Segundo uma tradição muito antiga, após a dispersão dos apóstolos pelo mundo, São Tiago, Santiago como chamam os espanhóis a Jacob, o filho de Zebedeu e irmão de João o Evangelista, foi pregar as "boas novas"em
regiões longínquas, passando algum tempo na Galícia, extremo oeste da Espanha, que os romanos chamaram "Finis Terrae", por ser o extremo mais ocidental do mundo até então conhecido.
Martírio
Ao retornar à Palestina, no ano 44, foi torturado e decapitado por Herodes Agripa, e seu corpo jogado para fora das muralhas de Jerusalém.
Dois de seus discípulos, Teodoro e Anastácio, recolheram seus restos e os levaram de volta ao ocidente de navio, aportando na antiga cidade de Iria Flávia, a capital da Galícia Romana na costa oeste espanhola, sepultando-o secretamente em um bosque chamado Liberum Donum.
Campus Stellae
O lugar foi esquecido até que oito séculos depois, um ermitão chamado Pelayo começou a observar um estranho fenômeno que ocorria neste mesmo lugar; uma verdadeira chuva de estrelas caía todas as noites sobre um ponto do bosque, emanando uma luminosidade intensa.
Com base no acontecido, chamou-se o lugar de Campus Stellae, ou Campo de Estrelas de onde derivaria o atual nome de Compostela.
Peregrinação
Avisado das luzes místicas, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou que fossem feitas escavações no local encontrando, uma arca de mármore com os ossos do santo.
A notícia se espalhou e pessoas começaram a deslocar-se – primeiro dos estados cristãos do norte peninsular, depois de toda a Europa – a fim de conhecer o sepulcro, originando assim, o Caminho de Santiago de Compostela.
Rota Francesa
O Caminho Francês é o Caminho de Santiago com maior tradição histórica e o mais reconhecido internacionalmente. O traçado desta via na Espanha e na França foi declarado pela UNESCO como Bem Patrimônio da Humanidade.
Rota Francesa
Códice Calixtino (1135)
As referências históricas mais precisas e antigas relativas ao Caminho Francês na Galícia encontram-se numa das jóias bibliográficas da Idade Média européia, conservada no Arquivo da Catedral de Santiago: o “Códice Calixtino”.
Aymeric Picaud
O Livro V constitui um autêntico guia medieval da peregrinação a Santiago.
Nele indicam-se os trechos do caminho a seguir e informa-se pormenorizadamente sobre os santuários da rota, a hospitalidade, o povo, a comida, as fontes e os costumes locais.
Rota Portuguesa
Galícia
Peregrinação nos dias de hoje
Embora não haja um ponto de partida definido (muitos europeus saem da porta de sua casa, seja ela onde for), a maioria dos modernos andarilhos acabam escolhendo um dos pontos cercanos à fronteira francesa, no caso, Saint-Jean-Pied-de-Port, Roncesvalles ou Somport.
Renascimento do Caminho
Há em média 120.000 pessoas por ano viajando pelo norte da Espanha nas três maneiras reconhecidas como formas autênticas de peregrinação: a pé, de bicicleta ou a cavalo.
Credencial do Peregrino
É um documento que dá direito ao portador de pernoitar em albergues especiais, igrejas e monastérios ao longo de toda a Rota espanhola. Nele, há várias lacunas em branco para serem postos de carimbos nos lugares que lhe hospede a fim de comprovar sua passagem.
Credencial do Peregrino
O que levar...
Leve o menos que puder. Lembre-se que a mochila estará sempre em suas costas por todos os longos quilômetros.
Lembre-se: o Caminho de Santiago de Compostela é um exercício de desapego!
O que fazer para não se perder?
Em todo o norte da Península Ibérica, desde os Pirineus, a leste, até os confins da Galícia, a oeste, foram postos pelas Associações européias rústicos sinais para a orientação dos andarilhos, em especial nas áreas mais desabitadas.
São placas, monólitos, emblemas, pedras sobrepostas e principalmente pinturas em forma de flechas amarelas.
Evite contratempos!
Consultar um médico, tomar uma vacina antitetânica, fazer um mini curso de espanhol, testar calçados e mochila em caminhadas leves são tarefas muito úteis antes de você partir para realizar o seu sonho pelos campos, bosques, montes e vales espanhóis.
A Visão de Aymeric Picaud (1135)
“ Depois, passada a terra de Leão e os portos do monte Irago e monte Celeiro, encontra-se a terra dos galegos. Abunda em bosques, é agradável pelos seus rios, seus prados e riquíssimas macieiras, as suas boas frutas e as suas límpidas fontes; é rara em cidades, vilas e lavradios.
Escassa em pão de trigo e vinho, abunda em pão de centeio e sidra, em gado e cavalarias, em leite e mel e em grandíssimos e pequenos peixes do mar; é rica em ouro e prata, e em tecidos e peles silvestres, e em outras riquezas, e, principalmente, em tesouros sarracenos”.
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