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Diagramação e reportagem de Thamyris Barbosa

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  • 1. América Editora AI edição 01 - ano 43 julho de 2010 Informativa www.americainformativa.blogspot.com Exemplar exclusivo do assinante Chile Esquerda x Direita P Malvinas ou Falklands? O governo de Evo Morales opular ou Uruguai da guerra ao Poder opulista? Incentivo de Programas Federais Hugo Chávez e a Venezuela A economia brasileira em destaque Um relacionamento de amor e ódio
  • 2. América Informativa JULHO DE 2010 ANO I Nº 01 Reprodução/AE 6| Editorial PRINCIPAL 9| Popular ou Populista? OPINIÃO 11| Lula no comando EXPEDIENTE da ONU? 27| A grande imprensa 47| Evo Morales e seu EDITOR CHEFE AMÉRICA SABORES e o mito do estilo de governar Renato Duarte 14 | Descubra os neopopulismo na sabores da América América HISTÓRIA REPÓRTERES do Sul 49| Um pouco mais de Andréa Garbim 29| Da Esquerda para Evo... Camila Ohana ECONOMIA a Direita Carina Basso 17| Incentivo de 32| O Cenário 52| Da guerra para o Neila Florêncio Programas Federais Poder Renato Duarte 32| Canção: “Vencer- Rômulo Mendes 18| Economia emos” 56| Paraguai na visão Thamyris Barbosa Populista 34| Hugo Chávez e a populista Willian Rafael Venezuela: Um rela- 21| Bolsa Família cionamento de amor e 58| Liderança REDAÇÃO para quem? ódio Carismática Andréa Garbim POLÍTICA RESENHA 62| Paternalismo PROJETO GRÁFICO 22| O Nacionalismo 38| “ A revolução não Thamyris Barbosa de Kirchner será televisionada “ 66|América Retratos COLABORADORA PROJETO GRÁFICO 26| Malvinas ou 42|Integração no cir- Andréa Garbim Falklands? culo equatoriano 04 América Informativa | Julho de 2010
  • 3. Editorial Caminhos Políticos da América do Sul S eguindo o pensamento de que a proximidade é um dos elementos básicos para a notícia, aproveitando uma das “brechas” no mercado jornalístico, planejamos trazer surpresas nesse primeiro projeto. Com uma cobertura diferenciada e de qualidade sobre a América do Sul, objetivamos levar credibili- dade e a satisfação de um dos desejos naturais do ser humano: o de saber o que está acontecendo ao seu redor! Assim, qualquer hipótese que vise outra trajetória - que não seja a democrática, não chega perto da nossa linha editorial e consequentemente é criticada e investigada. Quando falamos na cobertura política da América do Sul, nos referimos à América Informativa - “A notícia como você nunca viu”. Sejam bem vindos à primeira edição! Andréa Garbim 06 América Informativa | Julho de 2010
  • 4. SÉRGIO DUTTI 08 América Informativa | Julho de 2010
  • 5. Política Popular ou MARCELO FERREIRAD.A PRESS Populista? Dois termos direcionados ao governo de Lula, porém especialistas afirmam: “é um tanto perigoso confundir seus significados” Por Andréa Garbim E ntre as mais fortes personali- dades da política, atualmente rotuladas como populistas, destaca- do que o termo sugere”, afirmou. O governo brasileiro, por sua vez, toma medidas e tem seu foco nas do povo numa comunicação direta, sempre mantendo o respeito pelas instituições - mesmo com seus es- se o presidente Luiz Inácio Lula da classes mais baixas, que seriam corregões -, ele sempre foi ligado Silva, que optou por um caminho con- as mais prejudicadas em caso de aos partidos políticos”, enfatizou. servador, vindo de iniciativas toma- crise. Programas sociais típicos do das de cima para baixo, abraçando a governo Lula como “Minha Casa, Martins ainda explica que o que está política neoliberal macroeconômica Minha Vida” e o “Bolsa Família”, por trás dos discursos de todo políti- de FHC. O líder tomou providên- têm o objetivo de evitar que as co é a vontade de se manter no pod- cias que promoveram a ascensão classes menos favorecidas ou os er. Independente do líder, boa parte social da camada dos mais pobres excluídos sofram as consequências das políticas públicas, são realiza- - não no caminho revolucionário da tensão, permitindo a geração de das com o intuito de maximizar os da ruptura por baixo, mas pela via empregos e o crescimento do país. votos; o mesmo acontece com Lula. sancionada do acesso ao mercado, Para o doutor em Ciência Política Outra observação apontada por base suprema do modelo capitalista. da USP, José Paulo Martins, a idéia Martins é a forma de condução do O professor de Ciências Políticas da de populismo surge quando o presi- governo, que fez da imagem de Lula UniBrasil, Emerson Cervi, segue a dente da república manobra a mas- se associar diretamente à massa. definição dos cientistas sociais e não sa popular em busca de objetivos No caso do Brasil, a estabilidade considera Lula um populista. “Trata- por fora das instituições, usando a econômica que foi mantida (mes- se de um líder político popular e não massa para pressionar o congresso. mo durante a crise mundial), as populista. Ele respeita as instituições “Eu não entendo que o Lula seja ex- conquistas do aumento de salário e não promove políticas economica- atamente um populista. Ele é muito mínimo, o Bolsa Família – que es- mente irresponsáveis, ao contrário mais popular; busca falar a língua tão atreladas ao cenário econômico, 09 América Informativa | Julho de 2010
  • 6. fizeram com que a maioria das pes- soas tivesse mais dinheiro no bolso, do que no passado. “O principal termômetro da avaliação de gov- erno é a condução econômica. Se a economia vai bem, o governo vai bem. Se a economia vai mal, o gov- erno vai mal”, acrescenta Martins. Seguindo o raciocínio do especial- ista, podemos entender que Lula sempre se baseou em elementos populares, porque ele é do povo, metalúrgico e um trabalhador que ao longo do tempo se vinculou aos sindicatos, fazendo carreira política. Em 1994, tinha um discurso radical de esquerda sem sucesso. Porém, como a maioria do eleitorado brasil- eiro é conservador – não aceita as transformações de baixo para cima, Lula foi transformando seu discurso em conservador, com o objetivo de manter a estabilidade, os contratos, sempre utilizando um linguajar pop- ular, para se aproximar da massa. O cientista político da UFRJ, Hen- rique Castro também acredita que Lula se vale pela sua popularidade, firmando seu espaço político de- pois de quatro candidaturas, ele de- senvolveu no campo político uma trajetória de persistência e quando conseguiu finalmente chegar à presidência, ele soube durante esses oito anos, transformar sua imagem numa popularidade frente às ações mais ligadas às questões sociais que ele implementou no governo. Castro enfatiza que um governo NORMANDO SORACLES populista seria uma espécie de “aparelho” do Estado, que impõe uma censura para que ninguém o critique, deixando apenas que a boa imagem do líder seja divulgada, através dos meios de comunicação. “Sou contrário a dizer que o governo Lula, ou o próprio seja populista. Eu diria que ele é um popular, no sen 10 América Informativa | Julho de 2010
  • 7. Opinião Lula no comando da ONU? Por Andréa Garbim D e fato não existe uma regra estabelecida que impeça o presidente Lula de ser secretário- cisaria eleger um representante para ocupar novos assentos permanentes, que hoje são cinco - EUA, China, geral da ONU (Organização das Rússia, Reino Unido e França. A Nações Unidas), mas há indícios diferença de opiniões com os EUA de que as chances disso acontecer sobre temas chave, como no caso do são próximas de zero, pois o presi- Irã é outro fator que coloca em risco dente tem uma série de obstáculos a nomeação de Lula. Ele precisaria a superar. Exemplo, a reforma do do aval do Conselho de Segurança, Conselho de Segurança, uma das onde os EUA têm direito a veto. precondições para entrar na dis- puta, ainda não está no horizonte. Por sua vez, o Conselho de Segu- rança prefere figuras mais discretas, A ideologia do líder brasileiro, e Lula tem muita bagagem política, sobre vários temas polêmicos, é no sentido de que todos sabem suas outro entrave, porque isso não cos- preferências, então os que discordam tuma combinar com o perfil de dele vão garantir que seja derrotado. um secretário-geral. Por fim, um Na hipótese da reforma na ONU rodízio informal entre os continen- acontecer e o Brasil conquistar a tes significa que a vez de um lati- vaga permanente, o cenário não no-americano assumir o comando melhora: há um "acordo de caval- da ONU virá somente em 2027. heiros" que impede os permanentes BRENO FORTED.A PRESS de concorrer à secretaria-geral. Se- Contudo, no momento não ria muito poder para uma só pessoa. há sinais de que a reforma [do Conselho de Segurança] vá De 2017 a 2026, a vaga deve ser o acontecer em breve. Há rivali- cupada por um país do Leste Eu- dade demais entre as regiões do ropeu. A América Latina pode mundo para concordarem so- considerar ter a liderança a partir bre qual país as representaria. de 2027, quando Lula terá 81 Para que a reforma que o Brasil son- anos. Será que ele consegue??? ha seja concretizada, cada região pre- 11 América Informativa | Julho de 2010
  • 8. tido desse termo conseguir traduzir MANOEL MARQUES exatamente a reação da massa - que o aprova, o admira, seja pelo car- isma ou pelas políticas aplicadas”. Em relação às políticas públicas, o especialista explica que na maioria das vezes elas ganham uma espécie de “roupagem” especial – que se- ria um meio do marketing do gov- erno passar mais simplicidade às ações de Lula. Então quando ele cria uma nomenclatura como o PAC e o Bolsa Família, é uma forma de tornar mais acessível, à população, o conhecimento do tipo de política que está sendo implementada. Não esquecendo que há um interesse em utilizar essa boa imagem, prin- cipalmente pela dinâmica da políti- ca regional – quando os políticos que apóiam o governo procuram “ Devemos debater o assunto, criando a “ H possibilidade de construir, de baixo para istoricamente, o termo pop- abusa da propaganda pessoal, afir- cima, um país mais ulismo acabou por ser mais ma não ser igual aos outros políti- identificado com fenômenos políti- cos, toma medidas autoritárias, não justo e democrático cos típicos da América Latina, prin- respeita os partidos políticos e insti- cipalmente a partir de 1930, estando tuições democráticas, diz que é ca- associado à industrialização, à ur- paz de resolver todos os problemas banização e à dissolução das es- e possui um comportamento bem “colar” sua imagem a esses progra- truturas políticas oligárquicas, que carismático. É muito comum en- mas – que são considerados positi- concentravam firmemente o poder contrarmos governos populistas em vos pela massa - que na maioria das político na mão de aristocracias países com grandes diferenças soci- vezes sente a necessidade de ver rurais. Daí a gênese do populismo, ais e presença de pobreza e miséria. resultados práticos na sua realidade. no Brasil, estar ligada à Revolução de 1930, que derrubou a República E o Lula conseguiu tornar tudo Velha oligárquica, colocando no do Dicionário... isso muito real e presente, através poder Getulio Vargas, que viria a ser da divulgação dessas ações. a figura central da política brasileira Populismo: “ação política que toma Por fim, afirmarmos que se trata de até seu suicídio em 1954. O termo como referência e fonte de legit- um erro grave dizer que um líder que populismo é uma forma de gover- imidade o cidadão comum, cujos tem sido capaz de construir, com nar em que o governante se utiliza interesses, pretende representar”, políticas públicas, um novo ambiente de vários recursos para obter apoio ou “política fundada no aliciamento econômico e social para o desen- popular. O populista utiliza uma das classes sociais de menor poder volvimento de milhões de pessoas, linguagem simples e popular, usa e aquisitivo”. seja entendido como um populista. 12 América Informativa | Julho de 2010
  • 9. América Sabores Descubra os sabores Por Andréa Garbim A América do Sul é um con- tinente com uma valiosa oferta gastronômica. O melhor país para apreciar um bom prato, seria o Peru, onde localiza- mos os restaurantes mais requinta- dos. Região dona das mais variadas e deliciosas culinárias do mun- do, baseada na fusão de gostos e preferências indígenas e européias. Porém, cada restaurante tem a sua própria visão da gastronomia, a culinária na zona das Caraíbas, as frutas tropicais e os pratos de peixe fresco, por exemplo, são ex- celentes. Se for para o interior, a carne de vaca é uma iguaria re- quintada, em países como a Argen- tina, o assado é uma especialidade. Portanto, a América do Sul tem uma diversificada gastronomia composta por carne fresca, peixe fresco, frutas tropicais, vinhos e café da Colôm- bia. Além disso, na maioria das zonas turísticas, você poderá en- contrar restaurantes especializados Ensalada Cruda, da Bolívia em outras cozinhas, como a coz- inha italiana, asiática ou Africana. Modo de preparo: 1e 1/2 xícara (chá) de açúcar Em uma tigela bonita, pique 3 ramos de canela Ensalada Cruda , da os tomates, rale as cenou- 4 cravos da índia Bolívia ras e a beterraba. Pique em 1 litro de leite quadrados o pimentão, em Ingredientes: rodelas bem finas a cebola e Modo de preparo: Tomates sem pelo misture tudo com a maionese Cozinhe as bananas sem cas- Cenoura crua e azeite. Coloque sal a gosto. ca em água por 10 minutos. Beterraba crua Corte em pedaços pequenos e Pimentão cru Chucula, do Equador bata no liquidificador com um Cebolas cruas pouco do leite por 2 minutos. Maionese Ingredientes: Em uma panela coloque o res- Azeite e Sal 3 bananas maduras tante do leite para ferver com 14 América Informativa | Julho de 2010
  • 10. da América do Sul... o cravo e a canela, incorpore Baixe o fogo e junte os Coctel de Cuqui, do a banana batida e vá colo- ovos, deixando que se coz- Uruguai cando o açúcar aos poucos, inhem por mais 5 minutos. mexendo sempre com uma Ingredientes: colher de pau por 10 minutos. Retire do fogo adicione o li- 1 lata de pessegos em calda Espere esfriar e leve à geladeira. cor e a baunilha. Deixe es- 1 lata de abacaxí em calda friar e se leve à geladeira. 1 litro de suco de pessego Huevos Chimbos, da 1 litro de champagne seco Venezuela Costeleta ancha a la 300 ml de gin parrilha, da Argentina Ingredientes: Modo de preparo: Ovos Ingredientes: Reserve um pouco dos 12 gemas 8 costeletas de vaca cortadas pêssegos e do abacaxi em calda. margarina para untar as formin- não menos que 3 cm c/u has 3 pimentas amarelas em Bater o restante dos pêssegos Calda: vinagre em calda, do abacaxi em calda, 3 xícaras (chá) de água 2 pimentões vermelhos o suco de pêssego, o cham- 2 xícaras (chá) de açúcar Alho e salsinha para provenzal panhe e o gim no liquidificador. 1/4 de colher (sobremesa) de Molho Chimichurri baunilha Coloque em taças as fru- 3 colheres (sopa) de rum, Modo de preparo: tas reservadas cortadas em brandy ou conhaque Acender o fogo pelo menos pequenos pedaços, junte uma hora antes da refeição. gelo e a mistura batida. Modo de preparo: Calcula-se que teremos bra- Com uma batedeira elétrica sas entre 20-25 minutos depois. se batem as gemas até ob- ter um creme que faça bi- O tempo de cocção varia de acor- cos. Unte umas forminhas do com o gosto dos comensais. de empada e se enchem até Recomenda-se fogo alto (muitas a metade com o ovo batido. brasas) e virar as costeletas não mais que 8 -10 minutos cada lado. Coloque os moldes em ban- ho maria durante 10 minu- Isto dará uma carne tosta- tos (ao introduzir um palito da por fora e muito suculen- de madeira, deve sair seco). ta por dentro. Salgar a carne antes de colocar na grelha. Desinforme e reserve. Numa Quando der a última volta na car- panela ferver a água e o açú- ne, agregue o vegetal que você car, mexendo durante 15 mais gosta pimentão, pimenta, minutos em fogo alto, até alho e salsinha. Da grelha ao obter uma calda grossa. prato, deve-se comer quente. 15 América Informativa | Julho de 2010
  • 11. Economia Incentivo de Programas Federais A economia brasileira em destaque na América do Sul Por Carina Basso N os últimos anos, uma das economias que tem se destacado como a mais próspera ual presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, encontrou uma situação sócio- econômica onde podemos numerar podemos destacar o alto índice de desemprego, os altos níveis de in- flação, que por mais que se encon- da América Latina e do mun- diversos fatores que prejudicavam a travam menores do que em outras do é a economia brasileira. solidificação econômica de um país. épocas, ainda eram altos, se com- Ao assumir o comando do país, o at- Dentre os fatores desfavoráveis, parados aos de atualmente e prin- cipalmente a dívida pública em to- dos seus aspectos, que ao longo dos anos foi sanada pelo atual governo. No atual governo, foi possível re- alizar o pagamento completo da dívida pública e tal fator fez com que o Brasil passasse de devedor, para credor mundial, o que conse- quentemente gerou diversos recur- sos para o investimento em progra- mas internos. Ainda tratando-se do viés econômico, podemos destacar a crise econômica mundial de 2008, momento em que o país manteve-se forte e encarou a crise com medi- das que impulsionaram a economia. Os programas governamentais têm sido a base do atual governo, como os projetos “Fome Zero”, “Bolsa Família”, entre outros de inclusão social, como os de internet banda larga nas escolas publicas e para a população. Com todos esses itens, pode-se dizer que atualmente o país passa não só por um bom momento econômico, como tam- bém por um bom momento social. Os programas complementares articulados em nível federal es- tão descritos no quadro a seguir: 17 América Informativa | Julho de 2010
  • 12. Economia Populi$ta Causas e consequências de uma economia voltada para projetos sociais Por Carina Basso A atual economia do Brasil encontra-se forte e sólida: um grande produtor e exportador de mer- cadorias de diversos tipos, principalmente commodi- ties minerais, agrícolas e manufaturados. As áreas de agricultura, indústria e serviços encontram-se, atualmente, em bom momento de expansão. O Brasil possui uma economia se financeira internacional. O maior aberta e inserida no processo de intervalo de baixo desempenho, globalização. A análise feita pelo classificado de recessivo, por se es- Comitê de Datação de Ciclos tender por meses seguidos, ocorreu Econômicos, coordenado pelo ex- entre junho de 1989 e dezembro de presidente do Banco Central Affon- 1991, prolongando-se até janeiro de so Celso Pastore, e teve participação 1992, num total de 30 meses. Essa de mais seis economistas. Segundo fase crítica começou em meio à cam- o estudo, que considerou dados panha pela primeira eleição direta a partir de 1980, o bom desem- para a Presidência da República de- penho da economia começou seis pois do regime militar (1964-1985). meses após a posse do presidente Destacamos como uma economia Lula e se prolongou por 61 meses. instável a da Argentina, que mes- mo mantendo o papel de segunda O segundo melhor período foi entre maior economia do Mercosul, fevereiro de 1987 e outubro de 1988, na teve sua moeda, o peso, desvalo- gestão do ex-presidente José Sarney. rizada ao longo dos anos. Apesar os programas de privatização e lib- O menor período recessivo, de acor- de ser famosa pelo turismo, a base eralizou o setor público. Lançou do com o levantamento, foi também econômica do País é na produção um plano econômico de choque no governo atual e durou seis me- agrícola e pecuária. Mantém-se para sanear o sistema financeiro do ses: de junho de 2008 a janeiro de como um dos principais expor- país e estabeleceu a paridade mon- 2009, quando o país conviveu com a tadores de trigo do mundo, além etária do peso em relação ao dólar. recessão. Mesmo sendo menos afe- das exportações de têxtil, metais e tado do que outros países, o Brasil produtos químicos. Porém, Carlos A maior parte da população sofreu sofreu nesse período reflexos da cri- Ménem, em seu governo, acelerou com a política econômica de Mé- 18 América Informativa | Julho de 2010
  • 13. RICHARD DREWAP Silvia Manfredini, economista da zou que desde sua campanha eleito- nem, mas estas medidas reduz- ral Kirchner já vem incentivando os PUC de São Paulo explica que a iram a inflação e a dívida externa. argentinos com programas sociais: entrada de Cristina Kirchner para No entanto, após uma década de “Argentina teve um crescimento mé- a presidência, alavancou a econo- crescimento inteira, a ameaça do dio de 8% nos últimos cinco anos, mia da Argentina e que através de caos econômico reapareceu em o desemprego e a indigência estão sua postura política de socializar a 2001 com uma grave crise ligada abaixo dos 10% e a pobreza caiu de população e os transformar em con- ao reembolso da dívida externa, 60% para 26%. Pela primeira vez sumidores, sua moeda obtêm forte acompanhada de motins na capital. na história, o país teve um superávit crescimento perante o dólar. Enfati- 19 América Informativa | Julho de 2010
  • 14. fiscal primário de US$ 10 bilhões, as Participação dos Principais Parceiros Comerciais exportações estão na casa dos US$ nas Exportações Brasileiras 50 bilhões. O salário mínimo subiu e empregos foram gerados, tudo isso Folha de S.Paulo permitiu a transformação de mil- hões de pessoas em consumidores” Com a chegada das crises socio- econômicas, causadas pelas ex- periências neoliberais dos gover- nos de direita, a América do Sul virou-se a uma nova realidade, a política para o povo. Visando en- contrar soluções e medidas que mu- dasse o quadro geral sul americano. No final dos anos 90, começou a sucessão de candidatos populis- tas sendo eleitos para comandar os países que até então, enfrentavam governos elitistas, imperialistas e de mudança. Fazendo com que na burocracia das aquisições da casa com visões voltadas ao Governo. cada cidadão sonhasse com uma própria e de automóveis; Ampliar- Os presidentes populistas adotaram vida melhor, com um emprego es- am de uma forma geral o poder de novas perspectivas para seus países. tável e o tão esperado incentivo do compra das classes média e baixa de Ana Maria Afonso, cientista social Governo as classes desfavorecidas. seus países, viabilizando o cresci- e economista da USP explica que mento do consumo dos mesmos. os planos governamentais foram Foram criadas medidas socio- Fazendo a economia girar e crescer. voltados para as populações de econômicas, como planos de as- Antes o foco, dos governantes Sul baixa renda. Defendendo os dire- sistência a famílias de baixa renda; Americanos, estava nas priva- itos humanos, as centrais sindicais, incentivo para as crianças frequenta- tizações das empresas, nas ex- as organizações não governamen- rem as aulas; planos para facilitar o portações e na macroeconomia tais e os partidos de esquerda. E crédito de pessoas que não possuem do País. Hoje o governo também que, em sua maioria, os candidatos renda ou possui uma renda limitada criou diversos trabalhos para man- elegeram-se por passarem a ideia às necessidades familiares; redução ter e alavancar a macroeconomia. Percentual do produto da América do Sul no PIB mundial-1980/2005 20 América Informativa | Julho de 2010
  • 15. Porém com a preocupação em faz- nos com governantes populistas, em econômico dos mesmos vem preocu- er a economia girar, possibilitou o sua maioria, constituídos como país- pando as atuais potências mundiais, surgimento de novos empregos, es de terceiro mundo, como potên- por terem conseguido criar e manter novas empresas e novos consumi- cias mundiais. Pois o crescimento um padrão socioeconômico sólido. dores. Com o novo foco econômico, ROGÉRIO ALBUQUERQUE os países tiveram aumento no con- sumo, e declínio das taxas de juros. A inflação, em geral vem decaindo e possibilitando com isso que os produtos tenham forte queda em seus preços. Podemos considerar que o quadro econômico atual é muito fa- vorável a todos os países, porém não podemos esquecer que a facilidade de crédito na praça também acar- reta diversos problemas, tais como: o crescimento de inadimplentes. Segundo Julien Schwab, econo- Bolsa família para quem? mista da Universidade de São Pau- lo, os governos populistas apenas seguiram o que já vinha sendo feito nos governos anteriores. Que os planos econômicos hoje estabeleci- O programa Bolsa Família, criado chega a realmente a quem precisa? dos foram criados há muitos anos, pelo governo federal em outubro de porém não se popularizavam, por 2003, chega ao seu sétimo ano com Vale ressaltar que devido a um ca- terem como foco a macroeconomia. novas perspectivas, atender mora- dastro atualizado periodicamente E os atuais governantes, através dores de ruas, remanescentes das co- (o qual o governo não estipulou de suas políticas populares con- munidades quilombolas, indígenas o período) mais de 2 milhões de seguiram transformar a economia e pessoas acampadas dos movimen- famílias já deixaram o programa elitizada em uma economia com tos direcionados à reforma agrária, devido ao aumento da renda ou base na população de baixa renda. como os sem-terra, por exemplo. auditorias realizadas. Contudo, é Este foi um dos motivos pelo qual paradoxal o mesmo governo não o mundo entrou em crise em 2009, É certo e não se pode negar que o saber estimar quantas famílias onde diversos bancos e institu- programa beneficiou milhões de entre os acampados da reforma ições financeiras quebraram pela famílias e, segundo apontam estu- agrária recebem o mesmo benefício. grande inadimplência de seus cli- dos, foi responsável por 20% da que- entes. Porém os países sul america- da da desigualdade de renda e pela Não estamos levantando uma bandei- nos não sofreram tanto o impacto, redução de 8% na taxa de pobreza ra contra as pessoas que lutam pela pois caminham ao longo dos anos, adotada pelo programa. Somente até tão sonhada reforma agrária, porém com o fortalecimento da econo- o ano 2009, cerca de 11,1 milhões de diversos benefícios são direcionados mia, com base na política de con- famílias receberam o benefício e esse a essas pessoas, como descontos em sumo, com uma base sustentável. número aumentará em 2010 devido universidades, cotas específicas etc. ao acréscimo de outras classes. sem que haja um controle, o que nos Pois nestes países onde a economia faz pensar: de que lado eles estão e tem o foco no público de menor Entretanto, até que ponto essa verba, de que lado o governo está... Dos poder aquisitivo, o número de in- que alcançou no ano de 2009 o pata- brasileiros que realmente precisam, adimplentes é muito baixo, com- mar de R$ 12,5 bilhões em benefícios, é que aparentemente ninguém está! parando-se com os demais países. Consideramos os países sul america- 21 América Informativa | Julho de 2010
  • 16. Política O NACIONALISMO DE KIRCHNER Malvinas e Banco Central são temas de algumas políticas de Cristina Kirchner, acusada de “neopopulista” pela fraca apuração da grande imprensa Por Renato Duarte “ J uan Domingues é um cidadão argentino peronista. No momento do auge dos Kirchners poder do governo”, afirma Ariel Palácios, renomado correspon- dente internacional desde 1955. ele era franco defensor do casal Palácios considera que a dis- no poder da República Argentina. cussão das Malvinas e a crise diplomática entre governo e Ban- Ele sempre votou no partido co Central são os embates políti- justicialista, porém, diante os cos mais populistas de Cristina. problemas atuais que está viven- Já o professor Oliveiros da Sil- do pretende mudar o seu voto. va Ferreira, líder do NERIPUC Domingues acha que Cristina (Núcleo de Estudos em Rela- não soube continuar o governo ções Internacionais da PUC), Cristina quer usar 2,1 bilhões de seu marido. Domingues vê os observa que o populismo nada dos 48 bilhões das reservas cam- indicies apontarem diminuição de tem a ver com estas questões. biais argentinas, conquistados pobreza, mas não percebe a mu- graças ao peso desvalorizado. dança no seu dia a dia. Há 40 anos “Numa está em jogo o problema “Ela elaborou o chamado ‘Fun- ele vota no partido justicialista. da soberania, noutra, a questão do Bicentenário’ ordenando Enquanto isso a grande im- de saber a quem cabe a inter- Martín Redrado, presidente prensa mundial intitu- pretação da lei e se o Executivo do Banco Central, a deposi- la Cristina como populista. pode valer-se das reservas do tar o valor total das reservas. BC numa emergência, questão As acusações partem do baixo que, não resolvida, poderá co- Redrado resistiu alegando que sucesso que ela vem tendo no país, locar o governo argentino em uma futura fuga de capitais onde a presidenta aplica políticas má posição diante da comuni- traria alto risco de inflação e que visam o resgate de sua pop- dade financeira internacional”. que o procedimento pode atra- ularidade às próximas eleições Cristina pretende usar as reser- palhar o desenvolvimento em – segundo a grande imprensa. vas cambiais do BC, reservando longo prazo”, afirma Palácios. “Cristina é acusada de ser popu- parte do orçamento para gastos Segundo Ramon Casas Vilari- lista, vaidosa, autoritária, com- à população mais carente. Em no, historiador e pesquisador do pradora de dólares e de fraca, por um ano em que a Argentina esta NEILS (Núcleo de Estudos So- deixar que seu marido seja o real fechada para o mercado externo, bre Ideologias e Lutas Sociais da 22 América Informativa | Julho de 2010
  • 17. RODRIGO BUENDIA Cristina Kirchner no seu discurso de posse, quando contava com o apoio da maioria da população argentina gentina e as Ilhas Malvinas. O objetivo de Cristina é dificultar o abastecimento das ilhas uma vez que a ilha de plataforma britânica Ocean Guardian está retomando a prospecção de reservas que podem chegar a 60 bilhões de dólares, es- timados - comparável ao pré-sal brasileiro e mais de vinte vezes maiores do que a região pertencen- te aos argentinos no arquipélago. PUC / SP), devemos tomar cui- para esperar um crescimento da “Durante a chamada Guerra das dado quando falamos da aferição economia para investir”. A Ar- Malvinas o governo ditatorial de do desenvolvimento econômico. gentina possui apenas cinco por Leopoldo Galtieri usou as ilhas como “Se um governo aumenta o sa- cento de população analfabeta forma de desviar a atenção dos outros lário mínimo, isto no ponto de e uma grande crise econômica. problemas sociais que a Argentina vista empresarial pode ser conce- vivia. Não por acaso a questão é ret- bido como uma medida populista Malvinas omada no momento em que o gover- que atrapalha em longo prazo. Outra problemática de repercussão no da presidenta Cristina é bastante mundial do governo argentino é a questionado”, diagnostica Vilarino. Já quando perguntamos para discussão sobre a soberania políti- os sindicatos representantes ca das Malvinas em detrimento A grande imprensa veicula que a dos trabalhadores vão dizer do controle inglês. Segundo Ariel política de Cristina diante as Malvi- que isso não é populismo e que Palácios, Cristina força um nacio- nas é populista, pois não ambiciona, está é uma ação justa e devida”. nalismo em busca de apoio popu- de fato, o conflito bélico, como pre- Ou seja, temos que fazer uma lar. Até mesmo a oposição se vê ga. “Esta é uma boa estratégia popu- análise qualitativa antes de afir- obrigada a ceder apoio para que lista de resgate de imagem”, observa mar se a ação é populista ou não. não fique mal vista diante a popu- Ariel Palácios. Vilarino exemplifica: “se existem lação, sociedade civil e imprensa. Na realidade, “o governo argentino determinadas escolas e o gabi- A Argentina assinou um decreto apenas está buscando uma solução nete escolar não chega, não dá restritivo à navegação entre a Ar- para o delicado problema de fixar 23 América Informativa | Julho de 2010
  • 18. definitivamente qual é o Estado que de guerra dada à situação política e erno de Cristina segundo pesquisa tem soberania sobre as ilhas. A In- econômica em que a Argentina se en- divulgada em fevereiro pela em- glaterra invoca o uti possidetis em contra e dada também à conjuntura presa privada Consulta Mitofsky? seu favor, pois desde o século XIX internacional, que seria desfavorável “Ainda que esforços ideológicos tem a posse das ilhas; “A Argentina a qualquer ato de guerra. Ademais, tendam a mascarar a realidade, a recorre ao argumento de que os in- é preciso ter presente que a sobera- crise econômica faz com que os gleses conquistaram as ilhas pela nia não se exerce sobre o petróleo, trabalhadores argentinos percebam força e ao de que elas foram, desde mas sim sobre a ilha”. que a realidade não é aquela que muito tempo antes da operação mil- Por outro lado dentre as medidas está sendo proferida nos discursos”, itar, um território argentino”, anal- consideradas “populistas” na atual observa Ramon Casas Vilarino. A isa o professor Oliveiros da Silva Argentina, Vilarino destaca o cer- pobreza caiu de 54% (2003) para Ferreira. ceamento da imprensa aplicado por 13% (2009) de acordo com dados Cristina. Para o professor a imp- do governo, ou 30% a 40% (2009) Ao contrário dos dias sombrios do rensa ainda é o principal veículo de segundo economistas independent- falecido general Leopoldo Galtieri, acesso do líder populista até a pop- es e a igreja católica (2009) - porém, Ramon Casas Vilarino acredita que ulação. “Se você tem um órgão da em 2006 a pobreza era de 23,4%. Cristina não está sendo tão descuida- imprensa que se coloca contrário a da quanto o governo militar que em este líder, de alguma forma ele deve O aumento de 2006 para cá é uma 1982 provocou o conflito bélico com ser cerceado e calado no ponto de demonstração do desapego da pop- a Inglaterra. “Cristina já declarou de vista do líder populista”, explica ulação para com a presidenta. É in- antemão que jamais provocaria mais Vilarino. Cristina comprou briga teressante notar que diante a inter- uma guerra na região, ela pretende com órgãos da grande imprensa. venção de Cristina a diversos meios brigar dentro dos organismos inter- de comunicação fica difícil confiar nacionais, principalmente ONU”. Diante as políticas populares de nos dados do atual governo. Neste Ferreira também não acredita no Cristina na atualidade, como expli- âmbito, “o governo da senhora conflito bélico. “Não existe perigo car os 18% de aprovação do gov- Kirchner não tem se caracterizado por medidas populistas, a não ser com relação aos ‘piqueteiros’, um grupo de ação cujos membros, em troca de apoio ostensivo ao gov- erno e atacando manifestações dos que são contrários às políticas que este adota, gozam de posição rela- tivamente boa no quadro social do Cristina Kirchner é mais uma representante de estado nacionalista da América Latina DIEGO GILDICE 24 América Informativa | Julho de 2010
  • 19. país”, afirma o professor Oliveiros de Cristina. “Ainda que esforços da Silva Ferreira. No dia em que ideológicos tendam a mascarar a re- Cristina venceu as eleições a BBC alidade, a crise econômica faz com de Londres enfocou no seu site uma que os trabalhadores argentinos per- notícia comparativa entre ela e Evi- cebam que a realidade não é aquela ta Perón, colocando Cristina em um que esta sendo proferida nos discur- patamar superior em diversos aspec- sos”, afirma Vilarino.Porém, diante tos, desde carismáticos até políticos. a tentativa de reservar dinheiro do Vilarino não concorda com este en- orçamento para a população mais foque. Ele lembra que Evita vincula carente qualquer medida contrária um drama pessoal como se estivesse ao discurso neoliberal acaba sendo entregando seu corpo e sua alma à intitulado como populista. “Acusar pátria, enquanto que Cristina vive um líder latino americano de popu- em outro contexto diante uma imen- lista é a coisa mais fácil, como se de sa crise economia. Contudo as duas fato fosse uma coisa ruim. É como dizer que isso DAVID GRAY esta fora do jogo, sem credibilidade. De repente joga todo mundo no mesmo saco e ninguém con- segue iden- tificar mais nada”, con- clui Vilarino. O neopopu- lismo que a grande imp- Kirchner trouxe o show da Madona para os rensa insiste Argentinos. Esta é mais uma política popular em enfocar é concebido acabam tendo o peronismo na alma, aqui como governos populares nacio- uma por vinculo familiar e ideológi- nalistas, não só na Argentina como na co e a outra pelo partido Justicialista. maioria dos países sul-americanos. O professor Ferreira também não concorda com a comparação. “Eva A grande imprensa aproveita o na- Perón teve seu papel numa con- cionalismo do populismo do pas- juntura política totalmente diversa, sado e começa a intitular os gover- além de uma personalidade diferente nos latinos americanos - como o da daquela que a Sra. Kirchner possui. Argentina - de acordo com seus in- Imaginar que seria possível reedi- teresses econômicos. Cristina é uma tar-se o fenômeno Evita será não só das poucas líderes sul-americanas desconhecer a história da Argentina que está com baixíssima populari- e a do peronismo, como descon- dade em sua gestão. A estagnação hecer o processo histórico”. A crise financeira dos anos 90 fez com que econômica que assombra a Argenti- a Argentina não estivesse preparada na é o principal inimigo do sucesso perante a crise mundial do momento. 25 América Informativa | Julho de 2010
  • 20. Malvinas ou Falklands? A disputa nas Malvinas está aquém do termo populismo. O populismo já foi e o colonialismo permanece, em pleno século vinte e um ingleses foram enviados para ocupar o arquipélago Por Renato Duarte A Guerra das Malvinas ocor- reu em 1982 entre a Argen- tina e a Inglaterra pela soberania do É interessante notar que o debate atual é bem diferente. Naquele mo- mento o país era governado pelo gen- lar. O custo para operar uma plata- forma num ambiente como esse pode chegar a US$ 1 milhão por dia”. arquipélago que havia sido domina- eral Leopoldo Fortunado Galdieri, A argentina conta com apoio de 32 do a força em 1833 pelos ingleses, um governo militar e opressor que países da América Latina, incluindo quando colonos ingleses foram en- visava ganhar popularidade tentan- Brasil, mais o caribe. É tenebroso viados para ocupar o arquipélago. do desviar a atenção dos problemas conceber a idéia de existir um ter- Em 1965 os dois países ten- políticos internos que a Argentina ritório colonial em pleno séc. XXI. taram chegar a um denomina- vivia com esta manobra populista. dor comum através da Assem- A discussão sobre as Malvinas gan- É nesse ponto em que Cristina bate bléia Geral das Nações Unidas. hou força quando a Inglaterra anun- e ganha apoio político do continen- ciou prospecção petrolífera na pla- te. A evidência mostra que um novo Foi discutida a resolução 1514, no ca continental das ilhas. A grande conflito bélico esta descartado. Não qual é dado status colonial para as imprensa enfoca o fato como mais existindo a ameaça de guerra, o Malvinas, com isso a Argentina res- uma política populista de Cris- que os ingleses vão fazer para não gatou o território perdido diante a tina. Sendo essa uma discussão estabelecer o diálogo com os ar- política colonialista da Inglaterra, que esta aquém do mero termo. gentinos? A discussão é fervorosa. resolução 2065. Porém, em instantes, Todos os coirmãos do continente a Inglaterra voltou atrás da decisão. O jornalista e colunista do jornal estão unidos diante do abuso inglês. Em 1973 a Assembléia promove britânico The Guardian, Simon Tis- Aparentemente este é um embate a Resolução 3160 para diminuir o dall, afirma que “os trabalhos de neocolonialista, não neopopulista. fervor das discussões entre os dois exploração preliminares até agora países. Porém, em 1982, a Argen- foram decepcionantes. E além das tina ataca a região inglesa e começa tensões políticas, está o estresse físi- a guerra das Malvinas, resultando co de trabalhar numa região aonde o em mais de 655 soldados mortos mar em algumas áreas poder chegar - 255 britânicos e três malvinos. a uma profundidade de três mil met- ros. As chuvas são constantes e as temperaturas no inverno, de conge- 26 América Informativa | Julho de 2010
  • 21. A grande imprensa e o mito do Neopopulismo na América Enquanto a mídia nativa se concentra no discurso populista de Cristina a argen- tina possui noventa e cinco por cento da população alfabetizada Por Renato Duarte É impressionante o discurso elitizado que a grande imp- Naturalmente competir com o PIB dos rensa brasileira possui. As afirmações, ou acusações da grandes países do capitalismo sempre foi difí- grande imprensa não trazem dados concretos para pro- cil para os Estado Nacionais do continente. var a sua informação. Por uma coisa muito simples. Se Nestor Kirchner teve que retomar a economia os próprios historiados possuem dificuldade para con- de alguma forma – como de fato foi feito - com ceber o termo populismo para a atualidade, como po- oratória, renegociando contratos de dívida externa. dem os grandes jor- A grande imprensa se nalistas brasileiros preocupa com a retra- acusar os governos ção macroeconômica do sul-americanos? PIB dos argentinos, se É o que acontece esquecendo dos outros normalmente na setores como educação. mídia nativa. Os Afinal, a Argentina possui jornalistas ao os somente cinco por cento julgadores; através da população analfabetos, da união de di- segundo último levanta- versos meios de mento da Cepal (Comis- comunicação bur- são Econômica para a gueses em uma América Latina e o Car- só ideologia, for- ibe) que tem base em es- mulam a opinião timativas da população de esquecendo-se da 15 anos ou mais em áreas regra básica do urbanas da América Lati- jornalismo - apura- na e do Caribe.A impren- ção qualitativa. São muitos os meios de comunicação sa deveria trazer uma análise mais qualitativa antes de brasileiros que acusam algum líder de populista sem ao começar com a arte taxionômica de pré-conceituar. menos procurar alguma fonte do campo das ciências Deveria buscar duas opiniões divergentes para que o sociais para confirmação do que está sendo veiculado. receptor seja respeitado no que tange a qualidade de Em u texto de 23 de fevereiro, a Folha de S. Paulo fez informação e a apuração jornalística. Porém, quando uma reportagem condizendo que o PIB tinha começado os meios de comunicação elitizados se unem é difí- a cair desde a ascensão de Cristina. Porém, os mesmos cil se livrar do contexto. O preconceito é enraizado e ignoram que em 2006, um ano antes de Cristina assumir vira um fato social geral diante a sociedade dada. É a presidência, o PIB já caia com rumores de mais queda necessário ter cuidado com o mito do neopopulismo para os próximos anos. Não obstante não mencionam que estimulado pela grande imprensa da América Latina. a taxa de pobreza diminui com o casal Kirchner no poder. 27 América Informativa | Julho de 2010
  • 22. Política Da Esquerda para a Direita Depois de uma longa trajetória de presidentes esquerdistas, o Chile vive uma nova fase chileno?Durante os últimos 4 anos o Chile foi governado por Michele Bachelet, mulher considerada um exemplo até pelos próprios ci- dadãos. Filha de um general da for- ça aérea que foi perseguido, preso POR RENATO DUARTE PLANTIER e morto durante a ditadura, Michele J se formou em medicina pela Uni- versidade do Chile, foi também uma perseguida política e no ano de 2000 “ Bachelet era uma militante política, o Piñera é um homem cuja vida nem sempre foi “ ligada à política DIVULGAÇÃO foi eleita ao primeiro cargo político de sua trajetória: Ministra de Saúde. Nota-se então de cara as principais diferenças entre Bachelet e Piñera: “A Bachelet era uma militante políti- ca, o Piñera é um homem cuja vida Por Thamyris Barbosa não foi sempre ligada à política. (...) A primeira ocupação do Piñera foi a U m presidente deposto, uma Foram mais 17 anos de comando questão empresarial”, comenta ditadura instalada, 20 anos esquerdista no país, até que nas ul- de repressão. timas eleições um candidato de 61 Com o fim da era Pinochet o Chile anos, empresário com participação voltou a caminhar a passos largos em várias corporações, milionário em direção à democracia. Elegeu e de centro-direita põe fim a este por votos diretos o presidente Patri- ciclo.A vitória de Sebastian Piñera DIVULGAÇÃO cio Aylwin, em seguida Eduardo sobre Eduardo Frei foi o marco de Frei Ruiz-Tagle, Ricardo Lagos e uma mudança drástica num país finalmente Michele Bachelet. O que tradicionalmente esquerdista. Mas todos esses presidentes têm em co- a que se deve tamanha mudança mum? Todos são socialistas. no comportamento do cidadão 29 América Informativa | Julho de 2010
  • 23. BEGSTEIGER o Doutor em Ciências Políticas Antônio Carlos Peixoto. Piñera é economista e membro do OSCAR CABRAL partido de centro-direita Reno- vación Nacional . Assumiu o cargo em 11 de março de 2010, após o de- sastroso terremoto de 27 de feve- reiro, que deixou pelo menos 802 mortos e 500 feridos. Ele foi eleito com a promessa de reconstruir do ção à marinha,que não teria dado o e Cultura. Embora não tenham sido país. alerta de tsunami. De modo geral, solucionados problemas mais pro- Como o terremoto ocorreu ainda a Bachelet sai com a imagem um fundos e nem problemas de justiça na gestão de Bachelet, houve rec- pouco arranhada, segundo a avalia- ainda pendentes da ditadura (de fato lamações principalmente em rela- ção de Antonio Carlos Peixoto. Augusto Pinochet morreu sem ser Apesar deste arranhão do terremo- julgado e condenado), a liderança “ to, o mandato da ex-presidente foi de Bachelet foi avaliada como de Michele teve uma muito bem avaliado pelos chilenos. boa qualidade. Esta é a visão de Di- “ gestão focada nos aspec- tos sociais e aumentou acesso dos chilenos à Mas ainda não serviu para eleger seu sucessor de esquerda, Eduardo Frei. ego Weissel, um jovem nascido na Alemanha, mas que mudou-se para o Chile com sua família em 1999. O governo de Michele teve uma Mas esta não é apenas uma visão internet gestão focada nos aspectos sociais, singular, a ex-presidente chilena melhorou muito o aceso do chileno encerrou seu mandato com 86% de de classe media e baixa à Internet aceitação popular. 30 América Informativa | Julho de 2010
  • 24. A primeira é que, segundo Antonio bastian Piñera. A boa aceitação de seu governo Peixoto, Bachelet não se empenhou deve-se basicamente a dois fatores, por Eduardo Frei. “Ela cruzou os O novo governo segundo análise do cientista político. braços, não foi pra esquina da rua, Primeiro a personalidade dela. Ela é trepar num caixote e pedir voto pro O cidadão chileno Diego Weissel uma mulher que inspira respeito an- candidato dela que voltaria portanto entende que o Chile esta confiante tes de mais nada -até pela trajetória à democracia cristã como o Lula no governo de Sebastian Piñera. política. Ela não é uma aventureira, está fazendo para a Dilma Roussef. “Deve deixar uma boa impresão no no ponto de vista político". Em se- Ela não se movimentou”, explica. começo, pois alem de ser um novo gundo lugar, a gestão dela à frente pressidente é uma nova etapa na do Estado chileno foi uma gestão Uma segunda hipótese levantada política chilena onde a direita reto- marcada pela sinceridade. "Ela nun- pela Secretária Internacional do ma o poder após quase 20 anos nas ca enganou ninguém. Era uma mul- Partido Comunista do Chile no Bra- mãos da “Concertación”. É um mo- her que tinha franqueza. Se ele dizia sil, Marilena Santos, é que uma vez mento chave onde a opinião publica isso, é isso. O governo dela foi um que o candidato derrotado Eduardo avalia fortemente o governo e onde governo marcado pela honestidade. Frei já tenha sido eleito à presidên- qualquer indicio de descaso pode Corrupção existe em qualquer lugar cia em 1994, o povo chileno decidiu significar uma importante perda da do mundo. Uma coisa é corrupção apostar em algo novo, já que con- incipiente confiança. consentida, outra coisa é corrupção hecia o estilo de governar do ex- A partir de uma avaliação a respeito por baixo do pano. Se existiu ou não presidente. do novo governo chileno, o Doutor existiu no Chile, é difícil dizer. Mas em ciências políticas destaca que certamente ela foi uma mulher que A terceira possibilidade levantada um ponto importante do Piñera é a impôs um padrão de honestidade ao pelo jornalista chileno, Diego Weis- questão da educação, “Ele vai ten- modo político de operar o governo sel, é que houve um desencanto com tar aumentar o grau de ensino no chileno. Então a população chilena a performance dos governos de cen- Chile”. gostou dela”. tro-esquerda, que não conseguiram solucionar problemas ainda graves A eleição de Piñera torna-se assim intrigante, afinal, o candidato que de diferencias sociais e culturais muito agudas. Nem dar uma ver- Você sabia? disputava as eleições com ele (Edu- dadeira opção de reconciliação dos ardo Frei Ruiz) foi escolhido pela dois principais pólos ainda muito Os japoneses Consertacion (uma coalizão eleito- separados e intolerantes da esquerda investiram em ral de partidos políticos chilenos de e direita tradicionais. Apareceu, no centro-esquerda onde confluem so- entanto uma nova direita, popular bancos de pesca no cial-democratas e democratas-cris- se voltando por questões, fazendo Chile, e hoje o salmão tãos. É formada por quatro partidos uso de muito marketing para atrair que se consome no políticos principais: Partido Demó- os indecisos. crata Cristiano (PDC); Partido por la Foi crescendo uma idéia de que Brasil é exportado de Democracia (PPD); Partido Radical devia ser dada uma oportunidade a lá. Os enlatados, Social Demócrata (PRSD) e Partido essa nova direita (embora herdeira resultantes da Socialista (PS)) para substituir a en- da direita enriquecida e defen- tão governante Michele Bachelet. dida pela ditadura militar, e talvez pesca são uma fonte Mesmo com tanta popularidade, chamada de "nova" como um sim- de renda ela não conseguiu transferir seus ples recurso publicitário). Isto agiu extremamente lucra- votos para derrotar um rival histori- em consonância com uma tendência camente em desvantagem (por ser “direitizante” da política mundial e tiva, porque o litoral de direita) e pouco conhecido na um desencanto pelas classes políti- chileno é muito política chilena. cas de centro-esquerda também aco- abundante. modadas, o que acabou por deixar o Há quatro hipóteses para a questão. poder em mãos do empresário Se- 31 América Informativa | Julho de 2010
  • 25. O CenáriO ISAAC BREKKEN No dia 11 de setembro, o atual presidente foi deposto através do golpe militar e as forças armadas chilenas bombardearam o La Moneda DIVULGAÇÃO Por Thamyris Barbosa O comandante que liderou o golpe nasceu em Val- paraíso, ingressou na carreira retaliação aos líderes militares. Uma figura importante da história chilena, no que diz respeito à di- tadura é o cantor, compositor, militar aos 17 anos e chegou ao ator e revolucionário Victor Jara. cargo após a renúncia de Carlos Ele foi detido junto com outros Prats, que se recusava a partici- par de qualquer golpe de estado. alunos e professores,no golpe de estado, e conduzido ao Estádio Canção O novo comandante-em-chefe as- do Chile (usado como campo de sume a presidência em 17 de Jun- concentração).Jara foi mantido Venceremos ho de 1974. Instala-se a ditadura. lá durante vários dias, foi tor- (composição: Victor Jara) Augusto Pinochet era seu nome. turado e teve suas mãos cortadas Foi autor do período considera- como parte do "castigo" dos mili- No que diz respeito a nossa do mais autoritário e violento tares a seu trabalho de conscien- bandeira mulheres se jun- do Chile. No poder do Chile dis- tização social aos setores mais taram ao clamor solveu o Congresso, proscreveu desfavorecidos do povo chileno. os partidos políticos, restringiu O próprio Pinochet continuou no O vencedor da Unidade Pop- os direitos civis e declarou ilegal comando do Exército até 1998, ular opressor ianque é grave a Unidade Popular, frente que quando passou a exercer a função apoiava Allende, prendendo seus de senador vitalício no Congresso, Refrão: Venceremos, vencere- principais líderes. Foi responsável mos com Allende, em setembro à qual renunciou em virtude dos pela morte de cerca de 3 mil oposi- a ganhar problemas de saúde e das diver- tores do regime e tortura de quase sas acusações de violações aos Venceremos, venceremos 30 mil. Centenas de milhares de direitos humanos. Em julho de Unidade Popular no poder. chilenos foram obrigados a exilar- 2001, apresentou um atestado se. Paralelamente, o general pro- de debilidade mental que o sal- Com a força que vem do povo moveu reformas econômicas, cujo vou de uma possível condenação. um país melhor para fazer, sucesso inicial levou a se falar num Pouco antes de morrer, assumiu batendo juntos e unidos "milagre econômico chileno". a responsabilidade pessoal por poder, poder, poder Em 18 de fevereiro de 1988, tudo o que ocorreu no Chile du- porém, Pinochet foi derrotado no Se a justa vitória de Allende rante seu governo, declarando a direita quiser ignorar plebiscito que podia referendar o assim ter agido por patriotismo. todas as pessoas, determi- prolongamento da sua presidên- No dia 3 de dezembro de 2006, nadas e corajosas com um cia. No ano seguinte foram real- aos 91 anos, o general sofreu homem se levantará. izadas eleições e o general entre- um ataque cardíaco e foi in- gou a presidência ao democrata ternado às pressas no hospital cristão Patricio Aylwin, em 11 de militar de Santiago. Faleceu no março de 1990. Mas a transição dia 10, ironicamente o dia inter- ao regime democrático foi cer- nacional dos direitos humanos, cada de cuidados para não haver e foi velado na Escola Militar. 32 América Informativa | Julho de 2010
  • 26. Política Hugo Chávez e a Um relacionamento de Um balanço dos doze anos de Hugo Chávez no poder Por Rômulo Mendes H ugo Chávez é sem dúvida o principal responsável por colocar a Venezuela aos olhos do mundo, no entanto as terras ven- ezuelanas lhe concederam o espaço para a implantação de sua política, gerando um relacionamento de 12 anos. Relação, esta que divide opiniões em torno do assunto. Den- tro desta conjuntura nasceram os chavistas e anti-chavistas que dire- cionam o caminho do país. Entenda melhor sobre o relacionamento en- tre Chávez e a Venezuela. Histórico Popular Chávez disputou a presidência em 1998, contra o empresário Henrique Salas Römer e acabou sendo eleito por 56% da aprova- ção eleitoral, sucedendo Rafael Caldera DO COPEI. Chávez emer- giu ao poder como uma renovação, segundo o especialista em ciên- Política Electoral Independendiente. estatais em prol da população cia política e doutor pela IFLCH Para o especialista em ciência mais humilde e sua diferenciação da USP, Rui Maluf, sua imagem política e professor doutor da uni- aos outros políticos antecedent- se fortaleceu devido o descrédito versidade Mackenzie, Agnaldo es é o forte centralismo político. contra as forças políticas tradi- dos Santos, Chávez é um divisor Já eleito como presidente da Ven- cionais AD, Ação Democrática E de águas na política de seu país, ezuela, suas primeiras implementa- COPEI, Comitê de Organizacion devido à reorientação das ações ções na política foram à mudança do 34 América Informativa | Julho de 2010
  • 27. Venezuela AMOR E ÓDIO FERNANDO CAVALCANTI Responsável por um terço do PIB do país, a exportação do petró- leo foi um dos pontos negativos do seu governo. Para Rui Maluf a perseguição de Chávez as ativi- dades econômicas privadas domes- ticas e internacionais caminhou na contramão e conseqüentemente criaram-se menores oportunidades para oferecer a população. O seu descontentamento com a política “ Chávez é um divisor de águas da política de seu país, devido a “ reorientação das ações estatais em prol da população mais humilde neoliberal dos Estados Unidos foram um dos primeiros indícios para um governo autoritário. Alvo de críticas por parte da imprensa Venezuelana ao longo de seu man- dato, esta rincha ganhou noto- riedade após a tentativa de golpe sofrida pelo governo Chávez, em 2002. Segundo Maluf, a briga do governo e a imprensa é o fruto de nome do país para “Republica Boli- Chávez as classes de menores ren- uma concepção autoritária do poder, variana da Venezuela”, seguindo na das experimentaram uma melho- que o faz não aceitar ser contestado. construção de um novo modelo, a ria em suas condições financeiras, Paralelo a isso, Agnaldo Santos, de- Assembleia Nacional, que aumen- entretanto ao longo de seu man- clara ser contrário a esta posição, tou o poder ao legislativo, causando dato, sua posição foi extrema- dizendo que é preciso saber como o prolongamento do seu mandato. mente radical, principalmente ao é o comportamento da imprensa, Com a política exercida de Hugo tratar-se de políticas externas. se ela cumpre mais o papel de in 35 América Informativa | Julho de 2010
  • 28. formar do que o partido político. Ainda, relata um acontecimento em 1964, quando a mesma im- prensa venezuelana apoiou um golpe contra o presidente da época. Chavistas e anti-chavistas O estilo de política de Hugo Chávez deu início aos chavistas e anti- chavistas: são eles quem o aprova ou não. Divisão explícita que já chegou às ruas, por meio de con- frontos. Exemplo que se pode ser EDDIE KEOGHREU visto no filme “A revolução Não Será Transmitida”, dos irlandeses Kim Bartley e Donnacha Obrian. “A polarização foi latente durante muitos anos devido às característi- cas de sua sociedade e economia, E mantêm apoiando o mandatário, nutenção de seu perfil, o presidente porém, reascendendo ao poder, o enquanto o restante dos 59% man- contratou uma equipe especial- mandatário atual o explorou como tém pouca ou nenhuma confiança. mente para lidar com esses proble- um amigo-inimigo, não tem nada de Para o jornalista Rafael Brasil, do mas, perguntado a Agnaldo, sobre positivo pensando a médio e longo Grupo Bandeirantes de Comuni- as possíveis contradições que con- prazo da vida do país”, afirmou Rui. cação, a queda da popularidade de tornam a nova empreitada do man- Chávez é a prova de que a política datário Chávez, ele responde que o Queda de popularidade acesso à internet está alcançando a autoritária dele ruma para a di- Ao longo de seus mandatos, a todos, por meio da política de in- tadura, contudo, isto é um forte política exercida por Hugo Chávez clusão digital, mesmo o setor pri- índice de uma futura mudança. centralizou as classes de baixa vado com a criação das lan houses. Concordando com a mesma renda da Venezuela, por este mo- opinião de Rafael, Rui acrescen- tivo que o rótulo de populista O enfraquecimento do governo ta que a queda de popularidade é surgiu na mídia se popularizan- Chávez gera muitas perguntas uma constatação das lacunas que do diante das classes humildes. e a principal delas é a existên- os serviços públicos deixaram Porém, atualmente sua popularidade cia da possibilidade de renova- devido a evidência do enfraqueci- vem atingindo quedas, segundo a ção no poder da Venezuela? mento que a política externa sofre. pesquisa divulgada pela empresa Entretanto, Chávez não poupa esfor- venezuelana Interlaces, somente 35% da classe D e 43% da classe ços para (re)-fortalecer sua imagem O futuro de Hugo Chávez e eleger sua posição nas próximas “ eleições legislativas em setembro, Há algum tempo, mesmo que seja A queda de prova disso é a criação de um per- de uma forma tímida, os ares de fil no “twitter”, uma rede social. renovação pairam no ar de Miro popularidade do “ presidente venezuelano é a prova de que a política autoritária dele rume para De acordo com sua última declara- ção fornecida na sua vinda ao Bra- sil em abril deste ano, ele possui Flores. Passando por problemas internos, com forte ruptura na sua base aliada, o governo começa a sentir uma pequena ameaça. a ditadura média de 20 mil novos seguidores. Segundo Rui, vários sinais já vem Tendo o número extenso de segui- sendo dados divulgados, como, dores e não dando conta da ma- por exemplo, o resultado das últi- 36 América Informativa | Julho de 2010
  • 29. mas eleições regionais em que as uma base social pouco organizada, do seu mandato, sua atuação foi oposições venceram em estados sendo possível que ele conduza um bastante proveitosa, houve o au- importantes. A eleição para o Leg- sucessor, devido a divisão social”. mento de poder aquisitivo para islativo no final desse ano pode O relacionamento de Hugo Chávez classe pobre, no entanto, o seu ser outro momento muito valioso. e a Venezuela está desgastada, am- descontentamento com a política Após ministros de sua própria base es- bos tiveram um relacionamento de externa do país deu início ao man- dato autoritário, que elevou em suas contradições já conhecidas. Contrariando esta opinião, Agnal- do dos Santos, mantêm a declara- ção que essa pergunta deveria ser respondida por um venezuelano, sua explicação vem do fato da imprensa distorcer alguns acon- tecimentos da Venezuela, devido ao seu relacionamento pertur- bado com os Estados Unidos. Dos doze anos... de mandato, muitas coisas acontece- ram, para pontuar o relacionamento entre ambos, a Venezuela como país PAUL SAKUMA e Hugo Chávez como mandatário, o jornalista Rafael Brasil, explica que o desequilíbrio seria a melhor maneira de qualificar esse período, apesar do Chávez se mostrar um pouco flexível quando questionado sobre políticas externas e internas, tarem envolvidos com problemas de amor e ódio ao longo dos 12 anos, detêm uma briga com a imprensa, corrupção, Chávez destituiu alguns na atual conjuntura do presidente então notamos que existe um forte cargos. No entanto, para o jornalista venezuelano que se encontra em desequilíbrio no seu mandato. Rafael, Chávez encontra-se com a queda da popularidade, seria o constituição a seu favor e, portanto melhor posicionamento de mu- Para Agnaldo Santos, o problema da seria difícil uma renovação imediata. dança a surgir no cenário político América Latina é a desigualdade e Na atual conjuntura nota-se algo do país, para fortalecer a imagem exclusão social no continente, que parecido com o que Cristina Kirch- do presidente como mito e as- a corrupção só faz aumentar, nesse ner está vivenciando, que vem ge- sim abrir espaço para renovação. ponto de vista Hugo Chávez favore- rando problemas sucessivos, cau- ceu a Venezuela. sando a perda de sua popularidade. O saldo final Em visita pelo Brasil, o próprio de- Prever o que irá acontecer com o presi- clarou opinião sobre sua atuação e dente da Venezuela, não é tarefa fácil. É preciso entender o benefício diz estar implantado o socialismo A Venezuela está tão caracter- que a Venezuela está ganhando que Simon Bolívar sonhava, quan- izada por Chávez, que a modi- com a personificação do seu man- do questionado sobre possível ren- ficação é quase inatingível. datário, principalmente em ter- ovação na presidência, foi claro Para Agnaldo Santos é possível que mos de país que está se desenvol- ao afirmar que a Venezuela ainda ela faça um sucessor “existe o risco vendo, segundo o especialista Rui precisa dele. dele se transformar personalista, com Maluf, se formos pensar no início 37 América Informativa | Julho de 2010
  • 30. Resenha “A revolução não será televisionada” A princípio para dupla de cineastas irlandeses Kim Bartley e Donnacha O’Briain estar na Venezuela significava registrar alguns momentos íntimos do presidente Hugo Chávez Por Rômulo Mendes N o inicio mostra-se um Chávez expondo opiniões contrárias sobre a globalização e o lar a sociedade, para pensarem que Chávez ordenou a execução dos tiros contra os opositores. Segundo afirma ter saindo por intermédio de uma ameaça de bombardeamento em Miro Flores e não por renunciar. neoliberalismo exposto pelos nortes o documentário os tiros foram res- Pedro Carmona foi declarado novo americanos. Nos discursos para postas pelo ataque sofrido dos fracos presidente da república, horas de- milhões de venezuelanos, enfatiza atiradores liderados por opositores pois. Uma parte da população saiu uma política visando a classe baixa. O governo de Chávez ficou en- às ruas para protestar a decisão, oca- O cerco político se fecha, quando fraquecido depois do acontecimento sionado um conflito entre os policiais. Chávez propõe a dis- Os protestos se tor- tribuição dos rendi- naram diários e in- mentos do petróleo controláveis. A so- a classe carente, ge- ciedade caminhou rando revolta nos rumo a Miro Flores elitistas de plantão. e se tornou peça fun- Diante de um jogo de damentl para a volta interesses, a imprensa de Chávez no poder. e o governo promovem A Guarda Civil do uma batalha de discur- país chegou ao local sos na grade televisiva. alegando proteger o governo de Carmona, O ponto crucial para no entanto expulsaram realização do golpe todos os membros que de estado acontece tinham posse no exec- durante um encon- utivo. Carmona con- tro intencionado seguiu fugir a tempo. entre chavistas e DIVULGAÇÃO Portanto, a presidência opositores, nos arredores do e as Forças Armadas da Venezuela retorna a Hugo Chávez e o povo palácio presidencial Miro Flores. A tinham o respaldo suficiente para festeja nas ruas. Evidente que o imprensa privada usa uma imagem entrar nas dependências internas do relato escrito no documentário é na qual os chavistas atiram da ponte palácio e pedir a renúncia do presi- uma visão contada por um lado só. Llaguno em Caracas, para manipu- dente. Retirado do poder, Chávez, 38 América Informativa | Julho de 2010
  • 31. MATTSAYLES
  • 32. O Equador de TODD WILLIAMSON Rafael Correa 41 América Informativa | Julho de 2010
  • 33. Política Integração no Círculo Equatoriano A popularização de um líder na sociedade eleitoral de um país Por Neila Rocha O Equador nem sempre foi um país de satisfação popular, a maioria dos lideres foram obrigados rêa gerencia um país que enfrenta imensos problemas que foram acu- mulados antes de sua posse. Se for ção econômica rumo a direção que implica um processo de integra- ção no âmbito da América do Sul. a deixar o governo antes de terminar avaliado com objetividade leva-se Julgar que o líder Rafael Corrêa seus mandatos, por meio das mani- em conta que a divida social do esteja preso ao Hugo Chávez. No festações populares, que estavam governo do Equador com a popu- entanto, é uma conclusão ainda insatisfeitas com a política de ger- lação gera ima situação que nos precipitada, ambos falam de um enciamento dos presidentes eleitos. levaria a um índice de desenvolvi- socialismo o século vinte e um. Na história do Equador não há um mento humano dos mais negativos. presidente que tenha conseguido Esse socialismo por estar datado cumprir os quatros anos de mandato, Corrêa fez muito pelo país, pro- e por não ser dito que um social- mulgou a constituição, criou uma ismo de século dezenove, implica a não ser o líder atual Rafael Correa. base sólida parlamentar para gov- que realmente há alguma criativi- Atualmente a população equatori- ernar e recebeu retorno positivo da dade em se postular uma economia ana conta com um presidente “que população. “ Por outro lado não na qual o estado possa se dar conta não só cumpriu em tempo previsto concretizou algumas promessas a ordem pública, com um projeto seu primeiro mandato, como tam- eleitorais, comenta o especialista e que leva em conta a divida social. bém foi reeleito pela segunda vez doutor em História Social Tullo Vi- no primeiro turno, vencendo Lucio gemani. Mesmo não conseguindo São fatores que não se resolverão Gutierrez,” afirma o especialista sanar a dívida social, Rafael Cor- em curto período, esse processo doutor em ciências sociais Paulo rêa, adquiriu a confiança da socie- levará um bom tempo, isso tam- Edgar de Almeida. Para os eleitores dade equatoriana, embora fosse bém se dá ao fato da economia do Equador, um líder exercendo o difícil resolver todos os problemas do país ser dolarizada, e por não mandato pela segunda vez é vanta- em um curto espaço de tempo. ter o seu próprio banco central. joso, uma vez que presidentes ante- Na política interna do Equa- riores não tiveram a mesma sorte. dor há uma série de equívo- cos em relação ao exercício de Foi muito fácil dolarizar a moeda Os outros governantes tiveram de mandatos, com apoio popular. equatoriana, “mas é muito difícil abandonar o palácio em decorrên- desdolarizar e consequentemente cia de revoltas dos eleitores. Cor- O país passa por uma reestrutura- Rafael Corrêa não propõe absoluta- 42 América Informativa | Julho de 2010
  • 34. EDUARDO REZENDE mente impor um processo de manei- ra voluntária. O que Corrêa propõe é que, se possa realmente pensar a meia e longa distância em uma moeda regional eletrônica, “afirma o especialista e doutor em Econo- mia, Amaury Patrick Gremaud. “ Corrêa fez muito pelo país, promulgou a constituição, criou uma base sólida parlamentar para governar e recebeu retorno positivo da “ população Correa está valorizando bastante o processo de integração pensando de uma forma que implica uma as- sociação para o desenvolvimento, embora saiba que esse procedi- mento de integração em contextos de grande assimetria, mesmo entre países da America do Sul é bem complexo. Tanto para Edgar de Almeida, quanto para os especial- istas Amaury Patrick e Tullo Vige- mani, o populismo só existe para os mal informados, e o foco está no governo equatoriano de Rafael Cor- rea, cujo discurso político está mais próximo da posição política dos presidentes da Venezuela e Bolívia. 43 América Informativa | Julho de 2010
  • 35. OMAR MARTINEZ 46 América Informativa | Julho de 2010
  • 36. Política Evo Morales e seu estilo de governar A popularidade nas ações e um populismo nas intenções DAVID GRAY Por Andréa Garbim P ara descrever um modelo de governo como o de Evo Morales, são necessárias muitas in- dizermos que o governo de Evo Mo- rales é populista. “Ele é um governo marcado pela democracia direta e não temos essa característica no resto da América Latina”, afirma. Ricci encerra sua linha de pensamen- formações sobre os pontos fortes, pela ação comunitária das comu- to em relação ao tema, dizendo que as fragilidades, conquistas, estraté- nidades indígenas. Evo é um forte precisamos ter um pouco mais de gias e muito conhecimento sobre o representante das comunidades in- cuidado para não desenvolver uma atual cenário político da Bolívia. A dígenas, e como elas são muito po- análise etnocêntrica, ou seja, nos princípio o objetivo dessa matéria é bres, obviamente que toda essa ação apoiarmos em valores e na lógica esclarecer de que maneira o presi- é mal compreendida pelos ricos da nossa etnia branca na intenção dente é compreendido, pela massa, brancos e pela sociedade ocidental, de interpretar as diferenças e até como popular ou como populista. de uma maneira geral – que não con- subjugar a diferença indígena, pois Morales, descendente de indígenas, hece essas características”, explica. isso tem uma diferença muito im- subiu ao poder através do voto O especialista ainda ressalta que o portante do ponto de vista cultural. popular. líder não pratica exatamente um populismo: “Morales começa a Já o doutor em Ciência Política da Um homem de personalidade governar às 4h30 da manhã e nin- USP, Rui Tavares, explica que em firme, que conduz e mantém o al- guém noticia isso. A primeira re- primeiro lugar é preciso levar em icerse de seu governo, baseado união de Ministério dele é às 6h00 conta o próprio conceito de popu- numa estratégia de popularidade, da manhã. E uma outra caracterís- lismo. “Se pelo populismo enten- que na maioria das vezes é con- tica, até pela descendência indíge- demos as ações que comportam o fundida com um modelo populista. na, é que ele sai todo dia no final adjetivo de demagogia, creio eu que Para o doutor em Ciência Política da do expediente e vai para as ruas nenhum dos líderes da América do Unicamp, Rudá Ricci, não é correto conversar com a população. Nós Sul poderiam ser assim definidos.
  • 37. TIMOTHY A.CLARY/AFP Por outro lado, se a massa acredita como populista. Evo é na verdade, eleito pela maioria absoluta da so- que o populismo é se comprometer uma pessoa que se tornou muito ciedade que é de origem indígena e com políticas e idéias, então Evo conhecida e muito popular pelas está lutando para que haja um maior Morales é um grande populista. suas idéias e propostas políticas”, controle estatal sobre as riquezas do Porém, entendo que o maior deles é O mestre em Estudos Populacio- país, as quais pretende utilizá-las efetivamente, o presidente da Ven- nais e Pesquisas Sociais (ENCE- para melhorar os índices de justiça ezuela, Hugo Chávez”, compara. IBGE), Vítor de Pieri, explica que social e qualidade de vida da maior existe muita confusão conceitual parte da população”, afima Pieri. Tavares deixa claro que só podem- em relação ao termo populista, uti- os falar em populismo, embasados lizado pelos diversos setores da so- Por fim, de acordo com as opiniões em termos muito concretos, ainda ciedade sem defini-lo corretamente. expostas, Morales reproduz uma mais quando citarmos o perfil de popularidade, de acordo com sua um governo como o de Evo Mo- “As ações do governo Morales - ideologia. Sua imensa populari- rales. “Há uma indisposição em principalmente as relacionadas à au- dade nos últimos cinco anos, sug- relação ao Evo, por parte de alguns todeterminação dos povos - são pop- ere um cenário de não preocupação grupos que acabam o denominando ulares e totalmente legítimas, ele foi vinda da maioria dos bolivianos. 48 América Informativa | Julho de 2010
  • 38. História Um pouco mais de Por Andréa Garbim Evo... a formação de novos partidos políti- políticas nacionalistas que dificul- H taram o acesso a novos mercados. cos, enquanto a criação de conselhos omem simples, nascido de A partir de 2005, as exportações regionais em 1997 tornou possível família camponesa, deixou bolivianas cresceram da mesma que líderes com fortes raízes locais a agricultura para começar a forma que a arrecadação fiscal. O chegassem ao congresso boliviano traçar sua trajetória como líder sindi- dinheiro é distribuído aos governos sem o apoio de grandes partidos. cal. Ganhou destaque com suas críti- locais, de acordo com uma regra Aproveitando o cenário político, cas ao governo dos Estados Unidos... estabelecida pelos antecessores de Morales intensificou suas ativi- Defendeu a folha de coca, teve Morales. E por meio de transferên- dades sindicais e sua luta contra condições de unir sua oposição cias criadas durante os anos chama- as políticas antidrogas. O congres- à política americana antidrogas dos de neoliberais, as famílias têm sista seguiu com sua ideologia até com a defesa da cultura nativa e benefícios previdenciários univer- vencer as eleições presidenciais os direitos dos mais pobres. Seu sais e não colaborativos cedidos em 2005, com maioria absoluta. espírito de liderança agregou três às pessoas com mais de 60 anos, dimensões simbólicas: o senti- Os outros partidos facilitaram seu um programa que alcança mais de mento nacionalista, a preocupa- caminho ao desacreditarem uns aos 30% das famílias. Alguns progra- ção com os pobres e o orgulho ét- outros, deixando até de defender mas de auxílio a estudantes (de es- nico entre a população boliviana. seus próprios feitos nos 20 anos colas públicas) e de assistência a Ações que foram capazes de trans- anteriores. Outros fatores que fa- mulheres grávidas, foram criados. formar um simples agricultor em um voreceram a ascensão de Morales formador de opinião. Morales como foram: o renascimento da indústria Mas o impacto foi mais líder, foi capaz de combinar três di- petrolífera boliviana e a criação de político do que econômico. mensões que refletiram duas refor- mecanismos para distribuir a renda Contudo, sob a administração de mas institucionais realizadas nos produzida pelo petróleo. Ambos Morales a economia boliviana foi anos 90, expandindo a participação sustentam seu governo atualmente. se desenvolvendo graças à de- social e abrindo oportunidades para Em meados dos anos 90, alguns manda internacional e às transfer- novos líderes e movimentos políticos. investimentos privados elevaram ências de dinheiro do Estado para a produção de gás natural – que os governos locais e pessoas físi- O país se dividiu em municipali- em pouco tempo estava sendo ex- cas. Essas transferências não ap- dades, transferindo recursos tribu- portado - com altos lucros - ao enas aumentaram o consumo das tários e capacidade de tomada de Brasil. Nesse momento a econo- famílias, mas também trouxeram decisões para as comunidades. mia boliviana aproveitava a alta oportunidades de comércio, tanto Com isso os sindicatos agrícolas dos preços mundiais das matérias no setor formal como no informal, começaram a controlar várias ci- - primas. Resumidamente, a ar- o que torna as políticas mais bem- dades, inclusive assumindo respon- recadação aumentou, apesar das sucedidas na luta contra a pobreza. sabilidades administrativas, gerando 49 América Informativa | Julho de 2010
  • 39. ,MARY ALTAFFER/AP 51 América Informativa | Julho de 2010
  • 40. História Da guerra para o PODER Ex-ministro de Agropecuária José “Pepe” Mujica é eleito presidente sem dar margem ao populismo Por Willian Rafael O Uruguai desde março vive uma nova era. José Mujica foi o primeiro ex-guerrilheiro a ser Desde o início de sua jornada na presidência do Uruguai, Mujica preferiu adotar um jeito de gover- No entanto, o presidente uruguaio não prega a forma modesta e popular de governar igual ao presidente Lula eleito presidente na América do Sul. nar muito conhecido pelos brasil- impôs nos seus oito anos de mandato. Dono de hábitos simples, residente eiros, o modelo do atual presi- Mujica utiliza um discurso difer- em uma pequena casa na periferia de dente Luís Inácio Lula da Silva. enciado e mais elaborado “Anal- Montividéu, Pepe não trocou seu “Lula é um modelo de presidente, isando o discurso do Pepe, po- aconchegante lar pelo Palácio do porque demonstrou uma enorme demos notar que ele jamais pode Governo do País. Além disso, se capacidade de negociação e con- ser considerado um populista, ele considera o símbolo da áurea so- seguiu transformar os conflitos é de uma esquerda antiquada que cialista, abolindo o exagerado con- em saídas”, disse Pepe em ent- observa o mercado”, afirma o Ci- sumo que o capitalismo prega. revista a CNN em Los Angeles. entista Político doutorado pela Uni- O Novo Chefe do Uruguai J osé Alberto Mujica Cordano conhecido como “Pepe Mujica” nasceu em Montevidéu no dia 20 de maio de 1934. O uruguaio já foi depu- 1999, senador. Nas eleições de 2004 um fato histórico aconteceu com Mujica, que acabou sendo eleito para o senado com a maior quan tado, ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca, tidade de votos (300.000), mas após o resul- além de ter participado da guerrilha chamada tado renunciou e virou ministro do rancho, ag- Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros. ricultura e pesca. Já em 2008 ele retornou ao Senado onde ficou até o ano seguinte. Pepe Mujica teve um papel importante para colo- car fim à ditadura civil-militar no Uruguai que ocor- Seu retorno ao poder aconteceu em 2009, quan- reu entre os anos de (1973 a 1985). “A ousadia do se candidatou a presidência do País e foi eleito de querer mudar e a persistência em lutar contra no dia 29 de novembro com a maioria dos votos, o governo estimularam a população” afirma Ci- CARLOS MAGNO tornando-se o Presidente mais velho a assumir entista Político Walter Tadeu. Atuando por esse uma nação com 75 anos de idade. Na comemora- movimento, Pepe realizou assaltos, seqüestros e ção o ex-guerrilheiro afirmou “O passado já pas- ficou preso por 14 anos, e só saiu em 1985 quan- sou. Para mim, importante são presente e futuro. do chegava ao fim à era da ditadura no Uruguai. E eu vou ser vitorioso no comando dessa nação”. Após conquistar a liberdade Pepe retornou à democracia. Em 1994 foi eleito deputado, e em 52 América Informativa | Julho de 2010
  • 41. versidade de São Paulo e autor do livro Os Franceses, Ricardo Corrêa. Corrêa ainda afirma que Mujica tem uma linguagem direta e o seu discurso que fala sobre divisão en- tre o povo e as classes dominantes é claramente chavista. Mas por outro lado, em políticas de gov- erno, se parece muito com o Lula. O Cientista Político graduado pela Universidade de São Paulo – USP, Thiago Costa concorda com Cor- rêa e complementa: “O Uruguai em RENZO GOSTOLI/AP conjunto com o Chile não podem e nunca serão populistas, pois você já ouviu falar em alguma associação organizacional Uruguaia? Sindica- tos Uruguaios? ONGs Uruguaias? Nunca ouviu e nunca vai ouvir falar”. Brasil e Uruguai “ Em sua posse o presidente do Uru- guai só foi elogios para o Lula, descrevendo como um “velho amigo”. No entanto, ele deixou no ar que o Brasil e Uruguai ainda “ O Brasil precisa ter uma postura maior e liderar, por suas dimen- Ditadura Militar O Uruguai como os países do Cone Sul, também enfrentou nos anos têm divergências na relação bilat- sões 70 um processo de ditadura mili- eral e na maneira como enxergam tar. Até a década de 60, o país era os planos de integração regional. considerado uma espécie de “Suíça Para bom entendedor, Mujica falou da América”, um fato que gerava com sábias palavras, pois ele deixou muito desgostos para seus povos. claro que o Uruguai e Brasil ainda precisam sentar e conversar so- Nessa mesma época, o país acabou bre a represália que o Uruguai im- entrando numa grave crise econômi- pôs em abrir o mercado ao frango ca e social, onde gerou o movimento fresco brasileiro e a retaliação que guerrilheiro, no qual José “Pepe” Mu- o Ministério da Agricultura brasile- jica fazia parte. A guerrilha chamada ira vem fazendo as vendas de leite, Tupamaros foi base para a implan- carne, pescados e animais vivos. tação da ditadura militar em 1973. Outra divergência que precisa ser resolvida é a postura que o Brasil O Uruguai, especialmente naquela tem que ter no MERCOSUL, Para época, era um país mais indepen- o Cientista Político graduado pela dente das potências capitalistas Faculdade Presbiteriana Mackenzie, centrais. Nesse mesmo tempo o Guilherme Augusto o Brasil tem país chegou a ter mais ou menos que liderar o grupo do Mercosul. cinco mil presos políticos entre out- “Os países que fazem parte do Mer- ros. O fim da ditadura ocorreu nos cosul estão fechados neles próprios. anos 80, em virtude do agravamen- O Brasil precisa ter uma postura to de grandes problemas do país. maior e liderar, por suas dimensões. HENRY ROMERO/REUTERS 53 América Informativa | Julho de 2010
  • 42. “ Dentro de sua campanha política, Lugo prometeu realizar uma reforma agrária dentro dos marcos constitucionais, ampliando o sistema de segurança nacional no país “ DOMENICO STINELLIS/AP 55 América Informativa | Julho de 2010
  • 43. História Paraguai na visão populista Por Camila Ohana O Paraguai é um país do cen- tro da América do Sul, que não possui uma saída para o mar, proibidas e convocou eleições. Em 2009, o país foi marcado assim como o Brasil. Tem uma por uma eleição polêmica, o ex história de muitas tentativas de bispo católico e teólogo, Fernan- golpe, ditadura militar, e corrup- do Lugo foi eleito o novo presi ções. Desde 1954 o comandante do dente, dando fim a quase seis déca- Exército, general Alfredo Stroessner das de domínio do Partido Colorado tomou o poder em regime militar no país. Primeiro bispo a ser eleito por 30 anos, pelo partido Colorado. chefe de Estado em toda a história, Lugo recebeu uma dispensa histórica Para cada eleição, suspendeu-se por do papa Bento XVI, permitindo-lhe um dia o estado de sítio. Stroess- exercer a presidência do Paraguai, ner garantiu seu regime exilando a partir de 15 de agosto de 2008. seus líderes democráticos, contro- lando diretamente as forças arma- A Doutora em Ciências Políticas das do país. Como a Igreja era con- especializada em movimentos pop- tra ao regime, reagiu expulsando ulistas na América do Sul, Gabri- vários sacerdotes. Nesta mesma ela Piquet, afirma que Lugo fez sua época, o Paraguai marcou no cam- campanha baseada em questões im- po econômico com a inauguração portantes, como a reforma agrária da Usina Hidrelétrica de Itaipu. e o desenvolvimento do país com a mudança e o reajuste na linha de Já nos tempos modernos, o Paraguai transmissão de energia com o Bra- evolui bastante. Em 1991, assinou sil. Segundo Gabriela, a campanha na cidade de Assunção, juntamente eleitoral do ex bispo foi baseada com o Brasil, Argentina e Uruguai, em um estilo populista, mas ape- o tratado de criação do Mercado Co- sar de ter afirmado que considera mum do Sul (MERCOSUL), retirou “interessante” o governo do ven- a censura á imprensa e autorizou a ezuelano Hugo Chávez, Lugo dis- volta dos exilados, além de legalizar tanciou-se dos líderes populistas organizações políticas que estavam da América do Sul, concentrando- OLGA VLAHOU 56 América Informativa | Julho de 2010
  • 44. se principalmente na questão da tina de Aguiar Cotrim, discorda: desigualdade social no Paraguai. “desde 1973 o contrato não obteve mudanças, é uma questão de desen- Dentro de sua campanha política, volvimento do país, esse Tratado só Lugo prometeu realizar uma refor- venceria em 2023 e Lugo conseguiu ma agrária dentro dos marcos con- antecipar isso, é uma vitória”, afirma. stitucionais, ampliando o sistema Lívia explica que o Brasil não deve de segurança nacional no país. “O se sentir prejudicado, pois o utiliza ex bispo enfrenta dificuldades para quantidade o suficiente para suprir aprovar as principais reformas, as necessidades de energia. Lívia acredito que conforme ele adquirir defini o governo de Fernando Lugo apoio da população, e se confirmar como moderado e de mudanças, como um candidato de mudança, mas não o julga populista e afirma isso irá mudar”, pondera o so- que o presidente utilizou uma estra- ciólogo e especialista em ciências tégia populista para garantir a mu- políticas, Francisco Corrêa Weffort. dança, mas não o populismo em si, como uma moeda de troca eleitoral. Porém, explica que se ele apresentar- “ se como um político moderado, tudo vai se tornar mais fácil, conseguin- Lugo foi eleito do apoio em suas ações, “quando o novo presidente, tocou numa questão que tem sido reconhecida no Brasil, Lugo uti- lizou de métodos populistas para dizer que deveria negociar preços dando fim a quase seis décadas de domínio do Partido “ mais justos no Tratado, e o país, é Colorado no país claro, foi no embalo”, comenta. Pelo Tratado de Itaipu, firmado por Brasil e Paraguai em 1973, a O líder populista, geralmente, quer energia gerada pela usina deveria centralizar o poder e Lugo não ob- ser dividida igualmente entre os teve isso até o momento, afirma dois sócios, mas, o Paraguai uti- Lívia. “A vitória do bispo dos pobres liza apenas cerca de 5% dessa en- deveu-se em grande parte às suas ergia, quantia suficiente para suprir ações em defesa dos camponeses 95% de sua demanda. O excedente sem-terra, particularmente através é vendido - a preço de custo - ao do movimento popular Tekojoja Brasil, onde 20% da energia elé- (viver em igualdade, em guarani, lín- trica consumida vem de Itaipu. gua oficial do Paraguai)”, comenta. Fernando Lugo suspendeu mui- O especialista alerta que o Brasil de- tas de suas visitas e reuniões, te- veria se sentir ameaçado com esse mendo a própria vida, lembrando tipo de mudança, até o momento o assassinato de Luis María Ar- Lugo apresentou ser um estrategista gaña - crime político no Paraguai de esquerda moderada, mas após – em 1999. Hoje, o presidente vive ele conquistar uma maioria no con- sob proteção em decorrência de gresso, vai enfrentar dificuldades ameaças de morte que havia rece- de negociação com financiamento bido por suas atividades políticas. de energia. A Doutorada em ciên- cias e história política, Lívia Cris- 57 América Informativa | Julho de 2010
  • 45. Carismática Trabalhadores rurais, LIDERANÇA popularizados na cidade grande Por Neila Rocha O crack de 1929 impactou a economia agro-exportadora da América Latina, o governo não cações da classe trabalhadora era guiada por um Estado populista e paternalista, mostrava ao povo que era capaz de suprir as necessidades da população, gerando confi- conteve a crise, para isso, era pre- ança com o propósito de diminuir as revoltas sindicais. ciso um Estado forte que controlasse a economia, organizar a indústria Maringoni também faz um relato do conceito de com domínio sob as revoltas e o populismo. Segundo ele, é um fenômeno contro- movimento dos trabalhadores. Na verso “ O conceito de populismo é controverso, América, desde a revolução Russa, não significa que seja um sinônimo de demagogia, havia manifestações dos partidos a imprensa e a sociedade usam o populista como de esquerda,movimentação de idé- se fosse aquela história do político espertalhão ias marxistas a fim de estimular a que tem uma conversa mole para enganar o povo”. classe trabalhadora a realizar greves, com reivindicações da industrial- Nos anos de 1930, 40 e 50, ocorreu um fato histórico na ização e o fim do poder dos pos- América Latina, quando não existia instituições de estado suidores (elite) da riqueza rural. de participação e de agregação de pessoas e parcelas da so- ciedade muito consolidadas. Naquela época existia uma Parte da classe superior, apoiaram relação direta de determinados governantes com o povo. os governantes de caráter populista para minimizar a crise e controlar o Já no Brasil foi uma fase em que teve início um pro- desenvolvimento industrial. A época, cesso acelerado de industrialização e houve uma mi- o estado governava por intermédio gração gigantesca dos trabalhadores rurais para a ci- dos interesses da elite dominadora. dade, as pessoas saíam do campo onde tinham sua O “Populismo”, era a favor da indus- “vida” social, sua vida comunitária mais ou menos trialização, os governantes queriam organizada, ou seja, um povo simples com caracterís- ganhar a confiança dos trabalhadores tica própria, foram movidos a vir para a cidade grande por meio da propaganda, da criação com a ilusão de um futuro melhor. Hoje boa parte da de leis sociais e trabalhistas, doutor elite ignora os trabalhadores rurais que chegam na ci- em história social Gilberto Marin- dade grande sonhando com melhores condições sociais. goni, diz que a falta de projetos pela Em tempos passados, era muito fácil convencer a pop- reforma agrária é a principal car- ulação, que eram iludidas não tinham referências e a acterística dos governos populistas. identidade adquiridos era o líder carismático, não exis- Os movimentos sociais e as reivindi- tia uma democracia, hoje o fato se inverte uma vez que, 58 América Informativa | Julho de 2010
  • 46. DIVULGAÇÃO todos tem o direito de escolher e são melhores infor- pecialista doutora em Ciências Sociais, Maria Mon- mados, tanto pela mídia quanto pela própria sociedade. teiro de Almeida. Nos dias de hoje é muito mais fá- cil polarizar e convencer a população, diante de tantos Professor titular de Ciência Política da Unicamp, meios de comunicação e de fácil acesso para todos. Armando Boito argumenta que, no Brasil de hoje, o mesmo fetiche do estado protetor, que Getúlio Vargas Muitos canditados apelam para todos os lados: visi- utilizou para tocar adiante a industrialização e a am- tam a classe baixa, sobem nas favelas e periferias, pliação dos direitos dos trabalhadores, é reanimado apertam as mãos da população humilde, utilizam-se pelo imperialismo e pela grande burguesia financeira de todos os artifícios para conquistar seus eleitores. para tirar as indústrias o pais e suprimir os direitos conquistados do povo. O feitiço do populismo voltou Esse fato não se da apenas no Brasil mais em toda a contra os trabalhadores enfeitiçados pelo líder caricata. America Latina, e muitos lideres se elegem pelo caris- ma conquistado pela população com baixo poder aquis- As vinculações diretas do dirigente com o povo é uma das itivo, e em alguns casos ainda não terem informações partes do populismo. Temos como exemplo os lideres: suficientemente necessárias para escolher sabiamente Getúlio Vargas, Perón e Cárdenas que souberam usar o o líder que governará seu país nos próximos anos. rádio muito bem, para fins políticos. Aquela época o rá- “ dio foi uma identidade criada na intenção de aproximar o povo dos líderes. Atualmente a lideranças políticas Parte da classe superor, usam todos os meios para se manter presente na massa. apoiaram os governantes de caráter populista para minimizar a crise e Nas eleições deste ano os candidatos não poupam esforços, José Serra usa antena parabólica para pop- ularizar-se diante dos eleitores do nordeste, a can- didata do PT Dilma Rousseff, com o apoio do presi- controlar o desenvolvimento industrial. A época, o estado governava por intermédio dos “ dente Lula, tentar popularizar, sua imagem, ainda interesses da elite dominadora desconhecida de metade do eleitorado, segundo a es- 59 América Informativa | Julho de 2010
  • 47. Política DIVULGAÇÃO Paternalismo e nacionalismo na América democrática Brasil e Argentina possuem históricos de presidentes paternalistas marcados pelo sucesso diante a população Por Renato Duarte O povo da América do Sul se identifica com seus presidentes atuais. Alguns são tão ista, o partido peronista da Argen- siderados os neopopulistas que es- tina”, afirma a Cientista Política tão em cima do muro, que não as- da USP, Denilde Holzhacker. sumem se estão do lado da causa nacionalistas que até a história, bolivariana ou do lado americano. ou a estética, são semelhantes da O nacionalismo é um dos aspectos do Porém, a “volta do nacionalismo” maioria dos integrantes das popu- populismo que vivemos no passado, é um título bem mais vindo do que lações do continente. Evo Morales principalmente na Era Vargas e na a classificação de populista, uma é um bom exemplo, representa Era Perón. Holzhacker acredita que vez que os presidentes acusados e muito bem os índios da Bolívia. “a grande imprensa insiste na arte os períodos vivenciados são outros, taxionômica de intitular o discurso mesmo diante do aspecto paterno “Lula também veio da camada político da América do Sul como dos presidentes para com a popula- baixa da população brasileira e vi- discurso populista, por vezes em- ção. É interessante notar que o as- venciou a maioria das privações pregando o termo neopopulismo”. pecto paternalista dos presidentes que o brasileiro comum sofre no Independente da posição geopolíti- está presente em grande parte dos seu dia a dia. Cristina Kirchner lem- ca, todo o discurso contra o neolib- países do continente, independente bra muito bem o aspecto europeu eralismo acaba sendo intitulado com da diversificação cultural dos povos. natural do argentino, não obstante neopopulista na América de hoje. O historiador da USP, Edney Gual- é integrante do partido Justicial- Lula e Cristina Kirchner são con- berto, explica a diferença entre o 62 América Informativa | Julho de 2010
  • 48. populismo de ontem e o chamado as ações de Vargas foram mais por parte dos argentinos. De acor- “populismo atual” nos dois países: impactantes do que as ações de do com Gualberto, isso acon- “Provavelmente o que você conseg- Perón: “De uma forma muito sim- tece porque o brasileiro comum, ue analisar mais facilmente é justa- plista, sendo brasileiro é muito até por uma questão cultural, mente a questão do trabalho. Talvez mais fácil eu comparar as atitudes não consegue perceber a estru- hoje o populismo que a grande imp- do Getúlio como atitudes mais tura que está presente em suas rensa tem pregado não exista de fato, impactantes, porque acredito que próprias vidas, desde a era Vargas. porque o populismo é pautado na ele criou um grande mito se en- massa de trabalhadores dos anos 30 e raizando dentro da nossa estrutura Para o sociólogo Petrônio Silveira, 40, com Getúlio e o próprio Perón”. política – econômica - social até os isso acontece pela falta de crença tempos atuais, muito mais do que que o povo da América Latina pos- Gualberto acredita que os governos Perón, onde fora criado um mito”. sui diante o termo política. “O pop- populistas de ontem tinham como Apesar de Vargas ser uma marca de ulismo está muito forte na América meta domesticar a população. Umas medidas sociais de legislações tra- Latina porque há um descrédito na das características dos governos de balhistas, no aspecto cultural atual, política. As pessoas não acreditam Perón e Getúlio, governos populis- o peronismo está muito mais pre- mais na política. Quando você fala tas, são as questões das leis trabalhis- sente na sociedade argentina do que em política as pessoas pensam em tas. Um dos principais motivos do o getulismo na brasileira. “Vargas deputado, congressos, corrupção - a surgimento destas leis no continente pode ter sido mais popular através política não se restringe a isso, ela ocorreu por causa da recessão de da propaganda, mais ao mesmo não é só isso”. Petrônio acredita que 1929, o que obrigou Brasil e Ar- tempo acredito que Perón seja é neste ponto que mora o perigo, gentina a se modernizarem o quanto muito mais forte na lembrança e na pois ao não existir mais respaldo antes para que entrassem no novo memória coletiva da argentina do pela política origina-se um grande sistema capitalista que lá surgia. que Getúlio no Brasil, no momen- problema de segurança que permite to atual”, afirma Edney Gualberto. que quem esteja nos representando “A grande depressão terminou crian- Culturalmente ainda vemos uma faça o que quiser. Acaba-se a crítica do uma condição econômica difícil grande exaltação do peronismo que favorece qualquer democracia. para o mundo todo. Os Estados Uni- dos nesta época já era um país muito forte economicamente, isto atingiu Brasil e Argentina, dois países que viviam basicamente da agricultura”, observa Petrônio Silveira, profes- sor de Sociologia da UNINOVE. Na “Era Vargas” o Brasil começou a industrialização. Consequent- emente, Vargas cria novas leis tra- balhistas favorecendo a população de baixa renda. “Mas não é porque ele queria ajudar a população, esta FERNANDO DONASCI foi uma maneira de fazer o povo ficar mais calmo diante o problema social, você usa toda a tranquilidade que passa a existir transferindo os legíti- mos ganhos para as elites brasile- iras”, analisa Petrônio. Ou seja, esta era uma forma de você segurar as condições sociais que o Brasil vivia. Edney Gualberto considera que 63 América Informativa | Julho de 2010
  • 49. América Retratos Alan Garcia Presidente do Peru Defendeu por menos Raoni Maddalena investimentos em armas nucleares na ultima reunião da OEA (Organização dos Estados Ameri- canos). 66 América Informativa | Julho de 2010

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