Jornalismo online e redes sociais na internet   um estudo de caso dos portais cada minuto, tudo na hora e gazetaweb
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Jornalismo online e redes sociais na internet um estudo de caso dos portais cada minuto, tudo na hora e gazetaweb Document Transcript

  • 1. TIAGO ALVES NOGUEIRA DE SOUZAJORNALISMO ONLINE E REDES SOCIAIS NA INTERNET: UMESTUDO DE CASO DOS PORTAIS CADA MINUTO, TUDO NA HORA E GAZETAWEB MACEIÓ - AL 2011
  • 2. TIAGO ALVES NOGUEIRA DE SOUZAJORNALISMO ONLINE E REDES SOCIAIS NA INTERNET: UMESTUDO DE CASO DOS PORTAIS CADA MINUTO, TUDO NA HORA E GAZETAWEB Monografia, apresentada ao Curso de Comunicação Social – Habilitação Jornalismo - da Universidade Federal de Alagoas como requisito para obtenção do título de bacharel em Comunicação Social. MACEIÓ - AL 2011
  • 3. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS COMUNICAÇÃO SOCIAL TERMO DE APROVAÇÃO A Comissão Examinadora, abaixo assinada, avalia a MonografiaJornalismo online e redes sociais na internet: um estudo de caso dosportais Cada Minuto, Tudo Na Hora e Gazetaweb, elaborada por Tiago AlvesNogueira de Souza.Monografia examinada:Maceió, _____de___________de 20____.Comissão Examinadora: ______________________________________________ Orientador: Prof. Ph.D Sivaldo Pereira da Silva Universidade Federal de Alagoas ______________________________________________ Profª. Ms.Andréa Moreira Gonçalves De Albuquerque Universidade Federal de Alagoas ______________________________________________ Prof. Ms.Érico de Melo Abreu Universidade Federal de Alagoas ______________________________________________ Profª. Dr. Magnolia Rejane Andrade dos Santos Universidade Federal de Alagoas Maceió 2011
  • 4. Àqueles que me amam, eu os amo também.
  • 5. AGRADECIMENTOSAgradeço ao meu papai e à minha mamãe por todo apoio que sempre precisei.Não poderia ser diferente, afinal, são meus pais. Gostaria também de dizer oquanto sou grato aos meus amigos pessoais, Ubiratan, Lucas e Paulo e à minhacompanheira de alma, Lay, pelos excelentes momentos de relaxamento, paz elazer que auxiliaram no desafio desta criação. Agradeço ao professor RonaldoBispo por ter me introduzido na vida acadêmica e ter me servido de inspiração.Foram dias incríveis durante a pesquisa e devo muito a ele por diversas coisasque aprendi na área de comunicação. Queria lembrar também de meus amigosda época do Colégio, cuja atual distância não os tornam menos especiais: André,Henkeo, Jamerson e Fábio.Alguns personagens não poderiam ficar de lado. Obrigado Gregory House eDexter Morgan pelas implacáveis noites de Vicodin e Etorfina que metranquilizaram e deram paciência para continuar este trabalho, mesmo ao ver oSol nascer pelo reflexo do monitor de meu notebook. Gostaria de agradecer aomeu notebook, mas só gostaria mesmo. Travou bastante, bateria sempre fraca emonitor com defeito. Nunca comprem um Dell.Um “muito obrigado” à Plus! Agência Digital por permitir que eu pudesse por emprática minhas ideias e estudos na área de mídias sociais. Um verdadeiro ninhode criatividade. Sem vocês, dificilmente estaria onde estou neste momento.Finalmente, obrigado à banca que aceitou participar desta avaliação mesmo como prazo curtíssimo e em um período praticamente sem aulas na Ufal. Deixa eu verquem mais... Não, é isso.
  • 6. NOGUEIRA, Tiago. Jornalismo online e redes sociais na internet: um estudo decaso dos portais Cada Minuto, Tudo Na Hora e Gazetaweb.2011, 85f. Monografia(Graduação em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo) – UniversidadeFederal de Alagoas, Maceió, 2011. RESUMOO jornalismo online se modificou nos últimos anos com o crescimento dasplataformas de mídias sociais, especialmente com o desenvolvimento de sites deredes sociais na internet como o Twitter e o Facebook. Praticamente não há maisnenhum portal de notícias no país que não tenha percebido o potencial dedistribuição e aquisição de informações através das redes sociais na internet.Este trabalho procura:fazer uma linha do tempo sobre a evolução do jornalismoonline em comparação com as Novas Tecnologias de Informação e Comunicaçãoe a Cibercultura; define o momento atual do jornalismo online ao conectá-lo comduas características principais: personalização e interação; faz apontamentossobre a modificação do jornalismo contemporâneo com base na internet e; analisaos três portais alagoanos com maior presença nos Sites de Redes Sociais combase em pontos qualitativos e quantitativos.Palavras-chave: redes sociais, jornalismo online.
  • 7. NOGUEIRA, Tiago. Jornalismo online e redes sociais na internet: um estudo decaso dos portais Cada Minuto, Tudo Na Hora e Gazetaweb.2011, 85f. Monografia(Graduação em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo) – UniversidadeFederal de Alagoas, Maceió, 2011. ABSTRACTOnline Journalism has changed in the last few years with the growing of socialmedia platforms, especially with the development of Social Network Sites Twitterand Facebook. Practically there isn‟t any news site at Brazil that has notdiscovered yet the potential of distribute and acquire information thru the socialnetwork sites. This monograph pursuit to:timeline the evolution of onlinejournalism with the new technologies of information and communication; define thenowadays online journalism by connecting it with two main characteristics:personalization and interactivity; do appointments about the change incontemporary journalism at internet and; analyze three local portals of Alagoaswith biggest presence at Social Networks Sites by quantitative and qualitativepoints.Keywords:social networks, online journalism.
  • 8. LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1 - Esferas que ilustram a delimitação das terminologias .......................... 36Gráfico 1–O crescimento do tráfego via web até meados dos anos 2000. .......... 39Gráfico 2 - Índice de volume de buscas pra a palavra “web” vem caindo desde2005. ..................................................................................................................... 40Gráfico 3 -Índice de volume de buscas para a palavra “online” cresceu bastanteentre os anos de 2007 e 2010............................................................................... 40Quadro 1 - JDBD: novo paradigma surge entre a 3ª e a 4ª geração .................... 43Figura 2 - Da esquerda para a direita: redes centralizada, descentralizada edistribuída.............................................................................................................. 56Figura 3 - Página inicial de login do Facebook em novembro de 2011 ................. 58Figura 4 - Página inicial de login do Twitter em novembro de 2011. ..................... 59Figura 5 - Usuários de mídias sociais e suas principais utilizações ...................... 67Figura 6 - Página inicial do portal Tudo na Hora em novembro de 2011 .............. 79Figura 7 - Página inicial do portal Cada Minuto em novembro de 2011 ................ 80Figura 8 - Página inicial do portal Gazetaweb em novembro de 2011 .................. 81Figura 9 - Página do Facebook do TNH publica uma imagem agradecendo aosusuários que curtiram a página. ............................................................................ 82Figura 10 - No dia 13 de novembro, o Gazetaweb publicou um novo layout ........ 83Figura 11 - Durante 48 horas entre os dias 21, 22 e 23 de novembro, a páginainicial do Cada Minuto se transformou num banner interativo que ocupava todaárea do monitor, agradecendo aos 6 mil fãs no Facebook. .................................. 84Gráfico4 - Número de tweets registrados por mês pelo perfil @tudonahora ......... 85Gráfico 5 - Número de tweets registrados por mês pelo perfil @gazetaweb ........ 86Gráfico 6 - Número de tweets registrados por mês pelo perfil @cadamin ............ 87Gráfico 7- Número de menções aos perfis dos portais no Twitter......................... 88Gráfico 8 - Número de seguidores no Twitter por mês .......................................... 88Gráfico 9 – Quanto os meios cresceram ou diminuíram entre 2009 e 2010 ......... 95
  • 9. LISTA DE TABELASTabela 1 - Resumo das definições de nomenclaturas sobre práticas de produçãoe disseminação de informação no jornalismo contemporâneo. ............................ 36Tabela 2 - Proporção de indivíduos que já acessaram a internet - Percentualsobre o total da população. ................................................................................... 44Tabela 3 - Fases do jornalismo online e suas características dominantes ........... 52Tabela 4 - Número de comentários no Facebook e no site da revista Veja .......... 78Tabela 5 - Número de interações nas páginas de Facebook dos portais. ............ 92
  • 10. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 112. Comunicação, jornalismo e cibercultura ...................................................................... 13 2.1 Considerações iniciais ........................................................................................... 13 2.2 Adeus mundo linear ............................................................................................... 17 2.3 Cibercultura: contextualização ............................................................................... 21 2.4 Era da Informação ................................................................................................. 25 2.5 Breves considerações necessárias sobre digital e virtual ...................................... 293. JORNALISMO E INTERNET ....................................................................................... 32 3.1 Ao Jornalismo Contemporâneo .............................................................................. 32 3.2 Nomenclaturas: por que jornalismo online? ........................................................... 33 3.3 Jornalismo Online .................................................................................................. 41 3.4 A Web 2.0, interação e a quarta geração do jornalismo digital online .................... 454. JORNALISMO NA ERA DAS REDES SOCIAIS E DAS MÍDIAS SOCIAIS .................. 53 4.1 Redes sociais ........................................................................................................ 53 4.2 Redes sociais na Internet....................................................................................... 54 4.3 Facebook ............................................................................................................... 57 4.4 Twitter .................................................................................................................... 60 4.5 Comunidades virtuais ............................................................................................ 62 4.6 Mídias Sociais........................................................................................................ 64 4.7 Jornalismo Participativo, Jornalismo em Rede e Social Journalism ....................... 68 4.8 Jornalismo online e Redes Sociais na Internet....................................................... 73 4.9 A distribuição da informação .................................................................................. 765. ESTUDO DE CASO .................................................................................................... 79 5.1 Metodologia ........................................................................................................... 79 5.2 Tudo na Hora ......................................................................................................... 80 5.3 Cada Minuto .......................................................................................................... 81
  • 11. 5.4 GazetaWeb ............................................................................................................ 81 5.5 Uso das Redes Sociais .......................................................................................... 82 5.6 Uso do Twitter pelos portais................................................................................... 85 5.7 Uso do Facebook pelos portais .............................................................................. 90CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 94REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 97
  • 12. INTRODUÇÃOO jornalismo,enquanto instituição, não tem suporte. Ou poderíamos ainda afirmarque o jornalismo pode ser executado em qualquer lugar. Vivemos numa era emque não podemos mais fazer citações do tipo “com o advento da internet”. Ainternet já está aí, bem na frente de nossos seus olhos. Até mesmo a grandemídia tradicional já sucumbiu aos “encantos” do mundo digital. O jornalismomudou. E continuará mudando.Para navegar nesses oceanos, entretanto, é necessário bagagem. E velocidade.Os termos mudam numa velocidade incrível, as páginas se atualizam, e quemnão for rápido o suficiente será colocado de lado. Mas não é somente sobrevelocidade, é também sobre querer e poder. Estamos num momento em que nãosomente jornalistas estão presentes nos meios de comunicação, mas também oschamados “usuários comuns”. Através as mídias sociais eles geram conteúdoque, a um clique de distância, pode viralizar e contagiar toda a internet. Com suasredes sociais em ambientes facilmente administráveis, conduzem todos os seuscontatos a lerem e replicarem seus conteúdos. É assustador. E fantástico.No primeiro capítulo deste trabalho, enfatizamos alguns aspectos teóricosnecessários para a compreensão do jornalismo online e fazemos conexão com acibercultura e evolução dos meios até o atual momento. Discutimos a questão damensagem, do conteúdo e do valor por trás da meio internet. Apresentamos omundo não-linear, através de hiperlinks, hiperdocumentos e hipertexto. Vemos oque é a comunicação muitos-para-muitos e fundamentos da cibercultura. Por fim,compreendemos que os limites da era da informação impõem um novo modelo dejornalismo, onde a informação quer e deve ser livre e grátis.No segundo capítulo, avaliamos o jornalismo contemporâneo através da óptica dainternet. Trabalhamos as nomenclaturas para o jornalismo praticado com novastecnologias e explicamos o porquê da nossa proposta com jornalismo online.Apontamos questões sobre Web 2.0, interação e a quarta geração do jornalismodigital online. Afirmamos que cada geração do jornalismo online possui uma 11
  • 13. característica dominante e que, na quarta geração, as características dominantessão a interação e a personalização.No terceiro capítulo trabalhamos a influencia direta das mídias e redes sociais nojornalismo online. Desenvolvemos os conceitos de redes sociais na internet,apresentamos o Facebook e o Twitter e destacamos a importância dascomunidades virtuais no processo de construção das interações mediadas porcomputador. Apresentamos também as definições de mídias sociais, deJornalismo Participativo, Jornalismo em Rede e Social Journalism edemonstramos como são feitas as distribuições de informações nas redes sociais.O quarto e último capítulo apresenta o estudo de caso sobre os portais Tudo naHora, Cada Minuto e Gazetaweb, com entrevistas e análises de dados dosportais. São feitas análise do Twitter e do Facebook dos portais, com gráficos eprojeções das ações.A distribuição e aquisição de informações através das redessociais tornam mais eficazes as práticas jornalísticas e ajudam a consolidar ojornalismo online. 12
  • 14. 1. Comunicação, jornalismo e cibercultura1.1 Considerações iniciaisSão muitas as possibilidades de se iniciar um TCC sobre jornalismo Online, masuma abordagem com números parece ser a mais eficiente para demonstrar aimportância sobre o assunto. Segundo o F/Nazca, somos 81,3 milhões deinternautas brasileiros (a partir de 12 anos)1. Já para o Ibope/Nielsen, somos 78milhões (a partir de 16 anos - setembro/2011)2. De acordo com a Fecomércio-RJ/Ipsos, o percentual de brasileiros conectados à internet aumentou de 27%para 48%, entre 2007 e 2011. O principal local de acesso é a lan house (31%),seguido da própria casa (27%) e da casa de parente ou amigos, com 25%(abril/2010)3. O Brasil é o 5º país com o maior número de conexões à Internet. Oúltimo relatório do instituto ComScore4 sobre a ascensão das redes sociais naAmérica Latina aponta que 90,8% dos brasileiros que acessam a internetacessam redes sociais. O que isso significa para o jornalismo?A evolução do jornalismo se confunde com a evolução dos meios decomunicação. A apropriação dos meios para o jornalismo contemporâneo éconstante. O suporte muda com o passar dos anos, adquirindo novas feições.Mesmo em uma única mídia existem diferenças. No impresso, o jornalismo ocorrenos jornais propriamente ditos, nas revistas, nos folhetins, nos livros-reportagem.Na televisão, o jornalismo ocorre em programas com diferentes formatos: desde opadrão Jornal Nacional até a revista eletrônica semanal, Fantástico.Isso apenaspara citar exemplos globais.Na internet não poderia ser diferente. O formato jornalístico começou com osfamosos portais, dominadores nas primeiras décadas da internet, mas já existemdiversos modos de se fazer jornalismo online. Blogs5, wikis6, tumblrs7, fotologs8,1 http://www.adnews.com.br/internet/110788.html (Acessado em 21/11/2011 )2 http://info.abril.com.br/noticias/internet/internet-no-brasil-chega-a-78-mi-de-usuarios-12092011-5.shl(Acessado em 22/11/2011 )3 http://info.abril.com.br/noticias/internet/metade-da-populacao-possui-acesso-a-internet-08112011-46.shl(Acessado em 21/11/2011 )4 http://www.missmoura.com/panorama-do-brasil-nas-redes-sociais-em-2011-com-dados-comscore(Acessado em 22/11/2011 )5 Plataforma que permite a hospedagem e publicação de conteúdo na internet.6 Plataformas que permitem a edição de conteúdo por qualquer usuário. 13
  • 15. redes sociais9. As possibilidades são muitas. Em seu livro Jornalismo Opinativo,José Marques de Melo expõe sua opinião sobre o jornalismo e os suportes decomunicação: O jornal, assim como a revista, ou o rádio e a televisão, constitui instrumento indispensável para o exercício do jornalismo, mas não exclusivamente. É possível encontrar um jornal que contenha apenas matérias jornalísticas. Mas é possível encontrar um jornal que só contenha anúncios (propaganda) e nenhuma matéria vinculada ao universo da informação de atualidades. Logo, o jornalismo articula-se necessariamente com os veículos que tornam públicas suas mensagens, sem que isso signifique dizer que todas as mensagens ali contidas são de natureza jornalística. (MARQUES DE MELO, 2003, p. 16)Marques de Melo, portanto, aponta para a ausência de suporte na atividadejornalística. Ou para que qualquer meio pode conter informações jornalísticas,desde que esses meios tornem públicas as mensagens, algo que as redes sociaise as mídias sociais fazem com maestria, como veremos mais à frente.Para o jornalista brasileiro Luis Nassif (2011), a blogosfera, por exemplo, já éutilizada pelas mais diversas camadas da sociedade, mas a questão jornalísticanão está na tecnologia utilizada: “a questão mais importante não é a tecnologiaem si, que está em constante transformação, mas nos valores por trás dela.”10Para o jornalista, os valores da informação são mais importante que o meio emque ela está vinculada.A questão do meio é, entretanto, trabalhada em outra óptica através dos estudosde Marshall McLuhan em Os meios de comunicação como extensões do homem(understanding media). Para o autor, “o meio é a mensagem”: Isto apenas significa que as consequências sociais e pessoais de qualquer meio – ou seja, de qualquer uma das extensões de nós mesmos – constituem o resultado do novo estalão introduzido em nossas vidas por uma nova tecnologia ou extensão de nós mesmos. (MCLUHAN, 1995, p. 21).7 Um tipo de plataforma de blogs que permite a replicação de conteúdos.8 Blogs cujo principal foco está na publicação de fotos e imagens.9 Ver capítulo “Jornalismo , redes sociais e mídias sociais”10 http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=740019(Acessado em 22/11/2011 ) 14
  • 16. McLuhan explica ainda que o meio é a mensagem “porque é o meio que configurae controla a proporção e a forma das ações e associações humanas. O conteúdoou usos desses meios são tão diversos quão ineficazes na estruturação da formadas associações humanas.” (idem, p. 23). É correto, portanto, afirmar que oconteúdo vinculado nos suportes online, por serem meiosdistintos, possui umacarga diferente das informações vinculadas nos suportes “tradicionais”. A questãodo valor retorna ainda mais à frente em seu texto: Ao aceitar um grau honorífico [...] Gen. David Sanoff declarou o seguinte: “Estamos sempre inclinados a transformar o instrumental técnico em bode expiatório dos pecados praticados por aqueles que os manejam. Os produtos da ciência moderna, em si mesmos, não são bons nem maus: é o modo com que são empregados que determinam o seu valor.” Aqui temos a voz do sonambulismo de nossos dias. É o mesmo que dizer: “Uma torta de maçãs, em si mesma, não é boa nem má: o seu valor depende do modo com que é utilizada.” [...] E ainda: “As armas de fogo, em si mesmas, não são boas nem más: o seu valor é determinado pelo modo como são empregadas.” Vale dizer: se os estilhaços atingem as pessoas certas, as armas são boas; se o tubo da televisão detona a munição certa e atinge o público certo, então ele é bom. Não estou querendo ser maldoso. Na afirmação de Sarnoff praticamente nada resiste à análise, pois ela ignora a natureza do meio, dos meios em geral e de qualquer meio em particular [...] (MCLUHAN, 1995, p. 25)O autor afirma que cada produto da ciência traz consigo implicações próprias paraa vinculação da mensagem. Embora a questão do meio pareça estar bemvinculada ao valor por trás de seu uso, e nesse ponto McLuhan e Nassif parecemestar em lados opostos, ainda é interessante expor o pensamento de MarcBresseel (2010), vice-presidente da Microsoft Advertising. Ele defende que oconteúdo deve se adaptar a qualquer suporte, ou seja, nem só o jornalista émultimídia11, a notícia também o é12: Costumávamos dizer que o meio era a mensagem, mas agora não faz mais sentido. O meio é o que menos importa num mundo11 No contexto do jornalismo online, multimidialidade, refere-se àconvergência dos formatos dasmídias tradicionais (imagem, texto e som) na narração do fato jornalístico. A convergência torna-sepossível em função do processo de digitalização da informação e sua posterior circulação e/oudisponibilização em múltiplas plataformas e suportes, numa situação de agregação ecomplementaridade.12 http://www.webdialogos.com/2010/cibercultura/o-meio-ainda-e-a-mensagem/(Acessado em22/11/2011 ) 15
  • 17. multimidiático como o de hoje em dia [...] agora uma boa história que se adapte a todos os suportes é necessária.Essa abordagem, entretanto, carece de uma reflexão mais profunda. Se o quemais importa é uma história que se adapte a todos os suportes, então estamosnuma era em que toda história deve ser feita pensando em todos os meios. Ouseja, compreender que cada meio possui um ponto característico. Alex Primo eMarcelo Ruschel Träsel (2006) tentam uma abordagem conciliatória nessesentido, afirmando que, enquanto fenômeno midiático, o jornalismo mantémíntima relação com os canais tecnológicos, seus potenciais e limitações. Emboraa matéria do estudo esteja focada no jornalismo, é bem verdade que a aplicaçãopode ser ampliada em outras modalidades. Para os autores: Como processo complexo, a alteração do canal repercute de forma sistêmica sobre o processo comunicacional como um todo. A produção e leitura de textos em jornal impresso e online se transformam em virtude dos condicionamentos do meio. Isso não é o mesmo que defender algum tipo de determinismo tecnológico (perspectiva que se desvincula de outros condicionamentos sociais, políticos, culturais etc.), nem adotar impunemente a máxima macluhaniana de que o meio é a mensagem. Mas aceitar que o meio também é mensagem. Se a relação entre homem e técnica é recursiva, o processo comunicacional (ou mais especificamente o jornalístico) demanda rearticulações a partir das estruturas tecnológicas em jogo. (PRIMO; TRÄSEL, 2006, p. 3). [grifo nosso]Aceitar que o meio também é mensagem é compreender que existem váriospontos próprios numa comunicação, e cada um desses pontos modifica amensagem de maneira própria. Quando Nassif aponta a questão do valor emdetrimento do meio, aponta principalmente para o valor ético, embora este nãoseja o único tipo de valor. Pode-se ainda argumentar sobre os valoressocioeconômicos, culturais, mercadológicos, ideológicos, e numa grandeamplitude de valores. Para nós, é importante analisar os valores por trás dacultura digital, da cibercultura, pois ela influencia diretamente os fazeresjornalísticos nas redações dos portais digitais. Ao perceber como funcionam ascomunidades virtuais, a comunicação não-linear, a interação, entre outrascaracterísticas a cibercultura e do ambiente em rede, o jornalista abre um lequecom diversas opções para a aquisição, a produção, a distribuição e o consumo deinformações. 16
  • 18. 1.2 Adeus mundo linearA comunicação em sociedade inicia com a linguagem. O primeiro suporte dahistória da comunicação foi o próprio corpo humano, através dos gestos, dosgrunhidos, dos olhares. Com a evolução da habilidade, o homem passou atranscrever sua mente para as paredes das cavernas através das pinturasrupestres. A representação através de imagens não sofreu grandes mudanças atéo surgimento do alfabeto. Por isso, [...] embora tenha surgido há mais de 3.500 anos antes de Cristo, inventada pelos sumérios, a escrita e toda a sua carga linear não se ratificaram como meio de comunicação de massa até a invenção da moderna tipografia (ou imprensa) com caracteres metálicos móveis, por Gutenberg, por volta de 1440, em Estrasbrugo. (ESTRÁZULAS, 2010, p. 29).Ou seja, desde o surgimento das primeiras formas de comunicação humana, aexpressão prosseguiu de maneira linear. Até aquele momento, para compreenderum texto, era necessário percorrê-lo da primeira à última página.Pierre Lévy argumentará em Cibercultura (2000), entretanto, que o primeiromodelo de leitura não-linear surgiu antes dos meios digitais. Através dohipertexto, presente em enciclopédias, o homem conhece sistemas de navegaçãopor documentos que facilitam a busca e a leitura de conteúdo específico. Foramos sumários e os índices que permitiram a leitura não-linear: A abordagem mais simples do hipertexto é descrevê-lo, em oposição a um texto linear, como um texto estruturado em rede. O hipertexto é constituído por nós (os elementos de informação, parágrafos, páginas, imagens, sequências musicais etc.) e por links entre esses nós, referências, notas, ponteiros, “botões” indicando a passagem de um nó a outro (LÉVY, 2000, p. 55-56).No artigo Jornalismo Online, informação e memória: apontamentos para debate,Marcos Palacios (2002)13 estudou algumas das características do jornalismodesenvolvido para Web, afirmando que a hipertextualidade: Possibilita a interconexão de textos através de links (hiperligações). Canavilhas (1999) e Bardoel & Deuze (2000) chamam a atenção13 http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2002_palacios_informacaomemoria.pdf(Acessado em22/11/2011 ) 17
  • 19. para a possibilidade de, a partir do texto noticioso, apontar-se (fazer links) para “várias pirâmides invertidas da notícia”, bem como para outros textos complementares (fotos, sons, vídeos, animações etc), outros sites relacionados ao assunto, material de arquivo dos jornais, textos jornalísticos ou não que possam gerar polémica em torno do assunto noticiado, publicidade etc. (PALACIOS, 2002, p. 3)Embora o hipertexto tenha surgido antes das tecnologias digitais, é fato que suarelevância tenha sido enormemente ampliada graças aos suportes baseados emhiperlinks, aí sim, totalmente digitais. Hiperlinks são parte dos fundamentos daslinguagens usadas para construção de páginas naWeb e em outros meios digitais.Geralmente são elementos clicáveis, em forma de texto ou imagem, que levam aoutras partes de um site. “Navegar na web” é, portanto, seguir uma sequência delinks. Os links agregam interatividade no documento. Ao leitor torna-se possívellocalizar rapidamente conteúdo sobre assuntos específicos.É a interatividade, portanto, que fundamenta o hipertexto digital. Os hiperlinks vãoalém da não-linearidade. Jimi Aislan Estrázulas explica o início da linguagemdigital com base na interação no que ele chama de mundo mosaico: A linguagem do meio digital foi inicialmente parasitária, pois dependia das linguagens do impresso, do rádio e da televisão. Com a confluência, tornava-se difícil manter as linguagens separadas, porque diferente dos meios analógicos, o meio digital criava de fato um diálogo, que foi nomeado de interatividade. [...] É possível interagir com o meio digital, responder às críticas, e no extremo da participação, criar páginas de interação próprias. (ESTRÁZULAS, 2010, p. 79).Quando o autor fala que “no extremo da participação” o usuário pode criar páginaprópria, a situação é parece complexa demais. E de fato era. No passado, ousuário precisava ter conhecimentos de técnicas de edição de texto em HTML, dehospedagem e de servidores na internet. Enfim, não era algo que leigos poderiamfazer. Hoje, com as plataformas de User generated content14 (UGC), praticamente14 Em português: Conteúdo gerado pelo usuário. Esse termo é usado quando empresas ou instituições criamalguma ferramenta que possibilite o usuário criar o conteúdo. O termo surgiu em torno de 2005juntamente com a web 2.0, onde a interatividade e o diálogo tornaram-se as principais características daweb. Com isso a informação tornou-se mais democrática, não estando somente nas mãos das grandescorporações midiáticas. Qualquer pessoa com o conhecimento mínimo de informática poderia opinar ecriar algum tipo de conteúdo, seja ele um blog, um comentário, um vídeo, uma fotomontagem, entre tantasoutras possibilidades. 18
  • 20. qualquer usuário pode construir páginas de interação próprias, mesmo quehospedadas por terceiros.Palacios (2002) considera que a interatividade é uma chave fundamental para ojornalismo online. A notícia tem uma capacidade de fazer com que o leitor sinta-separte do processo jornalístico num grau mais elevado, através de diversas formasde interação: [...] Isto pode acontecer de diversas maneiras: pela troca de e-mails entre leitores e jornalistas, através da disponibilização da opinião dos leitores, como é feito em sites que abrigam fóruns de discussões, através de chats com jornalistas etc. Machado (1997) ressalta que a interactividade ocorre também no âmbito da própria notícia, ou seja, a navegação pelo hipertexto também pode ser classificada como uma situação interactiva. Adopta-se o termo multi-interactivo para designar o conjunto de processos que envolvem a situação do leitor de um jornal na Web. Diante de um computador conectado à Internet e a acessar um produto jornalístico, o Utente estabelece relações: a) com a máquina; b) com a própria publicação, através do hipertexto; e c) com outras pessoas – autor(es) ou outro(s) leitor(es) - através da máquina (Lemos, 1997; Mielniczuk, 1998).(PALACIOS, 2002, p. 3)O jornalismo é uma atividade interativa. Mas antes das Novas Tecnologias daInformação e de Comunicação, essa interatividade esteve presente na aquisiçãoe produção de informações. No cenário digital online, a distribuição e o consumode informações se tornaram interativos também. Voltaremos mais à frente notrabalho a tratar da interatividade em termos sociais no capítulo 2.4,A Web 2.0,interação e a quarta geração do jornalismo digital online.No hipertexto digital, Alex Primo e Marcelo Ruschel Träsel (2006)15, trabalharamtambém os conceitos de Landow (1997), que transforma os usuários em “co-autores” do processo textual: Durante os primeiros tempos do hipertexto digital, Landow (1997) já apontava que a fronteira entre autor e leitor estava borrada. O modelo transmissionista (emissor -> mensagem -> canal -> receptor), que parecia para alguns ser o modelo natural da comunicação de massa, ganha nova maquiagem. O fluxo jornalista -> notícia -> jornal -> leitor, por exemplo, renova-se em jornalista -15 http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/webjornal.pdf(Acessado em 22/11/2011 ) 19
  • 21. >notícia ->site -> “usuário” [...] É verdade, porém, que escrita e leitura tornam-se hipertextuais, o que em si já altera o processo interativo. Conforme Landow, a leitura no hipertexto demanda que o internauta assuma uma postura ativa na seleção dos links que apontam para diferentes lexias na estrutura hipertextual, o que o converteria necessariamente em co-autor.(PRIMO, TRÄSEL; 2006: p. 2) [grifo nosso]Destacamos no texto acima o “usuário” como peça fundamental no processointrodutório do hipertexto digital. No meio digital, não mais um leitor, mas sim umusuário. Além dos hipertextos e da interatividade, outro elemento fundamentalpara o surgimento do mundo “não-linear” é o modelo comunicacional muitos-para-muitos. Em artigo para o 3º Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educaçãointitulado Mídias Sociais na Educação: inteligência coletiva entre docentes ediscentes, foi explicado,através dos conceitos de Lévy (1998), como funciona acomunicação muitos-para-muitos: O meio digital permite um alcance de nível global, mantendo, entretanto, as características pessoais de um diálogo, ou melhor, de um multílogo (Lévy, 1998). As mídias sociais podem ser compreendidas como espaços virtuais onde a troca de informações é caracterizada de maneira não hierárquica. Não existe um grande emissor que detém o poder das informações, nem existe um único meio de enviá-las. O repasse de informações ocorre de forma igual para todos, de maneira colaborativa, onde o homem é emissor e receptor ao mesmo. É a comunicação muitos-para-muitos. (SANTOS; NOGUEIRA, 2010, p. 6)Em Britto (2009), encontramos que na comunicação muitos-para-muitos areferência de emissor e receptor é atenuada, já que existe a troca, a interação, odiálogo, citando Lévy: “No ciberespaço, em troca, cada um é potencialmenteemissor e receptor num espaço qualitativamente diferenciado, não fixo, dispostopelos participantes, explorável” (LÉVY apud BRITTO, 2009, p. 145).O mundo “não-linear” (ou mundohiperlinkado) modificou profundamente o modocomo as pessoas adquirem informações. E se o jornalismo é, par excellence, umaatividade vinculada à aquisição, distribuição, consumo e produção deinformações, é lógico que esta atividade “sofrerá” grandes consequências. 20
  • 22. 1.3 Cibercultura: contextualização“A cultura contemporânea, associada às tecnologias digitais (ciberespaço,simulação, tempo real, processos de virtualização etc.), vai criar uma novarelação entre a técnica e a vida social que chamaremos de cibercultura.” (LEMOS,2002: p. 15). Se o novo jornalista online não compreende os processos decomunidades virtuais, meritocracia, ética hacker, apenas para citar alguns pontosda cibercultura, ele não será capaz de extrair ao máximo as informações da rede.Após dois anos de estudos sobre o futuro do jornalismo, Sandra Ordonez16publicou um post17 no Media Shift, expondo quais seriam as principaisqualificações necessárias para os novos jornalistas. Segue a lista: 1. Ser multitarefa tendo várias responsabilidades e papéis, muitos dos quais podem não ter nada a ver com o jornalismo "tradicional". 2. Ter excelente conhecimento tecnológico, tendo pelo menos um conhecimento básico de programação, ferramentas web e cultura web. 3. Ser um gatekeeper em diferentes ritmos, direcionando os leitores para as notícias mais atuais e confiáveis, independentemente de quem a escreveu ou onde está alojado. 4. Ser um contador de histórias versátil (storytelling), que sabe como apresentar uma linha de história em vários formatos. 5. Ser um gerente de comunidades e de marcas, cultivando uma conversa constante e interativa com seus leitores.18Temos aí, portanto, diversos pontos propostos onde somente uma pessoacompletamente imersa na tecnologia e cibercultura poderá atingi-los.16 http://www.pbs.org/mediashift/sandra-ordonez-1/17 http://www.pbs.org/mediashift/2010/06/what-skills-will-future-journalists-need160.html18 Traduçãoprópria do original eminglês: “A multitasker, juggling various responsibilities and roles,many which may have nothing to do with "traditional" journalism. Technologically savvy, having atleast a basic understanding of programming, web tools, and web culture. A gatekeeper for aparticular beat, directing readers to the most current and trustworthy news, regardless of who wroteit or where its housed. A versatile storyteller, who knows how to present a story online in variousformats.Abrand and a community manager, who cultivates a constant and interactive conversationwith their readership. 21
  • 23. Um conceito de cibercultura conhecido é o pensamento de Pierre Lévy (2005).Para Lévy, a essência da cibercultura está no universo sem totalidade, isto é, naampliação do ciberespaço e da inteligência coletiva: “Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais ele se torna „universal‟, e menos o mundo informacional se torna totalizável. O universal da cibercultura não possui nem centro nem linha diretriz. É vazio, sem conteúdo particular. Ou antes, ele os aceita todos, pois se contenta em colocar em contato um ponto qualquer com qualquer outro, seja qual for a carga semântica das entidades relacionadas” (LÉVY, 2005, p. 111).Esse novo universal seria diferente das formas culturais que vieram antes dele,pois ele se constrói justamente na indeterminação de um sentido global qualquer.O ciberespaço seria a dimensão que possibilita a conexão de todas as qualidadessubjetivas, que permite que os bilhões de cérebros sejam considerados comoneurônios de um grande cérebro universal. “O ciberespaço é uma espécie de objetivação ou de simulação da consciência humana global que afeta realmente essa consciência, exatamente como fizeram o fogo, a linguagem, a técnica, a religião, a arte e a escrita, cada etapa integrando as precedentes e levando- as mais longe ao longo de uma progressão de dimensão exponencial.” (LÉVY apud BRITTO, 2009, p. 141).Para André Lemos, o ciberespaço pode ser entendido ainda a partir de duasperspectivas: [...] como o lugar onde estamos quando entramos num ambiente virtual (realidade virtual), e como o conjunto de redes de computadores, interligadas ou não, em todo o planeta (BBS, videotextos, Internet...). Estamos caminhando para uma interligação total dessas duas concepções do ciberespaço, pois as redes vão se interligar entre si e, ao mesmo tempo, permitir a interação por mundos virtuais em três dimensões. O ciberespaço é assim uma entidade real, parte vital da cibercultura planetária que está crescendo sob os nossos olhos. (Lemos apud Mielniczuk; 2003, p. 3).A questão das tecnologias indeterminantes é igualmente fundamental para acompreensão do potencial da internet no jornalismo online. Embora as novastecnologias tenham um papel importante na evolução do jornalismo (aqui 22
  • 24. evolução como adaptação, não necessariamente uma melhoria), é mais corretoafirmar que as novas tecnologias são condicionantes, e não determinantes nosurgimento de novas práticas na redação: Dizer que a técnica condiciona significa dizer que abre algumas possibilidades, que algumas opções culturais ou sociais não poderiam ser pensadas a sério sem sua presença. Mas muitas possibilidades são abertas, e nem todas são aproveitadas [...] A prensa de Gutenberg não determinou a crise da Reforma, nem o desenvolvimento da moderna ciência europeia, tampouco o crescimento dos ideais iluministas e a força crescente da opinião pública no século XVIII – apenas condicionou-as. Contentou-se em fornecer uma parte indispensável do ambiente global no qual essas formas culturais surgiram. (LÉVY, 2005: p. 26-27)O resgate às informações passadas permite uma ampliação sem limites dosportais de notícias. Pegue o melhor e mais completo jornal de domingo da suacidade. Quantas informações estão presentes nele? Agora visite um modestoportal de notícias da sua região. Pode até mesmo ser um portal sobre o seubairro. Inevitavelmente ele conterá muito mais informações acessíveis naqueleinstante. Naquele instante. Um jornal online possui mais acesso à informaçãodevido ao seu mecanismo de estoque, de banco de dados, de memória 19.Grandes jornais como a Folha e o Globo possuem muitas informaçõesarmazenadas em suas milhares de edições anteriores. Mas esta não é umainformação acessível instantaneamente, como o jornalismo online permite. Talvezessa seja uma das questões mais importantes da influência da cibercultura nojornalismo online. Não há limites (incluímos aí também imagens, vídeos,comentários, comunidade e uma infinidade de outros elementos dinâmicos.).Compreender que a técnica condiciona é perceber que as novas tecnologiasdigitais permitem um grande número de novas possibilidades no jornalismoonline.19 Palacios (1999) argumenta que a acumulação de informações é mais viável técnica eeconomicamente na Web do que em outras mídias. Desta maneira, o volume de informaçãoanteriormente produzida e directamente disponível ao Utente e ao Produtor da notícia épotencialmente muito maior no jornalismo online, o que produz efeitos quanto à produção erecepção da informação jornalística, como veremos adiante. (PALACIOS, 2002: p. 4). 23
  • 25. Como demonstraremos mais à frente neste TCC, o Twitter20, por exemplo,permitiu importantes pautas para o jornalismo online alagoano. Nas páginas deFacebook21, sugestões de pautas são realizadas pelo leitores, que se sentemmuito mais confortáveis em realizar a denúncia num ambiente conhecido por eles.As novas técnicas (tecnologias) dão novas condições para o jornalismocontemporâneo, permitindo a realização de novas práticas: A prática jornalística tem sido, historicamente, dependente da tecnologia, como afirma Deuze (2006, p. 17): “A profissão conta com a tecnologia para a recolha, edição, produção e disseminação da informação.” É a tecnologia, segundo o autor, que tem permitido ao jornalismo se organizar a partir de um principio básico: transmitir informações de maneira rápida. Para ele, a história da tecnologia na comunicação social permite associar a imprensa escrita ao século XIX, o rádio e a TV ao século XX e as plataformas multimídias e digitais ao século XXI. (RODRIGUES, 2009: p. 15).O jornalismo contemporâneo está intrinsecamente ligado às novas tecnologias deinformação e comunicação. O jornalismo deve acompanhar a velocidade em queos consumidores adquirem novos hábitos, conforme adquirem novas tecnologias.Um grande exemplo dessa transformação atual está no boom de vendas dostablets22. No Brasil, o Estadão foi o primeiro jornal online a ter uma versãoexclusiva para tablets através de uma assinatura de R$29,90 por mês.Cadaedição avulsa do Estadão para este dispositivo custa US$ 1,99, e pode serbaixada na App Store23.A diferença do Estadão em relação aos modelosexistentes no País é que toda a concepção teve como foco o ponto de vista dousuário de iPad24 e suas necessidades. Uma das mudanças, por exemplo, é apossibilidade de leitura sem dependência da web. Ou seja, depois de baixar aedição, o usuário não terá de se manter conectado à internet 3G ou Wi-Fi paranavegar ou ler as matérias. E, ainda assim, tem um botão no aplicativo casodeseje se conectar para ver mais novidades no portal do jornal.20 É uma plataforma de “microblogging”, isto é, uma plataforma de blogs que apenas permite publicaçõescurtas, em até 140 caracteres. O conceito será estudado no decorrer do trabalho.21 Plataforma de Rede Social. O conceito será estudado no decorrer do trabalho.22 É um dispositivo pessoal em formato de prancheta que pode ser usado para acesso à Internet,organização pessoal, visualização de fotos, vídeos, leitura de livros, jornais e revistas e para entretenimentocom jogos.23 Loja virtual para venda de produtos comercializados pela empresa Apple24 Tablet fabricado pela Apple, considerado um divisor de águas na era da computação pessoal móvel. 24
  • 26. 1.4 Era da InformaçãoConsiderar que a sociedade informacional é um fenômeno positivo ou negativonão é de interesse deste trabalho. Mas de afirmar que o culto ao número, àpadronização e à globalização mudaram de forma permanente o percurso dojornalismo nos séculos XX e XXI.“É fato que o homem sempre teve vontade,interesse e aptidão para saber o que se passa. Informar e informar-se constituiu orequisito básico da sociabilidade.” (MELO, p. 19: 2003). Portanto, não é de hojeque o homem tem vontade de viver num ambiente completamente informacional,mas a vontade nunca esteve tão próxima da realidade como visualizamos nosúltimos anos. Serão feitas breves discussões sobre sociedade informacional, masnão da sociedade informacional.25O desenvolvimento da tecnologia da informação motivou o surgimento doinformacionalismo como a base para a nova sociedade informacional. Noinformacionalismo, a geração de riqueza, o exercício do poder e a criação desímbolos culturais passaram a depender da capacidade tecnológica dassociedades e dos indivíduos, sendo a tecnologia da informação um dos elementosprincipais dessa capacidade.A tecnologia da informação tornou-se ferramenta indispensável para aimplantação efetiva dos processos de reestruturação social e econômica. Seupapel permitiu a formação de redes de modo dinâmico e auto-expansível. A vendade informações (independente de seu formato) se tornou um dos principaisnegócios no século XXI. Cabe lembrar, entretanto, que a informação, per se, emmuitos casos, não é diretamente lucrativa. A publicidade e a propagandaaparecem de forma simbiótica na aquisição de informações, estas sim,responsáveis pelo lucro.O excesso de informações dispostas na internet gera um novo paradigma nojornalismo. Primeiro: Se a informação é abundante, para que a necessidade de25 Um entendimento mais completo sobre a noção pode ser obtida no livro“História da sociedade dainformação”, de Armand Mattelart (2006). 25
  • 27. jornalistas? Segundo: como os jornais poderiam sobreviver online com tantainformação em diversos locais?Começamos a reposta às perguntas com as afirmações do jornalista e sociólogoespanhol Ignácio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique. Segundo Ramanet"Hoje a informação é superabundante e, por isso, não tem mais valor em si, égratuita. [...] Por isso, há qualidades do jornalismo tradicional, no tratamento dainformação, que não podem ser eliminadas e contribuem para qualificar o uso dasnovas tecnologias".Para a segunda pergunta, voltaremos à 1984, quando o jornalista Steven Levypublicou Hackers: Heroes of the computer Revolution, relatando a vida dasubcultura digital dos hackers e da comunidade virtual da internet. Ele relacionou,durante seu trabalho, sete princípios da “ética dos hackers”. Entre os sete, o maisfamoso é o número 3: “Toda a informação deve ser grátis”. Em seu livro Free,Chris Anderson (2009), procura remontar a origem dessa frase. Para o autor, foiStewart Brand, criador do livro Whole Earth Catalog, que [...] reelaborou a regra número 3 de uma forma que viria a definir a era digital que despontava na época [1984]. Ele disse: “Por um lado, a informação quer ser cara, por ser tão valiosa. A informação certa no lugar certo muda a sua vida. Por outro lado, a informação quer ser grátis, porque o custo de acessá-la está sempre caindo. Então você tem essas duas forças lutando uma com a outra” (ANDERSON, 2009: p. 97).Para o autor, o melhor modo de entender a frase de Brand seria: “A informaçãocommoditizada (todo mundo recebe a mesma versão) quer ser grátis. Ainformação customizada (você recebe algo único e que faz sentido para você)quer ser cara. [...] Mas essa forma de dizer também não está totalmente correta[...] vamos tentar novamente: A informação abundante quer ser grátis. Ainformação escassa quer ser cara.” (ANDERSON, 2009: p. 98).Então não é toda informação que é grátis. Quando questionado sobre o futuro dojornalismo durante a quinta Bienal Internacional do Livro de Alagoas, o jornalista eescritor Fernando Morais respondeu que o jornal impresso deveria sobreviveratravés do vinculação de fatos exclusivos, do jornalismo investigativo, dainformação em primeira mão. Isto é: ele falava da informação escassa. 26
  • 28. Mas, enquanto o jornalismo impresso não tenta mudar a sua redação, Andersondemonstra como alguns jornais estão sobrevivendo à era da informação grátisatravés de outros métodos: Os jornais perceberam que a geração do Google podia não adotar o hábito dos pais de pagar diariamente por um jornal impresso, de forma que lançaram jornais gratuitos direcionados a jovens adultos e começaram a distribuí-los em esquinas e estações de metrô. Outros jornais mantiveram o preço, mas incorporaram brindes, de prataria à [CDs e DVDs de] música. Enquanto o restante da indústria dos jornais decaía, os jornais gratuitos continuaram como uma solitária luz de esperança, crescendo 20% ao ano (em sua maioria, na Europa) e respondendo por 7% da circulação total de jornais em 2007. (ANDERSON, 2009: p. 142).Para além da mídia tradicional, novos veículos (em especial os blogs) já estãoadaptando seus formatos de financiamento. Os portais gratuitos são umarealidade (embora muitos ainda insistam em cobrar uma mensalidade de seususuários). Mas os modelos publicitários não vão muito além dos linkspatrocinados (Google Adsense26) ou dos banners. Fred Wilson, venturecapitalist27 de Nova York, acredita que... a maioria das aplicações da Web será monetizada com algum tipo de modelo de mídia. Não pense em anúncios em banners quando eu digo isso. Pense em todas as várias formas como um público que está prestando atenção a seu serviço pode ser pago por empresas e pessoas que querem um pouco dessa atenção.(ANDERSON, 2009, p. 145).De fato, tweets28 e posts29 patrocinados no Facebook já se tornaram rotina paraprofissionais de conteúdo que não têm vínculo com a mídia tradicional. Em algunscasos, são criadas verdadeiras matérias pagas (posts publicitários) e sessõescom nomes de empresas (branded channels30). Empresas tradicionais de26 Formato de anúncio publicitário que “lê” a página para retornar anúncios textuais relevantes.27 Investidor de risco28 Tweet é uma postagem feita no Twitter.29 Postagem. Atualização. Colocar algo em alguma plataforma de conteúdo.30 Formato publicitário em que uma parte do site é completamente modificada para se adequar a umanunciante. 27
  • 29. comunicação ainda não perceberam o potencial da mídia muito além dosbanners31.Marcos Palacios, em artigo intitulado “Jornalismo online, Informação e Memória:apontamentos para debate” (2002), cita Dominique Wolton para demonstrar anecessidade dos jornalistas na era da informação: Comunicação direta, sem mediações, como uma mera performance técnica. Isso apela para sonhos de liberdade individual, mas é ilusório. A Rede pode dar acesso a uma massa de informações, mas ninguém é um cidadão do mundo, querendo saber tudo, sobre tudo, no mundo inteiro. Quanto mais informação há, maior é a necessidade de intermediários- jornalistas, arquivistas, editores etc- que filtrem, organizem, priorizem. Ninguém quer assumir o papel de editor chefe a cada manhã. A igualdade de acesso à informação não cria igualdade de uso da informação. Confundir uma coisa com a outra é tecno-ideologia. (WOLTON,1999, p 85 apud PALACIOS, 2002, p. 4).32Palácios sugere que o jornalismo não irá desaparecer com o crescimento damassa de informações disponíveis aos cidadãos. Ao contrário: “torna-se aindamais fundamental o papel desempenhado por profissionais que exercem funçõesde „filtragem e ordenamento‟ desse material, seja a nível jornalístico, académico,lúdico etc.” (PALÁCIOS, 2002: p. 5).Em uma busca pelo “problema do conteúdo” nas instituições jornalísticas,Rodrigues (2009) busca apoio em Castillho, encontrando características daprofissão que não estariam relacionadas apenas ao uso de ferramentas e dastransformações tecnológicas trazidas pela Internet: Castilho, quando afirma que o “jornalismo on-line está empurrando a profissão para sua maior transformação desde o surgimento dos jornais, há quase 350 anos” (2005, p. 234), está se referindo ao fato de que as NTICs [Novas tecnologias de informação e comunicação] estão alterando profundamente o modo de produção de notícias. Essas transformações, é importante observar, não afetariam apenas aqueles que se dedicam à prática do webjornalismo, mas todos os profissionais do jornalismo. (RODRIGUES, 2009, p. 19)31 Típico formato de anúncio publicitário em que uma parte do site é cedida para anunciantes.32 http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2002_palacios_informacaomemoria.pdf(Acessado em22/11/2011 ) 28
  • 30. Para Castilho, entre as principais mudanças, está justamente o fato dosjornalistas estarem “perdendo” o controle da informação, já que o leitor podebuscar informações em outras fontes da imensa Internet (blogs, wikis, redessociais etc.). Outra mudança é que “o ambiente web traz um novo conceito denotícia, transformada „num processo contínuo de informação‟” (RODRIGUES,2009: P. 19). Essa ideia é importantíssima para compreendermos o jornalismo emtempo real. Este já é praticado com eficiência através das rádios e das emissorasde televisão, mas na web ganha um novo conceito, já que o usuário tem maiscontrole sobre suas escolhas e sobre a construção do conteúdo. Em tempo realtambém são os tweets quando determinado evento acontece, ou os comentáriosem páginas de Facebook. Tempo real também quer dizer “o tempo real do leitor”.Isto é, a informação aparece para o leitor no tempo em que ele quiser, não tendonecessariamente que se submeter ao tempo que a televisão ou a rádio levampara trazer a informação ao espectador.1.5 Breves considerações necessárias sobre digital e virtualCompreender o jornalismo digital requer o conhecimento das novas tecnologiasde comunicação. A cada nova tecnologia de comunicação, o jornalismo seadapta. Para finalizarmos os conceitos teóricos sobre a internet, vamos verificarbrevemente questões como o digital, o virtual e as atualidades da cibercultura.A terminologia “comunicação digital” deve acabar na próxima década. Não porqueas mídias digitais vão desaparecer, mas porque a tendência é que as mídias maisutilizadas pelo homem “se tornem” digitais. Portanto, utilizar o termo“comunicação digital” (que hoje diferencia basicamente a comunicação de massasda comunicação via computadores, internet e dispositivos móveis) no futuro seráo mesmo que utilizar o termo “comunicação”, propriamente dito. A TV já deu umgrande passo para a digitalização, e até 2016 todas as televisões brasileirasdeverão abandonar o formato analógicos, quer seja através da compra de novosaparelhos ou através da compra de adaptadores para o formato digital.Da mesma forma surge a rádio digital, a tecnologia de rádio que utiliza sinaisdigitais para transmissão da informação através do método de modulação digital. 29
  • 31. As principais vantagens do rádio digital estão na melhoria da qualidade do som(rádio AM com qualidade de FM e rádio FM com qualidade de CD) e em maisopções para o ouvinte, através da interatividade, por exemplo. O Ministério dasComunicações no Brasil já está testando e avaliando sistemas de rádio digital eabriu chamada pública para envio das avaliações dos sistemas atualmenteexistentes.Um sistema digital é um conjunto de dispositivos de transmissão, processamentoou armazenamento de sinais digitais que usam valores descontínuos (zeros euns). Em contraste, os sistemas analógicos usam um intervalo contínuo devalores para representarem informação. A informação digital quandorepresentada pode ser discreta, como números, letras, ou icones, ou contínua,como sons, imagens etc. Os circuitos digitais são circuitos eletrônicos quebaseiam o seu funcionamento na lógica binária, em que toda a informação éguardada e processada sob a forma de zero (0) e um (1). Esta representação éconseguida usando dois níveis discretos de Tensão elétrica.Desse modo,praticamente todas as novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs)são digitais. Entretanto, tem-se feito uma verdadeira confusão entre os termosdigital e virtual, que são, em essência, muito distintos.O virtual, muitas vezes tratado simplesmente como ausência de existência e derealidade é, possui, na verdade, um sentido muito mais amplo. Sua concepção,inclusive, é muito mais antiga que a era computacional, remetendo à filosofiagrega. Para Lévy (1998), o virtual é o que existe como problemático e não em ato.É o que está disponível, mas que não foi realizado (ainda): “Em termosrigorosamente filosóficos, o virtual não se opõe ao real, mas ao atual: virtualidadee atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes.” (LÉVY, 1998: p. 15). Ovirtual é aquilo que existe enquanto potencia, mas que ainda não foi realizado(embora isso não signifique que de fato um dia seja realizado): “Virtual, no caso,quer dizer integralmente vivo: o mundo pode crescer por aqui ou por ali, namedida em que a atenção se coloca aqui ou ali. O mundo é uma imensa reservade virtualidades porque nutrimos temores e projetos, porque imaginamos edesejamos.” (LÉVY apud BRITTO, 2009: p. 142). Portanto, o virtual é algo que éapenas potencial ainda não realizado. É uma categoria tão verdadeira como a 30
  • 32. real, sendo oposto, em fato, da atualidade, porque o virtual carrega uma potênciade ser, enquanto o atual já é (ser). 31
  • 33. 2. Jornalismo e Internet2.1 Ao Jornalismo ContemporâneoNunca tantas tecnologias de informação e comunicaçãonovas foram introduzidasao homem num espaço tão curto de tempo como nas últimas décadas. Ojornalismo, uma profissão que necessita de informações para se desenvolver, viu-se diante de profundas mudanças em um curto período de tempo. Nenhumadelas, entretanto, tão profunda como a que a Rede propôs. Isso porque, como foiexplicado, a internet não é uma tecnologia de cunho único, isto é, assim como aeletricidade, muito mais importante não é o que ela é, mas sim o que elapossibilita. A internet não cabe em si, transborda.Emails33, chats34, Instant messengers35, comunidades virtuais, blogs, Fotologs,vlogs36, microblogs, redes sociais, favoritos, Questions & Answers37, LiveStreaming38, ecommerce39, social commerce40, crowdsourcing41, Wikis,Buscadores, Podcasts42, Fóruns, Redes de nichos, Sistemas de comentários,Sistemas de reputação, geolocalização, Sharing43, taggings44 e mundos virtuais.Só para citar alguns dos serviços criados pela internet. Todos podem serperfeitamente utilizados pelos jornalistas.Embora o surgimento da Internet remonte à década de 60, foi somente na décadade 80 que seu uso passou a ser de “domínio público”, e apenas na década de 90que se tornou comercialmente importante, graças à Web.As primeiras experiências de jornalismo online datam da década 80, nos EstadosUnidos, a partir de sistemas de videotexto produzidos por empresas como a Time,33 Sistema de correspondência online.34 Salas de bate papo online.35 Sistemas de comunicação instantânea via internet.36 Formato de blog em vídeo.37 Plataformas que permitem a construção e resposta de perguntas.38 Sistemas que permitem a transmissão ao vivo de áudio ou vídeo.39 Comércio eletrônico (geralmente via web sites).40 Comércio eletrônico com foco em mídias sociais41 Plataformas que permitem a participação de colaboradores na resolução de problemas.42 Gravações em áudio, geralmente no formato de programa de rádio, que podem ser baixados e escutadosa qualquer momento.43 Sistemas de compartilhamento de informações.44 Sistemas de etiquetagem. Permitem que os usuários possam definir certos elementos na web. 32
  • 34. Times-Mirror e a Knight-Ridder. No final da década de 80, com a ainda incipienteexpansão da Internet, jornais digitais eram mantidos por empresas de serviçosonline, como a American Online e a Prodigy. Em 1993, existiam apenas 20 jornaisonline, todos eles norte-americanos. A maioria dos sites jornalísticos surgiram como meros reprodutores do conteúdo publicado em papel. Apenas numa etapa posterior é que começaram a surgir veículos realmente interativos e personalizados. O pioneiro foi o norte-americano The Wall Street Journal, que em março de 1995 lançou o Personal journal, veículo entendido pela mídia como sendo o “primeiro jornal com tiragem de um exemplar.” (FERRARI, 2009: p. 23)O primeiro site jornalístico brasileiro apareceria no mesmo ano. Em 1995 otradicional Jornal do Brasil, entraria na versão online. Curiosamente, após umaprofunda crise, em julho de 2010, anunciou o fim da edição impressa do jornalque, a partir de 1 de setembro do mesmo ano, existiria somente em versão online,com alguns conteúdos restritos a assinantes através do JB Premium. Hoje o JBagora autodenomina-se "O Primeiro jornal 100% digital do País!". Mas seriaapenas em 1997 que o termo “portal” seria adotado com o significado de “portalde entrada”, ou seja, o primeiro site a ser acessado quando se entra na internet.2.2 Nomenclaturas: por que jornalismo online?Hoje o uso da internet para fins jornalísticos não é mais nenhuma novidade eexistem centenas de portais e milhares de blogs jornalísticos espalhados pelopaís. Entretanto, numa busca rápida por artigos sobre jornalismo e internet,encontraremos diversas nomenclaturas sobre o assunto. Aqui é demonstrado oporquê da escolhado termo “online” ao trabalhar o jornalismo com redes sociais.Para Helder Bastos (2000) após realização de um levantamento bibliográficocontendo a opinião de diversos autores, termo jornalismo eletrônico serve paraenglobar duas vertentes de jornalismo: o online e o digital. Segundo o autor, aspráticas do jornalismo assistido por computador estão integradas com a pesquisaonline, a qual ele denomina de jornalismo online. O jornalismo online seria, então,a pesquisa realizada através da internet em tempo real e cujo objetivo é a 33
  • 35. apuração jornalística (pesquisa de conteúdos, recolha de informações e contatocom fontes). As possibilidades referentes à disponibilização de informaçõesjornalísticas na rede são denominadas, pelo autor, de jornalismo digital. Para oautor, fazer apuração é jornalismo online; desenvolver e disponibilizar produtos,jornalismo digital.Outro autor, Elias Machado (2000), pensando na questão do suporte, prefere adenominação jornalismo digital a jornalismo online. Segundo o autor, o conceitode digital está alinhado com o novo suporte e o termo online seria mais restrito doque digital, referindo-se a apenas a uma característica do meio, nãocontemplando todas as especificidades da nova realidade, por isso seria melhorutilizar o termo jornalismo digital: Jornalismo digital é todo produto discursivo que constrói a realidade por meio da singularidade dos eventos, que tem como suporte as redes telemáticas ou qualquer outro tipo de tecnologia por onde se transmitam sinais numéricos e que incorpore a interação com os usuários ao longo do processo produtivo. É uma das atividades que se desenvolve no ciberespaço (MACHADO, 2000, p.19).Já Luciana Mielniczuk propõe uma sistematização que privilegia os meiostecnológicos, através dos quais as informações são trabalhadas, como fatordeterminante para elaborar a denominação do tipo de prática jornalística, tanto naprodução, como na disseminação de informações jornalísticas. Para a autora,existem os âmbitos eletrônico, digital, ciber, online e web.O âmbito eletrônico: [...] seria o mais abrangente de todos, visto que a aparelhagem tecnológica que se utiliza no jornalismo é, em sua maioria, de natureza eletrônica, seja ela analógica ou digital. Assim, ao utilizar aparelhagem eletrônica seja para a captura de informações, seja para a disseminação das mesmas, estaria-se exercendo o jornalismo eletrônico. (MIELNICZUK, 2003, p. 2).Dentro do espectro eletrônico, existe, como dito anteriormente, a tecnologiadigital, que ocupa um espaço maior a cada dia que passa, uma vez que diversosmeios eletrônicos estão deixando de serem analógicos e passando a se tornaremdigitais. Esse crescimento acontece tanto na captura, processamento oudisseminação das informações. Ainda segundo a autora, o jornalismo digital 34
  • 36. também seria denominado de jornalismo multimídia, pois implica na possibilidadeda manipulação conjunta de dados digitalizados de diferentes naturezas, comotexto, som e imagem.Já o prefixo ciber remete à palavra cibernética, cibercultura, ciberespaço.Portanto, o ciberjornalismo: [...] vai remeter ao jornalismo realizado com o auxílio de possibilidades tecnológicas oferecidas pela cibernética ou ao jornalismo praticado no - ou com o auxílio do - ciberespaço. A utilização do computador para gerenciar um banco de dados na hora da elaboração de uma matéria é um exemplo da prática do ciberjornalismo. (MIELNICZUK, 2003, p. 3).Continuando, o termo online reporta à idéia de conexão em tempo real, ou seja,fluxo de informação contínuo e praticamente instantâneo. As possibilidades deacesso e transferência de dados online utilizam-se, na maioria dos casos, detecnologia digital. Porém, nem tudo o que é digital é online, e nem tudo que estáno ciberespaço está necessariamente online.Por fim, temos o Webjornalismo. Ele refere-se a uma parte específica da Internet,que disponibiliza interfaces gráficas de uma forma bastante amigável, a Web. AInternet envolve recursos e processos que são mais amplos do que a web,embora esta seja, sem sombra de dúvidas, a maior aplicação da Internet. Oquadro a seguir, produzido por Mielniczuk (2003), apresenta, de forma resumida,as delimitações terminológicas elaboradas: 35
  • 37. Nomenclatura Definição Jornalismo eletrônico utiliza de equipamentos e recursos eletrônicos Jornalismo digital ou emprega tecnologia digital, todo e qualquer Jornalismo procedimento que implica no tratamento de dados em multimídia forma de bits Ciberjornalismo envolve tecnologias que utilizam o ciberespaço Jornalismo online é desenvolvido utilizando tecnologias de transmissão de dados em rede e em tempo real Webjornalismo diz respeito à utilização de uma parte específica da Internet, que é a webTabela 1 – Resumo das definições de nomenclaturas sobre práticas de produçãoe disseminação de informação no jornalismo contemporâneo.Fonte: Mielniczuk (2003, p. 4)Cada uma das definições apresentadas encontram-se dentro de esferas, deacordo com a sua abrangência. Mielniczuk (2003) produziu também a ilustraçãoabaixo, onde ela relativiza o posicionamento dos tipos de jornalismo de acordocom as novas tecnologias: 36
  • 38. FIGURA 1 – Esferas que ilustram a delimitação das terminologias.Fonte:Mielniczuk (2003, p. 5)Na rotina de um jornalista contemporâneo estão presentes atividades que seenquadram em todas essas nomenclaturas. Para exemplificar: durante o dianuma redação, não raro os jornalistas utilizam o rádio e a TV, meios eletrônicos,para adquirir novas informações (jornalismo eletrônico); usam o computador pararedigir suas matérias (jornalismo digital); consultam informações produzidas emwikis e em comunidades virtuais (ciberjornalismo); enviamemails para fontes efazem entrevistas (jornalismo online); e finalmente visitam e leemsites noticiososdisponibilizados na web (webjornalismo).E o material veiculado final pode se enquadrar também em cada uma dessasáreas e, para nós, é isso que vai identificar o tipo de jornalismo em questão. Ora,o jornalista pode se valer de diversas técnicas para adquirir informaçõessuficientes para sua produção, mas é o meio no qual a matéria será veiculada quedeterminará o tipo de jornalismo. 37
  • 39. Usamos a nomenclatura Jornalismo Online por acreditarmos que serve melhor aonosso trabalho. Outras nomenclaturas como jornalismo eletrônico e jornalismodigital foram logo descartadas principalmente pelo fato de que, no futuro, toda amídia eletrônica será digital. Isso é uma tendência. Pode-se trabalhar comciberjornalismo também, mas a premissa do “tempo real” é fundamental para estetrabalho. Por fim, o webjornalismo é descartado neste trabalho por restringir ojornalismo às plataformas web. Isso não significa que não falaremos sobrewebjornalismo, pelo contrário. Quando falamos de redes sociais e de plataformasmóveis, já estamos saindo do campo do webjornalismo. A web, por sinal, estáperdendo força no ambiente online.Emartigopara a revista Wired, Chris Anderson e Michael Wolff 45sentenciaram:“The Web is dead. Long live the Internet.” As frases tiveram grade repercussão nomundo inteiro. Com base em diversos estudos, entre eles uma importante análisedos dados trafegados através de sistemas CISCO nos Estados Unidos, elesobservaram que o uso da web nos últimos anos vem diminuindo quandocomparado com outras atividades na internet. Para eles, hoje é possível passar odia todo usando a internet sem acessar um site sequer através de navegadores eda Web. Podemos ler jornais, acessar e-mails e mandar mensagens instantâneasatravés de aplicativos específicos. Com o domínio dos smartphones46 e tablets edos apps especializados produzidos para estes gadgets47, estamos utilizandocada vez menos a web no dia a dia.45 http://www.wired.com/magazine/2010/08/ff_webrip/all/1(Acessado em 22/11/2011 )46 Smartphone (em português: telefone inteligente) é um telefone celular com funcionalidades avançadasque podem ser estendidas por meio de programas executados por seu sistema operacional.47 Gadget (emportuguês: geringonça, dispositivo) é um equipamento que tem um propósito e uma funçãoespecífica, prática e útil no cotidiano. São comumente chamados de gadgets dispositivos eletrônicosportáteis como PDAs, celulares, smartphones, leitores de mp3, entre outros. Em outras palavras, é uma"geringonça" eletrônica. 38
  • 40. Gráfico 1 – O crescimento do tráfego via web até meados dos anos 2000. Nadécada atual esse volume de informações caiu consideravelmente.Fonte:http://www.wired.com/magazine/2010/08/ff_webrip/all/1(Acessado em 13de Outubro de 2011).Outra análise muito interessante pode ser feita através da ferramenta GoogleTrends48. O Google Trends é uma ferramenta da Google que mostra os maispopulares termos buscados em um passado recente. A ferramenta apresentagráficos com a freqüência em que um termo particular é procurado em váriasregiões do mundo, e em vários idiomas. O eixo horizontal do gráfico representatempo (a partir de algum tempo em 2004), e o vertical mostra em que freqüênciaum termo é buscado globalmente. Também permite o usuário comparar o volumede procuras entre duas ou mais condições. Notícias relacionadas aos termosbuscados são mostradas ao lado e relacionadas com o gráfico, apresentandopossíveis motivos para um aumento ou diminuição do volume de buscas.Utilizamos essa ferramenta para verificar o percentual de buscas contendo apalavra “web” no mundo inteiro, o resultado aparece no gráfico seguinte:48 http://www.google.com/trends?q=web&ctab=0&geo=all&date=all&sort=0(Acessado em22/11/2011 ) 39
  • 41. Gráfico 3 – Índice de volume de buscas pra a palavra “web” vem caindo desde2005.Fonte: Google TrendsSe buscarmos, entretanto, a palavra “online”, perceberemos que seu uso vemcrescendo a cada ano:Gráfico 4 – O índice de volume de buscas para a palavra “online” cresceubastante entre os anos de 2007 e 2010.Fonte: Google TrendsOutras questões que nos levam a não utilizar o termo webjornalismo é justamenteo crescimento do uso de plataformas móveis para adquirir informações. Nessescasos, os usuários geralmente utilizam aplicativos específicos para obterinformações. Leitores de feeds, apps de redes sociais, sistemas de mensagensinstantâneas etc. não são necessariamente acessados de um navegador web. 40
  • 42. 2.3 Jornalismo OnlineEm 2000, Cabrera Gonzalez49 identificou quatro fases da evolução do jornalismonos primeiros anos de formação em Portugal. Apesar do modelo ter sidodesenvolvido em outro país, podemos perceber que no Brasil não foi diferente.Para o autor, a primeirafase denominada Fac-simile, corresponde à reproduçãode páginas da versão impressa, quer através da sua digitalização em HTML ouem PDF, sem nenhum recurso de interação. Asegunda fase, chamada de“modelo adaptado”. Os conteúdos da web ainda são iguais aos das versõesescritas dos jornais, mas a informação é apresentada num layout próprio. Nestafase começam a aparecer também os links nos textos. Na terceira fase - modeloDigital – os jornais têm um layout pensado e desenvolvido para o meio online. Autilização do hipertexto e a possibilidade de comentar se tornam presençapraticamente obrigatória e as notícias de última hora se tornam um grandediferencial em relação às versões imprensas, aproximando-se muito mais do rádioe da televisão em termos de instantaneidade. Ao final do século XX, surge oquarto modelo, o Multimídia, uma fase em que as publicações tiramaproveitamento máximo das características do meio, principalmente dainteratividade e da possibilidade de integrar de som, vídeo e animações nasnotícias.No Brasil, em 2002, Silva Jr.50discorreu sobre a relação das interfaces enquantomediadoras de conteúdo do jornalismo na internet, e estabelecer três principaisestágios de desenvolvimento dos sites de jornais. Não muito diferente deGonzalez, Silva Jr. Propôs os seguintes estágios de desenvolvimento. O primeiroseria otranspositivo, como modelo eminentemente presente nos primeirosjornais online onde a formatação e organização seguia diretamente o modelo doimpresso. “Trata-se de um uso mais hermético e fiel da idéia da metáfora,seguindo muito de perto o referente pré-existente como forma de manancialsimbólico disponível.” (SILVA JR., 2002, p.4).49 http://www.bocc.ubi.pt/pag/canavilhas-joao-jornalismo-online-webjornalismo.pdf(Acessado em22/11/2011 )50 http://www.compos.org.br/data/biblioteca_711.pdf 41
  • 43. O perceptivo seria um segundo nível de desenvolvimento, onde há uma maioragregação de recursos possibilitados pelas tecnologias da rede em relação aojornalismo online: Nesse estágio, permanece o caráter transpositivo, posto que, por rotinas de automação da produção interna do conteúdo do jornal, há uma potencialização em relação aos textos produzidos para o impresso. Gerando o reaproveitamento para a versão online. No entanto há a percepção por parte desses veículos, de elementos pertinentes à uma organização da notícia na rede. (Silva Jr., 2002, p.4)Depois viria o hipermidiático, onde é possível constatar que há demonstraçõesde uso hipermidiático por alguns veículos online:“o uso de recursos maisintensificado hipertextuais, a convergência entre suportes diferentes(multimodalidade) e a disseminação de um mesmo produto em várias plataformase/ou serviços informativos”. (SILVA JR., 2002, p.5).Entretanto essas fases cobrem apenas a primeira década do jornalismo online.Na segunda e mais recente década, o jornalismo (impresso e online) sofreuoutras mudanças, principalmente por conta da chamada web 2.0, da banda largae das mídias sociais. Carla Schwingel chega a afirmar inclusive que “Do nossoponto de vista, o ciberespaço é plural e pode ser somente usado como suporte oumesmo para a elaboração e divulgação de produtos híbridos. Porém, apreocupação aqui apresentada é para com aqueles processos característicos daterceira fase do Jornalismo Digital. E vamos além, afirmando que somente nela éque o termo concretiza-se.” (SCHWINGEL, 2005: p. 2).Com base no trabalho de Mielniczuk e na categorização de Silva Jr., SuzanaBarbosa (2007), durante o período correspondente ao ano de publicação de suaTese Jornalismo Digital em Banco de Dados, afirmou que estaria ocorrendo umafase de transição do 3º estágio (o Hipermidiático) para um 4º estágio (ainda semnomenclatura). Segundo Barbosa, essa etapa intermediária estaria movendo asegunda década de jornalismo digital online através do emprego das tecnologiasde base de dados, de participação e de interação, conforme a autora ilustra: 42
  • 44. Quadro1 – JDBD: novo paradigma surge entre a 3ª e a 4ª geração.Fonte:Barbosa (2007)A autora, entretanto, não entra em detalhes sobre o que seria esta 4ª fase dojornalismo digital online, mas afirma que a fase de transição ocorre em função dacomplexificação dos processos para a implementação de produtos jornalísticos nociberespaço. É curioso notar que uma das exigências para esta nova fase seria aevolução no nível de exigências do consumidor final, o usuário. É nessa mesmaépoca que começa a ocorrer uma grande mudança no padrão dos acessos àinternet no país. Segundo dados do Centro de Estudos sobre as Tecnologias daInformação e da Comunicação (CETIC), de 200551 à 200752, o crescimento naproporção de indivíduos que já acessaram a internet entre as classes B e C foitremendo, como podemos observar na tabela abaixo:51 http://www.cetic.br/usuarios/tic/2005/rel-int-04.htm(Acessado em 23/11/2011 )52 http://www.cetic.br/usuarios/tic/2007/rel-int-01.htm(Acessado em 23/11/2011 ) 43
  • 45. Classe 2005 2006 2007 social A 85,57% 95,08% 94,00% B 63,31% 72,29% 73,00% C 27,40% 38,85% 47,00% D-E 7,65% 12,23% 17,00%Tabela 2 - proporção de indivíduos que já acessaram a internet - Percentualsobre o total da população.Fonte: Adaptação de dados constantes em http://www.cetic.br/Dados mais recentes, referentes ao ano de 201053, apontam que mais da metadeda Classe C já se acessou a internet. Aproximadamente uma a cada quatro dasclasses D e E já acessaram também. A internet cresceu rapidamente nesta fasede transição entre as gerações do jornalismo digital online. Os produtosjornalísticos neste ambiente precisaram (e ainda precisam) adequar melhor seusformatos para tornarem cada vez mais autêntica, envolvente e participativa aexperiência dos usuários. Isso significa também que os produtores de notíciasonline deverão modificar a estratégia econômica de seus produtos. Barbosaafirma ainda que: Os avanços na tecnologia de base de dados as tornaram a solução para compatibilizar a incorporação de recursos novos e linguagens de programação para dar forma a produtos dinâmicos e melhor elaborados, a partir do desenvolvimento de sistemas de gestão de conteúdos, visando: aperfeiçoar os sistemas de produção, assegurar maior agilidade, qualidade e descomplicar o trabalho dos jornalistas, entregando sistemas mais fáceis de operar e compatíveis com as características do jornalismo no suporte digital: hipertextualidade, interatividade, multimidialidade, personalização54, memória/arquivo, atualização contínua55. (BARBOSA; 2007: p. 151).53 http://www.cetic.br/usuarios/tic/2010/rel-int-01.htm(Acessado em 23/11/2011 )54 Também denominada individualização, a personalização ou customização consiste na opçãooferecida ao Utente para configurar os produtos jornalísticos de acordo com os seus interessesindividuais. Há sites noticiosos que permitem a pré-selecção dos assuntos, bem como a suahierarquização e escolha de formato de apresentação visual (diagramação). Assim, quando o site 44
  • 46. Pollyana Ferrari aponta que o público com maior domínio das ferramentas onlineé não somente ativo - como também proativo. Isso significa que esse públicopossui maior controle das próprias escolhas e ações frente às situações impostaspelos meios. São comportamentos que vão além do básico, em que o usuáriobusca espontaneamente por mais informações que possam preencher a suacuriosidade: Diversas pesquisas apontam ainda que o público on-line tende a ser mais ativo do que o de veículos impressos e mesmo do que um espectador de TV, optando por buscar mais informações em vez de aceitar passivamente o que lhe é apresentado. É importante também, de acordo com Dube, pensar quais são os objetivos do seu público. “Como o seu leitor está acessando as notícias on-line, há mais chances de ele se interessar por matérias relacionadas à Internet do que leitores de jornais ou espectadores de TV”, afirmou. “Por isso, faz sentido dar mais ênfase a esses assuntos.” (FERRARI, 2009: p. 47)2.4 A Web 2.0, interação e a quarta geração do jornalismo digital onlineO período que vivemos atualmente reflete uma quarta fase de jornalismo online.Durante os últimos anos vários pesquisadores apontaram diferentes direçõessobre o qual seria a característica dominante desta fase. Outro ponto é queparece ter acontecido um certo “esfriamento” sobre a questão. Não há artigosrecentes (2010-2011) sobre a “quarta” fase do jornalismo online56, ou até mesmosobre uma “quinta” fase. Nossa hipótese é a de que o jornalismo online e ainternet evoluíram tão rapidamente após a proclamação da “web 2.0” que fazpouco sentido tentar etiquetar algo que vai mudar nos próximos meses. Nessesentido, procuramos uma definição abrangente para o período atual do jornalismoonline, de forma que não se torne obsoleta pelo menos nos próximos dois anos.é acessado, a página de abertura é carregada na máquina do Utente atendendo a padrõespreviamente estabelecidos, de sua preferência. (PALACIOS, 2002: p. 3-4).55 A rapidez do acesso, combinada com a facilidade de produção e de disponibilização,propiciadas pela digitalização da informação e pelas tecnologias telemáticas, permitem umaextrema agilidade de actualização do material nos jornais da Web. Isso possibilita oacompanhamento contínuo em torno do desenvolvimento dos assuntos jornalísticos de maiorinteresse. (PALACIOS, 2002: P.4)56 Como indicamos, as nomenclaturas jornalismo online, web jornalismo, jornalismo digital eciberjornalismo estão presentes em muitos artigos como sinônimos. Em nosso trabalho,utilizaremos jornalismo online para designar as questões referentes às fases brasileiras. 45
  • 47. O termo “web 2.0” surgiu em 2004, embora só viesse a tomar forma no final de2005, no artigo de Tim O‟Reilly, O que é Web 2.0. Para o autor, a web teria setornado uma plataforma: “A Web como plataforma - Como muitos conceitosimportantes, o de Web 2.0 não tem fronteiras rígidas, mas, pelo contrário, umcentro gravitacional. Pode-se visualizar a Web 2.0 como um conjunto deprincípios e práticas que interligam um verdadeiro sistema solar de sites quedemonstram alguns ou todos esses princípios e que estão a distâncias variadasdo centro.” (O‟REILLY; 2005: p. 2)57 No outro ano58, O‟Reilly conceituarianovamente a web 2.0: “Web 2.0 é a revolução de negócios na indústria decomputadores causada pela mudança da internet para plataforma, e umatentativa de entender as regras para o sucesso nessa nova plataforma. Entrevárias regras, a principal é esta: construir aplicações para aproveitar os efeitos darede para se tornarem melhores conforme mais pessoas o utilizem. (Isto é o queeu tenho chamado de „aproveitamento da inteligência coletiva‟).” 59 (O‟REILLY;2006: online). Desde então, esta definição se tornou padrão em diversos outrosartigos e resumiu bem a era da web 2.0. Alex Primo (2007, p.1-2)60, entretanto,vai além, apontando que a web 2.0 não é apenas uma combinação de técnicasinformáticas. Tem repercussões sociais importantes: A Web 2.0 é a segunda geração de serviços online e caracteriza-se por potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo. A Web 2.0 refere-se não apenas a uma combinação de técnicas informáticas (serviços Web, linguagem Ajax, Web syndication etc.), mas também a um determinado período tecnológico, a um conjunto de novas estratégias mercadológicas e a processos de comunicação mediados pelo computador. [...] A Web 2.0 tem repercussões sociais importantes, que potencializam processos de trabalho coletivo, de troca afetiva, de produção e circulação de informações, de construção social de conhecimento apoiada pela informática. São essas formas interativas, mais do que os conteúdos produzidos57 http://www.cipedya.com/doc/102010(Acessado em 23/11/2011 )58 http://radar.oreilly.com/2006/12/web-20-compact-definition-tryi.html(Acessado em 23/11/2011 )59 Tradução literal nossapara: “Web 2.0 is the business revolution in the computer industry causedby the move to the internet as platform, and an attempt to understand the rules for success on thatnew platform. Chief among those rules is this: Build applications that harness network effects to getbetter the more people use them. (This is what Ive elsewhere called „harnessing collectiveintelligence.‟)”60 http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/web2.pdf(Acessado em 24/11/2011 ) 46
  • 48. ou as especificações tecnológicas em jogo, que serão aqui discutidas.É justamente na época da Web 2.0 que começam os primeiros movimentos paraa formação de uma 4ª fase do jornalismo online. “Se na primeira geração da Webos sites [e portais] eram trabalhados como unidades isoladas, passa-se agorapara uma estrutura integrada de funcionalidades e conteúdo. Logo, O‟Reillydestaca a passagem da ênfase na publicação (ou emissão, conforme o limitadomodelo transmissionista) para a participação.” (PRIMO, 2007: p.2). SuzanaBarbosa (2007) nos adiantou algumas das características da 4ª fase no que elachamava de “fase de transição”. Entretanto, em 2005, Carla Schwingel dedicouum artigo para apontar tendências para a consolidação de uma quarta fase doJornalismo Digital, através da utilização de tecnologias de banco de dadosassociadas a sistemas automatizados para a apuração, edição e veiculação deinformações. A autora considera que o Jornalismo Digital de quarta geraçãoconsolidaria a utilização de bancos de dados complexos (relacionais, voltados aobjetos) através da utilização de ferramentas automatizadas e diferenciadas(sistemas para a apuração, a edição e a veiculação das informações) naprodução de produtos jornalísticos. Essas ferramentas vinculariam diferentesplataformas (web, e-mail, wap) e ambientes distintos (webchats, fóruns),utilizando-se de tecnologias também diferenciadas (Twiki, PHP, Pearl, XML) deacordo com seus interesses e necessidades. Para Schwingel, portanto, aemergência de sistemas automatizados para o processo de produção industrial noJornalismo Digital seriam um passo importante para a quarta geração dojornalismo online, o que nós concordamos, mas apontamos que esta não é aúnica, nem a principal, questão para a nova fase do jornalismo online. Em fato,isso se parece muito mais com a fase de transição proposta por Barbosa (2007).No ano após a publicação de sua tese, Barbosa (2008) publicou um artigochamado Modelo JDBD e o ciberjornalismo de quarta geração61. Para ela, nocontexto do ciberjornalismo, as bases de dados (BDs) possuiam caráterestruturante para a atividade jornalística em suas dimensões de pré-produção,produção, disponibilização/circulação, consumo e pós-produção. Como explanadoanteriormente, o Modelo de jornalismo digital de base de dados (JDBD) teve o61 http://grupojol.files.wordpress.com/2011/05/2008_barbosa_jdbd.pdf(Acessado em 24/11/2011 ) 47
  • 49. seu surgimento localizado na etapa de transição entre a terceira e a quartageração de evolução para o jornalismo no início da segunda década dedesenvolvimento deste tipo de jornalismo.De acordo com Barbosa (2008, p. 9) o cenário no qual emergiria a quarta geraçãodo ciberjornalismo (nomenclatura da autora) seria marcado pela consolidação dasbases de dados como estruturantes da atividade jornalística e como agentessingulares no processo de convergência jornalística; equipes mais especializadas.A autora também cita outros pontos importantes para esta quarta fase, como: odesenvolvimento de sistemas de gestão de conteúdos (SGC) mais complexos ebaseados preponderantemente em softwares e linguagens de programação compadrão open source; o acesso expandido por meio de conexões banda larga; aproliferação de plataformas móveis; a consolidação do uso de blogs; a adoção derecursos da Web 2.0 em larga escala; a incorporação de sistemas que habilitam aparticipação efetiva do usuário na produção de peças informativas; a criação deprodutos diferenciados e mantidos de modo automatizado; as narrativasmultimídia; a utilização de recursos como RSS (Really Simple Syndication) pararecolher, difundir e compartilhar conteúdos; a aplicação da técnica do tagging nadocumentação e na publicação das informações; o uso crescente de aplicaçõesmash-ups; o uso de geolocalização nas notícias ou do chamado geocoding news;o uso do podcasting para distribuição de conteúdos em áudio; a adoção do vídeoem streaming; uma maior integração do material de arquivo na oferta informativa;o aparecimento de produtos experimentais que incorporam o conceito de websemântica; o emprego de metadados e de data mining para categorização eextração de informações; a aplicação de novas técnicas e métodos para gerarvisualizações diferenciadas para os conteúdos jornalísticos que auxiliam asobrepujar a metáfora do impresso (broadsheet metaphor) como padrão(exemplo: infográficos).Podemos perceber que tanto Schwingel como Barbosa focam principalmente nouso de técnicas, ferramentas e tecnologias para compor uma nova fase dojornalismo online. Mas qual a característica fundamental para o surgimento deuma nova fase do jornalismo online? As novas tecnologias de informação ecomunicação fizeram desabrochar novas formas de jornalismo e dar força a 48
  • 50. antigos modelos que não conseguiam impactar uma grande quantidade deusuários devido à natureza dos meios de comunicação de massa. A quarta fasedo jornalismo está amarrado essencialmente à característica “interatividade”.Ao final de 2009, Vivian Belochio, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) escreveu um artigo durante o XXXII Congresso Brasileiro de Ciênciasda Comunicação chamado O jornalismo digital e os efeitos da convergência:meta-informação, encadeamento midiático e a cauda longa invertida. O artigodiscute as transformações do jornalismo digital ao longo das suas quatrogerações e o surgimento de uma nova fase de desenvolvimento das suas práticase dos seus produtos em tempos de convergência midiática. Para nós, Belochiofoge da similaridade de pensamento entre Schwingel e Barbosa, como tambémfaz uma análise mais à frente em questão temporal. A autora defende que ossistemas colaborativos nos meios jornalísticos, com destaque para a interaçãomútua sejam um diferencial da quarta geração do jornalismo online.Segundo Primo (2007), existem dois tipos de interação mediada por computador:a interação reativa e a interação mútua. Estas formas distinguem-se pelo“relacionamento mantido” (PRIMO, 2003: p. 61 apud RECUERO, 2009: p. 32)entre os agentes envolvidos. A primeira é “[...] limitada por relaçõesdeterminísticas de estímulo e resposta.” (PRIMO, 2007, p.57). Este tipo deinteração ocorre em sistemas como enquetes e outros com resultados pré-programados. A interação ocorre apenas como uma reação do usuário a umconjunto de opções previamente estabelecidas. A utilização de tais recursostornou-se comum na terceira geração do jornalismo digital online, fase marcadapela presença, nos sites noticiosos, de links, de elementos multimídia e recursosde memória, entre outros. Os portais de notícias proclamam-se “dinâmicos einterativos” quando a única opção que disponibilizam é determinada por umgatekeeper digital.Por outro lado, e é aqui que as coisas ficam interessantes, temos que a interaçãomútua, é “[...] caracterizada por relações interdependentes e processos denegociação, em que cada interagente participa da construção inventiva ecooperada do relacionamento, afetando-se mutuamente” (PRIMO, 2007: p.57).Belochio (2009, p. 7-8) acredita que “a interação mútua é um elemento estratégico 49
  • 51. dos meios jornalísticos em sua quarta geração na ambiência digital.”. A autoraconsidera ainda que nesta fase “os veículos aderem aos modelos colaborativos ede conversação seguindo as suas normas internas de ação, isto é, adaptando taissistemas à sua realidade”. A interação mútua seria uma estratégia que permite odebate de ideias, a composição coletiva de informações e outras formas de trocaque resultam em diferentes manifestações no âmbito online. Para compreendercomo o processo acontece, a autora reflete sobre a interação mútua nas páginascolaborativas e nas mídias de referência. Citando García e Otero López, asmanifestações informativas nas páginas colaborativas... [...] no parten únicamente de las organizaciones empresariales. El abanico de opciones está representado también por la ciudadanía que ha encontrado em la red um vehículo de expresividad e interconexión rápido y no excesivamente costoso. El ciudadano se ha convertido en editor y productor de sus próprias inquietudes a través, por ejemplo, de las bitácoras62 que evidencian ya un fenómeno de información y comunicación, de interacción y retroalimentación que escapa al control de los médios institucionalizados. Los usuários crean sus particulares herramientas especializadas, em relación a sus intereses yo saberes, que sacian grados de atomización. (GARCÍA; OTERO LÓPEZ, 2007, p.122 apud BELOCHIO, 2009: p. 8).Nas mídias de referência (leia-se: nos portais) a interação mútua pode servisualizada nas seções de colaboração, nos blogs e nos fóruns de discussão. Anotícia passa a ser construída de maneira coletiva, o que também trazconsequências para a própria personalidade do leitor, ou melhor, do usuário: Em consonância com Mielniczuk (2003), percebe-se, nesse tipo de comunicação, potencial de ruptura das bases jornalísticas consideradas sólidas até pouco tempo atrás. Afinal, quando o movimento de trocas entre interagentes é realizado, um produto ou uma notícia é formatado a partir da contribuição coletiva. Como afirma Gillmor (2005, p.131), “o público que participa no processo jornalístico é mais exigente do que os consumidores passivos de notícias. Mas poderá também sentir-se detentor do poder para fazer a diferença”. Além disso, a própria relação dos jornalistas com as suas fontes pode mudar a partir desse processo. A intensificação das trocas entre jornalistas e amadores pode ocorrer ou ser facilitada através dos sistemas que possibilitam a interação mútua. (BELOCHIO, 2009: p. 9).62 Bitácora, segundo os autores, é a palavra em castelhano que significa blog 50
  • 52. O crescimento da interação mútua na Web 2.0, a adoção das bases de dadoscomo paradigma e a implantação dos sistemas colaborativos pelas mídias dereferência seriam as bases da quarta geração do jornalismo digital online. Aprincipal característica desta fase seria a adoção, no interior dos meios noticiosos,de estratégias comunicacionais de apropriação de tecnologias e dos modelosparticipativos de produção da informação. A autora compreende ainda que aspossíveis rupturas identificadas acontecem dentro dos limites editoriais dos meiosjornalísticos, que utilizam a tecnologia para agregar e inter-relacionar conteúdos,criar novas formas estéticas e dinamizar/automatizar os produtos disponibilizadosao público. As bases de dados facilitam a implantação de seções que contemplamos princípios de colaboração da Web 2.0 nos produtos informativos, alargando assuas fronteiras, mas mantendo o seu território de ação bem delimitado.Por outro lado, à medida que se considera meios amadores e meios jornalísticoscomo membros de um único e vasto circuito informativo, capazes de secomplementar mutuamente, admite-se a possibilidade de que o jornalismo tenhaentrado numa nova fase de desenvolvimento. A submissão dos meiosjornalísticos às regras de meios externos (dos 140 caracteres do Twitter, porexemplo) é considerada como marca de uma mudança. Finalizando o artigo, aautora ainda se pergunta se não estaríamos entrando numa “quinta fase” dojornalismo digital online.Ao observarmos as fases do jornalismo digital online propostas por Silva Jr.(2002), a fase de transição (3ª para 4ª fase) de Barbosa (2007), os apontamentosde Schwingel (2005) e Barbosa (2008) e o artigo de Belochio (2009) com ascaracterísticas do jornalismo digital online (hipertextualidade, interatividade,multimidialidade, personalização, memória/arquivo, atualização contínua),podemos traçar um paralelo em que cada fase corresponde à uma característicadominante.Na primeira fase (Transpositiva), a característica dominante seria a memória, jáque o principal objetivo era transcrever o jornal para a Web. Depois, na faseperceptiva, a hipertextualidade entra em cena com navegações em HTML e oleitor começa a se transformar no usuário. Na terceira fase, é o multimídia eatualização contínua (tempo real) que surgem como diferenciais. É nessa época 51
  • 53. que surgem vídeos, galerias de imagens, web rádios e que os portais começam a“furar” a mídia tradicional com as atualizações em tempo real. Para a 4ª fase dojornalismo digital online, as características dominantes são a personalização e ainteratividade.Isso não significa que não exista personalização ou interatividade nas outrasfases. Não se afirma que as características surgem de acordo com cada fase,estamos considerando que cada fase possui um conjunto de características quese sobressaem, isto é, que se destacam em função da época e das tecnologiasda informação e comunicação utilizadas. Para nós, a personalização na 4ª fasesurge com a mescla dos portais de notícias com as redes sociais (tópico queabordaremos mais à frente). Dessa forma cada leitor terá uma home (páginaprincipal) baseada nos seus gostos e ações (comentários, votos, enquetes,páginas mais lidas etc.). Com relação à interação, damos destaque à interaçãomútua e social. Essas características darão um forte suporte às novas formas dejornalismo, algumas das quais abordaremos mais à frente. Dessa forma, emboranenhum autor tenha denominado ou determinado uma nomenclatura para a 4ªfase do jornalismo, compreendemos que os nomes social ou participativa sejamadequados para o momento atual do jornalismo digital online. O quadro abaixosistemiza o pensamento:Fase Característica dominanteTranspositiva MemóriaPerceptiva HipertextualidadeHipermidiática Multimidialidade/atualização contínuaSocial (participativa) Personalização/InteratividadeTabela 3 – Fases do jornalismo online e suas características dominantes 52
  • 54. 3. JORNALISMO NA ERA DAS REDES SOCIAIS E DAS MÍDIASSOCIAIS [...] o início do século XXI tem sido intenso e também tenso para vários segmentos produtores de conteúdos de relevância social e para alguns profissionais que não compreenderam, ainda, a revolução digital que culminou na convergência de mídias e divergência de meios, atingindo em cheio os processos de elaboração e consumo de informações jornalísticas. (LIMA JUNIOR, 2009: p. 168).O jornalismo social não poderia ter surgido em outra época senão a das redes emídias sociais na internet. Igualmente nesta época, o jornalismo participativo,cujas raízes estão no jornalismo cívico das mídias tradicionais, começa a florescerno ambiente online, dando um “poder” muito maior ao usuário. A participaçãoocorre principalmente nas plataformas online de redes sociais.3.1 Redes sociaisNa internet, embora ainda não existam estudos claros para determinar suasfases, pode-se afirmar que o surgimento das plataformas de redes sociais foi umgrande divisor de águas, modificando completamente o nosso entendimento derede. Redes sociais, entretanto, não são um fenômeno recente, como apontaMartha Gabriel (2010: p. 193): Apesar de parecer um assunto novo, redes sociais existem há pelo menos três mil ano, quando homens se sentavam ao redor de uma fogueira para conversar sobre assuntos de interesse em comum. O que mudou ao longo da história foi a abrangência e difusão das redes sociais, conforme as tecnologias de comunicação interativas foram se desenvolvendo.Redes sociais são estruturas sociais compostas por pessoas (ou instituições),conectadas por um ou vários tipos de relações. Portanto, comunidades, tribos,amigos, são apenas exemplos de redes sociais. O que nós vivemos hoje nainternet é um boom das plataformas que permitem a curadoria dessas relações,através de interações sociais mútuas e reativas: 53
  • 55. Uma rede social é definida como um conjunto de dois elementos: atores (pessoas, instituições ou grupos; os nós da rede) e suas conexões (interações ou laços sociais) (Wasserman e Faust, 1994; Degenne e Forse, 1999). Uma rede, assim, é uma metáfora para observar os padrões de conexão de um grupo social, a partir das conexões estabelecidas entre os diversos atores. A abordagem de rede tem, assim, seu foco na estrutura social, onde não é possível isolar os atores sociais e nem suas conexões. (Recuero, 2009: p. 24).Portanto, redes sociais são estruturas sociais que existem desde a antiguidade evêm se tornando mais abrangentes e complexas devido às NTICs. É importanteressaltar que as redes sociais são formadas por pessoas, instituições, grupos etc.,não por sites ou aplicativos na web. Os sites de redes sociais, cuja explicaçãovem a seguir, são plataformas onde as redes sociais podem ser visualizadas.3.2 Redes sociais na InternetA internet trouxe grandes mudanças para a sociedade. A possibilidadecomunicação e sociabilização através das ferramentas de comunicação mediadaspor computador (CMC) modificou vários paradigmas de interação. Essasferramentas permitiram que uma determinada pessoa pudesse construir, interagire comunicar-se com outra pessoa. As principais ferramentas da atualidade são ossites de redes sociais.Sites de redes sociais (SRS) como Orkut, Facebook, Google+, e até mesmo oTwitter, têm atraído milhões de usuários63, muitos dos quais têm integrado essessites em suas práticas cotidianas. Ainda existem milhares de SNS, com váriosfocos definidos (redes sociais de nicho) que juntas também possuem milhões deusuários. A maioria dos sites serve como apoio para manutenção de redes sociaispré-existentes, mas diversas outras ajudam usuários estranhos a conectarem-seatravés de interesses em comum, opiniões públicas ou atividades físicas. Esses63 Enquanto este TCC está sendo escrito, o Facebook, já passou dos 800 milhões de usuáriosativos; o Twitter tem pelo menos 200 milhões de perfis registrados e o Google+ possui ao menos100 milhões de usuários registrados. 54
  • 56. sites também variam na forma como as interações ocorrem e na estrutura,podendo suportar conexões em vídeo, fotos, texto, imagens etc. Danah Boyd eNicole Ellison definem os sites de redes sociais: [...] como um serviço baseado na web, que permite que indivíduos: (1) construam um perfil público ou semi-público dentro de um sistema limitado, (2) articulem uma lista de outros usuários com os quais eles compartilhem um conexão, e (3) ver e pesquisar sua lista de conexões e outras feitas por quem esteja dentro do sistema. (Boyd; Ellison, 2007)Depois de entrar em um site de rede social, os usuários geralmente sãosolicitados a identificar outros no sistema com o qual eles têm um relacionamento.O rótulo para essas relações difere dependendo do site: “amigos”, “Contatos” etc.Os SRS normalmente exigem uma confirmação bi-direcional para a amizade(exemplo: Facebook), mas outros não (Exemplo: Twitter). Estes laçosunidirecionais às vezes são rotulados como “Fãs” ou “seguidores”. O termo“amigo”, por outro lado, pode ser enganoso, porque a conexão não significa,necessariamente, a amizade, no sentido vernacular todos os dias, e as razõespara a conexão são variadas. (boyd, 2006a). Para Recuero (2009: p. 102-103): “Agrande diferença entre sites de redes sociais e outras formas de comunicaçãomedida pelo computador é o modo como permitem a visibilidade e a articulaçãodas redes sociais, a manutenção dos laços sociais64 estabelecidos no espaço off-line.”Para os jornalistas, a passagem de informações através de redes articuladas é defundamental importância, pois um dos fatores característicos da interaçãomediada pelo computador é a sua capacidade de migração: “As interações entreatores sociais podem, assim, espalhar-se entre as diversas plataformas decomunicação, como, por exemplo, em uma rede de blogs e mesmo entreferramentas como, por exemplo, entre Orkut e Blogs” (Recuero, 2009: p. 36).64 Segundo Recuero (2009: p. 38): “O laço é a efetiva conexão entre os atores que estãoenvolvidos nas interações. Ele é o resultado, deste modo, da sedimentação das relaçõesestabelecidas entre agentes. Laços são formas mais institucionalizadas de conexão entre atores,constituídos no tempo e através da interação social.” Wellman (2001: p. 7) define aindaque: “Tiesconsist of one or more specific relationships, such as kinship, frequent contact, information flows,conflict or emotional support. The interconnections of these ties channel resources to specificstructural locations in social systems. The pattern of these relationships --- the social networkstructure --- organize systems of exchange, control, dependency, cooperation, and conflict.” 55
  • 57. Quando um portal de notícias coloca ao final da matéria botões para o usuáriopossa compartilhar a página entre suas redes sociais, está facilitando a migraçãoda informação, isto é, realocando-a em outras áreas da internet.A forma como as redes sociais podem se apresentar varia de acordo com osatores e interações envolvidos, alterando o que é chamado de “topologia da rede”.Recuero (2009) discute a estrutura organizativa das redes em função de seusfluxos de comunicação e intercomunicação, de acordo com os estudos de Franco(2008) sobre um memorando de Paul Baran (1964), onde surgem três topologiasbásicas possíveis de redes sociais: centralizada, descentralizada e distribuída,conforme ilustra a imagem abaixo:Figura 2 – Da esquerda para a direita: redes centralizada, descentralizada edistribuídaFonte:http://www.cffn.ca/img/articles/Centralized-Decentralized-And-Distributed-System.jpg 56
  • 58. A rede centralizada possui um forte nó central que distribui conteúdo paradiversos outros nós, de forma semelhante ao que faz a mídia tradicional napresença da televisão, do rádio e do jornal impresso. Já a forma descentralizadapossui vários centros de agregação, distribuindo ali fluxos de comunicação epoder, de forma bastante semelhante à teoria do two-step-flow65. A figura “C”demonstra uma rede distribuída, onde as conexões dos nós estão maisequilibradas, sem hierarquia. Segundo Recuero (2009: p. 57): Essa topologias são interessantes para o estudo de vários elementos das redes sociais, tais como os processos de difusão de informações. No entanto, é preciso ter claro que se trata de modelos fixos e que uma mesma rede social pode ter características de vários deles, a partir do momento em que se escolhe limitar a rede.Para o nosso estudo, focaremos em duas grandes plataformas de redes sociaisque estão sendo utilizadas pelas instituições jornalísticas no Brasil: Facebook eTwitter.3.3 FacebookO Facebook é um site de rede social lançado em 4 de fevereiro de 2004. Foifundado por Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz, Eduardo Saverin e ChrisHughes, ex-estudantes da Universidade Harvard. Inicialmente, o Facebook erarestrita apenas aos estudantes da Universidade Harvard. Somente em 2006 oFacebook permitiria a entrada de qualquer usuário com 13 anos de idade ou mais.Segundo o anúncio feito pelo fundador e CEO da empresa, Mark Zuckerberg,durante a abertura da conferência para desenvolvedores de 2011, a f8, aplataforma possui mais de 800 milhões de usuários. No Ad Planner Top 1000Sites66, que registra os sites mais acessados do mundo, através do mecanismode busca do Google, divulgado em fevereiro de 2011, o Facebook aparece como1º colocado, com 590 milhões de visitas e um alcance global de 38,1%.65 Two-step flow é uma teoria de comunicação proposta por Paul Lazarsfeld (1944). Em portuguêsé chamada também de a teoria do fluxo comunicacional em duas etapas, que enfatiza o papel dosformadores de opinião comunitários como construtores da opinião pública em escala micro.66 http://www.google.com/adplanner/static/top1000/(Acessado em 24/11/2011 ) 57
  • 59. 58
  • 60. Figura 3 – Página inicial de login do Facebook em novembro de 2011.Fonte: Facebook.comO site é gratuito para os usuários e gera receita proveniente de publicidade,incluindo banners e grupos patrocinados. Usuários criam perfis que contêm fotose listas de interesses pessoais, trocando mensagens privadas e públicas entre sie participando de grupos de amigos. A visualização de dados detalhados dosmembros é restrita para membros de uma mesma rede ou amigos confirmados.Outro ponto fundamental desta rede social é forma como se lida com empresas,instituições e marcas. Através das fan pages, usuários podem se conectar comperfis não-humanos (empresas, ONGs, locais etc.). Nessa situação, a conexão éunidirecional. Quem tiver interesse de acompanhar a fanpage basta “curtir” apágina. Os três portais que iremos analisar (gazetaweb, Tudo na hora e CadaMinuto) possuem fan pages no Facebook. O Facebook possui uma preocupaçãoperante à mídia. Em meados de 2011, lançou a página Facebook + Journalists,que reúne jornalistas do mundo inteiro, buscando ensinar as melhores práticas dejornalismo na rede social.67O Facebook é, ainda, um site de rede social propriamente dito. Recuero explica otermo:67 https://www.facebook.com/journalists(Acessado em 24/11/2011 ) 59
  • 61. Sites de redes sociais propriamente ditos são aqueles que compreendem a categoria dos sistemas focados em expor e publicar as redes sociais dos atores. São sites cujo foco principal está na exposição pública das redes conectadas aos atores, ou seja, cuja finalidade está relacionada à publicização dessas redes. [...] Em geral, esses sites são focados em ampliar e complexificar essas redes, mas apenas isso. O uso do site está voltado para esses elementos, e o surgimento dessas redes é consequência direta desse uso. [...] Toda interação está, portanto, focada na publicização dessas redes. (Recuero, 2009: p. 104)3.4 TwitterTwitter é uma rede social e servidor para microblogging, que permite aos usuáriosenviar e receber atualizações pessoais de outros contatos (em textos de até 140caracteres, conhecidos como "tweets"), por meio do website do serviço, por SMSe por softwares específicos de gerenciamento.As atualizações são exibidas no perfil de um usuário em tempo real e tambémenviadas a outros usuários seguidores que tenham assinado para recebê-las. Asatualizações de um perfil ocorrem por meio do site do Twitter, por RSS, por SMSou programa especializado para gerenciamento. O serviço é gratuito pela internet,entretanto, usando o recurso de SMS pode ocorrer a cobrança pela operadoratelefônica.Desde sua criação em 2006 por Jack Dorsey, o Twitter ganhou extensanotabilidade e popularidade por todo mundo. Algumas vezes é descrito como o"SMS da Internet". Hoje possui aproximadamente 200 milhões de usuários. 60
  • 62. Figura 4 - Página inicial de login do microblogging Twitter em novembro de 2011.Fonte: Twitter.comExistem inúmeros estudos sobre o uso do Twitter como ferramenta jornalística eele já está aceito em diversas modalidades de jornalismo no país inteiro. O Twitteré, entretanto, um site de rede social apropriado. Recuero (2009: p. 104-105)define que: Sites de redes sociais apropriados são aqueles sistemas que não eram, originalmente, voltados para mostrar redes sociais, mas que são apropriados pelos atores com este fim. [...] são sistemas onde não há espaços específicos para perfil e para a publicização das conexões. Esses perfis são construídos através de espaços pessoais ou perfis pela apropriação dos atores. É o caso, por exemplo, de alguns fotologs. O Fotolog não é um espaço de perfil, mas pode ser construído como tal a partir das fotos publicadas e dos textos publicados pelo ator. Esse espaço também pode ser construído como um perfil a partir das interações de um determinado ator com outros atores, como, por exemplo, através dos comentários e dos apelidos criados pelos atores e mesmo pelas coisas que são ditas. [...] A partir dessa construção, redes sociais também podem ser construídas através dos comentários e dos links. 61
  • 63. 3.5 Comunidades virtuaisUma das consequências da sociedade em rede é a formação das comunidadesvirtuais. O conceito de comunidade é costumeiramente usado para descrever umconjunto de pessoas em uma determinada área geográfica. Comunidades virtuais,entretanto, recebem este nome por não existirem em territórios físicos. Suaperpetuação se dá através da comunicação entre os membros e o capitalsimbólico construído através das interações sociais. Para FernBack e Thompson(1995, p. 8 apud Primo, 1997: p. 2)68, comunidades virtuais são definidas como“relações sociais formadas no ciberespaço através do contato repetido em umlimite ou local específico (como uma conferência eletrônica) simbolicamentedelineado por tópico ou interesse”. Comunidades sociais podem emergir atravésde blogs, redes sociais, chats etc. Geralmente os laços da comunidade sãoformados através de interesses em comum.Na definição de Howard Rheingold, “as comunidades virtuais são agregaçõessociais que emergem da rede quando muitas pessoas continuam abastecendo asdiscussões públicas por um tempo, suficiente sentimento humano, para formarrelacionamentos” (1993: p.5 apud Lima Junir, 2009: p. 173). Nesse sentido,tempo, sentimento humano e relacionamento são variáveis importantes para aconstrução de uma comunidade virtual. O fator tecnológico, embora existentepara garantir uma comunicação não física, não é preponderante. Vários tipos detecnologias (além da digital e da online) permitem a criação de comunidadesvirtuais, como era comum no passado através das correntes de cartas. Stone(1991: p. 81-112 apud Santaella, 2003: p. 122) demonstra a evolução históricadas comunidades virtuais em quatro fases: (a) No século XVII, em 1669, Robert Boyle inventou um método chamado de testemunho virtual que permite formar uma comunidade de cientistas pelo testemunho à distância para a validação do trabalho de seus pares. (b) Nas comunicações elétricas (1900), fase em que surgiram o telégrafo, o telefone, o fonógrafo, o rádio e a televisão, todos eles formas de compartilhamento que criam vínculos virtuais na formação de comunidades de espectadores, ouvintes e telespectadores. (c) Na68 http://www.sitedaescola.com/downloads/portal_aluno/Maio/A%20emerg%EAncia%20das%20comunidades%20virtuais.pdf(Acessado em 24/11/2011 ) 62
  • 64. informática (1960), com o primeiro computador e os primeiros BBSs apareceu a primeira comunidade virtual com base na tecnologia da informação e, finalmente, (d) Na fase do ciberespaço, da comunicação mediada por computador, surgiram as comunidades virtuais das redes telemáticas.O termo Comunidade Virtual não é sinônimo de Rede Social na Internet, emboratoda plataforma de rede social na internet possua várias comunidades virtuais.Mas quando Boyd e Ellison (2007) travavam um debate sobre o conceito dos sitesde redes sociais, eles resolveram optar por “network” no lugar de “networking”. Eisso é fundamental para compreendermos a diferença entre comunidades virtuaise redes sociais: While we use the term "social network site" to describe this phenomenon, the term "social networking sites" also appears in public discourse, and the two terms are often used interchangeably. We chose not to employ the term "networking" for two reasons: emphasis and scope. "Networking" emphasizes relationship initiation, often between strangers. While networking is possible on these sites, it is not the primary practice on many of them, nor is it what differentiates them from other forms of computer-mediated communication (CMC)69.A principal diferença é que as plataformas de redes sociais na internet geralmentetrazem consigo as redes sociais já existentes no ambiente off-line. E, comoobservamos nas citações anteriores, as comunidades virtuais surgem a partir deinteresses em comum não sendo delimitados por ambientes físicos: Os sistemas de redes sociais online, como blogs, Orkut, Facebook e Twitter, não são tão usados para a formação de novos laços sociais na internet. A maior parte do uso dessas ferramentas de comunicação em rede tem sido voltada para o contato entre pessoas que já se conhecem na vida off-line, para amplificar e fortalecer redes sociais que já existiam (Tubota, 2009 apud Lima Junior, 2009: p. 173)Para Lemos (2002c apud Recuero, 2009: p. 138-139) o sentimento depertencimento a uma comunidade é a base estruturante para se estabelecervínculos de relacionamentos, no que o autor chama de agregação eletrônicacomunitária: “[...] são aquelas onde existe, por parte de seus membros, osentimento expresso de uma afinidade subjetiva delimitada por um território69 Citação deixada no original por conta de expressões que não poderiam ser traduzidas de outra forma. 63
  • 65. simbólico, cujo compartilhamento de emoções e trocas de experiências pessoaissão fundamentais para a coesão do grupo.” O autor defende ainda que existemagregações eletrônicas não comunitárias: “[...] onde os participantes não sesentem envolvidos, sendo apenas um locus de encontro e de compartilhamentode informações e experiências de caráter totalmente efêmero edesterritoralizado.” Um bom exemplo de agregações eletrônicas comunitárias (umsinônimo para comunidades virtuais) em redes sociais está nos grupos doFacebook. Já um exemplo de agregação eletrônica não comunitária pode ser umtrending topic no Twitter, pela sua qualidade efêmera.Finalmente, Recuero considera as comunidades virtuais como um dos atributosdas redes sociais na internet, surgindo através da densidade de conexões de umgrupo específico: “O principal elemento de definição de uma comunidade em umarede social é, justamente, a densidade. Em uma determinada rede social,comunidades seriam, assim, os agrupamentos de nós, em virtude da densidadede conexões na rede.” (Recuero, 2009: p. 149).Os jornalistas podem aproveitar as comunidades virtuais como fontes parapesquisas e estudos. Dentro das comunidades virtuais existem muitos atores comgrande expertise em diversas áreas de conhecimento. Por serem formadasprincipalmente pelo interesse em comum, as comunidades virtuais acabamganhando status de especialização, gerando uma grande quantidade informaçãoe conhecimento sobre os assuntos tratados. Saber encontrar e infiltra-se (nosentido de ser bem aceito) nessas comunidades é uma importante característicapara o jornalista online. Este é um ponto. Outro ponto é a construção decomunidades virtuais com fins jornalísticos. Jornalistas e não jornalistas se unempara construir notícias e portais com credibilidade. Este fenômeno vem surgindono Brasil fortemente através de blogs e wikis.3.6 Mídias SociaisEmbora o termo seja mais conhecido no meio mercadológico/publicitário, asmídias sociais firmaram-se como as plataformas da web 2.0. A mais famosa 64
  • 66. definição de mídias sociais vem de Andreas Kaplan e Michael Haenlein em quesão “um grupo de aplicações para Internet construídas com base nosfundamentos ideológicos e tecnológicos da Web 2.0, e que permitem a criação etroca de Conteúdo Gerado pelo Utilizador (UCG)”.70Para Lima Junior (2009: p. 174-175), as tecnologias que estruturaram as redessociais forneceram também as ferramentas para a interação entre os usuários eos produtores de conteúdo informativo de relevância social, seja por intermédio desistemas oferecidos dentro de um espaço noticioso (como portais de notícias, porexemplo) ou por sistemas denominados agregadores, que selecionam ecompartilham conteúdo jornalístico. Para o autor, é essa configuração deinteração que está sendo cunhada de “mídias sociais”. O principal diferencialentre a mídia social e a “mídia tradicional” é o nível de interatividade eparticipação. “As plataformas de mídias sociais permitem aos usuários espaçosilimitados para armazenar e fatura de ferramentas para organizar, promover etransmitir os seus pensamentos, opiniões, comportamentos e mídias para osoutros.” (Manovich, 2008: p. 232 apud Lima Junior, 2009: p. 175)Na área de marketing em mídias sociais (também conhecida como social mediamarketing), Dave Evans (2008: p. 33-35 apud Lima Junior, 2009: p. 175) afirmouque “a mídia social é a democratização da informação, transformando pessoasleitoras de conteúdo em publicadoras.”. A mídia social é “usada efetivamenteatravés da participação e da influência, não através de comando ou controle.”. Ailustração presente no trabalho de Brian Solis e Jesse Thomas71, exemplifica asmais famosas plataformas de mídias sociais na internet de acordo com algumascategorias. Numa tentativa de delimitar um recorte adequado sobre as mídiassociais, Lima Junior (2009: p. 176) define que: A mídia social é um formato de Comunicação Mediada por Computador (CMC) que permite a criação, compartilhamento, comentário, avaliação, classificação, recomendação e disseminação de conteúdos digitais de relevância social de forma descentralizada, colaborativa e autônoma tecnologicamente. Tem como principal característica a participação ativa (síncrona e/ou assíncrona) da comunidade de usuários na integração de70 http://pt.wikipedia.org/wiki/Mídias_sociais(Acessado em 24/11/2011 )71 http://www.theconversationprism.com/(Acessado em 24/11/2011 ) 65
  • 67. informações, visando à formação de uma esfera pública interconectada.Esse novo modus operandis leva os usuário a uma nova cultura participatória.Henry Jenkins (2008: p.35 apud Saad Corrêa, 2009: p. 192) refere-se à cultura darede conectada. Para o autor: [...] a cultura da rede conectada possibilita uma nova forma de poder de baixo para cima, pois diversos grupos de pessoas dispersas se associam de acordo com suas habilidades e encontram soluções de muitos problemas complexos que talvez não pudessem resolver individualmente. [...] a cultura participatória conta com relativamente poucas barreiras à expressão artística e ao engajamento cívico e dá um grande apoio para se compartilhar criações [...] é igualmente aquela em que os membros confiam no conteúdo material de suas contribuições e sentem algum nível de conexão social uns com os outros.O posicionamento de Jenkins propõe a liberação do polo de emissão, departicipação tanto na geração de conteúdo quanto na troca de ideias, opiniões eavaliações, e de estabelecimento de laços associativos e/ou dialógicos entre osparticipantes.Segundo Shirky (2011: p. 90), as pessoas sempre desejaram encontrar outraspessoas que gostassem dos mesmos assuntos e, dessa forma, trocareminformações e pensamentos. Consequentemente essas comunidades virtuaisdesenvolverem novas habilidades cognitivas e novos aprendizados, estimuladaspelos novos suportes tecnológicos (mídias sociais), conforme explica Shirky: “Ocaráter humano é o componente essencial do nosso comportamento sociável egeneroso, mesmo quando coordenado com ferramentas de alta tecnologia. Asinterpretações focadas na tecnologia para entender esses comportamentos erramo alvo: a tecnologia possibilita esses comportamentos, mas não pode causá-los.”(SHIRKY, 2011, p. 90). A Forest Research72 criou uma escala para tabular o graude participação dos usuários nas mídias sociais, definindo da seguinte maneira: Criadores (24%): Aqueles que criam conteúdo social para ser consumido por outros. Publicam em blogs, tem um site próprio, fazem upload de72 http://www.forrester.com/empowered/ladder2010(Acessado em 24/11/2011 ) 66
  • 68. vídeos, inserem áudio/música criado por eles mesmos, escrevem artigos enotícias e colocam no ar.Conversionalistas (33%): Expressam suas opiniões sobre marcas,produtos, pensamentos etc. através plataformas como sites de redessociais e microbloggings.Críticos (37%): respondem os conteúdos postados por outros usuários.Postam reviews, comentários em blogs, participam de fóruns e editamarquivos em wikis.Colecionadores (20%): Organizam o conteúdo na internet através de feedse tags. Participam de votações e enquetes e usam sites agregadores deconteúdos.Joiners (59%): Possuem perfis em algumas mídias sociais, mas a suaparticipação na internet se restringe apenas à manutenção de sua própriavida virtual.Espectadores (70%): Usuários que apenas consomem conteúdospublicados em mídias sociais como blogs, podcasts, wikis, sem adicionarou editar qualquer conteúdo.Inativos (17%): Não produzem ou consomem qualquer tipo de material emmídias sociais. 67
  • 69. Figura 5–Usuários de mídias sociais e suas principais utilizaçõesFonte:http://www.forrester.com/empowered/ladder2010O surgimento das mídias sociais e o crescimento das plataformas de redessociais na internet impulsionam alguns tipos de jornalismo. Uma vez que aparticipação do usuário é maior na internet, o jornalismo participativo ganha força.Surgem também novos modelos de jornalismo, como o em Rede e o Social.3.7 Jornalismo Participativo, Jornalismo em Rede e Social JournalismJornalismo Participativo é um tipo de jornalismo na qual o conteúdo é produzidopor pessoas sem formação jornalística, em colaboração com jornalistasprofissionais. Esta prática se caracteriza pela maior liberdade na produção eveiculação de notícias, já que não exige formação específica em jornalismo paraos indivíduos que a executam. O Jornalismo Participativo ganhou força nosúltimos anos graças às mídias sociais e à popularização de dispositivos móveisequipados com câmeras digitais e conexão com internet: “Os meios de 68
  • 70. comunicação tradicionais, de uma forma ou de outra, permitem uma baixaparticipação do consumidor de informação jornalística nos seus produtos e,raramente, nos seus processos.” Por outro lado, assim como em outros sistemasparticipativos (como o wikis), a precisão e a qualidade das informações sãoproblemas constantes. Esse gerenciamento é, geralmente, feito por jornalistasprofissionais, que assumem as tarefas de edição do espaço. “Um dos grandesembates entre teóricos no campo da Comunicação Social e os profissionais dojornalismo é a necessidade ou não de envolver a audiência nos processos deprodução da informação de relevância social” (idem). Um envolvimento maior doleitor significa uma melhor qualidade informativa, principalmente na questão daapuração de informações. Praticamente todos os portais de notícias contém aopção “reportar erro na notícia” que permite uma melhora do conteúdojornalístico. Também são comuns as seções de “você repórter”, onde o usuário éconvidado a enviar materiais de relevância social para a empresa decomunicação.É importante frisar que jornalismo participativo não é sinônimo de JornalismoCívico, que é o jornalismo profissional caracterizado pela cobertura jornalísticados veículos de imprensa voltada para o cidadão. Alguns autores afirmam,entretanto, que jornalismo participativo e colaborativo são sinônimos. Outrosafirmam ainda que outro sinônimo seria o jornalismo cidadão, embora nósdiscordemos. A verdade é que a diferença entre as nomenclaturas são sutis,embora existam. Nós utilizamos a nomenclatura participativa, pois o usuárioparticipa do processo de construção de uma notícia. Evitamos o uso do“colaborativo” que dá a impressão de que o usuário atua como coadjuvante noprocesso, o que seria uma inverdade. Se, nas mídias tradicionais, pela própria configuração tecnológica que os suportes impressos e eletrônicos são estruturados, a participação do receptor da informação jornalística, no processo de produção do jornalismo, é prejudicada, com as mídias digitais conectadas (mídia social), essa inserção pode e deve ser elevada a uma potência superior. (LIMA JUNIOR, 2009: p. 179).As possibilidades de participação da audiência nos processos e produtosjornalísticos não são novidades criadas pelas mídias sociais ou pelas redes 69
  • 71. sociais. Entretanto, as novas tecnologias de informação e comunicação propiciamuma participação em níveis jamais imaginados pelos idealizadores do conceito dejornalismo participativo.Jornalismo em Rede é uma tradução literal para o termo “networked journalism”.Lima Júnior (2009: p. 181) utiliza a tradução jornalismo enredado, mas nósacreditamos que o termo em Rede descreva melhor o tipo de jornalismo queacontece no ambiente da Rede computacional. Esse tipo de jornalismo incorporaatributos de sistemas tecnológicos que proporcionam a elaboração de conteúdode relevância social de forma participativa e colaborativa. Quando o jornalismoparticipativo acontece em um ambiente em Rede, é chamado de jornalismo emRede. O autor cita Jeff Javis que afirma que um dos atributos do jornalismo emrede é a sua natureza colaborativa entre profissionais e amadores. Como a audiência não mais necessita ser, no meio online, observadora passiva, os leitores podem tornar-se co-criadores com os profissionais no processo de produção da notícia. Decerto, tal participação em um ambiente online de jornalismo pode existir mais potencial do que na atual prática, tendo como consequência duas primárias obrigações. (1) Em que medida os usuários estão dispostos a contribuir e qual é a variedade de nível de riqueza na participação (comentário em notícias versus submissão completa de matérias) e (2) em que medida as organizações noticiosas estão dispostas a “abrir as portas” e permitir vários níveis de supervisão (dura moderação da discussão versus colaboração do usuário no processo de informar). (LEWIS; KAUFHOLD; LAROSA, 2009: p.6 apud LIMA JUNIOR, 2009: p. 181-182).A partir do momento em que o conteúdo jornalístico tem a participação outraspessoas (leitores, geralmente), um dos pontos mais importantes é saber se esteconteúdo deve ou não se moderado. As formas de participação do usuário naprodução de informações de relevância social devem ser fornecidas, mas semque isso afete negativamente as premissas jornalísticas. A participação dousuário deve sempre acrescentar. Porém, para que isso ocorra no ambienteonline, vem surgindo a figura do gatekeeper 2.0. O gatekeeping enquanto teoriasurgiu na área de comunicação social para estudar a função do jornalismo comoárbitro da informação. O gatekeeping tem sido definido como a seleção,composição, edição, posicionamento, agendamento, repetição, e transformaçãode informações em notícias.Tambémsendodefinidocomo “overall process through 70
  • 72. which the social reality transmitted by the news media is constructed.” (LEWIS;KAUFHOLD; LASORSA, 2009, P. 4)73. Ana Maria Brambilla (2006: p. 20)74 sinaliza o risco da ausência de mediação nas práticas do jornalismo participativo(na ocasião, Brambilla estuda o jornalismo open source): Por outro lado, como todo o processo midiático, o jornalismo open source tem suas falhas, como o risco de informações falsas, a banalização da reportagem e, no que diz respeito ao OhmyNews International, a manutenção de uma hierarquia editorial. A figura de um editor, conforme visto em diferentes momentos desta pesquisa, pode parecer um resquício do jornalismo tradicional, especialmente àqueles que anseiam por liberdade ampla e irrestrita à publicação de conteúdo em ambiente digital. Ao contrário, esta pesquisa filia- se à perspectiva da necessidade de uma hierarquia, na presença do editor, para que a ordem seja mantida e para que alguns valores do jornalismo tradicional sejam preservados. Somente assim, acredita-se, é possível intitular jornalismo a prática informacional estudada ao longo destes capítulos.O estudo de Lewis, Kaufhold e Larosa Thinking about Citizen JournalismPerspectives on Participatory News Production at Community Newspapers apontaque a emergência de uma nova mídia para notícias e informações oferece umanova possibilidade de observação do fenômeno do gatekeeping. Para os autores,o gatekeeping permanece surpreendentemente estável apesar da evoluçãotecnológica: “Singer argumenta que a ubiquidade da informação disponível nomeio online faz com que a função do gatekeeping seja importante para umademocracia informada, enquanto outros conteúdos da web, por sua naturezadistribuída, torna o gatekeeping menos relevante.” (Lewis; Kaufhold; Larosa,2009: p.5 apud Junior Lima, 2009: p. 184). Por exemplo, como demonstraBrambilla (2006: p. 185) em seu estudo, “A questão da credibilidade vai além. Ofato de um texto opinativo informar os leitores, conforme majoritariamenteverificado, não é garantia para que esta mensagem seja crível. No OhmyNews, abusca pela credibilidade acontece através da checagem rigorosa dasinformações constantes nas matérias enviadas pelos cidadãos-repórteres.”Por outro lado, existem profissionais que defendem a total desintermediação dainformação, isto é, o fim do gatekeeping. Woody Lewis (apud LIMA JUNIRO,73 http://online.journalism.utexas.edu/2009/papers/Lewisetal09.pdf(Acessado em 25/11/2011 )74 http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/open_source.pdf(Acessado em 25/11/2011 ) 71
  • 73. 2009: p. 184) aponta que o futuro do jornalismo em rede será guiado peladesintermediação. Em fato, é o que já ocorre quando os usuários utilizam asredes sociais para veicularem notícias (fotos de acidentes, vídeos sobre a rua,vlogs etc.). Com isso os jornalistas trabalharão cada vez mais como célulasindependentes, criando milhares de micro marcas preservadas pelo interesse dasociedade. O processo de comunicação em rede favorece a posição do receptor, que passa a ter mais liberdade para interpretar, interferir e reagir diante uma obra. Neste sistema, a comunicação é multidirecional, na qual emissor e receptor se misturam, alternando a postura e os comandos ao longo de uma hipernarrativa. (CAMPOS, 2010, p.6)Social journalism é um termo em inglês que, traduzido ao pé da letra, significariajornalismo social. Entretanto, utilizar essa tradução em português poderia alterar osignificado do termo, uma vez que a “social” em nosso país significaria muito maisuma espécie de jornalismo preocupado com o bem-estar da sociedade. SocialJournalism, entretanto, é uma junção de Social Media com Journalism. Em umabreve análise, é o jornalismo de mídias sociais. Grosso modo, a principaldiferença do jornalismo em mídias sociais para o jornalismo participativo está nasferramentas utilizadas para essa participação. Em entrevista75 para a Street FightMagazine, Jane Stevens, diretora de estratégias de mídia do LJ World, um portalde notícias norte-americano, definiu o que seria o social journalism76: Nós incorporamos as ferramentas sociais em nosso site. O conteúdo dos posts de nossa comunidade dentro do sistema de notícias do site vai funciona através da administração de face- públicas. Em outras palavras, tudo o que eles precisam fazer é entrar com seus nomes verdadeiros e então clicar em “novo post” para publicar textos, fotos, gráficos ou vídeos para o site. Ele podem “seguir” outras pessoas no site, iniciar grupos, participar de grupos e mandar mensagens para outros membros dentro do site. Ele usam as mesmas ferramentas que nossos jornalistas usam75 http://streetfightmag.com/2011/07/07/social-journalism-news-you-can-take-to-the-bottom-line/(Acessado em 25/11/2011 )76 Tradução do original eminglês: We embedded social tools into our news site. Our community postscontent into the site’s news stream through a public-facing admin. In other words, all they have to do is signon with their real name and then click on “New Post” to post text, photos, graphics or videos to the site.They can “follow” other people on the site, start groups, join groups, and message each other within thesite. They use the same tools our journos use to post content. Their content is integrated with our journos’contente. 72
  • 74. para postar conteúdo. O conteúdo deles é integrado com o conteúdo de nossos jornalistas.3.8 Jornalismo online e Redes Sociais na InternetAntes de continuarmos, é interessante ver o depoimento de Marcos Sá Corrêa àCarla Rodrigues no artigo “Ainda em Busca de definições para o jornalismo on-line”, publicado pela autora em 2009. Ao ser questionado pelos alunos sobre oque caracterizava a prática do jornalismo on-line, Corrêa foi contundente: “Euacreditava e ainda acredito que o principal instrumento da comunicação para umrepórter brasileiro é a língua portuguesa, escrita ou falada. E isso a internet nãomudou”. Completo: nem as redes sociais. Mas o computador provocou mudançasmuito significativas na forma em que utilizamos o nosso português, por exemplo.No capítulo cinco do seu livro “A Cultura da Interface” (2001), Steven Johnson falada sua dificuldade em escrever um texto, mesmo um bilhete, no papel. Issoporque, desde os 12 anos, é acostumado a escrever no computador. De fato,enquanto escrevo este TCC, apago um trecho aqui, destaco outro ali, copio, colo,recorto... Tudo isso mudou a forma como nos comunicamos. Afinal, antes, paraescrever, era necessário pensar um pouco antes de colocar a tinta no papel. Hojepodemos digitar qualquer coisa e depois é só apagar: A ideia de escrever um livro inteiro a mão é para mim um pouco como filmar Cidadão Kane com uma videocâmera. Pode-se tentar, é claro, mas isso envolve um erro básico na avaliação da escala da tecnologia que se está utilizando. É chocante, eu sei, mas é assim. Sou um digitador, não um escritor. (JOHNSON, p. 103: 2001. Grifo nosso.)O bom jornalista continua sendo aquele que consegue passar uma informação dequalidade. Os meios como essa passagem se apresenta é que estão semodificando. As redes sociais permitem um leque muito maior de opções paraconstruir notícias, matérias, reportagens. Mas por outro lado, começam a enterraroutros meios de comunicação. Um estudo recente feito pela ComScore77 nosEstados Unidos mostra que, enquanto o uso das redes sociais cresce entre os77 http://www.comscoredatamine.com/2011/02/e-mail-still-popular-among-the-older-generation/(Acessado em 25/11/2011 ) 73
  • 75. jovens, o uso de e-mail declina. Também está em desuso os portais e osmensageiros instantâneos.As redes sociais já substituíram o jornalismo noticioso na questão do furo dereportagem. Poucas coisas são inéditas na internet. Ao ver um acidente detransito, por exemplo, um usuário com um smartphone pode fotografar o fato epublicá-lo no seu perfil do Twitter. Levará ainda um bom tempo para que a equipede reportagem chegue ao local. Recentemente também tivemos o caso de umcarro incendiado durante a “ocupação” do morro do alemão. Na ocasião, o jornalchegou tarde ao local e o fogo já tinha sido controlado. Entretanto, um fotógrafoamador registrou as chamas e a sua foto (publicada em seu perfil) foi parar nacapa do jornal.No entanto o uso das redes sociais pelos jornais ainda é uma exceção. Em seuartigo apresentado no Intercom 2010, Débora Tavares e Vitor Teixeira (2010)apresentaram o caso do Twitter da TV Centro América, afiliada da rede globo noestado do Mato Grosso. Nele, constatou-se que a empresa utilizava o perfilapenas para divulgação de notícias, compreendendo 92,06% de todas asmensagens enviadas. Apenas 11,31% dos tweets eram de conversação diária.A conversação é a arma mais poderosa das redes sociais. Ficar de olho no queas pessoas estão comentando pode gerar uma excelente pauta para os jornais.Também é uma fonte riquíssima de opiniões. A maioria dos jornais online,entretanto, usa o Twitter apenas para divulgar os links. Não fazem notíciasdiretamente da rede social. Em Alagoas, o portal Cada Minuto, entretanto, já usoua rede social para produzir uma matéria. Na ocasião de uma enchente na capitaldo estado, o portal utilizou o Twitter e o YouTube para coletar fotos e vídeosenviadas pelos usuários. Mas o sistema de créditos do portal não permitia ainserção de links para os perfis que colaboraram com a matéria.Foi durante um recente apagão em todo o estado do Nordeste que o Twitterdemonstrou seu potencial jornalístico. Quando a maior parte dos estadosdaregião ficou sem energia elétrica, os usuários da rede social que tinham acessovia celular começaram a twittar sobre a falta de energia. Foi dessa forma que a 74
  • 76. maioria das pessoas soube do apagão. Quem não teve acesso às redes sociaissó ficou sabendo que a falta de energia atingiu a região inteira no outro dia.Flávia Valério Lopes (2010), em seu artigo sobre as mídias sociais e o monopóliodos grandes veículos apontou o fato das mídias sociais estarem flexionando osjornais a encontrarem outras formas de obter e distribuir informações: “Bem maisprecioso desta era de globalização, digitalização e convergência tecnológica, ainformação tem ganhado novos suportes, ocasionando uma mudança deparadigmas na maneira como as pessoas produzem e buscam conteúdo noticiosona atualidade”.A informação disponível nas mídias sociais e, especialmente, nas redes sociais,ocorre de maneira muito mais fluída, inocente até. Ao comunicar-se com amigos,parentes e conhecidos, o usuário pouco sabe da importância jornalística dos seusatos. Durante o terremoto seguido de um tsunami no Japão em março deste ano(2011), muitos usuários proveram informações importantes ao falaram através deredes sociais. Transmitiram informações aos parentes e amigos dizendo quaisregiões a tsunamihavia afetado, quem estava desaparecido, onde houve incêndioetc. . Obviamente os jornais utilizaram estas informações para produzirmatériasmais apuradas.A rede social mais utilizada para esses fins é, com certeza, o Twitter. O fluxo deinformações em tempo real permite a apuração de acontecimentos em poucosminutos após o ocorrido. Pesquisas apontam que, proporcionalmente, o Brasil é opaís que mais usa o Twitter no mundo. Nos jornais, está sendo utilizado com certafrequência na construção de novas matérias, principalmente pelas declarações depersonalidades famosas na rede social.Uma das formas que se buscou para medir o impacto da utilização de tais redesfoi a análise do material utilizado em sites informativos a partir da expressão“desmentiu pelo Twitter”. Para isso foi realizado levantamento junto ao GoogleNotícias , no período compreendido entre os dias 23 de junho e 15 de julho.Segundo os dados obtidos, o termo "desmentiu pelo Twitter" foi utilizado em 2.633matérias de sites de conteúdo noticioso indexados pelo Google Notícias emperíodo inferior a um mês. (LOPES, p.7: 2010). Neste trabalho é utilizada 75
  • 77. metodologia semelhante para verificar o quanto os portais de notícias alagoanosestão produzindo notícias através do Twitter. As declarações dadas pelas fontes via Twitter e seus comentários em geralpropiciam a criação de novas matérias. O fato das informações serem públicaspermite que os jornalistas retirem as informações sem a necessidade de consultaro autor delas. Enquanto o copyleft e a creative commons enfraqueceram de certaforma o conteúdo exclusivo, por outro lado, abriu também uma porta para amanipulação da informação livre. De fato, como está presente nos termos deserviço da rede social: ao enviar, postar ou exibir conteúdo, o usuário concedeuma licença livre de direitos autorais, não exclusiva e em âmbito mundial (comdireito à sublicenciamento) de usar, copiar, reproduzir, processar, adaptar,modificar, publicar, transmitir, exibir e distribuir esse conteúdo em qualquer e emtodos os tipos de mídia ou métodos de distribuição. Mas é das pequenas declarações que o jornalismo em geral ainda precisase apropriar. Os usuários comuns podem produzir declarações muito válidas parao jornalismo. No recente caso do blog da Maria Bethânia, o jornal Extra produziuuma matéria incorporando diversos tweets dos usuários . Mas neste caso, deve-se levar em consideração que a própria rede social fazia parte da matéria (título:Blog de Maria Bethânia cria polêmica no twitter). De certo modo, faltamapropriações de matérias desvinculadas com a rede social.Neste sentido, muitos portais (a maioria em âmbito estadual) possuem umapolítica de seguir várias pessoas no seu perfil do Twitter. Embora este fato possarepresentar uma forma de sentir o zeitgeist do estado, na maioria dos casosfunciona apenas como uma estratégia para conseguir mais seguidores.3.9 A distribuição da informação Um ambiente familiar e cômodo tende a propiciar uma interação maisfluída. Quando grandes portais começaram a utilizar as redes sociais, os usuáriossentiram-se mais confortáveis para publicar comentários e analisar o conteúdo.Isso se deve a diversos fatores. A estrutura da rede social favorece a inserção de 76
  • 78. comentários: o usuário já está logado (não existe a obrigação de preenchernenhum formulário), já existe um cadastro realizado (muito sites insistem nanecessidade de fazer um cadastro para poder comentar no site), oposicionamento da caixa de comentário é amigável, os amigos do usuário podemvisualizar a interação (e participar, caso julguem interessante), entre vários outrosfatores. Analisando a página da revista Veja no Facebook fica claro como a redesocial favorece a inserção de comentários. Com mais de 300 mil fãs78, a Veja tem uma página no Facebookestruturada de maneira bastante simples. Com apenas dois aplicativos FBML 79, apágina serve basicamente para divulgar matérias novas publicadas na versãoonline da revista e a capa da próxima edição. Apesar de sub-utilizar o potencial darede social (não permitir publicações dos usuários, não ter aba de fotos,discussões e vídeos etc.), a página ainda consegue centenas de comentários emcada uma das suas publicações. Como exemplo, escolhemos as cinco matériaspublicadas pela revista no dia 28 de novembro de 2011 (segunda-feira) ecomparamos o número de comentários feitos através do Facebook com oscomentários feitos no próprio site. A escolha da data se deu pelo fato da segunda-feira ser o dia da semana com maior número de acessos aos portais de notícias. O número de comentários feitos na página de Facebook superoucompletamente o número de comentários realizados no site. Em nossaamostragem, foram 26 (vinte e seis) comentários no site, mas somaram-se 143(cento e quarenta e três) na rede social, conforme demonstrado na Tabela 1.Embora sejam apenas cinco matérias, basta uma breve análise na página e nosite para perceber que a situação se repete diversas vezes. A matéria “GoleiroBruno é o novo titular da faxina no presídio” conseguiu ainda 18 comentários nosite, mas a marca foi superada por 69 comentários na rede social.78 Nomenclatura utilizada para quem curte (acompanha) uma página no Facebook79 Linguagem de programação voltada para o Facebook. 77
  • 79. Comentários no Facebook e no site da Veja Nº de comentáriosMatéria Facebook SiteRio: no Alemão,traficantes ainda 23 5 80desafiam estadoAbi Ackel:Aparelhamento do PT 19 0foi nefasto para o país81Goleiro Bruno é o novotitular da faxina no 69 18presídio82Neymar tieta Vettel emfesta de equipe de 18 3Fórmula 183Com filhos derecuperação, pais 14 0devem fazer lição de 84casaTabela 4 – número de comentários no Facebook e no site da revista VejaEnquanto os comentários atuam como uma forma de interação mútua, onde osusuários podem comentar e responder (e em última análise, embora não sejapadrão, a própria Veja possa também), a interação do botão “curtir” funciona deforma reativa, pois não há como o usuário manipular subjetivamente a opção.Mas em última análise, podemos ainda computar as opções de curtir como umaforma de interação que ampliam ainda mais o poder de divulgação das notíciasnesta rede social.80 http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/a-delicada-construcao-da-paz-no-alemao(Acessado em26/11/2011 )81 http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/abi-ackel-aparelhamento-do-pt-foi-nefasto-para-o-pais(Acessadoem 26/11/2011 )82 http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/goleiro-bruno-e-o-novo-titular-da-faxina-no-presidio(Acessadoem 26/11/2011 )83 http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/neymar-tieta-vettel-em-festa-de-patrocinador-e-posta-foto-no-twitter(Acessado em 26/11/2011 )84 http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/com-filhos-de-recuperacao-pais-devem-fazer-licao-de-casa(Acessado em 26/11/2011 ) 78
  • 80. 4. ESTUDO DE CASOPara o estudo de caso, foram selecionados os três portais de notícias alagoanoscom maior presença nas redes sociais Twitter e Facebook. Por sua vez, essasredes sociais foram escolhidas por serem as de maior relevância em territóriomundial, nacional e regional em termos de propagação de informações.4.1 MetodologiaEste estudo buscou aproximações de cunho qualitativo e quantitativo. Numprimeiro momento, foram tabulados dados sobre o uso do Twitter pelos portais denotícias. A análise consistiu em contabilizar o número de seguidores para verificaro crescimento da base de seguidores de acordo com o gênero jornalísticoempregado nas atualizações dos perfis no microblog num período deaproximadamente um ano. Essa análise comparativa visa compreender qual dosestilos de atualização presentes no microblog foi mais efetivo para angariar maisseguidores.Em seguida, foi realizada uma análise comparativa para verificar o nível deinteração que cada um dos perfis na rede social Twitter possuía. A análisecontemplou o período de um mês a contar do dia 1º de Novembro através dosistema Topsy Analytics. Esse sistema permite realizar diversas comparaçõesentre perfis de Twitter por domínio, nome de usuário85 e palavra-chave. Cadausername foi cadastrado no sistema, demonstrando que o número de seguidoresnão está necessariamente relacionado diretamente com o número de interações.Depois foi traçado um gráfico comparativo visando identificar o crescimento dosperfis de redes sociais de acordo com cada mês do ano. Para a construção dográfico, semanalmente foram anotados os números de seguidores dos perfis decada um dos portais. Esse comparativo foi importante para apontar que o uso deações interativas indiretamente influencia no número de seguidores e,consequentemente, no número de acessos que cada um dos tweets é reponsávelpor trazer até o portal.85 Conhecido popularmente pelo relativo em inglês username 79
  • 81. Depois, com base na adaptação da metodologia do trabalho de Lopes (2010), foiverificado o quanto cada um dos portais utilizou o Twitter para a produção dematérias jornalísticas.Foi utilizado o buscador Google usando a tag “site:” quepermite a busca exclusiva dentro de um único site. Essa análise serviu paraverificar quais dos portais utilizam o Twitter como ferramenta para produção dematérias, e não apenas para divulgação de conteúdo jornalístico.Por fim, foi realizada uma comparação entre as páginas de Facebook do CadaMinuto e do Tudo Na Hora, a fim de verificar o estilo das atualizações com a suacapacidade de viralização86.4.2Tudo na HoraO TNH é um produto do Pajuçara Sistema de Comunicação (PSCOM), que emoutubro de 2007 lançou o primeiro portal multimídia de Alagoas. Quatro anosdepois, o Tudo na Hora é líder absoluto no Estado com mais e 300 milhões deacessos. O site tem uma média de 11 milhões de visualizações por mês. OTwitter possui mais de 12.000 seguidores e sua página no Facebook já chegaperto de 6.000 pessoas.86 Viralização na internet é um termo utilizado para designar conteúdos que se espalham através docompartilhamento social entre os usuários (envio de e-mails, tweets, mensagens no Facebook etc.). 80
  • 82. Figura 6 – Página inicial do portal Tudo na Hora em novembro de 2011.Fonte: tudonahora.uol.com.br4.3Cada MinutoO portal é atualizado várias vezes durante a manhã, seguido de algumasatualizações durante o restante do dia, conforme for apurado. O Cada Minuto é omais recente dos três portais a serem analisados. Seu crescimento foi muitorápido e é o único portal 100% digital, isto é, cujo sistema de comunicação existesomente em ambiente online. O Tudo na Hora pertence ao sistema Pajuçara e oGazetaweb pertence a Organização Arnon de Mello (OAM).Figura 10 – Página inicial do portal Cada Minuto em novembro de 2011.Fonte: Cadaminuto.com.br4.4GazetaWebDos três analisados, o Gazetaweb é o mais antigo portal de notícias de Alagoasem atividade. A primeira homepage da Gazetaweb foi lançada no ano 2000. 81
  • 83. Figura 8 – Página inicial do portal Gazetaweb em novembro de 2011.Fonte: Gazetaweb.globo.com4.5Uso das Redes SociaisOs três portais utilizam sistemas automáticos de atualização. O Tudo na Hora e oGazetaweb usam sistemas automáticos onde todas as notícias são publicadas noTwitter. O Cada Minuto usa um sistema automático com filtros, ou seja, aquantidade de tweets é inferior ao dos outros portais. Observamos também que oTwitter do Cada Minuto dá diversos retuites por dia, além de fazer um resumo dasnotícias mais importantes do dia no horário noturno.No Facebook, o Gazetaweb usa um sistema automático semelhante ao doTwitter, publicando várias notícias diariamente. O Tudo na Hora também utiliza osistema automático, mas com um fluxo menor de atualizações. Apenas asnotícias da home são selecionadas para o Facebook. O Cada Minuto usa umsistema misto de atualizações: algumas automáticas, outras manuais. Tambémobservamos que o Cada Minuto utiliza muitos comentários nas notícias econstantemente faz o upload de fotos para a rede social. O TNH (Tudo Na Hora)eventualmente faz atualizações manuais, mas dificilmente isso ocorrediariamente. 82
  • 84. Recentemente os três portais fizeram ações sobre o Facebook em suas redes. Oprimeiro portal foi o TNH, que alterou seu avatar no Facebook comemorando amarca dos 4 mil fãs conseguidos.Figura 9 – Página do Facebook do TNH publica uma imagem agradecendo aosusuários que curtiram a página.Fonte: Facebook.com/tudonahoraEm seguido o Gazetaweb lançou um novo layout do site e instalou no rodapé dapágina uma barra móvel convidando os usuários a curtirem a página daGazetaweb no Facebook. 83
  • 85. Figura 10 – No dia 13 de novembro, o Gazetaweb publicou um novo layout. Naocasião, inseriu no site convidando o usuário a curtir a página da Gazetaweb noFacebook.A Gazetaweb é o mais recente dos portais no Facebook. A página foi criada em 8de Junho/2011. Até então servia apenas para destacar as principais notícias e odia a dia da redação e das equipes da OAM, com bastante foco em fotos e comatualizações manuais, contando a História do Gazeta Web. Entretanto o trabalhonão teve continuidade e as atualizações se tornaram esporádicas após o boominicial. De 14 de julho à 30 de Setembro foram publicadas apenas 2 atualizações.Em 3 de outubro a página retoma as atualizações através de sistema manual comvárias atualizações diárias. Até o dia 8 de novembro o estilo das postagens ébastante aberto ao diálogo. Desse dia em diante a Gazetaweb começa aautomatizar o processo com o graffiti RSS e o nível de interação despenca com osistema automatizado publicando dezenas de atualizações diárias.Também o Cada Minuto publicou uma atualização comemorando o seu númerode fãs na página. Na ocasião o Cada Minuto alterou sua home para um hotsiteque agradecia aos fãs pela interação na página do Facebook. 84
  • 86. Figura 14–Durante 48 horas entre os dias 21, 22 e 23 de novembro, a páginainicial do Cada Minuto se transformou num banner interativo que ocupava todaárea do monitor, agradecendo aos 6 mil fãs no Facebook.4.6Uso do Twitter pelos portaisO Tudo na Hora utiliza o seu perfil de maneira automática através do sistematwitterfeed87, numa média de 92,9 tweets por dia e 1635 tweets por mês, contandocom quase 13 mil seguidores:87 http://twitterfeed.com(Acessado em 26/11/2011 ) 85
  • 87. Gráfico 4 – Número de tweets registrados por mês pelo perfil @tudonahoraFonte: Tweetstats.comSegundo análise através do sistema Topsy88, o Tudo na Hora já teve mais de 54mil menções. Nos últimos 30 dias, foram 2.364 menções. Apesar dos númerosextremamente favoráveis, para Milena Andrade, editora-chefe do TNH, “O Twitterhoje não é muita coisa para o Tudo na Hora. De vez em quando acessamos, masnão utilizamos o Twitter como fonte de informação. Nós estamos presentes lá nométodo automático, mas não como fonte de informações. Não é uma fonteconfiável, é um ponto de partida.”O Gazetaweb também utiliza o seu perfil de maneira automática através dosistema twitterfeed, numa média de 56,5 tweets por dia e 1469 tweets por mês,contando com pouco mais de 7.300 seguidores:88 http://topsy.com(Acessado em 26/11/2011 ) 86
  • 88. Figura 16 – Número de tweets registrados por mês pelo perfil @gazetawebFonte: Tweetstats.comSegundo análise através do sistema Topsy, o Tudo na Hora já teve mais de 45 milmenções. Nos últimos 30 dias, foram 1.760 menções. De acordo com EduardoAlmeira, coordenador de T.I. do Gazetaweb, “Surgem muitas pautas do Twitter.Nós já enxergamos o Twitter como um local onde surgem pautas. É também umcanal muito eficiente para divulgação de informações. Tanto no Twitter com noFacebook, as matérias que são retuitadas e compartilhadas possuem um númerode acessos imensamente maior do que aquelas que não são. O Twitter e oFacebook são propulsores do nosso trabalho, ao mesmo tempo em queconseguimos compreender o que é que o nosso público está discutindo naquelemomento, o que eles estão querendo ver.”O Cada Minuto usa seu perfil de maneira mista, entre atualizações automáticas emanuais numa média de 50,1 tweets por dia e 1277 tweets por mês, contandocom quase 8 mil seguidores: 87
  • 89. Gráfico 6 – Número de tweets registrados por mês pelo perfil @cadaminFonte: Tweetstats.comSegundo análise através do sistema Topsy, o Cada Minuto já teve mais de 12 milmenções. Nos últimos 30 dias, foram 2.400 menções. Apesar do número deseguidores ser inferior ao do TNH, podemos observar que o nível de interação épraticamente o mesmo. De acordo com Carlos Melo, Editor Chefe, “O Twitterrepresenta o feedback inicial com o usuário. Antigamente as pessoas falavamconosco através de telefone ou email, agora é o Twitter. Isso é importante porquetoda notícia no Cada Minuto já sai com 8 mil leitores em potencial. Isso supera atiragem diária de diversos jornais impressos de nosso estado. O Cada Minutotambém disponibiliza um espaço em sua home para que o usuário possa interagirdiretamente no site. Isso foi uma ideia inovadora.”O site Topsy permite visualizar também a influência das URLs89 no Twitter, isto é,saber qual é o site mais twittado de Alagoas. A comparação abaixo mostra odesempenho de cada portal no mês de novembro de 2011:89 http://analytics.topsy.com/(Acessado em 26/11/2011 ) 88
  • 90. Gráfico 7 – Número de menções aos perfis dos portais no Twitter. Laranja: Tudona Hora; Azul, Gazetaweb; Vermelho, Cada Minuto.Fonte: topsy.comÉ interessante notar que, mesmo sendo o perfil que menos tuita, o Cada Minuto éo portal com maior número de menções e links nesta Rede Social. Também nesteano o Cada Minuto superou o perfil do Gazetaweb em número de seguidores noTwitter. O Gráfico abaixo foi construído através da tabulação dos dados denúmero de seguidores de cada um dos portais ao decorrer do ano de 2011: 14000 12000 10000 8000 6000 Cada Minuto Tudo Na Hora 4000 Gazeta Web 2000 0Gráfico 8 – Número de seguidores no Twitter por mês 89
  • 91. Apesar de ter “superado” o Gazetaweb, observamos também que o Cada Minutoestagnou praticamente no mesmo número de usuários. Também podemosobservar que o TNH teve o seu ritmo de crescimento desacelera, o que podeindicar uma saturação do Twitter para perfis noticiosos em Alagoas.Para observar o uso do Twitter como fonte jornalística, utilizamos a metodologia jácitada do trabalho de Lopes (2010) para analisar os portais de notícias deAlagoas. Foi utilizado o buscador Google usando a tag “site:” que permite a buscaexclusiva dentro de um único site. Os portais foram selecionados e a palavra-chave “pelo twitter” foi adicionada, retornando que, no último ano: (a) o portalTudo na Hora produziu apenas 33 notícias90, (b) o portal Cada Minuto produziu315 notícias91 e (c) o portal Gazetaweb produziu 132 notícias92.4.7Uso do Facebook pelos portaisComo já foi exposto, os três portais demonstram ter uma grande preocupaçãocom o Facebook, especialmente nos últimos meses. Apesar de toda essapreocupação, até o inicio deste ano, nenhum dos três portais possuíam umapágina ativa no Facebook.A forma como as atualizações são feitas no Facebook são bem parecidas quandocomparadas com a atuação dos portais no Twitter. Todos utilizam sistemasautomatizados para publicarem suas atualizações, sendo que o Cada Minuto é o90 http://www.google.com.br/search?gcx=c&sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=site%3Atudonahora.uol.com.br+%22pelo+twitter%22#q=site:tudonahora.uol.com.br+%22pelo+twitter%22&hl=pt-BR&safe=off&tbo=1&output=search&source=lnt&tbs=qdr:y&sa=X&ei=G9LeTrGEHMrXgQf8hNWmBw&ved=0CA0QpwUoBQ&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_cp.,cf.osb&fp=aea5109196ef9bdc&biw=1280&bih=709(Acessado em 26/11/2011 )91 http://www.google.com.br/search?gcx=c&sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=%22desmentiu+pelo+Twitter%22+cada+minuto#q=site%3Acadaminuto.com.br+%22pelo+Twitter%22&hl=pt-BR&safe=off&tbo=1&output=search&source=lnt&tbs=qdr:y&sa=X&ei=yNHeTsi2OtDBgAfw86DaBQ&ved=0CA0QpwUoBQ&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_cp.,cf.osb&fp=aea5109196ef9bdc&biw=1280&bih=709(Acessadoem 26/11/2011 )92 http://www.google.com.br/search?gcx=c&sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=site%3Agazetaweb.globo.com+%22pelo+twitter%22#q=site:gazetaweb.globo.com+%22pelo+twitter%22&hl=pt-BR&safe=off&tbo=1&output=search&source=lnt&tbs=qdr:y&sa=X&ei=TtLeTqr-KsucgQe__uypBg&ved=0CA0QpwUoBQ&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_cp.,cf.osb&fp=aea5109196ef9bdc&biw=1280&bih=709(Acessado em 26/11/2011 ) 90
  • 92. que menos utiliza o sistema automático, mesclando bastante com atualizaçõesmanuais e com comentários e opiniões sobre as notícias. É importante observarque o trabalho realizado nas mídias sociais do Cada Minuto é terceirizado comuma agência de publicidade online, como afirma o Editor do portal: “Faz quase umano que nós temos uma proposta desenvolvida pela agência digital Plus.”. Otrabalho do Tudo na Hora no Facebook também é feito de forma mesclada, comatualizações automatizadas e manuais, embora as atualizações automatizadassejam maioria neste caso. De acordo com Alexandre Jatobá, o portal conta com“um comitê chamado de CONECT que orienta todas as áreas e colaboradores emcomo fazer a utilização das redes sociais”. Finalmente o Gazetaweb (dos três, omais recente a “entrar” no Facebook) demonstrou uma variação muito grande nosestilos de atualização, sendo utilizado mais recentemente de maneira totalmenteautomatizada. Para o Gazetaweb, em termos de atualizações, o Facebook étratado de maneira bastante semelhante ao Twitter, algo que não se observa nosoutros dois portais, que tentam reduzir o fluxo de informações nesta rede social.Entretanto, Eduardo Almeida, coordenador de jornalismo do Gazetaweb consideraque o Facebook vai além do Twitter: “eu vejo no Facebook uma possibilidademaior das pessoas comentarem e opinarem. A participação é maior noFacebook.”Posicionamento semelhante tem o editor do Cada Minuto, em que, para ele, oFacebook é uma “grata surpresa.”. Carlos acredita que “o público do Facebookseja mais qualificado que o do Twitter em termos de informação. O Twitter nos dáum feedback inicial, mas o Facebook nos dá um feedback mais apurado.”. ParaMilena Andrade, editora do TNH, o Facebook é menos “quente” por que não é umlocal onde as pessoas [importantes] fazem declarações: “O Twitter ainda é umarede social mais quente.”Para medir o nível de interatividade das páginas, nós utilizamos duas métricas. Aprimeira objetivou o número de pessoas falando sobre cada uma das páginas noFacebook. A segunda se voltou para os portais com maior participação nesta redesocial, procurando verificar quais das duas geravam o maior número de interação.“Falando sobre isso” é uma métrica do Facebook que mede a quantidade depessoas que fizeram posts numa página. A página da Gazetaweb possui 91
  • 93. aproximadamente 200 usuários “falando sobre”. A página do Tudo Na Horapossui 600 “falando sobre”. E a página do Cada Minuto possui cerca de milusuários “falando sobre”.Para verificar o nível de interação entre os portais, foram coletados dados durante3 meses das páginas de Facebook do TNH e do Cada Minuto. No total foram 35dias analisados, num total de 5 semanas completas. O Resultado segue na tabelana página seguinte. Podemos observar que o Cada Minuto consegue um númerode interações maior que o Tudo na Hora, mesmo com o Tudo na Hora publicandoum número maior de notícias por dia. Enquanto o Cada Minuto possui uma médiade 7,8 posts por dia, o Tudo na Hora trabalho com um mínimo de 22 posts pordia. Podemos observar, entretanto, que em número de comentários os doispossuem números semelhantes. O Facebook divulgou no meio deste ano em suapágina para jornalistas os resultados de um estudo93 que realizou sobre os tiposde mensagens utilizadas nas páginas de Facebook pelos jornalistas que tiveram omelhor desempenho. Entre os destaques, o Facebook descobriu queincorporaranálises pessoais nos posts aumenta a taxa de clicks em 20%, e incluir umaimagem em miniatura ao postar um link aumenta o número de curtis em 65% e ode comentários em 50%.A pesquisa apontou ainda que posts que pediam o feedback94 dos usuários oucontinham algum call-to-action95 ganharam, em geral, um número de feedbacksmuito maior que a média. Chamar para ler ou para prestar atenção num postaumenta em 37% a taxa de cliques. Posts com opiniões pessoais ou com“bastidores” geram 25% mais cliques.Fotos e imagens são importantes: na média,os posts de imagens geram 50% mais likes do que posts sem imagens.Diferentemente dos acessos aos portais de notícias, o dia com maior número deinterações nas páginas de Facebook de portais de notícias foi o domingo, com25% mais curtis e 8% mais comentários que a média. Os outros dias que ficaramacima da média foram quinta, sexta e sábado.93 https://www.facebook.com/notes/facebook-journalists/study-how-people-are-engaging-journalists-on-facebook-best-practices/245775148767840(Acessado em 26/11/2011 )94 Retorno95 Chamar o usuário a fazer alguma ação. Exemplos: “Clique aqui”, “Comente”, “Curta”. 92
  • 94. Cada Minuto Tudo na Hora Média por Média por Curtis Comentários Posts interação Curtis Comentários Posts interação25/07 7 6 6 2,17 6 4 22 0,4526/07 20 11 8 3,88 7 0 24 0,2927/07 5 2 5 1,40 3 2 26 0,1928/07 10 5 13 1,15 8 4 27 0,4429/07 17 3 7 2,86 6 2 24 0,3330/07 14 3 4 4,25 6 1 11 0,6431/07 3 1 3 1,33 3 2 14 0,3607/08 4 0 4 1,00 1 1 14 0,1408/08 6 1 10 0,70 1 2 23 0,1309/08 19 9 10 2,80 7 6 30 0,4310/08 8 4 7 1,71 2 5 22 0,3211/08 7 7 10 1,40 3 5 31 0,2612/08 18 3 13 1,62 4 4 29 0,2813/08 4 1 4 1,25 5 2 11 0,6421/08 2 2 5 0,80 14 4 20 0,9022/08 5 4 9 1,00 9 4 27 0,4823/08 33 13 9 5,11 4 3 35 0,2024/08 35 6 11 3,73 9 8 29 0,5925/08 12 6 10 1,80 1 2 26 0,1226/08 17 10 11 2,45 10 3 35 0,3727/08 1 1 4 0,50 8 4 14 0,8604/09 3 2 4 1,25 1 2 14 0,2105/09 35 17 10 5,20 12 2 26 0,5406/09 11 9 9 2,22 4 1 25 0,2007/09 4 0 6 0,67 4 3 19 0,3708/09 14 6 7 2,86 8 4 21 0,5709/09 10 7 11 1,55 6 2 26 0,3110/09 7 7 6 2,33 8 3 17 0,6518/09 7 0 5 1,40 8 3 7 1,5719/09 25 2 10 2,70 11 4 26 0,5820/09 8 0 8 1,00 12 7 23 0,8321/09 30 7 13 2,85 40 8 33 1,4522/09 14 6 11 1,82 15 9 26 0,9223/09 3 2 7 0,71 10 8 19 0,9524/09 8 3 6 1,83 22 4 22 1,18Total 426 166 276 278 128 798Média 12,17 4,74 7,89 2,04 7,94 3,66 22,80 0,54Tabela 5 – Número de interações nas páginas de Facebook dos portais. 93
  • 95. CONSIDERAÇÕES FINAISNa 4ª fase do jornalismo digital online, os portais projetam-se para fora de seusambientes tradicionais, entrando em contato direto com os leitores usuários nasmídias e redes sociais na internet. Os portais alagoanos entraram tardiamenteneste cenário, mas aparentam estar caminhando bem na direção da interação eda participação e da personalização. O Cada Minuto mostrou-se o portal maisinterativo nas redes sociais analisadas. No Facebook o Tudo na Hora conseguemesclar bem as atualizações manuais com as automáticas, principalmente nosúltimos meses. Na tabela de comparação com as interações, observamos que oTNH vem melhorando a cada semana analisada.Entretanto os perfis de Twitter do TNH e do Gazetaweb ainda precisam de maisatualizações manuais para que gerem maior interação com os usuários. Ainteração com usuários é capaz de aumentar o tráfego de acessos via redessociais. Outro destaque para o TNH é que ele é o único portal de notícias deAlagoas com manual de uso de mídias sociais, uma espécie de guia interno comboas práticas sobre o uso das redes sociais.O relacionamento social e o sentimento de comunidade devem ser prioridadespara o jornalismo online nos próximos anos. Ações que possibilitem a participaçãodos leitores para além do “você repórter” devem se integrar cada vez mais aosportais de notícias. Mais do que contar com a colaboração dos leitores, os portaisdevem começar a fornecer ferramentas de visibilidade para os usuários, de formaque eles sejam recompensados pela participação no portal de notícias. Issofuncionaria também como uma estratégia de curadoria da reputação online dosusuários. Conexões podem ser construídas através dessas interações sociais nosportais.Essas modificações foram aceleradas nos últimos anos devido à queda noconsumo da versão impressa. Num relatório divulgado pela IAB Brasil96mostrando a evolução do mercado de anúncios publicitários, o jornal vem96 http://www.iabbrasil.org.br/arquivos/doc/Indicadores/Indicadores-de-Mercado-IAB-Brasil.pdf 94
  • 96. demonstrando queda no share do mercado desde 2001 (onde detinha 21,2% doshare). Atualmente as versões impressas só possuem 12,4%.A situação se repete em todos os países desenvolvidos e sub-desenvolvidos. Em2010, segundo o relatório “The State of the news media” (Figura abaixo), aspessoas estão gastando cada vez mais tempo consumindo notícias. De acordocom dados da pesquisa do Pew Research Center, na hora da escolha daplataforma, a web está ganha terreno, enquanto outros setores estão perdem. Em2010, a plataforma online foi a única que cresceu em audiência.Gráfico 9 – Quanto os meios cresceram ou diminuíram entre 2009 e 2010.Fonte:http://stateofthemedia.org/files/2011/07/sotm_final_2011.pdfO jornalismo online deve começar utilizar de maneira mais eficaz as redes sociais,de modo que possa reduzir os custos e ampliar o alcance das informações.Utilizar estruturas de mídias e redes sociais em conjunto com jornalismoparticipativo parece ser uma das formas corretas de atingir essas metas.A distribuição e aquisição de informações através das redes sociais tornam maiseficazes as práticas jornalísticas e ajudam a consolidar o jornalismo online. Asredes sociais são um ambiente onde as informações fluem livremente. O jornalista 95
  • 97. deve atuar como um atento espectador para os movimentos dentro dascomunidades em rede. De fato, o ineditismo pertence às redes sociais. 96
  • 98. REFERÊNCIASANDERSON, Chris. A Cauda Longa.Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.__________. Free: o futuro dos preços.Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.ANDERSON, Chris; Wollf, Michael.The Web is dead. Long live theInternet.Disponível em http://www.wired.com/magazine/2010/08/ff_webrip/all/1Acesasdo em 18/11/2011.BARBOSA, Suzana. Jornalismo Digital em Base de Dados (JDBD) - Umparadigma para produtosjornalísticosdigitaisdinâmicos. Tese deDoutoradodesenvolvida no Programa de Pós-GraduaçãoemComunicação eCulturas Contemporâneas da UFBA. Salvador, 2006________________. Modelo JDBD e o ciberjornalismo de quartageração.2008.Disponívelemhttp://grupojol.files.wordpress.com/2011/05/2008_barbosa_jdbd.pdfAcessadoem 27/11/2011.BASTOS, Helder. Jornalismo electrónico. Internet e reconfiguração depráticas nas redacções. Coimbra: Minerva, 2000.BELOCHIO, Vivian. O jornalismo digital e os efeitos da convergência: meta- informação, encadeamento midiático e a cauda longa invertida. 2009. Disponível em http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2009/resumos/R4- 0943-1.pdf Acessado em 27/11/2011.BOYD, Danah; ELLISSON, Nicolle.Social Network Sites:Definition, History,and Scholarship. Disponível emhttp://jcmc.indiana.edu/vol13/issue1/boyd.ellison.html Acessado em 29/11/2011.BRAMBILLA, Ana Maria. Jornalismo open source: discussão eexperimentação do OhmyNews International. Disponível emhttp://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/open_source.pdf Acessado em 28/11/2011.BRESSEEL, Marc. In: O meio (ainda) é a mensagem? Disponível em:http://www.webdialogos.com/2010/cibercultura/o-meio-ainda-e-a-mensagem/Acessado em: 26/11/2011.BRITTO, Rovilson Robbi. Cibercultura sob o olhar dos estudos culturais. SãoPaulo: Paulinas, 2009.CAMPOS, Fernanda Viana, Mídias Digitais: os benefícios do ambientecolaborativo na difusão da informação. In: IV Simpósio Nacional da ABCiber -Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura, 2010, Rio de Janeiro.Anais do IV Simpósio Nacional da ABCiber, 2010.CANAVILHAS, João Manuel Messias. Do jornalismo online ao webjornalismo:formação para a mudança. Disponível em 97
  • 99. http://www.bocc.ubi.pt/pag/canavilhas-joao-jornalismo-online-webjornalismo.pdfAcessado em 30/10/2011CARDOSO, Gustavo. Os media na sociedade em rede. Lisboa: FundaçãoCalouste Gulbenkian, 2006.CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, osnegócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.CORRÊA, Elizabeth Saad. As mídias sociais e o ciberjornalismo:reconfiguração de vozes. In: Esfera pública, Redes e Jornalismo. Rio deJaneiro: E-papers, 2009.ESTRÁZULAS, Jimi Aislan. Meio Digital e Mundo Mosaico: a lógica não linearda informação. Manaus: Editora Valer, 2010.FERRARI, Pollyana. Jornalismo Digital. São Paulo: Contexto, 2009.GABRIEL, Martha. Marketing na era digital. São Paulo: Novatec Editora, 2010.HOLANDA, André; QUADROS, Cláudia; PALACIOS, Marcos; SILVA, Jan AlyneBarbosa. Metodologias de pesquisa em jornalismo participativo no Brasil.In:Metodologia para o estudo dos cibermeios. Salvador: EDUFBA, 2008.JENKINS, Henry. A cultura da convergência. São Paulo: editora ALEPH, 2008.JOHNSON, Steven. Cultura da interface: como o computador transformanossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.LANDOW, George. Hipertexto: la convergência de la teoría críticacontemporánea y la tecnologia. Buenos Aires: Paidós, 1995.LEMOS, André. Anjos interativos e retribalização do mundo. Sobreinteratividade e interfaces digitais. Disponívelem:http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/lemos/interativo.pdf . Acesso em12/11/2011.LEMOS, André. Cibercultura: tecnologia e vida social na culturacontemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2008.LÉVY, Pierre. A Inteligência Coletiva. São Paulo: Editora Loyola, 5ª Edição,1998.___________. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2ª Edição, 2000.___________. O que é o Virtual? São Paulo: Editora 34, 1999.LEWIS, Seth C.; KAUFHOLD, Kelly; LASORSA, Dominic. L. Thinking aboutCitizen Journalism: Perspectives on Participatory News Production atCommunity Newspapers.2009. Disponível emhttp://online.journalism.utexas.edu/2009/papers/Lewisetal09.pdf Acessado em25/11/2011. 98
  • 100. LIMA JUNIOR, Walter Teixeira. Mídias Sociais conectadas e jornalismoparticipativo. In: Esfera pública, Redes e Jornalismo. Rio de Janeiro: E-papers,2009.LOPES, Flávia Valério. A imprensa está nua: As mídias sociais colocando emxeque o monopólio da fala dos grandes veículos. Disponível emhttp://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2010/resumos/R5-1901-1.pdfAcessado em 22/08/2011.MACHADO, E. La estructura de la noticia en las redes digitales: un estudiode las consecuencias de las metamorfosis tecnológicas en elperiodismo.Facultad de Ciencias de la Comunicación/Universidad Autónoma deBarcelona, 2000.MARQUES DE MELO, José. Jornalismo opinativo: gêneros opinativos nojornalismo brasileiro. Campos do Jordão: Mantiqueira, 2003.MCLUHAN, Marshall. (1995), Os Meios de Comunicação como Extensões doHomem. São Paulo: Editora Cultrix, 10ª Edição.MESO, Koldo; PALOMO, Bella; DOMINGO, David. Métodos de investigaciónsobre periodismo participativo en España. In: Metodologia para o estudo doscibermeios. Salvador: EDUFBA, 2008.MIELNICZUK, Luciana. Sistematizando alguns conhecimentos sobrejornalismo na web. 2003.Disponível emwww.ufrgs.br/gtjornalismocompos/doc2003/mielniczuk2003.doc Acessado em21/11/2011.MATTELART, Armand. História da sociedade da informação. São Paulo:Edições Loyola, 2002.___________________. História das teorias da comunicação. São Paulo:Edições Loyola, 2009.NASSIF, Luis; RAMONET, Ignácio. In: Blogosfera enfrenta desafio de não repetirvícios da grande mídia. Disponível em:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18831acessado em 27/11/2011.O‟REILLY, Tim. Padrões de design e modelos de negócios para a novageração de software. Disponível em http://www.cipedya.com/doc/102010Acessado em 14/11/2011._____________. Web 2.0 Compact Definition: Trying Again.Disponível emhttp://radar.oreilly.com/2006/12/web-20-compact-definition-tryi.html Acessado em15/11/2011.PALÁCIOS, Marcos. Jornalismo Online, informação e memória:apontamentos para debate. Disponível em:http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/artigos4_f.htm Acessado em 22/11/2011. 99
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  • 102. APÊNDICE A – Entrevistas com responsáveis pelas redações e redes sociais dos portais.CADA MINUTO: Carlos Melo, Editor Chefe.P. Vocês têm uma equipe de mídias sociais ou um editor de mídias sociais?R.Temos sim. Faz quase um ano que nós temos uma proposta desenvolvida pelaagência digital Plus. Há um tempo que isso era um desejo nosso. Já tínhamosdetectado essa tendência, essa necessidade e hoje eu acredito inclusive que nóscomeçamos um pouco tarde. Eu acho inconcebível que um portal de informações,de notícias, não tenha uma equipe de mídias sociais.P. Vocês têm um gerente/gestor/diretor de inovação?R.Nós fazemos através de um conselho, formado pela gestão de mídias sociais,pela direção de nossa agência digital, por mim e por um jornalista. Todas asinovações são feitas em acordo por essas quatro partes. Sempre analisamos oaspecto jornalístico, o de inovação e o do usuário. Esses três precisam serrespeitados.P. Vocês têm um manual/guia de uso de redes sociais ou mídias sociaispara os funcionários da empresa?R.Ao longo deste um ano de trabalho nas mídias sociais nós desenvolvemos ummétodo de trabalho. Mesmo que não haja nada escrito, nós temos regras derespeito e apontamentos acordados pela equipe de mídias sociais. Não temos ummanual, mas acredito que devemos tê-lo.P. Como vocês apuram notícias que surgem nas redes sociais?R.É um trabalho semelhante ao das fontes. Cada perfil, seja no Facebook ou noTwitter, tem sua credibilidade. A depender nós apuramos ou mais ou menos.Quando a informação vem de uma fonte já estabelecida o processo é mais ágil,mas sempre procuramos os órgãos oficiais para a apuração. No caso de umboato, nós temos um trabalho maior. Nós acreditamos que mesmo um boato podeter um fundo de verdade. Talvez não seja da forma como o internauta está 101
  • 103. passando, mas nós temos que saber o que é que isso significa jornalisticamentepara passarmos aos leitores.P. Vocês permitem anúncios em suas redes sociais?R. É um trabalho que nós estamos implementando agora. Esse tipo de anúnciodeve ser compatível com o conteúdo, sem sufocar o usuário. É um caminho quenão tem volta, todos os grandes sites nacionais e internacionais já estãotrabalhando dessa forma.P. O que é o Twitter para o Portal?R.Nós temos mais de 8 mil seguidores no Twitter e crescendo. O Twitterrepresenta o feedback inicial com o usuário. Antigamente as pessoas falavamconosco através de telefone ou email, agora é o Twitter. Isso é importante porquetoda notícia no Cada Minuto já sai com 8 mil leitores em potencial. Isso supera atiragem diária de diversos jornais impressos de nosso estado. O Cada Minutotambém disponibiliza um espaço em sua home para que o usuário possa interagirdiretamente no site. Isso foi uma ideia inovadora.P. O que é o Facebook para o Portal?R.O Facebook é uma grata surpresa. Eu tinha meus preconceitos por não serusuário dessa rede. Mas o Facebook é a maior rede social do mundo, com maisque o dobro de usuário diários do Twitter. E ao estabelecermos a nossa estratégiapara o Facebook acertamos em cheio justamente por conseguirmos informar semsufocar o usuário. E o público entendeu isso. Estamos chegando a 8 mil fãs noFacebook e isso é uma marca inatingível para os nossos concorrentes. Euacredito que o público do Facebook seja mais qualificado que o do Twitter emtermos de informação. O Twitter nos dá um feedback inicial, mas o Facebook nosdá um feedback mais apurado.TUDO NA HORA: Alexandre Jatobá, Gerente de Negócios Online e MilenaAndrade, Editora-chefe do Tudo na Hora.P. Vocês têm uma equipe de mídias sociais ou um editor de mídias sociais? 102
  • 104. R.Nós temos um comitê chamado de CONECT que oriente todas as áreas ecolaboradores em como fazer a utilização das redes sociais.P. Vocês têm um gerente/gestor/diretor de inovação?R.Nós temos também um comitê chamado SIM (Soluções, Inovações eMelhorias) que permite que as pessoas deem sugestões e ideias para melhorarnosso sistema.P. Vocês têm um manual/guia de uso de redes sociais ou mídias sociaispara os funcionários da empresa?R. Temos um guia interno com boas práticas sobre o uso das redes sociais.P. Como vocês apuram notícias que surgem nas redes sociais?R. A apuração é normal, como se recebêssemos por telefone ou por email. Masquando uma pessoa já conhecida comenta algo importante nas redes sociais nósligamos para a assessoria do responsável para verificarmos a informação. Nóstemos a preocupação de apurar a informação sem a “pressa” de dar a notíciaprimeiro, vazia.P. Vocês permitem anúncios em suas redes sociais?Já recebemos solicitações, mas não fizemos nada ainda por não termos umformato definido ainda.P. O que é o Twitter para o Portal?O Twitter hoje não é muita coisa para o Tudo na Hora. De vez em quandoacessamos, mas não utilizamos o Twitter como fonte de informação. Nósestamos presentes lá no método automático, mas não como fonte deinformações. Não é uma fonte confiável, é um ponto de partida.P. O que é o Facebook para o Portal? 103
  • 105. O Facebook é pior ainda, pois lá as pessoas não dão declarações. O Twitterainda é uma rede social mais quente. Por exemplo, no caso do MMF nós usamosmuito o Twitter.GAZETAWEB: Eduardo Almeida, coordenador de jornalismo da GazetawebP. Vocês têm uma equipe de mídias sociais ou um editor de mídias sociais?R. Este setor está ligado à coordenação de Tecnologia da Informação.P. Vocês têm um gerente/gestor/diretor de inovação?R.Também ligada à coordenação de T.I., nós temos uma equipe formada porprogramadores, web designers entre outros colaboradores que pesquisam novastendências. Inclusive a nossa nova homepage é completamente diferente de tudoque existe aqui em Alagoas. É adaptada para tablet.P. Vocês têm um manual/guia de uso de redes sociais ou mídias sociaispara os funcionários da empresa?R.Não há nenhum guia, nada que direcione o uso das mídias sociais. O uso não éproibido na empresa, pelo contrário. Nós temos buscado trazer tudo aquilo queestá em evidência nas redes sociais e trazer para o Gazetaweb, porque ojornalismo de internet vai muito além do impresso, por exemplo. É necessário quevocê esteja atento a tudo que pode ganhar destaque, que pode render acessos eser de interesse público. Às vezes uma matéria que pegamos nas redes sociaispode gerar mais acessos que aquela que ficou uma semana sendo depurada.P. Como vocês apuram notícias que surgem nas redes sociais?R.Nós apuramos as notícias das redes sociais da mesma forma que apuramostodas as notícias que chegam até nós. Todas essas informações tem que ter umaapuração criteriosa, com o mesmo rigor de uma informação que chegasse pelotelefone, por exemplo.P. Vocês permitem anúncios em suas redes sociais?R.Não, ainda não temos nenhum tipo de anúncio nas redes sociais. 104
  • 106. P.O que é o Twitter para o Portal?R.Surgem muitas pautas do Twitter. Nós já enxergamos o Twitter como um localonde surgem pautas. É também um canal muito eficiente para divulgação deinformações. Tanto no Twitter com no Facebook, as matérias que são retuitadas ecompartilhadas possuem um número de acessos imensamente maior do queaquelas que não são. O Twitter e o Facebook são propulsores do nosso trabalho,ao mesmo tempo em que conseguimos compreender o que é que o nosso públicoestá discutindo naquele momento, o que eles estão querendo ver.P. O que é o Facebook para o Portal?R. O Facebook vai além do Twitter. Assim como o Twitter serve para sugestõesde pauta e compartilhamento. Mas eu vejo no Facebook uma possibilidade maiordas pessoas comentarem e opinarem. A participação é maior no Facebook. 105