3ano 2bi filosofia_matéria

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  • 1. Descartes e o Mundo Dual<br />Introdução <br /> Considerado o pai da filosofia moderna, René Descartes nasceu em La Haye, França em 1596 e morreu em Estocolmo na Suécia em 1650. Estudou no célebre Colégio dos Jesuítas La Flèche. Diplomou-se em Direito pela Universidade de Poitiers. Alistou-se na Guerra dos Trinta Anos em defesa da Holanda. Mudou-se para esse país em busca de isolamento e solidão. <br /> Sua filosofia mudou a forma do homem ocidental refletir e produzir conhecimento. Sua principal obra é Discurso sobre o Método (1632). Mas escreveu outras obras muito importantes como Mundo ou Tratado da Luz; Meditações Metafísicas, As Paixões da Alma e Os Princípios da Filosofia. <br /> O Método<br /> Descartes parte do princípio que todos os homens participam da universalidade da razão. O intelecto puro possui, para o filósofo, duas faculdades essenciais: a intuição que nos permite, pelo espírito, o acesso às idéias claras; e a dedução, pela qual podemos descobrir conjuntos de verdades racionalmente ordenadas. <br /> Para estender a certeza matemática ao conjunto dos saberes e do conhecimento, devemos aplicar a dedução e a intuição através de quatro regras fundamentais: <br /> 1. Regra da evidência: segundo a qual, devemos evitar todas as prevenções e precipitação, para acolher apenas idéias claras. <br /> 2. Regra da análise: segundo a qual, devemos dividir os problemas no maior número possível de partes e assim poder entendê-los. <br /> 3. Regra da síntese: segundo a qual, devemos distinguir entre as verdades mais simples, independentes e absolutas, das verdades mais complexas, condicionadas e relativas. <br /> 4. Regra da enumeração: então, cabe-nos selecionar o necessário e suficiente para a solução de um problema, evitando as omissões. <br /> Descartes acreditava que devemos criticar radicalmente todo saber humano aplicando o método da dúvida ou do questionamento até às últimas conseqüências, pelo qual suspendemos provisoriamente nosso juízo acerca dos objetos estudados, até que se extinga qualquer suspeita de incerteza. <br /> Cogito, ergo sum. "Penso, logo existo" <br /> Para Descartes, o sujeito pensante é substância imaterial (res cogitans); em oposição à realidade material (res extensa). Chamamos isso de dualismo cartesiano. Depois de ter duvidado de tudo, resta uma coisa não discutível: o eu pensante. O “Penso” da célebre frase de Descartes, nesse caso, significa duvido. Quem duvida existe. Parece banal, mas Descartes está defendendo que afirmar a existência do sujeito é postular um princípio, para então partir em direção aos complexos raciocínios da dedução. O filósofo teria dito então: "Eu sou uma substância pensante". Trata-se do primado idealista do pensamento sobre a realidade e o fundamento da distinção entre a alma e o corpo. Mais do isso, estava pronunciando também a afirmação irredutível da intuição clara e distinta, como faculdade da razão humana. <br /> O cogito, segundo o filósofo, é verdadeiro somente em cada um dos instantes em que é afirmado, mas a conservação e continuidade do sujeito pensante é garantida pela criação contínua ou ato incessante de Deus. <br /> Descartes defendia o conformismo social, a moderação e a tradição política. Aconselhava um modo de ser resoluto nas ações, pois a inconstância, que tem origem na instabilidade das opiniões, provoca a intranqüilidade de espírito. Assim, dizia, devemos procurar vencer mais a nós mesmos e aos próprios pensamentos, que às circunstâncias ou à ordem do mundo. <br /> Racionalismo e Empirismo <br /> René Descartes iniciou uma teoria do conhecimento. Descartes é um representante do racionalismo ou do inatismo, segundo o qual o homem desenvolve idéias a partir de seu próprio sujeito, pois a realidade está primeiramente no espírito. Diante do pólo sujeito e objeto (conhecedor e conhecido), Descartes prioriza o papel do primeiro, pois as idéias não vêm de fora, mas estão dormentes no sujeito e somente um conhecimento baseado no critério da racionalidade interna do homem pode assegurar um conhecimento verdadeiro. Por outro lado, temos os empiricistas que afirmam o contrário: a alma é como uma tabula rasa e o conhecimento só é construído graças ao contato com a realidade empírica, ou seja, em contato com a realidade sensível. Um filósofo representante dessa concepção é John Locke (1632-1704) e Francis Bacon (1561-1626). Comparando Descartes a Locke, podemos afirmar que enquanto o primeiro enfatiza o sujeito conhecedor, o segundo enfatiza o objeto conhecido, pois a realidade é acessível ao pensamento humano pela experimentação. <br /> Texto: O PENSAMENTO CARTESIANO <br /> Por Robson Stigar <br /> O cartesianismo é um movimento filosófico cuja origem é o pensamento do francês René Descartes, filósofo, físico e matemático (1596-1650). Segundo Bertrand Russell Descartes é considerado o fundador da filosofia moderna e pai da matemática. Descartes foi o responsável pelo racionalismo continental, fazendo oposição ao empirismo. Descartes é considerado o primeiro filósofo "moderno” porem ele mesmo não se considera mestre e sim um estudioso, descobridor e explorador daquilo que encontrou. Sua contribuição à epistemologia é essencial, assim como às ciências naturais por ter estabelecido um método que ajudou o seu desenvolvimento. Descartes criou, em suas obras Discurso sobre o método e Meditações - ambas escritas no vernáculo, ao invés do latim tradicional dos trabalhos de filosofia - as bases da ciência contemporânea. <br /> O método cartesiano põe em dúvida tanto o mundo das coisas sensíveis quanto o das inteligíveis, ou seja, duvidar de tudo, As coisas só podem ser apreendidas por meio das sensações ou do conhecimento intelectual. A evidência da própria existência – o "penso, logo existo" – traz uma primeira certeza. A razão seria a única coisa verdadeira da qual se deve partir para alcançar o conhecimento. Diz Descartes "Eu sou uma coisa que pensa, e só do meu pensamento posso ter certeza ou intuição imediata". <br /> Para reconhecer algo como verdadeiro, ele considera necessário usar a razão, o raciocínio como filtro e decompor esse algo em partes isoladas, em idéias claras e distintas, ou seja, propõe fragmentar, dividir o objeto de estudo a fim de melhor entender, compreender, estudar, questionar, analisar, criticar, o todo, o sistema. Enfim experimentar na esfera da ciência e da razão, isto é estudar cientificamente, historicamente e racionalmente. <br />Para garantir que a razão não se deixe enganar pela realidade, tomando como evidência o que de fato pode não passar de um erro de pensamento ou ilusão dos sentidos, Descartes formula sua segunda certeza: a existência de Deus. Entre outras provas, usa a idéia de Deus como o ser perfeito. A noção de perfeição não poderia nascer de um ser imperfeito como o homem, mas de outro ser perfeito, argumenta. Logo, se um ser é perfeito, deve ter a perfeição da existência. Caso contrário lhe faltaria algo para ser perfeito. Portanto, Deus existe. Essas conclusões são possíveis a partir da sua metafísica. A metafísica de Descartes é buscar a identidade da matéria e espaço, o mundo tem uma extensão infinita, o mundo é constituído pela mesma matéria em qualquer parte, o vácuo é algo impossível. <br /> Segundo informação extraída da Internet na enciclopédia virtual wikipedia, Descartes é considerado como um revolucionário para a sua época, trouxe novos parâmetros para a ciência e para a busca da verdade. <br />O pensamento de Descartes é revolucionário para uma sociedade feudalista em que ele nasceu, onde a influência da Igreja ainda era muito forte e quando ainda não existia uma tradição de "produção de conhecimento". Para a sociedade feudal, o conhecimento estava nas mãos da Igreja, onde não havia reflexões em torno da existência e da racionalidade. Descartes viajou muito e viu que sociedades diferentes têm crenças diferentes, mesmo contraditórias. Aquilo que numa região é tido por verdadeiro, é achado como ridículo, disparatado, mentira, nos outros lugares. Descartes viu que os "costumes", a história de um povo, sua tradição "cultural" influenciam a forma como as pessoas pensam, aquilo em que acreditam. Descartes quer acabar com a influência desses "costumes" no pensamento. Como principio fundamental de todo conhecimento coloca o "cogito ergo sum", isto é, a certeza do próprio pensamento e da própria existência. <br /> O objetivo de Descartes é a pesquisa de um método adaptado à conquista do saber, descobre esse método que tem como objetivo a clareza e a distinção, ou seja, com isso quer ser mais objetivo possível, imparcial, quer fundamentar o seu pensamento em verdades claras e distintas. Para isso, de acordo com o seu método, devem ser eliminadas quaisquer influencias de idéias que muitas vezes não são verdadeiras, mas que são tidas como mitológicas e por fim muitas vezes acabamos aceitando tais mitos sem que nunca tenhamos comprovado de fato. Só devemos nos basear em enunciados claros e evidentes. <br /> Essa metafísica cartesiana ou método cartesiano nos diz de que é feito e como é feito o mundo. O método cartesiano revoluciona todos os campos do pensamento de sua época, possibilitando o desenvolvimento da ciência moderna e abrindo caminho para o ser humano dominar a natureza. A realidade das idéias claras e distintas, que Descartes apresentou a partir do método da dúvida e da evidência, transformou o mundo em algo que pode ser quantificado. Com isso, a ciência, que até então se baseava em qualidades obscuras e duvidosas, a partir do início do século XVII torna-se matemática, capaz de reduzir o universo a coisas e mecanismos mensuráveis, que a geometria pode explicar. Descarte propõe uma espécie de ceticismo para as coisas, tudo tem que ser duvidado, experimentado. <br /> Sobre o método cartesiano Moraes afirma que: <br /> O método cartesiano consiste no Ceticismo Metodológico - duvida-se de cada idéia que pode ser duvidada. Ao contrário dos gregos antigos e dos escolásticos, que acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir, ou porque assim deve ser, Descartes institui a dúvida: só se pode dizer que existe aquilo que possa ser provado. Ele mesmo consegue provar a existência do próprio eu (que duvida, portanto, é sujeito de algo - cogito ergo sum, penso logo existo) e de Deus. O ato de duvidar como indubitável. È a metafísica que vai prescrever ao cientista o que ele deve buscar, qual o problema e para tanto é necessário utilizar do método da fragmentação, isto é da redução para buscar a verdade Também consiste o método na realização de quatro tarefas básicas: verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada; analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades de composição, fundamentais, e estudar essas coisas mais simples que aparecem; sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro; e enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento. <br /> Descartes dividiu a realidade em res conngitas (consciência e mente) e res extensa (corpo e matéria). Acreditava que Deus criou o universo como um perfeito mecanismo. Em relação à ciência, Descartes desenvolveu uma filosofia que influenciou muitos, até ser passada pela metodologia de Newton. Ele propunha, por exemplo, que o universo era pleno e não poderia haver vácuo, o vácuo é algo impossível. Descartes acreditava que a matéria não possuía qualidades inerentes, mas era simplesmente o material bruto que ocupava o espaço. Descartes propunha a criação de um método para chegar a verdade cientifica, pois a duvida não pode jamais existir, tem que haver certeza, lógica e razão na ciência. <br /> Conclusão <br /> Para Descartes, nem os sentidos, que podem enganar-nos, nem as idéias, que são confusas, podem nos dar certezas e, portanto, nos conduzir ao entendimento da realidade. Por isso, com a finalidade de estabelecer um método de pensamento que permita chegar à verdade, desenvolve um sistema de raciocínio que se baseia na dúvida metódica e não pressupõe certezas e verdades. Com base nisso reconstrói o universo da metafísica clássica com a idéia de que a essência do ser humano esta no pensamento. <br /> Frases de Descartes <br /> "Ninguém pode conceber tão bem uma coisa e fazê-la sua, quando a aprende de um outro, em vez de a inventar ele próprio."<br /> "Muitas vezes as coisas que me pareceram verdadeiras quando comecei a concebê-las tornaram-se falsas quando quis colocá-las sobre o papel." <br /> "Hoje, não poderia conceder demais à minha desconfiança, visto que, agora, não é tempo de agir, mas apenas de meditar e de conhecer." <br /> "Mesmo os mais perfeitos espíritos terão necessidade de dispor de muito tempo e atenção." <br /> "Os que melhor digerem os seus pensamentos a fim de os tornarem claros e inteligíveis têm maior facilidade em persuadir daquilo que propõem, mesmo que só falem em mau bretão."<br /> "Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis." <br /> "Apenas desejo a tranquilidade e o descanso, que são os bens que os mais poderosos reis da terra não podem conceder a quem os não pode tomar pelas suas próprias mãos." <br /> "É propriamente não valer nada não ser útil a ninguém." <br /> "Os homens que se emocionam com as paixões são capazes de ter mais doçura na vida." <br /> "A filosofia que cultivo não é nem tão bárbara nem tão inacessível que rejeite as paixões; pelo contrário é só nelas que reside a doçura e felicidade da vida." <br /> "Mas o que sou eu então? Uma coisa que pensa. E o que é uma coisa que pensa?" <br /> "Quase nunca me fio nos primeiros pensamentos que me vêm à mente." <br /> "Não há nada que dominemos inteiramente a não ser os nossos pensamentos." <br /> "Tomei a decisão de fingir que todas as coisas que até então haviam entrado na minha mente não eram mais verdadeiras do que as ilusões dos meus sonhos." <br /> "Eleva a tal ponto a tua alma, que as ofensas não a possam alcançar." <br /> "Despreza-se um homem que tem ciúmes da mulher, porque isso é testemunho de que ele não ama como deve ser, e de que tem má opinião de si próprio ou dela." <br /> "Não basta termos um bom espírito, o mais importante é aplicá-lo bem." <br /> "Quando se tem demasiada curiosidade acerca das coisas que se faziam nos séculos passados, fica-se quase sempre na grande ignorância das que têm lugar no presente." <br /> "Basta ajuizar bem para bem fazer, e julgar o melhor que nos seja possível para fazermos também o nosso melhor." <br /> "Apenas compete aos soberanos, ou aos que por eles são autorizados, regular os costumes alheios." <br /> "As paixões são todas boas por natureza e nós apenas temos de evitar o seu mau uso e os seus excessos." <br /> "A primeira máxima de todo cidadão tem de ser a de obedecer as leis e costumes de seu país, e em todas as demais coisas governar-se segundo as opiniões mais moderadas e mais afastadas do excesso."<br /> "Abrigamos uma multidão de preconceitos se não nos decidimos a duvidar, alguma vez, de todas as coisas em que encontremos a menor suspeita de incerteza." <br /> "O bom sentido é o que melhor está repartido entre todo mundo." <br /> "Quanto à lógica, seus silogismos mais bem servem para explicar a outros as coisas já sabidas, que para aprender." <br /> "O maior bem que pode existir num Estado é o de ter verdadeiros filósofos." <br /> "Desprende-te de todas as impressões dos sentidos e da imaginação, e não te fies senão da razão." <br /> "Meu único desejo é conhecer o mundo e as comédias que nele se representam!" <br /> "Se não está em nosso poder o discernir as melhores opiniões, devemos seguir as mais prováveis." <br /> "O bem que fazemos nos dá uma satisfação interior, que é a mais doce de todas as paixões." <br /> "Dizem que o macaco é tão inteligente que não fala para que não o façam trabalhar."<br /> "Aquele que emprega demasiado tempo em viajar acaba por tornar-se estrangeiro em seu próprio país." <br /> "Seria absurdo que nós, que somos finitos, tratássemos de determinar as coisas infinitas." <br /> "A multidão de leis freqüentemente presta desculpas aos vícios." <br /> "Os maus livros provocam maus costumes e os maus costumes provocam bons livros." <br /> "Divide as dificuldades que encontras em tantas partes como seja possível para sua melhor solução." <br /> "Ler um livro ensina mais do que falar com seu autor, porque o autor, no livro, só pôs seus melhores pensamentos." <br /> "É prudente não confiar inteiramente em quem nos enganou uma vez." <br /> "A razão ou o juízo é a única coisa que nos faz homens e nos distingue dos animais." <br /> "Não há alma, por pouco nobre que seja, que permaneça tão apegada aos objetos dos sentidos que, às vezes, não se separe deles para desejar um bem maior." <br /> "A matemática é a ciência do ordem e a medida, de belas correntes de raciocínios, todos singelos e fáceis." <br /> "A filosofia é a que nos distingue dos selvagens e bárbaros; as nações são tanto mais civilizadas e cultas quanto melhor filosofam seus homens." <br /> "Afasta-te de todas as impressões dos sentidos e da imaginação, e crê apenas na tua razão." <br /> "A caridade cobre com um véu os defeitos dos homens." <br /> "A moral, ciência que pressupõe o conhecimento das demais ciências, é o supremo grau da sabedoria." <br /> "Em matéria de amor, não amar é o meio certo para ser-se amado." <br /> "A inteligência humana só é infalível quando decide sobre o que percebe distintamente." <br /> "A leitura é uma conversação com os homens mais ilustres dos séculos passados." <br /> "O alimento da juventude é a ilusão." <br /> "Não é suficiente ter uma boa mente: o principal é usá-la bem. " <br /> "Não basta ter bom talento; o principal é aplicá-lo bem." <br /> "Muita gente ignora o que crê. O ato do pensamento com que se crê uma coisa, não é o mesmo que aquele com o que se conhece a crença." <br /> "Duvido de tudo, mas ao duvidar estou pensando, e se penso existo." <br /> "As almas maiores são tão capazes dos maiores vícios como das maiores virtudes." <br /> "Não há alma, por pouco nobre que seja, que permaneça tão aferrada aos objetos dos sentidos que, as vezes, não se aparte deles para desejar um bem maio." <br /> "Viver sem filosofar é, propriamente, ter os olhos fechados, sem tratar de abrí-los jamais." <br /> "Penso, logo existo." <br /> "O pouco que aprendi carece de valor, comparado com o que ignoro e não desespero em aprender." <br /> "Para pesquisar a verdade é preciso duvidar, quanto seja possível, de todas as coisas, uma vez na vida." <br /> "Não há nada repartido de modo mais equitativo no mundo do que a razão: todo mundo está convicto de ter suficiente." <br />A Dialética de Hegel<br />Introdução <br /> Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em Estugarda em 27 de agosto de 1770 e faleceu em Berlim, no dia 14 de novembro de 1831. Hegel foi um dos mais influentes e fundamentais filósofos alemães. Recebeu sua formação no Tübinger Stift – Seminário de Tubinga - (seminário da Igreja Protestante em Württemberg). Na constelação de influências de Hegel, temos o nome de grandes filósofos, como Spinoza, Kant e Rousseau. No seminário conheceu dois nomes do romantismo literário: Hölderlin e Schelling, com quem compertilhava um entusiasmo pela Revolução Francesa. Posteriormente, decepcionado com o período do Terror, voltou-se para uma postura mais conservadora. Hegel representa o ápice do idealismo alemão do século XIX, que teve impacto profundo no materialismo histórico de Karl Marx. É considerado também, o pai da dialética moderna, sistema filosófico que construiu lentamente. <br /> A primeira e a mais importante das obras maiores de Hegel é sua Fenomenologia do Espírito. Publicou também a Enciclopédia das Ciências Filosóficas, a Ciência da Lógica, e os (Elementos da) Filosofia do Direito. Sua obra, no entanto é bem mais vasta, versando sobre religião, filosofia da História e estética. <br /> A Dialética e o Idealismo <br /> Hegel criou um sistema para possibilitar uma visão total da História e do mundo: a dialética. uma progressão na qual cada movimento sucessivo surge como solução das contradições inerentes ao movimento anterior. Formulou, assim, uma espécie de motor da História em que a evolução se dava pelas relações de contradição dos fenômenos, onde toda tese, pressupõe uma antítese (sua contradição) e da relação de tensão entre a tese e antítese, surgiria uma síntese, que por sua vez se constituiria numa nova tese. Essa tríade (tese, antítese e síntese) simplifica a compreensão da dialética de Hegel, mas ele próprio nunca a usou. Por exemplo, a Revolução Francesa constitui, segundo o filósofo alemão, a introdução da liberdade nas sociedades ocidentais. Contudo, justamente por ser novidade absoluta, é também absolutamente radical: de um lado, a eclosão da violência que fez falta para realizar a revolução, não pode deixar de ser o que é, e, do outro lado, já consumiu seu oponente. A revolução, portanto, resultaria inevitavelmente para o brutal Terror. A dialética consiste no progresso da História, porque se aprende com seus erros. No caso da Revolução, diria que somente depois desta experiência, e precisamente por causa dela, pode-se postular a existência de um Estado constitucional de cidadãos realmente livres. Nesse caso, diríamos que a Revolução seria a tese, o Terror, a antítese e a constituição do Estado democrático, a síntese. Vale lembrar que o sistema dessa tríade, não aparecendo claramente em Hegel, tem função pedagógica. <br /> O pensamento de Hegel é chamado de idealista porque, diferente da visão dos materialistas, que julgam as forças materiais serem o motor da história, acreditava que a força da história residia nos princípios do espírito e do pensamento. Assim, para Hegel, a contradição é o motor do pensamento. Karl Marx foi profundamente influenciado por Hegel, mas o acusou de idealista, criando assim uma dialética materialista, em que o motor da história seria o desenvolvimento das forças produtivas. <br /> Texto: Hegel <br /> Por Rubem Queiroz Cobra (Doutor em Geologia e Bacharel em Filosofia) <br /> PENSAMENTO. <br /> A filosofia de Hegel é a tentativa de considerar todo o universo como um todo sistemático. O sistema é baseado na fé. Na religião cristã, Deus foi revelado como verdade e como espírito. Como espírito, o homem pode receber esta revelação. Na religião a verdade está oculta na imagem; mas na filosofia o véu se rasga, de modo que o homem pode conhecer o infinito e ver todas as coisas em Deus. <br /> O sistema de Hegel é assim um monismo espiritual, mas um monismo no qual a diferenciação é essencial. Somente através da experiência pode a identidade do pensamento e o objeto do pensamento serem alcançados, uma identidade na qual o pensar alcança a inteligibilidade progressiva que é seu objetivo. Assim, a verdade é conhecida somente porque o erro foi experimentado e a verdade triunfou; e Deus é infinito apenas porque ele assumiu as limitações de finitude e triunfou sobre elas. Similarmente, a queda do homem era necessária se ele devia atingir a bondade moral. O espírito, incluindo o Espírito infinito, conhece a si mesmo como espírito somente por contraste com a natureza. <br /> O sistema de Hegel é monista pelo fato de ter um tema único: o que faz o universo inteligível é vê-lo como o eterno processo cíclico pelo qual o Espírito Absoluto vem a conhecer a si próprio como espírito (1) através de seu próprio pensamento; (2) através da natureza; e (3) através dos espíritos finitos e suas auto-expressões na história e sua auto-descoberta, na arte, na religião, e na filosofia, como Um com o próprio Espírito Absoluto. <br /> O compêndio do sistema de Hegel, a "Enciclopédia das Ciências Filosóficas", é dividida em três partes: Lógica, Natureza e Espírito. O método de exposição é dialético. Acontece com freqüência que em uma discussão, duas pessoas que a princípio apresentam pontos de vista diametralmente opostos, depois concordam em rejeitar suas visões parciais próprias, e aceitar uma visão nova e mais ampla que faz justiça à substância de cada uma das precedentes. Hegel acreditava que o pensamento sempre procede deste modo: começa por lançar uma tese positiva que é negada imediatamente pela sua antítese; então um pensamento seguinte produz a síntese. Mas esta síntese, por sua vez, gera outra antítese, e o mesmo processo continua uma vez mais. O processo, no entanto, é circular: ao final, o pensamento alcança uma síntese que é igual ao ponto de partida, exceto pelo fato de que tudo que estava implícito ali foi agora tornado explícito, tudo que estava oculto no ponto inicial foi revelado. <br /> Assim o pensamento propriamente, como processo, tem a negatividade como um de seus momentos constituintes, e o finito é, como a auto-manifestação de Deus, parte e parcela do infinito mesmo. O sistema de Hegel dá conta desse processo dialético em três fases: <br /> Lógica: O sistema começa dando conta do pensamento de Deus "antes da criação da natureza e do espírito finito", isto é, com as categorias ou formas puras de pensamento, que são a estrutura de toda vida física e intelectual. Todo o tempo, Hegel está lidando com essencialidades puras, com o espírito pensando sua própria essência; e estas são ligadas juntas em um processo dialético que avança do abstrato para o concreto. Se um homem tenta pensar a noção de um ser puro (a mais abstrata categoria de todas), ele encontra que ela é apenas o vazio, isto é, nada. No entanto, o nada "é". A noção de ser puro e a noção de nada são opostas; e, no entanto cada uma, quando alguém tenta pensá-la, passa imediatamente para a outra. Mas o caminho para sair dessa contradição é de imediato rejeitar ambas as noções separadamente e afirmá-las juntas, isto é, afirmar a noção do vir a ser, uma vez que o que ambas vem a ser é e não é ao mesmo tempo. O processo dialético avança através de categoria de crescente complexidade e culmina com a idéia absoluta, ou com o espírito como objetivo para si mesmo. <br /> Natureza: A natureza é o oposto do espírito. As categorias estudadas na Lógica eram todas internamente relacionadas umas às outras; elas nascem umas das outras. A natureza, no entanto, é uma esfera de relações externas. Partes do espaço e momentos do tempo excluem-se uns aos outros; e tudo na natureza está em espaço e tempo e assim é finito. Mas a natureza é criada pelo espírito e traz a marca de seu criador. As categorias aparecem nela como sua estrutura essencial e é tarefa da filosofia da natureza detectar essa estrutura e sua dialética; mas a natureza, como o reino da "externalidade", não pode ser racional seqüencialmente, de modo que a racionalidade prefigurada nela torna-se gradualmente explícita quando o homem aparece. No homem a natureza alcança a autoconsciência. <br /> Espírito: Aqui Hegel segue o desenvolvimento do espírito humano através do subconsciente, consciente e vontade racional. Depois, através das instituições humanas e da história da humanidade como a incorporação e objetivação da vontade; e finalmente para a arte, a religião e filosofia, na qual finalmente o homem conhece a si mesmo como espírito, como Um com Deus e possuído da verdade absoluta. Assim, está então aberto para ele pensar sua própria essência, isto é, os pensamentos expostos na Lógica. Ele finalmente voltou ao ponto de partida do sistema, mas no roteiro fez explícito tudo que estava implícito nele e descobriu que "nada senão o espírito é, e espírito é pura atividade". <br /> Nos trabalhos políticos e históricos de Hegel, o espírito humano objetiva a si próprio no seu esforço para encontrar um objeto idêntico a si mesmo. A Filosofia do Direito cai em três divisões principais. A primeira trata da lei e dos direitos como tais: pessoas (isto é, o homem como homem, muito independentemente de seu caráter individual) são o sujeito dos direitos, e o que é requerido delas é meramente obediência, não importa que motivos de obediência possam ser. O Direito assim é um abstrato universal e portando faz justiça somente ao elemento universal na vontade humana. O indivíduo, no entanto, não pode ser satisfeito a menos que o ato que ele faz concorde não meramente com a lei mas também com suas próprias convicções conscientes. Assim, o problema no mundo moderno é construir uma ordem política e social que satisfaça os anseios de ambos. E assim também, nenhuma ordem política pode satisfazer os anseios da razão a menos que seja organizada de modo a evitar, por uma parte, a centralização que faria os homens escravos ou ignorar a consciência e, por outra parte, um antinomianismo (argumentação que se desenvolve por meio de antinomias: as proposições mutuamente excludentes) que iria permitir a liberdade de convicção para qualquer indivíduo (liberalismo) e assim produzir uma licenciosidade que faria impossível a ordem política e social. <br /> O Estado que alcançasse essa síntese, haveria de apoiar-se na família e na culpa. Seria talvez uma forma de monarquia limitada, com governo parlamentarista, julgamento por um júri, e tolerância para judeus e dissidentes, e seria diferente de qualquer estado existente nos dias de Hegel. <br /> Na Filosofia da História Hegel pressupôs que a historia da humanidade é um processo através do qual a humanidade tem feito progresso espiritual e moral e avançado seu auto-conhecimento. A história tem um propósito e cabe ao filósofo descobrir qual é. Alguns historiadores encontraram sua chave na operação das leis naturais de vários tipos. A atitude de Hegel, no entanto, apoiou-se na fé de que a história é a representação do propósito de Deus e que o homem tinha agora avançado longe bastante para descobrir o que esse propósito era: ele é a gradual realização da liberdade humana. <br /> O primeiro passo era fazer uma transição da vida selvagem para um estado de ordem e lei é a revolução. Em muitos pontos o pensamento de Hegel serviu aos fundamentos do marxismo, e um deles é sua concepção de que os Estados têm que ser encontrados por força e violência, pois não há outro caminho para fazer o homem curvar-se à Lei antes dele ter avançado mentalmente tão longe suficiente para aceitar a racionalidade da vida ordenada. Alguns homens aceitarão as leis e se tornarão livres, enquanto outros permanecerão escravos. No mundo moderno o homem passou a crer que todos os homens, como espíritos, são livres em essência, e sua tarefa é, assim, criar instituições sob as quais eles serão livres de fato. <br /> Frases e textos de Hegel <br /> “Nada existe de grandioso sem Paixão”. <br /> “A necessidade geral da arte é a necessidade racional que leva o homem a tomar consciência do mundo interior e exterior e a lazer um objeto no qual se reconheça a si próprio”. <br /> “A necessidade, a natureza e a história não são mais do que instrumentos da revelação do Espírito”. <br /> “A verdadeira figura na qual a verdade existe só pode ser o sistema científico dessa verdade”. <br /> “As ideias que revolucionam o mundo avançam a passo miúdo”. <br /> “Grandeza, entidade variável mas que, apesar da sua variação, continua sempre a ser a mesma”. <br /> “Nada de grande se realizou no mundo sem paixão”. <br /> “O Estado é a forma histórica específica na qual a liberdade adquire uma existência objetiva e usufrui da sua objetividade”. <br /> “O artista não precisa de filosofia e, se pensa como filósofo, entrega-se a um trabalho que está justamente em oposição à forma do saber próprio da arte”. <br /> “O estado da natureza é, antes, o estado da injustiça, da violência, do instinto natural desenfreado, das ações e dos sentimentos desumanos”. <br /> “O homem não é mais do que a série dos seus atos”. <br /> “O tempo, essa inquietação pura da vida e esse processo de absoluta distinção”. <br /> “O verdadeiro é o delírio báquico no qual nenhum membro deixa de estar embriagado”. <br /> “Povo é a parte da nação que não sabe o que quer”. <br /> “Quanto ao seu supremo destino, a arte permanece para nós uma coisa do passado”. <br /> “Um povo que considera a natureza seu deus não pode ser um povo livre”. <br /> “A filosofia vem sempre demasiado tarde. Enquanto pensamento do mundo, só aparece quando a realidade realizou e terminou o seu processo de formação”. <br /> “O mais alto objetivo da Arte é o que é comum à Religião e à Filosofia. Tal como estas, é um modo de expressão do divino, das necessidades e exigências mais elevadas do espírito”. <br /> O Sentido do Espírito <br /> Para conhecer bem os fatos e enxergá-los no seu verdadeiro lugar, deve-se estar no cume - não os considerar de baixo pelo buraco da fechadura da moralidade ou de alguma outra sabedoria. <br /> (...) O ponto de vista geral da história filosófica não é abstratamente geral, mas concreto e eminentemente atual, porque é o Espírito que permanece eternamente junto de si mesmo e ignora o passado. À semelhança de Mercúrio, o condutor das almas, a Ideia é na verdade o que conduz os povos e o mundo, e é o Espírito, a sua vontade razoável e necessária, que orientou e continua a orientar os acontecimentos do mundo. <br /> A Razão <br /> A razão é a suprema união da consciência e da consciência de si, ou seja, do conhecimento de um objeto e do conhecimento de si. É a certeza de que as suas determinações não são menos objetais, não são menos determinações da essência das coisas do que são os nossos próprios pensamentos. É, num único e mesmo pensamento, ao mesmo tempo e ao mesmo título, certeza de si, isto é, subjetividade, e ser, isto é, objetividade. <br /> (...) A razão é tão poderosa quanto ardilosa. O seu ardil consiste em geral nessa atividade mediadora que, deixando os objetos agirem uns sobre os outros conforme à sua própria natureza, sem se imiscuir diretamente na sua ação recíproca, consegue, contudo, atingir unicamente o objetivo a que se propõe. <br /> (...) A Razão governa o mundo e, consequentemente, governa e governou a história universal. Em relação a essa razão universal e substancial, todo o resto é subordinado e serve-lhe de instrumento e de meio. Ademais, essa Razão é imanente na realidade histórica, realiza-se nela e por ela. É a união do Universal existente em si e por si e do individual e do subjetivo que constitui a única verdade. <br /> O Artista e a sua Obra <br /> O artista tem, pois essa experiência com a sua obra: ele não produziu uma essência igual a ele mesmo. Sem dúvida, da sua obra retorna para ele uma consciência, pois uma multidão admirativa honra a obra como o espírito que é a essência deles. Essa admiração, porém, ao lhe restituir a sua consciência de si apenas como admiração é antes uma confissão feita ao artista de que ela não é igual a ele. Uma vez que o seu Si retorna para ele como júbilo em geral, ali ele não encontra nem a dor da sua formação e da sua produção, nem o esforço do seu trabalho. Os outros podem de fato julgar a obra ou trazer-lhe oferendas, conceber, de algum modo, que ela seja a sua consciência; se eles se colocam com o seu saber acima dela, o artista, pelo contrário, sabe o quanto a sua operação vale mais do que a compreensão e o discurso deles; se eles se colocam abaixo dela e nela reconhecem a essência deles que os domina, ele conhece-a, pelo contrário, como o seu senhor. <br /> A Mente Universal <br /> A mente universal manifesta-se na arte como intuição e imaginação; na religião manifesta-se como sentimento e pensamento representativo; e na filosofia ocorre como liberdade pura de pensamento. Na história mundial a mente universal manifesta-se como atualidade da mente, na sua integridade de internalidade e de externalidade. A história do mundo é um tribunal porque, na sua absoluta universalidade, o particular, isto é, as formas de culto, sociedade e espíritos nacionais em todas as suas diferentes atualidades, está presente apenas como ideal, e aqui o movimento da mente é a manifestação disto mesmo...<br /> A história do mundo não é o veredicto da força, isto é, de um destino cego realizando-se a si mesmo numa inevitabilidade abstrata e não-racional. Pelo contrário, porque a mente é razão implícita e explicitamente, e porque a razão é explícita para si mesma, na mente, enquanto conhecimento, a história do mundo é o desenvolvimento necessário, decorrente da liberdade da mente, dos momentos da razão e, deste modo, da autoconsciência e da liberdade da mente. <br />A história da mente é a sua ação. A mente é apenas o que faz, e a sua ação faz dela o objeto da sua própria consciência. Através da história, a sua ação ganha consciência de si mesma como mente, e apreende-se na sua interpretação de si mesma para si mesma. Esta apreensão é no seu ser e no seu princípio, e a realização desta apreensão numa dada fase é simultaneamente a rejeição dessa fase e a sua elevação a uma fase mais elevada. <br /> Leitura Complementar <br /> MATERIALISMO DIALÉTICO <br /> Fonte: http://www.culturabrasil.org/marx.htm <br /> Baseado em Demócrito e Epicuro sobre o materialismo e em Heráclito sobre a dialética (do grego, dois logos, duas opiniões divergentes), Marx defende o materialismo dialético, tentando superar o pensamento de Hegel e Feuerbach. <br /> A dialética hegeliana era a dialética do idealismo (doutrina filosófica que nega a realidade individual das coisas distintas do "eu" e só lhes admite a idéia), e a dialética do materialismo é posição filosófica que considera a matéria como a única realidade e que nega a existência da alma, de outra vida e de Deus. Ambas sustentam que realidade e pensamento são a mesma coisa: as leis do pensamento são as leis da realidade. A realidade é contraditória, mas a contradição supera-se na síntese que é a "verdade" dos momentos superados. Hegel considerava ontologicamente (do grego onto + logos; parte da metafísica, que estuda o ser em geral e suas propriedades transcendentais ) a contradição (antítese) e a superação (síntese); Marx considerava historicamente como contradição de classes vinculada a certo tipo de organização social. Hegel apresentava uma filosofia que procurava demonstrar a perfeição do que existia (divinização da estrutura vigente); Marx apresentava uma filosofia revolucionária que procurava demonstrar as contradições internas da sociedade de classes e as exigências de superação. <br /> Ludwig Feuerbach procurou introduzir a dialética materialista, combatendo a doutrina hegeliana, que, a par de seu método revolucionário concluía por uma doutrina eminentemente conservadora. Da crítica à dialética idealista, partiu Feuerbach à crítica da Religião e da essência do cristianismo. <br /> Feuerbach pretendia trazer a religião do céu para a Terra. Ao invés de haver Deus criado o homem à sua imagem e semelhança, foi o homem quem criou Deus à sua imagem. Seu objetivo era conservar intactos os valores morais em uma religião da humanidade, na qual o homem seria Deus para o homem. <br /> Adotando a dialética hegeliana, Marx rejeita, como Feuerbach, o idealismo, mas, ao contrário, não procura preservar os valores do cristianismo. Se Hegel tinha identificado, no dizer de Radbruch, o ser e o dever-ser (o Sen e o Solene) encarando a realidade como um desenvolvimento da razão e vendo no dever-ser o aspecto determinante e no ser o aspecto determinado dessa unidade. <br /> A dialética marxista postula que as leis do pensamento correspondem às leis da realidade. A dialética não é só pensamento: é pensamento e realidade a um só tempo. Mas, a matéria e seu conteúdo histórico ditam a dialética do marxismo: a realidade é contraditória com o pensamento dialético. A contradição dialética não é apenas contradição externa, mas unidade das contradições, identidade: "a dialética é ciência que mostra como as contradições podem ser concretamente (isto é, vir-a-ser) idênticas, como passam uma na outra, mostrando também porque a razão não deve tomar essas contradições como coisas mortas, petrificadas, mas como coisas vivas, móveis, lutando uma contra a outra em e através de sua luta." (Henri Lefebvre, Lógica formal/ Lógica dialética, trad. Carlos N. Coutinho, 1979, p. 192). Os momentos contraditórios são situados na história com sua parcela de verdade, mas também de erro; não se misturam, mas o conteúdo, considerado como unilateral é recaptado e elevado a nível superior. <br /> Marx acusou Feuerbach, afirmando que seu humanismo e sua dialética eram estáticas: o homem de Feuerbach não tem dimensões, está fora da sociedade e da história, é pura abstração. É indispensável segundo Marx, compreender a realidade histórica em suas contradições, para tentar superá-las dialeticamente. A dialética apregoa os seguintes princípios: tudo relaciona-se (Lei da ação recíproca e da conexão universal); tudo se transforma (lei da transformação universal e do desenvolvimento incessante); as mudanças qualitativas são conseqüências de revoluções quantitativas; a contradição é interna, mas os contrários se unem num momento posterior: a luta dos contrários é o motor do pensamento e da realidade; a materialidade do mundo; a anterioridade da matéria em relação à consciência; a vida espiritual da sociedade como reflexo da vida material. <br /> O materialismo dialético é uma constante no pensamento do marxismo-leninismo (surgido como superação do capitalismo, socialismo, ultrapassando os ensinamentos pioneiros de Feuerbach<br />