Nos Arraiais da MemóriaAs quadrilhas juninas escrevem diferentes histórias                Mário Ribeiro dos Santos        ...
Anavantu - 2010
Prefeito do Recife                            Equipe Técnica    João da Costa                                 Coordenação ...
Deveras - 1993    Truaka - 1992São João na Roça - 1990   Dona Sinhá - 1991                          Flor do Abacate Mirim ...
Lumiar - 1995    Explosão Pernambucana - 2004                  Truaka    Origem Nordestina - 1998    Quarenta Graus - 1997...
As Quadrilhas Juninas constituem uma das manifestações culturais maisrepresentativas do São João do Recife. Elas ocupam os...
Arrastapé no Asfalto - 2009
“Olha pro céu, meu amor, veja como ele está lindo...”. Foi em noites de SãoJoão, com os versos de Luiz Gonzaga e José Fern...
0     Flor do Abacate - 1995
SumárioAi que saudade que eu tenho das noites de São João ...     13       Festival Pernambucano de Quadrilhas Juninas    ...
Traque de Massa - 2007
Ai que saudade que eu tenho das noites de São João ...                                  “Ai que saudade que eu tenho      ...
Nas páginas que seguem, identificamos como história e memória se co-     nectam e se misturam, numa relação na qual se ent...
ligados a uma lembrança pessoal: os arraiais de bairro, o Sítio Trindade, afesta de São João, o Festival Pernambucano, os ...
Nos Arraiais da Memória possibilita também novos desdobramentos que     se fazem pertinentes. Dos sessenta grupos selecion...
Festival Pernambucanode Quadrilhas Juninas
Meados dos anos 0, a sociedade civil se reúne (entidades de classe, sin-     dicatos), num movimento histórico de reivindi...
São João do Carneirinho (Engenho do Meio) e, em segundo lugar, a XiqueXique no Remelexe (Brasília Teimosa).Em , o Pernambu...
Não demora e o Pernambucano se consolida como o principal concurso de     Quadrilhas Juninas do Estado, cujo modelo reperc...
idealizador e coordenador da ação durante oito anos. Assim como no con-curso adulto, no infantil as quadrilhas são avaliad...
Nesse encontro, organizado pelos dirigentes de quadrilha com o apoio da     Fundação de Cultura, discutiu-se, entre outros...
cife, Governo do Estado e Sesc. Outra atividade relevante foi a primeira ca-pacitação dos jurados dos Arraiais Comunitário...
para as quadrilhas e também como um instrumento de pesquisa não só     para os quadrilheiros, mas para os estudantes, pesq...
(atualizada e organizada por Carmem Lélis; realizamos a primeira oficina deCasamento Matuto (em parceria com a Fequajupe),...
Compreendendo o Festival como um sistema em processo, a Fundação de     Cultura amplia o seu olhar até a outra extremidade...
julgadora. A ideia consiste em preparar o jurado, do ponto de vista teórico,para os diferentes discursos apresentados pela...
I Seminário Junino de Pernambuco, UNIVERSO, 2005     00); Pisa no Espinho (Rio Doce, 00) e Sanfona Branca (Areias, 00)”.  ...
Seminário - Recife Praia Hotel, 2008contamos com a contribuição de toda uma equipe especializada, principal-mente dos noss...
00 se inicia com reuniões entre quadrilheiros e representantes da Fun-     dação de Cultura, para elaboração do novo regul...
Histórico das Quadrilhas Juninas
Anarriê Junina     A ideia primeira de fundar a quadrilha Anarriê Junina foi do professor de     Educação Física e coreógr...
A identificação da comunidade com o trabalho da quadrilha refletia naprocura dos jovens para fazer parte do grupo. No últi...
Arraialzinho do Cordeiro     “A quadrilha junina mais antiga em funcionamento no Recife”. Assim é co-     nhecida a quadri...
José), consagrando-se campeã. No ano seguinte, no mesmo concurso, con-quista o bi-campeonato. Em , é a vez de Seu Regi rec...
Boa Vista Show     Comunidade dos Coelhos, no Bairro da Vista, centro do Recife. Essa é a     referência da localização, o...
Em , duas pessoas contribuíram decisivamente para a montagem doespetáculo da Boa Vista Show, os artistas plásticos Fábio C...
O ano de  para o grupo foi marcado por muitas dificuldades financei-     ras, fato que refletiu nos dois anos seguintes, q...
Brigões de SuapePraia de Suape, Cabo de Santo Agostinho. Coqueiros, mar, sol, calor, pes-cadores, jovens com muitos sonhos...
A chegada do novo milênio trouxe para a quadrilha o º lugar no Festival     Pernambucano da Prefeitura do Recife, além de ...
Ousadia é a palavra, que talvez marque o perfil dos trabalhos que a Brigõesrealiza. Em 00, leva, pela primeira vez, na his...
Brincant’s Show     Em janeiro de 00, surgiu um projeto de Animação Cultural na Escola     Municipal Eng. Guilherme Diniz,...
sim, após dois anos de existência, o grupo recebe o nome de Brincant’s. En-tre as pessoas idealizadoras desse projeto, des...
ta os espetáculos durante o São João para analisar e fomentar o que já vem     sendo formulado em seus registros. Nesse ri...
CambalachoA Quadrilha Junina Cambalacho foi fundada em 0 de março de  pelasirmãs Gecilene e Gecijane Lopes Barbosa. A idei...
A relação da quadrilha com a comunidade extrapola o ciclo junino, dia-     logando com as experiências do cotidiano dos se...
A seriedade do trabalho ultrapassou o período junino e conquistou a cre-dibilidade da comunidade, que procura e participa ...
Chiclete com Banana     A Quadrilha Chiclete com Banana foi fundada em  de abril de  no     Bairro da Vila Rica/Cohab  - J...
seu estilo matuto e adotando uma forma mais moderna de fazer quadrilha.Desde então, passam a adotar um formato de trabalho...
O ano de  foi marcante para o grupo. Chiclete com Banana conquistou     o ° lugar do concurso de Quadrilhas Juninas da Red...
que junto com o marcador desenvolve os passos, amarrando tudo com ahistória do casamento – mote maior para a festa acontec...
Deveras     Fundado na comunidade de Brasília Teimosa - Recife, em 0, o balé Deve-     ras surge com o propósito de dar vi...
Em , monta o espetáculo “Bandeira de São João”, baseado no disco deAntônio Brito e Zoca Madureira. O espetáculo montado pa...
Obedecendo ao formato a quatro (quadrilha), mas tendo a liberdade de va-     riar, o grupo trouxe para o espetáculo alguma...
Entre os títulos conquistados, destacam-se: os vários anos em que se classi-ficou entre as três quadrilhas mais pontuadas ...
Dona Matuta     Fundada em  de maio de 00, no bairro de San Martin - Recife, Dona     Matuta nasceu da união de jovens “ve...
Estabelecida uma relação de identidade da rua e do bairro com a quadrilha,dois nomes talvez se destaquem como os personage...
A originalidade do seu figurino, artesanalmente confeccionado pelas cos-     tureiras do grupo e alguns integrantes, é a m...
cabeça, traque de massa, chapéus, alugar os ônibus e caminhões-baús paratransportar a produção). Essas festas também funci...
Dona Sinhá     A Quadrilha Dona Sinhá da comunidade do Encanta Moça – Pina – nasceu     de uma brincadeira de criança “no ...
A animação dos ensaios atrai a população da redondeza para a Rua Itaiçuba,no Pina, e o grupo inicialmente “inexperiente”, ...
Durante o seu tempo de existência, muitas são as pessoas e as situações     pitorescas que enriquecem a história da Dona S...
Fogo na NoiteA História da Quadrilha Fogo na Noite no São João do Recife é muito bre-ve. Existiu durante seis anos apenas ...
Flor do Abacate     Em abril de , os moradores da Rua do Abacate, situada na ª etapa     do Bairro de Rio Doce – Olinda, a...
cador) entre outros apaixonados pela Flor. É importante ressaltar, que amaior parte dos diretores e envolvidos diretamente...
Forró Moderno     Inconformados com o encerramento das atividades da Quadrilha Flor do     Abacate, alguns diretores, entr...
Nordestino de Quadrilhas Juninas da Rede Globo (); º lugar do Fes-tival de Quadrilhas do GERA (Areias,  e 00); ºlugar do F...
nosso trabalho tentamos diminuir dessa forma o acesso ao crime e às dro-     gas”, diz Itamar.     A quadrilha recebe o ap...
Geração 2000A quadrilha Geração 000 foi fundada em  de março de , por umgrupo de moradores do loteamento Céu Azul, no bair...
a oficina de marcenaria, que já foi tema de programas de TV, rádio, entre     outros, além de oficinas de artesanato, mass...
Junina TradiçãoA ideia primeira de criar a Quadrilha Junina Tradição nasceu numa mesade bar entre conversas e sonhos de qu...
possível fazer uma quadrilha democrática onde todos e todas pudessem     ter vez e voz. Uma quadrilha que contribuísse na ...
HISTÓRIAS DAS QUADRILHAS JUNINAS
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  • Na pagina 120 do livro ,o garoto que esta trajado de Juiz chama-se Ivan oliveira, conhecido na época como 'IVANZINHO', morador da Rua 13 de Maio em Camaragibe e um dos fundadores da Rancho Alegre. Infelizmente meu nome não foi citado.
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HISTÓRIAS DAS QUADRILHAS JUNINAS

  1. 1. Nos Arraiais da MemóriaAs quadrilhas juninas escrevem diferentes histórias Mário Ribeiro dos Santos Recife, 2010
  2. 2. Anavantu - 2010
  3. 3. Prefeito do Recife Equipe Técnica João da Costa Coordenação Vice-prefeito do Recife Zélia Sales Milton Coelho Supervisão Secretaria Especial de Relações Mário Ribeiro dos Santos com a Imprensa Entrevistas e Pesquisa de Campo Ceça Britto Graça Xavier, Paulinho Mafe e Perácio Gondim Diretoria de Jornalismo Guimarães Junior Fábio Araújo Textos Secretaria de Comunicação Mário Ribeiro dos Santos Ceça Britto (Interina) Revisão de Textos Diretoria de Propaganda e Criação Karolina Ferreira Kássia Araújo Design Gráfico Secretaria de Cultura Ana Helena S. Cavalcanti Renato L Lúcia Helena N. Rodrigues Fundação de Cultura Cidade do Recife Colaboração Presidente Anderson Carlos, Dionísia, Leandro Souza Luciana Félix e Vera Regina Marques Coordenação Geral do São João Fotografias Bode Valença Paulinho Mafe e acervo das quadrilhas Diretoria de Desenvolvimento e Descentrali- zação Cultural Agradecimentos Luciana Veras Alexandre Macedo, Brito (Catirina), Carlos Gerência de Artes Cênicas Varella, Carmem Lélis, Carminha Lins, Conceição Camarotti, Didha Pereira, Eduardo Albemar Araújo Pinheiro, Eliane Meireles, Fernando Augusto Gerência de Formação Cultural Santos, Galeana Brasil, Geraldo Vital, Graça Zélia Sales Xavier, Haja Teatro, Ivan (Mateus), José Cleto Gerência de Serviços Pedagógicos Machado, Leda Alves, Magdalena Almeida, Mário Ribeiro dos Santos Marco Camarotti, Patrícia Reis, Prazeres Barros, Gerente de Serviços de Produção Gráfica Normando Roberto Santos, Rosana, Rosival Santos (Mano), Rudimar Constâncio, Sesc Lúcia Helena N. Rodrigues Piedade, Sônia Medeiros, Telma Nunes, Tiago Lopes de Andrade Lima, Uel Silva e a todos os quadrilheiros consultados. Apoio Sesc Piedade
  4. 4. Deveras - 1993 Truaka - 1992São João na Roça - 1990 Dona Sinhá - 1991 Flor do Abacate Mirim - 1995 Pelo Avesso - 1993 Boko Moko - 1990
  5. 5. Lumiar - 1995 Explosão Pernambucana - 2004 Truaka Origem Nordestina - 1998 Quarenta Graus - 1997 Dona Matuta - 2007 Boa Vista Show
  6. 6. As Quadrilhas Juninas constituem uma das manifestações culturais maisrepresentativas do São João do Recife. Elas ocupam os diferentes espaçosda festa, transformando o cotidiano da cidade com a singularidade de es-petáculos artísticos que dizem de nós, o que somos e fomos, reafirmandoas nossas riquezas e diversidade cultural.Nos Arraiais da Memória: as quadrilhas juninas escrevem diferentes históriasé um trabalho que documenta o nosso reconhecimento, a valorização e aperpetuidade de uma expressão cultural, que particulariza as festividadesjuninas e a história da nossa cidade.Essa publicação dialoga com o que acreditamos ser importante para o re-gistro da memória de um bem cultural. É um trabalho que apresenta umdiferencial: o ineditismo da escrita da história do Festival Pernambucanopromovido pela Prefeitura do Recife, juntamente com a trajetória de qua-renta e uma quadrilhas juninas. Aqui, são contadas peculiaridades dos gru-pos, costumes em comum, além do reconhecimento de numerosos talentosque se revelam e se superam a cada São João.Que essa pesquisa se multiplique nos encontros dos quadrilheiros pelosarraiais da cidade, que tome novo fôlego nas conversas dos moradores dascomunidades de origem dos grupos; que estimule a concretização dos so-nhos e a formação de novas quadrilhas, na esperança de que novas históriassejam escritas. João da Costa Prefeito do Recife
  7. 7. Arrastapé no Asfalto - 2009
  8. 8. “Olha pro céu, meu amor, veja como ele está lindo...”. Foi em noites de SãoJoão, com os versos de Luiz Gonzaga e José Fernandes a embalar casais nosbairros recifenses, que uma brincadeira praticada em todos os arraiais seafirmou como legítima manifestação cultural. Assim como não se pensao Carnaval sem os blocos e troças que o mantêm vivo, não existe o ciclojunino sem a criatividade e a tradição das quadrilhas.Observar a apresentação dos pares requer a mesma atenção e, por que não?,reverência que se devota a um espetáculo teatral. Há uma dramaturgia pró-pria no enredo, há uma narrativa coesa nas coreografias e há uma estéticapeculiar nos adereços, da mesma maneira que há um modo particular decada quadrilha se descortinar ao público.À plateia, ora empolgada com a evolução da dança, ora surpresa com asrevoluções propostas e incorporadas ao longo dos anos, cabe o prazer deapreciar aquela encenação e reter na memória os personagens, o casamentoe os passos da montagem. Impossível não associar o anavantu, anarriê e obalancê de uma quadrilha à lembranças acalentadas por todos nós, como osecos de “foi numa noite igual a esta que tu me deste o teu coração...”.“Havia balões no ar, xote e baião no salão” e as quadrilhas juninas se multi-plicaram, renovaram-se e potencializaram seu alcance, tornando cada noi-te de São João uma festa multicultural, colorida, democrática e plural. APrefeitura do Recife, por meio da Fundação de Cultura Cidade do Recife,orgulha-se de registrar essa história. Nossa cidade é a gente quem faz. Enossa cultura é a gente quem faz questão de preservar. Luciana Félix Presidente Fundação de Cultura Cidade do Recife
  9. 9. 0 Flor do Abacate - 1995
  10. 10. SumárioAi que saudade que eu tenho das noites de São João ... 13 Festival Pernambucano de Quadrilhas Juninas 17 Histórico das Quadrilhas Juninas Anarriê Junina 32 Arraialzinho do Cordeiro 34 Boa Vista Show 36 Brigões de Suape 39 Brincant’s Show 42 Cambalacho 45 Chiclete com Banana 48 Deveras 52 Dona Matuta 56 Dona Sinhá 60 Fogo na Noite 63 Flor do Abacate 64 Forró Moderno 66 Geração 000 69 Junina Tradição 71 Lumiar 77 Matutinho Dançante 81 Moderna Fuzarca 83 Nóis Sofre Mais Nóis goza 86 Olodum Mirim 88 Origem Nordestina 91 Pé Dentro, Pé Fora 94 Pelo Avesso na Roça e na Raça 97 Pingo D’Água 101 Pisa na Fulô 103 Pisa no Espinho 105 0 Graus 108 Raio de Sol 111 Raízes do Pinho 116 Rancho Alegre de Camaragibe 118 Rosa Linda, Linda Rosa 122 Sanfona Branca 125 Sempre Kita 127 Tradição City 129 Trapiá Pernambucana 131 Traque de Massa 132 Truaka 135 Vai-Vai na Roça 137 Xique Xique no Remelexe 142 Xilindró de Ritmos 144 Zabumba 148
  11. 11. Traque de Massa - 2007
  12. 12. Ai que saudade que eu tenho das noites de São João ... “Ai que saudade que eu tenho Das noites de São João Das noites tão brasileiras das fogueiras Sob o luar do sertão Meninas brincando de roda Velhos soltando balões Moços envolta fogueira Brincando com o coração Eita São João dos meus sonhos Eita saudoso sertão ai ai” (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)A lembrança nos traz à memória a mais remota passagem que temos dafesta de São João quando ouvimos essa música de Luiz Gonzaga e Zé Dan-tas. Quantas imagens vêm na tela da mente? Lembranças do cheiro de fu-maça no ar; do gosto de milho cozido, do sabor da canjica, que se misturaao cravo e à canela do bolo pé de moleque... Versos, que propõem umaprofusão de sentidos, que não se curvam às definições de um dicionáriolimitado. As histórias das quadrilhas juninas também esbanjam muitossentidos. Elas não se revelam completamente... Dormem no mais íntimodas memórias dos quadrilheiros; repousam nos bairros, nas ruas e nosarraiais, onde meninas brincam de roda e velhos soltam balões em noitestão brasileiras das fogueiras...Nos Arraiais da Memória nasce, portanto, com um primeiro desafio:relacionar, num mesmo trabalho, história e memória, considerando suasmúltiplas temporalidades, visto que, nos depoimentos dos entrevistados,falam os jovens do passado pela voz dos adultos, ou dos idosos do tempopresente. Quadrilheiros que revelam as memórias de suas experiências etambém lembranças a eles repassadas; pessoas que falam de um temposobre um outro tempo; que registram sentimentos e interpretaçõesentrecortadas pelas emoções do ontem, renovadas ou ressignificadas pelasemoções do hoje.
  13. 13. Nas páginas que seguem, identificamos como história e memória se co- nectam e se misturam, numa relação na qual se entrelaçam o passado e o presente; a lembrança e o esquecimento; o pessoal e o coletivo; o público e o privado; o sagrado e o profano. Nesse diálogo entre memória e história existe uma relação de poder, que tanto revela como oculta. Talvez, esse tenha sido o nosso segundo desafio, quando adotamos (pelas próprias circunstâncias da pesquisa) o método da história oral como procedimento para o desenvolvimento do trabalho. Nesse sentido, entre as pessoas que foram entrevistadas (testemunhas dos acontecimentos vividos pelos grupos), muitas lembranças foram reveladas de forma explícita, outras vezes de forma velada, chegando em alguns casos a ocultá-las, talvez para se proteger dos traumas e das emoções que marca- ram as suas vidas. Depoimentos únicos e fascinantes em sua singularidade e potencialidade de revelar emoções. Momentos, que não se reduzem ao simples ao ato de recordar, mas que revela o mais íntimo dos referenciais de um grupo social sobre o seu passado e presente, fornecendo significados e evitando que seus membros percam as suas raízes e identidades. Apesar de compreendermos a memória como um fenômeno coletivo e social, submetido a flutuações e mudanças constantes, identificamos nos relatos, a existência de marcos ou pontos relativamente invariáveis, imutáveis. Um desses marcos é o Festival Pernambucano de Quadrilhas Juninas, que aparece em todas as falas como uma história de vida individual, algo relativamente íntimo, como se fizesse parte da própria essência da pessoa. Nos Arraiais da Memória também registra o reconhecimento, na sua justa me- dida, da contribuição de muitas pessoas que participaram do processo de escrita da história das quadrilhas juninas em Pernambuco. Nomes de quadrilheiros, gestores, jurados, professores, entre outros personagens, que são encontrados ao longo da narrativa e se misturam na busca de interesses comuns. Paralelamente a essas pessoas, cujas lembranças alimentam a construção desse trabalho, destacamos os diferentes lugares da memória que se reve- lam durante a pesquisa. Lugares dotados de significados, particularmente
  14. 14. ligados a uma lembrança pessoal: os arraiais de bairro, o Sítio Trindade, afesta de São João, o Festival Pernambucano, os outros concursos.... Espaçosmúltiplos e comuns, que ficam nas memórias, empiricamente fundados emfatos concretos.Uma leitura mais atenta do trabalho possibilita, ainda, identificar as mu-danças que ocorreram na forma de fazer quadrilha junina no Estado nas úl-timas três décadas. Percebemos que elas iniciam como uma brincadeira deSão João entre vizinhos do mesmo bairro e se transformam em espetáculosartísticos com uma ética própria, técnica e profissionalismo. Outras trans-formações identificadas dizem respeito ao próprio formato dos trabalhosdos grupos, como por exemplo: a criação de novos passos e movimentoscoreográficos; as mudanças nos estilos musicais adotados; novos forma-tos, texturas e pigmentações dos figurinos; a gravação dos casamentos; aimportância atribuída ao tema, novos personagens, entre outras inovaçõesconsideradas comuns quando se trata de uma manifestação cultural emcontínuo processo de mudanças e permanências.A pesquisa também revela ao leitor, como se configura a geografia da festade São João no Recife e Região Metropolitana, desde a organização dosarraiais de bairro, onde as quadrilhas e a própria Prefeitura do Recife pro-moviam concursos nos anos 0, até o formato atual de descentralizaçãodo Festival Pernambucano nas seis RPAs.Considerando as evidências reveladas, a Gerência de Formação Culturalda Fundação de Cultura Cidade do Recife certifica-se de que apresenta àsociedade, pela primeira vez, um trabalho que registra e atribui valor cien-tífico à história das quadrilhas juninas e do Festival Pernambucano Adultoe Infantil. Uma produção de credibilidade, construída a partir dos depoi-mentos e das experiências de quem faz a manifestação cultural quadrilhajunina ter histórias importantes, que agora se encontram documentadas.Contribuições singulares que possibilitam a construção de novas fontes,que subsidiarão pesquisas, qualificando acervos de bibliotecas públicas, es-colares, museus, ONGs e centros de documentação, pesquisa e memóriahistórica do Recife e Região Metropolitana.
  15. 15. Nos Arraiais da Memória possibilita também novos desdobramentos que se fazem pertinentes. Dos sessenta grupos selecionados para esta primeira edição, apenas quarenta e um tiveram suas histórias documentadas. A au- sência dos outros textos deve-se a dois fatores: a dificuldade de encontrar os representantes e/ou componentes das quadrilhas que não mais participam do São João e a inexistência de documentos que comprovem empiricamen- te momentos da história de vida dos grupos atuantes (situação comum no universo das manifestações de cultura popular). Essa realidade dificultou a concretização da ideia inicial do trabalho, porém, contribuiu para estimu- lar a organização da segunda edição dessa pesquisa, contemplando outras quadrilhas que igualmente contribuem para o enriquecimento da história cultural dessa cidade. Mário Ribeiro dos Santos Gerente Pedagógico (GOFC / FCCR) Zélia Sales Gerente de Formação Cultural (GOFC / FCCR)
  16. 16. Festival Pernambucanode Quadrilhas Juninas
  17. 17. Meados dos anos 0, a sociedade civil se reúne (entidades de classe, sin- dicatos), num movimento histórico de reivindicação por eleições presiden- ciais diretas, que devolva ao Brasil a liberdade de expressão política depois de um longo período de censura oficial. Nesse clima efervescente que do- mina o cenário nacional, cresce no Recife outro movimento, também civil, protagonizado por jovens, que encontra nas expressões culturais do Ciclo Junino, uma forma de se manifestar publicamente por meio da arte de brin- car quadrilha junina. Os grupos são formados, na sua maioria, por pessoas da mesma família ou moradores da mesma rua, que desejam se reunir, congregar amigos, fami- liares e vizinhos numa animada festa de São João. Um modelo de diversão que tem como cenário principal um arraial, enfeitado com bandeirolas, ba- lões, palhas de coqueiro, fogueiras, entre outras estruturas, que se repete em diversos bairros dos subúrbios do Recife. Cada qual com sua programação própria, maneiras específicas de dialogar com as estruturas sociais vigentes, de despertar emoções e reações, expressando-se livremente e disseminan- do para a sociedade o que de fato querem através da brincadeira. Os arraiais de bairro ocupam o espaço da festa na cidade e dão visibilida- de às expressões culturais existentes nos bairros. As quadrilhas juninas se revestem de maior importância, revelando talentos, estreitando as relações de troca com a comunidade, além de gerar trabalho, renda e promover, por meio da arte, crianças, jovens e adultos, moradores de áreas de grande vulnerabilidade social. Consciente das potencialidades que emanam dessa manifestação e da sua popularidade na cidade, a Prefeitura do Recife organiza, em , um con- curso de quadrilhas juninas, que visa, sobretudo, ampliar a participação popular, valorizar e estimular as diferenças culturais das festas juninas na capital. Sob a coordenação da historiadora Sônia Medeiros, o Festival Per- nambucano de Quadrilhas Juninas (nome oficial do evento), acontece pela primeira vez no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, popularmente co- nhecido como Geraldão, no bairro da Imbiribeira. Entre dezenas de grupos que participaram, consagra-se a primeira campeã do concurso a quadrilha
  18. 18. São João do Carneirinho (Engenho do Meio) e, em segundo lugar, a XiqueXique no Remelexe (Brasília Teimosa).Em , o Pernambucano (forma popular de chamar o concurso) assumeum formato descentralizado, realizado nos dias de São João, em diferentesarraiais espalhados pelo Recife e Região Metropolitana. “O concurso era re-alizado nos arraiais das quadrilhas Boko Moko (UR ), Kokota (Associaçãodos Moradores da UR ), Pelo Avesso (UR ), Deixa Meu Pé Quieto (Ipsep),no Vasco da Gama, em Brasília Teimosa, no Encanta Moça (Pina), CentroSocial Urbano Bidu Krause (Totó). A etapa final acontecia no Pátio de SãoPedro”, diz Graça Xavier, na época, integrante da equipe do concurso. Kokota na RoçaO Festival adota um formato, que obedece aos dois modelos de quadrilhasda época: as tradicionais e as estilizadas, avaliadas por duas comissões jul-gadoras formadas por indicação direta dos organizadores. Entre os juradosque percorrem os arraiais assistindo às apresentações das quadrilhas (cercade oitenta) nesse período, destacam-se: Carlos Varella, Alfredo Borba, Ci-rinéia Amaral, Jurandir Austtermann, Lula Gonzaga, Liane Borba, Hermó-genes Araújo, Paulo Fernando, Albemar Araújo, Osvaldo Araújo, entre ou-tros, que se dividiam no julgamento dos itens: entrada e saída da quadrilha,marcador, animação, alinhamento e figurino.
  19. 19. Não demora e o Pernambucano se consolida como o principal concurso de Quadrilhas Juninas do Estado, cujo modelo repercute e estimula empre- sas e associações particulares a estruturarem os seus próprios concursos, a exemplo do Festival de Quadrilhas Juninas da Rede Globo Nordeste () e o concurso do Sesc, em . Testemunha do processo de mudanças e permanências dos grupos, a coor- denação do Pernambucano, em acordo com os dirigentes das quadrilhas, decide organizar um único concurso, extinguindo as categorias tradicional e estilizada. Essa nova fase do concurso () é coordenada por Carlos Varella e tem como principal cenário o arraial do Sítio Trindade, em Casa Amarela. É o início da construção do sentimento de identidade dos qua- drilheiros com o local, considerado referência pelos seguidores da mani- festação. A popularidade alcançada pelo Festival entre o universo dos quadrilheiros leva a coordenação do concurso a organizar a primeira reunião geral com os grupos. O encontro, coordenado pelo arte-educador Carlos Varella, em , contou com a participação de quadrilheiros e integrantes da equipe organizadora do concurso, os quais analisaram os diferentes itens de julga- mento. Dessa maneira, ficaram estabelecidos os seguintes itens: marcador, casamento, vestuário, música, coreografia e conjunto. “Esse momento foi muito importante para a história do concurso, pois registrou-se em docu- mento (o regulamento) os principais aspectos que caracterizam a manifes- tação cultural quadrilha junina. As várias coordenações que teve o Pernam- bucano (Graça Xavier (); Paulinho Mafe (-); Telma Nunes (-000); Zélia Sales (00 e 00) e Albemar Araújo juntamente com Zélia, a partir de 00, seguiram como parâmetro esse modelo de análise para nortear o trabalho da comissão julgadora”, diz Paulinho Mafe. Após catorze anos de realização do Festival Adulto, a Fundação de Cultura cria, em , o Festival Pernambucano de Quadrilhas Juninas Infantis. “Nós fizemos o concurso na época com R$ .000,00. Foi muito importante. Logo no primeiro ano, concorreram 0 quadrilhas, consagrando-se a ª campeã do Pernambucano a quadrilha Rancho Alegre”, diz Paulinho Mafe,0
  20. 20. idealizador e coordenador da ação durante oito anos. Assim como no con-curso adulto, no infantil as quadrilhas são avaliadas por uma comissão jul-gadora, composta por três membros. Entre os nomes que fizeram parte daprimeira comissão do infantil, citamos: Carmem Lélis, Rogério Fernandesde Castro e Verônica Ferreira. Xilindro de RitmosO novo milênio inicia e outras mudanças contribuem para transformar aescrita da história das quadrilhas juninas. Em junho de 000, o Departa-mento de Documentação e Formação Cultural publica a plaquete Quadri-lha Junina: história e atualidade. Um movimento que não é só imagem, umestudo preliminar com vinte e duas quadrilhas, destacando a importânciada manifestação como formadora de mão de obra na área cultural. A pes-quisa coordenada por Zélia Sales e organizada pela historiadora MagdalenaAlmeida resultou em vários momentos de reflexão com os quadrilheiros,entre os quais se destaca o seminário realizado no Teatro Barreto Junior, emagosto do mesmo ano.
  21. 21. Nesse encontro, organizado pelos dirigentes de quadrilha com o apoio da Fundação de Cultura, discutiu-se, entre outros assuntos, sobre os aspectos históricos da manifestação; mudanças e permanências; a existência de um concurso, suas potencialidades e dificuldades e a importância de sistema- tizar os trabalhos desenvolvidos pelos grupos. Desse primeiro momento, participaram alguns representantes de quadrilhas como: Dayvison Bandei- ra (Vem Que Tem Nordeste), Fábio Andrade (Lumiar), Itamar Coutinho (Flor do Abacate), Ivanildo Plínio (Brigões de Suape), entre outros, junta- mente com os palestrantes: Zélia Sales, Magdalena Almeida, Carmem Lélis, José Manoel, Didha Pereira, Paulinho Mafe e Willams Santana. O encontro resultou na criação da Federação de Quadrilhas Juninas de Per- nambuco (FEQUAJUPE), em 0 de agosto de 000 (registrada oficialmente dois anos após). Uma entidade civil sem fins lucrativos, que nasce com o intuito de valorizar e fortalecer o movimento junino no Estado. Entre os quadrilheiros que se afirmaram como defensores dos interesses dos grupos na luta pelo reconhecimento público e pela conquista do espaço político do segmento, destacamos aqueles que presidiram a entidade: Fábio Andrade (000-00); Antônio Amorim (00-00); Rejane Santana (00-00); Gilcley Paiva (00- atual). Outros nomes (membros da diretoria) também deixaram suas marcas na história da Federação. São eles: Francisco Santa- na, Hugo Menezes, Manoel Alexandre, Sérgio de Barros, Ivanildo Plínio, Dayvison Bandeira, Itamar Coutinho, Gustavo Medeiros, Patrícia Babalu, Fábio Jardel, André Perreli, Michele Miguel, Sérgio Murilo (estes três últi- mos integrantes da atual gestão). As discussões entre a Fequajupe e a Prefeitura do Recife avançaram e um conjunto de ações foi estabelecido, a partir do estreitamento do pensamen- to comum. Segundo Albemar Araújo, entre os trabalhos realizados em parceria com a Federação, podemos destacar: “I Seminário Junino de Per- nambuco com discussões de temas como empreendedorismo, marketing das quadrilhas, captação de recursos, elaboração de projetos e subvenção. Esse encontro aconteceu em 00, no auditório da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) e contou com a participação de aproximadamente duzentas pessoas, entre quadrilheiros, representantes da Prefeitura do Re-
  22. 22. cife, Governo do Estado e Sesc. Outra atividade relevante foi a primeira ca-pacitação dos jurados dos Arraiais Comunitários, em junho desse mesmoano, lá no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM). Maisde cinquenta pessoas estiveram presentes. Outra atividade foi a palestraque participamos (Rivalidade não Rima com Violência), no Teatro Hermi-lo Borba Filho. Além de outras ações como o Pré-Junino, o Quadrilhão, oFestival Pernambucano de Quadrilhas Juninas da FEQUAJUPE (Adulto eInfantil), organização de Cartões Postais das Quadrilhas, exposições comoa realizada na Casa do Carnaval, em novembro de 00, Quadrilha Junina:do fazer cotidiano ao espetáculo.”Nesse contexto de aproximação entre a política cultural da cidade e os pro-dutores diretos das manifestações de cultura popular, a Casa do Carnaval(na época uma divisão do Departamento de Documentação e FormaçãoCultural/ FCCR) abre as suas portas para as quadrilhas juninas interes-sadas em desenvolver trabalhos fundamentados em estudos e pesquisas.Em pouco tempo, a Casa torna-se um reduto dos quadrilheiros. “As visitaseram constantes, principalmente quando se aproximava o período junino.Os grupos iam lá, marcavam uma reunião com Carmem Lélis e ela atendiaa todos, sugerindo leituras, documentários, imagens, outras ideias. Era defato um dos trabalhos de formação de grande visibilidade da Fundação deCultura”, diz Zélia Sales (na época Chefe do Departamento de FormaçãoCultural e Coordenadora Geral do Festival de Quadrilhas).A demanda contribui para a qualificação e ampliação do acervo do espaço,o qual passa a atender diferentes grupos em busca de material para consulta(livros, periódicos, DVD’S, Fitas VHS, fotografias, entre outros documen-tos). Outras formas de garantia de visibilidade da manifestação quadrilhajunina são as exposições temáticas, realizadas no período junino, no espaçotérreo da Casa do Carnaval. Entre as exposições do espaço, destacam-se:Fogo é Louvor, fogueira é símbolo (00); Quadrilha Junina: tradição, arte eousadia (00), São João: festa da fertilidade da terra e do homem (00),São João: manifestação de fé, celebração da alegria (00); Quadrilha Juni-na: do fazer cotidiano ao espetáculo (parceria com a Fequajupe, 00). “Asexposições, visitadas por mais de duas mil pessoas, serviam de inspiração
  23. 23. para as quadrilhas e também como um instrumento de pesquisa não só para os quadrilheiros, mas para os estudantes, pesquisadores e outras pes- soas interessadas que passavam pelo Pátio de São Pedro e eram atraídas pelos textos, objetos e sons oriundos do espaço. Produzíamos também um folder, que o visitante levava para casa um resumo da exposição; além de emprestar para instituições de ensino da cidade, os materiais produzidos (banners principalmente) de exposições anteriores”, diz Conceição Fragôso (na época, estagiária da Casa do Carnaval). O interesse pela pesquisa e a carência de material para estudo, que desse subsídio às quadrilhas produzirem os seus espetáculos, leva o Departamen- to de Formação Cultural em parceria com a Casa do Carnaval e o Depar- tamento de Artes Cênicas elaborarem um programa de formação cultural focado nas quadrilhas juninas. “Publicamos a segunda edição da plaquete Quadrilha Junina: história e atualidade. Um movimento que não é só imagem Exposição Quadrilha Junina: do fazer cotidiano ao espetáculo, 2005
  24. 24. (atualizada e organizada por Carmem Lélis; realizamos a primeira oficina deCasamento Matuto (em parceria com a Fequajupe), com material didático(apostila) e aulas práticas no Pátio de São Pedro. Nesse primeiro trabalho,tivemos como professores Carmem Lélis (história do ciclo junino); AlbemarAraújo (Dramaturgia e Interpretação); Willams Santana (Técnica Vocal);Pedro Souza e Henrique (Artes Plásticas)”, recorda Zélia Sales.As descobertas levam os grupos a ampliarem as suas necessidades e novoscursos são organizados pela Fundação de Cultura. “Realizamos o curso deelaboração de projetos e captação de recursos para as quadrilhas, em 00.No ano seguinte, continuamos com esse trabalho e realizamos no CentroCultural Inácia Raposo, na Boa Vista, quatro oficinas: Casamento (minis-trada pelo ator Carlos Varella), coreografia (ministrada pelo coreógrafoValdir Nunes), Figurino e Adereços (ministrada pelos artistas plásticosAmérico Barreto e Fábio Costa) e Técnica Vocal (ministrado pela produ-tora cultural Isolda Virgínia). A procura pelas oficinas refletia a lacuna nacidade de espaços que promovessem esse tipo de atividade, indo de encon-tro aos desejos e necessidades dos quadrilheiros”, reforça Zélia Sales, quecompleta: “Desses trabalhos, muitos alunos se profissionalizaram e até hojeatuam vigorosamente na área. Entre alguns nomes que recordo, destaco:Perácio Gondim, Leilane Nascimento, Welligton Gomes (China), TarcísioXavier, Lenildo Carvalho (Suelane), Gildo Alencar, Anderson Gomes, Sér-gio de Barros, Cléo, Carola, Edicley, Adgelson Soares (Alegria), Andreza,Gabriela, Epaminondas (Nondas), Elon, entre outros”.Os trabalhos de formação ampliam a ideia primeira do Festival pautadonum espaço de concorrência e disputas acirradas entre os grupos. O Per-nambucano consiste agora no ponto de culminância de todo o trabalho depesquisa desenvolvido ao longo de cinco ou sete meses pela quadrilha. “É aapresentação do resultado final de pesquisa diluído nos adereços, figurino,no texto do casamento, na coreografia, na música, no conjunto como umtodo. Ficamos muito gratificados quando identificamos no arraial, váriaspassagens dos assuntos apresentados nas oficinas”, diz Albemar Araújo (Ge-rente de Artes Cênicas e Coordenador Geral do Festival de Quadrilhas).
  25. 25. Compreendendo o Festival como um sistema em processo, a Fundação de Cultura amplia o seu olhar até a outra extremidade da situação: a comissão Oficina Casamento Matuto, 2004 Oficina Casamento, 2006
  26. 26. julgadora. A ideia consiste em preparar o jurado, do ponto de vista teórico,para os diferentes discursos apresentados pelas quadrilhas nos arraiais. Umespaço, que na pluralidade de temas diversos, dialoga de forma integra-da com todas as áreas que compõem o espetáculo. “O primeiro seminário,de fato, aconteceu, em 00, no Auditório da Prefeitura para mais de 0participantes. Estiveram presentes jurados, representantes do Orçamen-to Participativo e quadrilheiros. Em 00, retomamos com esse trabalho,dessa vez no Teatro de Santa Isabel, onde se discutiu, durante quatro dias,com mais de 0 candidatos (historiadores, jornalistas, atores, músicos, pro-fessores, pesquisadores de cultura popular, figurinistas e quadrilheiros),os itens de julgamento do Festival (coreografia, marcador, música, casa-mento, figurino e conjunto). Passamos pela Livraria Cultura (00 e 00)e somente em 00, já na Faculdade Maurício de Nassau, adotamos umanova metodologia: separamos os itens por sala e os alunos passaram a seinscrever de acordo com a afinidade do assunto. Esse diálogo com todasas áreas do conhecimento aprimora o processo de formação, qualifica acomissão julgadora e o próprio Festival, que não apresenta uma nota friaao quadrilheiro, mas sim, com uma análise que justifica a nota atribuída.Esse é o nosso diferencial”, diz Zélia Sales. Entre os jurados que contribuempara a qualificação do Festival, destacamos: Geraldo Vital, Ivone Cordeiro,Rudimar Constâncio, Galeana Brasil, Mônica Cordeiro, José Cleto Macha-do, Ana Miranda, Luiz Souza, Hermógenes Araújo (in memorian), WillamsSantana, Alexandre Macedo, Carlos Varella, Odilex, Socorro Almeida, Ge-raldo Berardinelli, Carlos Sales, Roberto Carlos, Ester Monteiro, EduardoPinheiro, Sérgio Barros, Antônio Fernando, Vado Luz, Patrícia Breda, Ivo-nete Melo, Anderson Gomes, Perácio Gondim, Carlos Melo (in memorian)entre outros.O ano de 00 trouxe mais uma modificação para o Festival: as quadrilhasadultas se dividem em grupos Um e Dois. De acordo com Paulinho Mafe,“essa divisão foi estabelecida pela classificação do ano anterior, passandopara o Grupo Um as trinta quadrilhas mais pontuadas. Com essa inovação,a primeira campeã do Grupo Dois foi a Quadrilha Junina Moderna Fuzar-ca (Campina Barreto), depois foi a vez da Dona Matuta (San Martin, em
  27. 27. I Seminário Junino de Pernambuco, UNIVERSO, 2005 00); Pisa no Espinho (Rio Doce, 00) e Sanfona Branca (Areias, 00)”. Ainda em 00, destacamos o curso de figuras do casamento (com dezoi- to quadrilheiros e a participação da fonoaudióloga Leila Freitas, no Teatro de Santa Isabel) e o trabalho de consultoria sobre Casamento Matuto com trinta quadrilhas do Recife e Região Metropolitana. Na vigésima segunda edição do Festival Adulto, o Pernambucano volta a ser realizado de forma descentralizada. Os locais escolhidos para a monta- gem dos polos espalham-se entre quatro RPAs (Região Política Adminis- trativa): a dois (Nascedouro de Peixinhos), a três (Sítio Trindade), a cinco (San Martin) e a seis (Ibura). Em 00, entre outras novidades do concurso, destacamos o desdobramento do item conjunto para a criação de um novo item – tema, a partir de um seminário realizado com os quadrilheiros no Recife Praia Hotel. Ainda nesse ano, trinta e duas quadrilhas se apresenta- ram em noventa e sete polos comunitários. No ano seguinte (00), após um estudo de avaliação do São João ante- rior (infraestrutura, equipe, segurança, acessibilidade etc), novas mudanças marcam a história do Festival: a criação dos polos da RPA um ( Colégio IEP) e da RPA quatro (Escola Diná de Oliveira, no Barbalho). “Esse ano foi um desafio para a Fundação de Cultura: garantir a qualidade do trabalho de forma igualitária em todos os polos. Para a eficácia do São João de 00,
  28. 28. Seminário - Recife Praia Hotel, 2008contamos com a contribuição de toda uma equipe especializada, principal-mente dos nossos coordenadores dos polos: Normando Roberto (RPA ),André Luiz Ferreira da Paz (RPA ), Graça Xavier (RPA ), Telma Nunes(RPA ), Mário Ribeiro (RPA ), Cristiana Lopes (RPA ) e Paulinho Mafe(Infantil, na RPA )”, ressalta Albemar Araújo. Zabumba RPA 5 - Praça Noel Rodrigues , San Martin, 2009
  29. 29. 00 se inicia com reuniões entre quadrilheiros e representantes da Fun- dação de Cultura, para elaboração do novo regulamento do Festival e a escolha de novos polos. “Nos últimos anos, o Festival ganhou uma dimen- são diferenciada. O polo da Escola Diná de Oliveira foi transferido para a Escola Helena Lubienska (Torre) e em 00 para o Espaço Via-Show (Pra- do). O mesmo aconteceu com o polo da Escola IEP, que foi transferido em 00 para a Praça do Arsenal (Bairro do Recife). Estreitamos também nesse período, a nossa relação com os quadrilheiros e a Fequajupe, construindo juntos os regulamentos (desde 00), negociando valores de premiação, a escolha da comissão julgadora, dos polos das eliminatórias e da final (este ano voltaremos para o Geraldão realizar a final do concurso), avaliação do São João, entre outras ações”, diz Zélia Sales. Para 00, ao completar vinte e seis anos do Festival Adulto e doze do In- fantil, o Pernambucano e as Quadrilhas Juninas terão pela primeira vez as suas histórias registradas numa publicação, que certamente entrará para a coleção dos trabalhos mais relevantes da Fundação de Cultura, no que compete ao processo de salvaguarda de uma das manifestações culturais mais representativas das festividades juninas em Pernambuco: as Quadri- lhas Juninas.0
  30. 30. Histórico das Quadrilhas Juninas
  31. 31. Anarriê Junina A ideia primeira de fundar a quadrilha Anarriê Junina foi do professor de Educação Física e coreógrafo Walmir Souza, em de março de 00, na comunidade do Parque Capibaribe, município de São Lourenço da Mata. A iniciativa logo teve o apoio de duas importantes mulheres: Zenaide Rodri- gues (tia Zenaide) e Iracilda da Silva (vovó Zilda). Com o propósito de reunir e ocupar o tempo ocioso dos jovens da locali- dade, a Anarriê desenvolve um trabalho de formação pedagógica, através da dança. Essa preocupação com o papel social da quadrilha transparece na fala do marcador e presidente do grupo Walmir Souza: “Para dançar na quadrilha o brincante tinha que estar matriculado e frequentando uma rede oficial de ensino. Com isso, houve uma aceitação muito grande por parte da comunidade. Essa iniciativa ajudou muitas pessoas que esta- vam fora da escola ou mesmo aquelas que estavam matriculadas a levar a sério os estudos, dando prioridade ao processo de formação profissional e educacional”.
  32. 32. A identificação da comunidade com o trabalho da quadrilha refletia naprocura dos jovens para fazer parte do grupo. No último ano da Anarriê,participaram 0 pessoas, das quais, 0% eram moradoras da localidade.Essa popularidade era visivelmente identificada nos ensaios, que aconte-ciam na praça da Rua , Rua e na Escola Leonor Porto, a partir do mêsde março, e nas oficinas de formação cultural desenvolvidas pelo grupoao longo do ano. Segundo Walmir,“no decorrer desses cinco anos foramrealizadas várias atividades, entre elas, oficinas de teatro, ministrada peloprofessor Jorge Gomes de Fonseca; cabelo e maquiagem ministrada pelaestilista Bárbara Finsking; criação do vestuário feita em parceria com An-dré de Biasy e Bárbara Finsking; criação de cenário e produção em geralpelos integrantes que direta ou indiretamente colaboraram para a constru-ção dessa quadrilha, mas em especial a Anderson Costa (Negão), Garbson,Diogo, Carlos Marques, Edson (Buda), Gabriela (Gabicha), Andreza Costa,Gláucia (Chinha) Marcílio, Jhonatan, Marcelinho, Dayvison (Day), BrunoHenrique, Alisson (Ninho), George (Binho), Lery, Junior (Boy), Acácio,Klebson, Genildo Machado e Gilberto Monteiro.”O esforço e a dedicação de todos que fizeram a Anarriê Junina resultaramna conquista de vários títulos, entre eles: campeã do Concurso Municipalde Quadrilhas Juninas de São Lourenço da Mata (00); º lugar no FestivalPernambucano da Prefeitura do Recife, grupo Dois, em 00,conquistandoos seguintes prêmios: melhor marcador (Walmir Souza), melhor Trilha So-nora (Marcelinho, Marcilio, Chinha), melhor Maria Bonita, Gláucia (Chi-nha), melhor Rainha, (Ceça); em 00, o grupo é campeão do primeiroConcurso de Quadrilhas Juninas do Sesc São Lourenço, classificada parafinal do grupo Um do Festival Pernambucano. Por motivos diversos, em00, a Anarriê deixa de se apresentar no São João, levando grande partedos seus integrantes a organizarem outro grupo com o nome “Anavantu”.
  33. 33. Arraialzinho do Cordeiro “A quadrilha junina mais antiga em funcionamento no Recife”. Assim é co- nhecida a quadrilha Arraialzinho do Cordeiro, criada, em de maio de , pelo núcleo de duas famílias – Caboclo e Vicente – moradoras do Bairro do Cordeiro. A iniciativa partiu de Seu Francisco Agostinho Cabo- clo, o popular Chico, que reuniu a criançada, “ordenando” o seu genro, Re- ginaldo Vicente da Silva (Regi), a marcar a brincadeira. Em comum acordo dos dois, decidem batizar a quadrilha de Arraialzinho do Cordeiro, pelo fato de seus “dançarinos serem pequenos e vão se apresentar em arraial, daí colocamos o arraial no diminutivo e fica arraialzinho e Cordeiro porque é nosso bairro”, diz Reginaldo Vicente, atual presidente. A quadrilha se populariza na comunidade e a procura dos dançarinos au- menta a cada ensaio, causando no grupo o desejo de aperfeiçoar o trabalho e participar dos principais concursos do gênero na cidade. Assim, em participa pela primeira vez do concurso da Rádio Globo (Bairro de São
  34. 34. José), consagrando-se campeã. No ano seguinte, no mesmo concurso, con-quista o bi-campeonato. Em , é a vez de Seu Regi receber uma home-nagem da TV Jornal do Commercio como o melhor marcador, fato que serepete em , na cidade de Chã de Alegria – interior de Pernambuco.Nos anos 0, a conquista de vários títulos nos concursos dos arraiais debairros torna a Arraialzinho conhecida como “a Fera do Cordeiro”, alémde contribuir para a o reconhecimento da comunidade local, que passa ainvestir no grupo de diferentes maneiras: organizam bingos, rifas, piqueni-ques, festas, entre outras formas de captar recursos.Entre os títulos conquistados pela quadrilha nos últimos anos, destacam-se:º lugar na Rádio Globo (); º lugar no arraial do Córrego do Euclides(00); º lugar nos municípios de Camaragibe e Escada (00); º lugardo concurso de Carpina (00); Melhor Marcador em Belo Jardim (00);º lugar no concurso de Palmares (00); º lugar nos arraiais do Alto doCajueiro, Sítio dos Pintos, Detran (00).
  35. 35. Boa Vista Show Comunidade dos Coelhos, no Bairro da Vista, centro do Recife. Essa é a referência da localização, onde Clóvis Costa (conhecido por Nino), João Gomes (Joãozinho da Mocidade) e outros líderes, decidem criar, em março de , a Quadrilha Boa Vista Show. A ideia era organizar uma brincadei- ra que animasse a festa de São João da localidade, mas que também levasse o nome do bairro para os principais concursos do gênero que existiam na cidade e no Estado. Homenageando o bairro de origem no seu nome, a Quadrilha Boa Vista Show apresentou-se no seu primeiro ano de forma simples, com figurinos custeados pelos próprios componentes. Bingos e rifas foram organizados para conseguir dinheiro e suprir as despesas com o aluguel de caminhão- baú, pois “não tínhamos dinheiro para alugar ônibus e éramos a única qua- drilha que chegava nesse transporte”, diz Clóvis Costa.
  36. 36. Em , duas pessoas contribuíram decisivamente para a montagem doespetáculo da Boa Vista Show, os artistas plásticos Fábio Costa e AméricoBarreto, profissionais da cidade pioneiros no processo de inovação de umaquadrilha junina, com temas diferentes e irreverentes. Partindo dessa pers-pectiva, a Boa Vista foi a primeira quadrilha de Pernambuco a colocar ocasamento matuto gravado para que toda a plateia pudesse escutar o texto.Em , mais outra inovação patrocinada pela quadrilha dos Coelhos.Com o tema Santo Antônio Casamenteiro, Fábio, Américo e Nino decidemque o marcador iria se apresentar no arraial vestido de noiva, fato marcantena história do movimento. A frase emblemática: “Boa Vista Show, tá lindo!”também ficou por muito tempo nas mentes dos apaixonados por quadrilha.A ousadia reservou para o grupo o º lugar nos Festivais da Rede GloboNordeste e Pernambucano. Neste último, a Boa Vista conquista os prêmiosde “Quadrilha Revelação do Pernambucano”, a Rainha das Quadrilhas, omelhor marcador e o melhor casamento. Nos arraiais dos bairros, tambémmuitos títulos de campeã foram conquistados.
  37. 37. O ano de para o grupo foi marcado por muitas dificuldades financei- ras, fato que refletiu nos dois anos seguintes, quando a quadrilha não se apresentou no São João. A chegada do novo milênio reacendeu a chama de participar novamente da festa junina, e um grupo de antigos componentes (Nino, Eliezer, Wesley e outros) decide se organizar e colocar a quadrilha mais uma vez nas ruas. Apesar do empenho e da dedicação dos integrantes, as dificuldades financeiras foram crescendo a cada novo espetáculo, fato que leva a diretoria da Boa Vista Show, a encerrar suas atividades no ano de 00.
  38. 38. Brigões de SuapePraia de Suape, Cabo de Santo Agostinho. Coqueiros, mar, sol, calor, pes-cadores, jovens com muitos sonhos e desejos. Esse é o cenário onde nasceu,em 0 de abril de , a quadrilha Brigões de Suape, antiga Brigões do Bu-raco de Dentro. A ideia de criar a quadrilha nasceu de um grupo de amigosformado por José Rildo Plínio da Silva, Ivanildo Plínio, Zildo Plínio, MariaJosé de Santana, Jurandir dos Santos, Vanusa Mª de Santana, entre outros,que, preocupados em unir os moradores da comunidade, divididos em doisgrupos rivais (os seguidores do Grus e do Estrela, dois blocos carnavalescosda região, hoje inexistentes), decidem organizar uma quadrilha junina.Inicialmente animando as festas de São João da localidade, a Brigões passaa disputar em diferentes concursos do Cabo a partir de , quando de-senvolve o seu primeiro espetáculo temático: O mar e o pescador. Apresen-tando-se com um estilo diferente, agora recriado, a quadrilha leva para oarraial o cotidiano dos pescadores e a sua relação com o mar. Esse trabalhomarca o início dos títulos de campeã no concurso do Cabo, onde a Brigõesdestaca-se como a quadrilha tetra campeã (-). Em , ganhacomo Quadrilha Revelação, no arraial do Bira no Janga. Em , conquis-ta o campeonato no concurso de Escada e o º lugar no arraial do Ibura. Noano seguinte, classifica-se em º lugar no arraial de Areias.Três anos após participando dos concursos em diversos arraiais de bairro,a quadrilha firma uma parceria com uma Rede Hoteleira do Cabo de SantoAgostinho, e passa a fazer parte da programação cultural do espaço. Em, por solicitações de alguns dirigentes dos hotéis, a Quadrilha MatutaBrigões do Buraco de Dentro passa a se chamar Quadrilha Junina Brigõesde Suape. Com a nova denominação, a quadrilha conquista o vice campeo-nato no concurso do Córrego do Joaquim (), Quadrilha Revelação doarraial da Tribuna (), campeã no arraial Urso Pé de Lã ().Os trabalhos da Brigões aumentam em proporção e, em , o grupo participapela primeira vez dos dois grandes concursos do gênero, o Festival da Rede Glo-bo Nordeste e o Pernambucano da Fundação de Cultura Cidade do Recife.
  39. 39. A chegada do novo milênio trouxe para a quadrilha o º lugar no Festival Pernambucano da Prefeitura do Recife, além de títulos de campeão nos arraiais de bairro. Em 00, a Brigões participa pela primeira vez do con- curso do Sesc, levando para o arraial todos os componentes vestidos de noivos e noivas, numa alusão as festas de Santo Antônio, São João e São Pedro, tendo em cada momento, a entrada de um andor com um desses personagens vivo. Em 00, foi a ª colocada do Festival Pernambucano. O nome do grupo passa a fazer parte das programações culturais da festa em diferentes cidades do estado, aumentando a responsabilidade dos diretores com o aperfeiçoamento dos trabalhos, a qualidade dos ensaios, da escolha dos temas, montagem do figurino, adereços etc. A comunidade contribui de todas as formas, as casas dos componentes se transformam em ateliês; a costureira, Dona Maria José Maciel, aumenta o ritmo de trabalho, entrando pela madrugada, numa dedicação constante ao sucesso da quadrilha. Essa relação com a comunidade extrapola o período do ciclo junino, levando os moradores a participar de outras ações organizadas pela quadrilha, como o Grupo de Dança Popular e o Projeto Arte em Geral.0
  40. 40. Ousadia é a palavra, que talvez marque o perfil dos trabalhos que a Brigõesrealiza. Em 00, leva, pela primeira vez, na história das quadrilhas, umônibus e um painel eletrônico para os arraiais. No ano seguinte, com o temaOlha pro céu meu amor, chocou o público com o beijo de dois homens eduas mulheres em pleno casamento no arraial. A ousadia garantiu o prêmiode “Melhor Casamento” no Festival Pernambucano.Festa de São Pedro foi o tema de 00, uma homenagem ao padroeiro daquadrilha, que lhe rendeu a classificação, pela primeira vez, para a etapafinal do concurso da Rede Globo Nordeste. A conquista funciona como es-tímulo para a criação de espetáculos mais elaborados, como, por exemplo,os trabalhos realizados nos últimos quatro anos: São João nas cores de umbalão (00); Quadrilha é francesa, e junina é brasileira (00); O compadrede São João (00) e São João para turista ver (00).É importante destacar na trajetória da Brigões a formação de jovens pro-fissionais qualificados para o mercado de trabalho por meio da quadrilhajunina, fato que garante ao grupo o respeito e a admiração dos moradoresdo Cabo, assim como dos diferentes lugares onde a quadrilha se apresenta.
  41. 41. Brincant’s Show Em janeiro de 00, surgiu um projeto de Animação Cultural na Escola Municipal Eng. Guilherme Diniz, na UR-0, Ibura, oferecido pela Prefeitu- ra do Recife. Foi o início do mundo de fantasias e de desejos de uma comu- nidade marcada pela violência e marginalidade. Nascia, timidamente, um movimento cultural na localidade, ainda sem nome, mas com o propósito principal de satisfazer, por meio das manifestações culturais, as necessida- des das crianças e dos adolescentes. Inexperiente, o grupo que se deparou com o seu primeiro desafio: a esco- lha do nome para a iniciativa. Segundo Kátia Marinho, presidente da qua- drilha, “fomos influenciados pelo espírito de todas as crianças que partici- pam, fizemos pesquisas que permitiram a nós lermos de forma mais clara a cultura que está arraigada em nós. O marcador, também cooperador do projeto, é de fato um brincalhão e junto com as crianças formam um time perfeito. Então esse título caiu como uma luva para o que queríamos”. As-
  42. 42. sim, após dois anos de existência, o grupo recebe o nome de Brincant’s. En-tre as pessoas idealizadoras desse projeto, destacam-se: Maria de LourdesNunes; Kátia Marinho; Geovana; Giselly Santos; Delmo Jefferson, AlbertoAlmeida, Daniel Silva, Ramon Milanês, Marcella Navarro, Alessandra Pa-trícia, Reginaldo Salles, Rafael Henrique, Alexandre Magno, entre outras,que direta ou indiretamente contribuíram para o grupo avançar nos seusobjetivos e conquistas.Sem uma sede própria, a Brincant’s faz do espaço disponível da Escola Mu-nicipal Engenheiro Guilherme Diniz (dentro do projeto Escola Aberta) oseu local de ensaios e reuniões, estendendo-se até as casas dos seus dire-tores, muitas vezes transformadas em verdadeiros ateliês de produção decenários, de figurinos e de adereços.É interessante ressaltar na história do grupo o trabalho desenvolvido cons-tantemente na comunidade com os moradores. Segundo Kátia Marinho, “aBrincant’s não para quando o ciclo junino passa, na verdade, ele é celebrado.Um dos fundadores que ocupa a função de marcador da quadrilha aprovei-
  43. 43. ta os espetáculos durante o São João para analisar e fomentar o que já vem sendo formulado em seus registros. Nesse ritmo, a comunidade reage com muita força, cabendo a nós organizadores promover eventos na intenção de capitação de recursos para fortalecer esse vínculo, traçando metas in- dispensáveis na utilização desses recursos advindos de eventos, tais como: bingos temáticos com prêmios doados pela própria comunidade; festas com bilheteria que favorecem a integração do grupo e comunidade (dia da criança, folclore, halloween, Dia da Consciência Negra, festa natalina, entre outras); Rifa pela Loteria Federal. [...] a dimensão é muito grande quando se trata de quadrilha junina [...] a tradição nas comunidades da UR-0 e UR- é muito forte diante de muitos exemplos que temos, como a KoKota na Roça; Pelo Avesso; Picuí; Formiga; Boko Moko,... Por isso que o envol- vimento do povo, posso dizer, é quase impossível não acontecer”. O trabalho coletivo e o espírito guerreiro das crianças que fazem a Brincant’s resultaram, nesses nove anos de atuação, em títulos muito importantes para o segmento, tais como: º lugar no Festival Pernambucano de Quadrilhas Juninas Infantis (00); campeã do Arraial do Verdura, em Águas Compri- das; campeã do Festival de Quadrilhas Juninas Infantis de Jaboatão, º lugar no Pernambucano (00); Bi campeã do Arraial do Verdura, campeã do Pernambucano, campeã do Festival do Alto José do Pinho, em Casa Ama- rela, campeã do arraial de João Dino, em Casa Amarela, º lugar no Arraial de Ouro Preto (Tostão), º lugar no Festival de Quadrilhas da FEQUAJUPE (00); campeã no Arraial da Praça do ABC na Mustardinha, vice - campeã do Arraial do Verdura, º lugar no Pernambucano, campeã no Arraial do Ca- beça, º lugar no º Festival de Quadrilhas Juninas da Globo, º lugar no Fes- tival de Quadrilhas do Sesc, vice-campeã do Festival em Santo Amaro, vice- campeã do Arraial do Cabeça, na Bomba do Hemetério (00); bi- campeã do Pernambucano, campeã do º Festival de Quadrilhas Juninas da Globo, vice-campeã do Festival de Quadrilhas do Sesc, vice - campeã do Arraial do Verdura, participação no Regional, em Campina Grande – PB (00); º lu- gar no Festival de Quadrilhas da Globo e no Sesc (00); bi- campeã do Festival de Quadrilhas da Globo, bicampeã do Festival de Quadrilhas Infantis de Jaboatão, º lugar no Pernambucano (00).
  44. 44. CambalachoA Quadrilha Junina Cambalacho foi fundada em 0 de março de pelasirmãs Gecilene e Gecijane Lopes Barbosa. A ideia era formar uma quadrilhade familiares para animar a Rua da Campina, em Goiana, PE. Inicialmenteuma quadrilha formada só por mulheres, incluindo a marcadora – fato quecausou admiração, popularizou o trabalho do grupo e resultou na conquis-ta de muitos prêmios como melhor marcadora. A origem do nome estávinculada ao nome de uma novela que passava na televisão, fazendo muitosucesso nas conversas das mulheres da quadrilha.No São João de , a Quadrilha Cambalacho conquista o seu primeirotítulo de campeã goianense no arraial da Rua da Conceição. No município,tem a fama de ser a Quadrilha Casamenteira, pois “geralmente quem dan-çava nela, no ano seguinte, tinha no mínimo 0% do seu elenco casados eoutro noivos”, diz Maria do Socorro Lopes da Cruz, presidente e dona daQuadrilha.
  45. 45. A relação da quadrilha com a comunidade extrapola o ciclo junino, dia- logando com as experiências do cotidiano dos seus integrantes, a maioria filhos, sobrinhos, primos, netos e bisnetos das fundadoras, que, somados com os componentes da vizinhança, transformam os ensaios e as apresen- tações num ambiente, particularmente, familiar. Na história da Cambalacho, o ano de marcou a memória dos seus integrantes, que deixaram o seu figurino “matuto” e se apresentaram pela primeira vez como uma quadrilha recriada. Em 00, aderem ao formato de quadrilha estilizada, permanecendo assim até a atualidade. No Festival Pernambucano de Quadrilhas realizado pela Prefeitura do Re- cife, a Cambalacho participa desde 00, trazendo para o arraial a garra de um grupo, formado por quase cem pessoas, entre brincantes e profissionais em geral que se envolvem na produção do espetáculo. Em 00, conquistou o tricampeonato no concurso de Goiana, o º lugar nos festivais de Caaporã (PB) e Condado (PE).
  46. 46. A seriedade do trabalho ultrapassou o período junino e conquistou a cre-dibilidade da comunidade, que procura e participa ativamente do Grupode Artes e Produções de Eventos Cambalacho, o (GAPEC), o ano inteiro.A partir desse grupo, a quadrilha promove aulas de computação e recur-sos humanos para os jovens da redondeza, oficinas de chapéus e flechas(parceria com os grupos de caboclinhos da localidade – uma das marcasculturais de Goiana), entre outras atividades destinadas a arrecadar verbapara ajudar nas despesas, como rifas, bingos e shows de pagode, brega, for-ró, entre outros.
  47. 47. Chiclete com Banana A Quadrilha Chiclete com Banana foi fundada em de abril de no Bairro da Vila Rica/Cohab - Jaboatão dos Guararapes. A ideia de organizar o grupo nasceu com Manoel Andrade (Pato), Wildo Lucena, Joseane da Sil- va, Jeilton da Silva, Quitéria e Marcus, que insatisfeitos com as discórdias de uma quadrilha que existia no bairro, resolvem criar uma nova brincadeira. O nome foi sugerido por Pato, marcador do grupo no seu primeiro ano, em referência a música de Jackson do Pandeiro: Chiclete com Banana. Esse período também era marcado pelo sucesso das músicas baianas no país, em especial, o grupo Chiclete com Banana, cujo LP com músicas do ritmo junino (Sonhei que eu era balão dourado, Riacho do navio corre pro Pajeú...) inspirou o repertório de toda quadrilha. No período de a , a quadrilha ficou sem sair devido à falta de componentes, estes atraídos pelo trabalho de outro grupo da comunidade de Vila Rica. Em , Chiclete volta aos arraiais com casais, deixando
  48. 48. seu estilo matuto e adotando uma forma mais moderna de fazer quadrilha.Desde então, passam a adotar um formato de trabalho diferenciado, modi-ficando o modelo tradicional de trilha sonora, colocando músicas baianasno repertório (Daniela Mercury, Netinho, entre outros), figurinos com co-res vibrantes em tons de verde-limão, amarelo-limão e laranja-limão.Entre os nomes responsáveis por essas mudanças, o casal de noivos RejaneSantana e Michel Kleber, Wildo Lucena e Alexandre Mórmon (conhecidocomo Alexandre Baluarte), marcador, coreógrafo e estilista, destacam-sena condução do grupo que ganhou o seu primeiro concurso fora do bairrode origem, conquistando espaço na programação dos principais festivaisde quadrilhas juninas do Recife e Região Metropolitana: o Pernambucano(Sítio Trindade, pela Prefeitura do Recife) e o da Rede Globo Nordeste.
  49. 49. O ano de foi marcante para o grupo. Chiclete com Banana conquistou o ° lugar do concurso de Quadrilhas Juninas da Rede Globo e seu casal de noivos ganhou suas primeiras medalhas como melhores noivos do Per- nambucano. Desse ano em diante, muitas conquistas marcaram a história do grupo. Em , Alexandre Baluarte ganhou como melhor marcador, Fabiana Teixeira foi eleita a primeira Rainha das Quadrilhas Juninas de Pernambuco, pelo Festival da Prefeitura do Recife; Rejane e Michel con- quistaram mais um prêmio de melhor casal de noivos, além de muitos ou- tros títulos nos arraiais de bairros como Casa Amarela, Ibura e Olinda. Dos concursos que participaram, ganharam o ° lugar vezes. Com nove anos de existência, Chiclete com Banana perde um dos seus fundadores: Alexandre Baluarte deixa o grupo devido a discordâncias entre a diretoria, desestruturando a equipe. O tempo prossegue e a Chiclete volta a conquis- tar títulos. O grupo cresce, reúne jovens de diversas localidades carentes do Recife e Região Metropolitana, como Curado, Cavaleiro, Casa Amarela, Moreno. Determinados, transformam o desejo de mudança da condição social na qual vivem, em atitude no arraial, na hora de dançar quadrilha, de sair do anonimato, mesmo que seja por alguns momentos. Em , recebem, pelo º lugar no Palhoção de Tia Lú, um troféu com . cm – o maior de sua coleção –, além de muitas medalhas de destaques, a exemplo de Fagner Luiz de Souza como melhor cigano, Batgirl (Jairo Miguel do Nas- cimento) como melhor intérprete de casamento, Mário Aiala como melhor componente e Michel Kleber como melhor noivo do Pernambucano. é mais uma data significativa para a Chiclete: conquista a medalha de “Res- gate a Cultura” no Festival Pernambucano de Quadrilhas Juninas. No novo milênio, o que se observa é o crescimento entre os grupos, pelo interesse em pesquisar e estudar temas relacionados ao ciclo junino, os quais passam a elaborar e desenvolver projetos de pesquisas, que determinam to- das as etapas do processo de criação de uma quadrilha. A Chiclete com Ba- nana não faz diferente. Ela cria equipes e sistematiza a divisão dos trabalhos: uns ficam responsáveis pela concepção do tema; outros elaboram o desenho do figurino, estudam as diferentes tonalidades das cores, escolhem tecidos; outro grupo se responsabiliza pela trilha sonora, articulada ao coreógrafo,0
  50. 50. que junto com o marcador desenvolve os passos, amarrando tudo com ahistória do casamento – mote maior para a festa acontecer no arraial.Entre os temas trabalhados pela Chiclete, destacam-se: “Aboios e Vaqueja-das (), Um vôo nas asas dos quatro pássaros do Sertão: acauã, carcará,assum preto e asa branca (), São João: festa da fogueira e balão, faza festa só no meu coração (), Eu vou contar pra você... homenagem aLuiz Gonzaga (), Quadrilha: tradição que se renova (), Viva SãoJoão (000), Uma Viagem pela Cultura Popular (00), São João das minhastradições (00), Noite de São João (00), O Ciclo Junino e suas Tradições(00), Festa Junina: vou cair na brincadeira (00), Eu quero ver, vocês vãover: 20 anos de Chiclete com você (00). Neste último espetáculo, a quadri-lha levou para o arraial um enorme bolo humano, cuja primeira fatia foioferecida ao público, em sinal de agradecimento pelo reconhecimento detodo o trabalho durante as duas décadas. Uma retrospectiva da trajetóriada Chiclete e uma homenagem a todos os marcadores (Pato, Rivaldo, Ale-xandre Falcão, Angelus Guilherme, Wagner Macklayton, Ednaldo (Nanau),Anderson (Black), Marquinhos, Marcelo (Miau), Wildo Lucena), compo-nentes, amigos e familiares da quadrilha, encheu de emoção todo o arraial,que se despediu com muitas lágrimas assistindo ao último espetáculo daQuadrilha Chiclete com Banana.
  51. 51. Deveras Fundado na comunidade de Brasília Teimosa - Recife, em 0, o balé Deve- ras surge com o propósito de dar visibilidade às danças populares de Pernam- buco e formar profissionais para atuar no mercado da dança no Estado. Utilizando a dança como instrumento de inclusão social, o “Deveras”, du- rante anos, montou vários espetáculos de dança com jovens da comu- nidade praieira de Brasília Teimosa. Conquistou espaço e reconhecimento social apresentando seus trabalhos (resultados de estudos e pesquisas sobre as manifestações populares) em teatros do Recife e em outras cidades, em eventos turísticos promovidos pela EMPETUR, no Programa FREVANÇA da Rede Globo Nordeste, do qual participou durante uma década, além de outros festivais de dança organizados pela Prefeitura do Recife.
  52. 52. Em , monta o espetáculo “Bandeira de São João”, baseado no disco deAntônio Brito e Zoca Madureira. O espetáculo montado para teatro, mascom desenhos coreográficos em forma de quadrilha recebe o incentivo daprodutora cultural Thelma Chase para transformá-lo numa quadrilha juni-na e concorrer nos concursos realizados no Recife.Acompanhando o movimento de quadrilhas estilizadas que crescia noBairro do Ibura - Recife e os trabalhos do Balé Popular do Recife, através doqual dizia recriar a danças populares, o diretor e coreógrafo do espetáculo,Mika Silva, percebe que o trabalho montado relacionava-se com uma novaproposta de quadrilha junina, e decide criar, em , a Primeira QuadrilhaJunina Recriada.Segundo Mika Silva, “a Deveras iria apresentar a história do Matuto quedeixa sua cidade de origem (o interior) e vem para a cidade grande tentaruma vida melhor, sem deixar suas origens e seus brinquedos (a quadrilhajunina). Chegando à cidade grande, encontra outra realidade, onde o rit-mo de vida é mais acelerado e as músicas juninas ganham outros arranjos.A dança receberia complemento de outros brinquedos populares, como: ococo, o xaxado, a ciranda, o bumba meu boi, o cavalo marinho, entre outrasdanças típicas do ciclo junino.”
  53. 53. Obedecendo ao formato a quatro (quadrilha), mas tendo a liberdade de va- riar, o grupo trouxe para o espetáculo algumas inovações, como: a liberdade do marcador no arraial que assume a função de animar e incentivar a ale- gria dos componentes, uma vez que os movimentos estão coreograficamen- te ensaiados; as músicas utilizadas também trazem um diferencial, são mais eletrizantes, no estilo do ritmo baiano (Chiclete com Banana); os figurinos não traziam aquele matuto caricato do interior com pedaços de retalhos, es- tereotipado pelo olhar urbano, mas sim, representado com todos os brilhos possíveis e fazendo referência ao tema proposto; adereços eram utilizados o tempo todo; trocar figurinos dentro do arraial era a marca da Deveras, pro- vocando no público um sentimento de identificação com o brinquedo. A Quadrilha Deveras sempre trouxe para os arraiais muitas inovações. Na sua primeira apresentação, trouxe uma mudança na concepção de rei e rai- nha do milho, apresentando um dos primeiros casais de reis negros; ino- vando também com a criação de coreografias específicas para os destaques. A frente da quadrilha, no lugar de uma faixa com o nome do grupo, apre- sentava as Gêmeas Siamesas, simbolizando a união das Quadrilhas Tradi- cional e Estilizada, que resultou na Quadrilha Recriada. As gêmeas traziam no figurino o nome da quadrilha, anunciando a sua chegada. Figuras como São João, São Pedro e Santo Antônio sempre apareciam como personagens do espetáculo, interagindo com o público e com os próprios brincantes. Em , colocou em cena, pela primeira vez, um transformista no casa- mento. Orama, uma transexual, fazia o papel da irmã da noiva, que tentava roubar o noivo. “Nossos casamentos, desde o início, eram montados com histórias do cotidiano das pessoas, mas fazendo referência às brincadeiras populares, e utilizávamos trechos de músicas conhecidas”. Como toda forma de inovação, a proposta da Deveras despertou opiniões divergentes no segmento das quadrilhas juninas, porém, a expectativa dos quadrilheiros, mesmo os não afeiçoados com o modelo, aumentava a cada dois anos, quando o grupo trazia à rua um novo espetáculo. “Sempre saía- mos um ano sim outro não. O propósito dessa parada era para não repetir as mesmas coisas e poder respirar e pesquisar para o próximo trabalho”.
  54. 54. Entre os títulos conquistados, destacam-se: os vários anos em que se classi-ficou entre as três quadrilhas mais pontuadas do Festival de Quadrilha Juni-nas da Rede Globo Nordeste; campeã do concurso do Sesc (); campeãdo concurso da Brahma (); campeã do concurso do Arraial Zé da Sopa(Ibura); campeã do Festival Pernambucano de Quadrilhas Juninas da Pre-feitura do Recife (); campeã de diversos arraiais espalhados pelo Recifee Região Metropolitana; além da conquista da medalha de reconhecimentopelo melhor marcador do São João do Recife, entregue pela Fundação deCultura a Ladimir Ferreira da Silva (Mika Silva), em . No ano seguinte,a Deveras decide continuar com as atividades do balé (grupo existente atéhoje), não se apresentando como quadrilha junina há anos.
  55. 55. Dona Matuta Fundada em de maio de 00, no bairro de San Martin - Recife, Dona Matuta nasceu da união de jovens “veteranos” em quadrilha, que tinham como objetivo brincar o São João. Dos desejos e sentimentos joaninos de Sérgio Trindade (presidente e marcador), George Araújo, Vivia Amanda (Katuxa), Sér- gio Barros, André Perreli, Henrique Tenório, Edilze Belo, Cezar Augusto, entre outros, numa conversa no bar Dona Matuta (Ipsep), nasceu a ideia de criar uma quadrilha que reunisse amigos e contribuísse para a preservação dessa manifes- tação da cultura popular em Pernambuco. Os sonhos não demoraram em se concretizar. A conversa se estendeu até a casa do marcador, em San Martin, que até hoje funciona como a sede da quadrilha. Um espaço onde inexiste as fronteiras entre o público e o priva- do. A calçada e a rua constituem uma extensão da casa, onde se conversa e se respira São João o ano inteiro. Um clima festivo, regado de bolo, bolachas e café, vinho, cerveja, risadas e muitas conversas descontraídas atravessan- do a madrugada.
  56. 56. Estabelecida uma relação de identidade da rua e do bairro com a quadrilha,dois nomes talvez se destaquem como os personagens, que, apesar de nãoaparecerem em público, constituem verdadeiros destaques. É o casal DonaLúcia Trindade e Seu Basta, moradores antigos do bairro e pais do marca-dor da quadrilha, que se tornou conhecido na localidade pelo movimentofestivo, que agita cotidianamente a frente de sua casa. “É a casa da quadri-lha”, dizem os moradores da vizinhança que passam pelo animado trechoda Rua Pedro Melo.O slogan do grupo “Aqui é só Alegria” é a mola mestra dos trabalhos quetem duração o ano inteiro. A diretoria (formada por pessoas) se reúnesistematicamente uma vez por mês no período entre julho e dezembro. Apartir de janeiro, os encontros passam a ser semanais, envolvendo agoraum grupo mais amplo, os dançarinos, cuja procura aumenta a cada ensaionas ruas e escolas do bairro.Em 00, Dona Matuta conquista o seu primeiro título: campeã do Grupo do Festival Pernambucano de Quadrilhas Juninas promovido pela Prefei-tura do Recife. No ano seguinte, já integrando a programação de quadrilhasdo grupo Um, com o tema A Grande Festa de Santa Fé conquista a ª posi-ção no Pernambucano e o º lugar no Festival da Rede Globo.
  57. 57. A originalidade do seu figurino, artesanalmente confeccionado pelas cos- tureiras do grupo e alguns integrantes, é a marca da Matuta. Filé, fuxico, favos de mel, juta, estão sempre presentes no seu visual. Outra referência é a trilha sonora. A maioria, composições do seu marcador, Sérgio Trindade, autor de mais de 0 músicas, que integram o repertório da Dona Matuta em seus recentes quatro anos. Em 00, Dona Matuta entra para a história das quadrilhas campeãs de um dos concursos mais esperados pelos quadrilheiros: o Festival de Quadrilhas da Rede Globo Nordeste. Com o tema A Festa do Pau da Bandeira, seus integrantes levaram o resultado de um trabalho de pesquisa para Fortaleza, onde ganhou o título de melhor marcador e melhor destaque com o padre no Concurso Regional, e conquistou alguns títulos nos arraiais do Recife e Região Metropolitana. Uma marca da Dona Matuta, que segue o modelo corriqueiro no interior do movimento quadrilheiro nos últimos cinco anos, são as festas que orga- niza para arrecadar dinheiro para pagamento das despesas do grupo (com- pra de tecidos, aviamentos, material para cenários, gravação das músicas, do cd do casamento, comprar sapatos das damas e cavalheiros, arranjos de
  58. 58. cabeça, traque de massa, chapéus, alugar os ônibus e caminhões-baús paratransportar a produção). Essas festas também funcionam como espaços desociabilidade entre a comunidade de quadrilheiros. Jovens de diferentesgrupos que se encontram e falam de quadrilha. Relembram fatos engraça-dos, alguns cômicos, outros trágicos, mas que existiram e ficaram registra-dos em suas memórias individuais e coletivas.Entre as festas promovidas pela Matuta, destacam-se o Baile à Fantasia daMatuta batizado com o tema Aqui todo mundo faz, em 00, realizado du-rante as prévias carnavalescas na sede do Bloco do Batutas de São José, emAfogados. Esse baile marcou a história do movimento e a sua importanteatuação no Carnaval da cidade. Foi o º baile do gênero organizado poruma quadrilha. Nos últimos tempos, muitas quadrilhas juninas são contra-tadas pelas agremiações carnavalescas para compor alas nas troças, clubes,maracatus e escolas de samba. Ainda em 00, a festa da Quadrilha rea-lizada no Armazém - Bairro do Recife foi mais um sucesso do grupo,que reuniu no mesmo espaço mais de 00 pessoas, que se divertiram até asprimeiras sete horas do dia.
  59. 59. Dona Sinhá A Quadrilha Dona Sinhá da comunidade do Encanta Moça – Pina – nasceu de uma brincadeira de criança “no quintal de Dona Anita”, no dia de abril de . A escolha do nome remete à influência de uma personagem de novela muito popular na época. Como a maioria dos grupos, Dona Sinhá começou com poucos casais da própria vizinhança, amigos da rua, que nos intervalos das brincadeiras decidem dançar quadrilha. Entre os primeiros componentes do grupo, destacam-se: “Nadjane, Andréa, Ceça e Robson”, recorda Dona Marileide Almeida de Lucena, uma das fundadoras. Dona Sinhá cresce e passa a atrair outro tipo de público, com novos desejos e sonhos. “O espaço ficou pequeno para a quantidade de pessoas que queria dançar. Então, aterramos um terreno cheio de buraco na frente da casa de seu José Felix Cavalcanti (meu sogro) e fizemos um arraial com a ajuda de um político”, comenta Sílvio Marques de Lucena, também fundador do grupo.0
  60. 60. A animação dos ensaios atrai a população da redondeza para a Rua Itaiçuba,no Pina, e o grupo inicialmente “inexperiente”, formado por familiares evizinhos, organiza a sua primeira diretoria. Assim, para prosseguir comos trabalhos da quadrilha, foram eleitos: “José Anchieta de Melo parapresidente; como vice, Ornilo Galdino de Aguiar; Silvio Marques de Lucena(ª tesoureiro); Marileide Almeida de Lucena (ª tesoureira) e Lucy Mariade Aguiar (a secretária). Como primeiro marcador, escolhemos Geraldo”,lembra Sílvio Lucena.Em , Dona Sinhá participa do primeiro concurso do gênero,conquistando o primeiro troféu de campeã no concurso de quadrilhasrealizado pela Igreja Católica do Pina. Foi o início de uma trajetória commuitos campeonatos. Com um estilo próprio, nos moldes tradicional dequadrilha junina, Dona Sinhá deixa a sua marca nos arraiais do Estado. “Anossa quadrilha era muito tradicional, com passos das danças regionais. Foiassim que Dona Sinhá ficou conhecida, como a quadrilha mais tradicionaisde Pernambuco”, recorda orgulhoso Sílvio Lucena, que completa: “Após anossa saída da diretoria, a quadrilha estilizou-se”.
  61. 61. Durante o seu tempo de existência, muitas são as pessoas e as situações pitorescas que enriquecem a história da Dona Sinhá. Basta citar as habilidades de Dona Dida, “que fazia os modelos dos vestidos das damas em manequins de bonecas”, e o episódio da dentadura que aconteceu no arraial do Ipsep, “quando o coronel, na hora do casamento, ao falar de sua filha, a sua dentadura pulou da boca e caiu no chão. Todos os jurados olharam para a cena, quando o guarda chegou e prendeu a dentadura do coronel. Todos os jurados morreram de rir, aplaudindo de pé, pensando eles que aquela cena fazia parte do casamento, e, no entanto, não foi. Improvisamos na hora para não dar vexame. Resultado: tiramos dez e ganhamos o melhor casamento”, recorda Sílvio Lucena. Entre os títulos da Dona Sinhá no Festival Pernambucano destacam-se: vice-campeã (); vice-campeã (0 e ) e campeã ( e ) da categoria tradicional, além de outros campeonatos nos arraiais da Xique Xique no Remelexe, Boko Moko, Truaka, Pelo Avesso, e outros.
  62. 62. Fogo na NoiteA História da Quadrilha Fogo na Noite no São João do Recife é muito bre-ve. Existiu durante seis anos apenas (0-), e surgiu da iniciativa deum grupo de amigos decididos em animar as noites de junho no Bairro doIpsep, Zona Sul da cidade. Entre os seus fundadores destacam-se: WelderLacerda (Dido) – seu primeiro marcador, Flávio Guardia, Fernando Gon-çalo, Onésimo Lacerda (Nelsinho), Sandoval Gonçalo (Nanau), e AntônioAmorim (Toninho). No meio de tantos homens, um nome feminino so-bressai na história do grupo, a coreógrafa e também marcadora, Ana Suelyde Oliveira Mendes.O nome do grupo nasceu em função de um filme chamado Botando Fogona Noite, embalado pelo ritmo da lambada, que animava a juventude daépoca, aparecendo até em algumas trilhas sonoras de quadrilhas.Em , com aproximadamente 0 componentes, a Fogo na Noite inicioua sua trajetória junina oficialmente e passou a participar dos principais fes-tivais de quadrilhas juninas do Recife e Região Metropolitana, sendo cam-peã no arraial do Gabriel – Morro da Conceição, em .Nas noites de apresentação da quadrilha, o bairro do Ipsep transformava-senuma grande festa junina, com músicas, comidas típicas, fogos de artifícioe muitos momentos de descontração e entrosamento entre os vizinhos emoradores da redondeza. Nessas ocasiões, outras quadrilhas, de diferentescomunidades, também participavam da programação do arraial.Em , por diversos motivos, principalmente financeiros, a diretoria de-cide não mais colocar a quadrilha na rua. No entanto, o arraial continuouem atividade até o São João do ano seguinte.
  63. 63. Flor do Abacate Em abril de , os moradores da Rua do Abacate, situada na ª etapa do Bairro de Rio Doce – Olinda, ao observarem a grande quantidade de crianças que brincava na rua, resolveram fazer uma quadrilha junina. A brincadeira foi ganhando forma e atraindo o público da redondeza, que assistia aos ensaios do grupo, sob o comando do seu primeiro marcador - José Carlos, o popular Cal. De todas as etapas do bairro chegavam crianças e a Quadrilha Flor do Aba- cate Mirim tornou-se o xodó da comunidade. Pelas suas características próprias, conquistou os mais importantes títulos do Recife e Região Me- tropolitana: o tri-campeonato do Sesc Santo Amaro ( a ), além de alguns campeonatos espalhados nos arraiais comunitários. Nesse período, o Festival Pernambucano de Quadrilhas Infantis da Prefeitura do Recife ainda não existia. Entre os nomes que merecem destaque na história da Flor do Abacate, res- saltamos: Dona Gilda Batista (costureira), Seu Andrelino Mendonça (dire- tor), José Jaida Figueira Priston (presidente), Elizabete Simões (costureira e diretora), Elinete Lins, Jerson Lins, Itamar Coutinho (º e último mar-
  64. 64. cador) entre outros apaixonados pela Flor. É importante ressaltar, que amaior parte dos diretores e envolvidos diretamente com a quadrilha erammoradores da Rua do Abacate.Em , muitas das crianças que iniciaram o grupo cresceram, surgindoa necessidade de criar uma quadrilha Flor do Abacate Adulta, que tambémadotou um estilo próprio, conquistando importantes títulos no estado. Sãoeles: º lugar no Festival Pernambucano de Quadrilhas da Prefeitura doRecife (), º lugar no concurso do Sesc (), º lugar no arraial doG.E.R.A. (Areias, e ), º lugar no Arraial do Morro da Conceição(Casa Amarela, e ), º lugar no Arraial do Zé do Pinho (e ), º lugar no Arraial Zé da Sopa (Ibura, a ), º lugar noArraial Vila Tamandaré (Areias, ), º lugar no Arraial K te Espero (Jar-dim Uchoa), º lugar no Arraial Nóis Sofre Mais Nóis Goza (Jardim SãoPaulo, e ), º lugar no concurso Olindão (, e ), ºlugar no Arraial Enfeitiçou meu Coração (Abreu e Lima, ).Em , por diversos motivos (muitas despesas, desentendimento interno,etc) a diretoria decide que a Flor do Abacate encerraria as suas atividades,ficando a saudade das emocionantes apresentações do grupo que registra-ram na história numerosos talentos da Rua do Abacate, em Rio Doce.
  65. 65. Forró Moderno Inconformados com o encerramento das atividades da Quadrilha Flor do Abacate, alguns diretores, entre eles, Itamar Coutinho (marcador), Jerson Lins, Andrelino Mendonça e outros, decidem criar um novo grupo, que continuasse com o trabalho de valorização e preservação das nossas ma- nifestações da cultura popular. Assim, nasce, em de janeiro de , na Rua Maria do Carmo Vieira, , Rio Doce, a Quadrilha Junina Forró Moderno. A escolha do nome é uma junção do ritmo forró, dançado pelas quadrilhas, e do novo estilo da quadrilha, agora mais moderna, ousada, diferente do modelo matuto comum até os anos 0. O grupo ficou conhecido entre os quadrilheiros, “como a continuação de uma história ou o seu segundo capítulo – a Flor em nova versão”, diz Itamar. Dessa forma, a Forró Moder- no seguiu sua trajetória conquistando muitos títulos, tais como: campeã do Festival de Quadrilha da Rede Globo (); Vice-campeã do Festival
  66. 66. Nordestino de Quadrilhas Juninas da Rede Globo (); º lugar do Fes-tival de Quadrilhas do GERA (Areias, e 00); ºlugar do Festival deQuadrilhas do Arraial São Gabriel (Bomba do Hemetério - Recife); º lugardo Festival Pernambucano de Quadrilhas da Prefeitura do Recife (); ºlugar do Festival de Quadrilhas da Ilha de Itamaracá (00), º lugar doFestival Pernambucano de Quadrilhas da Prefeitura do Recife (00); Bi-campeã do Concurso de Quadrilhas do Arraial do Liba (00/00); cam-peã do Festival de Quadrilhas do Município de Joaquim Nabuco – Zona daMata Sul - PE (00).Em , uma reorganização administrativa transformou a quadrilha emGrêmio, diversificando as suas atividades para as áreas do esporte e lazer,visando a geração de renda e a formação artística, com responsabilidadesocial, para um público formado na sua maioria por jovens moradores emáreas de comunidades carentes e grande vulnerabilidade social. “Com o
  67. 67. nosso trabalho tentamos diminuir dessa forma o acesso ao crime e às dro- gas”, diz Itamar. A quadrilha recebe o apoio da comunidade. Conta com a participação efe- tiva dos pais e familiares, que se dedicam na campanha de manter o grupo na ativa. Dessa forma, realizam periodicamente, eventos festivos, bingos, rifas, entre outras atividades que visam, sobretudo, arrecadar recursos fi- nanceiros. Destaca-se também nesse trabalho coletivo, o importante papel da Escola Estadual Professora Inês Borba, que disponibiliza a sua estrutura para a realização de muitas ações, integradas ao Programa Escola Aberta.
  68. 68. Geração 2000A quadrilha Geração 000 foi fundada em de março de , por umgrupo de moradores do loteamento Céu Azul, no bairro do Timbi, em Ca-maragibe. A iniciativa partiu dos amigos Lúcia Pedrosa, Edvaldo Pedrosa,Jadilene Santana dos Santos (Nena), Rosimar de França, Luiz de CastroAlexandre (Lula) e Severino Biu (in memorian).Inicialmente formada por casais (hoje são ), a Geração nasceu com ointuito de animar a festa de São João da vizinhança, numa simples brinca-deira de rua. O grupo cresceu, aperfeiçoou o trabalho e passou a disputarnos principais concursos da localidade. Em , conquista o seu primeirocampeonato no concurso de Quadrilhas Mirins de Camaragibe. O títuloestimula o grupo, que passa a investir nas coreografias, nos figurinos, noscenários, atraindo cada vez mais os moradores da região.Com o intuito de otimizar o tempo livre da meninada, a equipe de diretoresinicia, em , um trabalho de formação sociocultural na comunidade,aproveitando os profissionais envolvidos com o grupo e estimulando novostalentos. “Essa é a função da quadrilha Geração 000. O carro chefe aqui é
  69. 69. a oficina de marcenaria, que já foi tema de programas de TV, rádio, entre outros, além de oficinas de artesanato, massa fria (porcelana), bisquit e re- ciclagem”, salienta Edivaldo Pedrosa – presidente da quadrilha. Sem uma sede própria, as oficinas acontecem na residência de seu Edivaldo, onde também se transforma em espaço de palestras para gestantes, idosos e jo- vens componentes da quadrilha, que periodicamente assistem a apresenta- ções de temas diversos: drogas, doenças sexualmente transmissíveis, entre outros assuntos. Nesses anos de atuação, a Geração 000 coleciona títulos importantes, que traduzem o esforço, o espírito de trabalho coletivo e o compromisso de transformar vidas por meio do ensino da arte. Entre os seus principais campeonatos, destacam-se: bi campeã do concurso oficial de Camaragibe (00 e 00); tri campeã do concurso mirim de Camaragibe (00 a 00); º lugar em Surubim (00); º lugar no Sesc de Casa Amarela (00).0
  70. 70. Junina TradiçãoA ideia primeira de criar a Quadrilha Junina Tradição nasceu numa mesade bar entre conversas e sonhos de quatro amigos (Fabiano Ferreira, Mau-rício Francisco, Ademário Ferreira (Xoxo) e Jimmy Glauber) moradoresdo Morro da Conceição, Recife. O pensamento só se concretizou, em 0 defevereiro de 00, quando se somaram ao grupo, os primos Joselito Costae Perácio Jr. e os amigos Gildo Alencar, Anderson Gomes, Cleyton Santos(Buda), Sandro Sá, Diogo Luís, Adeilda (Tetei) e Lúcia (Nena), todos dissi-dentes da Quadrilha Origem Nordestina da mesma localidade. O nome foiinspirado na escola de samba Tradição do Rio de Janeiro, que também foifundada a partir da dissidência com outra escola.“No início foi tudo muito difícil, faltavam espaço para ensaio, recursos fi-nanceiros, componentes, mão de obra especializada [...] e o principal, acredibilidade das pessoas. [...] mas a Tradição tinha o essencial: a corageme a força de vontade de um grupo de pessoas, que tinha certeza que era
  71. 71. possível fazer uma quadrilha democrática onde todos e todas pudessem ter vez e voz. Uma quadrilha que contribuísse na superação dos problemas comunitários e que a produção artística cultural fosse algo construído cole- tivamente”, ressalta Joselito Costa, presidente da Tradição. A experiência adquirida na “Origem Nordestina” ajudou na condução dos trabalhos com o novo grupo. Os dançarinos passaram a desenvolver outras habilidades, novos talentos foram revelados, “surgindo grandes coreógra- fos, projetistas, figurinistas, cenógrafos, compositores, marcadores, tudo o que precisava para colocar uma quadrilha junina na rua”, diz Joselito. A Tradição reúne um público bastante diversificado, com faixa etária que varia entre e 0 anos. São mulheres, homens, crianças, adolescentes, jo- vens e adultos, com destaque para o grande número de homossexuais, que encontra na quadrilha um espaço de respeito mútuo e valorização das suas potencialidades artísticas. Nesse sentido, fazer parte da família Tradição é sentir-se pertencente à comunidade do Morro da Conceição, um espaço, que na pluralidade dos seus talentos, trava uma batalha diária contra a vio- lência, as drogas, a prostituição e o preconceito de residir em morros, pelo poder de enunciação dos seus moradores através da arte. O trabalho que a quadrilha realiza, por meio do teatro e da dança, é fundamental para a elevação da autoestima dos moradores da comunidade e do entorno, pois desenvolve e promove visibilidade às potencialidades artísticas da localida- de, cuja expressão maior é manifestada no período do São João e da Fes- ta do Morro, em dezembro. “A Quadrilha é um espaço cultural atraente e que envolve a juventude, preenchendo o seu espaço ocioso e favorecendo a descobertas de suas potencialidades e a elevação de sua auto estima. É um espaço onde a juventude se sente valorizada e se reconhece como artista, como alguém que independente de sua situação sócio-econômica tem algo de muito valioso para dar à sua comunidade e isso tem feito toda diferença. As relações de amizades e os vínculos afetivos construídos na Tradição são de fundamental importância no combate a violência, pois os adolescentes e jovens não se sentem mais sozinhos sentem-se acolhidos pela família Ju- nina Tradição”, diz Joselito.

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