Como nasceu portugal

2,809 views
2,568 views

Published on

Published in: Travel, Business
0 Comments
4 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
2,809
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1,339
Actions
Shares
0
Downloads
0
Comments
0
Likes
4
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Como nasceu portugal

  1. 1. TEXTOS: Paula Cardoso de AlmeidaILUSTRAÇÃO: Carla Nazareth com acolaboração de Patrícia Alves e MiguelGabriel2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 1
  2. 2. história do nascimento de Portugal tem umsaborzinho a lenda e um cheirinho a mito. Tudo começou com omatrimónio de D. Teresa com D. Henrique de Borgonha, que, comorecompensa pela bravura demonstrada na luta contra os mouros, recebeua mão da filha do rei de Leão e Castela em casamento e o CondadoPortucalense para administrar.Logo que se casaram, mudaram-se para a sua nova "casa": aquele queviria a ser o nosso país. Conta-se que mal D. Henrique poisou os pés nesteterritório sonhou com a autonomia, mas o tempo de vida dele não lhepermitiu que lutasse pela independência.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 2
  3. 3. Mas a verdade é que começava já a sentir-se o perfume daliberdade, com o nascimento do herdeiro a encher o povode esperança. O seu pai morreu pouco tempo depois, masD. Afonso Henriques herdou o mesmo sonho: fundarPortugal.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 3
  4. 4. Afonso ia crescendo, aprendendo e seguindo os passos de quem orodeava, fosse, como quer a tradição, Egas Moniz de Ribadouro, ououtro membro dessa importante família da altura. Enquanto isso, D.Teresa assumiu o governo: tentou resolver os conflitos no própriocondado e impedir o avanço dos Muçulmanos.Já tinham passado alguns anos desde a morte do marido quando D.Teresa se apaixonou pelo nobre galego Fernão Peres de Trava, quenão só a acompanhava para todo o lado como também ocupava umlugar importante na condução dos destinos do território. Com estaunião, a corte passou a ser frequentada por nobres galegos e issodeixou muitos cavaleiros portucalenses descontentes e determinadosa conspirar contra os Travas e a D. Teresa.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 4
  5. 5. Com apenas 16 anos, mostrava já uma grande ambição. Decidiu elevar-seao mais nobre grau da vida das armas numa idade em que ninguém otinha feito antes. A cerimónia foi descrita num importante documentodaquela época: os "Anais de D. Afonso, Rei dos Portugueses".Era de 1163 [Ou seja, o ano de 1125]. O ínclito infante D. Afonso, .filho do conde D. Henrique e darainha D. Teresa, neto de D. Afonso, tendo cerca de 14 anos de idade [na verdade, tinha 16 anos],estando na Sé de Zamora, no dia santo de Pentecostes, tomou de cima do altar as armas militares evestiu -se e cingiu-se a si próprio diante do altar, como é costume fazerem os reis. Vestiu-se com aarmadura como o Gigante. pois era grande de corpo, e cingindo se a si próprio com as armas paraas batalhas, tornou-se, nos seus actos, como um leão e como a cria do leão que ruge na caça.“Diz-se que esta foi a forma encontrada pelo príncipe de mostrar queestava a preparar-se para fazer oposição a Leão e Castela. Mas não era sóisso. O infante estava incomodado com o poder que a sua mãe haviadado a Fernão Peres e com o facto de ela se ter casado mesmo sabendoque ele e os nobres nunca aprovaram o matrimónio, até porque se sabiaque um galego nunca estaria disposto a lutar pela independência doCondado Portucalense.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 5
  6. 6. Mas aqueles que tinham de preparar o infante para um dia assumir opoder já tinham consciência disso e começaram a alertar D. AfonsoHenriques para a influência de Fernão Peres de Trava. Nesta altura erajá evidente que se o príncipe quisesse ser rei teria de enfrentar duasguerras: uma contra a sua mãe e outra contra o seu primo AfonsoRaimundes (filho de Raimundo e D. Urraca), que acabara de assumir otrono de Leão e Castela.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 6
  7. 7. Tal como D. Afonso Henriques, também o jovem rei de Leão e Castelaestava ávido de poder e, pouco tempo depois, reuniu as tropas naGaliza e decidiu cercar Guimarães. Aí deve ter encontrado o seu primo,D. Afonso Henriques, que estava disposto a resistir e contava comapoios de nobres portucalenses. Mas, era ainda cedo para cantarvitórias e o nosso herói acaba por reconhecer a superioridade deAfonso VII.Reza a lenda que durante o cerco foi Egas Moniz que livrou D. AfonsoHenriques da raiva do seu primo e impediu a derrota total,prometendo ao rei de Leão e Castela que o infante o respeitaria sefosse levantado o cerco. Afonso VII acreditou na palavra de EgasMoniz e levantou o cerco. Feito isto, o infante recusou-se a prestarvassalagem ao primo, o que levou o seu aio a entregar-se, com a suamulher e filhos, ao rei de Leão e Castela para pagar com a morte apalavra dada. Este acto de honradez comoveu Afonso VII que logo operdoou.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 7
  8. 8. Os barões portucalenses que rodeavam D. Afonso Henriquescontinuavam a tentar convencê-lo a encabeçar uma revolta contra asua mãe. Não passou muito tempo até que os aliados do infante e astropas de Fernão Peres de Trava se defrontassem. Aconteceu em SãoMamede, perto de Guimarães, em 1128, no dia de S. João Baptista."Tendo marchado para Guimarães com as tropas dos fidalgos galegos e dosportugueses seus partidários, aí se encontrou [D. Teresa] com o exército do infante nocampo de São Mamede, junto daquela povoação. Foi desbaratada D. Teresa e fugiu:nesta fuga, porém, perseguida pelo filho, ficou prisioneira com muitos dos seus. Atradição refere que Afonso Henriques a lançara carregada de cadeias no castelo deLanhoso [ ... ].O que é certo é que num só dia de combate o poder supremo, que o moçopríncipe tanto ambicionava, lhe caíra nas mãos", contou o historiadorAlexandre Herculano.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 8
  9. 9. Havia começado a luta pela nacionalidade e estava perto o encontro entreo rei de Leão e Castela e o infante. Será que íamos ter uma nova guerra?Estávamos ainda muito longe de saber isso porque antes desse encontroesperavam a D. Afonso Henriques outras importantes batalhas, desta vezcontra os galegos e os mouros.Não admira que lhe tenham dado o cognome de o Conquistador. Desdeque se mudara para Coimbra que os Muçulmanos não lhe davamdescanso, mas já não faltava muito para travar a mais importante batalhado seu reinado contra os mouros.Era um acontecimento muito importante. Conta-se que no dia anterior aodecisivo confronto, quando o infante estava a rezar, apareceu-lhe JesusCristo que lhe assegurou a vitória e deu-lhe as quinas, que ele colocou noseu escudo e que ainda hoje constituem um dos principais elementosdas armas de Portugal.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 9
  10. 10. Corria o ano de 1139 quando se travou a batalha de Ourique, mas o quehoje se sabe deste episódio tem muito de mito e muito pouco de História,como prova o seguinte texto daquela época.Nem tudo o que aqui se escreve aconteceu na realidade, mas é certo quea batalha de Ourique não foi uma batalha igual às outras até porque diz-se que, pouco antes, D. Afonso Henriques havia sido aclamado rei pelastropas pela primeira vez. Não se sabe até que ponto isto é verdade, mashouve sempre quem dissesse que foi nesta batalha que ele foi escolhidopor Deus para ser rei.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 10
  11. 11. "[. .. ]a 8 das calendas de Agosto, na festa de S. Tiago, Apóstolo, no II º ano doseu reino, o rei D. Afonso teve uma grande batalha com o rei dos serracenos,de nome Esmar, no lugar chamado Ourique. Esse rei dos sarracenos, tendoconhecimento da força e da audácia do rei D. Afonso, e vendo que ele entravafrequentemente na terra dos sarracenos e depredava e destruía fortemente asua região, pretendia, se pudesse, surpreendê-lo descuidado e desprevenido,para com ele combater; quando D. Afonso, de outra vez, entrasse com o seuexército pela terra dos sarracenos c estivesse no coração da sua terra. Esmar;juntamente com uma infinita multidão de sarracenos de além-mar, quetrouxera consigo, e daqueles que moravam do lado de cá do mar, do termo deSevilha e de Badajoz e de Elvas e de Évora e de Beja e de todos os castelos atéSantarém, vieram ao seu encontro, para combaterem com ele, confiando namultidão da sua força e do seu exército, que era tão abundante, que incluíamulheres de rito amazónico, tal como se provou, no fim, por causa das que seacharam mortas.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 11
  12. 12. Apesar de o rei D. Afonso ter com ele poucos, e de estar acampado em certopromontório, cercado por todos os lados e rodeado de fossos, desde manhãaté à tarde. Querendo romper e invadir o acampamento dos cristãos, oscavaleiros escolhidos caíram sobre eles, repeliram-nos com vigor;expulsaram-nos, mataram-nos fora do acampamento, e dividiram-nos. Ao veristo, a saber; a força dos cristãos, e que estavam preparados para antesvencer ou morrer do que fugir; fugiu ele próprio, o rei Esmar, e todos os quecom ele estavam. E toda aquela multidão de pagãos pereceu ou foidesbaratada, tendo uns sido mortos, e outros fugido. E o rei deles, Esmar,escapou por meio de fuga, tendo sido preso aí certo primo e sobrinho do rei,de nome Homar Atagor, e tendo, da sua parte, sido mortos homens sem conta;e assim o rei D. Afonso, sendo protegido pela graça de Deus, conseguiuum grande triunfo sobre os inimigos. Desde esse tempo, a força e a audáciados sarracenos ficou muito abalada. 2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 12
  13. 13. A batalha de Ourique resolvia, por pouco tempo, os ataques Mourosmas trouxe a D. Afonso Henriques muito prestígio, abrindo caminhopara que se começasse a intitular Rei de Portugal.Assim, se compreende, também, que conseguida esta importante edifícil vitória, ao regressar a Coimbra tenha tido uma recepção triunfal.Mas o entusiasmo não ia durar muito pois os mouros atacariamCoimbra e Leiria muito em breve.Para perto estava também o reencontro com o rei de Leão e Castela,que só não terminou em desgraça porque os dois monarcas assinaramum pacto de tréguas provisório. Mais tarde, em 1143, em Zamora, o reide Leão e Castela reconheceu a independência ao CondadoPortucalense, que era agora uma monarquia e se chamava Reino dePortugal.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 13
  14. 14. Coimbra estava a ser atacada pelos mouros com alguma regularidade eLeiria havia sido completamente destruída. D. Afonso Henriques jánão era uma criança.Havia completado 38 anos, estava casado e já tinha nascido o infante D.Henrique. Mas apesar de o povo português olhar para ele como rei,sonhava com o dia em que o papa lhe daria o título de rei.Para isso, precisava de alargar ainda mais o seu território, o que olevou a tomar uma decisão: conquistar Santarém e Lisboa .2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 14
  15. 15. De diferentes regiões começaram a chegar muitos cruzados com amissão de ajudar o nosso rei a tornar realidade o seu sonho. Assimfoi: primeiro com o ataque a Santarém, de surpresa e de madrugada,depois, começou-se a preparar o cerco a Lisboa. Após dezassetesemanas de espera, chegava a hora de avançar, assaltando a cidade eexpulsando os Mouros, como aqui conta o cruzado inglês:2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 15
  16. 16. "{ ... ]ao tempo da nossa chegada, a cidade, incluindo os subúrbios em volta,contava com 6o.ooo famílias [ ... ].Tem mais população do que se poderia imaginar, pois,[ .. .] pudemos saber doalcaide, ou seja, do governador que [estava incluído] neste número as pessoasdo castelo de Santarém que neste ano foram expulsas desse castelo[ ... ].[ ... }por sua vez, os nossos se empenham mais no trabalho e se lançam aescavar um fosso subterrâneo entre a Torre e a Porta de Ferro[ ... ]. É então avez de os normandos, os ingleses e os que com eles se encontravamcomeçarem a fazer uma torre móvel de 83 pés de altura. Os colonienses e osflamengos recomeçam a escavar novo fosso subterrâneo frente à muralha daparte mais alta do castelo a fim de a deitarem abaixo; era uma construção demerecer elogio, com cinco entradas, com um pouco menos de 40 côvados delargura na frente, e concluíram-na em menos de um mês."2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 16
  17. 17. E este foi apenas o início das conquistas: seguiram-se aslocalidades de Sintra, Almada, Palmela, Alcácer do Sal e outrasmais, que, na altura, fixaram a fronteira do reino português nalinha do rio Tejo.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 17
  18. 18. D. Afonso Henriques estava velho e cansado. O seu último desejo eraque o papa - o único homem a quem os reis beijavam os pés -reconhecesse Portugal como reino independente.Em 1179 o papa enviou-lhe, finalmente, uma bula:"Ao nosso muito amado filho em Jesus Cristo, rei dos Portugueses. Sabemospor evidentes sucessos que, como bom filho e príncipe católico, tendes feitovários serviços à Sacrossanta Igreja, destruindo valorosamente os inimigos donome cristão, dilatando a Fé Católica por muitos trabalhos de guerra eempresas militares, deixando um nome de grande memória e um exemplodigno de os futuros o imitarem. Confirmamos a Vossa grandeza e Portugalcom inteira honra e dignidade de Reino e todas as terras, com o auxílio daGraça Celeste, ganhardes aos sarracenos e sobre as quais não possam príncipescristãos julgar-se com direito."2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 18
  19. 19. Tinha nascido Portugal.Seis anos depois morria D. Afonso Henriques, o Rei Fundador.2012-2013 BE/CRE EB Dr. João Rocha - Pai 19FIM

×