O consumo de música através das redes sociais na internet
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O consumo de música através das redes sociais na internet O consumo de música através das redes sociais na internet Document Transcript

  • DISCLAIMEREste documento é um extrato(páginas 6 à 16) do relatório final individual e diferenciadopara cada bolsista/colaborador O Consumo De Música Através Das Redes Sociais NaInternetda pesquisa A Co-Evolução Das Formas E Preferências Estéticas: UmaInvestigação Sobre Mudanças De Linguagem E De Gosto Na Cultura Midiática doPrograma Institucional De Bolsas De Iniciação Científica – Pibic Cnpq/Ufal/Fapeal2010/2011 de orientação do professor doutor Ronaldo Bispo Dos Santos e autoria de TiagoAlves Nogueira de Souza apresentado em 2011 durante o VIII Congresso Acadêmico daUniversidade Federal de Alagoas. Ao fazer citações deste documento, favor utilizar esta referência bibliográfica:SANTOS, Ronaldo; NOGUEIRA, Tiago. O Consumo De Música Através Das RedesSociais Na Internet. In: VIII Congresso Acadêmico da Universidade Federal de Alagoas,2011, Maceió. Anais, 2011. Observar também que o documento começa na página 6.
  • RESULTADOS E DISCUSSÃO O primeiro semestre foi essencialmente teórico, embora algumas pesquisas práticastenham sido conduzidas durante este período, a saber: um estudo sobre o uso das mídiassociais nas escolas públicas e privadas de Maceió; uma análise do vlog de PC Siqueira,comparando-o como crônica contemporânea em formato de vídeo e; um estudo sobre oconsumo de músicas através da plataforma de vídeo online YouTube. Foram lidos e discutidos vários livros, artigos e referênciais teóricos, como: Osmeios de comunicação como extensões do homem (1995), de Marshall McLuhan; Ainteligência coletiva (1998), Cibercultura (2000) e o que é o virtual? (1999), de PierreLévy; O Culto do Amador (2009), de Andrew Keen; Rumos da Cultura da Música (2010),organizado por Simone Pereira de Sá; alguns artigos produzidos por Adriana Amaral (2003,2010); Click (2009), de Bill Tancer; Redes Sociais na Internet (2008), de Raquel Recuero;YouTube e a revolução digital (2009), de Jean Burgess e Joshua Green; A cultura da Mídia(2001), de Douglas Kellner; Free (2009) e A cauda Longa (2006), de Chris Anderson;Evolutionary Aesthetics, organizado por Eckart Voland; A Cultura da Convergência, deHenry Jenkins (2008); A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica, de WalterBenjamin; Culturas e artes do pós-humano (2003) e Cultura das Mídias, de Lúcia Santaella;@rte e mídia (2005), de Priscila Arantes; além de vários outros artigos. No segundo semestre, a maior parte da pesquisa se deu de forma empírica e deobservação. Fixamos o trabalho no estudo das redes sociais Blip.fm e Facebook, onde aprimeira resultou em um artigo apresentado durante o Congresso Regional Sudeste daIntercom edição 2011. O artigo se propôs a analisar as novas práticas de consumo musical online com focona plataforma BLIP.fm, refletindo sobre questões fomentadas a partir da colaboração, daconstrução de identidades online através da música como capital simbólico fundamentalpara afirmação individual e das relações travadas entre os usuários, analisando asreconfigurações do consumo a partir das transformações de distribuição. No estudo do Facebook, procuramos entender como a rede social influenciava diretae indiretamente no gosto musical de seus usuários, independentemente de que estilo elesescutassem (rock, pagode, axé, etc.). Foi preparado um formulário online com respostas detodo o país que compilamos neste relatório. Entretanto devemos também lembrar que no primeiro semestre, foi realizado umestudo sobre o como as pessoas consumiam música na mídia social YouTube. Quando o YouTube surgiu em 2005, ninguém poderia prever a grandeza que eleatingiria e a pluralidade de possibilidades de uso dessa rede social de compartilhamento devídeos. O Youtube utiliza o formato Adobe Flash para disponibilizar o conteúdo que podeser enviado por qualquer usuário devidamente cadastrado. Embora atualmente seu sloganseja “Broadcast yourself” (algo como “Transmita-se”), nos primeiros momentos de suaexistência ele trazia os seguintes dizeres: “your digital video repository” (seu repositório devídeos digitais). Pode-se dizer que ele é, na verdade, um pouco dos dois. 6
  • As pessoas tanto usam o youtube para se transmitir como para armazenar seusvídeos favoritos. Nesse meio, além de vídeos de família, gravações caseiras e vídeosamadores, também encontramos covers de bandas e artistas desconhecidos, bootlegs egravações de shows, além de clips musicais – legais e ilegais. O potencial do Youtube paraarmazenar a cultura da era contemporânea é muito grande. Velhos vídeos que jamaisseriam vistos novamente, ganham vida no Youtube. Jean Burgess e Joshua Green (2009)comentam: (...) se o YouTube persistir tempo suficiente, o resultado será não apenas um repositório de conteúdo de vídeos antigos, mas algo até mais significativo: um registro de conteúdo popular contemporâneo global (incluindo a cultura venacular e cotidiana) na forma de vídeo, produzida e avaliada de acordo com a lógica do valor cultural que emerge das escolhas coletivas da compartilhada comunidade de usuários do YouTube. (BURGESS E GREEN, 2009: pg. 120) O homem está colocando cada vez mais sua cultura no ciberespaço. As pessoasnunca foram tão virtuais como atualmente. Outro ponto fundamental que norteou o artigofoi o consumo musical na contemporaneidade. Mp3 players, computadores portáteis,smartphones, dentre outros aparelhos modificaram a forma como consumimos música. Aspessoas nunca consumiram tanta música como no século atual. Acredito que exista um misto desses elementos no site YouTube. Apesar deexistirem várias redes sociais de compartilhamento de músicas, 32% das pessoas queacessam ao YouTube nos Estados Unidos o utilizam para ver vídeos relacionados à música,segundo o Pew Institute of research (A atividade mais comum no Youtube é assistir vídeosde humor) Recentemente tivemos também o caso dos cantores pop Lady Gaga e JustinBieber que atingiram marcas histórias no YouTube: seus canais 1 no foram assistidos maisde 1 bilhão de vezes. Mesmo sendo um site cujo principal motor seja o compatilhamento devídeos, muitas pessoas acessam o YouTube com o intuito único de escutar música, comocomprovaremos mais adiante em nossa pesquisa. Portanto, o principal objetivo deste trabalho foi analisar como os usuários doYouTube consomem música através deste site, uma. Para tanto, foi aplicado umquestionário, entre os dias 18 e 24 de Novembro de 2010, obtendo 209 respostas acerca deassuntos relacionados à esse consumo. Foram escutadas pessoas de várias faixas etárias,sendo que a predominante foi a dos 18 aos 24 anos, compondo 64,11% da amostra. Apesquisa também dividiu os usuários entre gênero, sendo que 75,60% deles eram do sexomasculino. Apesar dessas divisões, os resultados mostraram-se praticamente os mesmos,indepentemente da idade ou do sexo do usuário. O youtube é muito mais que um site de compartilhamento de vídeos. É também umarede musical viva e ativa que recebe diáriamente milhões de acessos de pessoas em busca1 http://www.youtube.com/user/LadyGagaVEVO e http://www.youtube.com/user/JustinBieberVEVO,respectivamente 7
  • de música, não de vídeos. Entretanto é importante observar que o vídeo não deve serexcluído do processo, pois os consumidores musicais entram no site em dois momentosdistintos como pudemos observar. Existe, de fato, aquele consumidor que deseja realmente assistir ao vídeo. E aí aqualidade gráfica do mesmo torna-se extremamente relevante e casos de sucesso noyoutube como a Lady Gaga são a prova disso. Por outro lado o mesmo consumidor podeentrar no site com o intuito de meramente escutar uma música. Aí a qualidade do vídeo nãoé tão significativa o que responde a questão do porquê de vídeos feitos apenas com imagense fotografias serem tão populares. Num outro momento neste trabalho observei a questão da cauda longa presente nasbuscas por vídeos musicais. Os clips, entrevistas, show, etc. oficiais são muito poucos,embora gerem isoladamente um número alto de acessos. Os outros vídeos relacionados(covers, músicos amadores, bootlegs, vídeos com imagens colocadas por fãs, etc.)representam uma quantidade muito maior de vídeos, mas que não são tão assistidos comoos oficiais. Entretanto, a soma total desses vídeos supera o número de exibições dos clipsisolados. Finalmente, observei o uso do YouTube como um player online de músicas. Osconsumidores criam listas de reprodução de vídeos no intuito de escutar músicas, não devisualizar os vídeos. Essa característica pode ser afirmada ao observar sites como o blip.fm,onde os usuários colocam músicas à partir do youtube para seus seguidores. O YouTube é, então, muito mais que um site de compartilhamento de vídeos. É umaplataforma multimídia completa. Os usuários de fato o utilizam como um player de músicase a música é tão presente no youtube que em 2010 o YouTube “premiou” três categorias devídeos: os mais assistidos do ano, os termos de busca que cresceram mais rapidamente eos vídeos de música mais assistidos. Entretanto, na categoria de vídeos de música maisassistidos não visualizamos nenhum vídeo amador. Talvez a criação dessa categoria sejauma forma de melhorar a imagem da empresa junto às gravadoras. Por outro lado oYouTube se mantém forte como divulgador de cultura vernacular ao ter muitos vídeosamadores na lista dos vídeos mais assistidos do ano. No artigo sobre o Blip.fm observamos que as pessoas são o combustível natural dequalquer estilo musical enquanto fenômeno cultural e audível, pois a música que nãopossui ouvintes tende a desaparecer: A teoria [ecológica da preferência musical] argumenta que as pessoas são um recurso para os tipos de música; formas musicais competem pelo tempo, energia e preferências dos indivíduos. Tipos musicais formam nichos em diferentes segmentos sociodemográficos da sociedade. Segundo a teoria, o padrão de nicho se desenvolve porque as preferências musicais são transmitidas através laços homófilos de redes sociais; pessoas semelhantes interagem umas com as outras e desenvolvem gostos musicais semelhantes. (MARK, 1998: p. 1) O consumo de música vai, portanto, muito além da audibilidade. Afinal, podemoscaracterizar como consumo musical um bate papo entre duas pessoas sobre uma banda ou 8
  • show? Os fãs vestindo-se como os componentes da banda? Ou o fato de um usuáriomodificar seu avatar na rede social com a capa de algum álbum? Acreditamos que sim,sustentados pela ideia de cultura como produção sígnica e simbólica de Lúcia Santaella: Nos anos 70, a ênfase da antropologia no caráter simbólico da cultura encontrou forte complementaridade na semiótica da cultura. Como afirma Nöth (2000: 513), se a cultura é um sistema “simbólico de forma”, conforme definição de Cassirer, então a semiótica é uma ciência da cultura par excellence, pois ela é a ciência universal dos signos e dos símbolos. Por isso mesmo, pode-se afirmar que muitos dos temas da antropologia cultural são, por natureza, temas semióticos. (SANTAELLA, 2003, p. 47) Redes sociais online como Blip.fm facilitam o consumo de música, pois estimulama conexão entre pessoas de gostos similares, num esforço que garante um aumento da meia-vida de qualquer estilo musical. Esse é um ponto fundamental que a internet proporcionou.A conexão entre pessoas com gostos em comum, porém distantes geograficamente. Aevolução de novos estilos pode ser construída, portanto, sem a necessidade do local, doimediato. A construção de amizades por afinidade garante a continuação de estilos que, deoutra forma, desapareceriam. As redes sociais propiciam um ambiente mais cômodo para a troca de capitaissociais onde o consumo de outras propriedades pode ser feito mais facilmente. No sentidodo consumo cultural, não somente as redes sociais, mas a própria internet e as mídiasdigitais favoreceram um consumo mais veloz, prático e imediato. Para McLuhan (1995, p.35), o computador, por exemplo, seria uma “extensão do nosso sistema nervoso central”,introduzindo um novo ambiente humano – o informacional – e, assim, era responsável pelaconfiguração de novos âmbitos de sociabilidade a partir deste novo ambiente: As novas formas de consumo musical estão alterando a cultura contemporânea. As comunidades virtuais favorecem a continuação dos mais diversos estilos musicais, uma vez que todos estão devidamente conectados. Os produtores musicais dispõem de várias possibilidades para divulgar seu conteúdo graças à internet. Se por um lado existe a questão do download ilegal, por outro existe a possibilidade de atingir um nível em escala global muito mais elevado e com um custo muito inferior ao do século passado. (BISPO, DIAS e NOGUEIRA, 2011, p. 11) Para a conclusão da pesquisa, aplicamos ainda um questionário, procurandoidentificar como os usuários da rede social Facebook utilizam suas conexões virtuais para oconsumo musical. Acreditamos que as redes sociais do tipo “gerais” (também conhecidascomo rede sociais de amizades, ou rede sociais de relacionamento) jogam um papelimportante na modificação de estilos musicais, uma vez que a comunidade musical pode servista também como uma consequência de uma coesão social. Buscamos, portanto, compreender fundamentalmente os fatores extra-estéticos dasredes sociais na internet: 9
  • Por aspecto extra-estético entendemos tudo aquilo que pode ajudar a explicar a emergência de um produto midiático e que não está especificamente relacionado à tradição ou ao acervo artístico-cultural já realizado. Entram aqui portanto uma miríade de aspectos, influências, contextos que podem ter determinado a formatação de uma nova manifestação estética. (BISPO, 2009, p. 10) As modificações nos estilos pessoais, isto é, na forma como um conjunto de pessoasse compreende como parte de um grupo, é altamente influenciado pela música. Isso nãosignifica dizer que a música é responsável pela criação de novos estilos. Ao contrário,música, vestimenta, gírias, devem ser vistas como uma unidade única. Mas é a música oprincipal responsável pela proliferação de novos estilos. A música tem um papel importante no desenvolvimento deste novo estilo, ela serve para criar e expressar a coesão social (Noah 1998, Hagen, 2002). Ela une as pessoas ao ficar sinalizando uma identidade de grupo e promovendo a interação social. Durante estes encontros de música, as pessoas veem como os outros se vestem e falam. Em outras palavras, a música provê o local onde as pessoas podem ser influenciadas por outras. (ESPINOZA, s / d; p. 3)2 Embora na prática qualquer movimento social seja de grande importância para amodificação das novas maneiras de consumir do ator em potencial, podemos afirmar que aplataforma de rede socialFacebook afeta ao menos metade de seus participantes, conformeas respostas vistas no questionário. Ao todo, foram entrevistadas 55 usuários de diversas partes do país. O questionáriofoi aplicado online e divulgado através de blogs, Twitter e Facebook. Para adquirir umaparte do perfil econômico dos usuários, perguntamos sobre a velocidade da internetcontratada, se possuem smartphones com acesso à internet 3G e a idade em anos. O formulário teve dois objetivos principais: descobrir se os usuários precisam ser,de fato, fãs da banda para curtirem suas páginas e; segundo, descobrir o quanto o Facebookinfluencia na aquisição de novos gostos musicais. O primeiro dado que percebemos é que, em média, os usuários curtem 81 páginasno Facebook, das quais 22 são de assuntos relacionados à música. Isso significa que27,16% das páginas curtidas pelos usuários são de bandas, músicos, gravadores e afins.Esse é um número interessante para observarmos o quanto podemos dizer que a músicainfluencia no estilo e gosto dos usuários. Numa pesquisa com proporções maiores, existe a2 Traduçãonossapara “Music has an important role in the development of this new style; it serves to create andexpress social cohesion (Noah 1998, Hagen 2002). It brings people together by signaling a group identity andpromoting social interaction. During these music gatherings, people see how others dress and speak. In otherwords, music provides the place where people can be influenced by others.” 10
  • possibilidade de analisar um percentual mais correto sobre o quanto a música esta presenteem redes sociais gerais. Em seguida, perguntamos “Em média, quantas músicas você precisa gostar paracurtir a página de uma banda/artista no Facebook?”. Entre respostas do tipo “Quase todas”,“um álbum inteiro” e “apenas uma música”, chegamos à média de 7 músicas para curtiruma página. Para curtir uma fan page, portanto, não é necessário ser fã de uma banda. A próxima pergunta foi “Já ocorreu de você curtir a página de uma banda/músicaque você não goste ou se sinta indiferente?”. Nesta pergunta, 80% dos entrevistadosafirmaram que não curtem páginas nessas condições. Pedimos aos usuários queresponderam “sim” a esta pergunta para explicarem o motivo de curtirem a página. Umusuário respondeu que “[...] não sei se é o caso de não gostar, e sim de não ser realmente„fã‟, por assim dizer. No Facebook o termo fã ficou meio banalizado. Muitos likes são paracoisas que você acha legal, não necessariamente ama de coração. Para música isso é maiscomum ainda, eu gosto de diversos artistas até por ser músico, não é ser indiferente, masnão é ser fanático também.”. Outros usuários responderam que curtiram outras bandas porindicação de amigos e para ajuda-las (bandas iniciantes). Em fenômeno observado pelas comunidades do Orkut, constatamos que 80% dosusuários curtem páginas de bandas/músicos no Facebook apenas para demonstrarpublicamente seu gosto musical. Esse fato reduz drasticamente a interação entre artistas efãs na rede social e explica o porquê do número de pessoas que de fato interage compáginas ser tão baixo. Depois, perguntamos para os usuários: “O que leva você a curtir páginas debandas/músicos no Facebook?”. Os dados foram compilados na tabela abaixo: Tabela 1: razões dos usuários curtirem uma página de banda/músico no Facebook Percentual de usuários Razão que concordamNotícias relacionadas à banda/artista 73,21%Ficar por dentro de novas músicas 73,21%Ver a agenda da banda/artista 53,57%Por diversão ou entretenimento 51,79%Para conhecer melhor a banda/artista 50,00%Para trocar ideias, interagir, dar feedback, criticar, etc. 48,21%Download de músicas 42,86%Promoções/sorteios 42,86%Para ter acesso à conteúdo exclusivo da banda dentro do Facebook 41,07%Para escutar músicas da banda/artista 35,71%Ganhar brindes (camisetas, palhetas, adesivos, pôsters, etc.) 30,36%Compra de Ingressos para shows 26,79%Escutar samples (trechos de músicas) 21,43%Porque alguém me recomendou 12,50% Percebemos então que a maior parte dos usuários buscam informações recentessobre a banda. Notícias, últimas músicas, agenda do artista. Por outro lado, temos os que 11
  • afirmaram curtir a página para se divertir, e, logo em seguida, para conhecer melhor abanda. As páginas de Facebook podem, de fato, ajudar os fãs à conhecerem melhor suahistória ou estilo? Em consonância com os dados anteriores, observamos que apenas12,50% dos usuários disseram curtir a página por recomendação de amigos. Isso significaque se a banda tem pouco a ver com o perfil de seu amigo na rede social, as chances delesimplesmente rejeitar o convite são altas. Embora a interação com as páginas não seja tão elevada, a interação dentro daprópria rede social com a música é alta. 85% dos usuários afirmaram postar trechos demúsicas ou links com músicas dentro do Facebook. Por último, perguntamos se o usuário já acabou conhecendo alguma banda novaatravés do Facebook. 56,36% dos usuários responderam que sim. Uma pergunta semelhantefoi feita no estudo do consumo musical no YouTube, apresentado durante o primeiroCOMUSICA. Na ocasião, foi perguntado aos pesquisados “Ao fazer essa busca (referente àquestão anterior) você acabou se deparando com algum material diferente do que buscava eacabou gostando?” 77,34% responderam que “sim. Portanto, apesar do Facebook ter umpapel importante na aquisição de novos gostos, redes mais específicas como o Youtube, oblip.fm e o last.fm afetam mais o estilo dos usuários. Também analisamos como os artistas estão se apropriando do Facebook paraconstruir uma comunidade virtual mais forte entre os seus fãs, chegando em quatromaneiras: 1. Através das páginas oficiais: Os artistas utilizam as páginas disponibilizadas peloFacebook para entrar em contato direto com seus fãs. Os usuários, por sua vez, podemcurtir a página e receber diretamente do seu monitor de Feeds as atualizações dos artistas(interação mútua) como também podem adicionar fotos e vídeos (quando permitido) ecomentar sobre as novas ações do artista (interação reativa). Alex Primo (2003) definecomo os tipos de interação mediadas por computador funcionam através das redes sociais: (...) interação mútua é aquela caracterizada por relações interdependentes e processos de negociação, em que cada interagente participa da construção inventiva e cooperada da relação, afetando-se mutuamente; já a interação reativa é limitada por relações determinísticas de estímulo e resposta (Primo, 2003. p. 61) 2. Através de perfis oficiais: A maioria dos pequenos artistas não utilizam o formatorecomendado pelo Facebook para interação com os fãs. Eles acabam criando perfis pessoaispara o grupo teatral, para a banda, para o escritor, para o ator, etc. Nestes casos, a interaçãose torna mais próxima, por um lado; mas por outro cria problemas de comunicação queimpedem uma comunicação mais fluída na rede social. Os perfis, por exemplo, só podemser visualizados por completo se o usuário for membro do Facebook. Do contrário, ele veráapenas um pequeno resumo do perfil. Apesar de ter como foco o uso do Twitter, o trabalho da Paula Falcão e do FábioMalini sobre os pop stars (Artistas diretamente vinculados com gravadoras, editoras, etc.) e 12
  • os nano stars (artistas independentes) evidencia as principais diferenças dos usos das redessociais pelos artistas. Os principais usos da rede social são os mesmos tanto para os popstars como para os nano stars: divulgar agenda de shows, resultado de shows, aparições namídia, notícias sobre trabalhos e atividades dos artistas, interagir com fãs, etc. Mas adiferença mesmo está em como eles utilizam a rede social para estes fins: A análise dos perfis leva a uma evidência: pop divulga pop e nano divulga nano. E o hábito de divulgar trabalhos alheios é muito mais comum nos nano. Os tweets dos pop são circulares: funcionam como vitrines para eles próprios. Já os dos nano formam uma rede de divulgação mútua: são vitrines para muitos artistas. A autoria dos tweets dos nano é de responsabilidade dos próprios artistas. Já nos pop, além dos artistas postarem, produtores também atualizam. Tanto nanos quanto pops interagem com os fãs por meio de perguntas, respostas e RTs. Porém, o ato de pedir opiniões ao público por meio de perguntas é característica dos nanos. Enquanto os links dos pop direcionam para sites oficiais, os dos nanos direcionam para redes sociais, como facebook, myspace e blog. Enquanto nanos divulgam links para download de discos, pops divulgam lojas online. A divulgação de links que direcionam para a grande mídia é muito mais recorrente nos perfis pop. Nanos e pops divulgam vídeos no youtube e fotos de shows, bastidores e cotidiano. (FALCÃO E MALINI, 2010) 3. Através dos perfis dos usuários: os próprios usuários (fãs) constroem umacomunidade virtual através de suas atualizações envolvendo os artistas. São comentáriosfeitos entre os amigos, fotos e gravações publicadas de shows e eventos, além darecomendação do artista para outras pessoas: As comunidades virtuais são agregados sociais que surgem da Rede [Internet], quando uma quantidade suficiente de gente leva adiante essas discussões públicas durante um tempo suficiente, com suficientes sentimentos humanos, para formar redes de relações pessoais no ciberespaço. (Rheingold apud Recuero, 2009: p. 137) 4. Através da criação de eventos públicos no Facebook: a rede social disponibilizauma opção de divulgação de eventos. Shows, peças de teatro, lançamentos de livros... sãodiversas as opções onde os usuários podem se socializar antes mesmo do início do evento.O Facebook também funciona como um promotor de eventos, nesse sentido, permitindoque um número maior de pessoas sejam “convidadas”, expondo o evento para pessoas quenão o veriam de outra forma. Os convites só são possíveis através de indicações de amigos,fortalecendo os laços entre as pessoas envolvidas. 13
  • CONCLUSÃO Este projeto individual e diferenciado buscou essencialmente responder as questõesextra-estéticas que influenciam as mudanças de forma, linguagem, conteúdo e sentido dealguns gêneros de produções artísticas contemporâneas. Embora as novas tecnologiastenham um papel importante na evolução dos estilos musicais (aqui evolução comoadaptação, não necessariamente uma melhoria), é mais correto afirmar que as novastecnologias são condicionantes, e não determinantes no surgimento de novos estilos: “Dizer que a técnica condiciona significa dizer que abre algumas possibilidades, que algumas opções culturais ou sociais não poderiam ser pensadas a sério sem sua presença. Mas muitas possibilidades são abertas, e nem todas são aproveitadas [...] A prensa de Gutenberg não determinou a crise da Reforma, nem o desenvolvimento da moderna ciência europeia, tampouco o crescimento dos ideais iluministas e a força crescente da opinião pública no século XVIII – apenas condicionou-as. Contentou-se em fornecer uma parte indispensável do ambiente global no qual essas formas culturais surgiram.” (Lévy, 2000, p. 26-27) Talvez o fator mais importante na influência e modificação do gosto esteja nopróprio fator social das novas tecnologias de comunicação na internet. Outras novas tecnologias online, entretanto, têm permitido uma liberdade maiorpara os artistas nas mais variáveis possibilidades. Seja no meio de produção, graças aoscomputadores e aos meios digitais; seja na distribuição, graças à Rede (Internet) ou; seja nadivulgação, graças às redes sociais. E com essa nova liberdade, vivenciamos também o fimda era dos Hits, como diria Chris Anderson (2006). Redes Sociais como o Facebook,aliados aos sites de compartilhamento, permitem com que vários produtos de nicho possampercorrer livremente através de uma imensidão de usuários, que garantem a sobrevivênciade diversos estilos musicais. É o efeito da cauda longa (ANDERSON, 2006). É também a possibilidade da experimentação. Como não custa nada baixar ouescutar músicas na internet, os usuários podem experimentar um número muito maior demúsicas. Os sistemas de indicação servem ainda como uma forma de ampliar ainda mais oleque de possibilidades dentro da rede. As novas formas de consumo cultural online estão alterando não somente aprodução, distribuição e divulgação contemporânea, mas também fazendo com que novosestilos e gêneros venham à tona. As comunidades virtuais favorecem a continuação dosgêneros de nicho, uma vez que agora todos os atores envolvidos estão devidamenteconectados, graças às redes sociais. Os produtores culturais dispõem de váriaspossibilidades para divulgar seu conteúdo graças à internet. Agora atingir um nível emescala global e com um custo baixíssimo se comparado ao do século passado não é maisimpossível. 14
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