Para queondeecomoinvestir

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Para queondeecomoinvestir

  1. 1. PARA QUE,ONDE E COMO INVESTIRGuia prático para o mercado brasileiroCopyright© BM&FBOVESPA S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros1aedição – 2012
  2. 2. SUMÁRIOAPRESENTAÇÃO..................................................................................................5I – PARA QUE INVESTIR.....................................................................................6II – QUEM É QUEM..............................................................................................8Investidores..............................................................................................................8Investidores pessoas físicas......................................................................................8Investidores institucionais........................................................................................8Bolsas.......................................................................................................................8Bolsas de valores......................................................................................................8BM&FBOVESPA S.A.............................................................................................9Corretoras...............................................................................................................10Reguladores............................................................................................................10Comissão de Valores Mobiliários..........................................................................10Banco Central do Brasil.........................................................................................11III – AÇÕES...........................................................................................................12O que são?..............................................................................................................12Recomendadas para quem?....................................................................................12Vantagens...............................................................................................................13Riscos.....................................................................................................................14Modalidades...........................................................................................................15Compra de ações....................................................................................................15Fundos de ações.....................................................................................................15Clubes de investimento..........................................................................................16ETFs.......................................................................................................................16Como investir.........................................................................................................17Perguntas frequentes – Ações................................................................................20
  3. 3. IV – TESOURO DIRETO....................................................................................23O que é?.................................................................................................................23Recomendado para quem?.....................................................................................23Vantagens...............................................................................................................24Riscos.....................................................................................................................24Modalidades...........................................................................................................25Prefixada................................................................................................................25Pós-fixada...............................................................................................................27Como investir.........................................................................................................29Perguntas frequentes – Tesouro Direto..................................................................30V – ETFS...............................................................................................................33O que são?..............................................................................................................33Recomendados para quem?....................................................................................33Vantagens...............................................................................................................34Riscos.....................................................................................................................35Modalidades...........................................................................................................36Como investir.........................................................................................................38Perguntas frequentes – ETF...................................................................................41VI – FUNDOS IMOBILIÁRIOS...........................................................................44O que são?..............................................................................................................44Recomendados para quem?....................................................................................44Vantagens...............................................................................................................46Riscos.....................................................................................................................47Modalidades...........................................................................................................47Como investir.........................................................................................................49Perguntas frequentes – Fundos imobiliários..........................................................53PERGUNTAS FREQUENTES – GENÉRICO...........................................................56GLOSSÁRIO.........................................................................................................62SITES ÚTEIS........................................................................................................85
  4. 4. Guia prático para o mercado brasileiro | 5APRESENTAÇÃOOmercado de capitais brasileiro está entre os mais sofisticadosdo mundo. Em razão do esforço conjunto dos investidores, daBM&FBOVESPA, das empresas e do governo, vivemos hoje umarealidade completamente distinta que experimentávamos em um passadorecente. A estabilização econômica conquistada pelo país e a abertura parao capital estrangeiro levaram o mercado de financiamento de longo prazopara as empresas a experimentar uma fase excepcional de desenvolvimen-to, possivelmente uma das mais importantes de nossa história econômica.Esta nova conjuntura, por permitir que o Brasil passasse a praticartaxas de juro menores, colocou nossos investidores frente a um cenário di-ferente. Como ocorre em economias desenvolvidas, é preciso agora voltar aatenção para um horizonte mais amplo do que o da renda fixa, consideraroutras modalidades de aplicações e lidar com prazos maiores.Essas novas oportunidades, por serem mais sofisticadas e atenderema diversos objetivos e perfis, exigem um pouco mais de estudo e reflexões. Eé justamente esse o objetivo deste guia exclusivo: apresentar, de forma clarae prática, as principais opções existentes hoje para o investidor brasileiro.Depois de uma breve reflexão sobre o que significa deixar de consumirhoje e investir pensando no futuro, apresentamos um “quem é quem”, paraesclarecer o papel de cada um dos atores do mercado de capitais: investi-dores, bolsas, corretoras e reguladores. A seguir, dedicamos capítulos espe-cíficos para quatro modalidades disponíveis para aplicação: ações, TesouroDireto, fundos de índice (ETFs) e fundos imobiliários. Certamente, uma de-las vai servir para você.Boa leitura.
  5. 5. 6 | Para Que, Onde e Como InvestirPARA QUE INVESTIRIA qualidade de vida no Brasil vem melhorando nas últimas décadas.A maioria da população do país pertence hoje à classe média, segundo oInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse dado indica queexiste agora uma melhor distribuição da renda. Além disso, os avanços emvários setores – saúde, educação, infraestrutura etc. – têm aumentado a lon-gevidade. Quem nascia no Brasil na década de 1940 tinha uma esperança devida de cerca de quarenta anos.Compare com o quadro abaixo e confira a melhora constante que estáocorrendo.
  6. 6. Guia prático para o mercado brasileiro | 7Ainda que existam muitos desafios pela frente, temos, de fato, o quecomemorar. Essas são ótimas notícias e nos fazem imaginar que os brasilei-ros vão passar mais tempo trabalhando, se divertindo, viajando etc. Portan-to, está na hora de começar a olhar o futuro com mais atenção.Pensar com esse novo horizonte é um exercício que pode ser uma no-vidade para muitas pessoas. Afinal, instintivamente tendemos a atendernossas necessidades imediatas, saciar nossas vontades. Programar o futurosignifica considerar “O Valor do Amanhã”, que é justamente o nome deum livro do economista Eduardo Giannetti. Nessa obra, ele desenvolve oconceito de “trocas intertemporais”, isto é, a ideia de que vivemos nego-ciando entre o presente e o futuro. Seja no final de uma refeição, quando,em nome da saúde ou da estética, renunciamos ao doce; ou nas ocasiões emque controlamos o impulso de compra, para honrar o compromisso pessoalde poupar. Estamos sempre ou abrindo mão de um prazer imediato, paradesfrute posterior; ou usufruindo agora, pensando em pagar a conta no fu-turo (“recomeço o regime na segunda-feira” ou “poupo em dobro no mêsque vem”).Está no âmbito do nosso livre-arbítrio escolher se queremos viver emuma posição credora, “sacrifício agora, benefício futuro”; ou devedora, “vi-ver agora, pagar depois”. As duas posturas são racionais e perfeitamentelegítimas, desde que observados certos limites. Existe, claro, o risco de ex-cesso nas duas situações. Giannetti relata o caso de esquilos que pesam cen-tenas de gramas e chegam a acumular reservas de alimentos de 25kg. Poroutro lado, há países que vivem verdadeiras epidemias de obesidade. Um éformiga demais, enquanto o outro é cigarra demais, se nos lembrarmos dafábula atribuída a Esopo.Planejar os investimentos tem a mesma lógica dessas trocas intertem-porais. Exige abrir mão de algo agora, com vista no benefício posterior. Aexperiência mostra que, se racionalizarmos e definirmos objetivos claros,tende a ser mais fácil mediar esse verdadeiro embate entre presente e futu-ro, que ocorre nas nossas entranhas na hora de tomar uma decisão de re-núncia em nome de um projeto. Todo mundo tem um sonho. Para alcançá--lo, é necessário escolher e dirigir os esforços na sua direção.Enfim, para que investir? Para viver melhor, realizar planos, propor-cionar experiências diferentes para a família, conquistar tranquilidade...Você decide.
  7. 7. 8 | Para Que, Onde e Como InvestirQUEM É QUEMIIInvestidoresInvestidores pessoas físicasSão os indivíduos que têm recursos excedentes e decidem abrir mãodo consumo imediato em busca de uma recompensa futura. Seus capitaisvão financiar as iniciativas de outros agentes econômicos, que precisam demontantes além de suas posses e estão dispostos a pagar um prêmio paratomá-los emprestados. Essa poupança das famílias é essencial para o plane-jamento de longo prazo e o bom funcionamento da economia.Investidores institucionaisSão os fundos de pensão, fundos de investimento e outros tipos defundos que reúnem os recursos de cotistas e orientam suas aplicações emfunção dos estatutos das instituições a que pertencem.BolsasBolsas de valoresAs bolsas representam um ambiente que oferece as condições e os sis-temas necessários para a realização de negociação de compra e venda detítulos e valores mobiliários, e de outros ativos, de forma transparente. Sãoainda responsáveis por fiscalizar os serviços prestados por seus interme-diários, facilitar a divulgação constante de informações sobre as empresas
  8. 8. Guia prático para o mercado brasileiro | 9e sobre os negócios que se realizam sob seu controle. Além disso, as bolsaspropiciam liquidez às aplicações de médio e longo prazos, por intermédiode um mercado contínuo, representado por seus pregões diários.É por meio das bolsas que se pode viabilizar um importante objetivo:canalizar parte da poupança popular para investir em empresas em fase deexpansão, que, diante desse apoio, poderão assegurar as condições para seudesenvolvimento.BM&FBOVESPA S.A.A BM&FBOVESPA S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros estáentre as maiores bolsas do mundo em termos de valor de mercado e é líderna América Latina.Como principal instituição brasileira de intermediação para operaçõesno mercado de capitais, a companhia desenvolve, implanta e provê sistemaspara negociação de ações, derivativos, títulos de renda fixa, dólar a vista ecommodities.Por meio de suas plataformas, realiza o registro, a compensação e aliquidação de ativos e valores mobiliários negociados em seus ambientes,assim como a listagem de ações e de outros ativos. Atua também como de-positária central dos ativos negociados em seus pregões, além de licenciarsoftwares e índices.Faz ainda o controle e o gerenciamento de riscos das operações no pla-no do investidor final e possui uma robusta estrutura de câmaras de com-pensação (clearings), de maneira a assegurar o funcionamento eficiente deseus mercados.Única bolsa de valores, mercadorias e futuros em operação no Brasil,a BM&FBOVESPA exerce o papel de fomentar o mercado de capitais brasi-leiro por intermédio de inovações e desenvolvimento de produtos, além deprogramas de educação e popularização de seus serviços. Também gerenciainvestimentos sociais, com foco no desenvolvimento de comunidades quese relacionam com seu universo.Criada em 2008 com a fusão da BM&F e da Bovespa, é uma sociedadede capital aberto, cujas ações (BVMF3) são negociadas no Novo Mercado— segmento em que as empresas assumem compromissos de melhores prá-ticas de governança corporativa — e integra os índices Ibovespa, IBrX-50,IBrX e Itag, entre outros.Sediada na cidade de São Paulo, a BM&FBOVESPA possui escritóriode representação nos Estados Unidos (Nova York), no Reino Unido (Lon-dres) e na China (Xangai), para oferecer suporte aos participantes daqueles
  9. 9. 10 | Para Que, Onde e Como Investirmercados nas atividades com os clientes estrangeiros e no relacionamentocom os órgãos reguladores, além de divulgar seus produtos a potenciaisinvestidores.CorretorasAs corretoras são aliadas fundamentais dos investidores. Represen-tam um recurso e um apoio sempre à disposição de seus clientes. Veja osserviços que elas prestam:• Ajudam a escolher ações e outros títulos de acordo com o objetivo finan-ceiro do investidor e intermedeiam as operações de compra e venda dospapéis.• Dão o suporte necessário para seus clientes entenderem o funcionamen-to da Bolsa.• Identificam o perfil de investidor (quais investimentos se adequam me-lhor às suas preferencias pessoais) e sugerem aplicações adequadas.• Fornecem serviços facilitadores como o Home Broker (investimento viaInternet), relatórios de recomendação de ações, informativos etc.• Mantêm um corpo de assessores especializados, dedicados exclusiva-mente a acompanhar os mercados.• Informam sobre novos produtos para que os clientes estejam sempreatualizados sobre as oportunidades de investimento e diversificação deseus portfólios.• Comunicam o recebimento de dividendos e outros bônus que as empre-sas distribuem aos acionistas.Todas as corretoras precisam ser credenciadas pelo Banco Central doBrasil, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Bolsa para estaremhabilitadas a negociar valores mobiliários em pregão. Além disso, são mo-nitoradas pela BM&FBOVESPA Supervisão de Mercado (BSM).ReguladoresComissão de Valores MobiliáriosA Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia vinculadaao Ministério da Fazenda, que exerce atividade de fiscalização e normatiza-ção do mercado de valores mobiliários, de modo a assegurar o exercício depráticas equitativas e coibir qualquer tipo de irregularidade. Além disso,
  10. 10. Guia prático para o mercado brasileiro | 11elabora estudos e pesquisas dos quais obtém elementos necessários à defi-nição de políticas e iniciativas capazes de promover o desenvolvimento domercado.No exercício de suas atribuições, a Comissão de Valores Mobiliáriospoderá examinar registros contábeis, livros e documentos de pessoas e/ouempresas sujeitas à sua fiscalização, intimá-las a prestar declarações ou es-clarecimentos sob pena de multa; requisitar informações de órgãos públi-cos, outras autarquias e empresas públicas; determinar às companhias aber-tas a republicação de demonstrações financeiras e dados diversos; apurarinfrações mediante inquéritos administrativos e aplicar penalidades.Banco Central do BrasilÓrgão federal que executa a política monetária do governo, admi-nistra as reservas internacionais do Brasil e fiscaliza o Sistema FinanceiroNacional.
  11. 11. 12 | Para Que, Onde e Como InvestirAÇÕESIIIO que são?As ações são a melhor forma para quem quer se tornar sócio de umaempresa, pois representam uma fração do capital de uma companhia. Nor-malmente, elas são negociadas na Bolsa, que representa o centro de negocia-ção eletrônica possibilitando a troca de propriedade entre investidores. Se onegócio prosperar, o lucro tende a aumentar, com reflexo positivo na cotaçãodas ações, o que poderá se traduzir em boa rentabilidade para os investidores.Pontos positivos:• Alternativa de investimento para formação de patrimônio• Facilidade de negociação através do uso de Home Broker• Participação do lucro via recebimento de dividendos• Transparência de preçosRecomendadas para quem?Ações são indicadas para quem quer investir em renda variável: estádisposto a correr mais risco em busca de maior rentabilidade no longo prazo.No mercado acionário, participam tanto os investidores iniciantes, como osprofissionais experimentados.Para quem está começando, é possível entrar aos poucos e optar porações menos voláteis, isto é, com menor potencial de variação nos preços.Essas ações mais conservadoras costumam ser boas pagadoras de dividen-do, que nada mais é do que a distribuição do lucro da empresa para osacionistas. Assim, se o desempenho da companhia permitir, os detentoresde suas ações recebem pagamentos regulares.
  12. 12. Guia prático para o mercado brasileiro | 13Por outro lado, existe outra categoria de ações, com alto potencial decrescimento — e maior possibilidade variação nos preços —, que é a opçãoindicada para quem já tem experiência e aceita correr mais riscos, em buscade maior rentabilidade. Como essas empresas normalmente estão em fasede expansão, não costumam distribuir os lucros, pois optam por reinvesti--los no negócio.Há alguns caminhos para entrar na Bolsa: compra direta de ações, fun-dos de ações, clubes de investimento e fundos ETF. O investidor pode optarentre essas grandes categorias “dividendos” e “valorização” em qualquerum deles.Vantagens• Potencial de rentabilidade. As ações são um tipo de investimento quepropiciam, no médio e longo prazos, maior potencial de rentabilidade.As estatísticas demonstram que o mercado acionário, historicamente,tem se mostrado um dos mais rentáveis, mas de maior risco, quandocomparado com outras alternativas de aplicação.• Liquidez. Com sessões de venda diárias e grande volume de negócios,o mercado acionário permite entrada e saída, parcial ou total, constan-te dos investidores. Claro que não se pode esquecer que as variaçõesde preço nem sempre favorecem o resgate na hora em que o aplicadoreventualmente precise. Vale lembrar também que o crédito e o débitodos valores na conta do investidor ocorrem três dias depois de fechada aoperação (o chamado D+3).• Diversificação. A recomendação dos especialistas é de que o investidorde ações não coloque todos ovos numa cesta só. Via de regra, recomen-dam carteiras de investimento com uma mescla entre aplicações entre osvários setores de nossa economia.• Transparência. O investidor sabe a qualquer hora quanto valem seusativos. Em outros investimentos, como imóveis, nem sempre é possíveldeterminar imediatamente o preço com exatidão.• Eficiência tributária. O Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos daaplicação em ações é cobrado apenas na saída do investimento e só exis-te se as vendas do mês forem maiores do que R$20 mil (neste caso, sãocobrados 15% sobre o ganho, medido pela diferença entre o valor apli-
  13. 13. 14 | Para Que, Onde e Como Investircado e o resgatado). Nos fundos de renda fixa, por outro lado, o IR écobrado semestralmente. Note que como o IR permanece mais tempoem poder do investidor, o montante não recolhido continua a integrar oportfólio e, portanto, potencialmente a render.• Acessibilidade. Não é preciso muito para entrar na Bolsa, pois é possívelcomprar ações de forma gradual.RiscosAs ações estão na classe de investimentos chamada renda variável,característica por apresentar mais variação no valor aplicado e maior poten-cial de rentabilidade. Só deve ser procurada por quem dispõe de:• Recursos para ficar aplicados no longo prazo.• Tolerância a variações no valor da aplicação.Quem investe na Bolsa, na prática, corre o risco de ser dono de umnegócio. Afinal, como destacamos acima, quando compramos ações de umaempresa, viramos sócio. E todo mundo já viu empresas que se saem beme outras que nem tanto. Aí é que entra o cuidado na hora de escolher qualcomprar. Ainda que não vá assumir o controle (pelo menos por enquanto,no futuro ninguém sabe...), só entre em um negócio que você confie e, sobre-tudo, acredite que continuará a ter sucesso no futuro.Além de fazer a lição de casa, estudando a companhia e o setor em queela atua, ouça os profissionais antes de escolher. Não existe certeza de resul-tado. Pode surgir um concorrente que ameace o sucesso da sua empresa ouocorrerem alterações na conjuntura política ou econômica. Uma crise finan-ceira de proporções mundiais como a de 2008-2009, ou conflitos políticoslocais ou internacionais, acabam tendo reflexo não só no seu negócio, masem todas as companhias.Portanto, é sempre válida a sabedoria de carregar os ovos em váriascestas. Você pode dividir os recursos entre diversos setores: petróleo, side-rurgia, lojas de varejo, empresas financeiras, empresas imobiliárias e aindaoutros segmentos. Um problema em um ramo de atividade, não obriga-toriamente atingiria outro. Na média, uma baixa em um setor poderia sersuavizada por uma alta em outro, no qual você também estaria.Além do mais, essa estratégia de dividir os recursos, a chamada diver-sificação, pode e deve ser ampliada em termos de tipos de investimentos,combinando aplicações mais arrojadas com outras mais conservadoras.
  14. 14. Guia prático para o mercado brasileiro | 15Portanto, para memorizar: a diversificação dentro do mercado deações e entre categorias de investimento é o remédio que tende a ser maiseficiente para diminuir os riscos.ModalidadesO mercado acionário tem várias portas. Cada uma delas tem uma ca-racterística. Uma vai atender às suas necessidades.Compra de açõesÉ a forma mais tradicional de entrar na Bolsa. Quando compra a açãode uma empresa, você deposita um voto de confiança nos executivos res-ponsáveis pelo negócio. Com tudo de bom e de desafiante que a condiçãode proprietário representa. Se sua escolha tiver sido correta, a companhiapode prosperar, crescer e, o que é o objetivo de todos acionistas, passar adistribuir os lucros para os seus sócios e ter seu valor de mercado aumen-tado. Quando pensar em comprar uma ação, lembre-se sempre da máximaconsagrada por investidores experientes: nunca participe de um negócioque você não conhece ou não entende como ganha dinheiro.Pontos positivos:• Você pode comprar ou vender quantas e quais ações quiser, quando qui-ser.• Você pode alugar suas ações e ter um rendimento extra.• Você receberá dividendos (se a empresa tiver lucro).Fundos de açõesComo em todos os fundos de investimento, os de ações são um con-domínio em que os investidores delegam a um profissional a função deescolher onde investir. Caberá ao gestor selecionar as empresas que inte-grarão a carteira de investimentos. Cada fundo tem uma característica pró-pria, definida quando foi constituído. Assim, dentro da categoria fundo deações, existem tipos diferentes, em função de seus objetivos: os que buscamsuperar os índices da Bolsa (como o Ibovespa), os que se concentram emempresas que distribuem os lucros (na forma de dividendos) para os donos,isto é, para os acionistas etc. Estas metas dos fundos estão claramente expli-cadas na seção Política de Investimento dos prospectos explicativos que osresponsáveis publicam.
  15. 15. 16 | Para Que, Onde e Como InvestirPontos positivos:• É uma forma cômoda de investir em um conjunto de ações escolhidaspor um gestor especializado, contratado pela instituição financeira res-ponsável pelo fundo de investimento.• Você pode pesquisar os objetivos e as taxas de um fundo e escolher aque-le que melhor se encaixe melhor nos seus objetivos financeiros.• É possível investir em fundos por meio do seu banco ou corretora.Clubes de investimentoSão formados por grupos de pessoas, sejam amigos, parentes, colegas detrabalho etc., que partilham de um mesmo objetivo e decidem aplicar cole-tivamente. Para criar um clube de investimento, procure uma corretora, quecuidará de todos os documentos, registros legais e da sua gestão. Ela vaiorientá-lo também na concepção do estatuto social, ou seja, o regulamentocom as normas e leis que devem ser seguidas pelos associados.Pontos positivos:• Você consegue investir em ações, mesmo com pouco dinheiro.• Você pode opinar nas assembleias do clube.• Além de você, outros membros do clube pagarão os custos de adminis-tração, tornando o investimento mais acessível.• Você pode deixar o clube quando quiser, desde que respeite o estatuto.ETFsOs Exchange Traded Funds (ETFs, sigla usada internacionalmente)são fundos que têm por objetivo acompanhar a variação de índices específi-cos da Bolsa. Por isso, também podem ser chamados de fundos de índices.São uma modalidade de investimento em bolsa tão atraente, que merece-ram um capítulo exclusivo nesta publicação.Pontos positivos:• O investimento inicial pode ser pequeno (cerca de R$200,00).• Os riscos são menores se comparados a investir diretamente em umaação, pois você vai diversificar o investimento e comprar ações de váriasempresas ao mesmo tempo.Você pode negociar ou alugar suas cotas de fundos de índices como sefossem ações.
  16. 16. Guia prático para o mercado brasileiro | 17Como investirDefina um objetivoA pergunta que você deve se colocar é simples: “O que pretendo fazercom o produto do meu investimento e quanto tempo tenho para que elerenda? Estou disposto a esperar?”Vamos ser francos, conforme discutimos no capítulo “Para que inves-tir”, poupar e aplicar supõem renúncia. É a pura verdade: significa que vocêestá adiando o usufruto imediato do seu dinheiro, em busca ganhos no fu-turo. A maior parte das pessoas já passou pela experiência de conter um ím-peto de consumo para, posteriormente, ser contemplada com o resultado.Ficamos orgulhosos e nos sentimos recompensados. Por isso, defina umameta e batize o seu investimento: “Meu Apartamento”, “Meu Carro Novo”,“A Viagem que Sempre Planejei”, “Minha Aposentadoria” ou “Os Estudosdo Meu Filho”. Fica mais fácil quando nos lembramos por que estamos nosesforçando.Calcule a sua disponibilidadeQuanto você pode investir? Para começar a aplicar em ações não épreciso muito. O valor varia com a modalidade. Por exemplo, com cerca deR$200 é possível entrar em um ETF. Para ajudá-lo a decidir por onde entrarna Bolsa, conte com a sua grande aliada no mercado acionário: a corretora.Ela vai oferecer sugestões, além de viabilizar as suas transações (veja maisabaixo como escolher uma instituição).Quando estiver calculando suas disponibilidades, lembre-se que, as-sim como ocorre em outras aplicações que você faz no seu banco, as correto-ras precisam cobrar taxas para manter seus investimentos (taxa de custódia)e, normalmente, pelas movimentações que você faz na sua carteira (taxa decorretagem).Na hora de calcular o valor final a ser investido em um ETF ou emações, considere todos os fatores:1. O preço do ativo escolhido, multiplicado pelo número de cotas ou ações.2. Taxa de corretagem da sua corretora.3. Emolumentos da BM&FBOVESPA, que são um percentual fixo: 0,0345%.Esses custos ocorrem por ocasião de compra ou venda. Lembre-se dataxa mensal, a custódia. Cabe a você fazer as contas para saber se as taxascobradas vão pesar no seu investimento. Por exemplo: se investir R$200 emuma ação e sua corretora cobrar R$10 de taxa de custódia (para este exem-
  17. 17. 18 | Para Que, Onde e Como Investirplo, não vamos somar a corretagem), você vai precisar de um rendimentosuperior a R$10 todos os meses para o investimento compensar. É muitodifícil obter uma rentabilidade como essa (mais de 5% ao mês) com apenasR$200, não é mesmo?Se você optar pelos fundos de ações ou por clubes de investimentos,os valores vão depender de cada caso.Escolha a corretoraA corretora vai ser seu braço direito, responsável pelo aconselhamentoe execução das ordens de compra e venda. Além disso, você pode contarcom ela para:• Dar o suporte necessário para entender o funcionamento do mercado.• Ajudá-lo a descobrir qual é o seu perfil de investidor (quais investimen-tos se adequam melhor às suas características pessoais).• Fornecer serviços para facilitar e agilizar as operações, como o HomeBroker (investimento via Internet) etc.As corretoras costumam ser especializadas e preparam pacotes paraatender diferentes tipos de clientes. Naturalmente, os custos variam com aquantidade de serviços que oferecem. Consulte, no site da Bolsa, a lista decorretoras que estão no mercado. Na hora de compará-las, pense no seguinte:• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quan-to mais personalizado, mais caro o atendimento tende a ser.• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras,bate-papo pela Internet (chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?• Qual é o montante das taxas (corretagem e custódia)? É importante com-parar. Algumas corretoras não cobram taxa de corretagem. Outras pe-dem cerca de R$10 por operação de até R$10 mil, por exemplo. Algumasoferecem pacotes especiais para estudantes universitários. Outras dãodescontos se você ultrapassar um limite mínimo de operações.Todas as corretoras listadas no site da Bolsa são autorizadas pelo Ban-co Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ampla-mente monitoradas pela BM&FBOVESPA Supervisão de Mercado (BSM). Es-sas salvaguardas garantem a tranquilidade dos investidores e fazem comque o mercado brasileiro ofereça um ambiente de negociação seguro paraos investidores.
  18. 18. Guia prático para o mercado brasileiro | 19Abra sua conta na corretoraContratar a sua corretora é simples.1. Preencha o cadastro (semelhante à abertura de uma conta em um banco).2. Apresente os documentos (cópias de CPF, RG e comprovante de resi-dência).3. Assine o termo de adesão e o contrato de intermediação.Escolha a modalidadeConverse com seu corretor qual modalidade se adequa melhor às suaspreferências. Procure explorar todas as possibilidades que cada uma delasoferece. Nessa hora, tanto você quanto sua corretora vão ter um papel fun-damental.Orientação da corretoraAs corretoras contam com especialistas que acompanham as empre-sas, os setores da economia e o momento do mercado e fazem análises. Apartir dessa avaliação, recomendam estratégias de investimento. Procuresempre conhecer a opinião da sua corretora.Aproveite sua experiênciaA ideia de aliar o lado consumidor ao investidor é adotada pelos nor-te-americanos há algum tempo. Isso significa aproveitar as informações quevocê recebe no quotidiano para perceber oportunidades de investimento.Elas podem estar no mercado em que você faz compras, no posto de com-bustível, na empresa que distribui energia elétrica na sua casa ou nos pro-dutos e serviços que você consome e nota que as vendas vêm crescendo.Mas, lembre-se, estes são apenas alguns dos setores da economia que estãona Bolsa, há outros, que não fazem parte do seu dia a dia, cujas ações podemser compradas.Investigue sempre a companhia antes de decidir. É preciso estudá-la,conhecer suas estratégias, além de analisar as perspectivas de crescimentoe o comportamento do mercado em que ela atua. Consulte a seção EmpresasListadas, do site da BM&FBOVESPA, que reúne diversos documentos decada uma delas. Um é especialmente útil: o “Formulário de Referência”,que traz informações sobre estrutura, estratégias e fatores de risco do negó-cio das companhias.Chegou a hora. Bons investimentos.
  19. 19. 20 | Para Que, Onde e Como InvestirPerguntas frequentes – AçõesQual o valor mínimo para investir?Não é preciso muito dinheiro para investir na Bolsa, pois você podeentrar progressivamente. O mínimo necessário vai depender dos custos.Para valer a pena, eles têm que ficar abaixo da rentabilidade obtida no mer-cado acionário. Como os custos, por sua vez, vão depender do tipo de servi-ço que você gostaria de ter da sua corretora, é necessário analisar cada casoindividualmente.Portanto, fique atento à relação rentabilidade X custo antes de tomaruma decisão de investimento. Além disso, avalie todas as possibilidades àsua disposição.Como escolho onde investir?A melhor maneira é verificar em qual caminho de entrada na Bolsaseus objetivos e características se encaixam melhor. São quatro possibilida-des:1. Compra direta de ações.2. Fundo de ações.3. Clube de investimento.4. ETFs (fundos de índices).Veja a seção Modalidades para entender os pontos positivos de cadaum. A escolha do tipo ideal depende das suas intenções, da sua experiênciano mercado, do tempo que você pode dedicar ao acompanhamento dos in-vestimentos e dos seus objetivos.
  20. 20. Guia prático para o mercado brasileiro | 21Como escolher a corretora?Escolha pelo tipo de serviço que deseja e pelas taxas cobradas.Na hora de compará-las, pense no seguinte:• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quan-to mais personalizado, mais caro o atendimento tende a ser.• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras,bate-papo pela Internet (chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?• Quais são as taxas (corretagem e custódia)?Consulte o item Escolha a Corretora, da seção Como Investir.Qual é a hora certa para entrar nesse mercado?O momento ideal é quando você estiver seguro de que entendeu amecânica básica do mercado acionário. Isto é, que é uma aplicação com ho-rizonte de resgate de médio e longo prazos, que tem bom potencial de ren-tabilidade e, por isso, traz também riscos de flutuação no valor investido.Qual é a diferença de rentabilidade entre as ações e ostítulos públicos?São classes de investimento diferentes.Os títulos públicos estão na categoria chamada renda fixa, caracteri-zada por ser mais conservadora, sujeita a menores riscos e oferecer ganhosmais previsíveis e moderados.As ações são da classe de renda variável: tendem a variar mais que ostítulos públicos, são mais arriscadas, mas têm maior potencial de rentabili-dade.Dadas essas diferenças, a comparação direta não faz muito sentido,pois são categorias indicadas para objetivos diferentes:• Títulos públicos: manutenção do valor do investimento e ganhos mode-rados.• Renda variável: maior potencial de ganho, com mais riscos.
  21. 21. 22 | Para Que, Onde e Como InvestirÉ possível saber quanto meu dinheiro vai render aoinvestir?Não. Dado o conjunto de fatores que interagem e influenciam a co-tação, é impossível prever a rentabilidade de uma ação: desempenho daempresa, conjuntura político-econômica nacional e internacional, condiçõesdo mercado em que a empresa opera, concorrentes etc.Que taxas são cobradas?Taxa de custódia e taxa de corretagem, que variam em função da cor-retora escolhida.Emolumentos da BM&FBOVESPA, valor fixo: 0,0345%.Quanto receberei de dividendos?Dividendo é a parte do lucro que as empresas distribuem para seusacionistas. Portanto, o valor só poderá ser conhecido e rateado depois daapuração do lucro de um exercício fiscal (se houver). O estatuto social deuma empresa pode estabelecer o dividendo mínimo a ser distribuído, des-de que não seja inferior a 25% de seu lucro líquido ajustado. Caso não hajaprevisão no estatuto social, o dividendo obrigatório deve corresponder, nomínimo, à metade do lucro líquido ajustado.Que riscos corro ao investir?O risco de ser dono de um negócio. Afinal, quando você compra açõesde uma empresa, vira sócio. E todo mundo já viu empresas que se saembem e outras que nem tanto. Pode surgir um concorrente que ameace omercado da sua empresa ou ocorrerem alterações na conjuntura política oueconômica que comprometam o ambiente de negócios. Uma crise financeirade proporções mundiais como a de 2008-2009, ou conflitos políticos locaisou internacionais, acabam tendo reflexo não só na sua, mas em todas as em-presas. Para saber mais, consulte a seção Riscos.
  22. 22. Guia prático para o mercado brasileiro | 23TESOURO DIRETOIVO que é?É o programa de venda de títulos do Governo Federal para pessoasfísicas. Ao aplicar no Tesouro Direto você empresta recursos para a União.Da mesma forma que o dono de um imóvel recebe uma remuneração peloaluguel de sua propriedade, o Governo Federal paga juros para usar o seudinheiro. Por ser uma transação com um “cliente poderoso”, o Tesouro Na-cional, esse é considerado um dos investimentos de menor risco.Pontos positivos:• Baixo risco• Baixo custo• PrevisibilidadeRecomendado para quem?As aplicações no Tesouro Direto são indicadas para quem busca baixorisco e previsibilidade. Elas integram a classe de investimento conhecida comorenda fixa.Ao entrar no Tesouro Direto, você vai comprar títulos que rendem ju-ros, emitidos pelo Governo Federal. Por isso, são considerados os de menorrisco: quem tem a obrigação de honrá-los é o Tesouro Nacional. Os recursos arre-cadados pelo Tesouro Direto servem para financiar as atividades do gover-no, como educação, saúde e infraestrutura.Note que, quando empresas e bancos emitem esse tipo de título, elestambém são chamados de renda fixa. A diferença aqui é ter a União comoresponsável pelo pagamento das obrigações.
  23. 23. 24 | Para Que, Onde e Como InvestirComo existem duas modalidades, o Tesouro Direto permite que investi-dor diversifique suas aplicações, contemplando cenários de alta ou baixa dejuros e variação da inflação, com flexibilidade de datas de resgate.Vantagens• Baixo risco. Por ser uma aplicação que é honrada pelo Governo Federal,é considerada de baixo risco, quando comparada com outras opções nomercado.• Baixo custo. Comparadas com outras opções de investimento em rendafixa (como fundos), em geral, as aplicações no Tesouro Direto têm menorcusto.• Previsibilidade. Por ser uma aplicação versátil (compatível com peque-nas e grandes somas, diversos vencimentos e modalidades de pagamen-to variadas), permite que o investidor programe os resgates em funçãode obrigações futuras.• Liquidez. Se for preciso, você pode resgatar sua aplicação antes do ven-cimento: o Tesouro Nacional garante a recompra dos títulos todas asquartas-feiras.• Diversificação. Como existem duas modalidades, o Tesouro Direto permi-te que o investidor diversifique suas aplicações, contemplando cenáriosde alta ou baixa de juros e variação da inflação.• Acessibilidade. Com cerca de R$100 já é possível iniciar uma aplicação.• Comodidade. O investidor aplica, acompanha e resgata os recursos pelaInternet.• Vantagem tributária. O Imposto de Renda (IR) só é cobrado no momentode saída do investimento, ou no recebimento das parcelas semestrais,depende da modalidade. Nos fundos de investimentos de renda fixa, poroutro lado, o imposto é recolhido semestralmente, pelo mecanismo co-nhecido como “come-cotas”. Como a parcela do IR permanece na cartei-ra do investidor do Tesouro Direto até o resgate, continua a render juros.RiscosApesar de o Tesouro Direto ser considerado uma das opções mais se-guras pelo mercado, é sempre bom lembrar que não existe investimentosem risco. Até mesmo governos podem ser acometidos por episódios deinadimplência.Existem ainda as incertezas inerentes à modalidade e às suas variações:
  24. 24. Guia prático para o mercado brasileiro | 25No caso de o investidor esperar até o vencimento:• Pós-fixadasNos títulos que seguem a Selic (LFT), se o juro de mercado cair, o in-vestidor receberá menos do que ganharia se tivesse comprado um títuloprefixado ou até mesmo um juro menor do que a inflação no período.Nos títulos que combinam inflação e juros prefixados (NTN-Bs), a par-cela de remuneração prefixada, como o próprio nome diz, não muda se ojuro de mercado subir, resultando, eventualmente, em uma remuneraçãomenor do que a que seria obtida com um título pós-fixado puro.• PrefixadasSe o juro de mercado subir ou a inflação for maior do que a projetadaquando o título foi comprado, o investidor resgata um valor menor do quese tivesse investido em um título pós-fixado.No caso de o investidor resgatar antecipadamente:• Pós-fixadasNos títulos que seguem a Selic (LFT), o juro de mercado pode ter caí-do em relação à data do investimento, tendo um resultado menor do que oindicado naquele momento.Nos títulos que combinam inflação e juros prefixados (NTN-Bs), podeocorrer uma rentabilidade maior ou menor do que a prevista na hora daaplicação, tanto pelas flutuações na taxa de juro de mercado como pela va-riação da expectativa de inflação dos agentes financeiros.• PrefixadasPode ocorrer uma rentabilidade maior ou menor do que a prevista nahora em que investiu, em função da variação da taxa de juro praticada nomercado na hora do saque.ModalidadesExistem dois tipos: prefixada e pós-fixada.PrefixadaNesse tipo de título, a taxa de juros é definida previamente, na hora emque o investimento é feito. Assim, o investidor sabe, desde o início, quandoe quanto vai ganhar com a aplicação. As prefixadas são indicadas para quemacredita que a taxa de juros vai cair. Com elas, o investidor garante que vai
  25. 25. 26 | Para Que, Onde e Como Investirreceber os juros em vigor no momento da aplicação, se mantiver os recursosaté o vencimento. Além disso, pode decidir se quer receber tudo de uma vezno vencimento do título, ou se prefere receber juros semestrais.Por ter o risco de perda com a inflação e com a eventual flutuação dejuros no caso de saída antecipada, as prefixadas, ainda que também sejamaplicações consideradas de pequeno risco, são as mais arrojadas do TesouroDireto.As datas de vencimento, assim como as de pagamento dos eventuaisjuros parciais, são definidas na hora de aplicar, pela escolha do título. Paraquem não está habituado, os nomes dos títulos podem soar confusos, umaverdadeira sopa de letras. Mas, com o tempo, todo mundo se acostuma.Para receber tudo no final do período, invista em Letras do Tesouro Na-cional (LTN).Vantagens:• Comodidade e economia: uma aplicação e um resgate, sem os custos dereinvestimento.• Saber exatamente a rentabilidade a ser recebida na data de vencimento.• Maior disponibilidade de vencimentos para a negociação no Tesouro Di-reto.Desvantagens:• No caso de alta da inflação, ocorrerá queda no rendimento real (quandose desconta a perda com a inflação).• No caso de o investidor precisar resgatar antes do vencimento, pode teruma rentabilidade maior ou menor do que a prevista na hora em queinvestiu, em função da variação da taxa de juros praticada no mercadona hora do saque.Para receber juros semestrais, invista em Notas do Tesouro Nacional –Série F (NTN-F).Vantagens:• Garantia de um fluxo de rendimentos periódicos (chamados cupons se-mestrais).• Saber exatamente a rentabilidade a ser recebida em cada data de venci-mento.
  26. 26. Guia prático para o mercado brasileiro | 27Desvantagens:• No caso de alta da inflação, ocorrerá queda no rendimento real.• No caso de o investidor precisar resgatar antes do vencimento, pode teruma rentabilidade maior ou menor do que a prevista na hora em queinvestiu, em função da variação da taxa de juros praticada no mercadona hora do saque.Pós-fixadaA rentabilidade é definida posteriormente, apenas na hora em que oinvestimento é resgatado.Pós-fixadas ligadas aos juros básicosSempre vão acompanhar a taxa de juros básico da economia, a Selic.São indicadas para quem acredita que a taxa de juros vai subir, ou preferea segurança de acompanhar sempre a flutuação dos juros, tanto para cimacomo para baixo. Por sempre seguir os passos da Selic, as pós-fixadas doTesouro Direto são consideradas as aplicações mais conservadoras. Estestítulos são chamados Letras Financeiras do Tesouro (LFT).Vantagens:• Garantir uma rentabilidade que acompanha a taxa básica de juros daeconomia (Selic).• Comodidade e economia: uma aplicação e um resgate, sem os custos dereinvestimento.Desvantagens:• A rentabilidade flutua em função da expectativa de taxa de juros dosagentes financeiros.Pós-fixadas ligadas à inflaçãoNeste caso, a remuneração também só será conhecida no resgate e écomposta de duas parcelas, uma predefinida (prefixada) na hora de investire outra pós-fixada, que varia com a inflação, calculada na hora do resgate.Nesta modalidade, o investidor sabe, desde o início, quando e quantode juros vai ganhar em termos reais (descontada a perda com a inflação).Por isso, é considerada uma aplicação conservadora, indicada para quemacredita que a taxa de juros vai cair, ou que para quem quer ser proteger deuma eventual subida da inflação.O investidor pode decidir se quer receber tudo de uma vez na data de
  27. 27. 28 | Para Que, Onde e Como Investirvencimento, ou se prefere receber juros semestrais. A escolha é feita na horade investir.Para receber tudo no final do período, invista em Notas do Tesouro Na-cional Principal (NTN-B Principal).Vantagens:• Comodidade e economia: uma aplicação e um resgate, sem os custos dereinvestimento.• Se os recursos forem mantidos até o vencimento, saber exatamente oresultado real do investimento. Isto é, quanto rendeu acima da inflação,medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA,indicador usado pelo Governo Federal para fixar as metas de inflação).• Previsibilidade e segurança no longo prazo, atributos recomendadospara investimentos com objetivos de aposentadoria, compra de casaprópria etc.Desvantagens:• No caso de o investidor precisar resgatar antes do vencimento, pode teruma rentabilidade maior ou menor do que a prevista na hora em queaplicou, tanto pelas flutuações na taxa de juro de mercado como pelavariação da expectativa de inflação dos agentes financeiros.Para receber juros semestrais, invista em Notas do Tesouro Nacional –Série B (NTN-B).Vantagens:• Garantia de um fluxo de rendimentos periódicos (chamados cupons se-mestrais).• Se os recursos forem mantidos até o vencimento, saber exatamente oresultado real do investimento. Isto é, quanto rendeu acima da inflação,medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA,indicador usado pelo Governo Federal para fixar as metas de inflação).• Previsibilidade e segurança para honrar compromissos periódicos.Desvantagens:• No caso de o investidor precisar resgatar antes do vencimento, pode teruma rentabilidade maior ou menor do que a prevista na hora em queaplicou, tanto pelas flutuações na taxa de juro de mercado como pelavariação da expectativa de inflação dos agentes financeiros.
  28. 28. Guia prático para o mercado brasileiro | 29Como InvestirComo em qualquer decisão de investimento, primeiro trace seu objeti-vo e consulte sua corretora para descobrir a modalidade mais adequada paraatingi-lo (veja abaixo como escolher uma instituição autorizada).Calcule sua disponibilidade de recursos.Verifique quais são os títulos disponíveis.Escolha com critério uma instituição habilitada: ela será a sua represen-tante frente ao Tesouro Nacional. Essa seleção é importante também por-que, além das tarifas fixas de negociação (0,10% sobre o valor da operação)e custódia (0,30% ao ano sobre o valor dos títulos), existem custos de corre-tagem específicos de cada agente. Confira a classificação das instituições emfunção das tarifas cobradas.Preencha o cadastro e envie os documentos.Lembre-se de que quando houver resgate, o agente é o responsávelpor recolher o Imposto de Renda sobre o rendimento. A alíquota varia deacordo com o tempo de investimento:Na lista de instituições habilitadas, você vai notar que algumas são“agente integrado”. São as que têm seus sistemas conectados diretamenteaos do Tesouro Direto, o que facilita a vida do investidor: as operações decompra e venda são feitas no próprio site da instituição. Basta seguir as in-formações nas telas do sistema, que variam de acordo com cada instituição.Se o agente não for integrado, as operações são feitas em duas fases.Primeiro, o investidor escolhe o título que quer comprar ou vender nosite do Tesouro Direto. Ali, informa também qual é o seu agente.Depois, respeitando o prazo estabelecido quando fechou a operação, trans-fere para seu agente os recursos necessários para finalizar a compra. Nocaso de venda, o crédito do resgate será feito também por intermédio doagente de custódia.
  29. 29. 30 | Para Que, Onde e Como InvestirPerguntas frequentesTesouro DiretoQual o valor mínimo para investir?Não é preciso muito dinheiro para investir no Tesouro Direto. Comcerca de R$100 você já pode começar.Como escolho em que título público investir entretantas alternativas?A melhor maneira é verificar em qual modalidade do Tesouro Diretoseus objetivos e características se encaixam melhor. Existem duas categorias:1. Títulos prefixados: investidor sabe antecipadamente quanto vai render.2. Títulos pós-fixados: o valor final só é conhecido na data de resgate, pois,dependendo do tipo, acompanha a taxa de juros básicos da economia(Selic) ou a inflação (IPCA).Veja a seção Modalidades para entender os pontos positivos de cadaum. A escolha do tipo ideal depende das suas intenções, do tempo que seudinheiro vai render e dos seus objetivos.Como escolher a corretora?Escolha pelo tipo de serviço que deseja e pelas taxas cobradas.Na hora de compará-las, pense no seguinte:• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quan-to mais personalizado, mais caro o atendimento tende a ser.
  30. 30. Guia prático para o mercado brasileiro | 31• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras,bate-papo pela Internet (chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?Qual é a taxa de corretagem? Confira a classificação das instituições emfunção das tarifas cobradas.Consulte a seção Como Investir.Qual é a diferença de rentabilidade entre os títulospúblicos e as ações?São classes de investimento diferentes.Os títulos públicos estão na categoria chamada renda fixa, caracteri-zada por ser mais conservadora, sujeita a menores riscos, e por oferecerganhos mais previsíveis e moderados.As ações são da classe de renda variável: tendem a variar mais que ostítulos públicos, são mais arriscadas, mas têm maior potencial de rentabili-dade.Dadas essas diferenças, a comparação direta não faz muito sentido,pois são categorias indicadas para objetivos diferentes:• Títulos públicos: manutenção do valor do investimento e ganhos mode-rados.• Renda variável: maior potencial de ganho, com mais riscos.Que taxas são cobradas?Taxa de negociação: 0,10% sobre o valor da operação.Taxa BM&FBOVESPA: 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos (serviçosde guarda dos títulos e informações sobre a posição do investimento).Taxa agente custodiante: definida pela corretora. Veja o ranking das ins-tituições segundo o custo.Ao investir no Tesouro, recebo dividendos como nasações?Não. Títulos do Tesouro Direto não têm dividendos.No entanto, se você busca pagamentos regulares, note que há modali-dades que pagam rendimentos semestrais. Veja quais na seção Modalidades.
  31. 31. 32 | Para Que, Onde e Como InvestirQue riscos corro?O risco de a União não honrar o pagamento, pois até mesmo governos,em situações extremas, podem se tornar inadimplentes. Além disso, exis-tem riscos que dependem tanto da data de resgate, quanto da modalidade.No caso de o investidor esperar até o vencimento:• Pós-fixadasNos títulos que seguem a Selic (LFT), se o juro de mercado cair, o in-vestidor receberá menos do que ganharia se tivesse comprado um títuloprefixado ou até mesmo um juro menor do que a inflação no período.Nos títulos que combinam inflação e juros prefixados (NTN-Bs), a par-cela de remuneração prefixada, como o próprio nome diz, não muda se ojuro de mercado subir, resultando, eventualmente, em uma remuneraçãomenor do que a que seria obtida com um título pós-fixado puro.• PrefixadasSe o juro de mercado subir ou a inflação for maior do que a projetadaquando o título foi comprado, o investidor resgata um valor menor do quese tivesse investido em um título pós-fixado.No caso de o investidor resgatar antecipadamente:• Pós-fixadasNos títulos que seguem a Selic (LFT), o juro de mercado pode ter caí-do em relação à data do investimento, tendo um resultado menor do que oindicado naquele momento.Nos títulos que combinam inflação e juros prefixados (NTN-Bs), podeocorrer uma rentabilidade maior ou menor do que a prevista na hora daaplicação, tanto pelas flutuações na taxa de juro de mercado como pela va-riação da expectativa de inflação dos agentes financeiros.• PrefixadasPode ocorrer uma rentabilidade maior ou menor do que a prevista nahora em que investiu, em função da variação da taxa de juros praticada nomercado na hora do saque.
  32. 32. Guia prático para o mercado brasileiro | 33ETFSVO que são?Os Exchange Traded Funds (ETF, sigla usada internacionalmente) sãofundos de investimentos com cotas negociáveis na BM&FBOVESPA, comose fossem ações. Um ETF sempre está ligado a um índice da Bolsa. Sua ren-tabilidade, portanto, acompanha a variação do índice em que está baseado,como o Índice Bovespa ou o Índice Imobiliário. Na hora de aplicar ou res-gatar em um fundo desse tipo, tudo ocorre como se fosse uma compra ouvenda de ações.Pontos positivos:• Baixo custo• Diversificação• FlexibilidadeRecomendados para quem?Os ETFs são indicados para quem quer investir em renda variável: estádisposto a correr mais risco em busca de melhor rentabilidade no longo prazo.Eles são um bom atalho para entrar na Bolsa, pois são fundos de açõesque espelham a composição de um índice de referência. Pense, por exem-plo, no Índice Imobiliário, que acompanha a variação de preço das empre-sas mais representativas do setor. O peso de cada uma delas no mercadoestá refletido no grau com que participam do índice. Por isso, o indicadorfunciona como a síntese do desempenho do segmento imobiliário na Bolsa.O gestor do fundo ETF compra e vende ações para replicar a composição eas proporções do índice que deve seguir.
  33. 33. 34 | Para Que, Onde e Como InvestirQuando aplica em um ETF, portanto, o investidor passa a deter umaparcela de todas as ações componentes do índice de referência, sem ter decomprar separadamente os papéis de cada empresa. Imagine, na prática,seria muito trabalhoso e mais caro montar e recompor a carteira, com suadiversidade e proporção, a cada mudança periódica de um índice. Alémdas dificuldades operacionais de tantas transações, o lucro das operaçõesdeveria ser apurado e o Imposto de Renda (IR) recolhido a cada reajuste.Nos ETFs isso não ocorre. Por mais que a carteira de referência seja alterada,o investidor não precisa se preocupar, pois o fundo será rearranjado pelogestor. Além disso, o IR é pago apenas na hora do resgate (a alíquota do im-posto é de 15% sobre o ganho, medido pela diferença entre o valor aplicadoe o resgatado).Por existirem várias modalidades, os ETFs são indicados também paraquem deseja rapidamente implantar uma estratégia. Há opções para diver-sificar os investimentos entre vários setores (seguir o Ibovespa, por exem-plo), acompanhar um segmento específico da Bolsa (financeiro, consumoetc.) ou aplicar em empresas com foco em determinadas características (go-vernança corporativa, sustentabilidade etc.).Vantagens• Baixo custo. Quando comparado com fundos de ações tradicionais, osETFs costumam ter taxa de administração menor. Ela é debitada propor-cionalmente ao tempo de aplicação: o investidor só será cobrado pelosdias que ficar com as cotas em sua carteira, como nos fundos de açõestradicionais.• Diversificação. Com apenas uma operação, o investidor de um ETF adqui-re uma cesta de ações e obtém as vantagens da menor variação do valor daaplicação que a diversificação normalmente promove. Afinal, nem todasas ações sobem e descem simultaneamente na mesma velocidade.• Flexibilidade. É possível aplicar e resgatar gradualmente em um ETFa qualquer hora, como se fosse uma ação. Em muitos fundos de açõestradicionais há exigências de valores mínimos e os horários e as janelasde entrada e saída do investimento são mais restritos. Note que o créditoe o débito dos valores na conta do cotista ocorrem três dias depois defechada a operação (o chamado D+3), como nas operações normais domercado acionário.
  34. 34. Guia prático para o mercado brasileiro | 35• Praticidade. Os ETFs possibilitam que o investidor acompanhe as altera-ções na composição ou proporção de um índice sem ter de comprar ouvender ações.• Transparência. A qualquer hora é possível saber qual composição doETF no site BM&FBOVESPA. Muitos fundos de ações publicam a infor-mações sobre a carteira apenas mensalmente.• Acessibilidade. Com cerca de R$200 já é possível iniciar uma aplicação.Lembre-se que este valor varia, pois o investimento mínimo recomendadoem um ETF corresponde ao lote-padrão negociado BM&FBOVESPA, ouseja, 10 (dez) cotas do fundo, multiplicado pelo preço da cota na Bolsa.RiscosOs ETFs estão na classe de investimentos chamada renda variável, ca-racterizada por apresentar mais risco de variação no valor aplicado e maiorpotencial de rentabilidade. Isso indica que é uma aplicação que só deve serprocurada por quem tem disponibilidade de:• Recursos para ficar aplicados no longo prazo.• Tolerância a variações no valor da aplicação.Afinal, investir em ETF significa aplicar em um conjunto de ações.Portanto, há semelhanças nos potenciais ganhos e riscos. Você vai se tornarsócio, dono de um pedaço de vários negócios. E a experiência mostra quealgumas empresas prosperam e outras não. Para entender um pouco maissobre o jogo de forças que movimenta o mercado de ações e, portanto, dosETFs, imagine que a padaria do seu bairro precise de um sócio para expan-dir os negócios. Você se interessa pela oportunidade e descobre que ela fazprodutos de qualidade, possui uma boa clientela. E mais, com seu investi-mento ela poderá abrir uma filial no bairro vizinho e progredir ainda mais.Você, então, decide virar sócio. Mas não se iluda, qualquer sociedadeenvolve riscos. Por exemplo: se o preço internacional do trigo subir muito, apadaria vai ter de aumentar seus preços, o que pode afugentar a freguesia.O lucro também será comprometido se, em razão de uma tempestade, asinstalações forem inundadas e os equipamentos danificados.Por outro lado, tudo pode ser ainda melhor do que o esperado. A pa-daria poderá crescer, virar uma rede, se valorizar e ainda render bons lucrospara você.
  35. 35. 36 | Para Que, Onde e Como InvestirPortanto, na hora de pensar nas incertezas de um ETF, lembre-se:• É preciso conhecer o segmento de atuação do ETF. Quais são as perspec-tivas? Aquele conjunto de empresas tende a prosperar?• A que riscos específicos aquele setor está submetido? Se houver criseinternacional, ele será afetado mais do que outro, que depende mais domercado interno?Pelas incertezas do mercado de renda variável, só invista em ETFspensando no longo prazo. Assim, suas aplicações terão tempo de se recupe-rar de um eventual tropeço. O correto é sempre diversificar entre as classesde investimento (misturar renda fixa e renda variável) e manter uma partedas aplicações em opções de baixo risco, como o Tesouro Direto.ModalidadesO investidor pode escolher entre vários tipos de ETFs, em função desuas preferências e estratégias. Na página ETFs no site da Bolsa, você en-contra detalhes e documentos de cada um dos fundos.• ISHARES BOVA CI (BOVA11)Baseados no Ibovespa, que mede o retorno de um investimento em umacarteira teórica composta pelas ações de empresas que respondem pormais de 80% do número de negócios e do volume financeiro da Bolsa.• ISHARES BRAX CI (BRAX11)Baseados no Índice Brasil (IBrX 100), que mede o retorno de um investimen-to em uma carteira teórica composta pelas 100 ações mais negociadas naBM&FBOVESPA, em termos de número de negócios e volume financeiro.• ISHARES CSMO CI (CSMO11)Baseados no Índice BM&FBOVESPA de Consumo, que mede o retornode um investimento em uma carteira teórica composta por ações de em-presas representativas dos setores de consumo cíclico e não cíclico.• ISHARES ECOO CI (ECOO11)BaseadosnoÍndiceCarbonoEficiente,quemedeoretornodeuminvestimen-to em uma carteira teórica composta por ações de empresas que integramo índice IBX-50 e concordam em participar da iniciativa, adotando práticastransparentes de eficiência de emissão de gases causadores do efeito estufa.
  36. 36. Guia prático para o mercado brasileiro | 37• ISHARES MILA CI (MILA11).Baseados no Índice BM&FBOVESPA MidLarge Cap, que mede o retornode um investimento em uma carteira teórica composta de ações emitidaspor empresas com os maiores valores de mercado na Bolsa.• ISHARES MOBI CI (MOBI11)Baseados no Índice BM&FBOVESPA Imobiliário, que mede o retorno deum investimento em uma carteira teórica composta por ações emitidaspelas empresas mais representativas na BM&FBOVESPA dos seguintessetores do ramo imobiliário: construção civil, intermediação imobiliáriae exploração de imóveis.• ISHARES SMAL CI (SMAL11)Baseados no Índice BM&FBOVESPA Small Cap, que mede o retorno deum investimento em uma carteira teórica composta pelas ações emitidaspelas empresas com os menores valores de mercado na Bolsa.• ISHARES UTIP CI (UTIP11)Baseados no Índice BM&FBOVESPA de Utilidade Pública, que medeo retorno de um investimento em uma carteira teórica composta pelasações das empresas representativas do setor de utilidade pública.• IT NOW IDIV CI (DIVO11)Baseado no Índice Dividendos BM&FBOVESPA, que mede o retorno deum investimento em uma carteira teórica composta pelas ações das em-presas que se destacaram em termos de remuneração dos investidores,sob a forma de dividendos e juros sobre o capital próprio.• IT NOW IFNC CI (FIND11)Baseado no Índice BM&FBOVESPA Financeiro, que mede o retorno deum investimento em uma carteira teórica composta por ações das em-presas representativas dos setores de intermediários financeiros, servi-ços financeiros diversos e previdência e seguros.• IT NOW IGCT CI (GOVE11)Baseado no Índice de Governança Corporativa – IGCT, que mede o re-torno de um investimento em uma carteira teórica composta pelas açõesdas empresas que voluntariamente adotam padrões de governança cor-porativa diferenciados.
  37. 37. 38 | Para Que, Onde e Como Investir• IT NOW IMAT CI (MATB11)Baseado no Índice Materiais Básicos BM&FBOVESPA, que mede o retor-no de um investimento em uma carteira teórica composta por ações deempresas representativas do setor de materiais básicos.• IT NOW ISE CI (ISUS11)Baseado no Índice BM&FBOVESPA Financeiro, que mede o retorno deum investimento em uma carteira teórica composta pelas ações das em-presas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade so-cial e a sustentabilidade empresarial.• PIBB CI (PIBB11)Baseado no Índice Brasil-50 (IBrX-50), que mede o retorno de um investi-mento em uma carteira teórica composta por cinquenta ações seleciona-das entre as mais negociadas na BM&FBOVESPA em termos de liquidez.Como investirDefina um objetivoComece pelas perguntas clássicas: “O que vou fazer com o dinheiroinvestido e quanto tempo tenho para que ele renda? Vale a pena? Estou dis-posto a esperar?”. Afinal, qualquer iniciativa de investimento supõe abrirmão de alguma coisa no presente, para obter maiores ganhos no futuro. Omecanismo é o mesmo, seja para amealhar poupança ou renunciar a umatentação calórica. Com o sucesso, ficamos orgulhosos e nos sentimos re-compensados. Por isso, dê um nome para o seu investimento: “Meu Apar-tamento”, “Meu Carro Novo”, “A Viagem que Sempre Planejei”, “MinhaAposentadoria” ou “Os Estudos do Meu Filho”. Fica mais fácil quando noslembramos por que estamos nos esforçando.Calcule a sua disponibilidadePara começar a aplicar em ETFs não é preciso muito, cerca de R$200.Lembre-se, no entanto, que esse valor varia, pois o investimento mínimo re-comendado em um fundo de índices corresponde ao lote-padrão negociadona BM&FBOVESPA, ou seja, dez cotas do fundo, multiplicado pelo preço dacota na Bolsa. Além disso, considere que, assim como ocorre nas aplicaçõesque você faz no seu banco, as corretoras precisam cobrar taxas para manterseus investimentos em ETFs (taxa de custódia) e, normalmente, pelas mo-vimentações que você faz (taxa de corretagem). É importante comparar oscustos. No final, o montante total para aplicar nesses fundos depende de:
  38. 38. Guia prático para o mercado brasileiro | 391. Valor da cota do ETF escolhido, multiplicado pelo número de cotas.2. Taxa de corretagem da sua corretora. As despesas com a taxa de admi-nistração do fundo, assim como proventos (juros ou dividendos pagospelas empresas), já estão incorporadas nas cotas.3. Emolumentos da BM&FBOVESPA, que são um percentual fixo: 0,0345%.Esses custos ocorrem por ocasião da compra ou venda. Lembre-se da taxamensal, a custódia. Cabe a você fazer as contas para saber se as taxas cobradasvão pesar no seu investimento. Por exemplo: se investir R$200 em um ETF esua corretora cobrar R$10 de taxa de custódia (para este exemplo, não vamossomar a corretagem), você vai precisar de um rendimento superior a R$10 to-dos os meses para o investimento compensar. É muito difícil obter uma rentabi-lidade como essa (mais de 5% ao mês) com apenas R$200, não é mesmo?Escolha a corretoraA corretora vai ser seu braço direito, responsável por aconselhamentoe execução das ordens de compra e venda. Além disso, você pode contarcom ela para:• Dar o suporte necessário para entender o funcionamento do mercado.• Ajudar a definir seu perfil de investidor (quais investimentos se ade-quam melhor às suas preferencias pessoais).• Fornecer serviços para facilitar e agilizar as operações, como o HomeBroker (investimento via Internet) etc.As corretoras costumam ser especializadas e preparam pacotes paraatender diferentes tipos de clientes. Como seria de se esperar, os custos va-riam com a quantidade de serviços que oferecem. Consulte lista de correto-ras que estão no mercado. Na hora de compará-las, pense no seguinte:• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quan-to mais personalizado, mais caro o atendimento tende a ser.• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras,bate-papo pela Internet (chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?• Quais são as taxas (corretagem e custódia)? É importante comparar. Al-gumas corretoras não cobram taxa de corretagem. Outras pedem cercade R$10 por operação de até R$10 mil, por exemplo. Algumas oferecempacotes especiais para estudantes universitários. Outras dão descontosse você ultrapassar um limite mínimo de operações.
  39. 39. 40 | Para Que, Onde e Como InvestirTodas as corretoras listadas no site da Bolsa são autorizadas pelo Ban-co Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de am-plamente monitoradas pela BM&FBOVESPA Supervisão de Mercado (BSM).Essas salvaguardas garantem a tranquilidade dos investidores e fazem comque o mercado brasileiro ofereça aos investidores um ambiente seguro denegociação.Abra sua conta na corretoraContratar a sua corretora é simples.1. Preencha o cadastro (semelhante à abertura de uma conta em um banco).2. Apresente os documentos (cópias de CPF, RG e comprovante de resi-dência).3. Assine o termo de adesão e o contrato de intermediação.Escolha o ETFNa hora de escolher, tanto você quanto sua corretora vão ter um papelfundamental.Orientação da corretoraAs corretoras contam com especialistas que acompanham as empre-sas, os setores da economia e o momento do mercado e fazem análises. Apartir dessa avaliação, recomendam estratégias de investimento. Procuresempre conhecer a opinião de sua corretora.Aproveite a sua experiênciaA ideia de aliar o lado consumidor ao investidor é adotada pelos nor-te-americanos há algum tempo. Isso significa aproveitar as informaçõesque você obtém no quotidiano para perceber oportunidades de investimen-to. Elas podem estar no mercado em que você faz compras, no posto decombustível, na empresa que distribui energia elétrica na sua casa ou nosprodutos e serviços que você consome e nota que as vendas vêm crescen-do. Prestando atenção, acabamos percebendo que há setores da economiaque oferecem perspectivas melhores do que outros. Muito provavelmente,aquele que você identificar como promissor estará representeado na famíliade ETFs.Bons investimentos.
  40. 40. Guia prático para o mercado brasileiro | 41Perguntas frequentes – ETFsQual o valor mínimo para investir?Não é preciso muito dinheiro para investir em ETFs, cerca de R$200.Mas note que, assim como ocorre em outras aplicações que você faz no seubanco, as corretoras precisam cobrar taxas para manter seus investimentosem ETFs (taxa de custódia) e, normalmente, pelas movimentações que vocêfaz (taxa de corretagem). Esses preços variam com o tipo de atendimento(quanto mais personalizado, mais caro) e com os serviços que são prestados.O mínimo necessário para aplicar, no final, depende dos custos que você pa-gar. Para valer a pena, eles têm de ficar abaixo da rentabilidade que vocêtiver no investimento. Como os custos, por sua vez, vão depender do tipo deserviço que você receberá, é necessário analisar cada caso individualmente.Portanto, fique atento na relação rentabilidade X custo antes de tomaruma decisão de investimento.Como escolho em que modalidade investir?A melhor maneira é verificar em qual ETF seus objetivos e sua estraté-gia se encaixam melhor. Veja a seção Modalidades para conhecer as opções.A escolha do tipo ideal depende das suas intenções, de sua experiência nomercado, do tempo que você pode dedicar ao acompanhamento dos inves-timentos e dos seus objetivos.Como escolher a corretora?Escolha pelo tipo de serviço que deseja e pelas taxas cobradas.Na hora de compará-las, pense no seguinte:
  41. 41. 42 | Para Que, Onde e Como Investir• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quan-to mais personalizado, mais caro o atendimento tende a ser.• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras,bate-papo pela Internet (chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?• Quais são as taxas (corretagem e custódia)?Consulte a seção Como investir.Qual é a hora certa para entrar nesse mercado?O momento ideal é quando você estiver seguro de que entendeu amecânica básica do mercado acionário. Isto é, que é uma aplicação com ho-rizonte de resgate de médio e longo prazos, que tem bom potencial de ren-tabilidade e, por isso, traz também riscos de flutuação no valor investido.Qual é a diferença de rentabilidade entre os ETFs e ostítulos públicos?São classes de investimento diferentes.Os títulos públicos estão na categoria chamada renda fixa, caracteri-zada por ser mais conservadora, sujeita a menores riscos e oferecer ganhosmais previsíveis e moderados.Os ETFs são da classe de renda variável: tendem a variar mais que ostítulos públicos, são mais arriscados, mas têm maior potencial de rentabili-dade.Dadas essas diferenças, a comparação direta não faz muito sentido,pois são categorias indicadas para objetivos diferentes:• Títulos públicos: manutenção do valor do investimento e ganhos mode-rados.• Renda variável: maior potencial de ganho, com mais riscos.É possível saber quanto meu dinheiro vai render aoinvestir?Não. Dado o conjunto de fatores que interagem e influenciam a cota-ção, é impossível prever a rentabilidade de um ETF: desempenho das em-presas integrantes do índice de referência, conjuntura político-econômica
  42. 42. Guia prático para o mercado brasileiro | 43nacional e internacional, condições do mercado em que a empresas operam,concorrência etc.Que taxas são cobradas?• Taxa de custódia e taxa de corretagem, que variam em função da corre-tora escolhida.• Emolumentos da BM&FBOVESPA, valor fixo de 0,0345%.Os ETFs pagam dividendos?Os dividendos pagos pelas empresas integrantes das carteiras dosETFs são incorporados ao patrimônio dos fundos. Não são distribuídospara os cotistas individualmente. Mas note que o benefício continua sendodo investidor, pois a cota vai refletir o aumento de patrimônio.Para refrescar sua memória, lembre-se que dividendo é a parte do lucroque as empresas distribuem para seus acionistas. Portanto, são definidos erateados depois de apurado o lucro de um exercício fiscal. O estatuto socialde uma empresa pode estabelecer o dividendo mínimo a ser distribuído,desde que não seja inferior a 25% de seu lucro líquido ajustado. Caso nãohaja previsão no estatuto social, o dividendo obrigatório deve corresponder,no mínimo, à metade do lucro líquido ajustado.Que riscos corro?Os ETFs estão na classe de investimentos chamada renda variável, ca-racterizada por apresentar mais risco de variação no valor aplicado e maiorpotencial de rentabilidade. Afinal, investir em ETF significa aplicar em umconjunto de ações. Portanto, há semelhanças tanto nos ganhos como nosriscos. Você vai se tornar sócio, dono, de um pedaço de vários negócios. Etodo o mundo já viu empresas que se saem bem e outras que nem tanto.Podem surgir concorrentes que ameacem o mercado das suas empresas ouocorrerem alterações na conjuntura política ou econômica que comprome-tam o ambiente de negócios. Uma crise financeira de proporções mundiaiscomo a de 2008-2009, ou conflitos políticos locais ou internacionais, acabamtendo reflexo em todas as empresas. Consulte a seção Riscos.
  43. 43. 44 | Para Que, Onde e Como InvestirFUNDOS IMOBILIÁRIOSO que são?São fundos de investimento que fazem aplicações em empreendimen-tos imobiliários, tais como imóveis comerciais, residenciais, rurais ou ur-banos, construídos ou em construção, para posterior alienação, locação ouarrendamento. Os recursos também podem ser direcionados para títulosligados ao setor, como certificados de recebíveis imobiliários, letras hipo-tecárias, ações de empresas do ramo etc. Os investidores recebem os rendi-mentos gerados pelos ativos do fundo.São constituídos como condomínios fechados, isto é, não permitemaplicação e resgate a qualquer hora como, por exemplo, os fundos de in-vestimentos de renda fixa e podem ter prazo de duração indeterminado(definido no estatuto). Para sair do investimento, os cotistas, em geral, po-dem vender suas cotas em bolsa ou no mercado de balcão organizado. Estecaminho é também o de entrada para os investidores que não participaramda captação inicial de recursos do fundo.Pontos positivos:• Acessibilidade• Diversificação• PraticidadeRecomendados para quem?Os fundos imobiliários são indicados para quem quer entrar no mer-cado imobiliário sem ter de:VI
  44. 44. Guia prático para o mercado brasileiro | 45• Desembolsar todo o valor normalmente exigido para a compra de um bemdessa natureza.• Concentrar todos os recursos em um único ativo.• Gerenciar um imóvel (acompanhar as obras, gerir inquilinos, cuidar damanutenção, pagar impostos etc.).Além de ser uma opção para diversificar os investimentos, é uma al-ternativa para quem deseja:• Renda regular: as receitas periódicas geradas pelos imóveis do fundo cos-tumam ser distribuídas para os cotistas.• Ganhar com a valorização dos imóveis: aumento no preço dos imóveis dofundo normalmente gera valorização das cotas.Em geral, a rentabilidade desses fundos é muito competitiva, poiscontam com isenção de Imposto de Renda na distribuição dos rendimentospara a pessoa física, desde que atendam às seguintes condições:• O cotista beneficiado tem de ter menos do que 10% das cotas do fundo.• O fundo tem de ter, no mínimo, cinquenta cotistas.• As cotas do fundo têm de ser negociadas exclusivamente em bolsa oumercado de balcão organizado.Atendem também investidores que visam ao médio e longo prazo enão querem ter de reinvestir os recursos a cada vencimento. Por serem fun-dos fechados, existem duas formas de saída:• Venda das cotas no mercado secundário: na Bolsa, pelo mesmo mecanis-mo de comercialização de ações, ou no mercado de balcão organizado.• Dissolução do fundo, quando os bens são vendidos e o produto distribu-ído para os cotistas.Todos os negócios ligados ao mercado imobiliário, rural ou urbano,podem constar da carteira do fundo: construção para venda, aluguel, pa-péis imobiliários (como títulos emitidos por construtores para financiar aobra, ações de empresas do ramo, cotas de outros fundos imobiliários) etc.Além disso, qualquer tipo de imóvel pode ser negociado: shoppingcenters, escritórios, hospitais, apartamentos, galpões industriais, centroslogísticos etc. Normalmente, os fundos imobiliários têm foco em uma ati-vidade, como, por exemplo, aluguel de lajes comerciais: o administrador
  45. 45. 46 | Para Que, Onde e Como Investircompra imóveis cujas locações passam a ser mensalmente distribuídas aosinvestidores.Vantagens• Acessibilidade. Não é preciso muito para entrar em um fundo imobiliá-rio. Há lançamentos com investimento mínimo de R$1 mil. Além disso,depois de o fundo ser lançado, o investidor em geral pode adquirir cotasno mercado secundário, da mesma forma que compraria uma ação. Porisso, pode participar dos ganhos de grandes empreendimentos sem terque desembolsar ou dispor de todo o valor.• Diversificação. Ao entrar em um fundo imobiliário, o investidor passa aser dono de uma parcela dos bens adquiridos pelos gestores. Esse meca-nismo permite que os recursos sejam empregados em vários imóveis, oque dilui o risco de concentração. Note, no entanto, que há fundos comfoco em um único empreendimento.• Praticidade. Todo o conjunto de tarefas ligadas à administração de umimóvel fica a cargo dos profissionais responsáveis pelo fundo: busca dosimóveis, trâmites de compra e venda, procura de inquilinos, manuten-ção, impostos etc.• Flexibilidade. Permite que um investidor entre ou saia aos poucos. Nocaso de necessidade de recursos, não é preciso vender todo o imóvel.Note que, quando negociado na Bolsa, o crédito e o débito dos valoresna conta do cotista ocorrem três dias depois de fechada a operação (ochamado D+3), como nas operações normais do mercado acionário.• Ganho tributário. Os rendimentos das aplicações de pessoas físicas nosfundos imobiliários são isentos de Imposto de Renda (IR), se atendidasalgumas condições. É uma grande vantagem frente ao recebimento dealuguel ou ganhos com outros tipos de aplicações. Note que a isençãoocorre apenas sobre a distribuição de rendimentos: recebimentos de alu-guéis, rateio da venda de um imóvel do fundo etc. No caso de o inves-tidor vender suas cotas com lucro no mercado secundário, deve pagar20% de IR sobre o ganho.• Transparência. O investidor pode verificar o valor dos seus investimen-tos e se existem interessados em comprar ou vender as cotas a qualquer
  46. 46. Guia prático para o mercado brasileiro | 47hora. Basta verificar a negociação das cotas na Bolsa. É uma vantagem,pois o dono de um imóvel só apura o valor efetivo de sua propriedadequando a vende. Além disso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM)supervisiona o funcionamento do fundo e o cotista pode participar deassembleias para acompanhar a gestão da carteira.RiscosOs cotistas de um fundo imobiliário estão submetidos às mesmas in-certezas do proprietário de um imóvel ou de um empreendedor no setor.Várias razões podem contribuir para comprometer os resultados e os riscospodem ser muito diferentes, dependendo da natureza e objetivos do fundo.Veja alguns exemplos:• Procura abaixo do que a projetada para compra ou aluguel dos imóveispertencentes ao fundo.• Valorização das unidades ou rendimentos com aluguéis abaixo do pre-visto.• Inadimplência de compradores ou locatários dos imóveis.• Crises na conjuntura política ou econômica, tanto no plano nacionalcomo no internacional, que contaminem o ambiente de negócios.• Dificuldade do emissor de um título de crédito de honrar os compromis-sos de pagamento de juros.Existem ainda incertezas ligadas à mecânica específica de funciona-mento dos fundos imobiliários:• Pode não haver interessados em comprar as cotas no mercado secundá-rio no momento em que o investidor deseja resgatar.• Risco de gestão: execução das obras, andamento do cronograma etc.Para entender a que riscos um fundo específico está submetido, leiaa seção de fatores de risco no seu prospecto. Esse documento, assim comoos outros de publicação obrigatória, podem ser encontrados no site daBM&FBOVESPA. Consulte a lista de fundos.ModalidadesA Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Associação Brasileiradas Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) os classi-
  47. 47. 48 | Para Que, Onde e Como Investirficam apenas como fundos imobiliários. Como um recurso didáticopara ajudá-lo a compreender o cenário e a escolher o que se adequamelhor aos seus objetivos, podemos dividi-los informalmente em trêssubcategorias:• PropósitoRenda regular. São aqueles que voltam seus investimentos para ativosque proporcionem rendimentos constantes, como aluguéis, títulos decrédito com pagamento programado de juros etc.Ganho de capital. São fundos que aplicam em empreendimentos commaturação mais longa, que esperam ganhar com a valorização dos ati-vos, como no caso da construção e venda de edifícios etc.Mistos. Mantêm em seu patrimônio uma mescla das categorias acima.• Tipo de imóvelHá fundos que optam por investir em imóveis específicos: residenciais,comerciais, industriais, escritórios, hospitalares, galpões logísticos etc.• Tipo de ativoExistem fundos que focam os investimentos em tipos de ativos: imóveis,títulos de renda fixa (certificados de recebíveis imobiliários – CRIs, letrasde crédito imobiliário etc.) ou títulos de renda variável (ações de empre-sas do ramo, cotas de outros fundos imobiliários etc.).Classificar os fundos dessa maneira torna mais fácil adequar a es-colha em função dos seus objetivos. Se você gostaria de ter uma fonte derenda regular, oriente sua seleção pelo propósito do fundo. Se acreditarque as melhores oportunidades estão na área comercial, foque no tipo deimóvel que o fundo investe. Se preferir que o patrimônio do fundo estejalastreado em imóveis, procure pelo tipo de ativo.Existem diversos fundos imobiliários, de todos os tipos, comercia-lizados no mercado secundário (na Bolsa). E outros novos são constante-mente lançados. Para conhecer os fundos negociados na Bolsa, consultea lista atualizada constantemente no site da BM&FBOVESPA. Nela, vocêencontra links para documentos que descrevem os fundos em detalhes:perfil, prospecto, regulamento e a rentabilidade histórica. Note que, como código, a sigla com a qual o fundo é negociado na Bolsa, você podeconsultar, no próprio site da Bolsa, o andamento da negociação das co-tas durante o pregão: valor, número de negócios fechados, variação dopreço etc.
  48. 48. Guia prático para o mercado brasileiro | 49Como investirDefina um objetivoA pergunta que você deve se colocar é direta: “Qual é o meu objetivocom este investimento? Vale esperar?” Afinal, investir supõe alguma renún-cia. É a pura verdade: significa que você está adiando o desfrute imediatodo seu dinheiro, para obter maiores ganhos no futuro. Por isso, dê um nomepara o seu investimento: “Meu Apartamento”, “Minha renda regular”, “Mi-nha Aposentadoria” ou “Os Estudos do Meu Filho”. Fica mais fácil quandonos lembramos por que estamos nos esforçando. A partir do seu objetivo,procure adequá-lo aos tipos de fundos disponíveis.Calcule a sua disponibilidadeQuanto você pode investir? Para começar a aplicar em fundos imobili-ários não é preciso muito. Alguns fundos foram lançados com investimentomínimo de R$1 mil. E você pode comprar cotas no mercado secundário.Para ajudá-lo a decidir, conte com a sua grande aliada no mercado: acorretora. Ela vai oferecer sugestões de investimento, avisá-lo sobre perío-dos de captação de novos fundos, além de viabilizar as suas transações (vejamais abaixo como escolher uma instituição).Se você for adquirir cotas no mercado secundário, tudo ocorre como sefosse a negociação de uma ação. As ordens de compra a venda podem serdadas pelo próprio site da sua corretora, se ela oferecer o serviço de HomeBroker.Assim como ocorre em outras aplicações que você faz no seu banco, ascorretoras precisam cobrar taxas para manter seus investimentos (custódia)e, normalmente, pelas movimentações que você faz na sua carteira (corre-tagem). É importante comparar os custos. Algumas corretoras não cobramtaxa de corretagem. Outras pedem cerca de R$10 por operação de até R$10mil, por exemplo. Algumas oferecem pacotes especiais para estudantes uni-versitários. Outras dão descontos se você fizer mais do que um númeromínimo de operações.Na hora de calcular o valor a ser investido, lembre-se que o montantetotal para compra de cotas do fundo no mercado secundário depende de:1. Preço multiplicado pelo número de cotas.2. Taxa de corretagem da sua corretora.3.EmolumentosdaBM&FBOVESPA,quesãoumpercentualfixode0,0345%.Esses custos ocorrem por ocasião de compra ou venda. Lembre-se dataxa mensal, a custódia.
  49. 49. 50 | Para Que, Onde e Como InvestirCabe a você fazer as contas para saber se as taxas cobradas vão pesarno seu investimento. Por exemplo: Se investir R$1 mil em um fundo e suacorretora cobrar R$10 de taxa de custódia (para este exemplo, não vamossomar a corretagem), você vai precisar de um rendimento superior a R$10todos os meses para o investimento compensar. É difícil obter uma rentabi-lidade como essa (mais de 1% ao mês) com apenas R$1 mil?Escolha a corretoraA corretora vai ser seu braço direito, responsável por aconselhamentoe execução das ordens de compra e venda. Além disso, você pode contarcom ela para:• Dar o suporte necessário para entender o funcionamento do mercado.• Ajudá-lo a descobrir qual é o seu perfil de investidor (quais investimen-tos se adequam melhor às suas preferências pessoais).• Fornecer serviços para facilitar e agilizar as operações, como o HomeBroker (investimento via Internet) etc.As corretoras costumam ser especializadas e preparam pacotes paraatender diferentes tipos de clientes. Claro que os custos variam com a quan-tidade de serviços que oferecem. Consulte lista de corretoras que estão nomercado. Na hora de compará-las, pense no seguinte:• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quan-to mais personalizado, mais caro o atendimento tende a ser.• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras,bate-papo pela Internet (chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?• Quais são as taxas (corretagem e custódia)?Todas as corretoras listadas no site da Bolsa são autorizadas pelo Ban-co Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de am-plamente monitoradas pela BM&FBOVESPA Supervisão de Mercado (BSM).Essas salvaguardas garantem a tranquilidade dos investidores e fazem comque o mercado brasileiro ofereça um ambiente seguro de negociação aosseus invetidores.Abra sua conta na corretoraContratar a sua corretora é simples.1. Preencha o cadastro (semelhante à abertura de uma conta em um banco).2. Apresente os documentos (cópias de CPF, RG e comprovante de residência).3. Assine o termo de adesão e o contrato de intermediação.
  50. 50. Guia prático para o mercado brasileiro | 51Escolha o fundoConforme vimos, existem dois caminhos para os fundos de investi-mento: entrar na formação ou comprar cotas no mercado secundário.Para investir em um fundo imobiliário desde a sua constituição, fiqueatento ao noticiário e aos anúncios e avise sua corretora de seu interesse.Com o reflorescimento do mercado imobiliário no Brasil, têm ocorrido lan-çamentos regulares. Por ser um condomínio fechado, existe data-limite paraentrada. Vencido o prazo, se forem reunidos os recursos mínimos definidosno prospecto, o fundo é lançado. A vantagem de aplicar nesse momentoé que, se tudo der certo, você lucra, por exemplo, com a valorização dosempreendimentos que serão feitos. Mas note que, neste caso, você não teráo histórico da capacidade de gestão do administrador, nem a segurança deum negócio já em andamento.Para investir em um fundo constituído você precisa comprar cotasno mercado secundário, negociadas da mesma forma que as ações, comovimos acima. A vantagem de participar de um fundo já existente é poderavaliar o desempenho que ele obteve no passado e compará-lo com outrosconcorrentes — ainda que nada garanta a repetição da performance verifica-da. Por outro lado, neste caso, você poderá não participar de um eventualentusiasmo que um fundo novo pode experimentar na largada.Na hora de escolher, tanto você quanto sua corretora vão ter um papelfundamental.Orientação da corretoraAs corretoras contam com especialistas que acompanham o andamen-to dos fundos, o mercado imobiliário e o ritmo da economia e fazem análi-ses. A partir dessa avaliação, recomendam estratégias de investimento. Pro-cure sempre conhecer a opinião da sua, sobretudo para entender os riscos eas possibilidades oferecidos pelas opções disponíveis.Aproveite sua experiênciaFaça suas próprias pesquisas. Comece por ler as publicações prepara-das pelos gestores e administradores. Consulte a lista de fundos imobiliáriosatualizada constantemente no site da BM&FBOVESPA. Nela, você encontralinks para documentos que descrevem os fundos em detalhes: perfil, pros-pecto, regulamento e a rentabilidade histórica. Dedique especial atenção àseção fatores de riscos do empreendimento. Note que, com o código, a siglacom a qual o fundo é negociado na Bolsa, você pode acompanhar a nego-ciação das cotas durante o pregão no próprio site da Bolsa: valor, número denegócios fechados, variação do preço etc.
  51. 51. 52 | Para Que, Onde e Como InvestirConsulte também o Índice de Fundos de Investimento Imobiliários(IFIX), calculado pela BM&FBOVESPA. Este indicador, apurado diariamen-te, é um referencial para a valorização das cotas dos fundos comercializadasna Bolsa. Como o Ibovespa, que sinaliza a tendência de valorização ou que-da das ações na Bolsa, mas não é composto pelo total de ações existentes, oIFIX considera uma parcela representativa dos fundos para mostrar a ten-dência de alta ou baixa em relação aos negócios realizados com as cotas dosfundos imobiliários.Também é muito útil a leitura de jornais e outras publicações sobreeconomia e mercado imobiliário.
  52. 52. Guia prático para o mercado brasileiro | 53Perguntas frequentes – FundosimobiliáriosQual o valor mínimo para investir?Não é preciso muito para começar. Alguns fundos foram lançadoscom investimento mínimo de R$1 mil. Este valor vai depender da estru-turação que o organizador do fundo fizer. Além disso, você pode comprarcotas comercializadas no mercado secundário (com o mesmo mecanismo decompra de ações). Para conhecer as opções, consulte a lista de fundos imo-biliários atualizada constantemente no site da BM&FBOVESPA. Se quiserficar informado sobre novos lançamentos ou saber mais sobre as opções nomercado secundário, conte com a sua grande aliada no mercado: a correto-ra. Ela vai oferecer sugestões de investimento, avisá-lo sobre períodos decaptação de novos fundos, além de viabilizar as suas transações.Como escolher um fundo?A melhor maneira é verificar em qual fundo imobiliário seus objetivose estratégias se encaixam melhor. Veja a seção Modalidades para conheceras opções. A escolha do tipo ideal depende das suas preferências, do tem-po que seu dinheiro pode ficar rendendo e dos seus objetivos. Para efeitode compreensão, podemos classificar informalmente os fundos imobiliáriosem três subcategorias:• PropósitoRenda regular. São aqueles que voltam seus investimentos para ativosque proporcionem rendimentos constantes, como aluguéis, títulos decrédito com pagamento constante de juros etc.Ganho de capital. São fundos que aplicam em empreendimentos com

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