SINOPSES 2012 - GRUPO ESPECIAL DO RIO DE JANEIRO

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SINOPSES 2012 - GRUPO ESPECIAL DO RIO DE JANEIRO

  1. 1. SINOPSES DAS ESCOLAS DE SAMBA DO GRUPOESPECIAL DO RIO DE JANEIRO CARNAVAL 2012 DOMINGO – 19 DE FEVEREIRO DE 2012 1. RENASCER DE JACAREPAGUÁ 2. PORTELA 3. IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE 4. MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL 5. UNIDOS DO PORTO DA PEDRA 6. BEIJA-FLOR DE NILOPÓLIS 7. UNIDOS DE VILA ISABEL SEGUNDA-FEIRA – 20 DE FEVEREIRO DE 2012 1. SÃO CLEMENTE 2. UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR 3. ACADÊMICOS DO SALGUEIRO 4. ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA 5. UNIDOS DA TIJUCA 6. ACADÊMICOS DO GRANDE RIO Organização: Thiago Vergete Fonte: LIESA BLOG DO VERGETE: www.blogdovergete.blogspot.com
  2. 2. RENASCER DE JACAREPAGUÁ "O ARTISTA DA ALEGRIA DÁ O TOM NA FOLIA"... No princípio criou Deus os céus e a terra.E a Terra era sem forma e vazia...E disse Deus: haja luz! E houve luz!Gênesis Cap I,II e IIIE de tudo que Deus criou, da luz surgiram as cores!O G. R. E. S. Renascer de Jacarepaguá te convida a embarcar em uma colorida viagempelo universo das obras de Romero Brito.Uma viagem que não tem fronteiras, início, meio e fim. É como um conto de fadas quetoca o coração, liberta a alma e concretiza nossos desejos.A mente humana guarda sonhos, fantasias, loucuras e magias. É como uma abstratamáquina que subindo e descendo, girando para todos os lados carrega milhares decélulas que conferem ao homem dons divinais entre eles o poder de pensar e criar. EDeus deu a ele a genialidade na arte de brincar com formas sem formas. Na arte detransformar o insano em sano e de fazer surgir das mais fantásticas fantasias de suamente, formas que encantaram o mundo inteiro. Mente querida que não se rendeu ainfância sofrida.O Criador o fez assim: moleque, maneiro, faceiro e arretado. Em suas mãos o abstratocriou forma e as cores se transformaram na razão de sua vida!Desembarcamos na história da arte ocidental, viajamos a barroca Itália do MestreCaravaggio que retratava o aspecto mundano dos eventos bíblicos, usando o povocomum das ruas de Roma.Ainda jovem, Romero recebeu de seu irmão, um jovem vendedor de enciclopédias, umlivro a respeito de Caravaggio, sequer havia ouvido falar do Mestre, mas seimpressionou com a violência de sua obra. Sua infância pobre nas favelas de Recife,repletas de adversidades, poderia fazer de Romero o novo Caravaggio, o CaravaggioTropical, dores e dificuldades não faltariam para retratar, Romero era na verdade umadessas milhares de pessoas comuns que Caravaggio retratava em suas telas. Mas o quefaz uma pessoa comum? As circunstâncias? O cenário de sua vida? Ao escolher seuestilo artístico, Romero nos apresenta uma grande lição de vida: não somos o que
  3. 3. temos, somos o que guardamos dentro de nós. Somos o que podemos contribuir para ummundo melhor, das obras de Caravaggio teve a exata noção do que não queria retratarem suas obras, se poderia influenciar o mundo e as pessoas com uma obra feliz, serena ebrilhante, por que iria compartilhar seus pesadelos?Ainda na Europa sua inspiração viaja para Espanha de Pablo Picasso, o artista dasformas certamente é um traço reconhecido na obra de Romero. Picasso, o pai docubismo no mundo é um marco em suas obras.Dizem que a propaganda é alma do negócio, mas no fundo a propaganda é uma navepor onde uma obra navega e chega a muitos lugares. Quando um artista idealiza umaobra, ela se limita a um espectador, alegra uma única vida, altera uma única história.Uma obra que ilustra um produto, tem um poder de alcance inimaginável. As obras deRomero transmitem alegria e através dos inúmeros produtos mundiais que carregam ostraços de Britto, esta arte isenta de ansiedade e medo rompeu fronteiras étnicas, sociais ereligiosas alcançando um número incalculável de vidas e de histórias.É o início do ciclo publicitário de sua carreira onde Romero descobre que o infinito érealmente intocável e sua obra abraça o mundo, chegando aos cinco continentes.Dezenas de trabalhos publicitários, selos para a ONU e esculturas que tiraram do artistao poder de perceber até onde pode chegar, embora tenha durante sua vida, criado sem apretensão de voos distantes, pois criou com a alma e com a emoção de ver uma vida ousorriso modificado. E neste aspecto, já é muito mais que um vencedor.O mundo conhece Romero e ele está ou esteve nos maiores circuitos artísticos mundial.Suas obras públicas ilustram várias cidades do mundo, inclusive sua doce e bela Miami.A cidade que abriu as portas para suas obras e reconhece seu brilhantismo em quasetoda sua extensão territorial. Museus mundiais puderam apresentar a sua nação oencanto das telas e peças deste artista. Romero de Brito chega à Cidade Luz, ao Museudo Louvre em Paris, o mais visitado museu do mundo, onde nosso genuíno artista pôdese encontrar com os maiores Gênios das artes plásticas do mundo que até então, viviamapenas nas lembranças de sua infância.Do alto do morro e de braços abertos o Corcovado recebe este artista que no maiorespetáculo da terra conta as maravilhas deste gênio modernista. É a capital do sambaque explode de felicidade e suas paisagens naturais vão ganhando as cores e a cara deRomero. O Rio de Janeiro recebe agora um olhar carinhoso de Britto e a cidade dosamba da mulata e futebol aos poucos se rende.Em 06 de outubro de 1963, quando o quarto exército invadia o Recife para uma lutaarmada contra a revolta dos camponeses, nascia Romero de Brito, um garotopernambucano que aos 8 anos de idade chamava a atenção na escola onde estudava.Além de decorar cadernos com desenhos coloridíssimos, passava horas no quintal desua casa criando. Sucatas, papelão e jornal serviam de suporte para suas pinturas. E eleadorava ganhar de presente livros de arte. "Eu ficava ali sentado e copiava mestres dapintura por dias e dias", lembra Romero Britto.Nasci com um dom, e quero dividir com todosBritto criou obras que invocam o espírito de esperança e transmitem uma sensação de
  4. 4. aconchego. Suas obras são chamadas, por colecionadores e admiradores, de "arte dacura". Sua arte contém cores vibrantes e composições ousadas, criando graciosos temascom elementos compostos do cubismo.Nesta Noite a passarela branca vai se colorir de alegria, a Renascer abre as portas dafolia para contar a vida e arte de Romero de Brito esse mágico artista que aos 47 anoscontribui para a formação artística de milhares de jovens e vem chegando de mansinhopara encantar a Marquês de Sapucaí. Romero, que há mais de 20 anos mora em Miami éMade in Brazil e a Renascer que é Especial, apresenta seu carnaval: O ARTISTA DASCORES DA O TOM DA FOLIA.Carnavalesco: Edson PereiraPesquisa: Anderson Ferreira PORTELA "...E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual..."Pequena Prece ao Senhor do Bonfim.Salve, meu Pai Oxalá, Meu Senhor do Bonfim!Senhor do branco, pai da luz.Força divina do amor...Epa Babá!
  5. 5. Meu pai, “... sou filha de Angola, de Ketu e NagôNão sou de brincadeiraCanto pelos sete cantosNão temo quebrantosPorque eu sou guerreiraDentro do samba eu nasci,Me criei, me convertiE ninguém vai tombar a minha bandeira.”E venho a ti pedir sua benção e proteção, e pedir, também, licença aos meus padroeiros,para conduzir a minha águia altaneira, o meu altar do samba, até a sua presença.Sabe, meu senhor, sempre fomos muito festeiros, muito devotos, e gostaria muito que omeu povo conhecesse o seu povo e a sua maneira de festejar, de reverenciar a suacrença, a sua fé.Por muitas vezes cantei a Bahia, agora chegou a hora de mostrá-la.“... essa Bahia gostosaCheia de encanto e feitiçoQue deixa a gente dengosaE a gente nem dá por isso”Bahia que tem o dom de encantar.Terra em que o branco e o negro, o sagrado e o profano, o afro e o barroco se misturame se tornam uma coisa só. No mar da Bahia, tudo e todos se misturam.Bahia de vários corações... sagrados corações.Terra de cores, cheiros e temperos.Terra de festas e de fé, de santos e orixás.Terra de samba.Terra de amor e devoção.
  6. 6. A Bahia é festa o ano todo e o povo vai pra rua manifestar a sua fé.“... E esse canto bonito que vem da alvorada.”Alvoradas, missas, procissões, afinal “quem tem fé vai a pé”.Novenas, flores, fitas, águas e perfumes.Cortejos, fiéis e cânticos.Velas, orações e adoração.Gente que dança!Tambores e atabaques, samba de roda, batucadas.Comidas, pois festa sem comida não é na Bahia.Gente que canta!Canta pro santo, canta pro orixá. Canta para os dois ao mesmo tempo. É o sincretismose fazendo presente.Louva a alegria, a liberdade, a esperança.Gente que pula!Pula como pipoca, como cordeiro, em blocos e trios. Transforma as ruas em um marbranco, de paz.Mar branco, mar vermelho, mar azul. Bahia é feita de mar, é feita de água.Gente que louva!Beatos, filhos-de-santo, padres, mães-de-santo, fiéis e iaôs, todos juntos num mesmoideal. Deuses e mortais, passado e presente.Altares e terreiros, tudo é mistério. As divindades tão próximas e tão íntimas. O milagreda cumplicidade com o sagrado.A luz dos orixás refletida nos olhares.“... Tem um mistério que bate no coração
  7. 7. Força de uma canção que tem o dom de encantar.”É dia de festa na Bahia. Não importa como começou. Não importa se um dia tudo vaiterminar, pois o riso e o gesto já estão gravados na eternidade, no céu e no mar.Bem aventurados todos aqueles que puderem ver a Bahia em festa.E neste momento, meu Senhor, vejo que tudo aquilo que move o baiano: a fé, a alegria,a esperança, a crença e a devoção, move também o meu povo, o portelense.Um povo que nunca desiste, vive a sorrir e a festejar.E que essa Bahia que é de Todos os Santos, seja a partir de então dos santos da Portelatambém, que eles passem a fazer parte do seu panteão, estendendo sobre eles o seudivino manto e nos conduza a um desfile triunfal sobre o altar do carnaval.Bem aventurados aqueles que puderem ver a Portela em festa.Afinal,Sou Clara,Sou Portela,Sou Guerreiros,Sou Amor!Salve o manto azul e branco.Amém!Paulo MenezesEnredo: Paulo Menezes e Marquinhos de Oswaldo Cruz IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE “Jorge, Amado Jorge”
  8. 8. "Briguei pela boa causa, a do homem e a da grandeza, a do pão e a da liberdade, bati-mecontra os preconceitos, ousei as práticas condenadas, percorri os caminhos proibidos,fui o oposto, o vice-versa, o não, me consumi, chorei e ri, sofri, amei, me diverti"Jorge Amado (Navegação de Cabotagem, 1992)SinopseAve Bahia! Bahia Sagrada!1912. A lua prateada banha o céu de axé...Eis a coroa de Oxalá, o Senhor da Bahia!Venha nos proteger, meu Senhor do Bonfim!Vem do mar a esperança... Litoral de magia... Iemanjá! Oferendas à rainha do mar!"Ela é sereia, é a mãe-dágua, a dona do mar, Iemanjá"Velas bailam ao som do vento baiano. Veleiros, canoinhas e jangadas deixem-se levar."... cerca o peixe, bate o remo, puxa corda, colhe a rede"Canoeiro puxa rede do mar..."Jorge, Amado Jorge... Eis aqui sua história, vida e memória!Vai, criança baiana, descubra os segredos dessa terra.Jorge conheceu fazendas, ruas, vielas,Becos e guetos, tipos e jeitos.- Quem quer flores? Frutas? – grita o vendedor.- Olha o acarajé! – oferece a velha baiana.
  9. 9. Águas de Oxalá! Venha ver a Lavagem do Bonfim!As letras chegam num sopro. Um vento de liberdade em defesa do povo.Ah... O Rio de Janeiro... Nova casa do rapaz escritor.Graduado na vida e na universidade.Na política, com o "coração vermelho", se engajou.É a vida na capital. Amigos, papos e mulheres...Ah... As Mulheres... Vida perfumada e sensual...Bares e cabarés... Eis a malandragem, o primeiro livro: o "país do carnaval".Primeiros romances. Romances da guerreira e apimentada Bahia, sua eterna paixão.O ciclo do cacau, grande inspiração.Viver nas areias da história e sonha em ser capitãoUm ideal. O valor do homem. O reconhecimento da valente alma do povo.Vivência e personagens se confundem. Verdadeiros baianos traduzidos nos folhetins.Onde está a liberdade?Essa é a "Bahia de todos os santos" de toda gente! Gente brasileira.Doce amor, doce flor Amiga, companheira, parceira de letras e caminhadasQue o segue fielmente pelo "sem fim"do mundo.Retornar a sua origem... Os passos rumo à alvorada da literatura.Rumo à consagração: premiado e Amado. De farda e fardão.Busca no tempero de Gabriela os sabores da vida. O aroma da crônica do interior.A brisa que balança as madeixas da morena embala palavras ao encontro de Dona Flor.Tieta do "chão dos prazeres", do agreste. Tereza Batista, "fonte de mel".Mulheres e "milagres" do Nordeste.Jogue a rede, pescador! Traga do mar de memórias as palavras inspiradoras.Hoje o capitão é Jorge Amado. Capitão de sua navegação. "Navegação de Cabotagem".Misticismo e miscigenação. Candomblé, alma desse chão.
  10. 10. Que Exu nos permita caminhar! "Se for de paz, pode entrar."Okê Arô Oxossi! Salve todos os Orixás! Joga búzios, canta e reza!Kaô Kabesilê! Kaô meu pai Xangô! Jorge é obá no Ilê Axé Opô Afonjá!Ora iê iê Oxum! Mãe de Mãe menininha do Gantois, amiga na fé, axé!È festa na ladeira do Pelô! É festa na Bahia! Fervilha a mestiça terra de Jorge!A Magia dos filhos de Ghandi... É energia do sangue nordestino...Tocam atabaques e alabês. O Pelourinho estremece! Vem descendo Ilê Aiyê!É o tambor! É a força do ritmo! É o som do Olodum!Venham, amigos queridos! Amada família do escritor, venha conosco cantar!100 anos do nascimento de Jorge Amado... Comemora A Imperatriz Leopoldinense!De alma e coração, vamos todos brindar ao mestre das letras!Sentadas sob a sombra da copa de uma grande árvore, suas palavras vão para sempredescansar...Jorge, Amado Jorge...Muito Obrigado!Hoje, a ti canto e me declaro:Sou mais um gresilense apaixonado! MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL "Por ti, Portinari: Rompendo a tela, à Realidade"
  11. 11. JustificativaAo escolher Candido Portinari como tema, a Mocidade Independente vem celebrar umdos maiores nomes da pintura brasileira no cinquentenário de seu desaparecimento.Através de suas mais importantes obras, mostraremos a trajetória deste artista que acimade tudo retratou em seus quadros e murais, a história, o povo e a vida dos brasileiros,através dos traços fortes e vigorosos carregados de dramaticidade e expressão.Esta homenagem escrita em forma de poema é a maneira mais dignaencontrada para festejar este mestre que além de pintar também foi poeta e que entreoutras manifestações artísticas soube tão bem ilustrar com seus desenhos os poemas deCarlos Drummond de Andrade, seu grande amigo e parceiro na versão do livro "DomQuixote de La Mancha", de Miguel de Cervantes.Por fim é a Mocidade Independente que se orgulha em levar para o desfile um pouco daobra imortal de Portinari ao conhecimento do grandepovo, aquele que sempre foi a sua grande fonte de inspiração."Por Ti, Portinari, Rompendo a tela, a realidade"Num voo mágico, viaja o samba, a conduzir meu povo feliz em seu viajante sonho.Solto no universo garboso, prosa em verso, na fantasia a se tornar realidade, leva ostambores da felicidade, para despertar o artista na morada celestial.Ó mestre, ergueis do sono esse quadro vazio. Sua obra vive no cantar de nossa gente.Põe nas tuas mãos o teu instrumento, tua tela hoje é o firmamento, que a arte se deixatingir o breu da noite, com um colorido de festa, a aquarela do carnaval.Vai, reinventa mais um lúdico céu. Pinta por nós a nossa estrela, tu que pintaste tanto aMocidade, deixa a tua mão deslizar Independente.
  12. 12. Hoje, somos as tintas que envolvem as cerdas do teu pincel, e que, na mistura das cores,por ti, Portinari, rompem a tela para a realidade e brilham no samba de Padre Miguel.Hoje, uma moldura viva e humana enquadra a tua história na pista, e teu traço se refaznos pés, no passo do sambista, que vai riscar murais de sonhos e estampar retratos, cenados Brasis que tu desenhastes.À luz da inspiração, vem fazer reluzir em nossa mente a cândida infância de tuaBrodowski querida, e reflorescer os campos com suor da lida, dos mestiços viris a lavrara ampla terra."Entre o cafezal e o sonho",vem reunir retalhos e as lembranças coloridas, como as dos espantalhos a oscilar nabrisa, serenos sobre as plantações.Hoje, é um tempo que não passa. Um turbilhão, um vento que sopra, que varre e trazrecordações, e que vemdevolver a ti a meninice. UNIDOS DO PORTO DA PEDRA “DA SEIVA MATERNA AO EQUILÍBRIO DA VIDA”ORGANIZAÇÃO DE SETORESAbertura: OS MAMÍFEROS.Como inspiração, tomamos o cuidado materno como fonte de vida e desenvolvimento.Do período Neolítico aos dias atuais a evolução dos mamíferos e a importância do leite
  13. 13. para a preservação das espécies dando todas as condições nutricionais aos novosrebentos para um crescimento saudável e pleno.Setor 1: O LEITE: A "FORÇA DA VIDA".Recheados de simbolismos pontuarão a presença do leite como agregador de força, Fé eEsperança em várias civilizações. Exemplificaremos ao mencionar algumas como ALoba de Rômulo e Remo na fundação de Roma. Nas palavras de Moisés ,ao descrever anova Israel dos Judeus onde menciona rios de leite e mel.Na mitologia greco-romana, o leite é fator de união entre o divino e o humano, entre omortal e o eterno e, além disso, o gerador de vida no céu e na Terra. Conta-se que Zeus,em um de seus envolvimentos com mortais, no caso Alcmene, gerou Hércules – heróifamoso, principalmente por sua força. Tendo se afeiçoado a seu filho, quis que ele fosseimortal. Para isso, levou-o sorrateiramente para ser amamentado por sua esposa, Hera,enquanto ela dormia. O pequeno Hércules sugou o seio com tamanho ímpeto que estecontinuou jorrando, mesmo depois do fim da amamentação. Do leite derramado no céu,surgiu a Via Láctea e, daquele vertido sobre a terra, surgiu a flor-de-lis.Na mitologia hindu, existem muitas histórias ligadas ao leite. Entre elas conta-se queManu, o pai de todos os homens, ganhou devido à sua inteligência o respeito do deusVischnu e, por isso, foi salvo do dilúvio universal. Em retribuição, Manu ofereceu umbolo de leite coalhado, manteiga e creme de leite. Do bolo, nasceu Ida, mulher deextraordinária beleza que despertou a atenção de Manu. Esta, para evitar o assédio quese aproximava, transformou-se em uma vaca. Manu, percebendo a manobra,transmutou-se em touro e a possuiu. Em seguida, em uma versão hindu da arca de Noé,iniciou-se uma perseguição com diversas transmutações paraoutros animais, sempre fêmeas e machos que, repovoaram a Terra após o grandedilúvio.Dos Egípcios, vem a Deusa Thueris representada por uma fêmea de hipopótamo queatravés dos seus mamilos nutria de força seus seguidores. Para o povo da Mesopotâmia,Ninharsa era uma divindade dedicada ao leite, seu poder concedia uma bênção especialaos seus seguidores.Para os Nórdicos ,uma vaca era venerada sob o nome de Audumla, cujo leite alimentouo gigante Imir, pai de todos os deuses escandinavos. Coincidentemente na China temostambém uma vaca sagrada chamada Zing-Po ,que alimenta os signos do zodíaco estelar,o que mostra a importância do leite como alimento tido como sagrado tanto no Ocidentecomo para os Orientais.Setor 2: A ORIGEM DOS DERIVADOS.Abrindo cronologicamente a História buscaremos as origens dos derivados do leiteatravés das várias regiões do planeta e mostrando o início e a consolidação destesprodutos na gastronomia mundial. Líquidos lácteos fermentados, batidos e naturais,queijos com as suas propriedades de textura e sabor, manteigas e cremes, todos muitoapreciados em suas culturas. A maioria das pesquisas históricas atribui a criação doiogurte aos povos do período Neolítico da Ásia Central por volta de 6000 AC.
  14. 14. Diversas histórias mencionam a origem do queijo, mas a versão mais aceita peloshistoriadores é a do mercador árabe que, cansado e faminto após atravessar um desertoasiático, tentou beber o leite de cabra que levava em seu cantil feito de estômago secode carneiro. Mas o que saiu do cantil foi apenas um líquido aguado e fino. Curioso como fato, abriu o cantil e encontrou uma massa branca que hoje sabemos que é acoagulação do leite causado pelo coalho existente no estômago do carneiro. O viajantefaminto experimentou e, claro,gostou.Os egípcios tiveram no leite e no queijo um importante alimento muito difundido,podendo ser encontrado, inclusive, nas tumbas de seus reis.Na Europa, eles foram introduzidos pelos gregos e os romanos tiveram papelfundamental na distribuição desta iguaria, que servia para alimentar seus atletas esoldados. Ainda na Europa, com as ordens religiosas, os queijos ganharam em qualidadee padrões específicos.A coalhada produzida mundialmente, com os diferentes tipos de leite de mamíferosdomesticados, principalmente de cabra, ovelha, búfala e vaca, ainda conserva as maisdiversas tradições culinárias na sua elaboração, difundidas através de migraçõescontinentais e intercontinentais das populações, desde milênios passados até os atuaisdias. Sua origem se confunde com a do queijo que se dá junto à pré-história, sendoestimada desde aproximadamente 8.000 anos a.C, quando as ovelhas foram, pelaprimeira vez, domesticadas, até por volta de 3.000 anos a.C. Então, através dacombinação leite, calor e bactérias, chegou-se à coalhada, tendo provavelmente sidooriginada a partir dessa combinação "acidental", onde na Ásia Central, as tribosnômades tinham o costume de carregar leite em suas viagens.Em suma estes três produtos, coalhada, queijo e iogurte em combinação culinária,geram uma incontável quantidade de iguarias como pães, bolos, molhos entre outrosalicerçando culturas e costumes.Setor 3: A EXPANSÃO DE UM PRODUTO.Do surgimento nos Bálcãs à disseminação por volta do terceiro milênio antes de Cristopara o Egito, Assíria, Oriente, Pérsia, Índia e Mediterrâneo se dá através de guerras,comércio ou expansão cultural e migratória.É geralmente aceito entre os historiadores que o iogurte e outros produtos fermentadoslácteos foram descobertos acidentalmente como resultado de leite sendo armazenadospor métodos primitivos em climas quentes. Os descendentes dos povos que originam osturcos, búlgaros, sírios, gregos, romenos e árabes, desde épocas remotas já conheciam apreparação de alimentos fermentados, tais como iogurtes e coalhadas, reconhecendo aboa digestibilidade e aroma desses alimentos.Pastores começaram a prática da ordenha de seus animais, e as enzimas naturais nosrecipientes de transporte (estômagos de animais) o leite coalhado, essencialmente, faz oiogurte. Ao contrario do leite a conservação do iogurte dura por mais tempo, pensa-seque na prática as pessoas preferiam o gosto mais suave deste ao da coalhada e,consumido de modo continuado, evolui ao longo dos séculos ainda antes de Cristo.
  15. 15. Setor 4: UMA BEBIDA LÁCTEA.A evolução do "Iogurte" e suas variações nas antigas civilizações, seu uso comoalimento doce ou salgado, temperado ou acompanhante de pratos típicos e sua aplicaçãotambém na medicina.Depois das conquistas Alexandrinas e do Império Romano a combinação de culturasforja uma derivação do "Modus Vivendi" de várias sociedades dando assimprosseguimento à evolução e ao aprimoramento da gastronomia com essa miscigenação.Por fim está gravado na história que Genghis Khan, o fundador do Império Mongol, eseus exércitos viviam se alimentando de iogurte e com o expansionismo deste Impériomais uma leva de mudanças ocorre em grande parte do mundo civilizado entre osséculos XII e XIII estendendo-se das Muralhas da China até o Mediterrâneo ,passandopor toda a Ásia até a Hungria.Setor 5: EPOPEIA EUROPEIA.Com as conquistas Otomanas as práticas alimentares destes se expandem pela Europa.A assimilação de hábitos e costumes soma ao cotidiano europeu, novas possibilidadesde subsistência. Novamente a história se repete porém agora com novos atores. Desde aqueda de Constantinopla ,que dá fim ao Império Romano,a cultura muçulmana ganhaespaço desde o Mar Mediterrâneo até as penínsulas Itálica e Hispânica varrendo aEuropa Ocidental inteira, mas com ares de aglutinamento cultural em contraponto daconquista armada.Paradoxalmente a igreja Cristã reprimida também ajuda na disseminação dosconhecimentos eclesiásticos e filantrópicos, claro, com os seus interesses, se manteveviva na missão de proteger os pobres e oprimidos da barbárie do período feudal e dosinvasores. Mecanicamente usam as técnicas de subsistência a seu favor, assimconquistando mesmo que de forma velada, mais cabeças para o seu rebanho mantendo ahegemonia do poder da igreja principalmente nas soluções sobre a alimentação, já que,para os desabonados, os laticínios como o iogurte, alguns grãos e a carne de animais depequeno porte constituíam a base da alimentação, e as criações de animais de grandeporte eram direcionadas em boa parte para as cortes dos grandes castelos europeus.Seguindo os conhecimentos herdados da Antiguidade ,o Iogurte, mesmo que de formatímida, ganha espaço na manipulação alimentar das mesas como também evolui comoterapia medicinal incorporando-se e evoluindo como a própria civilização.O desenvolvimento europeu nos séculos que seguiram às Grandes Navegações difundeo prazer gastronômico e começa a traçar novos comportamentos no preparo de iguariascada vez mais sofisticadas.Os molhos de iogurtes combinados às especiarias que vêm da Índia e do Oriente, assobremesas quentes e geladas resgatam do antigo Império Romano a combinação deaçúcar, frutas e mel em suas composições cuja base é o iogurte, sem contar a divulgaçãocada vez maior das crenças do seu poder curativo, que ao longo dos tempos tem seconsolidado e estudado fazem com que este produto caseiro se torne mais divulgado eapreciado no continente.
  16. 16. Setor 6: O ENVASAMENTO PARA CONSERVAÇÃO E TRANSPORTE.A manipulação e a industrialização será a tônica deste segmento. Serão mostradas asfases da evolução das embalagens e também das fábricas de Iogurte criadas na décadade 20 na Espanha, na França, onde daremos uma atenção especial, sua migração para asAméricas, na década de 30, principalmente nos Estados Unidos e, por fim, o alimentoconhecido no mundo inteiro.O Iogurte mesmo que bastante difundido e apreciado era um produto produzidoartesanalmente, de forma doméstica para o consumo das próprias famílias até osurgimento da primeira fábrica de iogurte que se deu na Espanha na década de 20 noséculo XX. Estes iogurtes inicialmente eram embalados em garrafinhas de vidro e como passar do tempo foi substituído por recipientes de cerâmica, que agregava valor aoproduto envasado.A chegada na América do Norte se dá no período da Segunda Guerra Mundial econtinua com a mesma filosofia que criou a primeira fábrica: Uma empresa familiarcuidando de famílias.Não poderia deixar de ser uma família mineira na década de 70, cujo Estado étradicionalmente produtor de laticínios, a primeira a buscar na Europa a forma defabricar e embalar o tradicional iogurte cremoso acrescido de polpa de morangos noBrasil. Esta família também importa o pensamento original da empresa, assimpromovendo saúde e bem estar com dedicação de uma família para a família brasileira.Logo o produto caiu no gosto popular pelo seu aroma, textura, paladar, embalagemprática e atrativa, principalmente para o consumidor infantil. Exponencialmenteconsolidou-se nos lares e mercados brasileiros dando assim o começo de uma históriade sucesso no universo alimentício nacional.Setor 7: O ALIMENTO FUNCIONAL.Dividido em Cosmética e Alimentícia este setor irá descortinar a vasta gama deprodutos voltados ao Bem Estar e potencializadores de Saúde.Alimentos baseados em Iogurte com propriedades específicas são criados para a maiorperformance e manutenção do corpo. Uma troca de cepa (bactéria) muda aspropriedades destes produtos lácteos. A criação destes só faz consolidar as propriedadesjá conhecidas há milênios e hoje com a ajuda de novas tecnologias aliadas a talentosospesquisadores fornecem ao mercado produtos mais eficientes na promoção de saúdeajudando o homem moderno a se cuidar mais. Podemos afirmar que o sentimento deproteção e cuidado nos remete mesmo que de forma muito sutil aos cuidados da épocada amamentação quando recebíamos carinho, proteção física e biológica quando do atode mamar. Essa é a missão de muitos abnegados que ao longo dos anos dedicam suasvidas para um bem maior, levar de forma inteligente e criativa as funcionalidades desteslaticínios para os lares promovendo equilíbrio físico em um mundo que exige de formaextrema a capacidade humana. Muito ainda se pode criar nesse nicho para alcançar aexcelência do melhor viver e este novo horizonte se descortina trazendo esperança econfiança nessa forma de nutrição. As aplicações destes compostos láticos transcendema alimentação e também é aplicado na indústria cosmética com produtos diferenciados
  17. 17. para a pele, cabelos e hidratação facial e o que mais vier.O mais importante é não nos esquecermos de que mesmo para o simples deleite dopaladar, agrega valor nutricional à nossa vida corrida, tornando-a mais prazerosa esaudável.Roberto SzanieckiCarnavalesco BEIJA-FLOR DE NILOPOLIS "São Luís - O Poema Encantado do MARANHÃO"SINOPSEAreias infindas das terras das palmeiras do meu país, depois do oceano, do arealextenso, o horizonte imenso, onde a terra esboça luz. Upaon-Açu, solo sagrado, terra deencantarias, onde vive em plena mata, a tribo dos homens nus. São guerreiros doscumes dos montes, dos vastos horizontes, onde canta o sabiá. São combatentes bravos,que não se fizeram escravos do estalar do açoite dos que vieram te dominar.Sem saber o que esperar, três Coroas te cobiçaram as riquezas, os relatos do NovoMundo inflamaram as paixões, por cidades de ouro puro a serem descobertas, defantásticos prazeres, ilusão hiperbólica dos seres, transformados em quimera bestial.A França te fundou, Holanda te invadiu, mas Portugal conseguiu, por fim, te colonizar.
  18. 18. Mas para tanto, o que se deu foi um quadro medonho e triste, que, ao surgir, no mar seachou. Abrindo as velas ao soprar das virações marinhas, surge espectro sombrio. Emmeio às brumas, desenha grande navio, que traz um canto funeral. Choro, amargura ehorror fazem do cúmulo da maldade, a mordaça da liberdade para triste multidão; onavio da escravidão, ferida aberta nos mares, vem macular os ares de São Luís doMaranhão.Fatalidade atroz, envolve reis e rainhas, soberanos de selvas longínquas da majestadedos leões. Ontem belos, livres e bravos, agora míseros escravos; sem luz, sem lar, semamplidões.E a terra se desdobra, cresce, evolui, se renova, a ferro, fogo e escravidão. Mas nosplanos divinos, nos reinos cristalinos, nos píncaros da luz eterna, surge nova terra,cultivada à força da oração.Upaon-Açu, ressurge agora mística no poder dos voduns e ao som dos tambores deDaomé, na manifestação dos antigos e na força do candomblé. Desse misticismo santo,surge a alegria e o encanto das festas que te enfeitam, por vezes, como o Boi morto eressuscitado da negra mãe Catirina, celebração divina em meio a enfeitados casarões deazulejos portugueses; teu folclore tem brilho farto, que à tua riqueza conduz.Terra dos ludovicenses, Ilha do Amor e dos mitos da Fonte do Ribeirão, da terrívelserpente encantada, da lenda da praia do olho dágua, de Iná princesa, e do milagre deGuaxenduba. Fala-se de uma sinhá incompreendida, que virou assombração, e no soarda meia-noite, surge o espectro sinistro, ouvem-se o ranger de correntes, estalar deaçoites, seres sombrios como a noite, escravos arrastados em imenso turbilhão.E a Sinhá Ana Jansen sofre agora, aprisionada em carruagem encantada por antigosescravos seus, furiosos, desesperados, cortejo de celerados, esquecidos filhos de Deus.E a cena só termina, quando o galo, na campina, anuncia o dia raiar.São Luís, capital do Maranhão, terra de Alcione, de Joãozinho Trinta, de Zeca Baleiro,de Rita Ribeiro, do Reggae Brasileiro, de Gonçalves Dias, de Ferreira Gullar e JosuéMontelo.Vestindo a fantasia, vem celebrar nossa folia o fofão, o vira-lata, cruz-diabo, o corso domeretrício e as cabrochas a brincar com os mascarados dos salões do Moisés.Em meio a tanta festa reluz o Eldorado da bauxita, minério batizado pela Coroa que tefundou e que desconheceu essa tua riqueza, que hoje é chama acesa para que possasprogredir; na luz dos céus incomparáveis do futuro que te aguarda, na imensidão, para teconsagrar, enfim, São Luís, pérola sagrada da Coroa encantada do glorioso Maranhão.LaílaDiretor Geral de CarnavalLaíla, Fran Sérgio, Ubiratan Silva, Victor Santos e André CezariComissão de CarnavalBianca Behrends
  19. 19. Pesquisa e Documentação Artística UNIDOS DE VILA ISABEL "Você Semba Lá... Que Eu Sambo Cá! O Canto Livre de Angola"O Brasil e Angola são ligados por laços afetivos, linguísticos e de sangue. São irmãospela história que os une.Desde a Antiguidade, já existiam bestiários que repertoriavam as estranhezas da fauna edas características geográficas. Segundo o jesuíta Sandoval (1625), " Os calores e osdesertos da África misturavam todas as espécies e raças de animais, em redor de poços,criando um ecossistema particular, capaz de engendrar hibridações monstruosas. Talcircunstancia fazia da África, o continente de todas bestialidades, o território de eleiçãodo diabo."As bestialidades de que falava tal escritor eram hipopótamos e rinocerontes, chacais ehienas, zebras e girafas, avestruzes e palancas negras, entre outros.A estranheza também era causada pela cor da pele de seus habitantes.As regiões abaixo do deserto do Saara, chamadas de Ndongo e Matamba, eramhabitadas por dois povos distintos: os ambundos e os jagas. Os primeiros eramexcelentes ferreiros, cuja habilidade era muito apreciada. Os jagas, por sua vez, sedestacavam como guerreiros invencíveis, pois se exercitavam diariamente em localapropriado a que chamavam de quilombo.Na época da expansão marítima portuguesa, esses dois povos possuíam um soberano a
  20. 20. que chamavam de Ngola.No século XVII, a região de Angola era governada por uma rainha chamada Njinga, queera ambundo pela linhagem materna e jaga, pela paterna. Expressão do encontro de doisgrupos étnicos, que apesar de semelhantes, tinham organizações distintas, Njinga osgovernou com sabedoria. A persistência do incômodo causado pelo seu sexo, entretanto,levou-a a assumir um comportamento masculino, liderando batalhas pessoalmente evestindo de mulher seus muito concubinos, que faziam parte de seu harém.Apesar da fama de Njinga ter sido construída na luta da resistência contra o domínio dePortugal, entre os portugueses o reconhecimento de seu talento político e capacidade deliderança surgiu a partir de seu desempenho como chefe de uma embaixada que o entãoNgola do Ndongo, enviou ao governador português, em 1622. Recebida com umapompa que deve tê-laimpressionado, Njinga também teria causado impacto entre os portugueses ao agir efalar no mesmo idioma que o deles, como chefe política lúcida e articulada.O interesse português era um só – mão de obra para outra colônia de além–mar, oBrasil. Embora fossem ricos em minerais, em diamantes, nada disso os interessou. Poisna época, o reino de Angola era o grande manancial abastecedor dos engenhos doBrasil. Sem o açúcar, não havia o Brasil. Sem negros não haveria o açúcar. Sem Angola,não havia negros. E, sem Angola não havia o Brasil.Apesar da resistência de Njinga, o comércio era feito de modo avassalador. Os negroscativos ficavam em barracões, que podiam acolher cerca de 5.000 almas, que eramembarcadas rumo ao novo continente, em viagem longa, cuja duração podia ultrapassardois meses, dependendo das condições climáticas. O porto e partida era Luanda, o maiorcentro de comércio escravagista africano. A cidade alcançara essa posição a partir domomento em que os escravos passaram a ser embarcados diretamente para as colôniasamericanas. Aproximadamente doze mil viagens foram feitas dos portos africanos parao Brasil, para vender, ao longo de três séculos, quatro milhões de escravos, aquichegados vivos.A despedida era simples. A cerimônia de batizado era na hora do embarque: - Seu nomeé Pedro; o seu é João; o seu, Francisco, e assim por diante. Cada viajante recebia umpedaço de papel com um nome escrito. Então, um intérprete ironicamente dizia: "Soisfilho de Deus, a caminho de terras portuguesas, esquecei tudo que se relaciona com olugar de onde viestes, agora podeis ir e sede felizes".A morte social despe o escravo de seus ancestrais, de sua família, e de suadescendência. Retira-o de sua comunidade e de sua cultura. Ele é reduzido a um exílioperpétuo.E lá se vão, num navio abarrotado, sem alimentos adequados, sem sequer espaço para seacomodarem. Levam na memória, os cantos, as danças, os ritmos, as tradições. LevamNjinga e seu espírito combativo, a levam na memória, apesar das ordens paraesquecerem tudo....Os navios negreiros aportavam no Cais do Valongo, longe do rebuliço da cidade. Alí os
  21. 21. escravos viviam em depósitos, a espera para serem comprados. Pois foi em 1779, porordem do Vice-Rei, marquês de Lavradio, que nesta região se localizaram o cais, omercado e as precárias instalações para abrigar os recém chegados.Por ironia do destino, foi neste mesmo cais, que anos mais tarde, receberia em 3 desetembro de 1843, a princesa Tereza Cristina, futura Imperatriz do Brasil, e tambémmãe da princesa Isabel, aquela que terminaria de vez com o regime de escravidão. Ocais foi remodelado e uma cenografia decorativa escondia aos olhos reais as imagens dapobreza extrema e a humilhação a que eram submetidos os recém chegados.Presente em vários lugares em que houve a escravidão, a coroação de um rei e umarainha negra era uma forma de diminuir o sentimento de inferioridade social, assimcomo as irmandades permitiam a reunião para reverenciar algum santo, mas sobretudocomo relacionamento social entre os escravos."Nesta santa irmandade se farão todos os anos hum Rey e huma rainha os quais serão deAngolla, e serão de bom procedimento, e terá o rey tão bem seu voto em meza todas asvezes que se fizer visto da sua esmolla avantajada." O titulo a que se dava era Rei doCongo e a Rainha Njinga. A fama de Njinga atravessou os séculos e os mares, sendoevocada em festas populares no Brasil. Mas antes de se alojar no imaginário popular, aslições de Njinga foram muito provavelmente postas em prática na luta dos quilombolasde Palmares.Com o intuito de se divertirem, as irmandades aproveitavam-se das comemorações dosdias dedicados a este ou aquele santo, para organizarem seus festejos. E era quase que oano inteiro, pois S. Pedro, S. João, Santo Antonio, o Espírito Santo e outros tantos mais,se espalhavam no calendário. Tudo era oportunidade para comemorações festivas.Na Festa do Divino, segundo Manuel Antonio de Almeida, embora os músicos fossemmuito apreciados pelo publico, ele considerava que eram desafinados e desacertados:"Meia dúzia de aprendizes de barbeiro, negros, armados este, com um pistomdesafinado, aquele com trompa diabolicamente rouca formavam uma orquestradesconcertada, porém estrondosa, que fazia as delicias dos que não cabiam ou nãoqueriam estar dentro da igreja. Mas era musica buliçosa, um convite aos jovens àdança". Os instrumentos que usavam eram basicamente trombetas, trompas, cornetas,clarinetas e flautas e os de corda – as rabecas, violões, tambores, bumbos e triângulostambém eram encontrados.A festa reunia uma enorme economia e produção. Os fogos, no Campo de Santana, era amaior atração. Depois as barracas, com comidas e bebidas, show de ginástica e muitacantoria. A que fazia mais sucesso, entretanto, eraa barraca conhecida como Três Cidras do Amor, frequentada pela família e peloescravo, pela plebe e a burguesia. Era um salão um tanto acanhado. Num dos cantoshavia um teatrinho de bonecos com cenas jocosas e honestas. O conjunto de atraçõesdas Três Cidras do Amor era longo e variado. Peças como Judas em Sábado de Aleluiaeram encenadas. Depois do inicio do baile com valsas, as apresentações cada vez maisse afastavam de uma pretensa seriedade, e a dança tradicional e eletrizante do povobrasileiro assumiam o espaço, com os dançarinos bamboleando, cantando, requebrando-se, ondulando as nádegas a externuar-se, e dando umbigadas. Os homens e as mulheres
  22. 22. que realizavam os indefinidos e inimitáveis requebros, umbigadas e movimentoslascivos não nasceram nos ricos salões de baile, estavam nas ruas, reuniam-se nas festasde largo, onde seus ritmos prediletos eram apresentados como atração e divertimento.A junção dos violões, cavaquinhos e flautas já era praticada pelos músicos barbeiros,oucomo insistem alguns especialistas, havia sido realizada nos casebres populares do Rio,mais precisamente na Cidade Nova.Lá, destaca-se Tia Ciata, dando continuidade aos festejos que já aconteciam no Campode Santana, abandonado pelos festeiros após a Reforma do local. Tia Ciata nasceu emSalvador em 1854, e aos 22 anos, trouxe da Bahia o samba para o Rio de Janeiro. Foi amais famosa das tias baianas, trazendo também o candomblé, do qual era uma ialorixá.Na casa da Tia Baiana foi criado "Pelo Telefone", o primeiro samba gravado em disco,no ano de 1916, assinado por Donga e Mauro de Almeida. Na sua residência ecoavamlivremente os batuques do samba e do candomblé.Segundo Mary Karash, das danças escravas, como o lundu, capoeira e jardineira, a queficou conhecida no século XIX por "batuque" é a mais próxima do samba cariocamoderno.O termo SAMBA, possuía uma clara origem angolana. O verbo kusamba, quesignificava saltear e pular, provavelmente expressasse uma grande sensação defelicidade.Hoje,"O Samba é considerado como um produto da história social brasileira". Deacordo com o presidente do Iphan, "O gênero musical e coreográfico pode serconsiderado tanto como sendo próprio de comunidades culturais identificáveis(executantes e brincantes inseridos em agrupamentos sociais de pequena escala) etambém no contexto da vida urbana, e da indústria cultural mediatizada. O vigor doSamba enquanto gênero cultural encontra-se em sua plasticidade e capacidade de gerarinúmeras variantes,como o samba-de-roda, o samba carioca, o samba rural paulista, a bossa nova, o samba-reggae e outros mais, em suas diversas interpretações."Aqui na Vila Isabel, que é de Noel, e de Martinho, devemos a ele esta história. Ele que,nos anos 70, fez sua primeira viagem ao continente negro e durante muitos anos foi aponte entre o Brasil e Angola, sendo considerado um Embaixador Cultural. Levou amúsica brasileira como um presente ao povo amigo e irmão, através das vozes tãobrasileiras de Caymmi, João Nogueira, Clara Nunes e ainda Chico Buarque, Miúcha,Djavan, D. Ivone Lara, entre outros. Três anos mais tarde, Martinho elaborou umprojeto trazendo a música angolana para os brasileiros, a que chamou de O Canto livrede Angola.Nosso samba.... seu semba ...por isso enquanto eu sambo cá.... você semba lá...AUTORES DO ENREDO: Rosa Magalhães (Carnavalesca) & Alex Varela (historiador)Mentor do enredo: Martinho da Vila
  23. 23. Bibliografia consultada:ABREU, Martha. O Império do Divino. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.ALENCASTRO, Luis Felipe. O Trato dos Viventes. A Formação do Brasil no AtlânticoSul. S. Paulo: Cia. das Letras, 2000.KARASCH, Mary C. A Vida dos Escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. São Paulo:Companhia das Letras, 2000.LOPES, Nei. Kitabu. Rio de Janeiro: Editora Senac, 2005.MARTINHO DA VILA. Kizombas, Andanças e Festanças. Rio de Janeiro: LéoChristiano Editorial, 1992.MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro:Arquivo Público do Estado, 1992.RODRIGUES, Jaime. De costa a costa: Escravos, Marinheiros e Intermediários notrafico de Angola ao Rio de Janeiro. São Paulo: Editora Schwarcz, 2005. SÃO CLEMENTE "Uma aventura musical na Sapucaí"A São Clemente tem uma espécie de dever: dever de sonhar, e sonhar sempre!E assim nossa Escola se constrói em ouros e sedas,Inventa palcos, cenários, para viver o seu sonho:Lutar quando é fácil ceder, vencer o inimigo invencível, negar quando a regra é vender;voar num limite improvável, tocar o inacessível chão!(Do musical Homem de La Mancha, e da Poesia de Fernando Pessoa)ENREDO: UMA AVENTURA MUSICAL NA SAPUCAÍ
  24. 24. Na escuridão do terceiro-sinal, foco de luz no mestre-maestro, delirantemente aplaudidopela gente que vai assistir a aventura musical. Silêncio.Prólogo: Seguindo o apito e a batuta, a orquestra no recuo do fosso ataca, e há músicaencantadora no ar; é quando a cortina amarelo-negra abre-se lentamente! "Gatos" (Cats)esgueiram-se na arquibancada/platéia, e vão evocando as "Memórias", refazendo aHistória: "Senhoras e senhores, bem-vindos ao desfile do Teatro Musical Brasileiro! Epor quê apaixona-se a São Clemente pelo início do teatro musicado no Brasil? Porque,como ela, as operetas curtas daquele tempo eram satíricas, críticas e irreverentes. Eaproximavam o povão da mais fina arte! Influência francesa que gerou nos trópicos, umu-lá-lá pra lá da malandragem. Mais ou menos 1850. bom humor era tudo, rapidezrimava com qualidade, e, para quem entende, um pingo é letra: a parisiense nasceu naLapa, e ia da canção, do xote à valsa, da mazurca ao tango. Só no truque da ingênuamaliciosa, e o diabo que a carregue lá pra casa!".Luz em resistência. Um astro vai descendo a alegórica escadaria de luzinhas piscantes,acompanhado daquilo que secretamente nos bastidores chamamos da sua "Comissão deFrente": lindíssimas vedetes, em maiôs cavados com franjas de diamantes falsos etransparência sobre os seios, escoltadas por bailarinos, luxuosamente vestidos emfraques. A vida é um "Cabaret". Ouve-se a voz do Mestre de Cerimônia: "Ora, se osdesfiles de Escolas de Samba são os maiores dos musicais de que se tem notícia, nadamelhor que esta grande aventura musical clementiana falar em ritmo de samba, de comoviveu e vive esse grande e longevo negócio, que reúne na ribalta, empresários, artistas,técnicos: a tal gente do show business – Nós! Avante legítimas representantescarnavalizadas desta verve, as Comissões de Frente, espetáculo à parte na Avenida,quando sobem pernas, arrancam roupas, despertam o aplauso e o inesperado acontece: éa Broadway tupiniquim! A abertura é mágica!".O palco/passarela abre-se, e sobe o espetacular elevador com a sua montanha verdejanteonde "A Noviça Rebelde" rodopia, cantando para as suas crianças que a "Música, éDivina Música": "Precisa de dinheiro para botar o bloco na rua, levantar cenários,contratar estrelas, fazer figurinos, vender bilhetes e acender a rica luz: aí o prazer dopúblico é total, quando a beça Estrela seminua com cara de safadinha, faz biquinho ecomeça solfejando os acordes".Desce da escuridão do urdimento a magistral teia com a "Mulher Aranha", arrebatadoraRainha e Madrinha da Companhia. Das laterais, no chão surgem as mulatas com oestonteante figurino "Sopro de Purpurina". O primeiro setor de assentos, em suspense,puxa o fôlego, sem acreditar na tamanha opulência flutuante sobre si. Confetesprateados caem salpicados. A aracnídea está em êxtase, pendurada quase solta noespaço, e declama coquete: "Leques de plumas abanam em glória a primeira dasgrandes: Chiquinha Gonzaga! E o Brasil era cantado em prosa, verso e música em 1885,com um pé no caipira e outro na cidade grande. Festa de São João, conversa debotequim, prosa de malandro, vida de bairro, amor feliz. Artur Azevedo apareceu logodepois, saindo através de uma cortina de gotas de vidro: adorava meter o pau (ui!) nopolítico-social, sem jamais esquecer "pernas à mostra e seios nus...". Igualzinho aocarnaval! Olhar bem humorado, uma forma de ver a vida: temas alegres, línguaapimentada e um bububú no bobobó. Duplo sentido, para um povo cujo sexto sentidoavisava que de perto ninguém é normal".
  25. 25. Uma parede de elásticos brilhosos é atravessada por ritmistas, quando ouve-se a sirene:- Teatro?, pergunta a "Bela". – Musical?, devolve a "Fera". – Sapucaí!, Exclamam osdois juntos. Entre românticos balanços de flores, o casal avança na narrativa: "A cena, adança, a cantoria. Sopravam ventos de influência da Liberdade, América, numarevolução cenográfica e coreográfica. Tiraram a orquestra, botaram a banda, e o públicoexigia que arrancassem as meias daquelas pernas que eles queriam ver em pele. E veio afantasia musicada na Praça Tiradentes: era hora das estrelas de primeira grandeza dandoataque e atraindo multidões, divas da pá virada em decotes abissais e rabo de penasraras. Fila na porta, empurra-empurra e o ingresso a tapa: todos pagavam para ver abelíssima e talentosa Loura falsa".Do Balcão da Casa Rosada, envolta na fumaça de gelo-seco e construído do papelão ecompensado, "Evita" abre os braços. E, em vez de cantar "Não Chores por MimArgentina", inesperadamente faz seu tributo de amor ao musical brasileiro, porque oespetáculo não pode parar (a não ser na frente do júri), e continua dobrando a esquina:"Foi aí que o jogo avançou: girou a roleta do Cassino, porque o Brasil Pandeiroesquentava seus tamborins e fazia os dados rolarem: todo o país queria Rosetá e em1945 Walter Pinto mandava: "Canta Brasil". E não é que o país resolveu investir? Amaquinaria espetaculosa em efeitos de cena se tornou tão importante quanto as Estrelas.Abre e fecha, sobe e desce, acende e apaga, ou dá ou desce! Deus é brasileiro, e dolimão estrangeiro fez-se uma limonada à tropicália, e o Brasil conhecia o Brasil. Deu tãocerto que o mito grego de Orfeu, quem diria, foi parar na favela brasileira; e a queridasenhora Pigmaleão armou sua barraca de feira por aqui. Com Carlos Machado o musicalbrasileiro alcança sucesso internacional".Uma gaiola espelhada é trazida pelo ciclone do "Mágico de Oz" e dentro está a meninaDorothy. Guardas com cassetetes de strass batem no pobre Homem de Lata. "OsMiseráveis" surgem pelas laterais, tentando socorrer. Parte triste da História, tentamcalar os Musicais Brasileiros: " A língua do Zé-Povinho estava afiada e fazia anedotascom a vida dos poderosos. Tudo devidamente amordaçado pela censura, que fez acortina fechar pelos idos dos 60. Proibido proibir deu nó em pingo dágua e fez a tigresa(Sonia Braga) estrelar e deixar todo mundo de cabelo (Hair) em pé, tal a força destelibelo, que duas vezes o Brasil aclamou seduzido por tanta qualidade ideológica emusical. Acordes para os hippies. Faça humor, não faça a guerra, nós temos um sonho:deixe o sol entrar! Foi uma Roda-Viva para os brasileiros, cuja profissão sempre foi aesperança. Como Calabar resistiram, a Gota dágua no oceano da incompreensão".Deitada numa lua de paetês surge "Vitor ou Vitória". A indecifrável fala sobre gays,machões e lembranças musicadas: "Nisso jogaram gliter. Anunciada a era de Aquarius,houve o rompimento, a mudança, a fuga dos padrões e a busca do novo. Deboche demúsculos másculos, pernas cabeludas, cílios postiços e saltos altos. Foi com os Dzicroquetes que devolvemos à Europa o que dela tínhamos recebido um século antes: ovigor do teatro musicado, desta feita, andrógino. Mas isso era só um lado da moeda.Faltava um pedaço, aquela marca de pegador do brasileiro, do machão que não é Mané.E a sacada da Ópera do Malandro foi fazer do Brasil um bordel, quando o homembrasileiro assumiu de vez sua vocação para o cantar, dançar e interpretar. No rodopiodos 80 e 90, do conteúdo político partimos para revisitar os mitos de nossa músicapopular. Ganhou o samba, que viu de novo Assis Valente, as Irmãs Batista e ElizethCardoso, revividas e exaltadas em grandes montagens; a música popular brasileira virou
  26. 26. fio condutor de uma torrente de paixões".Todo o elenco internacional de imorredouros personagens, para sempre em nossoscorações, estão em cena. Entraram Arlequins, Pierrots e Colombinas para receberemcalorosos a carroça brasileira dos Saltimbancos, que fez cantar gerações seguidas decrianças, e "Sassaricando, e o Rio inventou a Marchinha...". O flash, a emoção dosassarico, porque sem sassaricar, esta vida é o "ó"! Maria Escandalosa junto com aGalinha e o Jumento, brasileiríssimos, cantam "Yes, Nós temos Bananas". Pósmodernos, falam da virada do terceiro milênio.: O Brasil e o mundo, a aldeia globalfazendo prosperar abaixo da linha do Equador o que antes era reserva de Nova York,Las Vegas, Paris e Londres: o trânsito de diretores, produtores, autores, a festa dasplatéias brasileiras. O mistério extraordinário do musical: Raia equilibrava-se napequena Loja dos Horrores; esfregávamos os olhos para saber se era verdade que amesma Bibi que cantava o pequeno pardal Piaf, também se rasgava nas entranhas aocantar os fados de Amália; Marília podia ser Dalva de Oliveira ou Elis, ou todas Elaspor Ela; e agora José Mayer é o definitivo Violinista no Telhado.Grande dança final, com toda a companhia executando impecavelmente a marcaçãocoreográfica e o canto afinado do Samba-Enredo. Ciclorama da vida, mágica do Teatro,entretenimento profissional apaixonado. A fagulha que restará eterna. Milhares demicrolãmpadas formam palmeiras artificiais, orgulhosas de serem simulacros. Micosleão- dourados de acetato caem pendurados. "Deus lhe pague": "Dizer que conseguimoscopiar de maneira impecável as montagens estrangeiras é pouco: damos um passo àfrente, vamos além da virtuose técnica, adicionamos à perfeição deles o chica-chica-boom da gente bronzeada que faz pulsar o já montado, de maneira diferenciada. Há umquê de povo renovador em nós".Epílogo: surge o Fantasma da Ópera voando a bordo de seu colossal lustre de cristal.Por trás da mascara misteriosa, há uma lágrima verde-amarela, de amor a esta genteincansável que monta Musicais. São os sonhadores: "Musicais são janelas para oimaginário de um povo, cuja qualidade é viver no País das Maravilhas. Que a Ópera deParis seja a Marquês de Sapucaí e que o fantasma vague em nossas memórias,reafirmando o direito ao sonho. Mascaradas, faces de papel em desfile, é chegada ahora. Avante brincantes do mundo do carnaval musical, pois não há, no mundo doshumanos, gente parecida contigo. Vai ter fim a infinita aflição, e o mundo vai ver umaflor brotar, do impossível chão!".Feliz é a São Clemente, que da grandeza deste gênero faz o seu carnaval. Feliz meusamba, que sai pela vida em alegria incontida, nessa maravilhosa aventura musical.Revoada de graças translúcidas parte em direção ao pôr-do-sol, no infinito. O perfil deCarmem Miranda vai beijando Renato Russo, até desaparecer no Black-out.Cai o Pano.Fábio RicardoSão Clemente 2012Pesquisa: Tânia Brandão e Marcos Roza
  27. 27. UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR "DE LONDRES AO RIO: ERA UMA VEZ... UMA ILHA..."Argumento"Once upon a time", ou "ERA UMA VEZ"... é a forma mais popular, desde 1380, deiniciar histórias em língua inglesa. E se tornou convencional na abertura de narrativas apartir de 1600, da mesma forma que terminam com um: "E VIVERAM FELIZESPARA SEMPRE". Prevalecem em contos de fadas para crianças e na tradição oral derecontar mitos, fábulas e folclore.A cada quatro anos o mundo se une para o grande momento do esporte e para celebrar apaz. A cidade anfitriã faz em sua abertura uma representação artística de sua história esua cultura. No ano de 2012, Londres será a sede desse evento.A União da Ilha fará uma versão bem carioca e carnavalesca dessa festa. E também umacontagem regressiva para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro.Em vermelho, branco e azul, as mesmas cores do Reino Unido, a Ilha falará da Ilha quesambará ao batuque da Ilha. Saint George, padroeiro da Inglaterra, estará ao lado de SãoSebastião do Rio de Janeiro, ambos padroeiros da nossa escola.O fogo que atravessou nosso último carnaval nos uniu, assim como o fogo olímpico uneas nações. Superamos as dificuldades, assim como cada atleta supera seus limites paraatingir o pódio.Era uma vez uma Ilha feita de alegria e muito samba que vai contar histórias de outra
  28. 28. Ilha. Incendiando a avenida misturando irreverência e tradição, vamos acender a piracom o fogo da paixão e transformação. Foi dada a partida! A festa vai começar!!!Sinopse... Onde vivia um povo valente e guerreiro. Um dia, apesar de ser defendida combravura, um grande império a conquistou. O imperador invasor fundou uma cidade quecresceria até se tornar uma das mais importantes do mundo.Capital de um país e depois de um reino que se tornaria unido. Sua história é feita dereis e rainhas, príncipes e princesas, e de heróis errantes.Nobres cavaleiros cruzaram terras para defender a sua fé. Vestidos e armados com asarmas de um santo guerreiro e com sua cruz estampada na bandeira, seguiram em suasaga de bravos, pondo sob as patas de seus fiéis ginetes o mais temível dragão.(1)Nesta terra, a fantasia e a realidade se confundem. Em sua tradição, narram contos ondeespadas são encantadas e cálices são sagrados. Histórias de távolas redondas, fiéisescudeiros e magos a serviço de um só Rei.Nos palcos encenam histórias de amores impossíveis, comédias, dramas e tragédias.Onde nesta noite de verão, há somente uma questão: ser ou não ser? Nas ambições porum trono, até as "rosas" guerreiam. (2)Em uma era dourada, conquistaram os mares e a Coroa aliou-se a corsários e piratas embusca de inesgotáveis tesouros. Dominaram por séculos boa parte do planeta.Lançaram, sob a ótica da ciência, um novo olhar sobre fatos naturais e a todo vapor setornaram condutores revolucionários, pondo o progresso nos trilhos e no campo dopensamento. Publicaram temas que nos deram arrepios e nos levaram a um delirantepaís das maravilhas.Seus artistas brilharam nas telas e sob as luzes da ribalta. Com swing (3) encurtarammedidas, mudaram comportamentos e deram uma chance à paz e ao amor.Inventaram com a bola nos pés a nossa maior paixão.Hoje convidam a todos para um encontro onde pessoas do mundo inteiro mostram o queé superação, exaltando a cultura de paz. Saudemos aqueles que ultrapassam seus limitese dentre esses os nossos patrícios que sempre nos enchem de orgulho.Era uma vez... A nossa Ilha, onde também vive um povo valente e guerreiro, quedefende com bravura a sua bandeira. Que todo ano vem para conquistar o coração deum lugar que cresceu até se tornar um dos mais importantes da terra e que em breve seráo próximo anfitrião. A Ilha é a pista para esse sonho aterrissar e a porta de entrada dasnossas vitórias.Nessa grande paródia carnavalesca, vamos adiantar os ponteiros do relógio e imaginarque a festa é aqui e agora. Acender a chama da paixão, incendiar de alegria toda acidade e renovar as esperanças.
  29. 29. Contos de fadas são como o carnaval, e sempre nos levam ao imaginário, sendo assim,esta história não poderia terminar diferente: "E viveremos felizes para sempre".Alex de SouzaCarnavalesco(1) Referência á oração de São Jorge, Padroeiro da Inglaterra.(2) Citações ás peças de Willian Shakespeare. O maior dramaturgo de língua inglesa.(3) Swinging London foi uma expressão utilizada nos anos 60 para descrever avanguarda londrina. Swinging representaria algo com arrojo, moderno, etc. ACADÊMICOS DO SALGUEIRO "Cordel Branco e Encarnado"(Cheio de poesia, imaginação e encantamento) apresenta:Cordel Branco e EncarnadoMinha "fia", meu senhorDeixa eu me apresentarSou poeta e meu valorVai na avenida passarBasta imaginaçãoUm "cadim" de inspiraçãoQue eu começo a versar
  30. 30. Vou cantar a minha arteQue nasceu bem lá distanteNum lugar que hoje é parteDa nossa origem erranteVim das bandas da EuropaNas feiras, a boa trovaEra demais importante!Foi assim que o mar cruzeiNa barca da encantariaChegou por aqui um ReiCom bravura e poesiaCarlos Magno de FrançaDele eu trouxe tal herança:Meu reinado e fidalguiaE veio toda a nobrezaQue um dia eu imagineiRainha, duque, princesaE até quem eu não chamei:Um medonho de um dragãoIrreal assombraçãoDessa corte que eu sonheiTambém tem causo famosoQue nasceu lá no OrienteDe um tal misteriosoPavão alado imponenteQue cruza o céu de relanceDois jovens, e um só romanceVencendo o Conde inclementeTodas essas históriasRenasceram no sertãoOnde vive na memóriaO eterno LampiãoE não teve um brasileiroQue de Antônio ConselheiroNão tivesse informaçãoPra viajar no meu versoÉ preciso ter "corage"Vai que um bicho perversoSurge que nem "visage"?Nas matas sertão aforaLobisomem, caiporaQue medo dessas "image"!!Mas pra que esse rebuliço?Rezar é a solução!
  31. 31. Valei-me meu "padim" Ciço!Vá de retro, tentação!Nossa Senhora eu não quero(Tô sendo muito sincero)Cair nas garras do cão!E não é que meu santo é forte?Cheguei ao céu divinalÉ tamanha a minha sorteA minha vitória afinalÉ cantar com alegriaFazer verso todo diaNa terra do carnavalVem chegando a tal horaDa minha alegre partidaSaudade, palavra agoraTem posição garantidaMas não se avexe meu irmãoQue hoje a coroaçãoAcontece é na avenidaLá vem ele a flanarPor esse sertão sonhadoUm grande rei popularDa corte do Sol douradoPatativa do Assaré!!Receba com muita féUm cordel branco e encarnadoE agora eu vou sem medoFazer festa "de repente"Vai nascer um samba-enredoPra animar toda a genteAfinal, não sou melhorMuito menos sou piorSó um poeta diferente!Renato Lage, Márcia Lage, Departamento CulturalNobre compositor-trovador,Eis aqui o nosso Cordel Branco e Encarnado que você vai transformar em samba degrande inspiração. Este enredo é a nossa forma de louvar a todos os poetas popularesdeste imenso, rico e tão maravilhoso país. A fantástica história do cordel unida à energia"furiosa" da nossa bateria, dos versos e melodias com aquele tempero valente que sóvocê sabe criar, é a receita de um carnaval pra cabra nenhum botar defeito.É "nóis", oxente!!!
  32. 32. ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA "Vou Festejar! Sou Cacique, Sou Mangueira."Tudo começou na África, num tempo em que eu era ainda moço e minha tribo estava amercê do perigo e os sacerdotes cuidavam de expulsar com reza forte as vibrações demá sorte que rondavam nossa morada.Lembro-me que os mensageiros da morte vieram de longe, do outro lado das águas,talvez, não tivessem sequer no corpo o bronze da nossa pele, não tinham os lábioscarnudos, eram estranhos em tudo! E até mesmo esses detalhes que constroem a nossaface, neles eram diferentes. Juro que inocente, pensei até em disfarce.Conduzido pela dor, fui levado prisioneiro ao traiçoeiro Negreiro, o reino da apatia. Lá,sujeito às doenças e a fome que habitavam aquele porão sombrio, caí no mais denso efrio estado de melancolia.E era como um açoite, a escuridão da noite, toda vez que ela chegava. E eu sofriapesadelos, acordava assustado. Ainda na inocência, confundia a luz da vidência com astrevas dos maus presságios.Ao desembarcar, os pés feridos, descalços, vi quando o sal do oceano espalhou-se sobreo chão molhado desenhando uma linda concha do mar e, ouvi a voz de Iemanjá mefalar: este "Mundo" é o teu "Novo" lar! Prepara-te, o teu futuro te reserva coisas lindas,surpresas te virão ainda.Já em terra firme, nos primeiros anos depois que saí da minha terra, suportei a mãopesada da escravidão e as feridas da solidão.
  33. 33. Certa vez, escondido pelo breu da noite, resolvi caminhar na mata. Eu já andarabastante. Com a respiração ofegante, parei pra descansar um instante.E o sono foi me apagando, a cabeça meio tonta, eu já nem me dava conta do perigo dedormir longe da senzala, do povo da minha tribo, sem a proteção de um abrigo.E ali sonhei meu destino. No sonho um guerreiro caçador, o cacique dos índios,passeava naquelas terras e me viu sentado sob uma tamarineira que ele havia plantadono seu tempo de menino.Sentou-se ali, ao meu lado, desenhou com seu arco, no chão, uma pequena flecha e, comamabilidade, perguntou a minha idade, quis saber em que cidade eu havia nascido.E eu, me sentindo à vontade lhe falei dos deuses iorubás, da minha terra natal, docordão umbilical, do rio da minha aldeia.E ele, com calma, me falou do poder das folhas e das raízes que transformam emcicatrizes ferimentos e mordeduras de aranhas e de serpentes; dos banhos quentes dealgumas ervas e sementes, que curam até os doentes de alma.Ao voltar pra senzala era como se meu coração tivesse fala. O Rio de Janeiro era o meunovo terreiro e nas batucadas, nas festas, na alegria das ruas, nas brincadeiras do povão,encontrei meu destino e enganei a solidão.Quando o Entrudo chegava uma maravilha de ruídos invadia as ruas, um barulhoencantador que contrastava com a sujeira reinante. Divertidas batalhas com limão decera, água e farinha branca atiradas sobre os participantes aconteciam a todo instante.Zé-pereira, bumbos, rostos e bumbuns de negros azucrinando nas praças e no passeiopúblico, zombando, se divertindo, enquanto a viola chorava e espinoteava espantando atristeza. E tudo era instrumento, flauta, violões, pandeiros, latas, gaitas, frigideiras deferro, caixotes e trombetas. Instrumentos sem nome, inventados subitamente no delírioda improvisação, do ímpeto musical, na força do sentimento.Já que batucar na cozinha Sinhá não deixava, o nosso canto ecoava nas senzalas einvadia as ruas. Aliás, na rua do Ouvidor, na rua Direita ou no Largo de São Franciscotudo era canto e os sons sacudiam e movimentavam as vestimentas de cores vivas,ardentes, dançando e tateando os corpos que exalavam o doce perfume da alegria.A elite fazia biquinho e implicava, chamava nossa festa de selvagem e brutal e que overdadeiro carnaval estava nos salões da nobreza de Paris e Veneza.Discriminada e com as autoridades policiais no encalço, a turma dos descalços edescamisados tratou de arrumar um jeitinho para continuar festejando.Com um olho no padre e outro na missa lutamos dançando, dançamos rezando erezamos cantando. As festas, celebrações e procissões dos brancos, agora, serviamcomo máscaras e disfarces. Por trás delas festejávamos nossas entidades sagradas ebatucávamos até o sol raiar.
  34. 34. Organizados em Cordões carnavalescos, cantadores e dançarinos, palhaços, a morte, osdiabos, os reis, as rainhas, as baianas, os morcegos e os índios também entraram nadança e colocaram a polícia pra dançar.No noturno da Praça Onze, ali mesmo na nossa "Pequena África", os desfiles do Pastorile dos Maracatus em louvor à Ciata DOxum, a tia-mãe-baiana dos festejos, se tornarama sensação e os luxuosos Ranchos cantadores, dominados pelos negros e castanhos,rompiam a massa colorida em grande animação. Para matar a sede dos cantadores e dosberradores, os refrescos de coco, os gelados de abacaxi e limão. Para a fome, bolos defubá, pé-de-moleque, alcaçuz, tapioca, manauê e feijoada no caldeirão.Mascarada, a elite branca se esbaldava no luxo dos salões, nos desfiles dos corsos e dasgrandes Sociedades. O povo negro e pobre, barrado no baile burguês, continuou donodas ruas e vielas como legítimos senhores da folia.Música, fanfarra, préstito, maxixe e, finalmente, de semba se fez samba. Abençoadaspor Nossa Senhora do Rosário, na Festa da Penha, as negras suspendiam as saiasrodadas e dançavam, nos requebros das ancas, no arranco das umbigadas. Enquanto ossenhores rezavam na parte alta das escadarias, na parte de baixo, a sensualidade erareligiosa, o ritmo dos batuques era sacerdotal e feiticeiro. Ali desaguavam os cantos e asmelodias de todo o povo brasileiro e os compositores da primeiríssima geração desambistas, testavam a popularidade do seu cancioneiro.O tempo passou. A cidade se transformou em uma selva de pedra onde a "Onça" reinavaabsoluta e era a principal atração. "Vejam todos presentes, olha a empolgação, este é oBafo da Onça que eu trago guardado no meu coração". Até que um dia, um "Cacique"bamba entrou na folia e dividiu a tribo do samba sem vacilação. "Foi lá no fundo do seuquintal que o samba pegou moral e agitou a massa, e o povo voltou a cantar e sorrir,caciqueando aqui e ali, abrindo o coração pro amor".De repente as ruas esvaziaram-se! Será que a "Onça" vacilou, foi beber água de cheiro ese afogou?! Até mesmo o bravo "Cacique" parecia cansado das batalhas de confetes edesanimou! Para onde teria ido a alegria? Onde estaria a espontaneidade quetransformava cem pessoas saídas de um bairro em quinhentas, em mil, sem ninguém seconhecer?Mas o samba é eterno, não tenho medo de responder! Ele até pode agonizar, mas jamaisirá morrer! A "Onça" marcou bobeira e não mais saiu da toca, mas o "Cacique",malandro, mudou de oca, foi fazer morada à sombra de uma tamarineira e ali nosubúrbio da Leopoldina, abençoado por Oxossi, o pagode ecoou vindo do "Fundo doQuintal" e embalado por banjos, repiques, tantãs e pandeiros conquistou o Brasil inteiro."Batam palmas, gritem, soltem a voz. Pra manter o pique só depende de nós"!O carnaval, a partir daí, não terminava mais na quarta-feira de cinzas. Quase semquerer, ele se fragmentou em diversas festas nos lares das famílias simples, emanimadas rodas de samba, em batuques sobre mesas de bares, confirmando que a tribodo samba ainda queria apito, sem necessariamente o pau ter que comer!Isso tudo já faz muito tempo. Hoje eu chego com o vento e volto aos pés da velha
  35. 35. tamarineira, sento-me novamente ao lado do guerreiro e de Oxossi em saudação ao meioséculo de história do Cacique de Ramos. Nós somos as raízes e o Cacique é o troncodesta árvore que deu frutos como Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Dicró,Mauro Diniz, Zeca Pagodinho, Luis Carlos da Vila e Neguinho da Beija-Flor, entreoutros nomes, além da dindinha Beth Carvalho um bendito fruto feminino entre tantoshomens.Salve a tribo dos bambas; esse "Doce Refúgio" de pagodeiros e malandros no bomsentido da palavra.A tribo que bate tambor e faz ecoar o surdo de primeira pra saudar a sagrada tamarineirae confirmar que o bom samba também mora em Mangueira.Afinal, "onde eu cheguei, nem um mortal chegou, modesta parte nessa arte, Deus meconsagrou e o meu canto ecoou por todo universo, até em Marte o meu samba fezsucesso!"Por tudo isso vou festejar, pois sou Cacique, sou Mangueira!Bibliografia:1) Cacique de Ramos – Uma História que deu Samba.Autor: Carlos Alberto Messeder Pereira.2) Blocos.Autor: João Pimentel.3) Almanaque do Carnaval.Autor: André Diniz4) Ogundana – O Alabê de Jerusalém.Autor: Altay Veloso. UNIDOS DA TIJUCA "O DIA EM QUE TODA A REALEZA DESEMBARCOU NA AVENIDA PARA COROAR O REI LUIZ DO SERTÃO"
  36. 36. "Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo, o sertão,que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes,os valentes, os covardes, o amor."Luiz GonzagaToca a sanfona porque a festa vai começar!Abre e fecha esse fole que a comitiva vai chegarA Avenida é a estrada que leva sertão adentroE ninguém que aqui está esquecerá esse momentoDe lembrar que, em noite de estrela, nasceu um rei no sertãoQue virou majestade de tanto ensinar o baiãoAndando e cantando a história de seu povoCem anos depois, ele vai ser coroado de novoConvidamos reis e rainhas pra mostrar que desde meninoLuiz Gonzaga, o Lua, já tinha de astro o destinoMostrava o sorriso e a alegria, cantava e dava liçãoMas lá no fundo guardava saudade no coraçãoSenhoras e senhores, o roteiro dessa viagemLeva a terras distantes, onde um povo de coragemDesafia a seca e a poeira, do barro ganha a vidaEsculpe a terra, tece a renda, de sol a sol nessa lidaNo mercado, montam a banca e é bonito de se verE de tudo que há no mundo, nele tem para venderCores, cheiros, sabores da cultura nordestinaLá se compra toda a sorte dessa vida SeverinaSegue o comboio real, vai cruzando o caminhoNo lombo do burro, chega às terras de VitalinoO mestre da escultura, que todo mundo copia
  37. 37. Bonecos que contam a vida, as coisas do dia a diaMas pra conhecer o sertão, é preciso ter coragemAtravessar a caatinga, seguir em frente a viagemPedir benção, rezar com fé, ser beato, ser romeiroE reunir com toda a tropa, lá na Missa do VaqueiroSenhores, rainhas e reis, o Rei do Baião anunciaQue, depois de tanta reza, vai crescer a valentiaÉ pegar a beira do rio, é ser Lampião e CoriscoPra conhecer a beleza do Vale do São FranciscoAndar pela margem pra ver a vida que brota dos riosO Velho Chico crescendo, com água que vem dos baixiosA cana, os frutos, o gado, o canto do passarinhoCantar a saudade do rei, desse tempo de meninoToca a boiada, vaqueiro! Segue em guarda o cangaçoQue cada afluente que corre do Velho Chico é um braçoDesce pro sul até ver carrancas que trazem a sorteA cara feia que espanta não deixa ter medo da morte"Simbora" que vem a noite, é hora de ver balãoQue as festas já começaram, tem "arraiá", tem quentãoSão José foi no plantio, na colheita é São JoãoA quadrilha já tá pronta, vai ter forró e baiãoE a sanfona anima o povo, todos vão se apresentarPra comitiva real, ao som do fole brincarBumba meu boi, maracatu, frevo, pagode e reisadoE tudo que precisar pra gente ficar animadoFoi cantando pelo sertão que Gonzaga virou reiDe tanto cantarem junto, sua canção hoje é leiDa poesia na praça, da valentia e coragemSua lição ganha as rádios, difunde sua mensagemNas estações onde passa, vai contando sua vidaEspalha alegria e raça, hoje ganha a AvenidaE a Tijuca agora brinca e pra todo o mundo dizQue a estrela de Gonzaga no céu descansa feliz.Isabel Azevedo- Ana Paula Trindade - Simone Martins- Paulo Barros ACADÊMICOS DO GRANDE RIO "Eu Acredito em Você! E Você?"
  38. 38. Na manhã do dia 07 de Fevereiro de 2011 o G.R.E.S Acadêmicos do Grande Rio viu ahistória de seu carnaval tomar novos rumos. Um incêndio destruía o que estavaconstruído para o desfile que se aproximava, bem como, toda sua estrutura de Barracãoe acervo de vinte e três anos de história. Naquele dia, parecíamos não termos nada. Acena era de destruição e o sentimento era o de perda. Do Barracão, só os destroços deum carnaval transformado em cinzas, antes da quarta-feira.Na mesma semana havia um ensaio na quadra da Escola. A comunidade estava triste. AEscola não estava feliz, mas há nisso um enorme porém: ninguém naquele ensaiodeixou de cantar! Ali, entre as lágrimas e o canto da comunidade, surgia o sentimentoque serviria de inspiração para o enredo do Carnaval que propomos agora. O povo deCaxias havia entendido antes de todos nós, o que era preciso fazer. A comunidadeensinava aos que haviam se abatido com o incidente, o que era necessário ser realizado:era preciso superar!A sinopse que apresentamos agora é fruto do sentimento compartilhado a partir domomento em que fomos obrigados a superar uma adversidade imposta. Ela traduz ummomento particular da Escola, mas revela também que o ato de superar é pertinente erecorrente junto à vida do homem. Debruçados sobre as histórias de alguns deles,descobrimos incríveis exemplos que nos obrigam a acreditar na força em reerguesseapós o adverso.É por isso que eu acredito em você!E você?EU ACREDITO EM VOCÊ!E VOCÊ ?(Histórias de Superação)"A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim, em levantarmo-nosdepois de cada queda." (Confúcio).Não me peça para desistir. Acredito, sigo em frente porque só sei caminhar! Não me
  39. 39. desanimo: caio, levanto, a volta por cima hei de dar. A força não está em mim: Paraquem do céu herdou a promessa, a vitória é coisa certa; a questão é esperar. Por entre asnuvens os anjos se puseram a anunciar: "não te desespera, não deixa o desânimo tomarconta de ti, tira os olhos das dificuldades e coloca-os em mim.Com a palavra, o céu desce a terra. Das alturas, rica fonte de entusiasmo: a direita dopai, a me guiar, aquele que ao enfrentar o adverso, foi grato exemplo da importância deaprender a superar. Com os olhos fitos nos céus, sinto o calor luminoso que rompe abarreira das nuvens que outrora foram de tempestade. Me banho junto às águas debonança que seguem após a revolta das marés. Me conforto, ganho ânimo, e um novocarnaval assim eu faço: tudo o que renasce com maestria, todo aquele que enfrenta evence o que lhe desafia, faz crescer o que imagino, para construir um carnaval.Na perda do amor que se foi, faço hora para o que virá. Se a saúde fizer despedida,espero ela voltar. Não há medo, vício, ou preconceito, que eu não possaenfrentar. Enfrento a perda e a dor, venço o medo com sabedoria, rimo a piada com oque não tem graça, lhe conto um conto, de sabedoria popular: Não tema o que lheparece "maior", não te desespere diante ao que lhe parece impossível. Precisamos, dia-a-dia, enfrentar e derrubar nossos temidos gigantes!Por isso vos digo como exemplo a lhe ofertar: Se o som for sepultado em meus ouvidos,faço melodia e canção no silêncio que habita a imaginação. Se na escuridão meus olhosme lançarem, solto a voz para multidões, faço do canto, luz para iluminar.Quando a dor me castigar, faço dela o incentivo para o entalhe mais perfeito da belezade um altar. Se pobre eu nascer, se a vida me bater, se a dor me esmagar; abro sorriso aoadverso, luto de peito aberto, para as luzes da ribalta me consagrar! Se a vida me testar,tirar-me o que julgo precisar, se a firmeza das mãos me faltar, o dom de Deusresplandecerá e uma orquestra surgirá.Na busca por superar, topo aceitar o desafio: Vou suar a camisa, correr distanciaslongas, meu corpo está posto à prova; certamente, eu chego lá! Quero um lugar nopódio, quero os louros da vitória, quero mérito por superar. Cambaleei, enverguei, nãodesisti, e exemplo me tornei!Na luta pela conquista, sou herói, sou atleta! Recebo sopro divino, corro em linha reta,corro atrás de bola, um fenômeno surgirá. Alço as velas do meu barco e lavo minhasdores nas águas do azul que tinge o mar. Em águas cristalinas nado com a força de umtubarão, faço o mundo avançar em braçadas. Saltando próximo as nuvens, com os pésno chão, ou sobre rodas, o que me guia é a superação!Na história do homem sobre a terra, exemplos ei de dar: Quando um homem ajuda umhomem, não há dor coletiva que ele não possa curar. Avança o dia, avança anoite. Corre o tempo, a tristeza fica pra trás. O que se expandiu junto a uma manhã queexplodiu, hoje é página virada, "rosa desbotada," que ninguém mais viu.O que se destruiu, se reconstruiu. Onde o "preto" não era "branco," onde o "branco" nãoera "preto", levantou-se a voz da nova ordem a anunciar a união. Dando a mão a umirmão, tijolo por tijolo, lágrima por lágrima, erguemos um bem precioso, reconstruímos
  40. 40. uma Nação.O vento sopra a bandeira verde e amarela e faz o exemplo de seus filhos brilharem emnossos olhos. São "Joãos" "Marias," "Silvas," "moleques" que correm descalços,trabalhadores do asfalto, gente que luta, gente que vence. São mulheres que rompem asbarreiras das limitações. São homens que vencem a "seca" e o "pau de arara,"paraocupar, quem sabe, o mais alto posto no comando da Nação. Jovens que ultrapassam osbarracos da cidade. Mães que fazem da luta prova de superação. Homens e mulheresque levantam a poeira do chão, guerreiros que batem samba na palma da mão; a baianaque gira, o sorriso da velha-guarda, o passista que risca o chão, a bateria que marca opulsar do coração, gente que "enverga mas não quebra", gente que vem a ser osignificado mais claro e puro para o nome SUPERAÇÃO!Cahê Rodrigues – CarnavalescoPesquisa e texto: Leandro Vieira, Lucas Pinto e Cahê RodriguesDedico este enredo a todos os profissionais, artistas e voluntários que juntosreconstruíram o carnaval de 2011, levando para o Sambódromo carioca um desfile degarra, dedicação, amor, amizade, união e superação.

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