Tcc a valorização da vida através da educação para o trânsito 2011

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Tcc a valorização da vida através da educação para o trânsito 2011

  1. 1. ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E PROCESSOS DE GESTÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA TOMAZ DOS SANTOS DUTRAA VALORIZAÇÃO DA VIDA ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO SÃO LEOPOLDO 2010
  2. 2. 2 TOMAZ DOS SANTOS DUTRAA VALORIZAÇÃO DA VIDA ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Direitos Humanos, Cidadania e Processos de Gestão em Segurança Pública. Para obtenção do certificado de Especialista em Direitos Humanos, Cidadania e Processos de Gestão em Segurança Pública. Escola Superior de Teologia. Programa de Pós- Graduação em Teologia. Orientador: Prof. Dr. Rudolf Von Sinner SÃO LEOPOLDO 2010
  3. 3. A VALORIZAÇÃO DA VIDA ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITOTrabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Direitos Humanos,Cidadania e Processos de Gestão em Segurança Pública. Para obtenção docertificado de Especialista em Direitos Humanos, Cidadania e Processos de Gestãoem Segurança Pública. Escola Superior de Teologia. Programa de Pós-Graduaçãoem Teologia.Data: 01 de Março de 2011.____________________________________________Prof. Dr. Rudolf Von Sinner: Doutor em Teologia – EST
  4. 4. Dedico a minha esposa, Sandra Maria Martim Dutra Aos meus filhos, Maicon Martim Dutra e Manuela Martin Dutra.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente ao pai maior, por me abençoar com saúde eperseverança, sem as quais não teria conseguido continuar; à minha família, porsempre acreditar e incentivar os meus projetos, sem eles nada seria possível; aomeu orientador, Professor Dr. Rudolf Von Sinner, que sempre esteve presentequando precisei de apoio e orientação no trabalho desenvolvido. Aos professores, pela excelente condução do Curso de Direitos Humanos eProcessos de Gestão em Segurança Pública. Aos alunos e colegas de aulas, que com debates contribuíram para aformação do conhecimento no curso, proporcionando-nos chegar ao término desteprojeto.
  6. 6. Os três grandes fundamentos para seconseguir qualquer coisa são: primeiro,trabalho árduo; segundo, perseverança;terceiro, senso comum. Thomas A. Edison
  7. 7. SUMÁRIOAGRADECIMENTOS....................................................................................................5INTRODUÇÃO..............................................................................................................81 BASES LEGAIS DA EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO................................................112 A EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO......................................................................133 OS VALORES..........................................................................................................163.1 A IMPORTÂNCIA DO SER HUMANO NA SOCIEDADE......................................163.2 A BASE..................................................................................................................194 ATIVIDADES NAS ESCOLAS................................................................................225 O TEMA DO TRÂNSITO NO CURRÍCULO ESCOLAR.........................................265.1 INSERINDO O TEMA TRÂNSITO NO CURRÍCULO ESCOLAR: SUGESTÕESDIDÁTICAS.................................................................................................................265.1.1 Disciplina de Português..................................................................................265.1.2 Disciplina de Matemática................................................................................275.1.3 Disciplina de Ciências.....................................................................................275.1.4 Disciplina de História.......................................................................................295.1.5 Disciplina de Geografia...................................................................................295.1.6 Disciplina de Estudos Sociais........................................................................306 FORMAS DE TRABALHAR NAS AULAS..............................................................326.1 TRABALHANDO O TRÂNSITO POR MEIO DA ARTE........................................326.1.1 Teatro.................................................................................................................326.1.2 Jogos na sala de aula......................................................................................336.1.3 Música (som)....................................................................................................346.1.4 Artes Plásticas..................................................................................................356.1.5 Outros exemplos de atividades que enriquecerão o desenvolvimento dotema trânsito..............................................................................................................366.2 MATERIAL DE APOIO SUGERIDO......................................................................376.3 TEMAS ABORDADOS..........................................................................................38CONCLUSÃO.............................................................................................................42REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................43
  8. 8. INTRODUÇÃO A Educação no trânsito é um dos maiores desafios que está sendoenfrentado pelos governos nacional, estadual e municipal, que trabalham paragarantir as mínimas condições aos usuários das vias. Aqui, no município de EstânciaVelha, desenvolvemos um trabalho juntamente com a Secretaria de Educação eCultura com alunos das escolas municipal. Trabalho este que tem a participação direta do agente de trânsito na sala deaula, levando os ensinamentos e as experiências vividos no dia-a-dia e, com isto,fazer com que estes alunos compreendam que a prioridade da sociedade, emqualquer circunstância, é sempre proteger a vida para viver com qualidade. Este problema está sendo comum tanto nos países ricos como nos pobres,não há exceção, e está pondo em alerta todas as autoridades públicas responsáveispela educação do trânsito e também os da saúde, local onde acabam chegando oscidadãos quando lesionados em acidente de trânsito. O objetivo do projeto de Educação no Trânsito é tocar no sentimento dosalunos e, através destas crianças, chegar aos pais, ou seja, que com estasinformações os alunos possam passar a seus pais a importância de terconscientização maior a respeito da educação no trânsito ao acender uma luz dealerta, poder explorar o potencial que as crianças têm ao assimilar o que está sendopassado em sala de aula e, na hora de passarem estas informações aos pais,transmitir o que realmente precisa para ter paz no trânsito, o respeito e a cidadania. Este trabalho de Educação no Trânsito é técnico social e irá colaborar naorientação correta para a população, orientando como devem ser os cuidados aserem tomados ao utilizar as vias públicas, quanto à questão e à maneira correta,colaborando, assim, com a preservação da vida dos que utilizam as vias diariamenteou eventualmente. Buscamos mobilizar a sociedade e seus representantes nas ações e nascampanhas pertinentes à educação no trânsito, para que venham atuar junto com o
  9. 9. órgão público, pois para podermos vencer esta luta somente envolvendo asociedade ainda teremos um longo caminho a percorrer e, por esta razão, devemosapostar na juventude. Todos os dias quando abrimos o jornal, grandes manchetes estampadas,‘mais uma morte’, seres humanos morrendo atropelados nas ruas e rodovias. Nãopodemos achar que isto acontece apenas com os outros, já que estes outros, muitasvezes, poderiam ser nossos familiares. Acreditamos que somente com educaçãopoderemos diminuir estes índices. Com este trabalho de educação para o trânsito, o qual está sendodesenvolvido nas salas de aula, temos como objetivo principal procurar estimular noaluno os hábitos e comportamentos de segurança na locomoção no trânsito e, comisto, transformando o conhecimento em ação, por meio de vivências e situaçõesencontradas no seu cotidiano, passando para o aluno exemplos simples, como, aoatravessar a rua, olhar para ambos os lados, verificar se está vindo veiculo e, seestiver, aguardar sua oportunidade, buscando sempre a faixa de segurança, o sinalou a autorização de um guarda para efetuar a travessia. Neste projeto realizar-se-ão palestras com a comunidade escolar e nasassociações de bairro, encontros estes com a finalidade de sensibilizar osmoradores sobre a importância da educação e da forma correta de utilizar as viaspúblicas existentes no município. Os objetivos deste trabalho são os de orientar os estudantes com afinalidade de transformar novos conhecimentos teóricos em prática e formar novasatitudes e ações concretas para que, ao despertar a consciência crítica, cada alunopossa ser um multiplicador da Educação para o Trânsito dentro de suas famílias ena comunidade. Fazê-los reconhecer, através de debates em grupos, que o serhumano, seja ele pedestre ou condutor, é o elemento mais importante no trânsito eesclarecer bem a sua importância e suas obrigações dentro do trânsito. Explicar aos alunos qual a importância da faixa de segurança, os cuidadosque devem ser tomados ao atravessar semáforos, o que significam as cores
  10. 10. existentes e para que servem as placas de sinalização, trazer profissionais comformação, agentes de trânsito ou pessoas que tenham capacitação, a fim de aplicaros conhecimentos no cotidiano e divulgar as ações a serem desenvolvidas emassociações de bairro, escolas e empresas. O problema Acidente de Trânsito1 vem fazendo parte do cotidiano da vidadas pessoas, silenciosa e assustadoramente. Conhecer melhor esta realidade,criando subsídios para a tomada de decisões e complementando as ações, é oprimeiro passo para uma mudança nessa cruel realidade. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a segurança e a prevençãode acidentes de trânsito em rodovias federais, estaduais e municipais, são obrigaçãodas autoridades gestoras e operadoras do trânsito e transporte. O custo anual dos acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras alcançou a cifra de R$ 22 bilhões, a preços de dezembro de 2005 – 1,2% do PIB brasileiro. A maior parte refere-se à perda de produção, associada à morte das pessoas ou interrupção de suas atividades, seguido dos custos de cuidados em saúde e os associados aos veículos.21 Pesquisa de impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas rodoviasbrasileiras. Disponível em: <http://www.denatran.gov.br/publicacoes/show_public.asp?cod=1/>.Acesso em: 9 Dez. 2010.2 Idem.
  11. 11. 1 BASES LEGAIS DA EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO Conforme estabelece o Código de Trânsito Brasileiro, no capitulo I, art. 1º, §2º: 3 O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito, a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotarem as medidas destinadas a assegurar esse direito. A Constituição Federal de 1988 é bem clara, no Art. 37 § 6º 4, ao definirquais os órgãos respondem, objetivamente, por danos causados ao cidadão emvirtude de ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetose serviços que garantem o exercício do direito no trânsito seguro. Neste sentido, é importante ressaltar que promover o trânsito seguro é deverde todos os componentes do Sistema Nacional de Trânsito – SNT, assim como aeducação para o trânsito constitui direito de todos e dever prioritário destes órgãos.A princípio não existe tempo pré-determinado para a educação das pessoas, poisestamos sempre evoluindo e procurando buscar conhecimento, não somente comreferência ao trânsito como também sobre saúde, pois ao termos umcomportamento seguro nas vias estamos colaborando na prevenção e diminuindogastos desnecessários nos hospitais. No que se refere à educação para o trânsito, ainda no Art. 24 do CTB,estabelece como competência municipal, em seu inciso XV, “[...] promover eparticipar de projetos e programas de educação e segurança no trânsito de acordocom as diretrizes estabelecidas pelo CONTRAN”. Todas as regras e normas no trânsito deveriam ser assimiladas por todos. Aescola como ambiente educador, deveria contribuir neste processo, por que é na3 BRASIL. Ministério das Cidades, CNT, Denatran. Código de Trânsito Brasileiro. Disponível em:<http://www.denatran.gov.br/ctb.htm>>. Aceso em: 9 Dez. 2010. A seguir, os artigos do CTB sãocitados diretamente no texto, com indicação do artigo e inciso correspondentes.4 As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicosresponderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado odireito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
  12. 12. infância e na adolescência que se têm maior aceitação do ensinamento emelhoramento da conduta do ser humano. Para facilitar o entendimento da legislação pertinente à educação para otrânsito, o Código de Trânsito Brasileiro destaca e orienta como proceder nesta áreade acordo com a Política Nacional de Trânsito, através das Resoluções e Portariasdo DENATRAN.
  13. 13. 2 A EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO Podemos verificar que no CTB, compreendido entre os artigos 74 e 79,juntamente com seus incisos, está determinando o que e como deve ser aplicada aeducação no trânsito para os alunos nas escolas, onde cada município pode definira melhor forma de aplicação deste conteúdo, devendo, com isto, atingir todos osobjetivos, cujo principal é a preservação da vida. Os órgãos entidades executivos de trânsito têm autonomia para firmarconvênio com os órgãos de educação da União, dos Estados, do Distrito Federal edos Municípios5, objetivando o cumprimento das obrigações estabelecidas nalegislação vigente. Ao conhecer a legislação de trânsito do Brasil e tentar compreendê-la,respeitando os princípios fundamentais que garante a todos os cidadãos, o direito deir e vir e ao transitar com segurança pelas vias. A legislação é ampla, rica, com leis, portarias, decretos e resoluções,permitindo com isto a compreensão dos legisladores que têm a necessidade de seratualizadas com permanência para que seja feito cumprir da forma correta, não sópelos condutores como também pelos pedestres6. Em 1910 foi criado um decreto7 aprovando e regulamentando o transportede passageiros e mercadorias através de automóveis, fazendo ligação entre todosos estados, tendo grandes transformações políticas, sociais e tecnológicas,aumentando a economia brasileira. A partir de setembro de 1997 se faz presente aLei federal 9.503, que institui o novo Código de Trânsito Brasileiro, CTB, o qualtrouxe regras atualizadas, como valores a pagar por infrações cometidas.5 BRASIL. Ministério das Cidades. Código de Transito Brasileiro. Lei 9.503, Art. 79. Disponível em:<http://www.denatran.gov.br/ctb.htm>. Acesso em: 9 Dez. 2010.6 BRASIL Ministério das Cidades. Código de Transito Brasileiro. Legislação complementar, 2008 -Lei 9.503 de 27 de Setembro de 1997 - Capítulo IV -Dos pedestres e condutores de veículos não motorizados. Disponível em:<http://www.denatran.gov.br/ctb.htm>. Acesso em: 9 Dez. 2010.7 BRASIL. Decreto n° 8.324, de 27 de outubro de 1910. Disponível em: Ministério das Cidades, CNT,Denatran, Código de Trânsito Brasileiro, Brasília. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/transporte-coletivo-pdf-a9229.html>. Acesso em: 9 Dez. 2010.
  14. 14. Como devem ser observados os termos usados na legislação, apresentagrandes mudanças nas bases da sociedade, como a regulamentação do uso do“cinto de segurança” (Art. 65, CTB), que estava sendo considerado como algo queatrapalhava ao ser utilizado, traduzindo qual a função social das leis brasileirassobre o tema trânsito e a forma como teve que ser conduzida a redação a fim desensibilizar os cidadãos condutores. A complementação das leis vem com a convenção de Viena sobre o trânsitoviário, de 1968, aprovado no Brasil em 19808, decretos e resoluções do CONTRAN,e as portarias do Denatran, através dos manuais de sinalização de Trânsito, e váriostítulos, como o condutor defensivo9, e a responsabilidade civil em acidentes detrânsito10. Toda a sociedade deveria ter conhecimento de toda a legislação sobretrânsito, principalmente do CTB e suas regulamentações, onde consta o que mudounas sinalizações vertical (são placas colocadas em colunas de ferro ao longo daslaterais das vias) e horizontal (faixas feitas com tintas no solo das vias para seridentificado o que deverá ser feito no deslocamento, indicando se é via dupla ounão). Nas novas regras para a habilitação (Capítulo XIV, CTB), adquirirconhecimentos mais concretos sobre o tema trânsito, entender que somente a partirdo conhecimento é que se ativa a luta pela transformação da realidade do dia-a-dia. A própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) prevê que aeducação deverá abranger todos os processos formativos, para que, com isto, possadesenvolver a vida familiar. A humanidade deve ter uma melhor convivência, tantono trabalho como nas instituições de ensino e pesquisa, e através dos movimentossociais, manterem a sociedade civil organizada para que possam manifestar-seatravés da criação de uma cultura de paz. Esta educação que é dever da nossa família e do estado deverá serinspirada nos princípios da igualdade, da liberdade, da solidariedade, do respeito, da8 BRASIL. Decreto n° 86.714, de 10 de dezembro de 1981. Disponível em: <http://www2.mre.gov.br/dai/transit.htm>. Acesso em: 4 mar. 2010.9 DOTTA, Ático. O condutor defensivo: teoria e pratica. 2.ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2000.10 MATIELO, Fabrício Zamprogna. Responsabilidade civil em acidente de trânsito. 2.ed. PortoAlegre: Sagra Luzzatto, 2001.
  15. 15. gratuidade e da valorização, para que todo o cidadão possa ter a sua qualificaçãopara o trabalho e as condições para seu bem-estar. A Carta Magna, Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 6º, nosassegura uma educação de qualidade, a qual estamos buscando manter, através daformação adequada para os profissionais que desempenham a função de educador,no que diz respeito ao trânsito, para que possam levar este conhecimento aosalunos das escolas do município.
  16. 16. 3 OS VALORES3.1 A IMPORTÂNCIA DO SER HUMANO NA SOCIEDADE Já paramos para pensar que todos são pedestres? E que poucos sãomotoristas ou ciclistas? Por isto deveríamos tratar o trânsito como um espaço emque deve ser priorizado mais o ser humano e menos o veículo. É fundamental que haja respeito ao ser humano, é necessário oferecermaior espaço para as pessoas em locais públicos, pois em determinadas situaçõese lugares, as pessoas dividem o espaço com os veículos. Esta situação pode e deve ser resolvida entre a engenharia de tráfego eespecialistas de todas as áreas. O trânsito deve ser percebido como aspectopúblico, onde o respeito à vida é vital. Todos devem vivenciá-lo com uma visão mais humanizada, não devemos terfalta de confiança11 nas pessoas que utilizam as escolas, como alunos, pais e mães,devemos acreditar na capacidade que têm de transformar esta sociedade paramelhor, não podemos ter apenas um olhar técnico, certamente este é um dosprimeiros passos que precisamos dar para tornar o trânsito mais humano e menosmáquina. Com esta atitude muitos de nós deixaremos a paixão pelo automóvel epassaremos a olhar o ser humano com mais atenção, pois precisamos pensar empessoas e não somente em meios de transportes. Infelizmente a visão de respeito às pessoas fica em segundo plano, aliada àfalta de planejamento, ao crescimento populacional exagerado e desordenado, aindatemos os hábitos e costumes baseados na tese de que, primeiro vêm os veículos,depois as pessoas, em função da enorme quantidade de veículos em circulação eda tradicional priorização destes nas construções das ruas e rodovias (fazendo comque acreditemos ser verdade esta tese).11 SINNER, Rudolf Von. Confiança e convivência: reflexões éticas e ecumênicas. São Leopoldo:Sinodal, 2007, p.11.
  17. 17. É com tristeza que chego à conclusão de que os veículos acabaram setornando, para as pessoas, a representação e a expressão de status, poder e dacultura do ser através do ter, um bem com maior potência, algo que possa chamar aatenção das outras pessoas. As emoções, como raiva e felicidade, são reações e acontecimentos donosso dia-a-dia, surgem repentinamente, despertam em situações novas, insólitas einesperadas. Têm a função comunicativa e estão ligadas a situações presentes oufuturas. O sentimento é algo com que se anda, andamos tristes ou alegres. Não épossível observar um sentimento nas outras pessoas, a não ser pelos sinais queindicam os sentimentos de alguém, estes sinais muitas vezes estão sendo expressono trânsito, com xingamentos e gestos feitos pelos condutores. Ao contrário, asemoções12 são facilmente identificáveis e elas devem estar sempre sob o nossocontrole, somente assim podemos agir com harmonia e equilíbrio. A falta de respeito à individualidade e ao direito do outro parece ser a tônicano ambiente do tráfego. Nestes atos impensados semeamos a tragédia para os quenos acompanham ou para os que estão nas ruas no momento em que damos vazãoà loucura no volante, até o contexto em que vivemos não favorece o autocontrole,estimulando comportamentos desvairados. Neste sentido, a mídia responde em parte pelo estímulo a essa insanidade,parecendo sem sentido às campanhas de educação no trânsito, quando aspropagandas de automóveis, muito mais apelativo e com maior qualidade, reforçamcomportamentos que ferem o Código de Trânsito Brasileiro nas regras de circulação.Devemos questionar e refletir sobre a mensagem transmitida, pois muitas vezes nãonos damos conta do quanto nós mesmos nos deixamos influenciar pelaspropagandas. Esta mensagem muitas vezes trata de carros velozes, pois osveículos saem das montadoras com a capacidade de mais de cem quilômetros porhora, mas, ao mesmo tempo, poucas vias brasileiras suportam esta velocidade,12 CESAR, Bel. O livro das emoções: reflexões inspiradas na psicologia do budismo Tibetano. SãoPaulo: Gaia, 2004. A autora nos convida a acolher irrestritamente todas as nossas emoções sem asrotular em boas ou ruins.
  18. 18. gerando conflitos entre a realidade e a emoção. Percebemos claramente que, em alguns casos, o fato de dirigir não épercebido nem levado a sério, é quase desconsiderado como algo que requer todo ocuidado e atenção, mas, na verdade, é uma atividade que requer segurança,conscientização, autocontrole emocional, calma e sensatez. Às vezes a mídia incentiva o comportamento de algumas pessoas compropagandas que levam as mesmas a pensar e agir como se estivessem em algumfilme de ação ou aventura e que isto não lhes traz conseqüência alguma, mudamseu comportamento e se direcionam somente àquilo que os interessa. O que devemos fazer é filtrar as informações que nos são ofertadas e,principalmente, refletir sobre a origem de nossas emoções antes que elas surjam notrânsito, a fim de mantermos o equilíbrio para agir de forma correta no momento doimprevisto, onde em geral de fato não há tempo. Nós, seres humanos, somos movidos pelas emoções e devemos saber adiferença entre o virtual e a realidade, para podermos, então, controlar as emoçõese lembrar os valores da vida. Somente agindo desta forma e com responsabilidadeserá diminuído o número de acidentes, cuja quantidade de mortes é superior, àsvezes, às de guerras terroristas. Estudos comprovam que a estrutura complexa de um acidente éemergencialmente emocional, principalmente a raiva, porque ela é como um ser vivoque nasce, cresce e se reproduz quando atinge outros condutores. Temos certeza, através de estudos mais específicos, que esta falta decontrole emocional vai muito além e são diversos os fatores que induzem a pessoa,muitas vezes pacata, a agir de forma descontrolada no trânsito, ultrapassando,assim, a influência da mídia.
  19. 19. 3.2 A BASE O educador e a família são parceiros na construção de valores e de umasociedade humanizada, assim, quando o educando não possui o apoio familiar naescola, ele acaba perdendo a grande oportunidade de se alfabetizar, ser orientado eformar-se um cidadão decente e, principalmente, um cidadão consciente de seusdeveres para com a sociedade. O sucesso na aprendizagem só é realizado com a colaboração da família,da escola e da comunidade, garantindo o sucesso na formação do educando.Também com a ajuda constante, aumentam as expectativas quanto ao percursoescolar e tornando-os autoconfiantes, melhorando a auto-estima. O envolvimento constante dos pais na vida escolar de seus filhos torna-osmais participantes na vida pública quando adultos. Entrelaçar a relação escola/família torna possível a reflexão sobre o tipo de sociedade que queremosfuturamente, democrática, mas passível a criticas. Por estas e outras razões, todas de extrema importância, é que a famíliadeve participar integralmente na vida de seus filhos e, principalmente, em suaformação escolar, observando cada passo de seu desenvolvimento, criandopossibilidades, indicando os caminhos, enfim, auxiliando da melhor forma possível. A educação não precisa de tecnologias inexplicáveis, nem de milhões dereais para formação e desenvolvimento do caráter do aluno, mas sim de umcurrículo transformador da realidade, onde o professor, o aluno e os familiares secompreendam, socializando objetivos equivalentes, enfim todos juntos e com omesmo ideal. Todos têm educação, e é através dela que se forma o cidadão responsável,para que possamos viver em sociedade, ou o que podemos chamar de sociedadehoje, já que este conceito está muito diversificado, sendo que uns acreditam quesociedade é agir de forma errônea e tratando as outras pessoas mal,desrespeitando, mas na verdade, para ter uma vida melhor, devemos respeitar os
  20. 20. outros e sermos educados. Esta educação deve ser um processo permanente deaquisição e construção de conhecimento, e não ficar simplesmente na transmissãode informação, pois é a partir deste pensamento que chegaremos a uma educaçãode melhor qualidade. Estamos acostumados a ver apenas números. Quando tratamos sobreacidentes de trânsito há necessidade de começar a compreender que não sãoapenas números, mas sim seres humanos que estão sendo dizimados nas viaspúblicas. Já existem estudos catalogando esta violência como uma guerra, guerraesta no trânsito que estamos começando a perder13. Somente através de uma boa educação poderemos chegar a um conceitomelhor de vida, devemos entender que os veículos foram feitos para andar em viase locais diferentes, que o mesmo veiculo que circula na auto-estrada, passa tambémdentro das cidades, localidade em que é exigida velocidade diferente, mesmo ocondutor sendo o mesmo. Para entender o que isto significa, só através da educação, e devemoscomeçar com a família; ensinar os conceitos do que é uma família, o respeito mútuoentre pai, mãe, irmão e irmã, entender que não é possível passarmos ao mesmotempo em uma porta e, por que, quando estamos nas vias, queremos ser osprimeiros? Onde ficam os direitos do próximo? A cordialidade, o amor, a dignidade?Isto é essencial, é o mínimo que devemos entender como cidadãos vivendo emsociedade, a menos que pensemos que sociedade é tratar os seres humanos comdesrespeito, como citado anteriormente. Um exemplo desta descordialidade, ou egoísmo é: queremos, comomoradores, ter uma via com pavimentação, então precisamos que nesta via passetransporte coletivo, mas não aceitamos que o Órgão Público coloque um “abrigo”(ponto de embarque e desembarque de passageiros) na frente da nossa casa, masse este ponto for na calçada do vizinho, pode ser colocado sem problema. Quandosomos beneficiados, tudo pode estar próximo, quando não somos beneficiados nãoqueremos. Esta atitude é algo que pode atrapalhar o convívio com a sociedade.13 ALBUQUERQUE, Beto. Trânsito seguro. Disponível em: <http://www.betoalbuquerque.com.br/causas/transito-seguro>. Acesso em: 18 Jan. 2011.
  21. 21. Muitas vezes ao deixarmos de dar a preferência a outro condutor, este atopoderá causar grandes complicações podendo gerar um acidente, causando gastosreais, em parte humanos, e de tempo, levando-se em conta que geralmente umacidente com danos apenas materiais envolve em torno de quatro a oito pessoas, e,quando atinge danos físicos, chega a ser necessário o dobro de pessoas para esteatendimento. Não precisamos de muito para perder a calma no trânsito. Um carro quefecha a nossa passagem, outro que não dá seta antes de virar, alguém que pára emfila dupla e nos faz esperar, outro que dirige devagar... Em maior ou menor grau, com maior ou menor freqüência, todo mundo éatacado por uma espécie de fúria quando está no trânsito e se depara com umasituação que o desagrada. Até o condutor mais cordial acaba se irritando e adotandoum comportamento agressivo. 14 Tanto é que o chamado “assassino motorizado” é objeto de estudos depsicólogos especialistas em trânsito. Uma das explicações é que, isolado no carro, omotorista enfrenta o dilema de estar em um ambiente público (rua) e privado (carro)ao mesmo tempo. Inserido em seu ambiente privado, o motorista se sente protegido, além deser um sujeito anônimo, o que lhe confere certa sensação de impunidade,reforçando assim sua agressividade. Outra explicação é que o stress e a correria aque as pessoas estão sujeitas no dia-a-dia contribuem para a impaciência e airritabilidade do motorista. O que estamos desenvolvendo para a educação no trânsito, procurandomanter o respeito entre os alunos e professores, buscando os conceitos do respeitoque devem ser passados dos pais para os filhos.14 BIAVATI, Eduardo; MARTINS, Heloisa. São Paulo - Rota de Colisão: a cidade, o trânsito e você.São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2007, p.40.
  22. 22. 4 ATIVIDADES NAS ESCOLAS Neste projeto de educação para o trânsito serão desenvolvidas atividadespara todos os anos do ensino fundamental, sendo que em cada ano será trabalhadoum tema em sala de aula, aplicado pela professora e com a participação doprofissional com o conhecimento técnico. As atividades serão realizadas durantetodo o ano letivo com formação ao final do mesmo.1ª aula Observar o trânsito na frente das escolas e criar uma estratégia deimplantação. Começar na primeira aula com jogos de quebra-cabeça, onde constamas regras e dicas de segurança e sanando todas as curiosidades dos alunos. Os alunos serão divididos em grupos pequenos para montar os jogos um aum, cada um dos grupos montará três ou quatro jogos, logo será discutido com osoutros colegas sobre o que se aprendeu e quais as atitudes corretas referente aoconteúdo abordado. O desenvolvimento da aula: Os dez passos para andar com mais segurançanas vias urbanas. • Atravessar a rua sempre na faixa de segurança; • Respeitar os sinais de trânsito; • Olhar bem para os dois lados e evitar atravessar a rua correndo; • Só atravessar a rua quando sinal do semáforo estiver vermelho para os veículos; • Andar sempre no banco de trás do veiculo utilizando o cinto de
  23. 23. segurança; • Andar sempre na calçada; • Nunca jogar lixo pela janela do veículo na calçada ou na via; • Andar de bicicleta em lugares seguros, como ciclo-vias e parques; • Nunca correr atrás da bola que cai na rua, peça ajuda para um adulto; • Não andar de skate no meio da rua.2ª Aula Começam, nesta segunda aula, com um jogo da memória sobre assinalizações de advertência, proibições e ordens. Dividir os alunos em três grupos, debater sobre o conteúdo e o queaprenderam, quais as placas e para que servem, qual o uso mais comum, suaimportância e onde é utilizada. Logo após, distribuir uma folha com as atividades aserem desenvolvidas, atividades estas que poderão ser levadas para a residência doaluno após o término das questões, retornando-a na próxima aula para discussãodas dúvidas. Trabalhar na confecção de um jogo de memória juntamente com os alunos,após a organização começar a desenvolver as brincadeiras, este jogo deverá ter ossímbolos das placas de sinalização. Segunda montagem de material, um jogo de passatempo tendo duascolunas, nas quais fica exposto o conteúdo relacionado com o tema trânsito, ondedeverá ter ligação entre as colunas determinando o uso destes materiais.
  24. 24. 3ª Aula Jogo onde o aluno irá decifrar o Código de Trânsito Brasileiro; montar osgrupos que deverão formular frases, trocando os símbolos pelas letras e, com isto,formando um cartaz. Debater sobre o que se aprendeu e qual o significado das frases que forammontadas, verificar se estas regras estão sendo cumpridas, se o que se observa nasruas é o correto ou não e, na escola, efetuar um levantamento sobre quais os alunosque cumprem estas normas.4ª Aula Começar esta aula com jogo de trilhas, onde os alunos, em duplas, montamos dados e os carrinhos. Em seguida, colocar nesta trilha os principais pontos dacidade, depois da trilha montada começar a debater sobre quais as placas queconstam na trilha, quais delas são de advertência e de proibição, sanar ascuriosidades dos alunos e as dúvidas sobre o que se discutiu, caso não sejamcumpridas as regras, o que acarretará como penalidade e quais as fatalidades quepoderiam ocorrer.5ª Aula Montar um jogo de caça-palavras gigante, dividir os alunos em grupos parajogar no chão, onde deverão ser respondidas as perguntas contidas neste bannerque foi montado, estas letras poderão ser confeccionadas em EVA, para seremutilizadas mais vezes.
  25. 25. 6ª Aula Na penúltima aula passar para os alunos, em retro-projetor, desenhos dasplacas de sinalização que foram utilizadas em todas as aulas, citar exemplos doslugares onde podemos brincar com segurança, como praças, parques, e como secomportar na escola, no ônibus, etc.7ª Aula Passar duas atividades para os alunos desempenharem individualmente, umjogo dos sete erros e um de caça-palavras, para com isto poder avaliar como foi oaproveitamento do aluno nos sete encontros.
  26. 26. 5 O TEMA DO TRÂNSITO NO CURRÍCULO ESCOLAR5.1 INSERINDO O TEMA TRÂNSITO NO CURRÍCULO ESCOLAR: SUGESTÕESDIDÁTICAS Cada disciplina desenvolve, sob sua ótica e especialidade, o tema proposto.5.1.1 Disciplina de Português Podem-se trabalhar textos de jornais sobre a legislação de trânsito e asregras de circulação. Produzir e interpretar textos que satisfaçam necessidadespessoais e coletivas a respeito do trânsito de sua cidade. • Solicitar pesquisa de campo sobre as atitudes corretas no trânsito (pedestre, motorista, ciclista, carroceiro, condutor do veículo de mão que coleta material reciclado ou o vendedor ambulante, motociclista, etc.), utilizando uma ficha de observação, para posteriormente solicitar relatório, que poderá ser analisado em diversas disciplinas, dependendo do conteúdo que se está estudando; • Exibir filmes e vídeos educativos ou notícias sobre trânsito e realizar debates; • Imprimir mensagens sobre segurança no trânsito nas circulares e endereçá-las aos pais; • Criar concurso para alunos do ensino médio, solicitando a criação de projeto sobre educação para o trânsito que mude comportamentos inadequados dos jovens no trânsito. Este concurso pode e deve extrapolar as salas do colégio e concorrer com os demais colégios;
  27. 27. • Pesquisar sobre os problemas de trânsito na cidade, com apresentação de soluções.5.1.2 Disciplina de Matemática Com a matemática o professor estimula os alunos para que organizemestruturas do pensamento, que favoreçam o raciocínio lógico, realizem diferentessoluções de problemas da realidade, inclusive no trânsito. Apresentar então a inter-relação desta disciplina com velocidade, peso,limites, distância e quantidade. • Confeccionado placas de sinalização para serem utilizadas dentro da escola nos horários de entrada e saída dos alunos, utilizando formas geométricas e medidas; • Criar situações problemas, utilizando os elementos do trânsito; • Introduzir noção de distância, velocidade, localizar no mapa rodoviário, através das estatísticas de trânsito, os pontos onde ocorre o maior número de acidentes, analisando distância entre os pontos ou entre as cidades próximas; • Compor gráficos com os índices de acidentes nos últimos anos, com percentuais de crianças envolvidas em acidentes e horários de acontecimento destes acidentes, entre outros dados estatísticos.5.1.3 Disciplina de Ciências O professor precisa pensar e agir de forma a transmitir aos seus alunos queo trânsito é parte integrante do meio ambiente, fazendo com que eles interajam de
  28. 28. forma crítica com a realidade, analisando o cotidiano, trocando idéias, buscandosoluções. • Fazer análise de todos os elementos que compõem o trânsito, incluindo os elementos da natureza, leis da física, atmosfera, fenômenos da natureza, solo, água, vegetais, animais, inclusive o ser humano e sua tecnologia; • Comportamento seguro das crianças e idosos e a fragilidade do corpo humano frente à velocidade, força, peso, impacto, tamanho, distância; • Analisar a importância do uso dos equipamentos de segurança e os efeitos dos impactos no corpo humano, incluindo órgãos; • Reações que as drogas causam no corpo humano e a interferência na condução de veículos; • A visão: Importância de ver e ser visto no trânsito para evitar acidentes, o que é e quais são os pontos cegos de visão, a poluição visual, reconhecer as cores dos sinais de trânsito e do semáforo; • A audição: Estar atento aos vários sons, explorar e treinar a audição para os diferentes sons e o que significam, buzina, ambulância, apito, barulho do rodado, barulho do motor, barulho do escapamento, poluição sonora; • O olfato: Fazer referência à emissão de gases tóxicos e demais poluentes lançados por veículos automotores e o prejuízo à atmosfera, ao solo, às águas oceânicas e potáveis, discutindo a questão dos veículos em mau estado de conservação e que permanecem rodando ou dos retirados de circulação e descartados sem responsabilidade ambiental; • Gincanas nas escolas que incluam a limpeza das ruas vizinhas, focando o problema que o lixo doméstico jogado nas vias trás para o trânsito;
  29. 29. • Tratar a interdependência entre os seres humanos e sua tecnologia, os animais, a vegetação, os recursos naturais, as leis da física, os fenômenos da natureza, as águas oceânicas, as águas potáveis, o solo; • Confecção de maquetes do bairro onde se localiza a escola.5.1.4 Disciplina de História Os alunos já trazem um saber decorrente de sua observação e vivência, e aescola pode fazer com que eles reflitam sobre o que já conhecem, para que nãoencarem a realidade como se fosse algo pronto e imutável, mas sim, fruto dasopções das pessoas. • Analisar das regras de circulação nas vias públicas, qual a sua importância e porque a sociedade as produziu; • Estudar a evolução dos meios de transporte – benefícios e prejuízos para a sociedade; • Analisar o planejamento viário da cidade desde a sua criação; • Meios de locomoção – evolução dos meios de locomoção até os dias atuais.5.1.5 Disciplina de Geografia • Estudar a configuração do espaço geográfico das vias públicas rurais e urbanas e por que ser prudente ao andar a pé, conduzir veículos, inclusive os não automotores, e ser cavalheiro nos diferentes tipos de configuração geográfica;
  30. 30. • Estudar os espaços rural, urbano, o trajeto escola-casa, meios de locomoção; • Planejamento dos espaços da cidade; • Estudar os aspectos da vida cotidiana de cada região; • Fazer pesquisa sobre a correta utilização da bicicleta, skate, patins, etc.; • Orientar o trânsito de pedestres na frente da escola.5.1.6 Disciplina de Estudos Sociais Auxiliar as crianças para que elas compreendam que o trânsito em si não éperigoso, somos nós quem estamos fazendo as coisas erradas que podem resultarem acidentes. • Analisar os fatores que prejudicam a segurança no trânsito: alta velocidade, pedestres imprudentes, desrespeito ao próximo e às leis de trânsito, etc.; • Policiais de trânsito, quem são e a importância do trabalho deles; • Analisar a importância das regras de circulação; • Levantar as diversas profissões que são executadas no trânsito; • Realizar atividades de expressão plástica e musical para desenvolvimento da criatividade, do senso crítico e exploração da vivência da criança no trânsito, por meio de desenhos, pinturas, recortes, colagens, modelagens, dobraduras, construção com sucatas, dramatização, mímica e fantoches; • Dramatizar diferentes situações de acidentes no trânsito, ele é um
  31. 31. sentimento, uma ação e uma construção. O cidadão ou a cidadã exerce a cidadania quando se preocupa com o meioambiente, com o respeito e a valorização da família, da escola, da comunidade, ecom o trânsito, ele é vida. Acreditar que a escola possui um papel fundamental na educação normal,como ensino fundamental, ensino médio e principalmente para o trânsito,construindo esse conhecimento com as crianças, transformando-as em pessoaspreventivas e multiplicadoras desses saberes. É com atividades relativas ao conteúdo que poderemos construir mais umespaço de aprendizagem e reflexão sobre o tema trânsito.
  32. 32. 6 FORMAS DE TRABALHAR NAS AULAS Ao oferecer subsídios para que os professores desenvolvam as atividadessobre trânsito, insiste-se na importância da observação e das experiências de vidados alunos, acreditando que as suas produções, também na simulação do dia-a-diado trânsito trabalhado por meio da arte, seja um dos recursos mais significativosnesta aprendizagem.6.1 TRABALHANDO O TRÂNSITO POR MEIO DA ARTE6.1.1 Teatro O teatro pode ser utilizado tanto como representação quanto como jogosteatrais, como por exemplo, os jogos de expressividade e concentração. Outra característica importante do teatro é que, sozinho, ele consegue reunirvárias manifestações artísticas, a própria música na sonoplastia, as artes plásticasnos cenários, figurinos e adereços, usando a literatura na criação dos textos, ouseja, ao criar um espetáculo pode-se preencher um ou mais bimestres de trabalhoconjunto de várias matérias do currículo escolar, tornando o ensino cada vez maisprazeroso, dinâmico e produtivo.Sugestão de Montagem de um espetáculo, passo a passo, tendo um roteiropara o espetáculo • Dividir a turma em grupos. Em cada grupo estimule a conversa sobre o tema trânsito, para que os alunos contem situações vividas no trânsito, cenas certas e erradas que eles presenciaram ou fizeram. Em cada grupo uma pessoa anota estas situações e, juntos, decidem sobre quais vão
  33. 33. falar. Após selecionar as sugestões o professor vai ajudá-los a criar o roteiro do teatro; • A definição do papel que cada um vai representar (diretor, ator, etc.) deve ser feita após o término do roteiro, assim, todos já sabem o que vai acontecer e podem decidir de acordo com as suas afinidades; • Com as idéias listadas, os alunos devem organizar as cenas em formato de tópicos, assim, uma a uma, as cenas vão desenhando uma peça de teatro. Cerca de 5 a 7 cenas, com 5 minutos cada, formam um espetáculo com um bom tempo de duração; • É importante lembrar que as cenas são independentes, mas não recortadas dentro de um contexto, a não ser que isso faça parte de uma proposta pré-concebida pelo grupo, caso contrário, deve-se pensar em uma forma de ligar as cenas; • Um espetáculo é dividido em 4 momentos: introdução, desenvolvimento, clímax e desfecho. • Definidos o roteiro e os papéis que cada um vai desempenhar é só ensaiar e por em prática. • A improvisação obriga o ator a tomar decisões rápidas, por isso estimula a sua criatividade.6.1.2 Jogos na sala de aulaJogos Teatrais Os jogos teatrais são atividades feitas como preparação no teatro e servempara o aquecimento e para exercitar a concentração e a expressividade, fatores
  34. 34. importantes durante a representação e no dia-a-dia. Por isso, tão ou mais importante que o jogo é a avaliação da atividade, ondeo professor vai estimular o aluno a verbalizar as sensações e conclusões obtidasdurante o jogo.Jogo dos olhos vendados • Dividir os alunos da turma em duplas; • Distribuir uma venda para cada dupla. Uma das crianças fica vendada e a outra anda de mãos dadas com ela, levando-a para explorar a escola com as mãos; • Depois de um período as crianças trocam, quem guiava é guiado e vice- versa. A avaliação: Procurar saber: o que os alunos sentiram quando guiavam? E quando eramguiados? Confiaram? Passaram confiança? (Estimular o cuidado com as outraspessoas, principalmente as que têm dificuldade, como por exemplo, as criançasmenores, as pessoas com dificuldades especiais ou os idosos).6.1.3 Música (som)Educação infantil e ensino fundamental Ouvir músicas que falem sobre trânsito e analisar a sua letra, representando,por meio de gestos e sons produzidos pelas crianças, o seu conteúdo.
  35. 35. Ensino fundamental e médio Deitar os alunos em um espaço aberto com os olhos fechados e pedir paraque elas ouçam todos os sons do ambiente e, aos poucos, que se concentrem nossons apenas relacionados ao trânsito (obs.: ótima atividade para trabalhar aconcentração, atenção, utilizando só o sentido da audição). Fazer concurso de paródias de músicas famosas e apresentar para a turmae o colégio.6.1.4 Artes PlásticasEducação infantil Desenhos, pinturas de cenas com comportamentos corretos no trânsito.Ensino Fundamental Criação de histórias a partir de recortes, modelagens e dobraduras. Criação e confecção de jogos educativos.Ensino Fundamental e no Médio Criação de maquetes usando materiais reciclados.
  36. 36. 6.1.5 Outros exemplos de atividades que enriquecerão o desenvolvimento dotema trânsito • Questionamentos sobre aspectos positivos e negativos da cidade a partir do tema trânsito; • História da cidade: imigração, formação populacional, cultura, atividades comerciais, industriais e financeiras; • Estudo da planta da cidade: malha urbana, vias rápidas, rotatórias, viadutos, vias paralelas, vias preferenciais, vias de tráfego lento e tráfego rápido, via arterial, via coletora, via local, pontos referenciais e endereços. • Confecção de murais sobre os problemas do trânsito; • Confecção de faixas, textos em grupo para serem apresentados em murais da escola e nas reuniões de pais; • Gincanas internas nas escolas; • Exposição dos trabalhos realizados; • Palestras com Autoridades de trânsito, para os alunos e seus pais; • Passeios de ônibus organizados pelas professoras, para que as crianças aprendam a se portar adequadamente dentro e fora dele; • Como portar-se em diferentes situações de acidentes com carros, bicicletas, motocicletas, condutores de carroça, do carro de mão utilizado por coletor de material reciclável ou vendedor ambulante, pedestre, animais, etc., fazendo com que a criança represente diversos papéis, desenvolva empatia e verifique que cada um deseja fluidez, acessibilidade e segurança;
  37. 37. • Desenvolver jogos educativos sobre o trânsito para que possa ser utilizado no horário do recreio, como, por exemplo, tabuleiro com casas para serem percorridas, onde algumas situações de trânsito serão colocadas, jogo da memória com as placas de sinalização; • Os alunos terão oportunidade de pensar e reformular suas atitudes no trânsito, participando de atividades que fazem parte do universo de interesses da sua faixa etária, como vídeo ou gincana sendo trabalhados os conceitos de cidadania, o respeito e a responsabilidade na divisão de espaços públicos; • Quanto ao destino do lixo e reciclagem, trabalhando comportamentos adequados no trânsito por meio da vivência de regras e conceitos de segurança de circulação e travessia.6.2 MATERIAL DE APOIO SUGERIDO • Filmes: material este que possa demonstrar para a criança como deverá proceder ao transitar pela rua; • Livros de histórias: que contem histórias e relacione o comportamento ao fazer travessia nas escolas nas faixas de pedestres, para alunos do ensino fundamental; • Recortes de jornais e revistas: estes recortes constando alguns acidentes para que com isto possamos demonstrar que com descuido poderemos ser atingidos, causando sérios danos à vida; • CDS: com músicas sobre o comportamento no trânsito; • Jogos: interativos, como caça-palavras, palavras cruzadas, jogo naval; história da evolução do transporte;
  38. 38. • Conteúdo que demonstre o que foi e o que é hoje o trânsito no Brasil e no mundo atual. Ex: lançamento da publicação em homenagem aos 100 anos de Legislação de Trânsito no Brasil; • Gravuras com símbolos de trânsito (que demonstrem o que são placas de sinalização, mesmo não tratando estes alunos como condutores, mas que demonstrem como deveria ser o comportamento de alguns); • Cartilhas sem cores (onde os alunos possam expressar através da pintura o que compreendem e entende sobre trânsito).6.3 TEMAS ABORDADOSCinto de segurança Crianças com menos de 10 anos não podem sentar no banco da frente.Sente sempre no banco de trás utilizando o cinto de segurança.Faixa de segurança Use sempre a faixa de pedestres e, onde houver sinaleira, fique atento aossinais antes de atravessar.Celular não combina com direção Na Europa o negócio é diferente, as campanhas são agressivas para deixaros condutores cientes do que podem causar com uma irresponsabilidade.
  39. 39. Evolução no transporte A legislação de trânsito brasileira é vasta e rica em leis, decretos,resoluções, portarias que, publicados no decorrer dos últimos cem anos, nospermitem compreender o dinamismo do tema e sua necessidade de revisão e deatualização permanentes. Isso porque, com o passar do tempo, os costumes, aspessoas e as sociedades mudam e novas demandas devem ser atendidas.Dicas de trânsito para pedestre Garotada! Preste muita atenção: nunca brinque ou ande no meio da rua.Não corra para atravessar a rua.Dicas de trânsito para ciclistas É muito bom para a fluidez do trânsito e muito melhor para a saúde doplaneta, porém, como em todas as outras condições, deve-se ter muito cuidado erespeito com as leis de trânsito.Dicas de trânsito para condutor Para a criança é o carro que faz tudo mais depressa, então deve parar maisdepressa também.Dicas de trânsito para crianças Visibilidade em função da baixa estatura da criança e o tamanho dos
  40. 40. veículos.Dicas de trânsito para condução escolar e ônibus Esse é um tema que deve ser muito discutido, por que, especificamentenesse caso, as questões materiais, como preço da cadeirinha, não devem estaracima da segurança da criança.Semáforo para pedestre Dispositivos para controle do tráfego de pedestres e prevenção de acidentesde trânsito.Os cuidados com o meio ambiente Cartão para semana do trânsito, semana do meio ambiente, São João,semana Farroupilha, Semana da Pátria, dia da criança, todas alusivas ao tema comdicas de trânsito, Sacolas para o carro (semana do meio ambiente).Boas maneiras, respeito, paciência, amor e responsabilidade Na Alemanha, o emprego dos sinais horizontais indicando ciclo faixa sobre acalçada é muito comum, pois o trânsito de bicicletas, que é intenso, é feito sobre acalçada, já que tem largura suficiente. Os ciclistas exigem que os pedestres respeitem o espaço a eles destinado.Se um pedestre transita sobre o ciclo faixa, eles buzinam mesmo. E olham para ospedestres com cara de poucos amigos.
  41. 41. Adivinhem quem mais desrespeitava o território do ciclista? Nós, osbrasileiros, que não estávamos acostumados a isso.Temas para não esquecer Em uma colisão de automóvel a 50 km/h, uma pessoa que estiver no bancode trás do veiculo e sem cinto de segurança, será projetada para frente com seupeso multiplicado 35 vezes. No impacto, uma criança com 30 kg passa a pesar1.050 kg. Praticamente o peso de um filhote de elefante.Ao pedalar O ciclismo é um ótimo esporte e praticado por muitas pessoas, quem nãogosta de sair pedalando por aí? Só que para andar de bicicleta existem regras quedevem ser seguidas para evitar acidentes, respeitar as leis de trânsito, não fazeracrobacias nas vias, andar sempre pelas ciclovias, cuidar bem dos freios antes desair de casa.
  42. 42. CONCLUSÃO Este projeto de Educação para o Trânsito foi elaborado para tentar mudar asestatísticas. Sabe-se que existe um alto número de mortes por acidentes comveículos em todo o País e, trabalhando neste contexto relevante, cheguei àconclusão da necessidade de começar, na infância, a formação de um melhormotorista e um cauteloso pedestre. As ações e projetos de educação para o trânsito desenvolvido aqui nomunicípio seguem as Diretrizes Curriculares Nacionais, que apontam para anecessidade de desenvolver em paralelo programa que atinja as disciplinas doensino fundamental, médio e no ensino superior, sendo temas apenas transversais. Este projeto será desenvolvido em todos os níveis de ensino, mas comênfase principalmente no ensino fundamental, terceiros e quartos anos, visando àformação integral destes alunos, para que tenham consciência dos diversos papéispor eles exercidos no trânsito, resgatando os valores éticos. Na educação infantilbuscará estimular o comprometimento da família; no ensino fundamentalcontemplado com conteúdo específico, desenvolver autonomia no convívio social eatingir a mobilidade segura e; no ensino médio, fazer com que o aluno desenvolvasua capacidade crítica e, com isto, chegue a uma maior integração da realidade,objetivando sempre um trânsito mais seguro.
  43. 43. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASALBUQUERQUE, Beto. Trânsito Seguro. Disponível em:<http://www.betoalbuquerque.com.br/causas/transito-seguro>. Acesso em: 18 Jan.2011.BESSA, Marcelo. Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. In: DireitoInternacional Público. Disponível em:<http://www.marcelobessa.com.br/viena61.pdf>. Acesso em: 9 Dez. 2010.BIAVATI, Eduardo; MARTINS, Heloisa. São Paulo – Rota de Colisão: a cidade, otrânsito e você. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2007, p. 40.BRASIL Ministério das Cidades. Código de Trânsito Brasileiro. Legislaçãocomplementar, 2008 - Lei 9.503 de 27 de Setembro de 1997 - Capítulo IV - Dospedestres e condutores de veículos não motorizados. Disponível em:<http://www.denatran.gov.br/ctb.htm>. Acesso em: 9 Dez. 2010.BRASIL. Decreto n° 86.714, de 10 de dezembro de 1981. Disponível em:<http://www2.mre.gov.br/ dai/transit.htm>. Acesso em: 4 Mar. 2010.______. ______. Decreto n.º 8.324 de 27 de outubro 1910. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/transporte-coletivo-pdf-a9229.html>. Acesso em: 9 Dez. 2010.______. ______. Lei 9.503. Art. 79. Disponível em: <http://www.denatran.gov.br/ctb.htm>. Acesso em: 9 Dez. 2010.CESAR, BEL. O livro das emoções: reflexões inspiradas na psicologia do budismoTibetano. São Paulo: Gaia, 2004.DENATRAN; IPEA. Manual de Impactos sociais e econômicos dos acidentes detrânsito nas rodovias brasileiras. 2008. Disponível em:<http://www.denatran.gov.br/publicacoes/show_public.asp?cod=1>. Acesso em: 9Dez. 2010.DOTTA, Ático. O condutor defensivo: teoria e prática. 2.ed. Porto Alegre: SagraLuzzatto, 2000.MATIELO, Fabrício Zamprogna. Responsabilidade civil em acidente de trânsito.2.ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2001. Acesso em: 9 Dez. 2010.SINNER, Rudolf Von. Confiança e convivência: reflexões éticas e ecumênicas.São Leopoldo: Sinodal, 2007, p. 11.

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