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catarinense, pode ter surgido através dos primeiros caminhos de tropas que varavam ossertões.          Entre o final do sé...
de então ao plantio de árvores frutíferas como a macieira, cuja invasão de animais,sobretudo porcos, poderia causar danos ...
6. REFERÊNCIAS1    BRANDT, Marlon. Campo da Dúvida: Uma Paisagem em Transformação – DoUso Comum Da Terra À Exploração Made...
KLANOVICZ, Jó; NODARI, Eunice Sueli. Das araucárias às macieiras:transformações da paisagem em Fraiburgo – Santa Catarina....
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O meio natural do meio oeste catarinense no processo de formação dinâmica social e espacial

  1. 1. UFSC – UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINAIEJC – INSTITUTO DE EDUCAÇÃO JOSUÉ DE CASTRODISCIPLINA: FUNDAMENTOS E METODOLOGIA DO ENSINO DE GEOGRAFIAEDUCADORES: MAGALY MENDONÇA E NAZARENO JOSÉ CAMPOS O MEIO NATURAL DO MEIO OESTE CATARINENSE NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DINÂMICA SOCIAL E ESPACIAL EDSON DE LORENZI JULHO DE 2011 1
  2. 2. O MEIO NATURAL DO MEIO OESTE CATARINENSE NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DINÂMICA SOCIAL E ESPACIAL EDSON DE LORENZI1 1. INTRODUÇÃO Neste trabalho procurarei pesquisar, desenvolver e entender alguns elementosque compõe a formação a questão territorial da Região Sul do Brasil, que influiu noprocesso de ocupação deste lugar, desenvolvendo os aspectos do meio natural noprocesso de formação dinâmica social e espacial relacionando com a questão fundiáriacomo entrave ou potencial para o desenvolvimento local e/ou regional. Diante disso,primeiramente focarei estudo na Região Sul do Brasil, depois, delimitando esse espaçopara o meio-oeste catarinense e por fim, a exploração e ocupação do território local,município onde resíduo que é Fraiburgo. Compreendemos que todo esse espaço territorial que estudaremos, já erahabitado e explorado por nativos da região. A terra era, para os milhares de indígenas ecaboclos que habitavam a região, “um bem comum” e para os primeiros latifundiáriosera “terra de ninguém”.(TOMAZI, 2006)2. Até o século passado essa terra era caracterizada por extensas florestas demadeira nobre, além de ervais ricos em erva-mate, a região centro-oeste do Sul doBrasil, serviu de morada a caboclos, constituídos em pequenos proprietários, peões-ervateiros e agregados, que não possuíam legalização de suas terras. (JUNIOR,2008)3 Desde então, podemos compreender que a necessidade de exploração desteespaço e a extração dos recursos naturais, necessitavam de um caminho coerente,ligando o extremo sul até São Paulo e Rio de janeiro. Com o interesse econômico deabastecer as regiões do sudeste brasileiro, surgem várias vilas e comunidades que1 Formado em Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade do Oeste de Santa Catarina(UNOESC). Pós-graduado pela Universidade da EDUCON - Paraná no Ensino de História e Geografia,professor efetivo do estado de Santa Catarina na Escola de Educação Básica Vinte e Cinco de Maio(Escola do Campo), no município de Fraiburgo. Atualmente esta cursando a Especialização do Ensino deCiências Humanas e Sociais em Escolas do Campo pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC2 TOMAZI, Gilberto. A Mística do Contestado: A mensagem de João Maria na experiência religiosa doContestado e dos seus descendentes. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) São Paulo: 20053 JUNIOR,José Aquino. A Região do contestado (PR-SC): Território e Poder, marcas do passado aopresente. Artigo apresentado no curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Geografia daUFPR. PR, 2008. 2
  3. 3. serviram de passagem para as tropas de mula e gado. Muitos municípios da Regiao Sulficaram marcadas pela paragem dos tropeiros e deu o inicio da exploração destas terrasdevolutas que eram habitadas por nativos da região. .(THOMÉ,2003 )4 No entanto,o município de Fraiburgo, local onde produzo minha existência, ficasituado no meio-Oeste catarinense, onde o processo de formaçao social e cultural deu-sedessa maneira, além disso, foi marcado por revolta ocorrida na região, conhecida comoGuerra do Contestado. A Guerra do Contestado foi um conflito armado que ocorreu naregião Sul do Brasil, entre outubro de 1912 e agosto de 1916. O conflito envolveu cercade 20 mil camponeses que enfrentaram forças militares dos poderes: federal e estadual.Ganhou o nome de Guerra do Contestado, pois os conflitos ocorrem numa área dedisputa territorial entre os estados do Parará e Santa Catarina.(THOMÉ, 1993)52. O MEIO NATURAL, SUA EXPLORAÇÃO E CULTURA A exploração de um determinado espaço não dá-se somente ao acaso. Adescoberta de um território vem acompanhado por interesses econômicos. No entanto,quando há ocupação desse território, no modelo de uso da terra comum, que foi o casodas terras devolutas do meio-oeste e o regime republicano, que troxe consigo alegalidades dessas terras na forma da lei, garantindo a posse dessas terras a gruposindependentes. Isso é o começo de um novo tempo. A cultura se aculturando ao novomodelo de produção socio-cultural. Desta forma, a construção deste espaço comum, aos poucos vai saindo de cena.Com exceção da região litorânea do Sul do Brasil, o movimento de exploração queaconteceu por volta do século XVI e XVII, o planalto de Santa Catarina e Rio Grandedo Sul vai sendo explorado de forma gradativa, devido as riquezas naturais existentes. Amiscigenação chega para construir a formação sócio-espacial do sul do Brasil Muitos os traços culturais que distinguem os tipos e formas de utilização pública da terra e bens naturais no Brasil. Dentre eles estão as chamadas “terra de uso comum” ou “terras comunais”, áreas utilizadas comunalmente por diversos proprietários individuais independentes. Não se trata de propriedade comum, mas4 THOMÉ, Nilson. PR e SC Disputam Território. Curitiba: Gazeta do Povo, Suplemento, 2003.5 THOMÉ, Nilson. Rio Branco e o Contestado – Questão de Limites Brasil-Argentina. Caçador: UnC,1993. 3
  4. 4. de uso comum; um certo “ager publicus” –terra comum- como entre os romanos, ou os “common fields” dos tempos dos “enclusores” ingleses do século XVI. A origem de tal forma de uso da terra remonta é época pré-feudal européia, cujo constume foi repassado ao Brasil via Povoamento, principalmente em regiões lusas e luso- açorianas do litoral. Em regiões interioranas também aparecem, tendo-se como exemplo os conhecidos “faxinais” do Planalto Meridional, além de formas típicas do Nordeste e Amazônia em zonas de cocais, babaçuais, castanhais, etc. além dos tipos e formas anteriormente citados ocorre igualmente no Brasil o uso e apropriação comunal por parte de não proprietários. São exemplos as “terras de índios”, as “terras de negros”, as “terras de santo”, os quilombos, entre outras, ocorrendo nestas a ocupação comunal e o usufruto, podendo, em determinadas situações, gerar direito consuetudinário. As terras de uso comum foram sofrendo profundas alterações no tempo e espaço, principalmente cm o aprofundamento, no atual século, das relações capitalistas de produção, que fizeram avançar o processo de apropriação privada da terra e bens da natureza. Hoje restam apenas resquícios. Uns, poucos significativos, outros, merecendo mais estudos pelo ainda representam para as populações usuárias. (CAMPOS, 2003)6 Nesse caminhada de povos, a natureza vai se “humanizando”, vai ganhandocores na base da exploração e da destruição do meio. O homem se apropria do espaço ecomeça a produzir sua existência. Milton Santos relaciona esse momento: "a natureza começa num processo de humanização cada vez maior, ganhando a cada passo elementos que são resultado da cultura. Torna-se cada dia mais culturalizada, mais artificializada, mais humanizada. O processo de culturalização da natureza torna-se, cada vez mais, o processo de sua tecnificação. As técnicas, mais e mais, vão incorporando-se à natureza e esta fica cada vez mais socializada, pois é, a cada dia mais, o resultado do trabalho de um maior número de pessoas. Partindo de trabalhos individualizados de grupos, hoje todos os indivíduos trabalham conjuntamente, ainda que disso não se apercebam. No processo de desenvolvimento humano, não há uma separação do homem e da natureza. A natureza se socializa e o homem se naturaliza" (Santos, 1988:89).7 Esta forma de uso pode ser vista como uma mistura de herança de diversoselementos étnicos que compunham esse cenário, a saber: o português, o africano e oindígena, que miscigenados formaram o conhecido “caboclo”. População constituída6 CAMPOS, Nazareno José de. Artigo:Terras Comunais: Ocorrências Na Formação Sócio- EspacialBrasileira. Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC, 2003. Florianapólis BRASIL7 SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo : Hucitec, 1988. 4
  5. 5. por agregados, posseiros e alguns proprietários com posse oficial, que a partir do finaldo século XIX se instalaram na região (Machado, 2001, p. 20)8. Estes praticavam alavoura em suas terras, cujos excedentes eram vendidos a comerciantes locais; atividadeque se somava à utilização comunal de algumas áreas, como os pinheirais, onde eramcriados suínos soltos no meio do mato, que engordavam no inverno ingerindo pinhões,sendo então, comercializados em cidades próximas, podendo criar também gado bovinoem áreas de campos limpos. E em áreas onde ocorriam os butiás, suas folhas eramextraídas para serem vendidas a fabricantes de crina vegetal. É possível dizer quenaquelas paisagens, utilizadas coletivamente, existia entre aqueles habitantes um sentidode apropriação coletiva onde se evidenciava o interesse e o usufruto comum. Usufrutoque de acordo com E. P Thompson (2002)9, se baseia na noção do costume passadosucessivamente através de gerações. As terras onde ocorriam estas práticas eramdevolutas ou particulares, onde, apesar de saberem quem era o proprietário, este não seimportava com tal uso.2.1 Formação Histórica da Região Sul (Final do Século XIX) Trabalharemos a produção deste texto relatando a formação histórica da RegiãoSul, a partir do Brasil República. Nessa época muitos fazendeiros do sul do paíscomeçaram a legalizar a posse de suas terras sem obedecer às de quem não havialegalizado. Somam-se as políticas federais do período, que almejavam ligar o RioGrande do Sul, em grande desenvolvimento, ao resto do Brasil, principalmente a SãoPaulo. Fora isso havia o impasse na divisão territorial entre os dois estados (Paraná eSanta Catarina), que se tornavam o obstáculo de ligação entre o Rio Grande do Sul eSão Paulo.10 Desde a época da Governadoria-Geral do Brasil, os portugueses aproveitarampara se consolidar na costa brasileira e avançar para o Oeste, utilizando o sistema8 MACHADO, Paulo Pinheiro. Bugres, Tropeiros e Birivas: Aspectos do Povoamento do PlanaltoSerrano. In: BRANCHER, Ana AREND, Silvia M.F. (orgs). História de Santa Catarina no século XIX.Florianópolis: Ufsc, 2001.9 THOMPSON, Edward Palmer. Costumes em comum. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.10 Solução encontrada para encerrar a disputa pela fronteira interestadual. Acordo assinado pelosrespectivos governadores em 16 de outubro de 1916 sob a chancela da Presidência da República,homologado pelas assembléias legislativas e aprovado pelo Congresso Nacional em 3 de agosto de 1917. 5
  6. 6. agrário das sesmarias11 uma herança do tempo das capitanias hereditárias. A atividadepastoril, forma inicial do povoamento do sertão brasileiro, realizou-se por meio deconcessões de terras em sesmarias e sua distribuição foi motivada pela necessidade dacriação extensiva de gado. Eram “datas” de enormes proporções, geralmente muitomaiores que as sesmarias do litoral, o que se justificava diante da necessidade de amplasáreas de pastagens. A pecuária representou uma das mais importantes atividades para aocupação e o desbravamento das diversas regiões do Brasil, pois [...] foi ela que deu ao homem colonial a noção do valor econômico das áreas que não tinham riquezas minerais e que não se prestavam à agricultura. Foi, pois, nos sertões do centro, nordeste e sul que ocorreram as primeiras concessões de sesmarias para a criação de gado, visando à fixação do homem no interior (RITTER, 1980, p.53)12. As sesmarias tinham a extensão de três léguas quadradas, medidas com trêsléguas de comprimento por uma légua de largura13. Elas não deviam encostar umas nasoutras. Entre elas deveria ficar um amplo espaço de terras livres, que se conservariamdevolutas. Os sesmeiros não permitiam que outros moradores nelas se estabelecessem.As pessoas de poucos recursos, que não podiam obtê-las junto ao governo, ocupavamclandestinamente e cultivavam as áreas, e, só mais tarde, quando isto fosse possível,tentavam solicitá-las como sesmarias. As primeiras ocupações por posses aconteciamnas zonas livres entre uma sesmaria e outra, logo se estendendo às sesmarias que nãohaviam sido desenvolvidas pelos seus titulares. Os pobres se estabeleciam nos terrenosaparentemente sem dono, construíam pequenas casas e iniciavam o cultivo. Mas,“subitamente surgia um homem rico portando o título que conseguira na véspera,expulsando-os e ainda se utilizando do fruto de seu trabalho. Ou o pequeno lavrador11 As sesmarias caracterizavam a cessão gratuita do uso da terra, em áreas devolutas no litoral e no sertão,para minas, lavoura e pecuária.12 RITTER, Marina da Lourdes. As Sesmarias do Paraná no Século XVIII. IHGEP, Estante Paranista 9.Curitiba: IHGEP, 1980.13 A sesmaria de uma légua de frente por três léguas de fundo, no formato retangular, media seisquilômetros de frente por dezoito quilômetros de fundo, totalizando 10.800 hectares, equivalente a 4.463alqueires paulistas. 6
  7. 7. arrendava essa parcela, plantando principalmente milho e feijão” (FERREIRA FILHO,1978, p. 75) 14. Ao longo dos caminhos, em locais de terras devolutas previamente escolhidas egeralmente em campo aberto, com pasto suculento e boa aguada, os tropeiroslevantavam choças, de pau-a-pique, sem paredes e cobertas de palha, para servirem de“encosto”. Logo, surgiram aqueles que tomavam posse destes locais de paradas15,cercavam-nos como campos fechados (potreiros), substituíam a palhoça por um ranchorústico, para alugá-los aos tropeiros e, assim, transformavam os encostos em “pousos”.(LORENZI, 2003)16 Na medida em que os encostos se transformavam em pousos, o local atraia parasuas proximidades outro posseiro, concorrente, que também construía seu rancho e faziasurgir novo pouso. “[...] fincado o pouso, logo surgia nas suas imediações um ou outromorador, erguendo palhoça, acomodando criações, plantando milho e passando anegociar com os homens das tropas que ali pernoitassem” (ARINOS, 1921, p. 111)17. Aabertura da venda, ou bodega, era o sinal de que aquele pouso prometia ser bom. E aí,vinha um terceiro homem, e os ranchos cresciam, passando a ser chamados estalagens.Encostos, pousos, hospedarias, bodegas, fazendolas, com potreiros ou currais, eram asatrações aos tropeiros viajantes, alguns dos quais vieram a escolher nossa região paranova moradia. Fixando-se, promoviam o aparecimento de núcleos populacionais e,assim, no decorrer do tempo, fizeram surgir às primeiras povoações, mais tarde vilas, noterritório do meio-oeste catarinense.2.2 Formação Histórica do Meio-Oeste Catarinese Com base no parágrafo anterior, a formação meio-oeste de Santa Catarina não foidiferente. Inserido na Floresta da Araucária, nas regiões de matas e de campos, o Meio-oeste catarinense era território indígena dos Gê, representados pelos Kaingang eXokleng, tradicionais rivais dos Guarani que se localizavam mais a Ocidente, em terrasespanholas, e dos Carijó, habitantes do Litoral. Conheciam-nos apenas os bandeirantes14 FERREIRA FILHO, Arthur. História Geral do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo, 1978.15 Um local que ficou conhecido a partir desta designação foi o “Pouso dos Curitibanos”, na Estrada Real,que mais tarde emprestou o nome ao povoado, vila e cidade de Curitibanos.16 LORENZI, Sérgio de. Taquaruçu: A Pérola do Contestado. Fraiburgo: Joannei, 2003.17 ARINOS, Afonso. Histórias e Paisagens. Rio: [s.n.], 1921. 7
  8. 8. paulistas que os encontravam nas suas expedições para o Sul. Gradativamente, primeiroàs centenas e, em seguida, em alguns milhares, estes paulistas penetradores, na maioriamamelucos, passaram a habitar também o Território Contestado. Parte deles mantevecontato com o índio domesticado, o Kaigang. Simultaneamente, gaúchos dos pampastambém misturaram-se com os Guarani e com os Kaigang, vindo a conhecer, no SéculoXIX, o Território Contestado. Então, foi desta forma que portugueses, paulistas-mamelucos, espanhóis-castelhanos, gaúchos-mamelucos e índios, além de negros,mulatos, cafuzos e alguns imigrantes europeus, constituíram a primeira grandepopulação do Planalto Central Catarinense, compondo um quadro étnico que só veio asofrer substancial modificação após a Guerra do Contestado, no advento da colonizaçãocom novos imigrantes europeus e seus descendentes. (THOMÉ, 2007:127) A Guerra do Contestado, ocorrida entre 1912 e 1916, se constitui em umepisódio complexo da história do sul brasileiro, alimentado por múltiplos fatores que seinter-relacionam, entre eles, a miséria social, o messianismo, a guerra convencional, astáticas de guerrilhas, o puro banditismo, o coronelismo, o capitalismo em expansão. O Oeste de Santa Catarina ficou conhecido, nas primeiras décadas do século XX, como “terra sem lei”, sem dono e “sertão bruto”, em razão do seu processo histórico de abandono, permeado por disputas e lutas internacionais e nacionais. Para caracterizarmos essa região e as razões de sua ocupação acelerada na primeira metade do século XX, é importante resgatarmos seu processo histórico e a forma como se deu a colonização dessa área, que pode ser denominada de última fronteira do estado a entrar no modelo colonizador.(NODARI, 2009)18 A economia da região do planalto catarinense teve como primeiros centrosirradiadores os campos de Lages e os de Palmas. Até o final do século XIX, está seassentava basicamente na pecuária extensiva de gado bovino e na atividade extrativistada erva mate. Na criação de gado, as grandes fazendas não tinham fronteiras fixas,apenas acidentes naturais impunham certos limites para a pecuária extensiva. A garantiade propriedade dava-se mediante a posse da terra e a força.(Tomazi, 2006)1918 NODARI, Eunice Sueli,2009, p. 24, Etnicidades Renegociadas: Práticas socioculturais no Oeste deSanta Catarina; Pag 24.19 TOMAZI, Gilberto. A Mística do Contestado: A mensagem de João Maria na experiência religiosa doContestado e dos seus descendentes. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) São Paulo: 2005 8
  9. 9. 3. A QUESTÃO TERRITORIAL INFLUINDO NO PROCESSO DEOCUPAÇÃO DO LUGAR Na década de 1930 a localidade do Campo da Dúvida20, que pertencia aomunicípio de Curitibanos, no planalto de Santa Catarina, recebeu a instalação da serrariaRené Frey & Irmão, que passou a explorar as suas vastas florestas de araucárias. Antesda serraria, o uso que se fazia daquelas terras era baseado no usufruto comum de seusrecursos naturais, realizada principalmente por pequenos e médios sitiantes, muitosdeles posseiros. Forma de uso da terra que entrou em decadência a partir da instalaçãoda serraria, que, ao longo das décadas de 1930 e 1960, devastou, cercou e iniciou aurbanização de boa parte das terras da localidade, que deu origem, no ano de 1961, aomunicípio de Fraiburgo (BRANDT)21 O processo de povoação da região do Campo da Dúvida partiu inicialmente doscampos e rotas tropeiras, que cruzavam o planalto catarinense em Lages, Curitibanos eCampos Novos, e pelos Campos de Palmas pelo lado paranaense. Essa região, que seconstituía nas palavras de Paulo Pinheiro Machado (2001, p. 19-20)22, em uma“fronteira no sentido de ser a vanguarda de um processo específico de apropriação ecolonização de terras”, permitiu com que, a partir da segunda metade do século XIX,pequenos e médios sitiantes, na maioria posseiros, alguns com posses legitimadas,ocupassem as regiões de matas e campos do planalto médio e norte, em vales de rios,como o Marombas, Taquaruçu, Correntes, do Peixe, entre outros. Muitos dos novosocupantes dessa fronteira agrícola eram fugitivos ou sobreviventes de conflitos como aRevolução Farroupilha (1835-1845) e a Revolução Federalista (1893-1895). Ex-agregados dos grandes latifúndios planaltinos, também compunham esse quadro. Existiaum costume de permitir a agregados manterem um rebanho formado das crias de resesganhas “de presente”. Se, com o passar dos anos, o número de cabeças do rebanho fosseconsiderado excessivo, o fazendeiro mandava o agregado se mudar, buscando terraprópria, ou vender o excesso de animais. Se o agregado partisse em busca de novas20 Atualmente pertence ao município de Fraiburgo – SC21 BRANDT, Marlon. Campo da Dúvida: Uma Paisagem em Transformação – Do Uso Comum DaTerra À Exploração Madeireira (1930 a1960) 2007. Mestre em Geografia – Universidade Federal deSanta Catarina.22 MACHADO, Paulo Pinheiro.Bugres, Tropeiros e Birivas: Aspectos do Povoamento do PlanaltoSerrano. In: BRANCHER, Ana AREND, Silvia M.F. (orgs). História de Santa Catarina no século XIX.Florianópolis, Ufsc, 2001. 9
  10. 10. terras, este se tornava independente, passando a viver “sobre si” (QUEIROZ, 1981, p.30-31)23. Condição tentadora, porém arriscada, já que teria que conviver com aexistência de tensões e conflitos com a população indígena, em uma clara disputa deespaço.3.1 Origem do Município de Fraiburgo Naturais da Alemanha, os irmãos René e Arnoldo Frey instalaram-se no Vale doRio do Peixe em Perdizes, atual Videira, na década de 1930. Lá iniciaram uma pequenafábrica de produtos derivados de carne suína e bovina. Consistia em uma pequenaprodução mercantil, da mesma forma que várias outras que surgiram na região com oprocesso de colonização (ESPINDOLA, 1999)24. Produção cuja mercadoria eraexportada via férrea, principalmente para o Sudeste. O crescimento de suas atividadesno ramo das carnes fez com que os irmãos buscassem novas áreas para investir,encontrando tal oportunidade na indústria madeireira (FREY, 2005, p. 31-52)25. Pouco tempo depois tomaram conhecimento de uma área com mais de 5.000hectares, ricas em pinheirais na localidade do Campo da Dúvida. As terras, situadas nafazenda Bom futuro, de propriedade de Belizário Ramos e seu filho Aristiliano Ramos,de Lages, passaram então a ser exploradas a partir de 1937, com base em um acordocomum na região: o de “serrar as meias”, onde os proprietários da serraria e o das terrasficam cada um com metade da produção (FREY, 2003, p. 14-15)26. No feriado de 7 de setembro de 1937, René leva Maria para conhecer Campo daDúvida, a 30 quilômetros de distância. Saem a cavalo às 4 horas da manhã, e através decaminhos difíceis, atravessando rios, chegam a Marechal Hindemburg, atualmente Dezde Novembro (próprias palavras de Maria Frey, conforme registradas em seu caderno dememórias): (...) Seguimos viagem, passando pelo vizinho Sr. Ernesto Scholl, subindo agora numa ladeira, onde só mais tinha rastos do pés de cavalos, onde o primeiro pisava, outros também eram obrigados a pisar, pelo chão liso devido à unidade do mato, QUEIROZ, Maurício Vinhas de. Messianismo e conflito social: a guerra sertaneja do23Contestado (1912-1916). 3. ed. São Paulo: Ática, 1981. Coleção Ensaios, n. 23.24 ESPÍNDOLA, Carlos José. As agroindústrias do Brasil: o caso Sadia. Chapecó: Grifos, 1999.25 FREY, Willy.Lá nos Frai. Curitiba: Sépia Editora, 2005, p. 31-36.26 FREY, Willy. Relorestar é a solução. Curitiba: Sépia Editora, 2003. 10
  11. 11. onde os pinheiros altos e grossos se sobressaiam, com as suas copas lembrando um guarda-chuva dobrado pelo vento. Tornamos a descer e chegamos a uma tapera, tendo, como vestígio de uma antiga moradia, chorões de respeitável grossura, árvores de maçãs, de marmelos, um forno despencando coberto de roseiras trepadeiras (hoje os fundos do Hospital). Seguimos mais pouco, chegamos numa clareira onde o mato afastou-se (...) Sentamos na sombra, recostando, para fazer a nossa refeição, isto foi pão com salame e vinho (...) Pelo cansaço sobreveio uma sonolência. Ainda ouvi René dizer aqui vai ser a serraria, lá o pátio das toras pela inclinação facilita levar os troncos na serra, lá vai ter uma estrada com casas. (...) (FREY, 2005).27 Passado algum tempo, com a diminuição das matas devido à exploração damadeira, os colonizadores começam a buscar alternativas econômicas. Além de plantaruva para fabricar vinho, os Frey produzem mudas de frutíferas européias e dão início ànovo município com o nome de Fraiburgo a “Terra da Maçã”, fruta essa, que melhor seadaptou à região e ao clima.4. MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA ENQUANTO ELEMENTO DEDESENVOLVIMENTO4.1 Modelo de Exploração Territorial Ao longo das décadas de 1950 e 1960, os irmãos Frey adquiriram mais terras epinheiros de propriedades vizinhas. Terras que pertenciam, em alguns casos, a herdeiros degrandes fazendeiros a quem a sucessiva divisão das terras acabou os empobrecendo, ondeainda abundavam os pinheirais e que, a partir da devastação promovida pela serraria, seriamentão alvo de seus novos investimentos econômicos, baseados, sobretudo na fruticultura,tornando aquele espaço produtivo racionalizado e homogeneizado com a constituição depomares de maçã (KLANOVICZ; NODARI, 2005, p. 95)28. A devastação das terras e a implementação dessas novas atividades econômicaseram incompatíveis com as práticas de criação à solta dos porcos, ainda empreendidapor muitos dos seus confrontantes. Não era raro ocorrer invasões de animais,27 FREY, Willy, Lá nos Frey. Curitiba: Sépia Editora, 200528 KLANOVICZ, Jó; NODARI, Eunice Sueli. Das araucárias às macieiras: transformações dapaisagem em Fraiburgo – Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 2005. 11
  12. 12. principalmente porcos, as terras dos Frey, que passaram a cercá-las, o que para JoséLindolfo Cordeiro Leite (2005)29 fez com que a criação entrasse em decadência: [...] depois que os Frey vieram começou a arruinar. Daí eles fecharam tudo os terrenos e não queriam criação nenhuma nos terrenos. Daí Deus o livre. Virou uma breca que não tinha jeito. Daí eles fecharam os terrenos. Mas veja bem, fechavam com arame, mas também o porco, cabrito, ovelha aquele passava, mas eles não queriam. No final da década de 1950, a localidade já apresentava as feições de umpequeno núcleo urbano. Em 1958, segundo Willy Frey (2005, p. 84), a empresa RenéFrey & Irmão, Já contava com duas serrarias, fábrica de caixas, um grande moinho,cantina vinífera, fábrica de crina vegetal, fábrica de pasta mecânica (celulose), açouguecom matadouro anexo, olaria, granja de suínos, e setor de produção agrícola. O núcleopopulacional compunha-se de uma pequena pensão; bomba de gasolina; dois armazénsde fornecimento; moinho, além de 110 casas de operários, construídas de madeira ecobertas de taboinhas. Tudo propriedade da empresa.(BRANDT, 2007) Transformações que seriam cada vez mais profundas, principalmente a partir dadécada de 1960, quando os irmãos Frey buscam atrair sócios para investirem em seusempreendimentos, o que culminaria com a introdução em larga escala do cultivo demaçãs no final da década de 1960, fazendo com que o município, em pouco mais deduas décadas se tornasse o principal produtor de maçãs do país (BURKE, 1994, p. 19,89-94)30.5. A HETEROGENEIDADE ECONÔMICA E SOCIAL NA ATUALIDADE5.1 Formação sócio espacial A propriedade de fazendas sob o regime de condomínio, ao menos emCuritibanos, chegou a possuir, ainda na primeira década do século XX, uma29 Entrevista cedida a Marlon Brandt na produção do artigo Campo da Dúvida: Uma Paisagem emTransformação – Do Uso Comum Da Terra À Exploração Madeireira (1930 a1960) Mestre emGeografia – Universidade Federal de Santa Catarina.30 BURKE, Thomas J. Fraiburgo: do machado ao computador. Curitiba: Gráfica Vicentina, 1994. 12
  13. 13. regulamentação municipal expedida pelo então prefeito Coronel Francisco Ferreira deAlbuquerque, através da Lei nº 49 de 6 de janeiro de 1908: O cidadão coronel Francisco Ferreira de Albuquerque, superintendente municipal de Coritybanos. Faço saber a todos os habitantes deste Municipio que o Conselho Municipal decretou e eu sanciono a Lei seguinte: Art. 1.º – Nos terrenos lavradios que se acham em commum entre muitos condominos, cada um delles poderá cultivar sómente a extenção que em proporção lhe couber, o que verificar-se-á por um arbitramento que se procederá a requerimento da parte que se julgar prejudicada, perante o Superintendente terá lugar a louvação em arbitradores, que avaliarão a extenção que possa pertencer aos condominos. [...] Secretaria da Superintendencia Municipal de Coritybanos, 6 de janeiro de 1908. – Francisco Ferreira de Albuquerque, Cornelio de Haro Varella, secretario31. Condomínios que além do uso das terras agricultáveis, conforme apresentado naLei Municipal de Curitibanos, possivelmente enquadravam-se também segundo Pontesde Miranda em uma forma de compáscuo de pastos entre os proprietários32. Nacomunhão dos pastos, para Faria Motta tanto poderá consistir esse direito em terem várias pessoas comunhão no uso do pasto ou dos pastos do mesmo prédio ou de um só proprietário, quanto em terem diversas pessoas comunhão no uso dos pastos de seus prédios33. É o caso das terras de uso comum junto ao caminho das tropas, que de acordocom Nazareno José de Campos “conjuga o interesse de usufruto de comunidadesvizinhas, até mesmo distantes, com o de tropeiros com o seu gado em trânsito”. Seusurgimento, segundo o autor é muitas vezes incerto, podendo nascer a partir de uma áreajá usufruída em comum por uma ou mais comunidades, ou como no caso do planalto31 CURITIBANOS (Município) Lei nº 49, de 6 de janeiro de 1908. In: O Trabalho. Curitibanos, ano 1, n.13, 18 de março de 1908, p. 3.32 PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Op. Cit., p. 431.33 MOTTA, J. A. Faria. Condomínio e vizinhança: direito e ações. São Paulo: Saraiva, 1942, p. 332. 13
  14. 14. catarinense, pode ter surgido através dos primeiros caminhos de tropas que varavam ossertões. Entre o final do século XIX e início do século XX tem-se um aumento daocupação territorial do planalto catarinense, principalmente das regiões ao norte e oestede Curitibanos. Terras que com freqüência eram alvo de apropriação por parte degrandes fazendeiros. Se ao norte as principais áreas de interesse eram os ervais nativos,mais ao sul, onde esta escasseava, eram alvos de açambarcamento as áreas de campo.Inclusive as matas e faxinais, áreas de pouco interesse para o grande fazendeiro, mas degrande importância para o pequeno e médio sitiante, pois era lá que criavam porcos,colhiam pinhões e extraíam outros recursos naturais, geralmente em comum com osconfrontantes, pois no inverno a mata e principalmente os faxinais, se constituíam emespaços para a pastagem do gado34. Na região de Fraiburgo, a colonização avançava para áreas mais distantes daagora colônia Dez de Novembro, atingindo outras localidades, pertencentes ao imensoimóvel Butiá Verde, principalmente a partir da década de 1940, como era o caso deTaquaruçu35. Segundo Pedro Felisbino, as primeiras famílias de colonos, na maioriaítalo-brasileiros, começaram a se instalar a partir da década de 1940 (FELISBINO2002). A legalização das posses, que inicialmente foi tentada por meio de um acordo em192636, só ocorreu na década de 1940. Muitos que não concordaram com este acordo,permanecendo sob a posse, perderam suas terras, com a criação, mais tarde, do NúcleoTritícola, localizado atualmente em Frei Rogério. Para Brandt, a apropriação privada de terras ocorria no planalto desde o séculoXVIII, com o estabelecimento das primeiras fazendas de criação, tanto peloapossamento, quanto por sesmarias. Mesmo que estas ocupassem uma imensa área decampos naturais, pela baixa densidade demográfica, raramente um sesmeiro encontravaalgum posseiro ocupando suas terras.Em Fraiburgo, projetos de diversificação econômica impostos pelos Frey, como afruticultura são também responsáveis pela devastação de novas áreas, destinadas a partir34 MACHADO, Paulo Pinheiro (2004). Op. Cit., p. 74-75.35 Consultando o Registro de Imóveis de Curitibanos é possível constatar, a partir da década de 1940 e1950, a aquisição de terras, compondo o imóvel Butiá Verde, então pertencentes a Wenceslao Breves, asfamílias Bogo e De Lorenzi, dentre outras na região de Taquaruçu e em Frei Rogério.36 Escritura Pública de Contrato entre Artur Formighieri, Ernesto Formighieri, Ângelo Preto, AníbalFormighieri e moradores de Taquaruçu, Passa Três e Faxinal dos Carvalhos, no dia 22 de fevereiro de1926. 14
  15. 15. de então ao plantio de árvores frutíferas como a macieira, cuja invasão de animais,sobretudo porcos, poderia causar danos as plantas e mudas das árvores. A própriamodernização da agricultura na região, da qual os investimentos em fruticultura dosFrey faziam parte, influenciou no declínio desta forma de criação. As novas exigênciasimpostas pelas agroindústrias, com um porco com cada vez mais carne e menos banha ea introdução de novas raças, menos rústicas e aptas a percorrer as florestas em busca dealimentos, associadas a integração entre a empresa e o produtor, fizeram com quemuitos pequenos criadores ficassem alijados deste processo, enquanto outros não viramoutra alternativa senão se integrar ao modelo. (BRANDT, 2007). Não esquecendo interior, onde as mudanças na estrutura ocupacional indicam,para para Fraiburgo, o decréscimo de pessoas ocupadas em atividades estritamenteagrícolas e o crescimento de ocupações em atividades não-agrícolas, principalmenteaquelas relacionadas com a indústria de transformação, da construção civil e a prestaçãode serviços. Um olhar mais atento, contudo, revela que o município fraiburguenseapresenta uma grande diversidade social e econômica (agropecuária, industria ecomércio), as oportunidades de trabalho em atividades não-agrícolas no meio ruralainda apresentam-se bastante limitadas. As políticas públicas para o desenvolvimentorural proporcionou ações para exclusões de dezenas famílias do campo. Faltouunidades industriais familiares localizadas no meio rural, Faltou novas formas de acessoà terra e políticas de reordenamento fundiário, visando oportunizar aos jovens deconstruir seu futuro e de sua família sem necessitar abandonar o meio rural e a própriaregião em busca de novas oportunidades de trabalho e de renda nas cidades. Claro que Fraiburgo não é o único município com esse problemas sociais, mas aefetiva mobilização da sociedade em favor de padrões alternativos de organização eregulação econômica será determinante para a definição da trajetória dedesenvolvimento que cada região. 15
  16. 16. 6. REFERÊNCIAS1 BRANDT, Marlon. Campo da Dúvida: Uma Paisagem em Transformação – DoUso Comum Da Terra À Exploração Madeireira (1930 a1960) 2007. Mestre emGeografia – Universidade Federal de Santa Catarina1 NODARI, Eunice Sueli,2009, Etnicidades Renegociadas: Práticas socioculturais noOeste de Santa Catarina; Pag 24.1 TOMAZI, Gilberto. A Mística do Contestado: A mensagem de João Maria naexperiência religiosa do Contestado e dos seus descendentes. Dissertação (Mestradoem Ciências da Religião) São Paulo: 2005ARINOS, Afonso. Histórias e Paisagens. Rio: [s.n.], 1921.BURKE, Thomas J. Fraiburgo: do machado ao computador. Curitiba: GráficaVicentina, 1994.CAMPOS, Nazareno José de. Artigo:Terras Comunais: Ocorrências Na FormaçãoSócio- Espacial Brasileira. Universidade Federal de Santa Catarina- UFSC, 2003.Florianapólis BRASILCAMPOS, Nazareno José de. Terras de uso comum junto aos caminhos de tropas.In: Bom Jesus na rota do tropeirismo no Cone Sul. Porto Alegre: Edições EST, 2004,p. 299.CURITIBANOS (Município) Lei nº 49, de 6 de janeiro de 1908. In: O Trabalho.Curitibanos, ano 1, n. 13, 18 de março de 1908, p. 3.ESPÍNDOLA, Carlos José. As agroindústrias do Brasil: O caso Sadia. Chapecó:Grifos, 1999.FERREIRA FILHO, Arthur. História Geral do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:Globo, 1978.FREY, Willy, Lá nos Frey. Curitiba: Sépia Editora, 2005FREY, Willy. Relorestar é a solução. Curitiba: Sépia Editora, 2003.FREY, Willy.Lá nos Frai. Curitiba: Sépia Editora, 2005, p. 31-36.JUNIOR,José Aquino. A Região do contestado (PR-SC): Território e Poder, marcasdo passado ao presente. Artigo apresentado no curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFPR. PR, 2008. 16
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