Auditoria Contábil - Aspectos Básicos

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Breve texto sobre a Auditoria Contábil, abordando sobre os aspectos básicos.

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Auditoria Contábil - Aspectos Básicos

  1. 1. Auditoria Contábil: Aspectos Básicos1 1 INTRODUÇÃO A auditoria é uma das técnicas contábeis utilizadas para medir o grau de confiabilidade, ou risco, das informações prestadas pela contabilidade aos interessados na organização. Tal empreitada é concretizada por meio dos demonstrativos financeiros. Estas demonstrações são as ferramentas pelas quais a contabilidade informa as variações patrimoniais sofridas pela entidade em determinado período. Cabe ao auditor, por meio das técnicas de auditoria, avaliar o grau de risco destas informações, através de apreciação dos registros contábeis e da documentação comprobatório dos mesmo. O processo de auditoria é feito com base em teste como os de superavaliação e subavaliação da contas contábeis e, ao final deste processo, far-se-á um parecer onde consta a percepção e as conclusões do auditor à respeito de seus trabalhos feitos na organização auditada. 2 CONTABILIDADE E DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Um breve conceito para a contabilidade poderia ser expresso em uma pequena frase: A ciência que estuda o patrimônio econômico das entidades; entretanto, tal expressão não reproduz com fidedignidade o papel e nem sua função, deste modo, um conceito que possa exprimir com máxima aproximação de completude a realidade dessa ciência deveria ser embasado pela identificação de seu objetivo, uma vez que, este objetivo caracteriza a sua função, enquanto finalidade. Segundo Iudícibus (2009, p.4), o objetivo primordial da contabilidade é “[...] fornecer aos usuários, independentemente de sua natureza, um conjunto básico de informações financeiras a respeito dos acontecimentos e modificações do patrimônio de uma Entidade [...]”, informações estas, que são resultantes do registro, por meio da escrituração contábil, de todos os fatos e atos administrativos; cabendo ressaltar que, em se tratando destes últimos, registrar-se-ão apenas aqueles dotados de relevância, ou seja, que possam provocar alterações patrimoniais futuras. Assim, com base no que fora exposto, podemos conceituar a contabilidade como a ciência que estuda o patrimônio das entidades e, por meio de seus métodos, ou técnicas 2, de escrituração, registra 1 Escrito por: Gonçalves, T.F. de M; RIVA, A; COELHO. R; SANTOS, R. – Acadêmicos do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Católica de Pernambuco. 1
  2. 2. todos os acontecimentos que causam alterações neste patrimônio com a finalidade de fornecer aos interessados, informações qualitativas e quantitativas de natureza econômico-financeira a respeito da condição patrimonial da organização. Na NBC T 1, aprovada pela Resolução CFC nº 785/95 3, constituindo-se numa norma que figura sobre informações contábeis, a contabilidade é conceituada da seguinte forma: A Contabilidade, na sua condição de ciência social, cujo objeto é o patrimônio, busca, por meio da apreensão, da quantificação, da classificação, do registro, da eventual sumarização, da demonstração, da análise e relato das mutações sofridas pelo patrimônio da entidade particularizada, a geração de informações quantitativas e qualitativas sobre ela, expressas tanto em termos físicos, quanto monetários. (CFC, 1995, p.2) Todos os acontecimentos que ocorrem no âmbito da entidade e envolvem modificações em seu patrimônio devem ser escriturados seguindo as normas, convenções e princípios da contabilidade de modo que, ao final de um período pré-estabelecido, todos esses dados são compilados em demonstrativos financeiros os quais, conforme afirma Iudícibus (2009, p.4), têm a função de “[...] prover seus usuários com informações que os ajudarão no planejamento e tomada de decisão [...]”, tanto em maior ou menor grau, dependendo do usuário em questão e da natureza básica da informação demandada por ele. Com isso, depreendemos que o objetivo principal dos demonstrativos financeiros e contábeis é guarnecer os seus usuários com informações úteis para a tomada de decisão de cunho econômico e financeiro. Segundo o que consta na NBC TG 26 (NBC T 19.27), aprovada pela Resolução CFC nº 1185/09, ao reportar-se a apresentação das demonstrações contábeis, aborda que tais demonstrativos, visando atingir o objetivo para o qual se prestam, que é o fornecimento de informações aos diversos usuários interessados na entidade, além do objetivo de “[...] apresentar os resultados da atuação da administração na gestão da entidade e sua capacitação na prestação de contas quanto aos recursos que lhe foram confiados[...]”, devem fornecer informações a respeito dos ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas e despesas, incluindo ganhos e perdas, alterações no capital próprio decorrente da 2 Há quem considere a escrituração contábil uma técnica ou ferramenta pela qual se faz o trabalho contábil. 3 Revogada pela Resolução n º 1.121, publicada no DOU em 01/04/2008, Seção I, página 400. E esta resolução é alterada pela Resolução nº 1.329/2011 e revogada pela Resolução nº 1374/2011, em vigor. 2
  3. 3. integralização de capital ou distribuição de ganhos aos sócios e também informações á respeito dos fluxos de caixa gerados pela entidade. Tomando essa finalidade como base para conceituação das “demonstrações contábeis”, Moura (2010, p.390), propõe a seguinte ideia: [...] um conjunto de relatórios elaborados com base na escrituração mercantil mantida pela empresa, com a finalidade de apresentar informações aos diversos usuários, principalmente de natureza econômica e financeira, relativas à gestão do patrimônio ocorrida durante um exercício social. 2.1 Tipos de Demonstrações Contábeis e Financeiras A lei nº 6.404/76 rege o assunto referente às demonstrações contábeis e em seu Art. 176, no qual a redação conferida por seu caput determina que “[...] ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, suas demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício”, dentre as quais podemos elencar: o Balanço Patrimonial; o Demonstração do Resultado do Exercício; 2.1.1 Balanço Patrimonial Este demonstrativo, estabelecido na lei nº 6.404/76 e em suas regulamentações posteriores, corroborado pela resolução número 1.185/09 do Conselho Federal de Contabilidade, a qual aprova a a NBC TG 26 que trada da apresentação das demonstrações contábeis, é responsável pela expressão, em determinado momento, da posição patrimonial e financeira de uma entidade. O Balanço Patrimonial expressa tanto os aspectos qualitativos do patrimônio da empresa, como os tipos de bens, mas também aspectos quantitativos de expressão monetária normalmente evidenciando o valor das contas ali apregoadas. Assim sendo, Ribeiro (2010, p.392) afirma que o balanço patrimonial é “[...] a demonstração financeira (contábil) destinada a evidenciar, quantitativa e qualitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da empresa”. 3
  4. 4. O Balanço Patrimonial encontra-se subdividido em três partes: ativo, passivo e patrimônio líquido. Cada uma dessas partes exibe certas contas às quais são ordenadas de acordo com o seu grau de liquidez, para contas do ativo, e seu grau de exigibilidade, para as contas do passivo. O ativo se subdivide em ativo circulante e não circulante, no primeiro grupo ficam registradas todas as aplicações cuja liquidez possa ser auferida no curto prazo, ou seja, durante o exercício social subsequente à publicação do balanço patrimonial. No ativo não circulante acham-se alocadas as aplicações que não serão liquidadas no curto prazo, ou seja, não terão seus valores convertidos em moeda no exercício social subsequente à data da publicação do balanço. Normalmente, as contas desse grupo estão divididas em imobilizado, realizável a longo prazo, intangível e investimentos. A soma dos recursos desses dois grupos resulta no total dos ativos da companhia ou, como também é denominado na contabilidade, investimento total. O passivo, por outro lado, está categorizado em passivo circulante e não circulante, porém a regra que estabelece a ordem em que estão elencadas as contas desse grupo não é o grau de liquidez e sim o grau de exigibilidade, este que corresponde ao prazo de liquidação das exigibilidades. Deste modo, as obrigações que possuem um grau de exigibilidade compreendido no curto prazo, como Fornecedores, Impostos a Recolher e Salários, figurarão no passivo circulante e as obrigações com grau de exigibilidade enquadrado, segundo as definições a respeito do exercício social da entidade estabelecidas em seu contrato social ou, no caso de Sociedades Anônimas, o estatuto, no longo prazo, como financiamentos de longo prazo, deverão figurar no passivo não circulante. O montante representado pela soma desses dois grupos compreende o total de capital de terceiros aplicados nos ativos da empresa. O Patrimônio Líquido, situado no lado do passivo, compreende o total do capital próprio investido nos ativos da entidade. Compreende o capital social, as reservas de lucros e de capital, e ações em tesouraria. No grupo, além de estar alocado o capital entregue pelos sócios à companhia, acham-se registrados também os seus lucros auferidos e destinados a suas reservas. Portanto, a parte do investimento total da entidade que efetivamente lhe pertencente está alocada neste grupo. O conceito de Balanço justifica-se pelo fato de este representar o equilíbrio entre suas partes de modo que o total das origens dos recursos descritas no passivo e patrimônio líquido deve ser igual aos totais das aplicações de recursos relacionadas no lado do ativo. Essa lógica está fundamentada no mecanismo de escrituração das partidas dobradas, onde todas as origens de recursos devem possuir o valor igual ao de sua aplicação. 4
  5. 5. 2.1.2 Demonstração do Resultado do Exercício A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) elenca de forma sistemática e categorizada todas as receitas auferidas pela entidade, bem como as despesas e custos incorridos, confrontando-os segundo o princípio da competência, com o objetivo de evidenciar o resultado econômico – lucro ou prejuízo – auferido pela companhia no exercício social referido. Com base nisso, Ribeiro (2010, p. 406) afirma que “[...] a DRE é um relatório contábil destinado a evidenciar a composição do resultado formado num determinado período de operações da empresa”. Esse demonstrativo elenca as despesas e receitas de acordo com sua natureza, descrevendo o movimento de entradas e saídas de recursos, o qual culmina no resultado econômico atingido pela entidade, entretanto, em princípio, é um relatório unicamente econômico baseado no registro dos fatos administrativos, independentemente de as receitas realizadas terem sido recebidas e as despesas incorridas terem sido pagas. A relação lógica estabelecida neste demonstrativo parte da evidenciação do montante das receitas brutas auferidas pela entidade no exercício social em questão, classificadas sobre a rubrica de receita bruta. Em seguida, são elencadas as deduções das receitas brutas, como cancelamento de vendas, devoluções, tributos incidentes sobre a receita, depois de realizadas as deduções fica evidente outro grupo no informe financeiro, e um dos mais importantes para o presente trabalho, que é o grupo das receitas líquidas. Após as receitas líquidas, é evidenciada a conta de custo das mercadorias vendidas, no caso de empresas mercantis, custo dos serviços prestados, no caso de empresas prestadoras de serviços e, custo dos produtos vendidos, no caso de indústrias. A receita líquida deduzida do custo evidencia o lucro bruto auferido pela empresa. Depois desta conta evidenciam-se, segundo suas categorias, as despesas incorridas, estas que estão classificadas, basicamente, sob o título de despesas operacionais. Logo após essas deduções, conhecemos o resultado operacional da empresa. Este grupo evidencia efetivamente o resultado econômico da administração da empresa na realização de sua atividade operacional fim, ou seja, mostra o êxito que a empresa teve em desenvolver suas atividades. Após isto, deduzindo outras despesas classificadas como não operacionais - os tributos sobre o lucro contábil -, chegamos ao componente último da DRE, que é o Lucro Líquido (ou Prejuízo), este que é o resultado econômico propriamente dito. 3 AUDITORIA CONTÁBIL Auditoria contábil consiste na análise da escrituração contábil, ou seja, na verificação dos registros realizados com base em documentação comprobatória dos fatos e atos administrativos em 5
  6. 6. livros próprios da Contabilidade, objetivando apurar o grau de conformidade entre estes e os critérios estabelecidos, quais sejam: princípios contábeis, legislação e normas internas. Conforme a Associação Americana de Contadores (19--, apud BOYNTON, RAYMOND e KELL, 2002, p.30), no documento intitulado Report of the Committee on Basic Auditing Concepts of the American Accounting Association, Accounting Review, v.47, a auditoria consiste em: [...] um processo sistemático de obtenção e avaliação objetivas de evidências sobre afirmações a respeito de ações e eventos econômicos, para a aquilatação do grau de correspondência entre as afirmações e critérios estabelecidos, e de comunicação dos resultados a usuários interessados. Assim, o procedimento de auditoria consiste na execução de um conjunto de rotinas e técnicas seguindo um fluxo de execução racional, obtendo avaliações a respeito do que está evidenciado sobre as variações patrimoniais na entidade. Isso é feito com a finalidade de apurar se os processos contábeis adotados e as informações deles decorrentes, estão em correspondência com os critérios e regulamentações legais, assim como em consonância com os princípios contábeis. Feito isso, o procedimento culmina com a elaboração de parecer, por parte do profissional de auditoria, onde se apresenta o real grau de conformidade entre o que consta nas peças contábeis e os critérios legais estabelecidos, contribuindo para a manutenção, ou não, da credibilidade e grau de confiança a respeito das demonstrações, contribuindo assim para a redução da incerteza, para aqueles que tomam decisão utilizando como base aquelas informações. A auditoria contábil contribui para o aumento do grau de confiabilidade da contabilidade como um todo, aprimorando as informações fornecidas. Deste modo, acaba por agregar um maior nível de exatidão às informações constantes nas demonstrações contábeis, possibilitando a elas uma maior adequação à realidade econômica, patrimonial e financeira da entidade, além de assegurar melhor nível de veracidade dos resultados apurados. 3.1 Auditoria Interna e Externa Auditoria externa é realizada por profissional desvinculado da empresa e, consequentemente, com maior liberdade e independência de ação, visando à emissão de parecer periódico sobre as demonstrações contábeis da entidade auditada. 6
  7. 7. A auditoria interna, por sua vez, é executada por um funcionário da empresa, de forma contínua, visando melhorar a eficiência operacional e dos controles internos de forma efetiva, voltando-se para fins gerenciais. Ela torna possível o aperfeiçoamento dos controles internos e dos sistemas contábeis, pois o produto final do trabalho do auditor interno são recomendações voltadas para a melhoria dos processos administrativos. Segundo Fanco e Marra (2000, p.217), apenas empresas de organização complexa e considerável volume de operações comportam a existência de auditor interno no seu quadro funcional, exercendo seus serviços de forma contínua e em tempo integral. 4 CONTROLE INTERNO O controle interno é processado no âmbito da administração da empresa e consiste no acompanhamento, direcionamento ou previsão dos fatos e atos que produzam reflexos no patrimônio da empresa. Ele também verifica a veracidade das informações (contábeis ou não) da organização através da análise de documentos. O controle pode ser realizado, conforme alude Fanco e Marra (2000, p.261), de forma antecedente, quando se faz uma previsão acerca da ocorrência de um fato; podendo ser concomitante, quando se constata a ocorrência do fato no momento em que ele ocorre. Por fim, o controle pode ser consequente, realizado pela Contabilidade, quando se registra os fatos após sua ocorrência, através da técnica da escrituração. De forma ampla, os controles internos visam proteger o patrimônio da empresa, possuindo como objetivos prioritários, no que diz respeito ao sistema contábil e financeiros, apresentados por Franco e Marra (2000, p.208), a seguir: a) fornecer à contabilidade dados corretos e conferir a exatidão da escrituração; b) evitar alcances, desperdícios, erros e, se ocorridos, identificá-los. 5 AUDITORIA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Explicou-se anteriormente que a escrituração contábil consiste na técnica de mensuração e registro dos fatos e atos administrativos que provocam variações no patrimônio das aziendas. Tal procedimento envolve a identificação dos eventos que atingem o patrimônio econômico das entidades e, quando são identificados, são mensurados – qualitativamente e quantitativamente, em moeda 7
  8. 8. corrente – registrados e classificados segundo as rubricas contábeis. Este conjunto de rotinas tem como resultado final as demonstrações contábeis, responsáveis por levar informações financeiras sobre a entidade de forma confiável e útil ao processo decisório dos interessados. Deste modo, a auditoria das demonstrações contábeis consiste em um processo pelo qual é verificado se as informações apregoadas nestas demonstrações são condizentes com a realidade patrimonial, econômica e financeira da entidade; com a finalidade de atribuir um maior grau de confiabilidade para a contabilidade da organização. No contexto econômico atual, este tipo de auditoria adquire uma relevância cada vez mais acentuada, isso porque os demonstrativos contábeis são, em alguns casos, a única fonte de informação com pressupostos de relevância e confiabilidade que o usuário externo dispõe para auxiliá-lo em decisões de investimentos e concessão de empréstimos e financiamentos, assim como outros vínculos de negócios com a entidade em questão. Assim, entende-se que o papel essencial da auditoria é o de reduzir o risco das informações 4 prestadas pela contabilidade e, desta maneira, contribuir para o aumento da confiança e credibilidade das mesmas. Existe também uma série de benefícios que, segundo Boynton, Raymond e Kell (2002, p.69), são decorrentes do processo de auditoria. Dentre os quais é destacada a possibilidade de se ter acesso ao mercado de capitais, negociando títulos em bolsa de valores com a finalidade de buscar investidores e expandir seu capital. No caso de empresas pequenas, quando suas demonstraçãos são auditadas, aumenta-se a possibilidade de se obter empréstimos bancários a menor custo, pois o risco da informação das demonstrações auditadas é menor, fazendo com que os credores venham a exigir menor taxa de juros. Há também, segundo os mesmos autores, desincentivo a ineficiência e fraudes, além da melhoria da eficiência das operações e dos controles internos, decorrente de sugestões feitas pelo auditor em prol da melhoria da eficiência operacional de seu cliente. Há que se falar, também, nas limitações à auditoria das demonstrações. Por exemplo, como os testes seletivos são feitos com base em amostragem dos registros contábeis e da documentação comprobatória, não há como, no curto espaço de tempo que se executa um processo de auditoria, fazer análise completa de todos os registros contábeis do exercício, isso acabaria por incorrer em um custo elevado. 4 Corresponde o risco de que as demonstrações contábeis possam estar incorretas, incompletas ou viesadas. 8
  9. 9. Outro ponto que é crítico, em se tratando de auditoria, é a questão das estimativas contábeis. Segundo Boynton, Raymond e Kell (2002, p.71), “[...] estimativas são parte integrante do processo contábil [...]”, não se podendo ponderar o desfecho que tomaria a medida da incerteza, deste modo, a auditoria de per si não atribuiria maior grau de certeza ou exatidão às demonstrações contábeis, mas sim de confiabilidade, como garantia de que, de maneira geral, as informações prestadas são condizentes com a realidade da organização. Um exemplo de estimativa contábil seria a “Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa”, a qual deve ser feita, em decorrência do princípio contábil da prudência, mediante estimativa elaborada, com base na média aritmética dos créditos inadimplentes do três últimos exercícios sociais imediatamente anteriores ao exercício social de que tratam as demonstrações auditadas. 6 PLANEJAMENTO DE AUDITORIA O Planejamento é fase inicial de todo e qualquer trabalho, projeto ou tarefa, sendo uma ferramenta administrativa que visa estabelecer métodos adequados para a preparação dos mesmos. No que concerne ao planejamento da auditoria, este permite que seja traçada uma estratégia para todo processo, auxiliando o auditor no desenvolvimento do plano de trabalho, principalmente se houver envolvimento de outros auditores e especialistas. De acordo com Boynton, Raymond e Kell (2002, p. 248), “Planejamento de auditoria envolve o desenvolvimento de uma estratégia global para que se possibilite sua condução, dada sua extensão e complexidade.” O planejamento se inicia logo após a conclusão da auditoria anterior, continuando até a conclusão da auditoria atual. A definição, pelo auditor, da estratégia global, determina o alcance, época e direção dos trabalhos, para possibilitar o plano de desenvolvimento da auditoria. Ainda segundo o autor, as principais fases do planejamento da auditoria são: • Entendimento da entidade e do seu ambiente; • Entendimento de Controles Internos • Materialidade no planejamento e na execução da auditoria; • Identificação e avaliação de riscos; • Cronograma do planejamento. 6.1 Entendimento da entidade e do seu ambiente 9
  10. 10. É considerada a etapa crítica do processo de auditoria que envolve o conhecimento do negócio do cliente e do nicho de mercado em que ele se encontra. A partir desse conhecimento e obtenção de outras informações o auditor desenvolverá expectativas sobre o que deve ser relatado nas demonstrações contábeis. Ressalta-se a importância de que o auditor entenda vários aspectos cruciais do ciclo de negócios, como demonstrado por Boynton, Raymond e Kell (2002, p. 250): • Metas da administração e recursos organizacionais; • Os produtos, fornecedores, clientes e concorrentes da entidade; • Os principais processos e o ciclo operacional da entidade; • Decisões de financiamento e investimento; • Análise de risco operacional da atividade da empresa. A compreensão da natureza da entidade oferece condições para que o auditor entenda a estrutura organizacional, operações de negócios, localização das instalações, dependência de clientes e fornecedores e gastos com pesquisa e desenvolvimento. 6.2 Entendimento de Controles Internos Na fase de planejamento, devem ser identificadas as características, os aspectos relevantes e os componentes do controle interno. Segundo Boynton, Raymond e Kell (2002, p. 250), a administração aplica controles internos objetivando três requisitos: • Manter ou elevar o grau de confiabilidade das informações financeiras a fim de fornecer segurança aos usuários no que tange à conformidade entre as peças contábeis e os critérios normativos vigentes; • Obediência a leis e regulamentos aplicáveis; o auditor é responsável pela detecção de erros e fraudes ou atos ilegais cometidos pela administração ou empregados; • Eficácia e eficiência de operações. 6.3 Materialidade no planejamento e na execução da Auditoria Identificar as afirmações relevantes que constam nas demonstrações contábeis a fim de verificar se estão em consonância com a realidade patrimonial da entidade e de acordo com legislação e normas da contabilidade. Se houver transações de saldos contábeis ou divulgação que, por alguma razão, incorram em distorção de valores influenciando na tomada de decisão pelos usuários das demonstrações 10
  11. 11. contábeis, o auditor deve determinar níveis de materialidade que possam ser aplicados a essas transações, saldos contábeis ou divulgações com o objetivo de avaliar os riscos de distorções relevantes. 6.4 Avaliação dos Riscos de Distorção Nos processos de avaliação de risco de distorção das demonstrações contábeis devem ser feitos questionamentos à administração para obtenção de informações que ajudem na identificação de riscos de distorção por consequência de fraude ou erro. Os procedimentos de observação e inspeção podem auxiliar o auditor a conseguir informações adicionais que poderiam não ter sido percebidas anteriormente. Nestes procedimentos podem ter obtidas informações financeiras ou não financeiras. 6.5 Cronograma do Planejamento Nesta fase do planejamento devem ser evidenciadas as etapas e as épocas em que o trabalho será realizado de acordo com a entidade auditada. No cronograma devem estar descritas as áreas, unidades e partes relacionadas que estarão envolvidas com o processo de auditoria. 6.6 Testes de Auditoria As rubricas contábeis guardam uma relação lógica direta entre si; isso se dá em decorrência do método de escrituração das partidas dobradas 5. Assim, quando se processa a análise de determinada conta contábil, o auditor procura identificar a contrapartida lógica da mesma. Por exemplo, contrapartida de “Estoques” pode ser “Custos”, quando a conta de estoque estiver dando uma saída de recurso; ou pode ser a conta “Fornecedores”, quando a conta de estoques estiver registrando a entrada de mercadorias. Entendendo isto, no dizer de Almeida (2005, p.24-25) o saldo de uma conta pode estar excessivamente registrado a maior – superavaliado -, ou para menos – subavalido. Por conta disto, o auditor procura realizar os teste de subavaliação e superavaliação nas rubricas contábeis para identificar o grau de erro no que se tratar disto. Partindo desse pressuposto, Almeida (2005, p.26) exemplifica: 5 Método segundo o qual, todo recurso registrado pela contabilidade deve ter um lançamento em par. Assim, o total de recursos registrados como origem de recurso (Crédito) deve ser igual ao total de aplicação de recursos (débito). 11
  12. 12. […] se durante o exame das demonstrações contábeis de uma empresa, para o ano findo em 31-12-20x0, o auditor descobre que as despesas de pessoal estão superavaliadas, em função de os salários do mês de janeiro de 20x1 terem sido provisionados indevidamente em 20x0, e é evidente que a conta credora de salários a pagar, classificada no passivo circulante, também está superavaliada. Percebe-se como a lógica trazida pelas partidas dobradas contribui para a análise de auditoria com base em testes. Existem também outros procedimentos como contagem física - numerários de caixa e estoques -; confirmação com terceiros – contas a receber e a pagar. (ibdem, p.35) 6 PARECER DO AUDITOR EXTERNO O parecer do auditor se constitui no meio formal pelo qual comunica-se as partes interessadas a conclusão obtida, após o procedimento de auditoria, sobre o que constam nas demonstrações contábeis. Quanto ao parecer propriamente dito, este traz consigo, segundo recomenda Boynton, Raymond e Kell (2002, p.83), alguns elementos básicos, por exemplo: “[...] deve estabelecer a distinção clara entre as responsabilidades da administração e as do auditor; [...]” devendo registrar que a responsabilidade pelas demonstrações contábeis é da administração da companhia auditada, assim como, a responsabilidade do auditor é “[...] realizar o processo de auditoria e expressar uma opinião, com base no que encontrar em seus trabalhos”. O parecer deve, ainda, indicar claramente o caráter de um auditoria e identificar suas várias limitações, por exemplo, o auditor deve reconhecer, em seu parecer, que busca apenas um nível de segurança com razoabilidade e não segurança absoluta, informando ao usuário das demonstrações que existem riscos em auditoria, uma vez que tal procedimento busca identificar distorções relevantes nos demonstrativos, não todas as distorções. (ibdem, p.83) 12
  13. 13. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com o fenômeno da financeirização da economia, surgimento de grandes bolsas de valores e mercados financeiros cada vez mais interligados, o mercado e investidores passaram a exigir e depender, cada vez mais, de fonte de informação segura para guiá-los em seu processo de tomada de decisão. Não apenas isto, mas também a sociedade como um todo, englobando o conceito de stockholders, usa a informação contábil para avaliar o quanto a entidade está sendo eficiente no uso dos recursos que ela usa para produzir bens ou serviços e, deste modo, contribuir para o crescimento do país e da riqueza nacional. Não bastando isso, mas verificando fenômenos bem anteriores a época atual, com o advento da crise de 1929, a chamada crise da superprodução, órgãos reguladores e as sociedades passaram exigir mais informação sobre as empresas e entidades governamentais, como uma forma de observar o grau de transparência das entidades em relação ao ambiente no qual ele se encontra inserida. Isso acabou por aumentar o grau de importância da auditoria perante a sociedade, quer sejam por investidores, procurando saber se as companhias em que investem, ou pretendem investir, são rentáveis; quer seja o governo e demais órgãos reguladores, bancos de investimento e fornecedores, entende-se que eles precisam de uma fonte segura e confiável de informação para guiar seus processos decisórios, e a auditoria vêm agregar confiança e relevância às informações contábeis com a finalidade de aumentar ou manter a credibilidade das organizações, além de contribuir para a melhoria da eficiência administrativa e de controles internos organizacionais. 13
  14. 14. REFERÊNCIAS BRASIL. Congresso. Lei 6.404, DE 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades por ações. Centro de Documentação e Informação, Poder Executivo, Brasília, DF, 2001. Acesso em:< http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970-1979/lei-6404-15-dezembro-1976-368447publicacaooriginal-1-pl.html>. Acesso em: 1 maio 2013. CFC (Conselho Federal de Contabilidade). Resolução CFC nº 785, de 28 de julho de 1995. Aprova a NBC T 1 que dispõe sobre as características da informação contábil. Resoluções, ementas e normas do CFC, Portal do CFC, Brasília. Acesso em: < http://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=1995/000785>. Acesso em: 1 maio 2013. _________. Resolução CFC nº 1185, de 15 de setembro de 2009. Aprova a NBC TG 26 que dispõe sobre a apresentação das demonstrações contábeis. Resoluções, ementas e normas do CFC, Portal do CFC, Brasília. Acesso em: <http://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo=2009/001185>. Acesso em: 1 maio 2013. ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: Um curso moderno e completo. 7ª edição. São Paulo: Atlas, 2005. BOYNTON, W. C., RAYMOND, N. J., & KELL, W. G. Auditoria. São Paulo : Atlas, 2002 . Tradução de J. E. Santos. CREPALDI, S. A. Auditoria contábil: teoria e prática, 6º edição. São Paulo: Atlas, 2010. FANCO, H., & MARRA, E. Auditoria Contábil, 3º edição. São Paulo: Atlas. 2000. IUDICIBUS, Sergio de. Teoria da Contabilidade, 10º Edição, São Paulo : Atlas, 2010. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Geral: fácil, 7º edição, São Paulo : Saraiva, 2010 14

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