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Catálogo da comemoração das Invasões Francesas

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  • 02 / 03 Que generais é que devem Morrer ao som da trombeta? Os três meninos da ordem: O Jinot, Laborde e Maneta.
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s 04 / 05 Introdução Histórica Desde Janeiro de 1806 que em Espanha se reunia Ora Portugal, tradicional aliado de Inglaterra, não A H M - F E - 1 0 - A7 - P Q - 17 um exército na fronteira da Extremadura com o segue de todo estas imposições e a 12 de Agosto alto Alentejo. Assim, após o Decreto de Berlim a 21 recebe um Ultimatum do Imperador que avisa o de Novembro de 1806, toda a Europa dominada príncipe regente, D. João VI, que vai declarar por Napoleão aderia ao Sistema Continental de guerra à Grã-bretanha. Paralelamente, encontra- não negociar com a Grã-Bretanha. Faltava va-se em Espanha um exército de cerca de 28 mil Portugal aderir ao que ficou designado por homens, denominado por Corpo de Observação de Bloqueio Continental, para que as intenções de Gironda. Comandado por Junot, este exército Napoleão perante a Inglaterra se materializas- composto por franceses, espanhóis, italianos e sem. Em todos os portos e rios desde o Elba até suíços, visava pressionar Portugal, pois se este Brest se proibia o comércio com Inglaterra, país desejava a independência e a liberdade do seu em estado de sítio. O objectivo da França era comércio, não podia permanecer mais tempo na bastante óbvio, destruir o sistema mercantil neutralidade em que se encontra. A corte britânico, que assentava na colocação em portuguesa não consegue resolver o caso, pois diversos mercados europeus de produtos trata-se do velho aliado britânico, e entra num transportados de todo o mundo. Esta impossibili- jogo duplo com a Inglaterra e a França. Se esta dade de colocação de produtos daria origem a tinha as suas pretensões bem definidas, a velha uma crise económica grave para Napoleão, seria o aliada de Portugal não parecia querer entrar suficiente para conseguir a submissão da numa guerra por causa de Portugal, pois quanto à Inglaterra. Perante esta conjuntura, Portugal possibilidade de ajuda militar, o embaixador mantinha esperanças na neutralidade, apesar de britânico Lord Strangford, apenas garantia, em pairar sempre um jogo diplomático de esperanças finais de Setembro de 1807 e de forma evasiva, vãs. Desde final de 1806 até Agosto de 1807, os que daria apoio naval suficiente para a transfe- diversos protagonistas, Portugal, França e rência do governo de Lisboa para o Rio de Janeiro. Inglaterra, encontraram-se envolvidos num jogo Assim, a 22 de Outubro de 1807 Portugal recebe que faria da diplomacia Portuguesa uma presa uma declaração de guerra da França. Como se não fácil das intenções hegemónicas francesas. Seis bastasse, cinco dias depois, a 27 de Outubro de meses passaram, e a segunda metade de 1807 1807, França e Espanha estabelecem um tratado iniciar-se-ia com Portugal a consentir que as secreto que dividia Portugal entre eles após a imposições de Napoleão se tornassem realidade. ocupação, o Tratado de Fontainebleu, do qual Tentou-se, deste modo, confiscar todos os sobressaem os seguintes artigos: passaportes e bens materiais de ingleses residentes em Portugal, o que não ocorreu de todo Artigo 1. A província de Entre Douro e Minho, com e inicia-se um novo cenário político e diplomático, a cidade do Porto, se trespassará em plena a perda da neutralidade portuguesa e a intenção propriedade e soberania para Sua Majestade o Rei francesa de ocupar Portugal. da Etrúria, com o título de Rei da Lusitânia Setentrional. De resto, esta segunda metade de 1807 marca bastante a Europa. Napoleão Bonaparte domina a Artigo 2. A província do Alentejo e o reino dos Itália, a Prússia e a Áustria. A 25 de Junho, após Algarves se trespassarão em plena propriedade e um acordo de paz com a Rússia a 9 desse mês, o soberania para o Príncipe da Paz, para serem por Imperador francês reúne-se com o Czar Alexandre ele gozados, debaixo do título de Príncipe dos I em Tilsit e tratam de repartir a Europa em Algarves. função dos seus interesses. E para se cumprirem tais desígnios, só existiam dois países a não Artigo 3. As províncias da Beira, Trás-os-Montes e aderir ao “Sistema Continental” decretado em Estremadura portuguesa, ficarão por dispor até Berlim no ano anterior, Portugal e Suécia. que haja uma paz, e então se disporá delas segundo as circunstâncias, e segundo o que se concordar entre as duas partes contratantes (…)
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s Tra du z i do p o r Fra n c i s co L op e s 06 / 07 Enquadramento Geográfico Fragmentos de “História da guerra da Península da primeira invasão Francesa sob Napoleão”, pelo general Foy. Paris: Baudouin, 1827. Divisão de Portugal, As tropas levaram vinte e cinco dias a chegarem a Era pois inevitável ir de encontro à Estrela. Por Reino da Lusitânia segundo o tratado de Fontainebleu Salamanca. Estava tudo disposto para as este lado, dois caminhos levam a Lisboa. Um é a Setentrional acantonar em redor da cidade, quando Junot norte, outro a sul da crista da montanha. recebeu ordem para entrar em Portugal, e para O primeiro passa por Almeida, Celorico, Ponte da não perder um momento, a fim de não ser Murcela e Tomar. O segundo caminho vai por precedido pelos ingleses em Lisboa. O Imperador Castelo Branco e Abrantes. Atravessa, ao longo de Províncias da Beira Trás-os-Montes não indicava o caminho a seguir, mas proibia que, trinta léguas, um amontoado de rochedos, um e Estremadura sob pretexto de subsistências, a marcha do deserto onde a indústria fecundou aqui e acolá exército fosse retardada um único dia. Vinte mil alguns recantos duma terra ingrata. Os contrafor- homens, dizia ele, podem viver em qualquer lado, tes escarpados da Serra da Estrela apresentam-se mesmo no deserto. perpendicularmente à direcção da marcha. De duas em duas léguas encontram-se rios que Avaliaríamos mal a dificuldade de invadir não têm nem pontes, nem barcas, e que durante o Portugal, pelo aspecto que apresenta a configura- Inverno ou após chuvadas não se atravessam sem Província do Alentejo ção deste país nas cartas geográficas. A operação e o Reino dos Algarves perigo eminente. Num terreno tão fortemente Trajecto do exército parece tanto mais simples quanto é um facto que acidentado, a defesa mais inerte pode perturbar o Francês de Alcântara [Espanha] os dois grandes rios do país, O Douro e o Tejo, exército mais aguerrido. Quando, após triunfar até Lisboa, passando por Abrantes, deixaram já em Espanha a maior parte do seu sobre os homens e a natureza, este exército chega segundo Thiébault, 1817 curso; e que, como ensina a geografia física, as a Abrantes, e chega por assim dizer ao termo dos montanhas rebaixam-se e os vales alargam-se à seus trabalhos, o Tejo e o Zêzere separam-na da medida que os rios se aproximam da foz. Terra Prometida, e constituem uma barreira É tudo ao contrário aqui, e foi por isso que impenetrável a quem não pôde trazer artilharia Portugal permaneceu um reino independente da nem, equipamentos de pontes. Alpedrinha Espanha. Atalaia Monsanto Proença-A-Velha Penha Garcia Estes detalhes locais eram desconhecidos do Idanha-A-Velha A massa e as cordilheiras da Estrela cobrem a exército, porque as cartas geográficas são tão Estrada Nova Rio Ocreza região do centro de Portugal chamada Beira. inexactas, que nem dão os nomes dos cursos de Pedrogão Grande Idanha-A-Nova Pedrogão Pequeno Alcains a Salvaterra O principal pico desta vasta montanha é três água a atravessar. Os próprios portugueses Sarzedas Castelo Branco do Extremo Zebreira Zarza la Maior léguas a sudoeste da Guarda. Dos seus flancos de conhecem melhor a Índia e o Brasil que os vales c Segura granito saem o Zêzere, o Alva, e trinta outros de Trás-os-Montes e da Beira. O que os franceses Rio Tejo b Rio Ponsul Sobreira afluentes do Tejo e do Douro. Os seus contrafortes podiam aprender com os espanhóis de Rio Zêzere Cortiçada Sarnadas Monforte Cardigos Venda Nova d Perdigão Rosmaninhal Alcantara são formados ora por arestas vivas, ora por Salamanca, tinham-no como de muleteiros Vila de Rei Tomar S. Domingos Va. Velha terraços de blocos de grés aglomerados desorde- ignorantes. O general Junot decidira tomar o Paialvo de Ródão Carbajo nadamente. caminho de Abrantes, porque era mais curto que 25/Nov Montalvão Santiago Sardoal Mação de Carbajo o de Ponte da Murcela. Ganhava assim várias Zibreira Torres Novas Amieira Nisa Membrio A natureza e a razão de estado conspiraram em vantagens, como evitar a praça de Almeida, que Tancos Punhete Salir de Matos Benedita Alcanena 27/Nov Abrantes Gavião conjunto para impedir que fossem traçados provavelmente não teria aberto as suas portas, Rio Sever Caldas da Rainha Abrã Golegã 24/Nov através dos rochedos da Beira caminhos de e revitalizar-se em munições de guerra e de boca Peniche Óbidos comunicação entre Portugal e Espanha. A grande na cidade de Alcântara sobre o Tejo, onde se Roliça Rio Maior estrada de Bayonne a Lisboa, a qual seguem reunira a divisão espanhola do general Carafa. Bombarral ordinariamente as viaturas, passa por Madrid, Lourinhã Cadaval Cercal atravessa o Tejo na ponte de Almaraz na O exército partiu de Salamanca a 12 de Novembro. Santarém 28/Nov Vimeiro Gião Alcoentre Estremadura espanhola, entra em Portugal pelo A rota foi traçada por Cidade Rodrigo, Portela de Ramalhal Cartaxo Alentejo, e atravessa segunda vez o rio diante de Perales e Moraleja. O tempo estava assustador, Lisboa, onde ele tem três léguas de largura. A chovia torrencialmente. Várias viaturas ficaram Rio Tejo Ota Torres Vedras Merceana previdência militar não permitia aos franceses para trás desde a passagem do Yeltes antes de Turcifal a - 2ª e 3ª Divisões e cavalaria seguirem uma rota no termo da qual, após terem chegar a Cidade Rodrigo. Avançando, as Enxara dos Cavaleiros Sobral Carregado b - Quartel-general, 1ª Divisão e tropas espanholas vencido obstáculos de mais de um género, faltaria dificuldades da marcha não pararam de Enxara c - Quartel-general, 1ª Divisão, cavalaria e tropas espanholas do Bispo Arruda Vila Franca de Xira d - 2ª e 3ª Divisões ainda forçar a passagem de um rio enorme, ou aumentar. Como não se tinha previsto em Madrid Mafra Alhandra antes de um braço de mar, antes de chegarem ao nem a rapidez nem a direcção do movimento, os 29/Nov Alverca (a) Tropas espanholas do general Carrafa fim da expedição. víveres não estavam preparados, e era impossível Loures Rio Tejo Sintra Belas Lisboa
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s 08 / 09 Era pois inevitável ir de encontro à Estrela. Por reuni-los prontamente numa fronteira despovoa- prolongam na direcção de Niza no Alentejo. Uma parece uma continuação do eterno rochedo, este lado, dois caminhos levam a Lisboa. Um é a da pelas antigas guerras entre a Espanha e ribeira, Ocreza, atravessa, ou antes rasga esta plantaram-se de oliveiras alguns terrenos norte, outro a sul da crista da montanha. Portugal. Os soldados, não tendo o que comer, dura cadeia. A Ocreza nunca é passável a vau cercados, e semeou-se um pouco de centeio e O primeiro passa por Almeida, Celorico, Ponte da rodaram em retrocesso e sobre os flancos das perto da embocadura no Tejo. As tropas passaram- milho. Nada interrompe a monotonia da paisa- Murcela e Tomar. O segundo caminho vai por colunas, dispersaram-se nos bosques e inquieta- na frente a Vendas Novas, numa barca que não gem, senão castanheiros isolados, então Castelo Branco e Abrantes. Atravessa, ao longo de ram os camponeses. Muitos pereceram ao passar levava mais que doze homens ou quatro cavalos de despojados das suas folhas, os pálidos sobreiros, trinta léguas, um amontoado de rochedos, um a vau o canal entre Fuente Guinaldo e Peña Parda. cada vez. O transporte de oito a dez mil homens e e os verdes carvalhos enfezados em que a vista se deserto onde a indústria fecundou aqui e acolá A testa do exército chegou ao Tejo num estado de de oito a nove centos de cavalos duma margem entristece em todas as estações. alguns recantos duma terra ingrata. Os contrafor- penúria e de desordem que eram a ante-câmara para outra não se pôde efectuar sem perdas de tes escarpados da Serra da Estrela apresentam-se dum mal estar e de uma perturbação ainda soldados e em extrema lentidão. O mau tempo acometeu constantemente o perpendicularmente à direcção da marcha. maiores. exército. As chuvas de fim de Outono são, em De duas em duas léguas encontram-se rios que O estado-maior general, a primeira divisão, a Portugal, um verdadeiro dilúvio que lembra as não têm nem pontes, nem barcas, e que durante o O general Junot tinha precedido as tropas dois maior parte das colunas de rectaguarda, e o que se invernias das Antilhas. Vinte vezes por dia se Inverno ou após chuvadas não se atravessam sem dias em Alcântara. O despovoamento da região pôde trazer de viaturas de artilharia seguiram o partiam as colunas de infantaria ao passarem os perigo eminente. Num terreno tão fortemente circundante não tinha permitido substituir nos caminho de um alto, mais largo que o outro, mas cursos de água inchados e transbordantes. Os acidentado, a defesa mais inerte pode perturbar o armazéns e nos parques de animais o pão e a eriçado de blocos de quartzo e de asperezas soldados marcharam em debandada. Ao deixarem exército mais aguerrido. Quando, após triunfar carne que a divisão tinha consumido. Apenas se rochosas. A cada passo, os rios inchados e rápidos de ser contidos pelas cadeias da organização e sobre os homens e a natureza, este exército chega pôde dar aos franceses uma ou duas rações por punham à prova a paciência dos soldados e pela presença dos seus chefes, eles não mais a Abrantes, e chega por assim dizer ao termo dos homem. Os cartuchos estragados foram trocados levavam alguns. Além de muitas torrentes menos pareciam um exército, mas antes um amontoado seus trabalhos, o Tejo e o Zêzere separam-na da por munições novas. Apesar da fome, da chuva, da consideráveis, eles sobreviveram à passagem de homens exasperados pela miséria. As jornadas Terra Prometida, e constituem uma barreira ignorância dos caminhos e da incerteza relativa sucessiva a vau do Liria, do Ocreza que tinha de marcha eram muito longas. Os carreiros impenetrável a quem não pôde trazer artilharia aos inimigos que encontrariam, ele não hesitou então mais de quatro pés de água, do Alvito, mais estreitos obrigavam frequentemente a desfilar um nem, equipamentos de pontes. sobre a decisão a tomar. Na sua posição, marchar largo e quase tão profundo; do Troia, cuja a um. Nesta região de altas montanhas, o sol era combater, chegar seria vencer. passagem pareceria muito perigosa, se não se ficava apenas oito horas acima do horizonte. Não Estes detalhes locais eram desconhecidos do tivesse antes atravessado o Alvito e o Ocreza. Na se chegava ao albergue senão noite adiante. E que exército, porque as cartas geográficas são tão O corpo de observação da Gironda foi avisado margem direita do Alvito eleva-se a pique a cadeia albergue! quase sempre o rochedo nu. Durante as inexactas, que nem dão os nomes dos cursos de pela ordem do dia de 17 de Novembro que entraria que vem do Moradal. O colo por onde a rota a guerras da Alemanha, uma frigideira fumegante e água a atravessar. Os próprios portugueses em Portugal antes de quarenta e oito horas. Uma atravessa chama-se Portela das Talhadas. Depois hóspedes acolhedores faziam esquecer aos conhecem melhor a Índia e o Brasil que os vales proclamação feita no mesmo dia no quartel de quinze horas de marcha, os homens mais ágeis franceses as dificuldades da marcha forçada. Em de Trás-os-Montes e da Beira. O que os franceses general de Alcântara anunciava aos portugueses e mais vigorosos chegaram à Sobreira Formosa. Os Portugal já era muito quando, depois das maiores podiam aprender com os espanhóis de que os exércitos de Napoleão entravam no seu franceses não se detiveram senão uma noite nesta fadigas, eles eles se podiam recolher sob o abrigo Salamanca, tinham-no como de muleteiros país para fazer causa comum com o seu bem- aldeia. Outras torrentes, outras montanhas os dum carvalho verde, quando delgadas oliveiras ignorantes. O general Junot decidira tomar o amado soberano contra os tiranos dos mares. Os esperavam até Abrantes. Os velhos soldados que lhes davam com que acender um fogo sem força caminho de Abrantes, porque era mais curto que habitantes estavam, conforme o uso, convidados tinham combatido nos Alpes da Suiça e do Tyrol, suficiente para lhes secar os corpos e as roupas o de Ponte da Murcela. Ganhava assim várias a permanecerem tranquilos nas suas cidades e ficaram estupefactos quando foi necessário descer encharcadas das águas do céu e das torrentes. vantagens, como evitar a praça de Almeida, que aldeias, e ameaçados de penalidades legais se quase a pique para o leito do Codes, e escalar de O franceses não eram esperados em Portugal; provavelmente não teria aberto as suas portas, pegassem em armas contra os franceses seus seguida a parede de rochas da margem esquerda nada estava preparado para os receber fosse e revitalizar-se em munições de guerra e de boca aliados. deste afluente do Zêzere. como amigos, fosse como inimigos. Tinha-se na cidade de Alcântara sobre o Tejo, onde se sabido na Beira que eles se aproximaram da reunira a divisão espanhola do general Carafa. A 19 de Novembro, uma companhia de atiradores Durante cinco mortificantes jornadas, tristes fronteira. Como os magistrados não receberam de tomou posição em Segura. Dirigiam-se para montículos de grés sucedem-se a charnecas de Lisboa nem ordens, nem avisos sobre a conduta a O exército partiu de Salamanca a 12 de Novembro. Castelo Branco. Continuaram a marchar em duas rochedos xistosos e cortantes, e são substituídos ter com eles, pensara-se que o exército francês A rota foi traçada por Cidade Rodrigo, Portela de colunas. A vanguarda e a segunda divisão por enormes montanhas de granito. Onde a pedra passaria o Tejo em Espanha, para se dirigir a Perales e Moraleja. O tempo estava assustador, encaminharam-se por Perdigão e Mação; o não aflora, o olhar perde-se em charnecas Gibraltar. Esta opinião ganhara crédito quando se chovia torrencialmente. Várias viaturas ficaram caminho é praticável para os homens e para os uniformemente salpicadas de urzes e giestas. viu as primeiras colunas deslocarem-se sobre para trás desde a passagem do Yeltes antes de cavalos: as torrentes que ele cruza são em Cabras magras e prontas a dissipar-se na Alcântara. A cada passo, hei-los que entram sem chegar a Cidade Rodrigo. Avançando, as pequeno número. Atravessa na Portela da montanha constituem os únicos rebanhos dos víveres, sem meios de transporte e que atraves- dificuldades da marcha não pararam de Milhariça as montanhas escarpadas que correm habitantes. É preciso, para encontrar rastos sam em passo de corrida uma terra em que o aumentar. Como não se tinha previsto em Madrid perpendicularmente ao Tejo, depois o cimo do humanos, procurá-los no fundo de algumas viajante prudente não deixa de modo nenhum o nem a rapidez nem a direcção do movimento, os Moradal mesmo atrás de Vila Velha, e que, depois ravinas que conservam água durante o Verão. Lá, albergue nocturno, sem levar com ele as provisões víveres não estavam preparados, e era impossível de apertarem o rio entre dois rochedos, se perto do lugarejo que, pela cor e forma das casas, para a jornada.
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s 10 / 11 Por conseguinte, não se fizeram distribuições de erguida sobre o reverso meridional duma Inglaterra no próprio dia em que os franceses, separadamente das viaturas e seguiriam por terra víveres. Castelo Branco, a única cidade da rota eminência no sopé da qual corre o Tejo. Chega-se passando o Erjas, começaram a saquear as o movimento que elas fariam por água. que poderia ter fornecido pão, carne e vinho, foi aí por caminhos estreitos e difíceis; parte duma cabanas dos camponeses da beira. A falta de apanhada desprevenida, e como que aturdida pela elevação tem velhas muralhas e um castelo correios e de caminhos, e a negligência da Enviou-se às reservas de artilharia e à coluna de irrupção das tropas estrangeiras. Apesar de arruinado. Existe uma ponte de barcas situada administração, fizeram com que a sua marcha equipagens estacionadas em Zarza-La-Mayor vários exemplos de severidade dados pelo general um quarto de légua abaixo das muralhas da permanecesse ignorada. Pensavam-nos parados instruções para tomarem o caminho de Portugal, em chefe sobre os culpados franceses e espanhóis, “cidade”. É a última na direcção de Lisboa. Dentro em Salamanca, ou no máximo chegados a passando por Alcântara e Badajoz. Assim que o menos como punição de inevitáveis delitos, que em pouco o Tejo, engrossado pelo Zêzere, deixa de Alcântara, quando, a 24 de Novembro à tarde, general em chefe reuniu seis a oito mil homens, para prevenir o regresso da desordem numa época rolar em turbilhão e desce ao mar magestoso, chega ao governo a carta do seu general em chefe não esperou pelos outros: foi dada ordem às em que ela seria menos desculpável, a pilhagem imenso e banhando os campos férteis situados à datada de Abrantes. Por uma coincidência tropas para marcharem na direcção de Lisboa. impedia os habitantes de aplicarem na subsistên- saída do deserto e à entrada do Alentejo de um singular, no mesmo dia, 24 de Novembro, chegou à cia do exército os fracos recursos, de que teriam lado, e da Estremadura do outro. A praça de esquadra inglesa um mensageiro enviado de Junot experimentava uma alegria secreta. A podido dispor em circunstâncias normais. Os Abrantes pode exercer a mais alta influência Londres, que levava a folha do Moniteur francês, presença de um soberano, que seria necessário soldados empurrados pela necessidade lançaram- sobre as operações da guerra. Não lhe falta senão onde se dizia que a casa de Bragança tinha poupar ou oprimir, não serviria senão para se nas matas e comeram o mel dos cortiços que aí estar melhor fortificada para ser chamada de deixado de reinar, e ao mesmo tempo o assegurar embaraçar o estabelecimento dos franceses em estão espalhados, uns descobriram e devoraram a chave de Portugal. de que a Inglaterra estava pronta, esquecendo o Portugal. Entretanto continuou a marchar, não na frugal provisão de milho, de azeitonas e de passado, a dar a sua amizade ao príncipe regente esperança de chegar a tempo de deitar mão à frota castanhas que o pobre tinha reservado para O exército encontrou em Abrantes o termo dos se ele consentisse em partir para o Brasil, mas do Tejo, mas porque era impossível parar sem nutrir a família durante o Inverno. Os outros seus sofrimentos. Distribuíram-se víveres e que ela não toleraria jamais que a frota de subsistências um exército exasperado por longas alimentaram-se das glandes de carvalho, bolotas, sapatos aos soldados. A incerteza em que Portugal caísse nas mãos da França. provações. O antigo cônsul de França em com as quais se engordam os animais na estávamos até aqui sobre o partido que tomaria a Portugal, Hermann, partiu do quartel general em Península. Ai da humilde choupana que se corte de Lisboa, e o justo medo que tínhamos dum À semelhança do que foi feito no ano de 1574, Punhete para se concertar com o comendador de encontrasse ao alcance destes bandos famintos. desembarque inglês na foz do Tejo, desapareceram quando o rei Sebastião partiu para a expedição de Araújo. Quando ele entrou em Lisboa, o regente e As famílias assustadas fugiam. Muitos soldados diante de uma esperança consoladora. Se o África, o príncipe regente entregou as rédeas do os seus ministros, instalados há trinta e seis de infantaria foram mortos pelos camponeses príncipe regente se tivesse querido servir da força governo durante a sua ausência a um conselho de horas a bordo dos navios, faziam promessas pelo reduzidos ao desespero. A cavalaria perdeu um das armas para recusar aos estrangeiros a cinco membros escolhidos entre os homens mais sopro de vento que devia empurrá-los para o mar grande número de cavalos. Os mais vigorosos entrada no reino, nada o impedia de opor aos eminentes da monarquia. O marquês de Abrantes, largo. estavam desferrados, emagrecidos, extenuados. A franceses mais de dez mil soldados reunidos aliado da casa reinante como descendente de um artilharia ficou para trás desde a primeira antecipadamente nos arredores da sua capital. As filho natural de D. João II, foi o presidente. São vinte e cinco léguas de Abrantes a Lisboa. A jornada após a passagem do Erjas, se bem que se tropas de linha e os milicianos teriam ocupado estrada é boa para as viaturas. Alonga-se através atrelassem doze bois ou cavalos às peças de Abrantes, ou pelo menos ter-se-iam visto a Não se sai do Tejo com qualquer direcção do vento. dos campos férteis da margem direita do Tejo. A campanha, e que as fizessem gravitar as guarnecer as trincheiras que existem na margem O mau tempo impediu a esquadra de içar as velas continuidade das chuvas de Outono tinha montanhas, içadas mais que arrastadas pelos direita do Zêzere diante de Punhete. Pelo durante quarenta horas. Estas quarenta horas engrossado e feito transbordar o rio e os seus canhoneiros e pelos soldados adstritos ao serviço contrário, o aspecto moral da região era calmo e duraram um século para a corte embarcada. afluentes. do parque. pacífico. A partir de então o sucesso da expedição não foi mais um problema. O general francês com Os franceses não estavam longe, porque o seu O general Junot chegou a 24 de manhã a Abrantes. uma espécie de abandono que não era desprovido general não se instalou ocioso em Abrantes. A sua vanguarda tinha aí entrado na véspera. Ele de cálculo, anunciou ele mesmo ao primeiro Enquanto a enchente extraordinária das águas e pensava primeiro assegurar-se da passagem do ministro de Portugal a sua chegada a Abrantes. a violência da corrente contrariavam o estabeleci- Zêzere. A tomada de Punhete, pequena “cidade” «Estarei dentro de quatro dias em Lisboa,» dizia- mento da ponte de Punhete, ele reunia as situada na margem esquerda deste rio, e na sua lhe ele. «Os meus soldados estão desolados por primeiras tropas do exército, e dava uma nova confluência com o Tejo, devia ser, sob o ponto de ainda não terem ainda disparado um golpe de composição à sua vanguarda. vista militar, o complemento da ocupação de fusil. Não os forceis a isso. Creio que vos sairíeis Abrantes. O capitão de engenharia, Mescur, os mal.» Prepararam-se sobre o Tejo grandes barcos que sapadores mineiros catalães, e um destacamento deviam servir para transportar a Lisboa os de infantaria francesa, deslocaram-se a Punhete Portugal estava conquistado, e o príncipe regente feridos e os canhões quando eles chegassem a para estabelecerem, com a ajuda dos habitantes nem sabia que as tropas estrangeiras tinham Abrantes. Três centenas de homens de infantaria da região, uma ponte de barcas que, depois de entrado no seu território. destinados a escoltar este comboio embarcaram empregues neste fim em 1801, tinham ficado em barcos ligeiros, donde podiam descer com abandonadas em diversos locais da margem. Os vasos dos mercadores de Lisboa e do Porto facilidade sobre uma e outra margem. Decidiu-se Abrantes é uma “cidade” considerável. Está foram apanhados e levados para os portos de os que os cavalos da artilharia marchariam
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s 1 2 / 13 A H M - F E - 1 0 - A7 - M D - 2
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s 14 / 15 Decreto 26 de Novembro Declaração de Junot do Rei D. João VI à Cidade de Lisboa Tendo procurado por todos os meios possíveis D. Francisco de Noronha, Tenente General dos O Governador de Paris, atrevêraõ-se a assustallo quanto conservar a Neutralidade de que até agora tem Meus Exércitos, e Presidente da Meza da à sua segurança pessoal; gozado os Meus Fiéis e Amados Vassallos e Consciência e Ordem; e na falta de qual d'elles, o Primeiro Ajudante de Campo de S. M. o Imperador os seus vassallos não foram tidos em conta apezar de ter exhaurido o Meu Real Erário, e de Conde Monteiro Mor, que Tenho nomeado e Rei, General em Chefe, alguma, e os vossos interesses foraõ todos os Sacrifícios a que Me Tenho sujeitado, Presidente do Senado da Câmara, com a assisten- Grão-cruz da Ordem de Christo nestes reinos. sacrificados á cobardia de huns poucos chegando ao excesso de fechar os Portos dos cia dos dous secretários, o Conde de Sampaio, e de cortezãos. Meus Reinos aos Vassallos do Meu antigo e Leal em seu lugar D. Miguel Pereira Forjaz, e do Moradores de Lisboa, vevei socegados Alliado, o Rei da Grã-Bretanha, expondo o Desembargador do Paço, e Meu Procurador da Habitantes de Lisboa em vossas cazas: Commércio dos Meus Vassalos à total ruína, e a Coroa, João António Salter de Mendonça, pela não receis cousa alguma do meu Exercito, soffrer por este motivo grave prejuízo nos grande confiança, que de todos elles, Tenho, e O meu Exército vai entrar na vossa Cidade. nem de mim: os nossos inimigos, rendimentos de Minha coroa: Vejo que pelo larga experiência que elles tem tido das cousas do Eu vinha salvar o vosso Porto, e o vosso Príncipe e os malvados somente devem temer-nos. interior do Meu Reino marcham Tropas do mesmo Governo; Tendo por certo que os Meus da influencia maligna da Inglaterra. Imperador dos Franceses e Rei da Itália, a quem Reinos, e Povos, serão governados, e regidos por Mas esse Príncipe, alias respeitável pelas suas O GRANDE NAPOLEÃO meu Amo envia-me Eu Me havia unido no Continente, na persuasaõ maneira que a Minha Consciência seja desencar- virtudes, deixou-se arrastar pelos conselheiros para vos proteger, e eu vos protegerei de naõ ser mais inquietado; e que as mesmas se regada, e elles Governadores cumpraõ inteiramen- perfidos de que era cercado, para ser por eles dirigem para esta Capital; E Querendo Eu evitar te a sua obrigaçaõ, enquanto Deus permitir que Eu entregue aos seus inimigos; Junot as funestas consequências, que se podem seguir esteja ausente d'esta Capital, administrando a de huma defesa, que seria mais nociva, que Justiça com imparcialidade, distribuindo os proveitosa, servindo só de derramar sangue em Prémios e Castigos conforme os merecimentos de prejuízo da humanidade, e capaz de aceder mais a cada hum. Os mesmos Governadores o tenham dissençaõ de humas Tropas que tem transitado assim entendido, e cumpraõ na forma sobredita, e por este Reino, com o annuncio, e promessa de naõ na Conformidade das instrucções, que seraõ com commetterem a menor hostilidade; conhecendo este Decreto por Mim assignadas; e faraó as igualmente que ellas se dirigem muito particular- participações necessárias ás repartições mente contra a Minha Real Pessoa, e que os Meus competentes. Leaes Vassallos serão menos inquietados, ausentando-me Eu d'este Reino: Tenho resolvido, em benefício dos mesmos meus Vassallos, passar com a Rainha minha Senhora e Mãe, e com toda a Real Família, para os Estados da América, e estabelecer-me na Cidade do Rio de Janeiro até à Paz Geral. E Considerando mais quanto convem deixar o Governo d'estes Reinos n' aquella ordem, que cumpre ao bem d'elles, e de Meus Povos, como cousa a que taõ essecialmente estou obrigado. Tenho n'isto todas as Considerações, que em tal caso Me são presentes: Sou servido Nomear para na Minha Ausência governarem, e regerem estes Meus Reinos o Marquês de Abrantes, Meu Muito Amado e Prezado Primo; Francisco da Cunha Menezes, Tenente General dos Meus Exércitos; o Principal Castro, do Meu Conselho, e Regedor das Justiças; Pedro de Mello Breyner, do Meu Palacio de Nossa Senhora da Ajuda Conselho, que servirá de Presidente do Meu Real em vinte e seis de novembro Erário, na falta e impedimento de Luiz de de mil oitocentos e sete. Vasconcellos e Sousa, que se acha impossibilitado com as suas moléstias; Com a Rubrica do Principe Regente N.S. A H M - F E - 1 0 - A7 - P Q - 1 1 >
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s 1 6 / 17 Cartas de Napoleão 1807, Setembro, 8, Rambouillet parte para a rainha de Etrúria e para o em Lisboa no primeiro de Janeiro, como 000 homens sobrevivem em todo o lado, mesmo Nº 13132 príncipe da paz. amigo ou inimigo. Pede ainda que se mantenha em no deserto. Quanto aos assuntos da Etrúria, dar-lhes-eis harmonia com o Príncipe da Paz. Ao Infante João, regente de Portugal a conhecer que é difícil que um ramo da Casa Fonte: Correspondance de Napoléon Ier, Tome XVI, Paris, Senhor meu irmão e primo, vi a Paz do Continente, de Espanha se estabeleça no centro de Itália; Fonte: Correspondence de Napoléon Ier, Tome XVI, Paris, Imprimerie Impériale, 1864, pag. 165 sobre a qual recebo as felicitações que tal me apresente dificuldades, Imprimerie Impériale, 1864, pags. 115-117 de Vossa Alteza Real, como um caminho hoje que toda a Itália me pertence, devido para a Paz marítima. Todas as medidas aos assuntos religiosos, aos monges, 1807, Novembro, 8, Fontainebleau que tomei tendem a restabelecê-la; ao Comércio de Livourne e por causa 1807, Outubro, 20, Fontainebleau Nº 13340 elas são adoptadas por cada potência que tem, da incapacidade absoluta deste país Nº13274 como Portugal, um interesse directo em fazê-la em se governar; Ao general Junot, respeitar pela Inglaterra, a sua independência e estabelecer uma transacção com a Espanha A.M. de Champanhy, comandante do corpo de observação da Gironde os seus direitos. para que os interesses da monarquia sejam ministre des relations extérieures Portugal fez a 21 de Outubro, uma declaração Nenhuma meia-medida, poderia ter nem acautelados e, em concertação com a Espanha, Senhor de Champinhy, envio-lhe numa pasta a segundo a qual fecha os seus portos aos o mesmo sucesso nem o mesmo carácter tirar esta deformidade da península de carta do príncipe regente. Reconheço ingleses. Já lhe disse que nada poderá parar a de compromisso com a causa comum; Itália ; mas que não quero fazer nada que possa nela o espírito vago e insensato do Senhor marcha de um dia e que deve marchar e Vossa Alteza Real é levada por estes por em causa o contentamento da d'Aranjo. Contudo, a minha intenção é que directamente para Lisboa. Se o príncipe regente acontecimentos a escolher entre o Continente Espanha e que desejaria que ele faça, no dia 22, se notifique a delegação de quer ficar em paz comigo, ele pode e os Insulares. Que ela se ligue ao interesse geral, me oferecesse uma solução sobre o assunto. Portugal da declaração de guerra e de que enviar um enviado com plenos poderes a Paris e garanto quanto á sua pessoa, e á sua família, quero que abandonem Paris em 24 horas e os mas deveis marchar directamente para a conservação da sua potência. Fonte: Correspondence de Napoléon Ier, Tome XVI, Paris, meus Estados em quinze dias. Lisboa e, chegado a Lisboa, meter a guarnição na Mas se, contra as minhas esperanças, Vossa Imprimerie Impériale, 1864, Págs. 55-56 A minha intenção é, ao mesmo tempo que escreva frota e nos arsenais. Alteza Real entregasse a sua confiança aos meus ao ministro da marinha para que este Enviei uma vintena de oficiais da marinha que se inimigos, eu teria que lamentar uma tomada de dê ordem a todos os meus barcos de guerra e vos iriam juntar antes do vinte de posição que a afastaria de mim e que conduziria 1807, Outubro, Fontainebleau corsários que persigam a bandeira Novembro. A vossa missão será perfeita se vos a mudanças dos acontecimentos afectando os Nº 13267 portuguesa. conseguirdes apropriar da frota. seus mais importantes interesses. Suponho que na sequência do meu último Ao general Junot (resumo) Fonte: Correspondance de Napóleon Ier, Tome XVI, Paris, despacho acelerou a sua marcha, Napoleão Carta onde Napoleão dá conta das ordens Imprimerie Impériale, 1864, p. 123-124 esta era muito lenta, dez dias são preciosos; todas a respeito da partida das tropas a partir as tropas inglesas da expedição de Fonte: Correspondance de Napoléon Ier, Tome XVI, Paris, de Bayonne. Copenhaga regressaram a Inglaterra. Imprimerie Impériale, 1864, págs. 22-23 Pede-lhe que lhe descreva em pormenor todas 1807, Novembro, 5, Fontainebleau P.S. Nomeei o general Dupont comandante do as províncias por onde passa, as estradas, Nº 13327 segundo corpo da Gironde; ele estará em a natureza do terreno e que lhe envie desenhos. Bayonne o dia 16. Este corpo será reunido em fim 1807, Setembro, 25, Fontainebleau Pretende saber as distâncias entre as Ao general Clarke, Ministro da Guerra de Novembro e será reforçado com Nº 13181 aldeias, características dos sítios, os recursos Senhor General Clarke, responda ao general Junot 30 000 homens. disponíveis. que quero saber quais os colectores Envio-lhe um discurso[…] Para o General Duroc, marechal Recomenda a junot de nunca abandonar de impostos que não entregaram os valores du Palais Fontainebleau, 25 setembro 1807 o seu exército, em primeiro lugar, porque um devidos. Considero isto um acto muito grave O Senhor mandará buscar amanhã o senhor general nunca o deve fazer, em segundo lugar, e é minha intenção ser muito rigoroso a este Izquierdo. Conferenciará com ele acerca do porque um general só é grande junto dos respeito. dinheiro que o Rei de Espanha me deve, dos seus homens e será pequeno no recreio. Transmita-lhe que de futuro, assim que o meu assuntos de Portugal e da Etrúria. Pede-lhe ainda para não aceitar convites exército entrar em Portugal, deve ser A carta do ministro do Tesouro fornecer-vos-á que o desviem da marcha. alimentado, vestido e dar-se-lhe o soldo a partir as informações sobre o que me deve a Espanha, Diz ter sabido que Portugal declarou guerra dos impostos sobre as populações. É e verá o que o Sr. Izquierdo dirá e se posso contar a Inglaterra e mandou embora o embaixador preciso que a partir da entrada em Portugal, eu com a entrada directa do empréstimo inglês mas que isso ainda não o satisfaz, devendo não tenha que enviar mais dinheiro. da Holanda nos meus cofres. ele seguir com a sua marcha. Acredita Não compreendo porque é que, sob o pretexto da Quanto ao Reino de Portugal, não teria que se trata de uma manobra para dar tempo falta de víveres, a marcha seja dificuldades em dar ao rei de Espanha uma às tropas inglesas em vir de Copenhaga. atrasada um dia: esta razão só será válida para soberania sobre Portugal, e até de lhe tirar uma Acrescenta que é impreterível que Junot esteja homens que não querem fazer nada; 20
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s 18 / 19 Biografias Napoleão Bonaparte nasceu em Ajaccio, na Córsega, a 15 Foi príncipe regente a partir de 1792, devido aos de Agosto de 1769 e morreu em Santa Helena a 5 de Maio impedimentos da doença mental de sua mãe, D.Maria I. de 1821. Foi o mais alto dirigente francês a partir de 1799, e É durante o seu reinado que se dá a Revolução Francesa e auto-proclamou-se Imperador de França, adoptando o quando Napoleão, na luta contra a Inglaterra, se impõe a nome de Napoleão I. Conquistou e governou grande parte Portugal tentando fechar os seus portos a esta potência, Napoleão Bonaparte da Europa central e ocidental. Foi um dos chamados este tenta manter a paz com as duas potências, mas não quot;monarcas iluminadosquot;, que tentaram aplicar à política as o consegue em virtude de um jogo diplomático incompatí- ideias do movimento filosófico chamado Iluminismo. Após vel com as pretensões da Grã Bretanha e da França. a queda do governo do Directório, Napoleão institui o Protagonista maior durante a primeira invasão, D. João Paul Charles François Thiébault Consulado em 1799. Trata-se da primeira fase de VI, perante a incapacidade de se defender das intenções governação em que conjuntamente com a burguesia de invasão e divisão do território nacional por franceses e francesa, prepara a instauração da Monarquia em França, espanhóis, opta por transferir a corte portuguesa para o que se inicia em 1804 com um plebiscito em que obteve Rio de Janeiro a 27 de Novembro de 1807. Chega a 22 de cerca de 60% dos votos. É a época do Império, que Janeiro de 1808 a Salvador da Baía e a 28 deste mês institucionalmente, se inicia na noite de 2 de Dezembro de preconiza a abertura dos portos brasileiros às nações 1804 em que se auto-proclama, em frente ao Papa Pio VII, consideradas amigas, entre as quais se encontrava a D. João VI de Portugal Imperador de França e Itália. Formou-se, entretanto, uma Inglaterra. Em Março de 1808 transfere a corte para o Rio nova corte com membros da elite militar, da alta burguesia de Janeiro, ficando esta cidade como Capital do Reino. e da antiga nobreza que seria titular dos mais altos cargos Promove, doravante, o desenvolvimento industrial, a Henri-Luis Loison dum império que se começava a construir através da força. autonomia administrativa, a liberalização da imprensa, o Tendo conquistado o território a leste [Áustria 1805, ensino superior, as artes, bibliotecas e cria o Banco do Prússia 1806 e Rússia 1807], restava a Península Ibérica e, Brasil. Nesta fase, o reino denominava-se por Reino Unido nomeadamente Portugal, que ainda não tinha aderido, em de Portugal, Brasil e Algarve, um primeiro passo para a conformidade, ao Bloqueio Continental, por si decretado independência do Brasil, que é proclamada a 7 de em 1806 e que impunha um boicote aos produtos ingleses Setembro de 1822. Por esta altura, os portugueses da na Europa Continental. Portugal, face à aliança histórica metrópole sentem-se prejudicados com perda dos com Inglaterra e por ser um dos principais portos de mercados abastecedores brasileiros e começam a entrada de mercadorias britânicas vê-se em finais de 1807, revoltar-se contra o monarca, culminando com a revolta enredado numa guerra que duraria mais oito anos e que do Porto de 1820, onde se exigia o fim da Monarquia impunha uma nova ordem política nas fronteiras absoluta e o regresso de D. João VI. Este só regressará em europeias. Com a derrota na Rússia em 1812, Napoleão 1821 e será um fraco mediador na disputa pelo poder recua na manutenção e expansão territorial do Império e, vivida pelos seus filhos, D.Pedro e D. Miguel. Viria a em 1814, exila-se na Ilha de Elba, de onde foge no ano falecer a 10 de Março de 1826, provavelmente vítima de seguinte. Desembarca, novamente, em França com um envenenamento. Exército e reconquista o poder. Inicia-se então o Governo dos Cem Dias. A Europa coligada retoma a sua luta contra o Exército francês. Napoleão entra na Bélgica em Junho de Andoche Junot nasce na Cote d'Or a 23 de Outubro de 1771 1815, mas é derrotado por uma coligação anglo-prussiana e suicida-se em Montbard a 29 de Julho de 1813. Inicia-se na Batalha de Waterloo e abdica pela segunda vez, pondo no Direito em Paris, mas perante o fervor revolucionário fim ao Império Napoleónico. Napoleão Bonaparte tornou- de 1789 desiste do curso, e alista-se no exército francês se uma figura importante no cenário político mundial da em 1891. Praticou desde cedo, um jogo simples de audácia, época, já que esteve no poder da França durante 15 anos, e coragem, valentia e espírito de aventura, o que lhe nesse tempo conquistou grande parte do continente conferiu uma rápida ascensão na hierarquia do exército. Andoche Junot europeu. Se em 1793, durante o cerco de Toulon, era apenas sargento, em 1800 foi escolhido como ajudante-de-campo de Napoleão e tornou-se general. Casa com Laura Premon D. João VI de Portugal na altura da Campanha de Itália e, em 1805,é o João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António embaixador francês em Lisboa. Em Abril de 1805, ao Domingos Rafael de Bragança, futuro rei D. João VI, nasceu retornar de uma audiência com o Príncipe Regente de em Lisboa a 13 de Maio de 1767 e faleceu a 10 de Março de Portugal D. João, terá escrito uma opinião muito sui 1826. generis no seu diário pessoal: Meu Deus! Como é feio! Foi cognominado de quot;O Clementequot; e como filho segundo, Como é feia a princesa! Meu Deus! Como são todos feios! teve um choque quando percebeu que iria ser rei após a Não há um só rosto gracioso entre eles, excepto o do morte do irmão mais velho, José, vítima de varíola. príncipe herdeiro.
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s 20 / 21 Foi nesta época que assumiu maior protagonismo junto de Regressado a Lisboa, é enviado de imediato para o À semelhança do seu comandante, instala-se em Lisboa no Napoleão, sendo nomeado, em 1807, para comandar as Alentejo, dispersando as forças insurrectas em Évora, o palácio Ratton, com as despesas pagas pelo município e tropas do Corpo de Observação de Gironda que invadiriam que o impede de chegar a tempo de ajudar Delaborde, no escolhe sempre o que de melhor encontra para poder levar Portugal no final desse ano. Indicado como Governador- combate que este trava contra Wellington na Roliça. consigo de volta para França. Nas suas memórias refere geral de Portugal, foi feito duque de Abrantes (Março de Abandona Portugal, onde ficou conhecido pelo Maneta, mesmo uma conversa mantida com Junot em que este lhe 1808). Diante da ofensiva de Arthur Wellesley em Agosto, sendo enviado para Espanha com o 8.º Corpo de Exército. prometia elevados ganhos se participasse nesta que bateu as tropas francesas na batalha da Roliça (17 de Junta-se ao corpo de Soult quando este é encarregue da campanha. Faz ainda a guerra de Espanha e, em 1811, Agosto) e na batalha do Vimeiro (21 de Agosto), Junot invasão de Portugal, após a batalha da Corunha, tendo recebe o título de barão do império, regressando a França propôs aos ingleses um armistício que lhe permitiu a ordens de ocupar Trás-os-Montes e proteger, assim, o para um curto período de descanso. Transferido para retirada: a Convenção de Sintra, assinada a 30 de Agosto. flanco esquerdo do exército francês. Não consegue manter Hamburgo, serve sob as ordens do marechal Davout, Voltou à Península Ibérica com as tropas do general André a linha do Tâmega, na luta que trava com o coronel de durante a campanha de 1813-14, em que se dá a invasão de Massena (1810), quando foi gravemente ferido. De Portugal cavalaria Silveira, que encontra pela frente pela segunda França pelos aliados. Durante o Governo dos 100 dias passou para a Áustria, onde combateu na batalha de vez em dois anos, e praticamente no mesmo local. volta a apoiar Napoleão, estando efectivo na guarnição que Austerlitz, a 2 de Dezembro de 1805. Nomeado Governador- Recuando para Guimarães, obriga o exército francês a defendia Paris. Morre em 1846 e o seu s nome é inscrito no geral de Parma, no ano seguinte, foi nomeado Governador retirar pelo norte de Trás-os-Montes, quando este Arco do Triunfo. Para além da obra já referida, publica Militar de Paris. Durante a Campanha da Rússia (1812), foi abandona o Porto, em vez de pela Beira como estava nos ainda um Manuel du Serviçe des Etats Majors em 1810, o acusado de permitir a retirada do Exército russo após a planos de Soult. Em 1810 é novamente comandante de uma Journal des opérations militaires du siège et du blocus de batalha de Smolensk (17 de Agosto), embora tenha divisão do 6.º corpo de exército que, sob o comando de Ney, Gênes em 1801 e o que a Portugal mais interessa, as suas comandado o 8.º Corpo francês na batalha de Borondino integra o Exército de Portugal comandado por Massena. memórias, no período de revivalismo dos tempos (7 de Setembro). Já mostrando sinais de demência, em 1813 Participa na batalha do Buçaco onde a sua divisão é napoleónicos. Uma outra obra de leitura fundamental é a foi nomeado governador da Ilíria, mas pouco tempo depois rechaçada pela brigada portuguesa do general Coleman. Relation de l'expédition du Portugal faite en 1807 et 1808, põe termo à vida atirando-se duma janela. Toma o comando do 6.º corpo durante a retirada de onde consta a sua versão dos acontecimentos. Portugal, quando Ney demitido por Massena regressa a França, e dirige-o na batalha de Fuentes d'Oñoro, sem Henri-Luis Loison nasceu a 13 de Maio de 1771 em grande merecimento. Abandona o comando do corpo em 7 Diogo Soares da Silva de Bívar, nasce em 1785 e morre no Damvillers e morre a 30 de Dezembro de 1816 na Bélgica. de Maio de 1811 e regressa a França. Regressado a França Rio de Janeiro a 10 de Outubro de 1865. Cursou Direito na Filho de um deputado à Assembleia Constituinte francesa, em 1814, será feito Cavaleiro de São Luís e comandante de Universidade de Coimbra, fazendo-se sempre acompanhar alistou-se em 1791 num batalhão de voluntários, sendo uma região militar, mas em Janeiro de 1815 é colocado no dum espírito liberal que lhe custaria a expatriação para tenente quando a França declarou guerra ao Imperador quadro de adidos. Apoia Napoleão durante os Cem-Dias Moçambique, por ter hospedado Jean-Andoche Junot na alemão. sendo coberto de honras. Morreu em 1816, com 45 anos, sua casa, em Abrantes. Contudo, durante a viagem para Em 1805 é comandante de uma Divisão do 6.º Corpo de não tendo tirado partido dos 20 anos de pilhagens a que se Moçambique, optou por preferir o Brasil e fixa-se na Baía. Exército, dirigido pelo marechal Ney, batendo-se em tinha dedicado sob a capa de general da Revolução e do Obtém, passados alguns anos, o perdão pelo seu Elchingen, e depois da rendição de Ulm, ocupa o Tirol. Império. colaboracionismo com os franceses. Foi ainda, redactor de Sendo encarregue das contribuições de guerra impostas à impressa no Idade d'Ouro e fundador do primeiro jornal região, fica com a maior parte do dinheiro para si, não literário do Brasil, As Variedades ou Ensaios de literatura, conseguindo o próprio Ney que ele entregasse o que reteve. Paul Charles François Thiébault nasce em Berlim em 1769, que surgiu na Bahía em Janeiro de 1812. Nesta cidade Em princípios de 1806, perde o braço esquerdo num onde o seu pai era professor na escola militar, resolve exerceu a prática da advocacia, mudando-se depois para o acidente de caça, o que o impede de recuperar o comando estabelecer-se em França, sendo admitido como Rio de Janeiro. Foi pai de Rodrigo Soares Cid de Bívar, Luís da sua divisão durante as campanhas de 1806 e 1807. Em funcionário na Administração da Dívida Pública. Em 1792 Garcia Soares de Bívar e daquela que seria primeira finais de 1807 é nomeado comandante da 2.ª divisão do alista-se no exército, recebendo, poucos meses depois, o mulher do jornalismo brasileiro, Violante Atalipa Ximene Corpo de Observação da Gironda, que invade Portugal em posto de sargento, mas tem que abandoná-lo por motivos de Bívar e Velasco. Novembro, substituindo o general Laroche, que abandonou de saúde. Na sequência da revolta de Dumoriez, é acusado o corpo, por motivos de doença, em 21 de Outubro. Chega a de participar na mesma, conseguindo, no entanto, provar a Lisboa, nos primeiros dias de Dezembro, não tendo sua inocência e, no ano seguinte, realista-se no Exército do conseguindo acompanhar a sua divisão nas marchas Reno passando depois para o Exército do Norte. Sobe forçadas que a trouxeram até Lisboa, sendo enviado para depressa na hierarquia e, em 1795, já é adjunto do general o norte da capital. É responsável pelas expedições Solignac no Exército de Itália. Na grande batalha de punitivas que se realizam em Maio e Junho de 1808 contra Austerlitz, comanda a 2ª brigada da 1ª divisão de as populações insurrectas do Norte de Portugal e do infantaria, sendo ferido no assalto ao planalto de Pratzen. Alentejo. Estando em Almeida, é encarregado de ocupar a Nomeado governador de Fulda em 1806 é em seguida cidade do Porto, após a retirada das tropas espanholas em transferido para o Exército de Portugal, apesar de alguma Junho de 1808, mas será derrotado pelas Milícias e resistência por parte do estado-maior francês. Junot faz Voluntários das Ordenanças de Trás-os-Montes em Mesão dele o número dois na hierarquia e, em 1808, é confirmada Frio. a sua promoção a general de divisão.
  • 2 0 0 a n o s i n v a s õ e s f ran c e s a s Requisições exigidas pelo exército Franco-Espanhol para a vila de Abrantes Farinha remetida para Abrantes Palha: [15 sacas, ou sejam 120 alqueires] Carradas [4] Mais [74 1/2 arrobas] Cevada: Da Vila da Golegã [38 carradas] Do Assento [513 alqueires Da Vila de Torres Novas [52 carradas] Mais [33 alqueires] Sal Do Celeiro dos Cubos [40 alqueires] Da Barquinha [120 alqueires] Do Superior do Convento [60 alqueires] De Manuel Pires [ 4 alqueires] Do Juiz de Fora de Torres Novas [720 alqueires] Idem, mais [480 alqueires] Azeite Dispendido pela Câmara [60 ½ quartilhos) Cevada e Milho: Requisição do General Carrafa [2.973 alqueires] Carne: Mais [4.819 alqueires] Bois, 23 que pesaram [258 arrobas] Mais [1542 alqueires] De Tomar, 34 bois que pesaram [334 ½ arrobas] Do Celeiro do0s Cubos [366 alqueires] Da Comarca [65 bois] Para o Exército Espanhol, mais [3.421 alqueires] Mais bois das Freguesias [17] Para o Exército Francês, mais [378 alqueires Carneiros da Comarca [612] Para o Exército Francês, mais em farinha [30 alqueire] Vinho Da Vila [16.842 quartilhos] Trigo Da Comarca [150 ½ almudes] Do Celeiro dos Cubos [480 alqueires] De Punhete [30.000 quartilhos Requisição à Câmara [1.823 alqueires] Mais para o Exército Francês [480 alqueires] […] Mais para o Exército Francês, em farinha [70 alqueires] Camas remetidas para o Hospital Militar de Mais 8 alqueires de trigo, ou 688 rações Abrantes, por ordem do General Kellermann: Feijão 14 colchões; Requisição do General Carrafa [305 alqueires] 65 enxergas; Dispendido com o Exército Espanhol 77 mantas; [176 ½ alqueires] 40 travesseiros; Arroz Sacas enviadas para o Descamento Suiço de Dispendido com o Exército Espanhol Punhete [58] [12 arrobas e 20 onças] Dispendido com o Exército Francês [24 onças] A na i s do Mu ni c í p i o de To ma r, A G r á f i c a de To ma r, 1 9 6 6. P á g . 7 2