta Governativa da Madeira Rendição da Junta Governativa da Madeira. A Junta envia um telegrama de rendição ao ministro da Marinha, que se encontrava a bordo de um navio de guerra ao largo do Funchal. Fonte: Cronologia do século XX, in Arquivo e biblioteca da Fundação Mário Soares
  3. 3. Tropas fiéis à Ditatura embarcam em Lisboa para sufocar a Revolta da Madeira. 26 de Abril de 1931. (Foto de “O Século”, in Arquivo e biblioteca da Fundação Mário Soares)
  4. 5. Terça-feira, 28 de Abril de 1931 Desembarque de tropas governamentais na Madeira - Tropas leais ao Governo da Ditadura desembarcam na Madeira, com o apoio da aviação. Sexta-feira, 10 de Abril de 1931 Revolta dos Açores - Revolta dos presos políticos de S. Miguel e da Terceira contra a ditadura, seguindo a Revolta da Madeira. Sexta-feira, 17 de Abril de 1931 Revolta de elementos civis e militares na Guiné - É bem sucedida uma rebelião contra as autoridades locais. É constituída uma Junta Governativa que viria a render-se no dia 6 de Maio, 4 dias depois da capitulação da Junta da Madeira.
  5. 6. Progressão das tropas governamentais vindas de Machico para Água de Pena, a caminho de Santa Cruz. Foto Perestrelos 1931. Fonte , Arquivo Regional da Madeira
  6. 7. Ponte do Seixo em Água de Pena, destruída pelos revoltosos. Passagem improvisada pelas tropas governamentais com a ajuda de populares. Foto Perestrelos 1931. Fonte , Arquivo Regional da Madeira
  7. 10. REVOLTA DA MADEIRA Estudos recentes têm demonstrado que a revolta da Madeira tem, na sua origem, causas regionais específicas: descontentamento provocado pela crise económica (crise das exportações tradicionais, do turismo, das indústrias dos bordados, dos lacticínios e desemprego crescente), pela crise financeira (falência das principais casas bancárias madeirenses) e pelo consequente reavivar dos sentimentos autonomistas. O Decreto 19.237 de 26 de Janeiro de 1931, sobre o regime cerealífero que estabelecia o monopólio da sua importação como forma de regularizar o seu comércio – originando o aumento do preço do pão – fora o detonador de levantamentos populares acompanhados de tumultos e do encerramento do comércio nos primeiros dias de Fevereiro. A 6 de Fevereiro, a greve dos estivadores fez despoletar a convulsão social que levou ao assalto das moagens e a várias manifestações populares. Esta revolta popular é chamada revolta da farinha, dado que o governo decidira suspender a importação de farinha, aumentando o preço do pão, o que serviu de pretexto para uma revolta que dura de 5 a 11 de Fevereiro de 1931. No dia 25 de Fevereiro estruturas anarco-sindicalistas e comunistas organizam greves e manifestações, em várias localidades, exigindo liberdade sindical e medidas de combate ao desemprego. A ditadura suspendera o decreto, mas enviara a Companhia de Caçadores 5 para a ilha capitaneada por um «Delegado Especial do Governo» o coronel Silva Leal, porém, à sua chegada, a 9 de Fevereiro, havia regressado a normalidade. A acção deste agente do Governo sobre os revoltosos granjeara-lhe grande impopularidade entre a população e militares, porque foi o grande responsável pela repressão e deportação daqueles. Se tivermos em conta todos os relatórios oficiais e a maioria dos depoimentos chega-se à simplista conclusão que esta foi uma expressão de revolta contra a prepotência do Governador Civil, José Maria de Freitas e o Delegado Especial do Governo, coronel Silva Leal. A arrogância e falta de tacto que demonstrara, as medidas repressivas que adopta, a invasão das competências dos oficiais da guarnição militar local e o facto de vários oficiais do contingente vindo do Continente serem já notórios oposicionistas – são factores que vão contribuir para a eclosão do movimento. É deste núcleo de oficiais vindos do Continente – sobretudo do tenente Manuel Camões – que parte a conspiração, em colaboração com parte da oficialidade local. Ela será inicialmente hostilizada pela grande maioria dos oficiais e políticos deportados na Madeira entre os quais se contavam alguns chefes do movimento de Fevereiro de 1927, como o general Sousa Dias, os coronéis Freiria e Mendes dos Reis, o major António Varão, ou os capitães Carlos Vilhena e Sílvio Pélico. Na realidade, os deportados não participarão nas operações desencadeadas às 7 da manhã de 4 de Abril e vitoriosamente concluídas, três horas depois, com as autoridades presas e os serviços públicos ocupados pelos revoltosos. Só depois disso, e de difundida a «Proclamação ao Exército e à Nação» que declara que só obedeceria a um governo republicano que restaure as liberdades democráticas e restabeleça uma constituição por eleições livres se obteve a adesão dos principais vultos militares da deportação que, sob a presidência de Sousa Dias, integrarão a Junta Revolucionária.
  8. 12. O chefe civil é o antigo ministro Pestana Júnior. Apelam também à revolta das unidades militares do Continente, dos Açores e das colónias. Ao contrário, nos Açores e na Guiné, a iniciativa revolucionária – nalguns casos já há algum tempo congeminada – parte dos núcleos de exilados, que, apoiados na força do exemplo madeirense e com a colaboração de alguns oficiais tomam conta das raras e pouco numerosas guarnições locais. Ingleses, norte-americanos e brasileiros decidem criar uma zona neutral nalguns hotéis do Funchal. Os oposicionistas no exílio, sob a liderança da chamada Liga de Paris, chegam a falar na constituição de uma República da Atlântida. Nos Açores,sob o comando de militares e civis deportados, nomeadamente o comandante Maia Rebelo, o capitão de mar e guerra João Manuel de Carvalho, o major Armando Pires Falcão (pai da jornalista Vera Lagoa) e o sidonista Lobo Pimentel, aderem à revolta as ilhas de S. Miguel, Terceira, Graciosa e S. Jorge. A 17 de Abril, também com alguns pretextos de natureza local na Guiné, prendendo o governador e não encontrando resistência, forma-se então uma Junta Revolucionária que formula a mesma reinvidic ação a Lisboa. Em Moçambique e em São Tomé a revolta falha, sendo os insurrectos presos. As principais esperanças dos revoltosos da Madeira depositam-se no apoio das unidades da Metrópole. Poucos dias depois da tomada do poder na Madeira, partem para Portugal delegados da Junta para preparar a revolta no Norte e alguns desembarcam no Algarve. Uma das dimensões estratégicas da revolta seria a de atrair as melhores unidades à ilha, deixando o Continente desprotegido. Os revolucionários madeirenses não tinham excessivas ilusões. A única esperança de sucesso do seu movimento – e afinal o seu real objectivo – era vir a provocar o levantamento no Continente. E esperavam uma de duas coisas: ou o Governo desguarnecia a sua rectaguarda enviando do Continente contra a Madeira as suas «tropas fortes» fiéis e melhor armadas – e criava a oportunidade para uma acção revolucionária vitoriosa no Continente ou enviava «tropas fracas», susceptíveis de se passarem para os rebeldes, podendo infligir -se à ditadura uma derrota de imprevisíveis consequências. Não se verificou nenhuma delas. Por um lado, demonstrando saber o terreno que pisava, o Governo enviará nas expedições para a Madeira «tropas mistas», não descurando a segurança no Continente e assegurando-se da disciplina dos efectivos expedicionários. Por outro lado, a revolta não terá na Metrópole eco revolucionário imediato, apesar do recrudescimento da agitação estudantil e popular instalada após a implantação da II Republica espanhola, em meados de Abril, e das grandes manifestações populares motivada pela morte de um estudante de Medicina do Porto, em Maio desse ano, na sequência da greve académica então desencadeada. Fonte: “1931: O ano de todas as revoltas”, por Francisco Lopes Melo
  9. 14. CRONOLOGIA HISTÓRICA DA MADEIRA (1901 a 1990)
  10. 15. 1901 22 de Maio - Carta de Lei limitando o Decreto anterior. 8 de Agosto - Decreto regulamentando a Autonomia Administrativa para a Madeira. 1915 2 de Março - Apreensão no porto do Funchal dos vapores alemães Colnar, Petropolis, Serayho e Hochfeld. 1916 3 de Dezembro - Primeiro bombardeamento do porto do Funchal por um submarino alemão. 1917 12 de Dezembro - Segundo bombardeamento. 1921 22 de Março - Viagem aérea Lisboa - Funchal realizada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. 17 de Outubro - Projecto açoreano de ampliação da autonomia dos distritos insulares. 1922 9 de Outubro - Discurso do Presidente da Junta Geral do Funchal, Dr. Fernando Tolentino da Costa, de boas vindas ao Presidente da República sobre a Autonomia Insular. Dezembro - Publicação das Bases da autonomia dos distritos insulares no Quinto Centenário do Descobrimento da Madeira. 1922 - 1923 Debate público da autonomia dos distritos insulares. 1928 31 de Julho - Decreto de ampliação das faculdades e atribuições da Junta Geral do Funchal. 1931 Março - Revolta popular das Farinhas, no Funchal. 4 de Abril - Revolta da Madeira. 1936 6 de Agosto - Revolta do Leite, no norte da Ilha. 1938 Março - Aprovação na Assembleia Nacional do novo regime administrativo para o arquipélago da Madeira. 1939 22 de Dezembro - Decreto-Lei que cria o Distrito Autónomo do Funchal.
  11. 16. 1940 29 de Setembro - Decreto 30.762 classificando as Casas da alfândega do Funchal como Monumento Nacional. 1941 1 de Janeiro - Entrada em execução do decreto-lei que criou o Distrito Autónomo do Funchal. 1943 18 de Agosto - Decreto 32.973, de rectificação do anterior de classificação da Alfândega. 1960 29 de Agosto - Inauguração do aeroporto do Funchal, em Santa Catarina. 1962 21 de Agosto - Revolta das Águas, na Ponta do Sol. 1966 Janeiro - Demolição dos armazéns a poente da Alfândega. 23 de Novembro - Colocação do portal da demolida igreja do Campanário na fachada poente da Alfândega. 1974 25 de Abril - Pronunciamento militar e derrube do Governo da República com vista à implantação da Democracia. 26 de Abril - Chegada do almirante Américo Thomaz, professor doutor Marcello Caetano e exministros Joaquim da Silva Cunha e César Moreira Baptista, que ficaram com residência em São Lourenço. 1 de Maio - Grande manifestação no Funchal comemorativa do Dia do Trabalhor. 4 de Maio - Tomada de posse do brigadeiro graduado Carlos de AzeVedo como governador militar da Madeira. 11 de Maio - Tomada de posse da diocese do Funchal por D. Francisco Antunes Santana. 7 de Agosto - Nomeação do novo governador civil, Dr. Fernando Rebelo. 13 de Setembro - Nomeação do novo Presidente da Junta Geral do Funchal, Dr. António Loja. 3 de Dezembro - Nova nomeação do brigadeiro Carlos de Azevedo para a Madeira. 1975 5 de Janeiro - Aparecimento do MAIA, Movimento da Autonomia das Ilhas Atlânticas, que tornou público o seu programa. 25 de Março - Tomada de posse dos membros da Junta de Planeamento para a Madeira: Dr. João Abel de Freitas, Prof. Higino Virgílio Pereira e Dr. José Manuel Paquete de Oliveira. 25 de Abril - Realização de eleições para a Assembleia Constituinte. 2 de Junho - Abertura da Assembleia Constituinte em Lisboa.
  12. 17. Verão - Rebentamento, a partir desta data, vários engenhos explosivos na Madeira, acções atribuídos à Frente de Libertação da Madeira (FLAMA). 13 de Dezembro - Criação, pelo Conselho de Ministros, da Junta Governativa e de Desenvolvimento Regional da Madeira. 1976 20 de Fevereiro - Tomada de posse da Junta Governativa Regional, presidida pelo Brig. Carlos de Azeredo e constituída pelos Engs. Rui Vieira, Ribeiro de Andrade, Jaime Ornelas Camacho e David Caldeira, Dr. Evangelista de Gouveia e Monteiro de Aguiar. 29 de Abril - Aprovação - em Conselho de Ministros, do Estatuto Provisório da Madeira. 19 de Julho - Inauguração da Assembleia Regional, com sede na antiga Junta Geral. Foi eleito presidente da Assembleia o Dr. Emanuel Rodrigues. 14 de Agosto - Nomeação do Cor. Lino Miguel como Ministro da República para a Madeira. 1 de Outubro - Tomada de posse do Governo Regional da Madeira, presidido pelo Engº. Jaime de Ornelas Camacho e constituído pelos Dr. José António Camacho, Engº. Manuel Alegria, Manuel Bazenga Marques, Engº. Nuno Gonçalo Araújo, Drª. Margarida Neves da Costa e Dr. Nélio Ferraz Mendonça. 1977 15 de Março - Início da discussão na Assembleia Regional do projecto do Estatuto definitivo da Região. Setembro - Comemorações dos 500 anos da alfândega do Funchal e obras na antiga capela de Santo António. 1978 3 de Março - Anúncio da remodelação do Governo Regional, assumindo a presidência o Dr. Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim. 7 de Março - Aprovação pela Assembleia Regional do projecto de Decreto Regional que instituiu as insígnias próprias para a Região. 1 de Novembro - Início do hastear da Bandeira da Região nos edifícios da Região e das Câmaras Municipais. 1980 27 de Fevereiro - Aprovação pela Assembleia Regional do Estatuto Político-Administrativo da Região a enviar à Assembleia da República. 1982 29 de Abril - Aprovação pelo plenário do Governo Regional da recuperação do edifício da Alfândega Velha para instalação da Assembleia Regional.
  13. 18. 1983 1 de Julho - Comemoração, pela primeira vez, do Dia da Região. 1987 1 de Julho - Inauguração do monumento à Autonomia, da autoria do escultor Ricardo Velosa, junto ao aeroporto de Santa Catarina. 4 de Dezembro - Inauguração das instalações da Assembleia Legislativa na antiga alfândega do Funchal. 17 de Dezembro - Instituição do dia 4 de Dezembro como Dia da Assembleia Legislativa. 1990 22 de Fevereiro - Aprovação pela Assembleia Legislativa da nova proposta de Estatuto Político-Administrativo da Região, a ser submetida à Assembleia da República. 4 de Dezembro - Abertura ao culto da capela de Santo António e inauguração da escultura alusiva à trilogia dos poderes, da autoria do escultor Amândio de Sousa. Fonte: Cronologia da História da Madeira, 1901 a 1990, Assembleia Legislativa da Madeira ( site institucional )

×