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Do conceito à forma: A ilustração de Daniel Bueno
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Do conceito à forma: A ilustração de Daniel Bueno

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Trabalho de conclusão de curso apresentado em 2009 para a obtenção de título de bacharel em designer gráfico na UFPel.

Trabalho de conclusão de curso apresentado em 2009 para a obtenção de título de bacharel em designer gráfico na UFPel.

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  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTASINSTITUTO DE ARTES E DESIGNDEPARTAMENTO DE ARTES VISUAISCURSO DE ARTES VISUAISHABILITAÇÃO EM DESIGN GRÁFICOTrabalho de Conclusão de CursoDO CONCEITO À FORMA:A ILUSTR AÇÃO DE DANIEL BUENO.MILTON TAWAMBA DA SILVEIRA JUNIORPelotas, 2009.
  • 2. MILTON TAWAMBA DA SILVEIRA JUNIORDO CONCEITO À FORMA:A ILUSTR AÇÃO DE DANIEL BUENO.Trabalho acadêmico apresentado ao Curso de Artes Visu-ais do Instituto de Artes e Design da Universidade Federalde Pelotas como requisito para a obtenção do título deBacharel em Design Gráfico.Orientadora: Profa. Dra. Nádia da Cruz Senna.Pelotas, 2009.
  • 3. BANCA EXAMINADOR AEduarda Azevedo GonçalvesMônica Lima de FariaNádia da Cruz Senna
  • 4. DEDICATÓRIADedico este trabalho aos meus pais por sua compreensãoe apoio.
  • 5. AGR A DECIMENTOSÀ professora Nádia Senna por aceitar o convite de orien-tação e pela cumplicidade e comprometimento com arealização deste trabalho.Ao ilustrador Daniel Bueno pela atenção e prestativida-de em responder e fornecer imagens importantes de seuacervo pessoal.E à Sandra Espinosa pelo apoio e paciência.
  • 6. LISTA DE IMAGENSFig.01_ Pôster da Columbia Records, Milton Glaser,1966.........................16Fig.02_ Pôster. April Greiman, 1987.............................................................17Fig.03_ Página interna de Asilo Arkan, Dave McKean...............................17Fig.04_ Cena do curta-metragem Tyger.......................................................18Fig.05_ Fragmento de HQ Organus, criada por Bueno.............................20Fig.06_ Ilustração de Bueno salão de Piracicaba, 1994............................20Fig.07_ Ilustração de Bueno para Caros Amigos........................................21Fig.08_ Ilustração de Daniel Bueno............................................................22Fig.09_ Ilustração de Herbert Leupin..........................................................22Fig.10_ Ilustração de Saul Steinberg, 1948..................................................23Fig.11_ Ilustração de Folon...........................................................................23Fig.12_ Fragmento de Guernica. Pablo Picasso, 1937................................23Fig.13_ Ilustração de Guevara......................................................................23Fig.14_ Depero Futurista, 1927.....................................................................24Fig.15_ Trabalho dadaísta de George Grosz...............................................24Fig.16_ Trabalho dadaísta de Kurt Schwitters.............................................24Fig.17_ Fantasia. Estúdios Disney, 1940………............……………............24Fig.18_ Alice no País das Maravilhas. Estúdios Disney, 1951.....................25Fig.19_ Peter Pan. Estúdios Disney, 1953...................……………………...25Fig.20_ Mr. Magoo, Studio UPA, 1963……………........……………..........25Fig.21_ Ilustração de Mary Blair...................................................................25Fig.22_ Pôster Normandie. Cassandre, 1935..............................................26Fig.23_ Ilustração de Herbert Leupin..........................................................26Fig.24_ Capa da revista Para Todos, J. Carlos, 1927...................................26Fig.25_ Monsavon. Raymond Sevignac, 1949............................................26Fig.26_ Ilustração de André François..........................................................27Fig.27_ Pop Art, Richard Hamilton..............................................................27Fig.28_ Capa de Ghost World, Fantagraphics Books ................................27Fig.29_ Capa de Strapazin............................................................................27
  • 7. Fig.30_ Marca de Drawn & Quarterly.........................................................28Fig.31_ Persépolis, Marjane Satrapi.............................................................28Fig.32_ Linha do Tempo Referencial...........................................................29Fig.33_ Ilustração do livro “Bili com limão na mão”, Bueno.....................30Fig.34_ Cena de animação para Visa Cinema............................................31Fig.35_ Páginas da revista Charivari............................................................32Fig.36_ Ilustração de Bueno, Revista Info Corporate, 2003.......................34Fig.37_ Ilustração de Bueno, Órgãos responsáveis pela Cultura...............35Fig.38_ Ilustração de Bueno, Crítica a Rede Globo de Televisão..............36Fig.39_ Relação de formato A3 com tamanho de página do projeto.......38Fig.40_ Marcações e Perspectiva do impresso...........................................39Fig.41_ Cartum inspirada nas Men Tiras, Bueno........................................50Fig.42_ Ilustração de Saul Steinberg para a New Yorker............................52Fig.43_ Ilustração de Bueno para o livro Viagens e Fugas........................54 7
  • 8. SUMÁ RIOINTRODUÇÃO...............................................................................................9I. Ilustração: contexto histórico........................................................................11 1.1. Definindo Ilustração.................................................................12 1.2. Sobre Arte e Design.................................................................13II. A ilustração na contemporaneidade........................................................15III. Sobre Daniel Bueno.................................................................................19 3.1. Influências ...............................................................................21 3.1.1. Linha do tempo..........................................................28 3.2. Abordagem gráfica..................................................................30 3.3. Análise da produção...............................................................33IV. Trabalho Prático.......................................................................................37 4.1. Memorial Descritivo................................................................38CONCLUSÃO................................................................................................41REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA....................................................................43APÊNDICE.....................................................................................................45 A reprodução da imagem: modos e técnicas...............................46 Questões elaboradas para DanielBueno.......................................49ANEXOS........................................................................................................55 8
  • 9. INTRODUÇÃO O mundo contemporâneo é especializado e se renova constante-mente. O designer é um produto da modernidade que cada vez mais ga-nha espaço no mercado devido às necessidades que surgem nos diversosmeios de comunicação que se tem hoje. A diversidade de serviços e su-portes foi responsável pela especialização e divisão das competências pro-fissionais. A afinidade com o desenho possibilitou que alguns profissionaiselegessem a ilustração como área de atuação por excelência. Através das experiências acadêmicas e profissionais, foi possível de-tectar a importância da ilustração no projeto gráfico. A ilustração permiteuma amplitude de soluções gráficas em função do imaginário e da explo-ração de diversos materiais e técnicas. O aprofundamento no tema permi-te observar outras qualidades que não somente as estéticas na ilustração,assim como valores comunicacionais e conceituais, valores esses que atornam um elemento integrante e necessário para o campo do design. Junto a outros elementos presentes no design, tais como cor, tipo-grafia, estilo, etc., a ilustração acompanha sua história e faz parte destade maneira intrínseca. Como nos diz Steven Heller (2008, pág. 9): “a ilus-tração visa iluminar, tornar um manuscrito mais vivo e dar-lhe uma certaprofundidade”. Esta profundidade desperta o imaginário do expectador etraz a tona referências que muitas vezes não se encontram verbalmenteexplícitas. Assim, esta pesquisa tem como objetivo trazer a tona uma reflexãosobre a produção de ilustração na contemporaneidade, que se desenvol-verá através de um estudo de caso, esclarecendo então as idéias aborda-das no texto. 9
  • 10. O ilustrador escolhido para a abordagem do tema é Daniel Bueno,arquiteto formado pela FAU-SP, que começou seu trabalho como ilustradore designer na revista Caros Amigos e que hoje se tornou um profissionalreconhecido em seu meio. Seu trabalho atende a diversas especializaçõesdo design, como revistas, jornais e livros infantis, podendo ser considera-do dentro da produção de ilustração contemporânea um referencial degrande importância. Para além da identificação pessoal e admiração pelo trabalho doilustrador, a escolha pelo mesmo parte da percepção de que seu trabalhovem contribuindo para uma valorização da ilustração enquanto lingua-gem. O pensamento crítico que exerce em relação ao seu próprio trabalhopermite-nos enxergar todo o processo que utiliza para concepção de suasimagens, além de perceber a maturidade com que realiza suas ilustrações. Bueno é um ilustrador contemporâneo, o que torna relevante para apesquisa acadêmica realizar um levantamento das principais influênciassobre sua obra. Assim, para situar a trajetória artística desse profissional,será construído um breve panorama da história da ilustração e uma li-nha do tempo com enfoque em suas influências. Ainda, a fim de detectarcaracterísticas pessoais e demais aspectos recorrentes na sua obra, serãoanalisadas três ilustrações do artista, de diferentes períodos. A aplicação prática da pesquisa consiste em um projeto gráfico edi-torial com base no texto construído, tornando o próprio Trabalho de Con-clusão de Curso em um objeto de design. 10
  • 11. I. Ilustração: contexto histórico É inegável nos dias de hoje a importância da ilustração, não somentepara o design, mas como para todos os meios que trabalham com imagem.Ela encontra-se inserida em diversos meios de comunicação, que vão dotradicional jornal impresso às atuais mídias digitais. As representações rupestres são os testemunhos mais remotos nessesentido. Os povos primitivos, embora não dispondo de uma linguagem es-crita, usaram as imagens para dar conhecimento ao mundo do seu modode vida, e assim, fundaram a história. Deste modo, o uso da imagem den-tro do processo de comunicação se verificou uma forma eficaz de trans-missão e expressão de idéias. No entanto, é importante que se tenha a consciência de que o atode ilustrar, tal como conhecemos hoje, é um ofício que irá se firmar nosprimórdios do design com o advento da imprensa e da industrializaçãono surgimento de uma sociedade que se encontra inserida em contextossocial, econômico, político, cultural e tecnológico que levaram à sua con-cepção e realização (FIELL & FIELL, 2001). A formalização e a instrumentalização do profissional de artes grá-ficas estão intrinsecamente ligadas aos meios e técnicas que permitem areprodução em série. Isso é igualmente válido para a ilustração, uma vezque ela também irá se firmar no momento em que as técnicas de reprodu-ção da imagem possibilitem a produção em série (FONSECA, 1999).1.1. Definindo Ilustração A ilustração é uma imagem resultante de um trabalho artístico obtidopor meio de diversas técnicas disponíveis que possibilitam a transposição 12
  • 12. ILUSTRAÇÃO: CONTEXTO HISTÓRICO / SOBRE ARTE E DESIGNde uma idéia mental para um suporte (LINS, 2002). Salienta-se ainda quea ilustração segue parâmetros diretamente relacionados à facilitação doentendimento entre uma mensagem e o seu expectador, estabelecendouma comunicação com este. De acordo com o dicionário Michaelis1 temos: i.lus.tra.ção sf (lat illustratione) 1 Ato ou efeito de ilustrar. 2 Esclare- cimento, explicação. 3 Breve narrativa, verídica ou imagi- nária, com que se realça e enfatiza algum ensinamento. 4 Conjunto pessoal de conhecimentos históricos, científi- cos, artísticos etc. 5 Publicação periódica com estampas. 6 Desenho, gravura ou imagem que acompanha o texto de livro, jornal, revista etc., ilustrando-o. I. divina: inspiração. Desde o início, a ilustração foi idealizada como ferramenta de auxí-lio ao entendimento de escritos publicados, sejam pôsteres, jornais, revis-tas, etc. Entretanto, uma coisa é fazer um desenho bonito e outra muitodistinta é situar o tema em um cenário convincente, dar-lhe força narrati-va, personalidade e interesse dramático. De acordo com Andrew Loomis(1958), a ilustração deve realizar algo, vender um produto ou dar realismoe caráter a uma história; sua personalidade deve impressionar a quem olhelevando-o a uma determinada resposta emocional.1.2. Sobre Arte e Design Enquanto mimética, a arte cumpria certo grau de comunicação como expectador. Pode-se perceber isso através da pintura narrativa de Mi-chelangelo na Capela Cistina, nos “infográficos” de Leonardo da Vinci,nos Caprichos de Goya, entre outros tantos exemplos na história da arte. 1_ Dicionário on-line disponível em http://michaelis.uol.com.br/ Com o surgimento das vanguardas artísticas na virada do século XIX moderno/portugues/index.php, acessado em 04/08/2009 13
  • 13. ILUSTRAÇÃO: CONTEXTO HISTÓRICO / SOBRE ARTE E DESIGNpara o XX, a arte volta-se sobre sua própria linguagem, originando a criseda representação e o distanciamento do expectador “não iniciado” nestecircuito. Esse fato, somado a revolução industrial permite que o artistagráfico se estabeleça em definitivo nessa linha de transição, entre a arte ea comunicação. Este contexto social, econômico e cultural possibilitou no mercadoa inserção de um profissional que pudesse traçar uma linha comunicativaeficaz entre a idéia que se quer passar (de produto ou serviço) e o espec-tador. Jonathan Raimes (2007) diz que o artista comercial, precursor do designer gráfico, nasceu dessa fusão entre arte e ofício, criando uma nova lingua- gem visual necessária para se comunicar com um novo público. (p. 14) Observando a linha histórica da ilustração veremos que muitas vezesse sobrepõem: ilustração, design e arte. Isso ocorre em função do referen-cial comum e do intercâmbio entre os profissionais dessas áreas. Váriosmovimentos artísticos influenciaram o design, assim como o design foireferência para escolas e movimentos. Conforme observa Umberto Eco(2006) “os cânones artísticos não só coexistem como se remetem mutua-mente através da história da arte e da cultura”. 14
  • 14. II. A ilustração na contemporaneidade A fronteira que estabelece o fim do modernismo e o começo dopós-moderno no design e também na ilustração não se encontra defini-da, uma vez que temos dentro de suas histórias muitos profissionais queromperam com a previsibilidade do estilo internacional2. De uma maneirageral, encontram-se aí todas as práticas contemporâneas desvinculadas darigidez bauhausiana. Um importante dado a ser considerado na história do que vem a sercontemporâneo na ilustração, é a fundação, no ano de 1954 em NovaIorque, do Push Pin Studio. O trabalho de seus fundadores, Milton Glaser,Seymour Chwast, Reynold Rufins e Edward Sorel representou uma quebrade paradigmas, uma vez que faziam uso da ilustração com inspiração emestilos passados, tais como Vitoriano, Art Nouveau e Art Déco; uma alter-nativa para o moderno design gráfico da época, onde era recorrente o usoda simples fotografia (Fig.01). Nesse sentido surgiram vários estilos, artistas, escolas e grupos queafirmavam sua forma diferenciada de trabalhar, como o Punk, New Wave,Academia de Arte Cranbrook, Grapus, Memphis, Neville Brody e Retro.Esse processo foi muito importante na história da ilustração, pois trouxe aabertura de um leque maior de possibilidades criativas. De maneira geral, Fig.01_ Poster da Columbia Records, Dylan, Milton Glaser,1966.pode-se dizer que a ilustração contemporânea é fruto da impressão pesso-al do ilustrador sobre o tema que ele aborda. Agregado a esses fatores, nos anos 1980 a tecnologia computacionaltornou-se cada vez mais recorrente no meio gráfico, embora no início nãotenha sido aceita por alguns designers devido aos limites de acabamento 2_ Kopp (2004), o Estilo Internacional, normalmente associado à “escola suíça”, compreende uma série de trabalhos realizados entre asque dispunha. O uso da nova ferramenta – o computador pessoal – nas ar- décadas de 1920 e 60, concorrendo com outras tendências, igualmente modernistas. 16
  • 15. A ILUSTRAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADEtes gráficas foi gradativamente crescendo e revolucionou o modo de pen-sar de muitos artistas, como por exemplo, April Greiman, que explorouas limitações do pixel como forma de expressão para suas idéias (fig.02). Hoje encontramos, nas práticas artísticas de desenho, uma maneirasofisticada e exclusiva de destacar a mensagem que se quer passar. Astécnicas de ilustração se renovam constantemente, fazendo com que sem- Fig.02_ Pôster. April Greiman, 1987.pre surjam novas maneiras de se apresentar uma mensagem, lançar umproduto ou apresentar uma matéria no jornal. A lógica pós-moderna se encontra na possibilidade da experiencia-ção com todos os meios técnicos e conceituais disponíveis, onde o úni-co limite imposto é o da criatividade do ilustrador. Como exemplo dessecontexto, pode ser citado o trabalho do artista, designer e ilustrador DaveMcKean, que explora todas as possibilidades dentro das diversas mídiascom as quais tem contato: história em quadrinhos, capa de CDs, livros eaté mesmo cinema (Fig.03). O fato de uma grande parte da ilustração atual estar separada dotexto tradicional, na verdade impulsionada por forças que vão além deste,é uma prova da necessidade criativa dos ilustradores (HELLER, 2008). Essanecessidade criativa é o que impulsionou a produção de ilustração da ma-neira como conhecemos hoje. Devido à complexidade do repertório do Fig. 03_ Página interna de Asilo Arkan, Ilustração de Dave McKean.espectador, a ilustração é pensada de acordo com um indivíduo inseridoem um mundo de multireferências e simultaneidade de linguagens, quedomina códigos sofisticados de percepção da imagem. Deste modo, a ilustração não é somente desenho, fotografia, cola-gem, preto e branco, colorido ou ainda gravura, pintura, manipulação deferramentas digitais entre outros; mas todas as técnicas possíveis inseridasdentro de um vasto leque de aplicações. Torna-se assim, independente de 17
  • 16. A ILUSTRAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADEmídias, fazendo com que seja comum encontrar o trabalho de ilustradoresem animações e comerciais de televisão, por exemplo3 (Fig.04). Fig.04_ Cena do curta-metragem Tyger, de Guilherme Marcondes. Ilustrações de Samuel Casal. 3_ O curta-metragem Tyger encontra-se no CD em anexo. 18
  • 17. III. Sobre Daniel Bueno Daniel Bueno nasceu na cidade de São Paulo no dia 20 de abril de1974. Seu interesse pelo desenho apresentou-se quando ainda criança,pois já possuía apreço pelas animações de Walt Disney e pelas históriasem quadrinhos que, como relatou em uma entrevista4 , foram essenciaispara sua formação. Seu envolvimento com o desenho sempre foi intenso,fazia parte das brincadeiras infantis e de seu mundo de fantasia e ima-ginação. Ainda menino desenvolvia com a ajuda da escrita de seu pai,narrativas gráficas que seriam o início de um longo percurso pelo universoda ilustração. Fig.05_ Fragmento da HQ Organus, criada por Bueno publicada no fanzine Croqui em 1993 e, posteriormente, selecionada no salão de No ano de 1993, Bueno entrou para a Faculdade de Arquitetura e Ur- Piracicaba.banismo na Universidade de São Paulo. A escolha pela arquitetura comoprofissão vem do gosto pelas questões da cidade, assim como pelo dese-nho, geografia e história. No decorrer do curso, tinha a convicção de queiria ser arquiteto, mas também não deixava de experimentar outras coisasque o ambiente oferecia, como um núcleo de história de quadrinhos. Nes-ta fase, sua produção era voltada para os salões de humor, que participavaenviando cartuns5 (Fig.05 e 06). No retorno de uma viagem de estudos a Portugal, freqüentou a disci-plina de cenografia com o professor Silvio Dworecki, o qual lhe apresen- Fig.06_ Monstro, Ilustração de Bueno selecionada no salão de Piracicaba, 1994.tou o trabalho de Saul Steinberg. A partir desse envolvimento, percebeuque seu caminho estava tendendo para o lado do desenho, da ilustração ecom o fim do curso já próximo, Bueno começa a ilustrar profissionalmen- 4_ Entrevista ao programa Perfil Literário, Rádio Unesp em maio dete para a revista Caros Amigos e para a Folhinha, suplemento infantil do 2009. Disponível no CD em anexo à monografia.jornal Folha de São Paulo. 5_ Cartum é um desenho caricatural que apresenta uma situação humorística, utilizando ou não legendas. O cartum, em contraposição à charge, é atemporal e é universal, pois não se prende necessariamente aos acontecimentos do momento (FONSECA, 1999). 20
  • 18. SOBRE DANIEL BUENO / INFLUÊNCIAS O período no qual trabalhou para a Revista Caros Amigos foi muitoimportante para seu desenvolvimento profissional, pois através do expe-rimentalismo inicial conseguiu definir alguns caminhos a serem tomadosem relação a sua técnica e ao seu modo de pensar a ilustração. Inicial-mente preocupava-se em explicar demasiadamente o texto, o que alémde desviar a atenção do foco principal, comprometia a força poética ecognitiva da imagem. Através de uma análise crítica de suas próprias ilus-trações, Bueno percebeu que seria importante para seu trabalho partir domais simples, para assim concentrar-se em alguns aspectos fundamentaisdo desenho (BUENO, 2004). Fig.07_ Ilustração de Bueno para Caros Amigos. Para fundamentar seu trabalho, Bueno recorreu ao estudo aprofun-dado sobre referências artísticas tais como a de Saul Steinberg e Jean-Mi-chel Folon. Contudo, outras influências de grande importância podem serencontradas no trabalho do ilustrador, como: Adolphe Mouron Cassandre,George Grosz, Raymond Savignac entre outros. E, estendendo a outroscampos, podemos conferir dentro das influências de Bueno as clássicasanimações dos estúdios Walt Disney e as histórias em quadrinhos alterna-tivos da editora Fantagraphics Books.3.1. Influências Os vários artistas e movimentos artísticos dos séculos anteriores ain-da são influências para a produção atual de ilustração. Tendo como baseessa idéia, podemos compreender que o estudo sobre as influências deBueno se faz necessário para o compreendimento de diversos aspectosacerca de sua produção. Então, de acordo com seu referencial artístico, entende-se que Bue-no se atém ao modo como esses artistas concebem suas idéias dentro do 21
  • 19. SOBRE DANIEL BUENO / INFLUÊNCIAStema proposto e como, a partir disso, constroem seus desenhos. Todavia,em termos técnicos o trabalho do ilustrador pode ser relacionado, porexemplo, com o de Herbert Leupin (ver página 26), pelo uso do recorte defiguras com extrema síntese formal (Fig.08 e 09). Mas, dentre as influências de Bueno, podemos dizer que a maiordelas é Saul Steinberg, inclusive, o artista foi o tema central de sua Tesede Mestrado6. Steinberg, que em detrimento de um acabamento laborio- Fig.08_ Ilustração de Daniel Bueno.so, privilegiava em sua arte a idéia e a vontade de “dizer algo” (BUENO,2009). Essa característica reflete-se no trabalho de Bueno e pode ser con-ferida na percepção do modo com o qual constrói a ilustração, que, pormeio de metáforas, simbolismo, alegorias, analogias e sutilezas gráficas,estabelece uma conexão com o conteúdo da matéria, livro ou conceitográfico. Fig.09_ Ilustração de Herbert Leupin. 6_ Em 2008, Bueno recebeu o troféu HQMIX de melhor tese de mestrado intitulada “O Desenho Moderno de Saul Steinberg: Obra e Contexto”. O troféu HQMIX é considerado o “Oscar” dos quadrinhos e humor gráfico no mercado brasileiro. 22
  • 20. SOBRE BUENO / INFLUÊNCIASSaul Steinberg (1914-1999) Artista romeno naturalizado americano, que ficou conhecido por tra-balhar nas capas de The New Yorker Magazine por quase seis décadas.Sua obra mais famosa é um desenho de 1948 onde o personagem traçauma grande espiral e desenha a si mesmo (Fig.10).Jean-Michel Folon (1934-2005) De origem belga, Folon, ao longo dos anos, trabalhou com pinturaem aquarela, ilustração de livros, serigrafia, gravura, mosaicos, vitrais, ce- Fig.10_ Ilustração de Steinberg. Fig.11_ Ilustração de Folon.nários e filmes. Devido sua heterogeneidade, concebeu diversos anúnciosque, em grande maioria, serviam às causas humanitárias. Em 1973 partici-pou da XXV Bienal de São Paulo, onde lhe foi atribuído o Grande Prêmiode Pintura (Fig.11).Pablo Picasso (1881-1973) Pablo Ruiz Picasso é um artista reconhecido como um dos maio-res nomes da história da arte. Entre seus trabalhos encontramos pinturas,esculturas, cerâmicas e gravuras. Junto com Georges Braque, fundou ocubismo (Fig.12). Fig.12_ Detalhe de Guernica, Fig.13_ Ilustração de Guevara.Guevara (1904-1963) Picasso, 1937. Andrés Guevara foi um chargista, ilustrador, pintor e artista gráficoparaguaio. Viveu e trabalhou em três países da América do Sul: Paraguai,Brasil e Argentina (Fig.13). 23
  • 21. SOBRE BUENO / INFLUÊNCIASFortunato Depero (1892-1960) Fortunato Depero exerceu grande influência na difusão das idéias dofuturismo na Itália e no mundo, uma vez que seu trabalho dentro da publi-cidade trazia consecutivas referências acerca da filosofia do movimento.Em 1927 publicou seu livro, Depero Futurista, e um ano depois se mudoupara Nova Iorque, onde continuou a exercer sua profissão como designer Fig. 14 - Depero Futurista, 1927. Fig.17_ Cena da animaçãodentro da publicidade (fig.14). Fantasia. Estúdios Disney, 1940.George Grosz (1893 -1959) Pintor e desenhista alemão que se destacou, inicialmente, na quali-dade de uma das figuras mais importantes do movimento Dadá. Foi umdos principais membros do grupo expressionista da Nova Objectividadejuntamente com Max Beckmann e Otto Dix, empenhando-se em analisarcriticamente a situação política e social da Alemanha, durante a Repúblicade Weimar (1919-1933) (Fig.15).Kurt Schwitters (1887-1948) Kurt Schwitters foi um pintor, escultor e poeta alemão, fundador da Fig.16_ Trabalho dadaísta de Kurt Schwitters.Casa Merz e irradiador do dadaísmo em Hannover (Fig.16). Fig.15_ Trabalho dadaísta de George Grosz.Fantasia Fantasia é uma animação longa metragem, produzido pelos EstúdiosDisney em 1940. Hoje é considerado um clássico e chegou a receber doisOscars honorários e um prêmio especial do New York Film Critics CircleAwards (Fig.17). 24
  • 22. SOBRE BUENO / INFLUÊNCIASAlice no País das Maravilhas Produzido pelos Estúdios Disney em 1951, Alice no País das Mara-vilhas é uma animação baseada na obra de Lewis Carroll. O filme contaa história de uma menina, a Alice, que cai em uma toca de coelho e vaiparar num lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomór-ficas (Fig.18). Fig.20_ Mr. Magoo, Studio UPA, Fig.18_ Alice no País das 1963. Maravilhas. Estúdios Disney, 1951.Peter Pan Peter Pan é uma animação produzida pelos Estúdios Disney em1953. Baseada no personagem criado pelo romancista e dramaturgo esco-cês JM Barrie (1860-1937), o filme conta a história de um menino que nãoqueria crescer e que habitava a ilha Neverland junto com os denominadosGarotos Perdidos, aventurando-se em meio a seres como sereias, índios,fadas e piratas (Fig.19).Studio UPA United Productions of América, mais conhecida como UPA, é umestúdio de animação americano fundado na década de 1940 em meio a Fig.19_ Peter Pan. Estúdios Disney, 1953.uma greve de animadores da Walt Disney. Procurou produzir filmes ani- Fig.21_ Ilustração de Mary Blair.mados com liberdade suficiente para expressar idéias que eram considera-das radicais em outros estúdios, como a memorável série animada de Mr.Magôo, de 1963 (Fig.20).Mary Blair (1911-1978) Mary Blair foi uma artista conceitual americana que hoje é lembradapelo seu trabalho na Walt Disney Company. Trabalhou em filmes comoAlice no País das Maravilhas, Peter Pan, Canção do Sul e Cinderela (Fig.21). 25
  • 23. SOBRE BUENO / INFLUÊNCIASAdolphe Mouron Cassandre (1901 - 1968) Artista ucraniano que migrou para França para estudar na École desBeaux-Arts e na Académie Julian. Cassandre tornou-se bem sucedido efundou sua própria agência de publicidade chamada Aliança Graphique.Seu trabalho de maior reconhecimento foi o pôster Normandie (Fig.22).Herbert Leupin (1916 -1999) Considerado o pai do cartaz suíço, Leupin representa uma das maisbem sucedidas carreiras no design gráfico. Ao todo, criou cerca de 500cartazes. Em seus últimos anos, voltou-se para a ilustração infantil, onde Fig.23_ Ilustração de Herbertcontinuou a ter reconhecimento pelo seu trabalho (Fig.23). Leupin. Fig.22_ Pôster Normandie. Cassandre, 1935.José de Carlos de Brito e Cunha (1884-1950) Cartunista brasileiro, mais conhecido como J. Carlos, estreou sob adireção de K. Listo e Raul, em O Tagarela, 1902. Contribuiu para muitaspublicações importantes no Brasil, como Para Todos, O Tagarela, A Ave-nida, O Malho, Almanaque Tico-Tico, Fon-Fon! e Careta, entre outras.O tipo “melindrosa” foi imortalizado através de seus desenhos, os quaisinfluenciaram o comportamento de toda geração dos anos 1930 (Fig.24).Raymond Savignac (1907 – 2002) Famoso artista gráfico francês que começou a trabalhar sob a direçãode Cassandre, mas logo se tornou reconhecido por seus cartazes. Estes sedistinguiam de outros da época pela simplicidade e bom humor, como o Fig.24_ Capa da revista Para Fig.25_ Monsavon. Raymondtrabalho realizado para Monsavon sabão em 1949 (Fig.25). Todos, J. Carlos, 1927. Sevignac, 1949. 26
  • 24. SOBRE BUENO / INFLUÊNCIASAndré François (1915-2005) André François foi um artista húngaro que ficou mais conhecido peloseu trabalho com cartoon. Em 1934, quando se mudou para França, traba-lhou no atelier de Cassandre. Devido a sua competência artística, conse-guiu publicar em revistas como a Punch, na Inglaterra e The New Yorker,nos Estados Unidos (Fig.26).Pop Art Fig.27_ Pop Art, Richard Hamilton. Pop Art foi um movimento artístico que se desenvolveu nos EUA ena Inglaterra na década de 1950 em reação ao expressionismo abstrato. Fig.26_ Ilustração de AndréO movimento tinha como principal temática a exposição figuras e ícones François.populares para criticar a cultura de massas. Dentre seus representantes,encontramos Andy Warhol, Roy Lichtenstein e Richard Hamilton (Fig.27).Fantagraphics Books Fantagraphics Books é uma editora americana de HQ alternativa fun-dada em 1976 por Gary Groth e Mike Catron. Além de ter publicado aaclamadas séries como Ghost World e Love and Rockets, é responsávelpela publicação de The Comics Journal, uma revista que abrange quadri-nhos como uma forma de arte a partir de uma perspectiva crítica (Fig.28).Strapazin (1984) Fig.28_ Capa de Ghost World, Fig.29_ Capa de Strapazin. Fantagraphics Books. Strapazin é uma publicação trimestral independente alemã fundadapor funcionários da Folha no ano de 1984 em Munique. Desde sua inau-guração, no primeiro Comic Salon, em Erlangen, funciona como platafor-ma para publicação alternativa de trabalhos de cartunistas (Fig.29). 27
  • 25. SOBRE BUENO / INFLUÊNCIASDrawn & Quarterly Drawn e Quarterly é uma editora canadense dirigida pelo editorChris Oliveros cujo enfoque se encontra nos quadrinhos alternativos dire-cionados ao romance gráfico. Embora o seu catálogo é consideravelmentemenor do que o do seu equivalente americano Fantagraphics, publicouquadrinhos de grandes talentos, como Chester Brown, Robert Crumb, GuyDelisle, Julie Doucet, Huizenga Kevin, Joe Matt, Joe Sacco, Seth, e AdrianTomine e atualmente é a mais bem sucedida e proeminente editora dequadrinhos no Canadá (Fig.30). Fig.30_ Marca de Drawn & Quarterly.L´Association L´Association é uma editora francesa de história em quadrinhos alter-nativa fundada no início da década de 1990 por Jean-Christophe Menu,Lewis Trondheim, David B., Matt Konture, Patrice Killoffer, e StanislasMokeït. É considerada uma das mais importantes editoras de HQ e a pri-meira a publicar autores como Joann Sfar e Marjane Satrapi. Esta é autorade Persépolis, história em quadrinhos publicada pela L´Association entre2000 e 2003 que recentemente foi adaptado para o cinema (Fig.31).3.1.1. Linha do tempo referencial Na tentativa de entender o contexto histórico da obra gráfica de Da-niel Bueno foi construída uma linha do tempo que permite visualizar elocalizar os principais estilos, referências, escolas e artistas que influencia-ram o ilustrador. Fig.31_ Persépolis, Marjane Satrapi. 28
  • 26. SOBRE BUENO / INFLUÊNCIAS/ LINHA DO TEMPOFortunato Depero Cassandre Fantagraphics Herbert Leupin Drawn & QuarterlyKurt Schwitters J. Carlos StrapazinGeorge Grosz L´Association Raymond SavignacWalt Disney André FrançoisStudio UPAMary Blair Richard Hamilton 29
  • 27. SOBRE BUENO / ABORDAGEM GRÁFICA3.2. Abordagem gráfica Umas das características marcantes na obra de Bueno é sua técnicahíbrida, onde são utilizados recursos digitais que não descartam os proce-dimentos manuais de desenho e colagem. Em seu processo de concepçãode imagem, o ilustrador dedica tanto tempo quanto possível aos esboços,uma vez que são eles que definirão realmente a força expressiva que teráa ilustração. Costumeiramente, manda esses desenhos para que sejamaprovados pelo cliente, pois possuem toda informação necessária para oentendimento da idéia da ilustração. Seguidamente desenha as figuras em papel sulfite e logo as transpõepara um papel mais duro, onde podem ser recortadas, formando assim“bonequinhos de papel”. Sobre essa camada são aplicadas as texturas queo ilustrador desenvolve a partir de recortes de impressos, como jornais erevistas, outros papeis e tinta acrílica. Após esse tratamento manual, Bueno digitaliza suas ilustrações pormeio de um scanner e com o software Adobe Photoshop, ajusta as cores,brilho e contraste, adiciona sombras e reforça o volume das figuras. O uso Fig.33_ Ilustração do livro “Bili com limão na mão”, Bueno.do computador como uma ferramenta possibilita a criação de uma biblio-teca de elementos gráficos os quais podem ser reaproveitados, com algunsajustes, em ilustrações futuras. A construção dessa biblioteca digital torna--se importante uma vez que possibilita sempre rever os elementos gráficosdas ilustrações e repensa-los de outras formas, reforçando uma identidadevisual na obra como um todo. Contudo, pode ser encontrado nas ilustrações de Bili com limão na 7_ Décio Pignatari, 82 anos, é poeta, ensaísta, tradutor, contista, romancista, dramaturgo, advogado e professor. Em 1965, junto commão, livro de Décio Pignatari , a utilização da técnica de ilustração veto- 7 Augusto e Haroldo de Campos, publicou a Teoria da Poesia Concreta.rial8 (Fig.33) . Bueno (2009) relata como não sendo projeto editorial onde 8_ Vetor é um segmento de reta orientado com origem e extremidade. Ilustração vetorial é a ilustração feita por meio de softwares quea textura deveria ser utilizada, pois o foco era baseado na linguagem da consideram as coordenadas cartesianas como principal meio para a construção dos desenhos. 30
  • 28. SOBRE BUENO / ABORDAGEM GRÁFICApoesia concreta, onde a cor sólida e sem interferências tem uma importân-cia fundamental, podendo ser encarada como um personagem. Assim, atécnica que Bueno utiliza para a construção da ilustração sempre vem aoencontro do conceito que a peça gráfica possui como um todo. Há algum tempo a postura de algumas editoras com relação ao pro-fissional ilustrador vem mudando. Ocorre, hoje, a exigência da participa-ção do artista junto à equipe envolvida no projeto gráfico editorial (de-signers, escritor, etc.), assim, a ilustração é recebida como um elementointegrante de todo processo e não mais como uma imagem à parte e com-plementar do livro. Esse papel de co-autoria que o ilustrador desempenhafaz com que ele se integre profundamente ao projeto gráfico e isso podeprovocar, em determinado momento, uma mudança na sua técnica de Fig.34_ Cena de animação para Visa Cinema.execução, mas não no modo o qual pensa graficamente ou fundamentaseu desenho. Após sua inserção no mercado enquanto profissional ilustrador,Bueno realizou trabalhos para diversas publicações de renome nacionale internacional e como dito anteriormente, é comum hoje encontrar otrabalho de ilustradores inserido em outras mídias. Logo, podemos conferirque com Bueno não é diferente, pois seu trabalho também atende a outrosmeios, como por exemplo, nas vinhetas para os comerciais dos CartõesVisa (Fig.34), realizadas juntamente com o estúdio de design e animaçãoLobo9. Embora não sendo animador, Bueno trabalha em parceria com profissio-nais de animação para criar, como no caso da animação Into Pieces (disponívelno CD em anexo) que desenvolveu com Guilherme Marcondes. Devido a suatécnica de ilustração, os trabalhos podem ser facilmente adaptados a outrosmeios a partir de um desmembramento das figuras e personagens. 9_ Encontram-se no CD em anexo outras animações realizadas por Bueno e o Estúdio de Design e Animação Lobo. 31
  • 29. SOBRE BUENO / ABORDAGEM GRÁFICA Atualmente, Bueno se encontra como integrante do Charivari10. For-mado no ano de 2005, o grupo de artistas visuais e ilustradores busca,através da publicação de uma revista ilustrada, um espaço para a expe-rimentação e discussão. Um das características da revista é o modo comque é impressa, em serigrafia. Em seu segundo número de publicação,o grupo Charivari teve o desafio de imprimir a revista em somente duascores: o preto e o branco sobre diversos tipos de papeis (Fig.35). A enca-dernação da revista envolve 24 lâminas dobradas ao meio 48 páginas emformato tablóide presas por um elástico, propondo a interação entre osdesenhos dos artistas. Fig.35_ Páginas da revista Charivari Em português do Brasil, a palavra Charivari significa não somente umevento barulhento, mas também uma apresentação circense onde cadaartista introduz o melhor do seu show. O grupo Charivari é formado pelosartistas Andrés Sandoval, Daniel Bueno, Fabio Zimbres, Fernando de Al-meida, Fernando Vilela, José Silveira, Laura Teixeira, Luana Geiger, Mada-lena Elek, Marcelo Salum, Mariana Zanetti e Silvia Amstalden. Bueno também faz parte do conselho da SIB - Sociedade dos Ilustra-dores do Brasil11, uma associação sem fins lucrativos, que visa promover ainteração entre os ilustradores, oferecendo aos seus associados workshops,palestras e exposições. A SIB oferece através de seu site, orientação profis-sional para iniciantes e profissionais ilustradores e até mesmo uma galeriade seus associados, proporcionando a aproximação do trabalho dos pro-fissionais com o mercado de ilustração e design e a comunidade em geral. 10_ Site do Grupo Charivari disponível em: http://chari-vari.blogspot. com, acessado em 04/08/2009. 11_ Site da Sociedade dos Ilustradores do Brasil disponível em: http:// www.sib.org.br, acessado em 04/08/2009. 32
  • 30. SOBRE BUENO / ANÁLISE DE PRODUÇÃO3.3. Análise da Produção Independentemente da mídia na qual se encontra o trabalho de Da-niel Bueno, podemos observar que a maneira pela qual ele concebe asidéias e constrói as relações com o tema é expressa através de uma técnicasimples. Porém, nesse modo de construção da imagem, surgem desdobra-mentos de significados que acabam por enriquecer o desenho e o temaabordado. Assim, as ilustrações de Bueno não pretendem representar algo se-não uma idéia, que acaba por escapar de um possível figurativismo, to-mando como principal objetivo a revelação de um conceito por detrásdo desenho. Assim, as imagens escolhidas para a análise são referentes ailustração editorial, uma vez que esse é o segmento da ilustração onde oilustrador possui mais liberdade para a criação (ZEEGEN, pág. 88). 33
  • 31. SOBRE BUENO / ANÁLISE DE PRODUÇÃOPrimeira Análise 2 A ilustração foi elaborada para uma matéria da Revista Info Corpo- 1rate em 2003, que falava sobre o E-Procurement, sitema de compras efi-ciente e ágil.Análise Pragmática 3 A ilustração evidencia a facilidade do sistema de compras E-Procu-rement através de uma metáfora, onde relaciona esse tipo de comércio ao 4 5simples ato da coleta do fruto de uma árvore.Análise Semântica Análise Sintática1. Condições humanas. 1. Homem em perfil coletando.2. Liberdade, diversidade. 2. Borboleta voando. 63. Satisfação. 3. Sorriso. 74. Negócios. 4. Gravata.5. Produto, facilidade. 5. Elemento coletado.6. Fornecedor. 6. Planta.7. Segurrança. 7. Superfície, chão. Fig. 36_ Ilustração de Bueno, Revista Info Corporate, 2003.Técnica ComposiçãoDesenho recortado;Cola;Tinta acrílica;Tratamento digital no Pho-toshop. 34
  • 32. SOBRE BUENO / ANÁLISE DE PRODUÇÃOSegunda Análise Ilustração sobre a desorientação dos órgãos responsáveis pela cul- 2tura. 1Análise Pragmática A ilustração faz alusão à cultura através do livro aberto, que ao mes-mo tempo forma o perfil de duas cabeças olhando em direções opostas,deixando evidente a falta de rumos por parte da política cultural do go-verno. Os braços cruzados além de reforçarem a idéia acima, tambémdenunciam a imobilidade provocada pela indecisão.Análise Semântica Análise Sintática 31.Cabeças formadas a partir de 1.Cultura, conhecimento.um livro aberto. 2.Dois pontos de vista, indesisão.2.Olhares opostos. 3.Sem mobilidade, estagnação,3.Braços cruzados indicando dire- indecisão.ções opostas. 4.Lados iguais, sem opinião, 44.Simetria. Fig. 37_ Ilustração de Bueno, Crítica à Órgãos responsáveis pelaTécnica Composição Cultura.Desenho recortado;Cola;Tinta acrílica;Tratamento digital no Pho-toshop. 35
  • 33. SOBRE BUENO / ANÁLISE DE PRODUÇÃOTerceira Análise Ilustração que acompanha texto crítico à Rede Globo. Folha de SãoPaulo, 2003. 1Análise Pragmática Daniel Bueno trabalha a ilustração de maneira a personificar a opi- 2nião do escritor ou telespectador. Isto é feito através da construção de um 3personagem que encara a marca da Rede Globo de Televisão, demosn-trando sua indignação perante a postura da emissora.Análise Semântica Análise Sintática1.Personagem encarando. 1.Telespectador, postura ofensiva. Fig.38_ Ilustração de Bueno, Crítica a Rede Globo de Televisão.2.Expressão facial. 2.Insatisfação, indignação.3.Círculo integrante da marca da 3.Grande canal de comunicaçãorede Globo de Televisão. brasileiro; formação de opiniões.Técnica ComposiçãoDesenho recortado;Cola;Tinta acrílica;Tratamento digital no Pho-toshop. 36
  • 34. IV. Trabalho Prático Conforme estipulado pelo currículo do curso de Artes Visuais comhabilitação em Design Gráfico, a monografia se desenvolve em duas par-tes, uma teórica (a pesquisa em si) e uma parte prática, onde dentro dotema que foi pesquisado, é desenvolvida uma atividade de cunho projetu-al, própria do campo do design. Assim, a proposta prática desta pesquisaé o desenvolvimento de um projeto gráfico editorial com base no textoaqui exposto, o que torna o próprio Trabalho de Conclusão de Curso emum objeto de design.4.1. Memorial Descritivo A idéia inicial, apresentada na primeira banca, tinha o formato qua-drado de tamanho 265mm X 265mm, porém, seu alto custo de impressãoimpossibilitou a viabilização do projeto dentro desses parâmetros técni-cos. A partir deste problema, foi pensada uma maneira de reduzir os cus-tos sem perder a qualidade gráfica projetual. Assim, foi considerada a impressão de duas páginas dentro de umtamanho A3 (420mm X 297mm), sendo que cada uma dessas possui o ta-manho de 230mm X 195mm, o que confere ao projeto um formato moder-no e relativamente pequeno, com alta portabilidade e de fácil manuseio. O formato final possibilita a leitura do impresso no sentido horizon- Tamanho formato A3tal, onde a diagramação dos elementos da página valoriza a apresentação Marca corte mioloda coluna de texto e explora um espaço generoso para a apresentação das Marca dobradura Côncavaimagens e ilustrações. Adicionado a essas medidas, leva-se em conta a Marca para furaçãoárea para a encadernação, que possui 25mm, resultando em um tamanhofinal, encadernado, de aproximadamente 266mm X 200mm. Fig.39_ Relação de formato A3 com tamanho de página do projeto. 38
  • 35. TRABALHO PRÁTICO / MEMORIAL DESCRITIVO Levando em conta que esta é uma tiragem muito baixa, a impressãoplanejada para o presente projeto é a do tipo laser sobre papel couchê fos-co de gramatura 120g/m². Contudo, se proposto uma tiragem maior serianecessário uma reestruturação do projeto, a fim de adaptá-lo ao novo tipode impressão, papel e processos de acabamento. A encadernação do projeto é do tipo artesanal e foi pensada de ma-neira a facilitar a junção das páginas em um bloco único onde não serianecessária uma impressão frente-verso, o que diminui a possibilidade deerros de registro (para o tipo de impressão em questão) e, ao mesmo tem-po, ocasiona a redução de custos sobre o acabamento. O miolo é envolto Espaço para diagramaçãopela capa (e contracapa) e preso na lombada por parafusos, acabados e Espaço para encadernaçãopróprios para este uso. Espaço previsto para furos A tipografia selecionada para a impressão dos textos da pesquisa é dafamília Optima, uma fonte sem serifa desenhada por Hermann Zapf entre1952 e 1955. Possui a característica de variação na espessura no traço, oque torna possível sua utilização em textos longos. O tamanho tipográ-fico varia ao longo do projeto, sendo que para os subtítulos foi utilizadatamanho 11pt, corpo de texto 10pt, citações 10pt, notas de rodapé 7pt,numeração de página 8pt em caixa alta. Para os títulos dos textos foi selecionada a tipografia Fontdinerdo-tcom, que possui certa descontração e reforça a proposta visual do proje-to. A fonte foi utilizada nos textos das ilustrações, sendo que dentro destecontexto é que foram escolhidas, pois houve, esteticamente, uma combi-nação entre essas e o estilo de desenho. Capa e contracapa As ilustrações realizadas para a abertura dos capítulos foram reali- Miolozadas dentro de uma proposta experimental, referenciando os processos Furos para encadernaçãotécnicos utilizados por Bueno, assim como características encontradas em Fig.40_ Marcações e Perspectiva do impresso. 39
  • 36. sua obra: síntese formal, textura e cor. Assim, o personagem elaboradoé um mágico, qu foi pensado a partir da visão pessoal da própria figurado profissional ilustrador. Em seu ambiente de performance, um palco, omágico apresenta de maneira humorada o número e o texto referente aocapítulo no qual o leitor se encontra, tornando a leitura descontraída edidática. Sobre a técnica utilizada, primeiramente foram feitos alguns esboçosdo personagem, o que definiu as posições e gestos que o mesmo iria tomarem cada ilustração. Os desenhos foram pensados de maneira modular,onde o palco, as cortinas, a cabeça, o troco e membros inferiores do má-gico não mudam de posição. Contudo, para as ilustrações não ficaremestáticas, outros elementos tais como braços, cartola, olhos, bigode, vari-nha mágica e estrelas se movimentam de cena para cena, assim como ailuminação, que muda constantemente, tornado o ambiente e a ilustraçãodinâmica. A terceira etapa foi o recorte das figuras em papel, que seguidamentereceberam volume manual com lápis branco e sanguínea. Após, os recor-tes foram digitalizados através de um scanner e as ilustrações montadas etratadas no software Adobe Photoshop, reforçando a volumetria, cores,contraste e texturas, sendo que estas últimas partiram de um banco pes-soal de imagens. A finalização das ilustrações foi realizada, também, no Adobe Pho-toshop, onde foram inseridas luzes e sobras, ambientando o personagemcom o palco onde se encontra. 40
  • 37. CONCLUSÃO A pesquisa desenvolvida e sua consequente aplicação conduziram aampliação do aprendizado acerca da ilustração e do design gráfico, pois apartir do estudo do processo criativo do ilustrador Daniel Bueno foi possí-vel perceber a complexidade e potencialidades dessa relação. Assim, a ilustração é entendida não apenas como uma mera imagemsubjugada a um texto, mas como imagem cognitiva capaz de atribuir sen-tidos e leituras diferenciadas, sem que com isso se perca o foco principalda idéia inicial. O contato pessoal com Daniel Bueno foi fundamental para um me-lhor entendimento de sua obra e dos modos como suas ilustrações sãodesenvolvidas, permitindo ainda esclarecer, reconhecer e localizar suaprodução na cena do design gráfico em nível nacional e internacional. A ênfase dada a esse contato surgiu da necessidade de centralizara problemática deste trabalho tendo em vista a perspectiva do próprioartista acerca de sua obra e suas influências. Desta forma, foi exploradoconsistentemente o material enviado por Bueno, integrando ao texto final ilustrações e excertos de diálogosmantidos com o mesmo durante o processo de criação desta escrita. Osmateriais complementares foram distribuídos no apêndice. Ao executar a proposta prática, um projeto gráfico editorial, perce-beu-se a complexidade de lidar com a diagramação em uma quantidadeconsiderável de textos e suas respectivas imagens. Para chegar ao formatoideal, de acordo com os materiais e técnicas disponíveis, foram estudadasdiversas maneiras de resolver os problemas que surgiram ao decorrer dotrabalho, tais como: tamanho de fonte, largura de colunas e padrões que 41
  • 38. se repetem ao longo do trabalho. A confecção das ilustrações que correspondem ao início de cadacapítulo foram importantes para a percepção de um estilo que pode sedesenvolver ainda mais, pois, o estudo realizado sobre a obra de Bueno,forneceu bases sólidas para o aperfeiçoamento técnico e conceitual acer-ca deste tipo de trabalho. 42
  • 39. REFERÊNCIA BIBLIOGR ÁFICADONDIS, Donis A. Sintaxe da Linguagem Visual. São Paulo: Martins Fon-tes, 1991.FERREIRA, Diego. A ilustração de Elifas Andreato: Representações gráficasnas capas de discos de Música Popular Brasileira dos anos 70. 2008. Mo-nografia – Curso de Artes Visuais – Hab. Em Design Gráfico. Instituto deArtes e Design – Universidade Federal de Pelotas.FONSECA, Joaquim da. Caricatura: A Imagem Gráfica do Humor. PortoAlegre: Artes e Ofícios, 1999.HOLLIS, Richard. Design Gráfico: Uma História Concisa. São Paulo: Mar-tins Fontes, 2005.KOPP, Rudnei. Design Gráfico Cambiante. Santa Cruz do Sul: UDUNISC,2004.LOOMIS, Andrew. Ilustración Creadora. Buenos Aires: Libraría Manchette,1958.MCCLOUD, Scott. Desvendando os quadrinhos. São Paulo: MakronBooks, 1995.MARTIN, E. La Composición en Artes Gráficas. Barcelona: Ediciones DonBosco, 1974. 43
  • 40. OLIVEIRA, Marina. Produção Gráfica para Designers. Rio de Janeiro: Edi-tora 2AB, 2000.RAIMES, Jonathan e BHASKARAN, Lakshmi. Design Retrô: 100 Anos deDesign Gráfico. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.WIEDEMANN, Julius. Illustration Now. Taschen.ZEEGEN, Lawrence . Principios de Ilustración. Barcelona: Gustavo Gili,2006.Bueno, Daniel. Papel, Cola e Photoshop: Breve histórico de um ilustrador.Disponível em:http://www.designgrafico.art.br/comapalavra/papelcolaphotoshop.htm(Acessado em 19 de junho de 2009)Bueno, Daniel. Outroso. Disponível em:http://www.designgrafico.art.br/galeria/bueno/outroso.htm (Acessado em19 de junho de 2009)LIMA, Rubens. Ao Ilustrador Iniciante. Disponível em:http://www.ilustranet.com.br/htm/artigo2.htm. (Acessado em 19 de Junhode 2009)FRAGA, Emmanuel. Ilustra-te ou morra! Disponível em:http://www.tiburcio.locaweb.com.br/tibanewsppfillemanuel.htm (Acessa-do em 19 de junho de 2009) 44
  • 41. APÊNDICE Durante a pesquisa foram elaborados outros textos de aproximaçãoe fundamentação sobre o tema central. Entretanto, esse conteúdo nãoacompanha o texto final, mas se faz presente como leitura complementarda monografia, disposta neste apêndice. Esse conteúdo é referente aosprincipais modos de reprodução da imagem, importante para o conheci-mento da fase inicial da ilustração, estabelecendo relações com o design. Com o intuito de esclarecer algumas dúvidas decorrentes do proces-so de pesquisa, foi elaborada uma série de perguntas para Daniel Bueno.Este questionário possui informações importantes referentes à sua vida,suas influências e seu modo de ver a ilustração e avaliar sua própria obra. 45
  • 42. A reprodução da imagem: modos e técnicas Independentemente da técnica que determinado artista usava paracriar a ilustração, tornava-se necessário adaptá-la aos processos de repro-dução da imagem disponíveis na era moderna. Essa serialização da ilus-tração, irá se manifestar, inicialmente, através da xilogravura e, devido àevolução tecnológica na imprensa, podem-se conferir outras técnicas quevieram posteriormente.Xilogravura A xilogravura, nome que deriva do grego, xylon (madeira) e graphein(escrita), tem sua origem na China, onde a madeira era usada como basede escrita e, após a invenção do papel, tornou-se uma matriz para impres-são. Helena Kanaan (s/d) define a xilogravura como uma técnica resultante de um trabalho de incisão manual dire- ta, feita sobre uma lâmina de madeira, que será a matriz. Utilizando instrumentos de corte apropriados, a matéria é retirada do suporte deixando visível um contorno de altos e baixos relevos. Seu caráter dominante reside na extração e não na adição de matéria, sendo que, aquele que per- manece em relevo será o impresso e, as porções retiradas determinarão os claros. (p. 11) Na Europa a xilogravura foi uma técnica utilizada principalmentepara a reprodução de imagens, enquanto que na sua origem oriental usa-vam-na para imprimir textos. Sua importância para a ilustração vai ao en-contro da facilidade que se tinha na produção e reprodução de imagens. 46
  • 43. A REPRODUÇÃO DA IMAGEM: MODOS E TÉCNICASLitografia A técnica tem por princípio o fenômeno da repulsão da água pelasgorduras e óleos de que as tintas são confeccionadas. Segundo Joaquimda Fonseca (1999) o desenho que se desejasse imprimir era marcado ou de- calcado e fixado, na superfície lisa da pedra, com tinta e outros materiais gordurosos. A pedra era, a seguir, enso- pada de água, e esta ficava retida nas partes porosas não cobertas pelo desenho. A pedra então era entintada, e a tinta, também gordurosa, aderia somente na imagem e não nas partes da pedra impregnadas de água. (p. 38) O nome litografia deriva das palavras gregas Lithos (pedra) e gra-phein (escrever). O processo foi inventado em 1796 por Alois Senefelder,um dramaturgo de Munique que tentava achar um meio mais barato deimprimir os seus textos teatrais e partituras musicais. Antes do uso da litografia nos processos de reprodução em massado modernismo, as técnicas dominantes consistiam no uso de tipografia12para textos, e xilogravura para ilustrações. Mas, com o advento da técnicalitográfica no final do século XVIII, foi possível criar os designs de impres-sos diretamente sobre uma única matriz, a pedra calcária.Fotogravura No final do século XIX já existiam fotografias, mas ainda era impossí-vel sua ampliação e reprodução em larga escala, uma vez que para ser in-serida dentro de uma peça gráfica, teria que ser reproduzida por mãos dehabilidosos artistas gráficos que se utilizavam de técnicas como a xilogra-vura e a litografia como principal meio para reproduzir imagens e textos. 12_ Referente às impressões que se utilizavam de tipos móveis para a composição da matriz. 47
  • 44. A REPRODUÇÃO DA IMAGEM: MODOS E TÉCNICAS A fotogravura surge da busca de uma impressão em que seja possí-vel a reprodução das gradações de tonalidade da fotografia. O processoenvolvia a corrosão de placas matrizes metálicas. O ácido aí utilizado nãoatinge substâncias não-metálicas, como plásticos e tintas, que por sua vezficarão salientes após o processo. Inicialmente, era possível somente a impressão de desenhos a traço13e sem gradações de tonalidade, mas para superar essa dificuldade, forampesquisados papeis com grãos que pudessem quebrar as linhas e massasem retícula14, possibilitando então uma impressão de meios-tons.Tecnologia off-set Com a mecanização dos meios de produção de imagem, mais neces-sariamente com a consolidação da técnica fotográfica, tornou-se possíveldiminuir o tempo exercido sobre a produção de imagem mimética. Contu-do, os processos de impressão em massa somente iriam se manifestar coma invenção de uma nova tecnologia, a impressão off-set. Off-sett é um processo decorrente dos meios litográficos de impres-são. Em 1903 o impressor americano Ira Washington Rubel imprime poracidente uma matriz litográfica no rolo de borracha e seguidamente nopapel, originando assim um processo indireto. Ao analisar as duas impres-sões notou que a maneira indireta ficou mais nítida devido à maciez domaterial que pressionava mais o papel que a dura pedra. É um processo que garante a qualidade de impressão em médias egrandes tiragens e em praticamente todos os papéis e alguns tipos de plás-tico (OLIVEIRA, 2000), tornado-se assim, o principal meio de impressão a 13_ Referente à impressão de cor sólida, sem gradação de tons.partir da metade do século XX. 14_ A retícula é um material utilizado no processo de fotogravura, do qual se obtém o pontilhado nas imagens impressas, possibilitando uma gradação de tons. 48
  • 45. Questões elaboradas para Daniel Bueno1. Você nasceu em que cidade de São Paulo? São Paulo, capital, em 1974. Morei dos 4 aos 13 anos em RibeirãoPreto, daí o sotaque do interior.2. Em que ano entrou para a faculdade de arquitetura? Em 1993. Concluí o curso em 2001. Tranquei por um ano para cursararquitetura na Faculdade do Porto - o edifício da escola foi projetado porÁlvaro Siza (Prêmio Pritzker). No fim do curso da FAU-USP sobraram pou-cas disciplinas, e tive condições para me dedicar bastante. Numa delas,uma optativa de cenografia, desenhei muito (produzia novos desenhostoda semana) e comecei a pensar em ser ilustrador (na disciplina, projeteium enorme edifício/cenário, uma espécie de “teatro total” tendo como re-ferência o texto de “A Barriga do Arquiteto”, de Peter Greenaway; uma dasinspirações foram as obras fantásticas de Boulée. Fiz inúmeros desenhosdas situações, das cenas no edifício, dos elementos simbólicos da constru-ção, além de cortes e vistas da fachada).3. Com relação a seleção do Salão de Piracicaba, como posso teracesso à essa ilustração? Fui selecionado algumas vezes pelo Salão de Piracicaba. Devo tertodos os originais comigo, pois eles ficam apenas com os premiados. Naprimeira vez em que imprimiram catálogo, dois trabalhos selecionadosmeus foram publicados. Anexei fragmentos de trabalhos selecionados, confira: 49
  • 46. QUESTõES ELABORADAS PARA DANIEL BUENO “Organus” (Fig.05), hq de quatro páginas, foi criada em 1993, e pu-blicada um ano depois no fanzine “Croqui”, da FAU-USP. Saiu em tama-nho pequeno (haviam prometido, inicialmente, um formato grande) e issocomprometeu a qualidade da imagem, pois o estilo era cheio de detalhes,inspirado no Mutarelli e Andrea Pazienza. Depois mandei pro Salão e elafoi selecionada. Foi a primeira HQ que criei como adulto. “Monstro” (Fig.06), hq de 3 páginas, criada em 1994. Fiz às vesperasdo prazo de envio pro Salão. O desenho é a lápis, com traço rápido. Faziaos desenhos em folhas soltas e depois compunha uma história. A maiorparte dos trabalhos que fiz pra salões nesse período seguem essa linha, dedesenho rápido e alguma sacada visual. Foi selecionada. Ribeirão Preto também era feita com traço rápido, sobre algum pa- Fig.41_ Cartum inspirada nas Men Tiras, Bueno.pel/fundo peculiar (infelizmente não tenho essas do Salão de Ribeirão sca-neadas). O cartum do personagem jogando luz de lanterna sobre uma obrade arte toda preta (Fig.41) saiu no catálogo do Salão de Piracicaba. É maisrecente, e foi criada logo após a conclusão do TFG, ainda bem inspiradanas MEN TIRAS15 (título do trabalho).4. No texto Papel, Cola e Photoshop, você fala sobre uma auto-análisede suas ilustrações. Pelo que percebi ocorre uma transformação nomodo de construir a ilustração. Olhei no seu portfolio e percebicaracterísticas que descreves no texto em algumas das ilustraçõesali, contudo não tenho certeza qual delas são desse período, anteriora essa reflexão que tiveste sobre seu trabalho. Poderias me indicaressas ilustrações? As ilustrações do começo de minha carreira, feitas para a Caros Ami-gos (Fig.07), eram confusas, sem foco definido, sem síntese. Segue em 15_ Este trabalho de Bueno encontra-se no CD anexo. 50
  • 47. QUESTõES ELABORADAS PARA DANIEL BUENOanexo um exemplo claro, onde tento falar muita coisa ao mesmo tempo(foi criada para um texto do Milton Santos). Mostrei, na época, essa ilus-tração pro professor Silvio Dworecki, pensando que ele fosse gostar domodo como disse que faltava síntese. Deu exemplos de como grandesreferências das artes partem, muitas vezes, de composições simples, comoPicasso, que costuma dispor suas figuras centralizadas. Ou então Pollock,que faz uma confusão, mas homogeneamente distribuída. Com muitas dú-vidas, passei a visitar livrarias e consultar livros em bibliotecas, conferindoos trabalhos de todos esses artistas, analisando o modo como eles criavamsuas composições e dispunham os elementos. Tive na seqüência um momento de criação de ilustrações que bus-cavam uma grande síntese. Muitas tomavam o meu trabalho de gradua-ção como referência (as “MEN TIRAS”), eu apenas procurava acrescentarum pouco mais de textura e cor sobre as formas sintéticas. Quando sentique tinha adquirido maior domínio, passei a fazer ilustrações com maiselementos, em certos casos até “confusas” - mas note: trata-se de uma“confusão” diferente, que costuma apresentar diversos elementos com ummesmo peso e nível de leitura, desempenhando um papel semelhante. Um Bosch, nesse sentido, seria algo bem resolvido. São muitos ele-mentos, mas não há – a princípio - um elemento se sobressaindo demaissobre outro; todos são “misteriosos” para nós, mas o peculiar simbolismotem o mesmo “nível” de dificuldade de leitura; e estão espalhados quaseque homogeneamente pela tela, numa composição harmônica. (veja, nãosou perito em Bosch, mas acho que é um exemplo que permite que vocêentenda o que quero dizer). Saul Steinberg, depois de passar por diversas fases, e ter feito mui-tos desenhos sintéticos, também enveredou por um tipo de desenho de 51
  • 48. QUESTõES ELABORADAS PARA DANIEL BUENOambientes urbanos que lembra um pouco o partido de Bosch. Mas, aocontrário da fantasia e religiosidade medieval, o que há, em muitos dessesdesenhos, é a própria miscelânea de tribos e tipos urbanos do mundocontemporâneo. Mas Steinberg, como sempre, vai longe, e nesse caminhochega a dar uma volta e retornar ao próprio Bosch, como no elogio quefaz em um desenho publicado na New Yorker (Fig.42). A maluquice pós--moderna pode chegar a tal ponto que, nesse desenho, o maneirismo dospersonagens beiram um carnaval difícil de decifrar. A onda do “surrealismo pop” (ou Low Brow) enveredou muito poresse tipo de abordagem, de Gary Panter a Baseman e Tim Biskup. Em cer-tos casos (como em Panter, Pakito Bolino e outros), procuram intencional-mente “quebrar” esse equilíbrio modernista, e não é difícil terem sucesso. O que me incomoda nesse assunto não é a confusão na experimen-tação e na busca por algo novo, mas ilustrações mal resolvidas devidoao vício comum que temos até nas redações de querer explicar demaisuma ilustração, enfiando elementos que beiram o clichê ou o redundante(por exemplo, uma bandeirinha americana na roupa do personagem, unscifrões no chapéu, etc), perdendo o foco do comentário ou da investiga-ção gráfica a favor de uma imagem capenga. Não se está indo longe, masvoltando atrás. Fig.42_ Ilustração de Saul Steinberg para a New Yorker.5. Em minha pesquisa tive certa dificuldade de situar a ilustraçãodentro da história, já que, para mim, ela não tem um inicio bemdefinido. Contudo considerei sua importância enquanto relevantepara o meio editorial, ou seja, quando começam os projetos gráficosdos primeiros impressos direcionados a produção em massa, quandosurgem os primeiros artistas gráficos. Historicamente onde começaa ilustração para você e por quê? 52
  • 49. QUESTõES ELABORADAS PARA DANIEL BUENO De modo amplo, acredito que há ilustração desde a época dos Ma-nuscritos Iluminados (aqueles manuscritos ricamente adornados). Não seidizer se na cultura egípica havia ilustração, vemos desenhos ali, obvia-mente, mas a lógica da escrita egípicia parece ser outra, e eu precisariapesquisar mais concluir alguma coisa. Para o estudo da ilustração moderna a relação com o design gráficoe sua história é pertinente, pois envolve um mercado, um público leitor,e novos procedimentos para atender à produção em série. Portanto, tudodepende do foco, do que você quer estudar. Talvez seja apenas o caso dedefinir fases para a ilustração, demarcadas pelo antes/depois da criação deimpressos para a produção em massa, que é realmente um divisor e umareferência fundamental.6. Gostaria de saber onde posso encontrar sua Tese de Mestrado.Ela está disponível em algum endereço na web? E Sua monografia? A tese de mestrado pode ser conferida na biblioteca da FAU-SUPunidade Maranhão (pós-graduação). Talvez já se encontre também na bi-blioteca da FAU-USP do campus universitário. A princípio, ela deveria es-tar disponível no site da USP também, mas estão demorando muito paracolocá-la. O TFG pode ser visto em CD na biblioteca da FAU-USP. Foi publi-cado em forma encadernada, com três imagens por página e um texto.No anexo há essa versão em “tira” com todas as imagens. Também dá praconferir o artigo que saiu na revista da Unicamp. 53
  • 50. QUESTõES ELABORADAS PARA DANIEL BUENO7. Vi que dentre suas influências se encontra a Pop Art, mas naverdade estou tendo dificuldades relacionar ao seu trabalho. De quemaneira essa influência encontra-se inserida em seu trabalho? A influência da Pop Art ocorre quase do mesmo modo que as cola-gens dadaístas: uso nas minhas ilustrações fragmentos de fotos/desenhosde objetos, de material impresso, dos quadrinhos, etc. Por exemplo, posso Fig.43_ Ilustração de Bueno para o livro Viagens e Fugas.criar um personagem no meu estilo habitual, mas na hora de botar umolho seleciono aqueles olhos de personagens de desenho animado dosanos 30. Ou então faço um cenário, e nele insiro uma foto de uma tvantiga. Há uma capa, do livro “Viagens e Fugas” (Fig.43), onde esse proce-dimento fica bem claro (ou então algumas do Pequeno Fascista). Claro, na “Pop Art” temos muitas abordagens diferentes, melhor (paraentender o que eu disse ao mencioná-la) pensar em Richard Hamilton queem Roy Lichtenstein ou Andy Warhol. De qualquer modo, o conteúdo, te-mas e preocupações não são necessariamente os mesmos do movimentoPop Art. Isso é comum na ilustração. Se você for analisar a influência doCubismo na caricatura, perceberá que desenhistas como Covarrubias eGuevara trabalharam muito em cima das formas, estilizações e recursosvisuais do movimento, mas os resultados, preocupações e idéias não sãoos mesmos. 54
  • 51. ANEXOS Devido à variedade de formatos, os anexos deste trabalho encon-tram-se em formato digital e contidos em um CD. 55

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