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Francisco Ayrton de Aguiar
José Anastácio de Sousa Aguiar

Família Aguiar
7 Séculos de História

2005
Colaboração
Zildene de Oliveira Aguiar
Antônio Thomáz Neto
Revisão
Sérgio Roberto Nunes Freire
Editoração e Capa
Juscelino...
“A todos os nossos ascendentes e descendentes do clã Aguiar
já identificados nesta obra ou aqueles ainda não catalogados p...
Sumário
Apresentação ................................................................................................. 15
...
os descendentes de Ana Umbilina Aguiar Silveira e
João Emídio de Maria da Silveira ..........................................
Capítulo VII – Vicente Aguiar Souza e
Maria Frederico Andrade Aguiar ................................... 119
· os descende...
·
·

segunda geração ........................................................................................ 134
terceira...
os descendentes de Sebastião Fernandes de Aguiar e
Maria José Filizola Aguiar ...............................................
segunda geração ........................................................................................ 185
terceira gera...
·
·

segunda geração ........................................................................................ 206
terceira...
Joaquim Anselmo Aguiar e Maria Angélica Aguiar ............................... 227
segunda geração ..........................
Apresentação
“Perdão, mas é um prazer, deveras
Entrar no espírito das eras,
Ver como já pensou um sábio antes de nós,
E a ...
testemunho de uma sobrinha sobre o destino opressor acometido
a sua tia, retirada de um pequeno caderno de anotações, já
a...
seguiram para vários destinos, dentre eles: a América do Norte, a
Europa, norte da África, Barbados e alguns permaneceram ...
uma análise crítica dos bastidores do poder dos reis católicos da
Espanha e da Inquisição Católica, sob uma visão imparcia...
É pelo real que vivemos, é pelo ideal que
existimos. Ora, queremo-nos dar conta da
diferença? Os animais vivem, o homem
ex...
“A concepção das duas cidades encontra sua
base na reflexão agostiniana dos dois amores.
A vida humana se desenrola entre ...
Não teceremos comentários de cunho enaltecedor, seja no
campo profissional ou pessoal, a qualquer dos parentes vivos,
porq...
Um dos períodos mais interessantes da nossa pesquisa foi
o século XIX, em especial, os fatos referentes aos filhos de Vice...
Nossas pesquisas demonstram que os municípios de
Massapê, Sobral e Camocim formam o eixo no qual a família
Aguiar adotou c...
a ser denominado de Mirim, para ser alterado novamente o nome,
por meio do Decreto-Lei nº 1.114, de 30 de novembro de 1943...
e Sousa, amigos da primeira e de todas as horas, cuja amizade
por si só já justificaria toda a labuta da presente obra,
co...
Pref ácio
Falar sobre família não é tarefa fácil, sobretudo porque
envolve sentimentos, que no dizer de Blaise Pascal: “o ...
desenvolvem, também, os maiores conflitos e as maiores tragédias
da comédia humana, desde Caim e Abel, - mas, pela graça d...
Dividido o território ocupado por Israel pelos doze filhos
homens, formaram doze tribos, Diná por ser mulher nada
recebeu....
Ao fim, temos que concordar com a proposição de Isaiah
Berlin, estudioso inglês nascido na Ucrânia de que “a tarefa do
pen...
A História, a genealogia, e em especial a família Aguiar
agradecem a iniciativa e o esmero dos autores na confecção da
pre...
Capítulo I
A Família Aguiar – Origem e Brasão
As fontes antigas não são tão claras quanto à origem da
família Aguiar, entr...
Família Aguiar – 7 séculos de história

O Aguiar mais remoto identificado

34
Família Aguiar – 7 séculos de história
O casal teve uma filha, outra Luzia de Aguiar de Oliveira,
que veio a casar-se duas...
Família Aguiar – 7 séculos de história

Os Bandeiras, Ximenes, Oliveira, Melo,
Montenegro e Aragão

36
Família Aguiar – 7 séculos de história
e Maria de Góes Vasconcelos, provavelmente na companhia de
seus tios paternos ou ma...
Família Aguiar – 7 séculos de história
de Sua Majestade) e Jerônima de Mesquita, filha de Matheus
Freitas de Azevedo, tamb...
Família Aguiar – 7 séculos de história
Felippe Bandeira de Melo foi, como fica dito, o primeiro varão e
ilustre fidalgo de...
Família Aguiar – 7 séculos de história

Ascendência Judaica – Abraham Sênior

40
Família Aguiar – 7 séculos de história
Rui Nunes Ximenes era filho de um terceiro Duarte
Ximenes de Aragão, médico e asses...
Família Aguiar – 7 séculos de história
carregando somente os seus bens móveis, não incluídos, metais
preciosos, como o our...
Capítulo II
O casal Branca Dias e Diogo Fernandes
O casal Vicente Dias e Violante Dias será um dos pontos de
partida do no...
Família Aguiar – 7 séculos de história
torcida no candeeiro por honra do sábado, vestia camisa limpa e
punha lençóis lavad...
Família Aguiar – 7 séculos de história
‘Nação portuguesa’, ‘gente da nação’ ou ‘homens da nação’
– era assim que os mercad...
Família Aguiar – 7 séculos de história

A Inquisição
No dia 23 de maio de 1536, a Inquisição recebeu autorização
para func...
Família Aguiar – 7 séculos de história
Evidentemente, nenhuma confissão, bem como acusações
e denúncias obtidas pelos meio...
Família Aguiar – 7 séculos de história
Camarajibe, nas margens do rio Capibaribe. Ela veio a falecer em
data não confirmad...
Família Aguiar – 7 séculos de história
lugar, logo depois de Luis do Rego Barreto, que era o juiz ordinário
mais velho, o ...
Família Aguiar – 7 séculos de história
1.9.8. Guiomar, nascida em Pernambuco cerca de 1592.
O casal Isabel Fernandes (1.10...
Família Aguiar – 7 séculos de história
isenção religiosa do primeiro em contraposição ao grande
envolvimento emocional do ...
Capítulo III
De Branca Dias a Manoel Carrasco
Como vimos no capítulo anterior, Branca Dias e Diogo
Fernandes tiveram 11 fi...
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De Branca Dias a Manoel Carrasco

54
Família Aguiar – 7 séculos de história
Nessa empreitada, Duarte Coelho trouxe em sua companhia
a sua mulher Brites de Albu...
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Em posição diametralmente oposta está Francisco Antônio
Dória (in Os Herdeiros do P...
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Vasconcelos, nas quais ela e seu marido, Arnau de Holanda,
levantaram muitos engenh...
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1.2.1.1.8. Sebastião de Vasconcelos;
1.2.1.1.9. João Leitão de Vasconcelos;
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1.2.1.1.1.1.3. Antônio Vaz Carrasco;
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1.2.1.1.1.1.5. M...
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Boa linhagem e testemunho vivo de fé cristã foi a herança que
deixou aos seus. Liga...
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de grande parte da população branca da Ribeira do Acaraú, através
dos Carrascos, te...
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Do segundo matrimônio de Manoel Vaz Carrasco e Silva com
Maria Madalena de Sá e Oli...
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7. Rosa de Sá e Oliveira (5ª das 7 Irmãs) casou-se com o Capitão José
de Xerez da F...
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Livro Familia Aguiar - 7 Séculos de História

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Livro Família Aguiar - 7 Séculos de História de autoria de Francisco Ayrton de Aguiar e José Anastácio de Sousa Aguiar

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  1. 1. Francisco Ayrton de Aguiar José Anastácio de Sousa Aguiar Família Aguiar 7 Séculos de História 2005
  2. 2. Colaboração Zildene de Oliveira Aguiar Antônio Thomáz Neto Revisão Sérgio Roberto Nunes Freire Editoração e Capa Juscelino Guilherme Contato com os autores ayraguia@globo.com tacio111@hotmail.com Impressão Ficha Catalográfica A282f Aguiar, Francisco Ayrton de. Família Aguiar : 7 séculos de história / Francisco Ayrton de Aguiar, José Anastácio de Sousa Aguiar. - Fortaleza : Gráfica LCR, 2005. 266 p. ISBN 9 788590 507314 1. Família Aguiar - História 2. Genealogia I. Aguiar, José Anastácio de Sousa II. Título CDD 929
  3. 3. “A todos os nossos ascendentes e descendentes do clã Aguiar já identificados nesta obra ou aqueles ainda não catalogados por escassez de dados históricos escondidos na noite dos tempos. Que nossos descendentes complementem esta árvore genealógica, em benefício do conhecimento humano. Conhecendo seu passado o homem descobre os caminhos do seu futuro.” Francisco Ayrton de Aguiar “À nossa família, a todos aqueles que se interessem pelo tema e à minha querida esposa Soraya Aguiar, pela existência tão doce.” José Anastácio de Sousa Aguiar
  4. 4. Sumário Apresentação ................................................................................................. 15 Prefácio ........................................................................................................... 27 Capítulo I – A Família Aguiar – Origem e Brasão .................................... 33 · o Aguiar mais remoto identificado ............................................................ 33 · os Bandeira, Ximenes, Oliveira, Melo, Montenegro e Aragão ..................... 35 · ascendência judaica – Abraham Senior ....................................................39 · a expulsão da Espanha – a rainha fala por Deus ......................................41 Capítulo II – O casal Branca Dias e Diogo Fernandes .............................43 · a conveniência religiosa .............................................................................. 44 · gente da nação ..............................................................................................44 · a inquisição .................................................................................................. 46 · Branca Dias ...................................................................................................47 · a conveniência histórica .............................................................................50 Capítulo III – De Branca Dias a Manoel Carrasco ................................... 53 · Arnal Van Holand – nobre ou plebeu? .....................................................53 · Brites Mendes de Vasconcelos – princesa ou plebéia? .............................56 · os descendentes de Maria de Paiva ............................................................ 57 · as 7 irmãs ....................................................................................................... 59 · família Carrasco – destino: Ceará ............................................................... 63 Capítulo IV – De Manoel Carrasco a Miguel Domingos Aguiar ..............65 · os 3 Nicácios ................................................................................................. 67 · Nicácio Vaz de Aguiar Oliveira e Micaela de Sá Oliveira .......................67 · Narciso Lopes de Aguiar e Maria Quitéria de Araújo .............................69 · Gabriel Arcanjo de Aguiar e Domiciana Teresa de Jesus ......................... 70 · Vicente Lopes de Aguiar e Florência Maria da Conceição ......................71 · Miguel Domingos Aguiar e suas três esposas ...........................................73 · Miguel Domingos Aguiar e Maria da Penha. ...........................................73 · os Aguiar Pecado ..........................................................................................74 · o elo perdido ................................................................................................74 · Miguel Domingos de Aguiar e Ana Emília de Sousa Aguiar ..................76 · vida de retirante ...........................................................................................78 · José Ayres de Souza ......................................................................................79 Capítulo V – José Salustiano Aguiar e Maria dos Reis Aguiar ....................... 81 · os descendentes de José Salustiano Aguiar e Maria dos Reis Aguiar .....82 · primeira geração ..........................................................................................82
  5. 5. os descendentes de Ana Umbilina Aguiar Silveira e João Emídio de Maria da Silveira ...............................................................84 · segunda geração ..........................................................................................84 · os descendentes de Antônio Salustiano Aguiar e Águida Ximenes Farias Aguiar ...................................................................85 · segunda geração ..........................................................................................85 · os descendentes de João Salustiano de Aguiar e Maria da Penha Silveira Aguiar .................................................................87 · segunda geração ..........................................................................................87 · terceira geração ............................................................................................87 · os descendentes de José Salustiano de Aguiar Filho e Ana Maria Ximenes Aguiar ........................................................................88 · segunda geração ..........................................................................................89 · terceira geração ............................................................................................89 · os descendentes de Francisco Salustiano de Aguiar e Ana Rodrigues Aguiar ................................................................................89 · segunda geração ..........................................................................................89 · terceira geração ............................................................................................90 · os descendentes de Francisco Assis Salustiano Aguiar e Zilda de Oliveira Aguiar ............................................................................92 · segunda geração ..........................................................................................92 · terceira geração ............................................................................................93 · quarta geração ..............................................................................................96 · quinta geração ............................................................................................ 100 · os descendentes de Maria Nazaré Aguiar e João Nogueira Borges ...... 100 · segunda geração ........................................................................................ 100 · terceira geração .......................................................................................... 101 · quarta geração ............................................................................................ 102 · os descendentes de João Batista Salustiano Aguiar e Iraci Barreto Aguiar ................................................................................... 102 · segunda geração ........................................................................................ 103 · terceira geração .......................................................................................... 103 · quarta geração ............................................................................................ 104 · os descendentes de Gerardo Salustiano de Aguiar e Teresinha Nogueira Aguiar ...................................................................... 105 · segunda geração ........................................................................................ 105 · terceira geração .......................................................................................... 106 · quarta geração ............................................................................................ 109 · Capítulo VI – Maria do Carmo Aguiar e Vicente Emidio da Silveira ............... 111 · os descendentes de Maria do Carmo Aguiar e Vicente Emidio da Silveira ....................................................................... 111 · primeira geração ........................................................................................ 111 · os descendentes de Francisco Chagas Silveira e Maria Alzira .............. 112 · segunda geração ........................................................................................ 112 · terceira geração .......................................................................................... 117
  6. 6. Capítulo VII – Vicente Aguiar Souza e Maria Frederico Andrade Aguiar ................................... 119 · os descendentes de Vicente Aguiar Souza e Maria Frederico Andrade de Aguiar ....................................................... 120 · primeira geração ........................................................................................ 120 · os descendentes de José Maria Aguiar e Maria Alidéia Lima Aguiar....................................................................... 121 · segunda geração ........................................................................................ 121 · os descendentes de Maria José Aguiar Queiroz e João Lins Queiroz ...................................................................................... 122 · segunda geração ........................................................................................ 122 · terceira geração .......................................................................................... 122 · quarta geração ............................................................................................ 124 · quinta geração ............................................................................................ 125 · os descendentes de Maria Aura Aguiar Luz e Wilson Luz .................... 126 · segunda geração ........................................................................................ 126 · terceira geração .......................................................................................... 126 · os descendentes de Maria Consuelo Aguiar Albuquerque e Eduardo Aragão Albuquerque ................................................................. 126 · segunda geração ........................................................................................ 127 · terceira geração .......................................................................................... 127 · quarta geração ............................................................................................ 128 · os descendentes de Miguel Frederico de Aguiar e Maria Dalva .......... 129 · segunda geração ........................................................................................ 129 · terceira geração .......................................................................................... 129 · os descendentes de Maria Helena Aguiar Dias e Honório Soares Dias .................................................................................. 129 · segunda geração ........................................................................................ 129 · terceira geração .......................................................................................... 130 · quarta geração ............................................................................................ 131 · os descendentes de Francisco Frederico de Aguiar e Maria do Carmo Melo ............................................................................... 131 · segunda geração ........................................................................................ 131 · terceira geração .......................................................................................... 132 · quarta geração ............................................................................................ 132 · os descendentes de Antônio Frederico D’Aguiar Souza e Francisca Anites Coutinho ....................................................................... 133 · segunda geração ........................................................................................ 133 · terceira geração .......................................................................................... 133 · os descendentes de Terezinha de Jesus Aguiar dos Santos e Antônio Custódio dos Santos Filho ........................................................ 134 · segunda geração ........................................................................................ 134 · terceira geração .......................................................................................... 134 · os descendentes de Margarida Maria Aguiar Simões e Alaor Nogueira Simões ............................................................................. 134
  7. 7. · · segunda geração ........................................................................................ 134 terceira geração .......................................................................................... 135 Capítulo VIII – Emília Cândido Aguiar e Miguel Francisco da Silveira ......................................... 137 · os descendentes de Emília Cândido Aguiar e Miguel Francisco da Silveira .................................................................... 138 · primeira geração ........................................................................................ 138 · a descendente de Antônio Eustáquio Silveira e Maria Ima Silveira ...................................................................................... 139 · segunda geração ........................................................................................ 139 · os descendentes de Ana Graciema Silveira Costa e Benjamin Cordeiro ................................................................................... 140 · segunda geração ........................................................................................ 140 · terceira geração .......................................................................................... 141 · os descendentes de Francisco Anastácio Aguiar Silveira e Maria Regina Dantas Aguiar .................................................................... 144 · segunda geração ........................................................................................ 145 · terceira geração .......................................................................................... 145 · os descendentes de José Maria Aguiar Silveira e Maria Guiomar Ferreira Aguiar ............................................................... 146 · segunda geração ........................................................................................ 146 · terceira geração .......................................................................................... 146 Capítulo IX – José Anastácio de Sousa Aguiar e Ana Ely Ponte de Sousa Aguiar ........................................ 147 · os descendentes de José Anastácio de Sousa Aguiar e Ana Ely Ponte de Sousa Aguiar ................................................................ 149 · primeira geração ........................................................................................ 149 · os descendentes de José Anastácio de Sousa Aguiar Filho e Jupira Demétrio de Sousa Aguiar ............................................................ 150 · segunda geração ........................................................................................ 150 · terceira geração .......................................................................................... 150 · quarta geração ............................................................................................ 151 · os descendentes de Lúcio Flávio de Sousa Aguiar e Maria Elisabete Castro de Sousa Aguiar ................................................. 153 · segunda geração ........................................................................................ 153 · terceira geração .......................................................................................... 154 Capítulo X – Maria José de Sousa Aguiar e Francisco das Chagas Aguiar .............................................. 157 · os descendentes de Maria José de Sousa Aguiar e Francisco das Chagas Aguiar .................................................................... 157 · primeira geração ........................................................................................ 157
  8. 8. os descendentes de Sebastião Fernandes de Aguiar e Maria José Filizola Aguiar ......................................................................... 158 · segunda geração ........................................................................................ 158 · terceira geração .......................................................................................... 158 · Capítulo XI – João de Sousa Aguiar e Francisca de Oliveira Aguiar ............................................. 161 · os descendentes de João de Sousa Aguiar e Francisca Clara de Oliveira Santiago ....................................................... 162 · primeira geração ........................................................................................ 162 · os descendentes de Zilda de Oliveira Aguiar e Francisco Assis Salustiano Aguiar ........................................................... 164 · os descendentes de Edson de Sousa Aguiar e Mariêta Machado Aguiar .......................................................................... 164 · segunda geração ........................................................................................ 164 · terceira geração .......................................................................................... 165 · quarta geração ............................................................................................ 169 · os descendentes de Evaldo da Silva Aguiar e Irani Souza .................... 169 · segunda geração ........................................................................................ 169 · terceira geração .......................................................................................... 170 · os descendentes de Edmilson de Oliveira Aguiar e Rita Adaíse Rios ......................................................................................... 170 · segunda geração ........................................................................................ 170 · terceira geração .......................................................................................... 171 · quarta geração ............................................................................................ 173 · os descendentes de João Edil de Oliveira Aguiar e Adalgisa Nóbrega Aguiar. ......................................................................... 175 · segunda geração ........................................................................................ 175 · terceira geração .......................................................................................... 175 · os descendentes de Maria Zulena de Oliveira Aguiar e José Alencar Vidal ...................................................................................... 176 · segunda geração ........................................................................................ 176 · terceira geração .......................................................................................... 177 · os descendentes de José Eldo de Oliveira Aguiar e Maria Livete Santos ................................................................................... 179 · segunda geração ........................................................................................ 179 · terceira geração .......................................................................................... 180 · quarta geração ............................................................................................ 181 · os descendentes de Francisca Zildene de Oliveira Aguiar e Antônio Barbosa Lima ............................................................................... 181 · segunda geração ........................................................................................ 182 · terceira geração .......................................................................................... 182 · quarta geração ............................................................................................ 185 · os descendentes de Francisco Edmar de Oliveira Aguiar e Maria Adelaide Rodrigues Aguiar .......................................................... 185
  9. 9. segunda geração ........................................................................................ 185 terceira geração .......................................................................................... 186 · quarta geração ............................................................................................ 187 · os descendentes de Zélia de Oliveira Aguiar e Edielson Veríssimo Pinheiro .................................................................... 187 · segunda geração ........................................................................................ 188 · terceira geração .......................................................................................... 188 · · Capítulo XII – Antônio de Sousa Aguiar e Ana Jessé de Araújo Aguiar ............................................ 191 · os descendentes de Antônio de Sousa Aguiar e Ana Jessé de Araújo Aguiar ....................................................................... 192 · primeira geração ........................................................................................ 192 · os descendentes de Francisco Nilciton Aguiar e Maria Laís Costa Aguiar ........................................................................... 194 · segunda geração ........................................................................................ 194 · terceira geração .......................................................................................... 195 · quarta geração ............................................................................................ 198 · os descendentes de Ana Neide Aguiar Matos e Sandoval de Sousa Matos ......................................................................... 199 · segunda geração ........................................................................................ 199 · terceira geração .......................................................................................... 200 · os descendentes de Paulo Araújo Aguiar e Kafa Chamum Aguiar ................................................................................ 201 · segunda geração ........................................................................................ 201 · terceira geração .......................................................................................... 202 · os descendentes de José Araújo Aguiar e Maria Elisabeth de Araújo Aguiar ........................................................... 202 · segunda geração ........................................................................................ 202 · terceira geração .......................................................................................... 202 · quarta geração ............................................................................................ 203 · os descendentes de Annita Araújo Aguiar e Enio Tourasse .................. 203 · segunda geração ........................................................................................ 203 · terceira geração .......................................................................................... 203 · os descendentes de José Nilton Aguiar e Silvana Moura de Carvalho ...................................................................... 204 · segunda geração ........................................................................................ 204 · terceira geração .......................................................................................... 204 · os descendentes de Francisco Ayrton de Aguiar e Volite Pires Mendes ................................................................................... 205 · segunda geração ........................................................................................ 205 · terceira geração .......................................................................................... 206 · os descendentes de José Milton Aguiar e Maria Nícia Carvalho Aguiar ................................................................... 206
  10. 10. · · segunda geração ........................................................................................ 206 terceira geração .......................................................................................... 207 Capítulo XIII – Antônio Lopes do Espírito Santo .................................. 209 · os descendentes de Antônio Lopes do Espírito Santo e Maria Joaquina ........................................................................................... 209 · primeira geração ........................................................................................ 209 · os descendentes de Antônio Lopes do Espírito Santo e Maria dos Anjos ......................................................................................... 210 · primeira geração ........................................................................................ 210 · os descendentes de José Tibúrcio de Aguiar e Francisca Etelvina ..................................................................................... 210 · segunda geração ........................................................................................ 210 · os descendentes de José Tibúrcio de Aguiar e Maria José Aguiar ...................................................................................... 211 · segunda geração ........................................................................................ 211 · os descendentes de Francisco Joaquim do Espírito Santo e Maria José do Espírito Santo ..................................................................... 211 · segunda geração ........................................................................................ 211 · terceira geração .......................................................................................... 212 · quarta geração ............................................................................................ 213 · quinta geração ............................................................................................ 214 Capítulo XIV – Cândido Lopes de Aguiar .............................................. 219 · os descendentes de Cândido Lopes de Aguiar e Maria Florência de Aguiar ........................................................................ 219 · primeira geração ........................................................................................ 219 · os descendentes de Luiz Cândido Aguiar e Maria Profetisa Cisne ...... 222 · segunda geração ........................................................................................ 222 · terceira geração .......................................................................................... 222 · quarta geração ............................................................................................ 223 · os descendentes de José Afonso Aguiar e Maria Nazaré Gregório ....... 224 · segunda geração ........................................................................................ 224 · os descendentes de Raimunda Iracema Aguiar e Miguel Gabriel Martiniano Aguiar .......................................................... 225 · segunda geração ........................................................................................ 225 · os descendentes de Maria Nazaré Aguiar e José Abílio ......................... 225 · segunda geração ........................................................................................ 225 · os descendentes de Antônia Persilha de Aguiar e Clementino Domingues Filho .................................................................. 226 · segunda geração ........................................................................................ 226 · terceira geração .......................................................................................... 226 · os descendentes de Maria Conceição Thomaz e João Batista Thomaz ...... 226 · segunda geração ........................................................................................ 226
  11. 11. Joaquim Anselmo Aguiar e Maria Angélica Aguiar ............................... 227 segunda geração ........................................................................................ 227 · os descendentes de Vicente de Paulo Aguiar e Júlia Rocha Aguiar ..... 227 · segunda geração ........................................................................................ 227 · terceira geração .......................................................................................... 228 · · Capítulo XV – Francisco Lopes de Aguiar .............................................. 231 · os descendentes de Francisco Lopes Aguiar e Rita Maria de Jesus ..... 231 · primeira geração ........................................................................................ 231 · os descendentes de Francisco Lopes Aguiar e Ana Amélia Aguiar ..... 232 · primeira geração ........................................................................................ 233 · os descendentes de José Maria de Aguiar e Amélia Schettine .............. 235 · segunda geração ........................................................................................ 235 · terceira geração .......................................................................................... 236 · quarta geração ............................................................................................ 237 · os descendentes de Raimundo Lopes Aguiar e Maria Peregrina de Aguiar ........................................................................ 237 · segunda geração ........................................................................................ 237 · os descendentes de Raimundo Lopes Aguiar e Maria do Carmo de Aguiar ....................................................................... 237 · segunda geração ........................................................................................ 237 · os descendentes de Raimundo Lopes Aguiar e Maria Euzália Aguiar ..... 238 · segunda geração ........................................................................................ 238 · os descendentes de José Cláudio Aguiar e Maria de Jesus Aguiar ....... 238 segunda geração .......................................................................................... 238 · terceira geração .......................................................................................... 238 · quarta geração ............................................................................................ 239 · os descendentes de Maria Frutuosa de Aguiar e José Luis de Araújo .. 239 · segunda geração ........................................................................................ 239 · terceira geração .......................................................................................... 240 · os descendentes de Maria Augusta Aguiar Araújo e José Luis de Araújo ................................................................................... 241 · segunda geração ........................................................................................ 241 · terceira geração .......................................................................................... 242 · quarta geração ............................................................................................ 243 · os descendentes de Maria de Nazareth de Aguiar e Manuel Estanislau de Araújo ................................................................... 244 · segunda geração ........................................................................................ 244 Bibliografia .................................................................................................. 246 · Bibliografia genealógica ............................................................................ 246 · Bibliografia complementar ....................................................................... 250
  12. 12. Apresentação “Perdão, mas é um prazer, deveras Entrar no espírito das eras, Ver como já pensou um sábio antes de nós, E a que sublimes fins temos chegado após.” (in Fausto de Goethe, pág. 48) A presente obra tem alguns objetivos, dentre eles, prestar uma justa homenagem aos nossos antepassados e ao mesmo tempo trazer para as gerações presente e futuras uma fonte de pesquisa e ensinamento. Temos a convicção de que cultuar o passado é uma das melhores formas de aprendizado e amadurecimento. Sem contar, é claro, com a oportunidade que diversas pessoas terão de compartilhar suas histórias de vida com todos os familiares e amigos. Poucas são as obras que já nascem fadadas à imperfeição, e um livro sobre genealogia, de qualquer família que seja, sempre será uma obra inacabada e incompleta. Talvez esse seja um dos maiores estímulos. Este tipo de pesquisa assemelha-se em muito ao trabalho de garimpagem. Por vezes, conseguimos várias informações importantes de uma única tacada, de outras o destino parece testar a nossa convicção. Entretanto, vários são os prazeres dessa jornada. Temos a oportunidade de dar vida novamente a fatos e pessoas de um passado remoto, de mergulhar no espírito das eras, de compreender melhor o significado da história. Dentre as pérolas encontradas na jornada, destacamos o verdadeiro e juvenil
  13. 13. testemunho de uma sobrinha sobre o destino opressor acometido a sua tia, retirada de um pequeno caderno de anotações, já amarelado pelo tempo, que agora transcrevemos: “Minha tia casou-se quase à força, para satisfazer o pai e seu irmão, por isso ela nunca gostou do marido, porém viveram unidos e tiveram 5 filhos. O seu grande amor era seu amigo de infância, que não foi aceito pela família porque era boêmio, gostava de festas e de violão.” Várias foram as descobertas, e confessamos que alguns temas não nos eram de todo conhecidos, como por exemplo, a história dos cristãos-novos à época da perseguição religiosa impetrada pela igreja católica contra os judeus. A desumanidade e a crueldade dos representantes do papa da época foram inaceitáveis e macularam sobremaneira a igreja, enquanto instituição sucessora de Pedro. Entretanto, apesar de todo o horror, a Inquisição contribuiu para que chegassem aos nossos dias os fatos ocorridos naquele período da história, por meio das transcrições dos processos aos quais os judeus foram submetidos. Em que pese este livro não ter por escopo o estudo e aprofundamento das mazelas impostas aos judeus e cristãos-novos pela intolerância e a desumanidade dos ideais religiosos inquisitoriais, possa esta obra, ao menos, lembrar ao leitor a importância da tolerância e da fraternidade entre todos. A colonização holandesa ocorrida no Nordeste brasileiro entre 1630 a 1654 permitiu uma maior liberdade religiosa aos judeus que para cá fugiam da perseguição perpetrada na Europa, em especial, na Península Ibérica. Com isso, houve um grande florescimento da cultura e religiosidade judaica, especialmente, em Pernambuco. Ao final da invasão holandesa, os judeus
  14. 14. seguiram para vários destinos, dentre eles: a América do Norte, a Europa, norte da África, Barbados e alguns permaneceram no Brasil, fugindo para o interior. Dentre esses destinos brasileiros, destaca-se a região do vale do rio Acaraú, em especial as cidades de Sobral e Camocim, como destaca o Padre João Mendes Lira: “Os judeus que em grande quantidade se fixaram em Sobral, Várzea do Pinto, Groaíras, Cariré, Jaibaras, São Vicente, etc., embora estivessem totalmente fora do alcance e da visão dos inquisitores e do Santo Ofício, jamais comunicaram a seus filhos onde nasceram, de onde eram, suas origens judaicas, seus nomes verdadeiros e até mesmo suas práticas religiosas. Somente na hora da morte revelavam suas raízes e suas origens, pedindo que não passassem para ninguém esta história. (...) Os judeus portugueses que se transformaram nos Carvalhos, nos Madeiras, nos Ferreiras da Ponte, nos Prados, nos Linhares, nos Aguiar, nos Bezerras, mudaram o rumo da História Econômica de Sobral.” O mergulho em sete séculos de história, com a conseqüente identificação de 20 gerações da família Aguiar – desde o século XIV, quando do nascimento do mais remoto personagem pesquisado, o rabino Yuda Baquiz até os dias atuais – propiciará ao leitor conhecer o primeiro Aguiar, identificar a nossa ascendência judaica, familiarizar-se com os costumes e valores dos nossos antepassados, reconhecer as diversas famílias que se entrelaçaram com os Aguiar, saborear a saga das “Sete Irmãs”, da colonização da região do vale do rio Acaraú, bem como permitirá
  15. 15. uma análise crítica dos bastidores do poder dos reis católicos da Espanha e da Inquisição Católica, sob uma visão imparcial dos fatos que compuseram a nossa história. Esta pesquisa nos possibilitou verificar o incrível avanço que presenciamos e desfrutamos em algumas áreas do conhecimento humano e, ao mesmo tempo, constatar que em outras searas patinamos sem rumo certo. Já não há tantos casos de falecimento da gestante quando do parto, já não se levam três semanas para percorrer cem quilômetros transportando mercadorias, já não se vive tão isolado, o que propiciava os casamentos entre primos e entre tios e sobrinhas, já não há imposição quanto à escolha do parceiro para o matrimônio, como o caso acima citado. A liberdade talvez tenha sido o maior dos bens conquistados, no entanto é bem verdade que a sua consagração definitiva tem importado severos sacrifícios para a raça humana, na medida em que têm sido confundidos liberdade com irresponsabilidade, por meio da substituição dos mais caros valores estóicos por um niilismo inconseqüente e devastador. No entanto, a raciocinar com o movimento pendular, cremos que em breve possa ser atingido o ponto de equilíbrio e harmonia. Talvez possamos concluir que quanto aos aspectos objetivos e materiais da vida, tivemos um notável avanço, entretanto quanto aos pontos de natureza subjetiva e espirituais, temos encontrado mais firmeza de caráter e integridade nos nossos antepassados. Vejamos o que Victor Hugo nos ensina: “Trabalhar para o povo, é essa a grande urgência. A alma humana, coisa importante a dizer no momento em que estamos, precisa ainda mais de ideal, do que de real.
  16. 16. É pelo real que vivemos, é pelo ideal que existimos. Ora, queremo-nos dar conta da diferença? Os animais vivem, o homem existe.” (in William Shakespeare, de Victor Hugo, pág. 226) Escrever um livro, em especial, desta natureza, compara-se à trajetória da vida. Temos uma idéia do que queremos, mas não sabemos exatamente o que nos espera. No transcorrer desse desafio, encontraremos estímulos, desventuras, acertos, dúvidas, alegrias, incertezas, mas acima de tudo, estaremos perseguindo um ideal, que nesta obra materializa-se na reunião do maior número de informações sobre a família Aguiar. É bem verdade que é um ideal utópico, assim como é a vida. Vivemos com uma idéia do que queremos – ser feliz, mas não sabemos o que nos espera, nem muito menos como conseguir tal desiderato. Por vezes, e na maioria das vezes, utilizamos nosso precioso tempo no desempenho de atividades que pouco nos serão úteis, e como gastamos tempo com isso... Acreditamos que tudo deve ser submetido ao nosso imediatismo egoísta e submetemos todos os nossos valores ao crivo da sociedade ignara, que não sabe de onde vem, nem muito menos para onde vai. E como insistimos nesse caminho... Alguns conseguirão - empós um árduo caminho espiritual, e, diga-se de passagem, pessoal - atingir a maturidade, e perceber que poucas, mas pouquíssimas coisas têm verdadeiramente importância. E aqui, aproveitamos para destacar trecho do prefácio da Cidade de Deus de Santo Agostinho:
  17. 17. “A concepção das duas cidades encontra sua base na reflexão agostiniana dos dois amores. A vida humana se desenrola entre dois amores, entre duas forças: uma terrestre e outra espiritual e celeste. Entre estas duas forças, ou dois amores, se desenvolve a vida humana. Será que esta mesma dinâmica não acontece também na história? (...)” (in A Cidade de Deus, Parte I, de Santo Agostinho, pág. 45) Por certo, nessa ocasião, verão que as dificuldades, sofrimentos e derrotas terão grande importância, pois permitiram esmerar o discernimento e diminuir a miopia espiritual. Mesmo nos momentos mais árduos e perante as situações mais complexas, em que a concepção antropomórfica de Deus que nos foi imposta como condição de submissão e temor não nos auxilia, devemos crer que o nosso universo relativo pertence a um infinito absoluto, muito além das paixões e necessidades terrenas, no qual predomina o equilíbrio, a justiça e o verdadeiro amor de Deus. Em outras palavras, como assevera o adágio popular, se não está tudo bem, é porque ainda não acabou. “Num universo tão complexo, no seio de um organismo de forças regido por uma lei tão sábia, que nunca falhou definidamente, como podes acreditar que teu destino esteja abandonado ao acaso, e o desequilíbrio momentâneo, que te aflige e te parece injustiça, não seja condição de mais alto e mais perfeito equilíbrio.” (in A Grande Síntese, de Pietro Ubaldi, pág. 188)
  18. 18. Não teceremos comentários de cunho enaltecedor, seja no campo profissional ou pessoal, a qualquer dos parentes vivos, porque sabemos que os grandes homenageados são nossos antepassados, e cremos que qualquer caminho que leve à virtude e à verdade percorre a orla da integridade e da disciplina, e jamais cruza com as veredas da vaidade e da paixão comum. Recorramos mais uma vez aos mestres. “Integridade e firmeza. Esteja sempre do lado da razão, e com tal firmeza de propósito, que nem a paixão comum, nem a violência tirânica o desviem dela. Mas onde encontrar essa fênix de equidade? Poucos se dedicam à integridade. Muitos a festejam, mas poucos a visitam. Alguns a seguem até que a situação se torne perigosa. Em perigo, os falsos a renegam, e os políticos astuciosamente a disfarçam. Ela não teme pôr de lado a amizade, poder e mesmo seu próprio bem, e é nessa hora que é repudiada. Os perspicazes elaboram sofismas sutis e falam de louváveis motivos superiores ou de razão de Estado, mas o homem realmente leal considera a dissimulação uma espécie de traição, orgulha-se mais de ser firme do que sagaz e se encontra sempre do lado da verdade. Se diverge dos outros, não é devido a algum capricho seu, mas porque os outros abandonaram a verdade.” (in A Arte da Sabedoria Mundana, de Baltasar Gracián, pág. 25)
  19. 19. Um dos períodos mais interessantes da nossa pesquisa foi o século XIX, em especial, os fatos referentes aos filhos de Vicente Lopes de Aguiar – Miguel Domingos Aguiar, Antônio Lopes do Espírito Santo, Cândido Lopes de Aguiar, Francisco Lopes de Aguiar. Cremos ser possível traçar um perfil daqueles homens. Todos nasceram no município de Massapê, na região de Ipaguaçu, antiga Acaraú-Mirim, no noroeste do Estado do Ceará. Praticamente, passaram todas as suas vidas naquela região. Tinham tez branca, herança dos seus ascendentes predominantemente portugueses, trabalhavam normalmente em atividades ligadas à terra e eram extremamente católicos. Criaram seus filhos com a rigidez típica do homem do campo e davam bastante ênfase aos laços familiares. Houve, como o caso de Cândido Lopes de Aguiar e Francisco Lopes de Aguiar, vários casamentos entre parentes, parte resultado da extrema dificuldade de locomoção peculiar à época, bem como dos fortes laços familiares, acima citado. O papel da mulher, quase sempre olvidado pelas pesquisas de cunho genealógico, mostra-se na nossa família de vital importância, pois graças ao seu trabalho, com afinco e esmero, é que foi possível aos chefes de família lançarem-se ao mundo em busca da sobrevivência de seus entes. Mesmo aquelas que não lograram casar-se tiveram um desempenho invejável na colaboração, e, em alguns casos, até mesmo na substituição dos pais, na educação dos filhos, como foi o caso de Maria Neusa Araújo Aguiar, Maria Diva Aguiar, Maria Wanda de Sousa Aguiar, Ana Nair de Sousa Aguiar, e tantas outras. Cumpre a nós, mesmo que muito tempo depois, reconhecer agradecidos a prestimosa colaboração; e o fazemos na pessoa de Branca Dias – que o leitor terá oportunidade de conhecer nos primeiros capítulos, que representa, e muito bem, a mulher altiva, trabalhadora, guerreira e mãe.
  20. 20. Nossas pesquisas demonstram que os municípios de Massapê, Sobral e Camocim formam o eixo no qual a família Aguiar adotou como berço nessas terras de Iracema, e de onde se espalharam para o resto do Estado, em especial à capital Fortaleza, e para o mundo. A colonização do interior do Estado do Ceará, em especial das terras do noroeste, iniciou-se pela ocupação dos vales dos rios Coreaú, Acaraú e seus afluentes. Após a expulsão dos índios, várias famílias, oriundas principalmente de Pernambuco, procuravam terras prósperas para o cultivo e a criação de gado, atraídas pelo exemplo empreendedor dos jesuítas da Missão da Ibiapaba. A ocupação dessas terras, como em todo o Brasil, envolveu, além do colono, o padre, o escravo e o índio. E é nesse emaranhado de interesses e relações que floresceu a família Aguiar. É imperioso destacar um pouco da história daquela região, em especial de Ipaguaçu, ou como é carinhosamente chamada pelos seus filhos, Mirim, antiga Acaraú-Mirim, que foi o nascedouro deste ramo da família Aguiar pesquisado, em especial nos séculos XIX e no primeiro quartel do século XX. A história de Ipaguaçu coincide com a construção do açude Acaraú-Mirim, em 1901, no povoado do mesmo nome. O povoado nasceu nos altos do rio Acaraú-Mirim, também conhecido como Altos de São Pedro, nos locais onde foram instaladas fazendas centenárias de gado vacum, servindo de limites com o Município de Licânia, depois, Santana do Acaraú, conforme a Lei Estadual n°. 398, de 25 de setembro de 1897, que elevou à categoria de Vila, sob a denominação de Serra Verde, a povoação de Massapê. O povoado de Acaraú-Mirim, por força do Decreto n°. 129, de 30 de novembro de 1935, chegou a ser Distrito, passando depois
  21. 21. a ser denominado de Mirim, para ser alterado novamente o nome, por meio do Decreto-Lei nº 1.114, de 30 de novembro de 1943, quando passou a ser chamado de Ipaguaçu, e já pela Lei n° 1.153, de 22 de novembro de 1951, o Distrito de Ipaguaçu foi extinto, situação que permaneceu até 21 de outubro de 199l, quando foi sancionada a Lei n° 293, recriando-o, desta feita, na categoria de Vila. Pôr do sol no açude Acaraú-Mirim (Ipaguaçu/Massapê/CE) Em que pese, de início, não termos tido o objetivo de fazer agradecimentos individuais aos muitos que nos ajudaram, cremos ser mais justo lembrar dos maravilhosos momentos dispensados com pessoas que até então, muitas delas, nem conhecíamos. Dessa forma, agradecemos imensamente a companhia e o carinho de Francisca Zildene de Oliveira Aguiar, Antônio Thomáz Neto, José Joaquim Neto Cisne, Rita de Cássia Araújo da Silva, Augusto Cláudio Guterres, José Lindolfo Weber da Silva, Igo Carvalho Vilar de Melo, Rogério Nogueira Aguiar, Maria de Jesus Nogueira Aguiar, Maria Valderez da Silveira Costa, Marlúcia Barreto Aguiar, José Maria Aguiar, Rosa Maria Aguiar Albuquerque, Cândido Pinheiro de Lima, Kléber José Silveira, Jaílson Arquino de Oliveira
  22. 22. e Sousa, amigos da primeira e de todas as horas, cuja amizade por si só já justificaria toda a labuta da presente obra, companheiros que sabem que a felicidade não se encontra no final da jornada, mas sim em todos os momentos da caminhada. Quanto ao objetivo maior desta obra, deixemos que Cícero fale por nós: “Sócrates repetia que julgava sua tarefa cumprida, logo que as suas exortações tinham despertado suficientemente na alma de uma pessoa o desejo de conhecer e abraçar a virtude. Quando se está firmemente convencido de que nada vale a satisfação de ser homem honesto, não há, acreditava ele, muito mais que aprender.” (in Do Orador, de Cícero, pág. 53) Desejamos, diferentemente de todas as obras literárias que vem com proibição expressa de não ser copiada, que esta obra seja copiada, clonada, reproduzida e possa atingir o maior número de pessoas possível, para que possamos ampliá-la em uma nova edição com novas informações e curiosidades sobre a família Aguiar. Há exatos dois anos, demos início a nossa pesquisa, e com o final dos trabalhos esperamos ter contribuído para um melhor entendimento das origens da nossa família, bem como para o lançamento de um olhar crítico e inovador sobre várias questões genealógicas ainda não totalmente esclarecidas. Por derradeiro, deixamos a mensagem do mestre dos mestres, Jesus: “Que a paz esteja convosco!” Fortaleza/CE, 17 de janeiro de 2005. Os Autores
  23. 23. Pref ácio Falar sobre família não é tarefa fácil, sobretudo porque envolve sentimentos, que no dizer de Blaise Pascal: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”, - basta a perda de um elo familiar, para distorcer por completo o rumo da verdadeira história na elaboração do mapa genealógico que se pretende – só facilitadas, um pouco, as pesquisas, por tratar-se de uma família que deu certo. Como exemplo de dificuldade, cito o meu próprio caso, Antonio Thomaz Neto, além de não constar o sobrenome Aguiar - somos cinco com o mesmo nome, homenageando o avô materno. Explicar quem é quem dos cinco, daqui a duzentos ou mais anos não deixaria de ser um exercício de tortura para qualquer um que se aventurasse no estudo do tema. O outro grau de dificuldade reside no fato de não escolhermos os pais, a família ou mesmo o lugar para nascer, entretanto, para crescer e se realizar, dependemos do aconchego do lar, da identificação com nossas raízes, a ponto de muitos recorrerem à regressão nos sofás dos analistas, para ficarem menos “doidos” – resultando, com isto, - modernamente - num crescente interesse por este tipo de literatura investigativa - das raízes familiares de cada um. A escritora e acadêmica Lya Luft, em Família: Como Fazer - mais realista, define a família como “o chão sobre o qual caminhamos por toda a vida, seja ele esburacado ou plano, ensolarado ou sombrio, não é escolha nossa”. Todavia, o que se sabe ao certo que é dentro do seio familiar que se processa o mais requintado laboratório de convivência social – que os mais aparelhados dos Estados não suprem com eficiência as mais ignorantes das mães e lugar onde se
  24. 24. desenvolvem, também, os maiores conflitos e as maiores tragédias da comédia humana, desde Caim e Abel, - mas, pela graça de Deus, não se conhecem, até agora, maiores tragédias, no meio da família Aguiar, possibilitando a conclusão de tratar-se de um agrupamento familiar que deu certo ou no dizer de Epicteto: “Seguramente Deus escolhe seus servos ao nascerem, ou talvez antes mesmo do nascimento”. Assim, O fez aos Aguiar. Em Família Aguiar: Sete Séculos de História, seus autores nos proporcionam uma leitura crítica, projetando nova luz e nova vertente ainda pouco exploradas, das possibilidades de se chegar até o Adão e a Eva dos Aguiar, por certo dentre “os marcados na fronte como servos do nosso Deus, pertencentes a uma das tribos dos filhos de Israel, de que nos fala o Apocalipse de São João” (Ap.7,4-9). Procura ainda esclarecer sobre figuras polêmicas como a de Branca Dias, bem como a ascendência judaica da família Aguiar, a partir do rabino Yuda Baquiz, e a proximidade da família da águia com o Papa Adriano VI. A serem confirmados estes vínculos genealógicos, já se pode pensar noutro mergulho ainda mais profundo – recuando as pesquisas a dois ou três mil anos, que alcançaria o povo do livro, a partir de Jacó, que depois da luta com o anjo do Senhor passou a se chamar de Israel, segundo a Bíblia. Gerou treze filhos das quatro uniões que manteve: com Lia, nasceram, Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom e Diná a única mulher; com Bila,- criada de Raquel, nasceram Dã e Naftali; com Zilpa – criada de Lia, nasceram Gade e Aser, e, finalmente, com Raquel - protagonista de uma linda história de amor que custou ao primo/esposo mais sete anos de trabalho - nasceram José e Benjamim. Este último morreu em Efrata, onde até hoje se encontra seu túmulo, perto de Hebrom.
  25. 25. Dividido o território ocupado por Israel pelos doze filhos homens, formaram doze tribos, Diná por ser mulher nada recebeu. Naquela época, mulher não contava muito como herdeira. Esta linha de pesquisa nos leva ainda a outras indagações inquietantes, que não deixa de ser uma abordagem outra de recontar a história de muitas famílias. - por que o símbolo da casa de Jacó era uma águia, tal qual o Brasão da família Aguiar, o mesmo símbolo adotado, muitos séculos depois? - dez das doze tribos que se perderam, cerca de trinta a quarenta mil pessoas, ou se assimilaram com outros povos, que segundo o pesquisador Jacques Attali, citando o Livro Bíblico de Abdias, um dos mais antigos profetas, fala do exílio de Jerusalém em Sefarad, nome em hebraico da península Ibérica (in Os Judeus, o Dinheiro e Mundo, Editora Futuro, 3a. Ed. p. 248), lugar onde foram localizados pelos autores, Yuda Baquiz, Abraham Sênior e Moses Raphel de Aguilar, este, rabino da primeira Sinagoga construída nas Américas em 1639, chamada de Kahal Zur Israel, em Pernambuco, ao tempo do Governador Mauricio de Nassau. Outros grupos hebraicos atingidos pelas diversas Diásporas alcançaram a Europa central, hoje Polônia e Alemanha, e ficaram sendo chamados na língua hebraica de ashkenazim, que depois se espalhariam pelo restante da Europa e América. Em Viena de 1621, ao lado de outros banqueiros, foram encontrados os AGUILAR, “pequenos prestamistas que depois se tornaram banqueiros” (Attali,ob.cit., p.303). Outros contingentes expulsos de suas terras se dirigiram para Cartago, fixando-se na ilha de Djerba na África, hoje pertencente a Tunísia, num contínuo fluxo migratório do Oriente para o Ocidente.
  26. 26. Ao fim, temos que concordar com a proposição de Isaiah Berlin, estudioso inglês nascido na Ucrânia de que “a tarefa do pensador é subverter, abrir portas, destruir, libertar, deixar que o ar entre. A do político, de acomodar as diversidades”. Sobre o papel da mulher Aguiar, gostaria de destacar mais uma, Maria Florência Aguiar (Mãe Imã), casada com o tio Cândido Lopes Aguiar – que nem cidadã chegou a ser, visto que o voto da mulher brasileira só foi conseguido em 1932, no bojo da revolução de 1930. Mãe de treze filhos, católica fervorosa, que somente depois de muito tempo cheguei a entender o seu esforço obsessivo de ensinar os filhos a ler um texto das sagradas escrituras e assinar o próprio nome para poder votar, e ser gente, como diziam. Duas facetas, além de outras tantas, mais marcantes de sua sofrida vida, devo lembrar. Primeiramente, destaco o verdadeiro estoicismo com que suportou, com paciência quase bovina, tudo entregando a Deus, e administrou a terrível enfermidade incurável do marido, que chegou a consumir todo o nariz, deixando à mostra parte da ossatura da face, que somados aos parcos recursos e à falta de assistência médica, no sertão de então, sangrava-lhe o coração na sua impotência de minimizar os sofrimentos de marido e tio. A outra, a maneira sábia de conviver bem com um casamento arranjado por seus pais, de não contrariar em nada o marido, fazendo uso de toda a astúcia feminina, de se fazer desentendida naquilo que achava absurda exigência masculina, fato esgrimido com elegância pela escritora acadêmica, Nélida Piñon, explicando a sabedoria e a sutileza da reação das mulheres contra o poder masculino através dos tempos, como fizera: Sara, Rebeca, Débora, Miriam, Ester, Ruth, Dalila e outras tantas, não figurando nas genealogias escritas pelos homens, como bem lembra Piñon. Assim, era candidamente, a Mãe Imã que conheci.
  27. 27. A História, a genealogia, e em especial a família Aguiar agradecem a iniciativa e o esmero dos autores na confecção da presente obra. Posso testemunhar o esforço dos mesmos, com a metodologia usada, desde a coleta de informações, através de formulários endereçados a todos que se soubessem ser da família Aguiar, além dos recursos empregados da oralidade, de modo a não deixar nenhum clã dos Aguiar de fora das pesquisas, e ainda do trabalho exaustivo de codificar as informações dentro de grades explicativas de acordo com as normas técnicas da Associação Brasileira de Genealogia. Fortaleza, janeiro de 2005. Antônio Thomaz Neto
  28. 28. Capítulo I A Família Aguiar – Origem e Brasão As fontes antigas não são tão claras quanto à origem da família Aguiar, entretanto a posição mais difundida é que teria sido originada da família Guedes. D. Pedro Mendes de Aguiar (ou Mendes Peres de Aguiar) teria tirado este sobrenome da vila de Aguiar, na Província portuguesa de Trás-os-Montes. Ele casouse com D. Maior Garcia de Portocarreiro e viveu à época de D. Afonso I, primeiro rei de Portugal. Daí originaram-se também os Aguillares, de muitos descendentes na Espanha. As armas que usam são de ouro, com uma águia estendida de vermelho. O Aguiar mais remoto identificado Em que pese todos os ramos estudados na presente obra terem feito parte da imensa árvore genealógica que gerou os Aguiar de hoje, nem todos tinham ou conservaram o sobrenome ao longo da história. Considerando os ramos abordados na presente obra, a pessoa mais remota identificada a utilizar este sobrenome foi Luzia de Aguiar de Oliveira. Ela era casada com Simão Gonçalves de Teive, ambos naturais da ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, em Portugal. 33
  29. 29. Família Aguiar – 7 séculos de história O Aguiar mais remoto identificado 34
  30. 30. Família Aguiar – 7 séculos de história O casal teve uma filha, outra Luzia de Aguiar de Oliveira, que veio a casar-se duas vezes, a primeira com o Capitão Domingos de S. Thiago, e a segunda com o Capitão Amaro Lopes da Madeira. Do primeiro casamento – Luzia de Aguiar de Oliveira e Domingos de S. Thiago – foi gerado Felippe de S. Thiago de Oliveira, que veio a casar-se com Lourença Maciel de Andrade, e geraram dentre outros, Ignez Montenegro. Do segundo casamento – Luzia de Aguiar de Oliveira e Amaro Lopes da Madeira – foi gerado Domingos de Aguiar de Oliveira. Ignez Montenegro casou-se com seu tio Domingos de Aguiar de Oliveira, pois este, como vimos, era irmão por parte de mãe de Felippe de S. Thiago de Oliveira. Este casal forma um entroncamento importante no entrelaçamento de diversas famílias, como veremos adiante. Os Bandeiras, Ximenes, Oliveira, Melo, Montenegro e Aragão O entrelaçamento mais remoto identificado entre as famílias Bandeira, Ximenes, Oliveira, Melo, Montenegro e Aragão com a família Aguiar deu-se nos séculos XV e XVI, como a seguir demonstrado. Sebastiana de Vasconcelos foi a terceira e última filha do primeiro casamento de Manoel Vaz Carrasco e Silva, o célebre pai das ‘Sete Irmãs’, e Luiza de Sousa. Sua ascendência por parte de pai será vista no capítulo referente à família Carrasco. Sebastiana de Vasconcelos nasceu em Goiana (Pernambuco) e, depois da prematura morte de sua genitora, continuou aí residindo com seus dois irmãos mais velhos, Manoel Vaz da Silva 35
  31. 31. Família Aguiar – 7 séculos de história Os Bandeiras, Ximenes, Oliveira, Melo, Montenegro e Aragão 36
  32. 32. Família Aguiar – 7 séculos de história e Maria de Góes Vasconcelos, provavelmente na companhia de seus tios paternos ou maternos, uma vez que o seu pai, casandose pela segunda vez, passou a residir na Ribeira do Acaraú, onde se radicou em definitivo. Ela casou-se em Goiana com João Dias Ximenes de Galegos (ou João da Soledade). João Dias Ximenes de Galegos era filho de Domingos de São Thiago Montenegro e Lourença de Aguiar Dias Ximenes, filha de Duarte Ximenes de Aragão e Felippa de Abreu Ximenes de Aragão. Pelo lado paterno, João Dias Ximenes de Galegos tinha como avós Domingos de Aguiar de Oliveira e Ignez Montenegro. Cabe destacar, como já demonstrado, que Ignez Montenegro era sobrinha do seu marido, fato não tão incomum para a época, pois ele, Domingos de Aguiar de Oliveira, era filho do segundo matrimônio da avó paterna de Inês, Luzia de Aguiar de Oliveira com Capitão Amaro Lopes da Madeira. O primeiro casamento de Luzia de Aguiar de Oliveira deuse com Domingos de São Thiago Montenegro. Ele, espanhol, veio para o Brasil em companhia do Conde Banholo, por ocasião da guerra contra os invasores holandeses. Por sua vez, Luzia de Aguiar de Oliveira era filha de Simão Gonçalves de Teive e de Luzia de Aguiar de Oliveira, conforme vimos anteriormente. Ignez de Montenegro, repita-se, esposa de Domingos de Aguiar de Oliveira, era filha de Felippe de São Thiago de Oliveira e Lourença Maciel de Andrade. Lourença Maciel de Andrade era filha de Baltazar Maciel de Andrade e sua prima Jerônima de Mesquita de Azevedo, e neta materna de Antônio Bandeira de Melo (fidalgo da Casa Real 37
  33. 33. Família Aguiar – 7 séculos de história de Sua Majestade) e Jerônima de Mesquita, filha de Matheus Freitas de Azevedo, também fidalgo da Casa Real. Lourença Maciel de Andrade tinha como bisavós (pais de Antônio Bandeira de Melo) Felippe Bandeira de Melo e Maria Maciel de Andrade, naturais de Lisboa. Ambos vieram, já casados, de Portugal em 1535, acompanhando Duarte Coelho Pereira, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco. Cumpre destacar trecho da Nobiliarquia Pernambucana (Vol. II, pág. 262) de Antônio José Vitoriano Borges da Fonseca: “Dos ditos Felippe Bandeira de Melo e Pedro Bandeira de Melo procedem todos os Bandeiras da Capitania de Pernambuco, e como de documentos fidedignos consta qual foi em Portugal sua origem, parece justo que demos notícia dela. É bem sabido nas nossas histórias portuguesas que a primeira pessoa que usou do apelido de Bandeira foi Gonçalo Pires, a quem o Rei Dom João II concedeu este apelido e as armas que escreve Vilas Boas na sua Nobiliarquia Portuguesa (Bandeiras, pág. 1244), em remuneração da insigne façanha que fez em salvar na batalha do Touro, em tempo de el-Rei Afonso V, a bandeira real do reino, que estava em poder dos adversários. Teve este Gonçalo Pires Bandeira, entre outros filhos, a Felippa Bandeira e Bartholomeu Bandeira, de sua mulher D. Violante Bandeira. Esta Felippa Bandeira casou-se com João Rodrigues Malheiro, fidalgo muito ilustre, como consta do brasão de armas de sua digníssima e ilustríssima família (...). Dos ditos ilustres fidalgos, João Rodrigues Malheiro e sua mulher Felippa Bandeira, nasceu, entre outros filhos, Brites Bandeira de Melo, que se casou com Sebastião Pires de Louredo, e residiam na comarca de Lamego, pelos anos de 1520, destes sendo filhos Felippe Bandeira de Melo e Pedro Bandeira de Melo. 38
  34. 34. Família Aguiar – 7 séculos de história Felippe Bandeira de Melo foi, como fica dito, o primeiro varão e ilustre fidalgo desta digníssima família que passou à Capitania de Pernambuco, em 1535, com seu parente Duarte Coelho Pereira, donatário da referida capitania, e já casado com sua patrícia D. Maria Maciel de Andrade.” Ascendência Judaica – Abraham Sênior Expusemos anteriormente a ascendência de João Dias Ximenes de Galegos pelo lado paterno. Como vimos, ele era filho de Domingos de São Thiago Montenegro e Lourença de Aguiar Dias Ximenes. Neste tópico vamos abordar os ascendentes João Dias Ximenes de Galegos pelo lado materno. Lourença de Aguiar Dias Ximenes, sua mãe, era filha de Duarte Ximenes de Aragão e Felippa de Abreu Ximenes de Aragão. Cumpre alertar que a ascendência de Duarte Ximenes de Aragão, a seguir destacada, não é pacífica, pois um dos principais documentos que retratam as árvores genealógicas do Brasil colônia são os quatro volumes da Nobiliarchia Pernambucana de Antônio José Victoriano Borges da Fonseca, que apresenta outra ascendência. Entretanto, concluímos, após o confrontamento das fontes históricas, que a posição de Borges da Fonseca está equivocada, em razão de o autor ter querido excluir os judeus da ascendência de todas as famílias por ele citadas, posição esta incompatível com o escopo da presente obra. Nesse contexto, temos que Duarte Ximenes de Aragão era filho de João Batista Ximenes, por sua vez filho de um outro Duarte Ximenes de Aragão e Maria da Veiga, judia, e ambos moravam em Antuérpia. Este Duarte Ximenes de Aragão era filho de Rui Nunes Ximenes e Graça Rodrigues de Évora, ambos falecidos em Antuérpia, em 1581, e em Florença, em 1601, respectivamente. 39
  35. 35. Família Aguiar – 7 séculos de história Ascendência Judaica – Abraham Sênior 40
  36. 36. Família Aguiar – 7 séculos de história Rui Nunes Ximenes era filho de um terceiro Duarte Ximenes de Aragão, médico e assessor financeiro de D. Brites, filha de D. Manuel, o Venturoso, e Isabel Rodrigues de Évora (ou da Veiga). Isabel Rodrigues de Évora, por sua vez, era filha de Rodrigo da Veiga, médico de D. Manuel, o Venturoso, rei de Portugal. Este Rodrigo da Veiga era filho de Thomás da Veiga, o de Tordesilhas, médico dos reis católicos da Espanha e de Constança Coronel. Ela, Constança, era filha do rabino Meir Melamed. O rabino Meir Melamed casou-se com a filha do rabino Abraham Sênior. Posteriormente, este ficou conhecido por Fernão Peres Coronel, por conta da mudança de nome levada a cabo em razão da conversão ao catolicismo realizada em 15/06/1492, uma sexta-feira. Cabe destacar que ambos os rabinos, sogro e genro, converteram-se no mesmo dia, tendo como padrinhos os próprios reis da Espanha. Infelizmente ainda não foi possível identificar o nome da esposa e da filha de Abraham Sênior. Sabe-se, apenas, que o referido rabino casou-se com a filha do rabino Yuda Baquiz. A Expulsão da Espanha – a Rainha fala por Deus Após a vitória sobre os mouros na primavera de 1492, e a conseqüente reunificação do que viria a ser a Espanha de hoje, os reis Fernando de Aragão e Isabel de Castella, mais conhecidos como os reis católicos da Espanha, ordenaram a expulsão de todos os mouros e judeus de todas as partes do reino. Era o ano de 5252 do calendário judaico. O rei deu prazo de três meses após o anúncio público da decisão – dia 01 de maio, para a sua retirada. Estima-se que a comunidade judaica atingia cerca de 50.000 famílias, que deveriam abandonar o país 41
  37. 37. Família Aguiar – 7 séculos de história carregando somente os seus bens móveis, não incluídos, metais preciosos, como o ouro e a prata. No curso desse período, os israelitas esforçaram-se para conseguir um acordo que facultasse a sua permanência no país. Seus representantes junto aos reis eram o rabino D. Abraham Sênior, líder das congregações judaicas espanholas, o rabino Meir Melamed, que era secretário do rei, e D. Isaac Abravanel, também ocupante de cargo na corte espanhola. Abraham Sênior já se mostrara um habilidoso negociador anteriormente, quando do próprio orquestramento do casamento dos reis. Reza a lenda que o acordo estava para ser efetivado quando o Prior de Santa Cruz, enfurecido com o desenrolar dos acontecimentos, carregando um crucifixo, diz ao rei e à rainha: “Judas Iscariotes vendeu seu mestre por 30 peças de prata. Vossa Alteza o venderia novamente por 30 mil. Aqui está, tome-o e negocie.” A rainha tomou a palavra e dirigiu-se aos representantes dos judeus: “Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor, que o inclina a todo o seu querer. Acreditai que isso vem de nós? O Senhor colocou essas coisas no coração do rei.” Estava traçado o destino daqueles homens, mulheres e crianças. 42
  38. 38. Capítulo II O casal Branca Dias e Diogo Fernandes O casal Vicente Dias e Violante Dias será um dos pontos de partida do nosso trabalho e para melhor visualização de seus descendentes, utilizaremos a identificação numérica, que traz dentre outras facilidades um melhor parâmetro de comparação entre os diversos ramos que se bifurcam do tronco central. O casal teve pelo menos três filhos, duas mulheres e um homem, todos naturais da localidade de Viana da Foz do Lima (ou Viana do Castelo), Portugal, sendo que somente as duas foram identificadas: 1. Branca Dias e 2. Isabel Dias. Poucas são as informações a respeito deste casal. O que se tem, retirou-se do depoimento de Violante Dias perante o Tribunal do Santo Ofício em Lisboa, quando ela e a filha Isabel acusaram Branca Dias de práticas judaizantes. Sabe-se que Isabel casou-se, mas foi abandonada pelo marido e, presume-se, não teve prole. As acusações de ambas, em processo datado de 1543, eram que Branca Dias, sendo cristã batizada, veio a judaizar e apostatar da fé católica, honrando os sábados e obedecendo a ritos e cerimônias judaicas. Diziam ainda que Branca Dias, às sextasfeiras, varria e mandava varrer a casa, punha mais uma mecha 43
  39. 39. Família Aguiar – 7 séculos de história torcida no candeeiro por honra do sábado, vestia camisa limpa e punha lençóis lavados na cama e que respeitava o jejum do Quipur, que os judeus chamavam de dia dos Perdões. A Conveniência Religiosa Cumpre realizar alguns esclarecimentos históricos, em especial, sobre os procedimentos inquisitoriais da época para que não haja um julgamento precipitado dos atos da mãe e irmã de Branca Dias. D. Manuel, rei de Portugal, interessado em cumprir uma das cláusulas de seu casamento com Dona Isabel, filha primogênita de Fernando e Isabel, reis da Espanha, comprometeu-se a expulsar os judeus que viviam em seu reino. Em 5 de dezembro de 1496, ele publicou o decreto de expulsão de todos “os filhos da maldição” (os judeus sefardins, ou seja, naturais de Sefarad, que, em hebraico, é o nome geográfico da Península Ibérica). Entretanto, por razões econômicas e sociais, em especial, pelo destacado papel que os judeus desempenhavam na vida política e econômica do país, dificultou a saída dos judeus e determinou o seu batismo em massa, que a partir de então tornavam-se cristãos-novos. Dessa forma, oficialmente, acabavam-se os judeus em Portugal, e surgiam os cristãos-novos. Gente da Nação Como conseqüência da intolerância religiosa coroada com o batismo em massa, muitos judeus ibéricos fugiram para diversos destinos, dentre eles citamos: Holanda, como o caso da família de Baruch de Espinoza, África e Brasil. 44
  40. 40. Família Aguiar – 7 séculos de história ‘Nação portuguesa’, ‘gente da nação’ ou ‘homens da nação’ – era assim que os mercadores judaicos-portugueses fugidos da inquisição designavam-se a si mesmos. A nação dos portugueses desterrados era mais do que uma simples forma de identificação, significava uma comunidade e possuía o conceito de corpo eclesiástico. A maior migração para o nosso país deu-se quando da dominação holandesa de 1630 a 1654, em especial, quando da administração do governador e capitão-mor Maurício de Nassau. Os judeus encontraram em Pernambuco, sob a proteção de Nassau, a mesma liberdade religiosa da metrópole holandesa. Eles, além de bons comerciantes, foram também senhores de engenho e atuaram em várias profissões liberais, como advogado, médico e construtores. Em 1639, a comunidade construiu a sinagoga Kahal Zur Israel e convidaram para dirigi-la o rabino de origem portuguesa Isaac Aboab da Fonseca, que veio acompanhado de Moses Raphael de Aguilar, outro rabino que teve como missão a orientação da escola religiosa. Com a vitória das forças portuguesas em 1654, os judeus receberam das autoridades portuguesas o prazo de 3 meses para abandonar a colônia. Vários foram os destinos seguidos: alguns tomaram o caminho de volta para Holanda, outros seguiram para o Caribe e a América do Norte, onde se integraram à comunidade de Nova Amsterdã, que mais tarde seria chamada de Nova York. Outros judeus dispersaram-se pelo interior da colônia, assimilando gradativamente a cultura e a religião que lhes foram impostas, e dando origem a diversos ramos familiares. 45
  41. 41. Família Aguiar – 7 séculos de história A Inquisição No dia 23 de maio de 1536, a Inquisição recebeu autorização para funcionar em Portugal, e em 1540 foi realizada a primeira cerimônia pública de auto-da-fé em Lisboa. Entretanto, por razões de divergências entre a monarquia portuguesa e a cúria romana, somente no dia 16 de junho de 1547, o Tribunal foi definitivamente estabelecido e perdurou até 1821. A principal destinação da Inquisição era a manutenção da pureza religiosa católica, e para sua preservação fazia-se necessária a rejeição dos membros considerados indesejáveis, em especial, os judeus e cristãos-novos, minorias sociais e religiosas que representavam os pecados da comunidade, devendo ser sumariamente excluídos. Estava, mais uma vez, caracterizada a prática da exclusão social, representando a inclinação profunda do homem em projetar sua própria culpabilidade sobre outro, com a conseqüente satisfação de sua consciência, por meio do castigo ao diferente. Como método para obtenção das confissões desejadas e não conseguidas por meio dos interrogatórios, os inquisitores usavam a tortura. Havia, nas dependências do Santo Ofício, uma sala com essa destinação, denominada casa dos tormentos. A intensidade e a crueldade dos suplícios dependia da resistência do torturado e da avaliação de sua saúde física realizada por um médico, que acompanhava as torturas. Caso o acusado resistisse às torturas e não confessasse, a sua condenação à fogueira era uma conseqüência lógica. Só havia uma maneira de “purificação”, a confissão, a acusação de outros cristãos-novos e o cumprimento das penas inquisitoriais, que poderiam ser confisco dos bens, cárcere, hábito penitencial e banimento para vários lugares, em especial, o Brasil. 46
  42. 42. Família Aguiar – 7 séculos de história Evidentemente, nenhuma confissão, bem como acusações e denúncias obtidas pelos meios citados deveriam ter credibilidade. É nesse contexto, que deixamos ao leitor a avaliação dos atos de Violante e Isabel Dias. Branca Dias Branca Dias foi condenada pelo Tribunal do Santo Ofício em 1543 a dois anos de prisão, mas cumpriu apenas um ano e três meses. Branca Dias casou-se com Diogo Fernandes, que era comerciante de tecidos, aparentemente próspero, em Portugal. Por motivos ainda desconhecidos, Diogo Fernandes veio para o Brasil em data indefinida. Acredita-se que ambos, Diogo e Branca, teriam fugido da Inquisição. Ele, em data anterior a 1543, e ela, em data posterior a 1545, quando foi libertada pelo Tribunal, vieram para o Brasil. Sabe-se ao certo que, em 1542, Duarte Coelho Pereira, primeiro donatário de Pernambuco, doou uma sesmaria para Diogo Fernandes, tornando-se este agricultor de cana-deaçúcar em Pernambuco. Parece que ele era pessoa ligada à família Albuquerque, porque D. Brites de Albuquerque, esposa de Duarte Coelho, acompanhou-o nos seus últimos momentos de vida e Jerônimo de Albuquerque, irmão de Brites e futuro governador da Capitania, teria intercedido junto à Corte Portuguesa para conceder-lhe alguns favores. No Brasil, Branca Dias montou em sua casa uma escola para meninas para lecionar a fiar, costurar e bordar, que teria funcionado nas décadas de 1550 a 1560. Após o falecimento de Diogo Fernandes, entre 1563 a 1567, Branca Dias dedicou-se ao cultivo das terras situadas em 47
  43. 43. Família Aguiar – 7 séculos de história Camarajibe, nas margens do rio Capibaribe. Ela veio a falecer em data não confirmada, entre 1579 a 1591, e por razões desconhecidas, com cerca de 70 anos de idade. O casal teve 11 filhos, a seguir destacados: 1.1. Brites Fernandes, a velha ou a alcorcovada, a única mulher a conservar-se solteira; 1.2. Inês Fernandes de Goes casada com Baltasar Leitão Cabral; 1.3. Violante Fernandes casada, em primeiras núpcias, com João Pereira e em segundas núpcias com Antônio Barbalho; 1.4. Guiomar Fernandes casada com Francisco Frasão sem descendência a constar; 1.5. Baltasar que era Capitão em Flandres; 1.6. Ana da Paz casada com Diogo Fernandes Camarajibe ou do Brasil; 1.7. Manoel Afonso; 1.8. Jorge Dias de Paz casado com Maria de Góis, sem descendência a constar; 1.9. Andressa Jorge casada com Fernão de Sousa; 1.10. Isabel Fernandes casada com Sebastião Coelho; 1.11. Felipa da Paz casada, em primeiras núpcias, com Cristovão Sarradas sem descendência a constar e, em segundas núpcias, com Pero da Costa. Inês Fernandes de Goes (1.2.) - primeira esposa de Baltasar - casou-se com Baltasar Leitão Cabral. Segundo Borges da Fonseca (Nobiliarquia Pernambucana, Vol. II, pág. 336), Baltasar serviu na Câmara de Olinda em 1596 e em sua gestão, por ordem de Dom Antônio Barreiros, bispo do Brasil, foi concedida licença para que os monges beneditinos fundassem o Mosteiro na Ermida de Nossa Senhora do Monte, cuja fundação acha-se registrada no Livro do Tombo do Mosteiro de São Bento daquela cidade (Arquivo: gaveta 03, maço A, n.º 01). Neste documento, Baltasar assina em segundo 48
  44. 44. Família Aguiar – 7 séculos de história lugar, logo depois de Luis do Rego Barreto, que era o juiz ordinário mais velho, o que se pode inferir que Baltasar era o juiz ordinário mais moço ou o vereador mais velho. Ele veio a falecer em 01 de dezembro de 1617 e foi sepultado na Igreja Matriz do Salvador. O casal teve somente uma filha: 1.2.1. Maria de Paiva, nascida cerca de 1562 e casada com Agostinho de Holanda de Vasconcelos (o velho); Baltasar casou-se ainda pela segunda vez com Leonor Rodrigues Paes e teria tido uma filha de nome Jeronyma Cabral Távora, a qual casou-se com Francisco Mendes Flores. O casal Violante Fernandes (1.3.) e João Pereira teve: 1.3.1. Leonardo Pereira, que casou-se com Brásia Pinto, cristãvelha, natural de Pernambuco, presa pela Inquisição; 1.3.2. Mateus Pereira, nascido cerca de 1566. Em segundas núpcias, Violante casou-se com Antônio Barbalho, com menção até onde se sabe de uma única filha: 1.3.3. Guiomar Barbalha. O casal Ana da Paz (1.6.) e Diogo Fernandes teve: 1.6.1. Manuel de Paz, nascido cerca de 1580 e falecido em 1642. O casal Andressa Jorge (1.9.) e Fernão de Sousa teve: 1.9.1. Diogo de Sousa, nascido em Pernambuco cerca de 1573; 1.9.2. Jorge de Sousa, nascido em Pernambuco em 1580; 1.9.3. Ana da Paz, nascida em Pernambuco em 1585; 1.9.4. Maria de Sousa, casada com Duarte Mendes, cristão-novo, presa pela Inquisição; 1.9.5. Beatriz de Sousa, nascida em Pernambuco cerca de 1586, presa pela Inquisição; 1.9.6. Violante de Sousa, nascida em Pernambuco cerca de 1588; 1.9.7. Francisco, nascido em Pernambuco cerca de 1590; 49
  45. 45. Família Aguiar – 7 séculos de história 1.9.8. Guiomar, nascida em Pernambuco cerca de 1592. O casal Isabel Fernandes (1.10.) e Sebastião Coelho teve: 1.10.1. Paulo, nascido em Pernambuco e depois residente no Porto. O casal Felipa da Paz (1.11.) e Pero da Costa teve: 1.11.1. Ana da Costa de Arruda, nascida em Pernambuco cerca de 1576, presa pela Inquisição; 1.11.2. Bartolomeu Favela de Arruda, nascido em Pernambuco cerca de 1580; 1.11.3. Catarina Favela, nascida em Pernambuco cerca de 1583, batizada na ermida de Santiago de Camarajibe e presa pela Inquisição; 1.11.4. Maria de Arruda; 1.11.5. Isabel; 1.11.6. Filipe; 1.11.7. Diogo Martins da Costa; 1.11.8. Pero da Costa. A Conveniência Histórica É importante esclarecer ao leitor, ao final deste capítulo que existe uma grande divergência quanto à descendência de Branca Dias e Diogo Fernandes. A posição de José Antônio Gonsalves de Mello (in Gente da Nação, págs. 132/134), acima adotada, é no sentido de que o casal teve os 11 filhos acima identificados, enquanto Borges da Fonseca (in Nobiliarquia Pernambucana, Vol. II, págs. 336/337) afirma que Branca Dias não deixou descendentes. Cremos que assiste razão ao primeiro por dois grandes motivos: a uma, estão as provas citadas em Gente da Nação, enquanto o segundo não especifica alguma; a duas, pelo grau de 50
  46. 46. Família Aguiar – 7 séculos de história isenção religiosa do primeiro em contraposição ao grande envolvimento emocional do segundo, que parece querer afastar todos os vínculos que possam referir-se à Branca Dias, em razão de sua crença judaica, com adjetivos inadequados a um trabalho histórico isento. Para que o leitor possa avaliar e julgar melhor, transcrevemos parte do texto do segundo autor: “Brites Mendes de Vasconcelos, conhecida vulgarmente por Brites Mendes, a nova, casou, por eleição própria, com Felipe Dias Vaz, Senhor do Engenho de São Bartolomeu de Muribeca, que as memórias antigas dizem que fora filho de Diogo Fernandes, feitor do engenho de Camarajibe da Freguesia de São Lourenço da Muribara, no tempo do Governador Jerônimo de Albuquerque, e sua mulher Branca Dias, e só foi feliz este matrimônio em não haver sucessão dele, como nunca houve em Pernambuco de Branca Dias; depois da morte deste filho e da prisão de sua irmã, Beatriz Fernandes que foi para Lisboa em 1600 e nunca mais voltou, o que não obstante tem feito os malévolos e faltos de critério inumeráveis argüições com que pretenderam injustamente macular não só muitos ramos desta nobilíssima família, pelo parentesco de Brites Mendes, a nova, que nunca tinha com Branca Dias, mais o que o da afinidade e sua nora, porém ainda outras muitas famílias que a malévola ignorância quis livremente compreender.” 51
  47. 47. Capítulo III De Branca Dias a Manoel Carrasco Como vimos no capítulo anterior, Branca Dias e Diogo Fernandes tiveram 11 filhos, dentre eles Inês Fernandes (1.2.), que foi a primeira esposa de Baltasar Leitão Cabral, Cavaleiro de Cristo, descendente de uma das principais famílias de Évora (Portugal). Deste matrimônio foi gerada uma única filha, a saber: 1.2.1. Maria de Paiva; Maria de Paiva casou-se com Agostinho de Holanda de Vasconcelos (o velho), terceiro e último filho varão de Arnau de Holanda e de sua mulher Brites Mendes Góes (ou Brites Mendes de Vasconcelos). Agostinho de Holanda de Vasconcelos nasceu em Olinda e viveu no Cabo de Santo Agostinho no início do século XVII (1601). Arnal Van Holand – nobre ou plebeu? Cabem aqui algumas palavras sobre os pais de Agostinho de Holanda. Sabe-se que Duarte Coelho Pereira, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, veio para o Brasil no ano de 1535, com plenos poderes político e militar concedidos pelo rei de Portugal D. João III, por meio de duas cartas passadas em Évora em 24 de setembro de 1534. 53
  48. 48. Família Aguiar – 7 séculos de história De Branca Dias a Manoel Carrasco 54
  49. 49. Família Aguiar – 7 séculos de história Nessa empreitada, Duarte Coelho trouxe em sua companhia a sua mulher Brites de Albuquerque, seu cunhado Jeronymo de Albuquerque e muitas outras pessoas. Dentre elas, pode-se citar Arnal van Holand (Arnau de Holanda), natural de Utrech, Holanda. No que se refere à sua ascendência, encontramos divergências entre os autores, que basicamente optam por duas correntes, quais sejam. Segundo Borges da Fonseca (in Nobiliarquia Pernambucana), Arnau de Holanda era filho de Heinrich van Holand (Henrique de Holanda), Barão de Rhenoburg e de Margarida Florentz Boeyens (Margarida Florença), irmã do Papa Adriano VI, que ascendeu à cadeira de São Pedro em 09 de janeiro de 1522 e faleceu em 14 de setembro de 1523, com um ano, oito meses e seis dias de pontificado. Esta informação relativa ao parentesco com o Papa Adriano VI não foi confirmada por outras fontes, seja religiosa ou não. De qualquer forma, destacamos alguns pontos da vida de Adriano Florentz Boeyens, que era o nome de Adriano VI. Ele nasceu em Utrecht, Holanda, em 02/03/1459, e foi o último pontífice não-italiano, antes do Papa João Paulo II. De família pobre, desde os primeiros anos de vida lutou muito para estudar, tendo conseguido formar-se na Universidade de Louvain. Foi Bispo de Tolosa e preceptor do Imperador Carlos V. Ficou conhecido por sua imparcialidade e foi homenageado por todos os reis cristãos. Mostrou-se uma pessoa muita caridosa, inclusive durante seu pontificado, proibindo despesas e pompas na sua coroação, afastou de si os parasitas, cortesões, falsos poetas e bajuladores, ganhando com tais medidas a antipatia dos aproveitadores. 55
  50. 50. Família Aguiar – 7 séculos de história Em posição diametralmente oposta está Francisco Antônio Dória (in Os Herdeiros do Poder), que afirma que Arnau de Holanda era filho ou neto de Jácome (Jacob) de Holanda, comerciante holandês que viajou até a Índia e, posteriormente, teria vindo para o Brasil. De qualquer sorte, Arnau de Holanda casou-se em Pernambuco com Brites Mendes de Vasconcelos. Brites Mendes de Vasconcelos – princesa ou plebéia? Quanto à ascendência de Brites Mendes de Vasconcelos, também temos divergências. Segundo Borges da Fonseca, ela era natural de Lisboa e filha de Bartolomeo Rodrigues de Sá, camareiro-mor do infante Dom Luis, filho do rei Dom Manuel, o Venturoso, e de sua mulher Joana de Góes de Vasconcelos. Joana fora criada da rainha D. Catarina, mulher do rei D. João III, que a recomendou a Brites de Albuquerque, esposa de Duarte Coelho, quando do seu embarque para o Brasil. Novamente em oposição temos Francisco Antônio Dória, que afirma ser Brites Mendes, filha bastarda de D. Luis, infante de Portugal – 5º duque de Beja, e filho de D. Manuel, o Venturoso, e de sua camareira Joana de Góes de Vasconcelos. Dessa maneira, Brites Mendes seria irmã, por parte de pai, de D. Antônio, prior do Crato, e sobrinha, por parte de pai, dos filhos do segundo casamento de D. Manuel com D. Maria de Castela, quais sejam: D. João III, o Piedoso; D. Henrique I, o Casto; D. Fernando; D. Afonso; D. Duarte; D. Isabel de Portugal e D. Beatriz. Ao certo, sabe-se que Brites de Albuquerque, esposa de Duarte Coelho, dotou várias terras para Brites Mendes de 56
  51. 51. Família Aguiar – 7 séculos de história Vasconcelos, nas quais ela e seu marido, Arnau de Holanda, levantaram muitos engenhos de açúcar. Ela teria chegado aos cem anos de idade, por cujo motivo é conhecida pela alcunha de “velha”. Faleceu em Olinda em 19 de dezembro de 1620, deixando por seu testamenteiro o seu neto, Francisco de Rego Barros, e foi sepultada na Igreja de Santo Antônio e São Gonçalo do Convento da Ordem de Nossa Senhora do Monte do Carmo, na mesma cidade. Os descendentes de Maria de Paiva Maria de Paiva e Agostinho de Holanda de Vasconcelos tiveram os seguintes filhos: 1.2.1.1. Baltazar Leitão de Paiva (ou Baltasar Leitão de Holanda); 1.2.1.2. Antônio Leitão de Vasconcelos; 1.2.1.3. Agustinho de Hollanda; 1.2.1.4. Adriana de Hollanda; 1.2.1.5. Joanna de Goes; 1.2.1.6. Anna de Hollanda; 1.2.1.7. Inês Fernandes. Baltazar Leitão (1.2.1.1.) serviu na guerra contra os holandeses. Ele casou-se com Francisca dos Santos França, filha de Gaspar Fernandes França. Deste matrimônio nasceram 14 filhos: 1.2.1.1.1. Maria de Goes; 1.2.1.1.2. Baltasar Leitão de Vasconcelos; 1.2.1.1.3. Vasco Leitão de Vasconcelos; 1.2.1.1.4. Agustinho Leitão de Vasconcelos; 1.2.1.1.5. Cosme Leitão de Vasconcelos; 1.2.1.1.6. Antonio Cabral de Vasconcelos; 1.2.1.1.7. Roque Leitão de Vasconcelos; 57
  52. 52. Família Aguiar – 7 séculos de história 1.2.1.1.8. Sebastião de Vasconcelos; 1.2.1.1.9. João Leitão de Vasconcelos; 1.2.1.1.10. Anna de Vasconcelos; 1.2.1.1.11. Ignes de Paiva; 1.2.1.1.12. Brites de Vasconcelos; 1.2.1.1.13. Adriana de Hollanda; 1.2.1.1.14. Joanna de Goes. Maria de Góes (1.2.1.1.1.) casou-se com Gaspar da Costa Coelho, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Capitão de Infantaria na Guerra Holandesa, fidalgo cavaleiro da Casa Real. Ambos faleceram na Bahia. Quatro filhos nasceram deste matrimônio: 1.2.1.1.1.1. Brites de Vasconcelos; 1.2.1.1.1.2. João Coelho de Goes; 1.2.1.1.1.3. Gaspar da Costa Coelho; 1.2.1.1.1.4. Ignes de Vasconcelos; Brites de Vasconcelos (1.2.1.1.1.1.) casou-se com Francisco Vaz Carrasco, ordenado depois de viúvo. Sebastião Vaz Carrasco (avô de Francisco Vaz Carrasco) foi um homem nobre que viveu em Olinda antes da entrada dos holandeses, e depois mudou-se para a freguesia de São Miguel de Ipojuca. Ele casou-se com Maria da Rosa (a velha) e tiveram uma única filha, de mesmo nome da mãe – Maria da Rosa, a nova, que veio a casar-se com Manoel Vaz Viseu, Comendador da Ordem de São Bartolomeu e Cavaleiro de Cristo. O casal, Manoel Vaz Viseu e Maria da Rosa – a nova -, geraram dentre outros filhos, Francisco Vaz Carrasco. Do casamento de Brites de Vasconcelos (1.2.1.1.1.1.) com Francisco Vaz Carrasco nasceram 5 filhos: 1.2.1.1.1.1.1. Manoel Vaz Carrasco; 1.2.1.1.1.1.2. Francisco Vaz Carrasco; 58
  53. 53. Família Aguiar – 7 séculos de história 1.2.1.1.1.1.3. Antônio Vaz Carrasco; 1.2.1.1.1.1.4. Maria de Goes; 1.2.1.1.1.1.5. Maria Madalena; 1.2.1.1.1.1.6. Eugenia Vaz. Destacaremos resumo (com adaptações em razão de divergências com outros autores), sacado da obra de Francisco Sadoc de Araújo, intitulada Cronologia Sobralense, volume I, como um gesto de homenagem ao autor, que com um árduo trabalho de pesquisa presenteou a todos com seu belo livro. As 7 irmãs A parte relacionada à família Aguiar é a que se refere às famosas “Sete Irmãs”, que nas palavras daquele autor, “a fecundidade maternal gerou grande parte da família sobralense, como aliás de toda a Ribeira do Acaraú.” Passemos, então, ao texto: “Ano de 1666 23 de agosto: (2ª feira) Por patente datada desse dia, é nomeado Capitão de Ordenanças de Ipojuca, Pernambuco, o jovem Francisco Vaz Carrasco, filho de Manoel Vaz Viseu e Maria da Rocha (ou da Rosa). Mal sabia ele que se casando, pouco depois, com Brites de Vasconcelos, trineta do nobre holandês Arnaud de Holanda, sobrinho do Papa Adriano VI, haveria de deixar enorme descendência, parte da qual, através do seu primogênito Manuel Vaz Carrasco e Silva (Pai das Sete Irmãs), constituiria a origem e a glória de grande porção do povo sobralense. Francisco Vaz Carrasco, o novo Capitão de Ordenanças, era não só nobre pelo sangue, como também admirável pela fé. Prova disto é o fato de ter se ordenado sacerdote, por livre e espontânea vontade, logo após o falecimento de sua mulher. 59
  54. 54. Família Aguiar – 7 séculos de história Boa linhagem e testemunho vivo de fé cristã foi a herança que deixou aos seus. Ligado ao papado pelo sangue e pela fé, transmitiu fé cristã e sangue nobre até a Ribeira do Acaraú para constituir aqui, com essas duas energias, uma humana e outra divina, o dinamismo irreversível da civilização sobralense. Francisco Vaz Carrasco e Brites de Vasconcelos tiveram: 1. Manuel Vaz Carrasco (Pai das Sete Irmãs) casou-se duas vezes. A primeira com Luiza de Sousa, filha Sebastião Leitão de Vasconcelos e Inês de Sousa. A segunda com Maria Madalena de Sá Oliveira, filha de Nicácio de Aguiar e Oliveira e Madalena de Sá, irmã do CapitãoMor do Ceará, Sebastião de Sá e de Leonardo de Sá. 2. Francisco Vaz Carrasco (filho) casou-se com Antônia de Mendonça Uchoa, viúva de Bartolomeu Peres de Gusmão, filha de Francisco de Faria Uchoa e Ana de Lira Pessoa. 3. Antônio Vaz Carrasco (sobrinho) casou-se com Margarida de Sousa, filha de Sebastião Leitão de Vasconcelos e Inês de Sousa. 4. Maria Madalena casou-se com Pedro Gama. 5. Eugênia Vaz Carrasco faleceu solteira em 1724, em Goiana. 6. Maria de Goes Vasconcelos Carrasco. Ano de 1673 Nasce em Ipojuca, Pernambuco, Manoel Vaz Carrasco e Silva, primogênito do casal Francisco Vaz Carrasco e Inês de Vasconcelos, tronco de inumerável descendência em toda a Ribeira do Acaraú. Emigrou para o Ceará, fixando residência na Fazenda Lagoa Seca, perto do local onde hoje encontra-se a cidade de Bela Cruz. Manoel Vaz Carrasco e Silva é o pai das célebres 7 Irmãs, de cuja fecundidade maternal provém grande parte da família sobralense, como aliás de toda a Ribeira do Acaraú. A família Carrasco é de bom sangue e possuía brasão de armas no século XVII, sinal de nobreza e alta linhagem. As bases genéticas 60
  55. 55. Família Aguiar – 7 séculos de história de grande parte da população branca da Ribeira do Acaraú, através dos Carrascos, tem ligação direta com a nobreza da Holanda, Portugal e Espanha. Quais sete colinas romanas, foram as Sete Irmãs o terreno fecundo em que se assentaram os alicerces sangüíneos da civilização nobre e cristã desta pequena porção da gleba cearense. Pela importância genealógica das Sete Irmãs, transcreveremos aqui, o que delas podemos colher em longas pesquisas nos textos originais de registros religiosos do curato da Ribeira do Acaraú, bem como em outras fontes de segunda mão. Manoel Vaz Carrasco e Silva casou-se duas vezes, nascendo-lhe três filhos do primeiro matrimônio e sete do segundo. Do primeiro matrimônio de Manoel Vaz Carrasco e Silva com Luíza de Sousa, filha de Sebastião Leitão de Vasconcelos e Inês de Sousa, nasceram os seguintes filhos: 1. Manoel Vaz da Silva, nascido em 1713, casou-se, em primeiras núpcias, com Maria Bezerra Montenegro, filha do Capitão Felipe Bezerra Montenegro e Maria Montenegro. Sobre o segundo casamento, sabemos apenas que foi com ‘uma sobrinha do padre Gonçalo, senhor do Engenho de Mussupy’, conforme reporta Vitoriano Borges da Fonseca, na Nobiliarchia Pernambucana. 2. Maria de Goes Vasconcelos (1ª das Sete Irmãs) casou-se com Nicácio Aguiar de Oliveira, filho de Nicácio Aguiar de Oliveira e Madalena de Sá. Nicácio, seu marido, faleceu a 03/11/1761, com 65 anos, ‘pobre que vivia de esmola’, segundo atesta o registro de óbito. Foi sepultado na capela de Santa Cruz (hoje Bela Cruz). Ele era simultaneamente cunhado e genro de Manoel Vaz Carrasco, cunhado por ser irmão da segunda mulher, e genro porque se casou com uma filha do primeiro matrimônio de Manoel Vaz Carrasco. 3. Sebastiana de Vasconcelos (2ª das Sete Irmãs) casou-se em Goiana/ PE com João da Soledade, também chamado João Dias Ximenes de Galegos, filho de Domingos de Santiago Montenegro e Lourença de Aguiar Dias Ximenes. 61
  56. 56. Família Aguiar – 7 séculos de história Do segundo matrimônio de Manoel Vaz Carrasco e Silva com Maria Madalena de Sá e Oliveira, viúva de Francisco Bezerra de Meneses, e filha de Nicácio Aguiar de Oliveira e Madalena de Sá, nasceram os seguintes filhos: 4. Nicácio de Aguiar Oliveira (ou Nicácio de Aguiar e Silva) casou-se com Micaela de Sá Oliveira, filha de Tomás da Silva Porto, natural do Porto/Portugal e de sua mulher Nicácia Alves Pereira, em 02/03/1767, na Matriz da Caiçara. Este casal fixou residência na Fazenda Remédios, sendo o fundador dessa povoação. Nicácio faleceu em 21/06/1798, e sua mulher Micaela, faleceu 10 dias antes, em 11 de junho do mesmo ano. 5. Maria Madalena de Sá (3ª das Sete Irmãs) casou-se com Francisco Ferreira da Ponte e Silva, filho do primeiro matrimônio de Gonçalo Ferreira da Ponte com Maria de Barros Coutinho (daí originam-se os Ferreira Ponte), em 20/09/1738. Maria Madalena foi a primeira das 7 Irmãs a falecer, fato que ocorreu em 6/03/1743, em conseqüência de melindroso parto. Francisco Ferreira da Ponte faleceu em 01/11/1758, com 61 anos de idade. 6. Inês Madeira de Vasconcelos (4ª das 7 Irmãs) casou duas vezes. A primeira com o capitão Luis Gonçalves de Matos, filho de Luis Gonçalves e Ana Peralta, naturais de Igarassú, em 14/09/1739. A segunda com o Sargento-mor Antônio Alvares Linhares, filho do Capitão-mor Dionisio Alves Linhares e Rufina Gomes de Sá, em 31/ 07/1758. Dionisio era português, natural de S. Marinha de Linhares, do Arcebispado de Braga, e veio residir no Rio Grande do Norte. Ele era Cavalheiro da Ordem de Cristo e por todos considerado como de boa nobreza, o que confirma sua patente de Capitão-mor, registrada no Livro das Miscelâneas da Ouvidoria Geral de Pernambuco, e descendente de nobilíssima família portuguesa (daí originam-se os Linhares). D. Inês faleceu em 13/08/1802. Antônio Alves Linhares, doente há muitos anos de tuberculose pulmonar, faleceu com hemoptises em 10/10/1785. 62
  57. 57. Família Aguiar – 7 séculos de história 7. Rosa de Sá e Oliveira (5ª das 7 Irmãs) casou-se com o Capitão José de Xerez da Furna Uchoa, filho de Francisco de Xerez Furna e Inês de Vasconcelos Uchoa, em 21/10/1747, na Matriz da Caiçara. D. Rosa faleceu em 10/02/1812, com 96 anos. José de Xerez faleceu em 01/04/ 1797, com 75 anos de idade. 8. Brites de Vasconcelos (6ª das 7 Irmãs) casou-se com José de Araújo Costa, natural de Santa Lúcia de Barcelos, Arcebispado de Braga, Portugal, filho de Pedro de Araújo Costa e Maria de Sá, em 31/07/ 1747. Dona Brites faleceu em 10/02/1814, com 90 anos. José de Araújo Costa faleceu em 04/08/1791, com 74 anos. Moravam na Fazenda Alagoa Grande. O casal são pais de Maria Quitéria de Araújo. 9. Ana Maria de Vasconcelos (7ª das 7 Irmãs) casou-se com Miguel do Prado Leão, natural de Goiana (daí origina-se a família Prado), filho de Cosme do Prado Leão e Luzia da Assunção de Oliveira, em 01/11/ 1753, na Capela da Santa Cruz (hoje Bela Cruz). Ana Maria faleceu no mês de julho de 1770 e Miguel do Prado faleceu em 11/07/1794, com 83 anos, sendo sepultado na Capela da Santa Cruz. 10. Sebastiana de Sá e Oliveira, caçula do casal, batizada na Capela da Almofala dos Tramembés, em 06/07/1731, e que por ter-se conservado solteira não é computada entre as 7 Irmãs. Faleceu em 18/05/1791, sendo sepultada na Capela da Santa Cruz.” Manoel Vaz Carrasco faleceu em 23/11/1753. Família Carrasco – destino: Ceará Cabe destacar ao leitor que uma das grandes divergências encontradas nesta pesquisa foi a vinda dos Carrascos para o Ceará, pois Borges da Fonseca, assim como a tradição oral, asseveram que Nicácio de Aguiar de Oliveira (1.2.1.1.1.1.1.4.) primeiro filho do segundo casamento de Manoel Vaz Carrasco teria vindo para a Capitania do Ceará e aqui se casado no termo da Vila de Granja (Vol. II, pág. 343) com Micaella da Silva, 63

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