Cartografia mapa
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  • 1. CAPÍTULO 1 – O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento? Alexandra Okada1. Por que cartografia cognitiva? Um dos grandes desafios do contexto atual é encontrar caminhos para en-frentar a avalanche de informações buscando selecionar o que é relevante e estabe-lecer associações significaƟvas. O volume de dados cresce assustadoramente a cadaminuto. Os acontecimentos ocorrem mais rapidamente do que somos capazes deacompanhá-los. O fluxo de produção de conhecimentos é maior do que pode darconta uma formação educacional e profissional regular. “Embora os seres humanostenham exisƟdo neste planeta por talvez dois milhões de anos, a rápida escalada paraa civilização moderna nos úlƟmos duzentos anos foi possível devido ao fato de que ocrescimento do conhecimento cienơfico é exponencial; isto é, seu ritmo de expansãoé proporcional ao quanto já é conhecido. Quanto mais sabemos, mais rapidamentepodemos saber mais” (KAKU, 2000, p. 296) Novas estratégias de pesquisa e aprendizagem, indicadas na tabela 1, tor-nam-se importantes para desenvolver habilidades necessárias neste cenário marcadopela era digital, sociedade do conhecimento e mundo globalizado. Cenário Habilidades Estratégias Abertura do conhecimento científico Saber buscar e selecionar Mapeamento de fontes científicas. na web através de portais acadêmicos, conhecimentos na web para aplicá -los Categorização e estruturação de bibliotecas online, revistas no próprio contexto. conhecimentos de acordo com as especializadas eletrônicas, repositórios necessidades de pesquisa. de universidades e centros de pesquisa. Grande desenvolvimento de recursos Saber explorar novos recursos Mapeamento de tecnologias, sites de tecnológicos, softwares de acesso tecnológicos, identificar as vantagens, download e guias de utilização gratuito e fonte aberta na web, limitações e aplicações. inclusive fontes de atualização interfaces simples visando alta automática (RSSfeeds). acessibilidade e usabilidade. Diversidade de canais de comunicação Saber utilizar, remixar e criar Mapeamento de arquivos e grande rapidez na circulação de produções mais significativas e compartilhados na web integrando informações digitais em diversos criativas. Saber valorizar a própria multimídia hipertexto para produções formatos e mídias (imagem, som e autoria. de alta qualidade. vídeo) principalmente na internet. Emergência de uma nova geração web Saber construir colaborativa mente e Mapeamento de comunidades e redes (web 2.0) baseada em dispositivos ampliar suas próprias redes sociais de colaborativas para desenvolvimento interativos em rede como wikis, blogs, aprendizagem. profissional e acadêmico. aplicativos de comunicação instântanea e web videoconferências.Tabela 1 - Cartografia CogniƟva - Cenário, habilidades e Estratégias Nesse senƟdo, técnicas para o mapeamento de redes do conhecimento podempropiciar organização do saber, estruturação da pesquisa e registro da aprendizagem tanto
  • 2. Fundamentosno ensino presencial quanto principalmente na educação online. Mapas para organizar osaber podem favorecer reconstrução e a troca de novos significados. Redes de conheci-mento são bem mapeadas propiciam maior compreensão e tomadas de decisões. Pesqui-sadores podem desenvolver com maior eficiência suas pesquisas; aprendizes podem apro-fundar com maior criaƟvidade na sua aprendizagem, professores e formadores de docentespodem avaliar e reconstruir com mais rigor suas práƟcas pedagógicas (OKADA, 2006). Mapas são extremamente úteis, não apenas para representar o espaço İ-sico e suas relações, mas também o espaço informacional – principalmente digital(ciberespaço) e o espaço mental (o pensamento humano e sua rede de múlƟplas co-nexões). Representações gráficas de estruturas conceituais propiciam esclarecimentodo pensamento (BRNA, COX, & GOOD, 2001), tornando o raciocínio mais visível parasi e para os outros (ROSCHELLE, 1996). Mapas podem desenvolver o pensamentocriaƟvo através da emergência de novas idéias (BUZAN, 1993), a aprendizagem signi-ficaƟva através de associações de conhecimentos prévios com novos conhecimentos(NOVAK, 1998) e a reflexão críƟca através do quesƟonamento, argumentação e cone-xões com evidências (OKADA, 2008). No entanto, não basta apenas dominar técnicas de mapeamento e recursostecnológicos. É essencial apoiar-se em alguns princípios para desenvolver o pensamen-to críƟco, interpretação de significados e integração de múlƟplas perspecƟvas sobremapeamento visando desenvolvimento da autonomia (FREIRE,1987) e autoria (DEMO,capítulo 2) e éƟca (ALMEIDA, capítulo 21). O que são mapas? O que são mapas cogniƟ-vos? Quais as técnicas para mapear redes de conhecimento? Quais as aplicações destastécnicas de mapeamento na pesquisa e aprendizagem? Quais as contribuições, limita-ções e desafios do uso de mapas na pesquisa, aprendizagem e docência? O objeƟvo deste capítulo é introduzir o conceito de Cartografia CogniƟva,apresentando fundamentos, técnicas e soŌware para mapeamento de conhecimen-tos. Mapas cogniƟvos podem ser aplicados para integrar saberes prévios, individuaise coleƟvos, novos conceitos, referências, questões de invesƟgação e avaliar processosde pesquisa e aprendizagem. Através da Cartografia CogniƟva, pesquisadores, apren-dizes e docentes podem desenvolver seus próprios mapas de conhecimentos visandoao pensamento críƟco (FREIRE, 1987; JONASSEN, 2000; PAUL, 1992).2. O que são Mapas? Mapa é uma das formas mais anƟgas de representação e comunicaçãográfica “que facilita a compreensão espacial das coisas, conceitos, condições, pro-cessos ou eventos no mundo humano” (HARLEY e WOODWARD, 1987:ii). Os mapasantecedem o surgimento da escrita e do sistema numérico; e, por séculos, têm sidoamplamente uƟlizados para representar o conhecimento de territórios geográficose também áreas conceituais. Eles trazem um significado de como o mundo pode serexplicado e compreendido. Existem muitas dúvidas sobre o mapa mais anƟgo do mundo: o GA-SUR em2500 a.C. feito num tablete de argila foi considerado como o mapa da Babilônia. Commenos detalhes e em maior escala, o CATAL HYÜK é uma parede pintada datando de6297 a.C. e parece descrever a planta provavelmente da cidade Catal Hyük, na atualTurquia. Esta representação tem o formato do Ɵpo “colméia” com 80 edificações.38
  • 3. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento? Na era Medieval, é interessante observar que os mapas representavamnão apenas regiões e territórios, mas também áreas conceituais, a natureza dascoisas e formas de classificação do conhecimento. Isidore de Seville, escritor quenasceu em Cartagena aproximadamente em 560 d.C., ficou bem conhecido comsuas diversas obras ilustradas com representações gráficas, dentre muitas delas,DifferenƟae – uma exposição das diferenças entre as palavras e as coisas, NaturaRerum sobre a natureza das coisas e Etymologies, uma enciclopédia do conheci-mento. Uma metáfora que surgiu em 1300 e destacou-se também no século XVI foio mapa em formato de árvore para visualizar o sistema de conhecimento atravésde mapas conceituais. A árvore do conhecimento (Arbor scienƟae) escrita por voltade 1300 foi reeditada várias vezes nessa época. Surgiu também a árvore da lógica(Árvore de Porİrio), árvore da gramáƟca, árvore das batalhas, árvore do patrimônioe árvore da jusƟça (Arbor judiciaria) (BURKE, 2003). Atualmente, mapas são considerados como poderosas ferramentas grá-ficas para classificar, representar e comunicar as relações entre diversos elemen-tos de qualquer área do conhecimento, servindo como ponto de referência paratomadas de decisão e novas descobertas científicas. Por exemplo, na biologia, omapeamento de microestruturas como o mapa do DNA trouxe grandes avançospara a genética. Mapas como mediadores do mundo abstrato interno e İsico externo sãointerfaces fundamentais ajudando o ser humano a fazer senƟdo do seu universo emdiferentes escalas (HARLEY and WOODWARD, 1987). O mapeamento tem sido umimpulso para a construção de conhecimentos de áreas geográficas ou intelecuais emdiferentes níveis de complexidade. A experiência de mapear implica num processo derepresentação gráfica de interpretações no qual é necessário desconstruir, ressignifi-car, reconectar e construir conhecimentos explícitos explorando espaços desconhe-cidos (OKADA et al, 2008). Na astronomia, o mapeamento de macrossistemas, por exemplo, a GrandeParede de Galáxias, possibilitou visualização de áreas extremamente gigantescas egrandes descobertas sobre o universo. Este mapa representa galáxias situadas a umadistância de 20 milhões de anos-luz de nós, que se estende cerca de 750 milhões deanos-luz em comprimento. Este mapeamento teve início em 1985 e em quase 20anos ainda está para ser concluído (CHEN, 2003). A arte de representar áreas complexas de forma clara e simples implicaem selecionar apenas o que é relevante. Mapas são formas especulaƟvas (POLANYI,1959), nas quais espaços reduzidos são delimitados para armazenar conhecimen-to numa forma condensada e fácil de ser manuseada. Mapas oferecem também odesafio de reorganizar o conhecimento a parƟr de vários ângulos, pontos de vista eescalas. Uma das representações gráficas considerada extremamente complexa éo mapa desenhado em 1869, por Charles Joseph Minard, um engenheiro francês,para mostrar a marcha do exército de Napoleão durante a tentaƟva para conquis-tar a Rússia em 1812, na qual 422 mil franceses parƟram em junho de 1812 e98% dos parƟcipantes morreram pelo caminho. A genialidade do mapa está emconseguir, em um espaço pequeno, apresentar diferentes variáveis: o tamanho doexército francês, a sua reƟrada, sua localização em uma superİcie bidimensional, 39
  • 4. Fundamentosas direções do movimento do exército e a temperatura em várias datas. O mapa,nesse contexto, permiƟu compreender as causas da derrota de Napoleão. As representações gráficas como uma combinação da redução da realidadee a construção de um espaço analógico (ROBINSON,1982) são habilidades do pensa-mento abstrato de alơssima ordem, por possibilitar a descoberta de estruturas quepermaneceriam desconhecidas se não fossem mapeadas. Os mapas são imprescin-díveis para compreensão. “Mapas bem desenhados são uma efeƟva fonte de comu-nicação porque eles exploram as habilidades da mente para ver relações em suasestruturas İsicas, permitem compreensão das complexidades do ambiente, reduz otempo de procura e revela relações espaciais que de outra forma não seriam nota-das” (DODGE e KITCHIN, 2001, p. 65). Em muitos casos a informação abstrata não é automaƟcamente traduzidapara o mundo İsico. Mapear significa refleƟr sobre informações e conhecimentotácito que não têm uma representação İsica óbvia e natural. Os mapas nunca sãomeramente descriƟvos, eles são disposiƟvos heurísƟcos (HARPOLD, 1999) que ins-Ɵgam a exploração e a localização de informações parƟculares através de conexõescom variáveis diversas. Trata-se de metáforas visuais (GERSHON et al., 1998) quefocam a informação abstrata que é relevante para elaboração de estratégias e so-luções de problemas. Um dos mapas mais famosos como estratégia para solução de problemasfoi o mapa que permiƟu visualisar a causa de uma epidemia considerada gravíssimana Inglaterra no fim do séc. XIX. Mais de 500 pessoas, na mesma área de Londres,morreram de cólera dentro de um período de 10 dias em setembro 1854. O pesqui-sador Dr. John Snow resolveu mapear a distribuição da doença. Com esse mapa, eleconseguiu idenƟficar que uma grande concentração de víƟmas morava próximo deuma determinada região, principalmente ao redor de uma bomba de água da rua.Essa bomba, causa da transmissão, foi fechada pelas autoridades e a epidemia foiresolvida. O mapeamento, a parƟr de então, tornou-se uma metodologia de pesquisana área da medicina – epidemologia. Mapas abrem novos caminhos, possibilitam descobrir novos atalhos e es-tabelecer novas conexões. Eles não têm um único ponto de chegada ou de parƟda, edevem ser flexíveis e estar em conơnua atualização e voltados para uma experimen-tação ancorada no real.“O mapa não reproduz um inconsciente fechado sobre elemesmo, ele o constrói. Ele contribui para a conexão dos campos, para o desbloqueio,para uma abertura máxima sobre um plano de consistência. O mapa é aberto, é co-nectável, em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, susceơvel de recebermodificações constantemente (DELEUZE e GUATTARI, 2000, p. 22). O estudo sobre mapeamento tem propiciado novos atalhos para novas áre-as do conhecimento, tais como visualização da informação, infometria, bibliometriae cienciometria. Novas pesquisas na área de “Visualização de informação” têm sur-gido destacando a importância do uso de mapas para visualizar redes informacionaise argumentaƟvas (KIRSCHNER, BUCKINGHAM SHUM e CARR). Com o rápido cresci-mento da produção cienơfica, o processo de mapeamento tem contribuído tambémcomo uma forma de avaliar fontes de informação (infometria), documentação do co-nhecimento (bibliometria), disseminação e uso do conhecimento cienơfico (ciencio-metria). No caso da cienciometria, o mapeamento do número de citações e uso de40
  • 5. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?referências cienơficas tem possibilitado idenƟficar novas áreas emergentes, meto-dologias, ou mesmo a estrutura de centros de pesquisa. O mapeamento, neste caso,favorece a análise dos aspectos quanƟtaƟvos referentes à geração, propagação e uƟ-lização do conhecimento cienơfico. Além disso, contribui para visualizar a produçãode centros de pesquisas, insƟtuições acadêmicas e também países (CHEN,2003). Os mapas como instrumentos socioculturais não são artefatos neutros(HARLEY,1989). O mapeamento é um processo de representação do conhecimentoque revela decisões que podem ser tomadas sobre o que é incluído e excluído, comoo mapa aparece e o que o mapa quer comunicar. (MACEACHREM, 1995). Os mapassão embuƟdos de valores e julgamentos dos indivíduos que o constroem. São o refle-xo da cultura que eles vivem. Assim, os mapas estão situados dentro de um contextohistórico e refletem o contexto sociocultural. Mapa é uma fonte de comunicação que traz aspectos relevantes. Mapa nãoé o território, mas sim, um conjunto de certos aspectos do território. Mapa é um guiaque traz orientações, um instrumento para aƟngir algum objeƟvo e também facilitarescolhas e ações. “Os mapas são talvez o objeto cujo desenho está mais estritamentevinculado ao uso que se lhes quer desƟnar. Por isso, as regras de escala, da projeçãoe da simbolização são modos de estruturar no espaço desenhado, uma resposta ade-quada à nossa subjeƟvidade, à intenção práƟca com que dialogamos com o mapa”(SANTOS, 2000, p. 75). O mapa carrega uma intencionalidade e abertura para novas descobertas(OKADA e ALMEIDA, 2004). É fundamental que o cartógrafo tenha uma visão do con-texto a ser mapeado e do contexto no qual o mapa será uƟlizado. “Assim, os mapassão um campo estruturado de intencionalidades, uma língua franca que permite aconversa sempre inacabada entre a representação do que somos e a orientação quebuscamos” (SANTOS, 2000, p. 75). Os mapas podem representar o espaço geográfico do mundo exterior, comotambém, territórios do mundo interior. Numa versão reduzida, os mapas podem nãoapenas representar as coisas que vemos, mas também indicar as coisas que não ve-mos. “A incompletude estruturada dos mapas é a condição da criaƟvidade com quenos movimentamos entre os seus pontos fixos. De nada valeria desenhar mapas senão houvesse viajantes para os percorrer” (SANTOS, 2000, p. 75).3. O que são Mapas Cognitivos? Denomina-se “mapa cogniƟvo” como uma representação gráfica do mundointelectual da mente humana (OKADA, 2006). Trata-se de um termo diferente do con-ceituado inicialmente por Tolman (1945), Moore and Golledge (1976) ou por Kitchine Blades (2002), que consideram mapa cogniƟvo como “imagem mental de espaçogeográfico”. A abordagem que é adotada neste estudo sobre mapas cogniƟvos apro-xima-se mais de Jonassen, Beissner e Yacci (1996) e Lévy (1998). Para Jonassen, Beissner e Yacci (1996, p. 61) mapas cognitivos são re-presentações gráficas das estruturas do conhecimento. Num mapa cognitivo, asestruturas do conhecimento podem ser representadas de acordo com a proximi-dade semântica de conceitos e idéias. As associações podem ser estabelecidas 41
  • 6. Fundamentosde acordo com os significados construídos, similaridades e analogias em escalasmultidimensionais. Para Lévy (1998, p. 93) os mapas cogniƟvos são modelos mentais maisabstratos e mais complexos que as imagens. “Os mapas cogniƟvos correspondemmais a modelos mentais ou a complexos de conceitos/preceitos do que a imagens”.Os modelos mentais representados através de mapas cogniƟvos são interfaces fun-damentais para representar o que quer que seja, isso envolve reinterpretação comosuporte de signos para traduzir as imagens mentais. Esta é uma das caracterísƟcasimportantes inerente aos modelos cogniƟvos dos humanos. Baseado em estudos dealguns cienƟstas sobre mapas cogniƟvos de mamíferos superiores; Lévy exemplificaque os chimpanzés gostam de pintar, porém, jamais uƟlizarão pincéis e Ɵntas pararepresentar ou exteriorizar imagens. Os macacos talvez possam conter imagensmentais tão vivas quanto os humanos, porém, não são capazes de manipulá-las osuficiente para traduzi-las em signos exteriorizados. “A falta de inteligência técni-ca dos macacos e sua fraca apƟdão para criar e manipular representações visuaisapontam para a mesma incapacidade fundamental: não chegam a combinar novasimagens mentais a parƟr de elementos de origem perceptual extraídos de sua me-mória de longo prazo” Lévy (1998, p. 94). A natureza cogniƟva da mente humana tem sido associada a modelos deredes. O processo associaƟvo da mente é muito diferente da estrutura linear usa-da geralmente para organizar informações. A não linearidade está presente tambémna recuperação da informação na memória humana. Esse processo de resgate derecordações pode ocorrer também através de uma rede de associações semânƟcas(GLENN & CHIGNELL, 1992). Segundo muitas correntes das ciências cogniƟvas contemporâneas, a cons-trução e a simulação de modelos mentais consƟtuem um dos principais processoscogniƟvos subjacente ao raciocínio, à aprendizagem, à compreensão e à comunica-ção. O raciocínio sobre determinado assunto ou situação equivale, primeiro, a re-cordar, arƟcular, ou reconstruir modelos mentais. Segundo, ele estaria associado achecar, testar ou simular esses modelos visando verificar coerência. Terceiro, pros-seguiria a seleção do melhor modelo. Nesse senƟdo, compreender uma teoria emestudo ou observação realizada seria associar o melhor modelo mental que lhe cor-respondesse. Comunicá-las seria comparƟlhar o modelo de modo que o interlocutorpudesse simulá-lo também (LÉVY, 1998). Os modelos mentais são reflexos da realidade exterior reestruturadosem esquemas cogniƟvos. “Ao contrário das representações lingüísƟcas fonéƟcas,os modelos mentais são análogos estruturais do mundo (do mundo tal como orepresenta, justamente, o indivíduo em questão;) (...) são da ordem do organo-grama ou do diagrama, mesmo não se apresentando como imagem precisam deum esquema” (LÉVY, 1998, p. 102). Os modelos mentais são conjunto de imagensmentais organizadas hierarquicamente. No entanto, a imagem mental nem semprecorresponde ao real, “numerosos objetos abstratos pura e simplesmente não têmimagem İsica (...). Podemos todavia lhes associar uma imagem convencional nãonecessariamente realista, mas com o apelo de elementos culturais” (LÉVY, 1998, p.104). Muitos conceitos abstratos como senƟmentos, valores, estados, processos,etc., podem ser representados mentalmente através de imagens convencionadas42
  • 7. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?culturalmente, por exemplo, a balança para representar a jusƟça, caveira para peri-go, boca sorridente para alegria, etc. Com isso, Lévy destaca que a imagem mentalnão é desenhada no papel como uma simples réplica da percepção. A imagem men-tal possibilita tanto apreender sinteƟcamente um material complexo como tam-bém representar objetos ausentes, desempenhando assim uma função semióƟca.“A imagem não é nem ilustração, nem suporte do pensamento, mas é ela própriapensamento, e por isso, compreende um saber, intenções” (SARTRE, 1940 apudLÉVY, 1998, p. 105). Os modelos mentais podem ser representados através dos mapas cog-niƟvos. Nesse senƟdo, Lévy destaca que o mapa cogniƟvo é um modelo analógicoconstruído através de signos de um território da mente. Os mapas não são imagensrealistas, mas sim, interfaces importantes por traduzir e comunicar visualmente mo-delos mentais preexistentes. Além disso, os mapas servem como base para novasreconstruções e representações, sendo também essenciais no processo de raciocíniosmentais. Os mapas fornecem novos signos conƟnuamente à aƟvidade mental (LÉVY,1998, p. 110). O raciocínio mental pode ser aƟvado pela representação dos modelosmentais através de mapas cogniƟvos. Segundo Johnson-Laird (apud LÉVY, 1998,p. 112) essa aƟvação ocorre a parƟr do mapeamento de premissas formuladas demodo proposicional e dos conhecimentos gerais prévios. Então, os modelos mentaissão construídos parƟndo da interpretação desses dados já disponíveis. Através daexploração dos modelos mentais, conclusões podem ser elaboradas, contra-exem-plos podem ser idenƟficados, novas questões podem emergir dando início a novosciclos. O raciocínio contribui com o processo de compreensão quando proposiçõespodem ser encadeadas com coerência. Apreender o raciocínio equivale, então, ater compreendido a “história”. Nesse senƟdo, o ator destaca que o raciocínio lógicopode recorrer a uma compreensão desse Ɵpo, não por ser lógico, mas por conterelementos que estão em relação dialéƟca e esboçam a ligação das proposiçõescomo um texto ou narraƟva.4. Técnicas de mapeamento para construir redes de conhecimentos Principalmente nessas úlƟmas décadas, novos termos surgiram para des-crever diversos Ɵpos de mapas que podem ser uƟlizados para representar conceitos,informações, idéias, diálogo, raciocínio, referindo-se tanto ao presente, passado oufuturo. Estudos de arranjos espaciais têm sido realizados não apenas com informaçãogeográfica, mas qualquer Ɵpo de assunto ou área do conhecimento. Palavras e con-ceitos podem ser facilmente associados, selecionados, classificados, interpretados eresgatados quando representados através de relações semânƟcas e um determinadopadrão espacial. O mapeamento tem sido uma estratégia para lidar com avalanches de infor-mações teóricas ou empíricas e delas extrair importantes inter-relações de interesse.ParƟndo da importância de representar rede de associações, após a década de 70, vá-rias terminologias descrevem diferentes Ɵpos de mapas. O objeƟvo desses mapas érepresentar diversos componentes da área cogniƟva – conceitos, idéias, pensamento,argumentação, diálogo, imagens visuais – e suas múlƟplas conexões. 43
  • 8. FundamentosTabela 2 - Técnicas de Mapeamento da Cartografia CogniƟva Mapas conceituais é uma técnica para estabelecer relações entre conceitose sistemaƟzar conhecimento significaƟvo. Foi desenvolvida pelo prof. Joseph D. Novak,na Universidade de Cornell, na década de 60. Seu trabalho foi fundamentado a parƟrda teoria de David Ausubel, que destacou a importância da aprendizagem significaƟvadecorrente da assimilação de novos conceitos e proposição através de estruturas cog-niƟvas já existentes. A aprendizagem significaƟva de alto nível requer conhecimentosprévios e envolve resolução de novos problemas e criaƟvidade. Isso apenas é possívelquando o aprendiz tem domínios de conhecimentos bem organizados. Além disso, opensamento e experiência práƟca também facilitam. “Quanto mais nós aprendemose organizamos nosso conhecimento num determinado domínio, mais fácil é adquirir eusar o novo conhecimento naquele domínio” (NOVAK, 1998, p. 24). Com isso, o autor sublinha que quando um indivíduo conhece pouco ou temseus conhecimentos mal organizados, a aprendizagem significaƟva é mais diİcil, o tem-po envolvido no processo é maior. Novak (1998, p. 58) destaca que conceitos já constru-ídos ― essenciais para aprendizagem de novos assuntos ― são denominados subsunço-res por Ausubel. O conceito subsunçor (subsumer) refere-se aos conhecimentos préviosjá elaborados e assimilados nas estruturas cogniƟvas do aprendiz, servindo como basedinâmica para arƟcular conhecimentos novos através de relações com os já existentes.À medida que o aprendiz vai ampliando sua base de conhecimentos, expande tambémsuas noções subsunçoras favorecendo novas situações de aprendizagem. Desse modo,o autor sublinha que “as informações que são aprendidas de modo significaƟvo associa-das com os subsunçores nas estruturas cogniƟvas do aprendiz, podem ser resgatadasna memória depois de meses após sua aquisição (...)” (NOVAK, 1998, p. 61).44
  • 9. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento? Os mapas conceituais estão embasados também na teoria construƟvista.O sujeito constrói seu conhecimento e significado a parƟr de relações entre novoselementos com aqueles que já lhe são conhecidos. Tais relações facilitam a sistemaƟ-zação de conceitos novos consƟtuindo-se em conteúdo significaƟvo para o aprendiz.O autor também destaca que “novos conceitos quando são apreendidos através daaprendizagem significaƟva ou de segmentos reestruturados existentes na estruturacogniƟva, também produzem diferenciação progressiva” (NOVAK, 1998, p. 63). Quan-do a estrutura cogniƟva vai se ampliando, o aprendiz desenvolve mais sua habilidadede aprender novas coisas (CANAS et al., 2004). Mapa da Mente é uma técnica desenvolvida pelo psicólogo Tony Buzan noinício dos anos 70, relatada em sua obra Use your head. Esta técnica possibilita registrarpensamento de uma maneira mais criaƟva, flexível e não-linear tal como nossa men-te. É o uso da mente recheada de abstrações e idéias em favor de uma concatenaçãomaior entre os passos de qualquer processo. Os Mapas da Mente podem rastrear todoo processo de pensamento de forma não seqüencial. Através de um mapa mental, di-versas informações, símbolos, mensagens podem ser conectados e facilitar a organiza-ção de um determinado assunto e a produção de novas idéias. A estrutura de múlƟplasconexões facilita registrar diversos elementos que surgem na mente de forma inusitadae muitas vezes caóƟca. Assim, mapas mentais permitem superar as dificuldades de or-ganizar muitas informações e alguns bloqueios da escrita linear (BUZAN, 1993). A imagem visual dos mapas mentais, além de facilitar a emergência e arƟ-culação de novas idéias, possibilita também memorização, reorganização, reconfigu-ração fácil e mais rápida. Os mapas da mente são representações gráficas que facili-tam o registro de dados, anotações múlƟplas e informações não seqüenciais. Permitetambém unificar, separar e integrar conceitos para analisá-los e sinteƟzá-los atravésde um conjunto de imagens, palavras, cores e setas, que arƟculam o pensamento. As habilidades desenvolvidas com a aplicação das técnicas de mapeamentosão várias: • Desenvolver a capacidade de classificação, categorização, decisão, cla- reza e priorização. • Integrar uma grande quanƟdade de dados complexos possibilitando de- cisões, conclusões ou estudos mais profundos e coerentes. • Visualizar com maior compreensão e entendimento grandes conteúdos de informação. • EsƟmular cada vez mais reflexão, diálogo interno e com isso, potenciali- zar mais as funções cerebrais, principalmente, analíƟca, criaƟva e, con- versacional. Mapas argumentaƟvos surgiram primeiramente com J. H. Wigmore na áreade direito para estudos de casos e também para o ensino de técnicas de argumenta-ção. O objeƟvo desta técnica é mapear a estrutura da argumentação, ou seja, idenƟfcarquais são as premissas, co-premissas, razões, objeções, argumentos que suportam acontenção principal e os contra-argumentos que a rejeitam também. O mapeamentoargumentaƟvo é úƟl para facilitar a visualização destes componentes da argumentação. 45
  • 10. FundamentosA análise das conexões contribui também para compreender a estrutura lógica do argu-mento, avaliar a coerência e reestruturar visando ao aprimoramento. Atualmente, os mapas argumentaƟvos têm sido uƟlizados não apenas paraelaboração e análise de casos em direito (CARR, 2003), mas também em diversas áre-as do conhecimento, como na medicina (HICKS-MOORE, SANDEE and PASTIRIK, 2006;EDMONDSON, 1995), ciências da computação (ROWE e REED, 2008), educação, psi-cologia e filosofia (VAN GELDER et al., 2004). As aplicações de mapas argumentaƟvostambém são diversas: resolução de problemas, fundamentação cienơfica e desenvol-vimento do pensamento críƟco e elaboração da escrita. Vários estudos sobre argumentação têm propiciado diferentes técnicas paramapear argumentos. O diagrama de Toulmin, por exemplo, é uma abordagem que re-presenta a argumentação através de seis componentes: dados, conclusão, garanƟas,refutação, suporte e qualificador. Este modelo permite também a conexão entre vá-rios argumentos, na qual um argumento pode ter outros argumentos como suporte.Por exemplo, a conclusão pode ser um dado para um outro argumento. Outra abordagem é o LAMP (Lots of Argument Mapping PracƟce) “que sig-nifica a práƟca intensa do mapeamento argumentaƟvo” (RIDER and THOMASON,2008). Através do LAMP, aprendizes podem desenvolver habilidades de argumenta-ção com a práƟca de idenƟficar conjuntos de argumentos que suportam a preposiçãoinicial e conjuntos de contra-argumentos que a rejeitam. Quanto mais componentessão mapeados, mais forte será a elaboração da argumentação. Mapas dialógicos é uma técnica que surgiu no início da década de 70 base-ada no sistema IBIS (Issue Based InformaƟon System), criado para resolver problemase desafios através de três elementos básicos: perguntas ou premissas, posicionamen-tos e argumentos. O sistema IBIS parte do princípio que para cada premissa pode-se estabelecer posicionamentos e argumentos (KIRSCHNER, BUCKINGHAM SHUM eCARR, 2003). Desse modo, parte-se primeiro de premissas gerais, que implicam premis-sas mais específicas. Por exemplo, através de perguntas, são estabelecidos posicio-namentos que, uma vez também quesƟonados, permitem definição de argumentosque suportam ou rejeitam os posicionamentos iniciais. Surgem novas questões, e oprocesso conƟnua recursivamente. O mapa dialógico usa esses mesmos elementos: questões, posicionamentose argumentos pró ou contra para mapear a solução de um problema. Vários pontosde vista podem ser arƟculados com coerência tanto individualmente como coleƟ-vamente. Esses mapas são bem úteis para compreensão de assuntos complexos etambém para tomadas de decisão. A elaboração de um mapa dialógico é realizada, primeiro, com um temaou assunto a ser discuƟdo. QuesƟona-se o tema registrando perguntas. Para cadapergunta, são estabelecidos posicionamentos que devem ser refleƟdos e quesƟo-nados. O que suporta essa idéia? O que pode se opor, indo contra essa idéia? Existealguma informação adicional que pode servir como embasamento? (fato, exemplo,teoria). Com esses elementos novas questões podem surgir; também, respostas efundamentos a favor ou contra. Quando a informação mapeada é suficiente para46
  • 11. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?determinar uma conclusão ou tomar uma decisão, encerra-se o processo com asíntese do que foi concluído. Mapas web são mapas que representam o percurso de navegação, fluxos deinterações no ciberespaço. Os mapas fornecem um contexto visual, e assim é possívelsabermos “onde estamos” e de “onde surgimos”. Vários pesquisadores interessadosna Cartografia do Ciberespaço (DODGE e KITCHIN, 2001; ZEILIGER ESNAULT e PONTI,2005) destacam que mapas web são extremamente úteis para organizar informações.Novos soŌwares foram desenvolvidos para facilitar o mapeamento de páginas web.Desde o surgimento da web, mapas foram uƟlizados para organizar a estrutura, visu-alizar conexões e projetar expansão da rede. Segundo os cibergeógrafos Dodge and Kitchin (2001), webmaps são os pro-jetos mais incríveis para mapear o território informacional. Atualmente, pesquisado-res de várias disciplinas – computação, design gráfico, ciências da informação, co-municação e semióƟca, realidade virtual, educação online – têm apresentado grandeinteresse no uso de mapas web como um novo caminho para: • Aprimorar navegação, comunicação, busca, seleção e representação da informação. • Desenvolver cada vez mais mulƟmídia na web para facilitar a comunica- ção e compreensão. • Organizar informação decorrente de vastos territórios e diferentes mídias. Os mapas web são flexíveis, dinâmicos e interativos. Eles possibilitama atualização automática e instantânea, facilitando o acompanhamento das mu-danças constantes no ciberespaço. Devido à complexidade dos dados da web eda estrutura da rede que está se ampliando drasticamente, softwares estão possi-bilitando mapeamento com design mais aberto, em múltiplos níveis, dimensões,escalas e outras variáveis. Os mapas web simulam, de alguma forma, nossas estruturas mentais ecaminho de pesquisa na web. A visualização e flexibilidade de construção desse ca-minho permitem que o aprendiz recomponha e aperfeiçoe, a cada passo, o seu pro-cesso de conhecimento. O mapa web pode ser personalizado através de correçõese sínteses “aperfeiçoadoras” dos objetos construídos pelas operações mentais. No-vos significados podem ser agregados e novas arƟculações podem ser feitas. Os beneİcios dos mapas web são diversos. Eles são úteis para organizardados, sites, favoritos. Mapear as páginas web mais relevantes, representar tra-jetória de pesquisa, selecionar de modo mais semânƟco base de dados, planejarestudos, facilitar produção de projetos, propiciar navegação mais rápida e objeƟva,estabelecer conexões entre elementos diversos, idenƟficar facilmente conceitos-chave e as relações entre eles, permiƟr visualização gráfica mais significaƟva, facili-tando produção do conhecimento, tornar mais claro os conceitos reorganizando-osem uma ordem sistemáƟca. As aplicações são várias também: 47
  • 12. Fundamentos • Representação gráfica da navegação. • Bibliografia visual iconográfica. • Mapa de um ambiente de aprendizagem. • Hipertexto imagéƟco com múlƟplos signos. • Orientação do processo cogniƟvo.5. Software de Cartografia para construção de mapas As novas tecnologias apontam-nos para um oceano de informações quese modificam a cada segundo. Isso requer uma reflexão constante para atualizaçãonecessária sem nos perdermos nesse dilúvio caóƟco de dados. Muitas vezes, na-vegamos sem sabermos para onde estamos indo. Nesse contexto, soŌwares paramapeamento trazem grandes contribuições no processo de organização e constru-ção de senƟdos e significados. A quanƟdade inassimilável, atualização constante ediversidade de dados mostram que dominar um assunto não é mais deter todas asinformações, mas sim, saber onde e como encontrá-las, organizá-las, arƟculá-las eapreender seu significado. Nesse senƟdo, a idéia de mapear a informação implicatraçar rotas, selecionar e arƟcular o que é relevante. Ou seja, “mapear” significasaber trilhar na maré imensa de informações. Existem vários soŌwares que permitem construir mapas. Alguns são gratui-tos e podem ser instalados facilmente. O Cmap Tools foi desenvolvido pelo IHMC - University of West Florida, soba supervisão do Dr. Alberto J. Cañas. É um soŌware que permite construir, navegar,comparƟlhar mapas conceituais de forma individual ou colaboraƟva. Além disso,seu download é gratuito e uƟliza tecnologia Java, podendo ser executado em váriasplataformas. Ao clicar na tela, surgem retângulos que podem conter conceitos. Para isso,basta digitar um termo ou sentença dentro do retângulo. Essas caixas conceituaispodem ser interligadas por linhas. Estas conexões podem ser explicitadas com umadescrição da relação. Nos mapas podem ser inseridos links para texto, figuras, vídeos,sons, vídeos e URLs, e também apontar para outros mapas. O soŌware está divididoem duas áreas principais. O “CMap Tools” é uƟlizado para criar os mapas conceituais.É o local onde o usuário desenvolverá todo o seu trabalho de elaboração e poderásalvar seu mapa no seu micro. O “CMap Server” é uƟlizado para salvar os mapas naweb. Os mapas podem ser salvos no formato html e JavaScript e armazenados emservidores locais ou distribuídos. O Nestor Web Cartographer é um soŌware desenvolvido no Centro de Pes-quisa Nacional Cienơfica em Lyon-França por Romain Zeiliger. Sua instalação pode serfeita através do download gratuito. Com o Nestor é possível elaborar mapas concei-tuais, mapas da mente, mapas web. O Nestor permite registrar o caminho de navegação na internet através demapas (pontos e setas que indicam respecƟvamente endereços de sites e a seqüência48
  • 13. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?de navegação). Este soŌware, além de possibilitar a organização de endereços de sitessignificaƟvos (apagar, mover, relacionar, agrupar), possui uma série de recursos paratrabalhar com o conteúdo das páginas web (selecionar informações, destacá-las, rea-grupá-las num novo texto, localizar palavras-chave, construir novos sites). O Compendium, inicialmente, foi criado no laboratório de pesquisa da Veri-zon nos Estados Unidos em 1993. Depois, o soŌware passou a ser desenvolvido noKnowledge Media InsƟtute – Open University, Inglaterra – sob a coordenação de Si-mon Buckingham Schum. O Compendium é um conceito semânƟco de soŌware paramapa hipertextual, criado para gerenciar a informação, gestar conhecimento, simularmodelos de resolução de problemas, organizar discussões argumentaƟvas através demapa (KIRSCHNER, SHUM BUCKINGHAM e CARR, 2003). No Compendium diversasmídias podem ser mapeadas: vídeo, texto, páginas da web, figuras, tabelas, gráficos,som. Para isso, basta arrastar as referências para dentro do mapa. Inclusive durantea exportação ou importação dos mapas todos os documentos mapeados são incluí-dos, permiƟndo transferência simples e rápida. Uma das caracterísƟcas inovadoras do soŌware é a habilidade de catego-rizar a informação. Para isso, o soŌware oferece um conjunto de Ɵpos diferentesde “nós” para representar pergunta, idéia, argumentos, contra-argumentos, refe-rências, notas e comentários, decisões e lista. Esta classificação de elementos nomapa permite organizar melhor o conteúdo, possibilitando uma leitura mais fácil ecompreensão mais simples do assunto explorado. Esse processo facilita também adiscussão argumentaƟva. O Compendium é um soŌware ideal para elaborar mapas de diálogos e ma-pas argumentaƟvos, pois foi construído com base no modelo IBIS. Ele oferece umconjunto de ícones para representar perguntas, idéias e argumentos. Desse modo,através deste soŌware, é mais fácil indicar no mapa problemas, sugerir soluções e jul-gá-las através de prós e dos contras. Os diferentes pontos de vista podem claramenteser representados e conectados com mais flexibilidade visando também mais coerên-cia. Mapas no Compendium são muito úteis para compreender áreas complexas doconhecimento e em processos de tomada de decisão. O Freemind, criado em 2005 pela Sourceforge.net, é soŌware aberto comdownload gratuito disponível na web para criação de mapas da mente. Desenvolvidoem Java, este aplicaƟvo permite mapear pensamento através de palavras-chave eimagens. A parƟr de um tópico central, várias hierarquias podem ser estabelecidasrepresentando idéias que geram novas idéias. O Freemind é um soŌware similar ao MindManager, numa versão mais sim-ples e gratuita. Ambos têm sido empregados para desenvolvimento do pensamentocriaƟvo, facilitando organização de temas num debate inicial, para esƟmular produ-ção de idéias na escrita e também em projetos de pesquisa e aprendizagem. Outrasaplicações são desenvolvimento de currículo e design pedagógico de cursos presen-ciais e online. O CHIC, denominado “Classificação Hierárquica, ImplicaƟva e CoesiƟva”,foi desenvolvido por Almouloud, em 1997, em sua primeira versão e atualizado por 49
  • 14. FundamentosRaphaël Couturier. Este soŌware permite realizar estudo quanƟtaƟvo e análise qua-litaƟva através da visualização das inter-relações de vários conjuntos dados. Dadoscoletados em entrevistas podem ser codificados através de variáveis. O soŌwarequanƟfica os valores atribuídos e representa graficamente as associações hierárqui-cas. Esses mapas de análise mulƟdimensional gerados automaƟcamente pelo CHIC,conforme consƟtuição de regras, permitem um estudo mais aprofundado de grandequanƟdade de dados. O CHIC tem sido considerado muito úƟl para idenƟficar relações entre di-versas variáveis, facilitando análise qualitaƟva de dados. Este soŌware tem sidoaplicado à pesquisa acadêmica para interpretação de dados, e também como ins-trumento de análise para avaliação da aprendizagem, práƟca pedagógica e forma-ção docente.6. Mapas Cognitivos para o design da pesquisa e aprendizagem A Cartografia CogniƟva aplicada à pesquisa possibilita a elaboração de vá-rios Ɵpos de mapas que contribuem para o processo de aprendizagem e construçãode conhecimentos. Mapas do conhecimento podem ser úteis com guias em diversosníveis de complexidade, dimensão epistemológica e dimensão ontológica. Este es-tudo sobre mapeamento na pesquisa acadêmica iniciou-se com o curso de exten-são sobre Uso de soŌware na pesquisa qualitaƟva, explicado no capítulo 5, e agoraprossegue com pesquisadores interessados que parƟcipam da comunidade abertade pesquisadores da Comunidade Internacional de Pesquisa CoLearn sobre Aprendi-zagem ColaboraƟva. Esta comunidade é colaboradora do projeto OpenLearn, criadopela OpenUniversity em UK, e pode ser acessada por qualquer usuário web. Neste estudo, identificou-se sete tipos de mapas que contribuem paraa elaboração de um projeto de investigação: Mapa do Projeto, Mapa de Referên-cias, Mapa do Estudo, Mapa de Leitura, Mapa de Campo, Mapa da Escrita, Mapado Processo. Nesta sessão, estes tipos de mapas são analisados e diversos exem-plos poderão ser acessados na Comunidade CoLearn (http://colearn.open.ac.uk).Vários colaboradores têm construído diversos tipos de mapas e compartilhadopara navegação, download, reconstrução e re-upload de usuários interessadosno assunto. I. Mapa do Projeto. É comum o pesquisador ficar perdido quando tem queenfrentar a sobrecarga de informações, muitas questões sem respostas ou váriasafirmações sem perguntas e também disperso quando se depara com a ausênciade dados. Esclarecer o foco da invesƟgação torna-se diİcil tanto com a insuficiênciade material significaƟvo quanto com o excesso de conteúdos fragmentados. Nessecontexto, a Cartografia CogniƟva pode contribuir com o processo de problemaƟ-zação. Mapear o ponto zero da pesquisa procurando idenƟficar o foco facilita aseleção do que é relevante numa grande base de dados. Os mapas também favore-cem a criação de uma tempestade de idéias quando não temos informação. Alémdisso, permite estabelecer associações do nosso contexto parƟcular com as teoriasjá construídas. A elaboração, visualização e reflexão conơnua desses mapas propi-ciam detectar o que deve ser mais explorado. A percepção das novas possibilidades50
  • 15. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?e também das dificuldades facilita o processo conơnuo de novas perguntas rumo àdelimitação do problema. Curso Online “Mapeamento do Conhecimento com Aprendizagem Aberta” Interação c/grupo Como? Software para mapear? Diário de bordo (metodologia) Técnicas para mapear? O quê? ? Análise de Mapas Método Como o mapeamento pode facilitar (questão de pesquisa) Aplicações e exemplos? Pesquisa-ação o processo de pesquisa online? Análise de Memorial Princípios para mapear? Reflexivo dos Participantes Critérios de avaliação? Abertura do conhecimento Estudantes de Graduação Aprendizes Por quê? Grandes avanços tecnológicos (relevância) Emergência web 2.0 Profissionais Desafios atuais Mestrandos Diversidade de mídias Participantes da Doutorandos Pesquisadores Comunidade Aberta Rapidez na comunicação CPLP OpenLearn Avalanche de dados na web Orientadores Open University-UK Professores Interessados nas tecnologias de Tutores Docentes Onde? Buscar e selecionar conhecimentos mapeamento Mapas Cognitivos (Campo Formadores de Estudo) p/pesquisa online Criar produções mais criativas Desenvolver Para quê? Habilidades: Comunidade surgiu em 2006 Valorizar a própia autoria (contribuições) Saber Curso aberto em 2007 Construir colaborativamente WebConferências sobre Compendium Ampliar redes sociais Vários Mapas criados Quando? em 2007 a 2008 Mapas e Aprendizagem (Cronograma) Debates no Fórum 2007-2008 Significativa (Ausubel e Novak) Comentários no Blog (Memorial) Mapas e Pensamento Criativo (Buzan, Hyerle) Workshop sobre Técnicas de Mapeamento Quem? (campo de estudo) Mapas e Pensamento Crítico (VanGelder, Rider) Referência Teórica Mapas, modelamento e solução de problemas (Kirschner, Buckingham Shum e Carr, 2003 Mapas e Construtivismo (Zeiliger e Esnault)Figura 1 - Mapa do Projeto de Pesquisa criado no Freemind (OKADA, 2006) O mapa ilustrado na figura 1 acima representa o projeto inicial de pesquisacom o tema “Mapas CogniƟvos para pesquisa Online”. A técnica uƟlizada é o mape-amento da mente, na qual o pesquisador registra questões-chave (O quê? Para quê?Por quê? Onde? Como? Quando? Quem?) para fazer emergir cada vez mais idéiassignificaƟvas e inclusive novas questões. A capacidade de quesƟonar e sobretudo dese quesƟonar é a razão mais profunda da ciência no passo que lhe acrescenta dimen-sões, olhares, preocupações, e novas angúsƟas que antes ainda não exisƟam (DEMO,2000). O mapa permite ao pesquisador visualizar o objeto de estudo e inclusive ob-servar sua forma de representá-lo, ou seja, ver “o modo de ver” e idenƟficar as suasincertezas. Analisar várias dimensões através do mapa torna-se uma tarefa críƟca doconhecimento que parte da própria subjeƟvidade na qual a críƟca interroga o próprioser no mundo (OKADA, 2006). A incerteza é o ponto de parƟda para a problemaƟza-ção no processo do pensar, do pesquisar, do criar e do viver (SALOMON, 2000). II. Mapa de Referências. O conhecimento cienơfico e a tecnologia cres-cem aceleradamente provocando um contexto dinâmico, sempre em transforma-ção. Não apenas o número de fontes de referências tem aumentado drasƟcamen-te como também são atualizadas conƟnuamente. Enfrentar a avalanche de dadosacompanhando as inovações é um desafio para todos. Nesse mister, a CartografiaCogniƟva pode auxiliar o pesquisador na seleção, organização e atualização do cor-pus de pesquisa. O mapeamento permite não só registrar referências relevantesque se atualizam constantemente, como também representar a trajetória da buscapercorrida. Esses registros permitem ao pesquisador retornar ao passado, localizare consultar as fontes com mais facilidade sempre que necessário. 51
  • 16. FundamentosFigura 2 - Mapa de Referências sobre Pensamento CríƟco criado no Nestor (OKADA, 2006) O mapa acima, na figura 2, indica cento e sete referências bibliográficas parabase de uma pesquisa acadêmica sobre Pensamento críƟco. Essas referências foramclassificadas por onze categorias-chave: glossários, arƟgos, website, papers, soŌware,fundamentos, definições, teses, história, questões e livros. Toda pesquisa, seja téoriae/ou empírica, deve selecionar evidência para argumentar e jusƟficar a seleção que ébase de invesƟgação. Além disso, é necessário reunir literatura suficiente para descre-ver, analisar, discuƟr ou refutar uma proposição específica (BAUER e AARTS, 2000).Mapas CogniƟvos podem orientar as consultas e elaboração de fundamentação emprojetos de pesquisa. Eles oferecem recursos que facilitam a representação gráficade grande quanƟdade de documentos em áreas conceituais. Estas áreas agrupamassuntos em comum, os ícones classificam o Ɵpo de documento e ơtulos permitemter idéia do conteúdo de cada documento. O mapa web acima criado é uma formarápida de acessar a literatura de acordo com uma orientação visual. Além disso, omapeamento permite atualização ágil das referências com flexibilidade para novasreorganizações, agrupamentos, inserções e deleções. III. Mapa da Leitura. Na pesquisa, uma das preocupações polêmicas refere-se à sua dimensão. A primeira é ampliá-la, ou seja, alargar a sua base horizontal comdiversas leituras, pesquisas e elaborações. A segunda é aprofundá-la, ou seja, explorara base verƟcal com reflexões mais específicas, exploração mais detalhada do assun-to. Pesquisar significa caminharmos nessas duas dimensões, amplitude e profundi-dade, sem nos perdemos nesse percurso. Para isso, torna-se necessário desconstruirconhecimento já existente de diversas fontes, reconstruindo com significado dentrodo contexto invesƟgado. O mapeamento das idéias-chave do texto facilita não apenasinterpretação, mas também a integração de múlƟplas perspecƟvas durante o estudo.52
  • 17. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?Figura 3 - Mapa da leitura de um arƟgo online criado no Nestor (OKADA, 2006) A figura 3 acima mostra o mapa da leitura de um texto sobre “Organizaçãocurricular por competências no ensino Superior”, escrito por Silva (2005) para umlivro digital e-mapbook que contém arƟgos escritos com mapas. Na parte superiordo mapa do Nestor, é possível observar categorias-chave e número que a palavraaparece no texto. Por exemplo, “conceito” aparece sete vezes. No entanto, tais pa-lavras são apenas indicadores para localizar idéias-chave numa leitura inicial. Duran-te a leitura mais minuciosa do texto, é importante mapear as principais sentençasque permitem sinteƟzar o conteúdo. Para isso, algumas categorias foram uƟlizadas:assunto, relevância, questão, evidência, proposição, objeƟvos, abordagem teórica econsiderações. Nessa tônica, o mapeamento do texto lido oferece uma visão global do con-teúdo. O mapeamento da leitura pode facilitar a desconstrução de arƟgos para inter-pretação e ressignificação do conteúdo. Além disso, mapas podem contribuir para oprocesso de síntese. IV. Mapa do Estudo. No estudo teórico, o esclarecimento de conceitos é es-sencial na pesquisa. É muito comum um pesquisador deparar-se com conceitos po-livalentes, divergentes e contraditórios que merecem uma reflexão mais profunda. Apercepção das mulƟplicidades numa pesquisa propicia a descoberta de novos cami-nhos. Buscar o significado dos elementos e o senƟdo das suas relações favorece umacompreensão maior do assunto. O aprofundamento de conceitos já construídos e da-queles a serem invesƟgados é um grande desafio. Primeiro, porque os conceitos podem 53
  • 18. Fundamentosser vistos sob várias perspecƟvas em diversas áreas. Segundo, porque a comunicaçãoé ambígua, os discursos, escrito ou oral, têm diversas interpretações. Por mais clara eobjeƟva que seja uma definição, não é possível garanƟr como ela será interpretada. Ainterpretação é um processo decorrente de cada sujeito que a reconstrói de acordocom seus conhecimentos prévios, seu contexto e seus interesses; e não da realidadeexterna, de objetos que espelham e reproduzem mecanicamente a informação. REFERÊNCIAS integrando múltiplas perspectivas Pensamento Crítico habilidade de processo raciocinar compreender construir Habilidade de pensar de modo objetivo e raciocinar de investigar na Halpem(1996) com lógica conhecimentos forma lógica para resolver problemas e tomar decisões Pekins, Jay e Habilidade e prática de explorar, ser curioso, capacidade de para de modo PSICOLOGIA Tishman (1993) questionar, esclarecer, planejar, refletir e avaliar como Bransford, Shewood, Habilidade de investigar, definir, formular e analisar problematizar resolver explorar significativo Sturdevant (1987) problemas alternativas problemas definindo caminhos para solucioná-los identificar refere-se tomar atores sujeitos Jonassen (2000) Processo dinâmico de construir conhecimento significativo o contexto decisões ativos autores e usá-lo para análise, associações e aprimoramento definir para Processo de explorar soluções viáveis para problemas definir formular analisar para questões desafios problemas caminhos Tsui (2000) complexos e construir conhecimentos como atores ativos escrever de solução ler o EDUCAÇÃO situando-se dentro do processo de aprendizagem atuar de o mundo mundo checar rever modo Processo de compreender através do raciocínio Weinstein(1995) consciente e e aplicar esta compreensão para atuar de modo ativo e soluçõesviáveis e consciente como membro da sociedade para com base em interpretá-lo Processo de conscientização crítica na qual sujeitos Inserir-se no Freire(1967) tornam-se autores da construção de conhecimentos processo de transformá-lo capazes de ler, interpretar e reescrever o mundo Argumentação aprendizagem Lrynock and Argumentação incluindo componentes metacognitivos para checar Robb(1999) precisão e avaliação do processo em direção ao alcance das metas. criando oportunidades de incluindo Paul (1993) Pensamento sobre o pensamento enquanto o sujeito pensa, para tornar seu pensamento melhor. Componentes Avaliação Julgamento objetivo e Fazer sentido metacognitivos do processo Avaliação da forma de pensar que envolve criticidade, criatividade autoregulador FILOSOFIA Fisher(1990) e qualidade de raciocínio para fundamentar uma ação ou uma crença Julgamento objetivo e auto-regulador que resulta numa análise para aprimorar o para Facione(1990) interpretativa, inferente e avaliativa pensamento Chaffee(1988) Esforço ativo, objetivo, e organizado para fazer sentido do mundo, com sobre o pensar criticidade criatividade o exame cuidadoso de examinar o pensamento própio e dos outros Exame cuidadoso comFigura 4 - Mapa do Estudo Conceitual sobre Pensamento CríƟco criado no CMAP (Okada, 2006) A figura 4 ilustra um mapa de estudo conceitual sobre o pensamento críƟco.Neste mapa, é possível observar que três áreas foram escolhidas para selecionar de-finições: Psicologia, Educação e Filosofia. Em cada área, observa-se os autores indica-dos e uma síntese construída pelo autor sobre suas conceituações. Em seguida, paracada definição, é possível selecionar palavras-chave e integrar num segundo mapaconceitual estes componentes-chave. Nesse senƟdo, os mapas cogniƟvos ajudam-nos a visualizar melhor não sóas múlƟplas faces do conceito, como também tecê-lo dentro de outros contextos ecom base em diversos referenciais. Eles também facilitam o processo de análise deconteúdo. Parágrafos complexos que usufruem nuanças e complexidade da lingua-gem, podem ser simplificados, reinterpretados, esta classificação sistemáƟca desƟ-lam uma grande quanƟdade de material (BAUER e AARTS, 2000). Há sempre o riscode redução, perda do contexto das definições e reunião de vertentes contrárias einclusive interpretação superficial no mapa (VASCONCELOS, capítulo 8). No entanto,tornam-se necessárias reflexões críƟcas conơnuas sobre o próprio mapa através dequesƟonamentos e anotações das possíveis limitações. V. Mapa de Campo ou do corpus de invesƟgação. O entrelaçamento da te-oria e práƟca enriquece as diversas etapas de uma pesquisa, pois cria oportunidades54
  • 19. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?mais fecundas para reflexão-ação-reflexão. Neste movimento conơnuo recursivo, opesquisador traz teoria para orientar sua práƟca e reflete sobre sua ação para con-tribuir com a reconstrução teórica. Para esta integração teórica e empírica, torna-se necessária a organização do campo de pesquisa denominado também “corpus”,que significa conjunto ou coleção de materiais necessários para invesƟgação. Nadescrição do corpus é necessário descrever também os procedimentos de seleçãoe critérios de saturação que possam garanƟr o rigor necessário da análise (BAUERe AARTS, 2000)Figura 5 - Mapa do Campo de Pesquisa sobre Cartografia criado no Compendium (OKADA, 2006) No mapa da figura 5, temos o mapa construído para representar o corpusde invesƟgação de uma tese de doutorado. O mapa reúne 30 pesquisadores de diver-sas cidades do Brasil e algumas do exterior que parƟciparam do curso online “uso desoŌware na pesquisa qualitaƟva” – campo de pesquisa. Cada foto representa tam-bém o mapa de produções do parƟcipante. Na parte superior à direita, os íconescontêm links com o site do curso online, e site dos soŌwares uƟlizados: Cmap, Nestore Compendium. Existem também mapas que agrupam mapas, por exemplo, mapacom os mapas de professores-orientadores, doutorandos, mestres e mestrandos, nãoapenas seus projetos de pesquisa, mas também sua iƟnerância acadêmica. Um dosprincipais interesses na pesquisa qualitaƟva é Ɵpificação da variedade de representa-ções dos sujeitos no seu mundo vivencial nas relações sujeitos+objetos+meio social,tais como opiniões, reflexões, práƟcas, discursos e cosmovisões (BAUER and AARTS,2000). Nesse senƟdo, o mapa facilita visualização e várias relações indicadas e anali-sadas dos instrumentos de coleta. Os mapas de fóruns, webconferências, chats, ma-pas e blogs (diário de bordo) permitem acessar, relacionar e integrar as produçõesselecionadas na invesƟgação. Nesse senƟdo, a Cartografia CogniƟva pode contribuir para mapear essasinter-relações arƟculando referenciais teóricos e empíricos. O mapeamento facilita oestudo conceitual e a análise da práƟca sob o viés da teoria. 55
  • 20. Fundamentos VI. Mapa da Escrita. Mapear questões, reflexões conceituais e empíricasbaseadas em fundamentos, argumentos e evidência é essencial para elaborar asconclusões de uma pesquisa. Quando a pesquisa é bem mapeada durante todo seuprocesso de construção, torna-se mais fácil sistemaƟzar a invesƟgação e elaborar aescrita final de modo mais conciso. O mapeamento também ajuda na elaboração/integração de múlƟplos sig-nificados, tanto do campo empírico como do estudo conceitual. Isso envolve desdea etapa da macropesquisa ― visão geral do processo ― até a da micropesquisa, ouseja, exame minucioso. Esse mapeamento pode contribuir para um aprofundamen-to maior na invesƟgação e também considerando a amplitude explorada do temainvesƟgado. ? Quais os desafios do é encontrar caminhos para enfrentar contexto cenário atual para a avalanche de informações pesquisa e aprendizagem? organizar melhor todo o processo de investigação visando a construção de conhecimentos pesquisadores conseguem explorar teorias Quando informações relevantes e e práticas com mais rigos e qualidade. hipóteses significativas são mapeadas auxiliam pesquisadores e aprendizes Estudantes também podem imergir com mais profundidade na aprendizagem. ? questão- Como o mapeamento pode contribuir com o ? oferecer aos pesquisadores,professores e chave processo de construção de conhecimentos Intenção aprendizes estratégias para aprimorarem suas facilitando projetos de investigação investigações + Pequeno número de participantes, grupos de 10 - / metodologia curso “ Uso Software de cartografia na a 20 pesquisadores, professores e aprendizes etnopesquisa de Pesquisa pesquisa qualitativa” da PUC-SP Cogeae Delimitações formação Online nos anos de 2003 à 2006 Este estudo focou contribuições, ao invés de dificuldade e obstáculos discussões e reflexões foram material deste curso foi produzido realizadas em conjunto durante esta investigação ? ? O que é mapa e investigação? abordagem História da cartografia Teórica o que é Cartografia ? Teoria sistêmica Investigativa quais princípios epistemológicos para guiar a Teoria construção de mapas investigativas? herenêutica Teoria dialética conceituação resultados organização de referências contribuições do problematização do Estudo mapeamento em várias etapas da pesquisa união entre teoria e prática sistematização argumentação autoorganização considerações cartografia investigativa estarem melhor focados finais ajuda pesquisadores expandir novos horizontes criativosFigura 6 - Mapa Pesquisa sobre Cartografia criado no Compendium (OKADA, 2006) Na figura 6 temos o mapa que representa os pontos essenciais que emergi-ram durante o processo de invesƟgação de doutorado. Esta estrutura composta por:contexto, hipóteses, questão-chave, metodologia da pesquisa, abordagem teórica,resultados do estudo e considerações finais, facilita a composição do resumo da pes-quisa no início da tese. Estas categorias-chave podem ser conectadas representandoas relações entre as diversas etapas da pesquisa. Este mapa criado no Compendiumpode ser exportado para o formato tópicos e, então, as idéias-chave podem ser inte-gradas compondo parágrafos, conforme a figura 7.56
  • 21. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento? contexto ? Quais os desafios do cenário atual para pesquisa e aprendizagem? é encontrar caminhos para enfrentar a avalanche de informações organizar melhor todo o processo de investigação visando a construção de connhecimentos hipóteses Quando informações relevantes e significativas são mapeadas auxiliam pesquisadores e aprendizes pesquisadores conseguem explorar teorias e práticas com mais rigor e qualidade. Estudantes também podem imergir com mais profundidade na aprendizagem. questão-chave ? Como o mapeamento pode contribuir com construção de conhecimentos em projetos de investigação? Intenção oferecer aos pesquisadores, professores e aprendizes estratégias para aprimorarem suas investigações metodologia de Pesquisa etnopesquisa formação curso “Uso Software de cartografia na pesquisa qualitativa” da PUC-SP Cogeae Online nos anos de 2003 à 2006 +/- Delimitações Pequeno número de participantes, grupos de 10 a 20 pesquisadores, professores e aprendizes Este estudo focou contribuições, ao invés de dificuldades e obstáculos discussões e reflexões foram realizadas em conjunto material deste curso foi produzido durante esta investigação abordagem Teórica ? o que é Cartografia Investigativa ? O que é mapa e investigação? História da cartografia ? Quais princípios epistemológicos para guiar a construção de mapas investigativos? Teoria sistêmica Teoria herenêutica Teoria dialética resultados do Estudo contribuições do mapeamento em várias etapas da pesquisa conceituação organização de referências problematização união entre teoria e prática sistematização argumentação auto organização considerações finais cartografia investigativa ajuda pesquisadores estarem melhor focados expandir novos horizontes criativosFigura 7 - Mapa da Escrita de um resumo de Tese criado no Compendium ABSTRACT - Um dos grandes desafios atuais no contexto da pesquisa e aprendizagem é encontrar caminhos para enfrentar a avalanche de informações. Novas técnicas são necessárias para organizar melhor todo o processo de investigação visando à construção de conhecimentos. Quando informações relevantes e significativas são mapeadas, pesquisadores conseguem explorar teorias e práticas com mais rigor e qualidade. Estudantes também podem imergir com mais profundidade na aprendizagem. A questão-chave desta tese é “Como o mapeamento pode contribuir com o processo de construção de conhecimentos facilitando projetos de investigação?”. A intenção deste trabalho é oferecer aos pesquisadores, professores e aprendizes estratégias para aprimorarem suas investigações. Para responder este problema, delimitei esta investigação no curso “Uso de Software de cartográfia na pesquisa qualitativa” da PUC-SP Cogeae Online nos anos de 2003 a 2006. A metodologia de pesquisa é etnopesquisa-formação. Ou seja, o planejamento, discussões e reflexões foram realizadas em conjunto com os alunos-pesquisadores e todo material deste curso foi produzido durante esta investigação. Neste trabalho, defino o que é Cartografia Investigativa partindo da história da cartografia e dos conceitos de mapa e investigação. Em seguida, discuto os princípios epistemológicos para guiar a construção de mapas investigativos com referência nas teorias: sistêmica, hermenêutica e dialética. Então, analiso a prática, discutindo as contribuições do mapeamento em várias etapas da pesquisa: problematização, organização de referências, conceituação, união entre teoria e prática, sistematização, argumentação e auto-organização. Sobre as considerações finais, destaco como a cartografia investigativa ajuda pesquisadores a estarem melhor focados e envolvidos com suas investigações e, ao mesmo tempo, expandindo novos horizontes criativos. Os mapas cognitivos bem elaborados podem contribuir com a pesquisana reconstrução de textos mais ricos, contextualizados, decorrente de recons-truções diferenciadas que valorizam a autoria. Ser orientado numa tese significaqualificar-se para a autoria (BIANCHETTI e MACHADO, 2002). O mapeamento atuacomo estratégia de orientação principalmente quando o pesquisador conseguevisualizar as fontes e descrever reinterpretações de conhecimentos mapeadosconectados com a própria reflexão que integra teoria e prática. Os movimentos 57
  • 22. Fundamentosde desconstruir-mapear-reconstruir e de ler-mapear-escrever permitem alcançarnovas etapas na pesquisa, principalmente, relacionadas à sistematização de co-nhecimentos buscando inovação. VII. Mapa do processo. A pesquisa com o tempo apresenta uma mulƟ-plicidade de elementos que vai aumentando. À medida que a invesƟgação vai seampliando é fundamental classificar conjuntos de elementos em diferentes sub-conjuntos. A categorização permite estabelecer agrupamentos e ordenamentosque facilitam a navegação, análise e estudo de um grande corpus de invesƟgação.Mapear a pesquisa visando à auto-organização do processo é essencial. Duran-te o mapeamento, a visualização dessas relações contribui para revisão do que jáfoi construído e o aprimoramento da invesƟgação é alcançado com novos quesƟo-namentos mais elaborados. Os mapas cogniƟvos como interfaces mediadoras dasinter-relações teoria e práƟca podem abrir novas possibilidades de descobertas,insight, inovações; num movimento criaƟvo, críƟco e significaƟvo de reconstruçãode conhecimentos. [Map]: Mapa do Processo Mapas do Projeto de pesquisa Problematização Mapas de Mapas de Referências textos a escrever Sistematização Revisão de Literatura Interpretação Análise Estudo Mapas de Mapas do leitura de Campo de Conceitual textos Estudo Mapas de ConceitosFigura 8 - Mapa de Pesquisa sobre Cartografia criado no Compendium (OKADA 2006) Na figura 8 temos um mapa que integra vários mapas referentes às etapasda pesquisa. Uma das metáforas para o processo da pesquisa é uma espiral na qualo pesquisador, a parƟr de uma questão, inicia o projeto, reúne referências bibliográ-ficas, estuda os conceitos em conjunto com leitura analíƟca, vai a campo para coletare analisar dados, e concomitantemente ao processo, elabora a escrita (BLAXTER, HU-GHER e TIGHT, 1996). Nesse aspecto, os mapas cogniƟvos são extremamente úteis quando a basede estudo vai se ampliando, pois proporcionam uma forma de organização flexível,dinâmica, fácil de ser reconstruída quando necessário. Essa flexibilidade possibilita58
  • 23. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?manter não só a base atualizada, mas também explorar diversas combinações, inclu-sões e exclusões sem destruir o todo. Isso permite manter um todo que se atualiza acada momento e se recompõe com as mudanças e instabilidades. O mapa é uma in-terface importante para auto-reorganização. Na pesquisa o texto permite reorganizaro mapa que reorganiza o texto, o pensamento se configura com o mapa que por suavez reconfigura um novo pensamento. O mapa torna-se uma interface contagiante ecriaƟva na pesquisa, ensino e aprendizagem. Ao analisar os diversos mapas no decorrer do percurso de uma pesquisaé possível idenƟficar questões mais elaboradas, elementos mais significaƟvos e,com isso, reorganizar a estrutura da pesquisa visando cada vez mais um maior apri-moramento e patamares mais elevados de reflexão. Com isso, nesse movimentorecursivo analisar – mapear – sinteƟzar, é possível flagrar os detalhes importantesque muitas vezes passam despercebidos. No olhar cuidadoso das múlƟplas associa-ções estabelecidas num mapa surgem novos caminhos para sistemaƟzar a pesquisavisando maior consistência do todo. Quando o mapeamento revela a estrutura cla-ra da pesquisa, torna-se mais fácil idenƟficar todos os elementos importantes quefundamentam a conclusão.7. Avaliando o processo de mapeamento Em cada etapa do mapeamento da pesquisa é importante o olhar críticoe reflexivo para a auto-avaliação do processo; e também, para discussão com co-legas especialistas em busca de um feedback sobre o processo. A tabela 3 indicaalgumas questões para orientar o pesquisador na análise crítica do seu processode mapeamento. 59
  • 24. FundamentosTabela 3– Questões para avaliação do processo de mapeamento (OKADA, 2006) A avaliação do conteúdo, organização e estéƟca dos mapas cogniƟvos sãotambém necessárias para que tanto o autor como seus leitores possam compreendero conteúdo mapeado. Mapas bem elaborados podem orientar o pesquisador no seuprocesso de invesƟgação. A tabela 4 indica questões para que o pesquisador possaobservar se o mapa elaborado está claro, objeƟvo e consistente.Tabela 4 - Questões para avaliação da estrutura de mapeamento (OKADA, 2006)8. Para concluir – Refletindo sobre o que foi apresentado A construção da representação espacial pode facilitar a construção doconhecimento. A associação de imagens do mundo objeƟvo e subjeƟvo permitevisualizar e entender o objeto de estudo. O ato de mapear significa representar as-sociações do que se conhece e do que se pretende conhecer. A visualização dessesmapas permite guiar, dirigir, focar problema e ao mesmo tempo explorar novoscaminhos através de múlƟplas perspecƟvas para solucioná-lo. Esse processo de mapear o pensamento, visualizar o mapa, refleƟr sobre arepresentação gerando um novo pensamento é recursivo à medida que o mapa vaiconfigurando o pensamento e o pensamento configura o mapa. A visualização do ma-peamento desse processo torna-se uma fonte rica para gerar também recursivamentenovas visões: visão interna (insight), visão criaƟva, previsão (foresight), visão de futuro,60
  • 25. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?revisão (hindsight), visão de passado e supervisão (oversight), visão mais ampla e inte-gradora (OKADA, 2006). O pensamento visual é aƟvado e opera sobre estruturas, não apenas bus-cando ver o que tem dentro, mas também manipulando os componentes – partes daestrutura na relação um com outro. Atrás da superİcie visível, o conhecimento estáimplícito em todas as ações da percepção (CHEN, 2003). O mapeamento do pensamento visual que parte do abstrato para o concretoé uma poderosa estratégia. Na abstração, o pensador pode prontamente reestruturar esempre transformar o conceito. Além disso, pode representar o resultado da abstraçãoatravés da forma gráfica concreta - mapa. Nesse senƟdo, o mapa contribui para dar visibi-lidade ao pensamento abstrato, mesmo que este pensamento tenha nascido do concreto– abs-trahere do laƟm quer dizer “Ɵrar de...”. No caso, a abstração é aquilo que é extraídodo concreto vivido. Sendo assim, o mapa é o retorno a uma dimensão do concreto. O observador, quando consegue visualizar graficamente, percebe relaçõescom mais facilidade. Operações complexas do pensamento requerem sempre ima-ginação e abstração, procura de padrões e familiarização. Isso não significa que aimagem visual mental é melhor do que a concreta, ou vice-versa. Pelo contrário, aimagem abstrata e a concreta se complementam. O pensador que tem visão flexívelse move entre as duas formas de visualizar do concreto e da representação gráfica.Nesse processo, as habilidades cogniƟvas humanas são aƟvadas, como, por exemplo,percepção mais ampla, pensamento críƟco, mais consciente e quesƟonador. Os pes-quisadores-mapeadores podem encontrar com mais facilidade fragmentos de infor-mação específicos e também meios para reconhecer padrões e relações em vários ní-veis. Além disso, eles podem determinar critérios de priorização e desenvolver visãode futuro, de ver o que está adiante do domínio atual. Num passo seguinte, podemtambém integrar de modo focalizado o corpo diverso de conhecimentos. Os mapas permitem desenvolver diversas habilidades para construção do co-nhecimento.Tabela 5 - Habilidades, Ações e Estratégias Okada (2006) 61
  • 26. Fundamentos O mapeamento cogniƟvo como estratégia para representar redes de conhe-cimento e delas extrair importantes inter-relações possibilita: • Selecionar e conectar informações relevantes, produção de senƟdo e significado, arƟcular conhecimento cienơfico arƟculado com saber prá- Ɵco. • Desenvolver habilidades para lidar com os desafios, resolver as dificulda- des, imprevistos e tomar decisões. • Promover visão críƟca, múlƟpla intermediação da aprendizagem, valori- zação de experiências intersubjeƟvas. • Integrar ação com reflexão, pesquisa com aprendizagem e invesƟgação com formação. Nesse senƟdo, comunidades colaboraƟvas podem construir redes de co-nhecimento (OKADA, 2005) através do uso eficiente de recursos tecnológicos, imple-mentação de técnicas de mapeamento e intermediação pedagógica múlƟpla visandomaior qualidade e rigor na produção coleƟva de saberes, na pesquisa, aprendizageme formação docente em educação online.9. Referências Bibliográficas BAUER, M.; AARTS, B. A construção do corpus: um princípio para a coleta de dados qualitaƟvos. In: BAUER, M.; Gaskell, G. Pesquisa QualitaƟva com texto, imagem e som. Petrópolis: Vozes, 2000. BIANCHETTI, L.; MACHADO, A. M. (Org.) A bússola do escrever. Florianópolis/ São Paulo: Cortez/Editora da UFSC, 2002. BLAXTER, L.; HUGHES, C.; MALCOLM, T. How to Research. Buckingham: Open University Press, 1996. BRNA, P.; COX, R.; GOOD, J. Learning to think and communicate with diagra- ms: 14 quesƟons to consider. ArƟficial Intelligence Review, 2001 15(1-2), 115- 134. BURKE, P. Uma história social do Conhecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. BUZAN, T. The Mind Map book. London: BBC worldwide, 1993. CANAS, A. J., LEAKE, D. B.; WILSON, D. C. Managing, Mapping and Manipu- laƟng Conceptual Knowledge, AAAI Workshop Technical Report WS-99-10, Menlo Calif, July, 1999. <hƩp://www.ihmc.us/users/acanas/PublicaƟons/AA- AI99CmapsCBR/ AAAI99CmapsCBR.pdf> acessado em Nov. 2004 CARR, C. Using Computer Supported Argument VisualizaƟon to Teach Legal ArgumentaƟon. In: Kirschner, P. Buckingham Shum, S. and Carr, C. (Eds.) Visu- alizing ArgumentaƟon: SoŌware Tools for CollaboraƟve and EducaƟonal Sen- se-Making. Springer-Verlag: London, 2003. CHEN, C. Mapping scienƟfic fronƟers: the quest for knowledge visualizaƟon. London: Springer, 2003.62
  • 27. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?DELEUZE G.; GUATTARI F. Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia. R. de Janei-ro: Ed. 34, 2000.DEMO, P. Educação & Conhecimento: Relação necessária insuficiente e con-troversa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.DODGE, M.; KITCHIN, R. Mapping cyberspace. London: Routledge, 2001.EDMONDSON, K. M. Concept Mapping for the development of medical curri-cula. Journal of Research in Science Teaching, 32 (7), 777-793, 1995.FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 20. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987._____Educação como práƟca da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967GERSHON, N.; EICK, S. G.; CARS, C. InformaƟon visualizaƟon. InteracƟons:March/April 1998 – 9-15, 1998.GLENN, B. T.; CHIGNELL, M. H. Hypermedia: design for browsing. In : Hartson,H.R, Hix, D. Advances in Human-Computer InteracƟon. Nerwood, New Jersey:Ablex Publishing CorporaƟon, v. 3, 1992.HARLEY, J.B.; WOODWARD, D. (eds) The History of Cartography. Chicago andLondon: University of Chicago Press, 1987.HARLEY, J. B. DesconstrucƟng the Map. Cartographica, 1989.HARPOLD, T. DarkconƟnents: CriƟque of Internet metageographies. <hƩp://www.lcc.gatech.edu/~harpold/papers/dark_conƟnents/index.html>, 1999.Postmodern Culture [Online], 9 (2) Acessado em Nov. 2004.HICKS-MOORE; SANDEE L.; PASTIRIK, P. J. EvaluaƟng CriƟcal Thinking in ClinicalConcept Maps: A Pilot Study. InternaƟonal Journal of Nursing EducaƟon Scho-larship: Vol. 3 : Iss. 1, ArƟcle 27, 2006.JONASSEN , D. Computers as mindtools for schools: engaging criƟcal thinking.Upper Saddle River, N.J : Merrill, 2000.KAKU, M. Hyperspace: A ScienƟfic Odyssey Through Parallel Universes, TimeWarps, and the 10th Dimension. NewYork: Doubleday Publishing Group, 2000.KIRSCHNER, P.; BUCKINGHAM SHUM, S.; CARR, C. (Orgs) Visualizing Argumen-taƟon: SoŌware Tools for CollaboraƟve and EducaƟonal Sense-making. Lon-don Springer-Verlag, 2003.LÉVY, P. A ideografia dinâmica rumo a uma imaginação arƟficial. São Paulo:Loyola, 1998.MACEACHREM, A.M. How Maps Work: RepresentaƟon, VisualizaƟon, and De-sign. Guildford, New York, 1995.NOVAK, J. Learning CreaƟng and using Knowledge: concepts maps as facilita-Ɵve tools in schools and corporaƟons. London: Lawrence Erlbaum AssociatesMahwah, 1998.OKADA, A. Cartografia InvesƟgaƟva - Interfaces epistemológicas comunicacio-nais para mapear conhecimento em projetos de pesquisa. Tese de Doutorado. 63
  • 28. Fundamentos São Paulo: Programa de Pós-graduação em Educação: Currículo. PonƟİcia Uni- versidade Católica de São Paulo. Abril, 2006. ______The collecƟve building of knowledge in collaboraƟve learning environ- ments. In: Roberts Tim S. Computer-supported CollaboraƟve Learning in Hi- gher EducaƟon. London: Idea Group, 2005. OKADA, A.; ALMEIDA, F . Navegar sem mapa?. In: Leao, L. (Org.). Derivas: car- tografias do ciberespaço. São Paulo: Annablume, v. 1 , p. 109-116, 2004. OKADA, A.; BUCKINGHAM SHUM,S; SHERBORNE,T. Knowledge Cartography: soŌware tools and mapping techniques London: Springer. 2008 < hƩp://kmi. open.ac.uk/books/knowledge-cartography> PAUL, R. W. CriƟcal Thinking: what, why and how. In: C. A. Barnes (Ed) CriƟcal thinking: educaƟonal imperaƟve. San Francisco: Jossey-Bass, 1992. POLANYI, M. The study of man. London: Routledge and Kegan Paul, 1959. RIDER, Y.; THOMASON, N. CogniƟve and Pedagogical Benefits of Argument Mapping: L.A.M.P. Guides the Way to BeƩer Thinking. In: Okada, A.; Buckin- gham Shum, S; Sherborne, T. (Eds) Knowledge Cartography: soŌware tools and mapping technique. London: Springer, 2008. ROBINSON, A. Eearly themaƟc mapping in the history of cartography. Chica- go: University of Chicago press, 1982. ROSCHELLE, J. Designing for cogniƟve communicaƟon: Epistemic fidelity or mediaƟng collaboraƟng inquiry. In: D. L. Day e D. K. Kovacs (Eds.), Compu- ters, CommunicaƟon & Mental Models (pp. 13-25). London: Taylor & Francis, 1996. ROWE, G.; REED, C. Argument Diagramming: The Araucaria Project. In: Okada, A.; Buckingham Shum, S; Sherborne, T. Knowledge Cartography: soŌware to- ols and mapping techniques. London: Springer, 2008. SALOMON, D.V. A Maravilhosa Incerteza – Pensar, pesquisar e criar. MarƟns Fontes, São Paulo, 2000. SANTOS, B. S. A críƟca da razão indolente: contra o desperdiço da experiência. São Paulo: Cortez, 2000. SILVA, A. Organização Curricular por Competência no Ensino Superior. In. Oka- da, A. (org.) e-mapbook, São Paulo: Compart Educacional. <hƩp://projeto. org.br/emapbook> VAN GELDER, T. J.; BISSETT, M.; CUMMING, G. CulƟva Ɵng ExperƟse in Infor- mal Reasoning. Canadian Journal of Experimental Psychology. 58, 142-152, 2004. ZEILIGER, R.; ESNAULT, L.; PONTI, M. ConstrucƟng Knowledge as a System of RelaƟons, in Proceedings of the IRMA InternaƟonal Conference, San Diego, May 15-18, 2005, USA.64
  • 29. O que é cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?10. Fórum de Discussão 1. Como Okada define cartografia cogniƟva e qual a sua importância no cenário atual? Qual a sua opinião sobre as habilidades a serem desen- volvidas e estratégias a serem implementadas relacionadas com mape- amento do conhecimento? 2. Qual o significado de mapas segundo a definição trazida pela autora? 3. Quais os Ɵpos de mapas que podem ser desenvolvidos num projeto de pesquisa? 4. Quais as contribuições da Cartografia CogniƟva para pesquisadores, pro- fessores e aprendizes? 5. Como Mapeamento pode ser avaliado durante o processo da pesquisa e aprendizagem?11. Conceitos descritos pelo(s) autor(es) Consulte no glossário: Design, Conhecimento Explícito, Conhecimento Táci-to, Dimensão Epistemológica, Dimensão Ontológica. 65