O FATO NOVO DO IMPERADOR
Hans Cristian Andersen
2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 1
Tradução de Maria Isabel Mendonça
Soares
Ilustrações de MiKhail Fiodorov
2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 2
Há muito muito tempo vivia um
imperador com uma tão grande
paixão por fatos novos e elegantes
que, para renovar o seu guar...
A cidade onde residia a corte
era muito grande e muito animada:
todos os dias chegavam estrangeiros e
entre estes aparecia...
"Preciso de mandar fazer
um fato desse tecido", pensou o
imperador.
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quais são os homens do ...
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pediam linhas de seda cada vez mais
preciosas e meadas de fio de ouro,
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Por isso, embora tivesse a
certeza de que não era parvo nem
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"Oh, é grande honra para nós!",
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A sua opinião espalhou-se e a história do
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O fato novo do imperador andersen

  1. 1. O FATO NOVO DO IMPERADOR Hans Cristian Andersen 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 1
  2. 2. Tradução de Maria Isabel Mendonça Soares Ilustrações de MiKhail Fiodorov 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 2
  3. 3. Há muito muito tempo vivia um imperador com uma tão grande paixão por fatos novos e elegantes que, para renovar o seu guarda-roupa, gastava o dinheiro todo. Não lhe interessava passar revista às tropas, nem pensava em ir ao teatro ou passear nos bosques a cavalo, senão para exibir em cada uma dessas ocasiões fatos novos acabados de fazer. Tinha um vestuário diferente para cada hora do dia, e se alguém o procurava, ouvia infalivelmente: "O imperador está no seu quarto de vestir." 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 3
  4. 4. A cidade onde residia a corte era muito grande e muito animada: todos os dias chegavam estrangeiros e entre estes apareciam também intrujões. Certo dia espalhou-se a notícia de que tinham chegado dois tecelões muito competentes. Dizia-se que preparavam tecidos de cores e desenhos de incomparável primor e que faziam fatos com um condão especial, capazes de se tornarem invisíveis aos olhos das pessoas estúpidas e de todos aqueles que desempenhavam cargos que não mereciam. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 4
  5. 5. "Preciso de mandar fazer um fato desse tecido", pensou o imperador. "Quando o vestir, fico a saber quais são os homens do meu reino que não são dignos do cargo que desempenham; alem disso, posso diferenciar os inteligentes dos parvos." Assim, mandou entregar aos dois intrujões uma grande soma de dinheiro para que começassem a trabalhar. Eles armaram dois teares e fingiam que trabalhavam aplicadamente, mas na realidade não teciam nem um fio sequer. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 5
  6. 6. Á medida que passava o tempo, pediam linhas de seda cada vez mais preciosas e meadas de fio de ouro, mas em lugar de as utilizarem para fazer o tecido, metiam-nas nos seus sacos de viagem. Entretanto, iam-se mostrando sempre muito ocupados com o trabalho, e ficavam diante dos teares até altas horas da noite. - -"Quero saber como vai o meu tecido", disse o imperador tempo depois. Mas não achou conveniente dirigir-se ele próprio à oficina, principalmente por causa das histórias que se contavam sobre os poderes mágicos desses tecidos. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 6
  7. 7. Por isso, embora tivesse a certeza de que não era parvo nem incompetente, preferiu mandar lá um funcionário importante da corte. Por seu lado, todos os súbditos tinham conhecimento do efeito causado pelos tecidos fabricados pelos dois engenhosos estrangeiros, e por isso, estavam impacientes por verificar se os seus vizinhos eram indignos ou estúpidos. "Vou mandar aos tecelões o meu velho ministro que é um homem honesto", decidiu por fim o imperador. "E a pessoa mais indicada para apreciar a qualidade do tecido: considero-o muito inteligente e tem mostrado grande competência no desempenho de todos os cargos." 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 7
  8. 8. Assim, o ministro tão considerado dirigiu-se à oficina onde os dois malandrins fingiam trabalhar nos teares vazios. - "Meu Deus", pensou ele, esfregando os olhos "não vejo nada! ". Mas é claro que não o disse em voz alta. - "Por favor, aproximai- vos um pouco mais", disseram os dois mentirosos "assim podereis descrever a sua majestade, a delicadeza do desenho e a encantadora combinação das cores". 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 8
  9. 9. O pobre ministro olhou fixamente para o tear, mas continuou sem ver nada, pela simples razão de que não havia nada para ver. "Estou desgraçado!", pensou ele, apavorado. "Julgo que não sou estúpido e também não sou incompetente; mas, é importantíssimo não mostrar a ninguém que não consigo ver o tecido." "Então não dizeis nada?", perguntou um dos falsos tecelões. "Eh ... pois, é maravilhoso! Nunca vi um tecido tão bonito", disse o ministro, pondo os óculos; e acrescentou: "O desenho ... As cores ... Sim, direi ao imperador que gostei muitíssimo." 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 9
  10. 10. "Oh, é grande honra para nós!", agradeceram manhosamente os dois burlões; e voltaram a descrever os tons vistosos e a extraordinária qualidade do tecido. O velho ministro escutou-os atentamente para poder repetir a mesma coisa quando voltasse à presença do imperador. E foi exactamente aquilo que fez. No dia seguinte, os tecelões pediram novo fornecimento de fios de seda e de ouro, e ainda uma grande quantia em dinheiro, indispensável, segundo diziam, para terminarem o trabalho. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 10
  11. 11. Mas, em vez disso, meteram tudo ao bolso. No entanto, mostravam-se muito atarefados na oficina para que todos julgassem que a obra era realmente muito importante e difícil. Algum tempo depois, o imperador mandou outro funcionário de confiança para se certificar do bom andamento dos trabalhos e ver se o tecido estava já pronto. Mas também lhe aconteceu o mesmo que ao ministro, e, por não haver nada excepto os teares vazios, nada pôde ver. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 11
  12. 12. -“É lindo, não é verdade?", perguntaram os dois espertalhões, mostrando a fantasia e as cores. "Estúpido não sou, com certeza", pensou o funcionário. "Então quer dizer que não sou digno do meu cargo, suponho. Seria um facto muito estranho em que não posso acreditar. Tenho de fazer com que ninguém suspeite de uma coisa destas." E por isso começou a gabar o tecido que não via, e garantiu aos tecelões quanto lhe agradavam aquelas cores lindíssimas e aquele desenho admirável. - "Sim", contou ele ao imperador. - “É o tecido mais fantástico que eu vi em toda a minha vida." 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 12
  13. 13. A sua opinião espalhou-se e a história do tecido maravilhoso andava desde aí na boca de toda a gente. Então o imperador quis ir vê-lo pessoalmente. Com uma grande comitiva de cortesãos escolhidos cuidadosamente, entre os quais os dois infelizes que já lá tinham ido, foi visitar os dois falsos artesãos que estavam a tecer com grande actividade, mas sem urdidura nem trama. - "Não é deslumbrante?", perguntaram os dois velhos funcionários, pedindo a confirmação do imperador. -"Queira vossa majestade ter a bondade de observar. Que arabescos! E que colorido!" Desfaziam- se em elogios, convencidos de que todos os presentes podiam ver o que estava no tear. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 13
  14. 14. - "Que me estará a acontecer?", pensou o imperador. "Não vejo nada. E verdadeiramente terrível! Sou talvez estúpido? Não sou digno de ser imperador? Seria uma revelação insuportável." Então disse em voz alta: - "Oh, é lindíssimo! Tem a minha inteira aprovação." No entanto, concordava satisfeito: por nenhuma razão deste mundo teria confessado a alguém que não via tecido algum. Todos os cortesãos da comitiva gastavam a vista a olhar, mas nenhum era capaz de ver alguma coisa mais do que os outros. Porém, repetiam em coro: - "Que maravilha!" 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 14
  15. 15. E lembraram ao soberano que mandasse fazer com aquele tecido um fato novo completo, para vestir no dia da grande parada anual. A proposta espicaçou a vaidade do imperador que encarregou imediatamente os dois intrujões de talharem e coserem o fato. Em seguida atribuiu a cada um uma condecoração e o título de "cavaleiro do tear". Na véspera da parada, estes passaram a noite com dezasseis velas acesas; todos podiam ver que tinham muito que fazer para acabarem o fato do imperador. Com enormes tesouras cortavam largos bocados de ... ar e cosiam- nos com agulhas sem linha. Por fim disseram: 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 15
  16. 16. "O fato está completamente pronto." O imperador veio buscá-lo pessoalmente. "Aqui está: estes são os calções, esta é a casaca, e o manto", diziam os dois patifes com ar entendido. "O tecido é finíssimo, e leve como uma teia de aranha; vereis como, ao vesti- lo, vos parecerá que não trazeis nada sobre o corpo." O imperador foi despido completamente e ajudaram-no a enfiar, peça a peça, o vestuário feito de coisa nenhuma. Ataram-lhe à cintura uma faixa fingida e arranjaram-lhe a cauda. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 16
  17. 17. Quando tudo estava pronto, ele deu uma volta em frente do espelho e os presentes aprovaram em coro: "Este modelo fica muito bem a vossa gentil figura." Entretanto, o mestre-de-cerimónias veio avisar de que estava lá fora o pálio. Os pajens ajoelharam, fingindo pegar na cauda e o imperador abriu o cortejo saindo à praça principal. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 17
  18. 18. "Oh! Vejam o fato do imperador! Nunca se viu nada igual", dizia- se. Embora nem um só dos presentes visse um único farrapo de tecido, todos se apressavam a elogiar o fato: nunca até então a opinião pública fora tão geral. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 18
  19. 19. Finalmente, a meio da praça, um garoto exclamou em voz clara e límpida: - “Ó pai, o imperador vai nu!" - "Oiçam a voz da inocência!", admitiu o pai. “É verdade, o imperador não esta vestido! " Num sussurro, a frase passou de boca em boca, até dar a volta à praça, e pouco depois toda a multidão gritava: “Não está vestido!" 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 19
  20. 20. Mas o imperador pensou que não podia dar parte de fraco e deixar o cortejo a meio; assim, empertigou- se ainda mais , e desfilou em cuecas diante dos seus súbditos. 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 20
  21. 21. FIM 2013-2014 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 21

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