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Cultura da Convergência - Henry Jenkins [resenha]

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JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. Editora Aleph, 2008.

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Cultura da Convergência - Henry Jenkins [resenha]

  1. 1. Resenha por Tarcízio Silva - @tarushijioJENKINS, Henry. Cultura da Convergência. Editora Aleph, 2008. Na introdução de “Cultura da Convergência”, Henry Jenkins explicita os trêsconceitos que permearam as páginas a seguir: convergência dos meios de comunicação,cultura participativa e inteligência coletiva. O livro se estrutura em seções que tratam dacultura da convergência a partir de casos de produtos culturais e softwarescaracterísticos desse paradigma: Survivor, American Idol, Matrix, Guerra nas Estrelas,Harry Potter, Photoshop e YouTube. Depois de rastrear a problemática a Ithiel de SolapOol, que tratou do poder de transformação dos usuários nas indústrias midiáticas,Jenkins fala dos meios como sistemas de distribuição. Entender a convergênciamidiática nessa perspectiva é mais precisa: tecnologias não morrem ou são substituídas,mas incorporadas e transformadas por novas tecnologias e práticas culturais. O primeiro capítulo fala da inteligência coletiva mobilizada em torno do objetivode descobrir os segredos do reality show Survivor. Jenkins conta a história de ChillOne,como era conhecido um usuário que publicava informações sobre o que ainda estava poracontecer no programa. O autor fala de um texto de Emily Nussbaum chamado “TheEnd of the Surprise Ending”, no qual se discute como a busca inscessnate proinformação em torno de obras seriais acaba por minar experiências consolidadashistoricamente como surpresas e reviravoltas. O mais interessante, entretanto, nestecapítulo, é a descrição de como os produtores lidavam com a discussão sobre o seriadonos fóruns. De um lado, tentava plantar desinformação para evitar a descoberta dosfinais, mas de outro puderam utilizar a discussão como uma verdadeira inteligênciacoletiva que poderia ser analisada para identificar expectativas e desejos dosconsumidores. Os reality shows como narrativa transmidiática que consegue esse statusprincipalmente através da participação assíncrona é o tema do segundo capítulo. Emtempos de economia afetiva, explica Jenkins, os consumidores conseguem mostrar aredes e anunciantes que pode ser mais importante e lucrativo preferir espectadores maisengajados e envolvidos do que espectadores em maior número, porém pouco ligados àshistórias, narrativas e produtos. Este capítulo traz a discussão sobre a efetividade dapublicidade e novos tipos de publicidade. Começa essa discussão ao tratar dosproblemas em se medir efetividade de anúncios – em diversos meios – através damétrica “impressão”. De certa maneira, medir a efetividade de um programa apenas porResenha por Tarcízio Silva - @tarushijio
  2. 2. Resenha por Tarcízio Silva - @tarushijionúmero único de espectadores é tão ineficiente quando medir publicidade por“impressões”. Jenkins cita o caso exemplar da Coca-Cola e sua produção de conteúdode entretenimento associado à marca. Considerar programas televisivos a partir do graude engajamento dos espectadores – fóruns, fan fictions, eventos etc – pode ser maisefetivo em um contexto transmidiático. A temática da narrativa transmidiática perpassa o terceiro capítulo. A franquiaMatrix é discutida, especialmente os produtos criados em 2003, ano de lançamento dassequencias Matrix Reloaded e Matrix Revolutions. Jenkins mostra como parte da críticaespecializada representa um tipo de consumo midiático ainda não condizente com osnovos tipos de narrativas. Ao criticar os dois filmes como produtos únicos e idealmentefechados, identificaram lacunas de sentido, falhas no roteiro e personagens soltos. O queestes críticas não perceberam é que os dois filmes estiveram inscritos em um universotransmidiático que utilizou suportes como quadrinhos, sites, animações e jogoseletrônicos. O autor explica como produtos culturais reconhecidos pela crítica comoCasablanca devem parte do seu sucesso e status de cult às referências múltiplas queevoca. Matrix parte do mesmo princípio e guarda inúmeras referências como códigos,nomes de personagens, números etc. Estes elementos servem como deixas para ainteração social e produção de paratextos pelos consumidores. Matrix, entretanto, levaessas estratégias à “enésima potência” e envolve também um tipo decomplementaridade entre narrativas de diferentes mídias ainda pouco vista. Oenvolvimento necessário, diz Jenkins, pode ter resultado em que, para os fãs, os filmesofereceram pouco e, para o consumidor comum, ofereceram demais. Também é interessante observar, neste capítulo, o caso do filme A Bruxa deBlair como exemplo de narrativa transmidiática de baixo orçamento. Criado porcineastas iniciantes, o filme começou a se tornar um fenômeno de arrecadação a partirdas milhares de pessoas ansiosas pela exibição de uma suposta fita real citada por umsite que exibia evidências, documentos, áudios e vídeos sobre bruxas nos EstadosUnidos. Talvez associado com a crescente apropriação de elementos da estética dodocumentário pelo cinema ficcional, sintoma de uma sociedade cada vez mais vigiada, osucesso de Bruxa de Blair também é um exemplo de narrativa transmidiática. Os filmes de Guerra nas Estrelas são o ponto de partida do quarto capítulo, noqual Jenkins discute interatividade e participação. Este primeiro conceito “refere-se aomodo como as novas tecnologias foram planejadas para responder ao feedback doResenha por Tarcízio Silva - @tarushijio
  3. 3. Resenha por Tarcízio Silva - @tarushijioconsumidor”, enquanto participação se refere a práticas mais ilimitadas e controladaspelos consumidores. A web tem se tornado o espaço privilegiado de participação nosuniversos de produtos culturais como os filmes de George Lucas. Henry Jenkins trata da história das produções artísticas entre cultura tradicional,cultura de massa e cultura da convergência. Para o autor, a cultura da convergênciaestaria resgatando e transformando o papel da participação “popular”, relegado duranteo século XX com a mídia de massa. Cita Lawrence Lessig, que já afirmou que“ninguém pode fazer com a Corporação Disney o que Walt Disney fez com os IrmãosGrimm” ao tratar do Digital Millenium Copyright Act. O que Jenkins pretende mostraré que a produção cultural sempre se baseia em algo já produzido em maior ou menorgrau. Leis e aparatos das grandes corporações ignoram este fato ao rechaçar areapropriação feitas pelos usuários através de fan fictions, por exemplo. O final docapítulo se dedica a questões envolvendo o MMORPG Star Wars Galaxies. Neste caso,é realmente o próprio produto que é modificado pelos usuários, em uma complexidadedigna de sistemas políticos nacionais. Letramento midiático é o tema do quinto capítulo, que discute a questão a partirdas “guerras de Potter”. O autor se refere à tentativas da direita religiosa de tentar baniros livros da série Harry Potter das bibliotecas escolares e livrarias públicas e à tentativasda Warner Bros de proibir apropriações de fãs do universo dos livros e filmes de HarryPotter. Jenkins compara o letramento midiático, apropriadamente, ao alfabetismotradicional: só é considerado alfabetizado e letrado alguém que saber ler e escrever. Omesmo deveria acontecer com as mídias. Não basta consumir, mas também saberproduzir. Em relação à guerra “contra” os advogados de Warner Bros., Jenkins mostracomo é uma luta não muito esperta: essas apropriações e expansões do universo deHarry Potter são parte do sucesso e continuidade dos produtos oficiais. Os cristãos maisortodoxos, por sua vez, tentaram banir os livros, mas eram confrontados também poroutros cristãos que mostram a importância da diversidade de consumo de obras,inclusive para associar à valores da religião. O sexto capítulo do livro e o posfácio tratam da utilização de softwares eplataformas online para fins políticos e democráticos. Hoje é possível utilizar programasdo tipo WYSIWYG para criar montagens com tanto valor e densidade política quantocharges de grandes jornais. Jenkins discute o “photoshop” pela democracia ao tratar doapoio popular às campanhas de Howard Dean e a luta pela construção de sentidos emResenha por Tarcízio Silva - @tarushijio
  4. 4. Resenha por Tarcízio Silva - @tarushijiodiversos eventos, como a suposta irregularidade da ausência de George W. Bush naGuerra do Vietnã. Este é um exemplo dos mais paradigmáticos neste capítulo. O autormostra como cidadãos comuns, através de blogs, mostraram falhas e os aspectos falsosde memorandos que provariam que Bush utilizou da influência familiar para não lutarna guerra. O essencial aqui é observar como a rede de TV, a CBS, reagiu comdescrédito para, mais à frente, ser obrigada a se desculpar publicamente e demitirprodutores e repórteres envolvidos. O posfácio apresenta questões envolvendo o YouTube. Se programas simples deedição de vídeo já existem nos computadores há anos, o crescente aumento na banda e apossibilidade de publicação em sites de compartilhamento de vídeo em streamingampliou as possibilidades e poderes dos cidadãos. Aqui a discussão se inicia com orelato de um debate entre candidatos nas prévias americanas que contou com perguntasenviadas à rede pelo YouTube. Nesta ocasião, também foi utilizada uma animação quemostrava um boneco de neve preocupado com o aquecimento global. Jenkins mostraopiniões divergentes sobre o uso de tal recurso e sobre a legitimidade e relevância dautilização de vídeos do YouTube. As características do YouTube, que permitem aparticipação através de produção, seleção e distribuição são enfatizadas pelo autor aoargumentar que esta plataforma pode ser usada para esquadrinhar e coletar fontes dediscussão, para produzir a partir desses materiais ou originalmente e, claro, distribuir oconteúdo através dos recursos de favoritamento e compartilhamento social. Sobre arelação com a mídia mainstream, Jenkins mostra que a CNN, por exemplo, apresentapreferencialmente os vídeos mais pitorescos, dando a falsa impressão de que a internet éuma mídia que se resume a este tipo de conteúdo. O limite tênue entre entretenimento eparticipação política é um campo de disputas, como mostra o sucesso de outros vídeosproduzidos com o personagem “boneco de neve”, que avançou a discussão sobre adiversidade da participação política. Parte da conclusão e do posfácio de Cultura da Convergência também servemcomo um contrabalanço com as possibilidades oferecidas pelas novas mídias. Aprodução de vídeos sexistas e racistas sobre Hillary Clinton e Barack Obama durante asprimárias, por exemplo, mostram que nem sempre estas novas mídias são apropriadascom fins democráticos. Em relação à educação, Jenkins também mostra que muito aindadeve ser trilhado. A solução da “restrição” é a mais utilizada quando se trata de avaliarResenha por Tarcízio Silva - @tarushijio
  5. 5. Resenha por Tarcízio Silva - @tarushijioos perigos que novas mídias podem representar, ao invés da ideal educação sobre comoas novas mídias podem ser apropriadas.Resenha por Tarcízio Silva - @tarushijio

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