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Meu Trabalho de Conclusão de Curso

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    • UNIVERSIDADE DE UBERABA MARIA DA CONCEIÇÃO ALVES VERSIANI CUNHAA CRIANÇA E A LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA BELO HORIZONTE/MG 2012
    • Maria da Conceição Alves Versiani Cunha UNIVERSIDADE DE UBERABAA CRINÇA E A LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como pré-requisito para aprovação no curso de licenciatura em Pedagogia - Uniube, Belo Horizonte. BELO HORIZONTE-MG 2012
    • Dedico este trabalho aos meus pais (inmemória) aos meus irmãos aos meus filhos omeu esposo e os amigos que sempreacreditaram e me fizeram sentir capaz devencer.
    • AgradecimentosAgradeço primeiramente a Deus que com sua luz iluminou meus caminhos medando força e sabedoria e aos meus pais, pois sem eles nada seria possível.A minha família que sempre deu sinais de confiança em minha capacidade,oferecendo suporte necessário e força para continuar em minha caminhada.Pessoas que são tão especiais e minha razão de vida, minha filha Yxxxxxxx Kxxx,meu filho Yxxx Sxxxxxx e meu esposo Cxxxx.À Preceptora Kxxxxxx Axxxxxx que foi meu suporte e grande apoio durante o curso.Os meus irmãos Jxxxx, Axxxxx, Nxxxx, Exxxx, Dxxxxx e Exxxxx que não poderiadeixar de mencioná-los aqui, pois estes, sempre acreditaram na minha força e sãomeus eternos incentivadores da minha jornada de vida.Às minhas amigas e colegas de turma, que durante o trajeto do curso oferecerammuita atenção, dedicação e carinho.Às professoras e mestres que acompanharam o desenvolvimento e avaliação destetrabalho.
    • "Sem a curiosidade que me move, que me inquieta,que me insere na busca, não aprendo nem ensino". (FREIRE. 2007)
    • A criança e a ludicidade na educaçãoCUNHA, Maria da Conceição Alves Versiani-Uniube-tucaversiani@hotmail.com; BeloHorizonte; 2012. A ludicidade tem sido um tema bastante discutido no meio educacional, pois,estudos alertam das muitas contribuições que atividades lúdicas quando aplicadasàs práticas pedagógicas, em especial na Educação Infantil, suas dimensões comoferramenta são essenciais facilitando tanto a aprendizagem dos alunos quanto otrabalho do professor-educador. O tema desta pesquisa surgiu da necessidade decompreender o valor da ludicidade no processo ensino-aprendizagem, no que tange:desenvolvimento físico, emocional e intelectual, favorecendo a futurasaprendizagens. Esta pesquisa tem como objetivo principal fomentar a discussão deque aprender brincando traz influências positivas no ensino- aprendizagem. Outroponto que merece destaque são as brincadeiras em áreas livres e espaços públicospraças, parques e ruas. Certamente, quem um dia “brincou na rua” lembra quebrincar nas ruas e praças era referência para uma infinidade de atividadesrealizadas ao ar livre. Hoje em dia, por limitações óbvias, dificilmente encontramoscrianças utilizando estes espaços para brincar. Mas o que importa é encontrar tempoe lugar para brincar e a escola, neste sentido, entre todos os espaços públicos, é umespaço realmente privilegiado para as brincadeiras acontecerem. A análise desse eoutros assuntos apresentam-se fundamentada em pesquisas realizadas através daconsulta de livros referentes ao tema, na biblioteca virtual Pearson; em sites e blogs,leitura dos Referencias Curriculares Nacionais da Educação Infantil e da observaçãode crianças brincando em áreas livres (pracinhas, ruas, pátio de uma escolamunicipal da cidade de Moeda-MG).Palavras-chave: Brincadeiras; Desenvolvimento; Aprendizagem.
    • SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO --------------------------------------------------------------------------------------072 DESENVOLVIMENTO ----------------------------------------------------------------------------09 2.1 A Criança e a Ludicidade na educação: uma Proposta Pedagógica -------09 2.2 O Que é Ludicidade?------------------------------------------------------------------------12 2.3 Porque trabalhar o lúdico na Educação Infantil -----------------------------------15 2.3.1 O que é Educação Infantil? ----------------------------------------------------------19 2.3.2 Como deve ser o olhar lúdico do professor de Educação Infantil --------19 2.4 O Brincar pode auxiliar no processo ensino- aprendizagem -----------------20 2.4.1 Brincadeiras livres ----------------------------------------------------------------------263 CONSIDERAÇÕES FINAIS ---------------------------------------------------------------------304 REFERÊNCIAS -------------------------------------------------------------------------------------325 ANEXO ------------------------------------------------------------------------------------------------34
    • 7INTRODUÇÃO A ludicidade é um tema bastante interessante e muito abrangente, pois olúdico é uma excelente ferramenta para o educador. Trabalhar com a proposta daludicidade, na sala de aula, oferece inúmeras possibilidades de brincar e aprender.Aprender brincando enriquece o trabalho do professor, o processo de aprendizageme contribui para o desenvolvimento integral da criança, desenvolvendo nela o gosto,a alegria e o prazer em aprender, além de aproximar ampliando os laços deafetividade entre aluno e professor. A análise que esta pesquisa se propõe é considerar o valor de trabalharcom atividades lúdicas inseridas na proposta pedagógica da Educação Infantil.Considerando que o “brincar” é parte da essência da criança, e, portanto, não podeser desvinculado da proposta pedagógica da escola. Esta pesquisa resulta da leitura minuciosa das apostilas do curso dePedagogia, da observação e da consulta a considerações de autores que sededicaram a estudar o universo infantil e valorizaram as brincadeiras como forma dedar impulso a aprendizagem na escola. É considerada, ainda, nesta análisequestões como: Sem a brincadeira (lúdico) o processo de aprendizagem se torna tedioso.Portanto, é fundamental que a construção desse processo se faça por meio do jogo,da brincadeira e da imaginação, do conhecimento do corpo. Como deve ser o olhar lúdico do professor da Educação Infantil. O brincar da criança possibilita ao educador diagnosticar perceber seuestágio de desenvolvimento, seus desejos. O lúdico nem sempre é prazeroso. A criança quando perde, tende aexperimentar o sofrimento. Não da para falar em brinquedo e brincar sem falar de criança, pois,ambos estão intimamente ligados favorecendo-se mutuamente, ou seja, um sem ooutro não ocorrerá desenvolvimento.
    • 8 Aprender brincando, traz influências positivas no ensino- aprendizagem.No período da educação infantil, é que a criança começa a fazer alguns ensaiossignificativos para se descobrir e descobrir o meio em que vive, sem o “brincar” nãoserá possível. Na escola, em especial na educação infantil, o lúdico precisa serexplorado levando em consideração o valor do “brincar” como suporte fundamentalna aprendizagem significativa. Em suma, considerando todas as discussões existentes em relação àludicidade no contexto escolar, este trabalho propõe uma reflexão sobre o valor detrabalhar com a ludicidade, presente no cotidiano escolar. O lúdico, como ferramentana aprendizagem proporciona os desenvolvimentos necessários à vida da criança,tornando-a um adulto mais feliz no futuro. Espera-se com esta pesquisa demonstrar para os que trabalham com epara a criança, em especial os professores da área da educação infantil, anecessidade de buscar conhecer melhor todos os benefícios de aplicar a ludicidadeem suas práticas, para isso acontecer é necessário o professor resgatar osmomentos lúdicos que com certeza fizeram parte do seu caminhar, fazer umareflexão profunda, pois “brincar” para a criança é viver. A análise a seguir apresenta-se fundamentada em pesquisas realizadasatravés da consulta de livros referentes ao tema, na biblioteca virtual Pearson; emsites e blogs, leitura dos Referencias Curriculares Nacionais da Educação Infantil eda observação de crianças brincando em áreas livres (pracinhas, ruas, pátio de umaescola municipal na cidade de Moeda-MG).
    • 92. A criança e a Ludicidade na educação: uma proposta pedagógica A ludicidade tem sido um tema atualmente muito discutido, por diversosestudiosos, no meio acadêmico, no Brasil e no mundo. O tema é de bastanterelevância para ser investigado, a fim de que se compreenda como a práticapedagógica voltada para “o brincar”, pode ajudar a transformar o cotidiano escolar,não somente na questão da forma de aquisição do conhecimento, mas comoferramenta para subsidiar as práticas pedagógicas, contribuindo de formasignificativa, criando elos de amizade e cumplicidade entre alunos e professores. São inúmeros os estudos e pesquisas que têm buscado explicar o valorda ludicidade no processo ensino-aprendizagem, no que tange: desenvolvimentofísico, emocional e intelectual, favorecendo as futuras aprendizagens. Na atividadelúdica, não importa somente o resultado, mas a ação e o movimento vivenciado. Ação, movimento e interação dos pares durante as atividades lúdicas,são componentes crucias do desenvolvimento humano, possui caráter educativo etem grande influência na vida das crianças, por proporcionar alegria e prazer. Vercrianças brincando e ao mesmo tempo aprendendo, faz do lúdico uma excelenteferramenta que deve ser usada pelo educador (a) na promoção e avanços, de formaprazerosa, de futuras aprendizagens, além de garantir um direito à criança de“brincar”. Brincar é universal e um direito, garantido por lei, publicada pelo Fundodas Nações Unidas para a Infância, a UNICEF, em 1959. O documento diz que: “Acriança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estardirigidos para educação”. Sendo assim, não deve ser negada à criança espaço eoportunidade de brincar como forma de se desenvolver e aprender, pois o “brincar”faz parte de sua essência, de seus direitos e da sua cultura. A escola é um espaço privilegiado para o resgate da cultura do brincar,pois este se constitui um direito e, portanto, deve fazer parte do cotidiano infantil. Aesse respeito, o Referencial Curricular Nacional Para Educação Infantil (1998, V.1,P.13) também diz: “o direito das crianças a brincar, como forma particular deexpressão, pensamento, interação e comunicação infantil”.
    • 10 Nessa perspectiva é possível percebermos a importância do professorincentivar as brincadeiras como eixo norteador do seu trabalho, como objetivo deoferecer um aprender através da liberdade de expressão e do pensamento, por meiode brincadeiras e momentos que oportunizem a interação e a comunicação entre ascrianças. O brincar envolve além da ação o interesse da criança, a sua faixa etária,seu desenvolvimento sócio-afetivo, seus hábitos culturais e o ambiente favorável eestimulante. É possível dizer que o ambiente condiciona a brincadeira, pois dentro deuma mesma cultura, crianças brincam com temas comuns. E quando o contextomuda, as brincadeiras também mudam adquirindo peculiaridades regionais oulocais, uma vez que, o modo e o condicionamento das mesmas estão atrelados, oque irá delinear o perfil das brincadeiras influenciando no modo de brincar. Noentanto, existe uma pluralidade de ações lúdicas, que são espontâneas, praticadaspelas crianças. Vale ressaltar outros fatores que também tem influenciado nasbrincadeiras, como: as mídias, televisão e a industrialização dos brinquedos (suportedas brincadeiras). Com a industrialização do brinquedo, perderam-se algumascaracterísticas da ação da criança em relação ao brincar com um brinquedo que faztudo praticamente sozinho, deixando-a como mera expectadora. E outros fatores,como a redução das brincadeiras em áreas livres (parques, pracinhas e outros),também tem contribuído nas mudanças e condicionamentos das brincadeiras. Não é objetivo aqui explanar aprofundando em tais mudanças, mas fazeralgumas considerações que possam ser necessárias, para melhor entendimento, emrelação às brincadeiras das crianças do passado e as da atualidade. Os brinquedos estão cada vez mais modernos, atrativos e interessantes,sem nenhuma dúvida e os antigos cada vez mais esquecidos ou pouco valorizados.O carrinho de madeira, por exemplo, antes construído pelos pais ou mesmo pelacriança, era impulsionado pela própria ação desta ao manuseá-lo. Atualmente, amaioria dos brinquedos, produzidos com diversos materiais, são recheados de
    • 11recursos “prontos” para a criança brincar e no apertar dos botões do controleremoto, colocá-lo em movimento. Outro exemplo são as bonecas de pano que por muito tempo encantaramas meninas e enriqueceram as brincadeiras, dando asas à fantasia e à imaginação,hoje, substituídas pelas sofisticadas bonecas que falam com ou pela criança. Semfalar dos jogos eletrônicos que a criança não tem oportunidade de opinar ou criar,pois a regra já vem estabelecida pelo criador do jogo. Não é pretensão aqui, com o exposto, dizer que o brinquedoindustrializado e o eletrônico não tenham nenhum valor ou que não sejameducativos, pelo contrário, até tem e são educativos. Mas, houve um tempo em quea criança dava mais vida ao brinquedo, inventando e reinventando diferentes formasde brincar. Neste sentido, o sociólogo americano Howard Chudacoff, tambémprofessor da Universidade de Brown e autor do livro “Crianças Brincando:uma história americana”, em entrevista à revista Época, diz: “‘O prazer real de umacriança é criar seu próprio jogo’ e defende os brinquedos simples, como um simplesbastão de madeira, no lugar dos industrializados e dos eletrônicos.’ Em outro trechoda entrevista, lhe é perguntado: “ ‘Qual é o melhor brinquedo para uma criança, emsua opinião? Chudacoff responde: ‘O melhor brinquedo é um bastão. Pode serchocante o que eu disse, mas, se você pensar, um bastão, uma bola ou uma caixasão o tipo de brinquedo com que todo mundo brinca. Você pode fazer tantas coisascom eles, pode usar sua imaginação e criar muito. Na maioria das vezes, ascrianças enjoam dos brinquedos industrializados muito rápido’ ”. Em outras épocas e regiões, as brincadeiras ocorriam de forma natural,através do suporte (brinquedo) bem menos sofisticado, como demonstram asimagens do quadro a seguir, escolhido para exemplificar o valor das brincadeiras eda importância de se resgatar a cultura do lúdico. Para tanto, a escola e osprofessores tem papel fundamental nesse resgate.
    • 12Pieter Brueghel - "Jogos de crianças” (cultura lúdica do séc. XVI ) – 1560 Figura 1 Observando o quadro de Pieter Brueghel, logo é possível identificarvariadas brincadeiras (jogos e brinquedos) como pega-pega, balanço, cinco Marias(cinco pedrinhas, ou saquinhos), pião, plantar bananeira, perna de pau, cavalo depau, cambalhota, castelo de areia, bola de gude, trensinho, cabra cega, entre tantasoutras. Os objetos e a imaginação das crianças dão suporte às brincadeiras.Portanto, estas são de extrema importância para a formação cultural e social dascrianças dentro e fora da escola.2.1- O Que é Ludicidade ? Na busca por entender as conceituações sobre ludicidade e apresentarsugestões que possibilite melhor compreender o lúdico e para traçar os contornos decomo o consideramos, apropriaremos da definição de alguns estudiosos dessetema.Para Rau (2011, p.31) “a ludicidade se define pelas ações do brincar que sãoorganizadas em três eixos: o jogo, o brinquedo e a brincadeira”, a autora ainda nosdiz que “ensinar por meio da ludicidade é considerar que a brincadeira faz parte davida do ser humano e que, por isso, trás referenciais da própria vida do sujeito”,
    • 13entendo que para autora, na atividade lúdica não importa somente o resultado, masa ação, o movimento vivenciado. Nesta perspectiva as atividades lúdicas o jogo, obrinquedo e a brincadeira devem estar presentes, na rotina das crianças, sendoestimulada por pais e professores. Brincar é a linguagem usada pelas crianças como forma de se manifestar,expressar e descobrir o mundo, para isso, precisa interagir com o outro o tempotodo. Quando incentivada, pelo outro, em especial pais e professores, à criançatende a adquirir novas habilidades desenvolvendo e ampliando o imaginário e aautonomia. O que faz com que sinta encorajada a refletir sobre suas ações e, semmedo de agir a explorar todas as possibilidades de diversão e aprendizado que obrincar proporciona , tornando-se uma criança mais feliz. Neste sentido, o lúdico énecessidade básica da personalidade, do corpo e da mente. As brincadeiras através de jogos e brinquedos sempre exerceram fascíniona vida das crianças e quem não gosta de se divertir, de ter tempo para o lazer,fantasiar, ter entretenimento, descontração e ser feliz não é verdade? Ser feliz é oque retrata o Artista Plástico Ivan Cruz em suas obras de arte, baseando seutrabalho na frase que criou:Ivan Cruz Figura 2O artista Ivan Cruz já retratou mais de 100 brincadeiras diferentes que brincouquando criança em quadros (mais de 500), em desenhos e esculturas.
    • 14 Para o autor a beleza de ser criança está nas brincadeiras e no valor queelas têm para a vida, para o desenvolvimento e formação da identidade. Em suafrase: “(...) ao adulto que quando criança nunca brincou, falta-lhe um pedaço nocoração”, portanto, é um sujeito que não teve infância, que não viveu plenamente,falta-lhe sensibilidade, em especial, para entender o universo infantil. Só quembrincou realmente, teve infância, carrega consigo pulsando dentro de si, aslembranças da criança ainda viva no peito. Difícil imaginar alguém que nunca tenha brincado quando criança. Pois oser humano é lúdico por natureza e brincar pode ser possível até mesmo sem ternada nas mãos, como ocorre durante o pega-pega, pique esconde e a ciranda. Ascenas no quadro a seguir, mais uma das obras do autor Ivan, descreve brincadeirasdiversas com ou sem brinquedos as crianças brincam e se divertem.Título da obra: “Várias Brincadeiras II” do Artista Plástico Ivan Cruz -2006 Figura 3 Quando, nos reportamos a nossa própria infância e do nosso tempo deescola, compreendemos a singularidade da criança e o seu jeito de ser e estar nomundo. A criança brinca de faz de conta vivendo um cenário articulado a dimensãoimaginária, sente-se impulsionada a conquistar novas possibilidades de criação, seu
    • 15repertório de brincadeiras é amplo e nos remete a muitas variedades do comobrincar e para que brincar. Podemos dizer que a brincadeira, a cultura e o conhecimento forma atríade da infância com caráter lúdico e significativo. Em relação a estas afirmativas,Borba (2006, p.40) afirma que: A liberdade do brincar se configura no inverter a ordem, virar o mundo de ponta-cabeça, fazer o que parece impossível, transitar em diferentes tempos-passado, presente e futuro.Rodar até cair, ser rei, caubói, ladrão, polícia, desafiar os limites da realidade cotidiana. Notável como a autora retratou muito bem a experiência do brincar, comclareza demonstra que é possível construir uma ponte entre o imaginário e o mundoreal. As atividades lúdicas permitem isso, faz com que a criança estabeleça relaçõescom o outro e com diferentes culturas. É durante as brincadeiras que as crianças adquirem iniciativa eautoconfiança, quando lhes é dado oportunidade de ter autonomia e liberdade.Importante que o adulto ao trabalhar com a proposta da ludicidade na EducaçãoInfantil, crie oportunidades para que a criança assimile o conhecimento, de formaprazerosa, desenvolvendo habilidades e atitudes que a estimule na construção daautonomia.2.3- Porque Trabalhar o Lúdico Na Educação Infantil Com se sabe, a questão universal pedagógica da atualidade é ensinarcom o lúdico diversificado em vários aspectos, principalmente na educação infantil,onde a criança aprende muito mais brincando. A esse respeito Cunha (2001, p.28)afirma que: “o brinquedo proporciona o aprender, fazendo e brincando”. Por meiodas brincadeiras e jogos, a criança adquire e aprende novos conceitos einformações e até mesmo supera dificuldades de aprendizagem. Para os profissionais da educação, em especial o professor, quando sefala em Educação infantil não podem deixar de pensar os elementos construtivos doespaço escolar: jogos, brincadeiras, faz de conta, cantinho de interesse, artes,
    • 16teatro, poema, poesia, dramatizações, brinquedos variados para brincadeiras livresou com fins educativos, entre outros como os momentos de contação de história. Acriança pequena quando assume o papel de um personagem dos contos de fadasestá experimentando como é adotar o papel de outra pessoa. Vale ressaltar que a criança da Educação Infantil é um ser em processode formação motivada pela necessidade de ampliar seus conhecimentos eexperiências alçando graus progressivos de autonomia, frente às estimulações doambiente. Nessa perspectiva, creio que o objetivo primordial da Educação Infantildeva ser a ampliação do universo infantil, dando as crianças oportunidades dedesenvolverem os aspectos: cognitivos, sociais e emocionais por meio dasbrincadeiras. Pensar o ato lúdico é como explorar a magia do brincar com as palavras,inverter a ordem, criar. Assim, vamos pensar a poesia, brincar com as palavras, defalar e dizer, de rimar, e construir novos sentidos e caminhos entre o ensinar e oaprender, abrindo espaço para aprender com prazer. Possibilitando o “brincar” como movimento das palavras, com linhas, cores e formas e construindo significados esentidos de viver. Poesia é brincar com palavras como se brinca com bola, papagaio, pião. Só que bola, papagaio, pião de tanto brincar se gastam. As palavras não: quanto mais se brinca com elas mais novas ficam. Como a água do rio que é água sempre nova.
    • 17 Como cada dia que é sempre um novo dia. Vamos brincar de poesia? (José Paulo Paes) Portanto, a criança precisa ser instigada a pensar e a criar, pelo oprofessor, na sala de aula, sendo estimulada e motivada a compreender o mundoque a cerca, a ter prazer em construir seus conhecimentos e reelaborá-los paraaplicá-lo em suas práticas sociais de forma natural. Neste aspecto Vygotsky entendeque “o mundo não é visto simplesmente com cor e forma, mas também como ummundo com sentido e significado”. (1991, p. 37). E para este autor, as experiênciasinfantis ganham sentido e significado nas interações sociais, em que estabelecemtrocas importantes de convívio, que auxiliam no despertar psicológico da criança. A ludicidade, entendida como uma tomada de consciência do corpo, suasrelações com o meio social envolvendo o desenvolvimento de jogos e brincadeirasno desenvolvimento cognitivo e afetivo do ser humano, é tema obrigatório quando setrata da Educação Infantil. É neste sentido que a escola precisa buscar trabalhar olúdico a partir de contextos culturais para formação da criança. Para Rau (2011), “a atitude pedagógica do professor na utilização daludicidade como recurso pedagógico” é fundamental para caminhar naaprendizagem, limitando ou proporcionando mais conhecimentos aos educandos.Assim, a autora afirma que: Brincar propicia o trabalho com diferentes tipos de linguagens, o que facilita a transposição e a representação de conceitos elaborados pelo adulto para os educandos. Educar, nessa perspectiva, é ir além da transmissão de informações ou de colocar à disposição do educando apenas um caminho, limitando a escolha ou seu próprio conhecimento. (Rau, p.39) Ainda pensando na influência do lúdico na aprendizagem e na vivênciadas crianças, é possível percebermos que o brincar pode auxiliar no processo
    • 18ensino-aprendizagem. Para isso, é fundamental que os educadores reconheçam aimportância de se utilizar em sala de aula os jogos e as brincadeiras, não comomeros passatempos, mas como instrumentos de construção da aprendizagem e dodesenvolvimento da criança. Importante que se faça a mediação e a intervençãoadequada, proporcionando alegria às crianças, para que sejam vias daaprendizagem. A criança se envolve no jogo, por meio da brincadeira, e nessa atividadesente a necessidade de partilhar com o outro, dividir com o colega, numa relação detroca onde expõe suas potencialidades, nesse momento de troca os participantesvivem emoções e sensações que põe a prova suas aptidões, testando limites enovos desafios. Nesse contexto a criança estabelece relações de troca, parceria,convivência social e cultural. Importante lembrarmos-nos dos jogos tradicionais,importantes da cultura, retrato da infância vivida guardadas na memória, ainda viva,da maioria dos adultos. A esse respeito, Kishimoto (1993, p. 15) afirma: Os jogos têm diversas origens e culturas que são transmitidas pelos diferentes jogos e formas de jogar. Este tem função de construir e desenvolver uma convivência entre as crianças estabelecendo regras, critérios e sentidos, possibilitando assim, um convívio mais social e democracia, porque “enquanto manifestação espontânea da cultura popular, os jogos tradicionais têm a função de perpetuar a cultura infantil e desenvolver formas de convivência social”. Neste sentido é com o outro que aprendemos outras coisas das quais nãosabemos, ou seja, nos apropriamos da cultura e de conhecimentos de outraspessoas que também se apropriam dos nossos conhecimentos, numa trocaconstante, interagindo socialmente. Para Vygotsky (1987), a aprendizagem acelera processos superioresinternos que são capazes de atuar quando a criança encontra interagida com o meioambiente e com outras pessoas. O autor ressalta a importância de que essesprocessos sejam internalizados pela criança. E a brincadeira proporciona tudo isso
    • 19para a criança, além do prazer em brincar com o outro, a abstração deconhecimentos entre seus pares.2.3.1 O que é Educação Infantil? A Lei no 9394 de 1996 destaca que “a educação infantil é considerada aprimeira etapa da educação básica (título V, capítulo II, seção II, art. 29), tendo comofinalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos (cinco anos) deidade.”2.3.2 Como deve ser o olhar lúdico do professor de Educação Infantil. Para o professor, trabalhar com o lúdico aflorado em sua práticapedagógica é um grande desafio. Isso porque, critérios bem definidos quanto aosrecursos matérias e pedagógicos adequados para que sejam interessantes paraseus alunos. São escolhas fundamentais, mas antes de tudo precisa ter um olhar“lúdico”, levando em conta a faixa etária com a qual se trabalha e conhecer o aluno,bem como o estágio em que se encontra. Importante também, o professor, valorizar o conhecimento prévio dosalunos, como ponto de partida na sua prática, respeitando o tempo, o interesse, olimite e as necessidades de cada um na aprendizagem. A aprendizagem quando ocorre de forma prazerosa todos ganham alunose professores no processo ensino-aprendizagem. Neste sentido concordo com Rau(2011,p.62) quando a autora diz que: “A ludicidade como recurso pedagógico ocupaum espaço no processo ensino e aprendizagem, atendendo às necessidades e aosinteresses do educando e do educador no processo de ensino-aprendizagem”. Os jogos e brincadeiras devem ser compreendidos como um ato deliberdade e para que isso aconteça faz-se necessário a existência do “prazer”. Nesteaspecto é preciso que o professor procure “conectar” conteúdos, as atividadeslúdicas, através de jogos como: dominó, bloco lógico, material dourado etc., ouatravés de atividades livres e dirigidas na área de laser da escola.
    • 20 Para que a aprendizagem aconteça, é fundamental garantir queprimeiramente a criança manipule e fica livre para descobrir como se deve trabalhar.Só então, caso necessite, o professor orienta dando pista e questionamento sempre. Há uma diferença do brinquedo para o material pedagógico baseado nanatureza da ação educativa. Neste sentido Kishimoto (2001) apresenta seu interessesobre o jogo pedagógico, quando afirma que: Ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, à função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral da criança. Neste sentido, qualquer jogo empregado na escola, desde que respeite a natureza do ato lúdico, apresenta caráter educativo e pode receber também a denominação geral de jogo educativo (KISHIMOTO, 2001, p.83). O educador deve ter um olhar apurado para propor atividadespedagógicas quando se trabalha para a criança e com a criança. Assim, suasescolhas precisa ter sentido educativo despertando no aluno a vontade de aprender. Uma aula com características lúdicas não precisa, necessariamente, terjogos ou brinquedos. O que traz ludicidade para a sala de aula é muito mais uma"atitude" lúdica do educador e dos educandos. Assumir essa postura implicasensibilidade, envolvimento, uma mudança interna, e não apenas externa, implicanão somente uma mudança cognitiva; mas, principalmente, uma mudança afetiva. Diante tudo isso, vale refletir de que forma o olhar lúdico do professor emsala de aula serve como uma ferramenta importante no desenvolvimento do ensinoe, que o mesmo, promova a aprendizagem.2.4 O Brincar pode Auxiliar no Processo Ensino- aprendizagemQual é a palavra chave quando se pensa em ludicidade? LIBERDADE!
    • 21 Pois bem, pressupõe que o brincar tem alguns pontos importantes e queprecisam ser levado em conta pelos profissionais da educação, em especial, oprofessor: Quando pensamos na criança, devemos entender que qualquer objeto etambém o próprio corpo, possui duas funções: a lúdica e a pedagógica. O jogo pode ser usado tendo com objetivo, lúdico ou pedagógico.Embora, deva-se primeiro trabalhar o lúdico, permitindo que as crianças manipuleme brinquem como quiserem e somente depois, promover as atividades pedagógicas. Grandes autores como: Piaget, Vygotsky, Froebel, etc., defendem o lúdicocomo um grande aliado do professor e um fator importante para o desenvolvimentoda criança. Portanto, a atividade lúdica deve ser privilegiada nas instituições deeducação. Nesta perspectiva é importante recordarmos um pouco das contribuiçõesdo estudioso Froebel, dedicado à atividade lúdica, esse autor comparava a criança apequenas sementes que, adubadas e expostas a condições favoráveis,desabrochariam e estariam livres para criar e imaginar. Por isso a propostaeducacional de Froebel incluía atividades de cooperação e, na sua proposta, o jogoera entendido como origem da atividade mental. O estudioso, Froebel, partia da ideia de espontaneidade infantil epreconizava a autoeducação da criança pelo jogo, por suas vantagens intelectuais emorais, além do seu valor no desenvolvimento físico. No entanto é preciso entender que o lúdico nem sempre é prazeroso paraa criança, pois quando perde, tende a experimentar o sofrimento. Neste aspecto,cabe ao professor intervir de forma adequada, mediando, sem desprezar ossentimentos do educando, ensinando-o a lidar com a derrota. Este é um dosdesafios enfrentado pelo educador ao trabalhar com a proposta do lúdico em sala,através de jogos e brincadeiras. Por isso, a palavra chave do lúdico é liberdade. Quando o adulto impõe o jogo à criança, está fazendo com que parte daludicidade se perca prejudicando a aprendizagem. Uma vez, que o lúdico é o meiopara a aprendizagem potencialmente significativa.
    • 22 Nesta perspectiva a aprendizagem significativa é aquela que faz conexãocom conceitos ou habilidades pré-existentes. Ao trabalhar com a proposta da ludicidade na Educação Infantil, oprofessor, deve ter como foco as brincadeiras, jogos e descobertas da criança e nãopode faltar a contação de histórias, os contos de fada são os preferidos das criançaspequenas. Pois o lúdico, quando inserido a prática pedagógica, não apenas contribuipara a aprendizagem dos educandos como possibilita ao professor tornar suas aulasmais dinâmicas, atrativas e prazerosas. Todavia é interessante que o professor saiba não só diferenciarmomentos de brincadeiras livre de momentos de brincadeiras com fins pedagógicos,como compreender que o lúdico é uma ferramenta essencial no ensino-aprendizagem se bem direcionado. A brincadeira é a ação mais séria que a criança desempenha aoconcretizar as regras do jogo e ao mergulhar na ação lúdica. Pode-se dizer que é olúdico em ação. Brincar não é apenas recrear, é muito mais, significa uma dasformas mais complexas da criança comunicar-se consigo mesma e com o mundoque a cerca. No jogo simbólico, preferido das crianças pequenas, acontece umarepresentação de um objeto por outro, a atribuição de novos significados, asignificação de temas como: brincar de cavalinho com apenas um cabo de vassoura,ou adoção de papeis “sou o pai”, “sou a mãe”, “sou o médico”, etc. Em suasbrincadeiras, brincam imitando barulhos de canhão, roncos de aviões ou apenascom pedaços de madeiras criam diferentes formas de brincar. Através do jogo, acriança forma conceitos, relações lógicas, integra percepções, estimula à linguageme ideias, estimativas compatíveis com o seu crescimento físico e desenvolvimento, eo importante, acontece à socialização. “Jogar é tornar real qualquer coisa que não existe. Jogar é poder ser outra pessoa que não somos. Jogar é viver por um instante num lugar impossível. E ser dono do tempo e da distância. Jogar é fazer sair o sol em plena noite e
    • 23 a lua em pleno dia, é esvaziar o mar...” (Pipo Pescador) Viver ludicamente, é experimentar diferentes papeis, ir alem doinimaginável, é necessidade do encantamento e na fantasia da inocência infantil. Opoema de Pipo Pescador retrata o viver ludicamente, quando diz: “Jogar é tornarreal qualquer coisa que não existe, [...] é poder ser outra pessoa que não somos, [...]é viver por um instante num lugar impossível”. Esta é característica primeira do jogo“liberdade”, a segunda característica atribuída ao jogo é que ele não é vida“corrente” e nem vida “real”, é fuga para uma esfera maior. A criança bem sabe,quando está “só fazendo de conta” e quando está “só brincando”. Neste sentido o jogo traz para a criança situações de desafios, semprecom caráter novo, com grandes novidades o que é fundamental para despertar ointeresse e a curiosidade dos alunos, e este despertar torna o jogo um excelenteintegrador da prática no cotidiano escolar. É através do jogo, que a criança tem a oportunidade de assimilar o mundoa sua maneira. Usa da fantasia, do faz de conta, para dar asas à imaginação,expressa o contentamento em ser como ela quer ou quem deseja ser: médico,astronauta, caubói, policia, ladrão, rei, rainha, princesa, super-herói, etc. No jogo acriança é desafiada, superando dificuldades e desenvolvendo o raciocínio lógico.Nesta perspectiva, RAU (2011,p.34) afirma que: Quando você entra na ação do jogo, elabora metas (seus objetivos), prepara estratégias (sua ação cognitiva e motora no jogo), elabora caminhos (elabora hipóteses), brinca de “faz de conta” (vivencia papéis), raciocina e enfrenta desafios (tenta superar os obstáculos), vivencia emoções e conflitos (alegria, ansiedade),organiza o pensamento (supera os problemas,percebe erros e acertos), e sintetiza (compreende resultados, vencendo ou perdendo). Brincar é algo espontâneo da criança, facilita a comunicação delaconsigo mesma e com os outros. A criança é espontânea, inventa e cria situações
    • 24de brincadeiras, sozinhas ou acompanhadas, vivencia experiências de imaginação ecriatividade inéditas. No entanto, precisa apenas de tempo e de espaços adequados. Nesta perspectiva RAU (2011, p.106) enfatiza sobre o brincarespontâneo, Para brincar de forma espontânea, sozinha ou acompanhada, a criança precisa de tempo e espaço adequados. Atualmente, dependendo da localidade onde as crianças residem, estas se tornam cada vez mais limitadas nos seus movimentos. Neste sentido, o espaço reservado aos brinquedos, seja na sala de jogos ou de aula, cantos pedagógicos, quadras ou parques devem possibilitar às crianças liberdade para os seus movimentos e suas expressões. É explorando o prazer de aprender brincando, que abre um leque depossibilidades e facilidade para o professor conduzir uma aula, partindo dacuriosidade dos alunos. Muitos educadores, ainda, acreditam que dinamizar as suasaulas utilizando jogos e brincadeiras é "perda de tempo". “Brincar com as crianças não é perder tempo, é ganhá-lo. Se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.” (Carlos Drumond de Andrade) Ensinar e aprender envolve busca, procura, alegria no aprender e ensinar.Segundo o pensamento de Paulo Freire “A alegria não chega apenas no encontro doachado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-sefora da procura, fora da boniteza e da alegria”. Por meio das brincadeiras o educador tem a oportunidade de passar paraas crianças a vontade de construir um aprendizado satisfatório e prazeroso, que nãofique baseado em simplesmente passar o lápis em cima da letrinha do nome ou
    • 25pegar o giz de cera e pintar aquela figura que mais se parece com a criança.Quando a criança brinca na escola está construindo sua identidade. Importante, que o professor selecione atividades lúdicas que apresentambenefício para a criança, para o desenvolvimento completo do corpo e da mente porinteiro. Nas atividades lúdicas importa não apenas o produto da atividade que delaresulta, mas a própria ação. Os momentos de fantasia são transformados emrealidade, a percepção, a criatividade, os conhecimentos, momentos de vida. Para que esse método funcione com mais eficácia, o professor (a) devecontar com dois grandes aliados: áreas livres, mobiliários e materiais apropriados,pois estes são indispensáveis para a realização plena do desenvolvimento infantil eseu respectivo aprendizado. Toda criança precisa de espaço, área verde e móveis apropriados, queestimulem e colaborem para o seu conhecimento. E dentro desses espaços podem-se explorar diversas maneiras criativas de ensinar e aprender, como por exemplo:quando brinca de mamãe e filhinho, dono de posto de gasolina, de médico, deboneca, de carrinho, de serem os seus heróis preferidos como, o Homem-Aranha eo Super-Homem, etc..Trecho do poema “ Apenas brincando”. [...] Quando você me pergunta o que eu fiz na escola hoje, Eu digo, eu brinquei. Por favor, não me entenda mal. Porque enquanto brinco, estou aprendendo. Eu estou aprendendo a ter prazer e ser bem sucedido no trabalho. Eu estou me preparando para amanhã. Hoje, eu sou uma criança e o meu trabalho é...BRINCAR! Anita Wadley, educadora norte-americana, retrata muito bem, em seubelo poema, o valor da brincadeira. Este texto é encontrado facilmente em váriossites e blogs destinado a crianças. Observando o poema, fica claro que criança precisa ter oportunidade debrincar, enquanto brinca ela se conhece e se socializa. É fundamental que pais eprofissionais da educação tenham consciência dessa tamanha importância. Pois o
    • 26brincar quando bem direcionado, seguindo uma linha de aprendizagem para oalcance de objetivos, é o caminho. Quanto maior for à qualidade deste “brincar”maior será o desenvolvimento cognitivo. Neste sentido, percebemos que a escola tem o papel fundamental deproporcionar tempo e espaço para que a criança brinque, contribuindo com suasevoluções nos aspectos sociais, intelectuais, físicos e motores. Não há como negar, que através de jogos e brincadeiras os alunos muitasdas vezes revelam sua própria imagem e criatividade, portanto, usá-los na sala deaula é bastante pertinente, pois, possibilita que o processo de ensino eaprendizagem possa fluir prazerosamente. Mas as atividades em educação devempossibilitar que os conteúdos sejam apresentados de forma lúdica, onde o alunoaprende brincando, como por exemplo, na disciplina matemática, os jogosnuméricos favorecem, dentre outras coisas, a criança fazer o uso dos números,amplia suas representações e os familiariza mais com a matéria.2.4.1 Brincadeiras livres. Os momentos de brincadeiras livres na instituição escolar, por exemplo, orecreio, deve ser garantia de oportunidade para que aja bastante descontração,promovendo assim, alegria e contentamento com pouca interferência do professordurante o brincar das crianças. Embora, não deixa de ser educativo e sempre é bomo educador ficar de olho, observando o comportamento de cada criança, assim,verifica quais dificuldades surgem no momento da socialização. O parquinho da escola também constitui em um momento divertido para ameninada e agrada a todas as idades e sexos. Os alunos (em especial os daeducação infantil), quando levados para brincar nesse ambiente (parquinho)vivenciam momentos de extrema alegria, descontração, socialização e de grandemovimentação do corpo. Portanto, são momentos ricos quando a criança brinca com liberdade emovimento. Pois não há aprendizado satisfatório sem movimento, sem liberdade,sem ação, a aprendizagem abre o caminho da vida, do mundo, das possibilidadesde ser feliz.
    • 27 A ludicidade deve fazer parte do cotidiano escolar. No entanto, para queaconteça a atividade lúdica na sala de aula depende da boa vontade, da criatividadee da sensibilidade do educador ao desenvolver sua prática, atrelada as brincadeirase os jogos como fonte e suporte do desenvolvimento integral de seus educandos. Ointeresse pelo brincar no universo infantil é latente, tendo em vista, que toda criançatem a necessidade da brincadeira como parte integrante de seu processo de vida. Neste sentido Piaget (1998) diz que “a atividade lúdica é o berçoobrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável àprática educativa”. Ainda este mesmo o autor alerta que “tudo o que se ensina a umacriança, a criança não pode mais, ela mesma, descobrir ou inventar” esclarece aindaque “nas brincadeiras, uma criança age de acordo com sua visão do mundo”. Outro estudioso, o suíço Vygotsky (1998) nos fala “que as maioresaquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futurotornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade”. Ainda nos diz que “o saberque não vem da experiência não é realmente saber”. Assim, garantir a presença das brincadeiras dentro da escola, saberquando e como aplicá-las, em momentos livres e outros direcionados com finspedagógicos, são de extrema importância e relevância no processo dedesenvolvimento e aprendizagem da criança. É compreender que a brincadeira traza percepção de que existem regras a serem seguidas e portanto, desenvolve asocialização. É importante jogar com os outros, esperar a vez e respeitar o ritmo doscolegas. A realização de jogos e brincadeiras exigem várias ações que ocorrem aomesmo tempo, por exemplo, nas cantigas de roda a criança gira, bate palmas ecanta. É brincando que a criança desenvolve o senso de companheirismo. Pensando em relação aos brinquedos e brincadeiras que mais agradamas crianças na escola, a bola é o brinquedo indispensável e que mais aparece nosmomentos de brincadeiras livres. A bola é um brinquedo básico e indispensável aqualquer criança que possa movimentar-se.
    • 28 As brincadeiras durante o recreio, em função da “liberdade”, tambémrequer o olhar atento e a intervenção do professor. Vale pôr um companheiro parauma criança que está só. Porque pula, rola, é um eterno convite á ação e ao jogo.Em todas as situações, há ludicidade e desenvolvimento da coordenação dosmovimentos amplos e da sociabilidade. Enquanto algumas crianças correm, pulam, joga futebol outras gostammesmo é de brincar com os bonecos. São os super-heróis os preferidos, onde obem sempre vence o mal através de lutas e guerras. O brincar de matar, por exemplo, é muito comum entre as crianças e,certamente quando o fazem não estão abrangendo a dimensão da morte. Sabemosque enquanto houver violência nos filmes apresentados na televisão, as criançastende a brincar de guerra, mas para isso não necessitam de revolveres idênticos aosverdadeiros, qualquer pedaço de pau pode ser transformado em arma e seu bonecoem pessoas pela imaginação da criança. CHUDACOFF (2008) fala em entrevista concedida a Revista Época, que“as brincadeiras nos dizem não só sobre as crianças, mas sobre nós mesmos.Todos fomos crianças, temos memórias sobre as brincadeiras e ideias sobre comoas crianças devem brincar. Por causa disso, muitas vezes, tentamos guiar econtrolar o modo como às crianças brincam sem perceber que o prazer real delas écriar seu próprio jogo”. Nesta perspectiva, é importante que o professor esteja atento e sempreacompanhando as brincadeiras, mas intervir o mínimo e quando se fizer necessário. Infelizmente, os momentos de brincadeiras em áreas livres (praças eruas) estão cada vez mais carentes da presença infantil, pois com o crescenteaumento da violência nas cidades, muitos pais, para segurança dos filhos, têmrestringido um pouco o brincar nesses ambientes. Contudo, ainda é possível ver algumas crianças brincando em praças eruas, acompanhadas por um adulto, brincam naturalmente com folhas, gravetos eoutros objetos (suporte da brincadeira) caídos no chão. Algumas crianças preferemmesmo é correr, subir nos bancos da praça e outras, escolhem brincar com os
    • 29próprios brinquedos (velotrol, bicicleta, carrinho e boneca) que trazem de casadesfrutando desse delicioso momento de lazer. A escola vem sendo considerada, por pais e educadores, como local parase brincar de forma saudável, das aprendizagens para o desenvolvimento pleno. Oambiente escolar tem sido valorizado não só como lugar para ensinar e aprender,mas para aprender brincando e brincando para aprender. As brincadeiras na escola têm sido cada vez mais valorizadas. Issoacontece, não só pela escola possuir um espaço privilegiado, onde se encontra umnúmero maior de crianças para interagir e brincar, mas por ser este espaço ainda omais seguro e de garantia para que aconteça o resgate das velhas e boasbrincadeiras. Certamente, quem um dia “brincou na rua” lembra que brincar nas ruas epraças era referência para uma infinidade de atividades realizadas ao ar livre. Asruas e praças serviam de espaço lúdico para as crianças (adultos também). Hoje em dia, por limitações óbvias, dificilmente encontramos criançasutilizando estes espaços para brincar. A violência, o trânsito, e outros, limitam autilização desses espaços públicos para diversão. O que importa é encontrar tempo e lugar para brincar e a escola, nestesentido, entre todos os espaços públicos, é um espaço realmente privilegiado paraas brincadeiras acontecerem. Enfim, por tantos motivos podemos dizer que a ludicidade é também umanecessidade inerente do ser humano em qualquer idade não podendo ser apenasvista como mera diversão, mas como fonte de aprendizagem na construção doconhecimento e do pleno desenvolvimento integral dos indivíduos envolvidos noprocesso ensino aprendizagem. .
    • 30CONSIDERAÇÕES FINAIS No desenvolver deste trabalho foi possível perceber as característicasque envolvem o brincar, que contagia todas as crianças, independentes de sexo,classe social, etnia e que sempre esteve presente em diferentes épocas ou cultura.Para termos uma ideia da importância do ato de brincar na construção doconhecimento é fundamental que se observe a criança brincando. É possívelaprender muito mais pela observação e se formos bastante atentos e sensíveis,descobriremos os muitos caminhos que a criança trilha ao aprender sem que aja aintervenção do adulto. Certamente, quem um dia “brincou na rua” lembra que brincar nas ruas epraças era referência para uma infinidade de atividades realizadas ao ar livre. Asruas e praças serviam de espaço lúdico para as crianças (adultos também). Hoje emdia, por limitações óbvias, dificilmente encontramos crianças utilizando estesespaços para brincar. A violência, o trânsito, e outros, limitam a utilização dessesespaços públicos para diversão. Mas o que importa é encontrar tempo e lugar parabrincar e a escola, neste sentido, entre todos os espaços públicos é um espaçorealmente privilegiado para as brincadeiras acontecerem. A ludicidade então, se configura como conjunto de ações lúdicas e,portanto, proporciona “prazer” e “proporcionar prazer” é a característica primeira dolúdico. Neste sentido, até chupar chupeta é uma atividade “lúdica”, pois proporcionaprazer a criança. Observando as crianças brincando foi possível perceber que, pelasbrincadeiras elas adquirem iniciativa e autoconfiança, quando lhes é permitido terautonomia e liberdade. Neste sentido, as brincadeiras proporcionam não só odesenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração, mas asocialização, o exercício da liderança ou passividade, ou seja, desenvolvem apersonalidade e o controle da mesma. As brincadeiras e jogos também colaboramcom o exercício da competitividade, tendo em vista que vencer é motivo de orgulhoe prazer, bem como agir diretamente na cooperação do grupo levando a
    • 31participação coletiva. Neste aspecto as atividades lúdicas, quando bemadministradas, trazem diversos benefícios às crianças. Não é o objetivo deste trabalho, e o mesmo não tem nenhuma pretensão,de esgotar as possibilidades sobre a reflexão do valor atribuído aos jogos ebrincadeiras como recurso pedagógico, o que seria impossível. Tendo em vista quehá uma infinidade de possibilidades ao se trabalhar com jogos e brincadeiras,enriquecendo a aprendizagem e a descoberta das atribuições do valor de aplicá-lono cotidiano da sala de aula. Por tantos motivos, pode-se dizer que a ludicidade é também umanecessidade inerente ao ser humano em qualquer idade, não podendo ser apenasvista como mera diversão, também deve ser vista como fonte de aprendizagem,construção do conhecimento e do pleno desenvolvimento integral dos indivíduosenvolvidos no processo ensino aprendizagem. Finalmente, pode-se concluir que o brinquedo e o ato de brincar sãoextremo, terapêutico, prazeroso, e o prazer é o ponto fundamental da essência doequilíbrio humano, e há nele uma aprendizagem significativa. Diante do exposto, conclui-se que a ludicidade é valiosa e uma grandealiada do professor, principalmente, quando se trabalha com a Educação Infantil. Com tudo, espero que estas orientações possam “lançar luz” nosmomentos de trabalhar com atividades lúdicas, aliada as práticas pedagógicas, nocontexto escolar. Conhecimentos imprescindíveis que adquiri com esta pesquisa eque me serão úteis e me auxiliarão, tanto na vida pessoal quanto na profissional,quecom certeza, aplicarei na sala de aula como Pedagoga.
    • 32REFERÊNCIASBORBA, Ângela Meyer. O brincar como um modo de ser e estar no mundo. In:Brasil MEC/ SEB. Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão dacriança de seis anos de idade/ organização Jeanete Beauchamp, Sandra Denisepagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. _ Brasília: Ministério da Educação, Secretariade Educação Básica, 2007.BRASIL.Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacionalpara a Educação Infantil. Vols.1 e 2. Brasília: MEC/SEF, 1998.BRUEGHEL,Pieter.Jogos de crianças-cultura lúdica do séc.XVI–1560, disponívelem:<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000012746.pdf> ColeçãoProinfantil,p.20. 2005.CUNHA, Maria da Conceição Alves Versiani. Fotos de brincadeiras- momento doestágio na Educação Infantil. Escola Municipal Cláudio Pinheiro de Lima. Moeda,2011.FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia saberes necessário à práticaeducativa. 36 ed. São Paulo: Paz Terra, 2007.GUERRA, Ludmila.Várias Brincadeiras II. Acervo do artista, Ivan Cruz. 2006.Disponível em: < http://www.brincadeiradecriança.com.br > acesso em: abr.2012.KISHIMOTO, M.T. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. Cortez editora.5.ed São Paulo, 2001.KISHIMOTO, T. M. (2001). Brinquedos e materiais pedagógicos nas escolasinfantis. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v.27, n.2, pp.229-245.PAES, José Paulo. Jornal de Poesia. Convite. Disponível em:<http://www.revista.agulha.nom.br/jpaulo1.html#convite> acesso em: 26 abr. 2012.
    • 33PRADO, C.A.Miranda; ARRUDA, M.R. de Barros. /Ludicidade Contribuições-No-Processo-De-Desenvolvimento-e-Aprendizagem-Ifantil. disponível em:<http://www.webartigos.com/articles/27594/1/Ludicidade Contribuições-NoProcesso-De-Desenvolvimento-e-Aprendizagem-Ifantil/pagina1.html> acesso em: maio.2011RAU, Maria Cristina Trois Dorneles. A Ludicidade na educação: uma atitudepedagógica. Série educação.2. ed. Local. editora Ibpex ,2011. p. 245.SORG, Letícia. As crianças têm de brincar mais. Revista Época, disponível em:<http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG82228-9556,00AS+CRIANCAS+TEM+DE+BRINCAR+MAIS.html>ed.512, acesso em:25 abr.2012.Vygotsky, L. S. A formação social da mente. 1. ed., São Paulo, Martins Fontes.1994.
    • 34ANEXO A criança e a ludicidade na educação: uma proposta pedagógica.Os contos de fadas na Educação Infantil. Imagens do estágio. Ed. Infantil na EscolaMunicipal Cláudio Pinheiro de Lima. Moeda-MG. Fotos e materiais de autoria da aluna.Autoria: Maria da Conceição Alves Versiani Julho.2011 Foto 1 e 2Bonecos de emborrachado, papelão, caixa de sapato, e outros recursos de sucata; livrãoBranca de Neve e os Sete Anões.
    • 35(Fotos de Maria da Conceição Alves Versiani), estágio Ed. Infantil. Julho.2011(Foto 3 e 4)
    • 36Brincar e aprender, jogos com recurso de sucata.(Fotos de Maria da Conceição Alves Versiani) Julho.2011 Foto 5 e 6
    • 37Personagens dos contos de fada e de seriados da TV.Fotos de Maria da Conceição Alves Versiani. Julho de 2011 Foto 7 e 8
    • 38Fotos de Maria da Conceição Alves Versiani. Julho de 2011 Foto 9 e 10